Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como
Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal
do Serro
Karine Silva Nunes
Bacharel e Administração de Empresas
[email protected]
Raul Carlos de Mello
Doutorando em Administração
Prof. da Faculdade da Cidade de Santa Luzia - FACSAL
[email protected]
Recebido em 26/08/2012. Aprovado em 02/12/2013
Resumo
O presente estudo apresenta uma análise das expectativas dos produtores, consumidores
e comerciantes da cidade de Serro e região sobre a aquisição do selo de identificação
geográfica para o queijo artesanal típico da região. Para tanto, elaborou-se uma análise
documental e entrevistas informais que descrevem minuciosamente a produção do queijo,
o significado e importância comercial do selo de Indicação Geográfica como estratégia de
marketing, bem como a definição de marketing e seu contexto estratégico. Em seguida,
foram aplicados questionários a produtores, consumidores e comerciantes do queijo
artesanal, com o objetivo de identificar a importância e impacto que tal aquisição poderá
trazer para o mercado do produto, comparando os resultados e apresentando as
conclusões diante do referencial previamente elaborado. É importante relatar que
enquanto este trabalho estava sendo elaborado, a aquisição do selo tornou-se uma
realidade, podendo o presente, servir de norteador para o planejamento de marketing do
produto.
Palavras-chave: Indicação Geográfica, queijo artesanal, indicação geográfico.
Abstract
This case study presents an analysis of the expectations of producers, consumers and
merchants of the Serro city and region on the acquisition of geographical identification
seal for the artisan cheese typical of the region. For both, devised a documentary analysis
and informal interviews that describes in detail the production of cheese, the commercial
importance and meaning of the seal of a geographical indication as a marketing strategy,
as well as the definition of marketing and its strategic context. Were then applied
questionnaires to producers, consumers and merchants of artisan cheese, with the goal of
identifying the importance and impact of such acquisition may bring to the market of the
product, comparing the results and presenting the findings before the predesignate
referential. It is important to report that while this work was being prepared, the acquisition
of the seal became a reality and the present, serve as a guiding for planning product
marketing.
Keywords: Geographical Indication, artisan cheese, geographical indication.
Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização
do Queijo Minas Artesanal do Serro.
Introdução
A cidade de Serro está localizada no Vale do Jequitinhonha no estado de Minas Gerais,
sendo caracterizada por ricas tradições e valores culturais. É ainda uma cidade histórica,
participante do Circuito Estrada Real.
E um dos produtos que mais traduzem a tradição e valor cultural da cidade do Serro é
sem dúvida o seu queijo. Tradição esta, nos modos de fazer do queijo, que foi introduzida
pelos colonizadores portugueses, há mais de dois séculos, já é reconhecida pelo Instituto
do Patrimônio e Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sendo o primeiro bem imaterial
tombado por este instituto.
Atualmente os consumidores têm se tornado cada vez mais exigentes quanto à qualidade
dos produtos. Uma das formas de apresentar esta qualidade é associar seus atributos à
origem, desde que esta possua atributos de qualidade diferenciados a ser facilmente
identificados
pelos
consumidores
nas
gôndolas
dos
supermercados,
podendo
desempenhar inclusive, o papel de uma marca.
As Indicações Geográficas atuam como uma ferramenta de coordenação e estruturação
de determinada região, unindo produtores, instituições e muitas vezes, toda a população
visando alcançar o mesmo objetivo. Nesta tentativa, a Associação dos Produtores
Artesanais de Queijo do Serro (APAQS), vem trabalhando na busca de mais uma
certificação de qualidade para o queijo do Serro: a Certificação de Indicação Geográfica.
No atual cenário mercadologicamente competitivo, a Indicação Geográfica pode tornar-se
um diferencial para comercialização do Queijo do Serro, promovendo a abertura de novos
mercados. Isso se deve ao fato de que o produto, a partir do momento em que possui a
referida certificação, poderá ser comercializado além da fronteira estadual. Como
consequência, o Serro pode fazer do queijo um meio de desenvolvimento social e
crescimento econômico.
Diante do acima exposto, este estudo analisou como a indicação geográfica pode agregar
valor na comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro.
Justificativa
Para a efetivação do trabalho da APAQS (Associação dos Produtores Artesanais de
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Queijo do Serro) no sentido de conscientizar os produtores de queijo ainda não
associados da importância na uniformização da produção e qualidade do produto como
via de aquisição da certificação de indicação geográfica, este estudo poderá ser utilizado
como um instrumento de conscientização.
Desta forma, com pensamentos voltados para o futuro, valorizando o associativismo como
força motriz de uma ação, pode-se mudar o contexto atual, sem deixar de ressaltar a
importância da valorização do território, da cultura local, do patrimônio e da comunicação
coletiva.
Assim sendo, além das mudanças individuais, coletivas e regionais não se pode deixar de
ressaltar que, quando se muda certos hábitos, pode-se mudar toda uma vida, financeira,
social, cultural. A indicação geográfica pode ser o primeiro passo, para uma série de
mudanças.
Referencial Teórico
O Queijo
Os processos tradicionais de fabricação do queijo remete-se a técnica de conservação de
um alimento natural, o leite, tornando-se um fator de preservação e alimentação da
população humana. O queijo é um produto milenar e registros indicam suas raízes por
volta de 10.000 a.C. período em que começa a se domesticar cabras e ovelhas. (Masui &
Yamada, 1999).
Para os gregos na antiga Grécia, o queijo era considerado um alimento dos deuses, tendo
sua fabricação conhecida nos tempos de Homero, porém é na antiga Roma que se pode
colher elementos que explicam o processo produtivo, o qual persiste até os dias atuais.
Assim, justifica-se o emprego da palavra queijo, Caseus, do latim. (Reis, 1998).
Existe uma lenda que atribui a descoberta do queijo a um nômade árabe:
Um nômade árabe que atravessava o deserto carregando um cantil contendo leite
como sustento em sua jornada. Depois de várias horas cavalgando, parou para
matar a sua sede, tendo verificado que o leite havia se separado em um liquido
aquoso pálido e um amontoado de sólidos brancos. O cantil era feito com
estômago seco de um animal jovem contendo renina, uma enzima coagulante. A
combinação da renina, sol quente e os movimentos galopantes do cavalo foram
responsáveis pela separação efetiva do leite em soro e coalho, originando o
queijo. (Reis, 1998, p. 5).
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Permeá-se desde modo que ao se tratar de temas relacionados ao produto queijo, não é
simplesmente uma revisão de literatura, é exaltar os mais profundos laços de raízes,
cultura e tradição de uma região.
Indicação Geográficas
A abordagem do tema das Indicações Geográficas (IGs) é atual e estratégica. O
consumidor atual exige produtos de qualidade antecipando a necessidade de adoção de
ferramentas inovadoras que possam criar um diferencial competitivo aos produtos
tradicionais e ampliar mercados.
Pode-se conceituar a Indicação Geográfica como a identificação de um produto ou
serviço, quando as características específicas que o definem possam ser essencialmente
vinculadas a uma determinada região. (INPI, 2011)
Tal conceito foi sendo desenvolvido ao longo da história e de forma natural, quando
produtores, comerciantes e consumidores começam a distinguir alguns produtos de
determinados lugares pela sua qualidade particular denominando-os com o nome
geográfico de procedência. (Kakuta & Souza, 2006).
A Lei de Propriedade Industrial, Lei Nacional n.º 9.279, de 14 de maio de 1996, não define
o que é Indicação Geográfica, estabelecendo apenas suas espécies:
Indicação de Procedência – IP é caracterizada por ser o nome geográfico
conhecido pela produção, extração ou fabricação de determinado produto, ou pela
prestação de dado serviço, de forma a possibilitar a agregação de valor quando
indicada a sua origem, independente de outras características. A Denominação de
Origem – DO cuida do nome geográfico “que designe produto ou serviço cujas
qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio
geográfico, incluídos fatores naturais e humanos (INPI, 2011).
Deve-se observar que o associativismo é a regra para o exercício do direito ao uso
exclusivo do nome geográfico na sua atividade econômica, afastando a sua exploração
individual, salvo inexistam outros produtores ou prestadores de serviço que possam se
valer do nome geográfico. (INPI, 2011).
O uso da Indicação Geográfica é restrito aos produtores e prestadores de serviço
estabelecidos no local, conforme estabelecido pelo Art. 182 da Lei n.º 9.279, exigindo-se,
ainda, em relação às denominações de origem, o atendimento de requisitos de qualidade.
Observa-se assim que as IG's servem como uma ferramenta coletiva de promoção
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comercial dos produtos, além, é claro, de criar valor local. (SEBRAE/MG, 2005).
Neste sentido, vários são os benefícios de um registro de IG: i) Proteção dos produtores;
ii) Proteção dos consumidores; iii) Proteção da riqueza, da variedade e da imagem de
seus produtos; iv) Geração de empregos; v) Reconhecimento internacional; vi) Facilidade
de presença do produto no mercado; vii) Aumento do valor agregado. (SEBRAE/MG,
2005, p. 16).
A melhor maneira de garantir o exercício do direito sobre o nome geográfico é o registro.
Produtores ou prestadores de serviços nacionais e internacionais deverão apresentar os
registros conforme a legislação nacional adaptando sempre que necessário às normas do
direito brasileiro. (INPI, 2011)
Metodologia
A classificação da pesquisa é de grande utilidade para se estabelecer o padrão da teoria,
permitindo um apoio aos conceitos, afirmando que se deve ter como alicerce os objetivos
gerais da pesquisa para realizar esta classificação, aponta-se três grupos de pesquisa: as
exploratórias, as descritivas e as explicativas. (Gil, 1999).
Tendo como base que: i) a pesquisa explicativa possui a finalidade de identificar os
fatores determinantes de fenômenos, baseando-se no conhecimento real, explicando a
razão e a existência; ii) o objetivo deste estudo, assume-se esta classificação.
Quanto ao método de pesquisa o presente estudo, realizou-se por meio de um estudo de
caso que consiste em um estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de
maneira a permitir o seu amplo e detalhado conhecimento, tendo como vantagens o
estímulo a novas descobertas, a ênfase na totalidade e a simplicidade dos procedimentos.
(Gil, 1999).
Após definir a técnica de pesquisa, é necessário definir o instrumento de coleta de dados,
que se realizou com a aplicação de questionários aos varejistas, produtores e
consumidores da região, tendo como base a indicação geográfica de outros produtos no
Brasil.
Os questionários foram aplicados a 30 varejistas, 30 produtores e 160 consumidores de
queijo da região de Serro, com o objetivo de mensurar os possíveis impactos do selo de
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Indicação Geográfica, no preço do queijo e as perceptivas do comércio em relação a essa
nova estratégia de comercialização. Para melhor análise, apresenta-se, a seguir, os
resultados de acordo com cada questionário.
O Gráfico 1 descreve o tipo de comércio investigado na presente pesquisa, onde
constatou–se que dos 30 entrevistados, apenas 3% eram supermercados de grande porte
e 77%, ou seja, a grande maioria, revendedores de pequeno e médio porte, como
restaurantes e açougues. Desta forma, os 20% restantes representam os demais
comércios contidos na cidade que vedem o Queijo do Serro.
20%
3%
77%
Supermercado
de Grande Porte
Outros
Revendedores
de Pequeno e
Médio Porte
Gráfico 1: Tipo de comércio.
Fonte: Próprios autores.
Os gráficos de 2 a 6 descrevem a percepção dos revendedores a respeito do grau de
importância identificado pela maioria dos clientes no momento da compra do Queijo. No
Gráfico 2, em relação à marca, observou-se que 20% dos clientes consideram pouco
importante, 20% consideram importante a marca na hora da compra e 60% muito
importante.
20%
60%
20%
Muito importante
Pouco Importante
Importante
Gráfico 2: Importância da marca na hora da compra identificado pelos revendedores em relação
aos consumidores.
Fonte: Próprios autores.
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Já o Gráfico 3 diz respeito ao preço, sendo que 13% considera pouco importante o preço
na hora da compra, 34% importa-se com o preço na hora da compra e 53% muito
importante na hora da compra.
34%
53%
Muito importante
Pouco Importante
Importante
13%
Gráfico 3: Importância do preço na hora da compra identificado pelos
revendedores em relação aos consumidores.
Fonte: Próprios autores.
Com relação à publicidade e propaganda expressa no Gráfico 4, conforme demonstrado,
50% dos clientes consideram muito importante, 33% considera importante e apenas 17%
dos clientes consideram pouco importante a propaganda na hora de adquirir um queijo.
33%
50%
Muito importante
Pouco Importante
Importante
17%
Gráfico 4: Importância da publicidade na hora da compra identificado pelos
comerciantes nos consumidores.
Fonte: Próprios autores.
O Gráfico 5 que aponta os resultados em relação ao item atratividade do rótulo e
constatou-se que 40% dos clientes, de acordo com a percepção dos revendedores,
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consideram este item muito importante, 43% considera importante e 17% acredita ser de
pouca importância a atratividade do rótulo.
40%
43%
Muito importante
Pouco Importante
Importante
17%
Gráfico 5: Importância da atratividade do rótulo na hora da compra identificado
pelos comerciantes nos consumidores.
Fonte: Próprios autores.
Quando questionados sobre a importância dada pelos consumidores a algum tipo de
certificação recebida pelo produto, conforme demonstra o Gráfico 6, obteve-se que 33%
dos comerciantes percebem que os consumidores consideram um queijo certificado
importante e 67% considera muito importante um queijo estar certificado. Assim sendo, a
marca, o preço, atratividade do rótulo e principalmente a certificação desse produto são
itens de muita relevância para o cliente na hora da compra do produto.
33%
Muito importante
Pouco Importante
Importante
67%
Gráfico 6: Importância de certificações recebidas pelo produto questionadas na hora
da compra identificado pelos comerciantes nos consumidores.
Fonte: Próprios autores.
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O Gráfico 7, demonstra de forma clara a opinião dos clientes a respeito do selo de
Indicação Geográfica (Indicação de Procedência) em um Queijo do Serro, de acordo com
a percepção dos comerciantes. Constatou-se que 83 % dos comerciantes entende que os
consumidores consideram extremamente importante esse selo para a comercialização do
produto, 17% consideram apenas uma informação a mais. Sendo de suma importância
para o produto um selo que expressa sua origem e qualidade.
17%
Extrema importante
Apenas uma informação a mais
Sem importância
83%
Gráfico 7: Importância de uma Indicação de Procedência percebida pelos
comerciantes nos consumidores.
Fonte: Próprios autores.
O Gráfico 8 representa quanto os clientes pagariam a mais por queijo com selo de
Indicação de Procedência, assim, 43% dos varejistas entrevistados acreditam que seus
clientes pagariam de 20% a 30% á mais pelo queijo, 40% pagariam acima de 30% e
apenas 17% pagariam 10% a mais por este queijo. Desta forma, na percepção dos
varejistas locais, seus clientes pagariam um pouco mais por um produto de qualidade.
17%
40%
Acima de 30%
De 20% a 30%
Até 10%
43%
Gráfico 8: Valorização monetária do queijo, na percepção
dos revendedores.
Fonte: Próprios autores.
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Os gráficos a seguir demonstram os resultados do questionário aplicado aos
consumidores locais e regionais a respeito de seu conhecimento ao comprar um queijo,
abordando os principais aspectos levados em conta ao adquirir o produto e principalmente
a percepção de quanto pagariam a mais por um produto com selo de Indicação de
Procedência e o que isso representa. Foram aplicados 160 questionários de forma
aleatória.
A pesquisa teve como base a seguinte proporcionalidade quanto ao gênero dos
consumidores, 63% são do sexo masculino e apenas 37% do sexo feminino. (Gráfico 9).
37%
Masculino
Feminino
63%
Gráfico 9: Estratificação de gênero dos consumidores pesquisados.
Fonte: Próprios autores.
Em relação à idade, o Gráfico 10 apresenta a idade dos consumidores que responderam
ao questionário, observou-se que, 50% estão entre 31 a 50 anos; 35% entre 18 a 30
anos; 6% entre 51 a 60 anos e apenas 9% dos entrevistados acima de 60 anos.
9%
35%
Entre 18 e 30 anos
Entre 31 e 50 anos
Entre 51 e 60 anos
Acima de 60 anos
6%
50%
Gráfico 10: Idade do consumidor pesquisado.
Fonte: Próprios autores
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O Gráfico 11 retrata o grau de escolaridade dos consumidores pesquisados, sendo 52%
com nível superior, 16% possuem pós-graduação, sendo 22 % com ensino médio e 10%
com ensino fundamental. Observa-se deste modo que os pesquisados apresentam um
nível de conhecimento relevante para a formação de uma opinião e geração de críticas.
16%
10%
Pós-graduação
Graduação
Ensino médio
Ensino fundamental
22%
52%
Gráfico 11: Nível de escolaridade do consumidor pesquisado.
Fonte: Próprios autores.
Com relação ao nível de conhecimento sobre queijo na hora da compra, considerando-se
quesitos como qualidade, aparência, sabor, textura, o Gráfico 12 demonstra que: 59% tem
pouco conhecimento ao comprar o queijo; 35% possuem muito conhecimento e apenas
4% não tem nenhum conhecimento ao comprar um queijo.
2% 4%
35%
59%
Muito conhecimento
Pouco conhecimento
Nenhum conhecimento
Não sei
Gráfico 12: Nível de conhecimento sobre queijos.
Fonte: Próprios autores.
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Os consumidores também foram questionados em relação ao comportamento na hora da
compra. O Gráfico 13 expressa os fatores que os consumidores consideram relevantes na
hora da compra do Queijo, sendo: 16% dos consumidores aceitam a sugestão do
vendedor na hora da compra; 40% consideram a marca/origem do queijo na hora de
comprar; 23% dos consumidores já consideram o preço; 5% releva a propaganda; 1% a
promoção; 6% considera atratividade do rotulo na hora da escolha; 9% considera outros
atrativos como por exemplo tamanho, formato, cor e outros.
16%
9% 6%
1%
5%
40%
23%
Sugestão do Vendedor
Marca/Região de Origem
Preço
Publicidade e Propaganda
Promoção/Desconto
Atratividade do rótulo
Outros
Gráfico 13: Considerações na hora da compra.
Fonte: Próprios autores.
O Gráfico 14 identifica conhecimento dos consumidores com relação a Indicação de
Procedência: 19% dos consumidores entrevistados não conhecem o tema; 25% já
ouviram falar mas não sabem o que quer dizer e 56% possuem conhecimento e sabem o
que representa este selo para o produto, o que sugere que a grande maioria dos
consumidores entendem o conceito de Indicação Geográfica (Indicação de Procedência),
porém existe um percentual elevado que exige a necessidade de uma maior difusão do
conceito entre os consumidores.
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19%
56%
25%
Tenho conhecimento e
sei o que representa
Tenho o conhecimento
mas não sei o que representa
Não tenho o conhecimento
Outras
Gráfico 14: Conhecimento sobre Indicação de Procedência.
Fonte: Próprios autores.
Outro ponto relevante da pesquisa está relacionado com a opinião dos consumidores
sobre o conceito da Indicação de Procedência, desta forma, conforme demonstra o
Gráfico 15, 34% dos consumidores veem a denominação de origem como garantia de
origem do produto, 38% acredita ser uma garantia de qualidade para o produto, 19%
entende como garantia de tradição e produção e 9% não souberam responder o que na
sua percepção representa um selo de Indicação de Procedência em um produto.
9%
34%
19%
Garantia de origem
Garantia de qualidade
Tradição – Produção
Não sei
38%
Gráfico 15: Entendimento do conceito de Indicação Geográfica.
Fonte: Próprios autores.
O Gráfico 16 expressa como os consumidores consideram um selo de Indicação de
Procedência para o Queijo. Desta forma, 69% acredita que o selo será uma característica
relevante para o Queijo do Serro, 9% considera apenas uma informação a mais para o
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produto 3% considera sem importância essa informação no rótulo do produto e 19% dos
consumidores não sabem o que este selo pode representar para o queijo.
19%
3%
9%
69%
Uma característica relevante para o queijo
Apenas uma informação a mais
Sem importância
Não sei
Gráfico 16: Perspectivas sobre a Indicação de Procedência, segundo os
consumidores.
Fonte: Próprios autores.
Já o Gráfico 17 aborda quanto os consumidores pagariam a mais por um Queijo com selo
de Indicação de Procedência, sendo: 25% não pagaria nada a mais por um queijo com
este selo; 44% dos consumidores pagariam 10% a mais; 25% dos consumidores
pagariam de 20 a 30% a mais por um queijo com esta característica e apenas 6 %
pagariam acima de 30% a mais.
6%
25%
25%
44%
Acima de 30%
De 20% a 30% a
mais
Até 10% a mais
Não pagaria nada a
mais
Gráfico 17: Percepção da valorização monetária pela utilização da
Identificação Geográfica.
Fonte: a autores.
O próximo gráfico representa o comportamento de compra dos consumidores em relação
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a frequência de consumo do Queijo do Serro. Assim, 66% dos entrevistados consomem
toda semana; 16% consomem de duas a três vezes ao mês; 12% dos entrevistados
consomem queijo eventualmente e apenas 6% raramente comem o Queijo do Serro.
6%
12%
16%
66%
Toda semana
Duas a três vezes ao
mês
Eventualmente
Raramente
Gráfico 18: Frequência de consumo.
Fonte: Próprios autores.
Por último, o estudo buscou identificar a percepção da Indicação Geográfica a partir dos
questionários aplicados junto aos produtores locais e regionais. Foram entrevistados 30
produtores de forma aleatória.
Inicialmente, apresenta-se o Gráfico 19 que representa o gênero dos produtores
entrevistados, sendo, 90% do sexo masculino e 10% sexo feminino.
10%
Masculino
Feminino
90%
Gráfico 19: Identificação do gênero dos produtores participantes da pesquisa.
Fonte: Próprios autores
O Gráfico 20 expressa a idade dos produtores entrevistados, sendo 60% de 31 a 50 anos,
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Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização
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40% dos produtores acima de 50 anos, não havendo nenhum entrevistado abaixo de 30
anos. São produtores locais, cuja a tradição de fabricação do queijo passa de pai para
filho ao longo dos tempos.
40%
60%
Até 30 anos
De 31 a 50 anos
Acima de 50 anos
Gráfico 20: Idade dos produtores.
Fonte: Próprios autores.
O Gráfico 21 apresenta o conhecimento dos produtores com relação ao selo Indicação
Geográfica (Indicação de Procedência). Assim sendo, 33% dos produtores não conhecem
o termo, 37% já ouviu falar mas não sabe o que quer dizer, 30% tem conhecimento e
sabe o que representa.
33%
37%
Não conheço
Tenho o conhecimento,
mas não sei o significado
Tenho o conhecimento e
sei o seu significado
30%
Gráfico 21: Conhecimento do significado de Identificação Geográfica para os produtores.
Fonte: Próprios autores.
O Gráfico 22 expressa o significado que os produtores associam à Indicação Geográfica.
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Dos produtores entrevistados, 67% entende como garantia de qualidade para o produto,
23% como garantia de origem do produto, 7% como garantia de tradição, produção e
apenas 3% não possuem uma opinião, mesmo que informal, sobre o selo de Indicação de
Procedência.
23%
3% 7%
Garantia de origem
Garantia de qualidade
Tradição – Produção
Não sei
67%
Gráfico 22: Significado que os produtores associam à Indicação Geográfica.
Fonte: Próprios autores.
As perspectivas do produtor em relação ao aumento do preço de seus produtos fica clara
no Gráfico 23. Acredita-se que os consumidores pagariam um melhor preço pelo queijo
com indicação geográfica. Desta forma, 50% dos produtores acreditam em um aumento
de 20% a 30% no preço do quilo do queijo, 20% acreditam em um aumento de 10% e
27% acreditam em um aumento de 30% sendo apenas 3% dos produtores que acham
que seus consumidores não pagariam nada a mais pelo queijo com o selo de Indicação
de Procedência.
3%
20%
27%
Acima de 30% a mais
De 20% a 30% a mais
Até 10% a mais
Não pagariam nada a
mais
50%
Gráfico 23: Perspectiva dos produtores com relação a aceitação na elevação do
preço ao utilizar a Indicação Geográfica.
Fonte: Próprios autores.
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O Gráfico 24 identifica que os produtores estão dispostos a investir para conseguir o selo
de Indicação de Procedência: 83% considera um esforço válido que trará resultados
positivos, 17% considera um esforço válido, sem certeza de resultados positivos.
Esforço válido que trará
resultados positivos
Esforço válido sem a
certeza de resultados
positivos
Apenas um fator a
mais
Não trará resultados
17%
83%
Gráfico 24: Disposição para utilizar a Indicação Geográfica.
Fonte: Próprios autores.
O Gráfico 25 representa em que fase do processo de certificação os produtores
entrevistados se encontram. Cerca de 37% dos produtores estão com o processo
finalizado, certificado pelo IMA e aptos a receberem o selo de Indicação Geográfica; 46%
ainda não iniciaram o processo, o que sugere uma melhor adequação e investimento para
dar continuidade ao processo e 17% dos produtores estão com o processo de certificação
em andamento.
37%
46%
Ainda não iniciou o
processo
Processo em andamento
Processo já finalizado
17%
Gráfico 25: Situação de capacitação para uso da Identificação Geográfica.
Fonte: Próprios autores.
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Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização
do Queijo Minas Artesanal do Serro.
Considerações Finais
Vivemos em constante mudança. Um contínuo aperfeiçoamento de atitudes, ideias e
conhecimento. Ao destacar a conquista de uma Indicação Geográfica por parte dos
produtores modifica-se toda uma história, trajetória e enseja o desenvolvimento de
produtos com qualidade superior, criando, assim, diferencial de mercado.
Falar sobre o Queijo do Serro é traduzir o esforço da cada produtor que acorda às quatro
da manhã para juntar o rebanho, começar a ordenha e transformar a matéria prima em
um produto que hoje, pode-se dizer não possui apenas tradição, mas também é sinônimo
de qualidade. A partir do momento em que se discute a obtenção de certificação de
Indicação Geográfica do queijo do Serro tem-se uma mostra de evolução do pensamento
em se proteger o primeiro bem imaterial tombado pelo IPHAN.
Vale destacar que o processo para a aquisição da certificação geográfica foi concluído no
decorrer desta pesquisa; e assim, já faz parte de uma realidade, estando agora em
regime de implantação. A Associação dos Produtores Artesanais de Queijo do Serro
(APAQS) vive uma busca diária de parceria, um processo continuo de captação de
recursos, visando um bem comum. O mérito da conquista de uma Indicação Geográfica é
dela, mas o resultado é para o todo.
O selo de Indicação Geográfica representará, em termos mercadológicos, uma garantia
para o consumidor de que o queijo está sendo produzido de acordo com as normas e
padrões estabelecidos pelos órgãos regulamentadores, garantindo segurança alimentar
ao consumidor, além de possuir um padrão de qualidade representativo.
A análise realizada apontou algumas características importantes acerca desta nova etapa
para os produtores e comerciantes do queijo: mais de 60% dos entrevistados disseram
ser um fator decisivo na hora da compra, a marca do produto, e outros 67% consideram
ser muito importante saber que o produto possui uma certificação que atesta sua
qualidade. Esses dados veem concluir a importância que representa esta certificação para
o produto em questão, visto que, a Indicação geográfica tem um potencial de agregar
valor ao Queijo do Serro.
Uma observação importante constatado pela pesquisa é da consonância na percepção de
uma elevação dos preços em relação ao uso da Identificação Geográfica pelos
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Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização
do Queijo Minas Artesanal do Serro.
revendedores e produtores, entretanto existe uma posição contrária em relação a
demanda, onde os consumidores aceitariam valores bem inferiores que ao pretendido
pelos ofertantes.
Enfim, a discussão do tema em voga demonstra que a Indicação Geográfica é um meio
de se agregar valor ao produto, e valorizar ainda mais esta tradição que passa de geração
em geração na região. O que se espera é que através da obtenção deste título, o queijo
artesanal, produzido no Serro possa estar na mesa de paulistanos, cariocas, capixabas,
nordestinos, e até no exterior.
Referências Bibliográficas
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E5/$File/NT000A673E.pdf
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