APRESENTAÇÃO Animados pelos frutos colhidos em nossa caminhada de peregrinos à Terra Prometida, damos inicio ao Projeto 2013 - “Fazer silêncio para conversar com Deus” . O objetivo maior do projeto deste ano é refletir a importância do silêncio como fator de melhor sintonia com Deus para Ousar o Evangelho. Entre as muitas fontes à recorrer, recordamos que o Pe Caffarel, quando afastouse da direção das ENS em 1972, dedicou a sua vida a orientar pessoas no caminho da oração. Ele é reconhecido pela Igreja como mestre em oração e seu legado é precioso e válido até os dias de hoje. Concluindo que temos dentro de casa os recursos para o crescimento espiritual que almejamos, voltamos às nossas origens e realizamos uma coletânea do livro “Cartas sobre a Oração”, do Pe Caffarel, que teve a sua ultima edição em 1962 e tornou-se conseqüentemente pouco conhecido até mesmo entre os equipistas. Prestamos-lhe nossa homenagem trazendo à reflexão textos profundos e vigorosos que permitem conhecer melhor a fibra do nosso fundador enquanto orientador de pessoas – equipista ou não, ao encontro com Deus Pai e nos leva também desejar esse encontro. Que este projeto dê abundantes frutos de crescimento espiritual. Pedimos a Maria, a Senhora Aparecida e ao Pe Caffarel, que nos alcancem as graças necessárias para bem vivê-lo. Deus ajude! Equipe do Setor PREFÁCIO O Projeto 2013 – “ Fazer silêncio para conversar com Deus”, nasceu após a reflexão das considerações e justificativas abaixo, bem como da provocação que recebemos no último retiro: ter a coragem de ser equipista para fazer a Vontade de Deus, para encontrar a Verdade e viver o Encontro e a Comunhão. I – CONSIDERAÇÕES 1- A dificuldade de muitos equipistas em fazer relativo silêncio durante o Retiro Anual, por falta de pleno conhecimento do seu objetivo (não é Encontro, Dia de Oração ou de Formação) e falta de prática de silêncio; 2- O objetivo da atual Equipe do Setor em retomar aspectos importantes das ENS, como a realização do Retiro Anual sobre os PCE em 2011 e as Três Atitudes em 2012; 3- O Tema de Estudo com enfoque em Formação em 2011 e em Ação em 2012; 4- O XI Encontro Internacional das ENS em Brasília/julho/2012: 4.1 – Reflexão muito rica da parábola do Bom Samaritano que “ está inserida numa conversa do doutor da Lei com Jesus, sobre como possuir a viva eterna, e Jesus responde-lhe com o mandamento de amar a Deus e o próximo como a si mesmo...É uma verdadeira conversa pela qual Jesus ajuda o doutor da Lei a avançar para a verdade” (cfe. Frei Timothy Radcliffe); 4.2 – Declaração do Postulador da causa de beatificação: o Pe Caffarel é “o homem do encontro”; a sua mensagem sobre o amor e a oração deve ser conhecida por todos; a santidade da nossa vida manifestará também a santidade do Pe Caffarel que nos conduziu. II – JUSTIFICATIVAS 1- Nosso fundador dedicou sua vida para ajudar as pessoas a se encontrarem com Deus através da oração; 2- Recebemos dupla herança do encontro: no Batismo – Deus Pai vem ao nosso encontro e nas ENS – os PCE nos levam ao encontro de Deus Pai; 3- A Meditação que leva ao encontro “desse Deus presente em sua alma, que não é um Deus silencioso. Ele fala. Mas para ouvi-lo é preciso fazer silencio”. (Pe Caffarel), é um PCE pouco conhecido e pouco amado; 4- Os frutos da vivência da Meditação – conversa com Jesus – pode nos ajudar, como membros das ENS, a fazer mais silêncio no próximo retiro; 5- E, a exemplo do doutor da lei, pode nos auxiliar a OUSAR O EVANGELHO em favor do nosso próximo. III – DESENVOLVIMENTO – 2013 1 – Tema de Estudo para a reunião mensal de Janeiro e Fevereiro; 2 – Novos textos para reflexão e testemunhos através do blog do Setor; 3 – Vivência da Meditação; 4 – Noite de Oração com celebração eucarística em Março; 5 – Retiro Anual em Agosto. INTRODUÇÃO Para chegar às cartas profundas e maravilhosas do Pe Caffarel, preparemos o nosso coração com a riqueza da Carta Mensal destacando a importância do silêncio no trato com Deus; O Encontro Internacional de Brasília recordando a nossa vocação à santidade no casamento e o PCE Meditação recebendo novas luzes para sanar as duvidas e ajudar na sua vivência. I – “A IMPORTÂNCIA DO SILÊNCIO COMO FATOR DE MELHOR SINTONIA COM DEUS" trechos retirados de CM anteriores do MENS A) Falar da importância do silêncio nos dias atuais é um desafio. Afinal, vivemos hoje em uma civilização profundamente marcada pelo ruído, até mesmo, pasmem, em algumas cerimônias litúrgicas! E os ruídos são muitos. Podemos escolher em variedade e em intensidade; temos de tudo! Às vezes tenho a impressão de que a nossa civilização procura fugir um pouco de sua própria realidade, refugiando-se no barulho dos celulares, dos aviões, das novas tecnologias, enfim, é como se procurássemos por alguma "distração" para não encararmos o nosso modo de vida, que tantas vezes achamos frustrante ou até, quem sabe, "brilhante" demais, porém vazio...... Santo Ambrósio disse, certa vez, que o diabo busca o barulho; Cristo o silêncio. Santa sabedoria! Especialmente se considerarmos que ele viveu no século VI, ou seja, uma época bem menos barulhenta do que a nossa. Sendo assim, é bom ficarmos atentos ao que nos dizia Dom Eugênio Sales, recentemente falecido: "Em nossos dias, urge lembrar a importância de um ambiente que favoreça o contato com o divino nas cerimônias religiosas e lugares sagrados, não como fim, mas como meio válido de fecundo encontro com Deus ou manifestação de respeito à casa do Senhor". E isto é válido também para os retiros das ENS, até porque, podemos e devemos considerar os lugares de retiro como casas do Senhor. Entre os beneditinos, em sua Regra monástica, o silêncio é colocado como uma realidade normal na comunidade dos monges. Ora, alguém poderá pensar ou dizer: não somos monges e o nosso mundo é bem diferente do deles!Certamente podem existir algumas diferenças, mas é bom lembrar que eles também não vivem em outro planeta; são seres humanos, limitados e pecadores como todos nós. Assim que pode dizer que não podemos aprender a virtude do silêncio com a sabedoria monástica? O silêncio cristão é pleno da Palavra de Deus e ilumina as nossas vidas. É tão importante, que mesmo na liturgia, devemos entender que os momentos de silêncio serão importantes para acolher a presença de Cristo nos vários momentos da celebração. Na busca da paz interior que nos leva à contemplação das verdades eternas em Cristo, e na busca do rosto de Deus,devemos conscientiza-nos sobre a importância do silêncio para a oração e para vida". Os membros de nossas equipes poderiam colocar como uma REGRA DE VIDA DO RETIRO: "O SILÊNCIO" B) Na linguagem dos padres do deserto, o silêncio é uma experiência concreta para o encontro vivo com o Sagrado. Santo Agostinho associará a atitude silenciosa à intimidade quando nomina Deus de "Intimo meo" (intimo meu). Segundo a visão destes religiosos, o deserto é o lugar espaço-temporal para manifestação do Divino; e aí Deus se torna mais íntimo do que a nossa própria intimidade. Trata-se de um entrega total e absoluta de duas vidas, que se unem a partir do silêncio, pela transformação da desordem existencial do ser humano. É na evolução histórica da comunidade primitiva que o silêncio torna-se a marca fundamental do Cristianismo. Foi no silêncio que os discípulos se colocaram em oração no Pentecostes e só depois saíram ao mundo para anunciar o Evangelho. Foi no silêncio das catacumbas que os primeiros cristãos se reuniram, às escondidas, para experiência de fé em Cristo. Foi também nos mosteiros que homens e mulheres se consagraram silenciosamente a Deus pelo resto de suas vidas. No silêncio, a Igreja gerou os grandes apóstolos da história cristã. Até mesmo os profetas do passado e do presente podem ser considerados pessoas silenciosas, pois a profecia nasce daqueles que ouviram Deus das mais variadas formas, e por isso são capazes de falar em Seu nome. O silêncio é o primeiro requisito para uma verdadeira comunicação. Mais que a ausência de palavras ou vazio de linguagem, o silêncio esta arraigado à ação divina. Deus age na serenidade da consciência, na mansidão do espírito, na temperança do agir, na tranqüilidade do ser e no sossego do existir. Somos filhos de um Deus que "fala no silêncio",uma vez que Sua linguagem é puramente silenciosa. Enquanto a linguagem confunde, o silêncio esclarece. Se o falar deturpa, o silêncio ilumina. Se a linguagem, muitas vezes, é utilizada para enganar, o silêncio gera a verdade de si e da pessoa humana. O próprio Cristo utiliza o silêncio como forma de evangelização interior: Ao curar e pedir que não anunciem nada a ninguém (Mc 1,44},ao emudecer diante dos homens que ameaçavam apedrejar a mulher adultera(Jo 8,6),ao se negar a responder as perguntas de Herodes(Lc23,9},ao morrer na Cruz e ao ressuscitar,silenciosamente,do sepulcro(Mt28,1-8). Aquele que vive a essência da paz interior sabe que o silêncio não é diretamente uma experiência de encontro com Deus, mas, sobretudo, uma experiência de encontro consigo mesmo em Deus. Muitos são aqueles que expressam orações e, contudo, não conseguem mudar de vida, pois tantas vezes rezam em torno de si mesmos. O silêncio orante faz-nos sair de nós para irmos ao encontro do Absoluto de Deus. Justamente por isto que a agitação interior e o alvoroço exterior geram barulho anestésico da humanidade. O barulho é a fuga dolorosa do viver, é como que um esquivar-se das dificuldades e não ter a coragem de enfrentar na fé. Quanto mais barulhentos somos, mais triviais nos tornamos. O silenciar-se não consiste em deixar simplesmente de falar ou pensar. Incide que nos despeguemos do pensamento e da linguagem. Pelo silêncio, vamos descobrir as leis de Talião que continuam agindo em nosso coração. O silêncio tem a capacidade divina de mostrar quem somos nós. Quando passamos a conhecer as feridas e as mazelas da existência, que não nos foram poupadas pela vida, iniciamos a reconstrução da nossa história à luz da História da Salvação. A incapacidade de silenciar o interior nos torna mendigos do barulho até o ponto de amputar nossa própria existência. É no silêncio que experimentamos o nosso verdadeiro "eu" em Deus. Nele "eu" me torno inteiramente livre, pois não tenho necessidade de comprovar-me, justificar-me, explicar-me, não tenho necessidade de me mostrar aos outros, mas de ser simplesmente "eu". Nasce a experiência de fé na qual eu preciso me esconder para que Deus possa se revelar. E Deus se revela como silêncio. E, muitas vezes, Ele mesmo precisa se silenciar. .. Deus não é aquele que se cala, mas que confirma no silêncio. O silencio de Deus é sua presença. Que possamos nos silenciar mais para gerar a Palavra que brota do coração de Deus à humanidade! Desta forma não nos deixaremos vencer pelos problemas. Viveremos crises, mas não permitiremos que decidam nossas vidas. Trechos retirados de CM anteriores do Movimento das Equipes de Nossa Senhora - Equipe do Setor II - XI ENCONTRO INTERNACIONAL DE BRASÍLIA – O7/2012 Pe Caffarel : O Homem do Encontro – Pe. Paul-D.Marcovits, o.p. - Postulador da causa de beatificação www.brasilia2012.gov.br) ( ... ) Pe. Caffarel é um homem do encontro. Em primeiro lugar, foi Deus que veio. « Aos 20 anos ... soube que era amado e que amava, e que, daí em diante, a minha relação com Ele (Jesus) seria para toda a vida.» ... em 1939 com casais e em 1943 com viúvas . .. Pedem que os conduza no caminho da santidade e a ambos ele responde: «Procuremos juntos». Quando o Senhor Se manifesta a alguém é para lhe confiar uma missão ... Pe. Caffarel deseja que façamos a experiência do amor de Deus. Missão essencial! "Tenho apenas um desejo: entrar eu próprio mais na intimidade com Cristo e levar os outros a entrarem também nessa intimidade, porque isso foi fundamental na minha vida ... Afinal, não posso deixar de desejar aos outros esse encontro com Cristo vivo, essa descoberta de que Deus é amor" O Pe. Caffarel será beatificado se Deus quiser ... Mas também se cada um de vós também quiser! Se o pedirem ao Senhor! A Igreja reconhece ... Para isso, há três ações: - Ler e meditar seus escritos sobre o matrimônio e a oração. Conhecê-lo é amá-lo e entrar na sua escola. - Viver a vossa graça do matrimônio, ajudados de forma particular pela Carta: o matrimônio é um caminho de santidade. A santidade da vossa vida manifestará também a santidade do Pe. Caffarel que vos conduziu. Os padres, inseparáveis dos equipistas, são também testemunhas do que ele foi e é para todos. - Rezar com freqüência a oração que pede a canonização do Pe. Caffarel. Pedir ao Senhor graças (para vida moral e espiritual) e um milagre (para a vossa vida física), sinal da presença e da intercessão do Pe. Caffarel por nós. Para terminar, uma canonização, cuja primeira etapa é a beatificação, é para o bem do povo cristão e da sociedade humana. Pensamos que a mensagem do Pe. Caffarel sobre o amor e a oração deve ser conhecida por todos. (Ele) foi-nos dado por Deus; temos de o dar a conhecer aos casais e a todos os que procuram o Senhor. Não podemos guardar para nós tal tesouro. Falar do Pe. Henri Caffarel é evangelizar os homens e as mulheres que procuram a felicidade. III – COMUNIDADE MUNDIAL DA MEDITAÇAO CRISTÃ www.wccm.com.br 1- Leituras para meditação A cada semana é colocada neste “website” uma nova leitura ... que pode ser usada ... como recurso de inspiração e motivação para a prática da meditação diária. 2 – A tradição da palavra sagrada (ou MANTRA) A mente tem sido comparada a uma árvore monumental cheia de macacos turbulentos que saltam de ramo em ramo sem nunca parar o alarido e a agitação. Basta começarmos a meditar para nos darmos conta até que ponto esta imagem descreve com exatidão a agitação permanente que impera na nossa mente. A oração não consiste em aumentar essa confusão tentando cobri-la com mais palavreado. A meditação tem por objetivo levar nossa mente agitada e distraída à imobilidade, ao silêncio e à atenção. Para nos ajudarmos nesta tarefa recorremos ao uso de uma palavra sagrada ou mantra. MARANATHA que significa “Vem Senhor, vem Senhor Jesus” (1 Co 16,22) e (Ap 22,20). É a palavra recomendada por John Main (1926-1982), um monge beneditino que transcreveu para uma linguagem moderna o ensinamento ancestral desta forma de oração. Esta foi à palavra escolhida porque não tem qualquer conotação visual ou emocional. A sua repetição contínua conduz-nos, com o tempo, a um silêncio cada vez mais profundo. 3 – Para meditar : 1. Escolha um lugar calmo; 2. 3. 4. 5.. 6. 7. Um momento de tranqüilidade da manhã e da noite; Sente-se e permaneça quieta/o, de costas bem direitas; Feche levemente os olhos; Fique relaxada/o, mas, atenta/o; Em silencio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração “Maranatha”. Recite-a em quatro sílabas de igual duração. Ouça-a à medida que pronuncia, suave e continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem espiritual ou de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade; Permaneça fiel à repetição da sua palavra, do inicio ao fim de sua meditação. Medite de 20 a 30 minutos de cada vez. 3 – Em que é que a meditação é cristã? Nós meditamos porque acreditamos em Cristo, em como Ele vive e em como Ele vive em nós. É a nossa fé que faz com que a nossa meditação seja cristã. Meditamos com outros cristãos e em comunidade. As nossas vidas são guiadas e enriquecidas pelas Escrituras, os sacramentos e por todas as inúmeras maneiras de prestar auxilio aos outros, no amor e na compaixão de Cristo. Jesus não ensinou nenhum método de oração, mas o fundamento teológico da meditação cristã tem por base a teologia do Evangelho. Jesus, pela sua vida, sua morte e ressurreição, abriu-nos o caminho para Deus. E enviando-nos o Espírito Santo em nós, tornou-se o nosso guia em nosso caminho.