A m a i o r m í d i a d a c o m u n i d a d e í t a l o - b r a s i l e i r a www.comunitaitaliana.com Rio de Janeiro, novembro de 2008 Ano XV – Nº 125 ISSN 1676-3220 Como Brasil e Itália enfrentam a situação econômica mundial R$ 10,90 Ciao crise! Giorgetto Giuggiaro, o designer automotivo do século 22 CAPA Com a crise econômica mundial, a Itália se prepara para enfrentar uma possível recessão, em 2009. No Brasil, a expectativa é manter o crescimento econômico, porém, com índices bem modestos Editorial Entre a crise..................................................................................08 Cose Nostre A Suprema Corte da Itália proibiu que um casal de italianos batizasse o seu filho com o nome de Venerdì, ‘sexta-feira’ em italiano.................09 Política Brasil elege novos prefeitos e dá início a uma nova composição de força no cenário nacional, de olho na próxima disputa presidencial����������� 17 Negócios Il console d’Italia a Rio de Janeiro, Massimo Bellelli, si congeda dal Brasile portandosi nei bagagli abitudini prettamente cariocas..........34 Filosofia Em passagem pelo Brasil, o filósofo italiano Massimo Borghesi fala sobre crise econômica e a falta de motivação dos jovens���������������� 42 Artes Plásticas A Itália marca presença na 28º Bienal de São Paulo com a participação de dois artistas.................................54 Futebol Aos 23 anos, Fabiano Santacroce é o brasileiro que integra a seleção italiana de futebol.........................................57 No Parlamento Marco Zacchera O que pensa o presidente do Comitê Permanente para os Italianos no Exterior da Câmara dos Deputados da Itália 6 Turismo Paraty As belezas da cidade fluminense candidata ao título de patrimônio mundial da Unesco ComunitàItaliana / 46 Literatura Roberto Saviano O escritor italiano está jurado de morte pela máfia por conta do livro Gomorra, best-seller que chega ao Brasil em dezembro Novembro 2008 48 Cinema Exclusivo João Carnavos 40 Divulgação 20 Divulgação Roberth Trindade À frente de uma das principais empresas brasileiras exportadoras de rochas ornamentais, o italiano Bruno Zanet foi destaque na 43ª Marmomacc, em Verona................................................................28 Diplomazia Filho do diretor Vitorio de Sica e neto do produtor Luigi De Laurentiis, ícones do cinema da Itália, filmam no Rio de Janeiro COSE NOSTRE Julio Vanni FUNDADA EM MARÇO DE 1994 Diretor-Presidente / Editor: Pietro Domenico Petraglia (RJ23820JP) Autênticos F Publicação Mensal e Produção: Editora Comunità Ltda. Tiragem: 40.000 exemplares Esta edição foi concluída em: 05/11/2008 às 17:30h A Distribuição: Brasil e Itália Redação e Administração: Rua Marquês de Caxias, 31, Niterói, Centro, RJ CEP: 24030-050 Tel/Fax: (21) 2722-0181 / (21) 2722-2555 e-mail: [email protected] SUBEDItora: Sônia Apolinário [email protected] Redação: Daniele Mengacci; Guilherme Aquino; Nayra Garofle; Sarah Castro; Sílvia Souza; Tatiana Buff; Valquíria Rey; Janaína Cesar; Lisomar Silva REVISÃO / TRADUÇÃO: Cristiana Cocco Projeto Gráfico e Diagramação: Alberto Carvalho [email protected] CAPA: Grupo Keystone Colaboradores: Giorgio della Seta; Pietro Polizzo; Venceslao Soligo; Marco Lucchesi; Domenico De Masi; Franco Urani; Fernanda Maranesi; Adroaldo Garani; Beatriz Rassele; Giordano Iapalucci; Cláudia Monteiro de Castro; Ezio Maranesi; Fabio Porta; Fernanda Miranda CorrespondenteS: Guilherme Aquino (Milão); Janaína Cesar (Treviso); Lisomar Silva (Roma); Publicidade: Philippe Rosenthal Rio de Janeiro - Tel/Fax: (21) 2722-0181 [email protected] RepresentanteS: Brasília - Cláudia Thereza C3 Comunicação & Marketing Tel: (61) 3347-5981 / (61) 8414-9346 [email protected] Minas Gerais - GC Comunicação & Marketing Geraldo Cocolo Jr. Tel: (31) - 3317-7704 / (31) 9978-7636 [email protected] ComunitàItaliana está aberta às contribuições e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos e estrangeiros. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, sendo assim, não refletem, necessariamente, as opiniões e conceitos da revista. novidade deu na praia. Dentro da garrafa, não havia um pedido de socorro, mas um aviso: salve-se quem puder. A crise econômica mundial era para ser apenas um problema dos norte-americanos. A globalização, porém, se encarregou de contaminar os quatro cantos do mundo com ela. Países que se encontravam debilitados ficaram imediatamente “gripados”. Quem estava com sua economia fortalecida, escapou da doença, pelo menos por enquanto. Todos, porém, correram em busca de remédios. Nossa reportagem de capa mostra como Itália e Brasil estão enfrentando a crise. Lá, os prognósticos para 2009 não são dos melhores. Há quem fale em recessão. Aqui, o quadro é bem diferente. Empresários acreditam que o próximo ano terá, inclusive, crescimento. Os índices, porém, tendem a ser mais modestos. Como várias reportagens dessa edição mostram, as apostas no Brasil são grandes. A própria Itália aposta muitas fichas no país. Uma recente rodada de negócio, que trouxe empresários italianos para cá deixou isso claro. Mais do que nunca, uma grande integração entre os dois países se mostra importante. Coincidência ou não, a tão esperada visita oficial do presidente brasileiro à Itália será feita exatamente neste momento. Nesta edição, mostramos algumas cartas que devem ser colocadas na mesa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em jogo, uma maior participação do Brasil no G8, grupo formado pelos países mais ricos do planeta. A Itália preside o G8 em 2009. Ainda em termos de integração entre os dois países, um destaque desta edição é nosso suplemento especial, o Via Expressa. Nele damos todos os detalhes a respeito da missão empresarial e cultural chefiada pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ao Piemonte. Há, também, outros tipos de integração que mostramos. Uma de nossas reportagens apresenta o jogador brasileiro que integra a seleção italiana de futebol. Em outra, mostramos como a máfia italiana vai inspirar uma nova novela a ser produzida pela televisão brasileira. Mostramos ainda os artistas italianos que fazem parte da 28ª Bienal de São Paulo e herdeiros de ícones do cinema da Itália que escolheram o Rio de Janeiro Pietro Petraglia Editor como cenário para um filme. São eles o ator Christian De Sica, filho do diretor Vitorio De Sica e Luigi De Laurentiis, neto e homônimo do grande produtor italiano que segue a mesma profissão do avô. Um dos destaques da edição é a entrevista com Giorgetto Giugiaro. Aos 70 anos, o italiano foi eleito Designer Automotivo do Século. A revista também conta a história de Roberto Saviano. De autor desconhecido, ele se tornou o inimigo número 1 da máfia italiana por conta do seu livro, Gomorra. A obra se tornou um best-seller e virou filme candidato ao Oscar. Saviano, porém, continua jurado de morte. A destacar, uma despedida. Está prestes a voltar para a Itália, o cônsul geral da Itália no Rio de Janeiro, Massimo Bellelli. Apaixonado pela cidade, foi um grande parceiro de todas as iniciativas que tivessem como objetivo promover a sua circunscrição (RJ, ES e BA) e a Itália. Desde a sua chegada, demonstrou habilidade diplomática, perspicácia, tenacidade e coragem numa missão que rendeu aos ítalo-brasileiros uma série de vitórias. Fará falta e deixará saudades. Boa leitura. La rivista ComunitàItaliana è aperta ai contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori e sprimono, nella massima libertà, personali opinioni che non riflettono necessariamente il pensiero della direzione. ISSN 1676-3220 ComunitàItaliana editorial A Suprema Corte da Itália proibiu que um casal de italianos batizasse o seu filho com o nome de Venerdì, ‘sexta-feira’ em italiano. A decisão se baseia em uma lei italiana que proíbe os pais de dar nomes considerados “ridículos ou constrangedores” aos filhos. Além disso, os juízes acreditam que o nome remete ao personagem do romance clássico Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, caracterizado por “sua subserviência e inferioridade”. Eles obrigaram os pais a rebatizar a criança de Gregório, nome do santo homenageado no aniversário da criança. Inconformados, os pais disseram que continuarão a chamar a criança de Venerdì. Mais, se tiverem um próximo filho vão chamá-lo de Mercoledì, ou seja, ‘quarta-feira’. Com fome Mulherio Q uatro chefes da Camorra, detidos em uma prisão na Sicília, tentaram subornar um agente penitenciário para que ele lhes trouxesse lagosta, caviar, mozzarella de búfala, champanhe e outras iguarias para as suas celas. Os mafiosos haviam prometido ao guarda uma compensação financeira e 1,5 mil euros por mês. O plano deu errado, pois o agente, ao invés de colaborar com os criminosos, delatou o suborno à Justiça. Divulgação Diretor: Julio Cezar Vanni 8 Sexta-feira, não oi arquivado o inquérito sobre a autenticidade dos Brunello di Montalcino. Com isso, foram liberadas as garrafas da safra 2003 das adegas Antinori, Frescobaldi e Castello Banfi. A investigação, que durou oito meses, foi solicitada pelo Governo americano com a ameaça de bloquear as importações. Há, porém, uma ressalva. O Procurador suspeita que não era respeitada a regra estabelecida para o produto, que obriga os produtores a utilizar somente uvas 100% sangiovese. Cúmplices na safra passada, como foi aquela de 2003, os produtores foram acusados de ter usado partes de outras variedade de uvas na produção dos sagrados Brunellos. Ajudinha extra O governo italiano está considerando conceder incentivos fiscais para a aquisição de automóveis e aparelhos domésticos. A informação é do ministro da Indústria, Claudio Scajola. Segundo ele, o governo de centro-direita está avaliando a ação “para dar nova força ao mercado de veículos, paralisado por toda a Europa, e também o mercado de utensílios domésticos”. Rapidinhas ● Um almoço reuniu no restaurante O Sarracino, em Minas Gerais, os presidentes da Câmara Ítalobrasileira, Giacomo Regaldo, da Brasil-Alemanha, Hans Kampik da Câmara Portuguesa, Fernando Meira e o vice-presidente da Câmara França-Brasil, Vincent Reignier. A conversa era sobre projetos em comum para o próximo ano. A Expo 2015 em Milão será a primeira, na história das exposições mundiais, a ter um pavilhão totalmente dedicado às mulheres. Isso foi acertado pela prefeita da cidade, Letizia Moratti, a diretora para a África e o Oriente Médio do Banco Mundial (Bird), Ngozi Okonjo-Iweala e, a vice-presidente do Senado Italiano, Emma Bonino. Elas se comprometeram a viabilizar projetos de cooperação internacional articulados sobre temas de nutrição e das mulheres. Futebol de base P or 500 metros e 20 segundos, o sonho do Brasil em voltar a ter um campeão mundial de Fórmula 1 teve de ser adiado. Aclamado como novo ídolo do esporte no país, o piloto da escuderia italiana Ferrari, Felipe Massa, cumpriu sua missão e venceu o Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos. Mas, por um ponto, o troféu de melhor do mundo foi para o inglês Lewis Hamilton, da McLaren. No campeonato mais disputado dos últimos anos, no entanto, o ítalo-brasileiro provou que sabe dosar técnica, emoção e audácia. Ano que vem promete! ● José Viegas Filho é o novo embaixador do Brasil na Itália. Assume no lugar de Adhemar Gabriel Bahadian. Viegas Filho já ocupou o mesmo cargo na Dinamarca, no Peru, na Rússia e na Espanha. ● Nova Friburgo agora tem um vice-consulado Honorário da Itália. Fica na Praça das Co- lônias e a inauguração contou com a presença do cônsul no Rio Massimo Bellelli. ● Morreu: Aos 84 anos, o milanês Ítalo Bianchi radicado no Brasil e cuja história se confunde com a maturidade da publicidade nacional. Na Companhia Cinematográfica Vera Cruz, Bianchi atuou como cenógrafo A Roma terá no Brasil uma clínica de futebol. Será voltada para crianças entre 8 e 14 anos. Entre os dias 14 e 20 de dezembro, em Barra do Piraí (RJ), 60 crianças terão treinamento focado na rotina de um jogador. Os melhores podem vir a ser aproveitados nas categorias de base do clube. O preço, porém, é salgado: 1,6 mil reais por criança. e diretor de arte até 1954. No jornal O Estado de S.Paulo, foi diretor de arte e, inspirado por Umberto Eco, montou um estúdio de comunicação visual e criação publicitária em Recife. Foi nesta cidade que expôs suas obras na Galeria Ranulpho e veio a falecer. Bianchi deixa mulher e cinco filhos. Entretenimento com cultura e informação / Novembro 2008 Novembro 2008 / ComunitàItaliana 9 opinião serviço agenda Michelangelo em SP Até dia 30 de novembro, uma exposição composta por 25 peças provenientes da Gipsoteca dell’Istituto Statale d’Arte de Florença está em cartaz no Mube. Estátuas, bustos e relevos em gesso, que retratam tanto a escultura clássica quanto a produção de Michelangelo, ilustram o percurso da escultura antes e depois do grande artista. Dois desenhos originais provenientes da Casa Buonarroti de Florença e painéis cenográficos de Aurelio Amendola devolvem ao visitante o esplendor dos estudos dos nus desenhados pelo grande mestre “Non sono sorpreso della crisi finanziaria mondiale, visto che episodi come questo sono stati presenti lungo tutta la storia umana. Però, nel Medioevo, gli usurai e i finanzieri che si comportavano male erano messi in galera”, Dario Fo, scrittore e drammaturgo italiano. “È chiaro che la sua principale qualità non è la sua bellezza, ma quello che è, quello che dice, quello che pensa. Amo la sua maniera di essere madre. Pochi modelli di coppia funzionano e noi cerchiamo di fare qualcosa. Non è un obbligo vederci tutti i giorni, ma quando stiamo insieme, ci stiamo veramente”, Vincent Cassell, attore francese, parlando dell’attrice Monica Bellucci, con chi è sposato dal 1999. “Forse dopo un allenamento lo lascerò guidare la mia Yamaha per farsi qualche giro”, Valentino Rossi, motociclista italiano, dopo aver ricevuto elogi dall’attore nordamericano Brad Pitt. Adriano, calciatore brasiliano dell’Inter di Milano parlando della rapina nella sua casa, in Italia. enquete Governo italiano quer criar turmas exlusivas para crianças imigrantes nas escolas. Você concorda? Não – 62,5% Sim – 82,4% Não – 71,4% Sim – 37,5% Não – 17,6% Sim – 28,6% Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 14 a 17 de outubro. Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 17 a 21 de outubro. Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 24 a 29 de outubro. ERRATA: Na reportagem “O fiel da balança” publicada na edição 124, a identificação correta da foto à direita é Maria D’Assunção Costa, diretora presidente do Instituto Brasileiro de Estudos do Direito da Energia (IBDE) e não Ruth Lunardelli 10 ComunitàItaliana / Novembro 2008 Curso para estrangeiros Professores e outros profissionais interessados em ministrar aulas ou palestras em italiano para adultos de diferentes nacionalidades terão a oportunidade de aprender a língua em Siena. A Universidade para Estrangeiros de Siena oferece o curso “Conteúdo, Método e Abordagem do ensino de italiano para adultos estrangeiros”. As inscrições podem ser feitas até 15/12. O curso tem duração de 12 meses. Para mais informações acesse: www.unistrasi. it ou pelo telefone: (39) 0511240115. click do leitor Santa Teresa – viagem no tempo 1873/2008. Para quem curte uma bela história de família, o livro da pesquisadora Sandra Gasparini é um prato feito. A publicação também vai agradar a todos que simplesmente desejam saber sobre o contexto econômico, político e social de uma geração, neste caso, a dos italianos que começaram a habitar a cidade capixaba no final do século 19. A partir de imagens e símbolos da preservação da identidade italiana na região, Sandra fala sobre construções, moda, decoração e culinária, o que permite uma bela viagem ao passado. 280 páginas. Informações: (27) 3223-5934 / [email protected] “Sono andato via da Rio per essere derubato in Italia”, Ilary Blasi, moglie del calciatore italiano Totti, parlando dei supposti affair dell’idolo della Roma. Polícia italiana patrulhará com carros apreendidos da máfia. É uma atitude correta? Coral em SC Festival promovido pela Associação Coral de Criciúma e pela Fundação Cultural de Criciúma, com o apoio do Comitato delle Associazioni Venete per lo Stato di Santa Catarina (Comvesc), terá a participação de dois corais italianos: o Coro Stelutis di Bologna e o Coro Monte Pasubio di Rovigo. Além de usar o palco do Teatro Elias Angeloni, as apresentações ocuparão as ruas, praças e empresas de Criciúma, a fim de levar o canto coral a todas as classes sociais da região. De 26 a 29 de novembro. A entrada é franca. Informações: (48) 3437- 4928 ou (48) 3430-0682. na estante “Sono la donna più cornuta d’Italia”, Berlusconi quer ser presidente após 2013. Você acha uma boa opção para a Itália? florentino. De segunda a domingo, das 10h às 19h. Local: Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), Rua Alemanha 221, Jardim Europa. Informações: (11) 2594-2601 / 3081-8611 e www.mca.org.br “E m outubro do ano passado, viajei pela Europa. Conheci a Grécia, a França, a Holanda, a Inglaterra e, claro, a Itália. Visitei os principais pontos turísticos do país. Fui a Roma, Veneza e não poderia deixar de registrar esta foto no Lago di Como, na Lombardia. Um ano já se passou e não vejo a hora de poder fazer esta viagem de novo.” O efeito Médici. Repleta de histórias sobre interseções entre campos como ciência, negócios, arte e política, a obra de Frans Johansson aborda a importância de romper barreiras associativas e avaliar problemas sob novas perspectivas. O livro toma a notável evolução artística e cultural proporcionada pela família de banqueiros Medici no Renascimento italiano para explicar os encontros inovadores que regem o mundo. Os “objetos” de análise do autor são uma equipe de pesquisadores, um chefe de cozinha e um engenheiro. Em comum, eles têm a natureza criativa de suas idéias e o modo como a tornaram possíveis. BestSeller, 25 reais, 280 páginas. Clarissa Sena, Niterói, Rio de Janeiro, por e-mail Mande sua foto comentada para esta coluna pelo e-mail: [email protected] cartas “V Arquivo pessoal frases enho, por meio deste e-mail, manifestar o meu descontentamento a respeito dos consulados italianos deste país. Sou brasileiro e filho legítimo de italiano. Dei entrada no requerimento há mais de cinco anos e até agora nada. Enviei um e-mail para o governo italiano para eles tomarem providências cabíveis sobre este assunto”. Marcos Antônio Tadeu Ruggiero – Santos – SP – por e-mail “Q ue bom constatar que um dos grandes ícones do cinema italiano, Paolo Taviani, continua ativo além de demonstrar simplicidade mesmo sendo genial. Apesar do atual renascimento italiano, não creio que surjam outros diretores tão bons quanto aos que fizeram a verdadeira escola do cinema italiano do qual Taviani é um dos mestres”. Felipe M. de Albuquerque – Belo Horizonte – MG – por e-mail Novembro 2008 / ComunitàItaliana 11 Opinione Opinione Franco Urani Ezio Maranesi [email protected] La straordinaria vicenda africana del finanziere francese Vincent Bolloré Nonostante il generale afropessimismo, investe da 20 anni in infrastrutture per aprire al mondo i commerci del continente nero A ll’Africa che cresce, si sviluppa, entra nel processo di globalizzazione specie come importante fornitrice di materie prime, Vincent Bolloré – parigino, 55 anni, da tempo grande amico del Presidente francese Sarkozy – vi crede da 20 anni, investendovi sistematicamente una buona parte dei cospicui capitali della sua impresa (tra l’altro, Bolloré è associato al carrozziere torinese Pininfarina per la realizzazione di una vettura elettrica d’avanguardia, con autonomia di 200 Km.) La sua concezione è di non coinvolgersi politicamente con i perlopiù corrotti regimi locali, di tenersi lontano dai ricorrenti e spesso interminabili conflitti, di non dedicarsi direttamente ad attività minerarie, puntando invece ad investire strategicamente nel ripristino e potenziamento delle infrastrutture dell’antica Africa francese e, più recentemente, anche di quella inglese e portoghese in porti, depositi, docks, ferrovie, logistica, servizi di supporto all’estrazione mineraria, cioè nelle infrastrutture indispensabili perché le materie prime locali possano diventare ricchezza. Si tratta di una nuova geografia economica che sta cambiando il continente, riassumibile in 6 porti controllati e 3 in prepara- 12 zione, 3 ferrovie in concessione ed una (la Gibuti – Addis Abeba) in trattativa, presenza in 42 paesi con 5 milioni di m² di installazioni e 17.000 dipendenti, un volume di affari che nel 2007 è stato di 1,6 miliardi di euro. Inoltre, al post-colonialismo africano, di cui Bolloré è stato pioniere, collaborano sempre più attivamente i cinesi affamati di materie prime, in grado di operare cospicui investimenti con gli ingenti saldi esportativi e che condizionano le loro attività al trasferimento di personale dirigente proprio che possa agire in termini manageriali autonomi. In altre parole: i governi inefficienti e corrotti guadagnano con le imposte, con l’occupazione di crescenti masse proletarie, con la ComunitàItaliana / garanzia che i prezzi d’esportazione saranno quelli internazionali; un passo quindi fondamentale rispetto all’antico colonialismo basato sulla sola esportazione delle materie prime a prezzi irrisori ed allo sfruttamento delle masse proletarie locali. Parallelamente, prospettive favorevoli si aprono per i paesi produttori di petrolio, specie la Nigeria e il nord Africa, e per quelli in cui vi siano le condizioni per coltivazioni energetiche, specie l’Angola, i cui prezzi sono in crescita nonostante le grandi oscillazioni di questo periodo di incertezze. Ero stato in Etiopia circa 5 anni fa rilevandovi una miseria Novembro 2008 senza speranze. Ma anche lì le cose stanno cambiando, sia pure in modo distorto. La capitale Addis Abeba è diventata sede di grandi speculazioni immobiliari come le metropoli del Sudamerica, per motivi non facilmente comprensibili, forse ricercabili nel mondo che si globalizza, che si muove, che scommette sullo sviluppo di nuove aree del nostro conturbato pianeta. Speriamo che, di pari passo, si verifichi in Africa la stabilizzazione della popolazione esplosa negli ultimi decenni, un periodo di pace duraturo, una certa moralizzazione politica. Immigrazione illegale Le leggi italiane sono così inique? N el luglio scorso l’Unione Europea ha emesso una legge che regola l’immigrazione nei paesi della Comunità. I 27 paesi membri dovranno adattare la loro legislazione a questa norma entro il 2010. La legge prevede l’espulsione dell’immigrante clandestino; potrà essere concessa la residenza per motivi umanitari. La nuova norma ha molti elementi in comune con l’attuale legislazione italiana in materia, retta dalla legge “Bossi-Fini” e dal recente decreto sulla sicurezza. La legge ha suscitato reazioni in vari paesi. In Sudamerica, il presidente Lula ha parlato di xenofobia e di paura di perdere il posto di lavoro, il presidente Chavez ha parlato di umiliazioni ed ha minacciato rappresaglie nei confronti dei paesi europei. Il problema però è ben più complesso: da un lato l’Europa ha bisogno della forza-lavoro degli immigrati; per contro, deve affrontare i problemi di sicurezza, di integrazione e di necessità di infrastrutture creati dalla mas- siccia immigrazione di milioni di esseri umani culturalmente così diversi e, quasi sempre, privi di qualsiasi qualificazione professionale. Il fenomeno immigratorio va quindi regolamentato. Non si può realisticamente pensare che l’Italia spalanchi le porte a chiunque decida di vivere nel Bel Paese. Il Brasile, paese di cui noi emigrati siamo ospiti, ha la sua legge: la n. 6815 del 1980, regolamentata dal decreto 86715 del 1981. È una legge equilibrata, rigida nel modo giusto e sancisce, come la norma italiana, che l’immigrato clandestino sia deportato o espulso (artt. 56 e 124 comma I). Egli non può svolgere attività remunerate (art. 97) e la legge prevede pene a per chi gli dà lavoro (art. 124 comma VII). Prevede anche la rilevazione delle impronte digitali degli immigrati che ottengono la residenza (art. 58 del regolamento) così come di tutti i cittadini brasiliani, nonché la possibilità di vietare l’ingresso al paese a stranieri affetti da determinate malattie o che non dimostri di avere i mezzi di sussistenza per restare nel paese (art. 51 e 21 del regolamento). Lo straniero inoltre non può esercitare attività di natura politica (art. 106). Non mi sembra che questa legge sia particolarmente severa; essa è inoltre legge del paese che ci ospita e non spetta a noi criticarla. Dobbiamo solo osservarla. Magari fosse così in Italia. Le leggi esistono, e non sono molto dissimili dalla norma brasiliana, ma la magistratura e il buonismo di sinistra non permettono siano applicate. Vedasi per esempio: entrambi i sistemi prevedono la deportazione dell’immigrato illegale. Entrambi i paesi sono però molto tolleranti su questo punto. In Italia vi sono 3 milioni di immigrati, in buona parte illegali. Oltre 700.000 illegali lavorano; gli altri vivono di espedienti, leciti o illeciti. Se gli immigrati rappresentano il 5% della popolazione, nelle carceri 40 reclusi su 100 sono immigrati. È un fenomeno intollerabile ma comprensibile: l’immigrato senza lavoro e senza alcuna professionalità può essere tentato per sopravvivere a praticare il crimine. Lo spaccio della droga è praticamente in mano agli immigrati. Roventi critiche della sinistra hanno accolto la norma che prevede la rilevazione delle impronte ai “rom”: nessuno di noi si è mai sognato di sentirsi umiliato quando la Polizia Federale brasiliana ha rilevato le nostre. In Brasile, 100 anni fa, sono sbarcati milioni di immigranti, provenienti da molti paesi europei. Il Brasile stesso incentivava questo esodo: c’era bisogno di braccia. Quegli immigrati hanno contribuito a fare il Brasile di oggi. In Italia sbarcano migliaia di immmigrati; in agosto oltre 15.000. Provengono da paesi poverissimi, in particolare africani, su barche rattoppate. Spesso la Marina italiana li salva dal naufragio e li porta a riva, come è giusto che sia. Questi poveretti, immigranti illegali, non tolgono il posto di lavoro a nessuno. Secondo la legge dovrebbero essere espulsi, ma in realtà non si riesce a farlo e restano nel paese, dando origine a infiniti problemi. Noi immigrati in Brasile abbiamo sempre accettato le regole di convivenza di questo paese. Gli italiani vorrebbero che gli immigrati in Italia accettassero le regole di convivenza della nostra terra e non imponessero la loro, come troppo spesso avviene. Opinione notizie / articolo Fabio Porta Crisi? Diplomatico, ma non troppo… A mbasciatori e Consoli non godono normalmente di una buona fama; il loro mestiere è solitamente associato a benefici e privilegi, e molto raramente al loro complesso compito istituzionale. Questo vale per i diplomatici di tutti i Paesi; nel corso di questi anni ne ho conosciuti molti, potendone apprezzare in alcuni casi le doti umane e la competenza, anche se a volte mi sono trovato a contestarne la superficialità o l’eccessivo distacco dalla comunità. Qualche mio collega pensa che compito dei parlamentari eletti all’estero sia quello di nominare o dimettere Consoli o Ambasciatori, confondendo il potere esecutivo (del governo) con quello legislativo (del Parlamento). Credo di avere ben chiaro il mio ruolo, che in questo caso non è molto diverso da quello dei cittadini che mi hanno eletto e che rappresento in Parlamento: cittadini italiani, quelli residenti in Italia e quelli che vivono all’estero; cittadini che hanno il dovere di rispettare le leggi dello Stato italiano, ma che hanno il diritto di poter usufruire di servizi efficienti ed adeguati. È per questo che i diplomatici, per chi vive all’estero, sono così importanti. Sono loro i responsabili diretti di tali servizi, e in questo senso ci permettiamo di criticarne – in positivo o in negativo – il loro operato e quello delle strutture che gestiscono. 14 L’ultima volta che - sulle colonne di un giornale – mi sono rivolto ad un diplomatico, l’ho fatto per denunciare la gravità di certe sue affermazioni relative alla nostra comunità e per invitarlo ad essere più attento all’integrazione dei servizi consolari con il sistema costituito da Associazioni, Comites e Patronati. Adesso vorrei fare il contrario, utilizzando le poche, ma autorevoli, righe di una rivista per rendere il giusto e dovuto omaggio ad un diplomatico che, purtroppo e (speriamo) temporaneamente, ci lascia per assumere altri importanti incarichi. Sto parlando del Console Generale d’Italia a Rio de Janeiro, Massimo Bellelli, che dopo i canonici quattro anni di incarico lascerà il Brasile per rientrare in Italia. Ho conosciuto Massimo Bellelli qualche anno fa, poco tempo dopo il suo insediamento nella bella e centrale sede consolare della “cidade maravilhosa”. Fui subito sorpreso dal suo piglio deciso e dal suo discorso per nulla “diplomatico”; ossia, dai suoi pochi giri di parole per trattare un argomento e soprattutto dalla sua capacità di vedere e interpretare le cose ‘dal lato della comunità italiana e italobrasiliana’. Direi di più: ciò che mi colpì fu il suo sano pragmatismo, così poco comune tra i suoi colleghi diplomatici, spesso più inclini a individuare gli impedimenti che le soluzioni di fronte agli innumerevoli problemi cui si trova quotidianamente di fronte la nostra grande collettività. ComunitàItaliana / Roberth Trindade Massimo Bellelli, Console Generale d’Italia a Rio de Janeiro, lascia il Brasile dopo quattro anni di importanti realizzazioni. La ‘saudade’ della comunità italiana e brasiliana per un console… “differente” A conclusione del nostro primo incontro che, come sempre (lo avrei scoperto dopo) si prorogava ben oltre i 15-20 minuti delle normali visite protocollari, il Console d’Italia a Rio mi invitava a conoscere da vicino il Consolato, accompagnandomi in tutte le stanze e in tutti gli uffici dove si svolgeva il lavoro consolare e dove veniva ricevuto il pubblico. Era visibile la soddisfazione del Console nel mostrarmi la sala d’attesa, dove i nostri concittadini potevano assistere alla televisione italiana sorseggiando un buon caffè e leggendo una rivista (entrambi, ovviamente, italianissimi!). Il Bellelli del mio primo incontro si è così rivelato il Console di tutti gli italiani: delle persone semplici che chiedevano al Consolato un piano di assistenza socio-sanitaria adeguato ai loro bisogni, spesso drammatici; ma anche degli imprenditori italiani e brasilia- Novembro 2008 ni, che si rivolgevano al Consolato per rafforzare l’internazionalizzazione delle loro imprese. Il Console amico del Comites e della grande collettività italiana degli Stati di Rio de Janeiro, Espìrito Santo e Bahia; ma anche il riferimento attento e disponibile delle autorità brasiliane, che hanno sempre trovato in lui un interlocutore serio e sensibile. Alcune realizzazioni del Console Massimo Bellelli sono più eloquenti di tanti discorsi di circostanza: mi riferisco alla completa e utilissima “Guida Consolare” ideata dallo stesso Bellelli e divenuta uno strumento essenziale per chiunque voglia conoscere da vicino e in maniera semplice e diretta la realtà brasiliana e l’articolata rete di servizi esistente a favore dellà comunità italiana. Ma penso anche alla ormai tradizionale “Festa Italiana” che, in occasione del 2 giugno, anima per tre giorni le strade adiacenti al Consolato ‘popolarizzando’ la commemorazione della “Festa della Repubblica Italiana”, avvicinando le istituzioni alla comunità del nostro Paese che qui risiede, ma anche alla popolazione locale. Due iniziative che forse meglio di altre esprimono la grande intuizione e sensibilità di questo bravissimo diplomatico: aver capito che gli italiani e gli italo-brasiliani costituiscono davvero, e non in forma retorica, una risorsa per il nostro Paese, e lavorare quindi in maniera conseguente. Arrivederci, Console Massimo, anzi: Até logo! La finestra L a Vale ha annunciato, in ottobre, che vuole investire 14,2 miliardi di dollari nelle sue operazioni nel 2009. Ciò significa un aumento del 30% in confronto a quanto è stato investito quest’anno. L’industria metallifera ha fatto sapere che la cifra coinvolge 30 progetti in perlomeno sette paesi. Il Brasile riceverà il 70% del totale degli investimenti. La meta dell’impresa è di produrre, in un periodo entro 5 e 7 anni, 500 milioni di tonnellate di minerale di ferro, 450mila tonnellate di nichel, 8,2 tonnellate di allumina. Elettricità L a centrale di Itaipu va avanti, nel 2009, per battere il suo stesso record di produzione annuale di energia. Deve superare la quota di 95 milioni di MWh. Fino ad allora, la sua migliore quota era stata registrata nel 2000, quando ha prodotto 93,4 milioni di MWh. Pulizia U na “barca ecologica” sarà usata dal governo dello stato di Rio de Janeiro per ripulire dai rifiuti la Baia da Guanabara. Il Limpia ha previsto l’inizio delle operazioni per questo mese. Sarà usato per fare la raccolta di residui solidi che si incastrano nelle eco-barriere installate alla foce dei fiumi. Circa 80 tonnellate di rifiuti vengono gettati tutti i giorni nella Baia. La barca è la prima in Brasile mossa a gas naturale. Ha autonomia per due viaggi intorno alla Baia. L’imbarcazione può raccogliere fino a cinque tonnellate di rifiuti ogni viaggio. I residui solidi sono raccolti da un nastro caricatore frontale e mantenuti in due containers. Visto che la raccolta è automatica, gli operatori dei nastri non entrano in contatto con i rifiuti raccolti dai fiumi. Inoltre, il Lìmpia presenta una gru della capacità di mezza tonnellata e un cannone d’acqua ad alta pressione. Ancora sporco D ati divulgati dal ministero dell’Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) rendono noto che, tra il 2000 e il 2006, i settori che hanno maggiormente contribuito alla crescita delle esportazioni degli affari agricoli sono stati quello delle carni (23,2% dell’aumento assoluto delle vendite all’estero) e quello dello zucchero/alcol (22,7%). Però, secondo rilevamenti della Comissão Pastoral da Terra (CPT), il 56% dei casi registrati di lavoro schiavo in Brasile, tra il 2003 e il 2006, si sono avuti negli allevamenti. Del totale dei lavoratori liberati dalla schiavitù contemporanea, durante lo stesso periodo, il 40% facevano attività legate all’allevamento bovino e il 10% è stato riscattato dalle piantagioni di canna da zucchero. La maggior parte dei casi si è avuta nella regione Centro-Ovest del paese. Dal 2003, il ministero del Trabalho e Emprego (MTE) attualizza ogni sei mesi un registro di infrattori chiamato lista sporca del lavoro schiavo. Daniele Mengacci [email protected] Oportunità!? U n ammirevole Mondo Nuovo sembra profilarsi all’orizzonte, dalle crisi nascono le opportunità e così potrebbe essere, se i governanti del Mondo Occidentale saranno attenti ai messaggi che la grande crisi sta mandando a loro e all’opinione pubblica. Il più forte, e già accettato, è quello della necessità di una riforma totale del sistema finanziario internazionale e delle sue regole, che ponga al riparo l’economia reale dagli eccessi di voracità degli speculatori e dalla troppa disinvoltura con cui le banche trattano i depositi dei clienti. Giustamente, George Bush ha deciso di convocare un vertice internazionale per affrontare la questione dopo le elezioni, in modo che il nuovo presidente possa già, in attesa dell’investitura ufficiale, intendere la situazione, le sue tendenze e le proposte di soluzione, a cominciare da quella francese, anche se recentemente silurata dal governo tedesco. Una Orda d’Oro, composta da banchieri e finanzieri arabi che, nonostante la crisi che ha colpito anche loro, dispone di attivi per circa duemila miliardi di euro, si sta muovendo per conquistare terreno nell’economia reale europea. Lo strumento con cui operano si chiama Fondo Sovrano. Si tratta di strumenti finanziari creati dai propri governi o banche centrali arabe, e si muovono non solo a scopo di profitto ma anche con intento politico. La loro creazione ha un che di ironico: i fondi glieli abbiamo forniti noi comprando petrolio e ma- Novembro 2008 / nufatti, e adesso loro vogliono le nostre migliori aziende. Destinati all’acquisizione di partecipazioni nei migliori attivi europei, in Italia sono già presenti con il fondo libico Mubadala, che detiene il 4,2 % di Unicredit, vuole arrivare al 5% e rivendica una vice presidenza, assumibile dal Governatore della Banca Centrale libica, Farhat Omar Bengdara. Mubadala già possiede il 5% della Ferrari e il 35% della Piaggio aeronautica e vorrebbe Telecom, ma non c’è accordo sul prezzo. Se fosse in vendita comprerebbe l’ENI per 46 miliardi di euro, tanto vale sul mercato lo strategico ente petrolifero nazionale. Il Cav. Berlusconi, ben conscio della devastazione che un’azione totalmente libera di questi fondi potrebbe causare alla nostra economia, ha già dichiarato che la loro partecipazione nelle nostre aziende non potrà superare il 5%, e sono state smentite le voci per cui il fondo di Abu Dhabi stava negoziando una partecipazione nel nostro gioiello del settore degli armamenti, la Finmeccanica. La crisi ha anche dimostrato che, nonostante i teorici dell’economia e certi enunciati dei programmi di alcuni partiti politici annuncino il libero mercato, nella realtà pratica questo non esiste. Il capitalismo, quando genera per una sua propria perversione una crisi che non riesce a risolvere autonomamente, chiede aiuto allo Stato, che non può negarlo in ragione del noto ricatto: “ se io banca fallisco brucio i risparmi di centinaia di migliaia di clienti”. Così è successo con le vicende Parmalat, Argentina e precedentemente in Brasile con il Proer, durante il primo governo di Fernando Henrique Cardoso. ComunitàItaliana Divulgação [email protected] 15 Sob nova direção Em outubro, brasileiros elegeram novos prefeitos e vereadores, em todo o país. Em Rondônia, a cidade de Cacoal terá um prefeito italiano O Sílvia Souza e Sônia Apolinário governador fluminense Sérgio Cabral ampliou seus domínios políticos também para o município do Rio de Janeiro. Seu exsecretário de Turismo, Eduardo Paes (PMDB), é o novo prefeito dos cariocas, eleito no mês passado. Assim, ele passa a “controlar” dois orçamentos que somam 47 bilhões de reais por ano. Com a vitória de Paes sobre Fernando Gabeira (PV), foi dado o primeiro passo de uma futura candidatura de Cabral à presidência da República, em 2010. A ex-governadora do estado, Rosinha Garotinho (PMDB), também voltou ao poder. Ela se elegeu prefeita de Campos, seu berço político. Além disso, a filha Claris- 16 sa conquistou uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) foi reeleito prefeito da maior cidade do país. Sua vice é a ítalo-brasileira Alda Marco Antonio. Ela é uma das fundadoras da seção brasileira da Unione Italiani nel Mondo, da qual é a atual vice-presidente. Em Minas Gerais, o governador Aécio Neves também conseguiu levar seu candidato Márcio Lacerda (PSB) à prefeitura de Belo Horizonte. Neves é outro nome cotado para disputar a presidência nas próximas eleições. Em Manaus (AM), o novo prefeito é Amazonino Mendes (PTB). Dário Berger (PMDB) foi reeleito em Florianópolis (SC) enquanto Jo- ComunitàItaliana / Da cadeia Na cidade do Rio de Janeiro, Carminha Jerominho, depois de passar 40 dias num presídio de segurança máxima, teve uma comemoração dupla. A liberdade e a vitória nas urnas com mais de 22 mil votos. Ela havia sido presa na Operação Voto Limpo da Polícia Federal. A família da futura vereadora é acusada de comandar uma milícia que controla favelas e cooperativas de transporte na Zona Oeste da cidade. O pai, Jerominho, também é vereador e o tio, Natalino Guimarães, deputado estadual, e o irmão, ex-policial militar, continuam presos. Em todo o Brasil, dos Eduardo Paes Padre Franco sé Fogaça (PPS) terá mais quatro anos à frente da prefeitura de Porto Alegre. Vitória (ES) também reelegeu João Coser (PT). 75 vereadores que tinham algum problema com a Justiça, 37 foram eleitos ou reeleitos. Itália? A cidade de Cacoal, em Rondônia, tem um prefeito italiano de nascimento e brasileiro de coração. Em sua estréia no mundo político, o padre comboniano Francesco Vialetto foi eleito com 60,75% dos votos, o que representa a opção de 24.601 eleitores num total de 43.408 votos válidos. Assumirá o cargo no dia 1º de janeiro disposto a estender a todo o município um trabalho missionário que tem como principal vitrine os feitos para a construção do hospital no bairro Eldorado. Padre Franco, como é conhecido, foi apresentado aqui na Comunità na edição 123, que também trazia os ítalo-brasileiros Walter Mussolini, João Batista Bianchini, o “Italiano” e, Enelvo Felini. Eles concorriam nas cidades de Maria da Fé (MG), Bebdouro (SP) e Sidrolândia (Mato Grosso), mas não conseguiram se eleger. Novembro 2008 Empate No município mineiro de Dom Cavati, a eleição terminou empatada. Segundo a legislação eleitoral, em casos assim, o candidato mais velho é declarado vencedor. Resultado: Jair Vieira (DEM) venceu Pedro Euzébio Sobrinho (PT). Eles tiveram 1.919 votos cada. E segundo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a diferença por um voto foi decisiva nas cidades de São Martinho (RS), Saldanha Marinho (RS), Jussara (PR), Nazaré (TO) e Arantina (MG). Questão de nome Vários candidatos se apresentaram com nome de jogadores de futebol. Assim, assumem, em vários pontos do país, 19 Pelés, dois Garrinchas, um Taffarel e cinco Dungas. Já os seis candidatos que usaram o nome Bin Laden, terrorista mais procurado do mundo, e os quatro que utilizaram Obama, candidato à Presidência dos EUA, fracassaram nas eleições deste ano. política Agora vai Presidente Lula vai à Itália em sua primeira visita oficial, na nova era Berlusconi D epois de um ano de planejamento e mudanças na agenda, chegou a hora. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Roma no dia 10 de novembro para sua primeira viagem oficial à Itália, desde que Silvio Berlusconi voltou ao cargo de primeiro-ministro. Será, porém, a terceira vez, somente este ano, que os dois se encontrarão. Eles estiveram juntos na reunião da FAO e na cúpula do G8, no início do segundo semestre. Da programação, é possível que faça parte uma visita ao presidente Giorgio Napolitano. Lula também pode ir a Milão para participar de um seminário sobre a infra-estrutura da América Latina, que contará com a Sílvia Souza Ricardo Stuckert/PR política presença de autoridades dos governos da América do Sul e América Central, além de empresários italianos. Em um momento de crise econômica, nada melhor que fortalecer os laços com nações parceiras. Ainda mais depois que o primeiro ministro italiano sinalizou a intenção de aumentar a participação de países emergentes no grupo dos oito mais influentes. — Tendo a responsabilidade de presidir o próximo G8 (em 2009), ainda mais frente à crise econômica que interessa a todos os países do mundo, confirmo a vontade do G8 de dar vida com continuidade a um G14 — declarou Berlusconi, mês passado, ao inaugurar a nova sede da Fundação Itália-China, em Pequim. A viagem de Lula insere-se em um contexto de grande atenção por parte da Itália dirigida aos países da América Latina. No final de outubro, o subsecretário das Relações Exteriores da Itália, Vincenzo Scotti, visitou países da América Central. Na ocasião, destacou a “perfeita continuidade” nas relações estabelecidas pelo governo italiano anterior com a América Latina. Ele também informou que o exsubsecretário das Relações Exteriores da Itália, Donato Di Santo, foi nomeado pelo chanceler Franco Frattini para integrar o comitê da IV Conferência sobre a América Latina, prevista para outubro de 2009. O evento será dedicado à cooperação entre a Itália e países latino-americanos nas áreas de infra-estrutura, energia, pesquisa e pequenas e médias empresas. — De 40 empresas italianas no exterior, quase metade do faturamento é proveniente de negócios feitos na América Central e do Sul — observou Scotti. política Uniti nella protesta Moção aprovada pela Câmara dos Deputados dá o primeiro passo para isolar crianças italianas de crianças imigrantes, dentro das escolas N Janaína Cesar Correspondente • Treviso 18 dava sinais positivos em relação à integração” de italianos e estrangeiros. Segundo ele, a moção pode vir a representar “anos de trabalho de inserção e didática escolar que serão praticamente anulados”. Para Fasino, a moção representa uma “regressão cultural que, além de produzir um clima de discriminação, fará da escola um ente formador de discriminação entre as próprias crianças”. A proposta causou perplexidade até na centro-direita. O prefeito de Roma, Gianni Alemanno, pediu uma “pausa para reflexão” e um confronto com o mundo do voluntariado e da Igreja. Até a deputada pelo Povo da Liberdade, Alessandra Mussolini, neta de Benito Mussolini, declarou que esta é uma “medida racista”. O texto da moção prevê o ingresso de crianças estrangeiras após a realização de um teste em italiano. Os reprovados são inseridos nas chamadas “classes pontes”. Além disso, estabelece que os alunos estrangeiros podem ser matriculados somente até o dia 31 de dezembro, isto é, após 4 meses do início do ano escolar. Também prevê uma distribuição dos estudantes ComunitàItaliana / estrangeiros em proporção ao número de alunos por classe – isto é, cota para alunos imigrantes. Segundo Alberto Ruperti, professor de arte do Liceo Brochi de Bassano del Grappa, no Vêneto, não existe nenhum motivo “do ponto de vista didático e educativo” para a separação das salas de aula. — A classe de inserção nada mais é do que uma classe separatista exclusiva para filhos de imigrantes. Isso reforça ainda mais o preconceito que vê na presença de crianças estrangeiras um enorme problema para o aprendizado das crianças italianas — afirma Ruperti. Reforma escolar A moção separatista faz parte do plano de reforma escolar que a ministra da educação Mariastella Gelmini está tentando fazer passar no parlamento. Além das classes separadas, a reforma prevê a volta de um único professor para o ensino primário, nota específica para comportamento (abaixo de 5, repete o ano mesmo se a média escolar for alta), a volta do uniforme, a volta de ensino de edu- Novembro 2008 vamente per marzo e giugno del 2009. La riunione del COMITES è già stata messa in agenda per Buenos Aires. Conferenza dei Giovani e proteste contro il taglio nel preventivo di spesa che riguarda gli italiani all’estero segnano la riunione dell’America Latina del Consiglio Generale degli Italiani all’Estero, realizzata a Rio de Janeiro A cação cívica, o prolongamento do tempo de utilização de livros que devem ser válidos por cinco anos e a diminuição para 24 horas semanais de ensino escolar. A reforma ainda prevê corte ao financiamento às escolas, redução do número de bolsas de estudo e demissão em massa de professores (cerca de 24 mil). Além disso, o pacote pretende cortar 17% do pessoal que trabalha nas escolas como ajudante, secretária ou cozinheira. Ao todo, estão em jogo quase 90 mil empregos, o que já abriu um duro confronto com os sindicatos. Seriam fechadas 2 mil escolas em todo o país por não superarem o número mínimo de 500 alunos. Ou seja, as salas de aulas restantes teriam turmas maiores. No próprio dia 15 de outubro, alunos, pais e professores, contrários à reforma Gelmini, acamparam durante a noite em escolas de todo o país. A Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (Cisl) e União Italiana do Trabalho (Uil), já anunciaram que farão greve geral. Enquanto isso, estudantes ocuparam as universidades de Roma, Padova, Milão, Bari, Nápoles, Aquila, Bolonha, Florença e Turim em protesto contra o pacote. Eles pregam, inclusive, a interrupção do ano escolar, enquanto a situação não estiver resolvida. ssociazionismo, collettività, assistenza sociale, elezioni nei Comitati degli Italiani all’Estero (COMITES) e nello stesso Consiglio Generale per gli Italiani all’Estero (CGIE). L’ordine del giorno preparato per l’incontro dei rappresentanti degli italiani in America Latina era lungo. Fra i tanti temi che hanno segnato l’evento, durato tre giorni a Rio de Janeiro: il taglio nel preventivo di spesa del governo italiano per gli italiani che non vivono in Italia e la Conferenza dei Giovani. Delle 424 persone tra i 18 e i 35 anni attese per l’evento, che avrà luogo il mese prossimo a Roma, l’America Latina (AL) ne invierà 154. Il “taglio”, che entrerà in vigore nel 2009, prevede una riduzione nei fondi destinati principalmente all’area di diffusione della lingua e dell’assistenza. — Dei 64 milioni di euro che noi avevamo all’estero, dovremo vivere con 32 milioni. Solo per la diffusione della lingua sono 28 milioni in meno. Nel settore della cooperazione si parla di una riduzione da 800 milioni a 350 milioni di euro, un taglio del 62%. I no- Sílvia Souza stri sforzi possono essere vanificati. Sappiamo della necessità in Italia della riorganizzazione, ma manca sensibilità ai governanti. Purtroppo i deputati che abbiamo eletto non riescono a difenderci su questo tema — dice il consigliere Claudio Pieroni, del Brasile. La speranza che questa ed altre problematiche possano risolversi concretamente affida alla Conferenza dei Giovani un ruolo importante, secondo Pieroni. Il Brasile parteciperà con 40 giovani. Di questi, 13 saranno rappresentati da giovani che sono già stati delegati in altre riunioni. La maggior parte sono stati distribuiti dall’AIRE (lista dell’occupazione italiana all’estero). Perciò São Paulo manderà 14 persone; Rio de Janeiro, sette; Porto Alegre e Curitiba, sei; Belo Horizonte quattro e Recife tre. — Con tutto ciò stiamo cercando la migliore rappresentazione possibile. Il criterio, indiscutibile per la scelta di questi rappresentanti è parlare italiano. E poi faremo una selezione secondo le varie regioni di origine in Italia, e secondo le carriere o le occupazioni — spiega Pieroni. Fotos: Roberth Trindade Salas separadas o mesmo dia em que no Brasil se comemora o dia do professor, 15 de outubro, o governo de Silvio Berlusconi instituiu medidas que podem vir a se refletir nas salas de aula da Itália. Por 256 votos a favor, 246 contra e 1 abstenção, a Câmara dos Deputados aprovou uma moção apresentada pelo partido de extrema direita Liga Norte. O texto dispõe sobre o acesso de alunos estrangeiros à escola, a partir do nível de conhecimento da língua italiana. Quem não for fluente pode ser encaminhado para uma “classe de inserção”. Na prática, isso significa italianos para uma sala, estrangeiros para outra. — Deus nos livre da idéia que possam existir classes separadas. Até agora, se trata somente de uma moção, mas se for transformada em uma proposta de lei, nós faremos de tudo para que não seja aprovada no Parlamento — afirma Walter Veltroni, presidente do Partido Democrático. Na avaliação do ministro “sombra” do Exterior, do gabinete paralelo do PD, Pier Fasino, se essa moção virar lei, o governo vai mexer “na única parte do país que politica Carla Zuppetti A parte Pieroni, i lavori a Rio hanno riunito Antonio Laspro, anche lui di São Paulo, Walter Petruzziello, di Curitiba e Mario Araldi, di Belo Horizonte e membri del Consiglio dell’Argentina, Colombia, Cile, Uruguay e altri paesi dell’AL. Tutto viene seguito da vicino dalla direttrice generale per gli Italiani all’Estero e le Politiche Migratorie, Carla Zuppetti, e dal vice segretario generale per l’America Latina del CGIE, Francisco Nardelli. Una delle decisioni prese nella riunione ha definito una protesta, già questo mese, affinché ogni circoscrizione del CGIE America Latina prenda posizione contro il taglio preventivato. E mentre alcuni consiglieri puntano a rimandare le elezioni per il COMITES e per il futuro rinnovamento nel CGIE, previsti rispetti- Novembro 2008 / Cooperazione “È come tornare bambini”, dichiara il ministro Carla Zuppetti in mezzo a dozzine di bambini assistiti dal Centro Educacional Cantinho da Natureza. Come parte del lavoro dei consiglieri, avrebbero dovuto visitare il progetto che conta sulla cooperazione italiana, svolto nel Morro dos Cabritos, a Copacabana. Però meno della metà dei 30 partecipanti alla Riunione ha svolto questa parte del lavoro. — È veramente complicato parlare di italiani all’estero come un tutt’uno, se ogni paese ha una sua realtà, se la cultura e la lingua soffrono cambiamenti e anche se per ogni luogo c’è stata un’emigrazione causata da contesti socioeconomici diversi. D’altra parte è importante mettere in risalto il cammino contrario che fa il governo andando incontro a queste nuove generazioni. Non abbandoniamo nessuno — dice Zuppetti, che occupa da quattro mesi il suo posto. La scuola/asilo nido alla fine della salita della Ladeira dos Tabajaras accoglie 150 bambini da zero a sei anni, coordinati da padre Enrico Arrigoni. I bambini svolgono attività pedagogiche mentre i genitori lavorano. L’istituzione, che riceve l’appoggio dell’Associazione Volontari per il Servizio Internazionale (AVSI), si sforza di integrare gli 8000 abitanti della comunità con programmi di educazione ambientale e salute, e l’80% del personale è composto da abitanti del luogo. ComunitàItaliana 19 no parlamento Tatiana Buff Correspondente • São Paulo Na sua quinta legislatura consecutiva, o deputado Marco Zacchera, de 57 anos, preside o Comitê Permanente para os Italianos no Exterior desde julho. Nascido em Verbania, província de VerbanoCusio-Ossola, o parlamentar foi eleito e reeleito para a Câmara dos Deputados da Itália, desde 1994, pela Aliança Nacional e pelo Partido do Povo da Liberdade. Preocupado com os cortes milionários na Lei Orçamentária de 2009 que atingirão as comunidades italianas no mundo, assegura estar “fazendo todo tipo de pressão sobre o governo para que mude de idéia”. Para isso quer o apoio dos colegas, inclusive dos eleitos no território. Favorável a mudanças na lei do voto no exterior que garantam maior legitimidade aos resultados, igualmente defende novas regras para a concessão da cidadania. Sobre o Primeiro Congresso dos Jovens Italianos no Mundo, alfineta: — Espero, realmente, que seja uma ocasião importante de confronto e, sobretudo, de proposta, não apenas uma alocação romana para 420 jovens recomendados, ou pior, parentes dos dirigentes dos Comites — afirma ele em entrevista por e-mail à Comunità. 20 ComunitàItaliana / C omunitàItaliana - Quais projetos o senhor apresentou à Câmara nesta legislatura? Algum foi aprovado? Marco Zacchera - Nenhum, porque ainda não houve tempo material para proceder ao itinerário legislativo previsto pelas normas parlamentares. De qualquer modo tenho em curso neste itinerário alguns projetos de lei referentes a questões relativas às nossas comunidades no exterior. CI - Como avalia o pacto sobre a imigração aprovado pela União Européia em setembro? A Itália terá leis mais específicas contra os imigrantes clandestinos? Zacchera - O pacto sobre a imigração é só um primeiro passo, mas significativo porque a Europa deve entender que a imigração é um problema comum a todo o continente, não apenas de um país onde – por proximidade geográfica – se multiplicam os desembarques. Além disso, devemos recordar que a maior parte do fenômeno migratório não está relacionada apenas ao que se vê nos telejornais. Não se trata apenas dos desembarques de deses- Novembro 2008 perados dos botes de borracha em Lampedusa, mas da lenta infiltração nas fronteiras orientais da Europa de pessoas provenientes do leste europeu, dos Bálcãs, do oriente médio. Eis aí, portanto, a necessidade não apenas de controlar as entradas, mas também de administrar este fenômeno, que é de dimensão bíblica. CI - O que pensa da reação do Vaticano contra a medida? Zacchera - O Vaticano faz bem em sustentar o que diz porque, justamente, sublinha os temas, os valores, os preceitos cristãos em matéria de caridade e solidariedade humana. Às vezes, creio, no panha eleitoral e durante os escrutínios, com responsabilidades graves também do centro-direita. O voto pelo correio, sobretudo na América Latina, se demonstrou aberto a irregularidades de todo tipo e não é mais crível continuar assim. Deverão ser, portanto, mudadas as regras de voto (penso nas seções eleitorais e no envio postal apenas sob explícita solicitação do eleitor) com controle da identidade dos votantes. CI - Quais são suas principais preocupações relativas aos cortes na Lei Orçamentária de 2009 para as comunidades italianas no mundo? Zacchera - Estou verdadeiramente muito preocupado com estes cortes nos financiamentos e, sobretudo, não aceito que haja estes cortes indiscriminados e tão pesados. Estamos tentando remediar e fazer todo tipo de pressões sobre o governo para que mude de idéia ou, ao menos, reduza o redimensionamento tão forte para alguns itens. Acima de tudo, se alguns cortes são, no fundo, aceitáveis, aquele da assistência direta e indireta vai atingir principalmente as nossas comunidades sul-americanas. O comitê parlamentar presidido por mim não deixará por isso de fazer ouvir sua voz, que, espero, seja apoiada não só pelos eleitos no exterior, mas por todos os parlamentares. CI - Com relação a eventuais alterações na lei de cidadania, está de acordo com a aplicação de uma prova de língua italiana e outra de conhecimento da Constituição antes de concedê-la aos oriundi? Zacchera - Sim. Creio que as normas para solicitar a cidadania italiana devem ser revistas em termos restritivos. O atual sistema não permite um screening (classificação) objetivo de quem tem os títulos para obter a cidadania italiana, conceito que não pode ser certificado apenas à base de documentos. Pessoas em demasia a obtiveram. Muitas mais ainda a pediram só por motivos econômicos e pelo passaporte, mas não tendo nada mais de “italiano” ou, pior, não tendo jamais tido. CI - Está de acordo com o reconhecimento da cidadania aos filhos de italianas nascidos antes de 1948? Zacchera - Juridicamente sim, mas praticamente não, no sentido que a mim interessa que a cidadania seja solicitada e conferida a pessoas “italianas” por língua, cultura e tradições. Conheci pessoas que não a obtiveram no passado e poderiam no futuro obtê-la graças a estes princípios constitucionais, mas devo ressaltar que conheci outras que – precisamente – se também pedissem e conseguissem a cidadania, de italiano não teriam nada, se não uma ascendência materna. Creio que se deva abrir constitucionalmente a possibilidade de solicitar a cidadania também a essas pessoas por uma questão de justiça jurídica, mas ao mesmo tempo é útil restringir depois (e a valer para todos) os parâmetros para obtê-la. Não basta expressar-se também em italiano, mas compreender se o candidato-cidadão tem um mínimo de verda- Novembro 2008 deira, documentada italianidade. Se a tem e consegue concretamente demonstrá-lo, então seja bem-vindo! CI: A seu ver o governo Berlusconi está vencendo a batalha contra as máfias dentro e fora do país? Zacchera - Há um fortíssimo empenho do Governo contra a Camorra, como se está demonstrando em Nápoles e na Campânia. Eu espero, portanto, realmente que sim. CI - Qual seria sua proposta ou propostas para reduzir as filas de solicitantes da cidadania em frente aos consulados italianos na América do Sul? Zacchera - Pedimos o envio de novos funcionários, a contratação de pessoal local para liquidar os processos, mas – insisto – eu acredito que devam também ser mudados os parâmetros para obter a cidadania. Fotos: Divulgação Italianidade à prova entanto, que deveria também se colocar no papel dos governantes que querendo ou não devem impor regras sobre os modos e fluxos de entrada. Para ajudar é preciso conhecer e, portanto, identificar, entender quem chega. CI - O que espera do Primeiro Congresso dos Jovens Italianos no Mundo que será realizado em Roma no início de dezembro? Zacchera - Espero, realmente, que seja uma ocasião importante de confronto e, sobretudo, de proposta, não apenas uma alocação romana para 420 jovens recomendados, ou pior, parentes dos dirigentes dos Comites (comitês dos italianos no exterior). Faz bem o subsecretário (Alfredo) Mantica em insistir neste ponto. Igualmente, fazem bem os jovens a pretender localmente serem eles a indicar os próprios representantes a ser enviados a Roma. Participarei voluntariamente dos trabalhos da Conferência, também porque creio que será um importante momento de aprendizado para quem, como eu, se ocupa há vários anos destes problemas. CI - Como presidente do Comitê Permanente para os Italianos no Exterior, qual é sua relação com a comunidade italiana na América Latina? Teve oportunidade de visitar todos os países, inclusive o Brasil? Zacchera - Estive diversas vezes no Brasil, tanto particularmente quanto como conselheiro regional do Piemonte. Também estive antes e depois de 1994 como parlamentar. Visitei muitos estados brasileiros e quase todos os países da América Latina inclusive as nossas comunidades de Punta Arenas (Chile) a Maracaibo (Venezuela). Constatei muitos problemas, mas também muitas possibilidades inutilizadas, muitas contradições. A falar disso se abre um livro... CI - Pensa que a lei do voto no exterior deva mudar? Zacchera - Absolutamente sim. Dado o princípio do direito-dever ao voto inclusive aos nossos emigrados - um direito que a direita italiana sempre defendeu desde os anos 50 e que apenas graças à teimosia de Mirko Tremaglia foi ratificado na Constituição e ali deve permanecer - acredito que devemos absolutamente encontrar e aplicar regras novas e mais transparentes para expressar o voto. Vi coisas inconcebíveis na cam- / ComunitàItaliana 21 capa Salve-se quem puder Crise econômica mundial faz Itália prever recessão para 2009. No Brasil, a expectativa é de manter o crescimento econômico, porém, com índices modestos A onda se formou nos Estados Unidos e estourou, em cheio, em todos os países do mundo, literalmente. Em alguns lugares, chegou como tsunami. Em outros, com tamanho gigantesco, mas ainda “surfável”. Teve onde ela chegasse alta o suficiente para deixar a praia perigosa e fazer os banhistas voltarem para casa, ainda que a salvos. No mundo da economia financeira, distante, mas não muito, da economia real, a quebradeira começou em decorrência da crise hipotecária norte-americana e se alastrou pelo planeta. Si salvi chi può A intensidade da crise que atingiu os países varia de acordo com a saúde financeira de cada um. Quem estava saudável, se defendeu. Quem não estava, levou um “caixote”. Na Europa, tudo indica que há um “caixote” a caminho. No Brasil, ainda é possível furar essa onda e usá-la para chegar de volta à praia. Na Itália, o Centro de Estudo da Confederação das Indústrias (CSC) não prevê um bom futuro. Segundo a última pesquisa, o país só sairá do sufoco econômico 2010, por conta da diminuição do PIB (de 0,2 deste ano para 0,5 L’ Crisi economica mondiale fa prevedere la recessione in Italia per il 2009. In Brasile, le attese sono di mantenere la crescita economica, ma con indici modesti Janaína César, Sônia Apolinário e Tatiana Buff onda si è formata negli Stati Uniti ed è scoppiata in pieno letteralmente in tutti i paesi del mondo. In qualche luogo è arrivata come uno tsunami. In altri, in dimensioni gigantesche, ma ancora “da surfing”. Ci sono stati luoghi in cui l’onda è arrivata ad un’altezza sufficiente da rendere pericolosa la spiaggia e far ritornare a casa i bagnanti, incolumi. Nel mondo dell’economia finanziaria, distante ma non molto dall’economia reale, il crash è iniziato dovuto alla crisi ipotecaria nordamericana e si è sparso per il pianeta. Berlusconi e Lula: de olhos bem abertos e atentos para a crise Berlusconi e Lula: ad occhi ben aperti e attenti alla crisi 22 ComunitàItaliana / Novembro 2008 L’intensità dell’onda che ha attinto i paesi cambia a seconda della salute finanziaria di ognuno di essi. Chi stava bene in salute, si è difeso. Chi no, è stato sbattuto a terra dall’onda. In Italia, tutto dice che ci sarebbe una “sbattitura” in arrivo. In Brasile è ancora possibile bucare quest’onda e usarla per tornare sul bagnasciuga. In Italia, il Centro di Studi della Confederazione delle Industrie (CSC) non dà buone previsioni. Secondo gli ultimi sondaggi, il paese uscirà dalla crisi economica solo nel 2010, dovuto alla diminuzione del PIL (da 0,2 di quest’anno a 0,5 nel 2009), del consumo (- 0,6%) e degli investimenti (- 9%). Il premier Silvio Berlusconi ha dato dichiarazioni per mantenere alta la morale della popolazione. Secondo lui “nessuna banca italiana fallirà e chi investe non corre pericolo”. Il provvedimento per “blindare” l’economia del paese preso dal governo mette a disposizione del sistema bancario un fondo di 20 miliardi di euro per affrontare la crisi. Ha sono stati approvati due decreti finanziari per salvare le banche in situazione di rischio. em 2009); do consumo (-0,6%) e dos investimentos (-9%). O primeiro-ministro Silvio Berlusconi fez declarações para manter a moral da população elevada. Segundo ele, “nenhum banco italiano falirá e quem investe não corre perigo”. Como providência para blindar a economia do país, o governo colocou à disposição do sistema bancário um fundo de 20 bilhões de euros para enfrentar a crise. Também aprovou dois decretos financeiros para salvar bancos em situação de perigo. Os decretos prevêem a recapitalização e o refinanciamento das instituições de crédito que elevam a 100 mil euros o teto de garantia para os depósitos bancários; permite que o estado intervenha no capital dos bancos no caso de necessidade por intermédio da compra de ações especiais sem o direito de voto e garante o financiamento às empresas. Berlusconi explicou que “o objetivo principal (das medidas adotadas) é o de evitar que os que poupam sejam pegos pelo pânico”. — Se todos resolverem sacar suas aplicações e colocar (o dinheiro) embaixo do colchão, aí sim, a economia do país entrará em risco — afirmou o primeiroministro, em pronunciamento. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a dizer que a crise, no país, não passava de uma “marola”. Da dúvida, porém, agiu. Diminuiu o compulsório dos bancos para deixá-los com liquidez e mais dinheiro disponível para o setor econômico; controlou o câmbio para evitar que o dólar disparasse; manteve o crédito para micro e pequenas empresas e deu mais autonomia para o Banco Central que, jun- Novembro 2008 / ComunitàItaliana 23 capa to com a Caixa Economia Federal, foram autorizados a comprar bancos em perigo como forma de dar segurança aos poupadores. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que a autorização para os bancos públicos comprarem bancos privados “não é uma medida permanente”. Segundo ele, essa autorização responde “à necessidade de momento de crise de liquidez”. Mantega afirmou que a medida é preventiva porque o Brasil tem “um dos sistemas financeiros mais sólidos do mundo”. O coordenador de Small Business da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, professor Francisco Barone, avaliou como “positivo neste momento” as medidas adotadas pelo governo brasileiro. Segundo ele, o país está “surfando na onda” porque a sua economia está “sólida”. — Desde 1994, nossa economia passa por uma boa fase. Quando assumiu, o presidente Lula manteve a política do seu antecessor e deu autonomia para o Banco Central. Para 2009, não acredito em recessão, mas vamos crescer menos. Essa crise é semelhante à de 1929 e está localizada na parte financeira da economia. Por enquanto, a economia real não foi afetada. As pessoas físicas só vão começar a senti-la no início do ano que vem — analisa o professor que tem cidadania italiana. Ele acredita que o Brasil pode até vir a se beneficiar com a crise, se souber agir. Barone lembra que, com a alta do dólar, o turismo interno pode ser favorecido. Além disso, produtos brasileiros podem passar a substituir produtos antes importados, na preferência do consumidor, justamente porque o preço da mercadoria que vem de fora vai aumentar. Apesar das grandes perdas acionárias por que passaram empresas em todo o mundo, o professor mantém a recomendação de que é hora de comprar ações. Principalmente de grandes empresas brasileiras como Petrobras e Vale. Segundo ele, esse será um “bom negócio a longo prazo para quem tem sangue frio”. De olho no curto prazo, o presidente da Federação das In- 24 Acima, o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ao lado, o presidente do Banco Etica, Fabio Salviato. Abaixo, o professor Francisco Barone Sopra, il ministro da Fazenda, Guido Mantega. Accanto, il presidente del Banco Etica, Fabio Salviato. Sotto, il professore Francisco Barone dústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, já mandou seu recado para o governo. Segundo ele, é importante que o Banco Central brasileiro “nem pense em elevar a taxa de juros”. Na sua avaliação, isso seria “inadmissível” porque poderia levar a uma maior queda no consumo. Recessão Na Itália, o pacote anti-crise não agradou a todos. Para o CSC, os procedimentos extraordinários de intervenção direta no sistema financeiro ajudarão a inflamar a dívida pública e patrimonial. Segundo o Centro, “a saída do buraco negro da recessão fica cada vez mais longe e a provável retomada tão esperada para o ano que vem será insignificante, soterrada pela crise bancária que corre o risco de se transformar em uma crise real da economia”. Fabio Salviato, presidente do Banco Etica, diz que “antes da crise, já havia um seguro que cobria, em 103 mil euros, os depósitos no caso de falência bancária. Segundo ele, as medidas ComunitàItaliana / I decreti prevedono la ricapitalizzazione e il rifinanziamento degli istituti di credito che portano a 100mila euro il tetto di garanzia per i depositi bancari; permette che lo stato intervenga nel capitale delle banche in caso di bisogno grazie all’acquisto di azioni privilegiate senza diritto di voto e garantisce il finanziamento delle imprese. Berlusconi ha spiegato che “il principale obiettivo [delle misure adottate] è quello di evitare che coloro che risparmiano siano presi dal panico”. — Se tutti decidono di prelevare i loro investimenti e di metterli sotto al materasso, allora sì, l’economia del paese entrerà in difficoltà — ha affermato il primo ministro in un discorso. In Brasile il presidente Luiz Inácio Lula da Silva ha addirittura detto che la crisi non era altro che “un mare leggermente mosso”. Ma, nel dubbio, ha agito. Ha diminuito i prestiti impositivi delle banche per lasciarle con maggiore liquidità e più soldi a disposizione del settore economico; ha controllato il cambio per evitare che il dollaro aumentas- Novembro 2008 se; ha mantenuto il credito per le micro e piccole imprese e ha dato più autonomia al Banco Central che, insieme alla Caixa Economica Federal, sono state autorizzate a comprare banche in rischio per dare sicurezza ai risparmiatori. Il ministro da Fazenda, Guido Mantega, ha spiegato che l’autorizzazione data alle banche statali di comprare banche private “non è una misura permanente”. Secondo lui quest’autorizzazione “risponde al bisogno del momento di crisi di liquidità”. Mantega ha detto che la misura è preventiva perché il Brasile ha “uno dei sistemi finanziari più solidi del mondo”. Il coordinatore di Small Business della Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas della Fundação Getúlio Vargas di Rio de Janeiro, professor Francisco Barone, valuta come “positive in questo momento” le misura adottade dal governo brasiliano. Secondo lui il paese sta facendo “surfing sull’onda” perché la sua economia è “solida”. — Fin dal 1994, la nostra economia vive una buona fase. Quando si è insediato, il presidente Lula ha mantenuto la politica del suo predecessore e ha dato autonomia al Banco Central. Per il 2009 non credo alla recessione, ma cresceremo meno. Questa crisi è simile a quella del 1929 ed è nella parte finanziaria dell’economia. Per ora l’economia reale non è stata colpita. Le persone fisiche cominceranno a sentirla solo all’inizio dell’anno prossimo — analizza il professore, che ha la cittadinanza italiana. Barone crede anche che il Brasile potrà trarre benefici dalla crisi, se saprà agire. Barone ricorda che il turismo interno può essere agevolato dall’aumento del dollaro. Inoltre, prodotti brasiliani potranno sostituirne altri prima importati, secondo le preferenze dei consumatori, proprio perché il prezzo delle merci che vengono dall’estero aumenterà. Malgrado le grandi perdite azionarie affrontate dalle imprese di tutto il mondo, il professore mantiene la raccomandazione in cui dice che è il momento di comprare azioni. Specialmente di grandi imprese brasiliane come Petrobras e Vale. Secondo lui questo sarà un “ottimo affare a lunga scadenza per chi ha sangue freddo”. adotadas pelo governo tranqüilizaram os investidores. Diferentemente da Alemanha, por exemplo, que estipulou um teto máximo de 500 bilhões de euros para salvar bancos em falência, a Itália não estabeleceu um teto. Isso, explica Salviato, faz com que o dinheiro público destinado aos bancos seja ilimitado. — A Inglaterra e a França investiram reservas públicas para capitalizar bancos que precisavam de dinheiro, mas que ainda não tinham decretado falência. Isso gerou uma série de desconfiança da parte dos investidores. As medidas adotadas pelo governo procuram tapar o buraco de uma represa que está estourando — analisa Salviato. Diretor do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional, Alessandro Leipod, foi categórico. Segundo ele, “é muito fácil que a Itália entre em recessão”. Na sua avaliação, “a política de ajuda estatal não caminha na direção correta”. O que ele recomenda para o país é “uma maior liberalização no mercado”. Antonello Soro, presidente dos deputados do Partido Democrático (PD) ressalta que “a Itália não está bem e as camadas sociais mais expostas à crise econômica precisam de respostas efetivas e concretas para que possam defender a escola, o emprego e a democracia”. A favor do governo saiu Giacomo Stucchi, deputado da Liga Norte. Ele concorda com a linha política adotada pela equipe de Berlusconi. Segundo ele, a política deve garantir os depósitos bancários, a solidez das instituições de crédito e dar a possibilidade às mesmas instituições de ter uma perspectiva de desenvolvimento futuro. — Se as instituições de crédito são tranqüilas, quem tem um financiamento, por exemplo, da casa, sabe que as parcelas não aumentarão e nem terão o valor do financiamento pedido com antecipação — afirma. O jornal inglês Financial Times, no mês passado, fez uma longa análise dos procedimentos adotados por Berlusconi para enfrentar a crise. Segundo Guy Dimore, correspondente de Roma “os bancos e o mercado estão em colapso, mas a crise está beneficiando Silvio Berlusconi porque seu governo exerce uma autoridade que há mais de 10 anos não si via por aqui. Os italianos estão celebrando o seu papel de estado salvador”. De olho no Brasil No mês passado, o Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE) e o Departamento de Promoção de Intercâmbios da Embaixada da Itália no Brasil promoveram mais uma rodada de ne- 1929 C om o término da Primeira Guerra Mundial, os EUA passaram a ser o grande nome do capitalismo mundial. De maior devedor, se tornou o maior credor mundial. Porém, a partir de 1925, sua economia começou a ter sérios problemas com grande desemprego e queda de consumo. Apesar da crise, investidores mantiveram suas especulações comercializando papéis por valores que não condiziam com a real situação das empresas. Os preços das ações despencaram. No dia 29 de outubro de 1929, havia 13 milhões de ações à venda e nenhum comprador. Isso resultou na quebra da Bolsa de New York e o início de uma crise econômica mundial. Pensando alla breve scadenza, il presidente della Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, ha già detto la sua al governo. Secondo lui è importante che il Banco Central brasiliano “non ci pensi nemmeno ad aumentare i tassi di interesse”. Dal suo punto di vista, ciò sarebbe “inammissibile” perché potrebbe causare una maggiore diminuzione del consumo. Recessione In Italia il pacchetto anti-crisi non è piaciuto a tutti. Per il CSC le misure straordinarie di intervento diretto nel sistema finanziario aiuteranno ad infiammare il debito pubblico e patrimoniale. Secondo il Centro “l’uscita dal buco nero della recessione è sempre più distante e la probabile ripresa così attesa per l’anno prossimo sarà insignificante, sotterrata dalla crisi bancaria, che corre il rischio di trasformarsi in una crisi reale dell’economia”. Fabio Salviato, presidente della Banca Etica, dice che “prima della crisi c’era già un’assicurazione che copriva, con 103mila euro, i depositi in caso di fallimento bancario”. Secondo lui le misure prese dal governo hanno tranquillizzato gli investitori. A differenza dalla Germania, per esempio, che ha stipulato un tetto massimo di 500 miliardi di euro per salvare delle banche in fallimento, l’Italia non ha stabilito un tetto. Ciò fa sì che, spiega Salviato, il denaro pubblico destinato alle banche sia illimitato. — L’Inghilterra e la Francia hanno investito riserve pubbliche per capitalizzare banche che avevano bisogno di soldi, ma che non avevano ancora decretato il fallimento. Ciò ha causato una serie di atti di sfiducia da parte degli investitori. Le misure prese dal governo cercano di tappare i buchi di una diga che si sta rompendo — analizza Salviato. Direttore del dipartimento europeo del Fondo Monetario Internazionale, Alessandro Leipod è stato categorico. Secondo lui “è molto facile che l’Italia entri in recessione”, valuta che “la politica di aiuti statali non va nella giusta direzione” e raccomanda al paese “una maggiore liberalizzazione nel mercato”. Antonello Soro, presidente dei deputati del Partito Democratico (PD) mette in risalto che “l’Italia non va bene e i ceti sociali più esposti alla crisi economica hanno bisogno di risposte effettive e concrete perché possano difendere la scuola, l’impiego e la democrazia”. Chi si è mosso in difesa del governo è stato Giacomo Stucchi, deputato della Lega Nord. È d’accordo con la linea politica adottata dalla équipe di Berlusconi. Secondo lui la politica deve garantire i depositi bancari, la solidità degli istituti di credito e dare la possibilità agli stessi istituti di avere una prospettiva di sviluppo futuro. — Se gli istituti di credito sono tranquilli, chi ottiene, per esempio, un finanziamento per la casa sa che le rate non aumenteranno e non avranno il valore del finanziamento richiesto in anticipo — afferma. Il giornale inglese Financial Times il mese scorso ha fatto una lunga analisi delle procedure adottate da Berlusconi per affrontare la crisi. Secondo Guy Dimore, corrispondente da Roma, “le banche e i mercati sono nei guai, ma la crisi sta beneficiando Silvio Berlusconi e il suo governo sta godendo di un’autorità C on la fine della Prima Guerra Mondiale, gli USA divennero il grande nome del capitalismo mondiale. Da maggiori debitori diventarono maggiori creditori mondiali. Ma dal 1925 la loro economia cominciò a presentare seri problemi, con una grande disoccupazione e la diminuzione dei consumi. Malgrado la crisi, gli investitori mantennero le loro speculazioni commercializzando titoli per valori che non corrispondevano alla reale situazione delle imprese. I prezzi delle azioni crollarono. Il 29 ottobre 1929 c’erano 13 milioni di azioni in vendita e nessun acquirente. Ciò risultò nel crash della Borsa di New York e dette inizio ad una crisi economica mondiale. Novembro 2008 / ComunitàItaliana 25 Rodada de negócios entre Brasil e Itália em São Paulo. Abaixo, Alessandro Karlin, da Enel Brasil, e Giovanni Sacchi, diretor do ICE Incontro affaristico tra Brasile e Italia a São Paulo. Sotto, Alessandro Karlin dell’Enel Brasil e Giovanni Sacchi direttore dell’ICE che non si è vista per decenni. Gli italiani stanno celebrando il ruolo dello stato salvatore”. gócios entre empresários italianos e brasileiros. O evento deixou claro que o Brasil é visto como um porto seguro para negócios, neste momento. O próprio diretor do ICE em São Paulo, Giovanni Sacchi, admitiu que a Itália será mais atingida do que o Brasil, pela crise econômica mundial. — O Brasil parte de uma situação muito boa, com crescimento projetado em 5% para este ano, com acúmulo de reservas e estabilidade em relação a outros países. A crise dá sinais, mas, a influência está acontecendo em menor medida. Para 2009, a previsão é crescer de 2,5 a 3% — afirma Sacchi. Segundo ele, na Itália, o desequilíbrio econômico era precedente por conta de uma retração do mercado interno, ocorrido nos últimos cinco anos. Na sua avaliação, somente empresas italia- 26 nas que buscaram a internacionalização estavam em boa situação. Sacchi conta que setores de excelência italiana e de maior fluxo comercial externo já sinalizam menor demanda em função da crise como o alimentício, a moda, o automotivo e o mobiliário. Uma das participantes da rodada de negócios foi a Enel Brasil, subsidiária da italiana Enel SpA, uma das maiores produtoras de energia do mundo. Seu presidente, Alessandro Karlin, afirma que não vai alterar a “decisão estratégica” de investimento nas fontes brasileiras de energia renovável. Segundo ele, o Brasil representa “um país importante para a empresa”. — Pode ser que a velocidade do investimento previsto seja um pouco mais lenta — pondera Karlin. Nos próximos quatro anos, a ComunitàItaliana / Pensando al Brasile Il mese scorso l’Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE) e il Departamento de Promoção de Intercâmbios dell’Ambasciata d’Italia in Brasile hanno promosso un incontro affaristico tra imprenditori italiani e brasiliani. L’evento ha lasciato ben chiaro che il Brasile è visto come un porto sicuro per gli affari in questo momento. Lo stesso direttore dell’ICE di São Paulo, Giovanni Sacchi, ha ammesso che l’Italia sarà colpita, più del Brasile, dalla crisi economica mondiale. — Il Brasile parte da una situazione molto positiva, con crescita prevista del 5% per quest’anno, con un accumulo di riserve e stabilità in rapporto ad altri paesi. La crisi dà segnali, ma gli influssi sono in atto in minore misura. Per il 2009 la previsione di crescita è dal 2,5 al 3% — afferma Sacchi. Secondo lui, in Italia lo squilibrio economico già esisteva dovuto ad una ritrazione del mercato interno, avutosi negli ultimi cinque anni. Nella sua valutazione, solo le imprese italiane che hanno cercato l’internazionalizzazione erano in buona situazione. Sacchi racconta che settori di eccellenza italiana e di maggior flusso commerciale estero hanno già segnalato una domanda minore dovuto alla cri- Novembro 2008 si, come quello alimentare, della moda, dell’industria di autoveicoli e dei mobili. Una delle partecipanti agli incontri affaristici è stata la Enel Brasil, sussidiaria dell’italiana Enel SpA, uno dei maggiori produttori di energia nel mondo. Il suo presidente, Alessandro Karlin, dice che non cambierà la “decisione strategica” di investire in fonti brasiliane di energia rinnovabile. Secondo lui il Brasile rappresenta “un paese importante per l’azienda”. — Magari la velocità dell’investimento previsto sarà un po’ più lenta — pondera Karlin. Nei prossimi quattro anni l’Enel costruirà centrali eoliche e piccole centrali idroelettriche nelle regioni centro-ovest e sudest, dove già gestisce 20 centrali con potenza totale installata di 92 MW. Gli investimenti futuri, secondo Karlin, saranno di “centinaia di milioni di dollari”. Fin dal 1999, nelle due fasi di azione dell’azienda in Brasile, di trasmissione e generazione di energia, gli investimenti totali sono stati di circa 800 milioni di dollari. Questi ultimi incontri affaristici hanno portato in Brasile 23 imprenditori italiani di vari settori. Sono state fatte riunioni a São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. A São Paulo la rappresentante del Ministero dello Sviluppo Economico italiano, Maria Concetta Giorgi, ha dichiarato ad una platea di 150 persone che gli Enel vai construir usinas eólicas e pequenas centrais hidrelétricas (PCH’s) nas regiões centro-oeste e sudeste, onde já gerencia 20 centrais, com potência total instalada de 92 MW. O investimento futuro, segundo Karlin, será de “centenas de milhões de dólares”. Desde 1999, nas duas fases da atuação da empresa no Brasil, de transmissão e geração energética, o investimento total foi de aproximadamente 800 milhões de dólares. Essa última rodada de negócios trouxe ao Brasil 23 empresários italianos de diversos setores. Foram realizadas reuniões em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em São Paulo, a representante do Ministério do Desenvolvimento Econômico da Itália, Maria Concetta Giorgi, declarou, para uma audiência de 150 pessoas, que o intercâmbio comercial entre os dois países são “favorecidos pelo empreendedorismo” dos empresários. Segundo ela, há uma “complementaridade” nos setores da agroindústria, tecnologia, biotecnologia, eletrônica, moda e design: — Em 2004, assinamos um protocolo de intenções para colaboração com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), para ampliar as joint-ventures entre brasileiros e italianos nos setores têxtil, alimentício, calçadista, mobiliário, mármore, elétrico, agrícola, água, papel e minérios. Nossa visita é também uma preparação para aquela do presidente Lula à Itália, programada para novembro. Francesco Paternò, secretário-geral da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura de São Paulo, sublinhou, durante o evento, que “o Brasil é o país do presente, não apenas do futuro, como se ouve Sebastião Jacinto Jr capa Empresários analisam potencialidades que os países podem unir Imprenditori studiano potenzialità che i paesi possono legare insieme há décadas”. Na sua opinião, o grande diferencial brasileiro em relação aos países emergentes “é a grande presença da comunidade italiana”: 25 milhões no país. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, o comércio entre Brasil e Itália movimentou, em 2007, 7,8 bilhões de dólares. Na reunião realizada em Belo Horizonte, Carlos Eduardo Abijaodi, gerente do Centro Internacional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), afirmou que também crê que a crise não afetará tanto o sistema financeiro brasileiro em razão do país ter “uma rede bancária sólida e dos bons indicadores macroeconômicos alcançados”. Para ele, o governo tem tomado medidas preventivas “interessantes”. Colaboraram Marco Antonio Corteleti e Geraldo Coccolo Jr. cenni”. Secondo lui la grande differenza del Brasile in rapporto ai paesi emergenti “è la grande presenza della comunità italiana”: 25 milioni. Secondo il Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nel 2007 il commercio tra il Brasile e l’Italia ha mosso 7,8 miliardi di dollari. Durante la riunione realizzata a Belo Horizonte, Carlos Eduardo Abijaodi, direttore del Centro Internacional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), ha detto che anche lui crede che la crisi non attingerà tanto il sistema finanziario brasiliano perché il paese ha “una rete bancaria solida e ha raggiunto dei buoni indicatori macroeconomici”. Secondo lui il governo ha preso decisioni preventive “interessanti”. Colaborazione di Marco Antonio Corteleti e Geraldo Coccolo Jr. Riunione Reunião P interscambi commerciali tra i due paesi sono “favoriti dall’imprenditorialità” degli imprenditori. Secondo lei c’è una “complementarità” nei settori dell’industria agricola, tecnologia, biotecnologia, elettronica, moda e design: — Nel 2004 abbiamo siglato un protocollo d’intesa per collaborazioni con il Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) per ampliare le joint ventures tra brasiliani e italiani nei settori tessile, alimentare, calzaturifici, dei mobili, marmo, elettrico, agricolo, acqua, carta e minerali. La nostra visita è anche una preparazione per quella del presidente Lula in Italia, programmata per novembre. Francesco Paternò, segretario generale della Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura di São Paulo durante l’evento ha sottolineato che “il Brasile è un paese del presente, non solo del futuro, come si sente dire da de- ara muitos analistas, a atual crise é pior do que a de 1929. Se é verdade, ainda é cedo para saber. O que se sabe é que os líderes de quase todos os países estão em busca de uma salvação para suas economias. Por conta disso, o presidente norte-americano George Bush agendou para o dia 15 de novembro, em Washington, um encontro mundial para discutir a crise financeira. Os convidados são os países do G20, grupo que reúne as sete principais economias do mundo e países em desenvolvimento como Brasil, China e Índia. S econdo molti analisti la crisi attuale è peggiore di quella del ’29. Se è vero, è ancora presto per dirlo. Quello che si sa è che i leader di quasi tutti i paesi sono in cerca di un salvataggio per le loro economie. Per questo il presidente nordamericano George Bush ha messo in agenda per il 15 novembre, a Washington, un incontro mondiale per discutere la crisi finanziaria. Gli invitati sono i paesi del G20, gruppo che riunisce le sette principali economie del mondo e paesi in via di sviluppo come il Brasile, la Cina e l’India. Novembro 2008 / ComunitàItaliana 27 negócios O homem do mármore E do granito. Aos 70 anos, o italiano Bruno Zanet está à frente de uma das principais empresas brasileiras exportadoras de rochas ornamentais do Espírito Santo. No mês passado, ele participou da 43ª Marmomacc, realizada em Verona Nayra Garofle E le tinha 14 anos e não entendia nada sobre mármore e granito quando começou a se envolver no ramo. Tudo por “culpa” de seu irmão que trabalhava com túmulos de uma forma bem artesanal. Aos 20, mesmo sem muito dinheiro, comprou e vendeu mármore na antiga Iugoslávia. Foi a partir daí, quando as atividades se estenderam para Bulgária, Turquia, Grécia e, depois, Portugal e Espanha, que Bruno Zanet percebeu o que a vida preparava para ele. Hoje, aos 70 anos, o italiano de Veneza se mantém firme e forte à frente da empresa que, desde 1990, é estabelecida no Espírito Santo. Foi naquela época que o governo brasileiro abriu oportunidades para que estrangeiros pudessem comprar áreas de mineração no país. A Marmi Bruno Zanet, que completou 50 anos este ano, exporta 70% de seu mármore e granito atualmente para a China e os outros 30% para o resto do mundo. — Comecei a trabalhar nessa área em 1958, na ex-Iugos- 28 lávia. Eu nem gostava da pedra. Foi uma época difícil. A Itália era proibida de importar a pedra. Eu sou nascido no município de Veneza, uma cidade que foi construída toda com pedras. Na época, só os marmoristas de Veneza poderiam receber a licença de importação. Em 1963, a importação foi desbloqueada — diz ele, que comercializa 200 qualidades diferentes de rochas. Depois de uma crise no mercado de mármore, em 1978, Zanet começou a trabalhar também com o granito. Atualmente, o empresário e o filho moram no Brasil enquanto a filha e o genro vivem na Itália para administrar as quatro empresas do grupo: duas em Carrara e duas em Verona. Como não poderia deixar de ser, a empresa de Zanet participou da 43ª Feira Internacional de Mármore, Pedras, Desenho e Tecnologia (Marmomacc), realizada em outubro, em Verona, na Itália. Segundo o “homem do mármore”, nem mesmo a atual crise econômica impediu o sucesso do evento. ComunitàItaliana / — Tinha muita gente desanimada e depois que a feira começou isso mudou. Este ano teve um grande fluxo de países do oeste, como Rússia e Romênia. Apesar de ter acontecido no mesmo período da crise econômica, de um modo geral a feira foi boa. Eu preciso ressaltar que o mercado vai estar sempre nas mãos do produtor que têm jazidas próprias. Está acabando o intermediário — afirma. Novembro 2008 Além das jazidas no Espírito Santo, Bahia e Minas Gerais, as empresas do grupo também vendem mármore e granito da Ucrânia, Rússia, Índia, Turquia, Grécia e Sul da África. Segundo o empresário, os mármores mais valiosos e vendidos por sua empresa são o Amarelo São Francisco Real e o Ouro Brasil. — São os designers e arquitetos que ditam quais são os mármores do momento e esses são os mais valiosos. É uma certa questão de moda. No ano passado, vendemos cerca de 80 mil toneladas de blocos — conta Bruno. O Espírito Santo é o maior produtor e exportador de rochas ornamentais do Brasil. O estado respondeu por cerca de 65% das exportações do país, em 2007. Foram 726 milhões de dólares em vendas para o exterior, no ano passado, contra 679,9 milhões de dólares em 2006. Do total de 1,5 milhão de toneladas de blocos e chapas exportadas em 2007 pelo Espírito Santo, a China e a Itália compraram cerca de 700 mil toneladas de blocos, enquanto os EUA consumiram mais de 80% das 700 mil toneladas de chapas, seguido do mercado canadense. Marmomacc D ezoito empresas capixabas participaram da 43ª Marmomacc. O Espírito Santo foi representado pelo secretário de Desenvolvimento do Governo do Estado, Guilherme Dias. De acordo com a secretaria, no ranking mundial dos maiores produtores de rochas ornamentais, o Brasil ocupa o 4º lugar, com mais de 7,5 milhões de toneladas. E, entre os maiores exportadores, ocupa o 5º lugar, com cerca de 2,6 milhões de toneladas. Este ano, a crise no mercado imobiliário norte-americano e as sucessivas quedas do dólar fizeram as exportações caírem. No mês de julho, segundo dados do Centrorochas, o recuo chegou a 16,32%, se comparado com as vendas do mesmo período de 2007. No Espírito Santo, a queda foi ainda mais acentuada: 21,91%. Mesmo assim, as exportações de rochas movimentaram 93 milhões de dólares no Brasil, sendo 59 milhões de dólares no Espírito Santo. feira Feira de idéias Inovatec vira palco para o governo de Minas anunciar investimentos no setor de pesquisa e tecnologia. A Itália foi o primeiro país convidado para o evento e marcou presença na quarta edição da feira Brenno Rocha e Marco Antonio Corteleti, em MG governo de Minas Gerais vai investir 80 milhões de reais no desenvolvimento de pesquisa, ensino e inovação tecnológica no estado. O conjunto de medidas que garante esse investimento no setor foi assinado pelo governador Aécio Neves durante a 4ª Inovatec – Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada mês passado, em Belo Horizonte. Ao lado do governador, esteve o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Maior evento brasileiro de divulgação e incentivo às inovações tecnológicas, a feira, pela primeira vez, teve um país convidado: a Itália. Por conta disso, empresas italianas como Ibiritermo, Fiat, TIM, Brembo e OMR ocuparam mil metros quadrados da Expominas para apresentar suas novidades. Para o presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, com 30 sede em Belo Horizonte, Giacomo Regaldo, esta proximidade entre Itália e Minas é importante porque permitirá às empresas locais terem acesso direto às empresas italianas, “caracterizadas por serem de pequeno e médio porte, porém muito dinâmicas”. — As empresas participantes poderão avaliar, em conjunto, as possibilidades de parceria comercial ou de transferência tecnológica — afirma Regalo. Segundo ele, na Itália, aproximadamente 71% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento são realizados pelas empresas. No ano passado, o montante destinado ao setor foi de 11,5 milhões de euros. Diretora de Inovação, Pesquisa e Universidade da Região do Piemonte, Erica Gay também participou do evento. Seu interesse, além de discutir temas de comum interesse entre os dois países, era ComunitàItaliana / Raquel Alves (da CCIB) O o de observar o desempenho das empresas italianas no Brasil. Para o governo de Minas, a Inovatec foi uma oportunidade para mostrar o potencial do estado para atrair novos investimentos. Por conta disso, o governador Neves aproveitou o evento para também anunciar um acréscimo de 30 milhões de reais ao orçamento deste ano da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). Segundo ele, essa medida fará com que o setor alcance a marca de 200 milhões de reais em novos aportes. — Somados aos demais recursos do Tesouro Estadual e a outros captados de fontes diversas, o governo vai investir cerca de 3 bilhões de reais até 2010 — informa Aécio Neves. Em parceria com a Fapemig e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos do ministério da Ciência e Tecnologia), a secretaria de Ciência e Tecnologia liberou 20,5 milhões de reais para o início dos 71 projetos contemplados pelo Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (Pappe), que permite o investimento de recursos não-reembolsáveis em empresas de base tecnológica, buscando a competitividade dos seus produtos. A 4ª Inovatec, que recebeu um público de cerca de 10 mil pessoas, reuniu universidades, empresas públicas e privadas, centros de pesquisa e instituições de fomento ao setor. Os expositores apresentaram pesquisas e avanços em novas tecnologias para a produção industrial e os benefícios para a vida moderna. Entre os diversos produtos que puderam ser conferidos pelo público está o transmissor de potência para TV digital desenvolvido pela STB (Superior Technologies in Broadcasting), de Santa Rita do Sapucaí, com apoio da Fapemig, que destinou ao projeto 142 mil reais. O presidente da Câmara de Comércio, Giacomo Regaldo, acompanhado da diretora de Inovação, Pesquisa e Universidade do Piemonte, Erica Gay e o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, Alberto Duque Portugal. No alto, o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, o governador Aécio Neves, o secretário Duque Portugal, e a deputada Gláucia Brandão e Regaldo. Novembro 2008 Provocação U ma das palestras mais requisitadas do evento foi a do sociólogo italiano Domenico De Masi. Ele falou sobre “Criatividade, Inovação e Trabalho”. O sociólogo fechou o ciclo de aulas magnas dos conferencistas internacionais, no segundo dia do evento. Aproximadamente 400 pessoas acompanharam sua apresentação. O sociólogo disse que, em 200 anos, o mundo se transformou e “chegou” na era pós-industrial. Nessa “fase”, a produção de idéias se caracteriza por não ter horários fixos. As empresas, porém, continuam a marcar o tempo do trabalho, o que, na opinião do sociólogo, “limita a criatividade”. A crise voa longe Apesar do momento, aparentemente, caótico na economia mundial, o setor turístico pode aproveitar o período para atrair estrangeiros para o Brasil. Essa era a expectativa de operadores da área, durante Feira das Américas, no Rio Nayra Garofle A cidade maravilhosa é o cenário escolhido pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) para realizar, anualmente, sua feira de turismo. Este ano, num espaço maior do que 50 mil metros quadrados, mais de três mil expositores ocuparam os cinco pavilhões do Riocentro, na zona oeste do Rio, para apresentar seus destinos e suas melhores ofertas. Não diferente das edições anteriores, mostrar o inusitado e as novidades do setor foi o artifício utilizado pelas agências e secretarias de turismo. Porém, uma pergunta não se calou: o setor turístico já sente os efeitos da atual crise econômica? Na opinião do presidente da Abav, Carlos Alberto Amorim Ferreira, a crise nos mercados americano e europeu é uma chance de atrair mais turistas estrangeiros. Segundo ele, a facilidade de se obter informações através da internet também força uma mudança de pensamento dos operadores da área, já que este é o principal motivo que leva os clientes a dispensarem o serviço das agências. — As condições no passado eram mais confortáveis, mas não podemos voltar atrás. Por isso, é imperativo ver um desafio em cada oportunidade — afirma Ferreira. O ministro do Turismo, Luiz Barreto, concorda com o presidente da Abav. Durante o evento, ele lembrou que a baixa do dólar se tornou um atrativo para os estrangeiros, no Brasil. Segundo Barreto, o governo continua observando o cenário “sem deixar de acompanhar com atenção o desenrolar da crise”. — Este é um momento de oportunidade. O mercado interno Ernane Assumpção feira terá uma grande movimentação. O dólar cotado a R$ 2,20 significa que o Brasil é um lugar barato para os estrangeiros — diz. O governador do Rio, Sérgio Cabral, também prestigiou a feira e discursou rapidamente dando as boas-vindas aos operadores, além de desejar bom trabalho aos agentes de viagem “na cidade mais bonita do mundo”. Segundo o diretor comercial internacional da agência CVC, Michael Barkoczy, não há motivo para se preocupar, no momento, com a “nuvem preta” que paira sobre a economia mundial. — É claro que existe uma insegurança por parte dos viajantes. Devemos ficar alerta, mas não preocupados. Os pacotes que deveriam ser vendidos já foram vendidos. Acredito que tudo isso vai passar daqui uns dois meses e, por isso, o setor turístico não vai nem sentir os efeitos — acredita Barkoczy. O diretor explica que mesmo diante da crise econômica, a CVC, que atua no Brasil e opera na Europa, tendo a Itália como um dos destinos mais procurados pelos turistas, teve até o momento um crescimento de 28% com relação ao mesmo período do ano passado. Para a responsável pela Agência Nacional do Turismo Italiano (Enit) no Brasil, Fernanda Morici, ainda é muito cedo para falar sobre as conseqüências da crise no setor turístico. — É prematuro falar sobre os resultados da crise porque as pessoas ainda tentam entender o que está acontecendo. Depois, se tiver uma diminuição do movimento, que eu acredito que não terá, mas se tiver, haverá uma procura por saídas para compensar a alta do dólar ou a alta do euro. De repente, os serviços ficarão mais baratos para que não se sinta tanta diferença assim com relação ao câmbio e para que as pessoas possam continuar viajando. De imediato, não acho que a crise vai interferir no nosso setor — avalia. Fernanda explica que a Enit continua trabalhando para divulgar todas as regiões italianas. Para isso, está realizando seminários nas capitais brasileiras, além de convidar operadores de agências de viagens e jornalistas para conhecer a Itália. — O nosso trabalho é divulgar as 20 regiões do país. De dois nos para cá, cerca de 400 mil brasileiros viajaram para a Itália. Este ano, esperamos um crescimento de até 30% — diz. Fotos: Ernane Assumpção atualidade Trabalho na mesa Questões como imigração, exploração infantil e direitos foram discutidos no Brasil por especialistas italianos O Sílvia Souza imigrante representa ou não um perigo para trabalhadores locais? Como o mercado de trabalho atual lida com o assédio moral e a exploração infantil? Essas foram algumas das questões discutidas em dois eventos realizados no Brasil e que trouxeram, para o país, docentes italianos especializados no assunto. Segundo o professor de Direito Trabalhista Fabio Petrucci, o que está na pauta de debates, agora, é a “compatibilização” da disciplina de trabalho entre os vários países que compõem a União Européia. — O trabalho é a base da república italiana e também para 32 a União Européia é um princípio básico. Na Itália, muito se tem falado, por exemplo, sobre a presença de romenos, que têm uma disciplina de trabalho, digamos, um pouco mais baixa que a de outros países — analisa Petrucci que leciona Direito Social e do Trabalho como docente convidado na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Curitiba. Ele e outros três professores italianos participaram do 3º Seminário Ítalo-brasileiro de Direito do Trabalho, realizado no Rio; e o Seminário Internacional do Direito do Trabalho, em Fortaleza. Os encontros abordaram temas como trabalho infantil e assédio moral e a necessidade de ComunitàItaliana / se estabelecer pontes que regulamentem e punam praticantes de irregularidades. De acordo com Petrucci, o preconceito com o que são vistos os imigrantes tende a diminuir quando esses estrangeiros não representam ameaças aos trabalhadores locais. Isso sem falar que, entrando na Itália legalmente, o imigrante está sujeito às mesmas regras que qualquer outro cidadão do país. Há, porém, problemas nesse trânsito que precisam ser acompanhados de perto. — Algumas questões exigem respostas mais urgentes como o trabalho infantil, por exemplo, que deve ser combatido com Novembro 2008 uma normativa penal rígida. E as mortes no ambiente de trabalho também. Na Itália, ocorrem mais no Sul e o setor de construção civil tem maior número de casos. A vinda ao Brasil apresenta discussões que só vão melhorar nossas pesquisas — comenta Petrucci. Para quem deseja encarar o trabalho na bota, o médico curitibano ítalo-brasileiro Pedro Reggiani Anzuategui criou o site www. minhaitalia.com.br onde muitas dicas podem ser encontradas. Ele observa que “o trabalhador tem força na Itália”. — Lá, a oferta de empregos é grande, principalmente nos níveis menos especializados. Isso faz com que o trabalhador não tenha aquele medo intenso de perder o emprego, como acontece com o trabalhador no Brasil, que se sujeita a coisas horríveis — afirma ele que morou cinco anos na Itália. Segundo Anzuategui, “o italiano enfrenta o patrão e impõe respeito”. O médico conta que várias vezes presenciou trabalhadores que se recusavam a fazer algum trabalho por ser “muito pesado” ou “não adequado para o seu perfil”. Ele afirma que o trabalho informal na Itália não é tão disseminado como no Brasil. Existe, “mas apenas entre círculos fechados como discotecas ou pequenas lojas”. Na maioria dos casos, o trabalho, na Itália, será formal, com todas as garantias sociais. Isso, porém, não livra os funcionários do assédio moral. Com o agravante que essa questão ainda não está bem resolvida em termos de legislação. O professor Antonio Pileggi, da Universidade de Roma, informa que entidades internacionais sinalizam que, na Itália, 4% dos trabalhadores seriam vítimas desse problema. — Nós, que lidamos diariamente com o assunto, sabemos que esse número é pequeno. Isso acontece porque a maioria das pessoas não denuncia os casos de assédio moral, com medo de retaliação — afirma. No Brasil Até o mês de agosto, o quadro do emprego formal, no Brasil, era favorável aos trabalhadores. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou a criação de mais de 1,8 Especialistas em Direito do Trabalho, os professores Antonio Pileggi e Fabio Petrucci comentam sobre trabalho escravo e assédio moral na Itália milhão de novas vagas preenchidas no país, superando a meta que o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estabelecera para todo o ano de 2008. Nos primeiros oito meses de 2007, o mesmo índice ficou em 1,3 milhão de empregos. O recorde anterior, do ano de 2004, era de 1,4 milhão. O percentual de pessoas no trabalho formal atingiu 49% do total dos ocupados, segundo dados do 1º quadrimestre de 2008 da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um dos grandes movimentos no setor trabalhista, no país, se deu em junho quando foi lançada, oficialmente, a Frente Nacional Contra o Trabalho Escravo. No momento, está em tramitação, no Congresso Nacional, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438 que determina a expropriação (sem pagamento de indenização) de propriedades onde for constatada a exploração de mão-de-obra escrava. Para o procurador Jonas Ratier Moreno, da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do Ministério Público do Trabalho (MPT), a aprovação da PEC seria uma resposta “à altura aos questionamentos internacionais à produção agropecuária brasileira”. Segundo ele, há acusações de que produtos brasileiros podem estar “sujos” pela utilização de mão-de-obra escrava. Pequenos escravos Dicas de Reggiani rostituição, trabalho forçado e imposição à pratica da mendicância são as principais causas de exploração sofridas por crianças provenientes do Leste Europeu e da África, na Itália. A denúncia faz parte do relatório “Pequenos Escravos” da divisão italiana da organização Save the Children. Nigéria e Romênia seriam os países que mais atuariam no tráfico de pessoas e segundo o documento, 938 crianças e adolescentes exploradas foram atendidas na Itália entre 2000 e 2007. — O número de vítimas pode ser maior por que muitas crianças são ‘invisíveis’ não recebendo proteção ou qualquer tipo de assistência. As crianças são úteis para os grupos que se dedicam à exploração, pois são mais fáceis de aliciar e, no caso da mendicância, despertam compaixão. Além disso, os menores de 14 anos não são imputáveis criminalmente — explica a coordenadora da área de proteção da ONG, Carlotta Bellini. experiência adquirida por Reggiani na Itália fez com que, aqui no Brasil, o médico transmitisse seus conhecimentos. No seu site, ele fala a respeito de profissões valorizadas, direitos trabalhistas, salários e até condições para quem tem dupla cidadania: ● A Itália precisa de mão de obra de todo tipo, especializada e não especializada. Atividades como a de soldador, eletricista, mecânico e marceneiro geram trabalho quase que imediatamente. O emprego altamente especializado (título universitário) pode ser mais demorado para se encontrar, porém o retorno financeiro será maior. ● As garantias sociais do trabalho existem e funcionam bem. Existe, além do 13° salário, o 14° salário, que é pago em julho. Alguns outros direitos dos trabalhadores são: garantia contra doenças e acidentes de trabalho, férias longas e remuneradas, licença maternidade (que pode ser de até 9 meses) e outras licenças garantidas por lei como greve e problemas pessoais. ● O salário mínimo italiano é cerca de 900 euros. Com esta quantia um cidadão que não é casado e não tem filhos pode manter um carro, pagar um aluguel, ter celular, sair à noite, viajar e ir a restaurantes. São poucos os italianos que ganham salário mínimo e isto ocorre normalmente no início da carreira e com os menos qualificados. ● Pode acontecer de os empregadores preferirem estrangeiros (com cidadania italiana) porque entendem que aqueles que vêm de países em desenvolvimento estão acostumados a trabalhar “bastante”, ou seja, não ligam de fazer hora extra ou trabalhar domingos ou feriados em troca de um incremento no salário. Em determinadas áreas, onde se precisa de conhecimentos específicos, pode não ser uma vantagem ser estrangeiro, mas em outras (por exemplo, trabalho com turismo, tradução, música, multinacionais), o fato de ser ítalo-brasileiro é uma vantagem franca. P A Novembro 2008 / ComunitàItaliana 33 In partenza Dopo quattro anni, il console di’Italia a Rio de Janeiro si congeda dal Brasile portandosi nei bagagli abitudini prettamente cariocas. Qui lascia un’eredità di azioni che segnano la presenza italiana nella città P Sílvia Souza an di Zucchero, caipirinha e churrasco sono cose che incantano tutti i turisti che visitano Rio de Janeiro. Non solo loro. Anche i carioca adorano tutto ciò. Cosa dire, allora, di un italiano che diventa cittadino onorario della città? E questi è un italiano che ha proprio il Pan di Zucchero come vista dall’appartamento dove ha abitato negli ultimi quattro anni. Questo “italo-carioca” è il console italiano a Rio de Janeiro, Massimo Bellelli. Però adesso comincia a fare le valigie. Dopo otto anni fuori dall’Italia, ritorna con la famiglia a Roma, dove lavorerà al ministero degli Esteri. Bellelli porterà nei suoi bagagli i titoli di cittadino onora- rio carioca e fluminense. Questi omaggi non gli sono stati attribuiti per prassi protocollare. Riflettono bene il tipo di azioni del console nella città e nello stato di Rio de Janeiro. Non è un caso che lui sia un autentico napoletano. E sono proprio i napoletani i primi a dire che Rio e Napoli sono città che hanno molto in comune. — Sono nato a Zagabria e sono abituato a questo “jeitinho”di tentare di risolvere le cose con il carisma che solo i carioca hanno. Spesso io stesso ho presentato agli italiani che ci hanno visitato questa caratteristica che ritroviamo qui — commenta il console, 53 anni, padre di tre figli. Prima di venire a Rio, Bellelli è stato console aggiunto a São Paulo agli inizi degli anni ’90. Poi ha lavorato a Bruxelles (Belgio) come capo del settore commerciale. I suoi primi due figli sono nati a São Paulo. Invece il più piccolo è nato in Italia. L’integrazione del console con la città sede della sua circoscrizione (che serve anche gli stati Espírito Santo e Bahia) è stata inevitabile. Ancora prima di trattarsi di un’affinità particolare, Bellelli ha capito che questo sarebbe stato fondamentale per il buon disimpegno del suo lavoro. In fondo, quando è arrivato qui la prima cosa che ha capito è stata che il carioca non sapeva nemmeno dov’era il consolato italiano. — Ho preso un taxi ed ho chiesto che mi portasse al consolato. L’autista non sapeva dove rimaneva e mi ha chiesto l’indirizzo. Quando gli ho detto che era all’avenida Presidente Antonio Carlos, lui mi ha detto: ‘Ah, accanto al consolato della Francia’ — ricorda. Da quel momento, Bellelli ha deciso che bisognava fare qualcosa affinché la sede del consolato diventasse riferimento per i discendenti di italiani e per la popolazione della città in generale. Si è reso conto che una grande opportunità potevano essere i festeggiamenti per la Proclamazione della Repubblica Italiana. Così, tre anni fa, ha instituito la Festa della Repubblica. La prima edizione, ancora timida, ha avuto luogo per la strada, di fronte al consolato. L’evento si è ingrandito e, dall’anno seguente, si è “trasferito” nella piazza Virgílio de Melo Franco, che rimane dietro al palazzo. — Con la festa abbiamo segnato la nostra presenza, abbiamo presentato le istituzioni che aiutiamo e abbiamo reso noto il lavoro che facciamo. Senza dubbio è stata un’iniziativa che ci ha reso più visibili — valuta il console. Anche se è alla fine del mandato, Bellelli ancora si impegna per mettere in pratica due progetti. Uno di essi è la riqualificazione della Piazza Italia, spazio che include la strada laterale del consolato, all’angolo tra le avenidas Beira Mar e presidente Antonio Carlos. L’altro è la creazione di una scuola italiana con formazione per poter corrispondere ai curriculum brasiliano e italiano. Bellelli racconta che il progetto della piazza, presentanto al sindaco due anni fa, include come abbellimento un busto dell’impe- Roberth Trindade La vista che il console contempla dal terrazzo del Consolato. Accanto, in posa al Pan di Zucchero in una visita ufficiale 34 ComunitàItaliana / Novembro 2008 ratrice Teresa Cristina, p la moglie napoletana di Dom Pedro II, oltre ad una illuminazione scenica. Secondo lui, si tratta di un progetto che “c’è da un po’ di tempo, ma che la burocrazia ritarda sempre”. Invece la scuola è il recupero di un’istituzione che è già esistita. Secondo il console, bisogna creare un luogo di insegnamento “che apra le porte dell’Europa per figli e discendenti di italiani”. Tra i lavori portati a termine, Bellelli mette in risalto l’avvicinamento con l’Academia Brasileira de Letras, in partenariati letterari e accordi; la pubblicazione di una guida e di un’agenda consolare e l’impiantazione, da tre anni, della tessera Clube Itália, gestita dal Comitato Olimpico Nazionale Italiano (CONI). Il documento dà sconti agli associati in ristoranti, farmacie e vari altri negozi. Una delle cose di cui va orgoglioso è l’adozione di un’assicurazione sanitaria per italiani carenti della circoscrizione. Di recente il console “carioca” ha inaugurato nel palazzo del consolato la Sala Roma, dove vengono proiettati tutte le settimane film italiani. Nel campo della politica il console considera come fiore all’occhiello della sua gestione il viaggio con il governatore fluminense Sergio Cabral in Italia, l’anno scorso. Secondo lui, l’esperienza come cicerone ha contribuito all’approfondimento delle relazioni tra le regioni visitate e lo stato di Rio. — Mi piace seguire tutto da vicino e mi sono sforzato per essere presente in vari luoghi. È una brutta cosa che la colonia si muova e non riceva appoggio dal governo italiano. Mi ha interessato molto accompagnare l’équipe fluminense, perché questo percorso inverso non è comune. Siamo passati in Calabria (durante i festeggiamenti per i 500 anni di San Francesco di Paola), in Sicilia e in Campania e in tutti i posti abbiamo potuto sfruttare le peculiarità con lo sguardo di chi sta dentro — ha detto. Durante la gestione di Bellelli il consolato italiano a Salvador è stato portato alla posizione di onorario, l’unico in Brasile. Nell’area economica, il console crede che le sue azioni abbiano permesso il recupero di partnership tra imprese italiane e italo-brasiliane. La prima porta aperta per questo percorso è stata la tradizionale Feira Roberth Trindade diplomazia da Providência, realizzata tutti gli anni dalla Archidiocesi di Rio. In questa tappa, Bellelli ha potuto contare sul grande aiuto della moglie Matilde: — Persone legate all’evento mi hanno chiesto aiuto per l’importazione di prodotti. Ho designato mia moglie per seguire tutto il processo. Gli organizzatori sono rimasti sorpresi perché, fino a quel momento, questo non era un procedimento comune. In realtà pensavano che fosse un errore non avere una nostra presenza effettiva all’evento. Abbiamo cominciato a portare i prodotti da lanciare sul mercato. Matilde coordinava tutto e “ha vestito la camicia”, come si dice qui — racconta Bellelli. Ancora nel campo degli affari, il console mette in risalto l’apertura dell’ufficio dell’Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE) a Rio come “un differenziale” dell’azione. E racconta che, quando è arrivato in città, “non c’erano queste attenzioni”. — Ci siamo mossi per collegare tutte le sfere in cui abbiamo agito e così le azioni sociali, politiche, economiche e culturali hanno avuto un più rappresentativo riscontro. Abbiamo sfruttato tutte le opportunità per rendere noto questo lavoro di insieme — mette in risalto Bellelli, che è laureato in Legge presso l’Università di Roma ed è dottore in Economia, indirizzo Gestione Aziendale, presso l’Università di Ginevra. Lettore vorace, il console di solito legge da due a tre libri simultaneamente. Per ciò che riguarda i libri brasiliani, preferisce opere storiche e che si occupino In alto, una foto di Bellelli nel suo ufficio. Accanto, in omaggio concesso dal governo italiano all’architetto Oscar Niemeyer. Sotto, accanto alla moglie, Matilde, in uno dei suoi momenti da fotografo di politica. Ma come autore, preferisce lasciare il paese con una pubblicazione nell’area gastronomica. Si tratta di un libro di ricette della cucina mediterranea per giovani, che sarà lanciato il prossimo mese. La scelta e produzione dei piatti presentati nel libro sono stati scelti dai figli più grandi. Il ritorno di Bellelli in Italia è previsto per dicembre. Una delle cose di cui il console ammette che sentirà più la mancanza, a Rio, sarà il carnevale. Tutti gli anni, è stato presente al Sambodromo per fare il tifo per la sua scuola del cuore, la Portela. Ma nella avenida è entrato una volta sola, l’anno scorso, quando è stato invitato a sfilare con l’Império Serrano. Gran parte del suo amore per Rio de Janeiro è rimasto registrato in fotografie. Bellelli ha già avuto Novembro 2008 / come hobby la fotografia. In gioventù, a Roma, il diplomatico ha fatto un corso di due anni di fotografia e regia cinematografica. Ha addirittura avuto un laboratorio fotografico e una radio, con un gruppo di amici, e firmava un pezzo sullo sport in un quotidiano. Da queste parti, le fotografie della città sono state fatte in camminate fatte nei luoghi turistici cariocas come l’Aterro do Flamengo, la Pedra da Gávea o il Cristo Redentore. In macchina, ha percorso vari punti turistici di città della sua circoscrizione. Ad ogni fermata ha ripetuto il rito di provare i piatti tipici della regione e di conoscere i costumi locali. Chissà se, in Italia, Bellelli potrà esporre tutto questo materiale e assumere una nuova funzione: quella di “console” di Rio a Roma. ComunitàItaliana 35 cooperação Paolo de Santis, adido científico da Embaixada da Itália no Brasil; Marco Gilli, vice-reitor do Politécnico de Turim; Cledorvino Belini, presidente da Fiat para a América Latina; Antonio Anastasia, vice-governador de MG; Alberto Portugal, Secretário de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais e Raphael Guimarães, Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais Em busca de excelência Grupo Fiat e Politécnico de Torino, da região do Piemonte, firmam, em Minas Gerais, parceria para o desenvolvimento de pesquisa O Geraldo Cocolo JR estado de Minas Gerais e a região do Piemonte estreitaram ainda mais seus laços. Em outubro, um mês antes da missão mineira chefiada pelo governador Aécio Neves chegar àquela região italiana, o presidente do Grupo Fiat, Cledorvino Belini e o vicereitor do Politécnico de Torino, Marco Gilli, assinaram um protocolo de intenções. Com isso, foi formalizado o início de uma parceria para a execução de projetos de interesse comum e promoção da pesquisa e formação técnicocientífica em engenharia automotiva, design e tecnologia em combustíveis. A assinatura do acordo, que aconteceu na Casa Fiat de Cultura, contou com a presença de várias autoridades, como o vicegovernador de Minas Gerais, Antônio Augusto Anastasia, o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Duque Portugal e o professor Paolo Santis, adido cultural do departamento de estudos científicos da embaixada da Itália no Brasil. Entre os principais objetivos do acordo estão o estímulo à produção científica e tecnológica 36 brasileira e a promoção de intercâmbio de conhecimentos, a fim de formar profissionais cada vez mais qualificados. O protocolo de intenções prevê também estimular pesquisas de tecnologias não poluentes. — Este é um passo fundamental para continuarmos na vanguarda da técnica e do design. O acordo com o Politécnico potencializará a produção de conhecimento com foco na excelência e na inovação — afirma o presidente do Grupo Fiat, Cledorvino Belini — Queremos reproduzir no Brasil a cooperação que existe entre o Politécnico di Torino e a Fiat na Itália. As economias mundiais estão globalizadas e o Brasil está inserido nesse mercado. Gerar e absorver novos conhecimentos são vitais para a Fiat. Temos convênios com diversas universidades, mas precisamos de ainda mais saber, para melhor fazer. A parceria com o Politécnico de Turim contribuirá para fortalecer as atividades de formação e geração de conhecimento que o Grupo Fiat desenvolve há cerca de 15 anos, por meio de acordos com mais de 40 universidades brasileiras e outras 12 ins- ComunitàItaliana / tituições no exterior. A aliança também favorecerá o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva, com fornecedores dos diversos setores em que o Grupo Fiat atua também se beneficiando dos cursos a serem oferecidos. De acordo com Belini, os investimentos anunciados pelo Grupo Fiat até 2010, no valor 6 bilhões de reais, referem-se à ampliação da capacidade produtiva, desenvolvimento de novos produtos, aprimoramento dos processos e da qualidade, além da constante criação de soluções inovadoras para o setor automobilístico. Para alcançar todos esses objetivos é primordial a cons- Novembro 2008 trução de novas competências. O convênio com o Politécnico de Turim potencializará essa produção de conhecimento com foco na excelência e na inovação. O protocolo de intenções prevê também estimular pesquisas de tecnologias não poluentes, inclusive para a produção de veículos mais amigáveis ao meio ambiente. Politécnico de Turim O Politécnico de Turim é uma das oito universidades mais importantes da Europa, tendo sido fundado em 1859. Com concentração de estudo nas áreas da Engenharia, Arquitetura e Design, o centro universitário de Turim mantém intensa cooperação com a Fiat italiana há quase um século, sobretudo através do CRF – Centro Ricerche Fiat (Centro de Pesquisas Fiat). No âmbito desta parceria, o Politecnico de Turim está implantando o mais importante centro de pesquisas sobre biocombustíveis da Europa. No Brasil, o Politécnico de Turim mantém programas de colaboração com diversas entidades brasileiras como a CAPES e instituições de ensino como USP, Unicamp, UnB, UFSC e UFMG. Em Minas Gerais, o Politécnico de Turim mantém vínculos também com o governo do Estado para o desenvolvimento conjunto de pesquisa científica e tecnológica na área de design. ROMA uteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSalut Lisomar Silva Azeite, sim! Pintores O azul infinito do céu descrito há 50 anos na música Volare de Domenico Modugno, parece estar contido no imenso leque de cores e matizes do céu de Roma. É importante olhar para o alto, de qualquer ponto da cidade. Os edifícios do centro histórico chegam a ter cinco andares e, na periferia, não passam dos dez ou doze andares. Admiram-se milhões de tonalidades de azul, do mais claro ao blu cobalto passando pelo blu índaco, que se fundem desde os primeiros momentos da aurora até as últimas frações de minutos do crepúsculo, durante quase todo o ano. Nos dias ensolarados, com ou sem os clássicos cirros e os cúmulus nimbus típicos do céu romano, as nuvens têm reflexos Para você admirar P ara se desvendar os segredos da luz e do clima romanos, é preciso acordar cedo. Esse momento do dia é a melhor hora para se apreciar os tons rosados da fachada da Basílica de São Pedro no Vaticano. Após uma entusiástica visita à Basílica e aos Museus da Santa Sé, é possível admirar a visão de Roma a partir da Cúpula de São Pedro. Mas esse não é o único ponto privilegiado da cidade. Roma é venerável por inteira do alto da Terrazza della Quadriga do Monumento Vittoriano, localizado na Piazza Venezia e dedicado ao soldado desconhecido. Já as ruínas do Fórum Romano são apaixonantes quando admiradas a partir dos terraços do Capitólio e dos corredores do Coliseu. As luzes da manhã e os tons púrpuros da tardinha tornam poéticos os panoramas que a cidade oferece a partir das Praças Trinità dei Monti e Quirinale, junto à sede da Presidência da República. Nas horas do crepúsculo, é fundamental estar sentado no gramado ao longo do Circo Mássimo para se admirar as monumentais ruínas em tijolos vermelhos do Fórum Palatino, ou se encostar nos muros da Piazzale Garibaldi, na colina de Gianícolo, para devorar com os olhos a mágica beleza que Roma revela até o anoitecer. 38 ComunitàItaliana Até Vinícius O céu de Roma foi inspirador de grande e prazerosa produção cultural na década de 50 com Vinícius de Moraes e Sergio Buarque de Hollanda. Naquela época, o célebre poeta e compositor musical carioca se encontrava em Roma na veste de Embaixador brasileiro na sede da Piazza Navona. Já o famoso historiador paulista lecionava junto à catedra de Estudos Brasileiros na universidade La Sapienza de Roma. Ambos puderam acompanhar também os primeiros passos romanos do então jovem (e desconhecido) cineasta Federico Fellini que, em 1987, colocou o azul profundo e as nuvens brancas do céu romano em seu filme L’intervista. / Novembro 2008 de luz branco-rosada ou laranja-salmão até os tons lilás e violeta. Nas tardes douradas primaveris e outonais, com temperaturas amenas e o refrescante sopro do Vento di Ponente que vem dos mares Tirreno e Adriático, a cidade e seus monumentos ganham perspectivas visuais de acentuada profundidade em contínua transformação. É fruto do jogo que o contraste de luz e sombra cria com o passar das horas, em uma surpreendente série de imagens inéditas, nascidas de um espaço urbano que é sempre o mesmo: a Cidade Eterna. A luz crepuscular, com os últimos raios de sol que avermelham as paredes e fachadas dos edifícios, torna o azul do céu ora mais intenso, ora mais esbranquiçado. Condenação O céu de Roma na Renascença também foi tema de processos e condenações que o Tribunal da Inquisição (hoje Congregação para a Doutrina da Fé) impôs a Galileu Galilei, em 1616, cinco anos depois que o grande físico, astrônomo, filósofo e matemático italiano se transferiu de Florença para Roma como embaixador do Grão-Ducado de Toscana. A sentença, confirmada em 1633, foi cancelada 359 anos, 4 meses e 9 dias depois: em 31 de outubro de 1992, Papa João Paulo II, em discurso pronunciado durante uma audiência aos componentes da Pontifícia Academia de Ciências, anunciava que a Santa Sé havia reabilitado o cientista Galileu Galilei. Arquivo A culpa é dela U ma pesquisa norte-americana realizada pelo Departamento de Assuntos de Veteranos do Centro Médico da Universidade de Oklahoma afirma que a bactéria intestinal enterococcus faecalis pode ser responsável pelo desenvolvimento de câncer de intestino. O estudo foi divulgado no Journal of Medical Microbiology, mas houve quem contestasse. O microbiólogo da Universidade de Liverpool, na Grã-Bretanha, afirma que a bactéria pode ser a culpada, mas que outras presentes no intestino também podem ser responsáveis pela doença. “Sabemos que a bactéria está presente nos intestinos da maioria das pessoas, porém, nem todos têm câncer. Isso indica que devem existir outros fatores”. U ma pesquisa da Universidade de Calgary, no Canadá, sugere que a poluição do ar pode aumentar o risco de inflamação do apêndice. Os cientistas identificaram mais de 45 mil adultos que foram internados com casos de apendicite entre 1999 e 2006. O estudo, apresentado na Conferência de Gastroenterologia do American College, sugere que a poluição aumenta o risco geral de inflamação do tecido. A análise dos casos revelou que os pacientes tinham 15% a mais de probabilidade de internação em dias com maiores concentrações de ozônio no ar, comparado com dias em que a concentração de ozônio era menor. Diabete Café da manhã T ambém para perder peso, uma dica é comer ovos no café da manhã. Isso é o que sugere uma pesquisa feita pelo Departamento de Obesidade da Pennington Biomedical Research Center da Universidade da Louisiana (EUA). Os pesquisadores analisaram 152 pacientes, homens e mulheres, entre 25 e 60 anos. Parte do grupo consumiu toda a manhã dois ovos e outra parte adotou bagel - pão tradicional americano. Ao final de oito semanas, a perda de peso entre a turma do ovo foi 65% maior na comparação com os demais voluntários. O índice de redução de cintura também foi 34% maior entre eles, assim como a redução de gordura - 16% maior. Sonho perfumado U m estudo apresentado na reunião anual da Academia Americana de Otorrinolaringologia, em Chicago (EUA), indica que os aromas inalados enquanto uma pessoa dorme influenciam seus sonhos. Na Alemanha, pesquisadores do Hospital da Universidade de Mannheim chegaram à mesma conclusão. Lá, voluntários foram expostos a odores bons e ruins durante o sono. Depois de acordados, eles relataram suas impressões, mas não se lembravam de haver sentido os cheiros. Os cientistas concluíram que, quando o odor desagradável foi usado, o tipo de emoção vivenciada durante o sonho era negativo. Sob o estímulo do odor agradável, quase todos os sonhos relatados tinham conotações positivas. Poluição U ma esperança contra o diabetes foi apresentada no Congresso Europeu de Diabetes. Trata-se de uma injeção semanal de remédio para controlar a glicose e uma caixinha de materiais biocompatíveis. Ela tem 4 centímetros de diâmetro e 2 milímetros de espessura, contendo células que produzem insulina. Esta será introduzida no pâncreas e substituirá as células produtoras de insulina destruídas pela doença. Como o Viagra P esquisadores italianos da Universidade de Milão desenvolveram um composto com folhas de uma erva conhecida como chifre de cabra. Pode ser o início do desenvolvimento de uma nova droga para tratar a deficiência orgânica erétil. A planta tem o nome científico de Epimedium brevicornum. Exames preliminares indicaram que a droga feita com o composto causa menos efeitos secundários do que o Viagra, inclusive em relação ao coração. Agora, o composto passará por uma longa fase de testes clínicos antes de ser aprovado definitivamente. Ou seja, pode demorar 10 anos até ser lançado no mercado. Arquivo Nel blu dipinto di blu Reprodução Fotos: Arquivo céu de Roma atraiu e fascinou os pintores flamingos que se inspiraram em cenas da vida cotidiana para criar suas obras. Artistas como Caravaggio registraram os tons de azul intenso e luminoso em seus quadros. Esses tons também são encontrados nos célebres afrescos que Rafaello criou nos salões do Vaticano, além da monumental obra de Michelangelo na Capela Sistina. Arquivo O o consumir azeite, uma transformação ocorre no seu organismo, mais precisamente no abdômen: ele impede o depósito de gordura bem ali, na linha da cintura. Parece um contra-senso, já que o alimento é um dos mais calóricos. Cada grama oferece cerca de nove calorias. Mas a descoberta é séria: o consumo evita mesmo a barriga indesejada. Cientistas de diversas universidades européias publicaram seu trabalho no periódico Diabetes Care, da Associação Americana de Diabete, em que compararam exames de imagem de voluntários, antes e depois do consumo do óleo. Eles observaram que o hábito diminuiu os depósitos de gordura no abdômen. O ideal seria consumir duas colheres de sopa por dia para obter o benefício. Arquivo A Novembro 2008 / ComunitàItaliana 39 De toda a humanidade Uma das cidades mais antigas do litoral sul do Rio, Paraty aposta no turismo o ano inteiro e tem suas particularidades descobertas cada vez mais por italianos P Sílvia Souza ense em um lugar belo o bastante para se aproveitar a natureza marítima em águas capazes de atrair de surfistas a famílias numerosas. Um lugar onde, escondidas numa densa e preservada Mata Atlântica, cachoeiras formam véus de cascatas cristalinas. Onde a vida noturna põe o visitante em contato com a arquitetura colonial brasileira e a gastronomia atende a todos os gostos. Pense em um local que tem como vocação receber e que lança mão de vários recursos para ser a capital do turismo no Brasil. Do alto de sua posição de patrimônio histórico da humanidade, Paraty tem todos esses atributos. E está prestes a abocanhar o título de patrimônio mundial da Unesco. Em 2009, a organização renova a lista de indicação e a grande aposta do governo federal é o roteiro do Caminho do Ouro, que percorre o antigo trajeto usado para transportar o ouro de Minas Gerais a Portugal, na época do Brasil colonial. Perto da temporada de calor, a cidade que já é visada o ano inteiro, se prepara para acolher um público cada vez maior. Com seus quase mil quilômetros quadrados, o município está a pouco mais de quatro horas da capital do Rio de Janeiro e encanta visitantes de dentro e fora do país. Nas praias, a coloração do mar varia do verde esmeralda ao transparente. O centro histórico, com calçamento feito por filhos de escravos e onde carro não entra, tem igrejas construídas nos séculos 17 e 18, como a de Santa Rita, um dos cartões-postais da cidade - imagem acolhedora a quem chega pelo cais. Tudo em Paraty parece ter sido feito como em nenhum outro lugar. Talvez por isso, alguns italianos já tenham encontrado seu cantinho especial na cidade que abriga a maior festa literária do Brasil e figura como uma das poucas a ter um produto com procedência registrada - a cachaça. Além de Paraty, só os vinhos do Vale dos Vinhedos, a carne do Pampa Gaúcho, no Rio Grande do Sul, e o café do cerrado, em Minas Gerais, possuem essa certificação. — Estou há 13 anos no Brasil e já estive em outros lugares aqui e fora. Posso dizer que esse litoral e a vizinhança chamam a atenção. Paraty convoca as pessoas interessadas em conviver com a realidade cultural brasileira — comenta o chef Alfonso Tarallo, italiano nascido em Salerno (Campania) e proprietário do Spaghetto, restaurante especializado na cozinha mediterrânea — Acontece que nós somos muito amarrados em nossa culinária. Gostamos de experimentar novas sensações, mas sempre voltamos às raízes e essa dieta é baseada em produtos saudáveis, que tem relação com o mar, assim como em Paraty. Quem também provou da mistura paratiense foi o empresário Guerrino Fabbri, ou melhor, Bruno. Nascido em Rimini (Emilia Romagna), o chef se rebatizou, ainda que não oficialmente, escolhendo o nome pelo qual todos o conhecem hoje, na cidade. — É o que eu gosto e muito mais simples — explica. Casado com a brasileira Leslye, o casal administra o restaurante Pinóquio, especializado em massas, e a sorveteria Miracolo, que levou a Paraty o sorvete artesanal como ele é tradicionalmente feito na bota. — Combinamos que ele fica com o sorvete e dá assistência aos negócios na parte da manhã e eu venho na parte da tarde e da noite — explica Leslye. Os nomes dos empreendimentos repetem os nomes usados nos locais em que trabalhavam quando se conheceram, em Aparecida do Norte, São Paulo. O casal tem uma filha de seis anos e está em Paraty há dez. Nas baixas temporadas, costumam ir à praia, nas quartas-feiras. — Há lugares que ainda não conhecemos apesar do tempo que vivemos aqui. Além das belezas naturais, nos sentimos seguros. Eu me apaixonei e a cidade tem todo um circuito que o aproxima da terra dele. Italianos e europeus em geral nos visitam — diz Leslye, sendo completada pelo marido — Ela se apaixonou e eu comprei a idéia. Só não gosto muito dessas pedrinhas no meio do caminho, mas fazer o quê? Paraty tem seu charme — brinca. Rumo certo Cenário para filmes e de portas abertas para artistas – como o fotógrafo italiano Giancarlo Mecarelli, que organiza a mostra Paraty em Foco e tem a Galeria Zoom no centro histórico - Paraty oferece opções diversificadas a quem a visita, o que pode causar uma indecisão na hora de Fotos: Roberth Trindade turismo Para todos os gostos: centro histórico tem vida noturna agitada (acima) e as escunas levam turistas à mais belas ilhas. Leslye e “Bruno” investem na gastronomia italiana. O macarrão de chocolate é exclusividade da casa escolher que atividades realizar. Só em ilhas, são cerca de 50. Além disso, há pontos de pesca e mergulho. A cidade, que foi fundada em 1667 em torno à Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, sua padroeira, é convidativa. De dia, é possível fazer passeios de saveiro, trilhas, ecológicas na Serra da Bocaína ou saborear pingas, em Pousada Corsário 40 ComunitàItaliana / Novembro 2008 visitas a engenhos. Também se pode voltar à infância transitando de bicicleta ou a cavalo. Para quem gosta de ecoturismo, há espaço para praticar arvorismo e se jogar numa tirolesa. À noite, além dos restaurantes e bares, o cardápio inclui shows, poesias e espetáculos teatrais. Muitos dos rios de Paraty desembocam no oceano. O PerequêAçu, símbolo da cidade, é um deles, que chega ao centro em curso paralelo à avenida principal. No mesmo ponto, é margeado por pousadas dispostas a oferecer as facilidades do mundo moderno sem descuidar da ambientação natural. A Pousada Corsário, por exemplo, reproduz com pedras as vias internas que separam os setores e mais de 40 quartos. Com restaurante-bar e salão de jogos próximos à piscina, é um bom local para se observar a passagem de um barco pesqueiro subindo ou descendo o rio, ou ainda pessoas bem dispostas se exercitando na margem oposta. Novembro 2008 / Ao lado da recepção, uma sala de estar com juke box e televisão faz divisa com a sala de computador. Também fica à disposição uma sauna. A pousada tem escuna própria, a Sir Francis Drake, com roteiros diferentes para cada dia da semana. Serviço Pousada Corsário - Rua João do Prado, 26 Tel. (24) 3371-1866 Paraty Tours – Avenida Roberto Silveira, 11 Tel. (24) 3371-1327 / 2651 / 6112 Ristorante Spaghetto – Rua da Matriz, 27 Tel. (24) 3371-2947 Restaurante Pinóquio – Rua da Lapa, 11/12 Tel. (24) 3371-1009 Sorveteria e Lanchonete Miracolo – Praça da Matriz, 8 Tel. (24) 3371-1045 Engenho D’Ouro – Estrada Paraty Cunha Km 8 Tel. (24) 9905-8268 Fazenda Murycana – Tel. (24) 3371- 1153 / 3930 ComunitàItaliana 41 Falta paixão Filósofo italiano ligado à Igreja Católica faz palestra no Brasil e prega a condenação dos padres pedófilos Tatiana Buff Correspondente • São Paulo A crise econômica mundial, no final das contas, pode se mostrar uma boa notícia para todo o mundo. É nisso que acredita o filósofo italiano Massimo Borghesi. Professor da Universidade de Perugia e das Pontifícias Universidades São Boaventura e Urbaniana – ambas em Roma – ele esteve pela primeira vez no Brasil, no mês passado, para uma série de conferências promovidas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A convite do Núcleo de Fé e Cultura da instituição, as palestras abordaram temas como secularização, cultura moderna e política, a “crise da fé” e a pedofilia dentro da igreja. Também no Rio de Janeiro e em Petrópolis, Borghesi falou a pesquisadores e estudantes da área. Contundente, o filósofo declarou em entrevista à Comunità que a realidade globalizada transmutou vocações e valores em meras “funções burocráticas”, o que se tornou um péssimo exemplo para os jovens: — O problema hoje é que não há mais modelos, nem professores nem mestres. Essa é a verdadeira globalização — acredita o filósofo. Para o filósofo, a partir de 1989, com o fim do muro de Berlim, passou-se “a uma espécie de euforia”, que levou a uma globalização sem regras, permeada apenas por projetos de enriquecimento indiscriminado. Faltou, segundo ele, “um critério mínimo 42 ComunitàItaliana / Novembro 2008 de orientação e seleção dos rumos da economia”. A humanidade, é claro, paga por isso “com graves riscos”. — A crise assinala indubitavelmente uma passagem que pode ser vista como um retorno ao primado da política. Nesses anos houve o primado da economia, do mercado, absolutizado como um modelo quase perfeito, como se da globalização derivasse bem-estar para todos. Temos que nos render que não é assim. O mercado deve ser regulado. Da mesma forma, a economia deve ser real, não puramente financeira. Este retorno ao primado da política, por si só, é uma boa notícia — acredita. Isso, porém, não significa que Borghesi pregue como solução a existência de um Estado interventor “porque o Estado não deve engolir tudo”. Sua função é clara, na opinião do professor: estabelecer regras para a economia de modo que os interesses correspondam a uma utilidade geral. — Não devemos ter mais uma economia simplesmente dirigida para a vantagem de poucos indivíduos que perseguem o próprio interesse egoístico, desinteressando-se totalmente do bem-estar geral. Isto não é mais tolerável. Infelizmente percebemos isso, como usualmente, com atraso. Tanto é que, nos Estados Unidos, com essa manobra de bilhões de dólares, os contribuintes, que nada têm a ver com a especulação, devem pagar a dívi- Fotos: Claudio Cammarota filosofia da por culpa de alguns indivíduos — observa. E se o futuro sempre foi atribuído a uma ação protagonizada por jovens, estamos mal. Na opinião de Borghesi, “falta paixão” a eles, atualmente. Para o filósofo, essa falta de ânimo está relacionada com a tal globalização “que transmutou vocações e valores em meras funções burocráticas, insuficientes para preencher as expectativas emocionais e espirituais de crianças e adolescentes por bons exemplos em quem se espelhar”. Culpa da igreja Autor de mais de uma dezena de livros como A figura de Cristo em Hegel, Secularização e Niilismo e Pós-modernidade e Cristianismo, todos inéditos no Brasil, Borghesi culpa a igreja por essa falta de motivação dos jovens. Afinal, a instituição também não está dando bons exemplos. Vide os casos de pedofilia para os quais prega o encaminhamento à Justiça comum para que os envolvidos sejam presos. Padres, sacerdotes e quaisquer membros da igreja responsáveis por casos de pedofilia cometidos dentro da igreja católica devem ser expulsos, denunciados, presos e julgados pela Justiça, na opinião do filósofo, muito ligado à igreja católica. Lembrando as advertências feitas pelo Papa Bento XVI acerca dos crimes, enfatizou que pedofilia é intolerável e um pecado gravíssimo. — Recordo o que diz o próprio Evangelho: ‘quem terá escandalizado um só destes pequenos é melhor para ele que pendure uma mão ao pescoço e se jogue ao mar’. Jesus convida ao suicídio estes criminosos; não é só um pecado gravíssimo e imperdoável, mas é também um crime contra o Estado, a sociedade civil e, como tal, deve ser punido — afirma. Para Borghesi, não pode haver mais “omertà” - omissão ou silêncio coletivo - para com os pedófilos, em qualquer parte do mundo. Afinal, eles são a antítese das referências morais esperadas da igreja. — É inadmissível calar-se em relação aos culpados por esses crimes. Os bispos não podem esconder sacerdotes ou religiosos; eles devem ser denunciados à autoridade civil e imediatamente abandonar o hábito sacerdotal. Estão fora da igreja, assim como estão fora da sociedade. Sem bons exemplos Segundo o pensador, cabe à igreja restituir aos jovens a fé na política e nos valores humanos, “esvaziados por incontáveis histórias de personalidades corruptas em todas as áreas”. Paralelamente, a política “deveria dar o testemunho de paixão autêntica por parte de quem governa e representa a liderança dos países”. Afinal, se os jovens só vêem corruptos, “sem a mínima paixão pela realidade popular e pelos problemas da gente”, não haverá ídolos em quem se espelhar. — O problema hoje é que não há professores nem mestres. Essa é a verdadeira globalização. Assim como se exportam coisas boas, se exportam ruins. O vazio juvenil atinge a Europa, os Estados Unidos, a América Latina e o sul da Ásia em grande medida, Coréia e Japão. Na China estão enfrentando agora os problemas de um desenvolvimento econômico acelerado. O verdadeiro nó é a falta de experiências a serem propostas como referência. Na sua avaliação, a desvalorização da religiosidade, da reverência por algo superior ao homem, suas atividades e bens produzidos, entendida como “secularização”, significou uma “progressiva burocratização” que destruiu as chamadas vocações individuais. Novembro 2008 / — As principais figuras sociais, que até 30 anos atrás eram também morais, como vocações, se tornaram funções. O médico, o político, o professor e, às vezes, até o padre tornaram-se funções burocráticas. Não são mais vocações pessoais, correspondem simplesmente ao exercício de uma função motivada por um interesse freqüente de caráter econômico — exemplifica. Este fenômeno tem conseqüências em nível moral, uma vez que os jovens se identificam com valores através dos modelos sociais, alerta o filósofo. Isso porque, como observa Borghesi, os valores são abstratos e estão sempre incorporados às figuras sociais. Se essas figuras se tornam anônimas, “se não têm mais relevância ética, se não indicam um bem, uma capacidade de dedicação”, isso se reverte nos jovens “em um sentido cético da vida”. Para o filósofo, uma das piores conseqüências disso é o recolhimento individual, egoísta, “no qual o único objetivo é fazer a própria carreira, sem escrúpulos, para atingir o mais rápido possível a satisfação dos próprios desejos”. Ele cita como exemplo desse quadro “o ceticismo político constatado nas últimas eleições na Itália”, com grande número de abstenções. Ele está certo que esse quadro traduz “um longo processo de desencanto geral”. Na sua avaliação, após o comunismo, especialmente na península, os partidos políticos, que eram populares, recebiam o consenso e constituíam o ponto de base do Estado e do governo. — Depois disso, quem governou não se preocupou com o consenso, mas sim em estabelecer um sistema de poder que o garantia no exercício das próprias funções — afirma. — Portanto, recuperar a paixão política é um problema. A transbordante secularização destes anos esvaziou aquela carga de ideal, a paixão de solidariedade e o desejo de bem comum que maturavam em uma consciência religiosa. Isto tem conseqüências no terreno político: uma sociedade feita de indivíduos e não de comunidades é composta por sujeitos isolados, que não têm mais nenhum interesse comum. ComunitàItaliana 43 Milão notizie Guilherme Aquino Tournée rimandata E ra tutto pronto per la tournée sudamericana del cantautore italiano Lucio Dalla, che avrebbe dovuto presentarsi in Brasile a São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba il mese scorso, ma il tour è stato cancellato. Secondo gli assessori del cantante, Dalla avrebbe preso un’influenza che gli ha impedito di viaggiare. I concerti sono stati rimandati al maggio dell’anno prossimo. Le canzoni di Lucio Dalla hanno sempre avuto molto successo nel mondo e sono state anche cantate da Pavarotti. In Brasile, Chico Buarque, Maria Bethânia, Os Incríveis, Engenheiros do Havaí, la coppia Zezé de Camargo e Luciano, Toquinho e Martinho da Vila sono tra i cantanti che hanno già interpretato le sue canzoni. Malpensa no chão A Fotos: Divulgação crise da Alitalia deixa o aeroporto de Malpensa às moscas. O cancelamento de 179 vôos da companhia de bandeira italiana faz do local um mausoléu. O movimento de passageiros caiu drasticamente e ninguém sabe o que irá acontecer em um futuro próximo. De lá os aviões seguiam, principalmente, para Amsterdã (Holanda), Praga (República Tcheca) e Munique (Alemanha). Eram rotas que foram canceladas ou desviadas do aeroporto de Fiumicino, em Roma. Além disso, a União Européia considerou ilegal a iniciativa do estado italiano de conceder um empréstimo-ponte de 300 milhões de euros à companhia com o fim de evitar o seu crac definitivo. Pesam sobre as asas da Alitalia a irresponsabilidade de quem não soube administrar um dos bens mais preciosos da aeronáutica italiana. Alarme bonde D ois graves acidentes em menos de uma semana com os bondes da ATM, órgão que administra o sistema de transporte público de Milão, jogaram um foco de luz em um sistema para muitos já obsoleto, para outros, apenas mal conservado. O fato é que os usuários começam a não confiar mais neste tradicional meio Ultimato Carros, fora O Bie (Buerao Internationals des Expositions), órgão internacional responsável pela Expo, deu um ultimato ao comune de Milão. Até o dia 2 de dezembro a verba para o começo dos trabalhos deve já ter sido liberada e encaminhada. Da teoria à pratica, o atraso contabiliza quase um ano. Todos os projetos estão no papel e nada ainda foi construído. Para a realização do plano original, tudo já deveria ter sido iniciado seis meses atrás, pelo menos. A guerra de poder entre as entidades públicas e a burocracia italiana coloca em risco a Expo 2015, uma oportunidade para revitalizar a cidade de Milão e dar um destaque ainda maior à Itália no mundo. O bairro de Brera, no centro de Milão é um dos mais agradáveis da cidade. Ele tem um horto botânico, dezenas de galerias de arte, bares e restaurantes tradicionais. Por isso mesmo, é um engarrafamento único de pessoas e de carros durante todo o dia. O bairro boêmio e artístico agora vai poder respirar. As vias Ciovasso, Ciovassino, Fiori Oscuri serão fechadas ao trânsito. Um acordo entre a prefeitura, a Pinacoteca, a Accademia e os comerciantes, deu sinal verde para transformar toda esta área em exclusividade dos pedestres e ciclistas. 44 ComunitàItaliana / Novembro 2008 de transporte que já faz parte do cartão postal de Milão. Os bondes amarelos e os futurísticos verdes circulam por toda a cidade, mas entre 2004 e 2007, o número de acidentes passou de 48 para 106, mais do que dobraram. O comune está investigando o que provocou este aumento e exige maior rigor na segurança. Contaminado A proximidade do inverno levanta as barricadas da saúde publica de Milão. A estação do frio, sem os ventos e as mudanças climáticas do outono contribui para o aumento da poluição do ar da cidade. Durante o inverno, principalmente, o nível de monóxido de carbono em suspensão envenena o ar da cidade e provoca sérios problemas respiratórios aos habitantes. O problema não ocorre apenas em Milão. É um mal que contagia as principais cidades grandes da Itália. Entre 2001 e 2004, segundo pesquisa da associação de consumidores Altroconsumo, foram registrados 8 mil mortes que tiveram como causa principal a longa exposição ao ar contaminado das cidades. Milão e Roma encabeçam a triste estatística. Devozione U na delle maggiori feste cattoliche brasiliane, il Círio de Nazaré ha riunito due milioni di fedeli, il mese scorso, a Belém (PA). L’evento, considerato la maggior manifestazione religiosa dell’America Latina, ha luogo fin dal 1793. Il Círio è una processione in omaggio alla Nossa Senhora de Nazaré, patrona dei paraenses. Sono stati i padri gesuiti, nel XVII secolo, ad introdurre la devozione alla Senhora da Nazaré, nel Pará. La tradizione più conosciuta per ciò che riguarda l’origine della festa dice che, nel 1700, Plácido, un caboclo discendente di portoghesi, se ne andava vicino ad una zona che oggi corrisponde al retro della Basilica, quando ha trovato una piccola statua della Nossa Senhora de Nazaré. Questa immagine, replica di un’altra che si trova in Portogallo, intagliata in legno e di circa 28 cm di altezza, si trovava tra pietre piene di fango ed era molto rovinata. Plácido l’ha pulita e ha costruito un altare a casa sua. Ma la statua, misteriosamente, sarebbe ritornata dove era stata trovata. Da quel momento vari miracoli sono stati attribuiti alla santa. Barista L’ Associação Brasileira de Baristas (ACBB) è sotto nuovo comando. L’ente responsabile dei Campeonatos Brasileiros de Baristas, dei Concursos de Latte Art, Coffee in Good Spirits e del Cup Tasting Competition, è ora presieduta da Edgard Bressani (Ipanema Coffees). Alla direzione ci sono: Sílvia Magalhães (Octávio Cafés), Gelma Franco (Il Barista Cafés Especiais), Cléia Junqueira (Capheteria) e Pedro Lisboa (Café Cristina). Sponsor L a Petrobras ha lanciato, in ottobre, il suo bando di gara per sponsor culturali. L’industria petrolifera brasiliana ha destinato 42,3 milioni di reais al settore. L’azienda inoltre destinerà sussidi supplementari di 40 milioni di reais, che saranno assegnati ad un pacchettto di progetti che il ministério da Cultura selezionerà. Lo sponsor della Petrobras considera progetti nelle aree di produzione e diffusione di audiovisivi, arti sceniche, musica, letteratura e cultura digitale. Premio L’ architetto della provincia di São Paulo Decio Tozzi è il primo brasiliano ad essere premiato dalla Fondazione Frate Sole, organizzatrice del Premio Internazionale di Architettura Sacra, il più famoso della categoria. Ha vinto grazie al suo progetto “Capela da Fazenda Veneza”, inaugurata nel 2003, a Valinhos, costruita sulle rive di un bacino artificiale, nell’hinterland paulista. La cerimonia di premiazione è avvenuta in ottobre a Pavia, in Italia. Con una giuria formata da uno scelto gruppo di architetti mondiali, come Francesco Dal Co, una delle maggiori autorità della critica di architettura internazionale, il premio è alla sua 4ª edizione. È destinato ai professionisti di tutto il mondo che abbiano realizzato qualche opera religiosa negli ultimi dieci anni. La premiazione ha luogo ogni quattro anni e conta sulla sponsorizzazione del Vaticano. Rio Olimpico P er riuscire a sediare le Olimpiadi del 2016, Rio de Janeiro dovrà trasformarsi in un grande cantiere di lavori pubblici, la maggior parte dei quali riguardanti il settore dei trasporti. Uno studio coordinato dalla Secretaria Municipal de Urbanismo ha proposto investimenti di, perlomeno, 1,5 miliardi di reais. Questa sarebbe la somma necessaria per l’espansione dei servizi ferroviari e di metropolitana, oltre all’ampliamento della rete stradale. Lo studio di 400 pagine è stato consegnato al Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Il dossier della candidatura di Rio sarà consegnato, nel febbraio 2009, al Comitato Olimpico Internazionale (COI). literatura Refém do sucesso De escritor desconhecido a autor de best-seller, o italiano Roberto Saviano é o atual inimigo número 1 da máfia do seu país por conta do livro Gomorra. A obra já virou peça de teatro e filme candidato ao Oscar e rendeu a seu autor uma sentença de morte Janaína Cesar O Correspondente • Treviso jornalista e escritor Roberto Saviano, de 29 anos, há dois vive sob proteção e escolta policial. Seu crime? Ser o autor de Gomorra, romance-denúncia que vendeu 1,2 milhão de exemplares na Itália e foi traduzido em 42 línguas – chega ao Brasil pela editora Bertrand no próximo mês. A obra é responsável pela 46 “publicidade não desejada” do tráfico de drogas e das atividades de corrupção e máfia do clã dos Casalesi, que aterroriza a cidade de Casal de Príncipe, em Caserta, região da Campania. Com apenas 20 mil habitantes, a cidade possui 1200 condenados pelo artigo ComunitàItaliana / 416 bis, associação à máfia, um dos mais altos índices do país. Até então desconhecido pela mídia e, dizem, pela polícia, o clã dos Casalesi, braço forte e rico da famosa Camorra, é considerado um dos mais potentes e perigosos em atuação. Suas atividades econômicas ultrapassaram as fronteiras da região da Campania e do país - são envolvidos em esquemas de chantagem, contrabando, tráfico de drogas e armas em países comunitários e não comunitários. Os Casalesi também estão envolvidos no escândalo do lixo que soterrou a região em um mar de mau cheiro e criou paredões de lixo pelas cidades. Graças ao livro e à coragem de Saviano, o clã começou a ser desmontado e cerca de 40 pessoas já foram presas. Entre elas estão políticos e advogados. Em 2006, quando foi publicado, Gomorra vendeu modestos 5 mil exemplares. Aos poucos, porém, a propaganda “boca a boca” fez com que o livro daquele Novembro 2008 escritor desconhecido passasse a ser procurado em todo o país. Com uma narrativa fria, faz uma descrição realística da situação de sua cidade e, principalmente, dá “nome aos bois”. Para fazê-lo, Saviano trabalhou em uma empresa têxtil e outra de construção, ambas controladas pela máfia. Essa organização criminosa tipicamente italiana teria um faturamento anual de 90 bilhões de euros, valor que representa 7% do PIB do país. Em setembro de 2006, Saviano apresenta o livro durante a inauguração do ano escolar. Em plena terra dos chefões, lança um duro ataque contra o sistema camorrista. Em um discurso feito na praça principal de Casal de Príncipe diz: “Schiavone, Iovine e Zagaria não valem nada. Meninos, essas pessoas não são daqui, violentam nossa terra, mandem embora essa gente”. Logo após a declaração, o autor sofre sua primeira ameaça de morte e entra para o programa de proteção da polícia. — Lembro do telefonema alarmante que recebi de um policial. Ele dizia que um colaborador tinha denunciado o perigo. Naquela época, não podia contar com a ajuda de quase ninguém. As pessoas eram quase todas contrárias às minhas declarações, ao meu livro. Lembro que saí de casa cercado por policiais e ouvi alguém dizendo: ‘Finalmente, foi preso’ — contou Saviano em recente entrevista concedida ao programa Matrix exibido pelo Canal 5. Segundo ele, o que realmente incomodou os Casalesi foi a visibilidade que o livro deu à cidade e às atividades em que o clã estava envolvido. Agora, todos sabem quem são os Casalesi. — A literatura permitiu que essa história fosse de todos, não só dos cidadãos de Casal de Príncipe. Os negócios da máfia não são apenas naquela cidade perdida do sul da Itália. O clã ficou tão conhecido que a este ponto não existe mais o policial para corromper ou o jornal para escrever a seu favor — disse o escritor em Matrix. Em 2007, Gomorra já é um sucesso editorial internacional a ponto do influente jornal norte-americano New York Times o incluir na lista dos cem livros mais interessantes do mundo. Em 2008, a obra de Saviano alcança as telas do cinema. O homônimo filme, dirigido pelo italiano Matteo Garrone, é apresentado oficialmente durante o Festival de Cannes, vence o Prêmio do Júri e é escolhido como o único filme italiano para concorrer ao Oscar cujo vencedor será conhecido no dia 25 de fevereiro de 2009. Com o sucesso do livro, do filme e do teatro (a obra também virou peça teatral no ano passado), Saviano mais do que nunca ficou na mira dos chefões dos Casalesi. A última ameaça chegou no dia 13 de outubro quando Carmine Schiavone, um “arrependido”, primo e homônimo de um dos chefões mafiosos, disse que o clã tinha dado uma data precisa para o assassinato do escritor e dos policiais que o escoltam: o próximo dia 24 de dezembro. — O que posso fazer? Não tenho outra estrada para seguir, devo somente resistir, resistir e resistir — declarou Saviano após a divulgação da data que deveria ser a da sua morte. Ele admite que pensa em deixar a Itália, “por um tempo”: — Deixo a Itália porque quero viver. Quero uma casa, quero me apaixonar e tomar uma cerveja em público. Quero poder andar na rua. Tomar sol, pegar chuva. Visitar minha mãe sem assustá-la e não sentir medo. Às vezes me surpreendo pensando nestas palavras: quero a minha vida de volta. As repito sempre, uma por uma. O desejo de deixar a Itália causou polêmica, no país. Um dos primeiros a se manifestar, o ministro do Interior Roberto Maroni, declarou ser contrário à idéia por acreditar que a fuga “não garante que se evitará a vingança da máfia, que não tem confim”. Na verdade, uma nova onda começa a tomar forma por lá: uma mobilização para que Saviano não vá embora. Seis prêmios Nobel - Dario Fo, Mikhail Gorbaciov, Gunther Grass, Rita Levi Montalcini, Orhan Pamuk e Desmond Tutu - assinaram uma carta pedindo ao governo italiano que cuide da liberdade e da segurança de Roberto Saviano. O apelo publicado pelos jornais La Repubblica e El País (Espanha), conta com a assinatura de mais de 100 mil pessoas. Na telona Gomorra, o filme, já foi exibido no Brasil, durante o Festival do Rio, No alto, cena do filme Gomorra. A adaptação da obra de Roberto Saviano (direita) para o cinema foi feita pelo roteirista Gianni di Gregorio (centro). À esquerda, a capa do polêmico livro realizado em setembro. Em circuito comercial, deve chegar até o início do próximo ano. Seu roteirista, Gianni di Gregorio, participou do evento cinematográfico carioca que também exibiu o filme dirigido por ele, Il pranzo di Ferragosto. Detalhe: o diretor de Gomorra, Matteo Garrone, também é o produtor de Il pranzo.... — Para mim, Gomorra é um filme muito importante. É um filme forte, mas percebo que as pessoas gostam muito dele — diz di Gregorio em entrevista à Comunità — Tive a sorte de trabalhar com Matteo Garrone. Seu cinema é um olhar sobre o mundo. Ele trabalha um pouco o neo-realismo. Ele faz uma grande pesquisa sobre o território e também sobre as pessoas do lugar que podem ser ou não atores, pessoas bem normais. A história de Gomorra é permeada pelo poder, pelo dinheiro e pelo sangue e tem como cenário as províncias de Nápoles e Caserta. Só na Itália, o filme já rendeu 880 mil euros, o equivalente a 9 milhões de reais, até agosto. Na opinião do roteirista, Gomorra e o longa brasileiro Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles, têm muito em comum: — Em Gomorra não há um estudo da organização criminal. Nós vemos os efeitos da organização sobre as pessoas, sobre a vida cotidiana. É isso que chama a atenção, que faz a diferença no filme. É um longa muito apreciado na Itália, sobretudo pelos jovens, assim como Cidade de Deus. Para di Gregorio, o atual cinema italiano vive um momento de renascimento. O motivo? Ele não sabe explicar. Acha que faz parte de um movimento natural: “depois de alguns momentos de pausa, um renascimento”. Novembro 2008 / Sobre o longa que assina como diretor, conta que o projeto surgiu na sua cabeça quando lhe pediram para cuidar da mãe de uma amiga: — Sou filho único. Vivi com a minha mãe de quando ela tinha 80 anos até os 90, quando morreu. Conheci o mundo dos idosos. Vi a força deles, mas também vi o medo da solidão. Quando ainda vivia com ela, uma pessoa me pediu que cuidasse da mãe em um Ferragosto. Eu receberia por isso, mas não aceitei. Comecei a pensar no que aconteceria, se eu tivesse aceitado, então, escrevi o filme. No Rio, di Gregorio teve seu “momento tiete” quando esbarrou com o cineasta brasileiro Bruno Barreto. Ele é seu “mito” por conta do filme Dona Flor e seus dois maridos - “um dos mais bonitos que já vi”. Colaborou Nayra Garofle ComunitàItaliana 47 cinema Para italiano ver Filmagem reúne no Rio de Janeiro filho de Vitorio De Sica e neto de Luigi De Laurentiis, ícones do cinema da Itália O Sílvia Souza fim de ano está aí e você escolhe um lugar para passar uns dias que é o sonho para muitos turistas – a cidade do Rio de Janeiro. Planeja toda a sua viagem para evitar infortúnios e quando chega o grande dia, eis que alguma coisa dá errado. Seu filho adolescente fica com seu pacote turístico e você com o dele. A partir 48 daí, seus dias serão só aventura. A tarefa: sobreviver às situações mais inusitadas e impensadas para o período natalino e tentar se divertir com essa experiência. O final da história só indo a um cinema italiano para conferir. A situação descrita é uma das tramas desenvolvidas em Natale a Rio de Janeiro, produção comandada por Luigi De Laurentiis, neto do lendário produtor que virou ComunitàItaliana / nome de prêmio no Festival de Veneza. O filme tem como astro principal Christian De Sica, filho do diretor Vitorio De Sica, responsável por clássicos italianos como Umberto D., Matrimônio à Italiana, Boccaccio 70, e famoso pelas parcerias com Marcello Mastroianni e Sophia Loren. Com previsão de estréia em 19 de dezembro, é o mais aguardado do ano na Itália sendo exibido em cerca de 500 Novembro 2008 salas. Desde 1973 tem como mote o Natal de italianos em diferentes cidades do mundo. Há 13 anos, Neri Parenti assina o roteiro e a direção do filme, também exibido na TV italiana pela Rai. — O povo brasileiro tem uma cultura muito similar à italiana e nos sentimos em casa. O Rio me lembra Nápoles. Todos querem aproveitar o sol, o mar. As pessoas são humildes, têm uma receptividade enorme e se orgulham do que fazem e de onde moram. Tentamos passar tudo isso no filme. Este país tem um grande potencial a ser visto em termos cinematográficos, mas sei que por aqui assistir novela é como uma religião, então, o cinema pode levar um certo tempo para acontecer – assinala De Laurentiis que conta ter assistido, recentemente, o longa brasileiro Tropa de Elite, que achou “muito interessante”. Ele também elogiou o trabalho do diretor Fernando Meirelles. No Rio, com o apoio da Conspiração Filmes, a equipe filmou durante sete semanas. Passou pelos bairros de Copacabana, Alto da Boa Vista, Joatinga e Lapa. Subiu o Pão de Açúcar e a favela que virou moda, a Tavares Bastos, no Catete, usada como ce- nário para o filme Hulk. A equipe também esteve em Angra dos Reis, na costa verde fluminense. Comunità acompanhou com exclusividade um dia de trabalho, todo feito em uma mansão na Joatinga. Na seqüência, os pais que têm as viagens trocadas com os filhos estão hospedados na casa de uma brasileira. O cenário era uma residência com dois andares, piscina, quadra de tênis, sala de ginástica e um jardim onde coqueiros dão um tom tropical ao ambiente. O lugar já havia servido como locação para a novela Laços de Família, da Rede Globo. Guirlandas e uma árvore de Natal decoram o cenário colorido. Na história, os hóspedes matam, sem querer, o estimado gato da anfitriã. Isso é o estopim para muitas confusões. Era o segundo dia da equipe de filmagem composta por cerca de 70 pessoas naquele local. Ainda era possível observar as caixas de velas e imagens de santos e entidades do candomblé utilizados na gravação do dia anterior, quando houve a simulação de um ritual religioso. Com a fama... da família No início da carreia, Christian De Sica, de 57 anos, explorou seus dotes musicais como cantor. Antes de fazer o filme no Rio, ele já tinha visitado a cidade, na década de 70, quando foi hóspede do cantor e humorista Juca Chaves. Ele não nega a influência do pai na sua vida artística: — Sinto-me honrado por todo o reconhecimento que ele teve e posso dizer que aprendi muito por que o via trabalhar sempre. Foi inevitável seguir esse caminho, mas eu tentei não seguir. Lembrome de suas características. Aprendi com suas idéias. De negativo, só posso dizer que é a cobrança da crítica, das comparações que fizeram. Da parte do público nunca tive problemas — comenta Christian tinha 23 anos quando seu pai morreu. Vitorio de Sica, reconhecido por obras de caráter humanista, é considerado o precursor do neo-realismo italiano. Em Parlami di me, que foi apresentado recentemente no Festival de Roma, Christian, dirigido pelo filho Brando, faz uma performance de comédia ao vivo. Alterna momentos de puro espetáculo com relatos pessoais sobre a vida ao lado de Vitorio. Em uma das cenas mais marcantes, lembra dos últimos instantes do pai em hospital parisiense. — Meu pai era um jogador e quando éramos pequenos (Vitorio teve outros dois filhos) ele dizia: ‘garotos, escolham onde querem ir nas férias’. Dava como opção Veneza, Sanremo, Monte Carlo ou Campione, todos locais com cassino. E nós escolhíamos Veneza ou Sanremo porque tinha mar. Conservo belíssimas lembranças, mas também lembranças de grandes perdas no jogo. Na passagem pelo Rio, Christian é reservado. Apesar de ter uma cadeira com seu nome bem próxima ao local da cena, nos intervalos entre as tomadas recosta-se em um sofá optando por abordar sua primeira passagem pela cidade maravilhosa: — Do Rio tenho boas lembranças. Cantei com a Elis Regina, curti a maravilhosa Bossa Nova com João Gilberto. Era tudo muito diferente e na Avenida Atlântica tinha uma boate fantástica. Produtor de Natale a Rio, Luigi De Laurentiis, de 28 anos, também sente a responsabilidade em pertencer a uma família tradicional na bota. O clã está na terceira geração com pessoas envolvidas no mundo do cinema com destaque para nomes como Aurélio e Dino, que em 1956 trabalhou com Federico Fellini em La strada. O produtor segue a risca as características observadas em seus familiares. Faz questão Christian, Luigi e Ghini posam tendo a Barra da Tijuca ao fundo. Acima, intervalo de gravação e alguns ajustes no set. Neri Parenti se prepara para filmar (ao lado) ma fase de crescimento. Há bons diretores chegando para renovar a safra e manter essa tradição. de participar de todo o processo e quando não está ao celular resolvendo problemas, “perde” um tempo em conversas com atores, assistentes e demais membros da equipe. Aliás, ninguém dá um passo sem consultá-lo, primeiro. — Cresci nesse meio e gosto muito do que faço. Se tudo der certo com esse filme, a idéia é levar a empresa para os Estados Unidos nos próximos anos. Meu avô foi um grande produtor. No Festival de Veneza, desde 1996, um prêmio que foi batizado com seu nome é concedido a diretores principiantes. Por falar em diretores principiantes, Christian De Sica não se furta a comentar sobre o estágio em que se encontram as atuais produções italianas: — O cinema italiano, apesar de nunca ter perdido o caráter de produção mundial, encontra-se nu- Novembro 2008 / No set Com a experiência de quem começou no cinema com 19 anos (hoje está com 58) e já dirigiu 42 filmes, o diretor Neri Parenti define o espírito do longa: — Eu adoro rir e fazer as pessoas rirem, então não podia ser diferente. Por estar há tanto tempo no projeto, já não sinto dificuldade para criar as histórias e estar nos lugares me inspira muito. O grande problema que enfrentamos no Rio foi o mau o tempo. O sol se escondeu — reclama. Quem tem o Brasil como velho conhecido é o ator Massimo Ghini. Ex-noivo de uma carioca, além do Rio, já visitou Búzios, Salvador e Brasília. — Há uns dez anos que não vinha para cá. A cidade mudou bastante, me parece mais organizada, pronta para receber iniciativas como a que integramos. No filme, meu personagem, um professor universitário tem que conviver com o do Christian, que é um empresário. São dois mundos diferentes e o que os une é o fato de seus filhos estudarem juntos. Então, é esperar para ver como vão se virar nessa viagem — diz Ghini. ComunitàItaliana 49 televisão Máfia à brasileira Novela da Record começa a ser gravada este mês, em Palermo. A trama vai mostrar as relações entre quadrilhas internacionais e o poder institucional a partir de casos reais tanto da Itália quando do Brasil A Sônia Apolinário máfia italiana servirá de ponto de partida para uma nova novela brasileira. Com o título ainda provisório de Vendeta, começa a ser gravada pela TV Record, este mês, em Palermo, capital da Sicília. A ilha italiana servirá de cenário para os dois primeiros capítulos da história, prevista para estrear em março de 2009, no Brasil. A produção é baseada no livro Honra ou Vendetta, de Silvio Lancelotti. Lançada em 2001, a publicação é o único romance desse jornalista esportivo que já escreveu 17 livros, a maioria de gastronomia. Em Vendetta, ele mergulha no áspero mundo da máfia, em dois planos: de um lado, um roteiro de muito suspense e ação; de outro, um amplo dossiê a respeito da Cosa Nostra, com dezenas de biografias de gângsteres reais. A adaptação para a televisão leva a assinatura de Lauro César Muniz, um dos principais dramaturgos brasileiros. Quando era contratado da TV Globo, principal concorrente da Record em dramaturgia, o autor chegou 50 a propor uma minissérie baseada no livro de Lancelotti, mas a emissora carioca não se interessou. Agora, a rival paulista aposta na história para o horário das 22h, com direito a bastante violência, como admite Muniz. — É uma novela densa. Ao contrário do que possam imaginar, não será uma história sobre a máfia italiana. A história vai falar sobre o narcotráfico que tem na máfia um de seus braços na Europa — explica o autor. Quando a história começa, uma grande dúvida vai ser colocada na cabeça do público: quem é, de verdade, Tony Castellamare (Gabriel Braga Nunes)? Na trama, é um brasileiro de origem italiana radicado em Palermo, marcado para morrer. A ordem para matálo parte do Brasil. Essa ordem é interceptada por Téo Meira (Tuca Andrada), delegado especial da Polícia Federal brasileira, chefe da operação que investiga uma poderosa conexão do narcotráfico. Tony seria um chefão mafioso disfarçado de comerciante. Será? Com a dúvida a respeito da real identidade de Tony, o que ComunitàItaliana / Lauro Cesar Muniz Muniz pretende é “acabar com o maniqueísmo” que, na opinião do autor, tomou conta das novelas brasileiras e fez com que o gênero “perdesse qualidade”. De Palermo, a trama se “transfere” para o Brasil, mais precisamente para São Paulo, onde moram alguns personagens italianos como Calógero (Gracindo Jr) e Freda (atriz ainda não escolhida), pais de Tony. Na capital paulista se desenvolve todo o resto da trama, mas as gravações serão realizadas no Rio de Janeiro, mesmo, onde fica o estúdio da emissora. Segundo Muniz, a principal ligação entre Brasil e Itália será feita por meio do romance entre Tony e a jornalista Lídia Brandão Novembro 2008 (Mirian Freeland). Ele deixa claro que não fará uma novela sobre a Itália, mas sobre o Brasil: — Máfia para nós é um grupo de pessoas que se organiza como uma quadrilha que se compõe com o poder institucional. Esse é o novo perfil da máfia e, no Brasil, temos vários exemplos delas que estão por trás dos vários escândalos financeiros do país. Temos a máfia dos correios, do mensalão. Um dos casos mais recentes, a operação Satiagraha é um material excelente para se explorar — afirma Muniz. A Operação Satiagraha foi deflagrada pela Polícia Federal brasileira no último mês de julho contra uma quadrilha que praticava crimes financeiros. Levou para a prisão o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity; o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, e o investidor Naji Nahas, acusado de ser o responsável pela quebra da bolsa do Rio em 1989. Os acusados também teriam relações com o caso envolvendo pagamento de propinas a parlamentares que ficou conhecido como Escândalo do Mensalão. O grupo Opportunity já foi o braço brasileiro da Telecom Itália. O personagem Téo é inspirado no delegado Protógenez Queiroz que comandou a operação Satiagraha, mas acabou afastado do caso quando as investigações chegaram muito próximas de nomes “quentes” da República brasileira. Em Vendeta, o grande mistério da novela é a identidade do grande capo da máfia. No elenco da novela também estão Paloma Duarte, Adriana Garamboni, Petrônio Contijo, Marcelo Serrado e Beth Coelho. No texto, Muniz terá o auxílio de seis colaboradores e um pesquisador. A direção-geral é de Ignácio Coqueiro. design Il cavaliere dos carros Escolhido Designer Automotivo do Século, Giorgetto Giugiaro comemora 70 anos de vida e os 40 de criação da sua empresa, a Italdesign, com sede em Turim Janaína Cesar O Correspondente • Treviso que há em comum entre um Fiat Uno, um Vollswagem Golf, um Lamborghini Cala ou um Bugatti Chiron? Com certeza, não é a conta bancária do seu proprietário. Acertou quem respondeu Giorgetto Giugiaro. Ele é o criador desses e outros 90 modelos de carros para as principais marcas automobilísticas do mundo. Não por acaso, esse italiano nascido em Garessio (Piemonte) ganhou, em 1999, o prêmio de “Designer Automotivo do Século”. Aos 70 anos, continua na ativa. E muito. Há quarenta anos está à frente da sua empresa, a Italdesign, com sede em Turim, capital piemontesa, cidade onde mora desde os seus 14 anos. Foi para lá com o objetivo de continuar seus estudos artísticos e técnicos. Ao que tudo indica, Giugiaro estava predestinado a ter um futuro artístico. O avô, Luigi, foi um conhecido pintor de igrejas. O pai, Mario, 52 ComunitàItaliana O Quaranta, carro criado por Giugiaro, que chega a 100km/h em quatro segundos alternava decorações sacras com a pintura a óleo. Para Giugiaro, a arte figurativa tinha um ar familiar, porém a escolha do design como profissão não foi premeditada, mas pura casualidade da vida. Após ter mudado para Turim, começou a freqüentar o liceu artístico de dia e um curso de desenho técnico de noite. O grande passo para uma carreira espetacular aconteceu em 1955, / Novembro 2008 quando foi descoberto por Dante Giacosa, então diretor da Fiat, durante uma exposição de trabalhos escolares de final de ano. Giugiaro tinha criado míni caricaturas de carros. Giacosa, atento como era, percebeu o talento do jovem que, em setembro daquele mesmo ano, começou a trabalhar no escritório de estilo para carros especiais da Fiat. Em 1959, deu seu segundo grande passo quando começou a trabalhar na hoje renomada Bertone. Nuccio Bertone, proprietário, arriscou e apostou todas as cartas naquele jovem de 21 anos. Giugiaro sempre admitiu que amadureceu tanto com os bons conselhos dados pelos ex-chefes quanto pelos amigos. O tempo passado ao lado de Bertone foi fundamental na sua formação. Após seis intensos anos, em novembro de 1965, Giugiaro entrou para o time da Carroceria Ghia, onde permaneceu até 1967, quando criou a sua própria empresa, a Italdesign. Il cavaliere, como é carinhosamente chamado por seus funcionários, hoje dirige um pequeno império que reina no mercado do design automobilístico. Pelas ruas da cidade, o que ele dirige, mesmo, é um Lexus RX 400 H, o híbrido japonês que custa em média 130 mil dólares. Para comemorar os 40 anos da sua empresa, ele criou o Quaranta, à base de energia solar, capaz de acelerar de zero a 100 km/h em quatro segundos. Neste caso, Giugiaro estava pouco preocupado com a velocidade, mas com a possibilidade de criar um “carro verde”, que causasse poucos danos ambientais. A entrevista a seguir foi feita por telefone e revelou que Giugiaro é uma simpatia. ComunitàItaliana - Este ano o senhor completou 40 anos de Italdesign e 70 anos de vida apresentando na última edição do Salão Internacional do Carro de Genebra seu mais novo “brinquedo”, o Quaranta. O nome é uma homenagem aos seus 40 anos? Giorgetto Giugiaro – O carro foi criado em parceria com Fabrício, meu filho. As duas gerações devem fazer alguma coisa boa, interessante, não? Utilizamos o sistema híbrido da Toyota, com dois motores, um localizado na frente e outro atrás, e colocamos painéis solares no capô, que fazem girar o ar condicionado e alimentam o rádio. Na verdade, esse carro é uma releitura do primeiro monovolume que criamos, adaptado para os dias de hoje, daí o nome: unimos os quaranta anos de atividade da Italdesign aos anos do primeiro monovolume criado por nós. CI – Podemos dizer que chegamos a um ponto onde os carros são amigos da ecologia? GG - A escolha de um carro ecológico foi correta. Com poucos litros se faz muitos quilômetros, o que para o uso diário na cidade é mais que suficiente. Além disso, dá até para correr (risos). CI – Quanto tempo vocês levaram para criar o Quaranta? GG – Os protótipos que são expostos nos salões de automóveis, nascem nos períodos de intervalos úteis de uma empresa. Fizemos Quaranta em três meses. Fomos super velozes e decididos, não tivemos ninguém que nos dissesse como deveria ser, decidimos tudo. CI – Mas só em três meses? GG – Sim. Geralmente é o cliente que decide o tempo. Quando vo- Detalhe da ampla sala de criação da Italdesign. Ao lado, Giugiaro em seu escritório cê projeta um barco, um carro, ou alguma coisa para uma empresa ou pessoa, todos querem dar opiniões e idéias, e aí o tempo fica um pouco mais longo. CI – A tecnologia e a informática mudaram seu modo de pensar? GG - A tecnologia mudou o modo de pensar, mas não mudou o processo criativo que, por sua vez, foi atualizado com a informática. Comparando com alguns anos atrás, hoje, por causa das novas tecnologias, você emprega metade do tempo para desenvolver um projeto. Hoje tudo é mais rápido, o mercado pede agilidade e velocidade, o tempo corre e o processo criativo também. Pode ser uma contradição com que estou dizendo, mas ainda uso o lápis. CI – Como? GG – Sim, quando inicio um projeto uso sempre lápis, para mim é mais rápido. O modo antigo não é para ser todo descartado. CI - Qual é a maior dificuldade em desenhar um carro? GG – É ter que enfrentar quem realmente decide, como o pessoal do marketing, do departamento econômico, por exemplo. Não é a mesma coisa imaginar um Fiat Uno e um Rolls Royce, o processo é diferente, não é só criatividade. CI – Como é seu processo criativo? O senhor tem algum rito ou hábito particular que segue na hora de iniciar um novo projeto? GG - Não, sou muito simples e racional. Para mim, o importante é haver pessoas competentes e corretas ao meu lado para fazer com que tudo dê certo. O tempo também é uma coisa compli- cada. Todo mundo quer tudo para ontem, mas às vezes, nos permitimos sonhar. Digo em primeira pessoa do plural porque não sou sozinho nesse barco. CI – Qual carro o senhor possui? GG – Não tenho afeição por nenhum modelo em particular. Hoje tenho um Lexus RX 400 H porque é híbrido, alto e posso ir ao centro e descer do carro sem que ninguém me olhe com a cara feia e não sinto cheiro de gasolina quando estaciono na garagem, o que é uma maravilha! Certamente, no futuro, terei um carro híbrido e elétrico. CI – Qual o futuro do mercado automotivo? GG – Com certeza o futuro do mercado é a bateria elétrica porque não faz barulho e, principalmente, não polui. Realmente, em um futuro, que espero não esteja tão distante, graças às centrais Novembro 2008 / nucleares, teremos pontos de distribuição de energia para poder abastecer o carro elétrico. CI – O senhor é um homem que deve ter tudo aquilo que deseja. Existe algum desejo em especial que gostaria de realizar? GG – Sim, tantos, mas a correria do dia-a-dia, às vezes, não nos dá tempo para realizar tudo o que queremos. Digamos que desejo conhecer uma bela mulher, ter muita saúde e, claro, continuar projetando carros. Além de comprar um I-Phone novo, porque acabei de descobrir que o que comprei há três meses já é velho (risos). CI – O senhor conhece o Brasil? GG - Estive no Brasil duas vezes, mas não vi nada além do que a janela do carro ou do avião propiciava, pois estava sempre de passagem de uma cidade a outra. Mas um dia quero voltar e ver as maravilhas do teu país. ComunitàItaliana 53 Firenze artes plásticas Giordano Iapalucci Não basta olhar A Itália marca presença na 28ª Bienal de São Paulo com dois artistas que exigem a participação do público se quiserem “ver” suas obras evar para casa uma obra de arte é sonho de muitos, para poucos. É justamente esse apelo irresistível que faz parte do jogo sensitivo proposto pelo italiano Armin Linke aos visitantes da 28ª Bienal de São Paulo. O fotógrafo e cineasta milanês é um dos dois representantes da Itália na exposição internacional que pode ser conferida até o dia 6 de dezembro, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Ibirapuera. Ao todo, 42 artistas de 20 países fazem parte do evento. A outra atração italiana é a arquiteta romana Micol Assaël. A edição deste ano da mostra ganhou o apelido de “Bienal do Vazio”. A instalação “Fenótipos – Formas Limitadas”, de Armin Linke, foi “operada” pela primeira vez na abertura oficial na chamada “Bienal do Vazio” pelo embaixador da Itália no Brasil, Michele Valensise e esposa, embaixatriz Elena Valensise. — Nossa participação é dinâmica e original. Uma oportunidade para ver o trabalho desses dois artistas, conhecidos na Itália, mas ainda pouco conhecidos no Brasil. É também uma chance 54 para fazer com que se apreciem, nesta cidade sofisticada, as nossas tendências contemporâneas — afirma Valensise. Logo após o casal, uma longa fila se formou para manipular o atraente sistema do tipo façavocê-mesmo sua própria mini-coleção de fotos. Para isso, é preciso escolher oito entre 700 fotos feitas pelo artista. São instantâneos que mostram temas e lugares diversos como uma seita em Brasília, o retrato de um arquiteto suíço ou uma zona rural do Paquistão. O visitante diagrama sua seleção sobre uma mesaFotos: Claudio Cammarota L Tatiana Buff Correspondente • São Paulo ComunitàItaliana Moda F computador, que a identifica por leitura magnética e realiza a impressão. Isso, segundo Linke, faz com que o próprio público se torne um ‘curador’ da mostra. A interação desejada pelo autor começa no momento de vestir as luvas brancas necessárias ao manuseio das fotos. Segue a relação visual e táctil com as reproduções dispostas em gôndolas – tais como as de supermercado. Isso, acredita ele, responde “ao faminto instinto de consumo das imagens”. — Minhas fotografias de viagem exploram a relação entre o homem, o espaço e a arquitetura. O trabalho permite vários níveis de leitura. É interessante observar a relação do público com as imagens — ressalta o artista que vem constantemente ao Brasil e participou da 25ª Bienal. O projeto “Fenótipos – Formas Limitadas”, mantido em colaboração com a universidade alemã de Karlsruhe, nasceu há cinco anos, na Bienal de Veneza. Foi desenvolvido em parceria com o belga Peter Hanappe. O mecanismo, chamado de A Book on Demand, por À esquerda, a arquiteta Micol Assaël. Acima, o fotógrafo Armin Linke orienta o embaixador Michele Valensise / Novembro 2008 possibilitar a impressão de um “livro sob demanda” resulta também de cooperação contínua entre várias universidades, cientistas e o Laboratório de Ciências da Computação da multinacional Sony. Elementos físico-artísticos No primeiro andar da “Bienal do Vazio” se instalou Micol Assaël, arquiteta nascida em Roma, em 1979. Em um registro bem mais conceitual, ela convida o público a experimentar a obra “Sem Título (Dielétrico)”, que congrega um condutor de ar, fios elétricos e o efeito desses elementos juntos; faíscas. — Funciona como um corte no ar. É a pura demonstração da relação entre o ar e a eletricidade. Aqui há um desafio, pois se você se aproxima para enxergar a faísca, tem de enfrentar o vento. Se não chega perto, o fenômeno não é visível — explica Micol que estreou em 2001, em Salerno, na Itália. A artista privilegia a exploração da energia com a mínima intervenção possível. Sua obra convoca o visitante a uma percepção primeira do invisível absolutamente presente e essencial. A apontar que, apenas no silêncio, é possível enxergar e sentir o que se faz indispensável. Nada mais sintonizado com esta Bienal. Com um andar aberto, inteiramente nu de propostas, o prédio da Fundação chegou a ser invadido no primeiro dia de abertura ao público por manifestantes e pichadores que questionavam o atual sentido do evento, marcado por má gestão administrativa e financeira nas últimas edições. I sovrani dei giardini d’Europa P isa ospiterà la mostra intitolata “Sovrani nel giardino d’Europa” fino a domenica 14 dicembre. L’evento è organizzato sotto l’Alto Patronato del Presidente della Repubblica e con il patrocinio della Presidenza del Consiglio dei Ministri e della Regione Toscana. Grazie agli ultimi contribuiti storiografici, la rassegna vuole ricostruire come era il clima politico e culturale del governo dei Lorena (1737-1859) 50 Giorni di Cinema Internazionale È partita a Firenze la rassegna cinematografica internazionale che durerà 50 giorni, esattamente fino al 22 dicembre. Un evento curato dalla Mediateca Regionale Toscana Film Commission in collaborazione con la Regione Toscana e presentato nel prestigioso Cinema Odeon di Firenze. L’edizione 2008 vedrà come “ospite d’onore” il cinema francese al quale sarà dedicata la parte introduttiva del festival con una retrospettiva su Marcel Carnè e Jacques Prèvert. Seguirà poi in onore al “Cinema e Donne” dove sarà omaggiato il lavoro di Maria Mercader, attrice spagnola del primo novecento. Si concluderà con la consegna dei premi del N.I.C.E., il più importante festival cinematografico per la promozione delle opere prime e seconde del cinema italiano nel mondo. nella città di Pisa, luogo dove la corte trascorreva buona parte del periodo invernale. In mostra saranno presenti dipinti, sculture, arredi e stampe di collezioni private e pubbliche sia italiane che straniere, come anche materiale cartografico con inedite mappe provenienti dall’Archivio di Stato di Praga, città dove fu incoronato Pietro Leopoldo di Lorena nel 1870. Museo Nazionale di Palazzo Reale di Pisa. Ingresso 6 euro. “Pinocchio” M assimo Ceccherini, Alessandro Paci e Carlo Monni presenteranno “Pinocchio”, una classica commedia teatrale ripresa dal libro di Carlo Lorenzini (in arte Collodi) scritta nel 1883. Sarà una rappresentazione piena di tratti umoristici, visti i tre attori comici fiorentini. La storia riadattata vede Pinocchio, ragazzo rockettaro e metallaro, inseguito dalla fata turchina ninfomane e amica di Lucignolo, un cocainomane: una riflessione ironica sulla vita moderna. Monni interpreterà Geppetto, un personaggio innamorato del potere; Ceccherini sarà Lucignolo nelle vesti del diavolo tentatore e Paci sarà Pinocchio, ossessionato dalla televisione, dalla vita di periferia, ma che cerca con le sue forze di uscire dai problemi che lo assillano. Adatto ad un pubblico adulto. Biglietti: da 18 a 28 euro presso il Sashall di Firenze. Giovedi 13 e Venerdì 14 novembre. Info:www.teatropuccini.it Novembro 2008 irenze ospiterà, per circa 8 mesi, un’iniziativa di moda che ha per fine quello di approfondire i legami storici della città con il settore. Il “Percorsi di Moda a Firenze” coinvolgerà 61 eventi, 20 visite guidate in 26 atelier, dieci luoghi d’arte e quattro musei di Firenze, tra il 28 ottobre e il 16 giugno del 2009. I musei partecipanti sono: la Galleria del Costume, il Museo degli Argenti, il Museo Salvatore Ferragamo e il Museo di Santa Croce. Inoltre ci saranno visite alle chiese Orsanmichele, Santa Maria Novella, Chiesa dello Spirito Santo e alla Cattedrale di Santa Maria del Fiore, tra le altre. L’iniziativa viene promossa dall’assessorato alle attività legate al settore della moda del Comune di Firenze, e si inserisce nel progetto “Mestieri della Moda”, realizzato dal settore di turismo della città. X Festival Giapponese D al 14 al 16 Novembre 2008 la Limonaia di Villa Strozzi a Firenze ospiterà la VIII Edizione del Festival Giapponese. All’evento saranno presenti personaggi di una certa peculiarità e non certo facili da incontrare in Italia. Dal maestro Nanjou Chouse, che crea le straordinarie maschere per il teatro noh, al Maestro della Scuola di Te Enshuryu, Kochuan Soucho, che vi introdurrà a questa antica arte un tempo riservata ai grandi uomini che hanno governato il Giappone; poi il “Gruppo Harmony” di suonatori di koto, la cedra giapponese, che vi faranno ascoltare un concerto di suoni armoniosi, che uniscono tradizione ad attualità. In conclusione, la Maestra Asahi, che ha creato dopo anni di studi ed esperienza una danza di energia nata come ginnastica per riportare equilibrio e rafforzare le proprie capacità di autoguarigione. Ingresso gratuito. / ComunitàItaliana 55 italian style O brasileiro da Azurra Dolce & Gabbana Sempre refinada e elegante, a coleção de óculos Dolce & Gabbana alterna cores clássicas e inovadoras além de apresentar a qualidade estilística original da marca italiana. Este sai por € 295 www.raffaello-network.com Aos 23 anos, Fabiano Santacroce é o mais recente jogador convocado para a seleção italiana de futebol Guilherme Aquino F Para eles e para elas Este relógio permite verificar a presença e a intensidade do sinal wi-fi sem precisar ligar o computador. Ele indica se no aeroporto, no hotel ou em qualquer local tem wireless. Elegante e prático, este acessório é ótimo para quem precisa usar internet em lugares públicos. $ 29,90 www.dmail.it Na mesa A chapa de ferro antiaderente permite um cozimento da comida sem nenhuma fumaça. Com duas áreas, uma ideal para ovos, espetinhos, queijos, e a outra perfeita para carne, peixe e verduras. Depois de grelhar, a chapa se destaca da base transformandose numa bandeja que pode ser colocada diretamente na mesa. € 69,90 www.dmail.it Os produtos acima mencionados estão disponíveis no mercado italiano. 56 ComunitàItaliana / Cuocinella Com este prático forno os alimentos são assados de uma forma rápida e uniforme. O cozimento é instantâneo e termina automaticamente de acordo com o tempo programado. Econômica e portátil, a Cuocinella é também ideal para descongelar e esquentar as comidas. Pode ser colocada em cima da mesa. € 99 www.dmail.it Novembro 2008 Fotos: Divulgação Wi-fi Diesel Fuel For Life vai bem para homens e mulheres. Sexy e energéticas, as notas para a fragrância feminina combinam acordes de jasmin e de cassis misturadas com a mandarina. O ar misterioso fica por conta do vétiver e da patchouli. Para os homens, ritmo e energia se encontram graças aos acordes vibrantes de anis, seguidos de framboesa, que por sua vez, dão lugar à lavanda. As notas de fundo são de vétiver. A partir de R$ 155 www.laffayette.com.br abiano Santacroce, zagueiro do Napoli, é um dos ídolos do futebol da Itália. No Brasil, porém, poucos conhecem este jovem nascido em Camaçari, no interior da Bahia. Filho de mãe brasileira, ele cresceu na Itália, terra do pai, para onde veio aos quatro anos de idade. A paixão pelo futebol sempre falou mais alto e ele escalou todas as divisões de base até vestir a camisa da Azurra, a principal seleção italiana. E como zagueiro, posição na qual os italianos são craques. Em campo, Santacroce é um marcador duro, que se antecipa ao lance, estilo que agradou ao técnico Marcello Lippi. — Esta é a chance dele aprender. O difícil vem agora — diz “professor” Canavarro, beque italiano considerado o melhor jogador do mundo durante a Copa da Alemanha, da qual saiu campeão. A convocação de Santacroce faz parte do plano de renovação do técnico italiano. Com a ginga de bom baiano, o jogador brasileiro não nega as origens. Ele só entra em pânico, mesmo, quando o que está “em jogo” é a língua portuguesa. — Entendo tudo, mas se me fizer falar em português entro em crise — brinca ele ao encontrar o repórter da Comunità, este brasileiro que vos escreve. Brincadeira dita, por sinal, em um italiano perfeito, com sotaque da Brianza — Em português, aprendi alguns palavõres, mas não os digo. Aos 23 anos, ele diz que chegar à seleção italiana é “um sonho” que ele não imaginava que Correspondente • Milão poderia se realizar, pelo menos tão cedo. — Há três ou quatro anos, ainda estava longe da série A do campeonato italiano. Naquela época, eu não apostaria uma lira que chegaria aqui. Hoje, me sinto mais italiano do que brasileiro — afirma o jogador afastando a hipótese de ter vislum- brado, em algum momento, a possibilidade de ser convocado para a seleção brasileira. Sim, porque esta não seria a primeira vez que um ítalo-brasileiro vestiria a camisa de seus dois países. O atacante Jose Altafini, durante a copa de 1962, no Chile, defendeu a seleção italiana. Quatro anos antes, na Su- Novembro 2008 / futebol écia, jogou pela seleção brasileira, na Copa vencida pelo Brasil. Atualmente, a Fifa não permite mais que um jogador que tenha defendido uma seleção mude de lado e troque de camisa, mesmo tendo dupla nacionalidade. Não é caso de Santacroce. Ele é estreante na seleção e foi notado bem antes que Dunga suspeitasse que ele pudesse jogar pelo Brasil. No centro de treinamentos da Azzurra, em Corveciano, nos arredores de Florença, o bom baiano sorri à toa e recebe tratamento especial. Ele afirma que não acompanha o campeonato brasileiro e que, depois dos jogos e dos treinos, ele se desliga do mundo. — Não gosto muito de ver os jogos de quem não será meu adversário do próximo turno. Prefiro fazer outras coisas. Aqui na seleção sei que tenho que melhorar muito, ter mais calma, aprender a usar melhor a cabeça. Estou aqui para tentar ‘roubar’ um pouco os gestos e as ações destes grandes campeões com quem jogo — afirma. Santacroce nem de longe vê a sua convocação como uma resposta ao racismo em campo. Único jogador negro da Azzurra ele diz que “pode até haver este tipo de preocupação”, mas prefere acreditar que sua convocação foi um prêmio “por jogar bem”. — Nunca me vi envolvido em questões racistas. Apenas quando era mais jovem aconteceram alguns eventos isolados, mas nada importante — conta. Mesmo longe do Brasil, ele não se esquece da pátria-mãe. Ele diz ter a intenção de visitar o lugar onde nasceu e encontrar todos os seus parentes. O jogador admite que, em dia de clássico, “o pau come dentro de casa” porque a família fica dividida. Agora, porém, como integrante da Azzurra ele tem um palpite: — Sempre que joga Brasil contra a Itália, o pau come entre o meu pai e a minha mãe. Agora, porém, acho que, no fundo, ela vai torcer pela Itália, ou melhor, por mim. E ele, como se sentirá quando a seleção italiana enfrentar a brasileira? — Não nego que me sinto brasileiro. Confesso que seria uma emoção única jogar contra uma das seleções mais fortes no mundo. ComunitàItaliana 57 il lettore racconta Vitu Luigi Pelleg rini chega ao Brasil n a época do império e estabelece a Fábrica de Massas Pellegrin i ao lado da casa dos prín cipes de Orle ans e Bragança, em Petrópoli s. Uma história con tada com orgulho e em oção pela net a Liliana Feiteira Pellegrini. Depoimento à repórter Na yra Garofle M eu avô, Vitu Luigi Pellegrini, deixou a Itália pelo porto de Gênova em 1887. Como a maioria dos italianos, ele veio para o Brasil à procura de uma vida melhor. O Rio de Janeiro era seu destino, mas por conta de uma epidemia de febre amarela, o navio seguiu para São Paulo. Assim, o jovem de 22 anos desembarcou no porto de Santos, com destino a Itu, onde tinha conhecidos. No interior paulista, conheceu um emissário da Companhia Petropolitana de Tecidos que recrutava imigrantes. Foi então que aceitou o trabalho na montagem e depois como tecelão, durante seis meses. Por duas vezes, meu avô retornou à Europa. Na primeira viagem, conheceu a minha avó Theodósia l’Àbbate com quem se casou logo depois. Em Petrópolis, já casado, vovô percebeu o desenvolvimento dos negócios e comprou uma boa área na principal rua da cidade, atual Rua do Imperador. O fundo da área dava para a casa dos príncipes de Orleans e Bragança. 58 ComunitàItaliana / Nesse local, vovô instalou a Fábrica de Massas Pellegrini e abriu um armazém, conhecida como Casa Pellegrini, que vendia entre os produtos nacionais, produtos importados e massas da fábrica. Quem o orientou para que pudesse realizar o sonho de ter sua fábrica de massas foi o conde Francisco Matarazzo, dono de um negócio similar, em São Paulo. O segundo dos 10 filhos que meu avô teve, Francisco, abriu uma Casa Pellegrini no Rio de Janeiro e tornou a marca conhecida na cidade. Os negócios prosperavam, apesar da concorrência com o famoso Moinho Inglês. Contrariando as expectativas, os Pellegrini acabariam por comprar a filial do referido Moinho Inglês. No grande sobrado residencial - e sede tanto da fábrica quanto do armazém de comestíveis finos Casa Pellegrini (quase tudo era importado!) - encontra-se hoje o edifício que recebeu o nome da família. Apenas Miguel, o sétimo filho, prosseguiu no ramo industrial. Sem descendentes diretos e sem que qualquer um dos netos do velho Vitu tivesse, à época, oportunidade de conduzir o negócio da família, a fábrica foi fechada na década de 1970. Meu pai, Victor Antônio Pellegrini, é o quinto filho de meu avô. Ele optou pelo ramo agrícola e foi proprietário da Granja Santa Clara, localizada no antigo 5º distrito de Pe- Novembro 2008 trópolis, atual cidade de São José do Vale do Rio Preto. Como bons filhos e netos de italianos, a boa mesa sempre foi prestigiada com almoços famosos, tanto no sítio de meu pai quanto nas casas de minhas tias Nina, Luíza e Rosina, na cidade de Petrópolis. Tia Nina – os petropolitanos com mais de 50 anos certamente vão recordar – fez fama com suas a“ lmofadinhas” e outras delícias na loja A Fornarina. As novas gerações, porém, não perderam a“ mão”: minha irmã Cristina é banqueteira reconhecida na cidade serrana, assim como meu primo Marcelo Kallenback (já falecido) e sua esposa Ana Maria, donos do Chalé Manacá, em Petrópolis. Além disso, Cláudia, minha filha mais nova, é uma cozinheira de primeiríssima qualidade que anda planejando reabilitar a fábrica de Massas Pellegrini. Essa história ainda está longe de terminar. Liliana Feiteira Pellegrini Niterói, RJ Mande sua história com material fotográfico para: [email protected] Sapori d’Italia gastronomia G Sônia Apolinário li chef Bruno Marasco, Raimundo Cícero Nascimento e Júlia Maselli e la studentessa Sara Papi de Azevedo formeranno il team brasiliano che, nel maggio dell’anno prossimo, andranno nella città italiana Ivrea, in Piemonte, a difendere i colori verde e giallo. La missione è difficile: gareggiare contro gli italiani in un concorso di risotto, piatto tipico di quella regione d’Italia. I quattri hanno timbrato i loro passaporti per l’avvenimento dopo aver vinto, il mese scorso, il IX Concurso Internacional de 60 Risoto, realizzato a Rio de Janeiro. L’evento è stato promosso dal Consorzio Canavese, produttore di riso con sede ad Ivrea. Il Piemonte è il maggior produttore di riso in Italia. È la seconda volta che il calabrese Bruno Marasco vince il concorso brasiliano. La prima volta è stata nel 2001. Proprietario del ristorante Da Carmine, a Niterói, si è diplomato presso l’Istituto Alberghiero Guardia Piemontese ed è già stato alla guida, con il fratello Carmine, di un ristorante a Torino prima che venissero a vivere in Brasile. Stavolta Marasco è stato vincitore con una ricetta di risotto di coda con porcini freschi. La coda è una carne di bue meno nobile, muscolosa, usata per fare un piatto tipico della gastronomia brasiliana. — Da un anno faccio ricerche su ricette “povere” regionali italiane. Il mio risotto è una nuova edizione di una di queste ricette. La coda è ciò che possiamo chiamare un piatto rustico — spiega Mara- ComunitàItaliana / A sinistra, lo chef Raimundo Cícero Nascimento. Sopra, il giurato Paolo Buffa e Júlia Maselli. Sotto, Bruno Marasco. A destra, Rafael Zibelli Neto vicino alla studentessa Sara Papi de Azevedo e Stefano Strobbia, giurato e presidente del Consorzio Canavese Novembro 2008 Manfredi, che ha creato un risotto di caffè con carne secca. Un’altra novità del concorso riguarda la premiazione stessa. L’anno scorso, Salathiel è rimasto una settimana ad Ivrea imparando le tecniche di preparazione di risotti. L’anno prossimo ci sarà per la prima volta una gara per stimolare gli studi. Stavolta, tornerà nella città italiana come coordinatore del gruppo dei vincitori del 2008 del concorso. Geraldo Cocolo Jr. Receita da mamma Fotos: Victor Schwaner liani Nel Mondo a Rio, con l’appoggio di Comunità cordinazione tecnica di Mario Tacconi (Federazione Italiana Cuochi). Presidente della UIM, Rafael Zibelli Neto spiega che i competitori sono stati scelti sulla base delle ricette inviate prima dai concorrenti. Quest’anno il concorso ha presentato un diverso formato rispetto agli anni prima. Invece di riunirsi tutti in un unico luogo per preparare il risotto, gli otto giurati si sono spostati nei vari ristoranti. Il vincitore dell’anno scorso, Eduardo Salathiel, ha approvato la novità. — Nel formato anteriore, i giurati non accompagnavano la realizzazione dei piatti, ossia, non ne vedevano i difetti. Questo nuovo formato ha attribuito una maggiore serietà al concorso — dice lui, che è il proprietario dell’Ateliê Flor de Sal, una scuola di gastronomia a Niterói. Salathiel ha accumulato il maggior numero di punti totali l’anno scorso con un risotto di ricci di mare. Secondo lui, il “principale ingrediente” usato per vincere la gara è quello che usa nella realizzazione di qualsiasi piatto: dedizione. Salathiel afferma che si può fare un risotto con qualsiasi ingrediente e ricorda che il suo principale avversario l’anno scorso è stato lo chef paulista Vinícius Divulgação Concorso realizzato a Rio de Janeiro sceglie chef per gareggiare, l’anno prossimo, in Italia Fotos: Roberth Trindade Risotto made in Brasile sco che includerà il suo risotto con la coda nella lista del ristorante. Raimundo Cícero Nascimento, del Gibo Brambini, di Rio de Janeiro, ha garantito il suo viaggio in Italia con un risotto alla milanese con creme di tartufi. Il Gibo è uno dei ristoranti italiani più acclamati della città meravigliosa. Julia Maselli, del Pomodorino, anch’esso a Rio de Janeiro, ha presentato ai giurati un risotto di fiori di zucca. Invece la studentessa di gastronomia dell’Universidade Estácio de Sá, Sara Papi de Azevedo, ha sconfitto gli altri 12 concorrenti, nella categoria studenti, con il risotto di zucca e gamberi profumati allo zenzero. In tutto 8 ristoranti e 13 studenti hanno partecipato alla gara organizzata dall’Unione Degli Ita- Os mais tradicionais restaurantes da capital mineira, o Dona Derna e o Memo Biadi seguem a tradição secular dos antepassados do chef e proprietário: manter o alto padrão da culinária italiana B elo Horizonte – A rica e universal culinária italiana tem em Belo Horizonte um endereço certo para aqueles que apreciam a gastronomia mais tradicional do país que popularizou a pasta em todo o mundo. Inaugurado há 48 anos, o Dona Derna segue mantendo o mesmo padrão de exigência e qualidade desde que o restaurante foi montado por Derna Biadi. Ela chegou ao Brasil na década de 1950 e trouxe na bagagem uma importante herança culinária familiar, que atua no de restaurantes desde 1890. Seduzido pelos pratos da mamma, Memmo, que chegou ao Brasil aos 14 anos, não pensou duas vezes para entrar no ramo. Hoje, comanda o restaurante montado por sua mãe, que continua a oferecer o melhor da tradicional culinária italiana, e o Memmo Pasta & Pizza, que funciona na parte de baixo do mesmo imóvel que abriga o Dona Derna , no coração da Savassi. O Dona Derna oferece um cardápio mais diversificado, com direito a pratos, inclusive, da tradicional culinária mineira. — Eu comecei a me interessar por cozinha ainda na época da fundação do Dona Derna acompanhando minha mãe na elaboração dos pratos. Depois, passei a viajar para a Itália e freqüentar os restaurantes mais famosos da Toscana, onde nasci — conta Memmo. Ele nunca fez curso de gastronomia. Tudo o que aprendeu foi na base do intercâmbio com outros chefs. Ele afirma que, no Brasil teve um “ótimo relacionamento” com o chef Bozzetti, quando comandava o badalado Fasano, em São Paulo. Mais do que manter o bom nome da famiglia no cenário gastronômico mineiro, Memmo foi um pioneiro na cidade, responsável pela criação de muitos restaurantes que hoje são referência em Belo Horizonte. O mais famoso e hoje sinônimo da alta culinária mineira é o Vecchio Sogno, fundado por ele em 1995 e vendido ao seu ex-sócio Ivo Faria em 2001. No Dona Derna, Memmo Biadi comanda uma equipe de 35 funcionários, entre garçons e cozinheiros. A casa oferece pratos que nunca saíram do cardápio e que são uma referência do restaurante – uma tradição, com quase 50 anos de história. O ravióli de cordeiro com fonduta trufada é um dos carros-chefes, embora Memmo se recuse a apontar um prato como o principal. — É como filho, não consigo esMemmo Biadi colher um preferido — compara o Ravióli de cordeiro com fonduta trufada Ingrediente: Massa de ravióli: 20 gemas, 5 ovos inteiros e uma dose de 50 ml de vinho branco, pitadinha de sal e meia colher de azeite. Modo de fazer: Depois de pronta, a massa é aberta e cortada em quadrado. Coloca-se o recheio, feito de um ensopado de cordeiro, que leva alecrim e faz o refogado com o tricolore (aipo, cenoura e cebola). Refogar com vinho branco, caldo de galinha ou de carne, que leva também alho poró, aipo, cenoura, cebola e tomate. Cozinhar por 4 ou 5 horas em fogo baixo até soltar a carne do osso. Desfiar a carne para o recheio. Incluir um pouquinho de farinha de rosca ou de queijo parmesão para dar liga. Dobrar em triângulo e cozinhar rapidinho porque a massa fresca cozinha depressa. Molho: À base de creme de leite, queijo ralado e um pouco de queijo prato, aromatizado com manteiga de trufa. Fazer uma “cama” com o molho branco: os raviólis por cima mais o molho de queijo trufado e completar com o molho de cozimento do cordeiro, jogando-o por cima. No meio, acrescentar um pouco de espinafre saltado com pinoli e uva passa. Para acompanhar, um Brunelo, da Toscana. chef, pai de dois filhos, ambos com interesse em gastronomia. A filha Paula é casada com o sommelier Guilherme Correia e o filho Enrico ajuda o pai a administrar o Dona Derna. Diferentemente da Itália, onde segundo Memmo, a comida ultimamente está muito light, o Dona Derna oferece a tradicional comida italiana tropicalizada. Isto significa, pratos mais temperados, ao gosto do brasileiro, apesar de os ingredientes serem os mesmos. Para ele, o mais importante de um restauranteur é manter o mesmo padrão de comida ao longo do tempo. — Quando uma pessoa vai a um restaurante que já conhece, ela quer experimentar o mesmo sabor. E é isso que minha mãe e eu sempre nos preocupamos — afirma. Serviço: Memo Pasta e Dona Derna Ristorante – Rua Tomé de Souza, 1343 Savassi – B.H - Fone (31) 3223-6954 Novembro 2008 / ComunitàItaliana 61 La gente, il posto Claudia Monteiro de Castro T Pozzo di San Patrizio em gente que adora o desafio de subir os inúmeros degraus de um monumento. Tem quem o evite a todo custo. O mais comum é subir degraus para chegar às cupulas das igrejas. E depois de tanta fatiga, ter o prazer de uma vista maravilhosa, como a da cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma. Mas num interessante monumento de Orvieto, cidade pitoresca da Úmbria, os degraus são para descer, ao invés de subir. É o Pozzo di San Patrizio, construído por Antonio da Sangallo entre 1527 e 1537, a pedido do Papa Clemente VII, para fornecer água em caso de cerco à cidade. O poço, de 60 metros, é constituído por duas rampas helicoidais superpostas, uma que desce e outra que sobe. Dessa forma, era possível transportar água sem ter o problema de quem subia esbarrar S com quem descia. O poço de San Patrizio, com seus 248 degraus, é um dos cartões postais de Orvieto. Tel. 076 3343768 Ingresso: 4,50 euros Horário de abertura: 9h 18h45 No escurinho do cinema ai verão, entra outono e finalmente reabrem os cinemas da cidade. Durante os meses de julho e agosto a maioria dos cinemas, em Roma, não funciona. Para compensar os cinéfilos, são montadas as arenas, ou seja, os cinema ao ar livre em diversos bairros da cidade. Mesmo assim, dá saudade do escurinho do cinema, das cadeiras confortáveis e do fresquinho do ar condicionado. No verão, a programação em exibição é formada por uma seleção de filmes do ano inteiro ou alguns clássicos. Assim, quando chegam os meses de setembro e outubro, começam os lançamentos. É tanto filme novo no circuito que acaba não dando para ver todos, pois é muita novidade chegando junta. Esse “ciclo” me faz pensar na primeira vez em que fui ao cinema, no início de minha estadia em Roma, em 2002. O filme era francês, “O fabuloso mundo de Amélie Poulain”. Na época, estava toda empolgada em treinar meu francês, ouvir a língua que é poesia para meus ouvidos, ver Paris no telão e tudo mais. Escolhi um cinema bem confortável, o Adriano, um multi-sala, ex-teatro onde os Beatles tocaram quando estiveram em Roma nos anos 60. A empolgação passou assim que apareceu na tela o bairro de Montmartre, onde se passa a história do filme e o narrador começou a falar em... italiano. Oh, não, pelo amor de Deus!!! Paris, em italiano! Mon dieu! Pas possible! Não dá. Cinema é um faz-de-conta, é entrar na tela como o personagem da Rosa púrpura do Cairo de Woody Allen! Ver Paris com narrador em italiano foi uma verdadeira desilusão. Para coroar mi- 62 ComunitàItaliana / nha decepção, no meio do filme teve um intervalo de cinco minutos, comum na maioria dos cinemas na Itália. Quando é possível, dou preferência aos poucos cinemas que exibem filmes em língua original, como o Metropolitan, o Nuovo Olimpia ou alguns centros culturais que fazem mostras retrospectivas de diretores clássicos, como François Truffaut. Mas é bem difícil arrastar um amigo italiano para ver um filme em qualquer língua que não seja a dele. Com o passar dos anos, um pouco me habituei a ver filmes americanos (espanhóis, japoneses e franceses) em italiano. Existem várias escolas de dublagem na Itália e os dubladores representam uma categoria profissional importante no país. Para os brasileiros, acostumados com filmes em original, não deixa de ser estranho. A coisa mais engraçada é ver famosos atores americanos dizendo palavrão em italiano. Surreal. Ah, e tem mais um detalhe! Alguns cinemas têm lugares marcados, ao comprar o ingresso. Origem de uma série de problemas. Muitas pessoas, não satisfeitas com o próprio lugar, acabam querendo trocar de poltrona pouco antes de começar o filme. Cinco minutos depois que o filme começa, chegam os “atrasildos” e querem se sentar no lugar que compraram, que já está ocupado. Começa, então, o maior bate boca. Um verdadeiro filme dentro do filme. Até no escurinho do cinema os italianos gostam de uma boa baderna. Novembro 2008