XVIII Encontro de Iniciação à Pesquisa Universidade de Fortaleza 22 a 26 de Outubro de 2012 ANÁLISE DAS METÁFORAS CONCEITUAIS NA CONSTRUÇÃO DA REPRESENTAÇÃO SOCIAL DE POBREZA EM NOTÍCIAS DE JORNAIS. 2 3 Tiago Alves Nunes* (IC), Gênesson Johnny Lima Santos (IC), Lívia Márcia Tiba Rádis Baptista (PQ). 1. Universidade Federal do Ceará – PIBIC/CNPq 2. Universidade Federal do Ceará – PIBIC/UFC 3. Universidade Federal do Ceará – PPGL/DLE [email protected] Palavras-chave: Noticia. Metáforas Conceituais. Representação Social. Pobreza. Resumo Nos últimos anos, da década de 1990 para os dias atuais, nota-se um acentuado interesse por questões relacionadas à pobreza não apenas pelos fazedores de política, mas também por acadêmicos de diferentes áreas que, de um modo ou de outro, estão envolvidos com o tema e motivados, talvez, pela busca de respostas ou por um melhor entendimento do fenômeno. Pretende-se, com o presente trabalho, investigar os processos discursivos envolvidos na construção das representações da pobreza na Argentina. Serão utilizadas, como vetor de representações, as metáforas conceituais presentes no corpus, composto de 28 notícias publicadas nos periódicos El Clarín e La Nación, na versão eletrônica, entre 01 de janeiro de 2007 e 31 de dezembro de 2008, período de transição dos Governos Kirchner. Esta pesquisa insere-se no método qualitativo e identifica-se com a perspectiva dos Estudos Críticos do Discurso (ECD) proposta por van Dijk (1990, 2005, 2008). Com base na análise do corpus, sugere-se a hipótese de que é construída uma representação de pobreza não como o resultado de um processo social de acumulo de capital historicamente determinado, mas como um “acidente de percurso”, como uma fatalidade, como um indivíduo que tem existência própria e tende a ser ameaçador ou, num extremo, como uma mera violação de preceitos morais e religiosos. Em suma, de uma forma ou de outra, essa representação tenta descaracterizar a pobreza como uma das consequências do mal “funcionamento” do capitalismo ou como consequência da má distribuição de renda. Introdução Pesquisadores como Jorge Augusto Paz (2010), um dos investigadores-membros do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO), afirmam que durante os últimos anos e devido, talvez, à necessidade de apresentar respostas a um dos principais problemas que enfrenta o mundo, em geral, e a América Latina, em particular, a questão da pobreza começa a fazer parte não apenas do debate de políticos, mas também de acadêmicos e de outros atores sociais envolvidos, de um modo ou de outro, com o assunto. ISSN 18088449 1 Na América Latina, a crescente preocupação com a pobreza está relacionada à tentativa de cumprir os “Objetivos para o Desenvolvimento do Milênio” (ODM), um documento elaborado pela ONU (Organização das Nações Unidas) que estabelece como meta primária a redução da pobreza pela metade entre 1990 a 2015. Tal meta reflete-se nos primeiros programas dirigidos à pobreza, os chamados PTC (programas de transferências monetárias condicionadas), surgidos em fins da década de 1990. Os países pioneiros a implantarem esses PTC foram o Brasil (1996), o México (1997) e Honduras (1998). Nos outros países latinoamericanos a implantação dos chamados PTC só foram implantados a princípio da década de 2000. Segundo Cruces, Epele e Guardia (2008), na Argentina especificamente, o Programa “Jefes de Hogar” (PJH), criado durante o Governo Kirchner, entrou em vigor no final de 2002, justamente porque, entre o ano de 2000 e 2002, cerca de um quarto da população argentina não contava com uma renda suficiente para obter a cesta básica de produtos alimentares. Entre 2007 e 2008 a questão da pobreza volta a ser o foco das atenções políticas na Argentina. Desta vez a questão não girava em torno de um novo programa, lançado pelo governo a fim de cumprir com o acordo estabelecido pela ONU (de redução da pobreza até 2015) por meio dos ODM, mas em torno da polêmica de uma suposta manipulação dos índices de pobreza numa pesquisa realizada pelo INDEC (Instituto Nacional de Estadística y Censo), estatal argentina, que apresentava uma redução da pobreza naquele país. Diversos órgãos, entre não governamentais e privados, entraram na discussão e a polêmica repercutiu nos debates eleitorais da época e ganhou destaque, obviamente, na imprensa e na mídia local. E, como se sabe, a mídia, melhor dito, os sujeitos que a integram, possui um poder simbólico, não um poder individual, mas um poder como posição social, já que os indivíduos que o detêm possuem acesso preferencial aos recursos materiais e simbólicos. Ter o controle do discurso público é ter o controle da mente deste público e, consequentemente, o controle das vontades/desejos das pessoas. Em suma, uma vez controlada a mente, controladas estarão também as ações (Van DIJK, 2008). E o jornalista, como pertencente à elite simbólica, assim como professores, políticos, sacerdotes, etc. possui um papel importantíssimo dentro de uma sociedade, qual seja, o de informar os fatos da realidade, representando-os também. Objetivamos, com o presente trabalho, investigar os processos discursivos envolvidos na construção da representação social da pobreza na Argentina. A análise centra-se nas metáforas conceituais mais recorrentes em notícias publicadas nos periódicos El Clarín e La Nación na versão eletrônica, uma vez que a internet, além de estar entre as mídias de comunicação que mais cresceram nos últimos anos, configura-se como uma mídia alternativa por ser mais moldável às necessidades periodísticas e por ser capaz de acrescentar uma massa de público potencial, como nos diz Cardoso (2007). Em termos de relevância científica e social, esta pesquisa contribui para a compreensão genérica do fenômeno pobreza por outras perspectivas (pela perspectiva crítica, pela perspectiva discursiva e pela perspectiva cognitiva). Ela nos ajuda a entender aspectos conceptivos e ideológicos que constroem e permeiam dada representação social desse objeto, auxiliando-nos a perceber e discutir sobre os possíveis motivos, as possíveis consequências e as possíveis intenções que implicitamente constroem e permeiam, por meio do discurso, determinada representação social de pobreza. Esta pesquisa está vinculada a um projeto maior intitulado REPRESENTAÇÕES E PRÁTICAS DISCURSIVAS E SOCIAIS CONTEMPORÂNEAS: UMA PROPOSTA MULTIDISCIPLINAR (Parte I), cujo principal objetivo é a investigação dos processos discursivos envolvidos na construção de determinadas representações sociais. ISSN 18088449 2 Metodologia Esta pesquisa insere-se no método qualitativo e identifica-se com a perspectiva dos Estudos Críticos do Discurso (ECD) proposta por van Dijk (1990, 2005, 2008). Quanto à sua natureza, constitui-se em um estudo interpretativo em conformidade com o método “análise do conteúdo” cujo objetivo “é compreender criticamente o sentido das comunicações [oral, visual, gestual, etc. reduzidas a um texto ou documento], seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explicitas ou ocultas” (CHIZZOTTI, 2006, p.98). Como podemos perceber o próprio objetivo do método denominado “análise do conteúdo” casa-se com o objetivo principal da pesquisa, que já foi mencionado anteriormente, sendo esta a justifica de sua escolha. Em termos de análise de dados, este trabalho configura-se como uma pesquisa intuitiva, que tem como método de abordagem o indutivo, já que pendemos para a generalização como um produto do trabalho de coleta e interpretação de dados particulares. Quanto a sua finalidade, trata-se de uma pesquisa descritiva por propor uma análise descritiva do discurso midiático-jornalístico e de seu contexto. O corpus desta investigação é composto de documentos provenientes de comunicação de massa, no caso notícias publicadas nos jornais argentinos El Clarín e La Nación. Desse modo, os textos a serem analisadas estão em formato digital nos sites oficiais dos periódicos mencionados e perfazem um total de 28 notícias, que foram codificadas da seguinte forma: N + NÚMERO. A atribuição numérica é cardinal e se deu aleatoriamente. No que concerne à escolha dos periódicos, tanto o El Clarín quanto o La Nación estão entre os mais importantes daquele país e, portanto, os mais lidos e mais influentes. A escolha desse tipo de corpus deveu-se ao fato de os “documentos de comunicação de massa constituírem importante fonte de dados para a pesquisa”, uma vez que “possibilitam ao pesquisador conhecer os mais variados aspectos da sociedade atual” (GIL, 1999, p.164). Além disso, em termos sociodiscursivos, os textos que circulam nos “meios de comunicação de massa são os mais penetrantes, se não [os] mais influentes, a se julgar pelo critério de poder baseado no número de receptores” (van DIJK, 2008, p.73), visto ser o discurso uma forma de ação social. Para selecionarmos as notícias que integrariam o corpus desta pesquisa, dois critérios foram utilizados. O primeiro deles diz respeito às notícias que foram publicadas nos referidos jornais eletrônicos entre 01 de janeiro de 2007 e 31 de dezembro de 2008, período de transição dos Governos Kirchner. Em suma, notícias sobre pobreza publicadas nesses jornais eletrônicos no período compreendido entre o último ano do governo de Nestor Kirchner (2007) e o primeiro ano do governo de Cristina Kirchner (2008). O segundo critério trata-se da seleção das notícias por assunto, mediante a utilização do recurso de busca dos dois sites a partir da digitalização da palavra-chave “pobreza”. Após a coleta e seleção do corpus, realizamos uma pré-analise a partir de uma leitura flutuante com o intuito de entendermos, de modo geral, o conteúdo das notícias e de formularmos hipóteses e inferências preliminares. Em seguida, identificamos as unidades léxicas que constituíam as metáforas conceituais ― assunto que será mais bem tratado a posteriori ― realizando, na sequência, um mapeamento processado a partir dos domínios fonte e alvo. Esse mapeamento conceitual das metáforas nas notícias será apresentado em CAIXA ALTA. Resultados e Discussão Nessa pesquisa, trabalhamos com a perspectiva crítica de Análise do Discurso, doravante AD, proposta por van Dijk (1990, 2005, 2008). O referido pesquisador prefere denominar sua linha teórica de Estudos Críticos do Discurso (ECD). Vejamos por quais razões. ISSN 18088449 3 Segundo van Dijk (2008), os ECD não são um método de análise do discurso, como se crê em algumas áreas do saber, especialmente nas Ciências Sociais; ou seja, não existe esse tipo de método. “Os ECD usam qualquer método que seja relevante para os objetivos dos seus projetos de pesquisa e tais métodos são, em grande parte, aqueles utilizados em estudos de discurso em geral” (idem, p. 10). Da mesma forma, o teórico afirma que nem mesmo a AD em si é um método, ela é um domínio de práticas acadêmicas, é um estudo transdisciplinar que transita por todas as ciências humanas e sociais. Os ECD estão interessados em estudar a reprodução discursiva de abuso de poder e desigualdade social, sendo que nossa pesquisa se enquadra neste círculo de discussão. Convém resaltar que o tipo de poder aqui utilizado não é o de um indivíduo, e sim o poder de uma posição social, o poder simbólico. Assim sendo, o estudo analítico com base nos ECD propicia conhecimentos sobre a importância do discurso na (re)produção da dominação e sobre o modo como esse abuso de poder pode desembocar desigualdade social e representações. Desse modo, a linguagem é o meio pelo qual esse abuso de poder é instaurado. Van Dijk (2008) trabalha num triângulo conceitual que organiza sociedade, cognição e discurso, ou seja, analisa sócio-cognitivamente o discurso. “A cognição pessoal e social sempre media a sociedade ou as situações sociais e os discursos” (idem, p.26). Em suma, as atitudes, as ideologias, os esquemas metais e as representações são o que afeta os discursos e as práticas sociais dos indivíduos, noutros termos, os sistemas de crenças são compartilhados por um grupo de atores sociais. Em relação à Teoria das Representações Sociais (TRS), vale destacar que referida teoria foi elaborada por Serge Moscovici e foi inaugurada com a publicação da obra A Representação Social da Psicanálise (La psychanalyse, son image et son public), no ano de 1961. Moscovici elabora o conceito de representação social (RS) a partir do conceito de representação coletiva (RC) de Durkheiniano. Para este, as RC eram um conjunto de crenças e conhecimentos (religião, ideologias etc.) independente do indivíduo. Desse modo, Moscovici prefere utilizar o adjetivo “social” em vez de “coletiva”. Em termos gerais, podemos dizer que representações sociais, na visão de Moscovici (2009), são o conjunto de explicações, crenças e ideias que nos permitem evocar um dado acontecimento, pessoa ou objeto. São resultantes da interação social e têm como uma de suas finalidades tornar familiar algo não familiar, isto é, uma alternativa de classificar, categorizar e nomear novos acontecimentos e ideias, com os quais não tínhamos contato ou não estávamos habituados, possibilitando, assim, a compreensão e manipulação destes a partir de ideias, valores e teorias já pré-existentes, internalizadas por nós e amplamente aceitas pela sociedade. A pobreza é um tema do qual se tem falado bastante no mundo, não somente no que concerne às teorias, mas também no que concerne às políticas sociais de erradicação. Elegemos a “pobreza” como objeto de representação por dois motivos: primeiro, por ser um tema de relevância social e acadêmica, bastante discutido e pesquisado; segundo, porque há muitas pesquisas no que diz respeito às causas sociais, no entanto são escassas as que investigam as representações desse fenômeno em um contexto específico, no caso a mídia, e é por esse caminho que pretendemos seguir. Além disso, a pobreza é um objeto de senso comum, que rodeia o universo comunicativo nos países desenvolvidos e mais fortemente nos subdesenvolvidos, visto que são estes os que mais sofrem com a situação. A pobreza “se encontra implicada de forma consciente” (SÁ, 1998, p. 50) nas práticas de nosso grupo em questão, qual seja, os periódicos. A representação, como diz Sá (idem), que liga o sujeito ao objeto é um saber efetivamente praticado, que acontece no cotidiano desse grupo/sujeito. E para chegarmos à representação social de pobreza vinculada nos jornais argentinos El Clarín e La Nación, utilizamos como vetor de representação as metáforas conceituais. ISSN 18088449 4 A Teoria da Metáfora Conceitual (TMC) foi formulada no final da década de 1970 por George Lakoff e Mark Johnson e sua divulgação se deu em 1980 com a publicação do livro Metaphors We Live By, dos referidos pesquisadores. De acordo com essa teoria, a metáfora é uma representação mental, portanto ela é cognitiva, pois existe na mente e atua no pensamento. Conforme essa teoria, o acesso às metáforas conceituais se dá de forma automática, ou seja, não é necessário esforço para compreendê-las, uma vez que a expressão metafórica aciona imediatamente a metáfora conceitual correspondente na mente do indivíduo. (SARDINHA, 2007, p.32-33). Elas foram denominadas conceituais por ser parte importante e indispensável na forma como o indivíduo usualmente conceitualiza o mundo. Seu uso e sua compreensão são inconscientes, porque são culturais, isto é, estão arraigadas à cultura de um povo e refletem a ideologia e o modo como uma determinada sociedade concebe e organiza o mundo. Na TMC de Lakoff e Johnson (1998), as metáforas não se configuram como algo exclusivo de poetas e literatos, pois elas também permeiam a linguagem comum, ou seja, estão presentes na linguagem cotidiana. Além disso, enquanto que na visão tradicional as metáforas tinha como “sede” a expressão linguística, nessa teoria é o pensamento que ocupa essa posição. Nessa teoria, as metáforas conceituais se concretizam por meio das expressões linguísticas, estejam essas expressões na modalidade oral ou escrita. Elas se processam mediante um mapeamento, que pode ser compreendido como uma espécie de “transferência” do conhecimento de um domínio-fonte para um domínio-alvo. O primeiro comporta conceitos que são compreendidos a partir de experiências mais concretas, de base perceptual, sendo essas experiências o alicerce para sua organização. Já o segundo tende a ser mais abstrato justamente porque busca definir conceitos e/ou categorias abstratas a partir do primeiro. Tomaremos como exemplo uma metáfora bastante recorrente no corpus da pesquisa: POBREZA É PRIVAÇÃO. Baseando-se em experiências psicofísicas, o indivíduo qualificará, nesse caso, que alguém é pobre se estiver privado de exercer certos “direitos” considerados básicos para a manutenção da vida humana. Nesse caso, o domínio-fonte comportaria experiências e conceitos relacionados a um não acesso a esses “direitos” que parte de dois níveis: (1) de um âmbito psíquico (não acesso à educação, ao conhecimento, ao lazer etc.), e (2) de um âmbito físico/material (não acesso à alimentação, à vestimenta, à água potável etc.). Desse modo, o indivíduo “transfere” ao domínio-alvo todo esse conhecimento empírico, que é mais concreto, para definir e conceituar algo que é mais abstrato (POBREZA). O seguinte quadro sintetiza as metáforas conceituais mais recorrentes no corpus e apresenta exemplos de suas respectivas expressões metafóricas. É por meio delas que se ecoa a representação social de pobreza, na Argentina, vinculada nas notícias analisadas. Metáfora conceitual POBREZA É OBJETO FÍSICO NÃO CONTÍNUO POBREZA É DOENÇA POBREZA É LUGAR POBREZA É UM ADVERSÁRIO POBREZA É PRIVAÇÃO Exemplos de expressões metafóricas “la oposición ahora cuestiona cómo se mide la pobreza” (N3). “el INDEC mide dos veces al año la pobreza” (N9). “empezamos a percibir algunos síntomas de pobreza que en los últimos años había desaparecido” (N4). “el 17,8% (7,1 millones) de los argentinos vivía en la pobreza” (N6). “en seis meses cayeron en la pobreza 42.000 personas” (N15). “profundidad de pobreza mayor” (N7). “la lucha contra la pobreza debería pasar fundamentalmente por una política para la estabilización de los precios” (N15). "una persona que no cuenta con los recursos económicos para acceder a defender su posición ante la Justicia" (N20). Quadro 1: Metáforas conceituais e expressões metafóricas. ISSN 18088449 5 Conclusão A partir da análise pudemos concluir que a representação de pobreza vinculada nas notícias analisadas, que foram publicadas durante o período de transição do Governo Kirchner, direciona a uma concepção de pobreza não como um problema socioeconômico, mas, principalmente, como um problema moral, clínico, bélico etc., de qualquer outra natureza não sendo prioritariamente a socioeconômica. Ao caracterizar a pobreza como um lugar, pessoas são enquadradas em um espaço determinado a elas. Entretanto, não se pode viver ou morar na pobreza, porque nossa “casa” nos identifica e nos localiza no espaço. Além disso, de um modo ou de outro, o lugar onde residimos reflete uma das muitas escolhas que fazemos em nossas vidas e ninguém escolhe viver na pobreza, nenhum indivíduo escolhe ser pobre. No caso da privação dos bens simbólicos e, principalmente, dos bens de consumo, este é o aspecto que mais se evidencia, e de forma quase automática, quando se fala de pobreza ou quando se tenta “definir” pobreza. Outro ponto bastante relevante diz respeito ao contexto no qual essa representação de pobreza é construída. O problema surge como um “instrumento” político de defesa e ataque em meio a uma disputa eleitoral. Percebeu-se, portanto, que essa representação vinculada nas notícias aponta para uma realidade aparente sobre a pobreza, evidencia as ideologias (políticas, religiosas, culturais etc.) que as permeiam e as constroem, assim como se revela um mero instrumento que confere vantagem tanto no ataque, quanto na defesa em uma disputa de poder, em uma disputa pelo controle do poder. Referências CARDOSO, G. A mídia na sociedade em rede. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2006. 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São Paulo: Contexto, 2008. Agradecimento Agradecemos ao CNPq e à Universidade Federal do Ceará (UFC) pelo financiamento concedido, respectivamente, a Tiago Alves Nunes e a Gênesson Johnny Lima Santos. Agradecemos à professora Drª Lívia Rádis Baptista, orientadora da pesquisa, pela oportunidade da bolsa Pibic 2011-2012. Agradecemos também a todos os integrantes do grupo de pesquisa Escrid pelo acolhimento. ISSN 18088449 6