tz o lu o An os d c rio ar iá M rov r Fe obras bilionárias Os 10 maiores projetos de ferrovias e metrôs do mundo editorial A entrada provável da Cosan como maior acionista do grupo de controle da ALL significa duas coisas: primeiro, que a ALL vai ter, pela primeira vez, um sócio com força e disposição para investir pesado. A ferrovia do sul sempre lutou contra a falta de recursos para investimento, e é conhecida pelas soluções engenhosas para fazer barato. No entanto, transporte ferroviário precisa mais que isso, e agora, ao que tudo indica, vai ter. A segunda coisa é que este sócio sabe o que quer, conforme bem demonstrou no projeto da Rumo para açúcar. A ALL , além de ser uma ferrovia, está em contêineres, mineração, transporte rodoviário e tem 39 % de sua malha na Argentina, não se sabe bem por quê. Agora, pelo que diz o presidente da Cosan, Marcos Lutz, deve passar a se concentrar mesmo no transporte de produtos agrícolas e agroindustriais, que é seu core business. Ganham a própria ALL e seus principais acionistas (em primeiro lugar os que venderam suas ações com prêmios consideráveis); ganham também os pequenos acionistas da bolsa, tão maltratados pelo mercado; e ganha a Cosan, que passa a ser, definitivamente, uma das maiores empresas de logística do Brasil. Talvez assim, com o ingresso de investidores privados em infra-estrutura, consiga o País superar seus gargalos e firmar-se como principal fornecedor de commodities, como é nossa vocação. ASSINE www.revistaferroviaria.com.br Anual: R$ 129,00 6 edições, boletim e acesso ao site Julio Fontana Gustavo Lauria SEDE Paulo Alvarenga [email protected] Rua Pamplona, 1.465 Sala 113 Ricardo Chuahy Ano 73 / fevereiro/março de 2012 Cep: 01405-002, São Paulo - SP CIRCULAÇÃO Tels: (11) 3059-6060 REDAÇÃO Daniel Moreira Fax: (11) 3562-4724 Subeditora: Mariana Neves [email protected] SAC: 0800-772-0472 Repórteres: CONSELHO EDITORIAL Filipe Lopes DIAGRAMAÇÃO SUCURSAL Agenor Marinho Mariana Agunzi PP7 Publicidade Rua México, 41 - Sala 905 www.pp7.com.br | [email protected] Cep: 20031-144, Rio De Janeiro - RJ Direção de arte e diagramação: Audrye Rotta Tel: (21) 2532-0260 Distribuição Nacional Revista Ferroviária é uma publicação da Treelog - Logística S/A Editora Ferroviária Ltda. Alexander Ellwanger Antonio Ismael Ballan FINANCEIRO Celso Santa Catarina Diretora Regina Perez Fernando Ferrari [email protected] Guilherme Quintella Henrique Aché PUBLICIDADE José Antonio Martins Executivos de contas: JORNALISTA RESPONSÁVEL Inscrição Municipal: 4.131.725-4 José Geraldo Baião Claudinei Santos Gerson Toller Gomes - Mtb 17.354.212 Registro no INPI: 816.399.964 CNPJ: 12.464.344/0001-30 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 3 sumário Ano 73 / fevereiro-março 2012 FERROVIÁRIO DO ANO Desde 1989, a Revista Ferroviária destaca as personalidades que mais fizeram pelo setor metroferroviário. Conheça todos os homenageados desde a criação do prêmio 28 ENTREVISTA O diretor-geral da UIC - Union Internationale des Chemins de Fer -, JeanPierre Loubinoux, fala sobre o movimento de recuperação mundial do transporte ferroviário 20 SIMEFRE Para o presidente do Simefre, José Antônio Martins, a licitação dos 60 trens da SuperVia, no Rio de Janeiro, é a prova de que o Brasil pode se desindustrializar Crédito: Foster + Partners 62 Capa - Projeto da Estação de Jeddah, parte da Haramain High Speed Line, entre Meca e Medina, na Arábia Saudita, em construção pelo Consórcio Al Rajhi Alliance, ao custo de U$$ 9,3 bilhões, com trens Alstom. Pág. 50 MULHERES NA FERROVIA Antes predominantemente masculino, o setor ferroviário começa a mudar de cara. Conheça as sete diretoras das operadoras de cargas e passageiros do Brasil 34 EIXOS TUBULARES Até 40% mais leves que os maciços, os eixos tubulares possuem a mesma resistência e durabilidade. Tecnologia está sendo testada na Vale Trem de contêiner em double-stack da Canadian Pacific, na província de Ontário do Norte, no Canadá. O tráfego intermodal é o que mais cresce na América do Norte Crédito: Divulgação 44 cartas Trechos desativados Na edição de outubro e novembro de 2011, na matéria sobre os trechos desativados consta nos mapas das operadoras que o trecho da FCA entre Três Corações e Varginha em Minas Gerais está sem transportes de carga. Mas este trecho se encontra em atividade sendo transportados insumos para empresas de fertilizantes situadas nas cidades citadas. Uma outra correção também é que nos mapas publicados pela Revista Ferroviária não consta o trecho da FCA entre Lavras (MG) a Varginha (MG) sendo que este se encontra em plena atividade. Aproveitando gostaria de saber se a Vale/FCA está com intenção de desativar este trecho e devolve-lo para União em 2012, pois existem muitos boatos aqui no sul de minas que isto irá ocorrer. Se estes boatos realmente tiverem fundamentos, será muito ruim para todo sul de minas. Luiz Eduardo Silvino Bueno [email protected] Cosan x ALL É... Com investimentos de empresários ousados, a médio prazo a ALL pode estar entre as mais lucrativas do país. Domenico Euclides de Carvalho [email protected] Mais investimentos em infraestrutura ferroviária no porto de Santos? Uma pêra ferroviária de linha dupla e bitola mista ao redor dos terminais açucareiros Coopersucar e Rumo na margem direita do porto de Santos evitaria os desmembramentos de composições que vemos hoje, reduzindo o tempo de ciclo. E quem sabe, até a duplicação do TGG na margem esquerda... Ricardo Catarino [email protected] Um grande parceiro para a ALL. Serão mais vagões, transportado mais açúcar, à moda do minério de ferro, com estruturas para atender ao volu- Crédito: Mariana Agunzi José Carlos de Carvalho [email protected] São empresários arrojados como Rubens Ometto e Eike Batista que fazem com que suas empresas alavanquem seus papéis nas bolsas e atraiam investidores capazes de acreditar que é possível crescer sempre mais. Sempre tive grande admiração do “Sr. Pedro Ometto” que, esteja onde for, está aplaudindo as atitudes que o “maestro” Rubens Ometto vem fazendo no conglomerado de empresas da família. Trem da Rumo Logística, que realiza o transporte de açúcar da Cosan 6 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 me monstro nas moagens (...). Adriano T. Guimarães [email protected] SP-Campinas A retomada dos trens de média distância interligando importantes cidades do interior do estado com a capital é louvável. Entretanto, um aspecto pouco discutido é o local onde esses trens irão parar quando entrarem na cidade, pois a Estação da Luz já deu sinais claros de que não suportará a demanda de mais trens em sua gare. Fica então a sugestão de se reativar a Estação do Pari, que conecta-se com toda a malha da CPTM, e transformá-la numa gare exclusiva para trens de média distância. E claro, para se chegar até ela, far-se-ia necessário a construção de mais um ramal de metrô, a partir da Estação Tiradentes, passando pelo Pari, Largo da Concórdia e Celso Garcia, rumo ao Itaim Paulista, linha essa que encontrar-se-ia com outras duas, vindas da Cidade Tiradentes e São Mateus, respectivamente. Em suma, investir no transporte sobre trilhos para desafogar o tráfego nas rodovias e nas cidades. Emerson de Faria [email protected] Perfeito, é isso aí!!! Já existe uma enorme demanda reprimida no eixo SP-Campinas, além de uma grande demanda potencial envolvendo Viracopos. E melhor ainda: as faixas ferroviárias já existem desde Viracopos e Campinas até São Paulo, e são perfeitamene adequadas aos trens de média velocidade - ideais ao longo desse trecho. Com isso pode-se operar, de maneira simultânea e combinada, trens semi-expressos (que atenderiam somente as principais cidades, além de © - ALSTOM Transport / Design&Styling- *Nous façonnons l’avenir – Jumpfrance © - ALstOM transport / Design&styling - Jump France ALSTOM TRANSPORT TRAMWAY CITADIS ALSTOM TRANSPORTE ATENDENDO ÀS NECESSIDADES RÉPONDRE À TOUS LES BESOINS, Designing cities DE CADA CLIENTE APPORTER DES SOLUTIONS À CHACUN Combining standardisation, modularity and customised design, Citadis provides each city with an original, ecological and efficient transportinfrastructures, system. Access maintenance… to Citadis is made easier bytransversale its low floor. 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Realmente as locomotivas que foram enviadas eram DDM, elas não foram aceitas pois foram consideradas muito potentes e grandes para operar na CFM, que fora recentemente refomada. Agora, serão enviadas as locomotivas GT 26 CU, que já estão sendo reformadas em Tubarão. José Binatti [email protected] Antonio M Ferreira [email protected] Vale em Moçambique As locomotivas DDMs 45 foram reprovadas em Moçambique porque em alguns trechos da via as locomotivas passavam apertadas e na maioria das vezes tinham que remover partes das locos... outro detalhe era a via que estava em péssimas condições de circulação para suportar o peso das DDMs. Em decorrência disso foram enviadas as locomotivas GTs, que fiz questão de registrar em fotos aqui em Vitória. Leonardo Fonseca Bastos [email protected] Pena que as locomotivas da Vale não foram aceitas na África. Vídeo MRS Fernando Souza Benedito [email protected] Crédito: Camila Fontana Viracopos) com trens paradores (que atenderiam também todas as demais cidades lindeiras, e se integrariam aos semi-expressos nas principais cidades). Além do que o governo paulista finalmente percebeu que não é necessário aguardar qualquer definição do projeto TAV, já que o trecho em questão envolve demandas e soluções muito mais condizentes com trens regionais de média velocidade. Agora é só ir em frente, e tornar realidade! Por que as locomotivas da Vale não foram aceitas na África? Querem locomotivas novas, 0 KM? Luiz Carlos Buchmann de Araujo Trecho que está sendo segregado pela MRS, em Suzano (SP) Parabéns pelo vídeo!! A matéria ficou excelente!! Em Belo Horizonte era desta maneira, mas as linhas foram segregadas e hoje trem de passageiros (metrô, que não é metrô) circula em uma linha e trem de cargas em outra linha! Leandro Damasceno Ceolho [email protected] Todo profissional ou estudante de logística deveria ver esta matéria e saber das necessidades e dos gargalos logísticos existente em nosso país. Parabéns pela matéria. Euclides Gonçalves [email protected] O projeto e execução do Ferroanel SP já deveriam estar concluídos. A 8 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Pode ser pelo fato de quererem mandar a frota de locomotivas mais antiga da casa, que já tem mais de 25 anos de produtividade (por exemplo C36 e Sd 40). Faz sentido? Renato Henrique de Moraes Silva [email protected] Leonardo Leão [email protected] Então as DDM voltam para o Brasil? Esdras Siqueira Franco [email protected] A bitola da rede ferroviária de Moçambique é a métrica. As duas SD40 que a Vale mandou para lá são da Vitória-Minas, se não estou enganado, não havendo, portanto, a diferença de bitola. O que ocorreu então? Senhores, o comentário do Antonio M. Ferreira está certo. Nós já estamos operando aqui na Vale Moçambique com 23 locomotivas GT26 e tem previsão de chegar mais locos. Quanto à via, ela realmente foi reformada e o primeiro trem a passar nela depois de 28 anos de inatividade foi o da Vale Moçambique no dia 27 de junho de 2011. Silvio de Barros Pinheiro [email protected] Luiz Sergio Barbosa [email protected] A bitola em Moçambique e no Malawi é de 1,067 mm. Renato Véras Aquino [email protected] Para escrever para a Revista Ferroviária mande um email para: [email protected] ou escreva para: Rua Pamplona, 1.465 - sala 113 CEP 01405-002, São Paulo - SP gente N Valec tenta por ordem na casa o final de outubro de 2011, a Valec anunciou um novo time de diretores para tentar por fim a crise que se instalou na estatal, depois das denúncias contra o ex-presidente da companhia, José Francisco das Neves, o Juquinha. No seu lugar assumiu o engenheiro civil e especialista em transportes, José Eduardo Sabóia Castello Branco, que atuava como subsecretário de Programas Especiais na secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Estado do Rio de Janeiro. Seguindo a nova postura da empresa, foram empossados funcionários de carreira e com perfil técnico. O engenheiro civil, Josias Sampaio Ca- valcante Júnior assumiu a diretoria de planejamento, no lugar de Francisco Elísio Lacerda. Josias teve passagem pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pela superintendência do DER/DF; a economista Vera Lúcia de Assis Campos chegou à diretoria de administração e finanças, substituindo Antonio Felipe Sanches Costa. Vera Lúcia já trabalhou como assessora e gerente corporativa de orçamento e custos da MRS Logística e nas gerências de orçamento e custos da RFFSA. Fechando a diretoria da estatal, Hostílio Xavier Ratton Neto, assumiu a diretoria de engenharia, no lugar de Luiz Carlos Oliveira Machado. Hostílio ocupou o cargo de engenheiro- -adjunto e de chefia de residência da Empresa de Engenharia Ferroviária AS (Engefer). Além de professor, atuou no comando do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da UFRJ, do Setor de Instalações Fixas da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e coordenou o projeto da Ferrovia Norte-Sul. Menos de quatro meses depois da posse dos novos diretores, o Conselho de Administração da Valec decidiu destituir Hostílio Xavier Ratton Neto da função de diretor de engenharia, elegendo em seu lugar, no dia 17 de fevereiro, a engenheira civil, Célia Maria de Oliveira Rodrigues. Alstom Transporte troca presidente 10 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 e Panamá. Em 2009, foi nomeado diretor-regional da América Latina para o setor de Geração Térmica e Controle Ambiental e no ano passado assumiu a diretoria de Desenvolvimento de Negócios para o norte da América Latina para o setor de Transporte, função acumulada com a presidência da Alstom Panamá. Ramon Fondevila ficou na Alstom por 25 anos. Ele começou na empresa como gerente industrial na área de sinalização. Depois assumiu como diretor-geral de sinalização, período em que acumulou a função de diretor de Recursos Humanos. Três anos depois, dirigiu a área de sistemas; depois voltou para o setor de sinalização e nos últimos sete anos foi diretor-geral do setor Transporte. Segundo Fondevila, sua saída da empresa já vinha sendo pensada. Ele vai tirar um período de férias e depois definir a vida profissional, mas não pretende se aposentar agora. "Estou fechando um ciclo de 25 anos na Alstom". Crédito: Divulgação A Alstom Brasil anunciou, no início de janeiro, a nomeação de Marco Contin como diretor-geral do setor Transporte da Alstom no Brasil. Ele assume o lugar de Ramon Fondevila. Contin atualmente é vice-presidente International Network da Subregião Norte da América Latina, presidente da Alstom Panamá e diretor de Desenvolvimento de Negócios Greenfield do setor Transporte. Com a nova função, o executivo deixa de ocupar a posição de diretor de Desenvolvimento de Negócios, mas manterá as outras funções. O novo diretor-geral está na Alstom desde 1981 e já foi vice-presidente de Geração de Energia para toda a América Latina e presidente da empresa na Colômbia, Argentina Marco Contin foi nomeado direto-geral do setor Transporte da Alstom Brasil Mais mobilidade para o Brasil Siemens reforma trens da Linha 1 do Metrô de São Paulo www.siemens.com/mobility No centro de modernização e montagem de trens para a América Latina, em São Paulo, a Siemens vem trabalhando na reforma dos trens da Linha 1 do Metrô de SP, utilizando para isso toda a sua reconhecida competência em soluções metro-ferroviárias. Neste momento em que o Brasil prepara-se para sediar dois grandes eventos internacionais, a Siemens faz a sua contribuição para o desenvolvimento de uma infraestrutura que atenda às crescentes demandas de transporte público nas cidades brasileiras. gente Julián Eguren assume a presidência da Usiminas dência da Ternium para o México e em nota à imprensa. Julián Eguren foi indicado pelos América Central. A empresa produz acionistas do bloco de controle da processos integrados para a fabricaUsiminas - formado pelo Grupo ção do aço e derivados desde minas Nippon, com 29,44% do total de próprias até centros de serviços para ações ordinárias da empresa, peo setor industrial. Eguren também las empresas Tenaris e Ternium do foi diretor do ILAFA ( atual AlaceGrupo Techint, com 27,66% e pela ro - Associação Latino-Americana de Caixa dos Empregados da UsimiAço) e presidente da Junta Diretiva nas, com 6,75%. Tenigal, empresa que surgiu da parceria entre a Ternium e a Nippon Steel. "Iremos trabalhar em equipe na melhoria da eficiência operacional, oportunidades de mercado e melhoria de competitividade", declarou o novo presidente Executivo tem 25 anos de experiência na área de siderurgia Crédito Deiwis Fontes (2) A Usiminas anunciou, no dia 17 de janeiro, a aprovação de Julián Eguren como novo diretor-presidente da empresa. Ele assume no lugar de Wilson Brumer, que estava no cargo desde 2010. Eguren tem 48 anos e há 25 anos trabalha no grupo Techint, onde desempenhou diversas funções no México, Venezuela e Argentina. O executivo é formado em administração de empresas, com mestrado em direção de empresas pelo Massachussets Institute of Tecnology MIT, nos EUA. Ele iniciou sua carreira no grupo como trainee, na Argentina. Em 1998, mudou-se para Venezuela para assumir a presidência da Sidor, maior siderúrgica latinoamericana - neste período trabalhou com a Usiminas. Dez anos depois, assumiu a presi- Crédito: Magrão Scalco Randon cria divisão ferroviária Foto: Claude_Padilha_04_Credito Magrao Scalco Claude Padilha será o responsável pela nova área 12 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 A partir de fevereiro, a Randon S.A. Implementos e Participações tem uma nova área em seu grupo: a divisão ferroviária. A empresa atua no setor ferroviário há sete anos e acaba de criar uma área específica para tratar do mercado de vagões. A produção de vagões da Randon tem crescido ao longo dos anos e a mudança faz parte da estratégia de expansão do grupo neste setor. Quando iniciou a fabricação de vagões, em 2005, a empresa produziu 494 uni- dades. Cinco anos depois, o número chegou a 989 vagões no ano. A gerência da divisão ferroviária fica a cargo de Claude Padilha, que trabalha no grupo há 23 anos. Padilha coordenou a implantação e desenvolvimento do negócio ferroviário na empresa no período de 2004 a 2009, e nos três últimos anos respondeu pela gerência de marketing. A coordenação comercial e coordenação de engenharia ferroviária permanecem sob a responsabilidade Vinícius Pitombo e Afonso Luis Brambilla. expressas O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) decidiu, por unanimidade, manter a decisão do desembargador Roberto Bedran, que determinou, no final de 2011, a continuidade das obras da Linha 5 - Lilás do Metrô de São Paulo. A decisão põe fim ao imbróglio jurídico, confirmando a legalidade das ações da diretoria do Metrô e do Estado na execução dos contratos referentes à extensão da Linha 5-Lilás. No final de 2011, o Ministério Público Estadual (MPE) processou por improbidade administrativa o presidente do Metrô SP, Sérgio Henrique Passos Avelleda, e os diretores de seis consórcios de empreiteiras que assinaram os contratos para a extensão da Linha 5. Segundo o laudo do MPE, houve um suposto prejuízo de R$ 327 milhões para o Metrô causado pelo modelo de edital da licitação da linha, que previa que as empresas só podiam vencer um dos oito lotes em disputa. Com isso o ganhador do lote 1, por exemplo, não teria as propostas abertas para os demais trechos. Mesmo que oferecesse uma proposta mais barata, estaria desclassificado porque o consórcio havia ganho o trecho anterior. Crédito: Divulgação MRC aluga vagões para clientes da Vale TJ/SP libera obras da Linha 5-Lilás Vagões do tipo hopper serão alugados para clientes da Vale A Mitsui Rail Capital (MRC), empresa do grupo japonês Mitsui & Co Ltd., encomendou 540 vagões Hopper e plataforma à Randon. Os vagões serão alugados para clientes da Vale e irão circular na Ferrovia Norte-Sul e na FCA, no transporte de grãos, fertilizantes e carga geral. A MRC, proprietária dos vagões, não informou quais são os clientes envolvidos na operação. Os primeiro lote, com 265 vagões, será entregue até o final de março e o restante do pedido a partir do segundo trimestre de 2012. Os vagões complementam o contrato firmado no ano passado para o fornecimento de 24 caixas de vagões e transformação de modelo de 102 vagões. No ano passado, a MRC fechou um contrato com a AmstedMaxion para o fornecimento de 264 vagões, também para circular na FCA, com entregas previstas até abril deste ano. A empresa japonesa já intermediou a compra de outros vagões para uso semelhante, como o contrato com a Multigrain para o transporte de grãos nas malhas da ALL e FCA. Brado Logística vai transportar soja em contêiner 14 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 “O armador terá que levar esse contêiner para a China de qualquer jeito. Então é uma forma de ganhar em cima dos próprios custos”, explicou. A previsão é transportar em torno de 500 contêineres do granel por ferrovia em 2012 - quantia que pode parecer pequena quando associada a um dos principais produtos agrícolas do país, mas que se torna relevante por se tratar de contêiner. “Para nós, qualquer volume que fizermos é gigantesco”, afirmou o presidente. A estimativa é de que o cliente economize quase 15% com o transporte. Crédito: Divulgação A Brado Logística, subsidiária da ALL para o transporte de contêineres, iniciou o transporte de soja em contêiner na segunda quinzena de fevereiro. A operação, nova no Brasil, está sendo feita de Cambé, no interior do Paraná, ao porto de Paranaguá, no mesmo estado. Segundo o presidente da empresa, José Luis Demeterco, o produto será utilizado como carga de retorno para a China e tem como primeiro cliente a ADM, processadora de grãos de soja. Os contêineres serão utilizados para transportar soja como carga de retorno DÁ ORGULHO TRABALHAR PARA QUEM MOVE BRASIL. AFINAL, QUEM MOVE O BRASIL, MOVE O MUNDO. A MWL agradece a todos os seus clientes e fornecedores pela confiança depositada. Trabalhar com empresas tão exigentes só podia dar nisso: uma indicação ao Prêmio Revista Ferroviária 2012, que reconhece a importância de todas as empresas que colocam o Brasil nos trilhos do futuro. A MWL parabeniza e deseja boa sorte a todos os participantes. www.mwlbrasil.com.br Rodovia Vito Ardito, Km 01 - s/nº • Caçapava • CEP 12282-535 • Tel.: +55 12 3221-2400 • Fax: +55 12 3221-2410 [email protected] • www.mwlbrasil.com.br expressas ANTT vai oferecer linhas ociosas Após seis meses da publicação das resoluções, a ANTT não recebeu nenhum pedido formal de novos operadores de carga. Segundo Ofugi, diversos segmentos manifestaram interesse, mas ainda não formalizaram. Crédito: Filipe lopes A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve publicar até o final deste ano uma declaração de rede - documento que divulga as linhas ferroviárias com capacidade ociosa e que estão disponíveis para outra concessionária que queira fazer uso da via. A declaração está prevista na resolução sobre direito de passagem que a ANTT publicou em julho de 2011. De acordo com o superintendente de serviços de transporte de cargas da ANTT, Noboru Ofugi, a resolução permite o levantamento do fluxo de origem e destino das cargas nas malhas, o que torna possível estimar a utilização dos trechos e avaliar sua possível liberação para outras concessionárias. As informações serão passadas pelas operadoras à ANTT, que vai cobrar o cumprimento das metas de movimentação de cada ferrovia. Trechos ociosos poderão ser usados por outras concessionárias China vence concorrência e fornecerá 60 trens para a Supervia Dois fabricantes chineses de trens elétricos, a CNR e a CSR, concorrentes no mercado mundial, apresentaram, no dia 27 de fevereiro, os dois melhores preços na licitação aberta pelo governo do Estado do Rio de Janeiro para a compra de 60 trens para a Supervia. A CNR ofereceu R$ 543,2 milhões pela frota e a CSR R$ 556,9 milhões. Em terceiro ficou a Rotem/ Hunday coreana, com R$ 564,4 mi- Crédito: Henrique Freire lhões; em quarto a Alstom brasileira com 646,8 milhões e em quinto a CAF, também com fábrica no Brasil, com R$ 748,6 milhões. O resultado não surpreendeu os fabricantes brasileiros, que tiveram que incluir nos seus preços o imposto de importação, mais o hedge cambial cobrado pelos bancos sobre o financiamento em moeda estrangeira para os componentes importados. A combinação do imposto e do hedge cambial dá mais ou menos os 16 % de diferença entre o preço da Alstom e o preço da Rotem, porém ainda abaixo dos dois chineses. O governo do Estado do Rio de Janeiro não concedeu nenhum benefício aos fabricantes brasileiros, preferindo optar pelo menor custo. Os 60 trens de quatro carros deverão ser fabricados em ChangChegada ao Rio dos trens da encomenda anterior 16 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 chun, onde já existe uma encomenda anterior de 30 trens para a mesma Supervia e de 19 trens para o Metrô Rio. Os trens da Supervia já começaram a ser entregues (há cinco desembarcados), mas os do Metrô Rio estão com um atraso de dois anos. Há ainda uma outra encomenda de 30 trens adicionais para a Supervia, que deve ser feita diretamente pela operadora, hoje controlada pela Odebrecht Transporte. No conjunto, somando a frota comprada anteriormente da Rotem, e a previsão de novas aquisições para a Linha 4 e para a renovação da frota do Metrô, o Rio de Janeiro estará perto de 1.000 carros, todos da Coréia e da China. Os 60 trens chineses virão completos. As tentativas de acordo da T'trans com a CNR para montar os trens em Três Rios e da MPE com a CSR para montá-los no Rio não prosperaram. agenda Brasil Abril CONINFRA 2012 DE 2 A 4 | SÃO PAULO, SP Informações: 3149-3962 (Denise) Organização: ANDIT E-mail: [email protected] Website: www.andit.org.br INTERMODAL SOUTH AMERICA DE 10 A 12| SÃO PAULO, SP Informações: +55 (11) 4689-1935 Organização: UBM Brazil E-mail: [email protected] Website: www.intermodal.com.br 31ª REUNIÃO GPAA DE 11 A 13| RECIFE, PE E-mail: [email protected] Website: www.forumgpaa.com.br Maio RAIL AND METRO: LATIN AMERICA 2012 DE 08 A 10| RIO DE JANEIRO, RJ Informações: +44 (0) 20 7045 0903 Organização: Global Transport Forum E-mail: [email protected] Website: www.rail-metro-latam.com AGOSTO 32ª REUNIÃO GPAA DE 08 A 10| BELO HORIZONTE, MG E-mail: [email protected] Website: www.forumgpaa.com.br Setembro 18ª Semana de Tecnologia Metroferroviária DE 11 A 14| SÃO PAULO, SP Informações: (11) 3284-0041 Organização: AEAMESP E-mail: [email protected] Website: http://semana.aeamesp.org.br/ Outubro 33ª REUNIÃO GPAA DE 24 A 26| SÃO PAULO, SP E-mail: [email protected] Website: www.forumgpaa.com.br 18 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Novembro FEIRA NEGÓCIOS NOS TRILHOS 2012 DE 6 A 8| SÃO PAULO, SP Informaçãoes: (11) 3059-6060 ramal 303 Organização: Revista Ferroviária E-mail: [email protected] Website: www.revistaferroviaria.com.br/nt2012/ Exterior Abril GulfRail 2012 DE 17 A 19| DUBAI, EMIRADOS ÁRABES Informações: +31 (0)30 6981800 Organização: Al-Fajer Information & Services / Europoint E-mail: [email protected] Website: www.gulfraildubai.com 10ª CONFERÊNCIA MUNDIAL DA UIC SOBRE SINALIZAÇÃO ERTMS DE 24 A 26| ESTOCOLMO, SUÉCIA Organização: UIC Website: www.ertms-conference2012.com Julho UIC HIGHSPEED 2012 11 A 13| FILADÉLFIA, EUA Informações: +33 (0) 1 4449 2020 Organização: APTA E-mail: [email protected] Website: www.uic-highspeed2012.com Setembro Conference on Railway Engineering 2012 DE 10 A 12| WEMBLEY, AUSTRÁLIA Informações: +61 8 9389 1488 Organização: EECW E-mail: [email protected] Website: www.core2012.com AREMA ANNUAL CONFERENCE & EXPOSITION DE 16 A 19| CHICAGO, EUA Organização: AREMA E-mail: [email protected] Website: www.arema.org InnoTrans 2012 DE 18 A 21| BERLIM, ALEMANHA Informações: +49 (0)30 3038 - 2376 Organização: Messe Berlin E-mail: [email protected] Website: www.messe-berlin.de entrevista Porque as ferrovias crescem Entrevista com Jean-Pierre Loubinoux, diretor geral da UIC Num dos locais mais privilegiados de Paris, ao lado da Torre Eiffel, esquina com o Quai Branly, com ampla vista para o Campo de Marte, fica a sede de uma das mais antigas ONGs do mundo: a União Internacional de Ferrovias, ou UIC, do nome em francês Union Internationale des Chemins de Fer, fundada em 1922. O prédio, de 15 andares, com parque de estacionamento próprio, foi construído sobre um antigo pátio ferroviário da Compagnie des Chemins de Fer de l´Ouest, que abastecia Paris com carvão. Na cobertura do prédio fica a sala do diretor geral, Jean-Pierre Loubinoux, 55 anos, ex-diretor da SNCF, formado em engenharia pela École Centrale, por onde passaram o próprio Gustav Eiffel, Louis Blériot e Francis Bouygues, entre outros. Dali ele coordena a ativa cooperação técnica entre as redes ferroviárias européias, "do Atlântico aos Urais", como dizia De Gaulle, além de dezenas de ferrovias associadas 20 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 em cinco continentes, perfazendo um total de 200 sócios e mais de 1 milhão de quilômetros de linhas. O Brasil e a América do Sul estavam fora da entidade, mas entraram no ano passado e tem hoje um chairman para o continente - Guilherme Quintella - e quatro sócios: ANTT, Rio Trilhos, CPTM e EDLP. Em seu gabinete, falando a Gerson Toller, da Revista Ferroviária, Loubinoux têm uma boa visão do transporte ferroviário no mundo. Dali ele percebe um conjunto de projetos impressionante, a evidenciar a retomada do transporte sobre trilhos em toda parte. Loubinoux calcula que nos próximos 20 ou 30 anos cerca de 1,2 trilhão de dólares será aplicado em ferrovias, tanto em grandes projetos urbanos, como o Crossrail e o Grand Paris, como em corredores transcontinentais e em linhas de alta velocidade, financiadas pelos governos e pela iniciativa privada. Loubinoux é uma das personalidades esperadas para o Rio + 20. Crédito: Divulgação Malgrado e ao mesmo tempo graças à crise, há um número de projetos de desenvolvimento ferroviário muito importante no mundo revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 21 entrevista RF - Fala-se de um renascimento do transporte ferroviário. Faz sentido? Loubinoux - Sim, pelo menos nas intenções. Há três motivos. O primeiro é um tanto paradoxal: a crise financeira torna claro que não há mais recursos, públicos ou privados, para custear projetos de infra-estrutura independentes e concorrenciais, como se fez no século XX. Procura-se assim definir modos de transporte de alta capacidade, econômicos em energia e em espaço, a preços accessíveis, para os clientes e para as comunidades. Ao mesmo tempo, os projetos de desenvolvimento ferroviário mobilizam os governos, porque são criadores de empregos e de dinâmicas econômicas. Por isso, de fato, malgrado e ao mesmo tempo graças à crise, há um número de projetos de desenvolvimento ferroviário muito importante no mundo. São mais de 1,2 bilhão de dólares previstos para os próximos 20 ou 30 anos. Muito bem. O segundo motivo é que a estrada de ferro é reconhecida cada vez mais como um modo de transporte capaz de assegurar um desenvolvimento sustentável. Isso numa época em que tudo o que diz respeito ao meio ambiente é quase prioritário. Não somente nos países desenvolvidos, mas também em desenvolvimento. No Brasil, nos BRICS, fica claro que tudo que protege o meio ambiente tem pertinência e preferência. E a estrada de ferro - e aqui trabalhamos muito para fazê-lo saber e fazê-lo reconhecer - é o modo mais benéfico ao meio ambiente, em termos de consumo de energia, em termos de emissão de CO2, em termos de ocupação de espaço, em termos de emissões sonoras, em termos de contribuição para o equilíbrio social. E isso faz com que hoje, na equação dos grandes fundos de investimento ou dos governos, a estrada de ferro tenha a vantagem. Isso para o segundo motivo. O terceiro é a inovação, a R&D. Percebe-se, no universo das empresas do setor ferroviário, seja entre os fabricantes de equipamento, seja na infra-estrutura, ou mesmo entre os operadoras, que há uma capacidade e um potencial muito fortes para a inovação tecnológica. É fácil ver na alta velocidade, nos trens heavy haul, na automatização. RF - A privatização das ferrovias não seria um quarto motivo para a retomada do setor? Loubinoux - Sem dúvida. É uma tendência que começa a mostrar seus efeitos. No entanto, as PPPs existem há anos, e a dificuldade para aplicação em um projeto ferroviário é justamente a escala do tempo. Quando se trata de investimento do Estado, realizado em função do planejamento territorial, geralmente os horizontes são a longo prazo. Quando o Estado não tem mais dinheiro e recorre aos investidores privados, o que costuma acontecer é que estes utilizam regras de retorno sobre o investimento que são mais rápidas, e que não integram as vantagens sociais e econômicas. A alternativa é fazer esses investimentos em PPP associados a concessões mais longas. Toda a dificuldade que existiu no início das concessões ferroviárias na Grã Bretanha foi porque o período das concessões era muito curto, mesmo para a rentabilidade do material rodante, e naturalmente para a infra-estrutura. Mas veja a duração para a concessão da linha Tours-Bordeaux: o prazo chegou a 50 anos (PPP firmada entre a RFF e o consórcio Vinci, Eurovia, BEC, NGE, TSO, Ineo, Inexia, Arcadis e Egis Rail para a construção e manutenção de 302 km de linha de alta velocidade - NR). RF - O senhor falou de um paradoxo. Como podem as ferrovias, que são mais caras, prevalecer sobre as rodovias em tempo de crise? Loubinoux - Eu falo na escala das gerações. E é verdade que, na crise, o financiamento necessário para obras ferroviárias fica mais difícil, os empréstimos a longo prazo ficam mais caros, mais incertos. Então, em algum momento vai ser preciso perguntar se os governos estão Veja a duração para a concessão da linha Tours-Bordeaux: o prazo chegou a 50 anos 22 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Na França, eu creio que os operadores ferroviários privados representem entre 10 a 15 % do tráfego de carga prontos a se envolver em financiamentos a longo prazo, levando em conta os ganhos para a sociedade, sabendo-se que no setor ferroviário a rentabilidade se mede sobre períodos de 30, 40, 50 anos. Esta é a contrapartida às vantagens de que falamos há pouco. RF - Ainda assim, pode-se dizer que existem hoje no mundo mais projetos ferroviários e metroviários do que no final do século XX, antes da crise? Loubinoux - Sim, indiscutivelmente. Existem os grandes projetos europeus, o Crossrail, o Thames Link, o Tours-Bordeaux, o Reno-Ródano, o projeto Grand Paris. São empreendimentos de grande porte, que estão levando ou levarão uma década ou mais. Há ainda grandes projetos de modernização da infra-estrutura e do equipamento ferroviário na Rússia, em escala russa, que representam sozinhos 300 ou 400 bilhões de dólares, um terço do total mundial, voltados a grandes corredores, à modernização da malha como um todo, ao desenvolvimento do transporte de carga, modernização das estações, locomotivas. Existe na Rússia uma necessidade de salto de performance, e uma decisão de fazer por parte ferrovias russas muito propícias para o setor ferroviário. Há também o caso da China. Sabemos a velocidade com que eles fazem as coisas, o que é fascinante. Não conhecemos os detalhes dos projetos, mas o fato é que hoje eles têm a maior rede de alta velocidade do mundo, quando há 10 anos não tinham nada. Há ainda a Ásia central, que é uma região sobre a qual sabemos menos ainda, mas que é um terreno muito fértil para o que eu chamaria de geopolítica ferroviária. Falo desses corredores norte-sul e leste-oeste, que atravessam a região e que ligam as grandes bacias econômicas.: a Ásia e a Europa, a Rússia e o Oriente Médio, seguindo as rotas das caravanas de séculos atrás, que agora se tornam ferroviárias. Vai haver muito investimento para reconectar todos esses países. Em seguida vêm os emirados e a Arábia Saudita, próximas da Turquia, onde existem importantes projetos de carga e passageiros. E a África do Norte, onde também há projetos importantes em implantação. E depois vem o Brasil, com perto de 10 mil km de linhas carga em desenvolvimento, mais a ligação Rio-São Paulo. Mesmo que o esquema de concessão tenha sido adiado, é um projeto que a presidente Dilma confirmou. Será provavelmente o próximo grande projeto mundial de alta velocidade. E tem ainda os Estados Unidos, onde existe a intenção de favorecer o projeto da Califórnia, o projeto de Chicago e projeto do corredor Nordeste, para ligar Boston a Washington, sobre o corredor já existente. RF - Na Europa existem tais distâncias ferroviárias? Loubinoux - Sim, nos grandes corredores de sete, oito mil quilômetros, que atravessam a Europa, e nos quais o serviço de transporte de carga é absolutamente necessário à dinâmica econômica européia. RF - O senhor poderia dar alguns exemplos? Loubinoux - Por exemplo, o corredor que liga o Mar do Norte ao sul da Europa, à Espanha. Ou o corredor que atravessa os países da Europa Central para alcançar o Mar Negro e a Turquia, essencial para as trocas entre o Leste e o Oeste. Ou ainda o corredor que alcança o Mar Báltico e a Escandinávia. Eu acredito que um dos principais desafios para a ferrovia no século XXI é de materializar os grandes corredores, capazes de massificar os fluxos de carga entre as grandes zonas econômicas, não mais à escala de países, mas de regiões inteiras. E se, no início do século XX, a chave do ferroviário na Europa era desenvolver a interoperabilidade entre dois países vizinhos, hoje é de desenvolver a interoperabilidade em escala continental. E com uma certa complementaridade modal. Com o rodoviário, para a distribuição das mercadorias, e também com o marítimo. Hoje, os grandes armadores preferem utilizar seus navios nos mesmos mares do que passar pelos canais de Suez e do Panamá e atravessar todos os oceanos. Aqui encontramos os grandes corredores que são chamados de land bridges. E que ligam um porto na Ásia ao porto de Sangai, ou um porto no sul da Europa ao um porto no Báltico. revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 23 entrevista Loubinoux - Oh sim, na parte técnica. E não estamos sozinhos. Trabalhamos junto com alguns de nossos membros, que possuem essa escala continental - e o Brasil por seu tamanho teria um papel a cumprir dentro do Mercosul. Mas aqui na Europa a questão principal são as ligações Leste-Oeste. Trabalhamos em parceria com as Nações Unidas, que levam essas questões ao nível de um diálogo com os Estados, os quais identificam as rotas a desenvolver, ou com outras associações, como a OCDE, para tudo que diz respeito ao que eu chamaria a ferroviabilidade administrativa. Que existe também para os outros modos de transporte, e que surge toda vez que há uma fatura ou um bill of lading. A harmonização administrativa desse assunto é totalmente conduzida pela UIC, junto com outras associações, tão bem políticas como administrativas. do mercado está se desenvolvendo. Na França, eu creio que os operadores ferroviários privados representem entre 10 a 15 % do tráfego de carga. Entretanto, esses mesmos operadores - falando de modo geral - se interessam sobretudo pelo tráfego mais rentável. Então, é claro, uma vez que tenham desnatado todo o tráfego mais rentável... Podemos imaginar, simplificando, que se x operadores privados desnatarem y do mercado, que são os nichos mais rentáveis, vão sobrar necessariamente alguns mercados onde os clientes esperam serviço ferroviário. De modo que a perequação entre o que é mais rentável, e que permite ter margens maiores, e os serviços menos rentáveis, fica prejudicada. Prejudicada pela concorrência do mercado de nichos. Ao mesmo tempo, a concorrência é também um fator de dinamismo de produtividade. De modo que é preciso olhar tudo isso com um olhar prudente. RF - Qual é o balanço do ingresso de operadores privados sobre a malha das ferrovias estatais na Europa? Funciona? RF - Quais foram as principais decisões da UIC em sua última assembléia geral, em novembro passado? RF - A UIC atua nesses projetos? Loubinoux - Sim, funciona. Funciona na França, funciona na Alemanha, funciona na Inglaterra, funciona também em outros países. Já que a abertura da rede de carga é hoje efetiva, e que a abertura da rede de passageiros virá progressivamente, começando pelas ligações internacionais. Tudo isso funciona, mas, veja, para sermos pragmáticos, tornar-se um operador ferroviário não é tão simples como tornar-se um operador rodoviário. Primeiro existe um investimento em material, comprado ou alugado, bastante pesado; em seguida há a necessidade de formação de mão de obra em funções bastante complexas, envolvendo uma série de normas de segurança bem específicas; e finalmente, é preciso oferecer um serviço ao cliente capaz de atender a normas contratuais onde o frete ferroviário é parte de toda uma cadeia logística. Dito isto, nota-se que uma parte Loubinoux - Não houve nada de revolucionário. O principal foi a decisão dos associados de reposicionar a Associação, não só como organismo técnico mas também como uma entidade à escala mundial, dotada de legitimidade e de credibilidade mundial, para ajudar no desenvolvimento desses grandes projetos ferroviários. O que implica no reconhecimento da entidade com parceira dos grandes gestores de fundo internacionais, como o Banco Mundial, o Banco Europeu de Desenvolvimento e as Nações Unidas. Este ano de 2012 vamos participar em uma centena de eventos, mas haverá três em destaque: o oitavo Congresso de Alta Velocidade na Filadélfia, a Conferência Mundial de Frete, nessa ótica de intermodalidade, em Tanger, e a presença forte da UIC em eventos relacionados ao meio ambiente, em particular a Rio + 20. Há grandes projetos de modernização da infraestrutura e do equipamento ferroviário na Rússia, em escala russa, que representam sozinhos 300 ou 400 bilhões de dólares 24 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 THE JOURNEY OF A THOUSAND KILOMETERS BEGINS WITH A SINGLE TIE. FOR PEACE OF MIND MAKE SURE, THAT TIE HAS OUR NAME ON IT. America’s railroads look to us for one-of-a-kind quality, service, expertise and innovation. To see what we can do for you, take the first step RAILROAD PRODUCTS AND SERVICES 888.KOP.TIES 888.567.8437 www.koppers.com PAC Governo divulga balanço do 1º ano do PAC 2 País tem 3.071 km de ferrovias em construção. Única obra que preocupa é a Fiol, que se encontra paralisada pelo TCU e pelo Ibama O balanço do 1º ano do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), divulgado pelo Ministério do Planejamento, no dia 7 de março, mostra que o Brasil tem 3.071 km de ferrovias em construção. Segundo o governo, todas as 5 obras em andamento estão dentro do cronograma inicial proposto pelo PAC. A única obra que preocupa é a da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), que segue parcialmente paralisada no trecho Ilhéus-Caetité (BA) e aguardando liberação do TCU e do Ibama no trecho Caetité-Barreiras (BA). O governo estabeleceu metas para que a FIOL cumpra o prazo de conclusão das obras do trecho Ilhéu-Caetité até 2014 e do trecho Caetité-Barreiras até 2015. Para isso a Valec deve firmar um novo termo de compromisso com o Ibama, visando à liberação da obra do trecho Ilhéus-Caetité e concluir o Projeto Executivo até 30/03/2012; realizar 8% das obras dos lotes 1 a 4 até 30/04/2012; apresentar resposta ao TCU até 31/03/2012; conseguir licença ambiental para os lotes 5 a 7 até 20/06/2012; concluir Projeto Executivo até 31/03/2012 e iniciar as obras do trecho Caetité-Barreiras até 20/07/2012. O balanço indica também que em dezembro de 2011 foi concluído mais um lote de 71 km, do trecho sul da Ferrovia Norte-Sul, entre os pátios de Santa Isabel e de Jaraguá, no trecho de Uruaçu (GO) a Anápolis (GO), que já tem 98% das obras executadas. O trecho de Palmas (TO) a Uruaçu já tem 91% executados. Outros 3.071 km de ferrovias têm obras em andamento: são mais 1.298 km da Norte-Sul, 874 km da Nova Transnordestina e 260 km da Ferronorte. (veja na tabela) O Governo também divulgou novas datas para publicação do edital e licitação para o Trem de Alta Velocidade (TAV), que ligará Rio de Janeiro-SãoPaulo-Campinas. O edital deverá ser publicado até o dia 15 de junho, para que o leilão da primeira fase - que compreende a escolha da tecnologia e do responsável pela montagem da superestrutura, operação e manutenção do sistema - seja realizado até dia 31 de novembro. PAC 2 - Balanço Geral O primeiro ano do PAC 2 teve um alto volume de execução e de obras concluídas: foram R$ 204,4 bilhões executados, o que representa 21% do previsto para o período 2011-2014, que é de R$ 955 bilhões. O valor total das ações do PAC 2 concluídas é de R$ 142,8 bilhões. Desse total, R$ 127 bilhões foram realizados em 2011, o que representa 17,9% do previsto concluir até 2014 (R$ 708 bilhões). Obras em Andamento Projeto Ferrovia NorteSul - Trecho Sul Km em Trecho obras Palmas(TO)-Uruaçu(GO) 457 Uruaçu-Anápolis (GO) 159 Anápolis(GO)-Estrela d’Oeste(SP) 682 Salgueiro(PE)-Suape(PE) 306 Pecém(CE)-Missão Velha(CE) Alto Araguaia(MT)-Rondonópolis (MT) Araraquara(SP) e São Francisco do Sul(SC) Ilhéus(BA)-Caetité(BA) 50 260 97,5% infraestrutura e 81,5% superestrutura 30/12/2012 44 62 não informado 537 5,8% do físico 30/06/2014 485 0% - suspenso pelo TCU 23/12/2015 Salgueiro(PE)-Trindade(PE) Nova Transnordestina Eliseu Martins(PI)-Trindade(PE) Caetité(BA)-Barreiras(BA) 96 163 259 *Data para a conclusão de todos os 1.728 km da Nova Transnordestina Fonte: Ministério do Planejamento 26 Previsão de conclusão 20/07/2012 20/07/2012 30/06/2014 91 98 15 99% infraestrutura, 61% obras de arte especiais e 15% superestrutura 94% infraestrutura, 61% obras de arte especiais e 15% superestrutura 37% infraestrutura e 25% obras de arte especiais 47% infraestrutura, 38% obras de arte especiais e 6% superestrutura 4% infraestrutura e 1% obras de arte especiais Missão Velha(CE)-Salgueiro(PE) Extensão da Ferronorte Contonos Ferroviários Ferrovia de Integração Oeste-Leste Status da obra (% concluído) revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 31/03/2012 30/12/2014* 30/12/2014* 30/12/2014* 30/12/2014* ferroviário do ano Homenagem aos melhores Crédito: © Ezyê Moleda Desde 1989 o Prêmio Revista Ferroviária homenageia quem mais fez pelo setor metroferroviário ao longo do ano anterior A mais importante homenagem do Prêmio Revista Ferroviária, o Ferroviário do Ano premia a figura que mais fez pelo setor metroferroviário no ano anterior. A homenagem está presente desde 1989, quando o prêmio foi instituído. Já foram agraciados com o prêmio o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador de São Paulo e ex-ministro da Saúde, José Serra, os empresários Olacyr de Moraes e Antonio Ermírio de Moraes, entre outras autoridades da área política e empresarial. A escolha é feita pelo Conselho editorial da Revista Ferroviária, que nesta edição é formado por: Agenor Marinho, diretor geral da CAF; Alexander Ellwanger, diretor da IAT; Antonio Ismael Ballan, diretor de logística da Caramuru Alimentos; Celso Santa Catarina, diretor industrial de tecnologia da Randon; Guilherme Quintella, presidente da EDLP; Henrique Aché, conselheiro da MRS; José Antonio Martins, presidente do Simefre; José Geraldo Baião, presidente da AEAMESP; Gerson Toller Gomes, diretor executivo da Revista Ferroviária; Julio Fontana, presidente da Rumo Logística; Paulo Alvarenga, diretor de transporte da Siemens; Ramon Fondevila, diretor geral da Alstom Transporte; e Ricardo Chuahy, presidente da AmstedMaxion. O Ferroviário do Ano recebe um diploma e um troféu dourado (meia roda ferroviária sobre base de granito), em solenidade realizada sempre no primeiro trimestre do ano 28 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 seguinte. Os demais premiados recebem troféus prateados. Os prêmios são entregues por autoridades convidadas para a ocasião durante um jantar por adesão, realizado no início do ano. A distribuição do Prêmio Revista Ferroviária representa o grande encontro social do transporte metroferroviário no Brasil. O último Ferroviário do Ano foi Bernardo Figueiredo, então diretor-geral da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT), que em seu discurso destacou a importância do prêmio para valorizar o trabalho feito em prol das ferrovias. "A importância deste prêmio é incontestável e reflete como o conselho responsável pelo processo de escolha percebe a atuação dos agraciados. A representatividade deste conselho legitima a valorização de nosso trabalho e permite o afloramento de nossa vaidade. Esta dimensão pública do prêmio é a que vai para o registro da história, que serve para animação das estórias e para inspiração das crônicas”, afirmou. Este ano, o homenageado é Marcos Lutz, presidente da Cosan. Foi na gestão de Lutz que a companhia fechou o acordo com a ALL para o transporte de 9 milhões de toneladas de açúcar por ano, entre o interior de São Paulo e o porto de Santos. O projeto envolveu o investimento de R$ 1,1 bilhão na compra de 729 vagões e 50 locomotivas, melhorias e duplicação da via. Marcos Lutz: visão, coragem e amor pela ferrovia Presidente da Cosan é escolhido Ferroviário do Ano pelo conselho editorial da RF Crédito: Divulgação O Ferroviário do Ano de 2011 é um jovem executivo, 42 anos, neto de ferroviário (o avô, general Euclides Marinho Lutz, chefiou a construção da EF Noroeste do Brasil na década de 40) e formado em Engenharia Naval pela USP. Seu primeiro chefe, Guilherme Quintella, então diretor da Comercial Quintella, operadora hidroviária no Tietê, toda vez que procurava pelo estagiário Marcos - admitido por causa do curso de engenharia naval - não o encontrava onde deveria estar ( na hidrovia), mas nas locomotivas da empresa, subindo e descendo a serra de Santos. Da Comercial Quintella, Marcos passou para outra empresa de logística, a Ultracargo, onde ficou por nove anos, entre 1994 e 2003, com exceção dos três anos em que foi fazer um MBA em Marketing, Operações e Logística na Kellogg School of Management, da Northwestern University, perto de Chicago – uma das principais escolas de estratégia empresarial dos EUA. A Northwestern abriga o Transportation Center, respeitado núcleo de pesquisa em transporte. Na Ultracargo Marcos chegou a diretor de Operações, e em 2003 foi ser diretor executivo de Infraestrutura e Energia da CSN. Ali realizou seu primeiro grande projeto, que foi transformar a CSN de usina siderúrgica para usina siderúrgica + a segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil, atrás da Vale. Enquanto Benjamin Steinbruch ganhava no CADE o direito de exportar livremente o seu minério, Marcos investia US$ 200 milhões na construção de um terminal de minério em Sepetiba, com pera ferroviária, virador de vagões e pátio de estocagem de minério, e na compra de 700 vagões e 40 locomotivas. Foi, em 2004, Marcos Lutz a maior encomenda feita por um cliente à indústria ferroviária. O projeto de Casa de Pedra, iniciado em 2005, dobraria o valor da CSN ao posicionar a empresa em um mercado que aumentava seus preços em grandes degraus, como aconteceu até a crise de 2008, e como voltaria a acontecer mais tarde. Em janeiro de 2007 Marcos deixou a CSN para cumprir seu segundo e maior desafio: dirigir as operações comerciais da Cosan, um vasto complexo de 23 usinas de açúcar e de álcool, 1.700 postos de gasolina e capacidade de embarque anual de 10 milhões de toneladas. Na Cosan ele concebeu, montou e pôs para funcionar o projeto de captação de açúcar em dezenas de usinas do oeste de São Paulo, e o seu encaminhamento para o Porto de Santos, por ferrovia. Para tanto, reuniu em torno de si um time da melhor qualidade: Guilherme Quintella, da EDLP, seu ex-chefe; Eduardo Peleissonse, da ALL; e Julio Fontana, ex-MRS. Com este time, comprou 50 locomotivas e 739 vagões, construiu uma pera ferroviária em Itirapina com três linhas, está construindo uma cobertura para permitir carrregamento de navios com chuva e vai duplicar 1.809 km da ALL no planalto paulista. E no ano passado conseguiu fazer com que 50% do açúcar exportado chegasse a Santos de trem. Além do ganho na competitividade do produto, que não espera mais embarque em longas filas de caminhões, a transferência para a ferrovia gerou um ganho incalculável para a sociedade: a eliminação de mil viagens de caminhões por dia - que serão duas mil na finalização do projeto - da serra de Santos e das estradas do interior paulista. O que já aconteceu com a soja, que hoje segue quase toda de trem para o porto, vai dentro de três anos acontecer com o açúcar. Mas Marcos não vai parar aí. A sua recente proposta de compra da maioria das ações do grupo de controle da ALL - que significa na verdade assumir a gestão de uma ferrovia com 22 mil km de malha - encerra promessas que só ele enxerga, e que poucos como ele serão capazes de realizar. Por tudo isso, pelo que fez até hoje, e pelo que certamente ainda fará em favor do transporte ferroviário, Marcos Marinho Lutz bem merece o título que o Conselho Editorial da Revista Ferroviária lhe concede, de Ferroviário do Ano de 2011. revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 29 ferroviário do ano Ferroviários de todos os tempos Galeria de fotos dos Ferroviários do Ano desde a criação do Prêmio Revista Ferroviária, em 1989 1989 1990 Guilherme Rehder Quintella, diretor da Cultrale-Quintella Comércio e Exportação 1991 Albuíno Cunha de Azeredo, governador do Espírito Santo Foto Sheyla Leal Olacyr de Moraes, presidente do Grupo Itamaraty 1992 Joaquim Roriz, governador do Distrito Federal 1995 Marcello Alencar, governador do Rio de Janeiro 1998 Mário Covas, governador de São Paulo 30 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 1993 Isaac Popoutchi, presidente da CBTU 1996 Fernando Henrique Cardoso, presidente da República 1999 Fernando Perrone, diretor de infraestrutura do BNDES 1994 Guilherme Frering, presidente da MBR 1997 Benjamin Steinbruch, presidente da CVRD 2000 João Gouveia, presidente da Ferroban 2001 2002 Oliver Hossepian, presidente da CPTM Antônio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim 2004 2005 Alexandre Behring, presidente do Conselho de Administração da ALL Julio Fontana, presidente da MRS Logística 2007 2008 Os Ferroviários do Ano são escolhidos diretamente pelo Conselho Editorial da Revista Ferroviária com base em realizações efetivas do ano que passou. Não é um prêmio político e sim um reconhecimento pelo trabalho realizado. São clientes, fornecedores, ferroviários, metroviários e autoridades sem os quais o transporte ferroviário no Brasil não seria o que é hoje. Bernardo Hees, presidente da ALL Roger Agnelli, presidente da CVRD 2006 Ivoncy Ioschpe, presidente do Conselho da Iochpe-Maxion 2009 Paulo Sérgio Passos, secretário executivo do Ministério dos Transportes Foto Ed Viggiani José Serra, governador de São Paulo 2003 2010 Bernardo Figueiredo, diretor geral da ANTT 2011 Marcos Lutz, presidente da Cosan revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 31 artigo Os desafios da mobilidade Jurandir Fernandes, secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos de São Paulo 32 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Crédito: Camila Fontana A Região Metropolitana de São Paulo conta com mais de 20 milhões de habitantes que têm diversos desejos de viagem e usam o transporte público para se deslocar nesta megalópole. A rede de transporte sobre trilhos, formada pela CPTM e pelo Metrô, conta hoje com cerca 335 quilômetros, e é responsável pelo ir e vir de mais de sete milhões de passageiros. Para chegarmos a essa marca, enfrentamos muitos desafios. O primeiro, na década de 1990, foi recuperar e modernizar a CPTM, para alcançar um patamar tecnológico que a tornasse capaz de se integrar com as linhas metroviárias. Herdamos um sistema de 270 km de trilhos de diversas empresas ferroviárias, com estações, composições e infraestrutura antigas. Após investimento de R$ 8,8 bilhões nos últimos 20 anos, a CPTM ganhou outra cara. Compramos 149 trens, modernizamos um terço das estações antigas e entregamos outras novas, além de passarelas e serviços. Essas intervenções permitiram a redução drástica no intervalo médio entre trens para quatro minutos - antes era de 10 a 12 minutos, nos horários de maior demanda e a ampliação da oferta de lugares. Outro ganho foi a implementação de medidas de política tarifária que permitem a transferência livre entre trens e metrô e a integração desses aos ônibus da capital a preços reduzidos. Hoje, está em implantação a integração entre trem, metrô e ônibus intermunicipais através do BOM Bilhete de Ônibus Metropolitano. Para ampliar a rede, outro desafio foi lançar e implantar o primeiro empreendimento do país com participação da iniciativa privada: a Parceria Público-Privada (PPP) da Linha 4-Amarela, de metrô. Em 2011, entregamos a primeira fase desta linha, fazendo a ligação da região Butantã à Luz. Hoje, a linha transporta 560 mil passageiros por dia, além de reduzir em 20% o fluxo de passageiros das estações Sé e Paraíso. Nos próximos quatro anos, de acordo com o Plano Plurianual do Estado, o investimento poderá chegar a R$ 45 bilhões. Entre as metas está a implantação de mais 30 quilômetros de linhas de metrô, ultrapassando 100 quilômetros de rede. No Metrô, estamos realizando, simultaneamente, expan- Jurandir Fernandes são em quatro linhas: a extensão da Linha 5-Lilás entre as estações Largo Treze e Adolfo Pinheiro; o prolongamento da Linha 2-Verde, em monotrilho, de Vila Prudente a Cidade Tiradentes; a segunda fase da Linha 4-Amarela e a implantação da Linha 17-Ouro, que passará pelo aeroporto de Congonhas chegando à estação Morumbi, da CPTM. Na ampliação do Metrô, estamos inovando mais uma vez. Em dois prolongamentos de linhas usaremos o sistema de monotrilho já utilizado em países como a China, Estados Unidos, Japão, Austrália, Malásia e Dubai. Na CPTM, teremos a compra de mais trens e a ampliação da rede com a implantação de novas linhas, como as dos expressos ABC e Guarulhos, dos trens regionais e a extensão do Expresso Leste até Suzano, da Linha 9-Esmeralda até Varginha e da Linha 8-Diamante até Amador Bueno. Lembro que toda essa rede metroferroviária não irá, por si só, resolver a mobilidade da capital. Especialistas do setor sabem que quando se oferece um transporte de qualidade, usuários não habituais migram para o sistema. Daí a necessidade da existência de outras políticas públicas dos municípios na criação de corredores de ônibus e de polos de serviços próximos dos bairros, desfocando as regiões centrais como destinos de muitos moradores, diminuindo o número e a distância das viagens pendulares. Esse será mais um desafio para os próximos anos. FRAS-LE. TECNOLOGIA PARA TRILHAR O CAMINHO DA EVOLUÇÃO. Pesquisa e Desenvolvimento Flexibilidade s Mais de meio século de experiência Tecnologia Solidez Satisfação Excelência Compromisso Soluções Personalizadas laborat Os mais modernos laboratórios da América Latina Segurança Qualidade Na hora de parar milhares de toneladas, eficiência é fundamental. Por isso a Fras-le utiliza modernas tecnologias no desenvolvimento e fabricação de soluções para o controle de movimentos. No segmento metroferroviário a Fras-le é a única empresa privada do país a testar as sapatas ferroviárias em escala real 1:1 nas suas próprias instalações. Através de um dinamômetro inercial, são simuladas condições reais de aplicação, assegurando resultados mais eficientes e produtos mais duráveis. Por estar sempre à frente, a Fras-le segue trilhando o caminho do sucesso. mulheres na ferrovia Mulheres de poder O Brasil conta hoje com sete diretoras nas operadoras ferroviárias, mostrando que o setor - antes predominantemente masculino - começa a mudar de cara Mariana Agunzi e Mariana Neves H istoricamente, as ferrovias são dirigidas por homens, e boa parte do quadro de funcionários é composto pelo público masculino. Mas, nos últimos anos, essa situação começou a mudar. Não só por conta do renascimento do setor, que estimula que jovens e novos profissionais ingressem na área, mas também porque as mulheres estão se destacando na gestão e operação das empresas. Segundo uma pesquisa realizada pela empresa multinacional de recrutamento Michael Page, a participação da mulher em cargos de liderança no Brasil subiu de 6% para 14% entre 2001 e 2011. As áreas de marketing e RH ainda são as que mais apresentam mulheres em cargos de direção e gerência, porém, outros setores, como o de finanças, surpreendem com até 40% de mulheres nas vagas de mais alto patamar. As áreas de logística e engenharia contam com 21% e 27% de funcionárias, respectivamente. No setor ferroviário não poderia ser diferente. É cada vez mais comum ver mulheres em vagas antes predominantemente masculinas, atuando em campo como maquinistas, operadoras de trens, na área de manutenção e em oficinas. Nos cargos de alto escalão a mudança também é sentida - se antes os chefões das ferrovias eram sempre homens, hoje o grupo feminino dá as caras nas ferrovias. Atualmente, as operadoras de carga do Brasil contam com quatro mulheres em cargos de diretoria - Elvira Cavalcanti e Fabrícia Souza, da MRS; Vania Somavilla, da Vale; e Melissa Werneck, da ALL. As operadoras de passageiros possuem três executivas: Francisca Maia, do Metrofor; Keila Lomanto, da CTS; e Francisca Romana, do Metrô de Teresina. Confira abaixo a história de cada uma dessas mulheres de poder na ferrovia. 34 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Elvira Cavalcanti, diretora de Finanças da MRS Há um ano e meio, a vida da administradora de empresas Elvira Cavalcanti tem se dividido no eixo Rio-São Paulo-Juiz de Fora. A correria semanal se deve à vida profissional e pessoal da executiva que ocupa o cargo de diretora de Finanças na MRS Logística. Ela trabalha no escritório da concessionária no Rio de Janeiro e uma vez por semana vai a Juiz de Fora (MG) na sede da empresa. As idas e vindas a São Paulo também são frequentes, já que o marido vive na capital paulista e a agenda profissional da executiva também exige. Ela foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na diretoria da MRS e diz que não teve dificuldades ao assumir o cargo, já que o mercado está cada vez mais aberto a participação feminina. “Hoje, as empresas, de fato, estão valorizando a competência, independente de ser homem ou mulher. Na MRS, temos algumas gerentes gerais e essa convivência entre homem e mulher diversifica, traz um olhar diferente”, explica a diretora. Quando começou a trabalhar nos setor - em 2002, na ALL - Elvira não conhecia nada de ferrovias e foi entendendo aos poucos. Hoje, faz visitas a campo e conhece melhor as operações da concessionária. “Precisamos entender do negócio e tem que ir a campo. E surge a necessidade até por conta das operações de financiamento. É comum os bancos quererem conhecer operação. Preciso entender para apresentar e explicar os projetos”. “O maior desafio tem sido ajudar a estruturar melhor os processos da empresa para que a gente cresça de maneira organizada. E o outro desafio é o financiamento para o crescimento, com fluxo de caixa bem organizado, falar com credores, mostrar os investimentos, onde vamos crescer, quais são os projetos de cliente. Esse é um grande desafio!”. A área de logística não é um mercado novo para a exe- Crédito: Cristine Barreto Elvira Cavalcanti e Fabrícia Souza: duas mulheres entre seis diretores na MRS cutiva de 43 anos. Ela iniciou sua carreira em 1990 como trainee na Brahma (atualmente AmBev), onde trabalhou por quase 10 anos - em Recife e São Paulo. Em 2000, mudou-se para Brasília, onde trabalhou na Americel (atualmente Claro), operadora de celular. Dois anos depois foi para a América Latina Logística (ALL), em Curitiba (PR), para gerenciar as áreas de Suprimentos, Capital de Giro e Orçamento. Em 2004, assumiu a diretoria Financeira da ALL Argentina, em Buenos Aires. Voltou ao Brasil em 2006 para trabalhar Light, concessionária de energia elétrica do Rio de Janeiro. Fabrícia Souza, diretora de Desenvolvimento da MRS A engenheira civil Fabrícia Souza é a mais recente diretora do setor ferroviário. Ela assumiu a diretora de Desenvolvimento da MRS Logística em janeiro deste ano, no lugar de Henrique Aché. Antes, era gerente-geral de Planejamento Estratégico e também passou pela gerência geral de Soluções Logísticas e Inteligência de Mercado, quando ingressou na concessionária em junho de 2006. Com quase seis anos de empresa, Fabrícia conhece bem as operações da MRS - ela trabalhou durante oito anos na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e acom- panhava as operações com a concessionária. A executiva tem uma longa experiência na área logística e brinca: “Capacete e botina são a coisa mais natural para mim”. Na CSN, Fabrícia exerceu as funções de assessora da diretoria de minério de ferro; gerente-geral e coordenadora de vendas e planejamento do terminal de carvão do porto de Sepetiba (RJ); e supervisora de operações no porto do Rio de Janeiro. Durante este período, atuou em negociações sindicais e foi presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Município de Itaguaí; conselheira titular do Conselho de Autoridade Portuária do porto de Sepetiba e diretora-executiva do Órgão Gestor de Mão-de-Obra do Estado do Rio de Janeiro. Ela explica que sempre lidou com o universo masculino e nunca teve problemas. “Às vezes você até percebe certo espanto. Agora menos, no início da carreira era mais. Imagina uma reunião de estivadores e a presidente do sindicato ser mulher? No meio ferroviário, a surpresa é menor”. Aos 39 anos, Fabrícia tem dois filhos - uma menina de 7 anos e um garoto de 3 anos - e quando não está no trabalho aproveita para brincar e passear com as crianças. Como viaja com freqüência, ela programa sua semana e concilia bem seu tempo com o trabalho e a família. Continua revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 35 mulheres na ferrovia Vania Somavilla, diretora de RH, Saúde & Segurança, Sustentabilidade e Energia da Vale Melissa Werneck, diretora de Gente da ALL A área de logística também sempre fez parte da vida de Melissa Werneck, diretora de Gente da ALL. Graduada em engenharia química e com mestrado em administração de empresas, com ênfase em logística, Melissa começou a trabalhar na ALL em 1999, como analista de operações logísticas. De lá para cá, a atual diretora de Gente passou pelas gerências de gente e gestão, marketing, projetos logísticos e inteligência de mercado; e pela unidade de negócios da empresa para o Mercosul. Sua experiência inclui ainda a área de logística da Ambev. Crédito: Divulgação Crédito: Agência Vale Vania Somavilla é a única diretora mulher de uma Ltda. (atual Vale Óleo e Gás S.A.). das maiores mineradoras do mundo e uma das princiEla também foi coordenadora de Desenvolvimento de pais empresas do Brasil, a Vale. Novos Negócios de Geração de Formada em engenharia civil, a Energia e Projetos de Geração executiva entrou na companhia e Acompanhamento de Implanem 2001 para exercer o cargo de tação de Usinas Hidrelétricas gerente-geral de Planejamento de Pequeno e Grande Porte na de Comercialização de Energia Companhia Energética de Mie, hoje, é diretora-executiva de nas Gerais (CEMIG) e membro Recursos Humanos, Saúde & do conselho de administração Segurança, Sustentabilidade e da Vale Soluções Energia S.A. Energia. (VSE) e membro suplente do Ao longo de 11 anos na comconselho de administração da panhia, Vania passou pelos carUltrafértil S.A. gos de diretora do Departamento Atualmente, é diretora-preside Meio Ambiente e Desenvoldente de entidades que desenvimento Sustentável, diretora do volvem atividades na área de Departamento de Energia, diremeio ambiente, como Vale Flotora-presidente da Vale Energia restar S.A., Instituto Ambiental S.A. e diretora-presidente da PeVale e Associação Vale para o troleum Geoscience Technology Engenharia civil, Vania já passou por quatro diretorias Desenvolvimento Sustentável. Desde 1999 na empresa, Melissa sempre trabalhou com logística Continua 36 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 mulheres na ferrovia Francisca Maia, diretora de Gestão Empresarial do Metrofor Crédito: Divulgação A entrada de Francisca Maia - ou Cissa, como raramente volta atrás em uma decisão”, afirma é carinhosamente chamada - na diretoria da a metroviária, que é mãe mais de dois filhos e Companhia Cearense de Transportes Metropoli- casada com um psicanalista. Para Cissa Maia, a participação cada vez tanos (Metrofor) não poderia ter sido mais emblemática. Afinal, Cissa foi nomeada diretora de maior das mulheres em cargos de gerência é Gestão Empresarial da companhia no dia 08 de substancial para o desenvolvimento do país. “É março de 2010, data em que se comemora o dia muito bom ter uma presidenta e ver mulheres no internacional da mulher. A nomeação teve direito comando, em locais que possam mostrar seu taaté a rosas vermelhas para comemorar a entrada lento e contribuição para o crescimento do Brasil”. Quanto à sua gestão no metrô de Fortaleza, da primeira mulher na diretoria da empresa. Formada em Ciências Sociais e cursando pós- a diretora não titubeia: “Tenho muito orgulho de -graduação em Trânsito e Transporte, Cissa está trabalhar nesse segmento. Sou uma militante da há cinco anos no metrô, onde entrou como ge- causa do transporte público de qualidade”. rente de Recursos Humanos. Após três anos no cargo, assumiu a diretoria de Gestão Empresarial. “Meu interesse por transporte sempre foi voltado para o lado social. Por isso cogitaram meu nome, pois eu poderia mexer com a comunidade, educar as pessoas no sentido de cuidar do patrimônio público”, afirma. Antes do Metrofor, a cearense nunca havia trabalhado no setor metroferroviário, o que, segundo ela, não foi um empecilho. “A ferrovia apaixona a gente. Entrei de coração e tenho muito amor por isso”. Mesmo sendo a única mulher na diretoria da companhia, e dentro de um setor que é composto em sua maioria por homens e engenheiros, Cissa diz não ter problemas no dia a dia com os demais diretores. Pelo contrário - para ela, o ‘toque feminino’ ajuda. “Eles dizem que, com a minha presença aqui, a coisa ficou mais tranquila. E a mulher é forte na hora de resolver um problema, então Cissa foi nomeada diretora no dia internacional da mulher Continua 38 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 mulheres na ferrovia A administradora de empresas Keila Lomanto trabalhava na secretaria de Indústria e Comércio de Salvador quando foi convidada pelo prefeito João Henrique Carneiro, em 2007, para integrar o corpo de funcionários da Companhia de Transporte de Salvador (CTS). Até então, ela nunca havia trabalhado com transportes. “Eu não conhecia, então o meu maior desafio era dominar o assunto ferrovias”, afirma Keila, que é diretora de Estações da companhia. Desde então, a baiana natural de Feira de Santana é responsável por uma equipe de quase 270 pessoas, entre funcionários da limpeza, bilheteria e vigilância das dez estações do sistema de trens - e também coordenará essas equipes nas quatro estações do metrô, que está sendo implantado na cidade. “Não tenho problemas com o número de funcionários. A maior dificuldade mesmo é a burocracia do serviço público”, relata Keila. “Mas peguei o timing das coisas acontecerem”. Entre os desafios da diretora - que é mãe de dois filhos, casada com um engenheiro agrônomo e não abre mão de ler sempre um bom livro - está realizar um trabalho educativo para conscientizar os usuários do transporte ferroviário de Salvador da necessidade de preservar o sistema. Desafio esse que Keila encara de forma muito positiva. “A mulher tem maior facilidade em se relacionar, pela sua percepção sobre o que acontece ao seu redor. Esta sensibilidade é uma vantagem na resolução de vários problemas”. A diretora de Estações da CTS ressalta que nunca teve problemas com os demais diretores da companhia ou para tomar decisões, e acredita não haver mais essa diferenciação entre homens e mulheres em cargos de chefia. “Nossos funcionários são reconhecidos por seu trabalho e experiência. O profissional não tem sexo, cor, e “O profissional não tem sexo, cor, e sim sim competência”. competência”, afirma Keila Lomanto Francisca Romana, diretora financeira do Metrô de Teresina Crédito: Divulgação Trabalhando desde 2005 no Metrô de Teresina, a admi- ção de serviços sociais em Parnaíba, também no Piauí. Por nistradora Francisca Romana não tem medo de colocar a isso, atuar nas ferrovias foi uma novidade. “O setor foi mão na massa. Atual diretora financeira da empresa, ela é uma coisa nova, inclusive pelo fato de ser constituído em a única mulher na diretoria do metrô, e nem por isso deixa sua maioria por homens engenheiros. Pensei - ‘será que de acompanhar os colegas a camvai dar certo?’. Mas meus colegas po. “Às vezes faço visitas às obras, me apoiaram e cresci muito com acompanho o pessoal do Ministério eles”, afirma. Coordenando em torno de 30 dos Transportes, vou à construção funcionários, a diretora afirma das estações. É natural”, afirma Roque nunca teve problemas em demana, que é mãe de duas filhas e calegar funções por ser mulher. “O sada com um comerciante. maior problema que eu tenho é Quando entrou no Metrô de Teque o serviço público não aceiresina, há sete anos, Francisca asta muitas mudanças”, ressalta. E sumiu a diretoria administrativoquanto à maior participação das -financeira, que posteriormente foi mulheres no setor ferroviário e em desmembrada em uma diretoria adcargos de alto escalão, Francisca é ministrativa e outra financeira - pela enfática: “Todos têm capacidade, qual ela ficou responsável. Antes, independente do sexo. Essa contrabalhou no gabinete da vice-precepção já mudou”. feitura de Teresina e na coordenaPara Romana, o setor ferroviário foi um desafio 40 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Crédito: Divulgação Keila Lomanto, diretora de Estações da Companhia de Transporte de Salvador (CTS) investimentos carga Vale e MRS lideram investimentos Ferrovias brasileiras de carga devem investir R$ 6,6 bilhões em 2012. Maior aporte será feito pela Vale, com R$ 2,9 bilhões A Obras de duplicação da EFC estão entre os investimentos da Vale para 2012 42 A Transnordestina Logística investirá R$ 1,4 bilhão durante este ano. Para a malha atual, que passa por sete estados do nordeste brasileiro, serão destinados R$ 120 milhões para revitalização de locomotivas, vagões e via permanente, aquisição de máquinas de via de pequeno porte e construção de autos de linha. Já o projeto da Nova Transnordestina deve receber R$ 1,3 bilhão, que serão aplicados na implantação da infraestrutura e superestrutura nos estados do Piauí, Pernambuco e Ceará. Os investimentos da América Latina Logística (ALL) são de R$ 810 milhões. Serão destinados R$ 650 milhões para manutenção e expansão, com boa parte do recurso para tecnologia, e outros R$ 160 milhões no projeto Rondonópolis, que são as obras da Ferronorte, no Centro-Oeste brasileiro. Já a Ferrovia Tereza Cristina (FTC) estima investir neste ano cerca de R$ 3,2 milhões em segurança, tecnologia revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 da informação, telecomunicações e revisão total de via permanente, com serviços de infra e superestrutura. A MRS Logística prevê investir, em 2012, R$ 1,5 bilhão, contra os R$ 1,2 bilhão que foram efetivamente aplicados no ano anterior. A empresa tem em andamento três importantes projetos - a implantação do novo sistema de sinalização da malha, a segregação da linha da CPTM, em São Paulo, e a ampliação da capacidade da cremalheira da Serra do Mar, também em São Paulo. As demais ferrovias brasileiras não informaram seus planos de investimentos para 2012. Empresa ALL FTC MRS Logística Transnordestina Vale* Total Transnordestina investirá R$ 1,3 bilhão nas obras da nova ferrovia Valor (R$ milhões) 810,0 3,2 1.500,0 1.420,0 2.900,0 6.633,2 * Compreende investimentos em terminais pela EFC, EFVM e FCA Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação Crédito: Cristiano Oliveira s ferrovias brasileiras devem investir ao longo deste ano cerca de R$ 6,6 bilhões. O montante será alocado em projetos de expansão, manutenção, melhorias nas vias e novas tecnologias. O maior investimento será feito pela Vale. Para 2012, a empresa estima aplicar cerca de R$ 2,9 bilhões em projetos logísticos que envolvem ferrovia. O montante englobará o projeto de ampliação da capacidade do Sistema Norte, no Pará e Maranhão, com R$ 1,5 bilhão, que inclui a construção do quarto píer do terminal marítimo de Ponta da Madeira e o aumento da capacidade da Estrada de Ferro Carajás (EFC), com as obras de duplicação da linha. Cerca de R$ 1,4 bilhão irá para o projeto minério de ferro de Serra Sul, no Pará, que inclui um ramal ferroviário de 100 km. A Vale não especifica seus investimentos por ferrovia e sim por projetos logísticos. FTC fará revisão total da via permanente neste ano eixos Leves e resistentes Crédito: Thiago Fernandes Eixos tubulares são até 40% mais leves que os tradicionais maciços, com a mesma resistência e durabilidade. A tecnologia é inédita e está sendo usada na EFC e EFVM Os eixos tubulares são sem costura e até 40% mais leves que os maciços A V&M do Brasil, fabricante de tubos de aço sem costura, forneceu para a Vale cerca de 500 eixos tubulares, que estão sendo utilizados na Estrada de Ferro Carajás (EFC) e na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). O equipamento foi testa- do pela operadora entre 2007 e 2009 e passou a ser usado regularmente em 2010, em vagões GDT - mas também podem ser acoplados nos vagões GDU, com capacidade para transportar 37,5 toneladas. Os eixos, desenvolvidos para aplicação em vagões de Desenvolvimento de Eixos Tubulares - V&M do Brasil Bitola (distância entre trilhos) Eixo maciço equivalente* Peso maciço Peso tubular Redução de peso por eixo Redução de peso por vagão** F 6 ½” x 12” 590 kg 380 kg 210 kg 840 kg Larga (1,60 m) K E 6 ½” x 9” 6” x 11” 550 kg 470 kg 360 kg 340 kg 190 kg 130 kg 760 kg 520 kg *Conforme especificação M 101 da AAR (Association of American Railroads) ** Considerando vagão de 4 eixos Fonte: V&M do Brasil 44 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 G 7” x 12” 730 kg 460 kg 270 kg 1080 kg Estreita (1,00 m) K E 6 ½” x 9” 6” x 11” 420 kg 400 kg 270 kg 250 kg 150 kg 160 kg 600 kg 640 kg Crédito: Divulgação transporte de carga, não têm costura e são até 40% mais leves que os maciços. Produzidos com um aço especial, possuem características particulares de dureza e são utilizados nos mesmos tipos de rolamentos e rodas que os tradicionais, podendo reduzir o peso total do vagão em até uma tonelada (conforme tabela). De acordo com o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da V&M do Brasil, Ronaldo Antunes, a tecnologia é inédita no mundo. Por serem mais leves, esses eixos geram economia de combustível e aumento da capacidade de carga do vagão. "É uma opção para transformar esse peso em carga útil", afirma Antunes. Ele explica que o produto tem ainda a vantagem de permitir que as inspeções de manutenção sejam feitas de dentro para fora, com melhores resultados. "A sonda de Formato do eixo permite inspeções internas de manutenção inspeção pode entrar no equipamento, principalmente nas extremidades, onde estão os rolamentos". A empresa está negociando para fornecer a tecnologia a outras ferrovias brasileiras, mas ainda não fechou nenhum contrato. A V&M do Brasil faz parte do grupo francês Vallourec. opinião Na ferrovia como na rodovia DIVULGAÇÃO Gerson Toller diretor-executivo da Revista Ferroviária A inda vai levar algum tempo, mas dentro de um ano, mais ou menos, deve estar tomando forma a regulamentação do Open Access (Acesso Livre) no Brasil. Consiste em abrir as linhas de carga a qualquer empresa, concessionária ou não, que disponha de equipamento, pessoal qualificado e dinheiro para alugar faixas horárias para operar seus trens. O assunto já vem sendo discutido desde que Bernardo Figueiredo assumiu a ANTT, em 2008, e ganhou impulso em julho, com a publicação da resolução da Agência sobre direito de passagem. No final do ano passado entrou em cena um especialista que pode acelerar o processo. José Eduardo Castello Branco, doutor em Engenharia de Transportes pela Coppe (ver currículo Lattes em (http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/ visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4189981T0) é autor da tese "A segregação da Infraestrutura como elemento reestruturador do sistema de carga ferroviário do Brasil". E é, desde outubro, presidente da Valec, ator importante nesta discussão, já que será o executor das obras de expansão e aumento de capacidade da malha. Sobre esta malha expandida, pela primeira vez no Brasil, será empregado o Acesso Livre. A idéia, segundo Castello Branco, é outorgar, através da ANTT, a uma empresa privada, a manutenção das linhas novas ou de linhas existentes onde haja aumento de capacidade. Ele cita como exemplo de linha existente a ligação Belo Horizonte-Salvador, concessionada e pouco utilizada pela FCA, onde a Valec faria obras de remodelação e alargamento de bitola. Linhas novas são as que estão sendo construídas neste momento pela Valec, como Norte-Sul e Oeste-Leste. A empresa de manutenção receberia recursos da própria 46 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Valec, que os obteria dos clientes e operadores independentes, vendendo faixa horária. Castello Branco não acha interessante permitir que a empresa de manutenção venda diretamente a capacidade, de modo a poder conservar o controle sobre o uso da ferrovia e evitar o que acontece hoje, quando poucos clientes de grandes volumes ocupam toda a capacidade. “O controle caberá à ANTT, mas o governo pode achar, por exemplo, que uma parte da capacidade nas linhas novas deve ser reservada para clientes que ficam além das minas ou dos terminais de soja. De outra forma eles não poderiam escoar sua produção”. Cuidado semelhante é expresso na entrevista do diretor geral da UIC, Jean-Pierre Loubinoux, nesta edição da Revista Ferroviária. Na França - diz ele - os operadores ferroviários privados representam entre 10 a 15 % do tráfego de carga, ficando o restante a cargo da estatal SNCF. Esses mesmos operadores se interessam sobretudo pelo tráfego mais rentável, o que deixa os clientes menores mal atendidos (ver Entrevista na pág. 20). Loubinoux acha que é preciso olhar tudo isso “com um olhar prudente”, como de fato demonstra o concessionamento no Brasil, hoje em questão. Por cima das questões legais e das imperfeições do mercado, permanece a idéia que o sistema ferroviário, de carga e de passageiros, deve admitir novos agentes -- terminais, empresas de leasing, clientes, integradores logísticos, modais associados -- para, com eles, competir com o modo rodoviário. Que é tão forte justamente porque permite a cada empresário, pequeno ou grande, operar sua frota sobre uma infraestrutura que não lhe pertence. Ver a ferrovia de modo semelhante a como se vê uma rodovia é a visão do futuro, única capaz de dar resposta à necessidade de crescimento que temos pela frente. arquivo ferroviário Da China para o Rio Primeiros trens chineses começam a operar na SuperVia, no Rio de Janeiro. Compra faz parte do investimento de R$ 2,4 bilhões que será feito na rede ferroviária carioca V eículos para 1.300 pessoas com ar condicionado, painéis de LED, televisão e sistemas de comunicação. Essas são as características dos 30 novos trens que serão entregues à SuperVia, concessionária dos trens urbanos do Rio de Janeiro, e que estão sendo fabricados pela chinesa CNR na sua fábrica em Changchun. Quatro trens já foram entregues ao Governo do Rio, e começam a ser testados nas linhas. O primeiro veículo desembarcou no país em setembro do ano passado. Depois, na primeira semana de janeiro de 2012, mais três veículos aportaram no cais da empresa MultiRio, no porto do Rio. A previsão é de que, até setembro desse ano, os 30 trens chineses já estejam em operação. A mesma CNR apresentou o melhor preço para a compra de mais 60 trens para a Supervia: R$ 543.171.084,00. As propostas foram apresentadas em 27 de fevereiro seguindo as normas do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), sem qualquer preferência à produção nacional - uma reivindicação que a indústria brasileira havia feito. O Banco Mundial está fornecendo o empréstimo de U$S 600 milhões para a compra. Os novos trens fazem parte do investimento de R$ 2,4 bilhões - metade vindo do governo e metade da SuperVia - que será empregado em melhorias no sistema ferroviário. VEJA A FOTO AMPLIADA arquivo ferroviário 48 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Crédito: Henrique Freire Trem chinês do consórcio CMC-CNR-CRC revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 49 internacional Gigantes da ferrovia Levantamento da Revista Ferroviária mostra os 10 maiores projetos de ferrovias em execução no mundo Crédito: © AlpTransit Gotthard Ltd. Mariana Agunzi Obras na região central do túnel São Gotardo, que deverá ser aberto em 2017 P lena expansão e perspectiva de grandes investimentos: esse é o cenário em que as ferrovias se encontram hoje. Não só no Brasil, mas em todo o mundo, obras de grande porte para o transporte sobre trilhos, de carga e de passageiros, urbanos e interurbanos, estão em desenvolvimento, afirmando o renascimento do setor. Para ilustrar este acontecimento, a Revista Ferroviária fez um levantamento dos projetos de trens de cargas e passageiros em andamento no mundo. Com base na pesquisa dos 100 maiores projetos de infraestrutura divulgada no site da consultoria americana CG/LA e nos arquivos da própria RF, classificamos as dez maiores obras ferroviárias em execução no mundo, de acordo com seus valores. Em execução significa que já há contratação para o projeto e/ou realização da obra - obras apenas concebidas e projetadas não fazem parte da lista. Somados, os 10 maiores projetos representam em torno de US$ 150 bilhões em investimentos - quantia que corresponde a quase um sexto do PIB brasileiro no período de julho a setembro de 2011. No topo da lista dos campeões ferroviários está o Trem de Alta Velocidade do Reino Unido, conhecido como High Speed 2. Com vultosos investimentos de £ 32 bilhões - o equivalente a quase R$ 90 bilhões - a linha de alta veloci- 50 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 dade ligará as cidades de Londres, Birmingham, Manchester e Leeds, e deverá estar com a primeira fase finalizada e em operação em 2026. A consultoria que vai fazer o projeto executivo de engenharia já está contratada e trabalhando. Já o Crossrail, segundo maior projeto, também na Inglaterra, irá somar 118 km de novas linhas ao sistema ferroviário de Londres. Com obras iniciadas em 2008 e conclusão prevista para 2018, a nova malha está avaliada em US$ 25 bilhões e deverá formar uma via expressa conectando 37 estações, de leste a oeste da cidade europeia. Os projetos de alta velocidade também têm destaque. Além da linha do Reino Unido, mais três trens rápidos aparecem no levantamento: o TAV da França, estimado em US$ 10,2 bilhões; o TAV da Arábia Saudita, que custará US$ 9,3 bilhões; e o TAV de Marrocos, orçado em US$ 4 bilhões. O Brasil não aparece na lista dos 10 projetos de maior valor, mas possui cinco grandes obras em execução, logo abaixo no ranking: a expansão da Linha 5-Lilás do metrô de São Paulo; a duplicação da Estrada de Ferro Carajás; a Ferrovia Transnordestina; a Ferrovia de Integração Oeste-Leste e a extensão sul da Ferrovia Norte-Sul. Juntos, os projetos brasileiros somam US$ 14,9 bilhões. Confira a seguir os detalhes de cada obra. Valor (bi US$) 50 25 14 10,3 10,2 10 9,3 8,7 8,6 4,2 Total: 150,3 Os dez maiores projetos Projeto País Extensão (km) TAV do Reino Unido Reino Unido 230 (1ª fase) Crossrail Inglaterra 118 Ferrovia Harbin-Dalian China 904 Ferrovia Kuala Lumpur-Vale Klang Malásia 156 TAV Tours-Bourdeax França 302 Túnel São Gotardo Suíça 57 TAV da Arábia Saudita Arábia Saudita 450 Túnel de Nova Jersey EUA 15 Projeto Thameslink Inglaterra 281 TAV Bretagne - Pays de la Loire França 182 2695 Início Previsão de peração 2012 2026 (1ª fase) 2009 2018 2007 2012 2011 2016 2012 2017 1996 2017 2009 2012 2009 -* 2007 2015 2011 2016 TAV do Reino Unido O mais caro projeto ferroviário em execução no mundo é a segunda linha de alta velocidade do Reino Unido, na Europa. Conhecida como HS2, ou High Speed 2, a ferrovia irá ligar as cidades de Londres, Birmingham, Manchester e Leeds, em um investimento de £ 32 bilhões. A primeira fase do projeto - que já está com consultoria americana CH2M Hill contratada, para dar assistência à parte de engenharia e estudos ambientais - irá ligar Londres a Birmingham, com extensão de 230 km. A linha Crédito: HS2 *As obras foram paralisadas em outubro de 2010 Canal ferroviário que ligará Birmingham a Fazeley, no TAV do Reino Unido Crédito: Crossrail internacional Estação de Tottenham, em Londres, que está sendo reformulada para o projeto do Crossrail será construída de forma a permitir velocidades de até 400 km/h, que é o limite previsto para a tecnologia em 2026, data de início da operação. A segunda fase, que deverá estar completa em 2033, vai estender a nova linha para as cidades de Manchester e Leeds. Crossrail O Crossrail, segundo maior projeto ferroviário em execução, vai somar ao já amplo sistema metroferroviário de Londres 118 km de novas linhas férreas, ligando as ferrovias locais e nacionais. O primeiro passo é a criação de um túnel subterrâneo de 21 km, que vai cruzar Londres de leste a oeste - entre os distritos de Paddington e Whitechapel - conectando 37 estações de superfície e oito novas estações subterrâneas que fazem parte do pacote. A joint Venture BBMV, formada entre as empresas Balfour Beatty, Alpine BeMo Tunnelling, Morgan Sindall e Vinci Construction, levou o contrato de UU$ 365,6 milhões para a construção do túnel. O projeto é uma iniciativa da prefeitura da capital inglesa para amenizar o saturado sistema de transporte da cidade. A expectativa é de que a linha opere com 24 trens e 200 metros de extensão, durante o horário de pico. A previsão de término é 2018. Ferrovia Harbin-Dalian Iniciada em 2007, a linha de alta velocidade Harbin-Dalian, na China, já está quase toda concluída. A inauguração estava prevista para o início de 2012, mas os testes de operação foram adiados devido a problemas de qualidade identificados na via. A ferrovia de 904 quilômetros de extensão é uma conexão entre os dois principais centros 52 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 econômicos do nordeste da maior economia emergente. O projeto da Harbin-Dalian foi dividido em três trechos, cada um com um contrato de construção diferente - o primeiro, vencido pelo China Railway Group, para construir o trecho sul; o segundo, pelo China State Construction Engineering Corp., para construir o trecho central; e o terceiro vencido pelo China Communications Construction Co. Ltd., para realizar o trecho norte. A linha faz parte de um programa do governo chinês que pretende aumentar a capacidade de lotação de suas principais linhas férreas para poder liberar outras vias para o transporte de cargas. Ferrovia Kuala Lumpur- Vale Klang A Kuala Lumpur - Vale Klang é uma linha férrea malaia de 156 km de extensão. Sua criação está atrelada à esperança do governo do país de que ela reduza o trânsito da região e aqueça a economia local, valorizando os empreendimentos imobiliários dos entorno. Por lá passarão cerca de 2 milhões de passageiros diariamente, quando a linha estiver pronta. O primeiro trecho, uma linha de metrô com 51 km e 31 estações, deve ser concluído em 2016. A implantação da linha está sendo financiada integralmente pelo governo da Malásia. A expectativa é de que 130 mil novos empregos sejam gerados e US$ 1 bilhão seja acrescentado à economia local em 2020. TAV Tours-Bordeaux A linha de alta velocidade Tours-Bordeaux, na França, é um projeto arrojado envolvendo 302 km de ferrovia entre as duas cidades. A rota terá aproximadamente 400 pontes e 17 conexões ferroviárias, permitindo aos passageiros diminuir o tempo atual de viagem de três para duas horas. Os trens poderão circular em velocidade de até 300km/h, e a expectativa é transportar entre 19 e 20 milhões de passageiros por ano. A nova linha também irá auxiliar o transporte de passageiros e cargas entre o norte da França, o norte da Europa e a Península Ibérica. O custo total estimado do projeto francês é de € 7,8 bilhões, o equivalente a quase R$ 19 bilhões. Para construção e manutenção do projeto, foi firmada uma Parceria Público-Privada entre a Rede Ferroviária Francesa e o consórcio das empresas Vinci, Eurovia, BEC, NGE, TSO, Ineo, Inexia, Arcadis e Egis Rail. As operações da linha de alta velocidade Tours-Bordeaux devem iniciar em 2017. Túnel São Gotardo As obras do que será o maior túnel ferroviário do mundo estão em andamento. As operações de escavação foram concluídas em outubro do ano passado. A empresa ABB, de tecnologias de eletricidade e automação, irá fornecer o sistema de ventilação do túnel, em encomenda de US$ 21 milhões feita pela Alp Transit Gotthard AG. A linha terá 57 km de extensão e um total de 153,5 km de túneis, poços e passagens, cortando os Alpes Suíços. O objetivo é estabelecer um caminho direto para linhas de alta velocidade e as composições de carga. A projeção é de que os trens de passageiros circulem a 250 km/h, enquanto as composições de carga atuem a uma velocidade de 160 km/h - o dobro da velocidade atual. TAV da Arábia Saudita O Haramain High Speed Rail Project, anunciado pela Organização Ferroviária da Arábia Saudita, é um projeto que envolve a construção de uma linha de alta velocidade de 450 km de extensão, ligando as cidades sagradas de Mecca e Medina. Quando a linha entrar em operação, o tempo de viagem entre essas cidades deverá ser de duas horas, e de apenas meia hora entre Mecca e Jeddah. O projeto está sendo executado em duas fases. A primeira teve início em 2009, e engloba obras civis como a construção de pontes, viadutos e túneis, além da construção das cinco estações que atenderão à linha. A segunda fase compreende a construção e operação da via, instalação de sistemas de eletrificação e comunicação e a implantação do material rodante. O primeiro contrato da linha, no valor de US$ 1,8 bilhão, foi assinado em 2009 pelo consórcio Al Rajhi Alliance, que envolve construtoras chinesas, árabes e a Alstom Transport, para fornecimento de material rodante. Também em 2009 a joint venture entre a Foster & Partners e a Buro Happold levou o contrato para projetar quatro das cinco estações da linha, no valor de US$ 38 milhões. Túnel de Nova Jersey Iniciadas em 2009, as obras do túnel ferroviário ligando Crédito: Foster + Partners internacional Projeção da estação de Kaec, que integrará o TAV da Arábia Saudita Nova Jersey a Nova Iorque, nos Estados Unidos, deveriam duplicar a capacidade ferroviária entre os estados. O intuito era substituir as conexões que passam embaixo do Rio Hudson, construídas em 1910, e que estão saturadas. Porém, avaliado em US$ 8,7 bilhões, o projeto foi paralisado em outubro de 2010 pelo governador de Nova Jersey, devido ao excesso de custos. Chris Christie afirmou que o estado não teria condições de sustentar as obras sozinho, e que não poderia arcar com mais do que US$ 2,7 bilhões do montante. Projeto Thameslink O projeto Thameslink, em Londres, vai oferecer mais trens e viagens mais rápidas para os passageiros que precisam se descolar do centro da cidade às estações principais, como os aeroportos de Luton e Gatwick e as estações St. Pancras e London Bridge. Orçado em £ 5,5 bilhões, o equivalente a US$ 8,6 bilhões, o projeto está dividido em duas fases e prevê melhora na sinalização, novas estações, nova frota de trens, melhoria das linhas existentes e plataformas mais largas ao longo da rede. A Hitachi venceu, em 2009, a licitação para fornecer Valor (bi US$) 3,6 3,2 2,9 2,8 2,4 54 cerca de 110 TUEs para a linha, com oferta de £ 1,4 bilhões. Concorreram com a fabricante as empresas Alstom, Bombardier e Siemens. A primeira fase do projeto começou com a reforma do aeroporto de Luton, em 2007, para acomodar mais trens em sua estação, e a estimativa de término é para 2015. Junto com o Crossrail e o High Speed 2, o Thameslink deverá integrar a rede ferroviária de Londres. TAV Bretagne - Pays de La Loire Primeiro contrato de parceria público-privada para um projeto de alta velocidade, o TAV que ligará a Bretagne ao Pays de La Loire, na França, deverá impulsionar a economia do oeste do país. Com 182 km de novas linhas e mais 32 km de conexões com as linhas já existentes, o TAV deverá reduzir o tempo de viagem de Paris a Rennes de 37 para 8 minutos, criando em torno de 10.000 empregos. O consórcio do grupo Eiffage fará a construção e manutenção da linha. Os estudos preliminares de funcionamento começaram no ano passado, e os de engenharia civil devem ser finalizados este ano. A previsão é de que os trens entrem em operação em 2016. Projetos do Brasil Projeto País Expansão da Linha 5 do Metrô SP Duplicação da Estrada de Ferro Carajás Ferrovia Transnordestina Ferrovia Integração Oeste-Leste (FIOL) Extensão Sul - Ferrovia Norte-Sul Brasil Brasil Brasil Brasil Brasil revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Extensão (km) 11 625 1742 1022 1536 Início 2011 2010 2006 2011 2011 Previsão de operação 2015 2014 2013 2013 2013 artworks.com.br V BRASIL NOS TRILHOS 15 ANOS DE CONCESSÃO, O QUE FAZER ATÉ 2030! 04 e 05 | SETEMBRO | 2012 BRASÍLIA | DF 04 E 05 | SETEMBRO | 2012 O transporte ferroviário é cada vez mais importante em nosso país. As cargas transportadas em nossas ferrovias já totalizam mais que o dobro do volume movimentado há 15 anos, quando foi implantado o modelo de concessões. A frota de locomotivas e vagões cresceu mais de 130% nesse período, com avançada tecnologia que lhe confere elevados padrões de produtividade e segurança. Hoje é muito mais ampla a diversidade de cargas nos trens, com destaque para produtos do agronegócio, cargas gerais e commodities como o minério de ferro e o carvão mineral. Para alcançar esses resultados, as concessionárias já investiram mais de R$ 30 bilhões e continuarão investindo no setor. Todo esse esforço faz parte de um grande desafio, que é de todos nós. O Brasil precisa contar com uma infraestrutura de transportes capaz de atender às demandas do desenvolvimento, em benefício de toda a sociedade. O V Brasil nos Trilhos será um momento marcante para que todos os segmentos ligados ao transporte sobre trilhos participem ativamente dos debates sobre os rumos do setor ferroviário. Com a presença de destacadas autoridades governamentais, executivos, acadêmicos, parlamentares, fornecedores, transportadores, operadores logísticos e usuários, entre outros, o evento focalizará em profundidade o papel do sistema ferroviário de carga e de passageiros diante das perspectivas do Brasil nas próximas décadas. Reserve seu lugar nessa viagem rumo ao futuro, garantindo desde já sua presença no V Brasil nos Trilhos. MAIS INFORMAÇÕES: 11-5096.8104 – [email protected] Realização: Apoio: Revista oficial: Comercialização e Organização: suprimentos Manutenção importada Crédito:Divulgação Brasil importou nove máquinas de via em 2011, em investimento de US$ 7,1 milhões Máquina de soldagem de trilhos por caldeamento na obra da Ferrovia Norte-Sul O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) registrou em 2011 a importação de nove máquinas de via permanente, totalizando US$ 7,1 milhões. O número de equipamentos é o mesmo de 2010, porém o valor é 68% menor - em 2010, as importações de veículos batedores de lastro e de alinhamento de vias férreas somaram US$ 22,4 milhões. O sistema do MDIC não especifica os modelos e nem os fabricantes de cada equipamento. As máquinas são utilizadas em obras e na manutenção das linhas férreas brasileiras. No ano passado, a Progress Rail vendeu três máquinas para as empreiteiras que trabalham nas obras da Ferrovia 56 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Norte-Sul e da Transnordestina. Uma máquina de soldagem elétrica de trilhos modelo CHEM110 e uma reguladora de lastro modelo 46-02 serão utilizadas na Norte-Sul e uma reguladora de lastro, do mesmo modelo, nas obras da Transnordestina. Os equipamentos chegam ao Brasil até o final do ano. Em 2010, a empresa do grupo Caterpillar trouxe para o Brasil quatro equipamentos - três máquinas de soldagem elétrica de trilhos modelo CHEM110 para as obras da Norte-Sul e para a CPTM e uma máquina reguladora de lastro modelo 46-02 também para a Norte-Sul. Entre 2008 e 2011, a Vale comprou nove máquinas de via permanente: três socadoras de lastro 09-3X, 09-3X DYN e Crédito:Divulgação Máquina reguladora de lastro na obra da Ferrovia Norte-Sul DGS 90 N e uma desguarnecedora de lastro RM 900 B, todas fabricadas pela Plasser & Theuer. Também comprou uma reguladora de lastro SPZ 350, uma desguarnecedora a vácuo LRV, uma esmerilhadora de AMV LPC 900/24, uma renovadora P190 e uma socadora de AMV B45UE, que não tiveram seus fabricantes informados. Os equipamentos estão sendo utilizados na Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e na Estrada de Ferro Carajás (EFC). Importações de máquinas de via nos últimos 5 anos Ano Valor (US$ FOB*) Quantidade 2007 2008 2009 2010 2011 4.448.476 4.102.764 30.831.626 22.448.539 7.138.309 2 4 10 9 9 *O pagamento do frete é feito pelo destinatário Fonte: MDIC ponto de vista O dormente de madeira é melhor que o de concreto? Darci Pereira, O dormente de madeira tem propriedades Ao longo do tempo, a madeira de lei inicialmente usada exclusivas e, dependendo da aplicação téc- para a produção de dormentes foi substituída por madeira nica a que será submetido, pode ser a me- reflorestada de eucalipto. Algumas de suas espécies poslhor opção de uso se comparado a dormentes suem características que tornam sua aplicação altamenconstituídos de concreto ou outros materiais. te recomendável e, em muitas situações, a melhor opção A atual expansão do setor ferroviário bra- técnica, pois possuem alta densidade (cerne), elevada resileiro vem sendo crucial para o desenvol- sistência e rigidez em relação ao seu peso, elasticidade e vimento econômico do país ao ampliar e renovar a malha flexibilidade. Essas características, associadas ao uso de viária para passageiros e carga. Neste contexto, o dormen- medidas de tratamento com preservantes em autoclaves te é um dos elementos mais importantes da (norma ABNT NBR 7511), tornam as espéestrutura ferroviária, tanto no que se refere Do ponto de vista cies de eucalipto altamente duráveis, impeà sua flexibilidade de aplicação, aos baixos dindo a instalação de microorganismos (funambiental, a custos de instalação e à facilidade de manugos) e a proliferação de insetos. madeira é renovável Em razão de suas características, o dortenção. Sob essa perspectiva, as vantagens mente de madeira é e sempre será uma ótidos dormentes provenientes de madeira de e disponível no reflorestamento e tratados industrialmente território nacional, e ma opção para a expansão e manutenção do setor ferroviário, que dependerá cada vez em autoclaves são muitas. sua produção requer Tendo sido uma das primeiras opções para mais de soluções ecologicamente corretas e baixo custo a construção das vias, a madeira permanece economicamente viáveis quando da escolha sendo uma excelente escolha para este fim. Do de materiais para novas instalações e substiponto de vista técnico, o material de que são feitos os dor- tuição das atuais. mentes devem apresentar propriedades específicas no que se refere à durabilidade, rigidez, elasticidade e resistência aos esforços para que eles desempenhem bem suas funções. A madeira atende a essas exigências, apresentando um comportamento satisfatório inclusive em linhas com super-solicitação. Os dormentes de madeira resistem eficazmente aos deslocamentos longitudinais e transversais da via, permitem a fixação firme do trilho sem ser excessivamente rígida, atenuam o impacto da carga e reduzem o ruído e a vibração. São feitos de um isolante elétrico natural e têm proporcionalmente a menor massa, o que os torna mais leves para o manuseio e transporte, não requerendo equipamento especializado para instalação e manutenção. Do ponto de vista econômico, o custo de produção e operação é relativamente baixo quando comparado aos de concreto. Do ponto de vista ambiental, sua matéria prima é renovável e disponível no território nacional e sua produção requer baixo custo energético. Darci Pereira 58 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Foto: Divulgação gerente geral da Mariani Ecoline Wilson Rodrigues, diretor da Conprem Foto: Divulgação Os dormentes de madeira são consideNo Brasil não foi diferente. Essências como o jacaranrados os primeiros dormentes usados com dá, a maçaranduba e a aroeira, entre outras, eram muito sucesso em ferrovias e estão relaciona- usadas em dormentes em épocas passadas, e se extinguiremos ao ano de 1804, data do primeiro ram ou passaram a ter uso restrito. Assim, a dificuldatransporte tracionado à vapor conhecido. de de obtenção de madeiras de boa qualidade propiciou As madeiras disponíveis na época e nas dé- também o surgimento de alternativas aos dormentes de cadas seguintes eram essências de excelente qualidade que madeira: primeiramente os dormentes de aço e de conaos poucos foram se tornando escassas, tendo que ser subs- creto e depois os dormentes compostos. tituídas por essências menos nobres. Em paralelo, ao longo Os primeiros dormentes de concreto de que se tem dos anos foram desenvolvidos agentes de preservação para notícia reportam à primeira patente conhecida, em prolongar a vida útil do material, cada vez 1884, pelo francês Mounier, e desde enmenor em função da essência usada - para tão estes dormentes vêm sendo aprimoraA evolução da desespero dos ambientalistas, que veem nestecnologia do concreto dos, seja na sua concepção, seja na utilites produtos de preservação uma forte agreszação de materiais mais sofisticados em fez com que a vida são ao meio ambiente, já tendo sido alguns sua composição. Esta evolução se acenútil desse dormente tuou a partir de 1943 com o aparecimendeles proibidos em muitos países. Como exemplo de dormente de mato dos primeiros dormentes de concreto tenha passado dos deira de excelente qualidade, citamos os protendido - tecnologia que revolucionou 30 para os mais de de quebracho colorado, essência outrora as estruturas em concreto. 100 anos abundante na Argentina, Paraguai e ChiOs dormentes de madeira iniciais, de le, que já teve sua extração proibida há uma durabilidade superior a 20/25 anos, alguns anos, complicando em muito o fornecimento de ao serem substituídos por essências menos nobres - madormentes de madeira nesses países. deiras de reflorestamento inclusive - tiveram sua durabilidade diminuída para 4 a 12 anos, e neste caso somente quando tratados. Por outro lado a evolução da tecnologia do concreto fez com que a vida útil dos dormentes desse material tenha passado dos 30 anos, estimados inicialmente, para os mais de 100 anos admitidos hoje em dia, passados quase 70 anos da utilização dos primeiros dormentes protendidos. A comparação econômica, levando em consideração o custo inicial e a vida útil de todas as alternativas de dormentes existentes no mercado, aliada às vantagens técnicas de uma bitola constante ao longo do tempo, à uma geometria da via com menos necessidades de intervenções, ao uso dos trilhos longos soldados sem necessidade de retensores e um menor desgaste do material rodante pelos fatores acima descritos é que tem levado a maioria dos países em todo o mundo à utilização, em larga escala, dos dormentes de concreto. Tanto em vias novas quanto na remodelação de vias e ainda nos dormentes de AMV (aparelho de mudança de via), ainda mais difíceis de conseguir em função de suas dimensões. Wilson Rodrigues revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 59 estatística Veja mais em www.revistaferroviaria.com.br TRANSPORTE URBANO SOBRE TRILHOS - NOVEMBRO 2011 Operadora Metrô-SP CPTM Metrô Rio SuperVia CBTU Recife Trensurb CBTU BH Metrofor CTS Salvador CBTU João Pessoa CBTU Natal CBTU Maceió Metrô DF VLT do Cariri Total 11/10 11/11 Passag./dia útil Passag.(10³) Passag./dia útil Acumulado no ano até nov % Passag.(10³) Passag./dia útil Passag.(10³) Passag.(10³)2010 % Passag.(10³)2011 Passag.(10³) 2.697.254 1.790.538 633.445 533.279 231.325 173.391 187.918 12.073 7.819 64.383 44.000 14.115 11.719 5.922 4.245 4.538 310 184 3.537.451 2.441.603 678.045 541.199 260.842 179.408 205.304 11.349 5.934 83.713,3 48.237,2 15.180,7 11.957,4 6.645,6 4.387,1 4.908,9 278,1 154,3 31,2 36,4 7,0 1,5 12,8 3,5 9,3 (6,0) (24,1) 30,0 9,6 7,5 2,0 12,2 3,3 8,2 (10,4) (15,9) 692.104,9 469.593,1 149.082,1 124.060,7 61.897,3 44.397,6 46.015,4 3.557,4 2.442,0 779.049,6 485.918,8 163.929,5 130.065,8 69.244,6 46.558,6 51.857,3 3.117,2 1.316,7 12,6 3,5 10,0 4,8 11,9 4,9 12,7 (12,4) (46,1) 10.161 237 8.228 190,0 (19,0) (19,7) 2.589,0 2.064,9 (20,2) 8.203 2.955 128.196 846 6.417.403 180 66 3.333 19 153.252 3.478 3.645 138.073 1.180 8.015.739 65,3 89,2 3.313,7 26,1 179.147 (57,6) 23,4 7,7 39,5 24,9 (63,8) 34,6 (0,6) 40,8 16,9 2.044,7 78.108,5 36.942,0 165,4 1.713.000 1.759,6 92.906,0 39.471,0 265,9 1.867.525 (13,9) 18,9 6,8 60,8 9,0 TRANSPORTE URBANO SOBRE TRILHOS - DEZEMBRO 2011 Operadora Metrô-SP CPTM Metrô Rio SuperVia CBTU Recife Trensurb CBTU BH Metrofor CTS Salvador * CBTU João Pessoa CBTU Natal CBTU Maceió Metrô DF VLT do Cariri Total 12/10 12/11 Passag./dia útil Passag.(10³) 2.496.502 1.720.313 642.013 525.936 230.237 161.003 177.455 13.912 0 Passag./dia útil Acumulado no ano até dez % Passag.(10³) 63.833 45.672 14.877 12.127 6.223 4.286 4.537 374 0 3.240.517 1.973.308 686.459 530.165 252.513 170 197 12.739 6.572 84.317,6 52.195,4 15.941,2 12.220,1 6.807,1 4.420,9 5.009,3 351,6 177,5 9.193 218 8.400 207,8 8.157 3.085 125.904 890 6.114.600 203 78 3.273 20 155.720 3.590 4.148 100.758 1.138 6.820.674 78,6 106,6 2.619,7 29,5 184.483 Passag./dia útil Passag.(10³) 29,8 14,7 6,9 0,8 9,7 (99,9) (99,9) (8,4) 0,0 Passag.(10³)2010 % Passag.(10³)2011 Passag.(10³) 32,1 14,3 7,2 0,8 9,4 3,2 10,4 (6,0) 0,0 755.937,9 515.265,2 163.958,9 136.187,7 68.120,5 48.683,1 50.552,5 3.931,5 2.442,0 863.367,2 538.114,2 179.870,7 142.285,9 76.051,7 50.979,6 56.866,6 3.468,8 1.494,1 14,2 4,4 9,7 4,5 11,6 4,7 12,5 (11,8) (38,8) (8,6) (4,5) 2.806,6 2.272,6 (19,0) (56,0) 34,5 (20,0) 27,9 11,5 (61,2) 37,4 (20,0) 44,2 18,5 2.247,4 78.186,1 40.215,0 185,9 1.868.720 1.838,2 93.012,6 42.090,7 295,4 2.052.008 (18,2) 19,0 4,7 58,9 9,8 * Devido a greve dos ferroviários em dezembro de 2010 e janeiro de 2011, que durou 62 dias, não houve operação. TRANSPORTE DE CARGAS POR FERROVIA - NOVEMBRO 2011 Operadoras ALL Transnordestina Log. E.F. Carajás E.F.V.M. Ferroban Ferronorte Ferroeste FCA FTC MRS Logística Novoeste Ferrovia Norte-Sul Total 11/10 % 11/11 Acumulado no ano até novembro Nov 11/ Nov 10 TU (10³) TKU (106) TU (10³) TKU (106) 2.190,9 127,9 9.478,9 11.133,9 575,4 1.017,8 25,7 1.750,5 241,0 10.251,8 331,3 99,7 37.125,1 1.459,8 59,6 8.231,6 6.268,9 332,4 1.417,4 12,5 1.148,3 15,6 4.748,9 167,9 75,9 23.862,8 2.365,7 115,9 9.941,2 11.381,6 579,8 1.103,3 31,5 1.679,7 171,7 10.632,1 374,2 125,1 38.376,8 1.588,1 53,8 8.644,5 6.460,3 361,2 1.524,6 18,6 1.184,2 12,4 4.972,8 155,0 95,5 24.975,4 TU 2010 TKU 8,0 (9,4) 4,9 2,2 0,8 8,4 22,6 (4,0) (28,8) 3,7 12,9 25,5 3,4 8,8 (9,7) 5,0 3,1 8,6 7,6 49,4 3,1 (20,4) 4,7 (7,7) 25,8 4,7 24.095,3 1.396,0 94.525,8 120.425,5 6.185,6 9.571,2 437,9 19.610,1 2.386,2 113.294,7 4.196,8 1.977,7 396.125,1 TRANSPORTE DE CARGAS POR FERROVIA - DEZEMBRO 2011 % 12/10 12/11 Operadoras ALL Transnordestina Log. E.F. Carajás E.F.V.M. Ferroban Ferronorte Ferroeste FCA FTC MRS Logística Novoeste Ferrovia Norte-Sul Total 60 1.865,3 121,7 10.415,4 11.316,0 521,0 915,1 27,5 1.617,3 244,1 9.717,5 227,0 34,5 36.987,9 TKU (106) 1.282,6 58,8 8.987,9 6.332,3 307,3 1.269,6 14,9 1.090,4 17,1 4.559,0 138,7 21,6 24.058,3 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 TU (10³) 2.259,4 98,2 11.212,5 10.237,8 633,7 781,6 43,2 1.524,1 214,4 9.824,7 316,8 27,4 37.146,3 TKU (106) 1.383,0 44,4 9.769,3 5.751,0 411,0 1.086,7 27,4 1.000,7 15,6 4.564,3 173,8 15,3 24.227,2 TU 21,1 (19,3) 7,7 (9,5) 21,6 (14,6) 56,7 (5,8) (12,2) 1,1 39,6 (20,7) 0,4 TKU 7,8 (24,5) 8,7 (9,2) 33,7 (14,4) 84,5 (8,2) (8,8) 0,1 25,3 (29,0) 0,7 TKU (106) 16.180,6 660,9 82.050,6 67.132,3 3.687,5 13.345,0 254,0 14.216,3 167,3 52.912,0 1.639,1 1.502,5 252.245,6 TU (10³) TKU (106) 24.203,2 1.332,8 102.086,8 121.894,6 6.961,6 10.725,1 356,6 17.685,3 2.233,6 120.183,8 4.104,1 2.534,3 411.767,5 16.367,4 636,5 88.824,7 68.456,6 4.424,8 14.840,2 182,3 12.604,9 157,1 56.694,3 1.587,1 1.868,2 264.775,9 TU TKU 0,4 (4,5) 8,0 1,2 12,5 12,1 (18,6) (9,8) (6,4) 6,1 (2,2) 28,1 3,9 1,2 (3,7) 8,3 2,0 20,0 11,2 (28,2) (11,3) (6,1) 7,1 (3,2) 24,3 5,0 Acumulado no ano até dezembro Dez 11/Dez 10 TU (10³) % 2011 TU (10³) 2010 2011 % TU (10³) TKU (106) TU (10³) TKU (106) 25.960,6 1.517,7 104.941,2 131.741,5 6.706,6 10.486,3 465,4 21.227,4 2.630,3 123.012,2 4.423,8 2.012,1 433.113,1 17.463,1 719,6 91.038,5 73.464,5 3.994,8 14.614,6 268,9 15.306,7 184,4 57.471,0 1.777,8 1.524,1 276.303,9 26.462,6 1.431,0 113.299,3 132.132,4 7.595,3 11.506,6 399,8 19.209,4 2.448,0 130.008,5 4.420,9 2.561,7 448.913,8 17.750,4 680,8 98.594,1 74.207,6 4.835,8 15.926,9 209,7 13.605,6 172,7 61.258,6 1.760,8 1.883,5 289.003,1 TU 1,9 (5,7) 8,0 0,3 13,3 9,7 (14,1) (9,5) (6,9) 5,7 (0,1) 27,3 3,6 TKU 1,6 (5,4) 8,3 1,0 21,1 9,0 (22,0) (11,1) (6,3) 6,6 (1,0) 23,6 4,6 2012 July 2012 PhilAdelPhiA 10-13 UIC HIGHSPEED 2012 High-Speed Rail: Connecting People, Building Sustainable Prosperity Go to w w w.uic-highs pe for the event previeed2012.com w video! World CongreSS & internAtionAl trAde exhibition on high-SPeed rAil Pennsylvania Convention Center, Philadelphia, USA 10 - 13 July 2012 Organisers In cooperation with Sponsors Media partners Congress & Exhibition Secretariat IRJ Follow us IInternational nternational R Railway ailway JJournal ournal @rail_events Raileventsgroup #UICHS2012 Congress & Exhibition Secretariat I P.O. Box 822 I 3700 AV Zeist I The Netherlands I T: +31 (0)30 6981800 I F: +31 (0)30 6917394 I [email protected] I www.uic-highspeed2012.com simefre À mercê da concorrência Para o presidente do Simefre, José Antônio Martins, o problema é claro: se não aumentarem os impostos à importação, o Brasil vai se desindustrializar J Crédito: Arquivo RF á não era nenhuma novidade, mas o dia 27 de fevereiro de 2012 trouxe a confirmação: os chineses apresentaram a melhor proposta na licitação aberta pelo governo do Estado do Rio de Janeiro para a compra de 60 trens de quatro carros para a SuperVia - concessionária que opera os trens urbanos da cidade. Mesmo com os apelos feitos pela indústria brasileira, o governo carioca não concedeu margem de preferência aos fabricantes nacionais, o que culminou em uma proposta esmagadora da chinesa CNR contra a concorrente brasileira mais próxima, a Alstom: R$ 104 milhões de diferença entre um preço e outro. Enquanto a CNR apresentou o valor de R$ 542,5 milhões para fabricar os 60 trens, a Alstom, que ficou em quarto lugar, fez uma oferta de R$ 646,8 milhões. Em segundo e terceiro lugar ficaram, respectivamente, a chinesa CSR, com proposta de R$ 556 milhões, e a coreana Martins "Cada vez mais ficaremos nas mãos dos chineses" 62 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Hunday-Rotem, com R$ 564 milhões. Já a CAF, outra concorrente brasileira, que está fornecendo trens para a CPTM e o Metrô de São Paulo, ficou em quinto lugar, com proposta de R$ 748,6 milhões. Essa não é a primeira vez que o Brasil perde para a indústria internacional. Desde que o Rio voltou a comprar trens, o mercado asiático venceu todas as licitações para fornecer os veículos prontos. A própria SuperVia já comprou 34 trens de quatro carros da CNR, e os primeiros começaram a desembarcar no final do ano passado. O MetrôRio também comprou 19 trens de seis carros da fabricante chinesa, e a previsão de chegada do primeiro é no início de abril. Isso sem contar com as compras mais antigas, feitas em 2004, quando a SuperVia comprou 20 trens de quatro carros da coreana Rotem. Esse quadro até poderia ser diferente, mas as tentativas de acordo entre a brasileira T'Trans e a CNR para montar os 60 trens em Três Rios (RJ), onde a empresa possui uma fábrica, não prosperaram. "Se eles trouxessem o trem desmontado, não estaríamos brigando, porque iriam precisar de mão de obra brasileira", ressalta José Antônio Martins, presidente do Simefre - Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários. Contra a desindustrialização O resultado da licitação dos trens da Supervia provocou o Simefre, que começa agora uma campanha contra a chamada 'desindustrialização' do país. De acordo com Martins, o sindicato vai convocar todos os presidentes de outros sindicatos e federações a pressionarem juntos o governo, para que haja um aumento do imposto de importação de produtos ferroviários , que é hoje de 14%. Isso porque a tarifa para importação de produtos rodoviários é de 35%, com exceção aos casos em que não há similar nacional. O presidente também salienta que outros desníveis estruturais acabam entravando a indústria nacional, como cargas tributária e trabalhista altas; taxas de juros elevadas, de 10,5%; energia elétrica cara e déficit na logística brasileira. Além disso, quando se trata de importações feitas por órgãos estatais - como no caso da Crédito: Arquivo RF Trens chineses da CNR vão revitalizar a frota da Supervia, com idade média atual de 35 anos Aquisição de TUEs pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro Operadora Ano da compra Trens Carros Fornecedor País Supervia 2004 20 80 Hunday- Rotem Coréia Supervia 2009 30 120 CNR China MetrôRio 2009 19 114 CNR China Supervia 2011 4 16 CNR China Supervia 2012 60 240 CNR China licitação dos trens da SuperVia - estes órgãos importam com isenção de impostos. "Então o problema não é dizer que nossas empresas não são competentes. Mas aqui no Brasil elas perdem, porque temos esses parâmetros estruturais que destroem a competitividade". O fato é que o Brasil está caminhando rumo a se tornar um país cada vez mais agrícola e menos industrializado. "A agroindústria não emprega, o que emprega é a indústria de transformação. Mas do jeito que está, vamos nos tornar vendedores de commodities. Vamos vender minério de ferro, soja, carne e frango para a China. Cada vez mais, ficaremos nas mãos dos chineses". É por isso que o Simefre é enfático ao travar essa guerra contra a importação de produtos ferroviários, pedindo a elevação dos impostos. "Se não houver essa mudança, vai acontecer o que acontece nos Estados Unidos hoje, onde todo lugar que você vai tem produtos chineses e o índice de desemprego é de 9,5%", afirma Martins. No Brasil, o índice é de 5,5%. Outra questão levantada é o déficit entre importações e exportações na indústria de transformação brasileira, que chegou a US$ 92 bilhões em 2011 - afetando fortemente setores como o calçadista e o moveleiro. Mesmo com o Plano Brasil Maior, lançado em agosto do ano passado pela presidente Dilma Rousseff e que prevê uma série de medidas que reduzem a carga tributária ao produto nacional, não houve grandes mudanças. "O plano é uma luz no fim do túnel, mas ainda não é a salvação. Para trazer competitividade para o país, o governo tem que criar uma desoneração no caso de fornecimento das indústrias nacionais para órgãos do governo", afirma, taxativo, o presidente do sindicato. revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 63 trem chinês Julio Lopes justifica importação da China O Secretário de Transportes do Rio de Janeiro rebate críticas sobre a compra de mais 60 trens chineses Crédito: Divulgação secretário de Transportes do Rio, Julio Lopes, rebateu no dia 6 de março, as críticas da indústria ferroviária à importação, pelo governo do estado, de 60 trens chineses destinados a Supervia: “não é verdade que a entrega dos trens esteja atrasada; não é verdade que a preferência tarifária na importação garanta a encomenda para a indústria nacional, e não admito dizerem que o resultado da concorrência já era conhecido antes”. O secretário falou na abertura do IX Seminário Nacional Metroferroviário, “Não admito dizerem que o resultado da concorrência já era conhecido antes” 64 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 organizado no Rio de Janeiro pela ANTP. Antes dele falou o vice-presidente do Simefre, e diretor da Alstom, Fernando Ferrari: “pleiteamos ao governo do Rio isonomia fiscal com a China e não fomos atendidos; se fôssemos ouvidos, 15% do nosso custo teria sido eliminado e ficaríamos em melhores condições para competir”. Ressaltou que falava não em nome da indústria paulista - os dois concorrentes nacionais, Alstom e CAF, ficam em São Paulo - mas do interesse nacional, e concluiu sugerindo que se a situação não mudar a indústria ferroviária nacional corre o risco de desaparecer. Desde que o Rio voltou a comprar trens, os fornecedores asiáticos venceram todas as licitações, sempre com oferta de trens prontos para rodar. A própria SuperVia já comprou 20 trens da Hunday-Rotem coreana e 34 trens da mesma CNR. O MetrôRio também comprou 19 trens de seis carros do fabricante chinês, sempre em função de preços mais baixos, sem isonomia ta- rifária para a indústria nacional. “A prioridade da indústria ferroviária é uma, e a do governo do estado é outra. Nosso foco é atender a população da melhor forma e o mais rapidamente possível”, afirmou Julio Lopes. Concluiu lembrando que a economia gerada pela compra na China vai permitir ao governo comprar mais trens. Fontes do mercado calculam a compra adicional de entre 10 e 11 trens de quatro carros. O presidente da Abifer, Vicente Abate, também protestou contra a importação, dizendo que “o resultado da concorrência, já esperado por todos, inclusive por nós, foi enaltecido pelo governo deste Estado como se a China, ingenuamente, fosse a salvadora do mundo, ao propor preços fora da realidade do mercado, porém com prazos de entrega que não se cumprem a qualidade ainda a ser post à provba, já que não existe hoje, após dois anos de atraso, massa crítica para tal comprovação. nota técnica Sistema Único de Identificação de Trens Altair Pereira do Nascimento Junior, Analista de Planejamento e Desenvolvimento Operacional da CPTM 1º lugar no VIII Prêmio Alstom de Tecnologia Metroferroviária 1. Resumo O trabalho apresenta uma nova visão sistêmica e metodológica para a concepção de um Sistema Unificado de Identificação de Trens com base nas características técnicas, físicas e operacionais dos trens Metropolitanos, Carga e demais Veículos de Serviço de uma companhia Metroferroviária, propiciando a comunicação e a integração de dados entre o(s) Sistema(s) de Controle de Tráfego Trens pertencente(s) ao Centro de Controle de Operacional (CCO) e os diversos programas gerenciadores de dados e serviços, satélites ao CCO, como: Escala de Maquinistas; Manutenção do Material Rodante; Trens de Carga; Locomotivas e demais veículos de Manutenção de Via Permanente e Rede Aérea. Portanto, a integração de dados entre os diversos sistemas que compõem o CCO propicia um fluxo de comunicação bidirecional "limpo" e eficiente com informações atualizadas em tempo real, tudo isso graças à centralização em banco de dados corporativo onde, todos os dados técnico-operacionais dos processos desta inter-relação ficam disponíveis a todos os setores clientes do CCO, através de ferramentas e programas funcionais especialmente desenvolvidos pela equipe de TI da companhia no atendimento das respectivas necessidades. 2. Definições • CCO: Centro de Controle Operacional. • CRG: Sistema de Controle de Acesso de Trens de Carga. • O sistema de Controle de Trem de Carga (CRG) tem o objetivo de facilitar o controle da circulação dos trens de carga da MRS pelo trecho da CPTM. • ESC.MAQ: Sistema de Gestão de Escala de Maquinistas • RETREM: Sistema de Recolhimento de Trens. • Denominação das atividades de controle das entregas e recolhimentos dos trens entre Operação e Manutenção. Sistema desenvolvido para o controle on-line das movimentações dos trens, registrando todas as alterações de 66 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 status ocorridas com cada trem. • SCE: Subsistema de Controle de Energia. • SCT: Subsistema de Controle de Tráfego. • SICOM: Sistema Integrado de Controle da Operação e Manutenção. • SSA: Sistema de Solicitação de Acesso. • TPH: Tabela de Programação Horária. 3. Concepção Com a crescente demanda de circulação de trens e a diversidade das séries do Material Rodante, alcançamos os limites da capacidade impostas pela atual metodologia de prefixação de trens, particularmente empregada nos Subsistemas de Controle de Tráfego, com reflexos nos respectivos softwares de gestão de dados Operacionais e de Manutenção de trens. Isso nos levou a equacionar os problemas e buscar uma solução, objetivo da apresentação deste trabalho. É importante dizer que o trabalho é fruto de informações, documentos e experiências coletadas por intermédio de reuniões e fóruns de discussões congregada por profissionais das Engenharias de Circulação e Controle Operacional, Sistemas, Tecnologia da Informação e da Manutenção do Material Rodante. 4. Aplicação Aplicação e/ou adequação dos conceitos deste documento refere-se às especificações de requisitos do software dos Sistemas de Controle Centralizado e demais Sistemas Corporativos, que possuem a Identificação de Trens em sua base de interrelacionamento de dados. 5. Apresentação geral do sistema O sistema tem por base fundamental a integração dos vários subsistemas "satélites" aos serviços prestados pelo CCO, ou seja, integrar sob um mesmo banco de dados corporativo todas as informações de competência direta ou indireta do CCO. Estas informações são prestadas pelos diversos subsistemas auxiliares à gestão da Operação e Manutenção do Material Rodante, como o RETREM, CRG, TPH, SSA, SICOM, Escala de Maquinistas e etc. 5.1. Estrutura de Dados Essencial MATERIAL RODANTE TI OPERAÇÃO RETREM Cadastro Geral Mat. Rodante A) Sentido de Tráfego (seta). A Indicação de Sentido de Direção do trem é dada pelo posicionamento da seta (ponta) à direita ou a esquerda do objeto. SSA SICOM à Direita TPH CRG ESC. MAQ. à Esquerda à Direita Indefinido à Esquerda Indefinido Banco de Dados Corporativo Sistema de Controle de TRÁFEGO CCO Sistema de Controle de ENERGIA CONTROLE TS TS CONTROLE à Direita 5.2. Identificação de Trem Identificação Genérica: A identificação (Prefixo) de um trem, Metropolitano ou de qualquer veículo ferroviário, é composto e apresentado ao controlador de tráfego em dois níveis de informação segundo sua prioridade e importância operacional: Nível 2 B) Tipo de Serviço (sigla e cor de fundo). Nível 2 à Esquerda Indefinido • Sigla: A sigla é composta de dois caracteres dispostos na ponta do objeto e serve para classificar o Tipo de Serviço prestado pelo trem. • Cor: ATS cor de fundo indica a classe de serviço do trem definidos como tipo Metropolitano, Carga, SIGLA Locomotiva,TSManutenção,CLASSE Especial, ForaCOR de Serviço Trem o SIGLA TS CLASSE COR SFFFF N eLinha Azul METROPOLITANO Não Identificado. Metropolitano o N Linha TC Trem Metropolitano Trem de carga Azul METROPOLITANO CARGA Amarelo 8 SFFFF 8 CCCCC Tabela exemplo de Classificação de Serviços de um trem. Nível 1 Nível 1 L1 SIGLA o • Nível 1 - Objeto + Identificação: Apresentam de forma sucinta os dados e características essenciais do trem quanto ao seu Estado e Identificação (ID). • Nível 2 - Informações Complementares: Ao clicar sobre o objeto, uma janela é mostrada com as informações complementares do trem. 5.2.1. Objeto e Identificação do Trem (Nível 1) O Identificador de trem será representado por um objeto (formato e cor) e conteúdo de até 7 caracteres alfanuméricos, classificados da seguinte forma. 5 2 F TS F TS onnmo onon 2 SFFFF TS A) Sentido de Tráfego (seta). A) Sentido de Tráfego (seta). B) Tipo de Serviço (sigla e cor de fundo). B) Tipo de Serviço (sigla e cor de fundo). C) Identificador (SFFFF) a. Loop ou Carrossel de viagem (cor de fundo); b. Série do trem (S); C) Identificador (SFFFF)c. Formação (composição) do trem.(FFFF) a. Loop ou Carrossel de viagem (cor de fundo); b. Série do trem (S); D) Regulação c. Formação (composição) do trem.(FFFF) SFFFF TS D) Regulação Mono monononon nonnmo Nonomno nononon nonon Nomo mono E) Falha ATO. E) Falha ATO. F) Janela de Informação Complementar F) Janela de Informação Complementar TC L2 L1 N Linha L3 L2 TC M1L3 Trem de carga Locom. Serviço 1 CARGA TS Locom. Serviço Locom. Serviço 2 1 CLASSE LOCOMOTIVA COR Lilás Trem Azul METROPOLITANO Metropolitano Locom. Serviço 2 LOCOMOTIVA Manutenção M2M1 Locom. Manutenção L1 Serviço 1 2 1 CARGA Laranja Lilás Manutenção MANUTENÇÃO L2 Serviço 2 3 2 LOCOMOTIVA M3M2 Locom. Manutenção LLLLL CCCCC Amarelo MANUTENÇÃO LLLLL SFFFF 8 Lilás Locom. Serviço 3 Trem de carga Locom. Serviço Manutenção 1 3 CCCCC Amarelo MMMMM MMMMM LLLLL Laranja L3 Serviço13 3 Manutenção E1M3 Locom. Especial M1 E1 E2 Manutenção 1 1 Especial M2 Manutenção 2 M3 Manutenção 3 E1 Especial 1 E3 E2 RCE3 ETRC E2 IN ET E3 ?? IN RC ET ?? IN ?? Especial 2 ESPECIAL MANUTENÇÃO Especial Especial 3 2 ESPECIAL Magenta Laranja MMMMM MMMMM MMMMM Magenta Especial 3 Recolhimento Recolhimento Estacionamento Especial 2 FORA SERVIÇO Estacionamento Inoperante Especial 3 ESPECIAL FORA SERVIÇO Inoperante TREM NÃO IDENTIFICADO Recolhimento TREM NÃO IDENTIFICADO Estacionamento Ciano Magenta FORA SERVIÇO MMMMM MMMMM MMMMM Ciano Branco Ciano ?? Branco MMMMM Inoperante TREM NÃO IDENTIFICADO Branco ?? C) Identificador SFFFF G) Identificador (SFFFF) a. Loop ou Carrossel de viagem (cor de fundo); b. Série do trem (S); c. Formação (composição) do trem - (FFFF) revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 67 ?? SFFFF TS SFFFF nota técnica G) Identificador (SFFFF) a. Loop ou Carrossel de viagem (cor de fundo); b. Série do trem (S); c. Formação (composição) do trem - (FFFF) TS SFFFF TS SFFFF a. Loop ou Carrossel de Viagem. Uma linha de tráfego poderá conter diferentes "loop's" ou carrosséis de circulação de trens, classificados por Origem/Destino/Origem de um trem do tipo "Metropolitano". Portanto, serão atribuidas ao corpo do objeto "trem", cores para distinguir os diversos loops de circulação em uma linha. Ex. Loop_1 Principal Loop_2 8 8 Loop_3 8 Loop_4 8 Obs: A "ponta" se mantem com o Tipo de Serviço (TS) "Metropolitano" com a indicação da Linha de circulação. b. Série do Trem (S). A "Série" de um trem é classificada por uma letra do alfabeto e caracteriza o ano de sua fabricação/reforma e demais características técnicas de tração, frenagem, etc. c. Formação (composição) do trem. (FFFF). Os quatro caracteres alfanuméricos "FFFF" caracterizam a formação ou composição de carros pertencentes a um trem dos tipos: "Metropolitano", "Especial" e "Fora de Serviço". Para demais tipos de serviço, o caractere de série "S" poderá ser agregado à formação, totalizando cinco caracteres alfanuméricos para identificar "Carga", "Locomotiva" e demais "Veículos de Serviço". Critérios de Formação em função das Classes de Serviço. 1. Classe: Metropolitano, Especial e Fora de Serviço. A Formação "FFFF" é definida pela combinação das Unidades Básicas que compõem o Trem. Este formato deverá estar em concordância com o programa de Gerenciamento de Manutenção do Material Rodante. 2. Classe: Carga, Locomotiva e Manutenção. A Formação "FFFF" baseia-se exclusivamente no Número de Identificação da Locomotiva "homologada" condutora do comboio de carga ou escoteira ou do próprio veículo automotor. O campo de identificação permite até cinco caracteres, a contar do caractere de Série "S". 3. Classe: Trem não Identificado. O campo "FFFF" será representado por "?" para os trens não identificados no sistema. d) Regulação SFFFF TS 68 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Esta informação se aplica apenas a trens do tipo “Metropolitano”. • “Trem no Horário” (não mostra o objeto): se o processo de regulação declarar que esse trem tem um valor dentro da faixa percentual fixada para esse efeito. • “Trem Atrasado” (vermelho): se o processo de regulação declarar que esse trem tem um valor de atraso superior a uma porcentagem fixada para esse efeito. S5467 S5467 88 S5467 8 • “Trem Adiantado”, (cian): se o processo de regulação declarar que esse trem tem um valor inferior a uma porcentagem 8 fixada para esse efeito. S5467 S5467 S5467 88 • “Trem Fora da regulação”, (cinza): trem fora do processo de regulação. 8 S5467 S5467 S5467 88 e) Falha no Sistema ATO. • Esta informação se aplica à todos os trens equipados com ATO. • “ATO Normal”: não apresenta objeto • “ATO em Falha”, cor vermelho: indicação de falha relacionada ao sistema de ATO do trem. S5467 8 S5467 88 f)S5467 Janela de Informação Complementar. As informações complementares pertinentes a um trem deverão ser apresentadas em "janela" específica a cada tipo de trem ou serviço, mediante solicitação do Operador. Ao clicar sobre um trem na IHM, o sistema deverá dispor a opção "Dados Complementares", para a visualização das informações pertinentes. É importante enfatizar que as informações complementares ao trem é fruto da troca de dados mediante o banco de dados corporativo, conforme descrito anteriormente.Apresentamos abaixo os quatro exemplos de janelas de Informações Complementares em atendimento às Classes de Serviço. É importante enfatizar que as informações complementares ao trem é fruto da troca de dados mediante o banco de dados corporativo, conforme descrito anteriormente. Informação Complementar Janela 1: Tipo COMUM. A janela do Tipo Comum atende as seguintes Classes de Serviço: Metropolitano, Especial, Fora de Serviço e Não 001 A001 B001 Motor Reboque A001 Identificador A 5001 Reboque B001 B064 A064 Reboque B064 Reboque A064 Serviço 08 5064 Motor Identificado. Exemplo: Trem Metropolitano - Série A (5000) - 12 carros 5030 Motor Viagem 115 - 257 A030 B030 Reboque A030 Reboque B030 B069 A069 Reboque B069 No Trens Maq. L08/0115 – DUT Normal Disp: 18 Circ: Mickey Mouse Número matricula 00:59 17 Prog: Insp. Motor Status Loop JPR - IPV Circulação M Gráfico 5069 Trens : 17 Hw : 8’ 17 V 16 7’ Hw: T 17 8’ 08’ Zé Carioca Número matrícula Formação 5001 A001 B001 - B064 A064 5064 - 5030 A030 B030 - B069 A069 5069 Obs: Janela exemplo: METROPOLITANO Segurança no segmento ferroviário nota técnica Identificador Serviço Área Trecho Solicitação KDP1137 TC MRS 173 OMC-OES Janela 2: Tipo “CARGA”. Esta janela atende a Classe de Serviço: CARGA. 3151 - 3796 - 3775 0104892 Locom. Serviço Área Trecho Identificador Solicitação Cauda KDP1137 TC MRS 173 OMC-OES Vagões Placas, Tarugos, Lingotes, Produtos Siderúrgicos Acabados 59 Locom. 3151 - 3796 - 3775 Vagões Cauda 1432,20 Peso Zé Colméia Peso Total 1882,20 Maq. Reb. Num. Matrícula Aux. 20/10/2009 Num. Matrícula Pronto Partida 05:00h 20/10/2009 Pronto Partida 05:00h Janela exemplo: CARGA 920,81 Compr. 02/07 Pepe Legal 1432,20 Peso Aux. Zé Colméia 920,81 Compr. Num.Matrícula Pepe Legal Num.Matrícula 20/10/2009 Chegada 05:30h 20/10/2009 05:30h Chegada 20/10/2009 05:30h Janela 3: Tipo “LOCOMOTIVA. Esta janela atende a Classe de Serviço: LOCOMOTIVA. Identificador Identificador 3157 3157 Tipo Tipo Maq. Maq. Serviço Área Doc Serviço Área Doc LE CPTM 77915 LE CPTM GE-U20-C GE-U20-C Prefixo Prefixo ZéColméia Colméia Zé Aux. Num. matrícula Num. matrícula 77915 Catatau Catatau Aux.Num. matrícula Num. matrícula Cervelli Obs: Obs: Janela exemplo: LOCOMOTIVA Janela exemplo: LOCOMOTIVA Janela 4: Tipo “MANUTENÇÃO”. Esta janela atende a Classe de Serviço: MANUTENÇÃO Identificador Serviço Área Doc. CLP08 VM MRS 77915 Equip. Caminhão de Linha Plasser Rádio 4463 (Linhas 07/10/11/12) Maq. Zé Colméia ® Fortalecendo o futuro! 70 TEL.: (55 11) 2423 3999 FAX: (55 11) 2421 5073 www.molaco.com.br revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 [email protected] Obs: Janela exemplo: MANUTENÇÃO 05:30h 20/10/2009 Janela exemplo: CARGA Principais produtos: Molas para truck ferroviário, Molas helicoidais; Fixadores ferroviários: Molaço-EGG, MA 75 DC, MA 75 DCO; Crapauds, Molaço E 2009, Retensores, Molaço-Fist; Arruelas norma AREMA; Arruelas para tala de junção; Palmilhas isolantes. 02/07 Faixa Placas, Tarugos, Lingotes, Produtos Siderúrgicos 1882,20 Peso 59 Total Acabados Reb. Maq. 0104892 Faixa locomotivas Empresa de serviços fornece locomotivas para BHP A Crédito: Divulgação Downer EDI, uma empresa australiana de ma- nham tentado. Em infraestrutura, ela opera 50 oficinas, nutenção e serviço, fechou contrato de US$ das quais metade dedicadas às ferrovias. Conserva mais 322,8 milhões com a BHP Billiton, principal de 40 mil km de rodovias e 2.800 km de estradas de ferro. concorrente da Vale no mercado mundial de É o principal produtor de asfalto da Austrália, mas cuida minério, para a montagem e fornecimento de um número também de 30 % da frota de locomotiva que circula no não especificado de locomotivas SD70ACe/LCi. As má- país, trabalhando em suas próprias oficinas e em instalaquinas, com 4.300 HP, vão operar na Pilbara Railway, que ções dos seus clientes. Os clientes ferroviários incluem já conta com 74 unidades deste tipo. O motor das locomo- operadores públicos de linhas de passageiros, como a tivas (EMD 16-710, de dois tempos) foi adaptado para fa- Queensland Rail, V/Line and a Public Transport Authorizer face às altas temperaturas ty of Western Australia; e tamda região. É um motor testado bém operadores privados de em mais de 10 mil locomotilinhas de carga, como a Pacific vas pelo mundo. O modelo National, QR National, BHP atual foi concebido dentro do Billiton, Rio Tinto e a Geneexigente padrão de emissão see & Wyoming Australia. A Tier 3 norte americano. empresa emprega mais de 21 A Downer é um tipo de mil funcionários na Austrália, empresa que não existe ainda Nova Zelândia, países da Ásia no Brasil, embora vários já te- Locomotiva SD70ACe/LCi, que será fornecida para a BHP e Reino Unido. HÁ MAIS DE 20 ANOS OFERECENDO QUALIDADE EM MATERIAIS DE VIA. Com um padrão máximo de qualidade, a FERTRILHOS comercializa toda linha de materiais ferroviários, dispondo de um estoque permanente de materiais novos e usados: trilhos leves, pesados, especiais para gruas, guindastes, acessórios de fixação em geral, aparelhos de mudança de via e seus componentes. Tel: +55 11 2489.2800 www.fertrilhos.com.br [email protected] O futuro do trânsito em São Paulo Roberto DaMatta, antropólogo Especial para a Revista Ferroviária U m velho professor dizia que era tão difícil conhecer o passado quanto prever o futuro. De fato, tendemos a de tal modo idealizar de modo positivo ou negativo, tanto o que passou quanto o que virá, que esquecemos o mais importante: o presente que é uma encarnação do passado e que se desenha como um provável futuro. No caso do trânsito em São Paulo, o presente se apresenta dividido. De lado, temos mais automóveis do que ruas; do outro, temos um estilo de dirigir que privilegia a agressividade e inibe a construção de um espaço público igualitário e democrático. Para resolver ou solucionar a primeira dimensão do problema que se relaciona diretamente com a estabilidade financeira, a consequente acessibilidade de crédito e ao poder de consumo que a moeda com valor proporcionou para uma enorme parcela do povo antes esmagado pela inflação e inacessível a realização do desejo de ter um carro, basta planejar vias de acesso, construir avenidas, pontes, viadutos e, acima de tudo, planificar uma rede eficiente de transporte público. Trata-se de uma questão de competente engenharia de trânsito. Um modo de relacionar com mais equilíbrio os meios (os veículos em suas funções e trajetos) e os fins (as ruas, os sinais, as demarcações e as avenidas nas quais eles transitam) com os recursos que o governo arrecada, mas que não são utilizados para tais finalidades. Desse desequilíbrio entre meios e fins, resultam experiências de insegurança e de caos que todos sentimos quando dirigimos um carro em São Paulo, bem como em todas as outras metrópoles brasileiras. A segundo dimensão do problema, porém, é mais complexa e talvez mais básica. Porque o que ela coloca em jogo não é o veiculo nem o espaço no qual ele 72 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 opera, mas o comportamento do motorista. Os valores que estão impressos no papel de condutor de um veiculo motorizado e como esse papel se realiza no espaço público do chamado “trânsito” no caso do Brasil. Sendo assim, vale chamar atenção para um problema central mas raríssima discutido. Refiro-me, ao seguinte: o espaço urbano moderno, constituído a partir do século XVIII, quando surgiram as primeiras grandes cidades na Europa ocidental, coage a uma movimentação mais igualitária sob pena de promover muitos acidentes. De fato, tanto na Inglaterra quanto na França, a democracia se construiu a partir da igualdade como um valor. Como um principio ordenador ao qual todos - sobretudo o habitantes dos grandes aglomerados urbanos - deveriam se submeter. Com isso, comportamentos organizados por meio de títulos de nobreza ou de importância social, foram substituídos por coordenadas igualitárias. No mundo público das cidades, não bastava andar numa carruagem ou num cavalo, era preciso esperar pelas outras carruagens, bem como não atropelar pedestres. Esses seres não montados ou envolvidos pela couraça da uma maquina, mas a quem - não obstante o seu anonimato - se devia todo o respeito demandado pelos donos de charretes, diligências, bondes tocados a burro, ou automóveis. Foi a busca da igualdade que inventou o princípio do “quem primeiro chega, primeiro é atendido” o qual, substitui a vestimenta, a cor da pele ou a posição social como critério de atendimento em todos os espaços. No espaço publico mais exemplar do mundo moderno, o do “trânsito”, todos os atores nele envolvidos: pedestres, ciclistas, motociclistas, condutores de automóveis, de caminhão e de ônibus - enfim, todos os que numa movimentação rápida e incessante Foto: Divulgação artigo dão vida a uma cidade - são obrigados a um caminhar relativo. Um viajar em função dos outros, o que é realizado com ajuda de sinais, de faixas e de outras convenções. Uma característica crucial do trânsito é a sua impessoalidade ao lado do nivelamento que ele impõe. Veículos motorizados e pedestres, bicicletas e carroças, enormes caminhões e ônibus, obedecem ao mesmo conjunto de sinais que, como os ingressos de um cinema ou o preço de uma comida, são universais. Ou seja: valem para todos independentemente de cor, sexo, idade e posicionamento social ou importância politica. No fundo, o que mais impressionaria um habitante de marte ao chegar em São Paulo, seria certamente esse conjunto de trajetos velozes dos veículos motorizados da cidade, milagrosamente obedecendo e parando diante de sinais vermelhos e voltando ao movimento quando o sinal torna-se verde, enquanto numa dinâmica coordena e voluntária, conjuntos de pedestres e de outros veículos, aguardam sua vez. Num ambiente de “trânsito” feliz, todos internalizam modelos de comportamento igualitários! Dai o saber esperar a vez, dai o compreender que o outro, embora desconhecido, tem o direito de passar; dai o prudência ou o cuidado com o movimento do outro. O futuro do trânsito de São Paulo jaz exatamente nestes dois problemas. O primeiro tem a ver com a administração do espaço de modo racional; o segundo - mais complexo e desafiador - com a internalização da igualdade como um valor. Como um critério básico de ordenamento social numa sociedade fortemente marcada por todos os tipos de hierarquia. As do passado remoto que não davam direitos aos escravos; as do passado recente que impediam as mulheres, ,os pobres e os negros de terem vez; e as do presente que estendem a todos esses direitos mas que, por falta de discussão e de pedagogia, não deixam de ter em mente o quanto é penoso e como são resistentes esses pedaços de um passado aristocrático e escravocrata. O futuro positivo, assim, está onde se pode discernir os efeitos negativos de um passado que se intrometem no presente. No caso, essa alergia a igualdade que todos sentimos quando pisamos nas nossas ruas. 74 revista ferroviária | fevereiro/março de 2012 Crédito: Ricardo Guimarães Trem da CAF com passagem livre entre carros (gangway), que está em operação na Linha 8-Diamante da CPTM desde fevereiro. O trem faz parte da Parceria Público-Privada (PPP) vencida pela fabricante no início de 2010 para o fornecimento de 36 veículos para a companhia paulista. foto do mês A NORGREN TRAZ PARA O BRASIL SUA EXPERIÊNCIA DE 30 ANOS EM SOLUÇÕES DE ENGENHARIA YOU CAN SEE OUR THINKING Um dos principais fornecedores globais em controle de movimento, a NORGREN é parceira de empresas no mundo todo promovendo soluções de engenharia. Com atuação em diversos mercados, tem como principal característica o desenvolvimento de soluções customizadas. No setor ferroviário atua em parceria com grandes empresas desenvolvendo soluções para carros de passageiros, trem de carga e sinalização. ENGiNEERiNG advaNtaGE Cilindro com travamento para Serviços Pesados Manifold para Controle de Porta Sistema de Porta interna veja mais sobre nosso pensamento no site www.norgren.com/rail ou entre em contato com nosso time ferroviário através do tel 11 5698 4039 ou e-mail [email protected]