Clipping Nacional de Educação Sexta-feira, 20 de Novembro de 2014 Capitare Assessoria de Imprensa SHN, Quadra 2 Bloco F Edifício Executive Tower - Brasília Telefones: (61) 3547-3060 (61) 3522-6090 www.capitare.com.br Valor Econômico 21/11/14 OPINIÃO Educação, salário mínimo e desemprego Por Naercio Menezes Filho Nesta semana foi divulgada a taxa de desemprego de outubro nas regiões metropolitanas, que atingiu 4,7%, a menor desde o início da série histórica. Além disso, a renda real do trabalhador continua aumentando. Isso mostra que o mercado de trabalho continua aquecido, mesmo com a desaceleração da economia. Esse aquecimento é maior no Nordeste, no setor de serviços e em ocupações menos qualificadas. Apesar disso, os gastos com seguro desemprego continuam elevados, o que tem levado o governo a pensar em mudanças na legislação para ajudar no ajuste fiscal. Afinal, o que está acontecendo com o mercado de trabalho brasileiro? A chave para entender o comportamento recente do mercado de trabalho está na melhoria da educação do trabalhador e no aumento real do salário mínimo que ocorreram no Brasil a partir da década de 90. Com relação à educação, a diminuição do número de crianças nas famílias mais pobres (provocada pelo declínio da taxa de fecundidade), aliada às políticas educacionais dos anos 90, facilitou a permanência dos jovens por mais tempo na escola. Isso aumentou a escolaridade média desses jovens, o que aumentou sua renda e diminuiu a desigualdade. O aumento educacional foi responsável por cerca de 20% do aumento de salários dos trabalhadores nas famílias mais pobres. Além disso, o salário mínimo dobrou em termos reais entre 1999 e 2014. Como cerca de 25% dos trabalhadores foram afetados por esse aumento do mínimo (fora os aposentados e pensionistas), esse aumento, juntamente com a melhora educacional, fez com que o porcentual de pessoas na classe C (com renda familiar entre R$ 1.200 e R$ 4 mil aproximadamente) aumentasse de 39% em 2002 para 53% em 2012. Vale notar que os brasileiros dessa classe já estão fora da alçada dos programas de transferências de renda. Empregos de baixa qualificação foram gerados pela melhora educacional e aumentos do salário mínimo Dada a baixa taxa de poupança existente no Brasil, em particular nas camadas mais pobres da nossa população, esse aumento de renda transformou-se imediatamente em consumo. Dados das Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, por exemplo, mostram que a despesa familiar per capita aumentou 18% entre 2003 e 2009. Mas onde foi gasto todo esse dinheiro? Os dados da POF mostram que os gastos aumentaram mais nas áreas de higiene e cuidados pessoais, saúde, habitação, transporte e alimentos. Especificamente, os gastos que mais aumentaram foram com telefone celular, veículos, remédios, planos de saúde, consultas médicas, perfumes, cabeleireiro, festas, condomínios e aquisição de imóveis. É possível calcular o impacto desse aumento do consumo na produção e emprego desses setores, usando a matriz insumoproduto do IBGE. Ao fazê-lo, notamos que os setores mais impactados pelo aumento no consumo foram os de alimentos e bebidas, agricultura, utilidades públicas, comércio, serviços, transportes, bancos, imobiliárias, planos de saúde e produtos farmacêuticos. Esse aumento de consumo foi responsável pela geração de 25 milhões de empregos, somente entre 2003 e 2009. Esses empregos foram gerados nos mesmos setores que tiveram aumento de produção, com destaque para o comércio, com 6 milhões de empregos adicionais nesse período. A maior parte desses empregos foram para os trabalhadores menos qualificados (até ensino fundamental), que são os que costumam trabalhar nesses setores. 21/11/14 Assim, como a demanda por trabalhadores menos qualificados aumentou muito enquanto sua oferta diminuía (pelo efeito demográfico e educacional), seu salário aumentou cada vez mais, o que sancionou os aumentos seguidos do salário mínimo, sem provocar desemprego ou informalidade. Fecha-se assim o ciclo virtuoso de salário, emprego e consumo dos trabalhadores menos qualificados. Esse processo ajuda a explicar vários fatos do mercado de trabalho atual. Como o emprego na região Nordeste é concentrado no comércio e serviços, os trabalhadores nordestinos foram os que mais ganharam em termos de emprego e renda. Como o valor do salário mínimo aumentou muito, grande parte dos novos postos de trabalho estão concentrados na faixa de até 2 salários mínimos. Os gastos com seguro-desemprego aumentaram porque têm o salário- mínimo como valor de referencia e porque o número de trabalhadores formais aumentou muito. Por fim, a taxa de participação dos jovens declinou porque o aumento da renda familiar permitiu que os jovens da nova classe média pudessem dedicar mais tempo aos estudos, como fazem os filhos das famílias mais abastadas. Mas, afinal de contas, esse processo é bom ou ruim para a economia brasileira? Muitos analistas reclamam que deveríamos estar gerando empregos de alto "valor adicionado", que pagam altos salários, especialmente no setor industrial. Mas esses empregos de baixa qualificação foram gerados justamente pelo processo de inclusão social provocado pela melhora educacional e pelos aumentos do salário mínimo. Eles refletem os padrões de consumo da nova classe média. Para manter esse círculo virtuoso em funcionamento, é necessário aumentar a produtividade do trabalho no comércio e nos serviços, pois a elevação de preços nesses setores está fazendo com que a taxa de juros aumente para moderar o mercado de trabalho. E para gerar empregos qualificados temos que melhorar muito a qualidade da educação e fazer com que as empresas brasileiras sejam mais inovadoras e parem de depender de favores do governo. Naercio Menezes Filho, professor titular - Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, é professor associado da FEA-USP e escreve mensalmente às sextasfeiras. [email protected] FOLHA DE SÃO PAULO 21/11/14 OPINIÃO O teto universitário HÉLIO SCHWARTSMAN SÃO PAULO - A USP tem 1.972 servidores que ganham mais do que os R$ 20,7 mil pagos ao governador e definidos como teto estadual. A depender de confirmação do STF, eles deverão ter seus salários cortados. É importante que cumpramos as regras do jogo. Se o Supremo diz que é ilegal, então é decididamente ilegal. Mas nada nos impede de discutir a sabedoria das regras. E, neste caso, penso que tanto o teto salarial quanto a isonomia advogada pelos sindicatos são dois grandes equívocos. Para ficar num exemplo de âmbito estadual, tomemos o caso da Orquestra Sinfônica (Osesp). Se quisermos manter uma orquestra de padrão internacional, a primeira providência é conseguir um regente de primeiro ou segundo escalão, o que não custa menos de R$ 1 milhão anuais. A atual titular da Osesp, Marin Alsop, foi contratada em 2012 para receber R$ 91 mil por cada uma de suas dez semanas de trabalho mais gratificações. De modo análogo, se a USP tivesse a oportunidade de contratar um prêmio Nobel para dar aulas, teria de pagar o preço. A regra do teto, obviamente, inviabilizaria a aquisição, mesmo que o candidato adorasse mulatas e caipirinhas. E nem precisamos chegar a extremos como o Nobel para constatar a inadequação da norma. Os R$ 20,7 mil são muito quando comparados aos rendimentos médios da população, mas ficam bem aquém do que recebe um alto funcionário de empresa privada ou um profissional liberal de sucesso. E nem é preciso sair do setor público. O teto das universidades federais está hoje em torno de R$ 29 mil. Reconheço que é complicado estabelecer padrões impessoais para definir quanto cada docente/ pesquisador deveria ganhar, mas a dificuldade não pode servir de pretexto para que adotemos soluções subótimas. Com a expansão das universidades federais e o surgimento de boas instituições privadas em alguns nichos, é uma questão de tempo até que a USP comece a perder talentos. FOLHA DE SÃO PAULO 21/11/14 OPINIÃO Escola para todos LUIZ FERNANDO VIANNA RIO DE JANEIRO - A meta 4 do Plano Nacional de Educação prevê que até 2024 estejam na escola regular todos com 4 a 17 anos que tenham alguma deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Entre 2007 e 2013, a proporção de pessoas desses grupos matriculadas saltou de 46,8% para 76,9%, segundo a organização Todos pela Educação. Mas há obstáculos para se atingir os 100%. Três deles: mapear quem continua fora e por quê; avaliar a qualidade do aprendizado; entender melhor por que há tanta evasão antes da chegada ao ensino médio. A educadora Adriane Farah participa há dez anos do trabalho de inclusão no Pedro 2º, colégio público criado no Rio em 1837. Ouvia a lenga-lenga de que os profissionais precisavam se preparar antes de receber esses alunos. Resolveu lidar com o assunto na prática. A primeira criança acolhida, uma menina com paralisia cerebral, está até hoje no colégio. "Ela abriu as portas da inclusão no Pedro 2º", conta Farah, que acompanha vários casos. Um dos inimigos é a rejeição dos colegas, às vezes chegando à crueldade. Diz que se deve conversar muito e recuar nunca. Aos que não cedem, acena-se com as leis, que obrigam a inclusão e criminalizam o bullying. Segundo a educadora, a resistência de professores, pais e outros alunos não para de cair. Percebe-se aos poucos, não sem dificuldades, que conviver na mesma sala faz bem a todos, pois é mais viável respeitar as diferenças se elas, em vez de ser distantes abstrações, fazem parte da vida cotidiana. "A inclusão dos alunos especiais vai transformar a escola brasileira em dez anos, pois fica claro que a estrutura atual, seriada e linear, não permite o acesso de todos à educação e perde sentido num mundo com Google e novos meios de se informar", acredita ela. FOLHA DE SÃO PAULO 21/11/14 CIÊNCIA + SAÚDE MEC nega que Capes abrirá edital na área de editoração Reuniões do órgão com representantes de editoras estrangeiras foram questionadas MAURÍCIO TUFFANI COLABORAÇÃO PARA A FOLHA Apesar de a Capes (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) ter anunciado em outubro que abriria ainda neste ano edital para editoras estrangeiras publicarem cerca de cem revistas científicas brasileiras, o MEC (Ministério da Educação) negou ontem que a agência tenha decidido fazer a seleção. No dia 29, depois de anunciar o Projeto de Internacionalização de Periódicos Brasileiros, dirigentes da Capes --inclusive seu presidente, Jorge Guimarães-fizeram reuniões fechadas com representantes dos publishers Elsevier (Holanda), Emerald (Reino Unido), Springer (Alemanha), Wiley (EUA) e Taylor & Francis (Reino Unido). "Não há ilegalidade até agora porque ainda não foi publicado nenhum edital, mas reuniões privadas com interessados em uma disputa comprometem o princípio da publicidade da administração pública e levantam suspeita", afirmou Odete Medauar, professora titular de direito administrativo da USP. A resposta do MEC foi encaminhada à Folha após questionamento da reportagem à Capes sobre as reuniões em separado com representantes dos cinco publishers estrangeiros. A nota confirma que os convidados apresentaram custos de suas propostas. Na segunda-feira, Sigmar Rode, presidente da Abec (Associação Brasileira de Editores Científicos), e Abel Packer, diretor da base de dados brasileira SciELO (Scientific Electronic Libray Online), pediram a suspensão do projeto e também "transparência" em ofício à Capes. FOLHA DE SÃO PAULO 21/11/14 COTIDIANO Relatório aponta 'abusos constantes' na Faculdade de Medicina da USP Comissão conclui que unidade é palco de violência sexual e moral, coação e consumo de drogas Criado após casos de estupro, grupo propõe veto a bebidas destiladas e 'open bar' em festas no local CLÁUDIA COLLUCCI EMILIO SANT'ANNA DE SÃO PAULO Violência sexual, abuso moral, coação, discriminação de gênero e orientação sexual, intolerância étnica e religiosa, consumo excessivo de drogas ilícitas e controladas. A lista dos problemas da Faculdade de Medicina da USP é extensa. A constatação é da própria faculdade. Está apontada em relatório da comissão nomeada para avaliar a série de denúncias de violação de direitos humanos entre alunos do curso mais concorrido no vestibular da universidade. apresentar sinais de embriaguez nas festas de recepção aos calouros. Segundo o texto, a semana em que os novos alunos são recebidos é "uma situação preocupante" na qual há intenso consumo de álcool e situações de risco. Os problemas na faculdade vieram à tona após audiência pública na Assembleia Legislativa em que foram descritos oito casos de violência dentro da USP, entre os quais dois de estupro em festas organizadas na universidade Duas alunas relataram terem sido estupradas em festas promovidas por alunos da faculdade. Segundo o relatório, entre outros itens, "a violência sexual ocorre de forma repetida" na unidade, o "abuso moral é prática constante" e "o consumo excessivo de drogas lícitas, ilícitas e de prescrição" é rotineiro. VETO TOTAL Entre as soluções apontadas pelo documento, obtido pela Folha, estão o veto a bebidas destiladas, ao "open bar" (consumo livre após pagamento do ingresso) e à venda para quem Formada por cerca de cem pessoas, entre professores titulares, alunos e funcionários, a comissão não chegou a um consenso sobre o veto às bebidas alcoólicas nas festas. De acordo com o documento, todos os alunos que fizeram parte da comissão foram contrários a essa proibição. Milton Arruda Martins, atual presidente da comissão, disse à Folha que é favorável a medidas de redução de danos. "Não adianta proibir. Alivia a barra da universidade e joga o problema para outro lugar, porque, é óbvio, as festas vão continuar." Ele diz que o álcool expõe os jovens a situações de risco, mas é preciso separar e punir os crimes. "Ninguém vira estuprador porque bebeu." Posição diferente tem o professor associado Arthur Guerra de Andrade, chefe do grupo de álcool e drogas da faculdade. Para ele, as medidas são "românticas" e de difícil execução. Por exemplo, o veto ao destilado. "A molecada entra com garrafa de vodca escondida. Quem vai impedir? Vão revistar todo mundo?" O relatório com as propostas da comissão será votado na próxima quarta (26) pela congregação da faculdade. FOLHA DE SÃO PAULO 21/11/14 TRECHOS "A violência sexual ocorre de forma repetida em nosso espaço de vivência. Aliás, o fato já é notório" "O abuso moral é prática constante entre nós... é como se tivéssemos um ambiente onde o assediado de hoje se torna o assediador de amanhã" "Houve também episódio recente de estudante negra que foi barrada na entrada do prédio" "O entendimento da comissão é o de que há fatos graves no campo moral e de direitos humanos que são merecedores de ações imediatas para a sua correção" COTIDIANO CORREIO BRAZILIENSE 21/11/14 A maioridade do PAS Há um erro na reportagem “O PAS alcança a maioridade” (16/ 11, pág. 23). Lauro Mohry não era reitor em 1995. Só assumiu a Reitoria da UnB em 14 de novembro de 1997. O PAS começou a ser planejado em janeiro de 1995, quando o governador Cristovam Buarque propôs parceria para buscar uma solução que levasse em conta o desempenho do aluno ao longo dos três anos do ensino médio. A parceria foi efetivada com atuações do secretário de Educação do DF, Antônio Ibañez Ruiz, do reitor da UnB e de Rogério Aragão, decano de ensino de graduação. Uma comissão aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão e formada por representantes do GDF e da UnB estudou o assunto e propôs ampla reforma do ensino médio, com a adoção de um mesmo currículo em cada ano por todas as escolas, públicas e privadas, e com a mudança das provas do vestibular, que passariam a cobrar conteúdo efetivamente ensinado por todas as escolas. Esse processo de reformulação do ensino médio no DF e do vestibular da UnB durou um ano, levando a primeira prova a ser aplicada em 1996, ainda durante meu período na reitoria. » João Claudio Todorov, Lago Norte SR. REDATOR CORREIO BRAZILIENSE 21/11/14 OPINIÃO A teoria prática e seu uso na gestão da educação » IGNEZ MARTINS TOLLINI Ph.D. em educação pela Universidade de Londres O canadense Michael Fullan, diretor do Instituto de Estudos da Universidade de Toronto, é reconhecida autoridade internacional em reforma educacional. Desde 2001, ele publica livros sobre gestão da educação. Hoje, sua tarefa principal é trabalhar como consultor, treinador e avaliador de projetos de mudança em várias partes do mundo, a começar pelo próprio país, o Canadá. Acreditamos que a vitoriosa carreira de Fullan seja devida à sua capacidade de ter percebido várias necessidades não satisfeitas nos sistemas educacionais de diversos países, a começar pelo Canadá. No seu país, Fullan observou a importância da teoria para guiar a ação de gestores e professores nas escolas, mas notou que algumas ideias e teorias necessitavam ser explicadas mais claramente, já que os professores não estavam aplicando os conteúdos de seus livros na realidade, isto é, nas escolas em que trabalhavam. Tal fato o levou a observar mais profundamente o que estava acontecendo nas escolas canadenses. Ele descobriu que os professores tinham várias dificuldades para aplicar os conteúdos dos livros que ele havia escrito. Notou também que algumas regras das escolas impediam o fluir das ações que professores deveriam colocar em prática. Depois de longas discussões com alguns colegas, Fullan resolveu testar meios de juntar as teorias de seus livros com as necessárias práticas que professores deveriam ter nas escolas. Seu intento era juntar essas duas modalidades de ensino. Os testes da nova dinâmica de gestão foram iniciados no Canadá, mais especificamente em Ontário, e obtiveram notável sucesso. Em vista disso, profissionais da área de gestão nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países juntaram-se a Fullan. Assim foi formada uma equipe que ganhou visibilidade em várias partes do mundo, principalmente nos países que necessitavam melhorar a qualidade da educação elementar e média dos jovens. Por exemplo, a equipe de Fullan foi pessoalmente solicitada a ajudar a Coreia do Sul, Cingapura e Dinamarca, além de outros. Fullan e seus companheiros analisaram os problemas da educação nesses países e conseguiram implantar, com sucesso, a teoria prática para resolvê-los. Hoje, a educação nessas nações é considerada exemplar em todo o mundo. Em nosso país, desde 1930, a procura da educação de qualidade para o povo continua sendo um objetivo a ser conquistado. É verdade que tivemos uma conquista a celebrar quanto à quantidade da oferta da educação fundamental oferecida pelo Estado às crianças na idade escolar obrigatória, mas o Estado não foi capaz de juntar qualidade a essa expansão da quantidade. Um estudo sobre esse tema mostra que os governantes que se sucederam entre 1930 e 1999 sempre repetiram que a meta principal de governo era a educação de qualidade para os jovens. Depois de analisar profundamente os acontecimentos naquele período, o estudo concluiu o seguinte: “Pode ser que a educação seja o problema central da sociedade brasileira no século 21”. Infelizmente, a profética conclusão continua vigorando. O Estado continua a tentar responder às demandas para organizar uma educação de qualidade para todas as crianças brasileiras. Entretanto, os 21/11/14 problemas, notadamente os administrativos, continuam sem meios de serem mudados. Hoje, Fullan estende suas ideias sobre a gestão da educação em seus livros, continua a ajudar países que o solicitam a fazerem a mudança que necessitam. Seu livro editado no fim do ano passado (O diretor) poderá ser discutido em muitos países. Na obra, Fullan apresenta ideias que colocam o diretor da escola em posição bem mais importante do que conhecemos. É lamentável que livros importantes sobre educação, escritos em línguas estrangeiras, ainda não estejam sendo vendidos traduzidos no Brasil. Este mês, por exemplo, Fullan acaba de editar o livro Implementation. Não se pode negar que, tal como aconteceu em outros países, os ensinamentos do grupo de Fullan poderiam ser muito úteis no Brasil, quer seja com seus livros, quer como consultor, treinador ou avaliador. CORREIO BRAZILIENSE 21/11/14 CIDADES EDUCAÇÃO » Os mais concorridos do PAS Medicina mantém a tradição e registra o índice mais elevado de candidatos por vaga, com 43,39. Mas o curso de nutrição surpreende, pulando da quinta colocação para a vice-liderança. Deixa para trás direito e psicologia, que vêm na sequência MANOELAALCÂNTARA Luiz Phelipe, Júlia e Letícya se inscreveram para a primeira fase da Unicamp, em Campinas (SP), mas decidiram priorizar a UnB Dentro de dois dias, 12.955 estudantes concorrerão a 2.106 vagas na Universidade de Brasília (UnB) para ingresso no primeiro semestre letivo de 2015. Eles farão a prova da terceira etapa do Programa de Avaliação Seriada (PAS), no domingo, em diversos pontos do Distrito Federal. Este ano, a concorrência aumentou em muitos dos 97 cursos oferecidos nos quatro câmpus da instituição. A demanda para medicina, por exemplo, subiu 20,8%, em relação a 2013. No ano passado, a disputa era de 35,89 candidatos por vaga. Este ano, cresceu para 43,39 e manteve o posto de curso mais concorrido. Nutrição também teve um acréscimo considerável na relação demanda por vaga. Na média total, eram 19,31 concorrentes em 2013. Para este PAS, a disputa aumentou para 23,44, o que tirou o curso da quinta para a segunda colocação entre os mais concorridos. Em seguida, está a graduação de direito, com 21,50; psicologia, 21,08; e engenharia civil, 19,70. Todos no Câmpus Darcy Ribeiro (Asa Norte) e no turno diurno. Números distintos Quando a demanda é dividida pelos sistemas, a diferença é grande. Há hoje três formas de ingresso pelo PAS: sistema universal, cotas para estudantes da rede pública e cotas para negros. No primeiro, a concorrência para medicina é de 78,10 candidatos por vaga. Mas, para os inscritos pelas reservas destinadas a estudantes de escola pública, com renda superior a 1,5 salário mínimo, que não sejam pretos, pardos e indígenas (PPI), a demanda é de 187 por oportunidade. Embora o número de estudantes que disputam uma vaga seja distinto, não significa que é mais difícil para os cotistas. O diretor acadêmico do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), denominado Cespe, Marcus Vinícius Soares, explica que todos os inscritos pelas reservas concorrem duas vezes. “Quando o indivíduo é PPI e de baixa renda, por exemplo, disputa inicialmente as vagas desse sistema. Não sendo aprovado, migra para o não PPI. Se não passar, vai para o de baixa renda e, assim, segue até chegar ao universal. Ele aproveita todas as oportunidades”, exemplifica. Por isso, as diferenças parecem ser tão altas. “Não podemos dizer que o sistema universal é mais difícil ou mais fácil. Para os que não se encaixam em nenhum tipo de cota, o número de vagas é mais reduzido. Eles só concorrem por um meio de entrada”, completou o diretor. A estudante do ensino médio Júlia Brenner, 17 anos, viu a demanda para arquitetura subir de 22 pessoas por vaga para 32. Porém, ela não credita às cotas o aumento da procura. “O curso na UnB é de excelência, um dos melhores no país e tem sido bastante comentado ultimamente. Acredito que isso colaborou”, disse. Ela não foi muito bem nas duas primeiras etapas, mas aposta que o aumento na carga de estudos vai ajudá-la a passar. “Preciso aumentar 10 pontos do que tirei nas outras etapas. Estudei muito para isso”, completou. 21/11/14 Unicamp Júlia e os amigos Luiz Phelipe Lopes, 18 anos, e Letícya Sousa, 17, estudam no Sigma. Eles tinham feito a inscrição para a primeira fase da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), única das instituições paulistas que aplica prova em Brasília. Pagaram R$ 140. Mas, oito dias depois, foi divulgada a data da terceira etapa do PAS e eles tiveram que desistir da oportunidade. “Pensamos que o PAS seria mais para o fim do ano, mas acabou ficando para 23 de novembro. Minhas notas nas primeiras etapas são muito altas. Tenho grandes chances de passar pelo PAS, por isso, decidi abandonar a oportunidade de fazer o vestibular da Unicamp”, lamentou Luiz, interessado em uma vaga para o curso de arquitetura. Letícya também tem bons motivos para esquecer os R$ 140 investidos na inscrição paulista e fazer o PAS. “A Unicamp era mais uma chance. No entanto, tenho boa pontuação para entrar na UnB. Embora não seja garantia, já estou familiarizada com as provas e vou tentar a UnB”, disse a concorrente ao curso de relações internacionais. Ela está atenta ainda às novas regras para a prova de 23 de novembro. Sabe que não poderá entrar com alimentos em embalagens que não sejam transparentes. “Nem é tão trabalhoso assim. É só se organizar. Melhor prevenir e garantir que não terei problemas.” Fique atento Data da 3ª etapa do PAS: 23 de novembro Horário de aplicação: 13h Abertura dos portões: 12h (de Brasília) Tempo para realizar as provas de conhecimentos e de redação: 5h Local das provas: a pesquisa é individual por meio do site: http:/ /www.cespe.unb.br/pas/ 21/11/14 CORREIO BRAZILIENSE 21/11/14 CIDADES MERCADO DE TRABALHO » Negros sofrem com desemprego Pesquisa aponta que afrodescendentes têm mais dificuldades para conseguir uma vaga. Segundo os próprios, o problema é o preconceito. Em números gerais, em 10 anos, o Distrito Federal conseguiu diminuir números de pessoas desocupadas THIAGO SOARES Desempregado há seis meses, Thalisson da Silva, 21 anos, compareceu ontem à Agência do Trabalhador no Setor Comercial Sul para mais uma entrevista. O jovem negro relatou ter dificuldades para conseguir um novo posto no mercado de trabalho. Ele atribui isso ao preconceito por partes dos empregadores. “Já fiz várias entrevistas. Eles falam que vão ligar, mas no final fico sem resposta e sem emprego. É complicado”, afirmou ontem, Dia da Consciência Negra. Parte do discurso de Thalisson está correta. Nos últimos dez anos, aumentou significamente a presença da população negra no mercado de trabalho do Distrito Federal. Apesar da constatação, as altas taxas de desemprego seguem entre aqueles de pele preta. Do total de desempregados (12,4%) na capital, 74% corresponde a afrodescentes. Os dados foram revelados pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), desenvolvida pela Secretaria de Estado de Trabalho, Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Thalisson está na média da pesquisa. “Fui em uma entrevista com quatro candidatos. Eu era o único negro. Imediatamente, falaram comigo que depois dariam retorno. Os outros já saíram empregados. Não falam, mas há um preconceito com relação à cor”, comenta Thalisson. Ele está em busca de emprego para ingressar na universidade. Morador de Sobradinho, pretende cursar direito. “Tenho que ir em busca do meu melhor, e sei que o caminho é o estudo. Acredito que assim terei mais oportunidades no mercado de trabalho”, completa. A pesquisa também aponta que a taxa de desemprego entre as mulheres negras mantém-se tradicionalmente mais elevada em comparação aos demais grupos. Em 2013, observou-se uma diferença de 7,5% entre com o número de negras (15,9%) e homens não negros (8,4%). Quando comparadas às mulheres não negras, que também convivem com taxa de desemprego mais elevada, os dados apontam uma diferença nas taxas de desemprego de 3,3 pontos percentuais desfavoráveis às negras. É o caso de Evanusia Francisca Gomes, 39 anos. Ela está desempregada há um ano. Durante muito tempo, trabalhou no comércio. Agora, tenta uma vaga no setor de telemarketing. Para ela, a população negra e, principalmente, as mulheres têm que lidar com a dificuldade para entrar no mercado de trabalho. “Olham muito a aparência. Se o cargo é para lidar diretamente com o público, preferem alguém não negro”, comenta. “Sempre dizem não. Nunca dizem que é diretamente ligado à cor, mas a gente percebe”, disse Evanusia. A ativista do movimento Pretas Candangas Daniela Luciana da Silva atribuiu o desemprego das mulheres negras a dois tipos de preconceitos — o racial e de gênero. “Esses dados confirmam a nossa percepção: a mulher negra é a menos procurada, desejável e empregada no mercado de trabalho. A mulher naturalmente já tem menos oportunidades que os homens. A negra ainda sofre dois tipos de preconceitos articulados”, explica. CORREIO BRAZILIENSE 21/11/14 Qualificação e crédito Entre 2003 e 2013, a taxa de desemprego total declinou consideravelmente, passando de 23,4% em 2003, para 12,4% em 2013. “Nós chegamos a esse índice da taxa de desemprego graças a um esforço do governo que expandiu as políticas públicas, como na qualificação profissional e no acesso ao microcrédito para empreendedores, além do investimento em obras que garantiram a criação de milhares de empregos, como os que vieram com a Copa do Mundo”, explicou Bolivar Rocha, secretário de Trabalho do DF. A análise dos dados mostra que a redução do desemprego ocorreu tanto para o grupo dos negros quanto para o dos não negros. Porém, comparativamente, a taxa para os negros desempregados (13,4%) mostrou-se visivelmente superior a dos não negros (10,5% sem emprego), em 2013. Embora tenha ocorrido uma diminuição dos níveis de desemprego entre negros e não negros (12,0 e 8,7 ponto percentual, respectivamente), em 10 anos, a incidência do desemprego é mais acentuada entre os negros. “Todas as ações da Secretaria de Trabalho são voltadas para a classe baixa e carente. Desenvolvendo cursos de qualificação na Secretaria de Trabalho, percebemos que uma grande quantidade de alunos formandos são negros”, concluiu o secretário. CIDADES JORNAL DE BRASÍLIA 21/11/14 Contratos com o GDF Um apelo por salários CIDADES 21/11/14 JORNAL DE BRASÍLIA 21/11/14 CIDADES JORNAL DE BRASÍLIA 21/11/14 CIDADES JORNAL DE BRASÍLIA 21/11/14 CIDADES JORNAL DE BRASÍLIA 21/11/14 DCE DO UNICEUB Denúncias cercam eleição CIDADES 21/11/14 G1.COM - DISTRITO FEDERAL 20/11/2014 http://g1.globo.com/distrito-federal GDF gasta R$ 427 milhões por ano com servidores de atestado médico 48% dos servidores públicos entregaram um ou mais atestados no período. Estudo foi feito por subsecretária; Educação e Saúde têm maiores faltas. Raquel Morais Do G1 DF “O que se destaca aqui é que temos metade da nossa força de trabalho ficando doente. E, como até então a gente não tinha um panorama disso, não havia como traçar políticas específicas" Luciane Kozics Araújo, subsecretária de Saúde, Segurança e Previdência dos Servidores do DF Quase metade dos servidores públicos do Distrito Federal entregam um ou mais atestados médicos por ano, de acordo com levantamento feito pelo próprio governo. O estudo, apresentado neste ano no Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad), descarta licenças-maternidade e possíveis atestados falsos. A estimativa é de que o Executivo gaste R$ 427 milhões a cada 12 meses para manter esses funcionários durante o período de afastamento. O índice, chamado de absenteísmodoença, ficou em 48% e é superior ao nacional – 37%. Os dados levam em conta documentos dos anos de 2011 e 2012 e foram coletados a partir dos CPFs dos funcionários, para evitar duplicidade. De acordo com a pesquisa, as secretarias onde proporcionalmente os servidores entregaram os maiores números de atestados médicos foram Educação, Saúde e Justiça. Na primeira, 58% dos trabalhadores apresentaram um ou mais documentos ao longo do ano. Na segunda, 48%, e, na terceira, 47%. A média de dias de afastamento é de 14,3, e os motivos mais frequentes são ansiedade e depressão. O secretário de Educação, Marcelo Aguiar, reconheceu os altos índices e afirmou que a pasta tenta identificar as razões para isso. “Não tenho uma explicação pronta, só não acredito que seja uma categoria tão doente para ter esse índice de afastamento. É preciso investigar as causas, saber o motivo desse elevado número de doenças”, declarou. Aguiar também disse que a corregedoria está investigando denúncias de “uso indevido de licenças”. A pasta recebe diariamente 250 atestados. A Secretaria de Educação tem aproximadamente 50 mil servidores e, segundo o gestor, quase 100% dos atestados foram entregues por professores. “O ambiente não é insalubre. Não posso dizer isso de uma escola, onde convivem centenas, milhares de alunos todos os dias. Se fosse, não só os professores mas também os outros estariam doentes”, afirmou. “Pedi para se fazer um levantamento das ocorrências e da localização delas. Vamos entregar até o final do ano, para a [equipe de] 20/11/2014 transição do governo, para que eles possam avaliar o que fazer a partir de janeiro.” Já para o coordenador de imprensa do Sindicato dos Professores, Cláudio Antunes, fatores relacionados ao espaço escolar influenciam no alto índice de adoecimento da categoria. Entre eles, citou o número de alunos por turma – 30% acima de colégios europeus, o que dificulta ao professor saber os nomes de todos os alunos –, a falta de internet e recursos online em salas de aula e a ausência de espaços apropriados para alongamentos e descansos. “A própria natureza da carreira pressupõe isso [que professores estão mais vulneráveis], porque há um desgaste emocional e físico muito grande. Professor tem problema na voz, tendinite. Também temos um quadro grande de adoecimento na área emocional, psicológica mesmo. O professor não entra na sala de aula só para dar o conteúdo. Ele tem que mediar os conflitos que vão além do muro da escola, ouve histórias das agressões que as crianças sofrem dentro de casa ou todas as questões dos adolescentes”, conta. Servidores da Secretaria de Saúde, que aparecem em segundo lugar na lista, relataram questões semelhantes. Presidente do Sindicato dos Médicos, Gutemberg Fialho disse ao G1 que os colegas sofrem frequentemente com angústias e estresse relacionados à falta de materiais hospitalares e às situações dos pacientes. “Você trabalha sozinho, você trabalha com uma sobrecarga de trabalho enorme, pressão, agressão. [...] Colega vai para lá e tem sobrecarga enorme, insegurança no local de trabalho, insegurança física, tanto que os médicos mais jovens estão entrando e em pouco tempo pedem demissão por causa disso. Nas unidades antigas, que foram reformadas, a sobrecarga de trabalho continua a mesma. Os pacientes continuam nos corredores. Houve maquiagem, mas as condições humanas são 20/11/2014 as mesmas. Não tem melhora nenhuma. Você tem um paciente grave, em condições de UTI, você diz qual política deve ser aplicada, mas não consegue. Isso te deixa muito mal”, declarou. A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde, Marli Rodrigues, afirmou ainda que faltam políticas para cuidar da saúde dos trabalhadores. A entidade representa 104 categorias e estuda, para o próximo ano, uma proposta que possa dar suporte aos profissionais. Pesquisa apontou que média de dias de afastamento é de 14,3, e os motivos mais frequentes são ansiedade e depressão “Quem cuida da saúde do povo é tratado pelo governo de forma geral como máquina, não ser humano. Trabalhamos em ambiente insalubre, temos chefias perseguidoras. Isso traz doenças psicológicas, e depois o funcionário começa a sofrer outras doenças por causa da pressão das péssimas condições de trabalho, de o trabalho ser exaustivo, da falta de recursos humanos", disse. " E m Taguatinga, por exemplo, tem auxiliares de enfermagem da cardiologia que, por se recusarem a fazer função de Fachada do Centro de Ensino Médio 03 enfermeiro, foram de Taguatinga, no Distrito Federal colocados à disposição para “Eu não posso mais dizer serem trocadas de setor. Tem 17 hoje sobre ambiente de trabalho anos lá e passaram por isso, que seja um problema, porque desenvolveram hipertensão. todas as unidades foram Essas senhoras têm 50 e 51 anos. reformadas, todos os hospitais Elas se recusaram porque foram reformados, [têm] realmente não podem fazer equipamentos novos, tudo isso”, completou Marli. limpinho e arrumadinho. Eu não posso dizer que isso acontece por A secretária de Saúde, causa disso", declarou. Marília Cunha, reconhece que Ela afirma que dois fatores existe sobrecarga de trabalho em influenciam nisso: o fato de a algumas áreas, mas discorda que secretaria ter um grande número o ambiente de trabalho propicie de funcionários mais velhos e os o alto número de atestados cuidados maiores que médicos. Somente entre 1º de trabalhadores da área têm com janeiro e 30 de setembro deste saúde, o que os levaria a ano, a pasta recebeu 29.317 respeitar mais os limites do documentos. A secretaria tem 35 corpo e tirar atestados quando mil servidores. ficam doentes. 20/11/2014 A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde rebateu a fala da secretária. "Posso afirmar que nem todo mundo que está doente entra de atestado. A maioria das pessoas trabalha mesmo doente, para não deixar o colega sozinho. Temos exemplos assim, de ir se arrastando." Preocupação Responsável pela condução do projeto, a subsecretária de Saúde, Segurança e Previdência dos Servidores do DF, Luciane Kozics Araújo, disse por telefone considerar que um levantamento com dados mais recentes possa mostrar uma situação até mesmo “pior”. “O que se destaca aqui é que temos metade da nossa força de trabalho ficando doente. E, como até então a gente não tinha um panorama disso, não havia como traçar políticas específicas.” Atualmente, o DF tem oito núcleos voltados à saúde do trabalhador, que funcionam nos hospitais regionais de Ceilândia, Paranoá, Asa Norte, Sobradinho, Gama e Santa Maria, Materno Infantil e Base. Eles oferecem, junto com o ambulatório do servidor, os serviços de acupuntura, fisioterapia, psiquiatria, dermatologia e otorrino, automassagem e meditação. “Entre trabalhadores que lidam diretamente com o público, os transtornos mentais tendem a ser mais frequentes. Professores, profissionais de saúde, policiais, dentre outros servidores públicos apresentam estes transtornos com mais regularidade. Estresse da atividade, trabalho executado sem condições favoráveis, longas jornadas e outros fatores psicossociais são prováveis causas que precisam ser consideradas e devidamente avaliadas" Marcia Bandini, diretora da Associação Nacional de Medicina do Trabalho De acordo com a Secretaria de Saúde, também estão em formação espaços semelhantes nas unidades de Brazlândia, Guará, Núcleo Bandeirante, Planaltina e São Vicente de Paulo, além do Samu. As datas previstas para entrega desses núcleos não foram informadas. Especialista em clínica médica, uma profissional do Hospital Regional da Asa Norte que preferiu não se identificar afirmou que os colegas realmente sentem falta de amparo. “A gente tem uma equipe que trabalha muito, a gente tem um trabalho excessivo. A gente se desdobra para que as coisas funcionem, mesmo que a gente não tenha as condições mínimas para isso. Eu já cansei de trabalhar doente. Teve uma época que fiquei 15 dias seguidos com febre e ia trabalhar porque não queria deixar os colegas na mão”, contou. Também preferindo não se identificar, um pediatra que trabalha em Taguatinga afirmou ao G1 ter vivido uma situação parecida. “Meu último atestado foi há três anos, quando fiz cirurgia. Isso não significa que eu não fiquei doente, mas eu já fui trabalhar até afônico. Eu não conseguia falar nada, escrevia no papelzinho para pedir ao paciente para contar a história dele.” Diretora da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, Marcia Bandini afirmou que transtornos mentais relacionados ao trabalho representam a segunda causa de incapacitação dos trabalhadores, ficando atrás apenas de distúrbios musculoesqueléticos – dor nas costas, ombros, joelhos e pés. 20/11/2014 “Entre trabalhadores que lidam diretamente com o público, os transtornos mentais tendem a ser mais frequentes. Professores, profissionais de saúde, policiais, dentre outros servidores públicos, apresentam esses transtornos com mais regularidade. Estresse da Fachada do Hospital de Santa atividade, trabalho Maria, onde funciona um dos núcleos executado sem condições de atenção à saúde do trabalhador do favoráveis, longas jornadas e outros fatores DF psicossociais são prováveis causas que precisam ser distribuir as atividades de consideradas e devidamente maneira mais justa, reduzindo a pressão entre os servidores. Ter avaliadas”, explica. A especialista disse que os ferramentas adequadas para as dados indicados pela pesquisa tarefas, bom relacionamento são preocupantes e denotam entre pares e supervisão, deixar “falhas na organização do claras as regras sobre trabalho e na promoção de um desempenho e expectativas, ter trabalho saudável”. Além disso, reconhecimento pelo trabalho segundo ela, a situação repercute bem feito, haver clareza na na sobrecarga dos colegas, em comunicação interna, trabalhar prejuízos no atendimento à em jornadas adequadas, receber justa são população e em uma piora no remuneração ambiente de trabalho. “Tudo isso características mais valiosas do alimenta um ciclo vicioso de um que ter intervalos, apesar de esses serem importantes trabalho que adoece." “O planejamento do trabalho, também”, declarou. A subsecretária Luciane com alocação adequada de recursos, financeiros, humanos, Araújo destacou as iniciativas do equipamentos etc., tende a governo para combater essa situação. Em 2012, o GDF instituiu a Política Integrada de Atenção a Saúde do Servidor. Com isso, criou parâmetros e implantou programas de promoção na área de saúde do servidor. “Reitero a necessidade de monitorarmos os indicadores organizacionais. Historicamente, não haviam dados, hoje temos a possibilidade de traçar políticas embasadas nos adoecimentos. É necessário olharmos para a forma de organização de trabalho, relações socioprofissionais e condições laborais. Assim, poderemos de fato atuar na promoção e prevenção ao invés da reparação dos danos.” Em nota, a equipe de transição do governador eleito, Rodrigo Rollemberg, disse ao G1 que tomou conhecimento dos dados. "A saúde do trabalhador, essencial para o êxito do sistema de saúde, será uma prioridade no novo governo, mas as políticas e ações concretas a serem adotadas para redução desses índices ainda estão em estudo pelo grupo de trabalho do tema."