Idosos que vivem sozinhos: como eles enfrentam dificuldades de saúde ∗
Mirela Castro Santos Camargos♦♥
Roberto Nascimento Rodrigues♦
Palavras-chave: idosos; domicílios unipessoais; saúde; grupos vulneráveis.
Resumo
A proporção de idosos morando sozinhos no Brasil vem aumentando, mas, a realidade
desses idosos ainda é pouco conhecida. O objetivo deste estudo é investigar as condições de
saúde de idosos que moram sozinhos, ressaltando os meios utilizados para cuidar da saúde e
as estratégias empregadas em caso de doenças e emergências. O universo de investigação
foram pessoas acima de 60 anos residentes no município de Belo Horizonte (MG), em 2007.
Foram utilizadas informações oriundas da aplicação de 40 entrevistas em profundidade
realizadas entre 31/05/2007 e 13/07/2007. As entrevistas foram gravadas, transcritas e
codificadas com base na utilização do software NVivo 6. O banco de dados final foi composto
por nove blocos principais de dados: características do indivíduo, motivos para morar
sozinho, experiência de morar sozinho, saúde, renda, participação de outros, rotina, ajuda e
futuro. No bloco saúde, foram incluídas as percepções dos idosos sobre suas principais
preocupações e procedimentos relacionados à sua saúde; o acesso aos serviços públicos e/ou
privados; as dificuldades encontradas para lidar com doenças e restrições de atividades; e os
hábitos e procedimentos que podem afetar as condições de saúde. Para garantir a
confiabilidade das entrevistas foi ministrado a todos os entrevistados o Mini Exame do Estado
Mental, que avalia o estado cognitivo do respondente. Dada a importância do bem-estar
psicológico foi também ministrada a versão brasileira da Escala de Depressão Geriátrica
reduzida. Mesmo que a preocupação com a saúde fosse evidente nas falas dos idosos, estes
idosos, em sua maioria, não cuidavam adequadamente da saúde como pensavam e relatavam.
Exemplos deste falsos cuidados com saúde que poderiam refletir em susceptibilidade à
doenças foram: hábitos alimentares indesejáveis, monitoramento inadequado da saúde, falta
de prática de atividade física regular, não utilização de medicamentos conforme prescrição,
falta de companhia em período integral quando estavam doentes.
∗
Trabalho apresentado no XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, realizado em Caxambu- MG –
Brasil, de 29 de setembro a 03 de outubro de 2008.
♦
♥
Departamento de Demografia - CEDEPLAR /UFMG.
Bolsista CNPq Brasil.
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Idosos que vivem sozinhos: como eles enfrentam dificuldades de saúde ∗
Mirela Castro Santos Camargos♦♥
Roberto Nascimento Rodrigues♦
Introdução
São nos extremos da vida, seja na infância ou na velhice, que os indivíduos
apresentam uma maior limitação social, passando a depender, algumas vezes de forma vital,
da sociedade que os envolve e assiste (Leme & Silva, 2002). Os estudos têm demonstrado que
a família, co-residente ou não, por meio de seus apoios, tem tido um papel muito importante
no bem-estar e qualidade de vida dos idosos (Montes de Oca, 2001). No entanto, a redução do
tamanho da família, a entrada da mulher no mercado de trabalho, alterando o peso da sua
função dentro da família, e o surgimento de novos arranjos familiares, decorrentes de novas
formas de união conjugal, tendem a comprometer as condições de cuidado e atendimento
diretos à pessoa idosa na família (Nascimento, 2000).
Diante da tendência recente de redução do número de filhos, aumento do número de
divórcios, mudanças de estilo de vida, melhora nas condições de saúde da população idosa e
aumento da longevidade, com destaque à maior sobrevivência feminina, é de se esperar que,
ao longo dos anos, haja um crescimento dos domicílios unipessoais, ou seja, cresça o número
de idosos vivendo sozinhos.
Um estudo realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) analisou os arranjos
domiciliares dos idosos, apresentando dados comparativos de 130 países (United Nations,
2005). Dentre as principais conclusões do informe destacou-se que: aproximadamente uma
em cada sete pessoas idosas (90 milhões) vive sozinha e cerca de dois terços dessas são
mulheres; existe uma tendência a favor de modalidades de vida independente (sozinho ou
sozinho com o cônjuge), mais consolidada em países desenvolvidos; há uma menor proporção
de mulheres idosas casadas, comparativamente aos homens (cerca de 45% versus 80%).
No caso do Brasil, a co-residência permanece elevada entre os idosos; contudo, cresce,
ao longo dos anos, a proporção de idosos brasileiros morando sozinhos. De acordo com o
IBGE (2007), número de idosos que moram sozinhos no Brasil vem aumentando, alcançando
a proporção de 13,2% em 2006. A população de 60 anos e mais, em 2006, foi responsável por
40,3% dos domicílios unipessoais brasileiros, sendo que em Minas Gerais essa proporção era
de 39,3% e na Região Metropolitana de Belo Horizonte de 34,2%.
A realidade dos idosos brasileiros que vivem sozinhos ainda é pouco conhecida, assim
como daqueles residentes no estado de Minas Gerais. Apesar de velhice não ser sinônimo de
doenças ou incapacidades, sabe-se que nessa fase da vida as pessoas tendem a estar mais
susceptíveis a problemas de saúde e, consequentemente, carentes de apoio. Mesmo que a coresidência não seja um indicador suficiente para medir ajuda, ela pode ser considerada um
importante instrumento facilitador para que as trocas ocorram entre os idosos e seus filhos
(Glaser, 1997; Saad, 2004). Nesse caso, idosos que vivem com outras pessoas, sejam elas
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Trabalho apresentado no XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, realizado em Caxambu- MG –
Brasil, de 29 de setembro a 03 de outubro de 2008.
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Departamento de Demografia - CEDEPLAR /UFMG.
Bolsista CNPq Brasil.
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parentes ou não, parecem estar mais bem amparados em caso de problemas de saúde. Em
contrapartida, idosos que moram sozinhos podem ser considerados mais vulneráveis e
desprovidos de apoio diante de dificuldades de saúde. Assim, surgem questionamentos de
como anda a saúde de idosos que moram sozinhos, como eles têm cuidado da saúde e as
estratégias empregadas em caso de doenças e emergências.
No que diz respeito à saúde, o que se observa é existem dois aspectos relacionados à
condição morar sozinho. Por um lado, seria esperado, que idosos que vivem sós
apresentassem melhores condições de saúde, número menor de doenças bem como melhor
desempenho funcional, aspectos importantes para que o idoso consiga se manter sozinho. Por
outro lado, um outro argumento seria válido e implicaria que idosos que vivem sozinhos
teriam uma pior condição de saúde, por não terem alguém para ajudar nas atividades
rotineiras, para servir de companhia e para cuidar em casos de necessidade. Assim, não se
sabe ao certo como estaria a saúde dos idosos que vivem sozinhos e, em até que ponto, por
viverem em domicílios unipessoais, estes idosos estariam mais vulneráveis diante de
problemas de saúde.
Dentro desta perspectiva de entender essa “vulnerabilidade” dos idosos, Iliffe et al.
(1992) testaram a veracidade da hipótese de que idosos londrinos que moravam sozinhos
seriam um grupo de risco, com um alto índice de morbidade e demandas por serviços sociais e
de saúde. De acordo com os resultados, não foram encontradas diferenças entre idosos que
moravam sozinhos e acompanhados, em relação a problemas cognitivos, número de
problemas físicos, déficit de mobilidade e uso de serviços de saúde. Ademais, aqueles que
moravam sozinhos tendiam a relatar satisfação com a vida com maior freqüência. Os autores
também encontraram que as mulheres e os idosos mais idosos (80 anos e mais) apresentavam
maiores chances de viverem sós, se comparados aos homens e aos idosos mais jovens,
respectivamente.
Ainda na perspectiva da relação entre condições de saúde e a conformação de arranjos
domiciliares de idosos, o estudo de Gliksman et al. (1995) focalizando australianos de ambos
os sexos com 65 anos e mais, procurou estabelecer se havia influência do arranjo domiciliar,
do suporte social, e do estado conjugal em fatores de risco para doenças cardiovasculares. Os
resultados indicaram que o suporte social, medido pelo contato com familiares, amigos e
pessoas da comunidade, não esteve significativamente associado a fatores de risco para
doenças cardiovasculares nessa população. Entretanto, características sócio-demográficas
apresentaram influência direta no aumento do risco para doenças cardiovasculares. Homens
que viviam sozinhos apresentaram maiores medidas de pressão arterial. Além disso, o estado
conjugal foi importante preditor de fatores de risco no caso dos homens, mas não no caso das
mulheres.
Em resumo, os estudos apontam para o fato de que melhores condições de saúde,
assim como outros fatores sociodemográficos, parecem contribuir para que o idoso more
sozinho. Contudo, não é possível determinar se este tipo de arranjo independente estaria
colocando o idoso em situação de risco para determinados problemas de saúde e se eles
estariam preparados para lidar com situações de emergência e enfermidades, na falta de
companhia. Além disso, não se sabe até que ponto que, por não co-residir com outras pessoas,
estas pessoas estaria menos amparadas por seus familiares, amigos ou vizinhos.
O objetivo deste estudo foi investigar as condições de saúde de idosos que moram
sozinhos, ressaltando os meios utilizados para cuidar da saúde e as estratégias empregadas em
caso de doenças e emergências. O universo de investigação foram pessoas acima de 60 anos
residentes no município de Belo Horizonte (MG), em 2007. Para captar essa gama de
condicionantes e significados, assim como para desvendar mecanismos, estratégias e
sentimentos, optou-se por utilizar informações de natureza qualitativa.
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Fonte de dados e metodologia
A população-alvo deste estudo é composta por idosos, de 60 anos e mais, incluindo
ambos os sexos, que no ano de 2007 residiam em domicílios unipessoais no município de
Belo Horizonte. A escolha de Belo Horizonte, situada na porção centro-sul do estado de
Minas Gerais, se justifica pela possibilidade de contrastar o estilo de vida de uma grande
metrópole brasileira com características da tradicional família mineira na qual a população
idosa atual parece ainda se sustentar. A opção pareceu apropriada dentro desta discussão das
mudanças de valores das famílias e da sociedade. Afinal, trata-se de uma população idosa que
nasceu e cresceu em um tempo no qual a família era a responsável direta pelo bem-estar de
seus membros na velhice e hoje está diante de uma transformação, seja pelas dificuldades
impostas pela redução do tamanho da família, seja pela crescente difusão de um modo de vida
pautado pelo individualismo.
Em razão da sua natureza qualitativa, este estudo não teve como uma das suas
preocupações centrais a utilização de informações provenientes de uma amostra
estatisticamente representativa da população idosa do município de Belo Horizonte. Houve,
sim, o empenho em incluir um número de entrevistados tão grande quanto possível, mas sem
comprometer a qualidade da coleta de dados ou aprofundamento dos aspectos analisados.
Optou-se também por adicionar, intencionalmente pessoas de diferentes características
sociodemográficas e de saúde e residentes em diversas áreas do município. Assim, para
selecionar os entrevistados, decidiu-se trabalhar com idosos das nove regionais
administrativas do município, sem uma pré-seleção por características individuais como
renda, estado conjugal, sexo ou idade. No entanto, na medida em que se optou por trabalhar
com um número maior de idosos e com diversas regionais, perfis distintos foram se
delineando, tendo em vista que a distribuição da população no espaço é influenciada por
fatores de natureza socioeconômica. Resumindo, tais procedimentos garantiram não apenas
que os diversos aglomerados espaciais do município fossem contemplados, mas também que
houvesse representação, entre os idosos entrevistados, dos diversos segmentos
socioeconômicos que compõe a população idosa do município.
Inicialmente, foi feito um mapeamento, por regionais, dos idosos residentes no
município de Belo Horizonte, empregando os dados do Censo Demográfico de 2000. Com
isso, foi possível observar como os idosos se distribuem entre as diferentes regionais, para
servir de referência no momento de buscar e selecionar os participantes. As entrevistas foram
realizadas entre 31/05/2007 e 13/07/2007 e a amostra deste estudo foi composta por 40
idosos.
Para garantir a confiabilidade das entrevistas foi ministrado a todos os entrevistados o
Mini Exame do Estado Mental (MEEM), que avalia o estado cognitivo do respondente
(Bertolucci et al, 1994). O objetivo da aplicação do MEEM foi incluir na amostra apenas
aqueles indivíduos que não apresentavam déficits cognitivos. Dada a importância do bemestar psicológico nas respostas fornecidas pelos entrevistados, também foi aplicada para todos
os participantes a versão brasileira da Escala de Depressão Geriátrica (EDG) reduzida,
utilizada para o rastreamento de sintomas depressivos em idosos (Almeida & Almeida, 1999).
Durante a pesquisa havia dois instrumentos para coleta de dados. Na primeira parte, era
aplicado um questionário que continha perguntas sobre características demográficas,
socioeconômicas e de saúde, além das questões do MEEM e da EDG-15. Já na segunda parte
ocorria a entrevista em profundidade. Nas entrevistas em profundidade foi empregado um
roteiro que serviu como guia para captar as impressões dos entrevistados sobre temas
4
específicos e ao mesmo tempo não eliminar possibilidades discursivas. Este roteiro foi
formulado com base nos objetivos do trabalho e, para sua confecção, foram realizados dois
pré-testes, a fim de testar as perguntas elaboradas, observar a necessidade de incorporar novas
questões, marcar o tempo da entrevista e deixar a entrevistadora mais familiarizada com o
roteiro.
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal
de Minas Gerais. As entrevistas foram gravadas e durante a transcrição foram empregados
nomes fictícios para as pessoas, a fim de preservar a identidade dos entrevistados e seus
conhecidos. Para facilitar a organização dos códigos e a pesquisa de temas dentro da base de
dados foi utilizado o programa NVivo 6. Este software, assim como a maioria dos programas
voltados para a pesquisa qualitativa, utiliza o princípio da codificação. Os códigos são
armazenados em “nós”, que funcionam como recipientes para armazenar a codificação do
material analisado. Esses “nós” representam categorias ou conceitos e o seu conjunto forma
uma árvore (index tree roott), na qual todos os “nós” estão dispostos de forma hierárquica e
relacional. O programa trabalha com duas janelas distintas, sendo uma para armazenamento
dos dados analisados e outra onde os “nós” ficam registrados (Teixeira & Becker, 2001;
Weitzman & Miles, 1995).
A criação dos “nós” baseou-se em nove blocos principais de análise: (1) características
do indivíduo, (2) motivos para morar sozinho, (3) experiência de morar sozinho, (4) saúde, (5)
renda (6) participação de outros, (7) rotina, (8) ajuda e (9) futuro. Neste estudo foram
utilizadas, primordialmente, informações do bloco saúde, onde foram incluídas as percepções
dos idosos sobre suas principais preocupações e procedimentos relacionados à sua saúde; o
acesso aos serviços de saúde públicos e/ou privados; as dificuldades encontradas para lidar
com doenças e restrições de atividades; e os hábitos e procedimentos que podem afetar as
condições de saúde.
Resultados
Assim como no conjunto da população idosa que vive sozinha, a grande maioria dos
idosos entrevistados foi constituída por mulheres e apenas 15% dos entrevistados pertencem
ao sexo masculino. A idade média dos entrevistados foi de 74,9 anos, variando de 60 a 94
anos. O tempo que o idoso morava sozinho variou de 3 meses a 54 anos (média de 14,7 anos).
Com exceção de uma entrevistada que vivia no local em que trabalhava, todos os
demais entrevistados antes de morarem sozinhos viviam com pelo menos um familiar (pais,
irmãos, tios, cônjuge/companheiro, filhos, genros/noras e netos). A metade dos entrevistados
vivia com o cônjuge ou companheiro antes de morar só e 45% do total vivia somente com esta
pessoa. Do total de entrevistados 52,5% eram viúvos, 27,5% solteiros e 20% separados ou
divorciados.
Dos entrevistados 62,5% continuaram na mesma região em que viviam antes de morar
sozinhos e 47,5% permaneceram na mesma residência. Em relação à distância da residência
dos parentes com maior vínculo com o entrevistado, observou-se que 25% morava muito
próximo (na mesma rua), 10% próximo (no mesmo bairro), 55% distante (em outro bairro) e
10% muito distante (em outra cidade). De um modo geral, todos os idosos se relacionavam
com parentes, mantendo encontros freqüentes ou contatos por telefone, com exceção de duas
senhoras que foram adotadas quando crianças.
A minoria dos entrevistados (12,5%) era analfabeta e a renda mensal dos idosos variou
de R$380,00 a R$9000,00, ou seja, de 1 a 23,7 salários-mínimos (SM). A metade dos
entrevistados tinha rendimento mensal de até 2,6 SM e 25% ganhava um salário mínimo.
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Quanto à presença de ajuda paga para auxiliar nas atividades domésticas, observou-se que,
apenas 17,5% dos entrevistados contavam uma empregada doméstica diariamente. Já 40%
contavam com auxílio mensal (5%), quinzenal (17,5%) ou semanal (17,5%). Um percentual
expressivo (42,5%) realizava os trabalhos domésticos sem ajuda de terceiros.
Com relação à forma que os idosos percebem a sua saúde, observa-se que 65% tinha
uma avaliação positiva. A este respeito, Alves (2004), analisando idosos do município de São
Paulo, observou que aqueles que moram sozinhos avaliam a sua saúde mais positivamente, se
comparados aos que vivem acompanhados, mesmo após controlar por sexo e idade. Outros
estudos também demonstraram que auto-avaliar a saúde negativamente reduz as chances de
idosos morarem sozinhos (Camargos, Machado & Rodrigues, 2006, 2007).
Cuidado com a saúde: o acesso aos serviços de saúde públicos e/ou privados
No caso dos idosos entrevistados em Belo Horizonte observou-se que a maioria estava
coberta por plano de saúde (77,5%). A maior parte dos idosos (62,5%) declarou que não
utilizava rede pública de saúde. Entre os entrevistados que possuíam plano de saúde na data
da entrevista, 45% relataram que pagavam com recursos próprios, 42% disseram que o plano
estava ligado à aposentadoria ou pensão e 13% que o plano era pago por outra pessoa. Todos
os idosos sem plano de saúde, que contavam apenas com a assistência da rede pública de
saúde, possuíam renda inferior a 2,6 SM. Por sua vez, apresentar renda baixa pareceu não ter
impedido o idoso ter plano de saúde. Dos idosos com renda de 1 SM, 40% possuíam plano de
saúde e 30% contavam com a ajuda de outras pessoas para o pagamento. Os idosos de menor
renda, mesmo contando com ajuda de terceiros conseguiam planos mais simples ou com
descontos, nos casos em que eram dependentes de parentes, o que lhes obrigava, em alguns
momentos, a utilizar a rede pública de saúde.
No Brasil, o sistema privado é um sistema alternativo ao sistema de saúde público
universal, oferecendo tanto serviços que são ofertados pelo sistema público como outros
serviços, e cerca de 25% da população possui plano de saúde (Andrade & Maia, 2006). No
caso específico da população idosa, Lima-Costa, Loyola Filho & Matos (2007), ao
compararem dados das PNADs de 1998 e 2003, relataram que a cobertura de plano de saúde
cresceu de 26,9% para 29,4% no período. Embora não representativo para o município de
Belo Horizonte, o grande percentual de idosos da amostra deste estudo cobertos por planos
pode indicar que, entre aqueles que moram sozinhos, existiria uma maior preocupação com
saúde e com gastos extras que determinados problemas podem acarretar. Assim como o
cuidado com a saúde seria uma espécie de estratégia preventiva contra a co-residência, para os
entrevistados a posse de plano de saúde pareceu ser um dos mecanismos empregados para
cuidar da saúde e se prevenir de gastos que implicariam na participação e dependência de
terceiros. No entanto, isso só poderia ser mais bem analisado em estudo específico que
comparasse idosos que moram sozinhos e acompanhados.
Observou-se entre os idosos um desejo em não incomodar outras pessoas com seus
gastos e demanda por cuidado. A seguir estão algumas falas2 de idosas que justificaram a
2
Nos trechos das transcrições, as intervenções do(a) entrevistador(a) aparecem em itálico. Entre colchetes foram
incluídas informações consideradas necessárias para o entendimento do contexto da entrevista. Reticências entre
parênteses substituem trechos da entrevista que não se considerou relevantes para exemplificar o que se
pretende.
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opção por ter plano de saúde. Cabe lembrar que estas duas idosas pagam o plano com recursos
próprios.
A senhora tem plano de saúde? Tenho. É a senhora que paga? E é o melhor. Eu pago,
quinhentos e setenta e sete reais [1,5 SM]. E... Acaba que esse gasto com saúde... Pois é... e
saúde, você vê saúde só o plano, é o melhor plano]. Eu me, eu me... previno muito, por isso
eu pago o melhor plano porque... qualquer coisa que eu precisar fazer... eu posso fazer. Que
há planos assim... você pode fazer ultra-som só uma vez por ano. Não, no meu caso não.
Toda época que precisar, todo mês que for eu posso fazer.
(Rosângela, 77 anos, solteira, renda de 7,9 SM, mora sozinha há 15 anos)
A senhora me falou que tem plano de saúde, que é uma segurança que a senhora tem, né?
Num deixo de pagar de jeito nenhum. O plano de saúde pra mim é sagrado. Por quê? A
senhora tem medo de depender de alguém? De filho. (...) Por isso que eu pago o meu
[plano de saúde] pra mim não depender de posto de saúde. Que chega lá é uma má vontade.
O dia que eu fui pra tomar contra gripe... mas, teve tanta briga, num tinha vacina, a
geladeira estava estragada, num tinha carro pra buscar a vacina. O quê que é isso, menina?
Num funciona não. Então a senhora passou muita raiva? Ai, eu... nós ficamos lá de sete da
manhã as onze, pra tomar uma vacina. O quê que é isso? Eu prefiro pagar o [plano de
saúde], porque ai eu precisei, liguei e vou. Pronto, se for o caso assim... da gente sentir
alguma coisa. Num tem que depender de ninguém.
(Aparecida, 66 anos, separada, renda de 1,8 SM, mora sozinha há 1 ano e 1 mês)
A preocupação com a saúde não se revelou ser uma preocupação apenas dos idosos
para com eles mesmos, mas também de familiares e amigos. Afinal, em alguns casos, o plano
de saúde era pago por outros, a fim de diminuir gastos mais elevados com a saúde que, no
caso de doença do idoso, poder-se-iam estender para toda a família. Além disso, quando
necessário, marcavam e acompanhavam os idosos às consultas. Notou-se que, em uma
minoria, alguns problemas físicos, que dificultavam o deslocamento para consultas de saúde,
já começavam a surgir.
E quando a senhora vai, vai ao médico assim... a senhora vai... acompanhada? Como é que
é? A minha filha me leva de carro. Ela num deixa eu andar sozinha mais. Tá com medo,
né? Só mesmo de carro. E a senhora... Mas assim, se seu sair com uma pessoa, pode ser
uma neta ou quem for, eu não preciso ninguém [para segurar ou amparar]. Eu ando assim
com um pouquinho de dificuldade, mas, eu ando. Eu tenho medo é... eu tomei medo de
andar sozinha. Por causa dessas operação, né?
(Alda, 80 anos, viúva, renda de 2 SM, mora sozinha há 20 anos)
E, e... e é a senhora que vai lá no posto? Vou. Tudo sozinha? É. A maior difi... a
senhora num conhece não, né? Não. Nossa! Ele é um morro forte gente! Ele é bem lá em
cima. Lá no alto. E a senhora consegue ir sozinha? Vou. Num tem problema nenhum?
Não. A senhora gosta de ir sozinha ou a senhora vai porque precisa? Porque eu precisa,
né? Num é porque gosta não. Porque o morro num tem graça, né? Mas se... se tivesse
alguém pra ir com a senhora a senhora acharia melhor? Ah! Num adiantava, né?
(Abadia, 83 anos, viúva, renda de 1 SM, mora sozinha há 2 anos)
Na maior parte das vezes, os idosos iam sozinhos aos tratamentos e consultas de
saúde, pois preferiam não incomodar outras pessoas. Seguem alguns trechos em que os idosos
relataram a forma empregada para fazer consultas ou tratamentos de saúde. As falas dos
idosos reforçam esta busca por se manterem independentes e não incomodarem familiares ou
amigos:
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De primeiro eu ia sozinha. Mas, agora eu vou acompanhada. A minha empregada vai lá, vai
comigo. Minha filha fala: ‘mamãe que absurdo’! Num é absurdo nada, vocês trabalham. E
ela tá lá pra isso. Pronto, né?
(Odete, 82 anos, viúva, renda de 21,1 SM, mora sozinha há 7 anos)
Ai, saio também pra ir a médico, né? É... dentista, tudo isso eu faço sozinha. Meu filho
mais velho, que é mais folgado do que o mais novo, mas, folgado assim... de tempo. Ele
fala: ‘mãe! Num fica andando sozinha não. Quando a senhora precisar liga pra mim, eu vou
levar a senhora, eu vou buscar’. Mas eu num gosto de incomodar também. Eu sou bem
independente nesse ponto, sabe? Quando eu já conheço o local que eu vejo que dá pra ir de
ônibus. Quando num dá como na, na, na maioria das vezes eu pego táxi. As vezes eu pego
táxi e vou, e volto de ônibus. Ou as vezes pego outro táxi pra vir embora, que graças a
Deus, dinheirinho assim num falta, né? Então... eu vivo assim.
(Vanda, 75 anos, viúva, renda de 3,9 SM, mora sozinha há 14 anos)
E geralmente quando a senhora vai ao médico, tem que alguém que lhe acompanha?
Quando tem alguma gente vai. Agora, a maioria eu vou só mesmo. Quando eu preciso ter
um acompanhante a gente arranja, né? Ou arruma... a faxineira vai comigo... ou uma irmã
vai, ou nora? (...) E a senhora gosta de ir sozinha, como é que é? Ah! Eu gosto porque... a
gente acostuma, né? Como se diz com o eu não posso ficar ocupando. As vezes eu tenho
dois dias na semana pro médico. Mas, eu vou chamar, eu vou tirar eles do serviço dele pra
vir comigo no médico? E num dá, né? Ai eu prefiro ir só. Quando não é possível eu chamo,
mas, se é possível eu resolvo.
(Imaculada, 67 anos, viúva, renda de 21,1 SM, mora sozinha há 7 anos)
Ela que marca a consulta, né? E a senhora nunca faz consulta sozinha? Não. Ela vai
comigo. Vai comigo, conversa com os médicos, entra, num deixa eu entrar sozinha. Entra
com o médico lá. Conversa com o médico, né? (...) E aqui no posto de saúde [onde faz
monitoramento da pressão arterial e participa de grupo de caminhada], a senhora vai
sozinha? Ai eu vou sozinha. É ai perto, né? Eu vou sozinha. Ai, eu pego... se eu quiser eu
pego, que eu num pago condução, né? Ai, eu pego o ônibus aqui, esse ônibus que vem aqui
passa perto do posto lá, né? Do posto. Ai, eu desço lá e consulto. E lá a senhora mesma
marca sua consulta? É. Eu mesmo marco.
(Juvertina, 78 anos, viúva, renda de 3 SM, mora sozinha há 15 anos)
Mesmo possuindo plano de saúde existiam alguns idosos que utilizavam dos serviços
da rede SUS, como ilustrado no exemplo de dona Juvertina. Estes idosos alegavam que
utilizavam a rede pública para conseguir medicamentos, monitorar a pressão arterial, fazer
cirurgias ou tratamentos fisioterapêuticos. Assim, nestes casos, o SUS seria uma forma de
conseguir determinados medicamentos, um complemento para os que não possuíam uma
cobertura ampla do convênio de saúde ou a forma mais próxima de casa para monitorar a
saúde.
Porque assim. Se eu sinto uma tonteira... Se eu... antes de eu cair... eu levanto arrumo e vou
no posto, que é aqui pertinho. Só dois quarteirão. Vou lá mede a pressão, tá boa, o médico
fala: ‘Ah! Você tá com problema’. Agora mesmo eu tô com problema de labirintite (...)
Então a senhora além do médico do convênio a senhora acaba usando um pouquinho o
médico aqui do posto também? É ué! Que a gente... pra medir pressão toda semana, né?
Pela facilidade, que tá perto? É. Que é mais perto. É. E essa questão da labirintite, sabe? As
vezes fica meio tonta, zonza...
(Vera, 79 anos, viúva, renda de 1 SM, mora sozinha há 30 anos)
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E a... a senhora... num tem é... num tem ido assim ao posto de saúde assim a senhora não
vai não? Nem pra pegar remédio? Eu pego. Aqui no posto eu pego (...) Quando tem o
remédio eles dão. Quando num tem eles falam que num tem, né? Então, eu pego lá o
remédio pra tiróide.(...) Pois é, mas a maioria dos remédios que a senhora toma tem no
posto ou não? Tem. É o Clorana e, e... e o remédio pra tiróide. Então a maioria a senhora
pega no posto? É. (...) Consulta a senhora num faz em posto não? Não. Não. Só pego
remédio. E a senhora fica incomodada de ir? Não. Num fico incomodada não. Às vezes
quando eu quero eu peço lá pra olhar a pressão.
(Aurora, 78 anos, solteira, renda de 1 SM, mora sozinha há 17 anos)
A presença do plano de saúde pareceu influenciar no cuidado dos idosos com a saúde.
Afinal, entre aqueles que não tinham plano de saúde eram freqüentes os relatos de que não
faziam habitualmente tratamentos ou acompanhamentos de saúde. Chamou a atenção o caso
de um senhor que relatou que não ia ao médico há 15 anos e outro que não fazia um
acompanhamento adequado da pressão arterial:
É... o senhor tem algum é... o senhor toma remédio? Nada. Nunca tomei remédio. Como
que o senhor faz quando o senhor precisa de ir num médico? O senhor vai ao médico
como? Se eu disser pra você que eu fui a última vez pro médico deve ter uns quinze anos,
que eu cheguei a ir no médico. Sem brincadeira. Não pode fazer isso, o senhor sabe, né?
Sei. Eu num fiz nada. O único problema que eu tenho [com ênfase]... que é... que isso num
tem cura, que o médico fala que num tem cura, é só cuidado, é a alergia. Eu tenho alergia.
Muita alergia. Muita alergia, isso de eu comer coco, chocolate, abacaxi, frutos do mar,
poeira. Poeira de manhã. Poeira é uma coisa que num tem como... Poeira num tem. Quer
dizer, você mora num prédio mais ou menos, é difícil, quanto mais onde eu moro. Voa cal...
cal, caminhão e tudo mais. Então... o barraquinho lá eu tenho que ficar passando pano
molhado sempre [com ênfase]. (...) E o senhor num tem medo de sentir algum... alguma
coisa? Não. A última vez eu passei... Não, como é que as coisas passam... tira teima... a
pressão... tá doze por nove. Treze por oito. Então, ela tá sempre naquela linha. Passou um
dia desses eu tirei o... meti o dedo lá pra furar... De glicose? Glicose. A moça olhou: não,
não precisa não. Tá boa. Tá ótimo. E, e... o senhor então nunca tá doente? Não. Então, o
senhor nunca... precisou de ajuda de ninguém? Não, de chegar assim, pra chegar passar
mal, tem que ser carregado pro hospital.
(Flavino, 60 anos, solteiro, renda de 1,1 SM, mora sozinho há 44 anos)
Vai sempre ao médico? Não. Eu num vou ao médico não. Eu tô até fugindo. Nem no posto
eu num tô querendo ir mais. Por que isso? Não. Não. Eu tô bem. E assim... é... o senhor
sempre que vai é... vai, precisa de alguma coisa o senhor vai ao posto de saúde. Quando o
senhor tá sentindo algum problema de saúde... Não, é o... tô até fugindo de lá. Num tô
querendo nem ir lá mais... eu num tô querendo ir não. O senhor, o senhor tem muito tempo
que num vai lá no posto fazer algum... Não. Quando, quando eu cai ali... tem duas semanas,
quando eu cai ali, um dia eu cismei, falei: eu vou, eu vou, eu vou lá no posto, né?(...) Ai,
ela me perguntou... perguntou o quê que era... eu falei: ‘quero olhar a minha pressão. Que
altura que é. Só isso, é só isso que eu quero’. ‘Mais, nada?’ Eu falei: ‘o resto eu sinto bem’.
Ela foi e falou: ‘põem o braço ai’. Pus o braço lá. Mas, é ruim aquilo, aquele trem... E ai
como é que estava a pressão? Estava boa? Ela falou que só a pressão tava beleza, boa.
Tava normal. E o senhor toma remédio também pra controlar? Pois é, eu tomo ai (...)
depois que eu cai ai, eu tô tomando.
(Izídio, 92 anos, separado, renda de 1 SM, mora sozinho há 6 anos)
Entre os idosos que não relataram ter plano, mas faziam acompanhamento freqüente
de saúde estava Desy. Seu relato deixou claro que seria possível, desde que se quisesse,
monitorar a saúde e seguir o tratamento adequado utilizando rede pública de saúde. Mas
infelizmente, nem todos os idosos tinham consciência desta necessidade, talvez por falta de
informação adequada ou negligência.
9
Porque minha saúde, depois que eu fiquei hipertensa, eu ainda fico assim, meu Deus! Como
que é a que gente, a gente num sabe como que será o dia de amanhã. Mas essa... Medo eu
não tenho não, sabe? Estou disposta a enfrentar as barreiras de uma saúde. E a onde que a
senhora costuma ir ao médico? No posto mais próximo aqui no bairro. Tem um posto aqui
perto? É. Do bairro. E a senhora tá fazendo o controle direitinho? Tá. Eu faço... Eu faço o
controle... E vou nas reuniões de hipertenso. Tiro minhas dúvidas. Acato, acato as dicas.
Sabe? Pra ter uma vida melhor. Faço caminhada duas vezes por semana na avenida.
(Desy, 72 anos, viúva, renda de 1 SM, mora sozinha há 13 anos)
As pessoas que não possuíam plano de saúde relataram que freqüentavam o posto de
saúde e eram atendidas sempre que necessário na rede SUS. Quando necessário, contavam
com a ajuda em dinheiro de parentes (filhos, irmãos ou sobrinhos) para complementar a
quantia necessária para realização de alguns procedimentos que demandavam maior tempo
para conseguir agendar, como era o caso de fisioterapia ou exames complementares.
E, e assim é... quando a senhora tem que ir lá no posto pra marcar a consulta... Como é
que é? A senhora tem sido bem atendida? Como que tá sendo o atendimento? Lá no
posto... ai no posto eles atende muito bem, né? Eu vou e marco as consultas de manhã, acho
que na mesma hora, passado umas horas... né? A médica chega. Ai, eu consulto. Num tenho
problema nenhum. Os médicos aqui é muito bom, do posto. E fora esse tratamento, a
senhora tem feito algum outro tratamento assim de saúde? É... assim... fisioterapia...
alguma outra... é... algum outro atendimento de saúde? Não. Quando a senhora teve
derrame a senhora chegou a fazer fisioterapia? É, o, o menino pagou pra mim fazer
fisioterapia, porque essa mão não mexia, né? Agora ficou bom. De vez em quando é...
atrapalha assim... mas... Foi o filho da senhora que pagou? É. E lá pra... Santa Casa uma...
uma clínica que tem lá.
(Rosa, 73 anos, viúva, renda de 1 SM, mora sozinha há 5 anos)
Se eu precisar a minha família toda ajuda, todos estão bem de vida. Já aconteceu? Já e
muito. Era assim oh! Se eu precisar, igual eu, eu... pouco tempo eu tive o problema na vista,
o médico falou que ficava em seiscentos e cinqüenta reais [1,7 SM] pra fazer, que eu tinha
que fazer uma biópsia, que ele achava que eu tava com câncer no olho. E deu mesmo o
câncer, sabe? Aí, ele falou que eu tava com câncer no olho que precisava de fazer uma
biópsia, e a biópsia era quinhentos reais. E a consulta cento e pouco. Ai, eu pensei assim:
‘agora, eu vou ter que pedir as minhas irmãs, né? De onde que eu vou tirar esse dinheiro?’.
É só ligar pra elas, sabe? Elas mandam pra mim, deposita na minha conta. Qualquer uma
delas... Se eu ligar e pedir. Mas, eu, eu sou muito orgulhosa, sabe? (...) Ai, eu virei pro
doutor, e falei assim: ‘doutor, eu ganho um salário, trezentos e cinqüenta reais, o senhor, eu
posso, eu dou conta de pagar seiscentos e trinta’. (...) Ele falou: ‘então eu vou te
encaminhar pro Hospital das Clínicas, você vai ter um dos melhores professores lá e você
num vai pagar nada, viu?’. Ai, ele me encaminhou pra lá, e eu tô fazendo tratamento lá há
um ano, já passei por mão de quatro professor, você precisa de ver como eles são bacanas
comigo. Num gastei um tostão. Ai, minhas irmã xinga, fala assim que... que eu num ia
sarar, que eu tava mexendo com coisa dada, sabe? Eu falei: ‘eu num quero não’. Mas, eu
sarei. Porque ele tava todo tampado, olha pra você ver. Num tem nada. Isso tava tudo aqui
inchado.
(Margarida, 66 anos, separada, renda de 1,3 SM, mora sozinha há 31 anos)
Os principais problemas relatados a respeito da rede pública de saúde dizem respeito à
demora por marcação de consultas, tratamentos e exames e a falta de certos medicamentos.
Como mencionado anteriormente, a ausência de determinados remédios pode ter feito que
muitos idosos passassem a pagar os seus medicamentos. Mesmo entre aqueles que não tinham
plano de saúde, haviam casos de pessoas que compravam elas mesmas o medicamento.
10
Entretanto, alguns idosos relataram que, ultimamente, ficou mais fácil comprar medicamentos
com a Farmácia Popular, medicamentos genéricos ou medicamentos manipulados que têm um
preço inferior ao cobrado usualmente nas farmácias. De um modo geral, pôde-se observar que
os idosos buscavam alternativas com preços inferiores para comprar seus medicamentos.
Porque eu tenho os meus remédios pra comprar, uai! Ai, pra ficar mais barato eu mandei
até... manipular o remédio pra ficar mais barato pra mim.
(Juvertina, 78 anos, viúva, renda de 3 SM, mora sozinha há 15 anos)
E é uma despesa alta [com medicamentos], né? Ah! Muito. Um dentista falou comigo, vai
lá no posto, pega um remédio que ele me receitou pra... por causa da cirurgia. Eu falei: eu
vou buscar. Mas, eu num gosto de ir no posto buscar, porque se Deus me deu condições de
comprar, pra quê que eu vou tirar dos outros? Tiro não. Então a senhora prefere não... Eu
acho que se eu buscar lá eu tô tirando de quem tá mais precisado. Então eu compro. Agora
eu procuro o mais barato, né? Eu procuro andar do meu jeito. Bastante direito.
(Hercília, 75 anos, solteira, renda de 4 SM, mora sozinha há 21 anos)
Remédio... oh! Eu pego no posto, mas é muito difícil. O meu remédio mais é, é...
manipulado. E da... mas é barato sabe. O remédio de pressão meu é... eu tenho que mandar
manipular. Mas, assim, custa doze e oitenta e dá pra sessenta dias. Sabe? Pra pressão, e o
outro também eu pego lá no, no... naquela farmácia popular, um e vinte. Pra num ficar lá
enfrentando fila no posto. Sabe? E os outros remédios quando é remédio caro, é... eu ligo
pra minha sobrinha e ela pega de amostra pra mim. E os outros me dá também. Uma moça
que mora aqui embaixo, e daí e eu tenho... é... psoríase, sabe? E é muito caro a pomada que
eu uso. Então, ela sempre ela trás pra mim de amostra, que ela trabalha com dermatologista.
Essa vizinha aqui agora falou comigo pra me dá ela os nomes, porque a filha é doutora, que
ela trás pra mim de amostra, pra mim não comprar.
(Margarida, 66 anos, separada, renda de 1,3 SM, mora sozinha há 31 anos)
Ainda que conseguissem pagar pelo medicamento e buscassem alternativas, há de
considerar que o gasto com medicamentos consumia uma parte considerável da renda do
idoso e era motivo de constante preocupação, principalmente entre aqueles de menor renda.
Como é que a senhora consegue o remédio? Uai! Eu recebo [aposentadoria], tem vez que
eu gasto até trezentos reais [0,8 SM]. É praticamente a metade do que a senhora recebe. A
metade. Mas sempre... num sei se eu peço muito... eu já levanto agradecendo o dia a Deus.
Se eu bebo aquele café eu agradeço também. Eu tô em pé, num tô dependendo dos outros
fazer e levar para mim. Porque eu ainda... que eu gosto de café forte e quente... eu agradeço
a Deus. No almoço também eu abençôo aquilo que tá ali. Então, se falta alguma coisa é
superável. Eu aguardo o pagamento. Mas, o remédio da senhora... Remédio não. Tem
sempre? Sempre. É direto e reto. Eu tomo hoje mais de vinte comprimido por dia.
(Dulcinéia, 76 anos, solteira, renda de 1,8 SM, mora sozinha há 27 anos)
Um estudo de Lima-Costa, Barreto & Giatti (2003), com dados da PNAD 1998,
mostrou que o gasto médio mensal de idosos brasileiros com medicamentos de uso regular era
de 23% do salário mínimo. Segundo as autoras, que reforçaram a necessidade de ampliar
políticas públicas de acesso da população idosa aos medicamentos, os gastos apresentavam
uma tendência crescente com o avançar da idade, sendo que no grupo etário com mais de 80
anos estas despesas chegavam a cerca de 29% do salário mínimo.
Pelas falas, foi possível observar que os idosos tentaram reforçar a idéia de que
cuidavam sempre da saúde, utilizavam os medicamentos prescritos e seguiam os tratamentos
11
na medida do possível e de acordo com as suas condições financeiras. Para isso, contavam
com o auxílio de parentes, amigos ou da rede pública de saúde, bem como buscavam
alternativas com preços mais acessíveis. Contudo, como será discutido posteriormente, não se
pode afirmar que, em sua totalidade, o comportamento dos entrevistados implicava em
benefícios para a sua saúde.
Estratégias empregadas em caso de doenças e emergências
Mesmo que diante de dificuldades em relação à saúde e seus custos, devido
principalmente ao surgimento de doenças crônicas e suas conseqüências com o avançar da
idade, tentou-se avaliar se existia um equilíbrio entre as necessidades/demandas desses idosos
e a rede assistencial que lhes cercava, independentemente se ela era formada por familiares,
amigos, ajuda paga ou entidades assistenciais. Pretendia-se saber se, em âmbito familiar ou
coletivo, as necessidades mínimas para sobrevivência e qualidade de vida dos idosos eram
atendidas. Para tal, buscou-se investigar como os idosos procediam quando estavam doentes,
carentes de ajuda, ou em situações de emergência.
Apesar de não residir na mesma unidade domiciliar, os idosos recebiam apoio da
família na forma de cuidado. Este achado corrobora Montes de Oca (2001). De fato, quando
estavam doentes, a maior parte dos idosos relatou que contava ou poderia contar com a ajuda
da família, indicando que, mesmo distante, a família ainda se constituía no principal ponto de
apoio e referência para o idoso que mora sozinho. Os familiares que compunham a rede de
apoio em caso de enfermidades eram os filhos/enteados, genros/noras, netos, irmãos e
sobrinhos. Neste período, o tipo de parente que fornecia amparo variava de acordo com a
disponibilidade, afinidade ou proximidade. Foram encontradas também diferenças em relação
à intensidade da ajuda, afinal, se por um lado, alguns idosos mesclavam este apoio com a
ajuda de amigos ou empregados domésticos, outros contavam exclusivamente com o apoio de
familiares, que os levavam para sua própria casa ou se deslocavam para a residência do idoso
durante o tempo em que a necessidade de cuidados existia.
Os amigos também se revelaram presenças constantes em casos de doenças, tanto
complementando o apoio familiar ou sendo a única base apoio. Entre os solteiros, a
participação de amigos revelou-se ainda mais freqüente na doença, se comparados aos
casados e aos separados/divorciados. Conforme Larsson & Silverstein (2004), os idosos que
nunca se casaram parecem ter adotado ao longo da vida um estratégia de ampliação dos laços
de amizade extra-familiar que lhes garantam um estilo de vida mais independente e ao mesmo
tempo assistência em caso de enfermidades. Capitanini (2000) destacou que, embora as idosas
que viviam sozinhas no interior de Minas Gerais mencionassem os familiares como suas
relações mais importantes em termos afetivos, os amigos eram tidos como as pessoas que elas
se relacionavam com maior freqüência e ofereciam-lhes suporte socioemocional. Foi possível
notar no presente estudo que, por manterem vínculos mais fortes de amizades, alguns idosos
podiam dispor da ajuda de amigos ao invés de ficarem sozinhos, contar com ajuda paga ou
com a presença de familiares não muito próximos.
É difícil prever se estes idosos teriam maior assistência e companhia se morassem com
parentes, como filhos ou sobrinhos, embora seja importante destacar que os estudos
comparativos têm enfatizado que aqueles que vivem acompanhados parecem receber mais
ajuda, se comparados aos sozinhos (Saad, 2004). Cabe destacar que alguns entrevistados
ressaltaram que praticamente nunca estiveram doentes a ponto de precisar de cuidados de
outras pessoas. Contudo, estes opinaram sobre quem seria a pessoa de referência para o seu
cuidado, com destaque para a família e amigos.
12
A família, amigos, vizinhos e porteiros foram as pessoas de referência citadas em
casos de emergência. Alguns idosos relataram que já precisaram pedir ajuda, outros que nunca
necessitaram, mas sabiam que poderiam contar com estas pessoas. Apenas uma idosa disse
preferir pegar um táxi e ir para um hospital sozinha a chamar o filho que morava distante. As
maiores preocupações dos idosos revelaram ser não conseguir usar o telefone para chamar
alguém e sentir-se mal durante a noite, o que dificultaria para pedir ajuda. Eles relataram que
mantinham o telefone das pessoas de referência ou médico em local de fácil acesso.
Não ter uma companhia por perto pode dificultar o socorro em casos de emergências
e, talvez, essa seja uma das principais fragilidades e preocupações do idoso que mora sozinha.
Muitos relataram deixarem chaves com filhos ou vizinhos para facilitar o socorro. Uma
senhora relatou que teve um derrame cerebral durante a noite, não conseguiu chamar por
ajuda e só foi socorrida no dia posterior pelo filho, conforme o trecho a seguir:
Como que a senhora faz no caso de uma emergência? Ah! Tenho os telefones deles, né?
Também se Deus ajudar que eu posso subir lá e chamar eles, eles me levam no hospital.
Assim, desse jeito, num tem... Num tem muito problema não. O filho mais perto da
senhora chega aqui rápido? Ah! Chega, chega. Chega sim. (...) E assim a senhora me falou
que uma vez chegou a passar mal... Passei. Ai, esse dia que a senhora passou mal, que foi o
dia do derrame, a senhora estava dormindo sozinha? Tava. Tava sozinha. Eu não podia
andar nem falar, né? Que ele [filho] arrombou a porta e entrou. Eu tava lá em cima da
cama. E agora, ele tem a chave da senhora... É. Tem, tem a chave e tem o telefone, né?
Pertinho lá da cama. Qualquer coisa eu chamo ele. Na época a senhora num tinha o
telefone perto? Tinha, mas... tava cá, pra cá. Num tava perto da cama. Depois disso que a
senhora resolveu colocar... É. Ele pôs tudo pertinho lá pra mim.
(Rosa, 73 anos, viúva, renda de 1 SM, mora sozinha há 5 anos)
Situações como a relatada por Rosa deixaram evidente uma das principais fragilidades
de idosos que moram sozinhos: a falta de uma pessoa por perto em casos de emergência. Mas,
de um modo geral, dentro de suas possibilidades, os idosos se mostraram atentos a este
problema, tentando se prevenir contra circunstâncias indesejadas.
Fragilidades e susceptibilidade a riscos
Assim como discutido, os estudos apontaram que morar sozinho em idade avançada
poderia ser indicativo tanto de envelhecimento bem-sucedido, dado que estas pessoas
tenderiam a apresentar melhores condições de saúde, como de fragilidade e susceptibilidade a
riscos, uma vez que a falta de companhia poderia implicar na presença de hábitos indesejáveis
em relação à saúde e na falta de assistência adequada.
Mesmo que a preocupação com a saúde fosse evidente nas falas dos idosos, que
muitos alegassem fazer acompanhamentos freqüentes para não deixar exacerbar problemas
graves e que relatassem ter hábitos de vida saudáveis, observou-se que estes idosos, em sua
maioria, não cuidavam adequadamente da saúde como pensavam e relatavam. Exemplos deste
falsos cuidados com saúde que poderiam refletir em susceptibilidade à doenças foram: hábitos
alimentares indesejáveis, monitoramento inadequado da saúde, falta de prática de atividade
física regular, não utilização de medicamentos conforme prescrição, falta de companhia em
período integral quando estavam doentes.
A liberdade em relação aos horários, bastante enfatizada pelos idosos, pode implicar
em um estilo de vida desfavorável no que se refere à saúde. No caso da alimentação, isso
ficou bastante evidente quando os idosos falaram da liberdade de comer sem horários fixos ou
pratos adequados, conforme trechos a seguir:
13
As vantagens de morar sozinha, no meu modo de, de, de entender é, é... assim que você é
livre. Você faz o quê quer. (...) E... também, você... se você quer fazer comida, você faz, se
num quer num faz. Você faz o que você, você come o que você quer. Você faz quando
quer.
(Emília, 71 anos, separada, renda de 1 SM, mora sozinha há 14 anos)
Agora tem uma coisa também... eu num cozinho em casa também não. Ai não, nunca gostei
de cozinha. Já curti cozinha demais. Mas, ultimamente não. Só pra mim? É horrível. Num
é? E ai, como é que a senhora faz? Eu vou pro restaurante... Aqui tem... vários. Eu vou pra
restaurante num, num, como se diz... num uso um só não, vou a vários. Sabe? E quando eu
estou com preguiça... eu falo que é preguiça mesmo, de sair? Eu telefono, e eles mandam
comida pra mim. Sabe? Então, pra mim aqui é tudo fácil.
(Vanda, 75 anos, viúva, renda de 3,9 SM, mora sozinha há 14 anos)
O dia que eu não tenho comida pronta eu peço um marmitex ali. Eu como a metade de um,
porque eu não agüento comer muito. Ai, eu parto.
(Alda, 80 anos, viúva, renda de 2 SM, mora sozinha há 20 anos)
Relatos como o de Antonina deixaram claro esta falsa ilusão de cuidado com a saúde e
alimentação. No exemplo a seguir, ela relatou que preparava refeições balanceadas, que sabia
da importância de comer frutas, mas se contradiz ao mencionar que não estava comendo as
frutas adequadamente e preparava e comia doces e salgados em horários impróprios quando
desejava.
E dá preguiça de fazer comida pra uma pessoa só? Quando eu tô com fome não. [risos]
Quando eu tô com fome, se eu tô na sala assim... deu dez horas da noite e me deu uma
vontade de comer uma empada, se eu tiver os ingredientes na cozinha eu vou lá no armário,
eu vou lá e faço na hora. Então a senhora... Faço e como. Se eu tiver com vontade, por
exemplo de comer um arroz doce, hum, vontade de comer arroz doce, tô vendo novela:
‘Ah! Deixa eu botar o arroz lá pra cozinhar’. E boto o arroz lá pra cozinhar, tem leite, tem
açúcar, tem leite condensado, num sei o quê. Faço, sento na sala, como, como, como, como.
Então, a senhora é animada? Ah! Sou. E a senhora come assim, por exemplo, na hora do
almoço, a senhora faz assim, por exemplo, uma maior quantidade de verdura, consegue
balancear bem? Eu faço esse... balançeamento porque eu sou do Vigilante do Peso, então
você aprende a comer. Você tem que aprender, queira ou queria você tem que comer.
Então, por exemplo, manda comer cinco frutas por dia. Eu acho um absurdo. Eu num comia
fruta nenhuma. Eu não gostava muito de verdura porque meu marido também não gostava.
Então, num tinha costume de comer muita verdura. No interior comia, depois que eu casei
não. Então, eu pego as frutas e ponho ali. Quando chega a noite eu num dei conta de comer.
Eu acho um absurdo. Hoje por exemplo eu falei: ‘ai! Meu Deus, num comi nenhuma fruta’.
Tem que comer uma fruta. Tem que comer uma fruta. Ah! Não eu já comi mamão de
manhã, já tá ótimo. Então, eu assim... faço tudo muito balanceado.
(Antonina, 70 anos, separada, renda de 2,1 SM, mora sozinha há 7 anos)
Esta falsa idéia de cuidado com a saúde e prevenção talvez possa ficar mais perigosa
quando não se tem uma pessoa por perto para monitorar, mesmo que a presença por si só não
seja garantia de cuidado. Outro exemplo, de Antônio, chamou a atenção pela falsa ilusão de
que comer pouco era algo positivo e pelas mudanças no seu estilo de alimentação. A falta de
alguém para preparar ou compartilhar o momento da refeição pode fazer com que estes idosos
sejam menos estimulados a comer adequadamente.
14
Olha, eu tinha por hábito almoçar em restaurante lá em Santa Tereza [bairro em que
morava], né? E ia pra lá, depois a gente enfara de comida assim, desse tipo de comida, né?
Então, eu resolvi a fazer eu, eu mesmo alguma coisa. Sabe? E eu... como sou um
inapetente, eu, num adianta me chamar pra comer feijoada, pra comer pizza, pra comer
essas coisas todas, que isso não me seduz de forma nenhuma, né? Então, hoje... a minha
dieta, eu tomo uma sopa aqui com uns pedaços de frango, essas coisas assim. Eu mesmo
preparo. Quer dizer, esses... alimentos que as vezes, congelados, né? É o senhor que
prepara as refeições? Isso. Eu mesmo. Todas elas? Eu faço uma refeição por dia, apenas.
Só almoço. O café da manhã eu não tomo. Tomo um cafezinho... e... a tarde se eu tomo um
suco de laranja é o... já chega. Mais nada. E o senhor num sente falta? Não sinto a menor
[com ênfase] falta. E eu daria um... um, uma top model excelente, né? E o senhor acha tem
uma alimentação de qualidade? Eu acho que eu... o que eu como num tem nada assim...
que possa me prejudicar não. Eu num sei se... se eu como a dosagem correta, né? Mas a, a,
a minha comida é muito saudável. E quando o senhor não morava sozinho o senhor
também comia pouco assim? Não, eu já fui um excelente garfo. Eu acho que foi com a
idade.(...) Mas, quando, quando eu vim morar sozinho eu, eu trabalhava, né? Quando eu
trabalhava não. Tinha almoço todo dia. Em restaurante. Eram bons restaurantes. Então, eu
só não tinha jantar. Mas, almoço era... farto. E o senhor sente assim preguiça de cozinhar?
Não. Eu não tenho é a menor vocação [com ênfase].
(Antônio, 77 anos, separado, renda de 6,6 SM, mora sozinho há 25 anos)
Mudanças decorrentes do processo natural de envelhecimento; fatores econômicos e
psicossociais; e intercorrências farmacológicas associadas a múltiplas doenças podem
interferir no consumo alimentar dos idosos (Campos, Monteiro & Ornelas, 2000). Assim, com
base no exposto pelos entrevistados, pode-se supor que, a redução do apetite somado a um
estilo de vida independente, próprio de quem mora sozinho, poderia conduzi-los a se
alimentarem inadequadamente e, consequentemente, comprometer sua saúde a longo prazo.
No caso de Angelina, além da alimentação inadequada, ficou evidente pelo menos
mais um problema em relação ao cuidado com saúde: a falta de acompanhamento médico
apropriado. Afinal, relatou que não ia ao médico há muito tempo e que seu problema era
“simplesmente” o tremor, decorrente da doença de Parkinson. Pôde-se observar que ela sabia
que não podia comer determinados alimentos, mas, ao mesmo tempo, não deixava de comer.
O trecho final em que menciona a dificuldade para preparar frituras deixou evidente que este
não foi uma hábito abolido. Não se pode deixar de mencionar ainda os perigos que o preparo
de frituras associados ao tremor poderiam causar.
E a senhora vai muito ao médico? Hum hum [negativamente]. Tem muito tempo, né?
Muito tempo. Porque que a senhora num tem ido ao médico? Ah! Porque... às vezes eu
vou. É... me dá os remédios eu tomo. É... mais é... negócio da tremura. (...) O que a senhora
mais gosta de fazer? Comer. [risos] O quê que a senhora gosta de comer? Angu, quiabo,
carne moída, um franguinho assado. [risos] E geralmente a senhora pode comer isso?
Frango eu não posso comer que o médico proibiu, né? Posso comer só um pedacinho, sem
gordura sem nada. Eu gosto de carne de porco, mas, num posso comer. Fui proibida. Carne
sem gordura, uma carne bem macia. E a senhora que faz o almoço? Tem dia que eu faço
[alguns dias os sobrinhos oferecem o almoço]. Quando a senhora faz, a senhora faz o quê?
Eu faço. É... Carne cozida, arroz, feijão, angu, eu que faço macarrão. E, geralmente,
quando a senhora tá preparando a comida, a senhora sente alguma dificuldade? Não. A
única... coisa que eu sinto é na hora que vai abrir a fritura que eu vou tirar da panela e a
mão treme e cai tudo pelo lado de fora.
(Angelina, 75 anos, viúva, renda de 1 SM, mora sozinha há 3 meses)
Entre os entrevistados, estava presente a falsa idéia de que determinados problemas de
saúde eram “normais”, que faziam parte do processo envelhecimento. Assim, tremores, falta
de equilíbrio, alterações na pressão arterial e tonteiras não preocupavam uma parcela
importante dos entrevistados, com destaque para aqueles de condições socioeconômicas
15
inferiores. Para alguns, utilizar simplesmente o medicamento prescrito pelo médico e aferir a
pressão arterial já eram ações suficientes no cuidado com a saúde. A prática de atividade
física regular, por exemplo, que poderia trazer benefícios em vários aspectos, se restringia a
um pequeno grupo de pessoas, participantes em sua maioria de grupos de convivência, e
independia da renda do indivíduo.
No caso dos medicamentos, dois fatores chamaram atenção: idosos que disseram que
consomem medicamentos manipulados para reduzir custos e a falta de continuidade ao
tratamento prescrito. Cabe ressaltar que esses problemas atingiam principalmente pessoas de
camadas de renda inferiores ou intermediária.
No caso dos remédios manipulados, observou-se que estes eram tidos como
alternativas para reduzir custos, uma vez que estes idosos relataram que consumiam um
grande número de medicamentos, que nem sempre estavam disponíveis na rede pública de
saúde. Juvertina dizia-se preocupada em relação à eficácia do medicamento manipulado,
como pode ser visto na fala que se segue. Esta opção por medicamentos manipulados,
observada no presente estudo, preocupa por não se saber até que ponto estes medicamentos
eram de qualidade, comprados em estabelecimentos confiáveis e propiciavam o efeito
desejado.
Agora, eles falaram que esses remédios preparados assim, num faz muito efeito nada. (...)
Esses remédios que eles prepara esses remédios... Manipulados? É. Num faz efeito mais,
mais, faz efeito mais lento. E isso a minha prima falou comigo, né? Porque a... a minha
amiga falou, o médico falou com ela, esses remédios que vem manipulados, os remédios
que manda preparar num esse... faz efeito igualzinho o outro. Ai, eu conversando com ele,
ele falou assim: ‘é mesmo dona Juvertina, o remédio num é igual’. Igual esse remédio que a
senhora tá tomando pra tiróide, né? Do... da, do colesterol, né? É mais leve. (...) A senhora
deve gastar mais ou menos um salário desses que a senhora ganha com remédio... É. Não,
um salário num dá pra pagar os trens, os remédios, e os, e os ou, os trens que eu compro,
aluguel, esses trens que eu, que eu tenho que pagar,né?
(Juvertina, 78 anos, viúva, renda de 3 SM, mora sozinha há 15 anos)
Ainda em relação aos medicamentos, a maioria relatou que seguia adequadamente o
tratamento e conseguia os remédios necessários. Por meio das falas, Izídio parecia uma
exceção, conforme trecho a seguir:
Eu tomo, eu tenho os comprimidos ali. Eu tomo o comprimido... e faço chá... tomo o
comprimido com chá. Pra poder ajudar... ajudar a, a, a, a pressão. É. De fazer baixar a
pressão. (...) E, e, e, é o senhor, e assim... e o senhor toma o remédio direitinho igual o
médico falou? Ou não? Não, agora eu tô tomando. Depois que eu cai ai, eu tô tomando.
Agora, que o senhor tá tomando? É. Duas vezes por dia. De manhã... até agora a tarde. E o
senhor cai muito? Não, cai três vezes, durante a minha vida, cai três vezes. Mas é... mais eu
tomava... e, e... na hora eu nem, nem tomava nem nada. Ah! Num adianta nada não. Mas,
agora eu vi que precisa, de ser normal.
(Izídio, 92 anos, separado, renda de 1 SM, mora sozinho há 6 anos)
Contudo, assim como ocorreu no caso da alimentação, em que os idosos se disseram
pouco rigorosos em relação a horários, e tinham a falsa ilusão que cuidavam adequadamente
da saúde, questiona-se em que medida esse comportamento, decorrente da liberdade de
horário e independência em relação a outras pessoas, poderia influenciar a utilização de
medicamentos. Ressalta-se, porém, que como este não era um dos objetivos iniciais do
trabalho de campo, pouco se abordou a este respeito para obter subsídios necessários para
argumentação. Os discursos dos idosos sugerem que, assim como estas pessoas minimizavam
16
seus problemas de saúde, por entender que os tratamentos seriam pouco eficazes, e diziam-se
bastante flexíveis em relação a horários, da mesma forma poderiam não seguir
adequadamente a prescrição do profissional da saúde e se iludir, pensando que estavam
cuidando adequadamente da saúde.
Finalmente, cabe destacar em relação às fragilidades decorrentes da vida independente
a falta de companhia em período integral quando os idosos estavam doentes. É certo que, nem
todos os idosos permaneciam em casa sozinhos quando estavam doentes, já que uma parcela
importante se deslocava para a residência de terceiros ou recebia alguém em suas casa nesses
momentos. Assim, apenas a minoria dos entrevistados revelou que permanecia em casa
sozinho em casos de enfermidade e que, embora evitasse, poderia contar com a presença de
familiares e/ou amigos se realmente precisasse. Porém, duas histórias chamaram atenção para
a fragilidade e os perigos vivenciados por aqueles que relataram ficar em casa sozinhos em
casos de doenças. Trata-se de um idoso que não possuía boa relação com os filhos e uma
idosa cuja a filha morava em outro município:
Eu fui atacado por uma... labirintite e eu fiquei setenta horas no chão, porque eu não
conseguia pegar o telefone. Fazia assim e você rodava. Então, eu fiquei defecado, urinado e
vomitado. No chão? No chão sem chamar ninguém (...) Então eu fiquei sem poder... O
senhor não conseguiu se levantar mesmo? Ah! Não consegue, labirintite a senhora conhece
como é que é. Quando ela ataca mesmo... eu tive uma vinte e quatro do mês passado, vinte
e cinco passado. E agora. Então, eu fiquei... eu já conhecia a rotina... E ninguém chegou a
ligar? Procurar? Não. O senhor estava em casa e ficou... Em casa, de pijama eu estava,
que três dias depois, fui correr os meus pijamas, todo imundo. E ai, como é que foi? O
senhor conseguiu levantar? Não. Não. Né não. Vai melhorando que ela... ela tem um surto,
ela tem um ciclo, né? Então, eu tomei meu banho, direitinho, devargazinho, não dirigi
naquele dia. Chegou a chamar alguém? Não, eu só fui ao médico direto. Ele me medicou.
O senhor é... chegou a ficar assustado? Assustado não, eu fiquei com medo. Medo de quê?
Exatamente assim, que todo mundo sabe que a morte existe, mas, ninguém quer morrer,
creio eu, né? Se o senhor... por um problema de saúde vier a precisar de alguém, como que
o senhor faria? O senhor num teria... Pago. Eu, eu... pagaria pela ajuda de alguém.
(Joaquim, 71 anos, separado, renda de 13,2 SM, mora sozinho há 32 anos)
E quando a senhora tá doente, como é que a senhora faz? Olha, eu... doente assim de viver
na cama, nunca fui. Graças a Deus. Só uma vez quando eu quebrei o pé eu... sai daqui fui...
no... no [hospital] eles me engessaram. Ai, eu passei na casa dessa moça [proprietária da
casa que aluga a casa] que eu tô falando com você, que eu... que a casa é dela... dormi lá e
no outro dia o marido dela me trouxe aqui. E ai como é que a senhora ficou aqui dentro de
casa sozinha? Ah! De, de muleta, vinha e saia dali na cama, vinha aqui e fazia comida,
esquentava... E a senhora conseguia? Conseguia. Só pra lavar roupa que era mais difícil.
Mas, tinha uma moça que morava no último... a última casinha lá... ela lavava a roupa de
cama pra mim. E ai, a senhora tinha que pagar? Não. Ela nunca... nunca cobrou. E assim,
pra tomar banho a senhora dava conta de tomar banho sozinha? Dava, porque eu vestia
um saco plástico assim oh! Amarrava aqui... E tem um banquinho. Eu sentava... eu sento no
banquinho, e tomava banho. E como é que a senhora fez pra comprar comida? Como é que
a senhora fazia? Ah! Ai não, ai eu tinha... comida... Quando acabava essa moça aqui
comprava e trazia pra mim. A senhora dava o dinheiro e ela... Dava o dinheiro e ela
comprava. E ela trazia. É. Leite, arroz, açúcar que é mais pesado... é... eu, mais pesado é
isso. É o leite, o arroz, o açúcar e o... e... feijão (...) Essa pessoa até já morreu. Então a
senhora hoje já num pode contar tanto com essa ajuda? Não. E se acontecesse algum
problema de saúde... e que todos nós podemos ter é... como que a senhora faria? A senhora
acha que... Uai! Eu... vou, vou pro hospital. E ai então a senhora... Fico lá até... quando
precisar. E pra voltar pra casa? Ai, eu venho... pego... se eu agüentar eu venho de ônibus,
se eu não agüentar... eles me manda trazer de ambulância. E pra ficar aqui dentro de casa
sozinha? Ah! Aqui é fácil. Porque... eu fico escorando aqui e venho aqui e torno a voltar.
[risos] Então a senhora daria o seu jeitinho? Dou. E a senhora já tá bem ambientada aqui
na casa, já tá tudo... Ah tá! Porque é muito pequeninho, até de noite, no escuro, se for
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preciso, venho e volto. E se a senhora passar mal ai, como é que a senhora vai fazer? Ah!
Eu tenho o telefone, eu ligo. Sempre tem essa moça aqui da esquina, que tem esse
barzinho... Quando precisa... acho que nunca precisou não. Mas... se precisar eu chamo e
ela vem.
(Vera, 79 anos, viúva, renda de 1 SM, mora sozinha há 30 anos)
Permanecer em casa sozinho, principalmente durante os períodos de enfermidade,
provavelmente, pode dificultar que sejam tomadas providências adequadas, quando
necessário, e favorecer que esses idosos apresentem uma recuperação mais lenta.
Considerações Finais
Na maioria dos países, assim como no Brasil, têm se verificado, ao longo do tempo,
um número e proporção crescente de pessoas vivendo em domicílios unipessoais em todas as
faixas etárias do conjunto da população de 60 anos e mais. Contudo, a realidade desses
idosos, principalmente no que diz respeito às condições de saúde, ainda é pouco conhecida.
Os estudos têm demonstrado que morar sozinho em idade avançada poderia ser
indicativo tanto de envelhecimento bem-sucedido, dado que estas pessoas tenderiam a
apresentar melhores condições de saúde, como de fragilidade e susceptibilidade a riscos, uma
vez que a falta de companhia poderia implicar na presença de hábitos indesejáveis em relação
à saúde e na falta de assistência adequada.
Diante disso, o objetivo deste estudo é investigar as condições de saúde de idosos que
moram sozinhos no município de Belo Horizonte, em 2007, ressaltando os meios utilizados
para cuidar da saúde e as estratégias empregadas em caso de doenças e emergências. Para tal,
foram utilizadas informações oriundas da aplicação de 40 entrevistas em profundidade
realizadas entre 31/05/2007 e 13/07/2007.
O desejo em não incomodar outras pessoas com seus gastos e demanda por cuidado,
além da constante preocupação com a saúde, pode ter feito que a maioria dos entrevistados
optasse pela posse de planos de saúde. Esses eram pagos pelos próprios idosos, seus
familiares/amigos ou estavam atrelados a aposentadoria/pensão. A presença do plano de saúde
pareceu influenciar no cuidado dos idosos com a saúde, uma vez que, entre aqueles que não
tinham plano de saúde eram freqüentes os relatos de que não faziam habitualmente
tratamentos ou acompanhamentos de saúde. Em geral, os idosos avaliavam positivamente sua
saúde e diziam seguir tratamentos de saúde e utilizar medicamentos prescritos.
Apesar de não residir na mesma unidade domiciliar, em casos de doenças, os idosos
disseram receber apoio da família na forma de cuidado e também dos amigos, principalmente,
os entrevistados solteiros. Notou-se que, uma das principais fragilidades e preocupações dos
idosos que moravam sozinhos era a falta de uma pessoa por perto em casos de emergência.
Ainda que viver com alguém não dê ao idoso a garantia de acompanhamento dos
hábitos alimentares, da freqüência aos tratamentos e monitoramentos de saúde, da prática de
exercícios regularmente, do uso correto de medicamentos, não se pode negar que os idosos
que moravam sozinhos estariam mais expostos ao risco de não cuidar adequadamente da
saúde e não investir em prevenção. Foi possível observar entre entrevistados que a presença
de falsos cuidados com saúde que poderiam refletir em susceptibilidade à doenças, como por
exemplo, hábitos alimentares indesejáveis, monitoramento inadequado da saúde, falta de
prática de atividade física regular, não utilização de medicamentos conforme prescrição, falta
de companhia em período integral quando estavam doentes. Acredita-se que a liberdade em
relação a horários e a falta de uma pessoa por perto no dia-a-dia podem deixar estes idosos
susceptíveis a riscos, o que poderia ser exacerbado ao longo dos anos de vida sozinho.
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O que se observou foi que, apesar dos constantes relatos de preocupação com a saúde,
do desejo de ter um plano de saúde e de cuidados para se prevenir para não ficarem doentes e
dependentes, estes idosos na realidade poderiam se iludir com falsas medidas preventivas e o
“fazer o que quer, na hora que quer” poderia ser um ponto bastante negativo na vida dessas
pessoas que viviam sozinhas. Isso foi observado em idosos de diferentes níveis
socioeconômicos.
Mesmo não sendo uma amostra representativa da população idosa que mora sozinha
no município de Belo Horizonte, acredita-se que este pode ser um retrato parecido em termos
de cuidado com a saúde por parte dos idosos que moram sozinhos. Já à volta com o aumento
da expectativa de vida, da redução do número de potenciais cuidadores de idosos, da busca
pela manutenção da independência de seus membros, a sociedade atual, em termos de ações
coletivas, se vê diante de um desafio de como amparar seus idosos que moram sozinhos.
Como permitir que estas pessoas ao mesmo tempo mantenham um domicílio independente e
tenham hábitos de vida saudáveis, sem ser monitoradas constantemente. Acredita-se que uma
das principais medidas a serem tomadas são os investimentos em educação, para conscientizar
esta população da importância de hábitos saudáveis e dos perigos de não investir em
prevenção ou dar a devida importância aos problemas de saúde. Neste caso, é importante
enfatizar quais seriam os hábitos corretos, visto que muitos declararam que seguiam o que
acreditavam ser o melhor.
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