SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 10(2) 1996 A HIPÓTESE DE CONVERGÊNCIA DOS NÍVEIS DE FECUNDIDADE NAS PROJEÇÕES POPULACIONAIS ANA AMÉLIA CAMARANO Coordenadora da Área de Estudos Populacionais do Ipea U m dos desafios enfrentados por aqueles que lidam com projeções de população diz respeito à previsão dos níveis de fecundidade. Para este caso, o instrumental teórico mais utilizado pelos demógrafos é a teoria da transição demográfica. Segundo o dicionário de demografia, a transição demográfica é definida como a descrição de longo prazo das tendências de fecundidade e mortalidade baseada na experiência dos países da Europa Ocidental, constituindo-se num modelo que tenta explicar estas tendências (Pressat, 1985:5253). Embora muito criticada, revisada e emendada, esta teoria continua sendo o elemento central da demografia. A versão clássica da teoria da transição demográfica assume que o desenvolvimento de uma sociedade urbanoindustrial traz melhoramentos no padrão de vida e difunde o valor de família pequena. Fica implícito, nesta teoria, que todas as sociedades que atingem esta fase de desenvolvimento convergirão para este padrão de família. Algumas reformulações desta teoria sugerem uma inversão na relação: a queda da fecundidade pode levar a uma melhoria nas condições de vida. Neste caso, as condições necessárias ao alcance da redução da fecundidade foram transferidas de melhoria de condições de vida para políticas governamentais de planejamento familiar. Isto, aliado ao rápido declínio da fecundidade observado no Terceiro Mundo, tem levantado a questão da emergência, nestes países, de um mesmo padrão de formação de família observado naqueles desenvolvidos, o que sugere a convergência das taxas de fecundidade. Apesar de a teoria não explicitar a que taxa a fecundidade convergirá, a taxa líquida de reposição tem sido largamente identificada como tal.1 É fato amplamente conhecido que a fecundidade das mulheres brasileiras está decrescendo de forma rápida, em todas as regiões do país e grupos sociais, mas ainda existem grandes diferenças regionais e por grupos sociais nas taxas de fecundidade. Análises realizadas em trabalhos anteriores, que utilizaram a padronização, indicam um papel importante exercido pelos diferenciais regionais de educação, renda e grau de urbanização nos diferenciais de fecundidade. Entretanto, as características regionais específicas exercem uma forte influência nas taxas de fecundidade total, através de preferências reprodutivas e estratégias utilizadas para o alcance destas preferências (Camarano, 1996). O objetivo deste artigo é especular sobre a possibilidade de convergência nas taxas de fecundidade de três áreas brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo e Nordeste. A hipótese examinada é a de que, embora a fecundidade esteja declinando nestas três áreas, não há elementos para assumir homogeneidade ou estabilização nas taxas de fecundidade num futuro próximo. Para tanto, o artigo divide-se em cinco partes, além desta introdução. A primeira discute os fundamentos teóricos do terceiro elemento da teoria da transição demográfica, ou seja, o seu poder preditivo. Na segunda parte, são apresentadas as tendências de longo prazo da fecundidade nas três áreas mencionadas. A terceira parte discute as preferências quanto ao tamanho de família e a quarta as atitudes usadas em relação ao processo reprodutivo. Por atitudes estão sendo considerados o uso (ou não uso) de métodos anticoncepcionais, a idade da mãe ao ter o primeiro e o último filho, bem como a idade da mulher no período em que se submeteu à esterilização. Na quinta parte, analisam-se os diferenciais regionais tanto das taxas de fecundidade quanto do processo de formação de família, visando inferir sobre a possibilidade de convergência das taxas de fecundidade. 18 A HIPÓTESE DE CONVERGÊNCIA DOS NÍVEIS DE FECUNDIDADE NAS... FUNDAMENTOS TEÓRICOS dados mostram que nem mesmo as taxas de fecundidade por coortes são estáveis. Na maioria dos países europeus e em alguns não europeus, como Japão, Hong Kong, Coréia do Sul e Cingapura, o nível de fecundidade já atingiu valores abaixo dos de reposição. Cleland mostrou que a fecundidade tem declinado na maioria dos países em desenvolvimento. Embora os países da região Saárica da África tenham sido mais resistentes à mudança, entre os 11 países onde existem dados levantados pelas Pesquisas de Saúde Materno-Infantil até 1986, só a Uganda não havia apresentado sinais de mudança nos níveis de fecundidade (DHS, 1995:12). A fecundidade já atingiu níveis bem baixos na América Latina, no sul e no leste da Ásia. No final dos anos 80 e início da década de 90, as taxas de fecundidade total atingiram valores baixos na Tailândia (2,2) e no Sri Lanka (2,7). Não foram observados sinais de arrefecimento desta queda, nem mesmo na China, onde a fecundidade ficou estável na maior parte da década de 80. O que se verificou naquele país foi uma aceleração da queda da fecundidade, em resposta ao endurecimento da política de controle da natalidade (Freedman e Blanc, 1991:16). A redução da fecundidade está ocorrendo até em áreas de baixo nível de desenvolvimento socioeconômico, como é o caso de Bangladesh. Os países de origem muçulmana também têm sido atingidos por esta transformação: na Turquia, por exemplo, em 1993, observou-se uma taxa de fecundidade total de 2,7 filhos por mulher. Entretanto, a continuação da fecundidade nos países do Terceiro Mundo não implica, necessariamente, que taxas de reposição serão inevitáveis. A taxa de fecundidade da Argentina tem se mostrado estável em torno de 2,6 filhos por mulher nos últimos 30 anos (Cleland, 1994:230). Freedman e Blanc mostraram que o movimento dos países do Terceiro Mundo em direção a taxas de reposição perdeu intensidade em algumas regiões do mundo, tais como o sul da África, Caribe e América Central, durante 1980-85 (Freedman e Blanc, 1991:8-9). A evidência empírica não parece suficiente para comprovar a hipótese de estabilização e homogeneização das taxas de fecundidade num nível predeterminado e universal, como por exemplo as taxas de reposição. Já foi suficientemente demonstrado que não houve estabilidade nas taxas de fecundidade no passado e nem foi o caso de que, a partir do momento em que a fecundidade começou a cair, este declínio seria irreversível (Watkins, 1986 e Camarano, 1996). A Pesquisa Mundial de Fecundidade para um grupo de países do Terceiro Mundo indicou que, no período 1965-70, o intervalo de variação das taxas de fecundidade total entre as grandes regiões continentais não era muito grande, sendo que as taxas variavam de uma média de 5,0 filhos, na região no Cari- Uma das mais importantes utilizações da teoria da transição demográfica tem sido o seu poder preditivo, o que tem fundamentado, teoricamente, a maioria das projeções populacionais. Em 1944, Kirk já acreditava que a teoria da transição demográfica tornar-se-ia universal. Para ele, a tendência da fecundidade seria a alteração de uma situação de estabilidade a níveis altos para outra de estabilidade a níveis baixos. “Estes são os elementos mais previsíveis num mundo imprevisível”. Kirk afirmava que os diferentes países do mundo alocam-se num único continuum de desenvolvimento econômico e demográfico (Kirk, 1944:28-29). Entretanto, não há menção, nem nos escritos de Kirk nem em outros da teoria da transição, quanto ao timing e/ou quanto aos padrões específicos em que estas tendências da fecundidade seriam atingidas. É muito claro que o futuro significa redução sustentada da fecundidade e estabilidade de taxas, mas a que nível e quando estas taxas irão se estabilizar não são estabelecidos por esta abordagem teórica. A idéia de estabilidade implicitamente conduz à idéia de níveis homogêneos de fecundidade, de desaparecimento de diferenciais de fecundidade e de um fim para o processo de transição demográfica. A evidência empírica mostra que a transição de altos para baixos níveis de fecundidade está em curso em quase todo o mundo, mas que, entretanto, é conflitante com a idéia de fim da transição e mesmo de estabilização das taxas de fecundidade. Por exemplo, a fecundidade marital declinou, na França, de 1780 até a metade do século XIX, quando aumentou até 1880, tornando, então, a declinar, conjuntamente com a maioria dos países da Europa Ocidental. Outras evidências empíricas desfavoráveis à idéia de estabilização foram o acréscimo da fecundidade observado durante o Governo nazista na Alemanha e o baby boom verificado nos anos 50 e início da década de 60 nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e outros países da Europa Ocidental. Esforços para aumentar a fecundidade têm sido recentemente promovidos na França, Suécia e Cingapura. A taxa de fecundidade sueca, entre 1984 e 1990, aumentou de 1,6 para 2,0 filhos por mulher (Pauli, 1992:978). Para o período mais recente, taxas de fecundidade para coortes de mulheres nascidas entre 1930 e 1960, estimadas por Sardon para 14 países da Europa Ocidental, indicam um contínuo declínio da fecundidade, com exceção da Suécia. A redução foi regionalmente diferenciada: as taxas variavam de 2,6 filhos por mulher na França a 2,0 em Luxemburgo, para coortes de mulheres nascidas em 1930; e de 2,1 na Suécia a 1,6 na Itália, para coortes de mulheres nascidas em 1960 (Sardon, 1994:7). Estes 19 SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 10(2) 1996 GRÁFICO 1 be, para 6,9, nas regiões leste e oeste da África. Resultados da Pesquisa de Saúde Materno-Infantil, para 198085, apontam para uma expressiva redução na fecundidade e um alargamento no intervalo de variação entre as taxas: de 2,3, na Ásia ocidental, para 6,9, na África oriental. A queda mais acentuada foi verificada na Ásia ocidental, onde a taxa de fecundidade total caiu de 5,4 filhos por mulher para 2,6 (Freedman e Blanc, 1991:6). A fecundidade tem continuado a cair, mas esta queda não foi uniforme entre os vários países cobertos por esta pesquisa. Valores elevados para a taxa de fecundidade ainda foram encontrados, em 1992, no Níger (7,2), na Zâmbia (6,5) e na Tanzânia (6,3), resultando uma ampliação dos diferenciais de fecundidade entre os vários países. É claro que está em curso um movimento em direção a um tamanho pequeno de família tanto em nível agregado quanto individual, mas a homogeneização das taxas de fecundidade não parece provável. Também não existe evidência empírica suficiente para sustentar a hipótese de homogeneização no número desejado de filhos. Por exemplo, Blake (1970) colheu informações sobre o número ideal de filhos entre mulheres americanas brancas, por meio de 13 surveys levados a cabo entre 1936 e 1961. Em todos os surveys, a grande maioria das respostas estava concentrada em torno de dois a quatro filhos. O valor modal flutuou em todos os surveys, sem indicar uma redução na proporção de mulheres que desejavam quatro filhos. A preferência por nenhum filho não foi estatisticamente significante.2 Dados colhidos pela Pesquisa Mundial de Fecundidade, durante a segunda metade dos anos 70, e pela Pesquisa de Saúde Materno-Infantil, para a segunda metade dos anos 80 e início da década de 90, indicam um largo intervalo de variação na fecundidade desejada qualquer que seja a medida utilizada. No final dos anos 70, por exemplo, o tamanho desejado de família variou de 8,3, no Senegal, a 3,7, na Tailândia (Westoff, 1991:4). Quinze anos mais tarde, a taxa de fecundidade desejada variou de 7,4, no Níger, a 1,8, na Tailândia e na Turquia (DHS, 1995:12). Estes dados mostram que, embora a tendência apresentada seja a de preferência por famílias menores, não há indícios de homogeneização nem mesmo na fecundidade desejada. Taxas de Fecundidade Total dos Coortes de Mulheres Nascidas Entre 1890 e 1970 Rio de Janeiro, São Paulo e Região Nordeste Rio de Janeiro 100,0 São Paulo Nordeste Em % 7,00 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1890-95 1900-05 1910-15 1920-25 1930-35 1940-45 1950-55 1960-65 Ano de Nascimento Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos. Nordeste. Acredita-se que estas três áreas representam a realidade brasileira em termos de diversificação socioeconômica, além de serem responsáveis por 69,5% da população brasileira e 60,5% do Produto Interno Bruto. Isto pode levar a que as conclusões sejam representativas para o Brasil como um todo. O Gráfico 1 mostra as tendências de longo prazo da fecundidade, nestas três áreas, apresentando as taxas de fecundidade dos coortes sintéticos de mulheres nascidas entre 1890 e 1970. Para este cálculo, utilizou-se a técnica de Brass dos coortes sintéticos (1985:69-70). Desde o começo do período analisado, os diferenciais regionais de fecundidade já eram expressivos. As mulheres cariocas tinham, em média, 2,5 filhos a mais que as paulistas e/ou as nordestinas. A fecundidade declinou no Rio em cinco coortes sucessivos de nascimento e em seis sucessivos coortes em São Paulo, sendo que o declínio foi mais rápido neste último estado. Os níveis de fecundidade entre estes coortes ficaram aproximadamente constantes no Nordeste. Através do Gráfico 1, verifica-se que a fecundidade, no Rio de Janeiro e em São Paulo, após um período de declínio, registrou aumento, voltando posteriormente a declinar. Este acréscimo parece ter sido uma espécie de baby boom como ocorreu em muitos países europeus e da América do Norte. Isto contradiz um dos pressupostos básicos da teoria da transição demográfica, o qual estabelece que uma vez iniciado o processo de queda da fecundidade, este é irreversível. No Rio de Janeiro e no Nordeste, o aumento da fecundidade começou com o coorte das mulheres nascidas entre 1920 e 1925. Em São Paulo, isto se deu, aproximadamente, dez anos mais tarde, ou seja, com o coorte das mulheres nascidas em 1930 TENDÊNCIAS DA FECUNDIDADE NO BRASIL Procurar-se-á, a partir daqui, analisar as tendências de fecundidade em três áreas brasileiras ao longo do século XX, buscando extrair alguma inferência sobre as tendências futuras da fecundidade e a possibilidade de convergência destas taxas. As três áreas escolhidas são os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo e a região 20 A HIPÓTESE DE CONVERGÊNCIA DOS NÍVEIS DE FECUNDIDADE NAS... e 1935. O declínio da fecundidade reiniciou em todas as áreas entre os coortes das mulheres nascidas entre 1940 e 1945, sendo mais intenso que o anterior e atingindo também de forma marcante o Nordeste, onde as taxas de fecundidade ainda estavam bastante elevadas. O decréscimo total observado durante o período foi de 4,7 para 2,0 filhos no Rio de Janeiro; de 6,4 para 2,2 filhos em São Paulo; e de 6,5 para 3,6 filhos no Nordeste. GRÁFICO 3 Porcentagem das Mulheres que Desejam Outro Filho, por Parturição Rio de Janeiro, São Paulo e Região Nordeste – 1986 Rio de Janeiro PREFERÊNCIAS EM RELAÇÃO AO TAMANHO DE FAMÍLIA Nesta parte, investiga-se a existência de uma preferência consciente por um determinado tamanho de família nas três áreas em estudo: Rio de Janeiro, São Paulo e Nordeste. Duas medidas diretas de preferência são apresentadas aqui: o tamanho médio de família e o desejo de mais um filho. Ambas são informações levantadas pela Pesquisa de Saúde Materno-Infantil, empreendida pela Bemfam, em 1986. O Gráfico 2 apresenta as porcentagens de mulheres casadas que declararam a preferência por um certo número de filhos. Mulheres estéreis foram excluídas da análise. Poucas mulheres declararam não ter preferência. É importante salientar que esta informação apresenta problemas de racionalização a posteriori, ou seja, as mulheres tendem a declarar, como desejado, o número de filhos já tidos. A preferência por famílias com dois filhos é bem clara em todas as três áreas, embora as porcentagens de mulheres que expressaram o desejo de dois filhos variou de 46,5%, no Rio de Janeiro, a 36,5%, no Nordeste. Em São Paulo, um número expressivo de mulheres (28,8%) indicou preferência por três filhos. Por 0 São Paulo Nordeste 4 5 ,0 4 0 ,0 3 5 ,0 3 0 ,0 2 5 ,0 2 0 ,0 1 5 ,0 1 0 ,0 5 ,0 0 ,0 1 2 3 2 3 4 5 outro lado, mais mulheres no Nordeste do que nas outras duas áreas desejavam quatro filhos (28%). Já o Rio de Janeiro foi a área que apresentou a maior proporção de mulheres que desejavam ter apenas um filho (9,2%). O tamanho ideal de família variou de 2,4 filhos, no Rio de Janeiro, a 2,8 em São Paulo e no Nordeste. Uma outra medida de preferência é analisada no Gráfico 3: a proporção de mulheres casadas, classificadas pelo número de filhos vivos, que desejam ter um outro filho. Mulheres grávidas e estéreis foram excluídas da análise. Esta não é uma medida de preferência pura, pois indica um ajustamento de preferências à fecundidade observada. Entretanto, esta é considerada a menos viesada das medidas de preferência, por não ser afetada por racionalização a posteriori. As informações apresentadas referem-se às mulheres que declararam desejar um outro filho em qualquer época, ou não estão seguras quanto a ter ou não filhos. Uma proporção significativa de mulheres nordestinas sem filhos (24%) declarou não querer ter filhos. Por outro lado, entre aquelas que já eram mães, um número maior de mulheres desejavam continuar tendo filhos, quando comparado às outras duas áreas, especialmente ao Rio de Janeiro: cerca de 67,5% das mulheres no Nordeste e em São Paulo, que tinham um filho vivo, declararam querer ter mais outro filho, enquanto entre as cariocas esta porcentagem foi de 51%. Em todas as áreas, observou-se um efeito grande do número de filhos já tidos sobre o desejo de continuar a vida reprodutiva, principalmente entre as mulheres com dois filhos, ou seja, quanto maior o número de filhos já tidos menor é a proporção de mulheres que querem continuar a vida Em % 0 1 Fonte: Bemfam. GRÁFICO 2 Rio de Janeiro Nordeste Parturição Tamanho Ideal de Família Rio de Janeiro, São Paulo e Região Nordeste – 1986 100,0 5 0 ,0 São Paulo Em % 100,0 90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 -10,0 4+ No de Filhos Desejados Fonte: Bemfam. 21 SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 10(2) 1996 reprodutiva. Apesar deste efeito ter sido verificado em todas as áreas, ele foi mais significativo no Rio de Janeiro. As diferenças regionais quanto ao desejo de continuar a vida reprodutiva são mais significativas entre as mulheres com dois filhos. Isto sugere um novo padrão de formação de família, baseado em dois filhos, que estava mais solidificado no Rio de Janeiro. Sugerem também que o fato de ter dois filhos funciona como um divisor de águas entre o novo e o antigo padrão de formação de famílias, uma vez que não são muito expressivas as diferenças nas proporções de mulheres com mais de dois filhos que desejam continuar o processo reprodutivo. TABELA 1 Idade Média da Mulher ao Ter o Primeiro Filho Rio de Janeiro, São Paulo e Região Nordeste – 1940-1993 Em anos Períodos 1940 1950 1960 1970 1980 1993 Rio de Janeiro 23,4 23,2 22,4 24,0 23,7 24,1 São Paulo 23,2 23,2 22,5 23,8 23,5 23,8 Região Nordeste 22,7 22,6 22,4 23,3 22,3 22,6 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico. Rio de Janeiro, 1940 a 1980 e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD. Rio de Janeiro, 1993. ATITUDES QUANTO AO PROCESSO REPRODUTIVO Contracepção Vários trabalhos já demonstraram que o principal determinante próximo dos níveis de fecundidade e dos seus diferenciais regionais é a taxa de prevalência ou de uso de métodos anticoncepcionais. Por exemplo, em 1986, o uso de métodos reduziu 68,7% da fecundidade marital potencial paulista, 65,7% da carioca e 50,6% da nordestina (Camarano, 1996:172). Entre as mulheres casadas, 71,4% usavam anticoncepcionais em São Paulo, 69,2% no Rio e 47,0% no Nordeste, em 1986. Diferenças nestas proporções explicam 73% da diferença entre as taxas de fecundidade do Rio e do Nordeste e 80% daquelas entre o Nordeste e São Paulo. Contraceptivos têm sido usados tanto para espaçar quanto para encerrar a vida reprodutiva, como é o caso da esterilização. A grande maioria das mulheres que declararam o desejo de parar de ter filhos em São Paulo e no Rio de Janeiro estava usando métodos anticoncepcionais. No Nordeste, 40,9% das mulheres que queriam interromper a vida reprodutiva não estavam usando métodos, sendo que 42,3% destas declararam não ter nem intenção de usálos. No Rio, as porcentagens comparáveis foram de, respectivamente, 20,2% e 48,3%. Em São Paulo, embora aproximadamente 14% das mulheres que expressaram vontade de interromper a vida reprodutiva não usavam métodos, todas estas declararam intenção de usar. Esterilização foi o método preferido pelas mulheres que desejavam parar de ter filhos (50,2% em São Paulo, 48,9% no Rio e 36,5% no Nordeste). A pílula anticoncepcional foi escolhida pela maioria das mulheres que desejavam espaçar os nascimentos (38,0% das paulistas, 36,6% das cariocas e 25,2% das nordestinas). Os outros métodos tiveram uma maior aceitação por parte das mulheres paulistas, principalmente entre as que queriam continuar tendo filhos (20,4% delas). As taxas de fecundidade são resultados de atitudes tomadas pelas mulheres nas várias fases do processo reprodutivo: o início, o espaçamento e o encerramento. Como será visto a seguir, as diferenças regionais são grandes nas várias fases deste processo, o que explica os diferenciais regionais nas taxas de fecundidade. Diferenças no Início da Vida Reprodutiva O impacto da idade ao começar a vida reprodutiva nas taxas de fecundidade e a variável que deve ser usada para medir o início da vida reprodutiva já foram bastante discutidos na literatura. Considerou-se aqui a idade da mãe ao ter o primeiro filho, utilizando o procedimento proposto por Hajnal para o cálculo da idade média à primeira união (Hajnal, 1953), que indica o timing do primeiro filho para diferentes coortes de mulheres num período de aproximadamente 35 anos. A Tabela 1 mostra idades médias das mulheres ao ter o primeiro filho, calculadas com base nos Censos de 1940 a 1980 e na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1993. No Rio de Janeiro, as mulheres começam a vida reprodutiva mais tarde do que aquelas residentes nas duas outras áreas, sendo que as nordestinas são as que começam mais cedo. Embora este indicador tenha flutuado ao longo do tempo, está claro que as mulheres do Rio e de São Paulo adiaram o primeiro filho, enquanto as nordestinas mantiverem este timing aproximadamente constante. Os diferenciais entre o Rio e São Paulo não são significativos, enquanto aqueles entre o Nordeste e estas duas áreas ampliaram-se ao longo do período. As diferenças regionais neste indicador sugerem que uma parte dos diferenciais nas taxas de fecundidade pode ser explicada pelo início da vida reprodutiva. 22 A HIPÓTESE DE CONVERGÊNCIA DOS NÍVEIS DE FECUNDIDADE NAS... A aparente inconsistência entre o desejo de terminar a vida reprodutiva e a não-utilização de métodos parece estar associada a elevados níveis de fecundidade indesejada. Estimativas apontam níveis mais altos no Nordeste (52,8%) do que em São Paulo (32,6%). No Rio, esta porcentagem foi estimada em 34,9%.3 Estes altos níveis levarão necessariamente a uma continuação da queda da fecundidade em todas as três áreas, independentemente de mudanças nas preferências reprodutivas. TABELA 2 Idade Média da Mulher ao Ter o Último Filho e ao Submeter à Esterilização Rio de Janeiro, São Paulo e Região Nordeste – 1986 Em anos Encerramento da Vida Reprodutiva O Encerramento da Vida Reprodutiva A análise do padrão de encerramento da vida reprodutiva requer a identificação de mulheres que não terão mais filhos. Na prática, isto significa analisar mulheres mais velhas, cuja vida reprodutiva começou 30 anos atrás e estava afetada por circunstâncias diferentes daquelas que influenciam o comportamento reprodutivo das mulheres mais jovens. Além disto, a única informação disponível para estudar este fenômeno nas três áreas é oriunda da Pesquisa de Saúde Materno-Infantil de 1986, cujo universo é restrito às mulheres em idade reprodutiva (15 a 44 anos). Neste caso, se o último coorte de idade é considerado, não há nenhuma garantia de que todas estas mulheres interromperam a vida reprodutiva. A única variável que definitivamente mede o final da vida reprodutiva é a esterilização, que é o método anticoncepcional mais usado nas três áreas. Não há nenhuma garantia de que variáveis como divórcio e viuvez indiquem o encerramento da vida reprodutiva, sendo que o mesmo se aplica para a menopausa ou o encerramento da vida sexual. Isto depende basicamente da percepção da mulher se estes fenômenos atingiram (ou não) o ponto de não retorno. Não há, portanto, nenhuma distinção clara entre espaçamento e encerramento da vida reprodutiva. Entretanto, uma tentativa é feita aqui no sentido de construir algumas estimativas de encerramento da vida reprodutiva, baseadas na idade da mulher ao ter o último filho e ao se submeter à esterilização. Na Pesquisa de Saúde Materno-Infantil, foi perguntada a todas as mulheres a idade ao ter o último filho. Para muitas delas que tinham mais de 40 anos no momento da pesquisa, este será de fato o seu último filho. As idades medianas ao ter o último filho nascido vivo e ao se submeter à esterilização estão apresentadas na Tabela 2. Como esperado, é no Nordeste que se verifica a mais alta idade mediana ao ter o último filho, 5,2 anos mais tarde do que no Rio de Janeiro, onde se verificou a mais baixa idade. A adoção da esterilização como método de interromper a vida reprodutiva registra uma redução dramática nas diferenças regionais quanto ao timing de encerramento da vida reprodutiva. Na verdade, isto implica a eliminação Rio de Janeiro São Paulo Região Nordeste Através de Último Filho Através de Esterilização 31,3 30,2 33,3 30,1 36,5 30,5 Idade ao Ter o Primeiro Filho das que Encerraram a Vida Reprodutiva Através de: Último Filho Esterilização 23,3 22,2 22,1 21,7 22,1 20,7 Intervalo Reprodutivo das que Encerraram a Vida Reprodutiva Através de: Último Filho Esterilização 8,0 8,0 11,2 8,4 14,4 9,8 Fonte: Camarano (1996:287). destas diferenças, o que poderia contribuir para uma redução dos diferenciais regionais de fecundidade. No entanto, já foi observado que as mulheres que terminam a vida reprodutiva por meio da esterilização têm uma fecundidade bem mais alta do que as que a encerram por menopausa (Camarano, 1996:149). Na Tabela 2 são apresentadas também as idades medianas ao ter o primeiro filho das mulheres que encerraram a vida reprodutiva, segundo a categoria último filho (mulheres que tinham 40 a 44 anos no momento da pesquisa) ou esterilização. Além disso, a tabela mostra a amplitude do intervalo reprodutivo. Quando o encerramento da vida reprodutiva é dado pela idade da mãe ao ter o último filho, observa-se um maior tempo de exposição ao risco de ter filho por parte das mulheres nordestinas. Este período foi de 8,0 anos no Rio de Janeiro, 11,2 em São Paulo e 14,4 no Nordeste. Isto pode explicar parte das diferenças regionais. No caso do final da vida reprodutiva ser medida pela esterilização, as mulheres de todas as três áreas experimentam uma redução importante no intervalo reprodutivo. O impacto é mais significativo no Nordeste. A comparação da idade média ao ter o primeiro filho, para os dois grupos de mulheres que encerraram a vida reprodutiva, mostra que as mulheres esterilizadas começaram mais cedo do que as outras. Esta diferença foi mais acentuada no Nordeste (1,4 anos) e menor em São Paulo (l ano). Isto sugere que a esterilização foi usada para controlar a fecundidade, mas sem outras mudanças significativas no processo reprodutivo, como o início, por exemplo. 23 SÃO PAULO EM PERSPECTIVA, 10(2) 1996 SÍNTESE DOS DIFERENCIAIS REGIONAIS: PODE-SE FALAR EM CONVERGÊNCIA DAS TAXAS DE FECUNDIDADE? TABELA 3 Indicadores do Processo de Formação de Família Rio de Janeiro, São Paulo e Região Nordeste – 1986-1991 As tendências mais recentes da fecundidade apontam para uma aceleração da queda da fecundidade nas três áreas em estudo, especialmente no Nordeste. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, as taxas de fecundidade já atingiram níveis próximos ou abaixo daqueles de reposição. A questão aqui levantada é em que medida este declínio indica convergência nas taxas de fecundidade. O Gráfico 4 apresenta os coeficientes de variação das taxas de fecundidade dos coortes analisados no item Tendências da Fecundidade no Brasil. Foram consideradas, como base, as taxas de fecundidade do Rio de Janeiro, pois, se as taxas de fecundidade iriam convergir, estas deveriam alcançar os níveis do Rio de Janeiro, que são mais baixos. A tendência de longo prazo destes diferenciais parece ser de redução relativa, mas esta queda tem sido oscilante. Pode-se observar que os diferenciais regionais de fecundidade aumentaram quando a fecundidade declinou e diminuíram quando a fecundidade aumentou. A queda mais acelerada da fecundidade nordestina relativamente às outras provocou uma redução neste indicador no período mais recente, porém, o seu valor ainda era relativamente alto (74%). A sua oscilação faz com que seja difícil pensar em convergência nos níveis de fecundidade. Uma outra maneira de se analisar a possibilidade de convergência nas taxas de fecundidade é através das diferenças (ou semelhanças) no processo de formação de família nas três áreas. A referência continua a ser o Rio de Janeiro, no ano de 1986. A comparação feita é com Nordeste e São Paulo em 1991. A questão é saber se os Indicadores Taxa de Fecundidade Total Idade ao Ter o Primeiro Filho Idade ao se Submeter à Esterilização Prevalência (%) Espaçadoras (%) (1) Planejadoras (%) (2) Controladoras (%) (3) Mulheres que Querem Três ou Mais Filhos (%) Taxa de Fecundidade Marital Desejada Fecundidade Indesejada (%) Em % 120 110 100 90 80 70 60 50 40 1910-15 1920-25 1930-35 1940-45 1950-55 1960-65 2,2 22,9 2,3 - 3,7 21,0 30,2 69,2 51,8 55,9 79,8 77,0 - 28,4 60,7 42,2 22,7 88,6 13,1 - 26,9 2,3 25,7 - 2,7 36,8 diferenciais regionais de fecundidade seriam reduzidos caso não houvesse mudanças nos níveis de fecundidade e no padrão de formação da família carioca entre 1986 e 1991. A Tabela 3 apresenta um resumo dos principais indicadores do processo de formação de família, muitos já analisados anteriormente. Pode-se observar que os diferenciais nas taxas de fecundidade total ainda são bastante elevados; a taxa de fecundidade nordestina em 1991 era 1,5 filho mais alta do que a observada no Rio em 1986. Diferença semelhante é encontrada quando as taxas do Nordeste e de São Paulo, para o mesmo período, são comparadas. Diferenças bem marcadas são encontradas também no processo de formação de família. Como se viu anteriormente, estas são muito expressivas no começo da vida reprodutiva e entre as mulheres que encerram a vida reprodutiva por idade (ou último filho). A esterilização encurta o período reprodutivo e reduz as diferenças regionais no encerramento da vida reprodutiva. As mulheres nordestinas, em 1991, foram esterilizadas mais jovens do que as cariocas em 1986. Embora a taxa de prevalência tenha aumentado expressivamente no Nordeste, em 1991 esta ainda era bem menor do que a observada no Rio em 1986. Além disto, as diferenças nas estratégias reprodutivas são bem expressivas. Por exemplo, o crescimento da taxa de prevalência nordestina foi resultado do aumento de uso de métodos entre as mulheres que querem “controlar“ o processo reprodutivo, ou seja, entre aquelas que começaram a usá-los depois de terem GRÁFICO 4 1900-05 Região Nordeste 1991 Fonte: Camarano (1996:342). (1) Mulheres que estavam usando métodos, mas querem continuar tendo filhos. (2) Mulheres que começaram a usar métodos antes do primeiro filho. (3) Mulheres que começaram a usar métodos depois do segundo filho. Coeficiente de Variação da Taxa de Fecundidade Total dos Coortes de Mulheres Nascidas entre 1890 e 1975 1890-95 São Paulo 1991 Rio de Janeiro 1986 1970-75 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos. 24 A HIPÓTESE DE CONVERGÊNCIA DOS NÍVEIS DE FECUNDIDADE NAS... tido dois filhos ou mais. Esta proporção, em 1991, foi mais elevada do que a das mulheres cariocas em 1986. Por outro lado, a proporção de mulheres que usavam métodos para “planejar” a prole, ou seja, aquelas que começaram a usálos antes do primeiro filho, era muito mais alta no Rio, em 1986, do que Nordeste, em 1991. Já foi também mostrado que as mulheres que começam a usar métodos antes do primeiro filho atingem níveis de fecundidade observados e indesejados bem mais baixos do que as demais (Camarano, 1996:135 e 316). Outra diferença importante é encontrada na preferência por um determinado tamanho de família. Embora as diferenças nas taxas de fecundidade desejada não sejam muito grandes (0,4 filhos), a proporção de mulheres que desejavam ter o terceiro filho variou de 13,1%, no Rio, para 26,9%, no Nordeste. Portanto, pode-se considerar que a tendência para o médio prazo é de aumento no número de famílias com dois filhos, mas não de forma homogênea. Há alguma evidência de que as taxas de prevalência aumentaram substancialmente em São Paulo no último qüinqüênio da década de 80 (Tabela 3). No entanto, apesar de a taxa de prevalência paulista ser mais alta do que a carioca, suas taxas de fecundidade, mesmo em 1991, ainda eram maiores do que as do Rio. Isto sugere que, embora taxas de prevalência sejam um importante determinante da fecundidade, anticoncepção, por si só, não é suficiente para explicar as suas variações. A fecundidade de uma mulher é o resultado de uma série de eventos multirrelacionados e experiências. Concluindo, acredita-se que a fecundidade continuará a cair nestas três áreas num futuro próximo. A existência de uma proporção ainda elevada de fecundidade indesejada sugere isto, principalmente no Nordeste. A fecundidade já atingiu níveis próximos ao de reposição no Rio e em São Paulo, mas não há indicações de convergência e/ou de estabilização nas taxas de fecundidade. Não é improvável que elas aumentem no mais longo prazo no Rio ou em São Paulo. A fecundidade final é também resultado de um número de eventos não esperados, como falha de anticoncepcionais, esterilidade, perda fetal, longo tempo de espera para concepção, uma combinação indesejada de filhos por sexo, divórcio, viuvez ou morte de um dos filhos. O impacto nos níveis de fecundidade de novos fatores como a Aids e re-casamen- tos também deve ser levado em conta. Portanto, é difícil pensar num declínio irreversível, estabilização e homogeneização de taxas de fecundidade em algum ponto no tempo. É difícil pensar num fim da transição da fecundidade brasileira, até porque transição significa movimento para qualquer direção e não necessariamente redução da fecundidade. NOTAS Parte deste trabalho está baseado nos capítulos 1, 7 e 8 de Camarano (1996). A autora agradece a colaboração de Marcelo Medeiros na elaboração dos gráficos e discussão do texto. 1. Veja, por exemplo, as projeções do Banco Mundial, das Nações Unidas, do próprio IBGE, etc. 2. Exemplo extraído de Souza (1990:41). 3. Estas porcentagens referem-se à razão entre a taxa de fecundidade desejada e a total. A taxa de fecundidade total foi calculada com base no método de Bongaarts que usa informações sobre o desejo de continuar tendo mais filhos. Veja Camarano (1996). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASS, W. “P/F synthesis and parity progression ratios”. Advances in methods for estimating fertility and mortality from limited and defective data. Londres, Centre for Population Studies, London School of Hygiene & Tropical Medicine, 1985, p.69-74. CAMARANO, A.A. Fertility transition in the twentieth century. A comparative study of three areas. Tese de Doutorado. Londres, Universidade de Londres, jan. 1996. CLELAND, J. “Different pathways to demographic transition”. In: GRAHAMSMITH (ed.). Population-the complex reality (A report of the Population Summit of the world's scientific academies). The Royal Society, 1994, p.22947. DHS. Newsletter, v.7, n.2, 1995. FREEDMAN, R. e BLANC, A.K. “Fertility transition: an update”. DHS. Demographic and health surveys, world conference proceedings. Washington, v.1, 1991, p.5-23. HAJNAL, J. “Age at marriage and proportion marrying”. Population Studies, v.7, 1953, p.111-136. KIRK, D. “Population changes and the post-war world”. American Sociological Review, v.9, n.1, 1944, p.28-35. PAULI, A. “La politique familiale en Suede”. Population, v.47, n.4, 1992, p.961985. PRESSAT, R. Dictionary of Demography. England, Oxford, edited by Christopher Wilson, Blackwell Reference, 1985. SARDON, J.P. Fécondité Générale. La population européene en chiffres. Ined, 1994. SOUZA, G.A. “A hipótese da convergência: uma ilusão de ótica”. VII Encontro de Estudos Populacionais. Anais... Caxambu, Abep, 1990, p.19-53. WATKINS, S. “Conclusion”. In: COALE, A. e WATKINS, S. Decline of fertility in Europe. Princeton, Princeton University Press, 1986, p.420-450. WESTOFF, C. Reproductive preferences: a comparative view. Demographic and Health Surveys Comparative Studies, n.3, 1991. 25