Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro Karine Silva Nunes Bacharel e Administração de Empresas [email protected] Raul Carlos de Mello Doutorando em Administração Prof. da Faculdade da Cidade de Santa Luzia - FACSAL [email protected] Recebido em 26/08/2012. Aprovado em 02/12/2013 Resumo O presente estudo apresenta uma análise das expectativas dos produtores, consumidores e comerciantes da cidade de Serro e região sobre a aquisição do selo de identificação geográfica para o queijo artesanal típico da região. Para tanto, elaborou-se uma análise documental e entrevistas informais que descrevem minuciosamente a produção do queijo, o significado e importância comercial do selo de Indicação Geográfica como estratégia de marketing, bem como a definição de marketing e seu contexto estratégico. Em seguida, foram aplicados questionários a produtores, consumidores e comerciantes do queijo artesanal, com o objetivo de identificar a importância e impacto que tal aquisição poderá trazer para o mercado do produto, comparando os resultados e apresentando as conclusões diante do referencial previamente elaborado. É importante relatar que enquanto este trabalho estava sendo elaborado, a aquisição do selo tornou-se uma realidade, podendo o presente, servir de norteador para o planejamento de marketing do produto. Palavras-chave: Indicação Geográfica, queijo artesanal, indicação geográfico. Abstract This case study presents an analysis of the expectations of producers, consumers and merchants of the Serro city and region on the acquisition of geographical identification seal for the artisan cheese typical of the region. For both, devised a documentary analysis and informal interviews that describes in detail the production of cheese, the commercial importance and meaning of the seal of a geographical indication as a marketing strategy, as well as the definition of marketing and its strategic context. Were then applied questionnaires to producers, consumers and merchants of artisan cheese, with the goal of identifying the importance and impact of such acquisition may bring to the market of the product, comparing the results and presenting the findings before the predesignate referential. It is important to report that while this work was being prepared, the acquisition of the seal became a reality and the present, serve as a guiding for planning product marketing. Keywords: Geographical Indication, artisan cheese, geographical indication. Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Introdução A cidade de Serro está localizada no Vale do Jequitinhonha no estado de Minas Gerais, sendo caracterizada por ricas tradições e valores culturais. É ainda uma cidade histórica, participante do Circuito Estrada Real. E um dos produtos que mais traduzem a tradição e valor cultural da cidade do Serro é sem dúvida o seu queijo. Tradição esta, nos modos de fazer do queijo, que foi introduzida pelos colonizadores portugueses, há mais de dois séculos, já é reconhecida pelo Instituto do Patrimônio e Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sendo o primeiro bem imaterial tombado por este instituto. Atualmente os consumidores têm se tornado cada vez mais exigentes quanto à qualidade dos produtos. Uma das formas de apresentar esta qualidade é associar seus atributos à origem, desde que esta possua atributos de qualidade diferenciados a ser facilmente identificados pelos consumidores nas gôndolas dos supermercados, podendo desempenhar inclusive, o papel de uma marca. As Indicações Geográficas atuam como uma ferramenta de coordenação e estruturação de determinada região, unindo produtores, instituições e muitas vezes, toda a população visando alcançar o mesmo objetivo. Nesta tentativa, a Associação dos Produtores Artesanais de Queijo do Serro (APAQS), vem trabalhando na busca de mais uma certificação de qualidade para o queijo do Serro: a Certificação de Indicação Geográfica. No atual cenário mercadologicamente competitivo, a Indicação Geográfica pode tornar-se um diferencial para comercialização do Queijo do Serro, promovendo a abertura de novos mercados. Isso se deve ao fato de que o produto, a partir do momento em que possui a referida certificação, poderá ser comercializado além da fronteira estadual. Como consequência, o Serro pode fazer do queijo um meio de desenvolvimento social e crescimento econômico. Diante do acima exposto, este estudo analisou como a indicação geográfica pode agregar valor na comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Justificativa Para a efetivação do trabalho da APAQS (Associação dos Produtores Artesanais de 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 2 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Queijo do Serro) no sentido de conscientizar os produtores de queijo ainda não associados da importância na uniformização da produção e qualidade do produto como via de aquisição da certificação de indicação geográfica, este estudo poderá ser utilizado como um instrumento de conscientização. Desta forma, com pensamentos voltados para o futuro, valorizando o associativismo como força motriz de uma ação, pode-se mudar o contexto atual, sem deixar de ressaltar a importância da valorização do território, da cultura local, do patrimônio e da comunicação coletiva. Assim sendo, além das mudanças individuais, coletivas e regionais não se pode deixar de ressaltar que, quando se muda certos hábitos, pode-se mudar toda uma vida, financeira, social, cultural. A indicação geográfica pode ser o primeiro passo, para uma série de mudanças. Referencial Teórico O Queijo Os processos tradicionais de fabricação do queijo remete-se a técnica de conservação de um alimento natural, o leite, tornando-se um fator de preservação e alimentação da população humana. O queijo é um produto milenar e registros indicam suas raízes por volta de 10.000 a.C. período em que começa a se domesticar cabras e ovelhas. (Masui & Yamada, 1999). Para os gregos na antiga Grécia, o queijo era considerado um alimento dos deuses, tendo sua fabricação conhecida nos tempos de Homero, porém é na antiga Roma que se pode colher elementos que explicam o processo produtivo, o qual persiste até os dias atuais. Assim, justifica-se o emprego da palavra queijo, Caseus, do latim. (Reis, 1998). Existe uma lenda que atribui a descoberta do queijo a um nômade árabe: Um nômade árabe que atravessava o deserto carregando um cantil contendo leite como sustento em sua jornada. Depois de várias horas cavalgando, parou para matar a sua sede, tendo verificado que o leite havia se separado em um liquido aquoso pálido e um amontoado de sólidos brancos. O cantil era feito com estômago seco de um animal jovem contendo renina, uma enzima coagulante. A combinação da renina, sol quente e os movimentos galopantes do cavalo foram responsáveis pela separação efetiva do leite em soro e coalho, originando o queijo. (Reis, 1998, p. 5). 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 3 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Permeá-se desde modo que ao se tratar de temas relacionados ao produto queijo, não é simplesmente uma revisão de literatura, é exaltar os mais profundos laços de raízes, cultura e tradição de uma região. Indicação Geográficas A abordagem do tema das Indicações Geográficas (IGs) é atual e estratégica. O consumidor atual exige produtos de qualidade antecipando a necessidade de adoção de ferramentas inovadoras que possam criar um diferencial competitivo aos produtos tradicionais e ampliar mercados. Pode-se conceituar a Indicação Geográfica como a identificação de um produto ou serviço, quando as características específicas que o definem possam ser essencialmente vinculadas a uma determinada região. (INPI, 2011) Tal conceito foi sendo desenvolvido ao longo da história e de forma natural, quando produtores, comerciantes e consumidores começam a distinguir alguns produtos de determinados lugares pela sua qualidade particular denominando-os com o nome geográfico de procedência. (Kakuta & Souza, 2006). A Lei de Propriedade Industrial, Lei Nacional n.º 9.279, de 14 de maio de 1996, não define o que é Indicação Geográfica, estabelecendo apenas suas espécies: Indicação de Procedência – IP é caracterizada por ser o nome geográfico conhecido pela produção, extração ou fabricação de determinado produto, ou pela prestação de dado serviço, de forma a possibilitar a agregação de valor quando indicada a sua origem, independente de outras características. A Denominação de Origem – DO cuida do nome geográfico “que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos (INPI, 2011). Deve-se observar que o associativismo é a regra para o exercício do direito ao uso exclusivo do nome geográfico na sua atividade econômica, afastando a sua exploração individual, salvo inexistam outros produtores ou prestadores de serviço que possam se valer do nome geográfico. (INPI, 2011). O uso da Indicação Geográfica é restrito aos produtores e prestadores de serviço estabelecidos no local, conforme estabelecido pelo Art. 182 da Lei n.º 9.279, exigindo-se, ainda, em relação às denominações de origem, o atendimento de requisitos de qualidade. Observa-se assim que as IG's servem como uma ferramenta coletiva de promoção 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 4 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. comercial dos produtos, além, é claro, de criar valor local. (SEBRAE/MG, 2005). Neste sentido, vários são os benefícios de um registro de IG: i) Proteção dos produtores; ii) Proteção dos consumidores; iii) Proteção da riqueza, da variedade e da imagem de seus produtos; iv) Geração de empregos; v) Reconhecimento internacional; vi) Facilidade de presença do produto no mercado; vii) Aumento do valor agregado. (SEBRAE/MG, 2005, p. 16). A melhor maneira de garantir o exercício do direito sobre o nome geográfico é o registro. Produtores ou prestadores de serviços nacionais e internacionais deverão apresentar os registros conforme a legislação nacional adaptando sempre que necessário às normas do direito brasileiro. (INPI, 2011) Metodologia A classificação da pesquisa é de grande utilidade para se estabelecer o padrão da teoria, permitindo um apoio aos conceitos, afirmando que se deve ter como alicerce os objetivos gerais da pesquisa para realizar esta classificação, aponta-se três grupos de pesquisa: as exploratórias, as descritivas e as explicativas. (Gil, 1999). Tendo como base que: i) a pesquisa explicativa possui a finalidade de identificar os fatores determinantes de fenômenos, baseando-se no conhecimento real, explicando a razão e a existência; ii) o objetivo deste estudo, assume-se esta classificação. Quanto ao método de pesquisa o presente estudo, realizou-se por meio de um estudo de caso que consiste em um estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira a permitir o seu amplo e detalhado conhecimento, tendo como vantagens o estímulo a novas descobertas, a ênfase na totalidade e a simplicidade dos procedimentos. (Gil, 1999). Após definir a técnica de pesquisa, é necessário definir o instrumento de coleta de dados, que se realizou com a aplicação de questionários aos varejistas, produtores e consumidores da região, tendo como base a indicação geográfica de outros produtos no Brasil. Os questionários foram aplicados a 30 varejistas, 30 produtores e 160 consumidores de queijo da região de Serro, com o objetivo de mensurar os possíveis impactos do selo de 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 5 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Indicação Geográfica, no preço do queijo e as perceptivas do comércio em relação a essa nova estratégia de comercialização. Para melhor análise, apresenta-se, a seguir, os resultados de acordo com cada questionário. O Gráfico 1 descreve o tipo de comércio investigado na presente pesquisa, onde constatou–se que dos 30 entrevistados, apenas 3% eram supermercados de grande porte e 77%, ou seja, a grande maioria, revendedores de pequeno e médio porte, como restaurantes e açougues. Desta forma, os 20% restantes representam os demais comércios contidos na cidade que vedem o Queijo do Serro. 20% 3% 77% Supermercado de Grande Porte Outros Revendedores de Pequeno e Médio Porte Gráfico 1: Tipo de comércio. Fonte: Próprios autores. Os gráficos de 2 a 6 descrevem a percepção dos revendedores a respeito do grau de importância identificado pela maioria dos clientes no momento da compra do Queijo. No Gráfico 2, em relação à marca, observou-se que 20% dos clientes consideram pouco importante, 20% consideram importante a marca na hora da compra e 60% muito importante. 20% 60% 20% Muito importante Pouco Importante Importante Gráfico 2: Importância da marca na hora da compra identificado pelos revendedores em relação aos consumidores. Fonte: Próprios autores. 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 6 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Já o Gráfico 3 diz respeito ao preço, sendo que 13% considera pouco importante o preço na hora da compra, 34% importa-se com o preço na hora da compra e 53% muito importante na hora da compra. 34% 53% Muito importante Pouco Importante Importante 13% Gráfico 3: Importância do preço na hora da compra identificado pelos revendedores em relação aos consumidores. Fonte: Próprios autores. Com relação à publicidade e propaganda expressa no Gráfico 4, conforme demonstrado, 50% dos clientes consideram muito importante, 33% considera importante e apenas 17% dos clientes consideram pouco importante a propaganda na hora de adquirir um queijo. 33% 50% Muito importante Pouco Importante Importante 17% Gráfico 4: Importância da publicidade na hora da compra identificado pelos comerciantes nos consumidores. Fonte: Próprios autores. O Gráfico 5 que aponta os resultados em relação ao item atratividade do rótulo e constatou-se que 40% dos clientes, de acordo com a percepção dos revendedores, 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 7 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. consideram este item muito importante, 43% considera importante e 17% acredita ser de pouca importância a atratividade do rótulo. 40% 43% Muito importante Pouco Importante Importante 17% Gráfico 5: Importância da atratividade do rótulo na hora da compra identificado pelos comerciantes nos consumidores. Fonte: Próprios autores. Quando questionados sobre a importância dada pelos consumidores a algum tipo de certificação recebida pelo produto, conforme demonstra o Gráfico 6, obteve-se que 33% dos comerciantes percebem que os consumidores consideram um queijo certificado importante e 67% considera muito importante um queijo estar certificado. Assim sendo, a marca, o preço, atratividade do rótulo e principalmente a certificação desse produto são itens de muita relevância para o cliente na hora da compra do produto. 33% Muito importante Pouco Importante Importante 67% Gráfico 6: Importância de certificações recebidas pelo produto questionadas na hora da compra identificado pelos comerciantes nos consumidores. Fonte: Próprios autores. 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 8 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. O Gráfico 7, demonstra de forma clara a opinião dos clientes a respeito do selo de Indicação Geográfica (Indicação de Procedência) em um Queijo do Serro, de acordo com a percepção dos comerciantes. Constatou-se que 83 % dos comerciantes entende que os consumidores consideram extremamente importante esse selo para a comercialização do produto, 17% consideram apenas uma informação a mais. Sendo de suma importância para o produto um selo que expressa sua origem e qualidade. 17% Extrema importante Apenas uma informação a mais Sem importância 83% Gráfico 7: Importância de uma Indicação de Procedência percebida pelos comerciantes nos consumidores. Fonte: Próprios autores. O Gráfico 8 representa quanto os clientes pagariam a mais por queijo com selo de Indicação de Procedência, assim, 43% dos varejistas entrevistados acreditam que seus clientes pagariam de 20% a 30% á mais pelo queijo, 40% pagariam acima de 30% e apenas 17% pagariam 10% a mais por este queijo. Desta forma, na percepção dos varejistas locais, seus clientes pagariam um pouco mais por um produto de qualidade. 17% 40% Acima de 30% De 20% a 30% Até 10% 43% Gráfico 8: Valorização monetária do queijo, na percepção dos revendedores. Fonte: Próprios autores. 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 9 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Os gráficos a seguir demonstram os resultados do questionário aplicado aos consumidores locais e regionais a respeito de seu conhecimento ao comprar um queijo, abordando os principais aspectos levados em conta ao adquirir o produto e principalmente a percepção de quanto pagariam a mais por um produto com selo de Indicação de Procedência e o que isso representa. Foram aplicados 160 questionários de forma aleatória. A pesquisa teve como base a seguinte proporcionalidade quanto ao gênero dos consumidores, 63% são do sexo masculino e apenas 37% do sexo feminino. (Gráfico 9). 37% Masculino Feminino 63% Gráfico 9: Estratificação de gênero dos consumidores pesquisados. Fonte: Próprios autores. Em relação à idade, o Gráfico 10 apresenta a idade dos consumidores que responderam ao questionário, observou-se que, 50% estão entre 31 a 50 anos; 35% entre 18 a 30 anos; 6% entre 51 a 60 anos e apenas 9% dos entrevistados acima de 60 anos. 9% 35% Entre 18 e 30 anos Entre 31 e 50 anos Entre 51 e 60 anos Acima de 60 anos 6% 50% Gráfico 10: Idade do consumidor pesquisado. Fonte: Próprios autores 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 10 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. O Gráfico 11 retrata o grau de escolaridade dos consumidores pesquisados, sendo 52% com nível superior, 16% possuem pós-graduação, sendo 22 % com ensino médio e 10% com ensino fundamental. Observa-se deste modo que os pesquisados apresentam um nível de conhecimento relevante para a formação de uma opinião e geração de críticas. 16% 10% Pós-graduação Graduação Ensino médio Ensino fundamental 22% 52% Gráfico 11: Nível de escolaridade do consumidor pesquisado. Fonte: Próprios autores. Com relação ao nível de conhecimento sobre queijo na hora da compra, considerando-se quesitos como qualidade, aparência, sabor, textura, o Gráfico 12 demonstra que: 59% tem pouco conhecimento ao comprar o queijo; 35% possuem muito conhecimento e apenas 4% não tem nenhum conhecimento ao comprar um queijo. 2% 4% 35% 59% Muito conhecimento Pouco conhecimento Nenhum conhecimento Não sei Gráfico 12: Nível de conhecimento sobre queijos. Fonte: Próprios autores. 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 11 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Os consumidores também foram questionados em relação ao comportamento na hora da compra. O Gráfico 13 expressa os fatores que os consumidores consideram relevantes na hora da compra do Queijo, sendo: 16% dos consumidores aceitam a sugestão do vendedor na hora da compra; 40% consideram a marca/origem do queijo na hora de comprar; 23% dos consumidores já consideram o preço; 5% releva a propaganda; 1% a promoção; 6% considera atratividade do rotulo na hora da escolha; 9% considera outros atrativos como por exemplo tamanho, formato, cor e outros. 16% 9% 6% 1% 5% 40% 23% Sugestão do Vendedor Marca/Região de Origem Preço Publicidade e Propaganda Promoção/Desconto Atratividade do rótulo Outros Gráfico 13: Considerações na hora da compra. Fonte: Próprios autores. O Gráfico 14 identifica conhecimento dos consumidores com relação a Indicação de Procedência: 19% dos consumidores entrevistados não conhecem o tema; 25% já ouviram falar mas não sabem o que quer dizer e 56% possuem conhecimento e sabem o que representa este selo para o produto, o que sugere que a grande maioria dos consumidores entendem o conceito de Indicação Geográfica (Indicação de Procedência), porém existe um percentual elevado que exige a necessidade de uma maior difusão do conceito entre os consumidores. 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 12 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. 19% 56% 25% Tenho conhecimento e sei o que representa Tenho o conhecimento mas não sei o que representa Não tenho o conhecimento Outras Gráfico 14: Conhecimento sobre Indicação de Procedência. Fonte: Próprios autores. Outro ponto relevante da pesquisa está relacionado com a opinião dos consumidores sobre o conceito da Indicação de Procedência, desta forma, conforme demonstra o Gráfico 15, 34% dos consumidores veem a denominação de origem como garantia de origem do produto, 38% acredita ser uma garantia de qualidade para o produto, 19% entende como garantia de tradição e produção e 9% não souberam responder o que na sua percepção representa um selo de Indicação de Procedência em um produto. 9% 34% 19% Garantia de origem Garantia de qualidade Tradição – Produção Não sei 38% Gráfico 15: Entendimento do conceito de Indicação Geográfica. Fonte: Próprios autores. O Gráfico 16 expressa como os consumidores consideram um selo de Indicação de Procedência para o Queijo. Desta forma, 69% acredita que o selo será uma característica relevante para o Queijo do Serro, 9% considera apenas uma informação a mais para o 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 13 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. produto 3% considera sem importância essa informação no rótulo do produto e 19% dos consumidores não sabem o que este selo pode representar para o queijo. 19% 3% 9% 69% Uma característica relevante para o queijo Apenas uma informação a mais Sem importância Não sei Gráfico 16: Perspectivas sobre a Indicação de Procedência, segundo os consumidores. Fonte: Próprios autores. Já o Gráfico 17 aborda quanto os consumidores pagariam a mais por um Queijo com selo de Indicação de Procedência, sendo: 25% não pagaria nada a mais por um queijo com este selo; 44% dos consumidores pagariam 10% a mais; 25% dos consumidores pagariam de 20 a 30% a mais por um queijo com esta característica e apenas 6 % pagariam acima de 30% a mais. 6% 25% 25% 44% Acima de 30% De 20% a 30% a mais Até 10% a mais Não pagaria nada a mais Gráfico 17: Percepção da valorização monetária pela utilização da Identificação Geográfica. Fonte: a autores. O próximo gráfico representa o comportamento de compra dos consumidores em relação 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 14 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. a frequência de consumo do Queijo do Serro. Assim, 66% dos entrevistados consomem toda semana; 16% consomem de duas a três vezes ao mês; 12% dos entrevistados consomem queijo eventualmente e apenas 6% raramente comem o Queijo do Serro. 6% 12% 16% 66% Toda semana Duas a três vezes ao mês Eventualmente Raramente Gráfico 18: Frequência de consumo. Fonte: Próprios autores. Por último, o estudo buscou identificar a percepção da Indicação Geográfica a partir dos questionários aplicados junto aos produtores locais e regionais. Foram entrevistados 30 produtores de forma aleatória. Inicialmente, apresenta-se o Gráfico 19 que representa o gênero dos produtores entrevistados, sendo, 90% do sexo masculino e 10% sexo feminino. 10% Masculino Feminino 90% Gráfico 19: Identificação do gênero dos produtores participantes da pesquisa. Fonte: Próprios autores O Gráfico 20 expressa a idade dos produtores entrevistados, sendo 60% de 31 a 50 anos, 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 15 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. 40% dos produtores acima de 50 anos, não havendo nenhum entrevistado abaixo de 30 anos. São produtores locais, cuja a tradição de fabricação do queijo passa de pai para filho ao longo dos tempos. 40% 60% Até 30 anos De 31 a 50 anos Acima de 50 anos Gráfico 20: Idade dos produtores. Fonte: Próprios autores. O Gráfico 21 apresenta o conhecimento dos produtores com relação ao selo Indicação Geográfica (Indicação de Procedência). Assim sendo, 33% dos produtores não conhecem o termo, 37% já ouviu falar mas não sabe o que quer dizer, 30% tem conhecimento e sabe o que representa. 33% 37% Não conheço Tenho o conhecimento, mas não sei o significado Tenho o conhecimento e sei o seu significado 30% Gráfico 21: Conhecimento do significado de Identificação Geográfica para os produtores. Fonte: Próprios autores. O Gráfico 22 expressa o significado que os produtores associam à Indicação Geográfica. 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 16 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Dos produtores entrevistados, 67% entende como garantia de qualidade para o produto, 23% como garantia de origem do produto, 7% como garantia de tradição, produção e apenas 3% não possuem uma opinião, mesmo que informal, sobre o selo de Indicação de Procedência. 23% 3% 7% Garantia de origem Garantia de qualidade Tradição – Produção Não sei 67% Gráfico 22: Significado que os produtores associam à Indicação Geográfica. Fonte: Próprios autores. As perspectivas do produtor em relação ao aumento do preço de seus produtos fica clara no Gráfico 23. Acredita-se que os consumidores pagariam um melhor preço pelo queijo com indicação geográfica. Desta forma, 50% dos produtores acreditam em um aumento de 20% a 30% no preço do quilo do queijo, 20% acreditam em um aumento de 10% e 27% acreditam em um aumento de 30% sendo apenas 3% dos produtores que acham que seus consumidores não pagariam nada a mais pelo queijo com o selo de Indicação de Procedência. 3% 20% 27% Acima de 30% a mais De 20% a 30% a mais Até 10% a mais Não pagariam nada a mais 50% Gráfico 23: Perspectiva dos produtores com relação a aceitação na elevação do preço ao utilizar a Indicação Geográfica. Fonte: Próprios autores. 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 17 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. O Gráfico 24 identifica que os produtores estão dispostos a investir para conseguir o selo de Indicação de Procedência: 83% considera um esforço válido que trará resultados positivos, 17% considera um esforço válido, sem certeza de resultados positivos. Esforço válido que trará resultados positivos Esforço válido sem a certeza de resultados positivos Apenas um fator a mais Não trará resultados 17% 83% Gráfico 24: Disposição para utilizar a Indicação Geográfica. Fonte: Próprios autores. O Gráfico 25 representa em que fase do processo de certificação os produtores entrevistados se encontram. Cerca de 37% dos produtores estão com o processo finalizado, certificado pelo IMA e aptos a receberem o selo de Indicação Geográfica; 46% ainda não iniciaram o processo, o que sugere uma melhor adequação e investimento para dar continuidade ao processo e 17% dos produtores estão com o processo de certificação em andamento. 37% 46% Ainda não iniciou o processo Processo em andamento Processo já finalizado 17% Gráfico 25: Situação de capacitação para uso da Identificação Geográfica. Fonte: Próprios autores. 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 18 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. Considerações Finais Vivemos em constante mudança. Um contínuo aperfeiçoamento de atitudes, ideias e conhecimento. Ao destacar a conquista de uma Indicação Geográfica por parte dos produtores modifica-se toda uma história, trajetória e enseja o desenvolvimento de produtos com qualidade superior, criando, assim, diferencial de mercado. Falar sobre o Queijo do Serro é traduzir o esforço da cada produtor que acorda às quatro da manhã para juntar o rebanho, começar a ordenha e transformar a matéria prima em um produto que hoje, pode-se dizer não possui apenas tradição, mas também é sinônimo de qualidade. A partir do momento em que se discute a obtenção de certificação de Indicação Geográfica do queijo do Serro tem-se uma mostra de evolução do pensamento em se proteger o primeiro bem imaterial tombado pelo IPHAN. Vale destacar que o processo para a aquisição da certificação geográfica foi concluído no decorrer desta pesquisa; e assim, já faz parte de uma realidade, estando agora em regime de implantação. A Associação dos Produtores Artesanais de Queijo do Serro (APAQS) vive uma busca diária de parceria, um processo continuo de captação de recursos, visando um bem comum. O mérito da conquista de uma Indicação Geográfica é dela, mas o resultado é para o todo. O selo de Indicação Geográfica representará, em termos mercadológicos, uma garantia para o consumidor de que o queijo está sendo produzido de acordo com as normas e padrões estabelecidos pelos órgãos regulamentadores, garantindo segurança alimentar ao consumidor, além de possuir um padrão de qualidade representativo. A análise realizada apontou algumas características importantes acerca desta nova etapa para os produtores e comerciantes do queijo: mais de 60% dos entrevistados disseram ser um fator decisivo na hora da compra, a marca do produto, e outros 67% consideram ser muito importante saber que o produto possui uma certificação que atesta sua qualidade. Esses dados veem concluir a importância que representa esta certificação para o produto em questão, visto que, a Indicação geográfica tem um potencial de agregar valor ao Queijo do Serro. Uma observação importante constatado pela pesquisa é da consonância na percepção de uma elevação dos preços em relação ao uso da Identificação Geográfica pelos 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 19 Um Estudo de Caso sobre a Indicação Geográfica como Estratégia para Comercialização do Queijo Minas Artesanal do Serro. revendedores e produtores, entretanto existe uma posição contrária em relação a demanda, onde os consumidores aceitariam valores bem inferiores que ao pretendido pelos ofertantes. Enfim, a discussão do tema em voga demonstra que a Indicação Geográfica é um meio de se agregar valor ao produto, e valorizar ainda mais esta tradição que passa de geração em geração na região. O que se espera é que através da obtenção deste título, o queijo artesanal, produzido no Serro possa estar na mesa de paulistanos, cariocas, capixabas, nordestinos, e até no exterior. Referências Bibliográficas Gil, A. C. (1999). Métodos e técnicas de pesquisa social (5o ed). São Paulo: Atlas. INPI. (2011, março). Indicação geográfica. Instituto Nacional de Propriedade Industrial. Recuperado abril 7, 2011, de http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/indicacao/index_html/o-que-e-indicacao-geografica Kakuta, S. M., & Souza, A. lo L. L. de. (2006). Indicações geográficas: guia de propostas. SEBRAE/RS. Masui, K., & Yamada, T. (1999). Queijos franceses. Rio de Janeiro: Ediouro. Reis, A. R. (1998). Caracterização físico-quimica e identificação dos elementos metálicos dos queijos Minas do Serro e Minas da Serra da Canastra (Dissertação de Mestrado). Faculdade de Farmácia-UFMG, Belo Horizonte. SEBRAE/MG. (2005). Marketing internacional. Cooperação Internacional (2o ed). Belo Horizonte: Sebrae/MG. Recuperado outubro 10, 2012, de http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/A8AEE1A5A6EEDA3103256FE100475B E5/$File/NT000A673E.pdf 1 - 20 ∙ jan./dez. 2013 ∙ n. 1 ∙ v. 2∙ Santa Luzia ∙ REAC ∙ 20