64º Congresso Nacional de Botânica
Belo Horizonte, 10-15 de Novembro de 2013
ADAPTAÇÃO ESTRUTURAL, ECOFISIOLÓGICA E NUTRICIONAL DE
FOLHAS DE Cordia superba (BORAGINACEAE) EM MATAS CILIARES
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Carlos E. S. Sanches¹*, Guilherme R. Rabelo , Saulo F. Pireda , Ângela P. Vitória , Maura Da Cunha
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Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. *[email protected]
Introdução
A degradação acelerada da Floresta Atlântica vem
causando diversos problemas ao meio ambiente [1], como
os relacionados à redução das matas ciliares, as quais
representam formações florestais situadas às margens de
ambientes aquáticos e se destacam pela riqueza,
diversidade genética e papel na proteção dos recursos
hídricos e fauna [2]. Organizações não-governamentais
como o Projeto Piabanha agem em prol do
reflorestamento dessas matas, onde é encontrada uma
grande diversidade de famílias botânicas, como
Boraginaceae [3]. Cordia superba Cham. é uma espécie
desta família cujos indivíduos da área de estudo possuem
altura entre 7 a 10 m e tronco com 20 a 30 cm de
diâmetro. Assim, o presente trabalho objetiva caracterizar
os aspectos estruturais, ecofisiológicos e nutricionais de
Cordia superba em mata nativa e em mata reflorestada da
região do Médio Paraíba no Estado do Rio de Janeiro.
Metodologia
O material botânico foi coletado na Estação Experimental
de Itaocara-RJ, cujo clima local pode ser classificado
como Aw e a fitogeografia é caracterizada como floresta
estacional semidecidual. Para as análises anatômica e
morfológica, cinco folhas de sol e cinco de sombra
completamente expandidas da mata nativa e da mata
piabanha (reflorestada) foram coletadas e processadas de
acordo com as técnicas usuais de anatomia vegetal. Para
a análise ecofisiológica, foi feita a estimativa de clorofila
total no campo, acompanhamento dos parâmetros de
emissão de fluorescência da clorofila a e medidas do
conteúdo dos pigmentos fotossintéticos em laboratório em
cinco folhas de sol e de sombra completamente
expandidas em cada um dos indivíduos das duas áreas e
em três horários diferentes (9h, 12h e 15h). Para
realização das análises nutricionais, foi coletado cerca de
500g de folhas de sol e de sombra em três indivíduos da
mata nativa e da mata piabanha para quantificação dos
valores de carbono (C), nitrogênio (N) e fósforo (P). Para
verificação da significância dos dados, foram utilizados
testes paramétricos e testes não paramétricos.
Resultados e Discussão
Análises revelaram que C. superba exibe folhas com
características qualitativas semelhantes em ambas as
áreas. O pecíolo apresenta-se circular; epiderme
uniestratificada pilosa; córtex de 6 a 12 camadas de
colênquima angular e 8 a 15 camadas de parênquima
fundamental. Sistema vascular em feixes colaterais
formando círculo não contínuo próximo ao caule e meia
lua próximo a folha e parênquima medular. Lâmina foliar
hipoestomática com estômatos anomocíticos; tricomas
glandulares e tectores; superfície adaxial e abaxial com
paredes anticlinais sinuosas e com uma grande
quantidade de micro-organismos; cutícula ornamentada
com camada de cera epicuticular do tipo crosta; epiderme
estratificada côncavo-convexa com parede periclinal
externa espessa; mesofilo dorsiventral; parênquima
paliçádico com uma a duas camadas de células e
lacunoso com quatro a seis camadas. Testes
histoquímicos nos tricomas glandulares revelaram lipídeos
e compostos fenólicos; compostos fenólicos e óleos
essenciais na epiderme adaxial; parede periclinal externa
com regiões lipídica, externamente, e polissacarídica
internamente. Com relação às análises anatômica e
morfológica, as folhas de sol e de sombra do setor
piabanha apresentaram plasticidade para quase a
totalidade das características analisadas, enquanto o
mesmo não foi observado na área de mata nativa. Com
relação às análises ecofisiológicas, não foi verificado
danos ou inativação dos centros de reação do PSII, ou
seja, não foi evidenciado condição de estresse
fotoquímico. No referente a análise de pigmentos, apenas
a razão entre clorofila a e clorofila b (Clo a/b) apresentou
diferença significativa, revelando-se maior nas folhas de
sombra da mata piabanha que nas folhas de sombra da
mata nativa. Com relação à análise de nutrientes, folhas
da mata nativa apresentou maior quantidade de carbono
que as folhas da mata piabanha.
Conclusões
As folhas dos indivíduos de C. superba, em geral,
apresentam modificações estruturais adaptativas em
resposta à variação quantitativa e qualitativa de radiação
local dominante. Com base nos resultados obtidos, é
possível sugerir que C. superba pode ser utilizada em
práticas de recuperação de áreas degradadas, sob
diferentes condições de luminosidade, visto que a espécie
apresentou capacidade de aclimatação nas variadas
condições de luz às quais foi exposta.
Agradecimentos
Ao órgão de fomento CAPES, FAPERJ e CNPq e aos
laboratórios de Ciências Ambientais e Laboratório de
Biologia Celular e Tecidual e ao Centro de Biociência e
Biotecnologia/UENF.
Referências Bibliográficas
[1] Ribeiro, M. C.; Metzger, J. P., Martensen, A. C.; Ponzoni, F.
J.; Hirota, M. M. 2009. The Brazilian Atlantic Forest: How much is
left, and how is the remaining forest distributed? Implications for
conservation. Biological Conservation 142(6): 1141-1153.
[2] Carvalho, A. R.; 1996. Avaliação de qualidade da água e da
interação entre o ecossistema aquático e o ecossistema
terrestre em dois afluentes do Rio Jacaré– Guaçu, na APA
Corumbataí
(Itirapina/SP). Dissertação
(mestrado
em
Engenharia Ambiental) – Universidade de São Paulo, São Carlos
– SP p 115.
[3] Metcalfe, C. R.; Chalk, L. 1957. Anatomy of the
Dicotyledons. Leaves, stem, and wood in relation to
taxonomy with notes on economic uses. Oxford, Clarendon
Press. Volume II p 945-947.
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