Clipping Nacional
de
Educação
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2014
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Valor Econômico
21/11/14
OPINIÃO
Educação, salário mínimo e desemprego
Por Naercio Menezes Filho
Nesta semana foi divulgada a
taxa de desemprego de outubro nas
regiões metropolitanas, que atingiu
4,7%, a menor desde o início da
série histórica. Além disso, a
renda real do trabalhador continua
aumentando. Isso mostra que o
mercado de trabalho continua
aquecido, mesmo com a
desaceleração da economia. Esse
aquecimento é maior no Nordeste,
no setor de serviços e em
ocupações menos qualificadas.
Apesar disso, os gastos com
seguro desemprego continuam
elevados, o que tem levado o
governo a pensar em mudanças na
legislação para ajudar no ajuste
fiscal. Afinal, o que está
acontecendo com o mercado de
trabalho brasileiro?
A chave para entender o
comportamento recente do
mercado de trabalho está na
melhoria da educação do
trabalhador e no aumento real do
salário mínimo que ocorreram no
Brasil a partir da década de 90.
Com relação à educação, a
diminuição do número de crianças
nas famílias mais pobres
(provocada pelo declínio da taxa
de fecundidade), aliada às
políticas educacionais dos anos
90, facilitou a permanência dos
jovens por mais tempo na escola.
Isso aumentou a escolaridade
média desses jovens, o que
aumentou sua renda e diminuiu a
desigualdade. O aumento
educacional foi responsável por
cerca de 20% do aumento de
salários dos trabalhadores nas
famílias mais pobres.
Além disso, o salário mínimo
dobrou em termos reais entre 1999
e 2014. Como cerca de 25% dos
trabalhadores foram afetados por
esse aumento do mínimo (fora os
aposentados e pensionistas), esse
aumento, juntamente com a
melhora educacional, fez com que
o porcentual de pessoas na classe
C (com renda familiar entre R$
1.200
e
R$
4
mil
aproximadamente) aumentasse de
39% em 2002 para 53% em 2012.
Vale notar que os brasileiros dessa
classe já estão fora da alçada dos
programas de transferências de
renda.
Empregos de baixa qualificação
foram gerados pela melhora
educacional e aumentos do salário
mínimo
Dada a baixa taxa de poupança
existente no Brasil, em particular
nas camadas mais pobres da nossa
população, esse aumento de renda
transformou-se imediatamente em
consumo. Dados das Pesquisas de
Orçamentos Familiares (POF) do
IBGE, por exemplo, mostram que
a despesa familiar per capita
aumentou 18% entre 2003 e 2009.
Mas onde foi gasto todo esse
dinheiro?
Os dados da POF mostram que
os gastos aumentaram mais nas
áreas de higiene e cuidados
pessoais, saúde, habitação,
transporte
e
alimentos.
Especificamente, os gastos que
mais aumentaram foram com
telefone celular, veículos,
remédios, planos de saúde,
consultas médicas, perfumes,
cabeleireiro, festas, condomínios
e aquisição de imóveis.
É possível calcular o impacto
desse aumento do consumo na
produção e emprego desses
setores, usando a matriz insumoproduto do IBGE. Ao fazê-lo,
notamos que os setores mais
impactados pelo aumento no
consumo foram os de alimentos e
bebidas, agricultura, utilidades
públicas, comércio, serviços,
transportes, bancos, imobiliárias,
planos de saúde e produtos
farmacêuticos.
Esse aumento de consumo foi
responsável pela geração de 25
milhões de empregos, somente
entre 2003 e 2009. Esses empregos
foram gerados nos mesmos setores
que tiveram aumento de produção,
com destaque para o comércio,
com 6 milhões de empregos
adicionais nesse período. A maior
parte desses empregos foram para
os
trabalhadores
menos
qualificados
(até
ensino
fundamental), que são os que
costumam trabalhar nesses setores.
21/11/14
Assim, como a demanda por
trabalhadores menos qualificados
aumentou muito enquanto sua oferta
diminuía (pelo efeito demográfico
e educacional), seu salário
aumentou cada vez mais, o que
sancionou os aumentos seguidos
do salário mínimo, sem provocar
desemprego ou informalidade.
Fecha-se assim o ciclo virtuoso de
salário, emprego e consumo dos
trabalhadores menos qualificados.
Esse processo ajuda a explicar
vários fatos do mercado de
trabalho atual. Como o emprego na
região Nordeste é concentrado no
comércio e serviços, os
trabalhadores nordestinos foram
os que mais ganharam em termos
de emprego e renda. Como o valor
do salário mínimo aumentou muito,
grande parte dos novos postos de
trabalho estão concentrados na
faixa de até 2 salários mínimos. Os
gastos com seguro-desemprego
aumentaram porque têm o salário-
mínimo como valor de referencia
e porque o número de
trabalhadores formais aumentou
muito. Por fim, a taxa de
participação dos jovens declinou
porque o aumento da renda familiar
permitiu que os jovens da nova
classe média pudessem dedicar
mais tempo aos estudos, como
fazem os filhos das famílias mais
abastadas.
Mas, afinal de contas, esse
processo é bom ou ruim para a
economia brasileira? Muitos
analistas
reclamam
que
deveríamos estar gerando
empregos de alto "valor
adicionado", que pagam altos
salários, especialmente no setor
industrial. Mas esses empregos de
baixa qualificação foram gerados
justamente pelo processo de
inclusão social provocado pela
melhora educacional e pelos
aumentos do salário mínimo. Eles
refletem os padrões de consumo da
nova classe média.
Para manter esse círculo
virtuoso em funcionamento, é
necessário
aumentar
a
produtividade do trabalho no
comércio e nos serviços, pois a
elevação de preços nesses setores
está fazendo com que a taxa de
juros aumente para moderar o
mercado de trabalho. E para gerar
empregos qualificados temos que
melhorar muito a qualidade da
educação e fazer com que as
empresas brasileiras sejam mais
inovadoras e parem de depender
de favores do governo.
Naercio Menezes Filho,
professor titular - Cátedra IFB e
coordenador do Centro de
Políticas Públicas do Insper, é
professor associado da FEA-USP
e escreve mensalmente às sextasfeiras. [email protected]
FOLHA DE SÃO PAULO
21/11/14
OPINIÃO
O teto universitário
HÉLIO SCHWARTSMAN
SÃO PAULO - A USP tem
1.972 servidores que ganham mais
do que os R$ 20,7 mil pagos ao
governador e definidos como teto
estadual. A depender de
confirmação do STF, eles deverão
ter seus salários cortados.
É importante que cumpramos as
regras do jogo. Se o Supremo diz
que é ilegal, então é
decididamente ilegal. Mas nada
nos impede de discutir a sabedoria
das regras. E, neste caso, penso
que tanto o teto salarial quanto a
isonomia advogada pelos
sindicatos são dois grandes
equívocos.
Para ficar num exemplo de
âmbito estadual, tomemos o caso
da Orquestra Sinfônica (Osesp). Se
quisermos manter uma orquestra
de padrão internacional, a primeira
providência é conseguir um
regente de primeiro ou segundo
escalão, o que não custa menos de
R$ 1 milhão anuais. A atual titular
da Osesp, Marin Alsop, foi
contratada em 2012 para receber
R$ 91 mil por cada uma de suas
dez semanas de trabalho mais
gratificações.
De modo análogo, se a USP
tivesse a oportunidade de contratar
um prêmio Nobel para dar aulas,
teria de pagar o preço. A regra do
teto, obviamente, inviabilizaria a
aquisição, mesmo que o candidato
adorasse mulatas e caipirinhas. E
nem precisamos chegar a extremos
como o Nobel para constatar a
inadequação da norma. Os R$ 20,7
mil são muito quando comparados
aos rendimentos médios da
população, mas ficam bem aquém
do que recebe um alto funcionário
de empresa privada ou um
profissional liberal de sucesso. E
nem é preciso sair do setor
público. O teto das universidades
federais está hoje em torno de R$
29 mil.
Reconheço que é complicado
estabelecer padrões impessoais
para definir quanto cada docente/
pesquisador deveria ganhar, mas a
dificuldade não pode servir de
pretexto para que adotemos
soluções subótimas. Com a
expansão das universidades
federais e o surgimento de boas
instituições privadas em alguns
nichos, é uma questão de tempo até
que a USP comece a perder
talentos.
FOLHA DE SÃO PAULO
21/11/14
OPINIÃO
Escola para todos
LUIZ FERNANDO VIANNA
RIO DE JANEIRO - A meta 4
do Plano Nacional de Educação
prevê que até 2024 estejam na
escola regular todos com 4 a 17
anos que tenham alguma
deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento
e
altas
habilidades ou superdotação.
Entre 2007 e 2013, a proporção
de pessoas desses grupos
matriculadas saltou de 46,8% para
76,9%, segundo a organização
Todos pela Educação. Mas há
obstáculos para se atingir os
100%.
Três deles: mapear quem
continua fora e por quê; avaliar a
qualidade do aprendizado;
entender melhor por que há tanta
evasão antes da chegada ao ensino
médio.
A educadora Adriane Farah
participa há dez anos do trabalho
de inclusão no Pedro 2º, colégio
público criado no Rio em 1837.
Ouvia a lenga-lenga de que os
profissionais precisavam se
preparar antes de receber esses
alunos. Resolveu lidar com o
assunto na prática.
A primeira criança acolhida,
uma menina com paralisia cerebral,
está até hoje no colégio. "Ela abriu
as portas da inclusão no Pedro 2º",
conta Farah, que acompanha vários
casos.
Um dos inimigos é a rejeição
dos colegas, às vezes chegando à
crueldade. Diz que se deve
conversar muito e recuar nunca.
Aos que não cedem, acena-se com
as leis, que obrigam a inclusão e
criminalizam o bullying.
Segundo a educadora, a
resistência de professores, pais e
outros alunos não para de cair.
Percebe-se aos poucos, não sem
dificuldades, que conviver na
mesma sala faz bem a todos, pois
é mais viável respeitar as
diferenças se elas, em vez de ser
distantes abstrações, fazem parte
da vida cotidiana.
"A inclusão dos alunos
especiais vai transformar a escola
brasileira em dez anos, pois fica
claro que a estrutura atual, seriada
e linear, não permite o acesso de
todos à educação e perde sentido
num mundo com Google e novos
meios de se informar", acredita
ela.
FOLHA DE SÃO PAULO
21/11/14
CIÊNCIA + SAÚDE
MEC nega que Capes abrirá
edital na área de editoração
Reuniões do órgão com
representantes de editoras
estrangeiras foram questionadas
MAURÍCIO TUFFANI
COLABORAÇÃO PARA A
FOLHA
Apesar
de
a
Capes
(Coordenadoria
de
Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior) ter anunciado em
outubro que abriria ainda neste ano
edital para editoras estrangeiras
publicarem cerca de cem revistas
científicas brasileiras, o MEC
(Ministério da Educação) negou
ontem que a agência tenha
decidido fazer a seleção.
No dia 29, depois de anunciar
o Projeto de Internacionalização
de Periódicos Brasileiros,
dirigentes da Capes --inclusive seu
presidente, Jorge Guimarães-fizeram reuniões fechadas com
representantes dos publishers
Elsevier (Holanda), Emerald
(Reino Unido), Springer
(Alemanha), Wiley (EUA) e
Taylor & Francis (Reino Unido).
"Não há ilegalidade até agora
porque ainda não foi publicado
nenhum edital, mas reuniões
privadas com interessados em uma
disputa comprometem o princípio
da publicidade da administração
pública e levantam suspeita",
afirmou
Odete
Medauar,
professora titular de direito
administrativo da USP.
A resposta do MEC foi
encaminhada à Folha após
questionamento da reportagem à
Capes sobre as reuniões em
separado com representantes dos
cinco publishers estrangeiros. A
nota confirma que os convidados
apresentaram custos de suas
propostas.
Na segunda-feira, Sigmar Rode,
presidente da Abec (Associação
Brasileira de Editores Científicos),
e Abel Packer, diretor da base de
dados brasileira SciELO
(Scientific Electronic Libray
Online), pediram a suspensão do
projeto e também "transparência"
em ofício à Capes.
FOLHA DE SÃO PAULO
21/11/14
COTIDIANO
Relatório aponta 'abusos constantes'
na Faculdade de Medicina da USP
Comissão conclui que unidade
é palco de violência sexual e
moral, coação e consumo de
drogas
Criado após casos de estupro,
grupo propõe veto a bebidas
destiladas e 'open bar' em festas
no local
CLÁUDIA COLLUCCI
EMILIO SANT'ANNA
DE SÃO PAULO
Violência sexual, abuso moral,
coação, discriminação de gênero
e orientação sexual, intolerância
étnica e religiosa, consumo
excessivo de drogas ilícitas e
controladas. A lista dos problemas
da Faculdade de Medicina da USP
é extensa.
A constatação é da própria
faculdade. Está apontada em
relatório da comissão nomeada
para avaliar a série de denúncias
de violação de direitos humanos
entre alunos do curso mais
concorrido no vestibular da
universidade.
apresentar sinais de embriaguez
nas festas de recepção aos
calouros.
Segundo o texto, a semana em
que os novos alunos são recebidos
é "uma situação preocupante" na
qual há intenso consumo de álcool
e situações de risco.
Os problemas na faculdade
vieram à tona após audiência
pública na Assembleia Legislativa
em que foram descritos oito casos
de violência dentro da USP, entre
os quais dois de estupro em festas
organizadas na universidade
Duas alunas relataram terem
sido estupradas em festas
promovidas por alunos da
faculdade.
Segundo o relatório, entre
outros itens, "a violência sexual
ocorre de forma repetida" na
unidade, o "abuso moral é prática
constante" e "o consumo excessivo
de drogas lícitas, ilícitas e de
prescrição" é rotineiro.
VETO TOTAL
Entre as soluções apontadas
pelo documento, obtido pela
Folha, estão o veto a bebidas
destiladas, ao "open bar"
(consumo livre após pagamento do
ingresso) e à venda para quem
Formada por cerca de cem
pessoas, entre professores
titulares, alunos e funcionários, a
comissão não chegou a um
consenso sobre o veto às bebidas
alcoólicas nas festas.
De acordo com o documento,
todos os alunos que fizeram parte
da comissão foram contrários a
essa proibição.
Milton Arruda Martins, atual
presidente da comissão, disse à
Folha que é favorável a medidas
de redução de danos. "Não adianta
proibir. Alivia a barra da
universidade e joga o problema
para outro lugar, porque, é óbvio,
as festas vão continuar."
Ele diz que o álcool expõe os
jovens a situações de risco, mas é
preciso separar e punir os crimes.
"Ninguém vira estuprador porque
bebeu."
Posição diferente tem o
professor associado Arthur Guerra
de Andrade, chefe do grupo de
álcool e drogas da faculdade. Para
ele, as medidas são "românticas"
e de difícil execução. Por exemplo,
o veto ao destilado. "A molecada
entra com garrafa de vodca
escondida. Quem vai impedir? Vão
revistar todo mundo?"
O relatório com as propostas da
comissão será votado na próxima
quarta (26) pela congregação da
faculdade.
FOLHA DE SÃO PAULO
21/11/14
TRECHOS
"A violência sexual ocorre de
forma repetida em nosso espaço
de vivência. Aliás, o fato já é
notório"
"O abuso moral é prática
constante entre nós... é como se
tivéssemos um ambiente onde o
assediado de hoje se torna o
assediador de amanhã"
"Houve também episódio
recente de estudante negra que foi
barrada na entrada do prédio"
"O entendimento da comissão
é o de que há fatos graves no
campo moral e de direitos
humanos que são merecedores de
ações imediatas para a sua
correção"
COTIDIANO
CORREIO BRAZILIENSE
21/11/14
A maioridade do PAS
Há um erro na reportagem “O
PAS alcança a maioridade” (16/
11, pág. 23). Lauro Mohry não
era reitor em 1995. Só assumiu a
Reitoria da UnB em 14 de
novembro de 1997. O PAS
começou a ser planejado em
janeiro de 1995, quando o
governador Cristovam Buarque
propôs parceria para buscar uma
solução que levasse em conta o
desempenho do aluno ao longo
dos três anos do ensino médio. A
parceria foi efetivada com
atuações do secretário de
Educação do DF, Antônio Ibañez
Ruiz, do reitor da UnB e de
Rogério Aragão, decano de ensino
de graduação. Uma comissão
aprovada pelo Conselho de
Ensino, Pesquisa e Extensão e
formada por representantes do
GDF e da UnB estudou o assunto
e propôs ampla reforma do ensino
médio, com a adoção de um
mesmo currículo em cada ano por
todas as escolas, públicas e
privadas, e com a mudança das
provas do vestibular, que
passariam a cobrar conteúdo
efetivamente ensinado por todas
as escolas. Esse processo de
reformulação do ensino médio no
DF e do vestibular da UnB durou
um ano, levando a primeira prova
a ser aplicada em 1996, ainda
durante meu período na reitoria.
» João Claudio Todorov,
Lago Norte
SR. REDATOR
CORREIO BRAZILIENSE
21/11/14
OPINIÃO
A teoria prática e seu uso
na gestão da educação
» IGNEZ MARTINS TOLLINI
Ph.D. em educação pela
Universidade de Londres
O canadense Michael Fullan,
diretor do Instituto de Estudos da
Universidade de Toronto, é
reconhecida
autoridade
internacional em reforma
educacional. Desde 2001, ele
publica livros sobre gestão da
educação. Hoje, sua tarefa
principal é trabalhar como
consultor, treinador e avaliador de
projetos de mudança em várias
partes do mundo, a começar pelo
próprio país, o Canadá.
Acreditamos que a vitoriosa
carreira de Fullan seja devida à
sua capacidade de ter percebido
várias necessidades não satisfeitas
nos sistemas educacionais de
diversos países, a começar pelo
Canadá. No seu país, Fullan
observou a importância da teoria
para guiar a ação de gestores e
professores nas escolas, mas notou
que algumas ideias e teorias
necessitavam ser explicadas mais
claramente, já que os professores
não estavam aplicando os
conteúdos de seus livros na
realidade, isto é, nas escolas em
que trabalhavam.
Tal fato o levou a observar mais
profundamente o que estava
acontecendo nas escolas
canadenses. Ele descobriu que os
professores tinham várias
dificuldades para aplicar os
conteúdos dos livros que ele havia
escrito. Notou também que
algumas regras das escolas
impediam o fluir das ações que
professores deveriam colocar em
prática.
Depois de longas discussões
com alguns colegas, Fullan
resolveu testar meios de juntar as
teorias de seus livros com as
necessárias
práticas
que
professores deveriam ter nas
escolas. Seu intento era juntar
essas duas modalidades de ensino.
Os testes da nova dinâmica de
gestão foram iniciados no Canadá,
mais especificamente em Ontário,
e obtiveram notável sucesso.
Em vista disso, profissionais da
área de gestão nos Estados Unidos,
na Inglaterra e em outros países
juntaram-se a Fullan. Assim foi
formada uma equipe que ganhou
visibilidade em várias partes do
mundo, principalmente nos países
que necessitavam melhorar a
qualidade da educação elementar
e média dos jovens.
Por exemplo, a equipe de Fullan
foi pessoalmente solicitada a
ajudar a Coreia do Sul, Cingapura
e Dinamarca, além de outros.
Fullan e seus companheiros
analisaram os problemas da
educação nesses países e
conseguiram implantar, com
sucesso, a teoria prática para
resolvê-los. Hoje, a educação
nessas nações é considerada
exemplar em todo o mundo.
Em nosso país, desde 1930, a
procura da educação de qualidade
para o povo continua sendo um
objetivo a ser conquistado. É
verdade que tivemos uma
conquista a celebrar quanto à
quantidade da oferta da educação
fundamental oferecida pelo Estado
às crianças na idade escolar
obrigatória, mas o Estado não foi
capaz de juntar qualidade a essa
expansão da quantidade.
Um estudo sobre esse tema
mostra que os governantes que se
sucederam entre 1930 e 1999
sempre repetiram que a meta
principal de governo era a
educação de qualidade para os
jovens. Depois de analisar
profundamente os acontecimentos
naquele período, o estudo concluiu
o seguinte: “Pode ser que a
educação seja o problema central
da sociedade brasileira no século
21”. Infelizmente, a profética
conclusão continua vigorando.
O Estado continua a tentar
responder às demandas para
organizar uma educação de
qualidade para todas as crianças
brasileiras. Entretanto, os
21/11/14
problemas, notadamente os
administrativos, continuam sem
meios de serem mudados. Hoje,
Fullan estende suas ideias sobre a
gestão da educação em seus livros,
continua a ajudar países que o
solicitam a fazerem a mudança que
necessitam.
Seu livro editado no fim do ano
passado (O diretor) poderá ser
discutido em muitos países. Na
obra, Fullan apresenta ideias que
colocam o diretor da escola em
posição bem mais importante do
que conhecemos. É lamentável que
livros importantes sobre educação,
escritos em línguas estrangeiras,
ainda não estejam sendo vendidos
traduzidos no Brasil.
Este mês, por exemplo, Fullan
acaba de editar o livro
Implementation. Não se pode negar
que, tal como aconteceu em outros
países, os ensinamentos do grupo
de Fullan poderiam ser muito úteis
no Brasil, quer seja com seus
livros, quer como consultor,
treinador ou avaliador.
CORREIO BRAZILIENSE
21/11/14
CIDADES
EDUCAÇÃO »
Os mais concorridos do PAS
Medicina mantém a tradição e
registra o índice mais elevado de
candidatos por vaga, com 43,39.
Mas o curso de nutrição
surpreende, pulando da quinta
colocação para a vice-liderança.
Deixa para trás direito e
psicologia, que vêm na sequência
MANOELAALCÂNTARA
Luiz Phelipe, Júlia e Letícya se
inscreveram para a primeira fase
da Unicamp, em Campinas (SP),
mas decidiram priorizar a UnB
Dentro de dois dias, 12.955
estudantes concorrerão a 2.106
vagas na Universidade de Brasília
(UnB) para ingresso no primeiro
semestre letivo de 2015. Eles
farão a prova da terceira etapa do
Programa de Avaliação Seriada
(PAS), no domingo, em diversos
pontos do Distrito Federal. Este
ano, a concorrência aumentou em
muitos dos 97 cursos oferecidos
nos quatro câmpus da instituição.
A demanda para medicina, por
exemplo, subiu 20,8%, em relação
a 2013. No ano passado, a disputa
era de 35,89 candidatos por vaga.
Este ano, cresceu para 43,39 e
manteve o posto de curso mais
concorrido.
Nutrição também teve um
acréscimo considerável na relação
demanda por vaga. Na média total,
eram 19,31 concorrentes em 2013.
Para este PAS, a disputa aumentou
para 23,44, o que tirou o curso da
quinta para a segunda colocação
entre os mais concorridos. Em
seguida, está a graduação de
direito, com 21,50; psicologia,
21,08; e engenharia civil, 19,70.
Todos no Câmpus Darcy Ribeiro
(Asa Norte) e no turno diurno.
Números distintos
Quando a demanda é dividida
pelos sistemas, a diferença é
grande. Há hoje três formas de
ingresso pelo PAS: sistema
universal, cotas para estudantes da
rede pública e cotas para negros.
No primeiro, a concorrência para
medicina é de 78,10 candidatos por
vaga. Mas, para os inscritos pelas
reservas destinadas a estudantes de
escola pública, com renda superior
a 1,5 salário mínimo, que não
sejam pretos, pardos e indígenas
(PPI), a demanda é de 187 por
oportunidade. Embora o número
de estudantes que disputam uma
vaga seja distinto, não significa
que é mais difícil para os cotistas.
O diretor acadêmico do Centro
Brasileiro de Pesquisa em
Avaliação e Seleção e de
Promoção de Eventos (Cebraspe),
denominado Cespe, Marcus
Vinícius Soares, explica que todos
os inscritos pelas reservas
concorrem duas vezes. “Quando o
indivíduo é PPI e de baixa renda,
por exemplo, disputa inicialmente
as vagas desse sistema. Não sendo
aprovado, migra para o não PPI.
Se não passar, vai para o de baixa
renda e, assim, segue até chegar ao
universal. Ele aproveita todas as
oportunidades”, exemplifica. Por
isso, as diferenças parecem ser tão
altas. “Não podemos dizer que o
sistema universal é mais difícil ou
mais fácil. Para os que não se
encaixam em nenhum tipo de cota,
o número de vagas é mais
reduzido. Eles só concorrem por
um meio de entrada”, completou o
diretor.
A estudante do ensino médio
Júlia Brenner, 17 anos, viu a
demanda para arquitetura subir de
22 pessoas por vaga para 32.
Porém, ela não credita às cotas o
aumento da procura. “O curso na
UnB é de excelência, um dos
melhores no país e tem sido
bastante comentado ultimamente.
Acredito que isso colaborou”,
disse. Ela não foi muito bem nas
duas primeiras etapas, mas aposta
que o aumento na carga de estudos
vai ajudá-la a passar. “Preciso
aumentar 10 pontos do que tirei nas
outras etapas. Estudei muito para
isso”, completou.
21/11/14
Unicamp
Júlia e os amigos Luiz Phelipe
Lopes, 18 anos, e Letícya Sousa,
17, estudam no Sigma. Eles tinham
feito a inscrição para a primeira
fase da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp), única das
instituições paulistas que aplica
prova em Brasília. Pagaram R$
140. Mas, oito dias depois, foi
divulgada a data da terceira etapa
do PAS e eles tiveram que desistir
da oportunidade. “Pensamos que o
PAS seria mais para o fim do ano,
mas acabou ficando para 23 de
novembro. Minhas notas nas
primeiras etapas são muito altas.
Tenho grandes chances de passar
pelo PAS, por isso, decidi
abandonar a oportunidade de fazer
o vestibular da Unicamp”,
lamentou Luiz, interessado em uma
vaga para o curso de arquitetura.
Letícya também tem bons
motivos para esquecer os R$ 140
investidos na inscrição paulista e
fazer o PAS. “A Unicamp era mais
uma chance. No entanto, tenho boa
pontuação para entrar na UnB.
Embora não seja garantia, já estou
familiarizada com as provas e vou
tentar a UnB”, disse a concorrente
ao
curso
de
relações
internacionais. Ela está atenta
ainda às novas regras para a prova
de 23 de novembro. Sabe que não
poderá entrar com alimentos em
embalagens que não sejam
transparentes. “Nem é tão
trabalhoso assim. É só se
organizar. Melhor prevenir e
garantir que não terei problemas.”
Fique atento
Data da 3ª etapa do PAS: 23 de
novembro
Horário de aplicação: 13h
Abertura dos portões: 12h (de
Brasília)
Tempo para realizar as provas
de conhecimentos e de redação: 5h
Local das provas: a pesquisa é
individual por meio do site: http:/
/www.cespe.unb.br/pas/
21/11/14
CORREIO BRAZILIENSE
21/11/14
CIDADES
MERCADO DE TRABALHO »
Negros sofrem com desemprego
Pesquisa
aponta
que
afrodescendentes têm mais
dificuldades para conseguir uma
vaga. Segundo os próprios, o
problema é o preconceito. Em
números gerais, em 10 anos, o
Distrito Federal conseguiu
diminuir números de pessoas
desocupadas
THIAGO SOARES
Desempregado há seis meses,
Thalisson da Silva, 21 anos,
compareceu ontem à Agência do
Trabalhador no Setor Comercial
Sul para mais uma entrevista. O
jovem negro relatou ter
dificuldades para conseguir um
novo posto no mercado de
trabalho. Ele atribui isso ao
preconceito por partes dos
empregadores. “Já fiz várias
entrevistas. Eles falam que vão
ligar, mas no final fico sem
resposta e sem emprego. É
complicado”, afirmou ontem, Dia
da Consciência Negra.
Parte do discurso de Thalisson
está correta. Nos últimos dez
anos, aumentou significamente a
presença da população negra no
mercado de trabalho do Distrito
Federal. Apesar da constatação, as
altas taxas de desemprego seguem
entre aqueles de pele preta. Do
total de desempregados (12,4%)
na capital, 74% corresponde a
afrodescentes. Os dados foram
revelados pela Pesquisa de
Emprego e Desemprego (PED),
desenvolvida pela Secretaria de
Estado de Trabalho, Companhia de
Planejamento do Distrito Federal
(Codeplan) e Departamento
Intersindical de Estatística e
Estudos
Socioeconômicos
(Dieese).
Thalisson está na média da
pesquisa. “Fui em uma entrevista
com quatro candidatos. Eu era o
único negro. Imediatamente,
falaram comigo que depois dariam
retorno. Os outros já saíram
empregados. Não falam, mas há um
preconceito com relação à cor”,
comenta Thalisson. Ele está em
busca de emprego para ingressar
na universidade. Morador de
Sobradinho, pretende cursar
direito. “Tenho que ir em busca do
meu melhor, e sei que o caminho é
o estudo. Acredito que assim terei
mais oportunidades no mercado de
trabalho”, completa.
A pesquisa também aponta que
a taxa de desemprego entre as
mulheres negras mantém-se
tradicionalmente mais elevada em
comparação aos demais grupos.
Em 2013, observou-se uma
diferença de 7,5% entre com o
número de negras (15,9%) e
homens não negros (8,4%).
Quando comparadas às mulheres
não negras, que também convivem
com taxa de desemprego mais
elevada, os dados apontam uma
diferença nas taxas de desemprego
de 3,3 pontos percentuais
desfavoráveis às negras.
É o caso de Evanusia Francisca
Gomes, 39 anos. Ela está
desempregada há um ano. Durante
muito tempo, trabalhou no
comércio. Agora, tenta uma vaga
no setor de telemarketing. Para ela,
a
população
negra
e,
principalmente, as mulheres têm
que lidar com a dificuldade para
entrar no mercado de trabalho.
“Olham muito a aparência. Se o
cargo é para lidar diretamente com
o público, preferem alguém não
negro”, comenta. “Sempre dizem
não. Nunca dizem que é
diretamente ligado à cor, mas a
gente percebe”, disse Evanusia.
A ativista do movimento Pretas
Candangas Daniela Luciana da
Silva atribuiu o desemprego das
mulheres negras a dois tipos de
preconceitos — o racial e de
gênero. “Esses dados confirmam a
nossa percepção: a mulher negra é
a menos procurada, desejável e
empregada no mercado de
trabalho. A mulher naturalmente já
tem menos oportunidades que os
homens. A negra ainda sofre dois
tipos de preconceitos articulados”,
explica.
CORREIO BRAZILIENSE
21/11/14
Qualificação e crédito
Entre 2003 e 2013, a taxa de desemprego total
declinou consideravelmente, passando de 23,4%
em 2003, para 12,4% em 2013. “Nós chegamos
a esse índice da taxa de desemprego graças a um
esforço do governo que expandiu as políticas
públicas, como na qualificação profissional e no
acesso ao microcrédito para empreendedores,
além do investimento em obras que garantiram a
criação de milhares de empregos, como os que
vieram com a Copa do Mundo”, explicou Bolivar
Rocha, secretário de Trabalho do DF.
A análise dos dados mostra que a redução do
desemprego ocorreu tanto para o grupo dos
negros quanto para o dos não negros. Porém,
comparativamente, a taxa para os negros
desempregados (13,4%) mostrou-se visivelmente
superior a dos não negros (10,5% sem emprego),
em 2013. Embora tenha ocorrido uma diminuição
dos níveis de desemprego entre negros e não
negros (12,0 e 8,7 ponto percentual,
respectivamente), em 10 anos, a incidência do
desemprego é mais acentuada entre os negros.
“Todas as ações da Secretaria de Trabalho são
voltadas para a classe baixa e carente.
Desenvolvendo cursos de qualificação na
Secretaria de Trabalho, percebemos que uma
grande quantidade de alunos formandos são
negros”, concluiu o secretário.
CIDADES
JORNAL DE BRASÍLIA
21/11/14
Contratos com o GDF
Um apelo por salários
CIDADES
21/11/14
JORNAL DE BRASÍLIA
21/11/14
CIDADES
JORNAL DE BRASÍLIA
21/11/14
CIDADES
JORNAL DE BRASÍLIA
21/11/14
CIDADES
JORNAL DE BRASÍLIA
21/11/14
DCE DO UNICEUB
Denúncias cercam eleição
CIDADES
21/11/14
G1.COM - DISTRITO FEDERAL
20/11/2014
http://g1.globo.com/distrito-federal
GDF gasta R$ 427 milhões por ano
com servidores de atestado médico
48% dos servidores públicos
entregaram um ou mais atestados
no período.
Estudo foi feito por
subsecretária; Educação e Saúde
têm maiores faltas.
Raquel Morais
Do G1 DF
“O que se destaca aqui é
que temos metade da nossa
força de trabalho ficando
doente. E, como até então a
gente não tinha um panorama
disso, não havia como traçar
políticas específicas"
Luciane Kozics Araújo,
subsecretária de Saúde,
Segurança e Previdência dos
Servidores do DF
Quase metade dos servidores
públicos do Distrito Federal
entregam um ou mais atestados
médicos por ano, de acordo com
levantamento feito pelo próprio
governo. O estudo, apresentado
neste ano no Conselho Nacional
de Secretários de Estado da
Administração
(Consad),
descarta licenças-maternidade e
possíveis atestados falsos. A
estimativa é de que o Executivo
gaste R$ 427 milhões a cada 12
meses para manter esses
funcionários durante o período
de afastamento. O índice,
chamado de absenteísmodoença, ficou em 48% e é
superior ao nacional – 37%.
Os dados levam em conta
documentos dos anos de 2011 e
2012 e foram coletados a partir
dos CPFs dos funcionários, para
evitar duplicidade. De acordo
com a pesquisa, as secretarias
onde proporcionalmente os
servidores entregaram os
maiores números de atestados
médicos foram Educação, Saúde
e Justiça. Na primeira, 58% dos
trabalhadores apresentaram um
ou mais documentos ao longo do
ano. Na segunda, 48%, e, na
terceira, 47%. A média de dias
de afastamento é de 14,3, e os
motivos mais frequentes são
ansiedade e depressão.
O secretário de Educação,
Marcelo Aguiar, reconheceu os
altos índices e afirmou que a
pasta tenta identificar as razões
para isso. “Não tenho uma
explicação pronta, só não
acredito que seja uma categoria
tão doente para ter esse índice
de afastamento. É preciso
investigar as causas, saber o
motivo desse elevado número de
doenças”, declarou.
Aguiar também disse que a
corregedoria está investigando
denúncias de “uso indevido de
licenças”. A pasta recebe
diariamente 250 atestados. A
Secretaria de Educação tem
aproximadamente 50 mil
servidores e, segundo o gestor,
quase 100% dos atestados foram
entregues por professores.
“O ambiente não é insalubre.
Não posso dizer isso de uma
escola, onde convivem centenas,
milhares de alunos todos os dias.
Se fosse, não só os professores
mas também os outros estariam
doentes”, afirmou. “Pedi para se
fazer um levantamento das
ocorrências e da localização
delas. Vamos entregar até o final
do ano, para a [equipe de]
20/11/2014
transição do governo, para que
eles possam avaliar o que fazer
a partir de janeiro.”
Já para o coordenador de
imprensa do Sindicato dos
Professores, Cláudio Antunes,
fatores relacionados ao espaço
escolar influenciam no alto
índice de adoecimento da
categoria. Entre eles, citou o
número de alunos por turma –
30% acima de colégios europeus,
o que dificulta ao professor saber
os nomes de todos os alunos –, a
falta de internet e recursos online
em salas de aula e a ausência de
espaços apropriados para
alongamentos e descansos.
“A própria natureza da
carreira pressupõe isso [que
professores
estão
mais
vulneráveis], porque há um
desgaste emocional e físico muito
grande. Professor tem problema
na voz, tendinite. Também temos
um quadro grande de
adoecimento na área emocional,
psicológica mesmo. O professor
não entra na sala de aula só para
dar o conteúdo. Ele tem que
mediar os conflitos que vão além
do muro da escola, ouve histórias
das agressões que as crianças
sofrem dentro de casa ou todas
as questões dos adolescentes”,
conta.
Servidores da Secretaria de
Saúde, que aparecem em segundo
lugar na lista, relataram questões
semelhantes. Presidente do
Sindicato
dos
Médicos,
Gutemberg Fialho disse ao G1
que os colegas sofrem
frequentemente com angústias e
estresse relacionados à falta de
materiais hospitalares e às
situações dos pacientes.
“Você trabalha sozinho, você
trabalha com uma sobrecarga de
trabalho enorme, pressão,
agressão. [...] Colega vai para
lá e tem sobrecarga enorme,
insegurança no local de trabalho,
insegurança física, tanto que os
médicos mais jovens estão
entrando e em pouco tempo
pedem demissão por causa disso.
Nas unidades antigas, que foram
reformadas, a sobrecarga de
trabalho continua a mesma. Os
pacientes continuam nos
corredores. Houve maquiagem,
mas as condições humanas são
20/11/2014
as mesmas. Não tem melhora
nenhuma. Você tem um paciente
grave, em condições de UTI, você
diz qual política deve ser
aplicada, mas não consegue.
Isso te deixa muito mal”,
declarou.
A presidente do Sindicato dos
Empregados
em
Estabelecimentos de Serviços de
Saúde, Marli Rodrigues, afirmou
ainda que faltam políticas para
cuidar
da
saúde
dos
trabalhadores. A entidade
representa 104 categorias e
estuda, para o próximo ano, uma
proposta que possa dar suporte
aos profissionais.
Pesquisa apontou que média
de dias de afastamento é de
14,3, e os motivos mais
frequentes são ansiedade e
depressão
“Quem cuida da saúde do
povo é tratado pelo governo de
forma geral como máquina, não
ser humano. Trabalhamos em
ambiente insalubre, temos
chefias perseguidoras. Isso traz
doenças psicológicas, e depois o
funcionário começa a sofrer
outras doenças por causa da
pressão das péssimas condições
de trabalho, de o
trabalho
ser
exaustivo, da falta
de
recursos
humanos", disse.
"
E
m
Taguatinga, por
exemplo,
tem
auxiliares
de
enfermagem da
cardiologia que,
por se recusarem a
fazer função de
Fachada do Centro de Ensino Médio 03
enfermeiro, foram de Taguatinga, no Distrito Federal
colocados
à
disposição para
“Eu não posso mais dizer
serem trocadas de setor. Tem 17 hoje sobre ambiente de trabalho
anos lá e passaram por isso, que seja um problema, porque
desenvolveram hipertensão. todas as unidades foram
Essas senhoras têm 50 e 51 anos. reformadas, todos os hospitais
Elas se recusaram porque foram reformados, [têm]
realmente não podem fazer equipamentos novos, tudo
isso”, completou Marli.
limpinho e arrumadinho. Eu não
posso dizer que isso acontece por
A secretária de Saúde, causa disso", declarou.
Marília Cunha, reconhece que
Ela afirma que dois fatores
existe sobrecarga de trabalho em influenciam nisso: o fato de a
algumas áreas, mas discorda que secretaria ter um grande número
o ambiente de trabalho propicie de funcionários mais velhos e os
o alto número de atestados cuidados
maiores
que
médicos. Somente entre 1º de trabalhadores da área têm com
janeiro e 30 de setembro deste saúde, o que os levaria a
ano, a pasta recebeu 29.317 respeitar mais os limites do
documentos. A secretaria tem 35 corpo e tirar atestados quando
mil servidores.
ficam doentes.
20/11/2014
A presidente do Sindicato dos
Empregados
em
Estabelecimentos de Serviços de
Saúde rebateu a fala da
secretária. "Posso afirmar que
nem todo mundo que está doente
entra de atestado. A maioria das
pessoas trabalha mesmo doente,
para não deixar o colega
sozinho. Temos exemplos assim,
de ir se arrastando."
Preocupação
Responsável pela condução
do projeto, a subsecretária de
Saúde, Segurança e Previdência
dos Servidores do DF, Luciane
Kozics Araújo, disse por telefone
considerar que um levantamento
com dados mais recentes possa
mostrar uma situação até mesmo
“pior”. “O que se destaca aqui
é que temos metade da nossa
força de trabalho ficando doente.
E, como até então a gente não
tinha um panorama disso, não
havia como traçar políticas
específicas.”
Atualmente, o DF tem oito
núcleos voltados à saúde do
trabalhador, que funcionam nos
hospitais regionais de Ceilândia,
Paranoá, Asa Norte, Sobradinho,
Gama e Santa Maria, Materno
Infantil e Base. Eles oferecem,
junto com o ambulatório do
servidor, os serviços de
acupuntura,
fisioterapia,
psiquiatria, dermatologia e
otorrino, automassagem e
meditação.
“Entre trabalhadores que
lidam diretamente com o
público, os transtornos mentais
tendem a ser mais frequentes.
Professores, profissionais de
saúde, policiais, dentre outros
servidores públicos apresentam
estes transtornos com mais
regularidade. Estresse da
atividade, trabalho executado
sem condições favoráveis,
longas jornadas e outros fatores
psicossociais são prováveis
causas que precisam ser
consideradas e devidamente
avaliadas"
Marcia Bandini, diretora da
Associação Nacional de
Medicina do Trabalho
De acordo com a Secretaria
de Saúde, também estão em
formação espaços semelhantes
nas unidades de Brazlândia,
Guará, Núcleo Bandeirante,
Planaltina e São Vicente de
Paulo, além do Samu. As datas
previstas para entrega desses
núcleos não foram informadas.
Especialista em clínica
médica, uma profissional do
Hospital Regional da Asa Norte
que preferiu não se identificar
afirmou que os colegas realmente
sentem falta de amparo. “A gente
tem uma equipe que trabalha
muito, a gente tem um trabalho
excessivo. A gente se desdobra
para que as coisas funcionem,
mesmo que a gente não tenha as
condições mínimas para isso. Eu
já cansei de trabalhar doente.
Teve uma época que fiquei 15
dias seguidos com febre e ia
trabalhar porque não queria
deixar os colegas na mão”,
contou.
Também preferindo não se
identificar, um pediatra que
trabalha em Taguatinga afirmou
ao G1 ter vivido uma situação
parecida. “Meu último atestado
foi há três anos, quando fiz
cirurgia. Isso não significa que
eu não fiquei doente, mas eu já
fui trabalhar até afônico. Eu não
conseguia falar nada, escrevia
no papelzinho para pedir ao
paciente para contar a história
dele.”
Diretora da Associação
Nacional de Medicina do
Trabalho, Marcia Bandini
afirmou que transtornos mentais
relacionados ao trabalho
representam a segunda causa de
incapacitação
dos
trabalhadores, ficando atrás
apenas
de
distúrbios
musculoesqueléticos – dor nas
costas, ombros, joelhos e pés.
20/11/2014
“Entre trabalhadores que
lidam diretamente com o
público, os transtornos
mentais tendem a ser mais
frequentes. Professores,
profissionais de saúde,
policiais, dentre outros
servidores
públicos,
apresentam
esses
transtornos com mais
regularidade. Estresse da
Fachada do Hospital de Santa
atividade,
trabalho
Maria,
onde funciona um dos núcleos
executado sem condições
de
atenção
à saúde do trabalhador do
favoráveis, longas jornadas
e
outros
fatores DF
psicossociais são prováveis
causas que precisam ser distribuir as atividades de
consideradas e devidamente maneira mais justa, reduzindo a
pressão entre os servidores. Ter
avaliadas”, explica.
A especialista disse que os ferramentas adequadas para as
dados indicados pela pesquisa tarefas, bom relacionamento
são preocupantes e denotam entre pares e supervisão, deixar
“falhas na organização do claras as regras sobre
trabalho e na promoção de um desempenho e expectativas, ter
trabalho saudável”. Além disso, reconhecimento pelo trabalho
segundo ela, a situação repercute bem feito, haver clareza na
na sobrecarga dos colegas, em comunicação interna, trabalhar
prejuízos no atendimento à em jornadas adequadas, receber
justa
são
população e em uma piora no remuneração
ambiente de trabalho. “Tudo isso características mais valiosas do
alimenta um ciclo vicioso de um que ter intervalos, apesar de
esses serem importantes
trabalho que adoece."
“O planejamento do trabalho, também”, declarou.
A subsecretária Luciane
com alocação adequada de
recursos, financeiros, humanos, Araújo destacou as iniciativas do
equipamentos etc., tende a
governo para combater essa
situação. Em 2012, o GDF
instituiu a Política Integrada
de Atenção a Saúde do
Servidor. Com isso, criou
parâmetros e implantou
programas de promoção na
área de saúde do servidor.
“Reitero a necessidade de
monitorarmos os indicadores
organizacionais.
Historicamente, não haviam
dados, hoje temos a
possibilidade de traçar
políticas embasadas nos
adoecimentos. É necessário
olharmos para a forma de
organização de trabalho,
relações socioprofissionais e
condições laborais. Assim,
poderemos de fato atuar na
promoção e prevenção ao invés
da reparação dos danos.”
Em nota, a equipe de
transição do governador eleito,
Rodrigo Rollemberg, disse ao G1
que tomou conhecimento dos
dados. "A saúde do trabalhador,
essencial para o êxito do sistema
de saúde, será uma prioridade
no novo governo, mas as políticas
e ações concretas a serem
adotadas para redução desses
índices ainda estão em estudo
pelo grupo de trabalho do tema."
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