UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ MARIA LÚCIA AGUIAR TEIXEIRA FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE DOCENTES: SABERES PROFISSIONAIS DE PROFESSORES EGRESSOS DO CURSO DE PEDAGOGIA DO CESC/UEMA PARA USO DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO FORTALEZA – CEARÁ 2013 MARIA LÚCIA AGUIAR TEIXEIRA FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE DOCENTES: SABERES PROFISSIONAIS DE PROFESSORES EGRESSOS DO CURSO DE PEDAGOGIA DO CESC/UEMA PARA USO DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Acadêmico em Educação do Programa de PósGraduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Estadual do Ceará, como requisito para obtenção do título de mestre em Educação. Área de Concentração: Professores. Formação de Orientadora: Profa. Drª. Silvina Pimentel Silva. FORTALEZA – CEARÁ 2013 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Universidade Estadual do Ceará Biblioteca Central Prof. Antônio Martins Filho Bibliotecário Responsável – Francisco Welton Silva Rios – CRB-3/919 T266f Teixeira, Maria Lúcia Aguiar Formação inicial e continuada de docentes: saberes profissionais de professores egressos do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA para uso da informática na educação / Maria Lúcia Aguiar Teixeira. -- 2013. CD-ROM. 114 f. : il. ; 4 ¾ pol. “CD-ROM contendo o arquivo no formato PDF do trabalho acadêmico, acondicionado em caixa de DVD Slim (19 x 14 cm x 7 mm)”. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual do Ceará, Centro de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Fortaleza, 2013. Área de Concentração: Formação de Professores. Orientação: Profa. Dra. Silvina Pimentel Silva. 1. Tecnologia da informação e comunicação. 2. Pedagogia – ensino. 3. Ambiente de aprendizagem. 4. Saberes docentes. 5. Formação continuada – professores. 6. Educação – informática. I. Título. CDD: 378.124 O progresso científico e tecnológico que não responde fundamentalmente aos interesses humanos, às necessidades de nossa existência, perde, para mim, sua significação. A todo avanço tecnológico haveria de corresponder o empenho real de resposta imediata a qualquer desafio que pusesse em risco a alegria de viver dos homens e das mulheres (FREIRE, 2010, p. 130). AGRADECIMENTOS A Deus, pelo seu amor sem limite e pela sua bondade em permitir que eu concretizasse este trabalho. Ao Gabriel, meu filho a quem impus algumas ausências em decorrência das tarefas do cotidiano, mas que nunca me privou de sua alegria e de seu companheirismo, deixando os amigos para ficar comigo em outro estado. Ao meu marido Bartolomeu, que como companheiro me apoiou e permaneceu em vigília constante em idas e vindas Caxias-MA / Fortaleza-CE, enquanto produzia este trabalho. Ao meu irmão Nanô e meu cunhado Paulinho, pelas idas e vindas ao aeroporto e rodoviária, sempre presentes me auxiliando nessa trajetória. Aos meus cinco irmãos e minhas seis irmãs e a todos familiares, primos, primas, em especial a Lídia; cunhadas, cunhados, em especial, Maria Feitosa e Paulinho; sobrinhos, sobrinhas, em especial à pequena sobrinha Mariana, que em suas orações, pede a DEUS todos os dias, pela minha felicidade, a Cintia, Dulce, Luciana, Ana Luiza que participaram efetivamente nesta jornada. À minha irmã Vanda, que mora comigo e que, no período de meu afastamento, organizou minha casa e cuidou da Pandora. À Espírito Santo, companheira das andanças. À Marinalva, que de seu modo, me apoiou a ir em busca de meu ideal acadêmico em outro estado, para encurtar a distância, sempre que possível ia ao meu encontro, mais uma vez, obrigada. Às minhas amigas e irmãs, Marinalva e Solange Matos, pelo competente e cuidadoso trabalho de revisão do texto inicial. À Cleia, minha grande amiga contemporânea e colega de trabalho, pelo apoio e colaboração sempre dados nos momentos necessários. À Profa. Sílvia Carvalho, pelo apoio, pela amizade, pelas trocas de experiência. Às minhas colegas de batalhas, Dalva, Lélia, Rosane, Paixão, Yana, Lacerda, Madalena, Socorro e Gracinha pelo seu companheirismo e amizade sincera. Ao meu grupo de discussão, que se mantém desde a formação inicial até os dias atuais, Cleia, Lourdes Paula, Luz Marina, Rosane. À minha amiga Jeane, batalhadora, guerreira e solidária em todos os momentos. À Georgyanna, ex-aluna e colega pelo companheirismo nas viradas de noite enquanto produzia este trabalho. À Samara, pelo apoio recebido e pelo incentivo constante. À Regiane, pela convivência harmoniosa e solidária na acolhida com Gabriel. À Professora Doutora Silvina Pimentel Silva, orientadora, amiga que me acolheu e colocou à minha disposição a sua experiência de pesquisadora que muito ajudou na realização deste trabalho. À banca examinadora, Professora Doutora Ercília Maria Braga de Olinda e Professor Doutor Antônio Germano Magalhães Júnior, pelas considerações feitas no trabalho contribuindo de forma significativa. A todos os professores do Mestrado que contribuíram nesta caminhada, as Doutoras Susana, Betânia, Ruthe, Silvia, Socorro Lucena, Marina, Sofia Lerche, Marcília Doutorara Fátima Leitão e os Doutores João Batista e Jacques Therrien e, agradeço de modo especial e particular a simpatia e a contribuição da Professora Doutora Mônica. À professora Ofélia que muito contribuiu com críticas e disponibilizando suas produções para minhas leituras. A todos os meus colegas do mestrado que contribuíram com críticas feitas durante a produção da dissertação, Lourdes, Chico, Rodrigo, Margela, Francisca, Sinara, Regina, Silmara, Francisca, Marta, Hergiane, Ana Paula, Cláudia, Cláudio, Regina e ao meu grupo de estudo, Iany, Emanoela, Eunice e Renata, agradeço de modo especial. Ao meu grupo de pesquisa da Linha Formação e Desenvolvimento Profissional em Educação (FDPE), da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Aos colegas professores do Departamento de Educação e de Ciências Sociais e Filosofia do Centro de Estudos Superiores de Caxias (CESC) da Universidade Estadual do Maranhã (UEMA), pela amizade e apoio, a Diretora do Departamento, Professora Edna Castro e a chefe de Departamento, Professora Fátima Alencar, pelo espírito de colaboração demonstrado. À Universidade Estadual do Ceará pela recepção acolhedora e apoio da coordenação do mestrado nas pessoas do Professor Doutor Álbio e Professora Doutora Isabel Sabino. À incansável Joyce, mais que secretária, amiga de todos, meu muito obrigada! À Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) na pessoa do Magnífico Reitor José Augusto, pela determinação em sua administração. Ao Centro de Estudos Superiores de Caxias, na pessoa da Diretora, Professora Doutora Valéria Cristina Soares Pinheiro, pelo apoio quanto à minha liberação para cursar o mestrado; A Unidade Regional de Educação (URE), pelo apoio na liberação para a realização desse estudo. Ao Centro de Ensino Médio Aluísio Azevedo, onde exerço minha profissão de docência do ensino Básico, na pessoa do Diretor Antonio Concutelli e Diretora Rosário por possibilitarem meu afastamento, meu sincero agradecimento. Ao Colégio 7 de Setembro, na pessoa da Coordenadora Rejane e da Supervisora Eunice Meneses, pela acolhida calorosa ao meu filho, proporcionando tranquilidade para que eu pudesse realizar esta pesquisa, em especial ao Sistema de Tempo Integral (STI), na pessoa da Coordenadora Professora Cibele Maia. Às professoras do CESC/UEMA e professoras do ensino básico egressas do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA e ao multiplicador do Núcleo Tecnológico (NTE)/Caxias, sujeitos dessa investigação, Marciana, Shirlane, Dulce, Osane, Telma e Vicente, agradeço de modo especial. Àquela e aquele que apostaram na escola como instrumento de libertação, apesar das dificuldades, para lá encaminharam todos seus doze filhos e para mim deixaram um exemplo de luta, além de muita saudade: minha mãe Dulce e meu pai Euclides (in memorian). A minha amiga Bebel que foi atender um chamado urgente do PAI e não deu tempo de chegar até aqui, mas me ensinou muito antes de partir (in memorian). Ao meu filho Gabriel que de forma muito especial contribuiu nesta empreitada, garantindo, sobretudo, minha tranquilidade durante a produção desse trabalho. Aos meus onze irmãos, em especial a Marinalva mais filha do que irmã e ao Nanô, meu herói. Aos meus sobrinhos afilhados, Ywry, Duduca, Jaguazinho, Ana e Nani Dedico RESUMO Este estudo discute sobre o processo de construção de saberes docentes, indagando a natureza destes a partir da interlocução com seus pares, em relação ao que influenciam para o uso adequado da informática em sala de aula. A ideia central é compreender sobre os saberes profissionais adquiridos no processo formativo pelos egressos do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA para a utilização dos recursos da informática no exercício da docência. Isso significa analisar as contribuições dos saberes produzidos na formação inicial e continuada quanto à utilização das Tecnologias da Comunicação e da Informação (TICs) no exercício da docência dos egressos do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA. É uma pesquisa de natureza qualitativa, utilizando a estratégia do estudo de caso, focalizando a formação de professores pedagogos no espaço da Universidade. Os procedimentos utilizados para a coleta de dados foram o questionário e a entrevista semiestruturada. Teve como sujeitos os professores de Didática do Centro de Estudos Superiores de Caxias (CESC) da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), egressos do Curso de Pedagogia e Multiplicador do Núcleo Tecnológico Educacional (NTE). Os autores que sustentam o aporte teórico dessa pesquisa são Freire, Lévy, Fuller, Tardif, Gauthier, Pimenta, Valente, André e outros. Esses são alguns dos aspectos básicos que precisam ser considerados no processo de qualificação dos sujeitos e, em destaque, daqueles que são profissionais da educação, responsáveis pela retroalimentação do processo de mudanças. Em nossos achados constatamos que as TICs ainda não se encontram incorporadas à prática docente, fato que se agrava, ainda, em virtude da falta de manutenção dos equipamentos por parte do poder público. Apesar da ausência das TICs durante a formação inicial, os sujeitos demonstraram conhecimentos sobre a importância da utilização desse recurso tecnológico. Palavras chave: Tecnologia; Ensinar; Ambiente de aprendizagem; Saberes. ABSTRACT The present study discusses the process of building educational knowledge by investigating, through interlocution between colleagues, what influences educators to adequately incorporate Information Technology (IT) into the classroom. The main aim is to understand the development of professional knowledge acquired from the course offered by CESC/UEMA on the use of computer technology in education. In order to do this, an analysis is made of the contributions put forth by the professional knowledge acquired at the beginning and throughout the course towards the use of Information Technology. Using a qualitative method, this research adopted a case study design. All data was collected through questionnaires and semi-structured interviews. Critically, the subjects used were professors of Education from the “Graduate Level Centre of Studies in Caxias” (CESC) of the State University of Maranhão (UEMA) and graduates and current professors from the Educational IT Centre (NTE). The theoretical background of this piece stems from work by Freire, Levy, Fuller, Tardif, Gauthier, Pimenta, Valente, Andre and others. These are some of the basic aspects that must be considered in the process of qualifying individuals, particularly those engaged in educational roles, responsible for the feedback in the process of change. Our findings revealed that IT is not yet fully incorporated into educational practice, and this was further aggravated by the lack of technological support provided by the public sector. Despite the absence of IT in the classroom, subjects demonstrated significant understanding of the relevance and importance of the use of computing technologies. Key words: Technology; Teaching; Learning environment; Knowledge. LISTA DE SIGLAS E ABREVITURAS ANPEd Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação AVA Ambiente Virtual de Aprendizagem CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CCEAD Coordenação Central de Educação à Distância CED Centro de Educação CEIUSE Comissão Especial para integração Universidades – Sistemas de Ensino CESC Centro de Estudos Superiores de Caxias CFE Conselho Federal de Educação CMAE Curso de Mestrado Acadêmico de Educação CNE Conselho Nacional de Educação CONCUN Conselho Universitário Dinter Doutorado Interinstitucional EQ Estado da Questão FESM Federação das Escolas Superiores do Maranhão FFLCH Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas GT Grupo de Trabalho IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPLAC Instituto Pedagógico Latino Americano y Caribeño LDB Lei de Diretrizes e Bases LDBEN Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MEC Ministério da Educação Minter Mestrado e Interinstitucional NTE Núcleo Tecnológico de Educação PIBEX Programa Institucional de Bolsas de Extensão PPP Projeto Político Pedagógico PQD Programa de Qualificação Docente PROCAD Programa de Capacitação Docente do Sistema Oficial de Educação PROINFO Projeto Nacional de Informática na Educação PUC-BH Pontifícia Universidade Católica de Belo horizonte SEED Secretaria de Educação à Distância TCC Trabalho de Conclusão de Curso TDIC Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação TICs Tecnologias da Comunicação e da Informação UECE Universidade Estadual do Ceará UEMA Universidade Estadual do Maranhão UNESCO Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura USP Universidade de São Paulo ZDP Zona de Desenvolvimento Proximal LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Produções científicas publicadas nos encontros anuais da ANPEd no GT 8: Formação de Professores, no período de 2000 a 2011, considerando ano de publicação, autor e título................................................................................ 36 Quadro 2 – Produções científicas publicadas nos encontros anuais da ANPEd no GT 16: Educação e Comunciação, no período de 2000 a 2011, considerando ano, autor e título............................................................................................ 38 Quadro 3 – Trabalhos publicados em periódicos indexados pela CAPES sobre a temática de investigação, no período de 2000-2011...................................... 41 Quadro 4 – Egressos do Curso de Pedagogia.................................................................... 89 LISTA DE MAPAS Mapa 1 – Relação ensino-aprendizagem- professor-aluno-informática............................ 67 Mapa 2 – Inter-relação professor, aluno, didática............................................................. 68 Mapa 3 – Acepção em torno do enfoque pedagógico e social.......................................... 69 Mapa 4 – Suporte interdisciplinar para o trabalho docente............................................... 70 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 17 1.1 UM PROBLEMA DE PESQUISA CONSTRUÍDO A PARTIR DA PRÁTICA PROFISSIONAL DOCENTE................................................................................. 17 1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA................................................................................. 20 1.2.1 Geral........................................................................................................................ 20 1.2.2 Específicos............................................................................................................... 21 1.3 PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA................................................ 22 1.4 LOCAL E ESCOLHA DA INVESTIGAÇÃO....................................................... 23 1.4.1 Escolha dos sujeitos................................................................................................ 23 1.4.2 Conhecendo a instituição....................................................................................... 24 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO............................................................................ 32 2 ESTUDOS SOBRE TECNOLOGIAS DA INFORMÇÃO E COMUNICAÇÃO: o estado da questão..................................................................................... 34 2.1 ESTUDOS MAPEADOS: os primeiros achados..................................................... 35 2.2 CONSTATAÇÕES A PARTIR DO ESTADO DA QUESTÃO............................. 43 3 FORMAÇÃO DOCENTE PARA O USO DAS TECNOLOGIAS.................... 46 3.1 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DO USO DAS TECNOLOGIAS NA ESCOLA.................................................................................................................. 46 3.2 EDUCAÇÃO E COMPUTADOR: relação didática pedagógica............................. 48 3.3.1 O aprendizado do professor diante das tecnologias............................................ 55 3.3.2 O uso de softwares educacionais............................................................................ 56 3.3.3 Informática educacional........................................................................................ 60 3.3.4 Sugestões metodológicas para o uso de informática educativa.......................... 62 4 SABERES DOCENTES PARA O USO DAS TICs NA ESCOLA: analisando os dados................................................................................................................... 73 4.1 FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS E INFORMÁTICA EDUCATIVA............ 77 4.2 O QUE SÃO FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS.............................................. 78 4.3 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COMO APORTE DA FORMAÇÃO DOCENTE............................................................... 79 4.3.1 Tecnologia da informação e da comunicação...................................................... 83 4.3.2 Concepções de aprendizagem na informática...................................................... 83 4.3.3 Informática educativa: computador e internet....................................................86 4.4 CONTEXTUALIZANDO O UNIVERSO DA PESQUISA................................... 87 4.5 CONHECENDO OS SUJEITOS PARTICIPANTES DA PESQUISA.................. 88 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................ 96 REFERÊNCIAS..................................................................................................... 100 BIBLIOGRAFIAS.................................................................................................. 105 APÊNDICES........................................................................................................... 106 APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO.. 107 APÊNDICE B – FORMULÁRIO DE COLETA DE DADOS – QUESTIONÁRIO.. 108 APÊNDICE C – INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO..................................... 109 APÊNDICE D – ROTEIRO DA ENTREVISTA FEITA COM OS PROFESSORES EGRESSOS DO CURSO DE PEDAGOGIA DO CESC-UEMA................... 110 APÊNDICE E – QUESTIONÁRIO APLICADO AO ALUNO.............................. 111 APÊNDICE F – CRONOGRAMA DE ATIVIDADE DA PESQUISA.................. 112 ANEXO – PRINCÍPIOS NORTEADORES DA FORMAÇÃO DO EDUCADOR UEMA........................................................................................................... 113 17 1 INTRODUÇÃO Se a escola é boa, ela poderá ficar melhor, mas se a escola é ruim, certamente ficará pior ainda (ALMEIDA, 1998). No presente capítulo faremos a introdução do tema abordado, além de apresentar o problema, os objetivos e o percurso realizado pela pesquisadora, evidenciando questões que desencadearam a pesquisa. 1.1 UM PROBLEMA DE PESQUISA CONSTITUÍDO A PARTIR DA PRÁTICA PROFISSIONAL DOCENTE O estudo situa-se no âmbito das discussões sobre os saberes da informática constituídos nos processos de formação de professores e insere-se no rol das preocupações da linha de pesquisa “Formação e Desenvolvimento Profissional em Educação” do Curso de Mestrado Acadêmico de Educação (CMAE), do Centro de Educação (CED) da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Nas sessões que o compõem buscamos explicitar os contornos alcançados por esta investigação. A escola brasileira não está conseguindo acompanhar o desenvolvimento da sociedade do conhecimento e da comunicação, em comparação aos avanços tecnológicos, por consequência não vem preparando os alunos no ritmo que a sociedade precisa para acompanhar os desafios crescentes. No século XXI, as pessoas têm manifestado novos padrões de comportamento surgidos devido ao desejo de ascensão social por parte dos cidadãos, exigindo mais da escola no sentido de oferecer condições de ensino que resultem na melhoria do seu desempenho escolar e social para a sua inserção num modelo de sociedade em constante transformação. No âmbito da prática educativa escolar o grande dilema é fazer com que o ensino responda às necessidades dos aprendizes, um lugar que legitime a posse do conhecimento para todos, mas que respeite as subjetividades dos educandos. Hoje, o alcance do conhecimento científico e tecnológico não se restringe somente à escola, ou às salas de aulas, pois em casa, na rua e em diversos outros espaços, através de meios tecnológicos pode-se ter acesso tanto à informação quanto ao conhecimento em geral. A ausência dos recursos tecnológicos no contexto da escola tende a distanciar dela parte de seus alunos, pois estes acham-na desinteressante em relação ao que ensina, quando não faz uso das tecnologias modernas. A escola, portanto, não se limita simplesmente a ser um espaço 18 de crítica e síntese das mensagens e informações transmitidas culturalmente pelas velhas e novas gerações. Colom (1994, p. 78) destaca que esta instituição deve ser: [...] um espaço onde seja possível, em uma sociedade culturizada pela informação das multimídias e pela intervenção educativa urbana, realizar a necessária síntese doadora de sentido e de razão crítica de todas as mensagens e informações acumuladas de forma diversa e autônoma através dos meios tecnológicos. Síntese e significado quanto ordenação e reestruturação da cultura recebida em mosaico. De forma a conceber a escola como espaço de síntese e acreditar nela como possibilitadora de significado mais do que como estrutura possibilitadora de informação. Importa destacar que a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) preocupada com o perfil dos professores em formação no que se refere aos conhecimentos do campo tecnológico, incluiu em sua matriz curricular as disciplinas Introdução à Ciência da Computação e Multimeios Aplicados à Educação. Para atender a essa demanda, o Curso de Pedagogia tem buscado inovar suas ações, destacando reflexões e práticas para aplicar os recursos tecnológicos em situações de ensino-aprendizagem e em programas de capacitação de professores. De nossa participação nessas experiências surgiu à inspiração para realizar a presente pesquisa, intitulada: Formação Inicial e Continuada de Docentes: saberes profissionais de professores egressos do Curso de Pedagogia do Centro de Estudos Superiores de Caxias (CESC)/UEMA para uso da informática na educação. Essa discussão incide sobre a informática como importante ferramenta no âmbito das atividades escolares, mais precisamente, quanto ao seu uso por parte dos professores egressos do Curso de Pedagogia do Centro de Estudos Superiores de Caxias (CESC), desta IES. Na condição de professora da disciplina de Estágio Supervisionado do referido curso, desenvolvemos uma experiência envolvendo a informática. Tratou-se do Projeto de Intervenção “Mandacaru”, realizado como atividade de pesquisa na disciplina Prática de Ensino do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA, no âmbito da escola pública do ensino fundamental. O objetivo fora investigar sobre a utilização do computador como auxiliar da aprendizagem dos alunos no estudo da matemática. O projeto foi acompanhado pelos acadêmicos de Pedagogia, e trouxe para esta pesquisadora o interesse em buscar novos saberes na área em questão. Provocou-nos também a participar de uma Pós-Graduação (Lato Sensu)1, na área, pela Pontifícia Universidade Católica de Belo horizonte (PUC-BH)2, com o intuito de empreender estudos acerca da Informática, defendida por muitos como mola propulsora da aprendizagem. 1 É uma expressão em latim que significa literalmente em sentido amplo. Também se refere ao nível de pósgraduação que titula o estudante como especialista em determinado campo do conhecimento 2 O Curso de Pós-Graduação em “Tecnologias em Educação” foi realizado no período de 2006 a 2007. 19 Naquele período, trabalhamos com a disciplina Didática no CESC/UEMA, momento em que coordenamos o Projeto de Intervenção “Ciranda do Saber” e que nos oportunizou conviver com escolas de Ensino Fundamental, o que nos fez constatar que as diversas atividades da educação eram tratadas de forma fragmentada pelos professores, muito embora desenvolvessem um trabalho considerado “polivalente”. O Projeto trazia, então, a proposta de desenvolvimento das atividades compartilhadas. Cumpre destacar que o referido Projeto foi desenvolvido com a participação de professores de outras disciplinas, tais como: Informática Aplicada à Educação, Metodologia do Ensino Fundamental e Estágio Supervisionado, em uma ação coletiva desenvolvida na Escola Pública Unidade Integrada Nossa Senhora dos Remédios. Com base nas observações feitas pelos alunos da disciplina Didática, e dos depoimentos das professoras da escola, organizamos a metodologia a ser utilizada pautada na problematização que tornava como base as dificuldades apresentadas pelos alunos do ensino básico para a utilização da Informática. Trabalhamos os conteúdos de Português e Matemática, pelo fato de essas disciplinas terem sido apresentadas pelos alunos como aquelas que ofereciam maiores desafios de aprendizagem. As experiências vivenciadas com os citados projetos institucionais, motivaram para fazermos um Mestrado em Ciências da Educação (Stricto-Sensu)3 ofertado pela UEMA em parceria com Instituto Pedagógico Latino Americano y Caribeño (IPLAC)4. Nesse curso desenvolvemos uma pesquisa acerca da influência da Informática como esteio de aprendizagem. A pesquisa foi realizada no ano de 1999 e teve como tema Multimeios Usados Como Ferramenta na Formação do Professor na Disciplina Didática. Hoje, doze anos depois, retomamos os resultados desse estudo para investigar sobre os saberes profissionais que utilizam os egressos do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA, para trabalhar informática, em sua prática docente na educação básica. Realizamos também um outro curso de Pós-Graduação, em Tecnologias na Educação, dessa vez na modalidade à distância, oferecido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), ministrado pela Coordenação Central de Educação à Distância (CCEAD) em parceria com a Secretaria de Educação à Distância do Ministério da Educação (SEED/MEC) e com o Departamento de Educação da PUC-Rio5, fato que, despertou ainda mais o nosso interesse pela área, pois pudemos perceber a contribuição teórica e prática que a informática pode oferecer no processo ensino e aprendizagem. 3 É uma expressão em latim que significa literalmente em sentido estreito. Também se refere ao nível de pósgraduação que titula o estudante como mestre em determinado campo do conhecimento. 4 O Curso Mestrado em “Ciências da Educação” foi realizado no período de 1997 a 1999. 5 O Curso de Pós-Graduação de “Tecnologia em Educação” foi realizado no período de 2006 a 2007. 20 Paralelamente à realização do curso supracitado, trabalhamos com a disciplina Estágio Supervisionado em Gestão de Sistemas Educacionais, momento em que coordenamos um trabalho de intervenção intitulado “Projeto Girassol”, aprovado pelo Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX), com a finalidade de analisar o baixo desempenho e as dificuldades encontradas pelos alunos do ensino fundamental em relação às suas habilidades de cálculo. Esse acontecimento nos incentivou, conjuntamente com as alunas do curso de Pedagogia, a buscar alternativas com a prática da informática para melhoria da aprendizagem dos alunos. No caminho de nossa investigação tivemos muitos desafios, desafios que se iniciou desde o mestrado em Ciências da Educação, considerando que na época foi uma formação em serviço que muito dificultou a busca em lidar com o objeto da pesquisa. A pesquisa atual situada no âmbito da “formação de professores egressos do curso de Pedagogia para o uso das TICs" nos propocionou a verificar após doze anos, em que contribuiu os saberes construídos na formação inicial e/ou continuada dos egressos do curso de pedagogia do CESC/UEMA. É com base nesses elementos que a problemática dessa investigação se delineou, ao se propor discutir os saberes profissionais da formação dos egressos do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA para a utilização dos recursos da informática no exercício da docência. O pressuposto de que partimos entende que a informática estimula o desenvolvimento da capacidade de raciocínio e de expressão das pessoas e amplia as possibilidades de aquisição, transmissão e armazenamento de conhecimento. Desse modo, o emprego dos meios tecnológicos deve ser visto como ferramenta facilitadora do processo de aprendizagem. Posto que, como ferramenta na educação, facilitará a aprendizagem ao ajudar na resolução de problemas do conhecimento, podendo tornar a prática educativa mais produtiva. 1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA 1.2.1 Geral Compreender as contribuições dos saberes produzidos na formação inicial e continuada quanto à utilização das Tecnologias da Comunicação e da Informação (TICs) no exercício da docência dos professores egressos do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA. 21 1.2.2 Específicos Analisar as percepções dos professores egressos do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA acerca das abordagens do uso da informática na educação; Identificar como os egressos do curso de Pedagogia do CESC-UEMA utilizam a tecnologia da informação e da comunicação em sua prática profissional docente; Identificar as principais dificuldades encontradas por esses egressos de Pedagogia na utilização da tecnologia da informação e da comunicação na sua prática profissional docente; Apontar sugestões sobre como promover o uso da tecnologia da informação e da comunicação na formação e na prática profissional docente. 1.3 PERCURSOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA Esta sessão revela os percursos por nós adotados ao longo da investigação, seu planejamento e rigor nesse caminhar, bem como seu embasamento de apoio ao conhecimento científico. Desse modo, traz as contribuições teórico-metodológicas com ênfase na natureza e o tipo de pesquisa, a abordagem metodológica escolhida, bem como as etapas adotadas para dar respostas às questões contidas nos objetivos, e que apresentam, entre outros desafios, o de refletir a complexa relação entre a formação e as TICs. Conforme já mencionamos, esta investigação teve como objetivo maior compreender as contribuições dos saberes produzidos na formação inicial e continuada dos professores egressos do curso de pedagogia do CESC-UEMA quanto à utilização das TICs, relacionando-as com seus saberes e práticas pedagógicas. Para atender aos objetivos propostos, elegemos a abordagem qualitativa do tipo estudo de caso que, segundo Bogdan e Biklen (1994, p. 89), quando se referem ao estudo de caso, acentuam que “Não é por acaso que a maioria dos investigadores escolhe, para seu primeiro projeto, um estudo de caso”. Estes autores, ao considerarem o estudo de caso como a metodologia mais eleita por pesquisadores iniciantes, afirmam ser esta metodologia avaliada pelos pesquisadores como mais simples pelo fato de ter um objeto único de pesquisa. Contudo, esses autores alertam para o cuidado de não se reduzir a relevância do estudo de caso, uma vez que este é de grande valor à metodologia em virtude da profundidade que se atribui ao estudo (BOGDAN; BIKLEN, 1994). 22 Yin (2001, p. 32), por sua vez, considera que o estudo de caso “é uma estratégia de pesquisa que investiga um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos”. Esse autor considera essa estratégia, como outras de pesquisa, uma maneira de investigar um tópico empírico seguindo um conjunto de procedimentos pré-especificados. Mediante os arrazoados apresentados, por ser um estudo de caso, exige que apresente algumas características, tais como: uso de técnicas associadas à observação participante, pesquisador como instrumento principal na coleta e na análise dos dados; ênfase no processo e não nos resultados; preocupação com o significado atribuído pelos sujeitos às suas ações; trabalho de campo e finalmente outras características importantes que são a descrição e a análise. André (2008) reporta-se ao tipo de conhecimento que é gerado a partir do estudo de caso tomando como referência os trabalhos de Merrian (1988) e Stacke (1994), comenta as características que tornam esse conhecimento diferente do conhecimento derivado de outras pesquisas: é mais concreto, configura-se com um conhecimento que encontra eco em nossa experiência porque é mais vivo, concreto e sensório do que abstrato. Mais contextualizado, pois se consolida nas experiências enraizadas num contexto, assim também os conhecimentos nos estudos de caso; mais voltado para a interpretação do leitor os leitores trazem para os estudos de caso as suas experiências e compreensões; distingue os traços característicos da população de referência determinadas pelo leitor de forma que o leitor da pesquisa possa reconhecer a população de referência. Enfatiza, ainda, André (2008), que o que define o tipo de estudo não são as técnicas, e sim o conhecimento que delas advém, que o conhecimento gerado pelos estudos de caso tem um valor em si mesmo. As análises dos instrumentais foram importantes para contextualizar, aprofundar e completar as informações coletadas, sendo, também, um instrumento essencial na triangulação dos dados. Ademais, a pesquisa exigiu um trabalho de campo que nos possibilitou uma proximidade com as pessoas, situações e locais. Por consequência, permitiu descrever o que envolve o espaço escolar pesquisado compreendendo espaço físico, materiais utilizados, formação docente, projetos desenvolvidos, participação da comunidade e outros aspectos que fizeram parte do cenário. Atentamos ainda para o que dizem Farias, Nunes e Nóbrega-Therrien (2011, p. 104) quando destacam ser importante explicar que: “[...] o pesquisador nem sempre encontrará as respostas no arcabouço teórico quando estiver em campo, mas fazendo uso de 23 competências anteriormente mencionadas”, como ter sensibilidade, capacidade e preparo para não se perder no meio das informações adquiridas em campo, será preocupação nossa. Como estratégias metodológicas desta investigação, optamos pela realização de um estudo de caso no Núcleo Tecnológico de Educação (NTE), no CESC e em duas escolas do ensino básico em que atuam professoras egressas do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA, observando as práticas desses professores em turma do ensino básico. 1.4 LOCAL E ESCOLHA DA INVESTIGAÇÃO O critério para escolha do lócus da pesquisa era que fosse instituição pública onde atuam os professores egressos da instituição UEMA. O universo geográfico no qual se desenvolveu a pesquisa foi composto pelo Núcleo de Tecnologia Educacional instalado no Centro de Ensino Inácio Passarinho, CESC/UEMA, ambos situados no Morro do Alecrim, bairro de classe média de Caxias e também 02 escolas públicas, Unidade Escolar Municipal Rui Frazão, localizada no bairro Nova Caxias; Unidade Escolar Marechal Castelo Branco, localizada no bairro Castelo Branco. Participaram professores egressos do curso de Pedagogia, que atuam na rede pública, professores da disciplina Didática e Multimeios aplicado à Educação do CESC/UEMA e um professor que compõe a equipe do Núcleo Tecnológico instalado no Complexo Educacional de Ensino Fundamental e Médio Inácio Passarinho. A intenção foi analisar as contribuições da formação dos egressos do CESC/UEMA para a utilização dos recursos da informática no exercício da docência, bem como perceber quais estratégias utilizam para aperfeiçoar sua aprendizagem. 1.4.1 Escolha dos sujeitos O critério para escolha do sujeito da pesquisa era que fossem professores egressos das citadas instituições e, em particular pedagogos que participaram da pesquisa anterior (1999). A ideia de incluí-los como sujeitos representa uma tentativa de evidenciar as alterações ocorridas na realidade atual, assim possibilitar novas análises diante de evidentes mudanças sobre a formação e a prática desses sujeitos6. Nos primeiros contatos, utilizamos o questionário para construção do perfil acadêmico dos professores. Posteriormente, a análise das respostas, contactamos, ainda, com 6 Na época, estes últimos eram alunos do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA, hoje atuantes da rede pública de ensino. 24 cada professora para esclarecer sobre as intenções da pesquisa. As entrevistas foram gravadas, de acordo com a permissão do grupo. Vale dizer que se tratou de um recurso de coleta de informação valioso para a pesquisadora, cuja aplicação resultou em subsídios altamente significativos para a interpretação e a descrição do objeto pesquisado. A população considerada na pesquisa foi composta de um (01) professor do Núcleo de Tecnologia Educacional de Caxias, dois (02) professores do CESC/UEMA que trabalham com as disciplinas Didática e Multimeios aplicados à Educação, e três (03) professores egressos do Curso de Pedagogia que participaram da pesquisa anterior (1999). Os participantes da pesquisa são professores da rede pública do município de Caxias-MA, egressos do CESC/UEMA; professores do CESC/UEMA e multiplicador do NTE/Caxias. No universo de seis (06) professores/sujeitos, todos são licenciados em Pedagogia, sendo, um (01) especialista em Informática da Educação, um (01) professor especialista em Avaliação, um (01) especialista em Educação à Distância e um (02) com curso de capacitação do projeto PROINFO, atualmente também são professores no ensino básico. Desses, um (01) é licenciado em Pedagogia e também em Matemática e especialista em Informática da Educação, porém, todos são egressos da UEMA. 1.4.2 Conhecendo a instituição A Universidade Estadual do Maranhão teve sua origem na Federação das Escolas Superiores do Maranhão (FESM) criada pela Lei Estadual 3.260 de 22 de agosto de 1972, para coordenar e integrar os estabelecimentos isolados do sistema superior no Maranhão. Constituída inicialmente por quatro unidades de ensino superior: Escola de Administração, Escola de Engenharia. A Escola de Agronomia e Faculdade de Educação de Caxias, a FESM incorporou a Escola de Medicina Veterinária em 1975 e a Faculdade de Educação de Imperatriz em 1979. A FESM foi transformada em Universidade Estadual do Maranhão pela Lei 4.400 de 30 de dezembro de 1981, UEMA, uma autarquia de natureza especial, vinculada à Secretaria de Ciências e Tecnologia. Goza de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, de acordo com o que preceitua o Art. 272 da Constituição Estadual, cujo funcionamento foi autorizado pelo Decreto Federal 94.143, de 25 de março de 1987. Criada com a Lei nº 3260/72, a UEMA tem as seguintes finalidades: Oferecer educação de nível superior, formando profissionais técnicos e científicos, tendo em vista os objetivos nacionais, regionais e estaduais; 25 Dinamizar a produção científica e a renovação do conhecimento humano através da pesquisa voltada, sobretudo para a realidade regional; Promover a participação da comunidade nas atividades de cultura, ensino e pesquisa; Organizar a interiorização do ensino superior, através da criação de cursos notadamente de Agronomia e Medicina veterinária para fazer face às peculiaridades do mercado de trabalho regional. (Lei de criação da UEMA, nº 4.400/81). A Estrutura Organizacional da UEMA está dividida em quatro níveis: I – Nível de Administração Superior: Conselho Universitário; Conselho Administrativo; Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão; Reitoria. II – Nível de Assessoramento: Auditoria; Gabinete. III – Nível de Execução Institucional: Pró-Reitoria de Administração; Pró-Reitoria de Planejamento; Pró-Divisão de Serviço Social e Médico; Pró-Biblioteca Universitária. IV – Nível de Execução Programática: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação; Pró-Reitoria de Graduação; Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis; Centros (DECRETO ESTADUAL nº 13.819/94). 26 A UEMA funciona em vários "Campis", no interior do Estado, em cidades polos de desenvolvimento do Maranhão, a saber: São Luís; Caxias; Imperatriz; Presidente Dutra; Açailândia; Bacabal; Balsas; Santa Inês; Pinheiro; Timon e Coelho Neto. O CESC, como integrante do “Campus” da UEMA, tem um raio de ação que engloba as regiões circunvizinhas, não se limitando, pois, ao município onde está sediado. A organização multicampi é uma decorrência de circunstâncias históricas, em que a ação do Estado foi determinante. Os Centros que constituem a UEMA têm sólida tradição no campi do Ensino Superior. O Curso de Pedagogia do CESC/UEMA teve sua plenificação7 autorizada através do Parecer de nº 76/85 do Conselho Federal de Educação (CFE) e Portaria, de 23 de junho de 1985 com fins de habilitar para o Magistério das Matérias Pedagógicas do 2º Grau, conforme documento de 03 de julho de 1989 que solicitava o reconhecimento do curso, tendo como destaque dois aspectos: 1) A prioridade conferida à educação básica pelo organismo responsável pela definição da política educacional brasileira; 2) Estudo da realidade do sistema de ensino local, que evidenciou a ocorrência de pessoal desqualificado para a formação de docentes para o nível elementar. Na trajetória deste curso, aconteceram duas reformulações curriculares, a primeira em 1986 e a outra em 1994, tendo em vista o aprimoramento e adequação do curso com a realidade de Caxias, no sentido de contribuir com a formação de mão de obra da comunidade caxiense e seu entorno, possibilitar habilitação num primeiro momento em Administração Escolar (Licenciatura Curta) e a partir de 1986, em matérias Pedagógicas do Magistério do 2.º Grau (Licenciatura Plena). A UEMA lançou em 1992 o Programa de Capacitação Docente do Sistema Oficial de Educação (PROCAD)8, aprovado pela resolução nº 101/92-CONSUN/UEMA do dia 07/12/92, que em seu artigo 1º aprova o mesmo, com o objetivo de oferecer em sua 1ª etapa, cursos especiais parcelados intensivos de licenciatura plena no “campus de São Luís e nos “campi” de Caxias, Imperatriz e Bacabal, para qualificar, exclusivamente, professores das redes oficiais de ensino estadual e municipal”. 7 8 Momento em que passaram a ser oferecidos Cursos de Licenciatura Plena, deixando de oferecer Cursos de Licenciatura Curta. Programa de Capacitação Docente do Sistema Oficial de Educação (PROCAD), aprovado pela resolução nº 101/92-CONSUN/UEMA do dia 07/12/92. 27 O referido programa, na versão I, teve como objetivo desenvolver uma política agressiva de desenvolvimento de recursos humanos, no período de 1993 a 1999, voltada para a graduação em cursos de licenciatura plena, dos professores em atividade na rede pública de ensino. Os cursos de licenciatura do PROCAD versão I seguiam a mesma estrutura de funcionamento curricular dos cursos regulares já existentes na UEMA. Para a sua conclusão, era necessário elaborar um trabalho, conforme as Normas Gerais do Ensino de Graduação em seu caput I seção V artigos 51 e 52 que instituem a exigência do trabalho de conclusão de curso de graduação (TCC) da UEMA. O Curso evidenciado teve início em janeiro de 1995 com a mesma habilitação do curso regular, em regime intensivo e parcelado, com uma carga horária de 2.370 horas, oferecido nos polos de Presidente Dutra e Caxias. Em janeiro de 1999 iniciam-se novas turmas do PROCAD, versão II, com uma filosofia idêntica ao do Programa na versão I, introduzidas, porém, poucas modificações, frutos de avaliações e análises realizadas, no sentido de ampliar o atendimento, dinamizar a execução, atualizar a metodologia e aprimorar a qualidade da formação oferecida. A redefinição dos perfis de vários cursos, a revisão dos mapas curriculares dos cursos de modo geral, além da proposta de um Curso de Pedagogia, com habilitação em Magistério de disciplinas pedagógicas do Ensino Médio, mas com um caráter mais amplo e mais atual pela introdução de disciplinas com Educação Especial, Educação Infantil e Educação de Jovens e Adultos com suas respectivas metodologias, constituem-se nas principais modificações introduzidas e que, certamente, como possibilidade do Estado de capacitação de seus professores dentro de um perfil mais adequado às carências regionais. O Curso de Pedagogia do PROCAD na sua versão II do CESC/UEMA contava, em 2001, com um total de 161 alunos, sendo 31 em Caxias, 52 em Presidente Dutra, 37 em Codó, 41 em Timon. Em 2002 contávamos com três turmas em Presidente Dutra, totalizando 75 alunos. As turmas funcionavam em regime intensivo e parcelado nos meses de janeiro, fevereiro e março, julho e agosto (1ª quinzena), com a mesma habilitação do curso regular. Apesar de algumas modificações na sua estrutura curricular, sua duração era de três anos e a integralização curricular com 2.820 horas. A partir do ano de 2004, o PROCAD na sua versão II deu lugar ao Programa de Qualificação Docente (PQD), passando por uma ampla reformulação nas estruturas curriculares dos cursos, ficando o Curso de Pedagogia com uma carga horária de 2.895 horas. No regime regular, funcionava em 2002 nos turnos matutino, vespertino e noturno, com uma carga horária total de 2.475 horas, possuindo apenas a habilitação nas Matérias Pedagógicas 28 para o Ensino Médio, em conformidade com o Projeto de Pedagogia/98 da UEMA, mas devido às transformações sociopolítico, econômico, educacional e tecnológico da sociedade houve necessidade de ampliar o campo de atuação do pedagogo do CESC/UEMA para atender as expectativas da sociedade. Ainda em 2002 foi aprovado o seu novo Projeto Político Pedagógico (PPP). Este passou por uma ampla reformulação, agora habilitando professores para a docência na Educação Infantil, anos iniciais do Ensino Fundamental, matérias pedagógicas do ensino médio e coordenação pedagógica de sistemas, projetos e unidades de ensino, compreendendo gestão escolar, orientação educacional, supervisão escolar, educação de jovens e adultos e educação especial respondendo às exigências da sociedade contemporânea no desenvolvimento das competências essenciais ao exercício da docência. A partir do segundo semestre de 2003, sua carga horária foi ampliada para 3.240 horas. Com a aprovação da Resolução CNE nº. 01, de 15 de maio de 2006, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação Licenciatura em Pedagogia, houve a necessidade de uma nova reformulação, as quais estão previstas no projeto pedagógico. A Faculdade de Educação de Caxias9 criada pela Lei 2.821/68, com base na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 4.024/61, mas já nos termos da reforma universitária, Lei 5540/68, tinha como finalidade formar professores, no menor tempo possível, em cursos de licenciatura curta, para lecionar no primeiro ciclo do ensino secundário. Esta mudança só foi instalada na faculdade em (1970), com cursos regulares e parcelados em período de férias, sob a coordenação pedagógica da missão docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), (sua criação antecede a criação da UEMA em 15 de dezembro de 1977 a Faculdade foi reconhecida pelo Decreto 81.037 e os cursos pelo parecer e o 2.111/77). A criação dessa instituição está relacionada à implementação do Projeto Centauro, tendo como objetivo instalar Faculdade de Formação de Professores para o primeiro ciclo, 9 Atualmente essa instituição de ensino recebe a denominação de Centro de Estudos Superiores de Caxias da Universidade Estadual do Maranhão (CESC/UEMA). Essa instituição oferece, conforme matricula no primeiro semestre 2012, retirado do site http://www.uema.br/institucional/uema-em-numeros, os cursos Enfermagem Bacharelado, 142 alunos matriculados; Medicina Bacharelado, 152 alunos matriculados; Pedagogia Licenciatura, 293 alunos matriculados; História Licenciatura, 182 alunos matriculados; Ciências Licenciatura Habilitação em Matemática, 08 alunos matriculado; Letras Licenciatura Habilitação Português e Literatura de Língua Portuguesa, 159 alunos matriculados; Letras Licenciatura Habilitação em Português, Inglês e Respectivas Literaturas, 110 alunos matriculados; Geografia Licenciatura, 210 alunos matriculados; Ciências Licenciatura Habilitação em Química, 13 alunos matriculados; Ciências Licenciatura Habilitação em Física, 7 alunos matriculados; Ciências Licenciatura Habilitação em Biologia, 35 alunos matriculados; Matemática Licenciatura, 115 alunos matriculados; Física Licenciatura, 106 alunos matriculados; Química Licenciatura, 95 alunos matriculados; Ciências Biológicas Licenciatura, 188 alunos matriculados. Perfazendo um total de 1.780 (hum mil, setecentos e oitenta) alunos. 29 com a finalidade de suprir a falta de professores qualificados para o nível médio, situação agravada pela implantação do Projeto Bandeirante em 1968. Este projeto tinha como objetivo, segundo Fonseca (1984, p. 35) “possibilitar continuidade de estudo aos egressos do Curso Primário; ajudar na formação da mão de obra especializada para o desenvolvimento e dar condições para o acesso a curso superior”. Com base no levantamento junto aos departamentos e direções dos cursos do CESC/UEMA, no primeiro semestre de 2012 constam em seu quadro docente 183 professores, sendo 123 efetivos e 58 contratados através de processo seletivo. Dos docentes do quadro efetivo, conforme dados disponíveis “on-line” na página da UEMA (site http://www.uema.br/ institucional/uema-em-numeros), 17 são doutores e 64 tem a formação de mestre. Nas suas diversas frentes de atuação, um dos pontos importantes desta instituição para Caxias e as cidades circunvizinhas no seu quadro de docente e profissional é a área de saúde, contribuindo para a elevação do nível técnico e cientifico da região, constituído numa importante referência educacional e científica nos âmbitos local, regional e nacional. O Curso de Pedagogia, desta IES, teve sua gênese no Curso de Pedagogia Habilitação em Administração Escolar, criado em 1968, pela Lei nº 2.821/69, e começou funcionar a partir de 1973. Fonseca (1984, p. 77) ao referir a este fato, destaca, Nos dias 1 e 2 de dezembro de 1973, foi realizado vestibular para um curso parcelado em Pedagogia com 96 vagas distribuídas em duas turmas dos quais 80 eram bolsistas, por força de convenio MEC/SE e 16 vagas oferecidas pela Faculdade, este curso congregou 37 municípios do Maranhão, além de alunos provenientes da vizinha capital do Piauí. Nos dias atuais, está organizado a partir do Projeto Pedagógico que tem a seguinte missão: [...] orientado pelos princípios de respeito, na solidariedade e ética, a formação de um pedagogo crítico e consciente do seu papel de mediador e de produtor do conhecimento no exercício da prática pedagógica, o qual mediará às condições de desenvolvimento de personalidades críticas, criativas, reflexivas, livres, autônomas, democráticas e flexíveis, capazes da delimitar e resolver problemas em múltiplas circunstâncias, na luta pela conquista plena da cidadania (UEMA, 2008, p. 18). Nesta perspectiva cumpre orientações de seu Projeto Pedagógico destinando-se à: [...] formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos (UEMA, 2008, p. 19). 30 Para tanto, o seu PPP delineia os seguintes elementos centrais que devem nortear o processo de formação do pedagogo: O conhecimento da escola como organização complexa que tem a função de promover a educação para e na cidadania; A pesquisa, a análise e a aplicação dos resultados de investigações de interesse da área educacional; A participação na gestão de processos educativos e na organização e funcionamento de sistemas e instituições de ensino; A identificação dos processos pedagógicos em espaços educativos formais e não formais; O desenvolvimento de competências concernentes à ampliação do campo de atuação do licenciado em Pedagogia (UEMA, 2008, p. 19). Em linhas gerais, o desenho teórico dos cursos do CESC/UEMA, se propõe desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes que preparam os docentes para um campo vasto e complexo de funções profissionais, dentre as quais se destacam as exercidas em órgãos de administração pública, nos seus mais diversos níveis e atuação (educação, cultura, saúde, esportes, etc.); escolas públicas e particulares de todos os níveis de ensino; instituições de consultoria e assessoria; empresas de comunicação social; organismos comunitários, culturais, sindicais e partidários; políticas públicas e privadas de gestão e desenvolvimento de recursos humanos. É mister enfatizar que o licenciados em pedagogia do CESC/UEMA, formadores por excelência de professores, por exemplo, tem o seguinte perfil profissiográfico em consonância com a Resolução CNE/CP nº 1 de 15/05/2006, que define que o egresso deve está apto a: atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa, equânime, igualitária; compreender, cuidar e educar crianças de zero a cinco anos, de forma a contribuir, para o seu desenvolvimento nas dimensões, entre outras, física, psicológica, intelectual, social; fortalecer o desenvolvimento e as aprendizagens de crianças do Ensino Fundamental, assim como daqueles que não tiveram oportunidade de escolarização na idade própria; trabalhar, em espaços escolares e não escolares, na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo; reconhecer e respeitar as manifestações e necessidades físicas, cognitivas, emocionais, afetivas dos educandos nas suas relações individuais e coletivas; ensinar Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes, Educação Física, de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano; relacionar as linguagens dos meios de comunicação à educação, nos processos didático-pedagógicos, demonstrando domínio das tecnologias de informação e comunicação adequadas ao desenvolvimento de aprendizagens significativas; promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa, a família e a comunidade; 31 identificar problemas socioculturais e educacionais com postura investigativa, integrativa e propositiva em face de realidades complexas, com vistas a contribuir para superação de exclusões sociais, étnico-raciais, econômicas, culturais, religiosas, políticas e outras; demonstrar consciência da diversidade, respeitando as diferenças de natureza ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros, faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades especiais, escolhas sexuais, entre outras; desenvolver trabalho em equipe, estabelecendo diálogo entre a área educacional e as demais áreas do conhecimento; participar da gestão das instituições contribuindo para elaboração, implementação, coordenação, acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico; participar da gestão das instituições planejando, executando, acompanhando e avaliando projetos e programas educacionais, em ambientes escolares e não escolares (UEMA, 2008). O curso em destaque, no seu Perfil Profissiográfico, está estruturado de modo a fornecer uma base de formação e conhecimento, para que ao final do curso o aluno seja capaz de atuar na área da educação, com uma formação fundamental centrada nos seguintes aspectos: Profundo conhecimento da realidade a fim de instrumentalizar o educador da diversidade das forças que se defrontam no social, bem como de sua recuperação no contexto educacional; Sólida fundamentação teórica para garantir a ampla apreensão da dinâmica social de modo suscitar o entendimento das múltiplas relações do social, face a seus fundamentos histórico-sociais, filosóficos e políticos; Consolidação da formação do educador escolar para atuar nos diversos níveis do ensino e em pesquisas com vistas a promover a prática educativa no contexto social maranhense. Após esta experiência o profissional poderá exercer a docência em qualquer modalidade e a pesquisa pedagógica para garantir a produção do conhecimento científico nessa área (UEMA, 2008). As habilidades destacadas no perfil profissionográfico denota que a formação do pedagogo permite um leque de atuação profissional no campo da educação sistemática e não sistemática. Propicia uma situação de movimento dentre as relações que estabelece no processo educativo, respondendo assim a complexidade, conflito e a capacidade dialética deste processo. Nas suas diversas frentes de atuação – ensino (graduação, especialização, mestrado e doutorado – MINTER/DINTER10) pesquisa e extensão o CESC vem se constituindo numa importante referência educacional e científica nos âmbitos local, regional e nacional. 10 São projetos de Mestrado e Doutorado Interinstitucional (Minter e Dinter) têm como objetivo permitir a utilização da competência de programas de pós-graduação avaliados com nota igual ou superior a 5 e reconhecidos pelo CNE/MEC para, com base em formas bem estruturadas de parceria ou cooperação interinstitucional, viabilizar a formação de mestres e doutores fora dos centros/regiões mais consolidados de ensino e pesquisa. O foco de cada projeto Minter ou Dinter submetido à avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) deve ser a formação de um único grupo ou turma especial de alunos de mestrado acadêmico ou doutorado com atividades de ensino e pesquisa que preservem o nível de qualidade do programa existente na instituição promotora, mas que sejam desenvolvidas no espaço físico da beneficiária do projeto – ou seja, a receptora. A instituição promotora tem, necessariamente, que ser responsável pela proposta do curso a ser ofertado por seu programa de pós-graduação que deverá atender aos requisitos e critérios estabelecidos em edital específico. 32 O curso de pedagogia possui uma dupla função: formação docente para os anos iniciais do ensino fundamental da educação básica, incluindo a educação infantil, e formação do pedagogo para atuar no ensino médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. É importante destacar, ainda, que o curso tem procurado preparar os futuros docentes para um campo vasto e complexo de funções profissionais, dentre às quais se destacam as exercidas em órgãos de administração pública nos seus mais diversos níveis e atuação (educação, cultura, saúde, esportes, etc.); escolas públicas e particulares de todos os níveis de ensino; instituições de consultoria e assessoria; empresas de comunicação social; organismos comunitários, culturais, sindicais e partidários; políticas públicas e privadas de gestão e desenvolvimento de recursos humanos. O objetivo geral desse Curso é formar profissionais da educação capazes de compreender e contribuir, efetivamente, para que a prática educativa possa garantir aos aprendizes o pleno desenvolvimento de suas habilidades e competências, comprometendo-se, para tanto, com um projeto de transformação social. Com base no que foi exposto, é possível verificar que as atividades do profissional desses cursos são bastante diversificadas. Assim, é possível listá-las da seguinte forma: planejamento, formulação, acompanhamento e avaliação de políticas, projetos e planos educacionais; coordenação, supervisão, desenvolvimento e avaliação de atividades educacionais desenvolvidas em escolas e em outras entidades sociais; produção teórica e desenvolvimento de metodologias e tecnologias de educação. 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO O trabalho de investigação está estruturado em cinco capítulos, assim delimitados. Iniciamos com a introdução abordando o problema da pesquisa e a relação de vida e de trabalho da autora com o tema investigado. No primeiro capítulo evidenciamos como chegamos ao tema da pesquisa e, principalmente, destacamos o envolvimento da pesquisadora com o objeto da pesquisa e o seu percurso metodológico. No segundo capítulo, destacamos estudos já desenvolvidos sobre tecnologia da informação, construímos o estado da questão. Mapeados os primeiros achados e as constatações feitas com base nesses resultados, analisamos os trabalhos que mais se aproximam do tema em questão, procurando estabelecer relações entre os achados e os objetivos de nossa pesquisa. 33 No terceiro capítulo, a discussão sobre ferramentas tecnológicas e informática educativa. Fazemos uma contextualização histórica da informática e apresentamos algumas conceituações sobre ferramentas tecnológicas. No quarto capítulo, tratamos sobre a formação do pedagogo para o uso das tecnologias, destacando os antecedentes históricos do uso da tecnologia, educação e computador: relação didática-pedagógica, os multimeios na formação do pedagogo, uso da informática no ambiente escolar, o aprendizado do professor diante das tecnologias, concepções de aprendizagem na informática, uso de softwares educativos e Informática educacional. Pontuamos, ainda, sugestões metodológicas para o uso da informática em contextos escolares. No capítulo cinco, detemo-nos à análise dos dados sem perder de vista os objetivos propostos da pesquisa. Analisamos os questionários, as entrevistas, como também as observações realizadas junto aos alunos. Portanto, o propósito deste estudo é identificar o uso dos aportes tecnológicos nas escolas, os avanços dos egressos de cursos de formação docentes egressos CESC/UEMA, que participaram da pesquisa naquela época, bem como as contribuições dos saberes construídos na formação inicial e ao longo do exercício profissional, quanto à utilização das Tecnologias da Comunicação e da Informação no trabalho docente. No primeiro capítulo procuramos apresentar nossas escolhas metodológicas, que concorreram para o delineamento da nossa investigação. No capítulo seguinte trazemos um inventário dos estudos sobre esta temática, em nível nacional, momento no qual procuramos evidenciar as aproximações desses estudos com a nossa temática, bem como procuramos trazer, também, nossa novidade de investigação, no estado atual da ciência. 34 2 ESTUDOS SOBRE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO: o estado da questão Neste capítulo mapeamos alguns achados de trabalhos de autores que publicaram na área desta investigação e que serviram para elaboração do Estado da Questão de nosso objeto de investigação. O lócus da pesquisa para realização do Estado da Questão (EQ) foram os arquivos das reuniões da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), levantamento no Portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o banco de dados de teses e dissertações existentes em Instituições de Ensino Superior (IES), agrupando os trabalhos científicos em diversas temáticas. O EQ contribui de forma significativa para toda e qualquer investigação científica, pois permite que o pesquisador, após mapeamento, identifique trabalhos científicos já publicados, sobre o tema que investiga, e a partir daí verificar se ele se insere dentro dos descritores selecionados. Segundo Nóbrega-Therrien e Therrien (2010, p. 34), nestes estudos encontram-se “contribuições que subsidiam todas as partes que compõem a investigação científica como um todo". A finalidade do EQ, de acordo com os autores supracitados, é “levar o pesquisador a registrar, com suporte em um rigoroso levantamento bibliográfico, como se encontra o tema ou o objeto de sua investigação no estado atual da ciência ao seu alcance” (NÓBREGATHERRIEN; THERRIEN, 2010). Afirmam ainda os autores que o EQ “contribui para um maior rigor científico e criticidade no mergulho bibliográfico realizado pelo estudante / pesquisador, de modo a evitar vieses na construção das categorias teóricas e empíricas que vão ser trabalhadas por ele na revisão de literatura”. (NÓBREGA-THERRIEN; THERRIEN, 2010, p. 34). Baseadas nesses argumentos, iniciamos o levantamento bibliográfico voltado para o tema em análise, fazendo a busca pelos assuntos de interesse da pesquisa. A relevância da realização do levantamento bibliográfico assume caráter qualitativo no momento que permite um olhar nas relações intergeracionais, produzindo relações e sentidos que constroem o cotidiano escolar, ao situar o nosso objeto de estudo dentro do conjunto das pesquisas produzidas no Brasil no período de 2000 a 2011 sobre o tema, no que diz respeito ao que podem favorecer a consolidação desse campo de estudos. Após o levantamento, acessamos periódicos indexados com os Qualis A1, A2, B1 e B2, da CAPES, buscamos artigos na área de conhecimento das Ciências Humanas e 35 Linguísticas voltados para formação de professores, usando as categorias: informática na educação, tecnologia da informação e da comunicação e computador na educação. Com base nos bancos Scielo/Eric, encontramos 167 artigos relacionados à formação de professor, mas apenas 22 artigos, 13% deles, se referem ao nosso tema. Enquanto que nas Reuniões da ANPED11, há um total de 446 trabalhos, sendo 249 no GT8 e 215 no GT16. Destes, relacionam-se ao nosso tema no GT8, apenas 10 trabalhos, e no GT16 temos 74 trabalhos. Os achados foram agrupados por períodos, tema, metodologia e pelo objeto de estudo, com importantes contribuições para a concretização do segundo capítulo. As dissertações e teses que tratam da utilização do computador como ferramenta do ensino, foram os trabalhos selecionados com prioridade. Nas produções das Reuniões anuais da ANPED no grupo de trabalho GT8 – Formação de professores e GT16 – Educação e Comunicação, escolhemos os que se incluem na categoria “Tecnologia/ Educação”, e da CAPES os Subtemas “Informática educacional”. Estes estudos, “configuram esclarecimento da posição do pesquisador e de seu objeto de estudo na elaboração de um texto narrativo, a concepção de ciência e a contribuição epistêmica do mesmo no campo do conhecimento” (NÓBREGA-THERRIEN; THERRIEN, 2010, p. 37). 2.1 ESTUDOS MAPEADOS: os primeiros achados O EQ demanda uma vasta compreensão da problemática em tese estabelecida com base nos registros dos estudos científicos levantados e a análise minuciosa do seu referencial teórico-metodológico sobre a temática em questão. A contribuição do pesquisador é algo que necessita estar evidente no EQ. De acordo com Nóbrega-Terrien e Therrien (2010, p. 34) trabalhar o EQ é: Uma maneira que o estudante/pesquisador pode utilizar para entender e conduzir o processo de elaboração de sua monografia, dissertação ou tese, ou seja, de produção científica com relação ao desenvolvimento de seu tema, objeto de sua investigação. É um modo particular de entender, articular e apresentar determinadas questões mais diretamente ligadas ao tema ora em investigação. Primeiramente, inventariamos os temas que se aproximam da temática desta pesquisa ao identificar as que forneçam questões para a composição do instrumento de coleta de dados. Iniciamos a trajetória investigativa por meio dos periódicos nacionais, junto ao Portal da 11 ANPED é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em 1976. A finalidade da Associação é a busca do desenvolvimento e da consolidação do ensino de pós-graduação e da pesquisa na área da Educação no Brasil. Disponível em:http://www.anped.org.br. 36 CAPES, na base de dados Scielo, considerados e reconhecidos pela confiabilidade de suas publicações. O site da CAPES disponibiliza acesso a um banco de dados, a partir do qual realizamos nossas buscas através das palavras-chave. Os trabalhos coletados na bibliografia pessoal voltados para essa temática totalizaram 08 achados, no período entre 2000 a 2011. Ao analisarmos os quadros 1, 2 e 3, procuramos identificar as metodologias e os sujeitos utilizados pelos pesquisadores. É conveniente observar que sobre a formação de professor e as TICs, no GT8 houve pouca publicação no âmbito dessa temática em relação ao número de trabalhos apresentados no período de 2000 a 2011. Já no GT16, no que se refere à Comunicação e Educação, houve maior publicação em comparação ao GT8 no mesmo período. Essas publicações instigam a uma reflexão e um debate, para uso das TICs na formação do professor. Destacamos alguns trabalhos que apresentam convergências em alguns aspectos. Quadro 1 – Produções científicas publicadas nos encontros anuais da ANPEd no GT 8: Formação de Professores, no período de 2000 a 2011, considerando ano de publicação, autor e título Ano Autor 2000 ABRANCHES 2001 - 2002 SCHMIDT 2003 CALIXTO FERNANDES 2004 OLIVEIRA ROSALEN 2005 MAZZILLI PESCE 2006 RINALDI; REALI 2007 - 2008 - 2009 SANTOS 2010 LOPES 2011 - Título A Reflexividade como Elemento da Prática Docente: alguns limites para sua efetivação: o caso da informática na educação. Nada identificado Lições Sobre a Docência na Mídia: entre professores inteligentes e professoras dedicadas e afetivas. Nem Tudo que Cai na Rede é Peixe: saberes docentes e possibilidades educativas na/da internet. Professores e Informática na Educação: saberes e sentimentos. Dialogia Digital: em busca de novos caminhos à formação de educadores, em ambientes telemáticos. Formação de Professores para o Uso da Informática nas Escolas: evidências da prática. A Mudança da Cultura Docente em um Contexto de Trabalho Colaborativo de Introdução das Tecnologias de Informação e Comunicação na Prática Escolar. Formação de educadores na contemporaneidade: a contribuição dos ambientes digitais de aprendizagem. Formação de Formadores: aprendizagem profissional de professorasmentoras para uso da informática na educação. Nada identificado Nada identificado A Formação dos Professores para o Uso das Tecnologias Digitais nos GTs Formação de Professores e Educação e Comunicação da ANPED 2000 a 2008. Formação para o Uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) Nas Licenciaturas Presenciais das Universidades Estaduais Paulistas. Nada identificado 37 As pesquisas de Abranches (2000), Nunes (2005), Pesce (2005), Rinaldi e Reali (2006), Santos (2009) e Lopes (2010), abordam sobre tecnologia e a formação do professor, assunto discutido nos seis trabalhos, embora com enfoques diferenciados. Abranches (2000) fala da prática dos professores multiplicadores dos Núcleos Tecnológicos do Nordeste do Brasil e critica a ausência de um projeto político pedagógico voltado para orientar a formação desses docentes. Nunes (2005) reflete as políticas públicas voltadas para as TICs, tomando como base a formação inicial dos futuros docentes na Universidade Estadual do Ceará, mostra que estes futuros docentes utilizam o computador e a internet, sem abordagem pedagógica, apenas para fins particulares. Pesce (2005) analisa as contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem para formação docente e ressalta que o uso da tecnologia digital fundamentada em uma concepção de educação, com base dialógica, proporcionará grandes experiências de aprendizagem. Rinaldi e Reali (2006) analisam um processo formativo em informática em um programa de monitoria online desenvolvido em uma universidade pública de São Paulo em que apresenta, em seu resultado, ser possível uma formação que atenda as expectativas dos participantes na construção do conhecimento e de aprendizagem de maneira significativa. Santos (2009) apresenta uma análise da produção de trabalhos nos grupos GTs 8 e 16 da 23ª a 33ª Reunião Anual da ANPED, no período de 2000 a 2008, bem como o crescimento de pesquisas que focalizam a temática nos dois GTs analisados; o Quadro 2: Produções científicas publicadas nos encontros anuais da ANPEd no GT 16: Educação e Comunicação, no período de 2000 a 2011, considerando ano, autor e título, formação inicial, formação continuada, promovendo o debate sobre a formação do professor para o uso das tecnologias digitais. Lopes (2010) pesquisou a formação inicial do futuro professor da Educação Básica para o uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), com olhar voltado aos cursos presenciais de licenciatura das universidades estaduais paulistas, objetivando contribuir para melhor entender como se encontra a formação para o uso das TDIC nos currículos formais dos cursos que preparam futuros professores para atuar na Educação Básica. Faz uma análise quantitativa que consistiu, basicamente, em identificar ocorrências de TDIC nas estruturas curriculares e nos programas de ensino das licenciaturas das três universidades públicas, incluindo os projetos pedagógicos desses cursos. Apresentou, 38 também, análise qualitativa realizada sobre os PPP, nos quais buscou indícios de uma proposta de formação para o uso das referidas tecnologias. Esclarecemos que, apesar dos temas dos trabalhos serem voltados para a temática informática e formação de professores, ainda são poucos os trabalhos que abordam a articulação da informática com a formação de professores. No quadro seguinte tratamos do GT16, Educação e Comunicação nas bases identificadas acima. Do que se pode constatar, há um aumento das produções em torno da nossa discussão. Do total de 215 trabalhos publicados, 75 abordam sobre o uso das TICs, mas alguns deles com foco para Educação à Distância. Vejamos, então. Quadro 2 – Produções científicas publicadas nos encontros anuais da ANPEd no GT 16: Educação e Comunciação, no período de 2000 a 2011, considerando ano, autor e título Ano Autor Duarte Porto 2000 Silveira Gomes Paiva Vermelho Santos 2001 Catapan Picanço Monteiro Tosta Bruno 2002 Matta Almeida Subtil Torres 2003 Vieira Santos Amorim Fischer Lima Título Imagens Infantis nos Desenhos Tradicionais e nos Jogos de Computador. Parcerias entre Universidade e Escola Pública no Trabalho Pedagógico com Mídias e Temas Culturais. Infância na Mídia: sujeito discurso e poder. Mídia, Imaginária de Consumo e Educação. Redes Cooperativas Virtuais e Formação Continuada de Professores: estudos para a graduação. Aprendizagem Colaborativa em Ambientes Virtuais de Aprendizagem: a experiência inédita da PUC-PR. A Informática Educativa na Educação Especial: O software Educativo Hércules e Jiló. O Ciberespaço e o Novo Modo do Saber: o retorno a si como um inteiramente outro. Educação à Distância: solução ou novos desafios? Educação, Comunicação e Tecnologia Educacional: aproximações com campo da saúde. O Computador Não é Uma Lousa: as tecnologias de comunicação e informação e a prática docente. A linguagem Emocional em Ambientes Telemáticos: tecendo a razão e a emoção na formação de educadores. Projetos de Autoria Hipermídia em Rede: ambiente mediador para o ensinoaprendizagem de história. Tecnologia e Educação a Distância: abordagens e contribuições dos ambientes digitais e interativos de aprendizagem. Laboratório on line de Aprendizagem: uma proposta metodológica de aprendizagem colaborativa para a educação à distância. O PROINFO no entrecruzamento de seus diferentes discursos: um estudo bakhtiniano. A Construção de Ambientes Virtuais de Aprendizagem: por Autorias Plurais e Gratuitas no Ciberespaço. A Constituição Midiática da Norma no Dispositivo da Maternidade. Vídeo Política e Experiência: ferramentas para investigar mídia e juventude. A Educação à Distância e o Desafio da Formação do Professor Reflexivo: um estudo sobre as possibilidades da ead na formação pedagógica de professores universitários. A prática dos multiplicadores dos NTEs e a formação dos professores: o fazer pedagógico e suas representações. 39 Continuação... Ano Autor Abranches Bonilla Dias 2004 2005 2006 2007 2008 Título Linguagens, Tecnologias e Racionalidades Utilizadas na Escola: interfaces possíveis. Hipertexto: outra dimensão para o texto, outro olhar para educação. Ambientes Virtuais de Aprendizagem: diálogo e processos de subjetivação. As tecnologias de informação e comunicação como fator de inclusão social de Francisco crianças em situação de risco. Gomes Internet e Autonomia: um estudo exploratório. Ruiz Linguagens internáuticas e viagens ciberespaciais. Educação à Distância: problematizando critérios de avaliação e qualidade em cursos Versuti on-line. Accioly Educação para a Mídia: a televisão como instrumento pedagógico e objeto de estudo. A Influência da Mídia na Compreensão de Mundo de Professores da Educação Almeida Básica Barreto As Tecnologias no Contexto da Formação de Professores Fantin Novo olhar sobre a Mídia-Educação Fernandes O Computador/Internet na Formação de Pedagogos: um diálogo possível? Freitas Letramento Digital e a Formação de Professores. Girardelo Produção Cultural Infantil Diante da Tela: da TV à internet. Mapeando Caminhos de Autoria e Autonomia: a inserção das tecnologias Gutierrez educacionais informatizadas no trabalho de educadores que cooperam em comunidades de pesquisadores As Tecnologias de Informação e Comunicação na Capital e no Interior do Ceará: um Nunes estudo comparativo sobre a formação de professores. Formação de Educadores na Contemporaneidade: a contribuição dos ambientes Pesce digitais de aprendizagem. Aprendizagem Mediada pela Tecnologia Digital: a experiência do fórum virtual de discussões em um projeto de educação à distância. Ramos As Representações Sociais nos Discursos Midiáticos: novas questões para a educação. Interatividade como Perspectiva Comunicacional no Laboratório de Informática: um Silva desafio ao professor. Vilares Da Mídia-Educação aos Olhares das Crianças: pistas para pensar o cinema em contextos formativos . Estudos Sobre Recepção Midiática e Educação no Brasil: percursos e considerações Fantin propositivas. Tecnologias de Informação e Comunicação: limites na formação e prática dos Zanchetta Jr. professores. Gonçalves Ensino à Distância: entre a institucionalidade e a formação de uma nova cultura. Educação à distância e formação de educadores: a contribuição dos desenhos Martins didáticos dialógicos. A Sociedade da Comunicação e seus processos constituintes: ciberespaço, Oliveira comunidades e ontologias. As “novas” tecnologias em nossas vidas e nas escolas: uma análise sobre a Gomes produtividade dos discursos veiculados na Veja e Isto é, de 1998 a 2002. Rocha Narrativa escolar e texto midiático: subsídios para a formação de professores. Zanchetta Jr. Brincando na escola: o imaginário midiático na cultura de movimento das crianças. Mídia-Educação no Contexto Escolar: mapeamento crítico dos trabalhos realizados Munarim nas escolas de ensino fundamental em Florianópolis. Um Estudo Sobre Mídia, Educação e Cultura Jovem: quando “ter atitude” é ser Pereira diferente para ser igual. Schmidt Inovações na Docência Universitária: tecnologias de informação e comunicação na (re) elaboração de materiais didáticos na modalidade à distância. Mallmann Tosta Sobreira Nem Inimiga, Nem Aliada: percepções sobre a mídia na prática docente. Rádio e a TV por Meio da Web: possibilidades de uma nova formação. Rádio e a TV por Meio da Web: possibilidades de uma nova formação. 40 Continuação... Ano Autor 2008 2009 2010 2011 Título Second Life e Estratégias de Estudo: interface no aprendizado de universitários Moita brasileiros. Branco Educação a Distância para Professores em serviço – a voz das cursistas. Avaliar a Aprendizagem na Educação Online: a transposição de procedimentos Pinto presenciais e a dinâmica específica da web Mattar Neto O Uso do Second Life como Ambiente Virtual de Aprendizagem. Zanchetta Jr. Texto Midiático e Professores da Escola Básica. Freitas Mídia e Educação: campos em conflito em Portugal O Videogame no Crepúsculo da Educação – a produção de sentido na interface com a Zanolla comunicação Afetividade, Aprendizagem e Tutoria Online. Oliveira A Comunicação On-line entre Professores e Alunos: um estudo da unisul virtual Universitários S/A: empreendedorismo e gestão dos talentos nas mídias Schneider contemporâneas Silva As Novas Educações e os Potenciais da TV e das Redes Digitais Como Alunos Percebem as Tecnologias Digitais no Laboratório da Escola: Pretto problemas de aprendizagem e os caminhos apontados pela teoria da prática. Janela Sobre a Utopia: computador e internet a partir do olhar da abordagem Freitas histórico-cultural. Guimarães Textos Multimidiáticos na Escola Os Recursos de Linguagem como Contribuição à Construção de Sentidos entre Vizentim Formadores e Professores Universitários em Formação no Contexto Digital. As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação em Livros Didáticos de Caiado Língua Portuguesa As Salas de Tecnologias Educacionais - modos de ensinar e de aprender como Quiles traduções de cultura escolar Interfaces da Docência (des) Conectada: usos das mídias e consumos culturais de Fantim professores. – Nada identificado Destacamos, para comentários, sobre as produções dos autores, Duarte (2000), Francisco (2004), Nunes (2005), Pesce (2005), Fantin e Rivoltella (2010); que ao focarem seus estudos na tecnologia da informação e comunicação (TIC), apontam para seu uso no processo de formação docente. Dessa forma, vale evidenciar Duarte (2000), no qual propõe um debate sobre o papel dos ícones e das imagens na formação das crianças, o autor investiga, nesse trabalho, as representações da mídia e as implicações pedagógicas no mundo midiático. Francisco (2004) situa seu trabalho em discussão teórico-vivencial sobre ambientes virtuais de aprendizagem, discorre sobre os agenciamentos de enunciação de tais ambientes e das interações decorrentes, as ferramentas de intervenção, bem como mecanismos de avaliação com as práticas da ação pedagógica. Nunes (2005) e Pesce (2005) focam em sua pesquisa, a formação inicial dos futuros docentes na Universidade Estadual do Ceará, apontando que estes lidam com internet sem estabelecer uma relação pedagógica para sua prática, utilizando esse recurso de forma pessoal. 41 Pesce (2005) discute à medida que os ambientes digitais de aprendizagem podem contribuir para formação de educadores e tem como objetivo contribuir com o desenvolvimento e implantação de ações de formação docente online, voltadas ao humanismo e à emancipação do profissional da educação. Fantin (2010) aprimora a discussão sobre como as tecnologias estão presentes na vida pessoal e profissional dos professores, o que eles fazem em seu tempo livre e como usufruem de seus bens culturais, a investigação procede a partir das vozes dos próprios professores. Em uma análise parcial, aponta indícios de uma transformação em relação a presença das TICs e sugere interfaces para além das dimensões de uso pessoal e profissional na prática docente. Partindo das considerações dos pesquisadores acima citados sobre uso das TICs e formação docente, percebemos que mesmo os professores acreditando que a linguagem audiovisual chama maior atenção dos alunos, continuam desenvolvendo seu trabalho docente de forma a valorizar o trabalho escrito, coibindo o questionamento do que veem, a comparação e/ou o estabelecimento de relações, ações próprias para lidar com as TICs. Quadro 3 – Trabalhos publicados em periódicos indexados pela CAPES sobre a temática de investigação, no período de 2000-2011 Ano Autor 2000 Cordeiro 2002 2002 Castro Loureiro 2003 Lima 2004 Nascimento 2005 Lopes 2006 Pagnez 2007 Cunha 2008 Santos 2009 2010 2011 Heredia Dantas Tortoreli Título A informática como instrumento de desenvolvimento da qualidade do processo ensino-aprendizagem. “Alfabetização Digital: uma necessidade social no contexto escolar”. A escola na era digital: a topologia das redes de informação. Uso do Computador no Processo Ensino-Aprendizagem: preocupação para professores. As Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação e a Formação do Educador: um estudo sobre a capacitação em informática educativa promovida pelo PROINFO-MA. A Interação dos Professores com a Internet em Sala de Aula. Projeto Eureka: A implantação da informática educativa na rede municipal de Campinas no período de 1989-1997. As Novas Dimensões da Práxis Docente na Escola Pública com a Inserção da Internet na Relação Ensino-Aprendizagem. Multimeios Ludo Pedagógicos como Ferramenta para a Aprendizagem Significativa em Ciências no Ensino Fundamental na Construção da Educação de Jovens e Adultos: um estudo sobre a motivação. Tecnologia Educativa En El Salón de Clase. Sem: uma Proposta Metodológica para o Uso dos Softwares na Educação. A Interação do Professor e Alunos no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Tivemos como critério de escolha os trabalhos de Lopes (2005), Cunha (2007) e Tortoreli (2011) considerando o nosso objeto de estudo na medida em que analisam o 42 processo formativo e a relação com recursos virtuais, exigindo mudanças nos sistemas de ensino na esfera brasileira. Lopes (2005) pretende compreender a práxis pedagógica dos professores da escola pública na perspectiva do uso da Internet na relação ensino- aprendizagem. A Internet, sendo um instrumento que propicia várias possibilidades comunicacionais, está interferindo significativamente no processo de busca de informações vigente da mídia em geral. Ela é rápida e globalizada, onde podemos ter acesso as mais variadas informações de todas as partes do mundo e em todos os idiomas. A pesquisa teve como objetivo “verificar a ocorrência da interação dos educadores da escola com a Internet em suas disciplinas”. Os resultados da pesquisa apontaram que em sua maioria, os educadores da amostra estudada consideraram importante o uso da Internet em suas disciplinas. Estes profissionais ressaltaram também a necessidade de maior acesso a esta ferramenta na escola, para que pudesse ser utilizada com mais eficiência na relação ensinoaprendizagem. A pesquisa apontou também a importância do uso da Internet na escola e a participação dos professores em cursos de informática e de utilização da internet. Cunha (2007) analisa as novas dimensões da práxis docente no contexto da fonte de informação disponível como instrumento pedagógico na escola, procurando responder ao seguinte questionamento: Como o professor da escola pública está conduzindo sua práxis pedagógica a partir da utilização da Internet na relação ensino aprendizagem? Para tanto objetiva compreender como ocorre o redimensionamento da práxis pedagógica dos professores da escola básica na perspectiva do uso da Internet na relação ensinoaprendizagem. Tortoreli (2011), no artigo ”a interação do professor e alunos no ambiente virtual de aprendizagem: a ferramenta síncrona CHAT”, analisa a interação do professor e alunos no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) por meio da ferramenta síncrona (chat), no curso de Licenciatura em Pedagogia a distância de uma instituição superior privada do Norte do Paraná. Para tanto, a problemática foi delineada a partir da indagação: como se estabelece a interação de professor e alunos no ambiente virtual de aprendizagem? Para responder a essa pergunta, foi preciso circunstanciar o que são os ambientes virtuais de aprendizagem e qual o papel do professor e dos alunos nesses ambientes, bem como explicitar uma concepção de interação. A pesquisa foi realizada com 30 (trinta) sujeitos da disciplina de Metodologia do Ensino de História. 43 2.2 CONSTATAÇÕES A PARTIR DO ESTADO DA QUESTÃO Este item corresponde a um recorte do estado que se encontra a pesquisa voltada para Tecnologia da Informação e da Comunicação produzido a partir de documentos elaborados no período de 2000/2011. Para explicitar o modo de construção do objeto de estudo aqui referenciado, os estudos identificados registram os vários movimentos compreendidos, tais como: Reuniões da ANPEd, levantamento no portal da CAPES. O primeiro momento constou das buscas sobre os estudos que têm como enfoque as tecnologias e sua relação com a educação-ensino. Posteriormente, apresentamos o mapeamento de três blocos de teses e dissertações, identificando as políticas e propostas de inserção das TICs na escola, bem como a formação de professores nas suas mais variadas formas: inicial e continuada, presencial e a distância, como formação e capacitação; e às práticas desenvolvidas nos diferentes espaços pedagógicos. É importante destacar que o presente estudo não tem a pretensão de dar conta de toda a leitura das dissertações e teses, pois nos detivemos apenas nas leituras comparativas dos trabalhos, na metodologia, sujeito e referencial teórico, os quais foram utilizados para situar os achados e, consequentemente, proceder as análises. Diante dessas constatações, traçamos uma visão panorâmica, apontando o que possa vir a favorecer a consolidação dos estudos marcados pelo movimento de aproximação de educação e tecnologia, mais precisamente das tecnologias da informação e da comunicação. Dois aspectos foram evidenciados e analisados a título de compreensão do presente recorte. O primeiro está relacionado à formação do professor e à condição em que se encontra a pesquisa nessa área de saber; o segundo, à área específica, tecnologias da informação e da comunicação. Ao analisarmos trabalhos com temas voltados para formação de professores abrangendo tecnologias digitais, priorizamos o período de 2000 a 2011, incluindo o que se refere à pesquisa realizada anteriormente sobre multimeios usados como ferramenta na Formação do Professor na disciplina Didática, como também, o período que evidencia uma maior preocupação dos pesquisadores com formação de professores. Ademais, ao verificarmos as publicações, no portal da ANPEd, encontramos nos anos de 2000 a 2011, 10 trabalhos no GT8 – Formação de Professores e 72 no GT16 – Educação e Comunicação. Com base nas leituras dos resumos dos trabalhos, percebemos uma fundamentação acerca do uso das TICs na formação docente, contudo sem um aprofundamento epistemológico sobre seu processo ensino e aprendizagem. A ideia foi a de 44 refletir como a questão da formação dos professores para uso das tecnologias digitais está sendo contemplada nas reuniões anuais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, nos Grupos de Trabalho Formação de Professores (GT8) e Educação e Comunicação (GT16). No período a que nos referimos, localizamos 464 trabalhos, sendo 249 no GT8 Formação de Professor e 215 no GT16 Educação e Comunicação. Desse total, identificamos 10 trabalhos, no GT8, 59 trabalhos, no GT16, voltados para nossa temática. Os resultados apresentam o crescimento de pesquisas que focalizam a temática em diferentes frentes, apontando uma formação inicial distante do uso de recursos tecnológicos, para uma formação continuada descontextualizada e centrada nas questões técnicas do computador/internet. Isso preocupa, considerando o entendimento de ser a formação do professor essencialmente um ato político, sobretudo que deve ser construída a partir do contexto histórico, político e cultural no qual estamos inseridos e as tecnologias como produção cultural não podem ser excluídas da escola, da formação, da prática docente e das pesquisas. Dos 69 achados em teses e dissertações, nos grupos de trabalhos GT8 e GT16, que tratam da formação de professor, apenas 05 teses e 05 dissertações possuem temas mais próximos desta pesquisa, com destaque nas TICs na formação de professor e que levam em conta a importância do uso das TICs na educação no momento atual. Embora tenham temas ligados às tecnologias, não são voltados diretamente para a formação do professor nem tampouco para o processo ensino aprendizagem, ficando focadas em questões técnicas, internet e computador. O baixo número de trabalhos nesta área, expressa no recorte desses achados, demonstra a relevância desse tema de pesquisa. Dos achados, o que mais se aproximam do nosso objeto é o trabalho de Pesce (2005), publicado na 28ª Reunião da ANPEd (GT8) (Quadro 2) com a temática Formação de Educador na Contemporaneidade: a contribuição dos ambientes virtuais de aprendizagem, apresentando como problematização a seguinte questão: em que medida os ambientes digitais de aprendizagem podem contribuir para formação de educadores. Pesce (2005) argumenta, em seu trabalho “se o uso das TICs for relacionado com as concepções de educação de forma dialógica será uma experiência rica em aprendizagem”. Nesse sentido, acreditamos que a temática que ora defendemos poderá contribuir, considerando nossa problematização: discutir os saberes profissionais da formação dos egressos de Cursos do CESC/UEMA para a utilização dos recursos da informática no exercício da docência. 45 Reafirmamos, ao recorrer às leituras dos mapeados e publicados nos dois grupos supracitados, que nenhuma dessas pesquisas, investigou a contribuição em utilizar a informática educativa, o computador/internet, na formação docente, como recurso que, na sua prática profissional busca dialogar com as TICs como auxiliares dos processos de ensino e aprendizagem dos alunos. Este é o diferencial desta pesquisa, ao visar atingir os objetivos declarados, tracejados para essas análises. Em nosso próximo capítulo tratamos especificamente da formação docente voltada para o uso das tecnologias. Fazemos, primeiramente, uma breve incursão pela história das tecnologias no contexto escolar. Em seguida, trazemos uma interdependência entre educação e computador, vinculando estes como uma relação dialética. Na sequência, apresentamos as ferramentas tecnológicas em uma concepção de ensino e aprendizagem diferenciada das que utilizam as metodologias tradicionais. 46 3 FORMAÇÃO DOCENTE PARA O USO DAS TECNOLOGIAS 3.1 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DO USO DAS TECNOLOGIAS NA ESCOLA O processo de desenvolvimento tecnológico com a difusão da eletrônica, da informática e a telemática, influenciando a sociedade em suas diversas formas de manifestação, ampliou as oportunidades de aquisição do conhecimento diante de uma maior expansão do uso dos aparatos tecnológicos disponíveis. O sistema educacional é atingido por esse desenvolvimento acelerado. Desta forma, à proporção que os meios de produção e os instrumentos de trabalho sofrem mudanças, há implicações nítidas para o sistema educacional como um todo. A escola precisa munir-se de condições, apropriadas para dar conta desses acontecimentos. Já em meados da década de 50, quando começaram a ser comercializados os primeiros computadores com capacidade de programação e armazenamento de informação, apareceram as primeiras experiências do seu uso na educação. No entanto, a ênfase dada nessa época era praticamente a de armazenar informação em uma determinada sequência e transmiti-la ao educando. Na verdade, era a tentativa de implementar a máquina de ensinar idealizada por Skinner. Hoje, a utilização de computadores na educação é muito mais diversificada, interessante e desafiadora, do que simplesmente a de transmitir informação ao aluno. O computador pode ser também utilizado para enriquecer ambientes de aprendizagem e auxiliar o aprendiz no processo de construção do seu conhecimento. É reconhecido que algumas mudanças tecnológicas já foram incorporadas à escola, porém são inexpressivas diante da célere evolução no espaço de criação das novas tecnologias no mundo cibernético. Essa afirmação justifica-se, pois, é sabido que nem mesmo o computador é recurso disponível em todas as escolas, o que contribui para que não possa competir em pé de igualdade com as que vêm acompanhando e usufruindo das possibilidades ofertadas pelo mercado. Esse fato pode colocar a escola num patamar de atraso em relação ao que possa beneficiar-se ou oferecer em relação ao que possa advir do propiciado pelos avanços tecnológicos incorporados por outros contextos. Hoje, com a visão de produtividade, busca-se em maior escala garantias de qualidade, uma vez que a sociedade vem se adequando e evoluindo de acordo com as exigências da competitividade do mercado. Desse modo, a função da escola é formar cidadãos para atender a demanda social, em que a informática se em constitui uma necessidade. 47 Vários são os estudiosos que apresentam a educação no mundo de hoje com tendências tecnológicas, tais como: Abranches (2000), Loureiro (2002), Rinaldi e Reali (2006), Santos (2009), Tortoreli (2011) e outros. A relação educação e tecnologia está presente em muitos dos estudos que têm dedicado análises ao contexto educacional atual, os quais vislumbram perspectivas para um novo tempo, marcado por avanços acelerados, tendo como premissas atender as imposições de realizar mudanças constantes para adequar-se ao vigente modelo de produção. Bastos (1998) lembra que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, nº 9394/96) recomenda o uso das tecnologias trazendo referências explícitas e implícitas sobre tecnologia, como o domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna, o incentivo ao trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia, a determinação de uma educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, sobre isso vejamos abaixo a redação dada pela Lei nº 11.741, no Capítulo III, denominado: Da Educação Profissional e Tecnológica12. Nele, a educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, deva integrar-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia (NR)13 (Art.39 LDB 9394/96). O mesmo capítulo, parágrafo 1º, determina que: Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino (BRASIL, 1996). Por conseguinte, define que esse tipo de educação abrangerá os seguintes cursos: I - de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; II - de educação profissional técnica de nível médio; III - de educação profissional tecnológica. No parágrafo III da Lei nº 9394/96 determina que “Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação organizar-se-ão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação” (BRASIL, 1996). 12 13 Redação dada pela Lei Nº 11.741, de 16 de julho de 2008 à LDB. Norma Reguladora. 48 A lei supracitada reconhece, por outro lado, que o conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos (Art.41 acrescido da redação dada pela Lei nº 11.741/2008) (BRASIL, 1996). Com base no exposto acima, podemos perceber, que na legislação, existe uma grande preocupação com a educação profissional e tecnológica, bem como com reformas que atendam as novas exigências, sobretudo no que diz respeito a essa modalidade e as transformações na prática social e do trabalho, no sentido de oferecer uma base científica, tecnológica e competência para se adequar às constantes mudanças que se processam no mundo do trabalho. Por conseguinte, o sentido atribuído ao computador é de facilitador de aprendizagem, peça essencial no mundo do trabalho, uma vez que os avanços são expressos via da informática e se reproduz de forma semelhante em diferentes países. 3.2 EDUCAÇÃO E COMPUTADOR: relação didático-pedagógica O uso do computador como tecnologia de educação favorece para que os conceitos de ensino sejam conferidos de forma mais concreta e atrativa oportunizando ao aluno a simular e ver os vários aspectos da realidade, com vistas à melhoria de sua aprendizagem. Nesse âmbito, destacamos duas concepções que respaldam o uso do computador na Educação, compreendendo a utilização para o ensino de conteúdos disciplinares e o emprego enquanto meio de facilitar o desenvolvimento cognitivo. Em favor da segunda concepção, o autor abaixo argumenta: Para que o professor tenha condições de criar ambientes de aprendizagem que possam garantir esse movimento (contínuo de construção e reconstrução do conhecimento) é preciso reestruturar o processo de formação, o qual assume a característica de continuidade. Há necessidade de que o professor seja preparado para desenvolver competências, tais como: estar aberto a aprender a aprender, atuar a partir de temas emergentes no contexto e de interesse dos alunos, promover o desenvolvimento de projetos cooperativos, assumir atitude de investigador do conhecimento e da aprendizagem do aluno, propiciar a reflexão, a depuração e o pensar sobre o pensar, dominar recursos computacionais, identificar as potencialidades de aplicação desses recursos na prática pedagógica, desenvolver um processo de reflexão na prática e sobre a prática, reelaborando continuamente teorias que orientem sua atitude de mediação (ALMEIDA, 1998, p. 2-3). Partindo desse entendimento, necessário se faz rever o currículo da escola para que possa ampliar e favorecer a inclusão de práticas inovadoras às situações de sala de aula. 49 Nessa perspectiva, alunos e professores, com uso do computador, disporão de uma ferramenta que pode ser coadjuvante na promoção do desenvolvimento cognitivo e da ampliação da oportunidade de o aluno perceber e corrigir o erro, em tempo real, quando cometido. Atualmente, as mudanças curriculares na formação do professor se constituem uma necessidade nas instituições de ensino, as discussões realizadas nas universidades em relação a essas mudanças, passam pelas disciplinas básicas, essencialmente pela disciplina Didática, questionando quanto à interdisciplinaridade, se os créditos práticos da disciplina atendem as demandas do mercado ou se o ensino está voltado para inclusão das novas tecnologias. Essas reflexões vêm proporcionando aos professores pensarem em novas metodologias. Na verdade, o uso de informática como ferramenta exige uma concepção de ensino e aprendizagem diferenciada das que utilizam metodologias tradicionais. Ademais, exige clareza em relação a que corrente filosófica o professor se respalda, que embasamento teórico sustenta sua prática, a que concepção se filia, ou seja, se Empirista, Racionalista ou Sócio-Construtivista. Cumpre destacar que na concepção empirista, o sujeito é visto como uma folha em branco e o conhecimento é uma cadeia de ideias formada a partir do registro dos fatos, reduzida a uma simples cópia do real. Em decorrência de sua base gnosiológica, as investigações formam a concepção denominada Associacionista, expressada no Behaviorismo que tem como referências máximas Watson, W. Thorndinke, I. Paulov e Skinner. Na concepção behaviorista, a aprendizagem é tida como mudanças de comportamento, espelhada no que a psicologia define enquanto ciência do comportamento. Aprendizagem e conhecimento são resultados da experiência envolvendo a associação de estímulos e respostas. A filiação a essas concepções perdura até hoje na prática de professores que trabalham com objetivos comportamentais, definição de estratégias de ensino tomando como base os objetivos explicitados; ou ensino programado. A visão racionalista pressupõe que o conhecimento antecede a experiência e é fruto de estruturas racionais pré-formadas do sujeito. Segundo seus expoentes Koffka, Kohler e Lewin o sujeito reage a configurações perceptuais, ou seja, Gestalt. Na visão construtivista, ao contrário da empirista e racionalista, o conhecimento procede de construções sucessivas com elaborações constantes de estruturas novas. Nesta acepção, a aprendizagem é resultante da relação sujeito / objeto. Destacam-se nesta concepção Jean Piaget, Vygosky, Leontiev e outros. 50 O uso do computador articula-se com diversas e até divergentes concepções de aprendizagem, mas é admitido como instrumento fundamental para o desenvolvimento da inteligência. Um paradigma que promove a aprendizagem ao invés do ensino, que coloca o controle do processo aprendizagem com o aluno e que auxilia o professor a entender que o ensino não é somente a transferência de conhecimento, mas um processo de construção do conhecimento pelo aluno, produto de seu engajamento intelectual. Melhor esclarecendo, o computador, como instrumento auxiliar de aprendizagem não deve ser modismo. A inclusão de ferramentas dessa natureza possibilita a implementação do paradigma de base construcionista. O computador, segundo esse paradigma, deve ser usado como uma ferramenta que facilita a descrição, a reflexão e a depuração de ideias. Deverá, portanto, favorecer as soluções pedagógicas no processo de ensino-aprendizagem, de modo a contribuir para a facilitação da assimilação dos conteúdos de sua aprendizagem. O computador, enquanto tecnologia, não resolverá por si só as graves distorções educacionais observadas no campo da educação. Porém, dependendo do modo como venha a ser utilizado poderá, simplesmente, validar a educação hoje, questionada. Atualmente, as novas tecnologias têm exercido uma grande influência na educação e trazido grandes benefícios para o mundo do trabalho, da escola, da sociedade em geral, O computador poderá enriquecer ambientes de aprendizagem, ajudar na interação com objeto do conhecimento para a aquisição de novas aprendizagens. Do que sabemos, a introdução de novas tecnologias na educação tem desencadeado posições respaldadas no ceticismo, na indiferença e no otimismo. Os que defendem uma posição cética a esse respeito, mas acham que a escola está pobre e necessita melhorar seu aspecto e o salário do professor, acompanhados de mudanças pedagógicas. Porém, não consideram importante informatizar a escola. Outro argumento, é que a informática causará a desumanização e o computador substituirá o professor, e em consequência o aluno terá formação desumana uma vez que passará a ter contato com uma máquina fria e robótica. Outro argumento preponderante é de que um grande desafio seja a dificuldade de adaptação da gestão escola, dos professores e dos pais a um modelo de ensino que eles não vivenciaram. Nesse rol há os indiferentes, os desinteressados e apáticos, a espera do rumo que a tecnologia possa tomar para, então, se definirem. Já os otimistas têm outros argumentos, acham que pelo fato de outros países, estados ou outras escolas adotarem o computador, as demais também têm que adotá-lo, pois o computador é parte da vida da escola, cabendo a ela preparar o aluno para conviver com essa tecnologia. Esse tipo de argumento tem levado 51 muitas escolas a introduzirem conteúdos tecnológicos como disciplina, ensinando ao aluno noções de computação. Isso foge a ideia de constituir-se em auxílio no processo ensinoaprendizagem, pois aprender sobre computador não é aprender através do computador. Entre outros arrazoados há os que definem que o uso do computador despertará a curiosidade do aluno, tornando a escola mais motivada e interessante. Nesta dimensão poderá contribuir para o que Comenius (2006, p. 12) já defendia há quatro séculos atrás “que nas escolas haja menos conversa, menos enfado, e trabalho inúteis, mais tempo livre, mais alegria e mais proveito”. E também chama atenção quanto ao aspecto de motivar e despertar a curiosidade do aluno. Este tipo de argumento mostra o desencontro pedagógico em que a escola se encontra em relação ao uso do computador, e pelo que acontece no interior dela no âmbito afetivo, cultural, social, intelectual. Contrapondo-se a esse ideal, o computador como ferramenta deverá ser incorporado à prática pedagógica para que possa ser recurso atrativo no desenvolvimento do raciocínio e da resolução de problemas. Do que entendemos, esse comportamento pedagógico deve ter como finalidades a de auxiliar o professor a compreender que a educação não se restringe a transmissão de conhecimento, mas instrumento do processo de construção desse conhecimento. O uso do computador no paradigma construtivista ou sócio-interacionista deve ser como uma ferramenta que facilita a descrição, a reflexão e a depuração das idéias. Necessário se faz a mudança de paradigma por parte do processo formativo para que contribua na formação de profissionais capazes de criarem, pensarem novos métodos de produção de bens e de serviços mais econômicos, mais eficientes. No processo de ensino e aprendizagem o professor é fundamental, portanto não será substituído pelo computador, mas dele se utilizará como recurso didático auxiliar dos processos de ensino. As práticas pedagógicas mais usadas se apoiam no paradigma instrucionista e construcionista, segundo Valente (2002b). O paradigma instrucionista trata o desenvolvimento em forma de tutorial exercício-e-prática ou jogo. Já no construcionista, segundo Papert (1994), a “construção do conhecimento se dá quando o aluno constrói um objeto do seu interesse”, portanto, é diferente do construtivismo de Piaget, em que o aluno constrói seu “conhecimento”, o objeto pelo qual está motivado, tornando a aprendizagem mais significativa. Na visão instrucionista o software detém as informações e apresenta com toda clareza, empregando recursos sensoriais de multimídia (sons, desenhos, gráficos, vídeos, textos), cabendo ao professor integrar a exploração do programa às demais atividades de sala 52 de aula. Na visão construcionista, professor cria ambiente de aprendizagem que possa garantir movimento contínuo de construção, desafia e motiva para a exploração, a reflexão, assimilação de ideias e a descoberta de conceitos envolvidos nos problemas, tendo por base a epistemologia genética piagetiana, em que o conhecimento é construído na relação sujeitoobjeto, essa interação propicia a construção e a reconstrução do conhecimento. Partindo dessa compreensão, o computador funciona como instrumento que ajuda a pensar e a representar ideias, permitindo comparar o resultado pretendido com o obtido, podendo constituir-se em aporte de mudanças, provocar motivação nos alunos, utilizando como ponto de partida de seu trabalho os conhecimentos do dia a dia inerentes ao contexto, trabalhados com o uso de todos os meios tecnológicos, ampliando ambientes de aprendizagem já existentes. Cabe ao professor selecionar entre as diversas ferramentas aquelas que melhor se adequem a transmissão dos conteúdos curriculares. A ilustração disso, encontra-se no hipertexto14, oferece grande potencial para o processo de ensino aprendizagem, pois retoma e transforma antigas interfaces da escrita. Porém, a noção de interface não deve ser limitada às técnicas de comunicação contemporâneas, a impressão, à primeira vista, é sem dúvida um operador quantitativo, multiplicar as cópias, entretanto representa a invenção, em algumas décadas, de uma interface padronizada extremamente original: página de título, cabeçalhos, numeração regular, sumários, notas, referências. Todos esses dispositivos lógicos, classificatórios e espaciais sustentam-se uns aos outros no interior de uma estrutura admiravelmente sistemática: não há sumário sem que haja capítulos apresentados; não há sumários, índices, remissão a outras partes do texto, nem referências precisas a outros livros sem que haja páginas uniformemente numeradas. Estamos tão habituados com esta interface que nem notamos mais que existe. Mas no momento, possibilitou uma relação com o texto e com a escrita totalmente diferente da que fora estabelecida com o manuscrito: possibilidade de exame rápido do conteúdo, de acesso não linear e seletivo ao texto, de segmentação do saber em módulos, de conexões múltiplas a uma infinidade de outros livros graças às notas de pé de página e às bibliografias. Diferentemente, os documentos convencionais são limitados a apresentarem textos e gráficos, os sistemas de hipermídia permitem a utilização de som, sequência de vídeo e animação. A estrutura dos hiperdocumentos pode ser alterada dinamicamente, os nós de 14 Conforme definição de Lévy (2004, p. 254) “Hipertexto é uma forma não linear de apresentar e consultar informações”. 53 informação podem ser atualizados, outros podem ser criados, flexibilidades não admitidas nos textos convencionais. Em um hipertexto as informações são armazenadas em nós que são conectadas por ligações, formando uma rede de informações associadas. Na maioria dos sistemas de hipertexto, um nó de informação pode ter várias ligações, para outros nós de informações no qual o usuário poderá incluir suas próprias ideias. No hipertexto, por exemplo, baleia liga com mamífero, que liga com vertebrado e assim por diante, não ficando o leitor restrito a seguir estrutura da matéria em questão e da lógica da sequência com que o autor aborda o tema, ficando o texto subordinado ao leitor e não ficando o leitor ao texto, permitindo assim, maior significado a leitura. Quando se fala no uso do microcomputador na escola, muitos professores se espantam. A maioria deles não sabe utilizá-lo, a dificuldade de manutenção é tanta, que quando a escola possui a máquina, estas ficam guardadas em local seguro, e de difícil acesso, vistas por muitos como algo intocável. Os alunos nos cursos regulares de formação de professores estão habituados a um regime de estudo através de textos e sentem-se inseguros para enfrentar inovações. Inseguros para usarem recursos que a escola às vezes oferece tais como: vídeo, slide, filme e outros. Com tantas inseguranças, terminam lançando mão de texto e explanação oral, por já estarem mais acostumados e, por considerarem de mais fácil execução. Paulo Freire nos mostra através de sua teoria pedagógica a importância de realizar o ensino a partir da experiência do aluno. Assim sendo, o ponto de partida é o conhecimento prévio adquirido por ele. Aliado a isto o movimento, o som e a imagem ajudam e facilitam o acesso ao conhecimento. Partir da incorporação da experiência do aluno poderá ser partir do sentido virtual (som, movimento e imagem) nas telas televisivas como alternativa motivacional da busca de novos saberes, aquisição de habilidades e valores o que exige romper com uma prática docente que tem se caracterizado por processos autoritários, desenvolvendo procedimentos que levam a negação do sujeito e de outras formas de aprendizagem. Nas etapas de desenvolvimento do homem a ligação com o desenvolvimento da cultura e da sociedade é inquestionável. Ativamente os homens se apropriam dos objetos ou dos fenômenos que são os produtos do desenvolvimento pessoal e social. A principal característica do processo de apropriação ou de aquisição é criar no homem aptidões e novas funções psíquicas para lidar com os desafios próprios das situações por ele experienciadas. É na função psíquica que o ser humano se diferencia dos outros animais, o que assimila resulta de processos de reprodução historicamente herdada da espécie humana, 54 enquanto no animal é o resultado de uma adaptação individual do comportamento genérico de sua espécie. Segundo Vygotsky (1998), a compreensão do ser humano depende da internalização das formas culturalmente dadas pelo funcionamento psicológico. As concepções de Vygotsky sobre a base biológica do funcionamento psicológico também se fundamentam no paradigma materialista-dialético. Ele dá especial importância ao cérebro: A estrutura e o funcionamento do cérebro humano, que levariam milhões de anos para evoluir, também passam por mudanças no curso do desenvolvimento do indivíduo, devido à interação do homem com o meio físico e social (VYGOTSKY, 1998, p. 35). O uso da informática na educação que se sustenta na vertente construcionista depende, em grande parte de um trabalho colaborativo, envolvendo principalmente a gestão da escola e seu corpo docente, Nessa vertente, o aluno precisa ter domínio do uso do computador através de um software para desenvolver uma apresentação sobre determinado tema ou resolver uma situação-problema, sendo o aluno “construtor ativo de suas próprias estruturas mentais” (PAPERT, 1985, p. 33). Isso nos recomenda lembrar que mudanças estruturais e pedagógicas só poderão vir acontecer se a comunidade escolar estiver receptiva para compreender suas implicações. A viabilização do trabalho de informática na educação exige um bom planejamento organizacional adequado às necessidades dos alunos e, também a disponibilidade de condições, de equipamentos e de materiais de consumo, sem o que se transformam em obstáculos para a prática e desenvolvimento do trabalho. Segundo Moraes (1997), em um movimento de mudança, o professor passa a ter um papel fundamental de articulador e mediador entre o conhecimento elaborado e o conhecimento a ser produzido. A ciência está exigindo uma nova visão de mundo, diferente e não fragmentada. A atual abordagem que analisa o mundo em partes independentes já não funciona. Por outro lado acreditamos na necessidade de construção e reconstrução do homem e do mundo, tendo como um dos eixos fundamentais, a educação, reconhecendo a importância de diálogos que precisam ser restabelecidos, com base em um enfoque mais holístico e em um modo menos fragmentado de ver um mundo e nos posicionarmos diante dele. Já não podemos prescindir de uma visão mais ampla, global para que a mente humana funcione de modo mais harmonioso no sentido de colaborar para a construção de uma sociedade mais ordenada, justa, humana, fraterna e estável (MORAES, 1997, p. 20). A valorização e o respeito ao trabalho de cada docente é de suma importância para que o professor prossiga, engajando-se cada vez mais em um projeto que deve ser, ao mesmo tempo, coletivo e individual. 55 3.2.1 O aprendizado do professor diante das tecnologias O conhecimento que o professor dispõe frente às TICs é percebido na ação dos docentes quanto ao uso de ferramentas tecnológicas. Os saberes adquiridos nessa área provocam mudanças no âmbito educacional, o que confirma S. Papert através da parábola. Um grupo de viajantes do tempo de um século anterior, entre eles um grupo de cirurgiões “e outros de professores primários, cada qual ansioso para ver o quanto ocorreram às mudanças em sua profissão há cem anos ou mais no futuro”. Imagine o espanto de os cirurgiões entrando numa sala de tipo de operações de um hospital moderno. Embora pudessem até mesmo ser capazes de adivinhar o órgão-alvo, na maioria dos casos seriam incapazes de imaginar o que o cirurgião estava tentando fazer ou qual a finalidade dos muitos aparelhos estranhos que ele e sua equipe cirúrgica estavam utilizando. Os rituais de antissepsia e anestesia, os aparelhos eletrônicos com seus sinais de alarme e até mesmo as intensas luzes, tão, tão familiares às plateias de televisão, seriam completamente estranhos para eles. Os professores viajantes do tempo responderiam de uma forma muito diferente a uma sala de aula de primeiro grau moderna. Eles poderiam sentir-se intrigados com relação a algumas poucos objetos estranhos. “Poderiam perceber que algumas técnicas-padrão mudaram e provavelmente discordariam entre si quanto a se as mudanças que observaram foram para melhor ou para pior, mas perceberia plenamente a finalidade, assumir a classe.” (PAPERT, 1994, p. 32). A maioria das escolas, nos dias de hoje, ainda mantém seu ensino baseado na oralidade e as salas de aulas disponibilizam quadros brancos com alunos ouvintes, passivos e professores repetidores de teorias reproduzidas nos livros didáticos ao que parece, falta-lhes o entendimento de que os recursos da multimídia, da internet e da realidade virtual, criam condições para o professor arquitetar através de técnicas computacionais de como integrar o computador na sua prática pedagógica, possibilitando a transição de um sistema de ensino com base instrucionista para uma abordagem construcionista voltada para resolução de problemas específicos do interesse do aluno. A opção por uma prática que se funda nessa concepção deve ser orientada a partir de uma nova lógica e uma nova cultura. Uma lógica fundamentada na exploração de relacionamento não excludente e que enfatizem várias possibilidades de encaminhamento das ações, estimulantes da possibilidade de outras relações entre áreas do conhecimento aparentemente distintas. As práticas que se sustentam nessa abordagem, alteram principalmente os procedimentos didáticos, exigindo que o professor se posicione como aliado, um parceiro no sentido de encaminhar e orientar o aluno diante das possibilidades e formas de se relacionar com o conhecimento. Nesse sentido, a dinâmica da sala de aula em que alunos e professores encontramse fisicamente presentes, também se altera. As atividades didáticas orientam-se para 56 privilegiar o trabalho em grupo, em que o professor passa a ser um dos membros participantes. Nestes grupos, o tempo e o espaço são os da experimentação, da pesquisa e da ousadia em busca de caminhos e de alternativas possíveis, de diálogos e trocas sobre os conhecimentos em pauta, de retroalimentação permanente de tudo e de todos. Para tanto, necessário se faz conhecer que papel a tecnologia da informação e comunicação representam no processo de aprendizagem dos docentes e consequentemente, dos estudantes. Segundo Barba et al. (2012, p. 80), “as tecnologias digitais podem desempenhar o papel de ferramentas que permitem aos docentes, na qualidade de estudantes, alcançarem seu potencial de aprendizado”. A implicação dessas ideias nas práticas da escola é evidente. Em particular com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº 9394/96), ao definir a criação de uma política nacional de formação dos profissionais da educação. Dela resulta o Projeto de Formação docente Acordo Brasil – Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (UNESCO), a constituição pelo MEC da Comissão Especial para integração Universidades – Sistemas de Ensino (CEIUSE) encarregado de definir o processo para elaboração da matriz referencial desta política e da elaboração dos “Subsídios profissionalização do Magistério”. Entretanto, a sua ação sofre concorrência no órgão ministerial, uma vez que o próprio MEC apresenta propostas de mudanças no tocante de emissão de Portaria que cria o Esquema I destinado à complementação pedagógica dos portadores de disciplina de cursos superior que não as licenciaturas. Os sistemas educacionais dos diversos estados brasileiros imprimiram mudanças para atender as exigências impostas. O uso da TIC aplicada à educação é um aspecto que está sendo inserido na realidade educacional do Maranhão. A proposta do Projeto Nacional de Informática na Educação (PROINFO) é uma ilustração desse tipo de projeto, que possibilita a ampliação do uso qualitativo e quantitativo das TICs, atingindo um maior número de escolas, dando condições para instrumentalizar para a utilização dessas na prática de ensino dos professores. Com base no pensamento de Doll (1997), acreditamos que o uso das TICs na formação do professor, permitirá atingir novas maneiras de enfrentar e estruturar as atividades a serem desenvolvidas e para lidar com os recursos delas advindos. 3.2.2 O uso de softwares educacionais Os softwares educacionais de que falamos são concebidos de acordo com uma abordagem instrucionista ou construcionista, uma vez que trazem subjacentes as noções de 57 informações programadas, conceitos com precisão, clareza e objetividade fazendo com que o aluno estabeleça com os recursos sensoriais e de multimídia, associações que são reforçadas pelas respostas fornecidas pela máquina, facilitando na memorização das informações e aquisição de novos conhecimentos. Os softwares de um modo geral podem ser classificados de acordo com algumas características: Tutoriais: apresentam instruções para a realização de determinadas tarefas, geralmente possuem pouca interatividade, em consequência da baixa interatividade, deixa o usuário passivo. Exercitação: possibilitam atividades interativas através de respostas a questões apresentadas. O professor pode inicialmente anunciar conteúdos disciplinares na sala de aula e depois efetuar exercitações de alguns conceitos com o auxilio do computador. Investigação: São programas onde podemos buscar e encontrar muitas informações a respeito de vários assuntos, como exemplo as enciclopédias, que proporcionam a localização das informações de forma precisa. Simulação: os softwares simuladores são em geral motivadores para os alunos, pois permitem que os mesmos interajam virtualmente e experimentem situações diversas. Qualquer programa que seja utilizado com o objetivo de proporcionar a aprendizagem, ou seja, para atingir resultados educativos, pode ser considerado um software educacional. Programas como editores de textos, eletrônica, entre outros não foram desenvolvidos com fins educativos, no entanto podem ser, dependendo do uso que deles se faça. A abordagem construcionista propõe o uso do computador para a elaboração de conhecimentos significativos fundamentadas na epistemologia genética piagetiana em que o sujeito e o objeto formam uma totalidade, cuja interação favorece a formação de estruturas mentais complexas e a construção e reconstrução permanente do conhecimento, em ambiente que priorizem a descoberta da aprendizagem. Neste sentido, destacam-se os softwares como editores de desenho, sistema de autoria e linguagem de programação. Cabe lembrar que os softwares educativos englobam uma visão filosófica de ensino e aprendizagem, podendo ser ela empirista, racionalista ou interacionista, pois de acordo com estas concepções, o conhecimento provém da experiência, é anterior a experiência ou resulta da relação sujeito objeto onde a relação acontece de forma horizontal. 58 A opção por uma dessas concepções de aprendizagem direciona o uso da informática na educação. A escolha inadequada por uma delas, poderá reforçar a robotização do aluno e do professor, mas quando adequadamente, pode promover o desenvolvimento intelectual do aluno, ajudando a superar o estágio de desenvolvimento em que a pessoa se encontra, mediante trocas entre o sujeito e objeto da aprendizagem. Trabalhar com informática na educação supõe a opção por um paradigma, ter clareza da proposta pedagógica, social, cultural e política que defende, utilizando o computador como uma ferramenta que venha a propiciar ação/reflexão consistente dos conteúdos de ensino. Ademais, considerar as relações que o homem estabelece na sociedade atentando que a tecnologia, por não ser neutra, tende a obedecer às leis da sociedade em que se insere, repercutindo no fazer da escola. A inclusão da informática, portanto, pode representar para os alunos a realização de atividades mais significativas e também permitir a avaliação constante das aquisições intelectuais com o uso do computador, levando em conta o planejamento de prioridades de atividades que devem ser desenvolvidas. Ao mesmo tempo, compreender que o aluno é dirigente na relação com o computador na elaboração do conhecimento. A inclusão das TICs como meios tecnológicos devem estar a serviço da transformação da realidade do ensino, o que ordena para o professor um novo estilo de comportamento em sala de aula, sem prescindir da participação e intervenção dos gestores, ao garantir ou incentivar a capacitação do professor para desempenhar suas funções com o domínio dos recursos computacionais. Para tanto, se deve ter consciência que uma necessária mudança na escola não se dar por ser uma transformação determinada pela tecnologia, mas por opção fundada numa nova compreensão de ensino e de aprendizagem. Para Valente (1981) ao modificar-se a prática da escola, modifica-se também o papel do professor, de passador ou repassador de informação para mediador-dirigente do processo ensino-aprendizagem. O uso do computador deve ser visto, então, como instrumento de motivação para alunos e professores numa inserção não autoritária, mas com finalidades definidas pelo professor. A utilização da informática na escola como ferramenta, propicia uma melhor qualidade do ensino, mas não deve acontecer de forma mecânica sem ligação com uma abordagem teórica nem como complementação de disciplina nem como mera transmissão de conteúdos. Quando utilizada como ferramenta pedagógica torna o aluno seguro no uso dos softwares no dia-a-dia. Porém, a utilização somente como o enfoque social ou conteúdo tecnológico não possibilita relacionar as ferramentas tecnológicas com o aprendido no 59 cotidiano, como por exemplo, caixas eletrônicos, terminais de consultas de preços nos supermercados, deixa de ter finalidades educativas. As reflexões em torno dessas questões nos indicam pensar em dois importantes pontos de discussão: a educação para a era da informática e a educação pela informática. A primeira, acreditamos ser o que embasa o PROINFO um programa que permite ao aluno tomar conhecimento das novas tecnologias e saber utilizá-las impedindo que essas técnicas o dominem, ou escravize-os. Educar com a informática é, sem dúvidas, por nas mãos do professor a possibilidade de um trabalho mais atrativo e inovador, incluindo realizar tarefas difíceis de serem realizadas. Porém, sabe-se que essa ferramenta por si só, não constitui mudanças para a educação. Portanto, o professor deve criar uma proposta de ação didaticamente planejada para complementar o disponibilizado pelos sites da internet, acrescida do definido nos objetivos a serem alcançados e previstos para o que se pretende estudar e aprender. Magalhães Júnior (2010, p. 123), quanto trata da utilização de um software para pesquisas escolares enfatiza: “A escolha de um software deve considerar os tipos de fonte que estão sendo utilizadas e a facilidade de manuseio da ferramenta por todos que estão envolvidos na coleta, organização e análise dos dados.” No momento atual, as novas tecnologias oferecem através da internet um novo meio de comunicação e expressão que modifica o acesso à informação, diferenciado de outros meios simbólicos ao permitir ao aluno ter um elevado nível de desempenho em suas atividades. A utilização da informática na escola deve obedecer a uma sintonia social, rompendo a distância entre a realidade dentro e fora da escola. Reconhecidamente, a tecnologia educativa tem enfrentado nos últimos trinta anos um caminho de contradições quanto às mudanças de objetivos, manifestando-se de modo não científico por não possuir um sistema de conhecimento próprio que se aplique à prática social, e não demonstre objeto de estudo totalmente definido. De fato, a tecnologia não é a solução dos problemas. Porém, pode-se com ela estruturar sistemas educativos mais eficazes. Diante da realidade em que vivemos o computador na escola não significa meramente um apelo de marketing, uma vez que vem acontecendo de modo mais constante o uso desta máquina, sobretudo nas escolas particulares. Esse fato não deve ser visto somente como um diferencial para dar prestígio a uma escola, mas o que interessa é a sua utilização com fins de atingir objetivos a serem perseguidos pelo professor ao utilizar bem os recursos que os programas da informática oferecem. Referente a essa ideia, Magalhães Júnior (2010, p. 125) destaca: 60 Os sistemas computacionais não resolverão todas as problemáticas que as análises sociais requerem a cada novo desafio de pesquisa, mas podem ser ferramentas de otimização, proporcionando melhor organização das fontes e mais tempo para o pesquisador no tratamento dos dados e na escritura de suas pesquisas. O software, por si, não representa a qualidade positiva ou negativa do trabalho investigativo. [...] ele é uma ferramenta que auxilia. O pesquisador é quem, por meio de seu estudo teórico e metodológico, realiza suas interpretações e atribui sentido à realidade estudada. Notadamente, a informática veio modificar a linguagem e a forma de comunicação na sociedade globalizada, em que o uso de expressões na comunicação e na linguagem deixou de ser específica da área e passou a ser usual, ou seja, imperativo ao recorrermos aos aparatos tecnológicos, facilitadores da troca de experiências entre professores e alunos. Com isso o professor intervém como coordenador do processo ensino-aprendizagem, para tanto ele precisa ser inovador e aberto, para ajudar o aluno a localizar uma informação em rede desconhecida, portanto para mediar o acesso e o confronto das informações. 3.2.3 Informática educacional A globalização como geradora de novas necessidades trouxe para a Informática o desafio de renovação permanente, ordenando uma reorganização dos modos de busca do conhecimento e, por consequência, um reordenamento dos currículos escolares. Articular a didática do professor à informática uma possibilidade de desenvolvimento de habilidades gerais a serem utilizados na pesquisa de métodos e modalidades de verificação diferentes para resolução de problemas, como também ordenar e classificar informação para fins específicos e para replanejamento do próprio trabalho. O trabalho do professor demanda além da posse de uma cultura geral, um esforço contínuo de atualização científica, seja na disciplina que ministra ou em outras áreas relacionadas. O professor precisa articular a cultura geral a especialização interdisciplinar e a busca de conhecimentos conexos com a disciplina que ministra. Todas as disciplinas precisam estar conectadas aos conteúdos e valores sociais que definam a atuação do cidadão. A interdisciplinaridade dos conteúdos supõe decisão, reflexão, criação e descoberta, geradores do poder não centralizados. Embora os professores não sejam uma espécie em extinção, não serão os mesmos, pois a escola exige uma nova atitude em relação ao aluno, aos conteúdos ensinados e ao processo pedagógico. A competência profissional é um dos compromissos políticos que o professor precisa assumir. Acreditamos que para trabalhar bem o conteúdo do ensino o professor precisa ter profundo conhecimento do que se propõe a ensinar. Isso não significa uma postura prepotente 61 que pressupõe uma forma estanque de conhecer. “Ao contrário, o professor que domina o conteúdo é aquele que trabalha com a dúvida, que analisa sua matéria de ensino e é profundamente estudioso naquilo que lhe diz respeito” (FREIRE, 1989, p. 143). Para tanto, não basta modernizar o sistema educacional nem apenas alardear novos métodos e estratégias de ensino. A disciplina Informática deverá favorecer a construção de projetos interdisciplinares de trabalho, subsidiando aos educadores a produzir trabalhos articulados entre si e em consonância com as exigências da comunidade escolar. Por sua vez, “o aluno deve reconhecer a informática como ferramenta para novas estratégias de aprendizagem nas diversas áreas do conhecimento” (BRASIL, 1998). As constantes mudanças no mundo atual provocam barreiras ideológicas, culturais e comerciais, não rapidamente resolvidas. Com a globalização a competitividade se impõe e presencia-se em desenvolvimento o aumento do ensino pela informação e pela mídia e, em especial com o auxílio da Internet, embora sem muita eficácia para garantir um ensino de melhor qualidade. O desenvolvimento de uma consciência crítica que permita ao homem transformar a realidade se faz cada vez mais urgente. Na medida em que os homens, dentro da sociedade, vão respondendo aos desafios do mundo, vão temporalizando os espaços geográficos e vão fazendo história pela sua própria atividade criadora (FREIRE, 2005). Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (BRASIL, 1999, p. 35) vigentes, recomendam e definem competências e habilidades a serem desenvolvidas para a utilização da informática, envolvendo: a) Representação e comunicação Construir, mediante experiências práticas, protótipos de sistemas automatizados em diferentes áreas, ligadas à realidade do estudante, utilizando para isso conhecimentos interdisciplinares; Conhecer a informática como ferramenta para novas estratégias de aprendizagem, capaz de contribuir de forma significativa para o processo de construção do conhecimento, nas diversas áreas. b) Investigação e compreensão Identificar os principais equipamentos de informática, reconhecendo-os de acordo com suas características, funções e modelos; 62 Compreender as funções básicas dos principais produtos de automação do micro – informática, tais como sistemas operacionais, interfaces gráficas, editores de textos, planilhas de cálculos e aplicativos de apresentação. c) Contextualização sócio-cultural Conhecer o conceito de rede, diferenciando as globais, como a Internet, que teria a finalidade de incentivar a pesquisa e a investigação graças às formas digitais e possibilitar o conhecimento com outras realidades, experiências e culturas locais ou comparativas, como a intranets, que teriam a finalidade de agilizar ações ligadas a atividades profissionais, dando ênfase a trabalhos em equipe; Compreender conceitos computacionais, que facilitem a incorporação de ferramentas específicas nas atividades profissionais; Reconhecer o papel da informática na organização da vida sociocultural e na compreensão da realidade, relacionado o manuseio do computador a casos reais, seja no mundo do trabalho ou na vida privada. A LDBEN nº 9394/96, no Art. 36, parágrafo 1º, destaca a informática como realidade que cerca a vida brasileira em todos os ambientes independente da região, abrindo perspectiva para o debate acerca do assunto “domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna”; (BRASIL, 1996). Percebemos que a construção da competência específica do professor relativa ao domínio dos instrumentos informatizados não deve ser isolado do processo de construção de sua competência profissional que é o processo mais amplo. Por isso, a base é o trabalho planejado e interdisciplinar, perseguindo objetivos pré-estabelecidos. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (BRASIL, 1999), há uma necessidade de se romper com os modelos tradicionais, para a construção da cidadania, priorizando, o desenvolvimento da autonomia intelectual e pensamento crítico. 3.2.4 Sugestões metodológicas para o uso de informática educativa A formação do pedagogo orienta-se fundamentalmente pelos conhecimentos advindos do campo pedagógico e das ciências que tratam do embasamento teórico e metodológico que fortalece a prática pedagógica. Tal fato acontece porque são conteúdos que 63 têm como característica explicar e estudar o processo de ensino voltado para um conjunto de conhecimentos, habilidades e valores fundamentais para docência. Esses conhecimentos são basilares para o “saber fazer” do educador. Nesse processo de aprendizagem as estratégias pedagógicas podem favorecer a um ensino reflexivo, programado para que o educando passe da condição de objeto para tornar-se sujeito ativo da busca do conhecimento, sendo o computador um forte aliado. Este permite imediato ajuste e correção e, ainda, que se trabalhe com unidade didática que conduz a modificações no currículo disciplinar, fazer ajustes diversos, diversificar as atividades, torná-las mais atrativas e provocativas. A informática poderá tornar a prática educacional mais produtiva ao trazer uma leitura diferenciada da realidade, recomendar o uso de propostas metodológicas alternativas e a vantagem de proporcionar de forma mais efetiva o envolvimento do aluno nas ações, permite à correção imediata, um relacionamento interativo além de possibilitar uma transformação temporal e funcional entre fala e escrita. O controle da máquina é de quem a opera, assim é possível respeitar o ritmo de aprendizagem do aluno e, também entre outras possibilidades a de permitir diferentes modos de resolver um mesmo problema, oportunizando a integração do pensamento lógico-dedutivo favorecer ao desenvolvimento das capacidades lógicas e criativas do aluno. Nesta perspectiva, a reflexão acontece antes, durante e após a ação e o professor com os conhecimentos da Didática atua como mediador no processo de aprendizagem reduzindo à distância entre o nível real de desenvolvimento do sujeito, no qual ele poderá resolver sem ajuda ou com a ajuda de outros, seus problemas, ou seja, a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) promovendo a elaboração de novos conhecimentos, Vygotsky (1998, p. 112) conceitua como: Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes. Com o uso do computador o aluno visualiza suas construções mentais, estabelecendo uma relação dialética entre o concreto e o abstrato, propicia ambiente de aprendizagem ativa, favorável à analise de teorias e hipóteses. O erro, nessa situação, constitui um objeto de análise, pode oportunizar a reformulação em um processo de reflexão a partir da: Execução reflexão depuração 64 O que podemos caracterizar a partir da concepção de Paulo Freire, que valoriza a dinâmica da ação pedagógica partindo da vivência do aluno, (senso comum) fortalecendo o esquema anterior. Quando pleiteia: Prática teoria prática A reflexão crítica é um ponto primordial que o educador tem que sempre inserir na sua ação pedagógica, pois mediante essa relação se fará uma formação permanente dos professores. Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática (FREIRE, 2010, p. 39). O professor ao vivenciar com os alunos esse ciclo, reflete com eles sobre a ação realizada, ao mesmo tempo testa e levanta hipóteses sobre a prática, faz análises e a intervenção foi adequada e depura sua situação. Dessa forma o professor tem autonomia para vivenciar a sua aprendizagem e de seus alunos, Valente (2002a, p. 93) isso acontece “em um processo de preparação que se desenvolve segundo o ciclo descrição – execução – reflexão depuração”. De acordo com o autor abaixo: A formação adequada para promover a autonomia é coerente com um paradigma de preparação de professores críticos-reflexivos, comprometidos com o próprio desenvolvimento profissional e que se envolvam com a implementação de projetos que serão atores e autores da construção de uma prática pedagógica transformadora. É preciso valorizar os saberes e as práticas dos professores e trabalhar os aspectos teóricos e conceituais implícitos, muitas vezes desconhecidos por eles, além de instituir conexões entre o saber pedagógico e o saber científico (ALMEIDA, 2000, p. 111). Isso nos faz refletir que função do professor é ensinar o aluno a aprender de forma ativa e participativa e este, ensinar o que aprendeu. Nesse momento, o professor tem que “saber fazer”, para poder intervir com qualidade e competência para, exercer o seu papel de mediador, impulsionar o salto qualitativo do aluno, uma ação que exige conhecimentos, habilidades e comprometimento com a prática. Retomando a Freire (2010), concordamos com a sua proposição ao afirmar que é por meio do exercício da reflexão em um nível crítico que o professor poderá transformar suas práticas atuais e melhorar sua futura prática. Nesse aspecto, o discurso teórico se acerca da 65 prática a ponto de ambos se encontrarem. E isso só se torna possível mediante um primeiro movimento de distanciamento desta, a ponto de enxergá-la como objeto de análise própria do professor, para depois dela se reaproximar, num contínuo processo de redimensionamento da atividade docente. Essa abordagem se inscreve dentro de uma concepção dialética de aprendizagem, pois guarda a oportunidade de descoberta da grandeza de aprender a partir dos próprios erros, da própria organização que o aluno realiza enquanto sujeito criativo, reflexivo e produtivo. O professor atua como agente de articulação deve valorizar as necessidades dos seus alunos, utilizando os conhecimentos do dia-a-dia com o uso de todos os meios tecnológicos disponíveis como marco de seu trabalho pedagógico. A ação, enquanto professor mediador é fundamental para exercer o seu trabalho pedagógico de modo científico e intencional. No modelo tradicional de ensino, em geral, o processo educativo restringe-se à transferência de conhecimentos desvinculados das relações sociais, limitando-se a mera reprodução de ideias, e “o professor se torna exatamente o especialista em transferir conhecimento [...]”. (FREIRE, 1989, p. 18). Diferentemente, de tirar proveito dos recursos que a informática propicia, a maioria das escolas utiliza a informática como estratégia de marketing, nesse ponto não se apresenta com potencial de ser uma metodologia que articulada os interesses e necessidades dos alunos e sua integração ao campo social e pedagógico. As informações decorrentes desses ambientes não são isoladas, ou acontecimentos fixos, captados em um instante de mera observação. Eles se dão em um contexto fluente de relações: são “fenômenos” que não se reduzem às percepções sensíveis e aparentes, mas se manifestam em uma complexidade de oposições, de revelações e de ocultamentos. Essa compreensão nos levou a recorrer às entrevistas com sujeitos desta pesquisa na qual o investigado pode expor seu pensamento no que diz respeito a essas questões. A pesquisa aqui delineada se fundamenta na concepção de Chizzotti que afirma: “É preciso ultrapassar sua aparência imediata para descobrir sua essência” (CHIZZOTTI 1991, p. 84). Na tentativa de ultrapassar o que aparentemente é óbvio encontramos o desafio de perquirir novos modelos para a realização de nossas ações docentes. De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, modelo é um protótipo ou exemplo que se pretende reproduzir ou imitar. Não é o que queremos. Entendemos por modelo uma representação planejada de como deve acontecer o uso dos multimeios como ferramenta no processo ensino-aprendizagem que oferece suporte para 66 formação do pedagogo, enquanto docente e mediador do ensino no âmbito da escola de educação básica. Portanto, para a concretização de um modelo que incorpore os usos da informática na educação é importante que se tenha claro que o profissional precisa estar apto para trabalhar como os meios tecnológicos. Inferimos que este profissional deva ter conhecimentos, habilidades e domínios sobre os multimeios não só como recursos tecnológicos, mas como recursos pedagógicos, com possibilidade de proporcionar a dinâmica do processo ensino-aprendizagem. Estes pressupostos estão fundamentados na vinculação teoria e prática que é mediada pela comunicação, na qual Freire (2005) valoriza como dialogicidade, que em seu entendimento é a essência da educação como prática da liberdade. Se nos revela como algo que já poderemos dizer ser ele mesmo: Mas, ao encontrarmos a palavra, na análise do diálogo, como algo mais que um meio para que ele se faça se nos impõem buscar, também seus elementos constitutivos (FREIRE, 2005, p. 89). A teoria oferece suporte para uma prática coerente e organizada e a prática, por sua vez subsidia as teorias. Neste processo, organiza a ação didática dos professores e possibilita ainda a formação do pedagogo, que no momento da ação pedagógica utiliza os multimeios como ferramenta educacional. Ensinar com as novas mídias significa acima de tudo mudança de paradigmas convencionais de ensino que se fundamenta no estruturalismo ou positivismo, até então adotados, que mantém distantes professor e aluno por dar ênfase na educação baseada na transmissão de conhecimentos. A mudança para um paradigma que considere a informática produtora de conhecimentos e o aluno e professor como sujeito ativo e proativo pode-se exemplificar com a internet como um novo meio de comunicação que possa ajudar a modificar formas atuais de ensinar e aprender com criatividade. As ideias aqui apresentadas se inspiram na concepção que valoriza a ação do homem frente ao contexto sócio histórico mediatizado pelo trabalho, fonte de conhecimento e organização da cultura. Portanto, o homem é um possibilitador criativo de mudanças, conforme o seu processo de interação com o mundo. É nessa compreensão que a essência criadora do homem permite que ele entenda que a transformação social passa pela condição de desenvolvimento do homem enquanto ser social e histórico. 67 Após entrevistas com professores e alunos, realizadas neste processo investigativo, sobre suas diferentes concepções pedagógicas, constatamos que embora de maneira tímida, já se manifestam diversas formas de utilização da informática como recursos pedagógicos no processo ensino-aprendizagem, na sua maioria, como meio de motivação didática ou apenas como um instrumento de exposição e não como recurso pedagógico gerador de conhecimentos e habilidades. O modelo que nos referencia é composto de vários mapas conceituais e tem como ponto básico usar os multimeios como ferramenta, sendo fundamental o papel mediador do professor que entende ser o aluno sujeito da aprendizagem. Ademais, sustenta essa ideia a concepção de uma atitude interdisciplinar que tem como pressuposto básico o princípio da dialética – a unidade na diversidade, tendo assim uma relação recíproca possibilitadora do diálogo. Nesse sentido, ocorre uma inter-relação que provoca novas atitudes frente ao conhecimento. Vejamos a seguir proposições que apontam para a criação e implementação de novas concepções para desenvolver ações que envolvem a relação ensino-aprendizagem- professor-aluno-informática. Mapa 1 – Relação ensino-aprendizagem- professor-aluno-informática Professor mediador Professor cria ambiente de aprendizagem: ALUNO PROFESSOR DIDÁTICA INFORMÁTICA A sugestão é que as atividades realizadas no curso das disciplinas para transmissão, assimilação de cada uma, tendo o professor como mediador e facilitada pela utilização da informática dos fundamentos teóricos e metodológicos de cada uma, tendo, o professor, como 68 mediador, e facilitado pela utilização da informática como geradores dos conhecimentos e de habilidades na melhoria da formação do aluno de Pedagogia, tendo como ênfase um trabalho do professor no ensino fundamental. Este mapa direciona a inter-relação professor, aluno, Didática, por exemplo, midiatizada pela ação do professor frente aos meios informáticos. Mapa 2 – Inter-relação professor, aluno, didática Aluno sujeito da aprendizagem. Professor ALUNO INFORMÁTICA O aluno pode ser capaz de executar de maneira autônoma suas atividades se a sua formação mediou neste sentido e os multimeios contribuíram como canal de comunicação para trocas de experiências e produção de conhecimentos que instrumentalizem a prática do professor. Nesta concepção, a relação professor-aluno tem significado importante para a organização de um trabalho em que a educação é um processo de humanização que, segundo Paulo Freire, se fundamenta na relação dialógico-dialética entre educadores e educandos, neste ponto o professor não deve se colocar como detentor do saber, mas numa posição de que sabe, mas não sabe tudo. Portanto, o papel do professor é de dirigente e mediador que busca vinculação entre o seu discurso e sua prática, reconhecendo como sujeito e ator do ato intencional de educar sistematicamente. O mapa seguinte expressa acepção em torno do enfoque pedagógico e social. 69 Mapa 3 – Acepção em torno do enfoque pedagógico e social Um instrumento possibilitador de conhecimento. Conciliações dos enfoques Pedagógicos e Social. Professor Pedagógico Social O importante não é usar a informática somente como instrumento pedagógico, mas entender a função social da escola para direcionar a formação do professor (pedagogo) capaz de atuar frente à sociedade informatizada. Portanto, no processo ensino-aprendizagem deve mediatizar tanto a função social como a função pedagógica. Os meios informáticos não são ferramentas exclusivas da escola, mas pertencem a toda sociedade, a sua dinâmica está intrinsecamente ligada à forma como o homem se relaciona com a natureza. Por esta razão, olhar os multimeios como possibilitador de conhecimento somente no enfoque pedagógico é negar toda a construção histórica do homem. A dinâmica da vida social hodierna faz com que a todo momento o homem se defronte com as demandas do mundo tecnológico. Neste universo a escola tem papel preponderante, uma vez que sua função precípua é sistematizar e organizar os conhecimentos, as habilidades construídas historicamente pela prática social da humanidade e de socializar esses construtos para as novas gerações. Nessa acepção, a escola é concebida como espaço de síntese, como já explicado anteriormente. O modelo abaixo representa o suporte interdisciplinar para o trabalho docente. 70 Modelo 4 – Suporte interdisciplinar para o trabalho docente Modelo básico definido tem suporte interdisciplinar. Interdisciplinaridade. ALUNO DO CURSO DE PEDAGOGIA PROFESSOR DIDÁTICA INFORMÁTICA OUTRAS DISCIPLINAS AS Portanto, no modelo acima apresentado, o aluno ao interagir com um software educativo em interfaces com a máquina, torna-se sujeito de sua aprendizagem com uma compreensão de totalidade, tendo como eixo das reflexões o conteúdo das disciplinas produtoras desses conhecimentos de forma interdisciplinar. Considerando que o computador está presente em praticamente todos os ambientes que os alunos frequentam, o professor pode trabalhar a informática como ferramenta importante para o desenvolvimento dos processos de ensino-aprendizagem. Para tanto, o professor formador deve incluir nas unidades de ensino a discussão sobre recursos do uso do computador e de softwares educativos, avaliando quais os mais adequados e porque os são, após definir na proposta pedagógica da Universidade em relação ao uso da informática por todos os professores, e assim, os alunos devem ser vistos como multiplicadores dentro do ambiente escolar onde atuam. 71 A ideia de trabalho na sala de aula ou laboratório recomenda que dois alunos usem um mesmo computador para que a interação com a máquina não aconteça de modo isolado. A interação com os pares faz com que o aluno se relacione com o outro e com a máquina. Professores, ao falarem de sua relação com os recursos tecnológicos em sua prática na escola, declaram que conduz os alunos ao ambiente de informática e de modo interdisciplinar trabalha com estes alunos através de tema gerador, abordando o “leque” de disciplinas e, também avaliam posteriormente à sua adequação e aplicabilidade. O caráter relativamente novo da inclusão dos meios digitais na escola trouxe inúmeros impasses. Em parte, por falta de uma base teórica e prática de saber aplicar a tecnologia, sobretudo porque o professor não aprendeu a manusear bem a máquina ou a internet no desenvolvimento de estratégias de aprendizagem que contribuam para uma maior eficácia da assimilação dos conteúdos trabalhados. A atuação com modelo interdisciplinar passa também pelo entendimento de como promover a interdisciplinaridade, ou seja, para manter uma inter-relação entre as disciplinas, estabelecendo uma unidade dialética entre os conhecimentos socializados na escola, eliminando barreiras entre as disciplinas e as pessoas. Para melhor explicar esta concepção serão apresentados, como objetivo de atender as metas propostas por este trabalho de investigação, destacando os seguintes passos: Sensibilizar os professores e os alunos de Pedagogia para o uso da informática como ferramenta e sua importância no processo ensino-aprendizagem; Planejar os temas a serem trabalhados de acordo com os objetivos estabelecidos; Estabelecer critérios de avaliação para software educativo, tendo em vista a concepção pedagógica nele contida; Escolher e avaliar os softwares educativos a serem utilizados; Trabalhar com tema gerador, abordando todos os aspectos a serem explorados no ambiente de informática; Estabelecer uma atividade prática usando os multimeios no ensino básico como vista a vinculação prática-teórica-prática; Avaliar as atividades práticas propostas. O projeto “Vamos conhecer o teatro no Brasil” desenvolvido na disciplina Didática, explicitado abaixo, ilustra uma experiência baseada no modelo metodológico 72 proposto, após ter trabalhado os conteúdos conhecimentos disciplinares, neste caso a Didática, ao priorizar uma metodologia de conhecimento específico com uso dos multimeios, compreendidos por: a partir do tema do projeto o aluno navega na Internet conhecendo o teatro no Brasil e no mundo para analisar o contexto histórico, dados geográficos e estatísticos, localização etc. A partir desse estudo investigativo, o aluno produzirá texto sobre o assunto e realiza outras atividades provocadas pelo professor ou mesmo pela curiosidade dos alunos. Assim, professores e alunos vão criando outros modos de aprofundar os estudos sugeridos. O pedagogo que se forma na UEMA se rege por uma proposição de PPP que manifesta preocupação com a valorização do homem enquanto sujeito, propõe desenvolver atividades investigativas e criativas que estejam relacionadas com a essência do homem, em atos que valorizam a relação recíproca dos sujeitos, Os alunos a ela submetidos devem sentirse desafiados a usar os multimeios como ferramenta tanto na sua formação como na sua prática social, tencionando promover a reversão de atos educativos inconsequentes e poucos eficazes para o que os alunos precisam saber para enfrentar as exigências de uma sociedade que está em constante transformação. O trabalho docente deve ter como postulado garantir o planejamento das atividades escolares com propósito de avalizar a aproximação com a realidade dos alunos e de suas experiências dentro da expectativa de que os conteúdos escolares / curriculares tenham sentido em suas vidas, facilitem o seu aprendizado positivamente, possibilitando uma melhor convivência com uma sociedade informatizada e em constante mudança e, ao mesmo tempo, cabe aos seus professores o domínio de estratégias para uma participação ativa neste modelo de sociedade. Neste aspecto professores, alunos, gestores e comunidade em geral tem papel preponderante no processo educativo, para transcender relações excludentes e contraditórias no convívio social. No próximo capítulo convidamos a refletir sobre os saberes docentes para o uso das TICs na educação a partir de depoimentos dos sujeitos da pesquisa. 73 4 SABERES DOCENTES PARA O USO DAS TICS NA ESCOLA: analisando os dados No presente capítulo, discutimos sobre os saberes docentes, contextualizamos aspectos da evolução histórica da tecnologia, abordamos alguns conceitos sobre a temática em estudo, procurando identificar finalidades pedagógicas do uso das TICs e o que aprenderam os professores para utilizá-las em suas práticas. O Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação do século XXI, atribui à educação um papel ambicioso no: [...] no desenvolvimento dos indivíduos e das sociedades, (pois) encaramos o próximo século como um tempo em que, por toda a parte, indivíduos e poderes públicos considerarão a busca do conhecimento, não apenas como meio para alcançar um fim, mas como fim em si mesmo. (Por isso) todos vão ser encorajados a aproveitar as ocasiões de aprender que se lhes oferecem ao longo da vida e terão possibilidade de fazê-lo (DELORS et al., 2001, p. 152). Nesta perspectiva cabe indagar: no processo de formação inicial e continuada do professor, que saberes adquiriram para lidar com a educação deste século, como definido no relatório da UNESCO? Para atingir o que indagamos, enveredamos nos argumentos de alguns teóricos, nos quais os apoiamos, quando categorizam os saberes docentes. Destacam-se: Pimenta et al. (2005), Tardif e Gauthier (2010). Estes têm procurado mostrar a importância de múltiplos saberes na formação para o exercício da atividade docente. Os dois primeiros (TARDIF; GAUTHIER, 2010, p. 482, 483) afirmam que, “O saber do docente é plural [...]”. Pimenta et al. (2005, p. 45) defende que “A formação passa sempre pela mobilização de vários tipos de saberes: saberes de uma prática reflexiva, saberes de uma teoria especializada, saberes de uma militância pedagógica”. Nóvoa (1995, p. 25) assevera que a formação: [...] não se constrói por acumulação (de cursos, de conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re) construção permanente de uma identidade pessoal. Por isso é tão importante investir na pessoa e dar um estatuto ao saber de experiência. Embora os teóricos concebam o saber do professor de forma pluralizada, os definem também de forma diferenciada. Tardif e Gauthier (2010, p. 484) elencam que são diversos os saberes que fundamentam a ação docente. Para eles, os saberes da experiência são os voltados para a prática docente. Para Pimenta et al. (2005, p. 30), “os saberes da 74 experiência são os trazidos da formação inicial, entendida como a que possibilita a aquisição de uma fundamentação teórico-didático-metodológica para o exercício profissional”. A sistematização de Pimenta et al. (2005), privilegia três categorias que delimitam os saberes da docência – a experiência – produzidos pelos professores no seu cotidiano docente, num processo permanente de reflexão sobre sua prática, mediados pelas experiências de outros profissionais. Os saberes da docência – o conhecimento – a relação entre ciência e produção material, produção existencial, sociedade informática. A vinculação do conhecimento de maneira que se torne útil e pertinente, produzindo novas formas de desenvolvimento e progresso. E, por fim, os – saberes pedagógicos remetendo-os à construção de saberes a partir das necessidades pedagógicas postas pelo real. Os conhecimentos ligados ao fazer pedagógico constituem os saberes que são mobilizados pelo professor em sua prática cotidiana. Gauthier (2010) denominam esses saberes de: saber disciplinar aquele produzido pelos pesquisadores nas diversas áreas do conhecimento, conceitos e métodos relativos a uma disciplina; saber curricular é o saber que a escola como instituição seleciona e organiza para ser ensinado nos programas/currículos escolares; saberes das ciências da educação refere-se aos saberes que todo professor adquire durante a sua formação a respeito da educação e do seu ofício; saberes da tradição pedagógica diz respeito ao saber das aulas e estão relacionados com a representação prévia que cada professor tem da escola e adaptados pelo saber experiencial do dia-a-dia da prática pedagógica; saber da ação pedagógica é o saber experiencial dos professores que é testado com pesquisas realizadas em sala de aula; saber experiencial é um saber que se limita às experiências de cada professor em sua sala de aula ao longo da sua carreira, composto por pressupostos não verificados cientificamente. Os saberes aqui discutidos são de uma grande importância para o trabalho docente, considerando sua “heterogeneidade” oriunda das instituições de formação e da situação do corpo docente diante dos pares. Tardif (2011, p.49-50) comenta: O docente raramente atua sozinho. Ele se encontra em interação com outras pessoas, a começar pelos alunos. A atividade docente não é exercida sobre um objeto, sobre um fenômeno a ser conhecido ou uma obra a ser produzida. Ela é realizada concretamente numa rede de interações com outras pessoas, num contexto onde o elemento humano é determinante e dominante e onde estão presentes símbolos, valores, sentimentos, atitudes, que são passíveis de interpretação e decisão que possuem, geralmente, um caráter de urgência. Essas interações são mediadas por diversos canais: discurso, comportamentos, maneiras de ser, etc. Elas exigem, portanto, dos professores, não um saber sobre um objeto de conhecimento nem um saber sobre uma prática e destinado principalmente a objetivá-la, mas a capacidade de se comportarem como sujeitos, como atores e de serem pessoas em interação com pessoas. 75 Podemos perceber que os saberes são construídos no coletivo, seja a partir da prática, da experiência ou mesmo da formação inicial e/ou continuada conforme defendem os autores citados e outros. O saber profissional dos professores é, portanto, na interpretação de Tardif (2008, p. 36), “um saber múltiplo, uma amálgama de diferentes saberes, provenientes de saberes oriundos da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e experienciais”. Baseada no autor, é inconcebível uma classificação para os saberes docentes sem considerar a relação com os diversos saberes e seu uso ou ainda as suas condições de apropriação e construção com suas origens. Tardif (2008, p. 38) comenta que: [...] Além dos saberes produzidos pelas ciências da educação e dos saberes pedagógicos, a prática docente incorpora ainda saberes sociais definidos e selecionados pela instituição universitária. Estes saberes integram-se igualmente à prática docente através da formação (inicial e contínua) dos professores nas diversas disciplinas oferecidas pela universidade. Podemos chamá-las de saberes disciplinares. São saberes que correspondem aos diversos campos do conhecimento, aos saberes de que dispõe a nossa sociedade, tais como se encontram hoje integrados nas universidades, sob a forma de disciplinas, no interior de faculdades e de cursos distintos. Vale ressaltar, a necessidade de o professor ser profundo conhecedor da disciplina que leciona, pois o saber escolar está fundamentalmente articulado ao conteúdo disciplinar, necessitando, portanto, domínio do professor acerca do conteúdo a ser trabalhado. Observamos que os saberes do professor se constroem com o tempo, segundo Tardif (2002) são temporais porque passam por transformações vinculadas às etapas da carreira docente, distinguindo diferentes fases na vida e prática dos docentes. Tardif (2002) caracteriza o saber experiencial como um saber interativo, complexo, prático, existencial e principalmente por influenciar na personalidade do professor, este possibilita ao docente refletir de forma crítica a sua prática, na perspectiva de minimizar as dificuldades existentes, além de que é formado pela junção de outros saberes, porém é transformado e construído no cotidiano docente. Ainda conforme Tardif (2002, p. 273), “[...] quanto mais um saber é desenvolvido, mais se revela longo o processo de aprendizagem”. O saber experiencial também pode ser advindo do saber da prática pesquisadora que a princípio todo professor deveria estar informado. Nessa perspectiva, Freire (1996, p. 29) vem afirmar que: 76 Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer, o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade. O saber experiencial refere-se à vivência do professor, que ao realizar julgamentos privados, acaba elaborando ao longo do tempo uma jurisprudência composta de estratégias, de maneiras de fazer que, apesar de avaliadas, permanecem limitadas na sala de aula. A pertinência da afirmativa de que só ensinamos o que sabemos reforça a compreensão da necessidade de domínio por parte dos docentes dos saberes específicos e pedagógicos que fundamentam a sua prática de ensino. Desse modo, os profissionais que desenvolvem atividades docentes precisam estar preparados para lidar com as situações diversas que permeiam o cotidiano da escola para, conjuntamente, com os alunos produzirem os conhecimentos de que precisam para enfrentar os desafios de uma sociedade complexa, recheada de desafios e em constante transformação. Desse modo, em particular, não pode o ensino da Universidade, de quem mais se espera, ficar limitado à aplicação de técnicas ou de teorias já consagradas. Cumprelhe optar pela construção de novos procedimentos de ação, de outros modos de enfrentar e definir a natureza dos processos formativos, participando da reconstrução permanente dos significados sociais das profissões, dos saberes necessários ao exercício das tarefas a serem realizadas no mundo do trabalho e nas relações que o homem estabelece com os outros homens (SILVA, 2008, p. 51). As demandas desse tipo de sociedade colocam para docentes e discentes que precisam apreender, continuamente, os saberes exigidos para realizar as tarefas próprias de seus mister. Por consequência, para entender que os espaços da escola estão implicados pelas diversas mudanças e pelas interferências que acontecem extra-muros, trazendo-lhe inúmeras consequências. Pois, na escola presentificam-se os problemas que interferem na aprendizagem desde os mais simples aos mais complexos, mas também abundam os que decorrem dos atrasos ou dos avanços tecnológicos, das questões econômicas, políticas e sociais. Se os saberes disciplinares e curriculares não dão conta das demandas dessa sociedade complexa e contraditória, é preciso, então, um conjunto de saberes de que o docente deve se utilizar para organizar sua prática. Estes envolvem um conjunto de saberes mobilizados pelos professores em seu fazer docente, no confronto com as contradições inerentes à sua profissão. Essa definição tem consonância com as ideias de Tardif (2002, p. 223), quando este denomina saber como um: “construto social produzido pela racionalidade 77 concreta dos atores, por suas deliberações, racionalizações e motivações que constituem a fonte de seus julgamentos, escolhas e decisões”. O campo de conhecimento do professor é vasto e múltiplo. Este profissional tem sua identidade constituída de saberes da formação e de saberes da experiência. Os saberes de formação vêm carregados do discurso acadêmico e seguem produzindo conhecimentos que, muitas vezes desconsideram os principais atores envolvidos no processo, ou seja, os próprios professores. Já os saberes da experiência são fundamentados na prática cotidiana e no conhecimento da realidade vivida. Tardif (2002) chama a atenção para o fato de que o ensino provém da história de vida do professor e do seu desenvolvimento durante toda a sua carreira profissional. Ele ainda evidencia a importância dos saberes da experiência, que vão moldando-se no decorrer da história pessoal de cada um. Tais questões são emblemáticas para o alcance de soluções. Porém, não é objetivo desta investigação discutir a busca de soluções. Pois, a sua intenção é direcionar o olhar para os saberes elaborados pelos professores para o uso dos recursos tecnológicos no âmbito do ensino no espaço de sua formação inicial. Fróes (2008) argumenta que os recursos tecnológicos fascinam, mas também nos assustam. Isto é pertinente, pois desde a criação da máquina a vapor, a invenção do computador os hábitos se transformaram e trouxeram intensas mudanças para os diversos setores sociais. Nesse movimento, a multimídia e a internet vêm insurgindo-se nos diversos ambientes educacionais, organizados em aportes instrumentalizadores das atividades desenvolvidas nas relações de trabalho, nos ambientes de estudo, interferindo nas diversas concepções e formas de interpretar o mundo em suas múltiplas relações. Discorrer sobre questões que permeiam a evolução e a conceituação da tecnologia é o caminho que seguimos para uma melhor compreensão desse campo. 4.1 FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS E INFORMÁTICA EDUCATIVA O termo Tecnologia originou-se do verbo grego tictein e significa criar, produzir e téchne, que para os gregos era o conhecimento prático que objetiva um fim concreto. Até a década de 1950, o uso do termo tecnologia abrangia uma crescente gama de meios, processos e ideias, além de ferramentas e máquinas. A partir de então surge um novo conceito, o qual envolve os meios ou atividades mediante as quais os seres humanos tentam mudar. 78 Para Vargas (1994), o significado de tecnologia é bastante vasto, sendo abordado sob vários enfoques, a saber: utilização no sentido de técnica; emprego com referências às máquinas, equipamentos, em sua fabricação ou mesmo desde a sua utilização ao manejo deles, aos aspectos econômicos da tecnologia e seus efeitos sobre a sociedade. O autor define tecnologia como “[...] aplicação de teorias, métodos e processos científicos às técnicas”, e acrescenta que [...] a tecnologia como aplicação científica é característica da sociedade moderna. É um saber aplicado integrante de nossa cultura” (VARGAS, 1994, p. 224-225). Atualmente, vincula-se tecnologia ao “acesso cultural de um povo, condicionada às relações sociais, políticas e econômicas que se constituem em um espaço e num tempo determinado” (SANCHO, 2001, p. 56). Segundo Sancho (2001), as tecnologias podem ser classificadas em três grupos que apresentam as formas como nos relacionamos com o mundo, e como os diversos sistemas produtivos estão organizados. a) Tecnologia Física: são as inovações de instrumentos físicos como: caneta, livro, telefone, aparelho celular, computadores; b) Tecnologias Organizadas: são as formas de como nos relacionamos com o mundo e como os sistemas produtivos se organizam como sistema de produção enxuto; c) Tecnologia Simbólica; engloba os modos de comunicação entre as pessoas, estruturação dos idiomas escritos e falados, a forma como as pessoas se comunicam (SANCHO, 2001, p 27). 4.2 O QUE SÃO AS FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS Todas as formas tecnológicas servem ao processo de transmissão de conhecimento, seguindo a lógica cultural da transmissão de geração a geração. Segundo Filatro (2004, p. 43), a tecnologia da informação e comunicação “é o processo de produção, armazenamento, recuperação, consumo e reutilizado de informações dinâmicas e em constante processo de atualização”. Nessa acepção, tecnologia é o resultado da produção social dentro do conceito trabalhado de cultura digital. De acordo com Tajra (2001), ao escolhermos uma tecnologia, estamos intrinsecamente optando por um tipo de cultura a qual está relacionada com o momento social, político e econômico. Tecnologia aplicada à educação, corresponde aos instrumentos utilizados no processo de ensino e de aprendizagem que, segundo Tajra (2001), são denominados de tecnologias educacionais. 79 4.3 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO COMO APORTE DA FORMAÇÃO DOCENTE Entendemos que o sucesso da prática do professor esteja diretamente ligado à sua formação, às suas experiências individuais e coletivas, aos saberes construídos no curso do desenvolvimento profissional. Ao mesmo tempo, o preparo dos professores na formação inicial ou continuada é possibilidade de construírem um repertório de saberes para lidarem com as diversas situações inerentes ao exercício da profissão. No contexto atual, o domínio dos conteúdos do âmbito tecnológico é condição para que os docentes adotem em suas práticas os recursos dele provenientes, hoje, introduzidos de forma acelerada nos diversos contextos. De modo que, na formação do professor deve ter um espaço em que disponha de aprendizagens dessa área para que se familiarize com recursos da informática e também aprenda utilizá-los em favor da melhoria da qualidade do ensino. O desenvolvimento de uma competência nesse sentido reclama pela organização de ambientes de aprendizagem adequados a esses fins, sem o que não será possível dar conta das tarefas solicitadas pelos avanços tecnológicos crescentes na sociedade atual. Integram-se a esse procedimento a capacidade de estar aberto para aprender, para acreditar que possam assumir projetos cooperativos, interdisciplinares com a aplicação de tais recursos na prática pedagógica. Aprender a conviver com ambientes de aprendizagem diversificados é essencial para que o professor assuma o papel de mediador da aprendizagem do aluno, quando educador e educando são, portanto, sujeitos de um processo em que crescem juntos. Desta maneira, Freire (2004, p. 68) afirma que: [...] o educador já não é mais aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos e em que os “argumentos de autoridade” já não valem. E para ser autoridade, funcionalmente, é necessário estar a favor da liberdade e não contra a mesma. E ninguém educa ninguém e tão pouco educa a si próprio: os homens educam em comunhão mediatizados pelo mundo. Esse entendimento não nega os inúmeros desafios que permeiam as situações de sala de aula ou incitam para a realização de pesquisas que conduzam a lidar com essas realidades. O computador e a internet são recursos para a representação e testagem para articulação entre velhos e novos conhecimentos adquiridos para a construção e assimilação de conhecimentos universais. 80 O acesso a esses recursos poderá seguir programas personalizados em termos de conteúdo, por iniciativa própria ou por orientação do responsável pelas situações de aprendizagem, disponho da vantagem de que o computador libera o aluno das limitações de espaço e tempo. A aquisição de conhecimentos, o seu aprofundamento e a sua aferição podem ser feitos onde e quando o computador estiver disponível. Ademais, tal recurso oferece ainda a vantagem de dar movimento à palavra escrita, deixando de ser estática e imobilizada para sempre com tinta indelével, para adquirir a mesma mobilidade que o vídeo dar à imagem. O computador tanto pergunta quanto responde, nada é permanente e sua presença altera a rotina da escola e de suas práticas. Necessário, porém, se faz que o professor reoriente sua carga horária de trabalho para incluir o tempo de pesquisar sobre as melhores formas interativas de desenvolver as atividades, fazendo uso dos meios digitais disponíveis. De modo que, o computador como recurso educacional deve estar disponível na escola, embora exija dos professores um conhecimento específico da área de informática necessário para que possam usá-lo e adequá-los como suporte de suas aulas. Os microcomputadores podem representar uma possibilidade de lidar melhor e mais eficientemente com alguns tópicos de ensino, auxiliar no processo aprendizagem e no desenvolvimento cognitivo dos estudantes. O uso do microcomputador juntamente com a internet, oportuniza ao aluno e ao professor transformá-los em ferramentas de ensino e aprendizagem não só na escola, mas também fora dela e até mesmo como “prótese”15 para portadores de dificuldade física. Saber pensar e acessar o conhecimento mediado pelas novas tecnologias é habilidade cada vez mais valorizada na sociedade. A tecnologia enquanto ferramenta não é um instrumento que ensina ao aluno, mas que pode ajudar a desenvolver essa tarefa. O uso da tecnologia não é algo novo ou inusitado. Ao analisarmos o passado tecnológico pensamos no barro, ferro, cerâmica, pedra e outros. Se pensarmos no presente, temos a gravação em vídeo ou por computador. As tecnologias em todos os tempos alteram as formas de reter a lembrança, permitindo que o homem armazene e movimente a memória humana em relação a diversos tempos. Portanto, ao invés de meramente coletar informação os alunos podem organizá-las em do que busca. Essas mudanças, com a presença do computador, da internet e o auxílio do 15 Prótese é o componente artificial que tem por finalidade suprir necessidades e funções de indivíduos seqüelados por amputações, traumáticas ou não. 81 professor propiciam condições para o aluno exercitar a capacidade de procurar e selecionar informação, resolver problemas e aprender de modo autônomo. Na atualidade, o acúmulo de informações que ajuda a armazenar contribui para registrar fatos, manter viva as memórias, impondo uma nova ordem nas formas tradicionais de compreender e agir sobre o mundo. É oportuno dizer que mesmo em uma era de pleno crescimento desse campo a primeira oportunidade para muitos professores do ensino básico de se apropriar do computador de maneira a ampliar seus estilos pessoais de ensinar foi o LOGO16 desenvolvido por Papert. Para ele, criador da linguagem LOGO, o computador é o Proteu das máquinas, evocando a figura mitológica grega, o habitante dos mares que podia mudar de forma livre. A metáfora nos mostra o uso diversificado do computador, quando bem utilizado, pode manter o aluno constantemente ativo, possibilitando mudanças de atitude e na solução de problemas. Cumpre lembrar que a linguagem LOGO foi concebida sob as bases teóricas da epistemologia genética de Jean Piaget e, nesse ambiente, o sujeito aprende construindo o seu próprio conhecimento e mais que isso, tem a consciência de que está se desenvolvendo e produzindo saber. Papert (1985) avançou um pouco em relação à teoria piagetiana ao trabalhar em uma perspectiva mais intervencionista, com aspecto claramente educacional. Seu interesse, por um lado, pautava-se nas estruturas mentais em via de se desenvolver, e por outro, no planejamento de ambientes educacionais que estivessem em sintonia com essas estruturas potenciais. A Tartaruga17 foi o recurso utilizado e que melhor atendia a esses dois aspectos, resultando no que ele denominou de “micromundo da tartaruga”18 que é constituído a partir do ambiente de programação baseado na linguagem Logo. O centro micromundo é a tartaruga, objeto controlável que aparece na tela e oferece uma conexão entre o mundo real e concreto e o mundo virtual e abstrato do computador. Os alunos controlam a tartaruga com comandos icônicos que a fazem se deslocar, girar, pausar, desenhar com um lápis, modificar sua aparência e carimbar a sua figura, tocar música e muito mais. O micromundo da Tartaruga permite à criança, com ideais e conceitos, descobrir combinações e conexões, de forma simples, como se estivesse brincando. Ou o que é mais importante, ao trabalhar com LOGO, “a criança constrói os seus próprios micromundos pessoais” (PAPERT, 1985, p. 194). 16 O Logo é uma linguagem de programação que permite aos alunos, através de comandos simples, criarem os próprios mundos virtuais (PAPERT, 1985). 17 Tartaruga é um robô gráfico, na programação Logo, pronto para responder aos comandos do usuário. 18 Segundo Papert (1985), os micromundos servem para descrever ambientes de aprendizagem exploratória que utilizam tartarugas Logo para aprender princípios de geometria. 82 Nesses micromundos particulares a criança ou adulto constituem-se em epistemólogo, na medida em que assumem o controle da sua própria produção, tendo como meio a reflexão e a depuração de suas ideias, sem deixar, contudo, de ser um sujeito psicológico, pois em relação a construção do conhecimento, a motivação, o prazer, a satisfação e o envolvimento são os ingredientes básicos de uma aprendizagem bem sucedida com base interdisciplinar. Os paradigmas de aprendizado embutidos nesses sistemas, isto é, a maneira de se entender o ensino/aprendizado, refletem e situam o contexto educacional vigente à época. A chamada “instrução programada”19 foi a base para os primeiros sistemas e representava uma automatização do processo de ensino/aprendizado consistente com as possibilidades tecnológicas vigentes. Essa classe de sistemas continuou a evoluir, até os dias de hoje, incorporando avanços tecnológicos. A proposta LOGO, por sua vez, se constituiu de métodos fundamentados em concepção inspirada na teoria construtiva em que a assimilação de novos conteúdos tem base nas estruturas cognitivas construídas pelo sujeito através de sua ação sobre o meio social, proposta considerada a mais acessível, para a educação no século XX. A articulação entre linguagem e pensamento é produzida continuamente. São as palavras que permitem fazer classificações, seriações e multiplicações. A aprendizagem da linguagem de programação não deve ter influência essencial no desenvolvimento da inteligência, o uso de determinadas linguagens ajuda o aluno adquirir certa disciplina de raciocínio. Vejamos o que diz Piaget (1972, p. 23), a este respeito Sem dúvida, a linguagem representa uma condição necessária para a construção das estruturas lógicas, pelo menos no nível das estruturas proporcionais, mas não constitui condição suficiente de formação, menos ainda do que concerne às estruturas lógico-Matemáticas mais elementares. O computador ao ser utilizado pelo aluno permite a integração entre os conteúdos e a forma como o aluno os estrutura, promovendo o desenvolvimento de novas e mais complexas estruturas de pensamento. O aluno, a partir de um determinado tema realiza pesquisas na internet, interage com o seu contexto, assimilando as informações pertinentes aos seus interesses. 19 Instrução programada, segundo Wikipédia – a enciclopédia livre, é o nome da mais conhecida aplicaçãoeducacional desenvolvida por Burrhus Frederic Skinner, psicólogo, nascido nos Estados Unidos em 1904. Consiste em dividir o material a ser ensinado em módulos, ou seja, pequenos segmentos logicamente encadeados. 83 Tanto o pensamento político-pedagógico de Paulo Freire e a teoria Histórico – Cultural de Vygotsky na qual as “funções psicológicas superiores”20 têm origem social, partem da premissa de que o homem é um ser social por natureza, um produto de história social e sujeito ativo das relações sociais respaldam essa perspectiva de ensino 4.3.1 Tecnologia da informação e da comunicação Em se tratando de educação tecnológica, não encontramos um consenso quanto ao seu significado. Bastos (1998, p. 34) entende que a educação tecnológica “segue os caminhos das inovações não como descoberta em si, mas como busca de compreensão dos novos papéis e funções que o homem tem na sociedade, oriundos, por sua vez das novas relações sociais”. Neste sentido, concordamos com Bastos ao referir-se a função da escola de ser agente permanente da aprendizagem do homem, com capacidade de estimular ações que favoreçam a formação dos que aprendem. Nessa perspectiva as TICs são mediadoras e, potencialmente, instrumentos provocativos do querer aprender, do acesso à informação e ao conhecimento de modo mais prazeroso. 4.3.2 Concepções de aprendizagem na informática Todo processo de aprendizagem respalda-se em uma matriz teórica que o alimenta. Isso remete a compreender que a teoria implícita neste referencial, embora o professor não perceba claramente a concepção teórica a que se filia ela orienta a sua prática. No confronto de teoria e prática se pode perceber a contribuição da concepção que subjaz o seu entendimento de mundo. De modo que, para entender as concepções de aprendizagem que subsidiam o fazer docente, é necessário refletir sobre a prática pedagógica do professor, levando em consideração os valores que este professor traz como também a concepção político-pedagógico que fundamenta sua formação. 20 São funções de origem social; estão presentes somente no homem; caracterizam-se pela intencionalidade das ações, que são mediadas. Elas resultam da interação entre os fatores biológicos (funções psicológicas elementares) e os culturais, que evoluíram no decorrer da história humana. Dessa forma, Vygotsky considera que as funções psíquicas são de origem sociocultural, pois resultaram da interação do indivíduo com seu contexto cultural e social. As funções psicológicas superiores, apesar de terem sua origem na vida sociocultural do homem, só são possíveis porque existem atividades cerebrais. Ou seja, essas funções não têm sua origem no cérebro, mas não existem sem ele, pois se utilizam das funções elementares que, em última instância, estão ligadas aos processos cerebrais. 84 Muitas das concepções que embasam as práticas docentes dos profissionais da educação são adquiridas por meio da comunicação, mensagem comunicada, exposição oral, texto escrito linear ou texto não linear, como fruto de suas aprendizagens. O aprender com a utilização de um meio digital de ensino requer uma reestruturação nos demais meios e um questionamento acerca de como cada um desses meios afeta os alunos no sentido de despertar-lhes curiosidade para buscar informações, além de prazer, desejo de compartilhar o conhecimento com outras pessoas, de construir, de olhar sobre o mundo fora do espaço da escola. No âmbito escolar, vários são os fatores que interferem nos resultados esperados em relação ao que os professores ensinam. Destacam-se as condições estruturais da instituição de ensino, as condições de trabalho dos docentes, as condições sociais dos alunos, os recursos didáticos disponíveis. Associam-se, também, as estratégias de ensino utilizadas pelos docentes com fim de motivar e envolver os alunos no seu aprendizado, considerando as possibilidades de múltiplas vivências de conhecimento pelo uso de alguns meios digitais de comunicação. Cabe esclarecer que os meios de comunicação, são instrumentos que auxiliam o professor e alunos a receber ou transmitir informação, ajudando no diálogo com o outro, além de permitir que nos comuniquemos com as pessoas em maiores distâncias em menor espaço e tempo. A missão do professor no exercício de sua atividade docente é ”transmitir ao aluno, o que a humanidade já aprendeu acerca de si mesma e da natureza, tudo o que ela criou e inventou de essencial” (DELORS et al., 1998, p. 19). Porém, com as precariedades dos sistemas educativos, em destaque nos países mais pobres, essa missão se torna difícil de ser cumprida. O avanço tecnológico e a naturalização das fortes alterações comportamentais, sobretudo dos jovens, aumentam a tensão na busca de alternativas metodológicas que possam atrair os estudantes para o mundo do saber, o qual exige certo rigor e disciplina. Neste sentido, a criação de ambientes de aprendizagem que garantam a construção e reconstrução do conhecimento, implica em reestruturação do processo de formação dos docentes para o alcance de competências para que possa atender as demandas do exercício profissional, comprometidos não com a reprodução, mas com a construção conhecimento, com o aprender a aprender e a empreender; atuando de modo a atender os interesses dos alunos desenvolvendo projetos cooperativos, assumindo postura investigativa diante do que precisam conhecer, Pois, na sua função de mediador cumpre romper com as práticas tradicionais, atentando para uma ação interdisciplinar envolvendo fatores afetivos e sociais, convergindo para o que Pierre Lévy chama de aprendizagem cooperativa. Nessa perspectiva, ressalta o autor: 85 Os professores aprendem ao mesmo tempo em que os estudantes e atualizam continuamente tanto os seus saberes 'disciplinares' como suas competências pedagógicas... a partir daí, a principal função do professor não pode mais ser uma difusão dos conhecimentos, que agora é feita de forma mais eficaz por outros meios. Sua competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento (LÉVY, 2004, p. 171). As novas tecnologias indiscutivelmente não substituem o professor, mas interferem modificando algumas de suas ações. De modo geral, o professor é acima de tudo um estimulador da curiosidade do aluno para querer conhecer, para pesquisar, para buscar informações. Portanto, também lhe cabe coordenar avaliar os resultados do processo de apresentação dos resultados estando distante ou próximo dos alunos. Assim, questiona, reforça resultados apresentados, contextualizando-os, portanto age como interlocutor entre eles e a realidade. Longe ou distante pode receber mensagens via e-mail, passar informações complementares para adaptar os estudos ou a aula ao ritmo de cada um. Assim sendo, o processo de ensino-aprendizagem ganha dinamismo, inovação e poder de comunicação, até agora em muitas das escolas subutilizados, ou pouco disponíveis para uso. Os recursos tecnológicos não devem ser encarados apenas para dizermos que somos atualizados frente as inovações tecnológicas, mas instrumento capaz de propiciar o desenvolvimento intelectual e o pensamento reflexivo, exigindo que o professor saiba utilizálo, escolhendo métodos adequados para a sua utilização. A incorporação de mudanças no modo de conhecer e aprender os conhecimentos produzidos com a interferência dos recursos digitais, usados nas diversas disciplinas do currículo de modo não fragmentado, exige um preparo dos professores para que aprendam a utilizar adequadamente esses meios. É com o domínio desses saberes que o professor poderá estar criando efetivo ambiente de aprendizagem, capaz de conduzir o aluno à descoberta e a construção do conhecimento, através dos softwares utilizados em que o professor assume o papel de mediador da criação de ambientes interdisciplinares de aprendizagem. Pensamos que seja o referencial teórico construcionista, de acordo com a concepção defendida por Seymour Papert, que o professor promova uma aprendizagem que tenha a preocupação de o aluno construir o seu conhecimento num ambiente que o desafie e motive à elaboração de conceitos. O professor como mediador e dirigente da aprendizagem significativa cabe trabalhar articulado com interesses e necessidades de seus alunos, principal sujeito da aprendizagem. A importância da colaboração de um ambiente computacional adequado à produção do conhecimento torna-se necessário, devendo constituir-se em ambientes livres e 86 abertos ao diálogo. A interação entre os parceiros quando sentados ao lado do computador para desenvolver atividades de pesquisa juntamente com outros colegas uma oportunidade de gerar uma grande equipe que busca a produção individual e coletiva do conhecimento, constantemente. Através disso tudo o aluno ganhará mais confiança para produzir algo, criar mais livremente, sem medo dos erros que possa cometer, aumentando sua autoconfiança, sua autoestima, na aceitação de críticas, discussões de um trabalho feito pelos seus próprios pares. 4.3.3 Informática educativa: computador e internet Quanto à informática educativa compactuamos com Valente (2002a) quando define como a que é aplicada a educação com a utilização pelo professor, em uma disciplina curricular, dos potenciais educacionais do computador e da internet ao alternar adequadamente, atividades não informatizadas de ensino e de aprendizagem a outras atividades que usam computador. Para ele, antes de se utilizar o computador em qualquer uma de suas formas, é preciso ter clareza do potencial que possui, das vantagens e desvantagens de seu uso. Textualmente afirma: Importante lembrar que a diferente modalidade do uso do computador na educação vai continuar coexistindo. Não se trata de uma substituir a outra, como aconteceu com a introdução de outras tantas tecnologias na nossa sociedade. O importante é compreender que cada uma destas modalidades apresenta características próprias, vantagens e desvantagens. Estas características devem ser explicitadas e discutidas de modo que as diferentes modalidades possam ser usadas nas situações de ensinoaprendizagem que mais se adéquam (VALENTE 1993, p. 27). De acordo com o autor citado, o termo informática na educação refere-se a inserção dos recursos da informáticas através do computador e da internet no processo de aprendizagem para introduzir e desenvolver os conteúdos curriculares em todos os níveis e modalidades de educação. Nessa acepção, a informática pode ser utilizada como ferramenta educacional que auxilia ao professor para exercer a condição de mediador de uma aprendizagem que precisa ser autônoma e criativa do aluno, embora subsidiado pela concepção que tenha do uso dessa ferramenta e de suas finalidades. Em se tratando da Internet, Castells (2003, p. 34), considera que “é um meio de comunicação que permite intercâmbio de muitos com muitos, num momento escolhido, em escala global” e que permite o diálogo com culturas diversas. E ainda, na sequência ressalta que, “a cultura é um conjunto de valores e crenças que formam o comportamento” 87 (CASTELLS, 2003, p. 34). Concordamos com o autor ao evidenciar o uso da internet relacionado à questão cultural, como uma forma de comunicação através de ícones, ruídos e outros códigos que expressam a maneira cultural de diversos povos. Entendemos, portanto, que os sujeitos participantes, neste caso, professor e aluno, através desse recurso, podem interagir com outros conteúdos, com realidades diversas e com outras formas de ensinar e aprender. O acesso à internet facilita a participação no mundo digital ao disporem de ambiente colaborativo com condições físicas e materiais, capazes de garantir as condições para o uso adequado de tal ferramenta. 4.4 CONTEXTUALIZANDO O UNIVERSO DA PESQUISA Nesta sessão procedemos uma incursão pelo espaço da investigação, apresentamos o lócus e os sujeitos da pesquisa, dialogamos com os entrevistados, refletimos sobre nossas interpretações e compreensões nesta caminhada. O Maranhão é o segundo Estado brasileiro em extensão territorial da Região Nordeste, ocupando uma superfície de 333.365 km², tem 80% de seu território na Amazônia, o que lhe confere condição de zona de transição – meio norte. Conta com 217 municípios, dos quais Caxias é o terceiro mais importante do estado em termo de contingente populacional, economia e estrutura social. Ocupando uma área de 5.151 km², a população economicamente ativa de Caxias, em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 155.129 habitantes dos quais 54% se encontram no setor primário, 13% no secundário e 33% no terciário, o que mostra ser sua economia essencialmente baseada na agropecuária. O Censo Escolar no ano de 2010 mostra que o município de Caxias dispunha de um total de 322 escolas, assim distribuídas: 89% pertencem à rede municipal de ensino, o que equivale a 285 unidades escolares; 8% pertencem à rede estadual de ensino, o que corresponde a 27 unidades escolares; 3% pertencem à rede particular de ensino que representa 10 unidades escolares. Dentre as unidades escolares pertencentes à rede municipal, 32 estão localizadas na área urbana, o que equivale a 11%. Encontram-se ainda, no município de Caxias, 28 unidades escolares comunitárias conveniadas com a Secretaria Municipal de Educação e 03 centros de Ensino Médio. Na rede municipal de ensino existe um contingente de 1.484 professores, deles 341 possuem curso superior (Licenciatura), 1006 pós-graduados (Especialização), 20 cursaram magistério em nível de Ensino Médio. São 80 professores em processo de formação 88 cursando licenciatura e 40 possui o Magistério e estudo adicionais21. Na realidade educacional brasileira, é inadmissível a existência de professores sem formação para uso dos multimeios, já que as exigências por educação primam por uma educação que favoreça a construção de valores e a busca da cidadania plena. Na sociedade maranhense e, particularmente caxiense, historicamente marcada por uma geração em mudanças, é inconcebível que no terceiro milênio o profissional de educação não tenha acesso à informática. As políticas de educação asseguradas na LDB nº 9394/96 têm demonstrado interesse no desenvolvimento de uma escola de qualidade, para tanto implantou o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO), criado pela Portaria MEC nº 522, publicada em 09/04/1997, inserida no conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da ação pedagógica do professor na sala de aula. O referido programa amparou-se nas disposições previstas na Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9.394/96), especialmente no Art. 35, Inciso IV, ao determinar que o ensino médio, “etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina” (BRASIL, 1996). Neste sentido, o programa acima anunciado teve como finalidade disseminar o uso pedagógico das novas tecnologias nos estabelecimentos de ensino da educação básica pertencentes às redes estadual e municipal. Como resultante dessa política o Núcleo de Tecnologia Educacional na cidade de Caxias-MA recebeu equipamentos de última geração, Internet, dois laboratórios de informática, um composto de dez computadores conectados a internet, uma impressora e o outro composto por 17 computadores, também conectado à internet, com recursos humanos qualificados, uma vez que todos foram capacitados em Informática Educativa22. Este núcleo desenvolve suas atividades voltadas para a capacitação dos professores dos estabelecimentos de ensino. 4.5 CONHECENDO OS SUJEITOS PARTICIPANTES DA PESQUISA Os procedimentos utilizados para análise dos dados partiram dos questionários aplicados e na sequência a realização de entrevistas com os egressos do Curso de Pedagogia 21 Curso Normal, também conhecido como Magistério de 1° grau ou Pedagógico é um tipo de habilitação para o magistério nas séries iniciais do ensino fundamental. Era um curso secundário, equivale nos moldes atuais, a um curso profissionalizante em três anos. Por opção, o professor podia complementar em mais um ano, o chamado quarto normal, também chamado de Estudos Adicionais, em uma área específica que o habilitava a atuar até a 6ª série (atual 7º ano). 22 Neste Programa, os equipamentos foram adquiridos através de convênio entre MEC e Secretaria Estadual de Educação. 89 do CESC/UEMA, professores das disciplinas Multimeios aplicados à Educação e Didática do CESC e multiplicador do PROINFO. Como forma de proteger os sujeitos da pesquisa, eles recebem, neste trabalho, nomes fictícios23. Quadro 4 – Egressos do Curso de Pedagogia Sujeitos Formação Malva do reino Pedagogia Hortelã Pedagogia Alecrim Pedagogia Cidreira Pedagogia Alfazema Pedagogia Mate Pedagogia Fonte: elaboração da autora. Enquadramento Funcional Professor de Didática (CESC/UEMA). Professores da Educação Básica Professores da Educação Básica Multiplicador do NTE/Caxias Professores da Educação Básica Professor de Mulltimeios aplicado à Educação (CESC/UEMA) Complementam esses dados os resultados da pesquisa realizada em 1999, quando discutimos sobre as práticas metodológicas dos multimeios, como ferramenta educacional, na disciplina Didática no curso de Pedagogia. A mesma teve como objeto de estudo “a utilização dos multimeios na formação do professor”. O objetivo geral era analisar as práticas metodológicas dos multimeios, como ferramenta de aprendizagem, na disciplina Didática do curso de Pedagogia e, como objetivos específicos identificar as práticas adotadas, pelos professores de Didática, para trabalhar com os multimeios no curso de Pedagogia; e sugerir uma metodologia para uso dos multimeios, como ferramenta educacional, na disciplina Didática. O universo pesquisado foi composto por professores do CESC/UEMA da disciplina Didática, Multimeios aplicados à Educação, e alunos do 8º período do Curso de Pedagogia, cursando as referidas disciplinas e com os multiplicadores do NTE/MA (Caxias-MA). Naquela época foi desenvolvida uma pesquisa empírica de caráter descritiva e interventiva com propósito de vivenciar uma realidade sobre o uso dos multimeios na disciplina Didática e por fim, intervir com uma sugestão metodológica para uso dos multimeios em sala de aula visando uma melhoria do processo ensino aprendizagem. Hoje, doze anos após o desenvolvimento daquela pesquisa, voltamos a investigar (2012), sobre as mudanças ocorridas na atuação dos egressos do Curso de Pedagogia, hoje, docentes de escolas públicas. Retomamos os resultados desse estudo para investigar sobre os saberes profissionais que utilizam os egressos do Curso de Pedagogia do CESC/UEMA, para trabalhar informática, em sua prática docente na educação básica. 23 Utilizamos para nomear os sujeitos da pesquisa, nomes fictícios de ervas medicinais que ajudam na prevenção e/ou cura de doenças. Hortelã, Malva do Reino, Mate, Cidreira, Alecrim e Alfazema. 90 As entrevistas realizadas com os participantes da pesquisa, professores do Centro de Estudos Superiores de Caxias todos egressos de cursos do CESC/UEMA, tiveram objetivos de investigar sobre os saberes adquiridos no processo formativo para a utilização da informática em seu trabalho docente. No transcurso deste tópico transcreveremos algumas de suas falas por nos permitirem conhecer o que pensam esses docentes sobre seu (des) preparo para lidar com os recursos da informática. De início, destacamos quando falam de suas relações com a informática no contexto da formação ao afirmarem: Minha convivência com as TIC foi de forma superficial em minha formação inicial, Como trabalho muito com projetos, senti grande necessidade de saber lidar e articular esses conhecimentos informáticos, busquei nos cursos de formação continuada, pagando do meu recurso, fui aprendendo com a necessidade e a prática da docência (Malva do Reino). Apesar de ter participado de vários cursos oferecidos pelo PROINFO-MA, não adquiri saberes pedagógicos voltados para o uso das TICs, me senti perdida nessa área, busquei em leituras e com os próprios alunos fui acumulando alguns saberes que me estimularam a buscar mais conhecimentos (Alfazema). Em suas declarações ambos os sujeitos retrocitados não reconhecem que a formação inicial tenha contribuído para a aquisição de saberes necessários ao desempenho profissional. Fora deste espaço está a referência para a aprendizagem desses conhecimentos. A formação continuada aparece como relevante para as aprendizagens da área da informática. Desse modo, destacam-na como o lócus mais importante para o que aprenderam. De acordo com os dois depoimentos, a apropriação da competência para o uso da informática se deu muito mais por iniciativa própria, devido à necessidade dos sujeitos, do que por meio da formação inicial. Mediante o teor de seus depoimentos, cabe indagar: que competência tem esses docentes para desenvolverem propostas de ensino que envolvam conhecimentos da informática? A pertinência do argumento de que não se ensina o que não se sabe pode explicar e justificar porque professores não utilizam os conteúdos da informática em sala de aula, mesmo dispondo de recursos tecnológicos na escola. Atribuir-lhes responsabilidades, ao que nos parece, é uma incoerência, pois tais conteúdos não fizeram parte de seus currículos de formação. Aprender com alunos é próprio da relação professor-aluno nos ambientes de aprendizagem. Porém, neste caso, do que compreendemos, considerando a especificidade de um conhecimento ainda cheio de dúvidas (o campo da informática), não é plena a sua aplicabilidade, cabendo aos docentes mediarem os estudos dos aprendizes, atuando como seu planejador, organizador e dirigente. Condição prejudicada mediante esse agravante. 91 Argumentando a esse pensamento, Almeida (1998, p. 2-3) afirma que: Para que o professor tenha condições de criar ambientes de aprendizagem que possam garantir esse movimento (contínuo de construção e reconstrução do conhecimento) é preciso reestruturar o processo de formação, o qual assume a característica de continuidade. Há necessidade de que o professor seja preparado para desenvolver competências, tais como: estar aberto a aprender a aprender, atuar a partir de temas emergentes no contexto e de interesse dos alunos, promover o desenvolvimento de projetos cooperativos, assumir atitude de investigador do conhecimento e da aprendizagem do aluno, propiciar a reflexão, a depuração e o pensar sobre o pensar, dominar recursos computacionais, identificar as potencialidades de aplicação desses recursos na prática pedagógica, desenvolver um processo de reflexão na prática e sobre a prática, reelaborando continuamente teorias que orientem sua atitude de mediação. À escola, aos gestores e professores, no que lhes afeta, cumpre envidar esforços para superar lacunas quanto à subutilização das TICs como recurso facilitador da aprendizagem, seja através de mudanças nos currículos escolares, no desenvolvimento de ações que visem à obtenção e aplicação de informações que circulam na internet e em suas redes sociais por meio do computador. O que não garante o uso desses recursos porque existem diversos entraves que dificultam a utilização das novas tecnologias no cotidiano. Nas observações procedidas junto aos alunos de Pedagogia do 8º período, da pesquisa anterior (1999), durante as atividades desenvolvidas com o uso dos multimeios na disciplina Didática, no momento de execução das aulas, demonstraram, que apesar de já terem cursado as disciplinas Introdução à Ciência da Computação, Informática e Multimeios Aplicado à Educação, ainda havia muitas dificuldades em trabalhar com o referido recurso tecnológico enquanto ferramenta de aprendizagem. Esta análise foi fundamentada em 08 observações. Atualmente, ao retornarmos a pesquisa pensamos ser importante indagar agora o que mudou no contexto do uso das TICs na formação do professor, bem como, dos saberes dos docentes para utilização das TICs como auxilio no processo ensino aprendizagem, considerando o interstício existente entre a realização do primeiro estudo (1999) e o atual (2012). A aula com mídias é muito interessante, mas a mídia chama mais atenção do que o conteúdo, porque o professor expõe a aula, mas não faz intervenção e nós não interagimos (Hortelã, 1999). O que aprendi na graduação acerca das TICs, me ajudou muito, mas não o suficiente para eu desenvolver um bom trabalho, tive que fazer outros cursos, buscar novos conhecimentos, trocar ideias com outros professores e as vezes até mesmo com os alunos (Malva do Reino). Trabalho e gosto das TICs em minha prática, só que é muito difícil, na Faculdade não dar tempo para muita coisa, na escola os recursos são reduzidos e/ou escondidos, tive que buscar outros conhecimentos na vida, comecei a perceber que os meninos estavam além de 92 mim, muitos tinham acesso à informática, aí para aproveitar o potencial deles, resolvi montar um projeto de informática na minha disciplina de Português, nesse momento senti falta de saber para esse campo. Procurei ajuda no NTE, fiz curso e deu certo. Acho que a graduação deveria preparar melhor (Hortelã, 2012). Com base nos depoimentos acima, podemos perceber que tanto na pesquisa anterior, (Hortelã, 1999), como na pesquisa atual, Malva do Reino e Hortelã (2012), demonstraram, em seus depoimentos, a lacuna do conhecimento, no que diz respeito às TICs enquanto ferramenta de aprendizagem, tanto na formação inicial, como também na formação continuada. Dessa forma, podemos dizer que a utilização das TICs na formação de docente, deve ser fundamentada em concepções de educação que considere não só o utilizar como recurso mas, utilizar de forma reflexiva. A respeito disso, Valente e Almeida (1997, p. 14) afirmam que: A formação do professor deve prover condições para que ele construa conhecimento sobre as técnicas computacionais, entenda por que e como integrar o computador na sua prática pedagógica e seja capaz de superar barreiras de ordem administrativa e pedagógica. Essa prática possibilita a transição de um sistema fragmentado de ensino para uma abordagem integradora de conteúdo e voltada para a resolução de problemas específicos do interesse de cada aluno. Finalmente, deve-se criar condições para que o professor saiba recontextualizar o aprendizado e a experiência vivida durante a sua formação para a sua realidade de sala de aula compatibilizando as necessidades de seus alunos e os objetivos pedagógicos que se dispõe a atingir. Analisando o questionário aplicado aos egressos do curso de Pedagogia, hoje, docentes da rede pública, podemos observar que 100% acham necessária a inclusão da informática como componente curricular no processo de formação do pedagogo. Reconhecem igualmente que o computador jamais substituirá o professor. Vejamos o que dizem: Acho necessária a capacitação dos professores para atuarem com a informática educativa. A informática educativa refere-se ao uso didático dos equipamentos, portanto é mais complexo do que utilizá-los administrativamente. Requer fundamentação teórica e mudanças de paradigmas (Malva do Reino). Acho importante a inclusão do uso das TICs na Matriz Curricular no curso de formação inicial do professor, para que possa inserir em sua prática, incorporado a uma concepção filosófica, visando aprendizagem dos alunos para que estes possam refletir sobre seu uso, retirando proveito desse instrumento no seu campo de ação, eu, por exemplo, utilizo para incrementar a aula, mas não faço fundamentada em concepção, por falta de conhecimento, vou inventando (Mate). As professoras reconhecem a importância do uso das TICs como ferramenta didática defendendo a inclusão desse conhecimento na matriz curricular dos cursos de formação. Porém, expressam o não domínio desses saberes, por isso reconhece que o utiliza para fundamentar a aula, mas não se fundamenta em concepções teóricas, por falta de conhecimento. 93 Diferentemente, há ainda entre os professores entrevistados os que têm conhecimentos de informática, sendo dois (02) professores especialistas em Informática na Educação, um professor que trabalha com a disciplina Informática e Multimeios Aplicados à Educação o CESC/UEMA, afirmam ter um conhecimento técnico sobre computação e conhecimento significativo em tecnologia educativa voltada para TV e vídeo. Porém, nenhum destes (100%) desenvolve atividades fundamentadas em uma concepção voltada para o uso da Informática aplicada no processo ensino/aprendizagem. Entre estes os que argumentam: As turmas são numerosas, existe uma variação pela quantidade de alunos existentes, embora não me baseie em concepção de Informática educacional, quando a turma é pequena, faço um trabalho legal no laboratório, mas às vezes a burocratização atrapalha, tenho que obedecer ao tempo aí não dar para fazer quase nada, a reflexão sobre o feito (Cidreira). Na fala da professora está explicita a esporadicidade do uso da informática, portanto não cumpre um programa com essa finalidade. A sua prática com informática se desenvolve de forma não sistemática e acusa a burocracia por esta razão, mas argumenta que este fato encontra justificativa na quantidade numerosa de alunos na sala de aula, no tempo. No momento atual, há consenso de que a participação na sociedade e na atividade econômica exige domínio de diferentes modos de comunicação, de compreensão do uso de tecnologias modernas no processo de aprender a aprender. E isso exige políticas de universalização do ensino e a garantia de um mínimo de uso dos recursos tecnológicos. No CESC/UEMA, os dados indicam um grande distanciamento da legislação educacional (LDB nº 9394/96), pois os alunos do curso de Pedagogia ao serem questionados sobre o uso de recursos tecnológicos no exercício de suas atividades, 100% destacaram que os meios de comunicação e informação utilizadas por eles são a televisão, revistas e livros, somente 7% usam o computador como meio de comunicação (APÊNDICE F). No que se refere à ordem de prioridade dos meios de comunicação e informação, ficou evidenciado que 100% dos egressos do curso de pedagogia que responderam o questionário, têm a televisão como meio de comunicação mais importante. Outro ponto que merece destaque é que 80% dos alunos entrevistados colocaram o livro em quarta (4ª) posição na ordem de prioridade, fato que indica ser o livro um recurso utilizado com pouca frequência no processo ensino/aprendizagem, contrapondo-se ao que afirmaram (05), no item dois do questionário (APÊNDICE F), quando destacaram o livro como um recurso utilizado como meio de comunicação (APÊNDICE F). 94 Na análise dos dados coletados junto ao corpo docente, verificamos que embora as TICs ainda não se encontrem incorporadas à prática docente, é importante que o professor passe por um processo de formação continuada para atuar com a informática educativa. Também nos resultados ficou evidenciada a denúncia da falta de uma infraestrutura ou de manutenção dos equipamentos por parte do poder público. Mas reconhece que por falta de formação termina trabalhando somente a teoria, “mesmo sem saber,” diz a professora. Defende a importância da formação para esse fim, além de ser importante que o professor entenda a filosofia e a ideologia subjacente a essa tecnologia. Acho complicado utilizar às TICs no processo ensino aprendizagem pela falta de estrutura, coisa pública. A manutenção depende de vários processos, acaba se trabalhando mais teoria, mesmo sem saber, por falta de formação, e os alunos terminam aprendendo mais fora da Instituição do que propriamente, e na Instituição (Cidreira). Quanto à utilização dos meios de comunicação, ficou claro que somente 12% dos professores entrevistados usam o computador, mas 100% utilizam o telefone, TV e Revista como meio de comunicação (APÊNDICE F). Constatamos ainda que apesar das TICs não estarem presentes durante o processo educativo, os professores participantes das entrevistas demonstraram conhecimentos sobre a importância da utilização desse recurso tecnológico, embora destaquem que jamais poderá substituir o professor. Vejamos: O computador jamais poderá substituir o professor, pois ele é apenas uma máquina controlada pelo homem. O professor é que é o orientador no processo, não podendo esquecer que ele não pode ficar alheio ao avanço tecnológico no nosso atual contexto. O computador é desprovido de emoções, sentimentos, dom este do ser humano (Alecrim). O computador é uma máquina, manipulada pelo homem, ele jamais substituirá o professor, só que o professor precisa está qualificado para poder acompanhar o desenvolvimento tecnológico nos dias atuais. O professor será sempre o mediador no processo ensino aprendizagem (Alecrim). Percebemos pelos depoimentos, a necessidade de incluir as TICs na prática pedagógica, alicerçada em uma concepção de educação ainda na formação inicial do professor. Tanto Jasmim como Alecrim, ratificam pensamentos comuns relativos às TICs. É importante ressaltar que no ano de 1999, época da pesquisa anterior, visitamos três instituições da rede particular de Ensino que desenvolvem projetos de Informática Educativa, sendo duas instituições de Belo Horizonte-MG e uma de Teresina-PI, com objetivo de analisar e avaliar as experiências de Projetos de Informática na Educação já em 95 desenvolvimento. Constatamos que embora as escolas já desenvolvessem um Projeto de Informática na Educação, os professores, quando entrevistados sobre como utilizavam os multimeios disponíveis na escola, ou seja, Internet, softwares educativos, afirmaram que sentiam dificuldades tendo em vista não estarem capacitados teoricamente. Por consequência, os resultados obtidos com uso dos multimeios se distanciavam dos estabelecidos no projeto da escola, uma vez que os professores não conseguiam perceber as TICs como ferramenta de aprendizagem, mas, como instrumento de modernização. O aluno por sua vez, lidava com instrumentos em casa, como jogos ou navegar na Internet pelo simples prazer. Na pesquisa atual, percebemos que a situação não é muito diferente. Na entrevista aos professores do CESC/UEMA e professores do Núcleo Tecnológico, quando questionados sobre o uso de recurso tecnológico durante o processo docente educativo, 100% afirmaram usar a TV, Vídeo e projetor multimídia, somente 25% usam o computador apenas na preparação de outros recursos, como: projeção, textos dentre outros (APÊNDICE E), o que demonstra que as TICs estão subutilizadas na prática docente. A partir das entrevistas realizadas com os sujeitos, e, considerando as análises durante o posicionamento dos professores do Centro de Estudos Superiores de CaxiasCESC/UEMA e egressos para a utilização da informática em seu trabalho docente, transcrevemos algumas de suas falas: Acho que minha formação inicial foi satisfatória, trabalhei muito com projetos de informática, tive sorte porque a professora procurava inovar, isso me ajudou muito, quando fui para o campo de trabalho foi fácil dar continuidade, o difícil é a escassez dos equipamentos (Mate). Participei de Projeto de Intervenção da UEMA como estagiária e depois como professora, me ajudou muito mais não o suficiente, tive que ir inventando, participando de cursos no NTE, hoje gosto de trabalhar utilizando projeto de informática, acho que os alunos aprendem melhor, postam trabalhos online, é muito legal até no nosso relacionamento (Hortelã). Mais uma vez, constatamos a importância da inclusão das TICs nas escolas, embora esses depoimentos não correspondam ao pensamento de outros que participaram da investigação relativa às TICs quanto à necessidade da utilização enquanto recurso auxiliar de aprendizagem. E para não finalizarmos a discussão, deixamos em aberto para outros pesquisadores que queiram contribuir, no próximo capítulo apresentamos nossas considerações finais. 96 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na formação do pedagogo de Caxias, conforme sua matriz curricular são as disciplinas da área da Informática e Didática, que devem oferecer os embasamentos teóricos e metodológicos que propiciam subsídios para o desenvolvimento de competências que fortalece a prática pedagógica para o “saber fazer” do educador. Na sequência de nossa pesquisa, investigando sobre saberes profissionais da formação dos egressos do curso de pedagogia do CESC/UEMA para utilização das TICs no exercício da docência, tivemos grandes momentos de reflexão, sobretudo, quando comparávamos à investigação anterior (1999), ocasião do Mestrado em Ciências da Educação, momento que investigávamos sobre a utilização dos multimeios na disciplina Didática, cujo objeto de estudo era o processo de formação do professor na disciplina Didática. A pesquisa atual, também está relacionada à formação de professores, desta vez, formação inicial e continuada dos egressos do curso de Pedagogia, bem como seus saberes, para o uso da informática em sua prática docente. A investigação aqui apresentada teve como ponto de partida a inquietação da problematização articulada com a vida profissional da pesquisadora. Em seguida tivemos a grande contribuição do estado da questão que nos auxiliou no decorrer da investigação. Para complementar o estudo, buscamos conhecer como vem se dando o processo de Educação continuada dos professores egressos do curso de pedagogia do CESC/UEMA para a utilização da informática em sua prática docente. Para o desenvolvimento do estudo, optamos por uma pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso, que [...] permite que se chegue bem perto da escola para tentar entender como operam no seu dia-a-dia os mecanismos de dominação e de resistência, de opressão e de contestação ao mesmo tempo em que são veiculados e reelaborados conhecimentos, atitudes, valores, crenças, modos de ver e de sentir a realidade e o mundo (ANDRÉ, 1983, p. 41). As técnicas utilizadas para coleta de dados, foram questionários, entrevistas, observações. O trabalho informatizado disponibiliza meios e recursos que tornam o exercício da prática educacional mais produtiva, oportunizando uma leitura diversificada da realidade decorrente da adoção dessas novas metodologias, proporcionando um relacionamento interativo 97 imediato com o objeto do conhecimento, permitindo uma transformação temporal e funcional entre fala e escrita, em decorrência da velocidade do acesso via computador, com respeito ao ritmo de aprendizagem do aluno e possibilita diferentes modos de resolver um mesmo problema. A informática na educação oferece oportunidade de integração do pensamento lógico-dedutivo e o desenvolvimento das capacidades lógicas e criativas do aluno. A informática utilizada como estratégia de marketing pela maioria das escolas não se coaduna com uma metodologia que usa o ambiente da informática articulada aos interesses e necessidades dos alunos integrados ao campo social e pedagógico. O buscar dos trabalhos do outrem, através do estado da questão, foi um convite à reflexão sobre nova forma de relacionar leituras em função da organização de conhecimento. Assim, no primeiro contato, procuramos estabelecer as relações entre a pesquisa anterior (1999), com a pesquisa atual (2012). Num segundo momento, de posse dos achados, buscamos aqueles que focalizavam mais próximo de nossa pesquisa. Estes pressupostos estão fundamentados na vinculação teoria e prática que é mediada pela comunicação, a qual Freire (2005) valoriza como dialogicidade que, do ponto de vista de seu entendimento é a essência da educação como prática da liberdade. A teoria oferece suporte para uma prática coerente e organizada e a prática subsídios para as teorias. Neste processo, organiza-se a ação do professor, subsidiada pelos recursos da Informática que, no momento da ação pedagógica, utiliza os multimeios como ferramenta educacional. Ensinar com apoio nas novas mídias significa, acima de tudo, mudança de paradigmas convencionais de ensino fundamentados no estruturalismo e positivismo, até então adotados, que mantém distantes professor e aluno e dá ênfase a uma concepção de ensino fundamentada na transmissão de conhecimentos. A mudança para um paradigma que considere os multimeios produtores de conhecimentos e o aluno e professor como sujeito ativo e pró – ativo pode-se exemplificar com a internet que é um meio de comunicação que pode ajudar a modificar formas atuais de ensinar e aprender com criatividade. Esta investigação se fundamenta na concepção dialética, em que valoriza a ação do homem frente ao contexto sócio-histórico mediatizado pelo trabalho, fonte de conhecimento e organização da cultura. Nessa concepção, a criatividade se expressa na essência do conhecimento enquanto ser transformador. Portanto, o homem é um possibilitador criativo conforme o seu processo de interação com o mundo. 98 Compreender que a essência criadora do homem como atividade fundamental que o torna homem, permite entender que o trabalho de transformação passa por esta categoria, condição de desenvolvimento do homem ser social e histórico. O uso das TICs como ferramenta, deve estar fundamentado na concepção de ser criador, condição de formar o nível mais avançado de conhecimento, impulsionando as “funções psicológicas superiores” (VYGOTSKY, 2001, p. 29)24, condição para tornar o homem competitivo frente às exigências da sociedade atual. Para desenvolver um projeto de informática é necessário o uso adequado de softwares, além de todo um conjunto de materiais educativos para que preencha o planejado para as aulas na escola de todos os dias da semana. Os softwares educativos trazem implícitos os conceitos de ensino, aprendizagem e conhecimento, os quais, quando identificados pelo professor favorecem a sua adequada seleção, segundo os objetivos pedagógicos e do ensino. A intervenção do professor na aplicação de qualquer software educativo é necessária no processo ensino-aprendizagem. A criação de um novo modelo de educação que englobe os recursos computacionais provoca mudanças, amparando a criação de uma nova ordem para que não se tornem apenas meio de informações como diversas outras tecnologias educacionais. Essas demandas exigem do professor um saber construído sobre o campo tecnológico. Para que o aluno possa construir e socializar conhecimento, desenvolver a criatividade com autonomia é preciso dar ao professor a oportunidade de analisar e reelaborar a sua prática pedagógica, respeitando o seu estilo de atuação. Com esse pressuposto, a formação do professor para o uso pedagógico do computador trabalha o saber advindo da prática pedagógica, articulando com teorias educacionais e das diversas ciências. O espaço de formação assim organizado configura-se como um ambiente de liberdade que incita a experimentar e socializar experiências e aprendizagens. Para que o uso da informática na educação tenha sucesso, é necessário que haja disponibilidade de equipamentos, softwares e apoio político – pedagógico para a adoção de uma nova perspectiva educacional, redefinindo os conceitos das formas de conhecer, de ensinar, tendo o professor como elemento indispensável. Assim, pode o professor utilizar o computador para representar, selecionar e buscar informações articulando com atividades que visam promover a elaboração de conhecimentos e a aprendizagem do aluno. Ao interagir com os meios tecnológicos poderá dispor de estratégias que possam propiciar o envolvimento integral do aluno: o racional e o 24 Vygotsky, define como mecanismo intencional, ações conscientemente controladas, processos voluntários que dão ao sujeito a possibilidade de independência em relação às características do momento e espaço presente. 99 emocional; a análise lógica, distinguir o imaginário do intuitivo; a imagem e o som, que levem a pessoa do aluno e do professor para viagens imaginárias no mundo da informação e do conhecimento. Nessa interpretação, o professor deve refletir sobre sua identidade profissional com as novas tecnologias educacionais para usufruto da melhoria do ensino. Pois, no sentido pedagógico, as tecnologias redimensionam e alternam para uma aproximação entre o espaço da escola e o mundo vivido pelo aluno cotidianamente, extrapolando para outros locais de aprendizagem com os quais o aluno interage ou pode interagir. Partindo da análise dos dados, podemos observar, com facilidade, que a inclusão das TICs na formação inicial e continuada do professor é uma necessidade, porém. ela não deve vir desarticulada das teorias de ensino. O professor deverá praticar o que aprendeu durante a sua formação acadêmica, colocando em prática as teorias estudadas durante o curso, por isso é fundamental que ele estabeleça relação entre as teorias educacionais e a prática docente. No caminho de nossa investigação tivemos muitos desafios, desafios que se iniciou desde o mestrado em Ciências da Educação, considerando que na época foi uma formação em serviço que muito dificultou a busca em lidar com o objeto da pesquisa. A pesquisa atual situada no âmbito da “formação de professores egressos do curso de Pedagogia para o uso das TICs” nos proporcionou a verificar após doze anos, em que contribuiu os saberes construídos na formação inicial e/ou continuada dos egressos do curso de pedagogia do CESC/UEMA. Com base nessas considerações, observamos que apesar das mudanças percebidas, no contato com os sujeitos, no que diz respeito à formação inicial e continuada do professor e o uso das TICs no processo de aprendizagem, nenhuma dessas pesquisas, entretanto, investigou como trabalhar visando sua futura prática e o processo ensino aprendizagem formal do curso de Pedagogia, em busca da presença e da articulação pedagógica das TICs. Este é um diferencial desta pesquisa, na qual se buscou atingir os objetivos delineados nessa pesquisa. O estado da questão fez com que percebêssemos a lacuna existente nos trabalhos, com temas voltados para inclusão das tecnologias na formação do professor. Uma escola de qualidade e democrática faz-se também com a socialização dos meios digitais. Sem intenção de concluir o estudo, sugerimos a utilização da informática como um recurso pedagógico que contribuirá na melhoria de qualidade do ensino. Tal trabalho metodológico permite a compreensão do uso das TICs enquanto auxílio no processo ensino aprendizagem, para que no momento da Prática de Ensino, o aluno tenha o referencial teórico e metodológico, o que impulsionará a sua ação enquanto professor do ensino básico. 100 REFERÊNCIAS ABRANCHES, S. P. A reflexividade como elemento da prática docente: alguns limites para sua efetivação – o caso da informática na educação. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPED, 23., 2000, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPED, 2000. ALMEIDA, F. J. de. Educação e informática: os computadores na escola. São Paulo: Cortez, Autores Associados, 1998. ALMEIDA, M. E. de B. T. M. P. Informática e formação de professores (volume 1 e 2).. Brasília: Secretária de Educação à Distância, Ministério da Educação, 2000. ANDRÉ, M. E. D. A. de. Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional. Brasília: Liber Livro, 2008. ANDRÉ, M. E. D. A de; CANDAU, V. M. 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(mimeo). TARDIF, M.; LESSARD, C. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. 106 APÊNDICES 107 APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Instituição: Universidade Estadual do Maranhão Curso: Mestrado Acadêmico em Educação Programa: Programa de Pós-Graduação em Educação: PPGE-UECE Mestranda: Maria Lúcia Aguiar Teixeira Orientadora: Profa. Dra. Silvina Pimentel Silva Prezado (a) professor (a), Estamos desenvolvendo a pesquisa FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE DOCENTES: SABERES PROFISSIONAIS DE PROFESSORES EGRESSOS DO CURSO DE PEDAGOGIA DO CESC/UEMA PARA O USO DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO, tendo como objetivo compreender as contribuições dos saberes produzidos na formação inicial e continuada quanto à utilização das tecnologias da comunicação e da informação (TICs) no exercício da docência dos professores egressos do curso de pedagogia do CESC/UEMA. Por meio deste documento vimos solicitar a sua participação nesta pesquisa, que é dirigida a professores da rede pública de ensino. Os participantes terão mantido o seu anonimato em citações nesta investigação e em outras dela decorrentes. Informamos também que não haverá qualquer espécie de remuneração ou reembolso em virtude da sua participação. Se necessário, entre em contato com a responsável pela pesquisa: Maria Lúcia Aguiar Teixeira ([email protected]). Agradeço antecipadamente a sua contribuição. ___________________________________ Maria Lúcia Aguiar Teixeira Caxias, abril de 2012. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------(Destacar) Tendo sido informado (a) sobre a pesquisa FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE DOCENTES: SABERES PROFISSIONAIS DE PROFESSORES EGRESSOS DO CURSO DE PEDAGOGIA DO CESC/UEMA PARA O USO DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO concordo participar da referida investigação, de forma livre e esclarecida. Nome: Assinatura: Caxias-MA, ____ de _______________ de ____________ 108 APÊNDICE B – FORMULÁRIO DE COLETA DE DADOS-QUESTIONÁRIO Dados Gerais – Professor da UEMA e do NTE 1. Sexo: ( )- Masculino ( )- Feminino 2. Idade ( )- Mais de 20 anos ( )- Mais de 30anos ( )- Mais de 40 anos ( )- Mais de 50 anos ( )- Mais de 60 anos ( )- Mais de 70 anos 3. Tempo de serviço: ( ) Mais de um ano ( ) Mais de dois anos ( ) Mais de três anos ( ) Mais de quatro anos 4. Regime de Trabalho: ( ) -20 H ( )- 40 H ( )- Dedicação Exclusiva (D E) 5. Sua última titulação ( ) Bacharelado/ Licenciatura ( ( ) Mestrado ( ) Doutorado ( ) Especialização ) Pós-Doutorado 6. Classe de Magistério ( ) Auxiliar ( ) Assistente ( )Adjunto ( ) Titular 7. Ocupa cargo de chefia ( ) sim ( ) Não 8. Departamento de lotação ( ) Educação e Filosofia ( ) Química/ Biologia ( )Pedagogia ( ) Física/ Matemática ( ) Letras ( ) Outro 109 APÊNDICE C – INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO 1. Leia com atenção cada questão. 2. Ao lado de cada questão você encontrará uma escala de 5 a 1 3. Assinale somente uma vez cada questão o numero melhor expresse a sua opinião O número 5(cinco) corresponde ao grau máximo O número 4(quatro) corresponde a um valor entre o grau máximo e médio O número 3 (três) corresponde a um valor médio O número 2 (dois) corresponde ao valor entre o grau médio e o mínimo O número 1(um) corresponde ao valor mínimo A tabela abaixo irá ajudar sua compreensão 5 4 3 2 1 sempre Frequentemente Ás vezes Poucas vezes nunca Ótimo bom Regular Pouco satisfatório ruim Muitíssim Muito Razoável Pouco nada o Questões 5 4 3 2 1. Você acha que a estrutura tecnológica do CESC/UEMA ( laboratório, salas de aulas e equipamentos de informática ) atendem à necessidade de crescimento e desenvolvimento exigidos pelos alunos? 2. Na sua opinião, os saberes construídos na formação inicial está preparando os alunos para competir com as outras universidades frente a um ambiente educacional para utilização das TICs. 3. No seu entender, a UEMA é reconhecida pela comunidade como uma organização que acompanha as mudanças tecnológicas e as repassa para seus alunos e sua comunidade. 4. No seu departamento, os docentes são estimulados a se aperfeiçoarem em nível profissional? 5. Atualmente, você utiliza a internet como ferramenta de ajuda no processo ensino aprendizagem? 6. Você acha importante o uso da internet na área educacional? 7. Você acha necessário o domínio dos recursos computacionais na formação do pedagogo? 8. Você acha que os saberes construídos ao longo do curso de Pedagogia tem ajudado, quanto ao uso tecnológico, tem influenciado em sua docência? 9. Na sua opinião, você acha que os egressos do curso de Pedagogia do CESC/UEMA têm demonstrado, na sua atuação docente, preocupação em melhorar seu desempenho? 10. Em geral, qual sua opinião sobre o desempenho docente dos egressos do curso de Pedagogia quanto ao uso da informática educacional. 110 APÊNDICE D – ROTEIRO DA ENTREVISTA FEITA COM O PROFESSOR EGRESSO DO CURSO DE PEDAGOGIA DO CESC UEMA – TURMA 2000. Objetivo: Detectar o nível de conhecimento de informática educativa e os saberes dos professores egressos do curso de Pedagogia turma 2000 ação docente. Total do universo entrevistado: 08 professores. Professor entrevistado ________________________________________ Curso ___________________________________________________ Escola _____________________________________________________ Data de entrevista ________/__________/_________. De acordo com seus conhecimentos responda: 1. Quais os instrumentos tecnológicos que você conhece que estão incorporados no seu ambiente educacional? 2. Você utiliza as produções tecnológicas que sua escola tem disponível? 3. Se você utiliza as produções tecnológicas, costuma vincular a didática? 4. Para você, quais os impactos que a tecnologia vem causando na educação? 5. Você acha necessária a formação dos professores para atuarem com a informática educativa? Comente. 6. Você utiliza o computador como ferramenta que ajudará no processo ensino/aprendizagem? De que forma? 7. Quais os softwares que você conhece? 8. Quais os aspectos utilizados por você na avaliação de software educativo? 9. Você acha importante o uso da internet na área educacional? 10. Pontue 3 vantagens do uso das TICs na educação. 11. Destaque 3 dificuldades para utilização dos recursos que a internet proporciona na educação. 12. Relacione os equipamentos eletrônicos que possui em casa. 13. Quais os meios de informação que você mais utiliza? 14. Qual o recurso tecnológico que você mais utiliza para facilitar o processo ensino/ aprendizagem? 15. Como você lida com a Internet, em seu trabalho docente e quais estratégias adotadas? 16. Você, egresso do Curso de Pedagogia e atualmente exerce a profissão docente. Que saberes, em sua formação, contribui com maior frequência para utilização das TICs na educação, visando o processo ensino aprendizagem e em que momento da formação esses saberes são mais expressivos? 17. Dê sua opinião sobre o uso da informática na educação. 111 APÊNDICE E – QUESTIONÁRIO APLICADO AO ALUNO Prezado Aluno, Este questionário tem como objetivo: Coletar dados sobre a utilização da tecnologia da informação e comunicação, na formação do aluno do curso de Pedagogia do CESC/UEMA, com a finalidade de realizar pesquisa do Curso de Mestrado Acadêmico em Educação pela Universidade Estadual do Ceará. Total do universo pesquisado: 06 alunos. 1. Período de frequência no Ensino Superior: ( ) Menos de 01 ano ( ) Mais de 02 anos ( ) Mais de 03 anos ( ) Entre 03 a 04 anos 2. Meio de comunicação que costuma utilizar: ( ) Fax ( ) TV ( ) Rádio ( ) Revista ( ) Telefone ( ) Computador ( ) Jornal ( ) Email 3. Você tem noções de Informática Educativa? ( ) Sim ( ) Não 4. Recursos tecnológicos disponíveis para você em casa: ( ) Fax ( ) Email ( ) Computador ( ) Telefone Fax ( ) Modem ( ) Provedor internet 5. Enumere por ordem de prioridade para você, meios de comunicação: ( ) Fax ( ) E mail ( ) Computador ( ) Telefone Fax ( ) Modem ( ) Provedor internet ( ) TV ( ) Livro ( ) Jornal impresso 6. Você conhece um ambiente de Informática Educativa? ( ) Sim ( ) Não 7. Se respondeu sim, qual a característica predominante nos softwares utilizados: ( ) Tutoriais ( ) Banco de dados ( ) Simulação ( ) Planilhas Eletrônicas ( ) Jogos ( ) Editores de texto ( ) Outros __________________________________ 8. Ainda com base na questão de número 06, os computadores no ambiente de informática estão interligados em rede? ( ) Sim ( ) Não 9. Você acha necessário o domínio dos recursos computacionais na formação do pedagogo? ( ) Sim ( ) Não 10. Existe vários pensamentos do uso da informática, um deles é achar que o computador substituirá o professor, você acha que isso poderá acontecer? ( ) Sim ( ) Não Justifique sua resposta ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 112 APÊNDICE F – CRONOGRAMA DE ATIVIDADES DA PESQUISA ANOS 2012 ATIVIDADES / AÇÕES Contato com as professoras egressas do curso de Pedagogia do CESC Visita às escola 2013 MAI JUN JUL AGO X X X X X SET OUT NOV DE Z X X X X X X X X X X X X JAN FE V MAR X Visitas ao CESC Visitas ao NTE Entrevista Transcrição da Entrevista Encontro com os sujeitos da Pesquisa Encerramento das visitas Submissão do Projeto à Banca para Qualificação Apresentação da Pesquisa X X X X X X X X X X X X X X 113 ANEXO – PRINCÍPIOS NORTEADORES DA FORMAÇÃO DO EDUCADOR UEMA Todos os profissionais que se dirijam para as atividades educacionais devem ser formados como educadores. Os educadores devem ser formados para a compreensão da realidade educacional brasileira de forma a aprendê-la na sua totalidade e complexidade. A formação do professor, como educador é a base da identidade da formação do pedagogo, portanto a formação do especialista deve ser feita base em uma clara destinação profissional, que se define, especialmente, pela revisão da atual divisão do trabalho no campo educacional. A formação do educador deve vir conjugada a uma revisão da divisão do trabalho no interior dos sistemas escolas, de modo a entender as reais necessidades da educação brasileira bem como a revalorizar o trabalho docente. A nova formação do professor enquanto educador, deve pressupor a valorização da formação geral e pedagógica de modo que o professor se torne eficaz interessado divulgador de conhecimentos históricos e criticamente acumulados, para que o maior números de indivíduos possa deles se apropriar, através do Ensino Fundamental e Médio, bem como se torne capaz de compreender o sentido educativo dos conhecimentos que transmite e suas implicações sociais. Aos educadores deve ser garantida a integração entre a teoria e prática na formação de sua concepção de educação e na sua seção educativa. A Universidade Estadual do Maranhão através do curso de Pedagogia, no bojo das iniciativas e intenções que fazem prosperar cursos, seminários, congressos, simpósios, estaria ao entendimento das exigências da sociedade que espera na virada do século; desenvolvimento de raciocínio analítico, habilidade e rapidez para processar informação e tomar decisões; sólido domínio dos códigos instrumentais da linguagem, da matemática e dos conteúdos científicos; formação de competências sociais: liderança, iniciativa, capacidade de tomar decisões, autonomia no trabalho, habilidade de comunicação etc. revelando assim as características do educador com: Possibilidade (capacidade) de ler a realidade, de conhecê-la, de interpretá-la; Intencionalidade em suas ações, capacidade de colocar seus objetivos com clareza e ética; Capacidade de compreender o que acontece no fenômeno educação, seus determinantes históricos, suas relações com a sociedade, com a vida dos alunos e com a sua própria, para que possa adequar sua ação de intermediação para a formação do tipo de homem intentado; 114 Capacidade de conhecer e transformar a atividade e a realidade; Capacidade de refletir a realidade objetiva e o seu próprio ser, utilizando como instrumento a linguagem; Capacidade de decidir e de agir responsavelmente para alcançar um fim determinado em face a realidade; O seu conhecimento da realidade possibilita-lhe a avaliá-la de acordo com seu conjunto de valores, ideias e crenças. Assim o educador consciente não é alguém alheio e alienado no mundo e ao que acontece, mas a ele pertence e nele participa. Retirado Projeto Político Pedagógico do Curso de Pedagogia – (UEMA, 2008).