Henrique Garcia | Miguel Moreira | Rui Carvoeira | Joao Moura | Mário Pato
DEPARTAMENTO DE DESENVOLVIMENTO
Caros
Responsáveis e Directores Técnicos dos Clubes
Treinadores do Escalão Sub 12 e Sub 14
No mês de Novembro, realizaram-se três convívios de rugby juvenil no Estádio Universitário e vários
outros torneios Regionais e Inter-Regionais que marcaram o inicio de mais uma época do Rugby Juvenil.
Nunca é demais relembrar que estes encontros têm como principal objectivo, proporcionar experiências
diversas, com muita actividade desportiva e social a todas as crianças e jovens que praticam rugby nos
clubes.
Registamos com agrado o excelente comportamento de todos os participantes nestes jogos. Pais,
Dirigentes, Treinadores e Árbitros deram o exemplo na forma como apoiaram os mais novos durante
todos estes convívios.
A maioria dos clubes tem apresentado o DOSSIER de EQUIPA, documento fundamental para uma eficaz
organização dos vários escalões que constituem o clube. Esperamos que os clubes que ainda não
elaboraram este documento o façam já para o próximo encontro.
Aproveitamos para disponibilizar um documento que pode ajudar os clubes na preparação das suas
equipas para participarem nos Convívios e Torneios (em anexo).
No que diz respeito à intervenção dos TREINADORES, é importante relembrar que os convívios e
torneios são excelentes momentos de avaliação dos seus métodos de treino, analisando a prestação
individual dos seus jogadores e da sua equipa, em situação de jogo/competição.
Está época foram introduzidas alguma alterações às leis de Jogo, no escalão sub 12, embora numa fase
ainda inicial da época, apresentamos uma análise geral, sobre a adaptação das equipas às leis de jogo e
do desempenho técnico e táctico.
Para avaliar o desempenho das equipas, utilizamos como ferramenta de avaliação os objectivos a
alcançar para o escalão Sub 12 (ver documento Mini-Rugby), identificando os problemas comuns às
várias equipas e apresentando algumas sugestões que podem contribuir para a resolução desses
problemas.
Esperamos que a análise que apresentamos de seguida, possa ajudar os treinadores a elevarem o nível
técnico e táctico dos seus jogadores e das suas equipas.
Escalão
Sub – 12 e Sub 14
EVASÃO
Domínio satisfatório das técnicas de evasão (finta), registamos com preocupação a condução da
bola numa mão (braço).
Sugestão: Os treinadores devem insistir na condução da bola com as duas mãos, reforçando
que nesta situação os jogadores terão a possibilidade de realizar: o passe correctamente, uma
finta de passe, o jogo ao pé ou guardar a bola no contacto.
PASSE
Identificamos como erros mais comuns, o passe realizado em torpedo (c/efeito), o passe em
balão; o passe c/ uma mão, o passador e o receptor estão parados.
Sugestão: Realizar o passe normal, “proibindo” o passe c/ efeito; reforçar os factores chave do
passe (mãos à altura peito, braços flectidos, rodar o tronco e acompanhar com os braços e mãos
a bola na direcção do receptor); exercitar o passe em velocidade e introduzir progressivamente a
oposição.
CONTACTO
As situações de contacto são um aspecto do jogo onde surgem muitos erros e dificuldades na
Capacidades definição do maul e do ruck. Relembramos que no ensino do jogo devemos privilegiar as
técnicas de libertação rápida da bola (passe antes, durante e depois do contacto), de forma a
Técnicas
permitir a continuidade de jogo. No ruck, para além da apresentação da bola, o maior problema
surge com a chegada dos jogadores que realizam o apoio, colocam-se todos sobre a
bola/jogador que está no chão não avançando (ninguém) sobre os defensores, o que dificulta
uma clara disponibilização da bola, tornando o ruck lento e muito confuso.
Sugestão: (1) Insistir e desenvolver as técnicas de libertação rápida da bola no contacto e (2) no
ruck reforçar a técnica de apresentação da bola e definir as funções dos jogadores que
participam no ruck: (1º) proteger a bola; (2º e 3º) afastar os defesas, mantendo-se de pé.
Leis de Jogo: Reforçar a porta de entrada no ruck (prevenir entradas laterais), os jogadores
devem manter-se de pé.
CONTACTO (Defesa)
A placagem no escalão sub 12, deve ser realizada abaixo da cintura, no entanto o que
observamos é que a maioria dos jogadores executa a placagem demasiado alta, utilizando os
braços e não o ombro.
Sugestão: Reforço dos factores chave da placagem:
Posição do Corpo - olhar em frente, centro de gravidade baixo, costas direitas, joelhos semiflectidos, peso na ponta dos pés (não podem estar paralelos)
Contacto – Pé próximo do atacante, cabeça e ombro em contacto com a coxa, braços à volta das
pernas do atacante, manter esta posição até o placador e o placado estarem imobilizados no
solo.
Leis de Jogo: O placador após a placagem deve largar o placado e sair da zona de placagem.
2
Escalão
Sub – 12 e Sub 14
JOGO AO PÉ
Apesar de ser permitido o jogo ao pé, observamos que a maioria das ocorrências têm
lugar dentro dos 22 metros defensivos e surgem como ultimo recurso, sem intenção
clara de recuperar ou colocar a bola fora do terreno de jogo.
Sugestão: Incentivar os jogadores a utilizar diferentes técnicas do jogo ao pé (rasteiro e
alto) em situações de igualdade ou inferioridade numérica (em zona atacante). Na zona
defensiva utilizar o jogo ao pé com o objectivo de recuperar a bola, conquistar terreno ou
colocar a equipa adversária sobre pressão.
Leis de Jogo: Explicar aos jogadores que estão à frente do chutador que não podem
seguir a bola.
FORMAÇÃO ORDENADA
A posição corporal e as pegas da maioria dos jogadores esta longe da técnica correcta
para realizar a formação Ordenada.
Sugestão: É necessário um maior investimento no Treino da F.O, nestas idades
Capacidades pretende-se que todos os jogadores (Avançados e Linhas Atrasadas) realizem
correctamente a posição de força e executem correctamente as ligações e pegas,
Técnicas
aspectos fundamentais para a construção sólida e segura desta técnica colectiva de
grande importância para o rugby.
Leis de Jogo: Os pilares das duas equipas devem estar sempre ligados. Os jogadores
que não fazem parte da FO, devem estar a 5 metros, o árbitro deve verificar o
posicionamento das linhas atrasadas antes de iniciar as vozes que determinam o inicio
da FO.
ALINHAMENTO
A técnica do lançador, nomeadamente a introdução “torta” da bola é um aspecto que
treinadores e árbitros estão a permitir, no nosso entender erradamente.
Sugestão: Deve ser iniciado o treino específico (para todos os jogadores) de
lançamento da bola, da técnica de salto, protecção do saltador e coordenação lançador e
saltador. De acordo com as leis de jogo as equipas devem explorar através de diferentes
estratégias o lançamento do jogo a partir do Alinhamento (Maul, “Tapinha” e Passe).
Leis de Jogo: O lançamento tem de ser executado correctamente (perpendicular à linha
lateral) e os jogadores que não participam no alinhamento devem estar a pelo menos 7
metros.
3
ATAQUE
No que diz respeito à compreensão de jogo, através da utilização das formas de jogo,
observamos que existe predominantemente a alternância entre o jogo penetrante e o
jogo ao largo, sendo raras as situações de utilização do jogo ao pé com o objectivo de
desorganizar a defesa e recuperar a bola.
Sugestão: Incentivar os jogadores a utilizar diferentes técnicas do jogo ao pé (rasteiro e
alto) em situações de igualdade ou inferioridade numérica (em zona atacante).
Outro aspecto da organização do ataque que facilmente se observa está relacionado
com a ocupação do terreno de jogo, no que se refere à largura, existe ainda uma
concentração elevada de jogadores em torno da bola.
Sugestão: Definir o número máximo de jogadores nos reagrupamentos e dividir o campo
em 3 canais, obrigando à sua ocupação.
A manutenção do sentido de jogo nem sempre é respeitada, verificando-se muitas
iniciativas individuais que dificultam a organização colectiva.
Sugestão: Não impedindo a acção individual, o sentido de jogo é fundamental para
Capacidades assegurar que todos os jogadores sabem para onde a bola se desloca o que facilita o
Tácticas
apoio ao portador da bola, assegurando a continuidade de jogo.
A orientação da linha de corrida do portador da bola na maioria das vezes não é vertical
à linha de ensaio, não preservando o espaço livre, o que facilita a acção dos defesas.
Sugestão: Em situação de treino criar situações de superioridade numérica, para que os
jogadores entendam a importância de correr em frente para preservar o espaço existente
(4vs2)
DEFESA
Os jogadores não identificam, NÃO OLHAM, para o posicionamento do adversário.
Sugestão: Diferenciar o papel dos jogadores que estão na zona de placagem e os
jogadores que estão na linha defensiva, cada jogador marca um adversário.
A comunicação entre os jogadores é insuficiente e não permite a organização colectiva.
Sugestão: Identificar qual o jogador que esta a marcar.
Não há uma ocupação racional do espaço, os jogadores concentram-se na zona da bola.
Sugestão: Definir o número de jogadores envolvidos na zona de placagem e dividir o
campo em 3 canais, obrigando à sua ocupação.
Lisboa, 14 de Dezembro 2010
Henrique Garcia
Director de Desenvolvimento
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