Conhecimento Na Prática Um método extrajudicial de resolução de conflitos que pode ajudar o administrador A importância de gerar empreendimentos para quem está na base da pirâmide Arbitragem Negócios sociais Educação continuada Os desafios do mundo corporativo moderno obrigam o administrador a não parar de estudar Março/2011 Ano 34 - nº 297 Carta ao Leitor Eterno aprendiz O grande mérito do administrador sempre foi o de estar à frente de seu tempo. Essa característica permitiu que, ao longo da história, soubesse se impor diante das constantes transformações impostas ao mundo corporativo, rompendo modelos ineficientes e tornando as organizações mais competitivas. Para manter-se à frente, no entanto, fazer uso somente do conhecimento adquirido nos bancos de graduação já não é mais suficiente, já que as mudanças sociais, tecnológicas e administrativas –que tanto contribuem para tornar as empresas modernas– são cada vez mais frequentes e globalizadas. Nesse cenário, a saída que o administrador tem para manter sua posição de líder é buscar o aprimoramento contínuo, que inclui o desenvolvimento de novas habilidades e competências. A regra vale tanto para os jovens administradores, que necessitam aprimorar suas habilidades, quanto para os que já possuem larga experiência, pela importância que as novas técnicas e ferramentas exercem para a gestão. Mas é fundamental que nessa busca, os profissionais procurem adequar-se a cursos que gerem conhecimentos que se encaixem em seus perfis, para que possam interagir, trocar experiências e, mais do que isso, acompanhar as sucessivas mudanças. A educação continuada tem se mostrado fundamental para a construção do sucesso de diversos profissionais, mas no caso específico do administrador, é determinante acompanhar o avanço da sociedade e a modernização das organizações e, por isso, o processo de aprendizado jamais pode ser considerado completo. Ser um eterno aprendiz em um momento em que o conhecimento é visto como o motor do desenvolvimento, mais do que uma contribuição para a sua formação multidisciplinar, é a maneira correta que tem para reforçar sua credencial de bom condutor de práticas gerenciais. A bem da verdade, a educação continuada deveria ser inerente ao ser humano. Também é fato que o “querer saber sempre mais”, por meio da aquisição ou aperfeiçoamento de conhecimentos, competências, atitudes e valores, contribui para melhorar a forma como as pessoas discernem e agem. A questão que se discute, no entanto, é até onde a educação tradicional promovida pelas escolas consegue atender as demandas da sociedade. Há muito tempo, essas instituições têm cumprido apenas com o papel de fornecer ideias básicas e apontar caminhos, o que amplia o pensamento de que, à medida que novas tecnologias são introduzidas e novos conceitos são disseminados, a aprendizagem para o seu eficaz gerenciamento tem de ser buscada em outros ambientes. Mais do que imprimir uma marca de diferencial competitivo nos currículos, ser um eterno aprendiz amplia a visão gerencial e a compreensão dos desafios. Nesse cenário, todos ganham: o administrador por se tornar altamente qualificado; a empresa que passa a contar com um colaborador que supera suas expectativas; e a sociedade que terá produtos e serviços mais confiáveis. Boa leitura! “A saída que o administrador tem para manter sua posição de líder é buscar o aprimoramento contínuo, o que inclui o desenvolvimento de novas habilidades e competências” Adm. Walter Sigollo Presidente do Conselho Regional de Administração de São Paulo - CRA-SP 3 Sumário Editor Conselho Regional de Administração de São Paulo Presidente Administrador Walter Sigollo Diretores Adm. José Alfredo Machado de Assis Vice-presidente Administrativo Adm. Milton Luiz Milioni Vice-presidente de Relações Externas Adm. Alberto Emmanuel de Carvalho Whitaker Vice-presidente de Planejamento Adm. Hamilton Luiz Corrêa Vice-presidente para Assuntos Acadêmicos Adm. Teresinha Covas Lisboa 1º Secretário Adm. Roberta de Carvalho Cardoso 2º Secretário Adm. Antonio Geraldo Wolff 1º Tesoureiro Adm. Homero Luís Santos 2º Tesoureiro Conselheiros Alexandre Uriel Ortega Duarte, Álvaro Augusto Araújo Mello, Arlindo Vicente Junior, Carlos Antônio Monteiro, Edgar Kanemoto, Luiz Carlos Vendramini, Marcio Gonçalves Moreira e Nelson Reinaldo Pratti Conselho Editorial para RAP 20011/2012 Coordenador: José Alfredo Machado de Assis. Alberto Emmanuel C. Whitaker, Hamilton Luiz Corrêa, Luiz Carlos Vendramini, Marcio Gonçalves Moreira, Milton Luiz Milioni, Roberta de Carvalho Cardoso, Teresinha Covas Lisboa e Maria Cecília Stroka. Produção Conselho Regional de Administração de São Paulo Departamento de Desenvolvimento Institucional Coordenação Editorial e Gráfica Entrelinhas Comunicação Ltda. Editor-responsável Luiz Gallo (MTb 14.576) Publicidade Publicidade Nominal Representações Impressão Plural Editora e Gráfica Ltda. Tiragem 50.000 exemplares Rua Estados Unidos, 889 - Jardim América - São Paulo - SP CEP 01427-001 - Telefone: (11) 3087-3200 [email protected] - www.crasp.gov.br Delegacias Para servir de apoio aos profissionais no interior e, em muitos casos, ser a extensão da própria entidade, o CRA-SP está presente, por meio de delegacias, em oito regiões do Estado.: • Região de Bauru Delegado: Adm. Helson José B. Fagundes Rua Joaquim da Silva Martha, 23 Complemento 11 – 17012.225 - Bauru - SP Tel: (14) 3226-5004 E-mail: [email protected] Atendimento: das 9h30 às 17h 3 . Carta ao Leitor 6 . Panorama Arbitragem: uma aliada do administrador Eventos promovidos pelo CRA-SP e informações de interesse do administrador em Conhecimento 10 . Conhecimento Arbitragem A modalidade é uma alternativa ao Judiciário na resolução de conflitos • Região de Campinas Delegado: Adm. João B. Pereira Júnior Rua Barão de Paranapanema, nº146 conj. 44 A – 13026-010 - Campinas - SP Tel: (19) 3251-9688/3251-9660 E-mail: [email protected] Atendimento: 8h30 às 17h30 • Região de Jundiaí Delegado: Adm. Eric Jacques L. Winandy Avenida Dr. Sebastião Mendes Silva, 901 13208-090 - Jundiaí - SP Tel: (11) 4586-7299 E-mail: [email protected] Atendimento: 9h às 17h • Região de Piracicaba Delegado: Adm. Roberto Tayar Rua Alferes José Caetano, 720 - Sala 25 13400-120 - Piracicaba - SP Tel: (19) 3402-4841 E-mail: [email protected] Atendimento: 9h às 17h • Região de Ribeirão Preto Delegado: Adm. Marcos Silveira Aguiar Coord. Regional: Adm. Marcelo Torres Avenida Braz Oláia Acosta, 727 – conj. 109 14026-040 - Ribeirão Preto – SP Tel: (16) 3621-1061 – Fax (16) 3621-3827 E-mail: [email protected] Atendimento: 8h30 às 17h30 • Região de Santos Delegado: Adm. Itamar Revoredo Kunert Rua Leonardo Roitman, 27 – conj. 43 11015-550 – Santos - SP Tel: (13) 3223-2629 E-mail: [email protected] Atendimento: 13h às 19h • Região de São José do Rio Preto Delegado: Adm. José Carlos Simões Rua Luiz Antônio da Silveira, 89 15025-020 - São José do Rio Preto - SP Tel: (17) 3234-1676 E-mail: [email protected] Atendimento: 8h às 18h • Região de Sorocaba Delegado: Adm. Gilberto Dilela Filho Rua Padre Luiz, 17 – 12º andar - sala 128 18035-010 - Sorocaba - SP Tel: (15) 3211-0987 E-mail: [email protected] Atendimento: 9h30 às 16h A RAP é uma publicação mensal do Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP), sob a responsabilidade de seu Conselho Editorial. As reportagens não refletem necessariamente a opinião do CRA-SP. 14 . Na Prática Negócios do bem em Na Prática Educação continuada em Capa Negócios sociais Uma iniciativa economicamente rentável que contribui para a redução da pobreza 18 . Capa Além da graduação Mundo corporativo moderno exige aperfeiçoamento, atualização e desenvolvimento de novas habilidades e competências constantes 24 . Perfil Administrador e coronel Álvaro Batista Camilo O foco da administração da Polícia Militar do Estado de São Paulo são as pessoas 28 . Estilo Compras coletivas Com ofertas arrasadoras, modalidade não para de crescer 32 . Canal Aberto A importância do registro e da certificação profissional 34 . Opinião Adm. Paul Peter Boilesen Panorama por Luiz Gallo Sonhar grande Marcelo Marques Cursos Dtcom para abril O Brasil pode se tornar a maior referência mundial em empreendedorismo Empreender no Brasil sempre foi visto como uma opção para quem teve pouca oportunidade de encontrar um bom emprego. Essa filosofia tem contribuído para que o País seja um dos líderes entre os que empreendem por necessidade. Porém, é possível transformá-lo na maior referência mundial, dentro de uma cultura que privilegie as oportunidades. Esse é um dos objetivos do Instituto Endeavor, que acredita ser possível multiplicar o número de empreendedores de alto impacto e, com isso, buscar uma alternativa concreta para o desenvolvimento brasileiro. O tema foi alvo de palestra apresentada no CRA-SP pelo administrador Rodrigo Teles, seu diretor geral, a convite do Comitê Jovens Administradores. Segundo ele, a Endeavor está a procura de empreendedores que sonham grande (com ambição e capacidade 6 de enxergar longe), tenham brilho nos olhos (paixão pelo que fazem), inovam (sabem que precisam ser diferentes), botam para fazer (capacidade de executar com excelência) e éticos (fazem com transparência, gestão e profissionalismo). São esses empreendedores, explicou, que revolucionam o meio em que atuam, geram renda e oportunidades de trabalho, proporcionam mobilidade social e inspiram as próximas gerações a seguir o mesmo caminho. Entre os exemplos citados, o da BS Construtora, cujo empreendedor, o então mestre de obras Sidnei Borges dos Santos, inovou ao criar um método de casas pré-moldadas, e o da Beleza Natural, em que a ex-empregada doméstica Zica (Heloísa de Assis), ao inspirar-se no sonho de proporcionar mudanças nas vidas das pessoas, por meio da beleza, montou um pequeno salão, em 1993, no subúrbio carioca. Hoje, a Beleza Natural, conta com uma rede de 10 estabelecimentos e mais de 70 mil clientes. Já a construtora, que tem quatro fábricas, pretende construir mais cinco até o final do ano, quando deverá participar de mais de 50 empreendimentos. “São exemplos assim que movem a Endeavor”, ressaltou Teles, ao informar que, em 2009, os empreendedores ligados ao instituto geraram mais de 20 mil empregos e faturaram "Sonhar grande é o primeiro passo para realizar algo magnífico. Até porque dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno" cerca de R$ 2 bilhões. “Sonhar grande é o primeiro passo para realizar algo magnífico. Até porque dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno”, enfatizou. Porém, para que eles se tornem perenes, mais do que investir em informações gerenciais e de estabelecer uma cultura de resultados, é preciso adotar uma gestão simplificada, o que Teles chama de “barriga no balcão”. As contingências, ensinou, devem ser cortadas tão logo surjam e jamais o dinheiro pessoal deve ser misturado com o da empresa, e vice-versa. Para ter um controle melhor sobre os gastos, citou uma frase de Peter Graber, considerado um dos dez maiores empreendedores do País: “Você nunca pode dar a sensação de que está sobrando dinheiro. Todos são mais criativos e inteligentes quando não há dinheiro sobrando”. AD Autodesenvolvimento Escrita para negócios com ênfase para a nova ortografia – Aulas 1 e 2 Português aplicado I Português aplicado II Português aplicado III Português aplicado IV Série Profissional: Aprimorando as habilidades pessoais de comunicação verbal 1/4 Série Profissional: Melhorando sua performance como ouvinte 2/4 Série Profissional: Comunicação interpessoal – Permissividade, autoritarismo e resolução conjunta 3/4 Série Profissional: Comunicação Verbal – Elemento fundamental para o desenvolvimento profissional 4/4 PowerPoint I – Básico PowerPoint II – Básico PowerPoint I - Intermediário PowerPoint II - Intermediário PowerPoint – Tópicos sobre a versão 2007 Série Profissional: Gestão da qualidade total Série Profissional: A ISO e as ferramentas da qualidade 2/5 Série Profissional: Pensamento estratégico I 3/5 Série Profissional: Pensamento estratégico II 4/5 Série Profissional: Sustentabilidade nas organizações contemporâneas Metaversos e novos ambientes de negócios Contextualização e introdução à projeção de fluxo de caixa 1/3 Caso concreto de projeção do fluxo de caixa 2/3 Modelos de cálculo da Taxa Mínima de Atratividade 3/3 GC Gestão Corporativa GP Gestão Pública Série Profissional: Controles internos na Administração Pública contemporânea 1/4 Série Profissional: Entrevista Boas Práticas em controles internos – Implantação 2/4 Série Profissional: Aplicando os controles internos na Administração Pública 3/4 Série Profissional: Entrevista Boas Práticas em controles internos – Execução 4/4 O reuso da água NR10 – Riscos em instalações e serviços com eletricidade 11/14 NR10 Prestando os primeiros socorros 12/14 NR10 Incêndios – Proteção e Combate 13/14 NR10 Técnicas de combate a incêndio 14/14 Os cursos são transmitidos, por meio de uma TV Corporativa, na sede do Conselho, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h. Inscrições pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (11) 3087.3200 – Departamento de Relações Externas. As reservas devem ser feitas com antecedência. A programação completa está em www.crasp.gov.br/dtcom 7 Panorama por Sarah Germano Indicações de leitura Marcelo Marques Trade Marketing Estratégias de distribuição e execução de vendas Diversos autores Coordenação de Matheus Alberto Cônsoli e Rafael D’Andrea Editora Atlas 1.ª edição, 2010 Páginas: 304 Preço: R$ 58,00 Apresenta de maneira estruturada, didática e de fácil entendimento, conceitos, ferramentas e questões para que profissionais e acadêmicos da área de Marketing possam avaliar, planejar e implementar suas estratégias de trade marketing. Com nove capítulos, a obra é baseada no conhecimento acadêmico e na experiência no dia a dia dos autores em organizações, varejistas, pesquisas e projetos de consultoria desenvolvidos nos últimos dez anos. Crises Financeiras Quebras, medos e especulações do mercado Humberto F. S. Spolador e Pedro Carvalho de Mello Saint Paul Editora 3.ª edição Páginas: 288 Preço: R$ 54,00 Retrata, em 12 capítulos, a natureza e as consequências das principais crises financeiras mundiais, como a Tulipomania (1630) e o Esquema Mississipi (1710). Traz ainda uma análise detalhada das mais recentes, entre elas a do Sulprime (2008) e da Zona do Euro (2010), e suas repercussões na economia brasileira. 8 Contraregra da empresa Qual a importância da cadeia de suprimentos para a logística? Para responder a pergunta, o Grupo de Excelência “Administração de Cadeias Produtivas e Logística Empresarial” do CRA-SP promoveu palestra com o administrador Paulo Roberto Bertaglia, autor do livro “Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento” (Editora Saraiva). De acordo com o palestrante, a vontade de consumir produtos é a força que move as cadeias de suprimento e as organizações têm de entender o que as pessoas querem adquirir, o que exige planejamento. “O consumo está ligado à logística”, afirmou. “Se o produto não estiver na gôndola do supermercado por uma falha de distribuição, o estabelecimento perde duas vezes: não vende o produto e o concorrente ganha a venda. Para evitar dissabores, uma estratégia interessante é o “Just in Tide”, uma referência ao sabão em pó norte americano que leva essa marca. Por meio de uma parceria com a rede de hipermercados Walmart (EUA), o fabricante era avisado todas as vezes em que o produto era adquirido. A reposição era imediata, o que contribuía para que não houvesse desabastecimento. Segundo Bertaglia, é preciso ficar “de olho” nas forças externas que podem abalar um suprimento de cadeias, como intensa competição, globalização, mercado e demanda, informação e comunicação, culturas e regras e o meio ambiente. “Essa atenção contribui para que cada centavo economizado seja contabilizado no lucro da empresa”, finalizou. Vigilância aprovada Enquete do CRA-SP mostra que administradores aceitam ser monitorados no trabalho A Justiça Trabalhista tem aceitado a possibilidade de os empregados serem monitorados por câmeras no exercício de suas funções, desde que alguns limites sejam respeitados: as pessoas devem ter ciência da ação e o monitoramento excluir áreas como banheiros e refeitórios. Segundo o Tribunal Regional do Trabalho, esse tipo de vigilância quando ocorre apenas no local efetivo de trabalho, terminais bancários e portas principais, não representa violação à intimidade. Esse posicionamento tem sido mantido pelo Tribunal Superior do Trabalho. No entanto, as empresas que captam imagens dos banhei- ros e de outras áreas privativas têm sido condenadas por dano moral. Em recente decisão da 1ª Turma do TST, o ministro Lélio Bentes afirmou que essa conduta extrapola os limites do poder de direção e causa constrangimento com violação ao direito à intimidade. Para saber o que os administradores pensam a respeito, o CRASP realizou uma enquete, via Internet, com 3.286 profissionais registrados. A maioria (58,5% ou 1.921 administradores) entende que o posicionamento da Justiça está correto, pois também é uma forma das empresas protegerem seus patrimônios. Os demais (1.365 administradores) consideram a medida invasiva. Conhecimento por Sarah Germano/Luiz Gallo Arbitragem Você ainda pode precisar dela Como um método extrajudicial de resolução de conflitos pode ajudar o administrador 10 F oi a partir de uma anotação de Benjamim Franklin (1706-1790), um dos líderes da Revolução Americana e conhecido por suas citações e experiências com a eletricidade, que a frase “tempo é dinheiro” foi incorporada pelo mundo capitalista. Ele teria falado a célebre expressão depois de ler obras do filósofo grego Teofrasto (371-288 a.C), a quem atribuise a autoria de cerca de 200 trabalhos em 500 volumes, que, na prática, correspondia a um livro escrito a cada dois meses. No mundo corporativo, diante do cenário de competição globalizada e acirrada, o significado da frase tem se tornado cada vez mais verdadeiro. Nele, perder tempo não se traduz apenas em deixar de “produzir dinheiro”, mas colocar em risco a sobrevivência das organizações. Não raro, o administrador se vê diante de processos judiciais, parte deles de fácil solução, que, em função da demora de seus julgamentos, se tornam caros para a empresa. São em situações assim que a arbitragem serve como alternativa ao modelo tradicional, ao resolver as pendengas de forma mais rápida, economizando esforços das partes envolvidas. A arbitragem é uma modalidade de resolução de conflitos que se dá de forma extrajudicial –ou seja, não acontece diante da autoridade judicial nem sofre sua interferência em seu valor legal. Por meio dela, os envolvidos procuram uma câmara (instituição privada) para fazer a mediação do processo. O método é considerado por especialistas a principal forma de soluções de pendengas comerciais, especialmente na órbita internacional, tanto que nos contratos de negócios entre países, é normal a inclusão de cláusula nesse sentido. Na Grécia antiga, o orador e político Demóstenes (384 a.C. – 322 a.C), cuja oratória constituía uma importante expressão da capacidade intelectual da Atenas daquela época, definiu a prática de tal forma que continua atual. Segundo ele, “se as partes têm um conflito relativamente às suas obrigações privadas e desejam escolher um árbitro, é lícito que elas indiquem alguém de seu agrado. Mas, a partir do momento em que escolherem um árbitro de mútuo e comum acordo, deverão cumprir fielmente sua decisão e dela não poderão recorrer perante um tribunal. A sentença será definitiva”. Em palestra promovida pelo Grupo de Excelência Mediação e Arbitragem, do CRA-SP, o administrador Sidney Fernandes Filho disse que a sociedade ganhou um mecanismo para resolver seus conflitos sem burocracia, com agilidade e autonomia para escolher onde, como e quando serão finalizados. Conciliador nomeado no Setor de Conciliação do Fórum João Mendes Júnior e professor do curso de Conciliação, Mediação e Arbitragem das Associações Comerciais do Brasil, Fernandes Filho explicou que embora sirva como alternativa para desafogar o Judiciário, a arbitragem se aplica apenas a litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis, ou seja, os que podem ser avaliados monetariamente. Vantagens da Arbitragem ▪ Autonomia da vontade das partes ▪ Escolha da lei aplicável ▪ Indicação do local da arbitragem ▪ Determinação do tempo necessário para terminar a controvérsia ▪ Informalidade, flexibilidade e celeridade do procedimento ▪ Confidencialidade ▪ Transparência do procedimento, em todas as suas fases ▪ A imparcialidade dos árbitros, resguardando a indispensável segurança jurídica ▪ Amplo e irrestrito direito de defesa ▪ Decisão arbitral produz os mesmos efeitos da sentença judicial ▪ Maior disponibilidade de tempo dos árbitros 11 Conhecimento Um dos fundadores do escritório de advocacia Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados e professor universitário de instituições como PUC-Rio, Eaesp e Ibmec, Francisco Müssnich classifica como principal benefício da arbitragem a opção da criação de um colegiado com profundo conhecimento das áreas específicas e focados para o exame de seus problemas. Os árbitros são escolhidos pelas partes, não necessariamente com formação em Direito, o que abre a possibilidade de atuação de profissionais da área relacionada ao conflito, donos de expertise do assunto a ser tratado.“Pontos negativos, até agora não vi”, conta. Para ele, apesar de recente no Brasil, a arbitragem está se transformando em uma tendência. “Isso porque o judiciário é incapaz de resolver questões que envolvem assuntos complexos. É muito difícil para um juiz, que já tem uma série de outros problemas para julgar”, comentou. 12 A nova lei reformulou esse posicionamento por meio da inclusão da cláusula compromissória –as partes se comprometem a utilizar o instrumento como forma de solução de possíveis conflitos decorrentes da relação trabalhista, civil ou comercial– e da sentença arbitral, que equivale a uma decisão judicial para todos os efeitos legais e que, diferentemente da legislação anterior, não precisa ser mais homologada pelo Judiciário. “Antes, era meia sentença, hoje total”, classifica Selma. No dia a dia, explica Müssnich, a modalidade é considerada uma aliada do administrador em três aspectos: a. possibilidade de oferecer um profundo conhecimento “O Judiciário é incapaz de resolver questões que envolvem assuntos complexos. É muito difícil para um juiz, que já tem uma série de outros problemas para julgar” Francisco Müssnich, advogado e professor universitário Cláusula compromissória Participante da elaboração da Lei de Arbitragem brasileira (Lei 9.307/96) e integrante de sua comissão relatora, a advogada Selma Maria Ferreira Lemes diz que uma análise utilizada em sua tese de doutorado, aferida por especialistas, revela que os custos de uma empresa que opta por resolver seus conflitos por meio arbitral chega a 58%. Lembra que apesar de fazer parte de ordenamento jurídico brasileiro desde a Constituição Imperial de 1824, a arbitragem nunca foi empregada porque a legislação não propiciava sua utilização ao colocar “mais óbices que facilidades”. do caso em exame; b. garantia de que o painel formado por três membros tenha uma pensamento melhor sobre o que está em discussão, do que somente um juiz; e c. rapidez em que o progresso acontece. “Enquanto um processo para ser resolvido na Justiça tradicional leva três ou quatro anos, em média, na arbitragem dura, no máximo, um ano, estendendo para 14 meses, em casos raros”, ressalta. Os laços entre a arbitragem e a profissão de Administrador, segundo Selma, são também estreitados por duas possibilidades. A primeira se dá à medida em que passa a exercer o seu direito de opinar e escolher a melhor opção diante de diferentes situações, principalmente as relacionadas a custo-benefício e otimização de lucros. “O papel primordial do administrador é isso, poder participar do procedimento, da relação estabelecida com as demais partes da empresa a fim de fazer com que tudo ande conforme o planejado. Um conhecimento adequado sobre a arbitragem abre a possibilidade que discuta com seu departamento jurídico e apresente novas soluções”, enfatiza Selma, que complementa: “É preciso dar valor para a cláusula de arbitragem, pela sua importância e estratégia, por interferir diretamente no custo de todo o processo. Não é apenas uma cláusula política, é também econômica e financeira”, aponta Selma. A segunda, atuando como árbitro. “Ele pode compor uma câmara por ter a noção de empresa, de administração. Como a arbitragem é um instituto que trabalha muito com o direito comercial e empresarial e até com toda a estrutura da sociedade, o raciocínio de um administrador pode colaborar bastante para a linha de pensamento de outros profissionais, caso específico do advogado”, conclui. Conflitos trabalhistas Apesar de o tema ser controverso, é possível utilizar a arbitragem nos conflitos trabalhistas. Basta que as partes (empregado e empregador) manifestem a vontade de resolvêlos por meio de assinatura do compromisso arbitral. A afirmação é da advogada Ana Lúcia Pereira, presidente do Conselho Nacional das Instituições de Mediação e Arbitragem (Conima), que, no entanto, recomenda seguir o “Norteador das Boas Práticas Trabalhistas” elaborado por aquela entidade. Nesse documento consta, por exemplo, que a instituição arbitral deverá, frente às partes e árbitro, ater-se aos princípios da moralidade, impessoalidade, boa-fé, “É preciso dar valor para a cláusula da arbitragem por interferir no custo de todo o processo” Divulgação Marcelo Marques A sociedade ganhou um mecanismo para resolver seus conflitos sem burocracia, afirma o administrador Sidney Fernandes Filho Selma Maria Ferreira Lemes, advogada e integrante da comissão relatora da elaboração da Lei de Arbitragem brasileira (foto). ética, autonomia da vontade, consensualidade, voluntariedade e sigilo pessoal. Outra recomendação é que o procedimento não poderá versar sobre questões relacionadas às normas ambientais, saúde, segurança e medicina do trabalho. O posicionamento dos tribunais em relação a essa prática, de acordo com Ana Lúcia, está muito dividido. “Encontramos jurisprudências contrárias e favoráveis. No mês passado, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) publicou uma decisão, na qual os ministros entendem que a modalidade é perfeitamente aplicável aos conflitos trabalhistas”, disse, ao lembrar que, desde 1997, uma estimativa aponta para 200 mil casos solucionados em todo o País. Na Prática por Daniela Cabral Negócios do bem Apostar nas camadas da população menos favorecida pode fazer a diferença 14 negócios. Um exemplo bemsucedido é o do Banco Pérola, de Sorocaba, interior paulista. A instituição trabalha com microcrédito para jovens –18 a 29 anos– das classes C, D e E, potencialmente empreendedores. Constituído como uma Oscip Creditícia –Organização de Sociedade Civil de Interesse Público–, o banco foi criado em outubro de 2008. O valor mínimo para empréstimo é de R$ 50 e o máximo, R$ 5.000. A taxa de juros é de 4% ao mês. Uma das parceiras do banco é a Artemísia Internacional. Criada em 2002, iniciou suas atividades no País dois anos depois. A escolha do Brasil como base de atuação se deve ao seu panorama econômico positivo e em franco crescimento, campo ideal para o início de bons negócios. O empreendedorismo e a vontade do brasileiro em ajudar também influenciaram a escolha. “Nós oferecemos formações para que as pessoas possam atuar nesse campo. Divulgamos o conceito por meio da prática de modelos em que elas são convidadas a empreender ou atuar e os disseminamos por meio de exemplos. Apoiamos negócios sociais em fase de consolidação para que outros bons modelos surjam e possam ser compartilhados no mercado”, diz Maure Pessanha, diretora do Centro de Formações em Negócios Sociais da Artemísia, ao lembrar que a modalidade é uma iniciativa economicamente rentável, que contribui para a redução da pobreza de três maneiras: pelos produtos, serviços ou inclusão de pessoas menos favorecidas na cadeia produtiva. Rob Parkinson coordena a implantação do Polo ANDE Brasil (Aspen Network of Entrepreuners, em tradução livre, Rede Aspen de Empreendedores), organização internacional que investe dinheiro e conhecimento para promover o empreendedorismo em mercados emergentes. “A ideia central é criar um novo tipo de “Apoiamos negócios sociais em fase de consolidação para que outros bons modelos surjam” Marcelo Marques N egócios que atendam a base da pirâmide. Negócios inclusivos. Negócios que acabam com a pobreza. Negócios sociais. Muitas denominações para a mesma ideia. Tudo começou em Bangladesh nos anos 1970. O professor e economista Muhammad Yunus, preocupado com a situação de pobreza extrema de seu país, fundou um banco destinado a emprestar dinheiro aos pobres, o Grameen Bank. A instituição se tornou a primeira especializada em microcrédito no mundo, modalidade que se diferencia por não ser necessário que o cliente dê garantias ao banco. Por mês, são emprestados mais de US$ 100 milhões. O perfil dos tomadores é de mulheres em maioria esmagadora, 97%. A taxa de retorno do banco é de aproximadamente 98%. O êxito do professor e de seu banco os levaram a ganhar, em 2006, o Prêmio Nobel da Paz. Uma prova do crescimento do tema em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina, com históricos de bolsões de pobreza, foi dada em 28 de junho do ano passado, com a instituição do Social Business Day (Dia do Negócio Social). Além de Dhaka, capital de Bangladesh, uma série de eventos tomou conta de Nova Iorque (EUA), Tóquio e Fukuoka (Japão), Buenos Aires (Argentina), Wiesbaden (Alemanha), Joanesburgo (África do Sul), Karachi (Paquistão), Roorkee, Bombaim, Indore e Bangalore (Índia), Hangzhou, Xangai e Pequim (China) e Porto (Portugal). No Brasil, os preceitos de Yunus também fundamentam um novo conceito no mundo dos Maure Pessanha, diretora do Centro de Formações em Negócios Sociais da Artemísia (foto ) 15 Na Prática arquivo pessoal “A ideia central é criar um novo tipo de negócio cuja atividade principal é gerar impacto social” Rob Parkinson, coordenador da implantação do Polo ANDE Brasil (foto) negócio cuja atividade principal é gerar impacto social”, enfatiza. Ele também é um dos editores do site Next Billion Brasil (http:// brasil.nextbillion.net), portal que reúne pessoas de diversas profissões, ONGs, artigos, notícias e oportunidades aos interessados em atividades que reduzam a pobreza no País. O objetivo é promover uma espécie de ponto de encontro de informações e de pessoas para tirar dúvidas como “por onde começar” ou “o que fazer para ajudar”. Daniel Izzo é uma dessas pessoas. “Eu queria fazer algo que tivesse significado”, diz. Sócio e co-fundador da Vox Capital, trabalhou por mais de 12 anos nas áreas de Marketing e novos negócios de companhias que seguem modelos tradicionais. Na última delas, desenvolveu projetos bem16 de empresas de alto potencial que ajudam a reduzir a pobreza). Izzo também participa do conselho do Polo ANDE Brasil e da equipe editorial do Next Billion Brasil. Outro exemplo prático de sucesso é a Rede Tekoha, que comercializa brindes e presentes corporativos – canetas de bambu e de papel kraft, calendários feitos em pedra sabão, marcador de livros de filtro de café, porta-lápis de babaçu- sustentáveis confeccionados artesanalmente por comunidades urbanas e rurais menos favorecidas. O objetivo é a geração de renda para essas pessoas. O diferencial da empresa, segundo um de seus idealizadores, Henrique Bussacos, é a transparência. “Ao abrir todos os preços da cadeia produtiva, a Tekoha revolucionou um mercado em que todos desconfiavam das margens e ninguém tinha coragem de apresentá-los aos clientes”, ressalta. Outra diferença é a quantidade de produtos encomendada. A empresa definiu um mínimo de 50 peças, sempre confeccionadas pela mesma comunidade, com exceção dos casos em que não se têm estoque do produto pedido. Negócios inclusivos O principal objetivo dos modelos tradicionais de negócios é o lucro. As empresas até possuem programas de responsabilidade e sustentabilidade social, mas são atividades paralelas ao seu escopo, nem sempre estão vinculadas ao objetivo primordial, que prioriza o resultado financeiro. Isso não significa que as corporações baseadas em negócios sociais não possam lucrar. “Podem sim, mas os objetivos são diferentes. São focados em geração ou incremento da renda e abertura de oportunidades”, diz a antropóloga Luciana Aguiar, da Plano CDE, consultoria especializada nas classes de baixa renda. Segundo ela, que prefere a expressão “negócios inclusos”, as empresas tradicionais começam a olhar mais para essas iniciativas. “A Coca-Cola, por exemplo, desenvolveu unidades com foco no público da base da pirâmide”, enfatiza. São mais de 95 milhões de pessoas. Um número impactante, considerando que a população brasileira é de 191 milhões, segundo o censo do IBGE (2010). “A diferença é muito clara entre as classes C+ e C-. A primeira ascendeu nos últimos anos, melhorou a autoestima, ganhou confiança e mais poder aquisitivo. A outra ainda passa por dificuldades e termina o mês ‘apertada’”, explica Luciana. A bem da verdade, a definição de lucro ainda gera polêmica. Por um lado, há os que compartilham com o pensamento de Yunus, que acredita ser imoral obter ganhos com a venda de produtos e serviços para os pobres e, caso ocorram, devem ser revertidos para o próprio negócio e, assim, aumentar o impacto social. Por outro, existem correntes que entendem que o lucro não serve apenas para gerar dividendos para os acionistas, mas também é a melhor maneira para promover ações socioeconômicas para as comunidades carentes. Controvérsias à parte, os profissionais envolvidos com projetos desse nível sabem que, no Brasil, o setor ainda é pequeno, mas com possibilidades reais de crescimento em larga escala, em função do tamanho da população carente. Não é à toa, portanto, que os esforços são concentrados em áreas como Educação, Saúde, Habitação e geração de renda. Os negócios sociais se diferenciam por acreditar que há empreendedorismo e muito potencial nessa camada da sociedade e que, juntos, podem fazer a diferença. “As empresas baseadas em negócios sociais focam seus objetivos em geração de renda e abertura de oportunidades” Luciana Aguiar, antropóloga da Plano CDE (foto) Marcelo Marques sucedidos e resolveu alçar voo, mas não solo. “A Vox começou em 2009, comigo e mais dois sócios e investe, por meio de participação societária e aconselhamento estratégico, em start ups, pequenos negócios que servem a base da pirâmide nas áreas de Educação, Saúde e Habitação”, afirma. A empresa é o primeiro fundo de capital empreendedor brasileiro de impact investing (desenvolvimento Capa por Luiz Gallo Muito N além da graduação Desafios do mundo corporativo moderno impõem ao administrador que sua formação seja contínua 18 o começo do segundo semestre do ano passado, a administradora Cristina Faustino, que responde pela gerência administrativa e financeira do grupo The Magic Nuts, rede de franquias de quiosques alimentícios, entendeu que os conhecimentos adquiridos três anos antes na faculdade já não eram suficientes para manter sua carreira valorizada e decidiu que era hora de cursar um MBA (Master in Business Administration). Mais do que a proposta de compartilhar novos conhecimentos na empresa em que trabalha, por meio de uma visão gerencial e de planejamento mais amplos, a busca de Cristina de se aprimorar em uma atividade que irá ajudá-la no dia a dia de seu trabalho, vai ao encontro das imposições e dos desafios do mundo corporativo moderno, que, por conta de constantes mudanças e adaptações, sentenciam que a formação de um profissional, notadamente o administrador, não se encerra com a conclusão do curso de graduação. A universidade, dizem os especialistas, aponta caminhos, fornece conceitos e ideias, mas a bagagem deve ser arrumada por quem pretende trilhá-los. Em outras palavras, esses caminhos atendem pelo nome de educação continuada. Assim como as empresas buscam aprimorar seus conhecimentos práticos para continuarem competitivas, é fundamental que os administradores não parem no tempo. “O desenvolvimento de conhecimento jamais deve ser deixado de lado. Vivemos situações complexas, e quanto mais preparo houver, mais condições para resolver problemas e aproveitar oportunidades”, esclarece o professor Taiguara Langrafe, coordenador do curso de graduação em Administração da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap). “Os cursos de extensão universitária têm o objetivo de aperfeiçoamento, atualização, desenvolvimento de novas habilidades e competências que os de graduação não propiciam”, reforça o professor e administrador Adalberto Fischmann, chefe do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA). Segundo ele, o mérito dos cursos de educação continuada é aproveitar a experiência profissional e gerencial para ampliar a compreensão dos desafios e conflitos que os executivos enfrentam em seu cotidiano, preparando-os para melhorar a capacidade de resolução de problemas e tomada de decisão. “É claro que não se trata de uma questão sine qua non”, diz ele, ao lembrar que a história do meio corporativo brasileiro está repleta de exemplos de profissionais que avançaram na carreira por meio do autodesenvolvimento. Porém, os tempos eram outros. “Hoje, diante da velocidade com que o conhecimento é disseminado, deixar de ficar permanentemente conectado com os processos de atualização significa perder o pé em curto período de tempo”, justificou Fischmann. Além de imprimir no currículo novos conhecimentos de gestão, a educação continuada, na visão do administrador Fernando Cardoso, sócio-diretor da Integração Escola de Negócios, contribui para melhorar estilos comportamentais para liderança, fundamentais, por exemplo, na solução de conflitos. “Cada vez mais ela é percebida como um diferencial competitivo, um aperfeiçoamento prático que será aplicado no dia seguinte no trabalho”, enfatiza. Ou, como explica Irineu Gianesi, diretor de pós-graduação lato sensu do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa: “Quando se faz um curso de graduação, o nível de maturidade é a compreensão do valor do conhecimento. Na educação continuada, o que prevalece é a sua aplicação no desenvolvimento de competências, resolução de problemas e capacidade de formação de pensamento crítico”. Nesse segmento, o destaque fica por conta dos MBAs, uma espécie de pósgraduação lato sensu, que não dá diploma, mas um certificado. No entanto, não basta apenas querer fazê-los. É necessário ter experiência gerencial, em média de 3 a 5 anos, e pelo menos três anos de formado, passar por uma análise curricular e realizar provas de conhecimentos específicos e gerais. A seleção rigorosa é importante para manter a qualidade do grupo de alunos e, dessa forma, contribuir para que interajam, troquem experiências e acompanhem o conteúdo programático. “Na realidade, é um processo de transformação que, além de esforço, o aluno tem de demonstrar que está disposto a buscar a evolução e o aprimoramento de competências e habilidades”, destaca Gianesi. “Deixar de ficar conectado com os processos de atualização significa perder o pé em curto período de tempo” Adm. Adalberto Fischmann, chefe do Departamento de Administração da FEA-USP e diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA) 19 Para o administrador Adalberto Fischmann, chefe do Departamento de Administração da FEAUSP, cabe ao profissional optar por instituições que mantenham padrões de qualidade reconhecidos 20 “O aluno tem de demonstrar que está disposto a buscar a evolução e o aprimoramento de competências” Irineu Gianesi, diretor de pós-graduação lato sensu do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (foto acima) outras palavras, diz Fischmann, ter grupos heterogêneos pode até ser bom, mas as chances de apresentarem desníveis de capacidade, raciocínio, compreensão e experiências são grandes, o que pode comprometer o aprendizado. Esse direcionamento, segundo Fischmann, que também é secretário executivo da Associação Nacional de MBA (Anamba), entidade cuja missão é contribuir para a excelência no mercado por meio de parâmetros de qualidade que norteiam a estruturação e a oferta, elimina os candidatos que pretendem fazer os cursos por modismo. “Até porque não existe essa de que no ano que vem farei um MBA ou uma pós-graduação, porque isso vai me valorizar”, ressalta. Ele entende que apesar de existir diversas instituições oferecendo essa modalidade de curso, não existe uma concorrência predatória, mas uma “vul- Divulgação Num MBA, complementa Cardoso, a ênfase é a troca de experiências e discussões com base em vivências e conhecimentos. Isso explica a importância de se determinar o perfil do aluno para os programas a serem ministrados por meio de entrevistas e análise dos currículos. Com isso, garante-se a homogeneidade em sala, o que enriquecerá o programa e trará ganhos para todos. O rigor excessivo imposto pela maioria das escolas de negócios não tem a pretensão de formar cérebros privilegiados, mas permitir que os executivos construam novos conhecimentos baseados em suas experiências e técnicas apresentadas. Na prática, as instituições que adotam esse procedimento estão preocupadas em contribuir para que os profissionais não ingressem em cursos errados, o que poderá trazer-lhes consequências negativas. Por isso, costumam orientá-los para que se encaminhem para os que se encaixem com suas capacidades. “A escolha deve considerar o segmento de mercado em que o profissional está inserido, bem como seu nível hierárquico, área de atuação, objetivos, tempo de experiência. Só assim, o curso terá efetividade para o aluno”, destaca Cardoso. Em garização” da sigla MBA, muitas vezes usada de forma equivocada. “O que vale é a qualidade do conteúdo e da escola que os oferece. Cabe, portanto, ao executivo optar por instituições que mantenham padrões de qualidade de excelência, reconhecidas nacional e internacionalmente, sob pena de frequentar os de baixa qualidade e que pouco contribuirão para a evolução profissional”, enfatiza. Estima-se que em todo o País exista, aproximadamente, 8 mil cursos desta natureza. Boa parte é motivada pelo aquecimento da economia brasileira e evolução das companhias nacionais, cada vez mais ávidas por mão de obra qualificada. Como a Administração é polivalente, muitos profissionais partiram para essa área, o que fez aumentar a oferta dos MBAs. Divulgação Marcelo Marques Capa Mas, nunca é demais ficar alerta. “Muitas escolas só vendem a nomenclatura. São fábricas de emitir certificados”, destaca Fischmann, ao lembrar que vários profissionais são atraídos por cursos que oferecem o que não podem cumprir. Assim, todo o cuidado é pouco porque um MBA é um investimento de, pelo menos, dois anos e que exige, na maioria dos casos, dedicação total, uma verdadeira maratona. A melhor forma de se proteger desse risco, ensina Cardoso, é certificar-se do programa a ser cursado e buscar informações se a escola é reconhecida no mercado. Entre seus conselhos, estão os de visitar a instituição, assistir como convidado a uma aula ou palestra e conversar com o coordenador do programa e com ex-alunos. Outro ponto a ser observado é se o conteúdo ministrado pelas escolas está de acordo com o mercado. Assim, se as companhias estão, por exemplo, focadas em forte crescimento e atuação em mercados globalizados, supõe-se que seja esta a direção a ser caminhada pelos currículos acadêmicos. Temas como governança corporativa, sustentabilidade e ética, em função das cobranças “excessivas” dos acionistas por melhores resultados das empresas, já começam a fazer parte das matrizes curriculares. Na FIA, por exemplo, os cursos são baseados em programas institucionais que elaboram pesquisas e geram conhecimentos que, por sua vez, são aplicados em salas de aula e nas consultorias que a fundação realiza para clientes de diversos segmentos. Essa relação entre pesquisa, ensino e consultoria a aproxima do mercado e a mantém na fronteira do conhecimento em Administração. Na Integração, a relação se dá por meio de grupos de discussão e pesquisas, 64% dos profissionais pagam os cursos do próprio bolso 32 anos é a média de idade 4 anos é o tempo médio de experiência gerencial 12 anos é o tempo médio de experiência profissional R$ 7 Mil é quanto recebem, em média, os profissionais que concluíram pósgraduação nos últimos três anos Fonte: “Guia Os Melhores MBAs do Brasil 2010” (Revista Você S.A) “A escolha deve considerar o segmento de mercado em que o profissional está inserido e o tempo de experiência” Adm. Fernando Cardoso, diretor da Integração Escola de Negócios (foto) 21 Capa Mestrado profissional Diferentemente do MBA, que é considerado uma pós-graduação lato sensu, o mestrado profissional é um curso stricto sensu, isto é, garante ao formado o título de mestre e um diploma reconhecido legalmente. (Apenas como elucidação, na acepção americana, os MBAs são os verdadeiros mestres em Administração; na acepção brasileira, não passam de cursos de especialização). No entanto, na hora de procurar por uma especialização, muita gente fica em dúvida sobre qual a esco22 conteúdos”, diz Cardoso, ao ressaltar que o grande benefício dessa modalidade é a customização, que acontece com base na realidade de mercado de cada empresa. Mito ou verdade Divulgação além de experiências das melhores práticas constatadas em seus cursos abertos ministrados para 25 empresas. Na Fecap, o atendimento das necessidades do mercado, segundo Langrafe, está no DNA da escola, fundada em 1902. Pelos critérios da Anamba, os cursos devem ter pelo menos 500 horas de aulas presenciais e outras 100 horas de trabalho de conclusão de curso. Vale dizer ainda que apesar de o Ministério da Educação não avaliar a qualidade dos programas de especialização e MBA existentes no País, nunca é demais ter a certeza de que as práticas adotadas pelas instituições acompanham a realidade do mundo corporativo. Para ampliar a credibilidade, muitas instituições buscam certificar-se no exterior, caso da Insper que acaba de ser reconhecida pela AACSB (The Association to Advance Collegiate Schools of Business), a mais antiga e uma das mais conceituadas associações de escola de negócios do mundo. O processo de acreditação desta entidade estabelece 21 padrões para diversos aspectos relativos à gestão da instituição, à produção de pesquisa e ao ensino oferecido. É uma prova que as boas escolas de negócio brasileiras estão muito próximas do nível mundial de excelência. Em algumas delas, falta apenas a mescla de alunos de países diferentes para forçar o debate em torno da globalização de mercados, tema que é bastante explorado pelas escolas internacionais. lha correta. Não é para menos, já que os dois oferecem um aprofundamento na formação. A principal diferença é que o mestrado tem uma característica mais acadêmica, sendo direcionado para a atuação dos alunos como futuros professores. “Como o objetivo é desenvolver competências gerenciais dos alunos e análise de estratégias, os MBAs são mais generalistas”, destaca Gianesi. Os programas padronizados para empresas –seja um curso de curta duração ou MBA in company– também são formas eficazes de levar o conhecimento para grupos de profissionais. Entre as vantagens, o fato de serem construídos para atender as necessidades específicas das organizações contratantes. “Com base em informações como competências, planejamento estratégico, missão, visão, valores, situações específicas relacionadas ao conteúdo que será abordado, indicadores, perfil de público e histórico de treinamentos já realizados, são definidos os Devido a importância que adquiriu no mercado, o MBA tem sido o objeto de desejo de muitos profissionais. Mas, consultores em Recursos Humanos lembram que não basta tê-lo para conquistar bons empregos. O senso comum diz que o certificado de educação executiva perdeu peso por conta da popularização da pós-graduação lato sensu no Brasil (inclui MBAs e especializações), o que deixou de ser um diferencial. Entretanto, aliado à competência, um curso de qualidade é a garantia de melhor empregabilidade. “Quanto melhor o preparo de um profissional, mais condições terá de cumprir suas atividades com excelência e tornar-se valioso para o mercado”, afirma Langrafe. Prova disso, é que uma pesquisa da revista Você S.A., com empresas nacionais e estrangeiras de diferentes setores da economia, para saber qual o peso que os cursos de extensão universitária exerce na hora da contratação e para o desenvolvimento da carreira de um profissional, concluiu que o aperfeiçoamento pós-universitário não é tudo. São levados em conta também a experiência prática e as competências pessoais, como a capacidade de liderança e de lidar bem com os conflitos. Outro dado importante do estudo é que as empresas consideram o conteúdo das escolas brasileiras comparável ao das internacionais. “Quanto melhor o preparo de um profissional, mais condições terá de se tornar valioso para o mercado” Taiguara Langrafe, professor e coordenador do curso de graduação em Administração da Fecap (foto ao lado) Perfil por Luiz Gallo | fotos: Marcelo Marques A Polícia é amiga do cidadão Administração com foco nas pessoas está transformando a Polícia Militar de São Paulo H á 32 anos na Polícia Militar do Estado de São Paulo, o administrador e coronel Álvaro Batista Camilo responde pelo comando geral da corporação desde abril de 2009. Formado em Administração pelo Mackenzie e com MBA em Gestão de Tecnologia da Informação pela Fiap, também é o presidente do Conselho Nacional dos Comandantes Gerais das Polícias e Corpos de Bombeiros Militares do Brasil. Especialista nas áreas de Bombeiros e TI, trabalhou também como chefe da Adjuntoria de Informações Quantitativas no setor de Inteligência do Estado-Maior, sub-chefe junto à Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança Pública e comandante do Policiamento de Área Metropolitano Centro (São Paulo). Condecorado com diversas honrarias civis e militares, consta em seu currículo a implantação de diversas ações administrativas focadas nas pessoas que, ao lado de projetos tecnológicos de última geração na área policial, estão contribuindo para a redução do índice de criminalidade em todo o Estado. A Administração surgiu em sua vida quando foi trabalhar na área de TI da corporação. “Senti dificuldade de gerir pessoas. Naquela época, minha visão estava mais na parte operacional e não na gerencial, para onde eu estava caminhando pelo crescimento da carreira. Fazer Administração me ajudou muito neste sentido”, disse. Ao ser homenageado pelo CRA-SP com a entrega do título de “Administrador Destaque”, em reconhecimento às suas ações no desenvolvimento da profissão, o coronel Camilo compartilhou a conquista com a corporação. “O prêmio não é apenas para o comandante geral, mas para toda a equipe de comando e os 100 mil integrantes que contribuíram para esse reconhecimento. São eles que fazem acontecer”, ressaltou. Confira os principais trechos da entrevista que concedeu à Revista Administrador Profissional: 24 Revista Administrador Profissional: Considerando o contingente de 100 mil homens, diversos batalhões, grupamentos e milhares de intervenções, a administração da Polícia Militar de São Paulo pode ser comparada a de uma grande empresa? Adm. Álvaro Batista Camilo: Sim, mas com um grande diferencial. Na PM, ela é centrada nas pessoas porque o nosso trabalho é conduzir homens para prestar serviços ao cidadão. A maioria dos problemas policiais envolve mediação de conflitos, direitos das pessoas, confrontos com situações de riscos. Logo, o gerenciamento desses profissionais é voltado para a inteligência emocional, que envolve valores, posturas atitudes. RAP: O que é feito para garantir a eficiência da corporação? Adm. Camilo: A PM busca nas empresas as melhores práticas. O fato é que num determinado momento deu-se muita valorização ao equipamento. Noutro, às técnicas policiais (processos). Hoje, como disse, o foco são as pessoas, daí entendermos ser fundamental a formação e a educação continuada. Para isso, temos seis grandes escolas. A Superior de Soldados, que forma esse profissional durante dois anos de estudos e acompanhamento; a de Sargentos, que gradua tecnólogos em Polícia, em um primeiro nível de comandamento; depois tem o bacharel em Ciências Policiais, que é o aluno que entra na Academia e estuda por quatro anos. Na sequência vem os cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado em Ciências Policiais). Temos ainda a Escola de Bombeiros e a de Educação Física. RAP: E na área da educação continuada? Adm. Camilo: Destacam-se a Instrução em Pleno Serviço, na qual o policial é chamado ao quartel para participar de um simulado de atendimento de uma ocorrência, observado por instrutores. Enquanto isso, a viatura vai para a manutenção e suas armas, limpas. Tem ainda o estágio anual de atualização profissional. Durante cinco dias, revê conceitos que permeiam as ações da PM –respeito aos direitos humanos, polícia comunitária e gestão–, faz testes de aptidão física e ensaia o método Giraldi (evita ao máximo a ocorrência de tiros). Recebe ainda ensinamentos sobre gestão financeira pessoal, aulas de ioga, meditação, palestras sobre doenças, coisas que o focam como pessoa. RAP: Como a Tecnologia da Informação ajuda os serviços da Polícia? Adm. Camilo: A tecnologia é um braço da PM, principalmente na área operacional. Exemplos são as câmeras inteligentes de vídeo que monitoram a cidade, capazes de identificar pessoas caídas e carros na contramão, ou os helicópteros equipados com o “Olho de Águia”, câmera que consegue pegar detalhes no meio de uma manifestação ou de localizar uma arma jogada em um matagal. Sistemas como o Infocrim (Informações Criminais), Fotocrim (cruza o retrato falado com o banco de fotografias) e Copom on line (visualização em tempo real das viaturas, características da área e tipos de ocorrência, de forma georreferenciada e com acesso instantâneo pelos comandantes e Centro de Operações) ajudam muito. Por meio da tecnologia, a PM sabe onde e quando os crimes acontecem, o que permite distribuir o efetivo de viaturas e homens em todo o Estado. “Na Polícia Militar, a administração é centrada nas pessoas” O administrador e coronel Álvaro Batista Camilo é registrado no CRA-SP pelo nº 52051 25 Perfil RAP: A distribuição do efetivo é meramente tecnológica? Adm. Camilo: A Polícia de São Paulo é conhecida por ter uma boa gestão. Tudo é escrito, tudo tem norma. No caso da distribuição do efetivo, são adotados quatro critérios técnicos: a. indicadores criminais (onde está a criminalidade); b. área a ser coberta; c. população (residente, pendular e flutuante); e d. peculiariedades locais (presídio, shopping, hospitais). RAP: Ainda no campo da tecnologia, o que a população pode esperar da Polícia? Adm. Camilo: Em breve, câmeras nas viaturas. Além de proteger os policiais, que poderão vigiar o que está acontecendo ao redor, gravarão as operações, que servirão de orientação em abordagens futuras. As viaturas serão equipadas também com o Localizador Automático de Viaturas (AVL). Hoje, quando definimos que ela deve ficar num determinado setor, o próprio computador acusa, caso saia da área de patrulhamento. É o que chamamos de ronda eletrônica. RAP: A PM possui programas que aferem sua qualidade? Adm. Camilo: Usamos as técnicas do meio corporativo, como também criamos indicadores criminais (taxas de homicídio por 100 mil habitantes, número de roubos e furtos de veículos etc) e operacionais (quantidade de veículos abordados, presos em flagrante delito, armas e drogas retiradas de circulação etc) para medir a eficiência de cada unidade. Associado a isso, avaliamos o próprio comandante. Fatores como punições, elogios, gastos de verbas para consertos de viatura, controles de 26 cartão de combustível e viaturas baixadas são indicadores que mostram o seu desempenho. RAP: Como é o processo de reciclagem da corporação? Adm. Camilo: Temos duas portas de entrada: a primeira como soldado, para atuar na área operacional, ou como oficiais, que seguem o mesmo caminho e depois passam para os níveis de comando. Todas as progressões são por concursos e estimulamos as pessoas para que os façam. A outra é ter um curso superior e mais de 15 anos de Polícia, o que possibilita participar do Curso de Habilitação para ser oficial de Administração. Como o que se privilegia é a qualidade de vida do policial, temos parcerias com instituições de ensino superior, que oferecem bolsas com descontos de 50%, em média, o que tem contribuído para que cresça na carreira. Sem contar as firmadas com entidades internacionais, como a da Polícia Comunitária do Japão, modelo que implantamos no Brasil e nos tornamos multiplicadores para a América Latina, e os convênios com empresas e universidades do exterior. RAP: A valorização do policial se dá apenas por meio de cursos? Adm. Camilo: Não. Ela começa pela própria postura do comando da instituição, que reconhece os policiais que participam das 10 melhores ocorrências do Estado, a cada 15 dias, convidando-os, junto com os familiares, para o “Café com o Comandante” –literalmente tomam café com o dirigente maior da corporação. Sem quebrar a hierarquia e a disciplina, abrimos canais como facebook, twitter e blog. Qualquer soldado pode me enviar um e-mail. Ligo diariamente para cerca de 30 oficiais nas datas de seus aniversários. Ao todo, são cerca de 6 mil. O restante dos 100 mil recebem o cumprimento por meio de meu e-mail pessoal. Na Intranet, criamos o Notícias do Comandante e Orientações do Comandante. Nelas são colocadas mensagens sobre o que está acontecendo, por exemplo, em termos de campanha salarial e criação de unidades. Numa delas, pedi aos policiais que cadastrassem seus e-mails para receberem notícias do comando geral. Atingimos 130 mil interessados, incluindo o pessoal inativo. Outra forma que utilizo quando temos um problema sério, como o falecimento de um policial, é comparecer ao seu sepultamento e dar apoio à família. Vou sempre ao hospital visitar policiais feridos. Perco 20, 30 minutos do meu dia, faço isso a cada semana. Passo ainda em bases comunitárias para conversar com os policiais. Como estratégia de gestão, divulgo as ações na Intranet. Além de propaganda institucional do comando, isso reflete na tropa. Nas minhas participações em rá- “Não compactuamos com deslizes e somos implacáveis com os desvios de conduta. Hoje, somos os primeiros a mostrar nossos erros, o que acaba por trazer uma imagem positiva para a instituição” dio, TV, jornal, sempre valorizo os policiais que trabalham com afinco. Não faço isso por Marketing, mas por convicção. Sei como é ser um policial em atividade durante a madrugada em um bairro carente ou então numa rodovia erma. Trabalhar na PM, mais do que vocação, é uma missão. RAP: Como é feita a depuração do quadro? Adm. Camilo: Não compactuamos com deslizes e somos implacáveis com os desvios de conduta, o que nos obriga a mandar embora diversos policiais. Nossa rotatividade anual gira entre 2 e 3 mil, dos quais 300 saem por problemas –são expulsos, demitidos ou reformados administrativamente. Temos de ser assim para manter a qualidade. Outro diferencial é a transparência. Hoje, somos os primeiros a mostrar nossos erros, o que acaba por trazer uma imagem positiva para a instituição. RAP: Como a corporação é vista pela sociedade? Adm. Camilo: O Poder Público costuma não divulgar seus feitos e quando o faz, na maioria dos casos, é por meio de uma propaganda barata, política. Acredita na filosofia “faça um bom trabalho que ele aparece”, mas há muito tempo deixou de ser realidade. Por isso, investimos em comunicação. No ano passado, criamos o Centro de Comunicação Social para cuidar especificamente dessa área. Instituímos a Sala de Imprensa do Comando Geral, na qual um capitão fica 24 horas para atender a imprensa e fornecer os dados que ela precisa. Antes, quando um policial falava sobre uma ação da PM poderia ser punido. Hoje é incentivado a ir para a mídia e relatar uma ocorrência da qual participou. É dever da Polícia dar informação. Autorizamos também a construção de séries televisivas que abordam o nosso trabalho, que apresenta números fantásticos, como: 30 milhões de intervenções por ano, atendimento de 150 mil ligações telefônicas só pelo 190 –40 mil somente na capital– ou, como chegamos a fazer, 30 partos por mês. Também é importante dizer que não adianta uma comunidade carente chamar uma ambulância às 3 horas da manhã, porque ela não irá, o que faz a população recorrer à PM. São dados quase nunca divulgados, mas que mostram que o trabalho da PM é bom e que ela é amiga da sociedade. 27 Estilo por Daniela Cabral O milagre por trás dos sites de compras coletivas Entenda a febre do consumo coletivo 28 tem um prazo para ser utilizado, que varia conforme a natureza da promoção. Na maioria dos sites, é preciso atingir um mínimo de compradores para ativar as ofertas, a maioria tentadora. Um exemplo: no início de fevereiro no Groupon, um pacote de serviços de estética que, normalmente, custaria R$ 1.550, estava por R$ 189 –88% mais barato. Para essa oferta, o número de compradores deveria chegar a 1.500 e logo na metade do primeiro dia havia atingido a marca de 619 interessados. O desconto oferecido é acertado com os anunciantes, chamados de empresas parceiras. O ‘milagre’ acontece por conta do grande número de compradores. Um negócio em que todos ganham: clientela e visibilidade no mercado para a parceira; comissão (30% a 50%) sobre os valores vendidos para o site; e ótimas promoções para os clientes. O salão de beleza DeLuma, na Zona Sul de São Paulo, por exemplo, ao fechar negócio com o site Oferta Única para a venda de pacotes para janeiro e fevereiro, meses de pouco movimento nesse segmento, não imaginava que seus profissionais teriam de fazer horas extras para atender a demanda. O Peixe Urbano, que oferece descontos de 50% a 90%, foi quem apareceu com a novidade no Brasil. A ideia foi trazida dos Estados Unidos por Júlio Vasconcellos, um de seus fundadores. “Ele percebeu que daria certo por entre os sexos, as mulheres são as que mais gastam. “Compram, por exemplo, jantares e convidam seus companheiros para acompanhá-las”, ressalta. É o caso da empresária Maria Florinda Fernandes, que levou o marido a um restaurante e gastou apenas R$47, quando o custo certamente seria mais de R$ 100. “Foi muito gostoso. A comida estava ótima. Não se come um prato à base de bacalhau por esse valor”, diz. Febre Além do compartilhamento de novidades e ofertas, o sucesso da modalidade no Brasil é atribuído ao fato de o brasileiro gostar de se reunir para comer. Assim, ao comprar o serviço, avisa o amigo, que comunica o outro, formando uma cadeia de compra coletiva. Em todos os sites, quem indica outro comprador ganha um crédito que pode variar de R$ 5 a R$ 12. Estimativas indicam que esse mercado faturou no ano passado cerca de R$ 100 milhões. Para 2011, a expectativa é que É um negócio em que todos ganham: clientela para a empresa parceira; comissão de 30% a 50% para o site; e ótimas promoções para os clientes Marcelo Barros Q uanto mais gente compra, mais barato fica. Essa é a ideia que rege os sites de compras coletivas, uma febre nacional desde o ano passado. De um simples café aos sofisticados cruzeiros, tudo pode ser adquirido pela Internet com descontos de até 90%. Os nomes são os mais inusitados: Peixe Urbano, Azeitona Preta, Baratoteca, We Go!, Oferta Única, Sapo Turco, entre mais de mil negócios espalhados pelo Brasil. Os serviços são os campeões de venda. Beleza, estética, gastronomia e viagens são as ofertas mais anunciadas no www.saveme.com.br, um agregador de sites (reúne as melhores ofertas de compras coletivas do Brasil). O maior de todos é o Groupon –pioneiro mundial–, seguido do Peixe Urbano e do ClickOn, segundo o Bolsa de Ofertas (www.bolsadeofertas.com.br), que mantém uma lista atualizada semanalmente dos Top 50. Geralmente, as ofertas têm validade de 24 a 72 horas. O consumidor se cadastra no site, compra por cartão de crédito ou débito ou, ainda, por boletos e recebe por e-mail um cupom/voucher para ser apresentado no local onde vai usufruir o serviço. O cupom aqui, porque o brasileiro gosta de compartilhar com os amigos”, diz Letícia Leite, diretora de Comunicação da empresa. Os outros sócios são Emerson Andrade, responsável pela área comercial, Alex Tabor, Tecnologia de Informação e o apresentador Luciano Huck, que tem 5% de participação. Criado em março de 2010, o crescimento da empresa é vertiginoso. Com 5 milhões de usuários cadastrados, está presente em 38 cidades brasileiras. Letícia, a primeira a ser contratada, diz que o quadro de funcionários já conta com 300 colaboradores. A maioria dos consumidores do Peixe Urbano, segundo a diretora, tem entre 25 e 35 anos. Embora o acesso ao site seja equilibrado 29 Estilo “O conceito desse tipo de negócio é o da compra irresistível”, diz Carina Flosi, sócia do Baratoteca. “O nosso diferencial é atender a região norte de São Paulo, onde detectamos uma demanda desse serviço”, completa. Paulo Costa, também sócio do site e responsável pela parte técnica, explica: “A estratégia utilizada é a geolocalização.” O Baratoteca começou Divulgação “O que mais nos surpreendeu foi a velocidade do negócio. Só o Peixe Urbano fechou 2010 com 5 milhões de usuários cadastrados” Letícia Leite, diretora de Comunicação do Peixe Urbano (foto) o número chegue à casa de R$1 bilhão, alcançando um em cada dois internautas brasileiros. A economia dos consumidores, em 2010, foi de R$ 120 milhões com as 3 mil promoções divulgadas. Só o Oferta Única prevê, para breve, chegar à marca de 1,5 milhão de clientes. Pouco, se considerar que, em novembro, o Groupon americano tinha mais de 12 milhões de usuários e lucro estimado de US$ 350 milhões. O Google tentou comprar a empresa por um valor especulado entre US$ 2,5 e 6 bilhões, mas não houve acordo. O rumor agora é a sua chegada por meio do Google Offers, que promete diferenciais capazes de abocanhar a liderança e preocupar os concorrentes. 30 a testar suas ofertas em novembro, mas entrou em operação comercial somente em janeiro. “Recebemos entre 1.200 e 1.500 visitantes por dia, números que devem aumentar nos próximos meses. Nós não enviamos e-mails com ofertas para os clientes porque temos constatado que as pessoas por receberem muitas mensagens, de vários sites, acabam cancelando os cadastros e optam por fazer um só (cadastro) nos agregadores”, diz Costa. Os sites menores sabem que não têm condições de competir com os grandes, então se utilizam de estratégias para viabilizar as operações comerciais. A geolocalização é uma delas. Em síntese: passam a concentrar as ofertas em bairros específicos das capitais ou em cidades interioranas, como faz o Azeitona Preta. Originário de Marília, também opera em Bauru, Botucatu e Franca, no interior de São Paulo, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e Chapecó, em Santa Catarina. No “ar” desde outubro, já vendeu mais de 31 mil itens e contabilizou uma economia para os clientes superior a R$ 2 milhões. O Oferta Única é um dos poucos que não necessitam de número mínimo de compradores para ativar suas ofertas. Também se diferencia por permitir que o cliente utilize o cupom no mesmo dia da compra. O outro lado Consumo desenfreado. Dezenas de e-mails com ofertas todos os dias. O consumidor perde o controle e exagera. Compra serviços dos quais não necessita, ‘porque o preço está muito bom’. Há casos de pessoas que perdem dinheiro por não utilizar o serviço no prazo estabelecido, como também existem os que adquirem produtos de várias promoções e acabam “vivendo disso”. Não são fiéis aos estabelecimentos que visitam. Só querem economizar, sem privilegiar em uma compra futura quem já lhes ofereceu promoções. Eliana Winter “consome” pacotes de massagens estéticas e relaxantes, mas toma alguns cuidados no momento da compra: “Se vejo que muitas pessoas já compraram, eu desisto porque o estabelecimento pode não comportar a demanda. Havia uma oferta de pousada em Camburi, litoral norte de São Paulo. Liguei para o estabelecimento para saber se havia vagas disponíveis. Como a resposta do atendente foi positiva, decidi comprar. Porém, quando liguei novamente para fazer a reserva, descobri que só havia vagas para junho. Vou tentar cancelar.” Ela conta que lança o que compra em uma planilha para não perder os prazos. O Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br), que reúne diversos tipos de reclamações sobre serviços e produtos, já registrou diversas queixas Divulgação Diferencial contra os sites de compras coletivas. Desde cupons não recebidos, mau atendimento, qualidade duvidosa dos serviços, até uma simples solicitação de descadastramento de newsletter. Nenhum deles, porém, está entre as empresas mais citadas. Mas, as reclamações são recorrentes e diárias. Ainda é cedo para dizer se essa ‘febre’ de consumo é uma tendência que durará anos ou um negócio efêmero. A única certeza é que ela poderá atingir você. “Não enviamos e-mails com ofertas porque as pessoas recebem muitas mensagens de vários sites e acabam cancelando os cadastros” Paulo Costa, sócio e responsável pela área técnica do site Baratoteca (foto ao lado) Canal Aberto por Daniela Cabral Registro e certificação profissional Registro no órgão de classe representa a segurança de que seu portador é um profissional qualificado P rofissionais de várias áreas atestam a importância da certificação e do registro em suas carreiras. Médicos, contadores, bibliotecários, engenheiros, arquitetos, advogados e enfermeiros são exemplos de atividades que necessitam de registro/ certificação em seus respectivos Conselhos para o exercício pleno. No caso específico do bacharel em Direito, obedecendo à Lei 4.215, a Ordem dos Advogados do Brasil criou, em 1963, o Exame de Ordem. Com exceção dos que optam pela carreira pública, os demais prestam o exame, obrigatório desde 1994. A prova é justificada pela entidade como necessária para que somente profissionais capacitados ingressem em seus quadros. Desde o ano passado, os graduados em Ciências Contábeis 32 também estão obrigados a prestar o “Exame de Suficiência” para exercer a profissão. Instituído pela Lei 12.249/10, tem como objetivo estimular a modernização das instituições formadoras de contabilistas, segundo o Conselho Federal de Contabilidade. O corretor de seguro –embora não esteja atrelado ao ensino superior– precisa passar por uma prova para obter seu registro na Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia do Ministério da Fazenda. Trata-se do Exame Nacional de Corretor de Seguros, promovido pela Fundação Escola Superior de Seguros (Funenseg). Uma vez aprovado, deverá comparecer ao sindicato da categoria para solicitar o registro. Este, por sua vez, encaminhará a solicitação à Federação Nacional dos Corretores (Fenacor) que, após uma análise prévia, submeterá à aprovação da Susep a emissão da carteira de habilitação. Coordenadora da Hemeroteca da Associação Brasileira de Advocacia Tributária, a bibliotecária Mariana Galdino Marmol acredita que o registro é importante por estar inserido em um espaço, no caso o Conselho Regional de Biblioteconomia, em que se pode buscar apoio para o desenvolvimento profissional e para questões relacionadas à carreira. Esse profissional também só pode exercer suas funções se estiver inscrito no órgão correspondente. Na área da Saúde, a certificação e o registro são de extrema importância. A mídia tem mostrado casos de negligências médicas. Só em 2010, o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo re- cebeu mais de 300 denúncias. O órgão ficou em evidência no caso da morte da menina Stephanie Teixeira, em dezembro passado. Uma auxiliar de enfermagem injetou vaselina em vez do soro prescrito pelo médico. A profissional foi afastada e indiciada por homicídio culposo, sem intenção de matar, e admitiu que se enganou ao retirar a medicação de um armário onde só deveria ter soro. Com relação aos médicos, os recém-formados submetem ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) a pré-inscrição, que só será aprovada mediante a confirmação da conclusão do curso. As carteiras funcionais definitivas são entregues em sessões solenes no próprio conselho. A população tem acesso ao site do órgão para verificar se o profissional é credenciado, ou seja, se tem o CRM. Para o conselho, esse procedimento é vital para instaurar e facilitar a comunicação entre médicos e pacientes. E, dessa maneira, contribuir para o fortalecimento da relação profissional com base na confiabilidade das informações registradas. Ainda na área da Saúde, os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais também têm de se inscrever no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito). A exemplo do que faz o Conselho Regional de Administração, sua finalidade principal é fiscalizar o exercício de seus registrados em sua área de jurisdição, além de expedir carteiras de identidade profissional. O registro no órgão de classe representa para a sociedade a segurança de que seu portador está qualificado para aplicar as técnicas exigidas pela função exercida. Nessa esteira, a certificação funciona como um instrumento que ratifica se essas técnicas estão de acordo com os conhecimentos adquiridos nos bancos de graduação. Algumas entidades entendem que a certificação é necessária para que somente profissionais capacitados ingressem em seus quadros Opinião Você sabe como combater as fraudes? Em uma empresa existem 357 janelas que devem ser fechadas para evitar o surgimento de oportunidades de fraudes. No entanto, são poucas as organizações que se preocupam com isso. Ao darem mais atenção aos sistemas de câmeras e vídeos, acabam negligenciando os controles internos. Você sabe quando o fraudador mais age? Quando as empresas experimentam períodos de crescimento. O descontrole sobre pequenas perdas e o fato delas ainda não possuirem o sentimento do seu real tamanho fazem com que essas perdas desapareçam nos lucros crescentes. No entanto, somente são notadas quando os “períodos de seca” começam a ser vividos. Isso porque o praticante desse tipo de delito costuma não diminuir sua “mordida”, em função de ter estabelecido um padrão de consumo. Dessa maneira, as perdas começam a surgir como tocos em um rio seco. Para descobrir o que está acontecendo, as empresas costumam contratar um consultor especializado nesse tipo de combate. O processo de investigação leva em conta seis variáveis –o que, quem, quanto, onde, como e por que–. As variáveis “o que” e “quanto” são consequências do processo 34 de averiguação. As demais são “fáceis” de serem descobertas. Difícil mesmo, no entanto, é explicar aos donos das empresas porque tais fatos estão ocorrendo, até porque, em alguns casos, parecem que se sentem cúmplices. Essa sensação, aliás, já foi testemunhada diversas vezes pelos consultores que, em determinados momentos, acabam passando até por confidentes dos empresários. Nas conversas, sempre perguntam o que fizeram de errado para que falhas acontecessem. “É difícil explicar aos donos das empresas porque tais fatos ocorrem. Em alguns casos, eles se sentem cúmplices” A verdade é que deixar de implantar controles internos para mitigar riscos contribui para manchar a reputação, mesmo de quem não possui qualquer envolvimento com as fraudes. Afinal, os comandantes das empresas são, indiretamente, responsáveis por elas. Injusto? Sinceramente, não, pois a adoção desses mecanismos cabe aos administradores do negócio. Muitos podem alegar que não colocam em ação sistemas que coíbam práticas fraudulentas por serem caros demais. Porém, convém sempre perguntar-lhes se são mais dispendiosos que as fraudes, a reputação ou, em muitos casos, o próprio emprego. Outros não o fazem por entender ser demorado, porém é mais rápido que a implantação de um ERP, sigla em inglês para “Planejamento dos Recursos Corporativos” (sistemas que integram todos os dados e processos de uma organização em um único sistema). Agora se o problema é não entender do assunto, basta chamar um profissional especializado. Adm. Paul Peter Boilesen CRA-SP - 11.073 Expert em Combate à Fraude Colaborações para esta seção podem ser enviadas para o e-mail [email protected] Os textos devem conter no máximo 3.000 caracteres (com espaço), nome completo do autor, foto em alta resolução e o registro no CRA-SP. → Este artigo reflete, exclusivamente, a opinião de seu autor. O CRA-SP não se responsabiliza pelas ideias nele contidas.