Drogas Vasoativas
(DVA)
Dr. Fernando Lima Coutinho
OBJETIVOS

Boa perfusão orgânica e adequada oferta
tissular de O2
–
–

Reposição volêmica
DVA
Escolha da droga deve ser criteriosa e com
objetivos específicos
Catecolamina

Núcleo catecol( um anel benzeno com dois
grupos hidroxila adjacentes

Simpaticomimético – efeito semelhantes ao
simpático, mas não possuem a estrutura
básica
Neurotransmisores
Síntese
LIBERAÇÃO
Inativação



Recaptação
Recaptação extraneural (MAO, COMT)
Difusão sistêmica
Inativação
SISTEMA NERVOSO AUTONÔMICO

RECEPTORES
–
SIMPÁTICOS (ADRENÉRGICOS)


–
DOPAMINÉRGICOS


–
ALFA (1 e 2)
BETA (1 e 2)
D1
D2
PARASSIMPÁTICOS (COLINÉRGICOS)


NICOTÍNICOS
MUSCARÍNICOS
RECEPTORES ADRENÉRGICOS
ALFA
BETA
Vasoconstrição
Vasodilatação (ß2)
Dilatação da íris
Taquicardia (ß1)
Relaxamento intestinal
Aumento de inotropismo (ß1)
Contração de esfíncter intestinal
Relaxamento intestinal (ß2)
Contração pilomotora
Relaxamento uterino (ß2)
Contração de esfíncter vesical
Broncodilatação (ß2)
Termogênese (ß2)
Glicogenólise (ß2)
Lipólise (ß1)
Relaxamento de parede vesical
(ß2)
RECEPTORES

ADRENÉRGICO BETA
–
–
–
Receptor => proteína G => adenilatociclase => AMPc =>
proteinaquinase C => aumenta influxo e sensibilidade Ca++
ß1 – miocárdio
ß2 – vasos, musculatura brônquica, lipólise
Receptores

ADRENÉRGICO ALFA
–
–

Receptor => proteína G => fosfolipase C => IP3 + DAG
=> proteinaquinase C => aumenta influxo de Ca++
α1 e α2 – vasos periféricos e intra-órgãos
DOPAMINÉRGICOS
–
–
D1 – vasodilatação renal, mesentérica, coronariana,
cerebral. Inibe reabsorção tubular renal de sódio
D2 – inibe secreção de prolactina e noradrenalina
(vasodilatação)
AGENTES VASOATIVOS
1.
CATECOLAMINAS
2.
VASOPRESSINA
3.
INIBIDORES DA FOSFODIESTERASE
4.
LEVOSIMENDAN
AGENTES VASOATIVOS



Drogas frequentemente usadas para restaurar e
manter perfusão efetiva dos órgãos vitais,
minimizando riscos de disfunção orgânica múltipla.
Indicadas no estados de choque, independente da
etiologia, após otimização de volume intravascular.
Efeitos colaterais comuns são:
–
–
–
–
Taquicardia sinusal
Taquiarritmias atriais ou ventriculares
Hipotensão ou hipertensão arterial
Vasoconstrição excessiva com alterações isquêmicas.
AGENTES VASOATIVOS
1.
CATECOLAMINAS
2.
VASOPRESSINA
3.
INIBIDORES DA FOSFODIESTERASE
4.
LEVOSIMENDAN
1) CATECOLAMINAS
AGENTE
RECEPTORES
α
β1
β2
D1
D2
Isoproterenol
0
++
+++
0
0
Dopamina 0-3
mcg/kg/min
0/+
+
+
++
++
Dopamina 3-10
mcg/kg/min
+
++
+
++
++
Dopamina >10
mcg/kg/min
++
++
+
++
++
Dopexamina
0
+
+++
+
+
Dobutamina
+
+++
++
0
0
Adrenalina
+++
++
+
0
0
Noradrenalina
+++
++
+
0
0
Fenilefrina
+++
0
0
0
0
DOPAMINA


Precursor imediato da adrenalina / noradrenalina
Doses
–
0-3 mcg/kg/min: receptores dopaminérgicos

–
3-10 mcg/kg/min: receptores beta 1

–
Vasodilatação coronária, mesentérica e renal, aumenta taxa de
filtração glomerular e fluxo renal, aumenta diurese por inibição da
Na-K-ATPase (efeito prominente em pacientes estáveis)
Inotropismo e cronotropismo positivos
> 10 mcg/kg/min: receptores alfa

Vasoconstrição + aumento de pressão arterial
DOPAMINA

Efeitos colaterais:
–
–
–

Uso clínico:
–
–

Shunt pulmonar
Taquicardia
Aumenta oferta de O2, porém diminui taxa de extração
periférica
Choque cardiogênico, bradicardia com repercussão
hemodinâmica
Choque séptico: não alterou mortalidade, incidência de IRA
ou hemodiálise
Apresentação :
–
Ampolas de 2 e 10 ml com 50 mg
ADRENALINA / EPINEFRINA




Catecolamina endógena, produzida pela medula da
glândula adrenal.
Ação em receptores alfa e beta, dose-dependente.
Aumenta, ao mesmo tempo, oferta e consumo de O2,
diminui fluxo esplâncnico, efeito calorigênico.
Elevação da pressão arterial por:
–
–
–
Estimulação direta do miocárdio (inotropismo)
Aumento da frequência cardíaca (cronotropismo)
Vasoconstrição em leitos capilares, mais proeminente que em
vasos maiores
ADRENALINA / EPINEFRINA

Efeitos colaterais
–
–
–
–

Uso clínico
–
–
–

Inquietação, cefaléia pulsátil, tremor e palpitações
Hemorragia cerebral por elevação aguda a PA
Arritmias cardíacas ventriculares
Isquemia miocárdica (aumento de consumo O2/
vasoconstrição)
Choque anafilático, asma grave
Parada cardio-respiratória
Hemostático tópico, anestésicos locais
Apresentação
–
Ampolas de 1 ml com 1 mg
NORADRENALINA / NOREPINEFRINA






Principal mediador químico liberado pelos nervos simpáticos
pós-ganglionares dos mamíferos
Corresponde a 10-20% dos produtos da medula adrenal
Potente agonista alfa, fraco agonista beta (baixas doses)
Elevação de pressão arterial sem efeito tão pronunciado na
frequência cardíaca.
Aumento discreto do débito cardíaco (10-20%)
Aumento importante de RVS
Eficaz em aumentar e manter pressão de perfusão cerebral.
NORADRENALINA / NOREPINEFRINA

Efeitos colaterais:
–

Uso clínico:
–

Semelhantes ao de adrenalina, porém menos proeminentes
Estados de choque, independente da causa
Apresentação:
–
Ampolas de 4 ml com 8 mg
FENILEFRINA







Derivado da adrenalina, ação agonista alfa-1 exclusiva
Início de ação rápida, duração curta
Aumenta pressão arterial às custas de aumento no volume
sistólico e na resistência vascular sistêmica, sem alterar FC.
Poucos estudos em pacientes com choque
Piora perfusão esplâncnica
Uso clínico
– Descongestionantes nasais, colírios midriáticos
– Pacientes hipotensos e taquicárdicos que limitem uso de
outros vasopressores
Apresentação:
– Ampolas de 1 ml com 10 mg
DOBUTAMINA


Catecolamina sintética, semelhante estruturalmente
à dopamina,
Efeitos (dose = 5-15 mcg/kg/min)
–
–

Miocárdico: inotropismo positivo, aumenta automatismo
do NSA e velocidade de condução NAV e ventrículos
Vascular: vasodilatação arterial, diminui capacitância
venosa
Droga mais utilizada na IC e choque cardiogênico
DOBUTAMINA

Efeitos adversos
–
–
–

Uso clínico:
–
–
–
–

Hipertensão e taquicardia
Arritmias cardíacas
Aumento do consumo de O2 => isquemia
Tratamento de descompensação cardíaca
Pós operatório de cirurgia cardíaca
Uso validado na sepse => melhora de perfusão
Propedêutica (cintilografia miocárdica)
Apresentação
ISOPROTERENOL

Catecolamina sintética, com ação muito potente e
exclusiva em receptores beta
– β1: inotropismo e cronotropismo positivos, diminui
tempo de condução AV (arritmias)
– β2: vasodilatação (queda de RVS e PAD)

Efeitos colaterais
– Taquicardia, taquiarritmias, isquemia, palpitações, rubor

Uso clínico
– Pós operatório de transplante cardíaco, estudo
2) VASOPRESSINA

Hormônio endógeno, produzido no sistema
hipotalâmico-neuroipofisário (maior escala), coração
e glândulas adrenais, com ações:
–
–
–

Anti-diurética: receptores V2
Vasoconstrição: receptores V1
Adenohipófise: receptores V3 (?)
Sua liberação no sangue se dá em situações de:
–
–
–
Hiperosmolaridade
Hipovolemia grave
Hipotensão grave
2) VASOPRESSINA




Estudos mostraram que após a CEC, o nível de
vasopressina circulante aumenta em 4-6 vezes, o
que não ocorre na vasoplegia.
Pode ser responsável por aumento de sensibilidade
vascular aos outros vasopressores.
Ação na circulação esplâncnica é controversa
Promove constrição seletiva de arteríola renal
eferente, aumentando a filtração glomerular (outros
agem na aferente e eferente).
2) VASOPRESSINA

Efeitos colaterais:
– Palidez, náuseas, cólicas (V1)
– Intoxicação hídrica, rubor facial, cefaléia (V2)

Uso clínico:
– Diabetes insipidus, síndrome SIADH (desmopressina – exclusivo
V2)
– Hemorragia digestiva alta e outras síndromes hemorrágicas
– Parada cárdio-respiratória
– Vasoplegia pós circulação extra-corpórea
– Choque séptico (estudos)

Apresentação:
– Ampolas de 20 e 40 U
– Spray nasal 0,1 mg
– Comprimidos 0,1 e 0,2 mg
AGENTES VASOATIVOS
1.
CATECOLAMINAS
2.
VASOPRESSINA
3.
INIBIDORES DA FOSFODIESTERASE
4.
LEVOSIMENDAN
3) INIBIDORES DE
FOSFODIESTERASE


Drogas vasoativas não adrenérgicas.
Reduzem a degradação do AMPc
Efeito “inodilatador”

Aumentam contratilidade miocárdica e reduzem tônus vascular:
– Inotropismo positivo
– Vasodilatação com diminuição de pré e pós carga

Benefícios alcançados mesmo em pacientes usuários de betabloqueador ou com downregulation de receptores adrenérgicos.
3) INIBIDORES DE
FOSFODIESTERASE

Efeitos colaterais:
–

Uso clínico:
–
–

Hipotensão por vasodilatação excessiva, arritmias
ventriculares, trombocitopenia (anrinona > milrinona)
Tratamento a curto prazo de IC CFIV
Saída de CEC quando VE é disfuncionante
Apresentação:
–
Ampolas de 1ml com 1 mg
4) LEVOSIMENDAN

Medicação inotrópica e com ação vasodilatadora,
sem ativação adrenérgica.
–
–




Promove alterações conformacionais na troponina C,
aumentado sua sensibilidade ao cálcio.
Abre canais de potássio na musculatura lisa vascular.
Metabólito permanece ativo por uma semana.
Bloqueio beta não interfere na sua ação.
Não altera relaxamento miocárdico (lusotropismo)
Aumenta fluxo coronariano
4) LEVOSIMENDAN

Estudos:
–
RUSSLAN:
–
–

levosimendan x dobutamina
Mortalidade menor que dobutamina
Uso clínico:
–

Hipotensão e redução isquêmica iguais, diminuiu mortalidade e
descompensação cardíaca.
LIDO:
–
levosimendan x placebo
IC CF III ou IV
Apresentação:
–
Frascos de 5 ml com 12,5 mg