MOÇAMBIQUE MANUAL DE BOAS PRÁTICAS UMA ESTRATÉGIA COLETIVA DA INICIATIVA i-PME REDE COLABORATIVA EMPRESARIAL ÍNDICE 1. Enquadramento 1.1 A iniciativa i-PME i 1.2 O Manual de Boas Práticas ii 2. Conhecer 2.1 Indicadores Chave 15 2.2 Perfil Geral 16 2.3 Situação Económica 17 2.4 Caracterização do tecido empresarial e dos setores de atividade 18 2.5 Comércio Internacional 22 3.Explorar 3.1 Moçambique em detalhe 27 3.2 Oportunidades de Negócio 32 4. Atuar 4.1 Aspetos Práticos de Negócio 37 4.2 Formas de Estabelecimento em Moçambique 40 4.3 Incentivos ao Investimento 43 4.4 Entidades de Apoio ao Investimento 46 4.5 O Novo Regime do Investimento Privado – Aspetos a Reter 49 4.6 Sistema Fiscal 49 4.7 Relações Laborais 54 4.8 Os Salários 57 4.9 Cultura de Negócios 57 4.10 Networking – Pessoas, Entidades e Locais a Conhecer 4.11 Dicas e Curiosidades para Vender e Investir em Moçambique 5. Refletir Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas 58 63 FICHA TÉCNICA Entidade Promotora ENQUADRAMENTO AEP – Associação Empresarial de Portugal Coordenação Paulo Nunes de Almeida ENQUADRAMENTO DA TEMÁTICA, DOS PROPÓSITOS E DA METODOLOGIA SEGUIDA NESTE MANUAL Gabinete de Projetos Especiais Florinda Alves Castilho Dias Equipa Luís Ferreira Sandra Costa Olga Ribeiro Setembro 2013. PROJETO COFINANCIADO PELO ESTADO PORTUGUÊS E PELA UNIÃO EUROPEIA 1.1 A Iniciativa i-PME 1.2 Uma Segunda fase: i2-PME 1.3 O Manual de Boas Práticas Foto de capa: Luís Ferreira / luisfphoto.com Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas INTRODUÇÃO 1 Enquadramento 1.1 A Iniciativa i-PME 1.2 Uma Segunda fase: i2-PME 1.3 O Manual de Boas Práticas 1.1. A Iniciativa i-PME Numa economia baseada no conhecimento e num ambiente fortemente concorrencial, a informação é um recurso estratégico essencial para o sucesso das empresas. Os custos de contexto associados à sua recolha, seleção e tratamento, afetam gravemente o potencial competitivo das empresas, especialmente as PME e a sua penetração com sucesso no mercado global. No modelo de sociedade atual, o conhecimento e a informação ocupam um papel central. A sociedade do conhecimento constitui uma evolução natural da sociedade da informação uma vez que o conhecimento nasce da informação. Assistimos hoje, com naturalidade, à possibilidade de acedermos a informação que permite a deteção de oportunidades e de ameaças em tempo real, à escala global, ao aumento de atividades de informação nos processos que concebem, produzem e distribuem bens físicos, ao aumento das cadeias de valor que produzem e distribuem informação, a sistemas de produção em just in time apenas possíveis devido ao aumento da inovação e da inteligência dos processos de oferta, à produção descentralizada em localizações selecionadas à escala global, apenas possível devido aos recursos de informação e comunicação suportados, por exemplo, na Web. A informação relacionada com a vigilância dos mercados-alvo a nível nacional, regional e local, deve merecer por parte das empresas uma atenção particular e ser objeto de um esforço sistemático e organizado de observação, recolha, análise e interpretação sobre todas as variáveis e as mudanças relevantes que ocorram, com vista ao seu aproveitamento para despiste de oportunidades, reforço do potencial competitivo e deteção de ameaças. Os custos de contexto associados à ausência de informação de fácil acesso com valor acrescentado e adaptada em função das necessidades, são elevadíssimos e estão associados à perda de oportunidades no acesso a novos mercados, a riscos de novas ameaças não detetadas, a atrasos nos processos de decisão ou decisões erradas, a falhas graves do processo competitivo por falta de informação e a custos agravados nos processos de conceção, produção, distribuição e inovação. Apresentam-se, por tanto, como uma das grandes condicionantes com que as empresas se deparam para desenvolvimento dos fatores dinâmicos de competitividade. A possibilidade de acesso a informação de proximidade, útil, fiável, oportuna, estruturada, com valor e facilmente assimilável, proveniente de fontes variadas, constituirá um dos mais importantes alicerces da competitividade empresarial. É, neste contexto, que a Iniciativa i-PME, levada a cabo pela AEP – Associação Empresarial de Portugal, assume especial relevância. Procura-se que seja possível obter informação de proximidade, agregada e que se constitua como ferramenta útil para empresas e demais agentes, através da dinamização de uma rede colaborativa empresarial que permita, em ligação com outras associações nacionais e internacionais, articular sistemas de aproximação “ponto a ponto” (empresa a empresa com interesses comuns). Informação de Proximidade Conhecimento de mercado + Oportunidades de Negócio Rede Colaborativa Empresarial Organização global da Iniciativa i-PME Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas i Encarando as economias lusófonas, particularmente, Angola, Moçambique e Brasil como mercados com crescimento robusto e com previsões de desenvolvimento vigorosas, as empresas portuguesas – dos mais variados setores – têm vindo a explorar as janelas de oportunidades que se detetam. Ainda assim, a instalação e maior penetração das PME portuguesas exige uma informação muito apertada de vigilância e uma integração nas instituições locais, para poder prever e reagir, face a eventuais ameaças que podem fazer perigar as posições conquistadas e a sua própria sustentabilidade económica e financeira. A iniciativa i-PME visa construir as bases para a criação de uma rede colaborativa empresarial, marcada pela informação relevante e de proximidade, capaz de atuar como facilitadora para o aproveitamento de oportunidades de negócio. 1.2. Uma segunda Fase: “i2-PME” ii O Projeto “i2PME - informação para a internacionalização das PME”, doravante abreviadamente designado por “i2-PME”, surge como a extensão da primeira fase do projeto “i-PME”, que teve como piloto o mercado de Angola. Pretende-se com este novo projeto “i2-PME”, em coerência e articulação de meios e iniciativas com o anterior, alargar ou estender aos dinâmicos pólos de desenvolvimento do mundo lusófono, Brasil e Moçambique, o trabalho iniciado com o mercado angolano, fechando-se, desta forma, o triângulo estratégico da internacionalização lusófona. Cada vez mais, os negócios e as oportunidades serão potenciados a partir de lógicas e modelos empresariais dinâmicos que integram, em geometria variável, players deste conjunto de países. Nesse sentido, será cada vez mais frequente observarem-se lógicas de complementaridade/concorrência entre grupos empresariais e empresas brasileiras, angolanas ou moçambicanas e portuguesas. No seu conjunto, os dois projetos permitirão cobrir o espaço lusófono, com um peso substantivo no domínio económico, através de uma estrutura integrada facilitadora, pelo lado da informação de proximidade, da formação de parcerias e do apoio a todo o processo de internacionalização. As ferramentas desenvolvidas e os ensinamentos aportados constituem-se como instrumentos importantes para uma internacionalização bem-sucedida, como é o caso da incorporação na presente fase dos aspetos multiculturais no âmbito dos processos de internacionalização no espaço lusófono. das e um conjunto de orientações estratégicas e boas práticas a seguir para identificar, pesquisar e utilizar informação com valor. O primeiro capítulo é marcado pela explanação de uma visão global do mercado moçambicano, sintetizando em “Conhecer Moçambique”. Depois do sucesso da primeira fase, o “i2–PME” visa aprofundar o desenvolvimento de uma estratégia coletiva de informação de proximidade (empresarial, contextual, regional e local), estruturada, customizada e com valor acrescentado, para ser de fácil acesso e interpretação, recolhida junto de fontes tradicionais, de empresas e de associações, parceiras do projeto, para apoio à gestão, vigilância e aproximação das empresas portuguesas a organizações internacionais. Visa o incremento da sua competitividade global e a melhoria da sua abordagem aos processos de internacionalização. Esta informação está focalizada na avaliação da envolvente, na identificação e utilização de fatores dinâmicos de competitividade, na observação e vigilância e na deteção de organizações internacionais aptas a prestarem apoio e lobby nos processos de aproximação ao mercado global, formando uma caixa de ferramentas (toolkit) para apoio ao processo de disseminação desta estratégia coletiva que visa uma melhor inserção das empresas portuguesas nos mercados internacionais, com destaque para o moçambicano. Uma vez efetuada esta análise, procede-se, no segundo capítulo, à exploração do mercado Moçambicano: desde o detalhe sobre as oportunidades de negócio até à desagregação do tecido económico por províncias – “Explorar Moçambique”. Pretende-se, a partir do trabalho e das ferramentas já concebidas, estender e dinamizar uma plataforma informativa complementar à informação institucional, com a qual se procura apoiar a internacionalização do tecido empresarial dos diferentes países, reduzindo os custos de contexto, o risco diversificável e o consumo de tempo, associados ao desenvolvimento destes processos. O presente manual encontra-se estruturado em torno de quatro grandes fases: Conhecer, Explorar, Atuar e Refletir permitindo aprofundar o conhecimento na medida em que se avança na leitura. O terceiro capítulo constitui-se como aquele onde se aborda a interação com o mercado moçambicano, para todos os que buscam “Atuar Moçambique”. O Manual conclui-se com a fase “Refletir”: Um conjunto de reflexões sobre a internacionalização e o enfoque no mercado moçambicano. A disponibilização de informação articulada a partir das necessidades sentidas no terreno, pelos empresários e associações empresariais, nas ações de internacionalização, funciona como um meio completar da informação de carácter mais global. iii Em suma, o lema perseguido por este projeto na linha do “i-PME” sintetiza-se, assim, no princípio de que “aqueles que se atrasam na compreensão atrasam-se no desempenho”. 1.3 O Manual de Boas Práticas Com base na informação recolhida do estudo e análise do mercado, do diagnóstico flash sobre o painel de empresas piloto, da montagem da rede colaborativa e da implementação da ferramenta de business intelligence, é definida uma estratégia coletiva e um Manual de Boas Práticas, para disseminação posterior dessa estratégia ao tecido económico das regiões de convergência e no mercado piloto. O Manual de Boas Práticas que aqui se apresenta é a peça final deste processo de definição coletiva vocacionada para a “Informação de gestão orientada para PME”, “Observação e vigilância” e “Representação em organizações comunitárias e internacionais”, da qual constaram as principais conclusões das ações realiza- Fases do Manual de Boas Práticas Introdução Conhecer Visão Global Explorar Moçambique em detalhe Moçambique | Uma Estratégia Coletiva ATUAR O mercado Moçambicano Manual de Boas Práticas REFLETIR Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas CONHECER PONTO DE PARTIDA PARA QUALQUER NEGÓCIO. PROCURA ANALISAR O MERCADO DE DESTINO EM VARIADAS COMPONENTES: • PERFIL GERAL; • SITUAÇÃO ECONÓMICA; • PRINCIPAIS SETORES; • O COMÉRCIO INTERNACIONAL. 2.1 Indicadores Chave 2.2 Perfil Geral 2.3 Situação Económica 2.4 Caracterização do tecido empresarial 2.5 Comércio Internacional Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas CONHECER 2.1 Indicadores Chave 2.1 Indicadores Chave 2.2 Perfil Geral 2.3 Situação Económica 2.4 Caracterização do tecido empresarial 2.5 Comércio Internacional Área: 799.380 km2 População: 24,5 milhões de habitantes (estimativa 2012 – EIU) Densidade Populacional: 30,6 hab. / km2 (estimativa 2012 – EIU) Designação Oficial: República de Moçambique Chefe de Estado e do Governo: Armando Emílio Guebuza (reeleito em outubro de 2009) Primeiro-Ministro: Alberto Vaquina Data da atual constituição: 30 de novembro de 1990; foi alterada em 1996 e 2004 Principais Partidos Políticos: Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no Governo; Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), principal partido da oposição; Movimento Democrático de Moçambique (MDM); Partido Humanitário de Moçambique (Pahumo). As últimas eleições legislativas e presidenciais realizaram-se em 28 de outubro de 2009; as próximas eleições (presidenciais, legislativas e provinciais) deverão ter lugar, em simultâneo, no final de 2014 Capital: Maputo Principais cidades: Nampula (576 mil); Beira (442 mil); Chimoio (273 mil); Nacala (230 mil); Quelimane (213 mil); Tete (182 mil) e Pemba (175 mil) Religião: Cerca de 50% da população professa religiões tradicionais africanas. As outras religiões representadas são principalmente a cristã (sobretudo a católica) e a muçulmana Língua: A língua oficial é o português, mas são falados diversos dialetos africanos (Makua-Lomwe, Tsonga e Sena-Nyanja) Unidade Monetária: Metical (MZN) Taxa de Câmbio: 1 EUR = 39,53 MZN (Banco de Portugal, Agosto 2013) Risco do país: Risco geral - BB (AAA = risco menor; D=risco maior); Risco Político – BB - (EIU – Janeiro 2013) Risco de Crédito: 6 (1 = risco menor; 7 = risco maior) (COSEC, Junho 2013) Grau da abertura e dimensão relativa do mercado (2011): EXP. + IMP. / PIB = 55,6%; IMP. / PIB = 34,3%; IMP. / IMP. MUNDIAL = 0,03% Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas 15 2.2 Perfil Geral 2.2.1 Posicionamento Estratégico Moçambique apresenta-se como uma nação de sucesso entre as novas economias emergentes, nomeadamente quando inserida no contexto da África Austral. Grande parte deste sucesso advém do seu potencial como fornecedor de energia para esta região de África. Apoia-se igualmente no facto de ser um país com recursos naturais em abundância, entre os quais importa destacar o potencial hidroelétrico, reservas de gás natural, carvão e minerais, entre os quais ouro, pedras preciosas, titânio e bauxite, bem como a existência de mais de 2.500 km de costa que funciona como grande fonte de exportação do país. Na verdade, até ao início da última década, os produtos agrícolas e da pesca dominavam as exportações moçambicanas. Todavia, a partir de 2001 tem-se vindo a assistir a uma alteração substancial do perfil das exportações do país já que, em 2010, os dados oficiais indicam que as principais exportações tenham sido de alumínio (51,7% do total) e de combustíveis (20%), com os grandes projetos a serem responsáveis pela maior fatia. 16 Assim, é inegável a localização privilegiada e estratégica do país como porta de saída e de entrada natural das exportações e importações dos seus vizinhos sem costa. Moçambique é assim considerado como uma importante plataforma de entrada no mercado da SADC Southern African Development Community, que agrega cerca de 250 milhões de consumidores e é constituída por 15 membros: África do Sul, Angola, Botswana, Ilhas Maurícias, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Moçambique, Namíbia, República Democrática do Congo, Seicheles, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe. Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral – SADC: De entre as agências destaca-se a Fitch que recentemente reafirmou o rating de B da dívida do país, atribuindo um outlook estável à economia nacional, tal como referido por Purvi Harlalka, num documento publicado em Agosto de 2011, “a dinâmica de crescimento permanece forte (entre 7% e 8% ao longo do período 2011 e 2013)”. Mais ainda, vários especialistas apontam para que o crescimento da economia moçambicana venha a ser maior do que aquele projetado por entidades como o Governo, o FMI e a Fitch. Índice Empresarial vs Crescimento Estimado do PIB(%) Esse otimismo deve-se, em grande medida, à injeção de uma grande quantidade de capital (na ordem dos 15 a 20 mil milhões de dólares) na economia através de um conjunto de projetos já implementados no terreno ou em análise pelas autoridades nacionais. * Índice empresarial - Expressa a facilidade de fazer negócios no país com base em critérios como a competitividade, a liberdade ecnómica, a corrupção e o índice “Ease of doing business”, calculado pelo Banco Mundial Informação mais recente do EIU Economist Intelligence Unit aponta projeções de crescimento económico de 8,5% para 2013 e de 8,0% e 7,5% para os anos 2014 e 2015, respetivamente. ** Crescimento estimado do PIB refere-se à previsão do FMI para o período de 2010 a 2016. Outras economias atrativas Países que não são particularmente atrativos Países que apresentam problemas de criação de negócios Fonte: Revista EXAME, edição especial, Dezembro 2011 2.2.3 Papel determinante no desenvolvimento da áfrica austral Pela via da sua participação na Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, posição dominante que assume neste contexto, permite-lhe ter um incremento nas relações comerciais com alguns países, nomeadamente com a África do Sul. 2.2.4 País de Oportunidades Moçambique é um dos países da África Subsariana com um nível de risco baixo para as empresas e que advém em grande medida do processo de reformulação que tem vindo a sofrer. Desde o término da Guerra Civil em 1992, o país tem vindo a crescer de forma acelerada, com a revitalização da indústria, com a inflação em sentido descendente e com apoios do Banco Mundial. Por este enquadramento, pelo posicionamento geográfico e pelos recursos próprios que possui, existe um conjunto de sectores que se podem revelar de grande importância estratégica para investidores: • Prospeção de recursos minerais; • Imobiliário; • Hotelaria; • Agricultura; • Comércio e restauração; • Construção civil e obras públicas; • Metalomecânica; • Logística; • Formação profissional e educação; • Consultoria; • Indústria farmacêutica; • Energia; 2.2.2 Confiança dos analistas internacionais • Máquinas; Embora os números traduzam uma clara recuperação da economia moçambicana, a verdade é que esse facto poderia não ser transposto para a confiança que os diversos agentes possuem no país. No entanto, também as agências de notação financeira demonstram elevados índices de confiança na economia do país. • Material elétrico e eletrónico; Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Miores países do continente • Tecnologias de informação e comunicação. Manual de Boas Práticas 2.2.5 Dos mais atrativos de áfrica De acordo com o Rand Merchant Bank, a economia moçambicana cota-se com a segunda economia mais promissora do continente africano, logo atrás da Etiópia. É, assim, uma das economias do continente mais apetecíveis para os empresários. Esta constatação fica evidente no gráfico seguinte onde a dimensão dos círculos representa a dimensão da economia em 2010 medido em paridade do poder de compra. 2.2.6 Projetos de investimento público até 2014 Entre as prioridades do executivo até ao ano de 2014 estão um conjunto de projetos destinados a 6 grandes áreas. Entre estas, aquela que absorve maior quantidade de dinheiro previsto é a dos transportes e comunicações (8,6 mil milhões de dólares), contando com projetos como a construção de três hubs portuários (Nacala, Tete e Pemba) e a construção do Porto Dobela avaliado em 7.400 milhões de dólares. A aposta na indústria transformadora (com a produção de pasta e papel), na energia (através da construção de algumas centrais hidroelétricas e da linha de transporte Tete-Maputo), bem como nas indústrias extrativas, concentram ainda mais de 17 mil milhões de dólares a serem investidos, de forma agregada. Neste contexto, os projetos no âmbito da indústria transformadora absorverão 7,4 mil milhões de dólares. Por último, as áreas de água e saneamento (concretamente com a previsão da construção de 5 barragens) e da agricultura e florestas (com a aposta na produção alimentar e florestal), representarão investimentos a rondar os 4 mil milhões de dólares. 2.3 Situação Económica O ano de 2011 pode ser considerado o ponto de viragem na economia moçambicana, com a primeira exportação no exterior de carvão a representar o nascimento do país como um exportador mundial de minerais. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Adicionalmente abriu caminho para o país garantir a sua sustentabilidade futura através de rendimentos provenientes de recursos naturais. Todavia, este registo resulta no culminar de uma evolução bastante favorável que o país tem experienciado nas últimas décadas. Desde meados da década de 90 que Moçambique tem crescido acima da média dos países da África Subsariana. Na verdade, só entre 2000 e 2010, a economia cresceu a um ritmo médio anual a rondar os 8%. De acordo com o FMI, até 2016, o país deverá continuar a crescer, em média, 7,68% ao ano, passando a figurar no lote dos três países africanos que mais crescerão neste período. Evolução Histórica do PIB em Moçambique Fonte: Fundo Monetário Internacional, FMI Tal como fica evidente no gráfico acima apresentado, Moçambique tem sido um país caracterizado por períodos de maior fulgor que se seguem a períodos de abaixamento significativo. Olhando um pouco a história de Moçambique, o ano de 1980 marca o início da guerra civil ao país, destruindo pontes, estradas, escolas e hospitais. Após este ano, e durante os dez anos que lhe seguiram, Moçambique passou por momentos menos positivos e que se traduziram dos períodos mais negativos da história da nação. Assim, em 1983 o PIB regista uma taxa de crescimento negativa de 15,7% devido a problemas como a seca e a fome. É também por esta altura que o governo se vê obrigado a abrir as portas ao Ocidente em troca do auxílio financeiro. Manual de Boas Práticas 17 Em 2001, a dívida externa moçambicana é perdoada em 95% por parte dos seus credores, tendo já havido um perdão de 80% e depois de 90%. Desde então, a taxa de crescimento do PIB nunca baixou dos 6%, tendo chegado aos 6,81% em 2010. O ano de 2011 terminou com um crescimento do Produto Interno Bruto a rondar os 7,2%, apoiado pela dinâmica de vários megaprojetos (alumínio, energia elétrica, gás natural, titânio e carvão), pelo crescimento do sector agrícola (beneficiando de condições climatéricas favoráveis e da ênfase que tem sido dada ao investimento e à reorganização do sector) e pela construção de infraestruturas básicas. 18 De acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional, a economia do país deverá continuar a crescer a um ritmo bastante interessante, isto é, a uma taxa média anual de 7,7% entre 2012 e 2015. com um défice orçamental de apenas 3,9% do PIB, permitindo que o Estado possua, nos dias de hoje, reservas em montante suficiente para suprir 4,6 meses de importações de bens e serviços. 2.4 Caracterização do tecido empresarial e dos setores de atividade Tal como referido anteriormente, Moçambique é um país que está repleto de recursos naturais que lhe conferem uma condição especial e, naturalmente, um futuro promissor. Ouro, pedras preciosas, titânio, areias pesadas, hidrocarbonetos, pegmatitos, fosfatos, mármores, calcário e bauxite, bem como a agricultura, as pescas e a aquacultura, são alguns exemplos concretos de setores onde Moçambique pode representar um papel extremamente relevante. Adicionalmente, o setor da energia tem sido um verdadeiro fator de atração ao investimento direto estrangeiro, podendo constituir-se como uma âncora para incrementar os fluxos de investimento em direção ao país. Pela abundância e pelo potencial de procura que possuem, estes setores representam uma aposta forte e inequívoca por parte das autoridades moçambicanas. Repartição do PIB por setores (2010) De resto, para o período referido e segundo a mesma fonte, Moçambique deverá ser o quarto país com maior crescimento a nível mundial, depois da China (9,5%), Índia (8,2%) e Etiópia (8,1%). Adicionalmente, especialistas do Fundo Monetário Internacional colocam o país entre os dez países do mundo que mais crescerão até 2016, estando ainda entre as três economias africanas com maior pujança nos próximos cinco anos. No âmbito da terceira revisão do programa trienal “Instrumento de Apoio Político” (Policy Support Instrument – PSI), técnicos do FMI referiram que “Moçambique permanece imune à queda das perspetivas económicas globais. A economia nacional pode crescer 7,2% este ano e acelerar ainda mais a médio prazo, suportado pelo investimento público e pelos megaprojetos nos recursos naturais.” Fonte: Banco de Moçambique, INE Moçambique, ES Research - Research Sectorial Também em sentido favorável permanecem as contas públicas do país que se mantêm estáveis ao longo dos últimos tempos. Observando os valores, constata-se que entre 2004 e 2010, os governos foram capazes de reduzir uma dívida pública equivalente a 81% do PIB em 2005 para 37,8% do PIB no final do ano transato. Dados publicados na revista Exame de Janeiro de 2012, salientam ainda o fato de o ano de 2010 ter terminado Observa-se que, em 2012, o setor da “Agricultura e Pescas” representa quase 27% do PIB de Moçambique, sendo o setor que mais contribui para o PIB nacional. De seguida, ainda com valores consideráveis, encontram-se os setores dos “Serviços Financeiros às empresas” e da “Indústria Transformadora”, contribuindo com 14,5% e 13,1% respetivamente. Não menos importantes estão os setores do “Comércio e serviços de reparação”, dos “Transportes e comunicações” e da “Administração, educação e saúde” com 12,2%, 11,7% e 9,7%, respetivamente. Por último, com valores menos significativos, fazem parte os setores da “Eletricidade e água” (5,2%), da “Construção” (3,8%), da “Hotelaria e restauração” (1,8%) e da “Indústria Extrativa” (1,2%). 2.4.1 Recursos Minerais e Energéticos O setor da energia e recursos naturais desempenha e continuará a desempenhar, um papel determinante para o futuro da economia moçambicana. O desenvolvimento de grandes empreendimentos de produção de energia hidroelécrica (Hidroeléctrica de Cahora Bassa), a prospeção e exploração de hidrocarbonetos (gás natural e petróleo), a exploração de carvão (Tete), de areias pesadas – Moma (Nampula) e Chibuto (Gaza) – e de outros metais, minérios industriais e pedras preciosas e semipreciosas, são elementos estruturantes da evolução do país nas próximas décadas. A este setor pertenciam três das cinco maiores empresas de Moçambique, em 2011. A hidroeletricidade constitui-se como a principal fonte de produção de energia em Moçambique, sendo a Eletricidade de Moçambique (EDM) uma empresa pública, a responsável pela sua distribuição. Devido em grande medida à proximidade geográfica, África do Sul é um dos principais clientes e a crescente procura por parte deste país bem como do mercado doméstico, conduziu à prossecução de projetos de expansão da rede de produção e de duas centrais de carvão. Na área da refinação salienta-se a existência de dois projetos de construção em Nacala que estão ao encargo da Ayr Logistics (empresa americana) e da empresa moçambicana Matutuine. Por fim, no que concerne à distribuição de água, sabe-se que o Governo se encontra atualmente a rever a legislação, visando permitir a entrada de operadores privados no setor. Principais Indicadores Macroeconómicos de Moçambique (2010 - 2015) Moçambique é considerado um país privilegiado devido à grande quantidade de recursos naturais e minerais que tem à sua disposição. Da capacidade em aproveitá-los e usá-los enquanto alavanca de crescimento residirá grande parte do sucesso do futuro. Crescimento Anual dos Setores da Energia e Indústria Extrativa (2005-2010) Percentagem de Crescimento Anual O ano de 1987 marca o recebimento da primeira parte do apoio do FMI, passando a moeda moçambicana a estar vinculada apenas às flutuações do dólar americano. Após novo período de decréscimo na economia, o ano de 1996 marca novo pico positivo no crescimento da economia do país, chegando a taxa de crescimento do PIB aos 14,78% que, simultaneamente, marcou a adesão do país à CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). 25% 20% 15% 10% 5% 0% 2005 2006 Indústria Extrativa 2007 2008 2009 2010 Eletricidade Fonte: Revista Exame, edição especial Notas: (a) valores anuais; (b) estimativas; (c) previsões; (n.d.) não disponível | Fonte: The Economist Intelligence Unit (eiu) Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Um terço do território do país é caracterizado por seis bacias sedimentares: Rovuma, Moçambique, Maniam- Moçambique | Uma Estratégia Coletiva ba, Baixo Zambeze, Meio do Zambeze e Lago Niassa. São 12 os contratos de concessão de petróleo (cinco em Rovuma e sete na bacia de Moçambique), e sete companhias operadoras de países como a Noruega, a Itália, a Malásia, o Canadá, os Estados Unidos da América e a África do Sul. No que diz respeito à exploração de carvão, são três os projetos de investimento em curso. Um deles, localizado em Moatize (Tete), está a ser liderado pela brasileira Vale, estimando-se que o ano de 2014 marque a produção de 11 milhões de toneladas. Também em Tete se situa outro dos projetos liderado pela Beacon Hill (empresa inglesa) e, por último, sublinha-se o projeto da australiana Riversdale em Benga que espera vir a produzir 2 milhões de toneladas de carvão exportável por ano. Além de pedras preciosas como o quartzo, o ouro manifesta-se como um recurso extremamente precioso para a economia local, tal como sucede com o titânio. Por fim, importa também realçar a capacidade que o país apresenta no segmento das areias pesadas cuja produção ronda as 800 mil toneladas por ano de ilmenite, 50 mil toneladas de zircão e 18 mil toneladas de rútilo. A relevância dada à indústria extrativa no PES 2012 – Plano Económico e Social para 2012, dá expressão aos objetivos de desenvolvimento económico, expressos no Programa Quinquenal do Governo para 2010-2014, na área dos recursos minerais. Moçambique possui um potencial e diversidade de recursos atualmente atestado pelas enormes reservas identificadas de gás natural, 80 a 110 biliões de pés cúbicos. O ano de 2011 e os primeiros meses de 2012 foram marcados pelo anúncio de sucessivas descobertas de gás natural, de grande dimensão, no offshore de Moçambique. Depois de, em Outubro de 2011, a norte americana Anadarko Petroleum, empresa operadora da Área 1 com uma participação de 36,5% (os restantes parceiros são a Mitsui&Co do Japão, 20%, a Bharat Petroleum e Videocon Industries, ambas da Índia, 10% cada, a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hiodrocarbonetos, 15%, Cove Energy, da Irlanda, 8,5%) ter anunciado resultados de exploração que indicavam reservas de 10 biliões de pés cúbicos de gás natural, em finais de Novembro, as estimativas efetuadas foram sucessivamente revistas em alta, sendo anunciadas reservas entre 30 e 60 biliões de pés cúbicos. No final de Fevereiro de 2012, o Grupo Dutch Shell (Holanda) fez uma proposta de aquisição da Cove Energy, que tem sido muito disputada, revelando o interesse que a exploração de hidrocarbonetos em Moçambique vem despertando, tendo sido coberta pelo grupo estatal tailandês PTT Exploration and Production, USD 1,9 mil milhões. Houve, também, uma manifestação de interesse, já retirada, por parte de um consórcio indiano, ONGC Videsh e GAIL. A alienação da posição da Cove Energy veio relançar a discussão sobre a tributação das mais valias ocorridas na venda de ações dos projetos mineiros nacionais de forma a proporcionar uma maior participação de Moçambique nos ganhos auferidos nos diferentes projetos de exploração em curso. Manual de Boas Práticas 19 Na área da distribuição, a GALP Energia (Portugal) dispõe de uma rede de abastecimento com 29 postos (14 na cidade de Maputo) encontrando-se presente em todas as províncias com exceção do Niassa. Atualmente, os únicos campos de gás em produção no país situam-se na província de Inhambane, Temane, de onde é exportado pela sul-africana Sasol, por gasoduto, para a África do Sul. Foi inaugurado, em Junho de 2012, uma nova unidade da central de processamento de gás natural que permite aumentar a produção anual em cerca de 50%, desta forma garantindo uma maior capacidade de oferta ao mercado externo e interno, nomeadamente, viabilizando a construção de centrais elétricas em Ressano Garcia e Chokwé. A Petronas da Malásia encontra-se, igualmente, a desenvolver trabalhos e estudos geológicos e sísmicos de exploração de gás natural e petróleo em Moçambique, Áreas 3 e 6. Nas Áreas 2 e 5, o operador principal é a norueguesa Statoil (90%), pertencendo os restantes 10% à Empresa Nacional de Hidrocarbonetos. A multinacional australiana Rio Tinto também anunciou a descoberta de gás natural nas reservas de carvão que explora em Moatize, província de Tete, estando previstas operações de prospeção para o apuramento do volume de reservas e respetivo valor económico. Na área do carvão, Moçambique é considerado um dos países com maior potencial, a nível mundial, tudo indica que, em breve, terá uma posição de relevo na arena internacional como produtor e exportador deste recurso mineral, presentemente um recurso extensivamente pesquisado no país, devido à sua grande procura no mercado internacional, particularmente pela China, Brasil, Índia, Japão e Coreia do Sul. A maioria dos recursos de Moçambique de carvão estão localizadas em Tete, estando também referenciado nas províncias de Manica e Niassa. Os recursos de carvão existem dentro de três bacias: Moatize; baixo Zambeze, e Mucanha-Vusi. Depósitos de carvão foram Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Desde que começou a explorar as reservas de areias pesadas de Moma, em 2007, uma das maiores do mundo, a irlandesa Kenmare Resources tem investido na extração de ilmenite (minério preliminar do titânio), zircão e rútilo. Foi anunciado um reforço do investimento em, aproximadamente, EUR 150 milhões, para aumentar a produção de 800 mil para 1,2 milhões de toneladas. A empresa Delta Zambeze Consortium ganhou, em Junho de 2012, o concurso para a exploração das areias pesadas do Chibuto (Gaza), explorada, até 2009, pela australiana BHP-Billiton. Algumas empresas estão a realizar estudos de viabilidade técnico-económica para a exploração e transformação de metais básicos como o ferro, o cobre, o níquel e o zinco, e também a exploração de grafite (Cabo Delgado) e fosfatos-fertilizantes(Nampula). A concretizarem-se estas ações, estaremos perante uma exploração de novos tipos de recursos mineiros nunca antes produzidos no país. Manual de Boas Práticas elg ad o bo D Rovuma 12 11 Nampula 1b Tete 1 8 Zambézia O Grupo Rio Tinto e a Ncondezi Coal (Reino Unido) anunciaram a intenção de construir centrais térmicas afim de fornecer eletricidade, não só às operações mineiras como para reforçar o abastecimento da rede elétrica de Moçambique e da África do Sul. Em relação aos minérios industriais, o calcário tem sido o mais pesquisado em diversas áreas em que ocorre, nomeadamente, nos distritos de Búzi e de Muanza, em Sofala. Como resultado da pesquisa de calcário e gesso foram identificados jazigos para a extração de matérias-primas para alimentar novas fábricas de cimento, cujas instalações estão previstas na província de Maputo, de Sofala e de Tete. 13 Ca Niassa 9 Lúrio 10 Zambaze Sofala 7 2 6 5 Gaza ne mba 20 Grandes empresas internacionais como a brasileira Vale (Moatize), a australiana Rio Tinto (Benga e Zambeze), as britânicas Ncondezi Coal Company (Ncondezi) e Beacon Hill Resources – Minas de Moatize (Moatize), a JSPL da Índia (Changara), a Eta Star do Dubai (Moatize), a ENRC (Cahora Bassa), Minas de Revubuè – Talbot/Nippon Steel (Revubué) estão a operar em Moçambique. O escoamento da produção, que se prevê sofrer um acentuado incremento nos próximos anos, continua a ser uma das grandes dificuldades com que as principais operadoras se vêm a debater. Estudos recentes indicam que Moçambique poderá ter reservas superiores a 23 mil milhões de toneladas de carvão mineral cuja exploração deverá tornar o país, a médio prazo, no maior exportador de carvão do continente africano. A melhoria das infraestruturas rodoviárias e ferro-portuárias, para o escoamento do carvão, é um fator fundamental para que os projetos de prospeção, sobretudo em Tete, possam ser viabilizados. Em Agosto de 2011, a Vale fez o primeiro transporte de carvão para o porto da Beira, através da linha do Sena. O novo terminal de carvão do Porto da Beira, parceria da Rio Tinto e da Vale com os Caminhos de Ferro de Moçambique, constituiu importante passo para a realização da necessária capacidade de exportação para o sector carbonífero. Recursos Hídricos Inha A dimensão e a qualidade do gás natural descoberto justifica o estudo sobre o desenvolvimento, em larga escala, de um projeto de GNL, eventualmente no distrito de Palma, no Norte da Província de Cabo Delgado, vocacionado para os mercados nacional, regional e internacional. Moçambique poderá vir a tornar-se, em 2018, no segundo maior exportador de gás natural de África, apenas atrás da Nigéria. Transportes e Comunicações ica A área de exploração offshore, Área 4, tem propiciado também um conjunto de descobertas muito relevantes. Nesta área, em que a italiana ENI é a empresa operadora (70%), em parceria com a portuguesa Galp Energia (10%), a sul-coreana Kogas (10%) e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique (10%), foram sucessivamente reforçadas as estimativas do potencial de gás natural para exploração, tendo sido fixadas, em 16 de Maio de 2012, entre 47 e 52 biliões de pés cúbicos. igualmente confirmados nos distritos de Changara, Cahora Bassa, e áreas de Magoe dentro de Tete, como resultado da recente atividade de exploração. Man A Cove Energy confirmou que lhe terá sido comunicado pelo Governo de Moçambique, a aplicação de uma taxa de 12,8% sobre as mais valias resultantes da venda de ativos. 4 Limpopo 3 3 2 Maputo 1 21 Ligações Ferroviárias: Principais Bacias Hidrográficas: 1-Maputo 8- Zambeze projetado o seu prolongamento, até Tete (Moatize) numa primeira fase, e posteriormente até à Zâmbia (1b) 2- Umbelúzi 9- Licungo 3- Incomati 10- Ligonha 2 Corredor de Beira | Liga esta cidade ao Zimbabué e a Tete 4- Limpopo 11- Lúrio 5- Save 12- Messalo 6- Búzi 13- Rovuna 1 Corredor Nacala | Liga Nacala ao Malawi, estando (Moatize) 3 Corredor Maputo | Liga esta cidade ao Sul de Zimbabué, à África do Sul e à Suazilândia 2.4.2 Transportes e Comunicações Tal como acontece com outros setores de atividade, verifica-se que também no domínio dos transportes e comunicações, o país se encontra num esforço notório de reconstrução. Assim, as infraestruturas de transporte, nomeadamente as ferroviárias e as rodoviárias, constituem-se como elementos centrais em todo o trabalho de recuperação de Moçambique. Para além de serem um garante de qualidade, contribuem para facilitar o acesso ao mar dos países vizinhos como o Malawi (através do porto de Nacala), o Zimbabwe (pela Beira) e a África do Sul por Maputo. 7- Púnguè Transportes e Comunicações: taxas previstas de crescimento para 2012 Setor Taxa de Crescimento Ferroviário 81,2% Serviços anexos e auxiliares dos transportes 31,1% Transportes por água 28,6% Comunicações 15,4% Rodoviário 11,4% Transportes aéreos 81,0% Oleodutos e Gasodutos 7,1% 2.4.3 Indústria Transformadora Por outro lado, no que diz respeito ao setor das telecomunicações, a Telecomunicações de Moçambique é a empresa pública que domina o setor da rede fixa, contando com uma carteira de aproximadamente 80 mil clientes. Adicionalmente, possui uma posição maioritária no operador de rede móvel mcel. Da edição de Janeiro de 2012 da revista Exame, é possível observar as taxas previstas de crescimento do setor em 2012 para as diferentes áreas: Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Observando a estrutura de atividade de Moçambique, é percetível o elevado peso que o setor primário ainda possui na economia do país. Ainda assim, este facto tem vindo a alterar-se ligeiramente à medida que o setor secundário adquire um peso crescente que advém, em grande medida, do acréscimo no número de projetos de investimento estrangeiro no setor. Entre estes destaca-se o projeto Mozal que representa um grande investimento na área dos alumínios. No entanto, começam a despertar outros projetos em se- Manual de Boas Práticas tores como os materiais de construção, a alimentação e bebidas ou os têxteis. Adicionalmente, a produção de cimento poderá triplicar até 2013, permitindo satisfazer a procura do mercado de construção. Indústria Transformadora: taxas previstas de crescimento para 2012 Setor Taxa de Crescimento Têxteis 13,1% Artigos de borracha e material plástico Alimentação e bebidas 22 9,7% 6% 2.4.5 Turismo O turismo é um dos setores de atividade com maior potencial de crescimento face ao atual desempenho. Recentemente, Fernando Sumbana, ministro do Turismo de Moçambique, anunciou que as receitas do Estado com o turismo atingiram os 191 milhões de dólares (2,5% do PIB). Ainda que seja um valor aceitável, dado o potencial existente no país, torna-se evidente o espaço que existe para acrescentar valor. Visando promover este sector, está previsto um conjunto de projetos-âncora que totalizam os 1,2 mil milhões de dólares e que visam estimular o investimento nos seguintes locais: Produtos químicos 5,6% • Inhassoro (província de Inhambane); Mobiliário e de colchões 4,5% • Reserva de Gilé (província da Zambézia); Tabaco 4,2% Vestuário 3,6% Transporte 3,6% Edição, impressão e reprodução 2,5% Calçado 2,1% 2.4.4 Agricultura e Agro-Indústria A agroindústria constitui-se como um dos eixos fundamentais da economia moçambicana já que 80% da população sobrevive dos rendimentos associados à atividade agrícola. As características e os recursos naturais de Moçambique fazem com que a agroindústria seja um dos sectores mais atrativos para investimentos externos. Possuindo uma área arável a rondar os 36 milhões de hectares, que apresenta uma grande diversidade de solos e variações climáticas, Moçambique tem um imenso potencial na produção de vários bens alimentares: milho, arroz, soja, gergelim, amendoim, feijão, girassol, açúcar, citrinos, banana, caju, chá, café e cevada. O tabaco, a madeira e o papel são também indústrias com forte potencial de expansão. Nas pescas e aquacultura, a extensão da costa (a rondar os 2.750 km) e a zona económica exclusiva – com 586 mil quilómetros de superfície, conferem uma extrema diversidade de recursos pesqueiros. As cinco províncias costeiras – Nampula, Zambézia, Sofala, Mauto e Inhambane – são as mais dinâmicas na produção artesanal, enquanto Tete e Niasse evidenciam-se na produção em águas interiores. Produção - valores em Toneladas Contrariamente à concentração verificada nas exportações, as importações moçambicanas estão repartidas por diversos parceiros, ainda que a predominância de alguns seja evidente. Fruto da proximidade geográfica, a África do Sul constitui-se como o principal fornecedor, tendo uma quota de 18% do total das importações do país. A relação de crescente proximidade entre Portugal e Moçambique surge refletida no fato do nosso país se constituir como o quarto principal fornecedor moçambicano. Entre o período de análise, verificou-se um aumento significativo de 72,2% no fluxo de importações com origem em Portugal. No segundo lugar surge a Holanda, que mantém uma forte ligação também a nível de fornecedor. A fechar o Exportações Moçambicanas, por destino - 2010 • Ilhas Epidendron e Casuarina (província da Zambézia) • Ilhas Crusse e Jamali (província de Nampula); • Reserva Especial de Maputo (província de Maputo). Holanda China 1.181 Milhões USD 52,7% Neste contexto, torna-se particularmente relevante abordar o turismo de luxo onde pontificam os projetos Arco-Norte (financiado pela agência norte-americana USAID) e Âncora, que estão em desenvolvimento nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa e em Inhambane. 79 Milhões USD 3,5% Portugal 108 Milhões USD 4,8% 23 Índia 30 Milhões USD 1,4% 2.5 Comércio Internacional À semelhança do que se verifica com o tecido empresarial, também na esfera de países, se torna verdadeiramente importante o estabelecimento de um conjunto privilegiado de relações com países terceiros. Nos próximos subpontos, procurar-se-á expor os países com os quais Moçambique tem estabelecido relações de maior proximidade. 2.5.1 Exportações Dados disponibilizados pelo International Trade Center indicam que, entre 2006 e 2010, o volume de exportações de bens diminuiu aproximadamente 5,8%. Todavia, o ano de 2010 registou um incremento de 4,5% relativamente ao ano anterior. Embora a África do Sul – sobretudo pela proximidade geográfica – tenha sido ao longo dos últimos anos, o principal cliente de Moçambique, os valores apresentados desde 2008 vieram evidenciar uma alteração: desde então que a Holanda se cota como o principal parceiro moçambicano, tendo ultrapassado a África do Sul. Moçambique África do Sul Zimbabwe 467 Milhões USD 20,8% 72 Milhões USD 3,2% Fonte: International Trade Center Importações Moçambicanas, por origem - 2010 Japão Holanda EUA 74 Milhões USD 2,1% Portugal completa o pódio dos três principais clientes moçambicanos, com incrementos no volume de exportações de 264% entre 2006 e 2010. A representação gráfica procura evidenciar os principais parceiros comerciais do país. China 642 Milhões USD 5,7% 130 Milhões USD 3,5% Portugal 154 Milhões USD 3,6% Índia 201 Milhões USD 4,8% Moçambique 2.5.2 Importações Relativamente ao fluxo de importações, os dados disponíveis indicam uma evolução contrária à verificada nas exportações já que, entre 2006 e 2010, as importações moçambicanas observaram um aumento de 34,4%, cifrando-se nos 3.564 milhões de dólares em 2010. África do Sul 1.226 Milhões USD 18% Fonte: International Trade Center Fonte: Proposta PES 2012 Moçambique | Uma Estratégia Coletiva pódio está a Índia com um total de 201,7 milhões de dólares, representando um incremento de 47,4% relativamente a 2006. Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas 126 Milhões USD 2,7% EXPLORAR AQUI PROCURA-SE ANALISAR EM DETALHE O MERCADO MOÇAMBICANO, NOMEADAMENTE ATRAVÉS DA ANÁLISE DAS PROVÍNCIAS. AS OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO MERECEM, TAMBÉM, ESPECIAL ATENÇÃO 3.1 Moçambique em Detalhe 3.2 Oportunidades de Negócio Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas EXPLORAR 3.1 Moçambique em detalhe 3.1 Moçambique em Detalhe Moçambique é um país de grande diversidade cultural, e como a maioria dos países da África, não possui uma identidade específica, apresentando aspetos que o ligam a outros países vizinhos e mesmo a outros continentes. A economia de Moçambique tinha uma estrutura moldada para servir interesses coloniais, em particular, a economia nacional dependia fortemente das receitas provenientes dos serviços ferro-portuários e dos contratos de fornecimento de mão-de-obra barata para os países vizinhos. 3.2 Oportunidades de Negócio 3.1.1 As Províncias Moçambique está dividido em onze províncias, incluindo a cidade de Maputo que tem estatuto de província e de governador provincial. Contudo, é muito frequente, mesmo oficialmente, referir-se a Moçambique como tendo apenas dez províncias, devido à não separação entre a cidade e a província de Maputo. As províncias são administradas por governadores nomeados pelo Presidente da República. As primeiras eleições para as Assembleias Provinciais, consagradas na Constituição de 2004, foram inicialmente marcadas para 16 de Janeiro de 2008, mas só foram realizadas em 28 de Outubro de 2009. As onze províncias de Moçambique são, por ordem geográfica, de norte para sul: 1. Niassa 7. Sofala 2. Cabo Delgado 8. Inhambane 3. Nampula 9. Gaza 4. Zambézia 10. Maputo (província) 5. Tete 11. Maputo (cidade) 6. Manica A maior província de Moçambique, em termos de área, é Niassa com 122.827 km2, seguida da província de Zambézia com 103.478 km2. Apesar de Niassa ser a maior província em termos de área, é a província que menos população possui, logo com uma densidade populacional mais pequena comparando com as restantes províncias, cerca de 9,53 hab/km2. Por outro lado, a província mais populosa é Nampula com aproximadamente 4 milhões de habitantes, seguida da província de Zambézia, com 3,8 milhões de habitantes. De lga do Maputo, com 1,2 milhões de habitantes em “apenas” 22.693 Km2 tem a maior densidade populacional (53,14 hab./Km2). Ca bo Niassa Nampula Tete Man ica Zambézia Sofala ne mba Inha Gaza Maputo Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas 27 Nampula é uma província com paisagens surpreendentes. As florestas de miombos alternam com enormes cumes de rochosas arredondadas e escarpadas. A sua economia está essencialmente ligada à produção de castanha de cajú, algodão, tabaco, pedras preciosas e outros minerais, como seja o urânio. É nesta província onde se localiza o Porto de Nacala, um dos maiores Portos naturais do continente africano e o maior porto de águas profundas da África Austral com acesso ao Índico. O corredor de Nacala é um dos projetos mais importantes e determinantes para 3.1.2 Breve Caracterização o desenvolvimento da economia de Moçambique: um corredor ferroviário que com extensão total de mais de 900Km que estabelece a ligação entre a zona de concessão mineira de curvão de Moatize (província de Tete) e o porto de Nacala, atravessando o Malawi. Em Nampula, o turismo cultural pode ser desenvolvido apreciando as tradições e a arte do povo macua. O povo macua é famoso pela produção de valiosos artigos artesanais como as esculturas de pau-preto e olaria, produção de artigos de palha como é o caso das peneiras, cestos, esteiras entre tantos outros. 29 28 Niassa é a última rota de Livingstone. É a maior província de Moçambique e a mais remota e despovoada do país. Possuidora de locais de rara beleza é considerada como a última selva natural do mundo ou uma espécie de reminiscência do jardim de Eden africano. O lago Niassa é o terceiro maior lago da África e um dos lugares com maior biodiversidade. As praias do lago concentram em Meponda (41 Km de Lichinga), Metangula-Chuango (138 km de Lichinga) e Cobué (190 km de Lichinga). As águas do Lago são transparentes e de cor turquesa que permitem aos mergulhadores explorar as suas profundezas e apreciar uma variada Província do Centro e Norte de Moçambique tem por capital a cidade de Quelimane, que fica a cerca de 1.600 km a norte de Maputo. É a segunda província mais popular do país, contabilizando um acréscimo de mais de 950 mil habitantes, entre 97 e 2007. Na província da Zambézia está situada a serra do Namúli que, com 2.419 metros de altura, é o segundo ponto mais alto de Moçambique. Vasco da Gama chegou à atual Zambézia, em 1498, quando procurava o caminho marítimo para a Índia, tendo atracado na embocadura de um rio a que chamou Bons Sinais. Deu-lhe este nome por aí ter tido a Província mais ao norte do país, berço de um grupo étnico, os Macondes, com culturas e tradições genuínas, que habitam o planalto de Mueda. Juntamente com Inhambane, é uma das grandes apostas para o desenvolvimento turístico. Pela riqueza dos seus solos, subsolos, floresta e fauna, pela variedade e riqueza do seu mosaico cultural, da sua história, da sua biodiversidade marinha e continental, da variedade e beleza paisagística, aliado aos incentivos legais específicos, a Província de Cabo Moçambique | Uma Estratégia Coletiva certeza de estar no bom caminho rumo à Índia. Este local já tinha sido utilizado para todo o tipo de trocas comerciais e sociais entre as populações chuabo e macua, árabes e persas, seguindo-se, então, o intercâmbio entre portugueses e indianos. No local, Vasco da Gama fundou, na margem norte do rio Bons Sinais, Quelimane. A Zambézia é famosa pela sua cozinha tradicional, bastante condimentada. A galinha à zambeziana, confecionada com óleo palma, é conhecida em todo o país, mas são poucas as pessoas que a conseguem preparar mantendo o sabor e o paladar típico da região. É um produto turístico típico. Delgado mostra-se como um local atrativo para o investimento. Pemba, a capital da província, com o seu porto natural tem uma importância determinante no desenvolvimento de Moçambique, quer no transporte marítimo, quer nas ligações ao interior. O recentemente inaugurado terminal flutuante para petróleo e gás vem reverter a situação de constrangimento na operação comercial do porto de Pemba, permitindo a operação em segurança, qualidade e rapidez às empresas do ramo energético que operam na bacia do Rovuma. Manual de Boas Práticas No Centro de Moçambique, encontra-se a Província de Tete, que pode ser sintetizada em três palavras fundamentais: hospitalidade, tranquilidade e beleza natural, ademais de se encontrar, nesta Província, um povo que por suas veias corre o sangue da Moçambicanidade com uma larga história de luta libertadora. A Província situa-se no extremo noroeste do país e faz Moçambique | Uma Estratégia Coletiva fronteira com três países numa extensão total de 1480 Kms, nomeadamente com a República do Malawi 610 Km, com a República da Zâmbia 420 Km e com a República do Zimbabwe 450 Kms. Tete é atravessada pelo rio Zambeze e é na sua parte média que se encontra a barragem de Cahora Bassa, uma das maiores do continente africano. Manual de Boas Práticas A província de Manica está localizada na região centro de Moçambique. A sua capital é a cidade de Chimoio, a cerca de 1.100 km a norte de Maputo e a cerca de 200 km a oeste da cidade costeira da Beira. É aqui que se encontra o ponto mais alto de Moçambique: o Monte Binga, com uma altitude a rondar os 2.436 m. Com um clima tropical relativamente húmido, a economia da província assenta na criação agropecuária, na produção hortícola, na produção de tabaco e nas extrações de ouro, mica, fluorite e calcopirite. A Barragem Chicamba Real impulsiona a economia local, proporcionando uma beleza rara pois encontra-se num desfiladeiro em forma de V permitindo observar o lago Chicamba. A cidade de Chimoio, um centro urbanístico de qualidade, desenvolveu-se graças ao aproveitamento e ao comércio dos produtos agrícolas e minerais da província. Sofala situa-se na região centro do país, com uma longa costa, numa reentrância do canal de Moçambique. A sua capital é a cidade costeira da Beira, localizada a cerca de 1.190 km a norte da cidade de Maputo. Sofala encontra-se no centro de Moçambique, sendo um importante ponto de confluência nas ligações entre o Sul, o Norte e o Oeste, através do corredor da Beira, uma via importante e muito antiga, usado pelos países do interland: Malawi, Zâmbia e Zimbabwe como não têm ligação com o mar, usam os corredores moçambicanos de Nacala e da Beira para exportação e importação de mercadorias. Depois de Maputo e Nacala, Beira é o terceiro maior porto marítimo para o transporte internacional de cargas. 30 A província de Inhambane localiza-se na região sul de Moçambique, a sua capital é a cidade de Inhambane, situada a cerca de 500 km a norte da cidade de Maputo. Limitada a Norte pelas províncias de Manica e Sofala, a Sul e Leste pelo Índico e a Oeste pela província de Gaza, Inhambane é uma das regiões de Moçambique mais dotadas para o turismo de alta qualidade, na costa e no interior. Com efeito, para além das excelentes praias que se es- O principal centro urbano é a cidade da Beira, segunda maior cidade de Moçambique, erguida um pouco a norte da antiga cidade de Sofala sobre terrenos anteriormente pantanosos, junto a uma baía onde se localiza um dos principais portos do país e de África. A cidade está na origem de dois corredores de transporte: corredor da Beira liga ao Zimbábue, por via rodoviária e ferroviária, facilitando o acesso do interior do continente ao litoral; o segundo corredor, exclusivamente ferroviário, liga ao Malawi. Os principais produtos de exportação são: açucar, tabaco, milho, algodão, fibra de pita agave, cromo, minério de ferro, cobre e chumbo, e carvão. 31 tendem ao longo da costa da província e no arquipélago de Bazaruto, dispõe no interior de parques naturais onde variadas espécies de vegetação e animais podem ser observadas. Além das ilhas do Arquipélago de Bazaruto esta província goza de muitas outras praias fantásticas, entre elas: Praia de Zavala, Praia de Závora, Guinjata Bay, Baía de coco, a Praia do Tofo, Praia da Barra, Ponta da Linga Linga e Pomene. Limitada a Norte pela Província de Gaza, a Sul pela África do Sul, a Oeste pela Suazilândia e Leste pelo Índico, a província de Maputo oferece aos visitantes o turismo urbano na cidade de Maputo, a belíssima capital do país e da província, com as suas largas avenidas revestidas de acácias rubras e jacarandás, o turismo de sol e mar, nas magníficas praias da costa do Índico, e o turismo de montanha no interior com visitas à reserva especial de Maputo, à barragem dos pequenos Libombos ou à idílica vila da Namaacha. a Ilha de Inhaca, considerada património biológico da humanidade onde se podem admirar magníficos corais multicores, tartarugas marinhas, mamíferos marinhos e uma diversidade piscícola que inclui espécies únicas. Maputo é um importante porto e centro comercial e industrial, estando aí sediadas indústrias de produção de petróleo,produtos alimentares, vestuário e materiais de construção. Os principais produtos da região são: citrinos, açúcar,calcário, diatomito, algodão. A Baía de Maputo, que juntamente com os rios Incomati e Maputo, limita a capital e confina em frente com A província de Gaza, está localizada na região sul de Moçambique, a sua capital é a cidade de Xai-Xai, situada a cerca de 210 km a norte da cidade de Maputo. Limitada, respetivamente, a Norte e a Sul pelas províncias de Manica e Maputo, a Oeste pela África do Sul e a Leste pela Província de Inhambane e pelo Oceano Índico, Gaza estende-se ao longo das bacias do Limpopo e Changane numa planície verdejante que apenas junto à Moçambique | Uma Estratégia Coletiva fronteira com a África do Sul se prolonga em altitude. A sua situação geográfica torna-a num ponto de passagem obrigatório para quem de Maputo, da África do Sul ou da Swazilandia, procura as águas mais cálidas das praias a Norte. Os principais produtos são o cajú, o algodão, o arroz e o milho. Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas 3.2 Oportunidades de Negócio Em oposição à grande parte das economias mundiais, Moçambique e grande parte do seu continente encontram-se em expansão. De facto, este país é uma excelente plataforma de entrada para toda uma região com margens de crescimento e oportunidades de negócio bastante significativas. A verdade é que Moçambique encontra-se localizado na costa oriental da África Austral sendo, por isso, membro associado da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), posição que lhe permite usufruir de um conjunto alargado de vantagens relacionadas com o acesso a outros mercados que se encontrem igualmente associados. A estabilidade política e económica que o país tem vindo a registar, em paralelo com a crescente evolução positiva do ambiente negocial, são dois cartões-de-visita - com elevado relevo -, que traduzem o estado atual de contraciclo que esta economia está a viver, tendo nos últimos 10 anos registado, uma média de crescimento económico superior a 7% ao ano. As questões linguísticas são mais uma grande vantagem. Contudo, é preciso ter em atenção que existem inúmeras diferenças entre Portugal e Moçambique, quer a nível empresarial, quer a nível cultural. Devido a estas disparidades, é fundamental que os agentes nacionais sejam extremamente rigorosos no sentido de melhor definirem a forma de penetrar neste mercado, que se apresenta como um diamante em bruto, que ainda tem muitas arestas por lapidar. Assentando na lógica de desenvolvimento futuro em que o país se tem baseado nos últimos anos, os projetos de investimento deverão ter viabilidade de médio/ longo prazo, para que as empresas consigam encontrar parceiros fiáveis e, assim, desenvolver importantes relações empresariais. Fazendo uma análise mais específica sobre as oportunidades de negócio existentes em Moçambique, listamos uma série de setores onde entidades portuguesas podem fazer a diferença e conquistar este poderoso mercado: Moçambique, nas 3 seguintes áreas: 1. Agricultura, Silvicultura e Pecuária: • 36 Milhões de hectares de terra arável e só cerca de 12% cultivado; • 3,3 Milhões de hectares de terra irrigável e apenas 1% está a ser utilizado; • Clima propício ao cultivo de uma grande variedade de culturas. 2. Pescas e Aquicultura • Linha de costa extensa, que permite uma excelente pesca costeira; • Excelentes condições para práticas aquícolas, com destaque para o camarão. 3. Agroindústria • Uma das grandes áreas de aposta do governo moçambicano; • Política de substituição de importações, em paralelo com grandes incentivos à exportação. SAÚDE E PRODUTOS FARMACÊUTICOS 32 Bens de Consumo Turismo Educação BENS DE CONSUMO Apesar das referidas diferenças entre o povo moçambicano e o português, a ligações culturais estão bastante enraizadas desde os tempos coloniais. Adicionalmente, as marcas portuguesas têm um prestígio e um reconhecimento muito vincado neste mercado, e estes dois fatores a trabalharem em paralelo, fazem perspetivar-se uma aceitação positiva dos produtos portugueses pelos consumidores nativos. Os produtos alimentares, incluindo a indústria das bebidas com destaque para o vinho, têm grande probabilidade de êxito pois ainda não existe uma presença efetiva deste grupo de bens no mercado moçambicano, ou seja, é uma fileira muito pouco explorada por agentes portugueses. O setor dos Têxteis ainda se encontra numa situação muito inexplorada em Moçambique, e sendo uma área de tradição exportadora em Portugal, faz sentido aproveitar esta aparente fragilidade. Setor Primário e Agroindústria Saúde e Produtos Farmacêuticos Construção indústrias e serviços associados ao turismo também têm excelentes ofertas neste país. A área da saúde ainda apresenta índices precários no país, apesar de ter registado uma evolução positiva nos últimos anos. Fragilidades moçambicanas são sinónimo de oportunidades para agentes portugueses, e neste setor é possível afirmar que existem grandes oportunidades em todas as fileiras, sendo aconselhada a cooperação entre várias entidades a fim de penetrar no mercado de forma sólida e sustentada. águas e saneamento. 3.2.1 Os Megaprojetos de Investimento A estrutura produtiva de Moçambique está em fase de profundas alterações. Ao longo dos últimos anos, os megaprojetos de investimento associados aos recursos minerais traduzem a ambição do país em ganhar massa crítica no plano regional, num quadro mundial marcado pela escassez de matérias-primas. Aumentar o acesso a fatores de produção e ao mercado, tendo em conta a necessidade de infraestruturas eficientes e uma gestão sustentável dos recursos hídricos, são objetivos estratégicos. Grandes Projetos em Curso Oportunidades de Fornecimento Upstream e Downstream • Industria transformadora: fábrica de alumínio de a empresa Mozal (BHP Billiton - 2000) • Indústria extrativa - Areias de Moma (Kenmare Resources) - Minas de carvão de Moatize (Vale do Rio Doce) e Benga (Riversdale/Rio Tinto) - Prospeção de gás e petróleo na Bacía do Rovuma (ENI, Anadarko, Galp, State Oil, entre outros) • Geração, transmissão e distribuição de energia - Gás de Pande e Temane (Sasol) - Hidroelétrica de Cahora-Bassa (incl. Central Norte) Áreas com maior potencial: - Projeto Hidroelétrico de Mphanda Nkua • Equipamentos médicos; - Projeto de CCGT Ressano Garcia (Maputo) • Produtos farmacêuticos; - Projeto CESUL: Ligação Norte (Tete) / Sul (Maputo) Condições gerais: • Prestação de serviços; • Linha de Costa com 2.740 km; • Equipamento hospitalar; • Florestal e agroindustrial • Oportunidades para vários tipos de turismo; • Formação. - Projeto Portucel em Manica e Zambézia • Sistemas de Reservas, Parques e Coutadas bem desenvolvidos e com paisagens díspares; • Excelentes condições climatéricas. Como informação adicional, acrescentar que o quadro legislativo moçambicano é fortemente influenciado pela legislação portuguesa, pelo que não haverá grandes constrangimentos à entrada de empresas farmacêuticas portuguesas neste mercado. EDUCAÇÃO CONSTRUÇÃO • Portos: dragagem, terminais especializados, acesos: Atualmente, existem grandes debilidades ao nível das infraestruturas moçambicanas, pelo que se encontra em ação uma política de desenvolvimento, centrada na expansão de infraestruturas. - Porto de Maputo: expansão • Beleza natural; A área da Educação é uma das grandes apostas do governo Moçambicano, tendo recentemente realizado fortes investimentos neste setor. Neste sentido, surgem grandes oportunidades para as empresas nos seguintes ramos: • Editoras de livros escolares e didáticos; Desta forma, as empresas vão poder beneficiar de um conjunto alargado de incentivos, situação que será uma excelente vantagem para agentes que atuem no ramo da construção e materiais de construção. Infraestruturas • Aeroporto: construção de novos terminais (Maputo e Vilanculos) e de um novo aeroporto em Nacala - Potencial novo porto de águas profundas em Maputo - Porto da Beira: dragagem e construção de terminal de carvão. - Nacala: aumento de capacidade de carga e plano de expansão relacionado com o fluxo de carvão de Tete Outro setor deficitário é o do Mobiliário, condição que pode ter especial interesse para agentes portugueses que são especialistas desta fileira, e que assim poderão aproveitar uma eventual vantagem competitiva. • Empresas fornecedoras de material e equipamento escolar; • Empresas da área da formação e consultoria. Esta melhoria geral de infraestruturas vai consistir no desenvolvimento: • Ferrovia: Melhoria da ferrovia nos 3 corredores principais: TURISMO Neste segmento, a língua apresenta-se como uma grande vantagem competitiva, eliminando à partida e conjunto extenso de potenciais concorrentes. • Da rede de transportes, que inclui estradas, pontes, aeródromos, portos e caminho-de-ferro; - Maputo: plano de expansão do Porto Esta área já se tem vindo a desenvolver nos últimos anos, contudo, ainda continua a apresentar excelentes oportunidades potenciadas pelas excelentes condições naturais que Moçambique apresenta. De referir que as Moçambique | Uma Estratégia Coletiva SETOR PRIMÁRIO E AGROINDÚSTRIA • Dos equipamentos sociais, como a habitação, escolas e hospitais; Neste âmbito, é possível definir oportunidades, em • Das chamadas utilities, como a energia, gás natural, Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva - Beira: Ligação de Sena (Tete/Beira) e ligação ao Zimbabué - Nacala: upgrade da linha e construção da ligação com Moatize, através do Malawi Manual de Boas Práticas 33 Destaque de outros setores com potencial • Setor turístico: • Setor agrícola/florestal: - Elevado potencial de geração de emprego e de captação de divisas. - Culturas de rendimento (exportação): aumento da superfície cultivada para potenciação das exportações; - Culturas de subsistência (mercado interno): ganhos de produtividade para substituição de importações de produtos alimentares; - Riqueza e diversidade de floresta local (exportação): disponibilidade de uma área estimada de perto de 20 milhões de hectares. • Setor industrial: • Setor pesqueiro: - A operação é feita, sobretudo, de forma artesanal; - Ausência de estruturas de conservação, transformação e distribuição (mercado interno / regional); - Oportunidade para uma abordagem mais industrial, para substituir importações e explorar mercados de exportação internacionais ou da Região. • Saúde e educação: - Potencial de crescimento do mercado interno: substituição de importações; - Acesso ao mercado global da SADC (ausência / redução de direitos aduaneiros desde que haja incorporação local de valor superior a 30%). - Sustentados na forte procura existente nos mercados interno e regional face à reduzida oferta existente. Prioridades do Executivo 34 Principais projetos de investimento público até 2014 Agricultura e Florestas 1,9 mil milhões de dólares - Produção alimentar (irrigação, sementes, tratamento animal, mecanização) 436 m USD - Produção florestal (4 projetos) 1425 m USD - Barragem de Moamba Major (abastecimento Mauto/Beluane) 450 m USD - Barragem de Monapo (abastecimento doméstico/industrial) 200 m USD - Barragem de Moeda (abastecimento doméstico/irrigação) 150 m USD Água e Saneamento - Barragem de Mapai (irrigação Chókuè/Massingir) 450 m USD 1,8 mil milhões de dólares - Barragem de Pavué (irrigação/produção energia abast. Beira) 350 m USD - Outros - ZEE de Nacala (consultadoria, etc) PM - Ordenamento de zonas de potencial turístico (consultadoria, etc) 860 m USD - Areias pesadas de Chibuto (produção de titânio) 1382 m USD Indústrias Extrativas 4,8 mil milhões de dólares ATUAR NESTA FASE PROCURA-SE APROFUNDAR O CONHECIMENTO DO PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO NO MERCADO MOÇAMBICANO. ABORDAMOS ASPETOS TÃO IMPORTANTES COMO: • ASPETOS PRÁTICOS DE NEGÓCIO; • CULTURA DE NEGÓCIOS E NETWORKING; • ESTABELECIMENTO E INCENTIVOS; • ALGUMAS DICAS E CURIOSIDADES. - Carvão de Benga (carvão metalúrgico e térmico) 849 m USD - Minas de Carvão do Moatize (reativação) 1535 m USD - Mina de grafites de Ancuabe (reabertura) 150 m USD - Construção de fábricas de cimento (seis projetos) 860 m USD - Central hidroelétrica de Mphada Nkuwa (construção) 1800 m USD - Hidroelétrica de Cahora Bassa (aumento de capacidade) 413 m USD Energia 5,3 mil milhões de dólares - Central termoelétrica de Moamba (construção) 1300 m USD - Central térmica de Moatize (construção) 2800 m USD - Linha de transporte Tete-Maputo (construção) 1950 m USD Indústria Transformadora - Produção de pasta e papel (quatro projetos) 7400 m USD 7,4 mil milhões de dólares - Fábrica de sulfato de alumínio (estudo de mercado) - Linha férrea Norte-Sul (construção) ND - Aeroporto de Vilankulo (construção) 300 m USD Transportes e Comunicação 8,6 mil milhões de dólares - Hubs aeroportuários (Nacala, Tete e Pemba) 550 m USD - Construção do Porto Dobela (complementar de Maputo) 7400 m USD - Ponte Maputo-Catembe/ estrada Ponta Ouro (construção) 250 m USD - Estrada Milange-Mocuba 100 m USD 4.1 Aspetos Práticos de Negócio 4.2 Formas de Estabelecimento em Moçambique 4.3 Incentivos ao Investimento 4.4 Entidades de Apoio ao Investimento 4.5 O Novo Regime do Investimento Privado 4.6 Sistema Fiscal 4.7 Relações Laborais 4.8 Os Salários 4.9 Cultura de Negócios 4.10 Networking 4.11 Dicas e Curiosidades para Investir e Vender em Moçambique - Estrada Nampula-Cuamba 250 m USD Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas ATUAR 4.1 Aspetos Práticos de Negócio 4.1 Aspetos Práticos de Negócio Como desenvolver Negócios 4.2 Formas de Estabelecimento em Moçambique Elaborado pelo Banco Mundial, o relatório denominado de “Doing Business 2013 – Mozambique” reporta a evolução dos negócios em Moçambique, destacando o país na 146ª posição do ranking mundial “Doing Business”, do qual fazem parte 185 economias. De notar que, no período homólogo, o país perdeu 7 lugares. 4.3 Incentivos ao Investimento 4.4 Entidades de Apoio ao Investimento 4.5 O Novo Regime do Investimento Privado 4.6 Sistema Fiscal 4.7 Relações Laborais A presente classificação de Moçambique é o resultado da combinação dos seguintes indicadores: Posição de Moçambique nos indicadores de “doing business” (2013) 4.8 Os Salários 4.9 Cultura de Negócios 4.10 Networking 4.11 Dicas e Curiosidades para Investir e Vender em Moçambique 37 Fonte: Doing business in Mozambique, World Bank Podemos verificar que Moçambique comparando-se com a média da África Subsariana, possui alguns aspetos a melhorar. Os indicadores em que Moçambique não consegue superar a média da África Subsariana são os que respeitam a “Iniciar negócio”, “Proteção dos investidores”, “Pagamento de taxas” e “Comércio internacional”. Por outro lado, nos indicadores: “Lidar com licenças de construção”, “Obter eletricidade”, “Registo de Propriedade”, “Obtenção de crédito”, “Resolução de contratos” e “Resolução de insolvência”, Moçambique supera a média da África Subsariana. Apesar de uma perda aparente de 2012 para 2013, Moçambique encontra-se com evolução positiva em vários domínios, sendo neste momento considerado um dos países africanos com mais vertente para o investimento direto estrangeiro. O indicador que respeita ao indicador “Proteção dos investidores” é claramente o ponto forte de Moçambique, uma vez que o país ocupa, atualmente, a 49ª posição do ranking. Acompanhando esta boa classificação está o processo de iniciar um negócio (96º), onde não há qualquer tipo de limite mínimo de capital para a entrada neste mercado, situação que se traduz numa boa vantagem para empresas com menor liquidez. Inversamente, os restantes indicadores expostos na tabela anterior apresentam resultados muito pouco competitivos, pois no total das 185 economias analisadas, Moçambique está sempre situado nas posições mais desfavoráveis, acima do centésimo posto. A título de exemplo, podem referir-se indicadores como “Resolução de insolvência”, “Registo de propriedade” ou a “Obtenção de eletricidade”, onde o país se encontra em 147º, 174º e 155º, respetivamente. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Indicadores Positivos | Moçambique Evolução dos Indicadores nos dois últimos anos: Fonte: Doing business in Mozambique, World Bank Indicadores Negativos | Moçambique Fonte: Doing business in Mozambique, World Bank 38 39 Iniciar atividade em Moçambique: Procedimentos, dias e custos associados Fonte:Doing Business in Mozambique - 2013, World Bank Fonte: Doing business in Mozambique, World Bank Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Tal como já havia sido referido anteriormente, iniciar atividade em Moçambique é um processo relativamente simples e acessível segundo o ranking “Doing Business 2013 – Mozambique”. De entre os vários tipos societários enumerados destacamos aqueles a que, por regra, os investidores mais recorrem Sociedades por Quotas e Sociedades Anónimas. Neste contexto, o país tem demonstrado, desde de 2004, uma grande evolução, tendo reduzido em grande escala todas as burocracias necessárias para iniciar um negócio. De notar que, em cerca de 9 anos, o número de procedimentos necessários passou de 14 para 9 e o número de dias para se iniciar atividade de 153 para 13. Sociedades por Quotas Em Síntese: Custo Total MZN 8.010 (Aprox. €200,00 Tempo: 12 dias As Sociedades por Quotas de responsabilidade limitada encontram-se reguladas nos artigos 283º a 330º do Código Comercial. Legalmente deverão ser detidas por dois ou mais sócios, que assumem de forma subsidiá-ria a responsabilidade solidária pelo total do capital social. A designação nas Sociedades por Quotas pode ser composta pelo nome ou firma de algum ou de todos os sócios, por uma denominação particular ou por uma reunião dos dois, sendo que em qualquer dos casos, terá que ser seguida pelo aditamento obrigatório “Limitada” que poderá estar por extenso ou abreviado - “Lda”. As principais características das Sociedades por Quotas são as seguintes: Sócios Iniciar Atividade em Moçambique 40 4.2 Formas de Estabelecimento em Moçambique Os investidores estrangeiros que pretendam estabelecer-se em Moçambique podem optar por constituir diversas formas de estabelecimento, tais como sociedades comerciais ou outras formas de representação. Sociedades O Decreto-lei n.º 2/2005 de 24 de Abril que aprovou o Código Comercial Moçambicano faculta aos indivíduos e sociedades, nacionais e estrangeiros, a possibilidade de estabelecimento em Moçambique sob uma de seis formas: i. Sociedades em Nome Coletivo; ii. Sociedades em Comandita; iii. Sociedade de Capital e Indústria; iv. Sociedades por Quotas; v. Sociedades Unipessoais por Quotas; vi. Sociedade Anónima. Em regra, e salvo determinados ramos da atividade, a legislação comercial moçambicana não obriga a que uma sociedade comercial seja constituída por sócios moçambicanos. A legislação moçambicana considera como estrangeiro qualquer pessoa singular de nacionalidade não moçambicana ou, no caso de pessoa coletiva, qualquer entidade coletiva constituída originalmente de acordo com uma legislação diferente da moçambicana, ou que, tendo sido constituída em Moçambique, o respetivo capital social seja detido em mais de 50% por pessoas (singular ou coletivas) estrangeiras. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Para se ser detentor de capital nas sociedades por quotas, os sócios devem, por regra, ser maiores e capazes, ou seja, terem mais de 21 anos. As Sociedades por Quotas têm como exigência legal um mínimo de dois sócios e um máximo de trinta, exceção feita à situação das Sociedades Unipessoais por Quotas que serão constituídas por um único sócio, que terá de ser pessoa singular e que será titular da totalidade do capital. Capital Social A lei não estipula um capital mínimo. Aos sócios é facultada a possibilidade de fixar o capital adequado para a prossecução da sua atividade, o qual deve corresponder ao somatório dos valores nominais das quotas de cada um dos sócios e deve ser sempre expresso em moeda nacional, o Metical. Neste tipo de sociedade as quotas são sempre nominativas, o que significa que os nomes dos seus titulares devem figurar expressamente nos estatutos da sociedade, na certidão comercial e em qualquer acordo subsequente ou deliberação através dos quais as quotas sejam transferidas ou o capital social seja alterado. Responsabilidade dos Sócios A responsabilidade dos sócios neste tipo de sociedades encontra-se limitada ao valor do capital social por eles subscrito sendo o património da sociedade única e somente responsável perante os credores sociais. Órgãos Sociais As Sociedades por Quotas têm como corpos sociais as seguintes entidades: a Assembleia Geral (órgão deliberativo) e o Conselho de Administração (órgão administrativo). Os sócios poderão igualmente optar pela instituição de um Conselho Fiscal ou Fiscal Único que se regerá pelas regras previstas para as Sociedades Anónimas. As Assembleias Gerais deverão contar com a participação de todos os sócios, sendo regra geral e salvo estipulação em contrário, as deliberações tomadas Manual de Boas Práticas por maioria simples dos votos emitidos pelos sócios presentes na Assembleia. A Administração da sociedade compete a um ou mais administradores, que poderão igualmente ser pessoas estranhas à sociedade. Sem prejuízo do que estiver disposto no contracto de Sociedade ou no ato de nomeação, as funções dos administradores cessam por destituição ou renúncia destes. Sociedade Anónima (SA) A SA é a forma tradicionalmente adotada por grandes empresas. Caracteriza-se primordialmente por ter uma estrutura orgânica e mais complexa que por exemplo as Sociedades por Quotas, e por conferir um grau de maleabilidade ao capital social, na medida em que a transmissão das ações não está sujeita a forma especial. No Direito Moçambicano, este tipo de Sociedades encontra-se regulado nos artigos 331º a 457º do Código Comercial Moçambicano. Elementos caracterizadores das SA Número de acionistas As SA devem ter, no mínimo, três acionistas, sejam eles pessoas singulares ou coletivas, nacionais ou estrangeiras. Exceção feita aos casos em que o Estado, diretamente ou por intermédio de empresa pública, estatal ou outra entidade equiparada por lei, fique como acionista, as quais podem constituir-se com um único acionista. Capital Social Nos termos da Lei comercial não existe um capital mínimo determinado, contudo as empresas que tencionem instalar-se em Moçambique terão que ter em conta que o valor do capital social deverá ser sempre adequado à realização do objeto social, e ser sempre expresso em moeda nacional, o Metical. Nestas sociedades o capital encontra-se dividido em ações podendo estas ser ao portador, nominativas ou escriturais. A SA só pode ser constituída estando subscrito a totalidade do seu capital social e realizado, pelo menos, em vinte e cinco por cento. A lei proíbe a emissão de ações por valor inferior ao seu valor nominal, devendo os estatutos fixar o número de ações em que este se divide. Para efeitos de constituição, deve fazer-se prova do montante do capital social realizado mediante a apresentação do comprovativo de que tal capital se encontra depositado em instituição de crédito à ordem da sociedade. Quanto às participações de capital a realizar em espécie, a prova da sua realização consiste na emissão de um relatório de avaliação por auditor seguida de declaração assinada pelos administradores da sociedade que certifique que a mesma entrou na titularidade dos bens e que estes já lhe foram entregues. Excetuam-se destes casos as situações de entrega deferida de bens. Maleabilidade do capital O formalismo de transmissão de ações varia consoante o tipo de ações emitidas pela sociedade. No caso de ações ao portador, a transmissão opera-se pela simples entrega dos títulos ao adquirente; no caso de Moçambique | Uma Estratégia Coletiva ações nominativas, a transmissão efetua-se por endosso no respetivo titulo, a favor do adquirente e deverá ser comunicada à própria sociedade para efeitos de registo no livro de registo das ações. A transmissão das ações escriturais efetua-se pelo registo na conta do adquirente. O único limite à livre transmissibilidade das ações poderá decorrer dos direitos de preferência que hajam sido estabelecidos pelos acionistas no seu pacto social. Responsabilidade A responsabilidade dos acionistas perante terceiros é limitada ao valor das ações que subscreveram. Organização interna Para além dos órgãos que comummente compõem as sociedades comerciais (Assembleia Geral, Conselho de Administração) as SA dispõem de um órgão fiscalizador – o Conselho Fiscal ou Fiscal Único. Assembleia-Geral É o órgão supremo da sociedade, ao qual estão reservados, entre outros, os seguintes direitos: • Reunir no prazo de três meses a contar da data do encerramento do exercício para deliberar sobre o relatório de gestão e as contas do exercício findo; • Deliberar sobre a proposta de aplicação de resultados; • Proceder à apreciação geral da administração e fiscalização da sociedade; • Proceder às eleições que sejam da sua competência. É na Assembleia-Geral que os acionistas elegem os órgãos destinados a administrar a sociedade e a fiscalizar os atos dessa administração. Os acionistas deliberam por maioria ou nos termos prescritos no pacto social, podendo reunir-se em Assembleia Geral sem a observância de quaisquer formalidades prévias, desde que todos os acionistas estejam presentes ou representados e manifestem vontade de que a assembleia se constitua para deliberar sobre determinado assunto, salvo quando a lei ou os estatutos estipulem em contrário. Salvo estipulação contrária do contracto da sociedade, a cada ação corresponde um voto. A lei exige, para determinadas deliberações, maiorias qualificadas, nomeadamente para as deliberações relacionadas com a alteração do contracto social, fusão, cisão, transformação e dissolução da sociedade. Conselho de Administração Compete-lhe gerir as atividades da sociedade, tendo exclusivos e plenos poderes de representação desta. De acordo com o Código Comercial, este órgão é composto por um número ímpar de membros, que podem ou não ser acionistas da sociedade. Se o capital social da sociedade não exceder os quinhentos mil Meticais, pode designar-se um Administrador único. No caso de uma pessoa coletiva ser nomeada para o cargo de Administrador, esta nomeará uma pessoa singular para exercer o cargo em nome próprio. Manual de Boas Práticas 41 Fiscalização da Sociedade A fiscalização faz-se através: • De um Conselho Fiscal, composto por 3 ou 5 membros; • Em sua substituição, por um Fiscal Único, que deverá ser auditor de contas ou sociedade de auditores de contas; • Através de sociedade de auditoria independente. Tramitação para a constituição de uma sociedade As sociedades comerciais, independentemente da sua tipologia (Quotas ou Anónima) necessitam de cumprir um conjunto de formalidades antes de dar início à sua atividade. Aprovação de denominação O primeiro passo neste tipo processos é obter a aprovação da denominação social da sociedade a constituir, bem como a indicação do tipo de sociedade a adotar. 42 A denominação da sociedade a constituir terá de ser aprovada pela Conservatória do Registo das Entidades Legais, mediante solicitação da reserva de nome dirigido a essa repartição. Sede da sociedade Indicação do local onde a sociedade irá desenvolver a sua atividade comercial, sendo para tal necessário a detenção do correspondente título (contrato de arrendamento ou registo de propriedade). Estrutura Societária Documento de Identificação ou Certidões Comerciais, consoante se trate de pessoas singulares ou coletivas, dos sócios que irão compor a estrutura societária da sociedade. No caso de se tratar de entidades estrangeiras os documentos supra mencionados deverão ser legalizados pelo Consulado de Moçambique no país de origem. Sendo os sócios pessoas coletivas, será também necessária a Ata que poderá ser do Conselho de Admi- nistração ou da Assembleia Geral, conforme o órgão competente para deliberar sobre o assunto, aprovando a constituição da sociedade Moçambicana e a participação social a deter pela pessoa coletiva em causa, bem como designando o(s) representante(s) para a assinatura do contrato de constituição e demais documentação relevante. Procurações Na eventualidade de os futuros sócios não terem disponibilidade para se deslocarem a Moçambique para assinatura da documentação necessária ao processo de constituição de sociedade terão de ser outorgadas procurações a conferir poderes a representantes em Moçambique para que estes tratem dos respetivos trâmites legais de constituição. Das procurações terá ainda de constar o nome da sociedade a constituir, pelo que apenas deverão ser outorgadas uma vez obtido o respetivo certificado de admissibilidade em que é aprovado o nome da firma. Estatutos Pacto social no qual se estabelecem as regras que irão regulamentar a vida da sociedade. Identificação dos Corpos Sociais No momento da constituição deverão ser indicados os membros que irão compor o primeiro Conselho de Administração. rizadas a exercer atividade em Moçambique obedecendo a um limite temporal, no caso da agência, por ex., dura enquanto durar o respetivo contrato de agência. No caso da Delegação, esta só pode exercer atividade por um período máximo de 3 anos, renováveis. No entanto, não beneficiam destes incentivos: Uma Sucursal é considerada como um estabelecimento permanente da sociedade que não tem autonomia ou personalidade jurídica diferente da empresa Mãe (devendo contudo ser promovido o seu registo junto da Conservatória do Registo das Entidades Legais). • Investimentos realizados nas áreas de prospeção, pesquisa e produção de petróleo, gás e indústria extrativa de recursos minerais, os quais possuem regimes específicos. A empresa Mãe é responsável pela atividade desenvolvida pela Sucursal, estando a sua responsabilidade limitada ao resultado líquido desta. A gerência da Sucursal é levada a cabo por um ou mais gerentes designados através de Procuração. À Sucursal não é legalmente exigível ter outros órgãos de administração ou fiscalização. A mencionada Procuração deverá prever todos os poderes conferidos ao gerente designado, o qual será apenas responsável pelo bom e diligente exercício dos poderes delegados. A Sucursal não tem formalmente qualquer capital social. Contudo, a sociedade Mãe terá de alocar um determinado montante à Sucursal. A Lei Moçambicana não estabelece um montante mínimo para o efeito. Síntese: Tramitação para a Constituição de uma Sociedade Alvará Comercial Após a realização da escritura e respetivo registo comercial, dar-se-á entrada do requerimento a solicitar a emissão de Alvará Comercial. Para o efeito, será necessária uma planta e memória descritiva do imóvel onde a sociedade estará sediada, bem como o respetivo contrato de arrendamento e/ ou cedência de espaço que titule a ocupação ou registo de propriedade. Representação Comercial / Sucursal As sociedades comerciais estrangeiras podem igualmente optar por fazer-se representar em Moçambique através de sucursais, agências, delegações ou outras formas de representação. As Representações são auto- Aprovação da Sede de Estrutura Denominação Sociedade Societária Identificação dos Corpos Procurações Sociais Alvará Em Síntese: Estatutos Comercial Sucursal 4.3 Incentivos ao Investimento Caracterização do Regime Jurídico Ao investimento privado, nacional e estrangeiro, realizado em território moçambicano e ao abrigo da Lei de Investimentos (Lei n.º 3/93, de 24 de Junho), quer por pessoas singulares, quer por pessoas coletivas, salvo algumas exceções previstas na lei, são conferidos incentivos fiscais e aduaneiros, assim como outros benefícios, como sejam o direito à importação de capital, exportação de lucros e reexportação do capital investido. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva • Investimentos públicos financiados por fundos do Orçamento do Estado; • Investimentos de carácter exclusivamente social; O investimento, direto ou indireto, pode assumir uma das seguintes formas (desde que suscetíveis de avaliação pecuniária): • Numerário; • Infraestruturas; • Equipamentos e respetivos acessórios; • Materiais e outros bens; • Investimento com capitais próprios; • Cedência de direitos; • Suprimentos, entre outros. As garantias e incentivos atribuíveis aos investidores pelo Estado Moçambicano reconduzem-se à proteção pelo Estado dos direitos de propriedade, aos incentivos fiscais e aduaneiros, repatriamento de capital investido e lucros obtidos. Critérios de Elegibilidade Para que se possa gozar dos incentivos acima mencionados, e especificamente para a transferência para o exterior do capital investido e dos lucros obtidos, é necessário que o investidor cumpra com pelo menos um dos seguintes requisitos: i. O valor mínimo do investimento direto estrangeiro (resultante de capitais próprios), ainda que ajustável por Despacho do Ministro da Planificação e Desenvolvimento, seja igual ou superior a 2.500.000,00 MZN (dois milhões e quinhentos mil Meticais) – aproximadamente USD 93.000,00 (noventa e três mil Dólares Norte Americanos); ii. A partir do terceiro ano de atividade, a sociedade implementadora do projeto de investimento gere um volume de vendas anual superior a 7.500.000,00 MZN (sete milhões e quinhentos mil Meticais) – equivalente a USD 279.000,00 (duzentos e setenta e nove mil Dólares Norte Americanos); iii. As exportações anuais de bens ou serviços atinjam um valor mínimo de 1.500.000,00 MZN (um milhão e quinhentos mil Meticais) - equivalente a USD 56.000,00 (cinquenta e seis mil Dólares Norte Americanos); iv. Consiga empregar diretamente pelo menos 25 trabalhadores nacionais inscritos no sistema de segurança social a partir do segundo ano de atividade. As propostas de investimento deverão ser apresentadas ao Centro de Promoção de Investimentos (CPI) ou ao Gabinete das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado (GAZEDA) em formulário próprio, em língua portuguesa ou inglesa e acompanhadas da documentação necessária para a sua apreciação, nomeadamente: Manual de Boas Práticas 43 i. Cópia do documento de identificação do investidor proponente; ii. Certidão do registo comercial ou da reserva do nome da denominação social da empresa implementadora do projeto; iii. Planta topográfica ou esboço da localização onde se irá implementar o projeto. A esta documentação, e quando se trate de projetos a realizar mediante representação comercial estrangeira, é igualmente exigida a competente licença, e nos casos em que se trate de projeto de investimento a ser desenvolvido numa área de terra igual ou superior a 10 mil hectares, outros requisitos mais específicos serão também aplicáveis. Uma vez aprovada a proposta, cujos termos e condições poderão ser alterados pela entidade decisória competente ou a pedido expresso e fundamentado do investidor, deve-se: i. Dar início à implementação do projeto no prazo máximo de 120 dias contados da data da notificação (caso outro prazo não tenha sido fixado na autorização); 44 ii. Proceder ao registo do investimento direto estrangeiro junto do Banco de Moçambique, no prazo máximo de 90 dias após a autorização do projeto. O estatuto de investidor estrangeiro vigora por tempo indeterminado (enquanto se mantiverem inalterados os termos e condições da autorização do projeto), sendo livre a sua transmissão (cessão de participações sociais detidas em projetos de investimento), desde que a mesma ocorra em Moçambique, seja notificada à entidade que autorizou o projeto e seja comprovado o cumprimento das obrigações fiscais. Direito ao Gozo dos Benefícios Fiscais e Aduaneiros Como forma de incentivar o desenvolvimento económico do país e favorecer as atividades de reconhecido interesse público, o Estado moçambicano introduziu um sistema de incentivos fiscais e aduaneiros, nos termos dos quais todas as pessoas, singulares e coletivas, que realizem investimentos no âmbito da Lei de Investimentos, e estejam devidamente registadas para efeitos fiscais, beneficiam de um conjunto de isenções/reduções do montante devido a título dos vários impostos a que se encontram sujeitas. Estas medidas consubstanciam os chamados Benefícios Fiscais e Aduaneiros, regulados pelo Código dos Benefícios Fiscais (CBF), aprovado pela Lei n.º 4/2009, de 12 de Janeiro e regulamentado por vários outros dispositivos legais. Nos termos deste regime, o Estado Moçambicano assume as despesas fiscais tipificadas e constan¬tes da enumeração taxativa feita pelo CBF, nomeadamente: as deduções à matéria coletável e à coleta, as amortizações e reintegrações aceleradas, o crédito fiscal por investimento, a isenção e a redução da taxa de impostos ou o seu diferimento. Gozam do direito aos benefícios fiscais e aduaneiros previstos no CBF, todos os investimentos re¬alizados no âmbito da Lei de Investimentos, bem como os que se enquadram nas atividades de comércio e indústria desenvolvidas nas zonas rurais, no comércio a grosso e a retalho, em infraestruturas novas construídas para o efeito e na indústria transformadora e de montagem. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Caem fora deste âmbito, os investimentos realizados nas atividades de comércio que não sejam desenvolvidas em zonas rurais. Pressupostos Gerais de Reconhecimento dos Benefícios Fiscais e Aduaneiros Em síntese: Incentivos Formas de Investimento Para usufruir dos benefícios fiscais, o investidor deve: i. Registar-se nas Finanças e obter o Número Único de Identificação Tributária (NUIT); ii. Dispor de contabilidade organizada; iii. Não ter cometido infrações tributárias. A lei estabelece ainda pressupostos específicos aplicáveis a cada tipo de benefício fiscal atribuído. Benefícios Fiscais e Aduaneiros Requisitos (pelo menos um) Não benefeciam O CBF divide os benefícios fiscais em: i. Benefícios específicos aplicáveis aos investimentos do setor privado/parcerias público-privadas, cujo objeto seja, a título de exclusividade, a criação de infraestruturas básicas de utilidade pública e indispensáveis para a promoção e atração de investimentos (construção e reabilitação de estradas, caminhos de ferro, aeroportos, abastecimento de água, energia elétrica e telecomunicações, etc.), a exploração de atividades concretas em setores da economia nacional, como sejam o comércio e indústria nas Zonas Rurais; o desenvolvimento da indústria transformadora e de montagem, agricultura e pescas, Hotelaria e Turismo; o desenvolvimento de parques de ciência e tecnologia, projetos de grande dimensão (cujo investimento exceda os 12.500.000.000,00 - equivalente a USD 480.000.000,00, e projetos em zonas de rápido desenvolvimento, zonas francas industriais e zonas económicas especiais; ii. Genéricos, ou seja, os que não recaem no âmbito dos benefícios específicos. O CBF estabelece uma série de benefícios fiscais e aduaneiros, como seja isenções aos direitos aduaneiros e respetivo IVA, crédito fiscal por investimento, dedução à coleta do Imposto sobre o rendimento, amortizações e reintegrações aceleradas, deduções à matéria coletável de investimento realizado com a modernização e introdução de novas tecnologias, formação profissional de moçambicanos e outras despesas que são consideradas custo fiscal para efeitos de deduções à matéria coletável. Doc. necessários para a proposta Depois da aprovação A violação das regras dispostas no diploma em análise dá lugar a aplicação de sanções previstas na legislação fiscal e aduaneira, bem como no CBF, que as classifica em impeditivas, suspensivas ou extintivas dos benefícios fiscais. Manual de Boas Práticas Valor mínimo do IDE igual ou superior a 2.500.000,00 MZN Volume de Vendas anual superior a 7.500.00,000 MZN a partir do 3º ano de atividade Valor mínimo das exportações anuais de B&S de 1.500.000,00 MZN Empregar no mínomo 25 trabalhadores a partir do 2º ano de atividade Investimentos públicos financiados pelo Orçamento de Estado Investimentos de caráter exclusivamente social Investimentos realizados nas áreas de prospeção, pesquisa e produção de petróleo, gás e indústria extrativa Cópia do doc. de identificação Certidão do Registo Comercail Planta topográfica do projeto 45 Iniciar a implementação do projeto no prazo máximo de 120 dias Registo do IDE junto do Banco de Moçambique Benefícios Fiscais e Aduaneiros Para usufruir Tipos Formas O âmbito de aplicação dos benefícios varia em razão da caracterização do projeto. Sanções Numerário Infraestruturas Equipamentos Materiais Investimento com Capitais Próprios Cedência de direitos Suprimentos Sansões Registo nas Finanças e obter o Número Único de Identificação Tributária (NUIT) Dispor de contabilidade organizada Não ter infrações tributárias Específicos Genéricos Isenções aos direitos aduaneiros e respetivo IVA Crédito fiscal por investimento Dedução à coleta do Imposto sobre o Rendimento Amortizações e Reintegrações aceleradas Deduções à matéria coletável de investimento realizado com a modernização e introdução de novas tecnologias Formação profissional de moçambicanos Outras despesas consideradas custo fiscal para efeitos de deduções à matéria coletável Impeditivas Suspensivas Extintivas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas 4.4 Entidades de Apoio ao Investimento AICEP Portugal Global A aicep Portugal Global é a agência pública de natureza empresarial empenhada em desenvolver um ambiente de negócios competitivo que contribua para a globalização da economia portuguesa. Missão Aumentar a competitividade e notoriedade de Portugal, através da dinamização de investimento estruturante e da internacionalização das empresas portuguesas, com especial destaque para as pequenas e médias. Valores • Orientação para a empresa, servindo os clientes à medida das suas necessidades, através de múltiplas soluções e produtos e de relações duradouras; • Seletividade, focando a atividade em projetos e mercados que melhor contribuem para a competitividade das empresas e para a sustentabilidade da economia portuguesa; 46 • Excelência, ultrapassando as expectativas através do rigor, da eficiência, do entusiasmo e da vontade de inovar. Objetivos estratégicos • Diversificar os mercados de destino dos produtos e serviços nacionais; • Alargar a base exportadora portuguesa, integrando cada vez mais PME’s nas carteiras de clientes e nos processos de internacionalização; • Facilitar o aprofundamento das atividades das empresas nos mercados externos, em particular as de produtos e serviços de elevado valor acrescentado tecnológico; • Aumentar o investimento contratado e os postos de trabalho gerados pelo mesmo. Saliente-se que o modelo de relacionamento da aicep Portugal Global com o tecido empresarial assenta numa lógica de proximidade e parceria. Deste modo, cada empresa dispõe de um Gestor de Cliente que funciona como o interlocutor privilegiado. CPI - Centro de Promoção de Investimentos O CPI - Centro de Promoção de Investimentos é uma agência do Governo de Moçambique que tem por missão promover a atração e retenção do investimento direto nacional e estrangeiro. O CPI presta os seguintes serviços: empresarial, particularmente para empresas nacionais; • Monitorização e acompanhamento dos processos de implementação de projetos de in¬vestimento e assistência na identificação e resolução de constrangimentos. CTA – Confederação das Associações Económicas de Moçambique A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) é uma organização económica, não-governamental, apartidária. A CTA é uma plataforma de diálogo entre o Governo e o Sector Privado que trabalha em prol da melhoria do ambiente de negócios em Moçambique, promovendo e protegendo as oportunidades de negócios através da reforma de políticas económicas e reguladoras. Área de atividade económica em geral, geograficamente delimitada e regida por um regime aduaneiro especial com base no qual todas as mercadorias que aí entrem, se encontrem, circulem, se transformem industrialmente ou saiam para fora do território nacional estão totalmente isentas de imposições aduaneiras, fiscais e parafiscais correlacionadas, gozando, adicionalmente, de um regime cambial livre e de operações «off-shore» e de regime fiscal, laboral e a migração especificamente instituídos e adequados à entrada rápida e eficiente funcionamento dos empreendimentos e investidores que aí pretendam ou se encontrem já a operar ou a residir, particularmente no seu relacionamento e cumprimento das suas obrigações comerciais e financeiras para com exterior, assegurando-se em contrapartida, a promoção de desenvolvimento regional e geração de benefícios económicos em geral e, em especial, de incremento da capacidade produtiva, comercial, tributária e de geração de postos de trabalho e de divisas para a República de Moçambique. Visão Ter um setor empresarial privado dinâmico e competitivo que contribua para o bem-estar económico e social dos moçambicanos. Objetivos • Criar uma networking que permita influenciar políticas económicas e setoriais que garantam a competitividade e qualidade empresariais, promovam a propriedade privada e o investimento, gerem emprego e contribuam para a produção nacional de riqueza; • Fortalecer o movimento associativo alargando a sua base de representatividade e a qualidade do seu trabalho; • Colaborar ativamente com todos os parceiros em ordem a remover os obstáculos ao livre desenvolvimento de negócios e atividades empresariais; • Consolidar a organização interna de modo a proporcionar uma ação direcionada, eficaz e consequente; • Hierarquizar os interesses dos membros de forma a conseguir consenso e relevância na definição de objetivos a atingir a médio e longo prazo; • Oferecer, internamente ou através de parcerias, serviços que promovam a capacidade de atuação dos membros e respetivas empresas; • Promover e privilegiar a troca de experiências; • Identificar e consolidar fontes de receita que suportem as operações e desenvolvimento do CTA. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Assim, foi criada uma ZEE designada Zona Económica Especial de Nacala, uma Zona Franca Industrial designada Parque Industrial de Beluluane, localizado na província de Maputo e, mais recentemente, as Zonas Francas de Locone e Minheuene, ambas localizadas no distrito de Nacala, na Zona Económica Especial de Nacala. Contribuir para um ambiente de negócios favorável ao desenvolvimento do Setor Privado e para um movimento associativo forte e participativo, socialmente responsável, capaz de influenciar políticas económicas e promover a competitividade e qualidade empresarial. • Promoção de ligações empresariais entre pequenas e médias empresas e grandes empre¬sas nacionais; • Promoção de programas de assistência e capacitação São atribuições do GAZEDA promover e coordenar todas as ações relacionadas com a criação, desenvolvimento e gestão das Zonas Económicas Especiais incluindo as Zonas Francas Industriais, de ora em diante ambas designadas como ZEE. Zona Económica Especial (ZEE) • Desenvolver relações de cooperação internacional que se revelem relevantes para a realização dos interesses do Setor Privado; • Identificação e disseminação de oportunidades de investimento; Atribuições Missão • Assistência Institucional aos investidores na aprovação e implementação de projectos de investimento; • Identificação de parceiros de negócio incluindo parceiros financeiros e tecnológicos; autonomia administrativa, tutelado pelo Ministro que superintende a área de Planificação e Desenvolvimento. GAZEDA - Gabinete das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado O Gabinete das Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado, abreviadamente designado por GAZEDA, é um órgão do Aparelho de Estado Moçambicano, com Manual de Boas Práticas Zona Económica Especial de Nacala A sua posição na costa Moçambicana, as suas condições naturais bem como a existência de um porto de águas profundas determinam a importância de Nacala, como pólo estratégico para o desenvolvimento do país e da região austral de África. O Porto de Nacala é o terceiro maior com águas profundas da costa oriental de Africana. A Zona Económica Especial de Nacala constitui o ponto terminal do eixo de transporte constituído pela estrada que a liga à capital Provincial (Nampula), aos países do Interland, em particular o Malawi e Zâmbia, conhecido por Corredor de Desenvolvimento de Nacala (CDN), o que faz da zona um potencial pólo de desenvolvimento económico e social. Zona Franca Industrial (ZFI) Área ou unidade ou série de unidades de atividade industrial, geograficamente delimitada e regulada por um regime aduaneiro específico na base do qual as mercadorias que aí se encontrem ou circulem, destinadas exclusivamente à produção de artigos de exploração bem como dos próprios artigos de exportação daí resultantes, estão isentas de todas as imposições aduaneiras, fiscal e laboral especialmente constituídas e apropriadas à natureza e eficiente funcionamento dos empreendimentos que aí operam, particularmente no seu relacionamento e cumprimento das suas obri- Moçambique | Uma Estratégia Coletiva gações comerciais e financeiras para com o exterior, assegurando-se, em contrapartida, o fomento do desenvolvimento regional e a geração de benefícios económicos em geral e, em especial, o incremento da capacidade produtiva, comercial, tributária e a geração de postos de trabalho e de moeda externa para o país. Parque Industrial de Beluluane Beluluane é uma zona industrial e zona franca com uma área total de aproximadamente 700 hectares. O Parque Industrial de Beluluane – Zona de Produção de Exportações localiza-se a apenas 16 km da Cidade de Maputo, é uma parceria entre o Estado Moçambicano, representado pela CPI e a Chiefton Moçambique, SA. Tem atualmente 24 hectares já com infraestruturas para acomodar pequenas e médias indústrias. Estradas em ótimas condições proporcionam acesso ao Porto de Maputo (cerca de 20 km de distância), onde se encontram disponíveis serviços marítimos profissionalizados. O parque localiza-se na espinha dorsal do Corredor de Maputo, a apenas 75 km de Ressano Garcia, fronteira entre Moçambique e a República da África do Sul. A estrada N4, que liga Maputo ao coração económico da África do Sul, Nelspruit, ou seja, Witbank, Joanesburgo e Pretória, dista a apenas 2 km da entrada do Parque. Incentivos Fiscais As ZEE e ZFI beneficiam de incentivos fiscais e não fiscais, nomeadamente: Isenção no pagamento de impostos na importação (Incluindo o Imposto Sobre o Valor Acrescentado), de materiais de construção, equipamentos, acessórios, peças e outros bens destinados à prossecução da atividade licenciada nas ZEE´s, bem como isenção do IVA nas aquisições internas. Incentivos Fiscais para as Empresas de ZEE • Isenção do IRPC nos primeiros cinco exercícios fiscais; • Redução da taxa do IRPC em 50% do 6º ao 10º exercício fiscal; • Redução da taxa do IRPC em 25% do 11º ao 15º exercício fiscal. Incentivos Fiscais para Operadores e Empresas em Zona Franca Industrial • Isenção do IRPC nos primeiros dez exercícios fiscais; • Redução da taxa do IRPC em 50% do 11º ao 15º exercício fiscal; • Redução da taxa do IRPC em 25% pela vida do projeto. Incentivos Fiscais para as Empresas em ZFI • Isenção do IRPC nos primeiros cinco exercícios fiscais; • Redução da taxa do IRPC em 50% do 6º ao 10º exercício fiscal; • Redução da taxa do IRPC em 25% pela vida do projeto. Manual de Boas Práticas 47 4.5 O Novo Regime do Investimento Privado Aspetos a Reter A Lei de Investimento e o Código dos Benefícios Fiscais de Moçambique asseguram ao investimento direto estrangeiro várias isenções aduaneiras, contribuindo, juntamente com todos os fatores já apontados anteriormente, para que o país se tenha tornado num dos destinos de excelência para o investimento no contexto africano. De facto, a lei atual tem como objetivo principal a definição do quadro legal básico e uniforme no processo de investimentos nacionais e internacionais que sejam elegíveis de usufruir de garantias e incentivos previstos. No entanto, para conseguirem beneficiar deste tipo de ajudas é necessário que os investimentos se enquadrem num dos seguintes objetivos: • Reabilitação, expansão ou modernização de infraestruturas; • Expansão e melhoria da capacidade produtiva nacional ou prestação de serviços; 48 • Contribuição para a formação e desenvolvimento da mão-de-obra local ou de entidades moçambicanas; • Criação de postos de trabalho; Incentivos Não Fiscais Missão • Concessão de terras e Análise de Impacto Ambiental Desenvolver e promover a exportação de produtos e serviços moçambicanos, harmonizando as suas atividades com todas as instituições que lidam com o comércio externo. • Regime Laboral mais flexível, particularmente no que diz respeito a contratação de mão-de- obra estrangeira e processos de licenciamento; • Regime Migratório especial e extensivo; • Regime Cambial livre e que permite ainda operações off-shore; • Processo de análise e autorização de projetos de investimento descentralizado e acelerado; • Assistência protocolar e técnica direta ao investidor. IPEX - Instituto para a Promoção de Exportações O Instituto para Promoção de Exportações é uma unidade socioeconómica com fins não lucrativos, criado em 1990, com o objetivo de impulsionar e coordenar a execução de medidas e políticas que visem o desenvolvimento das exportações moçambicanas. Formas de investimento direto estrangeiro: • Moeda externa livremente convertível; Afirmar-se como o ponto nacional para o desenvolvimento e promoção das exportações de Moçambique. • Equipamentos e respetivos acessórios, materiais e outros bens importados. Principais Atividades do IPEX: Expatriação de lucros permitidos: • Influenciar políticas sobre o comércio externo; • Lucros exportáveis resultantes de investimentos elegíveis à exportação de lucros; • Promover as exportações em coordenação com o setor privado; • Desenvolver as exportações, promovendo a produção e a diversificação de produtos, serviços e mercados; • Facilitar o acesso além-fronteiras de produtos e serviços nacionais; • Recolher, tratar e disseminar informação comercial. AICEP Portugal global • Royalties ou outros rendimentos de remuneração indiretos associados à cedência ou transferência de tecnologia; • Amortizações e juros de empréstimos contraídos no mercado financeiro internacional e aplicados em projetos de investimento do país; • Capital estrangeiro investido, independentemente da elegibilidade do respetivo projeto de investimento à exportação de lucros. Adicionalmente, o Estado Moçambicano garante a concessão de incentivos fiscais e aduaneiros definidos no Código dos Benefícios Fiscais para investimentos em Moçambique a todas as sociedades nacionais ou estrangeiras. CPI CTA ZEE GAZEDA ZEE de Nacala IPEX ZFI Parque Inddustrial de Beluluane Moçambique | Uma Estratégia Coletiva • Incremento e diversificação de exportações; Visão Em Síntese: Entidades • Promoção do desenvolvimento tecnológico e aumento da produtividade; Manual de Boas Práticas Porém, excluem-se dos incentivos as atividades desenvolvidas na área de comércio a grosso e a retalho, e outras como as indústrias extrativas de recursos naturais, estão sujeitas a termos e condições muito específicas; nal, e de USD 50.000,00 com capitais próprios, no caso de investimento estrangeiro; A proposta de investimento deverá ser apresentada junto do Centro de Promoção ao Investimento (CPI) – entidade que representa o Estado Moçambicano – definindo o volume de investimentos propostos e os objetivos a atingir com o projeto. O Sistema de incentivos ao investimento em Moçambique apresenta medidas de apoio a 4 grandes níveis: • Incentivos Fiscais; • Incentivos Aduaneiros; • Incentivos relacionados com a repatriação de capital investido e lucros obtidos; • Garantia de segurança e proteção pelo Estado Moçambicano aos investimentos e à propriedade privada. 4.6 Sistema Fiscal Os impostos existentes em cada país e o seu regime tributário são fatores fundamentais para possíveis investidores e empresários que pretendam internacionalizar o seu negócio até determinado mercado de destino. O Sistema Tributário Moçambicano compreende impostos nacionais e autárquicos. Os impostos nacionais encontram-se classificados em diretos e indiretos, atuando ao nível dos rendimentos, da riqueza e da despesa respetivamente. 1. Impostos Nacionais com Tributação Direta sobre a riqueza • Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS); • Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRPC); • Imposto sobre Sucessões e Doações; • Imposto Especial sobre o Jogo. 2. Tributação Indireta sobre a Riqueza • Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA); • Direitos Aduaneiros; • Imposto sobre Consumos Específicos (ICE); • Imposto sobre Transmissões Onerosas de Imóveis e Direitos de Propriedade (SISA); • Imposto de Selo. 3. Impostos Autárquicos • Imposto Pessoal Autárquico (IPA); • Imposto Predial Autárquico (IPRA); • Taxa de Atividades Económicas (TAE). Os quadros que se seguem, pretendem efetuar uma descrição mais aprofundada dos principais impostos, relatando as suas principais taxas e especificações: O valor mínimo de investimento para efeitos de elegibilidade aos inventivos acima referidos é de USD 5.000,00 com capitais próprios, no caso de investimento nacio- Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas 49 50 51 Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Imposto Simplificado para Pequenos Contribuintes O ISPC é de 75 mil MZN por ano ou 3% sobre o volume de negócios anual. Segurança Social São abrangidos pelo Sistema de Segurança Social os trabalhadores assalariados nacionais e estrangeiros residentes e familiares a seu cargo assim como outras categorias de trabalhadores. A taxa é de 7%: • Entidade – 4%; • Trabalhador – 3%. Imposto sobre Consumos Específicos Incide sobre determinados bens produzidos ou importados, como o tabaco, bebidas alcoólicas e veículos automóveis. A taxa de imposto situa-se entre 5% e 75%. Imposto Predial Autárquico • 0,4% a 0,7% sobre o valor patrimonial dos prédios urbanos; • 10% sobre as rendas dos prédios urbanos. Imposto de Turismo 52 • Indústria hoteleira – 3%; • Agências de viagem e agentes – 2%. Direitos Aduaneiros livros, papéis e atos designados em tabela própria, na qual constam as respetivas taxas e se estabelecem as exclusões à tributação. Imposto sobre Sucessões e Doações As taxas variam de 2% a 10% de acordo com o valor da herança e a relação parental entre o autor da sucessão ou doador e o beneficiário. Imposto de Reconstrução Nacional Incide sobre os cidadãos nacionais e estrangeiros residentes no território nacional, sendo as taxas fixadas anualmente por diploma do Ministro das Finanças a publicar até 31 de Outubro. O mesmo é devido a partir do ano seguinte àquele em que fixarem residência no território nacional e é pago de uma só vez através de desconto no salário de Fevereiro para contribuintes com uma remuneração mensal superior a 15 mil MZN, e em duas prestações vencíveis em Fevereiro e Agosto para os que tenham vencimentos inferiores. Imposto sobre Veículos O Imposto sobre Veículos incide sobre o uso e fruição dos seguintes veículos, desde que se encontrem matriculados ou registados nos serviços competentes no território da República de Moçambique, ou independentemente de registo ou matrícula, desde que decorram 180 dias a contar da entrada no mesmo território e estejam em uso e/ ou circulação: São aplicados sobre o valor CIF de bens importados. A lei obriga à inspeção pré-embarque a todos os bens cujo valor seja superior a 2.500 USD (bens essenciais 0%; matéria-prima 2,5%; bens de capitais 5%; bens intermédios 7,5%; bens de consumo 35%). • Automóveis ligeiros de passageiros, automóveis ligeiros mistos de peso bruto igual ou inferior a 2.500 Kg, camiões pesados e motociclos de passageiros com ou sem carro; Imposto de Selo • Barcos de recreio de uso particular. • Aeronaves de uso particular; O Imposto de Selo incide sobre todos os documentos, Síntese: Impostos e suas taxas Fonte: Guia de Investimento em Moçambique Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas 53 Acordos para Evitar a Dupla Tributação (ADT) II. As Modalidades de Contratação Com vista a evitar a dupla tributação internacional sobre os rendimentos, Moçambique celebrou Acordos bilaterais com os seguintes Estados: Portugal, Itália, Maurícias, Emirados Árabes Unidos, Governo da Região Administrativa Especial de Macau da República da China, República da África do Sul, República da Índia, Botswana e Vietname. 1. Contratação mediante autorização de trabalho Através dos referidos acordos bilaterais, os sujeitos passivos residentes em cada um dos Estados signatários, poderão deduzir à coleta de IRPC o menor valor entre: • O imposto sobre o rendimento pago no estrangeiro; • Fração da coleta do IRPC, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos que no país em causa possam ser tributados. 4.7 Relações Laborais I. O Regime Jurídico da Contratação de Trabalhadores de Nacionalidade Estrangeira em Moçambique 54 A Lei nº 23/2007, de 01 de Agosto (Lei do Trabalho), que define os princípios gerais e estabelece o regime jurídico aplicável às relações individuais e coletivas de trabalho subordinado, prestado por conta de outrem e mediante remuneração, prevê a possibilidade de contratação de trabalhadores de nacionalidade estrangeira por empregadores moçambicanos ou estabelecidos em Moçambique. O exercício de atividades ao abrigo de contratos de trabalho por cidadãos de nacionalidade estrangeira em Moçambique é regido pelo princípio da igualdade. O que não significa que, perante razões ponderosas, o Estado moçambicano não reserve o desempenho de determinadas funções para cidadãos nacionais. De acordo com o disposto no n.º 3 do art. 33.º da Lei do Trabalho, o regime jurídico da contratação de trabalhadores de nacionalidade estrangeira constante da Lei do Trabalho é regulado por legislação específica, sendo que o regime regra é disciplinado pelo Regulamento aprovado pelo Decreto n.º 55/2008, de 30 de Dezembro (Regulamento Relativo aos Mecanismos para a Contratação de Cidadãos de Nacionalidade Estrangeira), doravante designado apenas por Regulamento, enquanto os regimes especiais são regulados pelo Decreto nº 63/2011, de 7 de Dezembro (petróleo e minas) e o Decreto-Lei n.º 2/2011, de 19 de Outubro (função pública). Ao abrigo da Lei do Trabalho e do Regulamento, o regime de contratação de trabalhadores de nacionalidade estrangeira em Moçambique reveste quatro modalidades, a saber: (a) A contratação mediante autorização de trabalho (fora da quota); (b) A contratação no âmbito do regime de quotas; (c) A contratação ao abrigo de projetos de investimento aprovados pelo Governo; (d) A contratação em regime de curta duração. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva A contratação dentro do regime da autorização de trabalho só é admissível quando não haja cidadãos nacionais com as qualificações necessárias para o preenchimento da vaga em causa ou quando, havendo tais profissionais, o seu número seja de tal forma insuficiente que determine a sua indisponibilidade no mercado de trabalho. O requerimento para a autorização de trabalho deverá ser submetido à direção provincial de trabalho competente e é dirigido ao Ministro que superintende a área do trabalho. O Regulamento estabelece que o expediente deve ser despachado no prazo máximo de quinze dias úteis, contados a partir da sua receção pela entidade competente. 2. Contratação no âmbito do regime da quota Para uma melhor compreensão deste regime de contratação, há que ter em conta o lugar que o empregador em concreto ocupa na classificação atribuída às empresas pela Lei do Trabalho, em razão da respetiva dimensão. Neste sentido, na Lei do Trabalho e no Regulamento distingue-se entre pequena, média e grande empresa, sendo o critério de distinção baseado no número total de trabalhadores que a empresa tenha no seu quadro de pessoal. Neste sentido, são consideradas: • Pequenas empresas: número máximo de dez trabalhadores; • Médias empresas: mínimo de onze e um máximo de cem trabalhadores; • Grandes empresas: mais de cem trabalhadores. Por outro lado, na determinação do número exato de trabalhadores de nacionalidade estrangeira a contratar, o número de trabalhadores a considerar corresponde à média dos existentes na empresa, ao longo do ano civil anterior. No primeiro ano de atividade da empresa, o número de trabalhadores a ter em conta será o da data do início da atividade. As quotas para a contratação de trabalhadores estrangeiros são as seguintes: 3. Contratação no âmbito de projetos de investimento aprovados pelo Governo O n.º 5 do art. 31 da Lei do Trabalho prevê a contratação de cidadãos estrangeiros ao abrigo de projetos de investimento aprovados pelo Governo, nos quais seja necessária a contratação de um ou mais trabalhadores estrangeiros. Para estes casos é dispensada a autorização de trabalho, bastando ao empregador comunicar ao Ministério que tutela a área do trabalho sobre a contratação do aludido trabalhador ou trabalhadores, no prazo de quinze dias posteriores à sua entrada no país. Justifica-se esta dispensa de autorização pelas autoridades que superintendem a área do trabalho, uma vez que a contratação de cidadãos estrangeiros terá sido autorizada com a emissão da respetiva Autorização de Investimento do projeto. 4. Trabalho de curta duração Pode suceder que os empregadores pretendam admitir trabalhadores para exercerem funções durante um período de tempo inferior a trinta dias. Este tipo de situações é previsto pelo Regulamento e a elas é aplicável um regime especial. Com efeito, nos termos do n.º 1 do art. 12.º do Regulamento, considera-se trabalho de curta duração o que não excede trinta dias, seguidos ou interpolados, quando prestado por cidadãos estrangeiros ainda que estejam vinculados por contrato com a empresa sede ou suas representadas sedeadas noutro país. O trabalho de curta duração não carece de autorização de trabalho, o que significa que o exercício de funções por trabalhadores de nacionalidade estrangeira em Moçambique, por períodos inferiores a trinta dias é livre. Em caso de absoluta necessidade, o período de duração do trabalho de curta duração pode ser prorrogado, desde que a sua duração não exceda nunca noventa dias por ano, bastando para tal a demonstração da existência dos motivos que justificam tal prorrogação. III. O Contrato de trabalho celebrado com cidadãos estrangeiros O contrato de trabalho a ser celebrado com o cidadão estrangeiro deve revestir a forma escrita e deverá conter expressa e claramente os seguintes elementos: (a) Grandes empresas: 5% da totalidade de trabalhadores; (a) Identificação das partes; (b) Médias empresas: 8% da totalidade de trabalhadores; (c) Local de trabalho; (b) Tarefas ou atividades acordadas; (c) Pequenas empresas: 10% da totalidade de trabalhadores. (d) Duração; Note-se que, mesmo que o número total de trabalhadores de nacionalidade moçambicana seja inferior a dez, as pequenas empresas podem ter ao seu serviço um cidadão estrangeiro, o que se compreende, dada a impraticabilidade do critério aritmético para este tipo de casos. (f) Data de início e termo da prestação. O contrato de trabalho é condição para a emissão do visto de residência, documento que deverá servir de base ao requerimento da autorização de residência, pelo que é recomendável que o contrato de trabalho com o cidadão estrangeiro seja celebrado antes da entrada do cidadão estrangeiro em Moçambique. Manual de Boas Práticas (e) Remuneração e forma de pagamento; Qualquer alteração das condições de trabalho deve ser comunicada à entidade que superintende a área do trabalho na província onde o cidadão estrangeiro esteja a prestar atividade, devendo a respetiva apostila ser assinada pelo empregador e pelo trabalhador abrangido. Quanto à duração, os contratos de trabalho celebrados com cidadãos estrangeiros só podem ser celebrados a prazo, não devendo em caso algum ter duração Moçambique | Uma Estratégia Coletiva superior a dois anos renováveis mediante apresentação de novo pedido nos casos de contratação ao abrigo de autorização de trabalho. A renovação dos contratos celebrados dentro do regime de quotas não carece naturalmente de nenhum pedido, podendo efetuar-se automaticamente. Nota importante é a inconvertibilidade dos contratos de trabalho celebrados com estrangeiros em contrato por tempo indeterminado. IV. Regime de vistos A entrada no território da República de Moçambique para nacionais portugueses portadores de passaporte comum está condicionada à obtenção de um visto, cujas modalidades e prazos de duração serão variáveis em função das características da deslocação pretendida, pelo que se recomenda aos viajantes que contactem atempadamente os serviços das representações consulares moçambicanas em Portugal. As autoridades locais já não emitem vistos de fronteira a viajantes provenientes de países nos quais existam missões diplomáticas ou consulares moçambicanas. O visto de entrada em Moçambique é aposto sobre o passaporte válido por mais de 6 meses para além da data do termo da viagem programada. Recomenda-se vivamente a não ultrapassagem da data limite de permanência assinalada no visto, sob pena de pagamento de elevadas multas. Em caso de necessidade, as prorrogações de vistos podem realizar-se junto dos serviços da Migração em Moçambique, se bem que o processo seja moroso e deva sempre ser iniciado antes de caducar o visto. V. Fiscalização e Regime Sancionatório Compete à Inspeção-Geral do Trabalho fiscalizar o cumprimento das normas referentes à contratação de trabalhadores estrangeiros, sendo que o seu incumprimento está sujeito à aplicação de sanções. Tais sanções deverão variar em função da gravidade da infração. Os critérios para a aplicação das sanções estão fixados na Lei do Trabalho e no Regulamento. VI. Regimes especiais de Contratação de estrangeiros em Moçambique Neste âmbito cabe destacar o regime para a contratação de cidadãos estrangeiros para o trabalho nos setores de petróleo e minas, cujo regime se encontra disciplinado pelo regulamento aprovado pelo Decreto n.º 63/2011, de 07 de Dezembro e pelo regime jurídico de contratação de cidadãos estrangeiros para a prestação de serviços na função pública (regulado pelo Decreto-Lei n.º 2/2011, de 19 de Outubro). Uma nota importante relativamente ao regime jurídico da contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira para a prestação de atividades laborais no setor mineiro e petrolífero reside no facto de se estabelecer naquele regime o princípio geral de que as entidades empregadoras devem empreender os melhores esforços na criação de condições para a integração de trabalhadores moçambicanos qualificados nos postos de trabalho de maior complexidade técnica e em luga- Manual de Boas Práticas 55 res de gestão e administração da empresa (art. 3.º n.º 1 do Decreto n.º 63/2011). A contratação de cidadãos estrangeiros para a prestação de atividades no setor mineiro e de petróleos pode ser feita no âmbito do regime de quotas estabelecido na Lei do Trabalho e no regulamento aprovado pelo Decreto n.º 55/2008 acima descrito. Situação particular é o regime de trabalho de curta duração na medida em que nos termos do art. 12º do regulamento aprovado pelo Decreto n.º 63/2011, considera-se trabalho de curta duração, para efeitos das referidas atividades, o que não excede cento e oitenta dias, seguidos ou interpolados, no mesmo ano civil, quando prestado por cidadão de nacionalidade estrangeira, ainda que estejam vinculados por contrato com a empresa titular, concessionária, operador, subcontratado ou suas representadas sedeadas num outro país. Relativamente à contratação de cidadãos de nacionalidade estrangeira mediante autorização de trabalho, para os setores mineiro e de petróleos aplicam-se, de um modo geral, regras semelhantes às do regime geral de contratação de cidadãos estrangeiros. Em Síntese: 4.8 Os Salários O salário mínimo nacional aumentou para 3753 meticais, mais 11% face ao valor do ano passado. Tratou-se do aumento salarial mais baixo dos últimos cinco anos. No topo dos aumentos salariais estão os trabalhadores da indústria extrativa de minerais que passam agora a receber, no mínimo, 4,652 meticais, mais 32% que em 2012. Desde 2008, o salário mínimo nacional aumentou, em média, 15% por ano. Os mais beneficiados têm sido os trabalhadores da banca e dos seguros, que desde 2008 registaram um crescimento anual médio de 29% do seu rendimento mínimo, atualmente nos 6171 meticais. No canto oposto, os trabalhadores da indústria da pesca da kapenta e da administração pública somam aumentos salariais de 8% por ano. 4.9 Cultura de Negócios A vida em Moçambique assenta numa base comunitária e não individualista. Esta é uma das grandes máximas deste povo, que tenta evoluir e desenvolver-se com uma perspetiva de cooperação e entreajuda. Desta forma, a cultura moçambicana apoia-se em relacionamentos cúmplices, em paradoxo ao estilo americano, que se distingue por um maior grau de individualismo. A título de exemplo, é apreciado que ao pedir simples indicações ou quando se acaba de conhecer alguém primeiro se cumprimente a pessoa e eventual- 56 Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva mente (dependendo da situação) perguntar como é que tem passado ou se o negócio corre de feição. No contexto negocial, o país tem uma forte influência de Portugal. Toda a etiqueta é similar, sendo que a pontualidade é bastante apreciada, bem como uma indumentária conservadora, e em particular, as mulheres deverão fazer uma seleção exigente da roupa a utilizar pois poderão ser mal interpretadas. Assim, observando detalhadamente os vários momentos relacionados com o protocolo de negócios, destaca-se o seguinte: 1) Cumprimento ou Saudação Um aperto de mão com a mão direita é a forma mais usual de se cumprimentar alguém nas mais variadas situações, no entanto, não será de estranhar que o cumprimento seja feito com as duas mãos. A parte relativa à saudação das pessoas é muito importante e bastante apreciada pelo povo moçambicano, mesmo quando não se conhece as pessoas. 2) Estilo de Comunicação O povo moçambicano, por norma, não gosta de expressar sentimentos ofensivos diretamente, pelo que prefere faze-los de forma mais cautelosa e astuta. Inversamente, no que toca a comentar características físicas e pessoais, são bastante diretos e frontais não tendo qualquer problema em dizer que alguém está Manual de Boas Práticas 57 mais gordo ou que não está com a roupa adequada. Em ambiente negocial é onde se denota menos frontalidade, uma vez que sobre reuniões, prazos ou prestação de serviços, os moçambicanos têm tendência para responder sempre de forma afirmativa se acreditarem que é isso que a outra pessoa quer ouvir. 3) Pontualidade e Horários Fora do contexto empresarial, os moçambicanos gostam de passar tempo com os outros e procuram divertir-se, não tendo grandes preocupações com questões relativas a horários. Já a nível profissional, procuram ser bastante pontuais e não gostam particularmente de atrasos e faltas. 4) Tabus • Não é simpático que um convidado não fique para um chá ou um pequeno lanche. • Não é correto ou moralmente aceitável recusar convites como um almoço, um jantar ou outro acontecimento semelhantes. 5) Indumentária 58 No mundo dos negócios é importante ter uma vestimenta bem engomada e com um ar limpo, sendo aconselhado: • Nos homens – Um fato ou umas calças clássicas com uma camisa e gravata. • Nas mulheres – Um fato ou um vestido com um blazer. 6) Títulos e Cartões-de-Visita soa antes do seu sobrenome, sendo que esta prática tem importância acrescida quando se contacta com um membro do governo. Em relação aos cartões-de-visita não há um protocolo estabelecido de como se deve agir, contudo, é político trocar cartões-de-visita. Atenção para o facto de que este procedimento deve ser realizado sempre com a mão direita. 7) Reuniões • Apesar de parecer um pouco contraditório as reuniões nunca começam a horas, no entanto é aconselhável que no caso de um estrangeiro, este seja pontual, pois poderá haver algum tipo de conversa mais informal pré reunião. • O primeiro afazer numa reunião, deverá ser cumprimentar as pessoas com cargos mais elevados dentro da empresa. • Comummente, uma pequena conversa casual antecede uma conversa mais formal, pelo que é recomendado perguntar sobre a saúde da pessoa ou sobre a família, antes de começar o negócio. • É igualmente usual, a negociação começar com a pessoa que iniciou a reunião, ficando o seu desfecho a cargo da pessoa hierarquicamente mais influente. 8) Processo de Negociação Alguma discussão durante o negócio é expectável, sendo que se espera que os negociantes proponham preços bastante inflacionados aos estrangeiros, pelo que se perspetivam negociações demoradas, em que as decisões finais tardem a surgir. A melhor forma de comunicar é utilizar o título da pes4.10 Networking – Pessoas, Entidades e Locais a Conhecer Pessoas Daviz Simango Daviz Mbepo Simango de 48 anos, político moçambicano e atual Presidente do Conselho Municipal da Beira, foi considerado pela revista The Africa Report, um dos 50 africanos mais influentes. Daviz Simango é filho do histórico Urias Simango, uma liderança shona de extrema importância na Frelimo, que chegou a ser vice-presidente desta força política que lutou pela independência. Daviz simboliza, hoje, o novo na política moçambicana, sendo líder do principal bastião opositor à Frelimo – o Movimento Democrático Moçambicano (MDM), fundado em 2009. Dviz Simango conseguiu 8,6% dos votos nas eleições presidenciais de 2009, ficando em terceiro lugar. Graça Simbine Machel Política e ativista dos direitos humanos moçambicana, foi a primeira-dama de Moçambique, desde 1976, quando se casou com Samora Machel, o primeiro presidente de Moçambique, morto em 1986. Em 1998 casou-se com Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da África do Sul. Luísa Dias Diogo Economista moçambicana, foi Ministra do Plano e Finanças entre 1999 e 2005 do Governo de Moçambique. A partir de fevereiro de 2004, com a demissão do então Primeiro Ministro Pascoal Mucumbi, acumulou aquela pasta com a de Primeira-ministra. Foi exonerada, junto com todo o Governo em Janeiro de 2005, na sequência das eleições gerais de Dezembro de 2004. Em Fevereiro de 2005, foi nomeada de novo Primeira-ministra pelo recém-empossado Presidente Armando Guebuza. Foi exonerada em Janeiro de 2010 pelo reeleito Presidente Guebuza e substituída por Aires Ali. Foi reconhecida pela Times Magazine como uma das 100 individualistas mais influentes no Mundo devido à sua participação ativa no processo de reconstrução nacional e de transformação económica e social do país rumo ao desenvolvimento. De 1993 a 1994, foi Oficial de Programas no Banco Mundial em Moçambique, tendo substituído várias vezes o Representante do Banco Mundial no país. Antes de ser indicada para o Executivo em 1994, trabalhou como Técnica no Gabinete de Estudos do Ministério das Finanças, entre 1980 e 1986, passando a Chefe de Departamento, entre 1986 e 1989, e a Diretora Nacional do Orçamento, de 1989 a 1992. Membro do Conselho de Administração da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade e elaborou o primeiro Orçamento publicado após a independência em 1991, bem como participou na feitura do Primeiro Plano Trienal de Investimento Público. Alberto Clementino Vaquina Primeiro-ministro de Moçambique, Alberto Clementino António Vaquina é um médico formado em Portugal que, desde 2010, governava a província de Tete, no centro, onde se encontram das maiores reservas mundiais de carvão. Natural de Nampula, no norte de Moçambique, Alberto Vaquina licenciou-se em 1992 em Medicina pelo Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto e trabalhou nos hospitais de Santo António, do Porto, e de S. José, em Lisboa. O novo primeiro-ministro tem ainda uma pós-graduação em Clínica das Doenças Tropicais no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa. Regressou a Moçambique em 1996, tendo trabalhado como médico na província de Nampula e, de 1998 a 2000, foi diretor provincial de Saúde em Cabo Delgado. Alberto Vaquina desempenhou o cargo de governador de Sofala, de 2005 a princípios de 2010 e, desde então, era o governador da província de Tete, considerada atualmente a capital mundial do carvão. No último congresso da Frelimo, em setembro último, foi eleito para a poderosa comissão política do partido no poder, o que o seu antecessor, Aires Ali, não conseguiu. Armando Emílio Guebuza Nasceu a 20 de Janeiro de 1943, em Murrupula, Província de Nampula onde, seu pai, Miguel Guebuza, exercia a função de enfermeiro e sua mãe, Marta Bocota Guebuza, doméstica. É um político moçambicano e atual presidente do seu país. Aires Bonifácio Baptista Ali Aires Bonifácio Baptista Ali (nascido em 6 de dezembro de 1955), no distrito de Sanga, província nortenha de Niassa, foi primeiro-ministro de Moçambique de 2010 a 2012, tendo tomado posse no dia 16 de Janeiro de 2010. É professor de profissão. Foi governador da Província de Niassa (19941999), da Província de Inhambane (2000-2004) e Ministro da Educação (2005-2010)1 . Foi exonerado do cargo de primeiro-ministro em 8 de Outubro de 2012, sendo substituído por Alberto Clementino Vaquina. Após a morte de Samora Machel, em 1986, continuou a sua atividade política no partido Frelimo e criou uma organização sem fins lucrativos a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade. Em 1990 foi nomeada pelo Secretário-geral da Organização das Nações Unidas para o Estudo do Impacto dos Conflitos Armados na Infância. Como reconhecimento do seu trabalho, recebeu a “Medalha Nansen” das Nações Unidas em 1995. É Presidente do Conselho de Administração da Universidade da Cidade do Cabo. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas 59 Maiores Empresas de Moçambique Na 10ª edição da revista “100 Maiores Empresas de Moçambique” foi introduzida uma nova nomeação, a qual passou a designar-se A Melhor Empresa dentre as 100 Maiores, cujo objetivo é premiar a empresa com melhor desempenho económico-financeiro no ano em análise, com base nos seguintes indicadores: (i) Crescimento do volume de negócios; (ii) Autonomia financeira; (iii) Rentabilidade do volume de negócios; (iv) Rentabilidade de capitais próprios; (v) Liquidez geral. Para a classificação da melhor empresa, foram atribuídas pontuações que variam de 1 (um) a 100 (cem), sen- do atribuídos 100 pontos à primeira empresa e 1 ponto à centésima empresa classificada para cada um dos indicadores analisados. A empresa que obtiver a maior pontuação, resultante do somatório das pontuações dos diversos indicadores, obterá o título da “Melhor Empresa 2009/10”, segundo a KPMG. Como critério adotado para eventuais desempates na classificação, realizou-se um novo confronto apenas entre as empresas que estiverem empatadas, valorizando a rentabilidade de capitais próprios, já que esta engloba a autonomia da empresa, a relação entre as vendas e os ativos da empresa e a rentabilidade do volume de negócios. Na tabela seguinte estão as TOP 20 empresas em Moçambique: É de salientar que a maioria das TOP 20 empresas são do setor da energia e recursos naturais, evidenciando-se, mais uma vez, o potencial deste setor no país, devido às suas características e recursos naturais. Também é importante e interessante destacar quais as empresas portuguesas que ficaram entre as 100 melhores empresas em Moçambique: Embora não incluídas neste ranking, empresas portuguesas como a Somague e a Soares da Costa, do setor da construção, encontram-se bem instaladas no país. Indústria, Turismo, Imobiliária e Serviços) e o Grupo Opway (Construção, Indústria, imobiliária, Concessões e Cerâmica) também são dois grandes grupos portugueses com destaque em Moçambique. O Grupo Visabeira (Telecomunicações e Construção, Locais Entidades Restaurante Sagres Em Portugal Embaixada de Moçambique em Lisboa Av. de Berna, 7 1050-036 Lisboa – Portugal Tel.: +351 21 7971994 | Fax: +351 21 7932720 E-mail: [email protected] | http://www.embamoc.pt/ crbst_10.html Localizado na Avenida Marginal, mesmo junto à praia, o restaurante marisqueira Sagres oferece como ementa principal mariscos e peixes com destaque para camarão à sagres, arroz de mariscos, espetada de mariscos ou caranguejo a chefe, além do cocktail de camarão, caranguejo ao natural ou ameijoas. 60 Restaurante Rodízio Real Considerado um dos melhores restaurantes de Maputo, situado no centro da cidade é uma imagem de marca na arte de bem comer. A especialidade é o Rodízio à Brasileira, com a melhor seleção de carnes da cidade, sempre acompanhado com a melhor carta de vinhos. Oferecem também, uma variada escolha de frutos do mar, carnes e diversos pratos da cozinha moçambicana e internacional, sem esquecer do famoso buffet de sobremesas. Coconuts Club Maputo Coconuts é com certeza uma das melhores discotecas de Maputo. Um amplo espaço para dançar. Um espaço aberto com piscina para quem quiser estar mais relaxado e apanhar um pouco de ar. Música mexida e pessoas de todas as idades, mas especialmente jovens. Restaurante Zambi Localizado num espaço que foi durante anos uma discoteca, o restaurante Zambi herdou-lhe o nome e a magnífica vista para a Catembe. Aberto há pouco mais de dois anos, é dos espaços mais in na cidade de Maputo. À entrada, do lado esquerdo, destaca-se um painel em revelo da autoria do arquiteto Pancho Guedes, elemento que, inteligentemente, serviu de logótipo do restaurante. Dhow Café O Dhow Café em Maputo segue a tendência de espaços multiuso que vemos por todo o mundo – uma mistura de café, restaurante, loja de decoração e galeria de arte. O lugar tem uma vista incrível e um ambiente delicioso. O forte do lugar é ver o pôr-do-sol com vista para o porto e Catembe. É um lugar must go em Maputo. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Moçambique | Uma Estratégia Coletiva aicep Portugal Global Rua Júlio Dinis, 748 9ºDto. 4050-012 Porto – Portugal Tel.: +351 226 055 300 | Fax: +351 226 055 399 E-mail: [email protected] | http://www.portugalglobal.pt aicep Portugal Global Av. 5 de Outubro, 101 1050-051 Lisboa – Portugal Tel.: +351 217 909 500 E-mail: [email protected] | http://www.portugalglobal.pt CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa Rua de S. Mamede, nº21 1100-533 Lisboa – Portugal Tel.: +351 213 928 560 | Fax: +351 213 928 588 http://www.cplp.org/ Câmara de Comércio Portugal – Moçambique Praça das Indústrias Edifício Rosa – 1ºandar 1300-307 Lisboa – Portugal Tel.: +351 213 465 392 | Fax: +351 213 479 773 E-mail: [email protected] | http://www.ccpm.pt Autoridade Tributária e Aduaneira Rua da Alfândega, n.º5, r/c 1149-006 Lisboa – Portugal Tel.: +351 21 881 37 00 I Linha Azul: +351 21 881 38 18 E-mail: [email protected] | https://www.e-financas.gov.pt/ de/jsp-dgaiec/main.jsp COSEC – Companhia de Seguro de Créditos, SA Direção Internacional Av. da República, 58 1069-057 Lisboa Manual de Boas Práticas 61 Tel.: +351 217 913 821 | Fax: +351 217 913 839 E-mail: [email protected] | http://www.cosec.pt Turismo de Portugal, I.P. Rua Ivone Silva, Lote 6 1050-124 Lisboa Tel.: +351 211 140 200 I Fax: +351 211 140 830 E-mail: [email protected] I http://www.turismodeportugal.pt Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento Instituíção Financeira de Crédito, S.A. – SOFID Av. Casal Ribeiro, 14 – 4º 1000-092 Lisboa Tel.: +351 21 313 77 60 I Fax: +351 21 313 77 79 E-mail: [email protected] I http://www.sofid.pt/ Intertek – Caleb Brett Portugal Lda. Complexo Petroquímico – Monte Feio Apartado 50 7521-901 Sines – Portugal Tel.: (+351) 269 750 120 | Fax: (+351) 269 750 126 E-mail: [email protected] I http://www. intertek-cb.com 62 Labtest Portugal Rua Antero de Quental, 221 – Sala 102 Perafita 4455-586 Matosinhos – Portugal Tel.: (+351) 229 998 080 | Fax: (+351) 229 998 081 E-mail: [email protected] | http://www. intertek.com/ Em Moçambique Embaixada de Portugal em Maputo Av. Julius Nyerere, 720 C.P. 4696 – Maputo – Moçambique Tel.: +258 21 490 316 | Fax: +258 21 491 172 E-mail: [email protected] | http:// www.embpormaputo.org.mz/ IPEX – Instituto para a Promoção de Exportações Av. 25 de setembro, 1008 – 2º Maputo – Moçambique Tel.: +258 21 307 257/8 | Fax: +258)21 307 256 [email protected] | http://www.ipex.gov.mz CPI – Centro de Promoção de Investimentos Rua da Imprensa, 332 – r/c Maputo – Moçambique Tel.: +258 21 313 310 | Fax: +258 21 313 325 http://www.mozbusiness.gov.mz Bolsa de Valores de Moçambique Av. 25 de setembro, 1230 - 5ºandar, bloco 5 Tel.: +258 21 308 826 I Fax: +258 21 310 559 www.bolsadevalores.co.mz Banco de Moçambique (Banco Central) Av. 25 de setembro, 1695 Caixa Postal nº423 Maputo – Moçambique Tel.: +258 21 354 600 | Fax: +258 21 323 247 E-mail: [email protected] I http://www.bancomoc.mz Intertek International Limited Rua da Namaacha, 492 Maputo – Moçambique Tel.: (+258) 21 407 870 | Fax: +258 21 407 884/5 http://www.intertek.com/contact/ema/mozambique/ Delegação da União Europeia na República de Moçambique Avenida Julius Nyerere, 2820 Caixa Postal 1306 Maputo – Moçambique Tel.: +258 21 481 000 I Fax: +258 21 491 866 E-mail: [email protected] | http://www.eeas.europa.eu/delegations/mozambique/ about_us/welcome/index_pt.htm aicep Portugal Global – Escritório de Maputo Av. Julius Nyerere, 720 - 12º Maputo – Moçambique Tel.: +258 21 490 523/402 | Fax: +258 21 490 203 E-mail: [email protected] 1. Quais os passos para entrar no mercado Moçambicano? A primeira medida a ser tomada deverá ser contactar uma sociedade de advogados, e para facilitar a comunicação têm sido desenvolvidas algumas parcerias entre escritórios de advogados portugueses e moçambicanos, facto que se apresenta como uma grande vantagem competitiva para penetrar neste mercado. Posteriormente, devem começar as ações que dizem respeito à constituição de uma sociedade em Moçambique, onde se pode referir: • Reserva do Nome da Sociedade; • Elaboração dos Estatutos; • Abrir conta bancária no Banco Comercial Moçambicano; • Registar a Sociedade na Conservatória do Registo das Entidades Legais; • Publicação dos Estatutos da Sociedade no Boletim da República; • Registo fiscal da Sociedade para obter o Número Único de Identificação Tributária; • Pedido de alvará; • Registo junto das autoridades de trabalho e do Instituto Nacional de Segurança Social, aquando do início de atividade por parte da Sociedade. 2. Que entidades devem ser contactadas para obter melhor suporte? Associação de Comércio e Indústria – Associação Empresarial sem fins-lucrativos, que já representa mais de 300 empresas dos vários sectores e atividades de negócio, em Moçambique. Oferece uma vasta gama de produtos e serviços aos seus colaboradores, incluindo a opção de criar parcerias com instituições residentes que atuem como representação ou como revendedores. Confederação das Associações Económicas de Moçambique – Plataforma de diálogo entre o Governo e o Sector Privado que trabalha em prol de um melhor ambiente de negócios em Moçambique, promovendo e protegendo as oportunidades de negócio através da reforma de políticas económicas e reguladoras. Entre os seus principais objetivos pode-se destacar: criação de networking, fortalecer o associativismo, hierarquizar os interesses dos membros para definir uma estratégia para o médio/longo prazo, identificar e consolidar fontes de receita, entre outros. Câmara de Comércio de Moçambique - Portugal Av. 25 de setembro - Nº1123, Prédio Cardoso, 4º- C Maputo – Moçambique Tel.: +258 21 304 580 E-mail: [email protected] | http://www.ccmp.org.mz/ Câmara de Comércio Portugal – Moçambique Centro de Escritórios do Hotel Rovuma Rua da Sé, 114 – 4ºandar, sala 27 Maputo – Moçambique Tel.: +258 21 300 232 | Fax: +258 21 300 232 E-mail: [email protected] | http://www.ccpm.pt/ Confederação das Associações Económicas de Moçambique – CTA Rua Fernando Ganhão, 120 (ex. Rua do Castanheda) Maputo – Moçambique Tel.: +258 21 491 914/64/30 89 I Fax: +258 21 493 094 http://www.cta.org.mz/ Moçambique | Uma Estratégia Coletiva 4.11 Dicas e Curiosidades para Vender e Investir em Moçambique No entanto, com o intuito de captar e fomentar investimento direto estrangeiro (IDE), a legislação moçambicana tem previsto uma série de incentivos e facilidades para todos aqueles que pretendam implementar projetos de valor acrescentado no país. Paralelamente à legislação, sobressaltam duas entidades que fornecem aos investidores benefícios fiscais e não fiscais, mediante o cumprimento de determinados requisitos, como o de investimento mínimo de 60.000 euros. Ambas entidades atuam por região, sendo que o Governo Moçambicano dividiu o país em duas áreas distintas: • As Zonas Normais – ficam a cargo do Centro de Promoção de Investimentos (CPI), que oferece um conjunto de serviços e ajudas, a investidores nacionais e internacionais, para que estes consigam aceder a incentivos fornecidos pelo governo moçambicano, e desta forma conseguirem estabelecer-se no mercado da melhor forma; • As Zonas Económicas Especiais (ZEE) e as Zonas Francas Industriais (ZFI) – ficam sob a tutela do Gabinete das Zonas Económicas de Crescimento Acelerado (GAZEDA), que apresenta como missão principal, a promoção e coordenação de atividades relacionadas com o estabelecimento, desenvolvimento e gestão de investimentos nas duas áreas acima referidas. 5. Que tipo de serviços de apoio existem? Neste indicador pode referir-se a proteção jurídica da propriedade sobre bens e sobre direitos – nomeadamente direitos de propriedade industrial –,a possibilidade de expatriação de fundos e também uma vasta gama de incentivos fiscais e aduaneiros. 6. Moçambique é um país de destino privilegiado para o investimento? Desde logo apresenta-se como um país de referência no panorama africano, sendo que está em paz e que esta transmissão de segurança parece cativar bastante os homens de negócios. Adicionalmente, fornece infraestruturas de qualidade e, devido à sua grande costa e respetivos portos, é conhecido como a porta de entrada para a região da SADC (Comunidade de Desenvolvimento do Sul de África), área onde se podem destacar os atrativos mercados de Angola e da África do Sul. Por sua vez, o governo moçambicano tem vindo a implementar reformas, políticas e incentivos, que conferem a este país um ambiente de negócios bastante favorável. 3. É necessário ter um sócio nativo para iniciar atividade? 7. Que incentivos ao investimento se podem encontrar neste mercado? Por norma, a legislação comercial moçambicana não requer que parte do capital social de uma sociedade comercial seja possuída por um sócio moçambicano. Todas as entidades, nacionais ou internacionais, que pretendam investir em Moçambique, podem optar por algumas variantes, desde o investimento com capital próprio ou bens e equipamentos, direitos, suprimentos, empréstimos, entre outros, devem candidatar-se ao sistema de incentivos nacional. 4. Qual é o investimento mínimo necessário para entrar no mercado Moçambicano? A legislação de Moçambique não exige um limite mínimo de investimento obrigatório, ou seja, qualquer empresa estrangeira pode entrar neste mercado sem que para isso tenha de investir quantidades elevadas e Manual de Boas Práticas incorrer em riscos igualmente elevados. Esta condição é propícia para PME que pretendem expandir-se além-fronteiras. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Este sistema está disponível para projetos nas mais variadas áreas de atividade, como por exemplo: energia, abastecimento de água, serviços de correio e Manual de Boas Práticas 63 telecomunicações, produção, distribuição e comercialização de armamento, entre outros. Estes investimentos enquadram-se em quatro grandes áreas: • Incentivos Fiscais; • Incentivos Aduaneiros; • Incentivos relacionados com a repartição do capital investido e lucros obtidos; • Garantia de segurança e proteção pelo Estado Moçambicano aos investimentos e à propriedade privada. 8. Vantagens comparativas na região da SADC Umas das grandes vantagens é a localização, pois como já havia sido referido, este país tem uma vasta costa, que é suportada por infraestruturas de qualidade. Outra grande vantagem é a estabilidade política que se vive no país, situação que transmite grande confiança e segurança aos possíveis investidores, e que tem fomentado cada vez mais o aumento de IDE e o consequente desenvolvimento do país. 64 Os recursos naturais são uma das principais vantagens que Moçambique oferece. De facto, o solo deste país é dotado de uma riqueza natural fora do comum, tendo, por exemplo, petróleo, que por si só é uma fonte de riqueza considerável. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Refletir Manual de Boas Práticas REFLETIR i-PME - Rede Colaborativa Internacionalização Lusofonia Empresarial desígnio processo destino Um desígnio nacional: internacionalização A contração do mercado interno tem forçado as empresas portuguesas a focar a sua atenção na procura de novos mercados de atuação. Naturalmente, os mercados internacionais estão cada vez mais na mira dos empresários e gestores portugueses e a internacionalização assume-se como um caminho obrigatório para quem quer sobreviver na atual conjuntura. A abordagem a novos mercados pelas empresas portuguesas nem sempre é feita de forma cuidada e sistemática. Mais do que uma vontade, a internacionalização deve ser uma decisão estratégica, cuidadosamente ponderada. São de diversa ordem os obstáculos e as dificuldades, entre os quais: Financeiro/ Gestão • Condição de preço, pagamento e compra – em alguns países, verifica-se elevada sensibilidade aos fatores preço e condições de pagamento, bem como uma certa morosidade no processo da tomada de decisão de compra; • Excessiva concentração familiar da propriedade e da gestão de parte significativa das empresas portuguesas; • Risco dos tipos de câmbio; • Capacidade de gestão/ RH. Culturais • As barreiras linguísticas; • Desconhecimento relativamente a gostos, costumes e tradições de cada mercado; • Eventuais problemas de corrupção. Comerciais • Desconhecimento de oportunidades comerciais; • Dificuldade de acesso a potenciais compradores no exterior. Legais • Excessiva burocratização que, por vezes, provoca atrasos irreparáveis no desenvolvimento dos negócios; • Barreiras alfandegárias e não alfandegárias (controlos de qualidade, normas técnicas, sanitárias, entre outras); • Limites à detenção de empresas; • Limites à repatriação de benefícios; • Obrigação de contratação de mão-de-obra local e limitação ao número de trabalhadores estrangeiros. Moçambique | Uma Estratégia Coletiva Manual de Boas Práticas Outros • Imagem portuguesa nem sempre é olhada positivamente em alguns mercados; • Distância geográfica. Neste contexto, percebemos que para suportar um processo de expansão com sucesso é necessário cuidar de um dos ativos mais preciosos nos nossos dias – a informação. Sobretudo informação de proximidade sobre os mercados com maior potencial e suas oportunidades de negócio, que seja tratada e selecionada, e esteja acessível às empresas para que tomem boas decisões. A informação de proximidade é exatamente o âmago de atuação da iniciativa i-PME – Rede Colaborativa Empresarial. O Processo: rede colaborativa Num mundo que surge cada vez mais interligado – ainda que funcionando, não raras vezes, de forma individualista -, a presença e trabalho em rede aparece com uma preponderância acrescida. Atualmente, o poder dos fluxos tornou-se mais importante que os fluxos do poder e, como tal, a presença na rede ou a ausência dela pode marcar toda a diferença. Através da presença em redes, os atores nela envolvidos são capazes de reduzir custos, dividir riscos, qualificar e valorizar os seus produtos, conquistar novos mercados e, sobretudo, ter acesso a informação de proximidade que, de outro modo, seria muito custosa de ser obtida. É neste domínio que o Projeto i-PME incide, dando o enfoque na necessidade das empresas portuguesas apostarem, de forma progressiva, numa rede colaborativa que garanta o acesso a oportunidades de negócio e a informação de proximidade. Através do envolvimento de várias ferramentas e pela via da integração de empresas e associações nacionais e internacionais para apoio, suporte e lobby, advirão vantagens indubitáveis para as PME nacionais. Assim, o trabalho efetuado neste domínio nos processos de informação, aproximação e intermediação com as organizações internacionais (empresas, associações e entidades governamentais, entre outras), permite mediar e facilitar as intenções de colaboração, parce- Moçambique| |Uma UmaEstratégia EstratégiaColetiva Coletiva Moçambique ria, penetração e desenvolvimento, numa aproximação ponto-a-ponto ao mercado global. Em suma, autonomia, horizontalidade, cooperação e democracia, são os quatro elementos que caracterizam o trabalho em rede, permitindo uma estrutura direcionada à troca de informações, à produção de conhecimento e à disseminação de novas tecnologias. Em mercados tão específicos como o moçambicano, a aposta das PME nestas redes torna-se ainda mais premente e necessária para que possam estar à altura destes desafios e oportunidades. O Destino: a lusofonia Moçambique está na moda! Um período de paz e alguma estabilidade política e social, os recursos, sobretudo os naturais, associados ao posicionamneto geoestratégico - acesso a África e porta natural para o Índico - colocaram Moçambique no radar de negócios internacional. Para comprovar o seu potencial basta uma breve análise aos vultuosos projetos em curso, liderados por empresas oriundas de todo o Mundo. Todavia, não obstante todo o interesse e os milhões de dólares investidos, Moçambique é ainda um país em construção, com assinaláveis atrasos em importantes domínios: das infraestruturas básicas à rede de transportes e comunicações; das assimetrias entre a capital e as províncias; da disponibilidade à qualificação da mão-de-obra; só para citar alguns. Ao longo do presente Manual foi possível identificar um conjunto de oportunidades que devem ser trabalhadas e potenciadas pelas empresas portuguesas. Do aproveitamento dos valiosos recursos naturais, ao setor da agricultura e pescas, passando pela construção e infraestruturas e acabando com importante dstaque no turismo, entre muitos outros, é possível detetar janelas de oportunidade que podem ser exploradas pelas empresas portuguesas. É necessário, no entanto, ter em consideração o elevado grau de exigência que este contexto encerra. O mercado moçambicano é bastante exigente e particular, requerendo estratégias empresariais bem definidas, bem como recursos e tempo em número razoável, para lá de forte ambição e convicção, muito trabalho e enorme resiliência. Manualde deBoas BoasPráticas Práticas Manual