Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Palavra e imagem no 44, p. 175-194, 2012
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O MST COMO ELA QUER QUE VOCÊ VEJA: UMA
ANÁLISE MULTIMODAL DA REPRESENTAÇÃO DO
MST NAS CAPAS DA REVISTA VEJA
Ailton Claécio Lopes Dantas
RESUMO
Este artigo apresenta uma análise das capas da revista
Veja, em que é retratado o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para análise das imagens
destes textos multimodais, utilizamos como instrumental teórico de análise a Gramática do Design Visual de
Kress & Van Leeuwen (2000), a partir das metafunções
representacional, interativa e composicional.
PALAVRAS-CHAVE: MST; Veja; textos multimodais.
1. A questão agrária e a mídia
M
esmo com toda a tecnologia desenvolvida pelos diversos recursos
produzidos na ordem de uma sociedade capitalista e globalizada,
a humanidade ainda convive com problemas sociais seculares.
Enquanto poucos países e famílias detêm maior parte da riqueza mundial,
muitos não têm acesso a comida, água e condições mínimas de higiene. Este é
o paradoxo da civilização capitalista globalizada.
O Brasil, considerado no cenário mundial como economia emergente,
convive, dentre outros problemas, com a alta concentração fundiária, situação
díspar com relação às principais potências capitalistas. Os resultados do último Censo Agropecuário, realizado pelo IBGE1 em 2006, mostram que a estrutura agrária brasileira, caracterizada pela concentração de terras em grandes
1
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.
Dantas, Ailton Claécio Lopes. O mst como ela quer que você Veja: uma análise multimodal
176 da representação do mst nas capas da revista veja
propriedades rurais não se alterou nos últimos vinte anos, conforme tabela I:
Tabela I - Área dos estabelecimentos rurais, segundo o estrato de área
Brasil - 1985/2006
Estrato de área
Área dos estabelecimentos rurais (ha)
1985
Total
Menos de 10 ha
De 10 ha a menos de 100 ha
De 100 ha a menos de 1000 ha
1000 ha e mais
374.924.421
9.986.637
69.565.161
131.432.667
163.940.667
1996
353.611.246
7.882.194
62.693.585
123.541.517
159.493.949
2006
329.941.393
7.798.607
62.893.091
112.696.478
146.553.218
Fonte: IBGE, Censos Agropecuários 1985/2006
As elites agrárias, agora promotoras do agronegócio, tendo na UDR
(União Democrática Ruralista) sua principal organização política, sempre detiveram e mantêm grande poder econômico e político em nosso país, estando
representadas invariavelmente no Ministério da Agricultura e com forte presença parlamentar, a denominada bancada ruralista.
Ainda na década de 80, surge o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra, (doravante MST), depois de um período de esvaziamento da organização
camponesa, após a aniquilação das Ligas Camponesas2 pelo regime militar.
A pauta da reforma agrária é então retomada pelas lutas no campo, durante o processo conhecido como redemocratização recente do país. Com o
tempo, o movimento ganha adeptos para além dos trabalhadores/as rurais, entre a intelectualidade, artistas, e alcança grande apoio popular em 1996, época
em que é também veiculada uma telenovela a respeito da questão agrária, na
rede GLOBO3.
Porém, não se passou muito tempo para que este movimento sofresse
diversos tipos de ataque ou insinuações por parte da mídia grande4. MEN2
3
4
Movimento camponês surgido na década de 50 e que perdurou até a implantação do regime
militar
Emissora de TV com maior audiência no país.
Mídia grande – termo por mim utilizado para designar os meios de comunicação de maior
profusão.
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DONÇA (2009)5, a partir de pesquisa realizada em 300 artigos de jornal que citam o MST, nos quatro maiores órgãos de imprensa do país:
Folha de São Paulo, O Globo, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil,
entre 20 de abril e 20 de agosto de 1999, assinala o fato de que as manchetes resumem a questão agrária como caso de polícia, atribuindo os
crimes a conflitos, tiroteios, desocupação, vingança, ou ordem superior.
Quando o foco é uma ação do MST, o que se procura ressaltar é a imagem de violento do movimento. Não obstante, nada é dito a respeito da
impunidade de diversos mandantes e executores de massacres contra os
trabalhadores/as sem-terra. Segundo dados da CPT6, de 1985 a 2006,
registraram-se 1.104 ocorrências de conflitos com assassinato. Nestes
conflitos morreram 1.464 trabalhadores. Destas ocorrências, somente
85 foram levadas a julgamento.
Comparato (2001)7 afirma que “não é preciso ser um observador
muito atento para constatar que, quando o assunto é sem-terra, há consenso dos meios de comunicação a favor do governo”. Ao quantificar
a presença do MST em editoriais, e acompanhar a evolução dos resultados durante todo o governo Fernando Henrique Cardoso – período
1995-2000 –, em comparação com outros movimentos ou entidades
contestatórios, ligados direta ou indiretamente à questão da reforma
agrária, Comparato (2001)8, apresenta o gráfico seguinte:
5
6
7
8
MENDONÇA, Maria Luisa. “O MST na mídia”. MST, http://www.mst.org.br/, 09/06/2010.
Comissão Pastoral da Terra. Organização pastoral da Igreja Católica que tem a presença
de setores de outras religiões, responsável pelo acompanhamento dos movimentos em luta
por terra.
COMPARATO, Bruno Konder. A ação política do MST. In: São Paulo em Perspectiva,
volume 15, número 4, São Paulo, outubro/dezembro 2001, http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392001000400012, 02/06/2010.
Idem.
Dantas, Ailton Claécio Lopes. O mst como ela quer que você Veja: uma análise multimodal
178 da representação do mst nas capas da revista veja
Com o avanço acelerado das novas tecnologias, a informação chega quase em tempo real na maioria das vezes. Diversas são as estratégias buscadas
para interação com o/a espectador/a, de modo a garantir uma maior adesão às
representações construídas pelos produtores da informação.
É esta relação entre a mídia e o MST que problematizo neste artigo. A
mídia, numa sociedade em que as informações são “oferecidas” para consumo
rápido, tem um papel preponderante na constituição do imaginário social,
na produção e circulação de representações. E acaba por tornar-se uma das
instituições capitais na sociedade capitalista globalizada.
Este artigo é uma operação crítica que busca analisar estratégias discursivas utilizadas pela Revista Veja, na edição de suas imagens, para construir uma
representação do MST e ganhar adesão, através de uma leitura sutilmente
dirigida. Demonstro como a mídia atua na esfera política global e, a partir de
posições ideologicamente determinadas, constrói um universo de significações
da e para a realidade, inscrito numa luta hegemônica de e por representações.
Neste trabalho, analisei as imagens das capas da revista Veja, em que
era retratado o MST, correspondendo a quatro capas das seguintes edições:
1549, de 03/06/1998; 1648, de 10/05/2000; 1807, de 18/06/2003 e 2128,
de 02/09/2009. A escolha pela análise somente das imagens retratadas nas
capas, em detrimento de todo o conjunto de imagens produzidas por aquela
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revista em relação ao movimento, deu-se em virtude da extensão inicial deste
trabalho e do fato de serem as capas fontes de primeiro contato do leitor/a
com a revista.
Para realizar a análise, utilizei como instrumento teórico a Gramática
do Design Visual (2000), de Kress & van Leeuwen9, a partir dos recursos
mobilizados pelas metafunções: representacional, interativa e composicional.
2. Uma sociedade multissemiotizada
Numa sociedade de multiletramentos, em que visual e verbal são combinados e a imagem ganha uma profusão muito maior, sendo inclusive mais
rapidamente ‘assimilável’, os discursos precisam ser analisados considerando a
forma como estas imagens e os seus elementos são combinados entre si e com
o texto verbal, bem como as relações estabelecidas com aquele/a que produz e
quem consome, lê, interpreta.
Conforme afirmam na introdução de sua Gramática do Design Visual,
(doravante GDV), Kress & van Leeuwen (2000)10, sua abordagem não se concentrará no léxico, mas nas formas através das quais as pessoais, as coisas e objetos são combinadas num todo significativo, uma sintaxe da imagem. Sua gramática da linguagem visual trabalha com formas e conceitos presentes na cultura
ocidental, uma vez que ela não é transparente, nem pode ser universalmente
compreendida, portanto, precisa ser contextualizada numa cultura específica.
Bakhtin (1997)11 já afirmava que:
Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão sempre relacionadas com a utilização da língua. Não
é de surpreender que o caráter e os modos dessa utilização sejam
tão variados como as próprias esferas da atividade humana, o
que não contradiz a unidade nacional de uma língua.
9
10
11
KRESS, G.; VAN LEEUWEN, T. Reading images: the Grammar of visual design.
London: Routledge, 2000.
Idem.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997, p. 280.
(trad. a partir do francês de Maria Ermantina Galvão G. Pereira).
Dantas, Ailton Claécio Lopes. O mst como ela quer que você Veja: uma análise multimodal
180 da representação do mst nas capas da revista veja
Considerando ainda que representação e imagens não são meramente
formas de expressão para a divulgação de informações, mas são, acima de
tudo, textos especialmente construídos, que revelam as nossas relações com
a sociedade e com o que a sociedade representa12, torna-se imprescindível a
análise dos textos multimodais numa sociedade cada vez mais midiatizada e
de múltiplas formas de significação.
Dionísio (2005)13 afirma a multimodalidade como traço constitutivo do
texto falado e escrito, quando diz:
Se as ações sociais são fenômenos multimodais, consequentemente, os gêneros textuais falados e escritos são também multimodais porque, quando falamos ou escrevemos um texto, estamos usando no mínimo dois modos de representação: palavras
e gestos, palavras e entonações, palavras e imagens, palavras e
tipográficas, palavras e sorrisos, palavras e animações, etc.
Enquanto a Análise do Discurso se concentra no texto linguisticamente realizado, a Semiótica Social, com enfoque multimodal, pretende, segundo Vieira (2007)14, “chamar a atenção para todas as formas de significação da
atividade social, marcadamente no campo da política e das estruturas de poder,
nas quais há distintos interesses por parte daqueles que produzem textos” [grifo
nosso].
Fairclough (2001)15 defende que o discurso deve, portanto, ser compreendido num quadro tridimensional, como texto, prática discursiva e prática
social. Diz Fairclough (2001)16:
12
13
14
15
16
DIONÍSIO, Ângela Paiva. Gêneros multimodais e multiletramento. In: KARAWOSKI,
A. M; GAYDECZKA, B; BRITO, K. S. (orgs.). Gêneros textuais: reflexões e ensino. Rio de
Janeiro: Lucerna, 2005, p. 160.
Ibid., p. 161.
VIEIRA, J. A. Novas perspectivas para o texto: uma visão multissemiótica. In: VIEIRA, J. A.
et al. Reflexões sobre a Língua Portuguesa: uma abordagem multímodal. Petrópolis, RJ: Vozes,
2007, p. 10.
FAIRCLOUGH, Norman. Discurso e Mudança Social. Brasília: EdUnb, 2001. (trad. de
Izabel Magalhães).
Ibid, p. 94-95.
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O discurso como prática ideológica constitui, naturaliza, mantém e transforma os significados do mundo de posições diversas
nas relações de poder. [...] como prática política é não apenas
um local de luta de poder, mas também um marco delimitador na luta de poder: a prática discursiva recorre a convenções
que naturalizam relações de poder e ideologias particulares e as
próprias convenções, e os modos em que se articulam são um
foco de luta.
A ordem do discurso, em Foucault, possui uma função normativa
e reguladora e coloca em funcionamento mecanismos de organização do real
por meio da produção de saberes, de estratégias e de práticas17.
Chouliaraki & Fairclough (apud VIEIRA, 2007)18 denominam:
a pós-modernidade “modernidade tardia” e defendem, os gêneros híbridos como o registro principal desse momento na linguagem, que consistem na combinação de gêneros discursivos
para a manifestação de poder e de ideologias nas relações sociais
de uma determinada cultura. Em decorrência disso, as novas
ordens do discurso são a melhor opção para o estudo das mudanças na linguagem.
Oliveira (2006)19 demonstra em seu trabalho como as imagens dizem,
omitem e sugerem coisas, fatos, na construção de sentidos. E Almeida & Fernandes (2008)20 demonstram como imagens produzem e reproduzem relações sociais, comunicam fatos, divulgam eventos e interagem com seus leitores
com uma força semelhante à de um texto formado por palavras.
17
18
19
20
REVEL, Judith. Michel Foucault: conceitos essenciais. São Carlos, SP: Claraluz, 2005.
VIEIRA, J. A. Novas perspectivas para o texto: uma visão multissemiótica. In: VIEIRA, J. A.
et al. Reflexões sobre a Língua Portuguesa: uma abordagem multímodal. Petrópolis, RJ: Vozes,
2007, p. 14-15.
OLIVEIRA, Sara. “Texto visual e leitura crítica: o dito, o omitido, o sugerido”. Revista Linguagem & Ensino. Vol. 9, n. 1, p. 15-39, jan/jun 2006.
ALMEIDA, D. B. L.; FERNANDES, J. D. C. Revisitando a gramática visual nos cartazes
de guerra. In: ALMEIDA, D.B.L (org.). Perspectivas em análise visual: do fotojornalismo ao
blog. João Pessoa: Editora da UFPB, 2008, p. 11-31.
Dantas, Ailton Claécio Lopes. O mst como ela quer que você Veja: uma análise multimodal
182 da representação do mst nas capas da revista veja
A análise das capas da Revista Veja, com relação à construção da imagem
que ela faz do MST é profundamente rica, dada a alta carga ideológica do seu
posicionamento político com relação a este movimento social, e mesmo sua
caracterização como um instrumento de informação de uma elite conservadora, o que será demonstrado adiante em nosso trabalho.
Nas análises das quatro capas, a partir das três metafunções da GDV: representacional, interativa e textual; demonstro como as escolhas composicionais
foram ideologicamente determinadas, com o propósito de construir uma imagem criminosa do MST.
3. A esquerda com raiva ou quem tem raiva de quem?
Ressalto que o ano da produção da capa que analiso inicialmente foi um
ano eleitoral e que houve um aumento do número de ocupações e manifestações. Também o movimento contava ainda com forte apoio popular, segundo
diversas pesquisas de opinião divulgadas na época. A exposição do MST à
mídia havia aumentado significativamente em 1997, com o massacre de Eldorado dos Carajás, noticiado em 61 idiomas21.
21
Isto é, 24/04/97.
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As elites políticas e econômicas precisavam, portanto, desconstruir o
apoio conseguido pelo movimento nacional e internacionalmente.
A estrutura representacional na capa da revista Veja de 03/06/1998, edição 1549, “A esquerda com raiva” é de tipo narrativa de reação, em que o participante [reator] de quem parte o vetor, no caso, o líder do MST, João Pedro
Stédile, olha para o observador [leitor] da revista Veja.
Aqui é uma reação, já que o vetor é formado pela direção do olhar, e
transacional, pois é possível observar o alvo do olhar, que, no caso, é uma proposição visual, em direção ao leitor/a, ao participante observador/a, que não
se encontra no quadro imagético.
Não há circunstâncias presentes que possam identificar o local, meios ou
acompanhamento. Isso é proposital para que a atenção fique tão somente na
face do reator, do participante representado.
Considerando o que Kress & Van Leeuwen (2000)22 ressaltam que as
imagens podem apresentar uma estrutura complexa, envolvendo mais de um
processo, poderíamos considerar possível existir além da estrutura narrativa,
uma estrutura conceitual, particularmente, neste caso.
Melhor explicando, a foto de Stédile apresenta na parte esquerda da revista – lado direito da face do participante representado –, uma saturação muito
maior da cor vermelha, provocando mesmo um contraste com a face esquerda da
imagem de Stédile. Para além de caracterizá-lo como membro de uma esquerda,
já feito pelo próprio fundo vermelho da revista, esta saturação serve ao propósito
de representar o que também diz o texto verbal no lado esquerdo: “A esquerda
com raiva”, já que alguém quando está com muita raiva normalmente fica muito
vermelho. Poderíamos, portanto, classificar como estrutura conceitual atributiva, em que a cor vermelha saturada seria o atributo do portador, Stédile.
O recurso do contato na foto, de acordo com a função interativa, estabelece uma relação de demanda, uma vez que o vetor entre o olho do participante representado e o do/a leitor/a [participante interativo] convida este
último à interação, cuja relação pretendida pela expressão facial representada
na imagem de Stédile é a de antipatia, repulsa, já que mostra uma face de
quem está zangado, bastante vermelha e com um olhar contraído e fixo, como
quem desafia a outrem.
22
KRESS, G.; VAN LEEUWEN, T., op. cit.
Dantas, Ailton Claécio Lopes. O mst como ela quer que você Veja: uma análise multimodal
184 da representação do mst nas capas da revista veja
Quanto à distância social, categoria que representa a exposição do participante representado perto ou longe do/a leitor/a, a imagem apresenta um
plano fechado (close shot), de tamanho exagerado, ocupando quase que toda a
capa, com o objetivo pretendido pela revista de representar de modo mais evidente as emoções do participante representado, neste caso, a de raiva, de ira.
Quanto à perspectiva, o uso da angulação frontal ajuda a envolver o leitor/a nesta representação. O objetivo da revista é construir para o
observador/a leitor/a uma posição de alguém que compartilha a visão dos
produtores da imagem [da revista]. Assim, a Revista Veja lança mão de mais
este instrumento para não permitir ao espectador/a nenhum outro tipo de
interpretação, que não seja a desejada por seu corpo editorial.
O mais contraditório de tudo isso é que o posicionamento da imagem ao
nível do olhar permitiria uma relação de poder igualitária entre a imagem e o
produtor e o leitor. Aí, podemos inferir também a tentativa da revista, embora
o que já foi dito antes e tendo mesmo em vista o que já demonstramos, de
passar a ideia de imparcialidade, naturalizando um tipo de interpretação como
verdadeira, legítima.
Com o objetivo mesmo de conquistar sutilmente a adesão do leitor à
representação pretendida pela revista, qual seja a de um movimento raivoso
e, portanto, antipático, o produtor utiliza na composição da imagem muitos
elementos modais [quarto recurso da função interativa], como a alta saturação
da cor vermelha no lado direito da face do participante representado, causando um contraste, em que de um lado [o esquerdo], percebem-se inclusive os
poros da pele da face de Stédile, enquanto do outro [o direito] que está fortemente saturado, a face perde os detalhes, apesar da enorme proximidade do
ângulo em que a foto foi tirada.
A própria ausência de cenário é intencional para que o foco esteja somente sobre a imagem da face do líder do MST, além da grande luminosidade
e brilho, para dar destaque maior à representação imagética elaborada pela
revista.
Analisando a organização e combinação dos elementos visuais da imagem, sua composição apresenta uma estruturação forte, com um único participante destacado, Stédile, e com diversos elementos de saliência como o
tamanho da imagem exagerado, ocupando toda a capa, a saturação de cores,
contraste de tons, com um vermelho mais forte de um lado, maior brilho.
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Quanto aos valores informacionais, temos como dada a informação de que
existe uma esquerda com raiva, que seriam os seguidores de determinadas
doutrinas, particularmente, os líderes do MST. Aqui, a revista trabalha com a
mobilização de um discurso conservador recorrente que associa o comunismo
a tudo o que existe de ruim e mesmo a própria imagem criada por enunciados
como: “Os comunistas comem crianças”. Logo, a ideia de temor, raiva é mais
uma vez reiterada com relação aos representantes de uma esquerda comunista, como se apresenta textualmente na posição inferior esquerda da imagem:
“Inspirados por ideais zapatistas, leninistas, maoístas e cristãos...” Esta posição
inferior na imagem também caracteriza a informação como própria da realidade. Como informação nova, podemos analisar a imagem do líder do MST
como sendo o representante desta esquerda com raiva, como se a produção
editorial estivesse falando: “Você sabe que eles [comunistas] têm raiva. Veja
um exemplar deles.” Isso apesar da imagem de Stédile estar ocupando toda
a capa e não podermos caracterizá-la como ocupando simplesmente o lado
direito da capa da revista.
Nesta composição, tamanha a saliência da imagem analisada, detectamos
apenas o plano do real, que traz as informações textuais verbais sobre “a esquerda com raiva”. No plano do ideal, apenas se fôssemos considerar a capa da
revista em sua integralidade, perceberíamos com pouco destaque a chamada
de outras matérias da revista, caracterizando mais uma vez a centralidade dada
em sua edição à construção da identidade imagética do MST.
Como afirmam Caldas-Coulthard & Van Leeuwen (2004)23, “uma teoria semiótica social não pode estabelecer a verdade ou a inverdade absoluta das
representações. Este tipo de teoria só é capaz de mostrar se uma dada proposição é representada como verdadeira ou não”.
Desse modo fica clara a intencionalidade da revista em construir a imagem do MST e de seu líder como de entes temerosos e raivosos, através do
uso de todos os recursos imagéticos a sua disposição para a construção desta
interpretação por parte do leitor, ao representar sua proposição [da revista]
como verdadeira.
23
CALDAS-COULTHARD, C.R; LEEUWEN, T. “Discurso crítico e gênero no mundo
infantil: brinquedos e a representação de atores sociais”. Revista Linguagem em (Dis)curso,
volume 4, número especial, 2004, p. 21, http://www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/0403/01.htm, 02/06/2010.
Dantas, Ailton Claécio Lopes. O mst como ela quer que você Veja: uma análise multimodal
186 da representação do mst nas capas da revista veja
4. E qual a tática da Veja?
Morissawa (2001)24 lembra que a reportagem trazida nesta edição da
Veja, nº 1648, faz parte da estratégia geral do governo de isolar o movimento,
utilizando a imprensa neste período para veicular acusações contra o MST. É
nesta época que o presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que a morte
do sem-terra Antônio Tavares, no Paraná, deveria servir de alerta, numa clara
tentativa de intimidação do movimento. A matéria contida na revista, referente à capa teria sido encomendada pelo próprio Secretário de Comunicação da
presidência da República, Andrea Matarazzo, de acordo com denúncia anônima, em detalhes, que circulou pela internet, durante o mesmo mês de abril
de 2000.
A estrutura, de acordo com a função representacional, utilizada pela revista Veja para representar o MST na sua capa de 15/05/2000, edição 1648,
24
MORISSAWA, Mitsue. A história da luta pela terra e o MST. São Paulo: Expressão Popular,
2001.
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“A tática da baderna”, é a conceitual, uma vez que não é percebida a presença
de vetores, nem há participantes executando ações. O participante aqui representado, a bandeira do MST25, é mostrada através de um processo simbólico
atributivo, mostrando-se como portadora [carrier] de seus atributos possessivos, os símbolos do MST, conforme descritos no anexo I.
Quanto à função interativa, no que diz respeito ao recurso do contato,
a bandeira como participante representando na imagem apresenta-se em situação de oferta, uma vez que não é sujeito, mas objeto do olhar do observador.
É apresentada como elemento de informação ao qual se deve fazer a correspondência com o próprio MST. Como o texto verbal fala da tática da baderna,
o uso da bandeira como imagem representativa do movimento cumpre esse
papel, uma vez que sempre se faz presente nas lutas do MST e é ela própria
repleta de significados do movimento (vide anexo I).
O plano de apresentação da imagem é um plano médio (medium shot),
pois é representada a uma distância média do/a observador/a. Aparece o pano
da bandeira e parte do suporte que a segura, em ângulo frontal. Como recursos de modalidade, a imagem apresenta como técnica de perspectiva um cenário com pouco contraste, mas perceptível como sendo o campo, um território
rural. Isso é feito para que, apesar da contextualização do movimento como
rural, a bandeira apresente maior saliência.
Quanto ao aspecto composicional, mais uma vez a revista foca no plano do real, explorando as mensagens textuais verbais na parte inferior como
aliadas da imagem na construção de uma realidade como verdadeira. Não há
o uso da parte superior, como possibilidade de ideal. A imagem é apresentada
no eixo central, como o núcleo da informação.
Considerando que a imagem dialoga com o texto verbal, formando um
todo significante, a bandeira do MST, assim como seus símbolos, na composição entre texto verbal e não verbal, são construídos como instrumentos de
baderna. A palavra baderna é normalmente utilizada pelos meios de comunicação de massa para desqualificar qualquer tipo de protesto ou mobilização
questionadora da ordem.
25
A bandeira tornou-se símbolo do MST em 1987, durante o 4º Encontro Nacional. Ela está
presente nos acampamentos e assentamentos, em todas as mobilizações e lutas, nas comemorações e festas, nas casas dos que têm paixão pelo Movimento.
Dantas, Ailton Claécio Lopes. O mst como ela quer que você Veja: uma análise multimodal
188 da representação do mst nas capas da revista veja
Também há uma estruturação forte na composição da imagem, pois a
bandeira é destacada de todo o contexto, que seria o campo, apresentado sem
detalhes, em contraste com a forte saliência da bandeira e saturação de suas
cores, bem como identificação de diversas características específicas.
5. O fantástico reino de veja
A imagem do MST mostrada na capa de 18/06/2003, ed. número
1807, “A esquerda delirante”, é retratada através de uma estrutura representacional narrativa de reação não-transacional, pois há o vetor que parte do
olhar do participante representado, José Rainha [reator representado], líder do
MST, mas não é possível definir ao que ou a quem se dirige o olhar. Também
existe uma estrutura conceitual simbólica atributiva, em que José Rainha é o
portador do boné do MST [atributo possessivo], caracterizando-o, para quem
não o conhece, como um membro daquele movimento.
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Analisando os recursos da função interativa, o contato que se estabelece
é de oferta. A imagem é oferecida como objeto de informação. No caso, a informação de que José Rainha faz parte de uma esquerda delirante. Não é à toa
que seu olhar é mostrado sem rumo, sem direção, perdido. Está a serviço da
construção desta representação, para que seja interpretada desta forma.
A imagem é representada em plano fechado (close shot), numa relação de
proximidade que permita ao leitor observar as feições e, em detalhes, o olhar
de José Rainha.
O uso do ângulo oblíquo também serve ao propósito de alheamento da
realidade. Ocorre quando os planos deixam de ser tomados de frente, causados por um deslocamento, tornando a perspectiva oblíqua. O participante
é mostrado de perfil, estabelecendo uma relação de alheamento, “deixando
implícito que aquilo que vemos não pertence ao nosso mundo” (KRESS &
VAN LEEUWEN apud ALMEIDA, 2009)26. Dessa forma, a revista cria a
sensação de que o olhar de José Rainha está longe da realidade, assim como
seu movimento.
Assim como na capa de maio de 2000; nesta edição de 2003, há um
cenário apenas sugerido, quase sem contraste, em tons leves de verde, como
se fosse o campo, o meio rural. O foco, a saturação das cores, a luminosidade
repousam exclusivamente sobre o participante representado.
O valor de informação da imagem, de acordo com a função composicional, é estruturado na divisão entre esquerda e direita. Aqui, esta divisão é
notória, diferente das duas capas anteriormente analisadas, em que a imagem
encontrava-se centralizada.
A informação apresentada como dada é a do líder José Rainha e a informação nova (lado direito) é descrita no texto verbal, com o título: “A esquerda
delirante”. O texto logo abaixo que se segue é mostrado como sendo retirado
de uma página de conto de fadas ou narrativa de aventuras, inclusive se analisamos a tipografia da letra “P” em destaque no início do relato, típica destes
contos, em que a letra inicial é destacada das demais, e com um exagero em
suas formas.
26
ALMEIDA, D. B. L. Do texto às imagens: as novas fronteiras do letramento visual. In:
PEREIRA, R. C. ; ROCA, P. (orgs.) Linguística Aplicada: um caminho com diferentes acessos.
São Paulo: Contexto, 2009, p. 175.
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O texto verbal reforça esta construção quando afirma: “Para salvar os miseráveis dos desconfortos do capitalismo, o líder sem-terra José Rainha ameaça
construir no interior de São Paulo um acampamento gigantesco como o de Canudos, instalado há um século por Antônio Conselheiro no sertão da Bahia...”.
A forma como o relato é construído verbalmente também representa a
mesma fórmula das narrativas de aventura ou contos, em que estabelece um
herói que irá salvar os menos favorecidos. Faz ainda referências a um passado
relativamente longínquo no qual se inspiraria o herói, construindo uma compreensão deste como a de alguém afastado da realidade atual, mais complexa,
quase um Dom Quixote, que se inspirava nos cavaleiros andantes das histórias
de cavalaria. Reforça assim a ideia de delírio com relação aos propósitos do
MST e de seus líderes, aqui representados pela imagem de José Rainha.
O texto verbal é apresentado como informação nova para que o olhar do
leitor se dirija de maneira especial a ele, após apresentada a imagem, mesmo
porque há a presença de elementos imagéticos que tendem a ressaltar a sua
importância, conferindo-lhe saliência, como a folha destacada supostamente
de um relato fictício e a própria tipografia da letra “P” no relato.
Na imagem analisada não há objetos interligados. Ao contrário, há um
destaque na imagem de José Rainha e na página destacada de relato. Assim,
a estruturação imagética é forte, marcando a individualidade do participante
representado, José Rainha, líder do MST.
6. A tática da criminalização
Como resposta a um dos intertítulos deste artigo, indico como tática
da Revista Veja a criminalização do MST. Mais que subversivo, o movimento
agora é representado como uma organização que desvia dinheiro público e verbas estrangeiras para cometer crimes, como insinua a legenda abaixo do título:
“Abrimos o cofre do MST”, na edição nº 2128, da revista Veja, 02/09/2009.
Esta informação é também construída pela imagem do boné do MST
cheio de dinheiro nacional e estrangeiro – reais e dólares – na capa da revista e
mesmo em seu interior, quando da apresentação da reportagem naquela mesma edição, em que é apresentado um cofre, com o símbolo do MST ao fundo
e também repleto das mesmas cédulas.
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Esta imagem, assim como a capa e toda a matéria produzida na época, precisa ser compreendida no contexto em que recrudesce no Congresso
Nacional nova tentativa de abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de
Inquérito) para investigar o MST.
Quanto à estrutura representacional, ela é do tipo conceitual simbólica
atributiva. Não há ação, mas construção simbólica da representação. O boné
é apresentado como portador e o dinheiro nacional e estrangeiro – as notas
de dólares e reais – os atributos possessivos. Esta é a conexão estabelecida
pela imagem: a de um movimento “cheio da grana” em um país campeado
por injustiças sociais, entre as quais, a concentração fundiária. O objetivo da
imagem é de gerar o questionamento direto pelo/a leitor/a [observador/a] a
respeito de como um movimento de marginalizados/as pode ter tanto dinheiro, de onde viria e em que seria empregado.
Só pela imagem, já há uma sugestão de algo de errado. E sabendo ainda
o/a leitor/a que o MST reivindica mais recursos para a reforma agrária, leva
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a questionar-se para onde vai tanto dinheiro logo, pergunta-se a respeito da
possibilidade de desvio, mensagem desta vez explícita no texto verbal. É uma
operação com o intuito de conduzir o/a observador/a à leitura que interessa,
neste caso, à revista: a de que o MST é um movimento criminoso, corrupto.
Quanto ao contato, como recurso da função interativa, como não há o
vetor de olhar entre leitor/a e participante representado, inclusive porque não
se trata de elemento humano ou humanizado, a imagem se apresenta como
uma oferta ao leitor/a. É oferecida uma visão particular ao leitor/a: a elaborada
imageticamente pela revista que descrevemos acima.
Apesar da imagem do participante representado: o boné, ser mostrada
por inteira, a aproximação do plano da imagem com relação ao leitor, apresentando-a em destaque, mostra tratar-se de um plano médio, em que nem a
imagem do boné cheio de dinheiro ocupa toda a cena, nem se torna distante
do plano de visão do/a observador/a.
Quanto à perspectiva, a imagem é apresentada em ângulo frontal para
o/a leitor/a, posição que contribui para o compartilhamento da visão dos produtores da imagem pelo/a leitor/a.
No que se refere à modalidade, há uma descontextualização da imagem,
diante da ausência de um cenário, porém o reflexo da imagem do boné pela
iluminação do ambiente sugere uma ideia de transparência. A descontextualização parece proposital, pois se trata de uma descoberta, uma revelação que não
seria feita pelos integrantes do movimento, mas algo que lhes foi arrancado:
a verdade de que eles receberiam muito dinheiro que destinariam para outras
finalidades que não a reforma agrária. E o reflexo do boné, passando a ideia de
transparência, nitidez, inclusive pela tonalidade absolutamente controlada das
cores, em que o boné aparece em destaque diante de um fundo branco, reforça
o quadro imagético como representação verdadeira da realidade. A sua descontextualização serviria ainda para mostrar algo que até então não nos era conhecido como pertencente à nossa realidade, como algo que nos seria estranho.
Feita esta leitura inicial pelo observador/a, ele/a terá essa informação como
algo dado, pela posição que ocupa a imagem do boné na revista – o lado esquerdo – e como nova a informação de que agora é possível saber como o MST
desvia o dinheiro público, dito por escrito na mensagem logo abaixo do título
da manchete de capa. Já que agora o “cofre” do MST foi aberto. Como em
todas as capas em que a revista Veja retrata o MST, esta também não tem uma
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estruturação dividindo o plano topo/base com relação à imagem do movimento.
Como saliências, além do tamanho do boné, do seu reflexo no quadro
imagético, da nitidez no contraste entre as cores, é possível perceber uma marca tipográfica no nome do MST, em que o “S” de sua sigla é substituído
pelo “$”, representando dinheiro e reforçando, desta maneira, a representação
criada pela revista, com relação ao movimento. Pelas próprias saliências da
imagem do boné e seu destaque na capa, a imagem é apresentada como fortemente estruturada.
7. Considerações finais
As imagens que nos aparecem como dadas a consumir, são mostradas
como desprovidas de qualquer intencionalidade. No entanto, existem escolhas ideologicamente determinadas, que definem como tais imagens são
representadas. Portanto, a imagem, assim como o texto verbal, não pode ser
compreendida como uma mera representação do mundo real, mas como construída e construtora das representações deste mundo.
A GDV, nesta perspectiva, apresenta-se como uma ferramenta para que
possamos interpretar criticamente as imagens, sua produção e circulação.
As imagens utilizadas para representar o MST remetiam fundamentalmente aos seus símbolos – presentes na bandeira – e aos seus líderes, conectando-os a atributos imagéticos que servissem aos propósitos da revista, entre os
quais a de construir uma representação identitária do movimento como uma
organização raivosa, baderneira, delirante e criminosa, que saqueia os cofres
públicos, já que seu objetivo, de acordo com a revista, não seria a reforma
agrária. Esta seria apenas o pretexto para conseguir financiamento para seu
propósito último e verdadeiro, também apresentado como intento criminoso
pela revista: a revolução socialista.
Numa sociedade multissemiotizada, as imagens adquiriram um espaço e
poder ainda maiores na construção de significados. Assim, torna-se necessária
a leitura crítica dos textos multimodais, como forma de compreensão desta
nova realidade do mundo capitalista globalizado, em que as informações são
efêmeras e descartáveis, mas continuam construindo formas de representação,
assim como são constituídas, numa relação dialética.
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Anexo I
Significado das cores e desenhos da bandeira do MST:
cor vermelha: representa o sangue que corre nas veias e a disposição de lutar
pela Reforma Agrária e pela transformação da sociedade.
cor branca: representa a paz pela qual lutam e que somente será conquistada
quando houver justiça social para todos.
cor verde: representa a esperança de vitória a cada latifúndio que conquistam.
cor preta: representa o luto e a homenagem a todos os trabalhadores e trabalhadoras que tombaram, lutando pela nova sociedade.
mapa do Brasil: representa que o MST está organizado nacionalmente e que
a luta pela Reforma Agrária deve chegar a todo o país.
trabalhador e trabalhadora: representa a necessidade da luta ser feita por
mulheres e homens, pelas famílias inteiras.
facão: representa as ferramentas de trabalho, de luta e de resistência.
Fonte: www.mst.org.br
MST AS THEY WANT YOU TO SEE: A MULTIMODAL
ANALYSIS OF THE REPRESENTATION OF MST IN THE
FRONTPAGES OF VEJA MAGAZINE
ABSTRACT: This article presents an analysis of the
frontpages of Veja magazine, in which MST (Movement of Rural Workers without land) are depicted.
To analyze the images of MST in these multimodal
texts, we used as theoretical background Kress & Van
Leeuwen’s Grammar of Visual Design (2000), with its
representational, interactive and compositional metafunctions as a tarting point.
KEYWORDS: MST; Veja; multimodal texts.
Recebido em: 30/09/11
Aprovado em: 15/05/12
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