METODOLOGIA PARA A SELEÇÃO DE ARRANJOS SUBMARINOS BASEADA NA EFICIÊNCIA OPERACIONAL Edson Luiz Labanca TESE SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA OCEÂNICA. Aprovada por: __________________________________________________ Prof. Murilo Augusto Vaz, Ph, D. __________________________________________________ Prof. Paulo Fernando Ferreira Frutuoso e Melo, D. Sc. __________________________________________________ Prof. Segen Farid Estefen, Ph. D. __________________________________________________ Dr. Jacques Braile Saliés, Ph. D. RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL ABRIL DE 2005 LABANCA, EDSON LUIZ Metodologia para Seleção de Arranjos Submarinos Baseada na Eficiência Operacional [Rio de Janeiro] 2005 XIII, 92 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJ, MSc., Engenharia Oceânica, 2005) Tese - Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE 1. Eficiência Operacional 2. Arranjo submarino / subsea layout 3. Flexibilidade Operacional I. COPPE/URFJ II. Título (série) ii A minha família, em especial a minha esposa e filhas, pela compreensão dos momentos que os privei da minha companhia em prol da exeqüibilidade deste trabalho. iii AGRADECIMENTOS Registro o meu agradecimento a todos que contribuíram, de forma direta ou indireta, para a minha formação profissional, em especial: A Petrobras que valoriza e incentiva o contínuo desenvolvimento profissional e humano dos seus empregados. Aos professores da COPPE, doutores Murilo Augusto Vaz e Segen Farid Estefen incentivadores do curso de mestrado em engenharia submarina. Aos colegas da Petrobras pelo apoio e incentivo recebido, em especial aos doutores Iberê Nascentes Alves e Jacques Braile Saliés, que no exercício das gerências do ST/EE e da ABL/IPE da unidade de negócio da E&P baseada no Rio, autorizaram a minha liberação para dedicação a este trabalho. Aos professores e colegas da turma de mestrado em engenharia submarina pela troca de experiência, amizade e relacionamento humano. iv Resumo da Tese apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.). METODOLOGIA PARA A SELEÇÃO DE ARRANJOS SUBMARINOS BASEADA NA EFICIÊNCIA OPERACIONAL Edson Luiz Labanca Abril/2005 Orientadores: Murilo Augusto Vaz Paulo Fernando Ferreira Frutuoso e Melo Esta tese propõe critérios para a elaboração e avaliação de arranjos submarinos, visando à exploração de campos para a produção de petróleo no mar. São apresentados diferentes tipos de arranjos e equipamentos para a explotação de campos offshore de petróleo de forma eficaz e segura. É proposta uma metodologia que compare a eficiência operacional dos diferentes tipos de arranjos para permitir a otimização dos projetos submarinos e de superfície, sem penalizar a disponibilidade dos sistemas de produção. São usadas técnicas da engenharia de confiabilidade de forma a definir índices de performance dos arranjos para utilização quando da elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica para a implantação do projeto. Um caso real é analisado para validar a metodologia e as conclusões e recomendações para os estudos de futuros desenvolvimentos estão apresentadas ao final da tese. v Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.) METHODOLOGY TO SELECT SUBSEA LAYOUT BASED ON OPERATIONAL EFFICIENCY Edson Luiz Labanca April/2005 Advisors: Murilo Augusto Vaz Paulo Fernando Ferreira Frutuoso e Melo Department: Ocean Engineering This work presents criteria to design and evaluate subsea layout to be used during development of production fields in the oil and gas industry offshore. Different types of subsea layout and the main equipment being used all over the world and their function for the offshore petroleum exploitation are presented. The main objective of this work is to present a methodology capable of comparing operational efficiency of different types of sub sea layout to allow the selection based on operational availability. Reliability Engineering techniques are used to estimate the performance of each arrangement. The resulting values are used in the economical evaluation, allowing the selection of the most adequate alternative. To confirm the gain of the methodology two years operation of a real project was analyzed. The conclusion obtained with this work and the recommendations for future studies are also presented. vi ÍNDICE 1 - INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 1 1.1 - Motivação................................................................................................................... 1 1.2– Organização da tese................................................................................................... 2 1.3 – Fases para a implantação de um projeto................................................................ 3 2 - HISTÓRICO DA EXPLORAÇÃO OFFSHORE NO MUNDO ...................................... 5 2.1 – Início da exploração offshore................................................................................... 5 2-2 – Fases do desenvolvimento de um novo campo....................................................... 5 2.3 – Golfo do México ........................................................................................................ 6 2.4 – Mar do Norte............................................................................................................. 7 2.5 – Bacia de Campos....................................................................................................... 7 3 – SISTEMAS SUBMARINOS DE PRODUÇÃO .............................................................. 9 3.1 – Filosofia adotada nos projetos ............................................................................... 10 3.2 – Principais flexibilidades operacionais de um arranjo submarino...................... 11 3.3 – Principais componentes, equipamentos e subsistemas integrantes do sistema submarino................................................................................................................ 11 3.3.1 – Duto rígido ...................................................................................................... 11 3.3.2 – Duto flexível .................................................................................................... 12 3.3.3 - Umbilical .......................................................................................................... 14 3.3.4 - PLET – Pipe Line End Termination............................................................... 16 3.3.5 – PLEM – Pipe Line End Manifold .............................................................. 18 3.3.6 – Manifold submarino de produção ................................................................. 18 3.3.6.1 - Tipos de manifolds submarinos de produção ............................................. 19 3.3.7 – Sistema de controle......................................................................................... 20 3.3.8 – Sistema de Conexão Vertical ......................................................................... 21 3.4 – Principais arranjos submarinos ............................................................................ 22 3.5 – Características de um arranjo submarino ........................................................... 23 3.6 - Fatores que influenciam a disponibilidade operacional de um arranjo submarino................................................................................................................ 23 3.7 – Escolha de um sistema submarino ........................................................................ 23 3.8 – Premissas para elaboração dos arranjos adotadas no presente estudo............. 24 3.8.1 – Condição de contorno..................................................................................... 24 3.8.2 – Componentes passivos e ativos ...................................................................... 24 3.8.3 – Facilidades para prevenir e dissociar hidratos ............................................ 26 3.8.3.1 - Hidrato........................................................................................................ 26 3.8.3.2 - Maneiras de inibir....................................................................................... 26 3.8.3.3 – Maneiras de evitar ..................................................................................... 27 vii 3.8.3.4 - Maneiras para dissociar.............................................................................. 27 3.8.3.5 – Dissociação do plug de hidrato aplicando calor ........................................ 28 3.8.4 - Facilidades para prevenir e remover parafina............................................. 28 3.8.4.1 –Parafina....................................................................................................... 28 3.8.4.2 - Maneiras de inibir....................................................................................... 29 3.8.4.3 – Maneiras de remover ................................................................................. 29 3.9 – Principais modos de falhas de um arranjo submarino ....................................... 30 3.9.1 – Falhas e modos de falha ................................................................................. 30 3.9.2 – Flexibilidade e redundância........................................................................... 31 3.9.3 – Principais modos de falhas operacionais ...................................................... 32 3.9.3.1 – Bloqueio parcial ou total do duto de produção entre ANM e coletor (manifold), incluindo header de produção do coletor. ............................................. 32 3.9.3.2 – Bloqueio parcial ou total dos dutos anular entre ANM e coletor (manifold), incluindo o header de gas lift. .................................................................................. 32 3.9.3.3 – Bloqueio parcial ou total dos módulos de produção ................................. 33 3 .9.3.4 - Bloqueio parcial ou total dos dutos de importação entre o manifold e a UEP........................................................................................................................... 33 3 .9.3.5 - Bloqueio parcial ou total dos dutos de gas lift entre a UEP e o coletor .... 34 4 - CONCEITOS BÁSICOS DA ENGENHARIA DA CONFIABILIDADE E PROGRAMA PARA ANÁLISE DO ESCOAMENTO....................................................... 35 4.1 – Técnicas de análise de sistemas ............................................................................. 36 4.1.1 – Análise de modos e efeitos de falhas (FMECA) ........................................... 36 4.1.2 - Estimativa dos tempos médios para restabelecer o fluxo ............................ 38 4.1.3 - Árvores de falhas............................................................................................. 39 4.1.4 – Disponibilidade ............................................................................................... 44 4.1.5 – O simulador de escoamento multifásico transiente OLGA ........................ 44 5 – METODOLOGIA PARA AVALIAR ARRANJOS SUBMARINOS ........................... 46 5.1 – Definição da estratégia de exploração do campo................................................. 46 5.2 – Escopo, fronteiras, hipótese e condição de contorno do estudo ......................... 46 5.3 – Descritivo dos sistemas........................................................................................... 46 5.4 – Análise de modos e efeitos das falhas.................................................................... 47 5.5 – Determinação da freqüência e dos tempos médios das intervenções para restabelecer as variáveis de processo antes da ocorrência das falhas operacionais............................................................................................................. 47 5.6 – Identificação da necessidade de redundâncias..................................................... 48 5.7 – Análise de sensibilidade ......................................................................................... 48 6 – ANÁLISE DE TRÊS OPÇÕES DE ARRANJOS SUBMARINOS PARA APLICAÇÃO EM UM CAMPO DE GÁS .......................................................................... 49 viii 6.1 – Descrição do campo ................................................................................................ 49 6.1.1 – Definição da estratégia de exploração do campo......................................... 49 6.2 – Escopo, fronteiras, hipóteses e condições de contorno do estudo....................... 49 6.3 – Descritivo dos sistemas........................................................................................... 50 6.4 – Modos e efeitos das falhas ...................................................................................... 51 6.5 – Determinação dos tempos médios para restabelecer o fluxo após as falhas operacionais e da freqüência de falhas ................................................................. 60 6.5.1 – Tempos médios para restabelecer o fluxo .................................................... 60 6.5.1.1 - Modos de falhas comuns a todos os arranjos: ............................................ 60 6.5.1.2 - Modos de falhas específicos do arranjo apêndice A: ................................. 61 6.5.1.3 - Modos de falhas específicos dos arranjos do apêndices B:........................ 62 6.5.1.4 - Modos de falhas específicos dos arranjos apêndices C:............................. 63 6.5.2 - Freqüência de intervenções dos arranjos durante a vida útil ..................... 64 6.5.3 – Interpretação da tabela 6.10 .......................................................................... 64 6.6 – Conclusões da análise comparativa ...................................................................... 66 7 – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ...................................................................... 67 7.1 - Conclusões................................................................................................................ 67 7.2 – Recomendações ....................................................................................................... 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 69 APÊNDICE A ...................................................................................................................... 70 APÊNDICE B....................................................................................................................... 71 APÊNDICE C....................................................................................................................... 72 APÊNDICE D ...................................................................................................................... 73 APÊNDICE E ....................................................................................................................... 79 APÊNDICE F ....................................................................................................................... 86 ix GLOSSÁRIO UEP (Unidade Estacionária de Produção) – Unidade responsável pelo recebimento do fluido produzido, tratamento e exportação até o meio responsável pelo transporte do fluido. Sistema – É uma entidade determinística composta de uma coleção de elementos (componentes e equipamentos) discretos que interagem ou que estão interconectados, visando desempenhar uma ou mais funções. MCV (Módulo de Conexão Vertical) – Viabiliza a conexão do duto ao equipamento. HUB – Espera residente na estrutura do equipamento para permitir a conexão dos dutos e módulos recuperáveis. Instalação – Processo de lançamento e posicionamento do equipamento na coordenada definida pelo arranjo submarino. Interligação – Processo de conexão dos dutos aos equipamentos. Assinatura – Registro das variáveis envolvidas quando do acionamento de determinado componente durante a pré – operação. Componente passivo – Componentes que trabalham de forma estática sem partes móveis ou peças que sofram desgaste. Componente ativo – Componentes que desempenham função dinâmica no sistema, sujeitos a desgastes que precisam sofrer manutenção durante a vida útil. ANM (Árvore de Natal Molhada) – Equipamento colocado na cabeça do poço que possui as barreiras de segurança para o reservatório. Bundle – Conjunto de dutos e umbilical que interliga a ANM ao manifold ou UEP para viabilizar o escoamento do fluido do reservatório. Falha – É o término da habilidade de um sistema ou componente em realizar uma missão; x Modo de falha – É o efeito através do qual a falha é observada. Disponibilidade – Tempo em que o sistema ou equipamento permanece, durante a vida útil, operando atendendo às premissas de projeto. Sistema de coleta – Caracteriza-se pelos dutos e equipamentos que fazem parte do arranjo submarino instalados entre a ANM e a UEP. Sistema de exportação – Dutos e equipamentos que fazem parte do arranjo submarino que partem da UEP até o meio responsável pelo escoamento do fluido. Condicionamento – Antes da instalação do equipamento é definido a condição de hibernação, que compreende o período após o lançamento até o início da interligação dos dutos. Inibidores termodinâmicos – São substâncias solúveis em água, que quando adicionadas a ela, podem alterar as condições termodinâmicas de formação de hidratos, eliminando o risco de sua formação nas faixas de pressão e temperatura usadas nas operações. Inibidores cinéticos – São substâncias que adicionadas à fase aquosa promovem um retardamento da taxa de formação de hidratos sem promover, no entanto um deslocamento das pressões e temperaturas de equilíbrio, no sentido em que requerem muito menos volume de injeção. PIG – Meio mecânico amplamente usado para o controle do acúmulo de parafina, remoção de fluidos e inspeção interna dos dutos. Fisicamente é um pistão que de acordo com a aplicação varia de forma e dureza. Manutenibilidade – Habilidade de partir rapidamente após a falha. MTTR (Mean Time To Repair) – Tempo médio gasto para reparar determinado componente, equipamento ou sistema. xi SCM (Subsea Control Module) – Módulo de controle recuperável responsável pelas funções hidráulicas para acionamento das válvulas e pela aquisição de dados do sistema submarino. Controle hidráulico direto – O acionamento hidráulico das válvulas submarinas é feito a partir da plataforma, necessitando de uma mangueira para cada função a ser acionada. Choke – Restritor de fluxo utilizado para controlar as vazões dos fluidos durante o escoamento. Poços surgentes – Poços que escoam utilizando a própria energia do reservatório. Gas lift – Forma de elevação artificial utilizada para escoar o fluido dos poços não surgentes. LDA (Lâmina D’ Água) – Profundidade em que o componente se encontra no mar, tomando como referência a linha d’ água. MEG – Mono Etileno Glicol. Header de produção – Tubulação principal do manifold para onde o fluxo de fluido dos poços é direcionado. A partir do coletor os poços compartilham o mesmo duto até a UEP. HPU (Hydraulic Power Unit) – Instalada na UEP tem a função de suprir a potência hidráulica para o sistema submarino. Satélite – Poço submarino que possui um bundle individual para o escoamento, gas lift e controle. ROV (Remote Operated Vehicle) – Veículo submarino operado por controle remoto para executar as terefas submarinas em substituição ao mergulhador. SDV (ShutDown Valve) – válvula de bloqueio que tem a função de proteger os equipamentos à jusante do ponto onde está instalada. xii Jumper – Trecho de tubulação utilizado para conectar dois dutos ou um duto a um equipamento. hydraulic couplings – Conectores hidráulicos para o sistema de controle hidráulico. TIAC (Temperatura Inicial de Aparecimento de Cristais) – Temperatura limite abaixo da qual os cristais de parafina começam a se formar. xiii 1 - INTRODUÇÃO 1.1 - Motivação O desenvolvimento de um novo campo de petróleo é um trabalho complexo que requer muita dedicação e envolvimento profissional especializado de várias áreas, pois várias são as possibilidades de exploração do campo que resultam em diferentes investimentos e retornos financeiros para seus acionistas. Neste negócio os investimentos são da ordem de milhões de dólares e a melhor opção para o desenvolvimento do campo não está apenas voltada para a melhor alternativa técnica e sim para a curva de produção que representar melhor retorno financeiro durante a vida útil do campo, sempre respeitando as boas técnicas de engenharia e a segurança das pessoas e do meio ambiente. É neste cenário que um exaustivo trabalho é realizado para esgotar as opções de escoamento do campo. Para vencer os desafios e a necessidade de produção em campos cada vez mais profundos, cabe ao corpo técnico o desenvolvimento contínuo de novas tecnologias para viabilizar e garantir a continuidade operacional durante a vida útil. Pode-se concluir que a indústria do petróleo, principalmente no segmento upstream voltada para os campos offshore, representa uma atividade em que as decisões são de risco e resultam em grandes lucros ou prejuízos para os acionistas. O desafio é poder escolher entre vários projetos subjetivos, qual deles irá apresentar melhor retorno financeiro e isto só será possível calculando, sempre através de estimativas, a disponibilidade de cada projeto, levando em consideração as flexibilidades operacionais, a arquitetura do sistema e a política de manutenção, para evitar acidentes que acarretarão lucros cessantes, prováveis multas, passivos ambientais e custos operacionais provocados pelas intervenções. 1 1.2– Organização da tese Nos trabalhos realizados para definir a concepção de arranjo submarino mais adequada para um determinado campo, é usual considerar o investimento (custos de aquisição dos componentes/equipamentos e instalação) e os custos operacionais. Com base na experiência dos profissionais que atuam na área e aplicando técnicas da engenharia da confiabilidade, se define a filosofia de projeto, as facilidades para garantir a manutenibilidade, visando a disponibilidade do sistema durante a vida útil do campo. Este trabalho irá levantar as necessidades para atingir estes desafios, desenvolvendo uma metodologia para definir as flexibilidades operacionais mínimas para cada desenvolvimento. A metodologia aplicada nesta tese utilizará técnicas de engenharia da confiabilidade para analisar as flexibilidades do arranjo submarino que garantam a disponibilidade do sistema durante a ocorrência de problemas operacionais inerentes às falhas dos equipamentos. O capítulo 2 apresentará um breve histórico da exploração offshore no mundo. O capítulo 3 apresenta o sistema submarino e seus principais sistemas. Os conceitos básicos da engenharia da confiabilidade e do programa de escoamento multifásico aplicados aos sistemas submarinos serão abordados no capítulo 4. A metodologia para estimar os tempos de parada dos sistemas submarinos decorrentes das paradas de produção para restabelecer as condições operacionais do escoamento do fluido será apresentada no capítulo 5. De forma a ilustrar a aplicação da técnica, no capítulo 6 é executada uma análise com a utilização da metodologia proposta. O capítulo 7 apresenta as conclusões e recomendações deste trabalho. Os apêndices A,B e C apresentam os arranjos avaliados. Para validar este estudo, os apêndices D e E apresentam o levantamento dos problemas ocorridos nos dois primeiros anos de operação de um sistema submarino instalado na Bacia de Campos e a análise dos mesmos. O apêndice F apresenta, em gráficos, os dados de saída usados no presente estudo. 2 1.3 – Fases para a implantação de um projeto Após a declaração de comercialidade do campo e a aprovação do plano de desenvolvimento iniciam-se os estudos de viabilidade técnica e econômica (EVTE). Durante o EVTE, um grupo multidisciplinar levanta e estuda todas as combinações de soluções técnicas visualizadas e, para cada uma, é definida a curva de produção que servirá de insumo à análise econômica. O produto final é a consolidação da opção que obtiver melhor retorno financeiro para o desenvolvimento do campo. Este trabalho é elaborado em fases distintas que ocorrem numa ordem hierárquica e têm como pré-requisito a aprovação da fase anterior. A seguir, serão apresentadas as principais fases: - Projeto Conceitual – é a fase em que são estudadas as composições de ordem técnica e as estratégias para a elaboração dos projetos. Todas são orçadas e no final dos trabalhos a melhor opção é selecionada para detalhamento da fase seguinte; - Projeto Básico – representa o detalhamento da opção selecionada no projeto conceitual. Nesta fase são estudadas e confirmadas as viabilidades técnicas, elaboradas todas as especificações técnicas e a estratégia de ida ao mercado. O produto final é a consolidação da documentação para permitir a contratação do projeto. A implantação do projeto inicia-se pelas licitações e pareceres técnicos que selecionam as empresas que serão responsáveis pelo fornecimento dos equipamentos e serviços. Na seqüência, ocorrem as fases apresentadas abaixo: - Execução – é a fase que detalha o projeto básico, incorporando as estratégias de instalação, qualificação e compra dos componentes, fabricação, montagem, teste de integração, e condicionamento; - Instalação – requer muito planejamento e uma grande logística para suportar as operações de campo. Em função do alto custo dos recursos envolvidos, uma pequena falha de planejamento pode representar grande prejuízo financeiro; - Teste funcional – após a instalação, é verificada a funcionalidade do equipamento para possibilitar possíveis reparos provocados pelos esforços 3 durante a instalação. Caso necessário, serão realizadas intervenções para a correção das falhas, garantindo a disponibilidade do equipamento quando do comissionamento; - Interligação – após a instalação e teste funcional, atendendo ao cronograma de implantação do projeto, é iniciada a interligação dos dutos aos equipamentos; - Comissionamento – instalados os sistemas, inicia-se a limpeza e os preparativos para garantir a segurança operacional quando do início da operação; - Pré – operação – verifica a performance operacional dos equipamentos/componentes e registra a assinatura dos principais componentes para servir de parâmetro quando da verificação do desempenho operacional durante a vida útil; - Operação assistida – acompanhamento do início de operação pelo grupo de projeto para esclarecimento e complemento, in loco, do treinamento para os operadores; - Operação – a confiabilidade dos componentes garante a disponibilidade dos sistemas que, aliada à correta operação dentro das premissas de projeto, devem manter o potencial de produção do campo, atendendo à curva de produção estimada para o projeto. 4 2 - HISTÓRICO DA EXPLORAÇÃO OFFSHORE NO MUNDO 2.1 – Início da exploração offshore A atividade offshore, desde os primórdios até a presente data, tem sido marcada pelo constante desenvolvimento de novas tecnologias a partir de experimentos, adaptação de conceitos usados em outras indústrias e principalmente criando novos conceitos para vencer os desafios de uma indústria que exige criatividade para transpor as barreiras impostas pela adversidade do meio em que se desenvolve. Entender os desafios e os riscos envolvidos na indústria offshore necessita de um breve histórico de como esta indústria surgiu e se desenvolveu nos últimos 55 anos, no mundo, e especialmente no Brasil, a partir do final da década de 70. 2-2 – Fases do desenvolvimento de um novo campo As fases envolvidas para a procura de um novo campo, o seu desenvolvimento e o transporte do hidrocarboneto até o ponto de refino são conhecidos como atividades de upstream. O termo offshore na indústria de óleo e gás refere-se às atividades de upstream realizadas em mar aberto. Nos primórdios da exploração offshore, a perfuração em lagos e perto da costa, com acesso por terra a partir de piers, também era chamada offshore. As principais atividades upstream são: - Realização de levantamento sísmico da área - permite aos geólogos interpretar o subsolo marinho aumentando o índice de acerto do local para a perfuração do poço exploratório visando à descoberta de um novo campo; - Exploração – engloba a perfuração e completação dos poços, desde o poço exploratório, que quando confirmado a presença de hidrocarboneto, encadeia a perfuração dos poços de desenvolvimento para análise geológica e delimitação do seu contorno físico, permitindo a definição do número de poços para a otimização da explotação; - Produção – inicia-se com os estudos para o dimensionamento do sistema de coleta e exportação que define os diâmetros dos dutos e as condições do escoamento para a otimização do fluxo de hidrocarboneto do sistema de 5 produção. A definição do arranjo submarino e dos equipamentos que melhor atendem às necessidades do escoamento, a escolha da unidade de produção com a respectiva planta para tratamento do hidrocarboneto e o sistema de transferência, definem as flexibilidades que permitirão a operação durante a vida útil do campo; - Transporte – estudos para a definição e implantação do projeto de escoamento do hidrocarboneto tratado até o ponto de refino; - Desmobilização – Forma de abandono seguro dos equipamentos e dutos para evitar danos ao meio ambiente. 2.3 – Golfo do México Os primeiros passos da exploração offshore foram dados no final do século XIX em Santa Bárbara, Califórnia, quando foi iniciada a perfuração de poços em águas rasas com acesso pela praia, via pier. O primórdio da tecnologia offshore foi desenvolvido usando piers para suportar decks de madeira, sendo os condutores trazidos até a superfície da água para permitir o uso da tecnologia de perfuração já desenvolvida para a exploração em terra. A primeira descoberta em área afastada da costa, perfurando a partir de uma jaqueta, ocorreu em outubro de 1947, quando a empresa Kerr-McGee encontrou óleo no bloco 32, na costa do estado de Louisiana, hoje conhecido como Golfo do México. A partir desta descoberta, houve um aumento das atividades de perfuração no Golfo do México, período que durou até 1959, quando a concorrência com o óleo do Oriente Médio, aliada à política do governo americano, que incentivava a importação para reduzir a demanda das reservas americanas, praticamente paralisou a atividade de perfuração. Na década de 60, a redução das importações e a política conservadora do governo americano resultaram em preços estáveis e relativamente altos que fizeram com que o foco no Golfo do México mudasse da exploração para a produção dos campos já descobertos. A demanda pelo óleo estimulou inovações tecnológicas que reduziram os custos e aumentaram o lucro. A década foi caracterizada pelo boom das instalações de produção e da infraestrutura requerida para esta atividade. 6 2.4 – Mar do Norte Em 1965, a operadora British Petroleum encontrou gás no lado Inglês no Mar do Norte e em 1969 a empresa Phillips descobriu o primeiro campo de óleo no lado norueguês. O início das atividades dependeu fortemente da experiência americana, grande quantidade de equipamentos usados no Golfo do México, especialmente sondas, foram transportadas para o Mar do Norte. Apesar das condições ambientais adversas no golfo do México, os equipamentos não apresentaram a performance esperada quando sujeitos às condições ambientais do Mar do Norte. Para superar as deficiências foram realizadas inovações e os equipamentos trazidos tiveram que ser adaptados para as novas condições ambientais. Os primeiros anos foram de extrema importância para desenvolvimento de novas tecnologias entre as quais se destacam os sistemas submarinos. Em 1972, árvores de natal submarinas, preparadas para serem colocadas no fundo do mar a partir de adaptações de árvores usadas em terra, foram testadas no Golfo do México. No verão de 1972, foi instalada pela Shell, numa profundidade de 115 metros, a primeira cápsula atmosférica produzida pela Lockheed Petroleum. No lugar dos mergulhadores, esta tecnologia permitia a intervenção humana, em ambiente atmosférico, para manutenção e outros serviços na árvore sem a retirada do poço. Em paralelo, sistemas utilizando equipamentos modularizados, adaptados às condições submarinas, foram desenvolvidos e a partir de então, surgiu a tecnologia submarina que até os dias atuais continua a desenvolver novas tecnologias para atender aos desafios de produzir campos em águas cada vez mais profundas [1]. 2.5 – Bacia de Campos No Brasil, a Petrobras deteve o monopólio da exploração e produção dos campos de petróleo por vários anos, resultando numa atuação diferenciada das outras operadoras. O monopólio e a distância dos centros de serviço e logística que detinham o conhecimento técnico, levaram a Petrobras a atuar de forma integrada e auto-suficiente em suas operações. A estratégia adotada para atingir estes objetivos foi contratar pessoas e companhias com reconhecida competência para a rápida capacitação do corpo técnico e absorção do knowhow em curto espaço de tempo. 7 Com a missão dada de tornar o Brasil auto-suficiente no abastecimento de petróleo e seus derivados e com o relativo sucesso alcançado na exploração em terra, a Petrobras se voltou para a exploração offshore. Apesar da primeira instalação ter ocorrido no campo de Guaricema em 1967, numa LDA de 30 metros, o marco da exploração offshore em águas profundas, para a época, ocorreu quando da descoberta do campo de Garoupa em 1974, numa profundidade de 115 metros. A partir de então várias descobertas ocorreram em profundidades cada vez maiores [2]. A necessidade de antecipar a produção do campo de Garoupa e a falta de desenvolvimento da tecnologia para uso de equipamentos adaptados ao meio ambiente fez a Petrobras recorrer à Lockheed Petroleum Services, que forneceu o sistema antecipado atmosférico de Garoupa. O arranjo submarino era composto por 9 poços interligados a um coletor (manifold) que levava o óleo até um navio de processo. Depois de tratado, o óleo era enviado para um petroleiro, figura 2.1. FPSO Manifold Torre de Processo Navio de carregamento Torre de Carregamento Poço Figura 2.1 –Primeiro Sistema Submarino instalado pela Petrobras em LDA de 115 metros na Bacia de Campos (campo de Garoupa), composto de: nove poços conectados a um coletor (Manifold), torre de processo para envio do óleo coletado ao FPSO e torre de carregamento para o posterior transporte. A instalação ocorreu em 1979 e operou com sucesso até a sua desativação em 1984, quando da instalação da plataforma fixa de Garoupa. Em paralelo, foi iniciada a produção do 8 campo de Enchova em LDA de 100 metros utilizando ANM Molhada. Apesar desta tecnologia estar pouco desenvolvida, a Petrobras escolheu utilizá-la para o desenvolvimento dos novos campos, em função da Lockheed possuir o monopólio do sino de intervenção que era indispensável para o acesso dos técnicos às cápsulas, para realizar a manutenção dos equipamentos. Com a experiência adquirida no desenvolvimento dos campos de Enchova e Garoupa, a Petrobras inovou criando os sistemas antecipados de produção para uso em profundidades de até 300 metros, que possibilita o uso de mergulho saturado. O sistema consistia da adaptação de uma plataforma de perfuração para receber uma planta de processo que tratava o óleo de vários poços satélites interligados à mesma. Com a nova filosofia, um campo que utilizando o conceito tradicional de jaqueta fixa para a perfuração e posterior colocação da planta de processo demorava no mínimo cinco anos para entrar em operação, passou a produzir em seis meses, levando a Petrobras a um aumento da produção em curto espaço de tempo. Este novo conceito, adotado a partir dos anos 80, demandou o desenvolvimento de novas tecnologias, entre as quais se destacam: a adaptação dos componentes ao meio ambiente; o desenvolvimento do fluido hidráulico base água para uso no sistema de controle; o sistema de controle hidráulico direto; e a utilização dos manifolds, para permitir a chegada de um menor número de risers à plataforma. Em 1987 a Petrobras descobriu o campo de Albacora em LDA de 600 metros. Sem as possibilidades do uso de mergulho saturado e utilização de cabos guia, partiu-se para o desenvolvimento de novas tecnologias que permitissem as instalações e as intervenções com utilização de veículos remotos (ROV), operados a partir da superfície, entre os quais se destacam: o sistema de conexão vertical remota; o sistema de controle multiplexado; e o sistema de posicionamento. O resultado foi a instalação, num período de 10 anos, de 15 manifolds de grande porte para uso em profundidades de até 2000 metros e a quebra de recordes de sistemas de produção instalados em grandes profundidades. 3 – SISTEMAS SUBMARINOS DE PRODUÇÃO É o meio que viabiliza o escoamento do fluido produzido até a unidade estacionária de produção, figura 3.1. Em função do meio ambiente em que está instalado e das pressões, 9 temperaturas e propriedades do fluido produzido, necessita de materiais nobres, de alto custo, o que resulta em uma parcela significativa do investimento para a implantação de um campo. A otimização do arranjo e a garantia da disponibilidade para escoar o fluido durante a vida útil são fatores decisivos para garantir o sucesso do retorno financeiro esperado. Figura 3.1 – Esquemático de um Arranjo Submarino com 2 Manifolds, um PLEM e 10 poços 3.1 – Filosofia adotada nos projetos A filosofia adotada nos projetos é determinada pela política, logística, legislação vigente, e know-how adquirido pelas operadoras ao longo do tempo. São exemplos: o uso em larga escala de dutos flexíveis nos sistemas submarinos instalados na Bacia de Campos, enquanto no Golfo do México e no Mar do Norte tradicionalmente se usa o duto rígido; a utilização de sistema de controle e chokes instalados nas ANMs, que é adotado nos projetos no Mar do Norte, enquanto na Bacia de Campos se optou por ANMs padronizadas com todas as flexibilidades instaladas no manifold. Como cada operadora atua de forma diferenciada, o presente estudo independe da filosofia a ser adotada para os projetos. 10 3.2 – Principais flexibilidades operacionais de um arranjo submarino O arranjo submarino tem a função de garantir a segurança operacional e do meio ambiente em que se encontra e disponibilizar as condições operacionais definidas pelo estudo de escoamento, entre as quais se destacam: - Vazões definidas no EVTE; - Pressão e temperatura do fluido durante o escoamento; - Continuidade operacional; - Limpeza dos dutos no início e durante a vida útil do campo; - Conexão ou retirada do poço, sem a descontinuidade operacional dos demais poços; - Disponibilização dos meios de elevação artificial previstos pelo estudo de escoamento; - Injeção de produtos químicos; - Aquisições de dados definidas pelo reservatório e escoamento; - Dupla barreira de proteção nas interfaces com o meio ambiente; - Desmobilização quando da desativação do campo. 3.3 – Principais componentes, equipamentos e subsistemas integrantes do sistema submarino O sistema submarino é composto por componentes, equipamentos e sub-sistemas de alta confiabilidade para garantir a sua disponibilidade e segurança operacional durante a vida útil. Todos são rigorosamente testados, seguindo as normas vigentes, que os coloca em condições extremas de uso e ciclagem. Após a aprovação de todas estas fases, o projeto é considerado qualificado e liberado para uso [3]. A seguir, serão apresentados os principais componentes, equipamentos e sub-sistemas que farão parte do presente estudo. 3.3.1 – Duto rígido É o principal meio de escoamento do fluido produzido, figura 3.2, e pode ser usado no trecho estático (flowline) e dinâmico (riser), ocasião em que permanece conectado à plataforma, ficando sujeito a carregamentos durante a vida útil. Influi diretamente na 11 performance do escoamento, necessitando muitas vezes de isolamento térmico para atender às variáveis do processo. A integridade do duto é garantida através de um plano que contempla a análise periódica do fluido escoado e dos resíduos coletados pela passagem de PIG de limpeza e pela passagem de PIG instrumentado para a detecção de possíveis pits de corrosão. A inspeção externa é realizada principalmente para: verificação da integridade externa do duto; detecção dos vãos livres provocados pela movimentação do solo; e a medição do potencial dos anodos do sistema de proteção catódica. Figura 3.2 – Duto Rígido 3.3.2 – Duto flexível Entende-se por Duto Flexível um conjunto de equipamentos específicos e largamente utilizados na produção offshore. Cada equipamento desse conjunto é conhecido por Tramo Flexível ou simplesmente Tubo Flexível. Compartilha com o duto rígido a responsabilidade de escoar o fluido produzido. A estrutura é projetada para suportar a pressão externa e interna do processo, além de todos os carregamentos das fases de fabricação, transporte, instalação e operação. Uma estrutura típica de tubo flexível é composta por camadas, cada uma dotada de uma ou mais funções principais, conforme apresentado na figura 3.3. Do interior para o exterior tem-se: 12 1. Carcaça Metálica – Perfis metálicos, intertravados entre si e dispostos de forma helicoidal em passo reduzido, que tem a função de prover resistência ao colapso hidrostático; 2. Camada de Pressão Interna – Camada polimérica extrudada a quente que tem a função de prover a estanqueidade interna; 3. Armadura de Pressão – Perfis metálicos em forma de Z, C ou T, intertravados entre si e dispostos de forma helicoidal em passo reduzido, que tem a função de suportar a camada de pressão interna e prover resistência mecânica na direção radial; 4. Camada Intermediária Anti-atrito – Camada polimérica extrudada a quente que tem a função de reduzir o atrito e a abrasão entre perfis metálicos, podendo ser usada entre as armaduras de tração interna e externa e entre as armaduras de pressão e de tração interna; 5. Armaduras Interna e Externa de Tração – Perfis metálicos (redondos ou chatos), dispostos de forma helicoidal em passo longo. As armaduras são aplicadas aos pares (normalmente um par), em sentidos inversos (+/-), de modo a prover balanceamento ao tubo sob carga (pequenas rotações após tração ou pressão interna) que tem a função de prover resistência mecânica na direção axial; 6. Capa Externa – Camada Polimérica Extrudada a quente que tem a função de prover proteção mecânica e contra a corrosão das armaduras de tração. 13 1 – Carcaça Metálica 2 – Camada de Pressão Interna 3 – Armadura de Pressão 4 – Camada Intermediária anti-atrito 5 – Armaduras Interna e externa de tração 6 – Capa Externa Figura 3.3 – Duto Flexível, constituído de múltiplas camadas, metálicas e poliméricas, que são aplicadas, de modo independente, a partir de uma camada núcleo. 3.3.3 - Umbilical É fundamental para o controle dos poços submarinos, sendo o meio de transporte da potência hidráulica para acionamento das válvulas na ANM, da potência elétrica para a aquisição de dados e dos produtos químicos para a otimização do escoamento, figura 3.4. O projeto do umbilical tem uma configuração para cada aplicação, sendo comum o uso dos seguintes materiais: 1. Mangueiras - A potência hidráulica é transportada da UEP para o poço ou manifold através de mangueiras termoplásticas (nylon 11 TLO) ou tubings, sendo comum o uso de diâmetros que variam de 3/16” até 2” . Na Bacia de Campos é predominante o uso de mangueiras com diâmetros de 3/16” para os umbilicais de workover, 3/8” para acionamento das funções hidráulicas dos sistemas de produção, 1/2" para suprimento hidráulico dos sistemas multiplexados e 1/2" com carcaça metálica, conhecida por HCR (High 14 Collapse Resistance), para suportar o diferencial de pressão, evitando assim o colapso (quando a mangueira estiver vazia durante as operações de injeção de produto químico); 2. Cabo Elétrico - O sistema de controle necessita de potência elétrica. Para a aquisição de dados dos poços satélites, geralmente é fornecida por três pares de cabos de 2,5 mm2. Para os sistemas multiplexados, o umbilical possui 4 pares de cabos de 4 mm2 que fornece a potência elétrica e viabiliza os sinais de dados para os SCMs. Todos os condutores podem ser isolados de acordo com a necessidade; 3. Armadura Metálica - A proteção das mangueiras e dos cabos elétricos é feita projetando-se uma armadura metálica dimensionada para suportar as cargas de transporte, instalação e operação, principalmente do trecho riser; 4. Capa polimérica - A proteção contra abrasão e raios ultravioleta é garantida pela camada externa de polietileno de alta densidade (HDPE) ou nylon. 15 2 - Cabos Elétricos de 2,5 mm2 1 - Mangueiras de 3/8” 3 - Armadura Metálica 4 - Capa de Nylon Figura 3.4 – Umbilical Eletro-Hidráulico Multiplexado para poço satélite com controle hidráulico direto, composto de: nove mangueiras para as funções hidráulicas e três pares de cabos elétricos de 2,5 mm2 para aquisição de dados. 3.3.4 - PLET – Pipe Line End Termination Viabiliza, sem uso de mergulhador, a interligação de um duto rígido a um equipamento ou outro duto, figuras 3.5. e 3.6. Tem como característica a conexão flangeada para interligação à extremidade do duto rígido, válvula de bloqueio atuada por ROV para permitir o teste de hidrostático do duto e HUB/MCV para a futura conexão do jumper ou riser flexível. Em algumas aplicações, principalmente em gasodutos no trecho próximo à UEP, possui válvula de bloqueio com atuação hidráulica para a função de SDV. A estrutura é instalada conectada ao duto rígido que fica residente no fundo do mar durante a vida útil do sistema. O MCV viabiliza a conexão do duto flexível (flow e riser) e jumper (flexível e 16 rígido), possui todos os componentes ativos e permite a recuperação para garantir a manutenibilidade do sistema. PLET ININTERLIGAÇÃO RISERS PLET INTERLIGAÇÃO EQUIPAMENTO UEP Figura 3.5 – O desenho esquemático mostra a utilização de PLET para conectar dutos rígidos aos equipamentos e aos risers. MCV recuperável para conexão do duto Estrutura residente Base Retrátil Extremidade Flangeada para Interligação ao Duto Figura 3.6 – Teste de Integridade do PLET mostrando a simulação da conexão do MCV na estrutura residente. 17 3.3.5 – PLEM – Pipe Line End Manifold Como o próprio nome indica, é um coletor ou distribuidor, caracterizado pela chegada ou saída de mais de 2 dutos, figuras 3.7 e 3.8. Quando utilizado no arranjo, tem a função de permitir o compartilhamento dos dutos sem possuir flexibilidade operacional. Devido ao tamanho, é instalado individualmente para posterior conexão aos dutos. Válvulas de bloqueio HUBS Figura 3.8 – Vista Superior do PLEM mostrando os três HUBS para a conexão dos dutos flexíveis (jumper e risers). As operações para a movimentação das válvulas são realizadas com o ROV pousado no topo do PLEM Figura 3.7 – Arranjo da tubulação e válvulas de um PLEM de gás instalado na Bacia de Campos para permitir a transferência dos poços para outra plataforma sem paralisar o fluxo de gás. 3.3.6 – Manifold submarino de produção É o equipamento do arranjo submarino que além de coletar e distribuir fluido para os poços possui os componentes ativos que viabilizam as flexibilidades operacionais para a otimização da produção, Figura 3.9. 18 Header de Produção Conectores para interligação dos poços PIG Crossover Conexão UEP Header Gas lift Header Teste Header serviço Conectores para interligação dos poços Válvulas Alinhamento Figura 3.9 – Manifold Submarino de Produção para coletar até 8 poços, com Headers de Produção, Serviço, Teste de Produção, Gas Lift e Passagem de PIG através dos headers. Cada poço possui válvulas no manifold para permitir o alinhamento para os Headers. 3.3.6.1 - Tipos de manifolds submarinos de produção O manifold submarino de produção possui os elementos ativos do sistema submarino para atender às necessidades do escoamento. Isto significa que, apesar de ser caracterizado como equipamento, cada campo possui o manifold diferenciado. Esta característica o torna de difícil fabricação e alto custo de aquisição, pois o seu processo personalizado dificulta a padronização e a economia de escala. Os principais tipos utilizados pelas operadoras serão descritos a seguir: - Manifold Submarino de Produção (MSP) – O fluido dos poços é coletado para o header principal e posteriormente enviado para a plataforma. Possui ainda o 19 header para a distribuição do gás lift e o sistema de controle/aquisição de dados do sistema submarino; - Manifold Submarino de Gas Lift.(MSGL) – Tem a função de distribuir o gas lift para os poços e fazer o controle/aquisição de dados do sistema submarino. O duto de óleo dos poços vai direto para a UEP; - Manifold Submarino de Injeção (MSI) - Tem a função de distribuir a água de injeção para os poços e fazer o controle/aquisição de dados do sistema submarino; - Manifold Submarino de Produção e Injeção (MSPI) – Possui um header para coletar o fluido e outro para injetar água nos poços de injeção, compartilhando a mesma estrutura e o controle/aquisição de dados do sistema. 3.3.7 – Sistema de controle O sistema de controle tem a função de controlar os poços através da abertura e fechamento das válvulas instaladas na ANM e demais equipamentos. A potência hidráulica gerada na plataforma é enviada através das mangueiras do umbilical para acionamento das válvulas submarinas. É utilizado um fluido hidráulico base água para minimizar a deterioração quando em contato com a água do mar e diminuir a perda de carga que penaliza o tempo de resposta para a abertura e fechamento das válvulas submarinas. A potência elétrica viabiliza a aquisição de dados submarinos que possui transmissores de pressão/temperatura e medidores de vazão instalados nos pontos estabelecidos pelo estudo de escoamento, para facilitar a otimização do fluxo, o acompanhamento do reservatório e a monitoração da perda de carga para o gerenciamento do escoamento. Os sistemas de controle hidráulico direto e o eletro hidráulico multiplexado são os mais utilizados na Bacia de Campos, sendo o primeiro mais simples, barato, e confiável, e por isso o preferido para controle dos poços satélites, apesar do grande número de mangueiras para acionamento das funções hidráulicas [4]. O controle multiplexado é utilizado geralmente em sistemas com manifold, conforme mostrado na figura 3.10, que têm um grande número de funções hidráulicas. A escolha torna-se economicamente atrativa, além da multiplexação dos dados que minimiza o número de cabos elétricos no umbilical. 20 HPU SCM recuperável Manifold Manifold Umbilical .Figura 3.10 – Sistema de Controle Multiplexado de um Sistema Submarino com Manifold, que possui os SCMs recuperáveis para garantir a manutenibilidade. A HPU fica instalada na UEP. 3.3.8 – Sistema de Conexão Vertical O sistema de conexão vertical viabiliza a conexão dos dutos e umbilicais aos equipamentos sem o auxílio do mergulhador e utiliza como principal fonte de energia a gravidade, figura 3.11. A vedação do conector é feita através de anéis metálicos colocados em placas de selo para permitir a substituição após, no máximo, três conexões. Caso necessário, principalmente nos conectores das AMNs, possui hydraulic couplings para a passagem das funções hidráulicas pelo conector. A instalação pode ser feita em primeira extremidade (primeiro conecta-se o MCV para depois lançar o duto) e em segunda extremidade (depois de lançar o duto, o MCV é conectado). O projeto viabiliza o equilíbrio das forças para garantir que o MCV permaneça na posição vertical imediatamente antes do posicionamento no HUB e suporte a carga do duto quando em operação. 21 Cabo de Lançamento Cabo de Lançamento p/ Barco de lançamento p/ Barco de lançamento MCV MCV Mandril Equipamento Submarino Cabo p/ formar corcova Duto Flexível ou Umbilical de Controle Mandril Equipamento Submarino Conexão em Primeira Extremidade Duto Flexível ou Umbilical de p/ primeira extremidade Controle Conexão em Segunda Extremidade Figura 3.11 A Figura 3.11 B Figura 3.11 – Esquemáticos dos lançamentos dos Módulos de Conexão Vertical em primeira e segunda extremidade. A figura 3.11 “A” mostra o MCV sendo lançado em primeira extremidade, instante antes do posicionamento sobre o HUB. A figura 3.11 “B”, com o duto já lançado, mostra a configuração da instalação em segunda extremidade, instante antes do posicionamento sobre o HUB. 3.4 – Principais arranjos submarinos A combinação dos equipamentos e componentes permite a formulação de um grande número de arranjos que podem ser distribuídos em 3 grupos com características próprias, conforme descritas a seguir: - Arranjo com poços satélites – caracteriza-se pela interligação dos poços direto à UEP. É o arranjo de maior eficiência operacional e de maior investimento, em função da utilização de grande quantidade de dutos e umbilicais para atender cada poço individualmente, que são posicionados pelo campo conforme a necessidade do reservatório; - Arranjo com coletor (manifold) – os poços são direcionados para um coletor ou distribuidor e deste o fluido produzido é escoado para a UEP ou injetado nos poços. É o arranjo mais utilizado em águas profundas, pois reduz o número de risers chegando à UEP e conseqüentemente o peso/espaço na unidade. Em contrapartida, quando comparado com o satélite, tem menor eficiência operacional. Esta desvantagem é minimizada ou até mesmo 22 eliminada, dependendo da flexibilidade operacional e da filosofia de manutenção adotada para o projeto; - Arranjo com anel coletor – um anel coletor sai da plataforma e após passar pelos poços retorna à plataforma [5]. Possui menor confiabilidade devido ao grande número de conexões. 3.5 – Características de um arranjo submarino Cada campo tem características próprias, tais como: vazão; pressão; temperatura; composição do fluido; localização; e vida útil. Estes fatores resultam na necessidade de flexibilidades específicas para a explotação do campo, conseqüentemente tornam os projetos dos equipamentos exclusivos para cada aplicação. Durante a elaboração das bases de projeto é definida a arquitetura final do arranjo que viabiliza as premissas negociadas com o grupo multidisciplinar. 3.6 - Fatores que influenciam a disponibilidade operacional de um arranjo submarino A confiabilidade dos componentes e equipamentos integrantes do arranjo, o estudo da confiabilidade do sistema identificando a necessidade de redundância, a definição dos equipamentos e subsistemas recuperáveis, o plano da garantia da qualidade adotado durante a fabricação, a seleção das empresas durante a licitação, a política de manutenção para definição da estratégia de sobressalentes e as flexibilidades operacionais para garantir a continuidade do escoamento, são os principais fatores que garantem a disponibilidade do sistema durante a vida útil do campo. 3.7 – Escolha de um sistema submarino A escolha do arranjo submarino é um processo interativo entre a engenharia submarina e seus clientes, representados pelo grupo multidisciplinar. O desafio é escolher, dentre vários arranjos subjetivos, qual irá apresentar o melhor retorno financeiro e isto só será possível calculando, sempre através da experiência operacional adquirida pela operadora, a disponibilidade de cada arranjo proposto para atender as necessidades do escoamento. Este processo termina com a escolha do arranjo que atenda às condições de 23 instalação, a garantia da continuidade operacional durante a vida útil, a segurança do meio ambiente e das pessoas envolvidas. 3.8 – Premissas para elaboração dos arranjos adotadas no presente estudo Será considerado um arranjo submarino para aplicação em campos de águas profundas, utilizando coletor (manifold) com sistema de controle multiplexado e controle hidráulico direto do manifold para os poços. 3.8.1 – Condição de contorno O sistema submarino objeto do presente estudo está limitado pela conexão dos risers de produção, serviço e umbilicais na chegada à UEP e pela conexão do bundle do poço na ANM. Para análise das flexibilidades operacionais, estão sendo considerados os componentes e equipamentos abaixo da linha d´água. A instalação dos equipamentos e as fases de comissionamento e pré-operação não serão consideradas. Durante a vida do campo, a explotação do reservatório resulta em quedas de pressão que necessitam de métodos artificiais para manutenção das pressões mínimas para o escoamento. Como geralmente o fluido é multifásico, diâmetros elevados poderão resultar em descontinuidade do escoamento. Estas não conformidades não serão abordadas por tratar-se de fatores externos ao sistema submarino em estudo. Não serão abordados os conceitos e mecanismos da formação de hidrato e parafina que provocam o bloqueio do fluxo nos dutos. Será analisada a condição propícia para a formação e o meio de combate para minimizar os prejuízos. 3.8.2 – Componentes passivos e ativos Os hubs do sistema de conexão vertical, as válvulas de bloqueio e a estrutura/dutos dos equipamentos são componentes passivos de alta confiabilidade, cujas falhas podem ser desprezadas no presente estudo. Todos estão localizados na parte residente do equipamento, conforme mostrado na figura 3.12. 24 HUB Figura 3.12 – Parte residente do equipamento onde estão instalados os componentes passivos. Os componentes e equipamentos ativos são aqueles que estão sujeitos a falhas, necessitando de recuperação para reparo durante a vida útil. Para permitir a manutenibilidade do sistema, estes componentes/equipamentos serão agrupados em módulos recuperáveis e quando da compra do equipamento será adquirido um módulo reserva, conforme mostrado na figura 3.13. Figura 3.13 – Módulo recuperável para permitir a manutenção dos componentes que sofrem desgaste durante a vida útil, tais como: atuadores, chokes, sistema de controle, medidores de fluxo e aquisição de dados. 25 3.8.3 – Facilidades para prevenir e dissociar hidratos O arranjo submarino terá as flexibilidades para: permitir a injeção contínua de inibidores termodinâmicos e cinéticos para evitar a formação de hidrato em fluxo; inundar áreas para prevenir a formação de hidrato quando da parada de produção; e viabilizar a despressurização simultânea pelas extremidades de trechos dos dutos e equipamentos para a dissociação do hidrato. 3.8.3.1 - Hidrato São sólidos cristalinos com aparência de gelo ou neve que se formam normalmente em altas pressões e baixas temperaturas. São resultantes da combinação das moléculas dos componentes leves do gás natural com as moléculas da água. Estas se agrupam em torno das moléculas do gás, formando uma espécie de cavidade que encapsula o gás. Um dos problemas dos sistemas submarinos que transportam gás natural e líquido extraídos do campo, tanto pelos dutos e equipamentos da coleta quanto da exportação, é a formação de hidrato. No início da exploração offshore este problema não era detectado em função das baixas pressões das plantas e sistemas de exportação. Com a expansão da exploração em campos cada vez mais profundos, as pressões aumentaram e surgiram bloqueios nos dutos provocados por substâncias com aparência de gelo, que ocorrem em temperaturas acima da cristalização do gelo[6]. 3.8.3.2 - Maneiras de inibir Pessoas que vivem em clima frio estão acostumadas com métodos para inibir a formação de gelo. Durante o inverno é comum espalhar sal pelas calçadas e estradas para remover o gelo. Em aeroportos é comum envolver, antes da decolagem, as partes móveis da aeronave com uma névoa de spray que é formada por uma solução de glicol. Solventes tais como álcool e glicol são conhecidos como inibidores da formação de hidrato. É importante notar que eles não previnem a formação de hidrato e sim mudam a temperatura e pressão de formação do hidrato. A simples presença de um inibidor não significará que o hidrato não irá se formar. O inibidor deve estar presente em concentrações 26 mínimas que, depois de calculadas, devem ser mantidas pelo sistema submarino durante o escoamento do fluido. 3.8.3.3 – Maneiras de evitar A maneira de evitar a formação de hidrato é utilizar uma unidade de secagem de glicol na UEP para a desidratação do gás natural. Este processo é largamente utilizado para a secagem do gás exportado e para o gás lift, não sendo possível utilizá-lo na coleta dos poços com fluido multifásico ou gás natural. Consiste na remoção da água presente no gás natural, e, se não existe água, é impossível a formação de hidrato. Existem outras razões para a eliminação da água: removendo a água do gás se reduz o risco de corrosão interna nos dutos e ocorre aumento da eficiência do escoamento devido à redução da perda de carga no sistema. 3.8.3.4 - Maneiras para dissociar Uma vez formado o hidrato, a maneira utilizada nos sistemas submarinos para dissociar é a redução da pressão do trecho onde ocorre o bloqueio. Quando a pressão é reduzida, o hidrato não mais permanece estável. Esta técnica não é instantânea, leva-se algum tempo para dissociar o hidrato. Para realizar este procedimento alguns cuidados devem ser tomados: - Despressurizar a região bloqueada simultaneamente pelas extremidades. As pressões em ambos os lados devem ser mantidas próximas para evitar movimento significativo do plug de hidrato; - Não sendo possível a despressurização pelos dois lados da tubulação, a pressão quando aliviada por apenas um lado deve ser realizada controladamente. Primeiro, diminuindo a pressão para permitir a dissociação do hidrato e fechando o alívio. Na seqüência, a pressão irá aumentar, necessitando de nova queda até a desobstrução do duto. Seguindo este método, o hidrato será dissociado sem risco de ocasionar incidente, pois a rápida descompressão com alívio contínuo pode tornar o plug de hidrato um projétil, figura 3.14. 27 Figura 3.14 – Plug de Hidrato sendo retirado do Gasoduto 3.8.3.5 – Dissociação do plug de hidrato aplicando calor A dissociação do plug de hidrato aplicando calor pode ser viabilizada colocando-se uma resistência elétrica ao longo do duto. Apesar de viável, não é utilizada nos sistemas submarinos. É caro e de alto risco, caso o aquecimento seja realizado no meio do plug de hidrato, haverá a liberação de gases e como conseqüência um aumento localizado de pressão que pode provocar o rompimento do duto. 3.8.4 - Facilidades para prevenir e remover parafina 3.8.4.1 –Parafina Os fluidos de hidrocarboneto são produzidos a partir de um reservatório e neste processo esfriam e sofrem mudanças de pressão. Como uma das conseqüências deste esfriamento e diminuição de pressão, os componentes do óleo com elevado peso molecular têm o potencial de precipitar como sólidos. Entre estes se encontram os saturados ou parafinas, que podem se cristalizar provocando uma série de problemas operacionais no sistema de produção ou exportação. A grande maioria das parafinas se cristalizará no óleo, influenciando o comportamento do escoamento de baixa temperatura, resultando em dificuldades de bombeamento e novas partidas. Outra questão importante, especialmente nos dutos de escoamento do sistema submarino, é a deposição de parafinas nas paredes das 28 tubulações. Essas deposições, caso ocorram, precisarão ser removidas periodicamente para evitar perdas de carga e obstruções que provocam perdas de produção ou até mesmo inutilizam o duto. 3.8.4.2 - Maneiras de inibir Em sua forma simples, todos os problemas relacionados com parafina poderiam ser evitados se o fluido e as superfícies em contato com os fluidos pudessem ser mantidos acima da TIAC (Temperatura Inicial de Aparecimento de Cristais). Portanto, as condições para este início de cristalização devem ser determinadas. A temperatura inicial pode variar de –7oC, no caso de condensados, até mais de 60 oC, no caso dos óleos parafínicos. Nos sistemas submarinos é impraticável manter a temperatura alta o suficiente para evitar a formação de parafina. Ao longo do tempo a produção diminui e menores temperaturas ocorrem no sistema. É boa prática de engenharia determinar os locais e com que taxa haverá deposição[7]. 3.8.4.3 – Maneiras de remover Bloqueios totais devidos exclusivamente à deposição de parafinas são raros, e quando ocorrem, são provocados por ações corretivas indevidas. Nos sistemas submarinos o local mais provável de formação é na chegada do duto na plataforma. A redução de área do duto é gradativa e permite ações corretivas que minimizam o impacto na produção. O gerenciamento contínuo da perda de carga no duto permite estabelecer critérios para a desobstrução mecânica do duto através da passagem de PIG, figura 3.15. 29 PIG PARAFINA Figura 3.15 – Remoção parafina do duto através da passagem de PIG. 3.9 – Principais modos de falhas de um arranjo submarino Os modos de falha tratados no presente estudo estão relacionados às falhas operacionais que provocam impacto no resultado do negócio, não ocasionando incidentes ou acidentes que podem colocar em risco as pessoas, o meio ambiente e as instalações. As melhorias para diminuir as falhas operacionais e a rápida capacidade de restabelecer a operação implicam no aumento da flexibilidade operacional e conseqüentemente em maiores investimentos. As estratégias para garantir a disponibilidade dos sistemas durante a vida útil, quando relacionadas às falhas dos componentes e equipamentos, não serão abordadas no presente estudo, pois já foram estudadas e são aplicadas quando da elaboração do projeto [8]. 3.9.1 – Falhas e modos de falha A falha de um componente ou sistema é definida como o encerramento de sua capacidade em executar a função requerida dentro das premissas estabelecidas pelo projeto. Modo de falha é o efeito pelo qual se observa a falha. Os componentes e sistemas possuem uma ou mais funções. Um modo de falha é portanto definido como o não cumprimento de uma destas funções. É a manifestação de como é vista a falha. Por exemplo, um duto pode apresentar muitos modos de falha: bloqueio; vazamento para o meio externo; restrição parcial 30 do fluxo. No caso do modo de falha “vazamento para o meio externo”, o rompimento do duto pelo uso de pressões de operação acima da máxima de projeto do duto é a causa da falha. As falhas podem ser repentinas (como a obstrução do duto ao iniciar o escoamento) ou graduais (a obstrução gradual do escoamento pela formação de parafina nas paredes do duto). No caso de falhas graduais, deve ser claramente definido o que deve ser considerado uma falha (um fluido com alta viscosidade que não consegue escoar pelo duto não pode ser considerada uma falha do sistema submarino). As falhas podem ainda ser classificadas como reveladas (ou evidentes) e não reveladas (ou ocultas). No presente estudo os sistemas submarinos possuem a aquisição de dados para a monitoração constante do processo que permite a identificação imediata da falha (falha revelada). 3.9.2 – Flexibilidade e redundância As flexibilidades operacionais e as redundâncias de um sistema submarino garantem a habilidade de restabelecer rapidamente o escoamento após a falha. Apesar de cumprirem a mesma função dentro do arranjo submarino, as flexibilidades operacionais são facilidades para a realização de ações preventivas e corretivas quando da ocorrência de anomalias durante o escoamento ou na interrupção do mesmo. Como exemplo pode-se citar: a injeção contínua do inibidor de hidrato em pontos propícios para a formação de hidrato; e a despressurização do duto pelas extremidades para permitir a dissociação segura do hidrato. As redundâncias, que aumentam a complexidade do sistema submarino, compensam a conseqüente diminuição da confiabilidade, disponibilizando parte dos componentes com redundância ativa e redundância a frio. Na prática, um grande número de fatores pode reduzir significativamente a confiabilidade dos sistemas redundantes. Na realidade, estes fatores determinam a confiabilidade que pode ser conseguida. Para os sistemas com redundâncias ativas, falhas de causa comum e fenômenos de sobrecarga quando da falha de um dos componentes, são as principais preocupações. Para a redundância a frio, falha dos chaveamentos e dos componentes reservas, quando ativados, são as principais preocupações. As redundâncias operacionais do sistema submarino em estudo estão viabilizadas pelo aumento da capacidade do escoamento que permite direcionar os poços para o duto de escoamento desejado. 31 3.9.3 – Principais modos de falhas operacionais 3.9.3.1 – Bloqueio parcial ou total do duto de produção entre ANM e coletor (manifold), incluindo header de produção do coletor. O arranjo submarino com o coletor (manifold) próximo aos poços evita a formação de parafina no coletor (manifold) e no duto de produção entre a ANM/coletor. A quantidade de água produzida durante a vida útil do campo aumenta, tornando-se necessário prever flexibilidades para prevenir e dissociar o hidrato durante as paradas de produção, conforme mostrado na tabela 3.1. Tabela 3.1 – Bloqueio total ou parcial do duto de produção poço/ manifold Ações Modo de falha Causa Redundância Flexibilidade Bloqueio do escoamento depois da parada de produção Facilidades para injetar Plug de hidrato NA no duto inibidor e despressurizar o duto pelas extremidades NA - Não aplicável. 3.9.3.2 – Bloqueio parcial ou total dos dutos anular entre ANM e coletor (manifold), incluindo o header de gas lift. Os arranjos submarinos com manifolds que disponibilizam o gas lift para a elevação artificial secundária, possuem chokes submarinos individualizados para os poços. Mesmo sendo o gás desidratado na plataforma, existe uma significativa queda de pressão nos chokes que podem provocar a formação de hidrato, conforme mostrado na tabela 3.2. 32 Tabela 3.2 – Bloqueio total ou parcial do duto anular poço/ manifold Ações Modo de falha Causa Redundância Flexibilidade Facilidades para injetar Bloqueio do gas lift com o Plug de hidrato poço em operação. NA no duto inibidor e despressurizar o duto pelas extremidades NA – Não aplicável. 3.9.3.3 – Bloqueio parcial ou total dos módulos de produção É a parte recuperável do equipamento composta pelos componentes ativos conforme mostrado na figura 3.13. Apesar de permitir a manutenção, não viabiliza a passagem de PIG de limpeza, conforme mostrado na tabela 3.3. Tabela 3.3 – Bloqueio parcial ou total dos módulos de produção Ações Modo de falha Causa Redundância Flexibilidade Diminuição do escoamento por perda de carga Formação de NA hidrato no módulo Injeção de inibidor NA - Não aplicável. 3 .9.3.4 - Bloqueio parcial ou total dos dutos de importação entre o manifold e a UEP É o modo de falha que mais impacta o escoamento. Sofre a influência direta do tipo de fluido que está sendo escoado, sendo necessária à utilização de subsistemas e componentes redundantes para garantir o escoamento, além das flexibilidades para manter o fluido atendendo às premissas para o escoamento, conforme mostrado na tabela 3.4. 33 Tabela 3.4 – Bloqueio parcial ou total dos dutos de importação entre o manifold e a UEP Ações durante a fase de projeto Modo de falha Causa redundância flexibilidade Diminuição do escoamento por perda de carga Formação de hidrato no duto Formação de parafina no duto NA Injeção de inibidor NA Facilidade para passar PIG Bloqueio do Plug de hidrato no Prever duto Facilidade para escoamento duto alternativo despressurizar NA - Não aplicável. 3 .9.3.5 - Bloqueio parcial ou total dos dutos de gas lift entre a UEP e o coletor A desidratação do gás na plataforma minimiza a formação de hidrato no duto, porém o descontrole da planta de secagem do gás e a entrada de água provocada por falha humana ou de equipamento, podem provocar o aparecimento de hidrato no duto, conforme mostrado na tabela 3.5. Tabela 3.5 – Bloqueio parcial ou total do duto de gas lift manifold/UEP Ações durante a fase de projeto Modo de falha Causa redundância flexibilidade Diminuição do escoamento por perda de carga Formação de NA hidrato no duto Bloqueio do Plug de hidrato no escoamento duto NA NA - Não aplicável. 34 Injeção de inibidor Facilidade para despressurizar 4 - CONCEITOS BÁSICOS DA ENGENHARIA DA CONFIABILIDADE E PROGRAMA PARA ANÁLISE DO ESCOAMENTO A análise da continuidade operacional dos sistemas submarinos aplicando técnicas de confiabilidade está se tornando cada vez mais importante na atividade upstream offshore para evitar lucros cessantes, prováveis multas, passivos ambientais e custos operacionais provocados pelas intervenções [9]. O desafio básico dos envolvidos na elaboração dos arranjos é entender a grande variedade de circunstâncias operacionais e ambientais às quais o sistema estará sujeito durante a vida útil, para tentar antecipar situações que permitam implementar melhorias na fase de projeto, minimizando os incidentes durante as fases de instalação, interligação dos dutos, operação, intervenção e manutenção. Os conceitos da confiabilidade aplicados neste estudo estão voltados para os riscos de descontinuidade operacional dos sistemas submarinos. Os impactos destes riscos são imprevisíveis e a melhor forma de minimizá-los é tomar precaução durante as fases de seleção das empresas prestadoras de serviço, projeto, fabricação e operação. Apesar do estudo da confiabilidade envolver análise utilizando a curva da banheira, mortalidade infantil, eventos aleatórios agindo como causas de risco, no presente estudo considera-se que estes fatores já foram analisados e a arquitetura dos equipamentos e sub sistemas, prevendo as redundâncias necessárias, serão incorporadas sem questionamento. O foco será os potenciais riscos criados quando do uso do sistema durante a vida útil. As descontinuidades operacionais ocorridas pelo uso do sistema independem da idade de seus componentes e sub sistemas. Em geral, são causadas por falhas humanas e mudanças no processo que não foram previstas no projeto escolhido para ser implantado, tais como: aparecimento de novos componentes no fluido escoado (areia, água, H2S e CO2) e mudança das variáveis de processo (pressão e temperatura). A necessidade do cálculo da indisponibilidade para cada arranjo proposto durante a fase conceitual do EVTE, está na dificuldade dos envolvidos na elaboração dos arranjos submarinos justificarem a melhor escolha baseada na experiência adquirida. Os altos investimentos, aliados à dificuldade em visualizar a baixa performance do sistema durante a 35 vida útil tendem para a escolha que disponibiliza a menor flexibilidade operacional. O arranjo submarino com pouca flexibilidade, mesmo com todos os componentes, equipamentos e subsistemas operando dentro das premissas de projeto, quando impactados por mudanças do processo pode necessitar de longos períodos de parada operacional. 4.1 – Técnicas de análise de sistemas O método mais eficaz para eliminar ou reduzir as perdas por paradas operacionais relacionadas ao processo, que provocam baixa performance do escoamento, é identificar os mecanismos que provocam as paradas. A habilidade para identificar requer uma análise compreensiva e lógica do sistema em estudo, focando como ele opera e as limitações de suas flexibilidades, seus componentes, equipamentos e sub sistemas. Mesmo utilizando-se especialistas com grande conhecimento técnico, existe o risco de módulos de falhas críticas passarem despercebidos. Para o sucesso do projeto é determinante elaborar os arranjos aplicando um processo formal que estabeleça o uso de uma metodologia e prever um tempo para uma ampla discussão técnica entre os especialistas, clientes e prestadores de serviço. A seguir serão descritas as técnicas que serão utilizadas para viabilizar a metodologia proposta [10]. 4.1.1 – Análise de modos e efeitos de falhas (FMECA) Esta ferramenta, cujo nome vem do inglês Failure Modes, Effects and Criticality Analysis, tem por objetivo a identificação dos modos de falha, suas causas e efeitos, permitindo identificação de pontos fracos no sistema. É uma técnica utilizada normalmente em análises qualitativas de risco e segurança, e se baseia nos seguintes questionamentos: Como pode um dado sistema falhar? (pode ocorrer mais de um modo de falha?). Quais as causas da falha? Qual o efeito de cada modo de falha? Como pode o efeito do modo de falha ser classificado de acordo com a sua criticalidade? (muito crítico, crítico, significativo, desprezível). 36 A análise de modos e efeitos de falhas será aplicada no presente trabalho como partida para identificar e entender os mecanismos de falhas de processo do sistema submarino em estudo e definir as necessidades das flexibilidades operacionais dos sistemas. A classificação dos modos de falha é realizada de forma organizada, em uma tabela. Como o objetivo final da metodologia aqui proposta não é a avaliação de segurança /riscos, mas sim a avaliação do impacto provocado na disponibilidade do sistema submarino quando da ocorrência de problemas operacionais, a tabela será adaptada para que os efeitos dos modos de falha sejam classificados conforme suas conseqüências sobre o sistema. Ou seja, efeitos sobre a produção (associados à interrupção do fluxo por motivos operacionais): - Muito crítica – interrupção total da produção; impossibilidade de realizar manobras para desobstrução dos dutos; - Crítica – interrupção da produção de um ou mais poços; impossibilidade de realizar manobras para a desobstrução dos dutos; - Significativa – Impossibilidade de otimizar o fluxo; impossibilidade de operar componentes devido a problemas operacionais (impossibilidade de movimentar a válvula); impossibilidade de aquisição de dados de pressão e temperatura; - Desprezível – efeito que possa ser desconsiderado na análise. Caso um módulo de falha tenha mais de uma conseqüência, com criticalidades diferentes, deve ser a ele atribuída a classificação mais severa. Por exemplo, caso um modo de falha tenha como conseqüência a paralisação do fluxo em um poço ou mais poços (crítico), e acabe provocando a paralisação de todos os poços (muito crítica), este item deverá ser classificado como muito crítico. A tabela 4.1 apresenta a organização dos dados da FMECA de sistemas submarinos. 37 Tabela 4.1 – proposta organização dos dados Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA Sistema: o N Preparado por: Modo de Local falha Causas prováveis Modo de Detecção Data: Efeitos sobre Produção Criticalidade Sub – Sistema: Comentários Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 4.1.2 - Estimativa dos tempos médios para restabelecer o fluxo O presente trabalho adaptará os conceitos da confiabilidade voltados para a análise da manutenção corretiva dos sistemas. Considerações necessitam ser feitas pois, durante as paradas de produção provocadas por problemas operacionais, os equipamentos e componentes do sistema submarino ficam disponíveis para operação e o fluxo é restabelecido através de procedimentos operacionais. Normalmente, numa análise quantitativa de reparo de processos e seguindo a definição da manutenibilidade, os tempos de reparo variam em função das circunstâncias das falhas. O MTTR depende do tipo de sistema, da habilidade da equipe responsável pelo reparo, do tempo para diagnóstico das causas da falha, da disponibilidade de sobressalentes e de uma série de outros fatores. O MTTR dos equipamentos submarinos de produção de petróleo, dependendo do problema a solucionar, pode incluir: inspeção do equipamento submarino; contratação da embarcação de intervenção; instalação de equipamentos a bordo da embarcação de intervenção (ou mesmo modificações na embarcação); estratégia de manutenção e finalmente o transporte/deslocamento [8]. O MTTR das descontinuidades operacionais utilizadas no presente estudo, dependendo do problema a solucionar, inclui: características do sistema; flexibilidades 38 operacionais; habilidade da equipe; diagnóstico do problema; e disponibilidade para intervenção. 4.1.3 - Árvores de falhas A análise por árvore de falhas é um processo dedutivo que, partindo de um evento indesejado pré-definido, denominado evento topo, busca as possíveis causas de tal evento. A árvore de falhas consiste na tradução de um sistema físico em um diagrama estruturado de modo que certas causas combinadas de forma lógica levam à ocorrência de um evento topo de interesse. Esta ferramenta permite uma análise qualitativa e quantitativa do sistema. A construção da árvore viabiliza uma melhor visualização e entendimento das potenciais fontes de falhas que permitem melhorias no projeto para eliminá-los e calcular a indisponibilidade do sistema em questão. A construção da árvore de falhas é baseada na utilização de símbolos gráficos que representam os eventos e as conexões entre os eventos. Estas conexões são denominadas portões lógicos. Na tabela 4.2 encontram-se os símbolos mais comumente utilizados, cujas definições são apresentadas a seguir: - Portão OU: indica que o evento de saída ocorre se pelo menos um dos eventos de entrada ocorre; - Portão E: evento de saída ocorre se todos os eventos de entrada ocorrem; - Portão K-de-N: evento de saída ocorre se pelo menos K dos N eventos de entrada ocorrem; - Portão de inibição: evento de saída que ocorre somente se a entrada condicional for satisfeita; - Evento intermediário: evento que resulta da combinação de outros eventos; - Evento básico: evento que não requer desenvolvimento (desdobramento em outras causas de falha); - Evento não desenvolvido: evento não desenvolvido devido à falta de interesse ou à falta de informações; - Transferência para fora: indica que a árvore de falhas continua sendo desenvolvida no ponto (outra página, por exemplo) onde se encontra o símbolo de transferência para dentro correspondente; 39 - Transferência para dentro: recebe um pedaço de árvore de falha desenvolvido em outro local (onde haverá o símbolo transferência para fora correspondente). Tabela 4.2 – Simbologia para construção de árvore de falha K-N PORTÃO OU PORTÃO E PORTÃO K de N FALHA DE SAIDA ENTRADA CONDICIONAL EVENTO INTERMEDIÁRIO EVENTO BÁSICO FALHA DE ENTRADA PORTÃO DE INIBIÇÃO EVENTO NÃO DESENVOLVIDO TRANSFERÊNCIA PARA FORA TRANSFERÊNCIA PARA DENTRO Uma informação importante que é obtida com esta técnica é a identificação dos cortes, sendo definido o corte como um conjunto de eventos básicos cuja existência simultânea implica na ocorrência do evento topo. Um corte é denominado corte mínimo quando nenhum de seus eventos básicos pode ser eliminado, sem que o conjunto perca a propriedade de levar à ocorrência do evento topo. 40 Esta ferramenta permite estruturar o arranjo submarino para identificar as causas das falhas que combinadas levam ao arranjo topo de interesse. Na prática, fica fácil aplicar a ferramenta em função da existência de apenas dois eventos topo que podem ser representados por sistemas físicos distintos dentro do mesmo arranjo submarino. O primeiro ligado ao evento topo que paralisa 100% do escoamento, que é identificado pelo diagrama que representa os componentes e equipamentos a jusante do manifold. A figura 4.3 mostra o diagrama que analisa os componentes e equipamento a jusante do manifold do arranjo da figura 3.1. O segundo, ligado ao evento topo que paralisa um ou mais poços, sendo identificado pelo diagrama que analisa os componentes e equipamentos à montante do manifold e o próprio manifold. A figura 4.4 mostra o diagrama que analisa os componentes e equipamento a montante do manifold (inclusive) do arranjo da figura 3.1. O presente trabalho tem como interesse analisar as falhas operacionais provocadas pela presença de líquidos, hidratos e parafinas que estão presentes em ambos os diagramas, não sendo escopo as análises qualitativas e quantitativas do sistema completo, que devem ser realizadas quando da elaboração de um projeto de escoamento submarino. 41 SISTEMA SUBMARINO NÃO ESCOA 100% PARADO OR Falha primária residente Falha Sistema controle Falha comunicação Falha elétrica OR Falha hidráulica Hidrato Ruptura duto OR Corrosão Ruptura umbilical Falha alimentação Parafina Fatores externos AND Falha cabo canal A Dutos Falha conexão Bloqueio header de exportação Header dimensionamento OR Falha cabo canal B Ruptura umbilical Falha HPU OR OR Ruptura umbilical Falha Modem Mangueiras alta Mangueiras baixa AND AND AND Falha cabo canal A Falha cabo canal B A B C Figura 4.3 – Sistema Submarino da figura 3.1 100% Parado 42 D SISTEMA SUBMARINO 1 POÇO PARADO OR Falha barreiras segurança Falha Módulo produção Falha controle poço Falha conector M. prod. Falha umbilical poço/manif Bloqueio duto poço/manif Falha conectores Falha conector poço Falha SCM OR OR Parafina Falha DHSV Falha válvula master Hidrato Ruptura duto Falha válvula wing Corrosão Fatores externos OR Falha alinhamento produção Falha choke produção Falha alinhamento gas lift Falha choke gas lift Falha alinhamento serviço Figura 4.4 – Sistema Submarino da figura 3.1 com um Poço Parado 43 Falha Inj. química 4.1.4 – Disponibilidade É a capacidade do sistema (sob combinação dos aspectos de confiabilidade, manutenibilidade e flexibilidade operacional) executar as funções estabelecidas nas premissas de projeto, em um instante de tempo ou por período de tempo determinado. A disponibilidade pode ser dividida em categorias. A disponibilidade instantânea ou pontual denota a probabilidade de que o item funcione com sucesso no instante em que for solicitado (no instante de tempo t). Para um componente que não possa ser reparado, a disponibilidade iguala-se à confiabilidade. A disponibilidade instantânea é mais aplicada a sistemas de proteção ou barreiras de segurança. O sistema de produção que está sendo tratado no presente estudo utiliza o conceito de disponibilidade média. A disponibilidade média em determinado período de tempo T é a fração do período durante o qual o componente funciona com sucesso. Agora pode-se introduzir o conceito da indisponibilidade que é a probabilidade do sistema estar no estado falho, aguardando reparo ou procedimentos operacionais para restabelecimento das premissas de projeto, em um instante de tempo ou por um período de tempo determinado. É o complemento da disponibilidade. 4.1.5 – O simulador de escoamento multifásico transiente OLGA O programa foi desenvolvido para simular escoamento de fluxo bifásico (gás e líquido) transiente. É executado em ambiente Microsoft Windows e a construção da malha de escoamento é feita representando os comprimentos dos dutos, diâmetros os acidentes que provocam perda de carga e a elevação batimétrica da rota dos dutos. O programa possui várias opções de análise: Perda de carga; líquido dentro do duto; e o transiente do fluxo quando afastado do regime devido a uma perturbação do sistema. Este simulador é utilizado geralmente na fase final do dimensionamento de sistemas de escoamento multifásico, notadamente para verificação de situações especiais do tipo, determinação do isolamento térmico de modo a evitar a formação de hidratos durante os transientes resultantes do fechamento dos dutos. Uma outra situação é o fenômeno conhecido 44 com golfada severa, onde devido à intermitência da produção associada à geometria desfavorável do sistema, poderá causar impactos de vulto nas instalações de superfície. 45 5 – METODOLOGIA PARA AVALIAR ARRANJOS SUBMARINOS Neste capítulo será apresentada a metodologia para a avaliação dos arranjos submarinos baseada na comparação da eficiência operacional que permitirá a escolha da opção que resulte no melhor valor agregado para o projeto. 5.1 – Definição da estratégia de exploração do campo A primeira etapa a ser cumprida é a definição de como o campo será explorado. Com os dados do reservatório, da localização geográfica, das facilidades disponíveis na área e da demanda de mercado, se define a estratégia que é o insumo para a elaboração das propostas de arranjos submarinos. 5.2 – Escopo, fronteiras, hipótese e condição de contorno do estudo Escopo: Apresenta os pontos abordados pela análise que define objeto do estudo. Em função da complexidade do tema, os pontos não analisados devem ser mencionados para ficar claro o foco da questão; Fronteiras: Define os limites e interfaces com o resto do sistema, mostrando a região de interesse para o estudo; Hipóteses: fixa os eventos topo indesejáveis para a análise dos diferentes sistemas; Condição de contorno: informa as condições sob as quais o estudo pode ser aplicado. É importante definir o processo para garantir que a análise seja realizada dentro das condições estabelecidas pelo estudo. 5.3 – Descritivo dos sistemas Para cada arranjo proposto são apresentados o layout e o descritivo com as principais características do escopo da análise. 46 5.4 – Análise de modos e efeitos das falhas Aplicando a ferramenta da confiabilidade FMECA se definem os modos de falhas e suas causas e efeitos para a proposição das flexibilidades operacionais de cada arranjo. 5.5 – Determinação da freqüência e dos tempos médios das intervenções para restabelecer as variáveis de processo antes da ocorrência das falhas operacionais O desafio é corrigir as variáveis de processo antes da ocorrência da falha operacional e para atender a esta premissa, o arranjo submarino possui as flexibilidades e redundâncias, que permitem, através de procedimentos, restabelecer a condição operacional do escoamento. Em função da quantidade de flexibilidades e redundâncias, o tempo para restabelecer o fluxo varia para cada arranjo. A freqüência das intervenções no presente estudo não está relacionada às taxas de falhas dos componentes e sim às falhas operacionais relacionadas com as condições do escoamento. Existem três fases distintas: 1. No início da operação do campo, observa-se uma maior freqüência de falhas ocasionadas pelo desentrosamento dos operadores com as características do processo e pela dificuldade de limpeza dos dutos quando da conexão dos equipamentos; 2. Terminada a interligação dos poços, as falhas passam a ser raras e ocorrem devido às falhas humanas ou fatores externos ao processo, tais como descontrole das variáveis de processo para a secagem do gás; 3. A diminuição gradativa do fluxo e a mudança da composição do fluido escoado aumenta a freqüência das falhas operacionais, pois o sistema submarino tem os dutos dimensionados para atender ao pico da produção. 47 5.6 – Identificação da necessidade de redundâncias A identificação dos cortes mínimos que interferem na continuidade operacional durante a correção das falhas operacionais é obtida através da árvore de falhas. O resultado ajuda a definir as redundâncias do sistema submarino. 5.7 – Análise de sensibilidade Para se afirmar quais arranjos podem ser utilizados, é necessário identificar a garantia de retorno à condição operacional quando da ocorrência da falha operacional. O arranjo viável, após o cálculo da indisponibilidade, deve ser escolhido levando-se em consideração os demais fatores que influenciam no resultado final do negócio. 48 6 – ANÁLISE DE TRÊS OPÇÕES DE ARRANJOS SUBMARINOS PARA APLICAÇÃO EM UM CAMPO DE GÁS 6.1 – Descrição do campo Trata-se de um campo de gás não associado, situado a 150 km da costa em profundidade de 500 metros. O gás possui condensado parafínico. 6.1.1 – Definição da estratégia de exploração do campo Deve-se perfurar até 8 poços de gás e conectá-los a um coletor para posterior envio à UEP. Na UEP, o gás é comprimido para ser transportado até a planta de tratamento em terra. 6.2 – Escopo, fronteiras, hipóteses e condições de contorno do estudo - Escopo: Analisar o sistema de coleta das 3 opções de arranjos submarinos que estão mostrados nos apêndices A, B e C. A análise ficará limitada às flexibilidades de cada sistema e às redundâncias para garantir a continuidade operacional durante a realização dos procedimentos operacionais para restabelecer o escoamento pleno do sistema; - Fronteiras: O estudo foca as falhas operacionais que provocam a interrupção do escoamento, tanto na partida quanto em operação. Falhas dos componentes/equipamentos e as políticas de manutenção para garantir a manutenibilidade não serão analisadas neste estudo; - Hipótese – A interrupção do escoamento de um ou mais poços, até o sistema 100% parado pela presença de parafina ou hidrato, são os eventos considerados como falhas operacionais. Resultam em prejuízos financeiros sem colocar em risco o meio ambiente, as pessoas e os equipamentos, sendo portanto as falhas estudadas nos sistemas em análise; - Condição de contorno –A análise está limitada aos dutos de coleta dos poços, desde a interface com a ANM até os manifolds (inclusive), e destes até a interface dos risers com a UEP; 49 6.3 – Descritivo dos sistemas Os três arranjos descritos abaixo serão objeto do presente estudo: - Arranjo do apêndice A - Até 8 poços de gás serão interligados a dois manifolds. Cada manifold possui um header de produção que está interligado a um PLEM para permitir escoar o gás por um duto até a UEP. Um duto para injeção de MEG de 6” (ID) e um de serviço 8” (ID), serão compartilhados entre os manifolds; - Arranjo do apêndice B - Até 8 poços de gás serão interligados a dois manifolds (cada manifold recebe 4 poços) que escoam independentes. Cada manifold possui dois headers de produção que estão interligados a um PLEM para permitir escoar o gás por dois duto até a UEP. Um duto para injeção de MEG de 6” (ID) e um de serviço 8” (ID), serão compartilhados entre os manifolds; - Arranjo do apêndice C - Até 8 poços de gás serão interligados a dois manifolds. Cada manifold possui dois headers de produção que estão interligados à UEP para permitir escoar o gás. Um duto para injeção de MEG de 6” (ID) e um de serviço 8” (ID), serão compartilhados entre os manifolds; O arranjo do apêndice A apresenta um menor custo de investimento para a implantação do projeto, tendo como desvantagem a falta de redundância do duto de coleta entre o manifold e a plataforma. O arranjo do apêndice B, apresenta como vantagem a redundância do duto de coleta entre o manifold e a plataforma, que resulta em investimento superior ao do apêndice A. Já o arranjo do apêndice 3, com os manifolds escoando independentemente, permite uma grande flexibilidade operacional e conseqüentemente o maior custo de investimento quando comparado com os outros arranjos. Com os dados disponíveis acima e antes de aplicar a metodologia proposta neste trabalho, o arranjo do apêndice A apresenta maior atratividade para ser implantado. 50 6.4 – Modos e efeitos das falhas Os pontos críticos de cada arranjo para definição das flexibilidades, estão analisados nas tabelas a seguir. - Tabelas 6.1 “A”; “B”; e “C” – Arranjo apêndice “A”; - Tabelas 6.2 “A”; “B”; e “C” – Arranjo apêndice “B”; - Tabelas 6.3 “A”; “B”; e “C” – Arranjo apêndice “C”. A tabela 6.1 “A” analisa os modos e efeitos de falhas operacionais do subsistema entre o poço e o manifold do arranjo do apêndice A. Apesar de ser muito crítica a obstrução por parafina, este item não preocupa devido à viabilidade de posicionar o manifold junto aos poços, para garantir neste trecho a temperatura superior à TIAC. o Modo de N Local 01 Duto entre Obstrução poço e parcial manifold 02 Duto entre Obstrução poço e parcial manifold 03 Duto entre Obstrução poço e manifold falha Causas prováveis Modo de Efeitos sobre Produção Detecção Parafina Diminuição Aumento da perda de gradativa do escoamento carga Hidrato Diminuição Aumento da perda de gradativa do escoamento carga Hidrato Bloqueio Criticalidade Tabela 6.1 A – Arranjo Submarino do apêndice “A” (Análise Trecho Poço/Manifold) Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA Sistema: Arranjo apêndice A Subsistema: Poços/manifold Preparado por: Edson Labanca Data: Comentários MC Garantir temperatura S Injeção contínua de inibidor Interrupção escoamento do C poço Alívio pressão Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 51 A tabela 6.1 “B” analisa os modos e efeitos de falhas operacionais do subsistema manifold do arranjo do apêndice “A”. A falta da redundância para viabilizar a despressurização bilateral prejudica a disponibilidade do arranjo para a dissociação de um possível hidrato, pois necessitará de recurso externo. A temperatura superior à TIAC continua sendo garantida pela curta distância entre os poços e o manifold. No 04 05 Causas prováveis Modo de Detecção Efeitos sobre Produção Local Modo de falha header Obstrução Parafina parcial Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento header Obstrução Hidrato parcial Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento Criticalidade Tabela 6.1 B – Arranjo Submarino do Apêndice “A” (Análise Manifold) Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA Sistema: Arranjo apêndice A Subsistema: manifold Preparado por: Edson Labanca Data: Comentários MC Garantir temperatura S Injeção contínua de inibidor MC Despressuriza ção bilateral 06 header Obstrução Hidrato Bloqueio Interrupção escoamento dos poços 07 Módulo produção Obstrução Hidrato parcial Válvula de alinhamento travada Impossibilidade de otimização D escoamento do poço Alívio de pressão Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 52 A tabela 6.1 “C” analisa os modos e efeitos de falhas operacionais do subsistema manifold/UEP do arranjo do apêndice “A”. Além da falta de redundância prejudicar a disponibilidade do arranjo devido à necessidade de dissociar um possível hidrato utilizando recurso externo, a passagem de PIG para a remoção de parafina também necessitará de recurso externo para a remoção de parafina. o Modo de Causas prováveis Modo de Efeitos sobre Produção Criticalidade Tabela 6.1 C – Arranjo Submarino do apêndice “A” (Análise Trecho Manifold/UEP) Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA Sistema: Arranjo apêndice A Sub – Sistema: manifold/UEP Preparado por: Edson Labanca Data: N Local 08 Duto entre Obstrução Parafina manifold parcial UEP Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento MC Passagem PIG 09 Duto entre Obstrução Hidrato manifold parcial UEP Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento C Injeção contínua de inibidor 10 Duto entre manifold Obstrução Hidrato UEP Bloqueio MC Alívio de pressão falha Detecção Interrupção escoamento dos poços Comentários Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 53 A tabela 6.2 “A” analisa os modos e efeitos de falhas operacionais do subsistema entre o poço e o manifold do arranjo do apêndice “B”. Apesar de ser muito crítica a obstrução por parafina, este item não preocupa devido à viabilidade de posicionar o manifold junto aos poços, para garantir neste trecho a temperatura superior à TIAC. Um possível bloqueio por hidrato não preocupa devido à disponibilidade da flexibilidade para despressurizar o trecho pelos dois lados o Modo de N Local 01 Duto entre Obstrução poço e parcial manifold 02 Duto entre Obstrução poço e parcial manifold 03 Duto entre Obstrução poço e manifold falha Efeitos sobre Modo Causas Produção prováveis de Detecção Parafina Diminuição Aumento da perda de gradativa do escoamento carga Hidrato Diminuição Aumento da perda de gradativa do escoamento carga Hidrato Bloqueio Criticalidade Tabela 6.2 A – Arranjo apêndice “B” (Análise Trecho Poço/Manifold) Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA Sistema: Arranjo apêndice B Sub – Sistema: Poços/manifold Preparado por: Edson Labanca Data: Comentários MC Garantir temperatura S Injeção contínua de inibidor Interrupção escoamento do C poço Alívio de pressão Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 54 A tabela 6.2 “B” analisa os modos e efeitos de falhas operacionais do subsistema manifold, do arranjo do apêndice “B”. As flexibilidades para a passagem de PIG pelos headers e para a despressurização bilateral permitem realizar estas operações através de procedimentos operacionais N Local Criticalidade Tabela 6.2 B – Arranjo Submarino do Apêndice “B” (Análise Manifold) Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA Sistema: Arranjo apêndice B Sub – Sistema: manifold Preparado por: Edson Labanca Data: Comentários 04 header Obstrução Parafina parcial Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento C Garantir temperatura 05 header Obstrução Hidrato parcial Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento C Injeção contínua de inibidor 06 header Obstrução Hidrato 1 header Bloqueio Interrupção escoamento dos poços C Alívio de pressão 07 Módulo de produção Perda parcial produção do poço Válvula de alinhamento do módulo de produção travada Impossibilidade de otimização D escoamento do poço Alívio de pressão o Modo de falha Causas prováveis Hidrato Modo de Detecção Efeitos sobre Produção Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 55 A tabela 6.2 “C” analisa os modos e efeitos de falhas operacionais do subsistema manifold/UEP do arranjo do apêndice “B”. As flexibilidades para a passagem de PIG pelos headers e para a despressurização bilateral permitem realizar estas operações através de procedimentos operacionais Tabela 6.2 C – Arranjo Submarino do apêndice “B” (Análise Trecho Manifold/UEP) Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA o Modo de Causas prováveis Preparado por: Edson Labanca Modo de Efeitos sobre Produção N Local 08 duto entre Obstrução Parafina manifold parcial UEP Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento 09 duto entre Obstrução Hidrato manifold parcial UEP Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento 10 01 duto entre manifold UEP Bloqueio falha Obstrução Hidrato Detecção Interrupção escoamento dos poços Data: Criticalidade Sistema: Arranjo apêndice B Sub – Sistema: Manifold/UEP Comentários C Passagem PIG C Injeção contínua de inibidor C Alívio de pressão Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 56 A tabela 6.3 “A” analisa os modos e efeitos de falhas operacionais do subsistema entre o poço e o manifold do arranjo do apêndice “C”. Apesar de ser muito crítica a obstrução por parafina, este item não preocupa devido à viabilidade de posicionar o manifold junto aos poços, para garantir neste trecho a temperatura superior à TIAC. N Local Criticalidade Tabela 6.3 A – Arranjo apêndice “C” (Análise Trecho Poço/Manifold) Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA Sistema: Arranjo apêndice C Sub – Sistema: Poços/manifold Preparado por: Edson Labanca Data: Comentários 01 Duto entre Obstrução Parafina poço e parcial manifold Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento MC Garantir temperatura 02 Duto entre Obstrução Hidrato poço e parcial manifold Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento S Injeção contínua de inibidor 03 Duto entre Obstrução Hidrato poço e l manifold Bloqueio C Alívio de pressão o Modo de falha Causas prováveis Modo de Detecção Efeitos sobre Produção Interrupção escoamento do poço Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 57 A tabela 6.3 “B” analisa os modos e efeitos de falhas operacionais do subsistema manifold, do arranjo do apêndice “C”. As flexibilidades para a passagem de PIG pelos headers e para a despressurização bilateral permitem realizar estas operações através de procedimentos operacionais praticamente sem prejudicar o escoamento, pois o arranjo possui os manifolds independentes, interligados direto à UEP. N Local Criticalidade Tabela 6.3 B – Arranjo Submarino do Apêndice “C” (Análise Manifold) Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA Sistema: Arranjo apêndice C Sub – Sistema: manifold Preparado por: Edson Labanca Data: Comentários 04 header Obstrução Parafina parcial header Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento S Garantir temperatura 05 header Obstrução parcial 01 Hidrato header Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento S Injeção contínua de inibidor 06 header Obstrução Hidrato 01 header Bloqueio Interrupção escoamento dos poços S Alívio de pressão 07 Módulo de produção Perda parcial produção do poço Válvula de alinhamento do módulo de produção travada Impossibilidade de otimização D escoamento do poço Alívio de pressão o Modo de falha Causas prováveis Hidrato Modo de Detecção Efeitos sobre Produção Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 58 A tabela 6.3 “C” analisa os modos e efeitos de falhas operacionais do subsistema manifold/UEP do arranjo do apêndice “C”. As flexibilidades para a passagem de PIG pelos headers e para a despressurização bilateral permitem realizar estas operações através de procedimentos operacionais e conforme explicado anteriormente, praticamente não provocam perturbações ao escoamento. N Local Criticalidade Tabela 6.3 C – Arranjo Submarino do apêndice “C” (Análise Trecho Manifold/UEP) Análise de Modos, Efeitos e Criticalidade de Falhas - FMECA Sistema: Arranjo apêndice C Sub – Sistema: Manifold/UEP Preparado por: Edson Labanca Data: Comentários 08 01 duto entre manifold UEP Obstrução Parafina parcial Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento S Passagem PIG 09 01 duto entre manifold UEP Obstrução Hidrato parcial Diminuição Aumento da gradativa do perda de carga escoamento S Injeção contínua de inibidor 10 01 duto entre manifold UEP Obstrução Hidrato Bloqueio S Alívio de pressão o Modo de falha Causas prováveis Modo de Detecção Efeitos sobre Produção Interrupção escoamento dos poços Criticalidade: MC – Muito Crítico; C – Crítico; S – Significativo; D – Desprezível. 59 6.5 – Determinação dos tempos médios para restabelecer o fluxo após as falhas operacionais e da freqüência de falhas 6.5.1 – Tempos médios para restabelecer o fluxo A seguir, serão analisados e estimados os tempos médios para o restabelecimento do fluxo após a ocorrência dos modos de falhas: 6.5.1.1 - Modos de falhas comuns a todos os arranjos: - Eliminação da água retida durante a interligação ou troca da ANM – Para evitar a formação de hidrato, esta operação ocorrerá sempre que houver interligação dos dutos entre a ANM e o manifold ou a troca da ANM. O tempo estimado para executar o procedimento é de 2 dias; - Obstrução parcial por parafina no trecho entre a ANM e o manifold – Apesar de ser muito crítica, pode ser evitada posicionando o manifold junto aos poços para garantir, durante a vida do campo, a temperatura de escoamento acima da TIAC. É premissa do projeto evitar a formação da parafina neste trecho; - Obstrução parcial por hidrato no trecho entre a ANM e o manifold, no header, ou entre o manifold e a UEP – A injeção contínua do inibidor de hidrato garante a correção desta falha com o sistema em operação; - Obstrução total por hidrato no trecho entre a ANM e o manifold – Caso ocorra a obstrução do duto, o poço permanece com o escoamento paralisado durante as manobras para eliminar a obstrução e a posterior limpeza do duto. A despressurização pelas extremidades permite a dissociação do hidrato e a posterior limpeza com MEG elimina a água que provocou a falha. O tempo estimado para restabelecer a operação do poço é 3 dias; - Obstrução parcial por parafina no header do manifold – Como o manifold fica próximo aos poços, pode ser adotada a mesma premissa da obstrução parcial por parafina no trecho entre a ANM e o manifold; - Obstrução parcial por hidrato nas válvulas de alinhamento do módulo de controle do manifold – A falha não permite o teste do poço e 60 conseqüentemente o escoamento não pode ser otimizado. O escoamento não é interrompido e o procedimento para restabelecer a condição normal de operação é realizado quando surge a oportunidade. 6.5.1.2 - Modos de falhas específicos do arranjo apêndice A: - Obstrução do header ou do duto entre o manifold e a UEP por hidrato – O arranjo não consegue retornar à condição normal de escoamento apenas realizando manobras operacionais e o manifold com um header tem o escoamento interrompido durante os procedimentos de dissociação do hidrato. O tempo para realizar o procedimento está estimado na tabela 6.4; Tabela 6.4 -Tempo previsto da intervenção para dissociação de hidrato apêndice A. SEMANA RECURSO 1 2 3 4 5 6 Mobilização sonda Despressurização Limpeza/desmobilização - Obstrução parcial do duto entre o manifold e a UEP por parafina – A remoção da parafina é viabilizada pela passagem de PIG de limpeza, que é executada utilizando recurso externo. O escoamento é interrompido durante as manobras para a passagem do PIG. O tempo para realizar o procedimento está estimado na tabela 6.5; 61 Tabela 6.5 Tempo previsto da intervenção para remoção de parafina apêndice A. RECURSO 1 2 SEMANA 3 4 5 6 Mobilização sonda Limpeza/desmobilização 6.5.1.3 - Modos de falhas específicos dos arranjos do apêndices B: - Obstrução de 01 header ou de 01 duto entre o manifold e a UEP por hidrato – O arranjo retorna à condição normal de escoamento realizando manobras operacionais. Através do realinhamento das válvulas no manifold é possível viabilizar a despressurização bilateral do trecho hidratado mantendo os poços escoando pelo outro header. O tempo para realizar o procedimento está estimado na tabela 6.6. Tabela 6.6 - Tempo previsto da intervenção para dissociação de hidrato apêndice B. SEMANA RECURSO 1 2 3 4 5 6 Despressurização Limpeza - Obstrução parcial de 1 duto entre o manifold e a UEP por parafina – A remoção da parafina é viabilizada pela passagem de PIG de limpeza, que é executada através de manobras operacionais. Durante a passagem do PIG o escoamento é mantido alinhando todos os poços para o outro header. O tempo para realizar o procedimento está estimado na tabela 6.7. 62 Tabela 6.7 - Tempo previsto da intervenção para remoção de parafina apêndice B. SEMANA RECURSO 1 2 3 4 5 6 Limpeza 6.5.1.4 - Modos de falhas específicos dos arranjos apêndices C: - Obstrução de 01 header ou de 01 duto entre o manifold e a UEP por hidrato – O arranjo retorna à condição normal de escoamento realizando manobras operacionais. Através do realinhamento das válvulas no manifold é possível viabilizar a despressurização bilateral do trecho hidratado mantendo os poços escoando pelo outros 3 headers. O tempo para realizar o procedimento está estimado na tabela 6.8. Tabela 6.8 - Tempo previsto da intervenção para dissociação de hidrato apêndice C. SEMANA RECURSO 1 2 3 4 5 6 Despressurização Limpeza - Obstrução parcial de 1 duto entre o manifold e a UEP por parafina – A remoção da parafina é viabilizada pela passagem de PIG de limpeza, que é executada através de manobras operacionais. Durante a passagem do PIG o escoamento é mantido alinhando todos os poços para os outros 3 headers. O tempo para realizar o procedimento está estimado na tabela 6.9. Tabela 6.9 - Tempo previsto da intervenção para remoção de parafina apêndice C. SEMANA RECURSO 1 2 3 4 5 6 Limpeza 63 6.5.2 - Freqüência de intervenções dos arranjos durante a vida útil A freqüência das intervenções apresentada na tabela 6.10 é estimada baseando-se em: análise da composição do fluido durante a vida útil; análise do escoamento do fluido utilizando o programa Olga; e experiência operacional. Tabela 6.10 – freqüência das intervenções Intervenções durante a vida útil Arranjo Limpeza Limpeza intervenção PIG apêndice Interligação poços poços parafina A 8 8 NC B 8 8 40 C 8 8 14 NC - Não calculada; NN - Não necessita. PIG Remoção líquido NC NN 2555* “*” - A partir do vigésimo terceiro ano. 6.5.3 – Interpretação da tabela 6.10 - Limpeza após interligação dos poços – Após a interligação de cada poço, a água entre a válvula de bloqueio residente na estrutura e a residente no MCV precisa ser removida. Como os arranjos possuem as mesmas flexibilidades operacionais (duto de serviço e injeção de MEG nos poços), o tempo gasto é idêntico. Esta descontinuidade operacional pode não ocorrer se os poços forem interligados antes da entrada em operação do manifold. No total, cada arranjo pode ficar com um poço indisponível durante 16 dias; - Limpeza após intervenção dos poços – É esperada uma intervenção em cada poço durante a vida útil do campo, o que significa que podem ocorrer até 8 intervenções. Como mencionado anteriormente, os arranjos possuem a mesma flexibilidade e a retirada da água residual ocasionada pela intervenção dos poços pode ficar com um poço indisponível até 16 dias; - PIG para remoção da parafina – Como está sendo escoado gás, apesar dos diferentes gradientes de temperatura, os arranjos atingem a TIAC e equalizam com a temperatura do meio ambiente (9 oC). Com os dados da variação de 64 vazão com o tempo de produção (apêndice “F” folha 87) e as características do gás ( apêndice “F”, folha 90) é utilizado o programa Olga para definir o gradiente da temperatura do escoamento e a velocidade superficial ao longo do duto (apêndice “F”, folha 89). Com estes dados é possível estimar a espessura de parafina ao longo do duto (apêndice “F”, folha 91) e a quantidade acumulada ao longo do tempo (apêndice “F”, folha 92). Os dados obtidos são conservadores, em função das incertezas que existe no estudo para conhecimento do comportamento da formação de parafina no duto. No presente trabalho, pode-se concluir que será necessário passar PIG com freqüência no início da operação, para definir a real quantidade de parafina acumulada e com isto, redefinir a freqüência da passagem de PIG durante a vida útil do campo. Como existe a certeza da formação da parafina, ambos os arranjos possuem as flexibilidades para a passagem de PIG e as redundâncias para minimizar a descontinuidade do escoamento durante esta operação. - PIG para a remoção de líquido – A produção do gás diminui durante a vida do campo. Isto significa que a velocidade do gás no duto diminui ao longo do tempo, podendo chegar a valores que não possibilitem o arraste do condensado acumulado no duto. A perda de carga aumenta e a partir de determinado valor provoca golfadas que dificultam ou até inviabilizam o escoamento. Para estudar este comportamento, é montada a malha do escoamento utilizando-se com entrada os acidentes que provocam perda de carga, os comprimentos dos trechos dos dutos entre os equipamentos do arranjo e o perfil batimétrico do solo (apêndice “F”, folha 86). Com as características do fluido escoado e a variação da vazão dos arranjos ao longo do tempo (apêndice “F”, folha 87), é calculado, utilizando o programa Olga, a quantidade de líquido acumulado no duto (apêndice “F”, folha 88). Comparando os resultados com as características do fluido escoado e a variação de vazão dos arranjos ao longo do tempo (apêndice “F”, folha 87), pode-se determinar a freqüência da passagem de PIG para cada arranjo durante a vida útil do campo. O arranjo do apêndice C, a partir do vigésimo terceiro ano de produção, só consegue manter o escoamento removendo o 65 condensado a cada 2 dias (média). Isto implica na necessidade de disponibilizar flexibilidade operacional para viabilizar a passagem de PIG nos últimos sete anos de produção do campo. 6.6 – Conclusões da análise comparativa Com os resultados obtidos pode ser concluído que, com as premissas e hipóteses do estudo, todos os arranjos são tecnicamente viáveis. O arranjo submarino do apêndice A (manifold com um duto de produção), devido à falta de redundância, resulta em alto custo operacional e baixa disponibilidade. O arranjo do apêndice B (dois manifolds com 2 dutos de produção) viabiliza as flexibilidades operacionais e redundâncias que minimiza a indisponibilidade do escoamento. O apêndice C (dois manifolds independentes com 4 dutos de produção), viabiliza as flexibilidades operacionais e redundâncias, necessitando passar continuamente PIG de limpeza no final da vida útil. O arranjo do apêndice A é mais sensível às falhas operacionais e no presente estudo está descartado devido à necessidade de recurso externo para viabilizar as flexibilidades operacionais (Passagem de PIG). O arranjo do apêndice C apesar de possuir maior capacidade de escoamento tem como desvantagem, quando comparado com o arranjo do apêndice B, a necessidade de passagem de PIG de limpeza nos últimos sete anos da vida útil. Verifica-se então que os arranjos dos apêndices B e C devem ser analisados economicamente, ficando a decisão da escolha para o que representar melhor retorno financeiro. 66 7 – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 7.1 - Conclusões É proposta nesta dissertação uma metodologia para avaliação e seleção de sistemas submarinos baseada na disponibilidade operacional. De forma resumida, as principais conclusões seguem abaixo: 1. A atividade de exploração de campos de petróleo offshore não permite mudanças no projeto após a instalação dos equipamentos. Esta característica implica na necessidade de exaustivos estudos para entender o comportamento do escoamento, que permitirão definir as necessidades das flexibilidades e redundâncias operacionais que devem ser disponibilizados pelo projeto; 2. As falhas operacionais existem e independem da confiabilidade dos equipamentos. Um sistema submarino pode ter baixa performance operacional, ou até mesmo inviabilizar o escoamento, mesmo mantendo todos os seus componentes e equipamento disponíveis; 3. A otimização do projeto para garantir a disponibilidade requerida do sistema, depende do grau de conhecimento do campo. Quanto menores as incertezas, menor será o custo do arranjo e maior será a disponibilidade operacional; 4. Os estudos para a escolha do melhor sistema submarino devem considerar: a disponibilidade do escoamento viabilizada por cada arranjo submarino; a arquitetura dos equipamentos para garantir a disponibilidade dos componentes durante a vida útil; e a garantia da viabilidade de instalação dos equipamentos; 5. Visando garantir o gerenciamento e otimização do escoamento, um sistema para a monitoração das variáveis de processo em tempo real, deve ser disponibilizado na UEP, 6. Para comprovar a metodologia proposta na tese, o apêndice D analisa os dois primeiros anos de operação de um sistema submarino instalado na Bacia de Campos. 67 7.2 – Recomendações Para garantir o retorno financeiro quando do desenvolvimento de um sistema de produção offshore, é importante organizar o projeto conforme apresentado abaixo: 1. Criar um grupo multidisciplinar composto por todas as atividades envolvidas com o projeto, desde o estudo de viabilidade técnica e econômica até o abandono ao fim da vida útil; 2. Estudar o escoamento de forma integrada com o grupo que elabora os arranjos submarinos, emitindo a base de projeto que serve de premissa para o desenvolvimento do projeto básico; 3. Adquirir os principais componentes do arranjo submarino de fabricantes especializados na fabricação de equipamentos submarinos; 4. Adotar a prática de consolidar as lições aprendidas com os projetos anteriores, criando banco de dados para implementar as melhorias nos novos projetos. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] VELDMAN, H. e LAGERS, G., 50 years offshore. Foundation for Offshore Studies, Delft, 1997. [2] FORMIGLI, J. e PORCIÚNCULA, S., “Campos Basin: 20 Years of Subsea and Marine Hardware Evolution”, OTC 8489. In: Proceedings of the 29th Annual Offshore Technology Conference, pp. 471-487, Houston, May 1997. [3] EUTHYMÍOU, E. J., Metodologia para Testes Funcionais em Válvulas Submarinas. Tese de M.Sc.,COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2001 [4] COELHO, E.J.J., CORREA, ºB., EUPHEMIO, M.L., ET AL., CURSO Introdutório sobre Sistemas Remotos de Supervisão e Controle de Instalações Submarinas. Rio de Janeiro, PETROBRAS/SEREC/CENSUB, 1989. [5] HERDEIRO, M. A. N., Instalação de Sistemas Submarinos de Produção em Águas Remotas. Tese de M.Sc., COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1997. [6] CARROLL, J. J., Natural Gas Hydrates: A Guide for Engineers. Gulf Professional Publishing (USA), 2003. [7] MONTESANTI, J. R. T., Garantia de Escoamento “PARAFINAS”. Programa Trainees Petrobras – 2002. [8] PAULO, C.A.S., Metodologia para seleção de manifolds submarinos baseada em custo do ciclo de vida. Tese MSc., COPPE/UFRJ, Engenharia Oceânica, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1999. [9] GUEDES, S.L.T., Aplicação da Análise de Riscos nas Fases de Projeto de Sistemas Submarinos de Produção de Petróleo. Tese de M.Sc., COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1998. [10] LEWIS E. E., Introduction to Reliability Engineeering. John Wiley & sons, Second Edition,1996. 69 APÊNDICE A Arranjo submarino com dois manifolds e um duto de coleta 70 APÊNDICE B Arranjo submarino com dois manifolds e dois dutos de coleta 71 APÊNDICE C Arranjo submarino com dois manifolds e quatro dutos de coleta. 72 APÊNDICE D LIÇÕES APRENDIDAS: INTERLIGAÇÃO, PRÉ-OPERAÇÃO E PERFORMANCE OPERACIONAL D.1 - INTRODUÇÃO O manifold de gas lift (MSGL), tem capacidade para conectar o anular de até 6 poços produtores. Possui ainda a flexibilidade para garantir a passagem de PIG, através do anular e dutos de produção dos poços. Está posicionado a 19 km da UEP, na profundidade de 1970 metros, onde em Dez/02 iniciou a operação. A configuração do arranjo submarino permite a distribuição do gas lift para os seis poços, ficando os dutos de produção de cada poço ligados individualmente à UEP, ver figura D.1. Figura D.1 – Arranjo submarino do MSGL mostrando a interligação entre a UEP, MSGL e os poços 73 D.2 – FILOSOFIAS ADOTADAS O projeto seguiu a mesma filosofia adotada para os manifolds diverless guidelineless que prioriza a instalação das flexibilidades operacionais na estrutura do manifold e o controle multiplexado recuperável. O MSGL utiliza válvulas normalmente abertas ou fechadas, para priorizar o gas lift dos poços, sem pressurizar os atuadores das válvulas. Os chokes e o sistema de aquisição de dados estão instalados em módulos recuperáveis que viabilizam a manutenibilidade e com isto garantem a disponibilidade das flexibilidades operacionais estabelecidas nas premissas de projeto. D.3 –DESENVOLVIMENTOS REALIZADOS Além da qualificação de todos os componentes para atender à profundidade de 2000 metros, foi desenvolvido o PIG diverter, que permite direcionar o PIG para o poço selecionado. Na área de aquisição de dados foi qualificado o medidor monofásico para, em tempo real, disponibilizar a vazão de gás injetada em cada poço. D.4 – ANÁLISE DOS EVENTOS RELACIONADOS AO SISTEMA SUBMARINO Foram pesquisados os BDP (Boletim Diário de Produção) do período de 11/12/02 a 31/08/04 (Apêndice E). Os eventos estão em ordem cronológica iniciada por uma letra que caracteriza a fase responsável pela geração da não conformidade. A tabela D.1 correlaciona as letras com as respectivas fases. Tabela D.1 (agrupamento das fases) Tópicos Fases A Projeto B Interligação C Pré-operação D Operação E Outros 74 D.5 – FREQUÊNCIA DE PASSAGEM DE PIG E ACIONAMENTO DE VÁLVULAS A longa distância do poço até a UEP resulta num escoamento com temperaturas abaixo da TIAC, necessitando da constante passagem de PIG de limpeza para permitir a remoção da parafina acumulada nos dutos de produção. A freqüência de passagem de PIG pelos poços, foi levantada nos BDP do período acima e o resultado encontra-se na tabela D.2. Tabela D.2 – Freqüência de passagem de PIGs nos dutos dos poços Período Poço Interligação Início Operação 03 manifold 11/12/02 06 01 manifold 11/12/02 P-36 18 43 manifold 27/01/03 P-16 13 69 plataforma P-09 31 33 plataforma 02/03/03 P-21 25 80 manifold 20/03/03 P-24 07 - manifold 29/03/03 P-08 11 17 manifold 06/07/03 11/12/02 a 01/01/04 a 31/12/03 31/08/04 P-14 05 P-12 D.6 – ANÁLISE DAS NÃO CONFORMIDADES A seguir, serão analisadas as principais não conformidades registradas nos BDP, identificando a fase geradora da causa: (A) FASE DE PROJETO A tabela D.3 mostra a distribuição dos registros, relacionado-os aos respectivos sistemas que apresentaram desempenho divergente das premissas de projeto. 75 Tabela D.3 (distribuição dos registros relacionados ao projeto) Sistema Número de registro Soft de controle 12 Medidor monofásico V - Cone 07 Módulo de controle - SCM 01 Injeção química 01 Swivel 01 Total 22 Como pode ser observado, dos 22 registros, 20 estão relacionados ao sistema de controle, ficando evidente a deficiência do fornecimento. O fornecedor, apesar do conceituado reconhecimento internacional quanto à capacitação técnica na área de controle, cometeu erros graves no sistema da garantia da qualidade que prejudicaram o desempenho do produto. Os dois registros restantes estão relacionados à deficiência da planta de processo. O sistema de injeção para produto químico não é adequado às necessidades da planta e a disponibilidade de apenas um swivel, de pequeno diâmetro, limita as flexibilidades que garantem a eficácia dos procedimentos operacionais para manter a continuidade operacional. (B) FASE INTERLIGAÇÃO Apesar do pequeno número de registros, esta fase preocupa em função dos custos envolvidos para correção das não conformidades e do impacto que pode ocasionar na performance do sistema submarino durante a vida útil. A queda de uma manilha dentro da base do módulo de controle durante a troca do mesmo, danificou de forma permanente cinco conectores hidráulicos, que tiveram os insertos reprojetados para evitar a perda permanente da capacidade de conexão de dois poços. 76 (C) FASE PRÉ - OPERAÇÃO Os quatorze registros ocorreram do início da operação (11/12/02 até 08/05/03) caracterizando a fase de aprendizado e integração dos operadores com a planta e o sistema de escoamento. Estas não conformidades estão relacionadas a problemas com formação de hidrato, provocado pela dificuldade de remover a água do interior do jumper anular entre o manifold e a árvore. A ansiedade dos operadores e a pouca flexibilidade da planta prejudicaram a entrada do gás lift e ocasionaram perdas de produção. (D) FASE OPERAÇÃO O grande número de registros foi ocasionado pela formação de hidrato durante a operação, caracterizado pela deficiência do enquadramento do gás injetado para a realização do gas lift. A partir de Março/04, com a otimização da planta de secagem do gás, o gas lift passou a operar normalmente. Outro ponto que merece destaque é a parada de produção dos poços devido à falha da unidade hidráulica. (E) OUTROS Os registros estão relacionados a serviços em andamento ou informação de determinada fase concluída. D.7 – CONCLUSÃO Para não perder as informações e garantir a disseminação da experiência adquirida, principalmente visando incorporá-las ao projeto dos novos manifolds, é importante realizar encontro técnico após a entrada em operação de novos projetos, para discutir as principais causas dos problemas e propor as melhorias a serem incorporadas nos novos projetos. A prática de consolidar as lições aprendidas com os projetos anteriores e a decisão de implementar as melhorias nos novos projetos têm sido determinantes para transpor os desafios de produzir campos em águas cada vez mais profundas. 77 Referências - BDP (Boletim Diário de Produção); - Ata de reunião do Workshop de Lições Aprendidas; - Documentação técnica do manifold. 78 APÊNDICE E BOLETIM DIÁRIO OPERAÇÕES - REGISTROS RELACIONADOS AO SISTEMA SUBMARINO E.1) PERÍODO DE 11/12/02 A 31/12/03 - (A-1) 24/12/02 – Perda de produção 190 m3/d devido falha de comunicação do MSGL (Manifold Submarino de Gas Lift); - (A-2) 03/01/03 – Falha de leitura da temperatura na árvore P-12 devido falha no soft, sem perda de produção; - (B-1) 15/01/03 – Falha do PDG (sensores de pressão e temperatura instalados no poço) e TPT (sensores de pressão e temperatura instalados na ANM) do P- 36 devido a erro de montagem; - (A-3) 15/01/03 - Falha do SCM-2 detectada quando do teste do sistema de controle após a instalação; - (B-2) 15/01/03 – Dano nos couplings (conectores hidráulicos do sistema de controle) da base residente do SCM, devido à queda de manilha quando da intervenção para substituição pelo SCM reserva; - (E-1) 24/01/03 – Calço hidráulico na Diverter 1 (válvula desviadora de PIG) provocado pela ausência do SCM – 2; - (A-4) 30/01/03 – Após shut down (parada da planta de processo) falha execução partida do manifold; - (C-1) 08/02/03 – Entrada do poço P-12 (antes 11/12/02, P-23 tentando dissociar hidrato); - (B-3) 20/02/03 – Reparado cabo do TPT e PDG do P-36; - (C-2) 06/02/03 - Teste do P-16 utilizando header de gas lift; 79 - (A-5) 25/02/03 – Parada TPT P-14 após shut down na planta; - (E-2) 27/02/03 – após ESD-3 (shut down nível 3) TPT do P-14 voltou a funcionar; - (D-1) 04/03/03 – Problema com HPU (Unidade Hidráulica de Potência), vazamento pelas PSVs (válvulas de segurança do sistema de controle) e dos acumuladores de HP (Alta Pressão) e LP (Baixa Pressão), que ocasionou despressurização do sistema hidráulico e conseqüentemente fechamento dos poços. Causa: falha no contator elétrico das bombas elétricas que não desarmou, parando as bombas. Tempo de parada (15:30 as 17:00hs); - (D-2) 05/03/03 – Problema com HPU, fechamento dos poços. Tempo de parada (17:00 as 20:00); - (E-3) 06/03/03 – Em andamento troca do SCM – 2 pelo Navio de intervenção; - (C-3) 06/03/03 – Sendo despressurizada a linha de gas lift (principal de 6”) do MSGL, para o flare. O processo está bem lento devido ao grande volume da linha e da pouca vazão de alívio, proporcionada pelas facilidades de despressurização do sistema. Linha de serviço cheia com diesel, preparada para limpeza do P-21; - (E-4) 07/03/03 Instalado com sucesso o SCM-B, sendo efetuado os testes das funções; - (E-5) 07/03/03 – P-12, impossibilitado de fazer gas lift devido vazamento hidráulico na mangueira W-2 (mangueira hidráulica que aciona a válvula da árvore Wing – 2); - (C-4) 07/03/03 – P – 36, estamos com suspeita de hidrato (provavelmente próximo ao choke do MSGL). Estamos com pouca flexibilidade operacional para executar um procedimento mais adequado para dissociação de hidrato, pois estamos com a linha de serviço do MSGL, cheia com diesel, preparada para limpeza do P-21. No momento, sendo despressurizada a linha de gas lift (principal de 6” ) do MSGL para o flare, operação continua lenta; - (E-6) 08/03/03 - Concluído teste SCM-B com sucesso; 80 - (C-5) 09/03/03 - Continua execução procedimento para dissociação hidrato no P - 36; - (C-6) 10/03/03 – Continua procedimento de dissociação do hidrato no P 36, trecho entre manifold e ANM; - (C-7) 11/03/03 até 17/03/03 – MSGL em procedimento para dissociação de hidrato; - (C-8) 18/03/03 – Mangueiras de ethanol para os poços P-12 e P-14 estão bloqueadas, ou devido alinhamento errado na ANM ou bloqueadas ou bloqueio por hidrato; - (A-6) 27/03/03 – Injetados até o momento 3000 lts de ethanol na linha no 5 do P-24, injetados 1128 lts na linha no P-14, nesta segunda linha injetou-se com E-31 e E-41 abertas, Não foi possível manter a bomba ligada com injeção contínua (operação em batelada); - (C-9) 31/03/03 – Impossibilitado de injetar álcool na mangueira no 14 (poço P-24); - (C-10) 07/04/03 - Pressão entre a linha de serviço e gas lift do MSGL equalizada, a linha de serviço será despressurizada para operação de limpeza; - (C-11) 08/04/03 – Injetado 5000 lts de ethanol na linha de gas lift do MSGL para executar procedimento de limpeza, continuamos preparando o MSGL para as operações de limpeza; - (C-12) 09/04/03 a 11/04/03 – Prossegue preparação do MSGL para limpeza; - (C-13) 10/04/03 – Choke do P-14 com problema de acionamento, fechando somente até 160/64”; - (C-14) 12/04/03 a 08/05/03 – Falta de gas lift devido à formação de hidrato no MSGL; - (D-3) 12/05/03 – Falta de gas lift devido a hidrato no MSGL (P-12; P-14); - (A-7) 01/06/03 – Fis (Indicadores de fluxo) do MSGL estão inoperantes; - (D-4) 02/06/03 – Falta de gas lift P-12 devido hidrato na árvore (W2); - (E-7) 19/06/03 – Gas lift operando sem otimização; 81 - (D-5) 19/06/03 – Injetado ethanol no manifold devido aumento de pressão de 209 para 215 bar no mesmo, suspeita de início de formação de hidrato; - (D-6)) 21/06/03 – Continua ajustes na unidade de glicol para otimizar consumo. Consumo médio de glicol hoje 100 l/d; - (D-7) 22/06/03 – Por volta das 11 hs a vazão de gás para o MSGL reduziu enquanto a pressão no mesmo subiu indicando que o fluxo para os poços não estava normal, iniciamos uma série de testes para verificar a comunicação entre MSGL e poços. Identificado bloqueio entre as válvulas G3 e G5 com os respectivos chokes do P-24 e P-14. P-36 e P-21 não apresentaram bloqueio. O gas lift para o P-36 foi parado as 12:40 hs para permitir despressurização da linha de gas lift do MSGL; - (D-8) 23/06/03 – Continua a despressurização da linha de gas lift e da linha de serviço do MSGL; - (A-8) 23/06/03 – Dificuldade de reset da estação de controle do MSGL; - (D-9) 24/06/03 a 06/07/03 – Continua a despressurização do MSGL; - (E-8) 06/07/03 - Iniciada a produção do P-08; - (D-10) 08/07/03 a 13/07/03 - Continua a despressurização do MSGL; - (D-11) 21/07/03 – Unidade de regeneração de glicol continua apresentando deficiência de performance; - (D-12) 22/07/03 a 24/07/03 – MSGL aliviando gás dos jumpers dos poços; - (D-13) 30/08/03 – Retorno do gas lift via MSGL para o poço P-14; - (A-9) 03/09/03 – Técnicos embarcados para troca de programas de controle do MSGL e operacionalização dos medidores de gas lift dos poços; - (A-10) 06/09/03 – Técnicos completaram troca de programa da HPU e trabalharam na operacionalização dos V- Cones (Medidores Monofásicos); - (D-14) 07/09/03 - Vazão de álcool no MSGL ajustada para 3 litros para cada 1000 m3 de gás; - (A-11) 08/09/03 - Equipe desembarcou após concluir troca de software das bombas da HPU; - (A-12) 12/09/03 – MSGL ainda continua sem leitura confiável nos V-Cones dificultando a otimização de gas lift nos poços; 82 - (D-15) 14/09/03 – P-12 com suspeita de hidrato, iniciada injeção de álcool no choke; - (D-16) 15/09/03 - Consumo de ethanol hoje 1050 lts/dia para o MSGL tendo em vista a umidade do gás; - (D-17) 18/09/03 – Despressurizada a linha de serviço do MSGL até a válvula M-2 ( de 70 para 0,6 bar); - (D-18) 23/09/03 – P-21 apresentou início de formação de hidrato no choke de gas lift as 10 hs e após a injeção de ethanol por 35 minutos voltou à condição normal de injeção; - (D-19) 25/09/03 – P-14 as 20:56 hs foi injetado ethanol por suspeita de formação de hidrato no choke de gas lift. O hidrato foi dissociado; - (E-9) 26/09/03 – Passagem de PIG; - (A-13) 15/10/03 – Equipe embarcada para troca do programa e operacionalização dos V-Cones; - (A-14) 16/10/03 – Equipe efetuou a troca do software nos PLCs 1 e 2; - (A-15) 20/10/03 – V-Cones dos poços P-12, P-21, e P-08 operacionais. E.2) PERÍODO DE 01/01/04 A 31/08/04 - (A-16) 01/01/04 - Confirmado que somente os P-12/8 estão com medição de gas lift coerentes; - (D-20) 04/01/04 - Encontrado bloqueio na W2 às 7 hs. Após teste, concluiuse que o bloqueio está entre a W2 e XOV (válvulas da ANM); - (D-21) Vazão de ethanol foi aumentada novamente devido a suspeita de hidrato no choke; - (D-22) 04/01/04 - P-08: retornou para 1,5 litros/1000 m3gas; - (D-23) 05/01/04 - P-08: poço continua sendo despressurizado pela linha de serviço; 83 - (D-24) 06/01/04 - P-08: linha de gas lift despressurizada. Previsão de reiniciar o gas lift esta noite; - (D-25) 07/01/04 - P-08: gas lift alinhado as 00:32 hs, após injetar 500 litros de ethanol a montante do choke. Poço retornou à produção normal; - (D-26) 01/02/04 - Válvula G4 (válvula de alinhamento do gás no manifold) do MSGL referente ao HUB 4, P-08 não está fechando e foi necessário fechar o choke para fazer a operação de passagem de PIG; - (D-27) 01/02/04 - P-08: depois da passagem de PIG não foi possível injetar GL (Gas Lift) no poço, devido a bloqueio na árvore entre W2 e M2. Linha de serviço e anular do poço sendo despressurizadas para dissociação de possível hidrato; - (D-28) 02/02/04 - P-08: Depois da despressurização do anular e a injeção de 1000lts de ethanol, reiniciada a injeção de gas lift às 02:50 hs; - (D-29) 7/02/04 – Barco de serviço realizou teste funcional na G4 do MSGL. A válvula não fechou além de 70%. A abertura e o fechamento, através da atuação hidráulica, são rápidas, porém não ultrapassam o limite de 70%. A operação em override ficou limitada a 14 das 20 voltas; - (B-4) 20/02/04 - P-21: retornou a operar após condicionamento do conector elétrico com ROV, efetuada junto ao MSGL durante parada programada da planta; - (D-30) 25/02/04 - Enquadramento do gás para exportação e gas lift após parada programada. Durante o dia iniciado diversas tentativas de enquadrar o drew point do gás sem sucesso, tentando aumentar pressão da torre absorvedora aliviando o gás para o flare/negativo/congelamento na linha do flare; - (D-31) 26/02/04 – Barco de serviço abriu a válvula V-4 do poço P-08, testou G-4, a mesma emperrada em 50% (movimenta somente de 50/45%). Não observada injeção de gás no poço após abertura; - (D-32) 27/02/04 - P-08: Iniciado as 13:00 hs despressurização do anular para o flare (será necessário despressurizar linha de serviço de 110 bar para zero); 84 - (D-33) 28/02/04 - P-08: Concluída despressurização da linha de serviço (demorou 25 horas), observada quebra de hidrato no trecho MSGL/poço; - (D-34) 28/02/04 - Iniciada a injeção de gas lift, injetando etanol via E-42 (Válvula de injeção etanol do poço) no período de 14:30/15:50 hrs (750 lts), injeção de gas lift normal; - (D-35) 15/03/04 - P-24: Apresentou sinal de formação de hidrato no choke, foram injetados 450 lts de ethanol e poço voltou ao normal; - (A-17) 18/03/04 - Falha de comunicação com o manifold as 19:35. Normalizado após reset; - (A-18) 19/03/04 - Embarcados técnicos para testes no MSGL e troca de software. Barco de serviço fará teste funcional no choke; - (E-10) 20/03/04 - Técnicos realizaram testes no choke do P-36, acompanhados por ROV. Choke não atendeu comando de abertura. O comando de fechamento operou até 9,8%. Aplicado novo comando de abertura, por várias vezes sem sucesso. ROV restabeleceu abertura inicial do choke (45%); - (A-19) 20/03/04 - Atualização do software do MSGL realizada com sucesso. Equipe desembarcou; - (A-20) 01/04/04 - Unidade hidráulica: Apresentando ocasionalmente falha de comunicação na interface homem/máquina; - (A-21) 12/04/04 - V-cones dos poços P-12/08, operacionais, medição de outros poços do MSGL sem confiabilidade; - (A-22) 12/04/04 - Unidade hidráulica: Apresentando ocasionalmente falha de comunicação na interface homem/máquina; - (D-36) 16/04/04 - Reduzida a injeção de ethanol para 1,2 lts para cada 1000 m3 de gás. Estamos observando o comportamento do MSGL; - (D-37) 18/04/04 - Reduzida a injeção de ethanol para 1,0 lts para cada 1000 m3 de gás. Estamos observando o comportamento do MSGL; - 31/08/04 - Término 85 da pesquisa. APÊNDICE F GRÁFICOS DAS VARIÁVEIS DE PROCESSO PARA OS DIVERSOS ARRANJOS Diagrama Uni-filar da Malha de Escoamento 86 Gráfico mostrando a variação da vazão com o tempo de produção para cada uma das alternativas consideradas. A vazão de fato é a metade pois tem-se dois sistemas escoando separadamente. 4 x 12” 2 x 12” 2 x 10” Potencial de produção 87 Relação entre pressão requerida (linha cheia) no manifold e a vazão desejada, para cada uma das concepções estudadas. Também é mostrada a relação entre quantidade de líquido (linha tracejada) acumulado e a vazão. Pressão Requerida no MSP e Volume de Líquido no Duto 200 600 Pressão na PMXL = 61 bara (duto de 10") Pressão na PMXL = 61 bara (duto de 12") 180 Pressão na PMXL = 61 bara (duto de 8") 500 Acúmulo de Líquido - 10" (m3) Acúmulo de Líquido - 12" (m3) Acúmulo de Líquido - 8" (m3) 400 140 FLUXO em GOLFADAS 120 300 100 200 80 100 60 40 0 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 Vazão de Gás (MMsm3/d) 88 3,5 4 4,5 5 5,5 Líquido Acumulado no duto (m3) Pressão no MSP (bara) 160 Perfil de temperatura e velocidade superficial ao longo do duto DIÁRIO 0,07 80 Temperatura 70 Vel.Superficial 0,06 60 Temperatura (C) 50 0,04 40 0,03 30 0,02 20 0,01 10 0 0 2000 4000 6000 8000 10000 Distância (m) 89 12000 14000 16000 18000 0 20000 Velocidade (m/s) 0,05 Velocidade para 4 dutos de 12" Características do fluido em estudo DUTO ÓLEO ID OD COMP 12 in 12,75 in 18233 m K Cp N° seções K RUGOSIDADE 6 50 W/m/K 0,0005 m T (°C) VISC. 43,35 2,308 40,55 2,44 37,55 2,586 32,25 2,92 30,55 3,034 29,45 3,114 28,35 3,197 26,65 3,328 25,05 3,467 23,85 3,565 22,75 3,667 21,15 3,829 18,35 4,124 15,55 4,455 ESCOAMENTO T amb T saída T entrada P entrada Vazão Fóleo no dep. Kdep Dif. Coef. 5 10 70 80 2470 0,8 0,32 3,04E-10 C C C bar BPD W/m/K m2/s 0,16 W/m/K 2000 J/kg/K 90 Ponto crítico de acumulo de parafina no duto Perfil de Espessura após 1 mês 0,30 2 dutos 12" 4 dutos 12" 0,25 Espessura (mm) 0,20 0,15 0,10 0,05 0,00 3038,83 5038,83 7038,83 9038,83 11038,83 Distância (m) 91 13038,83 15038,83 17038,83 19038,83 Parafina acumulada no duto ao longo do tempo Espessura Média 0,25 2 dutos 12" 2920 Kg 4 dutos 12" Espessura (mm) 0,20 0,15 1460 Kg 0,10 0,05 0,00 0 5 10 15 20 Tempo (dias) 92 25 30 35