AUXÍLIO AO DESENVOLVIMENTO MORAL E RELATO DE NTERVENÇÕES NUMA
BRINQUEDOTECA UNIVERSITÁRIA EM SANTOS - SP
Marcelo Augusto Aidar Ribeiro1, Orientadora Elisete Gomes Natário2
1
Bolsista de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq) – Universidade Metropolitana de Santos, e-mail:
2
[email protected]
UniversidadeMetropolitana de Santos / Faculdade de Educação e Ciências Humanas / Universidade de
Taubaté - Departamento de Psicologia, - Taubaté- SP; [email protected]
Resumo–Este estudo apresenta um dos trabalhos realizados em uma Brinquedotecauniversitária para
auxiliar o desenvolvimento moral de uma das crianças que residem ao redor da Universidade. Teve como
objetivo: investigar as sanções mediadas pelo Pesquisador, em encontros semanais, a partir da quebra de
regras e combinados, em meio às brincadeiras e atividades acontecidas na Brinquedoteca. Participou uma
criança de 9 anos, escolhida por assiduidade e, reincidência de quebra de combinados de trato
interpessoal e conservação de brinquedos na Brinquedoteca. Durante sete encontros o Pesquisador
observou a criança e seus pares e intercedeu toda vez que a mesma quebrou regras e combinados
utilizando sanções por reciprocidade. Constatou-se que as sanções por reciprocidade intercedidas pelo
Pesquisador foram Compensação, Censura, Privar a Criança do Mau Uso do Objeto e, nenhuma sanção
expiatória.
Palavras-chave: Brinquedoteca; Moralidade; Sanções de Reciprocidade.
Área do Conhecimento: Ciências Humanas
Introdução
Segundo Piaget (1932/1994, p. 23), toda
moral consiste num sistema de regras, e a
essência de toda moralidade deve ser procurada
no respeito que o indivíduo adquire por essas
regras”.
O desenvolvimento moral se divide em
três etapas: Anomia, Heteronomia e Autonomia.
O
adulto
é
o
mediador
do
desenvolvimento moral da criança (DEVRIES;
ZANS, 1998; KAMI, 1990; VYGOTSKY, 1984).
Para tanto, quando uma criança quebra a regra
ou o combinado devem ser aplicadas as sanções
de reciprocidade em oposição a sanção
expiatória.
Seis tipos de sanções chamadas de
sanções de reciprocidade foram investigados por
Piaget (1998) oferecendo uma maneira lógica e
justa de trabalhar com os atos de transgressão.
Não poderão ser implementadas, de modo
punitivo, sanções expiatórias, pois restringiriam a
reciprocidade
e
caracterizariam
expiação.
Portanto, a aplicabilidade é bastante cuidadosa,
para que não seja interpretada como injusta.
As sanções de reciprocidade são:
consequência natural, compensação, privar o
transgressor do objeto mal-utilizado, exclusão,
fazer com a criança o mesmo que esta fez e
censura.
Este estudo tem o objetivo investigar as
sanções mediadas pelo Pesquisador, em
encontros semanais, a partir da quebra de regras
e combinados, em meio às brincadeiras e
atividades acontecidas em uma brinquedoteca
universitária.
Metodologia
Este trabalho focou um estudo de caso
por tentar esclarecer um conjunto de decisões - o
motivo pelo qual foram tomadas, como foram
implementadas,
com
quais
resultados
(SCHRAMM, 1971) - que o pesquisador utilizou
em seu estudo.
Participou deste uma menina de 9 anos
de idade que cursa o 4º ano do Ensino
Fundamental na rede municipal de Santos e que
frequentava
a
Brinquedoteca
de
uma
universidade particular - localizada em área de
vulnerabilidade e risco social, situada em uma
cidade do litoral sul Paulista.
A criança foi escolhida por assiduidade e,
reincidência de quebras de combinados de trato
interpessoal e conservação de brinquedos.
Procedimento de coleta de dados:
O
pesquisador
dirigiu-se
aos
Responsáveis pela criança no momento em que
os mesmos as levaram para participar das
XVII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica, XIII Encontro Latino Americano de PósGraduação e III Encontro de Iniciação à Docência – Universidade do Vale do Paraíba
1
atividades que ocorrem aos sábados na
brinquedoteca da universidade, e, explicou o
objetivo da investigação. Em seguida, solicitou a
permissão de participação à pesquisa aplicando o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Após o aceite, o pesquisador conversou com a
criança, dizendo que ao longo do semestre iria
acompanhá-la nas atividades adentro da
brinquedoteca.
Acompanhou a criança que tinha livre
acesso aos brinquedos no período das 9 horas às
11h 30min., aos sábados, nos meses de março a
junho. Os meses de março e abril foram
dedicados observar o maior número de quebra de
combinados e, assiduidade. Os meses de maio e
junho, totalizando sete encontros, o pesquisador
foi observando e intercedendo quanto à quebra
de combinados, junto à criança. Os combinados
foram construídos coletivamente pela pedagoga
da Brinquedoteca e, pelas crianças, no início de
cada ano letivo, afixados na parede. Eram eles:
tirar os calçados para adentrar à brinquedoteca,
colocar crachá de identificação, escolher
brinquedos, dividir brinquedos, brincar e não
brigar, arrumar os brinquedos após brincar,
devolver livros emprestados no sábado próximo,
na quadra, levar brinquedos para atividades
coletivas, em caso de chuva, permanecer na
brinquedoteca, ao término das atividades avisar
o/a estagiário (a), esperar os responsáveis e,
aqueles que vão sozinhos, ir direto para casa,
seja educado, diga sempre; por favor, obrigado,
com licença e desculpa, não andar de tico-tico na
brinquedoteca, apenas no pátio, não pular corda
na brinquedoteca, apenas no pátio e, não falar
palavrão.
O pesquisador realizou registros escritos,
após o término de cada encontro. Os relatos
descrevem a quebra de regras da criança e, as
sanções e diretrizes mediadas pelo pesquisador.
.
17%
Privar a criança
do mau uso do
objeto
0%
Sanções
Expiatórias
33%
Censura
50%
Compensação
Figura- Sanções Mediadas pelo pesquisador com
a Criança
Discussão
Observa-se que o Pesquisador não fez
uso de Sanções Expiatórias, evitando excessos
coercitivos
e
punitivos,
descaracterizando
qualquer tipo de sofrimento por arbitrariedade
invocando para as situações-problema apenas
sanções delineadas por reciprocidade, de acordo
com Piaget (1932/1998), em meio a sua pesquisa
sobre o julgamento moral das crianças, que vai
contra sofrimentos impostos que podem levar à
insensibilidade, ao cálculo, ao ódio, ao
desenvolvimento psicológico contra-produtivo,
declarando, assim, justa a porcentagem em nível
zero para mediações com este fim.
A Compensação foi a sanção mais
utilizada com a Criança. Esta sanção foi aplicada,
relevantemente, pela importância de neutralizar a
perda, contrabalanceando um efeito com o outro,
substituindo ou restaurando para a situação ante
o erro, além dos pedidos de desculpas que,
também,
são
formas
de
compensação
Resultados
(PIAGET,1932/1998). Inicialmente, desculpas
foram pouco empregadas pela criança.
A partir das observações realizadas em
Pôde-se examinar que a Censura –
sete encontros na Brinquedoteca Universitária
segunda
sanção mais utilizada pelo Pesquisador com uma menina de 9 anos de idade constatoufoi
empregada
nas ocasiões em que a criança
se que as sanções por reciprocidade intercedidas
insistiu em permanecer sob comportamento que
pelo Pesquisador foram Compensação (50%),
revelava quebra do laço social, transgredindo as
Censura (33%), Privar a Criança do Mau Uso do
regras.
Considerada
propriamente
por
Objeto (17%) e, nenhuma Sanção Expiatória,
reciprocidade por oportunizar à criança a
conforme mostra a Gráfico a seguir.
consciência do rompimento do vínculo de
solidariedade, fundamentada no transtorno do
relacionamento interpessoal, cujo foco foi a
atitude, e não a criança, pois a atitude pode ser
avaliada,
refletida
e
mudada
(PIAGET,1932/1998).
Em seguida a Sanção Privar a Criança do
XVII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica, XIII Encontro Latino Americano de Pós2
Graduação e III Encontro de Iniciação à Docência – Universidade do Vale do Paraíba
Mau Uso do Objeto para a construção de atitudes
de responsabilidade, tornando inteligível e,
apoiando-a emocionalmente para que entendesse
melhor a coerência da reciprocidade envolvida na
consequência (PIAGET,1932/1998). Foi dada
primazia em privá-la de uma boneca, sem retirá-la
da brincadeira, provocando reflexão sobre seu ato
em relação à perda do objeto mal utilizado, sem
excluí-la do convívio social (DEVRIES;ZAN,1998).
Conclusão
A Criança teve suas atitudes censuradas
e refletidas sobre a relação causa e efeito, por
insistir em quebrar o laço social, desrespeitando
regras. Após alguns encontros, a sanção por
reciprocidade que prevaleceu foi a Compensação,
destacando progressão da Criança em relação à
autonomia moral, em que não mais precisou ser
privada do objeto em posse para que atendesse
aos combinados, e, sim, de restaurar suas ações
de quebra de regras.
A sanção de reciprocidade compensação
possibilitou a Criança restauração do vínculo de
solidariedade, ponto fundamental para o convívio
social,
sob
neutralização
da
perda
e
restabelecimento à situação anterior ao erro,
retomando a auto-estima.
Dar continuidade ao trabalho com esta
criança e todas as que frequentam a
Brinquedoteca se faz necessário, visto que a
mediação do educador deve ser contínua e, se
possível, trazer para este processo pais ou
responsáveis pelas mesmas.
Referências
DEVRIES, R. E ZAN, B. Ética na Educação
Infantil – o ambiente sócio-moral na escola. Porto
Alegre: Artes Médicas,1998.
KAMII, Constance. A criança e o número.
Campinas, São Paulo: Papirus, 1990.·.
PIAGET, Jean (1932). O juízo moral na criança.
Trad. de E. Lenardon. 2.ed. São Paulo: Summus,
1998.
VYGOTSKY, Lev. S. A formação social da mente.
São Paulo: Martins Fontes, 1984.
SCHRAMM, W. Notes on case studies of
instructional media projects -Working paper,
the Academy for Educational Development,
Washington, DC, 1971.
XVII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica, XIII Encontro Latino Americano de PósGraduação e III Encontro de Iniciação à Docência – Universidade do Vale do Paraíba
3
Download

Educação AUXÍLIO AO DESENVOLVIMENTO MORAL E