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m a i o r
m í d i a
d a
c o m u n i d a d e
í t a l o - b r a s i l e i r a
www.comunitaitaliana.com
Rio de Janeiro, novembro de 2008
Ano XV – Nº 125
ISSN 1676-3220
Como Brasil e Itália enfrentam
a situação econômica mundial
R$ 10,90
Ciao crise!
Giorgetto Giuggiaro, o designer automotivo do século
22
CAPA
Com a crise econômica mundial, a Itália se prepara para enfrentar uma possível recessão, em 2009.
No Brasil, a expectativa é manter o crescimento econômico, porém, com índices bem modestos
Editorial
Entre a crise..................................................................................08
Cose Nostre
A Suprema Corte da Itália proibiu que um casal de italianos batizasse o
seu filho com o nome de Venerdì, ‘sexta-feira’ em italiano.................09
Política
Brasil elege novos prefeitos e dá início a uma nova composição de força
no cenário nacional, de olho na próxima disputa presidencial����������� 17
Negócios
Il console d’Italia a Rio de Janeiro, Massimo Bellelli, si congeda dal
Brasile portandosi nei bagagli abitudini prettamente cariocas..........34
Filosofia
Em passagem pelo Brasil, o filósofo italiano Massimo Borghesi fala
sobre crise econômica e a falta de motivação dos jovens���������������� 42
Artes Plásticas
A Itália marca presença na 28º Bienal de
São Paulo com a participação de dois artistas.................................54
Futebol
Aos 23 anos, Fabiano Santacroce é o brasileiro
que integra a seleção italiana de futebol.........................................57
No Parlamento
Marco Zacchera
O que pensa o presidente do
Comitê Permanente para os
Italianos no Exterior da Câmara
dos Deputados da Itália
6
Turismo
Paraty
As belezas da cidade fluminense
candidata ao título de
patrimônio mundial da Unesco
ComunitàItaliana
/
46
Literatura
Roberto Saviano
O escritor italiano está jurado
de morte pela máfia por conta
do livro Gomorra, best-seller que
chega ao Brasil em dezembro
Novembro 2008
48
Cinema
Exclusivo
João Carnavos
40
Divulgação
20
Divulgação
Roberth Trindade
À frente de uma das principais empresas brasileiras exportadoras
de rochas ornamentais, o italiano Bruno Zanet foi destaque na 43ª
Marmomacc, em Verona................................................................28
Diplomazia
Filho do diretor Vitorio de Sica
e neto do produtor Luigi De
Laurentiis, ícones do cinema da
Itália, filmam no Rio de Janeiro
COSE NOSTRE
Julio Vanni
FUNDADA EM MARÇO DE 1994
Diretor-Presidente / Editor:
Pietro Domenico Petraglia
(RJ23820JP)
Autênticos
F
Publicação Mensal e Produção:
Editora Comunità Ltda.
Tiragem: 40.000 exemplares
Esta edição foi concluída em:
05/11/2008 às 17:30h
A
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ComunitàItaliana está aberta às contribuições
e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos
e estrangeiros. Os artigos assinados são de
inteira responsabilidade de seus autores, sendo
assim, não refletem, necessariamente, as
opiniões e conceitos da revista.
novidade deu na praia. Dentro da garrafa, não havia um pedido de socorro, mas
um aviso: salve-se quem puder. A crise econômica mundial era para ser apenas
um problema dos norte-americanos. A globalização, porém, se encarregou de
contaminar os quatro cantos do mundo com ela. Países que se encontravam debilitados
ficaram imediatamente “gripados”. Quem estava com sua economia fortalecida, escapou
da doença, pelo menos por enquanto. Todos, porém, correram em busca de remédios.
Nossa reportagem de capa mostra como Itália e Brasil estão enfrentando a crise.
Lá, os prognósticos para 2009 não são dos melhores. Há quem fale em recessão. Aqui,
o quadro é bem diferente. Empresários acreditam que o próximo ano terá, inclusive,
crescimento. Os índices, porém, tendem a ser mais modestos.
Como várias reportagens dessa edição mostram, as apostas no Brasil são grandes. A
própria Itália aposta muitas fichas no país. Uma recente rodada de negócio, que trouxe
empresários italianos para cá deixou isso claro.
Mais do que nunca, uma grande integração entre os dois países se mostra importante.
Coincidência ou não, a tão esperada visita oficial do presidente brasileiro à Itália será
feita exatamente neste momento. Nesta edição, mostramos algumas cartas que devem
ser colocadas na mesa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em jogo, uma maior
participação do Brasil no G8, grupo formado pelos países mais
ricos do planeta. A Itália preside o G8 em 2009.
Ainda em termos de integração entre os dois países, um
destaque desta edição é nosso suplemento especial, o Via
Expressa. Nele damos todos os detalhes a respeito da missão
empresarial e cultural chefiada pelo governador de Minas
Gerais, Aécio Neves, ao Piemonte.
Há, também, outros tipos de integração que mostramos.
Uma de nossas reportagens apresenta o jogador brasileiro que
integra a seleção italiana de futebol. Em outra, mostramos como
a máfia italiana vai inspirar uma nova novela a ser produzida
pela televisão brasileira. Mostramos ainda os artistas italianos
que fazem parte da 28ª Bienal de São Paulo e herdeiros de
ícones do cinema da Itália que escolheram o Rio de Janeiro
Pietro Petraglia
Editor
como cenário para um filme. São eles o ator Christian De Sica,
filho do diretor Vitorio De Sica e Luigi De Laurentiis, neto e
homônimo do grande produtor italiano que segue a mesma profissão do avô.
Um dos destaques da edição é a entrevista com Giorgetto Giugiaro. Aos 70 anos, o
italiano foi eleito Designer Automotivo do Século.
A revista também conta a história de Roberto Saviano. De autor desconhecido, ele
se tornou o inimigo número 1 da máfia italiana por conta do seu livro, Gomorra. A obra
se tornou um best-seller e virou filme candidato ao Oscar. Saviano, porém, continua
jurado de morte.
A destacar, uma despedida. Está prestes a voltar para a Itália, o cônsul geral da Itália
no Rio de Janeiro, Massimo Bellelli. Apaixonado pela cidade, foi um grande parceiro de
todas as iniciativas que tivessem como objetivo promover a sua circunscrição (RJ, ES e
BA) e a Itália. Desde a sua chegada, demonstrou habilidade diplomática, perspicácia,
tenacidade e coragem numa missão que rendeu aos ítalo-brasileiros uma série de vitórias.
Fará falta e deixará saudades.
Boa leitura.
La rivista ComunitàItaliana è aperta ai
contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti
brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori
e sprimono, nella massima libertà, personali
opinioni che non riflettono necessariamente il
pensiero della direzione.
ISSN 1676-3220
ComunitàItaliana
editorial
A
Suprema Corte da Itália proibiu que um casal de italianos batizasse o seu filho com o nome de Venerdì, ‘sexta-feira’ em italiano. A decisão se baseia em uma lei italiana que proíbe os pais de dar
nomes considerados “ridículos ou constrangedores” aos filhos. Além
disso, os juízes acreditam que o nome remete ao personagem do romance clássico Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, caracterizado por
“sua subserviência e inferioridade”. Eles obrigaram os pais a rebatizar
a criança de Gregório, nome do santo homenageado no aniversário da
criança. Inconformados, os pais disseram que continuarão a chamar
a criança de Venerdì. Mais, se tiverem um próximo filho vão chamá-lo
de Mercoledì, ou seja, ‘quarta-feira’.
Com fome
Mulherio
Q
uatro chefes da Camorra,
detidos em uma prisão na
Sicília, tentaram subornar um
agente penitenciário para que
ele lhes trouxesse lagosta, caviar, mozzarella de búfala, champanhe e outras iguarias para as
suas celas. Os mafiosos haviam
prometido ao guarda uma compensação financeira e 1,5 mil euros por mês. O plano deu errado,
pois o agente, ao invés de colaborar com os criminosos, delatou
o suborno à Justiça.
Divulgação
Diretor: Julio Cezar Vanni
8
Sexta-feira, não
oi arquivado o inquérito sobre a autenticidade dos Brunello
di Montalcino. Com isso, foram liberadas as garrafas da safra 2003 das adegas Antinori, Frescobaldi e Castello Banfi. A
investigação, que durou oito meses, foi solicitada pelo Governo
americano com a ameaça de bloquear as importações. Há, porém, uma ressalva. O Procurador suspeita que não era respeitada
a regra estabelecida para o produto, que obriga os produtores a
utilizar somente uvas 100% sangiovese. Cúmplices na safra passada, como foi aquela de 2003, os produtores foram acusados de
ter usado partes de outras variedade de uvas na produção dos
sagrados Brunellos.
Ajudinha extra
O
governo italiano está
considerando
conceder incentivos fiscais para a
aquisição de automóveis e
aparelhos domésticos. A informação é do ministro da
Indústria, Claudio Scajola.
Segundo ele, o governo de
centro-direita está avaliando
a ação “para dar nova força
ao mercado de veículos, paralisado por toda a Europa, e
também o mercado de utensílios domésticos”.
Rapidinhas
● Um almoço reuniu no restaurante O Sarracino, em Minas Gerais,
os presidentes da Câmara Ítalobrasileira, Giacomo Regaldo, da
Brasil-Alemanha, Hans Kampik
da Câmara Portuguesa, Fernando
Meira e o vice-presidente da Câmara França-Brasil, Vincent Reignier. A conversa era sobre projetos
em comum para o próximo ano.
A
Expo 2015 em Milão será a primeira, na história das exposições mundiais,
a ter um pavilhão totalmente dedicado às mulheres.
Isso foi acertado pela prefeita da cidade, Letizia Moratti, a diretora para a África
e o Oriente Médio do Banco
Mundial (Bird), Ngozi Okonjo-Iweala e, a vice-presidente do Senado Italiano, Emma
Bonino. Elas se comprometeram a viabilizar projetos de
cooperação internacional articulados sobre temas de nutrição e das mulheres.
Futebol de base
P
or 500 metros e 20 segundos, o sonho do Brasil em voltar a
ter um campeão mundial de Fórmula 1 teve de ser adiado.
Aclamado como novo ídolo do esporte no país, o piloto da escuderia italiana Ferrari, Felipe Massa, cumpriu sua missão e venceu
o Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos. Mas, por um ponto, o
troféu de melhor do mundo foi para o inglês Lewis Hamilton, da
McLaren. No campeonato mais disputado dos últimos anos, no entanto, o ítalo-brasileiro provou que sabe dosar técnica, emoção e
audácia. Ano que vem promete!
● José Viegas Filho é o novo
embaixador do Brasil na Itália.
Assume no lugar de Adhemar
Gabriel Bahadian. Viegas Filho
já ocupou o mesmo cargo na Dinamarca, no Peru, na Rússia e
na Espanha.
● Nova Friburgo agora tem
um vice-consulado Honorário
da Itália. Fica na Praça das Co-
lônias e a inauguração contou
com a presença do cônsul no
Rio Massimo Bellelli.
● Morreu: Aos 84 anos, o milanês Ítalo Bianchi radicado no
Brasil e cuja história se confunde com a maturidade da publicidade nacional. Na Companhia Cinematográfica Vera Cruz,
Bianchi atuou como cenógrafo
A
Roma terá no Brasil uma clínica de futebol. Será voltada
para crianças entre 8 e 14 anos.
Entre os dias 14 e 20 de dezembro, em Barra do Piraí (RJ), 60
crianças terão treinamento focado
na rotina de um jogador. Os melhores podem vir a ser aproveitados nas categorias de base do clube. O preço, porém, é salgado: 1,6
mil reais por criança.
e diretor de arte até 1954. No
jornal O Estado de S.Paulo, foi
diretor de arte e, inspirado por
Umberto Eco, montou um estúdio de comunicação visual e
criação publicitária em Recife.
Foi nesta cidade que expôs suas obras na Galeria Ranulpho
e veio a falecer. Bianchi deixa
mulher e cinco filhos.
Entretenimento com cultura e informação
/
Novembro 2008
Novembro 2008
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ComunitàItaliana
9
opinião
serviço
agenda
Michelangelo em SP
Até dia 30 de novembro, uma
exposição composta por 25 peças provenientes da Gipsoteca dell’Istituto Statale d’Arte de
Florença está em cartaz no Mube. Estátuas, bustos e relevos
em gesso, que retratam tanto a
escultura clássica quanto a produção de Michelangelo, ilustram
o percurso da escultura antes e
depois do grande artista. Dois
desenhos originais provenientes
da Casa Buonarroti de Florença e
painéis cenográficos de Aurelio
Amendola devolvem ao visitante
o esplendor dos estudos dos nus
desenhados pelo grande mestre
“Non sono sorpreso della crisi finanziaria
mondiale, visto che episodi come questo sono
stati presenti lungo tutta la storia umana. Però,
nel Medioevo, gli usurai e i finanzieri che si
comportavano male erano messi in galera”,
Dario Fo, scrittore e drammaturgo italiano.
“È chiaro che la sua principale qualità non è
la sua bellezza, ma quello che è, quello che
dice, quello che pensa. Amo la sua maniera
di essere madre. Pochi modelli di coppia
funzionano e noi cerchiamo di fare qualcosa.
Non è un obbligo vederci tutti i giorni, ma
quando stiamo insieme, ci stiamo veramente”,
Vincent Cassell, attore francese,
parlando dell’attrice Monica
Bellucci, con chi è sposato dal 1999.
“Forse dopo un allenamento lo
lascerò guidare la mia Yamaha
per farsi qualche giro”,
Valentino Rossi, motociclista
italiano, dopo aver
ricevuto elogi dall’attore
nordamericano Brad Pitt.
Adriano, calciatore brasiliano
dell’Inter di Milano parlando
della rapina nella
sua casa, in Italia.
enquete
Governo italiano quer criar turmas
exlusivas para crianças imigrantes nas
escolas. Você concorda?
Não – 62,5%
Sim – 82,4%
Não – 71,4%
Sim – 37,5%
Não – 17,6%
Sim – 28,6%
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 14 a 17 de outubro.
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 17 a 21 de outubro.
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 24 a 29 de outubro.
ERRATA: Na reportagem “O fiel da balança” publicada na edição 124, a identificação correta da foto à direita é Maria D’Assunção Costa,
diretora presidente do Instituto Brasileiro de Estudos do Direito da Energia (IBDE) e não Ruth Lunardelli
10
ComunitàItaliana
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Novembro 2008
Curso para estrangeiros
Professores e outros profissionais interessados em ministrar
aulas ou palestras em italiano
para adultos de diferentes nacionalidades terão a oportunidade de aprender a língua em
Siena. A Universidade para Estrangeiros de Siena oferece
o curso “Conteúdo, Método e
Abordagem do ensino de italiano para adultos estrangeiros”.
As inscrições podem ser feitas
até 15/12. O curso tem duração
de 12 meses. Para mais informações acesse: www.unistrasi.
it ou pelo telefone: (39) 0511240115.
click do leitor
Santa Teresa – viagem no tempo 1873/2008. Para quem curte uma bela história de família, o livro da
pesquisadora Sandra Gasparini é um prato feito. A publicação também vai agradar a todos que simplesmente desejam saber sobre o contexto econômico, político
e social de uma geração, neste caso, a dos italianos
que começaram a habitar a cidade capixaba no final do
século 19. A partir de imagens e símbolos da preservação da identidade italiana na região, Sandra fala sobre
construções, moda, decoração e culinária, o que permite uma bela viagem ao passado. 280 páginas. Informações: (27) 3223-5934 / [email protected]
“Sono andato via da Rio per
essere derubato in Italia”,
Ilary Blasi, moglie
del calciatore italiano
Totti, parlando
dei supposti affair
dell’idolo della Roma.
Polícia italiana patrulhará com
carros apreendidos da máfia. É
uma atitude correta?
Coral em SC
Festival promovido pela Associação Coral de Criciúma e pela Fundação Cultural de Criciúma, com o apoio do Comitato delle Associazioni Venete
per lo Stato di Santa Catarina
(Comvesc), terá a participação
de dois corais italianos: o Coro Stelutis di Bologna e o Coro
Monte Pasubio di Rovigo. Além
de usar o palco do Teatro Elias
Angeloni, as apresentações ocuparão as ruas, praças e empresas de Criciúma, a fim de levar
o canto coral a todas as classes
sociais da região. De 26 a 29 de
novembro. A entrada é franca.
Informações: (48) 3437- 4928
ou (48) 3430-0682.
na estante
“Sono la donna più
cornuta d’Italia”,
Berlusconi quer ser presidente
após 2013. Você acha uma boa
opção para a Itália?
florentino. De segunda a domingo, das 10h às 19h. Local: Museu
Brasileiro da Escultura (MuBE),
Rua Alemanha 221, Jardim Europa. Informações: (11) 2594-2601
/ 3081-8611 e www.mca.org.br
“E
m outubro do ano passado, viajei
pela Europa. Conheci a Grécia, a
França, a Holanda, a Inglaterra e, claro,
a Itália. Visitei os principais pontos turísticos do país. Fui a Roma, Veneza e
não poderia deixar de registrar esta foto
no Lago di Como, na Lombardia. Um ano
já se passou e não vejo a hora de poder
fazer esta viagem de novo.”
O efeito Médici. Repleta de histórias sobre interseções
entre campos como ciência, negócios, arte e política, a
obra de Frans Johansson aborda a importância de romper barreiras associativas e avaliar problemas sob novas
perspectivas. O livro toma a notável evolução artística e cultural proporcionada pela família de banqueiros
Medici no Renascimento italiano para explicar os encontros inovadores que regem o mundo. Os “objetos”
de análise do autor são uma equipe de pesquisadores,
um chefe de cozinha e um engenheiro. Em comum, eles
têm a natureza criativa de suas idéias e o modo como a
tornaram possíveis. BestSeller, 25 reais, 280 páginas.
Clarissa Sena,
Niterói, Rio de Janeiro, por e-mail
Mande sua foto comentada para esta coluna
pelo e-mail: [email protected]
cartas
“V
Arquivo pessoal
frases
enho, por meio deste e-mail, manifestar o meu descontentamento a respeito dos consulados italianos deste país. Sou
brasileiro e filho legítimo de italiano. Dei entrada no requerimento há
mais de cinco anos e até agora nada. Enviei um e-mail para o governo
italiano para eles tomarem providências cabíveis sobre este assunto”.
Marcos Antônio Tadeu Ruggiero – Santos – SP – por e-mail
“Q
ue bom constatar que um dos grandes ícones do cinema italiano, Paolo Taviani, continua ativo além de demonstrar simplicidade mesmo sendo genial. Apesar do atual renascimento italiano, não
creio que surjam outros diretores tão bons quanto aos que fizeram a verdadeira escola do cinema italiano do qual Taviani é um dos mestres”.
Felipe M. de Albuquerque – Belo Horizonte – MG – por e-mail
Novembro 2008
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ComunitàItaliana
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Opinione
Opinione
Franco Urani
Ezio Maranesi
[email protected]
La straordinaria
vicenda africana del
finanziere francese
Vincent Bolloré
Nonostante il generale afropessimismo, investe da 20 anni in
infrastrutture per aprire al mondo i commerci del continente nero
A
ll’Africa che cresce, si sviluppa, entra nel processo
di globalizzazione specie
come importante fornitrice di materie prime, Vincent Bolloré – parigino, 55 anni, da tempo grande amico del Presidente
francese Sarkozy – vi crede da 20
anni, investendovi sistematicamente una buona parte dei cospicui capitali della sua impresa
(tra l’altro, Bolloré è associato al
carrozziere torinese Pininfarina
per la realizzazione di una vettura elettrica d’avanguardia, con
autonomia di 200 Km.)
La sua concezione è di non
coinvolgersi politicamente con
i perlopiù corrotti regimi locali,
di tenersi lontano dai ricorrenti e
spesso interminabili conflitti, di
non dedicarsi direttamente ad attività minerarie, puntando invece
ad investire strategicamente nel
ripristino e potenziamento delle
infrastrutture dell’antica Africa
francese e, più recentemente, anche di quella inglese e portoghese in porti, depositi, docks, ferrovie, logistica, servizi di supporto all’estrazione mineraria, cioè
nelle infrastrutture indispensabili perché le materie prime locali
possano diventare ricchezza.
Si tratta di una nuova geografia economica che sta cambiando
il continente, riassumibile in 6
porti controllati e 3 in prepara-
12
zione, 3 ferrovie in concessione
ed una (la Gibuti – Addis Abeba)
in trattativa, presenza in 42 paesi con 5 milioni di m² di installazioni e 17.000 dipendenti, un
volume di affari che nel 2007 è
stato di 1,6 miliardi di euro.
Inoltre, al post-colonialismo
africano, di cui Bolloré è stato
pioniere, collaborano sempre più
attivamente i cinesi affamati di
materie prime, in grado di operare cospicui investimenti con
gli ingenti saldi esportativi e
che condizionano le loro attività al trasferimento di personale
dirigente proprio che possa agire
in termini manageriali autonomi.
In altre parole: i governi inefficienti e corrotti guadagnano con
le imposte, con l’occupazione di
crescenti masse proletarie, con la
ComunitàItaliana
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garanzia che i prezzi d’esportazione saranno quelli internazionali; un passo quindi fondamentale rispetto all’antico colonialismo basato sulla sola esportazione delle materie prime a prezzi
irrisori ed allo sfruttamento delle
masse proletarie locali.
Parallelamente, prospettive favorevoli si aprono per i paesi produttori di petrolio, specie la Nigeria e il nord Africa, e per quelli in
cui vi siano le condizioni per coltivazioni energetiche, specie l’Angola, i cui prezzi sono in crescita
nonostante le grandi oscillazioni
di questo periodo di incertezze.
Ero stato in Etiopia circa 5
anni fa rilevandovi una miseria
Novembro 2008
senza speranze. Ma anche lì le
cose stanno cambiando, sia pure in modo distorto. La capitale
Addis Abeba è diventata sede di
grandi speculazioni immobiliari
come le metropoli del Sudamerica, per motivi non facilmente
comprensibili, forse ricercabili
nel mondo che si globalizza, che
si muove, che scommette sullo
sviluppo di nuove aree del nostro
conturbato pianeta.
Speriamo che, di pari passo,
si verifichi in Africa la stabilizzazione della popolazione esplosa
negli ultimi decenni, un periodo
di pace duraturo, una certa moralizzazione politica.
Immigrazione
illegale
Le leggi italiane sono così inique?
N
el luglio scorso l’Unione
Europea ha emesso una
legge che regola l’immigrazione nei paesi della Comunità. I 27 paesi membri
dovranno adattare la loro legislazione a questa norma entro il
2010. La legge prevede l’espulsione dell’immigrante clandestino; potrà essere concessa la residenza per motivi umanitari. La
nuova norma ha molti elementi
in comune con l’attuale legislazione italiana in materia, retta
dalla legge “Bossi-Fini” e dal recente decreto sulla sicurezza.
La legge ha suscitato reazioni in vari paesi. In Sudamerica,
il presidente Lula ha parlato di
xenofobia e di paura di perdere
il posto di lavoro, il presidente
Chavez ha parlato di umiliazioni
ed ha minacciato rappresaglie
nei confronti dei paesi europei.
Il problema però è ben più complesso: da un lato l’Europa ha
bisogno della forza-lavoro degli
immigrati; per contro, deve affrontare i problemi di sicurezza,
di integrazione e di necessità di
infrastrutture creati dalla mas-
siccia immigrazione di milioni
di esseri umani culturalmente così diversi e, quasi sempre,
privi di qualsiasi qualificazione
professionale. Il fenomeno immigratorio va quindi regolamentato. Non si può realisticamente
pensare che l’Italia spalanchi le
porte a chiunque decida di vivere nel Bel Paese.
Il Brasile, paese di cui noi
emigrati siamo ospiti, ha la sua
legge: la n. 6815 del 1980, regolamentata dal decreto 86715
del 1981. È una legge equilibrata, rigida nel modo giusto e
sancisce, come la norma italiana, che l’immigrato clandestino
sia deportato o espulso (artt.
56 e 124 comma I). Egli non
può svolgere attività remunerate (art. 97) e la legge prevede pene a per chi gli dà lavoro
(art. 124 comma VII). Prevede
anche la rilevazione delle impronte digitali degli immigrati che ottengono la residenza
(art. 58 del regolamento) così
come di tutti i cittadini brasiliani, nonché la possibilità
di vietare l’ingresso al paese a
stranieri affetti da determinate malattie o che non dimostri
di avere i mezzi di sussistenza
per restare nel paese (art. 51
e 21 del regolamento). Lo straniero inoltre non può esercitare
attività di natura politica (art.
106). Non mi sembra che questa legge sia particolarmente
severa; essa è inoltre legge del
paese che ci ospita e non spetta a noi criticarla. Dobbiamo
solo osservarla.
Magari fosse così in Italia.
Le leggi esistono, e non sono
molto dissimili dalla norma brasiliana, ma la magistratura e il
buonismo di sinistra non permettono siano applicate. Vedasi
per esempio: entrambi i sistemi prevedono la deportazione
dell’immigrato illegale. Entrambi i paesi sono però molto tolleranti su questo punto. In Italia vi sono 3 milioni di immigrati, in buona parte illegali. Oltre
700.000 illegali lavorano; gli
altri vivono di espedienti, leciti
o illeciti. Se gli immigrati rappresentano il 5% della popolazione, nelle carceri 40 reclusi su
100 sono immigrati. È un fenomeno intollerabile ma comprensibile: l’immigrato senza lavoro
e senza alcuna professionalità
può essere tentato per sopravvivere a praticare il crimine. Lo
spaccio della droga è praticamente in mano agli immigrati. Roventi critiche della sinistra hanno accolto la norma che
prevede la rilevazione delle impronte ai “rom”: nessuno di noi
si è mai sognato di sentirsi umiliato quando la Polizia Federale
brasiliana ha rilevato le nostre.
In Brasile, 100 anni fa, sono
sbarcati milioni di immigranti,
provenienti da molti paesi europei. Il Brasile stesso incentivava
questo esodo: c’era bisogno di
braccia. Quegli immigrati hanno contribuito a fare il Brasile
di oggi. In Italia sbarcano migliaia di immmigrati; in agosto
oltre 15.000. Provengono da
paesi poverissimi, in particolare africani, su barche rattoppate. Spesso la Marina italiana li
salva dal naufragio e li porta a
riva, come è giusto che sia. Questi poveretti, immigranti illegali, non tolgono il posto di lavoro a nessuno. Secondo la legge
dovrebbero essere espulsi, ma in
realtà non si riesce a farlo e restano nel paese, dando origine a
infiniti problemi. Noi immigrati
in Brasile abbiamo sempre accettato le regole di convivenza di questo paese. Gli italiani
vorrebbero che gli immigrati in
Italia accettassero le regole di
convivenza della nostra terra e
non imponessero la loro, come
troppo spesso avviene.
Opinione
notizie / articolo
Fabio Porta
Crisi?
Diplomatico, ma
non troppo…
A
mbasciatori e Consoli non
godono normalmente di
una buona fama; il loro
mestiere è solitamente
associato a benefici e privilegi, e
molto raramente al loro complesso compito istituzionale.
Questo vale per i diplomatici
di tutti i Paesi; nel corso di questi anni ne ho conosciuti molti,
potendone apprezzare in alcuni
casi le doti umane e la competenza, anche se a volte mi sono
trovato a contestarne la superficialità o l’eccessivo distacco dalla comunità.
Qualche mio collega pensa che compito dei parlamentari eletti all’estero sia quello di
nominare o dimettere Consoli
o Ambasciatori, confondendo il
potere esecutivo (del governo)
con quello legislativo (del Parlamento).
Credo di avere ben chiaro il
mio ruolo, che in questo caso
non è molto diverso da quello
dei cittadini che mi hanno eletto e che rappresento in Parlamento: cittadini italiani, quelli
residenti in Italia e quelli che
vivono all’estero; cittadini che
hanno il dovere di rispettare le
leggi dello Stato italiano, ma
che hanno il diritto di poter
usufruire di servizi efficienti ed
adeguati.
È per questo che i diplomatici, per chi vive all’estero,
sono così importanti. Sono loro i responsabili diretti di tali servizi, e in questo senso ci
permettiamo di criticarne – in
positivo o in negativo – il loro
operato e quello delle strutture
che gestiscono.
14
L’ultima volta che - sulle colonne di un giornale – mi sono
rivolto ad un diplomatico, l’ho
fatto per denunciare la gravità
di certe sue affermazioni relative
alla nostra comunità e per invitarlo ad essere più attento all’integrazione dei servizi consolari
con il sistema costituito da Associazioni, Comites e Patronati.
Adesso vorrei fare il contrario, utilizzando le poche, ma autorevoli, righe di una rivista per
rendere il giusto e dovuto omaggio ad un diplomatico che, purtroppo e (speriamo) temporaneamente, ci lascia per assumere
altri importanti incarichi.
Sto parlando del Console
Generale d’Italia a Rio de Janeiro, Massimo Bellelli, che dopo i
canonici quattro anni di incarico lascerà il Brasile per rientrare in Italia.
Ho conosciuto Massimo Bellelli qualche anno fa, poco tempo dopo il suo insediamento nella bella e centrale sede consolare
della “cidade maravilhosa”.
Fui subito sorpreso dal suo
piglio deciso e dal suo discorso
per nulla “diplomatico”; ossia,
dai suoi pochi giri di parole per
trattare un argomento e soprattutto dalla sua capacità di vedere e interpretare le cose ‘dal lato
della comunità italiana e italobrasiliana’. Direi di più: ciò che
mi colpì fu il suo sano pragmatismo, così poco comune tra i suoi
colleghi diplomatici, spesso più
inclini a individuare gli impedimenti che le soluzioni di fronte
agli innumerevoli problemi cui si
trova quotidianamente di fronte
la nostra grande collettività.
ComunitàItaliana
/
Roberth Trindade
Massimo Bellelli, Console Generale d’Italia a Rio de Janeiro, lascia il Brasile dopo quattro anni di
importanti realizzazioni. La ‘saudade’ della comunità italiana e brasiliana per un console… “differente”
A conclusione del nostro primo incontro che, come sempre
(lo avrei scoperto dopo) si prorogava ben oltre i 15-20 minuti delle normali visite protocollari, il Console d’Italia a Rio mi
invitava a conoscere da vicino
il Consolato, accompagnandomi
in tutte le stanze e in tutti gli
uffici dove si svolgeva il lavoro
consolare e dove veniva ricevuto
il pubblico. Era visibile la soddisfazione del Console nel mostrarmi la sala d’attesa, dove i nostri
concittadini potevano assistere
alla televisione italiana sorseggiando un buon caffè e leggendo
una rivista (entrambi, ovviamente, italianissimi!).
Il Bellelli del mio primo incontro si è così rivelato il Console di tutti gli italiani: delle
persone semplici che chiedevano al Consolato un piano di
assistenza socio-sanitaria adeguato ai loro bisogni, spesso drammatici; ma anche degli
imprenditori italiani e brasilia-
Novembro 2008
ni, che si rivolgevano al Consolato per rafforzare l’internazionalizzazione delle loro imprese.
Il Console amico del Comites e
della grande collettività italiana degli Stati di Rio de Janeiro, Espìrito Santo e Bahia; ma
anche il riferimento attento e
disponibile delle autorità brasiliane, che hanno sempre trovato in lui un interlocutore serio
e sensibile.
Alcune realizzazioni del Console Massimo Bellelli sono più
eloquenti di tanti discorsi di circostanza: mi riferisco alla completa e utilissima “Guida Consolare” ideata dallo stesso Bellelli e
divenuta uno strumento essenziale per chiunque voglia conoscere
da vicino e in maniera semplice e
diretta la realtà brasiliana e l’articolata rete di servizi esistente a
favore dellà comunità italiana.
Ma penso anche alla ormai
tradizionale “Festa Italiana” che,
in occasione del 2 giugno, anima
per tre giorni le strade adiacenti
al Consolato ‘popolarizzando’ la
commemorazione della “Festa della Repubblica Italiana”, avvicinando le istituzioni alla comunità del
nostro Paese che qui risiede, ma
anche alla popolazione locale.
Due iniziative che forse meglio di altre esprimono la grande intuizione e sensibilità di
questo bravissimo diplomatico:
aver capito che gli italiani e gli
italo-brasiliani
costituiscono
davvero, e non in forma retorica, una risorsa per il nostro Paese, e lavorare quindi in maniera conseguente.
Arrivederci, Console Massimo, anzi: Até logo!
La finestra
L
a Vale ha annunciato, in ottobre, che vuole investire 14,2
miliardi di dollari nelle sue operazioni nel 2009. Ciò significa un aumento del 30% in confronto a quanto è stato investito quest’anno. L’industria metallifera ha fatto sapere che la cifra
coinvolge 30 progetti in perlomeno sette paesi. Il Brasile riceverà il 70% del totale degli investimenti. La meta dell’impresa è di
produrre, in un periodo entro 5 e 7 anni, 500 milioni di tonnellate di minerale di ferro, 450mila tonnellate di nichel, 8,2 tonnellate di allumina.
Elettricità
L
a centrale di Itaipu va avanti, nel 2009, per battere il suo
stesso record di produzione annuale di energia. Deve superare la quota di 95 milioni di MWh. Fino ad allora, la sua migliore quota era stata registrata nel 2000, quando ha prodotto 93,4
milioni di MWh.
Pulizia
U
na “barca ecologica” sarà usata dal governo dello stato di
Rio de Janeiro per ripulire dai rifiuti la Baia da Guanabara.
Il Limpia ha previsto l’inizio delle operazioni per questo mese.
Sarà usato per fare la raccolta di residui solidi che si incastrano nelle eco-barriere installate alla foce dei fiumi. Circa 80 tonnellate
di rifiuti vengono gettati tutti i giorni nella Baia. La barca è la prima in
Brasile mossa a gas naturale. Ha autonomia per
due viaggi intorno alla
Baia. L’imbarcazione può
raccogliere fino a cinque
tonnellate di rifiuti ogni viaggio. I residui solidi sono raccolti da
un nastro caricatore frontale e mantenuti in due containers. Visto
che la raccolta è automatica, gli operatori dei nastri non entrano
in contatto con i rifiuti raccolti dai fiumi. Inoltre, il Lìmpia presenta una gru della capacità di mezza tonnellata e un cannone
d’acqua ad alta pressione.
Ancora sporco
D
ati divulgati dal ministero dell’Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) rendono noto che, tra il 2000 e il 2006,
i settori che hanno maggiormente contribuito alla crescita delle esportazioni degli affari agricoli sono stati quello delle carni
(23,2% dell’aumento assoluto delle vendite all’estero) e quello
dello zucchero/alcol (22,7%). Però, secondo rilevamenti della
Comissão Pastoral da Terra (CPT), il 56% dei casi registrati di
lavoro schiavo in Brasile, tra il 2003 e il 2006, si sono avuti
negli allevamenti. Del totale dei lavoratori liberati dalla schiavitù contemporanea, durante lo stesso periodo, il 40% facevano attività legate all’allevamento bovino e il 10% è stato riscattato dalle piantagioni di canna da zucchero. La maggior
parte dei casi si è avuta nella regione Centro-Ovest del paese.
Dal 2003, il ministero del Trabalho e Emprego (MTE) attualizza ogni sei mesi un registro di infrattori chiamato lista sporca
del lavoro schiavo.
Daniele Mengacci
[email protected]
Oportunità!?
U
n ammirevole Mondo Nuovo
sembra profilarsi all’orizzonte, dalle crisi nascono le opportunità e così potrebbe essere, se
i governanti del Mondo Occidentale saranno attenti ai messaggi
che la grande crisi sta mandando
a loro e all’opinione pubblica.
Il più forte, e già accettato, è
quello della necessità di una riforma totale del sistema finanziario internazionale e delle sue regole, che
ponga al riparo l’economia reale
dagli eccessi di voracità degli speculatori e dalla troppa disinvoltura
con cui le banche trattano i depositi dei clienti. Giustamente, George Bush ha deciso di convocare un
vertice internazionale per affrontare la questione dopo le elezioni, in
modo che il nuovo presidente possa
già, in attesa dell’investitura ufficiale, intendere la situazione, le sue
tendenze e le proposte di soluzione, a cominciare da quella francese,
anche se recentemente silurata dal
governo tedesco.
Una Orda d’Oro, composta da
banchieri e finanzieri arabi che,
nonostante la crisi che ha colpito
anche loro, dispone di attivi per
circa duemila miliardi di euro, si
sta muovendo per conquistare terreno nell’economia reale europea.
Lo strumento con cui operano
si chiama Fondo Sovrano. Si tratta di strumenti finanziari creati
dai propri governi o banche centrali arabe, e si muovono non solo
a scopo di profitto ma anche con
intento politico. La loro creazione
ha un che di ironico: i fondi glieli
abbiamo forniti noi
comprando petrolio e ma-
Novembro 2008
/
nufatti, e adesso loro vogliono le
nostre migliori aziende.
Destinati all’acquisizione di
partecipazioni nei migliori attivi europei, in Italia sono già
presenti con il fondo libico Mubadala, che detiene il 4,2 % di
Unicredit, vuole arrivare al 5%
e rivendica una vice presidenza,
assumibile dal Governatore della Banca Centrale libica, Farhat
Omar Bengdara.
Mubadala già possiede il 5%
della Ferrari e il 35% della Piaggio
aeronautica e vorrebbe Telecom,
ma non c’è accordo sul prezzo.
Se fosse in vendita comprerebbe
l’ENI per 46 miliardi di euro, tanto vale sul mercato lo strategico
ente petrolifero nazionale.
Il Cav. Berlusconi, ben conscio
della devastazione che un’azione
totalmente libera di questi fondi
potrebbe causare alla nostra economia, ha già dichiarato che la
loro partecipazione nelle nostre
aziende non potrà superare il 5%,
e sono state smentite le voci per
cui il fondo di Abu Dhabi stava
negoziando una partecipazione
nel nostro gioiello del settore degli armamenti, la Finmeccanica.
La crisi ha anche dimostrato
che, nonostante i teorici dell’economia e certi enunciati dei programmi di alcuni partiti politici
annuncino il libero mercato, nella
realtà pratica questo non esiste.
Il capitalismo, quando genera per una sua propria perversione
una crisi che non riesce a risolvere
autonomamente, chiede aiuto allo
Stato, che non può negarlo in ragione del noto ricatto: “ se io banca fallisco brucio i risparmi di centinaia di migliaia di clienti”. Così è
successo con le vicende Parmalat,
Argentina e precedentemente
in Brasile con il
Proer, durante
il primo governo di Fernando Henrique Cardoso.
ComunitàItaliana
Divulgação
[email protected]
15
Sob nova
direção
Em outubro, brasileiros elegeram novos prefeitos e vereadores, em todo o
país. Em Rondônia, a cidade de Cacoal terá um prefeito italiano
O
Sílvia Souza e Sônia Apolinário
governador
fluminense Sérgio Cabral ampliou
seus domínios políticos
também para o município do Rio de Janeiro. Seu exsecretário de Turismo, Eduardo
Paes (PMDB), é o novo prefeito
dos cariocas, eleito no mês passado. Assim, ele passa a “controlar” dois orçamentos que somam
47 bilhões de reais por ano. Com
a vitória de Paes sobre Fernando
Gabeira (PV), foi dado o primeiro
passo de uma futura candidatura
de Cabral à presidência da República, em 2010.
A ex-governadora do estado,
Rosinha Garotinho (PMDB), também voltou ao poder. Ela se elegeu prefeita de Campos, seu berço
político. Além disso, a filha Claris-
16
sa conquistou uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) foi reeleito prefeito da
maior cidade do país. Sua vice é
a ítalo-brasileira Alda Marco Antonio. Ela é uma das fundadoras
da seção brasileira da Unione Italiani nel Mondo, da qual é a atual
vice-presidente.
Em Minas Gerais, o governador Aécio Neves também conseguiu levar seu candidato Márcio
Lacerda (PSB) à prefeitura de Belo Horizonte. Neves é outro nome cotado para disputar a presidência nas próximas eleições. Em
Manaus (AM), o novo prefeito é
Amazonino Mendes (PTB). Dário
Berger (PMDB) foi reeleito em
Florianópolis (SC) enquanto Jo-
ComunitàItaliana
/
Da cadeia
Na cidade do Rio de Janeiro, Carminha Jerominho, depois de passar 40 dias num presídio de segurança máxima, teve uma comemoração dupla. A liberdade e a vitória nas urnas com mais de 22 mil
votos. Ela havia sido presa na Operação Voto Limpo da Polícia Federal. A família da futura vereadora é
acusada de comandar uma milícia
que controla favelas e cooperativas de transporte na Zona Oeste
da cidade. O pai, Jerominho, também é vereador e o tio, Natalino
Guimarães, deputado estadual, e o
irmão, ex-policial militar, continuam presos. Em todo o Brasil, dos
Eduardo Paes
Padre Franco
sé Fogaça (PPS) terá mais quatro anos à frente da prefeitura de
Porto Alegre. Vitória (ES) também reelegeu João Coser (PT).
75 vereadores que tinham algum
problema com a Justiça, 37 foram
eleitos ou reeleitos.
Itália?
A cidade de Cacoal, em Rondônia,
tem um prefeito italiano de nascimento e brasileiro de coração.
Em sua estréia no mundo político, o padre comboniano Francesco Vialetto foi eleito com 60,75%
dos votos, o que representa a opção de 24.601 eleitores num total
de 43.408 votos válidos. Assumirá o cargo no dia 1º de janeiro
disposto a estender a todo o município um trabalho missionário
que tem como principal vitrine os
feitos para a construção do hospital no bairro Eldorado.
Padre Franco, como é conhecido, foi apresentado aqui na Comunità na edição 123, que também trazia os ítalo-brasileiros
Walter Mussolini, João Batista
Bianchini, o “Italiano” e, Enelvo
Felini. Eles concorriam nas cidades de Maria da Fé (MG), Bebdouro (SP) e Sidrolândia (Mato
Grosso), mas não conseguiram
se eleger.
Novembro 2008
Empate
No município mineiro de Dom Cavati, a eleição terminou empatada.
Segundo a legislação eleitoral, em
casos assim, o candidato mais velho é declarado vencedor. Resultado: Jair Vieira (DEM) venceu Pedro
Euzébio Sobrinho (PT). Eles tiveram 1.919 votos cada. E segundo
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a
diferença por um voto foi decisiva
nas cidades de São Martinho (RS),
Saldanha Marinho (RS), Jussara
(PR), Nazaré (TO) e Arantina (MG).
Questão de nome
Vários candidatos se apresentaram com nome de jogadores de
futebol. Assim, assumem, em
vários pontos do país, 19 Pelés, dois Garrinchas, um Taffarel
e cinco Dungas. Já os seis candidatos que usaram o nome Bin
Laden, terrorista mais procurado
do mundo, e os quatro que utilizaram Obama, candidato à Presidência dos EUA, fracassaram nas
eleições deste ano.
política
Agora vai
Presidente Lula vai à Itália em sua primeira visita oficial, na nova era Berlusconi
D
epois de um ano de planejamento e mudanças
na agenda, chegou a hora. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Roma no dia 10 de
novembro para sua primeira viagem oficial à Itália, desde que
Silvio Berlusconi voltou ao cargo de primeiro-ministro. Será,
porém, a terceira vez, somente
este ano, que os dois se encontrarão. Eles estiveram juntos na
reunião da FAO e na cúpula do
G8, no início do segundo semestre. Da programação, é possível
que faça parte uma visita ao presidente Giorgio Napolitano.
Lula também pode ir a Milão
para participar de um seminário
sobre a infra-estrutura da América Latina, que contará com a
Sílvia Souza
Ricardo Stuckert/PR
política
presença de autoridades dos governos da América do Sul e América Central, além de empresários italianos. Em um momento
de crise econômica, nada melhor
que fortalecer os laços com nações parceiras. Ainda mais depois que o primeiro ministro italiano sinalizou a intenção de aumentar a participação de países
emergentes no grupo dos oito
mais influentes.
— Tendo a responsabilidade de presidir o próximo G8 (em
2009), ainda mais frente à crise
econômica que interessa a todos
os países do mundo, confirmo a
vontade do G8 de dar vida com
continuidade a um G14 — declarou Berlusconi, mês passado, ao
inaugurar a nova sede da Fundação Itália-China, em Pequim.
A viagem de Lula insere-se
em um contexto de grande atenção por parte da Itália dirigida
aos países da América Latina.
No final de outubro, o subsecretário das Relações Exteriores
da Itália, Vincenzo Scotti, visitou países da América Central.
Na ocasião, destacou a “perfeita
continuidade” nas relações estabelecidas pelo governo italiano
anterior com a América Latina.
Ele também informou que o exsubsecretário das Relações Exteriores da Itália, Donato Di Santo, foi nomeado pelo chanceler
Franco Frattini para integrar o
comitê da IV Conferência sobre
a América Latina, prevista para
outubro de 2009. O evento será dedicado à cooperação entre
a Itália e países latino-americanos nas áreas de infra-estrutura,
energia, pesquisa e pequenas e
médias empresas.
— De 40 empresas italianas
no exterior, quase metade do faturamento é proveniente de negócios feitos na América Central
e do Sul — observou Scotti.
política
Uniti nella
protesta
Moção aprovada pela Câmara dos Deputados dá o primeiro passo para
isolar crianças italianas de crianças imigrantes, dentro das escolas
N
Janaína Cesar
Correspondente • Treviso
18
dava sinais positivos em relação à
integração” de italianos e estrangeiros. Segundo ele, a moção pode vir a representar “anos de trabalho de inserção e didática escolar que serão praticamente anulados”. Para Fasino, a moção representa uma “regressão cultural
que, além de produzir um clima de
discriminação, fará da escola um
ente formador de discriminação
entre as próprias crianças”.
A proposta causou perplexidade até na centro-direita. O prefeito de Roma, Gianni Alemanno,
pediu uma “pausa para reflexão”
e um confronto com o mundo do
voluntariado e da Igreja. Até a
deputada pelo Povo da Liberdade, Alessandra Mussolini, neta de
Benito Mussolini, declarou que
esta é uma “medida racista”.
O texto da moção prevê o ingresso de crianças estrangeiras
após a realização de um teste em
italiano. Os reprovados são inseridos nas chamadas “classes pontes”.
Além disso, estabelece que os alunos estrangeiros podem ser matriculados somente até o dia 31 de
dezembro, isto é, após 4 meses do
início do ano escolar. Também prevê uma distribuição dos estudantes
ComunitàItaliana
/
estrangeiros em proporção ao número de alunos por classe – isto é,
cota para alunos imigrantes.
Segundo Alberto Ruperti, professor de arte do Liceo Brochi de
Bassano del Grappa, no Vêneto,
não existe nenhum motivo “do
ponto de vista didático e educativo” para a separação das salas
de aula.
— A classe de inserção nada
mais é do que uma classe separatista exclusiva para filhos de imigrantes. Isso reforça ainda mais
o preconceito que vê na presença de crianças estrangeiras um
enorme problema para o aprendizado das crianças italianas —
afirma Ruperti.
Reforma escolar
A moção separatista faz parte do
plano de reforma escolar que a
ministra da educação Mariastella
Gelmini está tentando fazer passar no parlamento. Além das classes separadas, a reforma prevê a
volta de um único professor para
o ensino primário, nota específica
para comportamento (abaixo de 5,
repete o ano mesmo se a média
escolar for alta), a volta do uniforme, a volta de ensino de edu-
Novembro 2008
vamente per marzo e giugno del
2009. La riunione del COMITES
è già stata messa in agenda per
Buenos Aires.
Conferenza dei Giovani e proteste contro il taglio nel preventivo di spesa che
riguarda gli italiani all’estero segnano la riunione dell’America Latina del
Consiglio Generale degli Italiani all’Estero, realizzata a Rio de Janeiro
A
cação cívica, o prolongamento do
tempo de utilização de livros que
devem ser válidos por cinco anos e
a diminuição para 24 horas semanais de ensino escolar. A reforma
ainda prevê corte ao financiamento às escolas, redução do número de bolsas de estudo e demissão
em massa de professores (cerca
de 24 mil). Além disso, o pacote pretende cortar 17% do pessoal que trabalha nas escolas como
ajudante, secretária ou cozinheira.
Ao todo, estão em jogo quase 90
mil empregos, o que já abriu um
duro confronto com os sindicatos.
Seriam fechadas 2 mil escolas em
todo o país por não superarem o
número mínimo de 500 alunos. Ou
seja, as salas de aulas restantes
teriam turmas maiores.
No próprio dia 15 de outubro,
alunos, pais e professores, contrários à reforma Gelmini, acamparam durante a noite em escolas
de todo o país. A Confederação
Geral Italiana do Trabalho (CGIL),
Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (Cisl) e
União Italiana do Trabalho (Uil),
já anunciaram que farão greve
geral. Enquanto isso, estudantes
ocuparam as universidades de Roma, Padova, Milão, Bari, Nápoles,
Aquila, Bolonha, Florença e Turim
em protesto contra o pacote. Eles
pregam, inclusive, a interrupção
do ano escolar, enquanto a situação não estiver resolvida.
ssociazionismo, collettività, assistenza sociale,
elezioni nei Comitati degli Italiani all’Estero (COMITES) e nello stesso Consiglio
Generale per gli Italiani all’Estero (CGIE). L’ordine del giorno preparato per l’incontro dei rappresentanti degli italiani in America
Latina era lungo. Fra i tanti temi
che hanno segnato l’evento, durato tre giorni a Rio de Janeiro:
il taglio nel preventivo di spesa
del governo italiano per gli italiani che non vivono in Italia e
la Conferenza dei Giovani. Delle
424 persone tra i 18 e i 35 anni attese per l’evento, che avrà
luogo il mese prossimo a Roma,
l’America Latina (AL) ne invierà
154. Il “taglio”, che entrerà in
vigore nel 2009, prevede una riduzione nei fondi destinati principalmente all’area di diffusione
della lingua e dell’assistenza.
— Dei 64 milioni di euro che
noi avevamo all’estero, dovremo
vivere con 32 milioni. Solo per
la diffusione della lingua sono 28
milioni in meno. Nel settore della
cooperazione si parla di una riduzione da 800 milioni a 350 milioni
di euro, un taglio del 62%. I no-
Sílvia Souza
stri sforzi possono essere vanificati. Sappiamo della necessità in
Italia della riorganizzazione, ma
manca sensibilità ai governanti.
Purtroppo i deputati che abbiamo
eletto non riescono a difenderci
su questo tema — dice il consigliere Claudio Pieroni, del Brasile.
La speranza che questa ed altre problematiche possano risolversi concretamente affida alla
Conferenza dei Giovani un ruolo
importante, secondo Pieroni. Il
Brasile parteciperà con 40 giovani. Di questi, 13 saranno rappresentati da giovani che sono già
stati delegati in altre riunioni.
La maggior parte sono stati distribuiti dall’AIRE (lista dell’occupazione italiana all’estero).
Perciò São Paulo manderà 14 persone; Rio de Janeiro, sette; Porto
Alegre e Curitiba, sei; Belo Horizonte quattro e Recife tre.
— Con tutto ciò stiamo cercando la migliore rappresentazione possibile. Il criterio, indiscutibile per la scelta di questi rappresentanti è parlare italiano. E
poi faremo una selezione secondo le varie regioni di origine in
Italia, e secondo le carriere o le
occupazioni — spiega Pieroni.
Fotos: Roberth Trindade
Salas
separadas
o mesmo dia em que no
Brasil se comemora o dia
do professor, 15 de outubro, o governo de Silvio
Berlusconi instituiu medidas que
podem vir a se refletir nas salas de
aula da Itália. Por 256 votos a favor, 246 contra e 1 abstenção, a
Câmara dos Deputados aprovou
uma moção apresentada pelo partido de extrema direita Liga Norte. O
texto dispõe sobre o acesso de alunos estrangeiros à escola, a partir
do nível de conhecimento da língua italiana. Quem não for fluente pode ser encaminhado para uma
“classe de inserção”. Na prática, isso significa italianos para uma sala, estrangeiros para outra.
— Deus nos livre da idéia que
possam existir classes separadas. Até agora, se trata somente
de uma moção, mas se for transformada em uma proposta de lei,
nós faremos de tudo para que não
seja aprovada no Parlamento —
afirma Walter Veltroni, presidente
do Partido Democrático.
Na avaliação do ministro
“sombra” do Exterior, do gabinete
paralelo do PD, Pier Fasino, se essa moção virar lei, o governo vai
mexer “na única parte do país que
politica
Carla Zuppetti
A parte Pieroni, i lavori a Rio
hanno riunito Antonio Laspro,
anche lui di São Paulo, Walter
Petruzziello, di Curitiba e Mario
Araldi, di Belo Horizonte e membri del Consiglio dell’Argentina,
Colombia, Cile, Uruguay e altri
paesi dell’AL. Tutto viene seguito
da vicino dalla direttrice generale
per gli Italiani all’Estero e le Politiche Migratorie, Carla Zuppetti,
e dal vice segretario generale per
l’America Latina del CGIE, Francisco Nardelli.
Una delle decisioni prese nella riunione ha definito una protesta, già questo mese, affinché ogni circoscrizione del CGIE
America Latina prenda posizione
contro il taglio preventivato. E
mentre alcuni consiglieri puntano a rimandare le elezioni per il
COMITES e per il futuro rinnovamento nel CGIE, previsti rispetti-
Novembro 2008
/
Cooperazione
“È come tornare bambini”, dichiara il ministro Carla Zuppetti in mezzo a dozzine di bambini assistiti dal Centro Educacional Cantinho da Natureza. Come
parte del lavoro dei consiglieri,
avrebbero dovuto visitare il progetto che conta sulla cooperazione italiana, svolto nel Morro dos
Cabritos, a Copacabana. Però meno della metà dei 30 partecipanti alla Riunione ha svolto questa
parte del lavoro.
— È veramente complicato parlare di italiani all’estero
come un tutt’uno, se ogni paese ha una sua realtà, se la cultura e la lingua soffrono cambiamenti e anche se per ogni
luogo c’è stata un’emigrazione causata da contesti socioeconomici diversi. D’altra parte
è importante mettere in risalto il cammino contrario che fa
il governo andando incontro a
queste nuove generazioni. Non
abbandoniamo nessuno — dice
Zuppetti, che occupa da quattro
mesi il suo posto.
La scuola/asilo nido alla fine della salita della Ladeira dos
Tabajaras accoglie 150 bambini
da zero a sei anni, coordinati da
padre Enrico Arrigoni. I bambini svolgono attività pedagogiche mentre i genitori lavorano.
L’istituzione, che riceve l’appoggio dell’Associazione Volontari per il Servizio Internazionale (AVSI), si sforza di integrare
gli 8000 abitanti della comunità con programmi di educazione
ambientale e salute, e l’80% del
personale è composto da abitanti del luogo.
ComunitàItaliana
19
no parlamento
Tatiana Buff
Correspondente • São Paulo
Na sua quinta legislatura consecutiva, o
deputado Marco Zacchera, de 57 anos,
preside o Comitê Permanente para os
Italianos no Exterior desde julho. Nascido
em Verbania, província de VerbanoCusio-Ossola, o parlamentar foi eleito e
reeleito para a Câmara dos Deputados da
Itália, desde 1994, pela Aliança Nacional
e pelo Partido do Povo da Liberdade.
Preocupado com os cortes milionários na
Lei Orçamentária de 2009 que atingirão as
comunidades italianas no mundo, assegura
estar “fazendo todo tipo de pressão sobre o
governo para que mude de idéia”. Para isso
quer o apoio dos colegas, inclusive dos eleitos
no território. Favorável a mudanças na lei
do voto no exterior que garantam maior
legitimidade aos resultados, igualmente
defende novas regras para a concessão da
cidadania. Sobre o Primeiro Congresso dos
Jovens Italianos no Mundo, alfineta:
— Espero, realmente, que seja
uma ocasião importante de confronto
e, sobretudo, de proposta, não apenas
uma alocação romana para 420 jovens
recomendados, ou pior, parentes dos
dirigentes dos Comites — afirma ele em
entrevista por e-mail à Comunità.
20
ComunitàItaliana
/
C
omunitàItaliana - Quais
projetos o senhor apresentou à Câmara nesta
legislatura? Algum foi
aprovado?
Marco Zacchera - Nenhum, porque ainda não houve tempo material para proceder ao itinerário
legislativo previsto pelas normas
parlamentares. De qualquer modo
tenho em curso neste itinerário
alguns projetos de lei referentes
a questões relativas às nossas
comunidades no exterior.
CI - Como avalia o pacto sobre a
imigração aprovado pela União
Européia em setembro? A Itália
terá leis mais específicas contra os imigrantes clandestinos?
Zacchera - O pacto sobre a imigração é só um primeiro passo,
mas significativo porque a Europa deve entender que a imigração é um problema comum a todo o continente, não apenas de
um país onde – por proximidade
geográfica – se multiplicam os
desembarques. Além disso, devemos recordar que a maior parte
do fenômeno migratório não está
relacionada apenas ao que se vê
nos telejornais. Não se trata apenas dos desembarques de deses-
Novembro 2008
perados dos botes de borracha
em Lampedusa, mas da lenta infiltração nas fronteiras orientais
da Europa de pessoas provenientes do leste europeu, dos Bálcãs,
do oriente médio. Eis aí, portanto, a necessidade não apenas de
controlar as entradas, mas também de administrar este fenômeno, que é de dimensão bíblica.
CI - O que pensa da reação do Vaticano contra a medida?
Zacchera - O Vaticano faz bem em
sustentar o que diz porque, justamente, sublinha os temas, os
valores, os preceitos cristãos em
matéria de caridade e solidariedade humana. Às vezes, creio, no
panha eleitoral e durante os escrutínios, com responsabilidades
graves também do centro-direita.
O voto pelo correio, sobretudo na
América Latina, se demonstrou
aberto a irregularidades de todo
tipo e não é mais crível continuar assim. Deverão ser, portanto,
mudadas as regras de voto (penso
nas seções eleitorais e no envio
postal apenas sob explícita solicitação do eleitor) com controle da
identidade dos votantes.
CI - Quais são suas principais
preocupações relativas aos cortes na Lei Orçamentária de 2009
para as comunidades italianas
no mundo?
Zacchera - Estou verdadeiramente muito preocupado com estes
cortes nos financiamentos e, sobretudo, não aceito que haja estes cortes indiscriminados e tão
pesados. Estamos tentando remediar e fazer todo tipo de pressões sobre o governo para que
mude de idéia ou, ao menos, reduza o redimensionamento tão
forte para alguns itens. Acima
de tudo, se alguns cortes são,
no fundo, aceitáveis, aquele da
assistência direta e indireta vai
atingir principalmente as nossas
comunidades sul-americanas. O
comitê parlamentar presidido
por mim não deixará por isso de
fazer ouvir sua voz, que, espero,
seja apoiada não só pelos eleitos no exterior, mas por todos os
parlamentares.
CI - Com relação a eventuais alterações na lei de cidadania, está de acordo com a aplicação de
uma prova de língua italiana e
outra de conhecimento da Constituição antes de concedê-la aos
oriundi?
Zacchera - Sim. Creio que as normas para solicitar a cidadania
italiana devem ser revistas em
termos restritivos. O atual sistema não permite um screening
(classificação) objetivo de quem
tem os títulos para obter a cidadania italiana, conceito que
não pode ser certificado apenas
à base de documentos. Pessoas
em demasia a obtiveram. Muitas
mais ainda a pediram só por motivos econômicos e pelo passaporte, mas não tendo nada mais
de “italiano” ou, pior, não tendo
jamais tido.
CI - Está de acordo com o reconhecimento da cidadania aos filhos de italianas nascidos antes
de 1948?
Zacchera - Juridicamente sim,
mas praticamente não, no sentido que a mim interessa que a
cidadania seja solicitada e conferida a pessoas “italianas” por língua, cultura e tradições. Conheci pessoas que não a obtiveram
no passado e poderiam no futuro
obtê-la graças a estes princípios
constitucionais, mas devo ressaltar que conheci outras que – precisamente – se também pedissem
e conseguissem a cidadania, de
italiano não teriam nada, se não
uma ascendência materna. Creio
que se deva abrir constitucionalmente a possibilidade de solicitar a cidadania também a essas
pessoas por uma questão de justiça jurídica, mas ao mesmo tempo é útil restringir depois (e a
valer para todos) os parâmetros
para obtê-la. Não basta expressar-se também em italiano, mas
compreender se o candidato-cidadão tem um mínimo de verda-
Novembro 2008
deira, documentada italianidade.
Se a tem e consegue concretamente demonstrá-lo, então seja
bem-vindo!
CI: A seu ver o governo Berlusconi está vencendo a batalha contra as máfias dentro e fora do
país?
Zacchera - Há um fortíssimo empenho do Governo contra a Camorra, como se está demonstrando em Nápoles e na Campânia.
Eu espero, portanto, realmente
que sim.
CI - Qual seria sua proposta ou
propostas para reduzir as filas
de solicitantes da cidadania em
frente aos consulados italianos
na América do Sul?
Zacchera - Pedimos o envio de
novos funcionários, a contratação de pessoal local para liquidar
os processos, mas – insisto – eu
acredito que devam também ser
mudados os parâmetros para obter a cidadania.
Fotos: Divulgação
Italianidade
à prova
entanto, que deveria também se
colocar no papel dos governantes
que querendo ou não devem impor regras sobre os modos e fluxos de entrada. Para ajudar é preciso conhecer e, portanto, identificar, entender quem chega.
CI - O que espera do Primeiro
Congresso dos Jovens Italianos
no Mundo que será realizado em
Roma no início de dezembro?
Zacchera - Espero, realmente,
que seja uma ocasião importante de confronto e, sobretudo, de
proposta, não apenas uma alocação romana para 420 jovens recomendados, ou pior, parentes
dos dirigentes dos Comites (comitês dos italianos no exterior).
Faz bem o subsecretário (Alfredo)
Mantica em insistir neste ponto.
Igualmente, fazem bem os jovens
a pretender localmente serem eles
a indicar os próprios representantes a ser enviados a Roma. Participarei voluntariamente dos trabalhos da Conferência, também
porque creio que será um importante momento de aprendizado
para quem, como eu, se ocupa há
vários anos destes problemas.
CI - Como presidente do Comitê
Permanente para os Italianos no
Exterior, qual é sua relação com
a comunidade italiana na América Latina? Teve oportunidade de
visitar todos os países, inclusive
o Brasil?
Zacchera - Estive diversas vezes
no Brasil, tanto particularmente
quanto como conselheiro regional
do Piemonte. Também estive antes
e depois de 1994 como parlamentar. Visitei muitos estados brasileiros e quase todos os países da
América Latina inclusive as nossas comunidades de Punta Arenas
(Chile) a Maracaibo (Venezuela).
Constatei muitos problemas, mas
também muitas possibilidades
inutilizadas, muitas contradições.
A falar disso se abre um livro...
CI - Pensa que a lei do voto no exterior deva mudar?
Zacchera - Absolutamente sim.
Dado o princípio do direito-dever
ao voto inclusive aos nossos emigrados - um direito que a direita
italiana sempre defendeu desde
os anos 50 e que apenas graças
à teimosia de Mirko Tremaglia foi
ratificado na Constituição e ali deve permanecer - acredito que devemos absolutamente encontrar e
aplicar regras novas e mais transparentes para expressar o voto.
Vi coisas inconcebíveis na cam-
/
ComunitàItaliana
21
capa
Salve-se
quem puder
Crise econômica mundial faz
Itália prever recessão para 2009.
No Brasil, a expectativa é de
manter o crescimento econômico,
porém, com índices modestos
A
onda se formou nos Estados Unidos e estourou, em
cheio, em todos os países
do mundo, literalmente.
Em alguns lugares, chegou como
tsunami. Em outros, com tamanho gigantesco, mas ainda “surfável”. Teve onde ela chegasse alta o suficiente para deixar a praia
perigosa e fazer os banhistas voltarem para casa, ainda que a salvos. No mundo da economia financeira, distante, mas não muito, da economia real, a quebradeira começou em decorrência da
crise hipotecária norte-americana
e se alastrou pelo planeta.
Si salvi
chi può
A intensidade da crise que
atingiu os países varia de acordo com a saúde financeira de cada um. Quem estava saudável, se
defendeu. Quem não estava, levou um “caixote”. Na Europa, tudo indica que há um “caixote” a
caminho. No Brasil, ainda é possível furar essa onda e usá-la para chegar de volta à praia.
Na Itália, o Centro de Estudo
da Confederação das Indústrias
(CSC) não prevê um bom futuro.
Segundo a última pesquisa, o país só sairá do sufoco econômico
2010, por conta da diminuição
do PIB (de 0,2 deste ano para 0,5
L’
Crisi economica mondiale
fa prevedere la recessione in
Italia per il 2009. In Brasile,
le attese sono di mantenere
la crescita economica, ma
con indici modesti
Janaína César, Sônia Apolinário e Tatiana Buff
onda si è formata negli
Stati Uniti ed è scoppiata in pieno letteralmente
in tutti i paesi del mondo. In qualche luogo è arrivata
come uno tsunami. In altri, in dimensioni gigantesche, ma ancora
“da surfing”. Ci sono stati luoghi
in cui l’onda è arrivata ad un’altezza sufficiente da rendere pericolosa la spiaggia e far ritornare
a casa i bagnanti, incolumi. Nel
mondo dell’economia finanziaria,
distante ma non molto dall’economia reale, il crash è iniziato dovuto alla crisi ipotecaria nordamericana e si è sparso per il pianeta.
Berlusconi e Lula: de olhos bem abertos e atentos para a crise
Berlusconi e Lula: ad occhi ben aperti e attenti alla crisi
22
ComunitàItaliana
/
Novembro 2008
L’intensità dell’onda che ha
attinto i paesi cambia a seconda
della salute finanziaria di ognuno di essi. Chi stava bene in salute, si è difeso. Chi no, è stato sbattuto a terra dall’onda. In
Italia, tutto dice che ci sarebbe una “sbattitura” in arrivo. In
Brasile è ancora possibile bucare
quest’onda e usarla per tornare
sul bagnasciuga.
In Italia, il Centro di Studi
della Confederazione delle Industrie (CSC) non dà buone previsioni. Secondo gli ultimi sondaggi, il paese uscirà dalla crisi economica solo nel 2010, dovuto alla diminuzione del PIL (da 0,2 di
quest’anno a 0,5 nel 2009), del
consumo (- 0,6%) e degli investimenti (- 9%).
Il premier Silvio Berlusconi
ha dato dichiarazioni per mantenere alta la morale della popolazione. Secondo lui “nessuna banca italiana fallirà e chi investe
non corre pericolo”. Il provvedimento per “blindare” l’economia del paese preso dal governo
mette a disposizione del sistema
bancario un fondo di 20 miliardi
di euro per affrontare la crisi. Ha
sono stati approvati due decreti finanziari per salvare le banche
in situazione di rischio.
em 2009); do consumo (-0,6%) e
dos investimentos (-9%).
O primeiro-ministro Silvio
Berlusconi fez declarações para manter a moral da população
elevada. Segundo ele, “nenhum
banco italiano falirá e quem investe não corre perigo”. Como
providência para blindar a economia do país, o governo colocou à disposição do sistema bancário um fundo de 20 bilhões de
euros para enfrentar a crise. Também aprovou dois decretos financeiros para salvar bancos em situação de perigo.
Os decretos prevêem a recapitalização e o refinanciamento
das instituições de crédito que
elevam a 100 mil euros o teto de
garantia para os depósitos bancários; permite que o estado intervenha no capital dos bancos
no caso de necessidade por intermédio da compra de ações especiais sem o direito de voto e
garante o financiamento às empresas. Berlusconi explicou que
“o objetivo principal (das medidas adotadas) é o de evitar que
os que poupam sejam pegos pelo
pânico”.
— Se todos resolverem sacar
suas aplicações e colocar (o dinheiro) embaixo do colchão, aí
sim, a economia do país entrará
em risco — afirmou o primeiroministro, em pronunciamento.
No Brasil, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva chegou a dizer que a crise, no país, não passava de uma “marola”. Da dúvida,
porém, agiu. Diminuiu o compulsório dos bancos para deixá-los
com liquidez e mais dinheiro disponível para o setor econômico;
controlou o câmbio para evitar
que o dólar disparasse; manteve
o crédito para micro e pequenas
empresas e deu mais autonomia
para o Banco Central que, jun-
Novembro 2008
/
ComunitàItaliana
23
capa
to com a Caixa Economia Federal, foram autorizados a comprar
bancos em perigo como forma de
dar segurança aos poupadores.
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, explicou que a autorização para os bancos públicos
comprarem bancos privados “não
é uma medida permanente”. Segundo ele, essa autorização responde “à necessidade de momento de crise de liquidez”. Mantega
afirmou que a medida é preventiva porque o Brasil tem “um dos
sistemas financeiros mais sólidos
do mundo”.
O coordenador de Small Business da Escola Brasileira de
Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, professor
Francisco Barone, avaliou como
“positivo neste momento” as medidas adotadas pelo governo brasileiro. Segundo ele, o país está
“surfando na onda” porque a sua
economia está “sólida”.
— Desde 1994, nossa economia passa por uma boa fase.
Quando assumiu, o presidente
Lula manteve a política do seu
antecessor e deu autonomia para
o Banco Central. Para 2009, não
acredito em recessão, mas vamos
crescer menos. Essa crise é semelhante à de 1929 e está localizada na parte financeira da economia. Por enquanto, a economia
real não foi afetada. As pessoas
físicas só vão começar a senti-la
no início do ano que vem — analisa o professor que tem cidadania italiana.
Ele acredita que o Brasil pode
até vir a se beneficiar com a crise, se souber agir. Barone lembra
que, com a alta do dólar, o turismo interno pode ser favorecido.
Além disso, produtos brasileiros
podem passar a substituir produtos antes importados, na preferência do consumidor, justamente porque o preço da mercadoria
que vem de fora vai aumentar.
Apesar das grandes perdas
acionárias por que passaram
empresas em todo o mundo, o
professor mantém a recomendação de que é hora de comprar
ações. Principalmente de grandes empresas brasileiras como
Petrobras e Vale. Segundo ele,
esse será um “bom negócio a
longo prazo para quem tem sangue frio”.
De olho no curto prazo, o
presidente da Federação das In-
24
Acima, o ministro da Fazenda, Guido
Mantega. Ao lado, o presidente do
Banco Etica, Fabio Salviato. Abaixo,
o professor Francisco Barone
Sopra, il ministro da Fazenda, Guido
Mantega. Accanto, il presidente del
Banco Etica, Fabio Salviato. Sotto, il
professore Francisco Barone
dústrias do Estado de São Paulo,
Paulo Skaf, já mandou seu recado
para o governo. Segundo ele, é
importante que o Banco Central
brasileiro “nem pense em elevar a taxa de juros”. Na sua avaliação, isso seria “inadmissível”
porque poderia levar a uma maior
queda no consumo.
Recessão
Na Itália, o pacote anti-crise
não agradou a todos. Para o
CSC, os procedimentos extraordinários de intervenção direta
no sistema financeiro ajudarão
a inflamar a dívida pública e patrimonial. Segundo o Centro, “a
saída do buraco negro da recessão fica cada vez mais longe e a
provável retomada tão esperada
para o ano que vem será insignificante, soterrada pela crise
bancária que corre o risco de se
transformar em uma crise real
da economia”.
Fabio Salviato, presidente
do Banco Etica, diz que “antes
da crise, já havia um seguro que
cobria, em 103 mil euros, os depósitos no caso de falência bancária. Segundo ele, as medidas
ComunitàItaliana
/
I decreti prevedono la ricapitalizzazione e il rifinanziamento
degli istituti di credito che portano a 100mila euro il tetto di
garanzia per i depositi bancari;
permette che lo stato intervenga
nel capitale delle banche in caso
di bisogno grazie all’acquisto di
azioni privilegiate senza diritto di
voto e garantisce il finanziamento
delle imprese. Berlusconi ha spiegato che “il principale obiettivo
[delle misure adottate] è quello
di evitare che coloro che risparmiano siano presi dal panico”.
— Se tutti decidono di prelevare i loro investimenti e di metterli sotto al materasso, allora sì,
l’economia del paese entrerà in
difficoltà — ha affermato il primo ministro in un discorso.
In Brasile il presidente Luiz Inácio Lula da Silva ha addirittura detto che la crisi non era
altro che “un mare leggermente
mosso”. Ma, nel dubbio, ha agito.
Ha diminuito i prestiti impositivi delle banche per lasciarle con
maggiore liquidità e più soldi a
disposizione del settore economico; ha controllato il cambio per
evitare che il dollaro aumentas-
Novembro 2008
se; ha mantenuto il credito per le
micro e piccole imprese e ha dato
più autonomia al Banco Central
che, insieme alla Caixa Economica Federal, sono state autorizzate
a comprare banche in rischio per
dare sicurezza ai risparmiatori.
Il ministro da Fazenda, Guido
Mantega, ha spiegato che l’autorizzazione data alle banche statali
di comprare banche private “non è
una misura permanente”. Secondo
lui quest’autorizzazione “risponde
al bisogno del momento di crisi di
liquidità”. Mantega ha detto che
la misura è preventiva perché il
Brasile ha “uno dei sistemi finanziari più solidi del mondo”.
Il coordinatore di Small Business della Escola Brasileira de
Administração Pública e de Empresas della Fundação Getúlio
Vargas di Rio de Janeiro, professor Francisco Barone, valuta come
“positive in questo momento” le
misura adottade dal governo brasiliano. Secondo lui il paese sta
facendo “surfing sull’onda” perché la sua economia è “solida”.
— Fin dal 1994, la nostra
economia vive una buona fase.
Quando si è insediato, il presidente Lula ha mantenuto la politica
del suo predecessore e ha dato
autonomia al Banco Central. Per
il 2009 non credo alla recessione, ma cresceremo meno. Questa
crisi è simile a quella del 1929 ed
è nella parte finanziaria dell’economia. Per ora l’economia reale
non è stata colpita. Le persone
fisiche cominceranno a sentirla
solo all’inizio dell’anno prossimo
— analizza il professore, che ha
la cittadinanza italiana.
Barone crede anche che il
Brasile potrà trarre benefici dalla
crisi, se saprà agire. Barone ricorda che il turismo interno può
essere agevolato dall’aumento
del dollaro. Inoltre, prodotti brasiliani potranno sostituirne altri
prima importati, secondo le preferenze dei consumatori, proprio
perché il prezzo delle merci che
vengono dall’estero aumenterà.
Malgrado le grandi perdite
azionarie affrontate dalle imprese di tutto il mondo, il professore mantiene la raccomandazione in cui dice che è il momento
di comprare azioni. Specialmente
di grandi imprese brasiliane come Petrobras e Vale. Secondo lui
questo sarà un “ottimo affare a
lunga scadenza per chi ha sangue freddo”.
adotadas pelo governo tranqüilizaram os investidores. Diferentemente da Alemanha, por exemplo, que estipulou um teto máximo de 500 bilhões de euros para
salvar bancos em falência, a Itália não estabeleceu um teto. Isso, explica Salviato, faz com que
o dinheiro público destinado aos
bancos seja ilimitado.
— A Inglaterra e a França investiram reservas públicas para
capitalizar bancos que precisavam de dinheiro, mas que ainda
não tinham decretado falência.
Isso gerou uma série de desconfiança da parte dos investidores.
As medidas adotadas pelo governo procuram tapar o buraco de
uma represa que está estourando
— analisa Salviato.
Diretor do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional, Alessandro Leipod,
foi categórico. Segundo ele, “é
muito fácil que a Itália entre
em recessão”. Na sua avaliação,
“a política de ajuda estatal não
caminha na direção correta”. O
que ele recomenda para o país
é “uma maior liberalização no
mercado”. Antonello Soro, presidente dos deputados do Partido
Democrático (PD) ressalta que “a
Itália não está bem e as camadas sociais mais expostas à crise
econômica precisam de respostas efetivas e concretas para que
possam defender a escola, o emprego e a democracia”.
A favor do governo saiu Giacomo Stucchi, deputado da Liga
Norte. Ele concorda com a linha
política adotada pela equipe de
Berlusconi. Segundo ele, a política deve garantir os depósitos
bancários, a solidez das instituições de crédito e dar a possibilidade às mesmas instituições de
ter uma perspectiva de desenvolvimento futuro.
— Se as instituições de crédito são tranqüilas, quem tem
um financiamento, por exemplo,
da casa, sabe que as parcelas não
aumentarão e nem terão o valor
do financiamento pedido com antecipação — afirma.
O jornal inglês Financial Times, no mês passado, fez uma
longa análise dos procedimentos adotados por Berlusconi para enfrentar a crise. Segundo Guy
Dimore, correspondente de Roma
“os bancos e o mercado estão
em colapso, mas a crise está beneficiando Silvio Berlusconi porque seu governo exerce uma autoridade que há mais de 10 anos
não si via por aqui. Os italianos
estão celebrando o seu papel de
estado salvador”.
De olho no Brasil
No mês passado, o Instituto Italiano para o Comércio Exterior
(ICE) e o Departamento de Promoção de Intercâmbios da Embaixada da Itália no Brasil promoveram mais uma rodada de ne-
1929
C
om o término da Primeira Guerra Mundial, os EUA passaram
a ser o grande nome do capitalismo mundial. De maior devedor, se tornou o maior credor mundial. Porém, a partir de 1925,
sua economia começou a ter sérios problemas
com grande desemprego e queda de consumo.
Apesar da crise, investidores mantiveram suas
especulações comercializando papéis por valores que não condiziam com a real situação das
empresas. Os preços das ações despencaram.
No dia 29 de outubro de 1929, havia 13 milhões de ações à venda e nenhum comprador.
Isso resultou na quebra da Bolsa de New York e
o início de uma crise econômica mundial.
Pensando alla breve scadenza,
il presidente della Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, ha già detto la sua
al governo. Secondo lui è importante che il Banco Central brasiliano “non ci pensi nemmeno ad
aumentare i tassi di interesse”.
Dal suo punto di vista, ciò sarebbe
“inammissibile” perché potrebbe causare una maggiore diminuzione del consumo.
Recessione
In Italia il pacchetto anti-crisi
non è piaciuto a tutti. Per il CSC
le misure straordinarie di intervento diretto nel sistema finanziario aiuteranno ad infiammare il debito pubblico e patrimoniale. Secondo il Centro “l’uscita
dal buco nero della recessione è
sempre più distante e la probabile ripresa così attesa per l’anno
prossimo sarà insignificante, sotterrata dalla crisi bancaria, che
corre il rischio di trasformarsi in
una crisi reale dell’economia”.
Fabio Salviato, presidente della
Banca Etica, dice che “prima della
crisi c’era già un’assicurazione che
copriva, con 103mila euro, i depositi in caso di fallimento bancario”.
Secondo lui le misure prese dal governo hanno tranquillizzato gli investitori. A differenza dalla Germania, per esempio, che ha stipulato
un tetto massimo di 500 miliardi
di euro per salvare delle banche in
fallimento, l’Italia non ha stabilito
un tetto. Ciò fa sì che, spiega Salviato, il denaro pubblico destinato
alle banche sia illimitato.
— L’Inghilterra e la Francia
hanno investito riserve pubbliche per capitalizzare banche che
avevano bisogno di soldi, ma che
non avevano ancora decretato il
fallimento. Ciò ha causato una
serie di atti di sfiducia da parte
degli investitori. Le misure prese
dal governo cercano di tappare i
buchi di una diga che si sta rompendo — analizza Salviato.
Direttore del dipartimento
europeo del Fondo Monetario Internazionale, Alessandro Leipod
è stato categorico. Secondo lui
“è molto facile che l’Italia entri
in recessione”, valuta che “la politica di aiuti statali non va nella
giusta direzione” e raccomanda
al paese “una maggiore liberalizzazione nel mercato”.
Antonello Soro, presidente
dei deputati del Partito Democratico (PD) mette in risalto che
“l’Italia non va bene e i ceti sociali più esposti alla crisi economica hanno bisogno di risposte
effettive e concrete perché possano difendere la scuola, l’impiego e la democrazia”.
Chi si è mosso in difesa del
governo è stato Giacomo Stucchi,
deputato della Lega Nord. È d’accordo con la linea politica adottata dalla équipe di Berlusconi. Secondo lui la politica deve garantire
i depositi bancari, la solidità degli
istituti di credito e dare la possibilità agli stessi istituti di avere una
prospettiva di sviluppo futuro.
— Se gli istituti di credito
sono tranquilli, chi ottiene, per
esempio, un finanziamento per la
casa sa che le rate non aumenteranno e non avranno il valore del
finanziamento richiesto in anticipo — afferma.
Il giornale inglese Financial
Times il mese scorso ha fatto
una lunga analisi delle procedure adottate da Berlusconi per
affrontare la crisi. Secondo Guy
Dimore, corrispondente da Roma,
“le banche e i mercati sono nei
guai, ma la crisi sta beneficiando Silvio Berlusconi e il suo governo sta godendo di un’autorità
C
on la fine della Prima Guerra Mondiale, gli USA divennero il grande nome del capitalismo mondiale. Da maggiori debitori diventarono maggiori creditori mondiali. Ma dal 1925 la loro economia cominciò a presentare seri problemi, con una grande
disoccupazione e la diminuzione dei consumi.
Malgrado la crisi, gli investitori mantennero le
loro speculazioni commercializzando titoli per
valori che non corrispondevano alla reale situazione delle imprese. I prezzi delle azioni crollarono. Il 29 ottobre 1929 c’erano 13 milioni
di azioni in vendita e nessun acquirente. Ciò
risultò nel crash della Borsa di New York e dette
inizio ad una crisi economica mondiale.
Novembro 2008
/
ComunitàItaliana
25
Rodada de negócios entre Brasil e Itália em São Paulo. Abaixo, Alessandro Karlin, da Enel Brasil, e Giovanni Sacchi, diretor do ICE
Incontro affaristico tra Brasile e Italia a São Paulo. Sotto, Alessandro Karlin dell’Enel Brasil e Giovanni Sacchi direttore dell’ICE
che non si è vista per decenni.
Gli italiani stanno celebrando il
ruolo dello stato salvatore”.
gócios entre empresários italianos e brasileiros. O evento deixou
claro que o Brasil é visto como
um porto seguro para negócios,
neste momento. O próprio diretor
do ICE em São Paulo, Giovanni
Sacchi, admitiu que a Itália será
mais atingida do que o Brasil, pela crise econômica mundial.
— O Brasil parte de uma situação muito boa, com crescimento projetado em 5% para este
ano, com acúmulo de reservas e
estabilidade em relação a outros
países. A crise dá sinais, mas, a
influência está acontecendo em
menor medida. Para 2009, a previsão é crescer de 2,5 a 3% —
afirma Sacchi.
Segundo ele, na Itália, o desequilíbrio econômico era precedente por conta de uma retração
do mercado interno, ocorrido nos
últimos cinco anos. Na sua avaliação, somente empresas italia-
26
nas que buscaram a internacionalização estavam em boa situação.
Sacchi conta que setores de excelência italiana e de maior fluxo comercial externo já sinalizam
menor demanda em função da crise como o alimentício, a moda, o
automotivo e o mobiliário.
Uma das participantes da rodada de negócios foi a Enel Brasil, subsidiária da italiana Enel
SpA, uma das maiores produtoras de energia do mundo. Seu
presidente, Alessandro Karlin,
afirma que não vai alterar a “decisão estratégica” de investimento nas fontes brasileiras de
energia renovável.
Segundo ele, o Brasil representa “um país importante para
a empresa”.
— Pode ser que a velocidade do
investimento previsto seja um pouco mais lenta — pondera Karlin.
Nos próximos quatro anos, a
ComunitàItaliana
/
Pensando al Brasile
Il mese scorso l’Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE)
e il Departamento de Promoção
de Intercâmbios dell’Ambasciata d’Italia in Brasile hanno promosso un incontro affaristico tra
imprenditori italiani e brasiliani.
L’evento ha lasciato ben chiaro che il Brasile è visto come un
porto sicuro per gli affari in questo momento. Lo stesso direttore dell’ICE di São Paulo, Giovanni
Sacchi, ha ammesso che l’Italia
sarà colpita, più del Brasile, dalla
crisi economica mondiale.
— Il Brasile parte da una
situazione molto positiva, con
crescita prevista del 5% per
quest’anno, con un accumulo
di riserve e stabilità in rapporto ad altri paesi. La crisi dà segnali, ma gli influssi sono in atto
in minore misura. Per il 2009 la
previsione di crescita è dal 2,5 al
3% — afferma Sacchi.
Secondo lui, in Italia lo
squilibrio economico già esisteva dovuto ad una ritrazione del
mercato interno, avutosi negli
ultimi cinque anni. Nella sua valutazione, solo le imprese italiane che hanno cercato l’internazionalizzazione erano in buona
situazione. Sacchi racconta che
settori di eccellenza italiana e
di maggior flusso commerciale
estero hanno già segnalato una
domanda minore dovuto alla cri-
Novembro 2008
si, come quello alimentare, della
moda, dell’industria di autoveicoli e dei mobili.
Una delle partecipanti agli
incontri affaristici è stata la Enel
Brasil, sussidiaria dell’italiana
Enel SpA, uno dei maggiori produttori di energia nel mondo. Il
suo presidente, Alessandro Karlin, dice che non cambierà la
“decisione strategica” di investire in fonti brasiliane di energia
rinnovabile. Secondo lui il Brasile rappresenta “un paese importante per l’azienda”.
— Magari la velocità dell’investimento previsto sarà un po’
più lenta — pondera Karlin.
Nei prossimi quattro anni
l’Enel costruirà centrali eoliche
e piccole centrali idroelettriche
nelle regioni centro-ovest e sudest, dove già gestisce 20 centrali con potenza totale installata di 92 MW. Gli investimenti
futuri, secondo Karlin, saranno
di “centinaia di milioni di dollari”. Fin dal 1999, nelle due fasi
di azione dell’azienda in Brasile,
di trasmissione e generazione di
energia, gli investimenti totali
sono stati di circa 800 milioni
di dollari.
Questi ultimi incontri affaristici hanno portato in Brasile 23
imprenditori italiani di vari settori. Sono state fatte riunioni a
São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. A São Paulo la rappresentante del Ministero dello Sviluppo Economico italiano, Maria
Concetta Giorgi, ha dichiarato ad
una platea di 150 persone che gli
Enel vai construir usinas eólicas
e pequenas centrais hidrelétricas
(PCH’s) nas regiões centro-oeste
e sudeste, onde já gerencia 20
centrais, com potência total instalada de 92 MW. O investimento
futuro, segundo Karlin, será de
“centenas de milhões de dólares”. Desde 1999, nas duas fases
da atuação da empresa no Brasil,
de transmissão e geração energética, o investimento total foi de
aproximadamente 800 milhões
de dólares.
Essa última rodada de negócios trouxe ao Brasil 23 empresários italianos de diversos setores.
Foram realizadas reuniões em
São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em São Paulo, a representante do Ministério do Desenvolvimento Econômico da Itália,
Maria Concetta Giorgi, declarou,
para uma audiência de 150 pessoas, que o intercâmbio comercial entre os dois países são “favorecidos pelo empreendedorismo” dos empresários. Segundo
ela, há uma “complementaridade” nos setores da agroindústria,
tecnologia, biotecnologia, eletrônica, moda e design:
— Em 2004, assinamos um
protocolo de intenções para colaboração com o Sebrae (Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), para ampliar
as joint-ventures entre brasileiros
e italianos nos setores têxtil, alimentício, calçadista, mobiliário,
mármore, elétrico, agrícola, água,
papel e minérios. Nossa visita é
também uma preparação para
aquela do presidente Lula à Itália,
programada para novembro.
Francesco Paternò, secretário-geral da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e
Agricultura de São Paulo, sublinhou, durante o evento, que “o
Brasil é o país do presente, não
apenas do futuro, como se ouve
Sebastião Jacinto Jr
capa
Empresários analisam potencialidades que os países podem unir
Imprenditori studiano potenzialità che i paesi possono legare insieme
há décadas”. Na sua opinião, o
grande diferencial brasileiro em
relação aos países emergentes “é
a grande presença da comunidade italiana”: 25 milhões no país.
De acordo com o Ministério do
Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, o comércio entre
Brasil e Itália movimentou, em
2007, 7,8 bilhões de dólares.
Na reunião realizada em Belo
Horizonte, Carlos Eduardo Abijaodi, gerente do Centro Internacional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
(Fiemg), afirmou que também
crê que a crise não afetará tanto o sistema financeiro brasileiro em razão do país ter “uma
rede bancária sólida e dos bons
indicadores macroeconômicos
alcançados”. Para ele, o governo
tem tomado medidas preventivas “interessantes”.
Colaboraram Marco Antonio
Corteleti e Geraldo Coccolo Jr.
cenni”. Secondo lui la grande differenza del Brasile in rapporto ai
paesi emergenti “è la grande presenza della comunità italiana”: 25
milioni. Secondo il Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nel 2007 il commercio tra il Brasile e l’Italia ha
mosso 7,8 miliardi di dollari.
Durante la riunione realizzata
a Belo Horizonte, Carlos Eduardo Abijaodi, direttore del Centro Internacional da Federação
das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), ha detto che
anche lui crede che la crisi non
attingerà tanto il sistema finanziario brasiliano perché il paese
ha “una rete bancaria solida e ha
raggiunto dei buoni indicatori
macroeconomici”. Secondo lui il
governo ha preso decisioni preventive “interessanti”.
Colaborazione di
Marco Antonio Corteleti
e Geraldo Coccolo Jr.
Riunione
Reunião
P
interscambi commerciali tra i due
paesi sono “favoriti dall’imprenditorialità” degli imprenditori.
Secondo lei c’è una “complementarità” nei settori dell’industria
agricola, tecnologia, biotecnologia, elettronica, moda e design:
— Nel 2004 abbiamo siglato
un protocollo d’intesa per collaborazioni con il Sebrae (Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) per ampliare le
joint ventures tra brasiliani e italiani nei settori tessile, alimentare, calzaturifici, dei mobili, marmo, elettrico, agricolo, acqua,
carta e minerali. La nostra visita è anche una preparazione per
quella del presidente Lula in Italia, programmata per novembre.
Francesco Paternò, segretario
generale della Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura di São Paulo durante l’evento ha sottolineato che “il Brasile è
un paese del presente, non solo del
futuro, come si sente dire da de-
ara muitos analistas, a atual crise é pior do que a de 1929. Se
é verdade, ainda é cedo para saber. O que se sabe é que os líderes de quase todos os países estão em busca
de uma salvação para suas economias. Por conta disso, o presidente norte-americano George
Bush agendou para o dia 15 de novembro, em
Washington, um encontro mundial para discutir
a crise financeira. Os convidados são os países
do G20, grupo que reúne as sete principais economias do mundo e países em desenvolvimento
como Brasil, China e Índia.
S
econdo molti analisti la crisi attuale è peggiore di quella del
’29. Se è vero, è ancora presto per dirlo. Quello che si sa è che i
leader di quasi tutti i paesi sono in cerca di un
salvataggio per le loro economie. Per questo il
presidente nordamericano George Bush ha messo in agenda per il 15 novembre, a Washington, un incontro mondiale per discutere la crisi
finanziaria. Gli invitati sono i paesi del G20,
gruppo che riunisce le sette principali economie del mondo e paesi in via di sviluppo come
il Brasile, la Cina e l’India.
Novembro 2008
/
ComunitàItaliana
27
negócios
O homem
do mármore
E do granito. Aos 70 anos, o italiano Bruno Zanet está à frente de uma das
principais empresas brasileiras exportadoras de rochas ornamentais do Espírito
Santo. No mês passado, ele participou da 43ª Marmomacc, realizada em Verona
Nayra Garofle
E
le tinha 14 anos e não entendia nada sobre mármore e granito quando começou a se envolver no ramo.
Tudo por “culpa” de seu irmão
que trabalhava com túmulos de
uma forma bem artesanal. Aos
20, mesmo sem muito dinheiro,
comprou e vendeu mármore na
antiga Iugoslávia. Foi a partir
daí, quando as atividades se estenderam para Bulgária, Turquia,
Grécia e, depois, Portugal e Espanha, que Bruno Zanet percebeu o
que a vida preparava para ele.
Hoje, aos 70 anos, o italiano de Veneza se mantém firme
e forte à frente da empresa que,
desde 1990, é estabelecida no
Espírito Santo. Foi naquela época que o governo brasileiro abriu
oportunidades para que estrangeiros pudessem comprar áreas
de mineração no país. A Marmi
Bruno Zanet, que completou 50
anos este ano, exporta 70% de
seu mármore e granito atualmente para a China e os outros 30%
para o resto do mundo.
— Comecei a trabalhar nessa área em 1958, na ex-Iugos-
28
lávia. Eu nem gostava da pedra.
Foi uma época difícil. A Itália era
proibida de importar a pedra. Eu
sou nascido no município de Veneza, uma cidade que foi construída toda com pedras. Na época, só os marmoristas de Veneza poderiam receber a licença de
importação. Em 1963, a importação foi desbloqueada — diz ele,
que comercializa 200 qualidades
diferentes de rochas.
Depois de uma crise no mercado de mármore, em 1978, Zanet começou a trabalhar também com o granito. Atualmente,
o empresário e o filho moram no
Brasil enquanto a filha e o genro
vivem na Itália para administrar
as quatro empresas do grupo: duas em Carrara e duas em Verona.
Como não poderia deixar de
ser, a empresa de Zanet participou da 43ª Feira Internacional
de Mármore, Pedras, Desenho e
Tecnologia (Marmomacc), realizada em outubro, em Verona,
na Itália. Segundo o “homem do
mármore”, nem mesmo a atual
crise econômica impediu o sucesso do evento.
ComunitàItaliana
/
— Tinha muita gente desanimada e depois que a feira começou isso mudou. Este ano teve um grande fluxo de países do
oeste, como Rússia e Romênia.
Apesar de ter acontecido no mesmo período da crise econômica,
de um modo geral a feira foi boa.
Eu preciso ressaltar que o mercado vai estar sempre nas mãos
do produtor que têm jazidas próprias. Está acabando o intermediário — afirma.
Novembro 2008
Além das jazidas no Espírito
Santo, Bahia e Minas Gerais, as
empresas do grupo também vendem mármore e granito da Ucrânia, Rússia, Índia, Turquia, Grécia e Sul da África.
Segundo o empresário, os
mármores mais valiosos e vendidos por sua empresa são o
Amarelo São Francisco Real e o
Ouro Brasil.
— São os designers e arquitetos que ditam quais são
os mármores do momento e esses são os mais valiosos. É uma
certa questão de moda. No ano
passado, vendemos cerca de 80
mil toneladas de blocos — conta Bruno.
O Espírito Santo é o maior
produtor e exportador de rochas
ornamentais do Brasil. O estado
respondeu por cerca de 65% das
exportações do país, em 2007.
Foram 726 milhões de dólares
em vendas para o exterior, no
ano passado, contra 679,9 milhões de dólares em 2006. Do
total de 1,5 milhão de toneladas
de blocos e chapas exportadas
em 2007 pelo Espírito Santo, a
China e a Itália compraram cerca
de 700 mil toneladas de blocos,
enquanto os EUA consumiram
mais de 80% das 700 mil toneladas de chapas, seguido do mercado canadense.
Marmomacc
D
ezoito empresas capixabas participaram da 43ª Marmomacc.
O Espírito Santo foi representado pelo secretário de Desenvolvimento do Governo do Estado, Guilherme Dias. De acordo com
a secretaria, no ranking mundial dos maiores produtores de rochas
ornamentais, o Brasil ocupa o 4º lugar, com mais de 7,5 milhões
de toneladas. E, entre os maiores exportadores, ocupa o 5º lugar,
com cerca de 2,6 milhões de toneladas.
Este ano, a crise no mercado imobiliário norte-americano e
as sucessivas quedas do dólar fizeram as exportações caírem. No
mês de julho, segundo dados do Centrorochas, o recuo chegou a
16,32%, se comparado com as vendas do mesmo período de 2007.
No Espírito Santo, a queda foi ainda mais acentuada: 21,91%. Mesmo assim, as exportações de rochas movimentaram 93 milhões de
dólares no Brasil, sendo 59 milhões de dólares no Espírito Santo.
feira
Feira de
idéias
Inovatec vira palco para o governo de
Minas anunciar investimentos no setor
de pesquisa e tecnologia. A Itália foi o
primeiro país convidado para o evento e
marcou presença na quarta edição da feira
Brenno Rocha e Marco Antonio Corteleti, em MG
governo de Minas Gerais
vai investir 80 milhões de
reais no desenvolvimento
de pesquisa, ensino e inovação tecnológica no estado. O
conjunto de medidas que garante
esse investimento no setor foi assinado pelo governador Aécio Neves durante a 4ª Inovatec – Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada mês passado, em
Belo Horizonte. Ao lado do governador, esteve o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.
Maior evento brasileiro de divulgação e incentivo às inovações tecnológicas, a feira, pela
primeira vez, teve um país convidado: a Itália. Por conta disso,
empresas italianas como Ibiritermo, Fiat, TIM, Brembo e OMR
ocuparam mil metros quadrados
da Expominas para apresentar
suas novidades.
Para o presidente da Câmara
Ítalo-Brasileira de Comércio, com
30
sede em Belo Horizonte, Giacomo
Regaldo, esta proximidade entre
Itália e Minas é importante porque permitirá às empresas locais
terem acesso direto às empresas
italianas, “caracterizadas por serem de pequeno e médio porte,
porém muito dinâmicas”.
— As empresas participantes
poderão avaliar, em conjunto, as
possibilidades de parceria comercial ou de transferência tecnológica — afirma Regalo.
Segundo ele, na Itália, aproximadamente 71% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento são realizados pelas empresas. No ano passado, o montante destinado ao setor foi de
11,5 milhões de euros.
Diretora de Inovação, Pesquisa e Universidade da Região do
Piemonte, Erica Gay também participou do evento. Seu interesse,
além de discutir temas de comum
interesse entre os dois países, era
ComunitàItaliana
/
Raquel Alves (da CCIB)
O
o de observar o desempenho das
empresas italianas no Brasil.
Para o governo de Minas, a
Inovatec foi uma oportunidade
para mostrar o potencial do estado para atrair novos investimentos. Por conta disso, o governador Neves aproveitou o evento
para também anunciar um acréscimo de 30 milhões de reais ao
orçamento deste ano da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). Segundo
ele, essa medida fará com que o
setor alcance a marca de 200 milhões de reais em novos aportes.
— Somados aos demais recursos do Tesouro Estadual e a
outros captados de fontes diversas, o governo vai investir cerca
de 3 bilhões de reais até 2010 —
informa Aécio Neves.
Em parceria com a Fapemig
e Finep (Financiadora de Estudos
e Projetos do ministério da Ciência e Tecnologia), a secretaria
de Ciência e Tecnologia liberou
20,5 milhões de reais para o início dos 71 projetos contemplados pelo Programa de Apoio à
Pesquisa em Empresas (Pappe),
que permite o investimento de
recursos não-reembolsáveis em
empresas de base tecnológica,
buscando a competitividade dos
seus produtos.
A 4ª Inovatec, que recebeu
um público de cerca de 10 mil
pessoas, reuniu universidades,
empresas públicas e privadas,
centros de pesquisa e instituições de fomento ao setor. Os expositores apresentaram pesquisas e avanços em novas tecnologias para a produção industrial
e os benefícios para a vida moderna. Entre os diversos produtos
que puderam ser conferidos pelo
público está o transmissor de potência para TV digital desenvolvido pela STB (Superior Technologies in Broadcasting), de Santa Rita do Sapucaí, com apoio da
Fapemig, que destinou ao projeto 142 mil reais.
O presidente da Câmara de Comércio, Giacomo Regaldo, acompanhado
da diretora de Inovação, Pesquisa e Universidade do Piemonte, Erica Gay
e o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais,
Alberto Duque Portugal. No alto, o ministro de Ciência e Tecnologia,
Sérgio Resende, o governador Aécio Neves, o secretário Duque Portugal, e
a deputada Gláucia Brandão e Regaldo.
Novembro 2008
Provocação
U
ma das palestras mais requisitadas do evento foi a do sociólogo italiano Domenico De Masi. Ele falou sobre “Criatividade, Inovação e Trabalho”. O sociólogo fechou o ciclo de aulas magnas dos conferencistas internacionais, no segundo dia do
evento. Aproximadamente 400 pessoas acompanharam sua apresentação. O sociólogo disse que, em 200 anos, o mundo se transformou e “chegou” na era pós-industrial. Nessa “fase”, a produção
de idéias se caracteriza por não ter horários fixos. As empresas,
porém, continuam a marcar o tempo do trabalho, o que, na opinião do sociólogo, “limita a criatividade”.
A crise
voa longe
Apesar do momento, aparentemente, caótico na economia mundial, o setor
turístico pode aproveitar o período para atrair estrangeiros para o Brasil. Essa
era a expectativa de operadores da área, durante Feira das Américas, no Rio
Nayra Garofle
A
cidade maravilhosa é o cenário escolhido pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) para realizar, anualmente, sua feira
de turismo. Este ano, num espaço
maior do que 50 mil metros quadrados, mais de três mil expositores ocuparam os cinco pavilhões
do Riocentro, na zona oeste do
Rio, para apresentar seus destinos
e suas melhores ofertas. Não diferente das edições anteriores, mostrar o inusitado e as novidades do
setor foi o artifício utilizado pelas
agências e secretarias de turismo.
Porém, uma pergunta não se calou: o setor turístico já sente os
efeitos da atual crise econômica?
Na opinião do presidente da
Abav, Carlos Alberto Amorim Ferreira, a crise nos mercados americano e europeu é uma chance de
atrair mais turistas estrangeiros.
Segundo ele, a facilidade de se
obter informações através da internet também força uma mudança de pensamento dos operadores
da área, já que este é o principal
motivo que leva os clientes a dispensarem o serviço das agências.
— As condições no passado
eram mais confortáveis, mas não
podemos voltar atrás. Por isso, é
imperativo ver um desafio em cada
oportunidade — afirma Ferreira.
O ministro do Turismo, Luiz
Barreto, concorda com o presidente da Abav. Durante o evento,
ele lembrou que a baixa do dólar se tornou um atrativo para os
estrangeiros, no Brasil. Segundo
Barreto, o governo continua observando o cenário “sem deixar
de acompanhar com atenção o
desenrolar da crise”.
— Este é um momento de
oportunidade. O mercado interno
Ernane Assumpção
feira
terá uma grande movimentação.
O dólar cotado a R$ 2,20 significa que o Brasil é um lugar barato
para os estrangeiros — diz.
O governador do Rio, Sérgio
Cabral, também prestigiou a feira
e discursou rapidamente dando
as boas-vindas aos operadores,
além de desejar bom trabalho
aos agentes de viagem “na cidade mais bonita do mundo”.
Segundo o diretor comercial
internacional da agência CVC,
Michael Barkoczy, não há motivo
para se preocupar, no momento,
com a “nuvem preta” que paira
sobre a economia mundial.
— É claro que existe uma insegurança por parte dos viajantes. Devemos ficar alerta, mas
não preocupados. Os pacotes que
deveriam ser vendidos já foram
vendidos. Acredito que tudo isso
vai passar daqui uns dois meses
e, por isso, o setor turístico não
vai nem sentir os efeitos — acredita Barkoczy.
O diretor explica que mesmo diante da crise econômica, a
CVC, que atua no Brasil e opera
na Europa, tendo a Itália como
um dos destinos mais procurados
pelos turistas, teve até o momento um crescimento de 28%
com relação ao mesmo período
do ano passado.
Para a responsável pela Agência Nacional do Turismo Italiano
(Enit) no Brasil, Fernanda Morici,
ainda é muito cedo para falar sobre as conseqüências da crise no
setor turístico.
— É prematuro falar sobre os
resultados da crise porque as pessoas ainda tentam entender o que
está acontecendo. Depois, se tiver
uma diminuição do movimento,
que eu acredito que não terá, mas
se tiver, haverá uma procura por
saídas para compensar a alta do
dólar ou a alta do euro. De repente, os serviços ficarão mais baratos
para que não se sinta tanta diferença assim com relação ao câmbio e para que as pessoas possam
continuar viajando. De imediato,
não acho que a crise vai interferir
no nosso setor — avalia.
Fernanda explica que a Enit
continua trabalhando para divulgar todas as regiões italianas.
Para isso, está realizando seminários nas capitais brasileiras,
além de convidar operadores de
agências de viagens e jornalistas
para conhecer a Itália.
— O nosso trabalho é divulgar as 20 regiões do país. De dois
nos para cá, cerca de 400 mil
brasileiros viajaram para a Itália.
Este ano, esperamos um crescimento de até 30% — diz.
Fotos: Ernane Assumpção
atualidade
Trabalho
na mesa
Questões como imigração, exploração infantil e direitos foram
discutidos no Brasil por especialistas italianos
O
Sílvia Souza
imigrante representa ou
não um perigo para trabalhadores locais? Como
o mercado de trabalho
atual lida com o assédio moral e
a exploração infantil? Essas foram algumas das questões discutidas em dois eventos realizados
no Brasil e que trouxeram, para o
país, docentes italianos especializados no assunto.
Segundo o professor de Direito Trabalhista Fabio Petrucci,
o que está na pauta de debates,
agora, é a “compatibilização”
da disciplina de trabalho entre
os vários países que compõem a
União Européia.
— O trabalho é a base da república italiana e também para
32
a União Européia é um princípio
básico. Na Itália, muito se tem
falado, por exemplo, sobre a presença de romenos, que têm uma
disciplina de trabalho, digamos,
um pouco mais baixa que a de
outros países — analisa Petrucci que leciona Direito Social e do
Trabalho como docente convidado na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Curitiba.
Ele e outros três professores
italianos participaram do 3º Seminário Ítalo-brasileiro de Direito do Trabalho, realizado no Rio;
e o Seminário Internacional do
Direito do Trabalho, em Fortaleza. Os encontros abordaram temas como trabalho infantil e assédio moral e a necessidade de
ComunitàItaliana
/
se estabelecer pontes que regulamentem e punam praticantes
de irregularidades.
De acordo com Petrucci, o
preconceito com o que são vistos os imigrantes tende a diminuir quando esses estrangeiros
não representam ameaças aos
trabalhadores locais. Isso sem
falar que, entrando na Itália legalmente, o imigrante está sujeito às mesmas regras que qualquer outro cidadão do país. Há,
porém, problemas nesse trânsito
que precisam ser acompanhados
de perto.
— Algumas questões exigem
respostas mais urgentes como o
trabalho infantil, por exemplo,
que deve ser combatido com
Novembro 2008
uma normativa penal rígida. E as
mortes no ambiente de trabalho
também. Na Itália, ocorrem mais
no Sul e o setor de construção civil tem maior número de casos. A
vinda ao Brasil apresenta discussões que só vão melhorar nossas
pesquisas — comenta Petrucci.
Para quem deseja encarar o
trabalho na bota, o médico curitibano ítalo-brasileiro Pedro Reggiani Anzuategui criou o site www.
minhaitalia.com.br onde muitas
dicas podem ser encontradas. Ele
observa que “o trabalhador tem
força na Itália”.
— Lá, a oferta de empregos
é grande, principalmente nos níveis menos especializados. Isso
faz com que o trabalhador não
tenha aquele medo intenso de
perder o emprego, como acontece com o trabalhador no Brasil,
que se sujeita a coisas horríveis
— afirma ele que morou cinco
anos na Itália.
Segundo Anzuategui, “o italiano enfrenta o patrão e impõe
respeito”. O médico conta que
várias vezes presenciou trabalhadores que se recusavam a fazer
algum trabalho por ser “muito
pesado” ou “não adequado para o seu perfil”. Ele afirma que o
trabalho informal na Itália não é
tão disseminado como no Brasil.
Existe, “mas apenas entre círculos fechados como discotecas ou
pequenas lojas”.
Na maioria dos casos, o trabalho, na Itália, será formal,
com todas as garantias sociais.
Isso, porém, não livra os funcionários do assédio moral. Com
o agravante que essa questão
ainda não está bem resolvida
em termos de legislação. O professor Antonio Pileggi, da Universidade de Roma, informa que
entidades internacionais sinalizam que, na Itália, 4% dos trabalhadores seriam vítimas desse problema.
— Nós, que lidamos diariamente com o assunto, sabemos
que esse número é pequeno. Isso acontece porque a maioria das
pessoas não denuncia os casos
de assédio moral, com medo de
retaliação — afirma.
No Brasil
Até o mês de agosto, o quadro
do emprego formal, no Brasil,
era favorável aos trabalhadores.
O Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) registrou a criação de mais de 1,8
Especialistas em Direito do Trabalho, os professores Antonio Pileggi e Fabio Petrucci
comentam sobre trabalho escravo e assédio moral na Itália
milhão de novas vagas preenchidas no país, superando a meta que o Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE) estabelecera
para todo o ano de 2008. Nos
primeiros oito meses de 2007, o
mesmo índice ficou em 1,3 milhão de empregos. O recorde anterior, do ano de 2004, era de
1,4 milhão.
O percentual de pessoas no
trabalho formal atingiu 49% do
total dos ocupados, segundo dados do 1º quadrimestre de 2008
da Pesquisa Mensal de Emprego
(PME) do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
Um dos grandes movimentos no setor trabalhista, no país, se deu em junho quando foi
lançada, oficialmente, a Frente
Nacional Contra o Trabalho Escravo. No momento, está em tramitação, no Congresso Nacional,
a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438 que determina
a expropriação (sem pagamento
de indenização) de propriedades
onde for constatada a exploração de mão-de-obra escrava.
Para o procurador Jonas Ratier
Moreno, da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do Ministério Público do Trabalho (MPT), a aprovação da PEC seria uma resposta “à
altura aos questionamentos internacionais à produção agropecuária
brasileira”. Segundo ele, há acusações de que produtos brasileiros
podem estar “sujos” pela utilização de mão-de-obra escrava.
Pequenos escravos
Dicas de Reggiani
rostituição, trabalho forçado e imposição à pratica da
mendicância são as principais
causas de exploração sofridas
por crianças provenientes do
Leste Europeu e da África, na
Itália. A denúncia faz parte do
relatório “Pequenos Escravos”
da divisão italiana da organização Save the Children. Nigéria e Romênia seriam os países
que mais atuariam no tráfico de
pessoas e segundo o documento, 938 crianças e adolescentes
exploradas foram atendidas na
Itália entre 2000 e 2007.
— O número de vítimas pode ser maior por que muitas
crianças são ‘invisíveis’ não recebendo proteção ou qualquer
tipo de assistência. As crianças
são úteis para os grupos que se
dedicam à exploração, pois são
mais fáceis de aliciar e, no caso da mendicância, despertam
compaixão. Além disso, os menores de 14 anos não são imputáveis criminalmente — explica
a coordenadora da área de proteção da ONG, Carlotta Bellini.
experiência adquirida por Reggiani na Itália fez com que, aqui
no Brasil, o médico transmitisse seus conhecimentos. No seu
site, ele fala a respeito de profissões valorizadas, direitos trabalhistas, salários e até condições para quem tem dupla cidadania:
● A Itália precisa de mão de obra de todo tipo, especializada e
não especializada. Atividades como a de soldador, eletricista,
mecânico e marceneiro geram trabalho quase que imediatamente. O emprego altamente especializado (título universitário) pode ser mais demorado para se encontrar, porém o retorno financeiro será maior.
● As garantias sociais do trabalho existem e funcionam bem. Existe, além do 13° salário, o 14° salário, que é pago em julho. Alguns
outros direitos dos trabalhadores são: garantia contra doenças e
acidentes de trabalho, férias longas e remuneradas, licença maternidade (que pode ser de até 9 meses) e outras licenças garantidas
por lei como greve e problemas pessoais.
● O salário mínimo italiano é cerca de 900 euros. Com esta quantia
um cidadão que não é casado e não tem filhos pode manter um carro, pagar um aluguel, ter celular, sair à noite, viajar e ir a restaurantes. São poucos os italianos que ganham salário mínimo e isto ocorre normalmente no início da carreira e com os menos qualificados.
● Pode acontecer de os empregadores preferirem estrangeiros (com
cidadania italiana) porque entendem que aqueles que vêm de países em desenvolvimento estão acostumados a trabalhar “bastante”, ou seja, não ligam de fazer hora extra ou trabalhar domingos
ou feriados em troca de um incremento no salário. Em determinadas áreas, onde se precisa de conhecimentos específicos, pode não
ser uma vantagem ser estrangeiro, mas em outras (por exemplo,
trabalho com turismo, tradução, música, multinacionais), o fato
de ser ítalo-brasileiro é uma vantagem franca.
P
A
Novembro 2008
/
ComunitàItaliana
33
In partenza
Dopo quattro anni, il console di’Italia a Rio de Janeiro si congeda dal
Brasile portandosi nei bagagli abitudini prettamente cariocas. Qui
lascia un’eredità di azioni che segnano la presenza italiana nella città
P
Sílvia Souza
an di Zucchero, caipirinha
e churrasco sono cose che
incantano tutti i turisti
che visitano Rio de Janeiro. Non solo loro. Anche i carioca
adorano tutto ciò. Cosa dire, allora, di un italiano che diventa
cittadino onorario della città? E
questi è un italiano che ha proprio il Pan di Zucchero come vista dall’appartamento dove ha
abitato negli ultimi quattro anni.
Questo “italo-carioca” è il console italiano a Rio de Janeiro, Massimo Bellelli. Però adesso comincia a fare le valigie. Dopo otto
anni fuori dall’Italia, ritorna con
la famiglia a Roma, dove lavorerà
al ministero degli Esteri.
Bellelli porterà nei suoi bagagli i titoli di cittadino onora-
rio carioca e fluminense. Questi
omaggi non gli sono stati attribuiti per prassi protocollare. Riflettono bene il tipo di azioni del
console nella città e nello stato di
Rio de Janeiro. Non è un caso che
lui sia un autentico napoletano. E
sono proprio i napoletani i primi
a dire che Rio e Napoli sono città
che hanno molto in comune.
— Sono nato a Zagabria e sono abituato a questo “jeitinho”di
tentare di risolvere le cose con il
carisma che solo i carioca hanno.
Spesso io stesso ho presentato
agli italiani che ci hanno visitato questa caratteristica che ritroviamo qui — commenta il console, 53 anni, padre di tre figli.
Prima di venire a Rio, Bellelli
è stato console aggiunto a São
Paulo agli inizi degli anni ’90.
Poi ha lavorato a Bruxelles (Belgio) come capo del settore commerciale. I suoi primi due figli
sono nati a São Paulo. Invece il
più piccolo è nato in Italia.
L’integrazione del console
con la città sede della sua circoscrizione (che serve anche gli
stati Espírito Santo e Bahia) è
stata inevitabile. Ancora prima
di trattarsi di un’affinità particolare, Bellelli ha capito che questo sarebbe stato fondamentale
per il buon disimpegno del suo
lavoro. In fondo, quando è arrivato qui la prima cosa che ha
capito è stata che il carioca non
sapeva nemmeno dov’era il consolato italiano.
— Ho preso un taxi ed ho
chiesto che mi portasse al consolato. L’autista non sapeva dove rimaneva e mi ha chiesto l’indirizzo. Quando gli ho detto che
era all’avenida Presidente Antonio Carlos, lui mi ha detto: ‘Ah,
accanto al consolato della Francia’ — ricorda.
Da quel momento, Bellelli ha
deciso che bisognava fare qualcosa affinché la sede del consolato
diventasse riferimento per i discendenti di italiani e per la popolazione della città in generale.
Si è reso conto che una grande
opportunità potevano essere i festeggiamenti per la Proclamazione
della Repubblica Italiana. Così, tre
anni fa, ha instituito la Festa della Repubblica. La prima edizione,
ancora timida, ha avuto luogo per
la strada, di fronte al consolato.
L’evento si è ingrandito e, dall’anno seguente, si è “trasferito” nella
piazza Virgílio de Melo Franco, che
rimane dietro al palazzo.
— Con la festa abbiamo segnato la nostra presenza, abbiamo
presentato le istituzioni che aiutiamo e abbiamo reso noto il lavoro che facciamo. Senza dubbio
è stata un’iniziativa che ci ha reso
più visibili — valuta il console.
Anche se è alla fine del mandato, Bellelli ancora si impegna
per mettere in pratica due progetti. Uno di essi è la riqualificazione della Piazza Italia, spazio
che include la strada laterale del
consolato, all’angolo tra le avenidas Beira Mar e presidente Antonio Carlos. L’altro è la creazione
di una scuola italiana con formazione per poter corrispondere ai
curriculum brasiliano e italiano.
Bellelli racconta che il progetto della piazza, presentanto al
sindaco due anni fa, include come
abbellimento un busto dell’impe-
Roberth Trindade
La vista che il console contempla
dal terrazzo del Consolato.
Accanto, in posa al Pan di
Zucchero in una visita ufficiale
34
ComunitàItaliana
/
Novembro 2008
ratrice Teresa Cristina, p la moglie
napoletana di Dom Pedro II, oltre
ad una illuminazione scenica. Secondo lui, si tratta di un progetto
che “c’è da un po’ di tempo, ma
che la burocrazia ritarda sempre”.
Invece la scuola è il recupero di
un’istituzione che è già esistita.
Secondo il console, bisogna creare un luogo di insegnamento “che
apra le porte dell’Europa per figli
e discendenti di italiani”.
Tra i lavori portati a termine,
Bellelli mette in risalto l’avvicinamento con l’Academia Brasileira de Letras, in partenariati letterari e accordi; la pubblicazione di
una guida e di un’agenda consolare e l’impiantazione, da tre anni,
della tessera Clube Itália, gestita
dal Comitato Olimpico Nazionale
Italiano (CONI). Il documento dà
sconti agli associati in ristoranti,
farmacie e vari altri negozi. Una
delle cose di cui va orgoglioso è
l’adozione di un’assicurazione sanitaria per italiani carenti della
circoscrizione. Di recente il console “carioca” ha inaugurato nel
palazzo del consolato la Sala Roma, dove vengono proiettati tutte le settimane film italiani.
Nel campo della politica
il console considera come fiore all’occhiello della sua gestione il viaggio con il governatore
fluminense Sergio Cabral in Italia, l’anno scorso. Secondo lui,
l’esperienza come cicerone ha
contribuito all’approfondimento
delle relazioni tra le regioni visitate e lo stato di Rio.
— Mi piace seguire tutto da
vicino e mi sono sforzato per essere presente in vari luoghi. È una
brutta cosa che la colonia si muova
e non riceva appoggio dal governo
italiano. Mi ha interessato molto
accompagnare l’équipe fluminense, perché questo percorso inverso non è comune. Siamo passati in
Calabria (durante i festeggiamenti
per i 500 anni di San Francesco di
Paola), in Sicilia e in Campania e in
tutti i posti abbiamo potuto sfruttare le peculiarità con lo sguardo di
chi sta dentro — ha detto.
Durante la gestione di Bellelli
il consolato italiano a Salvador è
stato portato alla posizione di onorario, l’unico in Brasile. Nell’area
economica, il console crede che le
sue azioni abbiano permesso il recupero di partnership tra imprese
italiane e italo-brasiliane. La prima porta aperta per questo percorso è stata la tradizionale Feira
Roberth Trindade
diplomazia
da Providência, realizzata tutti gli
anni dalla Archidiocesi di Rio. In
questa tappa, Bellelli ha potuto
contare sul grande aiuto della moglie Matilde:
— Persone legate all’evento
mi hanno chiesto aiuto per l’importazione di prodotti. Ho designato mia moglie per seguire tutto
il processo. Gli organizzatori sono
rimasti sorpresi perché, fino a quel
momento, questo non era un procedimento comune. In realtà pensavano che fosse un errore non
avere una nostra presenza effettiva all’evento. Abbiamo cominciato
a portare i prodotti da lanciare sul
mercato. Matilde coordinava tutto
e “ha vestito la camicia”, come si
dice qui — racconta Bellelli.
Ancora nel campo degli affari, il console mette in risalto
l’apertura dell’ufficio dell’Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE) a Rio come “un differenziale” dell’azione. E racconta
che, quando è arrivato in città,
“non c’erano queste attenzioni”.
— Ci siamo mossi per collegare tutte le sfere in cui abbiamo agito e così le azioni sociali,
politiche, economiche e culturali
hanno avuto un più rappresentativo riscontro. Abbiamo sfruttato
tutte le opportunità per rendere
noto questo lavoro di insieme —
mette in risalto Bellelli, che è laureato in Legge presso l’Università
di Roma ed è dottore in Economia, indirizzo Gestione Aziendale,
presso l’Università di Ginevra.
Lettore vorace, il console di
solito legge da due a tre libri simultaneamente. Per ciò che riguarda i libri brasiliani, preferisce
opere storiche e che si occupino
In alto, una foto di Bellelli
nel suo ufficio. Accanto, in
omaggio concesso dal governo
italiano all’architetto Oscar
Niemeyer. Sotto, accanto alla
moglie, Matilde, in uno dei suoi
momenti da fotografo
di politica. Ma come autore, preferisce lasciare il paese con una
pubblicazione nell’area gastronomica. Si tratta di un libro di ricette della cucina mediterranea per
giovani, che sarà lanciato il prossimo mese. La scelta e produzione
dei piatti presentati nel libro sono
stati scelti dai figli più grandi.
Il ritorno di Bellelli in Italia è
previsto per dicembre. Una delle
cose di cui il console ammette che
sentirà più la mancanza, a Rio,
sarà il carnevale. Tutti gli anni, è
stato presente al Sambodromo per
fare il tifo per la sua scuola del
cuore, la Portela. Ma nella avenida è entrato una volta sola, l’anno
scorso, quando è stato invitato a
sfilare con l’Império Serrano.
Gran parte del suo amore per
Rio de Janeiro è rimasto registrato
in fotografie. Bellelli ha già avuto
Novembro 2008
/
come hobby la fotografia. In gioventù, a Roma, il diplomatico ha
fatto un corso di due anni di fotografia e regia cinematografica.
Ha addirittura avuto un laboratorio fotografico e una radio, con un
gruppo di amici, e firmava un pezzo sullo sport in un quotidiano.
Da queste parti, le fotografie
della città sono state fatte in camminate fatte nei luoghi turistici
cariocas come l’Aterro do Flamengo, la Pedra da Gávea o il Cristo
Redentore. In macchina, ha percorso vari punti turistici di città
della sua circoscrizione. Ad ogni
fermata ha ripetuto il rito di provare i piatti tipici della regione e
di conoscere i costumi locali. Chissà se, in Italia, Bellelli potrà esporre tutto questo materiale e assumere una nuova funzione: quella
di “console” di Rio a Roma.
ComunitàItaliana
35
cooperação
Paolo de Santis, adido científico da Embaixada da
Itália no Brasil; Marco Gilli, vice-reitor do Politécnico
de Turim; Cledorvino Belini, presidente da Fiat para a
América Latina; Antonio Anastasia, vice-governador
de MG; Alberto Portugal, Secretário de Ciência e
Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais
e Raphael Guimarães, Secretário de Desenvolvimento
Econômico do Estado de Minas Gerais
Em busca
de excelência
Grupo Fiat e Politécnico de Torino, da região do Piemonte, firmam,
em Minas Gerais, parceria para o desenvolvimento de pesquisa
O
Geraldo Cocolo JR
estado de Minas Gerais
e a região do Piemonte
estreitaram ainda mais
seus laços. Em outubro,
um mês antes da missão mineira chefiada pelo governador Aécio Neves chegar àquela região
italiana, o presidente do Grupo
Fiat, Cledorvino Belini e o vicereitor do Politécnico de Torino,
Marco Gilli, assinaram um protocolo de intenções. Com isso, foi
formalizado o início de uma parceria para a execução de projetos
de interesse comum e promoção
da pesquisa e formação técnicocientífica em engenharia automotiva, design e tecnologia em
combustíveis.
A assinatura do acordo, que
aconteceu na Casa Fiat de Cultura, contou com a presença de
várias autoridades, como o vicegovernador de Minas Gerais, Antônio Augusto Anastasia, o secretário de Estado de Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior,
Alberto Duque Portugal e o professor Paolo Santis, adido cultural do departamento de estudos
científicos da embaixada da Itália no Brasil.
Entre os principais objetivos do acordo estão o estímulo à
produção científica e tecnológica
36
brasileira e a promoção de intercâmbio de conhecimentos, a fim
de formar profissionais cada vez
mais qualificados. O protocolo de
intenções prevê também estimular pesquisas de tecnologias não
poluentes.
— Este é um passo fundamental para continuarmos na
vanguarda da técnica e do design. O acordo com o Politécnico potencializará a produção de
conhecimento com foco na excelência e na inovação — afirma o
presidente do Grupo Fiat, Cledorvino Belini — Queremos reproduzir no Brasil a cooperação que
existe entre o Politécnico di Torino e a Fiat na Itália. As economias mundiais estão globalizadas e o Brasil está inserido nesse
mercado. Gerar e absorver novos
conhecimentos são vitais para a
Fiat. Temos convênios com diversas universidades, mas precisamos de ainda mais saber, para
melhor fazer.
A parceria com o Politécnico
de Turim contribuirá para fortalecer as atividades de formação
e geração de conhecimento que
o Grupo Fiat desenvolve há cerca de 15 anos, por meio de acordos com mais de 40 universidades brasileiras e outras 12 ins-
ComunitàItaliana
/
tituições no exterior. A aliança
também favorecerá o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva, com fornecedores dos diversos setores em que o Grupo Fiat
atua também se beneficiando dos
cursos a serem oferecidos.
De acordo com Belini, os
investimentos anunciados pelo Grupo Fiat até 2010, no valor 6 bilhões de reais, referem-se
à ampliação da capacidade produtiva, desenvolvimento de novos produtos, aprimoramento dos
processos e da qualidade, além
da constante criação de soluções
inovadoras para o setor automobilístico. Para alcançar todos esses objetivos é primordial a cons-
Novembro 2008
trução de novas competências. O
convênio com o Politécnico de
Turim potencializará essa produção de conhecimento com foco
na excelência e na inovação.
O protocolo de intenções prevê também estimular pesquisas de
tecnologias não poluentes, inclusive para a produção de veículos
mais amigáveis ao meio ambiente.
Politécnico de Turim
O Politécnico de Turim é uma
das oito universidades mais importantes da Europa, tendo sido
fundado em 1859. Com concentração de estudo nas áreas da Engenharia, Arquitetura e Design,
o centro universitário de Turim
mantém intensa cooperação com
a Fiat italiana há quase um século, sobretudo através do CRF
– Centro Ricerche Fiat (Centro de
Pesquisas Fiat). No âmbito desta
parceria, o Politecnico de Turim
está implantando o mais importante centro de pesquisas sobre
biocombustíveis da Europa.
No Brasil, o Politécnico de
Turim mantém programas de colaboração com diversas entidades brasileiras como a CAPES e
instituições de ensino como USP,
Unicamp, UnB, UFSC e UFMG. Em
Minas Gerais, o Politécnico de
Turim mantém vínculos também
com o governo do Estado para
o desenvolvimento conjunto de
pesquisa científica e tecnológica
na área de design.
ROMA
uteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSalut
Lisomar Silva
Azeite, sim!
Pintores
O
azul infinito do céu descrito há 50
anos na música Volare de Domenico Modugno, parece estar contido
no imenso leque de cores e matizes do céu
de Roma. É importante olhar para o alto,
de qualquer ponto da cidade. Os edifícios
do centro histórico chegam a ter cinco andares e, na periferia, não passam dos dez
ou doze andares. Admiram-se milhões de
tonalidades de azul, do mais claro ao blu
cobalto passando pelo blu índaco, que se
fundem desde os primeiros momentos da
aurora até as últimas frações de minutos
do crepúsculo, durante quase todo o ano.
Nos dias ensolarados, com ou sem os
clássicos cirros e os cúmulus nimbus típicos do céu romano, as nuvens têm reflexos
Para você admirar
P
ara se desvendar os segredos da luz
e do clima romanos, é preciso acordar cedo. Esse momento do dia é a melhor hora para se apreciar os tons rosados
da fachada da Basílica de São Pedro no
Vaticano. Após uma entusiástica visita à
Basílica e aos Museus da Santa Sé, é possível admirar a visão de Roma a partir da
Cúpula de São Pedro. Mas esse não é o
único ponto privilegiado da cidade. Roma
é venerável por inteira do alto da Terrazza
della Quadriga do Monumento Vittoriano,
localizado na Piazza Venezia e dedicado
ao soldado desconhecido. Já as ruínas do
Fórum Romano são apaixonantes quando
admiradas a partir dos terraços do Capitólio e dos corredores do Coliseu. As luzes da manhã e os tons púrpuros da tardinha tornam poéticos os panoramas que
a cidade oferece a partir das Praças Trinità dei Monti e Quirinale, junto à sede da
Presidência da República. Nas horas do
crepúsculo, é fundamental estar sentado
no gramado ao longo do Circo Mássimo
para se admirar as monumentais ruínas
em tijolos vermelhos do Fórum Palatino,
ou se encostar nos muros da Piazzale Garibaldi, na colina de Gianícolo, para devorar com os olhos a mágica beleza que
Roma revela até o anoitecer.
38
ComunitàItaliana
Até Vinícius
O
céu de Roma foi inspirador de grande e
prazerosa produção cultural na década
de 50 com Vinícius de Moraes e Sergio Buarque de Hollanda. Naquela época, o célebre poeta e compositor musical carioca se
encontrava em Roma na veste de Embaixador brasileiro na sede da Piazza Navona. Já o
famoso historiador paulista lecionava junto
à catedra de Estudos Brasileiros na universidade La Sapienza de Roma. Ambos puderam
acompanhar também os primeiros passos romanos do então jovem (e desconhecido) cineasta Federico Fellini que, em 1987, colocou o azul profundo e as nuvens brancas do
céu romano em seu filme L’intervista.
/
Novembro 2008
de luz branco-rosada ou laranja-salmão até
os tons lilás e violeta. Nas tardes douradas
primaveris e outonais, com temperaturas
amenas e o refrescante sopro do Vento di
Ponente que vem dos mares Tirreno e Adriático, a cidade e seus monumentos ganham
perspectivas visuais de acentuada profundidade em contínua transformação. É fruto
do jogo que o contraste de luz e sombra
cria com o passar das horas, em uma surpreendente série de imagens inéditas, nascidas de um espaço urbano que é sempre o
mesmo: a Cidade Eterna. A luz crepuscular,
com os últimos raios de sol que avermelham as paredes e fachadas dos edifícios,
torna o azul do céu ora mais intenso, ora
mais esbranquiçado.
Condenação
O
céu de Roma na Renascença também foi
tema de processos e condenações que
o Tribunal da Inquisição (hoje Congregação
para a Doutrina da Fé) impôs a Galileu Galilei, em 1616, cinco anos depois que o grande
físico, astrônomo, filósofo e matemático italiano se transferiu de Florença para Roma como embaixador do Grão-Ducado de Toscana.
A sentença, confirmada em 1633, foi cancelada 359 anos, 4 meses e 9 dias depois: em 31
de outubro de 1992, Papa João Paulo II, em
discurso pronunciado durante uma audiência
aos componentes da Pontifícia Academia de
Ciências, anunciava que a Santa Sé havia reabilitado o cientista Galileu Galilei.
Arquivo
A culpa é dela
U
ma pesquisa norte-americana realizada
pelo Departamento de Assuntos de Veteranos do Centro Médico da Universidade de
Oklahoma afirma que a bactéria intestinal enterococcus faecalis pode ser responsável pelo desenvolvimento de câncer de intestino.
O estudo foi divulgado no Journal of Medical
Microbiology, mas houve quem contestasse.
O microbiólogo da Universidade de Liverpool,
na Grã-Bretanha, afirma que a bactéria pode ser a culpada, mas que outras presentes
no intestino também podem ser responsáveis
pela doença. “Sabemos que a bactéria está
presente nos intestinos da maioria das pessoas, porém, nem todos têm câncer. Isso indica
que devem existir outros fatores”.
U
ma pesquisa da Universidade de Calgary,
no Canadá, sugere que a poluição do ar
pode aumentar o risco de inflamação do apêndice. Os cientistas identificaram mais de 45
mil adultos que foram internados com casos
de apendicite entre 1999 e 2006. O estudo,
apresentado na Conferência de Gastroenterologia do American College, sugere que a poluição aumenta o risco geral de inflamação do
tecido. A análise dos casos revelou que os pacientes tinham 15% a mais de probabilidade
de internação em dias com maiores concentrações de ozônio no ar, comparado com dias
em que a concentração de ozônio era menor.
Diabete
Café da manhã
T
ambém para perder peso, uma dica é comer
ovos no café da manhã. Isso é o que sugere uma pesquisa feita pelo Departamento de
Obesidade da Pennington Biomedical Research
Center da Universidade da Louisiana (EUA). Os
pesquisadores analisaram 152 pacientes, homens e mulheres, entre 25 e 60 anos. Parte do
grupo consumiu toda a manhã dois ovos e outra
parte adotou bagel - pão tradicional americano.
Ao final de oito semanas, a perda de peso entre
a turma do ovo foi 65% maior na comparação
com os demais voluntários. O índice de redução
de cintura também foi 34% maior entre eles, assim como a redução de gordura - 16% maior.
Sonho perfumado
U
m estudo apresentado na reunião anual da
Academia Americana de Otorrinolaringologia, em Chicago (EUA), indica que os aromas
inalados enquanto uma pessoa dorme influenciam seus sonhos. Na Alemanha, pesquisadores do Hospital da Universidade de Mannheim
chegaram à mesma conclusão. Lá, voluntários
foram expostos a odores bons e ruins durante o sono. Depois de acordados, eles relataram suas impressões, mas não se lembravam
de haver sentido os cheiros. Os cientistas concluíram que, quando o odor desagradável foi
usado, o tipo de emoção vivenciada durante
o sonho era negativo. Sob o estímulo do odor
agradável, quase todos os sonhos relatados tinham conotações positivas.
Poluição
U
ma esperança contra o diabetes foi
apresentada no Congresso Europeu
de Diabetes. Trata-se de uma injeção semanal de remédio para controlar a glicose e uma caixinha de materiais biocompatíveis. Ela tem 4 centímetros de
diâmetro e 2 milímetros de espessura,
contendo células que produzem insulina.
Esta será introduzida no pâncreas e substituirá as células produtoras de insulina
destruídas pela doença.
Como o Viagra
P
esquisadores italianos da Universidade
de Milão desenvolveram um composto
com folhas de uma erva conhecida como chifre de cabra. Pode ser o início do desenvolvimento de uma nova droga para tratar a deficiência orgânica erétil. A planta tem o nome
científico de Epimedium brevicornum. Exames
preliminares indicaram que a droga feita com
o composto causa menos efeitos secundários
do que o Viagra, inclusive em relação ao coração. Agora, o composto passará por uma longa fase de testes clínicos antes de ser aprovado definitivamente. Ou seja, pode demorar
10 anos até ser lançado no mercado.
Arquivo
Nel blu dipinto di blu
Reprodução
Fotos: Arquivo
céu de Roma atraiu e fascinou os pintores flamingos que se inspiraram em cenas da vida cotidiana para criar suas obras.
Artistas como Caravaggio registraram os tons
de azul intenso e luminoso em seus quadros.
Esses tons também são encontrados nos célebres afrescos que Rafaello criou nos salões
do Vaticano, além da monumental obra de Michelangelo na Capela Sistina.
Arquivo
O
o consumir azeite, uma transformação
ocorre no seu organismo, mais precisamente no abdômen: ele impede o depósito
de gordura bem ali, na linha da cintura. Parece um contra-senso, já que o alimento é um
dos mais calóricos. Cada grama oferece cerca
de nove calorias. Mas a descoberta é séria:
o consumo evita mesmo a barriga indesejada. Cientistas de diversas universidades européias publicaram seu trabalho no periódico
Diabetes Care, da Associação Americana de
Diabete, em que compararam exames de imagem de voluntários, antes e depois do consumo do óleo. Eles observaram que o hábito
diminuiu os depósitos de gordura no abdômen. O ideal seria consumir duas colheres de
sopa por dia para obter o benefício.
Arquivo
A
Novembro 2008
/
ComunitàItaliana
39
De toda a
humanidade
Uma das cidades mais antigas do litoral sul do Rio, Paraty aposta no turismo o
ano inteiro e tem suas particularidades descobertas cada vez mais por italianos
P
Sílvia Souza
ense em um lugar belo o
bastante para se aproveitar a natureza marítima em
águas capazes de atrair de
surfistas a famílias numerosas.
Um lugar onde, escondidas numa
densa e preservada Mata Atlântica, cachoeiras formam véus de
cascatas cristalinas. Onde a vida
noturna põe o visitante em contato com a arquitetura colonial
brasileira e a gastronomia atende
a todos os gostos. Pense em um
local que tem como vocação receber e que lança mão de vários
recursos para ser a capital do turismo no Brasil.
Do alto de sua posição de patrimônio histórico da humanidade, Paraty tem todos esses atributos. E está prestes a abocanhar o
título de patrimônio mundial da
Unesco. Em 2009, a organização
renova a lista de indicação e a
grande aposta do governo federal é o roteiro do Caminho do Ouro, que percorre o antigo trajeto
usado para transportar o ouro de
Minas Gerais a Portugal, na época do Brasil colonial.
Perto da temporada de calor,
a cidade que já é visada o ano
inteiro, se prepara para acolher
um público cada vez maior. Com
seus quase mil quilômetros quadrados, o município está a pouco mais de quatro horas da capital do Rio de Janeiro e encanta visitantes de dentro e fora do
país. Nas praias, a coloração do
mar varia do verde esmeralda ao
transparente. O centro histórico,
com calçamento feito por filhos
de escravos e onde carro não entra, tem igrejas construídas nos
séculos 17 e 18, como a de Santa Rita, um dos cartões-postais
da cidade - imagem acolhedora a
quem chega pelo cais.
Tudo em Paraty parece ter
sido feito como em nenhum outro lugar. Talvez por isso, alguns
italianos já tenham encontrado
seu cantinho especial na cidade
que abriga a maior festa literária do Brasil e figura como uma
das poucas a ter um produto
com procedência registrada - a
cachaça. Além de Paraty, só os
vinhos do Vale dos Vinhedos, a
carne do Pampa Gaúcho, no Rio
Grande do Sul, e o café do cerrado, em Minas Gerais, possuem
essa certificação.
— Estou há 13 anos no Brasil e já estive em outros lugares
aqui e fora. Posso dizer que esse
litoral e a vizinhança chamam a
atenção. Paraty convoca as pessoas interessadas em conviver
com a realidade cultural brasileira — comenta o chef Alfonso Tarallo, italiano nascido em Salerno (Campania) e proprietário do
Spaghetto, restaurante especializado na cozinha mediterrânea
— Acontece que nós somos muito amarrados em nossa culinária.
Gostamos de experimentar novas
sensações, mas sempre voltamos
às raízes e essa dieta é baseada
em produtos saudáveis, que tem
relação com o mar, assim como
em Paraty.
Quem também provou da mistura paratiense foi o empresário
Guerrino Fabbri, ou melhor, Bruno. Nascido em Rimini (Emilia
Romagna), o chef se rebatizou,
ainda que não oficialmente, escolhendo o nome pelo qual todos
o conhecem hoje, na cidade.
— É o que eu gosto e muito
mais simples — explica.
Casado com a brasileira Leslye, o casal administra o restaurante Pinóquio, especializado em
massas, e a sorveteria Miracolo,
que levou a Paraty o sorvete artesanal como ele é tradicionalmente feito na bota.
— Combinamos que ele fica
com o sorvete e dá assistência
aos negócios na parte da manhã
e eu venho na parte da tarde e da
noite — explica Leslye.
Os nomes dos empreendimentos repetem os nomes usados nos
locais em que trabalhavam quando se conheceram, em Aparecida
do Norte, São Paulo. O casal tem
uma filha de seis anos e está em
Paraty há dez. Nas baixas temporadas, costumam ir à praia, nas
quartas-feiras.
— Há lugares que ainda não
conhecemos apesar do tempo
que vivemos aqui. Além das belezas naturais, nos sentimos seguros. Eu me apaixonei e a cidade tem todo um circuito que o
aproxima da terra dele. Italianos
e europeus em geral nos visitam
— diz Leslye, sendo completada pelo marido — Ela se apaixonou e eu comprei a idéia. Só não
gosto muito dessas pedrinhas
no meio do caminho, mas fazer
o quê? Paraty tem seu charme
— brinca.
Rumo certo
Cenário para filmes e de portas
abertas para artistas – como o
fotógrafo italiano Giancarlo Mecarelli, que organiza a mostra
Paraty em Foco e tem a Galeria
Zoom no centro histórico - Paraty oferece opções diversificadas a quem a visita, o que pode
causar uma indecisão na hora de
Fotos: Roberth Trindade
turismo
Para todos os gostos: centro histórico tem vida noturna agitada (acima) e as escunas levam turistas à mais belas
ilhas. Leslye e “Bruno” investem na gastronomia italiana. O macarrão de chocolate é exclusividade da casa
escolher que atividades realizar.
Só em ilhas, são cerca de 50.
Além disso, há pontos de pesca
e mergulho.
A cidade, que foi fundada em
1667 em torno à Igreja de Nossa
Senhora dos Remédios, sua padroeira, é convidativa. De dia, é
possível fazer passeios de saveiro, trilhas, ecológicas na Serra da
Bocaína ou saborear pingas, em
Pousada Corsário
40
ComunitàItaliana
/
Novembro 2008
visitas a engenhos. Também se
pode voltar à infância transitando de bicicleta ou a cavalo. Para quem gosta de ecoturismo, há
espaço para praticar arvorismo e
se jogar numa tirolesa. À noite,
além dos restaurantes e bares, o
cardápio inclui shows, poesias e
espetáculos teatrais.
Muitos dos rios de Paraty desembocam no oceano. O PerequêAçu, símbolo da cidade, é um deles, que chega ao centro em curso paralelo à avenida principal.
No mesmo ponto, é margeado por
pousadas dispostas a oferecer as
facilidades do mundo moderno
sem descuidar da ambientação
natural. A Pousada Corsário, por
exemplo, reproduz com pedras as
vias internas que separam os setores e mais de 40 quartos. Com
restaurante-bar e salão de jogos
próximos à piscina, é um bom local para se observar a passagem
de um barco pesqueiro subindo
ou descendo o rio, ou ainda pessoas bem dispostas se exercitando na margem oposta.
Novembro 2008
/
Ao lado da recepção, uma
sala de estar com juke box e televisão faz divisa com a sala de
computador. Também fica à disposição uma sauna. A pousada
tem escuna própria, a Sir Francis Drake, com roteiros diferentes
para cada dia da semana.
Serviço
Pousada Corsário - Rua João do
Prado, 26 Tel. (24) 3371-1866
Paraty Tours – Avenida Roberto
Silveira, 11
Tel. (24) 3371-1327 / 2651 / 6112
Ristorante Spaghetto – Rua da Matriz, 27 Tel. (24) 3371-2947
Restaurante Pinóquio – Rua da Lapa, 11/12 Tel. (24) 3371-1009
Sorveteria e Lanchonete Miracolo – Praça da Matriz, 8 Tel.
(24) 3371-1045
Engenho D’Ouro – Estrada Paraty Cunha Km 8 Tel.
(24) 9905-8268
Fazenda Murycana –
Tel. (24) 3371- 1153 / 3930
ComunitàItaliana
41
Falta
paixão
Filósofo italiano ligado à Igreja Católica faz palestra
no Brasil e prega a condenação dos padres pedófilos
Tatiana Buff
Correspondente • São Paulo
A
crise econômica mundial, no final das contas, pode se mostrar
uma boa notícia para
todo o mundo. É nisso que
acredita o filósofo italiano
Massimo Borghesi. Professor
da Universidade de Perugia e
das Pontifícias Universidades
São Boaventura e Urbaniana –
ambas em Roma – ele esteve
pela primeira vez no Brasil, no
mês passado, para uma série
de conferências promovidas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
A convite do Núcleo de Fé
e Cultura da instituição, as palestras abordaram temas como
secularização, cultura moderna
e política, a “crise da fé” e a
pedofilia dentro da igreja. Também no Rio de Janeiro e em Petrópolis, Borghesi falou a pesquisadores e estudantes da área.
Contundente, o filósofo declarou em
entrevista à Comunità que a realidade globalizada transmutou vocações
e valores em meras “funções burocráticas”, o que se tornou um péssimo
exemplo para os jovens:
— O problema hoje é que não há
mais modelos, nem professores nem
mestres. Essa é a verdadeira globalização — acredita o filósofo.
Para o filósofo, a partir de
1989, com o fim do muro de Berlim, passou-se “a uma espécie
de euforia”, que levou a uma
globalização sem regras, permeada apenas por projetos
de enriquecimento indiscriminado. Faltou, segundo
ele, “um critério mínimo
42
ComunitàItaliana
/
Novembro 2008
de orientação e seleção dos rumos da economia”. A humanidade, é claro, paga por isso “com
graves riscos”.
— A crise assinala indubitavelmente uma passagem que pode ser vista como um retorno ao
primado da política. Nesses anos
houve o primado da economia,
do mercado, absolutizado como
um modelo quase perfeito, como se da globalização derivasse bem-estar para todos. Temos
que nos render que não é assim.
O mercado deve ser regulado. Da
mesma forma, a economia deve
ser real, não puramente financeira. Este retorno ao primado da
política, por si só, é uma boa notícia — acredita.
Isso, porém, não significa
que Borghesi pregue como solução a existência de um Estado interventor “porque o Estado
não deve engolir tudo”. Sua função é clara, na opinião do professor: estabelecer regras para a
economia de modo que os interesses correspondam a uma utilidade geral.
— Não devemos ter mais
uma economia simplesmente dirigida para a vantagem de poucos indivíduos que perseguem o
próprio interesse egoístico, desinteressando-se totalmente do
bem-estar geral. Isto não é mais
tolerável. Infelizmente percebemos isso, como usualmente, com
atraso. Tanto é que, nos Estados
Unidos, com essa manobra de bilhões de dólares, os contribuintes, que nada têm a ver com a
especulação, devem pagar a dívi-
Fotos: Claudio Cammarota
filosofia
da por culpa de alguns indivíduos — observa.
E se o futuro sempre foi atribuído a uma ação protagonizada por jovens, estamos mal. Na
opinião de Borghesi, “falta paixão” a eles, atualmente. Para o
filósofo, essa falta de ânimo está
relacionada com a tal globalização “que transmutou vocações e
valores em meras funções burocráticas, insuficientes para preencher as expectativas emocionais e espirituais de crianças e
adolescentes por bons exemplos
em quem se espelhar”.
Culpa da igreja
Autor de mais de uma dezena de
livros como A figura de Cristo em
Hegel, Secularização e Niilismo e
Pós-modernidade e Cristianismo,
todos inéditos no Brasil, Borghesi culpa a igreja por essa falta
de motivação dos jovens. Afinal,
a instituição também não está
dando bons exemplos. Vide os
casos de pedofilia para os quais
prega o encaminhamento à Justiça comum para que os envolvidos sejam presos.
Padres, sacerdotes e quaisquer membros da igreja responsáveis por casos de pedofilia cometidos dentro da igreja católica
devem ser expulsos, denunciados,
presos e julgados pela Justiça, na
opinião do filósofo, muito ligado à igreja católica. Lembrando
as advertências feitas pelo Papa
Bento XVI acerca dos crimes, enfatizou que pedofilia é intolerável
e um pecado gravíssimo.
— Recordo o que diz o próprio Evangelho: ‘quem terá escandalizado um só destes pequenos
é melhor para ele que pendure
uma mão ao pescoço e se jogue
ao mar’. Jesus convida ao suicídio estes criminosos; não é só um
pecado gravíssimo e imperdoável,
mas é também um crime contra o
Estado, a sociedade civil e, como
tal, deve ser punido — afirma.
Para Borghesi, não pode haver mais “omertà” - omissão ou
silêncio coletivo - para com os
pedófilos, em qualquer parte do
mundo. Afinal, eles são a antítese das referências morais esperadas da igreja.
— É inadmissível calar-se em
relação aos culpados por esses
crimes. Os bispos não podem esconder sacerdotes ou religiosos;
eles devem ser denunciados à
autoridade civil e imediatamente
abandonar o hábito sacerdotal.
Estão fora da igreja, assim como
estão fora da sociedade.
Sem bons exemplos
Segundo o pensador, cabe à igreja restituir aos jovens a fé na
política e nos valores humanos,
“esvaziados por incontáveis histórias de personalidades corruptas em todas as áreas”. Paralelamente, a política “deveria dar o
testemunho de paixão autêntica
por parte de quem governa e representa a liderança dos países”.
Afinal, se os jovens só vêem corruptos, “sem a mínima paixão
pela realidade popular e pelos
problemas da gente”, não haverá
ídolos em quem se espelhar.
— O problema hoje é que
não há professores nem mestres.
Essa é a verdadeira globalização.
Assim como se exportam coisas
boas, se exportam ruins. O vazio
juvenil atinge a Europa, os Estados Unidos, a América Latina e
o sul da Ásia em grande medida,
Coréia e Japão. Na China estão
enfrentando agora os problemas
de um desenvolvimento econômico acelerado. O verdadeiro nó
é a falta de experiências a serem
propostas como referência.
Na sua avaliação, a desvalorização da religiosidade, da reverência por algo superior ao homem,
suas atividades e bens produzidos, entendida como “secularização”, significou uma “progressiva
burocratização” que destruiu as
chamadas vocações individuais.
Novembro 2008
/
— As principais figuras sociais, que até 30 anos atrás eram
também morais, como vocações,
se tornaram funções. O médico, o
político, o professor e, às vezes,
até o padre tornaram-se funções
burocráticas. Não são mais vocações pessoais, correspondem
simplesmente ao exercício de
uma função motivada por um interesse freqüente de caráter econômico — exemplifica.
Este fenômeno tem conseqüências em nível moral, uma vez
que os jovens se identificam com
valores através dos modelos sociais, alerta o filósofo. Isso porque, como observa Borghesi, os
valores são abstratos e estão
sempre incorporados às figuras
sociais. Se essas figuras se tornam anônimas, “se não têm mais
relevância ética, se não indicam
um bem, uma capacidade de dedicação”, isso se reverte nos jovens “em um sentido cético da
vida”. Para o filósofo, uma das
piores conseqüências disso é o
recolhimento individual, egoísta,
“no qual o único objetivo é fazer a própria carreira, sem escrúpulos, para atingir o mais rápido possível a satisfação dos próprios desejos”.
Ele cita como exemplo desse quadro “o ceticismo político
constatado nas últimas eleições
na Itália”, com grande número
de abstenções. Ele está certo que esse quadro traduz “um
longo processo de desencanto
geral”. Na sua avaliação, após
o comunismo, especialmente
na península, os partidos políticos, que eram populares, recebiam o consenso e constituíam o ponto de base do Estado e
do governo.
— Depois disso, quem governou não se preocupou com o
consenso, mas sim em estabelecer um sistema de poder que o
garantia no exercício das próprias funções — afirma. — Portanto, recuperar a paixão política
é um problema. A transbordante
secularização destes anos esvaziou aquela carga de ideal, a paixão de solidariedade e o desejo
de bem comum que maturavam
em uma consciência religiosa. Isto tem conseqüências no terreno
político: uma sociedade feita de
indivíduos e não de comunidades
é composta por sujeitos isolados,
que não têm mais nenhum interesse comum.
ComunitàItaliana
43
Milão
notizie
Guilherme Aquino
Tournée rimandata
E
ra tutto pronto per la tournée sudamericana del cantautore italiano Lucio Dalla, che avrebbe dovuto presentarsi
in Brasile a São Paulo, Rio de Janeiro, Porto
Alegre e Curitiba il mese scorso, ma il tour è
stato cancellato. Secondo gli assessori del
cantante, Dalla avrebbe preso un’influenza
che gli ha impedito di viaggiare. I concerti sono stati rimandati al maggio dell’anno
prossimo. Le canzoni di Lucio Dalla hanno
sempre avuto molto successo nel mondo e
sono state anche cantate da Pavarotti. In
Brasile, Chico Buarque, Maria Bethânia, Os Incríveis, Engenheiros do
Havaí, la coppia Zezé de Camargo e Luciano, Toquinho e Martinho da
Vila sono tra i cantanti che hanno già interpretato le sue canzoni.
Malpensa no chão
A
Fotos: Divulgação
crise da Alitalia deixa o aeroporto de
Malpensa às moscas. O cancelamento de
179 vôos da companhia de bandeira italiana faz do local um mausoléu. O movimento
de passageiros caiu drasticamente e ninguém
sabe o que irá acontecer em um futuro próximo. De lá os aviões seguiam, principalmente,
para Amsterdã (Holanda), Praga (República
Tcheca) e Munique (Alemanha). Eram rotas
que foram canceladas ou desviadas do aeroporto de Fiumicino, em Roma. Além disso,
a União Européia considerou ilegal a iniciativa do estado italiano de conceder um empréstimo-ponte de 300 milhões de euros à
companhia com o fim de evitar o seu crac
definitivo. Pesam sobre as asas da Alitalia a
irresponsabilidade de quem não soube administrar um dos bens mais preciosos da aeronáutica italiana.
Alarme bonde
D
ois graves acidentes em menos
de uma semana com os bondes da
ATM, órgão que administra o sistema de transporte público de Milão, jogaram
um foco de luz em um sistema para muitos
já obsoleto, para outros, apenas mal conservado. O fato é que os usuários começam
a não confiar mais neste tradicional meio
Ultimato
Carros, fora
O
Bie (Buerao Internationals des Expositions), órgão internacional responsável
pela Expo, deu um ultimato ao comune de
Milão. Até o dia 2 de dezembro a verba para o começo dos trabalhos deve já ter sido
liberada e encaminhada. Da teoria à pratica, o atraso contabiliza quase um ano. Todos
os projetos estão no papel e nada ainda foi
construído. Para a realização do plano original, tudo já deveria ter sido iniciado seis
meses atrás, pelo menos. A guerra de poder entre as entidades públicas e a burocracia italiana coloca em risco a Expo 2015,
uma oportunidade para revitalizar a cidade
de Milão e dar um destaque ainda maior à
Itália no mundo.
O
bairro de Brera, no centro de Milão
é um dos mais agradáveis da cidade. Ele tem um horto botânico, dezenas
de galerias de arte, bares e restaurantes tradicionais. Por isso mesmo, é um
engarrafamento único de pessoas e de
carros durante todo o dia. O bairro boêmio e artístico agora vai poder respirar.
As vias Ciovasso, Ciovassino, Fiori Oscuri
serão fechadas ao trânsito. Um acordo
entre a prefeitura, a Pinacoteca, a Accademia e os comerciantes, deu sinal verde
para transformar toda esta área em exclusividade dos pedestres e ciclistas.
44
ComunitàItaliana
/
Novembro 2008
de transporte que já faz parte do cartão
postal de Milão. Os bondes amarelos e os
futurísticos verdes circulam por toda a cidade, mas entre 2004 e 2007, o número de
acidentes passou de 48 para 106, mais do
que dobraram. O comune está investigando
o que provocou este aumento e exige maior
rigor na segurança.
Contaminado
A
proximidade do inverno levanta as barricadas da saúde publica de Milão. A estação do frio, sem os ventos e as mudanças
climáticas do outono contribui para o aumento da poluição do ar da cidade. Durante o inverno, principalmente, o nível de monóxido de
carbono em suspensão envenena o ar da cidade e provoca sérios problemas respiratórios aos
habitantes. O problema não ocorre apenas em
Milão. É um mal que contagia as principais cidades grandes da Itália. Entre 2001 e 2004, segundo pesquisa da associação de consumidores
Altroconsumo, foram registrados 8 mil mortes
que tiveram como causa principal a longa exposição ao ar contaminado das cidades. Milão e
Roma encabeçam a triste estatística.
Devozione
U
na delle maggiori feste cattoliche brasiliane, il Círio de Nazaré
ha riunito due milioni di fedeli, il mese scorso, a Belém (PA).
L’evento, considerato la maggior manifestazione religiosa dell’America Latina, ha luogo fin dal 1793. Il Círio è una processione in omaggio alla Nossa Senhora de Nazaré, patrona dei paraenses. Sono stati
i padri gesuiti, nel XVII secolo, ad introdurre la devozione alla Senhora da Nazaré, nel Pará. La tradizione più conosciuta per ciò che
riguarda l’origine della festa dice che, nel 1700, Plácido, un caboclo
discendente di portoghesi, se ne andava vicino ad una zona che oggi corrisponde al retro della Basilica, quando ha trovato una piccola
statua della Nossa Senhora de Nazaré. Questa immagine, replica di
un’altra che si trova in Portogallo, intagliata in legno e di circa 28
cm di altezza, si trovava tra pietre piene di fango ed era molto rovinata. Plácido l’ha pulita e ha costruito un altare a casa sua. Ma la
statua, misteriosamente, sarebbe ritornata dove era stata trovata.
Da quel momento vari miracoli sono stati attribuiti alla santa.
Barista
L’
Associação Brasileira de Baristas (ACBB) è sotto nuovo comando. L’ente responsabile dei Campeonatos Brasileiros de
Baristas, dei Concursos de Latte Art, Coffee in Good Spirits e
del Cup Tasting Competition, è ora presieduta da Edgard Bressani
(Ipanema Coffees). Alla direzione ci sono: Sílvia Magalhães (Octávio Cafés), Gelma Franco (Il Barista Cafés Especiais), Cléia Junqueira (Capheteria) e Pedro Lisboa (Café Cristina).
Sponsor
L
a Petrobras ha lanciato, in ottobre, il suo bando di gara per
sponsor culturali. L’industria petrolifera brasiliana ha destinato 42,3 milioni di reais al settore. L’azienda inoltre destinerà
sussidi supplementari di 40 milioni di reais, che saranno assegnati ad un pacchettto di progetti che il ministério da Cultura selezionerà. Lo sponsor della Petrobras considera progetti nelle aree
di produzione e diffusione di audiovisivi, arti sceniche, musica,
letteratura e cultura digitale.
Premio
L’
architetto della provincia di São Paulo Decio Tozzi è il primo brasiliano ad essere premiato dalla Fondazione Frate
Sole, organizzatrice del Premio Internazionale di Architettura Sacra, il più famoso della categoria. Ha vinto
grazie al suo progetto
“Capela da Fazenda
Veneza”, inaugurata
nel 2003, a Valinhos,
costruita sulle rive di
un bacino artificiale,
nell’hinterland paulista. La cerimonia di premiazione è avvenuta
in ottobre a Pavia, in Italia. Con una giuria formata da uno scelto gruppo di architetti mondiali, come Francesco Dal Co, una delle maggiori autorità della critica di architettura internazionale,
il premio è alla sua 4ª edizione. È destinato ai professionisti di
tutto il mondo che abbiano realizzato qualche opera religiosa negli ultimi dieci anni. La premiazione ha luogo ogni quattro anni e
conta sulla sponsorizzazione del Vaticano.
Rio Olimpico
P
er riuscire a sediare le Olimpiadi del 2016, Rio de Janeiro
dovrà trasformarsi in un grande cantiere di lavori pubblici,
la maggior parte dei quali riguardanti il settore dei trasporti.
Uno studio coordinato dalla Secretaria Municipal de Urbanismo
ha proposto investimenti di, perlomeno, 1,5 miliardi di reais.
Questa sarebbe la somma necessaria per l’espansione dei servizi ferroviari e di metropolitana, oltre all’ampliamento della rete stradale. Lo studio di 400 pagine è stato consegnato al Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Il dossier della candidatura di
Rio sarà consegnato, nel febbraio 2009, al Comitato Olimpico
Internazionale (COI).
literatura
Refém do
sucesso
De escritor desconhecido a autor de best-seller, o italiano Roberto
Saviano é o atual inimigo número 1 da máfia do seu país por
conta do livro Gomorra. A obra já virou peça de teatro e filme
candidato ao Oscar e rendeu a seu autor uma sentença de morte
Janaína Cesar
O
Correspondente • Treviso
jornalista e escritor Roberto Saviano, de 29
anos, há dois vive sob
proteção e escolta policial. Seu crime? Ser o autor de
Gomorra, romance-denúncia que
vendeu 1,2 milhão de exemplares na Itália e foi traduzido em
42 línguas – chega ao Brasil pela editora Bertrand no próximo
mês. A obra é responsável pela
46
“publicidade não desejada” do
tráfico de drogas e das atividades
de corrupção e máfia do clã dos
Casalesi, que aterroriza a cidade
de Casal de Príncipe, em Caserta,
região da Campania. Com apenas
20 mil habitantes, a cidade possui 1200 condenados pelo artigo
ComunitàItaliana
/
416 bis, associação à máfia, um
dos mais altos índices do país.
Até então desconhecido pela mídia e, dizem, pela polícia, o
clã dos Casalesi, braço forte e rico da famosa Camorra, é considerado um dos mais potentes e perigosos em atuação. Suas atividades econômicas ultrapassaram
as fronteiras da região da Campania e do país - são envolvidos em
esquemas de chantagem, contrabando, tráfico de drogas e armas
em países comunitários e não
comunitários. Os Casalesi também estão envolvidos no escândalo do lixo que soterrou a região em um mar de mau cheiro e
criou paredões de lixo pelas cidades. Graças ao livro e à coragem
de Saviano, o clã começou a ser
desmontado e cerca de 40 pessoas já foram presas. Entre elas estão políticos e advogados.
Em 2006, quando foi publicado, Gomorra vendeu modestos 5
mil exemplares. Aos poucos, porém, a propaganda “boca a boca” fez com que o livro daquele
Novembro 2008
escritor desconhecido passasse
a ser procurado em todo o país.
Com uma narrativa fria, faz uma
descrição realística da situação
de sua cidade e, principalmente, dá “nome aos bois”. Para fazê-lo, Saviano trabalhou em uma
empresa têxtil e outra de construção, ambas controladas pela
máfia. Essa organização criminosa tipicamente italiana teria um
faturamento anual de 90 bilhões
de euros, valor que representa
7% do PIB do país.
Em setembro de 2006, Saviano
apresenta o livro durante a inauguração do ano escolar. Em plena
terra dos chefões, lança um duro
ataque contra o sistema camorrista. Em um discurso feito na praça principal de Casal de Príncipe
diz: “Schiavone, Iovine e Zagaria
não valem nada. Meninos, essas
pessoas não são daqui, violentam
nossa terra, mandem embora essa
gente”. Logo após a declaração,
o autor sofre sua primeira ameaça
de morte e entra para o programa
de proteção da polícia.
— Lembro do telefonema alarmante que recebi de um policial.
Ele dizia que um colaborador tinha denunciado o perigo. Naquela época, não podia contar com a
ajuda de quase ninguém. As pessoas eram quase todas contrárias
às minhas declarações, ao meu livro. Lembro que saí de casa cercado por policiais e ouvi alguém
dizendo: ‘Finalmente, foi preso’
— contou Saviano em recente
entrevista concedida ao programa
Matrix exibido pelo Canal 5.
Segundo ele, o que realmente
incomodou os Casalesi foi a visibilidade que o livro deu à cidade
e às atividades em que o clã estava envolvido. Agora, todos sabem quem são os Casalesi.
— A literatura permitiu que
essa história fosse de todos, não
só dos cidadãos de Casal de Príncipe. Os negócios da máfia não são
apenas naquela cidade perdida do
sul da Itália. O clã ficou tão conhecido que a este ponto não existe
mais o policial para corromper ou
o jornal para escrever a seu favor
­— disse o escritor em Matrix.
Em 2007, Gomorra já é um
sucesso editorial internacional a ponto do influente jornal
norte-americano New York Times
o incluir na lista dos cem livros
mais interessantes do mundo. Em
2008, a obra de Saviano alcança
as telas do cinema. O homônimo
filme, dirigido pelo italiano
Matteo Garrone, é apresentado
oficialmente durante o Festival
de Cannes, vence o Prêmio do Júri e é escolhido como o único filme italiano para concorrer ao Oscar cujo vencedor será conhecido
no dia 25 de fevereiro de 2009.
Com o sucesso do livro, do filme
e do teatro (a obra também virou
peça teatral no ano passado), Saviano mais do que nunca ficou na
mira dos chefões dos Casalesi.
A última ameaça chegou no
dia 13 de outubro quando Carmine Schiavone, um “arrependido”,
primo e homônimo de um dos
chefões mafiosos, disse que o clã
tinha dado uma data precisa para o assassinato do escritor e dos
policiais que o escoltam: o próximo dia 24 de dezembro.
— O que posso fazer? Não
tenho outra estrada para seguir,
devo somente resistir, resistir e
resistir — declarou Saviano após
a divulgação da data que deveria ser a da sua morte. Ele admite que pensa em deixar a Itália,
“por um tempo”:
— Deixo a Itália porque quero viver. Quero uma casa, quero
me apaixonar e tomar uma cerveja em público. Quero poder
andar na rua. Tomar sol, pegar
chuva. Visitar minha mãe sem
assustá-la e não sentir medo. Às
vezes me surpreendo pensando
nestas palavras: quero a minha
vida de volta. As repito sempre,
uma por uma.
O desejo de deixar a Itália
causou polêmica, no país. Um dos
primeiros a se manifestar, o ministro do Interior Roberto Maroni,
declarou ser contrário à idéia por
acreditar que a fuga “não garante
que se evitará a vingança da máfia, que não tem confim”. Na verdade, uma nova onda começa a tomar forma por lá: uma mobilização
para que Saviano não vá embora.
Seis prêmios Nobel - Dario Fo, Mikhail Gorbaciov, Gunther Grass, Rita Levi Montalcini, Orhan Pamuk e
Desmond Tutu - assinaram uma
carta pedindo ao governo italiano
que cuide da liberdade e da segurança de Roberto Saviano. O apelo
publicado pelos jornais La Repubblica e El País (Espanha), conta
com a assinatura de mais de 100
mil pessoas.
Na telona
Gomorra, o filme, já foi exibido no
Brasil, durante o Festival do Rio,
No alto, cena do filme Gomorra. A adaptação da obra de Roberto Saviano (direita) para o cinema foi
feita pelo roteirista Gianni di Gregorio (centro). À esquerda, a capa do polêmico livro
realizado em setembro. Em circuito comercial, deve chegar até
o início do próximo ano. Seu roteirista, Gianni di Gregorio, participou do evento cinematográfico
carioca que também exibiu o filme dirigido por ele, Il pranzo di
Ferragosto. Detalhe: o diretor de
Gomorra, Matteo Garrone, também é o produtor de Il pranzo....
— Para mim, Gomorra é um
filme muito importante. É um
filme forte, mas percebo que as
pessoas gostam muito dele —
diz di Gregorio em entrevista
à Comunità — Tive a sorte de
trabalhar com Matteo Garrone.
Seu cinema é um olhar sobre o
mundo. Ele trabalha um pouco o
neo-realismo. Ele faz uma grande pesquisa sobre o território e
também sobre as pessoas do lugar que podem ser ou não atores,
pessoas bem normais.
A história de Gomorra é permeada pelo poder, pelo dinheiro
e pelo sangue e tem como cenário as províncias de Nápoles e Caserta. Só na Itália, o filme já rendeu 880 mil euros, o equivalente
a 9 milhões de reais, até agosto.
Na opinião do roteirista, Gomorra e o longa brasileiro Cidade
de Deus, dirigido por Fernando
Meirelles, têm muito em comum:
— Em Gomorra não há um
estudo da organização criminal.
Nós vemos os efeitos da organização sobre as pessoas, sobre a
vida cotidiana. É isso que chama a atenção, que faz a diferença no filme. É um longa muito
apreciado na Itália, sobretudo
pelos jovens, assim como Cidade
de Deus.
Para di Gregorio, o atual cinema italiano vive um momento
de renascimento. O motivo? Ele
não sabe explicar. Acha que faz
parte de um movimento natural:
“depois de alguns momentos de
pausa, um renascimento”.
Novembro 2008
/
Sobre o longa que assina como
diretor, conta que o projeto surgiu
na sua cabeça quando lhe pediram
para cuidar da mãe de uma amiga:
— Sou filho único. Vivi com
a minha mãe de quando ela tinha 80 anos até os 90, quando
morreu. Conheci o mundo dos
idosos. Vi a força deles, mas
também vi o medo da solidão.
Quando ainda vivia com ela,
uma pessoa me pediu que cuidasse da mãe em um Ferragosto.
Eu receberia por isso, mas não
aceitei. Comecei a pensar no
que aconteceria, se eu tivesse
aceitado, então, escrevi o filme.
No Rio, di Gregorio teve seu
“momento tiete” quando esbarrou com o cineasta brasileiro
Bruno Barreto. Ele é seu “mito”
por conta do filme Dona Flor e
seus dois maridos - “um dos mais
bonitos que já vi”.
Colaborou Nayra Garofle
ComunitàItaliana
47
cinema
Para
italiano
ver
Filmagem reúne no Rio de Janeiro filho
de Vitorio De Sica e neto de Luigi De
Laurentiis, ícones do cinema da Itália
O
Sílvia Souza
fim de ano está aí e você escolhe um lugar para
passar uns dias que é o
sonho para muitos turistas – a cidade do Rio de Janeiro.
Planeja toda a sua viagem para
evitar infortúnios e quando chega o grande dia, eis que alguma
coisa dá errado. Seu filho adolescente fica com seu pacote turístico e você com o dele. A partir
48
daí, seus dias serão só aventura.
A tarefa: sobreviver às situações
mais inusitadas e impensadas para o período natalino e tentar se
divertir com essa experiência.
O final da história só indo a
um cinema italiano para conferir. A situação descrita é uma das
tramas desenvolvidas em Natale a
Rio de Janeiro, produção comandada por Luigi De Laurentiis, neto do lendário produtor que virou
ComunitàItaliana
/
nome de prêmio no Festival de
Veneza. O filme tem como astro
principal Christian De Sica, filho
do diretor Vitorio De Sica, responsável por clássicos italianos como
Umberto D., Matrimônio à Italiana, Boccaccio 70, e famoso pelas
parcerias com Marcello Mastroianni e Sophia Loren. Com previsão
de estréia em 19 de dezembro, é
o mais aguardado do ano na Itália sendo exibido em cerca de 500
Novembro 2008
salas. Desde 1973 tem como mote
o Natal de italianos em diferentes
cidades do mundo. Há 13 anos,
Neri Parenti assina o roteiro e a
direção do filme, também exibido
na TV italiana pela Rai.
— O povo brasileiro tem uma
cultura muito similar à italiana e
nos sentimos em casa. O Rio me
lembra Nápoles. Todos querem
aproveitar o sol, o mar. As pessoas são humildes, têm uma receptividade enorme e se orgulham
do que fazem e de onde moram.
Tentamos passar tudo isso no filme. Este país tem um grande potencial a ser visto em termos cinematográficos, mas sei que por
aqui assistir novela é como uma
religião, então, o cinema pode levar um certo tempo para acontecer – assinala De Laurentiis que
conta ter assistido, recentemente,
o longa brasileiro Tropa de Elite,
que achou “muito interessante”.
Ele também elogiou o trabalho do
diretor Fernando Meirelles.
No Rio, com o apoio da Conspiração Filmes, a equipe filmou
durante sete semanas. Passou
pelos bairros de Copacabana, Alto da Boa Vista, Joatinga e Lapa.
Subiu o Pão de Açúcar e a favela
que virou moda, a Tavares Bastos, no Catete, usada como ce-
nário para o filme Hulk. A equipe também esteve em Angra dos
Reis, na costa verde fluminense.
Comunità acompanhou com
exclusividade um dia de trabalho,
todo feito em uma mansão na Joatinga. Na seqüência, os pais que
têm as viagens trocadas com os filhos estão hospedados na casa de
uma brasileira. O cenário era uma
residência com dois andares, piscina, quadra de tênis, sala de ginástica e um jardim onde coqueiros
dão um tom tropical ao ambiente.
O lugar já havia servido como locação para a novela Laços de Família, da Rede Globo. Guirlandas
e uma árvore de Natal decoram o
cenário colorido. Na história, os
hóspedes matam, sem querer, o
estimado gato da anfitriã. Isso é o
estopim para muitas confusões.
Era o segundo dia da equipe
de filmagem composta por cerca
de 70 pessoas naquele local. Ainda era possível observar as caixas
de velas e imagens de santos e
entidades do candomblé utilizados na gravação do dia anterior,
quando houve a simulação de um
ritual religioso.
Com a fama... da família
No início da carreia, Christian De
Sica, de 57 anos, explorou seus
dotes musicais como cantor. Antes de fazer o filme no Rio, ele já
tinha visitado a cidade, na década de 70, quando foi hóspede do
cantor e humorista Juca Chaves.
Ele não nega a influência do pai
na sua vida artística:
— Sinto-me honrado por todo
o reconhecimento que ele teve e
posso dizer que aprendi muito por
que o via trabalhar sempre. Foi
inevitável seguir esse caminho,
mas eu tentei não seguir. Lembrome de suas características. Aprendi com suas idéias. De negativo,
só posso dizer que é a cobrança
da crítica, das comparações que
fizeram. Da parte do público nunca tive problemas — comenta
Christian tinha 23 anos quando seu pai morreu. Vitorio de Sica, reconhecido por obras de
caráter humanista, é considerado o precursor do neo-realismo
italiano. Em Parlami di me, que
foi apresentado recentemente no
Festival de Roma, Christian, dirigido pelo filho Brando, faz uma
performance de comédia ao vivo.
Alterna momentos de puro espetáculo com relatos pessoais sobre a vida ao lado de Vitorio. Em
uma das cenas mais marcantes,
lembra dos últimos instantes do
pai em hospital parisiense.
— Meu pai era um jogador e
quando éramos pequenos (Vitorio
teve outros dois filhos) ele dizia:
‘garotos, escolham onde querem
ir nas férias’. Dava como opção
Veneza, Sanremo, Monte Carlo ou
Campione, todos locais com cassino. E nós escolhíamos Veneza
ou Sanremo porque tinha mar.
Conservo belíssimas lembranças, mas também lembranças de
grandes perdas no jogo.
Na passagem pelo Rio, Christian é reservado. Apesar de ter
uma cadeira com seu nome bem
próxima ao local da cena, nos intervalos entre as tomadas recosta-se em um sofá optando por
abordar sua primeira passagem
pela cidade maravilhosa:
— Do Rio tenho boas lembranças. Cantei com a Elis Regina,
curti a maravilhosa Bossa Nova
com João Gilberto. Era tudo muito diferente e na Avenida Atlântica tinha uma boate fantástica.
Produtor de Natale a Rio,
Luigi De Laurentiis, de 28 anos,
também sente a responsabilidade em pertencer a uma família
tradicional na bota. O clã está
na terceira geração com pessoas
envolvidas no mundo do cinema
com destaque para nomes como
Aurélio e Dino, que em 1956 trabalhou com Federico Fellini em
La strada. O produtor segue a risca as características observadas
em seus familiares. Faz questão
Christian, Luigi e Ghini posam
tendo a Barra da Tijuca ao fundo.
Acima, intervalo de gravação e
alguns ajustes no set. Neri Parenti
se prepara para filmar (ao lado)
ma fase de crescimento. Há bons
diretores chegando para renovar a
safra e manter essa tradição.
de participar de todo o processo
e quando não está ao celular resolvendo problemas, “perde” um
tempo em conversas com atores,
assistentes e demais membros
da equipe. Aliás, ninguém dá um
passo sem consultá-lo, primeiro.
— Cresci nesse meio e gosto
muito do que faço. Se tudo der certo com esse filme, a idéia é levar
a empresa para os Estados Unidos
nos próximos anos. Meu avô foi um
grande produtor. No Festival de Veneza, desde 1996, um prêmio que
foi batizado com seu nome é concedido a diretores principiantes.
Por falar em diretores principiantes, Christian De Sica não se
furta a comentar sobre o estágio
em que se encontram as atuais
produções italianas:
— O cinema italiano, apesar
de nunca ter perdido o caráter de
produção mundial, encontra-se nu-
Novembro 2008
/
No set
Com a experiência de quem começou no cinema com 19 anos
(hoje está com 58) e já dirigiu
42 filmes, o diretor Neri Parenti
define o espírito do longa:
— Eu adoro rir e fazer as pessoas rirem, então não podia ser
diferente. Por estar há tanto tempo no projeto, já não sinto dificuldade para criar as histórias e estar
nos lugares me inspira muito. O
grande problema que enfrentamos
no Rio foi o mau o tempo. O sol se
escondeu — reclama.
Quem tem o Brasil como velho conhecido é o ator Massimo
Ghini. Ex-noivo de uma carioca,
além do Rio, já visitou Búzios,
Salvador e Brasília.
— Há uns dez anos que não
vinha para cá. A cidade mudou
bastante, me parece mais organizada, pronta para receber iniciativas como a que integramos. No filme, meu personagem, um professor universitário tem que conviver
com o do Christian, que é um empresário. São dois mundos diferentes e o que os une é o fato de seus
filhos estudarem juntos. Então, é
esperar para ver como vão se virar
nessa viagem — diz Ghini.
ComunitàItaliana
49
televisão
Máfia à
brasileira
Novela da Record começa a ser gravada este mês, em Palermo. A
trama vai mostrar as relações entre quadrilhas internacionais e o poder
institucional a partir de casos reais tanto da Itália quando do Brasil
A
Sônia Apolinário
máfia italiana servirá de
ponto de partida para uma
nova novela brasileira.
Com o título ainda provisório de Vendeta, começa a ser
gravada pela TV Record, este mês,
em Palermo, capital da Sicília. A
ilha italiana servirá de cenário
para os dois primeiros capítulos
da história, prevista para estrear
em março de 2009, no Brasil.
A produção é baseada no livro Honra ou Vendetta, de Silvio
Lancelotti. Lançada em 2001, a
publicação é o único romance
desse jornalista esportivo que já
escreveu 17 livros, a maioria de
gastronomia. Em Vendetta, ele
mergulha no áspero mundo da
máfia, em dois planos: de um lado, um roteiro de muito suspense e ação; de outro, um amplo
dossiê a respeito da Cosa Nostra,
com dezenas de biografias de
gângsteres reais.
A adaptação para a televisão leva a assinatura de Lauro
César Muniz, um dos principais
dramaturgos brasileiros. Quando era contratado da TV Globo,
principal concorrente da Record
em dramaturgia, o autor chegou
50
a propor uma minissérie baseada no livro de Lancelotti, mas a
emissora carioca não se interessou. Agora, a rival paulista aposta na história para o horário das
22h, com direito a bastante violência, como admite Muniz.
— É uma novela densa. Ao
contrário do que possam imaginar, não será uma história sobre a máfia italiana. A história
vai falar sobre o narcotráfico que
tem na máfia um de seus braços
na Europa — explica o autor.
Quando a história começa,
uma grande dúvida vai ser colocada na cabeça do público: quem
é, de verdade, Tony Castellamare
(Gabriel Braga Nunes)? Na trama,
é um brasileiro de origem italiana radicado em Palermo, marcado
para morrer. A ordem para matálo parte do Brasil. Essa ordem é
interceptada por Téo Meira (Tuca
Andrada), delegado especial da
Polícia Federal brasileira, chefe
da operação que investiga uma
poderosa conexão do narcotráfico. Tony seria um chefão mafioso
disfarçado de comerciante. Será?
Com a dúvida a respeito da
real identidade de Tony, o que
ComunitàItaliana
/
Lauro Cesar Muniz
Muniz pretende é “acabar com
o maniqueísmo” que, na opinião
do autor, tomou conta das novelas brasileiras e fez com que o
gênero “perdesse qualidade”. De
Palermo, a trama se “transfere”
para o Brasil, mais precisamente
para São Paulo, onde moram alguns personagens italianos como
Calógero (Gracindo Jr) e Freda
(atriz ainda não escolhida), pais
de Tony. Na capital paulista se
desenvolve todo o resto da trama, mas as gravações serão realizadas no Rio de Janeiro, mesmo,
onde fica o estúdio da emissora.
Segundo Muniz, a principal
ligação entre Brasil e Itália será
feita por meio do romance entre
Tony e a jornalista Lídia Brandão
Novembro 2008
(Mirian Freeland). Ele deixa claro
que não fará uma novela sobre a
Itália, mas sobre o Brasil:
— Máfia para nós é um grupo
de pessoas que se organiza como uma quadrilha que se compõe com o poder institucional.
Esse é o novo perfil da máfia e,
no Brasil, temos vários exemplos
delas que estão por trás dos vários escândalos financeiros do
país. Temos a máfia dos correios,
do mensalão. Um dos casos mais
recentes, a operação Satiagraha
é um material excelente para se
explorar — afirma Muniz.
A Operação Satiagraha foi deflagrada pela Polícia Federal brasileira no último mês de julho
contra uma quadrilha que praticava crimes financeiros. Levou
para a prisão o banqueiro Daniel
Dantas, dono do grupo Opportunity; o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, e o investidor Naji
Nahas, acusado de ser o responsável pela quebra da bolsa do Rio
em 1989. Os acusados também
teriam relações com o caso envolvendo pagamento de propinas
a parlamentares que ficou conhecido como Escândalo do Mensalão. O grupo Opportunity já foi
o braço brasileiro da Telecom
Itália. O personagem Téo é inspirado no delegado Protógenez
Queiroz que comandou a operação Satiagraha, mas acabou afastado do caso quando as investigações chegaram muito próximas
de nomes “quentes” da República
brasileira. Em Vendeta, o grande
mistério da novela é a identidade
do grande capo da máfia.
No elenco da novela também
estão Paloma Duarte, Adriana Garamboni, Petrônio Contijo, Marcelo Serrado e Beth Coelho. No
texto, Muniz terá o auxílio de
seis colaboradores e um pesquisador. A direção-geral é de Ignácio Coqueiro.
design
Il cavaliere
dos carros
Escolhido Designer Automotivo do Século, Giorgetto Giugiaro comemora 70
anos de vida e os 40 de criação da sua empresa, a Italdesign, com sede em Turim
Janaína Cesar
O
Correspondente • Treviso
que há em comum entre
um Fiat Uno, um Vollswagem Golf, um Lamborghini Cala ou um Bugatti Chiron? Com certeza, não é a
conta bancária do seu proprietário. Acertou quem respondeu
Giorgetto Giugiaro. Ele é o criador desses e outros 90 modelos
de carros para as principais marcas automobilísticas do mundo.
Não por acaso, esse italiano nascido em Garessio (Piemonte) ganhou, em 1999, o prêmio de “Designer Automotivo do Século”.
Aos 70 anos, continua na ativa. E muito. Há quarenta anos
está à frente da sua empresa, a
Italdesign, com sede em Turim,
capital piemontesa, cidade onde
mora desde os seus 14 anos. Foi
para lá com o objetivo de continuar seus estudos artísticos
e técnicos. Ao que tudo indica,
Giugiaro estava predestinado a
ter um futuro artístico.
O avô, Luigi, foi um conhecido pintor de igrejas. O pai, Mario,
52
ComunitàItaliana
O Quaranta, carro
criado por Giugiaro, que
chega a 100km/h em
quatro segundos
alternava decorações sacras com a
pintura a óleo. Para Giugiaro, a arte figurativa tinha um ar familiar,
porém a escolha do design como
profissão não foi premeditada,
mas pura casualidade da vida.
Após ter mudado para Turim, começou a freqüentar o liceu artístico de dia e um curso
de desenho técnico de noite. O
grande passo para uma carreira
espetacular aconteceu em 1955,
/
Novembro 2008
quando foi descoberto por Dante Giacosa, então diretor da Fiat,
durante uma exposição de trabalhos escolares de final de ano.
Giugiaro tinha criado míni caricaturas de carros. Giacosa, atento como era, percebeu o talento do jovem que, em setembro
daquele mesmo ano, começou a
trabalhar no escritório de estilo
para carros especiais da Fiat.
Em 1959, deu seu segundo
grande passo quando começou a
trabalhar na hoje renomada Bertone. Nuccio Bertone, proprietário, arriscou e apostou todas as
cartas naquele jovem de 21 anos.
Giugiaro sempre admitiu que amadureceu tanto com os bons conselhos dados pelos ex-chefes quanto pelos amigos. O tempo passado
ao lado de Bertone foi fundamental na sua formação. Após seis
intensos anos, em novembro de
1965, Giugiaro entrou para o time
da Carroceria Ghia, onde permaneceu até 1967, quando criou a sua
própria empresa, a Italdesign.
Il cavaliere, como é carinhosamente chamado por seus funcionários, hoje dirige um pequeno império que reina no mercado do design
automobilístico. Pelas ruas da cidade, o que ele dirige, mesmo, é
um Lexus RX 400 H, o híbrido japonês que custa em média 130
mil dólares. Para comemorar os
40 anos da sua empresa, ele criou
o Quaranta, à base de energia solar, capaz de acelerar de zero a 100
km/h em quatro segundos. Neste
caso, Giugiaro estava pouco preocupado com a velocidade, mas com
a possibilidade de criar um “carro
verde”, que causasse poucos danos
ambientais. A entrevista a seguir
foi feita por telefone e revelou que
Giugiaro é uma simpatia.
ComunitàItaliana - Este ano o
senhor completou 40 anos de
Italdesign e 70 anos de vida
apresentando na última edição
do Salão Internacional do Carro de Genebra seu mais novo
“brinquedo”, o Quaranta. O nome é uma homenagem aos seus
40 anos?
Giorgetto Giugiaro – O carro foi
criado em parceria com Fabrício,
meu filho. As duas gerações devem fazer alguma coisa boa, interessante, não? Utilizamos o
sistema híbrido da Toyota, com
dois motores, um localizado na
frente e outro atrás, e colocamos painéis solares no capô, que
fazem girar o ar condicionado e
alimentam o rádio. Na verdade,
esse carro é uma releitura do primeiro monovolume que criamos,
adaptado para os dias de hoje,
daí o nome: unimos os quaranta
anos de atividade da Italdesign
aos anos do primeiro monovolume criado por nós.
CI – Podemos dizer que chegamos a um ponto onde os carros
são amigos da ecologia?
GG - A escolha de um carro ecológico foi correta. Com poucos litros se faz muitos quilômetros, o
que para o uso diário na cidade é
mais que suficiente. Além disso,
dá até para correr (risos).
CI – Quanto tempo vocês levaram para criar o Quaranta?
GG – Os protótipos que são expostos nos salões de automóveis,
nascem nos períodos de intervalos úteis de uma empresa. Fizemos Quaranta em três meses. Fomos super velozes e decididos,
não tivemos ninguém que nos
dissesse como deveria ser, decidimos tudo.
CI – Mas só em três meses?
GG – Sim. Geralmente é o cliente
que decide o tempo. Quando vo-
Detalhe da ampla sala
de criação da Italdesign.
Ao lado, Giugiaro em
seu escritório
cê projeta um barco, um carro,
ou alguma coisa para uma empresa ou pessoa, todos querem
dar opiniões e idéias, e aí o tempo fica um pouco mais longo.
CI – A tecnologia e a informática
mudaram seu modo de pensar?
GG - A tecnologia mudou o modo
de pensar, mas não mudou o processo criativo que, por sua vez,
foi atualizado com a informática. Comparando com alguns anos
atrás, hoje, por causa das novas
tecnologias, você emprega metade do tempo para desenvolver um
projeto. Hoje tudo é mais rápido,
o mercado pede agilidade e velocidade, o tempo corre e o processo criativo também. Pode ser
uma contradição com que estou
dizendo, mas ainda uso o lápis.
CI – Como?
GG – Sim, quando inicio um projeto uso sempre lápis, para mim
é mais rápido. O modo antigo não
é para ser todo descartado.
CI - Qual é a maior dificuldade
em desenhar um carro?
GG – É ter que enfrentar quem realmente decide, como o pessoal
do marketing, do departamento
econômico, por exemplo. Não é
a mesma coisa imaginar um Fiat
Uno e um Rolls Royce, o processo
é diferente, não é só criatividade.
CI – Como é seu processo criativo? O senhor tem algum rito ou
hábito particular que segue na
hora de iniciar um novo projeto?
GG - Não, sou muito simples e racional. Para mim, o importante
é haver pessoas competentes e
corretas ao meu lado para fazer
com que tudo dê certo. O tempo também é uma coisa compli-
cada. Todo mundo quer tudo para
ontem, mas às vezes, nos permitimos sonhar. Digo em primeira
pessoa do plural porque não sou
sozinho nesse barco.
CI – Qual carro o senhor possui?
GG – Não tenho afeição por nenhum modelo em particular. Hoje
tenho um Lexus RX 400 H porque é híbrido, alto e posso ir
ao centro e descer do carro sem
que ninguém me olhe com a cara feia e não sinto cheiro de gasolina quando estaciono na garagem, o que é uma maravilha!
Certamente, no futuro, terei um
carro híbrido e elétrico.
CI – Qual o futuro do mercado automotivo?
GG – Com certeza o futuro do
mercado é a bateria elétrica porque não faz barulho e, principalmente, não polui. Realmente, em
um futuro, que espero não esteja
tão distante, graças às centrais
Novembro 2008
/
nucleares, teremos pontos de
distribuição de energia para poder abastecer o carro elétrico.
CI – O senhor é um homem que
deve ter tudo aquilo que deseja.
Existe algum desejo em especial
que gostaria de realizar?
GG – Sim, tantos, mas a correria
do dia-a-dia, às vezes, não nos
dá tempo para realizar tudo o que
queremos. Digamos que desejo conhecer uma bela mulher, ter muita saúde e, claro, continuar projetando carros. Além de comprar um
I-Phone novo, porque acabei de
descobrir que o que comprei há
três meses já é velho (risos).
CI – O senhor conhece o Brasil?
GG - Estive no Brasil duas vezes,
mas não vi nada além do que a
janela do carro ou do avião propiciava, pois estava sempre de
passagem de uma cidade a outra.
Mas um dia quero voltar e ver as
maravilhas do teu país.
ComunitàItaliana
53
Firenze
artes plásticas
Giordano Iapalucci
Não
basta
olhar
A Itália marca presença na 28ª Bienal de São
Paulo com dois artistas que exigem a participação
do público se quiserem “ver” suas obras
evar para casa uma obra de
arte é sonho de muitos, para poucos. É justamente esse apelo irresistível que faz
parte do jogo sensitivo proposto pelo italiano Armin Linke aos
visitantes da 28ª Bienal de São
Paulo. O fotógrafo e cineasta milanês é um dos dois representantes da Itália na exposição internacional que pode ser conferida
até o dia 6 de dezembro, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Ibirapuera. Ao todo, 42 artistas de 20
países fazem parte do evento. A
outra atração italiana é a arquiteta romana Micol Assaël. A edição deste ano da mostra ganhou
o apelido de “Bienal do Vazio”.
A instalação “Fenótipos –
Formas Limitadas”, de Armin
Linke, foi “operada” pela primeira vez na abertura oficial na
chamada “Bienal do Vazio” pelo
embaixador da Itália no Brasil,
Michele Valensise e esposa, embaixatriz Elena Valensise.
— Nossa participação é dinâmica e original. Uma oportunidade para ver o trabalho desses
dois artistas, conhecidos na Itália, mas ainda pouco conhecidos
no Brasil. É também uma chance
54
para fazer com que se apreciem,
nesta cidade sofisticada, as nossas tendências contemporâneas
— afirma Valensise.
Logo após o casal, uma longa fila se formou para manipular
o atraente sistema do tipo façavocê-mesmo sua própria mini-coleção de fotos. Para isso, é preciso escolher oito entre 700 fotos feitas pelo artista. São instantâneos que mostram temas e
lugares diversos como uma seita
em Brasília, o retrato de um arquiteto suíço ou uma zona rural
do Paquistão. O visitante diagrama sua seleção sobre uma mesaFotos: Claudio Cammarota
L
Tatiana Buff
Correspondente • São Paulo
ComunitàItaliana
Moda
F
computador, que a identifica por
leitura magnética e realiza a impressão. Isso, segundo Linke, faz
com que o próprio público se torne um ‘curador’ da mostra.
A interação desejada pelo autor começa no momento de vestir
as luvas brancas necessárias ao manuseio das fotos. Segue a relação
visual e táctil com as reproduções
dispostas em gôndolas – tais como
as de supermercado. Isso, acredita
ele, responde “ao faminto instinto
de consumo das imagens”.
— Minhas fotografias de viagem exploram a relação entre o
homem, o espaço e a arquitetura.
O trabalho permite vários níveis
de leitura. É interessante observar a relação do público com as
imagens — ressalta o artista que
vem constantemente ao Brasil e
participou da 25ª Bienal.
O projeto “Fenótipos – Formas
Limitadas”, mantido em colaboração com a universidade alemã de
Karlsruhe, nasceu há cinco anos,
na Bienal de Veneza. Foi desenvolvido em parceria com o belga Peter Hanappe. O mecanismo, chamado de A Book on Demand, por
À esquerda, a arquiteta Micol Assaël.
Acima, o fotógrafo Armin Linke orienta
o embaixador Michele Valensise
/
Novembro 2008
possibilitar a impressão de um “livro sob demanda” resulta também
de cooperação contínua entre várias universidades, cientistas e o
Laboratório de Ciências da Computação da multinacional Sony.
Elementos físico-artísticos
No primeiro andar da “Bienal do Vazio” se instalou Micol Assaël, arquiteta nascida em Roma, em 1979.
Em um registro bem mais conceitual, ela convida o público a experimentar a obra “Sem Título (Dielétrico)”, que congrega um condutor
de ar, fios elétricos e o efeito desses elementos juntos; faíscas.
— Funciona como um corte no
ar. É a pura demonstração da relação entre o ar e a eletricidade.
Aqui há um desafio, pois se você
se aproxima para enxergar a faísca,
tem de enfrentar o vento. Se não
chega perto, o fenômeno não é visível — explica Micol que estreou
em 2001, em Salerno, na Itália.
A artista privilegia a exploração
da energia com a mínima intervenção possível. Sua obra convoca o
visitante a uma percepção primeira
do invisível absolutamente presente e essencial. A apontar que, apenas no silêncio, é possível enxergar
e sentir o que se faz indispensável.
Nada mais sintonizado com esta
Bienal. Com um andar aberto, inteiramente nu de propostas, o prédio da Fundação chegou a ser invadido no primeiro dia de abertura
ao público por manifestantes e pichadores que questionavam o atual
sentido do evento, marcado por má
gestão administrativa e financeira
nas últimas edições.
I sovrani dei
giardini d’Europa
P
isa ospiterà la mostra intitolata “Sovrani nel giardino d’Europa” fino a
domenica 14 dicembre. L’evento è
organizzato sotto l’Alto Patronato del Presidente della Repubblica e con il patrocinio
della Presidenza del Consiglio dei Ministri
e della Regione Toscana. Grazie agli ultimi
contribuiti storiografici, la rassegna vuole
ricostruire come era il clima politico e culturale del governo dei Lorena (1737-1859)
50 Giorni di Cinema
Internazionale
È
partita a Firenze la rassegna cinematografica internazionale che durerà 50
giorni, esattamente fino al 22 dicembre. Un
evento curato dalla Mediateca Regionale Toscana Film Commission in collaborazione con
la Regione Toscana e presentato nel prestigioso Cinema Odeon di Firenze. L’edizione
2008 vedrà come “ospite d’onore” il cinema
francese al quale sarà dedicata la parte introduttiva del festival con una retrospettiva
su Marcel Carnè e Jacques Prèvert. Seguirà
poi in onore al “Cinema e Donne” dove sarà
omaggiato il lavoro di Maria Mercader, attrice
spagnola del primo novecento. Si concluderà con la consegna dei premi del N.I.C.E., il
più importante festival cinematografico per
la promozione delle opere prime e seconde
del cinema italiano nel mondo.
nella città di Pisa, luogo dove la corte trascorreva buona parte del periodo invernale.
In mostra saranno presenti dipinti, sculture, arredi e stampe di collezioni private e
pubbliche sia italiane che straniere, come
anche materiale cartografico con inedite
mappe provenienti dall’Archivio di Stato di
Praga, città dove fu incoronato Pietro Leopoldo di Lorena nel 1870. Museo Nazionale
di Palazzo Reale di Pisa. Ingresso 6 euro.
“Pinocchio”
M
assimo Ceccherini, Alessandro Paci e
Carlo Monni presenteranno “Pinocchio”, una classica commedia teatrale ripresa
dal libro di Carlo Lorenzini (in arte Collodi)
scritta nel 1883. Sarà una rappresentazione
piena di tratti umoristici, visti i tre attori comici fiorentini. La storia riadattata vede Pinocchio, ragazzo rockettaro e metallaro, inseguito dalla fata turchina ninfomane e amica
di Lucignolo, un cocainomane: una riflessione
ironica sulla vita moderna. Monni interpreterà
Geppetto, un personaggio innamorato del potere; Ceccherini sarà Lucignolo nelle vesti del
diavolo tentatore e Paci sarà Pinocchio, ossessionato dalla televisione, dalla vita di periferia, ma che cerca con le sue forze di uscire dai
problemi che lo assillano. Adatto ad un pubblico adulto. Biglietti: da 18 a 28 euro presso
il Sashall di Firenze. Giovedi 13 e Venerdì 14
novembre. Info:www.teatropuccini.it
Novembro 2008
irenze ospiterà, per circa 8 mesi, un’iniziativa di moda che ha per fine quello di
approfondire i legami storici della città con il
settore. Il “Percorsi di Moda a Firenze” coinvolgerà 61 eventi, 20 visite guidate in 26
atelier, dieci luoghi d’arte e quattro musei di
Firenze, tra il 28 ottobre e il 16 giugno del
2009. I musei partecipanti sono: la Galleria
del Costume, il Museo degli Argenti, il Museo Salvatore Ferragamo e il Museo di Santa
Croce. Inoltre ci saranno visite alle chiese Orsanmichele, Santa Maria Novella, Chiesa dello
Spirito Santo e alla Cattedrale di Santa Maria
del Fiore, tra le altre. L’iniziativa viene promossa dall’assessorato alle attività legate al
settore della moda del Comune di Firenze, e si
inserisce nel progetto “Mestieri della Moda”,
realizzato dal settore di turismo della città.
X Festival Giapponese
D
al 14 al 16 Novembre 2008 la Limonaia di Villa Strozzi a Firenze ospiterà
la VIII Edizione del Festival Giapponese.
All’evento saranno presenti personaggi di
una certa peculiarità e non certo facili
da incontrare in Italia. Dal maestro Nanjou Chouse, che crea le straordinarie maschere per il teatro noh, al Maestro della
Scuola di Te Enshuryu, Kochuan Soucho,
che vi introdurrà a questa antica arte un
tempo riservata ai grandi uomini che hanno governato il Giappone; poi il “Gruppo
Harmony” di suonatori di koto, la cedra
giapponese, che vi faranno ascoltare un
concerto di suoni armoniosi, che uniscono tradizione ad attualità. In conclusione,
la Maestra Asahi, che ha creato dopo anni
di studi ed esperienza una danza di energia nata come ginnastica per riportare
equilibrio e rafforzare le proprie capacità
di autoguarigione. Ingresso gratuito.
/
ComunitàItaliana
55
italian style
O brasileiro
da Azurra
Dolce & Gabbana
Sempre refinada e elegante, a coleção de
óculos Dolce & Gabbana alterna cores clássicas
e inovadoras além de apresentar a qualidade
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Aos 23 anos, Fabiano Santacroce é o mais recente
jogador convocado para a seleção italiana de futebol
Guilherme Aquino
F
Para eles e para elas
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precisar ligar o computador. Ele indica
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Na mesa
A chapa de ferro antiaderente permite um
cozimento da comida sem nenhuma fumaça.
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carne, peixe e verduras. Depois de grelhar,
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estão disponíveis no mercado italiano.
56
ComunitàItaliana
/
Cuocinella
Com este prático forno os alimentos
são assados de uma forma
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é instantâneo e termina
automaticamente de acordo
com o tempo programado.
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Novembro 2008
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acordes de jasmin e de cassis misturadas com a mandarina.
O ar misterioso fica por conta do vétiver e da patchouli.
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acordes vibrantes de anis, seguidos de framboesa, que por
sua vez, dão lugar à lavanda. As notas de fundo são de
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abiano Santacroce, zagueiro do Napoli, é um dos ídolos do futebol da Itália. No
Brasil, porém, poucos conhecem este jovem nascido em
Camaçari, no interior da Bahia.
Filho de mãe brasileira, ele cresceu na Itália, terra do pai, para onde veio aos quatro anos
de idade. A paixão pelo futebol
sempre falou mais alto e ele escalou todas as divisões de base
até vestir a camisa da Azurra, a
principal seleção italiana. E como zagueiro, posição na qual os
italianos são craques. Em campo, Santacroce é um marcador
duro, que se antecipa ao lance,
estilo que agradou ao técnico
Marcello Lippi.
— Esta é a chance dele
aprender. O difícil vem agora —
diz “professor” Canavarro, beque italiano considerado o melhor jogador do mundo durante
a Copa da Alemanha, da qual
saiu campeão.
A convocação de Santacroce
faz parte do plano de renovação
do técnico italiano. Com a ginga
de bom baiano, o jogador brasileiro não nega as origens. Ele só
entra em pânico, mesmo, quando
o que está “em jogo” é a língua
portuguesa.
— Entendo tudo, mas se me
fizer falar em português entro
em crise — brinca ele ao encontrar o repórter da Comunità,
este brasileiro que vos escreve.
Brincadeira dita, por sinal, em
um italiano perfeito, com sotaque da Brianza — Em português, aprendi alguns palavõres,
mas não os digo.
Aos 23 anos, ele diz que chegar à seleção italiana é “um sonho” que ele não imaginava que
Correspondente • Milão
poderia se realizar, pelo menos
tão cedo.
— Há três ou quatro anos,
ainda estava longe da série A
do campeonato italiano. Naquela época, eu não apostaria uma
lira que chegaria aqui. Hoje, me
sinto mais italiano do que brasileiro — afirma o jogador afastando a hipótese de ter vislum-
brado, em algum momento, a
possibilidade de ser convocado
para a seleção brasileira.
Sim, porque esta não seria a
primeira vez que um ítalo-brasileiro vestiria a camisa de seus
dois países. O atacante Jose Altafini, durante a copa de 1962,
no Chile, defendeu a seleção italiana. Quatro anos antes, na Su-
Novembro 2008
/
futebol
écia, jogou pela seleção brasileira, na Copa vencida pelo Brasil.
Atualmente, a Fifa não permite
mais que um jogador que tenha
defendido uma seleção mude de
lado e troque de camisa, mesmo
tendo dupla nacionalidade. Não é
caso de Santacroce.
Ele é estreante na seleção e
foi notado bem antes que Dunga
suspeitasse que ele pudesse jogar pelo Brasil. No centro de treinamentos da Azzurra, em Corveciano, nos arredores de Florença,
o bom baiano sorri à toa e recebe
tratamento especial. Ele afirma
que não acompanha o campeonato brasileiro e que, depois dos
jogos e dos treinos, ele se desliga do mundo.
— Não gosto muito de ver
os jogos de quem não será meu
adversário do próximo turno.
Prefiro fazer outras coisas. Aqui
na seleção sei que tenho que
melhorar muito, ter mais calma,
aprender a usar melhor a cabeça.
Estou aqui para tentar ‘roubar’
um pouco os gestos e as ações
destes grandes campeões com
quem jogo — afirma.
Santacroce nem de longe vê
a sua convocação como uma resposta ao racismo em campo. Único jogador negro da Azzurra ele
diz que “pode até haver este tipo de preocupação”, mas prefere
acreditar que sua convocação foi
um prêmio “por jogar bem”.
— Nunca me vi envolvido em
questões racistas. Apenas quando era mais jovem aconteceram
alguns eventos isolados, mas nada importante — conta.
Mesmo longe do Brasil, ele
não se esquece da pátria-mãe.
Ele diz ter a intenção de visitar
o lugar onde nasceu e encontrar
todos os seus parentes. O jogador admite que, em dia de clássico, “o pau come dentro de casa”
porque a família fica dividida.
Agora, porém, como integrante
da Azzurra ele tem um palpite:
— Sempre que joga Brasil contra a Itália, o pau come entre o meu
pai e a minha mãe. Agora, porém,
acho que, no fundo, ela vai torcer
pela Itália, ou melhor, por mim.
E ele, como se sentirá quando a seleção italiana enfrentar a
brasileira?
— Não nego que me sinto
brasileiro. Confesso que seria
uma emoção única jogar contra
uma das seleções mais fortes
no mundo.
ComunitàItaliana
57
il lettore racconta
Vitu Luigi Pelleg
rini chega
ao Brasil n
a época
do império
e estabelece
a Fábrica de
Massas Pellegrin
i ao lado da
casa dos prín
cipes de Orle
ans
e Bragança,
em Petrópoli
s.
Uma história con
tada com
orgulho e em
oção pela net
a
Liliana Feiteira
Pellegrini.
Depoimento à
repórter Na
yra Garofle
M
eu avô, Vitu Luigi Pellegrini, deixou a Itália pelo porto de Gênova em 1887. Como a
maioria dos italianos, ele veio para o
Brasil à procura de uma vida melhor.
O Rio de Janeiro era seu destino,
mas por conta de uma epidemia de
febre amarela, o navio seguiu para
São Paulo. Assim, o jovem de 22 anos
desembarcou no porto de Santos, com
destino a Itu, onde tinha conhecidos. No interior paulista, conheceu
um emissário da Companhia Petropolitana de Tecidos que recrutava imigrantes. Foi então que aceitou o trabalho na montagem e depois como
tecelão, durante seis meses.
Por duas vezes, meu avô retornou
à Europa. Na primeira viagem, conheceu a minha avó Theodósia l’Àbbate
com quem se casou logo depois. Em
Petrópolis, já casado, vovô percebeu o
desenvolvimento dos negócios e comprou uma boa área na principal rua
da cidade, atual Rua do Imperador.
O fundo da área dava para a casa dos
príncipes de Orleans e Bragança.
58
ComunitàItaliana
/
Nesse local, vovô instalou a Fábrica de
Massas Pellegrini e abriu um armazém, conhecida como Casa Pellegrini, que vendia entre os produtos nacionais, produtos importados e massas
da fábrica. Quem o orientou para que
pudesse realizar o sonho de ter sua
fábrica de massas foi o conde Francisco Matarazzo, dono de um negócio
similar, em São Paulo.
O segundo dos 10 filhos que meu
avô teve, Francisco, abriu uma Casa Pellegrini no Rio de Janeiro
e tornou a marca conhecida na cidade. Os negócios prosperavam, apesar da concorrência com o
famoso Moinho Inglês. Contrariando as expectativas, os
Pellegrini acabariam por
comprar a filial do referido Moinho Inglês.
No grande sobrado residencial - e sede tanto da
fábrica quanto do armazém
de comestíveis finos Casa
Pellegrini (quase tudo era
importado!) - encontra-se
hoje o edifício que recebeu o
nome da família.
Apenas Miguel, o sétimo
filho, prosseguiu no ramo industrial. Sem descendentes
diretos e sem que qualquer
um dos netos do velho Vitu
tivesse, à época, oportunidade
de conduzir o negócio da
família, a fábrica foi fechada
na década de 1970.
Meu pai, Victor Antônio Pellegrini, é o quinto
filho de meu avô. Ele optou pelo ramo agrícola e
foi proprietário da Granja
Santa Clara, localizada no
antigo 5º distrito de Pe-
Novembro 2008
trópolis, atual cidade de São José do
Vale do Rio Preto.
Como bons filhos e netos de italianos, a boa mesa sempre foi prestigiada com almoços famosos, tanto no
sítio de meu pai quanto nas casas de
minhas tias Nina, Luíza e Rosina,
na cidade de Petrópolis. Tia Nina
– os petropolitanos com mais de 50
anos certamente vão recordar – fez
fama com suas a“ lmofadinhas” e outras
delícias na loja A Fornarina.
As novas gerações, porém, não
perderam a“ mão”: minha irmã Cristina é banqueteira reconhecida na
cidade serrana, assim como meu primo Marcelo Kallenback (já falecido) e sua esposa Ana Maria, donos do
Chalé Manacá, em Petrópolis. Além
disso, Cláudia, minha filha mais nova,
é uma cozinheira de primeiríssima
qualidade que anda planejando reabilitar a fábrica de Massas Pellegrini. Essa história ainda está longe
de terminar.
Liliana Feiteira Pellegrini
Niterói, RJ
Mande sua história com material fotográfico para:
[email protected]
Sapori d’Italia
gastronomia
G
Sônia Apolinário
li chef Bruno Marasco,
Raimundo Cícero Nascimento e Júlia Maselli e la
studentessa Sara Papi de
Azevedo formeranno il team brasiliano che, nel maggio dell’anno
prossimo, andranno nella città
italiana Ivrea, in Piemonte, a difendere i colori verde e giallo. La
missione è difficile: gareggiare
contro gli italiani in un concorso
di risotto, piatto tipico di quella
regione d’Italia.
I quattri hanno timbrato i loro passaporti per l’avvenimento
dopo aver vinto, il mese scorso,
il IX Concurso Internacional de
60
Risoto, realizzato a Rio de Janeiro. L’evento è stato promosso dal
Consorzio Canavese, produttore
di riso con sede ad Ivrea. Il Piemonte è il maggior produttore di
riso in Italia.
È la seconda volta che il calabrese Bruno Marasco vince il concorso brasiliano. La prima volta è
stata nel 2001. Proprietario del
ristorante Da Carmine, a Niterói,
si è diplomato presso l’Istituto
Alberghiero Guardia Piemontese
ed è già stato alla guida, con il
fratello Carmine, di un ristorante a Torino prima che venissero
a vivere in Brasile. Stavolta Marasco è stato vincitore con una
ricetta di risotto di coda con porcini freschi. La coda è una carne
di bue meno nobile, muscolosa,
usata per fare un piatto tipico
della gastronomia brasiliana.
— Da un anno faccio ricerche
su ricette “povere” regionali italiane. Il mio risotto è una nuova edizione di una di queste ricette. La
coda è ciò che possiamo chiamare
un piatto rustico — spiega Mara-
ComunitàItaliana
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A sinistra, lo chef Raimundo Cícero
Nascimento. Sopra, il giurato
Paolo Buffa e Júlia Maselli. Sotto,
Bruno Marasco. A destra, Rafael
Zibelli Neto vicino alla studentessa
Sara Papi de Azevedo e Stefano
Strobbia, giurato e presidente del
Consorzio Canavese
Novembro 2008
Manfredi, che ha creato un risotto
di caffè con carne secca.
Un’altra novità del concorso
riguarda la premiazione stessa.
L’anno scorso, Salathiel è rimasto una settimana ad Ivrea imparando le tecniche di preparazione
di risotti. L’anno prossimo ci sarà
per la prima volta una gara per
stimolare gli studi. Stavolta, tornerà nella città italiana come coordinatore del gruppo dei vincitori del 2008 del concorso.
Geraldo Cocolo Jr.
Receita da
mamma
Fotos: Victor Schwaner
liani Nel Mondo a Rio, con l’appoggio di Comunità cordinazione
tecnica di Mario Tacconi (Federazione Italiana Cuochi). Presidente della UIM, Rafael Zibelli Neto
spiega che i competitori sono
stati scelti sulla base delle ricette
inviate prima dai concorrenti.
Quest’anno il concorso ha
presentato un diverso formato rispetto agli anni prima. Invece di
riunirsi tutti in un unico luogo
per preparare il risotto, gli otto
giurati si sono spostati nei vari
ristoranti. Il vincitore dell’anno
scorso, Eduardo Salathiel, ha approvato la novità.
— Nel formato anteriore, i
giurati non accompagnavano la
realizzazione dei piatti, ossia,
non ne vedevano i difetti. Questo nuovo formato ha attribuito
una maggiore serietà al concorso
— dice lui, che è il proprietario
dell’Ateliê Flor de Sal, una scuola
di gastronomia a Niterói.
Salathiel ha accumulato il
maggior numero di punti totali l’anno scorso con un risotto di
ricci di mare. Secondo lui, il “principale ingrediente” usato per vincere la gara è quello che usa nella
realizzazione di qualsiasi piatto:
dedizione. Salathiel afferma che
si può fare un risotto con qualsiasi ingrediente e ricorda che il suo
principale avversario l’anno scorso è stato lo chef paulista Vinícius
Divulgação
Concorso realizzato a Rio de Janeiro sceglie chef
per gareggiare, l’anno prossimo, in Italia
Fotos: Roberth Trindade
Risotto
made in
Brasile
sco che includerà il suo risotto con
la coda nella lista del ristorante.
Raimundo Cícero Nascimento, del Gibo Brambini, di Rio de
Janeiro, ha garantito il suo viaggio in Italia con un risotto alla
milanese con creme di tartufi. Il
Gibo è uno dei ristoranti italiani
più acclamati della città meravigliosa. Julia Maselli, del Pomodorino, anch’esso a Rio de Janeiro,
ha presentato ai giurati un risotto di fiori di zucca. Invece la studentessa di gastronomia dell’Universidade Estácio de Sá, Sara Papi
de Azevedo, ha sconfitto gli altri
12 concorrenti, nella categoria
studenti, con il risotto di zucca e
gamberi profumati allo zenzero.
In tutto 8 ristoranti e 13 studenti hanno partecipato alla gara
organizzata dall’Unione Degli Ita-
Os mais tradicionais restaurantes da capital mineira,
o Dona Derna e o Memo Biadi seguem a tradição
secular dos antepassados do chef e proprietário:
manter o alto padrão da culinária italiana
B
elo Horizonte – A rica e universal culinária italiana tem em
Belo Horizonte um endereço certo para aqueles que apreciam
a gastronomia mais tradicional do país que popularizou a pasta em todo o mundo. Inaugurado há 48 anos, o Dona Derna
segue mantendo o mesmo padrão de exigência e qualidade desde que
o restaurante foi montado por Derna Biadi. Ela chegou ao Brasil na década de 1950 e trouxe na bagagem uma importante herança culinária
familiar, que atua no de restaurantes desde 1890.
Seduzido pelos pratos da mamma, Memmo, que chegou ao Brasil
aos 14 anos, não pensou duas vezes para entrar no ramo. Hoje, comanda o restaurante montado por sua mãe, que continua a oferecer o
melhor da tradicional culinária italiana, e o Memmo Pasta & Pizza, que
funciona na parte de baixo do mesmo imóvel que abriga o Dona Derna
, no coração da Savassi.
O Dona Derna oferece um cardápio mais diversificado, com direito
a pratos, inclusive, da tradicional culinária mineira.
— Eu comecei a me interessar por cozinha ainda na época da fundação do Dona Derna acompanhando minha mãe na elaboração dos
pratos. Depois, passei a viajar para a Itália e freqüentar os restaurantes mais famosos da Toscana, onde nasci — conta Memmo.
Ele nunca fez curso de gastronomia. Tudo o que aprendeu foi na
base do intercâmbio com outros chefs. Ele afirma que, no Brasil teve
um “ótimo relacionamento” com o chef Bozzetti, quando comandava
o badalado Fasano, em São Paulo.
Mais do que manter o bom nome da famiglia no cenário gastronômico mineiro, Memmo foi um pioneiro na cidade, responsável pela criação de muitos restaurantes que hoje são referência em Belo
Horizonte. O mais famoso e hoje sinônimo da alta culinária mineira é o
Vecchio Sogno, fundado por ele em
1995 e vendido ao seu ex-sócio Ivo
Faria em 2001.
No Dona Derna, Memmo Biadi comanda uma equipe de 35 funcionários, entre garçons e cozinheiros. A
casa oferece pratos que nunca saíram
do cardápio e que são uma referência
do restaurante – uma tradição, com
quase 50 anos de história. O ravióli de cordeiro com fonduta trufada é
um dos carros-chefes, embora Memmo se recuse a apontar um prato como o principal.
— É como filho, não consigo esMemmo Biadi colher um preferido — compara o
Ravióli de cordeiro com fonduta trufada
Ingrediente: Massa de ravióli: 20 gemas, 5 ovos inteiros e uma dose
de 50 ml de vinho branco, pitadinha de sal e meia colher de azeite.
Modo de fazer: Depois de pronta, a massa é aberta e cortada em
quadrado. Coloca-se o recheio, feito de um ensopado de cordeiro,
que leva alecrim e faz o refogado com o tricolore (aipo, cenoura e cebola). Refogar com vinho branco, caldo de galinha ou de carne, que
leva também alho poró, aipo, cenoura, cebola e tomate. Cozinhar por
4 ou 5 horas em fogo baixo até soltar a carne do osso. Desfiar a carne
para o recheio. Incluir um pouquinho de farinha de rosca ou de queijo parmesão para dar liga. Dobrar em triângulo e cozinhar rapidinho
porque a massa fresca cozinha depressa.
Molho: À base de creme de leite, queijo ralado e um pouco de queijo
prato, aromatizado com manteiga de trufa. Fazer uma “cama” com o
molho branco: os raviólis por cima mais o molho de queijo trufado e
completar com o molho de cozimento do cordeiro, jogando-o por cima. No meio, acrescentar um pouco de espinafre saltado com pinoli
e uva passa. Para acompanhar, um Brunelo, da Toscana.
chef, pai de dois filhos, ambos com interesse em gastronomia. A filha
Paula é casada com o sommelier Guilherme Correia e o filho Enrico ajuda o pai a administrar o Dona Derna.
Diferentemente da Itália, onde segundo Memmo, a comida ultimamente está muito light, o Dona Derna oferece a tradicional comida
italiana tropicalizada. Isto significa, pratos mais temperados, ao gosto do brasileiro, apesar de os ingredientes serem os mesmos. Para ele,
o mais importante de um restauranteur é manter o mesmo padrão de
comida ao longo do tempo.
— Quando uma pessoa vai a um restaurante que já conhece, ela
quer experimentar o mesmo sabor. E é isso que minha mãe e eu sempre nos preocupamos — afirma.
Serviço: Memo Pasta e Dona Derna Ristorante – Rua Tomé de Souza, 1343
Savassi – B.H - Fone (31) 3223-6954
Novembro 2008
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ComunitàItaliana
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La gente,
il posto
Claudia Monteiro de Castro
T
Pozzo di San Patrizio
em gente que adora o desafio de
subir os inúmeros degraus de um
monumento. Tem quem o evite a
todo custo. O mais comum é subir degraus
para chegar às cupulas das igrejas. E depois
de tanta fatiga, ter o prazer de uma vista
maravilhosa, como a da cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma. Mas num interessante monumento de Orvieto, cidade
pitoresca da Úmbria, os degraus são para
descer, ao invés de subir. É o Pozzo di San
Patrizio, construído por Antonio da Sangallo entre 1527 e 1537, a pedido do Papa
Clemente VII, para fornecer água em caso
de cerco à cidade. O poço, de 60 metros, é
constituído por duas rampas helicoidais superpostas, uma que desce e outra que sobe.
Dessa forma, era possível transportar água
sem ter o problema de quem subia esbarrar
S
com quem descia. O poço de San Patrizio,
com seus 248 degraus, é um dos cartões
postais de Orvieto.
Tel. 076 3343768
Ingresso: 4,50 euros
Horário de abertura: 9h 18h45
No escurinho do cinema
ai verão, entra outono e finalmente reabrem os cinemas da cidade. Durante os meses de julho e agosto a maioria dos cinemas, em
Roma, não funciona. Para compensar os cinéfilos, são montadas
as arenas, ou seja, os cinema ao ar livre em diversos bairros da cidade.
Mesmo assim, dá saudade do escurinho do cinema, das cadeiras confortáveis e do fresquinho do ar condicionado. No verão, a programação em
exibição é formada por uma seleção de filmes do ano inteiro ou alguns
clássicos. Assim, quando chegam os meses de setembro e outubro, começam os lançamentos. É tanto filme novo no circuito que acaba não
dando para ver todos, pois é muita novidade chegando junta.
Esse “ciclo” me faz pensar na primeira vez em que fui ao cinema,
no início de minha estadia em Roma, em 2002. O filme era francês, “O
fabuloso mundo de Amélie Poulain”. Na época, estava toda empolgada
em treinar meu francês, ouvir a língua que é
poesia para meus ouvidos, ver Paris no telão e tudo mais. Escolhi um cinema bem
confortável, o Adriano, um multi-sala,
ex-teatro onde os Beatles tocaram quando estiveram em Roma nos anos 60.
A empolgação passou assim que
apareceu na tela o bairro de Montmartre, onde se passa a história do filme e
o narrador começou a falar em... italiano. Oh, não, pelo amor de Deus!!! Paris, em italiano! Mon dieu! Pas possible! Não dá. Cinema é um faz-de-conta,
é entrar na tela como o personagem da
Rosa púrpura do Cairo de Woody Allen!
Ver Paris com narrador em italiano foi
uma verdadeira desilusão. Para coroar mi-
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ComunitàItaliana
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nha decepção, no meio do filme teve um intervalo de cinco minutos,
comum na maioria dos cinemas na Itália.
Quando é possível, dou preferência aos poucos cinemas que exibem filmes em língua original, como o Metropolitan, o Nuovo Olimpia ou alguns centros culturais que fazem mostras retrospectivas de
diretores clássicos, como François Truffaut. Mas é bem difícil arrastar um amigo italiano para ver um filme em qualquer língua que não
seja a dele.
Com o passar dos anos, um pouco me habituei a ver filmes americanos (espanhóis, japoneses e franceses) em italiano. Existem várias
escolas de dublagem na Itália e os dubladores representam uma categoria profissional importante no país. Para os brasileiros, acostumados
com filmes em original, não deixa de ser estranho. A coisa mais engraçada é ver famosos atores americanos
dizendo palavrão em italiano. Surreal.
Ah, e tem mais um detalhe! Alguns cinemas têm lugares marcados,
ao comprar o ingresso. Origem de uma
série de problemas.
Muitas pessoas, não satisfeitas
com o próprio lugar, acabam querendo trocar de poltrona pouco antes de
começar o filme. Cinco minutos depois que o filme começa, chegam os
“atrasildos” e querem se sentar no lugar que compraram, que já está ocupado. Começa, então, o maior bate boca.
Um verdadeiro filme dentro do filme.
Até no escurinho do cinema os italianos
gostam de uma boa baderna.
Novembro 2008
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Como Brasil e Itália enfrentam a situação