Conhecimento
Na Prática
Um método extrajudicial
de resolução de conflitos que
pode ajudar o administrador
A importância de gerar
empreendimentos para
quem está na base da pirâmide
Arbitragem
Negócios sociais
Educação
continuada
Os desafios do mundo
corporativo moderno
obrigam o administrador
a não parar de estudar
Março/2011 Ano 34 - nº 297
Carta ao Leitor
Eterno aprendiz
O grande mérito do administrador sempre foi o
de estar à frente de seu tempo. Essa característica
permitiu que, ao longo da história, soubesse se impor diante das constantes transformações impostas
ao mundo corporativo, rompendo modelos ineficientes e tornando as organizações mais competitivas. Para manter-se à frente, no entanto, fazer uso
somente do conhecimento adquirido nos bancos de
graduação já não é mais suficiente, já que as mudanças sociais, tecnológicas e administrativas –que
tanto contribuem para tornar as empresas modernas– são cada vez mais frequentes e globalizadas.
Nesse cenário, a saída que o administrador tem
para manter sua posição de líder é buscar o aprimoramento contínuo, que inclui o desenvolvimento
de novas habilidades e competências. A regra vale
tanto para os jovens administradores, que necessitam aprimorar suas habilidades, quanto para os
que já possuem larga experiência, pela importância
que as novas técnicas e ferramentas exercem para a
gestão. Mas é fundamental que nessa busca, os profissionais procurem adequar-se a cursos que gerem
conhecimentos que se encaixem em seus perfis, para
que possam interagir, trocar experiências e, mais do
que isso, acompanhar as sucessivas mudanças.
A educação continuada tem se mostrado fundamental para a construção do sucesso de diversos
profissionais, mas no caso específico do administrador, é determinante acompanhar o avanço da sociedade e a modernização das organizações e, por
isso, o processo de aprendizado jamais pode ser
considerado completo. Ser um eterno aprendiz em
um momento em que o conhecimento é visto como
o motor do desenvolvimento, mais do que uma contribuição para a sua formação multidisciplinar, é a
maneira correta que tem para reforçar sua credencial de bom condutor de práticas gerenciais.
A bem da verdade, a educação continuada deveria ser inerente ao ser humano. Também é fato
que o “querer saber sempre mais”, por meio da
aquisição ou aperfeiçoamento de conhecimentos,
competências, atitudes e valores, contribui para
melhorar a forma como as pessoas discernem
e agem. A questão que se discute, no entanto, é
até onde a educação tradicional promovida pelas
escolas consegue atender as demandas da sociedade. Há muito tempo, essas instituições têm
cumprido apenas com o papel de fornecer ideias
básicas e apontar caminhos, o que amplia o pensamento de que, à medida que novas tecnologias são
introduzidas e novos conceitos são disseminados,
a aprendizagem para o seu eficaz gerenciamento
tem de ser buscada em outros ambientes.
Mais do que imprimir uma marca de diferencial
competitivo nos currículos, ser um eterno aprendiz
amplia a visão gerencial e a compreensão dos desafios. Nesse cenário, todos ganham: o administrador por se tornar altamente qualificado; a empresa
que passa a contar com um colaborador que supera
suas expectativas; e a sociedade que terá produtos
e serviços mais confiáveis.
Boa leitura!
“A saída que o administrador
tem para manter sua posição de
líder é buscar o aprimoramento
contínuo, o que inclui o
desenvolvimento de novas
habilidades e competências”
Adm. Walter Sigollo
Presidente do Conselho
Regional de Administração
de São Paulo - CRA-SP
3
Sumário
Editor
Conselho Regional de Administração de São Paulo
Presidente
Administrador Walter Sigollo
Diretores
Adm. José Alfredo Machado de Assis
Vice-presidente Administrativo
Adm. Milton Luiz Milioni
Vice-presidente de Relações Externas
Adm. Alberto Emmanuel de Carvalho Whitaker
Vice-presidente de Planejamento
Adm. Hamilton Luiz Corrêa
Vice-presidente para Assuntos Acadêmicos
Adm. Teresinha Covas Lisboa
1º Secretário
Adm. Roberta de Carvalho Cardoso
2º Secretário
Adm. Antonio Geraldo Wolff
1º Tesoureiro
Adm. Homero Luís Santos
2º Tesoureiro
Conselheiros
Alexandre Uriel Ortega Duarte, Álvaro Augusto
Araújo Mello, Arlindo Vicente Junior, Carlos Antônio Monteiro,
Edgar Kanemoto, Luiz Carlos Vendramini, Marcio Gonçalves
Moreira e Nelson Reinaldo Pratti
Conselho Editorial para RAP 20011/2012
Coordenador: José Alfredo Machado de Assis. Alberto
Emmanuel C. Whitaker, Hamilton Luiz Corrêa, Luiz Carlos
Vendramini, Marcio Gonçalves Moreira, Milton Luiz Milioni,
Roberta de Carvalho Cardoso, Teresinha Covas Lisboa
e Maria Cecília Stroka.
Produção
Conselho Regional de Administração de São Paulo
Departamento de Desenvolvimento Institucional
Coordenação Editorial e Gráfica
Entrelinhas Comunicação Ltda.
Editor-responsável
Luiz Gallo (MTb 14.576)
Publicidade
Publicidade Nominal Representações
Impressão
Plural Editora e Gráfica Ltda.
Tiragem
50.000 exemplares
Rua Estados Unidos, 889 - Jardim América - São Paulo - SP
CEP 01427-001 - Telefone: (11) 3087-3200
[email protected] - www.crasp.gov.br
Delegacias
Para servir de apoio aos profissionais no interior e, em muitos
casos, ser a extensão da própria entidade, o CRA-SP está
presente, por meio de delegacias, em oito regiões do Estado.:
• Região de Bauru
Delegado: Adm. Helson José B. Fagundes
Rua Joaquim da Silva Martha, 23
Complemento 11 – 17012.225 - Bauru - SP
Tel: (14) 3226-5004
E-mail: [email protected]
Atendimento: das 9h30 às 17h
3 . Carta ao Leitor
6 . Panorama
Arbitragem:
uma aliada do
administrador
Eventos promovidos pelo
CRA-SP e informações
de interesse do administrador
em Conhecimento
10 . Conhecimento
Arbitragem
A modalidade é uma
alternativa ao Judiciário
na resolução de conflitos
• Região de Campinas
Delegado: Adm. João B. Pereira Júnior
Rua Barão de Paranapanema, nº146
conj. 44 A – 13026-010 - Campinas - SP
Tel: (19) 3251-9688/3251-9660
E-mail: [email protected]
Atendimento: 8h30 às 17h30
• Região de Jundiaí
Delegado: Adm. Eric Jacques L. Winandy
Avenida Dr. Sebastião Mendes Silva, 901
13208-090 - Jundiaí - SP
Tel: (11) 4586-7299
E-mail: [email protected]
Atendimento: 9h às 17h
• Região de Piracicaba
Delegado: Adm. Roberto Tayar
Rua Alferes José Caetano, 720 - Sala 25
13400-120 - Piracicaba - SP
Tel: (19) 3402-4841
E-mail: [email protected]
Atendimento: 9h às 17h
• Região de Ribeirão Preto
Delegado: Adm. Marcos Silveira Aguiar
Coord. Regional: Adm. Marcelo Torres
Avenida Braz Oláia Acosta, 727 – conj. 109
14026-040 - Ribeirão Preto – SP
Tel: (16) 3621-1061 – Fax (16) 3621-3827
E-mail: [email protected]
Atendimento: 8h30 às 17h30
• Região de Santos
Delegado: Adm. Itamar Revoredo Kunert
Rua Leonardo Roitman, 27 – conj. 43
11015-550 – Santos - SP
Tel: (13) 3223-2629
E-mail: [email protected]
Atendimento: 13h às 19h
• Região de São José do Rio Preto
Delegado: Adm. José Carlos Simões
Rua Luiz Antônio da Silveira, 89
15025-020 - São José do Rio Preto - SP
Tel: (17) 3234-1676
E-mail: [email protected]
Atendimento: 8h às 18h
• Região de Sorocaba
Delegado: Adm. Gilberto Dilela Filho
Rua Padre Luiz, 17 – 12º andar - sala 128
18035-010 - Sorocaba - SP
Tel: (15) 3211-0987
E-mail: [email protected]
Atendimento: 9h30 às 16h
A RAP é uma publicação mensal do Conselho Regional
de Administração de São Paulo (CRA-SP), sob a responsabilidade
de seu Conselho Editorial. As reportagens não refletem
necessariamente a opinião do CRA-SP.
14 . Na Prática
Negócios
do bem
em Na Prática
Educação
continuada
em Capa
Negócios sociais
Uma iniciativa economicamente
rentável que contribui para
a redução da pobreza
18 . Capa
Além da graduação
Mundo corporativo moderno
exige aperfeiçoamento,
atualização e desenvolvimento
de novas habilidades e
competências constantes
24 . Perfil
Administrador e coronel
Álvaro Batista Camilo
O foco da administração da
Polícia Militar do Estado de
São Paulo são as pessoas
28 . Estilo
Compras coletivas
Com ofertas arrasadoras,
modalidade não para de crescer
32 . Canal Aberto
A importância do registro
e da certificação profissional
34 . Opinião
Adm. Paul Peter Boilesen
Panorama
por Luiz Gallo
Sonhar
grande
Marcelo Marques
Cursos Dtcom
para abril
O Brasil pode se tornar a
maior referência mundial
em empreendedorismo
Empreender no Brasil sempre foi visto como uma opção
para quem teve pouca oportunidade de encontrar um
bom emprego. Essa filosofia
tem contribuído para que o
País seja um dos líderes entre os que empreendem por
necessidade. Porém, é possível transformá-lo na maior
referência mundial, dentro
de uma cultura que privilegie as oportunidades. Esse
é um dos objetivos do Instituto Endeavor, que acredita
ser possível multiplicar o
número de empreendedores de alto impacto e, com
isso, buscar uma alternativa
concreta para o desenvolvimento brasileiro. O tema foi
alvo de palestra apresentada
no CRA-SP pelo administrador Rodrigo Teles, seu diretor geral, a convite do Comitê
Jovens Administradores.
Segundo ele, a Endeavor
está a procura de empreendedores que sonham grande
(com ambição e capacidade
6
de enxergar longe), tenham
brilho nos olhos (paixão
pelo que fazem), inovam
(sabem que precisam ser
diferentes), botam para fazer (capacidade de executar com excelência) e éticos
(fazem com transparência,
gestão e profissionalismo).
São esses empreendedores,
explicou, que revolucionam
o meio em que atuam, geram renda e oportunidades
de trabalho, proporcionam
mobilidade social e inspiram as próximas gerações
a seguir o mesmo caminho.
Entre os exemplos citados,
o da BS Construtora, cujo empreendedor, o então mestre
de obras Sidnei Borges dos
Santos, inovou ao criar um
método de casas pré-moldadas, e o da Beleza Natural,
em que a ex-empregada doméstica Zica (Heloísa de Assis), ao inspirar-se no sonho
de proporcionar mudanças
nas vidas das pessoas, por
meio da beleza, montou um
pequeno salão, em 1993, no
subúrbio carioca. Hoje, a Beleza Natural, conta com uma
rede de 10 estabelecimentos
e mais de 70 mil clientes.
Já a construtora, que tem
quatro fábricas, pretende
construir mais cinco até o
final do ano, quando deverá participar de mais de
50 empreendimentos.
“São exemplos assim que
movem a Endeavor”, ressaltou Teles, ao informar
que, em 2009, os empreendedores ligados ao instituto geraram mais de 20
mil empregos e faturaram
"Sonhar grande
é o primeiro passo
para realizar algo
magnífico. Até
porque dá o mesmo
trabalho que
sonhar pequeno"
cerca de R$ 2 bilhões. “Sonhar grande é o primeiro
passo para realizar algo
magnífico. Até porque dá o
mesmo trabalho que sonhar
pequeno”, enfatizou.
Porém, para que eles se
tornem perenes, mais do
que investir em informações
gerenciais e de estabelecer
uma cultura de resultados,
é preciso adotar uma gestão simplificada, o que Teles
chama de “barriga no balcão”. As contingências, ensinou, devem ser cortadas tão
logo surjam e jamais o dinheiro pessoal deve ser misturado com o da empresa, e
vice-versa. Para ter um controle melhor sobre os gastos, citou uma frase de Peter
Graber, considerado um dos
dez maiores empreendedores do País: “Você nunca
pode dar a sensação de que
está sobrando dinheiro.
Todos são mais criativos
e inteligentes quando não
há dinheiro sobrando”.
AD Autodesenvolvimento
Escrita para negócios com ênfase para a nova ortografia – Aulas 1 e 2
Português aplicado I
Português aplicado II
Português aplicado III
Português aplicado IV
Série Profissional: Aprimorando as habilidades pessoais de comunicação verbal 1/4
Série Profissional: Melhorando sua performance como ouvinte 2/4
Série Profissional: Comunicação interpessoal – Permissividade,
autoritarismo e resolução conjunta 3/4
Série Profissional: Comunicação Verbal – Elemento fundamental
para o desenvolvimento profissional 4/4
PowerPoint I – Básico
PowerPoint II – Básico
PowerPoint I - Intermediário
PowerPoint II - Intermediário
PowerPoint – Tópicos sobre a versão 2007
Série Profissional: Gestão da qualidade total
Série Profissional: A ISO e as ferramentas da qualidade 2/5
Série Profissional: Pensamento estratégico I 3/5
Série Profissional: Pensamento estratégico II 4/5
Série Profissional: Sustentabilidade nas organizações contemporâneas
Metaversos e novos ambientes de negócios
Contextualização e introdução à projeção de fluxo de caixa 1/3
Caso concreto de projeção do fluxo de caixa 2/3
Modelos de cálculo da Taxa Mínima de Atratividade 3/3
GC Gestão Corporativa
GP Gestão Pública
Série Profissional: Controles internos na Administração Pública contemporânea 1/4
Série Profissional: Entrevista Boas Práticas em controles internos – Implantação 2/4
Série Profissional: Aplicando os controles internos na Administração Pública 3/4
Série Profissional: Entrevista Boas Práticas em controles internos – Execução 4/4
O reuso da água
NR10 – Riscos em instalações e serviços com eletricidade 11/14
NR10 Prestando os primeiros socorros 12/14
NR10 Incêndios – Proteção e Combate 13/14
NR10 Técnicas de combate a incêndio 14/14
Os cursos são transmitidos, por meio de uma TV Corporativa,
na sede do Conselho, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h.
Inscrições pelo e-mail [email protected] ou pelo
telefone (11) 3087.3200 – Departamento de Relações Externas.
As reservas devem ser feitas com antecedência. A programação
completa está em www.crasp.gov.br/dtcom
7
Panorama
por Sarah Germano
Indicações
de leitura
Marcelo Marques
Trade Marketing
Estratégias
de distribuição
e execução
de vendas
Diversos autores
Coordenação de
Matheus Alberto
Cônsoli e Rafael
D’Andrea
Editora Atlas
1.ª edição, 2010
Páginas: 304
Preço: R$ 58,00
Apresenta de maneira estruturada, didática e de fácil entendimento, conceitos, ferramentas
e questões para que profissionais e acadêmicos da área
de Marketing possam avaliar,
planejar e implementar suas
estratégias de trade marketing.
Com nove capítulos, a obra
é baseada no conhecimento
acadêmico e na experiência no
dia a dia dos autores em organizações, varejistas, pesquisas e
projetos de consultoria desenvolvidos nos últimos dez anos.
Crises
Financeiras
Quebras, medos
e especulações
do mercado
Humberto F. S.
Spolador e Pedro
Carvalho de Mello
Saint Paul Editora
3.ª edição
Páginas: 288
Preço: R$ 54,00
Retrata, em 12 capítulos, a
natureza e as consequências
das principais crises financeiras mundiais, como a Tulipomania (1630) e o Esquema
Mississipi (1710). Traz ainda
uma análise detalhada das
mais recentes, entre elas a do
Sulprime (2008) e da Zona do
Euro (2010), e suas repercussões na economia brasileira.
8
Contraregra
da
empresa
Qual a importância da cadeia de suprimentos para a
logística? Para responder a
pergunta, o Grupo de Excelência “Administração de Cadeias
Produtivas e Logística Empresarial” do CRA-SP promoveu
palestra com o administrador
Paulo Roberto Bertaglia, autor
do livro “Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento” (Editora Saraiva).
De acordo com o palestrante, a vontade de consumir
produtos é a força que move
as cadeias de suprimento e as
organizações têm de entender o que as pessoas querem
adquirir, o que exige planejamento. “O consumo está
ligado à logística”, afirmou.
“Se o produto não estiver na
gôndola do supermercado por
uma falha de distribuição, o
estabelecimento perde duas
vezes: não vende o produto e
o concorrente ganha a venda.
Para evitar dissabores, uma
estratégia interessante é o
“Just in Tide”, uma referência
ao sabão em pó norte americano que leva essa marca. Por
meio de uma parceria com a
rede de hipermercados Walmart (EUA), o fabricante era
avisado todas as vezes em que
o produto era adquirido. A
reposição era imediata, o que
contribuía para que não houvesse desabastecimento.
Segundo Bertaglia, é preciso ficar “de olho” nas forças
externas que podem abalar
um suprimento de cadeias,
como intensa competição,
globalização, mercado e demanda, informação e comunicação, culturas e regras
e o meio ambiente. “Essa
atenção contribui para que
cada centavo economizado
seja contabilizado no lucro
da empresa”, finalizou.
Vigilância
aprovada
Enquete do
CRA-SP mostra que
administradores
aceitam ser
monitorados
no trabalho
A Justiça Trabalhista tem
aceitado a possibilidade de os
empregados serem monitorados por câmeras no exercício
de suas funções, desde que
alguns limites sejam respeitados: as pessoas devem ter
ciência da ação e o monitoramento excluir áreas como
banheiros e refeitórios.
Segundo o Tribunal Regional
do Trabalho, esse tipo de vigilância quando ocorre apenas
no local efetivo de trabalho, terminais bancários e portas principais, não representa violação
à intimidade. Esse posicionamento tem sido mantido pelo
Tribunal Superior do Trabalho.
No entanto, as empresas que
captam imagens dos banhei-
ros e de outras áreas privativas
têm sido condenadas por dano
moral. Em recente decisão da
1ª Turma do TST, o ministro
Lélio Bentes afirmou que essa
conduta extrapola os limites
do poder de direção e causa
constrangimento com violação
ao direito à intimidade.
Para saber o que os administradores pensam a respeito, o CRASP realizou uma enquete, via
Internet, com 3.286 profissionais
registrados. A maioria (58,5% ou
1.921 administradores) entende
que o posicionamento da Justiça está correto, pois também
é uma forma das empresas protegerem seus patrimônios. Os
demais (1.365 administradores)
consideram a medida invasiva.
Conhecimento
por Sarah Germano/Luiz Gallo
Arbitragem
Você ainda pode
precisar dela
Como um método extrajudicial
de resolução de conflitos pode ajudar
o administrador
10
F
oi a partir de uma anotação de Benjamim Franklin
(1706-1790), um dos líderes da Revolução Americana e
conhecido por suas citações e
experiências com a eletricidade,
que a frase “tempo é dinheiro” foi
incorporada pelo mundo capitalista. Ele teria falado a célebre
expressão depois de ler obras
do filósofo grego Teofrasto
(371-288 a.C), a quem atribuise a autoria de cerca de 200
trabalhos em 500 volumes, que,
na prática, correspondia a um
livro escrito a cada dois meses.
No mundo corporativo, diante
do cenário de competição globalizada e acirrada, o significado da frase tem se tornado
cada vez mais verdadeiro. Nele,
perder tempo não se traduz
apenas em deixar de “produzir
dinheiro”, mas colocar em risco
a sobrevivência das organizações. Não raro, o administrador
se vê diante de processos judiciais, parte deles de fácil solução, que, em função da demora
de seus julgamentos, se tornam
caros para a empresa. São em
situações assim que a arbitragem serve como alternativa ao
modelo tradicional, ao resolver
as pendengas de forma mais
rápida, economizando esforços
das partes envolvidas.
A arbitragem é uma modalidade de resolução de conflitos
que se dá de forma extrajudicial
–ou seja, não acontece diante da
autoridade judicial nem sofre
sua interferência em seu valor
legal. Por meio dela, os envolvidos procuram uma câmara (instituição privada) para fazer a
mediação do processo. O método
é considerado por especialistas
a principal forma de soluções de
pendengas comerciais, especialmente na órbita internacional,
tanto que nos contratos de negócios entre países, é normal a inclusão de cláusula nesse sentido.
Na Grécia antiga, o orador e
político Demóstenes (384 a.C.
– 322 a.C), cuja oratória constituía uma importante expressão da capacidade intelectual
da Atenas daquela época, definiu a prática de tal forma que
continua atual. Segundo ele, “se
as partes têm um conflito relativamente às suas obrigações
privadas e desejam escolher
um árbitro, é lícito que elas indiquem alguém de seu agrado.
Mas, a partir do momento em
que escolherem um árbitro de
mútuo e comum acordo, deverão cumprir fielmente sua
decisão e dela não poderão
recorrer perante um tribunal.
A sentença será definitiva”.
Em palestra promovida pelo
Grupo de Excelência Mediação
e Arbitragem, do CRA-SP, o administrador Sidney Fernandes
Filho disse que a sociedade
ganhou um mecanismo para
resolver seus conflitos sem burocracia, com agilidade e autonomia para escolher onde,
como e quando serão finalizados. Conciliador nomeado no
Setor de Conciliação do Fórum
João Mendes Júnior e professor do curso de Conciliação,
Mediação e Arbitragem das
Associações Comerciais do Brasil, Fernandes Filho explicou
que embora sirva como alternativa para desafogar o Judiciário, a arbitragem se aplica
apenas a litígios relativos a
direitos patrimoniais disponíveis, ou seja, os que podem ser
avaliados monetariamente.
Vantagens
da Arbitragem
▪ Autonomia da
vontade das partes
▪ Escolha da lei aplicável
▪ Indicação do local
da arbitragem
▪ Determinação do tempo
necessário para terminar
a controvérsia
▪ Informalidade,
flexibilidade e celeridade
do procedimento
▪ Confidencialidade
▪ Transparência do
procedimento, em todas
as suas fases
▪
A imparcialidade dos
árbitros, resguardando
a indispensável
segurança jurídica
▪ Amplo e irrestrito
direito de defesa
▪ Decisão arbitral produz
os mesmos efeitos da
sentença judicial
▪ Maior disponibilidade
de tempo dos árbitros
11
Conhecimento
Um dos fundadores do escritório
de advocacia Barbosa, Müssnich
& Aragão Advogados e professor
universitário de instituições como
PUC-Rio, Eaesp e Ibmec, Francisco
Müssnich classifica como principal
benefício da arbitragem a opção
da criação de um colegiado com
profundo conhecimento das áreas
específicas e focados para o exame
de seus problemas. Os árbitros
são escolhidos pelas partes, não
necessariamente com formação
em Direito, o que abre a possibilidade de atuação de profissionais
da área relacionada ao conflito,
donos de expertise do assunto
a ser tratado.“Pontos negativos,
até agora não vi”, conta. Para ele,
apesar de recente no Brasil, a arbitragem está se transformando
em uma tendência. “Isso porque
o judiciário é incapaz de resolver
questões que envolvem assuntos
complexos. É muito difícil para um
juiz, que já tem uma série de outros
problemas para julgar”, comentou.
12
A nova lei reformulou esse posicionamento por meio da inclusão
da cláusula compromissória –as
partes se comprometem a utilizar o instrumento como forma de
solução de possíveis conflitos decorrentes da relação trabalhista,
civil ou comercial– e da sentença
arbitral, que equivale a uma decisão judicial para todos os efeitos
legais e que, diferentemente da
legislação anterior, não precisa
ser mais homologada pelo Judiciário. “Antes, era meia sentença,
hoje total”, classifica Selma.
No dia a dia, explica Müssnich,
a modalidade é considerada uma
aliada do administrador em três
aspectos: a. possibilidade de oferecer um profundo conhecimento
“O Judiciário é incapaz de resolver questões
que envolvem assuntos complexos. É muito
difícil para um juiz, que já tem uma série de
outros problemas para julgar”
Francisco Müssnich, advogado e professor universitário
Cláusula compromissória
Participante da elaboração da
Lei de Arbitragem brasileira (Lei
9.307/96) e integrante de sua
comissão relatora, a advogada
Selma Maria Ferreira Lemes diz
que uma análise utilizada em sua
tese de doutorado, aferida por especialistas, revela que os custos
de uma empresa que opta por
resolver seus conflitos por meio
arbitral chega a 58%. Lembra que
apesar de fazer parte de ordenamento jurídico brasileiro desde a
Constituição Imperial de 1824, a
arbitragem nunca foi empregada
porque a legislação não propiciava sua utilização ao colocar
“mais óbices que facilidades”.
do caso em exame; b. garantia
de que o painel formado por três
membros tenha uma pensamento
melhor sobre o que está em discussão, do que somente um juiz; e c.
rapidez em que o progresso acontece. “Enquanto um processo para
ser resolvido na Justiça tradicional
leva três ou quatro anos, em média,
na arbitragem dura, no máximo,
um ano, estendendo para 14 meses, em casos raros”, ressalta.
Os laços entre a arbitragem e
a profissão de Administrador, segundo Selma, são também estreitados por duas possibilidades. A
primeira se dá à medida em que
passa a exercer o seu direito de
opinar e escolher a melhor opção
diante de diferentes situações,
principalmente as relacionadas
a custo-benefício e otimização
de lucros. “O papel primordial
do administrador é isso, poder
participar do procedimento, da
relação estabelecida com as demais partes da empresa a fim
de fazer com que tudo ande
conforme o planejado. Um conhecimento adequado sobre a
arbitragem abre a possibilidade
que discuta com seu departamento jurídico e apresente novas
soluções”, enfatiza Selma, que
complementa: “É preciso dar valor para a cláusula de arbitragem,
pela sua importância e estratégia, por interferir diretamente
no custo de todo o processo.
Não é apenas uma cláusula política, é também econômica e financeira”, aponta Selma.
A segunda, atuando como árbitro. “Ele pode compor uma câmara
por ter a noção de empresa, de administração. Como a arbitragem é
um instituto que trabalha muito
com o direito comercial e empresarial e até com toda a estrutura
da sociedade, o raciocínio de um
administrador pode colaborar bastante para a linha de pensamento
de outros profissionais, caso específico do advogado”, conclui.
Conflitos trabalhistas
Apesar de o tema ser controverso,
é possível utilizar a arbitragem nos
conflitos trabalhistas. Basta que as
partes (empregado e empregador)
manifestem a vontade de resolvêlos por meio de assinatura do compromisso arbitral. A afirmação é da
advogada Ana Lúcia Pereira, presidente do Conselho Nacional das
Instituições de Mediação e Arbitragem (Conima), que, no entanto, recomenda seguir o “Norteador das
Boas Práticas Trabalhistas” elaborado por aquela entidade.
Nesse documento consta, por
exemplo, que a instituição arbitral
deverá, frente às partes e árbitro,
ater-se aos princípios da moralidade, impessoalidade, boa-fé,
“É preciso dar valor
para a cláusula da
arbitragem por
interferir no custo de
todo o processo”
Divulgação
Marcelo Marques
A sociedade ganhou um
mecanismo para resolver seus
conflitos sem burocracia,
afirma o administrador
Sidney Fernandes Filho
Selma Maria Ferreira Lemes,
advogada e integrante da comissão
relatora da elaboração da Lei de
Arbitragem brasileira (foto).
ética, autonomia da vontade, consensualidade, voluntariedade e sigilo pessoal. Outra recomendação
é que o procedimento não poderá
versar sobre questões relacionadas às normas ambientais, saúde,
segurança e medicina do trabalho.
O posicionamento dos tribunais em relação a essa prática,
de acordo com Ana Lúcia, está
muito dividido. “Encontramos
jurisprudências contrárias e
favoráveis. No mês passado, o
Tribunal Superior do Trabalho
(TST) publicou uma decisão, na
qual os ministros entendem que
a modalidade é perfeitamente
aplicável aos conflitos trabalhistas”, disse, ao lembrar que,
desde 1997, uma estimativa
aponta para 200 mil casos solucionados em todo o País.
Na Prática
por Daniela Cabral
Negócios do bem
Apostar nas camadas da população menos
favorecida pode fazer a diferença
14
negócios. Um exemplo bemsucedido é o do Banco Pérola,
de Sorocaba, interior paulista.
A instituição trabalha com microcrédito para jovens –18 a
29 anos– das classes C, D e E,
potencialmente empreendedores. Constituído como uma Oscip Creditícia –Organização de
Sociedade Civil de Interesse Público–, o banco foi criado em outubro de 2008. O valor mínimo
para empréstimo é de R$ 50 e
o máximo, R$ 5.000. A taxa de
juros é de 4% ao mês.
Uma das parceiras do banco é
a Artemísia Internacional. Criada
em 2002, iniciou suas atividades
no País dois anos depois. A escolha do Brasil como base de atuação se deve ao seu panorama
econômico positivo e em franco
crescimento, campo ideal para o
início de bons negócios.
O empreendedorismo e a vontade do brasileiro em ajudar
também influenciaram a escolha.
“Nós oferecemos formações para
que as pessoas possam atuar
nesse campo. Divulgamos o conceito por meio da prática de modelos em que elas são convidadas
a empreender ou atuar e os disseminamos por meio de exemplos. Apoiamos negócios sociais
em fase de consolidação para
que outros bons modelos surjam
e possam ser compartilhados no
mercado”, diz Maure Pessanha,
diretora do Centro de Formações
em Negócios Sociais da Artemísia, ao lembrar que a modalidade
é uma iniciativa economicamente
rentável, que contribui para a redução da pobreza de três maneiras: pelos produtos, serviços ou
inclusão de pessoas menos favorecidas na cadeia produtiva.
Rob Parkinson coordena a implantação do Polo ANDE Brasil
(Aspen Network of Entrepreuners, em tradução livre, Rede
Aspen de Empreendedores), organização internacional que investe
dinheiro e conhecimento para
promover o empreendedorismo
em mercados emergentes. “A ideia
central é criar um novo tipo de
“Apoiamos negócios
sociais em fase de
consolidação para
que outros bons
modelos surjam”
Marcelo Marques
N
egócios que atendam a
base da pirâmide. Negócios inclusivos. Negócios
que acabam com a pobreza. Negócios sociais. Muitas denominações para a mesma ideia. Tudo
começou em Bangladesh nos
anos 1970. O professor e economista Muhammad Yunus, preocupado com a situação de pobreza
extrema de seu país, fundou um
banco destinado a emprestar dinheiro aos pobres, o Grameen
Bank. A instituição se tornou a
primeira especializada em microcrédito no mundo, modalidade que se diferencia por não
ser necessário que o cliente dê
garantias ao banco. Por mês, são
emprestados mais de US$ 100
milhões. O perfil dos tomadores
é de mulheres em maioria esmagadora, 97%. A taxa de retorno
do banco é de aproximadamente
98%. O êxito do professor e de
seu banco os levaram a ganhar,
em 2006, o Prêmio Nobel da Paz.
Uma prova do crescimento do
tema em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento da África, Ásia e América
Latina, com históricos de bolsões
de pobreza, foi dada em 28 de junho do ano passado, com a instituição do Social Business Day
(Dia do Negócio Social). Além de
Dhaka, capital de Bangladesh,
uma série de eventos tomou conta
de Nova Iorque (EUA), Tóquio e
Fukuoka (Japão), Buenos Aires
(Argentina), Wiesbaden (Alemanha), Joanesburgo (África do Sul),
Karachi (Paquistão), Roorkee,
Bombaim, Indore e Bangalore (Índia), Hangzhou, Xangai e Pequim
(China) e Porto (Portugal).
No Brasil, os preceitos de Yunus também fundamentam um
novo conceito no mundo dos
Maure Pessanha, diretora do
Centro de Formações em Negócios
Sociais da Artemísia (foto )
15
Na Prática
arquivo pessoal
“A ideia central é
criar um novo tipo
de negócio cuja
atividade principal é
gerar impacto social”
Rob Parkinson, coordenador da
implantação do Polo ANDE Brasil (foto)
negócio cuja atividade principal
é gerar impacto social”, enfatiza.
Ele também é um dos editores
do site Next Billion Brasil (http://
brasil.nextbillion.net), portal que
reúne pessoas de diversas profissões, ONGs, artigos, notícias
e oportunidades aos interessados em atividades que reduzam
a pobreza no País. O objetivo é
promover uma espécie de ponto
de encontro de informações e de
pessoas para tirar dúvidas como
“por onde começar” ou “o que
fazer para ajudar”.
Daniel Izzo é uma dessas pessoas. “Eu queria fazer algo que
tivesse significado”, diz. Sócio e
co-fundador da Vox Capital, trabalhou por mais de 12 anos nas
áreas de Marketing e novos negócios de companhias que seguem
modelos tradicionais. Na última
delas, desenvolveu projetos bem16
de empresas de alto potencial que
ajudam a reduzir a pobreza). Izzo
também participa do conselho do
Polo ANDE Brasil e da equipe editorial do Next Billion Brasil.
Outro exemplo prático de sucesso
é a Rede Tekoha, que comercializa
brindes e presentes corporativos –
canetas de bambu e de papel kraft,
calendários feitos em pedra sabão,
marcador de livros de filtro de café,
porta-lápis de babaçu- sustentáveis
confeccionados artesanalmente por
comunidades urbanas e rurais menos favorecidas. O objetivo é a geração de renda para essas pessoas.
O diferencial da empresa, segundo
um de seus idealizadores, Henrique
Bussacos, é a transparência. “Ao
abrir todos os preços da cadeia
produtiva, a Tekoha revolucionou
um mercado em que todos desconfiavam das margens e ninguém
tinha coragem de apresentá-los
aos clientes”, ressalta. Outra diferença é a quantidade de produtos
encomendada. A empresa definiu
um mínimo de 50 peças, sempre
confeccionadas pela mesma comunidade, com exceção dos casos em que não se têm estoque
do produto pedido.
Negócios inclusivos
O principal objetivo dos modelos tradicionais de negócios é o
lucro. As empresas até possuem
programas de responsabilidade
e sustentabilidade social, mas
são atividades paralelas ao seu
escopo, nem sempre estão vinculadas ao objetivo primordial,
que prioriza o resultado financeiro. Isso não significa que as
corporações baseadas em negócios sociais não possam lucrar.
“Podem sim, mas os objetivos
são diferentes. São focados em
geração ou incremento da renda
e abertura de oportunidades”, diz
a antropóloga Luciana Aguiar, da
Plano CDE, consultoria especializada nas classes de baixa renda.
Segundo ela, que prefere a expressão “negócios inclusos”, as
empresas tradicionais começam
a olhar mais para essas iniciativas. “A Coca-Cola, por exemplo,
desenvolveu unidades com foco
no público da base da pirâmide”,
enfatiza. São mais de 95 milhões de pessoas. Um número
impactante, considerando que a
população brasileira é de 191 milhões, segundo o censo do IBGE
(2010). “A diferença é muito
clara entre as classes C+ e C-. A
primeira ascendeu nos últimos
anos, melhorou a autoestima,
ganhou confiança e mais poder
aquisitivo. A outra ainda passa
por dificuldades e termina o mês
‘apertada’”, explica Luciana.
A bem da verdade, a definição
de lucro ainda gera polêmica.
Por um lado, há os que compartilham com o pensamento
de Yunus, que acredita ser imoral obter ganhos com a venda
de produtos e serviços para os
pobres e, caso ocorram, devem
ser revertidos para o próprio
negócio e, assim, aumentar o
impacto social. Por outro, existem correntes que entendem
que o lucro não serve apenas
para gerar dividendos para os
acionistas, mas também é a melhor maneira para promover
ações socioeconômicas para as
comunidades carentes.
Controvérsias à parte, os profissionais envolvidos com projetos desse nível sabem que, no
Brasil, o setor ainda é pequeno,
mas com possibilidades reais de
crescimento em larga escala, em
função do tamanho da população
carente. Não é à toa, portanto, que
os esforços são concentrados em
áreas como Educação, Saúde, Habitação e geração de renda. Os negócios sociais se diferenciam por
acreditar que há empreendedorismo e muito potencial nessa camada da sociedade e que, juntos,
podem fazer a diferença.
“As empresas
baseadas em negócios
sociais focam seus
objetivos em geração
de renda e abertura
de oportunidades”
Luciana Aguiar, antropóloga
da Plano CDE (foto)
Marcelo Marques
sucedidos e resolveu alçar voo,
mas não solo. “A Vox começou em
2009, comigo e mais dois sócios e
investe, por meio de participação
societária e aconselhamento estratégico, em start ups, pequenos
negócios que servem a base da
pirâmide nas áreas de Educação,
Saúde e Habitação”, afirma. A empresa é o primeiro fundo de capital
empreendedor brasileiro de impact investing (desenvolvimento
Capa
por Luiz Gallo
Muito N
além da
graduação
Desafios do mundo
corporativo moderno
impõem ao administrador
que sua formação
seja contínua
18
o começo do segundo semestre do
ano passado, a administradora Cristina Faustino, que responde pela
gerência administrativa e financeira do
grupo The Magic Nuts, rede de franquias
de quiosques alimentícios, entendeu que
os conhecimentos adquiridos três anos
antes na faculdade já não eram suficientes para manter sua carreira valorizada e
decidiu que era hora de cursar um MBA
(Master in Business Administration). Mais
do que a proposta de compartilhar novos
conhecimentos na empresa em que trabalha, por meio de uma visão gerencial e
de planejamento mais amplos, a busca de
Cristina de se aprimorar em uma atividade
que irá ajudá-la no dia a dia de seu trabalho, vai ao encontro das imposições e dos
desafios do mundo corporativo moderno,
que, por conta de constantes mudanças e
adaptações, sentenciam que a formação de
um profissional, notadamente o administrador, não se encerra com a conclusão do
curso de graduação. A universidade, dizem
os especialistas, aponta caminhos, fornece
conceitos e ideias, mas a bagagem deve ser
arrumada por quem pretende trilhá-los.
Em outras palavras, esses caminhos
atendem pelo nome de educação continuada. Assim como as empresas buscam
aprimorar seus conhecimentos práticos
para continuarem competitivas, é fundamental que os administradores não parem
no tempo. “O desenvolvimento de conhecimento jamais deve ser deixado de lado.
Vivemos situações complexas, e quanto
mais preparo houver, mais condições para
resolver problemas e aproveitar oportunidades”, esclarece o professor Taiguara Langrafe, coordenador do curso de graduação
em Administração da Fundação Escola de
Comércio Álvares Penteado (Fecap).
“Os cursos de extensão universitária têm
o objetivo de aperfeiçoamento, atualização,
desenvolvimento de novas habilidades e
competências que os de graduação não propiciam”, reforça o professor e administrador
Adalberto Fischmann, chefe do Departamento de Administração da Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade da
Universidade de São Paulo (FEA-USP) e diretor da Fundação Instituto de Administração
(FIA). Segundo ele, o mérito dos cursos de
educação continuada é aproveitar a experiência profissional e gerencial para ampliar a
compreensão dos desafios e conflitos que os
executivos enfrentam em seu cotidiano, preparando-os para melhorar a capacidade de
resolução de problemas e tomada de decisão.
“É claro que não se trata de uma questão sine
qua non”, diz ele, ao lembrar que a história
do meio corporativo brasileiro está repleta de
exemplos de profissionais que avançaram na
carreira por meio do autodesenvolvimento.
Porém, os tempos eram outros. “Hoje, diante
da velocidade com que o conhecimento é disseminado, deixar de ficar permanentemente
conectado com os processos de atualização significa perder o pé em curto período
de tempo”, justificou Fischmann.
Além de imprimir no currículo novos
conhecimentos de gestão, a educação
continuada, na visão do administrador
Fernando Cardoso, sócio-diretor da Integração Escola de Negócios, contribui para
melhorar estilos comportamentais para
liderança, fundamentais, por exemplo, na
solução de conflitos. “Cada vez mais ela
é percebida como um diferencial competitivo, um aperfeiçoamento prático que
será aplicado no dia seguinte no trabalho”, enfatiza. Ou, como explica Irineu Gianesi, diretor de pós-graduação lato sensu
do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa:
“Quando se faz um curso de graduação, o
nível de maturidade é a compreensão do
valor do conhecimento. Na educação continuada, o que prevalece é a sua aplicação no desenvolvimento de competências,
resolução de problemas e capacidade de
formação de pensamento crítico”.
Nesse segmento, o destaque fica por
conta dos MBAs, uma espécie de pósgraduação lato sensu, que não dá diploma, mas um certificado. No entanto,
não basta apenas querer fazê-los. É necessário ter experiência gerencial, em
média de 3 a 5 anos, e pelo menos três
anos de formado, passar por uma análise
curricular e realizar provas de conhecimentos específicos e gerais. A seleção
rigorosa é importante para manter a
qualidade do grupo de alunos e, dessa
forma, contribuir para que interajam,
troquem experiências e acompanhem o
conteúdo programático. “Na realidade,
é um processo de transformação que,
além de esforço, o aluno tem de demonstrar que está disposto a buscar a evolução e o aprimoramento de competências
e habilidades”, destaca Gianesi.
“Deixar de ficar conectado com os
processos de atualização significa
perder o pé em curto período de tempo”
Adm. Adalberto Fischmann, chefe do Departamento de Administração da
FEA-USP e diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA)
19
Para o administrador Adalberto Fischmann,
chefe do Departamento de Administração da FEAUSP, cabe ao profissional optar por instituições que
mantenham padrões de qualidade reconhecidos
20
“O aluno tem de demonstrar
que está disposto a buscar a
evolução e o aprimoramento
de competências”
Irineu Gianesi, diretor de pós-graduação lato sensu
do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (foto acima)
outras palavras, diz Fischmann, ter grupos heterogêneos pode até ser bom, mas
as chances de apresentarem desníveis
de capacidade, raciocínio, compreensão
e experiências são grandes, o que pode
comprometer o aprendizado.
Esse direcionamento, segundo Fischmann,
que também é secretário executivo da Associação Nacional de MBA (Anamba), entidade
cuja missão é contribuir para a excelência no
mercado por meio de parâmetros de qualidade que norteiam a estruturação e a oferta,
elimina os candidatos que pretendem fazer
os cursos por modismo. “Até porque não
existe essa de que no ano que vem farei um
MBA ou uma pós-graduação, porque isso
vai me valorizar”, ressalta. Ele entende que
apesar de existir diversas instituições oferecendo essa modalidade de curso, não existe
uma concorrência predatória, mas uma “vul-
Divulgação
Num MBA, complementa Cardoso, a ênfase é a troca de experiências e discussões
com base em vivências e conhecimentos.
Isso explica a importância de se determinar
o perfil do aluno para os programas a serem ministrados por meio de entrevistas e
análise dos currículos. Com isso, garante-se
a homogeneidade em sala, o que enriquecerá o programa e trará ganhos para todos.
O rigor excessivo imposto pela maioria
das escolas de negócios não tem a pretensão de formar cérebros privilegiados, mas
permitir que os executivos construam
novos conhecimentos baseados em suas
experiências e técnicas apresentadas.
Na prática, as instituições que adotam
esse procedimento estão preocupadas
em contribuir para que os profissionais
não ingressem em cursos errados, o que
poderá trazer-lhes consequências negativas. Por isso, costumam orientá-los
para que se encaminhem para os que
se encaixem com suas capacidades. “A
escolha deve considerar o segmento de
mercado em que o profissional está inserido, bem como seu nível hierárquico,
área de atuação, objetivos, tempo de experiência. Só assim, o curso terá efetividade para o aluno”, destaca Cardoso. Em
garização” da sigla MBA, muitas vezes usada
de forma equivocada. “O que vale é a qualidade do conteúdo e da escola que os oferece.
Cabe, portanto, ao executivo optar por instituições que mantenham padrões de qualidade de excelência, reconhecidas nacional e
internacionalmente, sob pena de frequentar
os de baixa qualidade e que pouco contribuirão para a evolução profissional”, enfatiza.
Estima-se que em todo o País exista,
aproximadamente, 8 mil cursos desta natureza. Boa parte é motivada pelo aquecimento da economia brasileira e evolução
das companhias nacionais, cada vez mais
ávidas por mão de obra qualificada. Como
a Administração é polivalente, muitos
profissionais partiram para essa área,
o que fez aumentar a oferta dos MBAs.
Divulgação
Marcelo Marques
Capa
Mas, nunca é demais ficar alerta. “Muitas
escolas só vendem a nomenclatura. São
fábricas de emitir certificados”, destaca
Fischmann, ao lembrar que vários profissionais são atraídos por cursos que oferecem o que não podem cumprir.
Assim, todo o cuidado é pouco porque
um MBA é um investimento de, pelo menos,
dois anos e que exige, na maioria dos casos,
dedicação total, uma verdadeira maratona.
A melhor forma de se proteger desse risco,
ensina Cardoso, é certificar-se do programa
a ser cursado e buscar informações se a escola é reconhecida no mercado. Entre seus
conselhos, estão os de visitar a instituição,
assistir como convidado a uma aula ou
palestra e conversar com o coordenador
do programa e com ex-alunos.
Outro ponto a ser observado é se o
conteúdo ministrado pelas escolas está
de acordo com o mercado. Assim, se as
companhias estão, por exemplo, focadas
em forte crescimento e atuação em mercados globalizados, supõe-se que seja esta
a direção a ser caminhada pelos currículos acadêmicos. Temas como governança
corporativa, sustentabilidade e ética, em
função das cobranças “excessivas” dos
acionistas por melhores resultados das
empresas, já começam a fazer parte das
matrizes curriculares. Na FIA, por exemplo, os cursos são baseados em programas
institucionais que elaboram pesquisas e
geram conhecimentos que, por sua vez,
são aplicados em salas de aula e nas
consultorias que a fundação realiza para
clientes de diversos segmentos. Essa relação entre pesquisa, ensino e consultoria
a aproxima do mercado e a mantém na
fronteira do conhecimento em Administração. Na Integração, a relação se dá por
meio de grupos de discussão e pesquisas,
64%
dos profissionais
pagam os cursos
do próprio bolso
32 anos
é a média de idade
4 anos
é o tempo médio
de experiência
gerencial
12 anos
é o tempo médio
de experiência
profissional
R$ 7 Mil
é quanto recebem,
em média, os
profissionais que
concluíram pósgraduação nos
últimos três anos
Fonte: “Guia Os
Melhores MBAs
do Brasil 2010”
(Revista Você S.A)
“A escolha deve considerar o segmento
de mercado em que o profissional está
inserido e o tempo de experiência”
Adm. Fernando Cardoso, diretor da Integração Escola de Negócios (foto)
21
Capa
Mestrado profissional
Diferentemente do MBA, que é considerado uma pós-graduação lato sensu, o
mestrado profissional é um curso stricto
sensu, isto é, garante ao formado o título
de mestre e um diploma reconhecido legalmente. (Apenas como elucidação, na
acepção americana, os MBAs são os verdadeiros mestres em Administração; na
acepção brasileira, não passam de cursos
de especialização). No entanto, na hora de
procurar por uma especialização, muita
gente fica em dúvida sobre qual a esco22
conteúdos”, diz Cardoso, ao ressaltar que
o grande benefício dessa modalidade é a
customização, que acontece com base na
realidade de mercado de cada empresa.
Mito ou verdade
Divulgação
além de experiências das melhores práticas constatadas em seus cursos abertos
ministrados para 25 empresas. Na Fecap,
o atendimento das necessidades do mercado, segundo Langrafe, está no DNA da
escola, fundada em 1902.
Pelos critérios da Anamba, os cursos
devem ter pelo menos 500 horas de aulas presenciais e outras 100 horas de trabalho de conclusão de curso. Vale dizer
ainda que apesar de o Ministério da Educação não avaliar a qualidade dos programas de especialização e MBA existentes
no País, nunca é demais ter a certeza de
que as práticas adotadas pelas instituições acompanham a realidade do mundo
corporativo. Para ampliar a credibilidade,
muitas instituições buscam certificar-se
no exterior, caso da Insper que acaba de
ser reconhecida pela AACSB (The Association to Advance Collegiate Schools of
Business), a mais antiga e uma das mais
conceituadas associações de escola de negócios do mundo. O processo de acreditação desta entidade estabelece 21 padrões
para diversos aspectos relativos à gestão
da instituição, à produção de pesquisa e
ao ensino oferecido. É uma prova que as
boas escolas de negócio brasileiras estão
muito próximas do nível mundial de excelência. Em algumas delas, falta apenas
a mescla de alunos de países diferentes
para forçar o debate em torno da globalização de mercados, tema que é bastante
explorado pelas escolas internacionais.
lha correta. Não é para menos, já que os
dois oferecem um aprofundamento na
formação. A principal diferença é que o
mestrado tem uma característica mais
acadêmica, sendo direcionado para a
atuação dos alunos como futuros professores. “Como o objetivo é desenvolver
competências gerenciais dos alunos e
análise de estratégias, os MBAs são mais
generalistas”, destaca Gianesi.
Os programas padronizados para empresas –seja um curso de curta duração
ou MBA in company– também são formas
eficazes de levar o conhecimento para
grupos de profissionais. Entre as vantagens, o fato de serem construídos para
atender as necessidades específicas das
organizações contratantes. “Com base em
informações como competências, planejamento estratégico, missão, visão, valores, situações específicas relacionadas ao
conteúdo que será abordado, indicadores, perfil de público e histórico de treinamentos já realizados, são definidos os
Devido a importância que adquiriu no
mercado, o MBA tem sido o objeto de
desejo de muitos profissionais. Mas, consultores em Recursos Humanos lembram
que não basta tê-lo para conquistar bons
empregos. O senso comum diz que o certificado de educação executiva perdeu peso
por conta da popularização da pós-graduação lato sensu no Brasil (inclui MBAs e
especializações), o que deixou de ser um
diferencial. Entretanto, aliado à competência, um curso de qualidade é a garantia
de melhor empregabilidade. “Quanto melhor o preparo de um profissional, mais
condições terá de cumprir suas atividades com excelência e tornar-se valioso
para o mercado”, afirma Langrafe.
Prova disso, é que uma pesquisa da revista Você S.A., com empresas nacionais e
estrangeiras de diferentes setores da economia, para saber qual o peso que os cursos
de extensão universitária exerce na hora
da contratação e para o desenvolvimento
da carreira de um profissional, concluiu
que o aperfeiçoamento pós-universitário
não é tudo. São levados em conta também
a experiência prática e as competências
pessoais, como a capacidade de liderança e
de lidar bem com os conflitos. Outro dado
importante do estudo é que as empresas
consideram o conteúdo das escolas brasileiras comparável ao das internacionais.
“Quanto melhor o preparo de um
profissional, mais condições terá de
se tornar valioso para o mercado”
Taiguara Langrafe, professor e coordenador do curso
de graduação em Administração da Fecap (foto ao lado)
Perfil
por Luiz Gallo | fotos: Marcelo Marques
A Polícia é
amiga do cidadão
Administração com foco
nas pessoas está transformando
a Polícia Militar de São Paulo
H
á 32 anos na Polícia Militar do Estado de São Paulo, o administrador
e coronel Álvaro Batista Camilo responde pelo comando geral da
corporação desde abril de 2009. Formado em Administração
pelo Mackenzie e com MBA em Gestão de Tecnologia da Informação
pela Fiap, também é o presidente do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais das Polícias e Corpos de Bombeiros Militares do Brasil.
Especialista nas áreas de Bombeiros e TI, trabalhou também
como chefe da Adjuntoria de Informações Quantitativas no
setor de Inteligência do Estado-Maior, sub-chefe junto à Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança Pública e comandante do Policiamento de Área
Metropolitano Centro (São Paulo).
Condecorado com diversas honrarias civis e militares, consta em seu currículo a implantação de diversas
ações administrativas focadas nas pessoas que, ao lado
de projetos tecnológicos de última geração na área policial, estão contribuindo para a redução do índice de
criminalidade em todo o Estado.
A Administração surgiu em sua vida quando foi trabalhar na área de TI da corporação. “Senti dificuldade de
gerir pessoas. Naquela época, minha visão estava mais
na parte operacional e não na gerencial, para onde eu
estava caminhando pelo crescimento da carreira. Fazer
Administração me ajudou muito neste sentido”, disse.
Ao ser homenageado pelo CRA-SP com a entrega do título de “Administrador Destaque”, em reconhecimento
às suas ações no desenvolvimento da profissão, o coronel Camilo compartilhou a conquista com a corporação.
“O prêmio não é apenas para o comandante geral, mas
para toda a equipe de comando e os 100 mil integrantes
que contribuíram para esse reconhecimento. São eles que
fazem acontecer”, ressaltou. Confira os principais trechos da
entrevista que concedeu à Revista Administrador Profissional:
24
Revista Administrador Profissional: Considerando o contingente de 100 mil homens,
diversos batalhões, grupamentos e milhares de intervenções, a
administração da Polícia Militar
de São Paulo pode ser comparada a de uma grande empresa?
Adm. Álvaro Batista Camilo:
Sim, mas com um grande diferencial. Na PM, ela é centrada nas
pessoas porque o nosso trabalho
é conduzir homens para prestar
serviços ao cidadão. A maioria
dos problemas policiais envolve
mediação de conflitos, direitos das
pessoas, confrontos com situações
de riscos. Logo, o gerenciamento
desses profissionais é voltado
para a inteligência emocional, que
envolve valores, posturas atitudes.
RAP: O que é feito para garantir a eficiência da corporação?
Adm. Camilo: A PM busca nas
empresas as melhores práticas. O
fato é que num determinado momento deu-se muita valorização ao
equipamento. Noutro, às técnicas
policiais (processos). Hoje, como
disse, o foco são as pessoas, daí
entendermos ser fundamental a
formação e a educação continuada.
Para isso, temos seis grandes escolas. A Superior de Soldados, que
forma esse profissional durante
dois anos de estudos e acompanhamento; a de Sargentos, que gradua tecnólogos em Polícia, em um
primeiro nível de comandamento;
depois tem o bacharel em Ciências
Policiais, que é o aluno que entra
na Academia e estuda por quatro
anos. Na sequência vem os cursos
de pós-graduação (mestrado e doutorado em Ciências Policiais). Temos ainda a Escola de Bombeiros
e a de Educação Física.
RAP: E na área da educação
continuada?
Adm. Camilo: Destacam-se a Instrução em Pleno Serviço, na qual o
policial é chamado ao quartel para
participar de um simulado de atendimento de uma ocorrência, observado por instrutores. Enquanto isso,
a viatura vai para a manutenção e
suas armas, limpas. Tem ainda o
estágio anual de atualização profissional. Durante cinco dias, revê
conceitos que permeiam as ações
da PM –respeito aos direitos humanos, polícia comunitária e gestão–,
faz testes de aptidão física e ensaia
o método Giraldi (evita ao máximo
a ocorrência de tiros). Recebe ainda
ensinamentos sobre gestão financeira pessoal, aulas de ioga, meditação, palestras sobre doenças,
coisas que o focam como pessoa.
RAP: Como a Tecnologia da
Informação ajuda os serviços
da Polícia?
Adm. Camilo: A tecnologia é um
braço da PM, principalmente na
área operacional. Exemplos são as
câmeras inteligentes de vídeo que
monitoram a cidade, capazes de
identificar pessoas caídas e carros
na contramão, ou os helicópteros
equipados com o “Olho de Águia”,
câmera que consegue pegar detalhes no meio de uma manifestação
ou de localizar uma arma jogada
em um matagal. Sistemas como o
Infocrim (Informações Criminais),
Fotocrim (cruza o retrato falado
com o banco de fotografias) e
Copom on line (visualização em
tempo real das viaturas, características da área e tipos de ocorrência,
de forma georreferenciada e com
acesso instantâneo pelos comandantes e Centro de Operações)
ajudam muito. Por meio da tecnologia, a PM sabe onde e quando os
crimes acontecem, o que permite
distribuir o efetivo de viaturas
e homens em todo o Estado.
“Na Polícia Militar,
a administração
é centrada
nas pessoas”
O administrador e coronel
Álvaro Batista Camilo é registrado
no CRA-SP pelo nº 52051
25
Perfil
RAP: A distribuição do efetivo é meramente tecnológica?
Adm. Camilo: A Polícia de São
Paulo é conhecida por ter uma boa
gestão. Tudo é escrito, tudo tem
norma. No caso da distribuição do
efetivo, são adotados quatro critérios técnicos: a. indicadores criminais (onde está a criminalidade);
b. área a ser coberta; c. população
(residente, pendular e flutuante); e
d. peculiariedades locais (presídio,
shopping, hospitais).
RAP: Ainda no campo da
tecnologia, o que a população
pode esperar da Polícia?
Adm. Camilo: Em breve, câmeras
nas viaturas. Além de proteger os
policiais, que poderão vigiar o que
está acontecendo ao redor, gravarão as operações, que servirão de
orientação em abordagens futuras.
As viaturas serão equipadas também com o Localizador Automático
de Viaturas (AVL). Hoje, quando
definimos que ela deve ficar num
determinado setor, o próprio computador acusa, caso saia da área de
patrulhamento. É o que chamamos
de ronda eletrônica.
RAP: A PM possui programas
que aferem sua qualidade?
Adm. Camilo: Usamos as técnicas do meio corporativo, como
também criamos indicadores criminais (taxas de homicídio por
100 mil habitantes, número de
roubos e furtos de veículos etc) e
operacionais (quantidade de veículos abordados, presos em flagrante
delito, armas e drogas retiradas de
circulação etc) para medir a eficiência de cada unidade. Associado
a isso, avaliamos o próprio comandante. Fatores como punições,
elogios, gastos de verbas para
consertos de viatura, controles de
26
cartão de combustível e viaturas
baixadas são indicadores que mostram o seu desempenho.
RAP: Como é o processo de
reciclagem da corporação?
Adm. Camilo: Temos duas portas de entrada: a primeira como
soldado, para atuar na área operacional, ou como oficiais, que
seguem o mesmo caminho e depois passam para os níveis de
comando. Todas as progressões
são por concursos e estimulamos
as pessoas para que os façam. A
outra é ter um curso superior e
mais de 15 anos de Polícia, o que
possibilita participar do Curso
de Habilitação para ser oficial de
Administração. Como o que se
privilegia é a qualidade de vida
do policial, temos parcerias com
instituições de ensino superior,
que oferecem bolsas com descontos de 50%, em média, o que tem
contribuído para que cresça na
carreira. Sem contar as firmadas
com entidades internacionais,
como a da Polícia Comunitária do
Japão, modelo que implantamos
no Brasil e nos tornamos multiplicadores para a América Latina,
e os convênios com empresas e
universidades do exterior.
RAP: A valorização do policial
se dá apenas por meio de cursos?
Adm. Camilo: Não. Ela começa
pela própria postura do comando
da instituição, que reconhece os
policiais que participam das 10
melhores ocorrências do Estado, a
cada 15 dias, convidando-os, junto
com os familiares, para o “Café
com o Comandante” –literalmente
tomam café com o dirigente maior
da corporação. Sem quebrar a hierarquia e a disciplina, abrimos canais como facebook, twitter e blog.
Qualquer soldado pode me enviar
um e-mail. Ligo diariamente para
cerca de 30 oficiais nas datas de
seus aniversários. Ao todo, são
cerca de 6 mil. O restante dos
100 mil recebem o cumprimento
por meio de meu e-mail pessoal.
Na Intranet, criamos o Notícias
do Comandante e Orientações do
Comandante. Nelas são colocadas
mensagens sobre o que está acontecendo, por exemplo, em termos
de campanha salarial e criação de
unidades. Numa delas, pedi aos
policiais que cadastrassem seus
e-mails para receberem notícias
do comando geral. Atingimos 130
mil interessados, incluindo o pessoal inativo. Outra forma que utilizo quando temos um problema
sério, como o falecimento de um
policial, é comparecer ao seu sepultamento e dar apoio à família.
Vou sempre ao hospital visitar
policiais feridos. Perco 20, 30 minutos do meu dia, faço isso a cada
semana. Passo ainda em bases comunitárias para conversar com os
policiais. Como estratégia de gestão, divulgo as ações na Intranet.
Além de propaganda institucional
do comando, isso reflete na tropa.
Nas minhas participações em rá-
“Não compactuamos
com deslizes e somos
implacáveis com os
desvios de conduta.
Hoje, somos os
primeiros a mostrar
nossos erros, o que
acaba por trazer uma
imagem positiva
para a instituição”
dio, TV, jornal, sempre valorizo
os policiais que trabalham com
afinco. Não faço isso por Marketing, mas por convicção. Sei como
é ser um policial em atividade durante a madrugada em um bairro
carente ou então numa rodovia
erma. Trabalhar na PM, mais do
que vocação, é uma missão.
RAP: Como é feita a depuração do quadro?
Adm. Camilo: Não compactuamos com deslizes e somos
implacáveis com os desvios de
conduta, o que nos obriga a mandar embora diversos policiais.
Nossa rotatividade anual gira entre 2 e 3 mil, dos quais 300 saem
por problemas –são expulsos, demitidos ou reformados administrativamente. Temos de ser assim
para manter a qualidade. Outro
diferencial é a transparência.
Hoje, somos os primeiros a mostrar nossos erros, o que acaba
por trazer uma imagem positiva
para a instituição.
RAP: Como a corporação é
vista pela sociedade?
Adm. Camilo: O Poder Público
costuma não divulgar seus feitos e
quando o faz, na maioria dos casos,
é por meio de uma propaganda
barata, política. Acredita na filosofia “faça um bom trabalho que
ele aparece”, mas há muito tempo
deixou de ser realidade. Por isso,
investimos em comunicação. No
ano passado, criamos o Centro de
Comunicação Social para cuidar
especificamente dessa área. Instituímos a Sala de Imprensa do
Comando Geral, na qual um capitão fica 24 horas para atender a
imprensa e fornecer os dados que
ela precisa. Antes, quando um policial falava sobre uma ação da PM
poderia ser punido. Hoje é incentivado a ir para a mídia e relatar
uma ocorrência da qual participou.
É dever da Polícia dar informação.
Autorizamos também a construção
de séries televisivas que abordam
o nosso trabalho, que apresenta
números fantásticos, como: 30
milhões de intervenções por ano,
atendimento de 150 mil ligações
telefônicas só pelo 190 –40 mil
somente na capital– ou, como chegamos a fazer, 30 partos por mês.
Também é importante dizer que
não adianta uma comunidade carente chamar uma ambulância às
3 horas da manhã, porque ela não
irá, o que faz a população recorrer
à PM. São dados quase nunca divulgados, mas que mostram que o
trabalho da PM é bom e que ela é
amiga da sociedade.
27
Estilo
por Daniela Cabral
O milagre por
trás dos sites de
compras coletivas
Entenda a febre do consumo coletivo
28
tem um prazo para ser utilizado,
que varia conforme a natureza
da promoção. Na maioria dos sites, é preciso atingir um mínimo
de compradores para ativar as
ofertas, a maioria tentadora. Um
exemplo: no início de fevereiro
no Groupon, um pacote de serviços de estética que, normalmente,
custaria R$ 1.550, estava por R$
189 –88% mais barato. Para essa
oferta, o número de compradores
deveria chegar a 1.500 e logo na
metade do primeiro dia havia atingido a marca de 619 interessados.
O desconto oferecido é acertado com os anunciantes, chamados de empresas parceiras. O
‘milagre’ acontece por conta do
grande número de compradores.
Um negócio em que todos ganham: clientela e visibilidade no
mercado para a parceira; comissão (30% a 50%) sobre os valores
vendidos para o site; e ótimas promoções para os clientes. O salão
de beleza DeLuma, na Zona Sul de
São Paulo, por exemplo, ao fechar
negócio com o site Oferta Única
para a venda de pacotes para janeiro e fevereiro, meses de pouco
movimento nesse segmento, não
imaginava que seus profissionais teriam de fazer horas extras
para atender a demanda.
O Peixe Urbano, que oferece
descontos de 50% a 90%, foi
quem apareceu com a novidade
no Brasil. A ideia foi trazida dos
Estados Unidos por Júlio Vasconcellos, um de seus fundadores.
“Ele percebeu que daria certo por
entre os sexos, as mulheres são
as que mais gastam. “Compram,
por exemplo, jantares e convidam seus companheiros para
acompanhá-las”, ressalta. É o caso
da empresária Maria Florinda
Fernandes, que levou o marido a
um restaurante e gastou apenas
R$47, quando o custo certamente
seria mais de R$ 100. “Foi muito
gostoso. A comida estava ótima.
Não se come um prato à base
de bacalhau por esse valor”, diz.
Febre
Além do compartilhamento de
novidades e ofertas, o sucesso da
modalidade no Brasil é atribuído
ao fato de o brasileiro gostar de
se reunir para comer. Assim, ao
comprar o serviço, avisa o amigo,
que comunica o outro, formando
uma cadeia de compra coletiva.
Em todos os sites, quem indica
outro comprador ganha um crédito que pode variar de R$ 5 a R$
12. Estimativas indicam que esse
mercado faturou no ano passado cerca de R$ 100 milhões.
Para 2011, a expectativa é que
É um negócio em
que todos ganham:
clientela para a
empresa parceira;
comissão de 30% a
50% para o site; e
ótimas promoções
para os clientes
Marcelo Barros
Q
uanto mais gente compra,
mais barato fica. Essa é a
ideia que rege os sites de
compras coletivas, uma febre nacional desde o ano passado. De
um simples café aos sofisticados
cruzeiros, tudo pode ser adquirido pela Internet com descontos
de até 90%. Os nomes são os mais
inusitados: Peixe Urbano, Azeitona Preta, Baratoteca, We Go!,
Oferta Única, Sapo Turco, entre
mais de mil negócios espalhados
pelo Brasil. Os serviços são os
campeões de venda. Beleza, estética, gastronomia e viagens são
as ofertas mais anunciadas no
www.saveme.com.br, um agregador de sites (reúne as melhores ofertas de compras coletivas
do Brasil). O maior de todos é o
Groupon –pioneiro mundial–, seguido do Peixe Urbano e do ClickOn, segundo o Bolsa de Ofertas
(www.bolsadeofertas.com.br),
que mantém uma lista atualizada
semanalmente dos Top 50.
Geralmente, as ofertas têm validade de 24 a 72 horas. O consumidor se cadastra no site, compra
por cartão de crédito ou débito ou,
ainda, por boletos e recebe por
e-mail um cupom/voucher para
ser apresentado no local onde
vai usufruir o serviço. O cupom
aqui, porque o brasileiro gosta de
compartilhar com os amigos”, diz
Letícia Leite, diretora de Comunicação da empresa. Os outros
sócios são Emerson Andrade,
responsável pela área comercial,
Alex Tabor, Tecnologia de Informação e o apresentador Luciano
Huck, que tem 5% de participação. Criado em março de 2010,
o crescimento da empresa é vertiginoso. Com 5 milhões de usuários cadastrados, está presente
em 38 cidades brasileiras. Letícia, a primeira a ser contratada,
diz que o quadro de funcionários
já conta com 300 colaboradores.
A maioria dos consumidores do
Peixe Urbano, segundo a diretora,
tem entre 25 e 35 anos. Embora
o acesso ao site seja equilibrado
29
Estilo
“O conceito desse tipo de negócio é o da compra irresistível”, diz
Carina Flosi, sócia do Baratoteca.
“O nosso diferencial é atender a
região norte de São Paulo, onde
detectamos uma demanda desse
serviço”, completa. Paulo Costa,
também sócio do site e responsável pela parte técnica, explica:
“A estratégia utilizada é a geolocalização.” O Baratoteca começou
Divulgação
“O que mais nos
surpreendeu foi
a velocidade do
negócio. Só o Peixe
Urbano fechou 2010
com 5 milhões de
usuários cadastrados”
Letícia Leite, diretora de
Comunicação do Peixe Urbano (foto)
o número chegue à casa de R$1
bilhão, alcançando um em cada
dois internautas brasileiros. A
economia dos consumidores, em
2010, foi de R$ 120 milhões com
as 3 mil promoções divulgadas.
Só o Oferta Única prevê, para
breve, chegar à marca de 1,5
milhão de clientes. Pouco, se
considerar que, em novembro, o
Groupon americano tinha mais
de 12 milhões de usuários e lucro
estimado de US$ 350 milhões. O
Google tentou comprar a empresa
por um valor especulado entre
US$ 2,5 e 6 bilhões, mas não
houve acordo. O rumor agora é a
sua chegada por meio do Google
Offers, que promete diferenciais
capazes de abocanhar a liderança
e preocupar os concorrentes.
30
a testar suas ofertas em novembro, mas entrou em operação
comercial somente em janeiro.
“Recebemos entre 1.200 e 1.500
visitantes por dia, números que
devem aumentar nos próximos
meses. Nós não enviamos e-mails
com ofertas para os clientes porque temos constatado que as
pessoas por receberem muitas
mensagens, de vários sites, acabam cancelando os cadastros e
optam por fazer um só (cadastro)
nos agregadores”, diz Costa.
Os sites menores sabem que
não têm condições de competir
com os grandes, então se utilizam de estratégias para viabilizar as operações comerciais. A
geolocalização é uma delas. Em
síntese: passam a concentrar as
ofertas em bairros específicos
das capitais ou em cidades interioranas, como faz o Azeitona
Preta. Originário de Marília,
também opera em Bauru, Botucatu e Franca, no interior de São
Paulo, Campo Grande, no Mato
Grosso do Sul, e Chapecó, em
Santa Catarina. No “ar” desde
outubro, já vendeu mais de 31
mil itens e contabilizou uma
economia para os clientes superior a R$ 2 milhões.
O Oferta Única é um dos poucos que não necessitam de número mínimo de compradores
para ativar suas ofertas. Também se diferencia por permitir
que o cliente utilize o cupom no
mesmo dia da compra.
O outro lado
Consumo desenfreado. Dezenas
de e-mails com ofertas todos os
dias. O consumidor perde o controle e exagera. Compra serviços
dos quais não necessita, ‘porque
o preço está muito bom’. Há casos de pessoas que perdem dinheiro por não utilizar o serviço
no prazo estabelecido, como
também existem os que adquirem produtos de várias promoções e acabam “vivendo disso”.
Não são fiéis aos estabelecimentos que visitam. Só querem
economizar, sem privilegiar em
uma compra futura quem já lhes
ofereceu promoções.
Eliana Winter “consome” pacotes de massagens estéticas e
relaxantes, mas toma alguns cuidados no momento da compra:
“Se vejo que muitas pessoas já
compraram, eu desisto porque o
estabelecimento pode não comportar a demanda. Havia uma
oferta de pousada em Camburi,
litoral norte de São Paulo. Liguei
para o estabelecimento para saber se havia vagas disponíveis.
Como a resposta do atendente foi
positiva, decidi comprar. Porém,
quando liguei novamente para
fazer a reserva, descobri que só
havia vagas para junho. Vou tentar cancelar.” Ela conta que lança
o que compra em uma planilha
para não perder os prazos.
O Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br), que reúne
diversos tipos de reclamações
sobre serviços e produtos,
já registrou diversas queixas
Divulgação
Diferencial
contra os sites de compras
coletivas. Desde cupons não
recebidos, mau atendimento,
qualidade duvidosa dos serviços, até uma simples solicitação
de descadastramento de newsletter. Nenhum deles, porém,
está entre as empresas mais
citadas. Mas, as reclamações
são recorrentes e diárias.
Ainda é cedo para dizer se essa
‘febre’ de consumo é uma tendência que durará anos ou um
negócio efêmero. A única certeza
é que ela poderá atingir você.
“Não enviamos e-mails com ofertas porque as
pessoas recebem muitas mensagens de vários
sites e acabam cancelando os cadastros”
Paulo Costa, sócio e responsável pela área técnica do site Baratoteca (foto ao lado)
Canal Aberto
por Daniela Cabral
Registro
e certificação
profissional
Registro no órgão de classe
representa a segurança
de que seu portador é um
profissional qualificado
P
rofissionais de várias áreas
atestam a importância da
certificação e do registro em
suas carreiras. Médicos, contadores, bibliotecários, engenheiros,
arquitetos, advogados e enfermeiros são exemplos de atividades que necessitam de registro/
certificação em seus respectivos
Conselhos para o exercício pleno.
No caso específico do bacharel em Direito, obedecendo à
Lei 4.215, a Ordem dos Advogados do Brasil criou, em 1963,
o Exame de Ordem. Com exceção dos que optam pela carreira
pública, os demais prestam o
exame, obrigatório desde 1994.
A prova é justificada pela entidade como necessária para que
somente profissionais capacitados ingressem em seus quadros.
Desde o ano passado, os graduados em Ciências Contábeis
32
também estão obrigados a prestar o “Exame de Suficiência” para
exercer a profissão. Instituído
pela Lei 12.249/10, tem como
objetivo estimular a modernização das instituições formadoras
de contabilistas, segundo o Conselho Federal de Contabilidade.
O corretor de seguro –embora
não esteja atrelado ao ensino
superior– precisa passar por
uma prova para obter seu registro na Superintendência de
Seguros Privados (Susep), autarquia do Ministério da Fazenda.
Trata-se do Exame Nacional de
Corretor de Seguros, promovido
pela Fundação Escola Superior
de Seguros (Funenseg). Uma vez
aprovado, deverá comparecer
ao sindicato da categoria para
solicitar o registro. Este, por
sua vez, encaminhará a solicitação à Federação Nacional dos
Corretores (Fenacor) que, após
uma análise prévia, submeterá
à aprovação da Susep a emissão
da carteira de habilitação.
Coordenadora da Hemeroteca
da Associação Brasileira de Advocacia Tributária, a bibliotecária
Mariana Galdino Marmol acredita
que o registro é importante por
estar inserido em um espaço, no
caso o Conselho Regional de Biblioteconomia, em que se pode
buscar apoio para o desenvolvimento profissional e para questões relacionadas à carreira. Esse
profissional também só pode
exercer suas funções se estiver
inscrito no órgão correspondente.
Na área da Saúde, a certificação
e o registro são de extrema importância. A mídia tem mostrado
casos de negligências médicas.
Só em 2010, o Conselho Regional
de Enfermagem de São Paulo re-
cebeu mais de 300 denúncias. O
órgão ficou em evidência no caso
da morte da menina Stephanie
Teixeira, em dezembro passado.
Uma auxiliar de enfermagem
injetou vaselina em vez do soro
prescrito pelo médico. A profissional foi afastada e indiciada por
homicídio culposo, sem intenção
de matar, e admitiu que se enganou ao retirar a medicação de um
armário onde só deveria ter soro.
Com relação aos médicos, os
recém-formados submetem ao
Conselho Regional de Medicina
do Estado de São Paulo (Cremesp) a pré-inscrição, que só
será aprovada mediante a confirmação da conclusão do curso.
As carteiras funcionais definitivas são entregues em sessões
solenes no próprio conselho. A
população tem acesso ao site do
órgão para verificar se o profissional é credenciado, ou seja, se
tem o CRM. Para o conselho, esse
procedimento é vital para instaurar e facilitar a comunicação entre médicos e pacientes. E, dessa
maneira, contribuir para o fortalecimento da relação profissional
com base na confiabilidade das
informações registradas.
Ainda na área da Saúde, os
fisioterapeutas e terapeutas
ocupacionais também têm de
se inscrever no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional (Crefito). A exemplo do que faz o Conselho Regional de Administração, sua
finalidade principal é fiscalizar
o exercício de seus registrados em sua área de jurisdição,
além de expedir carteiras de
identidade profissional.
O registro no órgão de classe
representa para a sociedade a
segurança de que seu portador
está qualificado para aplicar as
técnicas exigidas pela função
exercida. Nessa esteira, a certificação funciona como um instrumento que ratifica se essas
técnicas estão de acordo com
os conhecimentos adquiridos
nos bancos de graduação.
Algumas entidades
entendem que
a certificação é
necessária para que
somente profissionais
capacitados ingressem
em seus quadros
Opinião
Você sabe como
combater as fraudes?
Em uma empresa existem 357
janelas que devem ser fechadas para evitar o surgimento
de oportunidades de fraudes.
No entanto, são poucas as organizações que se preocupam
com isso. Ao darem mais atenção aos sistemas de câmeras e
vídeos, acabam negligenciando
os controles internos.
Você sabe quando o fraudador mais age? Quando as empresas experimentam períodos
de crescimento. O descontrole
sobre pequenas perdas e o
fato delas ainda não possuirem o sentimento do seu real
tamanho fazem com que essas perdas desapareçam nos
lucros crescentes. No entanto,
somente são notadas quando
os “períodos de seca” começam a ser vividos. Isso porque
o praticante desse tipo de delito costuma não diminuir sua
“mordida”, em função de ter
estabelecido um padrão de
consumo. Dessa maneira, as
perdas começam a surgir como
tocos em um rio seco.
Para descobrir o que está
acontecendo, as empresas costumam contratar um consultor especializado nesse tipo de
combate. O processo de investigação leva em conta seis variáveis –o que, quem, quanto,
onde, como e por que–.
As variáveis “o que” e “quanto”
são consequências do processo
34
de averiguação. As demais são
“fáceis” de serem descobertas.
Difícil mesmo, no entanto, é explicar aos donos das empresas
porque tais fatos estão ocorrendo, até porque, em alguns
casos, parecem que se sentem
cúmplices. Essa sensação, aliás,
já foi testemunhada diversas
vezes pelos consultores que,
em determinados momentos,
acabam passando até por confidentes dos empresários. Nas
conversas, sempre perguntam o
que fizeram de errado para que
falhas acontecessem.
“É difícil explicar
aos donos das
empresas porque
tais fatos ocorrem.
Em alguns casos, eles
se sentem cúmplices”
A verdade é que deixar de implantar controles internos para
mitigar riscos contribui para
manchar a reputação, mesmo
de quem não possui qualquer
envolvimento com as fraudes.
Afinal, os comandantes das
empresas são, indiretamente,
responsáveis por elas. Injusto?
Sinceramente, não, pois a adoção desses mecanismos cabe
aos administradores do negócio.
Muitos podem alegar que não
colocam em ação sistemas que
coíbam práticas fraudulentas
por serem caros demais. Porém,
convém sempre perguntar-lhes
se são mais dispendiosos que
as fraudes, a reputação ou, em
muitos casos, o próprio emprego. Outros não o fazem por
entender ser demorado, porém
é mais rápido que a implantação de um ERP, sigla em inglês
para “Planejamento dos Recursos Corporativos” (sistemas
que integram todos os dados e
processos de uma organização
em um único sistema). Agora
se o problema é não entender
do assunto, basta chamar um
profissional especializado.
Adm. Paul Peter
Boilesen
CRA-SP - 11.073
Expert em
Combate à Fraude
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