FACULDADE DE PINDAMONHANGABA
Cilene dos Santos Souza Silva
Renata dos Santos Oliveira
Sthefany Simone Silva Moreira
DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DA CRIANÇA: Música na
Educação Infantil de zero a seis anos
Pindamonhangaba - SP
2015
FACULDADE DE PINDAMONHANGABA
Cilene dos Santos Souza Silva
Renata dos Santos Oliveira
Sthefany Simone Silva Moreira
DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DA CRIANÇA: Música na
Educação Infantil de zero a seis anos
Artigo apresentado como Trabalho de
Conclusão de Curso para obtenção do Diploma
de Licenciatura em Pedagogia pelo Curso de
Pedagogia
da
Faculdade
de
Pindamonhanagaba.
Orientador: Prof. Dr. Alan Ricardo de Souza
Araújo
Pindamonhangaba - SP
2015
Moreira, Sthefany Simone Silva; Oliveira, Renata dos Santos ; Silva, Cilene dos Santos Souza
Desenvolvimento Integral da Criança: Música na Educação Infantil de zero a seis anos. / Sthefany Simone
Silva Moreira / Renata dos Santos Oliveira / Cilene dos Santos Souza Silva / Pindamonhangaba-SP: FUNVIC
Fundação Universitária Vida Cristã, 2015.
f. 35
Monografia (Graduação em Pedagogia) FUNVIC-SP.
Orientador: Profº. Dr. Alan Ricardo de Sousa Araújo.
1 Música. 2 Educação Infantil. 3 Desenvolvimento 4. Sala de aula 5. Desenvolvimento Integral.
I Desenvolvimento Integral da Criança: Música na Educação Infantil de zero a seis anos. II Sthefany Simone
Silva Moreira; Renata dos Santos Oliveira; Cilene dos Santos Souza Silva.
À
Banca Examinadora
O artigo em questão será encaminhado à revista Educação e Pesquisa da USP para publicação,
portanto esclarecemos à Banca que, por se tratar de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso),
há uma divisão na formatação: no início do trabalho seguem as normas da Instituição
FAPI/FUNVIC e a partir do sumário, seguem as normas da revista.
Obrigada pela compreensão.
Cilene dos Santos Souza Silva
Renata dos Santos Oliveira
Sthefany Simone Silva Moreira
FACULDADE DE PINDAMONHANGABA
Cilene dos Santos Souza Silva
Renata dos Santos Oliveira
Sthefany Simone Silva Moreira
DESENVOLVIMENTO INTEGRAL DA CRIANÇA: Música na Educação Infantil de
zero a seis anos
Artigo apresentado como Trabalho de
Conclusão de Curso para obtenção do Diploma
de Licenciatura em Pedagogia pelo Curso de
Pedagogia
da
Faculdade
de
Pindamonhanagaba.
Orientador: Prof. Dr. Alan Ricardo de Souza
Araújo
Data: ___________________
Resultado: _______________
BANCA EXAMINADORA
Prof .____________________________ Faculdade de Pindamonhangaba
Assinatura__________________________
Prof .____________________________ Faculdade de Pindamonhangaba
Assinatura__________________________
Prof .____________________________ Faculdade de Pindamonhangaba
Assinatura__________________________
Em primeiro lugar, dedicamos este trabalho a Deus
por ter-nos proporcionado esta oportunidade
única, aos nossos familiares, pelo amor e
compreensão nesses sete semestres, e por fim, aos
nossos mestres, que nos mostraram a importância
de aprender a aprender e a amar a educação.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos primeiramente a Deus, pela Sua fidelidade em nossas vidas, pelo Seu
amor nas horas mais difíceis e pela onipresença nas nossas escolhas.
Toda conquista nesta trajetória aconteceu por meio de esforços e muita dedicação. Tudo
que foi alcançado foi graças a algumas pessoas que fizeram parte deste momento das nossas
histórias de vida. Agradecemos a todas pela realização deste trabalho.
À Fundação Universitária Vida Cristã, pela oportunidade de graduar em seu espaço
acadêmico e por ter, em sua equipe, professores competentes que nos proporcionaram uma
formação de excelência.
Ao professor orientador Alan Ricardo, pela paciência na orientação, incentivo,
entusiasmo e dedicação que tornaram possível a conclusão deste artigo. Suas contribuições e
seus conhecimentos, repassados durante todo o desenvolvimento do trabalho, foram
indispensáveis, sobretudo por acreditar no quanto somos capazes.
À coordenadora Marina Buselli, pela disponibilidade, carinho e confiança.
Agradecemos a todos os professores mencionados a seguir: mestre Ângelo Fonseca,
por compartilhar sua experiência de vida e profissional; professora Kátia Corregiari, pelo afeto,
pela motivação, e pelo seu imenso amor pela sala de aula; ainda, Hilda Montemór, Célio
Machado, Sandra Costa, Patrícia Chipoletti, Luiz Haruna, Karina Paz e Fernanda Aquino, por
fazerem parte de um momento tão importante em nossas vidas. Todos contribuíram, direta e
indiretamente, com seus ensinamentos para nossa vida acadêmica e profissional,
proporcionaram o conhecimento não apenas racional, mas também a manifestação do caráter e
afetividade na educação, no processo de profissional de formação. Enfim, não somente por
terem nos ensinado, mas por nos terem feito aprender.
“Um povo que sabe cantar está a um passo da
felicidade. É preciso ensinar o mundo inteiro a
cantar”
Villa-Lobos
RESUMO
Este artigo, sob o título “Desenvolvimento Integral da Criança: música na educação
infantil de zero aos seis anos”, foi escolhido em função da recente retomada da utilização da
música como prática pedagógica. Visa discutir a importância da música nos primeiros anos de
vida da criança. A música favorece a criatividade na primeira infância, enquanto linguagem e
objeto de conhecimento, e sua aplicação produz benefícios importantes para o desenvolvimento
da criança. Esses benefícios podem ser evidenciados a partir mesmo da vida intrauterina. O
desenvolvimento desta pesquisa opta, primeiramente, pela verificação da linguagem musical.
Esta encontra-se presente na vida dos seres humanos desde antes do nascimento, quando os
bebês já começam a responder aos estímulos enviados pelo corpo da mãe. Durante o
desenvolvimento, a criança continuará a responder a estes estímulos. Nos passos seguintes,
foram abordados os assuntos relacionados às contribuições da música para suscitar e
desenvolver habilidades, especialmente quanto ao desenvolvimento da musicalidade em
relação a outras dimensões da vida infantil, como a sociabilidade na vida escolar, acompanhada
do desenvolvimento psicomotor, do desenvolvimento cognitivo e do desenvolvimento afetivo.
Tais aspectos são facilitadores do processo no ensino-aprendizagem e notório estreitamento das
relações aluno-aluno e professor-aluno. Tratamos também da música como tema de ensinoaprendizagem; da contribuição do educador em relação ao processo de alfabetização musical;
procurou-se evidenciar a prática da atividade musical com a utilização de materiais simples.
Assim, o professor, mesmo não especialista na área musical, mas com algum conhecimento de
música e dedicado, pode apontar caminhos e possibilidades para o desenvolvimento da criança.
Este desenvolvimento passa pela postura de curiosidade e abertura para o mundo que o cerca.
As confecções de materiais por meio de oficinas é uma forma de grande relevância para a
aprendizagem musical. Por último, finalizamos abordando como as crianças desenvolvem a
comunicação, a inteligência musical, a linguagem musical, o potencial de musicalidade desde
a infância e como a música pode ser considerada sinônimo de alegria, de aproximação entre
pessoas, de sintonia, ideias e aspirações, de liberação daquilo que sentimos, amamos e
queremos. Levar este mundo a pequenos seres em formação contribuirá para seu
desenvolvimento integral, tornado este pequeno uma pessoa mais sensível e perceptível da ação
que lhe cabe para a harmonia e a paz.
Palavras-chave: Música. Educação Infantil. Desenvolvimento. Sala de aula. Desenvolvimento
integral.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 9
2 MÉTODO .............................................................................................................................. 11
3 A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA A CRIANÇA. ..................................................... 12
3.1 A música no desenvolvimento cognitivo da criança .......................................................... 12
3.2 A música no desenvolvimento afetivo da criança .............................................................. 13
3.3 A música no desenvolvimento psicomotor da criança ....................................................... 14
3.4 A criança e a educação musical .......................................................................................... 14
4 DESENVOLVIMENTO INTEGRAL ................................................................................... 16
4.1 A música como expressão cultural ..................................................................................... 16
4.2 Inteligência musical ............................................................................................................ 17
4.3 Linguagem musical ............................................................................................................ 17
4.4 Quando se cresce em um ambiente musical ....................................................................... 19
4.5 Crianças são músicos competentes ..................................................................................... 20
5 DESENVOLVIMENTO DA MÚSICA NA SALA DE AULA ............................................ 22
5.1 Bandinhas, apreciação e registro musical ........................................................................... 23
5.2 Jogos, Brincadeiras e Expressão corporal .......................................................................... 24
5.3 Estratégias e recursos.......................................................................................................... 26
5.4 Ideias práticas e Oficinas .................................................................................................... 27
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 29
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 31
9
1 INTRODUÇÃO
O trabalho aborda a importância da música no desenvolvimento integral com crianças
de zero a seis anos da Educação Infantil.
Esta pesquisa tem os seguintes objetivos: discutir sobre a importância da música para a
Educação Infantil, compreender os meios através dos quais a linguagem musical pode abrir
novos horizontes para a criança por meio da música; sugerir práticas de como se trabalhar a
música para crianças de zero a seis anos.
O tema surgiu pelas indagações e lacunas encontradas quando se trabalha na Educação
Infantil. A música é um instrumento educativo de desenvolvimento da criatividade,
sensibilidade e comunicação. Ela facilita o processo do ensino-aprendizagem, com notório
estreitamento das relações aluno-aluno e professor-aluno. Somando-se a isso, cria-se a
possiblidade da prática reflexiva em que a criança tem a oportunidade de aprender a se
humanizar e ser capaz de perceber, sentir, relacionar, pensar e comunicar-se.
Este artigo parte das seguintes perguntas: qual a importância do ensino de música na
Educação Infantil? Geralmente, como é ministrada a disciplina de música na Educação Infantil?
Qual o papel da música no desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor? O que pode ser
feito para tornar as aulas mais ricas e significativas musicalmente para as nossas crianças?
Esses questionamentos nos remetem à importância da música e à sua necessária
presença na vida escolar exercendo um papel influenciador, sendo capaz de provocar sensações
que estimulam a personalidade, o desenvolvimento psicomotor, o desenvolvimento cognitivo e
o desenvolvimento da subjetividade da criança, sendo, pois, uma importante ferramenta para
ser trabalhada na Educação Infantil.
Partindo desses pressupostos, levantam-se as seguintes hipóteses: a música tem um
importante papel no desenvolvimento da criança; um trabalho adequado com a música na sala
de aula contribui para o desenvolvimento da criança quanto às inteligências lógico-matemática,
espacial e linguísticas, às sensações, emoções e reações; a criança pode aprender os sons
extraídos da própria natureza, como os cantos e urros dos animais ou, ainda, os sons produzidos
pelas pessoas, que traduzem informações objetivas provocando também, sensações, emoções e
reações subjetivas.
Muitos educadores têm receio de usar a música na educação de crianças por pensar que
somente profissionais músicos, ou que vivem dela, podem trabalhar de maneira eficaz, por isso
se restringem somente a alguns momentos, não sabendo o valor que ela tem na construção da
10
subjetividade de uma criança. Por essa razão, a relevância da reflexão sobre o assunto. A
metodologia de desenvolvimento consiste nas seguintes etapas: a música no desenvolvimento
integral da criança; a importância da música para a criança e o desenvolvimento da música na
sala de aula.
11
2 MÉTODO
Esta pesquisa parte do método bibliográfico; recorre a livros, hipertextos e a artigos
científicos sobre o tema.
Como principais referências teóricas temos:
Maria Teresa de Elencar Brito (2003), doutoranda em Comunicação e Semiótica pela
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professora no Departamento de Música, do
curso de Licenciatura em Educação Artística, tem Habilitação em Educação Musical, é relatora
do documento de música do referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. No livro
"Música na Educação Infantil", buscou esclarecer como a música age no desenvolvimento da
criança, com a intenção de aproximar educadores, música e crianças. Finalmente, indica
caminhos e possibilidades da música na sala de aula, usados para este trabalho.
Beatriz Ilari (2009), graduada em música pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre
em violino pela Universidade estadual de Monteclair, nos Estados Unidos e phD em educação
musical pela Universidade McGill, no Canadá. Procurou mostrar no livro “Música na Infância
e na Adolescência”, a importância do desenvolvimento musical em bebês, crianças e
adolescentes, as preferências musicais e a formação do gosto musical, as altas habilidades, os
efeitos da música no desenvolvimento cognitivo, o ambiente musical na família e na escola.
Tratamos aqui, portanto, de uma literatura amadurecida e reconhecida no assunto.
Procurou-se trabalhar o tema de forma objetiva, evitando-se digressões, com foco especial no
universo infantil de crianças de zero a seis anos.
12
3 A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA A CRIANÇA
A musicalização é um processo de construção do conhecimento, favorecendo o
desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, prazer em ouvir música,
imaginação, memória, concentração, atenção, respeito ao próximo, socialização e afetividade,
também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação, por esses
motivos a sua importância na idade escolar. Nesse sentido discorremos sobre a música no
desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor da criança.
3.1 A música no desenvolvimento cognitivo da criança
As crianças, desde o ventre materno, escutam diferentes sons e continuarão ouvindo no
decorrer da vida. A música é, sem dúvida, uma importante fonte de estimulação, com especial
destaque no despertar da curiosidade dos bebês.
O envolvimento das crianças com o universo sonoro começa ainda antes do
nascimento, pois na fase intrauterina bebês já convivem com o ambiente de
sons provocados pelo corpo da mãe, como o sangue que flui pelas veias, a
respiração e a movimentação dos intestinos. A voz materna também constitui
material sonoro e especial é referência afetiva para eles (BRITO, 2003, p. 35).
Ainda, segundo Brito (Ibid, p. 17), “os sons da natureza, os cantos e urros dos animais
ou os sons produzidos pelas pessoas traduzem informações objetivas provocando também
sensações, emoções e reações subjetivas”. Várias pesquisas, desenvolvidas em diferentes países
e em diferentes épocas reiteram que a influência da música no desenvolvimento da criança é
incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve
reações a estímulos sonoros.
Para Nogueira (2001) o indivíduo, ao ler determinado sinal na partitura, necessita passar
essa informação (visual) ao cérebro; este, por sua vez, transmitirá à mão o movimento
necessário (tato); ao final disso, o ouvido acusará se o movimento feito foi o correto (audição).
Na sala de aula deve-se, então, trabalhar de forma com que se desenvolvam os sentidos
das crianças através das suas vivências musicais e ritmos pelo ouvir, ver e tocar. Essas
13
experiências aperfeiçoam sua audição e assim as crianças passa não apenas a ouvir, mas
também passam a distinguir vários tipos de sons. Stateri (1997, p. 13) fala também sobre o
processo evolutivo na atividade musical: “[...] o conhecimento musical deve se iniciar com
experiências concretas e aos poucos se orientar para o domínio da linguagem e de estruturas
musicais”
O domínio da linguagem e da expressão musical, seja ela para a aprendizagem de um
instrumento, seja pela apreciação ativa, potencializa a aprendizagem cognitiva que age
diretamente na mente das crianças, contribuindo na formação do equilíbrio do sistema nervoso,
descargas emocionais, agilidade, melhora no campo da memória e aumento do foco dos
movimentos, melhorando sua coordenação motora.
3.2 A música no desenvolvimento afetivo da criança
Podemos dizer que somos seres significativamente afetivos. Precisamos de carinho,
necessitamos do outro para partilharmos e convivermos, não somos feitos para ficarmos sós. A
música faz parte desse afeto, com ela podemos alegrar, acalmar e até entristecer, tocando assim,
de certa maneira, os sentimentos e as emoções. Brito (2003, p.31) destaca que é difícil encontrar
alguém que não goste ou não se relacione com a música de uma maneira ou de outra, pois:
[...] temos um repertório musical especial, que reúne músicas significativas
que dizem respeito à nossa história de vida: as músicas da infância, as que nos
lembram alguém, as que ouvimos na escola, as que nos remetem a fatos
alegres ou tristes, as que ouvimos no rádio, em concertos, shows etc.
São fortes motivos para afirmar que a musicalização desenvolve um vínculo afetivo nas
crianças. Estas, por estarem em formação, têm maiores condições de expressarem seus
sentimentos e emoções e não se envergonham com adultos e público.
Os professores devem utilizar a música como ferramenta para trabalhar as dimensões
afetiva e social nas crianças, oferecer canções que, além de alegra-las e estimulá-las, criem
possibilidades de participação individual e situações, por meio das quais possam expressar-se.
Ao trabalhar a desinibição e a imaginação, os alunos aprendem a se valorizar, além de conhecer
e respeitar o próximo.
14
3.3 A música no desenvolvimento psicomotor da criança
A psicomotricidade é um processo de aprendizagem importante na Educação Infantil,
pois através dela a criança desenvolve-se e movimenta-se, descobre o corpo, seu esquema
corporal, a sua lateralidade e seu equilíbrio. A música é importante, pois envolve ritmo,
observação e movimento corporal como um todo.
O desenvolvimento psicomotor é necessário, pois com ele os músculos, ossos e sistema
nervoso da criança atingem determinado estágio de desenvolvimento em vários aspectos.
Assim, ela adquire condições para desenvolver atividades específicas de forma natural.
Entretanto, não se pode forçar esse processo de maturação, que ocorre à medida que a criança
cresce. Ainda sobre os aspectos do desenvolvimento, ratifica-se que a expressão musical é
caracterizada pelo aspecto intuitivo, afetivo e sensório motor:
As crianças integram a música às demais brincadeiras e jogos: cantam
enquanto brincam, acompanham com sons os movimentos de seus carrinhos,
dançam e dramatizam situações sonoras diversas, conferindo “personalidade”
e significados simbólicos aos objetos sonoros ou instrumentos musicais e à
sua produção musical. (BRASIL, 1998, p.52)
Por isso, enquanto brincam, as crianças desenvolvem as três dimensões da música
propostas por Piaget (1976 apud BRITO 2003, p. 36): “sensório motor, vinculado à exploração
de sons e dos gestos; jogo simbólico, vinculado ao valor expressivo e à significação mesma do
discurso musical; jogo com regra, vinculado à organização e a estruturação da linguagem
musical”.
A música é prazerosa e significativa principalmente na idade musical de zero a seis anos.
O professor não pode deixar de buscar novas ideias e possibilidades para que a música não seja
apenas mecânica, mas sim construída, que seja essencial e encante nossas crianças.
3.4 A criança e a educação musical
A música na escola tem a função de formar cidadãos plenos, capazes de exercer a sua
cidadania. É um meio de comunicação e expressão por excelência, existente em nossas vidas.
Ela promove equilíbrio emocional, estimula a atenção, a concentração, a memória, a
15
imaginação e a criatividade, ainda possibilita o imaginário da criança a transportar-se para o
desconhecido. É da própria inclinação da criança pela música o encantamento, a fantasia e a
imaginação, ou seja, tudo isso pode ocorrer com o simples fato de ouvi-la. Isso porque “A
Linguagem Musical é excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da
autoestima, do autoconhecimento, além de poderoso meio de integração social”. (BRASIL,
1993, p.49)
Na Educação Infantil, professores sentem receio na utilização da música por não terem
formação específica, ou por experienciarem uma ação pedagógica limitada e limitante. Assim,
também se limitam as trocas de experiências em nome da disciplina, perdem-se as
oportunidades de criações e descobertas. Neste cenário, a música vira “musiquinha”, usada para
simples memorização e desenvolvimento de hábitos e atitudes repetitivos ou automatizados.
Esse quadro pode ser exemplificado pelas apresentações nas datas comemorativas.
Salienta-se também que a música é uma forma de expressão que permite ao ser humano
manifestar suas alegrias e tristezas. É uma arte que permite ao educando construir seus
conhecimentos e desenvolver seu potencial.
As leituras feitas são suficientes para dizer que a música é uma ferramenta importante
para o desenvolvimento integral da criança, e deve ser trabalhada na Educação Infantil, assim
como a cultura que trabalha a estética e a criatividade. É, pois, uma importante ferramenta para
a construção da subjetividade da criança.
16
4 DESENVOLVIMENTO INTEGRAL
O desenvolvimento integral da criança não prescinde da educação musical. Daí a
necessidade de conhecer o papel da música no desenvolvimento da criança. Nesta parte
discorremos sobre a música como expressão, a inteligência musical, a linguagem musical e
como e o que acontece quando a criança cresce em um ambiente musical.
4.1 A música como expressão cultural
Ao entrar em contato com a música, zonas importantes do corpo físico e psíquico são
acionadas, como os sentidos, as emoções e a própria mente. Esses fatores são de grande
importância no desenvolvimento da criatividade, sensibilidade e comunicação. Acima de tudo,
faz uma aproximação de educadores e crianças, estimulando a reflexão e o questionamento,
além de expressar emoções que nem sempre são expressas com palavras.
A conquista de habilidades musicais no uso da voz, do corpo e dos
instrumentos deve ser observada, acompanhada e estimulada, tendo-se claro
que não devem constituir-se em fins em si mesmas e em pouco valem se
estiverem integradas em contexto em que o valor da música como forma de
comunicação e representação do mundo se faça presente. (BRASIL, 1998,
p.77)
Por este motivo é que a música torna-se um meio de comunicação e expressão existente
em nossas vidas. Sua importância no meio escolar promove o desenvolvimento da sensibilidade
estética e artística de crianças e adolescentes, a leitura e compreensão crítica do universo
musical no meio social e cultural que está inserida, o desenvolvimento do potencial criativo dos
alunos, o desenvolvimento cognitivo e psicomotor, o desenvolvimento de habilidades sociais e
comunicação verbal e não verbal.
Em alguns países a educação musical é considerada fundamental na formação do
indivíduo, não apenas para preservar as raízes culturais, mas para auxiliar no desenvolvimento
das múltiplas inteligências do aluno, promovendo um melhor equilíbrio emocional,
estimulação, concentração, atenção, memória, percepção auditiva, raciocínio, imaginação e
criatividade.
17
4.2. Inteligência musical
As teorias das Inteligências Múltiplas se apoiam nas descobertas no campo da
neurologia procedidas na universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Tais descobertas foram
feitas pela equipe do psicólogo e neurologista Howard Gardner, que categorizou sete tipos de
inteligências, a saber: inteligência linguística; inteligência espacial; inteligência lógicomatemática; inteligência corporal; inteligência intrapessoal; inteligência interpessoal e a
inteligência musical. Entre elas, destacamos aqui a inteligência musical.
A música pode e deve ser usada como estímulo para as outras inteligências, pois desde
antes de seu nascimento a crianças já começa a ter experiências sonoras e musicais de grande
importância para seu conhecimento de mundo. A música resulta em um contato no qual a pessoa
poderá experimentar e integrar suas emoções, criando assim um contato consigo mesma.
Inteligência Musical geralmente é definida como uma habilidade na atuação,
composição e apreciação de padrões musicais, conseguir ouvir e processar sons além do que a
maioria das pessoas consegue, sendo capazes também de criar novas músicas e harmonias
inéditas. É como se conseguissem enxergar através dos sons. Algumas pessoas têm esta
inteligência tão evoluída que são capazes de aprender a tocar instrumentos musicais sozinhas
(GARDNER, 1994).
Pode-se inferir a importância de professores trabalharem de forma eficaz a música na
sala de aula, pois através dela pode-se construir uma ponte para demais inteligências e
habilidades das crianças.
4.3 Linguagem musical
Existem muitas teorias sobre a presença da música na cultura humana. A linguagem
musical tem sido interpretada de várias maneiras, relacionada com cada época e cultura em
sintonia com o modo de pensar, com os valores e com as concepções estética vigentes. O termo
“música”, no novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (2009), tem a seguinte definição:
arte e ciência de combinar sons de modo agradável ao ouvido; qualquer conjunto de sons
(seguido de parênteses onde se lê: “deprec.: musiqueta”). O verbete funda-se em uma
18
abordagem subjetiva que confere valor àquilo que agrada ao ouvido, já quando define a música
como qualquer conjunto de sons, isenta o valor estético, aponta para algo sem apreciação.
Falar sobre parâmetros de som não é obviamente falar sobre música, as características
dos sons não são ainda a própria música, mas uma passagem sonora entre o som e o silêncio.
Música então não é apenas melodia, ritmo ou harmonia, ainda que estes elementos estejam
presentes e se relacionem cotidianamente. Brito (2003, p. 26) dá a seguinte definição de música:
“Música é também melodia, ritmo ou harmonia, dentre outras possibilidades de organização de
material sonoro. O que importa, efetivamente, é estarmos sempre próximos da ideia essencial
à linguagem musical: a criação de formas sonoras com base em sons e silêncio”. Esta
composição de som e o silêncio está dividida em três elementos organizacionais: melodia,
harmonia e ritmo. No entanto, quando nos referimos a sons é preciso também levar em conta a
altura, o timbre e a duração combinados para levar a outro aspecto como, por exemplo, o estilo.
Entretanto, nem toda música segue a mesma regra, podendo ser ausentado algum elemento
organizacional dependendo da cultura.
A música é um elemento universal, não existe um povo ou uma civilização que nunca
tenha experimentado a música de alguma forma, seja em ocasiões alegres ou tristes. Nos dias
de hoje, ela se encontra presente na vida do ser humano a todo instante, pois todo ser humano
um dia já tentou cantar e dançar, mesmo que com um som desafinado, ou descompassado com
o som. Existem músicas para todo gosto, como aquelas que são capazes de sensibilizar, deixar
a pessoa emotiva.
As crianças são ainda mais sensíveis aos sons musicais. Dificilmente uma criança irá
ficar parada diante de um ritmo mais agitado ou até mesmo se acalmar com um ritmo mais
suave. Desse modo, ela começa a desenvolver a linguagem somente ao ouvir um som.
Segundo Mariani (2011, p.27), o filósofo Émile Jaques-Dalcroze, que abriu as portas
para as inovadoras pedagogias musicais, desenvolveu um método de educação musical baseado
no movimento, mediante o qual o aprendizado ocorre por meio da música e pela música. A
relação música e movimento vai além da dança e dos ritmos que manifestam de maneiras
variadas, o simples ruído que a natureza produz já possibilita o movimento.
O movimento pode trazer contribuições para as crianças, fazendo com que conheçam
suas próprias habilidades e limitações. Os conteúdos sobre movimento devem constar na rotina
do aluno e certamente devem ser efetuadas diariamente seja de forma planejada ou não.
Conseguir trabalhar com essas linguagens na Educação Infantil é conseguir uma formação
integral da criança, tornando-a um sujeito feliz e livre. (BRASIL, 1998).
19
4.4 Quando se cresce em um ambiente musical
O ambiente familiar é fundamental para o desenvolvimento musical das crianças, pois
é neste ambiente que as crianças têm as primeiras experiências sonoras, na companhia de
alguém que ouve, canta ou dança.
Em algumas culturas a música é algo que acompanha praticamente todas as atividades
cotidianas, em outras está reservada para momentos especiais da vida em comunidade, não
podendo ser usanda em qualquer contexto. Neste caso, a música exerce um papel fundamental
nos repertórios que escolhemos para ouvir, tocar e cantar. Como sugeriu Gardner (1994, p. 33),
“As crianças não crescem em um vácuo acústico. As canções que elas cantam e as palavras que
repetem refletem os sons que elas ouvem na sociedade, ao invés de um padrão sonoro universal
pré-ordenado. ”
Junto a qualquer cultura está o valor atribuído à música. Os pais, mesmo não sendo
profissionais, são geralmente amantes da música e na maioria das vezes, procuram passar este
amor aos seus filhos. Cantar com as crianças tem sido ao longo dos séculos, algo muito natural,
uma espécie de comportamento espontâneo do ser humano (ILARI, 2009). No entanto, diversas
pesquisas realizadas sugerem que os pais e as mães cantam muito menos com seus filhos do
que os antepassados. Isto provavelmente acontece em decorrência do excesso de parafernálias
eletrônicas, entre outras, na vida das crianças, como a TV, a internet, os CDs e os DVDs. Tudo
isso não substitui o carinho e o cuidado dos pais. Uma explicação plausível para o não
desenvolvimento da música no ambiente doméstico, seja por aparelhos ou “ao vivo”, é que na
cotidianidade dessas famílias não se aprendeu a conviver com a música, seja em casa ou na
escola, ou não tiveram aulas de música, por este motivo não se preocupam tanto como os pais
que tiveram a oportunidade de conhecer os benefícios da música.
A música segue uma lógica plausível. O mesmo acontece com o adulto, que logo na
infância encontrou o prazer e criou o hábito ler. Uma vez adquirido esse hábito, tende a encher
a casa com livros, repassando este prazer para seus filhos de modo natural.
Assim, a importância de se criar um ambiente sonoro para as crianças, lembrando que o
CD e/ou o DVD, por mais mágicos que pareçam ser, não substituem a voz envolvente da mãe,
da avó ou de outro cuidador. Estes, no momento que cantam ou dançam, utilizam a música em
forma de comunicação divertida juntamente com a criança.
20
4.5 Crianças são músicos competentes
No passado pensava-se que as crianças eram tabulas rasas. Estas vinham ao mundo
como uma folha de papel em branco, prontas para serem preenchidas. Esta era a crença de
Locke (1983, p. 160), que disse: “a mente é, como dissemos, um papel em branco, desprovida
de todos os caracteres, sem quaisquer ideias”.
Atualmente, já se sabe que não é bem assim. Os bebês, ao nascerem, já possuem
competências, demonstram conhecer a voz materna, são curiosos e voltam-se com frequência a
qualquer tipo de som, como os da TV, do rádio e voltam a atenção para as conversas no entorno.
Os bebês, conforme vão crescendo, aprendem a virar a cabeça ou o corpo em direção aos sons
diversos que ouvem. Normalmente existe um aspecto surpreendente da capacidade auditiva dos
bebês, principalmente quanto à altura dos sons. Ilari (2009, p. 36) faz a seguinte afirmação: “Do
útero aos primeiros dias de vida, os bebês ouvem melhor os sons graves. Poucos dias após o
seu nascimento, a percepção inverte, e os bebês passam a ouvir melhor os sons agudos aos
graves; habilidade que pendura por quase toda a infância”.
Percebe-se também que os bebês reconhecem as alterações ou afetações da voz dos
adultos. Situações nas quais os adultos mudam o tom de voz, deixando a voz mais emotiva,
mais doce e quando mudam de gestos, são facilmente perceptíveis aos bebês. Estes distinguem
sons agudos de graves. Entretanto, atentam mais para os sons agudos.
As competências dos bebês não se restringem à percepção de voz. O ritmo é outro
elemento dominado desde cedo. Ilari (2009, p. 37) afirma que “[...] ainda no útero, os fetos
estão rodeados por sons rítmicos de origem biológica como, por exemplo, as batidas do coração
materno”. Assim, conforme os bebês vão crescendo, vão associando esses ritmos às suas
rotinas, como acordar, brincar, tomar banho e assim por diante. Não é de se espantar que ainda
bem pequenas as crianças consigam associar diferentes ritmos e associá-los a diferentes
atividades cotidianas. Desse modo, percebe-se que os ritmos e estilos musicais servem para
regular a atenção, o comportamento e o humor das crianças.
Pode-se dizer então que o modo como as crianças percebem e apreendem os sons, no
tempo e espaço, revelam como se relacionam com o mundo e como vêm explorando e
descobrindo a cada dia. Isso não tendo nada a ver com a afinação, conotação certo e errado,
refere- se a condutas infantis de uma exploração sonora, como afirma Brito (2003, p. 41):
Quando emite sons vocais e movimentos sonoros ascendentes ou
descendentes, o bebê não busca uma afinação coerente com o repertório
21
dos sons de sua cultura: ele explora as qualidades deste gesto e vai, à
medida que exercita, descobrindo e ampliando novas possibilidades
para seus exercícios.
Quando exercitadas nos primeiros meses de vida, as crianças aprendem a explorar a
quantidade de sons vocais, e tornam-se melhor preparadas para a fala. Um pouco mais
desenvolvidas, as crianças tendem a expandir o repertório de sons. Enquanto isso, começam a
acompanhar as canções com o corpo, ainda sem a coordenação rítmica adequada, até o
momento de procurarem criar e manifestar um interesse pelas regras da canção, como se fosse
uma etapa do jogo. À semelhança dos ótimos compositores, as crianças brincam com os sons,
inventam, para mais tarde criarem suas próprias melodias e canções.
22
5 DESENVOLVIMENTO DA MÚSICA NA SALA DE AULA
Na vida infantil, o ensino da música vem como forma de compreensão de mundo. De
zero a três anos as crianças tentam imitar e responder aos estímulos externos com sons, criando
assim momentos significativos no desenvolvimento afetivo e cognitivo, dos três aos seis anos
já reconhecem e distinguem os sons. Neste segmento, pretende-se abordar sobre a prática da
música na sala de aula; discorrer brevemente sobre a utilização de bandinhas, apreciação e
registro musical; falar sobre a importância dos jogos e brincadeiras para a expressão corporal,
focar as estratégias e recursos que podem ser utilizados e finalmente, apontar algumas ideias
práticas e realizações de oficinas.
A prática musical em sala de aula pode ocorrer por meio de atividades lúdicas. O
professor pode desenvolver atividades criativas em que os alunos irão fazer sons com tudo que
lhe for permitidos dentro de expressão com o corpo e com a voz.
A criança é um ser brincante e, brincando faz música, pois assim se relaciona
com o mundo que descobre a cada dia. Fazendo música, ela, metaforicamente,
‘transforma-se em sons’, num permanente exercício: receptiva e curiosa, a
criança pesquisa materiais sonoros, ‘descobre instrumentos’ (BRITO, 2003,
p. 35).
A música também oportuniza contatos com outras culturas e gera momentos alegres e
prazerosos quando transforma o espaço escolar em um ambiente adequado à aprendizagem,
além de estimular nos alunos o ritmo e coordenação motora favorecendo sua autonomia e sua
integração com o grupo.
Ao oportunizar-se o ensino da música desde cedo, as crianças desenvolvem habilidades
importantes, elas aprendem a refletir e a fazer escolhas mais conscientes sobre os tipos de
música que devem ouvir ou apreciar.
O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno à intimidade
do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não cantiga
de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as
idas e vindas de seus pensamentos, surpreendem suas pausas, suas dúvidas,
suas incertezas (FREIRE, 1996, p. 96).
Por isso um professor mais preparado é aquele que transcende em suas aulas, que
oportuniza o aluno a ter uma vivência musical significativa, que vai além das atividades
trabalhadas no dia a dia em sala de aula, trabalha de forma paralela com outros conteúdos,
23
tornando o ambiente mais alegre e favorável à aprendizagem, proporcionando satisfação
àqueles que dele participam.
5.1 Bandinhas, apreciação e registro musical
A música é um dos meios de expressão mais usado pelo homem. A partir do primeiro ano
de vida ele já demonstra prazer ao se sacudir ao ouvir um som agradável. A bandinha rítmica é
uma das mais ricas formas de expressão musical, além dos valores estéticos a ela atribuídos.
Concorre ainda para o desenvolvimento do autodomínio e da autorrealização, por permitir que
a própria criança extraia sons dos instrumentos. A bandinha oferece a oportunidade da criança
desenvolver o senso rítmico, recrear-se, socializar-se, ter maior interesse pela música,
desenvolver a atenção, a concentração e a coordenação motora, promover a formação de hábitos
de ordem e cooperação, e ainda, maior ajustamento emocional.
O desenvolvimento da música na escola não visa a formação de músicos. Através da
vivência e compreensão da linguagem musical, a música proporciona uma abertura para
experiências criativas, desenvolvendo a expressão de emoções, ampliando a cultura geral e
contribuindo para a formação integral do ser. (PEREIRA, 2002).
Para a apreciação musical, o professor deve levar a criança a demonstrar a capacidade
para ouvir, concentrar-se e perceber ritmos, ter contato com músicas diversas, escutar músicas
variadas de diferentes gêneros, estilos, épocas e cultura. “A apreciação musical refere-se à
audição e à interação com músicas diversas”. (BRASIL,1998, p.63).
O papel do professor é, assim, conhecer diferentes ritmos e sons instrumentais, conhecer
diversos compositores e sua contribuição musical. “Uma vez melhor preparado, o professor
pode conduzir o aluno estimulando-o a fazer associações, como de figuras aos sons; nas
brincadeiras, pode levar as crianças a reconhecerem músicas mais simples, a cantar, imitar
vozes, e outras mais” (ANTUNES, 2002, p. 20). Ainda, aprender a escutar, com concentração
e disponibilidade para tal, faz parte do processo de formação de seres humanos sensíveis
reflexivos e capazes de perceber, sentir, relacionar, pensar e comunicar-se.
Sobre o registro musical, é importante ressaltar o seu valor para o professor e para a criança.
Por meio dele, o professor poderá dar continuidade ao seu trabalho, utilizando formas de escrita
24
musical não convencional. Quando a criança utilizar o corpo para realiza um movimento, isso
quer dizer que ela está traduzindo diferentes tipos de sons corporalmente.
Na Educação Infantil a criança não deve ser treinada para leitura e escrita musical, o
mais importante é dar a oportunidade da criança ouvir, cantar e tocar, criando formas de notação
musicais com a orientação dos professores, como se vê na seguinte orientação:
Representar o som por meio do desenho é trazer para o gesto gráfico aquilo
que a percepção auditiva identificou, constituindo-se em primeiro modo de
registro. Pode-se propor, para crianças a partir de quatro anos, que relacionem
som e registro gráfico, criando códigos que podem ser lidos e decodificados
pelo grupo: sons curtos ou longos, graves ou agudos, fortes ou suaves etc.
(BRASIL, 1998, p.75).
Essa avaliação deve ser contínua, pois cada registro das observações feitas da criança
será um importante instrumento de avaliação, para saber como está seu desenvolvimento
rítmico e motor, sua capacidade de imitação, de criação, de memorização e desenvolvimento
vocal, se canta - e como canta.
5.2 Jogos, Brincadeiras e Expressão corporal
É através dos jogos e brincadeiras que a criança começa a descobrir o mundo;
explorando e se relacionando, ela constrói e socializa o conhecimento na troca de experiências
com outras crianças, permitindo que as tarefa e habilidades possam ser executadas de maneira
independente, ou até mesmo com a ajuda do colega. É possível perceber, nas sugestões a seguir,
a importância dos jogos e brincadeiras:
Jogos de escuta dos sons do ambiente, de brinquedos, de objetos ou
instrumentos musicais; jogos de imitação de sons vocais, gestos e sons
corporais; jogos de adivinhação nos quais é necessário reconhecer um trecho
de canção, de música conhecida, de timbres de instrumentos etc.; jogos de
direção sonora para percepção da direção de uma fonte sonora; e jogos de
memória, de improvisação etc. são algumas sugestões que garantem às
crianças os benefícios e alegrias que a atividade lúdica proporciona e que, ao
mesmo tempo, desenvolvem habilidades, atitudes e conceitos referentes à
linguagem musical. (Grifo nosso). (BRASIL, 1998, p. 72).
As instituições escolares podem garantir a linguagem musical contemplando com
atividades diversas, tais como: trabalho vocal, interpretação e criação de canções, brinquedos
cantados e rítmicos, jogos que reúnem sons, movimento e dança, jogos de improvisação,
25
sonorização de histórias, elaboração e execução de arranjos (vocais e instrumentais), invenções
musicais (vocais e instrumentais) execução de objetos sonoros, registros e notações, escuta
sonora e musical. A estas atividades, podem ser somadas outras, como se vê nos exemplos a
seguir: “Os jogos e brinquedos musicais da cultura infantil incluem os acalantos (cantigas de
ninar); as parlendas (os brincos, as mnemônicas e as parlendas propriamente ditas); as rondas
(canções de roda); as adivinhas; os contos; os romances etc.” (BRASIL, 1998, p. 71).
Por meio do cântico, criam-se e recriam-se jogos antigos e mantém-se a alegria na escola.
Desse modo, esta passará a ser sinônimo de conquistas do conhecimento, de acesso à produção
cultural de um povo. Evita-se também o cultivo de crianças tão somente alegres e obedientes,
mas sem autonomia. Para que se forme a cidadania plena na criança, faz-se necessária a criação
de uma nova história, um novo tempo, com evolução cultural de seres pensantes e críticos
Quanto à expressão corporal, esta se manifesta através dos sentimentos e das sensações
internas, representados por meio de movimentos simbólicos do corpo e, muitas vezes, pela
linguagem corporal. Esta modalidade de linguagem é o meio pelo qual a criança expressa as
suas emoções, através dela utiliza-se de gestos, posturas e movimentos. Os instrumentos mais
comuns da expressão corporal são o corpo, a voz, o som, o ritmo, o gesto, a postura, o
movimento, o espaço, o tempo. Um exemplo dessa expressão corporal pode ser visto na
sugestão abaixo:
[...] Brincadeiras que envolvam o canto e o movimento, simultaneamente,
possibilitam a percepção rítmica, a identificação de segmentos do corpo e o
contato físico. A cultura popular infantil é uma riquíssima fonte na qual se
pode buscar cantigas e brincadeiras de cunho afetivo nas quais o contato
corporal é o seu principal conteúdo, como no seguinte exemplo: “ Conheço
um jacaré que gosta de comer. Esconda a sua perna, senão o jacaré come sua
perna e o seu dedão do pé ” . Os jogos e brincadeiras que envolvem as
modulações de voz, as melodias e a percepção rítmica — tão características
das canções de ninar, associadas ao ato de embalar, e aos brincos 6,
brincadeiras ritmadas que combinam gestos e música — podem fazer parte de
sequências de atividades. (BRASIL, 1998, p. 30).
Uma vez que as crianças são beneficiadas pelas oportunidades de vivenciar situações
envolvendo música, é de se esperar que elas reconheçam e utilizem-se da linguagem expressiva,
mais conscientes do seu valor como meio de comunicação e expressão. Por meio da voz, do
corpo, dos instrumentos musicais e dos objetos sonoros, terão mais condições de interpretar,
improvisar e compor. Geralmente, tornam-se interessadas também pela escuta de diferentes
gêneros e estilos musicais e pelas confecções de materiais sonoros.
26
5.3 Estratégias e recursos
A atividade musical é, em geral, entendida como o contato entre a realização acústica
com seu receptor, seja alguém que cante, dance, componha ou simplesmente ouça. A produção
musical ocorre por meio de dois eixos: a criação e a produção. Brito (2003, p. 57) descreve que
estes dois eixos garantem três possibilidades de ação:
[..] atividade ligada à imitação e reprodução de uma obra[...]
improvisação criar constantemente orientando-se por algum critério[...]
composição: é a criação musical caracterizada pela sua condição de
permanecia[...].
Assim, pode-se utilizar todo e qualquer material produtor ou propagador de sons
produzidos pelo próprio corpo humano, pela voz, por objetos cotidianos, por instrumentos
musicais acústicos, elétricos, etc.
Outro aspecto importante da atividade musical é a possibilidade da utilização de
instrumentos de madeira, metal ou outros materiais. É possível explorar as diferenças entre os
sons produzidos por eles, assim como as diversas maneiras de usá-los. Há diversas formas de
tocar cada um, permitindo assim a estimulação da pesquisa de possibilidades de construir sons
ao invés de ensinar um único modo de tocar cada instrumento.
O papel do educador, neste caso, é o de estar sempre atento se a criança força ao falar;
se tem a voz rouca para poder, assim, encaminhar para um especialista; e se ela tem disposição,
interesse, curiosidade e criatividade. Os educadores e as crianças poderão fazer improvisações
de canções de roda, criar histórias com diferentes sons vocais, além de montar um acervo de
materiais sonoros. Todo trabalho é dinâmico e possibilita as transformações necessárias que
enriquecem as atividades, especialmente por não se limitar ao uso dos tradicionais instrumentos
musicais. A construção de objetos sonoros é uma atividade que desperta a curiosidade e o
interesse das crianças, além de contribuir para o entendimento de questões referentes à produção
de sons, às qualidades acústicas, ao mecanismo e ao funcionamento dos instrumentos musicais
27
5.4 Ideias práticas e Oficinas
Por meio da música podemos desenvolver várias áreas do conhecimento como, por
exemplo, trabalhar a interdisciplinaridade, contribuir para que o aluno seja capaz de perceber o
outro e a si, sentir, pensar, relacionar-se, comunicar-se, humanizar-se, desenvolver o espirito de
solidariedade, cooperação, interação, socialização e sensibilidade. Com isso, facilitar o
processo do ensino-aprendizagem.
A escola pode contribuir para que os alunos se tornem ouvintes sensíveis,
amadores talentosos ou músicos profissionais. [...] Ela pode proporcionar
condições para uma apreciação rica e ampla, onde o aluno aprenda a valorizar
os momentos importantes em que a música se inscreve no tempo e na história.
(BRASIL, 1998, p. 56).
A partir dessas contribuições, o professor pode promover outras, sempre tendo em
mente alguns cuidados. Entre eles, a música não deve ser imposta, mas deve ser algo natural da
criança; devem ser desenvolvidos nela hábitos como cantar, tocar, marcar o ritmo com as mãos,
pés, dedos, utensílios e outros objetos, fazendo a criança perceber que o som está em toda parte:
nos animais, na chuva que cai, nos ruídos do mar, e em outros lugares e situações; aprender
também que os sons se distinguem e que alguns nos agradam e outros não é muito importante
para o processo ensino-aprendizagem.
Deve-se ainda, sempre que possível, oportunizar uma vivência qualitativa musical para
nossas crianças. Na sala de aula ou em outro ambiente apropriado, o professor pode trabalhar
com a espontaneidade da criança ao andar, marchar, pular e correr. Acompanhar o ritmo,
ouvindo música, movimentar a cabeça, bater palmas e pés, bater palmas sem música, perceber
os sons dos animais (agudo, grave, longo e curto), em grupo, trabalhar com o estalar dos dedos,
bater pés, requebrar, trabalhar a improvisação, abaixar, rodar, virar, levantar, pular, entre outras
práticas.
Em relação às oficinas, estas consistem no tempo e no espaço nos quais se podem
introduzir, de maneira concreta e prática, a criança no universo da música. Os trabalhos com a
música realizados com as crianças podem e devem reunir grande variedade de fontes sonoras:
pode-se confeccionar objetos sonoros com as crianças, com o cuidado de adequar materiais que
disponham de boa qualidade sonora e não apresentem nenhum risco à segurança delas,
especialmente bebês; devem-se sonorizar brinquedos populares como a matraca, o rói- rói ou
berra-boi, os piões sonoros, além de tradicionais chocalhos de bebês. Pios de pássaros, sinos de
28
diferentes tamanhos, brinquedos que imitam sons de animais, entre outros, são materiais que
podem ser aproveitados na realização de atividades musicais.
As crianças devem também trabalhar com a voz. Esta é, sem dúvida, um dos
instrumentos mais práticos, pois está sempre de posse da criança. “É lugar- comum dizer que
a voz é o nosso primeiro instrumento! Instrumento natural que é o meio de expressão e
comunicação desde o nascimento”. (BRITO, 2003, p. 87).
Nas oficinas as crianças podem então construir seus próprios instrumentos. São
atividades que despertam interesse, curiosidade, pesquisa, imaginação, planejamento,
organização e o entendimento de questões elementares referentes à produção dos sons e da sua
qualidade acústica. Para construir instrumentos é preciso, antes de tudo, selecionar e organizar
o uso de sucatas, materiais recicláveis, latas, embalagens, tubos de papelão, de PVC, de
conduítes, caixa de papelão, potes plásticos etc... Devemos contar com materiais próprios de
cada região, como grãos, sementes, cabaças, conchas, pedrinhas, rolhas plásticas, fios de nylon
fita crepe, cola, tesoura, alfinetes, tintas, barbantes e outros materiais destinados ao acabamento
e à decoração. Esta ideia é reforçada na seguinte sugestão:
A experiência de construir materiais sonoros é muito rica. Acima de tudo é
preciso que em cada região do país este trabalho aproveite os recursos
naturais, os materiais encontrados com mais facilidade e a experiência dos
artesãos locais, que poderão colaborar positivamente para o desenvolvimento
do trabalho com as crianças. (BRASIL, 1998, 69).
As atividades de construção de instrumentos serão mais ricas e significativas se
estabelecerem relações com as histórias dos instrumentos musicais, com seus papéis
empenhados no decorrer do tempo e nas diferentes culturas e, além disso, se seus conteúdos
são trabalhados relacionados à educação ambiental, às relações de natureza e sociedade.
29
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em vista dos argumentos apresentados, percebe-se o quanto a música é importante no
desenvolvimento da criança, pois ela contribui para a construção do conhecimento, para o
processo de socialização, além de favorecer o desenvolvimento de sua personalidade. Desde o
ventre materno, a criança adquire as suas primeiras experiências sonoras, que são produzidas
pelo corpo da mãe, como a voz materna que um é material sonoro e serve como referência
afetiva para ambos. Quando a criança entra em contato com a música, zonas importantes do
corpo físico e psíquico são acionadas.
A partir disso, relacionaremos abaixo as conclusões a que se chegou.
Primeiramente, através da música, a criança desenvolve as linguagens musical e
corporal, mediante as quais terá a possibilidade de sentir as harmonias, interpretar e criar, e
neste processo ela terá a oportunidade de perceber suas habilidades e limitações, desenvolvendo
a criatividade, sensibilidade e comunicação.
A música no ambiente familiar é fundamental, pois é neste ambiente que a criança terá
seu primeiro contato sonoro, os pais são grandes responsáveis pelos primeiros gostos musicais
das crianças, por constituírem geralmente sua socialização primária, eles têm a capacidade de
interferir na qualidade musical da criança.
A música na escola é uma excelente ferramenta para exercitar a cidadania e a
comunicação, serve para descobrir habilidades, trabalhar emoções, memória, concentração
entre outros. Por mais que o tempo passe e surjam novas tecnologias, novos processos de
ensino-aprendizagem, a capacitação dos professores, quando acontece, não acontece no mesmo
ritmo. A maioria dos professores que trabalha com música na escola, não se sente preparada
para lidar com a música na sala de aula. Geralmente se restringe às músicas das rotinas, como
aquelas executadas na hora do lanche, para a criançada lavar as mãos etc. O prejuízo para a
educação da criança é grande, pelo simples fato de o professor desconhecer o benefício da
música e não saber utilizá-la pedagogicamente.
Finalmente, para trabalhar a música na sala de aula não são necessários grandes
esforços, e sim materiais básicos usáveis na própria sala de aula. Pode ser usado um plano
alternativo como materiais recicláveis por exemplo, por meio dos quais os alunos terão a
oportunidade de fazer sons com tudo que lhes são permitidos. Assim, podem trabalhar o corpo,
a voz, fazer contatos com outras culturas e produzir momentos alegres e prazerosos. O espaço
e tempo escolares podem ser transformados em ambientes propícios à aprendizagem. Cabe ao
30
professor criar junto com as crianças um repertório que possibilite a elas sua própria
expressividade, além disso, uma variedade de canções para que elas possam escolher,
ensinando-as de forma prazerosa e confortável.
Para cada sociedade e cultura, a história e a música estão relacionadas através do
percurso da humanidade. Ambas desnudam o passado, permanecem atuantes no presente,
registrando permanências e possíveis mudanças futuras. Enfim, a música no contexto da
Educação Infantil, se for trabalhada de forma lúdica e dinâmica, com professores
comprometidos, traz experiências gratificantes para as crianças e constitui um elemento
inestimável para a sua formação e desenvolvimento. Contribui de modo relevante para uma
educação significativa, auxiliando na compreensão de mundo e criação de novas experiências
educativas.
Propositalmente, este trabalho deixou de responder a muitas outras perguntas, que
certamente têm ressonância no assunto tratado, pois, durante a busca por respostas às perguntas
propostas no início desta pesquisa, outras emergiram durante a sua realização. Isso implica que
o esforço continua em outras empreitadas. Pretende-se incursionar ainda no tema musicalização
na escola, não só na Educação Infantil, mas também no Ensino Fundamental. Vale a pena
continuar trilhando na direção da música na e para a infância. Os benefícios da música vão
muito além do que foi tratado aqui. A música não é um privilégio para alguns, mas, sim, um
direito de todos.
31
REFERÊNCIAS
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2002.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, v. 3. 1998.
BRITO, Teca de Alencar. Música na Educação Infantil: proposta para a formação integral
da criança. São Paulo: Peirópolis, 2003.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Aurélio da Língua Portuguesa. São Paulo:
Positivo, 2009.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários da prática educativa. 36. ed.
São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GARDNER, Howard. Estruturas da Mente: a teoria das Inteligências Múltiplas. Porto
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ILARI, Beatriz. Música na Infância e Adolescência: um livro para pais, professores e
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LOCKE, John. Carta Acerca da Tolerância. São Paulo: Nova Cultural, 1983.
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PEREIRA; Sue Carvalho. A descoberta da criança: a introdução à educação infantil. Rio de
Janeiro: Wak, 2002.
STATERI, José Julio. Estratégias de Ensino na Musicalização Infantil. Osasco: Fito, 1997.
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