UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS
CLENE MARIA NUNES DA SILVA GONÇALVES
UM OLHAR DIFERENTE DO EDUCADOR E DO EDUCANDO DIANTE DO
BULLYING.
Projeto de intervenção apresentado como exigência
parcial para a Conclusão do Curso de Pósgraduação
em
Coordenação
Pedagógica
orientação da Profª. Mcs. Alessandra Camargo.
Natividade –TO
2011
sob
Ensina a Criança no caminho em que deve
andar, e ainda quando for velho não se
desviará dele.
(Provérbios 22:6)
SUMÁRIO
I – INTRODUÇÃO
I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ..................................................................06
1.1-
O bullying...............................................................................................06
1.1.1- Formas do bullying.................................................................................06
1.2. Os figurantes............................................................................................07
1.2.1. Agressor.................................................................................................07
1.2.2. Vítima.....................................................................................................07
1.2.3. Testemunha...........................................................................................08
1.3. As consequências do bullying..................................................................08
2. O PAPEL DA ESCOLA .....................................................................................09
3. TRILHAS DA PESQUISA...................................................................................10
3.1. A Instituição, sujeitos da pesquisa e instrumento utilizado........................10
3.2. Análise de Dados.......................................................................................10
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................14
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANEXOS
INTRODUÇÃO
Infelizmente, neste século, vive-se um crescimento da violência,
principalmente nas escolas. Dados obtidos pela Cemeobes indicam que em 2000,
os índices apontavam que 7 a 24% dos alunos estavam envolvidos. Hoje os
índices mostram o envolvimento de 5% a 35%. Mas esta situação não é de agora,
ela vem se arrastando por várias décadas. Todavia, foi em 1972 e 1973 que
pesquisas feitas na Escandinávia mostraram que o bullying é diferente de uma
brincadeira normal de crianças e adolescentes.
O primeiro a relacionar essas “brincadeiras” ao nome bullying foi Dan
Olweus (1978 a 1993), pesquisador e educador da Universidade de Bergen, na
Noruega. Segundo o autor, os critérios básicos para identificar as condutas de
bullying são: ações repetitivas com a mesma vítima, desequilíbrio de poder e
ausência de motivos. ( OLWEUS, 1999).
No Brasil, as primeiras pesquisas registradas sobre o bullying foi ao final
da década de 90, com Marta Canfield (1997), professora da Universidade Federal
de Santa Maria-RS. Para realizar seu trabalho de pesquisa utilizou o questionário
de Olweus de forma adaptada.
Um programa pioneiro de combate ao bullying, elaborado e desenvolvido
em São José do Rio Preto-SP, pela doutora em Ciências da Educação Cleo Fante
(2002 e 2003), iniciou com 26% vitimas e após um semestre de implantação do
programa, a vitimização caiu para 10% e, depois de dois anos, para 4%. Como
pode
notar,
ações
de
prevenção
e
combate
ao
bullying
o
inibiram
consideravelmente.
Iniciativas como as citadas vêm proporcionando um mapeamento da
violência escolar no Brasil. De acordo com (CHALITA, 2008), os dados
disponíveis ainda são incipientes, mas é possível estimar que o bullying praticado
por crianças e jovens atinja 45% dos estudantes brasileiros de Ensino
Fundamental.
Nas escolas o bullying é um fenômeno complexo, muitas vezes ignorados
por educadores e confundido com brincadeiras entre adolescentes e/ou
indisciplina. Os professores que deveriam ajudar a combatê-lo tem imensa
dificuldade para lidar com problemas de maus tratos ou violência que ocorrem na
sala de aula. Segundo (CHALITA, 2008), o bullying é uma violência que cresce
com a cumplicidade de alguns, com a tolerância de outros e com a omissão de
muitos.
Atitudes assim vêm trazendo consequências trágicas com a tragédia que
ocorreu em 2011, na qual um jovem de 23 anos entrou em sua antiga escola do
bairro do Realengo e assassinou a tiros doze crianças e depois suicidou-se.
Conforme (VEJA, 2011) o autor não guardava boas recordações da escola onde
estudou. Ele não tinha amigos e era alvo de piadas e humilhações. Aos dez anos
foi lançado em uma lixeira pelos colegas, ou seja, era vitima de bullying e se
tornara autor naquele momento.
Diante do exposto, o Colégio Estadual “Dr. Quintiliano da Silva”, no
município de Natividade, Estado do Tocantins, ao receber um bilhete de um aluno
pedindo socorro apos inúmeras agressões, decorrente o seu problema na fala,
desenvolveu o projeto BULLYIG NÃO, queremos paz. O objetivo do projeto é
minimizar
comportamentos
violentos
psicológicos
e
físicos,
através
do
envolvimento dos professores e alunos em ações que promovam a paz, o respeito
à dignidade humana e a valorização às diferenças.
Alunos da 2ª fase do Ensino Fundamental e do Ensino Médio participaram
do projeto que obteve resultados positivos com apenas seis meses de
implantação. Os professores passaram a ter uma atitude mais dinâmica diante de
caso de bullying na sala de aula e algumas vítimas e testemunhas passaram a
falar abertamente sobre as agressões sofridas ou presenciadas.
Com este trabalho de conclusão de curso, pretende-se deixar claro a
importância da comunidade escolar conhecer o bullying e suas consequências. É
necessário que a escola reconheça a existência do bullying e através do
conhecimento adquirido trabalhe a prevenção e o combate deste problema que
assola a maioria das escolas.
6
1-FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1- bullying
O termo bullying não possui tradução literal para o português. Bully é a
expressão, em inglês, para “valentão”, e pode ser traduzido por “intimidação”. Na
língua portuguesa, os termos utilizados para referir-se ao bullying são maus tratos
entre pares ou vitimização entre pares.
O bullying caracteriza-se por atos intencionais e repetidos de intimidação,
humilhação, agressão verbal e física, provocando situações onde existam alunos
frequentemente excluídos, ameaçados, extorquidos, insultados ou apelidados de
forma pejorativa. Se essas ações acontecerem repetidamente com a mesma
pessoa, podemos considerá-lo como vitima de bullying, um problema mundial que
atinge as escolas primárias e/ou secundárias, públicas e/ou privadas, rurais e/ou
urbanas.
Segundo (FANTE, 2005), o bullying escolar se resume em insultos,
intimidações, apelidos constrangedores, gozações que magoam profundamente,
acusações injustas, atuações em grupos que hostilizam e ridicularizam a vida dos
outros alunos, levando-os à exclusão, além de danos físicos, psíquicos, danos na
aprendizagem.
O National School Safety chama o bullying de “o problema mais
duradouro e subestimado nas escolas dos estados Unidos”. “Até 8% dos alunos
perdem um dia de aula por mês por medo de sofrer bullying, e, em uma pesquisa
nacional, 43% das crianças disseram ter receio de ir ao banheiro por medo de ser
assediadas” (MULRINE, 1999).
Essa forma sutil de violência, que geralmente envolve colegas da mesma
sala de aula, pode se constituir de maneira direta ou indireta.
1.1.1- A formas do bullying
O bullying direto é mais comum entre agressores meninos. As atitudes
mais frequentes identificadas nessa modalidade violenta são xingamentos, tapas,
empurrões, murros, chutes e apelidos ofensivos repetidos.
7
O bullying indireto é mais comum entre o sexo feminino e crianças menores.
Envolve uma forma mais sutil de vitimização. As estratégias utilizadas são
difamações, boatos cruéis, intrigas e fofocas.
Chalita (2008), faz comentário:
“Os meios de comunicação costumam ser eficazes na prática do bullying
indireto, pois propagam, com rapidez e dimensões incalculáveis,
comentários cruéis e maliciosos sobre pessoas públicas. A perversidade
virtual é conhecida como ciberbullying e realizam-se por meio de
mensagens de correio eletrônico, torpedos, blogs, fotoblogs e sites de
relacionamentos, sempre anonimamente”. (CHALITA,2008,p.83)
1.2- Figurantes
São vários os personagens envolvidos no bullying. Identificá-los é
fundamental, mas com cuidado para não rotular os estudantes, evitando assim
que sejam estigmatizados pela comunidade escolar, o que também seria uma
violência. (CHALITA, 2008)
Os figurantes do bullying dividem-se em agressores ou bullies, em vítimas
ou alvos, em seguidores ou testemunhas e aqueles que são ao mesmo tempo
vítima e agressor ou bully-victims.
1.2.1- Agressor
Os agressores normalmente são
[...] alunos populares, que precisam de plateia para agir. Reconhecidos
como valentões, oprimem e ameaçam suas vitimas por motivos banais,
apenas por impor autoridade. Sentem-se realizados e reconhecidos com o
feito. Mantem um grupo em torno de si, com o qual dividem a
responsabilidade e por quem se sentem apoiados e fortalecidos. Aqueles
que gravitam ao redor do líder ou líderes também são agressores.
(CHALITA, 2008, P.86)
Segundo (CHALITA, 2008) esses agressores representam um problema
muito sério para a sociedade, pois são raras as vezes que não se envolvem em
situações que os colocam vítimas do álcool, drogas, álcool, tabaco e brigas. Ainda
que não haja estudos conclusivos sobre o assunto, as pesquisa revelam que os
valentões, quando não orientados adequadamente, tornam-se adultos com
comportamentos violentos e até mesmo criminosos.
1.2.2 – As vítimas
São alunos que geralmente apresentam características físicas ou psicológicas
que diferem dos demais. Segundo (CHALITA, 2008), os alvos do bullying são
personagens
escolhidos,
sem
motivo
evidente,
para
sofrer
ameaças,
8
humilhações, intimidações. O Comportamento, os hábitos, a maneira de se vestir,
a falta de habilidade em algum esporte, a deficiência física ou aparência fora do
padrão de beleza imposto pelo grupo, o sotaque, a gagueira, a raça podem ser
motivos para a escolha de uma vítima.
1.2.3- As testemunhas
São educandos que não estão envolvidos diretamente nas agressões do
bullying, porém convivem em um ambiente onde ele ocorre e por medo se de
tornarem a próxima vítima ficam calados. Pesquisadores comprovam que quando
há intromissão de outras pessoas em defesa da vítima, os casos de intimidação
reduzem consideravelmente.
As testemunham se tornam vítima também porque elas se sentem
impotentes e por esse motivo guardam a cena vista e ouvida por muito tempo
causando lhe culpa por não ter agido contrário ao ato de violência. Quem garante
que esse indivíduo não se tornará um portador de problemas psicológicos. A
verdade é que todos direto ou indiretamente são afetados pelas consequências
do bullying.
1.3-As consequências do bullying
O
bullying
pode
trazer
consequências
como:
transformação
da
testemunha em agressor, gastrite nervosa, bulimia, depressão ou até mesmo
suicídio das vítimas. O que se vê na trajetória da história do bullying é uma
necessidade de todos engajarem no combate a ele, seja educador ou não, mas
enquanto os outros não percebem essa violência, a escola deve ser o palco das
discussões e da luta ao combate deste vilão. A respeito disso (Fante, 2005)
comenta “As consequências para as vitimas desse fenômeno são graves e
abrangentes, promovendo no âmbito escolar o desinteresse pela escola.”
Logo, todos os sofrimentos causados pela prática do bullying devem ser
interrompidos. Cabe à escola analisar suas necessidades, trabalhar um Currículo
que busca a valorização e o respeito ao ser humano e crie ações no combate ao
bullying, que alcance todos os alunos: vítimas, agressores e testemunha.
9
2- O PAPEL DA ESCOLA
Se pararmos para pensar, todos nós já fomos vítimas de um bully em
algum momento de nossa vida. Os “valentões” não estão somente nas
escolas, eles podem ser encontrados em qualquer segmento da
sociedade. Os bullies juvenis também crescem e serão encontrados em
versão adulta ou amadurecidos (ou melhor, apodrecidos), (SILVA,
2005).
A maioria dos estudiosos afirma que o bullying é tão antigo quanto a
escola e que grande parte dos casos de bullying acontecem na sala de aula, na
presença do professor. Diante de tal afirmação a Unidade Escolar objeto de
pesquisa deste trabalho precisa acordar para essa realidade e tomar
providências. Em se tratando disso, Os PCNs (Paramentos Curriculares
Nacionais) trás uma importante reflexão sobre o papel do professor diante do
bullying.
[...] deve ser feito um destaque para preconceitos e desrespeitos
frequentes entre os alunos: aqueles que estigmatizam deficientes
físicos ou simplesmente os gordos, os fios, os baixinhos etc., em geral
traduzidos por apelidos pejorativos. Nesse caso o professor não deve
admitir tais atitudes [...] não se trata de punir os alunos, trata-se de
explicar-lhes com clareza o que significa dignidade do ser humano,
demonstrar a total impossibilidade de se deduzir que alguma raça é
melhor que a outra, trata-se de fazer os alunos pensarem e refletirem
a respeito de suas atitudes [...] (PCNs, 1998).
Ao analisar tal afirmação, nota-se que a escola precisa promover
formações continuadas para que melhore as práticas pedagógicas em prol do
combate ao bullying, levando o educador a ater-se para sinais de violência,
procurando neutralizá-las para que no futuro a sociedade seja melhor.
10
3 – TRILHAS DA PESQUISA
3.1- A instituição, sujeitos da pesquisa e instrumento utilizado.
O Colégio Estadual “DR. Quintiliano da Silva”, está situado à Rua A
Quadra 14 nº 21 – Setor Ginasial, desde o ano de 1934 tem contribuído para a
formação cultural e acadêmica dos alunos do então norte goiano, hoje, Tocantins.
Atualmente é um dos maiores colégio da Diretoria Regional de Ensino de Porto
Nacional com oitocentos e setenta e três alunos.
A escola contempla a segunda fase do Ensino Fundamental e Ensino
Médio, se e encontra em ótimo estado de conservação, possui uma quadra
poliesportiva, quatro blocos de sala de aula, num total de 12 salas, 01 sala de
professores, 01 secretaria, 01 banheiro feminino e 01 banheiro masculino, 01
cantina, 01 sala de vídeo, 01 biblioteca e 02 laboratórios de informática.
São considerados sujeitos desta pesquisa nove professores, sendo 4
professores da área de Código e Linguagem, 3 na área de Ciências da Natureza
e Matemática e 3 na área de Ciências Humanas e suas Tecnologia.
Com o objetivo de analisar a ação do professor diante do bullying na sala
de aula e ajudá-lo a criar ações que fortaleça o respeito e a paz entre os
integrantes da comunidade escolar, foi aplicado o questionário 1 com 6 (seis)
questões, sendo: 05 questões fechadas e 1 aberta e os resultados serão
apresentados em forma de tabela. O modelo do questionário respondido pelos
noves professores está em anexo no final do relatório.
3.1.1- Análise de dados
De acordo Ludke e André (1986) a pesquisa quantitativa é de abordagem
naturalista, ou seja, a fonte direta dos dados pesquisados é o ambiente natural do
sujeito a ser pesquisado. Assim o pesquisador é o condutor da pesquisa, cujos
resultados serão apresentados abaixo.
11
Questionário I- aplicado aos professores para identificar quando houve
prática de bullying na sala de aula.
Ordem
Questões
01
Na sua sala de aula já aconteceu ou
acontece casos de bullying?
02
Com que frequência esses casos
acontecem ?
03
04
06
Você acha que a prática de bullying
traz consequências ruins para os
alunos envolvidos?
Respostas/Porcentagem
Sim/100%
Não/o%
Raramente/20%
Frequentemente/80%
Sim/100%
Não/0%
Dar uma bronca
Como você acha que deve ser a
e continuar a
reação do professor diante do
ministrar a
bullying?
aula/30%
Que ações a escola deveria trabalhar
Palestras,
para ajudar os alunos que são vítimas
leituras de textos,
do bullying?
peça teatral/80%
Encaminhar para a
coordenação/20%
Produção de parodias,
confecção de
cartazes, vídeos e
debates/20%
-
-
Interferir e
conversar com
a turma/50%
-
Tabela 1 - Visão dos professores diante do bullying na sala de aula.
Fonte: Formulário aplicado aos professores do Colégio Estadual Dr. Quintiliano da Silva, município
de Natividade Tocantins em março de 2011.
Nas questões 1 e 2 percebe-se que os professores têm consciência
sobre o bullying e sabem com que frequência ele acontece na sala de aula. Mas
isso não demostra que ele tenha uma postura correta diante do fenômeno. E
como diz (Chalita 2008), “a qualidade da educação também inclui proteção,
cuidado e responsabilidade com as crianças e os jovens expostos à violência”. O
corpo docente precisa saber como lidar com essa violência. ’’
Na questão 3 nota-se que os professores sabem das consequências,
todavia ao observar o cotidiano escolar, nota-se que os professores conhecem o
bullying de maneira superficial e não possuem material que os ajudem em sua
prática pedagógica.
Na questão 4 os professores afirmam que realizam intervenção, alguns
de maneira superficial, como: dar bronca, encaminhar o aluno à sala da
coordenação e outras. Assim, denota certa falta de preparo do docente, enquanto
isso o aluno está sujeito às várias manifestações de bullying. Então é bom
lembrar o que dizem os filósofos da educação deste século “escola não é apenas
para ensinar a ler, escrever e fazer cálculos”. Ela deve ser um local acolhedor que
leva em conta as necessidades pessoais, sociais e afetivas do aluno.
Na questão 5 é aberta e buscou saber se atitudes do professor podem
gerar bullying na sala de aula. Como foi possível constatar 100% responderam
afirmativamente. Isto demonstra que eles têm consciência de atitudes que
12
manifestam o bullying. Para confirma a afirmação anterior, veja o que diz um dos
professores questionado “Sim, o professor pode usar de autoridade para
amedrontar e humilhar os alunos”.
O professor tem grande responsabilidade na ação de combate ao
bullying, mas atitudes autoritárias, que expõe o aluno podem afetá-lo
psicologicamente e levá-lo a abandonar a escola.
Na questão 06 buscou verificar ações que a escola deve trabalhar para
ajudar os alunos que são vítimas de bullying. Os números levantados revelaram
que 80% sugeriram um projeto anual com as seguintes ações: palestra
informativa e educativa, leitura e socialização de textos sobre bullying, peça
teatral, 20% dos professores responderam as seguintes questões: produção de
paródias, confecção de cartazes e folders, vídeos e debates.
Através das sugestões dos professores reestruturaram-se as ações para
o projeto de intervenção – BULLYING NÃO, queremos paz. No dia vinte e cinco
do mês de março de 2011, nas dependências do Colégio Estadual “Dr. Quintiliano
da Silva”, o projeto foi apresentado. Todos concordaram com a importância de se
ter um projeto como este na unidade de ensino referida acima. Ao analisar as
ações a equipe de professores sugeriu que na culminância do projeto “O dia D
contra a violência” fossem apresentadas: peça teatral, paródia, músicas e
coreografias momento em que foram distribuídos folders produzidos pelos alunos
do Ensino Médio a todos os alunos do colégio.
Questionário II aplicado aos alunos para identificar quando foram vítimas de
bullying e quando praticaram.
Ordem
Questões
01
Você já sofreu algum tipo de
intimidação, agressão ou
assédio?Onde isso aconteceu?
02
Onde isso aconteceu?
03
Você já intimidou, agrediu ou
assediou alguém?
Respostas/Porcentagem
Sim /70%
Não /30%
-
-
Indo para
escola /10%
No pátio da
escola /30%
Sim/30%
Não/70%
Na sala de aula
/50%
-
Em outro local
/10%
-
Tabela 2 - Visão dos alunos quando e prática de bullying na escola
Fonte: Formulário aplicado aos alunos do 6º ano 02, 8º ano 08 e 9º ano 12 do Colégio Estadual
Quintiliano da Silva, município de Natividade Tocantins em março de 2011.
Dr.
13
O questionário foi aplicado a trinta alunos das seguintes séries: 6º ano 02
8º ano 08 e 9º ano 12. O resultado obtido na questão 01 demonstra uma grande
porcentagem de alunos que sofrem algum tipo de agressão. Isto só comprova a
suspeita do grande índice de bullying na escola. A respeito disso (Silva, 2009),
comenta: “O Bullying ocorre em todas as escolas, independente de sua tradição,
localização ou poder aquisitivo dos alunos”.
Na questão 02, o local de ocorrência de bullying é variado: indo para
escola, no pátio da escola, na sala de aula e em outro local. Todavia as pesquisas
apontam a sala de aula com maior porcentagem de ocorrência de bullying. Isso se
justifica ao observar os encaminhamentos de alunos à coordenação pedagógica.
Elas mostram que essas agressões iniciam com pequenos conflitos verbais e se
agravam por omissão de alguns professores.
Na questão 03, nota-se um índice 30% de alunos que admitiram agredir o
colega. No entanto este índice pode ser maior, pois muitos agressores não
admitem o erro, porque não sentem culpa pelos atos cometidos. De acordo com
(FANTE, 2005), o que falta no autor do bullying é afeto pelos outros [...] Nesse
caso, as manifestações de desrespeito, ausência de culpa e remorso pelos atos
cometidos contra os outros podem ser observados desde cedo [...]
Abaixo estão as ações que foram elaboradas e executadas no Colégio
Estadual “Dr. Quintiliano da Silva”, com a colaboração de toda equipe escolar.
AÇÃO
01.Exibição de DVD violência (
Içami Tiba) e entrega do
manual do professor.
OBJETIVO
Mostrar aos educadores sobre as
origens e desenvolvimento da
violência e sobre os procedimentos
para a sua prevenção principalmente
entre os jovens.
O2. Apresentação do projeto
por meio de teatro
O3.Palestra informativa sobre
o bullying.
Mobilizar a escola coletivamente.
04-Confecção de cartazes
promovendo a paz com alunos
de 6º e 7º ano.
Informar através da arte visual as
diferentes formas do bullying.
Valorização do diálogo, do
respeito à opinião e aceitabilidade
do trabalho em grupo.
05-Pesquisa no LABIM, sobre
o bullying. (Turma Ens. Médio)
07-Produção de paródia sobre
o combate à violência.
Incentivar os alunos a buscar
informações através das tecnologias.
Oportunizar
momentos
de
descontração,
valorizando
a
manifestação cultural e religiosa.
Maior
informação
sobre
o
bullying.
Maior interação aluno/aluno e
aluno/professor.
Valorização à cultura e à religião.
08- Dia “D” contra a violência
( bullying)
Promover
momentos
de
descontração e interação entre a
comunidade escolar.
Superação das dificuldades de
relacionamento de alunos de
diferentes turmas e aumento de
respeito á diversidade.
Informar a comunidade escolar sobre
o bullying e suas consequências.
RESULTADO
Posicionamento
seguro
e
consciente diante do assunto por
parte do docente.
Esclarecimento de dúvidas e um
despertar para o papel do
professor no combate ao bullying.
Envolvimento da comunidade
escolar.
Maior informação sobre o
bullying.
14
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao término da realização do projeto de Intervenção, nota-se grandes
mudanças no ambiente escolar. Os professores estão mais seguros para resolver
problemas de bullying em sala de aula e diminuiu consideravelmente o
encaminhamento de alunos para a Orientação Educacional.
Antes do projeto 30% dos alunos procuravam a orientação/coordenação
para reclamar de maus tratos, e quando eram indagados sobre a atitude dos
professores, 15% diziam que eles não faziam nada. Hoje, este percentual caiu
para 10% e na maioria das vezes o professor já aconselhou e orientou a turma
sobre as atitudes dos agressores.
Os alunos falam abertamente sobre o assunto, vítimas e testemunhas
estão denunciando quando são agredidas ou veem atos de violência. Os pais já à
instituição quando recebem reclamações dos filhos vitimados de bullying o que
propicia à escola fazer as intervenções necessárias. Isto é fruto de informação
que alunos e pais receberam através de ações consistentes realizadas através do
Projeto “BULLYING NÃO, queremos paz”.
No entanto, ainda não é suficiente para erradicar esse mal. É preciso criar
laços estreitos de amizade e respeito entre aluno/aluno e aluno\professor. O
segredo está na continuidade de ações favoráveis a não violência na escola,
nesse sentido e para isso o projeto foi implantado no Projeto Político Pedagógico
da escola e será executado nos próximos anos com algumas alterações.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, João Ferreira de. Bíblia Sagrada – Antigo e Novo Testamento.
Traduzida em Português por João Ferreira de Almeida. Editora Sociedade Bíblica
do Brasil. Barueri – SP. 2000.
AMADRID, José Ramiro e CASTRO, Denílson Barbosa. Dialogo sobre a
violência contra crianças e adolescentes. [S.I:s.n.]
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação
Fundamental. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Brasília: MEC/SEF.
1998. v.8.
CHALITA, Gabriel. Bullying o sofrimento das vítimas e dos agressores. São
Paulo. Editora Gente, 2008.
FANTE, Cléo. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e
educar para a paz. 2 ed. Campinas: Verus,2005.
MIDDELTON-MOZ, Jane e ZAWADSKI, Mary. Bullying estratégias de
sobrevivência para crianças e adultos. São Paulo, Artemed Editora S.A,2002.
SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes perigosas nas escolas – bullying. Rio de
janeiro, 2010. Editora Objetiva Ltda.
Sites:
www.abrapia.org.br
www.bullying..com.br
www.bullying.pro.br
www.kidscape.org.uk
http://www.fc.unesp.br/upload/pedagogia/TCC%20Luciana%20Pavan%20%20Final.pdf
Jornais / Revistas
Jornal Mundo Jovem. Violência na escola uma doença a ser tratada. Agosto/2006.
Pag11.
Veja. O monstro mora ao lado. Editor Abril. Edição 2212 – ano 44-nº 15.
Abril/2011.
ANEXOS
CURSISTAS: Clene Mª Nunes da Silva Gonçalves
Josina José Gonçalves Oliveira
Brincadeira de mau gosto como chamar o colega de baleia, feio, dentuço,
ou seja, brincadeira que de alguma forma tendem a ofender seus receptores
psicologicamente ou fisicamente é conhecida como Bullying.
Diante disso resolvemos elaborar um questionário para saber se este tipo
de brincadeira ocorre na escola e se ocorre qual é o papel do professor diante do
bullying na sala de aula.
QUESTIONÁRIO 11
QUESTÃO 1: Na sua sala de aula já aconteceu ou acontece casos de bullying?
( ) sim
( ) não
QUESTÃO 2: Com que frequência estes casos acontecem?
( ) frequentemente
( ) raramente
QUESTÃOS 3: Você acha que esse tipo de comportamento, ou seja,o bullying, pode
trazer consequências para os alunos envolvidos? Justifique.
( )sim
( )não
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
QUESTÃO 4:Como você acha que deve ser a reação do professor diante do bullying?
( ) Dá uma bronca e continua a ministrar o conteúdo.
( ) Encaminhar para a coordenadora pedagógica.
( ) Grita e ameaça os agressores.
( ) Finge que não ouviu e continua a aula.
( ) Interferir e conversar com a turma fazendo-os refletir.
QUESTÁO 5: Você acha que atitudes por parte do professor podem gerar bullying na
sala de aula? Justifique.___________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
_______________________________________________________________________
QUESTÃO 6: Que ações a escola deveria trabalhar para ajudar os alunos que são
vitimas do bullying?
( ) Palestras informativas e educativas.
( ) Produção e encenação de peça teatral.
( ) Leitura e socialização de textos sobre bullying.
( ) Confecção de cartazes e folder.
( ) Vídeos e debates.
( ) Produção de parodia.
( ) Outros._______________________________________________
1
Adaptado: http://www.fc.unesp.br/upload/pedagogia/TCC%20Luciana%20Pavan%20-%20Final.pdf
QUESTIONÁRIO 22
Questionário fechado aplicado aos alunos do Ensino Fundamental, com a função
de coletar dados que nos mostre o índice de ocorrência de bullying na escola e os
locais mais prováveis.
QUESTÃO 1: Você já sofreu algum tipo de intimidação, agressão e/ou assedio?
( ) sim
( ) não
QUESTÃO 2: Onde isso acontece?
( ) indo para escola
(
( ) no pátio da escola
(
)no banheiro
)na sala de aula
QUESTÃOS 3: Você já intimidou, agrediu e/ou assediou alguém?
( )sim
( )não
2
www.kidscape.org.uk
Download

universidade federal do tocantins clene maria nunes da silva