Universidade Federal do Rio Grande do Sul Faculdade de Educação – Especialização em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos Perspectivas e desafios dos sujeitos da modalidade EJA e sua inserção no Mundo do Trabalho Miréia Batista de Oliveira Orientador: Prof. Dra.. Sita Mara Lopes Sant’ Anna Porto Alegre 2009 2 FICHA CATALOGRÁFICA ___________________________________________________________________________ O48p Oliveira, Miréia Batista de Perspectivas e desafios dos sujeitos da modalidade EJA e sua inserção no mundo do trabalho / Miréia Batista de Oliveira ; orientadora Sita Mara Lopes Sant’Anna. – Porto Alegre, 2009. 32 f. : il. Trabalho de conclusão (Especialização) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação. Curso de Especialização em Educação Profissional integrada à Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos, 2009, Porto Alegre, BR-RS. 1. Educação. 2. Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos. 3. PROEJA. 4. Educação de Jovens e Adultos. 5. EJA. 6. Educação – Cidadania – Trabalho – Políticas públicas – EJA – PROEJA – Pró-Jovem. I. Sant’Anna, Sita Mara Lopes. II. Título CDU 374.7 _____________________________________________________________________________ CIP-Brasil. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação. (Jaqueline Trombin – Bibliotecária responsável - CRB10/979) 3 “É talvez a única oportunidade da vida de muitas pessoas, para mim a EJA é o meu troféu, a minha conquista” ou “uma nova chance de recomeçar de onde tive que parar e reescrever minha própria história”. (M. 45 anos) RESUMO Perspectivas e desafios dos sujeitos da modalidade EJA e sua inserção no Mundo do Trabalho. Porto Alegre: UFRGS, 2009. Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade de Jovens e Adultos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009. Esta monografia aborda o sujeito da EJA Estadual no Município de Viamão, quem são e quais suas expectativas e desafios na construção da cidadania. Identificando a importância das políticas públicas na vida destes sujeitos, caracterizando o Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação, Qualificação e Ação Comunitária - Pró – Jovem Urbano e Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA. Sendo o primeiro um programa já implementado no Município e o segundo como um programa a ser implementado. Desta forma, destacando a importância da educação e do trabalho como elementos importantes para melhorar as condições de vida da comunidade. Palavras-chave: EJA- PROEJA- PRO-JOVEM- Cidadania- Educação – TrabalhoPolíticas Públicas. 4 ABSTRAT Perspectives and challenges of the subject of the modality EJA and his/her insert in the World of the Work. Porto Alegre: UFRGS 2009. Work of Conclusion of Course of Specialization in Professional Education Integrated into the Basic Education in the Modality of Youths and Adults, of the Federal University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre 2009. This monograph approaches him/it subject of State EJA in the Municipal district of Viamão, who you/they are and which their expectations and challenges in the construction of the citizenship. Identifying the Importance das public policies na life recipes sujeitos, characterizing or National Program of Inclusion of Younger: Education, Qualifying e Comunitary Action - Pró Jovem Urban and National Program of Integration Profissional Education to Education Basic Kind of Education de Jovens e People - PROEJA. Or first program has already implemented not district e or second as um program to be implemented. Form, stressing importance work education e do work as elements important to improve the conditions of the community's life. Keywords: EJA - PROEJA - FOR-YOUNG - Citizenship – Work Education Public Politics. 5 SUMÁRIO Introdução............................................................................................................07 1 A Pesquisa........................................................................................................10 1.1 Os Caminhos Metodológicos.......................................................................10 1.2 Os Objetivos da Pesquisa............................................................................11 2 A Educação de Jovens e Adultos no Brasil...................................................12 2.1 O PROEJA e o PRÓ-JOVEM como Política Pública...................................15 3. A Educação de Jovens e Adultos no Rio Grande do Sul............................19 4. A Situação dos Jovens e Adultos em Viamão..............................................22 5. Conhecendo as Escolas Participes da Pesquisa........................................ 24 6. Analisando Questionários e Entrevistas: quem são os alunos da EJA?..27 6.1 Escola Estadual X.........................................................................................27 6.2 Escola Estadual Y.........................................................................................28 6.3 Escola Estadual Z.........................................................................................28 6.4 Sobre os Alunos da EJA em Viamão..........................................................29 Reflexões Finais................................................................................................ 35 Referências Bibliográficas............................................................................... 38 Anexos............................................................................................................... 40 6 INTRODUÇÃO Os sujeitos alunos da Educação de Jovens e Adultos - EJA da rede estadual em Viamão e seus desafios: quem são, como chegaram a esta modalidade e quais suas expectativas profissionais, é o que investigo neste trabalho de conclusão. São dois os motivos principais que despertaram o interesse pela temática que será abordada no presente trabalho. Portanto, dois são os fatores que me parecem fundamentais: o primeiro, refere-se a minha atuação no Município de Viamão como professora, há sete anos, da Rede Estadual de Ensino, na Educação de Jovens e Adultos - EJA e o segundo, por ser especializanda no Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA. Assim, da minha participação nestes dois espaços surge a vontade de refletir sobre a EJA, conhecer sua história, suas dificuldades e desafios, também tendo por base a integração desta, com a Educação Profissional. Esta vivência faz-me vislumbrar a necessidade de aprofundar os dados, buscar informações sobre esta realidade, sobre esses sujeitos e suas necessidades para que possamos, de fato, propor alternativas que envolvam estes sujeitos em suas demandas referentes à formação profissional. Nesta perspectiva, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA, com certeza tem muito a contribuir. Para o desenvolvimento desta investigação, então, desenvolvi pesquisa qualitativa de tipo exploratória e descritiva, em três escolas da Rede Estadual de Viamão, localizadas em pontos estratégicos da cidade, a saber: uma, na zona de divisa entre o Município e Alvorada; outra, na zona mais central, em Viamópolis, e a terceira, na zona que divide o município e Porto Alegre. Neste contexto e visando a obtenção de informações mais específicas sobre a realidade a qual estes sujeitos estão inseridos, realizei também nessas 7 escolas, entrevistas com alguns alunos1 da EJA que frequentam as séries finais do Ensino Fundamental. Importante se faz relatar que Viamão, que integra a região metropolitana (sendo atualmente constituída por 31 municípios), localiza-se a 20 km de Porto Alegre e segundo dados do IBGE (Censo, 2007) conta com uma população de 253.264 habitantes distribuídos em uma área de 1.494 Km2. Este é um Município voltado economicamente para o setor de serviços, pois, segundo o mesmo censo, o Produto Interno Bruto (PIB) de Via-mão é, conforme tabela abaixo: Setores Valor Adicionado Agropecuária 63.032 Indústria 310.189 Serviços 906.340 Assim, percebe-se que a maior parte renda está vinculada ao setor de serviços. A cidade recebeu a denominação de cidade dormitório, tendo em vista o grande número de pessoas que moram no Município e trabalham em Porto Alegre. Nesse sentido, poucas são as oportunidades de emprego e trabalho, contudo, várias têm sido as tentativas de amenizar esse problema, que é um traço característico de várias cidades da região metropolitana de Porto Alegre. Embora a sua população, de uma forma geral, trabalhe em outros municípios da região, principalmente em Porto Alegre, hoje há crescente numero de pessoas que trabalham no setor de comércio e prestação de serviços. O Município conta também com 49 estabelecimentos de saúde, sendo que, destes, 37 realizam atendimento pelo sistema Único de Saúde - SUS. No que diz respeito à economia da cidade, segundo dados do IBGE do mesmo ano, esta conta com 23 indústrias extrativas, 588 indústrias de transformação, 14 indústrias de produção e distribuição de gás e água, além de 342 indústrias ligadas à construção civil. A cidade é uma grande produtora de 1 Estou ciente sobre as diferenças que envolvem as questões de gênero, mas neste trabalho optarei por utilizar o plural, no masculino, conforme apontam as regras da Língua Portuguesa. 8 cereais, entre eles, o arroz, principal produto responsável por feiras como a do Arroz com Leite2. O Município estrutura-se com um centro urbano e várias vilas adjacentes, além de uma extensa área rural. Conforme o gráfico abaixo, a proporção entre a população urbana e rural no município era em 2000 de: Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano, publicado na PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. A população de Viamão, num total aproximado de 253.264 possui quase 23.000 crianças na faixa do 0 aos 4 anos e muitos jovens, principalmente inseridos na faixa dos 15 aos 24 anos totalizando cerca de 42.000 habitantes nessa faixa etária. Ou seja, a população da cidade é bem jovem. No que diz respeito à educação no período de 1991 a 2000 o Município possuía um considerável número de jovens que não havia completado o Ensino Fundamental, séries finais, conforme tabela abaixo. Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais), 1991 e 2000: 1991 Taxa de analfabetismo 2000 12,7 % com menos de 4 anos de estudo % com menos de 8 anos de estudo 32,5 Média de anos de estudo 5,0 74,6 Taxa de analfabetismo % com menos de 4 anos de estudo % com menos de 7,1 22,6 61,6 8 anos de estudo Média de anos 6,2 de estudo Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano, publicado na PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. 2 A Feira acontece no mês de maio e é realizada no Parque de Eventos do Sindicato Rural de Viamão, a mesma encontra-se na 3ª edição. 9 Estes dados que apresento, além de nos situarem sobre as faixas etárias da população e as condições do Município, nos revelam ainda que, mais da metade a população considerada adulta (25 anos ou mais), em 2000, não havia concluído o Ensino Fundamental, séries Finais, ou seja: um elevado percentual da população adulta, 61,6 %, esteve ou ainda está fora da escola. Assim, faz-se necessário investir em políticas públicas que possibilitem o acesso destas pessoas à educação básica, mas, não basta apenas promover a oferta desse nível educacional e sim, qualificar e ampliar possibilidades do ensino ofertado. Conforme, Jaqueline Moll e Nilton Fischer3, Viamão conta com a Educação de Jovens e Adultos - Ensino Fundamental, que foi concebido no ano de 1998, reestruturado e reiniciado em 2002 com a mesma nomenclatura que atende Alfabetização e Ensino Fundamental Séries Finais. 3 Juventude, Escolarização e Poder Local Relatório da Primeira Fase da Pesquisa Políticas Públicas de Educação de Jovens e Adultos e Juventude na Região Metropolitana de Porto Alegre de Julho de 2005. 10 1- A PESQUISA 1.1 Caminhos Metodológicos: Conforme Minayo (2007), a Pesquisa Qualitativa não deve pretender o alcance da verdade e sim, ter como principal preocupação, a lógica que permeia a prática que se dá na realidade, correspondendo a um processo mais profundo de relações, processos e fenômenos que não podem ser reduzidos a variáveis. Neste sentido, a pesquisa envolve a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Sob este olhar desenvolvi a pesquisa com aplicação de questionários selecionando os sujeitos em três escolas para compor a mesma. Foram distribuídos 100 questionários que continham uma parte fechada e outra aberta. A parte fechada buscava dados gerais de identificação dos alunos, tais como: sexo, faixa etária e a parte aberta, continham questões buscando responder aos objetivos dessa investigação. Além disso, visando a obtenção de informações mais específicas sobre a realidade a qual os alunos encontram-se inseridos, realizei também nessas escolas, entrevistas com 20 alunos da EJA que freqüentam as séries finais do Ensino Fundamental. As escolas da Rede Estadual as quais apliquei os questionários e entrevistas localizam-se em pontos bem diversos da cidade, as quais chamei ao longo da pesquisa de Escola Estadual X, Y e Z. Saber quem são os alunos da EJA, por que optaram pela modalidade EJA, quais são seus desafios e perspectivas, se entendem trabalho e emprego como diferentes, se pretendem á continuidade dos estudos; se vislumbram uma formação profissional, quais profissões gostariam de ter e, se conhecem, sabem sobre a existência do PROEJA, são as questões que orientaram esta pesquisa em busca de uma melhor compreensão do contexto em que estes alunos encontram-se submetidos. 11 1.2 Objetivos da Pesquisa: Esta investigação, que aconteceu no período de novembro de 2008 a maio de 2009, objetivou: • Conhecer os alunos da modalidade EJA. • Saber quais são os desafios e perspectivas destes na EJA • Refletir sobre a EJA, no que diz respeito às necessidades dos educandos. • Contribuir para a reflexão sobre os alunos da EJA, no sentido, de propor a perspectiva do PROEJA como uma possibilidade. • Avaliar as necessidades da implantação PROEJA/Fundamental-Formação inicial e Continuada. Nesse sentido, se faz importante refletir sobre os alunos da EJA, conhecendo-os para definir quais são os desafios que enfrentam para concluir seus estudos, saber seus anseios e suas expectativas com relação ao futuro e contribuir para sua inserção no mundo do trabalho de maneira positiva, através das políticas públicas existentes. 12 2. A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL A Educação de Jovens e Adultos, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira - LDB (BRASIL,1996) é uma Modalidade de Ensino da Educação Básica, voltada a atender pessoas que não tiveram, por algum motivo, acesso ou permanência no ensino regular na idade dita “apropriada”. Porém, são pessoas que têm saberes constituídos e já se encontram inseridas socialmente, participando, de algum modo, do mundo do trabalho. Mas nem sempre na história, houve um lugar para a EJA, como aponta a atual LDB. Neste sentido, é necessário conhecer, mesmo que brevemente, aspectos da história da EJA, para melhor compreendê-la. De acordo com Sant’Anna (2009) há marcos da Educação de Adultos que devem ser pontuados para que possamos compreender o contexto no qual os jovens e adultos que buscam à escolarização, encontram-se inseridos. O termo Educação de Jovens e Adultos é recente, contudo, a educação destinada a pessoas adultas ocorre desde o Brasil Colônia, conforme perspectiva apontada por Paiva (1987). No período imperial também se falava em educação para os adultos em classes noturnas. Durante muitos anos várias reformas foram feitas na educação brasileira, mas foi durante a República, principalmente nas décadas de 30 e 40, com a necessidade da participação do povo para o desenvolvimento nacional, sob o enfoque da necessidade do desenvolvimento da industrialização, que encontramos a preocupação do poder público com a educação de adultos, conforme relata Haddad (1997). Essa necessidade de ampliar a “participação do povo” acaba por desembocar diferentes chamamentos à participação destes em campanhas de alfabetização, com interesses diversos. Politicamente, era inegável “a necessidade de se ampliar as bases eleitorais para a sustentação do governo central, integrar as massas populacionais de imigração recente e também incrementar a produção”.(BRASIL. MEC. Educação de Jovens e Adultos. 1973) 13 Neste mesmo período se faz necessário o controle da população mais pobre com interesse visivelmente político presente no governo Vargas com uma visão nacionalista e centralizadora como aborta Sant’Anna (2009 p. ): Nos anos 30 emerge a idéia de uma política educacional nacional, principalmente voltada à difusão do ensino elementar. Sob as orientações de centralização e da política de nacionalização proposta pelo Estado Novo de Vargas, a educação passa a ser vista como um importante instrumento de formação, também para o “controle das massas”. Assim, a Educação de Jovens e Adultos se efetiva em 1947 mediante sucessivas campanhas de alfabetização. Segundo Cunha (1999) as dificuldades com a educação “massiva” são acompanhadas de propostas técnicopedagógicas para a educação de adultos que não se limitam à escolarização pela abrangência de algumas temáticas envolvendo a saúde, por exemplo, ou em sua configuração, como é o caso do Movimento Brasileiro de alfabetização – MOBRAL, que ocorre sem uma relação direta com a escola. Nos anos 50 o trabalho realizado com a alfabetização voltada ao público jovem e adulto continua. Nesta mesma década, em 1958, durante o segundo Congresso Nacional de Educação de Adultos, são divulgadas, com receptividade, as experiências de Paulo Freire e do Movimento de educação de Base – MEB, da Igreja Católica; ambas com ênfase no desenvolvimento da cultura popular. Nesta perspectiva, irrompiam os anos 60 com as perspectivas de uma grande proposta de Alfabetização nacional a ser desenvolvida por Freire. Porém, em 1964, com a deflagração do golpe Militar, com exceção do trabalho do MEB, somente são permitidas campanhas assistencialistas e conservadoras, e em 1967, nesta perspectiva, ocorre o lançamento do MOBRAL que permanece, enquanto política pública do governo militar, até 1985. Durante a égide do entusiasmo promovido pelo processo de abertura política, em 1988 a nova Constituição Federal coloca a Educação de Jovens e Adultos, como dever do Estado e com obrigatoriedade no ensino fundamental que passa a ser, conforme explicita o texto do Artigo 208, “obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria”. De acordo com Cury (2005 p.2) na Declaração Universal dos Direitos do Homem, consta entre os direitos inalienáveis, que todo homem tem direito à 14 instrução e esta será orientada para garantir o pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e pelas liberdades fundamentais. Nesta perspectiva a LDB 9394 ( BRASI, 1996), atendendo ao que demanda a Constituição Federal (BRASIL,1988), ao inserir a EJA como Modalidade da Educação Básica, conclamou por estes direitos, inserindo-a no Sistema Educacional vigente. Porém, no campo das políticas públicas, em pleno período em que estes direitos legais se constituíam, observamos nos anos 90 a falta de incentivo político e financeiro, por parte do governo federal. Diante deste quadro da realidade nacional, atualmente o poder público federal vem desenvolvendo uma série de ações, visando resgatar estes direitos dos jovens e adultos, à formação e sua inserção no mundo do trabalho. Segundo dados elaborados a partir do Censo de 2000, quase 50% da população entre 15 e 24 anos não completaram o Ensino Fundamental. Conforme dados da PNAD, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do Censo do IBGE de 2001, um milhão de jovens e adultos cursava ainda o ensino fundamental ou cursos da modalidade EJA. Diante deste contexto faz-se necessário refletir sobre as questões, quem é esse aluno e como investir em educação pública de qualidade? A fim de que esse jovem e adulto que foi excluído anteriormente da escola, encontre na mesma a inclusão e conclusão do ensino fundamental, não apenas para a certificação, mas para a inserção de maneira positiva no mundo e neste, nas possibilidades do mundo do trabalho. É importante destacar que atualmente muitos destes são jovens que ingressam no ensino noturno na modalidade EJA, por inúmeros motivos que envolvem, segundo BRUNEL (2004 p.19) “fatores pedagógicos, políticos, legais e estruturais que fazem com que muitos jovens procurem cada vez mais esta modalidade e a cada ano mais precocemente”. Assim, impossível homogeneizá-los, os vendo apenas como, “alunostrabalhadores”, é preciso conhecê-los em toda sua diversidade, em sua juventude. A esse respeito, Arroyo (2005 p. 21) contribui, ao afirmar: [...] o que há de mais esperançoso na configuração da EJA como campo específico de educação é o protagonismo da juventude. Esse tempo da vida foi visto apenas como uma etapa preparatória 15 para a vida adulta. Um tempo provisório. Nas últimas décadas, vem se revelando como um tempo humano, social, cultural, identitário que se faz presente nos diversos espaços da sociedade, nos movimentos sociais, na mídia, no cinema, nas artes, na cultura... Um tempo que traz suas marcas de socialização e sociabilidade, de formação e de intervenção. A juventude e a vida adulta como um tempo de direitos humanos, mas também de sua negação. Esta configuração da EJA revela, então, que precisamos nos preocupar com este grupo que é bastante significativo nesta modalidade. Segundo dado do Atlas Educacional do Desenvolvimento Humano no Brasil pode identificar que é alta a faixa da baixa escolarização destes: Nível Educacional da População Jovem, 1991-2000: Faixa etária (anos) Taxa de analfabetismo 1991 3,5 3,9 15 -17 18- 24 2000 0,8 2,0 % com menos de 4 anos de estudo 1991 2000 14,0 7,5 12,1 7,5 %com menos de 8 anos de estudo 1991 75,9 55,8 2000 57,8 40,4 Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano, publicado na PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Nesta perspectiva é que surge, por parte do atual governo federal, uma série de medidas visando ampliar a escolarização e à inserção destes jovens, no mundo do trabalho. 2.1 O PROEJA e o PRÓ-JOVEM como políticas públicas . No âmbito federal foram criadas políticas públicas voltadas à juventude, e entre estas encontramos os programas PROEJA e o Programa Nacional de Inclusão de Jovens - Pró-Jovem. O primeiro destina-se a jovens e adultos que buscam a conclusão dos estudos na etapa do ensino Fundamental e Médio integrado a educação profissional e o segundo, a uma faixa etária especifica. O Programa Nacional da Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA é um programa que visa integrar o ensino médio aos cursos técnicos de 16 nível médio propondo também a integração entre a formação inicial e continuada de trabalhadores e os anos finais do ensino fundamental na modalidade EJA. Segundo o Documento Base do PROEJA (2007): Os fundamentos para uma política de integração da Educação profissional/formação inicial e continuada com o ensino fundamental na modalidade Educação de Jovens e Adultos estão presentes tanto na Constituição Federal, 1988, quanto na LDB, de 1996. No Rio Grande do Sul, a partir de 2009, o programa ocorre em 13 instituições estaduais que mantém cursos de EJA presenciais para desenvolver cursos de PROEJA, em parceria com Centros Federais de Educação Tecnológica - CEFET e Escolas Técnicas Federais, atuais Institutos Federais de Educação Superior – IFET. A proposta do PROEJA tem como principio o trabalho educativo tendo em vista as novas demandas de formação do trabalhador relacionando o currículo, o trabalho e a sociedade. O grande desafio do PROEJA é, sem dúvida, construir uma proposta pedagógica que contemple um currículo dimensionado ao trabalho elevando os níveis de escolaridade. Assim, o documento base do programa assinala: O PROEJA, Formação Inicial e continuada- Ensino Fundamental tem por objetivo integrar conhecimentos da educação geral com formação profissional inicial e continuada por meio de metodologias adequadas aos tempos e espaços da realidade dos sujeitos sociais que constituem o público beneficiário. Documento Base do PROEJA Formação Inicial e Continuada, 2007. Segundo o mesmo documento PROEJA/Fundamental (2007): muitos concluintes do ensino fundamental na modalidade EJA recebem uma certificação que tem pouca vinculação com os conhecimentos que deveria corresponder, questões que contribuem para que estes não obtenham significativas modificações em sua condição de vida. Nesse sentido, a proposta do PROEJA se faz importante, pois pode ser uma alternativa para conferir maior significado a vida destes sujeitos, relacionando os conteúdos propedêuticos com a preparação para o Trabalho, 17 contribuindo de forma mais direta na formação profissional, através dos cursos de formação continuada, bem como aponta o Documento Base do PROEJA (2007). Nesse contexto, a integração da formação inicial e continuada de trabalhadores com o ensino fundamental na modalidade EJA é uma opção que tem possibilidade real de conferir maior significado a essa formação, pois tem o poder de incidir diretamente na melhoria da qualificação profissional dos sujeitos aos quais se destina. No âmbito Federal, foram criados em 2005, pelo Conselho Nacional de Juventude, a Secretaria Nacional de Juventude e o Programa Nacional de Inclusão de Jovens, o Pró-Jovem. Todos eles fazem parte da Política Nacional de Juventude. O Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Pró-Jovem), política pública implementada pelo atual governo visa oferecer formação educacional atrelada à qualificação profissional para a população entre 15 a 29 anos, cuja renda mensal das famílias atinja, prioritariamente, até meio salário mínimo. O programa é resultado da integração de diversos outros programas para a juventude do Governo Federal, e está dividido em quatro modalidades: Adolescente, Urbano, Trabalhador e Campo. Trata-se de um programa que teve inicio em 2005 com o objetivo de atender jovens de 15 a 24 anos que não tinham concluído o ensino fundamental e não trabalhavam com carteira assinada. O programa foi implementado em todas as capitais, no Distrito Federal e em outras 34 cidades das regiões metropolitanas com mais de 200 mil habitantes e funciona em parceria com as prefeituras. Em 2007, o programa estendeu a idade máxima para 29 anos. Assim, o principal objetivo do Pró-Jovem é reintegrar esse público ao processo educacional, promover sua qualificação profissional, além de oferecer ações de cidadania, esporte, cultura e lazer nas comunidades as quais faz parte. O Pró-Jovem foi instituído pela lei 11.129 de 30 de junho de 2005. E através do parecer CNE/CEB nº18/2008, aprovado em 6 de agosto de 2008 o qual autoriza o funcionamento do mesmo, bem como, orienta as diretrizes 18 curriculares no sentido da formação básica, da inserção produtiva e da participação cidadã destes jovens. Conforme documento encaminhado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, 2005: O Pró-Jovem trabalha na perspectiva de contribuir especificamente para a inserção do jovem na escola; a identificação de oportunidades de trabalho e formação inicial dos jovens para o mundo do trabalho; a oferta de oportunidades de desenvolvimento de vivências desses jovens em ações comunitárias; e o acesso dos participantes do programa à inclusão digital como instrumento de inserção produtiva e de comunicação. O Pró-Jovem Urbano é um programa emergencial que segue os mesmos moldes do Pró-jovem, mencionados anteriormente, contudo, destina-se a uma parcela da sociedade que tem a necessidade de retomar os estudos, mas que mora nos centros urbanos. Segundo o Decreto número 6.629 de 2008, há uma reiteração do caráter preventivo do serviço, mas, tais medidas não se confundem com as medidas sócio educativas apresentadas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Desta forma, os programas acima demonstram um traço da política atual a implementação de políticas públicas integrando educação e mundo do trabalho, buscando uma mudança de perspectiva na vida do jovem e do adulto que por inúmeros motivos não conseguiram concluir seus estudos. 19 3- A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO RIO GRANDE DO SUL Atualmente, no Rio Grande Sul, a EJA encontra-se configurada mediante cursos autorizados pelo Conselho Estadual de Educação do Estado-CEED-RS, oferecidos nas escolas das redes Estaduais l e municipais, além dos exames supletivos: Exame Nacional de Certificação de Competências da Educação de Jovens e Adultos-ENCCEJA, desde 2008, ofertado mediante parceria com o Governo Federal. Os cursos autorizados pelo CEED-RS, como parte da Educação Básica escolar devem oferecer aos jovens e adultos oportunidades de educação adequadas as suas características preservando suas especificidades, como revela o Parecer nº. 774 (RIO GRANDE DO SUL, 1999): As oportunidades educacionais para esta clientela deverão ser apropriadas às suas características. Isso fica evidente na Lei ao tratar a educação de jovens e adultos em seção específica dentro do capítulo da Educação Básica, juntamente com a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. As escolas autorizadas, públicas e privadas, que ofertam a EJA no Estado, contam com um total de 178.407 alunos matriculados nesta modalidade. Destes, 110.117 na rede Estadual de Ensino, 489 na Rede Federal e 48.244 na Rede Municipal, conforme dados do Censo Escolar (BRASIL, 2008). Estes estabelecimentos de ensino desenvolvem diferentes propostas curriculares, buscando evidenciar as especificidades desta modalidade de ensino. Encontramos na atualidade, segundo dados desse mesmo Censo, os estabelecimentos do Estado que oferecem a EJA - Presencial assim distribuído: Dependência Educação de Jovens e Adultos Administrativa Presencial Ensino. Fundamental Ensino Médio Estadual 47.393 37.383 Federal 0 434 Municipal 45.055 342 Particular 3.637 14.672 Total 96.085 52.831 20 Fonte: MEC/INEP - Censo Escolar da Educação Básica 2008 Além disto, também encontramos os Núcleos de EJA e Cultura Popular – NEEJA-CP distribuídos pelo estado, perfazendo o número de 33 núcleos estaduais. O NEEJA é um estabelecimento de ensino que não pode ser caracterizado como uma "escola", mas deve ser visto um espaço educativo onde a oferta de exames supletivos fracionados é feita ao jovem e ao adulto. O processo se dá a partir da análise e avaliação dos estudos do mesmo de maneira formal e informal, levando em consideração a vivência do aluno ao longo de sua vida pessoal, profissional e escolar. Para ingressar nos Núcleos é necessário fazer inscrição como ocorre com os exames supletivos da Secretaria de Educação (SEC-RS) e/ou ENCCEJA, pois, a opção por esta modalidade de ensino não pode ser confundida como uma simples "transferência" entre escolas ou cursos. O Conselho Estadual de Educação fixa normas para a oferta da Educação de Jovens e Adultos no sistema Estadual de Ensino, conforme propõe a Resolução nº. 250 (RIO GRANDE DO SUL, 1999)4, em seu artigo 2º: A Educação de Jovens e Adultos nos níveis fundamental e médio poderá ser desenvolvida através de: I – programas preparatórios para os exames supletivos, de livre oferta; II – programas correspondentes aos quatro anos iniciais do ensino fundamental, sem prévia autorização; III - proposta metodológica para os anos finais do ensino fundamental e para o ensino médio, consubstanciada em Planos de Estudos e consolidada no Regimento Escolar de estabelecimentos integrantes do Sistema Estadual de Ensino. No campo da Alfabetização o Estado vem desenvolvendo o Programa Brasil Alfabetizado, também como parceria com o Governo Federal. Desde 2007 a Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul - SEC fez adesão a esse Programa conforme parceria com Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação e Cultura FNDE/MEC. Conforme dados da SEC - RS, o programa já atendeu 21 Municípios, atingindo 1.194 alunos que estão em processo de alfabetização. Esse programa conta com a participação de 91 alfabetizadores, incluindo intérprete de Libras. 4 Resolução 250/1999. Fixa normas para a oferta da EJA em sistema Estadual de Ensino. CEED/RS 21 O Programa Brasil Alfabetizado, em 2008, foi ampliado e sua oferta passou a atender aos Municípios. Contudo, encontra-se ainda em estruturação. Segundo a mantenedora estadual, são objetivos do programa: inclusão de 12 presídios estaduais; 191 alfabetizadores; formação de 123 turmas em zona urbana e 56 em zona rural. 22 4- A SITUAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM VIAMÃO A Educação de Jovens e Adultos nos moldes que a conhecemos hoje, foi implementada, na rede estadual do Município, no ano de 2001, em substituição ao Ensino Supletivo, que desde a década de 70 era uma alternativa de “aceleração” de estudos ou de resgate de jovens e adultos que estavam fora da escola e desejavam obter certificação, conforme Lei 5692 (BRASIL, 1971). A pioneira no município foi a Escola Setembrina, localizada na zona central da cidade. Esta contava com Supletivos de 1º Grau, desde 1978 e 2º Graus, desde 1997. Em 2001 a Escola Setembrina passa a oferecer a Educação de Jovens e Adultos (EJA) de Ensino Fundamental e Médio. No ano de 2005 deixa de ofertar o Ensino Fundamental e passa a oferecer apenas no Ensino Médio. O município de Viamão conta hoje, com nove escolas estaduais de Educação de Jovens e Adultos (EJA) distribuídas pelas zonas rurais e urbanas da cidade, e destas, apenas três oferece a Educação de Jovens e Adultos (EJA) de Ensino Médio, as demais, atuam somente com o Ensino Fundamental. Estão resentes no município três escolas particulares de EJA, conforme dados do CEED/RS, são duas escolas oferecendo a modalidade EJA presencial e uma oferecendo a modalidade à distancia. Segundo dados da Prefeitura de Viamão, o Município conta hoje com o Pró – Jovem e com EJA/Fundamental. São 7 escolas com Pró-jovem Urbano: E.E.E.Fundamental Luciana de Abreu, E.E.E.Fundamental Faicker Nunes, E.E.E.Fundamental Araçá, E.E.E.Fundamental Castelo Branco, E.E.E.Fundamental Pasqualine, E.E.E.Fundamental Vinte de Setembro e E.E.E.Fundamental Farroupilha, com 5 turmas cada uma, totalizando quase 1300 alunos. São apenas.com EJA/ Fundamental. Segundo dados do ultimo Censo Escolar (2008), a 28ª Coordenadoria de Educação de Gravataí da qual fazem parte os municípios de Alvorada, Cachoeirinha, Glorinha, Gravataí e Viamão, possui um total de 15.626 alunos matriculados na modalidade EJA, sendo destes: 6.969, na Rede Estadual de Ensino. 23 No que diz respeito à educação, este conta com 41.454 matrículas no Ensino Fundamental, sendo que destas, 16.324 são matrículas da rede estadual, 22.021 na rede municipal e 3.109 na rede privada. Segundo esses dados expressos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2007, o Município contava com 97 estabelecimentos de Ensino Fundamental, sendo: 29 estaduais, 60 municipais e 8 privados. No início de 2009 a EJA em Viamão passou por um novo desafio e teve que enfrentar as conseqüências do fechamento das escolas de EJA municipais e a instalação do Pró-Jovem Urbano. Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação do Município, foram abertos oito núcleos desse programa e foram mantidas apenas quatro escolas municipais com oferta de Educação de Jovens e Adultos. Com o fechamento de escolas municipais, os alunos dessa rede passaram neste ano a buscar vagas na rede estadual de ensino que sofreu vários percalços no ano anterior com a ameaça de fechamento de escolas, por falta de alunos. Assim, a partir do remanejamento destes, a rede estadual começou a revitalizar-se com a crescente demanda no número de matrículas. Segundo dados do INEP do ano de 2007 o Ensino Fundamental na modalidade EJA contava com um total de 4.580 matrículas, sendo quase 2.000 na Rede Estadual de Ensino. No Município, as matrículas de EJA – Ensino Fundamental encontravam-se assim distribuídas: Educação de Jovens e Adultos - Matriculas Ensino Fundamental /Presencial Ano 2005 2006 2007 Total 7039 5314 4580 Estadual 3035 2125 1930 Municipal 3642 3107 2639 Privada 362 82 11 Fonte: INEP/MEC Em 2009, apesar da falta de dados oficiais da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul o que se percebe nas escolas é um crescimento 24 considerável no número de matriculas da EJA, principalmente nas séries finais do Ensino Fundamental. 25 5. CONHECENDO AS ESCOLAS PARTÍCIPES DA PESQUISA Para entender um pouco mais sobre quem são os sujeitos da EJA de Viamão se faz necessário conhecer um pouco sobre as escolas nas quais a pesquisa foi realizada, enfocando sua história, bem como a implementação da EJA neste contexto. A Escola Estadual X que está localizada na zona urbana da cidade de Viamão é uma escola que foi fundada na década de 50, com o objetivo de atender a população da Vila Santa Isabel. A escola se dedica a tender a população da Vila e no diurno, atende alunos da Pré-escola à conclusão do Ensino Fundamental. A Educação de Jovens e Adultos de Ensino Fundamental foi implementada em nossa escola, em março de 2001. No início desse processo a escola contava com apenas três professores, dois de Alfabetização e PósAlfabetização e um professor de área. Nessas condições, foram quase seis meses aguardando a chegada dos demais professores para início do ano letivo. Quando a EJA se instituiu eram nove turmas, sendo duas de Alfabetização e Pós-Alfabetização (Totalidades5 1 correspondendo a 1ª e 2ª séries e Totalidade 2 correspondendo a 3ª e 4ª séries) e sete do Ensino Fundamental (Totalidades 3, 4, 5 e 6 correspondendo a 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries, respectivamente). A Escola conta hoje com apenas cinco turmas todas de Ensino Fundamental devido a vários fatores, entre eles: remanejamento de professores, fechamento de turmas e evasão escolar. Assim, a escola não tem mais as totalidades 1 e 2 permanecendo, apenas, com cinco turmas de Ensino Fundamental, Totalidades 3, 4, 5 e 6 (de 5ª a 8ª séries). A escola tenta enfrentar o problema freqüente da evasão escolar através de pesquisas e projetos pedagógicos e culturais com o objetivo de conhecê-los e integrá-los proporcionando um espaço mais humanizado. A segunda escola que investiguei foi a Escola Estadual Y, que, segundo informações da Direção, até o ano de 2001 oferecia, no turno da noite, o antigo 5 Organização curricular que pressupõe a integração entre as disciplinas. 26 supletivo, no qual, para o ingresso, o aluno era submetido a uma prova de nivelamento, cuja organização curricular era por blocos de ensino. A supervisora da escola salienta que com a implantação da atual LDB a escola teve um período para adequar-se à nova lei e a partir do ano de 2002 deuse início ao funcionamento da EJA, e, em 2003 foram planejadas as bases de diretrizes da mesma. Assim, a Educação de Jovens e Adultos começou a funcionar na escola sendo dividida por etapas (Etapa 1 – Alfabetização; Etapa 2 – Pós alfabetização; Etapa 3 (5ª e 6ª série); Etapa 4 (7ª e 8ª série). A escola localiza-se em uma zona que é considerada pobre e violenta. Os alunos são moradores da região, em sua maioria, mas alguns residem em Alvorada, município vizinho. A escola conta com uma boa estrutura e organização. A terceira escola partícipe dessa pesquisa foi a Escola Estadual Z. A escola é de Ensino Fundamental e Médio, mas possui EJA apenas na etapa do ensino fundamental. Esta modalidade atende a alunos das totalidades iniciais e finais do Ensino Fundamental assim distribuídos: 2 totalidades iniciais e 4 totalidades finais, sendo que as totalidades iniciais são multiseriadas6. A escola foi construída na década de 60 e em 1962 a escola começou a funcionar com apenas 67 alunos distribuídos em séries. Já no ano seguinte as matrículas aumentaram e a escola começou expandir os turnos de atendimento. A escola funciona hoje com três turnos, manhã, tarde e noite. No turno da noite ocorrem a modalidade EJA e duas turmas de Ensino Médio. A EJA funciona com seis totalidades, sendo a 1ª e a 2ª atendendo a alunos das séries iniciais e as demais, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª atendem as séries finais do Ensino Fundamental, com apenas uma turma em cada totalidade. A filosofia da escola tem por finalidade, conforme PPP, “à construção da pessoa como sujeito da sua história a ser agente de transformação positiva”. Para atingir tal finalidade a escola baseia seu trabalho em alguns princípios fundamentais, tais como: “a valorização de diversas formas de expressão, o conhecimento, o desenvolvimento da cidadania participativa, a vivência de valores e oportunidade de integração da comunidade e a escola”. 6 Classes que integram alunos de diferentes séries. 27 Um ponto importante a destacar sobre as escolas pesquisadas é o número de alunos matriculados na EJA. O Gráfico abaixo mostra o número exato de matriculas da Rede Estadual de Ensino nas três escolas, sem considerar o número de alunos evadidos. 185 190 Escola Estadual Z Escola Estadual Y Escola Estadual X 124 A proporção entre homens e mulheres matriculados nas três escolas de EJA nos mostra que há pouca diferença entre o número de matriculas de homens e mulheres. A Escola Estadual X mostra uma pequena variação com superioridade do sexo masculino. 200% Escola Estadual X 150% Escola Estadual Y 100% Escola Estadual Z 50% 0% MULHERES HOMENS 28 6. ANALISANDO QUESTIONÁRIOS E ENTREVISTAS: QUEM SÃO OS ALUNOS DA EJA? De um modo geral, responderam aos questionários 100 alunos. Dessas respostas, passarei a apresentar as análises que fiz por escola, a fim de demarcar, em seu contexto, as especificidades das respostas, localizando-as por região no Município. Ao final deste capítulo apresentarei apreciação geral sobre os dados levantados em cada um dos espaços investigados, buscando responder a questão mais ampla do trabalho: “quem são os alunos da EJA”, tendo em vista o município de Viamão? 6.1 Escola Estadual X Fazendo uma análise dos dados levantados a partir das entrevistas realizadas na Escola Estadual X foi possível concluir que 70% dos alunos voltaram a estudar, pois queriam terminar os seus estudos. Dentre estes destaco um depoimento: “Eu comecei a estudar na Escola em 1986 e em 1991 parei para poder trabalhar e ajudar minha família” (E. 25 anos) sendo esta uma perspectiva de futuro melhor para eles e sua família. Conforme outro relato: “Quero estudar ter uma profissão e dar um futuro melhor para meu filho” ( J. 19 anos). Além disso, ao responder sobre o que é a EJA? Muitos colocam a modalidade como a única oportunidade de continuidade dos estudos “É talvez a única oportunidade da vida de muitas pessoas, para mim a EJA é o meu troféu, a minha conquista” ou “uma nova chance de recomeçar de onde tive que parar e reescrever minha própria história”. (M. 45 anos) Os alunos abordam também em entrevista como deveria ser a EJA, nesse sentido, destacam a importância de cursos. Nessa perspectiva, são unânimes em afirmar que são fundamentais para a sua inserção no mundo do trabalho. A esse respeito destaco a fala: “Na EJA tinha de ter mais qualificação para os alunos”, “Para mim o ideal é também ter cursos de Informática”, “A escola poderia oferecer um curso de Inglês ou informática”. A partir dessas falas podemos perceber que é de interesse dos alunos a formação continuada na EJA. 29 6.2 Escola Estadual Y A Escola Estadual Y localizada entre o Município de Viamão e Alvorada apresenta suas peculiaridades como o interesse pela qualificação. Os entrevistados, cerca de 80% deles, afirmam ter buscado a EJA como uma alternativa para continuar estudando e buscar um trabalho. A EJA é vista como uma forma de melhorar suas chances no mundo do trabalho “o estudo é importante e facilita para conseguir trabalho”. A maior parte dos alunos entrevistados na Vila Elsa está fazendo cursos profissionalizantes e buscaram o ensino noturno por esse motivo “Faço curso de administração e informática de dia e por isso mudei para a noite” outro entrevistado da já fez dois cursos e mesmo assim não consegue trabalho “É muito difícil conseguir trabalho sem terminar pelo menos a oitava série”. 6.3 Escola Estadual Z A Escola Estadual Z é uma escola que fica em uma das regiões que vem crescendo muito economicamente, já que, é uma região de comércio. Os alunos que frequentam a escola são todos oriundos da região, moram nas vilas próximas. Os entrevistados afirmam ter buscado a EJA por necessidade, pois precisavam trabalhar durante o dia. Destacam a importância do estudo para terem melhores condições de vida e almejam a profissionalização através de cursos, contudo encontram dificuldades em realizá-los, já que são pagos. Conforme relato de uma entrevistada “preciso da EJA para conseguir um emprego e espero poder fazer um curso de secretariado”. Nesse sentido, percebe-se a importância que é dada para a educação de Jovens e Adultos, pois muitos vêem na EJA a única alternativa para conseguir trabalho. 6.4 Sobre os alunos da EJA em Viamão Lançando o olhar sobre as respostas dos alunos, em seus questionários é possível relatar que a maioria destes retorna aos estudos após 10 30 a 20 anos sem estudar e outros, por terem idade avançada (em média 60%) acabam saindo do diurno buscando o ensino noturno. Essa retomada passa a ser uma necessidade para os alunos que se inserem no mundo do trabalho. São alguns dos motivos que fazem que os alunos retornem ao ambiente escolar: o emprego, a família, exigência do trabalho, busca de conclusão dos estudos. Os 100 alunos que participaram da pesquisa nas escolas constituem dois grupos bem distintos compostos por 51 homens e 49 mulheres. Destes, percebe-se que há um contigente de alunos bem jovens com faixa etária que varia entre15 aos 25 anos, conforme representa a figura abaixo: 49 51 Homens Mulheres Dentre esse, boa parte declarou-se como branco ou negro. Porém, se analisarmos a figura abaixo encontraremos um alto percentual entre os que se situam como sendo pardos; outros, índios e ainda, há os que não responderam. Isso pode revelar que as pessoas, por vezes, não se sentem aptas a indicar a sua etnia ou ainda, por terem consciência de que são constituídas numa perspectiva de integração étnico-cultural, não conseguem se enquadrar em apenas uma etnia. Talvez por isto tenham optado por assinalar as opções nomeadas por outros, pardos ou ainda, optaram/preferiram não responder alternativas. 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Branco Negro Índio Pardo outros Não Responderam às 31 Os alunos de Viamão nasceram em sua maioria, em Porto Alegre. Assim, 56 alunos nasceram em Porto Alegre e apenas 24 em Viamão, sendo que os que nasceram no Município são os mais jovens. Esse fato pode ser conseqüência do grande desenvolvimento de urbanização da capital que acaba por empobrecer a população, que vê obrigada a deslocar-se aos municípios e às vilas do entorno da grande Porto Alegre, buscando melhor condição de acesso à moradia, habitação. Há também uma parcela de alunos que residem em Viamão, mas que nasceram em outros municípios mais distantes, tais como: Pelotas, Porto Xavier, Tupanciretã, Santo Ângelo, Bagé, que por algum motivo se deslocaram. Além destes municípios foram mencionados também: Canoas e Alvorada, que também fazem parte da região da Grande Porto Alegre. Contudo, o número de alunos que reside em Viamão é superior às demais localidades, sendo 75 moradores do Município, 12 de Porto Alegre, 7 de Alvorada e 6 não responderam ao questionamento. Estes dados que mostram onde residem os alunos estão diretamente relacionados à localização das escolas: duas delas são localizadas em áreas de divisa entre os municípios de Viamão com Porto Alegre e Alvorada. 20 Porto Alegre Via mão 56 24 Outros A maior parte dos alunos da EJA declara-se solteira, mas segundo aponta a pesquisa evidencia-se também que um número substancial vive com companheiro (a) ou já estabeleceu relação estável, declarando-se, atualmente separado ou divorciado. Mesmo sendo uma população jovem, se observarmos a figura abaixo, encontraremos na fusão entre casados e com companheiro, um percentual bastante significativo da população; cerca de 45%. Esse dado é importante, pois pode nos auxiliar a ver que, embora bastante jovens estes alunos da EJA já têm responsabilidades da vida adulta. 32 1 28 17 casado solteiro separado/divorciado com companheiro 12 não respondeu 58 Nessa mesma direção passo a perceber que quase metade dos alunos têm filhos. Dos 100 participantes, pelo menos 42 afirmaram terem um ou mais filhos. Esses números são importantes para que se possa pensar elementos para uma discussão curricular de EJA. Em sua maioria eles declaram-se católicos, mas há também os que se identificam como evangélicos, adventistas, espíritas entre outros. A tabela abaixo dá uma idéia mais precisa quanto à opção religiosa dos alunos. Religiões Adventista Católica Espírita Evangélico Religiões Africanas Nenhuma Outros Número de alunos 3 40 1 22 10 19 5 Os alunos que participaram da pesquisa apontam que pretendem, em sua maioria, à continuidade dos estudos, no que tange a conclusão do Ensino Médio. Porém, grande parte se sente desmotivada frente à possibilidade de ingressar em uma faculdade ou universidade. Nessa situação, são as mulheres que demonstram esse interesse, principalmente as que já se encontram inseridas no mundo do trabalho ou as que são donas de casa e tem sua vida organizada. Quando se referem à formação profissional todos são categóricos ao afirmar a vontade de se profissionalizarem, tanto é que a maioria dos alunos entrevistados que está fazendo cursos tem o objetivo de se qualificar. Muitos destes enfrentam uma maratona para estudar e realizar os cursos já que os fazem, em grande parte, em Porto Alegre. A necessidade de qualificação é algo presente na vida desses jovens. Os alunos garantiram que a qualificação 33 profissional faz diferença na inserção no mundo do trabalho. Assim, para garantir sua inserção fazem cursos de informática, de rotinas de escritório, de línguas estrangeiras como o inglês, entre outros. .Nesse contexto, desejam, com certeza, melhorar a sua qualidade de vida criticando apenas a falta de oportunidades, no que diz respeito à qualificação, já que, em sua maioria, os cursos são pagos pelos pais ou por eles mesmos, quando já possuem renda, visto que são cursos realizados na rede privada. Os alunos que já se encontram inseridos no mundo do trabalho também buscam melhorar sua qualidade de vida através de melhores opções profissionais ou até mesmo manter o trabalho que possui, já que, muitas empresas têm como critério de permanência nas mesmas, a freqüência na escolarização. Boa parte destes alunos é jovem e encontra-se na faixa etária dos 15 aos 18 anos como aponta Brunel (2004) o que me faz corroborar com a autora de que há uma juvenilização na EJA. Mas há uma parcela importante que se encontra na faixa dos 30 aos 40 anos de idade e que durante um bom tempo encontrou-se distante da escola, na maioria das vezes, porque começou a trabalhar. Esse grupo de alunos retorna aos estudos quando percebem a dificuldade de inserção ou até mesmo de manter - se inserido no mundo do trabalho. Ao responderem a questão1, percebemos que a grande maioria dos alunos da EJA são trabalhadores, contudo, há uma particularidade, pois são trabalhadores eventuais afirmando que fazem “trabalhos temporários”. Entre estes estão principalmente os homens, solteiros, que trabalham no setor da construção civil, dedicando-se à tarefa de ajudante de pedreiro. Isto significa que não possuem um emprego fixo e muitas vezes abandonam a escola no período que estão trabalhando. A maior parte dos alunos que trabalham faz uma carga horária de 8 horas semanais distribuídas no período da manhã e da tarde, mas alguns alunos o fazem no noturno após o período escolar. 34 44 Trabalha Não trabalha 48 A diferença nos dados apresentados pela pesquisa, se faz, no sentido, que alguns trabalhadores eventuais que não estavam trabalhando no momento da pesquisa colocam-se como alunos que não trabalham. Muitos destes trabalhadores ainda executam suas atividades em Porto Alegre, o que justifica o titulo da cidade de Viamão de “dormitório”, mas há uma crescente no que se refere ao Município como mostra a tabela abaixo: Local Número de trabalhadores Porto Alegre 26 Viamão 14 Cachoeirinha 2 Alvorada 2 Não Responderam 48 Quando a temática se refere aos requisitos necessários para conseguir trabalho, são unânimes ao avaliar a importância da escolarização, mas só ela não basta, nesse sentido, aliar escolaridade e experiência é importante para a formação integral, que deve contar com educação e profissionalização. Os alunos que participaram dessa pesquisa são unânimes ao afirmarem que desejam continuar estudando e apontam alguns cursos que gostariam de realizar, tais como: Informática e Inglês; mas há outros que também foram mencionados como: auxiliares de cozinha, técnico em enfermagem, garçom, segurança, artesanato e turismo. Ao que parece, aos alunos da EJA a área que vem abrindo possibilidades de trabalho é a área de serviços. 35 REFLEXÕES FINAIS O que este estudo revela e que me chama à atenção é que a grande maioria dos alunos que procuram à modalidade EJA têm clareza de quais são suas perspectivas: buscam melhorar suas vidas através da certificação. Assim, buscam através da conclusão do Ensino Fundamental ampliar suas possibilidades profissionais. Outros buscam a manutenção de seus empregos através da certificação exigida pelos empregadores. Um outro grupo quer através do conhecimento adquirido ampliar sua participação na sociedade. Para outros à volta ao estudo significa recuperar o tempo perdido, mas ao que revela a pesquisa, esses desejos se constituem numa opção para os mais velhos. É preciso que se compreenda que os alunos da EJA vivenciam problemas diversos, tais como: o preconceito, a discriminação, a vergonha, e as críticas da sociedade. Tais problemas são enfrentados e vivenciados tanto no âmbito social como familiar. Os alunos pesquisados reforçam em seus relatos estas questões. Assim, podemos dizer que o ensino da EJA acolhe jovens e adultos que não tiveram oportunidade de estudar no período certo e que buscam o reconhecimento da sociedade. Na EJA é fundamental conhecer o educando, se faz necessário levando em conta qual o impacto que a escola pode ter na qualidade de vida da população tão diversa. Os jovens e adultos que estudam no noturno, especialmente na EJA, lutam para superar suas dificuldades, tais como: saúde, moradia, alimentação, transporte e emprego. Há ainda o desemprego, os baixos salários e as más condições sociais que comprometem a o processo de educação. Nesse sentido, muitos são os desafios enfrentados pelos jovens e adultos e pelas escolas que ofertam a EJA. As necessidades dos Jovens e Adultos vão além do ambiente escolar, pois parte de uma proposta pedagógica que vincule os conhecimentos gerais ao mundo do trabalho. Pressupõe políticas inclusivas, pois, requer a igualdade e a 36 superação da discriminação social. As políticas inclusivas, assim, podem ser entendidas como estratégias voltadas para a universalização dos direitos civis, sociais, políticos e dos educandos. A maior parte dos alunos que estão matriculados na EJA fez a escolha pela modalidade baseados em suas necessidade de ampliar a escolarização conciliando-a com o trabalho. Essa pesquisa revela isso. Neste sentido, buscam o ensino noturno como possibilidade de conciliar seus estudos e trabalho. Assim, vislumbram a continuidade dos estudos como forma de ampliar suas possibilidades profissionais, bem como, melhorar a qualidade de vida. A partir da pesquisa realizada nas três escolas estadual foi possível perceber que os alunos da EJA têm como ponto de partida para estudar no noturno a vontade de concluir seus estudos seja por motivos internos ou externos ao sujeito. Assim, independente dos motivos que o movem o objetivo é a conclusão do ensino fundamental. O desejo por qualificação através de cursos profissionalizantes apareceu mais na escola Y, onde os alunos entrevistados pagam para se qualificar em espaços externos; já nas outras escolas há vontade, contudo, mas por não terem condições financeiras não o fazem. Faz-se necessário melhorar a divulgação de programas e projetos, pois a maior parte dos interessados não conhecem às ofertas e por esse motivo, deixam de fazer parte dos mesmos. É fundamental que os maiores interessados estejam a par desses programas do governo para que possam usufruir dos direitos aos quais “fazem jus”. O que mais surpreende é que todos foram unânimes em afirmar que o PROEJA é um programa importante e que vem ao encontro de seus anseios. Contudo, são categóricos ao colocar a falta de informação como empecilho, já que a maioria desconhece os programas existentes e devido a isso não fazem parte deles. Este trabalho mostra que o investimento em projetos e programas sociais é fundamental para dirimir os problemas sérios da nossa sociedade, como, por exemplo, a violência e à falta de oportunidade de trabalho. Pois, a construção de uma sociedade mais igualitária e justa é fato preponderante e através da ocupação de jovens de forma a integrar formação escolar e profissional. Esta não seria uma saída, mas uma alternativa consciente no sentido de amenizar tal situação. 37 Neste sentido o PROEJA é um exemplo de política pública, um caminho para resgatar a cidadania desses alunos jovens e adultos. As políticas públicas devem ser discutidas e implementadas a fim de garantir alternativas que possibilitem a esses jovens e adultos a sua inserção no mundo do trabalho. Faz-se necessário melhorar a divulgação de programas e projetos, pois a maior parte dos interessados não conhece e por esse motivo deixam de fazer parte dos mesmos é fundamental que os maiores interessados estejam a par desses programas do governo para que possam usufruir deles. O que mais surpreende é que todos foram unânimes em afirmar que o PROEJA é um programa importante e que vem de encontro aos seus anseios, contudo, são categóricos ao colocar a falta de informação como empecido, já que a maioria desconhece os programas existentes e devido a isso não fazem parte deles. Este trabalho mostra que o investimento em projetos e programas sociais é fundamental para diminuir problemas sérios da nossa sociedade, como, por exemplo, a violência. Pois, a construção de uma sociedade mais igualitária e justa é fato preponderante e através da ocupação de jovens de forma a integrar formação escolar e profissional não seria uma saída, mas uma alternativa consciente no sentido de amenizar tal situação. Neste sentido, o PROEJA, como política pública poderia se aliar ao Pró – Jovem, já existe no município, como um caminho para resgatar a cidadania ajudar a solucionar alguns dos problemas desses alunos jovens e adultos. 38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Eliane Ribeiro. Os jovens da EJA e a EJA dos jovens. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa de.; PAIVA, Jane (Orgs.). Educação de jovens e adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004, p. 43-54. ARROYO, Miguel. Educação de jovens-adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. In: SOARES, Leôncio; GIOVANETTI, Maria Amélia Gomes de Castro; GOMES,Nilma Lino (orgs.). Diálogos na educação de jovens e adultos. Belo Horizonte: Autêntica,2005. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. SP: Britannica do Brasil, 1998 BRUNEL, Carmen. Jovens cada vez mais jovens na educação de jovens e adultos. Porto Alegre: Mediação, 2004. 96p. CHARLOT, Bernard. Os jovens e o saber: perspectivas mundiais. Porto Alegre: Artmed, 2001. CUNHA, Conceição Maria da. Introdução – discutindo conceitos básicos. In: SEED-MEC Salto para o futuro – Educação de jovens e adultos. Brasília, 1999. DAYRELL, Juarez. O jovem como sujeito social. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, n. 24, p. 40-52, set./dez. 2003. DI PIERRO, Maria Clara. Notas sobre a redefinição da identidade e das políticas públicas de educação de jovens e adultos no Brasil. Educação e Sociedade, Campinas, vol. 26, n. 92, p. 1115-1139, out. 2005. FREIRE, Paulo. Educação e mudança. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1998 (1976), p. 68. FRIGOTTO, Gaudêncio (Org.). Educação e Crise do Trabalho: Perpectivas de Final de Século. Petrópolis: Editora Vozes, 2005. HADDAD, Sérgio; DI PIERRO, Maria Clara. Escolarização de jovens e adultos. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, n. 14, p. 108-130, mai/ago. 2000. IBGE. <http;//www.ibge.gov.br >Acesso em: 22 maio. 2009. MINAYO MC. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. Rio de Janeiro: Abrasco; 2007. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. < http;//www.mec.gov.br > Acesso em: 20 maio. 2009. PAIVA, Vanilda. Educação popular e educação de adultos. São Paulo: edições Loyola, 1987. 39 PORTAL INEP. <http;//www.inep.gov.br >Acesso em: 21 maio. 2009. PORTAL. Prefeitura Municipal de Viamão. <http; //www.viamao.rs.gov.br> Acesso em: 20 maio. 2009. PROEJA, Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos. Educação Profissional e Tecnológica Integrada à Educação Escolar Inicial Continuada Ensino Fundamental. Documento Base. Brasília, DF, 2007 SANT’ ANNA. Sita Mara Lopes. Os sentidos nas perguntas dos professores da Educação de Jovens e Adultos. Programa de Pós-Graduação em Educação. Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tese de Doutorado. 2009. 40 ANEXOS ANEXO-1 Pesquisa – EJA/2008-2009 Curso de Especialização em Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada a Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos - PROEJA e, estou realizando uma pesquisa de campo, cujo tema é “Perspectivas e desafios dos sujeitos da modalidade EJA e sua inserção no Mundo do Trabalho”. Essa pesquisa destina-se a organização da monografia de conclusão de curso. Para tanto, solicito sua colaboração no sentido de responder o questionário abaixo, utilizando o verso da folha para as respostas. Esclareço que, caso não sinta vontade, você poderá optar por não participar da referida pesquisa. No entanto, dada à relevância do tema, sua participação será muito importante para que possamos visualizar quais são as perspectivas e desafios dos alunos da EJA - Estadual no Município de Viamão. Sexo: ( ) masculino ( )Feminino Etnia: ( ) branco ( )negro ( ) índio ( ) pardo ( ) outro ___________ Data de Nascimento:___________ Local de Nascimento: ___________ Estado Civil: ( ) casado ( ) solteiro ( ) separado /divorciado ( ) com companheiro (a) Filhos: ( ) sim, quantos_________ ( ) não Religião:__________ Cidade que reside:______________ 1234- Você trabalha? ( )sim ( )não Local:_________ Ocupação/função:__________ Município:____________Turno:( ) manhã ( )Tarde ( ) noite ( ) Manhã e Tarde ( ) outros __________ 5- Carga horária semanal de trabalho ( ) 6 horas ( ) 8 horas ( ) mais de 8 horas 6- Do que necessitaste para conseguir esse trabalho: ( ) Experiência na função )Escolaridade( )Experiência/Escolaridade ( )outros___________________ 7- A Escola é distante da sua casa? ( )sim ( )não 8- Como fazes para chegar até a escola? ( ) ônibus ( ) caminhando ( ) outros_________ 9- O seu Trabalho é distante de sua casa? ( )sim ( )não 10- Como fazes para chegar até o teu trabalho? ( ) ônibus ( ) caminhando ( ) outros_________ 11- Por que voltaste a estudar? Por que você escolheu estudar na EJA? 12- Você está gostando das aulas? Por quê? 13- Você está gostando da turma? Por quê? 14- Sobre as aulas, do que você mais gosta? Por quê? 15- Você está encontrando alguma dificuldade em seus estudos? Quais? 16- O que você pretende fazer quando concluir o curso? ( ) continuar estudando ( ) parar de estudar ( ) outros_____________________________________ 17- Você gostaria de realizar um curso na área profissional? ( )sim Qual__________________________ ( )não 18- Você já ouviu falar em PROEJA? ( )sim Onde? _________ ( ) não 19- Que sugestões você daria para melhorar a EJA em sua escola 41 ANEXO - 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO Sob o título ___________________________ o estudo, que culminará na elaboração de uma monografia do curso Especialização em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos, pretende__________________________. Os dados e resultados individuais da pesquisa estarão sempre sob sigilo ético, não sendo mencionados os nomes das participantes em nenhuma apresentação oral ou trabalho escrito que venha a ser publicado, a não ser que o/a autor/a do depoimento manifeste expressamente seu desejo de ser identificado/a. A participação nesta pesquisa não oferece risco ou prejuízo à pessoa entrevistada. Se no decorrer da pesquisa o participante resolver não mais continuar ou cancelar o uso das informações prestadas até então, terá toda a liberdade de o fazer, sem que isso lhe acarrete qualquer conseqüência. Os pesquisadores responsáveis pela pesquisa são a Professora Dra. ___________________ do curso de Especialização em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, orientadora, e a (o) candidata (o) à especialista ____________________, do referido Programa de Pós-Graduação. Ambas(os) se comprometem a esclarecer devida e adequadamente qualquer dúvida ou necessidade de informações que o/a participante venha a ter no momento da pesquisa ou posteriormente, através do telefone........ Após ter sido devidamente informado/a de todos os aspectos da pesquisa e ter esclarecido todas as minhas dúvidas, eu ______________________________________, Identidade n.º __________________________ concordo em receber a candidata ao título de Especialista em Educação em minha casa e / ou outro local a ser combinado, prestar depoimentos, preencher questionários, disponibilizar documentos sobre o objeto da referida pesquisa. Quanto à identificação da autoria de meu depoimento opto: ( ) pela não identificação de meu nome. ( ) pela identificação de meu nome. _____________________________________________________ Participante da Pesquisa (assinatura) Pesquisadora (assinatura) Data:______________________________________________