Série Análises ANÁLISE DO VOLUME DE VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA – FEV/2015 O COMÉRCIO VAREJISTA NO BRASIL APRESENTA RETRAÇÃO NAS VENDAS EM FEVEREIRO A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem como objetivo produzir indicadores que permitam acompanhar a evolução conjuntural do comércio varejista e de seus principais segmentos. De acordo com a PMC, o comércio varejista do país registrou em fevereiro uma variação negativa de -0,1% para o volume de vendas e de 0,7% para a receita nominal, ambas as taxas com relação ao mês anterior (ajustadas sazonalmente). Para a série do volume de vendas, o resultado volta a ser negativo, após o crescimento de 0,8% em janeiro. Para a Receita Nominal, trata-se do segundo mês consecutivo de crescimento. Ou seja, o comércio no Brasil não vendeu bem em fevereiro. Para o Comércio Varejista Ampliado, que inclui o varejo e as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, a variação sobre o mês anterior, com ajuste sazonal, foi de -1,1% para o volume de vendas, sendo o terceiro mês consecutivo negativo, e de -0,2% para a receita nominal de vendas, que volta a ser negativa. Em relação ao volume de vendas, considerando o mesmo mês do ano anterior, o resultado foi de -10,3% para a receita nominal de vendas, houve queda de -4,2%. A tabela 1 mostra os resultados para o Brasil. Tab.1 Brasil: Volume de Vendas e Receita Nominal do Comércio Varejista em (%) Período Fevereiro 2015/Janeiro 2015 Fevereiro 2015 /Fevereiro 2014 Acumulado 2015 Acumulado em 12 meses Varejo Volume de Receita vendas nominal -0,1% 0,7% Varejo Ampliado Volume Receita de vendas nominal -1,1% -0,2% -3,1% 3.6 -10,3% -4,2% -1,2% 0,9% 5.0 7,2 -7,5% -3,8% -1,7% 1,9 Fonte: IBGE-PMC/Fevereiro, 2015 A PMC mostrou que quatro das dez atividades pesquisadas no varejo restrito tiveram resultados positivos para o volume de vendas, com ajuste sazonal. Os destaques foram para: 1,8% em Outros artigos de uso pessoal e doméstico; 1,0% em Livros, jornais, revistas e papelaria; 0,8% em Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; 0,2% em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. As atividades que apresentaram queda foram: -0,7% para Tecidos, vestuário e calçados e Material de construção; -1,3% para Móveis e eletrodomésticos e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação; -3,5% em Veículos e motos, partes e peças; e 5,3% para Combustíveis e lubrificantes. Ver a tabela 2 logo abaixo com todos os resultados. Série Análises Tab.2 Brasil: Volume de Vendas do Comércio Varejista e Comércio Varejista Ampliado Segundo Grupos de Atividade – Fevereiro de 2015 ATIVIDADES COMÉRCIO VAREJISTA (**) 1 - Combustíveis e lubrificantes 2 - Hiper, supermercados, prods. alimentícios, bebidas e fumo 2.1 - Super e hipermercados 3 - Tecidos, vest. e calçados 4 - Móveis e eletrodomésticos 4.1 - Móveis 4.2 - Eletrodomésticos 5 - Artigos farmaceuticos, med., ortop. e de perfumaria 6 - Equip. e mat. para escritório informatica e comunicação 7 - Livros, jornais, rev. e papelaria 8 - Outros arts. de uso pessoal e doméstico COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO (***) 9 - Veículos e motos, partes e peças 10- Material de Construção MÊS/MÊS ANTERIOR (*) Taxa de Variação MÊS/IGUAL MÊS DO ANO ANTERIOR Taxa de Variação ACUMULADO DEZ JAN FEV DEZ JAN FEV -2,4 0,3 -0,1 0,3 0,5 -3,1 Taxa de Variação NO 12 ANO MESES -1,2 0,9 -0,8 -1,0 -5,3 2,0 -0,2 -10,4 -5,2 0,2 -0,1 0,4 -0,2 -0,9 0,2 -1,8 -0,8 0,3 -0,2 -7,1 -9,3 - 0,2 1,4 1,9 - 0,2 -0,7 -1,3 - -0,8 -3,4 -3,4 -4,9 -2,8 0,3 -0,7 -3,4 -11,5 0,3 -1,4 -7,3 -10,4 -11,0 -10,1 -0,6 -3,8 -6,5 -11,2 -4,3 0,3 -2,2 -1,6 -2,7 -1,0 -1,1 1,5 0,8 8,0 5,0 3,2 4,1 7,5 -7,9 13,5 -1,3 7,2 21,0 8,4 14,5 0,3 -9,1 -0,3 1,0 -9,3 -9,9 -5,3 -7,9 -9,1 -3,5 -0,2 1,8 7,2 4,5 3,0 3,8 6,5 -4,3 -0,2 -1,1 -2,2 -4,9 -10,3 -7,5 -3,8 -9,7 -1,3 -3,5 -8,6 -16,3 -23,7 -19,8 -12,8 1,3 -1,8 -0,7 1,0 -2,8 -13,0 -7,8 -2,8 Fonte: IBGE-PMC/Fevereiro\2015 (*) Séries com ajuste sazonal (**) O indicador do comércio varejista restrito é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 8. (***) O indicador do comércio varejista ampliado é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 10 A alta nos preços dos combustíveis e a desaceleração do crédito, somados à queda na renda, provocaram a queda do volume de vendas no varejo em -3,1% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo o IBGE. Série Análises Brasil: Comércio Varejista - Resultados Regionais A PMC mostrou que para o volume de vendas, na comparação fevereiro de 2015 sobre o mês anterior (com ajuste sazonal), os resultados no varejo foram negativos para 19 estados, ressaltando-se: Roraima, com -8,0%; Amapá (-6,7%); Goiás (-2,5%); e Ceará, com -2,4%. As maiores taxas positivas ocorreram em Sergipe (3,3%) e Tocantins (2,5%). Gráfico 1. Brasil: Variação do Volume de Vendas do Varejo por UF (Fev-2015/Jan-2015) Brasil: Variação do Volume de Vendas do Comércio Varejista com ajuste sazonal, por Unidade da Federação (Fev/2015) Sergipe 3,3 TO 2,5 RJ 1,4 1,4 1,1 PA BA PE 0,4 0,1 0,1 AL RO Unidades da Federaçáo -0,1 SP -0,1 RN Brasil -0,1 -0,2 PB -0,3 ES -0,3AM -0,4 PR -0,4 AC -0,8 DF -1,1 SC -1,1 MG -1,2 RS PI -1,3 MA -1,4 MS -2 MT -2,3 CE -2,4 GO -2,5 AP -6,7 RR -8,0 -10,0 -8,0 -6,0 -4,0 -2,0 Variação (%) Fonte: IBGE-PMC/Fevereiro, 2015 0,0 2,0 4,0 Série Análises SERGIPE: COMÉRCIO VAREJISTA APRESENTA CRESCIMENTO NO VOLUME DE VENDAS EM FEVEREIRO DE 2015 O comércio varejista de Sergipe apresentou variação positiva de 3,3% no mês de fevereiro de 2015 (ajustado sazonalmente), em relação ao mês anterior. É importante lembrar que em dezembro, o comércio varejista apresentou uma queda nas vendas de (-6,9%), portanto, este é o segundo resultado positivo para o comércio de Sergipe. O resultado de fevereiro, portanto, mostrou uma recuperação muito boa neste segundo mês do ano. Sergipe apresentou o melhor resultado do Brasil, inclusive mostrando uma situação atípica para a maioria dos estados (19), que apresentaram resultados negativos no volume de vendas. Depois de Sergipe o melhor resultado foi do Tocantins, 2,5%, e Rio de Janeiro e Pará com 1,4% respectivamente. A receita de vendas também apresentou variação positiva, 5,3%, superior ao mês de janeiro. Considerando o resultado das vendas de fevereiro-2015 em relação ao mesmo mês do ano anterior, Sergipe obteve uma variação positiva de 5,4% para o volume de vendas. Em relação à receita nominal de vendas, a variação foi de 11,4%. No ano, o volume de vendas apresenta uma variação acumulada de 4,1%. Em doze meses o volume de vendas apresenta um acumulado positivo de 1,2%. Em relação ao comércio varejista ampliado, Sergipe apresentou uma variação negativa de -2,2% no volume de vendas, no mês de fevereiro em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano o comércio varejista ampliado acumula uma variação negativa de 0,4% e em 12 meses uma variação positiva de 0,6%. A tabela 3 apresenta, de forma reduzida, os resultados do volume de vendas e da receita nominal do comércio varejista para o Estado de Sergipe, em fevereiro de 2015. Tab.3. Sergipe: Volume de Vendas e Receita Nominal do Comércio Varejista em (%) Período Fevereiro 2015/Janeiro 2015 Fevereiro 2015 / Fevereiro 2014 Acumulado 2015 Acumulado em 12 meses Varejo Volume de Receita vendas nominal 3,3% 5,3% Varejo Ampliado Volume Receita de vendas nominal - 5,4% 11,4% -2.2% 4.0 4,1% 1,2% 9.0% 6.6% -0.4 0.6 4.6 5.6 Fonte: IBGE-PMC/Fevereiro, 2015. Obs.: O comércio varejista ampliado inclui as atividades de veículos e de material de construção, além daquelas que compõem o varejo. O gráfico 2 ilustra o comportamento mensal da taxa de variação do volume de vendas em Sergipe, com ajuste sazonal, no período de Fev/2014 a Fev-2015. Série Análises Gráfico 2. Sergipe: Variação Mensal do Volume de Vendas do Comércio Varejista (mês/mês anterior): Fev-2014 a Fev-2015 Sergipe: Variação Mensal do Volume de Vendas do Comércio Varejista (mês/mês anterior): Fev-2014 a Fev-2015 6 5,1 4,2 Variação (%) 4 3,3 2,3 2 2 2,2 1,1 0 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14 jun/14 jul/14 ago/14 set/14 out/14 nov/14 dez/14 jan/15 fev/15 -0,9 -2 -1,9 -4 -1,5 -1,5 -2,8 -6 -6,9 -8 Fonte: IBGE-PMC/Fevereiro, 2015. No que concerne à receita de vendas, o comércio varejista de Sergipe apresentou em fevereiro variação positiva de 5,3%, um resultado superior em relação ao mês de janeiro. No ano, a receita de vendas apresenta uma variação negativa de (-0,4%), em doze meses acumula uma variação de 0,6%. O gráfico 3 ilustra o comportamento da variação mensal da receita de vendas do comércio varejista de Sergipe no período de fevereiro de 2014 à fevereiro de 2015. Gráfico 3. Sergipe: Variação Mensal da Receita de Vendas do Comércio Varejista (mês/mês anterior): Fev-2014 a Fev-2015 Sergipe: Variação Mensal da Receita de Vendas do Comércio Varejista (mês/mês anterior): Fev-2014 a Fev-2015 8 5,9 6 4,6 Variação (%) 4 5,3 3,3 2 0,3 2 1,7 1,1 0 fev/14 mar/14 abr/14 mai/14 jun/14 -2 -1,2 -0,9 jul/14 ago/14 set/14 out/14 nov/14 dez/14 jan/15 fev/15 -1 -1,6 -4 -6 -8 -10 Fonte: IBGE-PMC/Fevereiro, 2015. -7,4 Série Análises NORDESTE: COMÉRCIO VAREJISTA APRESENTA QUEDA NAS VENDAS EM SEIS ESTADOS O comportamento do comércio varejista no Nordeste, no mês de fevereiro deste ano apresentou resultados negativos em seis dos nove estados. Os resultados positivos no volume de vendas ficaram com os estados de Sergipe 3,3%, Bahia, 1,1% e Pernambuco, 0,4%. O gráfico 4 mostra o comportamento do volume de vendas do Nordeste, no mês de fevereiro de 2015, com ajuste sazonal. Gráfico 4. Nordeste: Variação do Volume de Vendas do Comércio Varejista Fevereiro/2015 (Fev-2015/Jan-2014) Nordeste: Variação do Volume de Vendas do Comércio Varejista em Fevereiro de 2015 4 3,3 Variação (%) 3 2 1,1 1 0,4 0,1 0 AL BA CE MA -1 -1,4 -2 -3 PB PE PI -0,2 RN Sergipe -0,1 -1,3 -2,4 Fonte: IBGE-PMC/Fevereiro, 2015. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Tendo em vista os resultados do comportamento de vendas no comércio varejista de Sergipe no mês de fevereiro, sem esquecer que em janeiro os resultados também foram positivos, cabe aqui algumas considerações. Sergipe apresentou um resultado positivo no volume de vendas no mês de fevereiro deste ano, não obstante os resultados negativos em 19 estados, resultando em uma queda no volume de vendas no Brasil de (-0,1%). Em Sergipe, as vendas totais de automóveis (auto, comerciais leves, caminhão, ônibus, moto e outros) em janeiro foi de 3.681, em fevereiro foram vendidos 1.394, ou seja, uma queda significativa. Em relação ao abate de animais (bovinos, caprinos, ovinos e suínos) em Sergipe, no mês de fevereiro, verificou-se uma queda em todos as categorias, podendo ter repercutido nas vendas dos supermercados, hipermercados e feiras. Série Análises O valor médio da cesta básica de Aracaju foi o mais baixo entre as capitais pesquisadas pelo DIEESE1 em fevereiro (R$ 264,84), muito embora o valor da cesta tenha sofrido um aumento de 7,79% em relação ao mês de janeiro. A cesta básica de Aracaju comprometeu cerca de 36,53% da renda do trabalhador que recebe salário mínimo. A carne bovina foi um dos itens mais caros da cesta básica, alta de 45,08%, comprometendo em torno de 17,48% do gasto com a cesta básica. O pão francês em Aracaju apresentou a maior alta de preços entre as capitais pesquisadas (24,02%). Cerca de 12,79% do gasto com a cesta básica foi com o item feijão e 10,64% com manteiga. Outros indicadores importantes merecem ser mencionados. Houve uma pequena redução na concessão de crédito para pessoa física no mês de fevereiro, cerca de (-1,14%), em compensação houve redução na emissão de cheques sem fundos e de cheques devolvidos. Enfim, apesar de alguns indicadores serem ruins do ponto de vista da economia, por outro lado, podemos dizer que o consumidor sergipano tem apresentado comportamento positivo em relação às suas contas pessoas, quitando dívidas e, ao mesmo tempo, aproveitando para realizar novas aquisições de bens e serviços. Isto posto, podemos concluir que o poder de compra do sergipano continua forte, apesar das adversidades. Conta para isso, também, a melhoria de renda da população ao longo dos últimos anos, contribuindo para uma classe média mais forte, consciente e equilibrada. 1 Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE.