DIÁRIO OFICIAL PODER LEGISLATIVO ANO XLIX – VITÓRIA-ES, TERÇA-FEIRA, 11 DE AGOSTO DE 2015 – Nº 7815 – 184 PÁGINAS DPL - Editoração, Composição, Diagramação e Arte-Final. Reprografia: Impressão 1ª SESSÃO LEGISLATIVA DA 18ª LEGISLATURA MESA DIRETORA THEODORICO FERRAÇO - DEM Presidente ENIVALDO DOS ANJOS - PSD 1º Secretário CACAU LORENZONI - PP 2º Secretário LUZIA TOLEDO 1ª Vice-Presidenta RAQUEL LESSA - SD 3ª Secretária MARCOS MANSUR - PSDB 2º Vice-Presidente BRUNO LAMAS - PSB 4º Secretário GABINETE DAS LIDERANÇAS DEM - Edson Magalhães PDT - Euclério Sampaio PMN - Janete de Sá PRTB – Marcos Bruno PMDB - Guerino Zanon PSDB - Pr.Marcos Mansur PTC - Eliana Dadalto SD – Raquel Lessa PT - Nunes PV PPS - Sandro Locutor PR – Gilsinho Lopes PRP - Dary Pagung PP - Erick Musso GILDEVAN FERNANDES - PV Líder do Governo ERICK MUSSO – PP Vice-Líder do Governo REPRESENTAÇÃO PARTIDÁRIA DEM PMDB PT PR PSB PDT PSDB PV PRP PEN PMN PTC PPS PP PSD PRTB SD EDSON MAGALHÃES E THEODORICO FERRAÇO. GUERINO ZANON, DOUTOR HÉRCULES, LUZIA TOLEDO E MARCELO SANTOS. JOSÉ CARLOS NUNES, PADRE HONÓRIO E RODRIGO COELHO. GILSINHO LOPES. BRUNO LAMAS E FREITAS. DA VITÓRIA E EUCLÉRIO SAMPAIO. PASTOR MARCOS MANSUR E SERGIO MAJESKI. GILDEVAN FERNANDES. ALMIR VIEIRA, DARY PAGUNG E HUDSON LEAL. DOUTOR RAFAEL FAVATTO. JANETE DE SÁ. ELIANA DADALTO. AMARO NETO E SANDRO LOCUTOR. CACAU LORENZONI E ERICK MUSSO. ENIVALDO DOS ANJOS. MARCOS BRUNO. RAQUEL LESSA. Esta edição está disponível no site: www.al.es.gov.br Endereço: Avenida Américo Buaiz – Quadra RC4-B 03 - Enseada do Suá - CEP: 29050-950 Editoração: Simone Silvares Itala – (027) - 3382-3666 e 3382-3665 e-mail: [email protected] PSB - Freitas PEN - Rafael Favatto PSD - DIÁRIO OFICIAL PODER LEGISLATIVO COMISSÕES PERMANENTES COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA, SERVIÇO PÚBLICO E REDAÇÃO Presidente: Rodrigo Coelho. Vice-Presidente: Raquel Lessa. Efetivos: Eliana Dadalto, Gildevan Fernandes, Janete de Sá, Rafael Favatto e Marcelo Santos. Suplentes: Nunes, Dary Pagung, Almir Vieira, Luzia Toledo, Euclério Sampaio, Pe. Honório e Amaro Neto. COMISSÃO DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE Presidente: Rafael Favatto. Vice-Presidente: Erick Musso. Efetivos: Bruno Lamas, Dary Pagung e Gildevan Fernandes. Suplentes: Raquel Lessa, Almir Vieira, Euclério Sampaio, Edson Magalhães e Marcelo Santos. COMISSÃO DE AGRICULTURA, DE SILVICULTURA, DE AQUICULTURA E PESCA, DE ABASTECIMENTO E DE REFORMA AGRÁRIA Presidente: Janete de Sá. Vice-Presidente: Padre Honório Efetivos: Raquel Lessa, Eliana Dadalto e Freitas Suplentes: Erick Musso, Nunes, Da Vitória, Sandro Locutor e Marcos Bruno. COMISSÃO DE FINANÇAS, ECONOMIA, ORÇAMENTO, FISCALIZAÇÃO, CONTROLE E TOMADA DE CONTAS Presidente: Dary Pagung. Vice-Presidente: Euclério Sampaio. Efetivos: Hudson Leal, Luzia Toledo, Almir Vieira, Edson Magalhães e Freitas. Suplentes: Rodrigo Coelho, Raquel Lessa, Erick Musso, Doutor Hércules, Gilsinho Lopes, Da Vitória e Bruno Lamas. COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Presidente: Gilsinho Lopes. Vice-Presidente: Sandro Locutor. Efetivos: Pastor Marcus Mansur. Suplentes: Edson Magalhães, Luzia Toledo e Doutor Hércules. COMISSÃO DE CULTURA E COMUNICAÇÃO SOCIAL Presidente: Marcos Bruno. Vice-Presidente: Da Vitória. Efetivos: Amaro Neto. Suplentes: Sergio Majeski, Euclério Sampaio e Rafael Favatto. COMISSÃO DE EDUCAÇÃO Presidente: Luzia Toledo. Vice-Presidente: Bruno Lamas. Efetivos: Rodrigo Coelho, Raquel Lessa e Marcos Bruno. Suplentes: Gildevan Fernandes, Sergio Majeski, Padre Honório, Edson Magalhães e Gilsinho Lopes. COMISSÃO DE SEGURANÇA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO Presidente: Euclério Sampaio. Vice-Presidente: Da Vitória. Efetivos: Almir Vieira, Gildevan Fernandes e Gilsinho Lopes. Suplentes: Erick Musso, Sandro Locutor, Bruno Lamas, Amaro Neto e Janete de Sá. COMISSÃO DE DEFESA DA CIDADANIA E DOS DIREITOS HUMANOS Presidente: Nunes. Vice-Presidente: Padre Honório. Efetivos: Dary Pagung, Sergio Majeski e Marcos Bruno. Suplentes: Rodrigo Coelho, Eliana Dadalto, Doutor Hércules e Janete de Sá. COMISSÃO DE TURISMO E DESPORTO Presidente: Amaro Neto. Vice-Presidente: Nunes Efetivos: Luzia Toledo. Suplentes: Dary Pagung, Hudson Leal e Sandro Locutor. COMISSÃO DE SAÚDE E SANEAMENTO Presidente: Doutor Hércules. Vice-Presidente: Almir Vieira. Efetivos: Erick Musso. Suplentes: Eliana Dadalto, Dary Pagung, Hudson Leal, Amaro Neto e Marcos Bruno. COMISSÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA, INOVAÇÃO, INCLUSÃO DIGITAL, BIOSSEGURANÇA, QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL, ENERGIA, GÁS NATURAL, PETRÓLEO E SEUS DERIVADOS Presidente: Sergio Majeski. Vice-Presidente: Nunes. Efetivos: Pastor Marcos Mansur. Suplentes: Eliana Dadalto, Almir Vieira e Bruno Lamas. COMISSÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL Presidente: Eliana Dadalto. Vice-Presidente: Padre Honório. Efetivos: Suplentes: Rafael Favatto, Rodrigo Coelho e Janete de Sá. COMISSÃO DE INFRAESTRUTURA, DE DESENVOLVIMENTO URBANO E REGIONAL, DE MOBILIDADE URBANA E DE LOGÍSTICA Presidente: Edson Magalhães. Vice-Presidente: Marcelo Santos. Efetivos: Erick Musso, Rodrigo Coelho e Doutor Hércules. Suplentes: Gildevan Fernandes, Gilsinho Lopes, Luzia Toledo, Padre Honório e Sergio Majeski. COMISSÃO DE COOPERATIVISMO Presidente: Vice-Presidente: Efetivos: Marcos Mansur, Hudson Leal e Doutor Hércules. Suplentes: Sergio Majeski, Almir Vieira e Luzia Toledo. COMISSÃO DE POLÍTICA SOBRE DROGAS Presidente: Marcelo Santos. Vice-Presidente: Gilsinho Lopes. Efetivos: Suplentes: Freitas, Raquel Lessa e Sergio Majeski. DEPUTADO CORREGEDOR-GERAL: Hudson Leal - PRP DEPUTADO OUVIDOR: Da Vitória - PDT LIGUE OUVIDORIA: 3382-3846 / 3382-3845 / 0800-2839955 e-mail: [email protected] Publicação Autorizada Atos do Presidente Atos Legislativos Atos Administrativos Atas das Sessões e das Reuniões das Comissões Parlamentares Suplementos pág. 1 pág. 1 a 11 pág. 12 a 180 Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 PUBLICAÇÃO AUTORIZADA PODER LEGISLATIVO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO Diário do Poder Legislativo - 1 nessa Casa, transformado no Autógrafo de Lei nº 60/2015, para cumprimento das formalidades constitucionais de praxe. Em que pese o justo propósito da matéria ora tratada, ouvida a Secretaria de Estado da Cultura SECULT, vejo-me compelido a negar assentimento à redação dada ao artigo 2º, pelas razões jurídicas de mérito a seguir expostas. COMISSÃO DE DEFESA DA CIDADANIA E DOS DIREITOS HUMANOS OF/CDCDH nº 407/2015 O Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos, Exmo. Sr. Deputado Nunes, e os demais deputados abaixo assinado, membros da referida Comissão, Exmo. Dep. Sergio Majeski e Dep. Marcos Bruno, vêm através deste ofício, comunicar a Mesa Diretora e aos demais Parlamentares, que foi enviado convite para o Exmo. Sr Secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Sr. Octaciano Neto explanar sobre “Os limites territoriais em litígio entre os estados do Espirito Santo e Minas Gerais, no interior das terras da Unidade de Conservação do Parque Nacional do Caparaó, com repercussão significativa para as regiões administrativas em torno do parque, envolvendo a divisa do município de Dores do Rio Preto - ES”, no dia 11 de agosto de 2015, às 13h30min, no Plenário “Judith Leão Castello”. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, 06 de agosto de 2015. NUNES Deputado Estadual do PT SERGIO MAJESKI Deputado Estadual do PSDB MARCOS BRUNO Deputado Estadual do PRTB O Projeto de Lei estabelece em seu artigo 1º que “fica instituído o dia da Música Capixaba, a ser comemorado, anualmente, no dia 24 do mês de abril”, medida que alcança todo respaldo no escopo da competência legislativa do excelentíssimo Deputado proponente. Todavia, conforme anota o parecer técnico da Secretaria de Cultura, há óbices quanto ao art. 2º do referido projeto, que, ao determinar “que o dia da Música Capixaba deverá ser incluído no Calendário Oficial de Eventos do Estado”, acaba por criar imposição à SECULT para a destinação de reserva orçamentária específica ao fim pretendido. Nos termos da Constituição Estadual, em seu artigo 63, inciso III, matérias que disponham sobre a organização administrativa do Estado - tema que inclui as decisões referentes à alocação de recursos orçamentários - é de competência privativa do Governador. Assim, em vista do exposto, com a devida vênia a esta Egrégia Casa de Leis, o veto parcial fazse necessário, sem que se olvide dos esforços permanentes do Estado na promoção da cultura capixaba. Pelas razões do parecer supra, o veto parcial se impõe ao Projeto de Lei nº 154/2015. Vitória, 04 de agosto de 2015. Atenciosamente, PODER EXECUTIVO PAULO CESAR HARTUNG GOMES Governador do Estado GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO GABINETE DO GOVERNADOR MENSAGEM Nº 195/2015 ATOS ADMINISTRATIVOS Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia Legislativa Deputado Theodorico de Assis Ferraço Transmito à V. Exa. e dignos Pares, amparado no artigo 66, § 2º da Constituição Estadual, as razões de VETO PARCIAL ao Projeto de Lei nº 154/2015, que “Institui o Dia da Música Capixaba”, de autoria do Deputado Marcos Bruno, aprovado ATOS DA MESA DIRETORA ATO Nº 1506 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: 2 - Diário do Poder Legislativo EXONERAR, na forma do artigo 61, § 2º, alínea “a”, da Lei Complementar nº 46, de 31 de janeiro de 1994, ROSIANE CARNEIRO GOMES, do cargo em comissão de Técnico Júnior de Gabinete de Representação Parlamentar, código TJGRP, do gabinete do Deputado Gildevan Fernandes, por solicitação do próprio Deputado. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário ATO Nº 1507 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: NOMEAR, na forma do artigo 12, inciso II, da Lei Complementar nº 46, de 31 de janeiro de 1994, ALESSANDRA NUNES MILANEZE, para exercer o cargo em comissão de Assessor Sênior da Secretaria, código ASS, da Secretaria da Assembleia Legislativa. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário ATO Nº 1508 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: NOMEAR, na forma do artigo 12, inciso II, da Lei Complementar nº 46, de 31 de janeiro de 1994, ANDREA LISBOA PIRAJA ROCHA, para exercer o cargo em comissão de Técnico Júnior de Gabinete de Representação Parlamentar, código TJGRP, no gabinete do Deputado Gildevan Fernandes, por solicitação do próprio Deputado. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 ATO Nº 1509 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: NOMEAR, na forma do artigo 12, inciso II, da Lei Complementar nº 46, de 31 de janeiro de 1994, ROSIANE CARNEIRO GOMES, para exercer o cargo em comissão de Assistente de Gabinete de Representação Parlamentar, código ASGRP, no gabinete do Deputado Gildevan Fernandes, por solicitação do próprio Deputado. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário ATO Nº 1510 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: ELEVAR para 46,5% (quarenta e seis vírgula cinco por cento), a partir de 21/07/2015, de acordo com art. 106 da Lei Complementar nº 46/94 c/c art. 1º da Lei Complementar nº 128/98, de ADICIONAL DE TEMPO DE SERVIÇO, a que faz jus VERA LUCIA DOS SANTOS MARIANO, matrícula nº 034136, Técnico Legislativo Júnior ETLJ, da Secretaria da Assembleia Legislativa. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário ATO Nº 1511 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: ELEVAR para 60% (sessenta por cento), a partir de 28/07/2015, de acordo com art. 106 da Lei Complementar nº 46/94 c/c art. 1º da Lei Complementar nº 128/98, de ADICIONAL DE TEMPO DE SERVIÇO, a que faz jus ROSE Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 MARY DE ARAUJO MARTINS DA SILVA, matrícula nº 016709, Técnico Legislativo Sênior ETLS, da Secretaria da Assembleia Legislativa. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário ATO Nº 1512 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: ELEVAR para 15% (quinze por cento), a partir de 17/07/2015, de acordo com art. 106 da Lei Complementar nº 46/94 c/c art. 1º da Lei Complementar nº 128/98, de ADICIONAL DE TEMPO DE SERVIÇO, a que faz jus MARIA DA PENHA MIRANDA ASSUNÇÃO, matrícula nº 202828, Assessor Sênior da Secretaria - ASS, da Secretaria da Assembleia Legislativa. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário ATO Nº 1513 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: ELEVAR para 25% (vinte e cinco por cento), a partir de 17/07/2015, de acordo com art. 106 da Lei Complementar nº 46/94 c/c art. 1º da Lei Complementar nº 128/98, de ADICIONAL DE TEMPO DE SERVIÇO, a que faz jus BERNARDO ALMEIDA DO VALLE, matrícula nº 203272, Técnico Legislativo Sênior - ETLS, da Secretaria da Assembleia Legislativa. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário Diário do Poder Legislativo - 3 ATO Nº 1514 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: ELEVAR para 60% (sessenta por cento), a partir de 18/07/2015, de acordo com art. 106 da Lei Complementar nº 46/94 c/c art. 1º da Lei Complementar nº 128/98, de ADICIONAL DE TEMPO DE SERVIÇO, a que faz jus HELDER PEROZINI, matrícula nº 016707, Técnico Legislativo Sênior - ETLS, da Secretaria da Assembleia Legislativa. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário ATO Nº 1515 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: Considerando o Ato nº 3260, de 01/08/2008, publicado em 03/09/2008, alterado pelo Ato nº 267, de 31/03/2010, que regulamenta a concessão de Incentivo Educacional, resolve: CONCEDER à servidora DENISE AQUINO DOS SANTOS, Técnico Legislativo Sênior - ETLS, matrícula nº 207981, o 1º (primeiro) INCENTIVO EDUCACIONAL de 05% (cinco por cento) sobre o vencimento do respectivo cargo efetivo, a partir de 29/06/2015, conforme o art. 3º, da Lei nº 8.950/2008, alterada pela Lei nº 10.083/2013 e pela Lei nº 10.225/2014. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário ATO Nº 1516 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: 4 - Diário do Poder Legislativo EXONERAR, na forma do artigo 61, § 2º, alínea “a”, da Lei Complementar nº 46, de 31 de janeiro de 1994, BRUNO AMARAL ROCHA, do cargo em comissão de Adjunto de Gabinete de Representação Parlamentar, código ADGRP, do gabinete do Deputado Hudson Leal, por solicitação do próprio Deputado, contida no processo nº 152923/2015. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. ATOS DO SUBDIRETOR-GERAL THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário ATO Nº 1517 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: NOMEAR, na forma do artigo 12, inciso II, da Lei Complementar nº 46, de 31 de janeiro de 1994, MARCOS ANTONIO DA SILVA DUARTE, para exercer o cargo em comissão de Técnico Júnior de Gabinete de Representação Parlamentar, código TJGRP, no gabinete do Deputado Nunes, por solicitação do próprio Deputado, contida no processo nº 152918/2015. PALÁCIO DOMINGOS MARTINS, em 10 de agosto de 2015. THEODORICO FERRAÇO Presidente ENIVALDO DOS ANJOS 1º Secretário CACAU LORENZONI 2º Secretário RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 033/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 033/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 8.429,71 (oito mil, quatrocentos e vinte nove reais e setenta e um centavos). PROCESSO: 150113. Secretaria da Assembleia Legislativa, em 07 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria ATO Nº 1518 A MESA DIRETORA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, usando de suas atribuições legais, resolve: NOMEAR, na forma do artigo 12, inciso II, da Lei Complementar nº 46, de 31 de janeiro de 1994, NATHALIA ROVETA FERREIRA MARTINS, para exercer o cargo em comissão de Adjunto de Gabinete de Representação Parlamentar, código ADGRP, no gabinete do Deputado Hudson Leal, por solicitação do próprio Deputado, contida no processo nº· 152924/2015. RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 034/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 034/2015, conforme descrito abaixo: Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Diário do Poder Legislativo - 5 CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 3.103,81 (três mil, cento e três reais e oitenta e um centavos). PROCESSO: 150113. Secretaria da Assembleia Legislativa, em 07 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 035/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 035/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 1.551,91 (hum mil, quinhentos e cinquenta e um reais e noventa e um centavos). PROCESSO: 150113 Secretaria da Assembleia Legislativa, em 07 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 036/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 036/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA - ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO LICITATÓRIO: Pregão Eletrônico. Valor: R$ 3.103,81 (três mil, cento e três reais e oitenta e um centavos). PROCESSO: 150113 Secretaria da Assembleia Legislativa, em 07 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 037/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 037/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA - ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 3.103,81 (três mil, cento e três reais e oitenta e um centavos). PROCESSO: 150113 6 - Diário do Poder Legislativo Secretaria da Assembleia Legislativa, em 07 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 1.494,32 (hum mil, quatrocentos e noventa e quatro reais e trinta e dois centavos). PROCESSO: 150113 RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 038/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 038/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO LICITATÓRIO: Pregão Eletrônico. Valor: R$ 1.756,58 (hum mil, setecentos e cinquenta e seis reais e cinquenta e oito centavos). PROCESSO: 150113 Secretaria da Assembleia Legislativa, em 07 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria Secretaria da Assembleia Legislativa, em 07 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 040/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 040/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 3.103,81 (três mil cento e três reais e oitenta e um centavos). PROCESSO: 150113 RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 039/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 039/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. Secretaria da Assembleia Legislativa, em 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 041/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 041/2015, conforme descrito abaixo: Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Diário do Poder Legislativo - 7 CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 1.551,91 (hum mil quinhentos e cinquenta e um reais e noventa e um centavos). A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 043/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCESSO: 150113 Secretaria da Assembleia Legislativa, em 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 042/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 042/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Valor: R$ 2.005,91 (dois mil noventa e um centavos). Pregão e cinco reais e PROCESSO: 150113 Secretaria da Assembleia Legislativa, em 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 14.050,38 (quatorze mil e cinquenta reais e trinta e oito centavos). PROCESSO: 150113 Secretaria da Assembleia Legislativa, em 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 044/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 044/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 3.063,80 (três mil e sessenta e três reais e oitenta centavos). PROCESSO: 150113 RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 043/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 Secretaria da Assembleia Legislativa, em 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria 8 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 045/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 045/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Secretaria da Assembleia Legislativa, em 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 047/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 047/2015, conforme descrito abaixo: Pregão Valor: R$ 691,63 (seiscentos e noventa e um reais e sessenta e três centavos). CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCESSO: 150113 Secretaria da Assembleia Legislativa, em 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 046/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 006/2015 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 003/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 046/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: TERRA NORTE CONSTRUTORA LTDA ME. CNPJ: 00.324.015/0001-05. OBJETO: Prestação de Serviços de Pintura, Reboco, Gesso e Troca de Piso, com fornecimento de materiais e insumos. PROCEDIMENTO Eletrônico. PROCESSO: 150113 LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 4.383,50 (quatro mil trezentos e oitenta e três reais e cinquenta centavos). PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Valor: R$ 5.847,80 (cinco mil oitocentos e quarenta e sete reais e oitenta centavos). PROCESSO: 150113 Secretaria da Assembleia Legislativa, em 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 049/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 051/2014 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 001/2015 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 049/2015, conforme descrito abaixo: CONTRATADA: COMODORO COMERCIAL E NUTRIÇÃO LTDA - ME. CNPJ: 10.461.277/000175. OBJETO: Aquisição de Material de Consumo Papel A4 Branco Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Diário do Poder Legislativo - 9 Pregão Valor: R$ 20.040,00 (vinte mil, e quarenta reais). da Procuradoria 142438/2014. constante no Processo nº VALOR TOTAL: R$ 4.430,10 (quatro mil, quatrocentos e trinta reais e dez centavos). PROCESSO: 141796 Vitória/ES, 10 de agosto de 2015. Secretaria da Assembleia Legislativa, em 07 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria AVISO DE LICITAÇÃO RESUMO ORDEM DE FORNECIMENTO nº 051/2015 REFERENTE AO PREGÃO ELETRÔNICO Nº 036/2014 E ATA DE REGISTRO DE PREÇO Nº 008/2014 Pregão Eletrônico Registro de Preços nº 042/2015 Exclusivo para ME e EPP Processo nº 142739/2014 A Subdireção Geral da Secretaria da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao que dispõe o artigo 61, § único, Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, torna pública a emissão da Ordem de Fornecimento nº 051/2015, conforme descrito abaixo: A Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, através de sua Pregoeira e Equipe de Apoio, torna público que realizará Licitação, sob o sistema de Registro de Preços, de acordo com as Leis 8.666/93 e 10.520/02 e suas alterações, por meio de Sistema Eletrônico, para AQUISIÇÃO, REPARO E INSTALAÇÃO DE PLACAS DE SINALIZAÇÃO E ADESIVOS VINÍLICOS DE USO INTERNO NAS DEPENDÊNCIAS DESTA ALES, conforme especificação contida no Anexo I do Edital. CONTRATADA: DPS GONÇALVES INDÚSTRIA DE COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. CNPJ: 64.106.552.0001-61. OBJETO: Aquisição de Café a vácuo - gêneros alimentícios. PROCEDIMENTO Eletrônico. LICITATÓRIO: Pregão Recebimento das Propostas até: 21/08/2015 às 14:00h. Abertura das Propostas: 21/08/2015 às 14:00h. Início da Sessão de Disputa: 21/08/2015 às 16:00h. PROCESSO: 141489 O Edital estará disponível no site: www.al.es.gov.br links: “Transparência no Legislativo”, “Licitações”, “Pregão Eletrônico” ou www.licitacoes-e.com.br. Secretaria da Assembleia Legislativa, em 07 de agosto de 2015. Maiores informações através do e-mail: [email protected] ou pelo Tel/Fax: (27) 3382-3874. Valor: R$ 4.340,00 (quatro mil trezentos e quarenta reais). ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria Vitória/ES, 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria AVISO DE INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO AVISO DE LICITAÇÃO A Subdireção Geral da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, em atendimento ao disposto no artigo 26 da Lei nº 8.666/93, torna público que o Presidente da Assembleia Legislativa ratificou a INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO, para a contratação da EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S/A (CNPJ nº 60.579.703/0001-48), referente à aquisição de assinaturas do jornal Folha de São Paulo, nas modalidades impressa e digital, com base no artigo 25, caput, da citada Lei e Parecer Pregão Eletrônico N° 043/2015 Exclusivo para ME e EPP Processo nº 131680/2013 A Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, através de sua Pregoeira e Equipe de Apoio, torna público que realizará Licitação, sob a modalidade de “PREGÃO ELETRÔNICO”, de acordo com as Leis 8.666/93 e 10.520/02 e suas 10 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 alterações, por meio de Sistema Eletrônico, para a CONTRATAÇÃO DE EMPRESA ESPECIALIZADA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE FORNECIMENTO E INSTALAÇÃO DE CORRIMÃOS DAS ESCADAS DAS GALERIAS DO PLENÁRIO E RETIRADA DO CORRIMÃO EXISTENTE E INSTALAÇÃO DE NOVO GUARDA CORPO COM CORRIMÃO DA RAMPA DE ACESSO À ALES, VISANDO ATENDER ÀS EXIGÊNCIAS DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO ES, NO EDIFÍCIO SEDE DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO - ALES, conforme especificação contida no Anexo I do Edital. A Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, através de sua Pregoeira e Equipe de Apoio, torna público que realizará Licitação, sob a modalidade de “PREGÃO ELETRÔNICO”, de acordo com as Leis 8.666/93 e 10.520/02 e suas alterações, por meio de Sistema Eletrônico, para a AQUISIÇÃO DE MATERIAL DE EXPEDIENTE conforme especificação contida no Anexo I do Edital. Recebimento das Propostas até: 24/08/2015 às 14:00h. Abertura das Propostas: 24/08/2015 às 14:00h. Início da Sessão de Disputa: 24/08/2015 às 16:00h. Recebimento das Propostas até: 25/08/2015 às 14:00h. Abertura das Propostas: 25/08/2015 às 14:00h. Início da Sessão de Disputa: 25/08/2015 às 16:00h. O Edital estará disponível no site: www.al.es.gov.br links: “Transparência no Legislativo”, “Licitações”, “Pregão Eletrônico” ou www.licitacoes-e.com.br. O Edital estará disponível no site: www.al.es.gov.br links: “Transparência no Legislativo”, “Licitações”, “Pregão Eletrônico” ou www.licitacoes-e.com.br. Maiores informações através do e-mail: [email protected] ou pelo Tel/Fax: (27) 3382-3874. Maiores informações através do e-mail: [email protected] ou pelo Tel/Fax: (27) 3382-3874. Vitória/ES, 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria AVISO DE LICITAÇÃO Pregão Eletrônico Registro de Preços n° 044/2015 Exclusivo para ME e EPP Processo nº 150679/2015 Vitória/ES, 10 de agosto de 2015. ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral da Secretaria SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL • TERÇA-FEIRA - 11.08.15 • HORA 07h00 PROGRAMAS SINOPSES ANTES E DEPOIS DA Violência doméstica praticada contra as mulheres, esse é o tema do LEI programa dessa semana. Entenda o que mudou a partir de 2006 com a Lei nº 11. 340, mais conhecida como Maria da Penha. O programa traz uma entrevista exclusiva com a mulher que motivou a criação da lei, a farmacêutica, Maria da Penha, conta como conheceu o homem que, por duas vezes, tentou matá-la. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 MPF: INTERESSE PÚBLICO 07h30 Diário do Poder Legislativo - 11 O TSE decidiu que processos de prestação de contas de partidos com mais de cinco anos estariam prescritos, todavia a Procuradoria Geral Eleitoral discorda de tal entendimento para a procuradoria, os partidos têm obrigação de demonstrar como foi gasto dinheiro do Fundo Partidário e de doações. Na Bahia, o MPF apura atraso na reforma do aeroporto internacional de Salvador. E em Valença, no Rio de Janeiro, Justiça Federal reconhece posse de terras em favor de quilombolas. 08h00 FIOCRUZ UNIDIVERSIDADE - O programa debaterá o tema: Espaço aéreo. 08h30 REPORTAGEM ESPECIAL Acompanhe uma reportagem especial sobre o uso do celular. 08h45 PANORAMA Telejornal com as atividades do Legislativo estadual. 09h00 COMISSÃO CULTURA (V) 10h00 CPI DO SISTEMA Reunião ordinária. TRANSCOL (V) 11h00 COMISSÃO ESPECIAL Reunião ordinária. DA CRISE HÍDRICA (V) 12h00 MUNICÍPIOS CAPIXABAS Conheça mais sobre o Espírito Santo com a série Municípios, que traz: Venda Nova do Imigrante. BIOGRAFIA Afonso Cláudio foi um político brasileiro que participou ativamente do movimento republicano, após a Proclamação da República, foi escolhido o primeiro governador do estado do Espírito Santo, nomeado em 1889, exercendo o governo até de 1890. DE Reunião ordinária. 12h20 12h30 COMISSÃO DE CIÊNCIA Reunião ordinária. E TECNOLOGIA (V) 13h30 COMISSÃO CIDADANIA (V) 14h30 PANORAMA Telejornal com as atividades do Legislativo estadual. 14h45 INTER-SESSÃO (V) Trabalhos do Legislativo estadual. 15h00 SESSÃO ORDINÁRIA (V) Trabalhos do Legislativo estadual. 18h00 INTER-SESSÃO (V) Trabalhos do Legislativo estadual. AÇÃO PARLAMENTAR Aos 37 anos, Bruno Lamas, que é natural da Serra, assumiu em 2015, pela primeira vez, sua cadeira na Assembleia Legislativa, após três mandatos consecutivos de vereador no município de Serra. Na entrevista, o deputado comenta suas ideias e destaca alguns projetos de sua autoria. SESSÃO SOLENE Em homenagem ao dia do escritor e entrega da Comenda do Mérito Legislativo Rubem Braga. DE 18h15 19h00 Reunião ordinária. 21h30 CPI EMPENHOS SAÚDE DA Reunião ordinária. 22h00 PANORAMA Telejornal com as atividades do Legislativo estadual. 22h15 SESSÃO ORDINÁRIA Trabalhos do Legislativo estadual. Legenda: (R) - REPRISE; (V) - AO VIVO OBS.: A programação da TV ALES pode sofrer alterações em função dos trabalhos legislativos. 12 - Diário do Poder Legislativo ATAS DAS SESSÕES E DAS REUNIÕES DAS COMISSÕES PARLAMENTARES COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO DA MÁFIA DOS GUINCHOS. DÉCIMA PRIMEIRA REUNIÃO ORDINÁRIA DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 13 DE JULHO DE 2015. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta Comissão. Convido a Senhora Secretária a proceder à leitura da ata da décima reunião ordinária, realizada em 06 de julho de 2015. (Pausa) (A Senhora Secretária procede à leitura da ata) O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Aprovada a ata como lida. Solicito à Senhora Secretária que proceda à leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: EXPEDIENTE: CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS: OF. CIRCULARGAB. MB Nº 081/2015, do gabinete do Deputado Marcos Bruno, justificando sua ausência na reunião realizada no dia 06/07/15 desta Comissão. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Ciente. Junte-se aos autos. Continua a leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: OF/PMES/CPO-E/BPTRAN/SUBSEÇÃO DE OCORRÊNCIA N.º 1.400/2015, do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, complementando o ofício do Batalhão de Trânsito da 1.ª Seção, n.º 135/2015, em resposta ao OF/CPI n.º 035/2015, encaminhando relatórios de blitze realizadas em janeiro de 2010 a setembro de 2014. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Ciente. Junte-se aos autos. Continua a leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: OF/SESP/CIODES N.º 063/2015, do Cel. Reinaldo Brezinski Nunes, encaminhando envelope lacrado contendo resposta ao Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 OF/CPI n.º 077/2015. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Ciente. Junte-se aos autos. Continua a leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: ORDEM DO DIA: O que ocorrer. COMUNICAÇÕES: Objetivo da Comissão: apurar denúncias relacionadas à “Máfia dos Guinchos” e “Pátio/Estacionamento/Depósito” de veículos apreendidos e possível conluio entre autoridades, prestadores de serviços e lesão ao cidadão, além de investigar participação de servidor público e empresas terceirizadas com intuito de lesar o contribuinte. CONVOCADOS: Fabiano Contarato - Diretor Presidente do Detran/ES. Auxiliadora Tibero Gomes- Sócia da Empresa Central Park Angela Maria Sant`ana Oliveira - Sócia da Empresa Central Park O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Peço a secretária que informar se além do doutor Fabiano as outras pessoas compareceram. A SR.ª SECRETÁRIA ADAME DUQUE) - Não. - (TATIANA O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Nem a Auxiliadora Tibero Gomes e nem a Angela Maria Sant’ana Oliveira? A SR.ª SECRETÁRIA ADAME DUQUE) - Não. - (TATIANA O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Vamos pedir à secretaria que providencie através da Procuradoria a forma de condução coercitiva no próximo dia 03 de agosto dessas duas... (Pausa) Meu amigo, eu não posso atender agora o senhor. O senhor está na plateia da comissão. O senhor pode aguardar que a gente pode até conversar, mas não posso aceitar interferência do público. Doutor Fabiano, recebemos um ofício, gostaria até de consultar o Senhor Deputado Marcelo Santos, do Delegado Fabiano Contarato pedindo vinte minutos para apresentação feita pelo senhor Jadir Tosta Júnior, que tem nos acompanhado aqui de forma muito eficiente e colaborado com a comissão, para apresentação de um vídeo sobre exatamente... Levará vinte minutos a apresentação de recursos midiáticos e desta forma deve se providenciar estrutura adequada e requerer autorização para que o coordenador de Remoções e Depósito de Veículos, senhor Jadir Tosta Júnior, possa conceder uma apresentação a respeito dos pátios credenciados. Vale Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 ressaltar que o citado servidor... É uma apresentação sobre os pátios credenciados. (Pausa) O senhor prefere falar ou fazer a apresentação primeiro? (Pausa) Fazer a apresentação primeiro? (Pausa) Então iniciaremos com a apresentação. O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Bom dia a todos. Meu nome é Jadir, trabalho no Detran desde 2011, sou técnico designado pelo Detran para acompanhar o trabalho da CPI e estou na Coordenação de Remoção e Depósito de Veículos desde 2014. Conversamos com o doutor Fabiano na intenção de fazer uma breve apresentação para demonstrar algumas situações que o órgão tem de problema a fim de contextualizar os senhores a respeito do assunto. O Detran vem estudando esse trabalho, comecei trabalhando nesse assunto, estudando isso dentro do Detran, a partir de 2013. Daquele momento para cá, implementamos algumas medidas para resolver parte de alguns problemas e amenizar parte de outros problemas. No início de 2014, o Detran publicou, na época do gestor Carlos Lopes, uma instrução de serviço com foco na melhoria do atendimento ao cidadão. Foi exigido dos pátios credenciados uma série de situações que objetivavam atender melhor ao cidadão. Por exemplo, áreas climatizadas, ambientes climatizados, área de atendimento ao público com acessibilidade e outras medidas. Outras ações estavam mais voltadas para garantir uma justa cobrança da taxa e também a abertura dos pátios nos fins de semana e feriado. Então, a cobrança da diária que era feita por dia, ou seja, o veículo entrava em um dia e cobrava uma diária, virava o dia e cobrava outra diária. Essa cobrança passou a ser a partir do momento em que o veículo entrou no pátio e essa diária também foi fracionada. Dentre essas, foram algumas outras ações. Estou só citando isso rapidamente para contextualizar a situação para os senhores. O fato é que isso, por si só, não é condição capaz de resolver o problema da forma que o Detran necessitava e precisava. A comissão que trabalhou nesse estudo e que propôs essas mudanças para 2014 concluiu que, basicamente, o que precisava ser feito era uma mudança no sentido de regulamentação, ou seja, de descrição exata daquilo que o órgão precisava contratar, seja por licitação, seja por credenciamento. Sugerimos, na época, que o modelo seria indiferente por conta dos estudos que a gente já havia feito, mas que a licitação era o modelo mais transparente, mais adequado para o processo em si. Então, muito rapidamente, a comissão levou em consideração, pelos estudos que a gente fez, os modelos atualmente no Brasil. Então, no Brasil você tem o credenciamento, como é o caso do Rio Grande do Sul, tem a situação de pátio próprio, como é o caso do Paraná, e tem situações em que há a licitação, seja ela por concorrência, concessão ou PPP. Diário do Poder Legislativo - 13 Essa comissão focou principalmente na resolução do problema em longo prazo. Vou explicar por quê. Os pátios, hoje, estão com uma lotação da ordem de quarenta e oito mil veículos, esse resultado eu tirei hoje de manhã do sistema. Naquela época estávamos na faixa de trinta e dois mil veículos. Então, considerando a falta de vistoriador que o órgão tinha para fazer as vistorias desses veículos para fazer para o leilão, considerando as rotinas de leilão, que são extremamente demoradas, o prazo de noventa dias, a notificação de cartas que são mais vinte e mais os trinta dias por edital, estabelecemos um cronograma para fazer essa mudança de forma paulatina, ou seja, de forma mais responsável. Se fizéssemos uma ruptura nos contratos naquela época, teríamos cento e vinte dias para desocupar todos esses pátios e colocarmos esses veículos em um lugar que fosse adequado ao Detran. Tentamos até um mutirão com policiais civis para fazer a vistoria, mas não foi bem sucedido. Então, a ideia era que fizéssemos esse processo de transição para o modelo de licitação de forma mais pautada, de forma mais condicionada e responsável. Por que isso? Porque já sabíamos que tanto mudanças na instrução de serviço como um processo de fiscalização mais duro, que começou a ser feito a partir de 2014, poderia ensejar o descredenciamento ou a não renovação dos contratos. Hoje, por exemplo, tenho esses oito pátios que não estão mais credenciados ao órgão, estão com os contratos vencidos, e o Detran precisa fazer a desocupação desses pátios. Temos um problema complexo que é o problema do leilão. O Detran, hoje, não tem em seus quadros um servidor que tenha a função específica para fazer esse tipo de atividade nos pátios. Já tentamos fazer isso de forma interna, mas houve reclamações de sindicatos sobre insalubridade, houve reclamações das associações em relação ao ambiente em que esse pessoal está trabalhando. Porque vai-se colocar esse pessoal para trabalhar em um ambiente que tem risco de um veículo cair e muita das vezes tem mato porque o pátio está abandonado. A gente se viu em uma série de problemas para fazer esse trabalho. Hoje, já estamos desocupando esses pátios, mas com o pouco pessoal que temos hoje, não temos condição de fiscalização nenhuma. Nosso pessoal está todo focado hoje na desocupação desses pátios. São oito pátios no total. Só para vocês verem o que estou falando a respeito do problema do leilão, esse gráfico mostra, na coluna em azul, a quantidade de veículos que permanecem nos pátios em determinados períodos. A coluna em vermelho é a quantidade de leilão que o órgão realizou nesses anos. De 2008 a 2012, você vê que a discrepância é grande. Entraram mais do que vinte e cinco mil veículos nesse período de 2008 a 2012, e os leilões ficaram na ordem de trezentos veículos, quatrocentos veículos nesse período de 2008 a 2012. Nos anos de 2013 e 2014, esse número de veículos que permaneceram nos pátios quase chegou a trinta mil, e os leilões, fizemos mil e trezentos. 14 - Diário do Poder Legislativo Houve um salto muito importante, mas ainda não suficiente. Em 2014, esse quantitativo de veículos já quase saltou para cinquenta mil e o quantitativo de leilões que fizemos em 2014 para 2015 ficou da ordem de quatro mil veículos. Está havendo um crescimento dos leilões, mas um número muito desproporcional de veículos permanece nos pátios. Na sua grande maioria, o que temos hoje em pátios, está chegando perto de trinta mil veículos, aproximadamente, são motocicletas. Por que motocicletas? Porque esses veículos já vão para os pátios, na sua maioria, com licenciamento muito atrasado, IPVA muito atrasado, excesso de multas. Com base na questão da remoção, a sua liberação está condicionada basicamente ao pagamento da taxa. Como o valor que tem para pagar é muito alto, muitas das vezes não temos essa liberação. Então, esse é um dos problemas que enfrentamos hoje. A ruptura nos contratos, conforme falei anteriormente, que foi pensada ou planejada no passado, ela traria, pelos levantamentos que fizemos hoje com os dados que temos na Prodest, um impacto da ordem de doze milhões. Por que esse impacto? Toda vez que o cidadão vai liberar um veículo do pátio, ele paga o licenciamento atrasado, paga o IPVA que está atrasado, paga taxa de transferência, ele paga uma série de taxas que estão nesse bojo. Então, quando você pega e faz uma ruptura nos contratos, você tem este tipo de problema. Aqui, não estou considerando as taxas que são arrecadadas com remoção. E essa ruptura também levaria a outro problema nosso: quarenta e oito mil veículos. Hoje, teríamos que ter um trabalho de excelência para conseguir fazer o leilão desses veículos. Nesse caso, estou falando por experiência, senhores, a gente até está com um processo de contratação de uma empresa para fazer a vistoria, mas existem outras situações que são gargalos nesse processo. Então, precisaríamos de um trabalho muito excelente para conseguir retirar esses veículos de todos os pátios num determinado tempo x, vamos colocar assim. Hoje fica até difícil você fazer uma mensuração. E, aí, há a responsabilidade pela guarda. Quem ficaria responsável por essa guarda? Seriam os pátios? O Detran? Como o Detran faria esse processo? Então, isso traria impactos de qualquer forma, sejam financeiros, com ações judiciais para pagamento do aluguel, para pagamento da guarda; uma série de situações a que isso levaria. Eu estou correndo, porque não tenho muito tempo. E mesmo que, já para finalizar, fizéssemos uma licitação, é bom destacar três situações: hoje, na lei de taxas, a lei não regulamenta a remoção. Quando falo não regulamenta, o que quero dizer? Estou trazendo isso para pensarem comigo. Por exemplo: remoção, a lei não regulamenta, caso sejam removidos dez, quinze veículos, se essa remoção seria fracionada ou não. A lei estabelece: remoção. Então, para o Detran e pelos nossos controles de sistemas, cada remoção feita, ainda que o veículo guincho esteja transportando dez, vamos cobrar dez Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 remoções do cidadão, porque a lei não regulamenta uma cobrança fracionada. Ela não regulamenta. A estadia também é outro caso. Qual o limite máximo permitido de cobrança hoje? A lei fala que em relação à remoção seria de noventa dias, que é o prazo que o Detran tem para fazer o leilão. Noventa dias é o prazo que a gente tem. Mas a lei também não fala: Quantos dias? Eu posso só cobrar noventa? E o restante do serviço prestado? O que eu faço? Existem essas situações também. Então, estou só chamando a atenção para essa situação. E o km percorrido também segue no mesmo caso. Por exemplo: o km percorrido não tem uma franquia estabelecida hoje. Você começa a cobrar a partir do primeiro quilômetro, porque a lei não estabelece. Olha, dá uma franquia de trinta, a partir do trigésimo primeiro começa a cobrar o quilômetro percorrido. A lei não fala isso, ela fala só sobre a cobrança por km percorrido. Então, ainda que a gente faça uma licitação, esse tipo de problema pode perdurar. Estamos chamando a atenção, até para os deputados que estão fazendo um nobre trabalho, porque talvez seja necessário fazer uma mudança nessa questão também da lei. Basicamente era isso que a gente queria apresentar rapidamente, porque não sabemos se teríamos outra oportunidade para fazer isso. E como esta é a última reunião antes do recesso, o doutor Fabiano solicitou que a gente fizesse só um apanhado geral sobre isso. Basicamente é isso. Agradeço. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - De certa forma, é uma confissão de que, não tendo lei, pune-se a população e não se faz a regulamentação para baixo, mas para cima. Porque se não está previsto em lei, por que pode cobrar mais do que noventa dias? Se não está previsto em lei, por que pode cobrar dez transportes? Então, acho que a população está severamente prejudicada. Vou passar a palavra ao Senhor Deputado Marcelo Santos, até que a Deputada relatora e a Senhora Deputada Raquel Lessa façam as anotações para fazerem as perguntas. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Bom dia, colegas deputados, membros da CPI, bom dia, doutor Fabiano Contarato, sua equipe, todos nossos colegas colaboradores, ao ilustre promotor, que tem dado uma contribuição muito bacana para esta CPI. A apresentação nos trouxe algumas informações importantes para demonstrar o tamanho da culpa do Estado. Como é que você pode admitir que a lei não preveja que um equipamento que remove motocicletas, por exemplo, que esse mesmo veículo de transporte que leva dez, vinte, trinta, cobrar de cada motocicleta. E o Estado não conseguiu enxergar isso porque não está previsto na lei. Deveria. Outra questão são os leilões. A lei diz que os leilões devem ser efetuados em noventa dias, e a demonstração do gráfico coloca claramente que só foi o objeto de entrar veículos e os leilões não foram Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 feitos. Aí você vê aquele amontoado de veículos, causando, inclusive, dengue. Um dos maiores provocadores de dengue no estado é aquilo ali. E a é culpa do Estado, porque se ele não fez o leilão... Olha quanto tempo teve! O nosso colaborador do Detran disse que tentou ajustar isso dentro da estrutura de pessoal do Detran, mas aí o próprio pessoal disse: Ah, não dá para mim não. Mas devia ter contratado, fazer um concurso público para alguém nessa área. Queria aproveitar e fazer uma pergunta ao nosso diretor do Detran. Qual foi a justificativa de necessidade de contratação e qual a finalidade e a estimativa de custo mensal de gasto do pátio locado pelo Detran no município de Serra? O SR. FABIANO CONTARATO - Bom dia a todos. Como eu já havia dito anteriormente, no primeiro encontro, quando fui convocado, a forma como esse serviço vem sendo prestado pelo Poder Público, se os senhores perguntarem para mim, eu sou radicalmente contra. Agora, eu também tenho que ter critério porque há uma relação jurídica. Nós temos dezesseis pátios com contratos credenciando esses pátios, e um dos prerrequisitos para o pátio ser credenciado ao Detran é que ele tenha o serviço de guincho. Admitir que esse tipo de serviço, com tamanha complexidade, seja feito ao arrepio daquilo que eu reputo como seria primordial, levando em consideração o principio constitucional da eficiência do serviço público, que seria através de um processo de licitação pela Lei 8.666. Eu não tenho dúvida disso. Tanto é que eu já estabeleci uma comissão para... Todos esses contratos, deputado, eles estão vencendo agora. A renovação desses contratos, que eu já cheguei herdando isso, estão vencendo agora em julho, agosto, e até dezembro deste ano é o período de término desses contratos. Mas, de antemão, eu já falo para os senhores: Eu não tenho interesse em manter esse tipo de serviço dessa forma que é feito. Então, para isso que estamos fazendo um estudo, e esse estudo não é simples. Por que não é simples? Porque para fazer licitação, o objeto da licitação tem que ser muito bem detalhado. Qual a região que vai ser estabelecida? Qual o prazo? Por exemplo, a licitação... O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Qual o prazo para a conclusão do trabalho? O SR. FABIANO CONTARATO - Hoje, infelizmente, pelo Poder Público, você não tem uma licitação concluída, eu vou por baixo, acho que no mínimo em um ano. Isso é um tempo muito grande porque há impugnação. Só que o que eu quero deixar para vocês é que esse trabalho já está sendo feito. Eu, tão logo assumi a direção dessa autarquia Detran, já pedi a essa comissão que eles já estão rascunhando, elaborando a minuta para já começar a fazer o processo de licitação, porque eu não tenho interesse em renovar contrato da forma como está. Agora, eu também não posso pegar e descredenciar todos os pátios porque eu tenho aí quarenta e oito mil veículos, vão para onde? E aí há uma relação jurídica desses contratos que têm que Diário do Poder Legislativo - 15 passar por uma responsabilidade do Poder Público. Então, eu concordo em gênero, número e grau. A insatisfação dos senhores é minha não só como diretor do Detran, mas como cidadão. Porque o que está se fazendo, quem está pagando isso é o cidadão. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Essa comissão que foi criada pelo Detran, como o senhor disse agora, ela tem prazo para concluir o estudo quando? O SR. FABIANO CONTARATO - Olha, estou cobrando deles, eles se reúnem, eles têm as atribuições deles, e estou pedindo que, no mínimo, uma vez por semana ou a cada quinze dias me deem uma resposta do que está sendo feito para que eu tenha um controle maior. Porque não quero reunião, reunião. Hoje mesmo falei com eles, cheguei 7h no Detran e falei: Olha, não quero reunião que não leve a lugar nenhum, ninguém. Eu quero uma coisa objetiva. Tem que se descredenciar esses pátios? Tem! Como vai ser feito isso? Então, paralelamente, abre o processo de licitação, renovou condicionando uma cláusula que tão logo finalize a licitação considera-se rescindido os contratos, e passe para aquela empresa que ganhar ou empresas que ganharem. Essa licitação vai contemplar por lotes? Para a região Norte do estado? Região metropolitana? É bem complexa essa análise. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Conheço, já presidi comissão de licitação. Mas a pergunta que fiz ao senhor é a seguinte: tem um prazo para concluir esse estudo, que a partir daí vai dar início, por exemplo, à confecção de um edital que vai culminar num processo licitatório, que finaliza a contratando? Acredita que este ano termina esse estudo e inicia o processo licitatório? O SR. FABIANO CONTARATO - Não. Eu quero o mais rápido possível já lançar o edital. Por exemplo, estive aqui há dois meses, em 4 de maio deste ano, a partir de então, muitas coisas já foram feitas. Por exemplo, oficiei a Secont para ver se poderia estabelecer, ou por portaria ou por instrução de serviço, a quilometragem ante a omissão da lei, botando uma franquia para o motorista, a resposta veio negativa. Encaminhei ao Governo do Estado uma proposta sugerindo isenção para reboque, para deslocamento, até trinta quilômetros, mas não foi encaminhado para cá, para esta Casa de Leis. Então, por enquanto, o que se tem é esse quadro que se pinta. Paralelamente a isso, hoje mesmo já conversei com o jurídico e volto a falar para o senhor: não quero um ano de estudo, quero o mais rápido possível já lançar esse edital. Só que esse edital tem que ser muito bem feito e é esse o estudo que quero - o mais rápido possível. Se me perguntar se poderá sair daqui a um mês esse edital de licitação? Espero que seja feito isso, o mais rápido possível! O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) - 16 - Diário do Poder Legislativo Acredito que quando se cria uma comissão, e se é criada por determinação, por exemplo, do senhor que é diretor, tem um prazo para concluir e apresentar um relatório. Era isso o que gostaria de saber, se foi criada dando um prazo para a elaboração desse resultado. O SR. FABIANO CONTARATO - O problema é que nunca vi uma autarquia com tamanha complexidade como é o Detran. Então, entendo e a preocupação do senhor é procedente como é a minha. Tenho o total interesse em que essa análise, porque primeiro tem que detectar quais são os problemas! O que está acontecendo, como está acontecendo e o que deve ser feito, para começar a pontuar isso no edital prevendo as possibilidades de impugnação que virão. Então, quero, por exemplo, num curto espaço de tempo, e aí falo para os senhores, pretendo em, no máximo, um mês estar lançando um edital. Não tenho como! O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - A pergunta é especialmente o seguinte: O senhor determinou essa comissão verbalmente ou o senhor baixou uma portaria? O SR. FABIANO CONTARATO - Não, esse aqui foi... O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Verbal. O SR. FABIANO CONTARATO - Foi reunião corriqueira que a gente faz, de diretores. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) - E a pergunta que fiz inicial, que gostaria que o senhor me respondesse é a seguinte: Qual foi a justificativa da necessidade de contratação e qual a finalidade e estimativa de custo mensal de gasto do pátio locado pelo Detran no município de Serra? O SR. FABIANO CONTARATO Perfeito. Pediria se há possibilidade, porque o Jadir fez parte de toda pesquisa sobre essa pátio que é para desafogar esses outros, para fazer o remanejamento. Porque o problema é o seguinte, até falei para ele que se a gente vai pegar e alocar um pátio, a gente tem que começar a organizar para não ter aquele caos. Porque hoje é o seguinte: Como vai fazer a vistoria daqueles veículos? Aquele monte de veículos empilhados? Terá que fazer essa vistoria. Então, vamos começar a organizar? Os veículos que vão, pelo menos momentaneamente, enquanto esse pátio for utilizado locado, vai ter que ser feito da melhor forma possível. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - As respostas dele ficam inseridas em seu depoimento. O SR. FABIANO CONTARATO - Pode ser. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) - Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Ok. O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - A justificativa parte daquilo que apresentei ali. No ano de 2014, a desocupação já estava sendo prevista, porque a gente não tinha condições, e aí o Detran entendeu que o trabalho de leilão seria com muita dificuldade por conta do processo ainda de concurso para vistoriador que está em andamento. Mas como esse processo seria um processo demorado, todo processo de leilão é um processo demorado e principalmente para que o Detran eliminasse esses veículos de forma célere, rápida, e de forma em massa, precisava que esse leilão fosse feito por meio da reciclagem de veículos. Ocorre que a reciclagem de veículos sendo feita num ambiente onde os pátios estão hoje traz risco para o meio ambiente. Então, no processo que a gente fez, passou pela PGE, pelo Iema, um projeto solicitando aprovação para fazer o leilão para reciclagem, o Iema estabeleceu o seguinte, que num primeiro momento poderia ser feito esse leilão nos pátios onde tínhamos os veículos, mas no segundo momento, esse processo de descontaminação dos veículos, que é retirada de fluído, o processo de guardar esse material prensado por alguns dias até que o caminhão passe e retire, o processo de dispor uma balança para pesar, todo esse processo da reciclagem que traz risco para o meio ambiente, deveria ser feito num local apropriado. Que local apropriado seria este? Um ambiente que tivesse piso que fosse impermeável, que tivesse uma caixa separadora de água e óleo para evitar danos ao meio ambiente e, de fato, foi isso que o Detran pensou. No processo de locação do pátio central, a justificativa básica seria esta, uma: a desocupação dos pátios e um local apropriado para montar uma linha de produção de leilão. Nessa área tem local para fazer a descontaminação de veículos, a guarda desses veículos prensados para que eles não fiquem em ambiente de chuva, uma série de situações. Enfrentamos problemas, inclusive, no leilão de 2013 para 2014, de reciclagem. Tivemos alguns eventos em que tivemos que notificar a empresa por conta de risco de vazamento. Então, a justificativa seria esta. Quanto ao valor, ele está definido em cento e setenta oito mil, duzentos e quinze reais. A proposta da empresa inicialmente era de cento e noventa, só que no processo que gerou o contrato, a Seger avaliou o imóvel e determinou, com base no memorial descritivo, que o preço de aluguel seria esse valor, na faixa de cento e setenta e oito mil reais mensais. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Cento e setenta e oito mil reais mensais? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR Exatamente. Só que essa é uma área de setenta e seis mil metros quadrados. O preço por metro quadrado dela está em dois e trinta e dois, o que é mais baixo do que o Detran paga hoje de aluguel para alguns outros pátios próprios que tem. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 ANJOS - PSD) - Quantos por cento o Detran precisava de área ou ele alugou a área toda? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Como? Desculpa. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Quantos por centos dessa área é utilizado? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Quantos por cento? Hoje estamos fazendo a desocupação, conforme expliquei aos senhores, daqueles pátios que estão abandonados. Hoje estamos ocupando na faixa de trinta por cento, mas estamos em processo de ocupação. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Pagando quanto por mês? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Cento e setenta e oito mil. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Nossa Senhora da Penha! O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Mas destaco para os senhores, estamos num processo de desocupação. Existem hoje oito pátios que estão abandonados. O que seria abandonados? Esses pátios eram credenciados e hoje não tem ninguém fazendo vigilância desses locais. Então o Detran precisa desocupar esse móvel com mais rapidez. Nesse imóvel não caberão todos os quarenta e oito mil veículos que o Detran tem nos pátios credenciados. Então, se o Detran quer fazer uma licitação, ele vai precisar de uma estrutura logística para fazer todo esse trabalho de desocupação. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Qual o tamanho da área? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Setenta e seis mil, oitocentos e dezenove mil metros quadrados. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Esses setenta e seis mil têm cobertura de piso, que tipo de piso? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - O piso é solo brita compactado. Mas tem galpão, tem área administrativa, não é uma área qualquer, tem área para descontaminação de veículos, guarita, balança, tem toda a estrutura para fazer o trabalho de reciclagem nesse imóvel. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Esse contrato é de quantos anos? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - O contrato foi assinado com prazo de cinco anos, mas o Detran não teve que desembolsar, nesse processo, dinheiro para construção do imóvel. A pessoa construiu o imóvel nas especificações estabelecidas no edital de chamamento público, e daí em diante foi Diário do Poder Legislativo - 17 feito, só depois que o imóvel estava totalmente pronto, com todas as adequações, é que foi feito o pagamento. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Há quanto tempo já está ocupado esse pátio? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Há dois meses. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Senhor Presidente, quero pedir cópia de todo processo que culminou na contratação dessa área. De antemão, quero deixar claro que acho o valor um absurdo, você pagar duzentos mil reais praticamente por mês, para fazer um depósito de veículos, e queria solicitar ao Fabiano Contarato, nosso diretor, que tem tratado aquele órgão com muita decência, que com olhos de ver, pudesse enxergar melhor esse contrato, que confesso que pode ter área de descontaminação, pode ter área de contaminação, pode ter área de qualquer negócio, não vale. Hoje, há dois meses você criar uma despesa como essa, numa crise. O próprio governador tem dito isso todos os dias. Paga-se setenta e oito mil por mês, mas não tem um funcionário para fazer a vistoria nos pátios. Então, é o avesso do avesso. Agradeço as informações e digo, inclusive, que o edital para licitação, se for feito, a justificativa já está ali. Inclusive os parâmetros para esse modelo edital. Portanto, Senhor Presidente, queria pedir cópia, que V. Ex.ª pudesse buscar isso com os membros desta comissão, na íntegra, capa a capa desse processo que culminou na locação desse imóvel. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSB) - Vamos submeter à aprovação o requerimento. A Senhora Deputada Raquel Lesa e a Deputada relatora concordam? (Pausa) Como se calaram para sempre, e em igreja quem cala consente. Então está aprovado o requerimento do Senhor Deputado Marcelo Santos. Qual o outro requerimento que V. Ex.ª fez? O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Na verdade, o único requerimento que faço é sobre essa questão. E peço ao diretor que, como não foi oficial a constituição desse grupo de trabalho, que pudesse ser e colocando um prazo para que pudéssemos ter a noção exata de quando será apresentado o resultado do grupo de trabalho. Porque se terá embargo na licitação ou não, pode não ter, inclusive. O SR. FABIANO CONTARATO Permita-me, Senhor Deputado! Sou pró-desburocratização. Como chamei a equipe e cobro resultado dela semanalmente, estava na esperança de que houvesse já aprovação da isenção dos trinta quilômetros que, pelo menos, dava para respirarmos e fazer a coisa com mais cautela. Quero deixar claro para o senhor que a loção desse pátio, o objetivo dele é tirar essa bagunça que 18 - Diário do Poder Legislativo tem nos demais, organizar ali e cancelar os demais. Chamo a atenção que hoje conseguimos um terreno doado em Cariacica, inclusive, para construir um pátio próprio com área similar a essa. Então, o objetivo é esse. Tentar construir como quero construir os PAVs, as Ciretrans, com terreno próprio para não fica à mercê de favor de prefeito ou de quem quer que seja. O objetivo é da melhor forma possível. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Esse contrato foi licitado em qual administração, foi na sua? O SR. FABIANO CONTARATO - Não. Ele foi assinado agora. Mas esse contrato do pátio já vem desde quando? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - No mínimo faltou equilíbrio, responsabilidade. Porque são quase nove milhões de reais em cinco anos. Com esse valor dá para comprar um terreno na Praia do Canto para guardar carro com pessoas limpando os carros todos os dias. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 municípios onde o trânsito é municipalizado. Não pode ela ficar com a arrecadação e transferir a responsabilidade, por exemplo, desses pátios para o Detran. Até agradeço a pergunta porque ela procede, é uma coisa que não quero manter. Enquanto houver esses convênios que estou herdando, tenho que... agora, tão logo vença ou novas regras sejam estabelecidas determinando que quem ditará as regras será o Detran... Já foi, inclusive, pedido o cancelamento desses convênios e o processo já está no Departamento Jurídico para se manifestar. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - No início da CPI, fiz uma indicação para que não haja mais a cobrança por quilômetro rodado. O senhor falou, inclusive, dos trinta quilômetros, mas não chegou nada do Detran à Assembleia para que pudéssemos votar essa matéria. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhor Deputado Marcelo Santos, já encerrou? O SR. FABIANO CONTARATO - É porque, na verdade, fiz a proposta ao chefe do Executivo, ao Governador do Estado. Fiz vários pedidos que têm participação e até mesmo benefício diretamente ao contribuinte. Vou dar um exemplo aqui. É lamentável você falar que um idoso renova a carteira por três anos e uma pessoa que não é idosa renova por cinco, mas ambos pagam a mesma taxa. Isso fere a razoabilidade. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Já encerrei, Senhor Presidente. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Parabéns! O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Concedo a palavra a Senhora Deputada Janete de Sá para fazer as suas perguntas. O SR. FABIANO CONTARATO - Já fiz pedido. O ofício que passei as mãos da deputada, pontua várias sugestões que eu, enquanto diretor do Detran, fiz. Por exemplo, outra solicitação que indiquei ao governo, além de o idoso pagar proporcional é: que motorista que tenha o carro furtado ou roubado entre com restrição no Detrannet. Não terá como ele pagar por um ano de IPVA se ele não está tendo a propriedade. Ora, ele foi vítima daquilo, então vai ter que pagar durante o período que esse carro furtado ou roubado... ele pagará em doze avos. Essa foi outra proposta que fiz. Também sugeri a isenção para trinta quilômetros para, justamente, termos tempo para fazer esse processo licitatório, para fazer o remanejamento e assim sucessivamente. São várias as proposições que estão sendo feitas. Algumas já foram mandadas para esta Casa de Leis, outras ainda não. Espero que venham o mais breve possível, se Deus quiser. O SR. FABIANO CONTARATO - Quando cheguei, esse pátio já estava para ser entregue. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Bom dia, diretor Fabiano Contarato. Quero cumprimentar toda sua equipe e agradecer-lhes a presença. No município onde o trânsito é municipalizado por que o Detran não repassa a responsabilidade de remoção para os municípios, como determina o Código Brasileiro de Trânsito? O SR. FABIANO CONTARATO - Muito boa colocação, deputada. Uma das coisas que até coloquei: cancelamento dos contratos de convênios para utilização de pátios com a prefeitura. Até hoje venho herdando o seguinte: no município onde o trânsito é municipalizado a prefeitura tem o bônus e transfere o ônus para o Detran. Então o tópico é transferir essa responsabilidade para a prefeitura. Já que o trânsito é municipalizado, a prefeitura que arque com a responsabilidade de remoção e de alocação desses veículos. O estudo já está sendo feito. Porque quando se pega esses convênios já firmados tem-se um problema sério. Tenho que modificar essas cláusulas tão logo rescinda esse contrato. Então, com isso, a senhora pode ficar tranquila porque está como ponto de determinação, enquanto eu estiver à frente dessa autarquia Detran, de quê? De chamar à responsabilidade dos A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Só foi enviada para cá a criação da Ciretran de Santa Maria de Jetibá, o que agradeço, uma indicação nossa e que felizmente foi atendida. E a redução da taxa da carteira de motorista, criando, inclusive, outra taxa, motivo de muitos questionamentos, porque não tínhamos entendido bem. Fico feliz de essa questão ter sido resolvida. Em 21.03.2013, entramos nesta Casa com um projeto Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 de inciativa do nosso mandato. Naquela época, também já era deputada, estou no quarto mandato, colocamos isso no art. 1.º: A cobrança das taxas de exames médicos e psicológicos para fins de renovação de Carteira Nacional de Habilitação deve observar critério da proporcionalidade anual com relação aos solicitantes acima de 65 (sessenta e cinco anos). Vou passar para o senhor, inclusive, a cópia, porque já havíamos pedido, mas acontece que demandas como essa não podem ser originárias do Poder Legislativo. Mesmo assim, colocamos para motivar o Executivo a nos mandar essas matérias, porque tudo que envolve despesa não podemos legislar. Por isso minha cobrança com relação aos trinta quilômetros que, inclusive, foi uma iniciativa nossa e que o senhor, de pronto, viu como uma iniciativa importante, ter um ponto de partida, já que na lei não tem um ponto de partida. Inclusive, quero ver com nossos procuradores se isso pode ser feito por portaria, porque onde a lei é omissa, pode ser disciplinado pelo órgão e, neste caso, a lei omitiu, não diz qual é o ponto de partida. Então, no caso dessa omissão, queria até que, ao final, os procuradores nos esclarecessem se cabe portaria, como é o caso também de outras questões que o senhor aqui colocou. No meu entendimento, pode ser matéria de portaria, já que a lei não regulamenta, o senhor colocou, por exemplo, o leilão. Foi colocado pelo Jadir que o leilão vocês não poderiam fazer, têm dificuldade, porque não tem um empregado no Detran para agir nessa finalidade, mas o Detran pode contratar um leiloeiro oficial. Realmente o negócio do Detran não é leilão de carro. Então são algumas questões que gostaria de colocar porque não vejo por que o Detran não possa contratar um leiloeiro oficial para fazer esses leilões Os carros estão lá, se deteriorando. Não terão preço na hora de pegar e reverter em recurso para o Estado, já que os proprietários estão em dívida com o Estado e, no entanto, estão lá se deteriorando. Quando eles se transformarem em dinheiro, já não valerão nada. O que o proprietário deve, não dá para ele cobrir. Então, assim, é preciso ter mais celeridade nisso. Acredito que pode ser contratado um leiloeiro oficial para essa finalidade. O SR. FABIANO CONTARATO - Posso complementar, deputada? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Por gentileza. O SR. FABIANO CONTARATO - Eu também almejava que pudéssemos regulamentar a quilometragem. Só que a consulta foi feita à Secont e eles foram taxativos, dizendo que não, que só por lei. Por isso, encaminhei e passei às mãos da senhora o ofício que encaminhei ao Governador do Estado com todas as sugestões de alteração, inclusive nessa lei de taxas. Olha, é inadmissível admitirmos que poder público... Por exemplo, uma motocicleta, é acionado para rebocar uma motocicleta. O reboque vai levar trinta motocicletas e o dono do guincho vai receber Diário do Poder Legislativo - 19 trinta deslocamentos? Gente, isso fere a razoabilidade. Isso, com todo respeito, isso não tem como acontecer. Agora, isso acontece diante de uma omissão da própria lei, porque ela só fala isso. Então ele pode falar o seguinte: Olha, mas eu estou levando uma por vez. A partir do momento em que a gente estiver estabelecendo ali quilometragem, ou GPS, algum mecanismo tem que ser feito para ter uma fiscalização extremamente rigorosa em cima desses reboques, porque é inadmissível o que está sendo feito com o cidadão. Eu quero deixar muito claro isso para a senhora, enquanto cidadão e enquanto diretor do Detran. Essa consulta eu fiz. Eu queria regulamentar isso por portaria. Se dependesse de mim, eu o faria o mais rápido possível. Não tenho interesse de ficar locando imóvel para pátio. Acho que passou da hora. O Detran tem uma arrecadação muito grande. Poderia estar adquirindo essas áreas, como agora conseguiu essa área em Cariacica, e ir fazendo, construindo pátios. Agora, a gente não pode deixar um volume de quarenta e oito mil veículos e um crescimento de leilão insignificante, porque não tem como acompanhar. E como organizar esse caos que vem assolando o estado do Espírito Santo? E quem está pagando essa conta? Como você vai falar que um motorista tem que pagar ad infinitum a permanência de uma diária quando ele tem um carro...? Meu Deus! Acaba frustrando. O valor do bem dele... acaba não tendo mais nem valor o veículo. Ele prefere abandonar a pagar dez mil reais, e assim sucessivamente. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Pois é. Gostaria inclusive que a Procuradoria da Casa, que acompanha a CPI, verificasse se há essa possibilidade - uma análise nossa - de o Detran fazer essa portaria. Fizesse um estudo, uma análise, para verificar. (Pausa) Eu vou verificar. É porque é com relação à matéria. Outra questão que eu gostaria de perguntar é se o senhor assinou alguma renovação de convênio com algum município para que utilize o contrato de remoção do Detran? Desde que o senhor entrou? O SR. FABIANO CONTARATO - Não. De forma alguma. Os contratos... São dezesseis contratos... (Pausa) Não. Prefeitura municipal? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - É, se o senhor assinou algum contrato com prefeitura municipal dos pátios que o Detran usa, que têm convênio? O SR. FABIANO CONTARATO - Não. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - O senhor assinou alguma renovação de credenciamento com algum pátio? O SR. FABIANO CONTARATO - Hoje questionei isso ao funcionário aqui presente. Teve um 20 - Diário do Poder Legislativo pátio, salvo engano de Guarapari... (Pausa) Anchieta. Mas só que essa publicação, como ele não satisfez os requisitos de lá, ela vai ser... Foi o único. Ela está se tornando sem efeito porque não preenche os requisitos. Não tem alvará liberatório, alvará de licenciamento. Então, nenhum. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) Solicitamos também, indicamos inclusive, que vocês fizessem, buscassem fazer, uma fila única para os pátios, dos carros que são guinchados, e também uma central que monitorasse esse trabalho. Tem algum estudo nesse sentido? O SR. FABIANO CONTARATO - Todas as proposituras que a nobre deputada fez estão sendo analisadas. A maioria delas já até respondi oficialmente para a senhora, como, por exemplo, sanar o problema que seria ensejado um reboque, apreensão ou retenção do veículo por falta de pagamento do licenciamento, se tivesse lá disponível para que o motorista efetuasse o pagamento no local. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Que é o posto avançado do Banestes. Uma máquina. O SR. FABIANO CONTARATO - Tudo isso já respondi oficialmente, inclusive para a própria deputada. Pediria, por gentileza, se fosse o caso, anexassem depois as respostas. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Qual resposta o senhor me respondeu? O SR. FABIANO CONTARATO - Da possibilidade de pagamento. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Não, o senhor me mostrou um documento de alguns pedidos que o senhor fez ao Governo do Estado. O SR. FABIANO CONTARATO - Não, não. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Então, deve ter vindo para a comissão, porque para mim, a minha mão não chegou esse documento que o senhor está falando. O SR. FABIANO CONTARATO - Tudo bem. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Se não, não estaria fazendo as perguntas. Já estaria de posse dos documentos. O SR. FABIANO CONTARATO - Estou falando para a nobre deputada que já respondi. Então, isso está sendo feito... analisado... Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Vou passar para a Senhora Deputada Raquel Lessa, enquanto verifico mais algumas questões que preciso perguntar. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O presidente vai perguntar à Senhora Deputada Raquel Lessa se tem pergunta a fazer. A SR.ª RAQUEL LESSA - (SD) - Bom dia, doutor Fabiano e todos da sua equipe. Não é uma pergunta. Só queria deixar bem... colocar aqui uma das preocupações nossa como membro desta comissão, é que a gente tem um trabalho todo aqui de ouvir as pessoas, o senhor já veio aqui, é a segunda vez que está vindo, a nossa preocupação aqui - minha e acho que de todos os membros da comissão - é de resolver o problema do pátio, como é... a forma que é contratado, acho que isso seria uma das grandes preocupações nossas, como mudar essa forma de contratação dos pátios para forma de licitação, que é o mais correto, que é o ideal na coisa pública, e a outra são quilômetros, o limite, isenção... é trinta? Quarenta? Cinquenta? Mas que coloque isso. E outra coisa também, quando eu era prefeita, me procuravam e eu não podia fazer nada, é quando um guincho... tinha uma blitz, o guincho chegava, chegava o caminhão, colocava dez, quinze motocicletas, São Gabriel é uma cidade que tem muita moto, e cobrava quatrocentos e poucos reais de cada uma e um carro levando isso tudo. Então, vamos dizer assim, é um assalto. É um assalto, vamos dizer assim, um assalto com o cidadão. Então, é essa nossa preocupação e também o valor, que fiquei assustada, que é um grande negócio ter pátio, cento e setenta e oito mil por mês é muito dinheiro, é um grande negócio. Então, assim, que o senhor olhe. Conheço o senhor muito bem, sei de sua ética, que o senhor procure olhar com olhos bem críticos, pode-se diminuir bem isso que vão existir os pátios. Também o Governo podia fazer um estudo onde ele tem área, como em Cariacica. O Governo tem área lá e fazer um pátio na área do Governo. Isso tudo são coisas que podem diminuir esse custo. Darei uma sugestão ao senhor, já estou entrando na sua administração, mas quando eu era gestora de vez em quando eu fazia comissões, que o senhor fizesse uma portaria colocando o início dessa comissão e prazo para terminar, porque aí os funcionários ficam preocupados com esse prazo que tem que terminar, acho que anda mais rápido. Então, é essa contribuição. Nosso muito obrigada. O SR. FABIANO Obrigado, deputada. CONTARATO - A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Não chegou ainda? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Quer fazer alguma referência? O SR. FABIANO CONTARATO - Não O SR. FABIANO CONTARATO Concordo em gênero, número e grau com as chegou. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 colocações da nobre deputada e tenho total interesse. Volto a afirmar nesta Casa de Leis, que uma das coisas com que tenho mais preocupação é com o dinheiro público. A Ministra Cármen Lúcia, do STF, fala o seguinte: Dinheiro público não é dinheiro de ninguém, é de todo mundo. Então, acho que passou da hora da autarquia Detran, com todo respeito, ser moralizada. Acho que é isso que eu quero nessa autarquia, é moralizar, ter responsabilidade e prestar um serviço de eficiência para o cidadão. Agora, há coisas que eu tenho limitação. Tenho ato jurídico perfeito, tem contratos que estão em vigor. Estou abrindo, o mais rápido possível, essa licitação. O pátio, como a deputada falou, de Cariacica, já temos uma área, vamos construir um pátio próprio do Detran lá. O principal foi adquirir, foi a doação, já passou tudo, já veio do Governo já essa área, a equipe já foi lá. Temos total interesse de tirar isso e prestar um serviço de eficiência, de qualidade e que não onere o contribuinte. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhora Deputada Janete de Sá, tem mais algum questionamento? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Diretor presidente, precisamos que vocês mandem os documentos que solicitamos. Tenho aqui a listagem das diversas questões que foram solicitadas ao Detran e que até hoje não chegaram, inclusive, pediram dilação de prazo e a gente deu. O prazo encerrou no dia 18 de maio, foi dilatado para o dia 29 de junho e até agora não chegaram a nossas mãos. Por exemplo, antes de o Detran terceirizar o serviço de pátio e guincho como esses serviços eram feitos? Qual a média de remoção e como elas eram realizadas na terceirização e como é hoje? Antes de ser implantada a modalidade de credenciamento, foi pesquisada outra modalidade para implantar que não fosse o credenciamento? Quando se deu o primeiro credenciamento? Até hoje não temos. Quando foi o primeiro credenciamento? Qual a data? Temos aqui o documento de todos os pátios credenciados, mas não temos a data de quando iniciou o credenciamento. Então, não sabemos o parentesco. Não dá para a gente cruzar as informações. Há umas declarações que atestam que não havia parentesco. Aqui houve muita denúncia de parentesco e de facilitação para quem era funcionário do Detran, para militares, uma série de facilitação, mas não diz a data, infelizmente, de quando se deram esses credenciamentos para checarmos o que está assinado. As declarações assinadas de não parentesco, de não trabalhar em nenhum órgão do Estado, principalmente no caso de militares, porque tem essa vedação e uma série de questões que não chegaram. Vamos pedir, inclusive, estamos pedindo oficialmente ao senhor, que veja com sua equipe uma forma de mandar o mais rápido possível esses documentos porque está dificultando inclusive o nosso trabalho, e essa é uma das razões para termos chamado novamente o senhor aqui, porque a Diário do Poder Legislativo - 21 documentação não está vindo. Tivemos, por exemplo, um avanço significativo quando detectamos algumas falhas na prefeitura de Vitória. Vimos que tinha um decreto que disciplinava o estacionamento rotativo e que, mesmo assim, estava havendo a remoção de veículos. Eles mudaram a regra. Fruto das discussões, eles mudaram a regra. Agora, no parquímetro, só se tiver atrapalhando a via ou alguma coisa dessa natureza é que podem rebocar no município de Vitória, caso contrário, não. Mas no Detran, até agora, diretor, não houve avanço de algumas questões que colocamos aqui como a da quilometragem. Eu sei que isso depende do Executivo. Sabemos que depende, mas o que podemos fazer é a indicação, e aí cabe pedir ao senhor também para exigir que venham essas matérias, porque podemos resolver essas questões muito antes do relatório final. Muito antes, podemos resolver questões que são de gargalo. Queria fazer uma pergunta que é a seguinte: Quando começou o primeiro credenciamento de veículos pelo Detran no Estado do Espírito Santo? Em que gestão? Quem era o diretor na época? O senhor é o diretor. Quem tem os bônus tem os ônus. O Jadir está aqui e poderia nos informar quando começou essa modalidade. Foi em que gestão que começou essa modalidade? Quais são os pátios que foram credenciados nessa primeira iniciativa? O SR. FABIANO CONTARATO Perfeito. Vou passar a palavra a ele, mesmo porque a resposta desses ofícios estava dependendo da manifestação dele. O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Pois bem, deputados, estamos processando as perguntas que vocês encaminharam. Algumas perguntas são de uma profundidade muito grande e demandam trabalho de pesquisa. Vai desde resgate de informações que estão no arquivo, às vezes, temos que fazer algumas diligências com ex-funcionários para saber algumas informações, mas estamos prezando pelas informações corretas a serem passadas para vocês para evitar algum tipo de entendimento errado a respeito do assunto. A demora se dá em função da nossa pouca condição de servidores, que agora estamos recebendo no setor alguns servidores para nos ajudar nisso. O capricho na questão das informações a serem passadas para vocês pelo trabalho que vocês exercem, estão exercendo; e a questão das perguntas mesmo, o quanto elas demandam de pesquisa para poder responder. Em relação à pergunta de quando iniciou... A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - O modelo de credenciamento. O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - O modelo de credenciamento. Tivemos também que fazer uma pesquisa extensa, porque, como entrei em 2014, a gente não tem informação de nada. Então, temos que sair pesquisando nos arquivos, em algum documento, conversando com pessoas que trabalharam dentro do órgão. 22 - Diário do Poder Legislativo Conseguimos chegar à conclusão de que o primeiro credenciamento foi feito em 2004, na gestão do doutor Evaldo Martinelli, na época o diretor do Detran. Nessa época, foram credenciados dois pátios, se não me engano um chamado Silva Cypreste, mais conhecido como Antares, e o pátio Dual, que é um pátio que fica na Serra. Essas são as informações que a gente tem, que são de 2004. Não me recordo da data, acabei não trazendo exatamente a data, mas essas informações foram respondidas no primeiro ofício que vocês encaminharam para o órgão. Há dois relatórios do sistema de protocolo do Estado com as informações desses dois pátios. No primeiro ofício encaminhado ao Detran, já foi feita a resposta e lá dentro tem as datas desses dois pátios, o nome e as datas. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Você pode informar quem são os proprietários desses dois pátios? Porque aqui você passou para a gente um documento que informa, de fato, a data do credenciamento, 11/08/2004, mas não diz se esse foi o primeiro credenciamento. Por exemplo, eu não tinha clareza se é extraoficial que você me disse que o primeiro teria acontecido em 2004, mas oficialmente não temos essa informação, e nem quem são os proprietários da empresa. Por exemplo, o que quer dizer Dual? Aqui não tem, só tem empresa Dual, mas nem diz... O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Dual é o nome fantasia da empresa. Tenho que resgatar essas informações nesse processo que está no arquivo, folhear esse arquivo todinho, esse processo todinho. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Olha o nome da empresa: Dual Engenharia Ltda. Não tem nada a ver com pátio, a princípio, lendo pelo nome que, segundo você está dizendo, é nome fantasia, não estou conseguindo compreender a correlação. E também não coloca para a gente quem são os proprietários. Que as informações viessem completas, porque dificulta da maneira que vocês estão mandando. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 responsáveis, porque tenho que folhear todo o processo de credenciamento, ele é extenso, e lá acho os responsáveis, listo para vocês e especifico. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - E com a respectiva declaração de que não há ninguém empregado no Estado, que não há parentesco, que não é militar, essas questões. Não está vindo essa declaração para a gente checar e cruzar. Ir à CDL para verificar, de fato, se procede, se são laranjas ou não. Isso tudo você sabe, Jadir, que é fruto da denúncia de que, na verdade, há outras pessoas por trás do credenciamento desses pátios, de que a maioria das pessoas que estão à frente é laranja. Não podemos sair prejulgando, é preciso checar se de fato essas denúncias procedem. O SR. FABIANO CONTARATO Perfeito, deputada. Quero também deixar claro, já cobrando publicamente, Jadir, que não tem que esperar finalizar todos os questionamentos, é só responder aquilo que já tem. Você coletou a informação, vai respondendo aquilo que já foi, até mesmo para subsidiar a Comissão Parlamentar de Inquérito, muito bem presidida, deputado, para ter isso. A gente tem que trabalhar com transparência. É lamentável você mandar um ofício falando Dual sem especificar qual o nome da pessoa jurídica, CNPJ, nome de pessoas. Isso não pode acontecer. Tenho que cobrar isso. Espero que você retifique todas essas informações e não espere exaurir os questionamentos que a comissão fizer. Se fez dez questionamentos e respondeu três, que responda três questionamentos, falando que as demais, como requerem uma complexidade, serão oportunamente encaminhadas a esta comissão. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O Detran tem arquivo dessas coisas? Ou o Detran é mais um órgão do Estado que não tem um papelzinho de nada que faz? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Por exemplo, não tem aqui a declaração assinada de 2004, estou aqui com o processo, para saber quem assinou, para ver se havia parentesco, se não havia, por conta das denúncias que são do conhecimento de vocês também de que há parentesco e que há militares envolvidos. O SR. FABIANO CONTARATO - Senhor deputado, se eu falar para o senhor o que encontrei lá, é de assustar. Encontrei no Detran uma Corregedoria que, infelizmente, não é bem estruturada e tinha uma sala fechada com inúmeros processos, a maioria deles sujeito à prescrição. Mandei fazer todo um resgate daquilo. Infelizmente, a autarquia tem que ser passada a limpo. Uma sugestão, com todo respeito, talvez, fosse o caso até de ouvir os diretores anteriores, porque não posso estar recebendo ônus. Estou fazendo o que posso. Fiz a proposição, todas as propositoras ao chefe do Executivo daquilo que reputo importante e de que seriam plausíveis de solucionar essas omissões pela Lei n.º 7.001, por exemplo. Agora, acho que é necessário chamar a responsabilidade de todas as pessoas que por ali passaram. O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Nessa resposta que faremos para o ofício de vocês agora, a gente vai relacionar então o nome desses O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Vamos registrar a presença do nosso PH na comissão, que é o nosso querido Senhor O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Nessa resposta que a gente vai fazer agora, é porque, talvez, na primeira resposta não tenha sido perguntado com relação aos proprietários. A gente respondeu especificamente com relação a quais foram os primeiros. Nessa resposta agora, vocês realmente... Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Deputado Padre Honório. Senhora Deputada Janete de Sá, já concluiu as perguntas? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Só gostaria que o senhor enviasse como documento... O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Tem que requerer. Vamos combinar de requerer à Presidência, senão vai passando, não aprovamos e a secretaria tem que oficiar cobrando. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Mas é que, já adiantando, enviasse para a comissão as sugestões que o senhor está indicando ao Governo Estadual para que possa tomar providências no sentido de mandar uma lei para que corrija algumas falhas e também para que avance nesse processo. Para finalizar, gostaria de perguntar o seguinte: quantos funcionários o Detran possui para fazer as vistorias nos pátios existentes? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - Hoje, não temos nenhum servidor especificamente para esse caso. Os servidores que temos hoje trabalham em funções dentro da coordenação, mas não trabalham para vistoria. Até fevereiro, tínhamos a equipe trabalhando em regime bem precário. Como assim precário? O pessoal estava fazendo o trabalho e eles participavam de uma comissão de licitação e recebiam um valor a mais para fazer esse trabalho de vistoria, mas esse trabalho não foi para frente e, hoje, estamos sem ninguém. Tem um processo para contratar uma empresa para fazer a vistoria já em andamento. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Isso só comprova, diretor, que de fato o Detran é um samba do crioulo doido, é uma bagunça, que e espero que o senhor dê jeito naquilo, se não morrer antes, porque realmente aquilo é uma verdadeira bagunça. É impressionante que dessa bagunça exista uma velocidade fantástica para cobrar multas de cinco anos atrás. Para arrecadar, não tem muita bagunça, tem até certa bagunça, mas não se esquecem de pegar e arrecadar. É impressionante que naquilo que diz respeito às pessoas, é uma verdadeira bagunça. É por isso, certamente, que temos esse descontrole total dos pátios e que temos essa facilidade de se burlar a lei, de se lesar o consumidor, o cidadão, porque, de fato, não existe controle nenhum. Por isso, esse abuso, inclusive, abuso de autoridade. Teve um caso, uma questão rápida, a pessoa saltou para ir à farmácia e um guincho, que não era nem guincho credenciado, estacionou dando a impressão de que ia guinchar, mas não era. Era para fazer uma negociata com o proprietário do carro para ver se arrancava algum dinheiro. Está desse jeito essa questão de guincho no estado do Espírito Santo. Infelizmente, não existe controle nenhum e acho providencial isso que o senhor fala, doutor Contarato, porque precisa chamar os outros diretores aqui. Cadê a responsabilidade? Esse é um processo que vem de Diário do Poder Legislativo - 23 anos, esse credenciamento começou em 2004, e quem são os responsáveis? Quem teve essa brilhante ideia? Como era antes disso? Agora, virou um depósito de sucata, inclusive, trazendo problemas à saúde da população, porque ali são verdadeiros depósitos de dengue. Não podemos também crucificar o dono do pátio porque ele está lá também com um monte de carro entulhado, que o Detran não promove o leilão e não tem como tirar. E também ele está tendo um prejuízo. Com certeza ele também está tendo problemas por estar lá com os carros entulhados. Quem é que paga para ficar com os carros entulhados lá, servindo inclusive de um depósito particular? Talvez até essa situação toda aconteça para dar vazão a esses, porque tem os ganhos e também os prejuízos de um depósito desses estar com um monte de carro entulhado que o Detran não resolve. Tanto que tem vários que foram descredenciados e que até agora vocês não conseguiram tirar os carros de lá de dentro. Como é que fica isso? São questões que, de fato, o Detran, doutor Fabiano Contarato, precisa se reinventar, porque aquilo ali é uma verdadeira bagunça, pelo que estamos presenciando, pelo que vocês falam. Vocês se descabelando para juntar informações, porque não tem isso informatizado. Tudo bem que não tenha, mas tem que ter a documentação. É uma dificuldade danada se conseguir a documentação, que, pelo visto, está sequer arquivada. Por isso, realmente, o sistema está propenso a muita fraude. E não tenho dúvida de que tenha fraude nessa situação, porque está aí detectado. Realmente, como se terá controle diante de uma bagunça dessas? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O Senhor Deputado Padre Honório deseja fazer alguma pergunta, V. Ex.ª que ilustra nossa comissão com sua presença? O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Obrigado, Senhor Presidente. Não é nem tanto uma pergunta, mas quero parabenizar esta CPI. Acredito que ela tem feito um bem muito grande. Espero que possa acontecer não apenas por três, seis meses, mas durante os quatro anos, até que se ajude a resolver toda a questão. Parabenizo o doutor Fabiano Contarato. Gostei muito da sua entrevista no Bom Dia Brasil, muito clara e lúcida. Acredito que é com essa interação que vamos conseguindo ordenar as coisas. Quem sabe, um dia, os cargos do Detran sejam todos preenchidos por meio de concurso público? Até para moralizarmos mais a questão, ter um pouco mais de segurança, mais de continuidade, porque também, às vezes, tem uma pessoa que está conduzindo e de uma hora para outra tem que mudar. E vai mudando e vai mudando. E, às vezes, não consegue conduzir através de uma equipe bem preparada. Com relação aos pátios, também ficamos preocupado. Em Colatina, por exemplo, há um pátio que fica a alguns quilômetros da cidade. Então, a pessoa já perdeu o carro que foi guinchado, como é que terá acesso depois? Ficará pagando táxi, indo e 24 - Diário do Poder Legislativo voltando? Não é só o valor do guincho. Nem pega celular. É uma situação bastante complicada. No mais, agradeço a oportunidade. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Acho que o Senhor Deputado Marcelo Santos ainda tem alguns questionamentos. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Sim. Esse pátio contratado pelo Detran no município de Serra pela bagatela de cento e setenta e oito mil reais recebe veículos que são rebocados de outros pátios credenciados ou ele só está sendo depósito dos veículos de pátios já descredenciados? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR Atualmente, ele está sendo usado para guardar os veículos dos pátios que foram descredenciados ou que não renovaram o credenciamento. Mas o objetivo é fazer o transbordo desses veículos dos demais pátios para esse pátio. Por quê? Hoje, por exemplo, em quase toda a maioria dos pátios na Grande Vitória, há empilhamento de veículos. E o empilhamento de veículos, em minha opinião, é gravíssimo, porque em nenhuma garagem que você coloca um veículo, você coloca um sobre o outro. E o Estado também não pode ter esse tipo de guarda. O grande objetivo era acabar com esse tipo de coisa. Então, a desocupação dos pátios precisa passar por um processo de logística, que vai desde a retirada desses veículos até a guarda deles num local adequado, para que não fiquem expostos. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Senhor Presidente, queria fazer um requerimento aqui na comissão da seguinte forma: primeiro da não necessidade de contratar um pátio no município de Serra, já que ele não é alvo de rebocamento de veículos da Grande Vitória, ele é alvo de receber veículos dos pátios descredenciados, ou seja, lá da cidade do senhor, de outros lugares. Poderia ser feito, inclusive, esse pátio, se fosse o caso, lá da divisa, lá em São José do Calçado, lá em Pinheiros. Não havia necessidade de fazer no lugar mais caro do Espírito Santo, que é a Serra. Então, solicito que encaminhemos um ofício ao Detran solicitando a rescisão do contrato desse pátio, devolvendo, é claro, ressarcindo o proprietário dos investimentos, e que façamos uma locação de um imóvel numa área que tenho certeza de que não vai valer vinte por cento o valor do que foi realizado agora. Porque a duzentos mil reais por mês você pagar um aluguel por um investimento que eu tenho certeza de que não chegou a um percentual de mais de cinquenta por cento do que foi locado, acho que é jogar dinheiro público pelo ralo, sinceramente. Não existe justificativa, Senhor Presidente. A minha preocupação era: Não! Estão pegando os carros da Grande Vitória, e aí tem que ter um pátio na Grande Vitória porque vai percorrer uma distancia maior. Não! Está tirando de um lugar para jogar no lixo de novo, depósito, um carro em cima do outro. E olhe lá se nós também não fizemos aqui, Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Senhora Deputada Janete, uma solicitação de condenar o Estado por ele não cumprir a própria lei que propôs. Se é em noventa dias o leilão, ele está descumprindo o que ele mesmo propôs, e nós aprovamos nesta Casa. Então, o Estado multa o cidadão que não cumpre lei, mas não multa a si próprio por não cumprir. Então, acredito que o cancelamento desse contrato é garantir que o dinheiro do Detran, que recebe muita grana, recebe muito dinheiro, é um órgão dos que mais arrecada, e que não consegue reverter essa grana que arrecada em benefício para a sociedade. Quero aqui, diretor, dizer o seguinte, já estamos no sétimo mês, acredito e aguardo que nos próximos meses o Detran mostre algum resultado. O senhor diz que tem encaminhado ao Governo do Estado solicitações de ações que não dependem do senhor. Pediria que esses encaminhamentos chegassem a esta Casa num prazo de dez dias para que pudéssemos fazer um ofício ao governador e acostar todas as solicitações que o senhor fez ao governador, porque tem muita coisa que o senhor fez, eu não conheço todas, que são benéficas, muitas delas. E eu quero, aqui, me colocar à disposição para ver esse Detran, com que o senhor sonha, com que eu sonho, com que todos os membros sonham, com que a sociedade sonha, para ajudá-lo a fazer isso. Mas, quero dizer, acredito que cancelando esse contrato milionário com esse pátio na Serra, faremos com que os investimentos sejam melhorados no Detran. Era isso, Senhor Presidente, que gostaria de requerer. O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - O senhor me permitiria fazer uma observação bem rápida? A questão da localização foi pensada por conta da quantidade de veículos na proximidade. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) Logística. O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - O volume, hoje... O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Deixa-me fazer uma pergunta antes de você concluir. Quem é que compra esses veículos no leilão? A maioria deles? O SR. JADIR TOSTA JÚNIOR - No leilão para reciclagem, são as indústrias que fazem a reciclagem. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Será que não é por isso que está demorando tanto? Porque não interessa a ela comprar dez carrinhos, interessa comprar mil. Aí, soma isso tudo, ela vai lá e compra. Não interessa não? Quero deixar sob suspeita isso, Senhor Presidente. Por que não é feito o leilão? Por que demora? Mas demora desde 2004 fazer esse pouquinho de leilão aí, para a indústria comprar e fazer aquilo virar um tipo de material siderúrgico? Aí é fácil, né. Então, quero deixar sob Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 suspeita isso aqui também, Senhor Presidente. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Outra questão também, Senhor Deputado Marcelo, é que hoje é para botar os carros que estão saindo, que estão nos pátios que foram descredenciados, mas não é só para isso. Hoje está colocando, os veículos são do pátio, mas é para reservar pátio. E é importante, sim, que o Detran tenha os espaços para evitar esse problema que estamos tendo, porque se o Detran tem o espaço vai acabar com essa farra de estar, inclusive, mancomunado com gente, com servidor público, para guinchar a todo custo porque isso resulta em dividendos, inclusive, para servidor público maucaráter, que infelizmente toma esse tipo de atitude. Então, também tem essa questão. Não digo que são todos, porque a maioria, graças a Deus, não é, são servidores públicos honrados. Infelizmente há alguns que se prestam a esse tipo de coisa, e esse é um dos motivos de estarmos aqui discutindo. Também, lembro-me, na época, de estar o Detran buscando ter espaço para sair dessa máfia, para se desvincular dessa máfia. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Já na fase final, depois vamos submeter um requerimento aqui porque duas pessoas que chamamos não compareceram e estão apresentando uma justificativa. Vou submeter à comissão. Só para encerrar, quero dizer o seguinte: não consegui entender bem esse modelo que o Estado adota de remoção. Parece que tem especificamente a finalidade de cobrar o IPVA, taxa de IPVA atrasado, e licenciamento. Quer dizer, o Detran, a uma certa altura, entendeu que não tinha capacidade administrativa ou funcional de fazer esse serviço, e resolveu terceirizar. Quer dizer, esse serviço ao longo do tempo, até pelo volume de carros que há, dá a impressão que ficou provado que fracassou. Quer dizer, é um sistema que não atendeu ao desejo do órgão. Até porque o volume de carro que tem lá, e por causa do volume de leilão, quer dizer, mil e trezentos carros só até hoje, a arrecadação não justifica, de vinte e cinco mil carros, quer dizer, dos vinte e cinco mil carros que estão lá, ninguém pagou o IPVA, o licenciamento, então não resolveu para o Estado. Por que ao sentir, o senhor como diretorgeral - o senhor declarou isso aqui -, que o sistema é fracassado, que o sistema é em prejuízo da população, por que, in dubio, não se dá benefício ao réu? Quer dizer, por que não suspende essas remoções até o Detran encontrar a forma satisfatória e que não puna? Por exemplo, a legislação diz que pode remover, aí o Jadir disse que não, mas não regula quantos carros pode botar em cima. Então a população, diante dessa dúvida, por que não deixa de punir o cidadão, em face da omissão da lei, pune-se o cidadão. Quer dizer, por que então não tem a regra através de portaria? Porque é possível o Detran baixar uma portaria, porque quem faz as apreensões são os guardas e os policiais autorizados pelo órgão. Diário do Poder Legislativo - 25 É só passar uma portaria de que essas remoções não vão ser feitas até a solução de que isso fique definido. A população não pode ficar diante de uma legislação que próprio órgão punitivo tem dúvida da aplicabilidade e da funcionalidade dela e ficar pagando. O que a gente percebe é que, entre os pátios e entre a população, existe um se defendendo e o outro querendo arrecadar de qualquer maneira, usando o Estado, usando o Detran, usando o Governo do Estado, usando as prefeituras para arrecadar de qualquer maneira. É como se um órgão público me desse uma credencial, disse que estou credenciado e falasse: arranja um lugar lá e você sai com esse bloco aí pegando todo mundo que você quiser pegar e bota lá dentro para você receber. Na verdade, o que funciona entre pátio e povo, é isso. É um querendo dinheiro e correndo atrás de quem está na rua. E até, já temos comprovação aqui de que correndo atrás das pessoas de qualquer maneira. Não é nem irregulares, até com possibilidade de regular. Aqui esteve um padre que parou um carro, onde não tinha placa, e o carro dele foi removido, ele teve que pagar e ninguém justificou nada disso. Não tem justificativa. Quer dizer, se o Estado tem também doentes na fila e não pode dar vaga para todo mundo, por que o Estado, por exemplo, na cobrança de imposto, não suspende essa cobrança até regularizar e dar transparência para a população? Na verdade, o Detran, sob o seu comando, e os diretores anteriores tiveram tempo de fazer isso também e não fizeram, mas hoje você na presidência do Detran, você está sendo coparticipe desse tipo de infração. Quer dizer, a sua pessoa, como delegado conceituado, um policial correto, como uma pessoa de bem, o senhor está hoje envolvido indiretamente nessa máfia. Porque dizer que tem que mandar a lei para cá, tudo bem, mas o senhor pode suspender isso por portaria, tanto é que a prefeitura de Vitória suspendeu. Em Vitória, eram apreendidos quarenta, cinquenta carros por semana. Depois da nossa CPI, o prefeito baixou uma portaria e suspendeu a remoção. Então, queria perguntar por que o senhor não toma, já que o senhor tem um nome a zelar, tem uma imagem a zelar, ou o senhor está se sentindo frustrado e fracassado no Detran por não poder chegar e resolver o problema? Porque isso está atingindo inclusive a sua imagem como pessoa pública. O senhor era um homem considerado um homem que resolvia as coisas e agora o senhor está sendo considerado um homem também mole que não resolve nada. Como é que o senhor está vendo isso? Por que o senhor não toma essa providência através desses atos administrativos? O SR. FABIANO CONTARATO Primeiro quero deixar claro que não me considero um homem mole, muito pelo contrário. Considero-me um funcionário público que ama aquilo que faz, mas tenho que cumprir o que determina a Constituição Federal, tenho que cumprir. Temos uma relação jurídica, temos contratos que estão vencendo agora, em julho, agosto, até o término do ano, que têm que 26 - Diário do Poder Legislativo passar por uma análise do departamento jurídico para ter essa responsabilidade, esse aval. Não posso, pura e simplesmente, dizer; a partir de hoje não vai mais rebocar carro nenhum. Esses carros ficarão onde? Quem vai pagar por isso? O que tenho que fazer é cobrar e lançar o edital o mais rápido possível para ter essa licitação. Agora, minha consciência, enquanto servidor público, enquanto diretor dessa autarquia, está tranquila, porque estou tomando todas as providências que determina a lei. Já comuniquei fatos ao Ministério Público, ao Ministério Público de Contas, à Secont, ao próprio Governo do Estado, pedindo as modificações e alterações. Agora, tenho contratos que têm relação jurídica, que têm contrapartidas, e, infelizmente, não fui eu que assinei, mas que tenho de cumprir. E agora, com a renovação, é que temos que ter essa responsabilidade em lançar um edital para licitação. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Doutor Contarato, conheço bem a história pública do senhor, e o senhor me permite falar isso, o senhor tinha uma imagem como delegado de Trânsito que era admirada por toda população do estado. O senhor, como delegado de Trânsito, não era tão obediente a detalhes de lei como está sendo agora, no Detran. Até porque esses contratos que o senhor disse que estão em vigor, eles são ilegais. Então o senhor, como bom advogado, tem que entender que o administrador não deve dar amparo, dar respaldo a um contrato ilegal. Porque esses credenciamentos são ilegais, e eles não fazem relação jurídica sadia, qualquer portaria derruba esses credenciamentos. Esses credenciamentos fazem parte de uma ligação suspeitíssima do Detran com terceirizados, eles não se sustentam em lógica nenhuma. O Código Nacional de Trânsito diz que tem que ter licitação, ele não obedeceu à regra de chamamento nem por edital, nem presencial, de nada, foram escolhidas pessoas para serem credenciadas. Então é um contrato criminoso. Estou perguntando exatamente ao senhor, por que o senhor, como um homem que todo mundo reconhece sua credibilidade junto à população, o senhor está mantendo contrato criminoso no Detran? É isso que quero saber. O SR. FABIANO CONTARATO - Senhor Presidente, volto a afirmar, esses contratos estão com datas de validade vencendo agora no mês de julho, agosto, setembro e assim sucessivamente. Não tenho como simplesmente cancelar e impedir toda remoção de veículos, até pela Lei de Responsabilidade Fiscal, sou ordenador de despesa. Temos aí, a apresentação do funcionário falou, se hoje fôssemos parar todo serviço de rebocamento, a receita ultrapassaria doze milhões, fora as taxas de rebocamento. O senhor pode ter certeza de que se eu tiver uma orientação, tanto do Ministério Público como do próprio Departamento Jurídico, de que é possível, isso, dessa forma, mas de forma responsável, porque temos que ter uma destinação para esses veículos. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Para onde vão esses quarenta e oito mil veículos que estão ali? São quarenta e oito mil veículos que estão depositados. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Mas essa é uma pergunta que nós estamos fazendo ao Detran, porque a lei diz que é em noventa dias fazer leilão, ou seja, o Detran descumpriu. Então não cabe ao senhor perguntar a nós aqui nem ao povo. Aí, como diretor do Detran, independente se foi, como dizia Odorico Paraguassu, o pratrasmente não se pode morrer na história, o senhor assumiu o órgão entendendo que poderia mudar, então tem que assumir as responsabilidade do senhor também. O SR. FABIANO CONTARATO - Por isso que estou assumindo. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Mas, por exemplo, estou me referindo a conhecimento jurídico, não estou me referindo à opinião de Procuradoria, até porque essas Procuradorias, o trabalho delas, é bem suspeito, porque eles nunca agem defendendo o interesse público, eles agem defendendo os interesses de terceiros. Falo isso com toda responsabilidade, porque eu conheço esses pareceres, a maioria deles. É muito difícil um procurador defender realmente a instituição que ele representa, é muito difícil. É lógico que existe, mas é muito difícil, o percentual é pequeno. O que quero dizer é o seguinte, o senhor não é leigo, é bacharel em Direito. O senhor tem que ter conhecimento de que um processo eivado de erros não pode ser mantido juridicamente. E é um erro em cima de outro erro. Por exemplo, esse contrato do pátio é mais um erro em cima para proteger um erro anterior. Porque contratar um pátio por cento e setenta e poucos mil reais por mês para depositar carros que são apreendidos, fruto do insucesso e da ilegalidade administrativa, porque esses pátios são uma fraude. Tanto são fraude que pararam... como foram pensando que era só pegar carro e receber dinheiro, encontraram resistência da população, que abandonaram as motos e os carros lá, fecharam. Isso só justifica suspender. Porque o Detran fracassou na sua intenção. Credenciou mais de trinta pátios e hoje tem quantos? O SR. Dezesseis. FABIANO CONTARATO - O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então, isso já é uma demonstração clara do fracasso do sistema. O que a população cobra e a CPI quer cobrar é que as autoridades não existem para punir o povo, elas existem para proteger o povo. E esse comportamento de terceirização de pátio é uma punição à população, que não aceita isso. O que estou querendo transmitir ao senhor é isso. Por mais leigo que seja o bacharel em Direto, ele tem total conhecimento de que um contrato ilegal não é direito reconhecido. É anulado de plano, pode ser até por Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 portaria. Deixo a seguinte reclamação com relação ao fracionamento da despesa, para isso o órgão pode baixar uma portaria imediatamente, porque não justifica. Todo interior do estado está fazendo isso: colocam dez, quinze motos no carro e cobram duzentos, trezentos reais de cada uma. E também restabelecer, por portaria, que quem é credenciado tem de cumprir a portaria do órgão, de que só pode ser cobrado noventa dias de depósito. Não pode ser cobrado mais. Se o carro ou a moto não for resgatada em noventa dias: é leilão, não pode mais ter custo. Isso é portaria. Milito na administração pública, já fui conselheiro, conheço, modéstia a parte, administrativamente isso. É fazer uma portaria que o credenciado é obrigado a cumprir. Isso é regra de administração, não precisa de lei para controlar esse funcionamento. Doutor Fábio, gostaria de fazer alguma pergunta? O SR. FÁBIO LANGA DIAS - Agradeço mais uma vez pelo uso da palavra. Fazendo coro aos que os nobres Deputados já falaram, o Ministério Público também está completamente espantado com tudo que tem percebido e visto, pelo que é realizado pelo Detran, que se importa muito em terceirizar os serviços do que em assumir as suas responsabilidades, seja no campo de pátio, seja no campo dos serviços que deveriam ser prestados pelo Detran. Doutor Fabiano, que conheço e admiro, mas infelizmente isso que temos presenciado em todo o estado, uma falta de responsabilidade do Detran. Informo-lhes que o Ministério Público já apura, não está sob a minha presidência, mas já existe um procedimento no Ministério Público apurando a situação desse contrato assinado recentemente. Gostaria de saber do doutor Fabiano se foi o senhor que assinou esse contrato. Tudo está muito nebuloso. Temos tantas dúvidas, mas o Detran assume uma responsabilidade e assina um contrato de tamanho gasto. Claro, então, se o Detran assumiu e assinou esse contrato, então ele já tem ciência de que vai então descredenciar tudo? Porque assumir um ônus desse e ainda está em dúvida se vai descredenciar? Conversava outro dia com o senhor Jadir, já que está em dúvida, já que temos que ter cautela, por que o Detran não teve cautela ao assinar esse contrato que tem um valor muito expressivo. Parece-me que esse contrato foi assinado na gestão do senhor. O Ministério Público está apurando. Preciso até me reunir com outros promotores, porque a situação tem uma proporção tão grande que várias são as situações que precisam ser apuradas e investigadas. Só repito o que foi dito pelos nobres deputados: o senhor é muito bem-visto, admiro o senhor como professor, como profissional que é. É chegada a hora, e queria que o senhor aproveitasse este momento em que está na direção do Detran para resolver a cozinha, porque tem muita coisa errada! Mas é muita coisa errada! Recebemos diversos procedimentos, deparo-me com diversos Diário do Poder Legislativo - 27 procedimentos. Assumi a probidade há pouco tempo em Vitória. São diversos procedimentos que temos de irregularidade de servidores do Detran, todos comissionados. É uma vergonha. O que o senhor pudesse esclarecer esse ponto, já que temos tanta dúvida e o senhor tem tanta cautela, que é bacana do administrador, do gestor, por que assinar um contrato nesse valor, e o Detran ainda não resolveu se vai descredenciar? E outra: a questão dos leilões vemos empresas particulares, vemos a própria Cesan fazendo leilões. Isso não tem custo nenhum para o órgão. O leilão não cobra do órgão, o leiloeiro não vai cobrar do órgão, cobra de quem está comprando. A comissão quem paga é quem está comprando. O Estado, fica muito claro, o Estado é um excelente, não excelente pagador, mas um bom pagador e um péssimo cobrador, porque esses carros, esses veículos, estão em poder do Estado e ele não faz nada para receber. Quantos valores devem ter para o Estado receber, por que não leiloar esses veículos? Enfim, minha pergunta é, se o senhor tiver como esclarecer, por que, já que está tudo muito nebuloso, está tudo muito em dúvida, por que assinar um contrato de um valor expressivo, já que não há a verdadeira, não sabemos o que o Detran pensa em fazer? Obrigado, senhor presidente. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Gostaria de responder? O SR. Perfeitamente. FABIANO CONTARATO - O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Fica à vontade. O SR. FABIANO CONTARATO Inicialmente quero deixar claro, nobre promotor, que estou ali para prestar qualquer esclarecimento, com maior transparência e lisura. Podemos errar, mas não com má-fé. Assumi esse Detran em janeiro deste ano e esse processo desse pátio, talvez ele tenha vindo como se fosse a salvação daquilo que seria o caos, que está perpetuando pelas gestões anteriormente. Quando ele veio, já tinha passado por todos os trâmites, foi passado pela manifestação da PGE, foi passado pelo Departamento Jurídico do Detran. O pátio já estava todo na sua estrutura e seria justamente com isso, com o objetivo de tirar esses empilhamentos desses veículos, são quarenta e oito mil, e começar a organizar para, aí sim, depois acabar com essa locação desse pátio. No mais, não tenho interesse nenhum, mas essa assinatura se deu em um momento de preocupação para tentar arrumar essa casa. Só que não vai com cinco, seis meses, sete, meses que solucionamos um problema que vem aí se perpetuando há quantos anos? Então o objetivo, quando da assinatura que chegou, culminou, para assinatura foi comigo, agora, mas que esse processo já vem há muito tempo foi para que fosse a solução de tirar esses veículos que estão nesses pátios, que 28 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 estão ali depositados da forma irregular, que está sobrecarregando o contribuinte, e tentar resolver isso da melhor forma. O senhor pode ter certeza, tanto é que consegui, junto ao Governo do Estado, que fosse dada uma área em Cariacica. A área é do mesmo e já estou com um arquiteto, com uma equipe, que está pegando toda essa infraestrutura desse pátio modelo, entre aspas, para implantar em Cariacica e acabar com esse pátio de Serra. Estou falando que assumi isso já com todo esse processo ali, não foi em nenhum momento com má-fé. O SR. FÁBIO LANGA DIAS - Só finalizando, senhor presidente, indo até na mesma linha do deputado, solicitar, não é oficialmente, até porque não estou presidindo o procedimento que tramita no Ministério Público. Com base nessa locação do pátio, com base no princípio da autotutela, que o Detran reveja se isso é conveniente e tome as providências para ontem. O Urgente. SR. FABIANO CONTARATO - O SR. FÁBIO LANGA DIAS - Porque o dinheiro público está sendo... O Detran tem a sua disposição ótimo imóvel, mas não está utilizando, mas está pagando por isso. Então que o Detran tomasse as providências. Agradeço, mais uma vez. O SR. FABIANO CONTARATO - Pode ter certeza que vai ser. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Todas as perguntas e questionamentos do doutor Fábio são consideradas como da Mesa. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Senhor Presidente, pela ordem! Queria só fazer um alerta de novo ao Detran. Essa busca por uma área para fazer o estoque desses veículos dos pátios descredenciados é desnecessária. O que se necessita é que sejam feitos os leilões. Essa deve ser a busca primeira do Detran, porque gastaremos outro dinheiro podo Estado. Já estamos jogando fora esse do pátio, estamos jogando fora. E se o Estado está deixando de arrecadar, a lei de responsabilidade fiscal, a culpa é do Detran que não fez o leilão. A culpa é do Detran. Então não estamos abrindo mão, não. Quando você coloca o processo para adquirir essa área sob o modelo de locação, que o Detran começou lá atrás, não foi pelas mãos do nobre diretor, ela foi e apresentou lá um projeto para que pudesse abrigar e fazer os procedimentos, conforme disse aqui o técnico. Mas é desnecessário. Está demonstrando claramente que o Detran não tem interesse algum no leilão. Se só vamos colocar os carros... Porque se tem pátio credenciado, e acredito que o credenciamento deva ter sido feito com prazos, e aí você realmente romper o contrato, é claro que cabe indenização. Todo contrato pode ser rompido, desde que você indenize a parte. Ponto. Então cabe. Cabe. Não é esse o caso. Pode cancelar, desde que indenize. Dinheiro, para o Detran, não falta. Vemos que o Detran às vezes inventa moda para gastar o dinheiro que deveria ser aplicado em outras questões. E aí quero pedir ao Detran que se dedique plenamente ao leilão. E vou falar para o senhor, que é servidor público e sabe. No serviço público, por mais que a gente tente desburocratizar... Eu participei como membro único do Espírito Santo no processo de desburocratização do Governo federal, na época de 1999. E a gente bateu com os burros n’água, porque as próprias leis nossas emperram. Então, coloque no papel, crie uma comissão no papel, para que ela te dê resultado no papel, inclusive sob pena de punição, porque verbalmente não vai punir ninguém. E aí o leilão é fundamental. É isso, Senhor Presidente. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Pela ordem, Senhor Presidente. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Proponho à comissão que a gente faça uma representação ao Tribunal de Contas pedindo auditoria especial nesse contrato de aluguel. Como é que pensa a deputada relatora? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Eu concordo. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhora Deputada Raquel Lessa? A SR.ª RAQUEL LESSA - (SD) Concordo. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhor Deputado Marcelo Santos? O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Plenamente. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Deputado PH, gostaria de opinar? (Pausa) O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Voto simbólico! O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhor Deputado Gilsinho Lopes? O SR. GILSINHO LOPES - (PR) Concordo. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então vamos pedir à secretaria que faça um pedido de auditoria especial no contrato de aluguel do pátio localizado na Serra, feito pelo Detran. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Senhor Presidente, só para acrescentar, V. Ex.ª que foi conselheiro, aliás, é conselheiro aposentado, sabe Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 que podemos pedir preferência com amparo na Constituição. Que dê preferência a esse pleito de V. Ex.ª. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Não me assusto mais com esse negócio de aluguel, porque descobri que o prédio da Procuradoria-Geral do Estado, dos procuradores, o contrato é de trezentos mil reais por mês, para a Procuradoria funcionar em um prédio luxuoso na avenida Nossa Senhora da Penha. Estou até fazendo esse pedido ao Tribunal de Contas, para levantar esse contrato, porque há muito leito faltando nos hospitais, muito remédio faltando, e você pagar trezentos mil reais para acomodar a Procuradoria-Geral do Estado... Este Estado precisa fazer uma revisão profunda do seu gasto. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) Presidente, pela ordem! Eu tenho apenas uma... Primeiro gostaria de me referir ao diretor Contarato pela responsabilidade com que ele tem tratado essa matéria. E também por ter tido a coragem de dirigir um órgão tão complexo, tão viciado, com tantos problemas, como o Detran. Obrigada por estar lá. Quero contar com o senhor disciplinando essa questão. Sei que muitas coisas o senhor não pôde fazer ainda por uma questão de responsabilidade, mas acredito que o senhor vai fazer, porque o senhor é um homem correto, o senhor é um homem... Estou olhando aqui, vários passaram pela administração. Isso não é de hoje. Não pode se cobrar do senhor uma atitude em seis meses, que está conhecendo a casa, que está verificando toda a situação, quando houve vários diretores. Senhor Presidente, gostaria que fossem convocados, desde quando começou essa questão do convênio, porque a gente não pode perder o foco. O nosso foco são os convênios, os pátios hoje alugados, e não os pátios que o Detran... quando fez esse contrato. Esse não é o nosso foco. Se não, vou querer também uma auditoria nos pátios que mais são remunerados com essa atividade de guinchamento. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - V. Ex.ª pode requerer. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Vou requerer também uma investigação nos pátios que mais recebem, que mais faturam com o negócio de guinchamento e com a guarda desses veículos, sugeria também. Se não, vamos focar só no pátio que o Detran fez uma contratualização recente, que foi feita discussão ampla, e vamos esquecer o foco que motivou. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - V. Ex.ª sabe muito bem que cada um tem o direito de fazer o que quiser na comissão, V. Ex.ª quer requerer? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Quero requerer também. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS Diário do Poder Legislativo - 29 ANJOS - PSD) - V. Ex.ª não pode ficar criticando colega que faz requerimento. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Não estou prejudicando. O que quero é não sair do foco. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - É o entendimento e cada um. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Preciso saber, por exemplo, também, de uma auditoria que deveria ser feita, no meu entendimento, estou requerendo aqui, também, em cima dos pátios que mais arrecadam com esse negócio de guarda e guinchamento. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - É o Central Park que mais arrecada. Então, vamos fazer a votação. Senhora Deputada Raquel Lessa, concorda com o requerimento de fazer auditoria especial no pátio Central Park? É o que mais arrecada. (Pausa) Senhor Deputado Marcelo Santos? O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Senhor Presidente, se tiver que fazer uma auditoria, faremos em todos. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - É isso aí, por isso falei dos que mais arrecadam. Acho que tem que ser os que mais arrecadam. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O que mais arrecada ou os que mais? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Os que mais arrecadam. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Não existe os que mais arrecadam, existe o que mais arrecada. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Tem os três que mais arrecadam. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então, os três. Tem condições de saber disso? Os três, pela relação fornecida pelo próprio diretor-geral, incluindo auditoria especial, também, separada. Auditoria especial separada dos três pátios que mais arrecadam, auditoria especial do Tribunal de Contas. Passamos à fase de requerimentos. A relatora tem algum requerimento? Se bem que, antes, teremos que dizer o seguinte: foram chamadas também Auxiliadora Tiberio Gomes, sócia da empresa Central Park, e Angela Maria Sant’Ana de Oliveira, sócia da empresa Central Park também. E as informações da secretaria da comissão é que elas não vieram e encaminharam o senhor Dionísio Gomes Júnior que se prontificou a depor. Como consideramos que a pessoa que é convidada teria que vir aqui para poder fazer essa solicitação, vamos submeter, agora, à 30 - Diário do Poder Legislativo comissão se mantemos o chamamento através de condução coercitiva dessas duas pessoas ou aceitamos a troca das duas pessoas para ouvir o senhor Dionísio. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Senhor Presidente, uma pergunta, o senhor Dionísio, que está aqui, ele é administrador do Central Park? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Nós, hoje, de qualquer maneira não vamos ouvir mais ninguém, porque já estamos passando do limite permitido, mas quero saber se dia 03. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Posso sugerir uma solução para a questão? No meu entendimento tem que vir os donos, as duas proprietárias, e pode vir, também, o administrador, então, os três. Mas os proprietários têm que vir, eles que são os donos, não é o administrador que é o responsável. O responsável pelas respostas aqui é o dono. Então, se tem dois donos, os dois donos com o administrador, mas substituir acho inadmissível. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Tem dois requerimentos. Um é o que a Senhora Deputada Janete de Sá está dizendo que tem que ser os dois, podendo acrescentar; e tem o requerimento de substituir os dois pelo senhor Dionísio Rui. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Se ele for administrador, legal, voto pela presença dele. Ele, talvez, tenha a colaborar mais do que a proprietária, que entregou na mão dele a administração. A SR.ª RAQUEL LESSA - (SD) - Também concordo. Se ele é o administrador e se ele vai poder contribuir igual aos donos, para mim, não faz diferença não. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então, 2 a 1. A senhora está igual ao Vasco, tomou outra derrotada. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Tem problema não. Mas continuo dizendo... O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Nada impede que... A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) Exatamente. Por que não pode vir os proprietários? Será que as proprietárias não são laranja? Por que não podem vir as proprietárias? É estranho isso. Muito estranho. O rapaz é filho da proprietária? Mas não é o dono. Não é o dono. Será que os proprietários não vêm porque não saberão responder as questões? Estou achando estranha essa troca. Acho que teria Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 vir. Perdi, mas acho que quem perde é a comissão. Deveria vir são os proprietários e o administrador. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - V. Ex.ª não perdeu de tudo porque ainda não votei, e vou empatar com V. Ex.ª e vou decidir, porque sou voto de desempate, para vir o senhor Dionísio e as duas... O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) V. Ex.ª não é voto de desempate em quatro, não. V. Ex.ª seria voto de desempate se fosse o quinto elemento. V. Ex.ª é o quarto. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Está em 2x1, então, empatei. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Está empatado. Queria só fazer uma justificativa, Senhor Presidente, já que está empatado. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - V. Ex.ª corrija seu cálculo errado, porque em matemática o senhor levou zero. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Levei, né? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Estava dois a um. Eu empatei e desempatei. Então, desempatei pelo seguinte: As duas virem e mais o senhor Dionísio. Está fechado? Aceitam a derrota? O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Eu discordo porque o senhor não desempatou, o senhor é o quarto elemento. Se fosse o quinto, concordaria. O senhor pode desempatar, neste caso. Mas olha aqui. Deixa explicar uma coisa aqui... O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Eu fui o quinto. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Deixa falar para o senhor. Da mesma forma que foi convocado o prefeito da cidade de Vitória, Luciano Rezende, e que esteve presente aqui o secretário, porque é ele quem gere a pasta, entendo que a proprietária não administra, porque ela transferiu para o Dionísio Júnior, filho dela, a administração da empresa. Então, ele vai poder colaborar mais do que a mãe. Por mais que eu ache que se a mãe tiver que vir aqui vai vir. Ele conhece a lógica da gestão e pode nos dar mais informações e enriquecer, talvez, até mais o relatório da nobre relatora. Entendo eu. Se ele é o administrador legal da empresa. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Esse assunto já foi decidido no voto. E o senhor pensa que é só o Detran que é difícil para administrar. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Diário do Poder Legislativo - 31 A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Senhor Presidente, quero só relatar que a concessão do Estado não foi feita pelo administrador. Foi feita para os proprietários. A concessão do Estado. ANJOS - PSD) - PH? (Pausa) Senhor Deputado Gilsinho Lopes? (Pausa) Esse pessoal fica preocupado. Deixa que eu sei o que estou fazendo. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Isso já está decidido. Não vamos discutir assunto que já está decidido. Vão comparecer as duas sócias mais o senhor Dionísio, e se tiver até o filho dele também, papagaio dele, vamos chamar todo mundo. Agora, essa pauta do dia 03. Tem outra sessão antes do recesso? (Pausa) Não. Essa para o dia 03. Então, tem a proposta para já fazer a agenda do dia 07. Quero informar ao Senhor Deputado Marcelo Santos que o prefeito de Vitória foi chamado, mas não veio. Então, a gente está deixando essa etapa dos prefeitos para chamarmos no mês de agosto. Ele deu férias na hora que foi chamado aqui. Então, dia 10 de agosto. A relatora tem alguma proposta para ouvir no dia 10? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Senhor Presidente, tenho mais dois requerimentos. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - No meu entendimento, Senhor Presidente, precisamos chamar os diretores a partir dos convênios. Então, o convênio se deu em 2004. Os diretores a partir do convênio, no meu entendimento, têm que vir aqui. Os que assinaram têm que vir aqui prestar esclarecimento. Temos aqui vários. Temos o Evaldo, o coronel Paulo Domingos Deorce, Ruy Dias de Souza. Então pega os dois primeiros. Em 2004 e 2005. Quem foi? Pega. Pegando de dois em dois porque, senão, não vamos conseguir ouvir todos se for um por um. Sugiro os dois primeiros. De 2004... Em 2003 era o Evaldo. Vai chamando de dois em dois e vamos ouvindo. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Qual a proposta de V. Ex.ª? Propõe qual dos dois? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então, fica designado para o dia 10 ouvir os dois ex-diretores, e no dia 17 vamos ouvir o prefeito Luciano, o prefeito Juninho e o prefeito Audifax? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Senhor Presidente, sugiro que... Está muito longe. A gente deixa para fazer isso quando voltarmos porque tem essa questão aqui dos diretores e são depois do credenciamento... Deixa ver aqui o número de diretores. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Estou fazendo requerimento, Senhora Deputada. V. Ex.ª concorda ou vamos deixar isso para depois? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Acho que devemos deixar para depois. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhora Deputada Raquel Lessa? A SR.ª RAQUEL LESSA - (SD) - Deixar para depois. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Concordo com V. Ex.ª. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhor Deputado Marcelo Santos? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então, de novo vou empatar concordando com o Senhor Deputado Marcelo, e vou desempatar para o dia 17 a gente ouvir os três prefeitos da Grande Vitória. Aliás, o de Cariacica e o de Vila Velha. Os quatro. Vila Velha, Serra e Vitória. Um dia. Dá tempo. Temos que requerer. Foi requerido ao município de Castelo para no prazo de sete dias encaminhar a esta comissão cópia do contrato de aluguel do imóvel localizado no bairro Esplanada que é utilizado para depósito de carros apreendidos pelas Polícias Civil e Militar. Isso foi falado aqui em uma reunião, mas não foi deliberado. Então, estamos agora querendo deliberar. Foi feito esse requerimento estava pendente o encaminhamento, porque tinha que ter sido deliberado. Como votam os Senhores Deputados? O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Concordo. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS A SR.ª RAQUEL LESSA - (SD) - A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) Proponho os dois primeiros. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Doutor Evaldo Martinelli, e quem é o outro? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - O outro é coronel Deorce. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhora Deputada Raquel Lessa? A SR.ª RAQUEL LESSA - (SD) Concordo. 32 - Diário do Poder Legislativo Favorável. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Fica deliberado isso. O ofício já pode seguir. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Senhor Presidente, pela ordem! Tenho dois requerimentos para colocar. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Vou botar em votação, mas estou sendo meio atropelado. Mas se V. Ex.ª quiser fazer algum questionamento. Tem dois requerimentos para aprovar. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 com o que estamos lidando e o nome de todos. Nome dos novos também, claro. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Já deu para anotar? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Sim. Com o nome dos sócios, óbvio. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - A secretaria também já anotou para fazer os ofícios? Senhora Deputada Raquel Lessa, tem algum requerimento? A SR.ª RAQUEL LESSA - (SD) - Não. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - São só os requerimentos. Por gentileza. Tenho dois também. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhor Deputado Marcelo Santos, V. Ex.ª tem algum requerimento? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - V. Ex.ª pode fazer os dois, que já os discutimos. O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Já estão em poder de V. Ex.ª para deliberar. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - O primeiro seria que o Detran nos fornecesse a data do credenciamento de cada pátio que já foi... até inclusive os descredenciados, os que já passaram por credenciamento do Detran, a data de credenciamento, a data do descredenciamento e a data da renovação do referido pátio. Quem foi credenciado. Quem não foi descredenciado vai dar renovação. A data de cada um com as respectivas declarações de parentesco e exercício de função pública. Porque notei, Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, que as declarações não fazem parte de um documento elaborado pelo Detran. É uma declaração que deixa brecha. Diz assim: que os sócios da empresa e seus empregados não exercem função pública no âmbito federal, estadual e municipal. Mas não fala com relação ao parentesco, não fala com relação a ter essa questão de ser militar. Não diz. É uma declaração muito banal, muito frouxa. Que o Detran providenciasse também uma declaração, diretor Contarato, mais pormenorizada, para ser assinada já que pelos documentos que vi não existe uma aferição por parte do Detran. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Queremos acabar com esses pátios e V. Ex.ª quer ainda declaração? A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Mas tem que ter, porque tenho que documentar. Outra questão de sugestão é do... já coloquei, é do encaminhamento. Inclusive nesse documento que vem com nome dos pátios, a data do término dos atuais contratos, para verificarmos O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Esses dois requerimentos são de cópia do contrato de aluguel do pátio de Serra, capa a capa, e cópia do ofício enviado ao governador com as sugestões dos ofícios, que V. Ex.ª fez para que pudéssemos... O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) Queria pedir a V. Ex.ª que incluísse o prazo de dez dias para remissão. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Isso no prazo máximo de até dez dias. Se puder ser antes, agradeceríamos muito. (Pausa) Esse o diretor já entregou da outra vez. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Não. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - ... dos pátios, a arrecadação. A SR.ª JANETE DE SÁ - (PMN) - Foi entregue a cópia dos contratos dos pátios que mais arrecadam? Não foi não. Dos três pátios que mais arrecadam. Não. Queria cópia do contrato dos três pátios que mais arrecadam com essa situação. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Agradeço a presença do diretor-geral do Detran. Que Deus lhe dê muita força para carregar esse pepino. Estamos aqui à disposição. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Muito obrigado a todos. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, à hora regimental. Está encerrada a reunião. Encerra-se a reunião às 13h04min. _______________________________ COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO DA SONEGAÇÃO DE TRIBUTOS. DÉCIMA SEXTA REUNIÃO ORDINÁRIA DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 14 DE JULHO DE 2015. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta Comissão. Convido a senhora secretária a proceder à leitura da ata da décima quinta reunião ordinária, realizada em 7 de julho de 2015. (Pausa) (A Senhora Secretária procede à leitura da ata) O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Em discussão a ata. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. CACAU LORENZONI - (PP) - Pela aprovação. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Pela aprovação. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Aprovada a ata como lida. Solicito à senhora secretária que proceda à leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: EXPEDIENTE: CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS: E-mail do Promotor Lidson Fausto da Silva solicitando esclarecimentos quanto às tarefas a cargo dos representantes das Instituições. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Ciente. Responda e junte-se aos autos. Com base na última reunião, vamos fazer a leitura e submeter à votação quanto aos argumentos para quebra de sigilo que foi definido pela Comissão: Diário do Poder Legislativo - 33 Considerando que esta Comissão Parlamentar de Inquérito, regularmente instituída pela resolução n.º 3.937, publicada no Diário do Poder Legislativo de 19/03/2015, possui entre seus objetos de apuração a possível omissão ou abuso de autoridade perpetrada por agentes políticos e públicos na defesa dos interesses fiscais, financeiros e administrativos do Estado do Espírito Santo e seus Municípios, especialmente no cumprimento do dever constitucional de suas funções de fiscalização, apuração, cobrança e execução judicial de dívidas tributárias, junto às empresas petrolíferas e suas empresas contratadas e sua relação com possíveis doações financeiras efetuadas a organizações do terceiro setor, especialmente ong’s e oscip’s, apurando a origem e a destinação dos respectivos recursos. Considerando que os elementos até então coligidos aos autos indicam ter havido recebimento, por parte do INSTITUTO DE GESTÃO SOCIAL DO 3º SETOR (IGES), OSCIP outrora presidida pela Sra. CLENIR AVANZA, de recursos públicos e privados provenientes de empresas ligadas ao setor petrolífero que atuam no Estado do Espírito Santo. Considerando a necessidade de comprovar possível vínculo entre o IGES e as empresas do ramo de petróleo e gás natural, em especial aquelas direta ou indiretamente envolvidas na “Operação Derrama”, bem como eventual malversação de recursos públicos por intermédio da referida Entidade. Considerando que a quebra de sigilo encontra arrimo no art. 58, parágrafo 3.º da Constituição Federal e em diversos precedentes do Supremo Tribunal Federal. Esta Comissão, no uso das suas prerrogativas constitucionais e legais, decide determinar a quebra do sigilo bancário e fiscal do INSTITUTO DE GESTÃO SOCIAL DO 3.º SETOR (IGES), referente ao período dos últimos 10 (dez) anos. Saliente-se, por fim, que as 34 - Diário do Poder Legislativo informações obtidas a partir da quebra de sigilo ora citada permanecerão sob a guarda e responsabilidade dos membros desta Comissão, os quais se submetem ao compromisso legal de conservação do sigilo relativamente a terceiros. Ante o exposto, submete-se a presente questão aos membros desta honrada Comissão Parlamentar de Inquérito para deliberação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. CACAU LORENZONI - (PP) - De acordo. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - De Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Foram juntados vários documentos que motivaram a criação da CPI. Gostaria de me informar do Senhor Ruy de Almeida Franklin, se tem conhecimento do funcionamento da CPI? O SR. RUY FRANKLIN - Senhor Deputado, gostaria de cumprimenta-lo. Eu só tive conhecimento da CPI através da convocação. Até então eu não tinha me interessado sobre o assunto. Quando eu recebi a convocação para esse depoimento hoje é que procurei me inteirar. Mas, desconheço a forma de funcionamento. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhor Carlos, o senhor tem conhecimento do que foi lido aqui com relação à criação desta Comissão Parlamentar de Inquérito? acordo. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - À Secretaria para as providências que o caso requer. Dando início aos nossos trabalhos de hoje, registramos a presença do Senhor Carlos Franco Bracchi Bastos; do Senhor Ruy de Almeida Franklin; e da Senhora Clenir Avanza. Agradeço a todos a presença. Vou fazer a leitura inicial da motivação desta Comissão Parlamentar de Inquérito, através do Requerimento n.º 101. A Comissão de Inquérito foi criada para apurar: (...) supostas irregularidades no pagamento de sonegação de tributos e valores gerados nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural no Estado do Espírito Santo; - possível omissão e ou abuso de autoridade de agentes políticos e públicos na defesa dos interesses fiscais, financeiros e administrativos do Espírito Santo e seus munícipios, especialmente no cumprimento do dever constitucional de suas funções de fiscalização, apuração, cobrança e execução judicial de dívidas tributarias, junto às empresas petrolíferas e suas empresas contratadas e sua relação com possíveis doações financeiras efetuadas às organizações do terceiro setor, especialmente ONG’s e OSCIP’s, apurando a origem e a destinação dos respectivos recursos; e, pagamento de benefícios salariais a servidores públicos sem a devida cobertura legal. A Comissão vai devidamente assinada pelo número de deputados que o Regimento Interno exige. O SR. RUY FRANKLIN acompanhado pela imprensa. - Tenho O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - A Senhora Clenir Avanza já esteve aqui na primeira. Então ela já conhece o objetivo desta Comissão parlamentar de Inquérito. Qual dos senhores, foi o Senhor Carlos ou o Senhor Franklin que foi presidente dessa ONG? Essa ONG que falamos aqui, a Iges, atualmente quem a está presidindo? O SR. RUY FRANKLIN - Eu sou o presidente do Iges, desde 30 de janeiro de 2008. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Nesse período, o senhor recebeu essa presidência de quem? O SR. RUY FRANKLIN - Recebi essa presidência da Senhora Fernanda Mafra Gonçalves Elias. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Ela ocupou qual período? O SR. RUY FRANKLIN - Ela ocupou de 21 de março de 2007 a 29 de janeiro de 2008. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Nesse período em que o senhor ficou para cá, como o senhor recebeu esse balanço? Essa situação da ONG? Recebeu com saldo? Recebeu com qual trabalho que estava sendo executado e qual o planejamento que tinha? O SR. RUY FRANKLIN - Deputado, quando assumi a presidência do Iges, a Senhora Clenir Avanza, pouco tempo depois se retirou da instituição e foi uma saída traumática. A Senhora Clenir Avanza recolheu os documentos todos que estavam no Iges e não nos repassou esses Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 documentos. Isso foi motivo de uma ação na Justiça em que solicitamos a ela que entregasse essa documentação. Ela juntou toda documentação em um saco plástico e entregou na Justiça. Não sabíamos o que ela tinha mais do que isso, porque estava tudo com ela. A Senhora Clenir nunca foi presidente do Iges, mas sempre agiu como tal. Sempre coordenava o Iges. A partir desse momento, começamos a desenvolver um trabalho denominado Mamografia Express. A partir da saída da Senhora Clenir, implantamos um sistema chamado Mamografia Express. Já estive aqui nesta Casa falando sobre esse trabalho. Adquirimos um caminhão equipado com mamógrafo e fizemos mamografia em comunidades carentes. Apoiou-nos muito aqui a Deputada Luzia Toledo. Ela abraçou a causa e nos apoiou muito. Fizemos, inclusive, nos primeiros trabalhos nossos, mamografia no presídio feminino de Tucum. Isso por nossa conta, porque queríamos motivar o Estado, mostrar para o Estado o trabalho que era desenvolvido pelo Iges, porque a prevenção ao câncer de mama é a melhor forma de combate. O custo de se fazer identificação de um câncer de mama é de setenta reais e o tratamento gira em torno de setenta mil reais. Então tentamos sensibilizar o Estado, e a Deputada, inclusive, foi conosco à Secretaria de Saúde inúmeras vezes e, infelizmente, não conseguimos. Nós trabalhamos, tentamos de toda maneira possível buscar recursos públicos e privados para executar esse trabalho. Conseguimos executar quatro mil e seiscentos exames de mamografia no período de 8 de abril de 2010 até 24 de outubro de 2012, quando, infelizmente, nós perdemos nossa capacidade de trabalho. Hoje esse caminhão está parado e tenho aqui uma lista de todas as cidades, todos os eventos em que trabalhamos. Identificamos algo em torno de quarenta casos de câncer nesse período. Trabalhamos, inclusive, no Governo de Minas Gerais. Fizemos mamografia em dez cidades de Minas Gerais, durante outubro de 2011. Quando assumi o Iges, ele tinha protestos no valor de trinta e poucos mil reais. Contabilizada no Iges, de 2002 até 2007, ou seja, durante seis anos, havia uma movimentação de um milhão, duzentos e poucos mil reais, isso contabilizado, e com trinta e poucos mil reais de protestos. E também a questão de débito com o INSS, etc. Todos esses débitos eu paguei com recurso próprio. Nós conseguimos pagar. Hoje o Iges tem CND. Hoje, conforme eu falei, trabalhamos tentando implementar esse programa de mamografia, e não tivemos sucesso. Fechamos uma parceria com o Governo do Estado, a partir de novembro de 2011, onde nós começamos a fazer um trabalho de residências inclusivas. O que é esse trabalho de residências inclusivas? O Estado, na época em que o Iases Diário do Poder Legislativo - 35 cuidava de menores, por ordem judicial, foi obrigado a assumir a tutela de cinquenta e seis pessoas. E essas pessoas ficavam quase que amontoadas num presídio em Cariacica. Era um apêndice do Iases chamado Unaed. E toda a sociedade e o próprio Iases buscava uma maneira de resolver esse problema. A partir de um determinado momento, alterou-se o estatuto do Iases e o Iases passou a cuidar de menores em conflito com a lei. Então o Ministério Público e toda a sociedade queria que esses meninos saíssem da tutela do Iases, porque já conflitava com o estatuto do Iases. É claro que tem algumas restrições legais que têm que ser aparadas para que possa ser feita essa transferência. E depois de anos de tentativas, nós assumimos duas residências inclusivas. Montamos essas duas residências no município de Serra, em Manguinhos e em Bicanga. É um trabalho onde temos hoje dezesseis pessoas, sendo oito acamados e oito pessoas que são deficientes mentais. Tinham pessoas lá há quarenta anos que estavam lá dentro da Unaed. As pessoas faziam as necessidades fisiológicas delas em um buraco no chão. Então, quando nós assumimos, até recomendaram que eu fizesse um buraco no chão, porque eles não iam saber usar o vaso sanitário. Então nós falamos que não: vamos tentar. Se a gente não tiver sucesso, a gente vai ajustar um pouco com o tempo. E eles se adaptaram. Teve um que gostou tanto do vaso sanitário que ele não saía do vaso, ficava sentado o dia inteiro no vaso sanitário. É um trabalho, Deputado, onde a gente tem um aprendizado muito grande. E eu gostaria de convidar todos os membros da Mesa e da Casa também a conhecerem o nosso trabalho. Eles conseguem, apesar de tudo isso, Deputado, ser felizes. Eles são felizes. A experiência de vê-los pela primeira vez chupando um sorvete é impagável. Hoje nós fazemos lá encontros; eles frequentam igreja, vão a museu. Eles têm uma atividade social bastante intensa, e esse é o trabalho que a gente desenvolve. Nós temos lá fisioterapeuta, psicólogo, assistente social, vinte e quatro cuidadores, porque o atendimento é vinte e quatro horas por dia. E são pessoas que dependem dos nossos cuidadores até para se alimentarem. Na hora da alimentação o nosso cuidador tem que levar comida na boca deles, porque eles não têm essa capacidade. Então quando se fala assim: Ah, são quarenta pessoas cuidando de dezesseis? Sim. Só de cuidadores são vinte e quatro. E ainda tem mais: cada conselho que vai lá exige que a gente coloque alguém. Se a gente fosse atender todos os conselhos... Então Conselho de Farmácia quer um farmacêutico, Conselho de Administração quer um administrador. E a gente não tem como atender isso. A gente recebe uma verba do Iases da qual a gente presta constas mensalmente. Ou seja, a verba que nós recebemos para as despesas do mês de maio nós prestamos conta no dia 30 de junho. 36 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Então com a defasagem de sessenta dias a gente manda toda documentação para o Iases. Estamos com toda documentação rigorosamente em dia, com nossos impostos rigorosamente em dia. Não temos, diferentemente de quando nós assumimos a presidência do Iges, hoje estamos rigorosamente em dia. Trouxe para os senhores um relatório dos trabalhos desenvolvidos pelo programa Mamografia Expressa para que vocês tomem conhecimento. O convite está feito e vai ser um prazer muito grande recebê-los nas nossas residências inclusivas. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Mas não recebeu nenhum comunicado do banco? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O senhor disse no início que recebeu através da Justiça, uma sacola de documentos. O que constava nesses documentos? O SR. RUY FRANKLIN - Observa o seguinte: essa conta, inclusive, quando recebemos a conta bancária, comunicamos ao banco que a partir daquele momento, a gestão da conta era minha. Mas ainda assim, teve uma movimentação posterior a essa data, pela Senhora Clenir ou o tesoureiro dela. O Banestes nos restituiu esse recurso. E essa conta ficou parada de 2008 até 2011; não movimentei essa conta. Só fazia o depósito da taxa de manutenção da conta. A partir do momento que começamos a trabalhar foram quase três anos depois de a conta ficar sem movimentação e é fácil de vocês comprovarem. O SR. RUY FRANKLIN - Esses documentos eram praticamente quase que lixo. Não tinha nenhum documento consistente. Inclusive em função disso, vimos que não estava sob nosso controle; já que a documentação estava toda com ela, não tínhamos controle do que ela tinha. Ela entregou o que quis entregar: grampo, grampeador, papel de rascunho, nada que fosse relevante, nada que acrescentasse em termos fiscais para a nossa contabilidade. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - A conta dessa ONG nos bancos era uma só ou quantas constas tinha? O SR. RUY FRANKLIN - Não. Nenhum comunicado de banco. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - E das contas que o senhor recebeu, que foi do Banestes, o senhor recebeu um relatório e logo que o senhor teve acesso, o senhor tomou conhecimento da movimentação dela? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O senhor teve condições de, quando começou a movimentar a conta, saber qual foi os depósitos, saber qual foi a relação de... O SR. RUY FRANKLIN - Anteriores a isso? O SR. RUY FRANKLIN - Deputado, assumimos o Iges e a conta que nos foi transferida foi a conta no Banestes, e abrimos uma conta no Itaú. Então, o que tenho conhecimento o Iges tem duas contas bancárias, são as contas que faço a gestão delas. Não duvido que o Iges tenha outras contas bancárias que foram abertas pela Senhora Clenir e ou o tesoureiro dela no passado. Mas não tivemos acesso a essas informações. E o senhor vai poder constatar na quebra do sigilo bancário que nosso saldo é compatível com o nosso trabalho e que se existe alguma outra conta, não a movimentamos. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Mas recebeu alguma comunicação em algum período de algum desses bancos, algum comunicado, algum ofício? O SR. RUY FRANKLIN - Não. Não recebemos nenhum comunicado. Claro que a CPI tem uma posição, um amparo legal para poder fazer a quebra do sigilo e ela tem o apoio da Justiça para isso. Então o juiz lá que determina uma pesquisa, atinge todas as contas daquele CNPJ. A gente não, a gente não tem essa força. A gente tem que buscar é através de informações e só tive informações dessas duas contas bancárias. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Isso. O SR. RUY FRANKLIN - É possível sim, Deputado. Só que nós nunca fizemos. Porque isso tem um custo por folha. Então, nós prestamos, temos uma parceria com o Iases e a gente só pode utilizar aquele recurso em prol do termo de parceria; nunca fiz essa solicitação, porque isso não tinha nada a ver com o termo de parceria. Mas é possível nessa quebra de sigilo vocês vão poder constatar os depósitos anteriores. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhora Clenir, o que a senhora tem para nos informar a respeito do que foi dito e principalmente com relação a não ter passado a documentação da diretoria? A SR.ª CLENIR AVANZA - Se eu não tivesse passado a documentação da diretoria, ele não teria como se intitular presidente nem promover uma nova eleição, nem registrar no cartório. Se ele fez um registro cartorial, e como prova a certidão que entreguei ao senhor na outra, significa que os documentos necessários foram passados. Com relação à prestação de contas, até onde Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 atuei no Iges, ele era uma Oscip. O Ministério da Justiça mantém um rigoroso controle de contas. Inclusive essa prestação de contas é online. Então, se você não aprova as contas de um exercício para o outro, você perde o título. O Iges, durante o tempo todo em que atuei, manteve o título. Então, se há um erro, há um erro também do Ministério da Justiça. Com relação às contas bancárias, achei essa medida de vocês extremamente importante. Que se quebre o sigilo e vocês verão a origem do recurso enquanto estive lá. Espero que isso não demore muito, porque acho que constrangimento, depois, exige um pedido de desculpa. Não podemos estar levantando suspeição sob a idoneidade e a moral de ninguém dessa forma. Não tenho absolutamente nada para falar da gestão depois de 20 de janeiro de 2008, porque não a conheço. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O que a senhora tem a dizer sobre que a senhora só passou alguns documentos através da Justiça? Qual foi a causa de necessitar da Justiça para a senhora fazer a entrega dos documentos? A SR.ª CLENIR AVANZA - Porque, na verdade, a produção intelectual não pertence a nenhuma instituição. Produção intelectual, e isso é lei, pertence a quem a produz. Todos os documentos contábeis, fiscais, foram passados, tanto que o CNPJ em momento algum foi suspenso. Se houvesse qualquer problema no balanço patrimonial, na demonstração do resultado de exercícios anteriores, o CNPJ teria sido cassado. O senhor vem do Tribunal de Contas e sabe perfeitamente disso. Principalmente quando há recursos públicos envolvidos, a prestação é feita junto ao Tribunal de Contas também do nosso Estado. Enfim, os documentos que foram passados foram os documentos da instituição. Agora, como eu criei a maioria das instituições deste Estado, inclusive o próprio Iges quem criou foi eu, não poderia, de forma alguma, passar documentos que não me pertenciam; de forma alguma, que me foram confiados, em confiança. Como vou passar esses documentos? De forma alguma. Então fiz um rol documental. A Justiça não é tão desorganizada assim. Não é verdade que ela receba uma sacola, ela não recebe. Você precisa, para entregar, dentro de um processo, fazer um rol documental e dizer que documento você está entregando, ou o juiz não os receberá. E isso foi feito para que não pairasse dúvida. Então, a documentação necessária foi entregue e a documentação de outras instituições não foram entregues mesmo, de forma alguma, porque não pertenciam ao Iges, mas pertenciam a essas instituições. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O que a senhora tem a dizer com relação à movimentação da conta do Iges depois que a senhora saiu da diretoria, que houve uma operação Diário do Poder Legislativo - 37 de desconto? A SR.ª CLENIR AVANZA - Absolutamente nada porque a partir do momento que meu nome foi retirado da instituição, você não tem mais autoridade para fazer a movimentação. A titularidade no banco é mudada imediatamente. E nenhum banco, principalmente quando se trata de instituição, vai fazer uma operação dessas. Principalmente o Banestes, o banco do Estado. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então, diante do seu esclarecimento o senhor Ruy está mentindo para a comissão? A SR.ª CLENIR AVANZA - Não disse que ele está mentindo. Disse simplesmente que não sei do que ele está falando. Não tenho nenhum conhecimento disso e nunca mais tive nenhum acesso a nenhum documento desses. Nenhum. Inclusive, pelo que ele falou, o Iges mudou completamente seu objeto. O objeto do Iges nunca foi cuidar de ninguém e sim promover a gestão das demais instituições. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Quando constituímos uma Comissão Parlamentar de Inquérito, fazemos com o objetivo de apurar alguma coisa que se considera irregular. Essa questão das pessoas dizerem que está com o nome, com a honra manchada por estar prestando esclarecimentos, isso não é lógico e nem é argumentável, porque todas as pessoas que exercem qualquer função pública, elas têm obrigação de prestar esclarecimentos. Espero que vocês contribuam com a comissão, porque não vou aceitar ficar sendo aqui levado na conversa, na troca de palavras e na falta de informações. Apelo para o espírito público de vocês de fornecer as informações corretas, senão a comissão vai tomar providências, porque não podemos ficar aqui fazendo papel de pessoas que se enganam facilmente. Quero pedir a vocês que se comportem na forma como todo cidadão de bem tem que se comportar diante do compromisso que está fazendo perante as autoridades e perante as apurações. Senhor Ruy, o que tem a dizer com relação a esse assunto? O SR. RUY FRANKLIN - Senhor Deputado, tenho aqui cópia de cheque assinado pela Fernanda como presidente do Iges e depositado na conta da Senhora Clenir Sani Avanza, no valor de três mil e oitocentos reais, datado de 06 de novembro de 2008. Ela deixou de ser presidente - a Fernanda, no dia 29 de janeiro de 2008. Tenho outro cheque também de quatro mil reais em nome do Senhor Fabiano Lepre, endossado pela Senhora Clenir Avanza, no verso - está aqui a cópia do cheque - o Senhor pode verificar na quebra do sigilo bancário. Esse cheque é datado de 17 de novembro de 2008. 38 - Diário do Poder Legislativo Com relação à questão de documentos fiscais, o CNPJ não é cassado se você faz uma declaração de imposto de renda, porque ela pode ser retificada posteriormente. Então, na falta de informação para não permitir que o CNPJ seja cassado, o contador toma essa medida. Ata de posse. É claro que ata de posse está registrada em cartório. Então esse documento é público, isso aí não precisa nem da pessoa passar. Outro detalhe também, Senhor Deputado, a Senhora Clenir Avanza, depois desse episódio entrou na Justiça Trabalhista contra o Iges, reivindicando uma indenização de duzentos e quarenta mil reais. Ela se dizia funcionária do Iges e reivindicou essa indenização e perdeu em todas as instâncias. Ganhamos em primeira instância, e inclusive, na primeira instância ela foi condenada a pagar custas, coisa que é raríssimo na Justiça do Trabalho. Ganhamos em segunda instância, ganhamos em todas as instâncias. Trouxe aqui cópia da movimentação do acompanhamento do processo; dos dois processos trouxe cópias deles aqui. Depois dessa data só tive oportunidade de encontrar com a Senhora Clenir, em momentos como esse, em algum embate jurídico defendendo os interesses do Iges contra a atuação dela. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) -Vou precisar desses documentos, com a chegada da quebra de sigilo bancário, vamos encaminhar ao Ministério Público para tomar providências com relação ao que estamos verificando. No período em que a Senhora Clenir estava na direção do Iges, o Senhor atuava ou tinha alguma função, ou era conselheiro da entidade? O SR. RUY FRANKLIN - Sim. Faço parte, Deputado, de um grupo de pessoas que um dia acreditou na Clenir Avanza, e eu acreditei nela. Eu tinha uma participação societária numa faculdade em São Mateus. Em 2005 me desliguei dessa faculdade, e fiquei buscando alguma atividade. Encontrei no Iges. Tive a expectativa no Iges de ter e desenvolver um trabalho. Entrei na diretoria do ides, mas houve uma incompatibilidade muito grande de forma de trabalho, forma de filosofia realmente. E o Iges me devia. Isso também é comprovado. Tem um contrato de multa. Na época emprestei recurso para o Iges, e disse a ela: ou você me paga ou se desliga da diretoria do Iges. E ela se desligou da diretoria, tomando essas medidas, inclusive, da ação trabalhista. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Nesse período que ocorreu esses fatos, qual a outra atividade que o Senhor tem conhecimento que ela exercia? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. RUY FRANKLIN - A partir desse momento desliguei-me totalmente dela. Só entrei em contato com ela através desses dois processos. Não queria nem saber dela. Agora, tomei conhecimento através da imprensa, que ela estava no TER. Mas só através da imprensa. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhor Deputado Padre Honório, V. Ex.ª deseja fazer alguma pergunta? O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Sabemos que as entidades que fazem parte desse terceiro setor de vez em quando existem algumas entidades que acabam mesmo se prostituindo, recebendo alguns recursos de empresas ou de governo, enfim, o Iges recebeu algum dinheiro de alguma entidade, do governo, da Petrobras, enfim, tem recebido algum dinheiro desses segmentos? O SR. RUY FRANKLIN - Deputado, a legislação do terceiro setor fomenta esse tipo de atuação. O objetivo da instituição, da Oscip é exatamente buscar recurso para desenvolver um trabalho em parceria com o Estado; um trabalho com interesse público. Esse é o objetivo. Sinto que tive sucesso. Não conseguimos ter o sucesso que poderia dizer que seria reconhecido. Hoje temos uma parceria com o Governo do Estado do Espírito Santo através do Iases. Recebemos recursos e prestamos conta mensamente desses recursos. Fizemos parceria com prefeituras, com empresas privadas. O Tribunal de Justiça, por exemplo, fez a doação de um ônibus que seria sucateado; doou o ônibus para o Iges. Ele seria leiloado, na realidade. Doou esse ônibus para o Iges. Buscamos recursos para reformar esse ônibus, mas ainda não obtivemos sucesso. O máximo que conseguimos até hoje foi pneus novos para o ônibus. Esse ônibus mal está andando, porque não conseguimos recursos para dar manutenção nele. Então, esse objetivo da instituição, mas, infelizmente, não tivemos sucesso. Estive por inúmeras vezes na Petrobras tentando buscar recursos para o nosso programa Mamografia Express, infelizmente, também não tive sucesso. Esse é um programa, Deputado, que se tivéssemos tido sucesso nele realizaríamos algo em torno de onze mil mamografias por ano. Infelizmente, não tivemos sucesso. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - A administração recebeu algum recurso? O SR. RUY FRANKLIN - Não tenho como colaborar com o Senhor nessa informação, Deputado, infelizmente, porque não participava em nada dessa administração. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - O Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 pagamento era feito pelo Iges é feito unicamente pelo diretor ou tem de ter autorização de um conselho? O SR. RUY FRANKLIN - Depende do objeto. Mas observa-se o seguinte. É alçada do presidente as despesas de custeio e toda despesa que esteja dentro de um plano de trabalho. É da alçada do presidente. Quem assina cheques e ordena pagamento sou eu. E todo esse pagamento o Senhor vai constatar que tem a devida prestação de contas. Nossa conta no Itaú deve ter trezentos reais, uma mixaria, coisa pouca; o outro que é do Banestes, a gente presta conta todo mês e é muito fiscalizado pelo Iases. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Sabemos que as entidades passam muito aperto. O Senhor disse que alguns cheques foram assinados e foram colocados em contas da Senhora Clenir. Transferido pela Fernanda. Não é isso? O SR. RUY FRANKLIN - Exatamente. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - O Senhor acha que esse dinheiro foi desviado ou o Senhor acha que ele foi para fazer alguns pagamentos? Porque às vezes uma pessoa usa dinheiro próprio para fazer pagamento de entidade, embora seja ilegal. O Senhor acha que esse recurso foi um dinheiro utilizado para repor algumas dívidas do próprio instituto ou esse dinheiro foi utilizado para desvio? O SR. RUY FRANKLIN - Eu, infelizmente, também não posso colaborar com o Deputado, com a comissão, porque não tenho essa informação. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - O Senhor disse que o Senhor chegou perto da Senhora Clenir, e disse para ela que o Senhor tinha dinheiro no instituto. O Senhor colocou dinheiro seu lá? O SR. RUY FRANKLIN - Isso é fácil comprovar também. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - E que o Senhor chegou perto dela e disse: Ou você sai ou você deixa a diretoria ou me paga. Lá, a diretoria é eleita democraticamente ou o diretor se coloca como diretor ou ele se impõe como diretor? O SR. RUY FRANKLIN - Veja bem, Senhor Deputado, a administração de uma Oscip, de uma instituição do porte da nossa, que é muito pequena, é muito difícil. Às vezes você precisa ter seis pessoas na diretoria. Às vezes você não consegue nem essas pessoas para emprestar o nome, primeiro, em função de fatos como este que está acontecendo hoje. As pessoas têm preocupação de fazer parte de uma diretoria e estar depois sendo implicada numa CPI ou na Justiça ou em alguma coisa desse tipo. Então, quando a gente consegue essas pessoas, a Diário do Poder Legislativo - 39 gente dá graças a Deus. A instituição está aberta para quem quiser participar dela, mas a gente mal consegue compor o quadro diretivo da instituição. Então, existe a possibilidade democrática de participação, só que a gente não acha pessoas que estejam dispostas a participar dela. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Na realidade, também trabalho com várias instituições de participação popular. Mas o que me faz algumas interrogações é o fato de o Senhor ter colocado dinheiro e o Senhor ter pressionado a Senhora Clenir a sair se não pagasse. Então, aí me parece que não é questão da falta de voluntário. Existia o interesse da parte do Senhor de ser o presidente ou ser o gestor da Oscip. O SR. RUY FRANKLIN - Me perdoe, vou fazer uma correção, Deputado. Na realidade, emprestei o dinheiro. Eu vi que nossa administração era incompatível. Na época eu já era presidente e a Clenir não seguia nenhuma orientação; nenhuma orientação nossa. Então, disse a ela: Ou você me paga.... O Iges me devia. E ela assinou o contrato de multa antes disso. O Iges me devia, então, ou eu ia sair da instituição e ela me pagar. Então, não pressionei para que ela saísse. Dei a ela uma alternativa. Ou você me paga. Era justo ela me pagar. Eu emprestei o dinheiro para a instituição: Ou me paga ou você se desliga e sai. Porque vou prestar um trabalho, vou mobilizar a instituição para poder prestar um trabalho à sociedade. E foi o que fizemos, efetivamente. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Mas mesmo assim o Senhor acabou se impondo como presidente? O SR. RUY FRANKLIN - Eu me impus como presidente, Senhor Deputado. Digo ao Senhor que não tinha outra pessoa com disponibilidade de tempo para ser o presidente da instituição. Dentro daquele quadro que tínhamos, a única pessoa que tinha essa disponibilidade era eu. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Como era feita a questão da assembleia dessa instituição? Como que é feito o trabalho de participação popular dessa Oscip? O SR. RUY FRANKLIN - A assembleia geral ordinária é feita no primeiro trimestre de cada ano. E nossa assembleia está em dia, cumpre o estatuto no que se refere à divulgação. O Senhor há de convir o seguinte: Nós não temos recurso para divulgar no jornal uma convocação dessa assembleia, então a gente faz a convocação para os associados. Toda pessoa que quiser fazer parte do quadro de associados pode fazer parte. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - 40 - Diário do Poder Legislativo Bom-dia a todos. Senhor Ruy, o Iges costuma receber ou recolher recursos de pessoas físicas ou jurídicas para realização de eventos? O SR. RUY FRANKLIN - O Iges busca isso. Esse é o nosso objetivo. Buscar recursos para a realização de eventos como no caso da mamografia. Nós fizemos exames de mamografia buscando recursos da maçonaria, buscamos recursos de prefeituras e efetivamente prestamos o trabalho. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - O Senhor tem conhecimento de algum evento que ocorreu no Estado do Espirito Santo de 2008 para cá que teve participação do Iges na organização? O SR. RUY FRANKLIN - Não. Eu acredito que o Senhor esteja se referindo ao evento que o vice-presidente Michel Temer iria participar e foi cancelado. Eu tive o conhecimento pela mídia de que a Senhora Clenir foi organizadora, mas o Iges efetivamente não participou desse evento. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Como instituição não? O SR. RUY FRANKLIN - Não, porque nós nem chegamos perto um do outro e, efetivamente, o Iges não participou disso. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Nem fez captação ou pagamento? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - O Senhor vai poder fornecer esses documentos? O SR. RUY FRANKLIN - Claro. Eu tenho aqui. Ela fez um empréstimo, Senhor Deputado, junto ao Ceape, Centro de Apoio aos Pequenos Empreendimentos do Estado do Espírito Santo. A Senhora Clenir Avanza pegou empréstimo de cinco mil trezentos e oito reais e ela mesma pagou depois, mas estatutariamente está aqui a prova disso. Estatutariamente ela não podia assinar pelo Iges. Está aqui: Iges, Instituto de Gestão Social do Terceiro Setor, e a assinatura é dela. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - O Senhor fala que foi traumático quando ela se retirou. Poderia falar um pouquinho mais sobre isso? Por que usou o termo traumático? O SR. RUY FRANKLIN - Porque, Senhor Deputado, a Senhora Clenir Avanza hoje aqui ela está fantasiada de viúva abandonada. Ela é uma pessoa extremamente arrogante, desrespeitosa. Ela não é essa pessoa que o Senhor esta vendo aqui. Então, a Senhora Clenir Avanza gosta de ganhar as coisas no grito. Ela não tem paciência para poder discutir nenhum tipo de contra-argumentação. Ela é convincente. Ela é articulada. Eu tenho pena quando vejo alguém próximo dela e acreditando nela ainda. Então Deputado, tivemos muitas discussões em função de diferença na filosofia de trabalho. Muitas discussões. Isso que provocou, e digo que foi traumática a saída dela. O SR. RUY FRANKLIN - Negativo. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - De captação de recursos e pagamento de despesas? O SR. RUY FRANKLIN - Não. O Iges não fez isso. Eu sou representante do Iges e qualquer pessoa que fez isso, se eventualmente aconteceu, fez de maneira ilegal. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - Eu não prestei atenção. Desculpa-me. Qual era a função da Senhora Clenir Avanza antes de 2008 na instituição? O SR. RUY FRANKLIN - Ela sempre foi secretária. Sempre ocupou o cargo de secretária. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - Isso lhe dava direitos ou poderes legais para assinar cheque ou endossar cheque da instituição? O SR. RUY FRANKLIN - Estatutariamente não, inclusive, tenho aqui um empréstimo que a Senhora Clenir Avanza fez em nome do Iges onde ela assina pelo iges e sem poder estatutário para isso. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - O comportamento, a gente não quer entrar nesse mérito da análise pessoal, só os fatos, como o Deputado Enivaldo dos Anjos disse, o Presidente, relevantes para o nosso relator formal, o seu relato, e atender o melhor possível às expectativas da sociedade capixaba. É isso que a gente busca com relação à sonegação e aos trabalhos de organizações não governamentais e outros itens estabelecidos na CPI. Senhora Clenir, a Senhora confirma o empréstimo citado aqui pelo senhor Ruy Franklin? A SR.ª CLENIR AVANZA - Excelência, as contas do Iges foram aprovadas até 2008. Vim aqui para atender aos senhores e, de forma alguma, vou responder a esse outro Senhor aqui. O que tenho a lhe dizer é que o Ceape que está citado aí, que é uma instituição de microcrédito e que na época iniciou uma pequena, ele socorria as instituições, e, na época, como quando eu utilizava o Ceape, eu tinha uma procuração do presidente para poder fazer isso, porque eu conhecia o presidente do Ceape. Ele mesmo acabou de afirmar que esses Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 empréstimos eram pagos porque, na época, até a nossa permanência lá, que incluiu com a saída do irmão dele do Iges, que fazia parte do Iges e também saiu juntamente conosco, ele não permaneceu com ele, isso prova que eu sou uma pessoa complicada, que o próprio irmão veio juntamente conosco. Enfim, nessa época, a prestação de serviço do Iges era a finalidade dele, que era promover gestão, construir outras instituições. Era uma prestação de serviço sim, que tinha que pagar as pessoas que executavam esse trabalho. E nós fizemos vários trabalhos importantes. E todos os trabalhos que fizemos, tivemos o atestado e o reconhecimento de que o trabalho havia alcançado o objetivo. Esse grupo não parou de fazer esse trabalho, apesar de a gente ter perdido a intuição. E como ele mesmo declinou por uma questão financeira, não tínhamos como arcar mais com o custo da instituição, porque a gente já estava sacrificando a própria vida para poder manter a instituição. Naquele momento, a gente realmente devia a esse Senhor esse valor de que ele falou e a gente não tinha como pagar. Aí, deixamos a instituição com ele e saímos. Sei que vocês não estão aqui para ouvir nada pessoal de ninguém e que estão fazendo um trabalho sério. Acho que esse trabalho deve continuar, porque a sonegação de imposto tem que parar neste País, que não investe em educação, saúde, nada disso, mas quero dizer para os Senhores que ele só trocou o nome. Há duas coisas que nunca tive e nunca vou ter: medo e preço. É verdade, não tenho medo, nem preço. Então, nós saímos da instituição e, a partir daí, não tenho nada para falar. Aliás, não tenho nada para falar desse Senhor, não sei nem o sobrenome dele direito. As contas do Iges estão lá. Até 2008, vocês podem levantar. Lembro-me de que o último trabalho que prestamos foi à Prefeitura de Itapemirim e a prefeita da época era a Norma Ayub. Criamos lá cinco agências de desenvolvimento local, resolvemos a questão do pequeno agricultor, que não tinha nota fiscal e ela queria comprar dele os produtos, mas ficava impedida por isso. E nós resolvemos esse problema em Itapemirim com essas cinco agências. Infelizmente, já havíamos terminado a primeira fase, faltavam três meses para terminar e saímos do Iges, e o Iges, conforme ele mesmo disse, mudou a forma de ser. Diário do Poder Legislativo - 41 diretoria para poder manter a instituição o tempo todo. É muito difícil você manter uma instituição. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Essas aprovações são feitas com registro de atas? A SR.ª CLENIR AVANZA - São feitas com registros de atas. São feitas, por exemplo, se é um empréstimo bancário, a 9.790 diz que tem que ter a anuência de todos os membros, porque você responde solidariamente por aquela dívida, principalmente, se for uma dívida bancária. Então, precisa da anuência de todos os membros. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - A Senhora poderia precisar qual foi esse período que utilizou os dados cadastrais do Iges para contrair empréstimos pessoais? A SR.ª CLENIR AVANZA - Não, pessoais nunca. Pessoais não, para mim não, sempre para a instituição. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Mas foi em nome da Senhora ou não? A SR.ª CLENIR AVANZA - Não, algumas vezes eu mesma emprestei dinheiro para a instituição. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - Aí, tudo bem, mas a pergunta é: a Senhora contraiu empréstimos com particulares ou na rede bancária usando os dados cadastrais do Iges em conta pessoal da Senhora? A SR.ª CLENIR AVANZA - Não, em conta pessoal, como assim? Peguei dinheiro e coloquei na... O SR GUERINO ZANON - (PMDB) - Para empréstimo pessoal. A SR.ª CLENIR AVANZA - Não, de forma alguma. Houve uma época em que o Iges ficou sem conta bancária, porque teve cheques que foram devolvidos e começamos a usar a própria conta. Depois regularizamos isso e ele continuou. Mas nenhum empréstimo do Iges ultrapassou esse valor de cinco mil reais na época e, geralmente, era para pagar pessoal, os funcionários que o Iges tinha e que eram sempre bem poucos. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - O trabalho relevante para a sociedade de algumas instituições, nós reconhecemos. A minha pergunta, então, vai direta: a Senhora fez algum empréstimo enquanto esteve na instituição usando os dados cadastrais do Iges em nome pessoal? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhora Clenir, o Senhor Deputado Theodorico Ferraço, que depôs nesta comissão, fez duas referências aqui: uma com relação ao nome da Senhora, e outra com relação ao nome do Senhor Carlos Franco. A declaração feita com relação ao nome da Senhora diz: A SR.ª CLENIR AVANZA - Eu fiz algum não, eu fiz vários empréstimos aprovados pela Para concluir, gostaria que fosse sugerida a abertura das contas da 42 - Diário do Poder Legislativo senhora Clenir Avanza que era secretária do Feu Rosa e responsável por recolher dinheiros de empresários ou por dentro ou por fora, porque só aí vamos chegar inclusive a quantias altas que eram providas de empresários, inclusive, do ramo de petróleo antes da Operação Derrama. O que a Senhora tem a dizer sobre essa afirmação do Senhor Deputado Theodorico Ferraço? A SR.ª CLENIR AVANZA - Deputado, eu me disponho a dar aos Senhores uma procuração para que vocês levantem todas as minhas contas. Vocês podem levantar todas as minhas contas, inclusive, durante o período em que estive no TRE, vocês verificarão a movimentação que há lá. Isso não é verdade. Nunca houve doação de recursos nenhum, de empresário nenhum, direcionado a nenhum projeto que o desembargador Pedro tenha feito. Nunca. No período que estive lá, de forma alguma. E ele nunca me pediu que assim procedesse. De forma alguma, nem nenhum outro tipo de doação. Todos os programas foram feitos contando com a boa-vontade dos parceiros e eles participavam dessa forma, e foi um programa belíssimo. Esse evento que houve que o Michel Temer veio, a ONG que tomou conta de todo pagamento do contrato foi a Espírito Santo em Ação, e nós não tivemos nenhuma participação nisso; nenhuma, nem sabemos quem deu, quanto pagou, como foi o contrato, nada disso. Agora volto a reafirmar: nunca houve nada na conduta do desembargador Pedro nesse sentido, nunca houve. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhor Carlos, existe também aqui um comentário feito pelo Deputado Ferraço. Observamos aqui que o Senhor teria dito por Vitória que o desembargador Feu Rosa te deu prejuízo. Como é essa história? Que história é essa que foi declarada pelo Deputado Ferraço? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Na realidade esse é um fato que ocorreu há vinte e um anos. Eu nunca disse o desembargador me deu prejuízo. Eu era gerente da Mercedes-Benz, vendi um automóvel para o desembargador, que tinha acabado de ser nomeado e houve uma divergência nos valores quando foram entregues ao caixa, mas não posso saber em que momento da transação faltou dinheiro. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Como assim? Como isso surge, uma conversa dessa de que o Senhor teria reclamado prejuízo, tentando denegrir, neste caso, a imagem do Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 desembargador? O que aconteceu que o Senhor se envolveu nesse tipo de conversa? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Eu que digo. Isso foi há muito tempo e na realidade a concessionária funcionava em Carapina e recebi o dinheiro em um envelope e o conduzi para o caixa, que era em Campo Grande. Isso foi à noite, o dinheiro dormiu no meu carro e, no dia seguinte, foi entregue ao tesoureiro da empresa sem que eu tivesse aberto. Fui informado que faltava parte do dinheiro, comparado com o recibo que eu havia dado. Assumi o prejuízo, paguei, mas nunca posso dizer quem foi, onde isso aconteceu, quem me deu prejuízo. Uma incompetência minha gerou prejuízo que eu mesmo arquei, mas não posso acusar ninguém por isso. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Daí não estou entendendo por que essa assunto se tornou público se o senhor não cumpriu a sua obrigação de conferir, quer dizer, que história é essa, por que o senhor tornou isso público, então? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Não sei se exatamente eu teria tornado público. Muitas pessoas acompanharam esse caminho do dinheiro, na época foi muito dolorido, muito triste. Quase perdi o emprego. Deveria ter até perdido e por conta disso muita gente sabia da história sem que eu tivesse tornado público até pela vergonha de não ter contado o dinheiro. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Mas em que resultou isso? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Eu paguei. Ressarci a empresa do valor que estava faltando e pronto. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O senhor considera isso como um fato acontecido que dá motivo para o senhor desconfiar do cliente ou por que isso surgiu, então? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Estou explicando para o senhor, provavelmente por esse motivo, muita gente participou desse acompanhamento. Tive que fazer um memorando para a empresa, explicando e assumindo o compromisso de ressarcir o que eu fui o portador do recurso e por conta disso provavelmente este assunto ficou público. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então o senhor complementou a parte que ficou faltando? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Sim, senhor. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Houve mais algum problema com relação a isso? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Não, nunca mais. Trabalhei, fiquei trabalhando lá, isso foi em 1994. Trabalhei na Vitória Diesel até 2000, quando fui para o Rio de Janeiro trabalhar na Mercedes-Benz do Rio. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O Senhor foi chamado alguma vez para falar sobre esse assunto ou é a primeira vez? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Publicamente assim em uma comissão? Absolutamente é a primeira vez. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Tem algum comparecimento do Senhor na Justiça com relação a isso? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Nunca. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O Senhor sabe que isso é um assunto grave, porque o Doutor Feu Rosa é uma autoridade, um desembargador e acho que esse tipo de comentário acaba prejudicando a pessoa sem comprovação, porque se o Senhor não contou, não pode alegar nenhuma razão de que teria sido da parte dele. A obrigação de quem recebe dinheiro é contar. O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Exatamente por isso estou dizendo ao Senhor: Eu não posso comprovar absolutamente nada. Eu assumi a culpa, a culpa foi exatamente minha, arquei com a minha irresponsabilidade, a minha falta de cuidado, e o assunto eu o dei por encerrado. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - O Senhor chegou a falar isso para ele alguma vez? Não, não é? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Nunca. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Ele nunca foi abordado sobre isso? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Por mim, nunca. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Aí fica meio sem explicação, não é? A gente fica sujeito a esse tipo de coisa. O Senhor tem alguma coisa, Senhor Ruy, para falar? Gostaria de esclarecer? O SR. RUY FRANKLIN - Eu gostaria, sim, Diário do Poder Legislativo - 43 Deputado. O Iges, além desses trabalhos, nós temos também uma parceria com o Tribunal de Justiça, com a Vepema, para cumprimento de penas alternativas. Então um empresário que às vezes comete um delito, uma das instituições em que a pessoa vai cumprir pena alternativa é o Iges. Os valores que a gente trabalha com eles são valores muito pequenos. Muito pequenos. Vocês vão ter a oportunidade de constatar nessa quebra de sigilo, principalmente a partir da minha posse como presidente do Iges. Deputado, enquanto nós estivermos sentados nesta cadeira, permita-me uma observação: eu julgo que o trabalho da comissão, sem querer fazer nenhuma crítica, o volume de recursos que o Iges movimenta é tão pequeno, tão pequeno, que eu entendo que a comissão não está no caminho correto. Se o Iges está sentado aqui, a comissão não está no caminho correto. É uma observação que eu gostaria de fazer. Não é crítica alguma. Estou dando à comissão a minha colaboração. Fica aberta, à disposição de vocês, mas não é; o caminho não é por aqui. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Nós vamos aceitar a análise do Senhor, mas não vamos discuti-la, porque em apuração os caminhos que são usados nem sempre são os conhecidos. Em apuração, às vezes os caminhos são diferentes para que se possa chegar aonde se deseja, até porque a gente não conta sempre com a cidadania, com a boa-vontade das pessoas para falarem realmente a verdade daquilo, embora todos aqueles que sentam aqui juram falar a verdade de acordo, e todo mundo recebe e assina um termo de qualificação onde está escrito o seguinte: O depoente compromete-se, nos termos do art. 203 do Código de Processo Penal, sob as penas da lei, a dizer a verdade, no que souber e que lhe for perguntado, não sendo obrigado a depor contra si próprio, nos termos do art. 5.º inciso LXIII da Constituição Federal. Então nós, ao colhermos aqui o depoimento das pessoas sob juramento de falar a verdade, somente a verdade, no final nós vamos fazer o confronto e vamos até, se for necessário, propor ação penal contra as pessoas que aqui comparecem, porque nós também temos o feeling de saber se a pessoa está falando mentira ou está falando a verdade. Então eu espero que o senhor entenda que todo ato de comparecimento para colaboração em um processo, em um procedimento de inquérito, ele tem necessidade. Em função da finalidade a que você quer chegar, às vezes você precisa passar por caminhos, e acho que o Senhor deve ter entendido hoje aqui que esses depoimentos são necessários, porque já houve depoimentos aqui em que disseram que essa ONG era usada para pedir dinheiro às 44 - Diário do Poder Legislativo empresas que estavam sonegando no Espírito Santo. Em função de estarem sonegando, foram protegidas pela Justiça para não serem cobradas, e daí gerou alguns benefícios que ela concedeu. A gente agradece a presença do Senhor aqui. Eu quero dizer em meu nome, e acredito que em nome dos outros deputados, que depois, se o Senhor pudesse encaminhar esse programa relacionado a esse serviço da ONG com relação ao câncer de mama, que nós vamos fincar bandeira aqui na Assembleia. O Senhor pode, comigo especialmente, contar, porque o Estado gasta muito dinheiro à toa, muito dinheiro que não tem necessidade, inclusive com propaganda, deixando de apoiar um serviço que a comunidade carente ressente-se muito dele, que é a condição de fazer esse exame. Então o Senhor pode mandar, porque vamos trabalhar aqui e fazer esse caminhão voltar a funcionar com toda força, porque é um serviço que atende à população carente, principalmente atende às mulheres no Espírito Santo que ficam sofrendo câncer de mama sem ter acesso a um tipo de exame qualquer. Então, o Senhor pode nos encaminhar, fazer contato que vamos defender essa ONG aqui, até porque nós, nesta comissão, temos nas mãos do relator, um relatório de sonegadores do Espírito Santo que chega a nove bilhões de reais. Então, tem muita empresa aí que se diz importante, está na Bolsa de Valores e que quer preservar o nome, mas está cheia de contas para pagar, tipo a Samarco, por exemplo, que deve mais de sessenta milhões de ICMS ao Estado, e fica usando a fama de ser uma empresa internacional, uma empresa de qualidade, beneficiando-se do BNDES, de vários tipos de ações, inclusive na Bolsa, para valorizar suas ações, quando na verdade não contribui com a sociedade, além de ter esse problema de meio ambiente e várias coisas. Então vamos fazer essa defesa aqui. Agradecer também ao Senhor Carlos pela presteza de comparecer aqui, muito obrigado; agradecer à Clenir Avanza pelo comparecimento pela segunda vez; espero que você entenda até porque você é militante política, militante intelectual sabe que as atividades que vocês exercem, mesmo estando contribuindo no seu caso, no caso do Ruy, vocês prestam serviço público e devem receber homenagem por isso. Mas, infelizmente, quando surge algum problema, a gente tem que fazer as devidas apurações e é evidente que não é com intenção de menosprezar ninguém; é questão de apurar, até porque as comissões têm essa finalidade. Aqui é uma Casa legislativa e quando as denúncias chegam, a gente não pode botar debaixo do tapete. Esse é o defeito do Brasil, botar muitas coisas debaixo do tapete. Então a gente faz essas apurações não é com intenção de menosprezar ninguém, pelo contrário, se vocês não representassem nada, nunca iam ser chamados para prestar esclarecimento. Porque a gente só procura dar valor às pessoas que têm o valor Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 reconhecido pela sociedade. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Ruy, o Senhor denunciou a Senhora Clenir pelos atos, prova, errôneos, que o Senhor considera que ela cometeu? O SR. RUY FRANKLIN - Ajuizamos ação num momento, no passado em relação à questão dos documentos. E fomos descobrir algumas coisas, por exemplo, essa questão do empréstimo. O Iges pagou, ou seja, o empréstimo foi feito em nome dela, em nome do Iges e ela pagou. E não fizemos mais nada em relação a isso, mas tenho as provas aqui. Não fizemos porque esse prejuízo foi assumido, o Iges assumiu, eu paguei por esse prejuízo. Então, Deputado, no momento em que estávamos buscando manter a instituição viva, tivemos esse prejuízo. Atuei junto ao Banestes e o Banestes ressarciu e então não fizemos, porque o Iges foi ressarcido do prejuízo. Por isso não atuamos. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - O Senhor teve o espaço da CPI para falar isso, então ela é importante, sim. Pode ter certeza. E ela tem espaço para se defender. O SR. RUY FRANKLIN - Perdoa-me, Deputado. Eu não disse que a CPI não é importante, muito pelo contrário. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - Eu não quero fazer parte daqueles quarenta e sete por cento que foram entrevistados há uns anos, e falaram nas pesquisas o seguinte: para mim não importa se o politico rouba, desde que faça. Não quero fazer parte desses quarenta e sete por cento, e espero que o Senhor também não. Senhor Carlos, qual a empresa que o Senhor trabalhava? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Na época na Vitória Diesel e depois se transformou em Vitória Motors, que é a concessionária Mercedes-Benz de automóveis no Estado. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - As divergências no pagamento foi feito em função da compra de qual bem? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - A gente vendia automóvel MercedesBenz. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Mas o cliente comprou qual bem? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Um automóvel Mercedes-Benz. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - Um Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 automóvel Mercedes-Benz. O envelope que o Senhor recebeu do cliente estava lacrado? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Lacrado, não. Estava grampeado. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - E quando o Senhor entregou ao tesoureiro, estava nas mesmas condições? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Rigorosamente nas mesmas condições. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) - O pagamento foi feito em qual moeda? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Dólares norte-americanos. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Quem foi o cliente do Senhor nessa operação? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - O Desembargador Pedro Feu Rosa. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Obrigado. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Tem mais alguma coisa a esclarecer? O SR. CARLOS FRANCO BRACCHI BASTOS - Não. Só agradecer aos senhores a fidalguia com que fui tratado. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Senhora Clenir Avanza, tem mais alguma coisa que gostaria de esclarecer? A SR.ª CLENIR AVANZA - Tem sim. Estou à disposição e minhas contas estão à disposição para que vocês possam verificar todas elas. Quero afirmar que a diretoria do Iges toda, que inclui o irmão desse Senhor, sempre foi uma diretoria muito digna. Nunca fui a presidente do Iges, mas ele tem um passado que vale a pena. Dizer aos Senhores que esta Casa fez algo muito nobre, criou uma Frente Parlamentar do Terceiro Setor, que foi inaugurada aqui e cuidará das instituições. Então, acho que vocês poderiam também fazer um acompanhamento de todas essas ONGs, porque elas precisam desse acompanhamento. Quando faltam políticas públicas no Estado, quem supre essas políticas públicas são essas instituições. E elas possuem uma dificuldade muito grande de sobrevivência. Não me sinto constrangida de estar aqui, até porque sou advogada e nós advogados entendemos que dar esclarecimento é obrigação e todo cidadão Diário do Poder Legislativo - 45 pode ser demandado. Agora, minha preocupação é a repercussão de que isso se transforme em mais uma CPI de ONGs como tivemos duas no Congresso Nacional, que pegaram quatorze ONGs e criaram depois, como reflexo daquela CPI, a Lei n.º 1319, que diz que agora, para haver um contrato, um dos diretores da ONG terá que responder com seu patrimônio, isto é, terá que ser um aval solidário. Quem vai querer fazer parte de uma ONG desse jeito? Então, essas são as consequências de alguns atos. Volto a afirmar que é lamentável que o nome do Desembargador Pedro tenha sido sugerido através de uma ONG e que essa ONG jamais participou enquanto estive lá. O termo de parceria do Iges com o Tribunal eu já havia saído, então não tenho absolutamente nada. Gostaria de que os Senhores ficassem à vontade para quebrar o sigilo das minhas contas, pois nada tenho a esconder. Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Agradecemos ao nosso presidente Ruy Franklin, à Clenir Avanza e ao Senhor Carlos. Se quiserem, estão liberados, pois passaremos a deliberar sobre os novos depoimentos desta comissão parlamentar de inquérito. Muito obrigado e um bom dia para vocês. Senhor Deputado Cacau Lorenzoni, tem sugestão de nomes para depoimento? O SR. CACAU LORENZONI - (PP) Gostaria de agora entrar no ramo do transporte de combustível, distribuição de combustível no Estado do Espírito Santo. Gostaria de convidar os diretores de três empresas que citarei agora: Santa Cruz Comercial de Combustível LTDA, Pinheiro Paes Transporte e Revenda de Combustível LTDA e Jomap Distribuidora de Petróleo LTDA. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Queria sugerir ouvir essas três empresas no dia 11. Senhor Deputado Guerino, tem alguma objeção? O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Não. Aprovado. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então, aprovado. Solicito ao Miguel e à assessoria que vejam os nomes, no dia 11, este depoimento. E o depoimento que gostaríamos de fazer dia 4 seria do diretor financeiro da Samarco, Senhor Eduardo Bahia Martins Costa. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Aprovado, Senhor Presidente. O SR. CACAU LORENZONI - (PP) - 46 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Aprovado. Está encerrada a reunião. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Fica então marcado para o dia 04 de agosto, o diretor financeiro Eduardo Bahia Martins Costa, da Samarco. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Senhor Presidente, se for possível gostaria de sugerir. O Senhor tem outro nome para o dia 04? O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Não, só esse. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Obrigado. Se for possível volta a ouvir os doutores, o Leandro Eloy de Sousa e Pedro Fonseca dos Santos Neto, da Petrobras, também nesse mesmo dia, acho que é possível. Fazendo um esforço, ouvirmos os três. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então fica agendado esses dois da Petrobras, também para o dia 04 de agosto. Sugiro à comissão que pudéssemos fazer a mudança de horário de funcionamento da CPI, a partir do próximo de dia 04; de 09h para 11h, aqui no plenário. Como votam os Senhores Deputados? O SR. CACAU LORENZONI - (PP) Concordo, Senhor Presidente. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Concordo. O SR. PRESIDENTE - (ENIVALDO DOS ANJOS - PSD) - Então fica alterado o horário de 09h para 11h, e já com a agenda marcada para o dia 04 e para o dia 11 de agosto. Agradeço à Vera Lúcia de Matos, que é do Instituto Beneficente de Coração Solidário, o comparecimento; ao Weliton Porfírio de Paula, nosso muito obrigado pela presença; ao Rodrigo Rodrigues, obrigado pela presença; à Rosimere Flitz; ao Lincoln Cesar Flitz, e ao tenente-coronel Carlos Ney de Souza Pimenta, e todos aqueles que estão aqui representando algumas autoridades em nossa comissão. Agradecemos a todos a presença. Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a presente reunião. Antes, porém, convoco os Senhores Deputados para a próxima, ordinária, para a qual designo EXPEDIENTE: O que ocorrer. Encerra-se a reunião às 10h22min. ________________________________ COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO DO TRANSCOL. OITAVA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA, DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA, DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 14 DE JULHO DE 2015. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta Comissão. Convido a Senhora Secretária a proceder à leitura da ata da nona reunião ordinária, realizada em 07 de julho de 2015. (Pausa) (A Senhora Secretária procede à leitura da ata) O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Em discussão a ata. (Pausa) O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Senhor Presidente, pela ordem! Peço a palavra para discuti-la. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Concedo a palavra ao Senhor Deputado Euclério Sampaio. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Senhor Presidente e senhores membros da CPI do Transcol, ficou faltando a letra e. Quando fiz o requerimento, foi para quebrar o sigilo dos sócios e da empresa, aí faltou a letra e: Sócios e das empresas. Essa é a retificação, porque pode dificultar os procuradores a redigirem o termo, mas é das empresas e dos sócios, do ex-presidente da Ceturb, do ex-presidente da comissão e do ex-secretário Fábio Damasceno. É só a palavra e, porque são dos sócios e das empresas. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Solicito à secretaria que faça a retificação, conforme requerimento do Senhor Deputado Euclério Sampaio. Continua em discussão a ata. (Pausa) Não havendo mais quem queira discuti-la, declaro encerrada a discussão. Em votação. (Pausa) Como votam os Senhores Deputados? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Voto com a retificação. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) Acompanho. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Voto com a retificação. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Acompanho os demais deputados. Aprovada a ata como lida, com a retificação. Solicito à senhora secretária que proceda à leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: EXPEDIENTE: CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS: Diário do Poder Legislativo - 47 favorável. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Como o requerimento é do Senhor Deputado Euclério, acompanho os deputados. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) - O último requerimento, Senhor Presidente, é solicitar ao Governo do Estado que forneça o número dos telefones institucionais do presidente da comissão, o João Victor; do Leo Carlos Cruz, da Ceturb; e do secretário Fábio Damasceno. A CPI pode conseguir por intermédio do CPF os particulares, mas os institucionais o Governo tem que nos fornecer. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Vamos votar o requerimento do Senhor Deputado Euclério Sampaio? Como votam os Senhores Deputados? Ofício n.º 097/2015, do Excelentíssimo Senhor Deputado Almir Vieira, solicitando cópias das atas com os depoimentos de todos os convocados por esta CPI até a presente data. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Acompanho. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Junte-se aos autos. Continua a leitura do Expediente. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Acompanho os demais. Aprovado. Gostaria de convidar o Leo Carlos Cruz para que sentasse à frente, por gentileza. Senhor Leo Carlos Cruz, boa tarde. Esta CPI teve a necessidade de convocá-lo novamente para que pudéssemos esclarecer algumas dúvidas ainda a respeito da CPI do Transcol. Então, nós, mais uma vez, estamos dizendo não somente para os deputados presentes nesta CPI, mas para todos que estão no auditório e aqueles também que nos assistem através da TV Ales, para que V. S.ª responda somente a verdade para que possamos colaborar com o trabalho do relator. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Euclério Sampaio. A SR.ª SECRETÁRIA lê: COMUNICAÇÕES: Objetivo da comissão: Apurar denúncias de irregularidades na licitação do Sistema Transcol, na Câmara de Compensação e no direcionamento/beneficiamento das empresas vencedoras, conforme fartamente divulgadas pela imprensa e em pronunciamentos nesta Assembleia Legislativa. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Senhor Presidente, pela ordem! Dois assuntos, bem rapidamente, antes de começar a oitiva. Na questão da quebra do sigilo, não limitamos o período. Gostaria de limitar de 1.º de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2014. Só esse período. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Vamos colocar o período requerido por V. Ex.ª em votação. Em votação. (Pausa) Como votam os Senhores Deputados? O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Com o Senhor Deputado Euclério Sampaio. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Voto O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Voto favorável. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Boa tarde, Senhor Presidente Edson Magalhães, Senhor Deputado Almir Vieira, Senhor Deputado Guerino Zanon, a todos os presentes e procuradores. Boa tarde, senhor Leo. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Boa tarde, deputado. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Qual é o papel da GVBus na Câmara de Compensação? O SR. LEO CARLOS CRUZ - O papel da GVBus é secretariar a Câmara de Compensação e 48 - Diário do Poder Legislativo fazer o procedimento administrativo mais burocrático de convocar reunião, fazer o trabalho administrativo. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Só isso? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Só. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Ela presidia? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Pelo regimento dos transportes, quem preside a Câmara de Compensação e faz o trabalho de secretaria é a GVBus, é o sindicato. Então, ela faz a organização administrativa da Câmara. Marca a reunião, secretaria a reunião e somente isso. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Quem faz de fato a contagem de quantos passageiros passaram sem pagar, passe-livre, essas coisas? O SR. LEO CARLOS CRUZ - O Sistema Transcol tem o sistema de bilhetagem eletrônica que faz o controle dos passageiros que são transportados por tipo de passageiro: idosos, estudantes, passageiro pagante normal. Então, o sistema de bilhetagem é que, através da identificação do cartão que é validado pelo validador, identifica o tipo de usuário e faz esse controle. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Mas isso eu sei, mas quem faz essa contagem, esse controle? É alguém da GVBus ou da Logit? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Logit não tem nenhuma participação. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Quem transmite? A GVBus, então? O SR. LEO CARLOS CRUZ - O sistema que foi implantado pelas empresas é da empresa 1, que é a operadora que implanta, que é dona dos validadores, dona, não, que implantou os validadores, que dá a manutenção aos validadores, foi comprado na empresa 1. Esse sistema, quando o veículo chega à garagem, essas informações são coletadas na garagem e transmitidas para os servidores do GVBus, que retransmitem essas informações para a Ceturb. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Perfeito. Esse sistema foi implantado quando na Câmara de Compensação? Após a... O SR. LEO CARLOS CRUZ - Não. A Câmara de Compensação foi implantada, se não me engano, em 1989. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Isso aí eu sei, mas esse sistema? O SR. LEO CARLOS CRUZ - A bilhetagem eletrônica foi implantada no sistema Transcol acho que em 2003. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Mas o senhor está fugindo. Vou mudar a pergunta. O senhor assumiu quando a Ceturb? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Desculpa, não entendi a pergunta. O sistema de bilhetagem é automatizado. À medida que passa o cartão... O SR. LEO CARLOS CRUZ - A Ceturb eu assumi em maio de 2012. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Quem é o responsável? O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Depois que o senhor assumiu, houve alguma mudança nesse gerenciamento? O SR. LEO CARLOS CRUZ - O validador é operado pelas empresas. É responsabilidade das empresas implantar o validador, instalá-lo e tirar a coleta das informações do validador para o sistema de processamento. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Então quem passa as informações são as empresas? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Sim, porque os validadores são colocados nos ônibus das empresas, então quem retira as informações do validador, quando o ônibus chega à garagem, essas informações são coletadas e são transmitidas, via sistema para ... O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Mas quem transmite isso é a Logit? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Não. A O SR. LEO CARLOS CRUZ - Nenhuma. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Nenhuma? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Nenhuma. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Está bem. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Esse sistema de Câmara de Compensação funciona do mesmo jeito que é hoje, desde que a Câmara de Compensação foi implantada em 1989 e a bilhetagem eletrônica, se não me falha a memória, em 2003. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Por enquanto, me dou por satisfeito, Senhor Presidente. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. PRESIDENTE - (O SR. EDSON MAGALHÃES - DEM) - Senhor Deputado Almir Vieira. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Boa tarde a todos. Quero cumprimentar o Presidente desta comissão, Senhor Deputado Edson Magalhães; o Senhor Deputado Euclério Sampaio; o Senhor Deputado Guerino Zanon; procuradores presentes; servidores desta Casa, assistentes da TV Ales e o senhor Leo Carlos Cruz. A primeira pergunta que gostaria de fazer está direcionada à Câmara de Compensação. Senhor Leo, quem tem realmente a responsabilidade para operar a Câmara de Compensação? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Quem processa as informações da Câmara de Compensação, desde o seu princípio, é a Ceturb. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Quem tem a responsabilidade de operar essa Câmara é a Ceturb ou o GVBus? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Acho que tem que fazer uma diferença. Uma coisa é você operar a Câmara. O termo que usamos não é esse. Usamos o termo de fazer a gestão e fazer o processamento da Câmara. A operação poderia ser resumida, por exemplo, a simples trabalho administrativo, que é convocar a reunião, secretariar a reunião. Isso seria operar a Câmara. Agora o processamento das informações, a gestão da Câmara, quem informa os valores que cada empresa tem que repassar para fazer a compensação do sistema, sempre, desde o princípio, foi a Ceturb-GV, desde sua origem. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Foi a? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Ceturb. Desde a sua origem. Desde a primeira reunião da Câmara de Compensação, todos os valores processados e informados e definidos na operação da Câmara de Compensação, foi a Ceturb-GV. Diário do Poder Legislativo - 49 opinião. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Mas, então, quem de fato estava operando a Câmara? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Vou repetir, desde o princípio da Câmara de compensação, quem faz a gestão da Câmara de Compensação, faz o processamento, informa os valores, sempre foi a Ceturb-GV. Sempre, em momento nenhum, essa atividade foi delegada a outra entidade. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - A Ceturb sofreu, o senhor tem conhecimento, ou sofre alguma interferência das empresas dos consórcios? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Interferência em que sentido, deputado? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Qualquer tipo de interferência na administração? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Que eu saiba, não. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O senhor sabe quais as multas mais comuns que eram aplicadas pela Ceturb às empresas? O senhor tem esse conhecimento? O SR. LEO CARLOS CRUZ - São multas de diversas ordens. A mais comum, acredito que seja a supressão de viagem, descumprimento de horário, atraso de viagem. Normalmente representa o maior volume de notificações que a Ceturb-GV, através da sua fiscalização, emite. Acredito que seja isso. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O procedimento da Ceturb em relação às empresas que, por exemplo, não pagam as multas ou é comum a Cetub emitir o auto de infração e as empresas pagarem de imediato? Quais as medidas adotadas pela Ceturb? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Por desconhecer o processo? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Toda notificação tem um prazo de recurso, quer seja administrativo, quer seja legal, jurídico. E a Ceturb todas as vezes que emite o regulamento do transporte, define os prazos de recursos. As empresas normalmente têm quitado seus débitos com relação às multas. Já houve algum período, no início da Ceturb, onde esse procedimento era menos comum, mas de determinado tempo para cá as empresas têm quitado seus débitos com a Ceturb normalmente. Não tenho informação de que tenham empresas que estejam devendo absurdamente valores que foram notificados ou foram multados e que não foram devidamente cobrados. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Por desconhecer como funciona o processo. Na minha O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - A Ceturb tem uma planilha com os valores mensais das multas O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O senhor sabe explicar por que no Ministério Público de Contas solicitou que a Ceturb retomasse imediatamente a operação da Câmara de Compensação Tarifária? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Sinceridade, na minha opinião, por desconhecer como funciona o processo. 50 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 aplicadas, os pagamentos que foram efetuados, um recurso que foi suspenso o pagamento ou alguma coisa, tem isso? MAGALHÃES - DEM) - É. O Senhor tem ideia disso? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Não. O SR. LEO CARLOS CRUZ - A Ceturb, através de sua gestão financeira, tem que ter o controle de todas as notificações emitidas. Aquelas que foram canceladas, aquelas que viraram auto de infração, aquelas que foram devidamente recolhidas aos cofres da Ceturb. Ela tem esse controle sim. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Perfeito. Senhor Presidente, por enquanto me dou por satisfeito com as perguntas. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Obrigado, Senhor Deputado Almir Vieira. Senhor Leo Castro, tivemos aqui depoimentos de quatro empresários do setor. Foram unânimes em dizer. Eles negam que eles têm poder sobre a Câmara de Compensação. O que o senhor tem a me dizer sobre essa argumentação deles? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Tem que se entender o que significa poder sobre a Câmara de Compensação. Pela norma, o poder que o GV-Bus teria, seria esse que falei no início. Fazer a gestão administrativa, ou seja, secretariar, convocar reunião da Câmara de Compensação. Esse é o poder que consta normatizado para o GV-Bus. Os valores que são informados, que são processados e definidos para que haja compensação na Câmara de Compensação jamais saíram do poder da Ceturb. Jamais. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Mas como jamais saiu do poder da Ceturb se temos aqui exatamente, por ocasião que V. S.ª atuava como diretor presidente, Vitória, 22 de agosto de 2014. Hora nenhuma faz aqui menção a qualquer pessoa, qualquer servidor da Ceturb nesta constituição da Câmara de Compensação. É extremamente ocupada, cem por cento, pelos empresários e aqui se discute tarifa sim. Onde a Ceturb não participa? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Deputado, acho que talvez o senhor não tenha conhecimento de todo o processo. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - O senhor tem conhecimento então que, durante a gestão do senhor, o senhor fez um requerimento, através de uma resolução, à Setop, por exemplo, que toda a confecção do edital fosse terceirizada? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Eu fiz requerimento? O SR. PRESIDENTE - (EDSON O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - O senhor tem o documento que o senhor pede para que... O SR. LEO CARLOS CRUZ - Eu gostaria até de ver esse documento porque não tenho conhecimento disso. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Só quero saber se é sim ou não. Se é verdadeiro. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Eu não pedi, enquanto presidente da Ceturb, que fosse terceirizada licitação ou coisa parecida. Isso, aliás, foi um processo... O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) Não é terceirizar licitação. O edital confeccionado. O edital. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Não. Desculpe-me, mas gostaria de ver. Não tenho conhecimento desse requerimento. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Não tem conhecimento. Então, tá, porque esse edital poderia ser muito bem confeccionado pelos técnicos da Ceturb. E, no entanto, saiu da Ceturb para a Logit. Foi a Logit que confeccionou o edital. Ou não foi a Logit? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Acho que tem um equívoco de entendimento no processo. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Não. Foi a Logit ou não, por favor? O SR. LEO CARLOS CRUZ - A Logit foi uma empresa contratada pela Secretaria de Transportes, para dar consultoria na confecção da minuta do edital. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Sim. O que é minuta de edital? A minuta ... O edital faz parte do contrato. O SR. LEO CARLOS CRUZ - A minuta do edital, como era uma atribuição da Secretaria de Transportes e não da Ceturb, entendo que seja aquele relatório que vai coalizar a Secretaria de Transportes a construir o edital final que, provavelmente foi aprovado pela Procuradoria-Geral do Estado, porque a Setop assim tem que proceder. Está certo? Então, a Logit foi a empresa contratada para produzir uma Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 minuta como consultoria prestada à Secretaria de Transportes. Simples. Esse é o conhecimento que tenho. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - É. O senhor fala que a Câmara de Compensação existe desde 1989. Ok? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Se não me engano, sim. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Está. Se não me engano, sim. É estranho, porque exatamente depois dessa licitação, que o senhor assina dia 22 de agosto, exatamente como diretor presidente esse Anexo I o regimento do Comitê de Compensação, em que os empresários estão tomando conta de tudo. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Senhor Deputado, gostaria de ver esse documento, porque em momento nenhum ... O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - O documento está aqui. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Sei. Em momento nenhum a Ceturb, enquanto eu, presidente, delegamos o processamento, a gestão da Câmara de Compensação a nenhuma empresa. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Sim. A Câmara de Compensação discute tarifas? O SR. LEO CARLOS CRUZ - A Câmara de Compensação pode discutir custos do sistema. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Pode ou não? Discute ou não? Isso quero saber do senhor. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Pode discutir. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Pode. Não. Isso é vazio. Discute ou não? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Isso não é atribuição da Câmara de Compensação. A Câmara de Compensação, para os senhores entenderem, pode discutir diversos temas a respeito do transporte coletivo. Pode discutir programação de viagens, custos do sistema, normatização do sistema referente a multas. Então, a tarifa é um assunto que pode ser discutido na Câmara de Compensação. O que não significa dizer que vai definir qual tarifa vai ser praticada, porque isso não é atribuição da Câmara de Compensação. O SR. PRESIDENTE - (EDSON Diário do Poder Legislativo - 51 MAGALHÃES - DEM) - Estranho muito a Setop, na época em que era secretário o senhor Fábio Damasceno e o senhor era presidente da Ceturb, estranho muito o fato de que em vez do secretário como o senhor também puxarem para o governo, na verdade, vocês afrouxaram, deixaram os empresários tomarem conta do sistema. O que notamos é isso, de acordo com os depoimentos, porque os empresários negam e vocês também dizem que não, que os empresários não tomam conta. E temos documentos, em que está muito enfático para nós. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Senhor Deputado, desculpe-me, mas não concordo com isso, porque na minha gestão em momento nenhum alteramos o regulamento da Câmara de Compensação ou qualquer norma da Ceturb que mudasse essa rotina de processamento e gestão da Câmara de Compensação. Não existe, na minha gestão, nem uma norma, lei ou documento que seja que mude ou altere a rotina do processamento e a gestão da Câmara de Compensação. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Então, tá. Para o senhor depois tomar conhecimento que dia 22 de agosto de 2014, tem aqui, sim, a formação da nova Câmara de Compensação, em que os empresários deitam e rolam. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Deixe-me só explicar. A formação da Câmara de Compensação, desde o início, a composição dela são as empresas que operam o sistema, a Ceturb, que fazem parte da Câmara de Compensação, que é presidida pelo GVBus. E, como secretaria, tem o GVBus também. Então, a composição da Câmara de Compensação é essa desde sua origem, formada pelas empresas que operam o sistema mais a Ceturb. E a presidência é do GVBus ou do sindicato das empresas, assim como a secretaria. A norma da Câmara de Compensação jamais foi mudada para mudar essa composição. O SR. PRESIDENTE MAGALHÃES - DEM) - O art. 4.º diz: (EDSON A presidência do Comitê será exercida pela representante legal do sindicato das empresas de transporte de passageiros da região metropolitana da Grande Vitória, GVBus, com o referendo dos membros do comitê. Lógico. Aqui têm os empresários. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Se o senhor pegar o primeiro regulamento da Câmara, a redação é a mesma. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Sim, mas é o que estou 52 - Diário do Poder Legislativo falando. Vem aqui os empresários e o sindicato, que são os que têm os interesses únicos para poder exatamente... Deveria estar no Comitê de Compensação os membros do governo aqui, eu acho. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Voltarei a falar. A concepção e a formação da Câmara de Compensação foi definida em 1989 por entender que esta formação era a mais adequada para se promover as receitas a serem compensadas dentro do sistema de transporte coletivo. Não foi o Leo Carlos Cruz que inventou ou que mudou qualquer atribuição da Câmara de Compensação desde o seu princípio. Se existe algum questionamento a respeito dessa concepção e formação da Câmara de Compensação, ele deveria ser feito, tem que ser feito, desde a sua origem. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Pergunto outra coisa ao senhor: o sistema implantado em agosto de 2014 é um sistema que tem um sistema de ampliação de linhas? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Não, na realidade o edital foi feito por lotes, foram licitados lotes, áreas, e o sistema de transporte é um sistema de transporte dinâmico. Ele prevê tanto a ampliação de linhas, a redução de itinerários, pode criar novas linhas, pode implantar novas linhas ou como pode reduzir linhas, ou aumentar frota ou reduzir frota. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Antes de o sistema ser, vamos dizer, oficializado através do processo licitatório, o processo de concessão, o senhor pode me dizer quantos ônibus operavam antes desse sistema? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Cerca de mil e seiscentos veículos. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 empresas que o senhor trabalhou, prestou serviço? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Como já havia dito na reunião anterior, trabalhei na Satélite, na Unimar, na Grande Vitória, por um período curto, e no Grupo Santa Paula. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Antes de o senhor assumir a presidência, qual foi a última empresa que o senhor trabalhava? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Antes estava subsecretário de Transporte da Prefeitura de Vitória. O SR. PRESIDENTE MAGALHÃES - DEM) - Sim. - (EDSON O SR. LEO CARLOS CRUZ - Quando fui convidado para ser presidente da Ceturb, estava exercendo subsecretário de Transporte da Prefeitura de Vitória. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM)- O senhor assumiu a Ceturb como presidente quando? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Em maio de 2012. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Em maio de 2012. E o senhor trabalhou antes de 2012 em seu último na Prefeitura de Vitória? O SR. LEO CARLOS CRUZ - De 2009 para 2012 trabalhei na Prefeitura de Vitória. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - E antes da Prefeitura de Vitória o senhor trabalhou em qual empresa? O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - E com o atual sistema? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Foi a Santa Paula. O SR. LEO CARLOS CRUZ - O atual sistema? Hoje não poderia precisar a frota porque já sai da administração desde dezembro. Não sei hoje qual é a frota do Sistema Transcol. A época da licitação, quer dizer quando os contratos foram iniciados, a operação contava com cerca de mil e seiscentos veículos. Na transição, a frota basicamente foi a mesma. Depois disso que foram implantadas algumas linhas e a frota provavelmente cresceu. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Santa Paula. Muito bem. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - O senhor poderia me dizer dessas empresas que participaram dos dois consórcios quais foram as empresas que o senhor trabalhou antes de assumir a Ceturb? Quais foram as O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Somente mais uma pergunta. O senhor disse que a Câmara de Compensação podia discutir a questão da passagem, do aumento de passagem. De fato no período em que o senhor foi presidente da Ceturb ela O SR. LEO CARLOS CRUZ - Grupo Santa Paula, Floramar e Serrana. Falamos Santa Paula, mas na realidade é um grupo de empresas que era... O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Devolvo a palavra para o relator Euclério Sampaio. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 já participou dessa discussão? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Que eu lembre não, porque essa discussão era remetida ao CGTrans, o Conselho Gestor de Transporte, que aprecia, na época apreciava, os estudos feitos de tarifa para a Ceturb. E indicava ou não, homologava ou não os estudos tarifários da Ceturb. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Nesse período da confecção do edital do contrato, no ano de 2014, o senhor manteve contato ou fez alguma reunião com o pessoal da Logit ou com a comissão de licitação? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Com a Logit sim, porque além da Logit participar da confecção da minuta do edital, ela participava também do projeto executivo do BRT. Por força do cargo, participei de algumas reuniões, ou para discussão do projeto do BRT ou para discussão da minuta do edital naqueles assuntos afetos à assessoria, que a Ceturb prestava, basicamente as questões mais técnicas, de rede, operação e frota. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) - E com os empresários da GVBus? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Com os empresários da GVBus, por força do cargo, algumas vezes tínhamos reuniões para tratar da operação do sistema que estava em andamento. Isso, sim. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Perfeito. Obrigado, Senhor Presidente. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Sobre o edital, jamais conversei com nenhum empresário. Até porque a responsabilidade da confecção do edital era da Setop. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) - O senhor já respondeu, obrigado. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Concedo a palavra ao Senhor Deputado Almir Vieira. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Tenho algumas perguntas para fazer para o senhor Leo Carlos Cruz. Foi a Geocontrol que elaborou o edital? Ou foi a Logit? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Quem elaborou... A consultoria contratada pela Setop, para a ajuda da construção do edital, foi a Logit. Diário do Poder Legislativo - 53 foi nem a Logit, foi um consórcio de empresas que a Logit fazia parte e dentro desse consórcio, a Logit é que foi designada para prestar essa assessoria. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Baseado nisso aí, senhor Leo, o senhor, então, como presidente da Ceturb, o senhor pode responder se os técnicos da Ceturb não teriam essa capacidade para elaborar esse edital. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Eu acredito que sim. Mas a elaboração do edital, ele sair da Setop não foi por uma decisão da Ceturb. Foi uma decisão de governo. A melhor forma de se fazer a licitação, entendeu-se junto com a Procuradoria-Geral do Estado, que seria interessante não mais a Ceturb, que é uma empresa pública, ser a responsável pelo edital, e sim o Governo do Estado na figura da Setop ser a responsável pela elaboração do edital, pela confecção do edital. Por questões legais de legislação, a própria Constituição, não é a minha praia a questão legal, mas as argumentações eram que convênios, por exemplo, que precisassem ser efetivamente feitos, delegando serviços do transporte coletivo para o Estado, não poderiam ser delegados a uma empresa pública. Tem de ser de ente federativo para ente federativo. Então, por exemplo, numa integração de sistemas, se a prefeitura de Vitória quiser delegar o sistema dela para ser operado pelo Estado, ele não pode delegar para uma empresa pública. Tem de ser uma delegação de ente federativo, o município, para ente federativo. Essa foi uma das argumentações que ouvi quando se decidiu não fazer a licitação pela Ceturb e, sim, pelo Estado, representado pela Secretaria de Transportes. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Mas, então, o senhor acredita que os técnicos poderiam, tinham capacidade para poder fazer esse edital, não é? O SR. LEO CARLOS CRUZ - Se essa fosse a melhor decisão de governo, acredito que técnicos da Ceturb teriam condições de elaborar o edital, como participaram, eventualmente, de algumas reuniões, algumas definições, ou prestação de informações, nesse modelo que foi definido pela Setop. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O senhor sabe qual endereço funcionava a Câmara de Compensação? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Foi a Logit. O SR. LEO CARLOS CRUZ - Aliás, não O SR. LEO CARLOS CRUZ - Como falei, a Câmara de Compensação, desde seu princípio, a responsabilidade administrativa de organizar as 54 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 reuniões foi do sindicato das empresas. Essa Câmara funcionava, o local das reuniões, normalmente era no sindicado das empresas. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - No sindicado das empresas. MAGALHÃES - DEM) - Endereço? O SR. ALEX MARIANO - Rua Alice Bumachar Neffa, 675, Jardim Camburi. O SR. PRESIDENTE MAGALHÃES - DEM) - CPF? - (EDSON O SR. LEO CARLOS CRUZ - A reunião, O SR. ALEX MARIANO - 007.369.237-99. sim. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Não. A parte logística da Câmara de Compensação. O SR. LEO CARLOS CRUZ - A reunião, a questão administrativa, o local onde se realizava a reunião para se fazer a troca de cheques, como a gente fazia. Agora não tem mais cheques, mas no início era isso, trocavam-se cheques. Hoje a compensação eletrônica ajuda isso. Mas, passava os recibos, trocava os recibos, comprovava se tinha alguma reclamação ou alguma questão para fazer, era no sindicado das empresas. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Perfeito. Senhor Presidente, por enquanto vou me dar por satisfeito. Devolvo a palavra. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Senhor Deputado Euclério Sampaio, deseja fazer uso da palavra? Ou o Senhor Deputado Guerino Zanon. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Eu não. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Então, agradeço aqui a participação do senhor Leo Carlos Cruz. E peço à secretaria que faça entrar o senhor Alex Mariano, hoje presidente da Ceturb. Muito obrigado, o senhor está dispensado. Muito obrigado. Alex Mariano, boa tarde! O SR. ALEX MARIANO - Boa tarde! O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - O senhor já esteve aqui em outras vezes? O SR. ALEX MARIANO - Nesta CPI, não. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Não. É a primeira vez. É só para que fique registrado. Gostaria de fazer a qualificação de V. S.ª. Nome completo? O SR. ALEX MARIANO - Alex Mariano. O SR. PRESIDENTE - (EDSON O SR. PRESIDENTE MAGALHÃES - DEM) - Profissão? - (EDSON O SR. ALEX MARIANO - Advogado. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Atualmente, o senhor exerce o cargo de presidente da Ceturb? O SR. ALEX MARIANO - Sim. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Desde quando? O SR. ALEX MARIANO - Desde 03 de janeiro, quando aconteceu a alteração do Conselho de Administração. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - O senhor sabe por que foi convocado para esta CPI? O SR. ALEX MARIANO - Na convocação não veio o tema, mas creio que seja sobre o Sistema de Transporte Coletivo Metropolitano. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Ok. A CPI hoje ainda investiga dezesseis irregularidades levantadas pelo Ministério Público de Contas, portanto peço a V. S.ª que faça o relato somente falando a verdade para que possamos avançar em nossos trabalhos, porque a importância desta CPI não é somente para o Governo do Estado, para a Assembleia Legislativa, para o Ministério Público de Contas, mas também, sobretudo, para toda a população capixaba. Então, é muito importante a colaboração de V. S.ª conosco. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Euclério Sampaio. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Senhor Presidente, apenas saúdo o Doutor Alex Mariano. Vou me abster de fazer perguntas e me reservarei para o final, se tiver necessidade. É porque V. S.ª entrou agora e, no meu entendimento, foi no Governo passado. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Concedo a palavra ao Senhor Deputado Almir Vieira. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Boa Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 tarde, senhor Alex Mariano. São realmente poucas as perguntas que faremos. Onde o senhor trabalhou antes de ser o presidente da Ceturb? O SR. ALEX MARIANO - Fui secretário de Serviços Urbanos da Prefeitura Municipal de Vitória. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Perfeito. O senhor tem conhecimento hoje de quem tem a responsabilidade para operar a Câmara de Compensação Tarifária? O SR. ALEX MARIANO - Bem, hoje, o sistema é operado dentro da Ceturb. Existe, na verdade, uma dúvida em relação ao contrato no qual o item contratual nos deixa margem para o entendimento de que o sistema poderia ser operado de forma adversa, pelos consórcios. Quando assumi à Presidência da Ceturb, deparei-me com uma situação em que os próprios funcionários continuaram pegando os dados do sistema de bilhetagem e de informação, processando na Ceturb e encaminhando esse procedimento de compensação pela própria Ceturb. O que fizemos? Fizemos uma ação um pouco mais avançada. Além de os dados serem processados pela Ceturb, pela gerência econômica, estamos fazendo as reuniões dentro da própria Ceturb. Encaminhamos uma solicitação junto à Setop, que é o poder concedente. A Ceturb tem um contrato de programa no qual trabalha sob a fiscalização e gerenciamento, solicitando que as reuniões da Câmara de Compensação Tarifária sejam feitas dentro da própria Ceturb. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Só para melhor entendimento, gostaria que o senhor pudesse explicar. Por exemplo, o ônibus faz uma viagem, faz a linha dele, e como é processada essa informação? Quem colhe os dados do ônibus? Por exemplo, o número de passageiros que houve naquele dia, valores. Quem colhe os primeiros dados até essa informação chegar realmente à Ceturb. Como é feita essa logística? Como é feito esse processo? O SR. ALEX MARIANO - Bom, esses dados são recolhidos por um banco de dados do sistema de bilhetagem eletrônica. Hoje o servidor se encontra junto aos consórcios. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O servidor da Ceturb? O SR. ALEX MARIANO - Não. O servidor que faz o recolhimento dos dados. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Ah sim. O servidor. O SR. ALEX MARIANO - A partir disso, os dados são encaminhados os relatórios junto à Diário do Poder Legislativo - 55 Ceturb para se fazer o cálculo da Câmara de Compensação. Então uma situação é: primeira, que são os recolhimentos dos dados do sistema e a segunda e a compilação dos dados para fazer o cálculo da Câmara de Compensação. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Mas quem dá as informações para alimentar esse servidor? Isso que quero saber. Por exemplo, o ônibus fez as viagens e chegou à garagem, porque apesar de ser consórcio, cada empresa do consórcio tem sua base. O ônibus chegou e quem colhe esses primeiros dados? Tem a roleta, não é isso? O SR. ALEX MARIANO - Isso. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Eles tiram esses dados pelas roletas do sistema ou pelo sistema de bilhete? O SR. ALEX MARIANO - A roleta tem uma fiscalização feita por parte da Ceturb. Ela é lacrada e qualquer situação em relação à roleta os fiscais que podem liberar o lacramento ou não, através de justificativa. Com o lacramento da roleta, esses dados dos cartões que passam pelo sistema vão para o banco de dados que é recolhido, que fica no servidor dos consórcios. Aí começa o trâmite da Ceturb, através desses dados, para fazer o cálculo da Câmara de Compensação. Criei um procedimento, na verdade, de auditoria do sistema. Estamos falando sobre bilhetagem, já saímos da Câmara de Compensação e entramos na bilhetagem eletrônica. A bilhetagem eletrônica, a meu ver, como fiscal e gerenciador do sistema, os dados, para mim, devem ser duplicados. Como? Deve ter um dado de banco de dados de servidor no sistema do consórcio, na própria Ceturb ou na Prodest. Por que há confiabilidade no sistema? Estou me aprofundando nesse assunto em relação a esse tema, porque o sistema é criptografado; o sistema tem todo um procedimento de controle; o próprio contrato fala que anualmente tem que ser auditado; então vamos dizer como deve ser auditado. Mas, mesmo assim, com todos os procedimentos, com todo o sistema de auditagem, acredito que o compartilhamento das informações de dados iniciais deve ter tanto um servidor pelos consórcios, quanto um servidor pelo estado. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - É justamente o que perguntaria ao senhor. Se realmente esse sistema é confiável. O SR. ALEX MARIANO - Neste momento, através de uma instrução normativa, coloquei uma equipe para verificar todos esses procedimentos para me dar esse resultado para saber da confiabilidade do sistema, para saber a questão da criptografia, a questão de alteração ou não. Então, estamos 56 - Diário do Poder Legislativo avançando nisso. Coloquei, através de uma instrução normativa, um grupo de servidores que vai fazer esses atos e trazer essas informações. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Perfeito. Agradeço ao senhor Alex pelas respostas. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 voltar. O senhor, antes de sair da prefeitura de Vitória para ir para a Ceturb, antes da Prefeitura de Vitória, o senhor trabalhou em alguma empresa ou algumas empresas do setor? O SR. ALEX MARIANO - Não. Sempre trabalhei na área pública. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Obrigado, Senhor Deputado Almir Vieira. Senhor Alex Mariano, o senhor tem conhecimento de uma norma complementar da Ceturb-GV n.º 2, de 22 de agosto de 2014? O senhor tem conhecimento? O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Ok. O senhor concorda ou não concorda que, na Câmara de Compensação, hoje, o governo está totalmente descoberto? Está tudo na mão dos empresários. O SR. ALEX MARIANO - Se o Senhor Deputado ... porque são muitas normas. Se o Senhor Deputado me falasse ... O SR. ALEX MARIANO - Concordo que podemos realmente ampliar a representatividade da sociedade, por intermédio do próprio sindicato ou por intermédio de alguma representatividade social já organizada. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - O Regimento do Comitê de Compensação. O senhor tem conhecimento dessa norma? O SR. ALEX MARIANO - De cabeça, pelo número, não consigo descrever o teor da norma. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - O senhor concorda com a formação da atual Câmara de Compensação prevista neste Regimento, que tem praticamente empresários e sindicatos que estão no escopo do Regimento? Praticamente não temos nada, em se tratando de uma norma da Ceturb, não tem ninguém da Ceturb que faz parte dessa Câmara de Compensação. O senhor tem conhecimento disso? O SR. ALEX MARIANO - O acompanhamento da Câmara tem o servidor da Ceturb, mas, pela norma, acho que realmente não está incluído. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Posso falar? Acho que, na visão do senhor como atual gestor da Ceturb, o senhor não acha que isso é muito vago? O SR. ALEX MARIANO - Acho que podemos acrescentar representante dos servidores ou do próprio sindicato ou do Sindipúblicos. Acho que, como o dinheiro é público; a tarifa é paga pelo usuário, independente do subsídio, que também o dinheiro é público; quanto maior a transparência no sistema, melhor para a sociedade. Então, acrescentar mais representantes no sistema, acho que é muito bom, inclusive. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Vou voltar à pergunta só para não perder o caminho da minha pergunta. Vou O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Minha preocupação é a seguinte: estando a Câmara de Compensação na mão dos empresários, evidentemente a Ceturb também passa por uma fragilidade. Você fragiliza o setor. O que precisamos, de fato, é dar autonomia à Ceturb e tirar dos empresários de forma compartilhada, ou seja, o governo tem a sua voz, o que não notamos aqui. Outra coisa também que é um dos debates nesta Comissão é em relação ao contrato, à correção do contrato. O senhor está aqui para nos ajudar. O senhor chegou lá recentemente. O senhor não é obrigado, porque o senhor não participou disso. Mas o fato é que esse contrato foi assinado em julho de 2014, o sistema entra em operação em agosto de 2014, ou seja, um sistema novo e que, na hora de corrigir um contrato, o contrato retroage a janeiro. E o edital é colocado na praça no meio de março, ou seja, toda a composição dos custos deveria estar dentro da planilha que foi colocada no envelope de preços. Então, estamos notando que foram praticamente... Estão requerendo seis meses de um serviço que não foi prestado, com relação àquilo que foi proposto no novo edital. Qual é a colocação que faço aqui? Que para reajustar uma tarifa, um contrato, é preciso que leve em consideração os doze meses. Se o contrato começou em agosto, você precisa realmente ter um ano do contrato para que se faça o levantamento dos índices mês a mês. Se for corrigido em janeiro, são seis meses que esses índices serão colocados, somados para poder compor exatamente um custo de um contrato de somente seis meses. O senhor não acha isso muito estranho? O senhor concorda ou não? O SR. ALEX MARIANO - Entre essa parte econômica financeira do contrato, uma questão é de fiscalização e gerenciamento. Estamos discutindo aqui a Câmara de Compensação e a bilhetagem. No Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 contrato em si ele fala que todo mês de reajuste seria o mês de janeiro, porque o P zero foi em janeiro. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Mas por que o mês de janeiro? É por que a data base dos funcionários que trabalham no sistema é novembro e dezembro? É isso? O SR. ALEX MARIANO - Novembro. Começa em novembro da categoria. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Se em novembro eu corrigir o salário do servidor, todos os insumos e custos... o mês de janeiro foi exatamente um mês e pouco. Então, esses custos têm que valer pelo menos por um ano. O SR. ALEX MARIANO - Estou colocando a linha de argumentação das empresas ainda, não é a minha posição. Essa é a argumentação das empresas que o P zero foi em janeiro. Em relação a esse item, existe uma dúvida, porque o próprio Ministério Público de Contas fala de uma lei do Princípio da Anualidade do Contrato. Ele tem que ter um ano para depois ser revisto, um ano seria em agosto de 2015. Na parte econômicofinanceira do contrato, encaminhamos junto à Setop uma solicitação que seja encaminhada para a PGE se manifestar com relação a isso. Estamos aguardando manifestação da PGE em relação a essa situação. Não houve o reajuste no mês de janeiro. Estamos aguardando um posicionamento jurídico da Procuradoria. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - O senhor tem algum conhecimento sobre a questão do edital? O senhor leu o edital? Aquele que confeccionado pela Logit, entregue de bandeja à Comissão Especial de Licitação. Acho que é só abrir os envelopes, e a parte técnica e a parte de preço, e esqueceu de tudo. O SR. ALEX MARIANO - Presidente, quando assumimos a presidência da empresa, peguei o contrato de programa, o poder concedente à Setop. Todo o sistema de licitação ocorreu por intermédio da Secretaria de Transportes e Obras Públicas. Comecei me adentrar no assunto da fiscalização e gerenciamento do sistema. Citarei quatro itens que acho de grande relevância. Um, a própria Câmara de Compensação tarifária, que seja mudado o termo que está no contrato, para tirar qualquer dúvida, no qual o Estado tem o poder, inclusive, de alterar normas complementares igual da Ceturb, de acrescentar mais pessoas da sociedade. Dois, sistema de bilhetagem eletrônica. Aprofundarmos no sistema de auditoria, tanto na fase de procedimento quanto na fase de dados. O terceiro, Diário do Poder Legislativo - 57 planejamento. Sei que o senhor não perguntou, mas são os quatro itens que olhei bastante. Existe um conflito que no contrato você entende que o planejamento é do Estado, é do poder concedente. E no anexo do contrato o planejamento e a programação fazem parte do sistema dos consórcios. Acho que isso não tem como abrir mão, assim como dos outros itens porque o planejamento tem que ser do Estado, o Estado que tem que ver a necessidade social, o Estado que tem que ver, na verdade, onde ele deve entrar. Tem um item que ficou dentro do contrato, acho que de uma forma muito equivocada, que fala de qualidade do sistema de transporte. O que seja: quando temos o consórcio, temos várias empresas que compõem aquela personalidade jurídica, aquele consórcio. Entre eles, para fazermos o equilíbrio de prestação de serviço, há uma análise da qualidade do transporte. Quando um não presta o serviço de qualidade, acaba prejudicando o outro. Citarei um exemplo de forma hipotética, limpeza do veículo. Se um não limpa o veículo de forma constante, o outro que está limpando tem um custo maior operacional. E isso não teria que ficar dentro do contrato. Isso teria que ser uma instrução normativa da própria Ceturb, por quê? Porque com a evolução de tecnologia, por exemplo, rastreamento de frota ou o que a área de transporte quer evoluir no embarque e desembarque de passageiros na porta do ônibus. Você fazer todo esse controle de dados por intermédio de instrução normativa da própria Ceturb e ficar engessado. Então, assim, houve zelo para uma coisa que não precisava nesse sentido. Então, são quatro itens que eu vejo na parte de fiscalização, um gerenciamento muito importante. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Senhor Deputado Euclério Sampaio, para que S. Ex.ª possa fazer uso da palavra. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Vou fazer uma pergunta, Doutor Alex. Os empresários podem reter o repasse da Câmara de Compensação que é enviado para a Ceturb? O SR. ALEX MARIANO - Não, é lógico que não. Inclusive houve atraso no repasse e nós já estamos aplicando as autuações, as multas pertinentes. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Então, não tem nenhuma empresa retendo o repasse não, não é? O SR. ALEX MARIANO - Houve um percentual... O senhor está falando do gerenciamento da Ceturb, é isso? O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) - 58 - Diário do Poder Legislativo Isso. O SR. ALEX MARIANO - Houve nesse período da minha administração, atraso nesses repasses. Nós aplicamos, estamos aplicando as penalidades, porque não pode. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Perfeito. Só isso, Senhor Presidente. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Eu me dou por satisfeito, porque eu tirei as minhas dúvidas. O senhor, hoje, pode colaborar com esta CPI, do sistema atual em se tratando de norma da Câmara de Compensação, o próprio contrato, o vício do contrato que tem isso, evidentemente, colocado em edital. Espero que o senhor possa, então, ter a convicção, não somente na teoria, mas, na prática, de poder trabalhar para que nós possamos mudar esse quadro, porque hoje o sistema está todo entregue aos empresários, a verdade é essa. Nós não estamos aqui para poder condenar empresários. Nós estamos aqui para defender o governo, o erário público, por que isso? É porque os empresários são geradores de emprego, nós sabemos disso, mas também em se tratando de concessão, nós sabemos que isso é um privilégio no País, onde que você tem um sistema extremamente rentável, porque o sistema é esse aí. Estamos preocupados é com o volume de dinheiro que o Estado do Espírito Santo está colocando nesse sistema, que este ano passa de cento e vinte milhões de reais. Então, é preciso que tenhamos a garantia de termos os bons serviços, uma tarifa acessível à população, mas, ao mesmo tempo, temos de ter o cuidado com o dinheiro público. O senhor tem uma responsabilidade muito grande em resgatar a Ceturb. Tenho dito para todos os funcionários, porque é desejo do governador para que nós tenhamos o sistema, mas que ele seja de fato de controle do Governo do Estado, porque da forma como está hoje, da forma como foi colocado no contrato, o Estado não tem essa segurança. Então, acho que isso aí é um conteúdo bastante relevante para que eu possa orientar e dar a minha sugestão ao relator para que ele possa colocar isso. E tem mais, depois vamos deliberar isso lá na frente, porque isso vai ser sugestão aqui do próprio presidente da comissão e que esse relatório seja todo encaminhado ao Tribunal de Contas, para que faça um paralelo do trabalho da comissão e aquilo, de fato, que chegou ao Tribunal e que se tornou processo por conta do recurso das próprias empresas e em função das dezesseis irregularidades levantadas pelo Ministério Público de Contas. No mais, agradeço a V. S.ª a colaboração e se houver necessidade desta comissão em convocá-lo novamente, eu gostaria que o senhor estivesse aqui Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 com o mesmo apreço, com a mesma dedicação e com o mesmo comportamento que teve nessa CPI. Muito obrigado. Colocarei isso em votação, Senhor Deputado Euclério Sampaio, porque estou sabendo que a Logit não veio a esta Comissão e, na verdade, queremos ouvir a Logit e a Geocontrol no mesmo dia. Então, deliberarei nesta Comissão para que tenhamos uma nova data com a participação da Geocontrol e da Logit. Quero saber o porquê de a Geocontrol ter saído do Governo no trabalho de rastreamento para prestar um serviço às empresas; e, ao mesmo tempo, o porquê de a Ceturb não ter confeccionado esse edital de licitação, mas sim ter contratado uma empresa para fazer um trabalho que poderia muito bem ser feito pelos técnicos da Ceturb. Teremos agora, o nosso recesso. Coloco em deliberação uma nova data, 04 de agosto, às 10h. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Com o requerimento de V. Ex.ª. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Com o requerimento de V. Ex.ª. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (EDSON MAGALHÃES - DEM) - Fica assim acertado, para o dia 04 de agosto. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, à hora regimental. Está encerrada a reunião. Encerra-se a reunião às 13h46min. ____________________________________ COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO DOS EMPENHOS NA SAÚDE. NONA REUNIÃO ORDINÁRIA DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 08 DE JULHO DE 2015. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta Comissão. Convido a Senhora Secretária a proceder à leitura da ata da oitava reunião ordinária, realizada em 01 de julho de 2015. (Pausa) (A Senhora Secretária procede à Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 leitura da ata) O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Em discussão a ata. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Pela aprovação. O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Pela aprovação. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Ata aprovada como lida. Não há Expediente a ser lido. Registro a presença do depoente, doutor Anselmo Dantas, diretor do Hospital São Lucas, com sua advogada doutora Selma, colega militante. Bom dia Senhores Deputados Almir Vieira e Gildevan Fernandes; funcionários, procuradores e todos os presentes. Há diversas pessoas presentes. Doutor Anselmo Dantas, o senhor sabe da responsabilidade de dizer a verdade, não é? O SR. ALSELMO DANTAS - Sim. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Solicito que o senhor decline nome, profissão, cargo que exerce e o local de trabalho. O SR. ALSELMO DANTAS - Meu nome é Anselmo Dantas, sou cirurgião-dentista de formação, sou sanitarista, professor do Estado, pesquisador e servidor público estadual. O meu número de matrícula é 306610, lotado na Secretaria de Estado da Saúde, atualmente exercendo a função de interventor no contrato de gestão entre o Estado e o Iapemesp. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Concedo a palavra o Senhor Deputado Almir Vieira. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Boa tarde a todos. Cumprimento o Senhor Deputado Euclério Sampaio, o Senhor Deputado Gildevan Fernandes, o doutor Anselmo Dantas, todos os presentes, os procuradores e os servidores desta Casa. Doutor Anselmo Dantas, a ex-diretora do São Lucas, a senhora Maria Aparecida Calasense, em depoimento a esta CPI disse que o contrato da Secretaria com a OS, com a Iapemesp, foi pago com atraso e com glosas. O senhor tem conhecimento disso? O SR. ALSELMO DANTAS - Sim O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O presidente do Iapemesp, o senhor Vanderlei de Diário do Poder Legislativo - 59 Almeida, disse à CPI que desconhece as razões que fizeram com que a gestão do novo São Lucas sofresse a intervenção. O senhor sabe qual foi o verdadeiro motivo dessa intervenção? O SR. ALSELMO DANTAS - De acordo com os autos, Senhor Deputado, os motivos pelos quais a Secretaria de Estado da Saúde interveio nesse contrato constam em três documentos. O primeiro documento, o relatório da Comissão de Monitoramento desse contrato que, conforme registro, aponta por não conformidade na execução orçamentária e financeira das metas e de atribuições contratadas nesse contrato de gestão e que, em uma etapa seguinte, foi submetido à Secretaria de Estado de Controle e Transparência para aprofundar nessas indagações levantadas pela Comissão de Monitoramento... Em seguida a esse relatório da Secont, nome aqui, esse relatório confirma que havia não conformidades e que poderiam colocar em risco o erário, o patrimônio público. Após essa conclusão preliminar da Secretaria de Controle, o Estado, é uma decisão de Estado, optou-se por utilizar a Lei Complementar 489/2009, que autoriza o Estado a intervir em um contrato de gestão. Esses são os fatos de que tenho conhecimento em face do processo de intervenção. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O senhor tem conhecimento se o Iapemesp tinha, teve ou tem ainda outros contratos aqui no estado? O SR. ALSELMO DANTAS - Bem, à altura da intervenção, que aconteceu em 19 de dezembro de 2014, o Iapemesp mantinha um contrato de gestão com a Prefeitura de Vila Velha para a operação do Pronto Atendimento do bairro da Glória. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O presidente do Iapemesp, senhor Vanderlei, disse que o contrato era de sessenta e nove milhões e que o instituto ficou à frente do hospital de junho a dezembro de 2014, e que só receberam quatorze milhões. Quanto foi pago ao Iapemesp e quanto ficou sem ser repassado? O SR. ANSELMO DANTAS - É possível que eu possa errar em alguns números e já peço vênia por isso. A movimentação que o hospital recebeu entre junho e dezembro alcançou a soma aproximada de onze milhões, sujeito a alguma correção, mas foram onze milhões de reais. Pedirei à doutora Selma para checar com nossa assessoria técnica que está aqui e vou apresentar o número real porque temos esse dado identificado, mas foi em torno desse montante de recurso. Assumi no dia 22 de dezembro e fiquei, exatamente, nove dias sem que tivesse nenhum recurso em caixa. Fiquei nove dias do ano de 2014 e o restante a partir de 2015 quando, no dia 31 de 60 - Diário do Poder Legislativo dezembro, foi feito um depósito na conta do contrato em torno de aproximadamente três milhões de reais. Só tivemos acesso a esse recurso em meados do mês de janeiro porque a conta foi bloqueada judicialmente, e até que se processasse a autorização para que pudesse movimentar a conta, levou mais uns quinze dias. É fato que os recursos que são devidos ao contrato, naquele período, ficaram realmente prejudicados. Isso é um fato. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O senhor tem conhecimento de que o restante desses recursos foi pago? O SR. ANSELMO DANTAS - Excelência, estamos ainda recebendo o saldo desse recurso de contrato que ficou retido. Então, assim, a operação do hospital entre a última semana de dezembro até a data atual, nós recebemos recursos que estavam retidos na execução do ano de 2014. Podemos, inclusive, disponibilizar isso para esta comissão, já que é dado de conciliação bancária e de execução de despesa do hospital. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O senhor tem conhecimento de que a Sesa havia sido recomendada pela Procuradoria-Geral do Estado para fazer os ajustes necessários? Que ajustes foram esses? O SR. ANSELMO DANTAS - Essas recomendações, e quero fazer uma ressalva, a própria comissão de monitoramento, segundo consta nos documentos que tive acesso, ela fez comunicações à direção do Hospital de Urgência e Emergência, aos representantes do Iapemesp, que eram necessárias correções na condução desse contrato. Existem registros que apontam nessa direção. Em face da Procuradoria-Geral do Estado, não tenho conhecimento de que a Procuradoria-Geral do Estado tenha feito uma recomendação expressa aos representantes da Iapemesp. Desconheço esse documento. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O exsecretário doutor Tadeu Marino disse em depoimento nesta CPI que os atrasos no repasse dos meses de novembro e dezembro de 2014 ocorreram por conta do atraso do governo federal e que houve despesas sem o devido empenho, principalmente pelo grande número de judicialização dos serviços. Em algum momento foi combinado o que seria executado sem os empenhos? O SR. ANSELMO DANTAS - Essa pergunta, Excelência, dado meu papel como interventor, só posso me manifestar no bojo do contrato, ou seja, lendo o contrato ele especifica qual é a fonte orçamentária para a execução do mesmo, Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 nos termos da Lei 8666. Então, a meu juízo, o contrato é muito claro com relação a isso, até porque a lei federal que trata de contratos de gestão exige que esses contratos tenham uma garantia orçamentária e financeira, porque são contratos de cessão. O Estado cede um bem seu para o particular operacionalizar. Então, se você não tiver a fonte de recurso necessária para executar esse contrato, ele se torna inviável. Sob o ponto de vista do que vi, esse contrato contém lá identificadas as fontes que serão necessárias ao custeio desse hospital. Entendo que, se foi executado recurso em 2014, é porque a Secretaria de Estado usou a fonte orçamentária que estava prevista no contrato e usou o saldo financeiro que tinha empenhado para a execução desse contrato. Em relação a 2015, o mesmo contrato - é de 2014, 2015 - vincula as fontes. Fonte 104 e 135 se não estou enganado, que é fonte federal e fonte estadual. Pelo volume de recurso executado no ano passado, a meu juízo, só pode se fazer isso se você tem a fonte orçamentária específica, a unidade gestora e o recurso em conta no fundo estadual para poder pagar. Este é o meu entendimento e é o que encontrei nos documentos que tive acesso. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Essa intervenção foi feita no hospital ou na OS? O SR. ANSELMO DANTAS - Deputado, conforme consta na portaria 122-R do dia 19 de dezembro, é uma intervenção administrativa no contrato. Os limites da intervenção se circunscrevem ao contrato, e a 4.ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Estadual da Comarca de Vitória recepciona essa portaria e sub-roga o interventor à capacidade de operar esse contrato substituindo provisoriamente o contratado. Então, os limites de atuação da intervenção são extremamente restritos e extremamente comedidos naquilo que a própria juíza do feito definiu mais de uma vez. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Mas informações que tivemos é de que foi usada a OS; houve a intervenção, mas só foi afastada a diretoria da OS, mas que o interventor continuou usando a OS nessa prestação de serviço. O SR. ANSELMO DANTAS - O interventor apenas cumpre a determinação legal. As decisões que estão nos autos dão ao interventor a capacidade jurídica para operar o contrato. O contrato não está encerrado, o contrato está suspenso; ele existe juridicamente. Então, o Iapemesp está sendo representado no contrato pelo interventor, e o Estado está sendo representado no contrato pelo interventor. Essa é a figura jurídica e, inclusive, aqui têm vários juristas e advogados que podem falar sobre isso melhor do que eu. Na verdade, sou somente gestor público. A meu juízo, a intervenção é uma medida extrema, não é? E, nesse sentido, o interventor cumpre o que o Estado, que é o dono do contrato, o Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 dono do bem e o dono do recurso, determina que se faça. Ou seja, a Lei 489, que rege OS no Espírito Santo, faculta ao Poder Executivo intervir em contrato de gestão para corrigir rumo, para acertar. Então, não há essa figura, como foi dito aqui pelo Iapemesp, de que o interventor está usando. Não! Quem está usando o contrato de gestão é o Poder Judiciário e o Poder Executivo para trazer para a legalidade um contrato que ambos entenderam que precisava ser corrigido. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Para finalizar, qual foi a maior irregularidade que o senhor encontrou durante essa intervenção? O SR. ANSELMO DANTAS - Com muito respeito ao Iapemesp e também com muito respeito ao Poder Executivo estadual, a meu juízo, penso que a maior irregularidade, no meu entendimento, é a forma como foi feita a movimentação desse contrato. Ou seja, se tivéssemos tido mais tempo para começálo, talvez muitos dos problemas que nós encontramos lá talvez tivessem sido solucionados de outra maneira. Então, penso que tem uma mistura de desinformação, tem uma mistura de falta de habilidade em lidar com o patrimônio daquela complexidade. Eu penso que tem muito mais isso, desorganização administrativa, inexperiência em lidar com um contrato muito grande, um contrato que envolve um hospital de urgência e emergência que tem uma série de dificuldades. Acho que isso deve ter contribuído enormemente para a situação que chegou. Essa é a minha avaliação. Tanto é que nós chegamos lá no dia 22 e o quadro gerencial estava batendo cabeça. O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Por favor. Dia 22 de que mês e ano? O SR. ANSELMO DANTAS - 22 de dezembro de 2014. O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Foi o início da intervenção? O SR. ANSELMO DANTAS - Ela oficialmente foi decretada dia 19 e dia 22 nós tomamos posse como interventor. Então, essa questão a que estou me referindo demonstra que com o mesmo quadro técnico que o Iapemesp contratou e que deixou no hospital, nós conseguimos realizar um bom trabalho. Na verdade, a impressão que se tem é que a forma como foi liderado aquele corpo técnico é que talvez não foi a mais adequada, a mais apropriada, ou talvez faltou um pouco de experiência em lidar com gestão hospitalar de alta complexidade. Essa é a minha avaliação. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - A movimentação financeira do hospital está sendo feita Diário do Poder Legislativo - 61 ainda pelo Iapemesp? O SR. ANSELMO DANTAS - O contrato de gestão prevê a abertura de uma conta específica vinculada a esse contrato. É um contrato de pessoa jurídica, a conta aberta de movimentação é de pessoa jurídica. Conforme a determinação judicial, que eu tenho cópia aqui, o juízo determinou que o interventor utilizasse a conta do contrato para cumprir as obrigações relativas ao contrato de gestão que foi pactuado com o Estado. Esses são os limites. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O prazo desse contrato já terminou ou ele continua em vigor? O SR. ANSELMO DANTAS - É um contrato, Excelência, de vinte meses prorrogáveis. Agora, estamos na etapa de avaliação do primeiro ano de contrato para aditivar, para corrigir, acertar. Essa é a etapa em que nós estamos, conforme prevê o edital. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Perfeito, Senhor Presidente. Eu, por enquanto, me dou por satisfeito. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Passo a palavra para o Senhor Deputado Gildevan. Registramos presença do Senhor Deputado Freitas, membro titular desta Comissão. O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Senhor Presidente e Senhores Deputados, primeiro quero justificar que, em função do falecimento de uma pessoa muito querida do Senhor Deputado Rodrigo Coelho, no município de Cachoeiro de Itapemirim, S. Ex.ª não se faz presente. Inclusive, pediu que repassasse uns questionamentos que ele faria. Nós temos um levantamento e quero fazer uma pergunta ao interventor. Com esse levantamento do dia 17 de julho de 2014 ao dia 11 de setembro de 2014, foi efetuado um gasto de trezentos e noventa e quatro mil reais - quase quatrocentos mil reais. Esse gasto foi de cento e cinco mil com viagens; de cento e cinco mil com assessoria jurídica; de cento e vinte e sete mil oitocentos e oitenta e três reais e trinta e dois centavos com contabilidade, consultoria, auditoria; de vinte e nove mil trezentos e oitenta com engenharia clínica; de vinte e sete mil reais com assessoria de comunicação. Então, nesse período, contabilizamos um gasto de, aproximadamente, quatrocentos mil reais, sem nenhum gasto com a atividade fim. Pergunto que identificação, que levantamento o senhor fez disso? Com que informações o senhor poderia nos ajudar? Se possível, nos informar como se consegue um gasto de cento e cinco mil, em menos de dois meses, com viagens; cento e cinco mil com assessoria jurídica; cento e vinte e sete com contabilidade, consultoria e auditoria? Esses gastos 62 - Diário do Poder Legislativo estão devidamente comprovados, juridicamente, precedidos de licitação? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 respaldados O SR. ANSELMO DANTAS - Bem, em relação a essa situação, a própria Secretaria de Controle e a própria Comissão de Monitoramento já haviam se manifestado. Esse período se refere ao período de pré-ativação do hospital. Queria também ressalvar que o contrato de gestão é uma parceria público-privada na qual a forma de operacionalizar é privada, respeitando os princípios constitucionais previstos no art. 37 da Constituição Federal. Quando assumimos essa intervenção, não tivemos a sorte de ter acesso a esses documentos relativos ao funcionamento do hospital. Oficiamos o Iapemesp para que nos enviasse as cópias desses contratos e só tivemos parte deles no final do mês de janeiro. Então, entre janeiro e março, temos inclusive um relatório no qual documentamos o que encontramos, e essas inconsistências foram motivo de ação imediata do interventor. Não conseguimos evidências de que esses gastos foram feitos para o benefício da atividade fim contratada e vamos, inclusive, colocar isso na segunda parte do relatório da intervenção, para finalizá-lo, mostrando inconsistências na contabilidade do hospital em função de despesas que não conseguimos comprovar. Isso é uma questão séria. O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Para esclarecer a resposta, gastos com viagens, objetivos não devidamente comprovados, finalidade... O SR. ANSELMO DANTAS - Não conseguimos comprovar. O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Não há essa comprovação? O SR. ANSELMO DANTAS - Desconheço. Não conseguimos essa evidência. Agora, só para corrigir uma informação que o Senhor Deputado Almir nos fez. No ano de 2014, o Iapemesp recebeu dez milhões e quatrocentos mil reais. Esse valor é acima do que deveria ter sido transferido para o ano de 2014, de nove milhões e seiscentos mil reais. Encontrei na conta quarenta e um mil e setecentos reais, o único recurso. Essas despesas a que V. Ex.ª está se referindo se juntam a outras, que também não conseguimos evidências da sua finalidade dentro do hospital. Para conhecimento desta douta comissão, herdamos um passivo, como consequência de todo esse processo que já foi relatado pelo Senhor Deputado Almir, recebemos um passivo aproximado de quatro milhões e meio de reais de tributos não pagos, salários, vencimentos e remunerações, que estavam contratados anteriormente. Tivemos que, durante os meses de janeiro e fevereiro, fazer a repactuação, a renegociação, a diminuição de valores, enfim, é outra questão. Ficamos realmente impressionados porque os valores dos serviços contratados superam muito os valores de mercado. Então, a nosso juízo, houve uma gestão extremamente temerária no uso dos recursos públicos. Conseguimos demonstrar isso facilmente. O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Senhor Presidente, dou-me por satisfeito. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Pergunto ao Senhor Deputado Freitas se tem algum questionamento a fazer? O SR. FREITAS - (PSB) - Por enquanto, não, Senhor Presidente. Antes de encerrar, possivelmente, farei alguma participação, mas, por enquanto, não. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Doutor Anselmo, então, no ano de 2014, o senhor, como interventor, não efetuo pagamento de nenhuma despesa do hospital? O SR. ANSELMO DANTAS - Só fizemos uma que foi o pagamento do vale transporte dos funcionários, porque quarenta e um mil reais deram para pagar o vale transporte dos funcionários. Foi essa a despesa que fizemos, e pagamos também, a diferença deu para pagar uma rescisão, alguma coisa assim. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Colocarei em votação, mas pergunto ao senhor se pode fornecer quantos dias... Queria ver os recebimentos e os pagamentos do Hospital São Lucas nos últimos quatro meses de 2014. Seriam os meses de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, cinco meses. Do dia 1.º de agosto ao dia 31 de dezembro. O senhor pode fornecer isso com quantos dias? O SR. ANSELMO DANTAS - De imediato. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - O senhor efetuou em janeiro o pagamento de alguma despesa já feita em... O SR. ANSELMO DANTAS - Fizemos, porque qual era o comando? Qual é o comando? Tenho o dever de manter o hospital aberto. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Só responder sim ou não. Não tem problema. Fez o pagamento? O SR. ANSELMO DANTAS - Sim. Em janeiro, em fevereiro... O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 SAMPAIO - PDT) - O senhor lembra a quais empresas? O SR. ANSELMO DANTAS - Fizemos parcelamentos com várias empresas... O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Não, mas e com os prestadores de serviços? O SR. ANSELMO DANTAS - Cinquenta e dois prestadores. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - O senhor pode nos fornecer isso também? O SR. ANSELMO DANTAS - Claro. Inclusive as cópias, excelência, dos termos de anuência, de repactuação, estão à disposição. Se esta Comissão se der por... Temos esses documentos todos aqui. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Perfeito. Se puder entregar hoje, melhor ainda. O SR. ANSELMO DANTAS - Podemos entregar agora à Comissão. E o que faltar, que V. Ex.ª solicitar, completaremos. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Perfeito. Dou-me por satisfeito. Alguma pergunta, Senhor Deputado Freitas? O SR. FREITAS - (PSB) - Não é pergunta, Senhor Presidente, quero cumprimentar o senhor Anselmo Dantas, diretor interventor do contrato de terceirização do Hospital de Urgência e Emergência e Trauma do Estado, Hospital São Lucas. Parabenizar pela clareza das informações e pela intervenção eficiente que faz. Registro nesta CPI que na ocasião da interrogação a Iapemesp, reforço e endosso a minha participação quando identifiquei a falta de habilidade e a desorganização administrativa, da experiência e know-how com contratos desse tamanho, que foi colocada por mim naquela ocasião e reforçada por V. Ex.ª hoje. Coloco para o nosso presidente, que quando V. Ex.ª pergunta de pagamentos relativos ao período de 2014, para mim, já tinha respondido quando V. S.ª disse sobre um passivo encontrado de aproximadamente 4,5 milhões de má gestão da Iapemesp. Agradeço. Muito obrigado, Senhor Presidente. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Convido para compor a Mesa o Diário do Poder Legislativo - 63 membro desta Comissão, Senhor Deputado Padre Honório. Dou-me por satisfeito, a CPI agradece ao doutor Anselmo Dantas e aos presentes a presença. O senhor está liberado, tenha um bom dia! Se a Comissão precisar de mais esclarecimentos, manterá contato. O SR. ANSELMO DANTAS - Estamos à disposição, excelência. Quero agradecer e também cumprimentá-los pelo compromisso com as políticas públicas de saúde. Nós, que estamos vivendo uma situação muito complicada no país na área da saúde, pedimos nesta comissão aos nobres deputados que continuem lutando pela manutenção dos recursos na área da saúde, porque a saúde não espera, a vida não espera! Muito obrigado e cumprimento o Parlamento nesta ocasião. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Boa-tarde! Estive analisando os depoimentos anteriores, Senhores Deputados, e a transferência de recursos e o cancelamento de empenhos, segundo os depoentes, eram para pagar o abono, porque, segundo eles, o Governo não tinha caixa. Mas no mês de dezembro houve uma suplementação para Secretaria de Comunicação de 5,6 milhões. Se não tinha dinheiro para pagar abono, como o Governo faz uma propaganda: 2015 vai ser melhor do que 2014? Alguém deve ter visto na televisão. Aprovamos um requerimento, foi enviado, para que nos fossem fornecidas todas as suplementações orçamentárias autorizadas dos meses de novembro e dezembro. Gostaria de colocar em votação dois requerimentos. Primeiro, que, ao invés de novembro e dezembro, fossem os últimos quatro meses do ano e, em especial, as suplementações da Secretaria de Comunicação. É o primeiro requerimento. Em discussão. Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) Favorável. O SR. FREITAS - (PSB) - Favorável. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Favorável. O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - O segundo é a convocação da Secretária de Comunicação da gestão passada para 64 - Diário do Poder Legislativo que nos explique: se o Estado não tinha dinheiro para pagar o abono, cancelou empenhos, por que uma suplementação de 5,6 milhões para pagar mídias? Acho que era a jornalista Flávia Mignoni, se não me engano. Em discussão. Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Favorável. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) Favorável. O SR. FREITAS - (PSB) - Apesar de entender que quem faz suplementação não é a Secretária de Comunicação, mas com o compromisso de votar favoravelmente a todos os requerimentos que forem feitos nesta comissão, voto favoravelmente. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Senhor Deputado Freitas, também voto desde que seja pertinente e objeto da CPI e não ultrapasse os seus limites. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Aprovado à unanimidade. Solicito apenas que ela seja convocada após o recebimento desta documentação da Secretaria de Comunicação. Pergunto aos Senhores Deputados se têm alguma comunicação a ser feita? O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Tenho, sim, Senhor Presidente. Em função da ausência do relator, Senhor Deputado Rodrigo Coelho, fiquei com a incumbência de repassar alguns requerimentos que são de sua autoria e que neste momento passam a ser da minha autoria. Considerando os dados extraídos do Sistema SIGEFES, relatório 1, quadro resumo abaixo, cuja cópia deixarei com a CPI, observamos na coluna de crédito disponível o total de oitenta e oito milhões, quinhentos e vinte e nove mil, quinhentos e vinte e dois reais e noventa e dois centavos, enquanto o total de despesas realizadas sem empenho, extraídas do portal da Secretaria de Controle e Transparência, totalizam cento e cinquenta e quatro milhões, novecentos e cinquenta e nove mil, quinhentos e quarenta e quatro reais e vinte e quatro centos, o que aparenta uma incoerência entre disponibilidade orçamentária e financeira e despesas realizadas sem empenho. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Dessa forma, para o valor de oitenta e oito milhões, quinhentos e vinte e nove mil, quinhentos e vinte e dois reais e noventa e dois centavos, evidenciado como crédito disponível, solicito que a Secretaria de Estado da Saúde demonstre qual o valor financeiro cancelado por unidade gestora. Este é o primeiro requerimento que faço. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Em discussão. Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) Favorável. O SR. FREITAS - (PSB) - Favorável. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - A presidência também vota favoravelmente. Aprovado à unanimidade. O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Segundo, solicito às unidades gestoras FES, HINSG, HDDS, HAB, CREFES, HABF, HSL, HMSA, HRAS - nosso Hospital Roberto Silvares -, CAPAAC, HPF, HDRC, UIJM, HSJC, HJSN, HIMABA, SRSCI, SRSSM, SRSC e SRSV documentos nos quais os ordenadores de despesas e/ou responsáveis por cada unidade informaram a situação orçamentária vivenciada em 2014 à Secretaria de Estado da Saúde e/ou Governo do Estado do Espírito Santo. Então, o nosso pedido é que as informações sejam por cada unidade gestora aqui discriminadas através dessas identificações por letras. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Em discussão o requerimento. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) Favorável. O SR. FREITAS - (PSB) - Favorável. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - A Presidência acompanha. Aprovado o requerimento à unanimidade. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Gostaria de sugerir aos Senhores Deputados que convidemos para a próxima quarta-feira, dia 15 de julho, o Doutor Ricardo de Oliveira, Secretário de Estado da Saúde, porque S. Ex.ª tomou posse em janeiro, para comparecer a esta CPI para nos esclarecer sobre a situação da saúde. Já convidamos da Sejus e precisamos chamar da Saúde. Em discussão o requerimento. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. GILDEVAN FERNANDES - (PV) Favorável. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) Favorável. O SR. FREITAS - (PSB) - Favorável. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Aprovado o requerimento à unanimidade. Algum Deputado deseja fazer alguma comunicação? (Pausa) Não. Agradeço a todos a presença. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, à hora regimental. Está encerrada a presente reunião. Encerra-se a reunião às 13h16min. ______________________________ COMISSÃO DE DEFESA DA CIDADANIA E DOS DIREITOS HUMANOS. DÉCIMA REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA AUDIÊNCIA PÚBLICA, DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 10 DE JULHO DE 2015. A SR.ª CERIMONIALISTA - (VAL ANDRELINO) - Senhoras e Senhores, autoridades presentes, Senhor Deputados e telespectadores que nos assistem pela TV Ales, boa- tarde. É com satisfação que o Senhor Deputado Theodorico Ferraço, presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, e o Senhor Deputado Nunes, presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos, em parceria com o Núcleo Impulsor da Marcha das Mulheres Negras no Espírito Santo, os recebem no auditório Dirceu Cardoso desta Casa de Leis para a audiência pública com o tema: Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver. Diário do Poder Legislativo - 65 Esta audiência compõe uma série de atividades voltadas à discussão da vida das mulheres negras, que culminará com a Marcha Nacional das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e o pelo Bem Viver, que ocorrerá em Brasília, no dia 18 de novembro de 2015. Solicito que todos coloquem seus celulares em modo silencioso. Iniciaremos agora a composição da Mesa desta audiência pública. Convido para compor a Mesa o Excelentíssimo Senhor Deputado Nunes, presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos, que presidirá esta audiência; o Excelentíssimo Senhor Deputado Sergio Majeski, membro da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos; a Senhora Maria Aparecida da Silva Abreu, conhecida como Cida Abreu, presidenta da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura, fundação que é a primeira instituição pública voltada para a promoção e preservação da arte e da cultura afro-brasileira; o Senhor Júlio César Pompeu, subsecretário da Secretaria de Estado de Assistência Social e de Direitos Humanos; a Senhora Selma Dealdina, representante do Núcleo Impulsor da Marcha das Mulheres Negras do Espírito Santo; a Senhora Anajete, representante da Comunidade de Matrizes Africanas; a Senhora Helenice Nichio, gerente estadual de Promoção de Políticas Públicas para as Mulheres; a Senhora Katia Penha, da Coordenação Estadual de Quilombolas Zacimba Gaba e do Núcleo Impulsor da Marcha das Mulheres Negras; a Senhora Catarina Cecin Gazele, do Ministério Público do Estado do Espírito Santo; o Senhor Guilherme Pacífico, subsecretário de Integração Institucional; a Senhora Noêmia Simonassi, presidente da CUT/ES. (Palmas) Convidamos todas e todos para, de pé, ouvirmos a execução do Hino Nacional e a do Espírito Santo. (Pausa) (É executado o Hino Nacional e o do Espírito Santo) A SR.ª CERIMONIALISTA - (VAL ANDRELINO) - Convido para compor a Mesa o Senhor Júlio Cesar Pompeu, Subsecretário de Estado de Direitos Humanos da Secretaria de Estado da Assistência Social e Direitos Humanos. (Toma assento à Mesa a referida autoridade) A SR.ª CERIMONIALISTA - (VAL ANDRELINO) - Concedo a palavra ao Senhor Deputado Nunes, Presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Boa-tarde companheiras e companheiros. Primeiro, registro a alegria de receber cada uma das senhoras e cada um dos senhores nesta audiência hoje. 66 - Diário do Poder Legislativo Havendo número legal, declaro abertos os trabalhos da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos. Dispenso a leitura da ata da reunião anterior para iniciarmos a Ordem do Dia desta audiência pública que possui o seguinte tema: Mulheres Negras Contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver. Inicialmente, agradeço aos servidores desta Casa, a todos que nos assistem pela TV Ales e aos membros desta Mesa, em especial ao Senhor Deputado Sergio Majeski, nosso amigo. Obrigado a todos. Quero também falar da ausência da Senhora Deputada Eliana Dadalto que nos enviou um ofício justificando a sua ausência nesta audiência por causa de outra agenda que S. Ex.ª tem hoje, impossibilitando a sua presença conosco. Esta audiência pública terá a seguinte dinâmica: inicialmente, ouviremos os membros da Mesa, que está representativa para discutir a temática; logo após abriremos para as contribuições do Plenário e depois faremos os devidos encaminhamentos. Falarei um pouco sobre a importância desta audiência. Conforme dito inicialmente, a realização desta audiência cumpre mais uma etapa de uma série de atividades que estão ocorrendo no intuito de chamar a atenção da população brasileira da necessidade de se discutir, debater e promover ações e políticas voltadas à garantia de direitos e qualidade de vida das mulheres negras. Apesar de nos últimos anos a sociedade brasileira ter avançado em diversos direitos sociais, diminuindo as desigualdades sociais diante da implementação de diversas políticas afirmativas, é fundamental avançarmos também na garantia das mulheres e também das mulheres negras. Sabemos que em muitos casos a discriminação é oculta e silenciosa, mas ela existe e precisa ser combatida e condenada. Sofremos, no Estado, com índices alarmantes de violência contra a mulher e mais de setenta por cento das mulheres violentadas são negras. No Brasil, há mais de quarenta e nove milhões de mulheres negras, isto é, vinte e cinco por cento da população brasileira. São mulheres que vivenciam a face mais perversa do racismo e do sexismo por serem negras e mulheres. No decurso diário de suas vidas, a forjada superioridade do componente racial branco, do patriarcado e do sexismo, que fundamenta e dinamizam um sistema de opressores que impõe a cada mulher negra a luta pela própria sobrevivência e pela sobrevivência de sua comunidade. Enfrentam todas as injustiças e negações de sua existência, enquanto reivindicam inclusão a cada momento e que essa inclusão ganhe forma. Por isso, quando recebemos a visita do núcleo impulsor aqui do Estado, solicitando que a Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos contribuísse com este movimento, de Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 imediato assumimos o compromisso. Esta audiência pública é um pontapé inicial para nos aprofundarmos e contribuirmos para a diminuição do racismo e a violência e pelo bem viver das mulheres negras no nosso Estado. Quando fomos provocados por esse movimento, além de realizarmos essa audiência, também pedimos que comparecesse a esta reunião na Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos a companheira Marilene Aparecida Pereira que esteve presente representando o núcleo impulsor, falando um pouco da importância da marcha que será realizada em novembro, com a pauta que será entregue em Brasília. A companheira teve a oportunidade de ali falar um pouco sobre as demandas e também da pauta que havia, junto ao Governo do Estado, e nos fez um convite para que estivéssemos presentes, tanto este Deputado quanto o Senhor Deputado Sergio Majeski, conversando com o nosso Vice-governador. Na oportunidade, tivemos o momento para também refletir da importância do poder público também estar inserido nessa marcha ao ponto de ajudar a essas companheiras a se fazerem presentes. Centenas de mulheres estarão em Brasília em novembro. Foi solicitado. Tivemos a oportunidade e nos colocamos à disposição. O vicegovernador se colocou muito solícito. Tenho convicção absoluta de que o governador, juntamente com o vice-governador, fará a parte que cabe a eles e nos ajudarem a fazer com que o Espírito Santo participe dessa caminhada. Agradeço mais uma vez. Saúdo o companheiro Ruy Marcos Gonçalves, que estava junto conosco. Foi uma das pessoas que se colocou à disposição para que pudéssemos organizar essa caravana, possibilitando, assim, a presença dessas mulheres em Brasília. Obrigado, Ruy, pela sua presença e também pelo seu esforço de nos ajudar a conduzir essas mulheres para Brasília. Inicialmente, proponho que este Plenário assine um manifesto de apoio à marcha nacional. Nossa equipe já está pensando em alguma coisa. Ao final desta audiência colheremos adesão e aprovaremos esse manifesto para encaminharmos para a organização nacional da marcha. Pediremos que se leia esse manifesto, aprovaremos e encaminharemos para a marcha nacional. Antes de passar a palavra para as companheiras da Mesa, concedo a palavra ao Senhor Deputado Sergio Majeski para que faça uma saudação falando um pouco da importância desta audiência no dia de hoje. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) Senhor Presidente Nunes, muito obrigado. Boa-tarde a todos os presentes. Uma audiência pública e qualquer manifestação em prol de uma causa justa é sempre fundamental. Essa semana, quando a Senhora Marilene Aparecida Pereira esteve nesta Casa falando brevemente conosco sobre o movimento na reunião da Comissão de Defesa da Cidadania, tivemos a Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 oportunidade de refletir sobre alguma coisa. Foi tudo muito rápido, mas vemos no Brasil que algumas coisas avançam, mas muito lentamente. Elas avançam em uma velocidade muito pequena. Temos visto no Brasil, nas últimas décadas, sendo criados estatutos, leis, decretos que falam de inclusão, que falam de respeito às minorias e de uma infinidade de coisas, mas parte disso está ficando muito no papel. Em 1936, quando foi lançada a primeira edição do livro Raízes do Brasil, por Sérgio Buarque de Holanda, em uma parte do livro o autor diz que os políticos criavam montanhas de leis como se a letra morta, por si só, fosse capaz de resolver problemas. E hoje, ainda isso continua muito atual. Criam-se montanhas de leis no Brasil, mas não se criam condições para que essas leis efetivamente sejam cumpridas. E a letra morta, por si só, é só letra morta mesmo, não é mais nada, além disso. Precisamos urgentemente no Brasil, fazer com que o poder público faça cumprir o discurso, porque o discurso politicamente correto da inclusão e do respeito é sempre muito interessante, mas é preciso praticá-lo. Paulo Freire, o grande nome da educação brasileira, dizia que o discurso e a prática têm que se aproximar até que se encontrem. E, muitas vezes, no Brasil, estamos vendo o discurso e a prática caminharem em sentidos opostos. Então, é fundamental que a sociedade se organize e que movimentos como esse sejam alavancados e apoiados, porque isso é fundamental. Falava, na reunião da Comissão desta semana, que no Brasil a questão do preconceito e da exclusão vai se sobrepondo. Uma mulher é vítima de preconceito por ser mulher; se for uma mulher negra, é preconceito duplamente, por ser mulher e por ser negra; se for mulher pobre e negra, são três formas de preconceito; se for nordestina, são quatro; e vai se sobrepondo. Acho que as leis são fundamentais e fazê-las funcionar é fundamental. Agora, como educador, vejo que se a educação - não só a educação formal da escola, mas a educação de que a sociedade precisa participar - não participar efetivamente desse processo para eliminar os preconceitos existentes, só a lei, por si só, também não dará conta. Então, é fundamental que a sociedade abrace mesmo todas as causas que são pertinentes à questão do fim do preconceito e de uma inclusão verdadeira, assim como do fim do desrespeito e da violência. Trabalhamos juntos, eu e o Senhor Deputado Nunes, em duas Comissões: Comissão de Defesa da Cidadania e Comissão de Ciência e Tecnologia. Ponho-me à disposição para contribuir com esse movimento, assim como meu gabinete. Muito obrigado e um bom trabalho a todos. (Palmas) O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Senhor Deputado Sergio Majeski. Diário do Poder Legislativo - 67 Convido para compor a Mesa o companheiro Ruy Marcos Gonçalves, que está representando o vice-governador César Colnago, nosso amigo. (Toma assento à Mesa o referido convidado) O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Aproveito a oportunidade para registrar e a agradecer a presença de Edna Calabrez Martins, do Fórum de Mulheres do Espírito Santo; de Valquíria Santos, representante da Marcha das Mulheres Negras; de Meyrieli de Carvalho Silva, do Núcleo Impulsor da Marcha de Mulheres Negras; de Rosa Maria Nascimento, do Grupo de Cultura Afro Kisele; de Fernanda Brauner, gerente de Proteção da Mulher, Sesp; de Sebastião Sabino de Souza, vereador pelo Município de Serra; de Vanda de Souza Vieira, representando o Movimento Negro Unificado; de Katia Cristini Kaiser, do Ministério Público e assessora técnica; e de Maria Margarete Belmiro Lima, secretária da Mulher da Central Única dos Trabalhadores. Para dar oportunidade a todos, concederei a palavra por dez minutos a Senhora Maria Aparecida da Silva Abreu, Cida Abreu, e aos outros companheiros e companheiras concederei cinco minutos Concedo a palavra à senhora Maria Aparecida da Silva Abreu, Cida Abreu, presidenta da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura. A SR.ª MARIA APARECIDA DA SILVA ABREU - Boa-tarde a todos e a todas, quero dizer do prazer de estar no Espírito Santo, em uma agenda tão importante e em um momento tão importante da minha vida, que é ser mulher negra à frente da Fundação Cultural Palmares, a segunda mulher em vinte e sete anos a dirigir a Fundação Cultural Palmares. (Palmas). Começo cumprimentando todos vocês e toda a Mesa, pedindo a benção à Mãe Anajete, pedindo a todos os orixás e a Exu me dê o dom da palavra, do entendimento e da compreensão. Cumprimento todos em nome do Senhor Deputado Nunes e agradeço a S. Ex.ª a oportunidade. Em especial agradeço à companheira Jacqueline Silvestri, que teve a atenção de nos contatar em nome do Comitê Impulsor, fazendo com que a Palmares estivesse presente neste momento. Em nome do Comitê Impulsor ela fez esse contato e nos deixou muito feliz por compreender que este espaço, hoje ocupado por mim, representa todas as mulheres negras brasileiras que são dirigentes, militantes, ativistas e gestoras. Em nome da Senhora Rosa, do distrito de Queimado, uma militante histórica e resistente à frente do movimento negro, ideologicamente da defesa da serra de Queimado, lugar que tive o prazer de conhecer hoje na visita, identificando o diálogo que a serra de Queimado tem com a Serra da Barriga, 68 - Diário do Poder Legislativo onde morou Zumbi dos Palmares, patrimônio tombado pelo Ipham e administrado pela Fundação Cultural Palmares. Tenho a responsabilidade de gestar o parque onde Zumbi morou, onde estão as cinzas de Abdias Nascimento, onde morou Aqualtune, onde temos um histórico da resistência contra a perseguição escravocrata. Parabenizo, em nome Silvana Ribeiro, representando o Núcleo Impulsor das Mulheres Negras, da Marcha das Mulheres, pela coragem de assumir uma tarefa tão grande em um momento tão complicado da sociedade brasileira: de racismo, de homofobia, de genocídio, de sexismo e de combate ao direito à democracia. Parabenizo as mulheres negras brasileiras que estão à frente desse Comitê Impulsor. Ttive a oportunidade de estar com o Comitê Impulsor Nacional em Brasília no final de junho e estive na reunião nacional, em que a Fundação Cultural Palmares se colocou à disposição no que se refere à valorização, ao fortalecimento da Marcha e na mobilização das mulheres produtoras de cultura no País, para que também estivessem presentes nesse grande momento. Este ato hoje é mais um ato de demonstração das mulheres negras no rumo ao 18 de novembro, na grande concentração, onde todas as mulheres negras levarão suas demandas e farão o grande enfrentamento, abrindo uma grande agenda não só com o governo, mas com toda a sociedade brasileira. Por fim, cumprimento o meu amigo e companheiro Perly Cipriano, um ativista dos direitos humanos, que já esteve no governo federal no governo Lula e que construiu a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos com o presidente Lula. Hoje, se temos algum espaço que trata da diversidade religiosa, que tem um prêmio que premia Mulheres do Axé no Direitos Humanos, foi construído pelas mãos de Perly, de Paulo Vanuque, de Maria do Rosário, e hoje está nas mãos de Pepe Vargas, assim como esteve nas maões de Ideli Salvatti. Tenho muito apreço pelo Direitos Humanos por ele caminhar junto conosco, que fazemos o enfrentamento do combate ao racismo no rumo dos direitos, no rumo de um País democrático e inclusivo. Venho trazer uma mensagem nesta tribuna, um testemunho do que significa ser mulher e negra e estar ocupando um espaço de poder hoje. Historicamente, a gente olha as mulheres de modo geral, brancas e negras, com espaço limitado, com atribuições limitadas, quando desenvolvem atribuições para além da demanda são menos remuneradas que os homens, e homens negros ganham menos que mulher branca; mulheres negras ganham menos que homem negro, homem branco e mulher branca. Aí está a grande discussão. Se olharmos a agenda nacional da democracia, da denúncia do extermínio e do grande índice de homicídio da juventude negra, quem sofre? Quem põe as crianças no mundo? É uma agenda que envolve diretamente as mulheres. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Hoje a agenda nacional que nos está imposta mexe substancialmente com a agenda da marcha das mulheres. A marcha das mulheres ressignifica um momento de debate, ressignifica o caminho que as mulheres negras construíram desde que entenderam que tinham que se perfilar como mulheres negras ao lado das mulheres brancas, para dizer: mesmo sendo mulher como você, a nossa luta ainda é mais árdua. Não dá para negar, o racismo é implacável e impiedoso. Quando se trata da mulher, levam para o lado da fragilidade. Gente, não tem ser humano mais forte que uma mulher. Então, fragilidade não é um tema que cabe para reflexão em relação ao que significa ser mulher na sociedade brasileira. As grandes mulheres... Hoje o Quilombo Zumbi dos Palmares, os orixás me deram a graça de estar ocupando esse espaço, sabemos que a Quatune teve um papel fundamental na fundação de Palmares. Sabemos que a mulher teve um papel fundamental para edificar Zumbi e Ganga Zumba. A força dessa mulher quilombola e de todas as mulheres quilombolas... Quando cheguei, a primeira coisa foi uma quilombola me pegar pela mão e dizer: olha, não dá para ser assim, está assim, assim e assim. Quer dizer, as matriarcas quilombolas, as matriarcas yalorixás e babás, as matriarcas mães solteiras, as que são pais e mães de família, as que enfrentam a diferença de tratamento na sociedade brasileira para ocupar espaço público, porque não pense que ser presidenta da Fundação Cultural Palmares é como qualquer outro cargo no governo federal, tem diferença de olhar, de significado, e a gente tem que se impor vinte e quatro horas e, principalmente, provar que é capaz de fazer. A primeira qualidade que nos impõem é a dúvida: Será que ela tem condição? Será que tem qualificação? Será que essa menina consegue? Foi o que ouvi ao longo da disputa para ir para a Fundação Cultural Palmares. E havia quatro homens se colocando para ser presidente da Palmares. E estava eu, a mais jovem, a mulher do interior e negra para ocupar aquele espaço. Sobre essas reflexões de ocupação de espaço, da pauta da agenda da Marcha das Mulheres, às vezes podem dizer: essas mulheres ficam falando de coisas de branco com preto. Não é isso. É uma agenda diferente colocada na sociedade e se a gente não discutir no campo da democracia, do direito e da inclusão, não vamos conseguir vencer algumas etapas que temem em voltar. Então, acho que essa atividade sendo mais uma atividade da Marcha, traz uma reflexão positiva nesse momento da sociedade brasileira, do que significa milhões e milhões de mulheres se reunirem em Brasília, no dia 18 de novembro, para debater uma agenda que hoje está numa disputa. Porque a democracia está em disputa, a vida a juventude está em disputa, os direitos da inclusão está em disputa, a diversidade religiosa está em disputa, o direito de se colocar pessoas que a sociedade coloniza europeia diz diferente está em disputa. Então, a formação é Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 muito importante, e a afirmação dessas mulheres, mais importante ainda. A agenda da Marcha das Mulheres, desde o dia o8 de março, vem proporcionando esse grande debate. A caminhada das mulheres não é só brasileira, é também da América Latina. Vai ter informe do comitê, mas as mulheres, também, da América Latina estão se envolvendo em fortalecer, em participar da grande marcha nacional. Está virando uma agenda internacional, não é mais uma agenda das mulheres brasileiras, é uma agenda internacional. Isso tem um legado e uma afirmação política do cenário brasileiro. E não podemos ir longe, também, do tratamento que é dispensado à nossa Presidenta Dilma Rousseff. Tenho dito que sempre vamos enfrentar um governo com a postura e com o programa que temos, o governo que represento nesta reunião, hoje. Mas os ataques perversos e desrespeitosos a uma mulher que é a Chefe de Estado do Brasil é demais. E quanto a isso, não tem como não fazer uma reflexão, é porque é mulher. Por mais que batiam no Lula, não batiam como batem na Dilma Rousseff. O Lula apanhava bastante, mas o tratamento machista com a Presidenta Dilma Rousseff é de refletir a respeito do que significa essa estrutura machista no País. E aí é no conceito geral de ser mulher e de estar à frente de um processo de direção, de condução, de não respeitar, de não aceitar e de não tolerar. A intolerância, e aí a Marcha das Mulheres caminha para esse debate também... São vários casos de intolerância religiosa que acontecem no País. Mas o caso da Kailane Campos, menina de 11 anos, do Rio de Janeiro, que levou pedrada ao sair da sua casa de santo paramentada, serve para refletirmos como esse movimento de desrespeito está amplo, a ponto de todas as religiões se reunirem para poder enfrentar esse combate. Aí tenho dito o seguinte, que a Kailane Campos tinha acabado de sair do rondaine, o espaço sagrado de uma casa de candomblé. Sou umbandista e na minha casa se chama roncó e no candomblé se chama rondaine. Ela tinha acabado de sair, então, para mim não apedrejaram a Kailane Campos, e sim o Orixá, para mim apedrejaram o Orixá. Então, é mais grave ainda. Você não respeitar a pessoa de querer... E quem é de qualquer outra religião, que é intolerante, estuda efetivamente a religião. Então, ele sabia de onde Kailane Campos estava saindo; e era uma menina acompanhada de sua avó. Ontem, na audiência pública, teve um Ogan, o pai Marcos, que falou o seguinte: Porque eles ainda estão batendo dessa forma em mulher. Agora, quero ver quando eles pegarem um homem. Vai virar uma guerra, porque os homens vão revidar. Precisamos prestar atenção no que está sendo provocado no País, com essas intolerâncias. E no nosso debate na atividade da Kailane Campos, porque foi feita uma ação de desagravo pelo ato, na Diário do Poder Legislativo - 69 Penha, lá na praça onde ela foi apedrejada, no Rio de Janeiro, eu estava lá e tinha a presença de várias religiões, inclusive uma Igreja protestante fechou, não fez o culto para que todos fossem de Bíblia para o ato. Foi uma coisa muito interessante, de entender que tem que dar um basta. Então, esse caso da intolerância que a Kailane Campos sofreu, estávamos refletindo o seguinte, se você é homossexual, você é intolerante por ser homofóbico. Se você é da religião de matriz africana, é intolerante porque é de matriz africana; mas se a pessoa é católica, agnóstica, ateia, evangélica e apoia o combate à intolerância religiosa, ela também é intolerante com aquelas pessoas. Logo, esse é um sistema de intolerância que está sendo formado. A Marcha das Mulheres não pode ser tratada de forma diferente; é uma reflexão ampla da intolerância e do machismo. Não se pode tratá-la de forma diferente. Para mim, a Marcha vem em um momento crucial para a sociedade brasileira em que as mulheres reagem - as mulheres negras reagem - e têm várias mulheres não negras apoiando esse movimento por estarem não só à Mesa, mas também por estarem no Plenário. É muito importante estarmos ganhando esses pensamentos para nos apoiar. A Marcha das Mulheres Negras não quer dizer que somos contra as mulheres brancas, quer dizer que queremos ganhar pensamento especial a respeito da força e da luta das mulheres negras e dessa pauta que está na sociedade. Nisso há diferença. Lerei rapidamente um pouco sobre os pontos que achei muito bonitos - não sei se seriam lidos, mas queria lê-los - pois motivaram muito a minha fala. Trata-se de por que as mulheres estão caminhando? As mulheres negras caminham: Pelo fim do feminicídio de mulheres negras e pela visibilidade e garantia de nossas vidas; Pela investigação de todos os casos de violência doméstica e assassinatos de mulheres negras, com a penalização dos culpados; Pelo fim do racismo e sexismo produzidos nos veículos de comunicação promovendo a violência simbólica e física contra as mulheres negras; Pelo fim dos critérios e práticas racistas e sexistas no ambiente de trabalho; Pelo fim das revistas vexatórias em presídios e as agressões sumárias em mulheres negras em casas de detenções; Pela garantia de atendimento a acesso à saúde de qualidade às mulheres negras e pela penalização 70 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 de discriminação racial e sexual nos atendimentos dos serviços públicos; Pela titulação e garantia das terras quilombolas, especialmente em nome das mulheres negras, pois é de onde tiramos o nosso sustento e mantemonos ligadas à ancestralidade; Pelo fim do desrespeito religioso e pela garantia de reprodução cultural de nossas práticas ancestrais de matriz africana; Pela nossa participação efetiva na vida pública. É por isso que as caminhando. Muito obrigada. mulheres estão O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Cida Abreu. O Senhor Deputado Sergio Majeski pede para se ausentar, mas antes deseja fazer uma breve saudação. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - Peço desculpas aos senhores, pois terei de me ausentar já que tenho um compromisso em uma escola na Serra, às 15h30. Continuo à disposição de todos para continuarmos juntos nessa caminhada. Obrigado. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Concedo a palavra à Senhora Silvana Ribeiro, do Núcleo Impulsor da Marcha das Mulheres Negras no Espírito Santo. A SR.ª SILVANA RIBEIRO - Boa-tarde a todas. Peço licença à Mesa, pois gostaria de saudar a todas as mulheres negras presentes hoje neste Plenário. Para mim é muito emocionante ver esta Casa tão feminina e tão preta neste dia tão importante para nós. Não podemos deixar de falar e, hoje, como todos os dias, também é o nosso dia. Conforme apresentada, eu me chamo Silvana Ribeiro. Sou do Fórum Estadual de Juventude Negra e também do Coletivo de Mulheres Negras Aqualtune. Estou junto com diversas mulheres desde meado de abril do ano passado, na tentativa de articular o Núcleo Impulsor da Marcha das Mulheres Negras no Espírito Santo. Agradeço também ao Núcleo a honra de tentar representá-las aqui hoje. Agradecemos também aos Senhores Deputados Nunes e Sergio Majeski a oportunidade da realização desta audiência nesta Casa, que é a nossa casa. Falarei um pouco sobre o nosso processo de articulação da Marcha das Mulheres Negras no Espírito Santo. Como eu disse, desde abril, estamos realizando reuniões. A Marcha começou a ser pensada em 2011, a partir de uma articulação nacional. Em 2014 foi lançada em 25 de julho, Dia da Mulher Afro-Caribenho-Latino-Americana, em vários Estados do Brasil. As mulheres negras do Espírito Santo também conseguimos fazer o lançamento na Praça Costa Pereira. O que é a Marcha das Mulheres Negras? A Marcha é uma grande mobilização. Dentre os vários objetivos que a Cida ressaltou muito bem, um dos objetivos da Marcha é dar visibilidade à situação de opressão secular das mulheres negras e cobrar. Estamos aqui hoje para, além de celebrar, além de falar da Marcha, cobrar da sociedade, do Estado brasileiro, do Estado do Espírito Santo o respeito e o compromisso com a equidade racial e de gênero a fim de que nós, mulheres negras, possamos exercer plenamente os nossos direitos como cidadãs brasileiras e construtoras históricas deste Estado. Por que estamos aqui hoje? Por que nos deslocamos até aqui hoje? Por que marchamos? Como o Senhor Deputado Nunes disse na abertura, de acordo com o censo do IBGE, somos aproximadamente quarenta e nove milhões de mulheres, vinte e cinco por cento da população brasileira. Quando falamos do Espírito Santo, somos cerca de um milhão, setecentas e cinquenta mulheres negras, num universo de um milhão, setecentas e oitenta e três mil mulheres. Ou seja, nós, mulheres negras, representamos 57,2% da população feminina. É por isso que estamos aqui hoje: porque, embora sejamos a maioria da população feminina capixaba, vivenciamos uma série de discriminações tanto no sistema de saúde, nas consultas médicas, nos preventivos, nos pré-natais, como na escola, começando pela negação do acesso à nossa história, quando não é implementada a Lei n.o 10.639, no mercado de trabalho, quando nos exigem o critério de boa aparência e sabemos qual é o padrão. Também quando somos as principais vítimas de violência doméstica. Não dá para negar este dado. Vivemos num Estado que tem altos índices de violência doméstica. Quando falamos de feminicídio, o Espírito Santo também figura entre os Estados em que mais se matam mulheres negras. Infelizmente, segundo o mapa da violência divulgado recentemente, também somos o segundo Estado em que mais se matam jovens negros. Toda essa pauta afeta diretamente a nossa vida e não estamos falando só de coisa concreta, mas estamos falando da nossa vida Podemos afirmar hoje, que é muito difícil ser mulher negra no Estado do Espírito Santo. Por isso, estamos hoje nesta audiência pública. Acho que não podemos nos esquecer do motivo que nos traz a esta Casa hoje, do motivo que nos leva a marchar e o porquê de estarmos aqui. Para além da celebração, de marcar essa data, queremos cobrar dos representantes do Governo medidas eficazes no enfrentamento da violência contra as mulheres e também na promoção da equidade racial e de gênero. Estamos no sexto mês e temos uma série de cobranças. Temos o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, que depois de muito custo conseguiu ser empossado e até hoje está parado. Tínhamos uma gerência de promoção de igualdade racial e até hoje não vemos movimentação nenhuma. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Então, qual o compromisso do Estado do Espírito Santo com cinquenta e sete por cento da sua população? Qual o compromisso deste Estado com a maioria da população? Como pensarmos no futuro deste Estado com o extermínio da juventude negra na sua idade mais ativa, que é dos dezoito aos vinte e quatro anos? Como pensarmos no futuro do Espírito Santo em economia, no desenvolvimento econômico, sendo que estamos matando as nossas crianças, as nossas mulheres e os nossos jovens? Para finalizar, quero deixar um poema da Jeniffer Nascimento, do livro Terra Fértil. O título é Desensinamentos. Estão a moldar nossos pensamentos, A roubar nossa autoestima. Nos ensinaram um andar cabisbaixo. Corpos curvados encaram o chão Como se olhar o céu ou o front Não fosse algo permitido para negras lavadeiras, cozinheiras, professoras, balconistas, cabeleireiras e universitárias Como nós. Nos ensinaram que somos feias. As capas das revistas não nos querem. Os garotos na escola não nos querem. Os cargos executivos não nos querem. Os maridos não nos querem. Repare bem no que dizem Está tudo assim desproporcional, Grande demais, escuro demais. Pelo menos ajeitem esses cabelos. Estão a moldar nossos corpos, A tirar nossa expressividade. Nos ensinaram coreografias prémoldadas, Em que o balanço e a espontaneidade não cabem, E assim, pouco a pouco deixamos de dançar. Somos corpos reprimidos que pairam Por medo de errar a coreografia, De errar a medida, de errar… Corpos doentes. Corpos endurecidos. Corpos infelizes. Estão a moldar nossos sentimentos, A negligenciar nosso sentir. Nos ensinaram a ser fortes. Aguentar o sol forte queimando a cara Diário do Poder Legislativo - 71 Ao carregar a lata d’agua na cabeça, A aceitar humilhação da patroa, A parir sem gritar ou gemer, A criar os filhos sozinhas. A esconder o choro de solidão, A não pedir ajuda a ninguém, A esquecer de si mesma. Nos ensinaram a calar. A não dizer o que sentimos, nem o que pensamos. As coisas são como são e ponto. Está entendido? Na prática ninguém costuma mesmo Dar ouvidos a uma mulher, a uma negra. Que diferença faz o que você disser? Quantas vezes adiantou falar? Eles sempre dirão “você fica tão bonitinha assim, calada.” Aprender a calar antes que te calem. (...) Então um dia, Outras mulheres da mesma fileira que nós Nos ensinaram que tudo que tínhamos aprendido Era uma grande farsa. Foi quando aprendemos a lutar. Finalizo agradecendo a todas as mulheres negras que vieram antes de mim e que possibilitaram a minha fala nesta audiência hoje, porque se hoje estou neste plenário foi porque vocês lutaram para que eu estivesse. Outras mulheres negras virão e a nossa luta continua, porque estamos em marcha contra o racismo e a violência e pelo bem viver. Uma sobe e puxa a outra. Obrigada. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Silvana. Gostaria de registrar e agradecer a presença de Diones Cordeiro Silva, da Associação de Quilombola de Graúna de Itapemirim; de Lilico, Presidente da Associação de Solar de Anchieta 2; de Mônica Pereira, Subsecretaria de Ação Social e Cidadania de Itapemirim, que ajudou a organizar a caravana da comunidade Quilombola de Itapemirim; de Damares Azevedo de Jesus, Presidente do Sinteses; e de Lourência Riani, nossa companheira e Vice-Prefeita do Município de Serra, que esteve conosco hoje, pela manhã, fazendo a visita a Queimados, em Serra; de Marilene Bento de Araújo, Secretária de Educação de Vila Velha; de Cíntia Ribeiro dos Santos, Diretora da VGT; de Alzebiades Cabral, do Movimento Negro; do Professor Adriano Albertíno da Vitória, da Sindiupes e do Movimento 72 - Diário do Poder Legislativo Negro de Guarapari; de Bianca Barcelos Rodrigues, Assistente Social do Ministério Público; de Marilene Aparecida, do Núcleo Impulsor; de Céia Poubel, Secretária Estadual de Mulheres do PSB. Concedo a palavra ao Senhor Júlio Cesar Pompeu, Subsecretário de Estado de Direitos Humanos, da Secretaria de Estado da Assistência Social e Direitos Humanos. O SR. JÚLIO CESAR POMPEU - Senhor Presidente Nunes, Senhora Presidente da Fundação Cultural Palmares, coparticipantes da Mesa, senhoras e senhores, no meu descompasso nos cumprimentos, gostaria de quebrar um pouco o protocolo para cumprimentar especialmente, muito mais pelo afeto do que pelas hierarquias institucionais, o Senhor Perly Cipriano, que me antecedeu nessa função. É uma pessoa por quem tenho profundo respeito e admiração. Somente agora, depois de assumir o cargo, consegui encontrá-lo pessoalmente. Muito obrigado por tudo que foi feito antes. Espero poder dar continuidade. Não quero falar muita coisa por dois motivos: primeiro porque acredito que em uma audiência pública a função prioritária do Estado é ouvir e não falar nada para ninguém, é ouvir o que precisa para conseguir fazer o que deve; e em segundo lugar porque há muitas pessoas nesta audiência autorizadas, tanto em termos morais, existenciais e técnicos, que podem auxiliar tanto o Legislativo quanto o Executivo na tomada de decisões. Faço uma única observação. O Senhor Deputado Sergio Majeski falou há pouco que no Brasil existem muitas leis. De fato, temos leis à tonelada, desde normas constitucionais a leis de toda ordem, decretos, enfim. O que falta não são normas ou diretrizes, mas é o respeito das mais diversas ordens. E respeito não é coisa que se tenha. Respeito é atitude, é coisa que se faz. Produzir leis é até fácil, mas conseguir das pessoas respeito, respeito pelo sexo, respeito pela orientação sexual, respeito pela cor que se tem, respeito pelas crenças religiosas, respeito às pessoas por elas serem pessoas, respeito às pessoas por elas serem quem são, seja lá como sejam, é tão difícil. Tão difícil! Se temos tantas leis e esbarramos tantas vezes em uma série de dificuldades é porque produzimos leis sobre leis, ações sobre ações de estado justamente porque falta respeito. E o caminho para construção do respeito passa por dois tipos de atitudes, duas atitudes que vemos aqui, duas atitudes das quais eventos como este e outros tantos fazem parte. A primeira é dizer: eu existo, eis o meu problema, perceba-me. E o segundo deles é não fazer isso sozinho. Somos muitos, somos unidos. Isso é fundamental. Se hoje há tanto desrespeito e a impressão que se tem é de todas as ordens desrespeitos mais acentuados. Acredito que seja por uma espécie de influência de meios de comunicação. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Antigamente era difícil se fazer ouvir pelo grande público. Dependia de acesso à imprensa. Quem tem? São poucos, mas com redes sociais, por mais esquisita que seja sua opinião, por mais minoritária que seja, garanto que você encontrará um grupo significativo em redes sociais. E basta ter um grupo pequeno para que as pessoas se sintam empoderadas, se sintam autorizadas a agir de forma truculenta e desrespeitosa. Grupos machistas, grupos racistas, que encontram outros para construir grupos e dar-lhes a impressão de que têm apoio social mesmo quando são minoritários, já é o suficiente para fazer com que muitos se sintam autorizados a exteriorizar o despeito que, por afeto, por espírito, não têm pelos outros. Sinto que vivemos em um momento em que, pelo menos, muitos perderam o verniz de tentar ser educado diante dos outros e permitem que seus preconceitos por raça, por cor, por gênero e por religião venham à tona. Sei que é difícil, mas espero, de forma meio romântica, um dia poder discutir esse assunto sem a constatação do desrespeito como uma espécie de regra de conduta. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Senhor Júlio. Antes de convidar o próximo orador, registro as presenças de Odete Maria de Paula, da comunidade quilombola de São Pedro, de Ibiraçu; Denilza Vicente, da comunidade quilombola de São Pedro, de Ibiraçu; Rosemberg Moraes Caetano, do Conegro, do Município de Serra; Ana Lúcia da Rocha, do Fórum de Mulheres do Espírito Santo e que também faz parte do Núcleo Impulsor; Gleicy Santos, liderança da comunidade de Vila Velha, do Conselho de Saúde e dos Direitos Humanos; Gliciane Chagas Brumati, do Sindicato dos Psicólogos do Estado do Espírito Santo; Jorge Mathias, do Comitê Nacional de Defesa dos Direitos dos Negros e do Sindicato dos Químicos; Maria Aparecida Campos, representante do Senhor Deputado Federal Givaldo Vieira, nosso amigo; Selma Dealdina, companheira de São Mateus, também do Núcleo Impulsor que organiza a marcha; Iracema de Paula de Lima Freitas, da Secretaria Municipal de Assistência Social; Jacilene Marquesini Mergin, do Ministério Público; companheiro Aécio Leite, nosso amigo e vereador pelo Município de Serra; e Maria Borges dos Santos, primeira secretaria da Assembleia Legislativa. Convido para fazer uso da palavra a companheira Noêmia Simonassi, Presidenta da Central Única dos Trabalhadores, por cinco minutinho. A SR.ª NOÊMIA SIMONASSI - Boa tarde a todos e a todas! O Senhor Deputado Nunes fala até cinco minutinhos porque S. Ex.ª sabe que falo muito. Mas hoje não vou falar muito. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Beleza! Bacana! Uma salva de palmas. (Palmas) A SR.ª NOÊMIA SIMONASSI - Só porque falei que não vou falar muito? Quero saudar a Mesa, em nome do Senhor Deputado Nunes, nosso eterno presidente da CUT. Para nós, foi e sempre será nosso presidente, nosso guia dentro do movimento sindical. E além de cumprimentar os integrantes da Mesa, quero também parabeniza-lo por mais essa ação da Comissão de Defesa da Cidadania e parabenizar os Senhores Deputados que a compõem. Parabéns, Senhor Deputado Nunes, continue assim, defendendo os trabalhadores, trazendo os assuntos que envolvem nossa vida e a vida da sociedade para serem discutidos nesta Casa de Leis, porque é importante empoderar as pessoas e a sociedade desses temas, para que possamos ter mais força para lutar contra o que está se desenhando em nosso País. Sabemos que a maioria do povo brasileiro é negra, descendente de africanos, porque a maior população negra e afrodescendente fora da África está no Brasil. Apesar de termos os piores locais de trabalho e dentro do nosso local de trabalho ganharmos menos e sermos discriminados, somos maioria. Então, temos que nos empoderar. Nós, brasileiros e brasileiras, que temos o sangue negro da nossa mãe África, temos que nos empoderar disto: de que somos importantes e temos que ocupar nosso lugar. A conjuntura brasileira, neste período, está realmente horrível, contra nós, porque temos um reacionário chamado Eduardo Cunha que quer nos tirar todos os direitos e os direitos dos trabalhadores e que incita a homofobia e a discriminação contra a mulher e contra a mulher negra. É preciso que nos unamos para combater esse mal que está se espalhando por este País. Tivemos, durante todo o histórico da nação brasileira, períodos horríveis que passamos, nós, negros e descendentes, com tronco e com tortura, mas conseguimos e saímos disso, mas a escravidão não acabou. A escravidão continua ainda neste País. Nestes doze últimos anos, conseguimos ser reconhecidos em vários setores. Conseguimos, dentro da questão de direitos humanos, ter muito mais direitos: a questão das cotas dentro das universidades e dentro do serviço público. Então, conseguimos avançar. E querem nos tirar esses direitos. E, inclusive, usam a mídia para fazer com que os próprios negros e descendentes achem: Não precisamos de cotas, porque somos. E, na verdade, não é isso. Precisamos, sim, de políticas afirmativas, para que possamos assumir nosso lugar, porque esse lugar é nosso por direito. E não podemos arredar pé. Parabenizo todas as mulheres presentes e todos os homens, porque temos que ter os homens do nosso lado, para lutarmos juntos. E, para a Marcha, precisamos lotar muitos ônibus e fazer com que Diário do Poder Legislativo - 73 Brasília esteja realmente preta de mulheres e homens pretos, africanos, para dizer assim: Estamos aqui e o Brasil é nosso e precisamos defender os nossos direitos doa a quem doer. Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Convido a companheira Katia Penha, da Coordenação Estadual de Quilombola Zacimba Gaba e do Núcleo Impulsor Nacional. Mas, antes, paço a palavra à companheira Cida Abreu, que tem algo a nos dizer. A SR.ª MARIA APARECIDA DA SILVA ABREU - Deveria ter falado antes, mas acabei esquecendo-me. Já comuniquei à coordenação que hoje é o aniversário da minha filha Isadora que está completando dezessete anos. Quando confirmei a tarefa da agenda, na verdade não me atentei que era aniversário dela, comprometi-me a chegar à minha casa antes da meia noite. Como não tem voo direto, vou ter que embarcar às 16h55m e por isso terei que sair. Deveria ter falado antes para os senhores porque fiz questão de vir. Deixo o marido, minha mãe e meu pai que compreendem, mas filho é difícil. No dia do aniversário, com a mãe tão ausente, dizer que vou fazer um sacrifício de estar em casa para, pelo menos, dar os parabéns à meia noite. Peço licença aos senhores. O meu papel hoje é simplesmente dizer que a Palmares está à disposição. Estou me comprometendo com o Movimento Quilombola, com o movimento de mulheres negras produtoras de cultura, com todos os produtores de cultura e pretendo retornar em uma agenda institucional da Palmares para sentarmos e dialogarmos a respeito do que vamos construir juntos no Estado do Espírito Santo. Venho para esta agenda a convite do Comitê Impulsor, cumpri o meu papel de mulher negra porque estando no governo federal não poderia declarar o apoio do governo, da Palmares e do MinC nesta agenda. Acho que o que for encaminhado, Senhor Deputado Nunes, estou de pleno acordo com a organização das mulheres dos movimentos sociais. Mesmo estando na gestão, é o lado que vou sempre defender. É uma alegria ter estado nesta Casa, mas mãe é mãe. E no papel de mulher e mãe divorciada, criando minhas filhas em Brasília, eu e elas, acho que preciso jantar à noite com a minha filha. Sei que todas as mulheres terão que entender a minha ausência, mas acredito que nada vai prejudicar o encaminhamento desse processo. Peço licença para me retirar. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Cida. Tenho certeza absoluta que poderemos contar com você em outros momentos. Aproveito para registrar a presença do nosso amigo e companheiro Perly Cipriano, exsubsecretário Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República e ele também vai se ausentar por conta da Cida, ele é o guarda-costas 74 - Diário do Poder Legislativo dela. Obrigado pela presença, Perly. Uma salva de palmas para o Perly. (Palmas) O Perly deu uma contribuição muito grande quando esteve na subsecretaria. Concedo a palavra à Senhora Katia Penha. A SR. KATIA PENHA - Boa-tarde a todas, cumprimento o Senhor Presidente Nunes e assim cumprimento os demais representantes do governo. Cumprimentando através da nossa Mãe Anajete. É sempre uma honra pedir a bênção aos mais velhos assim como fazemos nos quilombos, e assim saúdo o Plenário através das comunidades quilombolas presentes e de muitas que não vieram, não puderam estar presentes. Nós, mulheres quilombolas do Espírito Santo de várias gerações, dos municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Presidente Kennedy, Ibiraçu, Santa Leopoldina, Guarapari, São Mateus, Conceição da Barra, Jerônimo Monteiro, Vargem Alta, entre outros, somos agricultoras, pescadoras, feirantes, rezadeiras, benzedeiras, jongueiras, artistas, professoras, agentes de saúde, ativistas, mães e cuidadoras que temos saber em nossas mãos. Experiências de direitos violados e desrespeitados pelo machismo representado, sobretudo, pelas grandes empresas e também pelo Estado. Queremos mais do que território, queremos o direito de viver de forma sustentável na produção de alimento agroecológico, beber a nossa água sem estar contaminada pelo veneno das grandes empresas, com saúde e educação para todas as gerações. Nós, mulheres quilombolas, seguimos na luta diária pela demarcação do território e a soberania do povo quilombola neste Estado, no enfrentamento ao racismo institucional, ambiental, social e cultural e, principalmente, na vigília constante para que as leis sejam cumpridas a favor daquelas que tanto necessitam. Não existe luta quilombola sem participação feminina. Somos conhecedoras do saber e acumulamos, ao longo da vida, a função de ser mãe, ou não, ser responsável pelo lar, cuidar da roça, dos animais, seja na casa de farinha ou fazendo carvão, na labuta diária dos afazeres, no cuidar da família, trabalhando no comércio, na saúde, na educação, estudando, enfim. Acumulamos funções na tarefa diária de ser mulher. É nesse sentido que nós mulheres estamos em marcha. Estamos em marcha hoje nesta audiência com o objetivo de consolidar a luta pela terra, avançar nas políticas públicas e promover o diálogo entre várias organizações de mulheres negras presentes neste Plenário. Essa marcha representa para nós um passo importante no empoderamento das mulheres quilombolas do campo e da cidade, o qual vem se manifestando em cada mulher que se mobiliza nos grupos de debate em seus municípios e comunidades. São esses gestos, essas manifestações, que nos deixam mais fortes para combater o racismo impregnado neste Estado. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 A Lei Maria da Penha tem que se adequar ao contexto das mulheres quilombolas. A violência doméstica é um dos principais problemas em nossas comunidades, mas não é o único. Uma coisa que nos parece fundamental é a proteção das lideranças femininas quilombolas, ameaçadas constantemente em nossos territórios. Estamos em marcha em nome de tantas mulheres quilombolas que, na luta, encontram-se privadas de sua liberdade, ameaçadas de morte, e por todas aquelas que tombaram na luta, que tiveram seu sangue derramado pelo conflito agrário e pela violência doméstica, em nome de cada menina que nasce, em nome de cada mulher que assume o papel de transformar essa sociedade racista. Estamos em marcha porque acreditamos que podemos transformar o nosso destino, a nossa história porque temos memória, cultura e alma. Para finalizar com esse texto que construí hoje pela manhã com uma companheira que estaria presente, nossa coordenadora de Mulheres, temos uma frase por que estamos em marcha: Mulheres quilombolas na labuta por igualdade, justiça, território e pelo bem-viver. Somamos a todas as mulheres negras que marcharão à Brasília em novembro. Muito Obrigada. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Katia. Registramos as seguintes presenças: Senhora Adriany dos Santos Frizzera, assistente social da Prefeitura de Marechal Floriano; Senhora Jacqueline Silvestri, da Secretaria de Estado da Saúde, milita na área da Saúde da Mulher; Senhores Bruno Loureiro Martins, diretor do Sintese; Fábio Gomes, assessor do Senhor Deputado federal Givaldo Vieira; Senhora Rosangela Jasper, vice-presidente da Asmufes, Associação de Mulheres com Doença Falciforme do Espírito Santo; do senhor Levi Guilherme, assessor da bancada do PT, representado o vereador Zé do Miguel; do senhor Leonor Araújo, do Núcleo Impulsor da Marcha Ganga Zumba; dos nossos vereadores e da Comissão de Direitos Humanos; do senhor Gilmar Carlos da Silva, vereador do Município de Serra; da senhora Sandra Mara Bruner, do Sindiupes; e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação. Concedo a palavra ao companheiro Ruy Marcos Gonçalves, representando o nosso vicegovernador. O SR. RUY MARCOS GONÇALVES Boa-tarde a todas as mulheres, principalmente as negras, e aos homens, com uma parcela pequena de presença, até porque o momento não é o deles, não é o nosso. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Mas estamos juntos. O SR. RUY MARCOS GONÇALVES Com certeza. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Saúdo, em nome do vice-governador e do Governo do Estado do Espírito Santo, o Senhor Deputado Nunes, que bem representa este Parlamento e que tem sido um grande parceiro nas relações com o Governo; todas as mulheres presentes à Mesa; o professor Júlio César Pompeu; e demais participantes da Mesa. Farei uma fala muito breve. Primeiro, no sentido de justificar a ausência do vice-governador, que está numa agenda no interior do Estado, mas que teria vindo a esta reunião com a maior satisfação. Assim como estivemos reunidos ontem, não é, Senhor Deputado? O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - É verdade. O SR. RUY MARCOS GONÇALVES Foi uma bela reunião, em que o governo assumiu um conjunto de compromissos com a realização da Marcha das Mulheres. Quero pontuar, rapidamente, alguns itens que foram levantados pela companheira. No início desse Governo, da nossa administração, dessa gestão, houve a necessidade de um conjunto de acertos. Em particular, na própria estrutura de algumas secretarias. Daí porque, ainda não termos nomeado a gerência da promoção da igualdade racial, o que acontecerá na próxima semana. E como desdobramento dessa ação, teremos o chamamento do Conselho de Promoção da Igualdade Racial e todas as ações decorrentes disso. É uma questão de tempo, mas isso já está sendo providenciado. Quero, rapidamente, me solidarizar com as pessoas que me antecederam. Quem teve a oportunidade de ler os jornais de ontem, tinha um artigo feito por mim, que é a minha posição clara, uma posição que venho defendendo ao logo da nossa história em relação à questão racial no Brasil. A nossa posição tem sido exatamente essa nesse momento. O Espírito Santo é um Estado que é marcado, e vocês são testemunhas vivas disso e vivas na essência da palavra, porque muitos que poderiam presenciar, testemunhar, não estão vivos ou vivas para testemunhar. O Espírito Santo é o Estado da Federação onde mais se mata mulheres, principalmente negras. É o segundo Estado onde mais se matam jovens e, em sua grande maioria, jovens negros. E, absurdamente, é um Estado que tem a maioria da população afrodescendente e esse tipo de situação vem ocorrendo. Então, todos temos uma grande responsabilidade. E a nossa responsabilidade se soma a um compromisso com vocês, de exatamente construir um novo momento, com um novo grau de relações. O professor Júlio César Pompeu, hoje assume uma tarefa importantíssima no âmbito do governo, na medida em que vai procurar dar nova face nas relações com os direitos humanos, aí incluídas todas Diário do Poder Legislativo - 75 essas ações que foram colocadas nesta reunião: a questão da mulher, do negro, da juventude. Isso tudo deverá ser abordado no âmbito de uma grande ação, em que o nosso compromisso principal será mudar os parâmetros dessa relação. Quando falo mudar os parâmetros dessa relação, digo discutir sem dificuldades e sem resistências, discutir a questão quilombola no Espírito Santo, que é uma questão grave e séria, que pretendemos tratar de forma eficaz. Conversamos recentemente com a Kátia Santos Penha e com o Arilson Ventura, da Coordenação Estadual Quilombola. É um compromisso nosso travar essa discussão, assim como travar a discussão da mulher negra na sociedade, no mercado de trabalho, aquela vítima da violência doméstica, uma situação extremamente preocupante. Agora, uma das coisas que se coloca como nosso alvo principal de preocupação é a juventude. A juventude é hoje o alvo principal da nossa atenção. O jovem hoje não tem conseguido atingir a idade adulta, principalmente o jovem negro. Não consegue atingir a idade adulta, não consegue atingir uma idade produtiva, não consegue viver, não consegue constituir família e não consegue ser feliz. E a responsabilidade do poder público é essa. Antes de tudo, mais do que falar enquanto Governo, enquanto representante do vice-governador César Colnago, falo enquanto parceiro, cidadão e negro. Não tenho dúvidas de que estando na posição em que estivermos, assumiremos no dia a dia o nosso compromisso e a nossa responsabilidade com a luta do povo negro capixaba, com a luta das mulheres capixabas e com a luta das mulheres negras capixabas. Esse é o nosso compromisso e assim o faremos. Queremos nos colocar sempre à disposição, Senhor Deputado, para travarmos esse debate, que é muito importante e que certamente fará a diferença em nossas vidas. Uma boa tarde a todos e um bom trabalho. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado Ruy Marcos Gonçalves. Comunico que teremos mais quatro pessoas da Mesa que farão o uso da palavra antes de abrirmos o debate para o Plenário. A Loyana Amorim Lyra dos Santos Carlini está fazendo as inscrições e quem quiser fazer o uso da palavra, por favor, passe o nome para S. S.ª. Concedo a palavra à Catarina Cecin Gazele, coordenadora estadual do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica contra a Mulher - Nevid, do Ministério Público. A SR.ª CATARINA CECIN GAZELE Agradeço o Senhor Deputado Nunes pelo convite, para que o Ministério Público estivesse presente, e quero fazer uma saudação a todas as mulheres negras na pessoa da minha amiga e irmã, historiadora e 76 - Diário do Poder Legislativo professora da Ufes, Leonor Araújo, que se encontra em Plenário. Não queria falar, justamente para oportunizar aos demais pela questão do tempo. Apenas digo, em breves palavras, que desejo bastante sucesso nessa marcha de novembro. Claro que, antes disso, é preciso haver muita união, muita coesão e muito trabalho, para que tudo ocorra bem, de acordo com as metas que querem atingir. Nós, no Ministério Público, embora trabalhemos com mais enfoque na questão da violência doméstica e familiar contra a mulher, tivemos que mudar um pouco o nosso trabalho para colocar o recorte da mulher negra nas nossas palestras, na parte jurídica especialmente, em palestras de promotores de justiça. Isso foi um alerta que nos foi dado em uma reunião que tive pessoalmente com o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher - Cedimes, em que uma representante de um movimento de mulheres negras me questionou, o que achei muito interessante e agradeci. E também, já que estou nesta audiência, quero dizer que embora a Lei Maria da Penha, em seu art. 2.o, fale que proteje toda mulher, independente de cor, raça, etnia, sabemos que vários documentos nacionais e também documentos do Estado do Espírito Santo que cuidam de direito das mulheres não fazem o recorte sobre a questão da proteção às mulheres negras. Então, creio que os nossos parlamentos, seja Congresso Nacional, seja Assembleia Legislativa, porque é uma questão estadual, que no momento de legislar façam essa observação. Estamos no Núcleo de Enfrentamento de Violência contra as Mulheres do MP, à disposição, na Procuradoria Geral de Justiça, no segundo andar. Deixo, então, o meu abraço e o abraço da minha equipe que se encontra na parte de trás, com as assistentes sociais e as psicólogas do Nevid. Estamos à disposição. Se alguém quiser falar alguma coisa especificamente, reclamar alguma coisa que tem a ver com violência contra a mulher pode procurar o pessoal da equipe, neste momento. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Concedo a palavra à companheira Helenice Nichio, gerente de Políticas Públicas para as Mulheres da Casa Civil. A SR.ª HELENICE NICHIO - Boa tarde a todos e a todas. Cumprimento a mesa na pessoa do Senhor Deputado Nunes, a quem agradecemos em nome do Governo do Estado e da Secretaria da Casa Civil. Cumprimento todas as mulheres presentes na pessoa da Mãe Anajete, da Comunidade de Matrizes Africanas. Agradeço, mais uma vez, e destaco a oportunidade de participarmos deste importante ato simbólico e preparatório para ações efetivas de Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 combate à discriminação e ao preconceito explícito às mulheres negras em nosso país. Estamos nesta audiência pública e deixamos a nossa mensagem de apoio: estaremos juntas nesta luta que deve ser de toda a sociedade brasileira. Este é um momento importante para as mulheres negras capixabas. Milito a cerca de vinte e cinco anos em prol do bem-estar e do acolhimento à mulher vitimizada. Falo não só da psicologia, minha área de atuação específica, mas também dos movimentos sociais, políticos e civis. A nossa luta, hoje, não é mais só para minimizar a dor emocional de quem passou pelo trauma da violência física, psíquica, étnica e sexual. O nosso grande desafio, hoje, é conscientizar para prevenir, nos anteciparmos aos crimes ligados à violência física e simbólica. Como fazemos isso? Educando. Não só as mulheres, mas principalmente os homens, as crianças e os idosos para a realidade em que vivemos nesta sociedade pós-moderna. As questões de gênero e raciais andam de mãos dadas. As recentes pesquisas apontam a correlação das duas categorias. Quando cruzamos os dados de gênero e etnia, fica claro que a mulher negra é a mais vulnerável. Assim sendo, precisa ser protegida e, principalmente, empoderada. Nas questões de violência contra a mulher, a mulher negra também aparece como a que mais sofre violência. É de conhecimento de todos, dos senhores e das senhoras presentes, que o Brasil e o Estado do Espírito Santo encontram-se numa situação alarmante de violência contra a mulher: o chamado feminicídio. E que a violência contra a mulher negra compreende uma ampla gama de atos desde a agressão verbal e outras formas de abuso emocional até a violência física e sexual. Os dados dos estudos de 2013 da violência contra a mulher, feminicídio no Brasil, e de 2011, retratam a desigualdade de gênero e raça. Ambos promovidos pelo Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, conclui que no Brasil tivemos 5,2 óbitos por cem mil mulheres no período de 2009 e 2011. São quatrocentos e setenta e duas mulheres mortas a cada mês e mais de quinze por dia, ou uma a cada uma hora e meia. Mais da metade desses óbitos, cinquenta e quatro por cento, foram de mulheres de vinte a trinta e nove anos, e sessenta e um por cento dos óbitos foram de mulheres negras. Cinquenta por cento dos feminicídios envolveram uso de armas de fogo. Vinte e nove por cento dos feminicídios ocorreram nos domicílios e trinta e seis por cento nos finais de semana. De janeiro a abril deste ano trinta e três mulheres foram mortas, segundo a Polícia Civil do Estado do Espírito Santo. O número de casos de mulheres mortas ultrapassa o número de crimes envolvendo o tráfico de drogas da Grande Vitória. Portanto, queremos deixar esses dados estatísticos e dizer que o Governo do Estado, o Governador Paulo Hartung, em março, lançou a Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 campanha e as ações para o combate. E dar um basta nesta sociedade que discrimina a mulher. E por aquelas que infelizmente ficam caladas, nos resta lutar. Lutar por uma história para as mulheres negras capixabas. Lutar por nós mulheres, que não podemos esperar mais. Precisamos agregar o número de pessoas nessa luta. Precisamos ressignificar o valor da mulher negra em nossa sociedade, o valor da sua preciosa vida. Basta de violência. Muito obrigada. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado. Comunicamos que o Senhor Júlio Cesar Pompeu, Subsecretário de Direitos Humanos, precisou se ausentar por conta de outra agenda. S. S.ª pediu desculpas. Concedo a palavra ao Senhor Guilherme Pacífico, subsecretário de Integração Institucional da Sesp. As inscrições continuam abertas. Quem quiser se inscrever, favor procurar Loyana Amorim Lyra dos Santos Carlini. O SR. GUILHERME PACÍFICO - Boatarde a todos e todas. Começo trazendo a saudação do nosso governador Paulo Hartung; do nosso vicegovernador César Colnago; a atenção especial do nosso secretário André Garcia. E, respeitosamente, faço uma saudação especial ao Senhor Deputado Nunes, um parceirão do Governo do Estado, sempre trazendo a baila vários temas que auxiliam a formatação de políticas públicas de combate à violência. Em nome de S. Ex.ª saúdo todos os integrantes da Mesa, mas também aproveito para saudar todas as mulheres em nome da professora e querida amiga Leonor Araújo, sempre defensora. Uma salva de palmas. (Palmas) Também saúdo os amigos de Governo, o Senhor Júlio Cesar Pompeu; o Ruy Marcos Gonçalves; a Nice Nicchio; a Fernanda Brauner, nossa gerente de Proteção à Mulher; a Doutora Catarina Cecin Gazele, do Nevid, sempre parceirona; a Edna Calabrez Martins, do Cedimes, no Fórum. Ou seja, pessoas que estão ombreadas para realmente ajudar a formatar políticas e ajudar na capacitação de policiais civis e militares que fazem esse trabalho diário de enfrentamento à violência. Não apenas das mulheres, mas também das nossas mulheres negras, brasileiras, capixabas, donas de casa, chefes de família, ou seja, quem também carrega e impulsiona o nosso Estado. Destaco que, com relação ao tema da violência doméstica, ao longo de mais de década, o Espírito Santo esteve em primeiro lugar no índice de violência contra as mulheres. Recentemente fomos para o segundo lugar, mas isso não é motivo nenhum de orgulho e nem para se comemorar. Esse dado serve apenas para indicar o caminho. Portanto, pela primeira vez, a par desse combate principalmente aos homicídios, número grande em nosso Estado, somente em 2009 morreram duas mil e trinta e quatro capixabas. O Ruy já havia me falado sobre a defesa e Diário do Poder Legislativo - 77 sobre proteger os nossos jovens que estão morrendo e as nossas mulheres. De lá para cá temos uma política pública focada em proteção à vida; e do ano passado até o presente momento, com a criação, pela Polícia Militar, da Patrulha da Comunidade e das Visitas Tranquilizadoras, a nossa PM auxilia o trabalho da justiça para acompanhar as medidas protetivas de urgência às mulheres. Neste ano, em uma ação de governo conjunta, envolvendo várias secretarias, uma atenção especial ao tema de proteção às mulheres, a Secretaria de Segurança Pública do Estado criou a Gerência de Proteção às Mulheres. Ela é que organiza e faz o diagnóstico do trabalho da segurança e dialoga com as demais instituições no âmbito da Segurança Pública. Como já disse, na Polícia Militar foram criadas as Patrulhas da Comunidade e as Visitas Tranquilizadoras. Na Polícia Civil, temos também o projeto Homem que é Homem para dar atenção ao homem agressor. Temos que olhar também para esse homem que está produzindo violência. Mas nada seria possível se não tivéssemos essa capacitação qualificada. Agradeço ao Nevid, que está presente conosco e está nos ajudando, Doutora Catarina Cecin Gazele. Estamos trazendo para cá, seja na construção de uma diretriz orientadora do trabalho das nossas Polícias, seja na orientação direta ao trabalho daquele que vai a campo e que está ouvindo as mulheres vítimas de violência, ao Tribunal de Justiça e ao Cedimes para estarmos atentamente ouvindo e atendendo àquelas demandas e temos resultados a partir desse trabalho. Foi uma campanha que se tornou pública para que as pessoas denunciassem essa violência que na maioria das vezes está intramuros e é uma violência doméstica. Tivemos o aumento de sessenta e três por cento das denúncias a partir dessa campanha. A população capixaba está aumentando a denúncia e com esse resultado de trabalho focado na redução da violência este ano já estamos colhendo uma redução de dez por cento no número de feminicídio em relação ao ano passado. Senhor Deputado Nunes, que belíssimo cartaz! Peço uma salva de palmas para as pessoas que fizeram a arte para esta Assembleia Legislativa. É muito bonita e representativa. Que essa marcha das mulheres leve a marca do Espírito Santo para que mudemos o cenário da violência contra as mulheres negras no Brasil e no nosso querido Estado. Obrigado. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Guilherme Pacífico. Comunico a todos que ainda não sabem - não consegui descobrir a idade dela - que a Mãe Anajete hoje está aniversariando. Gostaria, portanto, de cantar os parabéns antes dela usar a palavra. Vamos cantar os parabéns para ela. (É feita a homenagem) O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Deixei para a Mãe Anajete falar por último para 78 - Diário do Poder Legislativo fazermos essa homenagem. Concedo a palavra à Mãe Anajete, da Comunidade Matriz Africana, que terá uma tolerância um pouco maior do que cinco minutos. A SR.ª ANAJETE - Boa-tarde. Meu nome é Anajete. Sou nengua do nzo ngunzu nganga kiluminu nzaze que quer dizer casa de força do senhor dos raios nzaze. Cultuamos a natureza e vemos todas as reclamações sobre mulheres negras sofrerem. Não é fácil porque, além de ser negra, sou chamada de macumbeira. É pior ainda, ou seja, tem esse detalhe de ser macumbeira porque somos apedrejadas, não somos respeitadas. Se você disser que é candomblecista ou umbandista não consegue emprego. Passamos por toda essa dificuldade. Mas como sou uma mulher muito resistente, como todas nós, porque ninguém pode com uma criatura que sangra cinco dias no mês e não morre. Por isso, estamos aqui hoje: somos poderosas. Sangramos cinco, dez, quinze dias e estamos vivas. Será que o homem sangraria durante esse tempo e estaria vivo? Difícil. Somos poderosas! Podemos! Temos que acabar com esse misticismo de que mulher é fraca. Não somos fracas. Não temos cabelos ruins porque meu cabelo é crespo; ele nunca fez maldade com ninguém e isso tudo tem que acabar. Senhor Presidente, cheguei empolgada e me esqueci de mandar um beijo para os membros da Mesa. Também faço parte da coordenação de mulheres negras de Cariacica, um dos municípios de grande violência. Todos sabem disso. A grande dificuldade da mulher de terreiro é a indumentária porque se eu mandar fazer uma roupa dessa, ficará muito cara, somente porque somos candomblecistas. Nós mesmas fabricamos nossos colares, que são feitos de chifre de búfalo, tudo feito dentro do nosso contexto. Fabricamos atabaques. Não fabricamos mais as esteiras porque está difícil, pois estão acabando com as taboas. Somos um povo de preservação, de resistência e por isso estou nessa jogada. Sou uma mulher muito resistente. Saí a mais queimadinha lá de casa e sempre diziam a pretinha, a pretinha. Há aquelas certas diferenças que sabemos na família, mas nunca me importei com isso. Nunca alisei meu cabelo porque gosto do meu cabelo do jeito que ele é. Estudei, me formei, sou pedagoga por formação acadêmica. Fiz psicanálise, sou pósgraduada e fui lutando para poder chegar aonde queria para conseguir meu emprego, ter meu espaço maior. Mas sofri muito porque em toda escola coloca-se Jesus Cristo, mas nunca tem uma quartinha para fazer. Mas no final comecei a colocar quartinha e os pais reclamavam que havia uma professora macumbeira e estava levando macumba para a escola. Macumba é cura, é instrumento musical, e macumbeiro é o curador. A discriminação com a mulher negra é tão grande que calcinha na língua bantu, Congo, Angola, é camundongo. Para poder menosprezar a negra, colocaram o nome do maldito rato catingoso de camundongo, mas camundongo é o Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 nome de calcinha. Dentro do templo, chamamos calcinha de camundongo. Mulata é aquela mula para ser trepada. Não somos mulatas, somos morenas, somos negras. Não somos mulas. Parda vem de pardal. Não sou da cor do pardal. Sou mais tostada. Prefiro ser chamada de negra. Infelizmente não nasci negra, vindo de descendência de negros. Tenho uma mistura muito grande. Temos que parar de falar mulata: - Olha lá, lá vem a mulata. Ninguém é mula, ninguém é mulata, temos que cortar isso tudo. Se não cortarmos isso, cada vez fica pior. Por que nossas calcinhas são chamadas de camundongos, sendo que nossas calcinhas são tão bonitas? Temos cada lingerie linda e cheirosa, que não fede a rato. Muita coisa veio para atrapalhar. Passo por essas dificuldades e vou à luta até chegar lá. E graças a minha grande amiga e amada, que é uma pessoa que gosta de coisas diferentes, de cabelo vermelho, Leonor Araújo, que estou presente a esta audiência pública. Leonor, tenho muito amor por você e muito respeito. Leonor é uma grande mulher, porque pintar o cabelo de vermelho é muito atrevimento. É muito bonito e muito atrevimento. Até pensei em pintar meu cabelo. Não sei se vai ficar bom, mas vou tentar. É isso o que queria dizer. Agradeço à Mesa, a essas mulheres lindas que estão presentes. Não se importem se temos peito caído, porque negra é peituda e bunduda, nosso cabelo é crespo e somos lindas. (Palmas!) O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Gostaria de comunicar a todos os presentes que que há uma intenção nossa de apresentar um projeto de resolução que institua a Comenda Zacimba Gaba, a ser concedida pela Assembleia Legislativa a personalidades que se destacarem na luta em defesa da raça negra. Dez comendas seriam concedidas anualmente a essas personalidades, em sessão solene na Assembleia Legislativa, realizada no mês de novembro. (Palmas) Como uma justificativa para que pudéssemos apresentar essa comenda, o historiador, escritor e jornalista Maciel de Aguiar, em seu livro Os últimos zumbis, narra a história da princesa escrava e guerreira Zacimba, que foi trazida com outros negros de Angola, África, em 1690, para a região de São Mateus, norte do Espírito Santo. Zacimba foi uma negra que se diferenciou entre os seus por se tornar uma libertadora e líder de seu povo. Foi uma das precursoras da luta dos negros contra o regime cruel e desumano, que levou muitos africanos a perderem sua honra, liberdade, pátria e até mesmo suas vidas. Protocolaremos esse projeto de resolução e esperamos ter a compreensão de todos os Senhores Deputados, para que aprovem esse projeto e que assim, em que todo mês de novembro, possamos homenagear algumas mulheres desse movimento. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Farei isso logo depois que encerrarmos essa audiência pública. Concedo a palavra à Senhora Gleicy dos Santos da Vitória. A SR.ª GLEICY DOS SANTOS DA VITÓRIA - Fiz as contas. A pessoa que foi embora falou apenas cinco minutos, a doutora Catarina Cecin Gazele falou apenas um minuto. Então, além dos três minutos de que disponho, gostaria de utilizar esses minutos que sobraram, porque só para eu me apresentar, seriam quase dez minutos. E como é uma audiência pública e o povo tem que ter voz, reivindicarei meus direitos até o final e vou apertar o tempo até não querer mais. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Vamos fazer assim, concederei a você os mesmo cinco minutos que cada componente da Mesa teve. A SR.ª GLEICY DOS SANTOS DA VITÓRIA - Muito obrigada. Para iniciar, saúdo a Mesa e todo o público em nome de doutora Catarina Cecin Gazele, da Mãe Anajete, da Leonor Araújo e da Silvana Ribeiro. Mesmo não sendo negra, nossa maior representante da mulher no Estado é a doutora Catarina. Depois de uma capacitação que tive com ela, me transformei em outra mulher e me identifico muito com essa sobre quem senhor acabou de ler. Primeiro, se esta Casa é do povo, porque essas mulheres estão tomando café no copinho descartável? Não tem xícara aqui? Gosto muito de reivindicar essas coisas. Em outro momento estive nesta Casa e todos os componentes da Mesa estavam tomando café na xícara. Não tomo café no copinho. Se um dia eu me sentar à Mesa, quero uma xícara, senão trarei de casa. Sou Gleicy dos Santos da Vitória, fui abordada há quatro semanas para participar do concurso beleza negra. Não esperava, porque estava saindo da faculdade pela manhã, fui para uma reunião muito puxada à tarde, reunião que me transformou em coordenadora Regional de Saúde do município. Isso depois de tanto levar pernada e rasteira do Executivo de Vila Velha, visto que sou conselheira Municipal de Saúde de Vila Velha. Lá eles fazem de tudo para te tirar do poder. Achava que era por eu ser mulher, mas anteontem entendi que é porque sou negra. Sou líder comunitária, líder estudantil, coordenadora disso, coordenadora daquilo, represento isso, represento aquilo, aluna de direito, mas isso não quer dizer nada, sabe por quê? Porque para o homem a mulher negra não é nada. Sofri preconceito racial. Atuo em uma associação de direitos humanos, é uma comissão de direitos humanos. Estou dando tchau para ela hoje. Por quê? Porque lá não é o meu lugar. Se lá fosse o meu lugar, o presidente da comissão me respeitaria pela pessoa que sou. Diário do Poder Legislativo - 79 Para efeitos jurídicos, seria preciso haver uma norma jurídica para se respeitar mais essas mulheres. Uma norma jurídica eficaz com efeitos positivos - porque os efeitos negativos já existem que imponha respeito e atue na educação. Isso é um trabalho para o Legislativo. Sou dos direitos humanos, e mesmo não sendo mais dessa comissão, continuo sendo dos direitos humanos. Tenho trinta e cinco anos e três filhos: o mais velho tem quatorze e a mais nova tem cinco anos. Parabenizo muito a pessoa que sai para passar o aniversário como filho, porque não passo aniversário com a minha filha. Saio 5h da manhã de casa e chego meia noite. Trabalho para o povo e não recebo um centavo. E se quero amarrar essa faixa na minha cabeça - não sei porque amarro, ando sempre com ela, gosto de amarrar -, não tenho a porta de emprego aberta para mim. Tive que virar microempreendedora, trabalhar e com o meu próprio esforço ganhar o meu dinheiro para comprar os meus sapatos, que são quase dez por semana. Não tenho o mercado aberto para mim, porque luto e reivindico as causas justas. Vejo muita dificuldade na assistência à mulher e à mulher negra. Fui socorrer uma pessoa ontem, o não era o meu dever e sim do Estado. No meu primeiro dia de férias fui socorrer essa pessoa. Estava de férias e pensei em ir dormir. Bateram à porta e era uma mulher negra. Não me toquei disso, mas quando cheguei à unidade de saúde, onde me conhecem, chegou cadeira de rodas, quatro enfermeiros, tudo quanto é exame para ela fazer. No Hospital Evangélico ela estava desmaiando três vezes por dia, era ataque cardíaco, não fizeram eletro. Falei com ela que a levaria ao Hospital Evangélico, porque sou conselheira de lá e só de me verem te atenderão. Por que você só é atendida de acordo com o que você é? Por que não atendem todos igualmente? Minha palavra é mais de reivindicação. Tenho muito orgulho de ter sido Musa Beleza Negra 2015, na categoria Plus Size, gordinha. Não esperava e ganhei o primeiro lugar. Há vinte anos fui modelo e sempre perdia em terceiro e segundo. Gostaria que nossa representante na Casa Civil, Nice, nos apresentasse os projetos porque em Vila Velha não temos nada. Estou com um documento da Subsecretaria do Negro e não sei nem para onde vou com aquele documento. Alguém de Brasília me pediu para providenciar, até do grupo da Silvana, providenciei e nem sei quem é mais a mulher, esqueci seu rosto. Tem que ter lá, não sei como. Queria deixar bem claro que, apesar de ser uma pessoa evangélica, sou negra, minha herança é africana, faço questão de deixar meus traços à mostra, nem uso maquiagem, e a primeira pessoa que saudei, com sorriso, foi a Mãe. Sou evangélica hoje porque fui criada na lei brasileira, mas vou respeitar a religião dela, a dele, o homossexual, todo mundo, 80 - Diário do Poder Legislativo porque temos que nos dar bem com todas as representatividades. Não vai dar tempo de falar tudo que eu tinha para falar, mas quem quiser futucar minha vida, vá ao Facebook. Acho que esta Casa, quando fizer essas audiências públicas, deve usar mais a mídia, explorar mais a mídia, para conscientizar a sociedade, porque estamos desinformados de tudo. Se temos que aprender a respeitar, a televisão é o veículo para passar esse ensinamento, porque todo mundo assiste televisão. Se colocar na mídia que temos que respeitar a mulher negra como a outra, todo mundo vai começar a respeitar, mas a partir da norma jurídica, porque sem lei ninguém obedece ninguém em nada. Muito obrigada! O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Gleicy! Concedo a palavra à companheira Maria Margaret Belmiro Lima para fazer uso da palavra, por até três minutos. A SR.ª MARIA MARGARET BELMIRO LIMA - Boa-tarde a todos e todas! Quero cumprimentar a Mesa através do Senhor Deputado José Carlos Nunes, agradecer seu olhar e sua sensibilidade para as questões das mulheres negras. Lutamos em prol de todas as mulheres, mas as negras têm especificidades diferentes e a gente precisa ter um olhar especial sobre essa questão. Quero também saudar Mãe Anajete, doutora Catarina, Noêmia e, através delas, todos da Mesa. São quarenta e nove milhões de mulheres brasileiras descendentes de quilombolas no Brasil, não é pouca coisa. Essas mulheres são excluídas pelo Estado, marginalizadas pela sociedade, aniquiladas pelo agronegócio. Então, a Marcha das Mulheres Negras em novembro é mais uma oportunidade para darmos visibilidade a questões como racismo, sexismo, violência doméstica, pelo fim do feminicídio e pela defesa dos jovens, cuja mortandade é muito grande, principalmente dos negros, com garantia de suas vidas através de oportunidade da educação. Sem educação, sem essa oportunidade a sociedade não avança, não se adquiri a solidariedade e o respeito entre a população em geral. Essa marcha vai dar também visibilidade à questão do acesso à saúde pública de qualidade e à titularidade da terra, questão muito disputada e debatida pelas comunidades quilombolas. As políticas públicas de valorização da vida e da luta árdua das mulheres negras devem passar pelo respeito às suas histórias e a partir da realidade de cada mulher, porque não adianta criar lei e fazer políticas públicas se essas não chegam à comunidade quilombola, se as mulheres não lhes têm acesso. Esse é um detalhe que deve ser observado pelos nossos legisladores. Quero dizer, também, que a partir da realidade de cada mulher que vive em comunidade Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 quilombola, é preciso garantir e fortalecer os seus direitos. Aproveito, Senhor Deputado Nunes, para agradecer por esse espaço, que V. Ex.ª tem garantido para o movimento social se manifestar e fazer os seus debates, e convidar para mais uma marcha, a Marcha das Margaridas, que vai acontecer agora nos dias 11 e 12 de agosto. Essa marcha é oriunda desde 1983, quando a Margarida Maria Alves foi assassinada por questões de terra. O seu assassino só foi preso em 2002. De lá para cá, estamos na quinta edição dessa marcha. Com essa marcha, vamos à Brasília, com cem mil mulheres, apresentando a nossa pauta de reivindicação, que também não foge da pauta de vocês, que é a questão de titularidade de terra, de segurança, da violência doméstica, de feminicídio, de saúde pública, todas essas questões que permeiam a vida de vocês quilombolas também permeiam a vida das mulheres no campo, e também a vida das mulheres urbanas. Convido todos e todas para, dia 10 de agosto, sairmos daqui às 6hs rumo à Brasília, onde queremos chegar à noitinha e descansar à noite, para no dia 12 fazer a marcha e retornar para o Estado à noite. Sintam-se convidadas. Vamos fortalecer, ser solidárias, porque essa luta de mulheres é de todas as mulheres. Muito obrigada e meus parabéns pela audiência. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, senhora Maria Margaret. Convido para fazer uso da palavra a companheira Regina Célia Silva Corrêa, do movimento popular, por até três minutinhos. A SR.ª REGINA CÉLIA SILVA CORRÊA - Boa tarde a todos e a todas, companheiros e companheiras. Quero ressaltar nesta audiência pública, não tão sobre a questão da mulher negra, mas sobre o que salta aos nossos olhos: a questão da vulnerabilidade da mulher, de um modo geral. E vários temas foram colocados. Com relação à questão dos números de agressividade, que nos assustam, inclusive no Estado do Espírito Santo, em relação à questão da mulher negra ele é bem mais expressivo. Penso que precisamos lutar pela reconstrução da família, começar a reconstruir os lares; pela questão da civilidade religiosa, seja do credo que for, para que as pessoas tenham mais um pouco de sensibilidade dentro das suas casas, dos seus lares, para que as coisas sejam mais amenas e comecem a caminhar para outro sentido. E começar a agregar mais valores dentro dos lares, para que as coisas comecem, realmente, a fluir melhor. A senhora Maria Margaret fez uma colocação em relação à questão da educação. É uma pena o professor ter saído, mas temos a presença do Senhor Deputado Nunes. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Antigamente, na minha época, tínhamos uma matéria que se chamava Educação Moral e Cívica. Depois que tiraram aquela matéria do currículo escolar, da grade escolar... Aquela matéria dava civilidade a todas as crianças, na área cultural, na educação escolar, na questão religiosa e em vários campos da educação. Seria uma matéria tão interessante, e hoje faz tanta falta. Então, está aí uma dica, de repente, para que os educadores presentes nesta reunião possam pensar nisso para amenizar. Acho que tem de passar pela questão da educação também. Temos de começar a reeducar nossas famílias, para que a coisa seja mais amena nessa questão. Foi só uma dica para começarmos a pensar nessas questões. Desejamos que a nossa Marcha para Brasília seja realmente grandiosa e que tenhamos bastante êxito. Boa-tarde a todos e obrigada. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Regina Célia Silva Corrêa. Concedo a palavra à companheira Leonor Araújo, que também faz parte no Núcleo Impulsor e é uma das coordenadoras da Marcha. A SR.ª LEONOR ARAÚJO - Obrigada. Boa tarde a todos. Queria dar visibilidade às mulheres que compõem o Núcleo, por favor, fiquem de pé. A Selma Dealdina está sentada. Essas mulheres têm trabalhado há mais de um ano preparando essa e outras atividades para que a Marcha aconteça e para que possamos tomar a Esplanada no dia 18 de novembro em Brasília. Queria dizer que primeiramente tem muita gente neste País que acha que sou branca. Essa é uma dúvida que só existe no Brasil, pois em qualquer outro lugar do mundo sou preta e sei exatamente do lugar de onde falo e do que vivo. Evidente que como temos um racismo de marca neste País, as pessoas que têm mais melanina sofrem mais discriminação do que as que têm menos. Isso é evidente. É lógico que não passei pelo tanto de discriminação que passaram as minhas companheiras que têm mais melanina na sua pele, mas isso não fez com que eu não tivesse o poder da alteridade de me colocar no lugar delas e trabalhar pela questão da mulher negra, que é questão fundamental neste momento desta audiência. As nossas famílias não são aquelas tradicionais europeias e não são as famílias brancas; a nossa família de descendência africana vai muito além, pois reúne muito mais pessoas. É por isso que no Núcleo, quando uma sobe, puxa a outra porque as nossas famílias são famílias extensas e não estão presas aos costumes e às tradições que fazem com que discriminemos a família que é composta por dois homens ou por duas mulheres, a família que opta por ser de amor e não uma família de tradição! Essa é a nossa diferença. A nossa tradição é aquela que vem construída pelo amor que temos uns pelos outros. Diário do Poder Legislativo - 81 Essa é a nossa descendência africana e é nisso que trabalhamos todos os dias. Queria fazer algumas propostas necessárias para que continuemos nessa pauta. Estou muito emocionada. Agradeço à Catarina Cecin Gazele, linda; a mãe Anajete, a sua bênção. Agradeço ao que foi meu companheiro de governo durante muito tempo e que é muito querido pelas menções a mim. Digo que precisamos - e o faço diretamente à gerente de Política para as Mulheres do Estado do Espírito Santo - retomar as nossas políticas. Temos dois ônibus que estão parados há mais de oito meses no intuito de atender às Mulheres do Campo e da Floresta... O Fórum de Mulheres do Campo e da Floresta não se reúne. As mulheres quilombolas precisam que esses ônibus estejam no interior porque na cidade gritamos pela janela e o vizinho nos ouve. Mas, no campo, quem grita só as galinhas ouvem e essas mulheres não podem fazer nada. Precisamos que os ônibus circulem, que a política continue, que o Centro de Referência e Atendimento à Mulher Estadual seja inaugurado e que essa política tenha preponderância dentro do governo do Estado do Espírito Santo! Políticas que foram construídas, que estão sendo construídas há muito tempo pela luta dessas mulheres que estão presentes hoje e pela luta daquelas que não puderam estar porque tombaram na luta pela causa da mulher negra. Senhor Deputado Nunes, precisamos trazer para esta Casa de Leis a discussão da alteração da Lei de Terras do Espírito Santo que, infelizmente, afronta a Convenção n.º 169 da OIT porque ela diz que aqui terra só pode ser dada para pessoa física, mas os quilombolas têm a sua titulação como terra comunitária. Logo, não terão nunca terra neste Estado se este não mudar a lei. Esse projeto de lei tem que vir a esta Casa, tem que ser discutido e tem que ser alterado. Precisamos avançar! Este Estado precisa avançar porque o racismo pessoal e institucional neste Estado tem vitimado as mulheres e os jovens negros e pouco temos avançado nessas políticas. Reduzimos a mortalidade, mas não reduzimos a mortalidade das mulheres negras e dos jovens negros. Ela só tem aumentado. Então, é fundamental que todas as ações que têm sido feitas pelo Nevid, pelo Ministério Público tenham o amparo desta Casa. Precisamos fazer com que as notificações compulsórias tenham registro porque, quando a mulher dá entrada num posto de saúde agredida, violentada, estuprada, ela precisa ter esse registro. Esse registro precisa ser feito para que se possa tomar providências. Precisamos que isso aconteça. Precisamos que o Estado continue a qualificar as mulheres e, principalmente, as mulheres negras no entendimento do ciclo da violência. Precisamos romper esse ciclo. Precisamos fazer com que este Estado não caia só para o segundo lugar, mas que ele saia efetivamente dessa escalada de violência que é quase uma guerra civil na mortalidade das nossas 82 - Diário do Poder Legislativo mulheres e dos nossos jovens negros. Essas são medidas urgentes que precisamos tomar. Precisamos retomar o Fórum das Mulheres do Campo e da Floresta no cronograma dos ônibus que foram doados pelo Governo do Estado e pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e que estão hoje parados. O microônibus da juventude também está parado. Não roda no interior. Esta política precisa ser levada para o interior. É no interior que precisamos fazer a diferença. Porque na capital as ações estão sendo feitas e estão sendo coordenadas. Agradeço a minha amiga, minha irmã, minha querida Catarina pelo trabalho que tem feito no Nevid. Mas precisamos empoderar mais o Nevid, precisamos estar mais juntas porque precisamos fazer com que a Polícia Militar, a Política Civil, todos os órgãos deste Estado entendam a questão das mulheres e, principalmente, a questão das mulheres negras. Precisamos proteger as mulheres do Axé, que têm sido vítimas insistentemente de uma violência que é presente, que é física. Mas também de uma violência que se faz pelo Disque-Silêncio, quando as festas se arrebentam do lado da nossa casa até a madrugada e ninguém liga para o Disque-Silêncio. Mas, se tocamos os nossos atabaques, o Disque-Silêncio é rapidamente colocado em ordem para que paremos o nosso culto. Faço um agradecimento especial à Mãe Anajete por estar aqui no dia do seu aniversário. Peço a Oxalá e aos Orixás que abençoem a senhora sempre. Que a senhora tenha uma vida longa. Peço a bênção dos meus mais velhos e dos meus mais novos. Agradeço ao meu pai Xangô, que me permite estar aqui hoje. (Palmas) O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Leonora Araújo. Convido a cerimonialista Val Andrelino para fazer a leitura do Manifesto que propusemos no início da audiência e encaminharemos para a Organização Nacional da Marcha. A SR.ª ANDRELINO) - CERIMONIALISTA - (VAL Manifesto Estadual da Marcha das Mulheres Negras de 2015 contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver Nós, mulheres negras brasileiras, descendentes das aguerridas quilombolas e que lutam pela vida, vimos neste 25 de Julho - Dia da Mulher Afrolatinoamericana e Afrocaribenha, Dia Nacional de Teresa de Benguela - denunciar a ação sistemática do racismo e do sexismo com que somos atingidas diariamente mediante a conivência do poder público e da sociedade, com a manutenção de uma rede de Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 privilégios e de vantagens que nos expropriam oportunidades de condição e plena participação da vida social. Nesta data vimos visibilizar a incidência do racismo e do sexismo em nossas vidas, assim como as nossas estratégias de sobrevivência, nosso legado ancestral e nossos projetos de futuro e afirmar que a continuidade de nossa comunidade, da nossa cultura e dos nossos saberes se deve, única e exclusivamente, a nós, mulheres negras. Transcorrido esse marco histórico e a atualidade de nossas lutas, nos valemos do Dia da Mulher Afrolatinoamericana e Afrocaribenha, Dia Nacional de Teresa de Benguela, para anunciar a realização da Marcha das Mulheres Negras 2015 contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, que realizaremos em novembro deste ano, em Brasília. Somos quarenta e nove milhões de mulheres negras, isto é, 25% da população brasileira. Vivenciamos a face mais perversa do racismo e do sexismo por sermos negras e mulheres. No decurso diário de nossas vidas, a forjada superioridade do componente racial branco, do patriarcado e do sexismo, que fundamenta e dinamiza um sistema de opressões que impõe, a cada mulher negra, a luta pela própria sobrevivência e de sua comunidade. Enfrentamos todas as injustiças e negações de nossa existência, enquanto reivindicamos inclusão a cada momento em que a nossa exclusão ganha novas formas. Impõe-se na luta pela terra e pelos territórios quilombolas, de onde tiramos o nosso sustento e mantemonos ligadas à ancestralidade. A despeito da nossa contribuição, somos alvo de discriminações de toda ordem, as quais não nos permitem, por gerações e gerações de mulheres negras, desfrutarmos daquilo que produzimos. Fomos e continuamos sendo a base para o desenvolvimento econômico e político do Brasil, sem que a distribuição dos ativos do nosso trabalho seja revertida para o nosso próprio benefício. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Consideramos que, mesmo diante de um quadro de mobilidade social pela via do consumo, percebido nos últimos anos, as estruturas de desigualdade de raça e de gênero mantêm-se por meio da concentração de poder racial, patriarcal e sexista, alijando a nós, mulheres negras, das possibilidades de desenvolvimento e disputa de espaços como deveria ser a máxima de uma sociedade justa, democrática e solidária. Não aceitamos ser vistas como objeto de consumo e cobaias das indústrias de cosméticos, moda ou farmacêutica. Queremos o fim da ditadura da estética europeia branca e o respeito à diversidade cultural e estética negra. Nossa luta é por cidadania e a garantia de nossas vidas. Estamos em Marcha para exigir o fim do racismo em todos os seus modos de incidência, a exemplo da saúde, onde a mortalidade materna entre mulheres negras estão relacionadas à dificuldade do acesso aos serviços de saúde, à baixa qualidade do atendimento recebido aliada à falta de ações e de capacitação de profissionais de saúde voltadas especificamente para os riscos a que as mulheres negras estão expostas; da segurança pública cujos operadores e operadoras decidem quem deve viver e quem deve morrer mediante a omissão do Estado e da sociedade para com as nossas vidas negras. Denunciamos as batalhas solitárias contra a drogadição e a criminalização do nosso povo e contra a eliminação de nossas filhas e filhos pelas forças policiais e pelo tráfico, há muito tempo! Denunciamos o encarceramento desregrado de nossos corpos, vez que representamos mais de 60% das mulheres que ocupam celas de prisões e penitenciárias deste país. Ao travarmos batalhas solitárias por justiça num quadro de extrema violência racial, denunciamos a cruel violência doméstica que vem levando aos maus tratos e homicídios de mulheres negras, silenciados em dados oficiais. Lutamos pelo fim do Diário do Poder Legislativo - 83 racismo estrutural patriarcal que promove a inoperância do poder público e da sociedade sobre a exterminação da nossa população negra. Estamos em marcha para reivindicamos o livre culto de nossas divindades de matriz africana sem perseguições, nem profanações e depredações de nossos templos sagrados. Estamos em marcha contra a remoção racista das populações das localidades onde habitam. Lutamos por moradia digna; por cidades que não limitem nosso direito de ir e vir e contra a segregação racial do espaço urbano e rural; por transporte coletivo de qualidade; por condições de trabalho decente nas diferentes profissões que exercemos. Valorizamos nosso patrimônio imaterial em terreiros, escolas de samba, blocos afros, carimbó, literatura e todas as demais manifestações culturais, definidoras da nossa identidade negra. Estamos em marcha porque somos a imensa maioria das que criam nossos filhos e filhas sozinhas, as chefes de famílias, com parcos recursos e o suor de nosso único e exclusivo trabalho. Estamos em Marcha: pelo fim do femicídio de mulheres negras e pela visibilidade e garantia de nossas vidas; pela investigação de todos os casos de violência doméstica e assassinatos de mulheres negras, com a penalização dos culpados; pelo fim do racismo e sexismo produzidos nos veículos de comunicação promovendo a violência simbólica e física contra as mulheres negras; pelo fim dos critérios e práticas racistas e sexistas no ambiente de trabalho; pelo fim das revistas vexatórias em presídios e as agressões sumárias às mulheres negras em casas de detenções; pela garantia de atendimento e acesso à saúde de qualidade às mulheres negras e pela penalização de discriminação racial e sexual nos atendimentos dos serviços públicos; 84 - Diário do Poder Legislativo pela titulação e garantia das terras quilombolas, especialmente em nome das mulheres negras, pois é de onde tiramos o nosso sustento e mantemonos ligadas à ancestralidade; pelo fim do desrespeito religioso e pela garantia da reprodução cultural de nossas práticas ancestrais de matriz africana; pela nossa participação efetiva na vida pública. Buscamos num processo de protagonismo político das mulheres negras, em que nossas pautas de reivindicação tenham a centralidade neste país. Nosso ponto de chegada e início de uma nova caminhada é 18 de novembro de 2015, em Brasília/DF. Conclamamos, a todas as mulheres negras, para que se juntem a esse processo organizativo, nos locais onde estiverem, e a se integrarem nessa Marcha pela nossa cidadania. Imbuídas da nossa força ancestral, da nossa liberdade de pensamento e ação política, levantamo-nos - nas cinco regiões deste país - para construir a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, para que o direito de vivermos livres de discriminações seja assegurado em todas as etapas de nossas vidas. ESTAMOS EM MARCHA! Gostaria de quebrar o protocolo, Senhor Deputado Nunes, e dizer que estamos em marcha por Dona Cornélia da Conceição, em São Mateus, assim como por Valcenir Patrício, por Lélia Gonzalez, por Verônica da Paz e por todas as mulheres negras que nos antecederam na luta neste País. Estamos em marcha. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Simbolicamente, colocaremos este manifesto à apreciação dos senhores e das senhoras. Os companheiros e companheiras que aprovam este manifesto, manifestem-se levantando a mão. Aprovado. Encaminharemos este manifesto para a Organização Nacional do Núcleo Impulsor. Há assinatura de várias companheiras em uma lista de adesão ao Manifesto da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, que será entregue à Organização Nacional da Marcha. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Concedo a palavra a companheira Silvana Ribeiro, que fará um convite. A SR.ª SILVANA RIBEIRO - Deixo um convite para todas. O Núcleo Impulsor Capixaba se reúne todo segundo sábado e a nossa próxima reunião será amanhã, a partir das 9h, na biblioteca do Museu Capixaba do Negro Verônica da Paz. Quem estiver disponível e quem puder participar, será bem-vindo. Também convidamos todas para o nosso seminário de formação, que acontecerá no dia 25 de julho, também no Museu Capixaba do Negro Verônica da Paz durante todo o dia, onde continuaremos pensando estratégias para mobilização e articulação da marcha das mulheres negras no Espírito Santo. A participação e o envolvimento de todas as mulheres são muito importantes. Só frisando que os homens e as mulheres não negras são bem-vindos, mas o protagonismo é nosso. O protagonismo da Marcha das Mulheres Negras é das mulheres negras. Obrigada. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Está feito o convite. A companheira Katia Penha também está querendo fazer um convite. A SR.ª KATIA PENHA - Um convite a todas as mulheres negras presentes: no período de 28 a 30 de agosto, as comunidades do Território Sapê do Norte, de Conceição da Barra e de São Mateus, realizarão o 11.º Festival do Beiju. Uma tradição nossa, pela qual tiramos da nossa terra o nosso sustento. Está registrado. O convite é aberto. Será na comunidade do Divino Espírito Santo, na minha comunidade, em São Mateus. Estendo o convite a todas que queiram presenciar nossa cultura. O melhor beiju capixaba está em São Mateus. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Todos estão convidados. Mais uma vez, digo às companheiras e aos companheiros presentes que nosso mandato está à disposição, como sempre temos feito. É claro que todos os debates feitos nesta Casa estão registrados pelas companheiras servidoras desta Casa. Tenho conversado com o nosso gabinete e junto com os companheiros servidores da Comissão de Defesa da Cidadania fizemos uma síntese de todas as reuniões que realizamos. Fizemos um documento registrando tudo que foi debatido nas audiências. Faremos o mesmo. Reproduziremos um documento desta audiência e passaremos para cada um dos membros que compuseram esta Mesa. Se alguém quiser esse documento é só nos procurar no nosso gabinete. Tudo o que conversamos estará devidamente registrado em um documento que faremos e que ficará registrado na Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Agradeço a presença de todos que estiveram juntos conosco, desejando uma boa noite para todos. Essa luta também é nossa, podem contar com isso. Nosso gabinete está aberto para conversarmos. Temos companheiros e companheiras que terão o maior prazer em atendê-los e absorver, além das conversas que tivemos nesta audiência, as demandas que os senhores entenderem ser importante chegar até nós. Por essa prerrogativa que temos de estar como Parlamentar nesta Casa de Leis, se houver necessidade de discutir com cada um dos senhores, para apresentarmos algum projeto de lei de interesse desse movimento, podem ter certeza de que o faremos e o defenderemos como se o projeto estivesse sendo defendidos pelos senhores. Encerro esta Audiência dizendo que todos nós estamos de parabéns. Se esta audiência não contasse com a presença dos senhores, não teria essa importância. Muito obrigado por virem. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, à hora regimental. Está encerrada a reunião. Encerra-se a reunião às 16h53min. Diário do Poder Legislativo - 85 Em discussão as atas. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - Pela aprovação. O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - Pela aprovação. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Atas aprovadas como lidas. Solicito ao Senhor Secretário que proceda à leitura do Expediente. O SR. SECRETÁRIO lê: EXPEDIENTE: CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS: OFÍCIO N.º 85/2015, do Gabinete do Excelentíssimo Senhor Deputado Padre Honório justificando sua ausência na reunião ordinária desta comissão, realizada dia 30 de junho de 2015. ___________________________ COMISSÃO DE DEFESA DA CIDADANIA E DOS DIREITOS HUMANOS. DÉCIMA SEGUNDA REUNIÃO ORDINÁRIA, DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 07 DE JULHO DE 2015. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos da Comissão de Defesa da Cidadania. Saúdo os Senhores Deputados Dary Pagung e Sergio Majeski, membros desta Comissão, os servidores da Assembleia Legislativa e as pessoas que nos assistem pela TV Ales. E agradeço a presença da nossa amiga Marilene Aparecida Pereira, representante do Núcleo Impulsor da Marcha Nacional das Mulheres Negras, que terá a oportunidade de conversar conosco depois sobre essa importante marcha que será realizada em novembro. Convido o Senhor Secretário a proceder à leitura da ata da décima primeira reunião ordinária, realizada em 30 de junho de 2015, e da oitava reunião extraordinária, realizada em 17 de junho de 2015. (Pausa) (O Senhor Secretário procede à leitura das atas) O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - À Secretaria da Comissão para incluir no relatório de frequência do Senhor Deputado. Continua a leitura do Expediente. O SR. SECRETÁRIO lê: PROPOSIÇÕES RECEBIDAS: Não houve no período. PROPOSIÇÕES DISTRIBUÍDAS: Projeto de Resolução n.º 23/2015 Autora: Deputada Eliana Dadalto Ementa: Altera a redação do inciso X do art. 40 e do art. 50-A da Resolução n.º 2700 de 15/07/2009 - Regimento Interno, para incluir o termo Socioeducação na Comissão de Assistência Social, Segurança Alimentar e Nutricional. Relator: Senhor Deputado Dary Pagung Entrada na Comissão: 23 /06/2015 Prazo do relator: 14/07/2015 Prazo da comissão: 04/08/2015 Projeto de Resolução n.º 24 /2015 Autor: Mesa Diretora Ementa: Altera a Resolução n.º 3.852, de 13.8.2014, que institui, no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo - Ales, o Programa de Qualidade de Vida no Trabalho - PQVT. 86 - Diário do Poder Legislativo Relator: Senhor Deputado Nunes Entrada na comissão: 26/06/2015 Prazo do relator: 14/07/2015 Prazo da comissão: 04/05/2015 PROPOSIÇÕES SOBRESTADAS: Não houve no período. PROPOSIÇÕES BAIXADAS DE PAUTA: Não houve no período. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Concedo a palavra ao Senhor Deputado Sergio Majeski, para relatar o Projeto de Lei n.º 12/2015, de autoria do Senhor Deputado Hudson Leal, que torna obrigatória a reserva de mesas e cadeiras para portadores de necessidades especiais, idosos e gestantes nas praças de alimentação dos shopping centers e restaurantes. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - O projeto de lei do Senhor Deputado Hudson Leal, que torna obrigatória a reserva de mesas e cadeiras para portadores de necessidades especiais, idosos e gestantes nas praças de alimentação dos shopping centers e restaurantes É uma proposição do Senhor Deputado Hudson Leal que vem muito a calhar num país que tanto fala de inclusão, mas não a vemos ocorrer de fato. Essa questão, claro, é relativa a uma infinidade de coisas, porém, a questão do deficiente... Tenho rodado muitas escolas pelo estado afora, então... Com relação à inclusão, a Presidenta Dilma Rousseff acabou de sancionar o Estatuto da Pessoa com Deficiência, ontem. Há quanto tempo já se garante, em leis estaduais e em decretos, o direito a acessibilidade ao portador de deficiência e não enxergamos isso em lugar nenhum? É muito honroso e digno da parte do Senhor Deputado Hudson Leal apresentar esta proposta. Esta Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos é pela aprovação do Projeto de Lei n.º 12/2015, de autoria do nobre Senhor Deputado Hudson Leal. É assim que relato. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Em discussão o parecer. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como vota o Senhor Deputado? O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - Com o relator. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - A Presidência acompanha o voto do relator. O parecer foi aprovado à unanimidade. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 54/2015, de autoria da Senhora Deputada Janete de Sá, que instituiu no âmbito do Estado do Espírito Santo as Patrulhas Maria da Penha e dá outras providências. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) Como já foi anunciado pelo Senhor Presidente Nunes, o Projeto de Lei n.º 54/2015 estende as Patrulhas Maria da Penha para todo o estado. Não nos faltam problemas na sociedade. Tenho dito que se um parlamentar, numa Casa de Leis, quiser trabalhar efetivamente em prol daquilo que é necessário, teríamos que trabalhar vinte e quatro horas por dia sem descanso, sete dias por semana. Este é mais um projeto relativo a um problema, que é a violência contra a mulher existente neste estado, quer dizer, existe no país inteiro, mas o Espírito Santo, infelizmente, é destaque nacional na questão da violência contra a mulher. É curioso... É claro que não cabe essa discussão neste momento, mas precisamos fazê-la o tempo inteiro. Estávamos falando antes do projeto do Senhor Deputado Hudson Leal em relação às pessoas com deficiência. Agora, é um projeto relacionado com a questão da violência contra a mulher. No Brasil, à medida que extratificamos a sociedade por classe social, sexo, gênero e por uma infinidade de situações, o sofrimento das pessoas vai aumentando e vai se sobrepondo também. Por exemplo, a questão do preconceito. Uma pessoa pobre sofre preconceito somente por ser pobre. Tanto que é muito comum alguém dizer assim: Isso é coisa de pobre. Nunca dizem assim: Isso é coisa de rico. Um pobre, seja de que matiz, seja de que sexo for, já sofre preconceito. Se for um pobre negro, sofre duplo preconceito, por ser pobre e por ser negro. Se for uma mulher pobre e negra, são três preconceitos. O preconceito vai se sobrepondo. Se for nordestina, são quatro. Se for lésbica, são cinco. E por aí vai. Com relação à questão da violência é assim também, todos padecem do problema da violência. Mas, o pobre, a mulher e o negro são as vítimas maiores da violência no país. Isso é estatístico. Esta Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos é pela aprovação do Projeto de Lei n.º 54/2015, de autoria da Senhora Deputada Janete de Sá. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Em discussão o parecer. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - Com o relator. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Sergio Majeski para relatar o Projeto de Lei n.º O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Com o Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 relator. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - A Presidência acompanha o voto do relator. O parecer foi aprovado à unanimidade. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Dary Pagung para relatar o Projeto de Lei n.º 96/2015, de autoria do Senhor Deputado Da Vitória, que institui o Dia Estadual do Ouvidor no Estado do Espírito Santo. O SR. DARY PAGUNG - (PRP) Obrigado, Senhor Presidente. Cumprimento os Senhores Deputados Sergio Majeski e Padre Honório. Senhor Presidente, na verdade, o Senhor Deputado Padre Honório tinha chegado a esta Comissão, mas precisou sair para dar quórum em outra comissão. Contudo, chegou a esta reunião no momento de votar os projetos de lei que estão em apreciação nesta Comissão. O Projeto de Lei n.º 96/2015, que institui o Dia Estadual do Ouvidor no Espírito Santo, foi assinado pelo Senhor Deputado Da Vitória e acompanha, acredito, todos os membros da Ouvidoria desta Casa. O projeto de lei passou pelo crivo da Mesa Diretora e também já tem um parecer da Comissão de Justiça, que teve como relatora a Senhora Deputada Janete de Sá. É um projeto importante. E o Dia do Ouvidor, no Estado do Espírito Santo, a ser comemorado no dia 16 de março, o mesmo dia que é comemorado anualmente. Então, é no mesmo dia, 16 de março; não terá a data alterada. O nosso parecer é pela aprovação do Projeto de Lei n.º 96/2015, que institui o Dia Estadual do Ouvidor no Estado do Espírito Santo, de autoria do Senhor Deputado Da Vitória e outros. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Em discussão o parecer. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - Com o relator. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Com o relator. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - A Presidência acompanha o voto do relator. O parecer foi aprovado à unanimidade. Como o próximo projeto de lei da pauta é de minha autoria, passo a presidência dos trabalhos ao nobre Senhor Deputado Padre Honório. O SR. PRESIDENTE - (PADRE HONÓRIO - PT) - Temos em mãos o Projeto de Lei n.º 126/2015, de autoria do Senhor Deputado Nunes, Diário do Poder Legislativo - 87 que institui a Semana Estadual do Índio, a ser comemorada anualmente no período de 12 a 19 de abril. Esse projeto chegou à Comissão no dia 20/05/2015 e tem prazo até o dia 5/7/2015. A Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos é pela aprovação do Projeto de Lei n.º 126/2015, de autoria do Senhor Deputado Nunes, nos termos da fundamentação supra. Em discussão o parecer. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - Com o relator. O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - Com o relator. O SR. PRESIDENTE - (PADRE HONÓRIO - PT) Aprovado o parecer à unanimidade. Devolvo a presidência dos trabalhos ao seu Presidente, Senhor Deputado Nunes. (Pausa) O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Assumo a presidência dos trabalhos e passo a relatar o Projeto de Resolução n.º 24/2015, de autoria da Mesa Diretora, que altera a Resolução n.º 3.852, de 13/08/2014, que institui no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, ALES, o Programa de Qualidade de Vida no Trabalho, PQVT. Essa matéria trata da proposição que altera a Resolução n.º 3.852, que institui no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, ALES, o Programa de Qualidade de Vida no Trabalho. Ressalta-se que a alteração proposta não exclui a participação daquele importante órgão na concepção do programa, uma vez que fica garantida a indicação de um membro no Conselho por aquela autoridade. Portanto, o projeto de resolução, de autoria da Mesa, com essa emenda, acreditamos que terá uma eficiência ainda melhor, tendo a certeza de que atende o ditame da Lei de Responsabilidade Fiscal. É um projeto que acredito ser de grande valia a esta Casa de Leis. A Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos é pela aprovação do Projeto de Resolução n.º 24/2015, de autoria da Mesa Diretora, com a adoção da Emenda Aditiva n.º 01/2015, de autoria do Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos. A nossa relatoria é pela aprovação. Em discussão o parecer. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - Com o relator. O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - Com o 88 - Diário do Poder Legislativo relator. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - Pela aprovação. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Com o relator. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Aprovado o parecer à unanimidade. O Projeto de Resolução n.º 21/2015, de autoria do Senhor Deputado Amaro Neto, institui a Comenda Convento da Penha, concedida aos cidadãos que, de algum modo, tenham contribuído com o desenvolvimento do turismo capixaba. O relator desta matéria é o Senhor Deputado Padre Honório. Solicito a V. Ex.ª que faça a leitura do seu parecer. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - A Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos é pela aprovação do Projeto de Resolução n.º 21/2015, de autoria do Senhor Deputado Amaro Neto. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Em discussão o parecer. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - Com o relator. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - Com o relator. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - A Presidência acompanha o voto do relator. Aprovado o parecer à unanimidade. Limpamos a pauta da reunião. Antes de encerrar, informo aos Senhores Deputados que na próxima sexta-feira, às 14h, nesta Casa de Leis, a Comissão de Defesa da Cidadania e Direitos Humanos realizará uma audiência pública com o tema As condições de Vida das Mulheres Negras no Espírito Santo e a importância da participação das capixabas na Marcha das Mulheres Negras, contra o racismo, a violência e pelo bem viver. Hoje estamos recebendo a companheira Marilene Aparecida Pereira, que compõe o Núcleo Impulsor da Marcha Nacional das Mulheres Negras no Espírito Santo. Coloco em deliberação para que ela possa fazer uso da palavra por até cinco minutos. Mas acho que pode até um pouco mais porque hoje estamos com o tempo mais tranquilo, para que ela fale sobre a importância dessa Marcha Nacional e a importância do Núcleo Impulsor. Peço aos deputados a compreensão para darmos a oportunidade para a Marilene fazer uso da palavra tratando sobre esse importante tema. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Pela aprovação. O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - Pela aprovação. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Não combinamos nada disso, o senhora viu que a compreensão dos Senhores Deputados é grande sobre esse tema e parabenizo V. Ex.ªs por essa deliberação. Concedo a palavra à companheira Marilene Aparecida Pereira. A SR.ª MARILENE APARECIDA PEREIRA - Boa-tarde a todos, primeiramente gostaria de dizer que estar nesta reunião é um privilégio, mas falar sobre esse tema para mim é muito caro. Como mulher negra, estar nesta Casa para falar sobre os problemas da mulher negra dói demais. Sinto isso no meu dia a dia. A Marcha surgiu da necessidade de dar visibilidade às mulheres negras no Brasil. Na verdade, o brasileiro não consegue enxergar o racismo em função do que foi criado com o mito da democracia racial. Como existiu a questão de união das raças, as pessoas não enxergam o racismo e não enxergam que as mulheres negras têm problemas e o racismo é uma questão de cor. Muitas vezes as pessoas confundem com uma questão social. Você sofre preconceito por ser pobre, é um preconceito social. Não! É um preconceito racial. É preconceito porque se eu chegar a uma loja de um shopping e chegar também uma mulher branca, a probabilidade de sofrer discriminação é minha. Conheço isso porque vivencio desde pequena. São muitos os problemas das mulheres negras. No Espírito Santo temos a questão da violência contra a mulher e, relacionado à violência contra a mulher, o grande número de mulheres negras que sofrem homicídios. Temos também a questão da mortalidade dos jovens negros, que suas mães negras sofrem junto. O Núcleo Impulsor Nacional juntou todos esses problemas que as mulheres negras sofrem em todo o território nacional e quer fazer um encontro, uma marcha, um protesto para levar nossas reinvindicações até Brasília no dia 18 de novembro de 2015. Para isso, cada estado criou um núcleo impulsor, pessoas que já estão no movimento ou não. Na verdade, gostaríamos de dar visibilidade àquelas mulheres que nunca tiveram vez e voz. Se formos aos morros, as mulheres negras não conhecem o movimento negro, não querem falar de suas dores, têm vergonha e não têm com quem compartilhar suas angústias, quando são mal atendidas no posto de saúde, por exemplo. Sabemos que as mulheres negras são discriminadas nos postos de saúde e que, na hora do parto, sofrem horrores de discriminação. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Então, essas mulheres não têm com quem compartilhar suas dores e angústias e o papel do núcleo impulsor é juntá-las para fortalecer, qualificar o discurso. Precisamos ter dados para qualificar o nosso discurso e marcharmos até Brasília. Precisamos também de recursos, de ônibus, essas coisas para isso. É preciso esclarecer que o núcleo impulsor não é ligado a nenhum partido político, chamamos de apartidário. Quando a gente se reúne em nome do núcleo impulsor, queremos discutir a realidade da mulher negra para poder alterá-la porque algumas mulheres não conseguem identificar o que é racismo ou já se acostumaram a naturalizar o racismo que sofrem. Vou dar um exemplo: no supermercado, se estou na seção de limpeza, posso estar arrumada, que alguém vai chegar perto de mim e perguntar: você não conhece uma pessoa que queira trabalhar na minha casa? Estou precisando de uma faxineira. Você não quer trabalhar na minha casa? Acho que tenho o direito de frequentar a seção de limpeza do supermercado sem ser confundida com uma empregada doméstica. E quando fazem esse tipo de abordagem a uma mulher negra, que não tem essa conscientização do que é racismo e da naturalização do racismo, de achar que toda mulher negra só pode ser empregada doméstica, ela não vai reclamar, para ela é natural. O que colocamos é a não naturalização do racismo. Conhecer e identificar as práticas que nos trazem dor, que nos inferiorizam. Também discutimos a forma como a mulher negra é representada nas novelas e nos programas de TV. Tivemos um episódio recente de uma escola de samba que fez um folder com a imagem de uma mulata seminua. Não estamos mais no tempo de representar, em qualquer escola de samba, uma mulata seminua. Já passamos desse momento de vender a mulher negra como um pedaço de carne, e ainda nos vendem como um pedaço de carne. Se não souber sambar, é a mulata tipo exportação. Somos muito mais. Sou formada em Administração, pósgraduada e futura mestranda, mas ninguém consegue enxergar isso porque sou negra. A invisibilidade dos nossos problemas. É recente o caso da Maju, da rede Globo, jornalista em um papel de destaque, que foi atacada de forma racista porque está como destaque. Ali não é o lugar dela, a sociedade está estratificada e, nessa estratificação, colocaram os negros e a mulher negra no chão de fábrica, vamos dizer assim, nas piores posições. Já falei do tratamento que é dado às mulheres negras nos postos de saúde e a questão dos estereótipos. Também há a questão do racismo estrutural, práticas racistas no ambiente. Há também a questão do racismo estrutural, as práticas racistas no ambiente de trabalho. As mulheres negras não ocupam os melhores postos de trabalho, mesmo que Diário do Poder Legislativo - 89 tenham uma preparação para ocupar tal local. Esses são alguns dos pontos que estamos discutindo. Uma vez por mês fazemos nossas reuniões, aglutinamos as mulheres negras e discutimos essas questões. Mas para continuarmos o nosso trabalho como núcleo impulsor faltam algumas coisas que gostaria de colocar com relação ao estado. Por exemplo, não existe mais neste estado um órgão que trata da igualdade racial. Tínhamos a Geppir até o ano de 2014, ficava na Casa Civil. No governo atual, em janeiro de 2015, a Gerência de Política de Promoção e Igualdade Racial foi fechada. Era um local onde nos reportávamos. Já são sete meses de governo e não sabemos o que acontecerá. Não temos a quem nos reportar com relação às políticas de promoção de igualdade racial. Precisamos, urgente, que o estado promova um estudo ou sintetize um estudo com levantamento de dados para que possamos acessá-lo a fim de orientar nossas ações. Somos mulheres trabalhando e temos dificuldade de ter acesso aos dados da população negra no Espírito Santo. Essas são algumas colocações que tinha para fazer. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Bacana, Marilene Aparecida Pereira. Gostaria de registrar que no dia 25 de julho é comemorado o Dia da Mulher Negra Latinoamericana Caribenha, fruto de um primeiro encontro de mulheres negras que aconteceu em 1992, mais ou menos nessa data. O pedido de várias companheiras que militam nesse segmento provocou esta Comissão a realizar uma audiência pública para falarmos um pouco da importância da data para esse segmento. Portanto, realizaremos nesta Assembleia Legislativa, no dia dez, inclusive, teremos a presença da senhora Cida Abreu, presidente da Fundação Cultural Palmares, para conversarmos um pouco sobre o tema. Convidamos todos para a audiência pública e aproveitaremos a data para visitarmos o Sítio Histórico de Queimado, no município de Serra, a fim de falarmos um pouco dessa história. Também convidamos o Secretário da Cultura João Gualberto para comparecer. Enfim, anteciparemos um pouco a data, que seria no dia vinte e cinco para o dia dez devido ao recesso que esta Casa terá. É fundamental a participação de todos porque é uma oportunidade que teremos para discutirmos um tema tão importante para a sociedade, não somente para as mulheres negras. Precisamos encontrar um momento para refletirmos e cobrarmos do governo políticas públicas voltadas para o tema. Aproveito e convido todos para participarem dessa audiência pública e antes de encerrar, gostaria que os Senhores Deputados Sergio Majeski, Dary Pagung e Padre Honório fizessem uma fala, caso queiram, sobre esse importante tema: a mulher negra. 90 - Diário do Poder Legislativo Faremos a audiência pública, mas é importante que falem. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) Simplesmente fechou. ser humano, independentemente de sua cor, é filho de Deus. E acreditamos neste Deus, mas, discriminando aquilo que ele fez com muito amor. Não importa se é negro, se é loira. Diferentemente das mulheres negras, que estão tendo coragem de organizar um movimento, as loiras não têm essa mesma coragem quando são chamadas de sem cérebro. Um movimento que deveria haver também. O povo negro, historicamente, principalmente no nosso país, é um povo que tem sido muito massacrado e atualmente parece que isso está aumentando nos campos de futebol, nas escolas, até mesmo quando se fala na discriminação, nas prisões, no extermínio. Isso é lamentável, porque um mundo que se diz civilizado ainda não alcançou a civilização do respeito ao outro. Coloco o nosso mandato à disposição e a parabenizo pela luta. Não pela conquista, porque essa conquista tem que acontecer todos os dias e as senhoras estão nessa luta porque ainda não houve, principalmente por parte da sociedade, o reconhecimento. É isso mesmo. Quem não luta por seus direitos acaba sendo sugado e escravizado. Parabéns! Que Deus possa abençoar. A SR.ª MARILENE APARECIDA PEREIRA - Eram três gerências que funcionavam juntas: a de Mulheres, a de Juventude e a de Promoção de Igualdade Racial. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Senhor Deputado Padre Honório. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Dary Pagung. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) Inclusive o rapaz da Juventude esteve aqui falando sobre isso um tempo atrás. É uma pena. Precisamos cobrar do governo para que volte a funcionar, afinal de contas não estamos falando de qualquer coisa. O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - Senhor Presidente, serei breve como foram os Senhores Deputados Sergio Majeski e Padre Honório. Parabenizo a Marilene por ter vindo a esta Comissão, que defende a cidadania. Falava agora com o Senhor Presidente Nunes que não podemos, Senhor Deputado Padre Honório, concordar que em pleno 2015 ainda exista preconceito. Tivemos a visita a esta Comissão do Senhor Luiz Inácio Silva da Rocha, o Lula Rocha, da Fejunes, e ainda comentei à época que é difícil concordar com a diferença da mulher negra para uma mulher branca, pois é simplesmente a cor. A cor do cabelo de uma é loiro e o da outra é preto; uma é loira e a outra é preta, mas são seres humanos. E temos que tratar todos com igualdade. É difícil de acreditar, mas, infelizmente, o preconceito, em pleno 2015, ainda existe. E o Senhor Deputado Sergio Majeski citou até o quinto, um atrás do outro. A evolução do mundo, da tecnologia e das pessoas, aconteceu, mas é muito triste saber, e difícil de aceitar, que há ainda pessoas com este pensamento, de tratar a mulher negra diferente da mulher branca, de tratar o pobre diferente do rico... É muito triste. Quero, simplesmente, Senhor Presidente, parabenizar a senhora Marilene por sua fala e dizer que esta Comissão está na Assembleia Legislativa para isto, ouvir a sociedade e a camada da sociedade que está sendo atingida por diversos valores; talvez não seja só o preconceito, mas outros valores. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) Marilene, parabéns pela explanação. Muito clara. Tudo isso que a senhora disse é constatado estatisticamente no Brasil por pesquisa. Enfim, a senhora falou que funcionava na Casa Civil. Era uma gerência? A SR.ª MARILENE APARECIDA PEREIRA - Gerência de Promoção de Igualdade Racial. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - E foi fechada no começo do ano. Nem foi anexada a outra Secretaria? A SR.ª MARILENE APARECIDA PEREIRA - Não. Ainda não foi anexada a outra Secretaria. A SR.ª MARILENE APARECIDA PEREIRA - Sete meses que não temos nenhuma resposta. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - Sete meses sem resposta. Precisamos cobrar do governo e o faremos porque estamos falando de problemas importantíssimos que atingem uma parcela considerável da sociedade capixaba. Gostaria somente desse esclarecimento e me colocar à disposição, assim como meu gabinete, para apoiar esse movimento e essa luta para o governo retornar com essa gerência. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Concedo a palavra ao Senhor Deputado Padre Honório. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Vivemos no mundo dos preconceitos, não é nem no país dos preconceitos. O ser humano, às vezes, não tem o bom senso de entender que as pessoas não devem ser olhadas pela cor, pela condição social, mas como ser humano. Aprendemos, desde que fomos criados, que o Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Parabenizo a senhora Marilene. A SR.ª MARILENE PEREIRA - Obrigada. Diário do Poder Legislativo - 91 Faremos o possível para cumprir ... APARECIDA O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Senhor Deputado. O Senhor Deputado Sergio Majeski fez uma fala. Acho que esta Comissão poderia aprovar uma solicitação de informação do senhor Paulo Roberto, nosso amigo e secretário da Casa Civil, sobre a questão da gerência, para que pudéssemos, no dia 10, registrar por que motivo ou se há alguma expectativa de recompor novamente a Gerência de Igualdade Racial. Acho que poderíamos, por intermédio da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos, solicitar essa informação da Casa Civil. Marilene, o que você acha? A SR.ª MARILENE APARECIDA PEREIRA - Temos uma reunião marcada para dia 09, às 14h, na Casa Civil, no Palácio da Fonte Grande. Quem vai nos receber é o vice-governador. Se houver algum documento ou se algum dos Senhores Deputados puder estar presente para nos fortalecer, seria importante. Vamos questionar a questão da gerência. Mas vamos como sociedade civil. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - Se os Senhores Deputados toparem, faremos esse ofício. Será dia 09? A SR.ª MARILENE APARECIDA PEREIRA - Dia 09 de julho, às 14h. O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) - Não sei se estamos à altura de representar um nobre Deputado vindo diretamente de Baixo Guandu. Mas vamos nos esforçar bastante. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Vamos nos esforçar. Mas nos comprometemos. A SR.ª MARILENE APARECIDA PEREIRA - Acho que isso fortalece. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Além de fazer um pedido ao secretário da Casa Civil, também estaremos presentes a essa audiência com o vice-governador. Marilene, mais uma vez, obrigado por ter aceitado o nosso convite para falar um pouquinho, não só da marcha, mas também sobre a discriminação que ocorre com as mulheres negras. Agradeço e, mais uma vez, coloco à disposição esta Comissão. E acredito que todos os Senhores Deputados, que compõem esta Comissão, também estão à disposição. Marilene, você gostaria de fazer alguma consideração? A SR.ª MARILENE APARECIDA PEREIRA - Gostaria de agradecer, em nome do Núcleo Impulsor da Marcha das Mulheres Negras do Espírito Santo, a oportunidade que V. Ex.as estão nos dando de sermos ouvidas, de falar um pouco o que nós, mulheres negras, estamos passando. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Estamos juntos. O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - Quintafeira. A SR.ª MARILENE PEREIRA - Obrigada. A SR.ª MARILENE PEREIRA - Quinta-feira. APARECIDA APARECIDA O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Estarei presente. Tenho o maior prazer em acompanhar vocês. Acredito que o Senhor Deputado Sergio Majeski... O SR. SERGIO MAJESKI - (PSDB) Quinta-feira, às 14h. Acho que posso sim. Vou verificar minha agenda. Acho que posso sim. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado a todos e a todas! Tenham uma boa tarde! Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, extraordinária, dia 10 de julho, às 14h, no Plenário Dirceu Cardoso. Está encerrada a reunião. Encerra-se a reunião às 14h30min. ___________________________ O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Senhor Deputado Padre Honório, V. Ex.ª tem compromisso? O SR. DARY PAGUNG - (PRP) - O Senhor Deputado Padre Honório também tem compromisso. Senhor Presidente, gostaria que V. Ex.ª e o Senhor Deputado Sergio Majeski nos representassem diretamente como Comissão. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - COMISSÃO DE POLÍTICA SOBRE DROGAS. SÉTIMA REUNIÃO ORDINÁRIA, DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 26 DE MAIO DE 2015. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO 92 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 SANTOS - PMDB) - Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta Comissão. Bom-dia, senhoras e senhores, telespectador que nos permite entrar na sua casa e no seu escritório pela TV Ales, Canal Cidadão, antes apenas em canal fechado e agora no canal digital 19.2. A intenção da TV Ales é alcançar cada vez mais um número maior de cidadãos para que conheçam o trabalho que seu parlamentar, seu representante, faz nesta Casa de Leis. Estamos na Comissão de Políticas sobre Drogas. Cumprimento os colaboradores desta comissão, a imprensa e nossos convidados. Cito apenas o primeiro nome de S. S.as, senhores Fernando e Dirceu, membros do AA, Alcoólicos Anônimos, que vieram a nosso convite prestar algumas informações do serviço relevante que prestam ao longo dos anos. Convido o Senhor Secretário a proceder à leitura da ata da sexta reunião ordinária, realizada em 12 de maio de 2015; da segunda reunião extraordinária, realizada em 30 de março de 2015; da terceira reunião extraordinária, realizada em 05 de maio de 2015; e da quarta reunião extraordinária, realizada em 20 de maio de 2015. (Pausa) (O Senhor Secretário procede à leitura das atas) O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Em discussão as atas. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Pela aprovação. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) aprovação. Pela O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Aprovada a ata como lida. Solicito ao senhor secretário que proceda à leitura do Expediente. O SR. SECRETÁRIO lê: EXPEDIENTE: CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS: OFÍCIO 024/2015 - da Diretoria de Direitos Humanos e Polícia Comunitária por meio do qual apresenta informações referentes ao convênio 793701/2013, celebrado entre a União, através do Ministério da Justiça, por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, com o Estado do Espírito Santo através da Secretaria de Estado de Segurança pública referente à ampliação do Programa Educacional de Resistência às Drogas, o Proerd no Estado do Espírito Santo. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Ciente. Solicito à secretaria desta comissão que providencie ofício ao secretário Nacional de Política sobre Drogas, senhor Vitor Maximiano, para que providencie a liberação dos recursos que já deveriam ter sido liberados para ampliação do Programa Educacional de Resistência às Drogas - o Proerd, que é um exemplo de ação promovida neste estado. O Senhor Deputado Da Vitória conhece bem o programa e o Senhor Deputado Gilsinho Lopes da mesma forma. Tivemos a honra e oportunidade de homenagear o Proerd numa sessão solene, reconhecendo o trabalho desenvolvido por eles, como forma, inclusive, de incentivá-los a continuar nesse trabalho e ampliá-lo ao mesmo tempo. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Senhor Presidente, pela ordem! Faço um elogio a V. Ex.ª e a esta comissão também, na pessoa do Senhor Deputado Gilsinho Lopes, tendo em vista a valorização justa que V. Ex.ª tem dado ao Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência. Estive com o Coronel Miranda, que hoje coordena o programa no estado, e ele já se sente valorizado por esta Casa de Leis, principalmente, com o trabalho desta Comissão de Políticas Sobre Drogas, que é a comissão que tem o foro competente para discutir esse assunto. Não há programa mais eficiente e com mais eficácia do que esse. A Polícia Militar está de parabéns. E ele já falou da manifestação de V. Ex.ª em ir a Brasília para garantir que os recursos mínimos, que estão aprovados, cheguem a fim de dar continuidade a este trabalho. Coloco-me à disposição de V. Ex.ª, para que possamos unir forças e acompanharmos. Não tenho dúvida de que projeto como esse o Governo Federal não pode deixar de atender. Um valor muito pequeno, mas que faz uma grande diferença na vida das pessoas que passam por um programa como esse. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado, Senhor Deputado Da Vitória. O valor do convênio é de um milhão, oitocentos e setenta e nove e quatrocentos e dezenove, e o valor a ser repassado é de um milhão seiscentos e noventa e um, e tem uma importância muito grande para esse programa, o Proerd. Entraremos em contato ainda hoje com o secretário nacional que se colocou à disposição da comissão. Estivemos presentes, eu e o Senhor Deputado Gilsinho Lopes, fomos muito bem recebidos. O secretário é uma figura ímpar com sensibilidade muito grande. Acredito que esse convênio será Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 liberado o mais breve possível. Senhor Deputado Gilsinho Lopes, gostaria de fazer alguma consideração? O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Senhor Presidente, corroborando com as palavras de V. Ex.ª e do Senhor Deputado Da Vitória, temos que valorizar todos os programas que vêm contribuir para redução da inclusão dos jovens e dos adolescentes no mundo das drogas. E o Proerd é um programa sensacional desenvolvido pela Polícia Militar. São abnegados, abnegados mesmo. Tive a oportunidade, com o Senhor Deputado Da Vitória, de visitar a sede e tudo o mais, e verificamos o desempenho, a vontade que eles têm. E esse valor é muito pequeno, tenho certeza de que o secretário Nacional de Política sobre Drogas disponibilizará. Podemos fazer o contato, tanto pessoal quanto com Leon, o assessor de contato conosco. Aproveito a oportunidade para cumprimentar o vereador Narciso de Abreu Grassi, ex-prefeito e vereador por cinco mandatos de Alfredo Chaves, nosso amigo, nosso irmão, que está lá defendendo os rumos do Sul do estado. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Cumprimento o nobre vereador, que, se quiser, pode assentar-se à Mesa conosco, o que será uma honra muito grande. Sei do trabalho que V. Ex.ª desenvolve, da perseguição que sofreu, mas V. Ex.ª tem um defensor aqui, o delegado Gilsinho Lopes, que, por extensão, tem este deputado e, naturalmente, o Senhor Deputado Da Vitória. Conte conosco. Agradecemos a presença dos senhores e de todos que se encontram na galeria. Neste momento apresento, anonimamente, a figura dos senhores Fernando e Dirceu, membros do AA - Alcoólicos Anônimos, que farão exposição dos trabalhos realizados ao longo de oitenta anos do programa Alcoólicos Anônimos no mundo, trabalho importante. Fui presenteado com o livro Vivência, cujo preâmbulo, muito interessante, diz: Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham, entre si, suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. O único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro do AA não há taxas ou mensalidades, somos autossuficientes, graças as nossas próprias contribuições. Gostaria, primeiramente, de agradecer-lhes Diário do Poder Legislativo - 93 por estarem, hoje, na reunião ordinária da Comissão de Política sobre Drogas, a qual tenho a oportunidade de presidir e de ter como vice-presidente o Senhor Deputado Gilsinho Lopes, delegado de Polícia de carreira, que tem colaborado muito com nosso trabalho. Temos feito amplo debate. A Comissão de Política sobre Drogas não trata apenas da droga ilícita, como maconha, crack, cocaína, droga sintética, mas também das drogas lícitas que têm causado mal enorme à sociedade. O álcool é uma porta de entrada e que se fecha se você não tiver parceria, por exemplo, de trabalhos realizados com é o caso do AA. Muito obrigado pelo livro, farei a leitura. Agradeço a presença dos senhores. Neste momento, passo a palavra aos senhores Fernando e Dirceu para a apresentação. Estaremos atentos para divulgar o trabalho que fazem, claro que omitindo a face deles, até porque fazem um trabalho anônimo, não fazem questão de divulgar a face. O resultado do trabalho é que é o mais importante, que saberemos agora nessa luta de oitenta anos. Concedo a palavra ao senhor Dirceu. O SR. DIRCEU - Bom-dia. Em primeiro lugar agradecemos ao deputado Marcelo Santos a oportunidade de estarmos nesta Casa para falar sobre o Alcoólicos Anônimos, que este ano completa oitenta anos no mundo em mais de cento e oitenta países, levando essa mensagem àqueles que ainda sofrem de alcoolismo. Para falar de Alcoólicos Anônimos, precisamos falar do álcool. Temos uma informação, uma falsa imagem, a desinformação generalizada que persisti em todas as camadas sociais sobre alcoolismo como doença gera problemas tão diversos, ideias tão descabidas, que seria difícil enumerar. Quase que por opinião unânime das pessoas, alcoólatra é apenas um mendigo esfarrapado e sujo que perambula pelas ruas trôpego e amedrontador, vítima de males morais como falta de vergonha, fraqueza, nenhuma força de vontade, preguiça e etc. Nada mais falso e pernicioso. Primeiramente, alcoólatra não é apenas o mendigo que chegou ao fundo do poço da degradação humana. Alcoolismo, como doença, caracteriza-se pela progressividade em seu processo destrutivo. Acima daquele mendigo, um número muito grande de desavisados alcoólatras segue o mesmo processo de degeneração julgando-se a salvo atrás do conforto de seus empregos, de suas famílias e de suas posses. Em segundo lugar, partindo-se da certeza, já estabelecida pela ciência, de que o alcoolismo é uma doença, e doença progressiva, o mendigo não chegou a seu triste estado por falta de vergonha, fraqueza ou preguiça de enfrentar um trabalho. Ele é doente; é vítima de condições psicológicas e orgânicas que ele não conseguirá dominar sem auxílio sistemático e apropriado. É preciso desvincular a imagem do alcoólatra da imagem do mendigo. É preciso aceitar o 94 - Diário do Poder Legislativo alcoolismo como uma doença que deve ser tratada e não como um vergonhoso estigma que o doente nega, a família esconde e a sociedade repudia. Senhor Presidente, estamos passando agora para o companheiro Fernando. O SR. FERNANDO - Eu sou Fernando, um alcoólico em recuperação e que graças ao poder superior hoje eu não bebi. Vamos trazer aqui algumas informações do que é o programa Alcoólicos Anônimos e como funciona o seu programa de recuperação do alcoolismo. Para isso, precisamos falar um pouquinho sobre o alcoolismo e esclareceremos então um pouco dessa irmandade que no dia 10 de junho oficialmente comemorará oitenta anos de existência no mundo. Iniciou-se nos Estados Unidos quando um corretor da bolsa de valores, falido através do processo da bebida alcoólica, encontrou-se com um médico cirurgião, em Akron Ohio, também falido pelo processo de degradação da bebida alcoólica e os dois conversando resolveram iniciar essa maravilha no mundo hoje que Alcoólicos Anônimos, que é esperança para milhões, milhões e milhões de pessoas em todo o mundo. Vamos falar um pouquinho sobre o alcoolismo: É uma doença reconhecida hoje pela Organização Mundial da Saúde e é responsável direta ou indiretamente pela morte de quase três milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano. Seria como se pegássemos a população do Espírito Santo todo ano e matasse. Isso é... O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - (PMDB) - O senhor poderia repetir? São quantos milhões de mortos? O SR. FERNANDO - Três milhões de pessoas que morrem por ano no mundo em decorrência da doença do alcoolismo. O alcoolismo é a segunda maior causa de mortes em todo o mundo. Uma coisa nos chamou bastante a atenção quando tivemos observando um gráfico que falava sobre o alcoolismo e suas consequências em um jornal de grande circulação, ele trazia essa estatística. Lembrando que Alcoólicos Anônimos não faz estatística, mas utilizamos estatísticas produzidas pelos órgãos confiáveis e ali podemos ver uma coisa que nos chamou bastante atenção naquele gráfico é que o primeiro bloco são bebedores fortes e esporádicos até um ano. Esse que bebe a cada quinze dias ou a cada mês e bebe muito quando bebe. E ele não tem um ano que começou a fazer isso. O segundo bloco é aquele que já faz isso há um ano aproximadamente, bebe esporadicamente forte a cada quinze dias ou a cada mês ou a cada três meses. Observem que o gráfico de cor azul, a barra de cor azul, vai diminuindo. Ora, isso nos chamou bastante a atenção. Será que esse indivíduo está deixando de morrer porque com o acidente de trânsito, morte por Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 acidente de trânsito é o azul, está diminuindo com um ano, quatro anos e com oito anos. A quantidade de pessoas acometidas por morte em acidentes de trânsito está diminuindo. Então, imaginamos o quê? Que de bate e pronto que essa pessoa estaria aprendendo a dirigir e quanto mais bebe, morre menos? Não! Senhoras e senhores, já não tem mais carro para bater com oito anos, já não tem mais família, já não tem mais emprego. É por isso que está diminuindo. Estatisticamente ele vai acabando, ele vai se autodestruindo. Então, por isso os números são menores. Enquanto que a barra verde vai aumentando, que são as mortes acometidas por doenças do alcoolismo. Alcoolismo é uma doença física que desenvolve doenças no corpo, são mais de duzentos tipos de doenças que desenvolvem pelo corpo. Doenças mentais. É uma doença que se caracteriza pela perturbação mental da pessoa e é uma doença, acima de tudo, espiritual. Afasta de Deus, afasta de um poder superior, trazendo a dor e o sofrimento. É uma doença progressiva, ninguém começa tomando um litro de cachaça ou um litro de bebida destilada por dia, ninguém começa dessa forma. Ninguém começa tomando dez, doze garrafas ou latinhas de cerveja um dia. Geralmente, começa-se com bebidas fracas e doces em períodos bem prolongados. Ela é reflexiva. Existe também uma estatística dizendo que cada doente alcoólico interfere na vida de quatorze pessoas em volta dele. Quatorze pessoas são influenciadas psicologicamente, negativamente, por cada alcoólico. E ela é, sem dúvida nenhuma, de terminação fatal. Leva à loucura ou à morte prematura. Se observarmos essa faixa, o alcoólatra fica louco ou morre prematuramente. Mas, ele tem a possibilidade de estar nesse meio ou vai preso. Temos n pessoas hoje no sistema carcerário que estão lá devido à ação do álcool, ou então procurará a mendicância, é levado a isso. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Interrompendo um pouquinho, o senhor tem um percentual disso? Qual é a influência do álcool no que está hoje no sistema prisional ou na mendicância. É maior da mendicância ou do sistema prisional? O SR. FERNANDO - Infelizmente, não temos números para falarmos com garantia sobre isso. Mas o número é muito grande. Até porque, já saiu na mídia que oitenta por cento dos conflitos conjugais têm álcool envolvido e é uma droga, como o deputado falou, lícita, encontrada em cada esquina. No final do ano, a cerveja é disputada no supermercado a tapa. Mas, deixo bem claro que alcoólicos anônimos não são contra quem fabrica bebidas, não são contra quem comercializa bebidas e até mesmo quem bebe, mas é a favor daquele que Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 quer parar de beber. Quem pode então ser um doente alcoólico? Qualquer homem ou mulher, não escolhe o sexo. Hoje, com a globalização e a mulher disputando seu lugar na sociedade, cada vez mais o número de mulheres tem aumentado.Pessoas de qualquer raça, qualquer credo ou qualquer classe social. O alcoolismo não só está debaixo da ponte, também está nas coberturas, dentro dos iates. Qualquer escolaridade e qualquer idade. Por que mata? E, com certeza, mata. Desenvolve doenças no corpo ou por meio da violência. Podemos citar três tipos: a violência urbana, a violência doméstica e a violência no trânsito. Esta então está muito visível na mídia e várias outras formas de que o alcoolismo pode levar à morte. É uma doença tão antiga quanto à humanidade. Até por isso, temos um relato bíblico, não fazendo endosso nenhum à Bíblia, de que Noé se embriagou diante dos seus filhos e passou vergonha. Então, é uma doença muito antiga. Achávamos, antes, que só vitimava idosos. Tínhamos a ideia de que o idoso se transformava em um doente alcoólico porque essa pessoa ao sair do trabalho passava nos bares e ali tomava uma ou duas bebidas para deixar os problemas do trabalho no bar e seguir para casa. Mero engano. Esse era um pensamento falso. Acaba causando mais problemas. Se observarmos essa imagem, relata muito bem uma pessoa que está em uma comemoração de uma empresa, regada a bebidas alcoólicas, e começa a fazer vexame, talvez até passando mal, levando à morte. Algumas empresas promovem para os seus funcionários, não somos contra isso, festas regadas a bebidas. Isso é uma pegadinha, pois o próprio funcionário se mostrará um doente alcoólico e vai causar problemas para a empresa. Então, o álcool é responsável por tirar o emprego, tirar o serviço, tirar o trabalho. Pessoas produtivas tornam-se improdutivas. Milhares e milhares, não só no Brasil, mas no mundo, tornam-se improdutivas por causa da bebida alcoólica. E acabam com o lazer. A pessoa que antes pensava em jogar uma bolinha e depois tomar uma cervejinha acaba invertendo isso, vai beber uma cervejinha para jogar uma bolinha, mas ele não joga mais a bolinha. Daqui a pouco, ele sai e vai visitar a pedrinha. Começa com a lícita e aparece na ilícita. Aconteceu comigo. Infância arruinada. Muitos não veem os filhos crescerem, muitos de nós não vimos nossos filhos crescerem. O álcool não deixou, ele era mais importante. O álcool teve um momento que foi muito mais importante para mim do que minha própria família e, hoje, pessoas que estão chegando à terceira idade e que estão buscando diversão, precisam tomar muito cuidado com isso, pois se desenvolverem a doença do alcoolismo, em dois anos é caixão e vela preta. Para falarmos um pouco sobre essa terceira idade que a pessoa já não tem tanta resistência assim Diário do Poder Legislativo - 95 para beber, pegamos a imagem dessa senhora que cometeu um crime. Ela está na prisão, atrás das grades, e estava dormindo, acordou e chamou o carcereiro, aquele que toma conta da cadeia, e pediu para sair dali porque ela não sabia por que ela estava ali. E o carcereiro falou: A senhora está aqui não sabe por quê? Ela disse: Não. Chama meu filho para me tirar daqui. Ele disse: Ora, chamar o seu filho? A senhora matou seu filho ontem a facadas. Ela, em um estado de embriaguez, tirou a vida do filho que queria tirá-la do bar. Ela cometeu esse assassinato e não sabia. O álcool tem um momento na vida do alcoólico desses apagamentos, pois a pessoa faz coisas que não sabem que está fazendo. Não registra. Está caminhando, está andando, está fazendo coisas, mas não registra, não sabe o que está fazendo. Chamamos isso, por experiência própria, de apagamento. E essa foi uma vítima do álcool. O álcool desestrutura completamente a família. A família que é considerada a célula-mãe da sociedade, quando tem a influência do álcool, está completamente desestruturada. Se não está desse jeito, um dia pode chegar, e a minha chegou. Esse, para nós, quem seria? Um doente ou um sem-vergonha? Olhamos que ele está em um lugar muito sujo, um lugar repudiante. Não há diferença entre esses dois, nenhuma. Para nós, são seres humanos que merecem recuperação. Então, o álcool aumenta por demais os conflitos conjugais. Se olharmos, quase todos os conflitos conjugais que levam à separação, desquite e essas coisas todas, têm envolvido o álcool. Cada vez mais jovens estão bebendo, usando a bebida alcoólica nas festas e tudo mais. Esse coitado está condenado, mesmo antes de nascer. Por que dizemos isso, se ele não está bebendo? Cientificamente, ele não está bebendo, mesmo que a mãe esteja bebendo, mas ele está condenado a nascer em um lar alcoólico. Há diferença entre nascer em um lar alcoólico e nascer em um lar não alcoólico. Então, esse está condenado por isso. O que parecia ser muito bonitinho, parecia muito engraçado, olha lá dando risada. Inclusive, eu ri quando vi essa foto. Isso pode se transformar em uma tragédia. Há pais que, irresponsavelmente, dão a chupeta molhada de bebida para a criança. E isso pode se transformar nisso, com cinco ou seis anos já procurando a bebida. Ou, então, nisso, os jovens juntos se enturmam e vão querer sair para beber. Se for o caso das meninas, as meninas cada vez começando mais cedo, vão para night e vão virar presas fáceis por causa da bebidinha, aquela bebidinha doce e tal, e viram presas fáceis, podendo gerar inclusive conflitos sociais. Mas o jovem, nós temos um lugar especial para ele no AA. Todo jovem é bem-vindo ao AA. E o que parecia ser muito lindo e muito bonito, cheio de glamour no início de uma festa, no 96 - Diário do Poder Legislativo caso feminino e no masculino, pode se transformar nisso no fim da festa. E quem dera ficasse só nisso. Isso é pouco perto do que existe por aí. Pode se transformar nisso: num coma alcoólico por exemplo. Imaginem a família desse jovem. Um coma alcoólico. Ou, então, pior ainda, pode chegar ao ponto máximo, chegar ao caso desse pai que estava vendo o seu filho estraçalhado dentro de um automóvel cheio de garrafas de bebida em volta. Não foi um só, foram três dentro desse carro. É por isso que ela também é uma doença espiritual; afasta de Deus, traz a dor e o sofrimento. E, ali, está bem caracterizado o que é o início e o que é o fim de uma festa regada a bebida. Aquela que era utilizada para diversão, acaba causando muito sofrimento para muitas pessoas. Mas o melhor de tudo isso: há uma saída! E eu sou uma das milhares, milhões de pessoas que encontraram essa saída. Porque um dia essa mensagem chegou a mim. E, hoje, por gratidão e amor, transmito essa mensagem para outros que possam vir a precisar. O que é Alcoólicos Anônimos? V. Ex.ª, inclusive, já começou fazendo o que nós fazemos em todas as reuniões de AA no mundo todo: para iniciar nossas reuniões, lemos aquilo que você leu. Você fez a abertura de uma reunião de AA, que é a leitura do nosso preâmbulo. Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças a fim de resolver o seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. Qual é o requisito então para ser membro de AA? O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber, não fazemos nenhuma filtragem. Precisa pagar alguma coisa para ser membro? Não há necessidade de se pagar nem taxas, nem mensalidades; somos autossuficientes. Mas o que se entende por autossuficiente? Nós pagamos as nossas próprias contas. E quem paga por essas contas? Nós mesmos. Mas sem taxa e sem mensalidade. A cada reunião, temos uma tradição, chamada sétima tradição, em que contribuímos para as próprias despesas com pequenas contribuições. Temos, inclusive, limite de contribuição; não pode passar de tanto. Quatro mil dólares durante o ano, o membro individualmente não pode passar disso. Não pode, porque dinheiro gera problema. AA tem alguma relação com alguma religião? Não! O AA não está ligado a nenhuma seita ou religião, a nenhum movimento político ou organização, ou instituição. E não deseja entrar em qualquer controvérsia, não apoia e nem combate quaisquer causas. Por isso existimos há oitenta anos. Se nós entrássemos em controvérsias públicas, seriamente não existiríamos mais. Sou obrigado a fazer alguma coisa em AA, ou alguém é obrigado a fazer alguma coisa em AA? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Em absoluto. Ninguém é obrigado a nada. Nós fazemos por amor. Qual é o objetivo de AA? Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos que queiram alcançar a dádiva da sobriedade. Alcoolismo tem cura? Nós sabemos que é uma doença incurável. Não tem cura! Uma vez alcoólico sempre alcoólico! Não vai acabar nunca a doença, está dentro de nós. É por isso que nós, reconhecendo a doença, estamos em recuperação. Não estamos recuperados. Por isso que, no início da minha fala, eu falei: sou um doente alcoólico em recuperação. O que aprendemos é saber como lidar com essa doença, essa doença tão terrível. Como funciona então o AA? Frequentamos as nossas reuniões, onde trocamos experiências sobre as questões relacionadas ao alcoolismo e ao nosso programa de recuperação. Está baseado nos Doze Passos que são sugeridos, os nossos Doze Passos são sugeridos. Evitamos o primeiro gole, ou seja, é um programa baseado em abstinência total. Não adianta, por exemplo, a pessoa tentar fazer o programa reduzindo a quantidade de bebida ou reduzindo os dias da semana em que bebe, porque não vai conseguir. É abstinência total. Isso alcança facilmente e é possível alcançar como? Frequentando as reuniões, evitando o primeiro gole, um dia de cada vez, e transmitindo a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Então, isso é a imagem do A.A. No Espírito Santo, o A.A chegou oficialmente em 1972, na cidade de Linhares e hoje temos em todo o Espírito Santo. São aproximadamente cem grupos em funcionamento, com as portas abertas no mínimo um dia por semana. Na Grande Vitória, temos quarenta e cinco grupos em funcionamento. Todos os dias da semana em todos os municípios você tem reuniões de Alcoólicos Anônimos. Eu falei e repito que o alcoolismo acaba com a família. Estamos deixando dois telefones de plantão pelos quais as pessoas poderão, inclusive, obter mais informações. O Dirceu vai falar alguma coisa, o companheiro Dirceu. O SR. DIRCEU - O Deputado perguntou se tínhamos estatísticas sobre os presos por alcoolismo. Não temos, mas temos um trabalho dentro das unidades prisionais. Vou ler um trecho porque ele é muito cumprido: O referido projeto ocorre semanalmente, sendo dividido em dois grupos, tendo por capacidade quinze reeducandos por grupo totalizando duas reuniões mensais para cada grupo. Os contatos efetivam-se com coordenação do Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 profissional, tendo os membros do A.A como suporte e auxílio, manifestando partilhas de suas experiências de recuperação e superação tendo por fundamentação os Doze Passos de A.A. Participamos em doze penitenciárias do Estado, inclusive nas femininas, e cada vez mais pessoas procuram, dentro da prisão, participar da programação. Esse trabalho foi feito para a Revista Vivência - está na mão do Deputado -, pelo Tiago Moulin Tófano, psicólogo do Inap, com cogestão da Sejus, da Penitenciária de Segurança Máxima I. Hoje ele é psicólogo da Unimed. Ele era o coordenador desse projeto que hoje está a cargo de outro psicólogo. Obrigado. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Muito obrigado. Muito interessante a apresentação de vocês. Solicito, se V. S.ª assim puder, uma cópia para que fique nos anais da Casa. São sei se você pode disponibilizar essa mídia. O SR. DIRCEU - Claro, já está disponível. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Ela é muito importante, porque como estamos transmitindo, é uma forma, inclusive, de divulgar coisas que dentro da família, não só quem ingere bebida alcoólica, mas como ela alcança quem ingere em até quatorze pessoas. A família de alguns vai assistir a essa apresentação, que entendo ser muito importante. Sempre, quando estamos reunidos na Comissão, falo de uma experiência muito negativa de que participei. Não foi uma apenas, mas cito uma em especial, de um aniversário de uma criança de cinco anos, cujo pai, muito feliz, me convidou. E mais feliz ainda ficou quando estive presente à festa, porque conheço tanto o pai quanto a mãe e me recordo da aliança deles que culminou num casamento e gravidez. E participei do aniversário de cinco anos do filho. O pai enfiou o dedo no copo de cerveja, que era uma promessa feita ao menino de cinco anos, e deu na sua boca. A chupeta, já vi diversas vezes em aniversários. Um dado que talvez valha a pena até incluir numa palestra, é que quarenta por cento dos usuários de drogas ilícitas - maconha, crack, cocaína, droga sintética - iniciaram precocemente pela porta da lícita, que é o álcool. O trabalho de vocês é um exemplo de que o braço do Estado não consegue alcançar isso. E é claro, por isso estamos aqui. Mas estou falando agora de um papel nosso aqui: não adianta o Estado exercer o seu papel, o AA exercer o dele, enquanto as famílias continuarem produzindo precocemente crianças que virarão alcoólatras e talvez toxicômanos, Diário do Poder Legislativo - 97 dependentes de drogas ilícitas. Achei muito interessante a apresentação de vocês, porque demonstra, em primeiro lugar, um trabalho de oitenta anos que vem produzindo resultados. Acredito que vocês são exemplos clássicos disso. O que quero deixar claro aqui, em meu nome e em nome do Senhor Deputado Gilsinho Lopes, é que a Comissão está de portas abertas para divulgarmos esse trabalho e sensibilizar. Trouxemos as comunidades terapêuticas, como já ocorreu em algumas audiências feitas nesta Comissão. Foi uma ideia muito legal. O Governo pegou aquelas comunidades que tratam de dependentes químicos, em especial de droga ilícita, que eram aquelas não registradas com CNPJ, mas eram geridas, principalmente por denominações religiosas, igrejas, que pegam uma doação de alimento na Ceasa e trata aquilo, primeiro, de forma espiritual, mostrando amor, fé, enfim. Quando fizemos essa apresentação, tivemos dezenas de mães que vieram nos procurar, para que pudéssemos encaminhá-las para essas instituições. Hoje, doze delas são abrigadas pelo Estado. Fizeram as instituições se regularizarem e hoje o Estado contrata e compra a vaga delas, para vocês terem uma ideia. Por que estou falando isso? O Sistema Único de Saúde trata o dependente de álcool e também de droga ilícita. Mas o tratamento do SUS é diferenciado do de vocês, por exemplo. Olha a relação de afeto que vocês têm, a convivência, o fato de estarem conversando sobre problemas comuns. A comunidade terapêutica trata da mesma forma. O tratamento do SUS trata da química apenas e vai embora. A presença de vocês hoje é muito importante e esse trabalho muito interessante. Tenho certeza que muitos irão se tocar e com certeza procurarão ajuda. Gostaria de pedir que vocês deixassem, muito pausadamente, o endereço, email, telefone, se estiver disponível, para as pessoas interessadas, que estão assistindo a esta transmissão que será repercutida. O prefixo é 27 e os telefones 32334000 e 32237268. Aqueles que tiverem interesse de procurar o AA, está ali o telefone de contato para que possam se informar melhor. Esse trabalho desenvolvido pelo AA é muito legal e neste ano comemora oitenta anos, que é bastante tempo. Com certeza muita gente estava do outro lado da Mesa e passou para o lado onde vocês estão. Como você disse, o alcoolismo alcança não só uma camada social baixíssima. As pessoas acham que aquele cidadão que está deitado na calçada é um pobre coitado, que de repente perdeu o emprego e encheu a cara. Não. Talvez aquele cara que está deitado ali é um milionário que perdeu tudo por conta do alcoolismo. O SR. DIRCEU - Gostaria de lembrar-lhes de que no Hospital da Polícia Militar há um programa 98 - Diário do Poder Legislativo de ajuda aos alcoólatras e aos drogados, que se chama Presta. Temos uma parceria com eles, como o Narcóticos Anônimos tem. Toda semana são feitas reuniões com as pessoas que estão lá. O sucesso de recuperação daquelas pessoas é muito grande e quando saem de lá vêm para o AA. Obrigado. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Muito bom. Concederei a palavra ao Senhor Deputado Gilsinho Lopes, e depois gostaria que o nosso vereador fizesse uma manifestação. Agradeço a presença de S. Ex.ª. Registro a presença das lideranças Rogério Silva e doutor Ademir José Sime. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Gilsinho Lopes, vice-presidente desta Comissão. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Rogério Silva, vulgo Varal, não é? Senhor Presidente, em primeiro lugar parabenizo os Senhores Fernando e Dirceu pela apresentação. É muito importante a apresentação, exibida para todos os que nos assistem pela TV Ales porque, felizmente, após o ingresso no AA as pessoas passam a perder a inibição e a se revelar para o mundo, citando exemplos do que lhes aconteceu. Antes, quando você está sob a influência exacerbada do álcool, você não quer colocar a sua cara, pois não admite ser alcóolatra. Parabenizo o jornal A Tribuna pela matéria publicada na segunda-feira, sobre um empresário que perdeu tudo em função da bebida. É citada toda a situação que vocês colocaram: o trecho de abertura das reuniões de vocês, as reuniões, onde encontrar um grupo do AA e os telefones de vocês. Na matéria há relatos de outras pessoas que também perderam família, identidade, em função dessa droga lícita. Como foi dito por vocês, são três milhões de pessoas mortas em um ano. É um número absurdo. Nem eu nem o Senhor Presidente imaginávamos esse número que V. S.as trouxeram. Como esta Comissão se preocupa tanto com as drogas lícitas quanto com as drogas ilícitas, estamos fazendo esses apanhados, esses estudos, esses levantamentos e convidando autoridades no assunto. Vocês são autoridades no assunto. São reconhecidos mundialmente porque realizam um trabalho anônimo e que tem resultados. Recentemente tivemos a morte da esposa do diplomata espanhol. Ela tinha saído de uma reunião do AA. Mas depois, ainda influenciada pela droga lícita, pelo álcool, foram para uma boate, beberam, saíram para comprar latões e, depois, foram para casa, o que culminou na morte dela. Essas coisas não chegam a um final feliz. Sempre o final é triste, trágico, como foi enunciado e apresentado, com os pais verificando seus filhos mortos nas ferragens de um veículo. Há essas festas Rave e os pais liberam as crianças para irem. Nessas boates, antes de Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 adentrarem, já estão com a garrafa de vodca e não sabem qual é... O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Garrafa de vodca e otras cositas más na cabeça. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Exato, e não sabem nem qual é a procedência. Às vezes começam a beber nas barraquinhas, que trazem bebidas falsificadas e tudo mais. Os jovens hoje vão para uma boate, pegam três, quatro garrafas de Absolut, colocam debaixo do braço e vão entrando para a festa. Saem de lá em condições de petição de miséria. As jovens, sob influência do álcool, acabam sendo seduzidas, ficando grávidas, tendo doenças sexualmente transmissíveis e aí vem a dilaceração da família. Senhor Presidente, estamos fazendo esses apanhados com todos os segmentos que norteiam os caminhos das drogas, tanto lícita quanto ilícitas, para que produzamos um trabalho sério, como é o nosso trabalho na Comissão, buscando mecanismos que ajudem aqueles que combatem essa prática. Falo sempre na questão policial. Vocês falaram que em quatorze unidades aproximadamente vocês fazem trabalho nas penitenciárias. Sei qual a dificuldade que vocês têm para realizar esse trabalho. Assim como pessoas de religiões que vão realizar esse trabalho, é um sacerdócio conseguir uma autorização para adentrar uma unidade prisional para levar uma palavra de conforto, de fé, uma palavra de Deus. Isso é muito difícil. Isso realmente tira o elemento dentro do seu Eu natural, que é aquele de estar visualizando só o crime e não ter outra perspectiva. Porque ali dentro, o que ele conversa? Conversa com outro traficante, conversa com um assaltante, conversa com um homicida e vai aprender só coisas ruins. E quando se leva uma palavra, um entendimento em que possa ver uma luz no fundo do túnel, vocês são preteridos, literalmente preteridos. Sei, porque trabalho com o sistema e de vez em quando sou procurado por alguns órgãos nãogovernamentais que fazem trabalhos com os sócioseducandos com os reeducandos, para a ressocialização, e têm dificuldades. Aí recorro, e quero aqui dizer do doutor Ulisses Reisen, que trabalha no DIRAJUSP da Sejus e sempre tem feito essa intermediação e sempre tem disponibilizado essas entidades a realizarem seus trabalhos. Parabenizamos a Secretaria de Justiça porque hoje, no sistema prisional nacional, um dos melhores sistemas é o do nosso estado. Então, não podemos deixar de registrar isso. Conheci o sistema lá atrás. O Senhor Deputado Marcelo Santos, na hora que o senhor estava falando que nessa idade não pode ir para o mundo das drogas lícitas porque só com três anos vai para o beleléu, já quis me citar... O SR. MARCELO SANTOS - (PMDB) - Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Porque na terceira idade não dá para ir para o mundo... O SR. GILSINHO LOPES - (PR) Terceira idade... Sempre S. Ex.ª faz essa referencia aqui, mas fico feliz porque estou um idoso saudável. Então, por gostar muito de mim ele faz essas referencias. Mas fico feliz pela apresentação, pelo conhecimento a mais que temos sobre a entidade e pelo trabalho que vocês desenvolvem. É um trabalho sério, é um trabalho onde as pessoas que seguem o rito normal têm um encontro com a felicidade. E aqui, esse empresário diz: Não, não vou recomeçar minha vida! Não vivia antes, vou refazer a minha vida. Então, é isso que precisamos e que esperamos. Com certeza, essa palestra, essa apresentação serviu de exemplo para muitos telespectadores que estão nos assistindo e também para nós. Quando vocês falam que o alcoolismo afeta até quatorze pessoas ao redor, no entorno, é um número muito grande. Temos aqui amigos em comum que criaram seus filhos até a idade de dezoito anos dizendo: você não vai beber! E não beberam. Mas depois dos dezoito anos não pode proibir, é um problema dele, que vai ter suas amizades, o seu trabalho, o seu convívio e a família já fica de escanteio. Mas, quando um lar é erguido pela força de Deus, quando é erguido com fé, quando é erguido dentro dos laços familiares, com certeza terá sustentação e os seus integrantes não sucumbirão. Agradeço mais uma vez, presidente, e registrar que estamos e estaremos sempre atentos a todos esses esclarecimentos que vêm à Comissão para fazermos um diagnóstico, possivelmente um relatório a posteriori, ou até mesmo um livro sobre essa situação. Em 1988, quando eu era delegado em Domingos Martins, disse: Domingos Martins sai na frente sobre guerra contra o tráfico. Naquela época as drogas já estavam entrando livremente em Domingos Martins e fui quase que enxotado da cidade porque eles não admitiam que as drogas estivessem entrando. Aos poucos foram observando que eu estava com a razão nas blitze e nas palestras que realizávamos, interdisciplinares e multidisciplinares, em que havia juiz, promotor, médico legista da cidade, professores, psicólogos e assistentes sociais. Fizemos esse trabalho, e hoje eles reclamam. Muitos pais me ligam procurando para internar dependentes, inclusive colegas meus policiais civis que foram para se infiltrar e acabaram entrando no vício, e para tirar é um sacrifício. Senhor Presidente, fiquei muito satisfeito com os esclarecimentos do Fernando e do Dirceu. Quero ouvir o vereador Narciso Grassi, de Alfredo Chaves, que tem um trabalho muito árduo e profícuo. V. Ex.ª falou da injustiça que fizeram com ele, mas V. Ex.ª teve uma contribuição, assim como o Diário do Poder Legislativo - 99 Deputado Lelo Coimbra e eu tivemos contribuição. Foi feita justiça, a recondução do vereador Narciso Grassi, porque ele não devia nada e simplesmente o afastaram do cargo. Hoje foi reconhecido e está no poder com um trabalho reconhecido pela comunidade alfredense. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS) - Antes de passar a palavra ao vereador Narciso Grassi, concedo a palavra ao senhor Fernando. O SR. FERNANDO - Quando V. Ex.ª citou a influência do álcool na família, que destrói a família, paralelo aos grupos de A.A., também em 1950, foram fundados os grupos Al-Anon, para familiares de alcoólicos. Por exemplo, no meu caso, antes de ser membro dos Alcoólicos Anônimos, minha esposa já participava dos grupos Al-Anon. No estado temos diversos grupos. Todos os municípios da Grande Vitória têm grupos de Al-Anon, que são para amigos e familiares de alcóolicos. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS) - Muito obrigado. Registro a presença do líder popular do município de Cariacica, da região de Jardim América e adjacências, Lelo Couto; e do escritor e cozinheiro de primeira, Reginaldo Horta. Convido o senhor Reginaldo Horta para se sentar ao lado do nosso vereador Narciso Grassi. Concedo a palavra ao Senhor Narciso Grassi, vereador pelo município de Alfredo Chaves, para fazer suas considerações. O SR. NARCISO GRASSI - Bom-dia a todos. Agradeço ao Senhor Deputado Marcelo Santos, presidente, e ao Senhor Deputado Gilsinho Lopes. Parabenizo Ex.as por essa palestra, por esse acontecimento. Faço um convite especial. Como vereador de meu quinto mandato e um de prefeito, convido V. Ex.as para fazer uma palestra em Alfredo Chaves pois sinto que Alfredo Chaves está abandonado, está largado a esse respeito. Jovens de dez, doze, quinze anos, frequentam os bares e todos os lugares. Estamos perdidos. Cito o exemplo de quando o Senhor Deputado Gilsinho Lopes foi delegado em Alfredo Chaves e moralizou o município. Moralizou o município. Foi um delegado que impôs respeito. Sempre fiz política anterior para Sérgio Borges. Nesta eleição, foi uma dificuldade arrumar voto para o Senhor Deputado Gilsinho Lopes em Alfredo Chaves porque ele agiu com autoridade. Jovens de quinze ou dezesseis anos que frequentavam estabelecimentos voltavam para suas residências quando dava 9h ou 10h, pois Gilsinho agia. Hoje, estamos abandonados. O Poder Executivo também deixa a coisa à mercê. Os esclarecimentos que os senhores deram são importantíssimos. Já peguei o telefone e entrarei em contato com os senhores. Quero levá-los lá. 100 - Diário do Poder Legislativo Entrarei em contato com o A.A. de Alfredo Chaves, são todos meus amigos. Conheço todos. Quero leválos também às escolas. Hoje, temos uma escola com mil e quatrocentos alunos e outra com mil e cem alunos. Há um mês, houve até um problema sério em Alfredo Chaves. Nós, do interior, acolhemos as pessoas que chegam. Os senhores acompanharam, através da imprensa, o problema de um índio que apareceu lá e deu várias palestras em escolas. Havia pessoas querendo saber quem era esse índio e de onde ele apareceu e querendo abraçá-lo de corpo e alma. Falei: - Deixem-no quieto. E deu no que deu. Quero parabenizá-los. É muito importante hoje, no mundo em que estamos vivendo, os senhores levarem esse conhecimento às escolas. Todos os diretores de lá são meus amigos. Entrarei em contato e tenho certeza de que os senhores irão a Alfredo Chaves. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Agora cabe aos representantes do A.A. Acredito que a participação na Câmara Municipal de Alfredo Chaves também levará a muitas famílias o conhecimento sobre o malefício causado pelo álcool, o que é muito importante. Registro a presença de Sérgio Medeiros e Juarez Lucas, acompanhados do Doutor Ademir José Simmer. Agradeço também a presença do escritor Reginaldo Horta Azevedo, que está compondo a Mesa. S. S.ª escreveu um livro recentemente e gostaria que falasse sucintamente sobre o livro e cumprimentasse os representantes do A.A. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - S. S.ª é uma grande liderança de Cariacica e é oriundo de Parajú, Distrito de Domingos Martins. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Senhor Presidente, V. Ex.ª tem citado muito o nome do Doutor Ademir José Simmer. Gostaria de pedir que o mesmo ficasse de pé para que a câmera pudesse filmá-lo. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Não havendo mais nenhuma atividade da Comissão, agradeço a presença dos representantes do A.A., na figura do Fernando e do Dirceu. Foi muito bacana a presença dos senhores, bem como a apresentação que fizeram. É dessa forma didática em que a apresentação foi feita, que ela entrará no seio da família para que as pessoas possam conhecer isso e entender essa dura realidade. O que foi dito pelos senhores é bem verdade. No começo achamos que é um dia, depois é o segundo. O exemplo do futebol e da cerveja é o melhor. Primeiro é o futebol e depois é a cervejinha, primeiro é o futebol e depois é a cervejinha; depois é a cervejinha e depois o futebol; depois é a cervejinha e a cervejinha e mais adiante o vício, a dependência e a calçada. É muito importante ter essa informação. Com as minhas palavras, as do Senhor Deputado Gilsinho Lopes, do vereador, do Reginaldo e das lideranças presentes, essas informações precisam ser mais bem divulgadas para que as pessoas possam tomar consciência. O Senhor Deputado Gilsinho Lopes falou sobre as festas raves...Se eu pudesse e tivesse autoridade para isso, mas não tenho, fecharia e proibiria toda realização de Festa Rave, no Espírito Santo. Todos sabem que lá utilizam um negócio chamado de bala, doce. O cara fica doidão. Esse tipo de droga sintética faz o cara ficar doidão, numa energia danada. Ele bebe água até que uma hora o seu organismo não consegue filtrar, paralisa as funções e a pessoa morre. Morre! Chamo atenção da família. Como uma mãe deixa um filho de dezesseis anos ir a uma festa dessas? Saiu na sexta-feira. A festa começa à noite, às 18h. Pode fiscalizar o menino que entrou lá às 18h. Se você estiver com a câmera ligada, ao meio dia do outro dia, parece que ele entrou naquela hora de tanta energia, porque essa droga o faz sentir um super-homem. É verdade. Muitos se suicidam por achar que ao pular, vão voar. Então, é uma atenção que temos de chamar. Como ele disse: o AA não é contra quem fabrica, não é contra quem comercializa e nem quem bebe. Ele é a favor de que a pessoa vá lá, se quiser se tratar. Esta comissão da mesma forma. Não somos contra quem fabrica, não somos contra quem comercializa e muito menos quem consome, mas tem de ter responsabilidade. E a família é a principal instituição a ter responsabilidade pelos seus filhos. V. S.ª quer fazer alguma consideração? O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Doutor Ademir José Simmer, por favor. Peço que filmem o Doutor Ademir José Simmer, que é da região de Cariacica e muitos nos honra com sua presença. O SR. DIRCEU - Gostaria de falar com o vereador de Alfredo Chaves que estamos à inteira disposição, por meio do nosso comitê, trabalhando com os outros. Assim que ele puder entrar em contato com o escritório nosso aqui ou do sul, em Cachoeiro, O SR. REGINALDO HORTA AZEVEDO - Bom-dia! Na realidade, sou portador do Mal de Parkinson e escrevi como trabalhar com essa doença. Faz dezesseis anos que luto dessa forma. Já estive bem pior e bem imobilizado, mas com boa vontade, com esforço e com companheirismo, consegui melhorar. Passei isso para o livro, a fim de que outras pessoas possam, não da minha maneira, mas por meio do mesmo caminho que trilhei, conseguir ter uma vida mais decente. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado, Reginaldo Horta Azevedo. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 será providenciada essa palestra, essa parceria. Os Alcoólicos Anônimos tem um texto que diz: eu sou responsável quando qualquer um, em qualquer lugar, estender a mão pedindo ajuda. Quero que a mão de AA esteja sempre ali. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) -Seguiremos para o encerramento da reunião que honrosamente recebeu a presença dos representantes do AA, que vieram fazer um exposição dos trabalhos realizados ao longo dos oitenta anos do Programa Alcoólicos Anônimos no mundo. É muito importante. Fiquei muito feliz, sendo presidente desta comissão, junto com o vice-presidente Senhor Deputado Gilsinho Lopes, com a presença do nosso vereador, do escritor Reginaldo Horta, das lideranças como Ademir José Simmer e Lelo Couto, que prestigiaram essa apresentação. Estamos muito felizes. Parabéns pelo trabalho de vocês! Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, à hora regimental. Está encerrada a reunião. Encerra-se a reunião às 11h21min. _________________________________ COMISSÃO DE POLÍTICA SOBRE DROGAS. OITAVA REUNIÃO ORDINÁRIA, DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 07 DE JULHO DE 2015. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta Comissão. Bom dia, senhoras e senhores, Senhor Deputado Gilsinho Lopes, vice-presidente da Comissão de Política sobre Drogas, Senhor Deputado Euclério Sampaio, presidente da Comissão de Segurança, colaboradores desta comissão e senhoras e senhores que fazem parte dos conselhos tutelares do nosso estado. É uma honra recebê-los nesta Casa. Esta é a Comissão de Política sobre Drogas, que trata de um tema muito relevante neste estado. Tenho certeza de que é um campo de atuação de V. S.as no dia a dia. Iniciarei formalmente, até porque o Regimento Interno me obriga. Dispensarei a leitura da ata para que possamos fazê-la mais adiante. A próxima reunião de comissão seria da Comissão de Defesa do Consumidor, que o Senhor Deputado Gilsinho Lopes também preside. S. Ex.ª está abrindo mão de seu tempo para que possamos ter a nossa reunião com o tempo que se fizer necessário. Depois do início dos trabalhos será passado o microfone e pedirei que cada um se identifique, Diário do Poder Legislativo - 101 informando de que município é e a função, para que possamos conhecer todos e para a TV Ales. O nosso objetivo na Comissão é identificar as dificuldades que os conselhos encontram nas cidades, principalmente na relação com o poder público. As dificuldades que V. S.as têm em ter o conselho tutelar trabalhando e cumprindo aquilo que as normas determinam, as dificuldades pelo poder público acabar não auxiliando V. S.as, ou se auxilia. No nosso caso também com relação ao envolvimento com drogas das crianças e dos pais dessas crianças, sejam drogas lícitas ou drogas ilícitas. É uma discussão que estamos começando agora. Inicialmente nos colocamos à disposição das senhoras e dos senhores diante das dificuldades. Inclusive, apresentarei na tela para que tenhamos uma relação e V. S.ª usem a comissão como instrumento de auxílio ao trabalho de V. S.ª. Como deputado estadual já exerço o quarto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, e sei das dificuldades. Temos uma relação muito grande com o Judiciário, que trata questões relacionadas. Da mesma forma com o Ministério Público, a polícia, o governo. A Assembleia Legislativa, é claro, é o palco principal para que possamos promover um debate como este. Solicito ao senhor secretário que proceda à leitura do Expediente. O SR. SECRETÁRIO lê: EXPEDIENTE: CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS: Não houve no período. PRPOSIÇÕES RECEBIDAS: Não houve no período. PROPOSIÇÕES DISTRIBUÍDAS AOS SENHORES DEPUTADOS: Não houve no período. PROPOSIÇÕES SOBRESTADAS: Não houve no período. PROPOSIÇÕES BAIXADAS DE PAUTA: Não houve no período. ORDEM DO DIA: Presença dos conselhos tutelares do estado do Espírito Santo, que irão destacar as dificuldades encontradas nos atendimentos das famílias acometidas pelo uso excessivo de drogas lícitas e/ou ilícitas, bem como as dificuldades estruturais do ambiente laboral. COMUNICAÇÕES As que ocorrerem. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Dando início, em nome de todas e de todos, cumprimento Alexsandro Lima, 102 - Diário do Poder Legislativo representante da Secretaria de Administração de São Domingos do Norte; Ordan de Fátima, conselheira tutelar; Maria Auxiliadora; Adão Matias; Valdecir Pimenta da Silva, que também é de São Domingos do Norte; Rozinete dos Santos, Eliane Saraiva Viana e Elaine Mendes, que são conselheiras tutelares do Município de Guarapari; Karoline Araújo Vago, Maura G. Silva e Renan Mario Margon, do Município de São Roque do Canaã; Maria dos Anjos Gaigher de Paula, Helzia Cristina Queiroga Alves, conselheiras do Município de Alfredo Chaves; Jussara Delbani Bento de Lellis Piacentini e Mariangela Zanon, conselheiras do Município de Itarana; Vera Lúcia C. do Nascimento, que é da região 1 do Município de Cariacica; Ana Cláudia Reis da Silva, da região I do Município de Serra; e Gilda das Neves Segatine, Zilmara Almeida dos Santos, Michele Pereira Costa Mota, conselheiras do Município de São Mateus. Depois, passarei o microfone para que todas se identifiquem falando a região, o município, e a função que naturalmente alcançam. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Gilsinho Lopes. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Bomdia, Presidente, Senhor Deputado Euclério Sampaio, conselheiros e servidores da Casa. Quero dar as boasvindas e dizer que acompanhamos de perto o trabalho, uma luta árdua que vocês têm, com recursos dos mais escassos possíveis. Mas estamos nesta Comissão para ouvi-los e, ao final, faremos as considerações, Senhor Presidente. Tenho acompanhado, e sempre, em todos os municípios onde fui delegado, tive oportunidade de trabalhar com os conselheiros. Eles dão um suporte muito grande para a questão social, que é onde pessoas menos favorecidas procuram e sempre são muito bem atendidas. Saem na madrugada para fazer atendimentos e sem condições. São verdadeiros herois e heroínas a serviço da sociedade. O SR. PRESIDENTE - MARCELO SANTOS - (PMDB) - Concedo a palavra ao Senhor Deputado Euclério Sampaio. O SR. EUCLÉRIO SAMPAIO - (PDT) Bom-dia Senhor Presidente Marcelo Santos, Senhor Deputado Gilsinho Lopes, vice-presidente, conselheiros, funcionários, procuradores e aos presentes. Serei bem rápido, Senhor Deputado. Hoje, temos rodado, eu e o Senhor Deputado Gilsinho Lopes, pela Comissão de Segurança. A violência está se alastrando de forma assustadora e uma das principais causas é droga. O interior está horrível, não é Senhor Deputado Gilsinho Lopes? Então, o combate é de fundamental importância. Parabenizo a Comissão, porque acho que é um dos assuntos mais atuais e que precisa ser combatido. Parabéns a todos os presentes. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. PRESIDENTE - MARCELO SANTOS - (PMDB) - Obrigado, Senhor Deputado Euclério Sampaio, que preside a Comissão de Segurança, e Senhor Deputado Gilsinho Lopes, vicepresidente da Comissão de Segurança e vicepresidente na Comissão de Política Sobre Drogas. Peço à assessoria que exiba o vídeo que dará início à reunião da nossa Comissão. (É exibido o vídeo) O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Esse é um dos itens pelo qual pedimos a presença dos senhores. Senhor Deputado Euclério Sampaio, V. Ex.ª tem outra comissão aguardando seu retorno. Abriremos para que os senhores possam expor... Naturalmente isso é uma pequena porta dos problemas que os senhores têm no dia a dia. Claro que há problemas... Algumas prefeituras garantem condição de trabalho aos conselhos e conselheiros; outras não garantem; outras vendem imagem de que o conselho está funcionando muito bem e não está. Falaremos, em especial, dos problemas que os senhores encontram e de que forma poderemos ajudá-los, seja na relação do Governo e das prefeituras. Atuaremos com os senhores para melhorar porque entendemos que o trabalho dos senhores é fundamental. Por isso a comissão os convidou para debatermos. Da esquerda para direita, temos a Ana Claudia, da Serra; Mariangela, de Itarana; a Jussara, de Itarana; a Geilda, de São Mateus; a Ana Altoé, de Marilândia; a Maria Rosária, de Água Doce do Norte; e a Wanderleia, de Santa Maria de Jetibá. Iniciando, concedo a palavra para Ana Claudia, para falar um pouco do Conselho Tutelar do município de Serra, dos problemas que enfrenta e em que a comissão pode ajudá-la. Lembrando que temos também um foco muito ligado à violência e às drogas. Se isso a senhora encontra no dia a dia do trabalho do Conselho Tutelar do município de Serra. A SR.ª ANA CLAUDIA REIS DA SILVA Na Serra não fazemos esse trabalho de sair na madrugada para reintegrar criança e adolescente, mas esbarramos principalmente na questão do atendimento dessas famílias que são acompanhadas pelo Conselho, famílias que têm envolvimento com uso de drogas lícitas e ilícitas, mas não temos os programas que poderiam atender essas famílias. Em nosso município, os Creas estão sem equipe técnica para atender crianças vítimas de violência; os pais também estão sem acompanhamento adequado no Caps AD e nosso Caps I ainda não está funcionando, que atenderia crianças e adolescentes usuários de drogas. Então o Conselho Tutelar fica sem muita opção porque o atendimento no conselho não é realizado como deveria, como a política pública de assistência ou de saúde daria. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Peço à comissão que anote cada detalhe que cada conselheiro está falando. Cobrarei dos senhores. Quero que cada detalhe relatado por um conselheiro seja devidamente anotado porque estarei cobrando diretamente ao prefeito, sob pena, inclusive, de ajuizar ação contra eles, é verdade. Até porque estamos discutindo hoje em Brasília uma coisa que parece uma brincadeira, mas não é, que é a redução da maioridade penal, e isso afeta diretamente vocês. O trabalho de vocês não é uma brincadeira, é uma coisa muito séria, e que temos levado, eu e Senhor Deputado Gilsinho Lopes, com muita seriedade e daí o convite, primeiro de vocês para que pudéssemos iniciar esse debate. Temos a condição de convocar secretário, temos a condição de processar as pessoas que não estão dando a devida atenção àquilo que a lei obriga. Agradeço inicialmente e peço a senhora continue a se manifestar com relação aos problemas que encontra no município de Serra. Diário do Poder Legislativo - 103 violência. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Essas solicitações que o Conselho fez, a senhora tem cópia ou foi feito verbalmente, em relação às vagas nas escolas, aos atendimentos... A SR.ª ANA CLAUDIA REIS DA SILVA Temos oficialmente, sim, requisições protocoladas no protocolo geral do município. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Solicito à secretaria que oficie ao conselho, para que a senhora receba um documento oficial nosso e nos encaminhasse esse documento de forma oficial para que tenhamos isso e possamos tomar as medidas necessárias para auxiliar. A senhora quer fazer algum comentário a mais? (Pausa) A SR.ª ANA CLAUDIA REIS DA SILVA Não. A SR.ª ANA CLAUDIA REIS DA SILVA Nessa linha tem a questão da educação na Serra, porque é um município que tem crescido visualmente, e não tem sido construídas escolas, creches, hospitais e isso tem causado problemas sérios na área da violência no município. As crianças que estão ficando fora da escola estão se tornando defasadas; os adolescentes têm permanecido ociosos fora da escola. Além de não ter políticas de cultura, de esporte de lazer, tudo isso está faltando. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Existe alguma coisa específica como prioridade do conselho, por mais que tenha sido elencado aqui muitos temas e que há uma ausência de investimento do poder público no apoio ao Conselho Tutelar nas suas ações, que daria um suporte maior para que o Conselho Tutelar da Serra pudesse ter uma eficácia melhor no seu trabalho? A SR.ª ANA CLAUDIA REIS DA SILVA O município de Serra, recebeu do governo federal, agora, como alguns outros municípios aqui do estado, carro, impressoras, um kit completo, mas tem passado por problemas como falta de toner, um absurdo. Mas, equipados, acredito que os conselhos estejam. O que está faltando é podermos exercer nosso poder de requisição de serviços públicos, porque não temos os serviços públicos. Nós requisitamos vagas, não há vagas de escola; nós requisitamos acompanhamento psicossocial, não há psiquiatras, não há psicólogos, não há assistente social nos Cras, nos Creas, nos Caps. Precisamos desse apoio, sem o qual não conseguimos trabalhar, ficamos ali segurando a família num atendimento ad aeternum, porque eles não sairão desse ciclo de O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Muito obrigado. Passo a palavra à senhora Mariangela Zanon, do município de Itarana. A SR.ª MARIANGELA ZANON - Bom dia. Nós temos dificuldades no nosso Conselho. E tenho uma amiga aqui do lado que depois vai falar também. Nós temos os prontidões que temos poucas demandas à noite, porque grande parte fica com a parte policial, quando necessário eles nos ligam. Mas durante o dia temos muitos atendimentos, e o nosso grande problema é em relação às drogas que, infelizmente, não podemos resolver porque o policial só pode prender se pegar no flagrante. Mas tem muita gente que usa drogas e isso está atrapalhando o estudo; tem muita evasão escolar, o nosso grande problema. A evasão escolar está levando também adolescentes à prostituição, e a indisciplina por causa da droga está levando os alunos a não respeitarem os pais. Os professores estão com dificuldades de dar até aula. Com a didática que eles estão usando não estão conseguindo colocar esses meninos para copiar matéria, eles respondem ao professor e o professor está sem estímulo para dar aula em virtude da droga. O conselho, em relação às crianças, temos também dificuldade com a nossa creche que estamos com promessa para ser construída até o ano que vem. Temos crianças necessitando de vaga na creche e não tem. Mas, todas as vezes que o conselho pede, a vaga é solicitada. Parece que o conselho tem um peso no pedir. Temos esse grande problema em nosso conselho. Temos parceria com o Cres que está se formando e com o Cras. Consegue-se psicólogo, 104 - Diário do Poder Legislativo assistente social não nos falta; na saúde também, não nos falta. Temos essa parceria. Mas está muito difícil o transporte escolar por parte do estado. Adolescente e criança estão andando um pouco a pé porque o estado dá aquela quantia somente e o dono da linha não aceita. Acha que o dinheiro que está sendo pago é pouco e não se sujeita a andar um pouco mais. Portanto, temos dificuldade na roça com essa parte que enquadra a Sedu que é a parte das escolas estaduais. No município não temos. Tem mais alguma coisa que deixarei para a minha amiga completar. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Concedo a palavra à Senhora Jussara Delboni. A SR.ª JUSSARA DELBONI - A colega falou praticamente tudo. Mas Itarana - costumo dizer - é abençoada com relação a essa parceria de Conselho Tutelar, Ministério público e etc. porque temos uma promotora muito querida, nos apoia em tudo; a secretária de assistência social também e temos um bom trabalho com relação a isso. Um dos problemas que temos em Itarana é a questão da bebida e da evasão escolar, são essas duas coisas. Mas temos o apoio - como falei - tanto da secretaria como do Ministério Público. Como a colega falou a questão de droga também é bem grande em Itarana, mais com adolescente do que com criança. O Ministério Público não deixa vazio, mas luta junto conosco. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - O transporte escolar que é por parte do estado é gerenciado pela prefeitura? A SR.ª JUSSARA DELBONI - Pela prefeitura. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Ela não cobra da .... A SR.ª JUSSARA DELBONI - Secretaria de Educação. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - .. da empresa contratada para que alcance a demanda dos ônibus para chegarem aos lugares como a Mariangela Zanon relatou, que o ônibus não leva ao local necessário porque alega ser pequeno o recebimento. O município não adota nenhuma posição com relação a isso? A SR.ª JUSSARA DELBONI - O Ministério Público está fazendo essa cobrança sim. Devagarzinho está conseguindo, mas cobra da Secretaria de Educação. Isso tem sido cobrado. A SR.ª MARIANGELA ZANON - Por causa disso muitas crianças perdem aula. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Esse problema que vocês detectam que é droga lícita que é o caso do álcool, a ilícita que é droga maconha, cocaína, crack, droga sintética e a evasão escolar, qual a posição do conselho e qual o retorno que a estrutura do município, do estado enquanto, por exemplo, Polícia Civil e Militar tem adotado? Tem atendido ou há necessidade de se ter uma ação mais eficaz no município? A SR.ª JUSSARA DELBONI - No município a Doutora Vera Murta de Miranda, a promotora tem feito reuniões tem cobrado bastante e tem dado um bom resultado. Fazemos visita constantemente. A SR.ª MARIANGELA ZANON - Notifica os pais. A SR.ª JUSSARA DELBONI - Notifica, conversa. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Tem o atendimento também aos pais por parte da prefeitura, um tratamento psíquico acompanhamento a filho dependente? A SR.ª MARIANGELA ZANON - A gente encaminha por meio da Secretaria de Assistência Social. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - E tem o atendimento? Encaminha, mas é recebido? Tem médico? A SR.ª JUSSARA DELBONI - Tem sim. Tem psicólogo, tem tudo certinho. Temos sido bem atendidos em relação a essa situação. Itarana está bem em relação a isso. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Então, em Itarana, hoje, o problema é social e não de estrutura? A SR.ª MARIANGELA ZANON Verdade. Quanto à estrutura, comentei com ela, trabalhamos com um computador só. Somos em cinco. Temos necessidade de cadeiras, de mesas mais adequadas, mas está bom para trabalhar, temos uma casa boa. Essa de agora não tem uma garagem e deixamos o carro em outro setor da prefeitura. A outra casa tinha garagem onde podíamos deixar o carro do Conselho guardado do sereno, do sol e da chuva. Mas nosso prefeito e os demais prefeitos sempre nos ajudaram. Não recebemos esse quite, ainda, e estamos sentindo falta de ferramentas para trabalhar. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Esse quite foi disponibilizado para todos os Conselhos ou tem um critério? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 A SR.ª ANA CLAUDIA REIS DA SILVA Não se sabe sobre esse critério. O município de Serra havia entendido que era para municípios com mais de trezentos mil habitantes. Mas parece que essa regra não foi geral. Então, não sabemos qual foi a regra adotada. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Será que isso não seria por conta do município apresentar um projeto? A SR.ª ANA CLAUDIA REIS DA SILVA Eles pediram um cadastramento, mas muitos o fizeram e não receberam o quite; então, não se sabe. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Verificaremos. Tem alguma demanda que poderíamos intervir junto ao município ou ao Estado para melhor o Conselho Tutelar de Itarana? A SR.ª JUSSARA DELBONI - Acredito que é em relação ao que a colega falou, a questão interna do Conselho. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Senhor Presidente, ouvindo as falas da Ana Cláudia Reis da Silva, Mariangela Zanon e Jussara Delboni, de Serra e Itarana, retornamos ao passado e verificamos que a crise de autoridade, hoje, é muito grande. Lá, vocês têm a promotora Vera Murta de Miranda que é extremamente diligente, lida com os problemas do município como se dela fossem. Mas não é o mesmo caso dos outros municípios em que os promotores não estão nas segundas-feiras, nas sextas-feiras e nos finais de semana não tem delegado de polícia. Quando fui delegado de polícia dos quarenta e oito municípios por que passei, quando dava dez horas da noite passava com a viatura na rua, pois eu morava no município e abordava as pessoas. Quando via um adolescente perguntava: É adolescente? E ele respondia: É. Dizia: Para casa. Gente, hoje, o adolescente fica até duas, três horas da manhã usando drogas lícitas e ilícitas, não respeitam seus pais, não vão para a sala de aula e não são penalizados. Então, é questão de ter a interação do Conselho Tutelar. Vi a declaração do meu amigo delegado de Linhares, Walter Emiliano Barcelos sobre os problemas de Linhares. Olha bem, casos de desobediência, desacato e a pessoa é liberada e vai para casa. E o profissional é ameaçado e ninguém vai dar segurança para o profissional do Conselho Tutelar. Então, há necessidade de as autoridades cumprirem seu real papel. Morar na comunidade, nos casos do interior. Em Itarana, historicamente, nunca teve um delegado titular, a não ser a doutora Lídia Meirelles em 1990; depois foram outros delegados. Mas ficava em Itarana e Itaguaçu, em Itaguaçu e Itarana, naquela briga de saber onde atenderá. A delegacia não tem policiais suficientes para fazer as investigações. Houve casos de homicídio e outros que tive que sair Diário do Poder Legislativo - 105 daqui de Vitória para fazer a apuração. Então, o Estado negligencia nesse indicativo das autoridades. No governo passado, foram nomeados inúmeros delegados para dotar todas as delegacias de profissionais delegados de polícia, escrivães de polícia, mas nem todos foram contemplados. Estou vendo aqui a Ana Altoé Saleze, de Marilândia. Eu consegui levar Doutor Edson Félix para Marilândia aos trancos e barrancos, brigando com o chefe de polícia e com secretário de segurança para ter um delegado na região, porque quem estava lá era Doutor Landulfo Lintz e política contrária, aquela história toda. Então, são as brigas desnecessárias. Entram em searas que não são da responsabilidade deles, que é questão política, e se esquecem da questão social. Então, Presidente, vejo que em Itarana, que conheço bem e onde tenho vários amigos, realmente o trabalho do Ministério Público é eficaz, mas o do judiciário você nem sabe como é feito. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado, Senhor Deputado Gilsinho Lopes. Concedo a palavra a Senhora Geilda das Neves Segantine. Queria que V.S.ª falasse como está funcionando o Conselho Tutelar de São Mateus, os problemas. Você tem toda liberdade de se manifestar. A SR.ª GEILDA DAS NEVES SEGANTINE - Bom-dia a todos e todas. Hoje, no município de São Mateus, um dos maiores problemas no município é a quantidade de conselho tutelar. Hoje, São Mateus tem um conselho tutelar apenas, para uma população de aproximadamente cento e trinta mil habitantes. Então, há uma demanda muito grande. Hoje, o conselho tutelar de São Mateus não consegue atender a demanda e priorizar aquilo que é de direito da criança e adolescente, exatamente por ter somente um conselho tutelar. O que acontece em São Mateus é que não temos mais suplentes. Então, se um conselheiro entra em férias, o conselho tutelar passa a trabalhar com quatro conselheiros para uma demanda de cento e trinta mil habitantes aproximadamente. Outro problema que temos em São Mateus é a questão que o índice de abuso sexual, que tem aumentado bastante. E só existe o SML em Linhares. Em São Mateus os conselheiros têm que conduzir, muitas vezes, crianças até o SML de Linhares, ou seja, se tivesse em São Mateus isso já iria nos ajudar bastante, porque trabalhamos muitas vezes com quatro conselheiros, com um ou dois conselheiros praticamente todos os dias na estrada. Termina não tendo atendimento necessário para a criança e adolescente do município. Então, temos essa preocupação em São Mateus e priorizo, logicamente, essas duas coisas que pontuei. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO 106 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 SANTOS - PMDB) - Há uma cobrança do conselho tutelar de São Mateus, que diante de uma população grandiosa como essa tem apenas um conselho. Qual a justificativa de a prefeitura de não apoiar esse conselho, garantindo, por exemplo, que tenha na cidade mais de um? A SR.ª GEILDA DAS NEVES SEGANTINE - Essa demanda já foi levada em reunião ao Conselho de Direitos do nosso município. Digamos que ficou a critério do conselho de direito articular com o nosso município outro conselho, mas até a presente data não foi nos dado nenhum tipo de informação. É sempre negado. Segundo o conselho de direito, a prefeitura fala que não está em condições de ter outro conselho. Mas quem nos passa essas informações é o conselho de direito. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Mas as festas continuam. A pergunta que te faço é se essa solicitação foi feita oficialmente, por escrito? A SR.ª GEILDA DAS NEVES SEGANTINE - Não, não foi feito por escrito. Foi feito em reunião com o conselho de direito. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Então tem uma ata. A SR.ª GEILDA DAS SEGANTINE - Provavelmente sim. NEVES O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Tem que ter uma ata. E te pedirei, oficialmente, uma cópia dela. Queria que, ao retornar para São Mateus, solicitasse essa cópia, pois vou te oficiar pedindo cópia da ata, para que eu possa fazer um ofício ao prefeito Amadeu Boroto, solicitando que dê a atenção devida, porque uma festa é passageira, as pessoas continuam. Então, temos que dar uma atenção devida. Quer fazer outro registro ou uma demanda de vocês que seria de fundamental importância para o melhor funcionamento do Conselho, além dessa demanda de criar outro? A SR.ª GEILDA DAS NEVES SEGANTINE - Só quero destacar a questão drogas. Trabalhar a família, trabalhar o adolescente, creio que todos os colegas conselheiros aqui provavelmente têm essa mesma demanda em seu município. O índice de dependente adolescente na questão da droga tem sido muito grande e no nosso município não é diferente. Há uma quantidade muito grande de adolescentes dependentes de drogas. A maioria é encaminhada em São Mateus, as famílias são assistidas pela nossa assistência social e pelo Creas também, mas o índice tem aumentado, é uma quantidade muito grande, até por isso a demanda do Conselho Tutelar tem aumentado muito. O conselheiro tutelar, em São Mateus, trabalha praticamente a noite toda, ele é chamado. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Você sente isso que outros conselheiros falaram, você se sente talvez ameaçada por conta de enfrentar esse problema no dia a dia? Até porque quando se fala em droga, mexe com o tráfico. Você se sente ameaçada, acha que a polícia poderia dar uma atenção melhor aos conselheiros e aos conselhos? A SR.ª GEILDA DAS NEVES SEGANTINE - Sim, com certeza. Tivemos em nosso município uma situação em que fomos atrás de uma adolescente, a família terminou nos acompanhando e trazendo essa adolescente ao Conselho Tutelar. Quando foi à noite, alguém colocou fogo no Conselho Tutelar. Nessa noite só estava o vigia desse Conselho Tutelar, que foi quem acionou os órgãos competentes para irem ao local, mas, se o vigia estivesse, por algum momento, cochilando, estaria morto hoje, porque colocaram, através das grades, fogo no Conselho tutelar. No nosso pensamento, tem algo a ver com a adolescente que foi retirada de um ponto, digamos, de droga. Como tudo atribuem a culpa ao Conselho Tutelar, terminou as consequências vindo para o Conselho Tutelar. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Senhor Presidente, queria saber da senhora Geilda das Neves Segantine se formalizaram a ocorrência junto à delegacia e qual a providência que foi adotada. A SR.ª GEILDA DAS NEVES SEGANTINE - Foi sim, na época foi gerado o boletim de ocorrência, mas até a presente data não temos nenhum retorno. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Mas essas informações foram passadas no boletim? Porque, às vezes, vai se registrar o boletim e as pessoas omitem, com medo de represálias. Porque, essa informação que a senhora passou agora de que a adolescente foi resgatada e que pode ter se rebelado, foi passado no boletim? A SR.ª GEILDA DAS NEVES SEGANTINE - Foram passadas para a polícia algumas coisas que, naquela noite, nosso vigia sabia sobre o assunto. Até porque, creio que não foi o adolescente, mas sim o local no qual se encontrava. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Há quanto tempo que ocorreu? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 A SR.ª GEILDA DAS NEVES SEGANTINE - Acho que há, aproximadamente, mais de um ano já. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Vocês têm a ocorrência lá, que possa fazer encaminhamento para esta Comissão? A SR.ª GEILDA DAS NEVES SEGANTINE - Posso verificar sim, porque tudo é arquivado, colocado no arquivo do Conselho Tutelar. Provavelmente sim. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - O Senhor Presidente está dando uma sugestão melhor, vamos oficiar à delegacia e requisitar a ocorrência para vermos em que fase se encontra. Costumo dizer que o tempo que passa é a verdade que foge. Se você deixa a situação e não age imediatamente, você vai perder todas as coisas. Às vezes, um adolescente desses, que pode ter sido o autor, ele pode ser a próxima vítima porque deve estar envolvido com drogas. Como foi falado, ele pode mudar de lugar, porque cometeu um delito maior, um ato infracional maior, então, às vezes, aí a polícia não chega. Por isso que as delegacias hoje, tenho falado, estão com as prateleiras empilhadas de inquéritos. E a impunidade gera violência, porque as pessoas não são alcançadas pelo poder público. Muito obrigado, presidente. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Muito obrigado à Geilda das Neves Segantine, de São Mateus. Obrigado pela sua participação. Queria passar a palavra à Ana Altoé Saleze, que é de Marilândia, terra do café. Dona Ana, é um prazer tê-la aqui. Queria que a senhora falasse sobre os problemas que se encontra o Conselho Tutelar de Marilândia para que possamos em igual condição ajudá-los a reerguer e cobrar das autoridades o apoio necessário. Se é que necessita. A SR.ª ANA ALTOÉ SALEZE - Bom dia a todos. Por ser Marilândia um município pequeno, vamos dizer assim, com doze mil habitantes, às vezes, o nosso atendimento fica a desejar, não por falta de parceria da Polícia Militar, da Polícia Civil, da prefeitura e da Ação Social, que nos atendem muito bem, somos parceiros, mas por não funcionar todos os dias o Ministério Público. Como já aconteceram casos de termos um atendimento fora de horário e, por não ter no nosso município uma casa de passagem, dificulta o nosso... O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - A senhora me dá só um minutinho? Convido o Senhor Deputado Doutor Hércules e o Senhor Deputado Pastor Marcos Mansur a estarem conosco para receber os conselheiros e os Diário do Poder Legislativo - 107 conselhos tutelares do Espírito Santo. É uma honra também tê-los aqui, deputados. São conselheiros de grande parte do Espírito Santo. Quem está falando agora é a Ana Altoé Saleze, do município de Marilândia. Já se pronunciaram o município de Serra, de Itarana e de São Mateus. A fragilidade dos conselheiros diante dos problemas que enfrentam, e da situação dos conselhos, é muito grande. E a Comissão de Política Sobre Drogas vai ajudá-los a dar a atenção devida. Pois não, dona Ana com a palavra. A SR.ª ANA ALTOÉ SALEZE - Como estava dizendo, temos atendimento, temos parceria com as polícias, com a prefeitura, Ação Social, mas o nosso trabalho, o nosso atendimento, às vezes, fica a desejar por não termos em Marilândia uma Casa de Passagem e por não termos o atendimento do Ministério Público todos os dias. Às vezes, acontece alguma violência com uma criança e precisamos retirá-la da família em determinado momento, mas ficamos sem saber o que fazer, de mãos e pés atados. Por quê? Colocamos na Casa Lar em Colatina. Porém, Colatina só aceita com a ordem do juiz, e, no momento, não temos. Já aconteceram casos graves, em que fomos até o abrigo em Colatina e eles não aceitaram por não ter o mandado do juiz. Isso se torna uma polêmica para nós. Queríamos uma ajuda. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - A prefeitura, a senhora entende que tem dado a atenção devida ao Conselho? A SR.ª ANA ALTOÉ SALEZE - Sim, só está faltando essa parte de não termos o Ministério Público todos os dias e não termos uma casa de passagem nesse momento. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Deixar anotado na Comissão que preciso encaminhar um ofício ao procuradorgeral de Justiça solicitando atenção devida do Ministério Público ao município de Marilândia. Que o Ministério Público possa dar um suporte legal ao Conselho Tutelar. A SR.ª ANA ALTOÉ SALEZE - Vinte e quatro horas. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Ao mesmo tempo, solicitar à prefeitura que celebre um convênio com esse abrigo, no município de Colatina, não necessitando, assim, de uma decisão judicial para que possa abrigar um menor. A SR.ª ANA ALTOÉ - Se o Senhor me permitir, queria contar um caso que aconteceu e que 108 - Diário do Poder Legislativo estou revoltada até hoje. Eu não, o Conselho Tutelar todo, minhas colegas de trabalho. Aconteceu fora de hora, uma criança acorrentada pela mãe e pelo padrasto... O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Qual idade? A SR.ª ANA ALTOÉ - Nove anos. Tivemos que levar essa criança para uma Casa Lar em Colatina. Ela ficou lá alguns dias e esperávamos que dariam apoio a essa criança como deveriam e um promotor, um juiz, não vou citar nome, mas quero falar porque estou revoltada desde então, mandou levá-la de volta para os pais, para a mãe a para o pai. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Quanto tempo tem isso? A SR.ª ANA ALTOÉ - Seis a oito meses, imagino. As minhas colegas que estavam trabalhando no dia levaram-na de volta aos pais, debaixo de chuva, temporal. Ao chegarem lá, a mãe não quis aceitar o filho: Vocês trouxeram, vai embora daqui. Voltaram ao Ministério Público, para ligar para Colatina para falar com a pessoa e a pessoa manda a polícia acompanhar e levar de volta para os pais. Chegou lá, no outro dia, o que aconteceu? O padrasto manda a mãe embora e tinha mais três filhos, todos pequenininhos. A mãe saiu e até hoje não sabemos para onde foram. Não sabemos o paradeiro dessa família, dessa criança, e ficamos com o coração meio partido por não ter feito o trabalho devido. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Se sentindo impotente. A SR.ª ANA ALTOÉ - Nossa! Isso, quando eu falo, desculpa, mas tenho vontade de chorar. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Mas, dá mesmo. A SR.ª ANA ALTOÉ - Essa criança não merecia isso. A criança contava e pedia a gente assim: Me adota, tia. Me adota, não me deixa em casa não. E o juiz, nesse momento, fez isso. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Senhor Presidente, o que a Senhora Ana Altoé está relatando é o que verificamos nessa matéria: Madrasta admite ter matado menino no sul. Não tinham em quem colocar a culpa e o avô, diz aqui, culpa o Conselho Tutelar. Só que o Conselho Tutelar tomou todas as providências; fez o relatório e o encaminhou ao Ministério Público. E o Judiciário determinou que, em sendo o pai, teria direito de ver o filho. E determinou, de quinze em quinze dias... E nesses quinze dias a fatalidade ocorreu. A madrasta matou e Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 o pai ainda armou o álibi que ela contou preliminarmente e que caiu por terra com as investigações da polícia. Ela se encontra presa. Essas coisas acontecem no dia a dia e machucam. Quando a senhora fala que dá vontade de chorar, até nós, delegados de polícia, quando temos essas ações a serem realizadas ficamos com o nosso coração partido também. Lembro-me, em 1988, quando delegado em Domingos Martins, de uma menininha de três anos que o Conselho Tutelar levou à delegacia porque estava sendo maltratada pela família. Fomos ao Ministério Público, Doutor Ages Wilson Macedo, e Doutor Sebastião de Almeida era o juiz, e imploramos para que essa criança não voltasse mais para lá, que tivesse um lar substituto. Eles mandaram a criança de volta e no outro dia a criança foi morta por machadada. Fui lá para prender e consegui prender... Tinha que fazer apenas o meu papel, mas a vontade era outra, confesso para os senhores que a vontade era outra. Naquele período em que estava com minha vontade de fazer polícia, como tenho até hoje, mas é muito triste verificarmos que já vivenciamos isso em quase todos os municípios. Todos os municípios têm problemas e as condições que vocês têm são as piores possíveis. Presidente, acompanho todo o trabalho do Conselho Tutelar, principalmente agora que a questão do tráfico de drogas não se enquadra, no Estatuto da Criança e do Adolescente, como violência ou grave ameaça à pessoa. Então o adolescente é apreendido traficando. É posto em liberdade, entregue a seu pai ou representante e às vezes vai lá uma irmã que nem convive com ele por ser maior e tem que ser liberado. Às vezes vai lá madrasta e tem que ser liberado. Mas ele está alimentando toda aquela família por estar traficando. Então, é isso que verificamos e, como V. Ex.ª falou, no momento em que se está discutindo uma redução da maioridade penal, um momento crucial em que nossos parlamentares federais têm que ter um compromisso com a vida porque colocar esses adolescentes na cadeia, simplesmente os transformará em verdadeiros criminosos. Quando em 1996 era delegado, chefe de DPJ de Cariacica, tínhamos capacidade para dezesseis presos. Já tínhamos cento e trinta e um presos na delegacia, com capacidade para dezesseis. Nós escrevemos para o ministro da Justiça Nelson Jobim, na época, dizendo que as cadeias estavam se transformando em universidades do crime e hoje temos esse exemplo. As facções mandam, de dentro dos presídios, matar, traficar, roubar e nada acontece. Temos que cobrar dos nossos deputados federais, senadores, que têm uma posição digna em relação à questão da redução da maioridade. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado. Concedo a palavra ao Deputado Doutor Hércules para dar o bom-dia aos nossos conselheiros e conselheiras e, em seguida, o Deputado Pastor Mansur. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. DOUTOR HÉRCULES - (PMDB) Antes de agradecer a V. Ex.ª a abertura para que pudéssemos estar aqui falando para os senhores, dizemos da admiração e respeito que temos pelo trabalhos dos senhores. Infelizmente, os prefeitos, de um modo geral, não dão atenção aos conselhos. Pior ainda: quando querem falar com o prefeito ou com o secretário ou o secretária de Ação Social, são recebidos de cara feia, dizem que vocês são enjoados; são, sim, enjoados para salvar a vida dos outros e essa carga emocional que levam para casa só vocês sabem, só vocês sabem, porque a maioria não tem sensibilidade para avaliar isso, Deputado Marcelo Santos, não tem sensibilidade, Presidente, para avaliar essa carga emocional, ocupando um espaço que o poder público tinha que dar muito mais atenção, especialmente nos municípios em que nascemos, vivemos e morremos. É neles que as coisas acontecem, lá que estamos perto desses problemas, vocês estão muito mais perto. Só queria fazer esse registro, esse desabafo, além de agradecer mais uma vez ao Presidente a abertura para que pudéssemos falar para os senhores para dizer da admiração e respeito que eu tenho e nós temos pela missão de vocês. Isso é uma missão. Isso é um sacerdócio. Muito obrigado, Presidente, parabéns para todos os senhores. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado pela participação. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Pastor Marcos Mansur. O SR. PASTOR MARCOS MANSUR (PSDB) - Senhor Presidente, quero também saudar todos os integrantes dos conselhos que aqui se fazem presentes nesta manhã e apenas também parabenizar pelo trabalho tão complexo e, ao mesmo tempo, difícil que cada um de vocês desempenha nos vossos respectivos municípios. Do pouco que ouvi aqui, já deu para perceber que estão sendo abordadas as dificuldades que enfrentam na realização dos trabalhos, dificuldades de todas as naturezas, desde a falta de estrutura, de logística, de local adequado, de reconhecimento e de apoio do próprio poder público que me parece que engole V. S.as, na marra. É como se, não dando para tirar, tem que engolir, e desce quadrado. Mas é um trabalho importante em defesa dos nossos menores, das nossas crianças e acho que V. Sªs fazem o trabalho que a família não faz, porque o conselho tutelar, literalmente, pelo que tenho percebido, tem substituído a família. Não era para ser, não é o trabalho de V. Sªs, mas acaba sendo, porque a família hoje passa por uma crise tão grande que tem delegado as suas funções e suas responsabilidades para terceiros. Delega para a televisão, para a internet, para a escola, para a igreja, e vocês para um percentual muito grande, assumem esse papel da família. Parabéns pelo trabalho. É um trabalho abnegado, e eu diria até que não é nem um trabalho. Diário do Poder Legislativo - 109 Ser conselheiro nesta realidade que temos é uma missão. Parabéns por essa missão dos senhores. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado, Senhor Deputado Pastor Marcos Mansur. Dona Ana, pergunto se a senhora quer falar mais alguma coisa? Alguma demanda? A senhora já nos falou do Ministério Público, e neste caso específico tomaremos as devidas providências. Ressalto que, como a senhora, também sentimos isso. Às vezes as pessoas acham que nós, políticos, somos diferentes. Somos, na verdade, a mesma coisa. Porém, V. S.as nos colocaram nesta Casa para representá-los. Temos sangue, suor, lágrimas, sentimos os problemas todos. É claro que há um debate muito mais amplo nesta Casa. Podem ter certeza de que a cada problema, como ocorre neste caso, um pedaço de cada um de nós é arrancado. Este debate não é nada como às vezes assistimos em um programa de televisão. Não é mais um programa de televisão. Nesta Casa há parlamentares que têm compromisso com as pessoas, com o Estado, e têm aquilo que os Senhores Deputados Pastor Marcos Mansur, Doutor Hércules e Gilsinho Lopes disseram: o respeito pelo trabalho de V. S.as. V. S.as são heróis da resistência mesmo, porque trabalhar dessa forma merece o nosso reconhecimento. E o nosso reconhecimento é este, é nos colocarmos à disposição, ajudá-los, tentarmos melhorar e garantir um trabalho com mais dignidade para V. S.as. Muito obrigado, dona Ana. A SR.ª ANA ALTOÉ - Nós é que agradecemos. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado, dona Ana. Registro a presença do Camilo, vereador pelo município de Cariacica. Sente-se conosco à Mesa. O Camilo é policial civil, assim como o Senhor Deputado Gilsinho Lopes. O vereador Camilo é investigador de polícia, e o Senhor Deputado Gilsinho Lopes é delegado de polícia. São operadores da segurança pública e têm ajudado muito nas funções que ocupam hoje. Concedo a palavra à dona Maria Rosária, que é de Água Doce do Norte, a quem cumprimento com todo o nosso carinho e respeito. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Obrigada. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - A senhora falou e até estremeceu. Até a energia aqui deu uma balançada. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Energia positiva. Primeiro eu gostaria de comunicá-los que temos uma representante em Vitória, uma pessoa que representa os conselheiros 110 - Diário do Poder Legislativo do estado no Conanda, a Marli Demuner. Até senti a falta dela nesta reunião. Agradeço a oportunidade que V. Ex.as estão nos dando porque nos sentimos tão humilhada às vezes. Quando chegamos a uma prefeitura a primeira coisa que falam é: Já estão chegando esses enjoados! Essa é a realidade de todos nós. Água Doce do Norte também não fica atrás. Senhores, - não sei se é do conhecimento de todos - estamos passando por uma trajetória bem desagradável. Em três meses tivemos três ou quatro prefeitos. Quando pensávamos que começaria a andar, vinha aquela pancada e a voltávamos. A nossa dificuldade lá não é diferente da dos outros, a começar por móveis. Ficamos seis meses e o nosso toner viajando pelo Estado. Sério mesmo, ele viajou o Estado todo, o último lugar foi no Município de Linhares, foi parar em Linhares e daí a pouco voltou para lá. Não tinha como imprimir um documento. Há mais de um ano sem uma secretária. Com relação à droga, o Município de Água Doce do Norte está terrível, está pedindo socorro mesmo. São crianças e adolescentes envolvidos com bebida alcóolica, com maconha, no tráfico, e nos sentimos tão impotentes. Por quê? A nossa Polícia não tem petróleo para nos socorrer. Vocês acreditam nisso? Vocês estão sabendo disso? O SR. PASTOR MARCOS MANSUR (PSDB) - Só um parênteses: a Polícia não tem petróleo nem para ela. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Então! E como é que um conselheiro vai sair de madrugada de casa para atender três, quatro adolescentes de 15 e 16 anos, que são maiores que nós, são usuários, traficantes. Como é que vamos vai chegar neles? Aí vem aquela fala: Conselheiro tutelar não faz nada. Não sei o que vocês podem fazer para nos ajudar. Só o fato de estarmos nesta Comissão, já é uma grande vitória. Creio que todo mundo concorda com a gente. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Gostaria que a senhora repetisse o problema da polícia, novamente. A senhora falou e o Senhor Deputado Pastor Marcos Mansur até falou. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA V. Ex.ª está ciente disso, não é Pastor? Que a polícia não está tendo petróleo nem para si própria. Não tem. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Quando é acionada diz que não pode atender. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Não. Raramente atendem, porque realmente não têm. Isso quando não colocam o petróleo do próprio bolso. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 E gostaria, não sei se todos concordam, fora os problemas do município, fazer um comunicado e um pedido. Temos agora um grandioso encontro de conselheiros tutelares no Rio Grande do Sul, em Bento Gonçalves. É o oitavo congresso. Nenhum de nós têm condição de representar o Estado. Muitos estão dispostos a ir, mas a prefeitura não pode, não tem como bancar com as despesas. Então, acho que o Espírito Santo não vai ter representante. Até mesmo para vir a Vitória, senhores, às vezes a gente vem com nosso próprio dinheiro. Uma diária de cinquenta reais e às vezes a gente nem recebe. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Alguns não têm, outros cinquenta por cento, que não dá nem para lanchar. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Não. E quando a gente vem trazer uma criança no DML por uma conjunção carnal, sem dinheiro e ainda não pode deixar a criança sem comer. Chega, não é Presidente, senão falarei a tarde toda. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Não. A sua contribuição tem sido importante. Não quer dizer que seja mais do mesmo, mas detalhes como esses são fundamentais para que tenhamos uma avaliação e poder ajuda-los sem nenhum tipo de bravata que queremos contar. É muito fácil assomar à tribuna da Assembleia e fazer um grande discurso. Para nós, que estamos aqui, o microfone está abeto e é só falar. Não é isso. Se falar resolvesse, radialista estaria sentado em nosso lugar, pois fala o dia inteiro. A ideia e o convencimento da comissão a partir do que os senhores estão falando, é para que possamos, por exemplo, criar alguns mecanismos: Município que tiver que receber convênio do Governo do Estado para área social, por exemplo, tem que ter garantido isso, isso e isso para o Conselho Tutelar. Podemos fazer isso. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Maravilha. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS) - Mas isso tudo, precisamos escutar. Estamos escutando os senhores, algumas coisas sabemos, outras teremos confirmação. Para quê? Para provocar a Justiça, o Judiciário e o Ministério Público. Temos condição de sentar com o procurador-chefe, doutor Eder; com o presidente do Tribunal, desembargador Sérgio Bizzotto; com o defensor-chefe da Defensoria Pública; e com o secretário de segurança porque temos que fazer uma agenda positiva para garantir isso e também cobrar dos prefeitos ação específica melhor. É inadmissível. Como você traz uma criança e sequer recebe uma Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 diária e tem que arcar com a despesa da criança? A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Não sei se algum colega já passou por isso. Uma diária de trinta e cinco reais para um conselheiro mais a criança ou o adolescente. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS) - Quando recebe, não é? É um ofício que precisamos fazer aos prefeitos, todos, quanto ao valor da diária dos conselheiros, os municípios que tem, se não tem, terão que nos responder, dentro de um prazo, inclusive. A senhora gostaria de fazer mais algum registro, dona Maria Rosária? A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Só agradecer. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS) - Nós que agradecemos. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA - E pedir que, por favor, continuem olhando por nós. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS) - Olhando e orando. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Isso. Estamos tão honrados de estar aqui. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS) - A honra é nossa. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Sério mesmo, muito obrigada. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS) - A honra é nossa. Estamos fazendo nosso papel. Não é nenhum favor, é nossa obrigação. Pode ter certeza disso. A SR.ª MARIA ROSÁRIA TEIXEIRA Obrigada pela oportunidade. Quando precisarem, nos chamem de volta. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS) - Nós que agradecemos. Está joia. Espero que tenha condições de chegar até aqui, senão vamos lá. Concedo a palavra à Wanderleia. A SR.ª WANDERLEIA DE DEUS FERREIRA - Wanderleia de Deus Ferreira, de Santa Maria de Jetibá. Bom-dia a todos. Primeiramente, não poderia deixar de registrar nem de concordar com o que a colega disse. Parabenizo essa Comissão por dar oportunidade de os conselheiros tutelares estarem aqui tendo liberdade de expressar realmente a realidade de seu município. É muito bom nos sentirmos próximos e saber que alguém realmente se Diário do Poder Legislativo - 111 preocupa com os conselheiros tutelares porque muitas vezes nos sentimos meio sozinhos. É um privilégio, realmente, poder expressar e falar da realidade do nosso município. Quanto ao Conselho Tutelar de Santa Maria de Jetibá, a estrutura realmente está de parabéns porque temos nossa estrutura toda montada, temos a sede e não passamos por esse problema que a companheira citou, falta de um toner, não. O Conselho Tutelar de Santa Maria de Jetibá é bem assistido pela prefeitura. Temos a rede, que está funcionando bem, na qual temos o CAPS, o CREAS e o CRAS, nos quais realmente o trabalho de rede funciona. Funciona muito bem porque temos afinidade e estamos sempre em contato um com os outros. Porém, hoje, em Santa Maria de Jetibá, temos um problema muito grave no ver dos conselheiros tutelares do local. Nos fins de semana não temos delegados de plantão. O Senhor Deputado Gilsinho Lopes já esteve em Santa Maria várias vezes participando do Conselho de Segurança e sabe que é uma das teclas na qual temos batido muito o fato de não termos delegado de plantão nos fins de semana e feriados. A Polícia Militar melhorou muito? Melhorou, com certeza. Tenho que registrar porque hoje temos mais policiais militares, temos a GAO, que está trabalhando muito em Santa Maria de Jetibá, mas ainda sentimos essa ausência, essa necessidade de ter um delegado plantonista no nosso município. Realmente toda vez que acontece um ato de pegar algum adolescente, algum indivíduo em flagrante, ele tem que ser levado até o delegado de plantão e, geralmente, o delegado de plantão fica em Aracruz. Estamos sendo muito prejudicados em nosso município, temos sentido essa falta. Outro problema que temos em nosso município, mas está sendo trabalhado, é o índice muito alto de evasão escolar. Estamos trabalhando junto às escolas, ao Ministério Público, ao Conselho Tutelar e à Secretaria da Educação que está trabalhando a conscientização desses adolescentes da necessidade de permanecerem na escola depois que crismam. Esse é um trabalho realizado pelo nosso Ministério Público, Secretaria da Educação e Conselho Tutelar. No mais, agradeço. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - O Ministério Público tem total apoio a vocês? A SR.ª VANDERLEIA DE DEUS FERREIRA - Sim, o doutor Helder Magevski de Amorim. Estamos ouvindo as companheiras dizer que nas cidades delas não têm a presença do Ministério Público todos os dias. Nós do município de Santa Maria passamos por isso, mas hoje já estamos com o doutor Helder presente na comarca, estamos mais 112 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 próximos. Tanto que isso tem ajudado muito o nosso trabalho no Conselho Tutelar, porque o Conselho Tutelar não trabalha sozinho, o Conselho Tutelar precisa da rede funcionando, precisa do apoio da Secretaria de Ação Social, do Judiciário, do Ministério Público, da Secretaria de Saúde, de todas as secretarias, porque senão vão dizer o que a colega disse: O Conselho Tutelar não faz nada. Porque Conselho Tutelar sozinho não faz nada. O Conselho Tutelar é um órgão requisitador. Ele requisita, precisa ter uma parceria muito grande. Hoje nós temos uma parceria com o Ministério Público porque ele está presente no nosso município diariamente. Obrigada. pública municipal. Também sou presidente da associação de moradores. Temos um trabalho junto aos conselheiros daquela cidade e estamos aqui às ordens desta Assembleia. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado, senhora Vanderleia. Queria pedir ao Humberto que pudesse entregar o microfone da esquerda para a direita, e cada conselheiro pudesse levantar e se identificar falando seu nome e sua cidade; depois faríamos a fase das manifestações. Mas primeiro peço que se apresentem. O meu é Marcelo Santos, sou deputado estadual do município de Cariacica. Podem se apresentar. A SR.ª KAROLINE ARAÚJO VAGO Karoline Araújo Vago, conselheira tutelar de São Roque do Canaã. A SR.ª HELZIA CRISTINA QUEIROGA ALVES - Bom dia a todos. Meu nome é Helzia Cristina Queiroga Alves, sou de Alfredo Chaves e sou conselheira tutelar. A SR.ª MARIA DOS ANJOS GAIGHER DE PAULA - Maria dos Anjos Gaigher de Paula, conselheira tutelar de Alfredo Chaves. A SR.ª ROSILENE VIEIRA - Rosilene Vieira, conselheira tutelar de Marilândia. A SR.ª ALESSANDRA CALDAS Alessandra Caldas, conselheira tutelar de Marilândia. A SR.ª ROSINEIDE MOROZINI Rosineide Morozini, conselheira tutelar de Marilândia. A SR.ª MARIA AUXILADORA ADÃO MATHIAS - Maria Auxiliadora Adão Matias, conselheira tutelar de São Domingos do Norte. A SR.ª ORDAN DE FÁTIMA - Ordan de Fátima, conselheira tutelar de São Domingos do Norte. O SR. VALDECIR PIMENTA DA SILVA - Valdecir Pimenta da Silva, conselheiro tutelar de São Domingos do Norte. O SR. ALEXANDRO LIMA BATISTA SANTOS - Sou o pastor Alex, de São Domingos do Norte. Estou aqui representando a administração O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Muito obrigado pastor. A SR.ª HELIANA LUCIA LOUZADA RODRIGUES - Heliana Lucia Louzada, conselheira tutelar de Água Doce do Norte. A SR.ª MAURA GONÇALVES DA SILVA - Maura Gonçalves da Silva, conselheira tutelar de São Roque do Canaã. A SR.ª ELIANI SARAIVA VIANA - Eliani Saraiva Viana, conselheira tutelar de Guarapari. A SR.ª ELIANE MENDES PARREIRAS TERRA - Eliane Terra, conselheira tutela de Guarapari. A SR.ª VERA LUCIA CARLOTA DO NASCIMENTO - Vera Lucia Carlota do Nascimento, conselheira tutelar de Cariacica, Região 1. A SR.ª ROZINETE DOS SANTOS S. CARVALHO - Rozinete dos Santos S. Carvalho, tutelar de Guarapari. A SR.ª ZILMARA ALMEIDA DOS SANTOS - Zilmara Almeida dos Santos, conselheira tutelar de São Mateus. O SR. WELLINGTON BARCELOS SANTOS - Wellington Barcelos Santos, motorista do Conselho Tutelar de São Mateus. A SR.ª MICHELE PEREIRA COSTA MOTA - Michele Pereira Costa Mota, conselheira tutelar de São Mateus. O SR. GILMAR VERDIN - Gilmar Verdin, Conselho Tutelar de Afonso Cláudio. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Cumprimento todos que se apresentaram. Antes de passar a palavra para o próximo que fará intervenção, gostaria de agradecer aos senhores Deputados Doutor Hércules e Pastor Marcos Mansur porque foi criado nesta Assembleia a Comissão Permanente do Cooperativismo, que seria instalada hoje, às 11h, e S. Ex as abriram mão do espaço para que pudéssemos ampliar o nosso debate e ouvir cada um que se manifestará. Portanto, agradeço a gentileza Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 dos Senhores Deputados que transferiram a instalação da Comissão Permanente para a próxima terça-feira, dando, assim, condição aos conselheiros de se manifestarem aqui. Mais uma vez, muito obrigado Senhores Deputados Doutor Hércules e Pastor Marcos Mansur pelo tempo que nos cederam e pela participação nesta Comissão. Concedo a palavra à Senhora Maria dos Anjos Gaigher de Paula. A SR.ª MARIA DOS ANJOS GAIGHER DE PAULA - Bom dia a todos! Sou conselheira de Alfredo Chaves. Acho que as amigas já falaram bastante das necessidades que as conselheiras sofrem. E o nosso trabalho exige, requer muita força e está faltando muita coisa, na verdade, para que possamos fazer um bom trabalho. Anotei algumas coisas que temos. Temos o apoio do Cras, do Creas, ação social, temos psicólogos, assistente social. O que não temos, em Alfredo Chaves, é o espaço. Na verdade, que estou neste conselho fará dois anos. E vou me recandidatar agora em outubro, se Deus quiser, novamente. Por quê? Porque sou uma professora aposentada e dizem: a cabeça parada é oficina do diabo! Então, entrei nisso com o coração e com amor. Moro em Cachoeira Alta, no interior, e tenho que me deslocar para o trabalho no meu carro. Na verdade, trocando cebola, porque saio de Cachoeira Alta para trabalhar e volto. Mas me sinto bem porque estou fazendo o bem a alguém que precisa de ajuda. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Não tem estrutura lá, o conselho? A SR.ª MARIA DOS ANJOS GAIGHER DE PAULA - Pois é. Temos duas pequenas salas, minúsculas, que não dá... Por exemplo, preencho a ata. Gostaria de ter o meu cantinho certinho para quando estiver trabalhando com a minha ata não ter ninguém conversando comigo para eu não errar; quando estiver passando alguma coisa a limpo, etc. Não temos um espaço legal. Quando vamos atender e vem uma criança. Tínhamos que ter um lugar para que uma de nós ficasse brincando com a criança enquanto conversamos com os pais. Porque senão as crianças participam do assunto. E os pais carregam mesmo os filhos atrás. A nossa presidente, na verdade, é um pouco... Ela é boa, pessoa maravilhosa, mas deixa a desejar. Falo com ela: você precisa correr atrás das coisas para o conselho. Mas vem aquela coisa de política, sabe? E fica um pouco difícil. Outra coisa que também nos dificulta é que trabalhamos vinte e quatro horas e finais de semana; dez horas, meia-noite... Diário do Poder Legislativo - 113 Outro dia tive que sair doente, passando mal, com febre de trinta e nove e meio. A polícia me ligou e saí, debaixo de chuva, acompanhada do meu marido, ainda bem que ele é um maridão, para não ir sozinha, e fui fazer o atendimento. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - O conselho tem transporte ou a senhora usa o da senhora. A SR.ª MARIA DOS ANJOS GAIGHER DE PAULA - Tínhamos motorista e carro. Temos um carro. Dizem que tem um carro novo que nunca chega para a gente. Não sei por onde está andando. Esse carro ia nos buscar em casa. Só que agora a gente vem de carro. Eu venho de carro; ela vem de Sagrada Família, que é bem mais distante que a minha comunidade, de Biz, debaixo de chuva, de temporal. E isso dificulta a gente... O que está entristecendo o nosso trabalho é isso porque tínhamos o carro que buscava e levava; agora, temos que ir com nossa condução até ali e acionar o motorista que vem, pega o carro na garagem da prefeitura e vai até o DPM para fazer a companhia nossa. Acho que tínhamos de ter melhoria nesse caso, dos plantões, pois não temos horário. Trabalhamos dia e noite sem parar. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - As polícias, o Ministério Público e a Justiça têm dado atenção a vocês? A SR.ª MARIA DOS ANJOS GAIGHER DE PAULA - Dão. Eles estão até jogando muito em cima do Conselho. Os policiais de Alfredo Chaves estão se aproveitando um pouco do Conselho Tutelar. Nosso colegiado é composto de cinco pessoas e percebemos que quando têm adolescentes mexendo com drogas na pracinha eles acionam as conselheiras se tiver um menor de idade e aproveitam a bocada. Vamos com a cara na frente e eles vão juntos para fazer o trabalho deles. Então, muitas vezes, não está sendo legal para as conselheiras isso também. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Então, o principal objetivo que a senhora disse é ter uma estrutura melhor para o Conselho. A SR.ª MARIA DOS ANJOS GAIGHER DE PAULA - Melhor. Um ambiente melhor para nós, mais apoio. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Encaminharemos ofício. Pediremos ao prefeito que se adeque a essa realidade da demanda do Conselho. A SR.ª MARIA DOS ANJOS GAIGHER DE PAULA - Seria muito bom, porque trabalho lá com amor. O que faço, faço com amor. E as outras também. 114 - Diário do Poder Legislativo O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Parabéns à senhora e ao maridão que dá apoio. A SR.ª MARIA DOS ANJOS GAIGHER DE PAULA - Com certeza, isso ele me dá mesmo. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) Gostaria de convidar o vereador Camilo para compor a Mesa. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Convido para compor a Mesa o senhor Camilo, vereador pelo Município de Cariacica que tem feito um trabalho muito bacana em defesa dos interesses da sociedade de Cariacica, minha cidade, de S. S.ª e do Deputado Gilsinho Lopes. Obrigado, vereador Camilo pela presença. Daqui a pouco S. S.ª poderá falar sobre a cidade. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) Aproveitando a fala da Maria dos Anjos Gaigher de Paula, quando o Dodô era o responsável não tinha nada disso em Alfredo Chaves porque, na época, ele dava conta do recado. Essas coisas nem aconteciam, de adolescentes nas ruas, não tinha roubo, não tinha absolutamente nada porque além de ele morar na cidade também ama o que faz. Dodô era o tenente de Alfredo Chaves e eu o delegado. Ficávamos na cidade e fazia todas as operações em conjunto: Polícia Militar e Polícia Civil, fazendo o trabalho que a sociedade espera e precisa. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Concedo a palavra à senhora Rosilene Vieira. A SR.ª ROSILENE VIEIRA - Sou conselheira tutelar do Município de Marilândia. Como Ana já falou, a prefeitura, as redes de atendimento em Marilândia têm nos auxiliado, sim, mas vejo que o que atrapalha, o que atrasa o trabalho do Conselho é quando chega ao Ministério Público, ao fórum, pois há uma trocação de promotores. Hoje tem um; amanhã tem outro. Há trocas de juízes e fica aquele atraso, aquela lentidão. Voltando para o assunto das drogas, recebemos a denúncia, fazemos o relatório, encaminhamos ao Ministério Público. Às vezes, é realmente uma criança que está envolvida com drogas. Aquele relatório fica tanto tempo parado que essa criança se torna adolescente, a situação dele vai se agravando, ele abandona a escola e fica tudo parado. Adolescentes que não recebem aquela assistência que precisa mesmo receber. Chega ao ponto da própria família pedir socorro. De pedir, pelo amor de Deus, ao promotor para fazer alguma coisa, de pedir a internação do seu filho ou filha. E o promotor diz: Tá bom, vamos resolver. Às vezes eles nos perguntam: O que faço? Tem esse problema em Marilândia. Em Marilândia não tem Creas, não tem uma política boa de atendimento aos adolescentes, as Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 crianças que estão envolvidas com drogas. Então, chega para nós, chamamos os pais, a criança, aconselhamos, conversamos e mais tarde a própria família diz: O Conselho não faz nada. Levei o caso para vocês, meu filho tinha nove anos. Hoje, meu filho está com quinze; o que vocês fizeram? Deixaram a situação se agravar. Mas não é o Conselho que não está fazendo. É a própria rede. É o Ministério Público que acaba atrasando o nosso atendimento. Voltando para a instituição de acolhimento. É difícil para nós. Levamos a criança e o adolescente e a instituição recebe aquela criança, mas recebe jogando na cara das conselheiras coisas que elas nem deveriam ouvir. A gente ouve, volta para Marilândia, faz relatório e encaminha para pedir a determinação do juiz para acolhimento e assim vai esse impedimento atrasando a vida das conselheiras. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Muito obrigado. Está contribuindo com a manifestação da outra conselheira, Ana Altoé Saleze, de Marilândia. O SR. VALDECIR PIMENTA DA SILVA - Valdecir, São Domingos. Senhor presidente, Deputado Gilsinho Lopes, vereador Camilo, conselheiros funcionários da Casa e convidados, do município de São Domingos, o qual represento aqui eu pude ouvir a manifestação dos colegas conselheiros, inclusive a manifestação que me chamou a atenção foi a de Marilândia, que se desloca para Colatina para ter o atendimento na casa de passagem. Acredito que se o prefeito de Marilândia tivesse contato com o nosso prefeito de São Domingos poderia ter celebrado um convênio com o nosso município porque a nossa casa de passagem é muito grande e tem uma estrutura muito boa. Então, Ana, leva essa ideia para o prefeito de Marilândia. O município de São Domingos por ter uma demanda menor, mas graças a Deus tivemos uma aquisição de um imóvel muito grande. Então, o nosso município teria hoje condições de celebrar convênio com Marilândia para fazer esse atendimento. Queria pedir ao presidente que fizesse uma gestão política junto aos nossos deputados federais ou quem quer que seja e estamos aguardando há mais de dois anos o kit de equipagem do governo federal. Fizemos o cadastramento e até hoje não veio. O município de São Domingos também tem outro programa para oferecer aos nossos colegas que quiserem copiar a ideia: o grêmio infantil, por meio do qual a gente consegue tirar crianças da rua e livrar essas crianças do mundo das drogas. Tem dado um pouco certo em São Domingos. Temos conseguido bons resultados com isso. A nossa crítica que deixamos à prefeitura de São Domingos e nem tudo é maravilha também... É somente a questão da nossa sede. A nossa sede hoje está uma sede não muito Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 bacana. Funcionamos em um imóvel alugado que não tem acessibilidade. O que queria deixar para os colegas aqui era isso. Quanto à droga, deputado, o trem está feio no estado inteiro e não tem policia. Em São Domingos, por exemplo, perdemos a delegacia da polícia civil e não temos mais delegado lá. Tínhamos um escrivão e ele foi embora. Estamos ouvindo que terá de novo delegacia lá. Tomara a Deus que tenha mesmo, mas os problemas relatados pelos colegas são os mesmos. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado pela sua participação. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) Presidente, aproveitando a fala do conselheiro: saiu aqui a publicação no ES Hoje que o Espírito Santo é o líder no tráfico de drogas. Temos falado vinte e quatro horas. Eu e o Deputado presidente desta comissão, Marcelo Santos, estivemos na Secretaria Nacional de Segurança, Conselho Nacional sobre Drogas, buscando angariar recurso porque não temos polícia nas fronteiras. As drogas entram livremente pelas fronteiras e nas divisas muito menos. Nos municípios o sucateamento está cada vez maior na questão tanto da prevenção quanto da repressão e também da apuração das infrações penais que está contido no art. 144 da Constituição e isso realmente dificulta. O estado não dá amparo para vocês, o município às vezes não dá amparo para vocês e isso realmente as pessoas ousam reclamar porque estão mais próximas a você. Não vai ao prefeito reclamar. Não vai ao governador reclamar. Não tem condições de vir aqui reclamar. Mas quando a gente vai fazer audiências públicas nesses municípios recebemos as reclamações, fazemos os encaminhamentos, fazemos as cobranças e temos sim. Fui presidente da Comissão de Segurança durante o mandato passado, todos os quatro anos, e fizemos vários pleitos e o governo Renato Casagrande deu uma contribuição muito grande no que tange à contratação, concursos públicos para a Polícia Civil e Militar. Quase que o efetivo foi completado, mas agora já está sucateando. Temos mil e vinte policiais para serem utilizados de imediato, estão prontos, fizeram o curso no CFA e estão aguardando a decisão do governo para serem nomeados apenas em novembro. É um desperdício de mão de obra qualificada, capacitada, os municípios todos sofrendo pela ausência da prevenção. Senhor Presidente, só queria falar isso, porque, em cima da fala do conselheiro, temos trabalhado diuturnamente. O senhor Deputado Marcelo Santos envolve todos esses segmentos para que possamos fazer a contribuição. Ele falou, fazer discurso ali é muito fácil. Gostamos de construir todas as ações que vamos realizar para possibilitar que vocês tenham o êxito necessário, sem criarmos polêmicas em cima da Diário do Poder Legislativo - 115 situação. A conselheira de Água Doce do Norte falou, lá também não há delegacia de Polícia Civil, não há delegado. Água Doce do Norte é município, não há. São Domingos do Norte tinha, não tem. Conheço o estado de ponta a ponta, sei quais os municípios que têm. Guarapari, hoje, as conselheiras do município estão presentes, tem uma delegada e um policial na Delegacia de Infrações Penais e Outras (Dipo), um policial apenas. Vai fazer o quê? Não faz nada. Os crimes estão acontecendo, o tráfico de drogas é intenso, fugitivos de outros estados se homiziando na região litorânea e não temos essa situação. Isso é só para registrar essa situação. Estamos vigilantes a isso, temos falado. Inclusive, na quintafeira agora teremos uma reunião da Comissão de Segurança com o governador, exatamente para levar esses pontos que discutimos na Comissão de Segurança em relação à ausência de policiais para fazerem a prevenção e a repressão. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Próximo a se manifestar. Há alguém? O SR. ALEXSANDRO LIMA BATISTA SANTOS - Pastor Alexsandro Lima Batista Santos. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Pastor, só um segundo. O Senhor Deputado Gilsinho Lopes tem um agenda agora às 12h. S. Ex.ª até ficou aqui há um tempo. Quero deixá-lo à vontade, agradecendo a participação como vice-presidente desta comissão e a contribuição que tem nos dado. V. Ex.ª está liberado. O vereador Camilo também te autoriza e tenho certeza de que os conselheiros também. Concedo a palavra ao Pastor Alexsandro Lima Batista Santos. O SR. ALEXSANDRO LIMA BATISTA SANTOS - Quero saudar com um bom-dia a Mesa Diretora, os conselheiros e as conselheiras tutelares, parabenizá-los pelo árduo e bonito trabalho que têm desenvolvido na nossa sociedade. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Pastor, só queria pedir o seguinte, temos um tempo regimental, se puder ir direto ao assunto, porque há ainda alguém que vai falar. Peço para ir à demanda, para poder finalizar, porque as taquígrafas estão anotando para fazer o relatório. Sem interromper, desculpe-me, é por causa do nosso tempo, é regimento. O SR. ALEXSANDRO LIMA BATISTA SANTOS - Quero, na oportunidade, parabenizá-los como pai, como cidadão. Temos apreciado o trabalho 116 - Diário do Poder Legislativo de vocês com bons olhos. O que nos chama a atenção hoje na questão do Conselho Tutelar é que foram criados os conselhos e, simplesmente, o governo federal manda o mínimo, a demanda mínima para os municípios, para que possam implantar o trabalho do Conselho Tutelar. Estamos desassistidos pelo governo federal. Os deputados sabem que os cortes foram feitos, o Estado também fez os cortes e quero deixar bem claro o despreparo da Polícia Militar para estar atuando junto aos conselhos na questão do menor infrator. Não tem preparo. As crianças têm medo da Polícia. Alguém oferece droga à porta da escola , a criança tem medo de chegar para um policial e falar que alguém ofereceu droga, por causa do despreparo de alguns. A todas as regras cabem exceções. Alguns profissionais de segurança pública. Precisamos de capacitação da polícia. A estrutura da polícia, da segurança pública para dar apoio a esse Conselho, porque, se assim não for, não funciona. A prefeitura pode dar estrutura, pode dar veículo, pode dar tudo, mas, se não tiver o apoio da segurança pública, não funciona. E chamo a atenção desta Casa de cidadania para que possamos implantar dentro do estado do Espírito Santo política de segurança pública para o menor infrator. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Obrigado, pastor. Próxima. A SR.ª ELIANI SARAIVA VIANA - Sou Eliani, conselheira tutelar em Guarapari. Vou ser breve, porque sabemos que o tempo já está estourado. Farei uma pergunta ao deputado, uma vez que é presidente desta Comissão. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Pois não. A SR.ª ELIANI SARAIVA VIANA - Para onde vamos mandar, deputado? Pelo menos em Guarapari não temos. A nossa maior demanda hoje é de pais que são viciados e isso atinge as crianças. Pelo fato de serem viciados, não temos lugares para encaminhar esses pais. O município não tem Caps ADs, não tem. Acho que como quase todo município não tem. Os lugares que acabamos por encaminhar são ONGs, são lugares criados por pastores, comunidades, que acabam se tornando um centro de recuperação, mas não existe um local aonde podemos encaminhar esses pais. Temos uma família, da qual as crianças já foram retiradas dessa mãe por duas vezes e já voltaram novamente. E ela é usuária de crack. Ela tenta, ele pede ajuda, quer ajuda, mas não tem ajuda, não tem estrutura, o município não tem estrutura, não tem um local onde essa mãe possa fazer esse tratamento, se internar, se cuidar estando junto com Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 os filhos. Na maioria das vezes, é estando junto com os filhos. E todas as vezes que essas crianças foram entregues para essa mãe - não tem pai -, ela volta a usar droga, a beber. As crianças voltam a ficar maltratadas, e as denúncias continuam chegando. Eu queria saber se existe um lugar. Sabemos que a Rede Abraço tem nos ajudado toda vez que foi solicitado, mas muitas vezes a mãe que tem a criança não pode levar e, muitas vezes, a mãe não tem com quem deixar essa criança. Temos situações de moradores de rua que já estão na quarta gestação, e a criança foi tirada dela ou do pai, vive em situação de rua, é usuária de droga. E essas crianças são destituídas, porque ela não tem como cuidar. Mas essa mãe já chegou para nós e falou que queria cuidar do filho, só que não tem ajuda. Então, o nosso maior problema hoje é não ter para onde - não sei se é só no nosso município, mas acho que a demanda é maior em todos os municípios - encaminhar essa família. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - A estrutura do Conselho Tutelar de Guarapari atende vocês? É uma estrutura que atende, dá condição? A SR.ª ELIANI SARAIVA VIANA - Não, não atende. Ainda não atende. Já foram feitas muitas melhorias, mas... O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Eu entendi um bocado do que está dizendo. Por exemplo, a Rede Abraço foi um projeto do governo, principalmente no caso das comunidades terapêuticas que têm uma relação ligada à igreja e que têm um papel fundamental nessas comunidades. Antes não tinha uma regulamentação, nem CNPJ, mas faziam um trabalho voluntário. E, aí, o governo organizou, fez com que constituíssem o CNPJ, tivessem uma demanda, um período de tratamento, até porque isso não foi iniciativa do Espírito Santo, foi uma criação que aconteceu em Pernambuco, que copiamos, adequamos no Espírito Santo e aprimoramos inclusive. E, de fato, como você disse - tive aqui uma reunião com o presidente da Associação das Comunidades Terapêuticas e com todas elas -, elas têm uma demanda de atendimento muito grande e têm atendido. O que ocorre é que não podem receber, por exemplo, essa mãe e também permitir a presença das crianças, porque lá trata do dependente. E não é compulsório. A pessoa é voluntária para estar nessa Rede Abraço. O compulsório é uma decisão judicial e tem um processo todo. E ao acontecer esse processo todo você vai ter que determinar onde a criança vai ficar. Nesse caso, ela não tem parente, né? Esse é o grande problema. Então, o Conselho, no caso, já deve ter feito a sua parte, encaminhado ao Ministério Público e a Justiça, infelizmente, tem que decidir. E o município tem que ter, também, um amparo para isso. A juíza do Tribunal de Justiça que coordena essa Vara é uma juíza muito especial, tem um trato Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 muito legal com essas questões. Justamente por isso que fiz questão de ouvi-los e de ouvi-las, porque faremos uma agenda com ela, e naturalmente com o presidente do Tribunal, mas ela é que trata disso, e com a procuradora e a promotora que tratam disso no Ministério Público para encontrarmos uma saída que dê, por exemplo, uma resposta para o que você me perguntou e que não posso responder. O que posso responder é que podem contar comigo. Inicialmente cobraremos... Preciso que todos os conselhos oficialmente nos encaminhem as demandas que têm. Podem ter certeza de que não vou expor nenhum conselheiro ou conselho. Ah, porque a conselheira Maria das Dores diz que não tem promotor. Não! Vou formular um documento genérico, ou seja, dizendo que em Marilândia a demanda é essa, essa e essa, e não tem promotor e juiz, sem citar a conselheira. Não é isso! Que a audiência foi feita com o conselho, foi feita com a prefeitura, foi feita com todo mundo, com a sociedade civil. E vamos debater isso com os órgãos competentes. Eu preciso que até o dia vinte de julho os conselhos todos... E farei isso, inclusive, comunicando... A nossa Comissão vai fazer o contato, também, com vocês, até com os que não puderam estar presentes, para que nos coloquem por ordem de prioridade... Porque vamos tentar começar como na casa da gente, fazendo as coisas que são prioridades. Para que eu possa estartar isso aí já na semana que vem. Estou falando dia 20 porque dia 20 a Casa está em recesso e volta só no dia 01º. Quero ter essas informações para que já no dia 01º, dia 02, dia 03 formalizemos isso com a Justiça, com o Ministério Público, com a Defensoria. A Defensoria será uma grande parceira de vocês, podem ter certeza disso. A Defensoria é fundamental para cobrar isso do Estado, inclusive judicialmente, as questões que vocês necessitam. É importante esse tipo de relatório para que tenhamos essa informação aqui. E vou repetir para vocês: não vamos expor nenhum conselho e conselheiro, nenhum. A exposição é minha, como presidente; do Senhor Deputado Gilsinho Lopes, com vice-presidente. Vamos chamar a Comissão de Segurança para conosco fazer um movimento e, inclusive, a Comissão dos Direitos Humanos. Vamos fazer um movimento grande para dar um resultado para vocês, resultado mesmo. Talvez tenhamos uma audiência com a Doutora Janete, parceira nossa, junto com o Presidente da Associação dos Magistrados, para encontrarmos uma saída para que haja uma atenção melhor para vocês. Porque é a Justiça que decide, é ela que dará o veredito. Isso é muito importante. Obrigado pela sua participação. A SR.ª ELIANI SARAIVA VIANA Senhor Deputado, gostaria de deixar claro, falando em nome de todas nós, que a maioria de nós trabalha porque ama o que esta fazendo. Se não amássemos Diário do Poder Legislativo - 117 não estaríamos aqui. Deixo isso muito claro. A questão da estrutura já foi falada, está muito igual. Acho que todo município, uns têm e outros não têm. Está muito igual. Peço aos deputados, não sei a quem se deve pedir, para que se divulgue o que é o Conselho Tutelar. Deixar claro que o Conselho Tutelar não é órgão de punição, ele é um órgão de proteção. Que as pessoas tenham ciência disso. Em outubro haverá eleição e muita gente vai votar sem saber o que é o Conselho Tutelar, qual é o significado do Conselho, porque o Conselho foi criado. Acho que precisaríamos que se divulgasse... Não sei de uma forma de propaganda, não sei qual forma... Vemos tantos comerciais falando sobre tudo e nunca se viu um comercial falar o que é o Conselho, para que serve o Conselho, para que se instituiu o Conselho Tutelar naquele lugar. Então, para que a população saiba onde buscar ajuda quando há uma vaga negada, quando há algo negado. Então, quero deixar a minha posição. O SR. PRESIDENTE - ( MARCELO SANTOS - PMDB) - Muito boa sugestão. A próxima. A SR.ª MAURA SILVA - Sou Maura, conselheira de São Roque. Temos muita dificuldade em nosso município. Primeiro a questão da estrutura. Só temos uma sala e uma cozinha. E quando queremos conversar com o adolescente ou com a criança separada dos pais, temos que pedir para se retirarem e ficarem do lado de fora. Ainda há uma janela virada para uns laboratórios e quem está do lado de fora fica ouvindo. Também temos a questão de que no nosso município só tem o Cras, não tem mais nada. O que acontece? Uma criança, um adolescente que sofreu abuso ou está com problema de droga, tudo é encaminhado para o Cras. E lá não tem como atender essa demanda porque são muitas. Há também a questão de pedirmos atendimento psicossocial para determinada família, mas muitas são carentes e não têm condições de ir até lá para o acompanhamento com o psicólogo. O que o coordenador, o pessoal do Cras e da assistência social fazem? Pedem o carro ao Conselho Tutelar. Se o Conselho Tutelar mandou, ele tem que dar um jeito de buscar. Só que o carro do Conselho é para nosso atendimento de emergência, de denúncias. Nosso carro não é para ficar levando criança ao médico, ao Cras; não é para isso. Quando negamos o carro, eles falam muito mal de nós. Então, tem esse problema e outros. E quanto à questão das drogas, de adolescente em ato infracional, no ano passado mesmo tivemos muitos conselheiros que queriam até desistir, por que a Polícia pega um adolescente em ato infracional e logo liga: Conselheira de plantão, fulano está aqui, vem aqui liberar. No nosso município não tem delegacia, tem o DPM, a Polícia 118 - Diário do Poder Legislativo Militar. O que acontece? Quando não libera ali, vai para Colatina; quando passa das quatro e meia é com a Polícia Civil. Eles levam no carro deles. Chegando lá, soltam o adolescente e vêm embora. E nós temos que trazer o bandido embora, dentro do carro. Um dia até discuti com o delegado. Falei: Delegado, olha o tamanho desse menino. Vou levá-lo no carro junto comigo? Se você quiser, então, me dá uma arma que vou colocar do lado para eu levar esse menino, porque é bandido, e entregá-lo em casa. O que eles fazem, nem tentam ligar para os pais. O que nós fizemos? Fizemos uma reunião com o sargento: Sargento, está acontecendo isso e isso. Aí ele falou: É, mas é uma parceria que o Conselho faz com a Polícia e tal. Falei: É, mas e a gente? Uma mãe foi à delegacia, tinha operado, o que os policiais fizeram? Ah, a senhora pode ir embora que o Conselho Tutelar acompanha e vai entregar ele na casa da senhora. Aí eu fui até a casa dela e pedi para o pai acompanhar o filho. Ela fez o quê? Só não me chamou de santa. Fiz o que, então? Se a Polícia falou que eu vou trazer, então vou trazer. Acompanhei o menor até a Delegacia de Colatina, trouxe e entreguei para ela. Então, temos muitas dificuldades. Às vezes, os próprios policiais não querem ter trabalho. Em vez de falar: Não, você tem que ter um responsável. Me dá o nome de alguém. Ah, tem o pai, tem a mãe, tem a tia? Mas, não. De imediato ligam para o Conselho Tutelar e, às vezes, há muitas denúncias e no nosso município não temos telefone celular só para o conselheiro de plantão. Usamos o nosso telefone pessoal. Então, colocamos escala no PA e no DPM. Liga alguém lá dizendo que fulano fez isso e aquilo, eles já dão o nosso telefone para as pessoas. Então, todos do município, tudo quanto é pessoa tem o nosso telefone. Colocamos a nossa vida em risco, porque o telefone é pessoal e lá é lugar pequeno, com quase doze mil habitantes, todos se conhecem. Às vezes aparecem uns meninos traficantes de Vitória, de Serra... E eles não querem nem saber, soltam para cima do Conselho: Mas delegado, não tem família. Vou fazer o que com esse menino aqui? Eles falam: Não sei, vocês têm que ver o que vão fazer. Outra coisa: não há para onde encaminhar esses adolescentes que usam drogas. As famílias falam: Gente, deem um jeito de internar meu filho. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - E o Ministério Público e a Justiça? A SR.ª MAURA SILVA - Encaminhamos relatório, mas pouco fazem também. Demoram muito para resolver. Por exemplo: apareceu uma menina de Serra uma vez e o Ministério Público fala que temos que colocar no carro e ir entregar para o pai ou para o Conselho Tutelar. Uma vez trouxemos várias vezes, e chegava de volta antes de nós. Entregavam para o Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Conselho Tutelar, ou para a mãe, ou para alguém, e daí a pouco chegávamos lá e já tinha descido do ônibus quase na nossa frente. Colocamos muito nossas vidas em risco. É complicado, altas horas da noite. Há também essa questão da prefeitura não nos dar muito apoio. É complicado. Quando chegamos à prefeitura já falam: Vêm os enjoados! Nem gostam muito de atender. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Encaminharemos também ofício para lá. A SR.ª MAURA SILVA - Só mais uma coisinha: o Cosme, da corregedoria, no início do nosso mandato, olhou toda a questão do cargo, da nossa estrutura, e oficializou pedindo uma estrutura melhor para nós. Logo de início o prefeito até andou procurando uma sede, mas não resolveu e continua. Nem água tínhamos para beber, tínhamos que tomar água quente e comprar. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Corregedoria de onde? A SR.ª MAURA SILVA - De Vitória. É daqui o Cosme. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Todas e todos conhecem a doutora Janete Pantaleão? Não? Ok. Mais alguém quer se manifestar? A SR.ª ANA CLAUDIA REIS DA SILVA Eu queria só responder, se V. Ex.ª me permitir. V. S.ª é de Guarapari? Encaminhe um e-mail para nós de Serra. Criamos um passo a passo sobre como responder e atender às delegacias, e acabamos com essa demanda para o conselho. V. S.ª é de São Roque? Se quiser anotar o e-mail, ou quiser pegar comigo depois, no final, é [email protected]. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - É só anotar depois para corrigir e entregar para ela também. (Pausa) A SR.ª ROZINETE DOS SANTOS CARVALHO - Sou Rozinete, conselheira de Guarapari. Eu queria justamente responder para ela. O que acontece? Nas capacitações fomos orientados sobre como agir em relação ao adolescente em situação infracional, quando é apreendido e a polícia quer que levemos em casa. Não é função do conselheiro tutelar, mas alguns delegados não aceitam isso e ameaçam representar contra o conselheiro. Fomos orientados a dizer que pode representar, desde que coloque na representação o artigo que o conselheiro tutelar deixou de cumprir. Não consta no estatuto o artigo que fala que o conselho tutelar tem que levar em casa adolescente Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 apreendido em ato de infração que o delegado resolveu não autuar e encaminhar ao promotor. Temos que localizar a família e comunicar que o filho, o sobrinho, o neto está detido. A família, sim, que busque. O delegado bate o pé, tenta nos pressionar. O SR. PRESIDENTE (MARCELO SANTOS - PMDB) - Tenta intimidar? A SR.ª ROZINETE DOS SANTOS CARVALHO - Isso. Vivemos esse problema quando Guarapari resolveu não atender mais essa demanda, mas fizemos ofícios para vários delegados informando o que é nossa atribuição e o que não é, e hoje S. Ex.as já aceitam isso com tranquilidade. Já ligam informando que tem um adolescente, pedimos todos os dados, endereço, ponto de referência. Quando não conseguimos localizar a família é encaminhado para o promotor. Não vamos lá e colocamos esse adolescente, que é maior do que nós. Tivemos esses dias um adolescente que foi apreendido com arma e o delegado resolveu não autuar, queria que o Conselho Tutelar levasse em casa. Não! Esse adolescente foi encaminhado ao promotor. Fizemos contato com o promotor, passamos a situação e ele falou: Tragam para mim. Teremos que bater de frente com alguns para que sejamos respeitados no exercício da nossa função. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Quando será a eleição dos Conselhos? Quatro de outubro, não é? Ok. A SR.ª VERA LÚCIA C. DO NASCIMENTO - Bom-dia a todos e a todas e à Mesa. Sou Vera, conselheira do Município de Cariacica. Ouvi cada colega colocando as demandas que são as mesmas. O que gostaria de perguntar para o Senhor Deputado Marcelo Santos é o que a Casa, a Assembleia pode fazer em prol dessa situação dos adolescentes usuários de droga. Por quê? Porque temos vários meninos e várias meninas que estão nessa demanda. Quando vamos à sua casa, que recebemos denúncia de alguma coisa, chegamos até ele e vemos lá a família que tenta arrumar um local para colocar esse adolescente para se tratar desse problema que está tendo e não tem. Sabemos que o município não tem, o estado também não está tendo local para os adolescentes ficarem. Encontramos locais para o adulto, acima de dezoito anos. Fora isso não temos um local CAPs. Inclusive no fim do ano passado, Senhor Deputado Marcelo Santos, nossa juíza doutora Fabrícia Calhau tentou convidar V. Ex.ª na forma deles tanto a juíza, quanto o promotor doutor Ranofo... O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Não, ela quis convocar. Ela não pode convocar a gente não. Diário do Poder Legislativo - 119 A SR.ª VERA LÚCIA C. DO NASCIMENTO - Foi a forma deles lá que eles colocam para que pudesse junto com essas parcerias, com os deputados do município para conseguir CAPS I e II para o município para que o adolescente, a criança também, ultimamente estamos tendo até criança de dez anos utilizando e existe dificuldade muito grande da família trabalhar isso com ele. E isso para o município de Cariacica por vários outros problemas que a gente tem em forma de quê? De cumprir leis, fazer com que haja realmente alguma coisa para a criança/adolescente tanto no estado todo, a dificuldade é muito grande. Estamos deparando hoje com a parte das escolas que é onde as crianças deveriam estar para poderem ser o futuro, aprendendo melhor para que saiam desse local das drogas. Estamos deparando que as nossas crianças, muitas crianças fora da escola. Temos um número pequeno no Conselho que aquilo que as Apaes chegam até a gente. La fora as demandas de denúncias são muito maiores: Crianças fora da escola, adolescentes fora da escola. Não temos escolas suficientes para elas e o ano que vem, a partir de 2016 vai ser muito maior porque vai se tornar obrigatoriamente as crianças de quatro anos estarem na escola que hoje não é obrigatório - é o que a gente fala com as mães. Sinto muito, mas nós conselheiros não podemos fazer muito porque não tem para as crianças de seis anos e agora para as de quatro anos. Mas o ano que vem vai ser obrigatório. E como ficam essas crianças fora da escola? É mais um que vai lá para as drogas. É aquela criança que está fora da escola que vai estar nas drogas porque o viciado que está lá, observa cada família e encontra as brechas e é onde seguram essas crianças para lá. O que estamos pedindo é ajuda para essas mães. E como foi falado, o município muitas vezes o prefeito diz que ajuda, mas na verdade, acaba só passando um pano em cima da situação. Então, é esse o nosso lamento no município de Cariacica, somos também ameaçados pelos pais, somos... O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Vocês têm uma estrutura decente para atender? A SR.ª VERA LÚCIA C. DO NASCIMENTO - Hoje, o Conselho I, região de Porto Novo, a estrutura lá não era muito boa, mas dava para atender à demanda das pessoas com uma das especialidades, que é o deficiente, ele podia entrar tranquilamente sem problema. Hoje estamos ali em cima do CRAS em Itacibá, a estrutura tem escada, não tem corrimão. Isso não é adequado para o cidadão com essa deficiência. Não pode! Todo órgão público que tem atendimento ao cidadão tem que ter acessibilidade. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO 120 - Diário do Poder Legislativo SANTOS - PMDB) - ABNT. A SR.ª VERA LUCIA DO NASCIMENTO - Isso está na lei, mas infelizmente o município fala que não tem local. Sabemos que hoje, para o município alugar casas, tem que ter escritura, sendo que em Cariacica dez ou vinte por cento das casas têm escritura e as que têm são moradia própria ou lojas que já estão aí. É uma demanda na qual estamos lutando para mudar em nosso município. Carro, tivemos um kit de carro contemplado ano passado, mas devido à Secretaria, que estava para preencher a papelada, não chegou a adequação do carro aonde deveria chegar a tempo e nosso município ficou sem o kit que os direitos humanos estava contemplando. Fomos contemplados em 2012, 2013, mas foi a Sejus com o Governo Estadual. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS- PMDB) - A Sejus é do Governo do Estado. A SR.ª VERA LUCIA DO NASCIMENTO - Fora isso, estamos à mercê de que os parlamentares comecem a fazer alguma coisa a mais, como hospitais par atender a população. Não temos um neuropediatra para atender essa família na qual muitas vezes a criança tem algum défice de saúde, que mandam ao conselho e não temos como correr atrás porque quando mandamos uma notificação requisitando esses atendimentos nesses órgãos públicos, muitas vezes falam que quanto àquilo o conselho não tem direito nenhum a esse tipo de requisição. Só que a lei diz que o único órgão que tem direito de requisitar é o conselho tutelar, os direitos da criança e do adolescente. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Quando a senhora cobra isso, requisita por escrito? A SR.ª VERA LUCIA DO NASCIMENTO - Requisito por escrito, quais os órgãos... O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - E tem resposta por escrito? A SR.ª VERA LUCIA DO NASCIMENTO - Não. O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Então quando a senhora requisitar, tem que notificar o Ministério Público que requisitou e não houve resposta. A SR.ª VERA LUCIA DO NASCIMENTO - Há um tempo atrás, acho que ano passado, fiz requisição no Ministério da Saúde para uma criança de quatro anos, que estava perdendo a outra visão. Ela precisava fazer uma operação e a resposta que tive foi que a Saúde já estava cumprindo o que é de direito, e a criança está perdendo mais uma visão. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. PRESIDENTE - (MARCELO SANTOS - PMDB) - Temos prazo agora para terminar. E o que quero falar depois de colher todas as informações que recebi hoje? Primeiro, é lamentável ouvir tanta coisa que poderia ter sido superada. A Assembleia Legislativa tem uma função. Cada um de nós, na composição dos poderes, conselhos e órgãos, tem funções específicas e a base é o município. Infelizmente há falta de comprometimento, a começar pelo município, em atender essa demanda tão importante. Tão importante. Mas se tiver uma entrevista do jornal A Gazeta ou do A Tribuna, pode ter certeza de que a prefeitura se fará presente naquele momento para dizer que está lado a lado com o conselho. Entendo que é uma prioridade. Qual nosso papel na Assembleia Legislativa? Aprovar o orçamento garantindo investimento para as mais diversas áreas. Sou hoje o deputado mais antigo desta Casa com mandatos. Nunca recebi um prefeito que me fizesse um pedido de conselho tutelar. E muito menos de conselho tutelar também. Registro agora. Nunca recebi. Nunca recebi um pedido para visitar um conselho. Nunca. Nunca. Para que isso? Para conhecermos a realidade. Tomei essa iniciativa porque acompanhamos o dia a dia e começamos a perceber que essa turma precisa de apoio, precisa de voz. Foi falada uma coisa muito legal. Divulgar o trabalho do conselho e sua importância para a sociedade, a proteção dos direitos da criança e do adolescente. O conselho não está aqui para proteger bandido não, mas para garantir os direitos fundamentais da criança e do adolescente. Registro, e está aqui o vereador Camilo, que as prefeituras não fazem seu papel. As prefeituras, quando tem um Carnaval investem, quando tem uma festa investem. Tudo aquilo que pode aparecer na televisão é muito fácil investir. Por que você não vê obra de saneamento? Porque é obra que fica debaixo da terra. Por que o conselho tutelar não é alvo das administrações? Porque não dá voto, porque se desse voto estava todo mundo levantando a bandeira do conselho tutelar. Também quero chamar a atenção dos pais. Como disse o Senhor Deputado pastor Mansur, a família, que é a instituição mais antiga do mundo, vem perdendo, ao longo dos anos, suas funções e obrigações. A família deve ensinar princípios e valores éticos. A escola tem outra função, não é assumir responsabilidade de filho de ninguém. As mães que acham que a escola é a segunda casa e que o professor é o segundo pai e que a professora é a segunda mãe, é um equívoco. Não deve e não será nunca. Professor está tendo que fazer outra coisa ao invés de educar, que é tomar conta dos filhos dos outros. Conselho tutelar não pai, nem mãe. Foi dito aqui amplamente que se trabalha para garantir os direitos das crianças e dos adolescentes. Então, cansei de ver, principalmente no interior, o pai enfiar o dedo no copo de cerveja e dar para criancinha de colo para Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 ela provar. E ainda fala assim: Gotoso, que delícia. Todo mundo ri, todo mundo acha graça, mas quarenta por cento das pessoas que ingeriram bebida alcoólica precocemente são dependentes de drogas ilícitas. Todo mundo acha bonito quando a criancinha fala um palavrão. É tão bonitinho quando uma criancinha de dois anos de idade fala um palavrão, mas se eu falar o que a criancinha fala, vocês vão me bater. Mas na boca de uma criancinha fica engraçado, fica suave. Depois, quando ela crescer um pouquinho, vai falar esse palavrão para o pai, para a mãe e para o professor de escola. Então, gostaria de enfatizar a importância que tem a família, que não assume o seu papel; a importância que têm vocês, que assumem do papel da família e que não deveriam, mas pelo trabalho que exercem, acabam assumindo isso em nome da causa. Poderiam largar essas funções que estão ocupando hoje e correr atrás de outro trabalho, mas se dedicam. Quero prestar minha homenagem a vocês. Não vou fazer da Comissão um palanque político, até porque acabei de disputar a eleição, estou no quarto mês do mandato que começa agora. Quero ajudar vocês e preciso ser ajudado. Essas informações que vão nos mandar até o dia 20 são de fundamental importância. Vou começar a fazer uma programação de agenda com a Justiça, com o Ministério Público, com a Defensoria, com o Governo do Estado e com as Prefeituras. Vou citar Cariacica agora, uma das cidades mais populosas do Espírito Santo, uma das cidades que mais matam jovens e adolescentes no Espírito Santo. Serra é o município que mais mata, mas a cidade com mais consumo de drogas entre menores é Cariacica. E o que a cidade tem? Qual é a área de lazer que existe para você garantir que seu filho possa frequentar? Qual é a creche que existe para que a mãe possa trabalhar? Não estou falando de mãe casada, estou falando da mãe solteira, chefe de família, que tem que trabalhar e pagar conta. Ela não tem uma creche, vai largar na mão de alguém; se não tem parente, será na mão de alguém que não conhece. E então o filho é violentado, estuprado, molestado ou vira avião na droga. E depois queremos cobrar. Nenhuma criança nasce assaltante, assassino ou traficante. A importância de vocês é justamente para isso, porque se não houver estrutura, não adianta nada. O Proerd, que é um programa da Polícia Militar, é muito legal e precisa ser ampliado. E essa ampliação tem que chegar também nos conselhos, para que possamos ter a garantia de que vocês possam conhecer mais um bocado sobre esse trabalho que o Proerd desenvolve. Agradeço a presença do vereador Camilo, do município de Cariacica, e dos Senhores Deputados membros desta e de outras Comissões, que demonstraram aqui o respeito e o carinho por cada uma das senhoras e dos senhores. Diário do Poder Legislativo - 121 Estaremos, a partir de agora, defendendo de fato os direitos de vocês. Oficiaremos as polícias para que exerçam o seu papel, não joguem nas costas do conselho aquilo que não é obrigação do conselho. Ao se sentirem acuados, joga para cá, porque graças a Deus vocês me deram um mandato para defender vocês. Então, coloco a comissão à disposição de vocês para representar quem quer que seja. Porque vocês têm um papel importante. Não deixe misturar política local partidária com o trabalho de vocês. Ah, porque se não fizer isso aqui o prefeito... Que se dane. Ah, porque o cara do partido... Que se dane. Não estou aqui partido e nem estou falando de eleição; estou falando do trabalho de vocês. Se toparam entrar nisso daí, estou me colocando à disposição, comprando a briga de vocês para melhorar e garantir a vocês o direito de terem uma diária decente, uma estrutura decente; para que as polícias respeitem vocês; para que os prefeitos, os secretários respeitem vocês; para que o juiz e o promotor respeitem vocês. O juiz acha que tem direito de assinar e... Não é só isso não. Ninguém pode convocar ninguém assim não. Esta casa mudou muito e está colocando ordem, o papel de cada um. Então, o direito de um começa quando o seu termina, e o direito de vocês está começando agora por meio da Comissão de Politicas Sobre Drogas. Agradeço a todos os presentes, ao vereador Camilo e aos Senhores Deputados que estiveram presentes. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, à hora regimental. Está encerrada a reunião. Encerra-se a reunião às 12h35min. _____________________________ COMISSÃO DE SEGURANÇA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO. DÉCIMA SEGUNDA REUNIÃO ORDINÁRIA, DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 13 DE JULHO DE 2015. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta Comissão. Convido a Senhora Secretária a proceder à leitura das atas da sétima reunião extraordinária realizada em 15 de junho de 2015; da oitava reunião extraordinária realizada em 23 de junho de 2015; e da décima primeira reunião ordinária realizada em 06 de julho de 2015. (Pausa) 122 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 (A Senhora Secretária procede à leitura das atas) O SR. GILSINHO LOPES - (PR) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Em discussão as atas. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Favorável. Senhor Presidente, aproveito para convidar todos para, no dia 14 de agosto de 2015, uma audiência na parte da manhã, em São Mateus, sobre o Pacto Federativo. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Pela aprovação. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Poderia essa de Vila Valério abraçar, inclusive, São Gabriel da Palha. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Pela aprovação. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Pela aprovação. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Exatamente. Convidamos o município de São Gabriel da Palha também. Mobilizarei as lideranças convidando todas as instituições da região. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Aprovadas as atas como lidas. Solicito à Senhora Secretária que proceda à leitura do Expediente. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Perfeito. Matéria aprovada. Fica o dia 14 de agosto de 2015, às 18h. Continua a leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: A SR.ª SECRETÁRIA lê: EXPEDIENTE: MENSAGEM N.º 140/2015, encaminhado pelo Exmo. Senhor Paulo Cesar Hartung Gomes, Governador do Estado do Espírito Santo, em resposta ao Requerimento n.º 85/2015 formulado por essa Comissão, informando sobre os processos de apuração de responsabilidade administrativa de servidores da Sejus. CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS: OFÍCIO N.º 089/2015, encaminhado pelo Excelentíssimo Senhor Deputado Padre Honório, solicitando a realização de uma Audiência Pública para discutir o tema Segurança Pública no município de Vila Valério. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Vamos deliberar logo a audiência pública em Vila Valério. Senhor Deputado Gilsinho Lopes e Senhor Deputado Da Vitória, será só após o recesso. Gostaria que fosse numa sextafeira, pois tenho viajado nas audiências públicas no meio da semana e voltado de madrugada. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Sexta-feira, no horário de fim de expediente, às 18h? O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Sim. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Sou favorável. Deixará aberta a data? O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Podemos até agendar. Dia 14 de agosto, vou aceitar a sugestão. Como votam os Senhores Deputados? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) Favorável. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Ciente. Para não despender muito custo, fica autorizado o deputado da comissão que possa solicitar verbalmente e a comissão fornecer cópia. Continua a leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: OFÍCIO N.º 341/2015, encaminhado pelo Excelentíssimo Senhor Deputado Nunes, informando recebimento de denúncia encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Espírito Santo, referente às más condições carcerárias impostas aos apenados e solicitando agendamento de reunião para tratar das solicitações constantes no ofício. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Em Mesa para deliberação. A Mesa deliberará cópia aos deputados. Continua a leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 OFÍCIO N.º 1.044/2015, encaminhado pelo Exmo. Senhor Eugênio Coutinho Ricas, Secretário de Estado da Justiça, em resposta ao OF/COMSEG/N.º 225/2015, referente a supostas práticas de assédio moral e coação por parte do servidor Jurandir José da Silva Filho. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Senhor presidente, pela ordem! V. Ex.ª enviou para o secretário de Justiça, Eugênio Ricas, a denúncia formulada de servidores que estão sendo assediados moralmente pelo senhor Jurandir José da Silva Filho, subgerente da unidade da Unis de Cariacica. Portanto, o doutor Eugênio Ricas remeteu dizendo que ele é servidor do Iases. Deveríamos onvoca-lo e chamar as pessoas que são vítimas, porque esse cidadão está em um cargo de confiança no Estado, está assediando moralmente e intitulando-se irmão de um juiz. Na função, não existe isso de irmão, parente de A ou de B; é o servidor. Presidente, farei um requerimento para a convocação desse cidadão nesta comissão. Depois do recesso, porque não temos mais prazo. Mas gostaria que V. Ex.ª colocasse em deliberação. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Em discussão. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como votam os Senhores Deputados? O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Favorável. O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Voto favorável, mas desde que, Senhor Deputado Gilsinho Lopes, também sejam convocadas as pessoas para que se faça a oitiva e as coloque frente a frente, porque, realmente, é uma coisa que temos que apurar. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) Concordo, Senhor Deputado Almir Vieira. Quando há questões relacionadas à denúncia de um superior, sempre esse alguém é passivo de uma exoneração, porque, às vezes, ele está num cargo de designação temporária, então, sumariamente pegam e exoneram essa pessoa. Então, o sindicato do Iases, que está aqui, vai representar, porque o sindicato é que representa a categoria. Tem aqui na pessoa do Bruno Menelli, que poderá estar presente com a diretoria, porque eles recebem as reclamações dos servidores. Senhor Deputado Almir Vieira, tenho várias reclamações desse cidadão. Inclusive, já me passaram e-mails e torpedos com relação às atitudes desse cidadão, mas o próprio sindicato irá respaldar essa situação, porque queremos ouvi-lo para saber do porquê, qual é a motivação. Está bem esclarecido aqui. Isso deveria ter algum processo administrativo em curso. E não estamos vendo essa ação por parte da diretoria do Iases. Diário do Poder Legislativo - 123 O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Concordo com V. Ex.ª e o meu voto é favorável. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Vamos então num dia ouvir o representante e, depois, ouvir o senhor Jurandir. Também voto favoravelmente. Fica designada a próxima audiência. Seria após o recesso? Nós transformamos em audiência pública e, portanto, fica então o convite para o representante. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) Presidente, o Senhor Deputado Almir Vieira, em função do meu esclarecimento, aquiesceu ao que falei. O sindicato e o servidor. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Mas é isso que estou falando. O representante e o senhor Jurandir. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) Representante do sindicato? O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Do sindicato, isso. Porque também concorda com V. Ex.ª nesse ponto. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Fica para a próxima, na primeira reunião de agosto. Continua a leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: Solicitação encaminhada pelo Senhor João Batista da Silva, presidente executivo da Associação de Bombeiros Militares do Espírito Santo - ABMES -, requerendo cópia da reunião ordinária da Comissão de Segurança do último dia 04 de maio de 2015. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Antes de deliberarmos, não vai ter problema nenhum, solicito que me seja enviado para que pudesse relembrar o que é e, após, deferiremos para o João Batista da Silva. Continua a leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: PROPOSIÇÕES RECEBIDAS: Projeto de Lei N.º 54/2015 - Análise de Mérito Autor: Deputada Janete de Sá Ementa: Institui no âmbito do Estado do Espírito Santo as Patrulhas Maria da Penha e dá outras providências. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO 124 - Diário do Poder Legislativo SAMPAIO - PDT) - Designo relator o Senhor Deputado Gilsinho Lopes. Continua a leitura do Expediente. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 PROPOSIÇÕES SOBRESTADAS: Não houve no período. PROPOSIÇÕES BAIXADAS DE PAUTA: Não houve no período. questão da idade já era uma aberração e a altura é outra maior ainda, entendeu? Você tem altura para pagar imposto, para ser preso, para ser tudo, mas não tem para trabalhar. É brincadeira, né? Mas, tenho certeza de que o Estado vai corrigir essa questão. Espero que, acabando o recesso, já tenhamos resposta para vocês. As demandas foram todas. Não estou com a pauta aqui, mas me lembro de ponto por ponto. Gastamos um tempo bom na Casa Civil. Tínhamos agendado meia hora, mas gastamos mais de uma hora, não é Gilsinho? Mais de uma hora, entendeu? A palavra está franqueada aos senhores Deputados. (Pausa) O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Gostaria de saber da Secretaria se esse ofício do Senhor Deputado Bruno Lamas já havíamos despachado. É outro? Inicialmente, cópia aos Senhores Deputados para leitura, e após, deliberação. Passamos à Ordem do Dia. Projeto de Resolução. Registro que votamos por duas vezes, Senhor Deputado Da Vitória, três projetos. Um do Senhor Deputado Da Vitória, um do Senhor Deputado Nunes e um do Senhor Deputado Pastor Marcos Mansur. Relatei porque eu entendo, Senhor Deputado Gilsinho Lopes, que não há necessidade formal de haver um parecer escrito. Votamos e aprovamos. Mesmo assim, a assessoria pediu que fosse feito. Fizeram o relatório e votamos novamente, também aprovado. Agora, a assessoria - não sei quem foi -, diz que tem que ter nova votação. Eu entendo que tem que ter nova votação coisa nenhuma. Eu quero o parecer aqui que foi votado para que os deputados assinem. Porque mandaram dois e um ficou. Todos os três tiveram a mesma tramitação. Saúdo todos os presentes. Não vou ler o nome de todos, mas saúdo todos os líderes. O Denys, representando o pessoal da Sejus; o Jorge Emílio, representando o Sindipol; o Bruno Menelli, representando o Iases; o João Batista, representando os Bombeiros; o Júlio Maria, representando a Polícia Militar; CFO também, todos vocês. Houve reunião quinta-feira no Palácio. Colocamos todos os pontos para análise e acredito que esta semana, independentemente de recesso ou não, eu não vou viajar mesmo, acredito que ninguém vai daqui, teremos uma resposta e uma agenda com o Governador. Mas já estará analisando todos os pontos. A questão da Sejus, da Polícia Militar, CFO 2013, os excedentes de 2006 e 2013. Então, todas essas questões nós discutimos lá e pedimos para que pudéssemos ter uma resposta e ver aquilo que pudesse dar andamento. Podem ficar tranquilos que já está andando. A questão do limite de idade e de altura também, esses pontos todos. Vocês têm cópia da pauta, Fernanda? A pauta foi extensa; levamos todos os problemas, entendeu Denys? O chefe da Casa Civil foi muito receptivo. Acho que essa O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Saúdo o Senhor Deputado Euclério Sampaio, o Senhor Deputado Almir Vieira e o Senhor Deputado Gilsinho Lopes, membros efetivos desta comissão, e todos os nossos participantes hoje aqui. Cumprimento os servidores da Secretaria de Estado da Justiça, em nome do Denys Mascarenhas, que está sempre presente, defendendo a categoria; o João Batista da Silva; o sargento Lugon e o Júlio; os nossos militares estaduais, e o Pedra, que nos assessora. Também os nossos amigos se fazem presente sempre defendendo o concurso do CFO Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar. Quero agradecer à Polícia Civil, cumprimentando todos nossos amigos da Polícia Civil, pela oportunidade do reconhecimento, na última quinta-feira, em uma sessão solene de aniversário da Polícia Civil. Pelas mãos da doutora Gracimeri Gaviorno, assinado por ela, recebi o título de Amigo da Polícia Civil. O Senhor Deputado Gilsinho Lopes foi muito lembrado lá, assim como o Senhor Deputado Euclério Sampaio. V. Ex. as não têm o direito de receber esse título de Amigo da Polícia Civil, porque são policiais civis, assim como eu na Polícia Militar. Mas de fato já me considero, desde quando conheci a instituição, muito mais ainda quando comecei a participar como membro da Polícia Militar e principalmente chegando a essa representatividade, nas oportunidades que nos foram dadas. Então parabenizo o trabalho da Polícia Civil do nosso Estado. Para muitos pode ser mais um título, mas para mim é muito significativo, tendo em vista a quantidade de amigos, amigas e profissionais competentes e responsáveis que salvam a vida do cidadão todo dia nessa grande instituição. Agradeço a todos os membros da Polícia Civil, em nome da doutora Gracimeri Gaviorno, que nos deu essa oportunidade. Também cumprimento o doutor Marco Lourenço, pessoa que nos indicou e foi aprovado pelo Conselho. Portanto, foi um dia festivo; um dia representativo na nossa vida. Hoje também é um dia comemorativo, uma comemoração que para muitos não tem a compreensão, e aqui uma reflexão para os servidores, operadores da Justiça. É o dia que completa vinte e A SR.ª SECRETÁRIA lê: PROPOSIÇÕES DISTRIBUÍDAS AOS SENHORES DEPUTADOS: Não houve no período. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 cinco anos o Estatuto da Criança e do Adolescente. Dia de reflexão principalmente para os membros do Iases. Esta semana, por incrível que pareça, esse assunto da redução da maioridade penal se deu em uma mesa em que havia três educadores, duas professoras aposentadas e uma da ativa. As três defendiam veementemente que se reduzisse a maioridade penal. Até tentei arguir um pouco, mas fui vencido pela veemência e até agressividade do discurso das professoras, que não pararam para refletir sobre o que estavam falando, mas fiz uma pergunta, Senhor Deputado Euclério Sampaio, que é policial, se já tinham investido um tempinho da vida delas para ler o Estatuto da Criança e do Adolescente. As três falaram que não. O Estatuto foi um grande conquista da sociedade, mas até hoje não foi aplicado na sua essência, não teve aplicabilidade. Até hoje a sociedade não parou para perceber a profundidade que essa regra criada, chancelada pelo Congresso Nacional, há vinte e cinco anos, pela relatora e propositora, nossa deputada Rita Camata, na época. Entrei na instituição Polícia Militar há vinte e cinco anos, no dia 15 de outubro de 1990. Não aprendi nada sobre o Estatuto no meu curso, em Nova Venécia. Praticamente regras básicas, mas não aprendi nada sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Como policial militar, operador de segurança pública, tivemos avanços na formação dos nossos operadores. Quem entra hoje tem uma nova formação, mas se não aprendi e também não tive oportunidades no período, enquanto atuava como operador de segurança, imaginem as pessoas que nem essa aula têm no ensino fundamental, no ensino médio! Às vezes no curso de Direito não é debatido esse tema. Sou formado em Direito, e o que nós tivemos sobre esse assunto foi muito pouco. Chamo à reflexão os governantes. Precisamos apresentar à sociedade que temos uma regra. Talvez seja interesse dos governantes, principalmente do governo federal, que não tem condições de aplicar essa regra, porque se tivesse, são mais de duzentos artigos vinculados à prevenção e à proteção da criança e do adolescente. Se a criança tem a sua proteção na ausência da família, naturalmente ela não vai para a criminalidade. Mas todo mundo só fala dos problemas, das infrações dos menores, quando eles têm desvio de conduta. Aí é remediar. Ninguém fala no trabalho de prevenir. O Iases está lá, sabe da dificuldade que se tem para realmente aplicar, com profissionais voltados para os trabalhos socioeducativos, com psicopedagogos, com assistentes sociais, com psiquiatras, todo o arranjo que precisa para realmente devolver um adolescente desses para a sociedade. Remediar nós sabemos, principalmente os policiais. Prender nós sabemos. Mas para que privar da liberdade, para colocar onde? Tem lugar? Vai colocar em uma cela em que às vezes cabem dois, três, e tem sete, dez? Voltará para a rua em uma condição pior. Diário do Poder Legislativo - 125 Este tema tem que ser debatido. Não é fácil, principalmente voltado para a realidade. Voltado para a emoção todo mundo sabe fazer e faz muito bem, principalmente no período pré-eleitoral. Hoje é um dia em que podemos colocar na superfície desta Casa este tema, e se temos hoje profissionais da Secretaria de Justiça, da Polícia Civil, foram contratados por conta dessa violência, mas não tenho dúvida: se conseguirmos chegar a um estado, a um país, que tem mais paz social, naturalmente será bom para as categorias, para a sociedade e para o nosso país, que poderá vender conceito e melhorar a sua economia. Às vezes as pessoas não vêm para turismo, para lazer, por conta do que é veiculado sobre a nossa criminalidade, sobre a nossa segurança, mundo afora. Mas acredito nos nossos brasileiros e principalmente nos nossos capixabas, Senhor Presidente. Agradeço a V. Ex.ª. Falei por quatro minutos e cinquenta e nove segundos. Estou terminando no prazo, tendo em vista que V. Ex.ª está cada dia mais rigoroso nesta comissão. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Não estou, Senhor Deputado. É um assunto polêmico. Divirjo respeitosamente da posição do Senhor Deputado Da Vitória, e acho que nesta comissão S. Ex.ª é voto vencido. Senhor Deputado, sei que vivemos em um país que a Constituição diz que tem que haver um salário justo, digno. O salário mínimo não é digno. Tem que ter saúde e educação, e também não está essa Brastemp. O menor pode levantar uma arma e tirar a vida de um chefe de família, deixando um monte de crianças passando necessidade. Então ele tem que tomar cadeia como toma o adulto mesmo. Tem que sofrer a mesma pena. É o meu pensamento. Não há condições de aplicar na íntegra o Estatuto da Criança e do Adolescente. Também, como eu disse anteriormente, não tem condições de ter a saúde que o povo merece, não tem a questão do salário. Mas o que temos que ver é que isso não é motivo para que eles ceifem vidas. A lei da redução aprovada foi muito branda para eles, porque só pega crimes graves, Senhor Deputado Gilsinho Lopes; hediondos. Então está de muito bom tamanho, muito bom tamanho, entendeu? Eu quero saber se o sujeito entrar na casa de uma pessoa o cara vai perguntar: Você é de menor? De menor não atiro, não. De maior eu vou revidar. Não tem isso, não. Depois é que vai ver se é ou não, que não vai mudar a pena, mesmo. Então eu acho que eles têm que saber a consequência dos seus atos. É o meu posicionamento. Respeito o de V. Ex.ª. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Não, tenha calma, eu só levantei o microfone. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Eu estou calminho. Muito 126 - Diário do Poder Legislativo calmo. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Senhor Presidente, este tema é bom de debater. Não divirjo de V. Ex.ª, até porque defendo que se prive da liberdade. Mas vamos refletir sobre o que eu falei. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Mas deixar matar? Roubar? O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Em hipótese nenhuma. V. Ex.ª está afirmando uma coisa divergente do que afirmei aqui. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Não, se não prender, vai fazer o quê? O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Tem que prender, defendo que se prive da liberdade - tem que se privar! Mas, defendo que quando tiver a liberdade privada, que se dê assistência às pessoas. Não somente adolescente no trabalho socioeducativo, mas também no trabalho de ressocializar os nossos internos. Tem que se fazer! Sabe por quê? Porque conheço um monte - já trabalhei como carcereiro, porque é assim que é na Polícia Militar - trabalhei seis anos no presídio, e esses adolescentes voltavam às ruas em condições muito piores do que entravam. Porque tinham furtado, às vezes tinham roubado; mas voltavam, além de traficando, matando! É isso o que estou defendendo. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Entendo. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Que se aplique o Estatuto da Criança e do Adolescente na sua essência. Com certeza hoje o mundo seria diferente. É lógico que fizemos uma roupagem disso e justificamos em relação às falhas do estado. Não podemos justificar não! Tem que se investir mais mesmo, tem que se investir mais para que realmente possa surtir efeito o trabalho feito pela Polícia Militar, pela Polícia Civil e pelos agentes penitenciários e agentes socioeducativos. Hoje passam sabão! Não tem estrutura para cuidar de quem está com a liberdade privada - estou falando em relação a isso. Mas cadeia tem que se dar mesmo, porque temos nossa restrição em casa - eu ouvi Não, na minha casa. Mas têm adolescentes que não tiveram mãe nem pai para ouvir um Não. Mas se forem privados da liberdade, que ouçam um Não onde o estado os colocou privados da liberdade, não para ficarem amontoados e aprenderem alternativas de crime e sair com faculdade de crime. É essa a minha defesa! O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Esse é o sonho de todo o mundo, não é, deputado? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Eu preciso continuar acreditando... O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Não, concordo com V. Ex.ª, mas enquanto o estado não tem meios de prover essa questão, tem que se aplicar ao menor, a mesma lei para aqueles que ... O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Não estou discordando de V. Ex.ª. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Não, eu sei, deputado. Se não vamos ficar aqui em um pingue-pongue. Só estou dizendo a V. Ex.ª que é o meu pensamento. Acho que o que machuca João tem que machucar Pedro também do mesmo jeito. E se tem que melhorar para os adolescentes, tem que melhorar também para os adultos. Temos que ter noção que é um lugar que ninguém quer ir, mas me dizem que melhorou bastante. Melhorou realmente. O estado vem dando condições melhores, não é Senhor Deputado Gilsinho Lopes? Visitei o presídio e vi isso. Mas é um lugar que ninguém quer estar, mas para não estar, tem que fazer por onde: cumprir e respeitar o direito! Porque o meu direito termina onde começa o do próximo eles não querem respeitar isso! Justamente porque a legislação é branda para com esses adolescentes. Pergunto ao Senhor Deputado Almir Vieira se tem alguma manifestação? Primeiro votar se o Senhor Deputado Da Vitória foi vencido? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - O voto de S. Ex.ª foi vencido, porque também sou favorável à redução da maioridade penal. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Quem está estabelecendo um modelo de voto é ele, não é Senhor Deputado Almir Vieira? O SR. ALMIR VIEIRA - (PRP) - Não. Mas essa também é a nossa opinião. Porque o cidadão quando entra no mundo do crime, sabe das consequências que aquilo pode causar. O menor de dezesseis anos tem o direito de escolher os governantes, tem o direito de escolher o prefeito da sua cidade, quem vai indicar os operadores da segurança pública. Então tem que saber também que ao entrar no crime, sofrerá uma punição. Hoje o traficante usa o menor para entregar droga, para matar, matando pai de família, estuprando, pintando, porque sabe que não vai ser punido como deveria, exemplarmente. Então, sou a favor da diminuição da maioridade penal. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Registro a presença do Senhor Deputado Padre Honório, que chegou na hora do Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 amém, mas veio em bom momento. É a favor também. Quatro votos a um, Senhor Deputado Da Vitória. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Já que estou sendo o mais demandado, Presidente, não posso deixar de me manifestar. É importante refletir no que pontuo. Hoje, se fizerem uma pesquisa, a aplicação das penas nos crimes dos maiores do nosso país é praticamente assim, não chega a dez por cento. É importante que se aplique, que se prive liberdade, mas enquanto se priva a liberdade, só estamos discutindo o remédio: Vamos reduzir, vamos reduzir, vamos reduzir. Tem que se aplicar mesmo. Concordo que se aplique, mas aplicar para adolescente que não está com sua formação consciente ou que seja dezesseis, que possa estar muito mais do que quem tem quatorze ou doze, que realmente assista a esses adolescentes. Porque espero que possamos, o Estado, na ausência da família, dar condições de uma formação educacional, social e profissional a esses adolescentes que não tiveram oportunidade. Aí sim concorreremos com a criminalidade e tentaremos reduzi-la. Porque se a essência é buscar reduzir a criminalidade, não adianta só mudar a regra e a lei. O discurso é muito fácil para quem não quer se aprofundar. O discurso é muito fácil. Quem o diga é Magno Malta, não é? É muito fácil. Se você tiver um ente querido que perdeu a vida, não falará com a razão, falará com a emoção. Defendo que tenhamos regras específicas que privem a liberdade. Defendo que continuemos trabalhando para que o estado faça o trabalho de ressocialização e socioeducativo. Não mudarei enquanto não me convencer do contrário. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Deputado, farei só um registro. Quanto ao discurso fácil que V. Ex.ª falou, tenho certeza de que não é meu caso, nem do senador, que tem lutado e feito um trabalho brilhante em Brasília. Agora, enquanto o estado, estado que me refiro é o país de forma geral, não tem condições de investir, de dar frigobar ou televisão aos detentos, porque estão faltando hospitais, sou a favor. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - A lei não permite televisão e frigobar. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Eu sei. Vida boa para os caras que tiram vidas? Sou favorável mesmo à redução da maioridade penal. Tem que prender, tem que privar da liberdade porque é muito fácil. Também acho que é discurso fácil defender esses menores que tiram vidas, de um chefe de família que está trabalhando para ganhar um salário mínimo e sustentar sua família com muita dificuldade e dignidade. Então, eles têm que penar. Podem assaltar ou matar uma, Diário do Poder Legislativo - 127 duas ou três vezes. Eles estão achando de muita facilidade porque algumas pessoas defenderam essa bandeira e defenderam de uma forma que causou muito problema à sociedade. Então, sou favorável que se aplique o remédio, que é a diminuição da maioridade penal, e que se faça um tratamento, entendeu? Mas não podemos começar a fazer um tratamento sem aplicar, sem punir o que fazem de errado. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Associo-me a V. Ex.ª e sou contra quem defenda menor infrator. Mas continuarei defendendo que o estado invista mais. O nosso já avançou e tem que continuar avançando mais. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Mas é cadeia neles. A palavra é do Senhor Deputado Gilsinho Lopes. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Temos que defender que o estado avança mais. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Concedo a palavra ao Senhor Deputado Gilsinho Lopes. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Senhor Presidente, essa polêmica é boa, mas o Congresso Nacional pecou quando ainda não puniu os crimes de tráfico de drogas, porque o adolescente entra no mundo do crime por meio das drogas lícitas, ilícitas e na maioria das vezes é utilizado pelos grandes traficantes, narcotraficantes, para tomar conta de boca, para ser olheiro, ser soldado, ser gerente e depois eles tomam o lugar. Eles tomam o lugar. E ainda, na maioria dos casos os pais sobrevivem do fruto do dinheiro que eles arrecadam do tráfico. E mantém uma família inteira. Tanto que o art. 274 do Estatuto, quando o adolescente é apreendido por tráfico de droga, quando não está contido, não está inserido no texto do art. 274 que tráfico de drogas é violência ou grave ameaça à pessoa, ele é entregue aos seus pais ou responsável. E normalmente vai um tio que se utiliza do trabalho dele como traficante e o leva à rua. Na semana seguinte ele já está no DPJ de novo; já está na delegacia de novo. Tem que haver, realmente, um freio nessa situação. O Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei n.º 8069, foi criado e criou várias situações, onde anteriormente à criação do Estatuto não havia punições para os adolescentes, e já há uma punição. O estado é ausente nessa questão, coloca os agentes socioeducativos para trabalhar, não capacita, não dá condições, o mínimo possível, e ainda são desrespeitados no exercício da sua função. Se o adolescente xinga, agride; se ele vai revidar ou mesmo reagir àquela violência ele é punido e afastado, porque a maioria deles é por designação temporária, não são efetivos. 128 - Diário do Poder Legislativo Então, Senhor Presidente, estou do lado de V. Ex.ª, e quando o Senhor Deputado Da Vitória falou aqui do discurso fácil, referindo-se ao senador Magno Malta, quero fazer uma reflexão. V. Ex.ª não quis dizer que o senador é que tem um discurso fácil, o senador defende uma bandeira, a bandeira da família, que entende legítima, e ele diz o seguinte. Se o adolescente cometer o ato infracional com grave violência ou ameaça à pessoa, ele imediatamente perde a maioridade, e então ele será punido exemplarmente. Porque ele sabe na hora de pedir dos pais um dinheiro, de pedir um celular, na hora de exigir, porque hoje eles estão exigindo, não estão pedindo: Se não der vou isso, se não der vou fazer aquilo. É desse modelo. Eles querem roupas caras, roupas de marca. Essas questões são polêmicas, mas são de um discurso não muito fácil, porque se fizer uma pesquisa de opinião, como já foi feita, o resultado será de mais noventa e cinco por cento a favor da redução da maioridade penal. Então, temos de estar do lado da população. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Vou citar aqui um exemplo de um parlamentar federal, não é do nosso estado, que defendeu que o menor, com doze anos tinha condições, todas as condições mentais de opinar se ele queria mudança de sexo. Agora vem para defender os menores infratores e falou que um menor de dezesseis anos não tem condições, as mínimas condições. É brincadeira! É incoerência. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Senhor Presidente, apenas para complementar, baseado na fala do Senhor Deputado Gilsinho Lopes, é fácil debater com V. Ex.ª e com o Senhor Deputado Gilsinho Lopes, que conhece o Estatuto. Mas ele reconheceu aqui também, mesmo de forma branda que o Estatuto não é aplicado na sua essência. Volto a defender, o que estou afirmando é isto; nós não podemos reduzir, podemos aumentar a pena, podemos fazer todas as regras que possam privar e possam reprimir, mas não podemos deixar de defender que o estado assista suas regras criadas há vinte e cinco anos, se fossem aplicadas na sua essência, hoje teríamos uma redução da criminalidade muito maior no país. Nosso estado já avançou, mas timidamente; o país precisa avançar e nós precisamos avançar com a defesa do parlamento, porque se temos hoje aqui profissionais, se o Estatuto é aplicado e tem condições para isso, naturalmente essas injustiças não estariam sendo feitas, porque o Estatuto em si já dá condições de melhorar o cumprimento da pena e o cumprimento da infração desses adolescentes. Vou continuar me aprofundando e continuar defendendo que o estado cumpra as regras que cria. Não adianta criar regras e virar as costas depois e deixar a sociedade sem conhecer, com 95,5% Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 defendendo, e nós não explicando um pouco melhor para a sociedade. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Mas o estado tem sua limitação, Senhor Deputado Da Vitória. O estado não pode tirar verba da saúde, da educação, para privilegiar um grupo. O ideal seria se o estado conseguisse resolver o problema integral da saúde, dos menores, da educação, da segurança. Mas falo a V. Ex.ª que melhorou muito. Eu tirava plantão numa delegacia, o Senhor Deputado Gilsinho Lopes sabe qual é, a Delegacia Patrimonial; tinha dois cubículos, cada um tinha quatro, podia ter quatro presos, ficavam quarenta dentro de cada um. Eles tinham que pedir licença um ao outro para respirar. Era horrível. Hoje as condições de presídios são muito melhores. O avanço não se dá de uma hora para outra, mas não podemos esperar que o avanço complete seu ciclo, cem por cento, para que possamos fazer a questão da punição. Então, a punição veio em boa hora, foi um discurso, vou até divergir dos fatos, foi um discurso muito difícil para convencer a sociedade da necessidade, Senhor Deputado Gilsinho Lopes. Temos de parabenizar o senador, que não é do meu partido, mas é um senador que luta pela família e pela segurança. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - Parabenizoo também, mas estou falando de discurso que precisa ser aprofundado. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - Vamos aprofundar. O SR. GILSINHO LOPES - (PR) - Senhor presidente, sei que V. Ex.ª falou, mas não ficou muito claro que na discussão de quinta-feira tratamos da questão do quadro de reserva dos agentes da Sejus. Não ficou muito claro isso. O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) -Tratamos sim, todos os assuntos pendentes. A pauta não está comigo. Estão presentes os Senhores Deputados Gildevan Fernandes e Padre Honório. E a audiência de Vila Valério está agendada. O SR. DA VITÓRIA - (PDT) - A pauta foi para o governador? O SR. PRESIDENTE - (EUCLÉRIO SAMPAIO - PDT) - A pauta vai para o governador e será marcada uma audiência com S. Ex.ª. Após apresentar alguma solução. Agradecemos a todos a presença. Também ao pessoal do Sindipol, que tem conseguido obter avanços, Senhor Deputado Gilsinho Lopes. Estive com o pessoal do Sindipol há duas semanas, para ver Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 a questão que V. Ex.ª lutou muito, e luta dos agentes e já conseguimos desarquivar. Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a presente reunião. Antes, porém, convoco os Senhores Deputados para a próxima, ordinária, dia 03 de agosto de 2015. Está encerrada a reunião. Encerra-se a reunião às 11h58min. Diário do Poder Legislativo - 129 CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS: Correspondência do SINDISEG-GV/ES Sindicato dos Empregados nas Empresas de Transporte de Valores, Escolta Armada etc., informando que o Senhor Augusto Cardoso de Souza, interventor deste Sindicato não poderá comparecer à reunião em virtude de compromissos agendados anteriormente para o dia 17/06/2015. _____________________________ COMISSÃO ESPECIAL DAS DEMISSÕES NA VALE. TERCEIRA REUNIÃO ORDINÁRIA DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA, DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 17 DE JUNHO DE 2015. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta Comissão que tem por objetivo averiguar processo demissional na Vale, envolvendo a empresa Vale e empreiteiras terceirizadas ligadas ao processo produtivo da Vale, extração de minério, embarque e exportação. De antemão agradeço ao Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos porque tem contribuído com os trabalhos. O Senhor Deputado Bruno Lamas também já está vindo. Tivemos hoje um dia muito exaustivo. A sessão acabou nesses instantes. Tivemos que nos alimentar rapidamente para cumprirmos essa agenda. Esse é o motivo de estarmos começando hoje um pouquinho além do horário. Portanto, quero me desculpar com o representante do sindicato dos engenheiros do nosso Estado. Convido a Senhora Secretária a proceder à leitura da ata da segunda reunião ordinária, realizada em 27 de maio de 2015. (Pausa) (A Senhora Secretária procede à leitura da ata) A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁPMN) - Em discussão a ata. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como vota o Senhor Deputado? O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Pela aprovação. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁPMN) - Ata aprovada como lida. Solicito à Senhora Secretária que proceda à leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: EXPEDIENTE: A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁPMN) - Ciente. Junte-se aos autos. Continua a leitura do Expediente. O SR. SECRETÁRIO lê: Passa-se à Ordem do Dia. O que ocorrer. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁPMN) - Passamos à fase dos esclarecimentos. Queremos deixar claro que esta Frente visa a averiguar um problema de demissão que está acontecendo na área da Vale, tanto na empresa Vale quanto das terceirizadas, com os mais diversos trabalhadores de todas as categorias: engenheiros; pessoal da limpeza que trabalha nas terceirizadas; o pessoal da manutenção, pessoal direto, mão de obra direta da Vale nas áreas tanto de manutenção como de pelotização, nas áreas administrativas e de oficina. Por conta da Vale ser uma empresa que trabalha com exportação e está livre de pagar ICMS ao nosso Estado em decorrência da Lei Kandir, consideramos que não é justo que a empresa promova demissões, já que temos esses postos de trabalho da empresa como contrapartida para ela estar no nosso Estado gerando índices de poluição investigados também por esta Casa e são insuportáveis. Nesse caminho, primeiro queremos ouvir as entidades representativas dos trabalhadores para, na próxima reunião, ouvir a Vale. E chamamos o Sindicato dos Ferroviários, que é a categoria base de maior numero de trabalhadores, que foi a primeira a ser ouvida, junto com os metalúrgicos, numa reunião anterior. E, nesta reunião, chamamos o Sindicato dos Trabalhadores de Limpeza, que não compareceu nesta reunião, que havia designado uma representante, a Senhora Madalena Garcia da Silva, que até o momento não compareceu. O Sindicato dos Engenheiros que designou o Senhor Luiz de Oliveira Dias, diretor de assuntos jurídicos, que está conosco, inclusive é nosso colega de Vale, mais ligado ao Sindicato dos Engenheiros do Estado do Espírito Santo, diretor desse sindicato, a quem agradeço a presença. O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário informou que designaria um representante, por meio de seu presidente Carlos Roberto Louzada, mas também não o fez. O Sindicato dos Empregados das Empresas de Transporte de Valores, Escolta Armada, Ronda 130 - Diário do Poder Legislativo Motorizada etc. aqui argumentou, por meio de ofício, nos respondendo que não poderia estar presente por agenda já comprometida anteriormente. E o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil, que, inclusive, vimos que houve um grande número de demissões, mas também não compareceu, justificando, por meio de seu presidente Paulo César Borba Peres, o Carioca, que está em viagem ao Paraná e não poderia estar presente. E gostaria, ele próprio como presidente, e não designar um representante. Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, ficamos tristes com a postura dos sindicatos, porque existe uma preocupação desta Casa em investigar essa questão e buscar barrar esse processo. No entanto, os representantes dos trabalhadores não estão vendo interesse ou talvez não tenham atingido as categorias que representam e não estão se importando, ficando a cargo de cada representante, que poderia aproveitar esta oportunidade para construir alternativas conosco junto à empresa mestre, que é a Vale, porque demissões, enxugamento de contrato na empresa, redução de alguns serviços dentro da empresa, por questões de gestão da Vale, impacta em todo o processo de terceirizadas que estão lá dentro. O Luizão está aqui e sabe muito bem do que estou falando. Somos empregados da Vale e conhecemos como isso funciona, o número de empregados que tem em volta da empresa. Nesse sentido, lamento a ausência dos sindicatos que tiveram a oportunidade de estar conosco construindo alternativas em defesa de seus representados. Agradeço a presença do diretor jurídico do Sindicato dos Engenheiros, que em decorrência do compromisso que tem com sua categoria, enviou o Senhor Luiz de Oliveira Dias, o Luizão, para dar seu depoimento. Passo a palavra aos Senhores Deputados, caso tenham alguma pergunta direcionada ao diretor ou deixamos S. S.ª falar livremente para posteriormente fazermos as perguntas. O Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, que está com o horário exíguo, gostaria de fazer algum pronunciamento? O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Senhora Deputada Janete de Sá, tenho que comparecer às 14h à reunião do Senhor Deputado Sergio Majeski com os estudantes. Gostaria apenas de que S. S.ª fizesse um breve relatório dessa situação e em que o sindicato de S. S.ª está participando, em que está prejudicado e se houve alguma movimentação na porta da empresa esta semana e se o sindicato ou algum membro da diretoria participou dessa manifestação? A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Concedo a palavra ao Senhor Luiz de Oliveira Dias, diretor jurídico do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Espírito Santo. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS - Já foi tudo falado a respeito da minha presença nesta reunião, devido o impedimento do Senhor Ary Medina Sobrinho, presidente do sindicato. Quanto à pergunta do Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, com relação à manifestação, o Sindicato dos Engenheiros do Estado do Espírito Santo, que estou representando nesta reunião, não fez nenhum tipo de manifestação relativa a esse assunto. Normalmente, quem faz esse tipo de manifestação é sindicato majoritário, que é o Sindifer. O Senge não participa. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Mas houve essa manifestação? S. S.ª tem conhecimento se houve? O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS - Não do Sindicato dos Engenheiros, mas dos outros sindicatos, sim. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Mas tem conhecimento se houve alguma manifestação de algum sindicato lá? O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS Ontem, até teve uma manifestação da CUT. Na verdade, nem sei qual o motivo, mas do Sindifer, que é o sindicato majoritário, até o momento não houve. Há uns meses atrás, o sindicato se manifestou encaminhando para a paralisação, mas houve um acordo com a Vale e acabou não havendo esse tipo de movimento, mas há alguns meses atrás, acho que em fevereiro, por aí. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Mas esse contato que vocês têm com a Vale, foi em função de que essa composição que vocês fizeram? Foi porque iam ser feitas demissões e evitaram de ser feitas? O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS - Dessa movimentação do Sindfer que o João Batista deve ter falado alguma coisa aqui. Não posso falar pelo Sindfer, mas eu, como funcionário da Vale, a movimentação foi baseada nas demissões que estavam ocorrendo sim. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Foi demitido só o pessoal da Vale ou também das empresas contratadas? Tem envolvimento? O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS - A grande maioria é de empresas terceirizadas. Mas também de empregados da Vale como falou a Senhora Deputada Janete de Sá. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Senhor Deputado Bruno Lamas, V. Ex.ª tem alguma pergunta para ser feita? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. BRUNO LAMAS - (PSB) - Boatarde Senhora Presidente Janete de Sá, servidores da ALES, convidados, meu amigo Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos e de forma especial senhor Luiz de Oliveira Dias. Todo o meu respeito e agradecimento à presença do senhor, que muito colabora com nosso trabalho. Obviamente gostaria de saber se o senhor tem como informar o número de profissionais de seu sindicato, engenheiros que foram demitidos e se esse número é muito discrepante em relação à história da categoria na Vale. E como tem sido esse processo de rescisão, se estão incentivando, dificultando, como tem sido esse processo final de rescisão dos contratos de trabalho? O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS Gostaria de saber do Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos se a sua pergunta. (Pausa) Com relação à pergunta de V. Ex.ª, cheguei a esta reunião e o Ary Medina Sobrinho, presidente do Senge, me ligou e falou exatamente sobre esse número que V. Ex.ª está querendo saber. Infelizmente não houve tempo hábil para fazer o levantamento que estava sendo feito, que me seria informado. Acredito até que mandaram alguma coisa pelo telefone. Mas os números de homologações que houve no sindicato de empregados demitidos da Vale não tem. Atendemos no sindicato todos os engenheiros, tanto da Vale quanto de outras categorias, outros terceirizados, digamos assim, engenheiros terceirizados de outras empresas que foram demitidos. E essas homologações são feitas no Sindicato dos Engenheiros, Senge. Mas infelizmente, esse número não tenho. O que tenho observado no sindicato é que o número de homologações aumentou bastante. Com relação a outra pergunta, infelizmente não tenho o número. E com relação a outra pergunta que o senhor fez, não tem sido impedimento haver demissão e acordo. A Vale não deixa passar nenhum compromisso demissional, digamos assim. Então, não tem nenhum problema com relação a esse ponto. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Só intercedendo, tentando contribuir, Senhor Deputado Bruno Lamas. O que quis perguntar é se existiu algum plano de incentivo, alguma coisa que incentivasse ou algo que fosse suprimido nessas demissões. Mas, se teve algum plano de incentivo ou se é dizer pura e simplesmente: você não serve mais, sou regida pela CLT, você vai embora e pagam os direitos normais e não um plus para que possa estar se readequando a uma nova atividade. O SR. BRUNO LAMAS - (PSB) - Senhora Presidente, pela ordem! Para completar: no ponto de vista do sindicato, existe uma normalidade em relação a outros anos e outros tempos? Mais demissões? Menos demissões? O que tem sido rotina? Mesmo que não tenha números em mãos, o Diário do Poder Legislativo - 131 diálogo de vocês acontece e deve ter esse sentimento. Até porque dividi com a Senhora Deputada Janete de Sá agora há pouco e temos uma pretensão nesta Comissão, de convocar, de convidar os prefeitos municipais ou seus representantes, porque a informação que temos sobre a cidade de Serra, por exemplo, é que é o terceiro município com maior percentual de demissões do País, proporcionalmente, principalmente tendo em vista a construção civil e as demissões da Vale e da ArcelorMittal. O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS - Bom, conforme falei com V. Ex.ª, não tenho número. Só temos observado que o número tem aumentado bastante, tanto que chegou a se formar esta louvável Comissão. Comissão muito bem-vinda para ver se para um pouquinho esse movimento. Com relação à outra pergunta, é se está havendo algum acordo ou algum incentivo? Não está havendo nenhum incentivo para a demissão, a pessoa é convidada a ser demitida, para ser desligada, e a vale só atende o que rege a CLT, mais nada no momento. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Luizão, permite-me chama-lo de Luizão? Porque apenas o conheço dessa maneira. Se chamar de Luiz para mim não é o mesmo. Nós do Sindicato dos Engenheiros temos conhecimento, porque sou diretora do Sindicato dos Ferroviários, que as demissões cresceram substancialmente. Elas começaram atingindo os trabalhadores que são da área de manutenção, de oficina e de operação. Depois ela passou, mais recentemente, para a área administrativa, pegando mais os cargos de chefia. Normalmente, engenheiros, administradores, advogados da Vale, muitos estão nessa área de chefia. Gostaria de saber do senhor se o Sindicato dos Engenheiros fez alguma manifestação, entrou com algum procedimento junto à empresa negocial no sentido de apresentar alternativas que possam ser trocadas pela demissão. Diminuir um posto de trabalho é um problema sério, inclusive para os sindicatos que representam uma categoria. Se houve alguma iniciativa nesse sentido de abrir algum processo negocial onde vocês pudessem apresentar algumas alternativas que substituam as demissões, que é um processo mais radical. O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS Senhora Presidenta Janete de Sá, infelizmente o Sindicato dos Engenheiros é minoritário, não tem tanta penetração assim e não fez nenhum tipo de manifestação ou se pronunciou a respeito do assunto. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - O que foi feito? Porque normalmente os senhores trabalham muito junto ao Sindicato dos Ferroviários, que é o sindicato da categoria majoritária. O que foi feito, o que teve que ser feito 132 - Diário do Poder Legislativo foi junto com o Sindicato dos Ferroviários? O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS - Sim, exatamente. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Em separado os senhores não fizeram nada? O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS - Em separado, não. Fizemos junto ao Sindfer. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Acabamos de receber, Senhores Deputados Enivaldo dos Anjos e Bruno Lamas... Senhor Deputado Bruno Lamas, V. Ex.ª quer fazer alguma pergunta? O SR. BRUNO LAMAS - (PSB) - Não, apenas o encaminhamento. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Tudo bem. Acabamos de receber a Secretária-Geral do Sindilimpe, Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação e Limpeza Pública no Estado do Espírito Santo. Dentro da Vale temos muitos trabalhados nessa área. Passo a palavra para a Senhora Madalena Garcia da Silva para que se apresente. Em seguida passaremos para os deputados fazerem as perguntas. A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Boa-tarde a todos e a todas, principalmente à Senhora Presidenta Janete de Sá e aos companheiros da Mesa. Meu nome é Madalena, sou Secretária-Geral do Sindilimpe. Quero justificar a ausência do presidente, que está em Linhares em uma atividade com os trabalhadores e por isso não pôde estar presente. Participei de algumas reuniões com os sindicatos representados pela Central Única dos Trabalhadores, onde discutimos exatamente essa situação das demissões em massa que estão ocorrendo na Vale. Dessas reuniões tiramos alguns encaminhamentos enquanto sindicatos filiados à Central para poder conduzir. Fiquei muito satisfeita quando vi que a havia essa discussão hoje, convocada pela deputada. Que iriamos discutir um pouco essa situação das demissões. Quanto aos nossos trabalhadores que são representados pela Sindilimpe, o que a Vale nas reuniões conosco estava dizendo? Eles estavam chamando todas as empresas representadas pelo sindicato para fazer o distrato com a empresa contratada. Um acordo de cavalheiros, como o companheiro mesmo disse, na questão das demissões. Eles falaram para nós em reunião; que nessa situação das demissões estão acontecendo esses distratos por causa das questões financeiras da própria Vale, um monte de coisa, e colocam um monte de desculpas. Mas quem sofre na ponta são os Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 nossos trabalhadores que estão prestando serviço. Fui informada de que... Não vou citar todas as empresas, mas vou citar pelo menos uma, porque sabemos que as empresas contratadas pela área da Vale, ao demitir o trabalhador teriam que fazê-lo por aviso indenizado. E o que está acontecendo? Está demitindo e o trabalhador está trabalhando, não está sendo indenizado, conforme era antes. Hoje, nessa questão de demissões em massa, está acontecendo isso. Então, tem mais de vinte trabalhadores que estão demitidos e trabalhando cumprindo aviso. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - E normalmente a empresa lidava com aviso indenizado? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Isso, no nosso caso. Até porque, a outra situação é que onde o número de trabalhador... Eles estão fazendo questão das demissões, diminuindo. Isso está acarretando sobrecarga de trabalho para quem fica. Nos lugares onde não tem condições de mandar embora porque o serviço é essencial e não pode ficar sem ser feito, estão mantendo o quantitativo. Mas, por exemplo, nas áreas externas, onde toda a limpeza era feita todos os dias, o número está sendo diminuído e está sendo feita dia sim, dia não. Diminuiu nessas questões, com esses trabalhadores. Então, está muito complicado, as demissões são muitas. As empresas, para dizer que estão fugindo da crise, estão fazendo o quê? O Sindilimpe tem avançado muito nas questões de benefícios e conquistas para os trabalhadores. O que está ocorrendo dentro da área da Vale? Ela está encerrando contrato com a empresa representada pelo Sindilimpe e está contratando outra para prestar os mesmos serviços, mas que não é representada pelo Sindilimpe. Tenho que fazer essa denúncia porque são coisas que, infelizmente, estão acontecendo dentro da área da Vale. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - A senhora pode esclarecer por que razão? Qual a razão de estar fazendo destrato com empresas representadas pelo Sindilimpe e contratando com outras não representadas? A senhora pode nos certificar a razão? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Tudo em função da crise, eles colocam. Jogam a questão da crise em cima dos trabalhadores, infelizmente, os menores. Eles sempre falam isso. Essa é uma demanda que a gente está tendo no sindicato. Não sei falar corretamente quantas homologações a gente fez no sindicato e quantas estão agendadas para serem feitas a partir dessas demissões que estão ocorrendo. A informação que a gente tem é que a maioria dos trabalhadores, como tem serviços pré- Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 determinados, estão fazendo destrato com esses sindicatos. Por exemplo, metalúrgica e construção civil já têm início, meio e fim, mas outros serviços são de continuidade e não podem deixar de serem prestados. Então eles reduzem a mão de obra. É o que falei. Eles estão contratando empresas que não são representadas pelo Sindilimpe para fazer a mesma prestação de serviço porque a categoria preponderante é diferente, não é o Sindilimpe que vai representar. Isso para reduzir os benefícios já conquistados pelo Sindilimpe para esses trabalhadores. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Alguma pergunta, Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos? O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) O Sindilimpe atua só pelos funcionários da Vale ou de todo o Estado? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - De todo o Estado, no asseio, conservação e limpeza pública do Estado do Espírito Santo. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) E as demissões estão situadas, percentualmente, mais na Vale ou em outros locais? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Infelizmente, essa questão da crise está afetando todos os nossos setores. Tivemos demissões nos contratos municipais de Vila Velha de limpeza pública. Fizemos um ato contra as demissões. Tivemos, recentemente, mais de cento e sessenta e cinco trabalhadores da limpeza pública que prestam serviços no contrato de Vitória, os trabalhadores da Vital, não sei se vocês têm acompanhado isso, mas estão havendo essas demissões. A gente já está com agendamento de várias homologações, também alguns indenizados e outras avisos trabalhados. Diário do Poder Legislativo - 133 - Não, porque ainda estão cumprindo o aviso. Agora foram os daqui de Vitória. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Mas de qual órgão foi demitido e que ainda não cumpriram as...? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Em Vila Velha foram demitidos. Lá, por causa das atividades que fizemos contra as demissões, no mês de fevereiro, conseguimos reduzir que mais pessoas fossem demitidas, por meio do ato político. Fizemos a manifestação; os trabalhadores fizeram uma greve, que foi praticamente ilegal, porque era um ato de solidariedade dos trabalhadores e acabou se transformando em uma greve. Foi onde conseguimos inibir e por isso as demissões não aconteceram também, desencadeando as outras demissões nos outros municípios. Agora que Vitória começou a fazer essas demissões, sendo que a mesma empresa que tem um contrato em Vila Velha, tem um contrato em Vitória e a mesma está fazendo a demissão. Temos informação de que a empresa que cuida, também, da jardinagem vai demitir em Vitória. Não sei dizer quanto ainda, porque ainda não chegou essa informação para nós. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Mas em Vila Velha, é com o município, também? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - É com o Município de Vila Velha. As empresas de limpeza pública é com o Município de Vila Velha; o setor de asseio nas escolas é com o Município de Vila Velha. Teve mais de oitenta demissões na área da escola, com quem trabalha nas escolas. Em Vitória, do setor de asseio, não temos esse número ainda e se houve demissões. Mas, provavelmente, como o governo e depois os municípios estão fazendo cortes de até quinze a doze por cento nos contratos, então está sendo cortado, infelizmente, na nossa carne. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Tem como V. Ex.ª mandar para a comissão a relação de quantos e quais são os órgãos de contrato que estão demitindo - o Estado, a prefeitura e a Vale. Então, é privado e público? O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Essa diminuição de servidores do Estado, atingiu o sindicado de vocês? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Certo. Podemos fazer um levantamento. Preciso de um tempo para pedir ao setor para fazer esse levantamento. Já pedi da área da Vale, e está em andamento. Agora posso pedir também dos outros setores para fazer um levantamento e passar para a comissão. A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Muito. A questão da queda de receitas, essas diminuem por causa das demissões. Então, diminui muito. O nosso trabalho praticamente dobra, por causa da sobrecarga que fica para quem está trabalhando, o adoecimento é muito grande, também. Principalmente para quem trabalha em escolas e nas áreas de indústrias, isso pesa. Na limpeza pública mais ainda, porque é aquele serviço contínuo e a pessoa fica de sol a sol, não tem como. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Esses da Prefeitura de Vitória que foram demitidos, foram pagos todos os direitos trabalhistas? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Esses do Estado já receberam? Os trabalhadores já 134 - Diário do Poder Legislativo receberam? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Do Estado, não. No Município de Vila Velha já receberam, porque cumpriram já. Foi pago, porque foi em fevereiro. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Esses, o Estado também não demitiu? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - O Estado demitiu também e está sendo pago. Inclusive fizemos um ato político, também. A empresa que faliu cortou, também. Demitiu algumas; já foram pagas as rescisões e a redução está nas escolas estaduais e municipais, onde o contrato é com o próprio município. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Existe algum trabalho do sindicato no sentido de... Nesses contratos que o Estado faz, e as Prefeituras também, com terceirizados de reter direitos trabalhistas dos servidores, vocês não estudaram essa hipótese de lutar por essa...? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Acho que esta Comissão podia até estudar a hipótese de lei estadual, verificar se há possibilidade, para que nos contratos, pelo menos do Estado, seja obrigado a reter... o Governo federal tem feito isso na maioria dos contratos agora, ao invés de pagar tudo à empresa, retém esse valor dos trabalhadores. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Não é um motivo da criação desta Comissão, mas é pertinente, porque nossa preocupação é exatamente com as demissões no Estado. Mas, com relações à CJF, só para que compreender, eles não pagaram a rescisão? Eles não cumpriram com o pagamento das verbas rescisórias? Na verdade, vocês foram autorizados apenas a liberar o fundo de garantia, dar baixa na carteira para liberar o fundo de garantia e ter acesso ao seguro-desemprego. Mas como dar baixa na carteira sem ter quitado as verbas rescisórias? Ou foram quitadas? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Na verdade, como o bloqueio existe, existe um valor de quase dois milhões de reais para fazer o pagamento das verbas rescisórias. A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Temos feito, junto aos órgãos competentes, a questão do bloqueio de fatura para que os trabalhadores não fiquem sem receber suas verbas rescisórias, quando há o caso. Igual aconteceu recentemente, que é o que está acontecendo com os trabalhadores do Estado. Não sei se vocês têm conhecimento, a empresa que faliu, a CJF, isso envolvia mais de quinhentos trabalhadores. Fizemos uma manifestação em Vitória contra a situação. Então houve o bloqueio de fatura. Agora está sendo pago. Foi pago parte da rescisão, foi depositado na conta dos trabalhadores. Hoje, por exemplo, a Justiça já liberou e estamos fazendo atendimentos no sindicato de trinta em trinta, para poder liberar o fundo de garantia e o seguro-desemprego para quem está desempregado, e a baixa na carteira. Estamos atendendo a essa demanda no sindicato desde o dia 20 de maio. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - O acerto trabalhista? O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Vocês entraram na Justiça com relação a isso? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Agora, o juiz liberou a baixa na carteira, a liberação do fundo de garantia e o seguro desemprego para quem está desempregado, mas o processo ainda continua. Depois que acabar de fazer as baixas nas carteiras de todos os trabalhadores, o que já está quase terminando, graças a Deus, será feita provavelmente uma perícia nos valores existentes para pagar questões como multa e a alguns trabalhadores que entraram com ação particular e que não receberam nada até hoje. A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - As demissões? O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Com relação ao direito de assegurar os contratos feitos pelos órgãos públicos, a retenção das verbas trabalhistas, de direitos trabalhistas? A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Só com a questão de bloqueios. A ação na Justiça para bloquear para preservar o direito. Fizemos isso em vários contratos, inclusive, com a Ufes. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) - A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - O acerto. E a própria Sedu, não é a CJF, mas a própria Sedu, mesmo sem as rescisões em mãos... a própria CJF passou para a Sedu o valor mais ou menos de cada um. Não temos as folhas, mas foi passado o valor de cada um para a Sedu fazer o pagamento. Então foi feito o pagamento... A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Das verbas rescisórias... A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - De verbas rescisórias... A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Então, estão recebendo as verbas rescisórias? A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Ok. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Senhora Presidenta, peço licença, porque preciso Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 estar em outra Comissão. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Eu sei. Agradeço a presença de V. Ex.ª nesta Comissão. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Obrigado pela compreensão. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Estamos encerrando a nossa discussão. A senhora tem mais alguma questão a acrescentar, mais especificamente com relação ao Complexo Vale, onde o Sindilimpe tem servidores, que é na área de Tubarão, na área de Porto Velho, na área de Sotema, onde a empresa opera, assim como em alguns lugares no interior do Estado, como as regiões de João Neiva e de Colatina, que ainda tem atividades? E Samarco, que, na verdade, é Vale. A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Fazemos um trabalho de conscientização com os trabalhadores sobre a questão do Projeto de Lei n.º 4330/2004, que veio exatamente para reduzir e tirar direitos dos trabalhadores. Essa redução prejudica mais ainda os trabalhadores terceirizados e os não terceirizados, porque os patrões ficam livres para fazer o que quiserem com essa legislação nova, que deve ser implantada. Não sei qual é a posição de V. Ex.as, mas nós do Sindilimpe somos totalmente contra a questão do Projeto de Lei n.º 4330/2004. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Particularmente, como sindicalista, também sou totalmente contra! Isso é uma precarização das relações. A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Com certeza, e as Medidas n.os 664 e 665, infelizmente, que trazem também a redução de direito dos trabalhadores. Estamos tentando fazer um trabalho muito difícil, porque representamos o Estado todo e, às vezes, não conseguimos chegar até os trabalhadores. Na Samarco temos uma grande dificuldade de chegar aos trabalhadores, com quem não conseguimos ainda fazer nenhuma atividade. Não sabemos nem como estão ou o que acontece com eles. Segundo informação que tive de um metalúrgico que trabalha naquela área, o contrato da empresa que era representada pelo Sindilimpe passou para outra, que é representada pelo Sindicato dos Motoristas, que é a categoria preponderante deles, transferiram os trabalhadores para trabalhar numa escala à noite. Não existe mais o trabalho de asseio e conservação durante o dia. Não sei como isso está funcionando. Mas já marquei para fazermos uma visita para ver como é a atual situação desses trabalhadores, que eram representados pelo Sindilimpe. Diário do Poder Legislativo - 135 A SR.a JANETE DE SÁ - (PMN) - Deixeme só fazer uma pergunta final, Senhor Deputado Bruno Lamas. Sei que estamos com um adiantado horário, mas é necessário. Os trabalhadores do Sindilimpe também trabalham com limpeza nas áreas de manutenção? É uma preocupação grande. Estou dizendo isso porque conheço. O Luizão também. Não sei se a Madalena já entrou nas áreas operacionais da Vale. Conhecemos a área, onde há muito acúmulo de partículas de minério e não é o que está no ar. É no chão. Há um acúmulo grande que favorece o terreno ficar escorregadio. Muitas vezes, tem vazamento de óleo, próprio da manutenção. O pessoal de limpeza faz essa limpeza, favorecendo os itens de segurança. Numa área industrial, qualquer situação de insegurança, que pode ser provocada, inclusive, por questões de limpeza principalmente, pode ser determinante para um acidente fatal. Então é um alerta que passo, Luizão, para os senhores que estão lá na área, para a companheira Madalena, que é do Sindilimpe, para observarmos isso, chamando atenção para essa questão. É necessário também sabermos. Pediremos à Vale que nos passe os índices de acidente nos últimos meses, de janeiro para cá, porque esta redução pode impactar no aumento do nível de acidentes dentro da área operacional, por conta de uma limpeza precária. Se houver diminuição do número de empregados numa área operacional que precisa de uma limpeza constante, como item de segurança, esta limpeza pode não estar sendo feita de acordo. Pode ser que ela esteja comprometida com o déficit de pessoal nesta área, Senhor Deputado Bruno Lamas. Coloco isso, porque teremos também que pedir à Vale essas informações. Não tenho mais nada a tratar com relação aos dois companheiros que vieram prestar os seus esclarecimentos, nos ajudar e ajudar as suas referidas categorias nesta ação que estamos promovendo na Assembleia Legislativa, que está investigando, discutindo o tema e buscando propor soluções. Pedimos ao Sindilimpe e ao Sindicato dos Engenheiros que nos ofereçam sugestões do que pode ser feito para trocar o fechamento de posto de trabalho, por outra alternativa que seja econômica para a empresa, levando em consideração o problema da crise que é de conhecimento de todos nós. É visível. Não desconhecemos. Que possamos apresentar alternativas que não impactem, neste momento difícil por que passa a Nação, por que passa o nosso Estado. O desemprego só vem agravar este momento. Que possamos substituir a diminuição dos postos de trabalho. Por que falo isso, Senhor Deputado Bruno Lamas, que foi motivador dessa investigação? Porque algumas pessoas que estão nos assistindo podem não entender por que só estamos falando da Vale. Por que não de outras empresas? Por que estamos falando da Vale e não do comércio, da construção civil, do setor metalúrgico que também estão demitindo? Porque a Vale é o tipo de empresa que tem alguns 136 - Diário do Poder Legislativo favorecimentos quando é implantada em determinado lugar. Ela é uma empresa de exportação. O nosso carro-chefe é a exportação de minério de ferro e sobre esse serviço, que é o principal serviço da Vale, não impacta ICMS, ou seja, não fica ICMS, que é imposto de circulação dessa mercadoria e sobre os serviços. Não fica imposto sobre o ICMS nenhum no Estado do Espírito Santo. Pior do que isto, a empresa paga esse imposto em Minas Gerais, de onde ela tira o minério e traz para cá para o Espírito Santo para ser exportado. Ela fica com crédito contra o Espírito Santo. O Espírito Santo, na verdade, é que fica devendo alguma coisa a ela. Não é bem uma dívida. Mas, se ela tiver que pagar algum imposto ao Estado, é abatido nesse crédito que a empresa tem nas operações que paga ao Estado de Minas Gerais. Para os senhores terem uma ideia de como que a situação é complicada. A empresa está neste Estado há mais de cinquenta anos, na Ponta de Tubarão. Um processo industrial que tem trazido problemas, inclusive para a população da região da Grande Vitória. Altamente contestado, mas que, infelizmente, não foi visto na época. Com essa mania de brasileiro de fechar porta só depois de roubado, não foi analisado na época o local onde se implantou esse complexo, com um vento que desfavorece a própria produção industrial nessa região. É um vento nordeste, que passa naquela região e joga poeira para toda a costa do Estado e, por conta da localização desse processo industrial acaba impactando ainda mais essas operações da Vale. Então, por conta dessa situação que enfrentamos enquanto cidadãos e cidadãs capixabas dessa região, que é impactada com esse processo de poluição e também com todo o processo industrial de gases, que acabam sendo suspensos e vão para o ar. A Vale não paga ICMS e fica basicamente quase que nada, fica muito pouco. Inclusive nos reuniremos com o representante da Vale para que S. S.ª diga o valor que fica, porque queremos saber em que a Vale ajuda ao Estado que não sejam as operações de empregos que ela oferece. Por conta disso que estamos discutindo e buscando alternativas junto à Vale. Porque não é justo se o que a Vale deixa para nós são os empregos e estes não estão sendo preservados. Sabemos que a crise existe e que a empresa tem as suas razões, mas não é justificável que o Estado do Espírito Santo, com todos esses impactos e sem pagar ICMS, que a Vale ainda por cima retire as oportunidades de trabalho que ela criou e que foi o motivador para que a empresa estivesse em nosso Estado. É isso que queria dizer. É bom esclarecer, Senhor Deputado Bruno Lamas, porque as pessoas podem não compreender, até mesmo os trabalhadores da Vale. Finalizaremos colocando em votação algumas questões que foram faladas nesta reunião e que fazem parte do requerimento, que precisamos deliberar. Primeiro, que o Sindilimpe nos apresente Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 um levantamento do quadro demissionário em todo Estado com destaque no complexo da Vale. Pode mandar de todo o Estado. Se pudermos contribuir, contribuiremos. Mas com destaque para o Complexo da Vale e em todas as regiões que a Vale está organizada. Ao Senge, requeremos que também apresente um levantamento das demissões de janeiro até a presente data, dos trabalhadores da base do Senge, por categoria profissional, já que o sindicato não representa só os engenheiros, também tem os técnicos que são representados. Então, que também nos apresente. Dia 24 de junho, próxima quarta-feira, teremos a reunião de uma frente que investiga os preços dos combustíveis no Estado, neste mesmo local, nesta mesma hora, comissão esta que eu presido. Não tenho como estar em dois lugares ao mesmo tempo. Então dia 24 de junho já está marcada a reunião da frente dos combustíveis, que investiga os preços dos combustíveis no Estado do Espírito Santo. Na próxima quarta-feira, dia 1.º de julho, conforme já deliberado nesta comissão, convocaríamos o Senhor Maurício Max, diretor responsável pelo complexo Vale, pelas relações das comunidades com o Estado, na Ponta de Tubarão. E, convidaríamos os prefeitos ou seus representantes legais indicados pelos prefeitos da Grande Vitória, compreendendo os Municípios de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, onde há um volume maior de trabalhadores ligados à empresa Vale e às terceirizadas que trabalham dentro da Vale. Esse é o requerimento do Senhor Deputado Bruno Lamas, que gostaria também de ouvir os prefeitos para poder saber deles ou de seus representantes e para que apresentem os números dos seus municípios e também os impactos que estão ocorrendo por conta dessas demissões. Gostaria de saber se o Senhor Deputado Bruno Lamas concorda com os três requerimentos para que possamos deliberá-los. Em votação os requerimentos. (Pausa) O SR. BRUNO LAMAS - (PSB) - Voto favorável, concordo, tem todo o meu apoio, inclusive, agradeço ao Senhor Marcelo Siano, diretor das Comissões Parlamentares, porque é ouvindo que formataremos opiniões, e veio dele uma dessas sugestões que é a convocação dos prefeitos da Grande Vitória. Uma bela ideia porque é onde realmente o impacto está sendo sentido. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁPMN) - Obrigada, Senhor Deputado Bruno Lamas. Algum representante gostaria de fazer a consideração final? (Pausa) O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS Primeiramente, a Senhora Deputada Janete de Sá já pediu para enviarmos oficialmente o número de demissões. Como falei ao Senhor Deputado Bruno Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Lamas, talvez esse número estivesse sendo enviado via torpedo. Recebi um número, a grosso modo, mas dá uma ideia das demissões relativamente a engenheiros na Vale do Rio Doce. São trinta e cinco o número de engenheiros demitidos, o prazo é recente, que pode ser há dez anos; mas, recentemente, pode ser de dois ou três meses atrás e já houve trinta homologações. Então, ainda têm cinco em andamento. A posição do sindicato é, estou representando o sindicato dos engenheiros, totalmente desfavorável a essa onda de demissões que seja na Vale. A Senhora Deputada Janete de Sá esclareceu muito bem qual o motivo de falarmos da Vale com demissões em toda a área, em todos os locais. A representante do Sindilimpe que falou muito bem nesta reunião o que está acontecendo, é um retrato que vemos em consequência da situação do País. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁPMN) Basicamente do número que era significativo... O SR. LUIZ DE OLIVEIRA DIAS Exatamente. Queria dizer a posição do sindicato com relação a isso que a Senhora Deputada Janete de Sá também me pediu para mandarmos oficialmente qual é a posição do sindicato. O sindicato dos engenheiros acha que deve ser estudada outra alternativa para se evitar as demissões. Como empregado da Vale, já vivi outras situações, até mais desfavoráveis do que a que está acontecendo no momento e houve outras alternativas à demissão, que foram bem incorporadas, férias coletivas e alguma coisa desse tipo. Acho que poderia ser estudado esse tipo de alternativa também; é uma posição do Sindicato dos Engenheiros, mas abomina a demissão, no caso, a redundância de que estou falando. Gostaria também de aproveitar a oportunidade para parabenizar a iniciativa desta comissão. A Senhora Deputada Janete de Sá é uma velha conhecida e profunda conhecedora das coisas da Vale, tive oportunidade de saber disso porque participamos de algumas reuniões de acordos coletivos e vi, isso é nítido, que V. Ex.ª é uma profunda conhecedora das coisas da Vale. Então, tem autoridade para presidir esta comissão. Diário do Poder Legislativo - 137 envolver o Tribunal Regional do Trabalho, o Governo do Estado do Espírito Santo contra essas possíveis demissões em massa que estão ocorrendo no complexo da Vale, não só lá, mas em todo o Estado por causa desta crise que jogam no nosso colo, no colo do trabalhador, que não tem culpa disso, infelizmente. Mas, já tomamos algumas deliberações e o sindicato é totalmente contrário a esse tipo de demissões que estão ocorrendo com esses trabalhadores porque o serviço é necessário. Hoje, muitos trabalhadores precisam desse trabalho e que já o fazem há muito tempo e que terão muita dificuldade, ao sair desses postos de trabalho, de arrumar outro posto de trabalho por causa da idade. Porque, quando passa dos quarenta, fica mais difícil ainda de conseguir um emprego, principalmente nesse serviço de asseio e conservação, no qual, a maioria dos trabalhadores que temos no mercado são semianalfabetos. Somos totalmente contrários e estamos fazendo todo o possível. Agradeço continuarmos o enfrentamento com essas demissões. Sou favorável a arrumarmos um meio, coletivamente, com todos os sindicatos e, juntamente, com a Senhora Deputada JS e com o Senhor Deputado, para cessarmos essas demissões, principalmente na Vale. Acho que é uma oportunista porque a empresa ganha tanto dinheiro nas costas dos trabalhadores e depois os trata dessa maneira, fazendo demissões em massa. Uma boa tarde. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Agradeço a presença do representante do sindicato dos engenheiros e da Senhora Madalena do Sindilimpe e do Deputaado Bruno Lamas que, junto conosco, teve a ideia de abrirmos essa Frente que para discutir sobre as demissões. O Deputado Bruno Lamas é do município de Serra e certamente está preocupado com os trabalhadores de lá, mas também com todos os trabalhadores. O Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos é parceiro e tem contribuído muito com esse debate. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, à hora regimental. Está encerrada a reunião. Encerra-se a reunião às 14h31min. ___________________________________________ A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁPMN) - Obrigada, Senhor Luiz de Oliveira Dias. Concedo a palavra à Senhora Madalena Garcia da Silva. A SR.ª MADALENA GARCIA DA SILVA - Primeiro, gostaria de parabenizar pela belíssima iniciativa da Senhora Deputada Janete de Sá e do Senhor Deputado Bruno Lamas de discutir essa questão de demissões e também informar que nas reuniões com os sindicatos também deliberamos COMISSÃO ESPECIAL DAS DEMISSÕES NA VALE. QUARTA REUNIÃO ORDINÁRIA DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA, DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 1.º DE JULHO DE 2015. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta 138 - Diário do Poder Legislativo Comissão Parlamentar de Inquérito, que visa debater, averiguar e buscar alternativas para as demissões ocorridas em massa na Vale, que continuam ocorrendo na empresa. Antes de solicitar à secretária que faça a leitura da ata da reunião anterior, quero agradecer às pessoas a presença nesta reunião, inclusive de prefeitos envolvidos neste debate: Armando Maurício Marques, diretor de Pelotização da Vale S/A, que trará seus esclarecimentos; Luiz Soresini, consultor da Vale, que também nos honra com sua presença; Eduardo Lebreiro, advogado da Vale; Carlos Gonçalves de Oliveira, advogado da Vale; Aldo Lima Ferreira, relações trabalhistas da Vale; Luiz Fernando Fiorotti Mathias, diretor de promoção social do Sindicato dos Engenheiros, Seng; Carlos Uliana, que nesse ato representa a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários do Espírito Santo e Minas Gerais. Convido a Senhora Secretária a proceder à leitura da ata da terceira reunião ordinária, realizada em 17 de junho de 2015. (Pausa) (A Senhora Secretária procede à leitura da ata) A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Em discussão a ata. (Pausa) Encerrada. Em votação. Como vota o Senhor Deputado? O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - Pela aprovação. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ) - Aprovada a ata como lida. Quero agradecer ao Senhor Rodrigo de Albuquerque Mendonça, advogado da Vale, a presença. Senhoras e Senhores, estamos na nossa reunião de hoje em decorrência de termos criado nesta Casa, com a votação unânime dos deputados que debateram essa questão sobre a criação de uma comissão especial para averiguar, debater e buscar alternativas para as demissões em massa ocorridas e que continua ocorrendo na Vale. E, por essa razão, ouvimos alguns representantes dos trabalhadores que foram chamados, e de diversos sindicatos, mas, em especial, o sindicato da categoria que representa a base dessa categoria que é o Sindicato dos Ferroviários do Espírito Santo e de Minas Gerais. Quero também agradecer ao Senhor Armando Maurício Max, diretor de Pelotização da Vale, a presença. S. S.ª veio a esta comissão com sua assessoria para prestar os devidos esclarecimentos. Chamo S. S.ª de Armando porque o conheço, e também sou empregada da empresa, então tenho obrigação de conhecer alguns que estão hoje nesta reunião, que representam a empresa, e que também Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 são colegas de empresa, mas que devem a esta Casa esses esclarecimentos nas posições que ocupam dentro da Vale. Senhor Armando Maurício Max, o senhor sabe do teor, da motivação que nos fez criar esta comissão especial? Lerei o requerimento para que fique claro: Os Deputados abaixo assinados, no uso de suas prerrogativas regimentais e especialmente com base no art. 58 do Regimento Interno, requerem a V. Ex.ª a constituição da Comissão Especial para averiguar, debater e buscar alternativas para as demissões em massa ocorridas e que continuam a ocorrer na empresa Vale, no Complexo de Tubarão, Porto Velho, Sotema e ao longo da ferrovia Vale do Rio Doce, formada por 03 membros(efetivos e suplentes), para, no prazo de 90 (noventa) dias, para analisar as questões relacionadas ao tema e buscar soluções para resolver o problema que vem assombrando os trabalhadores, desestabilizando as famílias e causando desequilíbrio social no Estado do Espírito Santo. Esta comissão é formada pelos Senhores Deputados Enivaldo dos Anjos, relator; Bruno Lamas, secretário-geral e esta deputada, que preside os trabalhos. Apesar de esta comissão não ter o cunho de uma CPI, gostaria que o que fosse tratado fosse com base na verdade para termos um esclarecimento e uma busca de soluções as mais sinceras possíveis. A Vale, ao ser solicitada a prestar esclarecimentos nesta comissão, nos enviou um documento com o seguinte teor, Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, com os nossos cumprimentos, agradecendo o convite, e como representante institucional da Vale no Estado do Espírito Santo, foi confirmada a presença do Senhor Maurício Armando Max, diretor do Departamento de Pelotização, que nos solicita que, para prestar os devidos esclarecimentos, seja-lhe concedido quarenta minutos para fazer uma apresentação com recurso audiovisual. Gostaria de saber se o Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos concorda com essa solicitação. Passo a palavra ao Senhor Maurício Armando Max para fazer sua apresentação e suas considerações. O SR. MAURÍCIO ARMANDO MAX Cumprimento a Senhora Deputada Janete de Sá, presidenta desta comissão, e o Senhor Enivaldo dos Anjos. Boa tarde a todos os presentes! Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Meu nome é Maurício Armando Max, sou engenheiro de minas; formado na Escola de Minas de Ouro Preto; iniciei minha carreira na Vale em 1986 e desde dezembro de 2010 respondo pela diretoria de Pelotização. Atendendo ao convite desta comissão, estou presente representando a Vale. Gostaria de iniciar minha fala apresentando alguns registros importantes sobre nossa empresa. No dia 1.º de junho a Vale completou setenta e três anos. Iniciamos nossas operações em 1942, em Minas Gerais, e também no Espírito Santo. Nossas atividades em terras capixabas se iniciaram em Cariacica, onde instalamos nossas operações. Em 1966, com a inauguração do Porto de Tubarão, nos transferimos para a Ponta de Tubarão em Vitória. A nossa história se entrelaça com a história do Espírito Santo, como um agente de desenvolvimento do estado. Exemplo disso é a manutenção de espaços e projetos socioambientais como a reserva natural de Linhares, com vinte e três mil hectares, uma das últimas áreas remanescentes preservadas de Mata Atlântica de nosso estado. Reconhecida pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. O Parque Botânico Vale, instalado na área verde de nossa empresa, no bairro Jardim Camburi, em Vitória, é um espaço dedicado ao lazer, preservação e educação ambiental que em 2014 recebeu mais de duzentas mil pessoas. Na área cultural criamos e mantemos o Museu Vale que, além de preservar a memória da centenária Estrada de Ferro Vitória/Minas, promove exposições de arte contemporânea, colocando o Espírito Santo no Circuito Internacional das Artes. Além disso, o museu desenvolve projetos de arte, educação e formação profissional para crianças e jovens da comunidade. Ao longo de seus dezesseis anos, o Museu Vale já recebeu mais de um milhão de visitantes e cerca de cinquenta mil estudantes nas oficinas de arte e educação. Na Serra, mantemos, em parceria com a prefeitura municipal, a Estação Conhecimento, um projeto desenvolvido pela Fundação Vale para contribuir com o desenvolvimento territorial por meio de atividades esportivas, culturais e cursos de qualificação profissional. Na Estação Conhecimento promovemos ações voltadas para formação e o desenvolvimento integral de mil e oitocentos jovens de seis a dezoito anos, contribuindo para que os mesmos adquiram autonomia e condições de realizar seus sonhos. Não posso deixar de falar um pouco de nosso trem de passageiros que transporta anualmente mais de um milhão de pessoas entre o Espírito Santo e Minas Gerais. Na área ambiental, nossa atenção não é diferente. Cientes de nossa responsabilidade com a manutenção de nossas operações de forma sustentável, em 2007, assinamos um Termo de Diário do Poder Legislativo - 139 Compromisso Ambiental, que previa melhorias ambientais em todo o processo produtivo. Buscamos em todo o mundo as melhores tecnologias disponíveis e aplicáveis a nossas operações, incluindo as eficientes Wind fences. Reduzimos trinta e três por cento na emissão de poeira em nosso processo. Foram mais de setecentos milhões de reais investidos entre 2007 e 2013. Até 2020 investiremos em torno de sessenta e cinco milhões em outras melhorias e tecnologias que proporcionarão uma redução adicional de vinte por cento na emissão de particulados de nosso processo produtivo. Como os senhores podem ver, nossa relação e convivência com a comunidade capixaba é marcada também no forte espírito de parceria, diálogo e transparência. Neste momento, como é do conhecimento de todos, estamos vivenciando um período ímpar no mundo dos negócios e das relações institucionais. Alguns analistas e comentaristas internacionais têm classificado este período como um momento de profunda fragilidade econômica global. E não tenho dúvida, de uma forma ou de outra, cada um de nós já deve ter sentido os reflexos desse novo cenário em nosso dia a dia. Diante desse contexto, os mais diferentes setores da economia estão se preparando e se reestruturando para sobreviver a este momento que apresenta redução de demanda por produtos industrializados e serviços. Para a Vale o cenário não é diferente. Para mostrar um pouco o cenário global no setor de mineração, peço licença aos Senhores Deputados para fazer uma breve apresentação. Somente para ilustrar, hoje a China representa uma alavanca importante, já há um bom tempo na indústria siderúrgica como a principal consumidora global por minerais e metais nas últimas décadas. Em 2014, para se ter uma ideia, a China representou sessenta e nove por cento da demanda global transoceânica por minério de ferro. Em torno de trinta e quatro por cento da receita operacional líquida da Vale, em 2014, foi atribuível às vendas no mercado chinês. Portanto, qualquer retração do crescimento econômico na China, qualquer variação, resulta numa redução da demanda por nossos produtos diretamente, levando a uma redução da nossa receita, no fluxo de caixa e na lucratividade. Para termos uma ideia, na queda, a variação do preço desde 2008, passando por aquele primeiro período de maior instabilidade, em 2009, atingindo um pico em 2011, em torno de cento e setenta dólares a tonelada, hoje em torno de sessenta dólares, a variação de 2011 a 2015 em torno de sessenta e sete por cento de queda, repercute na nossa receita de uma forma muito direta, alcançando o valor mínimo de quarenta e sete dólares, no dia 2 de abril. Então, recuperou um pouco de abril até agora. Mas não é nada estável. Ainda é um mercado muito vulnerável 140 - Diário do Poder Legislativo em função da situação da siderurgia no mundo. É importante salientar que de 2011 para cá, a Vale não está parada. A Vale vem tomando ações a partir do momento de uma tendência de queda de preço, obviamente que não imaginávamos chegar aos níveis de preço atuais tão rapidamente, pelo menos, mas de cento e setenta para cento e trinta e cinco em 2013, isso já nos alertou e diversas medidas vêm sendo tomadas ao longo desse tempo, procurando manter a competitividade do minério brasileiro no mercado transoceânico. Obviamente isso nos últimos três trimestres, em que a queda foi mais acentuada. Podemos ver o resultado, a consequência disso, para nossa empresa, sendo que, nos últimos três trimestres, apresentamos prejuízo. Visualizamos manchetes da mídia. Um prejuízo de 3.38 bilhões de reais no terceiro trimestre de 2014; um prejuízo de 4.8 bilhões de reais no quarto trimestre de 2014 e, no primeiro trimestre deste ano, aumentando ainda mais o prejuízo, passando para 9.5 bilhões de reais. É importante salientar um pouquinho do esforço adicional envolvido no nosso ambiente, em termos de licenciamentos para novos projetos, comparados, obviamente, aos países que são nossos maiores concorrentes como Austrália e Canadá, por exemplo. O primeiro gráfico que visualizamos à esquerda, temos o prazo médio, mínimo e máximo em cada país para um licenciamento ambiental de um projeto mineral. Na Austrália, temos a variação de 1.6 anos mínimo até 4.3 anos máximo; no Canadá, 3.3 anos mínimo até 6.8 máximo; e, no Brasil, temos uma média mínima, que é o máximo do Canadá, de sete anos, não tendo perspectiva de máximo, ou seja, entramos no processo de licenciamento não tendo uma perspectiva de quando vai terminar. Em termos de números de interfaces com entidades ou órgãos ambientais, também na obtenção de uma licença de um projeto, na Austrália tem um órgão ambiental responsável por todo o processo de licenciamento. Então, a interface é um para um. No Canadá, são quatro. E no Brasil chega a até doze. Isso dá uma ideia da complexidade nas interações na obtenção e na aprovação de um processo de licenciamento de um projeto de grande porte. Estamos falando e reforçando um pouquinho da competitividade de nosso próprio país, que viemos perdendo ao longo do tempo, infelizmente. Podemos ver um pouco do reflexo daquele gráfico na situação anterior. Até 2008, final de 2007 para 2008, a Austrália e o Brasil produziam a mesma quantidade e colocavam a mesma quantidade no mercado transoceânico de minério de ferro. A partir de então, os nossos principais concorrentes australianos, desenvolvendo os projetos, obviamente que antes desse período, obtiveram a licença, implementaram e colocaram volume no mercado. Não conseguimos fazer essa colocação de volume adicional na mesma velocidade. Tem a ver Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 com processo de licenciamento e com uma série de fatores, principalmente desse ambiente que estamos falando no nosso país. Essa boca se abriu de tal forma que a Austrália tem hoje no mercado transoceânico o dobro do volume que o Brasil coloca. Isso é muito significativo se considerarmos que em 2008 colocávamos a mesma quantidade. De 2008 a 2014, em seis anos, eles dobraram a sua produção e a sua venda no mercado transoceânico. Em termos de custos, é importante salientarmos, trouxemos a Vale com relação a três concorrentes, A, B e C. Os australianos pegam bem aquele contexto que trouxemos nos slides anteriores. E vemos a redução realizada em 2014, com relação a 2012, em todos os produtores, sendo mais substancial nos produtores australianos, em especial no C. Mas o mais importante - é um trabalho que temos que fazer para nos manter competitivos -, o que caracteriza muito bem a desvantagem competitiva do minério brasileiro em relação ao australiano, a principal alavanca da demanda do mercado, que é a China, é o frete. Em níveis de participação, vemos que o frete australiano representa menos que metade do que representa para o custo do minério brasileiro, o minério da Vale. Em números, em 2014, o frete representou trinta e quatro por cento dos nossos custos, colocados na China. Enquanto temos uma média de dezoito, dezesseis por cento nos concorrentes australianos. Ainda falando em concorrentes, a BHP, isso foi divulgado, reduziu em mais de cinquenta por cento os seus custos de minério de ferro e carvão, em comparação com 2012. E a Rio Tinto também reduziu em torno de 4,8 bilhões de dólares os seus custos em relação a 2012. Ainda espera-se uma redução de mais um bilhão ao longo de 2015. Os nossos concorrentes não estão parados, têm uma situação muito mais favorável em termos de localização e de volume. Eles estão concretizando um volume a mais no mercado. Além disso, eles continuam firmes no propósito da redução dos seus custos, porque sabem da importância, sabem que ninguém fica parado nesse mercado tão competitivo. O cenário nacional, bem divulgado pela mídia, é sempre bom reforçar, os preços caindo a patamares de cinquenta, sessenta dólares. As grandes mineradoras se encontram forçadas a reconsiderar planos de expansão. Repensar a estrutura produtiva, providenciar cortes de custos e despesas, uma vez que as margens por toneladas são totalmente reduzidas e, em muitos casos, anuladas nas atuais condições do mercado. Temos exemplos da MMX, que fechou parte das operações; a Ferrous também reduziu as atividades; todas em Minas Gerais. A Usiminas, recentemente fechou dois altos-fornos, um na usina em Cubatão e o outro na usina em Ipatinga; a Vallourec & Mannesmann também colocou um grupo de empregados em lay-off; a indústria Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 brasileira do aço não se recuperou desde 2008, 2009, continua em um momento de grandes incertezas em sua história, um dos maiores de sua história. Apresento algumas manchetes, reportagens no cenário nacional da indústria de veículos com a Fiat e a Volkswagen, a indústria capixaba desacelerando também, mas ainda com resultado significativo e diferente do restante do país. É importante, a gente tem em mente isso e tem trabalhado de uma forma muito firme e consciente, não é do ano passado para cá, é uma tendência a partir de 2011. São várias frentes para melhorar nossa competitividade na indústria de mineração, combinando aumento de capacidade de produção, aumento de produtividade, redução de custos, disciplina na alocação de capital, focando no desenvolvimento de ativos de classe mundial, a gente foca nesses projetos exatamente para melhorar o resultado nesse momento tão difícil. Com isso, os resultados operacionais obtidos no primeiro trimestre deste ano: produziu 74,5 milhões de toneladas, produção própria de minério de ferro, sendo um recorde para o primeiro trimestre. É resultado de um esforço de amenizar a queda de receita. No Porto de Tubarão embarcamos 24,3 milhões de toneladas de minério de ferro, um número absolutamente normal para um primeiro trimestre; produzimos 11,4 milhões de toneladas de pelotas, sendo que 7,1 milhões de toneladas foi o volume de produção nas plantas operacionais de Tubarão, já refletindo um ramp up bem feito, de sucesso, da nossa nova unidade, a Usina 8. Então, são números que nos estimulam, porque amenizam a drástica queda na receita da empresa, que vai gerar um prejuízo menor, obviamente, e vai nos dar saúde para que a gente implementar nosso principal projeto hoje, do qual não podemos desistir, o S11D, em Carajás, que vai agregar volume, qualidade e baixo custo para a nossa produção. Dessa forma, aliado a algumas estratégias de logística, estaremos mais preparados para enfrentar a concorrência em nível de mercado transoceânico, com nossos concorrentes principalmente australianos. Muito obrigado! A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Estão presentes também os Senhores Max Célio de Carvalho, dirigente sindical do Sindimetal, secretário de Formação, e Roberto Pereira, diretorpresidente do sindicato. Obrigada pela presença dos dois companheiros! Concedo a palavra ao Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, relator desta comissão, para proferir as perguntas iniciais. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Senhora Presidenta, queria saber do Armando o que quis dizer com esse relatório que apresentou. Diário do Poder Legislativo - 141 O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX - É apenas um nivelamento de informações para enxergar um cenário que, para nós é extremamente importante para que possamos nos manter em um mercado extremamente competitivo, que vive um momento de incertezas, momento difícil, que não é estranho, para a nossa indústria, mas que tem alguns aspectos específicos porque a geografia do mercado não nos é favorável. Temos um grande investimento sendo feito - condição diferente da dos nossos concorrentes. Então, esse momento é especialmente importante. É um cenário desfavorável para a indústria mineral do Brasil, especificamente na área do minério de ferro, que é o nosso principal negócio, perante a concorrência mundial. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Mas o senhor tem consciência de que foi chamado a esta Casa Legislativa para falar de demissões? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Sim, perfeitamente. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Dos relatórios, o senhor falou de parte do que considera sucesso da empresa. E na parte final, da preocupação com a questão econômica, o que especificamente o senhor tem condições de dizer nesta reunião sobre demissões da Vale? O que essa situação que aparenta ser problemática economicamente tem a ver com toda vez que têm um revés fazem demissões dos trabalhadores? Gostaria de aproveitar e dizer o seguinte, já que o senhor falou amplamente da empresa e fez um relatório de várias ações da empresa, considero que a empresa tem no Estado do Espírito Santo a pior imagem que uma empresa pode ter diante da população. E se tem a imagem de que os senhores assassinam, por ano, muitas pessoas com a poluição que causam nesta região. O senhor poderia nos informar com relação às demissões, por que em toda instabilidade que tem vocês descartam os funcionários como se fossem papel higiênico? E o que vocês têm de concreto com relação a essa imagem negativa? Já que vocês são uma empresa que opera até internacionalmente e, embora disse no relatório, que investem setecentos milhões de reais e vai investir mais não sei quanto, por que a Vale tem demostrado no Estado do Espírito Santo que está muito preocupada? Ela polui cem por cento, aí abaixa vinte e acha que oitenta está bom. Quer dizer, se o senhor tem comprovantes, nota fiscal para comprovar esses investimentos que vocês sempre fazem questão de colocar no relatório, em que isso poderia esclarecer com relação a esses dois pontos? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Primeiro, obrigado pelas perguntas. Acho que são 142 - Diário do Poder Legislativo pontos importantes que merecem um esclarecimento. Esse cenário de incertezas, um cenário difícil na mineração nos desafia a nos manter competitivo. A Vale tem realizado alguns ajustes, como disse, desde 2011, com essa tendência já de queda. Obviamente, de um ano para cá houve uma queda mais acentuada. Mas a Vale já vem tomando ações importantes de desinvestimentos em diversos negócios, focando no seu negócio principal, o minério de ferro. E gerando caixa adicional para poder garantir uma saúde para enfrentar esse momento pior. Sempre buscando um rigor na alocação dos recursos, então, muitos investimentos estão sendo postergados, também; na otimização das suas operações e também simplificando processos. Esse três pilares são importantes para nós, nesse momento, principalmente nesse momento. Em relação ao pessoal, também estão sendo feitos alguns ajustes. Mas a nossa taxa de rotatividade é bem mais baixa do que a indústria mineral e a siderúrgica, que está em torno de quinze por cento. Mesmo com os reajustes que estamos realizando na parte de pessoal, vamos nos manter dentro da nossa média histórica de rotatividade, que é de seis por cento, em torno de seis por cento. Esse número, então, mantém-se ao longo dos últimos doze meses e deve-se manter, também, até o final de 2015, quando o indicador é oficialmente apurado. Normalmente é feito o cálculo num período de doze meses, para evitar... O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) E a empresa se vangloria disso de estar abaixo e não se preocupa de dar um exemplo mais forte. A empresa acha que estando dentro da média está bom? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Não. Damos muita importância ao emprego. Somos uma importante geradora de renda e de emprego no Estado e damos muita importância a isso, sabemos muito bem quais são as consequências da perda do emprego não só para a pessoa, mas também para a sua família. Por outro lado temos que enxergar também a dinâmica natural de entrada e saída das pessoas em uma organização. Quando trazemos a rotatividade, e colocamos um número, é que normalmente essa dinâmica funciona dessa forma. É uma questão normal do mercado e do negócio. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Isso com relação a pessoal? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX - É que para nós ainda é abaixo do mercado que atuamos. A Vale retém mais; gira menos, ou seja, menos pessoas entram e saem a toda hora da nossa empresa em relação ao mercado em que estamos inseridos. Isso traduz uma normalidade no dia a dia de uma empresa, de um cenário. Quando trouxe esse Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 cenário mais difícil, de incertezas, era de se imaginar uma taxa de rotatividade maior e o que falo é que essa taxa de rotatividade nossa, considerando um período de doze meses, mantém-se normal. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Isso vem caracterizar que a empresa só pensa em lucro e não está preocupada com a parte social do trabalho, mas apenas com o mercado, que se não estiver bom, rua; se estiver bom, estará bom para todos. O desempenho da Vale é baseado no aspecto econômico-financeiro. Se estiver bom, não tem demissão; se não estiver bom, a primeira ação da empresa é punir o trabalho. Não é isso? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Não. Permita-me discordar um pouco com esse raciocínio. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Essas demissões que ocorreram, por exemplo, foram em função de quê? Se elas não são em função de... Porque V. S.ª esclareceu nesta Comissão que o mercado está ruim, que estão em crise. Assim, está comprovado pelas palavras de V. S.ª que estando em crise a empresa demite. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Não. O que quero dizer é o seguinte: os aspectos financeiros são extremamente importantes. A empresa tem que dar resultado para que se mantenha forte, para competir, para gerar emprego, para gerar qualidade de vida. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Por que sempre a opção quando está difícil não é a empresa economizar em outra parte, é logo economizar com o trabalho? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Concluirei. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Porque essa é a mesma coisa que V. S.ª disse, que a empresa presta serviço social tal e tal, mas também nunca se defendem, nunca tomam providência para o grande mal que causam à população do Espírito Santo matando centenas de pessoas, crianças, adultas e idosas com a poluição que causam no Estado. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Posso concluir? O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Pode! Fique à vontade, temos tempo até de madrugada. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Financeiramente é importante que se deixe claro que a empresa precisa sim ter uma saúde financeira para Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 que coloque em prática os seus valores e as suas ações sociais, para que gere empregos, para que esteja bem posicionada no mercado e para que remunere seus acionistas. Ou seja, a empresa é um ser completo e, dessa forma, tem que atuar e estar de olho nos aspectos financeiros. Em relação a partir para desligamentos ser a primeira ação da empresa: primeiro, não é a primeira opção. Ao longo desse período, como foi mostrado, desde 2011, o mercado começa a dar sinais de tendência de queda de preço. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Desde 2011 como tem sido o balanço da empresa? O faturamento? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Desde 2011, diversas ações são tomadas... O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) E não tem caído, pelo contrário, tem sempre demonstrado força. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Em função das ações: desinvestimento nas áreas de fertilizantes, na área de energia, na área de carvão. São desinvestimentos importantes que fazemos para propiciar uma garantia dessa qualidade financeira. Diário do Poder Legislativo - 143 prol de milhares de outros que permanecerão. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Dentro da empresa, qual é o critério adotado, já que o senhor está dizendo que a empresa não fica feliz com demissão, na questão do custo, que sempre demonstra necessidade de demissão? Não tem outras despesas que podem ser cortadas para evitar? Embora vocês sempre aleguem que geram muito emprego, vocês também geram uma poluição que não justifica nem os empregos, nem os impostos que vocês pagam aqui no Espírito Santo, na minha concepção. Por exemplo, não tenho nenhum orgulho da Vale como empresa que tenha uma imagem positiva. Para mim, uma empresa internacional e forte tem que cuidar da questão da saúde da população com que ela trabalha em volta e principalmente dar estabilidade de empregos. Não sei se você é a pessoa indicada para responder isso. Quando vocês fazem essa planilha, por que não levam em conta outros tipos de diminuição de custo para evitar demissão? Até porque essas demissões mantêm a Vale sempre numa posição de uma empresa que usa os trabalhadores como se eles não fossem importantes na construção do seu sucesso, pela vida afora. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Quando o estudo é feito para demissão, a empresa leva em conta também a questão do custo de produção da empresa? Porque sabemos que tanto a Vale quanto a Petrobras, usam exageradamente de despesas que não são comprovadamente eficientes no custo de produção, o que acaba, quando dá qualquer diferença, isso cai em cima da demissão de trabalhadores. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Diversas ações também foram tomadas em outros segmentos, não só na área de pessoal. Estamos promovendo a questão de otimização em todas as áreas, nas compras, em materiais mais eficientes na aplicação, em contratos, em manutenções. Então, diversos pontos que são representativos em termos de custo estão sendo trabalhados. Não é só pessoal. Pessoal é um ajuste necessário que está sendo feito e que, mais uma vez, não nos vai alterar uma taxa média histórica de rotatividade, considerando o ano de 2015 como um todo. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Não é a nossa linha, não é a nossa política. Isso tem exemplos. Por exemplo, posso citar os casos das usinas 1 e 2 de pelotização de tubarão. Essas usinas foram paralisadas no segundo semestre de 2012 e nenhum empregado foi desligado em função do desligamento dessas usinas. Elas não retomaram até hoje. A Usina 8 entrou em operação no primeiro semestre do ano passado e as pessoas foram todas realocadas em outras atividades ou treinadas para operar a usina 8. Então, ao longo do tempo, nesse período, a questão de pessoas foi muito respeitada, como é naturalmente pela empresa. Temos um respeito muito grande pelos nossos recursos humanos e temos exemplos disso: as usinas 1 e 2. No momento que estamos vivenciando na atualidade, se fazem necessários alguns ajustes, infelizmente. Não sentimos orgulho algum em fazer isso. Não sentimos vantagem nenhuma em fazer isso. Sabemos das consequências que traz o desligamento, mas acredito que alguns empregos tenham que ser sacrificados em O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Darei um exemplo simples, mas que considero significativo na gestão. Por exemplo, alugar um carro na atividade normal: quando a Vale aluga, paga dez vezes aquele valor. Qual é a explicação que tem para esses contratos que a Vale faz, tem feito historicamente e são parecidos com o custo-produção da Petrobras? Agora estamos conhecendo os dados. Estamos vendo que eles praticavam uma administração totalmente negativa e que isso fez influir até no desenvolvimento, no crescimento. Agora totalmente moralmente abalada, porque a Petrobras passou a ser uma marca, vamos dizer assim, negativa. Onde é que está o encontro desta comparação no custo? Vocês demitem funcionários porque entenderam que precisam demitir uma quantidade, que seja de quinhentos, dois, dez, vinte. E, ao mesmo tempo, os senhores estabelecem uma regra de contratações de serviços terceirizados num preço bem acima do mercado. Isso é levado em conta também? 144 - Diário do Poder Legislativo A Vale não se preocupa com isso? A Vale se utiliza desse tipo de serviço para poder se compor bem na sociedade onde está trabalhando? Só justifica você pagar dez vezes o preço de mercado se há intenções de garantir com isso alguns benefícios, alguns favores com esse tipo de administração. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Primeiramente, dificilmente pagamos dez vezes a mais do mercado, mas eventualmente podemos estar onerando alguns tipos, como no caso de veículos. O que leva a isso muitas vezes são algumas exigências, alguns critérios diferenciados que as grandes empresas estão trazendo para o Brasil, em prol da segurança de quem está utilizando aquele tipo de serviço. Então, são requisitos importantes, que quando tivemos uma condição adequada exigimos. E que, agora, também é foco em negociações para acabarmos negociando isso com o mínimo de impacto ao que já agregamos de condição de trabalho, para que possamos ajustar esse custo. Então, isso tem sido feito por toda a empresa e reduções importantes estão sendo colhidas nessas negociações. Então respondendo objetivamente, num primeiro momento quando você traz práticas importantes, principalmente visando à segurança de quem está usufruindo aquele serviço, é natural que haja uma oneração daquele serviço prestado. O fornecedor não estava acostumado a ver aquilo na sua rotina. De repente ele tem que agregar aquilo. Tem que se modificar e num primeiro momento terá aumento de custo. Mas entendemos que enquanto tínhamos condição de promover essa alavanca, em termos de melhoria do cenário, que é umas das nossas responsabilidades como uma grande empresa, também melhorar os nossos fornecedores, a nossa comunidade, melhorar o nosso país. Então, num primeiro momento isso é natural sim. Isso é uma coisa planejada, que fomos inserindo aos poucos e que também, ao longo do tempo, com um ganho de produtividade desses nossos fornecedores, esse preço também iria sendo reajustado. Agora, dez vezes o preço de mercado? Não tive notícia ainda dentro da Vale. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Mas que seja uma ou duas vezes, acho que nada justifica... O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Trinta por cento, já vi. Nem duas vezes. Trinta por cento chega a ser normal, dependendo do serviço. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Sabemos que o Estado do Espírito Santo também tem esses custos, que para o Estado é sempre maior do que para o particular. Agora, a empresa passou a levar isso em conta nessa planilha de custo a partir de quando? Foi a partir de um reconhecimento da Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 melhor gerência da empresa ou foi por causa da crise? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Desde o ano passado. Acredito que uma mescla dos dois. Algumas áreas iniciaram por iniciativa própria de gestão e aquilo foi multiplicado pela empresa toda. E ajuda na multiplicação num momento mais difícil, num momento de incertezas. Então, iniciativas de boa gestão, que foram implementadas em algum setor da empresa, aquilo ganha força e se multiplica de uma forma mais rápida em períodos de incertezas. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Senhora Presidenta, para mim chega. Já provoquei o máximo que pude o nosso diretor para falar sobre poluição e S. S.ª não quis encarar essa dividida. S. S.ª está igual à seleção do Dunga, jogando na retranca e os laterais só subindo até o meio de campo. Então, devolvo a palavra a V. Ex.ª. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁPMN) - Obrigado, Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos. Agradeço ao Senhor Deputado Bruno Lamas, a presença. S. Ex.ª veio nos ajudar nos trabalhos. Agradeço também à esposa de S. Ex.ª a presença. Obrigada pela presença. Diretor Maurício, o presidente da Vale quando entrou, veio com a máxima de que o maior patrimônio da empresa eram os seus empregados. Lembro-me muito disso porque presidi o sindicato dessa empresa e lutamos muito para que de fato o maior patrimônio da empresa fossem os empregados, porque são os responsáveis pela performance da empresa. Claro que a estratégia da empresa não é traçada pelos empregados no dia a dia; é traçada pela direção, é traçada no conselho e também é traçada de acordo com os interesses, inclusive, dos acionistas. Mas se não tiverem os empregados na ponta para fazer o seu dia a dia e levar à frente essa estratégia que foi traçada e com grande empenho, a empresa não tem como ter a performance que possui e que reconheço que é impactada por conta do mercado internacional, que é impactada por conta da burocracia. Conhecemos isso bem. Lutamos muito para diminuir a burocracia no nosso país, de certa forma, em determinadas situações é por demais exagerada. Não sei se na mineração podemos falar dessa maneira com tanto esburacamento que temos no país. Se tivéssemos deixado na época em que não tinha motosserra, se tivesse motosserra naquela época tinham acabado com a Floresta Amazônica. Por isso que se endureceu algumas questões no país por conta de sermos um país muito rico em minérios e também em diversidade de florestas e, portanto, existe uma ganância muito grande. Falei tudo isso para dizer o seguinte: se essa máxima, e nosso presidente entrou com essa máxima, Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Diário do Poder Legislativo - 145 e V.S.ªs já utilizaram algum expediente em tantos momentos tão difíceis quanto este, por que não utilizar desse expediente também neste momento em que o país atravessa uma dificuldade que é a perda de postos de trabalho? Por que não usar de alguns expedientes como férias coletivas, como, inclusive, redução do salário, claro, em negociação com os sindicatos, para preservar empregos? Isso já foi feito na Vale no passado. E reclamo sobre isso por que razão? Gostaria que o senhor falasse em números, quero ouvir do senhor os números que foram demitidos, as trabalhadoras e os trabalhadores que foram demitidos na base do Espírito Santo, porque o nosso interesse é discutir essa questão no Espírito Santo, e direi por quê. Claro que também reconheço a questão dos trabalhadores da Vale do país, mas gostaria que o senhor nos desse essa informação na base dos sindicatos que hoje estão no Espírito Santo. Qual foi o número de demissões do dia 1.º de janeiro até os dias de hoje? Essas vagas administrativas, algumas que fizemos nesse período, não são necessárias suas reposições. Não seria justo estendermos o emprego dessas pessoas por um, dois, três meses, sendo que não temos perspectiva de perpetuação daquela posição ao longo do tempo. O SR. MAURÍCIO ARMANDO MAX Excelência, obrigado pela pergunta. Tive sim a oportunidade muitas vezes de liderar processos menores, mas não menos importantes em cidades menores, em que licenças e férias coletivas foram complementadas. Atualmente temos situações em que está se aplicando isso também na Vale em outros estados. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Não no Espírito Santo. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Por gentileza, gostaria de pedir ao representante do Sindicato do Ferroviários que nos passasse os números. O senhor pode nos passar porque é inadmissível que a Vale, desculpe-me, Senhor Maurício, com todo o carinho e respeito que tenho por S. S.ª, não tenha esses números para apresentar à sociedade capixaba. Por gentileza, com a palavra o representante do Sindicato dos Ferroviários para me passar o número mensal de trabalhadores demitidos na Vale. O SR. MAURÍCIO ARMANDO MAX Em outros estados. O SR. LUIZ SORESINI - Quando terminar a falar do Senhor Armando Maurício Max eu passo. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Então somos o patinho feito. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - É porque estamos na sequência, se o senhor puder nos passar os números. O SR. MAURÍCIO ARMANDO MAX Não! Vou explicar um pouco melhor. Essas alternativas são muito bem-vindas quando temos alguma coisa temporária, alguma dificuldade que possamos, através desses artifícios, manter o emprego e desonerar a empresa para passar esse período para retomar logo à frente. O movimento que fazemos no Espírito Santo vai numa outra linha, de otimização, de aumento de produtividade em que muitas vezes um aposentado já está aposentado, então tem o direito de exercer essa aposentadoria. Muitas vezes são desligamentos voluntários. E onde há algum desligamento, normalmente é feito por parte da performance em que temos um sistema de avaliação e onde essas posições são mais administrativas em que de imediato podemos ter um aumento de produtividade. Essas posições em que fazemos um movimento mais forte em determinado momento, não são vagas repostas. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Gostaria de objetividade, diretor, porque esta audiência está sendo transmitida ao vivo e preciso de objetividade porque temos tempo. O senhor pode me dizer, mês a mês, o número de trabalhadores desligados, seja por qual razão for. Qual o número de trabalhadores desligados no complexo Vale no Estado do Espírito Santo? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Essa informação consolidada nós não temos. Temos a questão do turnover, da rotatividade que, ao longo dos doze meses, o que estamos fazendo agora, se dilui e a taxa de rotatividade anual vai ser mantida na nossa média histórica. O SR. LUIZ SORESINI - Inclusive entregarei uma cópia aos senhores. Em janeiro foram sessenta e cinco; em fevereiro, cinquenta e oito; em março, noventa e cinco; em abril, cinquenta e quatro; em maio, setenta e cinco; em junho, não concluí as homologações, sessenta e sete; julho começou hoje. Totaliza no ano de 2015, quatrocentas e quatorze demissões. Nos outros anos: em 2014, trezentas e quarenta e quatro; 2013, trezentas e sessenta e nove; 2012, duzentas e oitenta e seis; 2011, duzentas e nove; 2010 duzentas e cinquenta e três; 2009, no auge da crise, quatrocentas e dez. Mas quatrocentas e quatorze é só, só não, até agora. Em 2008, que é o levantamento que temos mais atualizado, duzentas e vinte e quatro, no Espírito Santo. No Maranhão, até o dia de hoje, foram quatrocentas e sessenta e nove demissões. 146 - Diário do Poder Legislativo O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Senhora Presidenta, como não sou administrador de empresas, queria apenas que o Doutor Armando me explicasse que tipo de planejamento é esse da empresa que demite funcionários a pinga gota? Tantos em um mês, tantos em outro. A empresa não tem uma gestão suficientemente competente para saber do que precisa nesse campo? Ela tem que ficar vivendo esse tipo de situação que só transforma a empresa em uma empresa má, em uma empresa sem nenhum marketing de comunicação com a sociedade e com a população porque o próprio relatório mostra isso. Demite em um mês tantos, no segundo mês, ou seja, isso é uma tortura que vocês fazem, psicologicamente, submeter os que ficam ao ferrão da empresa. Qual é a estratégia? Até agora não consegui entender. Ou a empresa tem uma estratégia que precisa economizar tanto e executa isso. Se for bem gerenciado ou está fazendo um terrorismo na categoria. Objetiva a cada mês submeter mais pessoas à intranquilidade, à falta de confiança no futuro? Qual a importância disso? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Como não temos nada premeditado e planejado de desligamento. É o contrário. Queremos manter o emprego. Nossas ações e nossas atividades são para promover o emprego e a empregabilidade das pessoas. Essa saída dessa forma, muitas vezes, é resultado de trabalhos realizados mês a mês, de otimizações. Então, à medida em que se vai reestruturando uma área, vai promovendo simplificações nos processos, otimizando os processos, vai identificando oportunidades, em que pode reduzir alguns postos de trabalho. Muito é consequência desse trabalho que é feito em momentos de incerteza. Não fazemos nada premeditado. Neste momento, são muito importantes para identificarmos as oportunidades, para podermos seguir em frente com a saúde financeira melhor também. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Mas a empresa não tem capacidade gerencial para fazer avaliação disso de forma objetiva? Porque isso soa para a sociedade como um ato de terrorismo da empresa. Acho que se os senhores forem levantar informações, através de trabalho social, verão que os outros, que estão na empresa pelo fato de não saberem quem vai sair, isso deve prejudicar inclusive a produção. Acredito que o ambiente que os senhores criam com isso é um ambiente de terrorismo, impróprio para qualquer harmonia e crescimento de produção. Acho que os trabalhadores ficam esperando o mês de julho, agosto. Quer dizer, como os senhores conseguem conciliar a produção, qualidade de trabalho, tranquilidade dos servidores, respeito com os trabalhadores? Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Compreendemos sim. Isso nos preocupa muito, porque sabemos o nível de intranquilidade, muitas vezes, porque as pessoas são afetadas. Para minimizar isso, procuramos fazer uma comunicação interna direta a respeito desse tipo de coisa, uma forma de levar às pessoas. Esse tipo de cenário é muito importante. Apesar de inicialmente não ter feito sentido, espero que tenha ao longo de nossa conversa. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Entendi. Só acho que os senhores usam isso muito para poder justificar uma ação nefasta que fazem. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Não. É necessidade. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Tanto na área da poluição, quando começam a apertar a poluição, os senhores começam logo a falar que vão demitir, que vão embora do Estado, quer dizer, não vejo na empresa responsabilidade social e responsabilidade com o cidadão. Parece que essa empresa é administrada por um monte de robôs, que só pensam em lucro e resultado final. Essa é a ideia de quem está fora. Não sei como o senhor, como diretor, e os diretores conseguem trabalhar em uma empresa que tem uma imagem tão negativa na sociedade, em que está trabalhando. Acho que os senhores, quando pintam esse painel de que a crise, de que o minério vai acabar, de que outros têm capacidade maior, no meu entendimento pessoal, não sou especialista, os senhores estão praticando um terrorismo, para gerar negociação fácil com os trabalhadores, porque este é o poder do capitalismo selvagem: utilizar essas artimanhas para constranger e fazer medo na fonte de trabalho e gerar negociação, como os engenhos de cana, em que o sujeito ameaçava cortar o leite e a comida para que o sujeito trabalhasse mais. Então, a Vale tem essa concepção de trabalho: constrange o próprio sindicato. E até há, no meio da categoria, algumas vezes, em que começam a achar que o sindicato está traindo a categoria porque o sindicato acaba, nessa visão de querer manter empregos, negociando. E o sindicato não tem nada a ver com isso. O sindicato está defendendo. Hoje já se trabalha mais para defender o emprego, botar comida na mesa, do que por direitos trabalhistas, porque o País está revertendo a situação. E essa crise agora é outro sinal tenebroso de que todo mundo está usando a crise para poder perseguir a massa trabalhadora, humilhando-a, submetendo-a a qualquer tipo de acordo para poder viabilizar suas questões de custo. Então, quero crer que o senhor está desempenhando bem seu papel. Até disse à Senhora Deputada que pedir quarenta minutos para fazer uma explanação, imaginei que era uma Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 explanação sobre demissões e sobre poluição. Mas foi mais uma explanação de exaltação da empresa diante da Comissão. É um direito que o senhor tem, não contestarei o seu direito de defender, vamos dizer, entre aspas, o seu emprego. Mas nós temos essa visão diferente, de que hoje está se incutindo no país uma cultura de pressionar, de humilhar, de ameaçar emprego para conseguir equilibrar más gestões, e a Vale não está livre disso, porque temos informações de que ela não gere com competência o trabalho de ação dela. Sei que não vou conseguir sensibilizar o senhor porque, como diretor, tem uma tarefa da empresa para cumprir. Quando a empresa manda baixar o facão, nunca baixa sempre no custo, baixa sempre em cima do trabalho. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Cada pessoa tem o direito de enxergar os fatos nas diversas perspectivas. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Com certeza, é a democracia. E fora que ainda não falei dos privilégios que a Vale tem aqui como abastecimento de água com custo especial; a energia que os senhores pagam menos de quarenta por cento do custo, enquanto o trabalhador de vocês paga taxa cheia; incentivos, estímulos; serem recebidos nesta Casa como autoridades, quando, na verdade, deveriam receber, em todos os lugares a que vão, vaias pelo tanto de gente que matam no dia a dia. Mas, no processo democrático, sou obrigado a ouvir e a respeitar o que o senhor está falando, e espero que o senhor também consiga ouvir e respeitar. Não sei se o senhor é mineiro ou capixaba, mas parece que é mineiro. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Sou capixaba. Cidadão espírito-santense, com muito orgulho. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) O senhor deve ter esse sentimento. Na família do senhor, deve ter muita gente aborrecida com esse pó de minério que suja, de meia em meia hora é preciso de uma carroça... O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX - Já fui também cidadão marianense, mas agora sou capixaba. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Queria que os diretores da Vale andassem na Grande Vitória com uma placa indicativa Sou diretor da Vale para ver como seriam tratados diante dessa poeira. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Tirando a perspectiva que o senhor colocou, e que respeito, tenho muito orgulho de trabalhar na Vale. Diário do Poder Legislativo - 147 Sinto-me um construtor da empresa ao longo deste ano e não simplesmente um instrumento de fazer as coisas por fazer. Existem valores claros em que pautamos nossas ações. Tenho muito orgulho de trabalhar nessa empresa, que ajudei a construir e continuo ajudando. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Depois, pedirei ao senhor para ler esse documento para ver como essa empresa dá orgulho somente à diretoria. Em Carajás, vocês também estão um arraso. A Vale só orgulha quem está no comando. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Conheço também vários segmentos na sociedade que reconhecem na Vale essa questão que coloquei na minha fala, uma alavanca de desenvolvimento do Estado. Acho que a história de setenta e três anos está aí, construímos juntos com o Estado. Existem outras perspectivas da população em relação à empresa. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Agradeço ao Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos a contribuição. Senhor Maurício, voltarei ao assunto. O senhor colocou que nesse período de dificuldade pela qual estão passando, segundo informação que apresentou, e não duvido dela, os senhores traçaram uma estratégia para a empresa no país. Em alguns lugares estão dando férias coletivas, em outras estão fazendo ajustes que consideram que podem resolver sem que haja necessidade de demissão. Para o Espírito Santo, os senhores traçaram otimização e aumento de produtividade. Com base em que os senhores traçaram essa estratégia para o Espírito Santo? O senhor disse que os desligamentos são feitos com o objetivo de otimizar, e gostaria de saber se é verdade. Para mim, está claro que estamos perdendo postos de trabalho em definitivo. Só se houver uma mudança, mas a estratégia no Espírito Santo é de aumento de produtividade e, por outro lado, otimização. Gostaria de saber por que o Espírito Santo foi escolhido para pagar esse pato, como também deve ter sido escolhido o Maranhão, que já está com quatrocentas e sessenta e nove demissões na área de ferrovia, logística e exportação. Por que razão fomos escolhidos? Quero até ressaltar a proximidade do presidente da empresa com a Presidência da República, que tem tratado muito mal o Espírito Santo. Investimentos estão sendo cortados, no que se refere à Petrobras. Estamos com uma saga terrível: o retorno das obras do aeroporto. Agora que uma senadora nossa, presidente da Comissão de Orçamento Misto da Câmara, por estar à frente do orçamento, é que talvez, existem ainda dúvidas, vejamos a retomada dessas obras do aeroporto, importantíssimo para o Espírito Santo, com referência à logística, para os senhores e para nós. É 148 - Diário do Poder Legislativo muito importante porque nossa logística sofre muito impacto. Como não há um aprofundamento, uma limpeza, no calado de nosso porto e temos um aeroporto nas condições de hoje, nossa logística fica realmente comprometida. Temos alguns cortes e uma retaliação clara, o capixaba sabe disso, enxerga isso. Foi até motivo de o governador do Estado estar na reunião que tivemos com o ministro Padilha, que veio dar ordem de serviço de retomada das obras do aeroporto, alegando que o estado não poderia ser visto do ponto de vista político - porque a presidenta atual não ganhou as eleições no nosso estado. Mas foi derrotada exatamente porque, ao longo dos anos, há um passivo histórico, não deste governo, de outros que antecederam, contra o Espírito Santo. E como existe uma proximidade muito grande do presidente da Vale, tanto que hoje tem assento no Conselho da Petrobras, escolha feita pela Presidência da República, estranha-me que essa proximidade não esteja interferindo nessa decisão da empresa. O presidente tem assento no Conselho de Administração da Vale e é, como se diz no popular, chegado da Presidência da República, tanto que preside o Conselho da Petrobras. E me preocupa muito se não está havendo uma influência nessa retaliação que existe contra o Espírito Santo. Por que, nessa estratégia, o Espírito Santo é quem tem que perder postos de trabalho? E perda definitiva, a menos que mude alguma coisa, mas o senhor deixou claro que, no Espírito Santo, a atitude a ser tomada é de otimização e aumento da produtividade. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Primeiramente, essas vagas, na maior parte, sim, são postos de trabalho que vão trazer uma otimização, disso não se tem dúvida. Mas não são todos e nem daqui para frente... A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Para o povo entender, diretor Maurício, vai acabar, é posto que não existirá mais, é vaga de emprego que não teremos mais. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Sim, alguns não vão retornar, é isso aí. Outros, daqui para o fim do ano, sim, a rotatividade normal. Com relação ao Espírito Santo, estamos saindo de um grande investimento, a Usina 8, que, depois de um longo período de maturação, foi entregue, passou por um período de ramp up e hoje está a plena produção. Isso é um fator belíssimo para o Espírito Santo. A Samarco também fez, com cinquenta por cento da nossa participação, um investimento vultoso na quarta usina. Então saímos de um fluxo de investimento forte e nosso intuito no Espírito Santo, e não entendo o pagando o pato, porque estamos mantendo nossas operações, estamos tendo condições de manter nossas operações a full capacity. Até o momento, estamos a Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 full capacity em Tubarão e isso é muito importante para o estado porque continua gerando, obviamente menos para os contratados, em função de redução de investimentos, mas continuamos com nossas operações demandando serviços e colocando em postos, obviamente, impactados por preço menor, por receita menor. Mas tudo que a gente tem feito, em termos de volumes no Espírito Santo tem revertido, sim, para a minimização da perda de receita da empresa. Então é fundamental a gente focar nas nossas operações aqui, que mantenham a full capacity e, para isso, a gente precisa... A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Desculpe-me, diretor, mas fale em português, num palavreado que o povo entenda O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX - A plena capacidade de volume, até acima do que vinha realizando em função dos investimentos que foram feitos. Estamos colhendo o que foi investido no estado e, com isso, temos, sim, de tomar medidas para que possamos manter milhares de outros empregos, inclusive. É nesse sentido que acho que é outra perspectiva, a de que o Espírito Santo está sendo privilegiado, sim, porque tem uma operação enxuta que vem sendo trabalhada ao longo do tempo. Com certeza, de 2011 para cá, a partir daquele período. Então temos, hoje, produtos competitivos e que queremos tornar, cada vez mais, para garantir uma estabilidade neste estado, também na empresa e na nossa receita, no transoceânico de minério de ferro. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Mais uma vez, gostaria de dizer que, na verdade, não houve uma grande ampliação, e até gostaria de ter essa informação da Vale: nos últimos cinco anos, qual abertura de postos de trabalho houve? Porque não vi grande diferença do que vem sendo praticado pela empresa em termos de postos de trabalho para justificar que, de fato, por conta de uma aceleração que houve em decorrência da construção da oitava usina, porque essa construção foi terceirizada, houve muito remanejamento nos postos, houve muito remanejamento dentro do que existia, dentro do que foi fechado e do que veio a funcionar. Gostaria até que a empresa nos apresentasse o número de postos de trabalho que ela abriu nos últimos cinco anos. (Pausa) Foi um pouco antes. A construção da oitava usina data de uns dez anos para cá. Gostaria de saber quais postos de trabalho foram abertos nos últimos para ver se realmente houve abertura de postos de trabalho novos e que vocês estariam agora desmobilizando, lamentavelmente. Porque conheço a empresa e, sinceramente, não vi isso. Outra coisa, senhor Maurício, dizer que esse nível de demissão está dentro do nível realizado ao longo dos anos, dos últimos cinco anos, na empresa, Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 não procede, não é verdadeiro. Está aqui, o representante do sindicato apresentou. Em 2009, quando foi o auge da crise, tivemos quatrocentas e dez demissões; em 2010, tivemos duzentas e cinquenta e três; em 2011, duzentas e nove; em 2012, duzentas e oitenta e seis; em 2013, subiu mais um pouco, trezentos e sessenta e nove; e em 2014, trezentas e quarenta e quatro; e em 2015, estamos no mês de junho, entramos, hoje, no mês de julho, e estamos com quatrocentas e quatorze demissões. Coisa nessa escala, dessa monta, pior só vi quando a empresa foi privatizada. Quando a empresa foi privatizada, lamentavelmente, foi quanto passei a presidir Sindicato dos Ferroviários, em 96, quando entrei para a presidência do sindicato. Em maio de 97, ela foi privatizada. Lembro-me até da data fatídica, 7 de maio de 97. Ela foi privatizada e, aí sim, tivemos um número elevado de demissões no estado. Senhor Maurício, para a minha tristeza, e direi isso para o senhor porque sei que está nesta reunião hoje, e desculpe até o meu modo de falar, porque há horas que cria até uma revolta, mas sei que o senhor está nesta reunião cumprindo seu papel, é o diretor de Pelotização da empresa, mas é meu colega também dentro da Vale. Mas só vi isso em 97, quando essa empresa foi privatizada. Vi porque há trinta e nove anos estou na Vale. Foi quando vi pessoas num mesmo patamar que hoje o senhor está, o patamar que o senhor Aldo hoje está, que os meninos que são advogados estão, permitam-me chamá-los de meninos, porque é uma turma nova, jovem - que o Eugênio está. Só vi isso em 97, quando vi, inclusive, engenheiros da Vale se suicidar. Até hoje não se consegue explicar um engenheiro abrir um chuema é uma máquina, um auto de linha que tem uma velocidade maior na linha, para levar equipamentos para dar manutenção na linha - e ele abrir a janela para jogar fora um caroço de manga, sabendo do vácuo, ele conhecia, era um engenheiro, sabia que seria sugado pelo vácuo e viria a óbito, lógico. Dentro de uma via, naquela situação, naquela velocidade em que passa. Acredito que o Luiz Fiorotti lembra muito bem disso. Não citarei o nome, até em memória a esse colega, esse grandioso profissional que a empresa teve e que, por conta dessa situação, cometeu, acredito, uma atitude que o levou a óbito. Muitos companheiros na mesma condição em que o senhor hoje está, com o mesmo orgulho, que como o senhor, também tenho de ter construído essa empresa, mas sem deixar de enxergar os problemas que ela traz e a possibilidade de algumas situações serem resolvidas, mas não com situações dramáticas como esta, de a empresa diminuir postos de trabalho, desempregando homens e mulheres em uma cidade, em um estado, onde não dispomos de... Hoje, ainda bem, temos mais possibilidades, mas não tivemos um tempo assim em que tínhamos mais oportunidades de trabalho. Diário do Poder Legislativo - 149 Vivemos um momento de crise em que há um desaquecimento e o Espírito Santo não está fora disso. Por que digo isso, Maurício? E por que a Vale foi chamada para essa discussão? Não é porque sou empregada dela que foi chamada, não é porque me tornei deputada. Também tenho muito orgulho de trabalhar na Vale, de minha família trabalhar na Vale, porque sou filha de ferroviários - minhas irmãs passaram por aquela empresa, meus cunhados, meu pai e meu ex-marido, que já faleceu, também. Não é por conta disso, mas porque a Vale é uma empresa, em nosso estado, o trabalho da Vale é de exportação. O senhor me apresentou alguns dados sobre impostos, sobre ICMS e ISS, que gostaria até que lesse, gostaria que viesse dos senhores a informação, não apenas por isso, mas também para que a população a ouvisse, porque checaremos. Mandamos um requerimento, Senhores Deputados Enivaldo dos Anjos e Bruno Lamas, para a Secretaria de Fazenda, e a secretária Ana Paula Vescovi perguntou, inclusive, ao Governo como procederia com a resposta já que a questão fiscal padece de sigilo, assim, não poderia nos passar essa informação, mas que a passaria para a CPI da Sonegação. Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, que também preside a CPI da Sonegação, pediremos essas informações, porque ficará... os senhores também têm que ter o cuidado com as informações. Passaremos esse documento para ver se, de fato, essa informação que a empresa está passando, pedirei ao diretor Maurício que leia, procede diante das informações que vieram da Secretaria da Fazenda para a CPI da Sonegação em decorrência da quebra do sigilo fiscal. Volto a dizer que, pelas informações que tenho e também por saber que as operações da Vale em nosso estado são de exportação, a maior parte, o forte das operações da Vale, especialmente no complexo de Tubarão, são de exportação, a Vale é desonerada de pagamento de ICMS por conta da Lei Kandir, que lhe favorece até para ter competitividade, desonerando o ICMS. Ou seja, muito pouco tem ficado da Vale para o Espírito Santo. A empresa tem até créditos das operações que precisam ser compensados no Espírito Santo, não das terceirizadas, porque a empresa acaba sendo fiel depositária das terceirizadas e passa esses valores para a Receita, mas das operações que tem dentro do país, que não são de exportação, que acabam impactando o Espírito Santo por conta dos créditos que a empresa possui por pagar esse ICMS no estado de Minas Gerais, que é muito mais beneficiado com as operações da Vale do que o Espírito Santo. Para nós, do Espírito Santo, diante de todos os impactos ambientais que sofremos, Luiz Soresini, sei que não é sua culpa, nem do Maurício e nem dos empregados da empresa, mas culpa de uma estratégia equivocada que colocou as operações industriais da Vale em uma região onde o vento é Nordeste, o que acaba impactando a Grande Vitória basicamente toda 150 - Diário do Poder Legislativo com a poluição. Por mais que coloquem as Wind Fences, adianta pouco; se enclausurarem aquilo tudo, ainda terá poluição, porque a localização é muito boa em termos de mar, para porto. Mas, em termos de impacto ambiental, ela realmente compromete, por conta do vento, que acaba soprando nesta nossa região da Grande Vitória e leva poluição. É inegável que isso existe, não adianta colocarmos viseira, porque nós todos sabemos que isso existe. Mas isso foi uma estratégia, no meu ponto de vista. Poderíamos ter visto uma localização melhor. A costa do estado tem várias situações que favoreceriam, da mesma maneira, as operações da empresa, Senhor Deputado Bruno Lamas, e que não teriam impactado tanto a Grande Vitória, onde a população é muito mais densa, é muito maior. Então, voltando, diante disso tudo que colocamos, diante dos poucos impostos, estou com um projeto do Museu Ferroviário, um museu por onde a Vale começou, em João Neiva. Cadê ajuda da Vale para, pelo menos, recuperar e manter a história dela no estado? Está aqui um pedido. Já pediram no Conselho e nada. Até trouxe, vou deixar com o senhor para ver se ajuda para que, pelo menos, o estado possa conhecer a memória da empresa, o que a empresa fez, como a empresa foi importante em João Neiva. Está aqui! Nada! Vários projetos, projetos sociais. O número no estado do Espírito Santo de jovens que são assassinados por conta das drogas é elevadíssimo. O senhor sabe que somos o segundo estado em que mais morrem jovens e negros. Negros, campeão, e, em segundo, onde morrem jovens por conta da droga. O que a Vale tem feito para nos ajudar, ajudar o estado na sua atividade social, já que não é impactada pelo ICMS? Muito pouco, diretor, eu tenho visto. Se o senhor tem esses dados, é muito importante que o senhor nos informe, porque muito pouco tenho visto. Com as iniciativas que fiz, muito pouco consegui de volta. Quando eu tinha projeto com crianças carentes, no início conseguíamos até o lanche. Atualmente, nem isso estamos conseguindo da Vale. Nem lanche para dar às crianças carentes que vêm a esta Casa abrir o Natal dos capixabas. Não devemos favor, não. Se tem alguém, Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, que deve ao estado, é a Vale. O estado não deve à Vale. A Vale tem que dar contrapartida ao estado. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) O Espírito Santo tem que parar de pedir essas coisas à Vale. Tem que pedir à Vale que ela cumpra a obrigação social dela. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Sim, mas fazemos isso, Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos. Só que a Vale, como V. Ex.a bem disse e aqui relembro, por conta das operações, paga energia mais barato, paga água mais barato do que o capixaba paga. Então tem essas questões também que tem que ter a contrapartida da empresa Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 para com o nosso povo. Ainda por cima, na estratégia, perdemos postos de trabalho? Isso é revoltante, é angustiante para nós, que defendemos o povo capixaba, porque a Vale poderia nos ajudar com sua contrapartida neste momento de dificuldade. Acredito que esta é a opinião dos metalúrgicos terceirizados que estão tendo seus contratos rescindidos, dos ferroviários de que conheço a opinião, dos engenheiros. Nunca se demitiu tanto engenheiro na Vale. Acredito que nem quando a Vale foi privatizada. Já eram mais de trinta e cinco engenheiros demitidos na última reunião que aqui tivemos. A Vale tem operações, diretor, que são inerentes a ela, de operações ferroviárias. Diretor, se um mecânico de locomotiva perde o emprego, será mecânico de locomotiva onde? Se um jateador de vagão perde o emprego, será jateador de vagão onde? Ele fará manutenção de rodeiro onde? Ele fará pelotização na Samarco, que cinquenta por cento também são da Vale e que também está fazendo a sua contenção. Então, chamo a atenção para estas especificidades que a empresa tem. Podíamos ter aberto uma CPI. Podíamos esperar mais um tempo e abrir. Mas sempre primei pelo entendimento, sempre lutei por ele. Esta Casa luta pelo entendimento, ele tem que permear esta relação com uma empresa que, Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, considero importante, sim, para o desenvolvimento do estado. Tenho orgulho de uma família grande como a minha ter ajudado nesse crescimento, nesse desenvolvimento. Mas, agora, é hora de haver um entendimento para que cesse esse problema. Se não dá para voltar ao que já foi, mas que construamos um entendimento que cesse esta situação. Porque o Espírito Santo não quer ser o patinho feio. O Espírito Santo vai se insurgir contra isso, doa a quem doer. Não podemos ficar vendo, pacificamente, uma empresa que tem os benefícios que Vale tem no estado do Espírito Santo, continuar demitindo, fechando postos de trabalho, continuar sangrando em nossas famílias. Não podemos aceitar isso, como representantes desse povo. Faço este apelo emocionada, o senhor me perdoe. Vim mais para saber os dados, mas estou vendo que é uma estratégia de otimização, que tende a continuar. Realmente, no meu entendimento, é inconcebível, no meu entendimento, pelo menos os números que tenho, justificam essa questão que aqui coloco. Por gentileza, senhor Maurício, se posicione com relação ao que estou falando. Peço que o senhor nos passe os dados dos impostos e até mesmo dos serviços que a Vale tem no estado, porque é impressionante. O povo não enxerga. Ninguém aqui consegue ver. E o povo não enxerga muito esse serviço, a não ser os postos de trabalho, que realmente existem no estado e têm contribuído com os empregos capixabas. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Gostaria só de me posicionar com relação à posição social da empresa, que foi colocada. Entendemos ser muito importante a nossa participação nas questões socioambientais no estado, pelo que promovemos, pelos projetos que apoiamos. Obviamente que é um crivo. São muitos projetos, muita necessidade. Acho que em todos os lugares no Brasil encontramos necessidades variadas de projetos, de ações sociais, para suprir muitas vezes algum gaps de ação. Mas, por outro lado, reforço que apoiamos muitos projetos. Além de apoiar projetos que já existem de forma organizada na sociedade, também, a exemplo da Estação Conhecimento, que citei nesta reunião, um projeto extremamente importante, uma faixa etária fundamental onde os jovens passam a resgatar os sonhos e a ter condições de realizá-los. Posso enumerar, mas acho que seria melhor depois encaminharmos uma relação dos últimos projetos apoiados pela Vale. Não são poucos. Independente dos recursos aportados a esses projetos, existem projetos, às vezes de um recurso pequeno, mas de um grande significado para a sociedade. Então, ficamos de encaminhar para a comissão a relação desses últimos apoios da empresa, que passa a ser reconhecida pela sua forma aberta e transparente de diálogo com a comunidade, entendendo e compreendendo as necessidades e as prioridades de cada região. Em relação às pessoas, reforço também que a maior parte desse esforço de desligamentos nesse período não está sendo feita com pessoas especializadas, ligadas à operação, à manutenção. Compreendemos muito bem essa preocupação e temos essa preocupação também, porque são especificidades profissionais muito particulares, de locomotiva, de produção de pelota, para as quais as oportunidades de emprego realmente são mais reduzidas. Levando isso em conta, todo o nosso trabalho tem sido feito preservando essas pessoas, tanto é que as nossas operações estão à plena carga, a todo o vapor. Essas pessoas, sim, dão a fundamentação para isso. Em relação aos impostos, passarei para o Eduardo fazer alguns comentários. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Por gentileza, gostaria que o senhor fosse breve nos números, porque acho que acabamos consumindo tempo com uma série de explanações e acabamos comprometendo as falas dos representantes dos sindicatos. Temos deputados que têm outra atividade agora, às 15h, então concederemos dez minutos para encerrar esta reunião porque não temos como compatibilizar. O SR. BRUNO LAMAS - (PSB) - Gostaria de cumprimentar todos. Realmente tenho um compromisso na Defensoria Pública do Estado e com a Prefeitura de Serra agora, às 15h, mas ouvi atentamente e, apesar de recém-chegado a esta Casa e Diário do Poder Legislativo - 151 com trinta e sete anos de idade, na minha vida, tenho o costume de tomar posições. E farei isso nesta comissão especial. Ouvi o Sindicato dos Engenheiros em algumas regiões, o Sindicato dos Ferroviários, o Sindimetal, ouvimos outras pessoas e hoje temos a oportunidade de ouvir a empresa. Gostaria de cumprimentar o nosso querido doutor João Manuel, que está achando que iremos deixá-lo se aposentar e nos abandonar, mas faremos uma comissão especial para segurá-lo conosco, nesta Casa, por mais tempo. Estou nesta reunião para debater, conforme a criação desta comissão, averiguar e buscar alterativas para conter as demissões em massa ocorridas na empresa Vale. Portanto, não vim a esta comissão debater sobre o pó preto ou outras questões. Vou me prender à pauta. Considero a Vale uma empresa importante para o estado, para o país, e com relevantes serviços prestados. Pelo seu porte, pelos empregos que gera, porque produz e gera riqueza para este país. Sua planta atrai não só os profissionais que querem trabalhar na empresa, mas também empresas para atuarem ao redor da planta, o que movimenta nossa economia, e também porque é uma empresa legalizada. Faço esse registro. Quando a empresa chegou a este estado, muitas pessoas vieram para o estado porque queriam trabalhar na empresa, e assim o estado foi crescendo e a população crescendo em seu entorno. Estive, inclusive, com uma funcionária da Vale, recentemente, uma amiga, que disse que, em alguns momentos, se sente constrangida porque gosta da empresa, como colocou a Senhora Deputada Janete de Sá nesta reunião, considera a empresa importante na vida dela, e todo este debate, que é necessário fazer e vamos fazer, a deixa em alguns momentos constrangida. Creio que isso também é um sentimento de alguns outros servidores, funcionários da empresa. Porém, considero que não foi a Vale que provocou toda esta crise que está acontecendo no país. Gostaria de tranquilizar meu amigo, o Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos, porque chegarei ao nosso foco. Estou rodando, mas chegarei. Aliás, os homens públicos que comandam este país em Brasília, em especial, a presidenta da República e seus ministros, deveriam pedir desculpas não só aos trabalhadores, mas também àqueles que produzem, que derramam suor para gerar riqueza, por tanta roubalheira, tanta podridão, tanta corrupção, tanta falta de ética. E o Brasil caiu numa tremenda desmoralização, e essa crise, que é moral, política, econômica, no meu ponto de vista, a moral é a mais perigosa de todas, porque ninguém quer investir no Brasil porque não oferece segurança. Vemos donos de megaempresas serem presos. Tomara que prendam o Lula, a Dilma, que achem os caminhos para isso, porque seria uma virada de página nesta nação. 152 - Diário do Poder Legislativo Porém, não podemos aceitar que funcionários paguem o pato sozinhos por tudo isso que está acontecendo. Nesse sentido, retomo ao objetivo principal que falei no início. O objetivo desta comissão especial, muito bem coordenada pela Senhora Deputada Janete de Sá, - sobre o Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos dispenso comentários pela capacidade, sabedoria e experiência de S. Ex.ª, relator desta comissão, o que nos tranquiliza muito é averiguar, debater, buscar alternativas para conter demissões em massa ocorridas na empresa. Para concluir, gostaria de fazer algumas perguntas, e, infelizmente, para minha tristeza, uma delas já foi respondida. Na verdade, o ideal seria parar com as demissões e retornar com alguns servidores, é possível? Se não é possível, - foi dito nesta reunião e a Senhora Deputada Janete de Sá coloca que estão otimizando e esses posto não voltam mais - qual é a perspectiva que podemos passar para a população capixaba? De crescimento, de quando a empresa voltará a contratar os números que foram apresentados agora e entregues pela senhora Ana Paula Vescovi mostram. Outra pergunta é se a empresa realmente foi impactada e até que ponto ela foi impactada pela crise que gerou a necessidade dessas demissões. São meus questionamentos, porque costumo também ser muito objetivo em minha vida. Se temos um trabalho concentrado para evitar demissão, é possível isso, diretor Maurício? Se não é possível, o que diremos? Porque me assusta realmente ter ouvido do senhor Luiz Fiorot, na última reunião, que trinta e cinco engenheiros foram demitidos em um período de quarenta e cinco dias. É assustador que quatrocentos e setenta e cinco funcionários, aproximadamente, foram demitidos e me assusta mais ainda as duas mil demissões indiretas. Até a cidade onde moro, dizem ser a terceira cidade mais impactada do país com demissões por conta de seu perfil, da construção civil, do metal mecânica, por conta das plantas da ArcelorMittal, da Vale, que também atua. São esses os meus questionamentos. Mas deixando claro minha posição de respeito a essa empresa, até porque, ouvi isso, o que tranquiliza, de todos os depoimentos. A pergunta que fiz se consideravam a Vale uma boa empresa para trabalhar, perguntava aos sindicatos, que respondiam: sim, considero, mas ninguém, nem eles nem eu, pode conviver com tudo isso sem ter o nosso sentimento de estancar. Que é realmente o nosso objetivo nesta comissão. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Obrigado, Senhor Deputado Bruno Lamas, pelas colocações. Fiz uma apresentação no início, uma pena que V. Ex.ª não pode presenciar, mas o cenário nos impacta na veia. A queda de receita é impactada diretamente pela queda de preço do minério de ferro no mercado internacional. O minério perdeu o valor Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 em sessenta e sete por cento de 2011 para cá, sendo grande parte dessa perda mais acentuada no último ano e meio. O impacto é direto, sim. Nos últimos três trimestres, vimos amargando prejuízos crescentes, apesar de todas as ações tomadas ao longo desse período. Não estamos deixando sangrar para fazermos o curativo. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Diretor, em decorrência do adiantar da hora, gostaria de objetividade na resposta. É possível o entendimento? É possível estancar essas demissões? É possível retornar com pelo menos parte do que foi retirado? Por gentileza, o senhor pode objetivar? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Vou ser direto sim. Só para esclarecer como a empresa foi impactada. O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Senhora Presidenta, somente gostaria de requerer de V. Ex.ª, com a aquiescência do Senhor Deputado Bruno Lamas, que fosse concedido um tempo maior para o doutor Armando Maurício, porque ele foi bem bombardeado aqui e precisa realmente de responder. Não sei se conseguiu anotar tudo, mas acredito que, para ser diretor de uma empresa da área que é, tem que ter boa memória. Temos um compromisso logo em seguida, às 15h30min. Mas seguraremos. Daremos um tempo a ele para sermos razoáveis. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - O meu compromisso é às 15h. E não é aqui é na Secretaria de Educação. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Serei bem objetivo. Vou tentar responder os questionamentos da melhor forma possível, cumprindo o objetivo. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Mas gostaria de sair daqui com essa resposta objetiva do senhor. É possível? É possível abrir o entendimento? É possível discutirmos essa questão? É possível estancar esse processo? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX Senhor Deputado Bruno Lamas, está claro. O impacto é real, não é virtual, não é um factoide. Ele é real e as medidas estão sendo tomadas ao longo do tempo, desde que identificamos uma tendência de queda, o que nos afeta diretamente, porque temos um posicionamento perante nossos principais concorrentes em uma desvantagem competitiva imensa. É um abismo que temos entre o minério de ferro brasileiro e o minério de ferro australiano no principal mercado, que é a China. Quanto à perspectiva de crescimento, temos, sim. Hoje, principalmente, em relação à questão de pelotas, se dependermos de licenciamentos ambientais, Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 já é uma questão mais complexa. Mas temos uma capacidade hoje, em Tubarão, que não está sendo aproveitada no seu limite máximo, em função de parada por demanda, no segundo semestre de 2012. Então, temos as duas usinas, Tubarão 1 e Tubarão 2, paradas até hoje, desde o segundo semestre de 2012, em função de mercado e, com a entrada da Usina 8, isso veio suprir uma parte do mercado. Então, permanecem paradas. É um potencial, sim, dependendo do mercado de avaliação do mercado de pelotas daqui por diante de ter perspectivas para colocarmos essas plantas em operação. São plantas antigas, mas que estão muito bem mantidas com investimentos significativos ao longo do tempo, que garantem uma condição operacional bastante razoável. Fora isso, temos alguns planos. Se o tempo nos permitir, e acho que vai permitir, porque não há uma perspectiva de retorno de mercado tão cedo, ou existe um prazo adequado para que possamos investir um pouco nessas plantas, para que possam voltar em condição diferenciada e mais competitivas. Então, em termos de crescimento, vemos, sim, a ocupação dessa capacidade hoje que temos em Tubarão que não está sendo utilizada na sua totalidade. Para continuarmos a crescer, precisamos cuidar da saúde hoje também. Então, muitas ações não são só medidas através de ajustes em pessoal. São diversas ações, já comentei, em todas as frentes, que estamos tomando, visando a melhorar nossa competitividade e redução de custo. Temos dois pontos básicos para enfrentarmos os australianos hoje. O primeiro é garantir receita, que o preço não impacte diretamente na receita, isso fazemos através de volume. E o segundo é melhorar a margem e a redução de custo. Então, todas as frentes estão sendo atacadas. E desde 2011 não tivemos nenhuma percepção de nenhum ajuste em pessoal nesse período. Chegou a hora de fazer pequenos ajustes. Porém, nossa taxa de rotatividade de pessoal, considerando os últimos doze meses, ou no fechamento de dezembro desse ano, normalmente calculamos essa taxa de rotatividade em um período de doze meses, mantém-se dentro da nossa média histórica. Isso tem um significado muito importante em termos de parar e retornar com antigos servidores. Quanto aos antigos, muitas vezes, não terá jeito, porque são decisões tomadas por uma motivação. Mas, daqui para frente, podemos equacionar melhor a situação. Com esse fluxo de rotatividade, que leva em conta não apenas desligamentos por uma série de fatores, mas também as admissões. Diário do Poder Legislativo - 153 sentido de contribuir para esclarecer. É muito difícil, Senhor Deputado, porque o que foi feito tem embasamento. Há pessoas que saíram e já estão aposentadas. Há pessoas que saíram porque pediram para sair, e há pessoas que por baixo desempenho, e em uma hora dessas, infelizmente... Estávamos mantendo essas pessoas, acompanhando, dando feedback. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - Diretor, permita-me, mas não estamos falando de quem está com a aposentadoria garantida ou de baixo desempenho, que até questiono alguns casos, conheço alguns casos que não foram baixo desempenho. Não quero contrapor para não ser deselegante, mas muitos casos que conheço não são de baixo desempenho. Como é que fica com trinta e cinco engenheiros e todos com baixo desempenho? Então está tudo danado lá dentro. Cuidado, porque trinta e cinco engenheiros saíram por baixo desempenho ou a maioria. Sair por aposentadoria, tudo bem, estão perto de se aposentar, tudo bem, você não deixou, não desabrigou, de certa forma, de tudo. Se foi por motivação da própria pessoa é diferente. Estamos falando é se existe possibilidade de se abrir esse diálogo com a empresa para que ela cesse esse processo, desde que não seja porque a pessoa deseja sair, porque não há porque cessar, se o empregado quer sair. Está perto da aposentadoria dele, pode haver uma conversa da empresa com o empregado. Você está perto da aposentadoria. É melhor você do que um jovem que está entrando, cheio de esperança, que qualificamos, que a empresa investiu e agora está disponibilizando esse empregado. É disso que estamos falando, daquilo que é possível ser feito para poder diminuir esse impacto. O SR. BRUNO LAMAS - (PSB) - Senhor Armando Maurício, queria a tradução de equacionar. Conversa humilde, mas franca. A pergunta foi: podemos estancar as demissões e é possível rever algumas demissões? Mesmo com o reconhecimento público que fiz da importância da empresa, porque esse é o objetivo principal desta comissão. Se tivermos que pedir isso, não tenho nenhuma dificuldade em pedir. É possível? O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX - É exatamente o que estou falando, esse embasamento faz parte. E complementando esses exemplos que dei, existem os postos de trabalho que estão sendo eliminados. Em reestruturações em empresas muitas vezes uma função deixa de existir. Então existem também funções que deixaram de existir. Nesse período, respondendo por que foi assim, cada mês sai um pouco. Vamos trabalhando e otimizando os processos e com isso vamos, muitas vezes, eliminando posições. Respondo que é muito difícil, porque o embasamento engloba isso tudo. E não vejo hoje uma possibilidade de retomarmos o que foi feito. Vejo, sim, em uma perspectiva de fecharmos a nossa taxa de rotatividade no final do ano, em relação ao ano todo, o equacionamento de que falo, um equilíbrio dessa concentração que foi feita agora, necessária neste momento, para garantirmos um posicionamento competitivo já, a partir de agora, com uma situação que pode ser um pouco melhorada daqui para frente. Isso que chamo de equacionamento, é um equilíbrio de uma possível concentração que houve de ajustes de pessoal agora, com a amenização disso até o final do ano. O SR. ARMANDO MAURÍCIO MAX - Em uma conversa muito aberta nesta reunião. Venho no PMN) A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ - Teremos que encerrar os trabalhos, 154 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 infelizmente. Há muito mais questões que gostaríamos de discutir. Registro que foram chamados os prefeitos dos municípios de Cariacica, prefeito Juninho; de Vila Velha, prefeito Rodney Miranda; de Vitória, prefeito Luciano Rezende; e da Serra, prefeito Audifax Barcelos. Solicitamos que estivessem presentes por conta dessas alternativas que estamos buscando para oferecer à Vale, mas infelizmente não se fizeram presente. Gostaria de registrar para que todos que nos assistem acompanhem quem de fato está ou não interessado nesse debate. Agradeço a presença dos representantes da Vale. Ficarei com a informação que os senhores me passaram. Infelizmente não teremos tempo para apresentar, podemos apresentar na próxima audiência. Coloco em deliberação que o diretor Armando Maurício Max autorize a sua equipe a liberar o que foi apresentado para a equipe de registros taquigráficos da Casa. Essas informações entrarão como documento nos nossos trabalhos. Deliberamos também que sejam ouvidos na próxima reunião, a pedido do Senhor Deputado Bruno Lamas, representantes da empresa Grupo Insight, prestadora de serviço da empresa Vale, os senhores Deivis Ferreira Arminio e Alex Cavalcante, que procuraram a comissão por meio do Senhor Deputado Bruno Lamas e querem também prestar informações com relação à desmobilização por rescisão de contratos nessas empresas. Como vota o Senhor Deputado Enivaldo dos Anjos? O SR. ENIVALDO DOS ANJOS - (PSD) Pela aprovação. A SR.ª PRESIDENTA - (JANETE DE SÁ PMN) - A Presidência é pela aprovação. Aprovado o convite à unanimidade. Gostaria também de pedir, porque gostaria muito de ouvir as informações que o senhor Roberto Pereira, representante do sindicato, tem para nos oferecer. O Sindicato dos Metalúrgicos também poderia nos oferecer, mas que viessem à próxima reunião para encerrarmos esta, pois não há mais como prosseguir. Também peço que venha um representante da Vale para passar as informações acerca dos valores com ICMS e ISS repassados pela empresa e suas terceirizadas para o Governo do Estado do Espírito Santo. Peço ao Senhor Maurício que nos apresente, já que não pôde trazer hoje, a informação que temos é do sindicato, o número de demitidos mensalmente que originou esse cômputo apresentado pelo Sindicato dos Ferroviários. Não o turn over, o número, conforme apresentado pelo Sindicato dos Ferroviários mensalmente. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, à hora regimental. Está encerrada a reunião. Encerra-se a reunião às 15h02min. DOCUMENTO ANEXADO: Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Diário do Poder Legislativo - 155 156 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Diário do Poder Legislativo - 157 158 - Diário do Poder Legislativo Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 campo. COMISSÃO ESPECIAL CRISE HÍDRICA. TERCEIRA REUNIÃO ORDINÁRIA, DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 07 DE JULHO DE 2015. Convido a Senhora Secretária a proceder à leitura da ata da segunda reunião ordinária, realizada em 30 de junho de 2015. (Pausa) O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta Comissão. Agradeço à Senhora Deputada Luzia Toledo a presença, bem como os servidores da Assembleia Legislativa e também as pessoas que nos assistem pela TV Ales e o nosso convidado, o companheiro José Izidoro Rodrigues que está aqui em nome da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do nosso estado. Hoje vamos conversar um pouquinho com ele dando continuidade às nossas reuniões, tendo em vista ouvir os trabalhadores e também secretários com o objetivo final de a gente encontrar o caminho seguro para que possamos resolver um problema que tem afetado de vez em quando esses trabalhadores do O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado. Antes de conceder a palavra para o nosso convidado, concedo a palavra à companheira e querida Deputada Luzia Toledo. (A Senhora Secretária procede à leitura da ata) A SR.ª LUZIA TOLEDO - (PMDB) Muito obrigada, Deputado Nunes, presidente desta comissão especial, que é extremamente importante porque estamos vivendo um momento muito difícil no Brasil inteiro. A água é vida. De todos os recursos naturais a água é o mais importante, considerando que sem agua não fazemos absolutamente nada e nem tem nada porque nós não conseguiríamos. Como estamos vendo agora no Pará está completamente sem água e assim já vimos São Paulo, enfim, quero Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 cumprimentar o presidente Nunes, todos os técnicos que estão aqui acompanhando essa sessão especial para discutir os recursos hídricos e também quero cumprimentar os integrantes da TV Ales, que é tão importante; a nossa jornalista, o nosso procurador, enfim, quero cumprimentar com muito prazer o presidente da Fetaes, José Izidoro Rodrigues, diretor de Política Agrícola e Meio Ambiente. Quero deixar apenas para os técnicos, e principalmente para o diretor de Política Agrícola e Meio Ambiente, um convite e, ao mesmo tempo, já pedindo sua parceria, assim como peço do meu colega, companheiro. Nem todos os deputados são meus companheiros, mas o Senhor Deputado Nunes é companheiro. Sou muito transparente, não adianta falarmos que todo mundo é igual porque não é igual. Não é assim a regra? Então, meu companheiro, colega, Deputado Nunes, quero convidar V. Ex.ª para fazer parte do grupo que conseguimos aglutinar em prol de uma lei de minha autoria, sancionada em 2006 pelo então governador e agora atual governador Paulo Hartung, que é o Adote uma Nascente. Estamos fazendo audiências públicas nos municípios. Já fizemos em Viana, em Cariacica e faremos agora, já está marcada, em Vila Velha. Faremos todos os órgãos e não tínhamos colocado a Fetaes, que é extremamente importante. Renatinho, anote e pegue o telefone do nosso diretor-presidente. Estamos com todos os órgãos, claro que há outros que devemos ter esquecido, por algum motivo. Mas estamos com a Federação de Agricultura, com o Ministério da Agricultura, com a Secretaria de Agricultura - Obrigada Joaozinho, ajude-me, balança a cabeça que é para ajudar porque de manhã cedo assim fica meio... -, com o Incaper, com a Seama, com o Iema, aquele grande, esqueci o nome agora, mas é uma maravilha, que é o diretor do Reflorestar. Estamos com todos os órgãos juntos e com o apoio da nossa empresa que, graças a Deus, resolveu apoiar essa grande conscientização. Estamos com a Marca Ambiental dando todo o apoio. Convido a Fetaes e a parabenizo por estar na reunião desta comissão hoje e também parabenizo o Senhor Deputado Nunes, Presidente. Acho que, quanto mais falarmos sobre recursos hídricos agora, quanto mais falarmos sobre a preservação do meio ambiente, estaremos falando na preservação da nossa vida, da vida dos nossos filhos, netos, bisnetos e assim sucessivamente. Não é brincadeira essa crise. A crise é séria e temos que levá-la como é e cada um de nós que está nesta reunião tem que fazer sua parte, principalmente no consumo consciente. Também há uma lei de minha autoria, tem o Dia do Consumo Consciente. Venho a esta reunião com muito prazer, Senhor Deputado Nunes. Quando precisar, pode me chamar, que estarei às ordens de V. Ex.ª. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado Senhora Deputada Luzia Toledo. Queria justificar a ausência do nosso presidente, a senhora Diário do Poder Legislativo - 159 falou do presidente da Fetaes, o Julio Mendel. Ele gostaria muito de estar nesta reunião hoje, mas tem uma audiência em Brasília. Estariam presentes nesta reunião o José Izidoro Rodrigues e o Julio Mendel, mas acabou o Julio não podendo estar. Tenho certeza de que o José Izidoro Rodrigues representará muito bem essa entidade de grande importância na vida dos trabalhadores, do homem do campo. Senhora Deputada Luzia Toledo, queria aprovar a ata lida pela nossa secretária, pois acabei pulando essa parte. Em discussão a ata. (Pausa) Encerrada. Em votação. (Pausa) Como vota a Senhora Deputada? A SR.ª LUZIA TOLEDO - (PMDB) - Pela aprovação. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Ata aprovada como lida. Quero convocar para a próxima audiência o MPA e o MST. Já foi feito contato para se fazerem presentes na próxima reunião. Portanto, registramos que na próxima reunião quem estará junto conosco serão os representantes do MPS e do MST para também tratar o mesmo assunto. Portanto, está registrada a convocação dos dois companheiros representando as duas entidades. Senhora Deputada Luzia Toledo, V. Ex.ª está liberada. Muito obrigado. Estamos esperando o nosso Senhor Deputado Marcos Bruno que está chegando. Nos últimos anos, temos assistido no Brasil e no Espírito Santo fenômenos climáticos extremos que vêm acarretando entre várias coisas, mudanças bruscas de temperatura com consequência tanto na economia quanto nas questões sociais. Estamos vivendo o tempo dos extremos, ou muita chuva ou muita seca, o que acentua os desastres naturais. Ao levarmos essa questão para o mundo da produção e do trabalho, especialmente para o campo, percebemos que essas mudanças têm causado grandes transtornos aos micros, pequenos, médios e grandes produtores, como também ao conjunto dos trabalhadores rurais. Portanto, é necessário que esta Casa de Leis atente a esses fenômenos, que consiga fazer o diagnóstico dos impactos na vida do homem e da mulher do campo e que proponha políticas no intuito de minimizar tais impactos. Neste sentido, convidamos, na semana anterior, o Enio Bergoli, que é engenheiro agrônomo e que, recentemente, publicou uma matéria na revista ES Brasil, de abril de 2015, intitulada A Seca e Crédito Rural no Espírito Santo, com subtítulo: A crise hídrica faz a agropecuária capixaba se endividar. Tratando desses impactos e também quantificando esses prejuízos. Além de engenheiro agrônomo, o Enio Bergoli também teve a oportunidade de estar à frente da Secretaria de 160 - Diário do Poder Legislativo Agricultura, ou seja, é ex-secretário de Agricultura. Em nossa reunião, o ex-secretário de Agricultura, Enio Bergoli, trouxe informações que indicam que essa é a pior seca que o Espírito Santo vivenciou nos últimos quarenta anos e que todas as atividades agropecuárias amargaram uma perda de produção que varia de trinta a quarenta por cento. E também que o levantamento do Incaper indica que as atividades que incluem cafeicultura, pecuária de leite, fruticultura, cana-de-açúcar, milho e feijão apontam prejuízos para os produtores rurais na ordem de um bilhão, oitocentos e cinquenta milhões de reais. Considerando essas informações, é necessário saber o que o homem do campo tem passado, quais impactos tem acarretado esse produtor com itens sobre queda na produção, os setores mais impactados, migração, desemprego e o endividamento do produtor rural. Assim sendo, gostaríamos, José Izidoro Rodrigues, de também ouvir da Fetaes um pouco sobre esse relato de qual é o verdadeiro impacto na vida desses trabalhadores e o que esses trabalhadores têm sofrido por conta desses eventos extremos, ou seja, períodos de muita água, como tivemos em 2013, e agora, recentemente, essa seca que acabou trazendo um prejuízo muito grande para esses trabalhadores. Queremos ouvir um pouco esse relato por parte dessa importante entidade que representa, aproximadamente, quinhentos mil trabalhadores em nosso Estado, que é a Fetaes. Quero agradecer também a presença do nosso companheiro, Senhor Deputado Marcos Bruno, que também faz parte desta Comissão. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Marcos Bruno, para fazer uma saudação. O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) - Quer só dar um bom-dia. Na última semana, tivemos aqui uma explanação de extrema importância, que o Senhor Deputado relatou na leitura da ata, sobre as mudanças climáticas e o longo período de estiagem. Fez também uma projeção a respeito do clima para os próximos anos bastante preocupante, de chuvas concentradas em curtos períodos, que trazem os problemas, como os alagamentos, mas também de períodos de estiagem. Acho importante continuarmos com esse trabalho e, depois, abriremos para as perguntas. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado. Concedo a palavra ao Senhor José Izidoro Rodrigues. O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES Bom dia a todos e a todas. Quero cumprimentar os Senhores Deputados Nunes e Marcos Bruno e agradecê-los pela oportunidade. É uma oportunidade para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Espírito Santo expressar sua preocupação com relação aos impactos que essas mudanças climáticas vêm ocasionando no Estado do Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Espírito Santo e demais estados vizinhos. Primeiramente, quero apresentar a Fetaes Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Espírito Santo -, que representa diretamente os agricultores familiares do Estado do Espírito Santo. Esses agricultores familiares, que representamos com muita satisfação, são aqueles agricultores que fazem da sua propriedade, da sua área de produção, também o seu espaço de moradia. É dessa agricultura de que estamos falando, diferentemente de uma agricultura que tem a propriedade, às vezes, para um final de semana ou para pura exploração econômica. Esta agricultura familiar, que defendemos, na qual vivem e fazem a sua moradia, é que é a responsável por dar os catecismos na igreja, que é responsável por embalar as festinhas juninas nas comunidades e levar animação para aquele povo, receber o padre, o pastor na sua casa para fazer as celebrações, enfim, é essa agricultura a responsável por preservar a cultura agrícola capixaba, que existe nos mais diferentes modos no Estado do Espírito Santo. Essa agricultura familiar foi reconhecida não há muito tempo e foi impulsionada por meio do nosso movimento sindical para ampliar a sua capacidade de produção. E essa ampliação se deu por meio de alguns programas e do incentivo por linhas de financiamento, que denominaremos aqui como Pronaf. E o Pronaf tem de fato levado para essa agricultura oportunidade de ampliação da sua produção e, consequentemente, melhorado a sua qualidade de vida. Portanto, a produção capixaba vem se tornando, com essas mudanças climáticas, uma preocupação muito grande, porque a irrigação é um dos instrumentos fundamentais para a nossa continuidade da produção de alimento. E todos os nossos investimentos feitos para a agricultura familiar também dependem diretamente desse recurso. Essas linhas de financiamentos de fato, que não são tão antigas, ainda estão funcionando como um aprendizado para a nossa agricultura familiar no Estado do Espírito Santo. O que se coloca hoje, é que vários agricultores, apesar do Pronaf ter um seguro, não estão tendo condições de acessá-lo e, consequentemente, com a crise hídrica que assolou nosso Estado no final de 2014 e início de 2015, causou uma frustração de safra muito grande. Em alguns municípios do nosso estado, em torno de cinquenta por cento; em alguns municípios do nosso estado, em torno de sessenta por cento; outros, mais no litoral, com menos um pouco, em torno de trinta por cento; e mais no sul do estado, acima de setenta por cento de frustração de safra. Ou seja, estimava-se colher e não vai colher em torno de setenta por cento. De diversas formas a agricultura vem perdendo e vem tentando achar soluções para minimizar essa situação que acontece no estado. O fato é que a nossa principal atividade da agricultura familiar, hoje, no Estado do Espírito Santo, que vem Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 agora, nesse momento, apresentar de fato as perdas, que é o café, no início da safra o movimento sindical, através da Fetaes, orientou todos os sindicados a pedir aos nossos agricultores para acionar o Proagro, programa do seguro da agricultura familiar para a que está inserida nesse convenio. O que ocorre é que quando os nossos agricultores familiares chegaram até o agente financeiro, se depararam com a situação de que eles tinham comprado o insumo, tinham feito os tratos culturais das lavouras, mas não tinham se preocupado em guardar a documentação. E eles já foram informados pelos agentes financeiros que dessa forma eles não seriam beneficiados com esse seguro, eles não conseguiriam acessar o seguro. O fato é que muitos deles nem acionaram o seguro dessa forma. Quando levamos esse problema a Brasília, agora em maio, no Grito da Terra, o que aconteceu é que para o Ministério do Desenvolvimento Agrário a crise não aparecer porque o nosso pessoal não acionou o seguro, imaginando que não iria conseguir. Então, de todos os contratos firmados com o setor financeiro para o financiamento da nossa produção, poucos seguros foram acionados devido a essa situação. O que espelha para o Governo Federal é que a crise não é tão forte com está parecendo ser no Estado do Espírito Santo. E a consequência disso é muito grave, porque de fato nós anunciamos, aproveitamos para anunciar, um grande endividamento da agricultura familiar que, consequentemente, vai ocasionar, e já está ocasionando, mais uma vez, o êxodo rural. Porque o agricultor, na expectativa de fazer a colheita e melhorar a qualidade de vida da sua família, quando é frustrado de uma safra e ainda tem que honrar os seus compromissos, certamente ficará descapitalizado para continuar a produção. Vários desses agricultores familiares que estão morando lá na propriedade rural não têm a propriedade para ele, trabalha no formato de parceria, no formato de meeiro, que denominamos, que são aqueles agricultores que dão o esforço da família para fazer a produção, divide o custo dos insumos e o que sobra dessa produção é dividido com o proprietário. A metade fica para o proprietário e a outra metade fica para ele. Quando ele coloca toda a sua família no trabalho da lavoura durante trezentos e sessenta e cinco dias no ano e chega no final e não tem um resultado positivo, ele faz uma reunião com a família e decide sair da atividade rural e vir para a cidade. Esse êxodo rural e o inchaço da cidade, sabemos muito bem o que vai ocasionar. Não terá emprego para todo mundo aqui Esse problema é muito bem tratado e muito oportuno por essa frente porque também é uma preocupação para nós. Porque nós precisamos da agricultura familiar continuando no campo porque aquele agricultor tem experiência de saber qual é a melhor lua para se plantar; qual a melhor época do ano em que se planta feijão; qual a melhor época do ano em que se planta o milho... E eles já têm, no seu cronograma de identidade, que quando dá o mês de Diário do Poder Legislativo - 161 agosto já começa a preparar o solo para em novembro plantar o milho. Essa agricultura está ameaçada por essa frustração de safra e esse endividamento provocado está deixando de fazer essa produção para vir para a cidade. Isso já está acontecendo. Trazemos isso aqui como federação, com uma preocupação muito grande com o endividamento que ficará para trás, de fato, e com esse êxodo rural. Essa é uma parte da agricultura. A outra parte, que tem a sua propriedade, se não encontrarmos alguma medida de mostrar, principalmente para o governo federal, que o estado do o Espírito Santo passará por problemas em 2015 e isso refletirá para 2016, e que se não existir um amparo para essa agricultura familiar os nossos problemas serão, talvez, muito maiores. Digo 20016 por quê? Porque onde tivemos perdas acima de setenta por cento, as lavouras de café já estão de fato comprometidas e os pastos também. Onde tivemos perdas até a ordem de cinquenta por cento, podemos dizer que temos ainda a lavoura pronta para receber os tratos culturais e esperançarmos com uma colheita futura para 2016. Mas, se esses agricultores tiverem que tirar o restinho que sobrou da safra de café para honrar seus compromissos com os bancos, que sabemos que eles o farão, ficarão sem recurso para investir na lavoura e produzir em 2016. Então, certamente, termos impactos desastrosos nas safras futuras para 2016. E aí é que vimos colocar isso e pedir o apoio do governo para que possa olhar isso como uma situação de amparo à agricultura familiar, para que possa continuar tendo esperança de produzir e fazer da agricultura o seu formato de sustento e não pensar em vir para a cidade para mudar de vida e trazer a sua família, achando que aqui terá todo o conforto que o mundo, entre aspas, diz que existirá para eles. Com relação à água, a deputada Luzia Toledo colocou aqui um projeto de lei que gostaríamos muito de fazer parte dele, sim, mas percebemos que a água precisa ter um tratamento diferenciado, principalmente no Espírito Santo, porque estamos às margens do litoral. Então é um estudo que tem uma estrutura de nascente, mas não tem tantas que sejam suficientes para atender toda a demanda de que a agricultura e a cidade necessitam. No início do ano, vimos o governo com pouca estrutura para atender a cidade e a agricultura com algumas estruturas. Temos na ordem algo superior a trinta mil barragens construídas na agricultura e, diga-se de passagem, construídas com recurso da agricultura e que contribuem também para levantar o nosso lençol freático. Isso faz aflorar mais nascentes no nosso estado. Mas o que pesa é que quando o governo começou a racionar água aqui, deu para nós da agricultura vermos que o governo precisa nos apoiar na construção de mais barragens, para que possamos utilizar nossas propriedades rurais como depósito de acúmulo de água, porque a crise hídrica que assola hoje o estado do Espírito Santo por falta de água, no final de 2013 e início de 2014 era o 162 - Diário do Poder Legislativo inverso, o excesso de água destruiu o nosso estado com excesso de água. Dá para perceber que água é um fator que existe em uma quantidade no planeta terra. As mudanças climáticas é que fazem isso. Temos que perceber que precisamos tratar esse elemento água com um pouco mais de especificidade e ter instrumentos para reservarmos a água no nosso Estado. Agora, não dá para tratar reserva de água no nosso Estado como se só o reflorestamento fosse resolver. O reflorestamento era o que tínhamos de recurso natural e que fazia a reservação de água no Estado e que, consequentemente, nos dava a perenidade de que precisávamos para termos nossas nascentes jorrando água o ano todo. Quando abrimos o nosso Estado - e temos que reforçar que foi incentivado pelo próprio governo - isso já ocasionou a nossa deficiência de reservação de água. Depois, mais para frente, fomos para área alagada, fazer o dreno das nossas várzeas para também fazermos produzir aquelas áreas alagadas. Então, abaixamos mais o nosso lençol freático. Com menos árvores, com o passar do tempo, o nosso lençol freático foi ficando cada vez mais fundo. Escavar poço, hoje, é uma medida desesperada, porque estamos indo atrás da água para buscarmos o restinho que tem reservado. O que nós, da agricultura familiar, por meio das nossas barragens, estamos fazendo, é a construção de mecanismos artificiais para levantar o lençol freático. Porque quando faço o barramento de um vale e dali para cima levanto o meu lençol freático, aquela água vai entrando pelos poros da terra e, consequentemente, estou ajudando os proprietários de baixo. Mas isso tem um custo muito alto e nem todos os agricultores têm recurso e capacidade para fazer esse barramento. O que precisamos é encontrar mecanismos de incentivar essa agricultura a fazer isso, porque não adiantará fazermos o barramento de água em Vitória. Se formos analisar, onde colocamos a caixa d’água da nossa casa? Não é na parte mais alta? Então, nossos barramentos precisam ficar na parte mais acima das nossas cidades, para quando começar a ter falta de água tenha água reservada para enfrentarmos a situação. Nas propriedades no campo, de posse dos agricultores, todos estão loucos para fazer uma barragem em sua propriedade. Quem dera se todos tivessem condições. Uma barragem custa em torno de vinte e cinco, trinta mil reais. O ex-secretário veio a esta Casa e colocou a proposta da barragem, mas de forma coletiva. Sabemos que isso dificulta a construção de barragens, porque construir uma barragem de forma coletiva é ir dentro de uma área particular, privada, e construir uma propriedade. O governo não poderá fazer isso. Então o agricultor terá que doar essa área para o governo. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Há dois formatos para se fazer isso e um deles é por desapropriação. Quando se fala sobre isso para o agricultor ele fica com medo, para ele é uma ameaça falar em desapropriar. Ele não entende essa palavra, como o governo ir lá e desapropriar uma área. O outro formato seria uma doação. Mas o agricultor, ao doar para o governo, além de doar tem que pagar a escrituração para dar o terreno para o governo. Então, já começa a dificultar a construção de uma barragem coletiva. Isso, para nós, inviabiliza. Precisamos ver um formato - e já levamos isso para Brasília - que crie linhas de financiamento com juros baixos, talvez subsidiado, para que o agricultor possa tomar esse recurso e pagar em longo prazo, da mesma forma que temos programas para que a agricultora compre o seu pedaço de terra. Acho que se criarmos algum instrumento nesse formato, daremos condições para a agricultura, ao pensar em produzir alimento, também começar a pensar em produzir água e trazer de volta a sustentabilidade que a gente prega da agricultura familiar. Era o que tinha até então. Ficamos à disposição, Senhor Deputado. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, José Izidoro. Na realidade ia perguntá-lo quais deveriam ser as medidas do governo do Estado para facilitar a vida desses trabalhadores do campo com relação à questão desses barramentos de água na região. V. S.ª fez uma fala um pouco esclarecedora, vamos dizer assim. Depois, se puder falar um pouco mais sobre isso, porque a intenção nossa é justamente extrair dessas reuniões algumas sugestões para encaminharmos ao governo. Depois, V.S.ª fala um pouco mais sobre isso, quais as medidas que o governo do Estado deve tomar para facilitar o homem do campo a ter esse tipo de armazenamento de água. Queria fazer algumas perguntas. Uma é com relação à questão desse fluxo migratório do homem do campo, com relação ao êxodo rural. O que isso significa em números, já que sabemos que na década de 70 e 80, uma grande quantidade desses trabalhadores rurais veio para a cidade. A partir de 2010 , o que isso tem representado na agricultura familiar? O quê que isso tem significado? Continuando essas dificuldades em manter o homem no campo, a família no campo, qual seria a projeção disso? O que significaria isso em curto prazo? Quais foram os setores produtivos e quais são os municípios mais afetados pelas enchentes e pela crise hídrica? Não só pelas enchentes, que aconteceram em 2013, mas também essa seca a partir do final de 2014, registrada no nosso Estado como uma das piores. Só para termos um diagnóstico. Outra pergunta. Quais são, de fato, os programas de financiamento mais usados pelos produtores rurais no Estado? Você falou do Pronaf, mas no Estado quais foram as linhas de crédito mais Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 usadas para financiamento da agricultura? Estamos falando qual a projeção de prejuízo, mas acho que na primeira pergunta você já pode responder um pouquinho também quais foram os prejuízos que tivemos. Você chegou a falar um pouco, mas se falasse mais talvez pudesse nos ajudar. Quais são os programas e projetos que a Fetaes - depois também perguntaremos para o MST e para o MPA - que vocês avaliam que possamos estar implementando no campo e que tiveram bons resultados para minimizar esses impactos? Lembro-me de que, em 2013, ainda estava presidente da CUT. Reunimos a CUT e a Fetaes e apresentamos, junto ao governo federal à época, por conta daquele excesso de água que caiu no nosso Estado. E encaminhamos, ao governo federal, pedindo que amortizassem aqueles empréstimos contraídos e que todos os trabalhadores tiveram perda. Se tem esse debate também, por conta dessa crise hídrica que temos vivenciado em nosso Estado. O que se passa nesse debate? Em âmbito nacional, o que a Contag tem conversado e o que as outras federações têm conversado sobre essa possibilidade de tentar resolver, amortizando esses créditos contraídos? Na realidade, esses trabalhadores tiveram perda por conta disso. Foi aquilo que você falou, há lavouras em que a perda é de setenta por cento. Então, trinta por cento para pagar o que deve e ainda contrair novas dividas, é quase preferível esse homem do campo sair de lá e tentar aventurar. Na cabeça dele é mais fácil fazer isso. O que isso, de fato, representa para esses trabalhadores? O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES Bom, deputado, o número exato de agricultores que já migraram do campo para a cidade, ainda não temos. Não temos isso, mesmo porque é muito difícil mensurar essa situação. Há também casos, devido à crise financeira que tem dificultado um pouco a cidade, nos quais estão também fazendo o processo inverso. Porém, no momento é muito complexo, porque está saindo da agricultura, está vendo que está com dificuldade, mas não conhece a realidade da cidade, então vem para cá. E sai da cidade também, achando que a agricultura está muito fácil. Mas com essa falta de estrutura, chegará lá, receberá uma carga de decepção muito grande e retornará. Isso a gente vai ficar. Sabemos que em torno de vinte por cento da nossa população está na agricultura - hoje podemos dizer que até um pouco menos - e oitenta por cento está na cidade. Quanto menos gente na agricultura, mais caro o custo de vida na cidade, porque a produção começa a ser reduzida, começam a faltar coisas e a encarecer o custo de vida na cidade. Esse impacto é muito grande. Há municípios do nosso Estado que têm fontes de receita de royalties, de alguma outra forma; mas há municípios, a maioria dos municípios do nosso Estado, nos quais a fonte de arrecadação, de onde tira sua riqueza, é por meio das raízes das plantas. E precisamos ter a agricultura Diário do Poder Legislativo - 163 fazendo isso. Quanto aos meeiros, aos parceiros que não tem posse de terra, fica difícil segurar lá se não têm resultado positivo. Ninguém ficará tocando uma empresa ou um serviço se não está gerando renda. Faz uma vez, se não deu resultado, não arrisca de novo. Esse é o problema. Se não agirmos rápido, talvez não dê tempo de segurar essas pessoas na agricultura. Essa é uma situação. Com relação aos municípios que tiveram perdas mais desastrosas... Pois é assim, uma hora perdemos com o excesso de chuva. Talvez, se esses barramentos estivessem bem monitorados e controlados, poderíamos até evitar um pouco dessas inundações que vem para as cidades, porque a água começa a velocidade lá em cima. Se começarmos a contê-la lá em cima, não pegará velocidade, não chegará aqui e servirá para produzirmos alimento posteriormente. Em 2013 tivemos isso em nosso Estado. Os municípios de Itarana, Itaguaçu, São Roque do Canaã, pelo que parece foram as que mais tiveram prejuízos, que se estenderam ao longo de 2014, porque primeiro foram consertar as cidades, claro. A máquina do Estado precisa funcionar. A agricultura também precisa da cidade funcionando, porque dali saem os comandos para nossas escolas, para nossa saúde. Depois é que começaram a mexer nas estradas, depois é que começaram a mexer em pontes. Existem pontes que não foram feitas até hoje e a agricultura precisa dar volta para chegar ao seu destino. E isso é dinheiro que sai do bolso do agricultor, com combustível e com a manutenção de carro. A agricultura sempre é colocada para depois. Então, tivemos essas perdas na agricultura ocasionadas pela enchente. Logo em seguida, no final do ano, vem a insolação, e aquilo em que tínhamos expectativa de safra, não tivemos. Podemos dizer que o norte do Estado, por já estar um pouco mais calejado com problema de estiagem, por estar na área da Sudene, tinha um pouco mais de número de barragens. Não foi suficiente, mas conseguiu manter em torno de cinquenta por cento, quarenta por cento, com caso até de sessenta por cento, onde a situação foi muito mais crítica e que não tinha água suficiente para todo mundo. Mas manteve nesse patamar. Mas o sul do Estado, como, por exemplo, Castelo e a região, temos casos Deputado, de um agricultor familiar que colheu cento e vinte sacos de café maduro, levou para secar, colocou no secador, fez o processo e pilou. Esses cento e vinte sacos de café maduro, teria que render trinta sacas de café, porque o café conilon é em torno de quatro por um, ou seja, são quatro sacas de café maduro para dar uma pilada. Esse café deu três sacas e dezenove quilos. Você imagina um agricultor passar o ano todo esperando uma lavoura florar, capiná-la, limpála, colher um café e esperar trinta sacas e só dar três sacas e dezenove quilos? O que aconteceu com esse 164 - Diário do Poder Legislativo agricultor? Ele pagou para secar e pilar duas sacas de café. O que sobrou para sua família? O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - Na realidade foi dez por cento do que esperava. O SR. O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES - Exatamente. O que ele tinha de expectativa da sua planta de produzir, dez por cento ficou. Ele pagou duas sacas de café, sobrou uma saca e dezenove quilos. Quando ele vai fazer a reunião com sua família, qual é a tomada de decisão? Porque nessa lavoura, além de não ter produzido nada, existia uma expectativa, uma esperança de colher. Não colheu, não tem copa e não tem planta para produzir em 2016. E certamente ele tem um custeio, porque ele comprou adubo, precisou limpar essa lavoura e não colheu. E agora? Ele vai precisar pagar. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Vocês têm detectado isso em algumas regiões. O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES Esse é um caso mais específico, porque no sul do nosso Estado, apesar de ter um índice de precipitação melhor, não tinham essa preocupação de ter barramento. Se tinha que fazer uma irrigação, tirava do curso d’água. Secou o curso d’água, e o que fazer agora? Então, não tinha ainda essa necessidade. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Então a região sul foi a que mais sofreu com essa seca? O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES Muito mais. A região de Castelo sofreu muito mais. Esse é o caso mais alarmante que nós detectamos. Mas vários outros, você vai conversar com os diretores de sindicatos daquela região, relatam problema de água até para manter a casa. Essa é a situação que aconteceu de fato aqui no sul do Estado. No norte também aconteceu, mas como existiam alguns barramentos, algumas medidas que os agricultores precisaram fazer ao longo dos anos, eles conseguiram irrigar. Mas o sol de janeiro foi tão forte, que mesmo assim queimou e houve essas perdas na ordem de cinquenta por cento e em alguns municípios de sessenta por cento. Conversei agora de manhã com o diretor de São Gabriel da palha e eles pegaram o laudo do Incaper sobre a real perda daquela cidade. E o laudo aponta para cinquenta por cento. Ontem à noite viajei de Ecoporanga e lá começa a ter problema de água até para dar para o gado. Já não tem capim e agora está faltando água até para sustentar o gado. Então, isso dá para perceber o problema que enfrentamos até aqui e o problema que vamos ter pela frente. É muito preocupante. Isso é o que tem trazido, de fato, para o nosso setor produtivo. E temos linha de crédito, temos o pessoal que tomou dinheiro emprestado, no sentido de fazer com que as nossas propriedades fossem capazes de produzir. Ou Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 seja, pegou um recurso público para investir na propriedade para produzir alimento e pudesse comercializar, se alimentar e pagar suas despesas e não foi possível. Fizeram todo trabalho e não foi possível. Então não dá para deixar essas pessoas sem esperança. O resultado disso para o Estado do Espírito Santo, cuja maior parte do território é ocupado por agricultores familiares que estão atravessando essa situação... É preciso ver uma medida para amparar essa agricultura. Além disso, temos outras linhas de crédito. Temos agricultores que eram meeiros, acessaram o crédito para comprar a primeira terra, iniciaram o processo de produção e dessa produção tiraram recurso para pagar as parcelas, para pagar até a propriedade, além dos custeios das atividades. Esses agricultores passarão por problemas muito piores porque ainda terão que pagar o custeio da produção e a prestação da propriedade. Então, esses agricultores também terão problemas seriíssimos. Com certeza o nome deles acabará sendo negativado. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Concedo a palavra ao nosso amigo Marcos Bruno, para fazer algumas perguntas. O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) - Serei o mais sucinto e objetivo, tendo em vista... O SR. PRESIDENTE - (NUNES- PT) - Só registrar, Marcos Bruno, que tivemos agora a informação.... Estava preocupado com a outra comissão que também se reúne nesse auditório, mas fomos comunicados de que a comissão de Ciência e tecnologia foi suspensa. Portanto, estamos um pouquinho mais tranquilo. O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) Primeiro, quero ressaltar a importância desta comissão. O José Izidoro, além do conhecimento técnico, mostra um conhecimento muito próximo, muito íntimo da realidade do agricultor capixaba e isso nos traz um enriquecimento de informações muito grande. É muito bacana participar desta comissão. Tenho duas questões, uma na verdade não é pergunta, mas uma observação que temos que fazer. O Espírito Santo tem um histórico de imigrações nos últimos cinquenta, sessenta anos, muito intenso e que acabou culminando com alguns prejuízos, tanto na área rural como na área urbana. Um estado territorialmente muito pequeno facilita a imigração. Desde a década de cinquenta, década de sessenta, com a erradicação dos cafezais tivemos um boom de imigração para a Região Metropolitana, cinquenta, sessenta, setenta... Tivemos uma série de problemas por conta disso, de uma urbanização acelerada e hoje pagamos por isso com a violência, com a marginalidade. Tivemos depois uma diminuição desse fluxo imigratório, surgiram alguns polos de Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 desenvolvimento fora da Região Metropolitana, como Aracruz, a questão da Samarco, a própria você disse muito bem - frustração daqueles que imigraram e a decepção, então o movimento de retorno. Depois passamos novamente por um período de crescimento da economia do Espírito Santo e tivemos um novo movimento de saída do campo para a cidade. E isso trouxe um problema para o campo, principalmente porque vinham muitas mulheres para a região metropolitana, o homem ficava na fazenda tomando conta dos negócios do pai - e você pode dizer muito melhor do que eu sobre isso - e as mulheres vinham para cá para estudar. Então, se cria um desequilíbrio na relação homem-mulher, uma queda da natalidade no campo... Quero dizer que já tivemos muitos prejuízos por conta desses fluxos e agora tivemos a primeira estiagem muito grande. Já temos o anúncio de outros períodos de estiagem que poderão acontecer. Então, fica uma observação para que o Governo do Estado e as prefeituras se preocupem, se empenhem em relação a isso para que não passemos por uma surpresa de termos que acompanhar um fluxo migratório acelerado do campo para a cidade. Sabemos mais do que quem está no campo que a cidade, hoje, não está preparada, do ponto de vista de estrutura, de escolas, de hospitais, de vias para receber um fluxo migratório como ocorreram em outros períodos. Fica essa observação importante. Outra questão foi a pergunta que já havia feito na última reunião a respeito das alternativas. Temos que olhar para frente e pensar: se tivemos outro período de estiagem semelhante ou pior do que esse? Se isso acontecer com certa frequência e a cada dois, três anos venhamos a ter período de estiagem? Temos alternativas. Quais? Uma é a alternativa física, que o José Izidoro disse bem, a construção de barragens, e passa por toda uma questão que você disse, questão jurídica de desapropriação, de entendimento; complexa. Outra alternativa, que ocorre em alguns países que já têm clima caracterizado por um período de seca e um período de chuva muito intenso como, por exemplo, algumas regiões da Índia, da Austrália, de alguns países da América Latina, da América Central principalmente. Alguns deles foram se adaptando a essa condição. É como se a economia de regiões sofresse uma mutação naquele período, já com apoio do governo, ou seja, eles praticam outro tipo de atividade alternativa nos períodos de seca; é como se houvesse um gatilho do governo. Qual a mentalidade do homem do campo, das organizações envolvidas com o homem do campo em relação, digamos, a esse plano B? As duas coisas podem ocorrer de forma paralela? Vamos construir barragens, mas temos opções alternativas. Vamos desistir de barragens, de alternativas físicas e vamos partir para uma adaptação. Existe uma reflexão a respeito dessa questão? O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES - Diário do Poder Legislativo - 165 Deputado, essa pergunta é muito oportuna. Acabei deixando passar na hora que o Deputado Nunes me perguntou. Falarei de uma experiência que tivemos no Município de Colatina. Naquele município tive oportunidade, mesmo sendo um agricultor familiar sem muita formação acadêmica, por ousadia do nosso prefeito que teve coragem de colocar a secretaria de Agricultura daquele município sob meu comando durante cinco anos. Fui secretário de Agricultura de Colatina no início do ano de 2009. Em 2008 passávamos por uma crise muito grande numa microbacia da região do Córrego São João Pequeno, onde os agricultores estavam em conflito. Porque há a necessidade muito grande de água no período de floração do café. E se não ocorrer chuva naquele período eles brigam com quem tiver que brigar porque sabem que se não molharem aquela florada de café para ela acabar de abrir, ela vai emborrachar e não produzirá nada. Se é dali que eles tiram o dinheiro, então, eles vão resolver o problema deles molhando. Quando o de cima liga a bomba e o debaixo não tem água, o debaixo passa a mão no facão e vem para cima do outro agricultor. Então, foi isso que aconteceu e levou isso para o Ministério Público. Então, em 2008 vivi isso do sindicato, dizendo que não adiantava só o governo fazer Termo de Ajuste de Conduta, porque o governo, de fato, precisava fazer ações para ajudar a agricultura a enfrentar aquele problema. Assinar um documento e um papel, não vai resolver o problema do agricultor quando ele sabe que depende daquele momento para produzir no ano seguinte. Ele sabe muito bem disso. Ele vai arrumar um jeito, de dia ou à noite vai ligar a bomba, molhar o café e fazer o café dele produzir. Isso é instinto do agricultor. Quando falamos de barragem, de mecanismos, que eu coloco artificial para ajudar a agricultura, não é que vai resolver o problema para o resto da vida ou que é só essa solução. O que queremos dizer é o seguinte: há um ditado que é bem velho e que diz que precisamos trocar o pneu do carro, sem parar o carro, porque a agricultura continua lá. Se trabalharmos o reflorestamento, que é a forma natural de reservar água, quanto tempo vai demorar para plantarmos árvores suficiente para ter água, para continuar produzindo? Daí a pergunta: a agricultura terá tempo de esperar isso? Não vai. Então, quando entramos em 2009, iniciamos um programa que denominamos de Convivência com a Seca e com a Cheia. É aproveitar o período de muita água, para atravessar o período de muita seca. Então, nessa região, quando entramos em 2009, tínhamos três mil horas de retroescavadeira para adequar as nossas estradas rurais da região do São João Pequeno, fazendo as estradas de um formato que ela iria servir para nós de calha. E nas margens dessa estrada, construímos caixas secas. Quando veio a chuva, essas caixas encheram. Seis meses depois, o resultado 166 - Diário do Poder Legislativo disso foi um aumento das nossas nascentes naquela região. Essa foi uma medida. E como fizemos para transformar três mil horas de máquina em seis mil horas? Só entramos com esse programa para o agricultor que desse mais uma quantidade. O mesmo valor que o município fosse investir na adequação daquelas estradas, o agricultor também investiria. Teve agricultor que topou a parada, teve agricultor que não. Esses agricultores que toparam, como eles investiram também uma parte, cuidaram daquilo e no ano seguinte deram a manutenção. Qual foi o resultado depois de dois anos? Gastamos trinta por cento do que havíamos gastado para fazer a adequação da estrada. Fizemos a manutenção no terceiro ano da mesma forma. Dois anos depois, não foi preciso colocar máquina naquela estrada. O que gastou muito num primeiro momento, foi economia para o município em um segundo momento, porque não precisou mexer com estradas rurais. Essa foi uma das maneiras. Depois, em conversa nas comunidades com os agricultores, teve um agricultor que falou assim: Izidoro, as caixas secas são seis meses para aumentar uma nascente. Isso não está sendo suficiente, porque as nossas lavouras estão precisando de água agora. É preciso também trabalhar alguma coisa com relação à barragem. E então, fizemos mais uma vez a parceria com o agricultor, cedendo horas de máquinas subsidiadas, mas que o agricultor também tinha que entrar com sua contrapartida. Naquele ano de 2010, conseguimos construir doze barragens naquela região do São João Pequeno. Qual foi o resultado daquela região agora em 2014, no período da seca? Não teve briga, não precisou o Ministério Público ir lá. Por quê? Porque fomos encontrar formas de utilizar o período das águas que perdemos com a enchente, para ela nos servir no período da seca. Não vou dizer que não houve perdas, porque o sol foi muito forte e uma planta de um galho de café virado com aquele sol forte batendo em cima, você pode jogar água, mas salvará apenas a parte de baixo, onde pega sombra. A época de janeiro é a época em que o café ainda está em água, ele queimou a casca, não produz, não vai vingar a semente por dentro. Então, tivemos perda em torno de cinquenta por cento devido a essa situação, mas conflito por falta de água, não houve. Essas são medidas artificias. Agora, o que é mais importante disso? Quando fomos implantar um programa do Governo do Estado, na época, se não me engano, meio parecido com o Reflorestar, não me lembro mais do nome desse programa, foi justamente na região do São João Pequeno que tivemos mais agricultores adeptos, porque a vontade de reflorestar tem que partir da percepção do agricultor de que é preciso produzir água. E ele sabe que para manter uma caixa seca e uma barragem, tem um custo, e fazer de forma natural, reflorestando, é muito mais barato, porque ele usará aquela área que não está Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 precisando. Então, vai manter os metros quadrados de mata para poder fazer a reservação de água de forma natural, mas porque está na consciência daquele agricultor. Fazer só no poder da lei, isso não vai chegar para o agricultor, porque ele não aceitará. E se não aceita, não faz. Quando o agricultor vive e participa disso, fica muito mais fácil termos a agricultura trabalhando dessa forma. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - Só vou agradecer ao José Izidoro Rodrigues. Izidoro, nosso amigo, Senhor Deputado Marcos Bruno, participa de outra Comissão, que se inicia às 12h30min e terá que se ausentar. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Marcos Bruno. O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) Agradeço ao José Izidoro Rodrigues as palavras. Ele é muito ponderado e muito bem informado de tudo. Poucas vezes conversei com alguém que estivesse tão próximo, tão íntimo da crise. Parabéns. Contribuiu bastante para a Comissão. Ao final teremos um relatório. O que me deixa mais contente é que, mesmo sem o relatório em mãos, já conseguimos amadurecer bastante sobre o que está acontecendo. É um aprendizado, uma verdadeira aula que estamos tendo nesta reunião sobre tudo o que estamos passando. O Senhor Deputado Marcos Bruno, o Senhor Deputado Nunes, a Comissão está de portas abertas para recebê-los e ajudar na medida do possível. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Antes de encerrar, José Izidoro Rodrigues, você falou sobre a dificuldade que os trabalhadores têm tido para ter acesso ao seguro, por conta de não ter guardado os documentos de compra dos insumos. Enfim, houve essa dificuldade. O que você acha que o poder público pode fazer para que esses trabalhadores que tiveram esse prejuízo muito grande, possam encontrar um caminho que minimize esse prejuízo? Talvez não consigamos em um todo, mas pelo menos para minimizar. Há alguma sugestão do movimento sindical, dessas entidades? Entendemos que precisa ser feito alguma coisa, mas o que podemos fazer? Talvez V.S.ª pudesse nos ajudar a encontrar um caminho seguro, para que possamos apresentar, ao término desta Comissão, essas sugestões às instituições e ao Governo do Estado. O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES Senhor Deputado, temos sim um encaminhamento tirado da nossa Confederação, que fica em Brasília, que é a Contag. Em maio levamos esse problema, essa situação para o ministro da Agricultura Familiar, do MDA, Ministério do Desenvolvimento Agrário, e pedimos alguma medida para que pudesse apoiar os Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 municípios do Estado do Espírito Santo e uma parte de Minas Gerais, que estão vivendo com essa situação muito grave. E o nosso pedido foi respondido, dizendo que cada situação será tratada de acordo com sua especificidade. Esta que foi a resposta do Governo Federal. Estamos levando essa situação para o Governo Federal, porque o recurso do Pronaf, o recurso do Programa Nacional de Crédito Fundiário e a maior parte dos recursos que a agricultura familiar trabalha são recursos do Governo Federal, são recursos subsidiados pelo Governo Federal. Então, uma medida de apoio dessas tem que partir do Ministério de Desenvolvimento Agrário. O que acontece é que vários rumores foram colocados aqui no Estado - e não sabemos qual foi a intenção disso - de que já estava tudo resolvido, que saiu até no jornal. E nada disso, de fato, aconteceu. Então, levamos essa situação para o Governo, que nos respondeu dessa forma. A recomendação que a nossa Confederação fez é que fizéssemos todos os levantamentos das perdas do Estado que de fato aconteceram, para que pudéssemos então levar isso para o conhecimento do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Procuramos o Governo do Estado - fomos muito bem recebidos pelo secretário e pela sua equipe -, e o Incaper nos passou tudo que já foi encaminhado ao Governo Federal. Então, temos esse croqui, nós temos essa documentação através da Seag e do Incaper. A outra medida que estamos tomando enquanto movimento sindical é a de orientar os nossos sindicatos para que procurem o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável, o secretário de Agricultura, os Incapers locais e peguem um laudo do governo dizendo, de fato, qual foi a real perda que a agricultura teve, para que, aí, possamos encaminhar ao Governo Federal e pedir medidas para que possa apoiar. O que nós, do movimento sindical, pedimos é a anistia desse período que não colhemos. Por que pedimos a anistia? Porque uma lavoura tem um ciclo de vida. Se você faz um investimento para plantar, vamos fazer uma conta: mil plantas de café, que é a principal atividade da agricultura familiar em nosso Estado, têm um custo para uma lavoura que tem um ciclo de vida de oito anos, doze anos. Então, quando você perde uma safra de um ano, perde uma fatia. O que nós queremos é que esses anos que estamos trabalhando e que não temos condições de arcar sejam anistiados. O Governo já acenou que isso será muito difícil de conseguir, mas então que apresente uma proposta. O que pode sair também como um apoio talvez desse trabalho que está sendo colocado é que se possa também reforçar esse pedido junto com a agricultura familiar ao Ministério de Desenvolvimento Agrário de alguma medida e apontando de fato quais foram as reais perdas do estado do Espírito Santo que estão atingindo a agricultura familiar, preocupada com o Diário do Poder Legislativo - 167 endividamento e preocupada também com o êxodo rural, que vai refletir de fato no mercado de trabalho do nosso estado do Espírito Santo. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Izidoro, acho que na reunião anterior não colocamos na nossa programação, não listamos o MDA como uma entidade que conversaríamos, convidaríamos para estar nessa reunião. Fizemos isso? Você acha que convidar o MDA para estar aqui junto conosco, para conversar um pouquinho, é muito interessante? Pode ser que ela tenha também elementos para debatermos sobre esse tema. O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES Acho que, se for possível, convidar o delegado regional, mas fazer todo o esforço para que venha o secretário da Agricultura Familiar em nível nacional, para que ele possa estar presente e ver a realidade do Espírito Santo. É uma medida que poderia, tanto o secretário da Agricultura Familiar como o secretário de Reordenamento Agrário, que é onde está o Programa Nacional de Crédito Fundiário, que são as duas linhas que mais têm investimento e custeio na agricultura familiar no Estado. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Podemos fazer uma reunião itinerante, ou seja, esta Comissão ir a Brasília para conversar com essa pessoa, para ouvir o secretário, porque acho que fica mais fácil. É possível? Então, acho que vamos fazer isso, José Izidoro. Por conta do quórum, vamos apresentar essa sugestão aos demais membros da Comissão na próxima reunião e deliberamos essa diligência para ouvirmos essa pessoa que você fala, do MDA. Seria o secretário da Agricultura Familiar. O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES - O secretário da Agricultura Familiar e o secretário de Reordenamento Agrário do MDA. São duas pastas que têm muito a contribuir para isso. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Acho que podemos fazer esse encaminhamento, então. Agradeço a presença do José Izidoro Rodrigues, diretor de política agrícola da Fetaes. Essa sua contribuição muito engrandece esta Comissão, que tem esse objetivo de conversar e de discutir esse problema não só com as entidades, mas também com as instituições. Ao fim, ao término desta Comissão, que tem noventa dias, encontrarmos algo que minimize esses impactos. Pretendemos encontrar um caminho nessas reuniões que estamos fazendo, nesses convites que estamos fazendo a essas entidades e assim extrair vários elementos que possam nos subsidiar para encontrar uma solução. Agradeço sua presença e digo que foi muito importante. Faço um convite à Fetaes para que nas próximas reuniões, até para ouvirmos os outros e criar mais elementos. Acho que a contribuição pode 168 - Diário do Poder Legislativo vir a partir das outras conversas também, não precisa ser exatamente na reunião. Acho que poderá apresentar alguma proposta direto à Comissão. Não sei se você gostaria de fazer algumas considerações finais antes de darmos por encerrada esta reunião de hoje. O SR. JOSÉ IZIDORO RODRIGUES Só mesmo agradecer e dizer que a agricultura familiar sai muito esperançosa. Colocamos da busca da real situação que hoje se encontra o Estado e acho que a título de sugestão, ficando a critério da Mesa e demais que possam conduzir, que esta Comissão possa, talvez em audiências pelo Estado, buscar, junto da base da agricultura familiar, informações mais aprofundadas dessa questão do êxodo rural, que vai impactar, refletir de fato no espaço de trabalho dos nossos agricultores e, consequentemente, para as cidades do Espírito Santo. Só mais como sugestão. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) A sugestão seria fazer audiência pública, não é isso? Na próxima reunião podemos pensar um pouquinho sobre isso, talvez fizéssemos uma audiência pública na região norte, uma na região sul, que são extremos, quem sabe pudéssemos buscar também elementos para não subsidiar. Enfim, queria, mais uma vez agradecer ao José Izidoro Rodrigues pela participação nesta comissão e dar por encerrada esta reunião. Nada mais havendo a tratar, declaro encerrada a reunião e convoco os Senhores Deputados para a próxima, à hora regimental. Está encerrada a reunião. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 que representasse o MST, mas ainda não chegou e esperaremos mais um pouquinho. Daremos início ao nosso trabalho e teremos daqui a pouco a presença dos Senhores Deputados Marcos Bruno e Guerino Zanon, membros desta comissão. Para ouvirmos mais nossos convidados dispensarei a leitura da ata da reunião anterior. Solicito à senhora secretária que proceda à leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: EXPEDIENTE: E-mail do MPA em resposta ao OF/CE n.º 007/2015, indicando o senhor Dorizete Cosme para a reunião desta comissão no dia 14 de julho. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Ciente. Junte-se aos autos. Continua a leitura do Expediente. A SR.ª SECRETÁRIA lê: Ofício n.º 03 - Processo Administrativo n.º 152336/2015 da Procuradoria-Geral desta Casa de Leis, informando o nome dos procuradores designados para acompanharem os trabalhos desta comissão: doutora Iovana Barbosa Loriato Hermessmeyer e doutor Fernando José da Silva. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Ciente. Junte-se aos autos. Continua a leitura do Expediente. Encerra-se a reunião às 12h35min. A SR.ª SECRETÁRIA lê: _________________________________________ __ COMISSÃO ESPECIAL CRISE HÍDRICA. QUARTA REUNIÃO ORDINÁRIA, DA PRIMEIRA SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA DÉCIMA OITAVA LEGISLATURA, REALIZADA EM 14 DE JULHO DE 2015. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Havendo número legal, invocando a proteção de Deus declaro abertos os trabalhos desta comissão. Saúdo os servidores desta Casa, em especial os que acompanham esta comissão e os que nos assistem por meio da TV Ales. Agradeço ao senhor Dorizete, amigo e militante do Movimento dos Pequenos Agricultores, a presença. Também fizemos convite ao companheiro Ordem do dia: O que ocorrer. Comunicações: Objetivo da Comissão: Esta comissão especial tem por objetivo apreciar, analisar, investigar, acompanhar, monitorar e propor políticas públicas para os impactos causados no mundo do trabalho do homem/mulher do campo devido à seca e à crise hídrica. Convidados: Senhor Dorizete Cosme - Representante do Movimento dos Pequenos Agricultores MPA Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Aguardaremos o representante do MST chegar. Antes, porém, relatarei sobre a Ordem do Dia e também falarei um pouco sobre esta comissão que surge a partir da necessidade desta Casa de Leis em se aprofundar nas demandas inerentes aos eventos climáticos pelos quais o estado do Espírito Santo vem passando nos últimos tempos. Estamos vivendo um tempo dos extremos, ou muita chuva ou muita seca, o que acentua desastres naturais como o ocorrido em 2013, com muita chuva, e em 2014 o extremo, ou seja, muita seca. Ao levarmos esta questão ao mundo da produção e do trabalho, especialmente para o campo, percebemos que essas mudanças têm causado grandes transtornos a micros, pequenos, médios e grandes produtores, como também ao conjunto dos trabalhadores rurais. Pensando em como tratarmos as questões relativas aos prejuízos causados na população do campo e que esta comissão tem encaminhado, já recebemos o exsecretário da Agricultura do Governo do Estado, professor Enio Bergoli, que trouxe um relato de diversos setores que têm sofrido com os impactos das mudanças climáticas. S. S.ª chegou a quantificar em torno de um bilhão e oitocentos milhões de reais os prejuízos com a chuva e com a seca extremas e nos trouxe também a necessidade de dialogar com o banco sobre a utilização dos mesmos, instrumento utilizado para o Nordeste no que tange às dívidas adquiridas pelos nossos produtores. Na semana passada, recebemos o secretário de Políticas Agrícolas e Meio Ambiente da Fetaes, o José Izidoro Rodrigues, que trouxe para nós outro elemento que é a necessidade de crédito para a construção de barragens e também que o endividamento dos agricultores familiares em função da frustação da safra ocorrido no Espírito Santo. A escassez de água chegou a gerar, em alguns lugares, perda de setenta por cento diante dessa situação. Muitos pequenos produtores que fazem uso do recurso do Pronaf recorreram ao Proagro, que é um seguro voltado para esse público-alvo, mas não tiveram acesso à garantia. Receberemos, hoje, com prazer, integrantes do MST que estão a caminho. Para quem tem informação, sabe a importância que tem esse Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra para a vida dos trabalhadores da agricultura e possuem larga experiência na jornada em prol da reforma agrária no país. É considerada uma das maiores organizações sociais do nosso tempo e também o MPA, que é o Movimento dos Pequenos Diário do Poder Legislativo - 169 Agricultores, uma organização de cunho nacional com vasta experiência em questões ligadas ao campo, especialmente na área da produção e habitação, sendo seu objetivo principal a produção de comida saudável orgânica para as próprias famílias e para todo o povo brasileiro, garantindo assim a soberania alimentar do nosso país. Além disso, busca o resgate da identidade e da cultura camponesa. O nosso amigo Dorizete Cosme fará um relato do que tem sofrido e como tem vivido esses momentos tão graves que temos passado nos últimos tempos, tanto em 2013, com o excesso de água, e também em 2014, com a falta de chuva. Foram extremos ocorridos, principalmente, nesses dois últimos anos. Temos algumas informações que levam a acreditar que teremos momentos mais graves daqui para frente. Algumas pesquisas já apontam que a quantidade de água que caiu em nosso estado no ano de 2014, provavelmente será menor em 2015, ou seja, há uma possibilidade de termos uma crise um pouco maior do que tivemos em 2014. Portanto, esta comissão tem essa responsabilidade de discutir, debater e também apontar alguns caminhos para minimizarmos esses impactos na vida desses trabalhadores do campo. A nossa ideia, Dorizete Cosme, é justamente buscarmos informações através de vocês que são pessoas que estão lidando com essa situação cotidianamente e buscarmos alguma solução e alguns encaminhamentos para que possamos minimizar esses problemas. Queria agradecer ao Deputado Marcos Bruno, membro desta comissão, a presença. Gostaria, antes de passar a palavra ao nosso amigo Dorizete Cosme, que V. Ex.ª pudesse fazer algum comentário também sobre o nosso convidado, ou seja, a vinda do nosso convidado a esta comissão. Portanto, concedo a palavra ao Senhor Deputado Marcos Bruno. O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) Bom dia a todos. Bom dia, Senhor Presidente Nunes e Dorizete Cosme, responsável pelo Movimento dos Pequenos Agricultores, que têm acompanhado os trabalhos desta Comissão. Evidentemente que os pequenos agricultores são o lado que mais sofre e que mais sente. São aqueles que não têm o capital em excesso para poder superar, para poder aguardar o momento da escassez de águas. Tenho certeza de que a sua presença enriquecerá muito os trabalhos desta Comissão e me coloco, como deputado, à disposição para colaborar, para contribuir, para colher as informações que nos ajudem na elaboração de um relatório que seja importante para a superação 170 - Diário do Poder Legislativo desse obstáculo, que é a escassez dos recursos hídricos no Estado. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Senhor Deputado Marcos Bruno. Dorizete, são 11h26min. Poderíamos conceder, inicialmente, de quinze a vinte minutinhos para que o senhor pudesse fazer uma exposição e falar um pouquinho sobre como é essa luta de vocês no campo. E por conta dessa crise, o que tem de fato ocorrido na vida dos trabalhadores e trabalhadoras do campo. Concedo a palavra ao senhor Dorizete Cosme. O SR. DORIZETE COSME - Bom dia, senhoras e senhores. Saúdo todos os servidores desta Casa, telespectadores da TV Ales, trazendo um abraço fraterno de todas as famílias camponesas do Estado do Espírito Santo. De uma forma especial, saudar e também trazer esse abraço caloroso e fraterno das famílias camponesas para os membros desta Comissão Especial, que propõe a discussão sobre esse assunto, que necessita de uma atenção especial. Por isso, já queremos, antecipadamente, parabenizar a iniciativa dos senhores deputados por estarem tratando desse assunto com a atenção merecida. Trazemos os nossos parabéns por essa iniciativa louvável nesse momento de crise hídrica. Estamos debatendo várias crises hoje na humanidade, e a crise hídrica é uma das que vêm trazendo sérias preocupações para o conjunto da sociedade em nosso planeta. O Movimento dos Pequenos Agricultores é um movimento bastante jovem, um movimento adolescente, que surgiu no final da década de 90 e que, desde a sua existência, desde a sua origem, vem discutindo, propondo e implementando uma série de políticas públicas que possibilitam à família camponesa, sobretudo a juventude camponesa, melhores condições de continuar vivendo no campo. É um movimento em que, por exemplo, algumas conquistas hoje de políticas públicas que temos no campo brasileiro surgiram a partir da nossa organização, da nossa luta. É claro que jamais - essas conquistas - aconteceram sozinhas. O MPA, juntamente com vários outros movimentos sociais brasileiros e com o apoio e a parceria de vários políticos comprometidos com essa causa, conseguiu, por exemplo, avançar no crédito agrícola, num programa de moradia para o campo, no programa de aquisição de alimentos, o PAA, na Política Nacional da Alimentação Escolar, o Pnae, ou seja, tem uma série de programas de políticas hoje em nosso país que, vamos dizer assim, amenizaram a vida do Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 cotidiano do conjunto das famílias camponesas brasileiras. Somos um movimento que tem essa responsabilidade. Compreendemos que precisamos nos organizar, para que possamos, por meio de uma organização, fazer com que as pessoas e as famílias compreendam o seu papel na sociedade. E a partir da união, da organização, propormos, reivindicarmos e inclusive ajudar a implementar as políticas públicas, para que de fato consigamos avançar na melhoria da qualidade de vida das famílias no campo. Historicamente, no nosso país, ficamos sempre à margem, sempre excluídos do conjunto maior das políticas voltadas para o campo. Sempre existiu uma priorização das políticas agrícolas voltadas mais aos médios e grandes produtores e percebemos a necessidade de fortalecer as articulações entre os movimentos sociais e sindicais brasileiros, para que pudéssemos avançar no conjunto das políticas também voltadas para os pequenos agricultores, para o campesinato brasileiro. Hoje, essa questão da crise hídrica, que sentimos na pele com uma severidade maior, é um assunto que o movimento, desde a sua existência, vem debatendo. Essa questão da necessidade de compreendermos a forma, o jeito como é praticada a agricultura e o jeito que é praticada a pecuária nesse país. Ou seja, o modelo de produção existente no país, hoje, o modelo de produção agrícola que temos no país, com o seu conjunto de técnicas, o que vem trazendo de benefícios para a sociedade brasileira, mas também, o que vem provocando de impactos. Por isso, o movimento vem debatendo com muita profundidade o atual modelo de produção, que sabemos que é um modelo que prevê a produção, a produtividade, mas esquece de olhar e de considerar os outros fatores, como a questão social, a relação de trabalho e a questão ambiental. Esse é um debate que vimos fazendo e desde o início da existência desse movimento alertamos para as consequências desse modelo de produção. Esse modelo de produção, que na maior parte do mundo é hegemônico, é predominante, nos faz sentir na pele, hoje, as diversas consequências. Um desses impactos é o desmatamento. Estudos apontam para a situação do desmatamento que tivemos da Mata Atlântica, no litoral brasileiro, de modo especial aqui no Espírito Santo. Segundo os dados estatísticos, temos apenas sete por cento da mata atlântica no território capixaba. Com isso, ao longo das diversas décadas, estamos sofrendo as consequências. A questão da pecuária extensiva, da forma como é feita, também vem trazendo várias consequências. E as monoculturas Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 de um modo geral. A própria monocultura do café e, recentemente, a monocultura da cana e do eucalipto, que vêm ajudando a prejudicar essa situação. Mais recentemente, estamos notando que os períodos de crise estão acontecendo com mais frequência, num período de tempo mais curto. Como já ouvimos, e aqui nesta Comissão já foi relatado, os períodos críticos de crise, hora por muita chuva, e mais na atualidade com a questão da estiagem, percebemos que vem acontecendo com uma periodicidade mais curta. O que aconteceu? A crise que tivemos nesses últimos anos vem demonstrando isso, que o período de ciclo de crises em virtude de estiagem vem acontecendo com muito mais frequência em um período mais curto. E o que sofremos no final de 2014 e início de 2015 é um sinal, que já podemos considerar vermelho, dessa crise que hoje estamos vivenciando, principalmente na região Sudeste. Entendemos que um dos motivos, e estudos apontam para isso, é a continuidade do desmatamento da Floresta Amazônica. Vários cientistas vêm pesquisando há várias décadas, o que sofremos na região Sudeste neste início de ano, esse problema que enfrentamos na região sudeste, a falta de chuvas, e verificaram ser em virtude do aceleramento do desmatamento da Floresta Amazônica. Os dados apontam que a Floresta Amazônica consegue transmitir, traz para a região Sudeste, um imenso rio de cerca de vinte bilhões de toneladas de água em forma de vapor, que as correntes vêm trazendo do Norte para o CentroOeste, passando pela nossa região Sudeste. A continuidade do desmatamento da Floresta Amazônica para dar espaço a grandes monocultivos, principalmente da soja e do milho, chegando depois a cana e outros monocultivos, vem trazendo como consequência a diminuição da precipitação pluviométrica, da formação das nuvens, aumentando com isso a escassez das temporadas de chuva. Tivemos essa crise agora, no início do ano, que, de fato, assustou, vem assustando, trazendo sérias preocupações para toda a sociedade brasileira, mas de modo especial para as famílias que vivem no campo, que dependem da chuva para ter água para saciar, para abastecer as necessidades humanas e dos animais, e para realizar a irrigação das lavouras. Os pequenos agricultores vêm sofrendo com mais intensidade essa situação da crise hídrica. Nós do Espírito Santo, nós do MPA, realizamos, logo no início do ano, com a intensificação da crise, várias assembleias, em diversos municípios, para debatermos as causas dessa crise, mas também para debatermos quais são as ações, as propostas, que devemos Diário do Poder Legislativo - 171 implementar para que, de fato, essa situação possa ser amenizada a curto prazo, e também quais são as ações que devemos apresentar para as nossas autoridades governamentais, no âmbito do Legislativo, do Executivo e também do Judiciário, porque são entes governamentais que têm uma responsabilidade com a situação. Nessas assembleias que realizamos, debatemos um conjunto de ações que entendemos que o Estado precisa promover, precisa ampliar programas e políticas públicas que façam com que a situação vivenciada pelo conjunto do campesinato capixaba possa ser resolvida a curto, a médio e a longo prazo No Espírito Santo temos um estado de número bastante considerável, somos um estado que tem um número bastante elevado de famílias camponesas ainda no campo e que o conjunto das famílias camponesas cumpre um papel imprescindível aqui no Estado do Espírito Santo no que tange à produção de alimentos, uma produção bastante diversificada, produzindo alimentos para abastecer o mercado capixaba, mineiro, baiano e também carioca. Nossa produção abastece todo esse mercado regional. A agricultura familiar, agricultura camponesa cumpre no estado do Espírito Santo esse papel importantíssimo de produzir com quantidade, mas também com qualidade; essa consciência de que a produção não pode ser só em quantidade, mas também tem que ser observada a qualidade dessa produção. Esse é um aspecto que estamos discutindo, debatendo e implementando na prática junto às famílias camponesas capixabas. Realizamos debates e apresentamos, no início de fevereiro deste ano, uma proposta para as autoridades do Espírito Santo sobre quais ações entendemos que o estado precisa implementar. Porque de acordo com as previsões para o decorrer do ano, iríamos continuar tendo problemas de precipitação pluviométrica. E os dados já apresentados aqui comprovaram isso, que o índice de chuvas que estamos tendo no Espírito Santo está bem abaixo da média dos últimos anos. Isso nos traz uma preocupação muito grande. Se entrarmos em um verão com os níveis dos reservatórios do jeito que estão, teremos no período de verão - que é o período de granação do grão do café para a próxima colheita de 2016 - a próxima safra de café bastante comprometida, podendo ter uma perda igual ou superior do que tivemos em 2015, ou seja, uma safra menor do que a de 2015. Essa situação, essa preocupação a gente vem debatendo, a gente vem trazendo para as autoridades. E quando apresentamos o conjunto das propostas, uma das primeiras propostas que entendemos em curto prazo e que precisamos 172 - Diário do Poder Legislativo debater é a questão do crédito agrícola. Então é uma anistia do crédito agrícola proporcional à perda que os agricultores tiveram na questão do café e também nas demais culturas de um modo geral. Os dados apontam, demonstram as perdas mais com relação à cultura do café, mas, de modo geral, toda a produção agrícola e pecuária ficou seriamente comprometida. Primeira questão: crédito agrícola; anistia do crédito agrícola. É necessário que em cima dos dados oficiais de perda da produção agrícola no geral, agropecuária, temos que ter um desconto do Pronaf dos financiamentos do crédito agrícola que hoje é importante apurar direitinho. Por isso é interessante ouvirem os agentes financeiros para a gente poder ter as informações bem precisas da inadimplência, hoje, do crédito agrícola em virtude das consequências da estiagem, da seca. Outra proposta é com relação ao uso da água. Precisamos trabalhar a proibição da utilização da água com sistema de irrigação que não a utiliza de forma racional. Propusemos a proibição do uso de sistema de irrigação que utiliza a água de forma desordenada. Poderíamos ter programas estruturantes que permitissem que as famílias utilizassem o sistema de transição do sistema de irrigação que existe hoje para o sistema de irrigação com uso racional da água. Também há a necessidade de um trabalho educativo aos agricultores sobre o uso racional da água e sobre o uso adequado da irrigação, quando deve se irrigar e quando não se deve. Também há necessidade muito grande de trabalho educativo feito pela assistência técnica oficial, principalmente, sobre o manejo correto da irrigação e sobre as práticas de conservação do solo para fazermos com que a água utilizada na irrigação permaneça no solo por mais tempo. Também precisamos, mais a longo prazo, de políticas estruturantes que façam com que as nascentes sejam recuperadas. As Áreas de Preservação Permanentes que hoje estão desprotegidas precisam ser reflorestadas com essências nativas e com árvores frutíferas, não com eucalipto porque sabemos da capacidade de absorção de água do eucalipto. Defendemos a recuperação das APPs, hoje desprotegidas e das nascentes desprotegidas implementando sistemas agroflorestais, os chamados SAFs, que é uma técnica na qual se prevê o plantio consorciado de espécies nativas e frutíferas. Com isso, faremos a preservação das APPs, das nascentes e geraremos renda para as famílias. Mas para isso precisamos fazer com que hoje o programa Reflorestar que, em nosso entendimento é interessante, caminhe em um ritmo, em uma velocidade maior. O Estado precisa aportar mais recursos para que esse programa de Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 fato atenda a um número maior de famílias. Hoje, o programa Reflorestar precisa ser olhado com mais atenção e com mais carinho para ampliarmos o número de famílias atendidas, pois ainda é um número muito insignificante. Em nosso entendimento, o programa precisa ser apoiado e olhado com mais atenção para atendermos a um número maior de famílias. Entendemos que esse conjunto de ações de curto, médio e longo prazo precisa acontecer em uma velocidade maior. Percebemos que o Estado, no início do ano, realizou uma série de audiências no interior do Espírito Santo. Mas parece-me que depois desse período, quando começou a ocorrer algumas chuvas, houve certa... Não se priorizou e se entendeu que os problemas já tinham sido resolvidos com a chegada da chuva. No entanto, percebemos que temos ligeira impressão de que a situação está tranquila, normalizada, mas não é verdade. Estamos vivendo o que chamamos de seca verde. Existe uma aparência. As lavouras aparentemente estão verdes, mas se formos observar os reservatórios de águas, as represas, vamos ver que o nível está bastante baixo. Volto a repetir: se entrarmos num verão como tivemos no final do ano passado, com tanta intensidade, com altas temperaturas, de fato, mais uma vez vamos amargar uma situação bastante delicada, com certeza, com o agravamento ainda maior dessa crise. Por isso é que esse conjunto de ações que estamos propondo são ações que os senhores e as senhoras observam que têm que ser pensadas, de caráter emergencial, aquelas que forem de curto prazo, mas também aquelas de médios e longos prazos precisamos pensar e implementá-las agora para que, no futuro, não enfrentemos as dificuldades que se avizinham, que estão sendo previstas, para não termos os impactos que tivemos no final do ano passado e no início deste ano. Por isso mais uma vez parabenizamos os senhores deputados por essa iniciativa. Para finalizar essa fala, queremos propor também ainda que essa ação, essa iniciativa de que os senhores estão implementando, estão realizando no Espírito Santo, pudesse também ser realizada, e de forma articulada, com os demais estados da região sudeste que também sofreram e estão sofrendo as consequências dessa crise hídrica que estamos enfrentando na região sudeste porque assim vamos acumular uma força política maior e vamos, através desse acúmulo da força política, sensibilizar o governo federal para que as ações aqui apresentadas nesta comissão e nos outros estados possam ressoar, sensibilizar o governo federal sobre esse conjunto de medidas que aqui, com certeza, serão propostas e encaminhadas para o governo federal. Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Sabemos que o Espírito Santo tem sua força política, mas se conseguirmos articular essa força política capixaba com as demais forças políticas dos demais estados que estão sofrendo também as consequências dessa crise, com certeza teremos sucesso muito maior para o conjunto de propostas que aqui estão sendo apresentadas. Nós, enquanto MPA, continuamos nos colocando à disposição para continuar sendo um parceiro nessas ações que, com certeza, continuarão sendo realizadas de agora para frente a fim que alcancemos o objetivo que desejamos e é isso que desejamos alcançar. O conjunto da sociedade capixaba, de modo particular, as famílias camponesas capixabas estão bastante interessadas, estão numa expectativa muito grande de que essas ações que apresentaremos, que serão encaminhadas ao governo federal, que tenhamos o sucesso de que precisamos alcançar. Colocamo-nos à disposição para continuar sendo parceiros para trazer aqui mais elementos concretos, dados, informações mais precisas, mais contundentes que, infelizmente, não conseguimos nos organizar para trazê-las de uma forma mais sistematizada. Mas nos comprometemos em continuar contribuindo com informações mais sistematizadas para que alcancemos os objetivos que almejamos. Muito obrigado pela oportunidade. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, senhor Dorizete Cosme. Antes de passar a palavra aos nossos companheiros Deputados Marcos Bruno e Guerino Zanon, queria só deliberar algumas questões, inclusive ficaram pendentes na reunião passada. Deliberar sobre a realização de duas audiências públicas, uma no norte do Estado e outra no sul do Estado para que também possamos dar oportunidade ao homem do campo a ter um espaço para discutir esse tema de tão grande importância para a vida desses trabalhadores. O importante é que esse debate se dá justamente por conta dos impactos que essa crise tem causado com relação ao mundo do trabalho. Ou seja, é o sustento que os trabalhadores têm da terra e por conta dessa crise eles acabam tendo uma perda muito grande. Enfim, propusemos isso na última reunião, essa indicação para realização dessas duas audiências. Portanto, gostaria de saber se os dois nobres Senhores Deputados, também entendem a importância de fazermos essa audiência nesses lugares. Depois, veremos qual o município para a realização dessas duas audiências. O importante é aprovarmos, nesta reunião hoje, já a realização da audiência. Em votação o requerimento das duas audiências. Diário do Poder Legislativo - 173 Como votam os Senhores Deputados? O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) Pela aprovação. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Pela aprovação. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Aprovado. Outra deliberação, também motivo de discussão em nossa última reunião, de uma audiência em Brasília com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, na Secretaria da Agricultura Familiar e também de Ordenamento Agrário. Precisávamos também deliberar essa audiência em Brasília, para podermos conversar com essas secretarias, para levar esse debate ao conhecimento delas no MDA. Em votação o Requerimento. Como votam os Senhores Deputados? O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) Pela aprovação. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Pela aprovação. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Aprovado. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Marcos Bruno para fazer algum comentário sobre a questão, aproveitando a vinda do Dorizete Cosme. O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) Primeiro, agradeço a presença do Dorizete, que bem representa o movimento dos pequenos agricultores e que nos esclareceu muitas dúvidas que tínhamos de início. Entendemos que o pequeno agricultor depende muito mais dos recursos naturais do que o grande agricultor. Ele depende de solo, de relevo e de clima. Reconhecemos e entendemos o quase desespero do pequeno agricultor quando o estado e o país passam por um período de escassez de recurso. Agora, uma questão. Quando você diz que representamos os agricultores, qual a referência para essa classificação? É um módulo fiscal, qual o tipo de referência que vocês adotam? O SR. DORIZETE COSME Trabalhamos com o público, pequenos agricultores que se enquadram na classificação do Pronaf, até quatro módulos fiscais. Varia muito, porque o módulo fiscal varia de região para região no Estado, mas nessa faixa de no máximo de oitenta hectares por família. 174 - Diário do Poder Legislativo O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) - No Estado, hoje, seria uma faixa de oitenta? O SR. DORIZETE COSME - Sim. O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) Outra questão, Senhor Deputado Nunes, se me permite. Na verdade, no final, Dorizete acabou falando um pouco. Temos uma classificação do Pronac ao reconhecimento e entendimento. Mas, se o pequeno agricultor sofre bem mais com a escassez dos recursos hídricos por ter uma dependência maior do fator natural. Qual o levantamento feito? Em que pé está? Por exemplo, vamos entregar ao governo federal e ao governo do estado um pacote de prioridades e de medidas a serem tomadas. Em que pé está isso? Desde o início do período de escassez o que vocês levantaram hoje, até para contribuir, para trazer para a Comissão? Qual o tipo de levantamento, de dados, de números, de medidas, de soluções possíveis vocês têm como prioridade para encaminhar ao Governo do Estado e ao Governo Federal? O SR. DORIZETE COSME Elaboramos uma proposta, que circulou para toda sociedade capixaba, e também protocolizamos para o Governo do Estado essa proposta que prevê ações de curto, médio e longo prazo. Mencionei, nesta Casa, de forma resumida, algumas das propostas. A questão no crédito agrícola é isso. Precisamos, agora, que se dê atenção especial para essa questão do crédito agrícola, uma espécie de anistia. Como os agricultores tiveram perdas, tiveram frustrações na colheita, principalmente do café, que é a cultura, a base econômica da maioria das famílias camponesas do Espírito Santo. Estamos, também, pegando junto às instituições governamentais os dados um pouco mais oficiais da perda para outras culturas. Entendemos que há necessidade de o Governo do Estado em se empenhar junto aos Senhores Deputados, com o conjunto das organizações da sociedade civil capixaba no sentido de ir ao Governo Federal, ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao Ministério da Fazenda e até à Presidência da República para haver uma sensibilização sobre a situação crítica hoje, principalmente do Estado, para que se possa ser feita alguma medida provisória ou alguma resolução no sentido de os pequenos agricultores poderem ter uma anistia da parceria do Pronaf vencida ou vincenda em 2015. O SR. MARCOS BRUNO - (PRTB) - Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Estou satisfeito. Já havia informado ao presidente que tinha um compromisso às 12h. Agradeço, mais uma vez, a presença de Dorizete Cosme. Parabenizo, mais uma vez, nosso presidente da Comissão, Senhor deputado Nunes. Os Senhores Deputados Nunes e Guerino Zanon são dois deputados e grandes amigos de Parlamento. Tenho certeza que o Senhor Deputado Guerino Zanon contribuirá bastante nas próximas etapas desta Comissão, que prossegue a partir de agora. Obrigado, deputado. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Concedo a palavra ao nosso amigo, deputado Guerino Zanon. O SR. GUERINO ZANON - (PMDB) Bom-dia a todos. Dorizete Cosme, é um prazer. Cheguei ao final da reunião, mas deu para ver que V. S.ª tem conhecimento daquilo que se propõe a discutir e fazer. Senhor Deputado Nunes, quero fazer uma saudação aos agricultores da região de Rio Quartel, que no último domingo, na quadra de Quartel de Cima, os pequenos agricultores fizeram seu primeiro encontro. Eles formaram, na realidade, uma cooperativa da agricultura familiar, conseguiram vinte e sete pequenos agricultores, pequenos produtores de hortaliças e outros culturas e formaram uma cooperativa, diferente um pouco da associação, o que abre um leque de mais oportunidades na comercialização de seus produtos. Com a possibilidade hoje de se vender, além dos vinte mil para um determinado município pode vender, mais vinte mil para o Estado, esperamos que para outras prefeituras também, pois fortalece ainda mais a possibilidade de melhorar a qualidade do trabalho de todos os que participam da agricultura familiar. Tivemos um grande encontro, no domingo, com a participação do assentamento de Rio Quartel, de Geraldo e toda equipe e de Vinícius e Daniel representando o Governo pelo Incaper. Foi o primeiro passo. Parabéns a todos daquelas comunidades. Acho que o Senhor Deputado Marcos Bruno foi feliz quando pediu as propostas. A gente entende. Você colocou e peguei o final da fala, mas você falou do reflorestamento. Então, não é só falar em facilidade de recursos ou protelamento de dívidas contraídas, mas também se preparar para os impactos serem menores quando ocorrerem outras crise hídricas. E elas virão, com certeza. É assim desde a história do início do mundo e não será diferente daqui para frente. Só que cada vez precisamos produzir mais e não podemos ter momentos de dificuldades, como tivemos nos Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 últimos sete, oito meses. Os preços de hortaliças e outros insumos disparando em função de uma crise hídrica porque não estávamos preparados para suportá-la. Fazer o preventivo, como V. S.ª tem chamado atenção com relação ao reflorestamento, é uma ação que não pode ser estancada em um momento em que começamos a ter a incidência pluviométrica aumentada, como aconteceu há poucos dias. E como V. S.ª falou: é uma seca que não presenciamos quando passamos pelas BRs, pelas estradas, porque está tudo verde. Estamos entrando no período de inverno, que começou em junho, e sabemos que com pouca água você mantém o verde, mas os lençóis freáticos estão na sua capacidade mínima. Mínima. Não há suporte para se aguentar um ou dois meses de sol. Isso a gente sabe. Mas quem está na cidade não sente esses efeitos tão precisamente como nós que estamos no interior. É só olhar para os córregos, para as veias de água, para as nascentes: não vemos jorrar água. Se não chover muito ainda nesse período, e daqui a pouco entramos no período de chuva - novembro, dezembro, janeiro, até março -, os nossos lençóis não suportarão outra crise como a que ocorreu no final do ano passado. Aí, sim, sentiremos fortemente os efeitos da crise hídrica, de uma grande estiagem. Senhor Deputado Nunes, trazer esta discussão é importante. Mas é importante também trazer propostas, como as colocados pelo Senhor Deputado Marcos Bruno, e discutir isso em nível federal e em nível estadual para dar maior tranquilidade aos nossos produtores, aos grandes e aos pequenos produtores, porque todos estão sofrendo. Parabenizo o Senhor Deputado Nunes, todos que trabalham nesta comissão, Dorizete, e vocês que estão na labuta do dia a dia. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Eu queria, Dorizete, fazer duas ou três perguntas, porque acho que é isso que nos municiará de informações. Esta é a ideia da comissão e, inclusive, já deliberamos no início dos trabalhos desta comissão convites para as instituições financeiras, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o Sicoob, o Banco do Nordeste e o Bandes. Ouviremos também representantes desses bancos para conversarmos um pouco com eles. São esses bancos que acabam tendo um papel importante para que os trabalhadores possam fazer aquisição de financiamento. Até para perguntá-los como anda, vamos dizer assim, esse empréstimo. Se os trabalhadores estão conseguindo quitar essa dívida, onde está o maior problema... Enfim, conversar um pouco sobre isso. Eu queria perguntar qual é a real situação Diário do Poder Legislativo - 175 financeira? Tem como a gente mensurar isso? Sei que não é muito boa por conta disso que acabamos de falar. Muitos dos trabalhadores contraíram dívidas para comprar os insumos, plantar, e é claro que a expectativa de colheita que tinham era muito superior. Tanto é que, pelo relato do Enio, exsecretário da Agricultura, tivemos uma perda de aproximadamente dois bilhões de reais. Cerca de um bilhão e oitocentos e cinquenta milhões de reais foi o prejuízo que os trabalhadores tiveram nesse período. O MPA tem algum mapa que mostra onde foi maior esse prejuízo? Já que vocês tiveram oportunidade de fazer várias reuniões e você mesmo relatou que foram reuniões para discutir a causa e também ações e propostas para minimizar essa questão. O SR. DORIZETE COSME - Esses dados, de uma forma mais sistematizada... As informações que obtivemos é que esses agentes financeiros estão realizando esse levantamento da situação pós-colheita do café, porque o termômetro maior do efeito da estiagem foi agora durante a colheita do café, que de fato deu para apurar, de uma forma mais concreta, as consequências da estiagem. Os agentes financeiros, os bancos - o Banco do Brasil, o Bandes, o Banco do Nordeste são os que detêm um número maior de operações do Pronaf. Eles estão concluindo esse levantamento da situação do índice de inadimplência e nos repassarão os dados dessa inadimplência. Assim, teremos dados mais concretos sobre a situação. Em diversos municípios como, Jaguaré, Nova Venécia, São Gabriel da Palha, onde há uma dependência maior da agricultura do café, mais propriamente dito, é visível o efeito danoso. Há uma menor movimentação do comércio, uma reclamação maior do comércio em geral pela diminuição da circulação de recursos desses municípios e a diminuição da contratação de operações do Pronaf. Os reflexos dessa situação são bastante visíveis. Volto a repetir que estamos aguardando o banco acabar de sistematizar as informações. É interessante a vinda deles aqui, porque já trarão esses dados sobre a situação da inadimplência em virtude da estiagem. Como no nosso estado apenas o município de Vitória é que não tem a produção agropecuária, mas, no geral, nos municípios em que há uma dependência maior da produção agropecuária a situação hoje é bastante preocupante. Nos municípios como Linhares e São Mateus, em que há outras economias, uma economia mais diversificada, que não é só a 176 - Diário do Poder Legislativo agricultura, percebemos que ainda há uma situação menos crítica. Mas, os municípios que têm uma dependência da economia da base do setor agropecuário sentem mais a gravidade e as consequências. Em termo de proporção, não direi qual o tamanho dessa crise, mas é importante pegarmos os dados dos bancos sobre esse índice de inadimplência. Aí, sim, conseguiremos medir, em um grau de intensidade mais preciso, a situação hoje do financiamento agrícola. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Farei outra pergunta, Dorizete, e acho que uma tem a ver com a outra. É perceptível no meio de vocês, por conta dessa crise, a quantidade de pessoas que saiu do campo, ou seja, o êxodo rural. E isso também traz prejuízos aos dois lados. Primeiro, porque a pessoa sai do campo e isso implica na falta do alimento para chegar à cidade e, ao mesmo tempo, há um inchaço, cada vez maior, nos centros urbanos. Há uma exigência do poder público de procurar fazer algum movimento para manter o homem no campo, mesmo com essas dificuldades. Então, até por conta disso que falamos, ou provocamos isso agora ou voltaremos novamente a conversar sobre isso em 2016. Lá para junho ou julho de 2016, voltaremos a conversar sobre isso. Precisamos pensar em algo já agora para evitar que isso ocorra em 2016. A grande quantidade de água que caiu em 2013, até junho de 2014, se fôssemos fazer um cálculo, tenho convicção de que foi muito maior do que o volume de água que caiu de janeiro de 2015 até agora. Os reservatórios naturais, que é a água que fica no subsolo, estão com menor quantidade do que tinham na crise que tivemos em 2014. Subentende-se que a crise, ou seja, a seca no verão de 2016 será muito maior. É só vermos a quantidade de água que caiu agora e a que caiu em 2014. Se tivemos esse problema no verão de 2014, nesse período, a consequência é que teremos uma crise mais acentuada. Tudo isso leva em conta a permanência do homem no campo, principalmente a juventude. Como vocês têm conversado sobre isso e se tem alguma proposta para a permanência desse homem no campo? Já sabemos que a cada ano as pessoas vão saindo do campo por conta da falta de uma telefonia celular no campo, que faz com que os jovens saiam de lá para cá porque a tecnologia não chega lá. Enfim, são vários fatores que exigem do Estado uma política mais voltada para a permanência do homem no campo. O SR. DORIZETE COSME - Nós entendemos que, com certeza, com essa situação hoje que estamos vivenciando e com a Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 possibilidade de um agravamento, presenciaremos com maior intensidade a continuidade do êxodo rural, sobretudo da juventude rural, da juventude camponesa. Para o conjunto da sociedade, de um modo geral, isso tem que ser considerado como grande preocupação. Hoje, pensar em mais famílias e mais pessoas nas cidades, nos municípios da Grande Vitória ou nas cidades litorâneas como Linhares, Sooretama, São Mateus, todas as cidades litorâneas também do Sul do estado, isso é motivo de sérias preocupações para o conjunto da sociedade. Serão mais pessoas que virão para disputar postos de trabalho e sabemos que a oferta de postos de trabalho, hoje, não absorve essa quantidade de pessoas que chegarão. Com isso, teremos um agravamento de uma série de problemas sociais. Então, é motivo de preocupação essa questão da crise hídrica. Hoje, temos que pensar em ações concretas imediatas de curto, médio e longo prazo para podermos, pelo menos, contornar a situação do momento e já também nos precavendo com ações em que possamos diminuir os impactos a médio e longo prazo, são ações que o conjunto da sociedade, hoje, terão que estar seriamente preocupadas e atentas em de fato ter políticas que possam resolver essa situação para garantir que as famílias mais vulneráveis, as famílias de meeiros, parceiros e os jovens possam ter condições de trabalhar, de produzir, de comercializar. Existe já uma série de programas, de políticas que permitem - o deputado Guerino Zanon já mencionou algumas - e são frutos das lutas de décadas e décadas e, hoje, essas conquistas estão sendo implementadas: o PAA, o Pnae. Agora, recentemente, o Governo Federal também publicou uma medida provisória determinando que todos os ministérios comprem da agricultura familiar, da agricultura camponesa trinta por cento daquilo que necessitam para o abastecimento das estruturas desses ministérios. É mais uma forma de a agricultura familiar comercializar sua produção. Esse conjunto de ações precisa ser implementado em caráter de urgência para permitir que a família que está no campo continue no campo, sobretudo a juventude. E, é claro, não podemos jamais perder a oportunidade de dizer da necessidade da democratização da redistribuição da terra neste País. Uma reforma agrária é extremamente necessária que ocorra, que aconteça ... O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Convido o Senhor Deputado Padre Honório para estar conosco. O SR. DORIZETE COSME - ... para que aquelas famílias que hoje não têm acesso à terra, possam ser um pequeno agricultor, uma família Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 camponesa com direito à terra para trabalhar, para produzir. O papel e a importância da agricultura familiar, o papel da reforma agrária, hoje, no mundo e no País é reconhecido pela ONU. A FAO, que é um organismo da ONU, tirou este ano como o ano internacional da agricultura familiar, reconhecendo o papel que ela cumpre no mundo na produção, na garantia da soberania e da segurança alimentar. Daí, a importância de ampliarmos o número do campesinato, o número de famílias com acesso à terra é primordial, é importante para que possamos aumentar a produção de alimentos e que essas famílias, ao produzirem alimentos, também possam fazer com respeito à saúde humana, dele que vai produzir, de quem vai consumir aqui na cidade e com respeito à natureza, com respeito ao meio ambiente e quem tem condição de fazer isso com mais qualidade, com mais dignidade e propriedade, é a agricultura familiar, a agricultura camponesa. Por isso que o papel da reforma agrária, a democratização da terra, hoje, no País é essencialmente necessário que aconteça. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Dorizete Cosme. Concedo a palavra ao Senhor Deputado Padre Honório para fazer uma saudação ao nosso amigo Dorizete, mas também, caso queira, fazer uma pergunta. O Deputado Padre Honório também é membro desta comissão, é um amigo nosso que, quando propusemos a criação desta comissão, foi também um dos incentivadores junto com os Senhores Deputados Guerino Zanon, Marcos Bruno e outros deputados. Mas o Senhor Deputado Padre Honório é um homem defensor dessa causa, contribuiu muito e nos incentivou muito na criação desta comissão. Por gentileza, Senhor Deputado Padre Honório, com a palavra. Diário do Poder Legislativo - 177 acontece quando tem um casal e um dos cônjuges morre: na missa de corpo presente, tem muita gente; na missa de sétimo dia, vai a família; e na missa de um ano, às vezes, nem o viúvo ou a viúva comparece. Quando tem a enchente, vai o governador, vai presidente, vai secretário, deputado, vai todo mundo. Quando tem a seca também. Depois que passa aquela situação mais dramática, mas crítica, todas aquelas propostas, aqueles decretos, aqueles projetos, entram num processo de burocracia e acaba esperando a próxima crise para ter outro planejamento. Tivemos, no início do ano, vários seminários, em todos os regionais, e estamos aproximando do período das chuvas novamente. Quer dizer, a crise hídrica está aí, principalmente na nossa região, onde o Rio Doce virou córrego. Não é nem córrego doce, não é nem córrego cricaré, é mais um córrego de esgoto. Não é isso? Quais são, efetivamente, na prática mesmo, os projetos que já foram iniciados na nossa região, principalmente na região de São Mateus, na região norte, noroeste, para que quando vier o período das chuvas essa água poder ser retida e assim ser utilizada em momentos adequados? O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Senhor Deputado Padre Honório, o Senhor Deputado Guerino Zanon faz parte de outra comissão que vai começar agora às 12h30min. Atrasamos um pouquinho para começar esta reunião. Interrompo somente para justificar a saída do Senhor Deputado Guerino Zanon. O SR. DORIZETE COSME - Muito boa a pergunta. Diante do conjunto de propostas que foram apresentadas, até então as ações governamentais de curto, médio e longo prazo, para de fato amenizar o impacto do período que passamos sem chuva, com muita sinceridade, não conseguimos visualizar ainda. Ações do governo para poder de fato reverter a situação. O que vimos observando é a visita, é a elaboração de projeto de algumas famílias que se cadastraram para aderir ao programa Reflorestar na região. Vimos percebendo que essa ação vem acontecendo por parte da equipe do programa Reflorestar. Mas, por exemplo, a construção de barragens, eu, pelo menos não vi, não percebi nenhuma que esteja em andamento, nem no meu município e nem nos municípios que eu acompanho. Com relação a trabalhos de ações de educação no campo da produção, não vimos percebendo um trabalho mais consistente de orientação nesse campo da produção. Orientação técnica para se utilizar a irrigação de forma mais adequada. O que vimos percebendo é uma falta, é um descuido muito grande de fazer das ações que foram propostas naquela audiência uma dificuldade de implementação. Em minha opinião, vimos tendo dificuldade em perceber a implementação dessas ações na prática. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Outro dia estava dizendo que muitas vezes o que O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Sabemos que existe o programa Reflorestar. Lá em O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) Obrigado, presidente, Senhor Deputado Nunes, também o Senhor Deputado Guerino Zanon, cumprimento também o Dorizete Cosme e todos aqueles que participam conosco aqui, professor João Martins e toda a equipe. Dorizete, outro dia cheguei a dizer o seguinte: às vezes acontece... 178 - Diário do Poder Legislativo Mantenópolis, Senhor Presidente Nunes, colocamos uma equipe, e com essa equipe trabalhando conseguimos montar cinquenta projetos, apresentar ao governo e algumas pessoas já estão recebendo. Há mais uns cinquenta projetos a serem enviados e em alguns municípios temos mais dificuldade. Na sua maneira de perceber, não falta, também, por parte do poder municipal, um pouco de interesse em organizar uma equipe para buscar esses programas do governo? O SR. DORIZETE COSME - Sim, porque a ausência, a falta de uma atenção maior, é do Estado. Quando nos referimos ao Estado, também entendemos que tem que ter o comprometimento do poder público local, dos municípios. E o que temos percebido é que também por parte dos municípios há um descaso muito grande, principalmente na ampliação do Reflorestar, que, como falei anteriormente, entendemos como um programa muito importante, que prevê ações de curto, médio e longo prazo. Temos percebido, e mencionei isso, que no programa Reflorestar, em diversos municípios estão acontecendo ações. Não estão no ritmo que gostaríamos que estivesse, porque a equipe do programa Reflorestar no Iema é uma equipe pequena. Se houvesse uma adesão maior por parte das secretarias municipais de meio ambiente essa equipe poderia ser ampliada nos municípios. Até propus anteriormente que o programa Reflorestar precisa de um aporte maior de recursos e, por meio desses recursos, deve ser ampliada a equipe técnica. Devem ser ampliados os recursos para que sejam contratados mais projetos. Os municípios também precisam ter a contrapartida, precisam participar desse programa. É interessante que nos municípios onde já está sendo implementado consiga ampliar e alcançar mais famílias. Só para terem uma ideia, apresentamos um projeto para o Iema para que possamos fazer um trabalho nas comunidades de sensibilização das famílias sobre a importância do programa Reflorestar, para que as famílias se conscientizem da importância que possui hoje o programa Reflorestar, para que possa aderir. Aderindo, receberá a visita de um técnico para elaborar o projeto. Ainda não conseguimos ter a aprovação desse projeto na Secretaria de Meio Ambiente, para ampliarmos o trabalho que até então temos feito de forma voluntária. O trabalho de sensibilizar as famílias sobre a necessidade de recuperação da cobertura vegetal nas APPs desprotegidas e nas nascentes já temos feito de forma voluntária. Mas para que seja ampliado, para que possamos ampliar a participação de agricultores e agricultoras, precisamos ter mais pessoas para fazer o trabalho de base, que é o trabalho de conscientização das famílias sobre a importância de aderir ao programa. É por isso que entendemos que, de fato, estão sendo dados alguns passos, mas esses passos Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 precisam ser dados de uma forma mais ampla. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Ainda com relação à questão da crise hídrica, foi muito conversado sobre todos esses programas, barragens, barraginhas, as barragens maiores, o programa Reflorestar, que são medidas a médio prazo, a longo prazo. Mas existe outra medida no programa que é a construção das caixas secas. Sabemos que a presidenta Dilma mandou para todos os municípios com menos de cinquenta mil habitantes um kit com retroescavadeira, caminhão, para servir única e exclusivamente à agricultura familiar, em um termo de compromisso. Como vocês estão tendo acesso a esses bens colocados especificamente à disposição da agricultura familiar para a construção dessas caixas secas, como medida de curto prazo, sem que se deixe tanta água ir embora para assorear os rios. Os municípios, o Ministério Público? Como têm sido acionados pela Via Campesina? O SR. DORIZETE COSME - O que notamos é que, de fato, esses equipamentos que vieram para essa finalidade, na maioria dos municípios não atendem a essa finalidade. Eles desenvolverão outras funções que não essa, a principal, a primordial, que é, de fato, a construção das caixas secas, uma forma de conter a erosão e fazer com que essa água da chuva possa alimentar o lençol freático. Observamos que a maioria dos agricultores não tem conhecimento de que no seu município tem esses equipamentos e que é para cumprir essa finalidade. Então, esse é um trabalho que precisamos, a sociedade civil organizada precisa, junto aos senhores deputados, ir a esses municípios e fazer com que esses equipamentos, de fato, possam ser utilizados para cumprir essa finalidade. Esse um trabalho que precisamos fazer de forma coletiva para que, de fato, esses equipamentos possam fazer as caixas secas, possam fazer os pequenos reservatórios, as pequenas represas. A gente observa, e em alguns casos a gente tem isso registrado, que a máquina fica semanas, dias, em determinada propriedade particular, geralmente de um grande proprietário, e não atende a comunidade, não atende a um grupo de famílias na construção de várias caixas secas, na construção de represas coletivas, barragens coletivas. Precisamos juntar forças nos municípios para fazer com que esses equipamentos cumpram sua finalidade principal. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Estava conversando com João Martins, e acho que essa pergunta que o Senhor Deputado Padre Honório fez e a resposta que o Dorizete acaba de nos confidenciar merecem, Senhor Deputado Padre Honório, que a comissão faça um requerimento aos secretários municipais da Agricultura dos municípios sobre essas informações. Não é um requerimento de Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 informação, é fazer um requerimento para os secretários falarem a esta Comissão se esses equipamentos que foram doados pelo governo federal têm cumprido com essa função. Acho que teremos algo nas mãos, concreto, se eles vão... O SR. DORIZETE COSME - Deputado, gostaria de sugerir... Seria interessante pegar planilha de controle da utilização desses equipamentos nesses municípios. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Faremos isso. A Comissão fará um requerimento aos secretários municipais que façam... Muito obrigado Senhor Deputado Padre Honório, show de bola. V. Ex.ª é fera, já chegou e mandando ver. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Com certeza. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Senhor Deputado. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Só gostaria de fazer outra pergunta, sobre uma coisa que tem me preocupado. Somos muito imediatistas e destruímos as matas. De certa maneira estamos destruindo também o meio ambiente com a extração do granito. Agora, o que me preocupa? Não estamos preservando a água que está acima do solo, mas estamos explorando, sem nenhum critério e nenhuma fiscalização, a água do subsolo que são os poços artesianos. Duas situações extremamente graves. Primeiro, porque não sabemos o volume de água que tem debaixo do solo e um dia isso pode trazer danos irreparáveis para a sociedade. Segundo, as empresas de poços artesianos fazem os poços e quando não encontram água o agricultor tem que pagar setenta, oitenta por cento daquilo que foi cobrado para fazer o poço. Que tipo de ação o MPA ou o MST ou mesmo nós podemos encaminhar para, pelo menos, ter uma regulamentação disso, porque hoje se faz poços artesianos sem nenhum critério e sem nenhuma preocupação, nem do governo municipal, nem do governo estadual e nem da União. Percebemos que a coisa é livre, como foi livre um dia desmatar, que às vezes continua sendo. Paga-se para reflorestar, mas não se pune quando se desmata. Como vocês estão conduzindo isso? Ou isso não é uma preocupação? O SR. DORIZETE COSME - Com certeza é uma grande preocupação que também trazemos há algum tempo. Em vários debates temos nos manifestado com relação a essa questão e que bom que o Senhor Deputado Padre Honório se lembrou de trazer esse assunto. Ao final farei um registro sobre essa situação. Essa semana tivemos um caso bastante preocupante no município de Vila Valério onde Diário do Poder Legislativo - 179 diversas famílias embargaram o equipamento a continuar perfurando poços. Está acontecendo em Vila Valério e aproveito a oportunidade para registrar essa denúncia. No município, várias famílias estão ficando sem água para consumo porque a quantidade de poços artesianos construídos em busca de água para irrigação é assustadora. Estão fazendo vários poços artesianos e a estrutura do solo ou dos lençóis de Vila Valério está fazendo com que a água dos poços rasos, as chamadas cisternas, esteja desaparecendo e a própria água dos reservatórios, das represas, está diminuindo de forma assustadora. Essa é uma situação que está trazendo sérias preocupações para muitas famílias de Vila Valério. Por isso, várias famílias já impediram, já embargaram os equipamentos que perfuram os poços artesianos a continuarem perfurando. Amanhã acontecerá uma reunião bem ampla em Vila Valério por iniciativa nossa do MPA, mas estamos chamando várias organizações da sociedade civil e o poder público local, para que de fato se discuta a gravidade do problema. Com certeza em breve virá uma comissão a esta Casa de Leis para colocar a gravidade do problema. De fato, Senhor Deputado Padre Honório, entendemos que essa é uma situação que o Estado precisa urgentemente regulamentar. Moro no município de São Mateus e na região é impressionante a quantidade de poços artesianos. Quando passam quinze dias sem chover e se começa então a utilizar a água dos poços artesianos, as cisternas de profundidade baixa, que são as de captação de água para consumo humano, com poucas horas de funcionamento das bombas-sapo as mesmas têm que ser desligadas porque já acabou a água do lençol superficial. É uma situação bastante preocupante a realização desses poços artesianos de forma desordenada, sem nenhuma regulamentação. De fato, não há nenhum estudo que aponte qual a capacidade desse reservatório do nosso aquífero dessa região. Precisamos de estudos, se há, desconheço, que dimensionem a capacidade do nosso aquífero. E, claro, temos que ter a regulamentação com relação à perfuração e ao uso. Então, nesse sentido, propomos que o Estado precisa pensar, em caráter de urgência, a regulamentação dessa prática, principalmente no norte do Espírito Santo. Mas sabemos que também já está se expandindo para o sul do Estado. O SR. PADRE HONÓRIO - (PT) - Senhor Presidente, sei que o tempo está acabando, embora gostaria de ficar conversando mais com o senhor Dorizete pelo seu conhecimento, não apenas teórico, mas também o conhecimento prático nos movimentos sociais. Só quero lembrar, já que está se falando na questão fundiária, que teremos em Ecoporanga na primeira semana de agosto uma audiência pública com a presença do companheiro e Deputado Federal Givaldo Vieira, que participa da Frente Parlamentar sobre essa questão também. Peço aos membros 180 - Diário do Poder Legislativo do MPA, do MST o apoio para fazermos essa audiência com bastante participação e ela está sendo promovida pela Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos e o nosso Presidente, se Deus quiser, estará lá. Outra questão que propomos é sobre realizar no Norte - está previsto também para Vila Valério, em agosto - uma audiência pública sobre a questão hídrica com a presença da comissão, com a presença da equipe da TV Assembleia e assim realizarmos esse trabalho lá. Mas como o tempo terminou, agradeço e parabenizo o senhor Dorizete Cosme pelo trabalho e todo o movimento do MPA e também agradeço a oportunidade. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) Obrigado, Senhor Deputado Padre Honório. Senhor Dorizete, o senhor fez uma sugestão e prontamente vamos acatá-la, sobre articular junto às outras Casas de Leis da região Sudeste para que também tenham essa mesma iniciativa no sentido de nos fortalecermos e, quem sabe, fazer com que essa ação que promovemos no Estado também seja feita nesses outros estados. Vamos elaborar um ofício, e na próxima reunião da comissão vamos aprová-lo e encaminhá-lo para essas Casas de Leis, ou seja, vamos direcionar, inclusive encaminhar para a Comissão de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos e fazer com que eles também criem uma comissão especial ou tratar desse assunto na própria Comissão de Defesa da Cidadania desses estados a fim de nos fortalecermos. O SR. DORIZETE COSME - Só para concluir, gostaríamos de nos comprometer para esta comissão de que forneceremos todos os dados que obtivermos, dados concretos, sobre todas essas questões aqui debatidas, vamos trazer e municiar esta comissão com as informações e dos dados que obtivermos para que, de fato, consigamos avançar nas ações desta comissão e que consigamos fazer essa articulação ampla aqui no âmbito da região Sudeste e consigamos acumular uma força maior para que, de fato, possamos sensibilizar o governo federal das reais necessidades, hoje, principalmente para a agricultura familiar, para a agricultura camponesa dessa região sudeste, na implementação de uma série de ações integradas, governo federal, governo do Estado, prefeituras municipais, juntamente com a sociedade civil organizada, para que façamos acontecer as ações que se fazem necessárias neste momento a fim de que no amanhã possamos respirar um ar de tranquilidade maior. Esse é o nosso comprometimento que fazemos perante esta comissão, perante esta Casa. Aproveito para agradecer por essa oportunidade, nos colocando à disposição para continuar sendo parceiros nessa luta, nessa empreitada. O SR. PRESIDENTE - (NUNES - PT) - Vitória-ES, terça-feira, 11 de agosto de 2015 Obrigado, senhor Dorizete. Só informamos que ouviremos os integrantes da entidade Faes, ou seja serão ouvidos por esta comissão no dia 05 de agosto; e a Câmara de Café de Vitória, no dia 12 de agosto. Ouviremos essas duas entidades na próxima reunião. Senhor Dorizete Cosme, - não sei se é convidar ou convocar ou solicitar, acho que a palavra mais bonita é solicitar - solicito aos servidores desta comissão junto com a nossa amiga e supervisora da Comissão de Defesa da Cidadania e Direitos Humanos podemos fazer esse trabalho, convidar para uma reunião na terça-feira. Não sei se poderá ser aqui ou no gabinete depois veremos o local para realizarmos uma reunião a fim de conversarmos um pouquinho sobre o desdobramento dessas reuniões. Desde já comunico que faremos um grande trabalho, ao final desta comissão, elaborando um documento, ou seja, fazer um relatório de tudo o que conversamos, de todos os debates que estamos realizando, as pessoas convidadas que estão vindo, teremos condição de fazer um relatório de toda esta comissão para que possamos, inclusive deixar à disposição de outras comissões e também de toda a sociedade o trabalho que estamos realizando com relação a esses impactos sobre o objetivo desta comissão. Só para reforçar, qual o objetivo desta comissão? É apreciar, analisar, investigar, acompanhar e monitorar também todas as questões provenientes dos impactos causados pela crise hídrica no mundo do trabalho. É importante discutirmos a questão da crise, mas ela tem uma consequência que é a permanência do homem do campo no campo. Então, sem água o homem do campo não fica no campo e precisamos discutir esses impactos causados no mundo do trabalho com relação a essa crise. Portanto, será um relatório rico que construiremos, tenho certeza absoluta de que vai acrescentar e muito esse trabalho que o MPA fez apresentando, inclusive proposta para o governo do Estado. Portanto, será muito bem-vindo esse material para esta comissão porque será incluída no relatório final. Mais uma vez agradeço a presença do Dorizete Cosme que contribui muito para o nosso objetivo. É uma pena que o companheiro representante do MST não pôde vir hoje, mas trabalharemos a possibilidade dele comparecer em outra reunião. Tenho certeza de que o representante do MST também dará uma contribuição enorme a esta comissão e reforçaremos o convite e o convidaremos noutra oportunidade. Nada mais havendo a tratar, vou encerrar a presente reunião, antes, porém convoco os Senhores Deputados para a próxima, ordinária, dia 04 de agosto de 2015, às 11h no plenário Judith leão desta Casa. Está encerrada a presente reunião. Encerra-se a reunião às12h55min. HORÁRIO E LOCAL DAS REUNIÕES ORDINÁRIAS DAS COMISSÕES PERMANENTES COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA, SERVIÇO PÚBLICO E REDAÇÃO Dia: terça-feira Horário: 13h30m Local: Plenário “Rui Barbosa”. COMISSÃO DE POLÍTICA SOBRE DROGAS Dia: terça-feira Horário: 10h Local: Plenário “Deputada Judith Leão Castelo Ribeiro”. COMISSÃO DE FINANÇAS, ECONOMIA, ORÇAMENTO, FISCALIZAÇÃO, CONTROLE E TOMADA DE CONTAS Dia: segunda-feira Horário: 13h30m Local: Plenário “Rui Barbosa”. COMISSÃO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Dia: terça-feira Horário: 11h Local: Plenário “Rui Barbosa” COMISSÃO DE INFRAESTRUTURA, DE DESENVOLVIMENTO URBANO E REGIONAL, DE MOBILIDADE URBANA E DE LOGÍSTICA Dia: segunda-feira Horário: 10h Local: Plenário “Rui Barbosa”. COMISSÃO DE PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE Dia: segunda-feira Horário: 12h30min Local: Plenário “Rui Barbosa” COMISSÃO DE SEGURANÇA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO Dia: segunda-feira Horário: 11h Local: Plenário “Dirceu Cardoso”. COMISSÃO DE CULTURA E DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Dia: terça-feira Horário: 9h Local: Plenário “Deputada Judith Leão Castello Ribeiro”. COMISSÃO DE TURISMO E DESPORTO Dia: segunda-feira Horário: 9h30min Local: Plenário “Deputada Judith Leão Castello Ribeiro”. COMISSÃO DE SAÚDE E SANEAMENTO Dia: terça-feira Horário: 9h Local: Plenário “Rui Barbosa”. COMISSÃO DE DEFESA DA CIDADANIA E DOS DIREITOS HUMANOS Dia: terça-feira Horário: 13h30min Local: Plenário “Deputada Judith Leão Castelo Ribeiro”. COMISSÃO DE EDUCAÇÃO Dia: terça-feira Horário: 12h30min Local: Plenário “Rui Barbosa” COMISSÃO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA, INOVAÇÃO, INCLUSÃO DIGITAL, BIOSSEGURANÇA, QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL, ENERGIA, GÁS NATURAL, PETRÓLEO E SEUS DERIVADOS Dia: terça-feira Horário: 12h30min Local: Plenário “Deputada Judith Leão Castello Ribeiro”. COMISSÃO DE AGRICULTURA, DE SILVICULTURA, DE AQUICULTURA E PESCA, DE ABASTECIMENTO E DE REFORMA AGRÁRIA Dia: terça-feira Horário: 10h Local: Plenário “Rui Barbosa” COMISSÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL Dia: segunda-feira Horário: 13h Local: Plenário “Deputada Judith Leão Castello Ribeiro”. ASSEMBLEIA LEGISLATIVA ESTADO DO ESPÍRITO SANTO SECRETARIA-GERAL PAULO MARCOS LEMOS Diretor-Geral CARLOS EDUARDO CASA GRANDE Secretário-Geral da Mesa JULIO CESAR BASSINI CHAMUN Procurador-Geral FABIANO BUROCK FREICHO Secretário de Gestão de Pessoas MARCELO BOZIO MONTEIRO Secretário de Comunicação Social RAULINO GONÇALVES FILHO Chefe de Gabinete da Presidência ROBERTO CARLOS TELES BRAGA Subdiretor-Geral PAULO DA SILVA MARTINS Subprocurador-Geral DIRETORIAS LEGISLATIVAS MARCELO SIANO LIMA Diretor das Comissões Parlamentares MARCUS FARDIN DE AGUIAR Diretor de Processo Legislativo RICARDO WAGNER VIANA PEREIRA Diretor de Redação JOÃO PAULO CASTIGLIONI HELAL Diretor da Procuradoria MARILUCE SALAZAR BOGHI Diretora de Taquigrafia Parlamentar JONSTON ANTÔNIO CALDEIRA DE SOUZA JÚNIOR Diretor de Tecnologia da Informação ADRIANA DOS SANTOS FERREIRA FRANCO RIBEIRO Diretora de Documentação e Informação JORGE ANTÔNIO FERREIRA DE SOUZA Diretor da Consultoria Temática LUIZ ANTONIO ROMEIRO IANNUZZI Diretor de Infraestrutura e Logística LUIS CARLOS GIUBERTI Diretor de Segurança Legislativa JANAÍNA DO NASCIMENTO VALOIS Diretora de Finanças DANIELA RAMOS NOGUEIRA FARIA Diretora de Controle Interno