Convergência técnica e social: a força de rádio, da utilidade pública..., p. 43-59
CONVERGÊNCIA TÉCNICA E SOCIAL: A FORÇA DO
RÁDIO, DA UTILIDADE PÚBLICA E O PODER DE
TRANSFORMAÇÃO DA TECNOLOGIA.
Ricardo Bedendo *
Alessandra Dessupoio **
Nicole Costa**
RESUMO
Este artigo representa mais um passo da pesquisa de iniciação científica realizada
no CES/JF, com alunos do curso de Comunicação Social. As próximas linhas
apresentam o debate acerca de algumas transformações pelas quais o rádio passa
ao longo de sua história. Em um contexto mais específico, objetiva-se analisar
mudanças recentes motivadas pela tecnologia, como a transposição do conteúdo
de transmissões em AM para FM o processo de digitalização do veículo. Em Juiz
de Fora, um dos exemplos mais atuais de convivência entre as programações de
AM e FM e que ganhou maior repercussão foi o da Rádio Panorama. Com base
em depoimentos de profissionais da área, argumentamos que é fundamental
que a convergência seja pensada e estruturada a partir do ideal de participação
pública em todas as fases de implantação do sistema digital. Também é necessário
trabalhar com o conceito de revitalização das características originais do rádio,
como a força da utilidade pública, e não a suplantação dela pela técnica.
Palavras-chave: Rádio. Utilidade pública. Tecnologia. Convergência.
Digitalização.
ABSTRACT
This article represents one more step of the research of scientific initiation
accomplished in CES/JF, with students of the course of Social Communication.
The next lines present the debate concerning some of the transformations for the
which the radio passes along his history. In a more specific context, it is aimed
*
Professor do curso de Comunicação Social do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Mestre em
Sociologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora
**
Alunas de jornalismo e bolsistas de iniciação científica Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora.
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Ricardo Bedendo , Alessandra Dessupoio, Nicole Costa
at to analyze recent changes motivated by the technology, as the transposition
of the content of transmissions in AM for FM and the process of digitalization
of the vehicle. In Juiz de Fora, one of the most current examples of coexistence
between the programmings of AM and FM and that it won larger repercussion
was it of the Radio Panorama. With base in professionals’ of the area depositions,
we argued that it is fundamental that the convergence is thought and structured
starting from the ideal of public participation in all of the phases of implantation
of the digital system. It is also necessary to work with the concept of revitalization
of the original characteristics of the radio, as the force of the public usefulness,
and no the supplanting of this for the technique.
Keywords: Radio. Public usefulness. Technology. Convergence. Digitalization
1 INTRODUÇÃO
[...] hoje, a informação jornalística no rádio ocupa espaços cada
vez maiores e as emissoras all news e talk radio fazem parte do cotidiano. Pecam, contudo, por esquecer a linguagem
do rádio: além da informação, a correta ambientação sonora é
fundamental. (ORTRIWANO, 1998, p.11).
Como profissionais e estudantes de jornalismo, devemos estar atentos às
transformações tecnológicas pelas quais passam os meios de comunicação. Toda
a história da humanidade e dos meios de comunicação, de uma forma geral,
demonstra como o desenvolvimento de novas formas de comunicabilidade
interfere e está diretamente ligado à constituição e modificação dos movimentos
sociais. Dessa maneira, este artigo trabalha com a hipótese de que é primordial
o investimento na pesquisa direcionada ao rádio, principalmente pela amplitude
social deste meio, no contexto brasileiro. Uma pesquisa com dados de 2003,
divulgada pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT),
mostra que o rádio, na ocasião com 81 anos de vida no Brasil1, conquistou
audiência de 90% dos ouvintes e apresenta-se como um dos principais veículos
de transmissão de informações.
1
Ferrareto (2000, p. 93-94) explica que “[...] é a pedido da repartição Geral dos Telégrafos que a
Westinghouse promove a primeira demonstração pública, no Brasil, de radiodifusão sonora, no dia 7 de
setembro de 1922, durante a Exposição Internacional do Rio de Janeiro, que comemorava o centenário
da Independência [...]” O mesmo autor lembra que “[...] a primeira emissora regular, portanto, foi a Rádio
Sociedade do Rio de Janeiro. Durante a Exposição do Centenário da Independência, o cientista e professor
Edgar Roquette-Pinto, que mais tarde seria conhecido como o pai do rádio brasileiro, interessou-se pelas
demonstrações de radiodifusão promovidas pelas indústrias norte-americanas [...]” (FERRARETO, 2000, p.
95).
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As transformações pelas quais passam os meios de comunicação face aos
acelerados avanços tecnológicos sempre foram tema para um debate específico
na área: o surgimento de novas plataformas de comunicação significa o fim das
antigas? Um marco histórico desse embate, configurado também no campo
intelectual, é sem dúvida, o relacionado à entrada da televisão no circuito
midiático, especialmente na década de 1950, no Brasil. O meio audiovisual
provocou um impacto na audiência do rádio (na considerada época de ouro entre
os anos de 1940 e 1955), o que levou o veículo a modificar muitas propostas
diante de um discurso ameaçador de que seu fim estava próximo.
Pouco mais de meio século depois, o cenário atual apresenta uma
realidade não de superação de um meio por outro, mas sim de reformulação, de
readaptação, de interação e de convergência entre as mídias, realizadas como
forma de sobrevivência em um mercado competitivo, diante da proliferação de
velozes e amplas e flexíveis opções de transmissão de informações, mediadas
pela rede mundial de computadores.
Para os jornalistas Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima, a Internet
fará desaparecer os atuais aparelhos de rádio e televisão.
É nele [computador] que as atuais emissoras de rádio e televisão
vão ser ouvidas e assistidas [...] assim é a nova via: arrasta para
dentro do computador as formas de comunicações conhecidas,
que de lá não mais vão poder sair. É a substituição de um sistema
por outro (BARRETO; LIMA, 2001, p. 34).
Uma opinião como esta não pode passar em branco sem despertar o
debate entre os profissionais e acadêmicos de comunicação e a sociedade em
geral. Para o professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Eduardo
Meditsch, a função do rádio informativo passa por uma redefinição provocada
pela implementação de uma era intelectual eletrônica, na qual o ouvinte tem
inúmeras possibilidades de participar como co-produtor de uma programação.
“A partir de agora ele será para o público uma interface sonora com o hipertexto
multimedia que vai expressar a aventura intelectual de nossa civilização [...]”
(MEDITSCH, 1995, p. 9). No entanto, o professor discute a grande confusão
instaurada no ensino de radiojornalismo, em decorrência da Internet, “[...]
devido à superação de conceitos tradicionais pela evolução tecnológica [...]”
(MEDITSCH, 2001, p.1).
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No contexto internacional, observa-se que o discurso sobre as
conseqüências das tecnologias nos meios de comunicação mantém características
similares ao brasileiro. O sociólogo espanhol Manuel Castells (1999, p. 386) é
enfático ao afirmar que “[...] a comunicação mediada por computadores não
substitui outros meios de comunicação nem cria novas redes: reforça padrões
sociais pré-existentes [...]” Na mesma linha de raciocínio, o jornalista americano
Wilson Dizard Júnior aposta na hipótese de que as mídias clássicas e novas se
sobrepõem e competem entre si. Desta forma, “[...] a nova mídia não é apenas
uma extensão linear da antiga. A diferença é que a nova mídia está expandindo
dramaticamente a gama de recursos disponíveis para os consumidores através da
Internet e de outros canais [...]” (DIZARD JUNIOR, 2000, p. 40).
A breve disposição de pontos de vista e de possíveis transformações
provocadas pela aceleração tecnológica representa parte de um debate que
procura esclarecer questões importantes, principalmente, para os domínios
sociais dos meios de comunicação. Na esfera técnica, os avanços são mais
velozes e surpreendentes e devem continuar crescendo. No entanto, a
preocupação maior da sociedade e, principalmente, dos profissionais da área de
comunicação, deve-se voltar para o aspecto social de utilização desta técnica,
o que envolve, essencialmente, a discussão sobre a produção e disseminação
de conteúdos, bem como as formas de administração dos meios, ainda mais
poderosos comunicativamente por causa das Tecnologias da Informação e da
Comunicação (TICs). Que fazer com a tecnologia que estamos produzindo? As
tradicionais características do rádio, como a instantaneidade, a sensorialidade,
que faz despertar a imaginação e a prestação de serviços ligada à idéia de
utilidade pública, estariam sendo ameaçadas por interesses comerciais dos
grandes conglomerados de mídia, preocupados apenas com o aspecto tecnicista
da chamada interatividade? A sugestão de raciocínio do professor Marco Silva
(2000), parece-nos um caminho mais interessante para pensar a interatividade.
[...] a interatividade emerge no movimento progressivo das inovações infotecnológicas, mas sem com isto dizer que ela seja
meramente um produto da tecnicidade informática. Ou seja,
a mudança fundamental no esquema clássico da comunicação não ocorre simplesmente porque o computador tornou-se
“conversacional”. (SILVA, 2000, [on line] não paginado).
O mesmo autor nos convida a refletir, ao citar o teórico francês Edgar
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Morin, sobre a idéia de um pensamento complexo, ou seja, devemos:
[...] compreender que as tecnologias são interativas também para
atender a demanda social por interatividade, para contemplar o
interesse do usuário interessado em personalização no tratamento
dos produtos e da informação que vai consumir. Em suma: pensar
assim permite perceber que a interatividade emerge também no
social, que ela não é engendrada pela tecnicidade informática simplesmente. (SILVA, 2000, [on line] não paginado).
É nesse sentido que a pesquisa e a discussão com a participação ampla
de todos os setores envolvidos devem atuar, como forma de contribuição para a
inteligibilidade e melhor aplicabilidade dos recursos disponíveis.
2 O RÁDIO, A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA
A invenção do transistor em 1947 proporcionou uma das grandes
reformulações para o alcance e crescimento do rádio como meio de comunicação:
deu-lhe maior mobilidade, por ter reconfigurado o fator portabilidade. Como
lembra Ferrareto, “[...] deslocado de um lugar de destaque na sala de estar, agora
ocupado pelo televisor, o receptor radiofônico passa com a transistorização,
em definitivo, a acompanhar os ouvintes [...]” (2000, p. 138). Essa invenção,
obviamente, situada na chamada era da microeletrônica, como denominou
Castells (1999, p. 59), foi a propulsora de boa parte das inovações tecnológicas
oferecidas hoje em inúmeros formatos e capacidades de armazenamento de bits.
Nesse sentido, não restam dúvidas de que as conquistas no âmbito da técnica
avançaram e estão em ritmo sempre mais alucinante. Mas somente a melhor
qualidade do som, de propagação, novas formas de acesso e disseminação das
rádios é suficiente para a revitalização deste veículo? É neste ponto do debate
que questionamos:
a) A dedicação, o olhar preso predominantemente à técnica e o vislumbre
pela velocidade, melhor qualidade do som, interesses comerciais, podem
conduzir ao solapamento de características tradicionais do rádio? Será que toda
esta evolução tecnológica condena o rádio tradicional ao desaparecimento,
como pensam Barbeiro e Lima (2001)?
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b) A migração das AMs para as FMs, seguida pela imersão na Internet e
pelo processo de digitalização das transmissões, suplanta o rádio em sua forma
tradicional ou é possível uma convivência harmoniosa entre tecnologia e este
veículo? Essa questão pode ser reforçada pela dúvida deixada pelos professores
e pesquisadores da Faculdade de Tecnologia e Faculdade de Comunicação da
Universidade de Brasília (UnB), Humberto Abdalla Jr. e Murilo César Ramos:
“[...] a qualidade da transmissão, a digitalização garante; quanto ao conteúdo,
isto já é outra estória [...]” (2007, p. 9).
c) Se o rádio conseguir encontrar o equilíbrio entre técnica e material
informativo, para aprimorar suas características tradicionais, como o imediatismo
e os serviços de utilidade pública, ganhará ainda mais força como ator principal
na condução da concorrência? Ou seja, jornais impressos, televisão e internet
estariam sempre tentando imprimir esforços para que sejam capazes de lhes
ajudar a aproximar da velocidade, instantaneidade e interatividade do rádio,
especialmente no contexto econômico-político brasileiro, no qual este meio
ainda é o mais encontrado na maioria dos lares. Nesse ponto, o rádio sempre foi
imbatível e teria, agora, todos os recursos para ampliar essa força.
2.1 TRADIÇÃO E TECNOLOGIA
Este artigo argumenta que as ferramentas da tecnologia poderiam ser
melhor empregadas para a construção de um rádio ainda mais envolvente e
atraente, sem descaracterizar seus conceitos tradicionais. Pelo contrário, as
tecnologias, a começar pela utilização da modelação em FM para programação
de AM, podem e devem ser usadas para reforçar o caráter de utilidade pública e
de instantaneidade do rádio. O radialista e escritor Cyro César ao falar da marca
da utilidade pública no rádio destaca que “[...] além de simples companhia, pode
contribuir para melhorar a cultura, a saúde e a educação no Brasil, dando uma
chance para que as pessoas, mais bem informadas, consigam ter uma qualidade
de vida melhor [...]” (CÉSAR, 2005, p.165).
No entanto, com tantas inovações e propostas, estaríamos diante de um
grande mal entendido na utilização da expressão “rádio”, envolvendo a difusão
de conteúdo e até mesmo o emprego dos recursos técnicos. Meditsch (2001,
p. 5) não crê que o rádio, definido como “[...] informação sonora, invisível, em
tempo real [...]” vá desaparecer ou será absorvido totalmente pela internet, como
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pensam Barbeiro e Lima (2001). Porém, considera que, “[...] se não for feito de
som não é rádio, se tiver imagem junto não é rádio, se não emitir em tempo
real (o tempo da vida real do ouvinte e da sociedade em que está inserido) é
fonografia e não rádio [...]” (2001, p. 5).
2.2 DA AM PARA A FM
Abdala Júnior e Ramos explicam que o processo pelo qual são dispostas
as informações na onda hertziana é conhecido como modulação. Por isso, “[...]
os primeiros sistemas de radiodifusão sonora faziam a amplitude (intensidade) da
onda hertziana variar de acordo com a informação a ser transmitida, daí o nome,
modulação de amplitude (AM) [...]” (2007, p. 4).
Na década de 70, face às necessidades de adaptação aos novos processos
de desenvolvimento das mídias, o rádio amplia sua dimensão ao oferecer ao
público um produto tecnicamente mais sofisticado, como relatam Abdala Júnior
e Ramos:
A evolução tecnológica permite vislumbrar um serviço de radiodifusão sonora imune às interferências atmosféricas e com capacidade de transmitir sinais de áudio com qualidade espantosa.
Esse sistema é baseado em um antigo conceito, Modulação por
Freqüência, proposto por Edwin Armstrong em 1933. A Modulação por Freqüência, ou simplesmente FM, consiste em variar a
freqüência da onda portadora de acordo com a informação a ser
transmitida. (2007, p.5).
Apesar da qualidade do som, a FM apresenta como característica marcante
o seu alcance limitado das transmissões. “Esta qualidade da transmissão aliada
a uma pequena área de cobertura fez das rádios FM as líderes de audiência nos
centros urbanos mais desenvolvidos, empurrando as rádios AM para segmentos
da população mais carentes e zona rural [...]” (ABDALA JÚNIOR; RAMOS, 2007,
p. 5). Dessa forma, embora as transmissões em FM tenham capacidade sonora
mais apurada, as rádios AM mantêm a vantagem de terem alcance local, nacional
e internacional.
Frente ao encantamento provocado pela FM, devido à qualidade sonora
e a uma programação selecionada, como contam os pesquisadores da UnB, a AM
se reposicionou, criando uma linguagem própria, “[...] com uma programação
dirigida a um público-alvo bem identificado. Parecia que a radiodifusão tinha
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encontrado uma harmonia em que as tecnologias se faziam complementares
[...]” (ABDALA JÚNIOR; RAMOS, 2007, p. 5).
Posteriormente, constatou-se que o investimento em apenas reprodução
musical passou a não mais atrair os ouvintes. Este fato leva a FM a popularizar-se
e a buscar ponto de apoio e de reciclagem na programação de uma rádio AM.
Neste percurso, as rádios AM, por não terem qualidade à altura, começam a
perder espaço no mercado.
É preciso criar uma nova rádio que seja o suficientemente impactante para fidelizar os atuais ouvintes e absorver novos nichos de
mercado. Obrigatoriamente passa-se a assumir a idéia de qualidade e convergência de serviços via radiodifusão. É hora de se pensar
em digitalizar a radiodifusão sonora (ABDALA JÚNIOR; RAMOS,
2007, p.5 - 6).
Consideramos, assim, fundamental a exposição deste contexto, como forma
de fundamentar a discussão atual entre o presente e o destino futuro do rádio,
principalmente no cenário brasileiro, no qual considerações socioeconômicas
e políticas devem ser levadas em conta. O debate entre Meditsch e Barbeiro e
Lima é apenas um exemplo da repercussão e da forma como a tecnologia tem o
poder de transformar nossas rotinas cotidianas. É relevante também o destaque
dessa repercussão para o ensino nas escolas de jornalismo.
2.3 O RÁDIO DIGITAL NO BRASIL
A implantação do Rádio digital no país situa-se em processo secundário
em relação à televisão, mas nem por isso menos conflituoso. A preocupação
com os modelos de tecnologia e com o destino das políticas públicas na área
de comunicação faz despertar o debate entre o Governo Federal, grandes
conglomerados de mídia e representantes de entidades públicas que representam
outros setores de mídia, da área acadêmica e da sociedade civil organizada.
A Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital
foi criada em 20062 e, atualmente, agrega mais de 100 representações da
sociedade civil. A união de forças aconteceu depois da publicação do decreto
5.820/20063, do Governo Federal, que instituiu a adoção da tecnologia japonesa
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de modulação para a implantação da TV digital no país. A medida é entendida
como algo que favorece, exclusivamente, a manutenção dos interesses dos
grandes empresários, deixando à margem do debate as diversas parcelas da
população que ansiavam por formas mais democráticas de comunicação.
Na Carta Aberta ao Governo Lula e ao Povo Brasileiro por um Sistema
Democrático de Rádio e TV Digital4, a Frente Nacional critica a autorização do
Governo Federal para testes de rádio digital no país com o modelo americano
IBOC que, “[...] caso seja adotado pode criar um cenário ainda maior de
concentração, por ocupar uma fatia maior do espectro de freqüência e pelos
custos de suas licenças [...]”5
No site da Câmara dos Deputados, a notícia veiculada no dia 29 de maio
de 2007 traz o depoimento do presidente da Associação das Rádios Públicas
Brasileiras e diretor da Rádio MEC, Orlando Guilhon, que argumenta:
Devemos levar em consideração um conjunto complexo de fatores
para tomar essa decisão. Se eu pegar só um fator, o Iboc deve
ser rejeitado porque exige o pagamento de R$ 5 mil dólares para
uma licença. E que custa de 25 mil a 30 mil dólares para uma
emissora de porte médio fazer essa transição. Esse custo inviabiliza
o sistema. As rádios comunitárias, públicas, educativas e culturais
estão fora desse processo de transição digital. (MORAES, 2007, [on
line], não paginado).
No III Encontro da Frente Nacional, realizado em 2008, na Universidade
Federal Fluminense, a plenária de entidades propôs, entre outras deliberações, a
produção de um manifesto público contra a adoção do IBOC para o sistema de
2
Informação disponível em: http://www.ciranda.net/spip/IMG/rtf/CARTA_ABERTA_AO_GOVERNO_
LULA_E_AO_POVO_BRASILEIRO_POR_UM_SISTEMA_DEMOCRATICO_DE_RADIO_E_TV_DIGITAL.rtf.
Acesso em: 26 mar. 2007.
3
Disponível em: Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Decreto/
D5820.htm. Acesso em: 09 abr. 2007.
4
Disponível em: http://www.ciranda.net/spip/IMG/rtf/CARTA_ABERTA_AO_GOVERNO_LULA_E_AO_
POVO_BRASILEIRO_POR_UM_SISTEMA_DEMOCRATICO_DE_RADIO_E_TV_DIGITAL.rtf. Acesso em:
26 mar. 2007.
5
A notícia no site da Câmara dos Deputados, do dia 29 de maio de 2007, esclarece que “o sistema norteamericano, conhecido como In Band On Channel (Iboc), é de propriedade da empresa IBiquity, que cobra
royalties mas mantém as mesmas freqüências já em uso pelas emissoras”. Disponível em: http://www2.
camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=104162. Acesso em 07-07-08. sobre a adoção do
modelo IBOC e as características técnicas de outros modelos ver também Del Bianco (2001).
51
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rádio digital no Brasil. Esta contextualização demonstra parte da preocupação de
nossa pesquisa com os acontecimentos referentes aos processos que deveriam
ser de revitalização do rádio frente às novas tecnologias. Não restam dúvidas de
que são longos os caminhos e grandes os desafios para a conquista de um real
espaço público de discussão e de implementação de tais propostas.
3 RÁDIO PANORAMA: UMA EXPERIÊNCIA EM JUIZ DE FORA
O dia 28 de setembro de 2003 ficou marcado na história da comunicação
juizforana. Foi nesse dia, às quatorze horas que, como na época divulgado, um
novo conceito de rádio estreava na cidade.
Fernandes (2005) relata que, idealizada com exigência de ser uma rádio
popular, mas não populista, a Rádio Panorama teve o seu projeto elaborado
a partir da experiência de vinte anos do seu atual gerente de programação,
Marcelo Pacífico.
A nova rádio iria substituir a Rádio Alvorada, que possuía uma
programação e um público totalmente distinto do planejamento da Panorama.
A transição foi rápida e o público previamente preparado.
Segundo Fernandes (2005), contrariando todo o ideal de FM, a
Panorama teve como sua primeira transmissão uma partida de futebol entre Tupi
e Rio Branco, seguido de um show ao vivo no lançamento da rádio.
Para estabelecermos um diálogo intelectual entre as idéias dos autores
até então estudados e o que pensam alguns profissionais da Panorama, bem
como de contribuir com o processo de debate sobre o rádio e o seu futuro,
usaremos o conteúdo de três entrevistas realizadas na rádio entre os meses de
maio e junho de 2008. Os entrevistados foram: Marcelo Pacífico, diretor de
programação, Roberta Oliveira e Thiago Werneck, jornalistas da rádio.
A experiência de transportar o conteúdo AM para a rádio FM foi uma idéia
ousada, mas, com certeza, focada em uma tendência do mercado, construída,
principalmente, pela também influência das redes via satélite, inauguradas no
início da década de 1980, no Brasil, conforme explica Ferrareto:
[...] as redes via satélite em Am e FM estruturam-se, nos anos seguintes, em nível nacional, regional e estadual. Em termos de programação, esta nova realidade leva, no âmbito das rádios em AM,
52
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à difusão de programas jornalísticos e coberturas esportivas em
cadeia. Em paralelo, programas com a participação do ouvinte e
voltados às classes C e D começam a ocupar espaços em FM antes
voltadas exclusivamente aos públicos jovem ou adulto das classes
A e B. (2001, p. 53 - 54).
O potencial de crescimento de ouvintes das FMs foi evidente, porque,
conforme evidenciam Abdala Júnior e Ramos, “[...] depois de virar rotina, a
simples reprodução musical já não mais cativava os ouvintes, obrigando a FM a
popularizar-se a ponto de não mais se distinguir, pela programação, de uma rádio
AM [...]” (2007, p.5). Marianini também disserta sobre o crescimento das FMs
e ressalta que “[...] a preferência dos ouvintes pelas rádios FM é crescente. As
AM´s passaram a se dedicar ao jornalismo e à prestação de serviços, enquanto
as FM´s à música [...]” (MARIANINI, 2001, p. 65).
O gerente de programação da Panorama, Marcelo Pacífico, considera
esse novo jeito de fazer rádio, que mescla o conteúdo de AM com a melhor
qualidade do áudio em FM, uma iniciativa de sucesso, a partir do momento
no qual são aproveitadas as características mais fortes de cada emissora, para a
formulação de um conteúdo que interesse ao ouvinte. Ponto fundamental dessa
discussão é que a AM tem, historicamente, contribuído para força do rádio,
com um conteúdo mais dinâmico e informativo, especialmente em relação à
prestação de serviço, uma característica primordial desse veículo.
É com esta certeza que Marcelo Pacífico aproveitou a parte de
qualidade de áudio da FM para projetar a programação de AM na Panorama.
Em depoimento concedido às alunas-pesquisadoras afirma:
A AM é mais comunicação do que locução; essa programação
popular, o público sente a programação, essa é a parte artística.
Mas a parte de qualidade de áudio FM é insubstituível. Então, a
gente colocou uma programação totalmente interativa independente de internet na qual o ouvinte fala, tanto é que o nosso slogan
é “aqui quem fala é você” com uma qualidade perfeita de som.
(PACÍFICO, 2008).
A iniciativa parece render bons resultados. Afinal, a rádio é hoje
uma das líderes de audiência da cidade. Segundo o jornalista Thiago Werneck
(2008), o perfil do ouvinte da rádio é a classe mais popular. Já a jornalista Roberta
53
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Ricardo Bedendo , Alessandra Dessupoio, Nicole Costa
Oliveira (2008) destacou que os comunicadores da rádio procuram sempre usar
uma linguagem simples e usual, conversando com o ouvinte no intuito de se
aproximar dele ao máximo. Assim, identifica-se uma característica primordial do
rádio, quer seja a linguagem de alta comunicabilidade.
Nesse sentido Ferrareto (2001, P. 58) ressalta que “[...] a grande maioria
das emissoras investem em comunicadores de grande carisma, radialistas que
misturam consultório sentimental com assistência social [...]” O comunicador é
aquele que constrói o elo entre técnica e ouvinte, proporcionando a comunicação
amiga e vibrante do rádio e construindo uma relação com o ouvinte.
Esch relata que o rádio é um meio fortemente ligado à tecnologia e o
seu desenvolvimento indica para os comunicadores “[...] novos significados para
os papéis que desempenham diante as várias faixas de audiência [...]” (ESCH,
2001, p. 78). O comunicador de hoje deve estar sempre inteirado de todos os
acontecimentos e atento a todas as informações, o que exige mais profissionalismo
e preparação. Em consonância com o que foi dito pela jornalista da Panorama,
Roberta Oliveira, o radialista Cyro César lembra que o papel do comunicador é
o de acompanhar as tendências do mercado e estar atento às particularidades do
seu público.
O profissional de hoje tem mais tempo para o ouvinte, para planejar melhor o que vai dizer ao microfone. O comunicador precisa
se reciclar, para interagir com as novas tecnologias, é necessário
conhecer bem o microcomputador, os sistemas operacionais, os
softwares de edição, enfim estar ligados com os novos equipamentos que invadiram os estúdios. (CÉSAR, 2005, p. 48)
O projeto voltado para a Rádio Panorama oportunizou-nos aumentar
o conhecimento em relação a essa mídia, especialmente pela oportunidade de
lidar com profissionais qualificados.
Quanto ao futuro do meio, os três jornalistas entrevistados são enfáticos:
o rádio não vai morrer. O meio é informação imediata, prestação de serviços,
utilidade pública e este é o seu principal diferencial; a tecnologia e a digitalização
só vêm para reforçar estas características tradicionais. Cyro César reafirma que o
rádio é instantâneo, “[...] simples de operar, por isso é um meio ágil, que consegue
informar de maneira quase simultânea a ocorrência de qualquer evento [...]”
(2005, p.164). Para Roberta Oliveira (2008), o rádio vai se adaptando de acordo
54
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com o tempo e as necessidades, por isso, ele não desapareceu com o surgimento
da TV e a internet.
O ideal é que a tecnologia faça com que o rádio aprimore seus serviços,
proporcionando mais credibilidade na apuração e, como ressalta Ferrarreto, a
internet, assim como as ligações telefônicas, garantem a interatividade do veículo.
“O rádio parece estar se preparando para o crescimento das novas mídias [...]”
(FERRARETO, 2001, p. 58). Para sobreviver nesta era digital, o jornalista Thiago
Werneck (2008) acrescenta que é preciso balancear, trazer novidades e, claro,
sempre se atualizar.
Como explicaram Abdala Júnior e Ramos (2007), a era da digitalização
do rádio já começou. Ela vai aprimorar a qualidade de recepção, oferecer
maior resistência a distúrbios e o som será similar ao CD, melhorando, assim, a
qualidade de áudio para os ouvintes. Além disso, as transmissões de informações
poderão ser também através de textos e imagens com uma economia expressiva
de energia.
Outra vantagem do rádio digital é a interatividade com os ouvintes. Ser
interativo é uma das características mais marcantes do rádio. Para isso, o jornalista
Thiago Werneck (2008) destaca que o comunicador “[...] deve ser simpático,
firme e profissional, saber o que está falando, porque as pessoas confiam naquilo
que você fala [...] quanto mais amigo do ouvinte, quanto mais o ouvinte se sentir
querido pelo locutor, mais ele vai querer ouvir o rádio”. Ou seja, o ouvinte é
peça principal e fundamental do rádio e, mesmo sendo comercial, como é o
caso da Panorama, deve ter obrigatoriamente o papel comunitário.
Abdala Júnior e Ramos (2007), lembrando o legado deixado pelo “pai”
do rádio brasileiro, Edgar Roquette-Pinto, afirmam que toda transição tecnológica
na comunicação traz com ela a esperança de uma revolução na educação,
informação e cultura. A verdade é que, como já foi citado, o rádio já passou
por várias modificações, mas mesmo com a era digital, as suas características
originais e já tradicionais nunca deixaram nem mesmo deixarão de existir. O
desafio, conforme Abdala Júnior e Ramos, não está, como “[...] jamais esteve,
na técnica e suas possibilidades; ele está na necessidade de se inserir a questão
da radiodifusão sonora na mais ampla discussão estratégica possível sobre a
comunicação no país.” (2007, p.16).
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Juiz de Fora, 2008
Ricardo Bedendo , Alessandra Dessupoio, Nicole Costa
4 CONCLUSÃO
A experiência proporcionada pela pesquisa de iniciação científica no CES/
JF abre a perspectiva de aprimoramento intelectual e profissional na área que,
sem dúvida, pode ser considerada como a grande escola do jornalismo: o rádio.
Isto porque o veículo de comunicação apresenta uma história que o credencia
como uma força com potencial sempre renovado de expressão ideológica e
também educacional, como pensou Roquette-Pinto. A principal questão são os
rumos adotados por meio das políticas públicas de comunicação no Brasil e no
mundo.
Parece evidente que o modelo neoliberal americano, vinculado à idéia
de desregulamentação, expansão de companhias de comunicação privadas e de
políticas transnacionais encabeçadas pelos tradicionais conglomerados de mídia
preocupa quanto às possibilidades democráticas e, portanto, de participação
popular efetiva, na discussão do tema e, principalmente, na acessibilidade e na
produção dos conteúdos de comunicação no rádio e em outras mídias.
Nossa discussão é direcionada ao aspecto da chamada recursividade
social, como apontou Silva (2003), ou seja, muito mais do que a preocupação
com os avanços técnicos do rádio, devemos voltar a atenção para a função social
que este poderoso meio de comunicação já desenvolveu e poderá oferecer
daqui pra frente. Não podemos perder de vista, que o aspecto fundamental da
digitalização e da convergência está no papel social, na transformação cultural e
política que o rádio mais uma vez irá desempenhar na história da comunicação
e na conseqüente formação da identidade das pessoas ao seu alcance.
Em Juiz de Fora, o exemplo da Rádio Panorama ilustra o esforço de
profissionais para compreender o novo processo de metamorfose do rádio, bem
mais complexo que a linguagem dos bits dos computadores e das máquinas
que, por seus recursos técnicos, são consideradas interativas. A formação dos
comunicadores, sejam eles radialistas ou jornalistas, por exemplo, é um dos
desafios de maior destaque neste percurso. O trabalho com o microfone é uma
missão não mais simplesmente para aqueles que são comunicativos apenas. Tratase, agora, de uma formação mais complexa, por meio da qual o profissional seja
capaz de assimilar e disseminar os reais interesses da sociedade ao seu redor.
Artigo recebido em: 08/09/2008
Aceito para publicação: 20/10/2008
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CES Revista, v. 22
Convergência técnica e social: a força de rádio, da utilidade pública..., p. 43-59
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