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DO OFUSCAMENTO À RESTAURAÇÃO DA IMAGEM DE FRANCISCO POBRE, FRATERNO E
PREGADOR: UM ESTUDO DA “LEGENDA DOS TRÊS COMPANHEIROS”.
Carlos José Vieira 1
[email protected]
Teresinha Maria Duarte 2
[email protected]
Servindo-nos da Legenda dos Três Companheiros – um documento hagiográfico acerca de
Francisco de Assis, escrito por volta de 1246, por três frades que conheceram e conviveram com São
Francisco: frei Leão, frei Ângelo e frei Rufino – e dos pressupostos teórico-metodológicos propostos
pela História do Imaginário, procuramos analisar como, em meio às transformações ocorridas na
fraternitas franciscana em direção à sua transformação em uma Ordem de pregadores, de cunho mais
clerical, e como as crises daí decorrentes de 1217 a 1240, levaram o grupo dos zelanti – uma facção
dentro da Ordem, apegada aos primeiros tempos do movimento franciscano – a restaurar a imagem de
Francisco pobre, fraterno e pregador, como uma reação aos rumos que a Ordem seguia.
Considerando o que pondera Le Goff que “(...) a biografia histórica é uma das maneiras mais
difíceis de fazer história” (LE GOFF, 2002: 20), e a Legenda dos Três Companheiros, um texto
hagiográfico, é também um texto biográfico; todavia, enquanto gênero narrativo, a hagiografia
medieval, é muito interessante para conhecermos o imaginário daquela sociedade. É isto o que nos
interessa enquanto historiadores, sobretudo nesta comunicação.
Marx afirmava que, qualquer grupo social fabrica suas imagens para exaltar o seu papel
histórico e sua posição social (Cf. BACZKO, 1984: 305), assim podemos compreender a ação dos três
companheiros, em restaurar a imagem de Francisco mais consoante com as aspirações defendidas por
eles. Portanto, não era uma imagem alheia à dinâmica do movimento, mas que pode ser entendida se
confrontada com os acontecimentos que marcaram a fraternidade franciscana no contexto da produção
desta biografia.
As transformações que ocorreram na fraternidade, após o IV Concílio de Latrão, como: a
divisão em províncias, a estruturação hierárquica da fraternidade, bem como a aprovação da Regra de
1223, permitiram o controle e organização do movimento franciscano. Tal processo, ao mesmo tempo,
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Bacharel e Licenciado em História pela UFG/Campus Catalão, aluno do Curso de Especialização em História
da UFG/Campus Catalão.
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Professora Adjunta do Curso de História da UFG/Campus Catalão.
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que direcionava a fraternidade para um processo de clericalização, minorava as relações fraternas
entre os irmãos e acenava para o abandono da pobreza dos primeiros tempos.
Assim a imagem do Santo, na Legenda dos Três Companheiros pode ser analisada tomando
como referência a dinâmica do movimento que começou em torno do Fundador, no século XIII, e como
resposta à uma sociedade ávida por uma nova experiência cristã. Entretanto, situações novas
impulsionaram a transformação da fraternitas em uma ordem religiosa, sobretudo, a partir da década
de 1217, com a criação de casas fixas, salas de estudos, a entrada – cada vez maior – de pessoas
letradas na fraternidade, aos poucos, remetiam a um novo tipo de pregação – mais culta, doutrinária e
praticada por homens com formação teológica. Essas mudanças se esbarraram com os principais
anseios do Assisiata, o qual queria que seus irmãos vivessem numa fraternidade sem hierarquias;
numa perfeita igualdade entre seus membros, e que as relações entre eles fossem construídas
horizontalmente.
Era evidente o esforço da Igreja em controlar os movimentos que surgiam à época. O
movimento franciscano, mesmo com a aprovação oral da Regra fazia parte destas preocupações. A
falta de regras claras, objetivas, escritas e oficialmente aceitas pela Igreja, facilitava a entrada e a saída
de membros da fraternidade, tornando-a mais exposta à contaminação com grupos heréticos. Além
disso, o risco da promiscuidade era imenso, pelo fato de se encontrarem homens celibatários, virgens,
viúvas e casais vivendo fraternalmente, Teresinha Duarte, embasando em vários estudiosos do
movimento franciscano, lembra que a Ordem Terceira Franciscana, formada por leigos e aprovada pelo
Memoriale Propositum, em 1221, teve origem por volta de 1209 ou 1210, portanto antes da conversão
de Clara e pondera que...
(...) nos primeiros anos – talvez até um pouco depois de 1215 e antes de
1221 – frades, virgens e casais formavam um só grupo e faziam parte de um
mesmo movimento, à semelhança de outros grupos, como os Humiliados.
Assim, parece que S. Boaventura, foi mais fiel aos fatos ao dizer que aquele
gênero de vida foi denominado pelo Fundador, como Ordem dos Frades da
Penitência (...) e dele fazia parte, clérigos e leigos: os solteiros e os casados;
e que dentre eles, algumas donzelas optaram pela castidade perpétua, como
Clara e suas companheiras (DUARTE, 2002: 70).
Havia uma liberdade muito grande acerca da vivência cotidiana e do empenho religioso e
penitencial daquele grupo, sem preocupações legislativas e sem normas e regras rígidas a serem
obedecidas. Isto preocupava a Inocêncio III e ao Cardeal Hugolino, os quais, logo após o IV
Lateranense, se empenharam em organizar o movimento surgido em torno de Francisco.
O decreto 13 daquele concílio proibia a fundação de novas ordens religiosas, justificando que...
A fin de que la exagerada diversidad de religiones induzca a confusión em la
iglesia de Dios, prohibimos firmemente quenadie funde nueva religión y que
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aquél que quisiere entrar em religión asuma uma de las ya aprobadas. Sii
alguien quisiera fundar uma nueva casa religiosa, reciba la regla y encuentra
de las religiones aprobadas (IV CONCILIO DE LETRÁN, 1215: capítulo 13).
Qualquer movimento que surgisse teria que adotar uma das Regras já existente – sobretudo a
Regra de São Bento ou a de Santo Agostinho. Domingos adotou a Regra de Santo Agostinho em 1216.
Francisco, ao contrário, como não tinha a intenção de fundar uma ordem no estilo monástico
tradicional, continuou sem adotar alguma Regra que não fosse o Evangelho. Le Goff aponta que,
talvez, ele tenha usado a aprovação verbal que Inocêncio III havia dado à sua forma de vida para
escapar às sansões do decreto 13 de Latrão IV (Cf. LE GOFF, 2000: 60).
Sua rejeição em adotar uma das Regras já consolidadas pela Igreja, se dava no sentido em
que...
Para Francisco la inspiración divina estaba clara. Dios le pedia uma vida em
sintonía com tales indicaciones evangélicas, y que no entrase em uma
Orden ya existente: precisamente las ya existentes instituciones religiosas y
eeclesiásticas, modeladas según la comunidade primitiva de Jerusalén, en la
que rechaza la propriedad privada poniendo los bienes em común, ya sea
vida solitaria o asociada al clero, eran sospenchosas de adoptar uma
pobreza tan solo aparent; (...) (POMPEI, 1998: 422).
No Capítulo de 1217, Francisco enviou frades para pregar a penitência e a pobreza em terras
fora da Itália. Porém o despreparo deles para tal missão levou-os a vários incidentes que ocasionaram
a primeira crise interna da fraternidade. Aquela crise se deu principalmente devido ao crescimento
incontrolado da fraternidade e à sua expansão por terras distantes, prejudicando a “ação diretora e
modeladora” de Francisco sobre os seus membros. Entretanto, aqueles homens, que mais pareciam
vagabundos, atraíam a atenção do povo por onde passavam. Em alguns lugares eram até recebidos,
porém, na maioria dos casos, foram tratados com desprezo e crueldade.
A Legenda testemunha aqueles acontecimentos...
Eram recebidos em algumas províncias, mas não lhes permitia construir
habitações; de outras eram expulsos como hereges, porque, embora o
Senhor Papa Inocêncio III tivesse aprovado a Ordem e a Regra, não havia
ainda confirmado por carta; por isso os irmãos sofreram muitas tribulações de
clérigos e leigos. Por esse motivo, os irmãos foram obrigados a fugir de
várias províncias, e assim, angustiados e aflitos, e também espoliados e
espancados por ladrões, (...) Sofreram isto em quase todas as regiões
ultramontamas, como na Alemanha, na Hungria e em outras (LEGENDA
DOS TRÊS COMPANHEIROS, 1983: 691).
Naquela missão de 1217, os frades só obtiveram sucesso em Portugal, graças ao apoio e a
proteção que eles tiveram da rainha D. Urraca. Duarte considera o apoio da rainha o elemento chave
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no êxito desses missionários, enquanto os outros que se dirigiram para a França, Alemanha, Áustria,
Hungria, Castela, Aragão e Catalunha e que não contaram com o apoio real tiveram sua missão
fracassada (CF. DUARTE, 2004: 33-37).
A missão frustrada de 1217 mostrou a necessidade de organização e estruturação do
movimento. O carisma pessoal do Assisiata já não era suficiente para manter o controle sobre aqueles
homens espalhados pelo mundo. Segundo a Legenda, Francisco se dispusera a pedir ao Papa, agora,
Honório III, o cardeal Hugolino como protetor para sua Ordem (Cf. LEGENDA DOS TRÊS
COMPANHEIROS, 1983: 691). Os rumos que tomaram o movimento iniciado por Francisco,
escapavam do seu controle.
Embora a Legenda não revele nada de conflituoso em torno daqueles acontecimentos, cabenos atentar a isso. Francisco não queria receber nenhum privilégio da Santa Sé, ora ter um Cardeal
como protetor era um grande privilégio. Hugolino “recebeu a Ordem do Senhor Papa e logo pôs mão à
obra para defender os irmãos, escrevendo a muitos prelados que os haviam perseguido” (LEGENDA
DOS TRÊS COMPANHEIROS, 1983: 693). Talvez seja por isso, para controlar os rumos que tomavam
o movimento, que Francisco pedira um protetor ao Papa; ou mais, talvez pelo direcionamento que a
fraternidade havia tomado, este pode ter-lhe sido imposto.
Desde o tempo do Papa Inocêncio III, que aquele havia incumbido o cardeal Hugolino para
acompanhar os movimentos religiosos nascentes na península italiana. Hugolino foi um homem
acolhedor daqueles movimentos religiosos, semelhantes ao movimento franciscano. Mas, neste novo
contexto, o papel do cardeal Hugolino foi extremamente marcante dentro da fraternidade. De imediato
sobressai a sua tentativa de enquadrar canonicamente o movimento franciscano. O Cardeal tinha uma
compreensão de vida religiosa conforme o estilo monástico tradicional. Logo nos primeiros anos após o
Concílio, o movimento surgido em torno do pobre de Assis, já estava consolidado em três ramos: os
Frades Menores, as Damas Pobres ou Clarissas e a Ordem dos Penitentes no início da década de
1220, formada por leigos que propunham viver segundo a espiritualidade de Francisco de Assis.
Nachman Falbel mostra que, “durante o ano de 1218 a situação do cardeal-protetor nos
negócios da Ordem foi marcante, principalmente nos assuntos referentes à organização, o que
possivelmente teria causado certo desgosto ao santo fundador” (FALBEL, 1995: 19). Em 1219,
Francisco partiu para o Oriente, para ir ter com os infiéis. Logo, avisado da crise pela qual passava a
Ordem, teve que regressar a Itália. De acordo com o Le Goff, essa crise se dava principalmente no
sentido de que os frades “extremistas tinham dado livre curso às tendências extravagantes (...). Por
outro, os laxistas queriam, pelo contrário, afastar-se do rigorismo construindo belas igrejas de pedra,
praticando e favorecendo os estudos, solicitando privilégios da cúria romana” (LE GOFF, 2000: 62).
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Ainda em outra viagem, Francisco tentou ir a Marrocos, mas acometido por uma doença foi obrigado a
voltar a Assis.
Os acontecimentos que ocorriam dentro da fraternidade, desencadeados por grupos distintos,
evidenciava a situação de crise, suscitada principalmente pela insuficiência de sua organização. A
utopia ou realidade, que marcara o movimento nas suas origens ficava para trás. Embora isso fosse tão
caro a Francisco, era necessário dar ao movimento uma organização jurídica, mais concatenada com
as estruturas eclesiásticas.
A partir de 1219, iniciou-se um processo de estruturação da fraternidade que, no decorrer do
tempo, a transformou radicalmente, principalmente no tocante à pobreza e igualdade entre os irmãos.
Júlio Micó afirma que “la división de los frailes em Províncias (...) introducía la jerarquia em la
Fraternidad” (MICÓ, 1976: 43). Para estar à frente destas Províncias era necessário escolher homens,
considerados idôneos, entre os membros da fraternidade. Porém, Francisco ordenava que esses
irmãos não se julgassem superiores aos outros, mas que fossem servidores dos outros irmãos. Ele não
queria tomar atitudes que afetassem à pobreza e as relações fraternas entre os frades, principalmente
levando à diferenciação entre eles.
Como rejeitava toda hierarquização, não tomou para os dirigentes da fraternidade os títulos
designados pelas ordens monásticas – abade, prior. Mas usou, para designar os que estavam à frente,
o título de ministros. Esse título exprime os mais íntimos desejos fraternos do Assisiata: servir uns aos
outros, sem distinção e em pé de igualdade. Para ele, o superior franciscano deveria ser um
companheiro que vive fraternalmente com os outros na fraternidade, servindo e orientado os irmãos no
caminho da perfeição espiritual. Na Regra Não-Bulada de 1221, ele os adverte acerca destas questões:
(...) nenhum irmão exerça uma posição ou cargo de mando, e muito menos
entre os próprios irmãos. (...) E nenhum irmão trate mal a um outro e nem
fale mal dele. Antes sirvam e obedeçam de bom grado uns aos outros na
caridade do Espírito. (...) E neste gênero de vida ninguém seja intitulado
“prior”, mas todos sejam designados indistintamente como “frades menores”.
E um lave os pés ao outro! (REGRA NÃO-BULADA, 1983: 145).
Entretanto, de acordo com Micó, ao passo que a fraternidade se transformava em Ordem
Religiosa, as relações pessoais entre os irmãos assumiam forma de obediência monástica. Para
proteger a minoridade frente a tantas transformações que ocorriam, Francisco os advertia a manter-se
na posição eclesial que o senhor lhes havia designado, isto é na minoridade (Cf. MICÓ, 1976: 396399). Com a divisão da fraternidade em Províncias, a pregação, também, começou a tomar um caráter
oficial e iniciava-se uma hierarquização, em decorrência, da presença e atuação de frades clérigos e
letrados.
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Os acontecimentos da década de 1220 refletiram significativamente na vida dos franciscanos.
Micó aponta que as crises de 1220, motivaram a reestruturação da fraternidade, o que obrigou a uma
“descentralização” do governo. Mais poderes foram atribuídos aos ministros provinciais, e pouco a
pouco o governo da ordem foi saindo da pessoa de Francisco. Além disso, a enfermidade do fundador,
a sua impossibilidade de continuar gerindo uma fraternidade cuja organização escapava ao seu
controle pessoal, somado às pressões que havia no interior do movimento, levaram-no a renunciar ao
governo. Daí Francisco seguiu como a cabeça carismática da fraternidade e não como seu dirigente
(Cf. MICÓ, 1998: 380).
A fraternidade se transformava em Ordem religiosa, porém, em um processo tenso: subsistiam
em seu interior disputas e divisões que se afirmavam em facções rivais. Tal situação piorou quando frei
Elias de Cortona assumiu o posto de vigário da fraternitas em 1221, substituindo a frei Pedro Cattani, a
quem Francisco havia entregado o governo da Fraternidade em 1220, mas que morrera logo depois.
Sobretudo os Capítulos de 1219 e 1221 marcaram Francisco e o movimento que surgiu em
torno dele. Os descontentamentos e tensões entre os irmãos, provocado pelos embriões de futuras
facções que surgiram, pressionavam-no, no sentido de transformar a fraternidade em “verdadeira
ordem e dar-lhe uma verdadeira regra que substituísse a ‘fórmula’ de 1210” (LE GOFF, 2000: 63).
Porém, adotar uma Regra nos moldes monásticos, seria minorar a pobreza, as relações fraternas e a
liberdade dos frades, características essas que eram marcas do movimento franciscano.
Duarte aponta que “o primeiro decênio da história da fraternitas havia se caracterizado por uma
liberdade fantástica e uma ingênua improvisação” (DUARTE, 2003: 803). Mas o processo de
transformação e expansão da fraternidade pedia uma Regra que incluísse os ideais da Ordem e suas
maneiras de organização. Então no Capítulo de 1221, Francisco apresentou uma revisão da Regra de
1210, chamada de Regula Prima ou não-bulada. No Capítulo de Pentecostes de 1222, presidido por
Hugolino, um grupo de frades mais “letrados” pediu ao Cardeal que convencesse Francisco a adotar
uma das Regras já consolidadas, a de São Bento, a de Santo Agostinho ou a de São Bernardo. Mas
Francisco respondeu firmemente, defendendo seu ideal: “(...) não quero que me citeis nenhuma Regra,
nem a de São Bento, nem outra qualquer (...)” (FALBEL, 1995: 24). Ao rejeitar aqueles rumos que
tomou o movimento, ele optou por ser o menor entre todos.
Ele não queria ver sua fraternidade transformada em uma ordem religiosa, pois isso levaria ao
abandono dos ideais mais caros como a pobreza, a fraternidade e a pregação ambulante, tal qual ele
propusera seguir. Ao se transformar em ordem, a fraternidade precisaria de casas fixas, salas de
estudo, livros, rendas para manutenção, ou seja, de uma estrutura para a sobrevivência. Francisco – e
mais ainda, os seus primeiros companheiros – entendia que ao ter essas coisas os frades estariam se
afastando do exemplo do Cristo pobre.
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Mas, a pedido do papa Honório III e do cardeal Hugolino, em 1222, juntamente com Frei Leão
e Bonifácio de Bolonha, Francisco recolheu-se no eremitério de Fonte Colombo e redigiu outra Regra.
Porém, parte dos frades, provavelmente os frades mais “laxistas”, achou-a muito rígida. Aquela Regra
intencionalmente foi perdida ou destruída. Pela situação em que se encontrava a fraternidade, aliamosnos à idéia de que esta foi destruída intencionalmente. Até porque, ela sofrera influência de Frei Leão,
um dos representantes do grupo “rigorista”, um dos quais é atribuída a autoria da Legenda dos Três
Companheiros.
Francisco, então, escreveu outra Regra e a submeteu diretamente ao Cardeal Hugolino, que a
fez modificar em algumas partes. Em 29 de novembro de 1223, o Papa Honório III, confirmou essa
Regra pela bula Solet Annuere. Esta é a Regra seguida até os dias atuais pelos Frades Menores.
Contudo, Le Goff atenta para o fato que, “nas decisões tomadas de 1221 a 1223 para a reorganização
do seu movimento é difícil por vezes distinguir o que desejava São Francisco e o que lhe foi imposto”
(LE GOFF, 2000: 62).
Nas Regras de 1221 e 1223 e no Testamento transparecem as tentativas de Francisco em
estruturar a fraternidade – o que não era da sua vontade, mas a situação da fraternitas tornava isso um
imperativo – desde que com a preservação do que pode ser considerada a “menina dos olhos” do
movimento franciscano – pobreza e fraternidade. As três regras, a de 1210, 1221, e 1223, foram os
sinais da institucionalização daquele movimento simples e despojado, que começou a se formar em
torno do Poverello de Assis, porém, marcados pelos seus esforços em conciliar as inovações com o
resguardo dos valores primitivos do movimento.
Os autores da Legenda saltam aqueles acontecimentos do início da década de 1220, onde as
tensões no seio da fraternidade e até com o próprio Francisco eram intensas. Talvez essas questões
não apareçam pelo sentido e a intenção da escrita dos três companheiros, que era mostrar uma
autêntica fraternidade marcada pela pobreza, pelas relações fraternas entre os irmãos e com o mundo
e a pregação simples e espontânea – características que os acontecimentos daqueles anos em torno
de 1220 não poderiam testemunhar. Já Celano menciona que:
(...) Percebendo que muitos queriam dedicar-se ao magistério, e detestando
sua temeridade, tentou afastá-los dessa peste por seu exemplo. (...) Sofria
porque muitos tinham abandonado os primeiros trabalhos e se haviam
esquecido da simplicidade antiga por causa de suas novas invenções. (...)
Suplicava a clemência de Deus para libertar seus filhos e pedia com ardor
que os conservasse na graça recebida (VIDA I, 1983: 254).
Para Francisco o sustento da fraternidade deveria vir do trabalho dos frades, um trabalho
humilde; eles poderiam até ter um oficio e as ferramentas necessárias para executá-lo, o que ele
insistia, porém, é que os irmãos nunca ocupassem posições de mando, mas que fossem submissos. A
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mendicância, quando necessária, seria o complemento às necessidades da fraternidade (Cf. DUARTE,
2004: 58). Porém, a dedicação ao magistério, além de ir contra a minoridade – magister era entendido
como sendo aquele que ocupa a posição social inversa do menor – à pregação profissional tornava os
frades apenas mendicantes e os afastava do trabalho manual, tão caro a Francisco e aos outros
movimentos de penitentes e pregadores ambulantes.
Na última carta escrita a Santa Clara, em 1226, Francisco reafirma a sua opção pela
minoridade e pela pobreza : “Eu, Frei Francisco, o menor de todos, quero seguir a vida de pobreza, (...)
e nela preservar até o fim” (Carta a Santa Clara, 1983: 171). Segundo Le Goff, a partir de 1223,
Francisco cuidou mais da sua salvação pessoal, independente da nova Ordem que nascera do seu
pequeno movimento, pois, a fraternidade fundada pelo Pobre de Assis, mesmo enquanto ainda vivia o
seu fundador, já caminhava para um processo de transformação em Ordem religiosa, o que
certamente, causava sofrimentos ao Poverello.
Os autores da Legenda – como dissemos – não mencionaram as situações de crise da
fraternitas, mas informam que, dois anos antes de sua morte, quando Francisco orava no Monte
Alverne, apareceu-lhe um Serafim alado, o qual deixou impresso em seu corpo as marcas do
Crucificado (Cf. LEGENDA DOS TRÊS COMPANHEIROS, 1983: 695). Trata-se dos estigmas. A
imagem de Francisco estigmatizado fazia dele “o outro Cristo”. Imagem muito cara ao grupo dos
zelanti, ao qual pertencia os autores da Legenda. Talvez, parecesse-lhes mais interessante, afirmar
esta imagem de Francisco, de certa forma, sinal da aprovação divina, quando ele teve os seus valores
mais caros questionados e até modificados.
Em outubro de 1226, Francisco “encaminhou-se serenamente para a morte” (Cf. LE GOFF,
2000: 65). Não obstante, depois da sua morte, o seu espírito e de seus primeiros companheiros quase
desapareceu da fraternitas. E isso, provocou sérias tensões entre os grupos que se firmavam no seio
da fraternidade. Em 1228, a Igreja o canonizou, no segundo ano do pontificado do ex-cardeal Hugolino,
que havia sido eleito com o nome de Gregório IX, em 19 março de 1227.
Naquela ocasião governava a fraternitas frei João Parenti, que foi eleito no Capítulo de 1227,
substituindo frei Elias. Essa sucessão não foi tranqüila, pois, frei Elias representava a facção dos que
visavam uma adaptação da fraternidade ao estilo de uma ordem tradicional. Frei João Parenti
representava a facção dos que defendiam o seguimento literal da Regra e do Testamento, assim como
dos ideais primitivos de São Francisco, os zelanti. Frei Elias durante o tempo em que esteve como
vigário, provavelmente, não agradou ao grupo mais zelozo, devido ao seu comportamento arbitrário
com relação à observância da Regra e outros maus procedimentos que afetavam a pobreza primitiva
da fraternidade.
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A pobreza, princípio tão caro a Francisco, havia sido (re)interpretada e até questionada dentro
das transformações que marcaram a fraternidade sobretudo a partir do início da década de 1220.
Falbel nos revela que:
(...) A pobreza, a sancta paupertas, espinha dorsal dos ideais de São
Francisco, encontrava-se questionada pelas profundas transformações que
se processavam na sua fundação. O que ele entendia por pobreza era a
absoluta recusa de qualquer propriedade ou posse de qualquer objeto; mas
tal extremismo já não era aceito pelos novos responsáveis ou ministros, que
se sentiam inseguros em adotar inteiramente a norma de viver dia após dia
dependentes da mendicância ou da boa vontade dos fiéis. O ser “menor”
significava, para Francisco, afastar-se de todo privilégio e descer até o último
grau da sociedade, vivendo entre os pobres (...) (FALBEL, 1995: 24).
Tal situação piorou quando Gregório IX designou frei Elias para o encargo de construir uma
igreja para que, nela, repousassem os restos mortais de São Francisco, uma forma de propagar o culto
do novo santo. A suntuosidade daquela igreja era contrária aos ideais dos frades apegados à Regra,
pois feria a pobreza absoluta e consequentemente, a memória do Poverello.
A Legenda diz que o próprio Papa honrou o santo com vários presentes e ornamentos (Cf.
1983: 696). Porém, nesse mesmo documento podemos ter uma dimensão do que significou a
construção daquela igreja para aquele grupo mais apegado aos ideais de Francisco. De acordo com o
documento “pouco seria honrar o santo de Deus apenas com objetos inanimados. Por isso o Senhor
realizou inúmeras conversões e curas através do santo que, embora morto em seu corpo, vivia em
espírito na glória” (LEGENDA DOS TRÊS COMPANHEIROS, 1983: 697). O próprio frei Leão, um dos
representantes do grupo mais apegado aos ideais de Francisco e um dos autores da Legenda sofrera
perseguições de frei Elias. Esta perseguição se deu pelo fato de frei Leão ter rompido o vaso que tinha
sido colocado para arrecadar dinheiro para a construção da Basílica em honra ao Santo.
No capítulo de 1230, os partidários de frei Elias tentaram fazer com que João Parenti
renunciasse e frei Elias assumisse o generalato da Ordem. Mas os descontentamentos com o
comportamento do ex-vigário, por parte de frei Leão e seu grupo, que defendiam o zelo pela
observância da Regra e do Testamento impediram que frei Elias assumisse novamente o governo da
Ordem.
Entretanto, Falbel salienta que a influência do espírito primitivo daquele primeiro grupo
aglomerado em torno de Francisco, já não era muito sentida na ordem por ocasião do capítulo de 1230
(Cf. FALBEL, 1995: 39), porque foram levantadas dúvidas acerca da observância da Regra e do
Testamento. Com isso formou-se uma comissão para apresentar ao papa Gregório IX essas polêmicas
e obter um parecer da Igreja. A resposta do Pontífice aos frades foi a Bula Quo Elongati, de 28 de
setembro de 1230, para por fim às disputas ocorridas dentro da Ordem.
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Gregório IX mostrou aos delegados e ao Ministro Geral, que na Regra havia coisas “duvidosas
e difíceis de entender” e que, embora, Francisco obrigava no Testamento, por força de obediência, que
a Regra deveria ser seguida à risca, sem glosas (comentários), bem como o Testamento, o Pontífice,
baseado no direito, liberou os frades da ordem dada pelo fundador neste mesmo Testamento, pois,
segundo ele, Francisco não poderia ditar uma ordem sem o consentimento dos irmãos (CF. QUO
ELONGATI, 2008: item 4).
Assim, o Testamento seria apenas um documento de valor espiritual para os frades e não tinha
força legal. Quanto à proibição do uso do dinheiro e a posse de propriedades expressa na Regra, o
Papa orientou que: o uso do dinheiro seria permitido através de algum “delegado” ou “amigo espiritual”.
Quanto à posse de bens, o Papa deixou claro na Bula que: “não devem ter propriedades nem em
comum e nem individualmente, mas a Ordem tenha o uso dos utensílios, dos livros e dos demais bens
móveis que lhes é lícito terem. Os irmãos usem-nos, da forma que for estabelecido pelo ministro geral
ou pelos ministros provinciais” (QUO ELONGATI, 2008: item 8).
Com relação à pregação, na aprovação da forma de vida de 1210, o Papa havia delegado a
Francisco a autoridade de examinar quem estava apto para exercer o oficio da pregação, na Regra de
1223, esse encargo seria do Ministro Geral, pois advertia que ninguém ousasse a pregar sem antes ser
examinado por este. Mas com a expansão da fraternidade seria impossível o Ministro Geral examinar
todos os que poderiam exercer a pregação. Então, na bula Quo Elongati, Gregório IX orienta que, o
Ministro Geral, confiasse a tarefa de examinar para a pregação a algumas “pessoas discretas”. E
estabelecia que aqueles que estudaram teologia e que tivessem maturidade suficiente para o oficio da
pregação não precisavam ser examinados (Cf. QUO ELONGATI, 2008: item 10). Com o isto, o Papa
facilitou o acesso dos Menores ao ofício da pregação.
Tais orientações por parte do Papa, embora fossem para facilitar a vida dos frades, aponta
também para um processo de hierarquização na fraternidade. Ao reconhecer que os frades formados
em teologia tinham requisitos para exercer a pregação e não precisariam ser examinados para poder
exercer esse oficio, Gregório IX estabeleceu, de certa forma, a diferenciação entre o frade letrado e o
iletrado. E isso era contrário ao que propôs Francisco, pois, este queria uma fraternidade de iguais,
sem nenhum tipo de distinção.
A Bula Quo Elongati, é um documento muito importante na história franciscana, pois além de
ser a primeira interpretação pontifícia da Regra de São Francisco, foi um dos primeiros documentos a
oficializar o abandono dos primitivos ideais do fundador. Visto que esta afirmava que o Testamento não
tinha força legal e criava algumas sansões quanto à observância da Regra (Cf. FALBEL, 1995: 42).
Em 28 de agosto de 1231, o Papa expediu outra bula em favor dos frades, frente às queixas
dos bispos alemães, a Nimis iníqua. Segundo Falbel, “uma tensão estava se criando entre os frades e
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o clero secular, causada por interesses que pouco ou nada tinha a ver com a pobreza absoluta”
(FALBEL, 1995: 42). As divergências ocorridas entre o clero secular e os frades acerca da pregação
deram-se porque naquele momento ocorria a criação das paróquias urbanas e o clero secular via nos
Mendicantes, especialmente nos Franciscanos, concorrentes. Quase sempre a Igreja se posicionou a
favor dos frades, o que mostra a dependência que o movimento havia tomado em relação à Santa Sé.
Assim como o cuidado de Gregório IX em apoiá-los, porque ele os entendia como os pregadores que a
Igreja precisava. A Nimis iníqua serviu para acirrar mais as tensões que havia dentro da Fraternidade.
Assim, como ocorreram divergências entre os frades e clero secular, ocorreram, também, entre
os frades e os mestres de Paris, pois naquela altura os irmãos começaram a assumir cátedras
naquelas Universidades. Portanto, disputas que não tinham nada a ver com os princípios da vocação
do pobre e fraterno Francisco. Em 1232, frei João Parenti renunciou a direção da Fraternidade e frei
Elias foi eleito ministro geral e esteve à frente desta até 1239. Duarte ressalta que a figura de frei Elias
foi de suma importância para a transformação da fraternidade em uma ordem religiosa, daí o motivo
pelo qual desagradou tanto ao grupo de Frei Leão.
Embora se tratasse de um personagem bastante polêmico, frei Elias, com
toda certeza não tinha a santidade do Fundador, porém, mais do que aquele
tinha dotes de organizador e deu um outro direcionamento para a Ordem,
apesar da resistência daqueles frades adscritos à Regra, contribuindo
enormemente para transformar um movimento e uma fraternidade de
penitentes voluntários em uma ordem religiosa importante e respeitada:
redividiu as províncias; abriu novos studia; multiplicou as missões entre fiéis
e infiéis; e estabeleceu o senso da autoridade e da subordinação no interior
da Ordem (DUARTE, 2004: 109-110).
Em 1239, no Capítulo de Roma, frei Elias foi deposto e eleito como ministro geral da Ordem,
Alberto de Pisa, provincial da Inglaterra. Provavelmente a deposição de frei Elias, se deu devido à
pressão do grupo dos zelanti, liderados por frei Leão. Aquele grupo, mesmo com todas as
transformações que ocorreram com o pequeno movimento iniciado em torno do Poverello, não foi
suprimido. Tudo nos move a crer que na década de 1240, após a saída de Frei Elias do comando da
Ordem, aquele grupo se solidificou e alcançou grande expressividade, até mesmo como reação ao fato,
que, na década de 1240, a Ordem já havia se transformado e seguido rumos bens diferentes dos
propostos por Francisco de Assis.
Aos poucos a fraternidade se estruturou e se transformou. A entrada de vários homens
letrados, mestres de teologia como Aymon de Faversham e Alexandre de Hales sufocaram aquela
pregação “rasteira” dando lugar a uma pregação bastante embasada em doutrinas teológicas. Nas
palavras de Falbel, “a pregação ambulante e espontânea dos primeiros discípulos de São Francisco e
do próprio fundador já requeria, a essa altura, um preparo escolar universitário e os franciscanos
12
passaram a se destacar como pregadores profissionais” (FALBEL, 1995: 42). Já no início de 1240, a
fraternidade havia se transformado totalmente em uma ordem de pregadores profissionais a serviço da
Igreja. O que acirrou ainda mais os ânimos entre aqueles grupos de frades.
No Capítulo Geral da Ordem de 1244, em Gênova, foi eleito como ministro geral da Ordem
Crescêncio de Jesi. Ele assumiu aquela função no momento em que as tensões eram intensas dentro
da Ordem. Sua principal tarefa era, então, por fim àquelas disputas. Contudo, a sua divergência com o
grupo dos zelanti, enquanto provincial da Marca de Ancona, além de sua incapacidade para o cargo,
fez com que os objetivos do seu generalato não fossem alcançados. O grupo dos zelanti conseguiu,
mesmo com toda a oposição e perseguição que sofreu se afirmar dentro da Ordem, no bojo daquelas
disputas. Testemunha da ação daquele grupo é o próprio documento que nos servimos nesta
pesquisa, a Legenda dos Três Companheiros, também a Vida II de Tomás de Celano sofreu a
influência “(...) do espírito que animou os zelanti a manter as originais tradições da Ordem, de seu
fundador e seus primeiros discípulos” ( FALBEL, 1995: 88).
Portanto, os três companheiros, escreveram num determinado momento em que os ideais de
Francisco eram seriamente questionados e até modificados dentro da Ordem, assim, aquele grupo
mais arraigado na utopia dos primeiros tempos e que alcançava certa expressividade, tinha a
necessidade de reafirmar as passagens em que Francisco aparece como um homem extremamente
pobre, fraterno e pregador popular. Não uma pregação culta, tal qual a que, por aquela ocasião, era
praticada por um bom número de frades e que, sem dúvida, chocava com os outros elementos
primordiais do movimento franciscano primitivo – a pobreza e a fraternidade.
Percebemos que a Legenda procurou incutir nos devotos de Francisco e na sociedade em
geral a imagem do “homem que venceu a si mesmo”, que se tornou santo seguindo à risca o
Evangelho, vivendo o mais nobre ideal de pobreza e desprezando as coisas mundanas, especialmente
o dinheiro; para poder se tornar o menor, o irmão de todos e de tudo. Também a imagem do pregador
popular, que anunciava com seu exemplo a paz e o bem e, ainda, convidava à penitência.
Acreditamos que a imagem de Francisco pobre, fraterno e pregador popular, tão cara aos
zelanti, cristalizou-se também em produções artísticas e iconográficas. Também, certamente veio a
influenciar o comportamento de pessoas, especialmente nas fileiras franciscanas. Pois, com Le Goff,
acreditamos que: “o imaginário alimenta o homem e fá-lo agir. É um fenômeno colectivo, social e
histórico. Uma história sem o imaginário é uma história mutilada e descarnada” (LE GOFF, 1994: 16).
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