Reginaldo de Oliveira Santos APLICAÇÃO DA MOTIVAÇÃO PARA OBTENÇÃO DE UM SISTEMA DE TRABALHO DE ALTO DESEMPENHO NA VOLKSWAGEN DO BRASIL – UNIDADE DE TAUBATÉ TAUBATÉ-SP 2004 Reginaldo de Oliveira Santos APLICAÇÃO DA MOTIVAÇÃO PARA OBTENÇÃO DE UM SISTEMA DE TRABALHO DE ALTO DESEMPENHO NA VOLKSWAGEN DO BRASIL – UNIDADE DE TAUBATÉ Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do Certificado de Especialização em Gestão Industrial do Departamento de Economia, Contabilidade e Administração da Universidade de Taubaté. Orientador: Prof. Dr. Edson Aparecida de Araújo Querido Oliveira Co-orientadora: Prof. MBA Vilma da Silva Santos TAUBATÉ-SP 2004 REGINALDO DE OLIVEIRA SANTOS APLICAÇÃO DA MOTIVAÇÃO PARA OBTENÇÃO DE UM SISTEMA DE TRABALHO DE ALTO DESEMPENHO NA VOLKSWAGEN DO BRASIL – UNIDADE DE TAUBATÉ. UNIVERSIDADE DE TAUTATÉ, TAUBATÉ-SP DATA: __________________________________ RESULTADO: ____________________________ COMISSÃO JULGADORA Professor MBA Paulo Remi Guimarães Santos (Presidente) Assinatura: ______________________ Professor Mestre Norio Ishisaki Assinatura: ______________________ Professor Mestre Mario Celso de Felippe Assinatura: ______________________ Professora MBA Vilma da Silva Santos Assinatura: ______________________ Dedico este trabalho ao meu pai Reinaldo de Oliveira Santos, a minha mãe Maria de Oliveira Santos e aos meus irmãos Lucilene Maria de Oliveira Santos, Silvia Helena Braz Pazzini e Adalberto de Oliveira Santos. Dedico minha também a namorada Milena Fernandes que muito contribuiu para que este trabalho se tornasse realidade. AGRADECIMENTO Agradeço em primeiro lugar a DEUS pela saúde, força e dedicação que me destes para que pudesse finalizar o curso de Especialização, apesar de todas as dificuldades e limitações que defrontei no decorrer destes dezesseis meses. Agradeço em especial a VOLKSWAGEN DO BRASIL pela oportunidade de adquirir mais conhecimentos. A UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ pela disposição do espaço físico para que fosse administrada a troca de informações. Ao meu ORIENTADOR e professor Dr. Edson Aparecida de Araújo Querido Oliveira, pela força, dedicação, paciência e empenho na realização deste trabalho. A minha CO-ORIENTADORA e professora MBA Vilma da Silva Santos pela atenção e disposição com que me auxiliou no momento em que estava desorientado e que, apesar da sua escassez temporal, não faltou em nenhum momento comigo. Por fim, as FUNCIONÁRIAS DA BIBLIOTECA pelo auxilio na realização da ficha catalográfica. SANTOS, Reginaldo de Oliveira. Aplicação da motivação para obtenção de um sistema de trabalho de alto desempenho na Volkswagen do Brasil – Unidade de Taubaté. 2004. 50 f. Monografia (Especialização em Gestão Industrial) – Departamento de Economia, Contabilidade e Administração, Universidade de Taubaté, Taubaté, 2004. RESUMO O objetivo deste trabalho é a aplicação da motivação para obtenção de equipe de alto desempenho na Volkswagen do Brasil – Unidade de Taubaté. E para atingir tal objetivo, necessitou-se da realização de uma revisão bibliográfica onde estão presentes relatos sobre vida e obra dos precursores da administração como Taylor e Fayol, e também, diversos autores, grandes administradores e estudiosos da motivação que relatam as diversas teorias relacionadas à motivação profissional e os níveis de hierarquia. Estes autores, entretanto, adotam a hierarquia de necessidades de Maslow como alicerce para todo o sistema motivacional, porém, relatam a existência e aplicabilidade de outros modelos de hierarquia. Para a complementação deste trabalho, foi realizado um estudo de caso na empresa Volkswagen do Brasil – Unidade de Taubaté, onde se propôs um modelo de motivação e desempenho constituído por três resultados interligados em quatro passos, formando um ciclo, cujo enfoque consiste na necessidade da aplicação de estímulo, capazes de gerar fatores motivacionais que são indispensáveis para a obtenção de equipe com alto desempenho. Palavra-chaves: motivação profissional; desempenho; modelo motivacional. SANTOS, Reginaldo de Oliveira. Application of inducement to have a high qualification work system at Volkswagen in Brazil – Taubaté Unity. 2004. 50 f. Monograph (Specialization, Industrial Management) - Economy, Accounting and Administration Department - ECA, University of Taubaté, Taubaté- BRAZIL. ABSTRACT The goal of this search is the application to have a group with high qualification at Volkswagen in Brazil – Taubaté Unity. And to get this goal, we needed to review the bibliography where there are reports about founder’s life of administration, as Taylor and Fayol, and also, several authors, important administrator and good students of the motivation that show us the several theories about professional motivation and the level of hierarchy. These authors use the hierarchy’s needs of Maslow as base to all the motivation system, so, they tell us about the existence and applicability of other models of hierarchy. For the complement of this issue, we did a study about Volkswagen’s industries in Brazil – Taubaté Unity, where they propose a model of motivation and qualification having three results among them, in four ways, making a cycle which goal is the necessity of application of motivation and goad, which bring motivation factures that are indispensable to have a group with high qualified people. Key words: professional motivation; accomplishment; motivation model. SUMÁRIO CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 1.1 Objetivo do Trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 1.2 Importância do Tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 1.3 Limitação do Trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 1.4 Metodologia da Pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 1.5 Estrutura do Trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 CAPÍTULO 2 - REVISÃO DA LITERATURA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 2.1 Conceito de Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 2.1.1 Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 2.1.2 Fayol . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 2.2 Teoria da Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .16 2.2.1 Teorias da Motivação de Conteúdo Estático . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 2.2.1.1 Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow . . . . . . . . .16 2.2.1.2 Teoria ERC de Clayton Alderfer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 2.2.1.3 Teoria das Necessidades Socialmente Adquiridas de McClelland . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 2.2.1.4 Teoria dos Dois Fatores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 2.2.2 Teoria de Processo da Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20 2.2.2.1 Teoria das Expectativas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20 2.2.2.2 Teoria da Motivação Pelo Caminho-Meta . . . . . . . . . . . . . . . .21 2.2.2.3 Teoria do Estabelecimento de Metas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 2.2.2.4 Teoria da Eqüidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .22 2.2.3 Teoria da Motivação Baseada no Ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 2.2.3.1 Teoria do Condicionamento e Reforço Operante . . . . . . . . . . .23 2. 3 Necessidades Humanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 2.3.1 Hierarquia das Necessidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24 2.3.2 Hierarquia de Maslow . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .25 2.3.2.1 Necessidade Fisiológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 2.3.2.2 Necessidade de Segurança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 2.3.2.3 Necessidade de Participação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26 2.3.2.4 Necessidade de Auto-Estima . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26 2.3.2.5 Necessidade de Auto-Realização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 2.3.3 Outros Modelos de Hierarquia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 2.4 Predominância de Necessidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 CAPÍTULO 3 - MOTIVAÇÃO E SISTEMAS DE TRABALHO DE ALTO DESEMPENHO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30 3.1 Modelo de Motivação e Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 3.1.1 Visão Geral do Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 3.2 Melhoria dos Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .32 3.2.1 Primeiro Resultado: Desejo de Desempenhar . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 3.2.2 Segundo Resultado: Esforço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 3.2.3 Terceiro Resultado: Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 3.3 Sistema de Trabalho de Alto Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33 3.3.1 Pagamento por Mérito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 3.3.2 Planos de Participação nos Lucros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .35 3.3.3 Planos Baseados em Corte de Custos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 CAPÍTULO 4 - ESTUDO DE CASO: SISTEMA DE TRABALHO DE ALTO DESEMPENHO NA VOLKSWAGEN DO BRASIL – UNIDADE DE TAUBATÉ . . . . . . . . . . . . . . . . . . .37 4.1 Configuração da Empresa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .37 4.2 Proposta da Aplicação da Motivação para Obtenção de Equipes de Alto Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .39 4.2.1 Obtenção do Desejo de Desempenhar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .40 4.2.2 Obtenção de Maior Esforço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .40 4.2.3 Obtenção de Maior Desempenho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .41 4.3 Propostas de Novas Formas de Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42 4.3.1 Planejamento por Mérito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 4.3.2 Sistema de Incentivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 4.3.3 Planos de Participação nos Lucros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 CAPÍTULO 5 – CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 CAPÍTULO 6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .49 LISTA DE QUADROS Quadro 2.1 - Dois Fatores de Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 LISTA DE FIGURAS Figura 2.1 - Hierarquia das Necessidades Segundo Maslow . . . . . . . . . . . . . . . 25 Figura 3.2 - Um Modelo de Diagnóstico da Motivação e do Desempenho . . . . 31 11 1 INTRODUÇÃO Estudar a motivação é procurar entender quais são as razões ou motivos que influenciam o desempenho das pessoas, sendo estes propulsores do desempenho. Uma vez que este desempenho depende da motivação, a compreensão dos mecanismos da motivação é de extrema importância no estudo da administração das organizações. Verificar-se-ão também, a existência de dois grupos de fatores ou objetivos motivacionais de naturezas diferentes, sendo que um deles não trata de um fator motivacional propriamente dito, mas que, quando ausente, precipita grande insatisfação por parte daqueles que o recebem. É notório que nos dias atuais, os clientes tornaram-se consumidores mais exigentes e seletistas. Sendo assim, procuram produtos onde se faz presente a qualidade, porém, as organizações deixaram de visar somente a qualidade final do produto e passaram a investir e valorizar a motivação de seus funcionários, para que o alto desempenho desencadeado por um sistema motivacional eficiente, proporcione a qualidade exigida. Em verdade, para que se atinjam metas positivas dentro do sistema empresarial, é imprescindível que haja, desde o superior hierárquico até a organização a necessidade de implantação de métodos que propiciam aos funcionários, mecanismos capazes de torná-los colaboradores motivados. 1.1 OBJETIVO DO TRABALHO Este trabalho tem por objetivo a aplicação da motivação como forma de obtenção de um sistema de trabalho de alto desempenho na Volkswagen do Brasil – Unidade de Taubaté. 1.2 IMPORTÂNCIA DO TEMA A importância deste tema visa a aplicação de um sistema motivacional para a obtenção de equipes de alto desempenho, sendo este, fator fundamental para que haja comprometimento no trabalho desenvolvido. 12 1.3 LIMITAÇÃO DO TRABALHO O trabalho se restringe na aplicação de alguns elementos motivadores que mais se adequam ao ambiente interno da Volkswagen do Brasil. 1.4 METODOLOGIA DA PESQUISA Este trabalho é classificado como uma pesquisa descritiva, com apresentação de uma aplicação de caso. Foi utilizada a pesquisa em livros, monografias e na internet. Também foram retirados dados por observação do ambiente interno da Fábrica da Volkswagen do Brasil Ltda, sediada em Taubaté, não sendo este, um trabalho sujeito a pesquisa de campo e sim um gerador de novas propostas que possam contribuir para a melhoria das equipes de trabalho, para que obtenham alto desempenho. 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO Este trabalho é constituído por cinco capítulos, onde o primeiro aborda na introdução os conteúdos envolvidos nesta monografia, assim como os objetivos que se pretende atingir, a importância desta, suas limitações, a metodologia empregada no seu desenvolvimento, em que se realizou uma abordagem do campo estudado, do tipo de pesquisa aplicada, dos métodos utilizados, da forma de coleta e análise de dados. Já o capítulo dois é constituído da revisão bibliográfica que envolve os conceitos, teorias, tipos de hierarquia e outros aspectos importantes e fundamentais para a compreensão e aplicabilidade da motivação. Porém, para a construção deste e dos demais capítulos, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, que inclui autores conceituados na área de recursos humanos e estudiosos da motivação profissional. O capítulo três aborda a motivação inter-relacionando-a aos sistemas de trabalho de alto desempenho, objetivando a melhoria dos resultados e da qualificação profissional. O capítulo quatro expõe a parte principal deste trabalho, onde é realizada uma aplicação de caso sobre um sistema de trabalho de alto desempenho na empresa Volkswagen do Brasil – Planta de Taubaté, com propostas e sugestões de sistemas motivacionais que visam obter o alto desempenho da mão-de-obra. 13 Finalizando a estrutura desta monografia, tem-se o capítulo cinco que apresenta as conclusões sobre o trabalho e as sugestões para novos estudos. 14 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Para que o entendimento e objetivo deste estudo sejam alcançados, serão abordados neste capítulo, os conceitos, teorias, necessidades humanas, hierarquias de necessidades e outros fatores que contribuem para a formação e desenvolvimento da motivação profissional, sendo que para a formulação deste, foram utilizadas bibliografias que incluem os principais autores da área de Recursos Humanos e estudiosos sobre motivação profissional. 2.1 CONCEITO DE MOTIVAÇÃO A idéia de motivação de funcionários surgiu quando as empresas passaram a fazer uma organização mais específica de seu trabalho com o objetivo de obter maior rendimento do fator mão-de-obra. Os primeiros prospectos e tentativas relacionados a motivação profissional podem ser identificados na Teoria Clássica da Administração onde se descreve a motivação econômica do trabalhador e a motivação através da divisão especializada do trabalho, além de remuneração pessoal. Segundo CHIAVENATO (1997), a Teoria Clássica da Administração foi criada em 1916 por Henri Fayol e está fundamentada na divisão científica do trabalho para a obtenção de lucros empresariais. As organizações que adotaram os princípios desta teoria caracterizavam-se por uma divisão de trabalho claramente definida, com pessoas especializadas e pronunciada hierarquia de autoridade; os trabalhadores eram vistos como motivados somente por recompensas econômicas. A divisão do trabalho claramente definida que é a base desta teoria, foi mencionada um século antes de seu surgimento por Adam Smith em sua obra Riqueza das Nações, quando descreveu suas observações sobre a fabricação de alfinetes da época, dando início a idéia de especialização dos funcionários. Dois dos principais precursores da teoria clássica também chamada de Administração Científica foram: Frederick W. Taylor e Henri Fayol. 2.1.1 FREDERICK W. TAYLOR Segundo MEGGINSON; MOSLEY; JUNIOR (1998), nascido na Filadélfia em 1856, descendente de uma família tradicional, estudou em colégios europeus e, ao 15 trabalhar em uma fábrica iniciou no cargo de contador, conseguindo dobrar o rendimento das máquinas sob sua supervisão, motivo que o levou a encontrar muitos inimigos entre operários que estavam acostumados a um ritmo mais lento de produção. Ingressou no curso de Engenharia, no ano de 1880, formando-se cinco anos depois. Logo após foi contratado por uma empresa com a missão de melhorar os métodos de trabalho empregados nos seus diversos setores. Escreveu A Teoria das Oficinas e, já famoso publicou os Princípios de Administração Científica, vindo a falecer quatro anos depois. Dentro da Administração Científica e Teoria Clássica defendeu a organização racional do trabalho que tinha principalmente o objetivo de eliminar desperdícios e adaptar o homem à tarefa; decomposição do trabalho em partes cada vez menores e mais específicas. Além de considerar que as razões e motivações do homem poderiam ser facilmente entendidas em termos de recompensas e incentivos financeiros. Aliava o estudo da capacidade física de um trabalhador, com a abordagem econômica que considera o homem como um ser impelido para sua preservação e em busca de lucro. Restringindo, porém, a participação do trabalhador na empresa, simplesmente em termos físicos, enfocando-o apenas como um simples acessório das máquinas. Portanto, sugeriu maior associação entre o pagamento ao trabalhador e a sua produção, pois o pagamento a seu entender deveria ser feito de acordo com a produtividade, desprezando quaisquer outros fatores. 2.1.2 HENRY FAYOL Segundo MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JUNIOR (1998), Fayol era engenheiro de minas, francês, nascido em Constantinopla em 1841, estudou desde cedo como organizar o quadro de pessoal das grandes empresas de forma racional para alcançar maior produtividade. Seus princípios são agrupados em uma doutrina administrativa conhecida como Fayolismo, que defende essencialmente a necessidade de bons chefes em todo o tipo de organização e atividade social. Por sua vez, teve a oportunidade de verificar em fábricas, o pouco rendimento das máquinas e operários, atribuindo acertadamente essa baixa produção à falta de uma metodologia de produção, passando então a estudar as melhores formas de aperfeiçoar os sistemas de trabalho empregando métodos racionais como diminuição de custos na sua pesquisa. 16 Chegando assim, a uma série de princípios, métodos e sistemas conhecidos como, organização racional do trabalho, em que se destacava uma estrutura hierárquica claramente definida com unidades de comando muito bem delimitada. Os autores de Recursos Humanos ainda citam que, na teoria clássica foi introduzida a idéia de divisão do trabalho, que consistia basicamente na especialização das tarefas e das pessoas para produzir mais e melhor com o mesmo esforço, além da remuneração do pessoal em que havia um prêmio pelo serviço realizado, que deveria ser eqüitativo e satisfatório para todos os envolvidos no processo, isto é, tanto o empregado que a recebe quanto a empresa que o paga. Fayol achava que a participação nos lucros da empresa seria uma boa alternativa para tornar a remuneração mais eqüitativa, no entanto, não vislumbrava uma fórmula que viabilizasse essa possibilidade. Para CHIAVENATO (1997), do exposto, entende-se teoria clássica como aquela que considera o homem comum “homo econômico”, ou seja, motivado apenas por incentivos monetários, considerando que as empresas devem ter uma pronunciada hierarquia de autoridade, e que o trabalho deva ser dividido de forma clara, atendendo a um critério de especialização dos trabalhadores de forma a se obter rendimento máximo de mão-de-obra. Após a criação destas teorias, surgiram outras que tornaram a motivação diversificada, até o surgimento das teorias específicas da motivação profissional que serão apresentadas no decorrer da revisão da literatura. Segundo MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JUNIOR (1998), a motivação é o processo de induzir uma pessoa ou um grupo, cada qual com necessidades e personalidades distintas, a atingir os objetivos da organização, enquanto tenta também atingir os objetivos pessoais. A palavra motivação (derivada do latim motivus, movere, que significa mover) indica o processo pelo qual um conjunto de razões ou motivos explica, induz, incentiva, estimula ou provoca algum tipo de ação ou comportamento humano. Motivação é uma expressão que indica um estado psicológico de disposição ou vontade de perseguir uma meta ou realizar uma tarefa. Dizer que uma pessoa está motivada significa dizer que esta pessoa apresenta disposição favorável ou positiva para atingir seu ideal. É uma força que se encontra no interior de cada pessoa e que pode estar ligada a um desejo. Uma pessoa pode estimular a outra e este estímulo ser transformado em 17 motivação para quem o recebe. A probabilidade de que a pessoa siga uma orientação e resulte em uma ação desejável está diretamente ligada à força de um desejo. MAITLAND (2002) é um dos poucos autores que se refere a importância das fontes internas de energia motivacional, implicitando a crença de que nada se pode fazer para conseguir a motivação de uma pessoa a não ser que ela mesma esteja envolvida de forma espontânea a este processo, sendo que todo desempenho supõe que duas condições sejam preenchidas: • Que se seja capaz de executá-lo (aptidões); • Que se tenha vontade (motivação). 2.2 TEORIA DA MOTIVAÇÃO Segundo SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), as teorias da motivação são divididas em duas categorias: as de conteúdo, que focalizam o indivíduo e suas necessidades, e as teorias do processo que trabalham o pensamento interior ou os processos cognitivos que influenciam as decisões quanto ao comportamento no trabalho. 2.2.1 Teorias da Motivação de Conteúdo Estático Para BOWDITCH; BUONO (1997), as teorias de conteúdo tratam efetivamente do que motiva as pessoas, sendo chamadas de estáticas porque observam apenas um ou poucos pontos no tempo, e que assim, são orientados para o passado ou presente. Essas teorias podem oferecer uma compreensão básica sobre o que motiva os indivíduos. 2.2.1.1 Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow Segundo ARAÚJO (2000), um dos modelos mais conhecidos da motivação é a hierarquia das necessidades de Abraham Maslow, pois identifica cinco níveis distintos de necessidades individuais: de auto-realização, auto-estima, sociais, segurança e fisiológicas. Entre estas necessidades, as fisiológicas são as mais básicas, pois estão na base da pirâmide de hierarquia de Maslow, destacando as necessidades primordiais dos seres humanos. As de segurança, envolvem proteção e estabilidade, as sociais incluem relacionamento, participação e sentimento de pertencer, já as necessidades de origem superior, como auto-estima, envolve tanto auto-respeito quanto o reconhecimento por 18 parte dos outros, além da auto-realização envolver o desejo de atingir realização pessoal através da criação e uso de talentos intrínsecos. A teoria ainda propõe que as necessidades de nível mais baixo de um indivíduo precisam estar satisfeitas antes que ele possa se interessar pelas de nível superior. E segundo SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), as necessidades menos importantes precisam ser satisfeitas antes que as próximas mais importantes possam ser usadas como motivadoras, mas por mais lógica que pareça, não existe confirmação de que ocorra essa hierarquia de necessidades, pois elas suscitam questões sobre até que ponto as necessidades altamente satisfeitas deixam de ser motivadoras, uma necessidade altamente satisfeita num nível leva as necessidades cada vez mais salientes no nível seguinte e as pessoas podem ser simultaneamente motivadas por necessidades sociais do ego e de realização pessoal. Portanto, a idéia mais aceita é aquela que as necessidades se inter-relacionam de forma flexível e individualizada, podendo variar de acordo com o estágio profissional, cultura, e até mesma localização geográfica. Segundo BOWDITCH; BUONO (1997), é importante salientar que a concepção de Maslow tinha a intenção de ser mais uma perspectiva humanística da motivação humana, de um modo geral, do que a criação de um modelo empiricamente testável. O principal valor desta abordagem é o reconhecimento e a identificação das necessidades individuais, com o propósito de motivar o comportamento. 2.2.1.2 Teoria ERC de Clayton Alderfer A teoria ERC (existência, relacionamento e crescimento), segundo BOWDITCH; BUONO (1997), é uma tentativa de modificar a hierarquia de Maslow distinguindo-se em aspectos importantes porque em primeiro lugar ela reconhece a existência de apenas três tipos de necessidades, tais como: necessidades existenciais (desejo de bem-estar fisiológico e material), necessidades de relacionamentos (desejo de obter relacionamentos satisfatórios) e necessidades de crescimento (desejo de constante crescimento e desenvolvimento pessoal). Já em segundo lugar, a teoria ERC inclui um componente de frustraçãoregressão que sugere que, quando uma necessidade de nível superior não pode ser satisfeita, isto gera frustração, uma necessidade de nível inferior já satisfeita pode ser reativada, regressão. Ou seja, se alguém fica constantemente bloqueado em sua 19 necessidade de crescimento, por exemplo, a teoria ERC permite que necessidades relacionadas venham a superfície como motivadores principais. Em terceiro lugar, a teoria ERC afirma que mais de uma necessidade pode influenciar ativamente a motivação ao mesmo tempo, idéia que se difere em grande proporção à teoria de Maslow que afirma que a pessoas só sentirá o desejo de satisfazer uma nova necessidade quando outra necessidade correspondente a um nível inferior for satisfeita. Segundo BOWDITCH; BUONO (1997), a noção de que as pessoas moldam seus atos para satisfazer as necessidades insatisfeitas oferece um propósito e uma direção ao comportamento individual, uma idéia atraente para muitos cientistas sociais. Além disso, de maneira semelhante à da hierarquia de Maslow, foram levantadas dúvidas quanto a se a teoria é suficientemente verificável para ter valia para os profissionais. 2.2.1.3 Teoria das Necessidades Socialmente Adquiridas de McClelland Os autores BOWDITCH; BUONO (1997) citam que esta teoria identifica três necessidades básicas que as pessoas desenvolvem: necessidade de realização (desejo de fazer algo melhor ou mais eficiente, resolver problemas e tarefas complexas), necessidades de associações (o desejo de criar e manter relações amigáveis e calorosas com outras pessoas) e necessidade de poder (o desejo de controlar os outros, de influenciar seu comportamento ou de ser responsável por eles). A teoria de David McClelland, que trata das necessidades básicas das pessoas, propõe que cada pessoa será em momentos diferenciados, influenciados por realizações, poder e afiliação e, que a força de cada necessidade específica e a sua influência no comportamento, variará de acordo com a situação. Sendo que cada um, entretanto, terá desenvolvido uma tendência dominante para uma dessas necessidades baseadas em experiências de vida. Porém, alguns indivíduos serão motivados pela necessidade de afiliação, necessidades sociais, enquanto outros serão movidos pela necessidade de atingir metas ou conquistar certo grau de poder sobre outras pessoas. Segundo MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JUNIOR (1998), a maioria dos estudos feitos sobre esta teoria foi positiva, pois ao pesquisar os funcionários que apresentavam grande necessidade de realização revelaram que, ficam satisfeitos com o bom desempenho, estabelecem metas mais elevadas que os outros com pouca necessidade de realização, melhoram o desempenho após terem recebido retorno 20 máximo dos indivíduos com uma grande necessidade de realização. Contudo, o aspecto da teoria de McClelland é que as pessoas podem ser ensinadas a terem certas necessidades e ao trazer isso para a realidade de uma empresa, ou seja, no âmbito gerencial, existe a necessidade de se exigir. 2.2.1.4 Teoria dos Dois Fatores Segundo SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), quando Freederick Herzberg começou pesquisar o que viria a se chamar Teoria dos Dois Fatores da Motivação, com um pedido feito aos trabalhadores para darem respostas objetivas a duas perguntas: “conte as ocasiões em que você se sentiu extremamente bem no seu trabalho” e “conte as ocasiões em que você se sentiu extremamente mal no seu trabalho”. Depois de analisar quatro mil respostas, desenvolveu a teoria dos dois fatores que identifica fatores diferentes como sendo fundamentais na satisfação no trabalho, chamados de fatores de higiene e insatisfação no trabalho, chamados de fatores de motivação, conforme demonstrado no Quadro 2.1. Fatores de higiene no contexto Fatores de motivação no contexto afetam a insatisfação no trabalho afetam a satisfação no trabalho Políticas organizacionais Realização Qualidade de supervisão Reconhecimento Condições de trabalho O trabalho em si Base salarial ou salário Encargo Relacionamento com os pares Processo Relacionamento com os subordinados Crescimento Quadro 2.1: Dois Fatores da Motivação Fonte: SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999, P.89) De acordo com esta teoria, os fatores de higiene são as fontes de insatisfação no trabalho, são encontrados no contexto ou no ambiente de trabalho, estando mais relacionado ao ambiente do que com o trabalho desenvolvido propriamente dito. Talvez o fator de higiene mais surpreendente seja o salário, pois Herzberg, que desenvolveu a Teoria dos Dois Fatores, descobriu que a base salarial baixa torna as pessoas insatisfeitas, mas que o aumento as torna menos insatisfeitas. Somente aumentar o 21 salário não irá elevar a satisfação no trabalho, porque dependerá de vários fatores motivacionais que incluem o senso de realização, reconhecimento e responsabilidade. Para os autores SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), uma importante e controversa lógica dessa teoria é tratar a insatisfação e a satisfação como dimensões isoladas e independentes, e qualquer melhora numa dimensão afetará apenas ela, e não a outra. Isso, poderá ajudar a explicar a razão pela qual em alguns locais os investimentos para melhorar o ambiente físico, podem não ter o resultado desejado sobre a satisfação e o desempenho do funcionário a longo prazo, porém, a teoria dos dois fatores afirma que, a satisfação e o desempenho respondem mais aos melhoramentos do conteúdo do serviço. Esta teoria é criticada porque não levam em conta as diferenças individuais e não define a relação entre satisfação e motivação. 2.2.2 Teoria de Processo da Motivação Segundo SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), as teorias de conteúdo não analisam formalmente os processos de pensamento através dos quais as pessoas optam por uma ação dentre outras. Para isso, foram desenvolvidas as teorias de processo da motivação, que sugerem formas de aumentar a motivação focalizando as necessidades ausentes ou ativadas das pessoas. 2.2.2.1 Teoria das Expectativas Para os autores BOWDITCH; BUONO (1997), o modelo básico de motivação é chamado de teoria das expectativas. Essencialmente, o modelo supõe que a motivação é uma função de três componentes: uma expectativa de esforço-desempenho no sentido de que um esforço maior trará um bom desempenho, expectativa como uma percepção de desempenho-resultado, no sentido de que um bom desempenho trará certos resultados ou recompensas e instrumentalidade, o valor ou atração de uma certa recompensa ou resultado para a pessoa, valência. Assim, para que um indivíduo seja motivado, precisa valorizar o resultado ou a recompensa, precisa acreditar que o esforço adicional o levará a um desempenho melhor e que um desempenho melhor, subseqüentemente, resultará em recompensas ou resultados maiores. 22 Segundo SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), colocada de maneira simples, a teoria sugere que “as pessoas vão fazer o que podem quando quiserem fazêlos”. Os autores BOWDITCH; BUONO (1997) citam que a vantagem da teoria das expectativas é que ela oferece um esquema para se entender como que a motivação funciona. Suponha, por exemplo, que haja a possibilidade de um recompensa (promoção, bônus em dinheiro) para a preparação de um relatório especial, que precise ser bem feito e que será útil para a administração. A recompensa é importante para o indivíduo (alta valência), de modo que ele está disposto a trabalhar duro neste relatório. No entanto, se o trabalhador não tiver certeza quanto ao tipo de relatório que a administração quer, trabalhar duro pode ser percebido como perder tempo. Visto que o esforço envolvido no relatório pode exigir trabalhar horas a mais, que podem interferir com as obrigações familiares, as expectativas de uma discordância conjugal e que poderiam sobrepor a recompensa potencial, particularmente se a definição de um relatório “útil” não estiver claro. Assim, a probabilidade de se ligar o esforço ao desempenho será relativamente baixa. Ainda que se aceitasse o fato de o indivíduo ter trabalhado duro e produzido um relatório de alta qualidade, esse relatório ainda poderia não ser útil para a administração (instrumentalidade baixa). Portanto, obter a recompensa poderia ser visto como improvável, solapando a motivação daquela pessoa para desempenhar bem. Segundo SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), o problema desta teoria é que ela pressupõe que as pessoas se comportam de maneira racional e que pesem todas as alternativas que lhes forem propostas, haja vista que, as pessoas são limitadas na quantidade de informações que são capazes de processar a qualquer momento e que as interações entre as expectativas, instrumentos e valores são complexos, sendo assim, algumas pesquisas sugerem que esta teoria não explica tão completamente a variação do esforço aplicado no trabalho quanto seria de se esperar. 2.2.2.2 Teoria da Motivação pelo Caminho-Meta Segundo BOWDITCH; BUONO (1997), esta é uma teoria freqüentemente abordada em termos de eficácia e liderança, porém, seu enfoque básico é o exame da motivação e o modo como um diagnóstico pode influenciar na administração do desempenho. A idéia é que as pessoas fazem opções que refletem suas preferências em 23 termos da relativa utilidade delas para si, ou seja, uma hierarquia de resultados pessoais. Assim, as pessoas serão motivadas a produzir quando perceberem que seus esforços as levarão a um desempenho bem-sucedido e à obtenção das recompensas almejadas. Para os autores citados acima, um problema apresentado nesta teoria é a dificuldade envolvida na operacionalização de seus elementos teóricos, como caminho, meta e estilo de liderança, pois os funcionários a viam sem clareza e com uma liderança muito autoritária quando comparada a outros modelos liberais. O principal ponto é que os gerentes podem motivar as pessoas, aumentado os benefícios pessoais da realização de trabalho/metas, procurando aumentar o valor de uma meta específica. Ao fazê-lo, a probabilidade subjetiva de que o esforço ou desempenho o levará ao atingimento de metas, instrumentalidade. Portanto, a ênfase para os gerentes deverá ser em examinar cuidadosamente as expectativas, utilidades e instrumentalidades percebidas pelos subordinados em situações diferentes. 2.2.2.3 Teoria do Estabelecimento de Metas Segundo BOWDITCH; BUONO (1997), a idéia principal gira em torno de que o estabelecimento de metas pode ser uma causa do bom desempenho. As intenções conscientes, isto é, as metas de uma pessoa é o principal determinante da motivação relacionada a tarefa, visto que as metas dirigem os pensamento e ações. As pesquisas relacionadas a esta teoria trouxeram dúvidas quanto a sua generalizabilidade indicando o desempenho e não uma especificidade de metas como determinante principal. 2.2.2.4 Teoria da Eqüidade Para SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), a teoria da eqüidade é baseada na noção de comparação social e é melhor aplicada em ambiente de trabalho. Acredita-se que quando uma pessoa avalia o resultado do seu trabalho, qualquer diferença percebida em relação ao dos outros é um estado de consciência motivador. Esta teoria é importante porque as dinâmicas de eqüidade são comuns em todos os locais de trabalho, agindo tipicamente entre a alocação de uma recompensa e seu impacto básico sobre o receptor. Uma recompensa que pode parecer justa e eqüitativa quando dada por um líder de equipe, por exemplo, pode ser considerada injusta depois que for realizada 24 comparações com os colegas. Nesses casos, as conseqüências motivacionais do prêmio são determinadas não pelo seu valor absoluto, mas sim pelo valor percebido, conforme determinado pela interpretação da situação pelo receptor. Segundo SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), as pesquisas com a teoria da eqüidade indicam que pessoas que se sentem sobre-pagas ou iniqüidade positiva percebida, tentarão aumentar a quantidade ou a qualidade de seu trabalho, já aqueles que se sentem sub-pagos ou iniqüidade negativa percebida, tentarão diminuir a quantidade ou a qualidade do seu trabalho. Culturalmente, estes resultados estão associados com o individualismo, onde os interesses próprios tendem a governar as comparações sociais. Nas culturas mais coletivistas, a questão predominante geralmente envolve mais igualdade do que eqüidade, ajudando a manter a harmonia dos relacionamentos sociais. 2.2.3 Teoria da Motivação Baseada no Ambiente Segundo BOWDITCH; BUONO (1997), as teorias baseadas no ambiente, tratam a motivação como uma variável predominantemente independente, considerando que uma necessidade ou meta específica é a causa de um desejo particular, o qual resulta em certos tipos de comportamento. Assim, o enfoque é nos antecedentes das variáveis, as quais normalmente são atribuídas ao comportamento motivado. 2.2.3.1 Teoria do Condicionamento e Reforço Operante Segundo BOWDITCH; BUONO (1997), nessa teoria o comportamento humano é determinado e mantido pelo ambiente da pessoa. Entretanto, o comportamento poderá ser inicialmente aleatório à medida que o indivíduo explora o meio ambiente e reage a ele, certos comportamentos serão reforçados e conseqüentemente repetidos. Assim, o comportamento ou a motivação de um indivíduo é uma função das conseqüências daquele comportamento. Originalmente se pensava que a satisfação no trabalho levava ao bom desempenho. Portanto, na atualidade, é de consenso geral que isso funciona ao contrário, ou seja, que o bom desempenho, quando insuficientemente recompensado ou reforçado, é que leva a satisfação que, por sua vez, mantém o bom desempenho. A maioria das críticas feita a esta teoria se concentra em preocupações de ordem ética, quando à manipulação de trabalhadores e modificação do comportamento. Essa 25 tentativa de moldar o comportamento não funciona bem com seres humanos, pois são complexos e apresentam motivos e facetas múltiplas. 2.3 NECESSIDADES HUMANAS A primeira explicação importante sobre a motivação é representada pelas teorias das necessidades, sendo que elas afirmam que o comportamento humano é motivado por estados de carência e para que possam satisfazer esse estado de carência, agem nas mais diferentes situações. Veja o exemplo abaixo, citado por (MAXIMIANO, 2000, p. 349). A fome é uma necessidade que motiva o organismo a procurar alimento. Quanto mais forte essa necessidade, maior é o empenho de realizar o objetivo de conseguir alimento (mais intensa é a motivação). Uma vez satisfeita a necessidade, o organismo passa para um estado de saciedade ou satisfação, e o alimento deixa de representar um estímulo porque se extinguiu o impulso interno para persegui-lo. A motivação para aquele determinado comportamento deixa de existir. Outras necessidades, no entanto, podem ter um ciclo de satisfação mais longo, por isso, não são atendidas pontualmente. É o caso da motivação para o poder, que não provoca a saciedade, mas pode ficar mais intensa a cada momento. 2.3.1 Hierarquia das Necessidades Segundo SCHERMERHORN; HUNT; OSBORN (1999), as necessidades inerentes à condição humana, como as de alimento, reprodução, abrigo e segurança, são também chamadas necessidades de sobrevivência. Numa categoria superior as necessidades de sobrevivência, estão às necessidades que as pessoas querem ou desenvolvem por meio de treinamento, experiência, pela convivência com outras pessoas, pela incorporação dos valores da sociedade em que vivem, ou por causa de suas características individuais. Essas necessidades secundárias também fazem os fatos e objetivos do meio ambiente parecerem atraentes. Portanto, uma pessoa pode interessar-se por determinada carreira porque ela corresponde a seus interesses, ou pode desejar certos bens matérias, mas não pelo seu valor intrínseco, e sim por que sua posse é valorizada pelo meio social. 26 2.3.2 Hierarquia de Maslow Uma das principais teorias que se baseia na premissa de que as necessidades humanas estão organizadas em uma espécie de ordem ou hierarquia foi a de Abraham Maslow, que citava que as necessidades humanas são divididas em cinco categorias e em uma ordem de importância: fisiológicas ou básicas, de segurança, social ou de participação, estima e auto-realização. Conforme a Figura 2.1. EVOLUÇÃO AUTO REALIZAÇÃO DAS ESTIMA PARTICIPAÇÃO NECESSIDADES SEGURANÇA FISIOLÓGICAS Figura 2.1: Hierarquia das Necessidades Segundo Maslow Fonte: MAXIMIANO (2000, P. 351) Segundo CHIAVENATO (2000) as necessidades básicas estão na base da hierarquia, pois as pessoas procuram satisfazê-las antes de se preocupar com as de nível mais elevado. Entretanto uma necessidade em qualquer ponto da hierarquia precisa ser atendida antes que haja manifestação da necessidade de nível seguinte e, se uma necessidade não for satisfeita, a pessoa ficará estacionada nesse nível de motivação. Uma vez atendida uma necessidade, deixa de se fazer sentir e automaticamente, a pessoa passa a ser motivada pela ordem seguinte de necessidade. 2.3.2.1 Necessidades Fisiológicas A satisfação das necessidades fisiológicas (abrigo, vestuário, alimento) está relacionada ao dinheiro. Porém, a maioria das pessoas não estão interessadas no dinheiro propriamente dito, mas sim como meio para satisfazer todas as outras necessidades. Assim, o que satisfaz às necessidades fisiológicas e todos os outros níveis de necessidade das pessoas é o que o dinheiro pode comprar. Entretanto, quando se trata 27 da estima e da auto-realização, o dinheiro é, a princípio, o meio menos eficaz, resultando que a importância do dinheiro na realização das necessidades é inversamente proporcional a Hierarquia de Maslow. 2.3.2.2 Necessidades de Segurança É sabido que alguns motivos são bem definidos, entretanto, outros permanecem, em sua grande maioria no subconsciente e são difíceis de serem identificados, pois muitas vezes são desenvolvidos na infância ou quando é criado em um lar onde os pais são muito preocupados com a segurança. Segundo CHIAVENATO (2000), as necessidades de segurança representam muito bem esta circunstância devido a sua presença entre as pessoas. Todos seres humanos desejam estar livres de perigos de vida como: guerra, acidente, doenças, entre outros, sendo assim, muitas organizações desenvolvem programas de benefícios, tais como: planos de saúde, seguro de vida, plano de aposentadoria e outros. As necessidades conscientes de segurança, como salienta CHIAVENATO (2000), servem mais para inibir ou restringir impulsos do que para desencadear comportamentos externos. 2.3.2.3 Necessidade de Participação Satisfeitas as necessidades fisiológicas e de segurança, tende a tornar-se predominantemente as necessidades sociais. Segundo MAXIMIANO (2000), desde os primórdios da civilização, todos os seres tendiam a viver em comunidade, mas cada um com sua espécie. E com o homem não foi diferente, pois eles gostam de interagir com os outros em situações em que se sentem participantes e bem aceitos. Essa interação, aparentemente comum, poderá tornar-se bastante complexa a medida que aumentar a intensidade/necessidade de cada um. Cabe ressaltar a inexistência de nenhuma compensação do tipo dinheiro ou proteção como conseqüência de tal participação. 2.3.2.4 Necessidades de Auto-Estima A necessidade de auto-estima ou reconhecimento se manifesta de várias formas, entretanto, duas delas, realça maior importância, que são: o prestígio e o poder. 28 O prestígio é cada vez mais importante, principalmente na classe média, onde as pessoas querem sempre estar à frente das outras, para isso, o prestígio proporciona as pessoas um grau de conforto e bem estar conferido pela sociedade. CHIAVENATO (2000) cita que Vance Packard e David Riesman são pesquisadores que mais deram destaque na explicação do motivo prestígio. Vance Packard escreveu sobre status e seus motivos, enquanto David Riesman descreveu as pessoas que integram a multidão solitária, ou seja, estão sempre acompanhando as outras. Cita ainda que Gellerman definiu prestígio como sendo uma espécie de definição não-escrita de formas de comportamentos esperadas das outras pessoas em nossa presença: o grau de respeito ou desrespeito, formalidade ou informalidade, reserva ou fraqueza. Na busca do prestígio, encontra-se muito mais pessoa de baixa idade do que os de idade mais elevada, pois estão em busca de coisas que ainda não conseguiram alcançar como, por exemplo, status, enquanto as outras já conquistaram seus prestígios, só precisando mantê-los e, para tal, não precisam despender muitos esforços. O poder, que para CHIAVENATO (2000) significa o potencial de influência de uma pessoa. É a capacidade que permite a uma pessoa conseguir a submissão de outras ou de exercer influência sobre eles. Os autores de Recursos Humanos ainda citam Alfred Adle, uma pessoa que possuía um certo poder de manipular ou controlar as atividades de outras pessoas de acordo com suas próprias finalidades. Para concluir esse poder, ele se baseou no comportamento das crianças que, através do choro conseguem influenciar no comportamento dos pais. Mas elas agem assim por necessidade, pois são indefesas e precisam contar com a segurança dos pais. Com o decorrer dos anos, as crianças vão crescendo e, com isso, vão perdendo essa capacidade de manipulação que é intrinsecamente agradável. Com isso, surgem grandes dificuldades de adaptação à medida que vão perdendo seus poderes. Daí surge uma nova fase na vida, que são os relacionamentos, onde elas passam a cultivar a confiança e o respeito para que possam estruturar e manipular o seu ambiente e as pessoas que dele participam. Com isso, pode-se dizer que existem dois tipos de poder: o poder de posição que é oriundo de seu cargo em uma organização que detém a submissão dos outros e o poder pessoal de sua personalidade que é o comportamento derivado de sua infância. 29 2.3.2.5 Necessidade de Auto-Realização Devido as várias formas que as pessoas encontram para satisfazer essas necessidades, fica difícil taxar modos de obtenção. Sendo assim, foi exemplificado segundo MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JUNIOR (1998), dois grandes motivos relacionados a ela, que são a competência e a realização. Segundo MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JUNIOR (1998), através de um estudo, concluíram que esta necessidade de realização trata-se de um motivo distinto, ou seja, não necessita estar agregado a outra necessidade humana e pode ser avaliada em qualquer grupo. A marca dos empresários bem-sucedidos é o realismo agressivo que são atingidos por pessoas impelidas pelo motivo de realização que seguem por um caminho médio, difícil de ser alcançado mas não impossível de ser atingido, com um grau de risco moderado, pois assim, julgam que seus esforços e capacidade empregada provavelmente influirão no resultado. 2.3.3 Outros Modelos de Hierarquia Segundo MAXIMIANO (2000), há uma corrente afirmando que a teoria de Maslow não se aplica universalmente, e que se trata de um padrão típico verificado na maioria das vezes, porém, existem inúmeras exceções quanto a essa hierarquia. Às vezes, uma pessoa sacrifica suas necessidades fisiológicas ou de segurança pela satisfação de uma outra necessidade, como, por exemplo, quando ficam sem se alimentar para protestar contra as injustiças do governo. Desta forma, estão sacrificando algumas necessidades para satisfazer outras a nível de auto-realização. A teoria de Maslow aplica-se as pessoas de um país em desenvolvimento em que grande parte do comportamento dirige a satisfação das necessidades fisiológicas e de segurança, e com relação aos demais níveis de necessidade, essa sociedade em desenvolvimento, age até certo ponto. Sendo assim, poderá estudar o comportamento humano com maior ou menor probabilidade. O autor MAXIMIANO (2000), afirma que atualmente, muitas pessoas de determinada sociedade, como por exemplo, a sociedade americana, possui a necessidade de satisfazer a necessidade social ou de participação de forma mais acentuada do que as de estima e de segurança e, menos importante, as necessidades de auto-realização e fisiológicas. 30 Existem também sociedades que já satisfizeram suas necessidades fisiológicas, de segurança e sociais, então, seu comportamento tende para a satisfação de necessidades de estima e auto-realização. Portanto a tendência de realização desses níveis aumentarão a medida que continuarem a elevar os padrões de vida e os níveis de educação. Para MEGGINSON; MOSLEY; PIETRI JUNIOR (1998), Maslow defende a idéia de que a teoria das necessidades é a noção de que as pessoas estão num processo de desenvolvimento contínuo e tendem a progredir ao longo das necessidades buscando atender uma após outra, se orientando para a auto-realização. Porém, esta noção tem um contra-argumento, como o caso em que algumas pessoas sacrificam o bem-estar material em troca da realização intelectual ou espiritual reforçando a idéia de que a auto-realização não está necessariamente no topo da hierarquia. A auto-realização não é uma necessidade em si nem uma necessidade definitiva, como aquela que só pode ser satisfeita uma vez que todas as demais tenham sido atendidas. Ela sim, pode ocorrer em qualquer ponto da escala da motivação e com o atendimento de qualquer tipo de necessidade dependendo da pessoa. 2.4 PREDOMINÂNCIA DE NECESSIDADES Um ponto importante na noção da hierarquia das necessidades é a predominância de determinadas necessidades sobre as demais. Como cita MAXIMIANO (2000), uma necessidade ou um grupo de necessidades pode ser predominante nos motivos internos de uma pessoa devido a fatores como idade, meio social ou personalidade. E baseando-se na teoria de Maslow, a realização de objetivos está de certa forma relacionada à busca de satisfação de necessidades. Sabendo que se a meta for alcançada, uma carência será satisfeita, e a pessoa empenha-se na perseguição de forma mais intensa e forte conforme as características de sua carência. Neste capítulo procurou-se concentrar as principais idéias e conceitos adquiridos na pesquisa bibliográfica, para que com isso hajam subsídios na compreensão do próximo capítulo, onde a motivação é abordada de forma mais prática, com o envolvimento de sistemas motivacionais para a obtenção de um alto desempenho. 31 3 MOTIVAÇÃO E SISTEMA DE TRABALHO DE ALTO DESEMPENHO Atualmente, as organizações mais bem sucedidas estão associando sistemas de trabalho de alto desempenho a novos sistemas de motivação. Segundo WAGNER III e HOLLENBECK (1999), motivar os funcionários para que exerçam suas atividades com níveis altos de desempenho, vem sendo o objetivo primário de todas as organizações, entretanto, o que se busca saber, é como o avanço tecnológico pode ser utilizado como fator motivacional para atingir tais metas. 3.1 MODELO DE MOTIVAÇÃO E DESEMPENHO Os autores WAGNER III e HOLLENBECK (1999), relatam a existência de um modelo de motivação e desempenho que é baseado na Teoria da Expectativa de Vroom, onde possuem como principais conceitos, a valência, a instrumentalidade e a expectativa, descrita anteriormente. Porém, não é ignorada a necessidade de complementação desta teoria com o auxílio de outras teorias da motivação, como é o caso das teorias de necessidades, que fornecem importantes descobertas sobre como as valências se desenvolvem e podem se alterar com o passar do tempo. 3.1.1 Visão Geral do Modelo Para WAGNER III e HOLLENBECK (1999), o modelo de motivação consiste em cinco componentes, que são: • Valência; • Expectativa; • Instrumentalidade; • Aptidão; • Precisão das percepções do papel. Com a fusão da combinação desses componentes, obtém os três resultados, que são: • Desejo de desempenhar; • Esforço; • Desempenho. 32 A Figura 3.2 apresenta graficamente o modelo motivacional e de desempenho na medida em que os componentes e os passos se combinam, a fim de obter os resultados propostos. 1º resultado 1º passo Valência 2º resultado 2º passo 3º passo Expectativa Desejo de Desempenhar 3º resultado 4º passo Aptidão Esforço Desempenho Instrumentalidade Precisão das Percepções do Papel FIGURA 3.2: Um Modelo de Diagnostico da Motivação e do Desempenho Fonte: WAGNER III; HOLLENBECK, (1999. P.92) • Valência – envolve uma satisfação antecipada. É uma medida da atração que um determinado resultado exerce sobre um indivíduo ou a satisfação que ele prevê receber por um determinado resultado. Seu conceito está baseado na suposição de que a qualquer momento uma pessoa tem preferência por certos resultados; • Expectativa – valência e instrumentalidade são componentes que definem o que o indivíduo deseja realizar, porém, para tal, é necessário conhecer suas expectativas, e sendo assim, elas abordam convicções relativas ao vínculo entre fazer um esforço e obter um bom desempenho; 33 • Instrumentalidade – é a convicção acerca da relação entre executar uma ação e experimentar um resultado. Quando, a valência e a instrumentalidade forem tidas como aceitavelmente altas, o indivíduo terá um desejo de executar uma determinada ação com maior empenho; • Aptidão – é a convicção acerca da obtenção de um resultado. Trata do conjunto de conhecimentos empíricos e/ou científicos embutidos em cada indivíduo, capaz de produzir estímulos que o fará executar com precisão tarefas complexas. Ou seja, o desempenho na tarefa também depende das aptidões daquele que o exerce, quanto mais elevado a aptidão, mais propenso é o individuo a desenvolver estratégias eficazes; • Precisão das percepções do papel – são as convicções acerca da suposição do que está sendo realizado no trabalho. Esse tipo de percepção do papel garante que a energia dedicada à realização da tarefa seja dirigida a atividades e resultados corretos, ao mesmo tempo, diminuindo a quantidade de energia desperdiçada em metas e atividades irrelevantes. 3.2 MELHORIA DOS RESULTADOS Através de um modelo de motivação e desempenho, as organizações buscam fórmulas para obter melhorias em seus resultados. Para melhor compreender este modelo que busca alto desempenho, serão discutidos adiante os três resultados obtidos com este sistema de forma separada. 3.2.1 Primeiro Resultado: Desejo de Desempenhar O primeiro resultado é o desejo de desempenhar, composto de uma combinação da valência com a instrumentalidade. Para que as pessoas se sintam motivadas a desenvolver as atividades com alto desempenho, se faz necessário, a percepção de que a obtenção dos resultados de uma alta valência só será possível através de um sólido desempenho pessoal. Segundo WAGNER III e HOLLENBECK (1999), definir as instrumentalidades pessoais é muito importante, pois é provável que seu desejo de executar uma determinada ação seja forte apenas quando a valência e a instrumentalidade forem tidas como aceitavelmente altas e motivadoras. 34 3.2.2 Segundo Resultado: Esforço WAGNER III e HOLLENBECK (1999) citam que, o segundo resultado é o esforço, caracterizado como uma fusão do desejo de desempenhar com a expectativa, sendo assim, o nível de esforço investido por uma pessoa, é determinado pela fusão de três componentes do modelo motivacional (valência, instrumentalidade e expectativa). Haja vista que o desejo de desempenhar é influenciado pela valência e pela instrumentalidade. 3.2.3 Terceiro Resultado: Desempenho O terceiro e último resultado é o desempenho, que consiste em uma combinação de aptidão, esforço e precisão das percepções do papel. WAGNER III e HOLLENBECK (1999), citam ainda que o desempenho é alto quando uma pessoa empenha esforço substancial e dirige esse esforço para os resultados corretos, além de possuir aptidão para executar os comportamentos necessários a suscitar esses resultados. 3.3 SISTEMA DE TRABALHO DE ALTO DESEMPENHO Para WAGNER III e HOLLENBECK (1999), uma das afirmações menos controvertidas que se podem fazer sobre a remuneração dos trabalhadores, é vincular o pagamento ao desempenho no trabalho, e por conseqüência, a empresa poderá pagar mais para um trabalhador de alto desempenho do que a um de baixo desempenho na mesma categoria. Porém, a implantação de programas baseados no alto desempenho poderá gerar competição entre colegas de trabalho e destruirá o lado moral do grupo ou dificultar a percepção entre seu desempenho pessoal e aos resultados do grupo ou da organização. Nos termos da teoria da expectativa, citada anteriormente, essas condições reduziriam a instrumentalidade. Se a empresa resolvesse fixar com antecedência as regras do pagamento como, por exemplo, pagar por unidades produzidas, estaria impossibilitada de prever seus custos de mão-de-obra, além disso, uma vez que o produto ou serviço gerado não pudesse ser conhecido com antecedência, a empresa também estaria impossibilitada de calcular seus gastos. Os mesmos autores citam que, se a empresa esperar até o fim do ano para saber quanto dinheiro estará disponível para pagamento, as pessoas não saberiam com 35 antecedência como seu desempenho está relacionado ao seu pagamento, contudo, a maioria das empresas, adota o sigilo no pagamento para proteger a privacidade das pessoas, dificultando ao indivíduo saber se o sistema de pagamento por mérito foi justo. Se a empresa resolver manter os incentivos para a organização, estes deveriam basear-se em corte de custos e ser distribuídos anualmente com base nos lucros. Entretanto, se os planos de corte de custos permitissem que as recompensas fossem distribuídas rapidamente, porém, do ponto de vista contábil, os planos de participação nos lucros seriam mais fácies de administrar, mesmo sendo considerados menos motivadores que os planos de corte de custos. Todas estas hipóteses ilustram a complexidade de se colocar em prática o pagamento por desempenho, e sendo assim serão examinados separadamente os três tipos diferentes de programas de remuneração baseado no desempenho: por mérito, de participação nos lucros e planos de corte nos custos. 3.3.1 Pagamento por Mérito WAGNER III e HOLLENBECK (1999) citam que os sistemas de pagamento por desempenho individual condicionam o pagamento às realizações de cada trabalhador. Há dois tipos de programas individuais, os que se baseiam nos méritos e os que se baseiam nos incentivos. Os planos de pagamento baseados em méritos, para WAGNER III e HOLLENBECK (1999), são os mais fáceis de controlar, pois nesses programas o desempenho é avaliado ao término do ano fiscal por meio de avaliações dos funcionários pelos seus superiores, e a soma fixa de dinheiro que é alocada para aumentos salariais é distribuída aos indivíduos proporcionalmente às suas avaliações. Ao adotar o plano de pagamento por mérito, deve-se estabelecer a forma de pagamento dos trabalhadores de desempenho deficiente, mediano e alto, sabendo que os salários devem acompanhar a inflação e não ser inferior ao índice de preços do consumidor (IPC). Já no caso dos trabalhadores com alto desempenho, as empresas geralmente adotam a prática da ampliação de faixa salarial que significa simplesmente reduzir o número de distinções hierárquicas entre os cargos. Ainda com as citações de WAGNER III e HOLLENBECK (1999), muitas organizações recorrem, em partes, aos sistemas de pagamento por mérito, porém, ao longo dos anos observou-se uma redução nos aumentos salariais ao mesmo tempo em 36 que verificou-se o aumento de outras formas de desempenho. Entre outras aquelas que envolvem o sistema de incentivos. O sistema de incentivos se difere em dois aspectos dos sistemas de pagamentos por mérito, pois estipula previamente as regras do pagamento, permitindo ao trabalhador calcular o quanto receberá se alcançar um determinado nível de desempenho e suas recompensas baseiam-se em medidas objetivas de desempenho. Os mesmos autores citam que, neste sistema poderá ser introduzido padrões de produtividade, onde a produção é recompensada por uma quantia fixa por unidade, sendo vantajoso, por ser de fácil compreensão pelos trabalhadores, criando uma expectativa de desempenho. Entretanto, o padrão deverá ser ajustado freqüentemente. Os incentivos individualizados criam dificuldades éticas, podendo dificultar a cooperação na organização, pois neste caso os indivíduos tornam-se egocêntricos em relação à suas metas, perdendo o interesse global. Para eliminar esse tipo de problema, os planos individuais são rejeitados pelas empresas e como alternativa se utilizam dos planos organizacionais. 3.3.2 Planos de Participação nos Lucros Para WAGNER III e HOLLENBECK (1999), este plano, assim como o plano de corte de custos, vincula o pagamento a um desempenho mais amplo. Essa afirmativa existe, porque no plano de participação nos lucros, os resultados gerados em forma de lucro são divididos com os funcionários da empresa, este benefício é distribuído logo após os lucros terem sido verificados. Porém, a maioria dos planos oferecem pagamento adiado, ou seja, os lucros correntes são acumulados nas contas dos funcionários e o pagamento em dinheiro só é feito em caso de invalidez, demissão, aposentadoria e morte do trabalhador. Citam ainda que nem todos os lucros são distribuídos, sendo que esta porcentagem de distribuição varia em um mínimo de 14% e um máximo de 33%. Entretanto, os empregados muitas vezes vêem dificuldades em perceber a conexão entre suas atividades e os lucros da empresa quando estão envolvidas múltiplas atividades, e é devido a estes fatores, que o valor motivacional cotidiano neste tipo de programa é muito discutível. 37 3.3.3 Planos Baseados em Corte de Custos Os autores WAGNER III e HOLLENBECK (1999) citam que, nestes planos, existe o pagamento de gratificações em função do dinheiro que a organização economizou em decorrência ao desempenho eficiente dos funcionários, permitindo que os trabalhadores possuam um maior controle sobre os custos do que sobre os lucros, sendo assim, mais perceptível a interação do seu trabalho com a redução dos custos. Citam ainda que, no plano Scanlon (um plano baseado em corte de custos com o objetivo de diminuir os custos da mão-de-obra), os incentivos são calculados relacionando custos de mão-de-obra e valor de venda da produção, assim devolvidos os lucros aos trabalhadores, sendo que o dinheiro é depositado em um fundo destinado a cobrir anos futuros nos quais poderiam ocorrer “gratificações negativas”. Após a exposição de um modelo motivacional que propõe a melhoria de resultados através do desejo de desempenhar, do esforço e do desempenho em sí, aplicase neste próximo capítulo uma proposta de motivação profissional que envolva todos os componentes, passos e resultados, sendo esta proposta feita com base na observação do ambiente interno da Volkswagen do Brasil. 38 4 ESTUDO DE CASO: SISTEMA DE TRABALHO DE ALTO DESEMPENHO NA VOLKSWAGEN – UNIDADE DE TAUBATÉ Este capítulo aborda possíveis sugestões de melhoria para as atividades observadas em uma área de montagem na linha de produção, capaz de proporcionar aos funcionários, fatores motivacionais, cujo enfoque é a obtenção de uma equipe de alto desempenho. Neste capítulo também serão propostas algumas formas de motivações relacionadas ao modelo organizacional da empresa. 4.1 CONFIGURAÇÃO DA EMPRESA A história da Volkswagen no Brasil começa em 1949, quando pesquisas no mercado latino-americano indicaram o Brasil como o melhor lugar para receber a primeira fábrica da marca fora da Alemanha. Em 23 de maio de 1953, em um pequeno armazém alugado no bairro do Ipiranga, em São Paulo, nascia a Volkswagen do Brasil. De lá saíram os primeiros fuscas, com peças importadas da Alemanha e montadas por 12 empregados. De 1953 a 1957, foram montados 2820 novos veículos. Os planos da empresa ganharam novos rumos quando em junho de 1956, o governo brasileiro criou condições para instalar no Brasil a indústria automobilística, fixando as bases para o rápido desenvolvimento do setor. No mesmo ano, a Volkswagen, decidiu construir sua fábrica em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Já em 2 de setembro de 1957, produzia a Kombi, o primeiro veículo da Volkswagen fabricado no Brasil, com 50% de suas peças e componentes produzidos no país. Lançado em 3 de janeiro de 1959, o Fusca rapidamente tornou-se sucesso de mercado, numa época dominada pelos grandes automóveis importados. A empresa iniciou um profundo trabalho de desenvolvimento de fornecedores e, em fins de 1961, o índice de nacionalização do Fusca e da Kombi já era de 95%. Em 18 de novembro de 1959, a Volkswagen inaugura oficialmente sua fábrica em São Bernardo do Campo, com a presença do então presidente da República do Brasil, Juscelino Kubistscheck, responsável pela instalação da indústria automobilística do País. Em julho de 1970, com os primeiros recordes de produção e vendas e a marca chegava ao primeiro milhão de veículos. Em março de 1972, o Fusca registrava o marco 39 histórico de um milhão de unidades vendidas. Em 1973, foi lançada a Brasília, que fez sucesso pela praticidade e amplo espaço interno, vendendo 1.064.416 unidades. O aprimoramento na produção de veículos adequados às condições e exigências brasileiras levou, em junho de 1974, ao lançamento do Passat, carro de modelo completamente diferente dos anteriores. O carro foi sucesso no Brasil e no Exterior, principalmente no Iraque, para onde foram exportadas 200 mil unidades. Lançou o SP1 e o SP2 em 1972, mas apenas o SP2 teve grande aceitação pelo público, principalmente os jovens, por ter motor 1.7, de maior potência. O SP1 nem chegou a ser comercializado. Em 1980, com o parque automobilístico brasileiro consolidado, a Volkswagen decidiu entrar no mercado de caminhões. Atualmente vice-líder nesse mercado e também no de ônibus, que começou a fabricar em abril de 1993, em que produziu e vendeu 161.929 caminhões e ônibus nestes 20 anos de existência. Mais tarde construiu uma nova fábrica em Resende, que foi inaugurada em 1996. Lá, foi aplicado o inédito Consórcio Modular, isto é, os fornecedores ficavam lado a lado na linha de montagem da fábrica. No início dos anos 80, depois de construir uma outra fábrica de automóveis, agora em Taubaté, interior do Estado de São Paulo, a Volkswagen iniciou a produção da chamada Família BX, composta pelos automóveis Gol, Voyage e Fox (este exclusivo para exportação para os Estados Unidos), a Parati e Saveiro. Agora na Geração III, lançada em maio de 1999, e com motores 1.0, pelo 14º ano consecutivo, o Gol é o carro mais vendido no país e é exportado para mais 20 países. Em 1984, a Volkswagen entrou no segmento C, de carros de luxo com o Santana e, em 1985 com a Quantum. Desde então, os dois modelos vêm figurando entre os 20 automóveis mais vendidos no País. No final de 1999, o Santana e a Quantum foram reestilizados, aumentando a competitividade entre os mais modernos veículos vendidos no Brasil. No ano de 1987, em um momento de queda do mercado, para reduzir os custos e ter melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, a Volkswagen e a Ford juntaram-se e criaram a Autolatina Brasil. Em sete anos, a Autolatina colocou no mercado vários carros híbridos, como o Apolo, Logus e Pointer, da Volkswagen, e o Verona, Royale e Versailles, da Ford. 40 O primeiro carro nacional com injeção eletrônica de combustível e ignição digital com mapeamento eletrônico foi o Gol GTI, lançado em 1988. Já em 1993, a marca Volkswagen comemorou 10 milhões de veículos fabricados no País e relançava o Fusca, aproveitando vantagens fiscais oferecidas pelo governo federal para as empresas que produzissem carros populares. O fim da Autolatina veio com a abertura da economia em 1994, aliada a um aquecimento do mercado interno, quando as duas marcas precisariam competir em todos os segmentos do mercado, com produtos individualizados. Em novembro de 1995, foi inaugurado o Centro Industrial General Pacheco na Argentina, e um ano depois, a Fábrica de Caminhões em Resende e a Fábrica de Motores de São Carlos, ampliada meses depois para produzir motores para o Golf e A3. No mês de janeiro de 1999, com investimentos de R$ 1,2 bilhão, a empresa inaugurou a fábrica de São José dos Pinhais, Paraná. Ao longo de quase 50 anos no Brasil, a Volkswagen sempre procurou a evolução tecnológica e o aprimoramento de seus produtos. Seu Departamento de Engenharia e Desenvolvimento do Produto reúne aproximadamente 1.500 engenheiros, designers e especialistas, capazes de projetar e produzir automóveis de aceitação mundial. Na Engenharia, fica instalada o Centro de Impactos Veiculares, onde são submetidos a testes todos os veículos da marca fabricados no Brasil. Atualmente, com 28 mil empregados, a Volkswagen está entre as maiores empresas privadas brasileiras e entre as maiores empregadoras do País. Em janeiro de 1999, devido a crise econômica, a empresa assinou um novo acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e de Taubaté para evitar demissões, e como medida reduziu a jornada semanal para quatro dias e, conseqüentemente, nos salários anuais. O acordo preservou cerca de 7.000 empregos nas fábricas. A capacidade para produção é, em média, de 3.200 veículos e 2.850 motores, diariamente, em suas cinco fábricas no Brasil, incluindo a de São José dos Pinhais, em que a capacidade de produção é de 550 unidades por dia do Golf e Audi A3. 4.2 PROPOSTA DE APLICAÇÃO DA MOTIVAÇAO PARA OBTENÇAO DE EQUIPES DE ALTO DESEMPENHO Para a obtenção de uma equipe de alto desempenho, é necessário que as pessoas se sintam motivadas para executar suas tarefas. Baseado no modelo de motivação e 41 desempenho adotado neste estudo, como ilustra a Figura 3.2, na pagina 32, será proposto uma aplicação de motivação para obtenção de uma equipe de alto desempenho. Para as pessoas de modo geral, o dinheiro é um dos maiores fatores motivacionais, e sendo assim, os funcionários que atingem os requisitos estabelecidos dentro do sistema de alto desempenho proposto, irão receber, mas de forma indireta, pois ao se enquadrarem em um alto desempenho após serem avaliados pelo seu superior, se tornam isentos do pagamento de taxas, referente aos benefícios de vale transporte, vale refeição e plano médico, que são descontados mensalmente em seus salários, sendo que a escolha do benefício será feita pelo funcionário que possuir os requisitos exigidos conforme sua preferência. Os resultados de cada fase desse processo serão abordados nos itens abaixo. 4.2.1 Obtenção do Desejo de Desempenhar Como relatado anteriormente, o desejo de desempenhar é o resultado da fusão de valência e instrumentalidade e, para que as pessoas atinjam este grau de motivação, é necessário propor-lhes uma satisfação efetiva, o que difere de valor e que trata de uma convicção acerca da relação entre executar uma ação e experimentar um resultado. Sendo assim, para que as pessoas obtenham um desejo de desempenhar, que é o primeiro resultado do ciclo de motivação para obtenção de equipe de alto desempenho, faz-se necessário desenvolver um fator motivacional capaz de proporcionar aos colaboradores o desejo de desempenhar suas funções para obtenção do beneficio proposto. Mensalmente são extraídos da folha de pagamento de cada funcionário da Volkswagen do Brasil – Unidade de Taubaté, descontos referentes a benefícios que visam proporcionar maior comodidade e conforto. São descontos referentes ao vale alimentação, ao vale transporte e ao plano médico. Sendo assim, a proposta abordada neste estudo para a obtenção do primeiro resultado do modelo de motivação e desempenho adotado pelo autor, é capaz de desenvolver um fator motivacional que consiste na isenção do pagamento correspondente ao beneficio oferecido pela organização e que será atribuído ao funcionário que atender aos requisitos abordado na obtenção de maior esforço. 42 4.2.2 Obtenção de Maior Esforço O esforço é o segundo resultado do modelo de motivação e desempenho. Este item é fruto do desejo de desempenhar, associado a convicções relativas aos vínculos entre fazer um esforço e ter um bom desempenho. Sem esquecer que o desejo de desempenhar é o resultado da fusão de valência e instrumentalidade. Para desenvolver esse segundo passo da proposta e dar continuidade ao primeiro passo, serão desencadeados os requisitos mínimos exigidos para evolução do ciclo de motivação para a conquista de equipes de alto desempenho. A proposta para obtenção da isenção do beneficio só será possível através dos seguintes esforços: • as pessoas estarem presentes no posto de trabalho sem atraso (assiduidade); • não poderão ter faltas (absenteísmo); • executar suas tarefas de acordo com as normas da companhia (comprometimento com a qualidade); • executar todas as funções da célula em que trabalha (versatilidade); • desenvolver harmoniosamente trabalhos complexos juntamente com os demais funcionários (relacionamentos com os colegas e trabalho em equipe); • capacidade em desenvolver problemas aparentes (flexibilidade). Com este segundo resultado espera-se obter o desenvolvimento de tarefas com precisão e comprometimento com as normas da empresa na busca da redução dos custos operacionais e obtenção de melhores resultados. 4.2.3 Obtenção de Maior Desempenho Para finalizar este ciclo de funções que objetiva a motivação de pessoas para a realização de tarefas com alto desempenho, faz-se necessário à concretização do terceiro e último resultado, o desempenho. A obtenção de maior desempenho, que é conseqüência do conjunto de aptidões, esforço e precisão das percepções, trata-se de um aumento no desempenho do comportamento das pessoas na busca dos requisitos exigidos para o alcance da isenção do benefício proposto pela organização, o qual será escolhido pelo funcionário, segundo sua livre escolha e decisão. 43 Para encerrar este sistema motivacional e obter equipes capazes de realizar tarefas com alto desempenho, faz-se necessário à utilização de meios eficazes para avaliar e julgar os requisitos mencionados na obtenção de maior esforço. Todas as pessoas quando integram a família Volkswagen de Taubaté, recebem um cartão de ponto que, ao passá-lo pela catraca eletrônica, localizada na portaria da empresa, registra sua entrada e saída através de uma chapa numérica, que é o registro individual atribuído a cada pessoa. Sabendo que este meio trata de um sistema confiável, pode-se utilizá-lo para avaliar e julgar os funcionários através dos requisitos assiduidade e absenteísmo. Existe também na companhia, um documento chamado “carta de versatilidade”, que fica no próprio posto de trabalho de cada funcionário. Nela, estão registrados os números de operação que cada pessoa poderá desenvolver em sua célula de montagem. Este é outro sistema confiável, porque através dele são montadas as operações de revezamento de cada grupo, sendo assim, o requisito versatilidade poderá ser avaliado e julgado através do mesmo. A célula de montagem é composta por um líder, um monitor para cada grupo e os colaboradores. O monitor auxilia o líder a conduzir a equipe dando suporte aos colaboradores para realização das atividades, portanto, para avaliar e julgar os requisitos flexibilidade, relacionamento com os colegas e capacidade para desenvolver trabalhos em equipe, caberá ao líder junto com o monitor, selecionar os funcionários que melhor se enquadram nesses requisitos para que possam, juntamente com os demais, serem avaliados e julgados, fazendo jus aos benéficos oferecidos pela companhia como fator motivacional para obtenção de equipe de alto desempenho. 4.3 PROPOSTA DE NOVAS FORMAS DE MOTIVAÇÃO Tão importante quanto a obtenção de equipes de alto desempenho, faz-se necessário o desenvolvimento de programas que visam a criação de incentivos pessoais a cada colaborador, para que o mesmo possa desencadear este sistema. 4.3.1 Pagamento por Mérito Durante o processo de integração, a empresa apresenta aos novos funcionários um contrato onde estão presentes todos os direitos e obrigações tanto da empresa como 44 do funcionário. Neste contrato, via de regra, não existe uma proposta de pagamento por mérito. O que são sugeridos durante as atividades empresariais, são incentivos financeiros, que são desvinculados da função que o funcionário exerce, como por exemplo, o programa existente chamado S.O.S Idéias, em que as pessoas contribuem com idéias que objetivam a redução de custos operacionais, recebendo como gratificação, incentivos monetários. A proposta do estudo para o pagamento por mérito, poderá beneficiar uma pessoa ou uma equipe, cujo incentivo consiste em viagens para conhecer as montadoras do grupo Volkswagen instaladas no Brasil e no exterior, seriam ofertadas para os comprometidos com a busca de melhorias no sistema organizacional. Sendo o desempenho avaliado de acordo com as sugestões de melhoria oferecida pelos funcionários, sendo estas entregue por escrito mediante comprovante de entrega. Quanto ao oferecimento de gratificações monetárias, neste caso, deve-se premiar não os funcionários individualmente, mais as equipes ou áreas de trabalho, incentivando-os a realizar trabalhos em equipe, como por exemplo, premiar a equipe geradora de menor absenteísmo ou a equipe em que os serviços prestados tendem a qualidade total, que também poderão receber uma maior parcela na participação dos lucros e resultados (PLR). 4.3.2 Sistema de Incentivos Existe um contrato entre a empresa e o funcionário, em que este contribui com a mão-de-obra, enquanto aquela contribui com o pagamento pelos serviços prestados, entretanto, esta correlação por si só não garante a motivação do funcionário, sendo assim, existe a necessidade da criação de planos de incentivos com o objetivo de desenvolver em cada pessoa fatores motivacionais capazes de garantir a qualidade do serviço prestado. A título de exemplo, serão relatadas propostas simples, porém de grande poder psicológico, propiciando ao funcionário estímulos para no mínimo, manter seu padrão profissional. São eles: • Reconhecimento pessoal frente ao grupo de trabalho – freqüentemente ocorrem paradas na linha de produção para diálogos sobre qualidade, estes momentos poderão ser utilizados para o gerente agradecer em nome do grupo 45 e da companhia os serviços prestados por aqueles funcionários comprometidos com a qualidade; • Reconhecimento por escrito na ficha do funcionário – esta ficha guarda todos os detalhes sobre a vida de cada pessoa relacionada à companhia a partir da data de sua admissão. Ela é consultada pelos gerentes em épocas particulares como, promoção interna de algum funcionário, mudança de função, demissão e outros. Sendo assim, proporcionaria grande incentivo às pessoas quando seus esforços e dedicação fossem reconhecidos e lançados nessa ficha. Outro sistema de incentivo, porém menos contrastante que a proposta acima, é mensalmente eleger o funcionário padrão de cada grupo ou área e anexar sua foto e nome a um mural e no jornal da companhia, para que assim o funcionário possa compartilhar a homenagem com amigos e familiares extras corporativos. A escolha do funcionário padrão seria feita pelo líder da célula de produção e o critério utilizado seria a presença do funcionário no seu turno nos dias de trabalho e sem atraso. 4.3.3 Planos de Participação nos Lucros O plano de participação nos lucros da empresa trata de um fator motivacional muito eficiente, levando as pessoas a trabalharem em equipe uma vez que o beneficio não está vinculado ao desempenho individual. A Volkswagen de Taubaté trabalha positivamente com este sistema de motivação, pois oferece o pagamento do beneficio de forma fracionada, ou seja, em duas parcelas, sendo uma no primeiro semestre e a outra no segundo semestre do ano após os lucros terem sido apurados. O fracionamento desse beneficio torna-se positivo tanto para os funcionários, uma vez que os extremos do ano são meses onde são cobrados os impostos como Imposto sobre Propriedade Territorial Urbano (IPTU), Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA) e festas natalinas, quanto para a organização, que obtém bons resultados com os funcionários motivados, alta produtividade e ganhos na qualidade. Entretanto, para obter um maior comprometimento ainda utilizando o plano de participação nos lucros e, os funcionários conscientes que a participação nos lucros e resultados da companhia é direito de todos, e está assegurado pela Constituição Federal 46 da República do Brasil e pela Consolidação das Leis Trabalhistas, como proposta de estudo de caso, para obter um desempenho ainda maior das pessoas e comprometendoas com a redução dos gastos diretos (equipamentos e componentes utilizados na montagem dos veículos) e indiretos (não utilizado na montagem do veículo, porém útil ou indispensável para uma melhor produtividade), oferecendo a eles, funcionários comprometidos, uma porcentagem maior dos lucros após a apuração dos mesmos pela empresa. As formas utilizadas para selecionar tais pessoas merecedoras dos benefícios, poderão ser através da ficha pessoal do funcionário mais as sugestões oferecidas pelo mesmo durante o ano. Sugestões essas que proporcionariam ganhos de capital para a empresa mediante redução dos custos operacionais. Para o alcance dos objetivos a serem atingidos com este estudo, foram envolvidas neste capítulo, propostas simples para que possam ter aplicabilidade, porém os gastos que serão acrescidos no orçamento da companhia serão facilmente compensados pelo aumento da motivação profissional dos seus funcionários com a satisfação de algumas necessidades natos do ser humano, com a auto-realização e a auto-estima, podendo este, aumentar o seu desempenho nas atividades e assim contribuir acentuadamente para as operações lucrativas da empresa. 47 5 CONCLUSÃO Devido à concorrência interna e a abertura do mercado externo, as empresas automobilísticas vem sofrendo modificações em sua estrutura organizacional e, desta forma, vêm buscando intensamente a melhoria na qualidade de seus produtos. Sendo assim, voltaram seus olhares para o ser humano e passaram a investir nos funcionários em si e na satisfação de suas necessidades básicas dentro do ambiente de trabalho, para que com a aplicação da motivação profissional, obtenha uma mão-de-obra motivada para buscar o esforço e o alto desempenho, permitindo que a organização consiga obter o resultado almejado em relação a qualidade de seus produtos e a sua ascensão no mercado. Em decorrência a este fato, surgiu o interesse do autor em estar desenvolvendo um estudo que tem como principal objetivo à aplicação da motivação como forma de obtenção de um sistema de trabalho de alto desempenho na Volkswagen do Brasil – Unidade de Taubaté, visando a aplicação de um sistema motivacional para o aumento do desempenho das equipes, sendo este, fator fundamental para que haja comprometimento no trabalho desenvolvido. Através desta revisão bibliográfica foram adquiridos subsídios que permitiu a compreensão de sistemas motivacionais mais complexos, como o modelo que sugere o aumento do desempenho profissional através do alcance de três resultados: desejo de desempenhar, esforço e desempenho em si, sendo estes, ferramentas fundamentais para o desenvolvimento das diretrizes individuais em busca do objetivo a ser atingido pela empresa. Após uma observação do ambiente de trabalho da Volkswagen de Taubaté, realizou-se um estudo de caso para aplicação da motivação para obtenção de um sistema de trabalho de alto desempenho que consiste na isenção do pagamento de benefícios dos funcionários referente à alimentação, ao transporte e ao plano médico. Entretanto, para que o trabalhador faça jus a este beneficio, deverá estar enquadrado em todos requisitos já pré-estabelecido pela companhia que são: absenteísmo, assiduidade, comprometimento com a qualidade e com os trabalhos em equipe, bom relacionamento com os colegas, versatilidade e auto grau de desempenho. A avaliação e julgamento destes requisitos para a concessão do beneficio serão realizados pelo líder de cada célula com o auxílio do monitor. Após a homologação do funcionário beneficiado, cabe a este, optar por qual isenção lhe convém. 48 Neste estudo, também foram relatados fatores motivacionais já existentes e com grande aplicabilidade que visam a criação de incentivos pessoais e grupais como o pagamento por mérito, onde são oferecidos incentivos financeiros desvinculados da função que o mesmo exerce, como por exemplo, o S.O.S Idéias, onde as pessoas apresentam sugestões de melhorias com o intuito de reduzir custos operacionais em troca de uma porcentagem da economia alcançada. Foram propostos neste estudo de caso, gratificações não monetárias aos funcionários comprometidos com a busca de melhorias no sistema operacional, cujo incentivo consistiria em viagens para conhecer as montadoras do grupo Volkswagen instalada no Brasil e no exterior O sistema de incentivo trata de outra forma de motivação abordada neste estudo. Neste caso, o fator motivacional atinge as pessoas comprometidas com seu horário de trabalho, ou seja, seria eleito pelo gerente de cada área o funcionário padrão, ou seja, aquele que se apresentar mensalmente no seu posto de trabalho nos horários préestabelecidos pela organização sem atraso e faltas, tendo como incentivo, sua foto e nome anexado no mural da empresa por trinta dias e publicado no jornal da mesma, além do reconhecimento por escrito na própria ficha do funcionário. Já nos planos de participação nos lucros, após a apuração do mesmo, sugere-se que uma porcentagem maior do benefício seja oferecido aos funcionários que se empenharam para a diminuição dos gastos diretos e indiretos gerados na produção, uma vez que eles contribuíram para o aumento dos resultados da empresa. Ao concluir este estudo, é demonstrado que motivar pessoas é um trabalho extremamente complexo, já que são envolvidos seres com histórias, personalidades e necessidades diferenciadas. Assim, os sistemas motivacionais propostos e aplicados devem procurar sempre envolver um objeto motivacional de interesse comum, como por exemplo, a proposta citada neste estudo. Porém, a organização não deverá deixar de associar ao investimento motivacional novas alternativas que contribuam para o aumento da qualidade como o investimento tecnológico. Com esta associação serão gerados melhores produtos e um aumento na satisfação por parte daqueles que os produzem, tornando trabalhadores de alto desempenho em conseqüência de um sistema motivacional eficiente, idéias estas que podem ser desenvolvidas em novos estudos, com o intuito de demonstrar e reconhecer a importância da motivação profissional para o ser humano. 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, P. H. de. Motivação: faça a diferença. Santa Catarina: EKO, 2000. BOWDITCH, J. L; BUONO, A. F. Elementos de Comportamento Organizacional. São Paulo: Pioneira, 1997. CHIAVENATO, I. Recursos Humanos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2000. CHIAVENATO, I. Introdução a Teoria Geral da Administração. 5. ed. São Paulo: Mackron Books, 1997. MAITLAND, I. Como Motivar Pessoas. São Paulo: Nobel, 2002. MAXIMIANO, A. C. A. Introdução a Administração. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2000. MEGGINSON, L. C.; MOSLEY, D. C.; PIETRI JUNIOR, P. H. Administração, Conceitos e Aplicações. 4. ed. São Paulo: Harbra, 1998. SCHERMERHORN J. J. R.; HUNT, J. G.; OSBORN, R. N. Fundamentos de Comportamento Organizacional. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 1999. WAGNER III, J. A.; HOLLENBECK, J. R. Comportamento Organizacional – criando vantagem competitiva. São Paulo: 1999. 50 Autorizo copia total ou parcial desta obra apenas para fins de estudo e pesquisa, sendo expressamente vedado qualquer tipo de reprodução para fins comerciais sem previa autorização especifica do autor. Reginaldo de Oliveira Santos Taubaté, outubro de 2003