TECNOLOGIA PARA QUÊ?
Por Oscar Motomura
O
ser humano é um ser que cria. É a sua natureza.
Quando Einstein dizia: “Eu só quero entender como
Deus pensa; todo o resto é trivial.”, ele se referia à sua
busca quanto ao entendimento das leis da criação. Quais os
princípios que estão na base de tudo que existe, de tudo que
já está criado e que está sendo criado?
Gradualmente, século após século, década após década,
ano após ano, cada vez mais rapidamente vamos descobrindo
mais e mais sobre como tudo funciona. E vamos usando nossas
descobertas para criar. Criar o quê? Tudo que imaginamos…
Imaginamos replicar a Natureza e criamos a agricultura. Soltamos nossa imaginação e queremos voar. Criamos
máquinas voadoras. Queremos ir à Lua. E criamos meios
de chegar lá.
Estamos, o tempo todo, criando meios de viabilizar o
impossível…
Mas criamos para quê? Com que propósito estamos
usando o dom de criação com o qual fomos presenteados?
Para que criamos novas tecnologias, novos produtos, novos
jeitos de morar, de cozinhar, de movimentar, de transportar, de comunicar?
Se não houver um propósito em tudo isso, podemos estar
brincando perigosamente com nosso dom de criar. Criamos
até armas de guerra, produtos de destruição, produtos que
prejudicam a saúde e bem-estar das pessoas…
Essa brincadeira pode até estar nos levando a criar mais
e mais produtos para até melhorar a vida e potencializar
o conforto de pessoas. Mas de poucas. Inadvertidamente,
podemos até estar desviando recursos produtivos - e nossa
própria capacidade criativa - para incremento de uma economia do supérfluo, ao invés de potencializar o processo de
criação do que falta a muitos.
Tecnologia nada mais é do que a extensão de nosso dom
de criar. Criamos a partir do que imaginamos e visualizamos. Criamos pelo nosso pensamento. Pela energia de nossos sentimentos, de nossa vontade e motivação. Pelo que
comunicamos. Pela força de nossas palavras. Da energia que
mobilizamos através de nossas ações.
Até o momento em que estaremos criando como o gênio da lâmpada - materializando direta e instantaneamente
o que conseguimos visualizar em nossa mente, nos comunicando com as outras pessoas pelo pensamento, por exemplo
- estaremos criando tecnologias como “muletas de criação”.
Vamos avançar muito ainda. E cada vez mais rapidamente.
Novas tecnologias para viabilizar o que até ontem era impossível… Até que um dia não venhamos mais precisar dessas
muletas… Seremos então, efetivamente, deuses em ação…
Mas com ou sem muletas, a questão essencial permanece: criar o que e para que…
O que mais a sociedade precisa hoje? O que mais a nossa casa maior – o próprio planeta – está precisando? Nossos
6 bilhões de vizinhos no grande condomínio Terra estão
bem? Nosso planeta está bem? A manutenção está sendo
bem feita?
Ao pensarmos sobre essas questões simples, conseguimos sentir a extensão da equação essencial: para que propósito o ser humano deveria estar dirigindo seu poder de
criação? Não deveríamos todos nós, juntos, estar buscando
criar o melhor para todos?
Além de produtos, tecnologias, serviços etc., o ser humano também cria coisas mais abstratas: o sistema de comércio
entre países, acordos para preservar o meio ambiente, sistemas de trocas, formas de governo, sistemas de gerenciamento, sistemas de produção, sistemas de distribuição, jeito de
organizar as coisas etc. Alguns desses jeitos de fazer as coisas
acontecerem são saudáveis, justos, éticos. Outros já nascem
doentes, satisfazem interesses ocultos, desrespeitam valores
universais. E assim vai...
Criamos de tudo: produtos, serviços, sistemas. Mas,
para que criamos? Nosso Melhor Eu quer criar tudo que é
necessário para viabilizar o mundo ideal. Nosso Menor Eu
quer criar só vantagens próprias. E no “jogo” das ilusões usa
o poder de criar para ter mais e mais. E nesse processo gera
doenças na sociedade, criando cânceres que podem fazer
o organismo maior – a própria Humanidade – sucumbir.
Em plena Era da Informação e do Conhecimento nunca
foi tão fácil e rápido perceber as conseqüências de nossas
escolhas. Basta querer ver. Ter a coragem de sair da área de
auto-engano e das ilusões.
Nossa esperança está em nossa consciência. Em aprender com nossos acertos e erros.
Mas isso quer dizer que ainda temos décadas de aprendizagem ainda pela frente…? Não. Já é tempo de fazermos
um grande balanço de tudo que a Humanidade já “testou”
até hoje. E ousar criar o inédito. É hora de um salto quântico. Já. Hoje. Só depende de nós.
www.amana-key.com.br | [email protected]
* Oscar Motomura, diretor geral da Amana-Key, empresa especializada em inovações radicais em gestão.
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- Oscar Motomura