Trimestral REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO . NÚMERO 27 . ANO VIII . JUL 2008 17º Jogos Nacionais das Cooperativas de Habitação: Sucesso em Vila Nova de Gaia! Plano Estratégico de Habitação: A Leitura do Sector Cooperativo Habitacional FENACHE: Celebra Protocolo inovador com Município de Cascais índice FICHA TÉCNICA Preço de Capa – 1,00 euro Junho 2008 – nº27 – Ano VII – Trimestral Registo na ERC nº 123 839 Depósito Legal nº 250346/06 Tiragem - 4.000 exemplares Director: Guilherme Vilaverde Director Adjunto : Orlando Vargas Subdirectora: Margarida Santos Editorial 3 Destaques FENACHE celebra Protocolo com Município de Cascais LARCOOPE inaugura 5ª Fase de Construção 4 4 5 Actividades em Destaque Actividades 06 06 Dossier FENACHE organiza sessão sobre o Plano Estratégico de Habitação 14 14 Jogos Nacionais 17 anos a promover o Cooperativismo Habitacional pelo desporto e a cultura popular IV Caminhada José Barreiros Mateus Entrevista com João Freire 17 Nacional 23 Experiências 24 Internacional 25 Fenache Jovem Departamento Jovem apresenta iniciativa no decorrer das reuniões so CECODHAS 29 29 Cidades Humanizadas António Baptista Coelho 31 31 Cooperativismo e Economia Social 33 Momento Verde 34 17 18 21 Propriedade FENACHE – Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica, FCRL Rua Armandinho nº 3 – Loja A, 1950 – 446 Lisboa Tel. 218 369 060 Fax. 218 592 181 [email protected] – www.fenache.com RNPC nº 501135278 Concepção Gráfica, Paginação e Publicidade GERMINA – Cooperativa de Ideias e Eventos, CRL Rua Professor Sousa da Câmara, nº 155 Cave 1070 – 215 Lisboa Tel. 217 269 015 Fax. 213 868 169 [email protected] - www.germina.pt RNCP nº 507483820 Colaborações neste número: Albertina Mateus António Baptista Coelho Carlos Vargas João Freire Liliana Marques Impressão e Acabamentos J. Fernandes Lda Quinta Conde Mascarenhas, lote 9, Charneca da Caparica 2820-652 Charneca da Caparica, Setúbal REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO editorial Plano Estratégico da Habitação Guilherme Vilaverde Elaborado por uma equipa técnica multidisciplinar que envolveu a intervenção de reputados especialistas em diferentes domínios como Augusto Mateus, Isabel Guerra e Nuno Portas, o Plano Estratégico da Habitação (PEH) foi publicamente apresentado pelo Governo (SEOTC) em Maio último, com o anúncio da intenção de promover um esforço de modernização e de adequação da política social da habitação do País às actuais condições, necessidades e perspectivas de evolução do sector. O documento apresentado foi e tem vindo a ser considerado pelos responsáveis como estando ainda em fase de proposta técnica de trabalho destinando-se, enquanto tal, à devida análise, melhor reflexão e necessária auscultação de sugestões e propostas a obter da parte dos principais interessados no tema e muito particularmente dos fundamentais intervenientes e agentes do sector, para o que foi realizada, em Junho passado, uma iniciativa de trabalho especificamente orientada para a percepção e avaliação da posição dos Municípios sobre o assunto. A Fenache, na sua condição de interlocutor social e representante formal da posição do sector cooperativo no campo habitacional, tem vindo a acompanhar empenhadamente todo o processo de preparação e o próprio desenvolvimento dos trabalhos de elaboração do PEH, na medida em que até integra o Conselho Consultivo do IHRU. Assim, e enquanto aguarda na actual fase do processo o momento próprio para, junto da tutela, expressar a posição formal do sector sobre a proposta técnica agora em debate, acaba de promover uma iniciativa própria através da realização de uma sessão de trabalho aberta às suas filiadas e alguns convidados que nela se dispuseram a participar, na qual foi apresentada, discutida e avaliada a leitura e o posicionamento das Cooperativas sobre a matéria. Esta oportunidade, que se revelou extremamente útil para o desejado objectivo de discussão e partilha de posições que visem consensualizar no País um plano estratégico para a habitação que verdadeiramente equacione e promova a evolução necessária para o sector, permitiu extrair algumas conclusões sobre a proposta técnica em avaliação que de modo nenhum satisfazem as expectativas geradas em torno da elaboração do PEH, de forma a poder corresponder às reais problemáticas, principais lacunas, debilidades e necessidades existentes na nossa política habitacional. Na verdade, se relativamente ao quadro de diagnóstico traçado, à avaliação dos principais constrangimentos e debilidades, à quantificação e explicitação das actuais carências e necessidades, aos novos e actuais objectivos estratégicos, aos principais eixos a desenvolver e até às principais medidas elencadas se poderá com relativo esforço consensualizar alguns detalhes susceptíveis de melhor ponderação, o mesmo não se poderá dizer naquilo em que o PEH se apresenta praticamente deserto de propostas concretas sendo as quais, afinal de contas, o verdadeiro cerne da questão para a credibilidade e seriedade, enfim, para a exequibilidade real, de um plano com esta condição e ambição. A pergunta é, então: - E onde estão ou como e quem assegura ou garante, num plano desta natureza, com esta ambição e com a necessidade de envolver e responsabilizar os indispensáveis agentes e parceiros intervenientes e promotores afinal do processo OS MEIOS NECESSÁRIOS E A DEFINIÇÃO DAS INDISPENSÁVEIS METAS a fixar para a necessária objectividade e viabilidade na implementação do Plano? Na verdade, sendo consenso garantido que a promoção de habitação a custos controlados, a reabilitação e boa gestão do parque edificado e a prioridade ao arrendamento sejam as fundamentais linhas mestras da acção a empreender, como assegurar tal desenvolvimento sem o contributo de uma política de solos digna desse nome, sem a adaptação dos instrumentos legais vigentes à evolução legislativa e normativa registada nos últimos anos no sector e, acima de tudo, sem a garantia e a estabilidade dos indispensáveis meios financeiros (subvenções e financiamentos adequados) a prestar aos promotores e às famílias? Mais ainda: - E como compatibiliza o próprio Estado, ao nível central e local, sobretudo nos tempos de crise em que vivemos, a anunciada intenção e a efectiva necessidade de avançarmos decisivamente para uma política de eficiente gestão do parque social edificado quando continuamos a assistir à frequente delapidação, em curso pelo Governo e por alguns Municípios, do património habitacional público pago por todos nós, como é o caso recentemente vindo a público da venda (ao desbarato) do Bairro das Amendoeiras, em Lisboa? Uma última nota: - O Plano Estratégico aponta, e bem, para a implementação dos chamados “Planos Locais da Habitação” enquanto instrumentos a desenvolver no espaço territorial municipal (ou intermunicipal?), como superior forma de identificação de necessidades, de definição de propostas de acção local e de concertação estratégica indispensável à acção conjugada para as respostas (de política social da habitação) a desenvolver pelos diferentes actores, sejam eles públicos, sociais ou privados. Mas será crível que, a exemplo do que todos os dias se passa com os mais diversos problemas em matéria de competências e responsabilidades (meios financeiros) em que o tradicional “pinguepongue/Governo-Autarquias” permita esperar que tais desenvolvimentos processuais em matéria tão onerosa como a habitação possam ocorrer em tempo útil? Finalmente, termino com a afirmação que fizemos no encerramento da sessão de trabalho a que me reporto e que ocorreu na Sede da Fenache no passado dia 17 de Julho: A Fenache e as Cooperativas de Habitação podem e devem, pelo trabalho realizado em mais de três décadas e pela excelente experiencia adquirida, e querem, por imperativo dos objectivos, princípios e responsabilidade social que justificam a sua existência e norteiam o trabalho e a acção cooperativista, em cooperação e parceria com todas as autoridades, entidades e parceiros públicos, privados e sociais que igualmente o desejem, ser protagonistas activos e decisivos a favor dos desígnios de uma efectiva política social da habitação para o País! Mas, caros responsáveis e meus caros amigos, por favor não demoremos muito. Porque, mais do que nunca, o tempo urge! 03 destaques REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO FENACHE Celebra Protocolo de Colaboração com Município de Cascais Integrado na cerimónia de lançamento da iniciativa camarária GERAÇÃO C, e resultante do trabalho que a Federação Nacional tem vindo a desenvolver junto das principais autarquias do país com vista ao estabelecimento de parcerias de Cooperação, teve lugar no passado mês de Maio a cerimónia de celebração do Protocolo de Colaboração estabelecido entre a FENACHE e o Município de Cascais, e que integrará o recém aprovado Programa de Habitação Jovem da autarquia - o PHJCascais. Tendo como particularidade específica o facto de ter sido delineado no âmbito da política de Juventude do Concelho, o protocolo agora celebrado prevê a intervenção das filiadas da FENACHE em novas áreas de trabalho, como seja o Arrendamento Cooperativo Jovem ou a Habitação de regime transitório, desafios que são encarados pelas Cooperativas de Habitação da região de Lisboa “com enorme seriedade Programa Especial de Habitação Jovem – Construção de Custos acessíveis na modalidade de Arrendamento e empenho” afirmou Manuel Tereso, representante da FENACHE neste acto público. Outra garantia dada pelo Director Nacional foi o de incluir em todos os projectos habitacionais desenvolvidos ao abrigo desta parceria elementos de sustentabilidade ambiental e eficiência energética dos edifícios, que não só contribuirão para potenciar o limitado orçamento familiar dos utentes destas habitações, como garantir que Cascais se torne um município ainda mais sustentável tanto do ponto de vista ambiental, como familiar. Encerrou esta cerimonia o Presidente do Município, Dr. António d’Orey Capucho, que reforçou a convicção do Município na parceria estabelecida com o Movimento Cooperativo Habitacional, como forma de potenciar as respostas habitacionais e facultar o acesso da população jovem com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos a habitação de custo acessível e de qualidade no Concelho de Cascais. Arrendamento Cooperativo Direccionado para uma população de idade compreendida entre os 18 e os 29 anos, residente no Concelho há pelo menos 5 anos e que se encontre numa situação de empregabilidade ou na situação de trabalhador-estudante. Unidade de Alojamento e Serviços Programa de Habitação Jovem de Carácter Transitório a custos acessíveis e estímulo à Criação da Própria Habitação Projecto inovador de carácter experimental, direccionado para uma população de idade compreendida entre os 18 e os 29 anos, residente ou não no Concelho e que se encontra numa das seguintes situações: trabalhador activo, estagiário profissional, bolseiros e trabalhadores – estudantes. Este eixo de intervenção tem como particularidade ter uma limitação temporal no uso pelo máximo de 2 anos. Dinamização de Cooperativas de Habitação Projecto da área do empreendedorismo habitacional que o Município deseja ver desenvolvido, e que consiste em prestar serviços de apoio a grupos de jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos, interessados em participar numa iniciativa de cooperativismo habitacional, em busca da auto – resolução do seu problema habitacional. Para integrar este eixo o município definiu ainda como regra ser residente no Concelho há pelo menos 5 anos. 04 REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO destaques LARCOOPE Inaugura 5ª fase de Construção Fundada em 1977, e após um período de menor vigor, a única cooperativa de Habitação da freguesia de Paranhos, no Porto, e uma das mais participantes filiadas da FENACHE, a Larcoope, retoma agora o dinamismo de outrora, tendo inaugurado no passado mês de maio, a sua 5ª fase de construção. Constituída por 8 T2 e 24 T3, num total de 32 habitações, a 5ª fase de construção da Cooperativa localiza-se num terreno cedido em direito de superfície pelo município do Porto, no gaveto da Rua Aval de Baixo/ Rua Óscar da Silva, tendo o programa habitacional sido desenvolvido ao abrigo dos custos controlado e beneficiado do apoio financeiro do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana. O empreendimento beneficia ainda da constante atenção da cooperativa para as orientações da Federação Nacional em matéria de Construção de Habitação Sustentável, tendo sido decisão da Direcção introduzir, no projecto inicialmente previsto, pequenas alterações no que respeita à sustentabilidade ambiental dos edifícios, como seja a inclusão de préinstalação de aquecimento central e cinstalação de colectores solares térmicos com resultados altamente compensadores, sem que tal tenha aumentado significativamente o valor das habitações dos cooperadores, futuros proprietários das mesmas. Com esta iniciativa, a Larcoope tornou-se a promotora do primeiro empreendimento de habitação, construído com estas particularidades na Cidade do Porto, reforçando o cada vez mais extenso número de filiadas da FENACHE com projectos finalizados, ou em fase de desenvolvimento, que respeitam os critérios de sustentabilidade ambiental e de certificação energética, o que aliás foi amplamente referido pelo Presidente da Federação Nacional, Guilherme Vilaverde, na sua intervenção na cerimónia de inauguração do referido programa habitacional. A cerimónia contou ainda com uma visita pelas 1ª, 2ª e 3ª fases de construção da cooperativa, localizadas nas áreas limítrofes da fase agora inaugurada, e por um momento oficial de descerramento da placa comemorativa da obra pelo Vereador da Câmara Municipal do Porto, Dr. Lino Ferreira. Dando prossecução a este novo ímpeto de trabalho, a cooperativa iniciou já o estudo para a dinamização dum novo empreendimento, em propriedade plena, composto por 40 habitações e que respeitará uma formulação mais moderna e adequada às exigências sociais, como também às condições económicas dos cooperadores à espera de habitação. Com este projecto dar-se-á início à 7ª fase de construção da Larcoope. 05 actividades em destaque REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO SETE BICAS Apresenta andar modelo em São João das Fontaínhas O dia da apresentação não poderia ter sido melhor escolhido ou não fosse o lugar das Fontainhas tradicionalmente associado aos festejos de São João. Foi, assim, no fim da tarde do passado dia 23 de Junho, que os Cooperadores inscritos no Empreendimento, dirigentes e colaboradores da Cooperativa promotora, representantes da Federação Nacional, do governo local, familiares, amigos e curiosos, puderam visitar, em ambiente festivo e popular, o andar modelo do Empreendimento das Fontainhas. A visita ao local fez-se com grande emotividade para todos os futuros moradores, mas particularmente para aqueles que transitaram do antigo programa de realojamento para o actual programa cooperativo que viabilizou, finalmente, a construção do Empreendimento e tornou possível o direito à habitação para os inscritos. A julgar pelas reacções, as soluções arquitectónicas e de acabamentos/equipamentos seleccionadas para o Empreendimento foram muito bem conseguidas e resultaram na criação de um espaço habitacional muito apelativo e do agrado generalizado dos visitantes. O Projecto do Empreendimento, constituído por dois edifícios de 27 e 12 habitações, é da autoria do gabinete do Arqtº Carlos Coelho – Consultores, Lda. O ambiente festivo entrou pela noite dentro, num jantar típico de São João, oferecido pela Cooperativa promotora, com sardinha assada, pimentos e cheiro de manjericos que culminou com um exuberante espectáculo de fogo de artifício organizado pelo Município do Porto, cumprindo assim a tradição da noite portuense. COOPERMAIA Inaugura MAIAFIT Health & Fitness Club “Depois da Habitação, a Coopermaia apostou na saúde e bem-estar, não só dos associados como da população em geral” foi deste modo que a imprensa deu a conhecer o novo projecto da Coopermaia – o Maiafit Health & Fitness Club à população da Maia e dos Concelhos limítrofes. Em 2003, por ocasião do desenvolvimento do programa habitacional designado por Pátio de Catassol, composto por 64 fogos e localizado na Maia, e tendo em conta a morfologia de parte do terreno onde se começava a implementar a construção que obrigava à incorporação duma nova cave, surge o projecto de ginásio com piscina integrada, levado a efeito pela Coopermaia, e corporizado agora pela Maiafit – Espaços desportivos, SA, sociedade constituída e maioritariamente participada pela Cooperativa de Habitação. Desenvolvido em tempo 06 REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO actividades em destaque recorde, entre Setembro de 2007 e Abril de 2008, e com um investimento de 2.250.000€, o health & fitness compõem-se por 1.570m2 de ginásio e 560m2 de área técnica, compreendendo ainda uma zona de utilização pública de recepção com bar e sanitários, e uma zona de utilização específica constituída por 1 piscina com 20mx10m, cujo tratamento de água se faz por um sistema ultra violeta, jacuzzi, sala de cárdio-fitness e musculação com 36 máquinas, sala de cycling com 16 bicicletas spin, 2 estúdios multi-actividades, 3 balneários, 2 banhos turcos, 2 estúdios, gabinetes de estética e massagens, gabinete médico e de avaliação. Este ginásio é o primeiro do género a ser explorado por uma cooperativa de habitação no nosso país, e serve uma vez mais para demonstrar a vitalidade e criatividade das Cooperativas de Habitação filiadas da FENACHE. Factor aliás reforçado, no discurso de Guilherme Vilaverde, por ocasião da inauguração oficial do espaço que caracterizou as cooperativas como “entidades vivas, actuantes e interventivas na sociedade”. Por ocasião da inauguração, presidida pelo Presidente da autarquia, Dr. Bragança Fernandes, a 15 de Maio, estavam inscritos no Maiafit 600 pessoas, 560 das quais associados da Cooperamaia, que obviamente usufruem de condições especiais de acesso. A Habitar Hoje congratula a Coopermaia, por mais uma iniciativa reveladora dum enorme pioneirismo e criatividade, condições cada vez mais importantes para o desenvolvimento quotidiano das nossas organizações. COOPHÊCOME Promove novo Programa Habitacional TEVE LUGAR NO PASSADO DIA 16 DE JULHO A CERIMÓNIA DE ENTREGA, PELA AUTARQUIA, DOS TERRENOS DA FUTURA URBANIZAÇÃO DE S. SEBASTIÃO À COOPHÊCOME – COOPERATIVA DE HABITAÇÃO ECONÓMICA DO CONCELHO DE MÉRTOLA. Estiveram presentes na breve cerimónia o Presidente do Município, Dr. Pulido Valente, o Presidente da Cooperativa Arq. Rui Carvalho, bem como os restantes elementos da Direcção da cooperativa e cooperadores inscritos para o programa habitacional em questão. Ainda presente, esteve Adriano Nascimento, Presidente da Lar para Todos e representante da Federação Nacional neste acto, que nas palavras proferidas manifestou a disponibilidade da FENACHE, bem como da Lar para Todos, para apoiar a Coophêcome, no desenvolvimento deste importante projecto para a Cooperativa e para a Cidade de Mértola. O loteamento de S. Sebastião vem responder às carências habitacionais do Concelho, com a construção de 78 habitações de tipologias que variam de T2 a T5, divididas por três fases de construção. As obras de construção das infra estruturas, que ascenderam a um milhão e quatrocentos mil euros foram integralmente suportadas pelo orçamento municipal, prova evidente do empenho e do esforço que o Município tem vindo a desenvolver para a melhoria da qualidade e quantidade das habitações no Concelho. Com as infra estruturas concluídas e entregues à Cooperativa, esta irá dar andamento ao processo de construção dos fogos, cujo prazo máximo de finalização prevê-se seja de 3 anos. Atendendo à importância que este projecto representa para a nossa filiada e para o desenvolvimento do Cooperativismo habitacional naquela área geográfica a Habitar Hoje acompanhará de perto a evolução do programa. 07 actividades REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO ÁGUA VIVA Celebra aniversário A Cooperativa Água Viva celebrou no passado mês de Maio 31 anos de existência. Para dar inicio às celebrações, que tiveram lugar durante todo o mês, a Direcção da Cooperativa optou pela organização dum passeio de 4 dias a Lurdes, em França, à qual se associaram elementos da Cooperativa Tripeira, numa iniciativa que tornou o convívio numa experiência inesquecível para todos quantos nele participaram, e uma forma de celebração certamente a repetir num futuro próximo. Mas o momento alto destas celebrações estava guardado para o dia 17, com a realização do 1º torneio de Futsal Manuel Rodrigues Gomes, cuja sessão de abertura contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Dr. Guilherme Pinto, e do Presidente AS SETE BICAS Celebra aniversário... A CHE As Sete Bicas aproveitou a comemoração dos 33 anos para estender pelo mês de Abril algumas actividades que integraram o Programa Comemorativo. O dia 6 de Abril, data da fundação da Cooperativa, ficou marcado pela realização do almoço de confraternização entre a “família Sete Bicas”. Num ambiente propício à confraternização, não podiam faltar as palavras de quem conduziu a maior parte da história da instituição e que relembrou todos os presentes da grande responsabilidade da Cooperativa nas múltiplas funções que vem desempenhando a nível, 08 da FENACHE, Guilherme Vilaverde, bem como de outros dignitários autárquicos e dirigentes cooperativos da região, numa celebração de reconhecimento pelo trabalho da Cooperativa, que acolheu ainda uma apresentação musical dos jovens da Escola de Música da Cooperativa, encerrando-se com uma noite de fados no auditório Firmino Gomes e com o tradicional champanhe e bolo de aniversário. O programa dos festejos contemplou ainda espaço para recordar a memória daqueles que tendo já tendo partido, contribuíram para a evolução da Água Viva e para a prossecução dos seus objectivos, com a realização duma cerimónia religiosa. REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO actividades local, regional e nacional, seja no seio do Movimento Cooperativo Habitacional, seja na sociedade em geral. O Presidente, Guilherme Vilaverde, reeleito nas eleições de 7 de Março de 2008, alertou, contudo, para a necessidade de a Sete Bicas se dotar de redobradas capacidades e competências para enfrentar a actual situação conturbada do mercado habitacional e poder assim manter a postura pioneira nos projectos em que se envolve. O dia 12 de Abril assistiu, nas instalações do Centro Desportivo, Cultural e Recreativo do Carriçal, a uma agradável noite de fados, conduzida pelo neto de Alfredo Marceneiro. Da música ao teatro, foi a vez dos actores Sete Bicas mostrarem o seu talento com a exibição da peça “Três em Lua de Mel”, uma comédia que contou com casa cheia na noite de 18 de Abril. A qualidade do espectáculo justificou a sua repetição, no dia 19 de Abril, desta vez no Teatro Aurora da Liberdade. A fechar o Programa dos 33 anos, tivemos a participação da delegação Sete Bicas na 17ª Edição dos Jogos Nacionais das Cooperativas de Habitação Económica que tiveram lugar na bonita cidade de Vila Nova de Gaia. Foi, assim, num saudável ambiente de festa desportiva, que se encerrou a comemoração da passagem de mais um aniversário da nossa Cooperativa. ... E gere a conclusão do Empreendimento Moradia 2000 Está já concluído o Edifício promovido pela Cooperativa Moradia 2000 e gerido pela CHE As Sete Bicas CRL. O Edifício contempla 12 habitações, distribuídas em três pisos (R/Chão, 1º e 2º andar) com 2 tipologias T1, 6 tipologias T2 e 4 tipologias T3. A excelente localização, aliada à simplicidade construtiva, ao reduzido número de habitações e à optimização das áreas dos fogos faz deste Empreendimento uma excelente opção de habitação cooperativa disponível em pleno “coração” da freguesia da Senhora da Hora, concelho de Matosinhos. 09 actividades REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO CETA Dinamiza novo Programa Habitacional e Lar/Centro de Dia A Cooperativa de Habitação CETA promoveu no decorrer do mês de Julho uma visita ao andar modelo do seu novo empreendimento de habitação colectiva, localizado na freguesia de Aldoar, no Porto. Composto por 24 fogos de tipologia T2 (8 unidades) e T3 (16 unidades), o empreendimento cuja construção teve inicio em Junho de 2007, integra importantes aspectos de sustentabilidade ambiental, tais como, o aproveitamento da energia solar com instalação de painéis individualizados, a utilização de torneiras de sanitários com termóstato, bomba de retorno no que respeita ao abastecimento de água quente, isolamento acústico e térmico das habitações, caixilharias das janelas com vidro duplo, ventilação transversal natural dos compartimentos e fachadas com plaqueta de tijolo. A obra, que se prevê esteja concluída em Setembro deste ano, será assim mais um empreendimento das filiadas da FENACHE a incorporar a metodologia e melhores práticas da construção sustentável, de que o empreendimento da Ponte da Pedra, foi indiscutível pioneiro. Ainda neste âmbito, e visando alargar o conjunto de respostas sociais às carências habitacionais dos seus membros, a Cooperativa iniciou igualmente em Junho de 2007, na freguesia de Aldoar no Porto, as obras do Lar/Centro de Dia, cuja conclusão se encontra prevista para Janeiro de 2009, e cujo projecto de execução contempla a integração de 3 valências distintas orientadas para a terceira idade: Lar com capacidade para 39 utentes, Centro de dia para 40 utentes e Apoio domiciliário para 30 utentes. Com a dinamização de mais estes dois importantes projectos, a CETA dá continuidade ao seu importante trabalho de promoção cooperativa, dando igualmente resposta às novas necessidades habitacionais e de apoio social das famílias e comunidades. CHC Inicia projecto habitacional em Ponte de Sôr Integrado no Protocolo de Colaboração estabelecido entre a FENACHE e o Município de Ponte de Sôr, a Cooperativa CHC deu inicio à construção dum novo programa habitacional orientado para o realojamento dum conjunto de famílias carenciadas do Concelho. Composto por 90 fogos, de tipologias T1, T2, T3 e T4, o empreendimento cuja conclusão deverá ter lugar ainda no decorrer deste ano é da autoria do Arq. José Sousa Macedo, e financiado pelo IHRU, incorporando aspectos de sustentabilidade ambiental e de eficiência energética. 10 REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO actividades CHAVE Inaugura nova Sede Social Teve lugar no passado dia 19 de Julho, a cerimónia de inauguração da nova sede social da cooperativa, e entrega de chaves dos 12 fogos que compõem o programa habitacional designado por Urbanização Chave, na cidade de Aveiro. A sessão solene contou com a presença do Eng. Jorge Vieira, em representação do IHRU, do Eng. Ponce Leão, Presidente do Instituto da Construção e do Imobiliário, que aliás presidiu ao acto de inauguração da nova sede, bem como do Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Dr. Élio da Maia e do Presidente da FENACHE, Guilherme Vilaverde. Com esta iniciativa a Cooperativa encerra um ciclo de construção na zona de Santiago, que como caracterizou Joaquim Leal, presidente da Chave, no seu discurso se compõe por um “pequeno mundo cooperativo de 300 apartamentos, 8 lojas, 4 escritórios e 87 garagens, infra-estruturas desportivas e zonas verdes” construídas, acrescentou ainda, com a “afirmação dos valores da solidariedade e da entreajuda”. O Presidente da Cooperativa aproveitou ainda a ocasião para saudar as parcerias e apoios que a Chave tem vindo a receber ao longo dos anos e que ajudou à consolidação do projecto cooperativo habitacional. A cerimónia contemplou ainda diferentes momentos de celebração, destacando-se aquele que homenageou a fidelidade dos membros da cooperativa, entregando àqueles que alcançaram os 25 anos de associado um diploma de agraciamento. A Habitar Hoje aproveita esta ocasião para felicitar a Chave por mais esta etapa do seu percurso cooperativo, desejando-lhe as maiores felicidades para o futuro. CHE T3 Organiza visita de cariz ambiental No âmbito das comemorações dos 30 anos de vida da CHE T3, sob o lema “30 Anos de Existência, 30 Anos de Cooperativismo, 30 Anos de Iniciativas”, decorreu no passado dia 8 de Junho um passeio promovido pela Cooperativa à Escola ambiental da Herdade das Parchanas, situada em Alcácer do Sal. Com o apoio do Temos Festa! - um atelier de tempos livres, do grupo da Cooperativa e da Companhia de Seguros Sagres, cerca de 50 pessoas, sócios, amigos e familiares, dos quais 26 crianças, puderam usufruir das condições e das várias actividades ao ar livre promovidas na Herdade, das quais se destacam os passeios de cavalo e de “charret”. A iniciativa primou ainda por associar aos momentos de lazer e descontracção uma importante componente de educação ambiental, pelo que as actividades, tanto dos mais pequenos como dos adultos, foram direccionadas para a problemática ambiental e comportamentos a evitar com vista à melhor preservação dos recursos ambientais. Ao final do dia, a satisfação de todos aqueles que participaram, foi a garantia de que esta foi mais uma iniciativa de sucesso promovida pela CHE T3. 11 actividades REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO COLMEIA Encerra comemorações dos 30 anos com abertura de Lar/Residência para séniores A Colmeia culminou a comemoração do 30º aniversário e o programa “30 anos, 30 iniciativas”, com a entrada em funcionamento do seu Lar/ Residência de Seniores no passado dia 15 de Maio – Dia Internacional da Família – o primeiro lar promovido por uma cooperativa. Com capacidade para 23 Cooperadores, este equipamento - construído de raiz num dos edifícios que a Colmeia promoveu e premiado como melhor empreendimento do ano 2005 por uma revista da especialidade - completa a trilogia de respostas às necessidades dos seus Cooperadores, já que a par da promoção da habitação, a Colmeia tem em funcionamento há três anos Creche e Jardim de Infância e, agora, no mesmo edifício e depois de ultrapassadas muitas barreiras administrativas, acrescenta mais este serviço para os seus membros e para a comunidade. Um abraço que se vive num mesmo espaço e num mesmo projecto cooperativo, onde convivem moradores, seus filhos na escola e seus familiares e amigos na residência, envolvendo os diferentes segmentos etários. Com mais esta actividade a Colmeia aumenta o número de Colaboradores directos, ultrapassando, actualmente, os 50 que, há dez anos atrás, se compunham por apenas de 1. Para todos os que acreditam na cooperativa, nos seus projectos e têm contribuído para a sua realização, a Direcção da Colmeia reconhece publicamente a indispensável cooperação. LAR PARA TODOS Participa no 14º Congresso Alentejo XXI Atendendo ao crescente protagonismo que a Cooperativa Lar para Todos tem vindo a ganhar na região alentejana, fruto da excelência do trabalho e da qualidade inscrita nos programas habitacionais desenvolvidos, foi convidada a estar presente nos trabalhos do 14º Congresso Alentejo XXI, realizado no passado mês de Junho, no mítico Pax Júlia, sob o lema “Caminhos de Futuro”. Adriano Nascimento, Presidente da Direcção, representou a Cooperativa neste importante evento que visa sensibilizar e mobilizar esforços no sentido de promover 12 o desenvolvimento e a qualidade de vida no território, tendo na sua intervenção destacado o trabalho desenvolvido pela Lar para Todos na promoção de mais de 1.000 fogos em Beja, Ferreira do Alentejo e Moura, onde a organização começou agora uma intervenção de destaque. O Presidente da Cooperativa aproveitou ainda a ocasião para referenciar o Plano Estratégico para a Habitação, e a importância dum instrumento desta natureza para o desenvolvimento verdadeiramente equilibrado e sustentável do sector habitacional no nosso país. REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO actividades NHC Mantém ritmo de trabalho... Desenvolvido ao abrigo do protocolo FENACHE/Município de Odivelas, a NHC deu inicio às obras de construção do programa habitacional do Bairro Gulbenkian, destinado a programas de realojamento de famílias carenciadas do Concelho, e atempadamente identificadas pela autarquia como beneficiárias de apoio ao nível habitacional. No mesmo âmbito, a cooperativa deu inicio à construção da 2ª fase do programa habitacional de S. João da Talha, igualmente desenvolvido a partir duma parceria especifica com o município de Loures, e no qual a sua participada NHC Social se encontra, uma vez mais, a desenvolver um notável trabalho no que respeita à integração da população de etnia cigana residente na 1ª fase, nomeadamente no que respeita à garantia da escolaridade mínima dos mais novos. ... E aprova Plano Estratégico para 2008-2012 A NHC aprovou na sua Assembleia-geral do passado dia 9 de Julho o Plano Estratégico do grupo para o período compreendido entre 2008 e 2012. Com esta iniciativa a Cooperativa propõe-se a atingir um conjunto importante de metas, das quais se destacam os seguintes itens: Alargar o âmbito de acção da NHC, nomeadamente no apoio às famílias mais carenciadas, através do estabelecimento de parcerias com o Estado Central e Local; Fortalecer os vínculos entre Cooperadores através da promoção de actividades associativas e da criação de serviços complementares; Re-centrar na promoção e gestão de habitação, a principal actividade da Cooperativa, dando particular atenção aos aspectos relacionados com o arrendamento e a reabilitação urbana; Criar qualidade habitacional e promover a satisfação de necessidades habitacionais dos Cooperadores, com a sua participação directa; Preparar a futura geração de dirigentes cooperativos para que prossiga o projecto NHC. SANTO ILDEFONSO Dá continuidade ao trabalho Após a conclusão do empreendimento da Rua Gonçalo Cristóvão, em meados do ano transacto, e da inauguração da nova sede social no mesmo local, a cooperativa de Santo Ildefonso dá continuidade à sua actividade de promoção e construção de habitação, com um novo programa habitacional em construção na Freguesia de Lagares, no Concelho de Penafiel. O empreendimento é composto por um edifício com cave, rés-dochão, 1º e 2º andar, de 9 fracções distribuídas por 6 T3, 2 T2 e 1 T4, localizado junto à estrada nº 319, mesmo no centro da freguesia, a cerca de 20km do Porto, com uma envolvente de vegetação rural e zona de pinhal. Todos os apartamentos possuem garagens individuais e arrumos, havendo, um particular cuidado da Cooperativa com os locais ajardinados por forma a assegurar a vivência familiar e o estimulo à boa vizinhança. Ao nível do rés-do-chão existem 4 espaços comerciais para dinamização do pequeno comércio de apoio aos moradores. 13 dossier REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO FENACHE Organiza sessão sobre o Plano Estratégico de Habitação CERCA DE 50 PESSOAS, MARCARAM PRESENÇA NA SESSÃO DE TRABALHO PROMOVIDA PELA FEDERAÇÃO NACIONAL, NO PASSADO DIA 17 DE JULHO, SUBORDINADA AO TEMA “PLANO ESTRATÉGICO DE HABITAÇÃO – A LEITURA DO SECTOR COOPERATIVO HABITACIONAL”. que não encontra paralelo em nenhum outro país europeu, à excepção de Espanha, onde o mercado de habitação nova assume igualmente valores elevados (69% do mercado), e cuja acentuada crise imobiliária tem desencadeado graves ondas de choque económico também em território nacional. Inacreditável é igualmente a expressão que assume o mercado de habitação social em Portugal – uns meros 5%, totalmente contrastantes com as reais carências da população (ver caixa). Cientes da enorme importância que este instrumento desempenhará na condução duma efectiva Política Social de Habitação e no desenvolvimento das actividades correntes das filiadas, a FENACHE tem centralizado parte da sua actividade ao estudo aprofundado deste dossier, tendo em sequência desse trabalho produzido um documento posicional do sector (ver destaque nas páginas seguintes) onde expressa as suas principais preocupações em matéria dos objectivos e metodologias de trabalho inscritos no documento em apreciação. A sessão contou com a presença de representantes de várias cooperativas filiadas, de alguns Municípios com quem a FENACHE estabeleceu acordos de colaboração, do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, personalidades de reconhecido mérito, tal como o Arq. Nuno Teotónio Pereira e o Arq. António Baptista Coelho, bem como da Assessora do Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Dra. Dulce Moura, que na impossibilidade de presença deste, representou o executivo governamental. Os trabalhos tiveram inicio com a apresentação do Dr. Manish Fernandes, elemento da equipa da Prof. Isabel Guerra – CET/ISCTE, que em associação com a equipa do Arq. Nuno Portas - IRIC/UP e do Dr. Augusto Mateus - Augusto Mateus & Associados, foram os responsáveis pela elaboração dos 3 documentos que dão corpo à versão preliminar do Plano Estratégico de Habitação, oficialmente apresentado em Maio último às autarquias, e que se encontra actualmente em fase de consulta pública. No decorrer da sua apresentação, o elemento da equipa do Plano reforçou que o que se pretende é essencialmente “a procura de novas formas de fazer”, apontando as propostas técnicas para uma aposta forte na reabilitação e no realojamento, em detrimento da construção nova que assume, na actualidade, uma expressão de 90% da totalidade do mercado habitacional português, cabendo aos restantes 10% um desequilibrado balanço entre reabilitação e arrendamento. Situação 14 Seguiu-se um vivo debate, onde os participantes foram unânimes na crítica à actual Lei dos Solos, propondo soluções que viabilizem a definição de percentagens de solo a serem afectos à construção de Habitação de Interesse Social, à semelhança aliás, do que acontece, por exemplo, no país vizinho, bem como, já em alguns municípios portugueses. A FENACHE irá continuar acompanhar este processo, efectuando, sempre que pertinente, diligências no sentido de assegurar as melhores condições para o trabalho das Cooperativas de Habitação. REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO dossier As carências habitacionais dos portugueses em números - 27.000 Famílias vivem em barracas - 40.000 Famílias inscritas nas listas de espera das autarquias - 11.540 Imigrantes residem em habitações sem condições mínimas de habitabilidade - 2.500 Pessoas vivem nas ruas - 187.000 Famílias em residências degradadas - 500.000 Famílias em alojamentos sobrelotados O Plano Estratégico para a Habitação 2008/2013 DOCUMENTO POSICIONAL DA FENACHE A FENACHE – Federação Nacional de Cooperativas de Habitação Económica, FCRL entende dever saudar e até felicitar os responsáveis da equipa técnica e tutela do sector pela tentativa de dar corpo a um Plano Estratégico para a Habitação, documento que, segundo observamos, visará estabelecer e elencar as principais linhas de actuação futura que podem vir a equacionar e desenvolver, no âmbito da actual situação habitacional do País, uma efectiva e urgente Politica Social de Habitação, com base e à semelhança do que foram e são as melhores práticas prosseguidas pelos nossos parceiros europeus neste domínio. Porém, numa primeira observação sobre o documento, a FENACHE considera e lamenta que o mesmo mais não estabeleça do que um mero plano de intenções totalmente destituído de propostas e medidas de acção concretas que possibilitem a sua efectiva e urgente implementação, tanto mais que se regista no País um enorme atraso na reacção dos responsáveis políticos e do sector em geral á visível inadequação da politica da habitação das últimas décadas às circunstâncias e necessidades do momento presente e, sobretudo, em face das características dos novos problemas e carências da politica habitacional do futuro. Os actuais problemas de Habitação em Portugal resultam dum progressivo acumular de erros de avaliação e gestão das sucessivas políticas governamentais orientadas para o sector, que durante décadas, e em face das enormes carências quantitativas a que havia necessidade de dar resposta, foram demasiado permissivas, optando, sistematicamente, e em grande maioria, pela via mais fácil: a da construção livre, sem critérios, e como se comprova, desadequada das reais necessidades da população. A posição actual do sector vem, inquestionavelmente, comprovar que o conceito de política de habitação até aqui desenvolvido, e a sua gestão ao nível central e local, custou, e continuará ainda a custar às gerações futuras, valores excessivamente acima do que o País poderia verdadeiramente gastar e comportar. Paralelamente, o território ficou genericamente mal servido, com um ordenamento inapto e desconexo, e pouco fomentador das zonas verdes, dos espaços pedonais, das áreas de comércio e lazer de dimensão humanamente equilibrada, propiciador de economias locais obviamente fundamentais e necessárias, primeiro como serviço de apoio às comunidades, e depois como elemento enriquecedor dum, efectivo e sustentável, tecido social e urbano. Associado a este panorama pouco animador, surgem ainda os cidadãos, efectivamente os elementos mais importantes desta equação, que como se percebe e evidencia, estão longe dos níveis médios de satisfação habitacional. Perante este contexto, urge pois abrir um novo ciclo de políticas que contemplem efectivamente uma visão mais moderna, mas sobretudo mais racional, no que respeita à gestão, por um lado, do(s) património(s) existente(s), nomeadamente no que toca à esfera pública, e por outro dos imprescindíveis recursos a afectar a este segmento, procurando e incentivando a introdução de práticas e procedimentos inovadores que evitem e corrijam os erros da actuação 15 dossier REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO passada. Papel que caberá óbvia e exclusivamente, ao documento final que dará efectivo corpo ao Plano Estratégico para a Habitação. Efectivamente, é desde há muito que o debate no sector se coloca na esfera da necessidade de acabar com a construção de habitação social, evoluindo para um modelo fomentador duma Política Social de Habitação, que propicie soluções habitacionais diferenciadas e adaptadas às necessidades habitacionais do percurso de vida do cidadão e das famílias. São pois óbvias, as três dimensões fundamentais identificadas por esta versão do Plano, como opções estruturantes do sector no futuro: A Construção a Custos Controlados; a Reabilitação do Edificado e o Mercado de Arrendamento, nomeadamente na sua vertente puramente social. Curiosamente, ou nem tanto, as áreas específicas da actuação da FENACHE e das suas filiadas, nos últimos anos, num percurso que tem vindo a trilhar constantemente a inovação e a melhor gestão dos recursos, com patentes casos de sucesso. Contudo, e não obstante serem estas entendidas como opções consensuais, hoje, e sem mais tempo para perder, os verdadeiros e inadiáveis problemas a solucionar no Sector da Habitação no nosso país, são de natureza extremamente complexa e exigem uma elevada mobilização de recursos num momento em que estes são, visivelmente, muito escassos. E, para a ultrapassagem dos quais, a versão preliminar do plano não consegue dar efectiva resposta, procurando ao invés identificar alternativas e potenciais parcerias, que poderão ou não consolidar-se no plano real, sem que ao Estado caiba qualquer responsabilidade de mediação ou de co-responsabilização, que nos parece defraudar, na sua essência, aquela que é a competência maior do Estado nestes processos. Aliás uma das principais críticas que nos apraz efectuar ao documento, é o facto de este estar intrinsecamente orientado para o total desvinculo do Estado na dinamização destes processos, que não deixando de ser uma orientação que genericamente, consideramos positiva, não nos parece poder ser efectuada de forma totalmente abrupta, passando o IHRU (ex-INH) de agente dinamizador, regulador e financiador, a praticamente mero mediador, sem que sejam devidamente acauteladas soluções públicas, privadas ou mistas, que permitam o cumprimento das funções anteriormente assumidas por este organismo. Ainda neste âmbito, parece-nos existir demasiado enfoque na possibilidade de financiar estas acções, ao abrigo de programas operacionais dispersos, que não sendo obviamente opções a descartar, não nos parecem contemplar por si só, a necessária confiança do mercado imobiliário actual para a dinamização de operações que visem o mercado social de habitação, sendo, no nosso entender, exigível ao Estado uma quota parte de responsabilidade que no documento parece não existir. 16 Assim, e entre outros aspectos, pergunta-se: - Onde está o papel do Estado na promoção de uma política de solos que possibilite a constituição de uma bolsa pública de terrenos urbanizados, a custos controlados, a fim de poderem ser disponibilizados aos agentes do sector empenhados e capacitados na promoção da política social da habitação? - E a indispensável e urgente adequação, de há muito reconhecida e requerida, dos instrumentos legais vigentes de enquadramento da promoção e financiamento da habitação a custos controlados, mediante construção nova ou através de reabilitação, em face da progressiva evolução normativa e regulamentar a que passaram a estar sujeitos os projectos e as respectivas construções? - E será que o Estado (central ou local) vai continuar a delapidar o património habitacional de que é detentor, construído com o esforço de todos nós, nalguns casos vendendo-o ao desbarato e noutros não adoptando uma clara e eficiente política de gestão desse parque do ponto de vista físico, patrimonial e social, ao invés de atribuir/ contratualizar essa função com os agentes do sector efectivamente vocacionados e capacitados para tal, prestando-lhes, a esses, o devido e necessário apoio financeiro no âmbito de uma efectiva política social da habitação? Outro motivo de preocupação, parece-nos ser o de total abertura do sector, em todas as suas vertentes, a todo e qualquer agente do mercado, incluindo proprietários ou arrendatários individuais, com pouca preocupação sobre a sua idoneidade e capacidade técnica, o que, no nosso entender, poderá ser fomentador dum considerável manancial de atritos, bem como duma contínua ineficiente gestão dos escassos recursos financeiros garantidos pelo Estado, perdendo uma vez mais uma importante oportunidade para regular efectivamente este mercado, direccionado aos actores para aqueles que são os seus naturais âmbitos de actuação. Em complemento, não podemos igualmente deixar de lamentar o momento, no nosso entender demasiado tardio, em que este documento é apresentado, não se podendo realística e objectivamente definir e assegurar as metas necessárias à sua efectiva implementação no quadro legislativo vigente, bem como a ausências de garantias da sua aplicabilidade numa situação governativa distinta. No entanto, e sem impedimento do anteriormente exposto, a FENACHE e o conjunto de filiadas que lhe dá corpo, encontram-se como sempre preparadas e disponíveis para concertar com os seus interlocutores medidas e instrumentos que possibilitem a continuação daquela que é a nossa principal razão de ser: a construção de habitações dignas e a preços acessíveis para todas as famílias portuguesas. A Direcção REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO jogos nacionais JOGOS NACIONAIS 17 Anos a promover o Cooperativismo Habitacional pelo Desporto e a Cultura Popular A 17ª edição dos Jogos Nacionais das Cooperativas de Habitação da vindo a ser habitual nas últimas edições dos Jogos Nacionais, em clima FENACHE, realizados em Vila Nova de Gaia entre 25 e 27 de Abril de enorme tranquilidade e saudável convívio entre delegações, sendo último, foi uma vez mais prova do imenso sucesso que esta iniciativa, evidente o crescente respeito pelo adversário e o fortalecimento das ano após ano, produz junto das cooperativas e seus associados, relações de amizade entre participantes de diferentes cooperativas. acolhendo perto de 700 pessoas, de idades compreendidas entre os 6 meses e os 70 anos, que durante 3 dias celebram o cooperativismo habitacional na sua vertente de dinamização desportiva e cultural. A edição deste ano, exemplarmente organizada pela Cooperativa Santo António das Antas, e com o incalculável apoio da empresa municipal Gaianima, assumiu contornos distintos dos que vinham sendo praticados em anteriores edições. Assim e tendo em perspectiva a constante mobilização das delegações, foi opção da organização abdicar da realização do já tradicional seminário técnico de forma a garantir a integração no programa geral, de iniciativas culturais colectivas, tais como foram as de Visita às Caves do Vinho do Porto e Passeio pela Cidade, que pudessem ser usufruídas em ambiente familiar e de amizade por todos os atletas e restantes participantes. Opção essa que se revelou um enorme sucesso a ser recolocado em posteriores edições. A sessão inaugural dos jogos primou igualmente pela diferença, integrando para além dos tradicionais discursos de acolhimento da iniciativa pelo Presidente da Cooperativa anfitriã, representante da Autarquia Local e pelo Presidente da FENACHE, Guilherme Vilaverde, A finalizar, resta-nos deixar uma palavra de especial apreço à uma mostra de talentos preconizada por elementos de organizações Cooperativa Santo António das Antas, toda a sua equipa, e muito locais ligadas a Ginástica de Exibição e Danças de Salão que fizeram as particularmente ao seu Presidente João Freire, que se estreou na delícias do muito público presente no Pavilhão Municipal de Gaia. organização dos Jogos Nacionais com uma iniciativa do mais alto nível As actividades desportivas, por seu lado, decorreram, como aliás tem e competência. 17 jogos nacionais REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO IV CAMINHADA JOSÉ BARREIROS MATEUS Bate recorde de participação Mais de três centenas de pessoas ligadas ao Cooperativismo Habitacional marcaram presença na IV Caminhada José Barreiros Mateus, iniciativa que encerrou a 17ª edição dos Jogos Nacionais das Cooperativas de Habitação da FENACHE, e que acabou por se revelar um dos mais importantes momentos destes Jogos. Com um circuito que rondou os 7 kilometros, a Caminhada teve lugar no domingo, dia 27 de Abril, nas margens da bonita Praia dos Lavadores em Vila Nova de Gaia, servindo uma vez mais para celebrar a memória dum dos mais importantes e reconhecidos ícones do Cooperativismo Habitacional em Portugal e na Europa. Delegação Internacional marca presença nos Jogos Nacionais Mais uma vez os Jogos Nacionais receberam a presença de colegas e amigos oriundos do Brasil e de Espanha, desejosos de participar naquela que é a maior festa do Cooperativismo Habitacional em Portugal. A Comitiva internacional marcou ainda destacada presença na IV Caminhada José Barreiros Mateus, principal impulsionador do intercâmbio cooperativo com os nossos países irmãos, num registo de respeito pela memória e trabalho deste grande Cooperativista, que emocionou os amigos e familiares presentes. Os mais vencedores da 17ª edição dos Jogos Nacionais por Modalidade Cooperativa Troféus 1º Premio(s) As Sete Bicas 11 5 NHC 9 5 Habitovar 4 2 Coopermaia 3 1 Che T3 3 0 ATLETISMO 18 Cooperativa Troféus 1º Premio(s) Santo António das Antas CHC Coobital NHC Água Viva As Sete Bicas BTT 4 3 2 1 1 1 2 1 1 1 0 0 jogos nacionais REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO Cooperativa Troféus 1º Prémio(s) Coobital 2 1 Ceta 1 0 Gente do Amanha 1 0 DAMAS Cooperativa Troféus 1º Prémio(s) 4 1 1 1 1 1 1 0 0 0 MALHA Santo António das Antas NHC Coopermaia A Telha Troféus 1º Prémio(s) 6 5 5 4 2 2 1 1 1 1 1 4 2 0 1 1 NATAÇÃO 2 1 1 0 Cooperativa Troféus 1º Prémio(s) CHC 1 1 Ceta 1 0 Cheuni 1 0 Santo António das Antas 1 0 Cooperativa Troféus 1º Prémio(s) Santo António das Antas 4 1 Tripeira 2 1 Chave 2 0 PESCA Troféus 1º Prémio(s) 1 1 1 1 Gente do Amanha Chave NHC Santo António das Antas 1 0 0 0 Cooperativa 2 1 Coobital 1 0 Santo António das Antas 1 0 SUECA Cooperativa Cooperativa Troféus 1º Prémio(s) Coopermaia 2 O Cheuni 1 1 Che T3 1 1 Troféus 1º Prémio(s) As Sete Bicas POOL AMERICANO TÉNIS DE MESA 3 2 1 1 MATRAQUILHOS Agua Viva Coopermaia NHC Cheuni Colmeia As Sete Bicas Chave Che T3 Cooperativa Troféus 1º Prémio(s) FUTSAL CHC Tripeira Coopermaia Gente do Amanha Santo António das Antas Cooperativa Cooperativa Troféus 1º Prémio(s) Coobital 10 NHC 3 Chasfa 1 Santo António das Antas 1 Ceta 1 2 0 1 1 0 TÉNIS DE CAMPO 19 jogos nacionais REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO Cooperativa Troféus 1º Prémio(s) Larcoope 1 1 CHC 1 0 XADREZ Ranking das 10 melhores Cooperativas / Categoria Troféus Cooperativa Ranking das 10 melhores Cooperativas / Categoria Primeiro Prémio Troféus Cooperativa 1º Prémio(s) NHC 18 NHC 8 As Sete Bicas 16 As Sete Bicas 6 Santo António das Antas 16 Santo António das Antas 6 Coobital 15 Cheuni 5 Coopermaia 12 Coobital 4 CHC 9 CHC 3 Agua Viva 7 Coopermaia 3 Cheuni 6 Che T3 2 Che T3 5 Habitovar 2 Chave e Habitovar (ex-aqueo) 4 Tripeira 2 E porque os Jogos não são só Actividade Física... Também os concorrentes do Concurso de Prosa e Poesia, encontraram Tal crescente qualitativo tem levado a Direcção da FENACHE a ponderar privilegiado espaço na edição deste ano. Com uma participação que tem perpetuar os melhores textos, pela publicação duma brochura de vindo a crescer substancialmente, tanto no que respeita à quantidade número limitado com as melhores obras vencedoras de prémio nos de textos submetidos a concurso como à qualidade que caracteriza os últimos anos. Enquanto tal não ocorre, e como forma de homenagear mesmos, torna-se cada vez mais difícil ao Júri desta prova de actividade o empenho e dedicação dos cooperadores que anualmente participam intelectual proceder a selecção final de textos premiados. nesta igualmente importante iniciativa cultural dos Jogos Nacionais, Este ano não foi excepção e o Júri viu-se mesmo na obrigação de optar aqui ficam os nomes dos grandes vencedores do Concurso de Prosa pela introdução dum Prémio Especial. e Poesia 2008: 3º Lugar Texto – Mutação / Autor – Maria Romana Lopes Rosa Cooperativa – Coobital 1º Lugar Texto - O Primeiro Dia Autor – Ana Isabel Marques Cooperativa – CHE T3 2º Lugar Texto – Monologo duma Virgem / Autor – Daniel Teixeira Santos Cooperativa – As Sete Bicas 20 Prémio Especial Texto – Nome de Mulher Autor – Fernando da Silva Santos Cooperativa – As Sete Bicas REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO jogos nacionais GAIANIMA Promove Conferência de Imprensa Cientes da magnitude deste evento para o sector cooperativo em Portugal, e totalmente empenhados em apoiar a FENACHE, e a Cooperativa Santo António das Antas em tornar esta edição dos Jogos Nacionais num evento de elevado reconhecimento publico, a Gaianima promoveu a realização duma Conferência de Imprensa com o intuito de dar a conhecer esta vertente do trabalho das Cooperativas de Habitação à imprensa, com particular destaque para a imprensa local, sempre mais sensibilizada para iniciativas desta natureza. A apresentação teve lugar no dia 23 de Abril, e contou com a presença do Vereador da área do Desporto do Município de Gaia, Dr. Guilherme Aguiar e do Presidente da Federação Nacional, Guilherme Vilaverde. A Direcção da FENACHE aproveita este momento para publicamente voltar agradecer ao Dr. Guilherme Aguiar e toda a sua equipa da Gaianima o extraordinário apoio prestado na condução organizativa deste processo, a qual contribuiu para o evidente sucesso da iniciativa, tanto no que se refere ao nível de satisfação dos participantes como ao nível orçamental. ENTREVISTA João Freire EM JEITO DE BALANÇO FINAL DE MAIS UMA EDIÇÃO DE SUCESSO DOS JOGOS NACIONAIS, A HABITAR HOJE CONVERSOU COM JOÃO FREIRE DA COOPERATIVA ANFITRIÃ, A SANTO ANTÓNIO DAS ANTAS, PARA FICAR A SABER A SUA OPINIÃO SOBRE O EVENTO, A PARCERIA E OS PROJECTOS FUTUROS. HH -Atendendo que foi a primeira vez na história dos Jogos Nacionais que a Cooperativa Santo António das Antas assumiu a organização do evento, que balanço faz desta iniciativa? João Freire - Respondendo de uma forma objectiva, diria que estes 17º Jogos Nacionais, realizados em V.N.Gaia, se saldaram por um enorme sucesso a todos os níveis, desde logo pela mobilização da família cooperativista e pela visibilidade que estes tiveram, sobretudo junto do poder local, que ficou a perceber a importância e a capacidade multifacetada das Cooperativas. Depois, fizemos uma excelente cerimónia de abertura, tivemos a preocupação de centralizar ao máximo os locais dos jogos, de fornecermos refeições de qualidade, num espaço magnifico, sem filas de espera e ainda de um programa que ocupasse praticamente todo o tempo às delegações. A caminhada em memória do nosso companheiro José Mateus, junto à marginal, com mais de trezentas pessoas e o passeio de bicicleta, foram momentos altos desta festa do cooperativismo. Por todas estas razões, e sobretudo porque tudo correu praticamente na perfeição, acho que o balanço deste jogos foi altamente positivo. 21 jogos nacionais REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO HH - A edição deste ano primou por ser uma das melhores tanto em termos organizativos, como na gestão dos escassos recursos. Qual foi o segredo para conseguir equilibrar da melhor forma estes aspectos? João Freire -Desde logo porque reuni uma equipa excelente à minha volta, sobretudo do nosso C.C.O.D.- Centro Cultural de Ocupação e Desporto Santo António das Antas, a quem aproveito para publicamente agradecer. Depois porque tivemos o apoio desde o primeiro momento da C.M.G / Gaianima, a quem também aproveito para agradecer, quer ao Vereador Dr.Guilherme de Aguiar, quer ao Administrador da Gaianima Dr. Nelson Cardoso, toda a colaboração prestada. Não posso ainda deixar de agradecer ao Dr. Nuno Pedrinho, que foi o representante da Gaianima que colaborou comigo no dia a dia, sempre disponível para nos ajudar. Estes dois apoios, foram na realidade a base do sucesso, os primeiros em toda a estrutura organizativa, e a autarquia na disponibilização dos equipamentos. O segundo aspecto foi na verdade os poucos recursos financeiros. Apesar destas limitações, fizemos questão de fazer melhor com menos dinheiro. Conseguimos alguns patrocínios materiais importantes, houve um cuidado muito grande em termos troféus e medalhões exclusivos, com um custo muito inferior ao habitual, e obviamente muita mão-de-obra graciosa e muito empenho da equipa organizadora. Aliando todos este factores conseguimos um saldo muito positivo em todas as vertentes. HH - Na sua perspectiva de representante da Cooperativa Organizadora, existem ainda aspectos a ser melhorados nas próximas edições dos Jogos? Quais? João Freire - Antes de mais, gostaria de deixar aqui uma sugestão: atendendo à riqueza dos trabalhos de conto e poesia, que são apresentados ano após ano, seria interessante que se fizesse uma compilação de todos estes trabalhos, de todos os concursos, e fossem editados em livro pela Fenache. Respondendo à pergunta, entendo que de futuro deverá haver mais respeito pelo cumprimento das datas de inscrição. Os regulamentos deverão ser actualizados e reger-se pelas normas das respectivas federações, deverá ser da competência da organização a contratação de um seguro para todos os atletas, incluindo-se este custo no valor da inscrição. Penso que o actual modelo de “competição saudável” se deve manter, mas devemos encontrar uma outra fórmula para envolver também as famílias e acompanhantes nesta festa do cooperativismo. Beja acolhe 18º Jogos Nacionais Foi na sessão de encerramento dos 17º Jogos Nacionais, que o Presidente da FENACHE, Guilherme Vilaverde, tornou pública a decisão da Direcção de, respeitando a tradicional rotatividade regional, realizar a próxima edição dos Jogos Nacionais na Cidade de Beja, sendo a anfitriã a Cooperativa Lar para Todos. Adriano Nascimento, Presidente da Cooperativa, falou com a Habitar Hoje, manifestando o seu total e empenhado entusiasmo com este desafio, relembrando que não obstante ser esta a primeira vez que a Lar para Todos assume a organização dum evento desta envergadura, ele próprio tem acompanhado e participado exaustivamente na realização anual desta iniciativa, enquanto representante dos Órgãos Sociais da Federação na Comissão Organizadora dos Jogos Nacionais, instituída desde o ano de 2001. Assim sendo, a 18ª edição dos jogos Nacionais terão lugar na acolhedora e quente cidade alentejana de Beja, nos dias 16 e 17 de Maio de 2009. Jogos Nacionais chegam à maioridade À Organização da próxima edição dos Jogos Nacionais acresce a responsabilidade de celebrar 18 anos da maior iniciativa de cariz lúdico – desportiva realizada pelo Movimento Cooperativo Português. Para tal, a FENACHE encontra-se desde já a preparar uma exposição intitulada “Os Jogos Chegam à Maioridade” que visa retratar 18 anos de vivências cooperativas, tendo para isso solicitado às suas filiadas mais activas e participantes habituais desta iniciativa elementos variados, tais como fotografias, troféus, posters, autocolantes, etc, que sendo parte integrante do espólio da Cooperativa possa ser cedido por 22 um tempo limitado com vista ao seu adequado registo e tratamento com vista a integração na mostra final. Assim, todos os cooperadores interessados em colaborar nesta iniciativa de celebração dos Jogos e do Movimento Cooperativo Habitacional, deverão contactar os serviços da sua cooperativa ou directamente os serviços centrais da Federação com vista a articular a eventual cedência de imagens ou outros elementos enriquecedores desta iniciativa. REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO nacional Movimentos criticam Programa de Arrendamento Jovem do IHRU O Movimento Porta 65 Fechada tem sido a face mais visível do elegibilidade dos candidatos, e desta forma facilitar a abertura do coro de protestos que emerge de diferentes Movimentos de programa aos verdadeiros destinatários do mesmo, o cenário parece Jovens ou Associações de luta “Pelo Direito à Habitação” contra o estar a repetir-se, ficando a “esmagadora maioria” dos candidatos procedimento adoptado pelo Instituto de Habitação e Reabilitação fora do Programa Porta 65 Jovem. Urbana relativamente às candidaturas do Programa Porta 65 Jovem, Situação ainda mais insólita, se tivermos em atenção o facto do afirmando mesmo que estão a ser levantados “falsos entraves às número de candidaturas apresentadas nesta 2ª fase (cerca de 5.500) muitas candidaturas que estão em cumprimento com os parâmetros terem ficado muito aquém das inicialmente previstas pelo IHRU, que do programa”. apontavam para um universo de 20.000, reforçando as vozes críticas Paralelamente, os utentes têm igualmente vindo a apresentar que consideram que a criação do Programa Porta 65 Jovem teve queixas sobre o período em que, após notificação via sms e e-mails, como objectivo principal “reduzir as despesas no apoio aos jovens, questionando a candidatura, se estipula um prazo de 5 dias úteis para um corte que ascende a 70% do orçamento do anterior IAJ”. resposta, o que parece pouco fazível e desadequado face à capacidade Enquanto esta situação se desenrola, aparentemente sem uma de resposta que tem vindo a ser demonstrada pelos serviços do IHRU. solução efectiva à vista, a realidade é que se continuam agravar as Depois duma primeira fase de candidatura altamente conturbada por condições de extrema precariedade habitacional vivida pelos Jovens protestos e reivindicações por parte de todos os partidos da oposição que estão a dar os primeiros passos no mercado de trabalho, e que se e de múltiplos movimentos cívicos com vista a alargar os critérios de mantêm sem apoios concretos em matéria de arrendamento jovem. IHRU Abre candidatura para “Gestão Sustentável do Parque Habitacional Público” Na qualidade de instrumento institucional de aplicação da política do Governo para o sector da Habitação, e tendo como missão criar e implementar novos mecanismos que favoreçam o apoio à gestão de proximidade e à gestão sustentável do parque habitacional público destinado ao arrendamento com vocação social, o IHRU abriu um período de candidaturas para a contratualização com entidades locais, certificadas como agências de intervenção local, os serviços de gestão do parque habitacional e de apoio técnico à gestão do arrendamento. Esta contratação tem como objectivos: . Garantir a gestão de proximidade com eficácia e eficiência das fracções habitacionais, não habitacionais e espaços comuns; . Promover e participar nas Assembleias de Condomínios; . Favorecer projectos de mobilidade residencial; . Detectar situações de ocupação irregular ou ilegal; . Monitorizar e maximizar a taxa de cumprimento no pagamento das rendas; . Assegurar a manutenção e conservação do edificado; . Detectar situações de manifesta má utilização dos fogos. O modelo de gestão será implementado nos bairros: de S. Sebastião, na Moita, Fogueteiro, no Seixal, o Darque, em Viana do Castelo e Cabo-Mor, em Vila Nova de Gaia. Sendo as Cooperativas e régies cooperativas entidades alvo desta . Promover a cooperação estratégica com as restantes agências locais; abertura de candidaturas, os interessados em obter mais informações . Coordenar o trabalho com projectos autárquicos de intervenção social no domínio sócio urbanístico; através do e-mail: [email protected] ou apresentar manifestação de interesse devem contactar o IHRU 23 experiências REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO ESCOLARIDADE OU A CIDADANIA EM CONSTRUÇÃO A propósito da gestão de bairros sociais É do senso comum que a habitação se constitui como um dos direitos crianças e jovens, tornar-se-á então numa condição indispensável à fundamentais do cidadão. Eu diria mais – o direito fundamental, já que consecução dos objectivos traçados. a sua ausência condiciona a consecução de todos os outros tal como Com efeito, é na ESCOLA que a formação, a construção dos indivíduos estão postulados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, a como cidadãos acontece. começar pelo tratamento igual perante a lei, a liberdade, a segurança, Porque há a vivência no colectivo com regras a discutir e a acatar; o apoio social, a instrução. porque é a equipa e o trabalho em cooperação que fazem reflectir, Tem sido o reconhecimento generalizado desta premissa que tem escolher caminhos, fazer opções; porque é em contexto escolar que se levado os governos a promoverem – ou a apoiarem a promoção adquire o conhecimento, se desenvolvem as competências individuais –, principalmente nas zonas urbanas, de parques mais ou menos e se abrem horizontes; enfim, porque é aí que CRESCEMOS como numerosos de habitações destinadas às famílias de fracos recursos pessoas e como membros integrantes de uma sociedade com direitos económicos. Se o têm feito bem ou mal, não cabe aqui discutir. Neste mas também com responsabilidades! momento, e perante a constatação de que os bairros sociais existem E se esta premissa vale para todos os níveis de ensino, que dizer e neles os problemas de violência e insegurança são uma realidade da educação pré-escolar? Não é aí que se interiorizam regras de (sem, contudo, querermos insinuar que os problemas só existem nos comportamento individuais e colectivas?; Não é nestas idades que se bairros sociais), urge AGIR sobre as causas, em vez de REAGIR com motivam as crianças para uma vivência em condições de higiene e saúde paliativos às situações problemáticas com que diariamente somos pessoal e colectiva?; Não é também no pré-escolar que se despertam confrontados. as crianças para a curiosidade, a aprendizagem e o conhecimento? O acompanhamento das famílias, o estabelecimento de parcerias Percebe-se, então, os crimes de lesa sociedade que se cometem com entre as diversas instituições tendo em vista a ultrapassagem dos o abandono escolar – ou, pelo menos, a irregular e descontínua problemas, a valorização do trabalho como forma de realização frequência da escola por parte de muitas crianças e jovens que moram pessoal rumo à autonomia, o fomento de valores de cidadania, o nos Bairros Sociais. Urge tomar medidas e apoiar quem está no terreno incentivo à educação… são alguns dos aspectos que as gestoras tentando lutar contra a maré… A integração escolar, se possível logo dos parques habitacionais deveriam ter sempre como referência e no pré-escolar é o caminho a seguir. O resto virá por acréscimo. É que, que deveriam implementar através da acção concertada de equipas como diria uma professora que muito prezamos “... O que a Escola multidisciplinares. A frequência escolar efectiva por parte de todas as enjeita, a prisão aproveita”. Albertina Mateus Vice – Presidente da NHC Social João Mário Carvalho SPE - Segmento Construção Telefone: 21 313 32 08 e-mail: [email protected] REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO internacional INTERCÂMBIO COOPERATIVO Traz delegação Brasileira a Portugal A FENACHE recebeu no passado mês de Abril, e integrado um acordo de abastecimento dos espaços sociais do Grupo pela no intercâmbio cooperativo estabelecido com a CONFHAB Pluricoop, a maior estrutura cooperativa do ramo do consumo. – a Confederação Brasileira de Cooperativas Habitacionais, uma A visita à região do Algarve, terminou em festa, com a organização delegação de cerca de 20 dirigentes cooperativos e representantes do local a oferecer uma magnífica noite de folclore e música do mundo Senado Brasileiro para uma extensa visita de estudo às 3 principais que encantou todos os participantes, nacionais e internacionais. regiões do nosso país e nestas às cooperativas de habitação mais Em seguida, a Comitiva deslocou-se para Lisboa, onde Manuel Tereso, representativas do sector. presidente da estrutura regional da FENACHE, a União Metropólis, Assim, o programa teve início com uma deslocação de 3 dias à acompanhou o grupo numa visita técnica aos fogos do Vale Formoso região algarvia, onde Orlando Vargas deu a conhecer à comitiva de Cima e à nova Sede Social da FENACHE. brasileira a orgânica do Grupo MCH Algarve, bem como os principais A terminar, a delegação dirigiu-se a Norte para ficar a conhecer melhor empreendimentos habitacionais desenvolvidos e em fase de o movimento cooperativo da região com visitas técnicas à Quinta da desenvolvimento pelas 2 cooperativas que sustentam a razão de Belavista, em Vila Nova de Gaia, e ao Empreendimento da Ponte da ser do Grupo, a COOBITAL e a CHASFA, destacando-se as visitas Pedra, em Matosinhos. efectuadas ao Empreendimento das Janelas de Faro e às obras da Antes de regressar a casa a Comitiva brasileira participou ainda na Urbanização da Catalunha. 17ª edição dos Jogos das Cooperativas de Habitação, onde lhes foi Em paralelo, a visita contemplou ainda visitas à creche e ATL detido permitido ter conhecimento em primeira-mão da energia e capacidade pelo Grupo, que assim dá resposta a mais uma carência social sentida de mobilização do sector em Portugal. Na sequencia desta positiva pelos seus cooperadores. Uma nota importante a registar é o esforço parceria, encontra-se já prevista uma participação da FENACHE no que o Grupo tem vindo igualmente a desenvolver no que respeita à próximo Congresso do Cooperativismo Habitacional Brasileiro, a intercooperação sectorial, tendo por isso estabelecido recentemente decorrer em Florianópolis em Dezembro próximo. 25 internacional REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO FENACHE Participa nas reuniões do CECODHAS em Gotemburgo* “Habitação para o Crescimento e Desenvolvimento Sustentável” foi o tema global do encontro do CECODHAS, em Gotemburgo (Suécia), que comemora, em 2008, os seus 20 anos de existência. Entre os dias 28 e 30 de Maio, os membros do Comité Europeu da Habitação Social debateram temas transversais que afectam as organizações de habitação social, mas também tomaram conhecimento de casos concretos que demonstram o bom trabalho que muitas destas organizações têm vindo a desenvolver a nível local. Marcou este encontro a passagem de testemunho do Presidente Paul-Louis Marty que terminava o seu mandato de 2 anos para David Orr, Director Executivo da Federação Nacional da Habitação do Reino Unido e agora também Presidente do CECODHAS. A abrir a Sessão do dia 28 de Maio esteve a organização anfitriã, SABO - Swedish Association of Municipal Housing Companies, que se congratulou pelas excelentes condições climatéricas que iriam marcar o período durante o qual a Delegação do CECODHAS estaria em Gotemburgo. A exibição de um breve vídeo sobre a cidade portuária dispensou o discurso de apresentação. Tomou a palavra o então Presidente, Paul Marty, que traçou os eixos que caracterizam actualmente o sector habitacional na Europa. Tendo por base o afastamento do Estado em relação às questões da habitação, passando pela necessidade de assegurar o acesso à habitação para todos (independentemente da classe social e dos rendimentos) e a crise social / urbana que fragmenta a nossa sociedade, Paul-Louis Marty rapidamente elencou as apostas de trabalho futuro do CECODHAS, nomeadamente a garantia de acesso à habitação, o desenvolvimento urbano e energicamente eficiente e o necessário envolvimento com os municípios locais. Seguiu-se David Orr que realçou, entre outras temáticas, os serviços complementares de grande e pequena escala prestados pelas organizações de habitação social. A este respeito, foram referidos os serviços especiais para pessoas de terceira idade e com deficiências, as actividades diferenciadas para jovens, o acompanhamento do indivíduo desde o início até ao fim de vida, o apoio à população migratória, a sustentabilidade ambiental (são os promotores não lucrativos que se têm situado na linha da frente e que têm desenvolvido campanhas activas a favor da sustentabilidade ambiental), a regeneração urbana, a actuação local que, muitas vezes, substitui a acção dos Municípios e a promoção de novas oportunidades de emprego geradas por estas organizações. As restantes intervenções tiveram lugar em três painéis distintos subordinados aos temas: Perspectiva Nacional e Regional da interacção da habitação com o crescimento sustentável, Vizinhança e Participação dos moradores. No âmbito do terceiro painel mereceu destaque um interessante caso de estudo sueco – a regeneração da Comunidade de Gärdsten. A importância deste caso valeu uma visita guiada ao local, realizada no dia 29 de Maio. *Liliana Marques, Departamento Fenache Jovem 26 REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO internacional O caso exemplar de Gärdsten* Gärdsten situa-se a nordeste de Gotemburgo e, em 1997, data do início da intervenção no local, era uma das zonas mais problemáticas na Suécia, marcada pela degradação do parque habitacional, pela existência de habitações vazias, pela quase ausência de serviços, pelo elevado índice de criminalidade e de insatisfação dos moradores por habitarem aquele local. A tarefa da empresa pública propositadamente criada para reabilitar esta zona marginal do tecido urbano, incluía, além da necessidade de reabilitação física das habitações e das zonas exteriores comuns, uma indispensável reabilitação social. Em permanente concertação com a população (um dos factores de sucesso deste projecto) e através da criação de grupos de trabalho temáticos, a zona de Gärdsten foi objecto de profunda reestruturação: foram criadas estufas, lavandarias comuns e sistemas colectivos de tratamento de resíduos, como a compostagem, foram instalados colectores solares, dada nova cor às fachadas, reforçados os isolamentos, introduzido um sistema de controlo e supervisão que contempla a existência de Gestores de Edifícios e de chaves electrónicas de acesso às zonas comuns, um sistema individual de contagem dos consumos de electricidade, água fria, água quente e aquecimento, o que resulta num maior controlo de consumos individuais. Os resultados desta regeneração resultaram na diminuição de consumos de energia, no aumento do nível de satisfação dos moradores, na valorização das habitações em Gärdsten e no sentimento geral de inclusão partilhado pelos habitantes, a par da redução drástica do índice de criminalidade. A intervenção no local contemplou ainda, e não menos importante, a criação de uma linha de transporte público que faz a ligação entre Gärdsten e o centro de Gotemburgo, a criação de uma caixa Multibanco, de um posto de combustível, de um centro comercial activo que serve os moradores, de várias oportunidades de emprego e formação, a organização de actividades lúdicas realizadas no exterior que estimulam o convívio e a boa vizinhança. Ao fim de 10 anos, a responsável pelo projecto, Katarina Ahlqvist, partilhou com o CECODHAS o sentimento de que muito trabalho há ainda para fazer. Mas toda a dedicação e os resultados obtidos valeram já a conquista dos Prémios / Reconhecimentos de “Edifício do Ano 2000”, “Prémio Energia 2002”, “Melhor Esquema de Cor 2001”, “Prémio Habitat Mundial 2005”. Secção Cooperativa reúne em Gotemburgo e define prioridades para mandato de novo Presidente* A Secção Cooperativa do CECODHAS reuniu em Gotemburgo com uma extensa agenda de trabalho, donde se destaca a eleição dum novo Presidente e prioridades do mandato. Os trabalhos da secção contemplaram ainda uma apresentação da experiência da FENACHE com o Departamento Jovem (ver rubrica especifica), e apresentação do Primeiro Programa Cooperativo da Habitação Russo, pela Vice-Presidente do Movimento Cooperativo, Elena Dvoryashina. Foi apresentado um caso de estudo particularmente interessante e bem sucedido tendo em conta o contexto histórico adverso sócio - político que está na sua base. Os trabalhos da Secção Cooperativa, nos quais a Delegação da FENACHE esteve presente, foram marcados pela necessidade de reforçar a imagem das Cooperativas, dentro do CECODHAS e junto da Comissão Europeia, a importância de trabalhar dentro do sector para organizações do Sector Cooperativo, onde irão constar os exemplos mudar a imagem pouco favorável que a sociedade em geral tem sobre portugueses das Cooperativas Sete Bicas e NHC e do Departamento as Cooperativas e a pressão que o Sector Cooperativo do CECODHAS Jovem da Fenache. O lançamento oficial da publicação está marcado deve exercer junto dos órgãos comunitários e dos governos nacionais. para a próxima Reunião do CECODHAS que terá lugar em Paris, entre Foi ainda feita referência à elaboração do livro de Boas Práticas das os dias 5 e 7 de Novembro próximo. *Liliana Marques, Departamento Fenache Jovem 27 internacional ASSEMBLEIA-GERAL DO CECODHAS Elege novo Presidente e define programa de trabalho para 2008* Com sala cheia, teve lugar, a 30 de Maio, a Assembleia-geral do CECODHAS. O fim do mandato de 2 anos do Presidente impunha um breve balanço da actividade à frente da instituição. Paul-Louis Marty recordou a formação dos grupos de trabalho sobre Política Social, Energia, Competitividade e Mercado Interno, Desenvolvimento Urbano e Sustentável; a criação do Observatório e de um local comum de trabalho em Bruxelas que permite ter uma representação muito positiva do CECODHAS junto dos órgãos da UE, a visita aos países de Leste, cujo panorama da habitação social exige atenção redobrada por parte do CECODHAS. O ainda Presidente congratulou-se pelo facto de o CECODHAS ser, actualmente, uma organização reconhecida e consultada, mesmo pelos organismos europeus e apesar de não ter um estatuto oficial, ter esse estatuto na realidade. Foram ultrapassados os debates sobre problemas de estrutura da organização e, finalmente, conseguiu-se reflectir e trabalhar sobre problemas / questões concretas. Houve ainda lugar a um resumo da actividade desenvolvida por cada Grupo de Trabalho e por cada uma das secções do CECODHAS (Cooperativa, Pública e Associativa). Antes de passar a palavra ao novo Presidente, Paul-Louis desejou que se passasse de uma dimensão técnica dos dossiers a uma dimensão política (não partidária, mas política; uma visão global); que a questão da habitação social nos países de Leste venha a ser objecto de atenta análise e que o acesso à propriedade seja analisado com detalhe a par do de arrendamento. Seguiu-se a apresentação do Vision Statement (Projecto para 2008) pelo Presidente recém-eleito David Orr, a que se seguiu período de debate e de troca de opiniões. São eixos de trabalho futuros o Acesso à Habitação para Todos (fornecer habitação quando o mercado não responde às necessidades); Novas Necessidades, Novas Respostas; Ambiente Sustentável e Desenvolvimento da Comunidade; e, Energia Sustentável. *Liliana Marques, Departamento Fenache Jovem 28 REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO fenache . jovem DEPARTAMENTO JOVEM Apresenta Iniciativa no decorrer das reuniões do CECODHAS O programa da Secção Cooperativa do CECODHAS acolheu a apresentação do Departamento FENACHE JOVEM, como uma iniciativa estratégica de relevante importância para a continuidade futura do Movimento Cooperativo Habitacional. Representado pela sua coordenadora Liliana Marques (As Sete Bicas), bem como por Jorge Guilherme (NHC) e Carlos Vargas (MCH Algarve), a apresentação deu a conhecer o Departamento, os factores que estiveram na génese da sua constituição, nomeadamente a preocupação da Fenache em assegurar a continuidade / sustentabilidade do Movimento Cooperativo Habitacional Português e a decisão concreta da criação de uma Comissão Ad Hoc, em Setembro de 2006, como consequência da 15ª Conclusão do 8º Congresso Nacional das Cooperativas de Habitação. Criada que estava a Comissão Ad Hoc, foi descrito o primeiro “encontro” entre os membros nomeados e a partilha de opiniões entre eles sobre o panorama geral das Cooperativas de Habitação portuguesas. Foi apresentada, com algum detalhe, a constituição do Departamento e das actividades entretanto desenvolvidas, nomeadamente, o envolvimento dos membros do Departamento em apresentações e conferências e as sessões de intercâmbio cooperativo, das quais resultou o relatório de análise, apresentado à Direcção da FENACHE. Foi assumido como eixo futuro de trabalho o envolvimento directo do Departamento nas actividades desenvolvidas pela Federação e, em particular, nas grandes marcas de qualidade que distinguem as nossas Cooperativas e o Movimento Cooperativo Habitacional. Em jeito de fecho, foi afirmada a viabilidade da implementação de um projecto semelhante nas restantes organizações cooperativas europeias e o ligeiro peso orçamental para a sua criação e manutenção, bastando, ao invés, uma grande força de vontade e dedicação. Convidámos, por isso, todos os restantes membros a criarem estruturas análogas e, em última instância, uma Rede Europeia onde tenham representação as estruturas nacionais. O projecto português foi calorosamente acolhido por todos os representantes da Secção Cooperativa e, em particular, pelo Presidente eleito na sessão, Claus Hachmann. Liliana Marques, Departamento Fenache Jovem PERFIL Nome: Carlos Alexandre Luz Vargas Santos Idade: 31 anos Cooperativa: MCH-Algarve Admissão em: 1997 Habilitações: Engenheiro Técnico Civil Funções na Cooperativa: Director de Obra Para ti o cooperativismo habitacional é: A meu ver o Cooperativismo Habitacional é uma forma de estar na sociedade, não se tratando do “negócio habitacional”, mas sim uma experiência que dá inicio na primeira habitação e continua pelas diferentes fases da vida de um indivíduo, casal e família. No teu entender qual será o papel do Departamento Jovem na construção do futuro do MCH: Na minha opinião pessoal, o Departamento Jovem é uma ferramenta operacional do Movimento Cooperativo Habitacional, cujo dever é aquilatar das necessidades dos Cooperadores, Cooperativas e FENACHE, propondo soluções de curto, médio e longo prazo, de forma a manter, fortalecer e perpetuar o Movimento. Medidas imediatas para uma Politica Habitacional que respeite os condicionalismos económicos e sociais dos jovens portugueses, e o papel das cooperativas nesse processo: Penso que deveriam ser tomadas medidas no sentido de proporcionar aos jovens portugueses primeiras habitações em regimes de arrendamento, com contratos a termo certo, e rendas uniformes, com limites de prestação máximos, tabelados em portaria, processo que seria em tudo semelhante ao financiamento pelo IHRU. Paralelamente, dever-se-á iniciar um processo de reconstrução, remodelação e reabilitação do parque imobiliário Cooperativo, ao invés da tradicional politica de demolição do edificado e construção de novos edifícios. O papel das Cooperativas de Habitação nas medidas sugeridas, é fulcral, pois no primeiro caso, somente estas enquanto Movimento poderão ter poder junto das entidades estatais. Relativamente à 2ª sugestão, e devido aos milhares de fogos cooperativos distribuídos pelo país, as Cooperativas têm nas suas mãos uma arma negocial inalcançável por qualquer particular, para a obtenção de recursos extra e protocolos de renovação urbana com Autarquias e Governo Central. 29 fenache . jovem REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO O “Modo de Vida” Sueco* Legenda: Sovrum - Quarto Hall - Hall de entrada Badrum - Casa de Banho Kok - Cozinha Vardagrum - Sala de Estar Balkong - Varanda Ocorreu no passado mês de Maio a Assembleia-geral do CECODHAS, em paralelo com a celebração do 20º aniversário deste organismo. Este importante evento teve como palco a muito organizada e sustentável cidade de Gotemburgo, na Suécia. Aproveitando esta iniciativa do CECODHAS, e juntamente com outros colegas, tive o privilégio de conhecer um pouco do estilo de vida Sueco e observar (ainda que muito ao de leve), uma cultura bastante diferente da nossa em tradições, hábitos do dia-a-dia, entre outros. A cultura sueca enquadra-se completamente no estilo de vida escandinavo, partilhando muitos aspectos com a Noruega, Dinamarca e Finlândia. Os suecos são essencialmente práticos, prevalecendo a função em vez da forma. Um dos exemplos mais conhecidos entre nós, e com assinalável sucesso desde que foi implementado, é o IKEA, móveis concebidos com um design de topo, de formas normalmente fluidas e muito funcionais. Assim, e tomando como exemplo os móveis, temos a cidade de Gotemburgo, onde se encontra uma fluidez de trânsito fora do comum, uma harmonia omnipresente entre o peão, o velocípede, o automóvel, o autocarro e o eléctrico (ou metro de superfície), combinando assim todos estes elementos com uma vegetação assinalável, e uma panóplia de canais aquáticos com verdejantes encostas, utilizadas pela população como ponto de encontro para convívio e lazer. Estas características tornam a vivência em Gotemburgo especialmente aprazível, sendo fácil a adaptação para quem vem de fora. Fazendo uma análise sumária aos edifícios de Gotemburgo, ressalta à vista a grande preocupação energética com os mesmos. Raros são os edifícios que não possuem painéis solares, ou outras soluções de energias alternativas. A preocupação com o aquecimento, ventilação e arrefecimento é uma constante. Os edifícios primam por soluções simples mas eficazes de aquecimento e arrefecimento (aquecimento central, fachadas ventiladas, pavimentos radiantes, painéis solares e fotovoltaicos), e ventilação (ventilação permanente com registo, em todas as divisões das habitações, e fachadas ventiladas). Os materiais utilizados no exterior dos edifícios passam por soluções de fácil manutenção, tais como monomassas, painéis de alumínio, tijolo à vista, etc. Este estilo observado no exterior insinua-se para o interior dos edifícios, sendo os mesmos concebidos para fornecer uma superior qualidade de vida, traduzida essencialmente em conforto e funcionalidade, abdicando dos pormenores luxuosos e por vezes desprovidos de função, que muitas vezes exigimos. 30 Como tal, assistimos a situações que ao abrigo da nossa cultura seriam de todo impensáveis, tais como canalizações à vista, materiais de concepção algo rude, instalações eléctricas salientes, utilização massiva dos chamados materiais leves tais como pladur, alumínios, etc... Em resumo, e contrastando com a nossa filosofia de pesado e duradouro surge um leve e de fácil manutenção/substituição. Outro aspecto particularmente relevante na aquisição de habitação em Portugal será a área de construção do mesmo. Também em Gotemburgo este aspecto assume relevância, mas não da forma vivida no panorama nacional. O preço por m2 é extremamente elevado na Escandinávia, originando uma compra/aluguer de habitação feita de acordo com objectivos muito claros, e com intervalos temporais bem definidos. Com este cenário, observa-se que as habitações suecas têm áreas consideradas reduzidas, de acordo a parametrização nacional, privilegiando as áreas comuns e reduzindo a área dos quartos, casas de banho ou até cozinhas. Por exemplo um apartamento T2 de classe média ronda os 60 m2, e tem um custo médio de 150.000,00�. Esta filosofia coaduna-se perfeitamente com o espírito sueco, pois os jovens de 18 anos arrendam ou adquirem a sua primeira habitação para uso próprio (os T0 e T1 têm grande aceitação), trocando de habitação consoante a utilização da mesma (casal jovem adquire normalmente T1’s ou T2’s). Uma habitação familiar na faixa etária dos 40 anos será usualmente um T3 ou T4. Para além de todas as diferenças culturais, geográficas e financeiras existentes, existem na Suécia uma série de soluções e comportamentos que poderiam ser aplicados em Portugal, sem prejuízo da nossa identidade, pois as nossas principais preocupações e problemas são essencialmente os mesmos (hiper-dependência do petróleo, aumento substancial do custo de vida, desemprego, etc...). É de todo expectável que com os novos regulamentos térmicos, acústicos e energéticos, Portugal tenha de reagir, conforme a Suécia teve de fazer há alguns anos atrás. Com o passar do tempo, teremos de abdicar parcialmente do modo tradicional de construir em Portugal, por novas tecnologias, materiais e métodos de construção. A construção em Portugal necessitará de ser planeada, não a partir do momento em que o investidor compra o terreno, mas sim no momento em que o investidor idealiza, planeia e objectiva um empreendimento, escolhendo posteriormente um terreno para concretizar o estudo realizado. Na Suécia, o consumo de recursos antes da construção é bastante elevado, contrastando com Portugal. Penso que na conjectura actual teremos de fazer uma revisão profunda dos nossos objectivos e dos nossos meios. É impossível continuarmos a avaliar as nossas habitações pela área dos quartos, ou acabamentos das mesmas. Temos de, definitivamente, dar o salto para um futuro sustentável, que passará por um maior aproveitamento das energias naturais, uma menor utilização das energias de base petrolífera, um maior cuidado ambiental (quer em planeamento, construção ou utilização), de forma a não hipotecarmos ainda mais o futuro das gerações que se seguem. Concluindo, teremos de reaprender a COOPERAR, indo beber cada vez mais do conhecimento do antigamente, sem abdicar da investigação para acautelar o futuro, pois se hoje se fala de sustentabilidade, já os Romanos a aplicavam. Deverá ser nosso máximo objectivo a conclusão do endividamento insustentável, com objectivos vazios de status ou de grandeza exacerbada. * Carlos Vargas, Departamento Fenache Jovem REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO cidades humanizadas CIDADES HUMANIZADAS I: Fazer cidade com ruas vivas e solidárias António Baptista Coelho* Retomo esta série sobre as cidades humanizadas com duas das frases O habitar, propriamente dito, o sítio de habitação de cada um e de com que acabei o último artigo; frases do arquitecto Jaime Lerner, por cada família. três vezes, prefeito de Curitiba, uma grande cidade do sul do Brasil, O trabalhar como recurso económico, na indústria, no comércio e onde desenvolveu, na prática, um leque amplo de medidas de re- nos serviços, e este elemento urbano incluiu, durante muito tempo o humanização e de sustentabilidade urbana e ambientali: aprender de um dado ofício e a respectiva formação geral. “Até agora não se inventou nada melhor do que uma rua tradicional, E o pequeno, mas fundamental, mundo urbano dos “terceiros que é a síntese de uma cidade onde todas as funções estão juntas: espaços” aqueles que nem são totalmente anónimos, nem são moradia, trabalho, lazer...” inteiramente familiares, que se ligam a diversas actividades “ a cidade é o refúgio da solidariedade, é a nossa garantia e económicas e culturais, mas que, por vezes, assumem um salvaguarda.” verdadeiro estatuto de elemento protagonista da cena urbana e Na primeira frase Jaime Lerner fala-nos da cidade habitada, da designadamente da cena de rua urbana, e falamos de espaços e cidade física que acumula, numa simples rua tradicional, aspectos tão elementos tão simples como a mesa do café da esquina, o recanto valiosos como a síntese de funções e actividades que se aponta em preferido de um pequeno restaurante sob a arcada, a nossa banca seguida: a habitação diversificada; um leque de postos de trabalho; de jornais habitual, os enfiamentos de que mais gostamos de um uma grande variedade de possibilidades de lazer, desde por exemplo dado jardim ou de uma dada correnteza de lojas, etc., etc., sítios o passear nos passeios (flanar), ao estar numa esplanada a cavaquear, que habitamos, verdadeiramente, no nosso dia-a-dia, onde nos ao jantar num restaurante, ali, mesmo sobre o passeio, ao ir ver um detemos, habitualmente, pensando sobre aqueles sítios e, tantas filme num cinema/estúdio; o ensino e a formação numa escola ou vezes, sobre tudo o resto, sítios que têm de ter (embora muitas vezes colégio integrados na continuidade da rua, como costumavam ser; o não o tenham) a capacidade de fazerem coesão urbana, de fazerem comércio diário e ocasional, desenvolvido, também, numa verdadeira cidade e rua em continuidade, de proporcionarem espaços entre o perspectiva convivial; a cultura ali, logo, seja numa pequena galeria mais público e o mais privado e de proporcionarem bases óptimas de arte, seja na banca de uma livraria “de bairro”; a facilidade de de convivialidade natural, e, sendo assim, de solidariedade natural, uma consulta médica também num andar da mesma rua; e poderemos pois são sítios onde estamos com outros e vemos outros num quadro continuar a desfiar estas contas de uma rua citadina bem habitada e urbano unificado e que nos marca a todos. verdadeiramente convivial, pois é nestas ruas que passa o principal fluxo de sangue arterial de uma cidade viva e que vale a pena. Antes de passar à segunda frase de Jaime Lerner, sobre a rua como refúgio de solidariedade, é oportuno afirmar que nada desta mistura rica de actividades, ambientes e pessoas, perdeu alguma viabilidade ou algum sentido nesta nossa nova época de megacidades e de economia globalizada e pontuada por grandes áreas de serviços automobilizadas. E quem tenha alguma dúvida sobre esta realidade bastará viver um pouco uma daquelas ruas bem vivas de um daqueles bairros bem vivos, que, felizmente, ainda marcam as nossas cidades, para interiorizar a importância que tem e que terá este fazer cidade com ruas vivas. Sobre a cidade como refúgio da solidariedade, muito também haveria a dizer, seja numa perspectiva mais histórica, que se liga a ter a cidade nascido, há cerca de 10.000 anos, como refúgio da solidariedade, para além de facilitador da economia e da segurança, seja numa outra perspectiva, mais directamente prática, que tem a ver com a rua citadina ser o lugar privilegiado de três grandes tipos de elementos urbanos: 31 cidades humanizadas REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO de vida urbana positiva. E, desde já se esclarece, que aqui não se está a voltar a seguir a perspectiva, que teve alguns amargos frutos, de uma pedonalização solta da vida urbana, mas sim um privilegiar consistente e vitalizado do uso da cidade pelo homem, servindose, funcionalmente, do automóvel e de todos os outros meios, com destaque para os transportes públicos amigos do ambiente, que sejam factores aliados para uma fundamental (re)vitalização urbana. E tudo isto se tem de acontecer, essencialmente, na rua urbana, porque é ela o sítio privilegiado e cumulativo da relação e da estadia, que assegura e abriga fluxos e estadias activas e que, além de tudo isto, marca, desejavelmente, a cidade com boas imagens urbanas, porque arquitectonicamente consistentes e atraentes. E nesta matéria de uma Arquitectura “de rua” consistente, é oportuno citar Nuno As ruas são, realmente, o lugar certo dos “terceiros espaços ou sítios” , Portas, quando referiu queiv: “nem uma cidade de comunidades, lugares estratégicos e privilegiados para a convivialidade mais urbana hoje, substitui a metrópole, nem a metrópole,... pode passar sem ou mais vicinal; e este “terceiro sítio” é um conceito desenvolvido por os outros níveis de relação que não são os bairros transformados Ray Oldenburgii, e que este autor liga, de forma destacada, ao café em equivalentes a aldeias tradicionais... a cidade não é mais igual, da esquina, à livraria, ao bar, ao cabeleireiro. “Terceiros sítios”, pois não pode ser igual. ... A procura é diversa. A procura cultural é estão para além dos outros dois sítios principais, na vida de cada diversificada, não há consenso no modelo para fazer isso. Por isso é um, o sítio de trabalho e o sítio doméstico; e espaços que, são “sítios que me parece estratégico falar no espaço comum. Tentar encontrar de estadia no coração da comunidade”, como refere Oldenburg, e mais depressa o consenso sobre o espaço comum, em vez de ter uma assim se entende a sua importância na construção de um sentido de grande preocupação sobre o consenso quanto ao edificado”v. comunidade e de solidariedade, observando o outro, falando com ele, Um consenso sobre o espaço comum, que pode ser um consenso interagindo com ele. sobre os aspectos fundamentais de uma rua viva e solidária, e, já Mas fazer cidade humanizada, porque marcada por ruas vivas e agora, uma rua bem desenhada e estruturada, pois, tal como disse, há solidárias, não é, hoje em dia, um objectivo simples. Todos sabemos muitos anos, Etienne de Gröer: “Avenidas que não conduzem a nada disso, porque todos conhecemos muitas ruas, que de ruas quase e cuja grande largura não corresponde a nenhuma função são sempre só têm o nome na placa toponímica, quando a têm. São ruas sem desertos cheios de poeira”vi. continuidade urbana, sem habitação vitalizadora, sem actividades diversificadas, sem ligações activa à cidade viva e sem uma escala formal e funcional que esteja, verdadeiramente, ao serviço do homem a pé, e de uma comunidade humana local, pelo menos, minimamente solidária e naturalmente convivial. E é tão grave e, realmente, tão estranho este facto, desta ausência de ruas que sejam amigas do homem e sítios de cidadania, que, começa a haver um número crescente de estudiosos, técnicos e organizações técnicas e científicasiii que se dedicam à redescoberta da cidade e da rua citadina como sítio que, antes de circuito para automóveis, foi e tem de voltar a ser sítio de homens a pé, sítio de convívio e local (*) arquitecto (ESBAL), doutor em Arquitectura (FAUP), Presidente da Dir. do Grupo Habitar, Investigador e Chefe do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do LNEC, membro da Comissão Técnica da FENACHE, Vice-presidente da NHC, Nova Habitação Cooperativa. i Rui Barreiros Duarte (entrevistador), “Acupunctura urbana – entrevista com Jaime Lerner”, Arquitectura e Vida, n.º 39, 2003, pp. 38 e 43. ii Ray Oldenburg, “The Great Good Place : Cafes, coffee shops, bookstores, bars, hair salons and other hangouts at the heart of a community”, 1999 (1989). iii O Project for Public Spaces é uma organização não lucrativa de apoio técnico que já ultrapassou 30 anos de actividade, que apoia espaços públicos indutores de convívio sustentado e de espírito comunitário. A forma de actuação do PPS implica os moradores e utentes na (re)criação de uma dada visão dos sítios de vida comunitária, numa perspectiva de melhorias faseadas. A actuação do PPS baseia-se nas metodologias desenvolvidas por William White e designadamente numa cuidada e sistemática documentação da vida local, procurando envolver o mais possível os protagonistas locais. iv Nuno Portas, in “Colóquio Viver (n)a Cidade”, LNEC, ISCTE, Comunicações, p. 9. v O “sublinhado” é responsabilidade dos autores. vi Etienne de Groer, “Introdução ao Urbanismo”, p. 61. 32 REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO cooperativismo e economia social Movimento Cooperativo celebra 86º Dia Internacional das Cooperativas Cerca de uma centena de Cooperativistas estiveram presentes nas celebrações do 86º Dia Internacional das Cooperativas da ACI e 14º pelas Nações Unidas, com lugar no passado dia 5 de Julho no teatro municipal Pax Julia, em Beja. Organizado pela Cooperativa de Consumo Proletariado Alentejano, com o apoio de cooperativas locais dos diferentes ramos, e das quais destacamos por razões óbvias a Cooperativa de Habitação Lar para Todos, a cerimónia oficial foi presidida, respectivamente, pelo Presidente da Confecoop, Dr. Jerónimo Teixeira, e pelo Presidente da Confagri, Comendador Fernando Mendonça, que nos seus discursos oficiais centraram as atenções no agravamento das condições de vida dos portugueses, e nas capacidades que advêm na aposta por um modelo social e cooperativo, reivindicando do Estado, e muito particularmente do actual governo um maior reconhecimento do papel do sector para o equilibro das comunidades pelo país fora, e manutenção dos princípios duma politica de descriminação positiva consagrados pelo reconhecimento constitucional do sector Cooperativo e Social. Participaram igualmente na sessão solene, o Presidente do Município de Beja, que elogiou o trabalho das organizações cooperativas para a garantia de sustentabilidade da comunidade local, elogiando muito particularmente o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Lar para Todos no apoio à condução duma política habitacional municipal verdadeiramente equilibrada e de cariz social. Finalizou a sessão o Dr. Canaveira de Campos, Presidente do INSCOOP, que recordando o forte historial cooperativo da região apelou à continuidade do empenho e vigor das Cooperativas portuguesas na construção dum País Melhor. Os festejos encerraram com uma actuação de música popular, que trouxe às celebrações uma importante ligação às raízes culturais desta cidade alentejana. Fórum InterCooperativo reúne em Beja Aproveitando a dinâmica gerada pelas celebrações do 86º Dia Internacional das Cooperativas, teve lugar pela manhã do dia 5, uma reunião do Fórum Intercooperativo. A agenda de trabalhos centrou-se sobre os mais importantes dossiers de trabalho para o sector, tais como o processo de externalização e abertura do INSCOOP às restantes famílias da Economia Social, a re-adequação da legislação fiscal cooperativa, o Prodescoop ou um modelo de apoio que lhe suceda. A reunião teve ainda espaço para uma apresentação sobre a ICA Expo, a primeira feira mundial de cooperativas, a decorrer em Outubro próximo em Lisboa, bem como sobre o VIII Encontro da OCPLP a decorrer na mesma ocasião, igualmente na cidade de Lisboa. Cooperativas Portuguesas aguardam ratificação do Estatuto Cooperativo Europeu O sector cooperativo português continua aguardar que o Governo aprove o Estatuto da Cooperativa Europeia, criado pela União Europeia desde 2003, e que desde então tem sido assumido como um importante instrumento para dinamizar as actividades do sector, nomeadamente em ramos mais orientados para a área comercial. Manuel Canaveira de Campos, Presidente do INSCOOP, recentemente entrevistado pelo Jornal de Notícias afirma acreditar que a falta de aprovação deste instrumento legislativo decorre duma falta de atenção governamental, que não olha para o sector como anteriormente, sublinhando que a adopção desta “permitirá dar dimensão, viabilidade económica e capacidade financeira às cooperativas portuguesas”, que desta forma poderiam aliar-se entre si e actuar na União Europeia como se de uma única entidade legal se tratasse.” Esta problemática serve como mais um elemento de fomento à actual discussão sobre o futuro do Instituto António Sérgio e relacionamento do sector Cooperativo com as restantes famílias da Economia Social. 33 momento verde REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO DICA HABITAR HOJE PARA UM MUNDO MELHOR Pare um minuto e veja como pode contribuir: Deixe o carro em casa e utilize os transportes públicos Utilizar, sempre que possível, o transporte público em detrimento do automóvel particular tem muitas outras vantagens para além das ambientais que se relacionam com um menor consumo de combustível por cada passageiro transportado. Os transportes públicos são pois, boas opções a reter porque são geralmente mais rápidos, seguramente mais baratos, mais cómodos (sendo que em algumas viagens pode aproveitar esse tempo para descontrair, ler, ouvir música ou trabalhar), e ajudar a evitar o stress diário dos engarrafamentos. Não deixe o carro a trabalhar enquanto espera (Ralenti) Ao contrário do que muitas vezes é a percepção geral dos consumidores, não é no momento em que o automóvel é posto a trabalhar que ocorre o maior fluxo de consumo. Na verdade se parar o automóvel por períodos superiores a 10 segundos já compensa desligar o motor e voltar a ligá-lo quando for necessário. (Regra contudo de elevada perigosidade se aplicada em filas de trânsito, pelo que não recomendamos a sua aplicação) Cumprir os limites de velocidade também poupa combustível Aumentar a velocidade do seu veículo de 100 para 120 km/h não só aumenta o risco de acidente como incrementa em cerca de 20% o consumo médio do seu automóvel. Este aumento é ainda maior quando aplicado em velocidades superiores. Como vê, ao cumprir os limites de velocidade não só está a fazer valer a sua cidadania como a contribuir para a diminuição dos custos com o combustível da sua viatura. GREEN PROJECTS AWARDS Estão abertas as inscrições para os Green Project Awards, uma iniciativa de âmbito nacional que visa premiar projectos inovadores na área do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável. Lançado publicamente no passado dia 22 de Abril – Dia da Terra – este projecto resulta da parceria estabelecida entre a Quercus, o Grupo CGI e a Agência Portuguesa do Ambiente. Os prémios visam galardoar os melhores projectos das seguintes categorias: melhor projecto já concretizado, melhor projecto de investigação/desenvolvimento que já tenha sido objecto de estudo ou publicação e melhor projecto comunicacional. Os Green Project Awards contemplam igualmente uma variedade temática, podendo os projectos candidatos abordar as seguintes áreas: Eco eficiência, Construção Sustentável, Arquitectura bio climática, Energia, Água, Ar, Resíduos, Biodiversidade/Conservação da Natureza, Florestas e Transportes. Para submeter candidaturas ou obter mais informações basta aceder ao site oficial da iniciativa em www.greenprojectsawards.pt APHM Promove Seminário e convida FENACHE a apresentar caso de sucesso A APHM – Associação Portuguesa de Habitação Municipal, organização que integra os serviços municipais promotores de habitação social, e tem como principal objectivo a troca de experiências, dinamizou no passado mês de Maio um seminário subordinado ao tema “Energia e Habitação Social – Sustentabilidade para Todos?”. Ciente da importância e pioneirismo do projecto desenvolvido pela União NORBICETA, no empreendimento da Ponte da Pedra, foi a FENACHE convidada a intervir no evento relatando a sua experiência na dinamização deste importante empreendimento cooperativo. Representou a Federação neste evento, o Eng. José Coimbra, Coordenador Técnico da NORBICETA e dinamizador da Comissão Técnica da FENACHE. 34 REVISTA DA FENACHE . FEDERAÇÃO NACIONAL DAS COOPERATIVAS DE HABITAÇÃO Última Hora! A Direcção da FENACHE acaba de reunir, em 22 de Julho passado, com o Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, Prof. João Ferrão. Do leque de matérias em agenda, destacam-se as questões relacionadas com o Plano Estratégico de Habitação, o posicionamento do IHRU no seio do sector, a intervenção cooperativa nos projectos de Reabilitação Urbana e Mercado de Arrendamento Social, as parcerias público – privadas e a projecção destes instrumentos de política habitacional nas opções do Plano e também no Orçamento do Estado para 2009, actualmente em fase de preparação. Uma vez mais o Secretário de Estado reafirmou a importância do papel do sector cooperativo na construção duma verdadeira Política Social de Habitação, tendo igualmente anunciado estar para breve a apresentação pública de um pacote diferenciado de medidas direccionadas para a vertente da reabilitação urbana, na qual afirmou, o sector cooperativo “assumirá, certamente, um papel preponderante”. A Direcção da FENACHE, na linha das suas preocupações e acção de sempre, continuará a acompanhar de perto o evoluir destes processos, cujas principais diligências terão o maior destaque nas páginas da nossa revista Habitar Hoje.