Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Educação – Especialização em Educação
Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade de
Educação de Jovens e Adultos
Perspectivas e desafios dos sujeitos da modalidade EJA
e sua inserção no Mundo do Trabalho
Miréia Batista de Oliveira
Orientador: Prof. Dra.. Sita Mara Lopes Sant’ Anna
Porto Alegre
2009
2
FICHA CATALOGRÁFICA
___________________________________________________________________________
O48p Oliveira, Miréia Batista de
Perspectivas e desafios dos sujeitos da modalidade EJA e sua inserção no mundo
do trabalho / Miréia Batista de Oliveira ; orientadora Sita Mara Lopes Sant’Anna. –
Porto Alegre, 2009.
32 f. : il.
Trabalho de conclusão (Especialização) – Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em
Educação. Curso de Especialização em Educação Profissional integrada à
Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos, 2009, Porto
Alegre, BR-RS.
1. Educação. 2. Programa Nacional de Integração da Educação Profissional
com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos. 3.
PROEJA. 4. Educação de Jovens e Adultos. 5. EJA. 6. Educação – Cidadania –
Trabalho – Políticas públicas – EJA – PROEJA – Pró-Jovem. I. Sant’Anna, Sita
Mara Lopes. II. Título
CDU 374.7
_____________________________________________________________________________
CIP-Brasil. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação.
(Jaqueline Trombin – Bibliotecária responsável - CRB10/979)
3
“É talvez a única oportunidade da vida de muitas pessoas, para mim a
EJA é o meu troféu, a minha conquista” ou “uma nova chance de recomeçar de
onde tive que parar e reescrever minha própria história”. (M. 45 anos)
RESUMO
Perspectivas e desafios dos sujeitos da modalidade EJA e sua inserção no
Mundo do Trabalho. Porto Alegre: UFRGS, 2009. Trabalho de Conclusão de
Curso de Especialização em Educação Profissional Integrada à Educação Básica
na Modalidade de Jovens e Adultos, da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul, Porto Alegre, 2009.
Esta monografia aborda o sujeito da EJA Estadual no Município de Viamão, quem
são e quais suas expectativas e desafios na construção da cidadania.
Identificando a importância das políticas públicas na vida destes sujeitos,
caracterizando o Programa Nacional de Inclusão de Jovens: Educação,
Qualificação e Ação Comunitária - Pró – Jovem Urbano e Programa Nacional de
Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de
Educação de Jovens e Adultos - PROEJA. Sendo o primeiro um programa já
implementado no Município e o segundo como um programa a ser implementado.
Desta forma, destacando a importância da educação e do trabalho como
elementos importantes para melhorar as condições de vida da comunidade.
Palavras-chave: EJA- PROEJA- PRO-JOVEM- Cidadania- Educação – TrabalhoPolíticas Públicas.
4
ABSTRAT
Perspectives and challenges of the subject of the modality EJA and his/her
insert in the World of the Work. Porto Alegre: UFRGS 2009.
Work of Conclusion of Course of Specialization in Professional Education
Integrated into the Basic Education in the Modality of Youths and Adults, of the
Federal University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre 2009. This monograph
approaches him/it subject of State EJA in the Municipal district of Viamão, who
you/they are and which their expectations and challenges in the construction of
the citizenship. Identifying the Importance das public policies na life recipes
sujeitos, characterizing or National Program of Inclusion of Younger: Education,
Qualifying e Comunitary Action - Pró Jovem Urban and National Program of
Integration Profissional Education to Education Basic Kind of Education de Jovens
e People - PROEJA. Or first program has already implemented not district e or
second as um program to be implemented. Form, stressing importance work
education e do work as elements important to improve the conditions of the
community's life.
Keywords: EJA - PROEJA - FOR-YOUNG - Citizenship – Work Education Public Politics.
5
SUMÁRIO
Introdução............................................................................................................07
1 A Pesquisa........................................................................................................10
1.1 Os Caminhos Metodológicos.......................................................................10
1.2 Os Objetivos da Pesquisa............................................................................11
2 A Educação de Jovens e Adultos no Brasil...................................................12
2.1 O PROEJA e o PRÓ-JOVEM como Política Pública...................................15
3. A Educação de Jovens e Adultos no Rio Grande do Sul............................19
4. A Situação dos Jovens e Adultos em Viamão..............................................22
5. Conhecendo as Escolas Participes da Pesquisa........................................ 24
6. Analisando Questionários e Entrevistas: quem são os alunos da EJA?..27
6.1 Escola Estadual X.........................................................................................27
6.2 Escola Estadual Y.........................................................................................28
6.3 Escola Estadual Z.........................................................................................28
6.4 Sobre os Alunos da EJA em Viamão..........................................................29
Reflexões Finais................................................................................................ 35
Referências Bibliográficas............................................................................... 38
Anexos............................................................................................................... 40
6
INTRODUÇÃO
Os sujeitos alunos da Educação de Jovens e Adultos - EJA da rede
estadual em Viamão e seus desafios: quem são, como chegaram a esta
modalidade e quais suas expectativas profissionais, é o que investigo neste
trabalho de conclusão.
São dois os motivos principais que despertaram o interesse pela temática
que será abordada no presente trabalho. Portanto, dois são os fatores que me
parecem fundamentais: o primeiro, refere-se a minha atuação no Município de
Viamão como professora, há sete anos, da Rede Estadual de Ensino, na
Educação de Jovens e Adultos - EJA e o segundo, por ser especializanda no
Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação
Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA. Assim, da
minha participação nestes dois espaços surge a vontade de refletir sobre a EJA,
conhecer sua história, suas dificuldades e desafios, também tendo por base a
integração desta, com a Educação Profissional.
Esta vivência faz-me vislumbrar a necessidade de aprofundar os dados,
buscar informações sobre esta realidade, sobre esses sujeitos e suas
necessidades para que possamos, de fato, propor alternativas que envolvam
estes sujeitos em suas demandas referentes à formação profissional. Nesta
perspectiva, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a
Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA,
com certeza tem muito a contribuir.
Para o desenvolvimento desta investigação, então, desenvolvi pesquisa
qualitativa de tipo exploratória e descritiva, em três escolas da Rede Estadual de
Viamão, localizadas em pontos estratégicos da cidade, a saber: uma, na zona de
divisa entre o Município e Alvorada; outra, na zona mais central, em Viamópolis, e
a terceira, na zona que divide o município e Porto Alegre.
Neste contexto e visando a obtenção de informações mais específicas
sobre a realidade a qual estes sujeitos estão inseridos, realizei também nessas
7
escolas, entrevistas com alguns alunos1 da EJA que frequentam as séries finais
do Ensino Fundamental.
Importante se faz relatar que Viamão, que integra a região metropolitana
(sendo atualmente constituída por 31 municípios), localiza-se a 20 km de Porto
Alegre e segundo dados do IBGE (Censo, 2007) conta com uma população de
253.264 habitantes distribuídos em uma área de 1.494 Km2.
Este é um Município voltado economicamente para o setor de serviços,
pois, segundo o mesmo censo, o Produto Interno Bruto (PIB) de Via-mão é,
conforme tabela abaixo:
Setores
Valor Adicionado
Agropecuária
63.032
Indústria
310.189
Serviços
906.340
Assim, percebe-se que a maior parte renda está vinculada ao setor de
serviços. A cidade recebeu a denominação de cidade dormitório, tendo em vista o
grande número de pessoas que moram no Município e trabalham em Porto
Alegre. Nesse sentido, poucas são as oportunidades de emprego e trabalho,
contudo, várias têm sido as tentativas de amenizar esse problema, que é um
traço característico de várias cidades da região metropolitana de Porto Alegre.
Embora a sua população, de uma forma geral, trabalhe em outros municípios da
região, principalmente em Porto Alegre, hoje há crescente numero de pessoas
que trabalham no setor de comércio e prestação de serviços.
O Município conta também com 49 estabelecimentos de saúde, sendo
que, destes, 37 realizam atendimento pelo sistema Único de Saúde - SUS.
No que diz respeito à economia da cidade, segundo dados do IBGE do
mesmo ano, esta conta com 23 indústrias extrativas, 588 indústrias de
transformação, 14 indústrias de produção e distribuição de gás e água, além de
342 indústrias ligadas à construção civil. A cidade é uma grande produtora de
1
Estou ciente sobre as diferenças que envolvem as questões de gênero, mas neste trabalho optarei por utilizar o
plural, no masculino, conforme apontam as regras da Língua Portuguesa.
8
cereais, entre eles, o arroz, principal produto responsável por feiras como a do
Arroz com Leite2.
O Município estrutura-se com um centro urbano e várias vilas
adjacentes, além de uma extensa área rural.
Conforme o gráfico abaixo, a proporção entre a população urbana e rural
no município era em 2000 de:
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano, publicado na PNUD, Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento.
A população de Viamão, num total aproximado de 253.264 possui quase
23.000 crianças na faixa do 0 aos 4 anos e muitos jovens, principalmente
inseridos na faixa dos 15 aos 24 anos totalizando cerca de 42.000 habitantes
nessa faixa etária. Ou seja, a população da cidade é bem jovem.
No que diz respeito à educação no período de 1991 a 2000 o Município
possuía um considerável número de jovens que não havia completado o Ensino
Fundamental, séries finais, conforme tabela abaixo.
Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais), 1991 e 2000:
1991
Taxa de analfabetismo
2000
12,7
% com menos de 4
anos de estudo
% com menos de 8
anos de estudo
32,5
Média de anos de
estudo
5,0
74,6
Taxa de
analfabetismo
% com menos de
4 anos de estudo
% com menos de
7,1
22,6
61,6
8 anos de estudo
Média de anos
6,2
de estudo
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano, publicado na PNUD, Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento.
2
A Feira acontece no mês de maio e é realizada no Parque de Eventos do Sindicato Rural de Viamão, a mesma
encontra-se na 3ª edição.
9
Estes dados que apresento, além de nos situarem sobre as faixas etárias
da população e as condições do Município, nos revelam ainda que, mais da
metade a população considerada adulta (25 anos ou mais), em 2000, não havia
concluído o Ensino Fundamental, séries Finais, ou seja: um elevado percentual
da população adulta, 61,6 %, esteve ou ainda está fora da escola.
Assim, faz-se necessário investir em políticas públicas que possibilitem o
acesso destas pessoas à educação básica, mas, não basta apenas promover a
oferta desse nível educacional e sim, qualificar e ampliar possibilidades do ensino
ofertado.
Conforme, Jaqueline Moll e Nilton Fischer3, Viamão conta com a
Educação de Jovens e Adultos - Ensino Fundamental, que foi concebido no ano
de 1998, reestruturado e reiniciado em 2002 com a mesma nomenclatura que
atende Alfabetização e Ensino Fundamental Séries Finais.
3
Juventude, Escolarização e Poder Local Relatório da Primeira Fase da Pesquisa Políticas Públicas de
Educação de Jovens e Adultos e Juventude na Região Metropolitana de Porto Alegre de Julho de
2005.
10
1- A PESQUISA
1.1 Caminhos Metodológicos:
Conforme Minayo (2007), a Pesquisa Qualitativa não deve pretender o
alcance da verdade e sim, ter como principal preocupação, a lógica que permeia
a prática que se dá na realidade, correspondendo a um processo mais profundo
de relações, processos e fenômenos que não podem ser reduzidos a variáveis.
Neste sentido, a pesquisa envolve a interrogação direta das pessoas cujo
comportamento se deseja conhecer.
Sob este olhar desenvolvi a pesquisa com aplicação de questionários
selecionando os sujeitos em três escolas para compor a mesma. Foram
distribuídos 100 questionários que continham uma parte fechada e outra aberta.
A parte fechada buscava dados gerais de identificação dos alunos, tais como:
sexo, faixa etária e a parte aberta, continham questões buscando responder aos
objetivos dessa investigação.
Além disso, visando a obtenção de informações mais específicas sobre a
realidade a qual os alunos encontram-se inseridos, realizei também nessas
escolas, entrevistas com 20 alunos da EJA que freqüentam as séries finais do
Ensino Fundamental.
As escolas da Rede Estadual as quais apliquei os questionários e
entrevistas localizam-se em pontos bem diversos da cidade, as quais chamei ao
longo da pesquisa de Escola Estadual X, Y e Z.
Saber quem são os alunos da EJA, por que optaram pela modalidade EJA,
quais são seus desafios e perspectivas, se entendem trabalho e emprego como
diferentes, se pretendem á continuidade dos estudos; se vislumbram uma
formação profissional, quais profissões gostariam de ter e, se conhecem, sabem
sobre a existência do PROEJA, são as questões que orientaram esta pesquisa
em busca de uma melhor compreensão do contexto em que estes alunos
encontram-se submetidos.
11
1.2 Objetivos da Pesquisa:
Esta investigação, que aconteceu no período de novembro de 2008 a maio
de 2009, objetivou:
•
Conhecer os alunos da modalidade EJA.
•
Saber quais são os desafios e perspectivas destes na EJA
•
Refletir sobre a EJA, no que diz respeito às necessidades dos educandos.
•
Contribuir para a reflexão sobre os alunos da EJA, no sentido, de propor a
perspectiva do PROEJA como uma possibilidade.
•
Avaliar as necessidades da implantação PROEJA/Fundamental-Formação
inicial e Continuada.
Nesse sentido, se faz importante refletir sobre os alunos da EJA,
conhecendo-os para definir quais são os desafios que enfrentam para concluir
seus estudos, saber seus anseios e suas expectativas com relação ao futuro e
contribuir para sua inserção no mundo do trabalho de maneira positiva, através
das políticas públicas existentes.
12
2. A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL
A Educação de Jovens e Adultos, de acordo com a Lei de Diretrizes
e Bases da Educação Brasileira - LDB (BRASIL,1996) é uma Modalidade de
Ensino da Educação Básica, voltada a atender pessoas que não tiveram, por
algum motivo, acesso ou permanência no ensino regular na idade dita
“apropriada”. Porém, são pessoas que têm saberes constituídos e já se
encontram inseridas socialmente, participando, de algum modo, do mundo do
trabalho. Mas nem sempre na história, houve um lugar para a EJA, como aponta
a atual LDB.
Neste sentido, é necessário conhecer, mesmo que brevemente,
aspectos da história da EJA, para melhor compreendê-la.
De acordo com Sant’Anna (2009) há marcos da Educação de
Adultos que devem ser pontuados para que possamos compreender o contexto
no qual os jovens e adultos que buscam à escolarização, encontram-se inseridos.
O termo Educação de Jovens e Adultos é recente, contudo, a
educação destinada a pessoas adultas ocorre desde o Brasil Colônia, conforme
perspectiva apontada por Paiva (1987). No período imperial também se falava em
educação para os adultos em classes noturnas. Durante muitos anos várias
reformas foram feitas na educação brasileira, mas foi durante a República,
principalmente nas décadas de 30 e 40, com a necessidade da participação do
povo para o desenvolvimento nacional, sob o enfoque da necessidade do
desenvolvimento da industrialização, que encontramos a preocupação do poder
público com a educação de adultos, conforme relata Haddad (1997).
Essa necessidade de ampliar a “participação do povo” acaba por
desembocar diferentes chamamentos à participação destes em campanhas de
alfabetização, com interesses diversos.
Politicamente, era inegável “a necessidade de se ampliar as
bases eleitorais para a sustentação do governo central, integrar
as massas populacionais de imigração recente e também
incrementar a produção”.(BRASIL. MEC. Educação de Jovens e
Adultos. 1973)
13
Neste mesmo período se faz necessário o controle da população
mais pobre com interesse visivelmente político presente no governo Vargas com
uma visão nacionalista e centralizadora como aborta Sant’Anna (2009 p. ):
Nos anos 30 emerge a idéia de uma política educacional nacional,
principalmente voltada à difusão do ensino elementar. Sob as
orientações de centralização e da política de nacionalização
proposta pelo Estado Novo de Vargas, a educação passa a ser vista
como um importante instrumento de formação, também para o
“controle das massas”.
Assim, a Educação de Jovens e Adultos se efetiva em 1947
mediante sucessivas campanhas de alfabetização. Segundo Cunha (1999) as
dificuldades com a educação “massiva” são acompanhadas de propostas técnicopedagógicas para a educação de adultos que não se limitam à escolarização pela
abrangência de algumas temáticas envolvendo a saúde, por exemplo, ou em sua
configuração, como é o caso do Movimento Brasileiro de alfabetização –
MOBRAL, que ocorre sem uma relação direta com a escola.
Nos anos 50 o trabalho realizado com a alfabetização voltada ao
público jovem e adulto continua. Nesta mesma década, em 1958, durante o
segundo Congresso Nacional de Educação de Adultos, são divulgadas, com
receptividade, as experiências de Paulo Freire e do Movimento de educação de
Base – MEB, da Igreja Católica; ambas com ênfase no desenvolvimento da
cultura popular. Nesta perspectiva, irrompiam os anos 60 com as perspectivas de
uma grande proposta de Alfabetização nacional a ser desenvolvida por Freire.
Porém, em 1964, com a deflagração do golpe Militar, com exceção
do trabalho do MEB, somente são permitidas campanhas assistencialistas e
conservadoras, e em 1967, nesta perspectiva, ocorre o lançamento do MOBRAL
que permanece, enquanto política pública do governo militar, até 1985.
Durante a égide do entusiasmo promovido pelo processo de abertura
política, em 1988 a nova Constituição Federal coloca a Educação de Jovens e
Adultos, como dever do Estado e com obrigatoriedade no ensino fundamental
que passa a ser, conforme explicita o texto do Artigo 208, “obrigatório e gratuito,
inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria”.
De acordo com Cury (2005 p.2) na Declaração Universal dos Direitos do
Homem, consta entre os direitos inalienáveis, que todo homem tem direito à
14
instrução e esta será orientada para garantir o pleno desenvolvimento da
personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do homem e
pelas liberdades fundamentais.
Nesta perspectiva a LDB 9394 ( BRASI, 1996), atendendo ao que
demanda a Constituição Federal (BRASIL,1988), ao inserir a EJA como
Modalidade da Educação Básica, conclamou por estes direitos, inserindo-a no
Sistema Educacional vigente. Porém, no campo das políticas públicas, em pleno
período em que estes direitos legais se constituíam, observamos nos anos 90 a
falta de incentivo político e financeiro, por parte do governo federal.
Diante deste quadro da realidade nacional, atualmente o poder público
federal vem desenvolvendo uma série de ações, visando resgatar estes direitos
dos jovens e adultos, à formação e sua inserção no mundo do trabalho.
Segundo dados elaborados a partir do Censo de 2000, quase 50% da
população entre 15 e 24 anos não completaram o Ensino Fundamental.
Conforme dados da PNAD, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do
Censo do IBGE de 2001, um milhão de jovens e adultos cursava ainda o ensino
fundamental ou cursos da modalidade EJA.
Diante deste contexto faz-se necessário refletir sobre as questões, quem é
esse aluno e como investir em educação pública de qualidade? A fim de que esse
jovem e adulto que foi excluído anteriormente da escola, encontre na mesma a
inclusão e conclusão do ensino fundamental, não apenas para a certificação, mas
para a inserção de maneira positiva no mundo e neste, nas possibilidades do
mundo do trabalho. É importante destacar que atualmente muitos destes são
jovens que ingressam no ensino noturno na modalidade EJA, por inúmeros
motivos que envolvem, segundo BRUNEL (2004 p.19) “fatores pedagógicos,
políticos, legais e estruturais que fazem com que muitos jovens procurem cada
vez mais esta modalidade e a cada ano mais precocemente”.
Assim, impossível homogeneizá-los, os vendo apenas como, “alunostrabalhadores”, é preciso conhecê-los em toda sua diversidade, em sua
juventude. A esse respeito, Arroyo (2005 p. 21) contribui, ao afirmar:
[...] o que há de mais esperançoso na configuração da EJA como
campo específico de educação é o protagonismo da juventude.
Esse tempo da vida foi visto apenas como uma etapa preparatória
15
para a vida adulta. Um tempo provisório. Nas últimas décadas,
vem se revelando como um tempo humano, social, cultural,
identitário que se faz presente nos diversos espaços da
sociedade, nos movimentos sociais, na mídia, no cinema, nas
artes, na cultura... Um tempo que traz suas marcas de
socialização e sociabilidade, de formação e de intervenção. A
juventude e a vida adulta como um tempo de direitos humanos,
mas também de sua negação.
Esta configuração da EJA revela, então, que precisamos nos preocupar
com este grupo que é bastante significativo nesta modalidade.
Segundo dado do Atlas Educacional do Desenvolvimento Humano no
Brasil pode identificar que é alta a faixa da baixa escolarização destes:
Nível Educacional da População Jovem, 1991-2000:
Faixa
etária
(anos)
Taxa de
analfabetismo
1991
3,5
3,9
15 -17
18- 24
2000
0,8
2,0
% com menos
de 4 anos de
estudo
1991
2000
14,0
7,5
12,1
7,5
%com menos de 8 anos
de estudo
1991
75,9
55,8
2000
57,8
40,4
Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano, publicado na PNUD, Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento.
Nesta perspectiva é que surge, por parte do atual governo federal, uma
série de medidas visando ampliar a escolarização e à inserção destes jovens, no
mundo do trabalho.
2.1 O PROEJA e o PRÓ-JOVEM como políticas públicas
.
No âmbito federal foram criadas políticas públicas voltadas à
juventude, e entre estas encontramos os programas PROEJA e o Programa
Nacional de Inclusão de Jovens - Pró-Jovem. O primeiro destina-se a jovens e
adultos que buscam a conclusão dos estudos na etapa do ensino Fundamental e
Médio integrado a educação profissional e o segundo, a uma faixa etária
especifica.
O Programa Nacional da Integração da Educação Profissional
com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos –
PROEJA é um programa que visa integrar o ensino médio aos cursos técnicos de
16
nível médio propondo também a integração entre a formação inicial e continuada
de trabalhadores e os anos finais do ensino fundamental na modalidade EJA.
Segundo o Documento Base do PROEJA (2007):
Os fundamentos para uma política de integração da Educação
profissional/formação inicial e continuada com o ensino fundamental na
modalidade Educação de Jovens e Adultos estão presentes tanto na
Constituição Federal, 1988, quanto na LDB, de 1996.
No Rio Grande do Sul, a partir de 2009, o programa ocorre em 13
instituições estaduais que mantém cursos de EJA presenciais para desenvolver
cursos de PROEJA, em parceria com Centros Federais de Educação Tecnológica
- CEFET e Escolas Técnicas Federais, atuais Institutos Federais de Educação
Superior – IFET.
A proposta do PROEJA tem como principio o trabalho educativo
tendo em vista as novas demandas de formação do trabalhador relacionando o
currículo, o trabalho e a sociedade.
O grande desafio do PROEJA é, sem dúvida, construir uma
proposta pedagógica que contemple um currículo dimensionado ao trabalho
elevando os níveis de escolaridade. Assim, o documento base do programa
assinala:
O PROEJA, Formação Inicial e continuada- Ensino Fundamental tem por objetivo integrar conhecimentos da educação geral com
formação profissional inicial e continuada por meio de
metodologias adequadas aos tempos e espaços da realidade dos
sujeitos sociais que constituem o público beneficiário. Documento
Base do PROEJA Formação Inicial e Continuada, 2007.
Segundo o mesmo documento PROEJA/Fundamental (2007):
muitos concluintes do ensino fundamental na modalidade EJA recebem uma
certificação que tem pouca vinculação com os conhecimentos que deveria
corresponder, questões que contribuem para que estes não obtenham
significativas modificações em sua condição de vida.
Nesse sentido, a proposta do PROEJA se faz importante, pois pode
ser uma alternativa para conferir maior significado a vida destes sujeitos,
relacionando os conteúdos propedêuticos com a preparação para o Trabalho,
17
contribuindo de forma mais direta na formação profissional, através dos cursos de
formação continuada, bem como aponta o Documento Base do PROEJA (2007).
Nesse contexto, a integração da formação inicial e continuada de
trabalhadores com o ensino fundamental na modalidade EJA é
uma opção que tem possibilidade real de conferir maior
significado a essa formação, pois tem o poder de incidir
diretamente na melhoria da qualificação profissional dos sujeitos
aos quais se destina.
No âmbito Federal, foram criados em 2005, pelo Conselho Nacional de
Juventude, a Secretaria Nacional de Juventude e o Programa Nacional de
Inclusão de Jovens, o Pró-Jovem. Todos eles fazem parte da Política Nacional de
Juventude.
O Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Pró-Jovem), política pública
implementada pelo atual governo visa oferecer formação educacional atrelada à
qualificação profissional para a população entre 15 a 29 anos, cuja renda mensal
das famílias atinja, prioritariamente, até meio salário mínimo. O programa é
resultado da integração de diversos outros programas para a juventude do
Governo Federal, e está dividido em quatro modalidades: Adolescente, Urbano,
Trabalhador e Campo.
Trata-se de um programa que teve inicio em 2005 com o objetivo de
atender jovens de 15 a 24 anos que não tinham concluído o ensino fundamental
e não trabalhavam com carteira assinada. O programa foi implementado em
todas as capitais, no Distrito Federal e em outras 34 cidades das regiões
metropolitanas com mais de 200 mil habitantes e funciona em parceria com as
prefeituras.
Em 2007, o programa estendeu a idade máxima para 29 anos. Assim, o
principal objetivo do Pró-Jovem é reintegrar esse público ao processo
educacional, promover sua qualificação profissional, além de oferecer ações de
cidadania, esporte, cultura e lazer nas comunidades as quais faz parte.
O Pró-Jovem foi instituído pela lei 11.129 de 30 de junho de 2005. E
através do parecer CNE/CEB nº18/2008, aprovado em 6 de agosto de 2008 o
qual autoriza o funcionamento do mesmo, bem como, orienta as diretrizes
18
curriculares no sentido da formação básica, da inserção produtiva e da
participação cidadã destes jovens.
Conforme documento encaminhado pela Secretaria-Geral da
Presidência da República, 2005:
O Pró-Jovem trabalha na perspectiva de contribuir
especificamente para a inserção do jovem na escola; a
identificação de oportunidades de trabalho e formação inicial dos
jovens para o mundo do trabalho; a oferta de oportunidades de
desenvolvimento de vivências desses jovens em ações
comunitárias; e o acesso dos participantes do programa à
inclusão digital como instrumento de inserção produtiva e de
comunicação.
O Pró-Jovem Urbano é um programa emergencial que segue os
mesmos moldes do Pró-jovem, mencionados anteriormente, contudo, destina-se
a uma parcela da sociedade que tem a necessidade de retomar os estudos, mas
que mora nos centros urbanos. Segundo o Decreto número 6.629 de 2008, há
uma reiteração do caráter preventivo do serviço, mas, tais medidas não se
confundem com as medidas sócio educativas apresentadas no Estatuto da
Criança e do Adolescente.
Desta forma, os programas acima demonstram um traço da política
atual a implementação de políticas públicas integrando educação e mundo do
trabalho, buscando uma mudança de perspectiva na vida do jovem e do adulto
que por inúmeros motivos não conseguiram concluir seus estudos.
19
3- A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO RIO GRANDE DO SUL
Atualmente, no Rio Grande Sul, a EJA encontra-se configurada mediante
cursos autorizados pelo Conselho Estadual de Educação do Estado-CEED-RS,
oferecidos nas escolas das redes Estaduais l e municipais, além dos exames
supletivos: Exame Nacional de Certificação de Competências da Educação de
Jovens e Adultos-ENCCEJA, desde 2008, ofertado mediante parceria com o
Governo Federal.
Os cursos autorizados pelo CEED-RS, como parte da Educação Básica
escolar devem oferecer aos jovens e adultos oportunidades de educação
adequadas as suas características preservando suas especificidades, como
revela o Parecer nº. 774 (RIO GRANDE DO SUL, 1999):
As oportunidades educacionais para esta clientela deverão ser
apropriadas às suas características. Isso fica evidente na Lei ao
tratar a educação de jovens e adultos em seção específica dentro
do capítulo da Educação Básica, juntamente com a Educação
Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio.
As escolas autorizadas, públicas e privadas, que ofertam a EJA no Estado,
contam com um total de 178.407 alunos matriculados nesta modalidade. Destes,
110.117 na rede Estadual de Ensino, 489 na Rede Federal e 48.244 na Rede
Municipal,
conforme
dados
do
Censo
Escolar
(BRASIL,
2008).
Estes
estabelecimentos de ensino desenvolvem diferentes propostas curriculares,
buscando evidenciar as especificidades desta modalidade de ensino.
Encontramos na atualidade, segundo dados desse mesmo Censo, os
estabelecimentos do Estado que oferecem a EJA - Presencial assim distribuído:
Dependência
Educação de Jovens e Adultos
Administrativa
Presencial
Ensino. Fundamental
Ensino Médio
Estadual
47.393
37.383
Federal
0
434
Municipal
45.055
342
Particular
3.637
14.672
Total
96.085
52.831
20
Fonte: MEC/INEP - Censo Escolar da Educação Básica 2008
Além disto, também encontramos os Núcleos de EJA e Cultura
Popular – NEEJA-CP distribuídos pelo estado, perfazendo o número de 33
núcleos estaduais. O NEEJA é um estabelecimento de ensino que não pode ser
caracterizado como uma "escola", mas deve ser visto um espaço educativo onde
a oferta de exames supletivos fracionados é feita ao jovem e ao adulto.
O processo se dá a partir da análise e avaliação dos estudos do
mesmo de maneira formal e informal, levando em consideração a vivência do
aluno ao longo de sua vida pessoal, profissional e escolar.
Para
ingressar
nos
Núcleos
é
necessário
fazer
inscrição
como ocorre com os exames supletivos da Secretaria de Educação (SEC-RS)
e/ou ENCCEJA, pois, a opção por esta modalidade de ensino não pode ser
confundida como uma simples "transferência" entre escolas ou cursos.
O Conselho Estadual de Educação fixa normas para a oferta da Educação
de Jovens e Adultos no sistema Estadual de Ensino, conforme propõe a
Resolução nº. 250 (RIO GRANDE DO SUL, 1999)4, em seu artigo 2º:
A Educação de Jovens e Adultos nos níveis fundamental e médio
poderá ser desenvolvida através de: I – programas preparatórios
para os exames supletivos, de livre oferta; II – programas
correspondentes aos quatro anos iniciais do ensino fundamental,
sem prévia autorização; III - proposta metodológica para os anos
finais do ensino fundamental e para o ensino médio,
consubstanciada em Planos de Estudos e consolidada no
Regimento Escolar de estabelecimentos integrantes do Sistema
Estadual de Ensino.
No campo da Alfabetização o Estado vem desenvolvendo o
Programa Brasil Alfabetizado, também como parceria com o Governo Federal.
Desde 2007 a Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul - SEC fez
adesão a esse Programa conforme parceria com Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação e Cultura FNDE/MEC. Conforme dados da SEC - RS, o programa já atendeu 21
Municípios, atingindo 1.194 alunos que estão em processo de alfabetização. Esse
programa conta com a participação de 91 alfabetizadores, incluindo intérprete de
Libras.
4
Resolução 250/1999. Fixa normas para a oferta da EJA em sistema Estadual de Ensino. CEED/RS
21
O Programa Brasil Alfabetizado, em 2008, foi ampliado e sua oferta
passou a atender aos Municípios. Contudo, encontra-se ainda em estruturação.
Segundo a mantenedora estadual, são objetivos do programa: inclusão de 12
presídios estaduais; 191 alfabetizadores; formação de 123 turmas em zona
urbana e 56 em zona rural.
22
4- A SITUAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM VIAMÃO
A Educação de Jovens e Adultos nos moldes que a conhecemos
hoje, foi implementada, na rede estadual do Município, no ano de 2001, em
substituição ao Ensino Supletivo, que desde a década de 70 era uma alternativa
de “aceleração” de estudos ou de resgate de jovens e adultos que estavam fora
da escola e desejavam obter certificação, conforme Lei 5692 (BRASIL, 1971).
A pioneira no município foi a Escola Setembrina, localizada na zona
central da cidade. Esta contava com Supletivos de 1º Grau, desde 1978 e 2º
Graus, desde 1997.
Em 2001 a Escola Setembrina passa a oferecer a Educação de
Jovens e Adultos (EJA) de Ensino Fundamental e Médio. No ano de 2005 deixa
de ofertar o Ensino Fundamental e passa a oferecer apenas no Ensino Médio.
O município de Viamão conta hoje, com nove escolas estaduais de
Educação de Jovens e Adultos (EJA) distribuídas pelas zonas rurais e urbanas da
cidade, e destas, apenas três oferece a Educação de Jovens e Adultos (EJA) de
Ensino Médio, as demais, atuam somente com o Ensino Fundamental. Estão
resentes no município três escolas particulares de EJA, conforme dados do
CEED/RS, são duas escolas oferecendo a modalidade EJA presencial e uma
oferecendo a modalidade à distancia.
Segundo dados da Prefeitura de Viamão, o Município conta hoje
com o Pró – Jovem e com EJA/Fundamental. São 7 escolas com Pró-jovem
Urbano: E.E.E.Fundamental Luciana de Abreu, E.E.E.Fundamental Faicker
Nunes,
E.E.E.Fundamental
Araçá,
E.E.E.Fundamental
Castelo
Branco,
E.E.E.Fundamental Pasqualine, E.E.E.Fundamental Vinte de Setembro e
E.E.E.Fundamental Farroupilha, com 5 turmas cada uma, totalizando quase 1300
alunos. São apenas.com EJA/ Fundamental.
Segundo
dados
do
ultimo
Censo
Escolar
(2008),
a
28ª
Coordenadoria de Educação de Gravataí da qual fazem parte os municípios de
Alvorada, Cachoeirinha, Glorinha, Gravataí e Viamão, possui um total de 15.626
alunos matriculados na modalidade EJA, sendo destes: 6.969, na Rede Estadual
de Ensino.
23
No que diz respeito à educação, este conta com 41.454 matrículas
no Ensino Fundamental, sendo que destas, 16.324 são matrículas da rede
estadual, 22.021 na rede municipal e 3.109 na rede privada.
Segundo esses dados expressos pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, em 2007, o Município contava com 97 estabelecimentos
de Ensino Fundamental, sendo: 29 estaduais, 60 municipais e 8 privados.
No início de 2009 a EJA em Viamão passou por um novo desafio e
teve que enfrentar as conseqüências do fechamento das escolas de EJA
municipais e a instalação do Pró-Jovem Urbano. Segundo dados da Secretaria
Municipal de Educação do Município, foram abertos oito núcleos desse programa
e foram mantidas apenas quatro escolas municipais com oferta de Educação de
Jovens e Adultos.
Com o fechamento de escolas municipais, os alunos dessa rede
passaram neste ano a buscar vagas na rede estadual de ensino que sofreu vários
percalços no ano anterior com a ameaça de fechamento de escolas, por falta de
alunos. Assim, a partir do remanejamento destes, a rede estadual começou a
revitalizar-se com a crescente demanda no número de matrículas.
Segundo dados do INEP do ano de 2007 o Ensino Fundamental na
modalidade EJA contava com um total de 4.580 matrículas, sendo quase 2.000
na Rede Estadual de Ensino. No Município, as matrículas de EJA – Ensino
Fundamental encontravam-se assim distribuídas:
Educação de Jovens e Adultos - Matriculas Ensino Fundamental
/Presencial
Ano
2005
2006
2007
Total
7039
5314
4580
Estadual
3035
2125
1930
Municipal
3642
3107
2639
Privada
362
82
11
Fonte: INEP/MEC
Em 2009, apesar da falta de dados oficiais da Secretaria da
Educação do Rio Grande do Sul o que se percebe nas escolas é um crescimento
24
considerável no número de matriculas da EJA, principalmente nas séries finais do
Ensino Fundamental.
25
5. CONHECENDO AS ESCOLAS PARTÍCIPES DA PESQUISA
Para entender um pouco mais sobre quem são os sujeitos da EJA
de Viamão se faz necessário conhecer um pouco sobre as escolas nas quais a
pesquisa foi realizada, enfocando sua história, bem como a implementação da
EJA neste contexto.
A Escola Estadual X que está localizada na zona urbana da cidade
de Viamão é uma escola que foi fundada na década de 50, com o objetivo de
atender a população da Vila Santa Isabel. A escola se dedica a tender a
população da Vila e no diurno, atende alunos da Pré-escola à conclusão do
Ensino Fundamental.
A Educação de Jovens e Adultos de Ensino Fundamental foi
implementada em nossa escola, em março de 2001. No início desse processo a
escola contava com apenas três professores, dois de Alfabetização e PósAlfabetização e um professor de área.
Nessas condições, foram quase seis meses aguardando a chegada
dos demais professores para início do ano letivo.
Quando a EJA se instituiu eram nove turmas, sendo duas de
Alfabetização e Pós-Alfabetização (Totalidades5 1 correspondendo a 1ª e 2ª
séries e Totalidade 2 correspondendo a 3ª e 4ª séries) e sete do Ensino
Fundamental (Totalidades 3, 4, 5 e 6 correspondendo a 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries,
respectivamente).
A Escola conta hoje com apenas cinco turmas todas de Ensino
Fundamental devido a vários fatores, entre eles: remanejamento de professores,
fechamento de turmas e evasão escolar. Assim, a escola não tem mais as
totalidades 1 e 2 permanecendo, apenas, com cinco turmas de Ensino
Fundamental, Totalidades 3, 4, 5 e 6 (de 5ª a 8ª séries).
A escola tenta enfrentar o problema freqüente da evasão escolar
através de pesquisas e projetos pedagógicos e culturais com o objetivo de
conhecê-los e integrá-los proporcionando um espaço mais humanizado.
A segunda escola que investiguei foi a Escola Estadual Y, que, segundo
informações da Direção, até o ano de 2001 oferecia, no turno da noite, o antigo
5
Organização curricular que pressupõe a integração entre as disciplinas.
26
supletivo, no qual, para o ingresso, o aluno era submetido a uma prova de
nivelamento, cuja organização curricular era por blocos de ensino.
A supervisora da escola salienta que com a implantação da atual LDB a
escola teve um período para adequar-se à nova lei e a partir do ano de 2002 deuse início ao funcionamento da EJA, e, em 2003 foram planejadas as bases de
diretrizes da mesma.
Assim, a Educação de Jovens e Adultos começou a funcionar na escola
sendo dividida por etapas (Etapa 1 – Alfabetização; Etapa 2 – Pós alfabetização;
Etapa 3 (5ª e 6ª série); Etapa 4 (7ª e 8ª série).
A escola localiza-se em uma zona que é considerada pobre e violenta. Os
alunos são moradores da região, em sua maioria, mas alguns residem em
Alvorada, município vizinho. A escola conta com uma boa estrutura e
organização.
A terceira escola partícipe dessa pesquisa foi a Escola Estadual Z. A
escola é de Ensino Fundamental e Médio, mas possui EJA apenas na etapa do
ensino fundamental. Esta modalidade atende a alunos das totalidades iniciais e
finais do Ensino Fundamental assim distribuídos: 2 totalidades iniciais e 4
totalidades finais, sendo que as totalidades iniciais são multiseriadas6.
A escola foi construída na década de 60 e em 1962 a escola começou a
funcionar com apenas 67 alunos distribuídos em séries. Já no ano seguinte as
matrículas aumentaram e a escola começou expandir os turnos de atendimento.
A escola funciona hoje com três turnos, manhã, tarde e noite. No turno da noite
ocorrem a modalidade EJA e duas turmas de Ensino Médio.
A EJA funciona com seis totalidades, sendo a 1ª e a 2ª atendendo a alunos
das séries iniciais e as demais, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª atendem as séries finais do Ensino
Fundamental, com apenas uma turma em cada totalidade.
A filosofia da escola tem por finalidade, conforme PPP, “à construção da
pessoa como sujeito da sua história a ser agente de transformação positiva”.
Para atingir tal finalidade a escola baseia seu trabalho em alguns princípios
fundamentais, tais como: “a valorização de diversas formas de expressão, o
conhecimento, o desenvolvimento da cidadania participativa, a vivência de
valores e oportunidade de integração da comunidade e a escola”.
6
Classes que integram alunos de diferentes séries.
27
Um ponto importante a destacar sobre as escolas pesquisadas é o número
de alunos matriculados na EJA. O Gráfico abaixo mostra o número exato de
matriculas da Rede Estadual de Ensino nas três escolas, sem considerar o
número de alunos evadidos.
185
190
Escola
Estadual Z
Escola
Estadual Y
Escola
Estadual X
124
A proporção entre homens e mulheres matriculados nas três
escolas de EJA nos mostra que há pouca diferença entre o número de
matriculas de homens e mulheres. A Escola Estadual X mostra uma pequena
variação com superioridade do sexo masculino.
200%
Escola Estadual X
150%
Escola Estadual Y
100%
Escola Estadual Z
50%
0%
MULHERES
HOMENS
28
6. ANALISANDO QUESTIONÁRIOS E ENTREVISTAS: QUEM SÃO OS
ALUNOS DA EJA?
De um modo geral, responderam aos questionários 100 alunos.
Dessas respostas, passarei a apresentar as análises que fiz por escola, a fim de
demarcar, em seu contexto, as especificidades das respostas, localizando-as por
região no Município.
Ao final deste capítulo apresentarei apreciação geral sobre os dados
levantados em cada um dos espaços investigados, buscando responder a
questão mais ampla do trabalho: “quem são os alunos da EJA”, tendo em vista o
município de Viamão?
6.1 Escola Estadual X
Fazendo uma análise dos dados levantados a partir das entrevistas
realizadas na Escola Estadual X foi possível concluir que 70% dos alunos
voltaram a estudar, pois queriam terminar os seus estudos. Dentre estes destaco
um depoimento: “Eu comecei a estudar na Escola em 1986 e em 1991 parei para
poder trabalhar e ajudar minha família” (E. 25 anos) sendo esta uma perspectiva
de futuro melhor para eles e sua família. Conforme outro relato: “Quero estudar
ter uma profissão e dar um futuro melhor para meu filho” ( J. 19 anos).
Além disso, ao responder sobre o que é a EJA? Muitos colocam a
modalidade como a única oportunidade de continuidade dos estudos “É talvez a
única oportunidade da vida de muitas pessoas, para mim a EJA é o meu troféu, a
minha conquista” ou “uma nova chance de recomeçar de onde tive que parar e
reescrever minha própria história”. (M. 45 anos)
Os alunos abordam também em entrevista como deveria ser a EJA, nesse
sentido, destacam a importância de cursos. Nessa perspectiva, são unânimes em
afirmar que são fundamentais para a sua inserção no mundo do trabalho. A esse
respeito destaco a fala: “Na EJA tinha de ter mais qualificação para os alunos”,
“Para mim o ideal é também ter cursos de Informática”, “A escola poderia
oferecer um curso de Inglês ou informática”. A partir dessas falas podemos
perceber que é de interesse dos alunos a formação continuada na EJA.
29
6.2 Escola Estadual Y
A Escola Estadual Y localizada entre o Município de Viamão e Alvorada
apresenta suas peculiaridades como o interesse pela qualificação.
Os entrevistados, cerca de 80% deles, afirmam ter buscado a EJA como
uma alternativa para continuar estudando e buscar um trabalho. A EJA é vista
como uma forma de melhorar suas chances no mundo do trabalho “o estudo é
importante e facilita para conseguir trabalho”.
A maior parte dos alunos entrevistados na Vila Elsa está fazendo cursos
profissionalizantes e buscaram o ensino noturno por esse motivo “Faço curso de
administração e informática de dia e por isso mudei para a noite” outro
entrevistado da já fez dois cursos e mesmo assim não consegue trabalho “É
muito difícil conseguir trabalho sem terminar pelo menos a oitava série”.
6.3 Escola Estadual Z
A Escola Estadual Z é uma escola que fica em uma das regiões que
vem crescendo muito economicamente, já que, é uma região de comércio. Os
alunos que frequentam a escola são todos oriundos da região, moram nas vilas
próximas.
Os entrevistados afirmam ter buscado a EJA por necessidade, pois
precisavam trabalhar durante o dia. Destacam a importância do estudo para
terem melhores condições de vida e almejam a profissionalização através de
cursos, contudo encontram dificuldades em realizá-los, já que são pagos.
Conforme relato de uma entrevistada “preciso da EJA para
conseguir um emprego e espero poder fazer um curso de secretariado”. Nesse
sentido, percebe-se a importância que é dada para a educação de Jovens e
Adultos, pois muitos vêem na EJA a única alternativa para conseguir trabalho.
6.4 Sobre os alunos da EJA em Viamão
Lançando o olhar sobre as respostas dos alunos, em seus
questionários é possível relatar que a maioria destes retorna aos estudos após 10
30
a 20 anos sem estudar e outros, por terem idade avançada (em média 60%)
acabam saindo do diurno buscando o ensino noturno. Essa retomada passa a ser
uma necessidade para os alunos que se inserem no mundo do trabalho. São
alguns dos motivos que fazem que os alunos retornem ao ambiente escolar: o
emprego, a família, exigência do trabalho, busca de conclusão dos estudos.
Os 100 alunos que participaram da pesquisa nas escolas
constituem dois grupos bem distintos compostos por 51 homens e 49 mulheres.
Destes, percebe-se que há um contigente de alunos bem jovens com faixa etária
que varia entre15 aos 25 anos, conforme representa a figura abaixo:
49
51
Homens
Mulheres
Dentre esse, boa parte declarou-se como branco ou negro. Porém, se
analisarmos a figura abaixo encontraremos um alto percentual entre os que se
situam como sendo pardos; outros, índios e ainda, há os que não responderam. Isso
pode revelar que as pessoas, por vezes, não se sentem aptas a indicar a sua etnia
ou ainda, por terem consciência de que são constituídas numa perspectiva de
integração étnico-cultural, não conseguem se enquadrar em apenas uma etnia.
Talvez por isto tenham optado por assinalar as opções nomeadas por outros, pardos
ou
ainda,
optaram/preferiram
não
responder
alternativas.
40
35
30
25
20
15
10
5
0
Branco
Negro
Índio
Pardo
outros
Não
Responderam
às
31
Os alunos de Viamão nasceram em sua maioria, em Porto Alegre.
Assim, 56 alunos nasceram em Porto Alegre e apenas 24 em Viamão, sendo que
os que nasceram no Município são os mais jovens. Esse fato pode ser
conseqüência do grande desenvolvimento de urbanização da capital que acaba
por empobrecer a população, que vê obrigada a deslocar-se aos municípios e às
vilas do entorno da grande Porto Alegre, buscando melhor condição de acesso à
moradia, habitação.
Há também uma parcela de alunos que residem em Viamão, mas que
nasceram em outros municípios mais distantes, tais como: Pelotas, Porto Xavier,
Tupanciretã, Santo Ângelo, Bagé, que por algum motivo se deslocaram. Além
destes municípios foram mencionados também: Canoas e Alvorada, que também
fazem parte da região da Grande Porto Alegre.
Contudo, o número de alunos que reside em Viamão é superior às
demais localidades, sendo 75 moradores do Município, 12 de Porto Alegre, 7 de
Alvorada e 6 não responderam ao questionamento. Estes dados que mostram
onde residem os alunos estão diretamente relacionados à localização das
escolas: duas delas são localizadas em áreas de divisa entre os municípios de
Viamão com Porto Alegre e Alvorada.
20
Porto Alegre
Via mão
56
24
Outros
A maior parte dos alunos da EJA declara-se solteira, mas segundo
aponta a pesquisa evidencia-se também que um número substancial vive com
companheiro (a) ou já estabeleceu relação estável, declarando-se, atualmente
separado ou divorciado. Mesmo sendo uma população jovem, se observarmos a
figura abaixo, encontraremos na fusão entre casados e com companheiro, um
percentual bastante significativo da população; cerca de 45%. Esse dado é
importante, pois pode nos auxiliar a ver que, embora bastante jovens estes
alunos da EJA já têm responsabilidades da vida adulta.
32
1
28
17
casado
solteiro
separado/divorciado
com companheiro
12
não respondeu
58
Nessa mesma direção passo a perceber que quase metade dos
alunos têm filhos. Dos 100 participantes, pelo menos 42 afirmaram terem um ou
mais filhos. Esses números são importantes para que se possa pensar elementos
para uma discussão curricular de EJA.
Em sua maioria eles declaram-se católicos, mas há também os que
se identificam como evangélicos, adventistas, espíritas entre outros. A tabela
abaixo dá uma idéia mais precisa quanto à opção religiosa dos alunos.
Religiões
Adventista
Católica
Espírita
Evangélico
Religiões Africanas
Nenhuma
Outros
Número de alunos
3
40
1
22
10
19
5
Os alunos que participaram da pesquisa apontam que pretendem, em
sua maioria, à continuidade dos estudos, no que tange a conclusão do Ensino
Médio. Porém, grande parte se sente desmotivada frente à possibilidade de
ingressar em uma faculdade ou universidade. Nessa situação, são as mulheres
que demonstram esse interesse, principalmente as que já se encontram inseridas
no mundo do trabalho ou as que são donas de casa e tem sua vida organizada.
Quando se referem à formação profissional todos são categóricos ao
afirmar a vontade de se profissionalizarem, tanto é que a maioria dos alunos
entrevistados que está fazendo cursos tem o objetivo de se qualificar. Muitos
destes enfrentam uma maratona para estudar e realizar os cursos já que os
fazem, em grande parte, em Porto Alegre. A necessidade de qualificação é algo
presente na vida desses jovens. Os alunos garantiram que a qualificação
33
profissional faz diferença na inserção no mundo do trabalho. Assim, para garantir
sua inserção fazem cursos de informática, de rotinas de escritório, de línguas
estrangeiras como o inglês, entre outros.
.Nesse contexto, desejam, com certeza, melhorar a sua qualidade de
vida criticando apenas a falta de oportunidades, no que diz respeito à
qualificação, já que, em sua maioria, os cursos são pagos pelos pais ou por eles
mesmos, quando já possuem renda, visto que são cursos realizados na rede
privada.
Os alunos que já se encontram inseridos no mundo do trabalho
também buscam melhorar sua qualidade de vida através de melhores opções
profissionais ou até mesmo manter o trabalho que possui, já que, muitas
empresas têm como critério de permanência nas mesmas, a freqüência na
escolarização.
Boa parte destes alunos é jovem e encontra-se na faixa etária dos 15 aos
18 anos como aponta Brunel (2004) o que me faz corroborar com a autora de que
há uma juvenilização na EJA. Mas há uma parcela importante que se encontra na
faixa dos 30 aos 40 anos de idade e que durante um bom tempo encontrou-se
distante da escola, na maioria das vezes, porque começou a trabalhar. Esse
grupo de alunos retorna aos estudos quando percebem a dificuldade de inserção
ou até mesmo de manter - se inserido no mundo do trabalho.
Ao responderem a questão1, percebemos que a grande maioria dos
alunos da EJA são trabalhadores, contudo, há uma particularidade, pois são
trabalhadores eventuais afirmando que fazem “trabalhos temporários”. Entre
estes estão principalmente os homens, solteiros, que trabalham no setor da
construção civil, dedicando-se à tarefa de ajudante de pedreiro. Isto significa que
não possuem um emprego fixo e muitas vezes abandonam a escola no período
que estão trabalhando.
A maior parte dos alunos que trabalham faz uma carga horária de 8 horas
semanais distribuídas no período da manhã e da tarde, mas alguns alunos o
fazem no noturno após o período escolar.
34
44
Trabalha
Não trabalha
48
A diferença nos dados apresentados pela pesquisa, se faz, no
sentido, que alguns trabalhadores eventuais que não estavam trabalhando no
momento da pesquisa colocam-se como alunos que não trabalham. Muitos
destes trabalhadores ainda executam suas atividades em Porto Alegre, o que
justifica o titulo da cidade de Viamão de “dormitório”, mas há uma crescente no
que se refere ao Município como mostra a tabela abaixo:
Local
Número de trabalhadores
Porto Alegre
26
Viamão
14
Cachoeirinha
2
Alvorada
2
Não Responderam
48
Quando a temática se refere aos requisitos necessários para
conseguir trabalho, são unânimes ao avaliar a importância da escolarização, mas
só ela não basta, nesse sentido, aliar escolaridade e experiência é importante
para a formação integral, que deve contar com educação e profissionalização.
Os alunos que participaram dessa pesquisa são unânimes ao
afirmarem que desejam continuar estudando e apontam alguns cursos que
gostariam de realizar, tais como: Informática e Inglês; mas há outros que também
foram mencionados como: auxiliares de cozinha, técnico em enfermagem,
garçom, segurança, artesanato e turismo. Ao que parece, aos alunos da EJA a
área que vem abrindo possibilidades de trabalho é a área de serviços.
35
REFLEXÕES FINAIS
O que este estudo revela e que me chama à atenção é que a grande
maioria dos alunos que procuram à modalidade EJA têm clareza de quais são
suas perspectivas: buscam melhorar suas vidas através da certificação. Assim,
buscam
através
da
conclusão
do
Ensino
Fundamental
ampliar
suas
possibilidades profissionais. Outros buscam a manutenção de seus empregos
através da certificação exigida pelos empregadores. Um outro grupo quer através
do conhecimento adquirido ampliar sua participação na sociedade. Para outros à
volta ao estudo significa recuperar o tempo perdido, mas ao que revela a
pesquisa, esses desejos se constituem numa opção para os mais velhos.
É preciso que se compreenda que os alunos da EJA vivenciam problemas
diversos, tais como: o preconceito, a discriminação, a vergonha, e as críticas da
sociedade. Tais problemas são enfrentados e vivenciados tanto no âmbito social
como familiar. Os alunos pesquisados reforçam em seus relatos estas questões.
Assim, podemos dizer que o ensino da EJA acolhe jovens e adultos que não
tiveram oportunidade de estudar no período certo e que buscam o
reconhecimento da sociedade.
Na EJA é fundamental conhecer o educando, se faz necessário levando
em conta qual o impacto que a escola pode ter na qualidade de vida da
população tão diversa.
Os jovens e adultos que estudam no noturno, especialmente na EJA,
lutam para superar suas dificuldades, tais como: saúde, moradia, alimentação,
transporte e emprego. Há ainda o desemprego, os baixos salários e as más
condições sociais que comprometem a o processo de educação. Nesse sentido,
muitos são os desafios enfrentados pelos jovens e adultos e pelas escolas que
ofertam a EJA.
As necessidades dos Jovens e Adultos vão além do ambiente escolar,
pois parte de uma proposta pedagógica que vincule os conhecimentos gerais ao
mundo do trabalho. Pressupõe políticas inclusivas, pois, requer a igualdade e a
36
superação da discriminação social. As políticas inclusivas, assim, podem ser
entendidas como estratégias voltadas para a universalização dos direitos civis,
sociais, políticos e dos educandos.
A maior parte dos alunos que estão matriculados na EJA fez a escolha
pela modalidade baseados em suas necessidade de ampliar a escolarização
conciliando-a com o trabalho. Essa pesquisa revela isso. Neste sentido, buscam
o ensino noturno como possibilidade de conciliar seus estudos e trabalho.
Assim, vislumbram a continuidade dos estudos como forma de ampliar
suas possibilidades profissionais, bem como, melhorar a qualidade de vida.
A partir da pesquisa realizada nas três escolas estadual foi possível
perceber que os alunos da EJA têm como ponto de partida para estudar no
noturno a vontade de concluir seus estudos seja por motivos internos ou externos
ao sujeito. Assim, independente dos motivos que o movem o objetivo é a
conclusão do ensino fundamental.
O desejo por qualificação através de cursos profissionalizantes
apareceu mais na escola Y, onde os alunos entrevistados pagam para se
qualificar em espaços externos; já nas outras escolas há vontade, contudo, mas
por não terem condições financeiras não o fazem. Faz-se necessário melhorar a
divulgação de programas e projetos, pois a maior parte dos interessados não
conhecem às ofertas e por esse motivo, deixam de fazer parte dos mesmos. É
fundamental que os maiores interessados estejam a par desses programas do
governo para que possam usufruir dos direitos aos quais “fazem jus”.
O que mais surpreende é que todos foram unânimes em afirmar que o
PROEJA é um programa importante e que vem ao encontro de seus anseios.
Contudo, são categóricos ao colocar a falta de informação como empecilho, já
que a maioria desconhece os programas existentes e devido a isso não fazem
parte deles.
Este trabalho mostra que o investimento em projetos e programas
sociais é fundamental para dirimir os problemas sérios da nossa sociedade,
como, por exemplo, a violência e à falta de oportunidade de trabalho. Pois, a
construção de uma sociedade mais igualitária e justa é fato preponderante e
através da ocupação de jovens de forma a integrar formação escolar e
profissional. Esta não seria uma saída, mas uma alternativa consciente no
sentido de amenizar tal situação.
37
Neste sentido o PROEJA é um exemplo de política pública, um
caminho para resgatar a cidadania desses alunos jovens e adultos.
As políticas públicas devem ser discutidas e implementadas a fim de
garantir alternativas que possibilitem a esses jovens e adultos a sua inserção no
mundo do trabalho. Faz-se necessário melhorar a divulgação de programas e
projetos, pois a maior parte dos interessados não conhece e por esse motivo
deixam de fazer parte dos mesmos é fundamental que os maiores interessados
estejam a par desses programas do governo para que possam usufruir deles.
O que mais surpreende é que todos foram unânimes em afirmar que o
PROEJA é um programa importante e que vem de encontro aos seus anseios,
contudo, são categóricos ao colocar a falta de informação como empecido, já que
a maioria desconhece os programas existentes e devido a isso não fazem parte
deles.
Este trabalho mostra que o investimento em projetos e programas
sociais é fundamental para diminuir problemas sérios da nossa sociedade, como,
por exemplo, a violência. Pois, a construção de uma sociedade mais igualitária e
justa é fato preponderante e através da ocupação de jovens de forma a integrar
formação escolar e profissional não seria uma saída, mas uma alternativa
consciente no sentido de amenizar tal situação.
Neste sentido, o PROEJA, como política pública poderia se aliar ao Pró
– Jovem, já existe no município, como um caminho para resgatar a cidadania
ajudar a solucionar alguns dos problemas desses alunos jovens e adultos.
38
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Eliane Ribeiro. Os jovens da EJA e a EJA dos jovens. In: OLIVEIRA,
Inês Barbosa de.; PAIVA, Jane (Orgs.). Educação de jovens e adultos. Rio de
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40
ANEXOS
ANEXO-1
Pesquisa – EJA/2008-2009
Curso de Especialização em Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada a Educação Básica na
Modalidade Educação de Jovens e Adultos - PROEJA e, estou realizando uma pesquisa de campo, cujo tema é
“Perspectivas e desafios dos sujeitos da modalidade EJA e sua inserção no Mundo do Trabalho”. Essa
pesquisa destina-se a organização da monografia de conclusão de curso. Para tanto, solicito sua colaboração no
sentido de responder o questionário abaixo, utilizando o verso da folha para as respostas. Esclareço que, caso não
sinta vontade, você poderá optar por não participar da referida pesquisa. No entanto, dada à relevância do tema,
sua participação será muito importante para que possamos visualizar quais são as perspectivas e desafios dos
alunos da EJA - Estadual no Município de Viamão.
Sexo: ( ) masculino ( )Feminino
Etnia: ( ) branco ( )negro ( ) índio ( ) pardo ( ) outro ___________
Data de Nascimento:___________
Local de Nascimento: ___________
Estado Civil: ( ) casado ( ) solteiro ( ) separado /divorciado ( ) com companheiro (a)
Filhos: ( ) sim, quantos_________
( ) não
Religião:__________
Cidade que reside:______________
1234-
Você trabalha? ( )sim ( )não
Local:_________
Ocupação/função:__________
Município:____________Turno:( ) manhã ( )Tarde ( ) noite ( ) Manhã e Tarde ( ) outros
__________
5- Carga horária semanal de trabalho ( ) 6 horas ( ) 8 horas ( ) mais de 8 horas
6- Do que necessitaste para conseguir esse trabalho: ( ) Experiência na função
)Escolaridade(
)Experiência/Escolaridade ( )outros___________________
7- A Escola é distante da sua casa? ( )sim ( )não
8- Como fazes para chegar até a escola? ( ) ônibus ( ) caminhando ( ) outros_________
9- O seu Trabalho é distante de sua casa? ( )sim ( )não
10- Como fazes para chegar até o teu trabalho? ( ) ônibus ( ) caminhando ( ) outros_________
11- Por que voltaste a estudar? Por que você escolheu estudar na EJA?
12- Você está gostando das aulas? Por quê?
13- Você está gostando da turma? Por quê?
14- Sobre as aulas, do que você mais gosta? Por quê?
15- Você está encontrando alguma dificuldade em seus estudos? Quais?
16- O que você pretende fazer quando concluir o curso? ( ) continuar estudando ( ) parar de estudar ( )
outros_____________________________________
17- Você
gostaria
de
realizar
um
curso
na
área
profissional?
(
)sim
Qual__________________________ ( )não
18- Você já ouviu falar em PROEJA? ( )sim Onde? _________ ( ) não
19- Que sugestões você daria para melhorar a EJA em sua escola
41
ANEXO - 2
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO
Sob o título ___________________________ o estudo, que culminará na elaboração de uma
monografia do curso Especialização em Educação Profissional Integrada à Educação Básica na
Modalidade Educação de Jovens e Adultos, pretende__________________________.
Os dados e resultados individuais da pesquisa estarão sempre sob sigilo ético, não sendo
mencionados os nomes das participantes em nenhuma apresentação oral ou trabalho escrito que
venha a ser publicado, a não ser que o/a autor/a do depoimento manifeste expressamente seu desejo
de ser identificado/a.
A participação nesta pesquisa não oferece risco ou prejuízo à pessoa entrevistada. Se no
decorrer da pesquisa o participante resolver não mais continuar ou cancelar o uso das informações
prestadas até então, terá toda a liberdade de o fazer, sem que isso lhe acarrete qualquer
conseqüência.
Os
pesquisadores
responsáveis
pela
pesquisa
são
a
Professora
Dra.
___________________ do curso de Especialização em Educação Profissional Integrada à Educação
Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos do Programa de Pós-Graduação em Educação
da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, orientadora, e a (o)
candidata (o) à especialista ____________________, do referido Programa de Pós-Graduação.
Ambas(os) se comprometem a esclarecer devida e adequadamente qualquer dúvida ou necessidade
de informações que o/a participante venha a ter no momento da pesquisa ou posteriormente, através
do telefone........
Após ter sido devidamente informado/a de todos os aspectos da pesquisa e ter esclarecido
todas as minhas dúvidas, eu ______________________________________, Identidade n.º
__________________________ concordo em receber a candidata ao título de Especialista em
Educação em minha casa e / ou outro local a ser combinado, prestar depoimentos, preencher
questionários, disponibilizar documentos sobre o objeto da referida pesquisa.
Quanto à identificação da autoria de meu depoimento opto:
(
) pela não identificação de meu nome.
(
) pela identificação de meu nome.
_____________________________________________________
Participante da Pesquisa (assinatura)
Pesquisadora (assinatura)
Data:______________________________________________
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Perspectivas e desafios dos sujeitos da modalidade - PROEJA