AUTOR E LEITOR: DIALOGISMO NA CONSTRUÇÃO DA SIGNIFICAÇÃO TEXTUAL Gisele Francisco Antunes UENP – FAFIJA Sonia Maria Dechandt Brochado Orientadora Fundação Araucária Ler não é apenas descodificar um texto, é compreendê-lo. Durante muito tempo se privilegiou a descodificação por se pensar que através do significado de cada palavra poderia se obter o significado do todo. Como sabemos, isso não é verdade. Frank Smith, psicolingüísta inglês, em seu livro Leitura Significativa (1999), esclarece que devemos depender o menos possível dos olhos, pois quanto mais esperamos deles, menos conseguimos ver. Nosso cérebro capta a informação visual através dos olhos, porém é através de um processo cognitivo, que requer um vasto conjunto de saberes, lingüístico (léxico, sintático, semântico), experiencial, advindo da formação familiar e social, prévio (sobre o assunto do texto, sobre o autor, sobre as diferentes estruturas e gêneros textuais) que estabelecemos a compreensão do que lemos. A leitura de textos verbais acontece pela atribuição de sentidos às palavras empregadas, pela significação criada na interação entre autor e leitor no texto. Para que isso aconteça o leitor usa certas estratégias, que segundo Solé, em Estratégias de Leitura (1998), passam despercebidas pelo leitor maduro, ou seja, para o leitor capaz de compreender o que lê e de processar as informações contidas no texto, formulando e verificando hipóteses, refletindo sobre o que lê, construindo antes, durante e depois da leitura a significação do todo. Nesse sentido, ler significa “ler o mundo, dar sentido a ele e a nós próprios” (Martins, 1994:34). Essa relação dialógica acontece porque criar um texto e ler um texto são atos ideológicos, são conhecimentos e vivências individuais, que se contrapõem, interagindo e transformando-se em um novo conhecimento após a leitura, definido pelo contexto sóciocognitivo do leitor. Assim, faz sentido as palavras de Bakhtin, “há encontro de dois textos, do que está concluído e do que está sendo elaborado em relação ao primeiro. Há portanto, o encontro de dois sujeitos, de dois autores” (1992:334). Este trabalho faz parte do Projeto de Pesquisa Leitura Significativa, do Grupo de pesquisa Leitura e Ensino, FAFIJA – Jacarezinho, voltado especificamente para a promoção da leitura e da formação do professor-leitor, instrumentalizando-o teórico e metodologicamente para desenvolver competências e habilidades para o domínio daquela como atividade cognitiva e discursiva. Também, visa proporcionar ao leitor, a partir de situações significativas de sensibilização, reflexão e conscientização, a aquisição e recriação de conhecimentos, para que se torne um sujeito autônomo e crítico. Da criação à liberdade Para Bakhtin (2006) o verdadeiro núcleo de realidade lingüística é a interação verbal. A linguagem é compreendida a partir de sua natureza sócio-histórica e, por isso, o autor elege a enunciação como a atividade principal da língua, pois se constitui em transformação ininterrupta, ou seja, num processo de criação contínuo que se efetiva na e pela interação verbal entre os interlocutores. Assim, a linguagem, em seu caráter dialógico, não pode ser compreendida separadamente do fluxo de comunicação verbal: A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas lingüísticas nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social de interação verbal, através da enunciação ou das enunciações. (BAKHTIN, 2006:127). A forma privilegiada dessa realidade lingüística é o diálogo, compreendido “não apenas como a comunicação em voz alta, de pessoas colocadas face a face, mas toda comunicação verbal, de qualquer tipo que seja” (idem, 2006:127). Portanto, toda a vida da linguagem está impregnada de relações dialógicas. A concepção dialógica pressupõe a idéia de relatividade da autoria individual e destaca o caráter coletivo, social da produção de idéias e textos. O autor de um texto é um sujeito condicionado pelo seu contexto sócio-histórico. Sua ação, o ato de escrever, está determinada por uma série de leis lingüísticas, através das quais deve juntar, combinar, entrelaçar idéias e palavras para se fazer compreender. Tal tarefa não é fácil, uma vez que toda palavra denota um significado, uma ação, um acontecimento, uma série de experiências psíquicas, que, embora sejam individuais, nascem do coletivo e dependem dele para existirem. Como define Bakhtin, a palavra penetra em todas as relações entre indivíduos, em todos os meios sociais, “as palavras são tecidas a partir de uma multidão de fios ideológicos e servem de trama para todas as relações sociais em todos os domínios” (idem, 2006:42). Elas são o território comum do locutor e do interlocutor. A criação textual ou o discurso do autor visa sempre o outro, pois é através dele que ela se concretizará. Dessa maneira, antes de chegar ao leitor, o texto já passou por uma série de transformações como: passagem da linguagem interior para a enunciação externa; transformação em produto ideológico, a obra em si; e adaptação às condições técnicas exteriores. Considerando-se que nesse processo sempre houve a preocupação com um leitor em potencial, pois para se estabelecer o diálogo é preciso compreensão e percepção de significados do discurso do locutor, a atividade de leitura pode ser encarada como uma co-enunciação. O autor antecipa na criação, os movimentos daquele que um dia terá o texto em suas mãos, deixando pistas para o mesmo, explícitas ou implícitas no próprio texto ou por recorrência a outras fontes de conhecimento. Estando a obra acabada, ela se torna “livre” da autoridade do autor, até então, senhor absoluto da criação, dos sentidos das palavras, das idéias, dono do discurso ideológico que a circunda, passa para o processo de concretização, torna-se objeto de leitura, ou melhor, leituras. Leitores e leitura Onde existe um leitor, existe também um ato de escritor, pois o texto só adquire pleno sentido ao alcançar um leitor desejoso por desvendá-lo. Assim, leitura e escrita inserem-se no texto, criando uma relação de comunicação entre escritor e leitor, visando à constituição de sentidos para o mesmo. Então, ler não é apenas reconhecer o sistema lingüístico e descodificá-lo. Enquanto prática sociocultural e ação entre interlocutores, a leitura implica a produção de sentidos, o leitor irá, além de reconhecer o sistema, contrapor seu discurso ao do texto, numa atitude ativa num contexto específico, como esclarece Bakhtin: O essencial na tarefa de descodificação não consiste em reconhecer a forma utilizada, mas compreendê-lo num contexto concreto preciso, compreender sua significação numa enunciação particular. Em suma, trata-se de perceber seu caráter de novidade e não somente sua conformidade à norma. Em outros termos, o receptor pertencente a mesma comunidade lingüística, também considera a forma lingüística utilizada como um signo variável e flexível e não como um sinal imutável e sempre idêntico a si mesmo. (BAKHTIN, 2006:96). Dessa forma, compreensão passa a ser o melhor sinônimo de leitura, pois para compreender é necessário refletir, ativar informações extra-textuais, advindas do conhecimento de mundo do leitor, sendo esse o ponto chave para uma leitura com produção cognitiva ou uma leitura significativa (SMITH, 1999). É importante também ressaltar que o texto permite múltiplos sentidos para as palavras que o compõe. Ao leitor cabe refletir no processo de descodificação e refratar, transformar, através de seu discurso e de suas experiências socioculturais, os sentidos que nem sempre são os mesmos pensados pelo autor. Entretanto, não podemos dizer que o texto não possui um sentido proposto pelo seu criador, pois vimos anteriormente que este o constrói para determinado público e sua obra é a materialização de sua ideologia. Então, a noção de dialogismo bakhtiniana está no fato do leitor dialogar com o texto, trazendo para esse um contexto que, juntamente com os elementos extraverbais inscritos nesse texto, atualizam o leitor no momento da leitura, orientando os sentidos que serão construídos. Compreender o ato de ler como diálogo entre leitor, texto, autor e contexto de produção do texto e da leitura, implica considerar que a prática de leitura começa antes mesmo que o leitor inicie a leitura integral da obra, uma vez que o que ele conhece do assunto, do autor e as expectativas desencadeadas por uma primeira inspeção do material a ser lido, estabelecem as variações que irão definir a natureza de sua interação com o texto. Segundo Solé (1998), a análise exploratória que o leitor realiza antes da leitura permite também a ele antecipar com maior ou menor assertividade o assunto e a idéia principal do texto. Quanto maior a proficiência do leitor e a intimidade que tiver com o assunto abordado, maiores serão as chances de suas previsões se confirmarem e a compreensão ocorrer sem grandes dificuldades. Mas se o conhecimento do leitor a respeito do tema não for amplo, ele precisará se apoiar nos elementos presentes no próprio texto para hierarquizar as informações e construir uma espécie de síntese mental das proposições nele contidas. Essa concepção de leitura com base nos estudos de linguagem bakhtinianos, confirma que a realidade que se revela ao ser humano se dá pelos discursos que ele assimila, formando sua experiência de vida. Pelo fato do discurso individual ser determinado socialmente não se pode inferir que o homem seja meramente reprodutivo, o que se ressalta é, portanto, a criatividade do sujeito humano: é condicionado e não determinado pelo meio e se volta sobre ele para transformá-lo. Essa afirmação confirma-se com a proposição de ensino de leitura que visa às estratégias de compreensão leitora, propostas por Solé (1998), pois pretende-se formar sujeitos leitores críticos, conscientes de si e do mundo, capazes estabelecer relações entre o que lê e o que faz parte de seu acervo pessoal, questionar seu conhecimento e modificá-lo, estabelecer generalizações que permitam transferir o que foi aprendido para outros contextos diferentes. Com base nesses princípios e para que pudéssemos conhecer os alunos que fariam parte do corpus da pesquisa do projeto Leitura Significativa, foram selecionados textos e organizadas perguntas de interpretação textual. (Ver nos anexos os textos utilizados nessa pesquisa). Esse material foi elaborado de forma a permitir o contato com diferentes gêneros textuais, charges, história em quadrinhos, tirinhas, minicontos, artigos de opinião, permitir uma reflexão sobre a linguagem, proporcionar a relação dos conhecimentos já adquiridos pelos alunos com os apresentados nos textos e oferecer motivações para o desenvolvimento do gosto pela leitura. A primeira reação dos alunos foi de rejeição à leitura e com isso a falta de interesse pelo assunto, seguido da falta de atenção e concentração, ingredientes indispensáveis para uma leitura de qualidade. Estão acostumados a fazer uma leitura mecanizada, não procuram entender o texto como um todo, lêem primeiro as perguntas com o intuito de ir ao texto apenas para buscarem possíveis respostas, porém os textos e as questões propostas não permitiam tal atitude. Nesse primeiro momento, os textos apresentados para os alunos foram os seguintes: história em quadrinhos da “Turma da Mônica” para as 5ª e 6ª séries, pois esperava-se que eles já tivessem algum contato com a mesma e um pequeno monólogo “Insônia”, para as 7ª e 8ª séries. Com os textos que apresentam imagens (figuras, personagens) e escrita eles demonstraram maior dificuldade, pois não reconhecem figuras como texto, alguns não sabiam o que é uma tirinha, outros não conheciam muito bem os personagens da Turma da Mônica e possuem uma grande dificuldade de relacionar texto, imagem e seus próprios conhecimentos. Com o monólogo as 7ª e 8ª séries tiveram dificuldades em compreender o texto, não relacionaram o título com o todo, além de não reconhecerem um vocabulário simples. Estas primeiras constatações nos guiaram para saber quais estratégias de leitura seriam mais apropriadas para as turmas. Segundo Solé (1998) existem passos indispensáveis para se conseguir desenvolver a leitura, e um deles é o ensino das estratégias, que ao lado da “clareza e coerência do conteúdo dos textos, da familiaridade ou conhecimento de sua estrutura e do nível aceitável do seu léxico, sintaxe e coesão interna” (p. 70) e do conhecimento prévio, o que não significa “saber o conteúdo do texto, mas ao de que entre este e seus conhecimentos exista uma distância ótima que permita o processo de atribuição de significados” (p. 71), irá permitir ao leitor a construção de uma interpretação para o mesmo e, consequentemente, uma reflexão crítica de sua parte. Depois da análise dos primeiros textos aplicados aos alunos e com base nos estudos teóricos que norteiam a pesquisa, discutimos com eles o intuito do nosso trabalho, devolvemos os textos feitos na semana anterior e fizemos uma discussão sobre suas respostas, comparando-as com as propostas pelo Grupo, orientando ao que eles precisavam se ater mais, falamos, também, sobre a importância da leitura na vida pessoal e social do indivíduo. Um ponto positivo foi quando ao lerem o texto e as questões que haviam feito, se questionaram, conversaram entre eles e enxergaram seus “erros” ou pontos que precisavam melhorar. Essa discussão nos possibilitou trabalhar algumas estratégias como motivar os alunos, incitá-los a ler, direcioná-los aos propósitos implícitos e explícitos da leitura, acionar conhecimentos prévios relevantes para o conteúdo em questão, formular previsões sobre os diferentes gêneros textuais, quando é um quadrinho, uma charge, um conto; sobre o autor, data de publicação, esclarecer o intuito da leitura, se para aprender, para comunicar, por prazer, entre outros. Novos textos foram entregues, e privilegiamos as tirinhas e hqs, devido as dificuldades já comentadas, os textos foram os seguintes: para a 5ª e 6ª um trecho de reportagem da revista “Veja” e para as 7ª e 8ª séries uma história em quadrinhos de “Zoe e Zezé”. As melhoras já puderam ser constatadas. Nesse segundo momento, a tensão e a desatenção da semana anterior foram menores; o interesse foi despertado. A maioria dos alunos conseguiu entender o humor das histórias e uns até riam durante a leitura. As 5ª e 6ª séries demonstram uma dificuldade maior para expressarem suas opiniões sobre o texto ao responderem as perguntas, ainda predomina a dificuldade de intertextualizar informações do texto com as do cotidiano, isso foi observado no texto retirado da revista Veja. Com as 7ª e 8ª séries o resultado foi mais positivo, a maioria dos alunos compreendeu a história e identificaram o terceiro quadrinho como o ponto chave do humor, pois é ali que ficam claras as diferentes interpretações do verbo lembrar, usado pela mãe como atenuador da pergunta “Lembraram de escovar os dentes?” e interpretado pelas crianças no sentido literal de “lembrar” e não de “fazer” algo. Quando dialogam com o texto esses leitores interagem com o autor do mesmo, cada qual à sua maneira, relacionando seus conhecimentos aos dele. Os textos, como vimos, são criados para atingir determinados leitores e os escolhidos para o Projeto Leitura Significativa foram os considerados mais próximos das vivências desses leitores iniciantes. As primeiras constatações expostas nesse trabalho revelam e comprovam a necessidade de trabalhar leitura na escola e como isso é possível. Barreiras ao ato de ler, como a carência de condições de vida, em nível pessoal e social, o desinteresse, podem ser quebradas gradativamente, pois o ensino de leitura que objetiva a autonomia do leitor e sua capacitação crítico-reflexiva busca materiais interessantes ao contexto sociocultural dos alunos, tornando-a uma conquista através da experiência. As teorias servem como orientação, porém só a prática ajustada à realidade dos alunos darão resultados eficazes. Referências BAKHTIN, Mikhail (Volochinov). Marxismo e filosofia da linguagem. Tradução Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira, colaboração de Lúcia Teixeira Wisnik e Carlos Henrique D. Chagas Cruz. 12. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. __________. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992. FREIRE,Paulo. A importância do ato de ler. 22.ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1998. KLEIMAN, Ângela. Oficina de Leitura: Teoria e Prática. 10. ed. Campinas: Pontes, 2004. KOCH, Ingedore Villaça. ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 19.ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. SILVA, Ezequiel Teodoro. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma pedagogia da leitura. 6.ed. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1992. SMITH, Frank. Leitura Significativa. Tradução: Cláudia Shilling. 6.ed. Porto Alegre: Artmed, 1999. SOLÈ, Isabel. Estratégias de Leitura. Tradução: Cláudia Shilling. 6.ed. Porto Alegre: Artmed, 1998. Anexos Textos aplicados para as 5ª e 6ª séries: FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE JACAREZINHO GRUPO DE PESQUISA LEITURA E ENSINO Aluno:___________________________________________________ Série:_______ É muito comum as pessoas brigarem, não é? Vamos descobrir o motivo dessa pancadaria! a) O que acontece na narrativa? b) Por que os dois cachorros estão brigando? Toda criança gosta de fazer uma “arte” de vez quando, concorda? Vamos ver o que fizeram com o coelhinho da Mônica. a) A Mônica acha que o Cebolinha deu o nó na orelha do coelhinho. Você concorda com ela? Por quê? b) Qual foi a reação da Mônica com a atitude do coleguinha? Como você percebeu? FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE JACAREZINHO GRUPO DE PESQUISA LEITURA E ENSINO Aluno_______________________________________________________Série______ Leia o texto e o quadro a seguir: SERÁ QUE FUNCIONA? “Há um novo fenômeno musical em curso nas escolas brasileiras: as crianças estão aprendendo versões adaptadas das velhas cantigas de roda. O que chama atenção nessas músicas são as letras politicamente corretas, nas quais personagens do folclore nacional deixam de ser assustadores, animais são reverenciados e o desfecho das histórias cantadas é invariavelmente feliz”. WEINBERG, Mônica. Em: Veja/RJ, 22 mar. 2006. Tira dúvida! Reverenciados = respeitados Desfecho = final, conclusão De acordo com o texto e o quadro responda: a) Comparando as duas versões de “Atirei o pau no gato”, o que faz com que uma seja diferente da outra? b) O que você entende por “politicamente correto”? c) Qual das versões você prefere, a original ou a modificada? E por quê? Textos aplicados para as 7ª e 8ª séries FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE JACAREZINHO GRUPO DE PESQUISA LEITURA E ENSINO Aluno_______________________________________________________Série______ Leia atentamente o texto abaixo: INSÔNIA “Considerando que oito horas de sono são o ideal para uma pessoa, quase oito horasd de sono devem ser quase o ideal. È lógico. Então, se eu conseguir dormir até a meia noite e acordar amanhã até as sete e vinte, está ótimo. Vou acordar feliz, bem disposta, capaz, praticamente recuperada. Se eu dormir até a meia noite. Ainda tenho cinco minutos. Cinco minutos é tempo de sobra para uma pessoa pegar no sono, quer ver? Vou pegar no sono em cinco minutos. Boa noite. Estou quase dormindo. Quase. Dormi. Não dormi? Acho que não. Mas vou dormir agora. Se não os pensamentos começam a entrar na minha cabeça e aí, minha filha, nunca mais. Um pensamento puxa o outro, que puxa outro, parece até que pensamento tem corda. O negócio é não deixar entrar o primeiro, ta vendo?” FALCÃO, Adriana. Em: Veja/RJ, 16 out. 2002. Com base no texto reponda: a) b) c) d) Com quem a personagem está falando? Por que ela não consegue dormir? Ela consegue conter seus pensamentos? Justifique sua resposta. Você acha que o título é compatível com o texto? Explique. FACULDADE ESTADUAL DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS DE JACAREZINHO GRUPO DE PESQUISA LEITURA E ENSINO Leia a tirinha abaixo com atenção: O humor da tira é construído a partir dos diferentes sentidos do verbo lembrar, pela mãe e pelas crianças. a) Como as crianças interpretam o verbo na pergunta feita pela mãe no primeiro quadrinho? b) O que, de fato, a mãe queria dizer? c) O que permitiu você identificar essas duas interpretações?