Clipping Nacional de Educação Segunda-feira, 11 de Novembro de 2013 Capitare Assessoria de Imprensa SHN, Quadra 2 Bloco F Edifício Executive Tower - Brasília Telefones: (61) 3547-3060 (61) 3522-6090 www.capitare.com.br 13/11/13 00 PÁGINAS AMARELAS César Camacho Quanto mais competição, melhor O criador da maior olimpíada de matemática do país diz que o Brasil precisa encarar de uma vez por todas a luta pela qualidade e começar a dar valor ao esforço e ao talento Pergunte a um jovem brasileiro que disciplina lhe desperta os piores sentimentos e dificilmente ouvirá algo diferente de “a matemática". Foi para tentar reverter esse cenário que o peruano César Camacho, 70 anos, se lançou em uma cruzada que demandou andanças por todo o país e conversas nos mais altos gabinetes de Brasília. Em 2005, ele conseguiu pôr de pé a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), que atrai 20 milhões de estudantes de 50000 colégios. Doutor pela Universidade da Califórnia em Berkeley, Camacho é um ferrenho defensor da meritocracia, princípio que norteia sua gestão de uma década à frente do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), centro de pesquisas de reputação mundial. Ele resume: "A matemática faz cidadãos melhores”. O senhor sofreu resistências quando lançou a ideia da olimpíada de matemática? Uma ala dentro do próprio MEC era contra. Houve uma ocasião em que a secretária do ensino básico do ministério me chamou e disse: “Professor, o senhor vai me desculpar, mas não quero participar dessa atividade”. Perguntei por quê, e ela foi direta: “A olimpíada vai discriminar os estudan- tes e, na minha maneira de ver as coisas, na sala de aula são todos iguais”. A ideia só prosperou mesmo porque instâncias superiores gostaram do projeto. O primeiro a se manifestar a favor foi o Eduardo Campos (então ministro de Ciência e Tecnologia). Quando eu expliquei que custaria 5 milhões de reais para alcançar inicialmente 5 milhões de estudantes, ele logo se entusiasmou: “Um real por aluno? Vou falar com o Lula". Aí o presidente me pediu que fosse a Brasília e expôs suas preocupações. O que exatamente preocupava o então presidente Lula? Ele colocou duas questões na mesa. Primeiro, queria saber o que os pedagogos achavam da minha ideia. Eu disse que havia os bons pedagogos e os não tão bons — esses últimos é que eram contra. Contei a Lula que eles repudiavam justamente o princípio elementar da olimpíada: a competição. O presidente refletiu e disse: “Na Amazônia existem o capim, os arbustos, árvores maiores e menores brigando pela mesma luz solar. É da natureza competir”. O outro comentário de Lula foi sobre uma ideia que ele próprio lançou no encontro, a de uma olimpíada voltada para professores. “Por que não fazemos?”, indagou. E ele mesmo respondeu: "Deixa para lá. Os sindicatos seriam contra”. Na recente greve de professores do Rio de Janeiro, os sindicalistas agitaram bandeiras de repúdio à meritocracia, como já acon- teceu outras vezes. Qual é a raiz dessa resistência? Tradicionalmente, os que gostam de sistemas que premiam o mérito são aqueles que veem aí uma chance de ter seu talento reconhecido, e não os que sabem de antemão que não reúnem as condições mínimas para ser bem avaliados — exatamente o caso de uma parcela dos docentes. No meu modo de ver, a questão salarial pode até ser posta à mesa, mas desse jeito, apoiada sobre a isonomia, não trará grandes avanços ao ensino, tampouco prestígio à carreira do professor. Qual seria o caminho para a docência conquistar prestígio? No mundo todo, em qualquer área, o prestígio só vem com uma formação de alto nível e junto a um sistema em que a ascensão profissional seja determinada por resultados, e não por conquistas sindicais. Antes que obtivessem a cátedra, aliás, os professores deveriam passar por uma prova como a que a OAB faz para os que querem atuar corno advogados: só seriam aprovados os que de fato sabem o que precisam ensinar. A alta qualidade está ligada à dura seleção, mas o Brasil não tem pendor para a competição. Repare que a isonomia não é bandeira histórica apenas dos sindicalistas, que sempre lutaram por salários iguais para todos: ela é também defendida por correntes que abominam o princípio de distinguir os alunos pelo mérito na sala de aula. Para mim, essa é uma visão oblíqua. Os Continua Continuação talentos precisam, sim, ser incentivados. O Impa é uma das poucas instituições brasileiras de relevo na comunidade acadêmica internacional. Quais as raízes da ainda modesta participação do Brasil na elite da pesquisa? A pesquisa brasileira se desenvolve em um sistema estatal pesado, sob um excesso de normas que atravancam o trabalho do cientista e o processo de inovação. O labirinto burocrático do serviço público pesa, por exemplo, na hora de contratar cérebros e importar materiais. Mesmo atrair estrangeiros para nossos centros de pesquisa não é uma tarefa simples. Há resistência por parte da academia a acolher estrangeiros? Na verdade, nós os espantamos graças a um hábito cartorial brasileiro, que remete ao mais puro tradicionalismo: ainda que a situação esteja melhorando, a maioria das provas dos concursos é até hoje feita em português. Isso, claro, afasta pesquisadores de fora. É a burocracia agindo contra a qualidade. O Impa não tem essas amarras. Como organização social (OS), nosso orçamento é livre de carimbos e podemos contratar e demitir com base exclusivamente no mérito. Um terço de nossos professores são estrangeiros, e nós nos beneficiamos muito. Afinal, o país não precisou pagar pela boa educação deles, e pudemos fazer uma seleção mais qualificada, entre os melhores do mundo. 13/11/13 A academia brasileira ainda vê com desconfiança a aproximação com a indústria? Essa distância vem encurtando gradativamente na área das ciências. A competição global ajuda a demolir o muro que separa esses dois mundos na medida em que torna a inovação uma questão de sobrevivência. Ou seja, as empresas têm e terão cada vez mais de ir atrás de cérebros na academia para equacionar seus problemas. O estreitamento do elo entre universidade e mercado também tem a ver com a sofisticação da indústria nacional: enquanto ela cresce, as questões por solucionar vão demandando mais e mais expertise. É essencial que se estabeleça essa ponte. Os países que conseguiram se despir de qualquer ideologia e fazer isso com pragmatismo são também os mais inovadores. O Brasil deveria refletir sobre o assunto de forma estratégica, como faz, por exemplo, Singapura, uma ilhota de 50 quilômetros de diâmetro que virou sinônimo de inventividade. É um exemplo em que o Brasil poderia mirar. Quais são os aspectos que fazem de Singapura um país tão inovador? Olhe como funciona o CNPq de lá. Esse órgão, que serve para fomentar a pesquisa, conta com um grupo de sábios que vive de mapear janelas de oportunidade para a investigação científica. Eles não limitam a procura apenas a Singapura, evidentemente, mas prospectam no mundo inteiro áreas que podem trazer inovação e dinheiro. Definido o foco, garimpam os melhores especialistas, dentro e fora do país, e põem de pé a estrutura necessária, seja um laboratório, seja até mesmo um novo instituto. Eles têm em caixa um orçamento gigantesco, para cinco anos de trabalho, e zero de burocracia. Se a pesquisa termina, desativam aquele instituto, ainda que centenas de cientistas precisem ir para casa, e partem para desbravar outras áreas. No passado, investiram pesado em eletroeletrônicos. Depois veio o petróleo. É difícil de acreditar, mas, sim, o Brasil compra plataformas submarinas de Singapura, que nem petróleo tem. Não dá para competir. Somos devorados no campo das inovações. Como fazer com que os estudantes brasileiros deixem o grupo dos piores do mundo em matemática? Antes de tudo, é preciso entender que, ao contrário do que ocorre em outras disciplinas, o aprendizado da matemática é sequencial. Se o aluno não firma bem determinado conceito, fica mais difícil absorver o seguinte e pior ainda o que vem depois, sedimentando-se assim as lacunas. O ensino da matéria requer, portanto, uma escola organizada e um professor muito bem preparado; alguém que goste de dar aula, tenha domínio do conteúdo e consiga adequar-se ao nível de conhecimento do aluno. A matemática remete a um princípio elementar do espírito humano: o prazer de ser desafiado. Como um bom matemático pensa a matemática? Solucionando problemas mais e mais complexos. É exatamente isso que atrai tantos jovens à olimpíada. Onde estaria a solução para o desempenho sofrível nas salas de Continua Continuação aula? Nas faculdades que formam os professores. O nível geral é baixo. Certa vez, falava a um grupo de educadores sobre como preparar os alunos para a olimpíada quando fui surpreendido pela franqueza de uma diretora de escola. "Como o senhor espera que a gente faça tudo isso se nem a matéria sabemos direito?”, ela me perguntou. Olhe a situação: era uma diretora, alguém no auge da carreira, que reconhecia suas deficiências mais básicas. E não é um caso isolado. Depois de oferecer um curso a docentes de escolas públicas, um conjunto de instituições de ensino do Rio constatou que um terço deles eram profissionais irrecuperáveis. Eles deveriam voltar para a escola. O problema é que os pais simplesmente confiam os filhos a essas pessoas. Agindo assim, diminuem as chances de eles galgarem degraus e competirem para valer no tabuleiro global. O que fazer para que as universidades formem professores mais capazes? Elas já são avaliadas, mas precisam ser cobradas de verdade. O governo poderia pensar em uma certificação mais séria, só concedida às que cumprem o papel de formar bons profissionais. As outras, medianas e ruins, devem se guiar por meias e mostrar efetivamente progresso para continuar a funcionar. Na pósgraduação brasileira, as notas são o que define as verbas destinadas a cada programa por CNPq c Capes. É um 13/11/13 sistema fincado na meritocracia. Pergunto-me por que esse valor tão caro não se dissemina na educação como um todo. A resistência à ideia de distinguir pessoas e instituições por esforço e produtividade é um obstáculo que precisamos vencer. As próximas eleições presidenciais são, aliás, uma boa oportunidade para começar a elevar o nível do debate sobre os rumos na sala de aula. O senhor acha que os jovens enviados ao exterior pelo programa Ciência sem Fronteiras podem dar uma boa sacudida na universidade brasileira? Expor-se a um ambiente estimulante e meritocrático tem tudo para ser intelectualmente interessante e bom para o Brasil. O grau de efetividade, porém, vai depender dos caminhos percorridos no exterior. Se o estudante envereda por uma área que não tem nada a ver com a sua ou faz algo muito parecido com o que teria aqui, pode ser até atraente para ele, mas não parece que trará grande impacto ao país. Gosto muito da outra mão do programa: aquela que incentiva a vinda de estrangeiros na condição de professores visitantes. Eles arejam a academia nacional, trazendo uma cultura diferente e novas áreas de pesquisa. Na comparação com a China e a Índia, o Brasil forma poucos jovens em ciências exatas. Isso tem solução? Sem dúvida é um entrave que o Brasil precisa superar, e com urgência. As órbitas superiores da ciência têm justamente discutido estratégias para atrair jovens para essas áreas que tanto repelem os estudantes. Não há mistério: o caminho passa pela oferta de um ensino vibrante, capaz de cativar e moldar cabeças para as ciências desde muito cedo. Nesse sentido, a olimpíada de matemática cumpre um bom papel — revelando e estimulando os bons professores e seus alunos — mas é preciso mais. Os países avançados estão riscando seus planos de desenvolvimento para daqui a vinte, trinta anos; a formação de engenheiros, físicos e matemáticos é prioridade absoluta. O Brasil não é muito afeito a planos de longo prazo, mas devemos romper com essa lógica para entrar no jogo. Como a matemática pode ajudar? Ela figura entre as quatro grandes áreas do conhecimento apontadas hoje como fundamentais; fica ao lado de nanotecnologia, tecnologia da informação e das pesquisas sobre cognição. São elas que vão puxar o desenvolvimento da humanidade daqui para a frente. A matemática dá o impulso às outras três, ao lhes proporcionar os modelos. É também ferramenta básica para que o cidadão comum conheça números, interprete gráficos e tenha discernimento das coisas. Assim participará mais da sociedade em que vive, contribuindo para a consolidação da própria democracia. 13/11/13 Claudio de Moura Castro 00 O PNE e as coboclinhas Fui a um encontro no Senado falar sobre um assunto candente: o Plano Nacional de Educação (PNE) deveria oferecer um norte à educação brasileira. Mas, tal como o vejo, está malparado. Escoam-se os anos, e a proposta continua no limbo. O país necessita de um plano estruturado que represente o interesse coletivo e busque um equilíbrio entre viabilidade e ambição. Igualmente crítico, o plano precisa ser legitimado pela sociedade. Ou seja, ser amplamente discutido. Todos os países com educação séria seguem essa ordem. Começam encomendando às suas melhores cabeças uma primeira versão, sempre colimando capturar o bem comum da sociedade. A proposta deve estar alinhada com o que julgam ser o denominador comum do que todos querem. É a busca do que Rousseau chama de volonté générale. Essa primeira versão é levada então para uma ampla discussão pública, permitindo legitimar, ajustar e melhorar o plano. Porém, a equipe do MEC inverteu a ordem, convidando centenas de grupos de interesse e sindicatos para construir o PNE, tábula rasa, cada um fazendo a sua reivindicação. Não podia dar certo. Os con- vocados tocaram pela partitura apresentada e deu no que deu. Terminouse com uma lista de 2 000 propostas desconjuntadas, cada uma puxando a brasa para a sardinha dos representados. Com muito esforço, foram reduzidas a 200, igualmente descosidas. seguida, as ideias são remexidas e legitimadas, com a participação da sociedade civil. Em contraste, consultar grupos de interesse, sem uma primeira versão estruturada, gerou um conjunto desconexo de demandas particularistas. No momento, não há enguiço maior na nossa educação. No século XVIII, Rousseau já captara esse erro, ao falar da volonté de tous, que é o somatório do que cada um quer para si. Na prática, não passa de um congestionamento caótico de demandas, incompatíveis entre si e muitas delas equivocadas ou irrelevantes. Não houve como estabelecer prioridades nessa montagem do PNE. Um exemplo. A maior crise da educação brasileira está no ensino médio: ganha um só parágrafo no plano. O mesmo que a proposta tola de padronizar ônibus escolares. Já os parágrafos sobre desigualdades não mostram como superá-las, desafio em que tropeçam até os países mais ricos. Minha ida ao Senado mereceu uma carta, de repúdio, assinada por 41 ONGs. Provocou também frisson nas redes sociais. Só que a carta não discute as ideias em pauta — contra ou a favor. Em vez disso, acusa o autor de tentar “reforçar seu argumento de que o PNE é inconsistente devido à participação da sociedade civil”. Ou se trata de má-fé ou ignora o que disse. De fato, meu tema principal é o momento da consulta, como explicado nos parágrafos acima — fiéis, ipsis literis, ao Powerpoint usado (https:// dl.dropboxuser-content.eom/u/ 14585581/PNE%20Senado.pptx). A crítica da carta é estapafúrdia e injustificada, por ignorar a estrutura lógica da minha argumentação. Em suma, afirmei no encontro ser essencial a etapa das consultas, mas depois de ter em mãos um plano com pé e cabeça, elaborado por pessoas que se colocam em posição de encontrar consensos e montar uma estrutura lógica para o documento. Em Talvez, por falta de bons argumentos, se tenha despejado a ira contra um comentário irônico que fiz — assunto longínquo do PNE. Nos momentos finais, um senador mencionou os muitos engenheiros estrangeiros trabalhando no Ceará e em Continua Continuação 13/11/13 Pernambuco. Comentei como seria bom se, casando-se com brasileiras, ficassem no país, pois isso aumentaria o estoque de capital humano do Nordeste. Onde eles trabalham, a população é cabocla, a clássica mescla de português e índio. Portanto, com todo o respeito, as noivas mais prováveis seriam as caboclinhas locais. Essa palavra foi o foco da carta furibunda, pedindo retratação. Vale notar, festeja-se o Dia do Caboclo, em 24 de junho. Ora, se os próprios homenageados não têm objeções ao termo e como os diminutivos adquirem tom afetivo, onde está o meu pecado? O repúdio embarcou na histeria do "politicamente correto” e foi incapaz de oferecer um comentário pertinente sobre o PNE, o grande pepino da educação brasileira. 13/11/13 00 COMPORTAMENTO O MUNDO É O LIMITE Continua Continuação 13/11/13 11/11/13 00 ENTREVISTA Continua Continuação 11/11/13 11/11/13 00 EDUCAÇÃO Continua Continuação 11/11/13 13/11/13 00 Educação Kroton faz lição de casa e dobra o lucro Mais de 19 mil estudantes entraram para a graduação, no terceiro trimestre, o que impulsionou os resultados da Kroton Educacional. O lucro líquido do grupo avançou 110%, para R$ 127,9 milhões, e a receita líquida cresceu 33,9%, para R$ 516,1 milhões. Segundo o presidente, Rodrigo Galindo, a captação de alunos superou a meta para o período, o que deve ter impacto positivo até em 2014. DINHEIRO EM AÇÃO 11/11/13 OPINIÃO 00 Choque na educação Paulo Guedes A educação é o recurso crítico da Sociedade do Conhecimento. A riqueza das nações, o sucesso das empresas e a prosperidade dos indivíduos dependem dos investimentos em educação. Não se trata apenas da riqúeza material trazida pela maior produtividade, e sim de maior bem-estar em todas as dimensões da existência humana. Nossa vida é mais longa, permitenos maior realização de nossos potenciais, adquire significados próprios para cada indivíduo e se torna mais contributiva para a sociedade quando nutrida pela educação, em suas dimensões econômica, cultural, artística e também física e mental. "Preciso me educar sobre política e guerras para que meus filhos tenham liberdade de estudar matemática e filosofia. E meus filhos terão de estudar matemática e filosofia para que seus filhos possam, por sua vez, ter o direito de se dedicarem a pintura, poesia e música" disse John Adams, segundo presidente dos Estados Unidos (1797-1801), pensando em primeiro escapar da pobreza e depois enriquecer o espírito. Todos esses impactos da educação são amplificados por uma terceira revolução industrial em andamento. "A idade da informação começou em torno de 1950, e chegou aos computadores pessoais no final dos anos 70 e início dos anos 80. A internet veio nos anos 90. As indústrias de computação e das comunicações intensificam os poderes do cérebro, em vez da força bruta do trabalho humano, como as revoluções industriais antecedentes", registra Chris Anderson, em "Makers: a nova revolução industrial" (2012). "Da mesma forma que novas tecnologias combinaram-se ao longo de muitas décadas antes que todo seu impacto ocorresse, a computação digital foi somente o início. Apenas quando foram conectados em redes através da internet, os computadores começaram realmente a transformar nossa cultura" prossegue o autor. Mas desta vez as inovações estão revolucionando o próprio setor educacional. O ritmo acelerado das inovações tecnológicas trouxe o risco de sucateamento por inadequação e obsolescência das estruturas institucionais existentes. Um clássico exemplo da "destruição criadora" schumpeteriana: "O essencial é compreender que estamos lidando com um processo evolucionário. As inovações são o impulso fundamental de toda essa engrenagem. Causam mutações que revolucionam incessantemente a estrutura econômica por dentro, destruindo o antigo e criando o novo. O papel dos empreendedores é o de explorar tais inovações, criando novos produtos, novos métodos de produção e até mesmo reestruturando toda uma indústria. O problema usualmente visualizado é como administrar estruturas existentes, quando na verdade o problema relevante é como tais estruturas são criadas e destruídas pelas inovações". São portanto enormes os desafios à frente das organizações educacionais, explica Clayton Christensen, em "Inovação na sala de aula: como a inovação disruptiva muda a forma de aprender" (2008). "Adotar as inovações é muito difícil para instituições estabelecidas. Foco em cada aluno, suas diferentes motivações e modos de aprender, aprendizagem em computadores, aulas em rede, conteúdo modular. Tudo isso deve forjar um sistema educacional inteiramente novo." 11/11/13 00 O PAÍS Continua Continuação 11/11/13 11/11/13 00 NOTAS & INFORMAÇÕES A educação em escombros Se ainda faltasse alguma prova da crise educacional brasileira, o novo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a escassez de pessoal para a construção seria mais que suficiente. Durante muito tempo as construtoras foram uma das principais portas de entrada para o trabalho urbano. Absorviam enormes contingentes de mão de obra de baixa escolaridade e ofereciam ocupação mesmo a analfabetos. Programas de investimento em obras de infraestrutura e em construções habitacionais contribuíam de forma importante para a criação direta e para a manutenção de empregos. Hoje essa porta é muito menos ampla, porque a tecnologia mudou e a atividade requer outro tipo de trabalhador. Mas a política educacional foi incapaz de acompanhar essa mudança e o descompasso é evidenciado, mais uma vez, pela sondagem da CNI. Mesmo com o ritmo de produção abaixo do esperado, o setor da construção continua encontrando muita dificuldade para contratar mão de obra adequada às suas necessidades. O problema foi apontado por 74% das 424 empresas consultadas na sondagem recém-divulgada. Há dois anos a queixa havia aparecido em 88% das respostas, mas o nível de atividade era bem mais alto e isso se refletia na procura de trabalhadores. Mas o detalhe mais alarmante é outro. A falta de pessoal para as atividades básicas pedreiros e serventes - foi apontada por 94% das firmas com problemas para preenchimento de quadros. Parcela pouco menor (92%) indicou escassez de funcionários técnicos para ocupações ligadas diretamente à obra. As indústrias consultadas mencionaram problemas para preenchimento de postos em todos os segmentos e em todos os níveis administrativos. Em relação à gerência, por exemplo, queixas foram apresentadas por 69% das empresas com dificuldades de contratação. De modo geral, os níveis de insatisfação quanto às condições do mercado foram tanto mais altos quanto maior o porte da companhia consultada. A falta de trabalhadores qualificados - a questão mais genérica - foi apontada como problema importante por 81% das empresas grandes, 77% das médias e 64% das pequenas. A média dessas respostas ficou em 74%. A qualificação de pessoal na própria empresa é a solução mais comum, mas também a aplicação desse remédio está longe de resolver o problema. Alta rotatividade, pouco interesse dos trabalhadores e baixa qualidade da educação básica foram os principais obstáculos apontados pelas companhias consultadas. Mas o terceiro item apontado, a educação básica deficiente, talvez seja a explicação mais provável tanto do desinteresse dos trabalhadores como da rotatividade. A sondagem do setor da construção complementa com um toque especialmente dramático o cenário mostrado, há poucos dias, na última pesquisa sobre os demais segmentos da indústria. Também neste caso é relevante levar em conta o baixo nível de atividade do setor: mesmo com a lenta recuperação registrada depois de um ano de retração, as empresas continuam com problemas para preencher seus quadros. Praticamente dois terços das firmas (65%) indicaram dificuldades para encontrar pessoal qualificado. Desse grupo, 81% procuram qualificar os trabalhadores na própria empresa. Mas também neste caso a tarefa é dificultada pela falha da escola. A baixa qualidade da educação básica foi apontada como a maior causa de dificuldade por 49% das empresas com problemas de preenchimento de postos. Esses dados esclarecem facilmente um paradoxo aparente. Por que - muitas pessoas têm perguntado - as empresas têm evitado demitir, apesar do baixo nível de atividade a partir de 2011? A resposta é evidente. Além dos custos da demissão, os administradores levaram em conta as dificuldades para recompor os quadros. Durante quase dez anos a administração petista deu prioridade à ampliação do acesso às faculdades, para facilitar a distribuição de diplomas. Quase nenhuma atenção foi dada aos outros níveis. A escassez de mão de obra com a formação mínima é uma das consequências desse erro, ao lado, é claro, da perda de competitividade. 11/11/13 00 METRÓPOLE USP mudou bônus sabendo que não alcançaria meta Paulo Saldana A Universidade de São Paulo (USP) aprovou neste ano alteração no bônus em seu vestibular já sabendo que não alcançaria, no próximo ano, as metas propostas pelo governo do Estado nos porcentuais de matrículas de alunos de escolas públicas e de pretos, pardos e indígenas (PPI). Documento obtido pelo Estado mostra que, pelas simulações feitas pela USP, o quadro de inclusão não teria grande alteração: só 27% das 171 carreiras analisadas teriam 35% de aprovados de escola pública e 19% registrariam mais de 12,2% de PPI. O estudo com as simulações foi produzido pela Pró-Reitoria de Graduação para servir como ; base para a deliberação do Conselho Universitário sobre inclusão. O órgão decidiu aumentar a bonificação para quem é de escola pública (até 20%) e criar bônus extra para PPL. A USP jamais apresentou as simulações, que foram obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação pela ONG Educafro. As estimativas nas carreiras consideraram o novo bônus no resultado do vestibular para ingresso em 2012. Das 47 carreiras em que o porcentual de apro-yados vindos do ensino público ; alcança ou supera 35% do total, 120 são de humanas, dez são licenciaturas e 5 de saúde. Dentre os 30 cursos de Engenharia analisados, só três chegam ao porcentual. Segundo o cálculo, com dados de 2012, Medicina em São Paulo, por exemplo, alcançaria 35,4% de alunos de escola pública na primeira chamada. Já na simulação com resultados do vestibular de 2013, 26,9% dos convocados em primeira chamada teriam vindo de escola pública. O porcentual de alunos de PPI chegaria a 7,6% no curso. Em toda a USP, os convocados de escola pública em primeira chamada subiriam de 25,3% para 28,9%. Enquanto os pretos, pardos e indígenas iriam de 6,2% para 7,8%. Metas. A proposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB), construída no ano passado em parceria com os reitores das três estaduais, era estipular metas fixas escalonadas de inclusão. A USP decidiu pela estratégia de aumentar a bonificação. O estudo mantinha as metas parciais até 2018, que também estipulavam 35% de escola pública e 12,2% de PPI para 2014. A USP, entretanto, jogou para 2018 a meta de ter 50% dos alunos de escola pública entre os matriculados por curso. O diretor da Educafro, frei David Santos, disse que o documento deixa claro que a inclusão não será efetiva com a mudança do bônus. "A USP usa dados científicos para tudo que faz, mas quando é para pensar em ações para pretos e pobres não usa dados científicos", diz. Neste ano, 37,9% dos mais de 170 mil candidatos que devem fazer a Fuvest no próximo dia 24 são de escola pública. Morador de Brasilândia, na zona norte, o estudante Agnelo Santos, de 17 anos, não tem nenhum amigo ou parente na USP. Ele faz cursinho ao mesmo tempo em que termina o 3.0 ano na Escola Estadual Cohab Brigadeiro Eduardo Gomes. "A gente sai da periferia, não tem nada no colégio e, ao mesmo tempo, tem um monte de playboy que está lá e não dá valor", diz ele, que tenta o curso de Geofísica. Por meio de nota, o pró-reitor adjunto de Graduação, Paul Jean Etienne Jeszensky, informou que existe a disposição de mudar os mecanismos caso os resultados não sejam satisfatórios, mas ressaltou que "é prematuro" fazer conclusões. Ele reafirmou que a USP nunca prometeu atingir metas imediatamente. "É um sistema complexo que deve ser cuidadosamente controlado e monitorado, tendo em vista as metas globais de longo prazo. No último vestibular, 28% dos matriculados na universidade eram de escola pública. Continua Continuação 11/11/13 11/11/13 00 METRÓPOLE Unicamp bate recorde de vestibulandos na primeira fase Bárbara Ferreira Santos, Mônica Reolom, Sarah Brito, Julia Affonso e Suellen Amorim, Especiais para o Estado - O Estado de S.Paulo Mais de 68,7 mil candidatos fizeram nesse domingo, 10, a primeira fase do vestibular da Unicamp em 18 cidades do País. Os vestibulandos disputam 3.460 vagas em 69 cursos. Essa edição teve recorde em número de candidatos presentes na prova - a abstenção foi a menor (6,9%) desde 2011. Segundo a Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), não houve registro de graves problemas nos locais de prova. Em Belo Horizonte, no entanto, o exame começou mais tarde, às 15h30, por causa do rompimento de cabo de rede. Alguns alunos desistiram por causa do problema, mas a Comvest não soube informar o número total. Tranquila. A prova foi composta de duas redações e 48 testes. A primeira proposta de redação exigia que o candidato escrevesse uma carta às autoridades municipais sobre mobilidade urbana. A segunda pedia um relatório de ações culturais realizadas em um colégio. As questões de múltipla escolha foram marcadas por conteúdos de atualidade, como a Primavera Árabe, e uma imagem de Che Guevara desenhada por Andy Warhol. Os candidatos ouvidos pelo Estado afirmaram que a prova foi "tranquila" e "objetiva". Adriana Lins, de 18 anos, comparou o vestibular com o Exame Nacional do Ensino Médio, realizado em outubro. "A Unicamp é completamente objetiva. Achei a prova mais fácil." Professores de cursinhos disseram que o exame foi bem elaborado e sem surpresas. "A prova foi excelente, conteudista", afirmou Vera Antunes, coordenadora do Objetivo. CORREIO BRAZILIENSE 11/11/13 00 OPINIÃO Mais creches de qualidade para o Brasil » DIOCLÉCIO CAMPOS JÚNIOR Médico, professor emérito da UnB, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, representante da SBP no Global Pediatric Education Consortium ([email protected]) Nosso país quer avançar bem na economia ignorando as mazelas sociais decorrentes. Injusto. A pior delas é o descaso com a criança. A infância está descuidada. Pai e mãe fora de casa geram renda, mas deixam os filhos à mercê do acaso. Não há creches suficientes nem cuidadores qualificados para operálas. O mundo mudou. A realidade é outra. Transformações profundas resultaram numa sociedade que não realiza os melhores sonhos da espécie. Progressos materiais são inegáveis, embora não assegurados a todas as faixas da população. Trazem conforto que facilita o bemestar cotidiano. Todavia, não produzem o aperfeiçoamento das relações entre as pessoas, expresso nos princípios éticos, na cultura do afeto, no fim do preconceito, no abandono de toda e qualquer forma de violência. A iniquidade só cresce, deixando marcas indeléveis na história. Quem paga mais caro pelas mudanças havidas é o ser em formação. Perdas que deterioram os primores do mundo infantil são flagrantes. Família deixou de ser ninho afetivo feito para acolher, no aconchego, na segurança requerida, na estimulação encantadora, os infantes que repovoam a terra. Converteu-se em microempresa, atuando na lógica do mercado, não mais na missão edificante dos valores humanos que lhe davam nobre significado. Lares estão rarefeitos na atmosfera do fundamentalismo consumista. Já não passam de efêmeros dormitórios em que casais unidos na materialidade se encontram cada vez menos. Filhos veem os pais ocasionalmente. Pouco amparo amoroso lhes é dispensado. Sobrevivem em meio a desencontros frustrantes que lhes agridem a alma. Dotados da essência cerebral capaz de sediar o ato de pensar, ficam restritos à dimensão digital, mecanizados em gênero, número e grau. Por mais que se comprove a riqueza das virtudes que desabrocham do crescimento e desenvolvimento do ser humano em ambiente sadio e saudável, as comunidades não se dão conta dos erros que cometem. A sociedade brasileira não desperta para os prejuízos que vem causando à infância no país. Não valoriza a criança. Nega-lhe o direito de acesso ao afeto pleno, à ternura ilimitada e ao carinho imaterial, sem os quais não se pode falar em educação, somente em escolarização que ignora potenciais e reprime criatividade. No Brasil, nascem anualmente cerca de 3 milhões de brasileiros. Se a creche é hoje o espaço destinado aos três primeiros anos de vida, há, no país, 9 milhões de usuários potenciais. Somente 17% deles têm acesso a esse recurso indispensável à cidadania. A presidente Dilma prometeu inaugurar 6 mil unidades até 2014. Além de insuficientes em número, jamais se menciona a sua qualidade como real garantia do crescimento físico e desenvolvimento cerebral da criança. Prioriza-se a construção do imóvel. Não se fala do nível educacional dos recursos humanos a serem encarregados de tão delicada missão. Até o momento, do total prometido, apenas 400 foram inauguradas. Se os estádios gigantescos da Copa estão construídos, por que imóveis de pequeno porte e maior premência não saem do papel? As novas gerações são lesadas em direitos cruciais. Governos e sociedade são aliados na prática da grave negligência responsável pelas desigualdades que dizem combater; pela criminalidade, cujas causas ocultam; pelo baixo desempenho profissional, que não querem resolver; e pelas enfermidades do Continua Continuação 11/11/13 adulto, que grassam por falta de prevenção na idade adequada. O valor da infância resta nenhum. A Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou importante projeto de lei sobre o assunto. Concebe o Programa Nacional de Educação Infantil para financiar construção, reformas e funcionamento de creches em todo o país. Aprovado no Senado em 2010, tramita na Câmara. O parecer do relator é pela rejeição. Lamentável postura que agride o sujeito de direito incapaz de se defender. A entidade pediátrica propõe também profissionalizar o cuidador da primeira infância, a ser graduado em curso oferecido pelas universidades, com duração de dois anos, tendo como requisito a conclusão do ensino médio. É a forma de assegurar o qualificado nível que a assistência à tenra idade está longe de possuir. Excelentíssima presidente Dilma, crie, por favor, a profissão de cuidador da primeira infância. Alguém bem formado, bem remunerado, para trabalhar em todas as creches do país, inclusive nas 6 mil que a senhora se comprometeu a construir. O padrão Fifa é indispensável. Todas as crianças têm direito ao que há de melhor. A senhora sabe disso! CORREIO BRAZILIENSE 11/11/13 00 CIDADES - CORREIO DO BRASILIENSE Lugar de criança Por ocasião da 3ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil, realizada em Brasília, há muito a comemorar no Distrito Federal com os dados revelados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/2012), do IBGE. No DF, a situação de trabalho infantil na faixa etária de 5 a 9 anos foi erradicada e estamos a caminho de sua erradicação na faixa de 10 a 14 anos (0,4%). No Brasil, esse percentual é de 4,7%, destacando positivamente o país no cenário mundial. Outro sinal do papel da Educação pode ser mostrado pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que é calculado de dois em dois anos a partir da avaliação dos alunos nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental e no 3° ano do ensino médio. Em 2011, o DF alcançou índices superiores às metas fixadas pelo Ministério da Educação para o ensino fundamental, e bem próximo no ensino médio, apresentando índices superiores aos do Brasil em todas as etapas de ensino básico. A consolidação do modelo de proteção social no Brasil, a partir da implantação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e da política massiva de transferência de renda, além da política de aumento do poder aquisitivo do salário mínimo e da universalização do ensino fundamental (no DF, o abandono escolar é de apenas 1,1%), constituem razões determinantes para o alcance desse cenário positivo. Em relação à faixa de 15 a 17 anos, o abandono escolar, que atinge 7,3% dos alunos no DF, e a expectativa de consumo e a autonomia empurram o jovem para a busca de trabalho e de renda, até porque, em geral, o trabalho nessa idade não é proibido pela legislação brasileira. No sistema de ensino, a solução mais adequada é aquela que a Secretaria de Educação está construindo: uma escola de maior qualidade, em tempo integral a partir do ensino infantil, com metodologia atrativa no ensino médio. É importante destacar o papel da ampliação dos serviços e benefícios sociais para a manutenção da criança na escola, em especial do Bolsa Família e da complementação de renda feita pelo GDF, garantindo que nenhuma família no DF perceba menos de R$ 140 per capita, correspondente ao corte de renda que caracteriza a situação de pobreza. No DF, na faixa de 10 a 17 anos, ainda que 5,7% trabalhem (totalizando 20 mil crianças e adolescentes, dos quais 19 mil entre 15 a 17 anos), 87,2% deles só estudam e 4,3% não trabalham nem estudam, segundo estimativa da Codeplan. Este último grupo, concentrado na idade de 15 a 17 anos, deve ser o foco de maior atenção do poder público. Nesse sentido, o GDF está examinando a adoção da Poupança Escola para incentivar a permanência e a aprovação dos alunos no ensino médio. Em relação às unidades da Federação, o DF guarda posição privilegiada, já que, na faixa de 5 a 14 anos, voltou a ocupar, em 2012, o primeiro lugar com a menor proporção (0,2%) de trabalho infantil no país, contra 1,2% em 2001, 0,5% em 2004, e 0,9% em 2009. Na faixa de 5 a 17 anos, em vez da primeira posição, passou a ocupar a terceira posição, por conta da situação de trabalho entre jovens de 15 a 17 anos, com percentual estável entre 2009 e 2012 (3,5%), mas numa proporção menor que em 2001 (4,5%). No DF, em 2012, há que se comemorar também a queda, pela primeira vez, desde 2001, da desigualdade de renda. Entre 2011 e 2012, diminuiu o percentual de pessoas com rendimento superior a 10 salários mínimos per capita e aumentou o percentual de pessoas com rendimento entre 3 e 10 salários mínimos, especialmente entre 3 e 5 salários, resultando na redução da desigualdade aferida pelo índice de Gini, que passou de 0,598, em 2011, para 0,572, em 2012, retirando o DF da liderança em desigualdade. No Brasil, o índice ficou Continua Continuação 11/11/13 relativamente estável, caindo de 0,508 para 0,507. Isso pode significar, no Distrito Federal, o fim de um ciclo histórico de aumento da desigualdade de renda, concomitante com a abolição do trabalho infantil na faixa de 5 a 14 anos de idade. Com o Plano DF Sem Miséria e os investimentos prioritários em educação, estamos superando a pobreza e melhorando o nível de escolaridade da população. É preciso continuar reforçando as políticas de acesso a direitos, pois criança tem o direito de ser criança com pleno desenvolvimento. E o lugar dela é na escola. Osvaldo Russo, diretor de Estudos e Políticas Sociais da Codeplan, foi secretário nacional de Assistência Social do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome CORREIO BRAZILIENSE 11/11/13 00 CIDADES ENSINO PÚBLICO » Ficha limpa para professor em debate Caso de uso de droga com alunos e outro de relação sexual com jovem levantam a questão. Associação de pais e sindicato da categoria concordam com a exigência de nada-consta Amanda Maia Um professor do Setor Leste é investigado por supostamente ter relações sexuais com uma estudante: ele foi afastado da sala de aula Casos de comportamento suspeito e até abuso sexual por parte de professores em regime temporário na rede pública de ensino abrem da exigência da seleção e o acompanhamento rígidos tanto dos contratados por período como dos concursados. Dois fatos exemplificam a necessidade do debate. Um ano após o professor de educação física do Centro de Ensino Fundamental (Caseb) Carlos Antônio Franklin Basílio ser preso em flagrante por fumar maconha com os alunos no Parque da Cidade, outro educador com contrato temporário na rede pública é investigado por supostamente ter relações sexuais com uma estudante. Ele lecionava a disciplina de física no Centro de Ensino Médio Setor Leste, na 611/612 Sul. Para o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino (Aspa-DF), Luis Claudio Megiorin, a cobrança de nada-consta criminal deve ser adotada e amplamente discutida. “A gente precisa começar a tratar a educação com seriedade. O que acontece nas escolas públicas também acontece nas privadas, mas, nas particulares, a exigência com certeza já é feita. O educador precisa ter um caráter muito forte, tem de ser visto como uma pessoa que não está ali só para transmitir a matéria, porque os alunos se espelham nos seus atos. É uma relação de confiança e hierarquia”, acredita. A assessoria de imprensa da Secretaria de Educação (SEDF) se pronunciou: “Tendo em vista que o ingresso é feito por meio de concurso público realizado pela Secretaria de Administração Pública do DF (Seap), e que os critérios para concursos públicos, seja para professor efetivo ou temporário, são estabelecidos pela pasta, não há o que ser feito antes disso. Após algum indício de irregularidade, a SEDF toma as providências cabíveis”. No documento, o órgão destaca que qualquer conduta suspeita por parte do servidor é apurada administrativamente. Cleber Soares, diretor de Imprensa do Sindicato dos Professores no DF, conta que os candidatos à direção das escolas já apresentam nada-consta criminal antes das eleições. “A cobrança para concurso e contratação não é exagero. O que não pode é transformar isso em condição única. O essencial é a formação, podemse agregar a isso outras exigências. Se os professores foram considerados aptos para atuarem, eu também entendo que faltou uma política de formação pedagógica e de prevenção de casos como esse.” Investigação Os dois educadores citados na reportagem estão afastados da sala de aula, sendo que Basílio foi desligado do quadro de docentes em 2012. A SEAP respondeu que “não há previsão, no plano de carreira do magistério público, de investigação criminal como fase do concurso para professores”. Megiorin defende que a SEDF deveria monitorar o comportamento dos docentes, dar palestras sobre as responsabilidades e os limites da atuação e ter um grupo de apoio, com psicólogos. Segundo relatos de estudantes da instituição, o professor teria saído da escola com duas alunas, durante uma feira de ciências, para comprar material escolar. No carro, ele mudou o caminho e se dirigiu para um local mais isolado. As estudantes teriam beijado o suspeito, e uma Continua Continuação 11/11/13 delas combinou de sair com ele dias depois. Eles trocaram mensagens e decidiram ir a um motel, onde tiveram relação sexual. A mãe da menina de 15 anos viu os torpedos e registrou a ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Aos investigadores, a adolescente teria dito que o ato foi consentido. Os casos de Basílio e do professor do Setor Leste são semelhantes em alguns aspectos e poderiam ser evitados com uma Carlos Antônio já havia sido autuado seis vezes por uso e porte de drogas, roubo e outras pequenas infrações desde 2003, quando tinha 18 anos. O educador que está sendo investigado também tinha uma passagem pela polícia. Ele respondeu por tentativa de estupro de uma estudante de 17 anos, em Goiânia, em 2010. Na DPCA da capital goiana, está registrada a ocorrência, mas o crime foi convertido para constrangimento ilegal, de menor potencial ofensivo. Não há processos no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás ou no Ministério Público. Em um vídeo na internet de uma reportagem sobre o ocorrido, o professor se defende. “A denúncia é falsa, e o processo foi arquivado. No juizado especial civil, tramita a minha ação contra os geradores da falsa informação”, afirma. “A gente precisa começar a tratar a educação com seriedade. O que acontece nas escolas públicas também acontece nas privadas, mas, nas particulares, a exigência (do nada-consta criminal) com certeza já é feita” Luis Claudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino Detenção ou multa O artigo 146 do Código Penal define o constrangimento ilegal como “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda”. A pena é a detenção, de três meses a um ano, ou multa. CORREIO BRAZILIENSE 11/11/13 CIDADES CRÔNICA 00 A blague Salvadora por Severino Francisco Estava folheando distraidamente o livro Estão todos dormindo, de autoria do professor Edson Nery da Fonseca, quando me deparei com uma intrigante história sobre o professor Eudoro de Souza. Darcy Ribeiro dizia que só se faz sábios com sábios. E um dos sábios que suscitaram o surgimento de outros sábios em Brasília foi o português Eudoro de Souza, fundador do Centro de Estudos Clássicos da UnB, que se tornou uma referência nacional, nos tempos iniciais de Brasília, servindo como inspiração para outras universidades do país. De tanto conviver com os personagens do mundo antigo, Eudoro ficou parecido com aquelas figuras de filósofos representados nas estátuas clássicas que a gente vê nas enciclopédias. Ele contribuiu decisivamente para a formação de uma geração de cabeças brilhantes: o Emanuel Araújo, entre outros. E há quem reconheça Eudoro na condição de um dos mais importantes helenistas do século 20. Entrevistei Eudoro algumas vezes e me lembro de que ele sustentava opiniões audaciosas e pouco convencionais. Dizia, por exemplo, que só acreditava em uma universidade séria no dia em que elas abolissem o diploma: “Porque aí quem se dirigisse a uma universidade seria movido pelo desejode saber e não de ter”. Considerava os tempos modernos uma época diabólica em que tudo estava separado de tudo. Mas vamos à história evocada por Edson Nery da Fonseca. Eudoro tornou-se um erudito de maneira autodidata. Contudo, era impressionante o seu domínio da bibliografia sobre cultura clássica nas principais língua do mundo: “Eudoro era capaz de enlouquecer qualquer bibliotecário, sobretudo os que parecem gostar mais de fichas do que de livros”, escreve Edson Nery. Em determinado momento, Eudoro intermediou a aquisição pela Universidade de Brasília da biblioteca particular do professor da Universidade de São Paulo, Pedro e Almeida Moura. Eudoro ficou angustiado, ansioso e atormentado com tantas preciosidades, a ponto de virar noites na Biblioteca Central da UnB, abrindo pessoalmente os caixotes, o que provocava a irritação dos funcionários no dia seguinte. A insatisfação dos funcionários foi bater no gabinete do então diretor da Biblioteca, Abner Vicentini, que teve uma discussão muito ríspida com o passional Eudoro, capaz dos maiores rompantes de fúria e das mais inesperadas delicadezas. Indignado, Eudoro tomou a decisão de matar o contendor e, armado de um revólver, passou pelo gabinete do professor Roberto Lyra Filho, para comunicar seus desígnios funestos. A situação começava a se revestir de um aspecto grave de tragédia grega. Mas Roberto Lyra ponderou com Eudoro: “Professor Eudoro, ninguém lhe contesta o direito de matar o diretor da Biblioteca Central; mas de modo nenhum com moderna arma de fogo.Seja coerente com seu helenismo e vá matá-lo com um dardo ou uma espada grega”. Eudoro explodiu em uma gargalhada salvadora que, em um átimo, levou embora as suas desatinadas intenções. JORNAL DE BRASÍLIA 11/11/13 00 CIDADES BOM EXEMPLO Esse trio vai longe! Continua Continuação 11/11/13 JORNAL ALÔ BRASÍLIA-DF 09/11/13 00 Nova greve pela frente BRASÍLIA REVISTA VEJA BRASÍLIA 13/11/13 00 BRASÍLIA Continua Continuação 13/11/13 Continua Continuação 13/11/13 13/11/13 BRASIL 00 "Eu saí do Bolsa Família" Porta de saída do principal programa social brasileiro já é uma realidade. Em dez anos, 1,7 milhão de famílias abriram mão do benefício para caminhar com as próprias pernas Josie Jeronimo Mais importante programa social do Estado brasileiro, o Bolsa Família completa dez anos de existência como uma iniciativa louvada não só pelo governo, como também pela oposição. Considerado imprescindível por todos os candidatos a ocupar a Presidência da República no próximo ano, o programa tem se revelado uma política pública de sucesso político, econômico e também cultural. Ajudou brasileiros a se reconciliarem com uma dívida social acumulada ao longo de séculos de uma história de exclusão, permitiu a ampliação do mercado interno e, principalmente, conseguiu sepultar de uma vez por todas a alegação de seus principais críticos de que o programa de transferência de renda estimularia os beneficiados a não procurar emprego e melhores condições de vida. Nos últimos anos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, milhares de famílias procuraram repartições municipais para entregar seu cartão verde-amarelo, símbolo do programa, e assinar uma declaração de próprio punho na qual afirmam que não têm “mais necessidade de receber o beneficio”. Em uma década, 1,7 milhão de chefes de família – em sua maioria mulheres – abriram mão de um benefício mensal médio da ordem de R$ 250 para caminhar com suas próprias pernas, sem ajuda do Estado. ISTOÉ conversou com quatro antigos beneficiários do programa que puderam se emancipar do auxílio do Estado. Ouviu relatos de famílias que conquistaram aumento de renda e qualidade de vida. As histórias de vida de bolsistas do Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste mostram que a porta de saída do programa não é um milagre, mas uma arquitetura realista quando famílias que enfrentam a pobreza em seus múltiplos aspectos – econômico, educacional, médico, social – recebem amparo e orientação para trans- Continua Continuação formar vocações profissionais em fonte de renda. “Há quatro anos, fiz um curso oferecido pelo Sebrae e pelo governo do Estado e abri um ateliê em casa para artesanato. O negócio cresceu e hoje temos uma loja de joias, na avenida principal da cidade. Nós fomos os primeiros a entregar o cartão, aqui na região. O gestor ficou admirado”, conta Osmarina Uchoa, ex-beneficiária do Bolsa Família, moradora de Pedro II, município a 200 quilômetros de Teresina, no Piauí. Outro ex-bolsista, Samuel Rosa Rodrigues, trilhou um caminho parecido com o de Osmarina. Era flanelinha e, com a ajuda do Bolsa Família, conseguiu montar um lavajato. “Fiquei muito orgulhoso quando pude devolver o cartão do Bolsa Família. Eu quero que lá na frente o meu filho saiba dessa história e diga: meu pai é um lutador”, afirmou. A exemplo de Osmarina e Samuel, a maioria do 1,7 milhão que devolveu o cartão do programa se tornou microempreendedor individual. Atualmente, 290 mil ex-bolsistas sustentam suas famílias trabalhando no setor de serviços. Outros 760 mil receberam orientação e ajuda para conseguir microcrédito e abrir pequenos negócios. De tanto oferecer cursos aos chefes de família e permanecer com vagas abertas, o governo percebeu que focar as ações do programa nas mulheres multiplicava os resultados. Hoje, 93% dos titulares são do sexo feminino e o mercado privado começa a oferecer cursos às beneficiárias. Entre tantos passos intermediários na consolidação do programa, tem-se como certo que em 2006, 13/11/13 quando teve início a formação do Cadastro Único, para verificar a situação social das famílias de todo o País, foi possível atravessar uma fronteira capaz de separar o assistencialismo convencional daquilo que se considera uma política social atualizada e efetiva, cuja base é um esforço pela autonomia dos cidadãos e não pela preservação de sua dependência. O coordenadorexecutivo da ONG Articulação pelo Semiárido (ASA), Naidson Baptista Quintella, cita o exemplo das cisternas para lembrar como a articulação do Ministério do Desenvolvimento Social e Integração Nacional consegue mudar a vida de famílias que vivem em áreas de seca severa. Com os recursos do Bolsa Família, que variam de R$ 70 a R$ 306, a família sai de uma situação de mendicância e de mazelas – às vezes incuráveis – que afeta a vida de cada um de seus membros. O acesso à água faz o beneficiário começar a sonhar em cultivar ou criar algo em suas terras para sustento da família ou gerar renda. “Antes, nos períodos de estiagem, nós sempre nos deparávamos com filas de pedintes e saques em armazéns,” lembra Naidson Quintella. Outro elemento notável é de natureza política. Impessoal, acessível a toda família que preenche um conjunto de requisitos idênticos, sem distinção de qualquer tipo, o programa também contribuiu para a derrocada dos coronéis que sempre dominaram a política das regiões mais atrasadas do País – quase sempre, as mais miseráveis – por meio da distribuição de favores de sobrevivência em troca de votos e de submissão política. Embora tenha se transformado numa alavanca poderosa para a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva, no plano local o benefício não tem nome nem rosto. “É um crédito em conta, que não se vincula a ninguém,” afirma Naidson Quintella. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado este ano aponta que R$ 1 de aplicação no Bolsa Família gera crescimento de R$ 1,78 no Produto Interno Bruto (PIB). Não é de surpreender, assim, que nos anos de 2007 e 2008, quando a economia brasileira registrou grande expansão, com aumento de capital circulante, o número de beneficiários do programa sofreu redução. Um dos pioneiros na criação do Bolsa Família, o economista Ricardo Henriques, coordenador do grupo que criou o benefício, afirma que o movimento é circulante. “É mão dupla. O programa impacta a economia e a economia impacta o programa. A economia aquecida pode gerar o impacto do aumento de renda.” Nas regras de concessão do Bolsa Família, não existe tempo-limite para o recebimento do benefício. As famílias podem ficar o tempo que necessitarem. Mesmo assim, o governo segue oferecendo cursos de capacitação para tentar abrir portas a quem teve poucas oportunidades. Até agora, só 5% dos beneficiários terminaram algum tipo de qualifica- Continua Continuação 13/11/13 Continua Continuação 13/11/13 Continua Continuação 13/11/13 Continua Continuação ção profissional proporcionado pelo governo. Na pasta de Educação, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec) oferece cursos especialmente direcionados aos bolsistas. Das 918 mil vagas abertas a beneficiários do Bolsa Família, 753 mil foram preenchidas. As letras e os números ainda assustam num universo em que 25 mil dos beneficiários se declaram analfabetos. Henriques conta que, durante a criação do programa, o objetivo de longo prazo era dar educação aos filhos de famílias comandadas por pais que não tiveram nenhuma educação formal. “O programa tem três dimensões: o impacto imediato da garantia alimentar, a transferência de renda para famílias e territórios e o impacto de longo prazo, que é a mudança da trajetória educacional de crianças filhas de pais analfabetos.” Sempre que ouve a observação de que muitas pessoas demoram para encontrar a porta de saída, o sociólogo Quintella rebate: “As pessoas vão caminhando em seu próprio tem- 13/11/13 po, não no tempo ditado pelos gabinetes. É uma tarefa para uma geração”. Foi caminhando no seu próprio ritmo que Iolanda Silva, moradora da periferia de São Paulo, conseguiu mudar de vida. Depois de perder a guarda dos filhos, por falta de condições para sustentá-los, cadastrouse no Bolsa Família e usou o dinheiro para reconstruir sua vida. “Consegui ter os meus cinco filhos de volta. O benefício do Bolsa Família ajudou muito. Todos os meus filhos estão estudando e o meu sonho, ago- ra, é fazer um curso de enfermagem e melhorar minha renda”, disse. A socióloga Amélia Cohn lembra que o Bolsa Família não faz parte do texto constitucional, por isso, as reservas orçamentárias do programa dependem exclusivamente da vontade do presidente em exercício, o que muitas pessoas consideram preocupante. A necessidade de garantir o Bolsa Família na Constituição voltou à agenda política depois que, em julho deste ano, rumores sobre o cancelamento do programa produziram uma corrida aos terminais eletrônicos da Caixa Econômica Federal. Em um fim de semana, R$ 152 milhões foram sacados. A Polícia Federal e a Caixa Econômica – banco que faz a gestão financeira do programa – foram acionadas para rastrear a origem do boato e possíveis falhas que permitiram os saques antecipados de benefícios, mas até hoje não conseguiram explicar exatamente o que motivou o desespero de mais de 900 mil pessoas. 10/11/13 00 O PAÍS Histórias da ditadura que escola não contava Projetos criam acervo e material didático para enriquecer aulas sobre os anos de chumbo Evandro Éboli As lições sobre a ditadura militar nas escolas de educação básica não estão mais restritas a simples descrição cronológica ou burocrática do período. Iniciativas do governo e de pesquisadores estão colocando à disposição de professores e estudantes material didático mais próximo do que ocorreu nos porões da ditadura, como relatos de perseguidos políticos, detalhamentos de tortura, ação da censura e documentos produzidos pelos serviços de informações da época. Na UFRJ, por exemplo, foram criados o Núcleo de Pesquisa, História e Ensino das Ditaduras e o projeto Marcas da Memória, com produção de material pedagógico e organização de oficinas para ministrar o conteúdo. Do lado do governo, a Comissão de Anistia e a Secretaria de Direitos Humanos disponibilizam e distribuem seu acervo, como série de depoimentos de ex-perseguidos políticos e filmes. Num dos materiais da comissão — o livreto “Liberdades democráticas” — há capítulos com que foi a ditadura militar como agia e resumos de biografias de Lamarca, Marighella e Frei Tito, com dicas de livros e filmes. As historiadoras da UFRJ não dizem que os atuais livros didáticos omitem a ditadura e suas mazelas, mas os criticam por apresentar o material de maneira cronológica e sem profundidade. — Os novos livros abordam o tema, mas não têm visão global da ditadura. Os temas não dialogam entre si. Parece que não é um governo só, que são vários e sucessivos, quando se sabe que foram 21 anos de ditadura. E a luta armada sempre entra num quadrinho a parte, como se não tivesse relação. O que constatamos até agora é que há uma sede dos professores por material didático sobre o assunto — diz a pesquisadora Samantha Quadrat, que participa dos projetos da UFRJ. 10/11/13 00 O PAÍS Livros tratam período de forma pouco analítica Obra para subsidiar o trabalho de professores será lançada neste mês seminário sobre o ensino da ditadura nas escolas. A historiadora Alessandra Carvalho, do Colégio de Aplicação da UJFRJ, diz que os livros de História dão bom espaço para o período dos governos militares, mas sempre numa perspectiva mais descritiva do que analítica. — Aparece assim: primeiro veio o governo Castelo Branco, depois o AI-1, o AI-2 e por aí vai. Até aparece a luta armada e o pós-AI5, mas numa ordem cronológica direta, o que fica extenso para o aluno e difícil de perceber o eixo de explicação que organize essa cronologia. No material didático que apresentarão aos professores estão, entre outros, um cartaz distribuído pelos órgãos da repressão e informação sobre perseguidos políticos e cartas enviadas por cidadãos brasileiros à Divisão de Censura de Diversões Públicas, muitas endereçadas diretamente ao presidente Ernesto Geisel, sobre os mais variados assuntos. As autoridades do governo respondiam. O ideal seria relacionar passado e presente. Houve uma Lei de Anistia, referendada pelo STF, mas contestada, a defesa de punição para torturadores, os julgamentos na Comissão de Anistia. Agora, a Comissão da Verdade. Tem muito mais a ser contado — disse Alessandra Carvalho. Samantha Quadrat e Alessandra Carvalho vão ministrar uma oficina neste mês num Nesse seminário será apresentado ainda um livro para subsidiar professores — “O Ensino da Ditadura Militar Nas Escolas: problemas e propostas de trabalho”. As pesquisadoras responsáveis por esse projeto também dão atenção a história oral da ditadura e já colheram 44 entrevistas de ex-perseguidos políticos e de parentes de vítimas e desaparecidos pelos agentes do Estado. Esses vídeos e áudios estarão disponíveis no acervo da universidade e na Comissão de Anistia. E serão disponibilizados para professores e estudantes. As organizadoras são as pesquisadoras Maria Paula Araújo, Desirree dos Reis Santos e Izabel Pimentel. A Comissão de Anistia encomenda projetos para universidades, como o “Marcas da Memória”. — É uma temática sensível, mas questões de direitos humanos chamam a atenção dos jovens. Diante de temas como a tortura e outras violações daquela época ninguém fica passivo — contou Izabel Pimenta, pesquisadora da UFF. O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, promove, na sua gestão, essas iniciativas de levar o conteúdo sobre o regime militar aos estudantes. — Penso que o ensino da História deve se apropriar da memória conquistada nestes 25 anos de democracia e refletirem sobre os efeitos do autoritarismo nesta véspera dos 50 anos do golpe — disse Abrão. 10/11/13 PODER 00 À mesa com Dilma Após reunião com a presidente, que deu bronca em ministros no dia de Finados, Mercadante tomou lugar de colega para ficar perto da chefe durante almoço NATUZA NERY VALDO CRUZ DE BRASÍLIA A fome bateu após longa reunião da presidente Dilma Rousseff com um terço de sua equipe no sábado retrasado, dia de Finados. convivas. interrogação. Dilma foi a primeira a se servir. Foi seguida pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, situado pelo cerimonial a algumas cadeiras depois da chefe. Naquela reunião de quase seis horas, Dilma não economizou nos pitos. O primeiro premiado foi o titular da Saúde, Alexandre Padilha. Este, aliás, mesmo uns minutos atrasado, chegou ao encontro fazendo piada. Ao perceber a distância, Mercadante agiu rápido. Olhou para os dois lados e surpreendeu quem flagrava, discretamente, a cena. Enquanto o buffet servia linguado, filé mignon e um carneiro assado, 14 ministros deixavam a fila da comida com o prato cheio e se acomodavam nos lugares previamente marcados. O ministro emborcou, sem cerimônia, a plaquinha que indicava que a vaga era de outro colega. Ou melhor, de outra. Sentou-se ali mesmo, na cadeira reservada à chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Uma plaquinha com o nome da pasta estava disposta ao lado da taça de vinho para orientar os Três pessoas observaram a cena, e viram a ministra atrás de novo lugar com cara de "Meu motorista me disse que essa reunião seria um desastre", abriu a conversa. "Como assim?", perguntou Dilma, surpresa. "Ele disse que chamar reunião em dia de Finados é esperar que um monte [de ministros] saia daqui demitido", completou. A presidente até riu da galhofa, mas logo pediu que Padilha fosse o primeiro a apresentar dados de sua pasta. Quando abriu o arquivo em Power Point, brinquedinho favorito da chefe, ouviu uma Continua Continuação resposta dura. "Não, não, não, não quero balanço!" 10/11/13 Mercadante acabou estocando Gleisi: "não se pode fazer política pública olhando só para o Paraná", disse o ministro da Educação, que defende a educação inclusiva, enquanto Gleisi apoia a aplicação de recursos nas Apaes. Francisco Teixeira, que substituiu Fernando Bezerra na Integração Nacional. Dilma exigiu medidas para acelerar as obras de transposição do rio São Francisco, cuja demora está sendo explorada pela oposição. A indireta ao Estado que a ministra pretende administrar acabou pesando o clima por alguns minutos. As broncas e exigências da presidente desanuviaram o clima. Após a reunião, correu o comentário de que o encontro no Palácio da Alvorada, por ter sido realizado no Dia de Finados, estava mais para um encontro de mortos-vivos. Antes da confusão das placas do almoço, Mercadante e Gleisi já haviam trombado. Segundo um ministro, sobrou para todo mundo naquela tarde de sábado, menos para o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, tido como o queridinho da chefe. Dilma cobrava ações da chamada educação inclusiva. O mais cobrado pela presidente foi um dos novatos, o ministro Uma brincadeira em relação ao fato de que, ali, estavam vários ministros que vão deixar o cargo em breve para concorrer em 2014, casos de Gleisi (ao governo do Paraná) e Padilha (ao de São Paulo). Dilma queria saber a quantas andava o Mais Médicos, "se o pessoal está chegando nas cidades" para atender os pacientes. Programa que, por sinal, mereceu elogios da chefe durante a reunião. O curioso é que, depois da primeira lambada, se descobriu que todos ali, sem exceção, haviam preparado o mesmo tipo de apresentação. 10/11/13 00 METRÓPOLE Mobilização de estudantes da USP vive impasse Bárbara Ferreira Santos A mobilização dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) é uma das manifestações mais significativas dos últimos anos na instituição. Desde o dia i.° de outubro, alunos decretaram greve geral e ocuparam o antigo prédio da reitoria - onde funciona a administração central da Cidade Universitária. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a manifestação tem hoje adesão de 50 cursos. De acordo com a instituição, até hoje cinco rodadas de negociação foram estabelecidas com a comissão de grevistas na sede do Conselho de reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp). Por duas vezes o Judiciário negou a reintegração de posse da reitoria. Na segunda decisão, no dia 15 de outubro, a Justiça deu um prazo de 60 dias para que os estudantes deixassem o prédio. A universidade entrou com um recurso e, na segunda-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a reintegração de posse e autorizou o uso da força policial, caso solicitado pela reitoria. A qualquer momento, o edifício pode ser tomado pela Polícia Militar. Um dos pontos mais debatidos na manifestação foi a criação de um novo estatuto, documento que contém as normas da universidade e determina a forma como se elege o reitor - o principal item reivindicado pelos alunos, que querem eleições diretas. A última reforma do estatuto foi feita em 1988. Em 2008, um congresso foi convocado para debater as mudanças no estatuto, mas o evento não chegou a ser realizado, segundo a universidade. A mudança do estatuto chegou a ser discutida no conselho universitário do dia 1º de outubro deste ano -reunião que culminou no início da greve por não ser aberta aos 400 alunos que estavam na frente do prédio na ocasião, e que depois ocuparam o saguão do edifício -, mas não foi aprovada. Mesmo com as negociações entre reitoria e universidade, a "estatuinte" ainda é, segundo estudantes e professores ouvidos pelo Estado, um dos pontos indefinidos nos debates. No dia 4, a universidade chegou a propor "a convocação de processo de estatuinte em 2014, livre, autônoma e democrática" e sugeriu a primeira quinzena de maio para a realização de um Congresso comparticipação da comunidade acadêmica. Mas, no dia 6, a universidade passou a recomendar "um Congresso para pautar quaisquer temas demandados, dos mais aos menos amplos". "Nessa última reunião a universidade tirou o termo "estatuinte" e não deu mais garantias do prazo para que isso acontecesse. Falta um comprometimento de que no ano que vem a USP vai participar de um processo de estatuinte", afirmou o diretor do DCE, Gabriel Lindenbach, de 21 anos, estudante da Geografia. Proposta. Para o professor da Faculdade de Direito Marcus Orione, houve um recuo da universidade sobre o estabelecimento de uma estatuinte. "A reitoria estava dialogando, a estatuinte estava na proposta, depois eles tiraram", afirmou. Segundo o ex-reitor Roberto Lobo, era esperado que a universidade atenuasse o discurso a poucos dias da eleição de um novo reitor - que deve ocorrer no dia 19 de dezembro. "Acho que o estatuto poderia ser discutido agora, depois de 25 anos, mas sem ter como foco mais importante a eleição de reitor." A USP afirmou, em nota, que houve mudanças nas propostas que o conselho aprovou e as discussões sobre o sistema de eleição de dirigentes terão continuidade em 2014. O calendário de debates será fixado na primeira sessão do conselho. 10/11/13 00 ECONOMIA Escolaridade e emprego, numa visão regional Um quadro preciso da conjuntura econômica dos Estados brasileiros, mostrando, em especial, os resultados das políticas públicas praticadas na década passada e seus efeitos sobre a população, foi traçado no Boletim Regional do Banco Central, divulgado quarta-feira, indicando as dificuldades para a retomada econômica. Mas o texto abrange bem mais temas - e é especialmente interessante o conteúdo do box Escolaridade e Mercado de Trabalho Regional no Brasil, em que são cruzadas as informações sobre o grau de instrução e o emprego formal dos trabalhadores nos diversos Estados. A matéria não trata do fato de que a qualificação profissional dos trabalhadores brasileiros é, na média, insatisfatória. E que isso afeta a produtividade do trabalho - e, portanto, o ritmo de crescimento econômico. Mas enfatiza que, apesar dos problemas, houve expressiva diminuição da participação dos trabalhadores com baixo grau de escolaridade no mercado. E também um aumento expressivo do peso dos trabalhadores com maior escolaridade nas seis regiões metropolitanas avaliadas na Pesquisa Mensal de Emprego (PME),do IBGE. Entre 2003 e 2012, por exemplo, reduziu-se de 34,1% da População Economicamente Ativa (PEA) para 20,9% a participação dos trabalhadores com menos de oito anos de estudo. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, essa mão de obra caiu de 1/3 da força de trabalho para 20%. A participação dos trabalhadores com mais de 11 anos de estudo passou de 45,8%, em 2003, para 62,1%, em 2012. A alta da escolaridade dos trabalhadores é evidente. E diminuiu o por-centual (de 3,5% para 1,2%) dos menores (de 10 anos a 14 anos) que trabalhavam. Em menor grau, isso também ocorreu na faixa de 15 a 17 anos. Os dados recentes do IBGE mostram que a taxa de desemprego se encontra nos menores níveis históricos. A taxa de desocupação recuou de 12,4% para 5,5% no País, mas o maior recuo na taxa de desemprego ocorreu entre os trabalhadores com 8 anos a 10 anos de estudo. Uma queda menor foi registrada entre os que estudaram mais. O impacto do aumento da escolaridade da população em geral provoca a transferência de "trabalhadores do conjunto de menos instruídos para o de mais instruídos", segundo o relatório. O Banco Central acredita que o recuo da desocupação tem que ver com o aumento do nível de instrução formal. Isso é mais um sinal dos efeitos positivos da melhoria da qualidade da educação. 10/11/13 ECONOMIA 00 Pobreza e enganação Suely Caldas No palanque eleitoral, políticos e governantes juram que irão acabar com a pobreza. Passada a eleição, o juramento cai no vazio: as ações dirigidas aos pobres são inócuas porque ineficazes, não resolvem e, em muitos casos, são permeadas de fraudes, roubalheira, desvio do dinheiro. Exceção feita ao programa Bolsa Família, que gerou bons resultados pois o cartão magnético de acesso ao dinheiro é manejado diretamente pela mãe pobre, não transita pelas mãos de políticos nem de ONGs mal-intencionadas. É certo que alguns prefeitos cadastram parentes e cabos eleitorais no programa, mas são fraudes residuais, não chegam a comprometê-lo. O Bolsa Família cumpriu e seguirá cumprindo a missão de ajudar a combater a pobreza. Mas ele não basta: 18 anos depois das primeiras experiências, os programas de transferência de renda dão sinais de esgotamento, detectados em pesquisa feita pelo economista Cláudio Decca, da Unicamp, que a expôs em entrevista ao Estadão de 3/11/2013. Outra pesquisa, do IBGE, conhecida na quarta-feira, denuncia o trágico retrato da pobreza em favelas e palafitas das grandes cidades e comprova o diagnóstico do economista da Unicamp: o Bolsa Família já fez, mas não faz mais a diferença. Sua rénda foi incorporada ao orçamento do pobre, mas não foi capaz de tirá-lo da condição de vida degradante. Na verdade, o cerne das ações de combate à pobreza está onde sempre esteve: em educação, saúde, transporte, habitação, saneamento e segurança. Não em paliativos e nas maquiagens das construções precárias do programa Minha Casa, Minha Vida; ou de hospitais e ambulatórios insuficientes, desaparelhados e inoperantes; ou em escolas que produzem analfabetos funcionais. Enquanto não for universalizado o acesso aos serviços públicos nem oferecido aos usuários padrão de qualidade (aquele padrão Fifa proposto nas manifestações de junho), a pobreza e a desigualdade persistirão. Políticos e governantes sabem disso, mas, em vez de trabalharem para fechar as brechas por onde escorre a corrupção, escolhem o caminho do discurso demagógico. Gomo fizeram na última semana a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Em falas decoradas, iguais e orquestradas, os dois foram à TV atacar anônimos que não identificaram e que estariam agindo para acabar com o Bolsa Família: a(0 programa) veio para ser a porta de saída da miséria e a porta de entrada de um mundo de esperança", repetiram, em j ogo de palavras para emocionar ingênuos. Como se algum adversário estivesse disposto a praticar harakiri político extinguindo o programa. Demagogia como o candidato tucano Aécio Neves vir a público declarar a intenção de transformar o Bolsa Família em política de Estado. Política de Estado seria oferecer saúde, educação e transporte de qualidade, multiplicar redes de esgoto e água tratada, construir casas seguras para 11,4 milhões de pessoas que moram em lixões, favelas e palafitas, mostradas na pesquisa do IBGE. Pela primeira vez o IBGE mapeou a pobreza urbana das grandes cidades. Constatou que 11,4 milhões de pessoas vivem em áreas de risco, contaminadas, sujeitas a doenças. São favelas e palafitas onde vivem, em média, 3,5 pessoas por domicílio, que têm TV, geladeira, máquina de lavar e telefone celular (54%), o que o mundo de consumo oferece e que pode ser comprado a crédito. Mas vivem em condições indignas e degradadas, onde saúde e educação são precaríssimas, não há saneamento e água tratada e levam quase 2 horas para chegar ao trabalho - quando o têm, porque 28% vivem de biscates. Segundo o IBGE, 6% da população brasileira vive nessas condições, diverte-se com a TV e sofre com a exclusão de direitos básicos e de cidadania. O ineditismo da pesquisa deveria atrair governantes a trabalharem na definição de políticas públicas para essa população marginalizada. Mas não só ela. O Estado precisa ser dotado de uma estrutura de leis e regras que dificultem a corrupção e garantam serviços públicos competentes, de qualidade. Será um passo firme, sem volta, para combater a pobreza. CORREIO BRAZILIENSE 10/11/13 00 ECONOMIA ADMINISTRAÇÃO » Cespe na mira de auditoria da CGU Centro de preparação de vestibulares e concursos públicos ligado à Universidade de Brasília tem contratos investigados por órgãos federais de controle ANTONIO TEMÓTEO Relatório preliminar apontou prejuízo de, pelo menos, R$ 43 mil Principal organizador de concursos públicos e vestibulares do país, o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/ UnB) é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Relatório de auditoria do órgão de controle da Presidência da República, obtido com exclusividade pelo Correio, aponta irregularidades em contratos que geraram danos ao erário de, pelo menos, R$ 43 mil entre 2009 e 2010. Além disso, o documento detalhou que servidores públicos receberam pagamentos indevidos de horas extras e adicionais de insalubridade. O relatório da CGU foi elaborado a pedido da Procuradoria da República no Distrito Federal (PR/DF), que instaurou inquérito civil, em maio de 2010, após receber uma denúncia para investigar irregularidades no Cespe. Em novembro do mesmo ano, a PR/DF solicitou à controladoria a abertura de auditoria, que foi concluída somente dois anos depois, em novembro de 2012. aponta irregularidades contratuais no fornecimento de combustível: compra de 50 litros de álcool, quando era permitida apenas a aquisição de gasolina e de diesel; abastecimento em galões e não diretamente nos tanques dos carros, como previa o contrato; e aquisições de um mesmo produto com valores divergentes. Danos Entre as infrações apresentadas no documento estão o fato de prestadores de serviço desempenharem funções de servidores públicos — ato considerado ilegal — para, por exemplo, emitir empenhos e liquidar pagamentos no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal. Outra irregularidade foi encontrada em contratos de impressão. O Cespe tinha direito a uma franquia de 2,289 milhões de cópias, mas 33% desse total deixou de ser utilizado. Apesar de identificar que a prática acarretou prejuízos aos cofres públicos, os auditores não conseguiram mensurar o valor do dano ao erário. Parecer final Procurada pela reportagem, a Procuradoria da República no Distrito Federal (PR/DF) afirmou que a procuradora Anna Carolina Resende, que assumiu o caso em julho de 2013, analisa os dados encaminhados pelo CGU. A previsão é de que o inquérito seja concluído até março de 2014. O Ministério da Educação, que supervisiona as universidades federais, disse que “o assunto diz respeito diretamente ao próprio Cespe e à UnB, que é instituição autônoma e responde diretamente aos órgãos de controle”. A CGU informou que recebeu esclarecimentos do centro e deve emitir um parecer definitivo até dezembro. Em outro caso, os técnicos da CGU indicam que o Cespe contratou em caráter emergencial, para o fornecimento de toners, uma empresa que já era vencedora de outros três pregões com a mesma finalidade. Somente nesse caso, foi identificado um prejuízo de pelo menos R$ 43 mil. O relatório também O Cespe explicou que a denúncia feita à PR/DF, formulada por um excolaborador, também chegou à UnB, que instaurou uma comissão de sindicância. Os trabalhos internos foram encerrados em outubro de 2012, encaminhados à CGU, e concluíram pela improcedência dos Continua Continuação questionamentos, referentes à gestão anterior. O centro também ressaltou que, em relação a serviços terceirizados, busca uma solução jurídica, com o Ministério Público do Trabalho e com o Tribunal de Contas da União (TCU), para adequar a participação de prestadores de serviço nos trabalhos realizados. Por último, explicou que atenderá o parecer definitivo que for emitido pelo órgão de controle. Fiscalização é ineficiente Especialistas avaliam que a investigação do Ministério Público Federal (MPF) e da ControladoriaGeral da União (CGU) no Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) é um exemplo claro de que o governo precisa aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização do uso de recursos do Estado nas universidades públicas. Para o secretário-geral do Contas Abertas, Gil Castello Branco, existem dois tipos de desvio de conduta. Aqueles que são acarretados pela inobservância de aspectos administrativos, quando não há dolo, e outros por má-fé. Ele destaca que, no caso em auditoria, a CGU identificou irregularidades em contratos que geraram danos ao erário, mas não é possível afirmar que elas foram intencionais. 10/11/13 Entretanto, Castello Branco ressalta que todo ato que acarrete prejuízo aos cofres públicos precisa ser investigado com rigor. E, se for constatado algum tipo de delito, os responsáveis precisam ser punidos. “Não é a primeira vez que vem à tona suspeitas sobre o Cespe. É ruim que uma entidade vinculada à Universidade de Brasília (UnB) possa cometer desvios”, diz. Na opinião do professor de filosofia e ética da Universidade de Campinas (Unicamp) Roberto Romano, a concentração de poderes no Executivo torna o controle ineficiente. Como não é possível fiscalizar tudo o que acontece, a máquina pública é frequentemente exposta a problemas que geram danos ao erário. Esse modelo é repetido nas universidades, onde os reitores assumem poderes excessivos. “É preciso aperfeiçoar os mecanismos de fiscalização para evitar prejuízos. Temos problemas com terceirizados que exercem a função de servidores sem ter o mesmo compromisso com a administração. E servidores que cometem irregularidades devido às fragilidades do sistema de controle. Não vejo uma alternativa para isso sem a descentralização do poder”, completa. (AT) CORREIO BRAZILIENSE 10/11/13 00 OPINIÃO Ciência sem fronteiras, inovações sem limites » MAURÍCIO ANTÔNIO LOPES Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tecnológico e inovação no exterior; e trazer cientistas estrangeiros experimentados para atuar como “pesquisadores visitantes especiais” em nossas organizações de pesquisas. O Programa Ciência sem Fronteiras, concebido pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e conduzido pelo CNPq, quer ampliar a ação de ciência e tecnologia e de inovação do Brasil a partir da presença de nossos jovens no exterior. Para isso, está investindo no aumento do intercâmbio científico entre as instituições de pesquisa do Brasil e de quase 30 países, gerando mobilidade internacional de nossos pesquisadores e estudantes. A grande ousadia, entretanto, está no módulo graduação sanduíche: 64 mil estudantes de graduação vêm sendo selecionados e enviados a centros universitários de todo o mundo para fazer parte de sua graduação em sistemas educacionais competitivos em termos de desenvolvimento tecnológico e inovação. Os impactos desse investimento serão ainda maiores porque, iniciados mais cedo, vão ter ampliada exponencialmente sua educação, com provável participação nos outros módulos já citados. O programa é uma plataforma de intercâmbio em que se integram várias maneiras de interação entre a comunidade científica nacional e internacional, mediante a concessão de 101 mil bolsas de estudos. Com cerca de 26 mil delas, o CNPq está fazendo o que faz desde que foi criado, em 1951: mandar jovens pesquisadores para os principais centros de pós-graduação dos países desenvolvidos. Mas o impacto vai além. Outras 11 mil bolsas vão ser usadas com novos propósitos: atrair jovens pesquisadores brasileiros, já radicados no exterior, para voltar e trabalhar no Brasil; enviar pesquisadores brasileiros para projetos de desenvolvimento Dois anos passados e a execução do programa já é um sucesso. Glaucius Oliva, presidente do CNPq, informa que no início de outubro já haviam sido selecionados quase 55 mil candidatos: ou seja, na metade do prazo, 50% das metas cumpridas. Mais de 40 mil pesquisadores e estudantes já se encontram nos países escolhidos, realizando o seu trabalho. Os demais aguardam apenas o trâmite da papelada. Por experiência própria, nós, da Embrapa, não temos dúvida que também será um sucesso. Nos anos 1970 e 1980, a Embrapa enviou, para os principais centros de pósgraduação do mundo, mais de 4 mil pesquisadores de seus quadros, dos institutos estaduais e das universidades agrícolas, muitos recém-saídos da graduação. O resultado é conhecido. O Brasil e sua agricultura tornaram-se referências mundiais em pesquisa e inovação agrícola. Aquele projeto nos ensinou que a inovação se dará em pelo menos três dimensões. A inovação tecnológica, a dimensão mais óbvia e visível, será decorrência das outras duas dimensões, a inovação pessoal e a inovação institucional, essas duas menos perceptíveis, mas mais profundas e duradouras em seus efeitos. Imaginemos um jovem do módulo graduação sanduíche. Após meses de imersão numa cultura diferente e, em vários aspectos, contrastante com a nossa, sofrerá uma aceleração no seu processo de amadurecimento intelectual e profissional e mudanças relevantes na sua compreensão da realidade e no seu juízo de valores. Terá novas, diferentes e maiores ambições de realização científica e tecnológica. Ele alcançará a proficiência em um segundo idioma, o que vai lhe permitir explicitar-se melhor ante outros estudantes e pesquisadores internacionais e ser avaliado por eles. Muitos vão se articular e ser Continua Continuação 10/11/13 “adotados” por mentores e lideranças científicas internacionais, integrarão redes de pesquisa, serão convidados para os programas de mestrado e doutorado e, havendo condições, talvez trabalhem nessas universidades. A maioria voltará para nossas universidades, organizações de pesquisa e empresas privadas de base tecnológica. A cada retorno, nesse ciclo de formação científica, suas habilidades, conexões internacionais e ambições expandidas fomentarão a revolução institucional necessária para que toda a cadeia produtiva de ciência e tecnologia do Brasil multiplique a sua competitividade e capacidade de inovação. Os benefícios são inimagináveis. Se, no passado, apenas 4 mil jovens, centrados nas ciências agrárias e áreas correlatas, engendraram a revolução agrícola tropical que o mundo aplaude, não é possível estabelecer limites para o que farão 100 mil jovens dedicados a cerca de 20 áreas do conhecimento, todas elas sabidamente “portadoras de futuro”. É o que teremos: inovações sem limites. CORREIO BRAZILIENSE 10/11/13 00 ESPORTES UNIVERSÍADE » Brasília recebe a festa do esporte universitário 2019, vamos incrementar a prática do esporte universitário no Brasil. É uma ótima forma de melhorar o ambiente da universidade, melhorar os equipamentos públicos e, em particular, é uma oportunidade histórica de construir o tão sonhado Centro Olímpico da UnB” comentou o governador, após o anúncio, ao Correio. Agnelo Queiroz (C) recebe do presidente da Fisu, Claude-Louis Gallien, a placa que oficiliza Brasília como sede dos Jogos Universitários de 2019 Capital federal recebe 23 votos de federação internacional e vence eleição para ser a anfitriã do evento em 2019. Jogos devem reunir mais de 12 mil atletas de 17 modalidades na cidade THAÍS CUNHA Depois de entrar para o calendário de grandes eventos com a Copa das Confederações, neste ano, e Copa do Mundo, daqui a sete meses, Brasília recebeu, na tarde de ontem, mais um voto de confiança da comunidade esportiva internacional. Em Bruxelas, a cidade foi escolhida como nova sede da Universíade, os jogos mundiais universitários. A delegação, composta pelo governador Agnelo Queiroz, o secretário de Esporte do DF, Júlio Ribeiro, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o reitor da Universidade de Brasília, Ivan Camargo, defendeu a candidatura da capital com argumentos sobre arquitetura moderna, mobilidade urbana e boa infraestrutura. “Olhar para Brasília é ver o futuro”, dizia o slogan. No discurso de apresentação, Agnelo sustentou a defesa: “Oferecemos o suporte para que façamos a melhor Universíade”. “Até O plano para receber o evento inclui a construção de novas instalações esportivas, uma vila olímpica e um projeto de reforma do Centro Olímpico da UnB (veja quadro). “É um evento com o tamanho e a magnitude de Brasília”, discursou o governador, que recebeu o anúncio no dia de seu aniversário. A apresentação rendeu a escolha da capital por unanimidade entre os membros da Federação Internacional do Esporte Universitário (Fisu), com 23 votos. Preparação O secretário de Esporte, Júlio Ribeiro, comentou que o trabalho de reforma e construção dos espaços esportivos de Brasília deve começar em 2014. “Na próxima segundafeira, já vamos providenciar um comitê para cuidar da preparação para a Universíade. No ano que vem, começam as licitações”, afirmou. O secretário ainda planeja uma forma de capacitar atletas brasilienses para chegarem ao quadro de medalhas em 2019. “Temos que aproveitar esse grande momento.” Continua Continuação A saltadora Maurren Maggi, medalhista em duas edições da Universíade e campeã olímpica em Pequim-2008, também participou do evento e destacou a importância do esporte na escola. “Os professores diziam que eu seria uma ótima atleta, mas que o meu futuro era no esporte, não na escola. Não aceitava isso. Virou um desafio para mim”, comentou. A medalhista de bronze na edição de 1999 estudou educação física, publicidade e jornalismo. “Esse movimento vai inspirar e mudar a vida de milheres de brasileiros.” O evento ainda teve a participação de outros três atletas: Ronald Julião, do lançamento de disco, a judoca Rochele Nunes e Bárbara, goleira da Seleção Brasileira de futebol. Toda a delegação já sabia que Brasília seria escolhida como sede. Nas última semanas, Baku (Azerbaijão) e Budapeste (Hungria) desistiram das campanhas. Ainda assim, os membros da Fisu tinham a opção de não aceitar a candidatura única. 10/11/13 Saiba mais A origem dos jogos Desde 1923, a Federação Internacional do Esporte Universitário (FISU) realiza, a cada dois anos, jogos com 17 modalidades disputados por atletas universitários de 17 a 28 anos. O nome Universíade foi criado para combinar as palavras “Universidade” e “Olimpíada”. A última edição foi em julho deste ano, em Kazan, na Rússia, de onde a delegação brasileira saiu com 11 medalhas. A última vez que o evento esteve na América do Sul foi em 1963, quando foi realizado em Porto Alegre. À época, foi construída uma vila olímpica com mais de 450 apartamentos. A preparação incluía a construção de um ginásio de esportes que recebe eventos até hoje e ainda usou o Estádio Olímpico do Grêmio como sede esportiva. Para 2019, a expectativa é de que 12 mil atletas cheguem a Brasília. Continua Continuação 10/11/13 CORREIO BRAZILIENSE 10/11/13 00 ESPORTES Cidade vence na segunda tentativa Não foi a primeira vez que Brasília se candidatou a receber os jogos. Em 2011, houve a campanha para que a Universíade viesse a Brasília em 2017. Na ocasião, a capital perdeu para Taipei (Taiwan), que se candidatava pela segunda vez. A diferença na candidatura para 2019 foi a preparação muito mais robusta, com apoio governamental desde o início e algumas cartas na manga: o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha pronto e a preparação para os Jogos Mundiais Escolares, a Gymnasiade, que ocorre no fim deste mês na capital. No mês passado, a presidente Dilma Rousseff recebeu o presidente da Federação Internacional do Esporte Universitário (FISU), Claude Louis Gallien, no Palácio do Planalto. A reunião incluía o governador Agnelo Queiroz, o secretário de Esporte do DF, Júlio Ribeiro, e o Ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Além de conversar sobre o esporte no Brasil, Dilma ressaltou o projeto de acesso à educação universitária do Governo Federal e justificou que receber os jogos significaria consolidar o esporte como instrumento educacional no país. Ontem, durante a reunião que definiu Brasília como anfitriã, o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Ivan Camargo, relembrou o discurso da presidente: “Nossa visão é de desenvolver um legado para educação e esporte, não só para Brasília, mas para todo o país”. CORREIO BRAZILIENSE 10/11/13 00 Duas perguntas para Agnelo Queiroz Que impacto essa escolha tem para a população do Distrito Federal? Quando a cidade recebe um evento como este, há um bom incremento no turismo, na economia, mas tem algo que ultrapassa tudo isso: a oportunidade aos jovens universitários. As universidades vão se preparar melhor, oferecer bolsas aos nossos atletas e isso não tem preço. Do ponto de vista estratégico, é uma mudança de cultura no Brasil. Não tenho dúvida de que será o ponto mais forte para a nossa cidade. Entre os planos para a Universíade está uma Vila Olímpica com 2.496 apartamentos. Que legado isso deixa à cidade? Vamos fazer uma parceria com a área privada, então, não terá custo para nós. Fizemos uma parceria e um novo bairro será criado, muito charmoso, inclusive, provavelmente em uma área próxima ao Jockey Club de Brasília. É o mesmo modelo que todas as Olimpíadas adotam. ESPORTES JORNAL DE BRASÍLIA 10/11/13 00 OPINIÃO JORNAL DE BRASÍLIA 10/11/13 00 CIDADES Continua 10/11/13 Continuação 10/11/13 POLÍTICA 00 Brasília aguarda Universíade universitário e na concretização da Vila Olímpica da UNB, que é um sonho do povo brasiliense, numa parceria com a iniciativa privada”, completou. Governador Agnelo ainda cumpriu agenda na Alemanha, onde assinou acordos com o governo local nas áreas de educação, recursos humanos, pesquisa e tecnologia Governador Agnelo Queiroz acredita que a cidade pode ser a escolhida para sediar as Olimpíadas Universitárias de Verão em 2019. Resultado será anunciado no sábado à tarde, em Bruxelas, na Bélgica Tamanho da Fonte O governador Agnelo Queiroz disse nesta sexta-feira (8), em Bruxelas, na Bélgica, ter grande esperança de que a capital do Brasil será a escolhida, sábado (9), às 16h (horário de Brasília), para sediar em 2019 as Olimpíadas Universitárias de verão, a Universíade, evento que reunirá cerca de 20 mil atletas do mundo inteiro. Ele destacou o apoio da presidente Dilma Rousseff, que considerou a competição muito importante para o Brasil e para Brasília durante o encontro que reuniu em outubro o governador do DF, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo e representantes da Federação Internacional de Esportes Universitários (Fisu). Para o governador, a cidade se preparou adequadamente para o evento, pois já terá realizado a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016. “Os investimentos estruturais já estarão prontos, portanto nós vamos nos dedicar daqui até lá no desenvolvimento do desporto O presidente da Fisu, ClaudeLouis Gallien, considera que Brasília é uma boa candidata à sede dos jogos de 2019, uma vez que não seria apenas um evento esportivo, mas um grande projeto para incentivar a prática do esporte entre os brasileiros. “Esporte é cultura, faz parte da educação”, afirmou Gallien. Para o presidente da Fisu, a candidatura brasileira é de suma importância para evidenciar que o Brasil é um país emergente que não se interessa apenas pela economia. “A educação esportiva é um legado de longo prazo, de grande envergadura e um conhecimento de grande valor”, reforçou Gallien. Além de Brasília, concorrem à vaga Baku, no Azerbaijão, e Budapeste, na Hungria. A partir da definição, o país escolhido será assessorado para criar condições para que os jogos gerem esse legado por meio de um projeto educacional para a sociedade. Continua Continuação Mais de 8.700 universidades de todo o mundo e 20 mil atletas universitários de 17 a 28 anos participam tradicionalmente dos jogos, que ocorrem a cada dois anos. A próxima Universíade será em 2015 em Gwangju, na Coreia do Sul. Agnelo considera a disputa com Budapeste “uma verdadeira guerra”, mas acredita que as chances são muito grandes. “Trabalhamos muito para isso, mas temos que aguardar o resultado, pois a batalha é grande e dura e somente depois de apurarmos os votos poderemos comemorar, mas estamos otimistas”, finalizou. ACORDO Antes de visitar o stand de Brasília para a Universíade 2019, no hotel Dolce La Hulpe, nos arredores da capital belga, Agnelo Queiroz assinou dois acordos com o governador da região de Bruxelas e capital, Rudi Vervoot, e com o Ministro da Educação, Pascal Smet, nas áreas de educação, recursos humanos, pesquisa e tecnologia. 10/11/13 Nos dois convênios assinados, a expectativa é que, a partir do segundo semestre de 2014, outro grupo de estudantes e servidores públicos sejam selecionados pelo programa “Brasília sem Fronteiras” para realizar intercâmbio nas instituições de ensino e pesquisa belgas. O secretário-chefe da Assessoria Internacional do GDF, Odilon Frazao, que coordena o programa, demonstrou a importância do acordo ao citar a presença do reitor da Universidade Livre de Bruxelas, Paul de Knop, cuja instituição conquistou, este ano, o Prêmio Nobel de Física, por meio do professor François Engler, que descobriu a partícula Bozon de Higgs, no acelerador nuclear de Genebra, em 2011. Participam da missão oficial do GDF os secretários Glauco Rojas, de Ciência e Tecnologia, Luís Otávio Neves, de Turismo, e Odilon Frazao, de Relações Internacionais, além do presidente da Novacap, Nilson Martorelli, e do deputado distrital Washington Mesquita. 09/11/13 PODER 00 Entrevista / Francisco de Oliveira Assustaram os donos do poder, e isso foi ótimo AO COMPLETAR 80 ANOS, SOCIÓLOGO FAZ BALANÇO POSITIVO DA ONDA DE PROTESTOS NO PAÍS E CRITICA O 'VIOLENTO' MODELO BRASILEIRO DE CRESCIMENTO RICARDO MENDONÇA DE SÃO PAULO Socialista inveterado, acadêmico prestigiado, parceiro rompido de Fernando Henrique Cardoso e Lula, o sociólogo Francisco de Oliveira completou 80 anos na última quinta sem qualquer sinal de afrouxamento da energia crítica. Em entrevista em seu apartamento, em São Paulo, falou com entusiasmo dos protestos de rua ("a sociedade mostrou que é capaz ainda de se revoltar") e criticou as principais figuras da cena política. A presidente Dilma Rousseff é uma "personagem trágica" que deu uma "resposta idiota" às manifestações de junho. Lula "está fazendo um trabalho sujo". Marina Silva é uma "freira trotskista". O Bolsa Família, "uma declaração de fracasso". E por aí vai. Oliveira não teme expor suas posições ousadas. Uma delas é separar o Brasil para resolver a questão indígena: "Há um Estado indígena. Ninguém tem coragem de dizer". Folha - Oitenta anos. Que tal? Chico de Oliveira - Oscar Niemeyer disse que a velhice é uma merda. Não sou tão radical. Mas não tem essas bondades que se diz. A história de que se ganha em sabedoria é uma farsa. Não é bom envelhecer. As pessoas sábias deveriam morrer cedo [risos]. Antigamente era assim. Longevidade é uma novidade, né? É recente mesmo. Não é façanha sua. É a economia que te leva até os 80. As condições de vida mudam, você não precisa de trabalho pesado. Quem condiciona tudo é o trabalho. E gente da minha classe social está apta a aproveitar essas benesses do desenvolvimento capitalista. Mas não é agradável. E não há solução. Você vai se matar para poder não cumprir os desígnios de sua classe social? O senhor se surpreende aos 80. Em junho, falou do ineditismo dos protestos. Qual é o saldo? Continua Continuação Deu uma coisa ótima: a sociedade mostrou que é capaz ainda de se revoltar, ir para a rua. Não precisa resultado palpável. Assustaram os donos do poder, e isso foi ótimo. Eu falava inédito porque a sociedade brasileira é muito pacata. A violência é só pessoal, privada, o que é um horror. Quando vai para a violência pública, as coisas melhoram. Isso que interessa: um estado de ânimo da população que assuste os donos do poder. Assustou mesmo? Assustou. Foi mesmo inédito. Isso é bom para a sociedade. Não é bom para os donos do poder. Mas são eles que a gente deve assustar. Se puder, mais que assustar, derrubá-los do poder. Não acho que as manifestações tenham esse caráter. Mas regozijome porque foi manifestado o não conformismo. Aí a presidente Dilma lançou a ideia de Constituinte para a reforma política. O que achou? 09/11/13 Eu achei idiota. Não gostaria de fazer uma avaliação precipitada do governo Dilma para não dar força à direita, que está em cima dela. Mas é uma resposta idiota. Ninguém resolve problema assim na Constituição. 20 anos. E é um crescimento diferenciado. Não dá mais para ser no campo. Agora é na cidade, com relações público-privadas diferentes. Se o Estado não tem políticas para tal, é melhor ficar calado do que dizer besteira. O que teria sido adequado? Reconhecer que o país está atravessando uma zona de extrema turbulência devido ao crescimento econômico. É o crescimento que cria a turbulência, não o contrário. Todos pensam que crescimento apazigua. Não é verdade. Ele exalta forças que não existiam. O capitalismo é um sistema violentíssimo. Os EUA, o paradigma, são uma sociedade extremamente violenta. O Brasil vive adormecido. De repente, o tipo de crescimento violento e tenso em pouco tempo quebra as amarras, e a violência vai para rua. E o que achou do papel dos governadores? Esse [Geraldo] Alckmin é uma coisa... É bem o representante dessa política. Um ser anódino. Já o chamaram picolé de chuchu. Ele de fato não desperta paixões nem ódio. Em geral é assim. Não tem nenhum governador que inspire empolgação. Tudo conformado. E a imprensa tem um papel horroroso: o que for conformismo, exalta; o que for rebeldia, condena. Mas Dilma é criticada pelo baixo crescimento. Não é verdade. O país cresce de forma violentíssima nos últimos Que avaliação o senhor faz do movimento "black bloc"? Boa avaliação. Se eles se constituem como novos sujeitos da ação social, é para saudar. Vamos ver se, com eles, a gente chacoalha essa sociedade conformista. Parece que tudo no Brasil vai bem. Não é Continua Continuação verdade. Vai tudo mal. O Estado não age no sentido de antecipar-se à sociedade que está mudando rapidamente. E aí vem o Lula fazendo um trabalho sujo, aquietar aquilo que é revolta. Trabalho sujo? Ah, tá. A questão operária tem a capacidade de transformar o Brasil e ele está acomodando, matando a rebeldia que é intrínseca ao movimento. Rebeldia não quer dizer violência, sair para quebrar. É um comportamento crítico. Onde o senhor vê isso no Lula? Em tudo. Lula é um conservador, nunca quis ser personagem do movimento [operário]. Na Presidência, atuou como conservador. Pôs Dilma como uma expressão conservadora. Você não vende uma personalidade pública como gerente. Gerente é o antípoda da rebeldia. Ele a vendeu como a gerentona que sabe administrar. É péssimo. O Brasil precisa de 09/11/13 políticos com capacidade de expressar essa transformação e dar um passo a frente. Não se pode nem ter uma avaliação mais séria dela, pois ele não deixa ela governar. Atrapalha, se mete, inventa que é o interlocutor. Ela não pode nem reclamar. É uma cria dele, né? O sociólogo Boaventura Santos disse que Dilma tem insensibilidade social. Citou problemas com movimentos sociais, indígenas, camponeses, meio ambiente. Concorda? Não diria com essa ênfase. É um equívoco analisar o capitalista brasileiro nos moldes europeus. Aqui nunca teve campesinato, pois teve uma propriedade extremamente concentrada do escravismo. Isso se projetou depois numa economia capitalista. O que tem é uma questão urbana grave, que é preciso resolver. Mas problema indígena tem. É um problema. Porque a sociedade só sabe tratar indígena absorvendo e descaracterizando. Para tratar dessa questão é preciso, na verdade, de uma revolução de alto nível. Qual é? É reconhecer que há um Estado indígena. Estado indígena? É. A real solução. Há um Estado indígena. O Estado capitalista no Brasil não sabe tratar essa questão. Só sabe tratar indígena atropelando, matando, trazendo para a chamada civilização. A real solução é de uma gravidade que a gente nem pode propor. Um Estado indígena. Separa. Ninguém tem coragem de dizer isso. Então todo mundo quer integrar. Para integrar, você machuca, mata, dissolve as formações indígenas. E meio ambiente,sensibiliza? Não acredito que seja uma forma de fazer política. A Marina Silva está aí. Ela não tem nada a dizer sobre o capitalismo? Será? Será que a política ambiental é ruim? Ou é o capitalismo que é ruim? Ela não diz. Então, para mim a Marina é uma freira trotskista Continua Continuação [risos]. Cheia de revolução sem botar o pé no chão. Ela juntou com o Eduardo Campos, uma jogada política importante. Mas eles não têm proposta nenhuma. A Marina fica com esse ambientalismo démodé. Criticar a política de meio ambiente é fácil. Quero ver criticar o sistema capitalista nas formas em que ele está se reproduzindo no Brasil. Aí sim é botar o dedo na ferida. O senhor disse que a política da Dilma é conservadora. Diria que ela é de direita? Não diria. Ela é um personagem difícil, coitada. Uma personagem trágica. Porque ela não pode fazer o que ela se proporia a fazer. Ela tem uma história revolucionária. Mas não pode fazer isso porque está lá porque Lula a colocou. E Lula é o contrário, um antirrevolucionário. Ele não quer 09/11/13 soluções de transformação, quer apaziguamento. Talvez, se as opções estivessem em suas mãos, Dilma faria uma política mais de esquerda. Mas ela não foi eleita para isso. Nem tem força social capaz de impor essa mudança. O senhor vê alguma virtude? O pouco de virtude é, talvez, dar um pouco mais de atenção à área social. Que eu não gosto, porque é um conformar-se em não resolver. O Bolsa Família é uma declaração de fracasso. Para não morrer de fome, dá uma comidinha. Sou socialista há 50 anos. Para mim, a gente tem de mudar. E não necessariamente por revolução violenta, que está fora de moda. Bolsa Família é política conservadora. Atende uma dimensão da miséria, mas sem promessa de transformação. 09/11/13 COTIDIANO 00 Mudança em reprovação é 'pedagógica', diz Alckmin Alunos da rede estadual poderão repetir em 3 das 9 séries iniciais ser bimestrais. semestrais. Hoje são sistema que prevê reprovação apenas ao final de um ciclo, não ao término de cada série. EFEITO EM 2015 Alteração começa em 2014; para secretário, em 2015 já deverá haver impacto positivo nas avaliações de ensino FÁBIO TAKAHASHI DE SÃO PAULO O governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem ter cunho "pedagógico" a ampliação no número de séries com possibilidade de reprovação no ensino fundamental na rede estadual. Conforme a Folha antecipou na edição de ontem, a reprovação passará a ser possível em três das nove séries do ensino fundamental (3º, 6º e 9º anos), ante duas séries atualmente (5º e 9º). A mudança passa a valer em 2014. "Precisa ter a questão pedagógica. Não pode ficar cinco anos, para aqueles casos que são necessários, ficar sem reprovação", disse. A alteração prevê também que as provas aplicadas de forma obrigatória aos alunos passem a 'SEM SABER' Segundo o secretário da Educação, Herman Voorwald, as mudanças deverão surtir efeito positivo nas avaliações de aprendizagem aplicadas em 2015. A medição do próprio governo estadual mostra que 28% dos alunos do 5º ano estão com conhecimento insuficiente em matemática. Na escala utilizada pela ONG Todos pela Educação, são 63%. Há três meses, a gestão Fernando Haddad (PT) também aumentou o número de séries em que poderá haver reprovação, na rede municipal. De acordo com Alckmin, a decisão da prefeitura não influenciou as alterações em sua rede. "Discutimos o assunto desde 2011", afirmou. Com a mudança anunciada ontem, porém, os tucanos podem neutralizar nas eleições de 2014 o discurso dos petistas de que acabaram com a aprovação automática --nome pejorativo do Parte dos pais e dos professores entende que a má qualidade do ensino público ocorre principalmente porque os alunos "passam sem saber". Os docentes em especial reclamam que perderam a autoridade nas aulas. "A demanda que recebemos da rede era de que acabássemos com a progressão continuada", disse o secretário estadual de Educação. O modelo foi implementado nos anos 1990 em São Paulo sob a premissa de que cada estudante tem um ritmo de aprendizagem. Além disso, pesquisas mostram que o aluno que reprova tem mais chances de desistir da escola no curto prazo. Tanto Alckmin quanto seu secretário defenderam o sistema de progressão continuada. Afirmaram que apenas faltavam ajustes. O ensino médio segue com reprovação ano a ano. 09/11/13 00 COTIDIANO Reprovar não melhora ensino, afirmam educadores DE SÃO PAULO As mudanças anunciadas ontem pelo governo estadual dividiram as opiniões tanto de pesquisadores quanto dos sindicatos da categoria. Estado --Rose Neubauer também criticou a mudança. "Nenhum país usa reprovação como forma de melhorar ensino." Ela reclamou principalmente da possibilidade de retenção na 3ª série. Para os críticos, a medida pode até piorar a situação na educação, pois a retenção eleva o risco de o estudante desistir da escola, apontam estudos na área. "O primeiro ciclo é justamente o que tem tido melhores resultados", afirmou ela, que segue com pesquisas na área de educação. Os apoiadores dizem que a possibilidade de reprovação faz com que estudantes se envolvam mais nos estudos. Em nota, a Apeoesp (sindicato dos professores, ligado à CUT), disse que "não será com medidas como a anunciada que resolveremos o problema da qualidade do ensino". Cético em relação à mudança, o pesquisador Ocimar Alavarse, da USP, afirmou que "as evidências não mostram que reprovar aluno alavanca a aprendizagem". Secretária de Educação no governo Covas (PSDB) -responsável pela implementação da progressão continuada no Já a Udemo (sindicato dos diretores de escola, não ligado a centrais sindicais) entendeu ser positiva a mudança. "O avanço não é a reprovação em si. Mas só a possibilidade de que isso ocorra faz com que o estudante fique cauteloso", disse o presidente do sindicato, Chico Poli. A gerente da área técnica da ONG Todos pela Educação, Alejandra Meraz Velasco, também afirmou que são positivas as alterações apresentadas pelo governo. Ela defendeu especialmente a formação de um ciclo inicial com três séries --atualmente, são cinco séries. "Essa é uma tendência no país todo, sugerida inclusive pelo Pnaic [programa do governo federal para melhoria da alfabetização dos estudantes]", afirmou Alejandra. Ela afirmou, porém, que as alterações só terão efeito positivo se houver formação específica dos professores que atuam na recuperação dos alunos. "Ensinar a mesma coisa duas vezes, da mesma forma, tende a não ser eficiente." 09/11/13 00 COTIDIANO VESTIBULAR 74 mil candidatos participam da primeira fase da Unicamp amanhã DE SÃO PAULO - A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) realiza amanhã a primeira fase do vestibular 2014. Segundo a Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp) serão 73.818 candidatos --considerado um número recorde de inscritos-- que disputarão 3.460 vagas em nove cursos da universidade e dois da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto). A prova começará às 13h, mas a recomendação da Comvest é que os candidatos cheguem com pelo menos uma hora de antecedência ao local do exame. Na primeira fase, haverá prova de redação e de conhecimentos gerais, esta com 48 questões de múltipla escolha. O tempo máximo para concluir a prova é de cinco horas, e o mínimo de três horas e trinta minutos. Os candidatos deverão levar o original do documento de identidade indicado na inscrição, canetas de cor preta ou azul em material transparente, lápis e borracha. 09/11/13 00 METRÓPOLE Após Haddad, Alckmin amplia reprovação escolar A partir do ano vem, alunos da rede estadual poderão ser retidos em três das nove séries do ensino fundamental: na 3ª, 6ª e 9ª Paulo Saldaña O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou ontem uma reforma no sistema de progressão continuada das escolas estaduais. A partir do ano vem, o número de séries em que os estudantes podem ser reprovados vai aumentar. A decisão foi anunciada quatro meses depois de o prefeito Fernando Haddad (PT) promover alteração semelhante na rede municipal. Os alunos da rede estadual de São Paulo poderão ser reprovados em três das nove séries do ensino fundamental: no 3º, 6° e 9º anos. Até este ano, a retenção era prevista em apenas dois momentos, no 5º e no 9º anos. No caso da cidade de São Paulo, a mudança, aprovada depois de consulta popular, prevê possibilidade de reprovação em cinco momentos. Aumentar o número de ciclos sempre foi uma decisão delicada pelo receio de crescimento nas taxas de reprovação. Uma série de estudos mostra que a retenção é o primeiro passo para o abandono escolar. O secretário estadual de Educação, Herman Voorwald, afirmou ontem que, apesar de aumentar a possibilidade de reprovação, não espera alta nas taxas. "Não entendo que isso vá aumentar a reprovação. Entendo que crescerá a responsabilidade do aluno e do professor e a necessidade de (indicar) reforço A Segundo Voorwald, o sistema de recuperação já existente e os investimentos do Estado na contratação de professores vão colaborar com a medida. Alckmin também negou que a ideia seja reprovar mais. "A reprovação cria na criança a cultura do fracasso. Por outro lado, não se pode ficar cinco anos sem reprovação. Esses três ciclos me parecem um aperfeiçoamento, a ideia não é reprovar." Segundo o governo, as alterações são fruto de estudos e consultas à rede iniciados em 2011. O governador negou que a reforma municipal promovida por Haddad neste ano tenha sido levada em conta na decisão da mudança. "(A decisão da Prefeitura) não teve nenhuma interferência porque isso vem sendo discutido há dois anos com a rede. E fruto de um longo debate com os professores", disse. Aval. Para a professora Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp, maior sindicato da categoria, a mudança é bem-vinda. "Era necessário mudar. Se o que está implementado não deu respostas, não tem tido um resultado que aponte uma melhor forma de aprendizagem, temos de pensar no que foi feito", disse ela. "Eu não resumo tudo a poder repetir. O que está em questão é a oportunidade que os alunos terão de aprender." O professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Cipriano Luckesi, especialista em progressão, discorda. "É só um malabarismo. Esquecem de investir em qualidade do ensino, que significa investimento no professor e na formação e em melhores condições", afirma Luckesi. "A reprovação não vai necessariamente aumentar, mas também não vaidiminuir." O governo também anunciou alterações na forma de avaliar os alunos. A partir de 2014, a avaliação diagnostica ocorrerá ao final de cada bimestre. Os professores terão de fazer um relatório personalizado de aprendizado por aluno e um cardápio de ações para as dificuldades. Na reforma anunciada por Haddad, o foco na avaliação bimestral também foi um dos pontos. 09/11/13 00 METRÓPOLE Debate: É positivo alterar a organização dos ciclos? Sim. É interessante que a organização dos ciclos em um sistema automático não dure um tempo muito longo, como anunciou agora o governo de São Paulo. Não por evitar que o aluno seja sempre aprovado, porque não se deve buscar a reprovação. Essa organização possibilita que haja uma medição periódica para aumentar o compromisso do sistema com o resultado e o sucesso dos alunos. Com dois ciclos mais longos, há o risco de o sistema não prestar atenção no aluno durante os anos e, se constatar lá no fim que ele não aprendeu, pode não dar mais tempo para recuperá-lo. Dessa forma, o fato de ter avaliações mais frequentes, como também anunciado, colabora com o compromisso do sistema com o aprendizado dos alunos - contanto que a ferramenta seja vista como mecanismo de acompanhamento para corrigir alguma fragilidade, e não para punição. Em relação ao ciclo de alfabetização, entendo que é bom que isso aconteça, que haja esse foco. Mas é importante que não tenha reprovação do menino que está ingressando, porque as crianças não chegam à escola com a mesma maturidade. É bom que se tenha flexibilidade por parte das escolas e professores. JOSÉ FERNANDES LIMA É PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CNE) Não. Se a educação é um direito, não tem cabimento reprovar. O ciclo é uma proposta de organização que respeita o ritmo de desenvolvimento de cada aluno. Assim, no limite com essa concepção, deveríamos ter um ciclo de nove anos. A princípio, não há justificativas para ciclos menores. O ciclo maior inibe a reprovação, porque ela não resolve o problema do aluno e da educação e representa um impacto forte na autoestima do aluno. Estudos mostram que ele tem chances de reprovar de novo, e maiores taxas de retenção induzem à evasão. Assim, toda proposta que induza ou crie brechas para reprovação é um retrocesso. O problema não é aprovar ou reprovar, mas entender por que a ação pedagógica não está funcionado. O desafio é enfrentar as dificuldades e não reintroduzir a reprovação. O que precisamos é de políticas que garantam que as crianças aprendam. A rejeição que se tem aos ciclos é que, muitas vezes, ele foi decretado, imposto aos professores, sem que houvesse preocupação em mostrar a estes que isso implicaria em mudar a lógica de funcionamento das escolas na perspectiva de garantir a todos o aprendizado. ROMUALDO PORTELA É PROFESSOR DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA USP 09/11/13 00 ECONOMIA Faltam cursos para seguro-desemprego Exigência de frequentar aulas de qualificação profissional para receber o benefício não funciona pela escassez de cursos ofertados Murilo Rodrigues Alves Laís Alegretti Divulgada pelo governo como uma das medidas para diminuir os custos da União com o segurodesemprego, a obrigatoriedade de os trabalhadores frequentarem aulas de qualificação profissional para receber o auxílio não funciona na prática pela escassez de cursos ofertados. A obrigação de voltar a estudar só vale nos casos em que esteja disponível um curso que se encaixe no “perfil profissional” do trabalhador. A reportagem do Estado acompanhou trabalhadores que fizeram o pedido do benefício nesta semana, quando começou a valer a exigência de qualificação para todos aqueles que pedem o seguro pela segunda vez em dez anos. A maior parte dos desempregados foi dispensada das aulas porque não havia nenhum curso do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego ( Pronatec) que tivesse relação com os últimas funções desempenhadas. Muitas vezes, os cursos estavam disponíveis em cidades distantes de onde os beneficiários moram. Recusa. Martha Verônica trabalhava como operadora de call center. e fez acordo para ser demitida porque não aguentava mais as dores nas costas,conseqüência de passar seis horas sentada. Pela terceira vez, recorria ao seguro-desemprego. Ela ouviu do atendente, na galeria do trabalhador em Brasília, que não havia disponível nenhum curso que se adequava ao perfil dela. Antes, ela tinha trabalhado como atendente em biblioteca. Martha ainda questionou se não havia nenhum curso que poderia fazer. Depois de buscar na lista, o atendente disse que ela poderia frequentar o curso de auxiliar administrativo, em Samambaia – longe de Taguatinga, onde mora. Ela recusou e disse que vai usar o tempo livre para estudar para concursos públicos. Segundo os funcionários da Superintendência Regional do Trabalho do Distrito Federal, só 20% dos que pedem o seguro desemprego acabam fazendo um curso de qualificação, embora o porcentual de pessoas que pede o benefício pela segunda vez ou mais chegue a 90%. Eles também relatam que, mesmo aparecendo vagas no sistema, as pessoas voltam para relatar que não há vagas no curso quando chegam nas entidades. Informação. O sistema do Ministério da Educação que oferece as vagas do Pronatec ficou fora do ar mais de uma vez, o que impossibilitava aos atendentes fazer as matrículas nos cursos. O ministério disse que a nova plataforma apresentou alguns “problemas técnicos” durante esta semana, que já foram corrigidos pelas equipes de tecnologia dos Ministérios da Educação e da Previdência Social. O Ministério da Educação admitiu, em nota, que é impossível atender plenamente aos beneficiários do seguro-desemprego porque a oferta é tradicionalmente menor a partir de novembro. Mesmo assim, segundo o ministério, as instituições de ensino que participam do Pronatec têm ampliado a oferta de vagas para atender à crescente demanda por qualificação profissional. lém do Ministério do Trabalho, o MEC tem parcerias com 14 ministérios e com secretarias estaduais que cuidam de educação profissional. Segundo o MEC, desde agosto de 2012, foram matriculados 97 mil trabalhadores que pediram seguro-desemprego em cursos do Pronatec. No total, o número de matrículas nos cursos de bolsa- formação, que também atende ao público do seguro- desemprego, passou de 1,3 milhão de janeiro a outubro.No mesmo período de 2012, houve 534 mil matrículas. Só na primeira semana deste mês, quando começou a valer a nova regra, houve 81 mil matrículas. 09/11/13 00 ECONOMIA Ministério do Trabalho contradiz Mantega Na contramão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o Ministério do Trabalho avalia que as mudanças nas exigências que dão direito ao seguro-desemprego não têm o objetivo de conter os gastos do governo. “Não estamos fazendo qualificação para reduzir custos”, afirmou o secretário de Políticas Públicas de Emprego, Silvani Pereira. A ocorrência de fraudes, citada pelo chefe da equipe econômica como um fator importante seria, na verdade, “residual”. No mesmo dia emque o Banco Central anunciou um déficit de R$9 bilhões nas contas públicas em setembro, o ministro convocou uma coletiva de imprensa para divulgar que o governo estudava medidas para reduzir os gastos com seguro-desemprego e abono salarial, que, juntos, devem chegar a cerca de R$ 47 bilhões este ano. Mantega disse que pretende tornar obrigatório o curso de qualificação a partir do primeiro pedido de seguro-desemprego. Pereira disse que seria “ideal” a exigência do curso para todos os beneficiários, mas reconhece que hoje não há oferta de vagas para todos. Ao contrário do que argumentou Mantega, o Ministério do Trabalho, que acompanha os pedidos de seguro-desemprego, aponta que a fraude é “residual”. De janeiro a setembro deste ano, já foram desembolsados R$ 23,1 bilhões para o pagamento de seguro- desemprego a 6,6 milhões de pessoas. O Ministério do Trabalho acredita que esse gasto chegará a R$ 31 bilhões até o fim do ano, com 8 milhões de segurados. Uma semana depois de a mudança entrar em vigor, Pereira avaliou como "natural" o fato de, no primeiro momento, não haver vaga disponível para todos que seriam obrigados a fazer a capacitação. Ele estima que 36% dos beneficiários do segurodesemprego pedem o auxílio pela segunda vez ou mais, o que equivale a 2,8 milhões de pessoas. Motivos. Em relação ao crescimento dos gastos do governo como seguro-desemprego, o secretário argumenta que os motivos são o aumento do emprego formal nos últimos anos e, principalmente, o ganho real do salário mínimo. Ele argumenta que a proporção de pessoas que pedem o segurodesemprego na comparação com o número de vagas formais continua praticamente a mesma desde 2003. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda afirmou que não fará comentários adicionais ao do ministro sobre o assunto, pois o tema ainda está em discussão. / M.R.A e L.A. CORREIO BRAZILIENSE 09/11/13 ECONOMIA 00 Pressão contra as cotas ANTONIO TEMÓTEO Em meio a polêmica em torno do Projeto de Lei nº 6.738/2013, que reserva 20% das vagas em concursos públicos federais para negros, a Associação Nacional dos Concurseiros (Andacon) se posicionou contra a proposta. Em carta pública, a entidade afirmou que a medida fere a Constituição Federal e atesta a incapacidade do governo de oferecer educação de qualidade para a população. Para intensificar o lobby contrário à proposta, a Andacon fará uma manifestação no Congresso Nacional em 27 de novembro. O presidente da associação, Guto Bello, destacou que os manifestantes tentarão sensibilizar deputados e senadores a votarem contra o projeto. Para ele, a proposta cria um desequilíbrio e vai de encontro ao principio da isonomia. “Se isso passar teremos uma enxurrada de demandas judiciais que contestarão, por exemplo, o fato de uma pessoa ter o direito de apenas se declarar negro para se valer do benefício, sem precisar comprovar a cor da pele”, avaliou. O documento assinado por Bello também questionou o fato de os negros terem direito a cota para ingressar nas universidades federais. “Supor que, ao concluir o ensino superior, eles ainda tenham direito a cota no serviço público, seria menosprezar a possibilidade de eles intelectualmente vencerem, ao longo do curso superior, as diferenças que porventura existam em relação aos outros”, alertou a Andacon. Em relação aos concursos de nível médio, a entidade classificou a situação como diferente, uma vez que o negro, na maioria das vezes, é estudante de escola pública. E, dessa forma, não consegue concorrer com outros que tenham frequentado colégios particulares. “Então, com a criação da cota racial, o Estado está atestando sua incapacidade de oferecer um ensino médio de qualidade, pois, caso contrário, isso não seria necessário”. A Andacon enfatiza que a proposta não leva em consideração a população pobre, que não tem condições de arcar com um ensino de qualidade ou se preparar para os certames. “O projeto exclui pessoas de baixa renda que não sejam negras, que, por razões diversas, também precisariam de ações afirmativas. O negro rico concorrerá às vagas reservadas. O branco pobre não. É evidente que há uma distorção na proposta. Melhor seria uma cota social”. Na última quinta-feira, a mesa diretora da Câmara definiu que o PL passará pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; Trabalho, Administração e Serviço Público; e Constituição e Justiça e Cidadania antes de ir a plenário. Com o pedido de urgência para apreciação da matéria, registrado a partir de ontem, está aberto o prazo para apresentação de emendas em cinco sessões ordinárias. Após 45 dias, em 23 de dezembro — data que coincide com o início do recesso caso o Orçamento seja votado — a pauta de votações da casa ficará trancada. Opinião do internauta Leitores do Correio comentam a proposta que reserva aos negros 20% das vagas nos concursos públicos federais Contrários Welton “Sou contra cotas para negros, mas sou totalmente a favor de cotas sociais. Não acho, por exemplo, que os filhos do ministro Joaquim Barbosa devam ter preferência em concurso público, pois estudaram em boas escolas. Conhecimento não depende de cor e, sim, de estudo. Para se ter estudo, é preciso gastar dinheiro, já que o ensino público é horrível. Seria mais justo investir em ensino nas periferias e criar cotas de acordo com a situação econômica. A classe baixa não possui apenas negros. Fábio Magalhães “Propostas como essas mostram a incompetência do governo para Continua Continuação 09/11/13 implementar políticas que busquem o equilíbrio social. Cor não mede capacidade e competência. E mesmo que seja aprovada essa proposta absurda, não será o negro pobre que conseguirá a vaga, e, sim, o negro rico, que tem condições de estudar. O governo está sendo racista. O ser humano, branco ou negro, mulato ou amarelo, tem inteligência. Basta dar condições a todos.” Alex Rocha “Concurso púbico é mérito! A aprovação vem por meio do estudo e da capacidade intelectual. As cotas em universidades, que são uma forma de combater a desigualdade social, provendo conhecimento, poderão ser capazes de levar os negros a ocupar um cargo público. Se o Estado quisesse realmente diminuir a desigualdade, faria investimentos na base da pirâmide educaciona. Essa proposta da Dilma é apenas para garimpar votos!” Favoráveis Isabela “Sou branca e radicalmente a favor das cotas. Por não ter a mente colonizada da maioria dos brasileiros, penso com mais justiça e nitidez. Os negros derramaram sangue para construir esse país. Acho que a cota deveria ser de 50%. Se você fosse escolher nascer, nasceria negro ou branco? Cuidado que o seu subconsciente pode revelar duas coisas: ou sou racista ou os negros realmente sofreram o diabo nesse país. Dandara “Sou a favor das cotas. Atos como esse, além de encorajar muitos negros a contribuem para a diminuição da discrepância existente na administração pública. É a partir de oportunidades como essa, que muitos negros poderão ir em busca de um sonho que, antes, por inúmeras circunstâncias, parecia impossível! Em tempo, gostaria de registrar que não sou negra.” Zeilton Carvalho “Concordo. É só ver quantos negros têm nos órgãos públicos e em cargos comissionados. Tem, sim, mas é servindo café, limpando mesas e outras funções que de geração em geração são tidas como de negro. A sociedade tem dívidas com a raça negra desde a época da escravidão. CORREIO BRAZILIENSE 09/11/13 00 CIDADES EDUCAÇÃO » Curso de administração une público e privado » ADRIANA BERNARDES Capacitar gestores públicos comprometidos com o planejamento estratégico, característica da iniciativa privada, mas sem perder o foco na filosofia do setor público, que é servir o cidadão. Este é o principal desafio na formação dos profissionais de administração pública, segundo o professor doutor Gileno Fernandes Marcelino, coordenador do curso de administração pública do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). As inscrições estão abertas até o dia 21 deste mês (leia Fique atento). É justamente a união dessas duas habilidades que diferencia o curso do IDP voltado para os gestores públicos. “A grade foi elaborada para atender as necessidades básicas de Brasília, uma cidade que é o centro de decisão, a sede dos Três Poderes e necessita de gestores públicos preparados para as novas necessidades de mercado”, explica Gileno Marcelino. No passado, as grades dos cursos de administração pública e de empresas eram totalmente diferentes, segundo Marcelino. Mas, com o passar dos anos, houve um processo de convergência da teoria de gestão pública e a prática no setor privado. “A grade elaborada por nós aproxima os dois campos. Temos abordagens absolutamente inovadoras”, garante o coordenador. Além disso, o curso oferecido pelo IDP é dinâmico e proporciona aos alunos mais conhecimento prático alinhado às teorias ensinadas em sala de aula. Entre os objetivos, está o de “formar administradores públicos com visão inovadora e estratégica da administração pública de qualidade, focada no cidadão, aptos a atuar de forma proativa em situações novas e em contínua mutação, como é o caso da administração pública contemporânea”. Currículo Gileno Marcelino ajudou a fundar a Escola de Administração Fazendária (Esaf). Pós-doutor pela J. L. Kellogg Graduate School of Management — Northwestern University, de Chicago, nos Estados Unidos, ele tem 30 anos de experiência na área de administração pública nos governos federal, estadual e municipal, como assessor, consultor ou dirigente. Marcelino é autor de 17 livros e mais de 50 artigos publicados em revistas científicas, inclusive no exterior, e conferencista em eventos nacionais e internacionais. Fique atento Curso de Administração Pública do IDP Inscrições: até 21 de novembro Taxa: R$ 50 Prova: 24 de novembro, às 9h Onde: Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) — SGAS Quadra 607, Módulo 49, L2 Sul Prazo final para os recursos: 28 de novembro Resultado da seleção: 29 deste mês, a partir das 18h Matrícula: de 2 a 6 de dezembro Início das aulas: 3 de fevereiro de 2014 Valor da mensalidade: R$ 990. A partir da 2ª mensalidade, o desconto para pagamentos realizados até o dia 10 de cada mês é de 10%