UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA Clipping: a sua Influência na Comunicação de uma empresa Por: Felipe da Silva Maguelli Orientador Prof. Fernando Alves Rio de Janeiro 2012 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA Clipping: a sua Influência na Comunicação de uma empresa Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Comunicação Empresarial Por: Felipe da Silva Maguelli AGRADECIMENTOS Agradeço a minha família e as minhas grandes amigas: Beth, Aline, Angélica, Nath e Karol e ao meu amigão André Oliveira. E a Vídeo Clipping pela ajuda e oportunidade que me proporcionou para conhecer o mundo da clipagem. E ao meu orientador Fernando Alves. DEDICATÓRIA Dedico ao meu grande amigo André Oliveira. Foi a pessoa que mais me motivou e ajudou para concluir essa fase na minha vida. RESUMO Este trabalho aborda de maneira clara e concisa a importância do Clipping na Comunicação organizacional. Para iniciar o primeiro capítulo abordará a Comunicação, o seu processo, como é utilizada dentro das empresas e sua relação na ética. No segundo capítulo abordará as ferramentas de Assessoria de Imprensa sem deixar de descrever sua história e importância. Por fim, o capítulo três aborda o mercado de monitoramento de informação ou de notícias e o trabalho do Clipping, assim como sua evolução, conceituação e exemplos de análises são mencionados. Palavras Chaves: clipping, monitoramento de informação, comunicação, assessoria de imprensa e comunicação interna. METODOLOGIA Para a realização desse trabalho foram realizadas leituras de artigos, livros, que por sinal, escassos por se tratar de um mercado novo e em desenvolvimento, contudo, houve a oportunidade de efetuar pesquisa de campo na agência de clipping ou de monitoramento de informação, Vídeo Clipping Produções. Onde percebeu-se como é feito o todo processo de montagem do clipping e ainda foi cedida trecho de uma análise de mídia, parte final do serviço em questão. SUMÁRIO INTRODUÇÃO....................................................................................................7 Capítulo I- Comunicação 1.1-Comunicação: conceito e processo..............................................................9 1.2- Conceição Organizacional Integrada..........................................................10 1.3- Ética na Comunicação................................................................................12 Capítulo II – Assessoria de Imprensa 2.1-O Que é Assessoria de Imprensa e de Comunicação? ..............................14 2.2-O Surgimento da Assessoria de Imprensa no Brasil...................................14 2.3-O Surgimento da Assessoria de Imprensa no Brasil ..................................16 2.4- Ferramentas da Assessoria de Imprensa...................................................17 Capítulo III – O Clipping 3.1-Definição de Clipping...................................................................................20 3.2-A Evolução do Clipping................................................................................21 3.3-Clipar Para Quê? ........................................................................................24 CONCLUSÃO....................................................................................................35 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................37 ANEXOS............................................................................................................40 FOLHA DE AVALIAÇÃO.................................................................................. 7 INTRODUÇÃO As organizações estão cada vez mais preocupadas em saber a opinião da imprensa, o que publicam nos meios de comunicação e como reverter fatos negativos que podem prejudicar a imagem ou reputação da organização perante seu público em geral. O Clipping é uma ferramenta eficiente e favorável para área de comunicação no que envolve a monitoração e criação de estratégias ou para acompanhar o mercado em que atua e seus clientes potenciais ou não. O Clipping, nada mais é, do que a reunião de matérias jornalísticas ou até mesmo, avisos publicitários sobre ou de uma determinada pessoa ou empresa. Vivemos na época em que as informações estão chegando até as pessoas com uma rapidez impressionante. E grandes empresas monitoram essas informações, notícias que saem a seu respeito ou os assuntos que são de interesse. Para monitorar essas matérias jornalísticas, as instituições contam profissionais para realizar esse serviço com qualidade. Normalmente contratam agências especializadas, pois, precisa dessas notícias o mais rápido possível. As empresas de monitoramento possuem tecnologia e estrutura para atender as necessidades desses clientes. Daí feito o clipping para o cliente. Através do Clipping, a área de comunicação pode disponibilizar as informações nos canais de comunicação interna de forma simples e com reportagens atrativas sobre a empresa, concorrentes e entre outros assuntos mantendo todos continuamente informados. É importante ressaltar que há empresas que solicitam que não incluíam no Clipping materiais negativas, pois, desta maneira evitam a divulgação internamente e rumores contínuos. Em contrapartida, quando os responsáveis pela área de comunicação com acesso ao Clipping podem desenvolver estratégias de resposta para seu público interno, externa, acionista e fornecedores por intermédio de notas, comunicado e etc. sobre o corrido junto com o clipping. 8 Por ser um mercado em crescimento, o Clipping não é abordado com maior intensidade nos cursos de Comunicação Social, além disso, não possui materiais suficientes que abordem o tema e também, não tão aprofundado nos cursos de Comunicação Social, quase não possui material suficiente sobre o assunto e faltam profissionais qualificados para exercer esse serviço. Este trabalho monográfico tem como objetivo mostrar a importância de uma das ferramentas da Assessoria de Imprensa e que não muito conhecida entre os estudantes de Comunicação e, até mesmo, pelos profissionais da área, que conhecem apenas o conceito básico desse serviço: o Clipping. 9 CAPITULO I COMUNICAÇÃO 1.1 – Comunicação: conceito e processo Comunicação. Você saberia conceituar essa palavra? De acordo com o dicionário Aurélio (2008, p. 155), comunicação é “processo de emissão, transmissão e recepção de mensagens por meio de métodos e/ou sistemas convencionais” ou “a capacidade de trocar ou discutir ideias, de dialogar, com vista ao bom entendimento entre pessoas”. É através dela uma pessoa pode atingir os seus objetivos, mas para isso é necessário saber se comunicar, expressar o que deseja saber ou fazer, ou seja, a comunicação é a principal estratégia para alcançar aquilo que é desejado por alguém. Para a comunicação ser eficaz existe um mecanismo a ser seguido, conforme descrito a seguir : • Emissor: aquele que emite a mensagem. • Mensagem: conjunto de símbolos que o emissor transmite. • Mídia: são os canais de comunicação onde à mensagem passa. • Receptor: aquele que recebe a mensagem. • Feedback: é a resposta do receptor para o emissor. Não respeitando um desses mecanismos, a comunicação é ineficaz, causando assim problemas e dificultando o caminho para atingir o objetivo esperado. Um dos problemas é ruído, que também faz parte do mecanismo de comunicação. Ele é a distorção da mensagem. Quando a mensagem chega de maneira errada para o receptor. 10 Para a comunicação existir é necessário que o emissor passe a informação de forma correta, entenda daquilo que está sendo transmitido. A comunicação não é apenas a nossa fala, mas nossos gestos e escrita. As empresas visam muito esses pontos, pois precisam sempre atingir os seus objetivos, seja no ato de comunicar-se ou, até mesmo persuadir os seus clientes internos e externos. Dentro das instituições existem diversos tipos de comunicação, nos quais precisam andar sempre lado a lado, pois tem atividades e estratégias a serem cumpridas. A união dessas comunicações é chamada de Comunicação Integrada, tema discutido no próximo subcapítulo. 1.2 – Comunicação Organizacional Integrada De acordo com o autor Wilson da Costa, a Comunicação Empresarial “compreende um conjunto complexo de atividades, ações, estratégias, produtos e processos desenvolvidos para reforçar a imagem de uma empresa ou entidade (sindicato, órgãos governamentais, ONGs, associações, universidades etc) junto aos seus públicos de interesse (consumidores, empregados, formadores de opinião, classe política ou empresarial, acionistas, comunidade acadêmica ou financeira, jornalistas etc) ou junto à opinião pública”.1 A Comunicação Organizacional2 é uma grande ferramenta de gestão e tem como objetivo unificar o discurso corporativo, aumentar a fluência da informação, minimizar possíveis ruídos na comunicação e manter uma imagem 1 Fonte: Comunicação Empresarial On Line http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/conceitos/comunicacaoe mpresarial.php. 2 Fonte: Comunicação Empresarial On Line http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/conceitos/comunicacaoint erna.php. 11 empresarial positiva. Existem inúmeras ferramentas que ajudam a identificar o público-alvo e as suas necessidades. Dentro da Comunicação Organizacional / Empresarial existem outras formas de comunicação que são mais específicas, ou seja, atendem apenas a demanda de acordo com o seu perfil de trabalho, mas acabam se unificando. São elas: Comunicação Interna, Comunicação Interna e Comunicação Institucional, criando assim a Comunicação Integrada, que possibilita a junção dos processos comunicacionais. Cavalcante (2008 apud Kunsch 1997) para as organizações em geral, é muito importante à integração de suas atividades de comunicação, em função do fortalecimento do conceito institucional, mercadológico e corporativo junto a toda a sociedade. É preciso incorporar a idéia de uma comunicação globalizante, que nos ajude a compreender e acompanhar o ritmo acelerado das mudanças no Brasil e no mundo. Uma combinação parcial e fragmentada isso nunca será possível. A Comunicação Interna faz referência aos procedimentos de comunicação desenvolvida dentro das organizações. Tem como público-alvo os funcionários e normalmente quem realiza esse trabalho é o setor de Recursos Humanos. É responsável pela divulgação das informações para manter um bom relacionamento entre a empresa e os colaboradores, como lançamentos, campanhas institucionais. Normalmente o responsável por essa área trabalha com algumas ferramentas comunicacionais, como por exemplo, circulares, editais e relatórios. Entende-se por Comunicação Interna3 o esforço de comunicação desenvolvido por uma empresa, órgão ou entidade para estabelecer canais que possibilitem o relacionamento, ágil e transparente, da direção com o público interno (na verdade, sabe-se que há vários públicos internos em uma organização) e entre os próprios elementos que integram este público. A Comunicação Mercadológica trabalha com o público externo, pois, seu objetivo é “vender” os produtos e serviços da empresa para o cliente consumidor e toda a sua rede e precisa manter a imagem da organização. O 3 Comunicação Empresarial On line – Fonte: http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/conceitos/comunicacaoint erna.php 12 trabalho de marketing, publicidade, propaganda são algumas das ferramentas desse processo comunicacional. A Comunicação Institucional tem como objetivo manter o relacionamento com os públicos interno e externo de acordo com a missão e visão da mesma. É através dela que a instituição fica sabendo como está a sua imagem, a credibilidade. Para fazer essa avaliação o responsável pode contar com algumas ferramentas, como pesquisa de satisfação com clientes externos (consumidores) e internos (funcionários). As atividades desta área são inúmeras, entre elas estão: definição dos objetivos de comunicação, gerenciamentos de crises, planejamento e organização de eventos. Essa comunicação é dividida nos seguintes setores: Relações Públicas, Marketing Cultural, Jornalismo Empresarial e Assessoria de Imprensa, sobre esse último verão adiante. Comunicação institucional4 é uma modalidade da comunicação integrada e a responsável pela construção da identidade (seu propósito, seu objetivo) e imagem (o que o público pensa) organizacional. Enfatiza também aspectos relacionados com a missão, visão, valores e filosofia da organização, contribuindo para um desenvolvimento mais eficaz dos atributos do sistema organizacional. 1.3 – Ética na Comunicação No subtítulo anterior mencionou-se a comunicação dentro das empresas, mas não podemos esquecer um ponto muito importante: a ética. A ética na comunicação. Antes de mais precisamos conceituar ética. De acordo com a apostila da EBC, Empresa Brasil de Comunicação (p.72), “entende-se por Ética o pensamento moral do homem um conjunto de 4 Fonte: Blog Integração/ Texto- Comunicação Institucional: o quê http://maisintegracao.blogspot.com.br/2009/10/comunicacao-institucional-o-que-e.html é? 13 valores e princípios aceitos e descobertos de forma livre e consciente, que regulam o comportamento do homem”. Se comunicar é o dever do cidadão e a informação é um direito de todos. A comunicação é uma poderosa arma do ser humano para sobreviver nesse mundo, porém precisamos saber como passar as informações à diante sem faltar o respeito e a verdade. Duas palavras que caracterizam a ética na comunicação. “O profissional de Comunicação que trabalha nas empresas, ou seja, que presta serviços de Comunicação Empresarial, ainda não dispõe de um instrumento legal específico que regule suas atividades profissionais”. (BRAGA, 2004, Pg. 76) Para ter alguma base sobre os deveres e direitos na área da comunicação, o profissional contará com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, artigo 220 ao 224 (Anexo I), o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (Anexo II), Código de Ética dos Profissionais da Propaganda (Anexo III) e, claro, das normas com os princípios e valores da empresa em que está trabalhando. As empresas que prezam a ética na comunicação, conseguem manter um clima favorável e de segurança para os seus públicos. A informação sobre algum acontecimento, desagradável ou não, precisa ser compartilhado entre os públicos interno e externo. Sendo assim, mantendo um relacionamento com confiança com todos aqueles que estão envolvidos com a instituição. Os responsáveis pela comunicação da empresa tem a obrigação de divulgar as informações sobre a mesma e suas atividades, pois de todas as formas produzirão algum efeito na vida das pessoas envolvidas com a instituição, como funcionários, colaboradores, clientes, fornecedores, sociedade, sindicatos, entre outros. Censurar as informações é delito ético e pode trazer problemas gravíssimos para o estabelecimento e seu público. 14 CAPÍTULO II ASSESSORIA DE IMPRENSA 2.1 – O que é Assessoria de Imprensa e de Comunicação? De acordo com o Manual de Assessoria de Comunicação do FENAJ, Federação Nacional dos Jornalistas (2007), Assessoria de Imprensa é o “serviço prestados as instituições públicas e privadas, que se concentram no envio frequente de informações jornalísticas, dessas organizações, para os veículos de comunicação em geral. Esses veículos são os jornais diários; revistas semanais, revistas mensais, revistas especializadas, emissoras de rádio, agências de notícias, sites, portais de notícias e emissoras de tevê.” O seu objetivo é criar situações onde possa colocar o seu cliente na mídia,ou seja, a “ponte” entre o cliente e a imprensa. Já o Assessor de Comunicação é o que faz o planejamento de comunicação, cria estratégias, mensura os resultados e avalia o desempenho do cliente diante da mídia. 2.2 – O Surgimento da Assessoria de Imprensa Quatro anos antes da Proclamação da Independência dos Estados Unidos em 1772, preocupado com informações oficiais, George Washington e 15 alguns revolucionários contratou o editor e escritor Samuel Adams, para desenvolver um trabalho e misturar elementos da comunicação. Em 1829 Amo Kendall iniciou à assessoria de imprensa governamental que durante o governo de Andrew Jackson organizou um pequeno setor de imprensa e relações públicas o “The Globe”. Foi na Grã- Bretanha e nos Estados Unidos no século XIX que surgiu a primeira publicação empresarial, desde então, dentro das organizações começaram aparecer jornalistas querendo divulgar o que acontecia, para que o público soubesse o que de fato como era o mundo empresarial. O empresário Willian Henry Vanderblit, em 1882, no momento em que fechava uma linha férrea recitou a frase: “O público que se dane!” no momento em que os Estados Unidos passavam por um período crítico como, a fome e a miséria. Só que os donos de empresas não tinham a visão da importância do público para os seus negócios e, também, não existia pessoas com o perfil para tentar mudar essa situação. Mas foi em 1906 que apareceu Ivy Lee, um jornalista norte americano, que estava disposto a mudar o mundo empresarial. Ele fundou em Nova York o primeiro escritório de assessoria de imprensa e relações públicas do mundo. Daí o surgimento da assessoria de Imprensa, da Comunicação Empresarial. Seu primeiro cliente foi John Rockfeller, proprietário da Colorado Fuel and Iron Company. O empresário estava sendo acusado de ter mandado os policias atirarem nos seus funcionários durante uma greve, que batizada como “greve sangrenta”. O objetivo de Ivy Lee era reverter essa situação, ele precisava mudar a imagem do Rockfeller diante da imprensa e do público já que, a mídia divulgava denúncias contra o empresário. Então como estratégia, o jornalista disseminava notícias favoráveis sobre as empresas de seu cliente. O livro Manual de Comunicação Empresarial, da Prefeitura do Rio de janeiro, confirma que Lee “oferecia aos jornais informações, posicionamentos, declarações importantes, que passaram a dividir espaço com as denúncias, submetendo-se ao julgamento do leitor”. E, de acordo com o Manual de assessoria de Comunicação, da FENAJ, o jornalista “conseguiu mudar a imagem do Barão dos negócios depois de continuadas ações de envio de informações frequentes à empresa da época 16 entre outras iniciativas”. O legado de Lee ficou no mundo da Comunicação Empresarial. A partir de então, os empresários perceberam a importância de incluir o público nos negócios e interagir com as pessoas. 2.3 – O Surgimento da Assessoria de Imprensa no Brasil O artigo publicado no site Observatório da Imprensa em 28 de maio de 2008, Osmar Monteiro Mendes afirma que, “A Assessoria de Imprensa no Brasil surgiu em 1909 quando o Presidente Nilo Peçanha criou a, Secção de Publicações e Biblioteca do Ministério da Agricultura, tendo como uma das principais finalidades distribuir informações á imprensa sobre setor, a partir de notícias e notas”. A função desse informativo era “reunir e distribuir informações que devem ser fornecidas à imprensa sobre assuntos de interesse da lavoura, indústria e comércio”. (Duarte, 2003, p.82). No ano de 1923, a empresa de energia elétrica Light, lançou o primeiro House Organ5 no Brasil: o Boletim Light. Três anos depois foi à vez da empresa GM, lançar essa ferramenta. Durante o Governo de Getúlio Vargas, em 1937, a AI ficou forte com a criação da DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) que tinha como finalidade estabelecer serviços de imprensa que era ligada ao Gabinete Civil, 5 House organ é o nome que se dá ao veículo de comunicação que circula dentro de empresas e entidades. Ele serve de porta-voz entre funcionário e patrão. Neles são divulgados eventos e fatos internos. Fonte: http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/midia/trint9/midia4.htm 17 para que fossem divulgados os atos do presidente e obras que eram realizadas naquela época. Mas a DPI foi extinta em 1945. Também no Governo de Vargas, foi criado o curso Superior de Jornalismo em plena ditadura. Com um investimento das grandes multinacionais na eleição de Juscelino Kubitschek após a Segunda Guerra Mundial, surgiram as práticas de assessoria de imprensa que foi adotada por poucas empresas nacionais. E foi a partir de 1970 que as empresas, empresários e entidades viram a importância e a necessidade de ter um assessor de imprensa. Desde então, essa atividade cresce constantemente e toma outra dimensão de trabalho no mundo. Ainda na década de 70, essa atividade se expandiu de forma bastante rápida, mas sobre o impacto de controle da informação para a opinião pública, em um sistema que foi implantado pelo governo, é claro. Em 1971 a agência Unipress foi fundada pelos jornalistas Reginaldo Finotti e Aloar José Gomes, querendo buscar novas propostas de assessoria de imprensa. O intuito dos jornalistas era fazer com que as informações chegassem rapidamente e mais fácil nas redações. Isso fez com que a Unipress tornasse modelo jornalístico de assessoria de imprensa. Na década de 80, as assessorias conquistam espaço maior nas empresas e com isso, passou-se a existir a necessidade dessa atividade. Com isso, os profissionais se reuniam para trocar experiências e opiniões, estabelecida a legislação, foi lançado o Manual de Assessoria de imprensa. No livro Comunicação: discursos, práticas e tendências (2001), Duarte cita Portugal como exemplo decorrente desse fato. “O jornalista que passa a trabalhar em uma organização não jornalística é obrigado a afastar-se do sindicato e, portanto, perde o direito de exercer a profissão”. 2.4 – Ferramentas da Assessoria de Imprensa Antes de aplicar as ferramentas, o assessor de imprensa deve avaliar o que o cliente deseja divulgar e montar um planejamento de comunicação com 18 todas as informações necessárias e ações que serão aplicadas. Dados importantes como o perfil do cliente ou produto, público-alvo e suas delimitações, objetivos de comunicação, problemas de comunicação, missão e visão da empresa, ações de assessoria, entre outras. Após o planejamento pronto, o assessor colocará em prática as ações, q utilização das ferramentas de assessoria, que são as seguintes: Release: Um texto informativo com linguagem jornalístico de todas as informações do cliente ou produto para uma divulgação. É uma das principais ferramentas de trabalho do assessor de imprensa. Press-kit: Nada mais é que um conjunto de materiais jornalísticos que serão distribuídos aos veículos, composto por textos, fotos, vídeos. Um brinde promocional ou até mesmo uma amostra do produto. Isso facilita a divulgação do assessor e estimula os jornalistas a publicar a intenção do assessorado. Mailing List: É uma lista com os endereços de lugares ao qual a assessoria de imprensa envia comunicados, notas, brindes entre outros no intuito de incentivar a publicação de determinada informação. Job: É contratar um trabalho, um serviço específico. Media training: É uma das ferramentas mais importante dentro da comunicação, porque ela prepara quem ou o quê deseja se expor na mídia. Follow up: É a busca da resposta para algo que foi solicitado. Quando se faz um follow up, você está buscando retorno de algo que questionado e ainda não teve resposta. Nota: É uma breve matéria. Sugestão de Pauta: É uma reunião de idéias que podem no fim, gerar uma matéria. 19 House Organ: É um jornal ou revista que circula dentro de uma empresa ou entidade. Clipping: É a reunião de todo material publicado sobre um determinado cliente. Com essas ferramentas que o Assessor contará para aproximar a empresa da mídia e do seu público-alvo. Informará melhor tudo que acontece dentro e fora da instituição. Para obter resultados satisfatórios, basta usá-los de forma correta. O foco desse trabalho é o Clipping, uma ferramenta simples de assessoria, porém ela está da junção do material publicado sobre o cliente. É o que veremos no próximo capítulo. 20 CAPÍTULO III O CLIPPING 3.1 – Definições de Clipping Quando se fala a palavra clipping, as pessoas associam aos clipes musicais produzidos por algum artista. Isso ocorre devido à sonorização, mas o que muitos não conhecem é o conceito do Clipping e a importância dessa ferramenta grandiosa de assessoria de imprensa. Afinal, o que é e qual a funcionalidade do Clipping? Clipping é a reunião das matérias jornalísticas de interesse de um ou mais indivíduos e empresas. A palavra Clipping é originária do idioma inglês que significa cortar ou recortar. Esse serviço é a separação das notícias que são monitoradas diariamente. “A palavra do idioma inglês já foi absorvida pelo vocabulário dos profissionais da área de comunicação e, de forma prática, significa a compilação (reunião) de todas as matérias publicadas na imprensa sobre o cliente da Assessoria de Imprensa. Estes materiais, vinculados nas diversas mídias (jornais, revistas, emissoras de tv e rádio, sites da Internet) são reunidos e encaminhados ao cliente como o resultado dos esforços empreendidos pelos profissionais da assessoria”. (CARVALHO & REIS, 2009, p.23). 21 O clipping é a parte final do serviço de monitoramento de informação ou notícias, que é a atividade de coletar informações sobre aquele determinado cliente. Monitorar notícias e montar o Clipping são trabalhos distintos. “Importante salientar que o termo monitoramento de notícias não é sinônimo de clipping. O primeiro é um serviço de informação, ao passo que o segundo é o resultado final da atividade empreendida, ou seja, o clipping é um produto informacional”. (LEMOS, BARACHO & NASSIF, 2012, p.10) 3.2 – A Evolução do Clipping Há alguns anos atrás, o monitoramento de informação era focado na mídia impressa, já que era dominante no mundo da comunicação. Existiam agências que prestavam esse serviço, faziam recortes de matérias para colocar no Clipping do cliente. Matérias essas que divulgavam ações das empresas e pessoas. A agência de clipping mais antiga foi criada em 1852, em Londres, a Romeike & Curtis. O serviço dela era monitorar notícias sobre artistas e montar o clipping sobre eles para os fãs e colecionadores. Mas o ápice dessas empresas especializadas aconteceu no século XX com a chegada da TV e do rádio e seus sistemas de gravação e monitoramento. Ou seja, mais duas mídias para monitorar e voltada para os interessados desse tipo de serviço. Durante um tempo, o clipping impresso era realizado dentro das empresas. Existiam responsáveis para executar esse trabalho. Anos depois, essa responsabilidade foi para as mãos dos assessores de imprensa. 22 Nos anos 80, esse trabalho ficou mais difícil, pois, os telejornais começaram a ganhar força e mais espaço. Os meios de comunicação, de informação tiveram um crescimento e as pessoas mais exigentes, querendo saber tudo que essas “novas mídias” estão divulgando sobre elas e seus trabalhos. E, por conta disso, os assessores começaram a contratar as agências de clipping. “Há alguns anos atrás, a confecção de um clipping era uma das tarefas mais odiadas pelos estagiários ou funcionários das assessorias de imprensa, pois significava acordar cedo, ler, quando dava tempo, vários jornais e recortar tudo que saiu publicado sobre o cliente ou assunto de interesse deste mesmo cliente. Sem perder uma única nota! E ainda organizar todos esses recortes e encaminhar ao cliente até 10 horas da manhã. Organizar o material continua sendo uma das tarefas mais importantes do clipping. Cumpre a função de contextualizar a notícia, ou seja, indicar a editoria na qual foi publicada, o dia da veiculação, o autor da matéria”. (CARVALHO & REIS, 2009, p.24). Os clientes contratam essas agências para monitorar as informações relevantes que saem na mídia sobre eles, pois, elas necessitam saber o que está sendo noticiando sobre elas. Com o passar dos anos, novos serviços surgiram nas agências de clipping, a necessidade dos clientes também aumentaram e o trabalho começou ir além de compilar as matérias, também os clipadores tiveram que iniciar o trabalho mais complexo de monitoramento de todas as mídias, portanto, deixaram de ser uma simples clipadoras para empresas de monitoramento de informação. Inicialmente o Clipping era apenas recortes de notícias de jornais e coladas em papéis A4. Era um amontoado de papel guardado em uma pasta. No decorrer do tempo, o clipping passou por várias transformações. Mas foi a Internet que contribui mais com o avanço desse serviço e os clientes, mais uma 23 vez, sentiu a necessidade de ter acesso a essas inúmeras informações em tempo real. Com a internet, as mídias se fundiram e surgiram as webtvs, web rádios, por exemplo. E os acessos às informações aumentando cada vez mais. A tecnologia, também, favoreceu com criação de softwares e hardwares para o armazenamento de dados e programas para facilitar o monitoramento e a clipagem. Assim criando os outros tipos de clipping, como o clipping eletrônico (TV e rádio) e o clipping online (internet). O Clipping impresso passou a ser digitalizado e recebe tratamento na imagem em programas específicos. Um grande aliado do monitoramento de informação é o Google e suas ferramentas de busca. Hoje, essas empresas disponibilizam para os seus clientes uma área exclusiva com acesso a todos os clippings. Basta cada um ter seu login e senha. “A Internet transformou-se em importante ferramenta de trabalho, tanto na pesquisa quanto no encaminhamento do material para o cliente. Com isso, a tradicional distribuição de blocos e fotocópias vem sendo deixada de lado e, a cada ano, um número maior de empresas adota o clipping online – pelo qual o material é enviado por e-mail ou publicado em homepages especialmente criadas para seus usuários, os quais podem acessar o conteúdo com o uso de senhas previamente informadas”. (UTCHITEL, 2004, pp. 113-114). O clipping não pode ser considerado pirataria. Esse serviço está de acordo com a legislação sobre os direitos autorais, pois os veículos que veiculam as notícias são citados. De acordo com o Art. 46 do Capítulo IV Das Autorais Limitações aos Direitos, “não constitui ofensa aos direitos autorais: I – a reprodução: I - a reprodução: a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos”.6 6 Fonte: http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2328908/art-46-da-lei-de-direitosautorais-lei-9610-98. 24 Hoje, as empresas de monitoramento de informações têm uma entidade que as representa, a ABEMO, Associação Brasileira das Empresas de Monitoramento de Informação, criada em 1998, “com objetivo de congregar os players de uma área específica da comunicação: a que investe em inteligência e tecnologia da informação para monitorar 24 horas por dia, todos os dias do ano, jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, sites e agências de notícias nacionais e internacionais”.7 Muitas empresas de monitoramento são associadas dessa instituição. 3.3 – Clipar Para Quê? Conforme abordado anteriormente, as empresas de clipping, hoje, são chamadas de empresas ou agências de monitoramento de informações / notícias. E os serviços oferecidos são diversos, vãos além de clipar, monitoram notícias, propagandas, fazem as análises dos clippings e, até mesmo consultoria para os clientes com base nas análises feitas. As organizações que contratam o serviço de Clipping têm como objetivo, monitorar o que esta sendo veiculadas sobre elas na mídia, as assessorias de imprensa analisa a imagem dos seus clientes e os resultados de algumas ações desenvolvidas, entre outros. O monitoramento de propagandas, como o próprio nome já diz, tem como alvo os anúncios publicitários. Os responsáveis por esse serviço fazem uma busca e verificam se aquele veículo contrato, para divulgar a propaganda, está cumprindo todos os aspectos combinados com o contratante, no caso, o anunciante. Esse serviço é chamado de checking8. Nesse tipo de trabalho, os 7 Fonte: ABEMO – Associação Brasileira http://www.abemo.org/index.php/quem_somos. 8 de Monitoramento de Informações - Segundo o Dicionário Multimídia – Jornalismo, Publicidade e Informática, checking é verificação; controle de anúncios. 25 clipadores monitoram o tamanho dos anúncios, a duração da inserção, além dos concorrentes do cliente solicitante desse serviço. Já o monitoramento de informações tem como foco as notícias e reportagens de todas as mídias: impressa, rádio, tv e internet. Antes de executar o monitoramento das informações e clipar as matérias, um briefing9 é montado junto à empresa e o cliente, para orientar o clipador. Nesse documento deverão conter informações como, perfil do cliente, o segmento dele, temas de interesse, mídias monitoradas, entre outros. É necessário saber o que o cliente quer ler, assistir e ouvir. “O conteúdo do serviço de clipping e sua abrangência – nacional internacional ou apenas referente às regiões nas quais a empresa opera – devem estar de acordo com objetivos e interesses previamente identificados pela empresa, para que possam efetivamente atender uma demanda de noticias e não ser somente mais um bloco de papéis. Precisam estar diretamente ligados à cultura empresarial e às atividades de seus mais diversos departamentos”. (UTCHITEL, 2004, p.113). Como exemplo, segue o briefing do BNDES, Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social: Nome do cliente: BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social); Descrição: Empresa pública federal é hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia. O BNDES se destaca no apoio à agricultura, indústria, infraestrutura e comércio e serviços, oferecendo condições especiais 9 Segundo o Dicionário Multimídia – Jornalismo, Publicidade e Informática, o briefing é uma série de referência, fornecida pelo cliente, e trabalhada pelo supervisor da conta, contendo informações sobre o produto e o mercado: especificações e objetivos. 26 para micro, pequenas e médias empresas. O Banco também têm implantado linhas de investimentos sociais, direcionados para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano. Presidente: Luciano Coutinho Assuntos de Interesse: -BNDES; -Infraestrutura, logística, política econômica; -FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador); -TJLP (Taxa de Juros em Longo Prazo); -Financiamentos do BNDES em todas as suas áreas de atuação (comércio e serviços, comércio exterior, construção naval, indústria, cultura, meio ambiente, siderurgia e petroquímica.); -Infraestrutura para copa do mundo de 2014 e olimpíadas 2016. Após a clipagem, existe outro também muito importante para o cliente, a Análise de Mídia, ou seja, aquelas matérias coletas, reunidas no clipping do cliente passa por uma análise para ver se está tudo de acordo com o briefing, quantas vezes o nome do cliente foi citado, se a notícia foi positiva ou negativa, o espaço que foi ocupado, saber qual foi a opinião sobre aquele determinado. Duas análises são feitas e são chamadas de Análise Qualitativa e Análise Quantitativa. Existem empresas especializadas que realizam esse trabalho ou o próprio Assessor de Imprensa o faz. E ajuda no trabalho do assessor, tornando-o mais eficaz. “A análise do clipping nada mais é do que um trabalho regular de acompanhamento da exposição da empresa – e/ou de seus concorrentes – na mídia. Quando somadas às análises quantitativas e qualitativas, as operações de assessoria de imprensa são mais facilmente dirigidas e avaliadas”. (UTCHITEL, 2004, p.115). 27 A análise quantitativa e qualitativa (análise de mídia) de informações envolvendo determinada instituição é uma atividade estratégica para o crescimento da mesma no mercado. O serviço tem o intuito de colaborar para o planejamento e/ou aperfeiçoamento de ações de Comunicação e Marketing a partir de dados coletados na pesquisa e controlar uma eventual situação de crise. É importante que uma corporação utilize todas as técnicas necessárias para construir e manter uma imagem positiva (reputação) junto a todos os seus públicos de interesse. A partir da análise do clipping de notícias veiculadas na mídia (Jornais & Revistas, Internet, TV, Rádio e Mídias Sociais) é possível que a organização (assessoria de imprensa, relações públicas, entre outros setores responsáveis) tenha conhecimento de como os fatos relacionados a esta vêm sendo transmitidos para a sociedade (se são fidedignos à realidade da empresa ou não estão deturpados) e a reação que o receptor terá com as informações recebidas. A partir dos resultados, inicia-se o plano de fortalecer e proteger os atributos positivos da empresa e neutralizar os atributos negativos. Atributos essenciais para a construção da reputação: • Ter bons produtos e serviços; • Ser bem administrada; • Ser um bom lugar para se trabalhar; • Ter valor agregado para a sociedade A análise quantitativa destina-se a contabilizar o número de veiculações de matérias nos veículos atingido em determinado período (pode ser quinzena, mensal ou até mesmo trimestral). Além de calcular suas respectivas valorações (valor financeiro do espaço publicitário ocupado de cada matéria). No caso de materiais impressos, diga-se centimetragem; e matérias e/ou reportagens de TV e Rádio, nomeia-se como minutagem. 28 O procedimento de valoração possui um método específico de comparação, baseado nos dados oficiais das tabelas de programação dos veículos. “Mede-se o tamanho da matéria no jornal em centímetros e colunas e converte-se este espaço para números utilizados a tabela comercial do veículo, ou seja, aquela que fornece preços para anúncios ou comerciais publicitários (no caso da TV)”. (CARVALHO & REIS, 2009, p.24). Já a análise qualitativa pode se dividir em diversos aspectos, como: • Tipo de impacto que a notícia teve para a imagem cliente: positiva, negativa ou neutra (em certos casos) e as razões do mesmo afirmado; • Assuntos e Temas: Determina assuntos que as notícias podem se inserir. Muitas vezes, estes podem ser fixos, já que se repetem com frequência. Além de temas (denominações) interligados a estes assuntos, ou seja, a referência do fato em si. Ex: Mercado Financeiro (assunto ou segmento) / Lista de cotações (tema); Abaixo, como exemplo, trechos de uma análise quantitativa e qualitativa da Infraero10: ANÁLISE DE ASSUNTOS POR IMPACTO Na análise geral dos assuntos abordados, apontamos que “Estudo do Ipea sobre aeroportos” registrou o maior número de citações à Infraero, 97 no total. Este assunto também registrou o maior número de matérias avaliadas com impacto negativo para a imagem da Infraero, 74 ao todo. O assunto 10 Análise cedida pela agência de monitoramento de informações, Vídeo Clipping Produções. 29 “Dados sobre operação de aeroportos”, destacou-se por ter registrado o maior número de citações com impacto positivo à imagem da instituição, com 62 matérias. Abaixo segue o ranking com os assuntos com citações à Infraero que contabilizaram maior número de matérias, classificados em ordem decrescente: (1) Estudo do Ipea sobre aeroportos (97 matérias) (2) Atraso na reformas dos aeroportos para Copa (92 matérias) (3) Concessão de aeroportos à iniciativa privada (88 matérias) (4) Dados sobre atrasos e/ou cancelamentos de voos (65 matérias) (5) Dados sobre operação de aeroporto (62 matérias) (6) Reforma do aeroporto de São Luís (57 matérias) (7) Concurso público para a Infraero (53 matérias) (8) Criação da Secretaria de Aviação Civil (SAC) (42 matérias) A seguir, a representação gráfica do ranking acima, considerando as matérias quanto ao seu posicionamento: positivo ou negativo. 30 Dos assuntos avaliados, “Concessão de aeroportos à iniciativa privada” foi o que registrou maior valoração total, R$ 3.136.106,00. Destaca-se que, de acordo com o gráfico, o mesmo registrou a maior valoração com impacto positivo para a imagem da Infraero, R$ 2.740.517,11. Apesar de ter sido o segundo assunto no ranking em quantidade de matérias veiculadas, “Concessão de aeroportos” foi o mais repercutido entre os jornais de maior circulação nacional, tais como: O Estado de S. Paulo (“Governo fará concessão de aeroportos a empresas”), O Globo (“Dilma abandona dogma do PT e privatiza aeroportos”), Valor Econômico (“Palocci anuncia concessão parcial de Cumbica”) e Folha de S. Paulo (“Governo acelera concessão de aeroportos”). Como resultado de grandes matérias nestes veículos, apresentou maior valoração. Destaca-se que “Estudo do Ipea sobre aeroportos” foi o assunto que registrou a maior valoração avaliada como negativa para a imagem do cliente, R$ 1.586.624,95. Veículos de grande repercussão contribuíram para este resultado: O Estado de S. Paulo (“Com Copa, sem estrutura”), Brasil Econômico (“Dos 13 aeroportos da Copa, 9 não ficarão prontos”) e O Globo (“Ipea: aeroportos não ficam prontos para Copa”). Também merece destaque o assunto “Críticas de Paes a Aeroporto Tom Jobim”, que, apesar de ter registrado apenas 04 matérias, todas com impacto negativo para o cliente, apresentou valoração considerável. Isto se deve ao fato de ter ocupado grande espaço (cm/col) em veículos de grande circulação, tais como Brasil Econômico, DCI-SP e O Dia-RJ. Lembramos que toda a valoração alcançada refere-se às mídias “Jornais” e Revistas”, pois ainda não há no mercado mecanismos de mensuração de custo publicitário para a mídia “Internet”. A seguir, gráfico dos assuntos em ordem decrescente de valoração total (R$): 31 Com base no gráfico abaixo, destaca-se que o assunto “Concessão de aeroportos à iniciativa privada” registrou o maior espaço total ocupado: 7.092 cm/col, com matérias referentes à Infraero. Deste total, 5.469 cm/col foram avaliados como positivos para a imagem do cliente. “Estudo do Ipea sobre aeroportos” foi o assunto que apresentou o maior espaço ocupado com avaliação negativa, 5.615 cm/col. A seguir, gráfico dos assuntos mais repercutidos no período, classificados em ordem decrescente conforme o espaço ocupado (cm/col): 32 ANÁLISE DE MÍDIAS POR IMPACTO A mídia Internet obteve o maior número de matérias veiculadas (691), sendo 438 positivas e 253 negativas. Já a mídia Jornais obteve 531 matérias, das quais 376 foram avaliadas como positivas e 155 como negativas. A mídia Revistas obteve 11 matérias no total, sendo 07 positivas e 04 negativas. Abaixo, o ranking de quantidade de matérias por mídia: Da valoração total alcançada na mídia Jornais (R$ 12.538.120,46), a maior parte (R$ 8.406.585,87) foi avaliada como positiva. A valoração negativa foi de R$ 4.131.534,59. Já na mídia Revistas, a valoração total foi de R$ 506.573,56, sendo R$ 449.463,76 positivos e R$ 57.109,80 negativos. Abaixo, o ranking de valoração por mídia: 33 A mídia Jornais, por seu turno, obteve o maior espaço ocupado no período: 29.811cm/col, ao passo que Revistas apresentou 818 cm/col e Internet, 22.554 cm/col. Abaixo, o gráfico de espaço ocupado (cm/col) por mídia: É a partir dessas análises das matérias clipadas que as organizações traçam estratégias para gerenciar as crises, fazem avaliações do trabalho desenvolvido, do desempenho da pessoa que está respondendo pela empresa, que são chamados de porta-vozes. 34 “O porta-voz é o executivo ou o funcionário que fala em nome da empresa e a representa perante a mídia. É ele que dá entrevistas, posa para fotos, fala diante das câmeras. Normalmente o porta-voz é o presidente da empresa, o diretor da área ou, ainda, o assessor de imprensa” (UTCHITEL, 2004, p.115). Montar o clipping vai além de monitorar a quantidade de vezes que a instituição ou pessoa física aparece na mídia, mas auxiliar no processo de melhoria na comunicação das instituições, a traçar estratégia para alcançar seus objetivos e etc. 35 CONCLUSÃO No decorrer da pesquisa para esse trabalho e pela vivência no mercado de monitoramento de informações ou de notícias, montagem do clipping, podese perceber que esta ferramenta sempre fará parte da vida da Assessoria de Imprensa ou de Comunicação. Monitorar as mídias televisivas, impressa, radiofônica e online é a realidade das bem sucedidas empresas. É através do clipping que o cliente poderá monitorar a concorrência, entender o que fez de certo ou errado, como está o mercado em que está investindo, também, poderá tomar decisões importantes, estratégias de negócios, entre outros caminhos para aperfeiçoar o trabalho que desenvolve. Como o nosso foco nessa pesquisa é a influência do clipping na comunicação de uma empresa. Vamos a nossa conclusão. As maiorias das empresas, principalmente, de grande porte utilizam o clipping como ferramenta de comunicação entre todos os funcionários. Não se limita mais ao alto escalão, como a diretoria ou presidente da instituição. Com o clipping sempre atualizado, os funcionários terão sempre acesso as informações que saem na imprensa sobre a empresa em que trabalha. Assim combatendo a famosa rádio corredor dentro da instituição. Também podem comparar as informações que saem na mídia com as que recebem da comunicação interna. O clipping é uma ferramenta muito importante que não pode deixar de fora dessa reunião as matérias jornalísticas que estão divulgando dados ruins sobre a empresa. Com base na pesquisa de campo identificou-se que as notícias ruins são mais importantes que as boas, pois é em cima dessas que o assessor irá trabalhar, montará estratégias para melhorar os pontos críticos. Mas, não podemos deixar de divulga-la para os colaboradores, por mais que crie uma polêmica entre eles. A empresa precisa manter sempre a transparência com os seus empregados. Mas para evitar essa polêmica ou comentários entre os funcionários, o ideal é a empresa divulgar sempre um comunicado junto ao clipping para os seus públicos (interno e externo) sobre o ocorrido. Todos precisam entender o 36 que está ocorrendo dentro do ambiente em que está trabalhando, investindo. Não realizando esse procedimento, a empresa perceberá constantemente especulação de funcionários e interpretações das informações equivocadas, prejudicando assim a imagem ainda mais da organização junto aos seus clientes, acionistas. Um posicionamento interno poderá chegar até a imprensa, assim favorecendo a imagem da mesma. Não se deve esquecer que o crescimento da internet, a criação de novos softwares, também, contribui significativamente para a atualização da página do clipping do cliente. Informação sempre a disposição dele de forma rápida e eficaz. No mundo globalizado e moderno, onde a comunicação está cada vez mais rápida, o clipping tornou-se uma grande aliada da comunicação interna e, que não deve ser renegada por todos que fazem parte do quadro da empresa ou, até mesmo, ser considerado apenas um simples relatório de avaliação. Como foi abordado nos capítulos anteriores, o clipping ajuda na toma de decisões, orienta o cliente e seus assessores de imprensa e pode aprimorar a comunicação interna da empresa. 37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRAGA, Fernando Antonio, CASADO, Jorge. Manual de Comunicação Empresarial. Rio de Janeiro; Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Secretaria Especial de Comunicação Social, 2004. BUENO, Wilson da Costa. Do Clipping à auditoria: medindo o retorno do trabalho da assessoria de imprensa. Disponível Acesso http://www.comtexto.com.br/novo/auditoria/aim-artigo01.htm>. em em 05/02/2012. CARVALHO, Claudia, REIS, Léa Maria Aarão. Manual Prático de Assessoria de Imprensa. São Paulo: Elsevier, 2008. CAVALCANTE, Shirley Maria. Gestão da Comunicação Organizacional: Conhecendo as ferramentas e suas aplicabilidades. Disponível em: http://www.aberje.com.br/monografias/MONOGRAFIA%20Shirley%20Cavalcan te%20PDF.pdf>. Acesso em 01/03/2012. CECATO, Valdete, MAFEI, Maristela. Comunicação Corporativa: gestão, imagem e posicionamento. São Paulo: Contexto, 2011. Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Disponível em http://www.fenaj.org.br/federacao/cometica/codigo_de_etica_dos_jornalistas_br asileiros.pdf> . Acesso em 09/07/2012. Código de Ética dos Profissionais de Publicidade. Disponível em http://guiadopublicitario.blogspot.com.br/2009/04/codigo-de-etica-dosprofissionais-de.html>. Acesso em 09/07/2012 Comunicação Empresarial. Disponível em http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/conceitos /comunicacaoempresarial.php> Acesso em 05 /02/2012. 38 Comunicação Disponível Integrada. em http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/conceitos /comunicacaointegrada.php> Acesso em 05 /02/2012. Comunicação Disponível Interna. em http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/conceitos /comunicacaointerna.php> Acesso em 05/02/2012. Comunicação Disponível Mercadológica. em http://www.comunicacaoempresarial.com.br/comunicacaoempresarial/conceitos /comunicacaomercadologica.php Acesso em 05 /02/2012. Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em 09/07/2012. LUCAS, Luciane (org.). Com Credibilidade não se brinca: A identidade corporativa como diferencial nos negócios. São Paulo: Summus, 2004. 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São Paulo: Arte & Ciência, 2003. O que é o clipping? Atividade Útil e Disponível legítima. em http://www.abemo.org/index.php/o_que_e_clipping>. Acesso em 08/03/2012. RIGUENGO, Carolina. Notícias da casa. Disponível em <http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/midia/trint9/midia4.htm>. Acesso em 01 de mar de 2012. SILVEIRA, Carolina Nalon, RUELA, Raul Morão. Avaliação e mensuração na assessoria de comunicação: o clipping em xeque na Universidade Federal de Juiz de Fora. Disponível em http://www.abrapcorp.org.br/anais2011/trabalhos/trabalho_carolina_raul.pdf. Acesso em 04 fev. 2012. TERCIOTTI, Sandra Helena, MACARENCO, Empresarial na Prática. São Paulo: Saraiva, 2010. Isabel – Comunicação 40 ANEXOS Índice de Anexos Anexo 1 – Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988 Anexo 2 – Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros Anexo 3 – Código de Ética dos Profissionais da Propaganda 41 ANEXO I CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 CAPÍTULO V: DA COMUNICAÇÃO SOCIAL Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. § 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV. § 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. § 3º - Compete à lei federal: I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada; II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de 42 produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente. § 4º - A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estarão sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso. § 5º - Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio. § 6º - A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade. Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei; IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família. Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País. § 1º Em qualquer caso, pelo menos setenta por cento do capital total e do capital votante das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens deverá pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, que exercerão obrigatoriamente a gestão das atividades e estabelecerão o conteúdo da programação. 43 § 2º A responsabilidade editorial e as atividades de seleção e direção da programação veiculada são privativas de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, em qualquer meio de comunicação social. Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 28/05/2002: § 3º Os meios de comunicação social eletrônica, independentemente da tecnologia utilizada para a prestação do serviço, deverão observar os princípios enunciados no art. 221, na forma de lei específica, que também garantira a prioridade de profissionais brasileiros na execução de produções nacionais. Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 28/05/2002: § 4º Lei disciplinará a participação de capital estrangeiro nas empresas de que trata o § 1º. Parágrafo incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 28/05/2002: § 5º As alterações de controle societário das empresas de que trata o § 1º serão comunicadas ao Congresso Nacional.” (NR) Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal. § 1º - O Congresso Nacional apreciará o ato no prazo do art. 64, § 2º e § 4º, a contar do recebimento da mensagem. § 2º - A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal. § 3º - O ato de outorga ou renovação somente produzirá efeitos legais após deliberação do Congresso Nacional, na forma dos parágrafos anteriores. § 4º - O cancelamento da concessão ou permissão, antes de vencido o prazo, depende de decisão judicial. 44 § 5º - O prazo da concessão ou permissão será de dez anos para as emissoras de rádio e de quinze para as de televisão. Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei. 45 ANEXO II CÓDIGO DE ÉTICA DOS JORNALISTAS BRASILEIROS Votado em Congresso Nacional dos Jornalistas, o código está em vigor desde 1987. O Código de Ética do Jornalista fixa as normas a que deverá subordinar-se a atuação do profissional, nas suas relações com a comunidade, com as fontes de informação e entre jornalistas. I - Do direito à informação Art. 1o - O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse. Art. 2o - A divulgação de informação, precisa e correta, é dever dos meios de comunicação pública, independente da natureza de sua propriedade. Art. 3o - A informação divulgada pelos meios de comunicação pública se pautará pela real ocorrência dos fatos e terá por finalidade o interesse social e coletivo. Art. 4o - A prestação de informações pelas instituições públicas, privadas e particulares, cujas atividades produzam efeito na vida em sociedade, é uma obrigação social. Art. 5o - A obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação e a aplicação de censura ou autocensura são um delito contra a sociedade. II - Da conduta profissional do jornalista 46 Art. 6o - O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social e de finalidade pública, subordinado ao presente Código de Ética. Art. 7o - O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação. Art. 8o - Sempre que considerar correto e necessário, o jornalista resguardará a origem e identidade das suas fontes de informação. Art. 9o - É dever do jornalista: a) Divulgar todos os fatos que sejam de interesse público. b) Lutar pela liberdade de pensamento e expressão. c) Defender o livre exercício da profissão. d) Valorizar, honrar e dignificar a profissão. e) Opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem. f) Combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação. g) Respeitar o direito à privacidade do cidadão. h) Prestigiar as entidades representativas e democráticas da categoria. Art. 10. O jornalista não pode: a) Aceitar oferta de trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial da categoria ou com a tabela fixada por sua entidade de classe. b) Submeter-se a diretrizes contrárias à divulgação correta da informação. c) Frustrar a manifestação de opiniões divergentes ou impedir o livre debate. 47 d) Concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e de orientação sexual. e) Exercer cobertura jornalística pelo órgão em que trabalha, em instituições públicas e privadas, onde seja funcionário, assessor ou empregado. III - Da responsabilidade profissional do jornalista Art. 11 - O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros. Art. 12 - Em todos os seus direitos e responsabilidades o jornalista terá apoio e respaldo das entidades representativas da categoria. Art. 13 - O jornalista deve evitar a divulgação de fatos: a) Com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômicas. b) De caráter mórbido e contrários aos valores humanos. Art. 14. O jornalista deve: a) Ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, todas as pessoas objeto de acusações não comprovadas, feitas por terceiros e não suficientemente demonstradas ou verificadas. b) Tratar com respeito a todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar. Art. 15 - O jornalista deve permitir o direito de resposta às pessoas envolvidas ou mencionadas em sua matéria, quando ficar demonstrada a existência de equívocos ou incorreções. Art. 16. O jornalista deve pugnar pelo exercício da soberania nacional, em seus aspectos político, econômico e social, e pela prevalência da vontade da maioria da sociedade, respeitados os direitos das minorias. Art. 17 - O jornalista deve preservar a língua e a cultura nacionais. IV - Aplicação do Código de Ética 48 Art. 18 - As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas e apreciadas pela Comissão de Ética. Parágrafo 1o - A Comissão de Ética será eleita em Assembléia Geral da categoria, por voto secreto, especialmente convocada para este fim. Parágrafo 2o - A Comissão de Ética terá cinco membros com mandato coincidente com o da diretoria do Sindicato. Art. 19 - Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética ficam sujeitos gradativamente às seguintes penalidades, a serem aplicadas pela Comissão de Ética: a) Aos associados do Sindicato, de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do Sindicato; b) Aos não associados, de observação, advertência pública, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do Sindicato; Parágrafo único - As penas máximas (exclusão do quadro social, para os sindicalizados, e impedimento definitivo de ingresso no quadro social, para os não sindicalizados) só poderão ser aplicadas após prévio referendo da Assembléia Geral especialmente convocada para este fim. Art. 20 - Por iniciativa de cidadão, jornalista ou não, ou instituição atingidos, poderá ser dirigida à Comissão de Ética para que seja apurada a existência de transgressão cometida por jornalista. Art. 21 - Recebida a representação, a Comissão de Ética decidirá sua aceitação fundamental ou, se notadamente incabível, determinará seu arquivamento, tornando pública a decisão, se necessário. Art. 22 - A publicação de penalidade deve ser precedida de prévia audiência do jornalista, objeto de representação, sob pena de nulidade. Parágrafo 1o - A audiência deve ser convocada por escrito pela Comissão de Ética, mediante sistema que comprove o recebimento da respectiva notificação, e realizar-se-á no prazo de 10 dias a contar da data do vencimento do mesmo. 49 Parágrafo 2o - O jornalista poderá apresentar resposta escrita no prazo do parágrafo anterior, ou apresentar suas razões oralmente, no ato da audiência. Parágrafo 3o - A não observância pelo jornalista dos prazos previstos neste artigo, implica a aceitação dos termos da representação. Art. 23 - Havendo ou não resposta, a Comissão de Ética encaminhará sua decisão às partes envolvidas no prazo máximo de 10 dias, contados da data marcada para a audiência. Art. 24 - Os jornalistas atingidos pelas penas de advertência e suspensão podem recorrer à Assembléia Geral no prazo máximo de 10 dias corridos a contar do recebimento da notificação. Parágrafo único - Fica assegurado ao autor da representação o direito de recorrer à Assembléia Geral, no prazo máximo de 10 dias a contar do recebimento a notificação, caso não concorde com a decisão da Comissão de Ética. Art. 25 - A notória intenção de prejudicar o jornalista, manifesta em caso de representação sem o necessário fundamento, será objeto de censura pública contra o seu autor. Art. 26 - O presente Código de Ética entrará em vigor após a homologação em Assembléia Geral de Jornalistas, especialmente convocada para este fim. 50 ANEXO III CÓDIGO DE ÉTICA DOS PROFISSIONAIS DA PROPAGANDA O código dos profissionais da propaganda e publicidade foi aprovado pelo I Congresso Brasileiro de Propaganda, apresentado pela Associações Brasileiras das Agências de Propaganda, realizado no Rio de Janeiro, em 1957. Compõem-se de parte normativa e de instruções, tendo sido tomado de aplicação obrigatória pelo artigo 17, da Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que regulamentou a profissão de publicitário e agenciador de propaganda. I. A propaganda é a técnica de criar opinião pública favorável a um determinado produto, serviço, instituição ou idéia, visando a orientar o comportamento humano das massas num determinado sentido. II. O profissional da propaganda, cônscio do poder que a aplicação de sua técnica lhe põe nas mãos, compromete-se a não utilizá-la senão em campanhas que visem ao maior consumo dos bons produtos, à maior utilização dos bons serviços, ao progresso das boas instituições e à difusão de idéias sadias. III. O profissional da propaganda, para atingir aqueles fins, jamais induzirá o povo ao erro; jamais lançará mão da inverdade; jamais disseminará a desonestidade e o vício. IV. No desempenho do seu mister, o profissional da propaganda agirá sempre com honestidade e devotamento com seus comitentes, de modo a bem servir a eles e à sociedade. V. Nas relações entre os seus colegas, o profissional da propaganda 51 pautará sua conduta pela estreita observância das definições, normas e recomendações relativas à ética da profissão, restringindo sua atividade profissional ao setor de sua escolha, assim elevando, pelo respeito mútuo, pela lealdade e pela nobreza da atitude, o nível da sua profissão no País. I – DEFINIÇÕES 1. São considerados profissionais da propaganda somente os componentes, empregados e colaboradores das entidades mencionadas nos Artigos 2, 3, 4, 5 e 6 destas definições e cuja função seja exercida no SETOR DE PROPAGANDA da entidade. 2. O anunciante, também chamado cliente, é a entidade, firma, sociedade ou indivíduo que utiliza a propaganda. 3. A Agência de Propaganda é a firma organizada para exercer as funções definidas pela ABAP. e que realiza a propaganda para o cliente e promove negócios para os veículos de propaganda, que a reconhecem como tal e a ela pagam comissão. 4. Veículos de propaganda são os jornais, revistas, estações de rádio, TV, exibidores de cartazes e outras entidades que recebem autorizações e divulgam a propaganda, aos preços fixados em suas tabelas. 5. Representantes de veículos são organizações especializadas, ou indivíduos que tratam dos seus representados, em geral sediados em outras praças, dos quais recebem remuneração, e para os quais também contratam propaganda. 6. Corretor é o indivíduo registrado no veículo, onde funciona como intermediário da publicidade remunerada, estando sujeito à disciplina e hierarquia do veículo. 52 7. Publicidade remunerada pode ser ou não ser propaganda. 8. Comissão é a retribuição, pelos veículos, do trabalho profissional, devida exclusivamente às agências e aos corretores de propaganda. A comissão se destina à manutenção das agências e dos corretores de propaganda e não poderá ser transferida aos anunciantes. II – NORMAS 9. Os veículos de propaganda reconhecem a necessidade de manter os corretores e as agências como fonte de negócios e progresso dos seus empreendimentos e, por isso, a eles reservam o pagamento da comissão com exclusão de quaisquer outros indivíduos ou entidades. 10. A tabela de preços é pública e igual para todos os compradores, dentro de iguais condições, incumbindo ao veículo observá-la e fazê-la observar por todos os seus agentes ou prepostos, cujo reconhecimento como tal poderá ser cancelado por infração deste dispositivo. 11. Aos veículos de propaganda fica naturalmente reservado o direito de dar ou não crédito à agência, não sendo lícito, porém, negar-lhe a comissão ou recusar-lhe a divulgação do anúncio quando pago à vista. Excetuem-se os casos em que a matéria não se enquadre dentro da ética ou quando a agência haja deixado de ser reconhecida pelo veículo, do que lhe deve ser dado aviso com 90 dias de antecedência. 12. A comissão percebida pelo corretor não é, necessariamente, a mesma concedida às agências que dão "delcredere" efetivo e fazem as cobranças das contas dos veículos aos anunciantes. 13. Todo trabalho profissional de propaganda faz jus à paga respectiva nas bases combinadas, na falta destas prevalecendo o preço comum para trabalhos similares. Em caso de dúvida poderá ser o preço avaliado por três profissionais indicados, a pedido, pelo presidente da ABP ou suas similares estaduais. É proscrita por desleal a prestação de serviços profissionais gratuitos ou por preços inferiores aos da concorrência, a qualquer título, 53 excetuados, naturalmente, os casos em que o beneficiário seja entidade incapaz de remunerá-los e cujos fins sejam de inegável proveito social coletivo. 14. Os veículos faturarão sempre em nome dos anunciantes, enviando as contas à agências por elas responsáveis, para cobrança. 15. Com o objetivo de incentivar a produção de idéias novas de que tanto necessita a propaganda, presume-se sempre que a idéia pertence à Empresa criadora e não pode ser explorada sem que esta dela se beneficie. 16. É imoral deturpar ou apresentar de maneira capciosa elementos de pesquisa ou estatísticas. Recomenda-se também que sempre que tais dados sejam utilizados como elemento fundamental de persuasão, mencione-se sua fonte de origem. 17. O plágio, ou a simples imitação de outra propaganda, é prática condenada e vedada ao profissional. 18. O profissional de propaganda deve conhecer a legislação relativa a seu campo de atividade, e como tal é responsável pelas infrações que, por negligência ou omissão intencional, levar o cliente a cometer, na execução do plano de propaganda que sugeriu e recomendou. 19. O profissional de propaganda respeita as campanhas de seus competidores, jamais procurando destruí-las por atos, ou impedindo a sua divulgação. Nos textos que usa, exalta as vantagens dos seus temas, sem que isso envolva críticas ou ataques diretos ao competidor. 20. A propaganda é sempre ostensiva. A mistificação e o engodo que, escondendo a propaganda, decepcionam e confundem o público, são expressamente repudiados pelos profissionais de propaganda. 21. A obrigação do veículo para com o anunciante limita-se exclusivamente à divulgação da matéria autorizada no espaço determinado de acordo com as especificações técnicas ou o uso do tempo contratado pelo anunciante, não devendo este, de forma alguma, pretender influir na opinião do veículo. As obrigações mútuas são de caráter estritamente comercial. 22. É taxativamente considerada imoral a alegação do volume de verbas de propaganda, a fim de obter mudança de atitudes dos veículos, influenciar decisões ou conseguir vantagens não obtidas por outrem, em igualdade de 54 condições. III – RECOMENDAÇÕES 23. O profissional de propaganda que trabalha para uma determinada entidade não deve emprestar sua colaboração a outra empresa que, por vezes, está competindo com aquela que lhe paga o salário e lhe enseja a oportunidade de progredir na profissão. 24. Todos os profissionais de propaganda se comprometem, nos limites de sua competência, a assegurar, por suas ações, por sua autoridade e influência, o cumprimento deste Código, devendo empenhar-se pela neutralização dos menos escrupulosos que comprometem a seriedade da profissão. 25. É imoral, por prejudicar o povo, qualquer fixação de verbas de propaganda imposta por convênios, entre anunciantes, indicada direta ou indiretamente pelos sindicatos, associações, cartéis ou pelos Governos federal, estaduais ou municipais. Outrossim, a firma, representante ou vendedor que receber verbas, percentagem ou bonificações para propaganda, não poderá, sem quebra de honestidade comercial, deixar de aplicá-las em propaganda, quer dando-lhes outro destino ou, simplesmente, as incorporando aos seus lucros. 26. É imoral a utilização de idéias, planos ou materiais de uma Agência de Propaganda por parte do cliente que porventura dela se desligar, quer tal utilização seja feita diretamente, quer por intermédio de terceiros, sem consentimento prévio da Agência criadora. 27. A utilização da propaganda deve ser incentivada, pois ideal seria que todas as idéias, todos os serviços e todos os produtos fossem simultaneamente apregoados em todos os pontos do País, na mais livre concorrência, para a mais livre escolha de todos os cidadãos. 28. Recomenda-se que as Associações de Propaganda em cada cidade do País tomem a iniciativa de instituir comissão local de Ética de Propaganda, a qual terá como orientadores de suas normas os princípios estabelecidos neste Código. 55 Apêndice A par dos códigos de ética, a legislação que dispõe sobre o exercício das profissões de Publicitário e Agenciador da Propaganda trata, igualmente, da ética profissional, que deve ser obedecida pelas agências de propaganda, veículos de divulgação e pelo publicitário. Assim é que o artigo 12, do Decreto nº 57.690, de 1º de fevereiro de 1966, sobre o regulamento para a execução da Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, estabelece regras de natureza ética a respeito do que não é permitido e do que constitui dever. Sob o título Da Ética Profissional, determina o decreto nº 57.690, de 01/02/66, art. 17: A Agência de Propaganda, o Veículo de Divulgação e o Publicitário em geral, sem prejuízo de outros deveres e proibições previstos neste Regulamento, ficam sujeitos, no que couber, aos seguintes preceitos, genericamente ditados pelo Código de Ética dos Profissionais da Propaganda a que se refere o Artigo 17, da Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965: I – não é permitido: a) publicar textos ou ilustrações que atentem contra a ordem pública, a moral e os bons costumes; b) divulgar informações confidenciais relativas a negócios ou planos de Clientes-Anunciantes; c) reproduzir temas publicitários, axiomas, marcas, músicas, ilustrações, enredos de rádio, televisão e cinema, salvo por consentimento prévio de seus proprietários ou autores; d) difamar concorrentes e depreciar seus méritos técnicos; e) atribuir defeitos ou falhas a mercadorias, produtos ou serviços concorrentes; 56 f) contratar propaganda em condições anti-econômicas ou que importem em concorrência desleal; g) utilizar pressão econômica, com o ânimo de influenciar os Veículos de Divulgação a alterarem tratamento, decisões e condições especiais para a propaganda; II – é dever: a) fazer divulgar somente acontecimentos verídicos e qualidades ou testemunhos comprovados; b) atestar, apenas, procedências exatas e anunciar ou fazer anunciar preços e condições de pagamento verdadeiros; c) elaborar a matéria de propaganda sem qualquer alteração, gráfica ou literária, dos pormenores do produto, serviço ou mercadorias; d) negar comissões ou quaisquer compensações a pessoas relacionadas, direta ou indiretamente, com o Cliente; e) comprovar as despesas efetuadas; g) envidar esforços para conseguir, em benefício do Cliente, as melhores condições de eficiência e economia para sua propaganda; h) representar, perante a autoridade competente, contra os atos infringentes das disposições deste Regulamento.