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AUTARQUIA ASSOCIADA À UNIVERSIDADE DE SÃO
PAULO
RASTREAMENTO DA ORIGEM GEOGRÁFICA DE AMOSTRAS
DE MACONHA APREENDIDAS NAS RUAS DE SÃO PAULO,
POR MEIO DE ASSINATURAS QUÍMICAS
ELISA KAYO SHIBUYA
Tese apresentada como parte dos
requisitos para obtenção do Grau
de Doutor em Ciências na Área de
Tecnologia Nuclear - Materiais.
Orientador:
Prof. Dr. Jorge Eduardo de Souza
São Paulo
2005
INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES
Autarquia associada à Universidade de São Paulo
Rastreamento da Origem Geográfica de Amostras de Maconha
Apreendidas nas Ruas de São Paulo, por Meio de Assinaturas
Químicas
ELISA KAYO SHffiUYA
Tese apresentada como parte dos
requisitos para obtenção do Grau de
D o u t o r em Ciências na área de
Tecnologia Nuclear - Materiais.
Orientador:
Prof. Dr. Jorge Eduardo de Souza
Sarkis
São Paulo - 2005
J^o Márcio, peío apoio e amor
incondicionaC.
Jos meus pais, peía idcCa e
oportunidade de míãareste
camAnão.
Agradecimentos
Costana de agradecer em primeiro fugar, ao (Prof. (Dr Jorge £. S.
Sarais, idealizador e orientador deste projeto, peía oportunidade única e
também por confiar e acreditarem meu trabaífio.
J?o (Diretor do Centro dejináíises e (Pesquisas do Instituto de
Criminaíistica do (Estado de São (pauío (Dr. Osvaído'íHegriniíHetopeía
parceria inovadora que possiBiíitou a reaíização deste projeto e, tenão
certeza, de outros tantos que estão por vir
JLos diretores e coíaSoradores dos Institutos de Criminaíistica dos
(Estados participantes
(Dr. JesseRoJi. Medeiros
-Jcre
(Ura. Tliete (Borges -J^mapâ
(Dr. (DjaCma Conceição Siíva - (Baíiia
(Dr. (janvier'Feitosa_Mragão - Ceará
(Dr. José % C ^iSeiro - Maraníião
(Dr. João T. Comes e (Dra. Ceres I. O. Maf{soud- íMato Crasso do SuC
(Dr Joaquim Œ. Jraújo e (Dr Luiz Ç. (R, íMaCcâett - (Pará
(Dr. (Fernando íManoeí(Dias J uves - (Paraná
(Dr (pauCo T. C ^a.sconceCos - (pemamSuco
Ao diretor do Centro de Energia Júicíear m JLgricuítura
fCEíN'A/VS(P), (Dr. (¡(eynaído L. 'Victoria e a toda equipe do LaSoratório de
Ecoíogia Isotópica e em especiaíaos (profs. (Drs. Luiz A. Martineííi, Jean (p.
Jí. (B. Ometto (veía paciencia quase infinita) e íMarceío Z. Moreira, sempre
tão soíícitos, cuja coíxSoraçãofora fundam^entaídesde a aquisição dos dados
à interpretação final e elaboração do texto. Obrigada peía receptividade e
oportunidade de traSaíüar com vocês.
Jio (Dr. (Rjcardb Haraí^va do Instituto (BioCógico do Estado de São
(pauto, vetas anáfises preCiminares de ^D'KA-
Jl todos os amigos do LaSoratório de Caracterização Química por
tomarem o dia a dia tão divertido, e especialmente a cada um de vocês:
J^CderS. (Pereira, peías análises iniciais no IQP-CyES, mesmo que sem o (n+1):
_ñ^na (PauCa de S. Cima, peCos anos de amizade .ñncera;
Jíeíena M. Sfiidomatsu, peío cañnfioso coração de mãe, onde sempre
caôe mais um;
Irene Ji. T. (Bona, miníia companíieira de saía, peCa paciência e
incansáveis discussões estatísticas;
João C VCiicã, o íiomem da quaCidade, por "rodara baiana"peías coisas
erradas no íaôoratóiio;
Márcia (^cfia, recém-cllegada, peíos fujçicos no corredor,
Marcos Jl. Tlorteííani, peías íendas de Jlraraquara e por me ensinar tanto
soôre peixes, e cíaro, tamSém por toda ajuda no íaSoratótío;
Maurício yf. %a^zu, peío "suporte expeñmentaC que permite o funcionamento
do íaSoratótio, e tamSém peía paciência orientai que tanto me fafta;
MônicaS.
Campos, peías "profundos eruinamentos";
Maria !ffeíena (B. Marumo, por me introduzir no mundo da í ) 5 \ % finalmente, aos estagiários S^ataíie S. Turían e (Diogo (p. Manfrin sem a ajuda de vocês o traSaííio com certeza se tia 5em mais íongo!
Aos amigos Edinei Xoester (VE^^S) e Márcio Soares (EsaíqVS(p)peía amizade e enorme ajuda (e paciência) na fundamentação e
interpretação dos resultados.
ßo meu querido (Professor do Instituto de Tísica (ITVS^P) ^Dr.
(Ricardo'M.O. Çaívão peías paíavras carinñosas de incentivo e amizade.
Oßrigada por "Botara maior fé em mim"!
ßo amago Manne í O. M. ^Ferreira, peíos anos de inestimável amizade.
yi amiga Andréa A. Pereira peío carinão e apoio durante a execução
do tra baião.
ßos inseparáveis e eternos amigos Marceío S. Comes e Daniela
íN'anni.
Espero ter retriSuído a cada um de vocês, de alguma maneira, a Soa
convivência e aprendizados que tanto acrescentaram ao longo destes anos,
não somente ao meu traSalão, mas principalmente à minãa vida.
A Eß(PES(Ppelo apoio financeiro.
À EI%W/(PA(DCT
Ao I(PEJ^
Muitas vezes, as pessoas são egocêntncas, iCógicas e insensatas,
(perdoe-as, assim mesmo.
Se você é gentií, as pessoas podem acusã-ío de egoísta, interesseiro.
Seja gentU, assim, mesmo.
Se você é um vencedor, terá aCgunsfaCsos amigos e inimigos verdadeiros.
Vença, assim mesmo.
Se você é Honesto e franco, as pessoas podem enganâ-Co.
Seja honesto efranco, assim, mesmo.
Se você tem paz e éfeCiz, as pessoas podem sentir inveja.
Sejafeíiz, assim, mesmo.
O 6em que você faz hoje, pode ser esquecido anmnhã.
Taça o 6em, assim, mesmo.
(Dê ao mundo o meChorde você, mas isso pode nunca ser o 6astante.
(Dê o meChorde você, assim mesmo.
Veja você que, nofinaCdas contas, semprefoi entre você e (Deus.
Üúincafoi entre você e as pessoas.
Madre Teresa de CííCcutâ
RASTREAMENTO DA ORIGEM GEOGRÁFICA DE AMOSTRAS DE MACONHA
APREENDIDAS NAS R U A S DE S Ã O PAULO, P O R MEIO DE A S S I N A T U R A S
QUÍMICAS
Elisa K a y o S h i b u y a
RESUMO
Neste trabalho foi desenvolvido um procedimento de rastreamento da origem geográfica
de amostras
de maconha
comercializadas
na cidade
de São
Paulo por meio
de
assinaturas químicas. Todo o trabalho baseou-se e m amostras apreendidas junto a
usuários e traficantes, que f o r a m fornecidas pelos Institutos de Criminalística dos Estados
participantes. Cerca de 160 amostras provenientes das regiões de produção (Região
Amazônica, Polígono da Maconha, localizado no nordeste brasileiro e a região do Mato
Grosso do Sul) foram analisadas para constituintes inorgânicos e isótopos estáveis de
carbono e nitrogênio. A s técnicas analíticas utilizadas foram a espectrometria de massas
de isótopos estáveis (IRMS) e de dupla focalização c o m fonte de plasma induzido (HRICP-MS) e a avaliação dos resultados foi realizada utilizando-se a análise de componentes
principais
e análise de discriminantes
linear
A
metodologia
mostrou-se
capaz
de
discriminar as amostras e m função de sua origem geográfica sendo os parâmetros mais
importantes os isótopos de carbono e nitrogênio (fatores ligados ao clima) e os níveis de
cobre, cobalto, bário, lantânio, zinco, ferro, itrio e manganês. Foram observados altos
níveis de elementos terras raras e manganês para amostras provenientes da região
nordeste do país enquanto que os níveis de nutrientes e de bário foram maiores para as
amostras
apreendidas
no
Mato
Grosso
do Sul. Amostras
provenientes
da
região
amazonica (Pará e Maranhão) apresentaram por sua vez, concentrações baixas, tanto de
elementos nutrientes c o m o de elementos traço, refletindo a intensa lixiviação a que os
solos desta região são submetidos permanentemente. Estes resultados encontram-se de
acordo com o esperado para cada região, sendo fortes indícios de que as amostras foram
cultivadas próximas aos locais de apreensão. C o m base nestes dados estimou-se a
origem de 80 amostras apreendidas na cidade de São Paulo. Os resultados indicaram que
82,5% destas amostras apresentam origem similar à daquelas apreendidas no Mato
Grosso do Sul, enquanto que somente 5% parecem ser originárias do Polígono da
Maconha e 12,5% da Região Amazônica. O trabalho contou c o m a colaboração de nove
Estados da nação (São Paulo, Acre, Bahia, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará,
Paraná e Pernambuco) e demonstrou a possibilidade de se criar u m banco de dados
nacional para o monitoramento contínuo da droga consumida no país.
S O U R C I N G T H E G E O G R A P H I C A L O R I G I N O F M A R I J U A N A S A M P L E S S E I Z E D IN
THE CITY OF S Ã 0 P A U L O (BRAZIL) USING CHEMICAL FINGERPRINT
Elisa K a y o S h i b u y a
ABSTRACT
T h e aim of this w o r k w a s a p r o c e s s u n d e r t a k e n with a v i e w to t r a c k i n g t h e g e o g r a p h i c a l
origin of marijuana s a m p l e s c o m m e r c i a l i z e d in t h e city of S a o P a u l o by m e a n s of their
c h e m i c a l fingerprints, utilizing t h r o u g h o u t s a m p l e s s e i z e d f r o m d r u g users a n d d r u g d e a l e r s ,
w h i c h w e r e s u p p l i e d by t h e Institutes of Criminalistics of t h e participant States. Nearly 1 6 0
s a m p l e s w h o s e s o u r c e s w e r e t h e regions of p r o d u c t i o n (the A m a z o n , t h e Marijuana P o l y g o n
in Brazil's Northeast, a n d M a t o G r o s s o d o Sul) w e r e a n a l y z e d f o r their i n o r g a n i c c o n s t i t u e n t s
a n d c a r b o n a n d nitrogen stable isotopes. T h e analytical t e c h n i q u e s e m p l o y e d w e r e i s o t o p e
ratio m a s s s p e c t r o m e t r y
spectrometry
(IRMS) a n d h i g h resolution inductively c o u p l e d p l a s m a
(HR-ICP-MS)
a n d t h e results w e r e e v a l u a t e d
using principal
mass
component
a n a l y s i s a n d linear d i s c r i m i n a n t analysis. This m e t h o d o l o g y p r o v e d c a p a b l e of discriminating
t h e s a m p l e s in regard to their g e o g r a p h i c a l origin a n d t h e m o s t i m p o r t a n t p a r a m e t e r s w e r e
c a r b o n a n d n i t r o g e n isotopic ratios (factors related to climate), a n d t h e levels of c o p p e r ,
cobalt, barium, l a n t h a n u m , zinc, iron, yttrium a n d m a n g a n e s e . It w a s o b s e r v e d high levels of
rare-earth e l e m e n t s a n d m a n g a n e s e in s a m p l e s originated f r o m t h e country's Northeast,
w h e r e a s the levels of nutrients a n d b a r i u m w e r e higher in t h e s a m p l e s s e i z e d in M a t o
Grosso
do
Sul. Samples
from
Amazon
Region
(Pará
and
Maranhão)
showed
low
c o n c e n t r a t i o n s both for nutrient a n d trace e l e m e n t s , reflecting t h e i n t e n s e l e a c h i n g to w h i c h
t h e s e soils a r e p e r m a n e n t l y s u b m i t t e d . T h o s e results a r e in a c c o r d a n c e w i t h w a s e x p e c t e d
f o r e a c h r e g i o n , s h o w i n g s t r o n g indications t h a t t h e s a m p l e s h a d b e e n cultivated n e a r t h e
l o c a l e s w h e r e t h e y w e r e s e i z e d . B a s e d o n t h e s e results, t h e g e o g r a p h i c a l origin of t h e 8 0
s a m p l e s s e i z e d in t h e city of S ã o P a u l o w a s e s t i m a t e d . T h e y i n d i c a t e d that 8 2 . 5 % p r e s e n t e d
origins similar to t h o s e s e i z e d in M a t o G r o s s o d o Sull w h e r e a s only 5 % s e e m to h a v e c o m e
f r o m t h e Marijuana P o l y g o n , a n d 1 2 . 5 % f r o m t h e A m a z o n R e g i o n . This w o r k profited f r o m
t h e collaboration of nine S t a t e s of Brazil ( S ã o Paulo, A c r e , B a h i a , M a r a n h ã o , M a t o G r o s s o
d o S u l , Pará, P a r a n á a n d P e r n a n b u c o ) , a n d d e m o n s t r a t e d t h e possibility to create a national
d a t a b a s e to c o n t i n u o u s m o n i t o r i n g t h e c o n s u m p t i o n of that d r u g in t h e country.
LISTA DE A B R E V I A T U R A S
A T S - anfetaminas
C B D - cannabidiol
CBN -cannabinol
C E N A - C e n t r o d e Energia N u c l e a r n a Agricultura
C F - I R M S - e s p e c t r o m e t r i a d e m a s s a s d e i s ó t o p o s estáveis d e f l u x o c o n t í n u o
D E N A R C - Departamento de Narcóticos
D N A - ácido d e s o x i r r i b o n u c l e i c o
D P F - D e p a r t a m e n t o d e Polícia F e d e r a l
E M B R A P A - E m p r e s a Brasileira d e P e s q u i s a s A g r o p e c u á r i a s
E T R - e l e m e n t o s ierras raras
F A A S - espectrometria de absorção atômica
HR-ICP-MS - espectrometria de massas de dupla focalização com fonte de plasma acoplado
indutivamente
IAEA - A g ê n c i a Internacional d e E n e r g i a A t ô m i c a
I B G E - Instituto Brasileiro d e G e o g r a f i a e Estatística
10 - Instituto d e Crim.inalística
ICP-MS - espectrometria de massas c o m fonte de plasma acoplado indutivamente
I C P - O E S - e s p e c t r o m e t r i a d e e m i s s ã o óptica c o m f o n t e d e p l a s m a a c o p l a d o i n d u t i v a m e n t e
I N M E T R O - Instituto N a c i o n a l d e Metrologia
I P E N - Instituto d e P e s q u i s a s E n e r g é t i c a s e N u c l e a r e s
IRMS - espectrometria de massas de isótopos estáveis
L D A - análise d e d i s c r i m i n a n t e s linear
L Q - limite de q u a n t i f i c a ç ã o
L S D - ácido lisérgico
N A A - análise por a t i v a ç ã o n e u t r ô n i c a
N I S T - National Institute of S t a n d a r d s a n d T e c h n o l o g i e s
O M S - Organização Mundial da S a ú d e
P C - c o m p o n e n t e principal
P C A - análise d e c o m p o n e n t e s principais
Q-ICP-MS -
espectrómetro de massas com fonte de plasma acoplado indutivamente com
separador quadrupolo
R F - rádio f r e q u ê n c i a
S R M - S t a n t a r d R e f e r e n c e Materia!
S S P - Secretaria d e S e g u r a n ç a Pública
THC ou A^-THC -
tetrahidrocannabinol
U N E S C O - United N a t i o n s e d u c a t i o n a l , Scientific a n d Cultural O r g a n i z a i o n
U N O D C - United N a t i o n s O f f i c e o n D r u g s a n d C r i m e
X R F - f l u o r e s c ê n c i a d e raios-x
SUMARIO
CAPÍTULO L INTRODUÇÃO
=
..^
1
1.1 CANNABIS SATIVA N O B R A S I L E NO M U N D O
6
L2 D R O G A S NO E S T A D O E N A CIDADE D E S Ã O
PAULO...„,.„„,„,.,„,...„„,..„„„„„„,.............,..,.,.,..„„
CAPÍTULO 2. OBJETIVOS E RELEVÂNCIA DO TRABALHO
20
CAPÍTULO 3, FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
...2
3.1 CANNABIS SATIVA
3.2
22
ASSINATURA Q U Í M I C A
3.2.1
,.
„„„„„
,
...„„„„„.,.,
..,„„„....,.......„,..„.,..
ISÓTOPOS ESTÁVEIS - C A R B O N O E NITROGÊNIO E M PLANTAS
27
Carbono
3 . 2 . 1 . 2 Nitrogênio
3 . 2 . 1 . 3 Isótopos de Carbono e Nitrogênio em Cannabis sativa
3 . 2 1.4 Determmações de o ' T e 5 ' ' N - a Técnica de IRMS
3.2.Ll
3.2.2
28
31
33
...35
CONSTR-UINTES INORGÁNICOS E M PLANTAS
3.2.2.1
3.2.2.2
3.2.2.3
26
38
Elementos Menores e Nutrientes em Solos
Constituintes Inorgânicos em Cannabis sativa
Técnicas Analíticas Disponíveis
39
42
45
3.3 FERRAMENTAS ESTATÍSTICAS UTILIZADAS NA A V A L I A Ç Ã O DOS RESUI^TADOS:
QUIMIOMETRIA
53
3.3,1
METODOLOGIAS N A O SUPERVISIONADAS E A J J Á L I S E E X P L O R A T O P J A D O S D A D O S
Método das k médias
3 . 3 . 1 2 Análise de Componentes Principais - PCA
3.3.1.1
3.3.2
ME rODOLOGL\
SUPERVISIONADA - ANÁLISE DE DISCRIMINANTES
54
54
54
(LDA)
56
CAPÍTULO 4. EQUACIONAMENTO JURÍDICO DO PRO.JETO
57
CAPÍTULO 5. EXPERIMENTAI
59
5.1 A R E A S DE ESTUDO
59
5 . 1 . 1 D I W R S I D . 4 D E C L I M Á T I C A BR.'XSILEIRA
59
5.1.2 GEOLOGIA D A S REGIÕES ESTUDADAS
64
5.2 MATERIAIS E MÉTODO
68
5.2.1 A M O S T R A S A N A L I S A D A S
68
5 . 2 . 2 ÍNSTRUME.NTAÇÃO, M A T E R I A I S E REAGF.NTE.S
69
5.2.3 Mi;rODOI.OGlA A N A L Í T I C A
69
Preparo de Amostras
5 . 2 . 3 . 2 Determinações por IRMS
5 . 2 . 3 . 3 Preparo de Amostras para Análises por HR-ICP-MS
5 . 2 . 3 . 4 Parâmetros Experimentais e Elementos Determinados por HR-ICP-MS
69
5.2.3.1
5 . 3 ESTRATÉGIA E O R G A N I Z A Ç Ã O D O T R A B A L H O
70
70
71
,
74
CAPÍTULO 6 . RESULTADOS E DISCUSSÃO
76
6.1 A V A L I A Ç Ã O P R E L I M I N A R D O S R E S U L T A D O S - I S Ó T O P O S E S T A V E I S
76
6 . 1 . 1 RESU1.TADOS O B T I D O S P A R A O M A T E R L M , C E R T I F I C A D O
76
6 . 1 . 2 RESLI1..TADOS O B T I D O S P A R A A S P I G I Õ E S E S T L I D A D A S
78
6.1.3 CONSTRUÇÃO D OM O D E L O E CLASSIFICAÇÃO D A S AMOSTRAS D E S Ã OP A U L O S E G U N D O ISÓTOPOS
D E C E N
95
6 . 2 AVALIAÇÃO PRELIMINAR DOS RESULTADOS - CONSTITUINTES INORGÂNICOS
100
6.2.1 ANÁLISE D E MATERIAL D E REFERÊNCL\
100
6 . 2 . 2 R E S U L T A D O S O B T I D O S P A R A CANN.4BJS
104
6.2.3 CONSTRUÇÃO D OM O D E L O D E CLASSIFICAÇÃO UTTIJZANDO-SE CONSTITUINTES INORGÁNICOS CLASSIFICAÇÃO D A S AMOSTRAS D E S Ã O PAULO
CAPÍTULO
7.
MODELO FINAL DE CLASSIFICAÇÃO - ASSINATURA QUÍMICA
118
.....123
7.1 ESTUDOS DE C A S O
127
7 . 1 . 1 O R I G E M D A S AJ^.ÍOSTPAS . A P R E E N D I D A S N A C I D A D E D E S Ã O P A U L O
127
7.1.2 RECLASSEFICAÇÃO DOS
OUTLIERS -
VERIFICAÇÃO D A PROCEDÊNCLA
131
1 1.3 O R I G E M D A S A M O S T R A S A P R E E N D I D A S N O A C R E
135
7.1.4 ORIGEM D A S AMOSTRAS APREENDIDAS N O PARANÁ
139
CAPÍTULOS. CONCLUSÕES
140
BIBLIOGRAFLV
144
APÊNDICES
156
ANEXOS
169
índice de Tabelas
Tabela 1: Apreensões
realizadas no Brasil entre os anos de 2000 e 2003pelas
Policias
Federais
e Estaduais nas regiões brasileiras,
e total de apreensões
no país, segundo dados oficiais do
Departamento
de Policia Federal
15
Tabela 2: Concentração
média esperada para alguns
com base nos dados fornecidos
por Kabata-Pendias.
Tabela 3: Número
de amostras
Tabela 4: Padrões
utilizados
Tabela 5: Parâmetros
Tabela 6: Isótopos
analisadas
medidos
para cada Estado
nas determinações
experimentais
elementos
Tabela 9: Resultados
Tabela 10: Valores
colhidas no cerrado
rochas,
41
e ano de apreensão
68
70
do microondas.
71
neste trabalho.
experimentais
72
isobáricas
e que foram
corrigidas
72
do HR-ICP-MS.
obtidos para o padrão
das amostras
73
atropina
médios de ^^N e á^C obtidos
e na região Amazônica.
Tabela 11: Classificação
k-means.
tipos de
de â'^C e ^^N.
Tabela 7: Elementos
que apresentaram
interferências
utilizando-se
a equação matemática
do instrumento.
Tabela 8: Parâmetros
nos principais
(n=6).
para
apreendidas
77
cannabis
no Nordeste
em comparação
brasileiro
segundo
com
plantas
84
a técnica
Tabela 12: Classificação
das amostras das principais
regiões produtoras
de cannabis
e das amostras apreendidas
na cidade de São Paulo, segundo análise de discriminantes*
no
de
92
Brasil
97
Tabela 13: Resultados
obtidos para o material de referência
comparação
com valores certificados
e valores da literatura
NIST SRM 1547 (Peach Leaves) em
(em ngg').
101
Tabela 14: Valores
n=8).
os elementos
de limite de quantificação
[
obtidos
para
[
de interesse
(10a
103
Tabela 15: Valores mínimo e máximo observados
para amostras de cannabis provenientes
diferentes Estados estudados e intervalos de concentração
obtidos da literatura.
dos
107
Tabela 16: Matriz dos componentes
concentração
elementar.
de
114
para as amostras
de cannabis
considerando-se
os níveis
Tabela 17: Total de variáncia (individual
componentes principais, considerando-se
Ga, La e Zn.
e cumulativa) explicada por cada uma das
os seguintes elementos: Mn, Fe, Ba, Sr, Ce, Co. Cu.
115
Tabela 18: Número de amostras consideradas m construção do modelo de
classificação
utilizando-se a análise de discriminantes
e resultados de constituintes inorgânicos.
Tabela 19: Peso de cada elemento nas variá^'eis canónicas
apreendidas nas diferentes regiões brasileiras utilizando-se
inorgânicos.
1 e 2 na discriminação das
resultados de
constituintes
JI8
amostras
779
Tabela 20: Resultados obtidos através da análise de discriminantes
(LDA) para o grupo de
treinamento (calibration set) e para as amostras apreendidas em São Paulo
utilizando-.se
constituintes inorgânicos.
Tabela 21: Classificação
análise de discriminantes
Tabela 22: Funções
das amostras
utilizando-se
discriminantes
do grupo de treinamento e validação
os elementos listados na Tabela 22.
cruzada,
1 e 2.
120
.segundo
72-7
125
Tabela 23: Classificação das amostras apreendidas na cidade de São Paulo através da
de discriminantes
utilizando-se os dados isotópicos e elementares previamente definidos
modelo.
análise
no
12 7
Tabela 24: Classificação dos outiiers isotópicos utilizando-se a análise de discriminantes
seguintes variá\>eis - ^'C, õ'^N, Cu, Co, Ba, La, Zn, Fe, YeMn.
e as
13!
Tabela 25: Classificação das amostras apreendidas no Acre segundo análise de
utilizando-se as seguintes variáveis (õ'^C, ^'N, Cu, Co, Ba, La, Zn, Fe, Ye Mn).
discriminantes
137
índice de
Figuras
Figura 1: Apreensões
de drogas no mundo segundo
Figura 2: Apreensões
mundiais
de cannabis
relatório da UNODC de 2004.
segundo
a UNODC em 2004
Figura 3: Estatísticas mundiais de apreensões de (A) maconha
eiitre 1980 e 2002 segundo relatório da UNODC de 2004
Figura 4: Apreensão
2004.
^
de maconha
Figura 5: Dados mundiais
de cannabis,
Figura 6: Principais locais de plantio de Cannabis
erradicação realizadas pelo DPF no ano 2000.
Figura
7: Apreensões
Figura 8: Diagrama
contínuo
7
entre 1985 e 2001. e (B)
de maconha
realizadas
haxixe
8
no mundo entre 1989 e 2002 .segundo relatório
de apreensão
4
da UNODC
em ordem de relevância
10
no Brasil, rotas de tráfico e operações
de
13
no Brasil entre os anos de 1997 a 2002
básico de um espectrómetro
de massas de isótopos estáveis
(CF-JRMS).
14
defluxo
[
Figura 9: limites de detecção
liquidas
alcançados
de
9
pelas diferentes
técnicas analíticas
em
37
amostras
45
Figura 10: diagrama
indutivamente.
básico de um espectrómetro
Figura 11: Esquema
básico do HR-ICP-MS
de massas com fonte de plasma
acoplado
49
Figura 12: Unidades climáticas
brasileiras.
com geometria
Nier-Johnson
reversa
51
Fonte: .site www. ibge.gov.br
61
Figura 13: Resultados de ^^N e ^'^C (em. %o) obtidos para amostras apreendidas
do Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Pará, Bahia, Maranhão e Ceará.
nos
Estados
79
Figura 14: Histograma para composição isotópica de carbono (em %o) para (A) amostras
apreendidas no Nordeste brasileiro (regiões secas - Bahia, Ceará e Pernambuco)
e (B) em
regiões chuvosas (Maranhão, Pará e Mato Grosso do Sul).
81
Figura 15: Histograma para composição isotópica de nitrogênio (em %o) para (A) amostras
apreendidas no Nordeste brasileiro (regiões secas - Bahia, Ceará e Pernambuco) e (B) em
regiões chuvosas (Maranhão, Pará e Mato Grosso do Sul)
82
Figura 16: Resultados obtidos para as amostras apreendidas
com os valores médios obtidos para as outras regiões
no Maranhão
em
comparação
86
Figura 17: Perfil isotópico das amostras apreendidas em Pernambuco
valores médios obtidos para as outras regiões (^'C e ë'N em %o).
Figura 18: Perfil isotópico das amostras apreendidas
obtida para os outros estados (á'^C e é'N em. %o).
Figura 19: Distribuição
Nordeste.
Figura 20: Gradiente
em comparação
no Ceará, em comparação
com os
86
com a média
87
dos valores de é^C e é^Npara
os diferentes
estados da
região
89
de precipitação
em Pernambuco
do litoral ao interior do Estado.
Figura 21: Classificação
a técnica de k-means.
das amostras
apreendidas
Figura 22: Classificação
das amostras
de regiões úmidas segundo a técnica de k-means.
Figura 23: Perfil isotópico das amostras
com a média obtida para os outros.
nos Estados do Nordeste
90
(em %o) apreendidas
brasileiro
em São Paulo em
segundo
9J
comparação
96
Figura 24: (A) Distribuição das amostras das principais regiões produtoras no mapa
utilizando-se os isótopos estáveis de C e N. (B) Classificação das amostras apreendidas
Paulo.
[
'
Figura 25: Resultados obtidos para alguns elementos
(peach lea\'es) normalizados pelo valor certificado.
93
no material de referência
Figura 26: Concentração média obtida para os elementos
apreendidas nas três regiões estudadas.
medidos nas amostras
territorial
em São
98
NIST SRM
de
1547
102
cannabis
105
Figura 27: Dispersão dos resultados para amostras apreendidas nas diferentes
regiões
estudadas em função das 4 primeiras componentes principais obtidas considerando-.se
as
seguintes variáveis: Mn, Fe, Ba, Sr, Ce, Co, Cu, Ga, La e Zn.
116
Figura 28: Distribuição das amostras
constituintes inorgânicos.
121
do grupo de treinamento
utilizando-se
Figura 29: Distribuição das amostras apreendidas em São Paulo no mapa
estabelecido com base na análise de constituintes inorgânicos.
o perfil
de
territorial
122
Figura 30: Distribuição das amostras do modelo no espaço das funções canónicas,
utilizando-se
os isótopos estáveis de C e N e os seguintes elementos: Cu. Co. Ba. La. Zn. Fe. Y e Mn. Os
centroides representam os valores médios de cada gi'upo.
126
Figura 31: Distribuição das amostras apreendidas na cidade de São Paulo no espaço das
funções discriminantes,
considerando-se
os perfis isotópicos e elementares
previamente
definidos no modelo (ô'^C, ^^N, Cu, Co, Ba, La, Zn, Fe, Ye Mn).
128
Figura 32: Representação
dos resultados obtidos para as amostras apreendidas na cidade de
São Paulo utilizando-se a função discriminante, no gráfico dos isótopos de C e N (em %o). _ 129
Figura 33: Reclassificação
das amostras descartadas do modelo segundo análise de
discnminantes
considerando-se
os isótopos de carbono e nitrogênio e os seguintes
elementos:
CM, Co, Ba, La, Zn, Fe, V e Mn.
^
^
^
132
Figura 34: Classificação das amostras
perfis de é'C acima do esperado.
apreendidas
Figura 35: Classificação das 9 amostras apreendidas
acima do esperCfCiG para a re^iao Nordeste.
no Mato Grosso do Sul cpie
no Ceará cjue apresentaram
Figura 36: Classificação das quatr-o amostras apreendidas
níveis de Ô^^N acima do esperado para a região Nordeste.
em Pernambuco
e que
apresentaram
133
perfis de
S''N
¡34
apresentaram
!34
Figura 37: Resultados de ë'C e ^'N obtidos para as amostras do Acre em comparação
média obtida para as outras regiões (as barras correspondem a 2 a)
com a
136
Figura 38: Classificação das amostras apreendidas no Acre segundo funções
canónicas,
utilizando-se os perfis isotópicos e elementares previamente definidos no modelo (õ''C,
õ''N,
Cu, Co, Ba, La, Zn, Fe, Y eMn).
'
137
Figura 39: Classificação das amostras apreendidas no Paraná segundo funções
utilizando-se os perfis isotópicos e elementares previamente definidos no modelo
Cu, Co, Ba, La, Zn, Fe, Y eMn).
'
COMISSÃO NríiÜílM D€ ENERGIA fiUCLEAR/SP-IPEM
canónicas,
(é^C,
ë'N,
139
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO
1,
INTRODUÇÃO
D r o g a s ilícitas são n o r m a l m e n t e d e f i n i d a s c o m o s u b s t â n c i a s q u e alteram o e s t a d o d e
consciência,
a
percepção
e
as
sensações
do
indivíduo,
estimulando,
perturbando
ou
d e p r i m i n d o o f u n c i o n a m e n t o d o s i s t e m a n e r v o s o c e n t r a l . P o d e m ser divididas, d e a c o r d o c o m
s u a a ç ã o no s i s t e m a n e r v o s o central e m : d e p r e s s o r e s (barbitúricos, álcool e o p i á c e o s ) ,
e s t i m u l a n t e s (nicotina, c o c a í n a , crack e a n f e t a m i n a s ) , a l u c i n ó g e n o s (LSD*), p e r t u r b a d o r e s
( m a c o n h a e derivados) e d r o g a s d e a ç ã o mista (ecstasy).
Atualmente, o c o n s u m o e produção de drogas atingem praticamente todos os países do
m u n d o , e m b o r a s u a e x t e n s ã o e c a r a c t e n s t i c a s s e j a m diferentes d e região para região e m
f u n ç ã o d e f a t o r e s e c o n ô m i c o s , sociais e culturais. Esta indústria ilegal m o v i m e n t a recursos,
m ã o d e o b r a e infra-estrutura tão c o m p l e x a q u e r e p r e s e n t a u m i m p a c t o s u b s t a n c i a l
na
e c o n o m i a m u n d i a l , p r i n c i p a l m e n t e n o s p a í s e s m a i s p o b r e s , m o v i m e n t a n d o por a n o cerca d e
U S $ 5 0 0 bilhões n o m u n d o t o d o , s e g u n d o estimativas d a s N a ç õ e s U n i d a s .
D e a c o r d o c o m u m e s t u d o r e a l i z a d o pela United
Cultural
Organization
Nations
Educational,
Scientific
and
( U N E S C O ) ^ a s d é c a d a s d e 1 9 8 0 e 1 9 9 0 f o r a m f o r t e m e n t e m a r c a d a s por
u m v e r d a d e i r o c r e s c i m e n t o n a s a t i v i d a d e s r e l a c i o n a d a s à p r o d u ç ã o e tráfico d e d r o g a s . N e s t e
p e r í o d o s u r g i r a m t a m b é m a s g r a n d e s o r g a n i z a ç õ e s criminosas, a t u a l m e n t e e s p a l h a d a s e
e n r a i z a d a s por t o d o o m u n d o . P o d e - s e dizer q u e a g l o b a l i z a ç ã o , r e s p o n s á v e l pelo g r a n d e
a u m e n t o n a s rotas d e c o m é r c i o lícito, t o r n o u v u l n e r á v e i s a o c r i m e o r g a n i z a d o t o d o s o s p a í s e s
lysergic acid diethylamide ou ácido lisérgico
INTRODUÇÃO
d o m u n d o * . C o m isso, s e g u n d o Kazancigil, a c o c a í n a q u e a t é p o u c o t e m p o atrás e r a cultivada
b a s i c a m e n t e na Bolívia, P e r u e C o l ô m b i a j á p o d e ser e n c o n t r a d a no E q u a d o r , V e n e z u e l a ,
Panamá, Guiana e também
no Brasil, a l é m d e o u t r o s p a í s e s e s p a l h a d o s por t o d o s
os
continentes^. Foi n e s t e p e r í o d o t a m b é m q u e o Brasil c o m e ç o u a f a z e r p a r t e d e u m a d a s
principais rotas d o tráfico internacional, cujos destinos principais s ã o p a í s e s d a E u r o p a e
E s t a d o s Unidos, q u e persiste a t é os dias d e hoje.
A s d r o g a s r e p r e s e n t a m u m a i m p o r t a n t e f o n t e d e r e n d a , p o d e n d o e n r i q u e c e r a l é m de
g m p o s d e p e s s o a s e e m p r e s a s , t o d o u m país. A l é m d o p r o b l e m a e m si, esta a t i v i d a d e ilícita
a c a b a por e n v o l v e r o u t r a s práticas c o m o o tráfico d e a r m a s , c o n t r a b a n d o e j o g o s proibidos.
P o d e a p r e s e n t a r t a m b é m vínculos c o m o c o r r ê n c i a s m a i s " b a n a i s " c o m o r o u b o d e carros,
a v i õ e s e assaltos a b a n c o s , c o m o o c o r r e n o Brasil, e s p e c i a l m e n t e n a região A m a z ô n i c a ^ .
A s características e modus
operandi
d a s f a c ç õ e s c r i m i n o s a s e as c o n s e q ü ê n c i a s d e s t e
c o m é r c i o ilegal v a r i a m e n o r m e m e n t e d e região p a r a r e g i ã o , s e n d o q u e u m a s o l u ç ã o p a r a o
p r o b l e m a p a s s a n e c e s s a r i a m e n t e pela c o m p r e e n s ã o d e s t e s m e c a n i s m o s . S e g u n d o Schiray",
a p e s a r d a g r a v i d a d e d a s i t u a ç ã o , p o u c o s e s t u d o s sérios t ê m sido realizados a t é o m o m e n t o no
sentido de s e avaliar o real i m p a c t o d e s t e c o m é r c i o ilegal, e m e n o r a i n d a t ê m s i d o os e s f o r ç o s
e m se utilizar e s t e c o n h e c i m e n t o na p r e v e n ç ã o d o p r o b l e m a .
E s t u d o s r e a l i z a d o s n o México, C h i n a , índia e Brasil pela U N E S C O m o s t r a r a m q u e o
tráfico se e s t a b e l e c e f a c i l m e n t e e m c i d a d e s cujo E s t a d o é a u s e n t e , e x e r c e n d o u m forte atrativo
à c a m a d a mais p o b r e d a s o c i e d a d e , q u e e n x e r g a neste c o m é r c i o ilegal a ú n i c a o p o r t u n i d a d e
de ascensão econômica^
Esta p e s q u i s a c o l o c a a i n d a a s f a v e l a s d o Rio d e J a n e i r o c o m o u m
e x e m p l o típico e e x t r e m o d e u m a s o c i e d a d e c o m p l e t a m e n t e d o m i n a d a p e l o narcotráfico''. U m a
c o n c l u s ã o e x t r e m a m e n t e relevante, e a t é m e s m o a s s u s t a d o r a d e s t e s e s t u d o s , é q u e t o d a s as
c i d a d e s avaliadas a p r e s e n t a r a m u m altíssimo g r a u d e c o r r u p ç ã o , e n v o l v e n d o d i v e r s o s ó r g ã o s
d o E s t a d o . C o n s t a t o u - s e t a m b é m a existência d e i n ú m e r a s e m p r e s a s (reais o u "fantasmas"),
" Por exemplo, dinheiro ganho ilicitamente na Colômbia ou Itália pode ser "lavado" no Brasil ou em qualquer outra
parte do mundo, interligando os países em uma estrutura extremamente complexa.
INTRODUÇÃO
Utilizadas n a l a v a g e m d e recursos. S i t u a ç ã o m a i s g r a v e ocorre e m a l g u m a s l o c a l i d a d e s d a
r e g i ã o A m a z ô n i c a , o n d e o E s t a d o é t ã o d e f i c i e n t e q u e p e s s o a s ligadas d i r e t a m e n t e a o
n a r c o t r á f i c o o c u p a m p o s i ç õ e s d e g r a n d e i n f l u ê n c i a s o b r e a e c o n o m i a , e a t é m e s m o o destino
político d a região".
De a c o r d o c o m o relatório d a United
Nations
Office
on Drugs
and Crime
(UNODC) de
2 0 0 4 cerca d e 3 % da população mundial, ou 185 milhões de pessoas, fazem uso de drogas
ilícitas, o q u e r e p r e s e n t a 4 , 7 % d a p o p u l a ç ã o e n t r e 15 e 6 4 anos^. A canna.ò./s* a p r e s e n t a c e r c a
d e 1 5 0 m i l h õ e s d e usuários ( 2 , 3 % d a p o p u l a ç ã o ) , s e g u i d a pela a n f e t a m i n a , c o m cerca d e 3 0
m i l h õ e s d e c o n s u m i d o r e s ^ . A c o c a í n a e h e r o í n a a p r e s e n t a m c e r c a d e 13 e 9 m i l h õ e s d e
u s u á r i o s r e s p e c t i v a m e n t e , r e p r e s e n t a n d o o m a i o r p r o b l e m a e m t e r m o s d e s a ú d e pública.
A p e s a r disso, a cannabis
g a n h a g r a n d e i m p o r t â n c i a por ser a d r o g a m a i s p r o d u z i d a e
c o n s u m i d a , a t i n g i n d o p r a t i c a m e n t e t o d o s o s países d o m u n d o . A i n d a s e g u n d o o m e s m o
boletim, entre 3 0 e 3 2 mil t o n e l a d a s d e cannabis
s ã o p r o d u z i d a s por a n o , s e n d o a parcela
a p r e e n d i d a e s t i m a d a e m torno d e 1 5 % . A p r o d u ç ã o a n u a l e s t i m a d a para as o u t r a s d r o g a s fica
e m t o r n o d e 5 2 0 t d e a n f e t a m i n a s , 7 0 0 1 d e c o c a í n a e 4 . 5 0 0 t d e d e r i v a d o s d e ópio^.
o c o n t i n e n t e a m e r i c a n o a p r e s e n t a a s m a i o r e s a p r e e n s õ e s t a n t o d e cannabis
(Estados
U n i d o s e M é x i c o , c o m 3 4 % e 2 3 % d o total m u n d i a l d e a p r e e n s õ e s r e s p e c t i v a m e n t e ) q u a n t o d e
c o c a í n a e s e u s d e r i v a d o s ( A m é r i c a d o S u l c o m 5 5 % e A m é r i c a d o Norte c o m 3 2 % d o total
m u n d i a l e m 2 0 0 2 ) , e n q u a n t o q u e a Á s i a lidera o total d e a p r e e n s õ e s d o s d e r i v a d o s d e ópio
( 4 3 % d o total m u n d i a l e m 2 0 0 2 ) ; o n ú m e r o d e a p r e e n s õ e s d e a n f e t a m i n a s
concentra-se
b a s i c a m e n t e n o s países d a ásia e d o Leste E u r o p e u (mais d a m e t a d e d o total d e 2002)®. .A
p r o d u ç ã o por s u a v e z é liderada pela C o l ô m b i a (cocaína - e s t i m a d o e m 5 6 % d o total m u n d i a l
e m 2 0 0 2 ) , A f e g a n i s t ã o (ópio, c o m cerca d e 7 5 % d a p r o d u ç ã o m u n d i a l e m 2 0 0 2 ) , E s t a d o s
U n i d o s {cannabis
representando
mais d e 5 0 % da p r o d u ç ã o
mundial)
e .Ásia e
Europa
(anfetaminas)^.
Segundo a Organização Mundial da Saúde este termo pe utilizado para denotar várias preparações psicoativas da
planta de marijuana ou Cannabis sativa, incluindo a folha, o haxixe e o óleo de ha.xixe.
INTRODUÇÃO
A s a p r e e n s õ e s m u n d i a i s p a r a os d i f e r e n t e s tipos d e d r o g a s , s e g u n d o l e v a n t a m e n t o da
U N O D C e s t ã o r e p r e s e n t a d a s na Fig. 1. Para os últimos q u a t r o a n o s , o b s e r v o u - s e a s e g u i n t e
t e n d ê n c i a : a u m e n t o n a s a p r e e n s õ e s d e cannabis
e d e r i v a d o s d e ó p i o , e u m a ligeira q u e d a nas
apreensões de cocaína e anfetaminas^.
33
SS 86
S? «a. 89 90 9 1
§2 "93 94 95
96 5? 9& 9S C» 01 C«
WHlCA.MMfi.SiS ^ ^ C O C á l N E
^aOPL4TE:i
jg^ÃTS
««*B»-Gíârid TOlii
aHBOtíwi
Figura 1: Apreensões de drogas no mundo segundo relatório da U N O D C de 2004. Apesar de
terem sido observadas quedas na quantidade de material apreendido para algumas drogas
específicas como a cocaína, a tendência mundial e de um aumento significativo no consumo e
produção de uma forma geral (fonte U N O D C World Drug Report 2004).
A unidade expressa no eixo das ordenadas refere-se ao número de doses (quantidade de material apreendido
di\ idido pela quantidade de uma dose típica) facilitando a avaliação do impacto dos diferentes tipos de droga no
numdo.
P o d e - s e o b s e r v a r q u e a p e s a r d e t o d a s as a ç õ e s g o v e r n a m e n t a i s , o c o n s u m o e tráfico
d e d r o g a s c r e s c e m e m t o d o o m u n d o . A l é m das regiões t r a d i c i o n a l m e n t e c o n s u m i d o r a s
INTRODUÇÃO
( A m é r i c a , Europa e África, e m o r d e m d e relevância), d a d o s r e c e n t e s i n d i c a m u m g r a n d e
a v a n ç o n o s países d o leste E u r o p e u (principalmente d e a n f e t a m i n a s ) , o n d e a s estatísticas
c o m e ç a m a ser realizadas®. S e g u n d o o j o r n a ! Folha d e S ã o Paulo^, u m relatório a n u a ! r e f e r e n t e
a o a n o d e 1999 e l a b o r a d o pela J u n t a para o C o n t r o l e Internacional d e E n t o r p e c e n t e s , ó r g ã o
q u e assessora a O N U , informou que na América do Sul a m a c o n h a é a droga mais consumida
e n t r e j o v e n s de 1 5 a 19 a n o s . No Brasil, o q u a d r o é b a s t a n t e similar, o b s e r v a n d o - s e um
c r e s c e n t e a u m e n t o n a s a p r e e n s õ e s d e cannabis
e s e u s d e r i v a d o s . A s d r o g a s ilícitas mais
p o p u l a r e s n o país s ã o a m a c o n h a , c o c a í n a e pasta d e coca, s e n d o a m a c o n h a d e longe a mais
p r o d u z i d a , p r i n c i p a l m e n t e p a r a c o n s u m o interno.
INTRODUÇÃO
1.1 CANNABIS
SATIVA NO BRASIL E NO MUNDO
D e a c o r d o c o m a O r g a n i z a ç ã o M u n d i a l d a S a ú d e (OMS), cannabis
é um t e r m o g e n é r i c o
para d e n o t a r várias p r e p a r a ç õ e s psicoativas d a planta d e m a c o n h a o u Cannabis
sativa.,
incluindo a f o l h a , o haxixe e o óleo d e haxixe. O t e r m o m a c o n h a por s u a vez é n o r m a l m e n t e
utilizado p a r a d e n o t a r e s p e c i f i c a m e n t e a d r o g a pronta para c o n s u m o e m f o r m a d e cigarro,
critério a d o t a d o neste t r a b a l h o .
S e g u n d o a Interpol, o plantio e m larga e s c a l a da Cannabis
sativa
c o m o d r o g a ilícita
o c o r r e p r i n c i p a l m e n t e e m países localizados na Á s i a , África e A m é r i c a Latina, e n t r e os quais
p o d e - s e destacar: A f e g a n i s t ã o , C a m b o j a , C o l ô m b i a , J a m a i c a , M a r r o c o s , M é x i c o ,
Nigéria,
P a q u i s t ã o , .África d o Sul e Tailândia®. Mais r e c e n t e m e n t e , outros p a í s e s do s u d e s t e asiático
( I n d o n é s i a , R e p ú b l i c a D e m o c r á t i c a P o p u l a r d o L a o s e Filipinas) t ê m a p a r e c i d o c o m o regiões
p r o d u t o r a s i m p o r t a n t e s . Estima-se q u e n o m u n d o t o d o a á r e a p l a n t a d a esteja na faixa d e 6 7 0 a
1.800 mil h e c t a r e s , s e n d o relatado o cultivo e m m a i s d e 140 países, d a s quais 13 localizam-se
na .América Latina®. Na Fig. 2 são a p r e s e n t a d o s o s d a d o s d e plantio e nível d e a b u s o de
cannabis
l e v a n t a d o s pela U N O D C e m s e u relatório d e 2 0 0 4 .
N o s últimos a n o s , vários p r o g r a m a s de e r r a d i c a ç ã o desta planta t ê m s i d o p r o m o v i d o s
e m d i v e r s a s partes do m u n d o , inclusive no Brasil. A p e s a r disto, a cannabis
continua sendo a
droga mais traficada.
A m a c o n h a é g e r a l m e n t e u s a d a e m f o r m a d e cigarro, c h a m a d o de b a s e a d o o u fino.
Existe u m a p r e p a r a ç ã o mais potente obtida da resina d a s inflorescencias superiores d a planta
c h a m a d a h a x i x e q u e é c e r c a de oito v e z e s mais p o t e n t e . O haxixe é l a r g a m e n t e d i f u n d i d o na
E u r o p a , s e n d o p r a t i c a m e n t e d e s c o n h e c i d o n o Brasil (Fig. 3). A maior a p r e e n s ã o d e s t a d r o g a
no Brasil o c o r r e u n o primeiro s e m e s t r e d e 2 0 0 4 , q u a n d o f o r a m a p r e e n d i d a s cerca 3 5 0 k g d e s t e
material®.
COMÍSSÃO
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O t h e r Truifficking routes
Decrease
(>10%)
Cannabis h e r b seizures r e p o r t e d
t o UNOOC (1998-2002)
Figura 2: Apreensões mundiais de cannabis
segundo a U N O D C em 2004 - fonte U N O D C , World Drug Report
2004)
INTRODUÇÃO
(A)
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1.000
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91
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95
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EUROPE
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(B)
m 82 84 86 88 90 92 94 96 98 ÔO 02
—
EUROPE
CUSouth-WêstÂsia
imi
Hm
TH A F R m
dHûîher
Figura 3: Estatísticas mundiais de apreensões de (A) maconlia entre 1985 e 2 0 0 1 , e (B) haxixe
entre 1980 e 2002 segundo r e l a t ó r i o d a U N O D C de 2004. (fonte U N O D C , World Drug Report
2004)
INTRODUÇÃO
Na Fig. 4 são a p r e s e n t a d o s o s d a d o s m u n d i a i s d e a p r e e n s ã o d e m a c o n h a no período
d e 1 9 8 9 a 2 0 0 2 - o b s e r v a - s e u m a u m e n t o c o n s i d e r á v e l d e s t e s n ú m e r o s a partir d o a n o 2 0 0 0 .
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S E I Z U R E S
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0 2
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Figura 4: Apreensão de maconha no mundo entre 1989 e 2002 segundo relatório da U N O D C de
2004. (fonte U N O D C , Wor/J Drug Repori 2004)
A A m é r i c a Latina r e p r e s e n t a u m d o s principais pólos no q u e se refere t a n t o a o c o m é r c i o
q u a n t o á p r o d u ç ã o e c o n s u m o de d r o g a s ilíticas. Diferente d o q u e ocorria há a l g u n s a n o s ,
q u a n d o o Brasil era c a r a c t e r i z a d o c o m o c o r r e d o r para o tráfico d e d r o g a s p r o d u z i d a s e m outros
p a í s e s da A m é r i c a d o Sul (cannabis:
P a r a g u a i e C o l ô m b i a ; c o c a í n a : C o l ô m b i a , Peru e Bolívia)
a p r o d u ç ã o nacional d e e n t o r p e c e n t e s v e m a u m e n t a d o d e f o r m a a s s u s t a d o r a , m o v i m e n t a n d o
c e r c a d e U S $ 10 bilhões por ano® Estes n ú m e r o s c o l o c a m o Brasil e m q u a r t o lugar e m t e r m o s
d e a p r e e n s ã o de cannabis
n o m u n d o , atrás a p e n a s d o México, E s t a d o s U n i d o s e Nigéria - Fig.
INTRODUÇÃO
5, C o m o c o n s e q ü ê n c i a , o país v e m r e u n i n d o t o d o s os p r o b l e m a s r e l a c i o n a d o s a e s s e m a l :
p r o d u ç ã o , tráfico, c o n s u m o , violência e l a v a g e m de dinheiro*.
• 2tàm
r-,
^
Figura 5: Dados mundiais de apreensão de cannabis, em ordem de relevância - observa-se que o
Brasil ocupa o quarto lugar no mundo em termos de apreensão, (fonte U N O D C , World Drug
Report 2004)
E m b o r a a Polícia Federal v e n h a f a z e n d o u m t r a b a l h o c o n t í n u o na e r r a d i c a ç ã o d e s t a s
plantas, não e x i s t e m até o m o m e n t o e s t u d o s d e t a l h a d o s a respeito da p r o d u ç ã o distribuição e
c o n s u m o d a erva n o país. O s d a d o s aceitos oficialmente a p o n t a m a região d o semi-árido
Segundo Schira\. apesar da gravidade do problema, o Brasil não é realmente especializado no comércio e
produção de drogas como sua \'izinha Colômbia. Isto significa que o impacto direto deste comércio ilegal na
economia do país ainda é pequeno, o que já não é v erdade quando se leva em conta todas as ouu-as ati\ idades
criminosas que podem estar relacionadas ao narcotráfico.
10
INTRODUÇÃO
nordestino, q u e c o m p r e e n d e a s c i d a d e s d e Petrolina, C a b r o b ó , S a l g u e i r o , Floresta e n t r e outras
e a b a c i a d o rio S ã o Francisco, a o n o r t e d o E s t a d o d a B a h i a (o c h a m a d o P o l í g o n o da
Maconha)®, c o m o
u m a d a s á r e a s d e maior p r o d u t i v i d a d e ( e s t i m a d a em. c e r c a d e
3.300
t o n e l a d a s a o a n o ) , s e n d o P e r n a m b u c o o E s t a d o líder na produção^°'^V No e n t a n t o , s a b e - s e
t a m b é m q u e a r e p r e s s ã o o s t e n s i v a a e s t a s l a v o u r a s n o s últimos 10 a n o s v e m p r o v o c a n d o a
m i g r a ç ã o d e parte d o s p r o d u t o r e s p a r a o M a r a n h ã o , q u e j á v e m s e n d o c o n s i d e r a d o por a l g u n s
especialistas c o m o s e n d o o m a i o r p r o d u t o r d a e r v a no país^^'^^.
O n ú m e r o d e a p r e e n s õ e s no país por s u a vez, é liderado pelo E s t a d o d o M a t o G r o s s o
d o Sul®. S e g u n d o os últimos boletins d a UNODC®'''*, o P a r a g u a i , país q u e f a z fronteira c o m este
E s t a d o , é o s e g u n d o m a i o r p r o d u t o r d e s t a d r o g a n a A m é r i c a Latina (atrás a p e n a s d a C o l ô m b i a )
c o m r o t a s d e tráfico d e n t r o d o território brasileiro, c o n t r i b u i n d o p a r a o a u m e n t o d a s estatísticas
na região^^. A p e s a r d e n ã o s e r e m o b s e n / a d o s níveis significativos d e e r r a d i c a ç õ e s n o E s t a d o
do M a t o G r o s s o d o S u l nos últimos a n o s , esta região a i n d a é i n t e n s a m e n t e m o n i t o r a d a pela
Polícia, p r i n c i p a l m e n t e por servir c o m o porta d e e n t r a d a d a m a c o n h a cultivada n o P a r a g u a i
para o Brasil. A l é m disso, e x i s t e m relatos s o b r e o cultivo d e s t a e r v a na região d e fronteira entre
os d o i s países^®.
U m a característica peculiar e m n o s s o país é q u e a p l a n t a d e Cannabis
é cultivada
principalmente n o m e i o d e p l a n t a ç õ e s c o m u n s , dificultando a localização pela Polícia; s a b e - s e
t a m b é m q u e n e s t a s p l a n t a ç õ e s o m a n e j o d o solo c o m o o uso d e fertilizantes é r e a l i z a d o c o m
f r e q ü ê n c i a " , e x i s t i n d o t a m b é m i n f o r m a ç õ e s s o b r e regiões d e p r o d u ç ã o a l t a m e n t e irrigadas
(comunicação pessoal).
Na Fig. 6, extraída d o relatório d o D e p a r t a m e n t o d e Polícia F e d e r a l , s ã o m o s t r a d a s as
principais regiões d e p r o d u ç ã o e rotas d e distribuição d e m a c o n h a c o n h e c i d a s n o país no a n o
2 0 0 0 . I n f o r m a ç õ e s r e c e n t e s indicam o s u r g i m e n t o d e tráfico entre o P a r a g u a i e a região
N o r d e s t e , p r i n c i p a l m e n t e o E s t a d o d o Ceará®
Esta n o v a rota p o d e ser c o n s e q ü ê n c i a d a s j á
c i t a d a s o p e r a ç õ e s d e c a m p o realizadas n o s E s t a d o s d a B a h i a e P e r n a m b u c o q u e r e s u l t a r a m
n
INTRODUÇÃO
n a e r r a d i c a ç ã o d e mais d e 10 m i l h õ e s d e pés d e m a c o n h a e n t r e o s a n o s d e 2 0 0 0 e 2 0 0 3 ,
l e v a n d o a u m a m e n o r oferta d a d r o g a n a região^. A i n d a s e g u n d o i n f o r m a ç õ e s d a Polícia, a
m a c o n h a p r o d u z i d a n o s E s t a d o s d a R e g i ã o Norte d o país, p r i n c i p a l m e n t e M a r a n h ã o , p a r e c e
estar s e n d o t r a f i c a d a d i r e t a m e n t e p a r a p a í s e s d a E u r o p a ( c o m u n i c a ç ã o pessoal).
12
INTRODUÇÃO
PRJNCJPAIS
ÍERRÂDICAÇÔES
OCORRIDAS
NO
AC
ANO
2000
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4 - MM.*-.
íeí«i«!M:-
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Figura 6: Principais locais de plantio de Cannabis no Brasil, rotas de tráfico e operações de
erradicação realizadas pelo DPF no ano 2000. N o quadro são citadas as principais operações de
campo responsáveis pelas erradicações, (fonte w w w . d p f g o v . b r )
Geralmente
as
estatísticas
sobre
produção,
tráfico
e
comercialização
de
drogas
b a s e i a m - s e e m q u a n t i d a d e s a p r e e n d i d a s d e s t e s materiais. No Brasil e s t i m a - s e q u e a r a z ã o é
d e 10 e v a s õ e s p a r a c a d a a p r e e n s ã o ( c o m u n i c a ç ã o pessoal).
13
INTRODUÇÃO
S e g u n d o i n f o r m a ç õ e s d a Polícia Federal e o boletim d a U N O D C , a maior a p r e e n s ã o n o
país o c o r r e u e m 2 0 0 2 q u a n d o f o r a m tirados d e c i r c u l a ç ã o cerca d e 194 t o n e l a d a s d e
cannabis,
r e p r e s e n t a n d o u m a u m e n t o d e mais d e 3 0 % c o m relação a o a n o anterior®'^. Na Fig. 7 p o d e - s e
o b s e r v a r a s a p r e e n s õ e s totais realizadas p e l a s Polícias Federais e E s t a d u a i s e n t r e 1 9 9 7 e
2004^
200
150
v5
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c
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100
50
O
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
* font eUNCX;P 2004
(excet o para osanosde 2003 c 2004-w.-.v.dpf .gov.br)
Figura 7: Apreensões de maconha realizadas no Brasil entre os anos de 1997 a 2002, segundo
dados da U N O D C e da Polícia Federal.
O s d a d o s s o b r e a p r e e n s õ e s d e m a c o n h a no país entre 2 0 0 0 e 2 0 0 3 , para as d i f e r e n t e s
r e g i õ e s brasileiras, p o d e m ser o b s e r v a d o s n a T a b . 1. Os altos índices n a s regiões S u l e
S u d e s t e , q u e i n c l u e m os principais E s t a d o s brasileiros c o m o S ã o P a u l o e Rio d e J a n e i r o ,
encontram-se
relacionados
ao
consumo
interno,
representando
os
principais
mercados
n a c i o n a i s . A região C e n t r o - O e s t e , o n d e e s t á localizado o E s t a d o d o M a t o G r o s s o d o S u l , foi
r e s p o n s á v e l por c e r c a d e 5 0 % d o v o l u m e a p r e e n d i d o nos últimos a n o s . N a r e g i ã o N o r d e s t e ,
14
INTRODUÇÃO
q u e c o n c e n t r a g r a n d e parte d a p r o d u ç ã o n a c i o n a l , o s n ú m e r o s s ã o r e l a t i v a m e n t e baixos (cerca
d e 5 % d o total nacional); a s e r r a d i c a ç õ e s p o r s u a v e z s ã o altas, l i d e r a n d o o r a n k i n g j u n t a m e n t e
c o m a região Norte d o país.
Tabela 1: Apreensões realizadas no Brasil entre os anos de 2 0 0 0 e 2003 pelas Polícias Federais e
Estaduais nas regiões brasileiras, e total de apreensões no país, segundo dados oficiais do
D e p a r t a m e n t o de Polícia Federal, (fonte w w w . d p f g o v . b r )
2000
Região
Maconha
200i
Maconha
i^9)
Pés de
maconha
íunidadesí
NE
7,332
co
2002
Maconha
(^9)
Pés de
maconha
íunidades)
3,080,496
8,202
123,034
309
S
10,630
SE
2003
^^9)
Pés de
maconha
Cunidades)
Maconha
^
^^9/
Pés de
maconha
funidades)
2,807,320
8,203
2,259,103
7,076
1,843,497
97,210
1,542
102,293
-
66,039
-
12
25.639
5
33,709
18
38,522
-
18,221
-
15,490
321
48,028
289
53,094
-
N
169
618,844
132
1,014,658
507
61,980
123
10
Total no
país
159,386
3,699,661
146,672
3,823,846
192,941
2,594,101
164,969
1,843,507
A t é p o u c o t e m p o atrás, u m a d a s principais d i f i c u l d a d e s e n c o n t r a d a s n e s t e tipo d e
l e v a n t a m e n t o e s t a v a r e l a c i o n a d a à inexistência d e u m b a n c o d e d a d o s único, r e u n i n d o a s
estatísticas d e a p r e e n s õ e s e e r r a d i c a ç õ e s realizadas pelos d i f e r e n t e s ó r g ã o s , c o m o Polícias
F e d e r a l e Estaduais. E s t e q u a d r o v e m m u d a n d o g r a d u a l m e n t e c o m o a d v e n t o d a
internet,
s e n d o q u e a s principais i n f o r m a ç õ e s referentes a e s t e t e m a p o d e m ser l e v a n t a d a s n a p á g i n a
oficial d o D e p a r t a m e n t o d e Polícia Federal (vwvw.dpf.gov.br).
A p e s a r disso, é i m p o r t a n t e o b s e r v a r q u e estes d a d o s a i n d a s ã o u m p o u c o c o n f u s o s e
n ã o e s c l a r e c e m s e o s g r a n d e s saltos nos índices d e a p r e e n s ã o e e r r a d i c a ç ã o d e m a c o n h a n o s
últimos a n o s (Fig. 7) e s t ã o d i r e t a m e n t e r e l a c i o n a d o s a o a u m e n t o n a p r o d u ç ã o e c o n s u m o o u
a p e n a s a u m a a ç ã o m a i s efetiva d a Polícia. C a u s a - n o s s u r p r e s a t a m b é m , o p e q u e n o índice d e
apreensões
na região
Nordeste,
onde
se supõem
estarem
concentradas
as
grandes
15
INTRODUÇÃO
p l a n t a ç õ e s , e n a região Norte p a r a o n d e s é s a b e e s t ã o m i g r a n d o m u i t o s p r o d u t o r e s . Esta
aparente discrepância
p o d e e s t a r r e l a c i o n a d a à própria infra-estrutura d a polícia
nestas
r e g i õ e s , n ã o n o s d a n d o u m a real d i m e n s ã o d o p r o b l e m a .
As
principais
fontes
de
consulta
para
este
trabalho
foram,
além
dos
sites
do
D e p a r t a m e n t o d e Polícia Federal e E s t a d u a i s , o s relatórios d a U N O D C e d a U N E S C O , a l é m d e
j o r n a i s e revistas.
16
INTRODUÇÃO
1.2
DROGAS N O E S T A D O E N A CIDADE DE S Ã O PAULO
O E s t a d o d e S a o Paulo, c o m s e u s 6 4 5 municípios e 3 6 m i l h õ e s d e h a b i t a n t e s , r e ú n e o
m a i o r p a r q u e industrial, p r o d u ç ã o e c o n ó m i c a , infra-estrutura e m ã o d e o b r a q u a l i f i c a d a d o país.
S u a m a l h a rodoviária, c o m p o s t a por e s t r a d a s d e g r a n d e fluxo, e s t r a d a s s e c u n d á r i a s e vicinais
q u e o s interligam c o m o s E s t a d o s vizinhos, facilita o t r a n s p o r t e d e p e s s o a s e d e c a r g a s .
S e g u n d o a CPI ( C o m i s s ã o P a r l a m e n t a r d e Inquérito) d o Narcotráfico, existe u m g r a n d e n ú m e r o
d e a e r o p o r t o s d e p e q u e n o p o r t e e pistas d e p o u s o e d e c o l a g e n s c l a n d e s t i n o s , distribuídos e m
t o d o o Estado, m a n t i d o s muitas v e z e s por n a r c o t r a f i c a n t e s , p e r m i t i n d o o livre trânsito d e
a e r o n a v e s , s e m o d e v i d o controle p o r parte d o s ó r g ã o s f i s c a l i z a d o r e s .
A p e s a r d e n ã o t e r e m sido e n c o n t r a d o s registros d e p r o d u ç ã o e m larga e s c a l a d e
q u a l q u e r tipo d e d r o g a n o E s t a d o , s u a s características o t o r n a m v u l n e r á v e l n ã o s o m e n t e c o m o
u m ponto d e c o n s u m o , m a s t a m b é m d e r e c e p t a ç ã o e distribuição d e d r o g a s pelo país e para
o u t r a s partes d o m u n d o . D e s t a f o r m a , o E s t a d o d e S ã o P a u l o f a z parte d e u m a d a s principais
rotas d o tráfico i n t e r n a c i o n a l , distribuindo a c o c a í n a p r o d u z i d a n a A m é r i c a d o S u l para países
d a E u r o p a e E s t a d o s U n i d o s via a e r o p o r t o s internacionais o u Porto d e Santos^®
A s s i m c o m o n o resto d o país, a s d r o g a s q u e m a i s circulam p e l o E s t a d o s ã o a m a c o n h a
e a c o c a í n a . O s níveis d e criminalidade e n v o l v e n d o d r o g a s s ã o altos n o E s t a d o e v ê m
a u m e n t a n d o d e f o r m a a s s u s t a d o r a . S e g u n d o d a d o s d a S e c r e t a r i a d e S e g u r a n ç a Pública ( S S P SP), em 1996 foram registradas cerca de 18.185 ocorrências envolvendo entorpecentes, sendo
3 . 3 9 4 só n a c i d a d e d e S ã o Paulo. No a n o d e 2 0 0 4 estes n ú m e r o s p a s s a r a m p a r a m a i s d e
3 0 . 0 0 0 o c o r r ê n c i a s , u m a u m e n t o d e cerca d e 6 5 % , s e n d o 5 . 6 0 0 ocon-ências registradas na
capitaP®.
A c i d a d e d e S ã o P a u l o é a m a i o r d o país, c o m m a i s d e 10 m i l h õ e s d e h a b i t a n t e s ; c o m
s u a força e c o n ô m i c a e p r o b l e m a s sociais a p r e s e n t a características f a v o r á v e i s à d i s s e m i n a ç ã o
d a s d r o g a s , d o n a r c o t r á f i c o e d a l a v a g e m d e dinheiro. A l é m d a m a c o n h a e d a c o c a í n a t e m - s e
17
INTRODUÇÃO
a q u i t a m b é m o crack. S e g u n d o M i n g a r d i , o crack, é u m f e n ô m e n o p u r a m e n t e p a u l i s t a n o , s e n d o
c o n s u m i d o p r i n c i p a l m e n t e pela p o p u l a ç ã o mais p o b r e e mais jovem^®.
De a c o r d o c o m d a d o s d a S e c r e t a r i a d e S e g u r a n ç a d o E s t a d o , n o a n o d e 2 0 0 3 f o r a m
a p r e e n d i d a s 55,8 t o n e l a d a s d e m a c o n h a contra 2 6 , 2 t o n e l a d a s e m 2 0 0 2 , u m a u m e n t o d e
113%. Só na cidade de São Paulo foram apreendidas 24,6 toneladas o que representa um
a u m e n t o d e 1 4 6 % e m r e l a ç ã o a o a n o anterior. J á na G r a n d e S ã o P a u l o , o a u m e n t o foi m a i o r a Polícia a p r e e n d e u c e r c a d e 2 t o n e l a d a s d e m a c o n h a e m 2 0 0 2 e 2 1 t o n e l a d a s d a d r o g a e m
2 0 0 3 . A q u a n t i d a d e d e c o c a í n a a p r e e n d i d a t a m b é m a u m e n t o u : e m 2 0 0 2 f o r a m 1,6 t o n e l a d a s
c h e g a n d o a 3,1 t o n e l a d a s e m 2 0 0 3 . N o interior d o E s t a d o a a p r e e n s ã o d e c o c a í n a p a s s o u d e
3 2 3 kg e m 2 0 0 2 p a r a c e r c a d e u m a t o n e l a d a e m 2 0 0 3 , u m a u m e n t o d e q u a s e 2 1 0 % ^ ° . Verificase q u e a s a p r e e n s õ e s n o E s t a d o c o n c e n t r a m - s e b a s i c a m e n t e n a capital, i n d i c a n d o q u e estes
n ú m e r o s p o d e m ser reflexos d e u m a a ç ã o mais efetiva d a Polícia na região.
U m e s t u d o r e a l i z a d o por M i n g a r d i para a U N E S C O a n a l i s o u , s o b vários a s p e c t o s , o
p r o b l e m a d e d r o g a s n a c i d a d e d e S ã o Paulo^®. O objetivo principal foi m a p e a r o p r o b l e m a n a
c i d a d e , identificando o perfil d o s traficantes, s e u s modus
operandi
e o p a p e l da c i d a d e no
tráfico internacional. P a r a isto, f o r a m c o n s u l t a d a s c e n t e n a s d e m i l h a r e s d e d o c u m e n t o s tais
c o m o B O s (Boletins d e O c o r r ê n c i a s da Polícia Civil), livros d e o c o r r ê n c i a s d o
DENARC
( D e p a r t a m e n t o E s t a d u a l d e Narcóticos) e O l s ( O r d e n s d e I n v e s t i g a ç ã o ) , n ã o s e n d o utilizados
o s d a d o s oficiais d i v u l g a d o s p e l o s o r g a n i s m o s g o v e r n a m e n t a i s . O b s e r v o u - s e u m a u m e n t o e m
t o r n o d e 2 4 3 % n a s p r i s õ e s r e a l i z a d a s pelo D E N A R C entre o s a n o s d e 1 9 9 1 e 1 9 9 6 , q u e
s e g u n d o o autor, é r e s u l t a d o d e u m a a ç ã o mais efetiva d a Polícia, m a s t a m b é m
indica
i n d u b i t a v e l m e n t e u m c r e s c i m e n t o n o n ú m e r o d e traficantes a t u a n d o n a c i d a d e . A m a c o n h a é a
d r o g a mais l a r g a m e n t e c o n s u m i d a , e n q u a n t o q u e a c o c a í n a , m a i s cara, é utilizada b a s i c a m e n t e
p e l a classe
m é d i a . N a d é c a d a d e 1 9 9 0 , o crack surgiu c o m o u m a c o c a í n a p a r a o s m a i s p o b r e s ,
s e n d o l a r g a m e n t e c o n s u m i d o pela p o p u l a ç ã o d e baixa r e n d a e m e n i n o s d e rua, s e n d o q u e as
18
INTRODUÇÃO
a p r e e n s õ e s d e crack p a s s a r a m d e cerca d e 0 , 7 % d o total d e a p r e e n s õ e s e m 1990, p a r a c e r c a
d e 7 0 % e m 1995*.
A i n d a s e g u n d o estes e s t u d o s , d i f e r e n t e m e n t e d o q u e o c o r r e na c i d a d e d o Rio d e
Janeiro, o mercado das drogas e m São Paulo é bastante fragmentado, sendo composto e m
s u a g r a n d e maioria por p e q u e n o s traficantes, q u e a t u a m s o z i n h o s o u e m p e q u e n o s g r u p o s , d e
forma
desorganizada.
principalmente
do
A
maconha
Paraguai
e
do
comercializada
Polígono
da
na
cidade
Maconha,
vem,
segundo
principalmente
do
Mingardi,
Estadode
P e r n a m b u c o . A c r e d i t a - s e q u e a c o c a í n a seja trazida por rotas similares e, a l g u m a s v e z e s , d a
Colômbia ou Amazônia.
U m a s p e c t o i m p o r t a n t e nesta a v a l i a ç ã o é a d i n â m i c a d e s t e m e r c a d o ilegal e s u a
capacidade de adaptação. C o m o ocorreu recentemente no Nordeste, um maior investimento do
g o v e r n o c o n t r a a s p l a n t a ç õ e s d o P o l í g o n o f e z c o m q u e esta atividade m i g r a s s e p a r a o s
e s t a d o s d a região Norte. Este m e c a n i s m o d e " a d a p t a ç ã o " é o b s e r v a d o e m t o d a s a s p a r t e s d o
m u n d o , a p r e s e n t a n d o - s e d e f o r m a a l t a m e n t e complexa"*. C o m o e x e m p l o p o d e - s e citar q u e a s
a ç õ e s repressivas q u e l e v a m a u m a d i m i n u i ç ã o n o cultivo e l e v a m o p r e ç o d o p r o d u t o final,
s e r v i n d o por outro lado, c o m o u m incentivo a n o v o s i n v e s t i m e n t o s . Esta s i t u a ç ã o é c l a r a m e n t e
observada nos Estados do Polígono da Maconha, onde segundo informações do Departamento
d e Polícia F e d e r a l , o p r e ç o d a d r o g a s u b i u d e R $ 5,00 o quilo, e m 1 9 9 8 p a r a R$ 3 5 0 , 0 0 e m
2 0 0 4 ^ \ s e n d o u m f o r t e atrativo a o s u r g i m e n t o d e n o v a s p l a n t a ç õ e s .
Segundo o autor, estes números podem estar relacionados a uma maior ação da Polícia no centro da cidade, região
conhecida como cracolândia.
19
OBJETIVÓSE
RELEVÂNCIA
DO
TRABALHO
CAPÍTULO 2. OBJETIVOS E RELEVÂNCIA DO TRABALHO
o principal objetivo d e s t e t r a b a l h o foi o d e s e n v o l v i m e n t o d e u m a f e r r a m e n t a analítica,
aplicável à rotina Policial, p a r a identificar a o r i g e m g e o g r á f i c a d e a m o s t r a s d e
maconha
a p r e e n d i d a n a s ruas d e S ã o P a u l o , por m e i o de a s s i n a t u r a s q u í m i c a s . P a r a isto f o r a m
utilizadas
as
técnicas
de
espectrometria
de
massas
de
isótopos
estáveis
(IRMS)
e
espectrometria de massas de dupla focalização com fonte de plasma acoplado indutivamente
(HR-ICP-MS)
na d e t e r m i n a ç ã o
da
composição
isotópica
de carbono
e nitrogênio e
de
constituintes i n o r g â n i c o s . A m o s t r a s a p r e e n d i d a s j u n t o a usuários e traficantes n o s principais
E s t a d o s p r o d u t o r e s d o país f o r a m a n a l i s a d a s e classificadas c o m o u s o d e
quimiométricas,
desenvolvendo-se
um
modelo
para
se e s t i m a r
a origem
ferramentas
das
amostras
a p r e e n d i d a s n a c i d a d e d e S ã o Paulo.
U m a d a s c h a v e s p a r a o e s t a b e l e c i m e n t o d e u m efetivo p r o g r a m a d e c o m b a t e a o
n a r c o t r á f i c o é o c o n h e c i m e n t o preciso d o s locais d e p r o d u ç ã o e rotas d e distribuição d a s
d r o g a s pelo país. No Brasil e s t e s l e v a n t a m e n t o s b a s e i a m - s e n a s estatísticas d e a p r e e n s õ e s e
e r r a d i c a ç õ e s realizadas e n a s d e c l a r a ç õ e s d u v i d o s a s d e traficantes, n ã o e x i s t i n d o e s t u d o s
d e t a l h a d o s s o b r e s u a p r o d u ç ã o e distribuição.
A maior p a r t e dos t r a b a l h o s d e r a s t r e a m e n t o d e d r o g a s e n c o n t r a d o s na literatura
b a s e i a - s e n a a n á l i s e d e materiais e r r a d i c a d o s n a p l a n t a ç ã o , d e o r i g e m c o n h e c i d a . S e por u m
20
ORJETIVOS
lado e s t a e s t r a t é g i a
garante
a procedência
das
amostras,
ERELEVÂNCIA
por outro
DO
TRABALHO
introduz
riscos
e
d i f i c u l d a d e s legais n o s p r o c e d i m e n t o s d e coleta, q u e d e v e m ser realizados no c a m p o .
A p e s a r d e s e r d e g r a n d e interesse, e s t e t e m a t e m sido p o u c o e x p l o r a d o na literatura
p r i n c i p a l m e n t e d e v i d o a o s e m p e c i l h o s legais n o cultivo e m a n i p u l a ç ã o d e s t a s d r o g a s . A l é m
disto n ã o há relatos n a literatura s o b r e a utilização d a s t é c n i c a s d e e s p e c t r o m e t r i a d e m a s s a s
d e i s ó t o p o s e s t á v e i s e d e m a s s a s s i m u l t a n e a m e n t e , n e m d a utilização d e s t e s d a d o s no
r a s t r e a m e n t o d e a m o s t r a s reais. D e s t a f o r m a , e s t e t r a b a l h o introduz u m n o v o p a r a d i g m a no
r a s t r e a m e n t o d e s t a s a m o s t r a s a l é m d e contribuir c o m d a d o s inéditos, u m a v e z q u e
não
e x i s t e m e s t u d o s similares p a r a a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n a A m é r i c a d o S u l .
Apesar
da
colaboração
entre
a
comunidade
científica
e
os
órgãos
do
Estado
r e s p o n s á v e i s p e l o s serviços d e i n v e s t i g a ç ã o e inteligência vir se a p r e s e n t a d o c o m o
uma
t e n d ê n c i a m u n d i a l e c r e s c e n t e no s e n t i d o d e s e i m p l a n t a r m e t o d o l o g i a s científicas n o c o m b a t e
a o crime, n ã o e x i s t e m no Brasil relatos s o b r e g r a n d e s p r o g r a m a s c o n j u n t o s e n t r e Polícias ou
ó r g ã o s g o v e r n a m e n t a i s de s e g u r a n ç a e instituições d e p e s q u i s a s .
2!
CANNA BIS SATIVA
CAPÍTULO 3. FUNDAMENTAÇÃO
3.1
CANNABIS
TEÓRICA
SATIVA
.A Cannabis
sativa é urna planta d i o i c a , arbustiva, originária d a Á s i a C e n t r a l e p e r t e n c e à
família das Cannabaceae.
Sua grande capacidade de adaptação a fez largamente difundida
pelo m u n d o , s e n d o a t u a l m e n t e c u l t i v a d a e m t o d o s o s c o n t i n e n t e s . O s primeiros relatos d o uso
d e s t a planta p e l o h o m e m c o m o erva m e d i c i n a l d a t a m d e c e r c a d e 4 mil a n o s , n a C h i n a , n o
e n t a n t o a r q u e ó l o g o s e n c o n t r a r a m indícios d e s u a existência na E u r o p a C e n t r a l há c e r c a d e 7
mil a n o s ^ l A t u a l m e n t e sua c o m e r c i a l i z a ç ã o e u s o , e m q u a l q u e r d e s u a s a p r e s e n t a ç õ e s , são
proibidas p o r lei e m g r a n d e p a r t e do m u n d o , inclusive n o Brasil.
O delta-9-tetrahidrocannabinol
(A®-THC o u T H C ) , principal c o m p o s t o p s i c o a t i v o
da
d r o g a , é p r o d u z i d o e m g l â n d u l a s m i c r o s c ó p i c a s e s p a l h a d a s p r a t i c a m e n t e p o r t o d a a planta
( e x c e t o raízes e s e m e n t e s ) . S e u s níveis d e c o n c e n t r a ç ã o d e p e n d e m b a s i c a m e n t e d e fatores
g e n é t i c o s e c o n d i ç õ e s d e cultivo c o m o luz, t e m p e r a t u r a , u m i d a d e e solo d e plantio^^'^". A
cannabis
p o d e ser c l a s s i f i c a d a c o n f o r m e s e u potencial d e t o x i c i d a d e o u níveis d e T H C e m
t i p o s - d r o g a e tipos-fibra, c o m níveis d e s t e psicoativo m a i o r e s o u m e n o r e s q u e 0 , 3 % d e sua
m a s s a s e c a , respectivamente^^"^®.
A p r o d u ç ã o d o T H C se inicia na g e r m i n a ç ã o d a s e m e n t e e s e g u e até a m a t u r i d a d e da
planta, a l c a n ç a d a n o p e r í o d o d e f l o r a ç ã o . S u a p r o d u ç ã o d i m i n u i c o m a d i m i n u i ç ã o d a f o r m a ç ã o
d e n o v a s f l o r e s , o q u e p o d e ocorrer n u m p e r í o d o d e d u a s a d e z s e m a n a s , d e p e n d e n d o d a s
22
CANNABIS
SATIVA
c o n d i ç õ e s a m b i e n t a i s . U m o u t r o fator q u e influi n a p r o d u ç ã o d o T H C é a polinização d a planta,
d a s e g u i n t e f o r m a : e n q u a n t o n ã o o c o r r e a polinização, a planta c o n t i n u a a produzir flores, e
conseqüentemente
THC.
A
sinsemilia
(que
significa
sem
semente
em
espanhol)
foi
d e s e n v o l v i d a c o m b a s e n e s t e princípio, s e n d o plantas f ê m e a s n ã o fertilizadas q u e a p r e s e n t a m
maiores
níveis
de
THC
em
torno
de
5%
de
peso
de
sua
massa
seca,
aparecendo
p r i n c i p a l m e n t e nos E s t a d o s U n i d o s e México^®.
A s d u a s e s p é c i e s d e plantas d e Cannabis
Cannabis
sativa
e Cannabis
indica^".
reconhecidas
pelos t a x o n o m i s t a s
U m a terceira e s p é c i e , a Cannabis
mderalis
é limitado a
a l g u n s países d a Á s i a , n ã o s e n d o r e c o n h e c i d a por t o d o s o s p e s q u i s a d o r e s . A Cannabis
é cultivada
basicamente
n o A f e g a n i s t ã o e P a q u i s t ã o , s e n d o a Cannabis
são
sativa
indica
a
mais
l a r g a m e n t e d i f u n d i d a p e l o m u n d o . Esta e s p é c i e é t a m b é m a p r e d o m i n a n t e n a s A m é r i c a s ,
incluindo o Brasil.
A s d u a s principais f o r m a s d e cultivo d a planta d e Cannabis
e x t e r n a (outdoor).
s ã o a interna [indoor)
e a
O cultivo / n d o o r utiliza-se e m geral d e t e c n o l o g i a s sofisticadas e v ê m s e n d o
r a p i d a m e n t e d i f u n d i d o pelo m u n d o . P r o d u z plantas m a i s p o t e n t e s e m a m b i e n t e s r i g i d a m e n t e
controlados,
com
maior
número
de
colheitas
por
ano,
atingindo
significativamente
as
estatísticas a n u a i s d e a p r e e n s ã o . N o r m a l m e n t e a c o n c e n t r a ç ã o d e T H C n a s plantas naturais
varia de 1 a 3 % d e s u a m a s s a seca^®'^\ n o e n t a n t o e x i s t e m relatos r e c e n t e s d o a p a r e c i m e n t o
d e plantas cultivadas indoor
que a p r e s e n t a m c o n c e n t r a ç õ e s d e T H C d e a t é 30%^^. Este tipo d e
e r v a d e n o m i n a d a s/cun/c a p a r e c e p r i n c i p a l m e n t e n o C a n a d á , E s t a d o s Unidos e H o l a n d a e,
a p e s a r d e existirem i n f o r m a ç õ e s r e c e n t e s sobre o s e u a p a r e c i m e n t o n o Brasil, ainda n ã o f o r a m
d e t e c t a d o s indícios q u e c o m p r o v e m s u a p r e s e n ç a n o país^^.
A l é m d o T H C , a Cannabis
c o n t e m outros c a n n a b i n o i d e s , incluindo o c a n n a b i n o l ( C B N ) e
o c a n n a b i d i o l (CBD). A maioria deles a p r e s e n t a - s e e m q u a n t i d a d e s p e q u e n a s ( m e n o s d e 0 , 1 %
d o total d e c a n a b i n n ó i d e s ) e n ã o s ã o c o n s i d e r a d a s psicoativas. O T H C e o C B D s ã o o s
c a n n a b i n o i d e s mais a b u n d a n t e s . T o d a s estas s u b s t â n c i a s e e m e s p e c i a l o T H C ,
podem
2.1
CANNABIS
SATIVA
a p r e s e n t a r p r o p r i e d a d e s a n a l g é s i c a s , s e d a t i v a s o u antibióticas i m p o r t a n t e s , p o d e n d o p o r este
m o t i v o ser utilizado para fins medicinais^^ *.
O C B N n ã o é p r o d u z i d o n a t u r a l m e n t e pela planta, c o n s t i t u i n d o - s e d a
degradação
( o x i d a ç ã o ) d o T H C . Desta f o r m a , a planta f r e s c a p r a t i c a m e n t e n ã o a p r e s e n t a e s t e c o m p o s t o , e
a r a z ã o C B N / T H C p o d e ser utilizada para se e s t i m a r o t e m p o d e a r m a z e n a m e n t o d e u m a d a d a
amostra^".
T a n t o a planta tipo-fibra q u a n t o a t i p o - d r o g a c o n t e m estas s u b s t â n c i a s e m diferentes
c o n c e n t r a ç õ e s , n o e n t a n t o , no primeiro c a s o o total d e T H C n ã o e x c e d e n o r m a l m e n t e 5 0 % do
total d e c a n n a b i n o i d e s . B a s e a d o nisso, foi e s t a b e l e c i d o u m critério para s e classificar plantas
tipo-fibra
e tipo-droga,
utilizando
a razão
(%CBN
+ %THC)/%CBD,
Fetterman^^. S e e s t e resultado é maior d o q u e 1 , a Cannabis
índice definido
por
é classificada como tipo-droga,
c a s o contrário é u m a v a r i e d a d e tipo-fibra. A limitação d e s t e critério é q u e se p o d e classificar
plantas jovens c o m teores de T H C menores do que 0,3% como sendo tipo-droga, embora
a p r e s e n t e b a i x a s c o n c e n t r a ç õ e s d a s u b s t â n c i a psicoativa^®.
Na
planta
madura,
a
concentração
máxima
destes
compostos
encontra-se
nas
i n f l o r e s c e n c i a s ; n a s f o l h a s a c o n c e n t r a ç ã o é b a i x a e há a p e n a s t r a ç o s n o s talos e galhos^^'^^. A
p l a n t a f ê m e a n o r m a l m e n t e a p r e s e n t a t e o r e s d e c a n a b i n n ó i d e s d u a s v e z e s m a i o r e s d o q u e as
planta m a c h o , s e n d o por este m o t i v o m a i s l a r g a m e n t e c o n s u m i d a .
R e c e n t e s e s t u d o s r e a l i z a d o s p e l a O r g a n i z a ç ã o M u n d i a l d a S a ú d e ( O M S ) relatam d e
f o r m a b a s t a n t e d e t a l h a d a os e f e i t o s n e u r o l ó g i c o s c a u s a d o s pelo THC^®. E m linhas gerais p o d e se dizer que após o consumo da maconha, são observados hiperemia de conjuntivas, boca
s e c a , p o d e n d o t a m b é m ocorrer t a q u i c a r d i a e a u m e n t o d a p r e s s ã o arterial. O u s o f r e q ü e n t e
c a u s a , a l o n g o p r a z o , efeitos n o c i v o s a o s i s t e m a p u l m o n a r e cardiovascular, a s s i m c o m o riscos
' Apesar de serem observados efeitos benéficos indiscutíveis, principalmente como analgésico (pode ser utilizado
para aliviar a dor ou combater náuseas e vômitos decorrentes dos tratamentos contra o câncer e a aids) não existe até
hoje um consenso sobre mveis seguros para o consumo desta droga, sendo este assunto amplamente debatido.
24
CANNABIS
SATIVA
de d e s e n v o l v i m e n t o d e c â n c e r d e p u l m ã o e u m a d i m i n u i ç ã o d a d e f e s a d o o r g a n i s m o e m
c o n s e q ü ê n c i a d e s u a a ç ã o n o sistema i m u n o l ó g i c o . N a á r e a s e x u a l a f e t a t a n t o h o m e n s c o m o
m u l h e r e s , d i m i n u i n d o a p r o d u ç ã o d e e s p e r m a t o z ó i d e s e c a u s a n d o a l t e r a ç ã o n o ciclo m e n s t r u a l .
Dependendo
da
alucinógenos,
quantidade
afetando
o
usada,
pode
desempenho
causar
do
efeitos
indivíduo
na
depressores,
realização
excitantes
de
ou
atividades
corriqueiras^®'^^.
25
COMISSÃO Kí£IÜfíñl. Cf- ENERÊiA NUCLt7\iVSP-íPEÃ
ASSINATURA
QUÍMICA
3.2 ASSINATURA QUÍMICA
No c o n t e x t o d e s t e t r a b a l h o a s s i n a t u r a o u " i m p r e s s ã o digital" q u í m i c a p o d e s e r d e f i n i d a
c o m o u m perfil q u í m i c o d e u m g r u p o d e a m o s t r a s q u e , e m a s s o c i a ç ã o c o m u m c o n j u n t o d e
i n f o r m a ç õ e s referentes a o p r o b l e m a e s t u d a d o , é c a p a z d e caracterizá-lo d e f o r m a única. Este
p a d r ã o p o d e e s t a r a s s o c i a d o a o perfil o r g â n i c o , i n o r g â n i c o e / o u isotópico, s e n d o definido p o r
meio d e d i f e r e n t e s t é c n i c a s analíticas e m é t o d o s estatísticos q u e e s t a b e l e c e m g r a u s d e
c o i n c i d ê n c i a p a r a u m g r u p o d e a m o s t r a s - a repetição d e u m m e s m o p a d r ã o d e f i n e a c h a m a d a
assinatura q u í m i c a .
No c a s o d e materiais v e g e t a i s c o m o a cannabis,
e s t a a s s i n a t u r a p o d e estar a s s o c i a d a
ao local d e o r i g e m e à s c o n d i ç õ e s d e cultivo, e n q u a n t o q u e e m materiais p r o c e s s a d o s e s e m i sintéticos c o m o c o c a í n a e h e r o í n a , e s t e s indícios p o d e m levantar i n f o r m a ç õ e s s o b r e s e u s
p r o c e s s o s d e síntese^®*. O s p a r â m e t r o s m a i s l a r g a m e n t e utilizados c o m o indicativos d a o r i g e m
de d r o g a s s ã o a c o m p o s i ç ã o isotópica d e c a r b o n o e nitrogênio e o perfil d e constituintes
inorgânicos. A seguir s e r á a b o r d a d o c a d a u m d e s t e s c o n c e i t o s .
' Nestes casos adulterantes, como cafeína e lidocaína. são adicionados ao produto com o propósito de se aumentar
seu volume, nonnalmenle em quantidades especificas. Seus níveis de concentração podem ser utilizados para se
saber se duas ou mais amostras provêm de um mesmo lote. A separação química e posterior caracterização destes
compostos também podem fornecer informações importantes para o rastreamento da origem destas substâncias.
26
ISÓTOPOS
ESTÁVEIS
3.2.1 I s ó t o p o s e s t á v e i s - c a r b o n o e nitrogênio e m p l a n t a s
i s ó t o p o s s ã o á t o m o s q u e c o n t ê m o m e s m o n ú m e r o d e p r ó t o n s e diferentes n ú m e r o s d e
n ê u t r o n s . IVIuitos e l e m e n t o s q u í m i c o s r e p r e s e n t a m u m a mistura d e i s ó t o p o s e s t á v e i s q u e n ã o
se d e s i n t e g r a m r a d i o a t i v a m e n t e .
Os
isótopos
estáveis
de
um elemento
diferem
ligeiramente
entre
si e m
suas
características físicas, q u í m i c a s e b i o q u í m i c a s p o r p o s s u í r e m m a s s a s d i f e r e n t e s . A relação
e n t r e o s isótopos e m u m d e t e r m i n a d o c o m p o s t o p o d e s e r a l t e r a d a p o r efeitos c i n é t i c o s * e
t e r m o d i n â m i c o s * * , q u e p r o m o v e m o q u e s e c o n h e c e p o r f r a c i o n a m e n t o isotópico, p r o d u z i n d o
c o m p o s t o s c o m d i f e r e n t e s r e l a ç õ e s entre o s isótopos d o s e l e m e n t o s q u e o compõe'"'. A q u e b r a
d e ligações c o v a l e n t e s p o r e x e m p l o , r e q u e r u m a e n e r g i a d e a t i v a ç ã o maior s e estas ligações
são formadas por isótopos mais pesados.
Os isótopos m a i s leves s ã o g e r a l m e n t e mais a b u n d a n t e s , e n q u a n t o q u e o s m a i s
p e s a d o s s ã o e n c o n t r a d o s e m u m a q u a n t i d a d e muito m e n o r . C o m o a s v a r i a ç õ e s n a c o m p o s i ç ã o
isotópica d e s u b s t â n c i a s naturais s ã o muito p e q u e n a s , e l a s s ã o e x p r e s s a s e m p a r t e s p o r mil
(%o) s e n d o r e p r e s e n t a d a s pela n o t a ç ã o ô - v e r e q u a ç ã o (1).
amostra
^-^amostra
A:IO)
"
^
-j
= 1000
(1)
pudrão
s e n d o R a razão entre o isótopo m e n o s a b u n d a n t e pelo m a i s a b u n d a n t e .
A medida dos isótopos estáveis d e elementos de compostos orgânicos o u inorgânicos
na n a t u r e z a p o d e f o r n e c e r i m p o r t a n t e s i n f o r m a ç õ e s s o b r e os p r o c e s s o s q u e o s f o r m a m , s u a s
' Normalmente associados a processos bioquímicos ou físicos com taxas de reações diferentes para cada isótopo há um enriquecimento do isótopo mais leve nos produtos e um empobrecimento nos reagentes.
" Associado ao fracionamento que ocorre em situações de equilibrio químico - a distribuição isotópica varia entre
as fases ou compostos, mas as reações que produzem estas distribuições encontram-se em equilíbrio químico.
27
ISOTOPOS
ESTA VEIS
t a x a s d e f o r m a ç ã o e a s c o n d i ç õ e s a m b i e n t a i s n o m o m e n t o d e s u a f o r m a ç ã o . O s isótopos
estáveis n o r m a l m e n t e utilizados nos e s t u d o s d e p r o c e s s o s b i o q u í m i c o s s ã o os d e H, C, N, O e
S, s e n d o os mais i m p o r t a n t e s c o m o t r a ç a d o r e s biológicos o s d e c a r b o n o e nitrogênio.
3.2.1.1
Carbono
O c a r b o n o está p r e s e n t e na a t m o s f e r a p r i n c i p a l m e n t e e m f o r m a d e dióxido d e c a r b o n o
e m u m a c o n c e n t r a ç ã o m é d i a d e 0,3 m L L"V É c o n s t i t u i d o por d o i s i s ó t o p o s principais:
e *^C,
c o m a b u n d â n c i a natural e m t o r n o d e 9 8 , 8 9 % e 1 , 1 1 % r e s p e c t i v a m e n t e , s e n d o a d i f e r e n ç a de
m a s s a entre o s dois d e 8 , 3 6 % . S u a c o m p o s i ç ã o isotópica é e x p r e s s a c o m o a r a z ã o d o
pelo
^^C na a m o s t r a , c o m p a r a d o a u m p a d r ã o (PDB), s e n d o s e u valor m é d i o n a a t m o s f e r a e m t o r n o
d e -8,0%o. D e u m a f o r m a g e r a l , a c o m p o s i ç ã o isotópica d e s t e e l e m e n t o e m q u a l q u e r c o m p o s t o
o r g â n i c o natural d e p e n d e :
1) d a fonte d e C utilizada
2) d o s efeitos isotópicos a s s o c i a d o s a sua a s s i m i l a ç ã o pelo o r g a n i s m o p r o d u t o r
3) d o s efeitos i s o t ó p i c o s a s s o c i a d o s a o m e t a b o l i s m o e à b i o s s í n t e s e
4) d o s c a m i n h o s d o e l e m e n t o n a célula
Nas
plantas, o
principal
mecanismo
de fixação
e de
fracionamento
do
C é
a
f o t o s s í n t e s e , o n d e o c o r r e a t r a n s f e r ê n c i a d o c a r b o n o a t m o s f é r i c o (CO2) p a r a f o r m a s o r g â n i c a s
reduzidas. Neste p r o c e s s o a e n e r g i a solar é utilizada p a r a o x i d a r a á g u a e reduzir o C O 2 e m
compostos
orgânicos
(açúcares),
convertendo
energia
solar
em
energia
química''\
.A
f o t o s s í n t e s e ocorre p r i m a r i a m e n t e n a s f o l h a s , e m o r g a n e l a s d e n o m i n a d a s cloroplastos. Este
processo
envolve
mecanismos
fotoquímicos
dirigidos
pela
luz,
processos
enzimáticos
i n d e p e n d e n t e s de r a d i a ç ã o e o s p r o c e s s o de d i f u s ã o , q u e s ã o as trocas d e C O 2 e O2 entre o
cloroplasto e a a t m o s f e r a , s e n d o c a d a u m deles i n f l u e n c i a d o por f a t o r e s internos e e x t e r n o s ,
c o m o t e m p e r a t u r a , f o t o p e r í o d o e umidade"**. O c a r b o n o d e p l a n t a s terrestres p o s s u i u m a
quantidade
menor
de
em
relação
ao CO2 a t m o s f é r i c o ,
indicando
que
as
plantas
28
ISÓTOPOS
ESTA VEIS
d i s c r i m i n a m c o n t r a o i s ó t o p o mais p e s a d o d u r a n t e a f o t o s s í n t e s e . E s t e f r a c i o n a m e n t o ocorre
t a n t o d u r a n t e a fi.xaçâo e n z i m á t i c a d o C, d e v i d o à m e n o r reatividade d o
e m r e l a ç ã o a o *^C,
c o m o t a m b é m n o s p r o c e s s o s a s s o c i a d o s à d i f u s ã o g a s o s a pelos estômatos''^.
N a s plantas terrestres e x i s t e m três ciclos fotossintéticos d i f e r e n t e s , C 3 , C 4 e C A M ,
sendo
que cada
u m a delas
possui
um mecanismo
específico
de fixação
d o C e de
discri.minação d o ^^C"*. Plantas d o ciclo fotossintético C 3 (ou C a l v i n - B e n s o n ) q u e r e p r e s e n t a m
cerca d e 8 5 % d a s e s p é c i e s terrestres, incluindo a Cannabis,
r e d u z e m o C O 2 a o ácido
fosfoglicérico ( u m a ç ú c a r f o r m a d o por 3 á t o m o s d e C), e a p r e s e n t a m b a i x a r a z ã o ^ ^ C / ^ C , c o m
valores d e ô*^C e m torno d e -27%o, p o d e n d o variar a p r o x i m a d a m e n t e entre - 3 2 a -22%o,
d e p e n d e n d o d a s c o n d i ç õ e s ambientais"^. P o r outro lado, plantas q u e r e d u z e m o C O 2 a ácido
aspártico o u málico s ã o d o ciclo C 4 [Hatch-Siack-Kortschaii),
a p r e s e n t a n d o alta razão*^C/*^C e
ô " C e m torno d e -13%o (variando a p r o x i m a d a m e n t e d e - 1 7 a -7%o)'"', r e p r e s e n t a n d o c e r c a d e
5 % d a s e s p é c i e s terrestres, s e n d o na s u a m a i o r i a g r a m í n e a s . A s e s p é c i e s C A M
Acid
Metabolism)
representam
cerca
de
10%
de
todas
as
(Crassulacean
espécies.
Ocorrem
p r e d o m i n a n t e m e n t e e m d e s e r t o s , o u r e g i õ e s muito s e c a s , e t ê m c o m o e s t r a t é g i a a d a p t a t i v a o
f e c h a m e n t o d o s e s t ô m a t o s d u r a n t e o d i a , a f i m d e evitar a perda d e á g u a , e f i x a m o C O 2 à
noite. Este g r u p o p o d e ser dividido e m d o i s s u b g r u p o s : as plantas C A M obrigatórias, q u e f i x a m
o C s o m e n t e à noite, c o m 5*^C s e m e l h a n t e s às plantas C 4 , e a s C A M facultativas, q u e p o d e m
fixar o C d u r a n t e o dia o u à noite, c o n f o r m e o clima. P a r a a s C.AM facultativas, o valor d e ô " C
varia entre -10%o e -28%o''^
A d i f u s ã o g a s o s a ocorre e s s e n c i a l m e n t e pelos e s t ô m a t o s , q u e no c a s o d e plantas
superiores p o d e m s e r e n c o n t r a d o s b a s i c a m e n t e n a s f o l h a s . O s principais f a t o r e s q u e a f e t a m a
a b e r t u r a e f e c h a m e n t o e s t o m á t i c o s ã o a l é m d a luz, a c o n c e n t r a ç ã o d e C O 2 (tanto e x t e r n a
q u a n t o na c â m a r a e s t o m á t i c a ) , a t e m p e r a t u r a e a disponibilidade d e á g u a n o m e i o . Neste
p r o c e s s o , a s p l a n t a s t e n t a m m a x i m i z a r a f o t o s s í n t e s e e a o m e s m o t e m p o minimizar a s p e r d a s
d e água"^.
29
ISOTOPOS
ESTÁVEIS
S e g u n d o m o d e l o d e s e n v o l v i d o por F a r q u h a r a c o m p o s i ç ã o isotópica d o c a r b o n o n a s
p l a n t a s C 3 p o d e ser descrita pela s e g u i n t e equação"^:
8'^Cc3 = 5 " C . , ^ - a - ( b - a ) c y C a
-
(2)
o n d e c¡ = c o n c e n t r a ç ã o d e C O 2 no interior d a c â m a r a e s t o m á t i c a
CA = c o n c e n t r a ç ã o d e C O 2 n a a t m o s f e r a
a = 4,4%o c o r r e s p o n d e a o f r a c i o n a m e n t o no p r o c e s s o d e d i f u s ã o pelos e s t ô m a t o s
b = 27,5%o c o r r e s p o n d e a o f r a c i o n a m e n t o do C no p r o c e s s o d e c a r b o x i l a ç ã o
D e s t a f o r m a , a c o m p o s i ç ã o isotópica do c a r b o n o é e s s e n c i a l m e n t e g o v e r n a d a pela
r a z ã o entre a c o n c e n t r a ç ã o d e CO2 d e n t r o d a c â m a r a e s t o m á t i c a (c¡) e a c o n c e n t r a ç ã o d e C O 2
d o ar (CA), s e n d o q u e a r a z ã o cJc^ r e p r e s e n t a a t a x a c o m q u e o CO2 s e d i f u n d e para o interior
d a s f o l h a s e c o n s e q ü e n t e m e n t e a t a x a c o m q u e ele é r e d u z i d o pela fotossíntese"^. A l g u n s
f a t o r e s a m b i e n t a i s p o d e m influenciar p o t e n c i a l m e n t e a r a z ã o cjc^, e c o n s e q ü e n t e m e n t e o valor
d e Ô*^C, c o m o descrito b r e v e m e n t e a s e g u i r
Q u a n d o a i n t e n s i d a d e d e luz é baixa e a disponibilidade d e á g u a no m e i o alta, a planta
p e r m a n e c e c o m s e u s e s t ô m a t o s a b e r t o s v i s a n d o otimizar o p r o c e s s o fotossintético, s e n d o
n e s t e c a s o c, ~ CA; por outro lado, q u a n d o a á g u a é e s c a s s a e a i n t e n s i d a d e d e luz alta, os
e s t ô m a t o s t e n d e m a p e r m a n e c e r f e c h a d o s , v i s a n d o a m i n i m i z a r as p e r d a s d e á g u a e evitar a
s a t u r a ç ã o l u m i n o s a ; nestes c a s o s Q será m e n o r do q u e CA, e s e g u n d o a e q u a ç ã o (2), o valor d e
ô*^C t e n d e r á a ser m e n o s negativo"^"®. De t o d a s estas variáveis, a q u e influencia d e f o r m a
m a i s significativa o s valores d e Ô*^C n a s plantas é a disponibilidade d e á g u a no meio.
30
ISOTOPOS
ESTA VEIS
3.2.1.2 Nitrogênio
O n i t r o g ê n i o a p r e s e n t a dois i s ó t o p o s e s t á v e i s , o ^"N e o *^N, s e n d o s u a s a b u n d a n c i a s
n a a t m o s f e r a p r a t i c a m e n t e c o n s t a n t e s ( 9 9 , 6 3 4 e 0 , 3 6 6 % para ^''N e
este motivo
o
nitrogênio
d o ar a t m o s f é r i c o
é
utilizado
como
r e s p e c t i v a m e n t e ) . Por
padrão de referência
nas
d e t e r m i n a ç õ e s d e ô^^N.
A c o m p o s i ç ã o isotópica d o nitrogênio d e q u a s e t o d o material terrestre varia e n t r e -20%o
e 30%o. A s s i m c o m o o c o r r e c o m o c a r b o n o , q u a s e t o d a s as r e a ç õ e s b i o q u í m i c a s l e v a m a u m
enriquecimento do
nos r e a g e n t e s e e m p o b r e c i m e n t o nos p r o d u t o s .
A m a i o r f o n t e d e nitrogênio na T e r r a é o e l e m e n t o g a s o s o N2 q u e constitui c e r c a d e 7 8 %
d o v o l u m e d a a t m o s f e r a terrestre. No e n t a n t o , s u a a s s i m i l a ç ã o p e l a s p l a n t a s , q u e o a p r e s e n t a
como o quarto elemento mais abundante e m sua composição, depende da atividade
de
m i c r o o r g a n i s m o s f i x a d o r e s q u e v i v e m e m a s s o c i a ç ã o simbiótica c o m a s m e s m a s . A o contrário
d o c a r b o n o e d o o x i g ê n i o , o g á s nitrogênio é m u i t o p o u c o reativo d o p o n t o d e vista q u í m i c o , e
a p e n a s c e r t a s bactérias e a l g a s azuis p o s s u e m a c a p a c i d a d e d e assimilá-lo d a a t m o s f e r a e
convertê-lo n u m a f o r m a q u e p o s s a s e r utilizada pelas plantas (ou seja, N H / o u N O 3 ' ) . O
p r o c e s s o p e l o q u a l o nitrogênio circula a t r a v é s d a s p l a n t a s , solo e a t m o s f e r a p e l a a ç ã o de
o r g a n i s m o s v i v o s , é c o n h e c i d o c o m o ciclo d o nitrogênio.
A l é m d o ar, g r a n d e parte d o n i t r o g ê n i o e n c o n t r a d o
n o solo p r o v é m d e
materiais
o r g â n i c o s e m d e c o m p o s i ç ã o , s o b a f o r m a d e c o m p o s t o s o r g â n i c o s c o m p l e x o s , tais c o m o
proteínas, a m i n o á c i d o s e á c i d o s n u c l e i c o s . E s t e s c o m p o s t o s n i t r o g e n a d o s s ã o , e m g e r a l ,
r a p i d a m e n t e t r a n s f o r m a d o s e m s u b s t â n c i a s m a i s s i m p l e s por o r g a n i s m o s
decompositores,
h a v e n d o a l i b e r a ç ã o d o e x c e s s o d e n i t r o g ê n i o s o b a f o r m a d e íon a m o n i o (NH^"^), p r o c e s s o
conhecido c o m o mineralização. Várias espécies de bactérias encontradas nos solos
são
c a p a z e s d e o x i d a r o a m o n i o a nitrito (NO2"), q u e por a ç ã o d e o u t r a b a c t é r i a s e t r a n s f o r m a e m
nitrato (NO3"), principal f o r m a s o b a q u a l o nitrogênio é a s s i m i l a d o pelas p l a n t a s , s e n d o este
p r o c e s s o c o n h e c i d o c o m o nitrificaçáo. A m u d a n ç a na c o m p o s i ç ã o i s o t ó p i c a d o n i t r o g ê n i o p o d e
31
ISÓTOPOS
ESTA VEIS
ocorrer e m q u a l q u e r u m a d a s e t a p a s d o ciclo, s e n d o o fator mais crítico a a ç ã o d e bactérias;
e m m e n o r g r a u , a á g u a , q u e lixivia f a c i l m e n t e o nitrato d o solo superficial para s u a s c a m a d a s
mais p r o f u n d a s , t a m b é m altera s u a c o m p o s i ç ã o isotópica original. D i f e r e n t e m e n t e d o q u e
o c o r r e c o m o c a r b o n o , a c o m p o s i ç ã o isotópica d o nitrogênio nas p l a n t a s d e p e n d e d e s u a f o n t e
n o solo, n ã o h a v e n d o f r a c i o n a m e n t o d u r a n t e sua a b s o r ç ã o .
Martinelli et al."^ e s t u d a r a m a s d i f e r e n ç a s nos v a l o r e s d e ô^^N p a r a a m o s t r a s d e solo e
de
plantas
colhidas
em
florestas
tropicais
e temperadas.
Observou-se
uma
diferença
significativa para o s v a l o r e s d e ô^^N e m f u n ç ã o d o clima s e n d o q u e plantas c o l h i d a s e m
f l o r e s t a s tropicais a p r e s e n t a r a m e m m é d i a valores d e ô^^N e m t o r n o d e 4%o, e n q u a n t o q u e
a m o s t r a s colhidas e m f l o r e s t a s t e m p e r a d a s a p r e s e n t a r a m valores e m t o r n o d e -3%o. S e g u n d o
o s a u t o r e s , isto poderia s e r e x p l i c a d o pela maior disponibilidade d e nitrogênio e m florestas
tropicais, o q u e leva a u m ciclo m a i s a b e r t o e c o n s e q u e n t e m e n t e a u m a maior p e r d a d e N,
d e i x a n d o o s u b s t r a t o residual m a i s e n r i q u e c i d o n o isótopo m a i s p e s a d o .
H a n d l e y et a l . ' ^ e s t u d a r a m a v a r i a ç ã o d e ô^^N e m plantas e solos p r o v e n i e n t e s de
d i f e r e n t e s partes d o m u n d o , e m f u n ç ã o d a s s e g u i n t e s variáveis: p l u v i o s i d a d e , t e m p e r a t u r a ,
latitude, altitude e p H d o solo. O m o d e l o d e s e n v o l v i d o excluiu a m o s t r a s d e regiões q u e t e m o ar
a t m o s f é r i c o c o m o principal f o n t e d e s t e e l e m e n t o e t a m b é m a q u e l a s originárias d e regiões c o m
c o n d i ç õ e s climáticas e x t r e m a s ( p l u v i o s i d a d e anual m é d i a maior q u e 2 . 5 0 0 m m , t e m p e r a t u r a s
m u i t o b a i x a s e solos c o m p H e l e v a d o ) . O b s e r v o u - s e p a r a o s c a s o s e s t u d a d o s q u e o s v a l o r e s
d e 6*^N e m plantas d e p e n d e m f o r t e m e n t e d a disponibilidade de á g u a n o meio.
.Amundson et ai."® t a m b é m e s t u d a r a m a variabilidade d a c o m p o s i ç ã o isotópica d o
nitrogênio e m plantas e solos p a r a d i f e r e n t e s partes d o m u n d o , e n c o n t r a n d o u m a forte
c o r r e l a ç ã o entre os v a l o r e s d e 5*^N e a s c o n d i ç õ e s climáticas, p r i n c i p a l m e n t e t e m p e r a t u r a e
pluviosidade.
D e u m a f o r m a g e r a l , o valor d e ô^^N n o solo e n c o n t r a - s e a s s o c i a d a à f o n t e d o nitrogênio
n o solo, da s e g u i n t e forma^°:
32
ISÓTOPOS
1)
ESTAVEIS
q u a n d o e s t e p r o v ê m d a a t m o s f e r a a t r a v é s d a f i x a ç ã o pelas bactérias o u pelo u s o de
fertilizantes industriais, o f r a c i o n a m e n t o isotópico é baixo, c o m ô^^N e m t o r n o d e 0%o^^
2)
q u a n d o o N é p r o d u t o d e d e c o m p o s i ç ã o d e matéria o r g â n i c a , este f r a c i o n a m e n t o é mais
significativo, c o m v a l o r e s d e ô^^N altos (por volta d e 5%o a 10%o) q u e p o d e m ser
indicativos d e solos férteis:
3)
valores n e g a t i v o s d e ô^^N s ã o n o r m a l m e n t e o b s e r v a d o s e m solos c o m b a i x o s t e o r e s d e
nutrientes, p r i n c i p a l m e n t e solos a r e n o s o s ;
4)
e m solos c o m uso d e estéreo animal o b s e r v a - s e ô^^N e m torno d e 10%o;
O q u e o c o r r e na prática é q u e o nitrogênio no solo p o d e se originar d e várias f o n t e s
d i f e r e n t e s ; isto dificulta a i n t e r p r e t a ç ã o d o s r e s u l t a d o s s e n d o p r a t i c a m e n t e impossível s a b e r
q u a l f r a ç ã o está d i s p o n í v e l p a r a as plantas^^"^". A l é m disso, o u s o d e fertilizantes p o d e alterar e
m a s c a r a r a a s s i n a t u r a isotópica original d o solo. Este p r o b l e m a d e v e ser m a i s crítico para
r e g i õ e s c o m b a i x o s t e o r e s d e nutrientes, o n d e se f a z n e c e s s á r i o o m a n e j o d o solo. A p e s a r de
m u i t a s v e z e s n ã o c a r a c t e r i z a r o local d e o r i g e m d e f o r m a i n e q u í v o c a , i n d i v i d u a l m e n t e os
v a l o r e s de S''^N t r a z e m s e m p r e fortes indícios s o b r e a s c o n d i ç õ e s de cultivo d a s plantas^^'^®.
3.2.13
ISÓTOPOS DE CARBONO E NITROGÊNIO EM
Cannabis sativa
C o m o visto a n t e r i o r m e n t e , o s isótopos d e c a r b o n o e nitrogênio r e f l e t e m f o r t e m e n t e as
c o n d i ç õ e s climáticas d e c r e s c i m e n t o d a p l a n t a , p r i n c i p a l m e n t e a d i s p o n i b i l i d a d e d e á g u a e d e
nutrientes n o s o l o , a l é m d a q u a n t i d a d e de luz e temperatura^''.
Nos últimos a n o s , o n ú m e r o de t r a b a l h o s q u e t e n t a m utilizar e s t a s variáveis
rastreamento
de
drogas
ilícitas
como
heroína^^'^®,
cocaína^®'®"
e
cannabis^^-^^
vêm
no
se
a p r e s e n t a n d o d e f o r m a c r e s c e n t e . Estes p a r â m e t r o s a p r e s e n t a m a v a n t a g e m d e n ã o s e r e m
alterados e m função do t e m p o e condições de armazenamento das amostras c o m o no caso de
33
ISÓTOPOS
ESTA VEIS
c o m p o s t o s orgânicos®^. A p e s a r disso, n ã o e x i s t e m relatos s o b r e o u s o efetivo d o s i s ó t o p o s de
C e N n o r a s t r e a m e n t o d e a m o s t r a s reais.
E m 1 9 7 9 , Liu et al. a v a l i a r a m a p o s s i b i l i d a d e d e se utilizar a c o m p o s i ç ã o isotópica d o
c a r b o n o n o r a s t r e a m e n t o d a o r i g e m g e o g r á f i c a d e cannabis
cultivada e m d i f e r e n t e s regiões d o s
E s t a d o s Unidos®^. F o r a m relatadas d i f e r e n ç a s significativas n o s t e o r e s d e ô^^C e m f u n ç ã o d a s
c o n d i ç õ e s d e cultivo, no e n t a n t o e s t a variável s o z i n h a n ã o foi c a p a z d e f o r n e c e r r e s u l t a d o s
conclusivos.
E m 2 0 0 1 , D e n t ó n et al. d e t e r m i n a r a m o s t e o r e s d e ô^^C e ô^^N e m a m o s t r a s
cannabis
de
c u l t i v a d a s e m diferentes c o n d i ç õ e s climáticas para se avaliar a p o t e n c i a l i d a d e d e s t a s
variáveis n o r a s t r e a m e n t o d e s t a s amostras^^. F o r a m a n a l i s a d o s materiais e r r a d i c a d o s e m
p l a n t a ç õ e s , a m o s t r a s cultivadas s o b c o n d i ç õ e s c o n t r o l a d a s e t a m b é m m a t e r i a i s p r o v e n i e n t e s
d a Austrália, N o v a G u i n é e Tailândia. Foi o b s e n / a d a u m a g r a n d e s o b r e p o s i ç ã o n o s resultados
t a n t o p a r a ô''^C q u a n t o p a r a ô''^N p a r a a s a m o s t r a s originárias d o s d i f e r e n t e s países. Estes
d a d o s c o n f i r m a r a m a forte d e p e n d ê n c i a d o s t e o r e s d e ô^^C c o m as c o n d i ç õ e s climáticas,
p r i n c i p a l m e n t e d i s p o n i b i l i d a d e d e á g u a n o m e i o - plantas c r e s c i d a s e m a m b i e n t e s c o m maior
d i s p o n i b i l i d a d e d e á g u a a p r e s e n t a r a m v a l o r e s d e ô^^C e m t o r n o d e -30%o e m c o n t r a s t e à q u e l a s
c r e s c i d a s e m r e g i õ e s s e c a s q u e a p r e s e n t a r a m valores e m t o r n o d e -26%o. O s r e s u l t a d o s de
5*^N n a s plantas a p r e s e n t a r a m u m a forte c o r r e l a ç ã o c o m o tipo d e fertilizante utilizado no solo,
v a r i a n d o d e - 1 , 0 a 15,8%o s e n d o q u e a m o s t r a s cultivadas e m solos t r a t a d o s c o m fertilizantes
industriais a p r e s e n t a r a m v a l o r e s m e n o r e s d o q u e a q u e l e s t r a t a d o s c o m estéreo. A m e t o d o l o g i a
adotada
mostrou-se
uma
ferramenta
poderosa,
principalmente
para o levantamento
de
i n f o r m a ç õ e s s o b r e a s c o n d i ç õ e s d e cultivo d a s a m o s t r a s , n o e n t a n t o n ã o foi c o n c l u s i v a no
r a s t r e a m e n t o d e s u a s origens.
34
ISÓTOPOS
3.2.1.4 Determinações
ESTÁ VEIS
de o'^C e o'^N - a Técnica de IRMS
O principio b á s i c o d e q u a l q u e r t é c n i c a d e e s p e c t r o m e t r i a d e m a s s a s é a s e p a r a ç ã o d a s
e s p é c i e s químicas e m f u n ç ã o d a r a z ã o da m a s s a d o e l e m e n t o (ou íon molecular) p e l a sua
c a r g a , p o r m e i o d a a p l i c a ç ã o d e u m c a m p o eletrostático e / o u m a g n é t i c o , s e n d o n e c e s s á r i o
d e s t a f o r m a s u a p r é v i a i o n i z a ç ã o . A c a p a c i d a d e de se q u a n t i f i c a r u m a d a d a e s p é c i e é facilitada
s e a e s p é c i e q u í m i c a p u d e r ser p r e v i a m e n t e s e p a r a d a d a matriz, o q u e p o d e ser r e a l i z a d a por
meio
de
colunas
cromatográficas.
Este
princípio
vem
sendo
largamente
utilizado
nos
e s p e c t r ó m e t r o s d e m a s s a s d e i s ó t o p o s e s t á v e i s , c o m o intuito d e s e s e p a r a r o g á s d e i n t e r e s s e
a n t e s d e s t e s s e r e m i n t r o d u z i d o s n o s i s t e m a a n a l i s a d o r (CO2 p a r a a n á l i s e s d e c a r b o n o e N2
p a r a as d e t e r m i n a ç õ e s d e nitrogênio). Estes e q u i p a m e n t o s s ã o c o n s t i t u í d o s b a s i c a m e n t e p o r
1) s i s t e m a d e i n t r o d u ç ã o d e a m o s t r a s , 2) f o n t e d e i o n i z a ç ã o , 3) a n a l i s a d o r d e m a s s a s e 4)
s i s t e m a detector.
C o m o as a m o s t r a s a s e r e m a n a l i s a d a s d e v e m e s t a r n a f o r m a g a s o s a , o
orgânico
é
inicialmente
convertido
a
gases
introduzido e m u m a c o l u n a c r o m a t o g r á f i c a
por combustão
completa,
sendo
material
este
gás
(GC ou cromatografia gasosa) onde ocorre a
separação do N j e CO2. A ionização do gás nestes equipamentos ocorre através de uma chuva
d e elétrons e j e t a d o s p o r u m f i l a m e n t o . O s i s t e m a a n a l i s a d o r c o n s t i t u i - s e b a s i c a m e n t e d e u m
setor m a g n é t i c o q u e s e p a r a o s c o m p o s t o s (CO2 e N2) e m f u n ç ã o d a r a z ã o m a s s a / c a r g a , q u e
s ã o c o l e t a d o s pelo s i s t e m a d e t e c t o r (coletores ou c o p o s d e F a r a d a y ) . A s r a z õ e s *^N/*"N e
i3q/12q
e n t ã o d e t e r m i n a d a s , compa.radas a u m p a d r ã o e e x p r e s s a s e m p a r t e s p o r mil,
s e n d o c a l c u l a d o s d e a c o r d o c o m a e q u a ç ã o (1) e r e p r e s e n t a d o s p e l a n o t a ç ã o 5.
A s d u a s principais m e t o d o l o g i a s d e i n t r o d u ç ã o d e a m o s t r a s n o I R M S s ã o o dualiniet
Dl e o continous
ou
fiow ou C F (fluxo c o n t í n u o ) . No primeiro c a s o , a s a m o s t r a s s ã o p e s a d a s e m
tubos de quartzo selados, misturados a compostos que facilitem sua combustão/redução e
a q u e c i d o s e m m u f l a a u m a t e m p e r a t u r a c o n h e c i d a . O g á s d e i n t e r e s s e d e v e ser p u r i f i c a d o e
.35
ISÓTOPOS
ESTAVEIS
c o l e t a d o para e n t ã o ser i n t r o d u z i d o n o I R M S . A p e s a r d e s e r m a i s t r a b a l h o s a e n o r m a l m e n t e
m a i s cara, e s t a m e t o d o l o g i a f o r n e c e r e s u l t a d o s c o m m e l h o r p r e c i s ã o , u s u a l m e n t e a b a i x o d e
0,1%o para o nitrogênio e 0,05%o p a r a o c a r b o n o .
Nos s i s t e m a s d e f l u x o c o n t í n u o (CF-IRMS)
a amostra
é queimada em um
forno
constituinte d e u m a n a l i s a d o r e l e m e n t a r e s e u g á s a r r a s t a d o p o r u m fluxo c o n t í n u o d e hélio
(He) a t é o e s p e c t r ó m e t r o d e m a s s a s . E s t e s s i s t e m a s p e r m i t e m a a n á l i s e d e u m g r a n d e n ú m e r o
d e a m o s t r a s d e m a t r i z e s d i f e r e n t e s , d e f o r m a rápida e c o m alta e x a t i d ã o . U m a d a s principais
vantagens deste método é a automação do procedimento de introdução de amostras, sendo
q u e a maioria d a s interfaces
utiliza m é t o d o s b e m e s t a b e l e c i d o s d e s e p a r a ç ã o , c o m o
a
cromatografía gasosa, como explicado anteriormente.
U m d i a g r a m a b á s i c o d e u m e s p e c t r ó m e t r o d e m a s s a s d e i s ó t o p o s e s t á v e i s d e fluxo
c o n t í n u o p o d e ser visto na Fig. 8.
36
ISÓTOPOS
Analisador Elementar
ESTA VEIS
E s p e c t r ó m e t r o de massaE
luuuuuuuuuul
Figura 8: Diagrama básico de um espectrómetro de massas de isótopos estáveis de fluxo
contínuo (CF-IRMS). Analisador Elemental constituido por (a) amostrador, (b) coluna de
combustão, (c) coluna de redução, (d) trap (remoção H2O); GC (coluna cromatográfica) onde
ocorre a separação do N2 e CO?; Espectrómetro de Massas sendo (e) fonte de ionização, (f) flight
tube, (g) setor magnético e (h) detectores - coletores de Faraday.
37
CONSTITUINTES
INORGÂNICOS
EM
PUNTAS
f r e q ü ê n c i a é a rejeição, o n d e a l g u m a s e s p é c i e s d e i x a m d e a b s o r v e r e l e m e n t o s e s p e c í f i c o s
b i o d i s p o n í v e i s n o solo®'''®^
3.2.2.1 Elementos
Menores
e Nutrientes
em
Solos
O solo é u m c o r p o n a t u r a l d a superfície terrestre, constituído d e materiais m i n e r a i s e
o r g â n i c o s r e s u l t a n t e s d o s f a t o r e s d e f o r m a ç ã o (clima, o r g a n i s m o s vivos, material d e o r i g e m e
relevo) a t r a v é s d o t e m p o , c o n t e n d o matéria viva e e m p a r t e m o d i f i c a d o p e l a a ç ã o h u m a n a ,
c a p a z de s u s t e n t a r p l a n t a s , d e reter á g u a , d e a r m a z e n a r e t r a n s f o r m a r resíduos e s u p o r t a r
edificações^®.
O solo é f o r m a d o por u m a f a s e sólida (minerais e material orgânico) e por u m a f a s e
porosa,
que
em
equilíbrio
dinâmico
determinam
suas
propriedades
físico-químicas.
As
p r o p o r ç õ e s d e s t a s f a s e s v a r i a m d e u m solo para outro, e m e s m o d e n t r o d e u m m e s m o solo, d e
u m horizonte p a r a o u t r o . A f a s e sólida d o solo o c u p a c e r c a d e 5 0 % d o v o l u m e , a f a s e líquida,
c e r c a de 3 0 % à 3 5 % , s e n d o constituída p o r á g u a a c r e s c i d a d e minerais e c o m p o s t o s o r g â n i c o s
n e l a dissolvidos, f o r m a n d o a s o l u ç ã o d o solo. A f a s e p o r o s a d o solo ( p r i n c i p a l m e n t e
os
m a c r o p o r o s ) é p r e e n c h i d a pelo ar d o solo, q u e c o n t é m 1 a 100 v e z e s mais CO2 e p o u c o m e n o s
Os q u e o ar a t m o s f é r i c o normal^®.
Os
elementos
traço
(menores
que
pg
g'*),
embora
se
apresentem
em
baixas
c o n c e n t r a ç õ e s , s ã o e s s e n c i a i s c o m o m i c r o n u t r i e n t e s a o s v e g e t a i s ( c o m o e x e m p l o : b o r o , cloro,
cobre, e t c ) ;
suas concentrações
v a r i a m e m f u n ç ã o d a r o c h a original, s e n d o
que
suas
distribuições n o solo v ã o d e p e n d e r t a m b é m d e f a t o r e s e x t e r n o s , p r i n c i p a l m e n t e r e l a c i o n a d o s
a o clima. D e u m a f o r m a g e r a l , a a c i d e z (teor d e silica - SÍO2) d a rocha original ou material d e
o r i g e m , d e t e r m i n a s e u s níveis d e nutrientes, s e n d o q u e q u a n t o m e n o s ácida a r o c h a ( m e n o r
t e o r d e silica), m a i o r a q u a n t i d a d e d e s t e s c o n s t i t u i n t e s * .
" As rochas podem ser classificadas quanto ao teor de silica ( S Í O 2 ) em ácidas, intermediárias, básicas e ultrabásicas.
(wwv.salemstate.edu/.../ lab_rocks/ig_lab.htm)
39
CONSTITUINTES
INORGÁNICOS
EM
PUNTAS
3.2.2 C o n s t i t u i n t e s I n o r g â n i c o s e m P l a n t a s
As
hidrogênio
plantas
s ã o constituídas b a s i c a m e n t e
por carbono
(44,5%), oxigênio
(42,5%),
( 6 , 5 % ) , nitrogênio (2,5%), f ó s f o r o (0,2%) e e n x o f r e (0,3%), a l é m d o s metais
alcalinos e alcalinos terrosos: potássio ( 1 , 9 % ) , cálcio (1,0%) e m a g n e s i o (0,2%)®". T o d o s estes
elementos
são
essenciais
ao
crescimento
normal
da
planta
e
são
chamados
de
m a c r o n u t r i e n t e s . O s e l e m e n t o s e s s e n c i a i s q u e se e n c o n t r a m e m c o n c e n t r a ç õ e s m e n o r e s s ã o
d e n o m i n a d o s micronutrientes, s e n d o o s principais: C l , S i , M n , Na, Fe, Z n , B, C u , Cr, M o e C o .
Estes e l e m e n t o s n ã o p o d e m ser substituídos p o r outros n o s p r o c e s s o s b i o q u í m i c o s e m q u e
a t u a m , p o d e n d o s e r divididos q u a n t o à s u a f u n ç ã o fisiológica e m : estruturais, e n z i m á t i c o s e
eletrolíticos®".
Em
adição
a
eles,
ainda
existem
outros
constituintes
cuia
função
é
d e s c o n h e c i d a , c o m o o s e l e m e n t o s terras raras (lantanídeos), e a q u e l e s c a r a c t e r i z a d o s por s u a
alta t o x i c i d a d e , c o m o no c a s o do P b , C d , A s , TI e H g *.
A c o m p o s i ç ã o química d a s plantas reflete, e m geral, a c o m p o s i ç ã o e l e m e n t a r d o solo, e
m a i s d i r e t a m e n t e , a biodisponibilidade d o s e l e m e n t o s n o meio. Esta característica permite
utilizar c e r t a s plantas c o m o b i o m o n i t o r e s d e poluição a m b i e n t a l , u m a v e z q u e elas p o d e m
a c u m u l a r e l e m e n t o s p r e s e n t e s n o m e i o a m b i e n t e , p r i n c i p a l m e n t e íons d e m e t a i s pesados®^®^.
A s plantas p o d e m s e c o m p o r t a r tanto c o m o r e c e p t o r e s p a s s i v o s d e e l e m e n t o s , c o m o t a m b é m
p o d e m e x e r c e r influência s o b r e o s m e c a n i s m o s d e a b s o r ç ã o , a c u m u l a n d o o u rejeitando
elementos
específicos
(característica
denominada
seletividade)®"®^
Uma
espécie
é
c o n s i d e r a d a b i o i n d i c a d o r a d e u m e l e m e n t o q u a n d o o s níveis d e c o n c e n t r a ç ã o d e s t e e l e m e n t o
na planta e no solo e n c o n t r a m - s e d i r e t a m e n t e c o r r e l a c i o n a d o s , s e n d o p r o p o r c i o n a i s ; q u a n d o a
planta a p r e s e n t a a t e n d ê n c i a d e e n r i q u e c e r este e l e m e n t o e m s u a c o m p o s i ç ã o , a e s p é c i e é
dita a c u m u l a d o r a , e f i n a l m e n t e u m t e r c e i r o c o m p o r t a m e n t o q u e é o b s e r v a d o c o m u m a m e n o r
importante observar que acima de um determinado nível de coucentração, os micronutrientes podem se tornar
tó.xicos para as plantas
.38
C0MÍS5Ã0 mxomL œ mWíA Huar:,^íysp-(PES
CONSTITUINTES
INORGÂNICOS
EM
PUNTAS
A i m p o r t â n c i a d a rocha original na f o r m a ç ã o d o s solos j á é c o n h e c i d a há muito t e m p o .
Materiais d e origens g e o l ó g i c a s diferentes g e r a m solos d i f e r e n t e s , e material d e m e s m a o r i g e m
p o d e originar solos iguais o u d i f e r e n t e s , d e a c o r d o c o m os o u t r o s f a t o r e s d e f o r m a ç ã o . D e u m a
m a n e i r a geral o solo p o d e ser c o n s i d e r a d o c o m o u m p r o d u t o d o s a g e n t e s i n t e m p é r i c o s s o b r e
o s restos minerais d e p o s i t a d o s , e e n r i q u e c i d o s , o u n ã o , d e detritos o r g â n i c o s . S u a f o r m a ç ã o s e
inicia q u a n d o a r o c h a e n t r a e m c o n t a t o c o m a g e n t e s e x t e r n o s , s o f r e n d o t r a n s f o r m a ç õ e s físicas,
químicas, bioquímicas e mineralógicas.
O
intemperismo
pode
ser
físico
ou
químico,
consistindo
no
primeiro
caso
da
d e s i n t e g r a ç ã o m e c â n i c a d a r o c h a e m f r a g m e n t o s m e n o r e s , s e m a l t e r a ç ã o d e sua c o m p o s i ç ã o
q u í m i c a , e n q u a n t o q u e o i n t e m p e r i s m o q u í m i c o p r o d u z a l t e r a ç õ e s na c o m p o s i ç ã o q u í m i c a d a
r o c h a e d o s minerais^". A p e s a r d e d e p e n d e r d e u m a série d e f a t o r e s , t ê m sido r e p o r t a d o s na
literatura u m a b o a c o r r e l a ç ã o p a r a a l g u n s e l e m e n t o s ( c o m o Z n , C u M o e Co) entre a r o c h a
original e a s u a b i o d i s p o n i b i l i d a d e n o
solo'^V
Na T a b . 2 s ã o a p r e s e n t a d o s os valores m é d i o s d e a l g u n s e l e m e n t o s d e interesse, e m
f u n ç ã o d o tipo d e r o c h a .
40
CONSTJTUJNTES
INORGÁNICOS
EM
PUNTAS
T a b e l a 2: Concentração média esperada para alguns elementos nos principais tipos de rochas,
com base nos dados fornecidos por Kabata-Pendias^^.
Tipo de racha
Fe
Al
Mn
Co
Cu
Sr
Ba
Zn
1 i n n1
y
%
/U
Uitramáficas
9,4-10
0,45-2,0
850-1500
100-200
10-40
2-20
0,5-25,0
40-60
Máficas basaltos
5,6-8,7
7,8-8,8
1200-2000
35-50
60-120
140-460
250-400
80-120
intermediárias
3,7-5,9
8,8
500-1200
1-10
15-80
300-600 600-1000 40-100
Ácidas - granitos
e gnaisses
1,4-2,7
7,2-8,2
350-600
1-7
10-30
60-300
400-850
Ácidas vulcânicas
2,6
6,9-8,1
600-1200
15
5-20
90-400
600-1200 40-100
Nd
Th
Ü
Tipo de rocha
Y
La
Ce
Pr
40-60
-1
9
Uitramáficas
0,5
<1,8
<3,3
0,6
<2,4
0,004-0,005
0,003-0,010
Máficas basaltos
5-32
2-27
4-50
1-15
5-30
1-4
0,3-1,0
Intermediárias
20-35
30-70
60-160
7-15
30-65
7-14
1,4-3,0
Ácidas - granitos
e gnaisses
30-40
45-60
80-100
7-12
33-47
10-23
2,5-6,0
Ácidas vulcânicas
28-44
30-150
45-250
6-30
18-80
15
5
O s c o m p o n e n t e s m i n e r a i s c o n s t i t u e m a principal f o n t e d e n u t r i e n t e s d o solo, n o e n t a n t o
s e u s t e o r e s totais s ã o f r a c o s indicativos d e s u a biodisponibilidade (fração disponível para troca
c o m a s o l u ç ã o d o solo e para a b s o r ç ã o p e l a s plantas). A s características físico-químicas
solo tais c o m o pH e c o n t e ú d o d e m a t é r i a o r g â n i c a , a f e t a m d i r e t a m e n t e a
do
biodisponibilidade
d e s t e s nutrientes e o tipo d e íon p r e d o m i n a n t e na s o l u ç ã o d o solo. S o l o s á c i d o s por e x e m p l o ,
(pH<5) apresentam
níveis b i o d i s p o n í v e i s
d e A l , Fe e M n (constituintes
majoritários)
tóxicos
p a r a a s plantas, e n q u a n t o q u e p a r a p H m a i o r e s q u e 7,5 a solubilidade d e s t e s nutrientes torna-
41
CONSTITUINTES
INORGÁNICOS
EM
PLANTAS
se e s c a s s o , o c a s i o n a n d o d e f i c i ê n c i a s no vegetal^^. A f a i x a d e p H ideal d e cultivo para a m a i o r i a
d a s plantas e n c o n t r a - s e e n t r e 6 , 0 e 6 , 5 a p e s a r d e existirem muitas e x c e ç õ e s , m e s m o e m
culturas d e i n t e r e s s e e c o n ô m i c o .
C o m relação a o clima, a t e m p e r a t u r a e a u m i d a d e (pluviosidade) s ã o i m p o r t a n t e s n a
f o r m a ç ã o d o s solos. O c a l o r influencia t a n t o n o s p r o c e s s o s biológicos e n a s r e a ç õ e s q u í m i c a s
q u e o c o r r e m no solo, q u a n t o n o s m e c a n i s m o s d e e x p a n s ã o e c o n t r a ç ã o t é r m i c a d a s r o c h a s . A
p l u v i o s i d a d e p o r s u a v e z , a f e t a d i r e t a m e n t e a s r e a ç õ e s q u í m i c a s q u e ocon-em n o s o l o ,
d e f i n i n d o t a m b é m s u a a c i d e z (pH). C o n f o r m e a s c o n d i ç õ e s climáticas, p o d e m p r e d o m i n a r o s
p r o c e s s o s d e i n t e m p e r i s m o físico (clima seco, frio o u q u e n t e ) o u q u í m i c o (clima úmido)™.
S o l o s f o r m a d o s s o b clima tropical s ã o e m g e r a l b a s t a n t e i n t e m p e r i z a d o s , a o contrário
d a q u e l e s f o r m a d o s s o b c l i m a t e m p e r a d o . Q u a n t o m a i s q u e n t e e ú m i d o m a i o r a lixiviação d e
minerais, inclusive d e b a s e s , t o r n a n d o o solo m a i s p o b r e e m nutrientes e m a i s ácido. D e s t a
f o r m a , solos localizados n a z o n a tropical e subtropical, q u e s e e n c o n t r a m s u b m e t i d o s a altos
índices d e p l u v i o s i d a d e e a altas t e m p e r a t u r a s p o r p e r í o d o s p r o l o n g a d o s , s o f r e m u m a i n t e n s a
lixiviação d o s e l e m e n t o s , g e r a n d o solos p o b r e s . Estes a s p e c t o s s ã o i m p o r t a n t e s n o p r e s e n t e
t r a b a l h o p o r s e r e m d e t e r m i n a n t e s n a s a s s i n a t u r a s q u í m i c a s f o r n e c i d a s pelos vegetais n a s
diferentes r e g i õ e s d e e s t u d o .
3.2.2.2
Constituintes
Inorgânicos
em C a n n a b i s s a t i v a
O perfil i n o r g â n i c o d e materiais v e g e t a i s reflete a b i o d i s p o n i b i l i d a d e d o s e l e m e n t o s no
solo, p o d e n d o d e s t a f o r m a levantar indícios s o b r e s e u local d e cultivo. A maioria d o s t r a b a l h o s
existentes n a literatura q u e v i s o u o r a s t r e a m e n t o d a o r i g e m g e o g r á f i c a d e a m o s t r a s d e
cannabis,
baseou-se na análise de elementos maiores o u macronutrientes, sendo q u e mais
r e c e n t e m e n t e v e m s e n d o o b s e r v a d a a i m p o r t â n c i a d e e l e m e n t o s m e n o r e s e micronutrientes
n e s t e s estudos^^. A p e s a r d i s s o , p o u c o s d a d o s p a r a cannabis
podem ser encontrados na
literatura, s e n d o s e u s r e s u l t a d o s a i n d a inconclusivos.
42
CONSTITUINTES
INORGÂNICOS
EM
PLANTAS
O d e s e n v o l v i m e n t o d e s t e s t r a b a l h o s e s b a r r a n a dificuldade d e s e o b t e r a m o s t r a s ,
principalmente
com
origem
conhecida,
que
sen/iriam
como
padrões
de
referência
nos
p r o c e d i m e n t o s d e classificação d e a m o s t r a s d e o r i g e m d e s c o n h e c i d a . A interpretação d o s
resultados por s u a v e z , e x i g e o u s o d e f e r r a m e n t a s estatísticas m u l t i v a r i a d a s u m a v e z q u e o
número de elementos determinados nestas metodologias é grande, e representava até pouco
t e m p o atrás u m a d i f i c u l d a d e a d i c i o n a l . Importante o b s e r v a r q u e estes t r a b a l h o s v ê m s e n d o
retomados desde meados da década de 90, devido ao desenvolvimento tecnológico
que
f o r n e c e s i s t e m a s analíticos m a i s s e n s í v e i s e p r e c i s o s , e t a m b é m a u m g r a n d e a v a n ç o d a
quimiometria.
Podemos
encontrar
um
grande
número
de trabalhos
que
demonstram
a
viabilidade d e se utilizar estas variáveis no r a s t r e a m e n t o d e materiais naturais c o m o vinhos"'"'^^,
farinha^®, e outros'''''^^, n o e n t a n t o d a d o s relativos a cannabis
ainda são bastante escassos.
E m 1975, C o f f m a n e G e n t n e r realizaram u m e s t u d o d a relação solo planta p a r a a l g u n s
e l e m e n t o s nutrientes, t e n d o c o m o u m d o s objetivos a a v a l i a ç ã o d a c o m p o s i ç ã o q u í m i c a para o
r a s t r e a m e n t o d a o r i g e m g e o g r á f i c a d e s t a droga*"^. P l a n t a s d e Cannabis
f o r a m cultivadas e m
v a s o s c o n t e n d o solos d e d i f e r e n t e s o r i g e n s g e o l ó g i c a s , s e n d o a c o n c e n t r a ç ã o e l e m e n t a r nas
f o l h a s d e t e r m i n a d a a t r a v é s d a t é c n i c a d e f l u o r e s c e n c i a d e raios-x. M e d i u - s e t a m b é m o p H e as
c o n c e n t r a ç õ e s d o s e l e m e n t o s d e i n t e r e s s e no solo. O b s e r v o u - s e u m a m a i o r a b s o r ç ã o d o M n ,
F e e Z n e m plantas c r e s c i d a s e m s o l o s ácidos, s e n d o r e p o r t a d o s níveis e m tonno de 6 0 0 , 2 0 0 e
3 0 0 i.ig Q'\ r e s p e c t i v a m e n t e . O s a u t o r e s e n c o n t r a r a m d i v e r s a s c o r r e l a ç õ e s e n t r e o s m e s m o s ,
no entanto, devido ao grande número de parâmetros envolvidos nos mecanismos de absorção
dos elementos pelas plantas, os estudos não se mostraram conclusivos. Observou-se uma
v a r i a ç ã o d a c o n c e n t r a ç ã o e l e m e n t a r para flores e f o l h a s .
E m outro t r a b a l h o , o s m e s m o s a u t o r e s r e a l i z a r a m u m e s t u d o s o b r e a influência da
a p l i c a ç ã o d e fertilizantes n a c o m p o s i ç ã o química (níveis d e nutrientes e d e c a n n a b i n o i d e s )
d e s t a planta^°. F o r a m o b s e r v a d a s altas c o n c e n t r a ç õ e s d e M n pa.ra a l g u m a s a m o s t r a s ( a c i m a
d e 1000 |.ig g'''), l e v a n t a n d o - s e fortes indícios d e q u e a Cannabis
a p r e s e n t a caráter c u m u l a t i v o
43
CONSTITUINTES
p a r a este e l e m e n t o .
No e n t a n t o n ã o foi possível e s t a b e l e c e r
INORGÁNICOS
EM
PLANTAS
u m a c o r r e l a ç ã o entre
as
características d o solo c o m o s níveis d e c a n n a b i n o i d e s , e t a m p o u c o u m critério d e identificação
d e o r i g e m g e o g r á f i c a d e s t a s plantas. Ressalta-se nas c o n c l u s õ e s d o t r a b a l h o a c o m p l e x i d a d e
do problema e a necessidade da realização de estudos complementares, c o m o a determinação
d e e l e m e n t o s n ã o e s s e n c i a i s e e l e m e n t o s t r a ç o ( m e n o r e s q u e )ig g"*), p a r a viabilizar o u s o
d e s t a s análises n o r a s t r e a m e n t o d e s t a d r o g a .
Mais r e c e n t e m e n t e , Landi®* a v a l i o u a possibilidade d e s e s e p a r a r a m o s t r a s d e
cannabis
d e diferentes c e p a s através d a a n á l i s e d e e l e m e n t o s nutrientes, utilizando-se pela primeira v e z
f e r r a m e n t a s q u i m i o m é t r i c a s . P a r a isso, plantas de Cannabis
f o r a m c u l t i v a d a s e m diferentes
regiões da Itália s o b c o n d i ç õ e s climáticas ligeiramente distintas. A a v a l i a ç ã o d o s r e s u l t a d o s foi
realizada c o m b a s e na a n á l i s e d e d i s c r i m i n a n t e s , s e n d o a t é c n i c a analítica e m p r e g a d a a d e
a b s o r ç ã o a t ô m i c a (AA). A s a m o s t r a s f o r a m s e p a r a d a s e m f o l h a s (L) e flores (FL) e u m a p o r ç ã o
c o n t e n d o o s t e c i d o s e m p r o p o r ç õ e s aleatórias (L+FL) t a m b é m foi a n a l i s a d a . C o m o o b s e r v a d o
a n t e r i o r m e n t e por C o f f m a n e Gentner®°, h o u v e d i f e r e n ç a s significativas n o s níveis e l e m e n t a r e s
e m f u n ç ã o d o t e c i d o a n a l i s a d o . O s e l e m e n t o s C a , M g , Fe e M o a p r e s e n t a r a m
maiores
c o n c e n t r a ç õ e s n a s folhas, e n q u a n t o o C u , Mn e Z n , f o r a m m a i o r e s n a s flores. A análise d e
d i s c r i m i n a n t e s foi realizada p a r a os três g r u p o s s e p a r a d a m e n t e , o b t e n d o - s e u m a classificação
d e 1 0 0 % p a r a o g r u p o d e flores (FL), s e n d o nos o u t r o s dois c a s o s o b s e r v a d a
alguma
sobreposição.
E m 1 9 9 8 , W a t l i n g a p r o f u n d o u e s t e s e s t u d o s incluindo e l e m e n t o s n ã o e s s e n c i a i s e
m i c r o n u t r i e n t e s n a tentativa d e se rastrear e s t a s amostras''^. A t é c n i c a utilizada foi a d e
e s p e c t r o m e t r í a d e m a s s a s c o m f o n t e d e p l a s m a a c o p l a d o i n d u t i v a m e n t e (ICP-MS), t e n d o u m
s i s t e m a d e a b i a ç ã o a laser a c o p l a d o p a r a análise direta d e materiais sólidos. C e r c a d e 4 5
e l e m e n t o s f o r a m d e t e r m i n a d o s q u a l i t a t i v a m e n t e de f o r m a a s e o b t e r u m perfil d e distribuição
elementar destas amostras. Tanto os elementos essenciais quanto os não essenciais foram
i m p o r t a n t e s na d i s c r i m i n a ç ã o d o s g r u p o s , s e n d o os principais o s terras raras, A u , T h , U e W .
44
CONSTITUINTES
Analisou-se
também
um
lote
de
plantas
hidropónicas,
INORGÂNICOS
que
EM
apresentou
PLANTAS
resultados
e x t r e m a m e n t e c o n c i s o s , c o m baixa d i s p e r s ã o . T o d o o trabalho b a s e o u - s e na análise qualitativa
d o s e l e m e n t o s n ã o s e n d o a p r e s e n t a d o s os valores d e c o n c e n t r a ç ã o m e d i d o s .
3.2.2.3
Técnicas
Analíticas
Disponíveis
As principais t é c n i c a s utilizadas nas d e t e r m i n a ç õ e s d e constituintes inorgânicos são:
e s p e c t r o m e t r i a d e a b s o r ç ã o a t ô m i c a (AAS), e s p e c t r o m e t r i a d e e m i s s ã o o u d e m a s s a s c o m
f o n t e de p l a s m a ( I C P - O E S e ICP-MS), análise por a t i v a ç ã o neutrônica (NAA) e análise por
fluorescência
de
raios-x
(XRF)®^.
Estas
técnicas
baseiam-se
em
princípios
diferentes
a p r e s e n t a n d o v a n t a g e n s , d e s v a n t a g e n s e limitações d e p e n d e n d o d a matriz, do e l e m e n t o
m e d i d o e t a m b é m do s e u nível d e c o n c e n t r a ç ã o . Na Fig. 9 e n c o n t r a m - s e r e p r e s e n t a d o s os
limites de d e t e c ç ã o (LD) característicos para c a d a u m a d e s t a s técnicas, a n a l i s a n d o - s e as
a m o s t r a s e m f o r m a de s o l u ç õ e s .
_rA,4a_
IO-'
J
1-9
in-i:
10''
10Concentração (g mL')
II
Figura 9: limites de detecção alcançados pelas diferentes técnicas analíticas em amostras
líquidas, (fonte Becker, 2005
A espectrometría de absorção atômica é normalmente monoelementar, apresentando
limites d e d e t e c ç ã o de ^ g g'* a n g g ' \ d e p e n d e n d o d o e l e m e n t o ; q u a n d o a c o p l a d o a f o r n o s d e
45
CONSTITUINTES
INORGÂNICOS
EM
PLANTAS
grafite ( G F - A A S ) esta t é c n i c a permite a l c a n ç a r limites e m torno d e ng kg"V Esta t é c n i c a robusta
a p r e s e n t a m e t o d o l o g i a s b e m e s t a b e l e c i d a s , f o r n e c e n d o resultados d e f o r m a r á p i d a e precisa,
s e n d o a principal v a n t a g e m a seletividade, q u e p r o d u z e s p e c t r o s c o m baixa
quando
comparada
ás
outras
técnicas
disponíveis^'*'®^.
Mais
interferência
recentemente
m u l t i e l e m e n t a r e s f o r a m d e s e n v o l v i d o s ( F S - A A S o u a b s o r ç ã o a t ô m i c a fast sequential),
sistemas
o n d e se
p o d e medir a l g u n s e l e m e n t o s e m u m a ú n i c a análise, seqüencialmente®''®^. A p e s a r disso, a
d e t e r m i n a ç ã o d e u m c o n j u n t o g r a n d e d e e l e m e n t o s r e q u e r a troca d e l â m p a d a s e a realização
d e várias m e d i ç õ e s , a u m e n t a n d o o t e m p o e a q u a n t i d a d e d e material c o n s u m i d o e m u m a
análise.
A
espectrometria
de
emissão
atômica
c o m fonte
de
plasma
é
uma
técnica
m u l t i e l e m e n t a r q u e f o r n e c e r e s u l t a d o s r á p i d o s c o m b o a precisão®^. N o e n t a n t o a s interferências
espectrais p o d e m s e r altas p a r a a l g u n s e l e m e n t o s e o s limites d e d e t e c ç ã o a i n d a s ã o m a i o r e s
d o s q u e o s a l c a n ç a d o s pelos e s p e c t r ó m e t r o s d e m a s s a s (ICP-MS) - e m torno d e d é c i m o s d e
ng g-* (Fig. 9)®^
A f l u o r e s c ê n c i a d e raios-x a p r e s e n t a a g r a n d e v a n t a g e m d e s e r u m a t é c n i c a d e análise
direta d e m a t e r i a i s sólidos n ã o destrutiva, s e n d o e s p e c i a l m e n t e i n d i c a d a q u a n d o s e trabalha
c o m materiais d e difícil d i g e s t ã o . A s d e s v a n t a g e n s d e s t e s m é t o d o s n a a n á l i s e d e e l e m e n t o s
t r a ç o s ã o a b a i x a s e n s i b i l i d a d e (limites d e d e t e c ç ã o e m t o r n o d e pg g"* p a r a a m a i o r parte dos
e l e m e n t o s - Fig. 9), e a alta d e p e n d ê n c i a c o m a s p r o p r i e d a d e s físicas d a matriz®^®®. Da m e s m a
f o r m a , a a n á l i s e p o r a t i v a ç ã o n e u t r ô n i c a é c a p a z d e analisar a m o s t r a s sólidas, f o r n e c e n d o
baixos limites d e detecção®'*. A g r a n d e d e s v a n t a g e m d e s t a técnica é a n e c e s s i d a d e d e se
utilizar u m reator n u c l e a r n a s s u a s d e t e r m i n a ç õ e s .
A e s p e c t r o m e t r i a d e m a s s a s c o m f o n t e d e p l a s m a a c o p l a d o i n d u t i v a m e n t e (ICP-MS) é
u m a d a s t é c n i c a s m a i s sensíveis d e a n á l i s e m u l t i e l e m e n t a r d a a t u a l i d a d e , f o r n e c e n d o limites
d e d e t e c ç ã o d a o r d e m d e n g kg"* p a r a q u a s e t o d o s o s e l e m e n t o s d a t a b e l a periódica®^'^°, n ã o
a p r e s e n t a n d o limitações q u a n t o a o tipo d e a m o s t r a a n a l i s a d a . Esta t é c n i c a é c a p a z d e medir
46
CONSTITUINTES
INORGÂNICOS
EM
PLANTAS
q u a s e t o d o s os e l e m e n t o s d a t a b e l a periódica s i m u l t a n e a m e n t e d e f o r m a rápida e precisa,
e s t a n d o as principais d i f i c u l d a d e s r e l a c i o n a d a s c o m a f o r m a ç ã o d e interferências poliatómicas
e os p r o c e d i m e n t o s d e p r e p a r o d e a m o s t r a s , u m a vez q u e se t r a b a l h a c o m níveis d e analito
e x t r e m a m e n t e baixos ( a b a i x o d e d é c i m o s d e n g g"*). O s efeitos d a matriz t a m b é m p o d e m ser
críticos, s e n d o q u e a q u a n t i d a d e m á x i m a d e sólidos dissolvidos n ã o d e v e ultrapassar 2 . 0 0 0 pg
g"* o u 0 , 2 % . .Apesar d e s t a s d i f i c u l d a d e s e s t a t é c n i c a v e m s e n d o l a r g a m e n t e utilizada n a a n á l i s e
d e d i f e r e n t e s tipos d e materiais, inclusive d a á r e a a m b i e n t a l c o m o solos e plantas, c o m
m e t o d o l o g i a s j á b e m estabelecidas®^. Por ter sido a t é c n i c a utilizada n e s t e t r a b a l h o , ela será
descrita a seguir, e m u m item e m s e p a r a d o .
47
CONSTITUINTES
INORGÁNICOS
EM
PUNTAS
3.2.2.3.1 Espectrometría de Massas com Fonte de Plasma Acoplado indutivamente
A d i f e r e n ç a b á s i c a entre a e s p e c t r o m e t r i a d e m a s s a s c o n v e n c i o n a l e a e s p e c t r o m e t r i a
d e m a s s a s c o m f o n t e d e p l a s m a é q u e n e s t e último os íons s ã o g e r a d o s e m u m p l a s m a de
a r g ô n i o , á p r e s s ã o a t m o s f é r i c a , s u s t e n t a d o por u m g e r a d o r d e r á d i o f r e q ü ê n c i a {RFf\
s i s t e m a d e ionização é d e n o m i n a d o ICP (inductively
coupled
plasma),
Esse
ou fonte de plasma
a c o p l a d o i n d u t i v a m e n t e , e p o d e ser a c o p l a d a tanto a u m e s p e c t r ó m e t r o d e m a s s a , q u a n t o a
um espectrómetro de emissão atômica (ICP-OES).
O ICP t e v e o r i g e m e m 1 8 8 4 , q u a n d o Hittorf d e s c r e v e u u m p l a s m a g e r a d o pela d e s c a r g a
d e u m c a p a c i t o r a t r a v é s d e u m a b o b i n a c i r c u n d a n d o u m t u b o c o n t e n d o a r à b a i x a pressão®^. O
ICP utilizado n a q u í m i c a analítica constitui-se b a s i c a m e n t e d e u m a R F a c o p l a d a a u m a b o b i n a
d e c o b r e q u e c i r c u n d a a e x t r e m i d a d e final d e u m a t o c h a d e q u a r t z o . N e s t e s s i s t e m a s , o p l a s m a
é iniciado por u m a d e s c a r g a elétrica e s u s t e n t a d o por u m c a m p o m a g n é t i c o oscilante p r o d u z i d o
pela RF, e m u m a a t m o s f e r a d e g á s inerte, n o r m a l m e n t e o a r g ô n i o . O ICP foi utilizado
inicialmente c o m o u m a f o n t e d e e x c i t a ç ã o n o s e s p e c t r ó m e t r o s d e e m i s s ã o a t ô m i c a c o m f o n t e
d e p l a s m a (ICP-OES)®®.
O a c o p l a m e n t o ICP-MS n a s c e u d a n e c e s s i d a d e d e se aliar a r a p i d e z e s i m p l i c i d a d e das
a n á l i s e s d o I C P - O E S a u m a t é c n i c a m a i s sensível e c o m e s p e c t r o s m a i s simples. C o m o nos
s i s t e m a s c o n v e n c i o n a i s d e e s p e c t r o m e t r i a d e m a s s a s , esta t é c n i c a t e m c o m o princípio a
s e p a r a ç ã o d e íons e m f u n ç ã o d a r a z ã o m a s s a / c a r g a , s e n d o n e c e s s á r i a a ionização d o s
e l e m e n t o s a n t e s d e s t e s s e r e m i n t r o d u z i d o s n o sistema analisador. O ICP p a s s o u e n t ã o a ser
utilizado c o m o f o n t e d e i o n i z a ç ã o d o s e l e m e n t o s , f o r n e c e n d o u m a eficiência e m torno d e 9 9 %
p a r a a maioria d o s e l e m e n t o s .
D e v i d o a o s baixíssimos limites d e d e t e c ç ã o a l c a n ç a d o s (ng kg'*), a t é c n i c a d e I C P - M S
v e m s e n d o a m a i s l a r g a m e n t e utilizada n a a n á l i s e d e u m a g r a n d e v a r i e d a d e d e matrizes.
48
CONSTITUINTES INORGÂNICOS EM PLANTAS
No d i a g r a m a d a Fig. 10 p o d e m ser visualizados as 5 partes principais d e u m I C P - M S :
sistema d e i n t r o d u ç ã o d e a m o s t r a (via sólido, s u s p e n s ã o o u líquidos) f o n t e d e i o n i z a ç ã o ,
sistema de f o c a l i z a ç ã o , s i s t e m a a n a l i s a d o r de m a s s a s e um s i s t e m a d e d e t e c ç ã o de íons.
Si.stema analisador
Amostra
Fonle de ionização
ou ICP
Sistema detector
SEPARADOR
quadrupolo ou de
duDia focalização
SISTEMA DE
INTRODUÇÃO DE
AMOSTRAS
Figura 10: diagrama básico de um espectrómetro de massas com fonte de plasma acoplado
indutivamente.
O sistema d e i n t r o d u ç ã o d e a m o s t r a s mais utilizado na a n á l i s e d e s o l u ç õ e s é c o m p o s t o
b a s i c a m e n t e por u m a b o m b a peristáltica, uma c â m a r a d e n e b u l i z a ç ã o e u m n e b u l i z a d o r tipo
M e i n h a r d o u MicroMist. A a m o s t r a é t r a n s f o r m a d a e m um fino a e r o s s o l e t r a n s p o r t a d o pelo g á s
d e arraste até o p l a s m a , o n d e o c o r r e a d i s s o c i a ç ã o , a t o m i z a ç ã o e i o n i z a ç ã o d o s e l e m e n t o s . No
entanto,
aplicações
específicas
que
requerem
por
exemplo,
uma
maior
eficiência
de
n e b u l i z a ç ã o p o d e m f a z e r uso d e o u t r o s s i s t e m a s c o m o o n e b u l i z a d o r ultra-sônico, o q u e
permite a l c a n ç a r limites d e d e t e c ç ã o ainda m a i s baixos®^. A técnica d e I C P - M S
permite
t a m b é m a análise direta d e materiais n a f o r m a sólida, s e n d o a a b l a ç ã o por laser o m é t o d o m a i s
l a r g a m e n t e rjtilizado^^
49
CONSTITUINTES
A
primeira
geração
dos
ICP-MS
INORGÂNICOS
comerciais foi d e s e n v o l v i d o
EM
PLANTAS
na d é c a d a d e
80,
possuindo como analisador de massas um separador quadrupolo (Q-ICP-MS), com resolução
e m torno d e 0,7 u n i d a d e s d e m a s s a a t ô m i c a . Na d é c a d a d e 9 0 , f o r a m d e s e n v o l v i d o s os
s i s t e m a s de alta r e s o l u ç ã o o u d u p l a f o c a l i z a ç ã o ( H R - I C P - M S ) , c a p a z e s d e s e p a r a r i s ó t o p o s
q u e a p r e s e n t a m d i f e r e n ç a s d e a t é m i l é s i m o s d e u n i d a d e s d e m a s s a atômica®^, s e n d o mais
s e n s í v e i s e precisos. No e n t a n t o , d e v i d o a o s e u alto c u s t o e s t e s s i s t e m a s t ê m sido p o u c o
d i f u n d i d o s n o m u n d o , s e n d o os Q - I C P - M S o s mais utilizados até hoje.
No final
mecanismos
da
década
de
90, foram
introduzidos
nos
sistemas
comerciais
alguns
d e e l i m i n a ç ã o d e interferências, c o m o a s celas d e colisão e r e a ç ã o ,
que
r e p r e s e n t a m u m a d a s m e l h o r i a s m a i s significativas d e s t a técnica, d e s d e a s u a criação. Estes
sistemas
permitem
minimizar
a
formação
de
interferências
poliatómicas
através
de
r e a ç õ e s / c o l i s õ e s d o s analitos c o m g a s e s c o m o He o u NH3, p e r m i t i n d o a d e t e r m i n a ç ã o d e um
m a i o r n ú m e r o d e e l e m e n t o s d e f o r m a m a i s eficiente, a p r e s e n t a n d o - s e a t u a l m e n t e , b a s t a n t e
d i f u n d i d o s pelo mundo^^^".
Diferente d o s s i s t e m a s q u a d r u p o l o s , o sistema a n a l i s a d o r d o H R - I C P - M S a p r e s e n t a
d o i s s e p a r a d o r e s d e m a s s a , u m m a g n é t i c o e outro eletrostático. N a Fig. 11 é a p r e s e n t a d o um
d i a g r a m a b á s i c o d e u m H R - I C P - M S c o m a g e o m e t r i a N i e r - J o h n s o n r e v e r s a (constituído p o r u m
s e t o r eletrostático p r e c e d i d o pelo m a g n é t i c o ) , c o n f i g u r a ç ã o d o e q u i p a m e n t o utilizado neste
t r a b a l h o . N e s t e s s i s t e m a s o s íons s o f r e m u m a dupla s e p a r a ç ã o , primeiro no setor m a g n é t i c o ,
o n d e o íon é s e p a r a d o e m f u n ç ã o d a s u a r a z ã o m a s s a / c a r g a , e a seguir, n o setor eletrostático,
q u a n d o são n o v a m e n t e s e p a r a d o s e m f u n ç ã o d e sua e n e r g i a . Este s i s t e m a a n a l i s a d o r a b r a n g e
u m a faixa d e m a s s a s d e 6 a 2 5 4 u n i d a d e s d e m a s s a a t ô m i c a .
50
CONSTITUINTES
INORGÂNICOS
EM
PLANTAS
Figura 1 1 : Esquema básico do H R - I C P - M S com geometria Nier-Johnson reversa, sendo: 1.
interface; 2. sistema de focalização e transferidor óptico; 3. acelerador e sistema de focalização
do feixe; 4. fenda de entrada; 5. setor magnético; 6. setor eletrostático; 7. fenda de saida; 8.
multiplicador de elétrons; 9. sistema detector
3.2.2.3.2 Metodologias de Preparo de Amostras de Folhas
A maior parte d a s t é c n i c a s analíticas utiliza a análise d e soluções, e x i g i n d o a d i s s o l u ç ã o
prévia das a m o s t r a s .
O m é t o d o d e p r e p a r o d e a m o s t r a s constitui-se e m u m a e t a p a f u n d a m e n t a l na o b t e n ç ã o
d e resultados c o n f i á v e i s s e n d o j u n t a m e n t e c o m a a m o s t r a g e m , as principais f o n t e s d e erros de
51
CONSTITUINTES
INORGÂNICOS
EM
PUNTAS
u m a m e t o d o l o g i a a n a l í t i c a " , Estes p r o c e d i m e n t o s p o d e m s e r b a s t a n t e d e m o r a d o s d e p e n d e n d o
d a matriz, e n o c a s o d e d i s s o l u ç õ e s e m s i s t e m a s a b e r t o s , e x p õ e m a s a m o s t r a s por u m longo
período a contaminações externas e perda de elementos.
A s m e t o d o l o g i a s t r a d i c i o n a l m e n t e utilizadas e m a m o s t r a s d e f o l h a s s ã o a d i g e s t ã o ácida
e m s i s t e m a a b e r t o , c a l c i n a ç ã o e t é c n i c a s d e fusão®^'^^. Nestas a m o s t r a s , a d i g e s t ã o total é
dificultada p e l a p r e s e n ç a d e silício na matriz, e x i g i n d o m e t o d o l o g i a s m a i s e l a b o r a d a s e o uso
n o r m a l m e n t e d e ácido fluorídrico (HF) p a r a a d i g e s t ã o total d a s amostras^®. D e p e n d e n d o do
volume d e HF adicionado, este deve ser "removido" da solução antes das análises, uma vez
q u e e s t e á c i d o r e a g e c o m borosilicatos c o m o o vidro, material muito c o m u m n o s e q u i p a m e n t o s
analíticos. A a d i ç ã o d e á c i d o bórico é b a s t a n t e utilizada n e s t e s c a s o s , c o m o objetivo d e se
c o m p l e x a r o HF, f o r m a n d o f l u o b o r a t o s e d e s t a f o r m a , m a s c a r a n d o o íon fluoreto^^. Portanto,
a l é m d e t r a b a l h o s o s , estes m é t o d o s i n t r o d u z e m e t a p a s adicionais, a u m e n t a n d o o risco de
contaminações.
Mais
empregados
recentemente
com
sucesso
sistemas
na
de
microondas
decomposição
(abertos
completa
ou
destas
fechados)
matrizes,
vêm
sendo
diminuindo
d r a s t i c a m e n t e o t e m p o d e p r e p a r o d a s amostras^®'^^. A g r a n d e v a n t a g e m d o s s i s t e m a s abertos
s o b r e os f e c h a d o s é a e v a p o r a ç ã o d o silício e d o H F e m f o r m a d e SÍF4 d u r a n t e a d i g e s t ã o , não
s e n d o r e c o m e n d a d o no e n t a n t o , q u a n d o s e q u e r d e t e r m i n a r e l e m e n t o s voláteis®^. Baffí et al.*°°
d e s e n v o l v e r a m u m a m e t o d o l o g i a d e d e c o m p o s i ç ã o p a r a a m o s t r a s d e liquens utilizando um
s i s t e m a d e m i c r o o n d a s f e c h a d o e u m v o l u m e mínimo d e H F ( 2 0 0 pL), n ã o s e n d o necessária
d e s t a f o r m a , s u a posterior e l i m i n a ç ã o . A t a x a d e r e c u p e r a ç ã o para o s e l e m e n t o s m e d i d o s (Al,
Ba, C d , C o , Cr, C u , Fe, M n , Ni, P b , T i , V e Z n ) foi m e l h o r q u e 9 0 % .
.52
FERRAMENTAS ESTATÍSTICAS UTILIZADAS NA AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS: Quimiometria
3 . 3 F E R R A M E N T A S E S T A T Í S T I C A S UTILIZADAS NA AVALIAÇÃO D O S R E S U L T A D O S :
QUIMIOMETRIA
A
quimiometria
pode
ser definida
como
uma
área
da química
que faz
uso
de
f e r r a m e n t a s m a t e m á t i c a s e estatísticas p a r a planejar e otimizar e x p e r i m e n t o s e extrair o
m á x i m o d e i n f o r m a ç õ e s q u í m i c a s relevantes na análise d e d a d o s * ° V
Estas
ferramentas
possibilitam a identificação d e correlações difíceis d e se o b s e r v a r d e f o r m a direta, r e a l ç a n d o as
i n f o r m a ç õ e s mais r e l e v a n t e s .
Estes p r o c e d i m e n t o s de a n á l i s e c o n s t i t u e m - s e d e d u a s e t a p a s principais: 1) análise
exploratória d e d a d o s , e 2) análise s u p e r v i s i o n a d a d o s d a d o s .
A análise exploratória d e d a d o s ( m e t o d o l o g i a s n ã o s u p e r v i s i o n a d a s ) é n o r m a l m e n t e
utilizada c o m o intuito d e se verificar a existência d e a g r u p a m e n t o s e m u m c o n j u n t o d e d a d o s ,
s e m o uso d a s i n f o r m a ç õ e s disponíveis sobre a classificação d a s a m o s t r a s , m a s t a m b é m para
se avaliar o c o m p o r t a m e n t o d o c o n j u n t o d e variáveis e verificar q u e tipo d e i n f o r m a ç ã o é
possível extrair d e s t e c o n j u n t o d e variáveis, d e f i n i n d o as diretrizes para u m a a v a l i a ç ã o mais
detalhada*"*
N e s t a f a s e da a v a l i a ç ã o o analista d e v e investigar a f u n d o c a d a u m a das
variáveis e s t u d a d a s , e x t r a i n d o o m á x i m o d e i n f o r m a ç õ e s d o c o n j u n t o d e d a d o s . C o m b a s e
n e s t e s e s t u d o s t o r n a - s e possível construir o s m o d e l o s d e classificação, q u e e x i g e m o prévio
conhecimento dos grupos estudados ou o histónco das amostras.
Os
métodos
d e classificação
ou r e c o n h e c i m e n t o
supervisionado
de padrões
são
utilizados para identificar as s e m e l h a n ç a s e d i f e r e n ç a s e m d i f e r e n t e s g r u p o s d e a m o s t r a s ,
c o m p a r a n d o - a s e n t r e si, e refletindo estas d i f e r e n ç a s e s e m e l h a n ç a s nas variáveis utilizadas
p a r a caracterizar e s t e s g r u p o s . Nestas m e t o d o l o g i a s , os g r u p o s d e v e m ser
c o n h e c i d o s , s e n d o utilizados c o m o u m c o n j u n t o de t r e i n a m e n t o (calibration
previamente
set) na c o n s t r u ç ã o
d e u m m o d e l o o u regra d e classificação. O objetivo d e s t a s análises é utilizar estas regras para
classificar n o v a s a m o s t r a s d e histórico desconhecido*"^.
53
_FERMMENTAS ESIATÍSTICAS UTILIZADAS NA AVALIAÇÃO IX)SRESlJi;rADOS:
Quimiometria
A seguir, s ã o a p r e s e n t a d o s os princípios b á s i c o s d e c a d a u m a d a s f e r r a m e n t a s
utilizadas n e s t e trabalho.
O p r o g r a m a utilizado n a s a n á l i s e s q u i m i o m é t r i c a s foi o S P S S 1 1 . 0 .
3.3.1 M e t o d o l o g i a s N ã o S u p e r v i s i o n a d a s e A n á l i s e Exploratória d o s D a d o s
3.3.1.1
Método
das k
médias
Este m é t o d o parte d o s primeiros k c a s o s ( o n d e k é o n ú m e r o d e a g r u p a m e n t o s ,
previamente
conhecido
ou
determinado
pelo
analista),
sendo
estes
dados
utilizados
t e m p o r a r i a m e n t e c o m o a m é d i a d o s a g r u p a m e n t o s . O s d a d o s s e g u i n t e s s ã o classificados d e
a c o r d o c o m a distância e n t r e eles e e s t e s centros, e a c a d a p a s s o , e s t e c e n t r o é recalculado e
os d a d o s reclassificados*"". Este p r o c e d i m e n t o é realizado a t é q u e n ã o haja mais m u d a n ç a s
n e s t e s a g r u p a m e n t o s . A limitação d e s t e m é t o d o é q u e o analista precisa definir p r e v i a m e n t e o
n ú m e r o d e a g r u p a m e n t o s , m a s é f o r t e m e n t e indicada q u a n d o s e t r a b a l h a c o m u m g r a n d e
n ú m e r o d e a m o s t r a s . N e s t e t r a b a l h o esta f e r r a m e n t a foi utilizada p r i n c i p a l m e n t e para definir o s
a g r u p a m e n t o s d e regiões s e c a s e ú m i d a s na a v a l i a ç ã o d o s r e s u l t a d o s o b t i d o s para isótopos
estáveis.
3.3.1.2
Análise
de Componentes
Principais
-
PCA
N e s t e t r a t a m e n t o estatístico e s t u d a - s e a c o r r e l a ç ã o existente entre u m g r a n d e n ú m e r o
d e variáveis, a g r u p a n d o - a s e m a l g u n s p o u c o s fatores, s e n d o a principal f i n a l i d a d e a r e d u ç ã o
d a matriz d e dados*°*"*°^. A. P C A g e r a por m e i o d e c o m b i n a ç õ e s lineares d a s variáveis
originais, n o v a s c o m p o n e n t e s c h a m a d a s c o m p o n e n t e s principais ( P C ) , a g r u p a n d o a q u e l a s q u e
f o r n e c e m i n f o r m a ç õ e s s e m e l h a n t e s e g e r a n d o c o m p o n e n t e s n ã o c o r r e l a c i o n a d o s entre si. E m
outras palavras, e s t e m é t o d o p e r m i t e verificar quais variáveis i n f l u e n c i a m d e f o r m a mais
54
fl'WUMENTAS
ESTATÍSTICAS UTILIZADAS NA A VALIAÇÃO DOS RESULTADOS: Quimiometria
significativa c a d a g r u p o d e amostras*°*"*°^. Trata-se d e urna m a n i p u l a ç ã o m a t e m á t i c a q u e visa
realçar as i n f o r m a ç õ e s mais i m p o r t a n t e s . E m b o r a esta m e t o d o l o g i a r e d u z a significativamente a
matriz d e d a d o s , n e m s e m p r e estas c o m p o n e n t e s p o d e m ser f a c i l m e n t e interpretadas.
Esta f e r r a m e n t a é f o r t e m e n t e indicada q u a n d o se trabalha c o m u m g r a n d e n ú m e r o de
variáveis, s e n d o l a r g a m e n t e utilizada na análise exploratoria de d a d o s (pré a v a l i a ç ã o dos
dados), visando uma compreensão completa do problema abordado.
A s principais p r o p r i e d a d e s d e s t a a v a l i a ç ã o são:
1)
as n o v a s v a h á v e i s o u C P s s ã o o r t o g o n a i s entre si;
2)
o primeiro C P explica a m á x i m a variabilidade d o s d a d o s , d e f i n i n d o a direção e m q u e o
espalhamento é máximo;
3)
c o m p o n e n t e s s u c e s s i v o s d e s c r e v e m variabilidades d e c r e s c e n t e s e a variabilidade total
referente a c a d a C P p o d e ser d e t e r m i n a d a ;
4)
a d e t e r m i n a ç ã o d e variáveis n ã o significativas através d e c o m p o n e n t e s q u e a p r e s e n t a m
baixa variabilidade, p o d e a j u d a r a eliminar o s p a r á m e t r o s q u e i n t r o d u z e m ruidos na
d i f e r e n c i a ç ã o d o s g r u p o s - a razão sinal/ruído é maior no primeiro C P , d e c r e s c e n d o
c o m os cálculos d o s C P s s u b s e q ü e n t e s . Desta f o r m a , C P s não significativos d e s c r e v e m
n o r m a l m e n t e mais ruido d o q u e sinal e, c o n s e q ü e n t e m e n t e , s u a e x c l u s ã o minimiza o
ruido do c o n j u n t o d e d a d o s .
Neste trabalho, a P C A foi utilizada c o m o intuito d e se c o n h e c e r a correlação e n t r e os
e l e m e n t o s para c a d a u m a d a s regiões e s t u d a d a s e levantar i n f o r m a ç õ e s sobre as principais
v a r i á v e i s na discriminação d o s g r u p o s .
33
_FERRAMENTAS ESTA TÍSTICAS UTILIZA DAS NA A VALIA CAO DOS RESULTADOS: Quimiometria
3.3.2 M e t o d o l o g i a S u p e r v i s i o n a d a - A n á l i s e d e D i s c r i m i n a n t e s ( L D A )
Na análise d e discriminantes parte-se d e dois o u m a i s g r u p o s d e a m o s t r a s c o m histórico
conhecido
combinação
(grupo
d e t r e i n a m e n t o o u calibration
set)
na tentativa de se e n c o n t r a r
urna
linear e n t r e as variáveis q u e caracterize as d i f e r e n ç a s e x i s t e n t e s entre
os
g r u p o s * " ^ Esta a v a l i a ç ã o e s t a b e l e c e u m a f u n ç ã o d i s c r i m i n a n t e c a p a z d e classificar n o v o s
c a s o s , f o r n e c e n d o t a m b é m a p r o b a b i l i d a d e destas a m o s t r a s d e p e r t e n c e r e m a c a d a u m d o s
grupos considerados.
A s s i m c o m o na análise d e c o m p o n e n t e s principais, a f u n ç ã o discriminante é c o m p o s t a
por u m m e n o r n ú m e r o d e variáveis, r e d u z i n d o o p r o b l e m a a p o u c o s e l e m e n t o s . O p r o g r a m a
S P S S f o r n e c e a o p ç ã o d e se construir o m o d e l o d e classificação c o m t o d a s as variáveis
s i m u l t a n e a m e n t e ( m é t o d o enter independent
stepwisey°^,
toghetiier),
o u a p e n a s as mais r e l e v a n t e s ( m é t o d o
Com isso, o c o n j u n t o d e variáveis p o d e ser bastante reduzido, sendo necessário
para a classificação d e novas a m o s t r a s analisar-se somente aqueles e s t a b e l e c i d o s
pelo
m o d e l o . A s n o v a s v a r i á v e i s extraídas através d e s t a t é c n i c a s ã o c h a m a d a s variáveis c a n ó n i c a s .
S i m i l a r m e n t e à PCA, a primeira variável c a n ó n i c a é a c o m b i n a ç ã o linear das variáveis
iniciais q u e m a x i m i z a a d i f e r e n ç a s e n t r e a s m é d i a s d o s g r u p o s e s t u d a d o s e m u m a d i r e ç ã o ,
s e n d o a s e g u n d a v a r i á v e l c a n ó n i c a t r a ç a d a na d i r e ç ã o d e maior d i s p e r s ã o , o r t o g o n a l m e n t e à
primeira. O s gráficos s ã o definidos q u e f o r m a a s e r e p r e s e n t a r n o e i x o x a v a r i á v e l c o m m a i o r
d i s p e r s ã o (variável c a n ó n i c a 1).
Esta f e r r a m e n t a estatística foi utilizada na c o n s t r u ç ã o final d o m o d e l o d e c l a s s i f i c a ç ã o ,
s e n d o o m é t o d o stepwise
e s p e c i a l m e n t e i m p o r t a n t e n a d e t e r m i n a ç ã o da a s s i n a t u r a q u í m i c a
d a s a m o s t r a s a n a l i s a d a s . A partir deste e s t u d o o p r o c e d i m e n t o analítico (instrumental) p ô d e
ser o t i m i z a d o , n ã o s e n d o necessária a d e t e r m i n a ç ã o d a c o n c e n t r a ç ã o d e t o d o s o s e l e m e n t o s
d e t e r m i n a d o s inicialmente para se e s t i m a r a o r i g e m g e o g r á f i c a das amostras.
EQUACIONAMENTO
CAPÍTULO 4. EQUACIONAMENTO
JURÍDICO
DO
PROJETO
JURÍDICO DO PRO JETO
Devido à n a t u r e z a ilícita d o material a n a l i s a d o , o s primeiros e s f o r ç o s d o projeto f o r a m
feitos no sentido d e se a t e n d e r a o s trâmites legais n e c e s s á r i o s p a r a o r e c e b i m e n t o , g u a r d a e
m a n i p u l a ç ã o d e s t a s a m o s t r a s . O e q u a c i o n a m e n t o jurídico e o p e r a c i o n a l d o projeto, a b u s c a d e
m e c a n i s m o s s e g u r o s e legais p a r a a t r a n s f e r ê n c i a d a s a m o s t r a s , o e s t a b e l e c i m e n t o d o s limites
d e a ç ã o d e c a d a participante, a s s a l v a g u a r d a s n e c e s s á r i a s para a m a n i p u l a ç ã o e d i v u l g a ç ã o
das
informações
exigiram
dos
coordenadores
do
projeto
um
grande
esforço
além
do
imprescindível a p o i o d o s d i v e r s o s setores d o G o v e r n o d o E s t a d o e d a D i r e ç ã o d o I P E N .
O inicio d o t r a b a l h o s ó foi possível a p ó s a a u t o r i z a ç ã o pelo E x m o . G o v e r n a d o r d o
E s t a d o e a s s i n a t u r a d o a c o r d o d e c o l a b o r a ç ã o oficial e n t r e a Secretaria d e S e g u r a n ç a P ú b l i c a
d o E s t a d o d e S ã o Paulo ( S S P - S P ) e o I P E N . O b t e v e - s e t a m b é m u m a a u t o r i z a ç ã o j u n t o a o Juiz
C o r r e g e d o r d a Polícia Judiciária, a u t o r i z a ç ã o para t r a n s p o r t e e a n á l i s e d e s t e s materiais. Por
constituir-se e m u m a e t a p a f u n d a m e n t a l n o d e s e n v o l v i m e n t o d o t r a b a l h o , u m a c ó p i a d e s t e s
d o c u m e n t o s é a p r e s e n t a d a e m a n e x o ( A N E X O 1).
Este t r a b a l h o fez p a r t e d e u m a c o r d o institucional inédito a s s i n a d o entre a S e c r e t a r i a d e
S e g u r a n ç a Pública d e S ã o P a u l o e o Instituto d e P e s q u i s a s E n e r g é t i c a s e N u c l e a r e s (IPEN).
Participaram
deste
projeto
nove
Estados
da
nação,
representados
pelos
Institutos
de
Criminalística d e :
1)
Mato G r o s s o d o S u l , q u e lidera o n ú m e r o d e a p r e e n s õ e s e s e r v e c o m o porta d e e n t r a d a
no país p a r a a m a c o n h a p r o d u z i d a no P a r a g u a i ;
.57
EQUACIONAMENTO
2)
JURÍDICO
DO
PROJETO
Bahia e P e r n a m b u c o q u e f o r m a m o c h a m a d o P o l í g o n o d a M a c o n h a n o N E brasileiro,
onde ocorre o maior número de erradicações;
3)
C e a r á , q u e f a z parte d o semi-árido n o r d e s t i n o e p a r a a l g u n s especialistas é u m a
extensão do c h a m a d o Polígono da Maconha;
4)
Pará e M a r a n h ã o , localizados na região A m a z ô n i c a , p a r a o n d e e s t ã o m i g r a n d o parte
dos produtores do Polígono da Maconha;
5)
A c r e , localizado t a m b é m n a região A m a z ô n i c a , m a s q u e n ã o se a p r e s e n t a c o m o u m
potencial produtor;
6)
P a r a n á , q u e t a m b é m serve c o m o porta d e e n t r a d a d a m a c o n h a p r o d u z i d a no P a r a g u a i
para o Brasil;
7)
S ã o P a u l o , q u e r e p r e s e n t a u m d o s principais m e r c a d o s n a c i o n a i s .
58
EXPERIMENTA L-A reas de Estudo
CAPÍTULO 5.
EXPERIMENTAL
5.1 Á R E A S D E E S T U D O
A s á r e a s d e e s t u d o d e s t e t r a b a l h o f o r a m d e f i n i d a s c o m b a s e n a s estatísticas d e
e r r a d i c a ç õ e s e a p r e e n s õ e s , s e n d o a g r u p a d a s d e a c o r d o c o m s u a s c o n d i ç õ e s climáticas e
similaridades g e o l ó g i c a s . Estes c o n c e i t o s s ã o e x p l i c a d o s a seguir.
5.1.1 Diversidade Climática Brasileira
O Brasil, p e l a s s u a s d i m e n s õ e s c o n t i n e n t a i s , p o s s u i u m a d i v e r s i d a d e climática b a s t a n t e
a m p l a , r e c e b e n d o influências d a sua c o n f i g u r a ç ã o g e o g r á f i c a , significativa e x t e n s ã o costeira,
s e u relevo e a d i n â m i c a d a s m a s s a s d e ar sobre s e u território. E s s e último fator a s s u m e g r a n d e
i m p o r t â n c i a a t u a n d o d i r e t a m e n t e s o b r e as t e m p e r a t u r a s e o s índices p l u v i o m é t r i c o s
nas
diferentes r e g i õ e s d o país. S e g u n d o o A n u a r i o Estatístico d o Brasil d o I B G E a s m a s s a s d e ar
q u e interferem m a i s f o r t e m e n t e n o n o s s o país s ã o a Equatorial (tanto C o n t i n e n t a l
como
Atlântica), a T r o p i c a l ( t a m b é m C o n t i n e n t a l e Atlântica) e a Polar Atlântica, p r o p o r c i o n a n d o a s
d i f e r e n c i a ç õ e s climáticas*"^.
S ã o o b s e r v a d o s n o país d e s d e climas s u p e r ú m i d o s q u e n t e s , p r o v e n i e n t e s d a s m a s s a s
Equatoriais, c o m o é o c a s o d e g r a n d e parte da r e g i ã o A m a z ô n i c a , até c l i m a s semi-áridos muito
fortes, próprios d o sertão n o r d e s t i n o - Fig. 12.
A região Norte o n d e e s t ã o localizados o s E s t a d o s d o P a r á e d o A c r e , a p r e s e n t a clima
q u e n t e c o m t e m p e r a t u r a m é d i a a n u a l v a r i a n d o e n t r e 2 4 ° e 2 6 ^ 0 n a maior p a r t e d o a n o . No q u e
59
EXPERIMENTAL - Areas de Estua)
diz respeito à p l u v i o s i d a d e , n ã o h á u m a distribuição espacial h o m o g ê n e a c o m o a c o n t e c e c o m a
t e m p e r a t u r a . O total pluviométrico a n u a l e x c e d e o s 3.000 m m na f o z d o rio A m a z o n a s , n o litoral
d o Pará e na á r e a ocidental d a região; já o c o r r e d o r m e n o s c h u v o s o , c o m total pluviométrico
a n u a l d e 1.500 a 1.700 m m , e n c o n t r a - s e n a d i r e ç ã o n o r o e s t e - s u d e s t e d e R o r a i m a e leste d o
P a r á . Na m é d i a , o total p l u v i o m é t r i c o a n u a l fica e m t o r n o d e 2 . 8 0 0 m m , s e n d o as e s t a ç õ e s
chuvosas de janeiro a junho.
60
EXPERRŒNTAL - Areas de Estudo
V a p o 1.16
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Figura 12: Unidades climáticas brasileiras. Fonte: SITE www.ibge.gov.br
61
EXPERIMENTAL - Areas de Estudo
O N o r d e s t e d o Brasil a p r e s e n t a t e m p e r a t u r a s e l e v a d a s cuja m é d i a a n u a l varia d e 2 0 ° a
2 8 ° C . Nas á r e a s s i t u a d a s a c i m a d e 2 0 0 m e no litoral oriental a s t e m p e r a t u r a s v a r i a m e n t r e 2 4 °
e 2 6 ° C . A s m é d i a s a n u a i s inferiores a 2 0 ° C e n c o n t r a m - s e n a s á r e a s m a i s e l e v a d a s d a c h a p a d a
D i a m a n t i n a e d a B o r b o r e m a . A distribuição d a p l u v i o s i d a d e d a região N o r d e s t e é m u i t o
c o m p l e x a , n ã o s ó e m r e l a ç ã o a o p e r í o d o d e o c o r r ê n c i a ( q u e muitas v e z e s p o d e m n e m existir),
c o m o e m seu total a n u a l , q u e varia d e 3 0 0 a 2 . 0 0 0 m m . Q u a n t o a o período d e ocorrência, o
m á x i m o ocorre e n t r e o o u t o n o e o inverno e o m í n i m o e n t r e a p r i m a v e r a e o v e r ã o , a o l o n g o d o
litoral oriental e n a e n c o s t a d o planalto d o Rio G r a n d e d o Norte à Bahia.
O clima p r e d o m i n a n t e no M a r a n h ã o é c o n f i g u r a d o c o m o tropical. A s
temperaturas
m é d i a s a n u a i s s ã o s u p e r i o r e s a 2 4 ° C , e n q u a n t o o s índices pluviométricos v a r i a m entre 1.500 e
2 . 5 0 0 m m a n u a i s . A s c h u v a s c a r a c t e r i z a m d u a s á r e a s distintas s e n d o mais a b u n d a n t e s n o
litoral e mais e s c a s s a s n o interior. O u t r a característica peculiar é q u e d e v i d o a s u a p o s i ç ã o
g e o g r á f i c a este E s t a d o fica dividido e n t r e a á r e a s i t u a d a n o c o m p l e x o a m a z ô n i c o ( A m a z ó n i a
M a r a n h e n s e ) , a o n o r o e s t e , c o m clima equatorial e o restante na região s e m i - á r i d a d o N o r d e s t e
brasileiro. A v e g e t a ç ã o p r e d o m i n a n t e n a s regiões d e clima c a r a c t e r i z a d o c o m o tropical (Sul d o
Estado) é o c e r r a d o .
A área s o b v e g e t a ç ã o d e c e r r a d o o c u p a cerca d e 1,8 milhões d e km^ d o território
brasileiro, o q u e c o r r e s p o n d e a cerca d e 2 0 % , e s t e n d e n d o - s e p r i n c i p a l m e n t e pela r e g i ã o
C e n t r o - O e s t e d o país, e parte d a r e g i ã o Norte, N o r d e s t e e S u d e s t e d o país. A p e s a r d o clima
ser b a s t a n t e h e t e r o g ê n e o n e s t a s r e g i õ e s , p r e d o m i n a o clima q u e n t e e ú m i d o , c o m u m a l o n g a
e s t a ç ã o seca. D e n t r e o s locais e s t u d a d o s , as r e g i õ e s q u e a p r e s e n t a m este tipo d e v e g e t a ç ã o
são g r a n d e parte d o M a t o G r o s s o d o S u l , c o m clima m a i s frio e s e c o , o e s t e d o M a r a n h ã o (mais
q u e n t e e úmido) e o e s t e d a B a h i a (mais q u e n t e e s e c o ) .
Na região C e n t r o - O e s t e o clima é b a s t a n t e diversificado q u a n t o à t e m p e r a t u r a , e m
c o n s e q ü ê n c i a d o relevo, e x t e n s ã o longitudinal, c o n t i n e n t a l i d a d e e circulação a t m o s f é r i c a . J á
em
relação a p l u v i o s i d a d e , é m a i s
homogênea.
Nos e x t r e m o s
norte e sul d a á r e a ,
a
62
EXPERIMENTAL - Áreas- de Estudo
t e m p e r a t u r a m é d i a a n u a l é d e 2 2 ° C , e n q u a n t o q u e nas c h a p a d a s fica e n t r e 2 0 ° e 2 2 ° C . O
inverno é b r a n d o , c o m o c o r r ê n c i a d e t e m p e r a t u r a s baixas e m f u n ç ã o da " f r i a g e m " (invasão d e
ar polar). A t e m p e r a t u r a m é d i a d o m ê s mais frio situa-se e n t r e 15° e 2 4 ° C . A m é d i a a n u a l d e
c h u v a s varia e n t r e 2 . 0 0 0 e 3 . 0 0 0 m m a o norte d e Mato G r o s s o e vai d i m i n u i n d o e m direção a o
leste e ao sul, c h e g a n d o a a l c a n ç a r 1.500 m m no leste d e G o i á s e 1.250 m m n o P a n t a n a l M a t o
Grossense. A predominância de chuvas ocorre no verão, entre novembro e março. O inverno é
m u i t o seco e as c h u v a s s ã o raras. .À m e d i d a q u e se c a m i n h a p a r a o interior o p e r í o d o d a
e s t a ç ã o s e c a c r e s c e , p o d e n d o d u r a r até q u a t r o m e s e s .
No A N E X O 2 s ã o a p r e s e n t a d o s os m a p a s d e p r e c i p i t a ç ã o m é d i a a n u a l para os E s t a d o s
do Ceará, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco, e Maranhão, segundo a
Empresa
Brasileira d e P e s q u i s a s A g r o p e c u á r i a s ( E M B R A P A ) .
63
EXPERIMENTAL -Areas de Estuda
5.1.2 G e o l o g i a d a s R e g i õ e s E s t u d a d a s
Os a s p e c t o s mais i m p o r t a n t e s a s e r e m c o n s i d e r a d o s na i n t e r p r e t a ç ã o d o s
níveis
e l e m e n t a r e s nas plantas e s t ã o r e l a c i o n a d o s á g e o l o g i a , solos e a o clima d a s regiões d e
interesse, c o m o foi visto no item 3 . 2 . 2 . 1 Elementos
Menores
e Nutrientes
em Solos, pg 39.
A p e s a r d e existir u m g r a n d e n ú m e r o d e t r a b a l h o s s o b r e a fertilidade e g e o q u í m i c a d o s
solos brasileiros, estes e s t u d o s s ã o b a s t a n t e localizados. Para u m p a n o r a m a global d a s
regiões d e interesse, f o r a m c o n s u l t a d o s a l é m d a literatura disponível, o s m a p a s g e o l ó g i c o e d e
fertilidade
d e solos d o
Brasil, d i s p o n í v e i s
no site
do IBGE (www.ibge.gov.br),
que
são
a p r e s e n t a d o s no A N E X O 3.
A l é m d o s e l e m e n t o s m a i o r e s c o m o A l , Fe e M n , cujas b i o d i s p o n i b i l i d a d e s e n c o n t r a m - s e
f o r t e m e n t e a s s o c i a d a s às características físico-químicas d o solo ( p r i n c i p a l m e n t e o p H ) , os
elementos
ten-as
raras
(ETR)
deverão
ser
relevantes
na
discriminação
das
amostras
a p r e e n d i d a s nas d i f e r e n t e s regiões e s t u d a d a s . Estes e l e m e n t o s s ã o c o n h e c i d o s t a m b é m c o m o
lantanídeos,
e
apresentam-se
altamente
correlacionados
nos
minerais
por
possuírem
p r o p r i e d a d e s físicas e q u í m i c a s m u i t o semelhantes*"® (e.g. raio iónico, S m = 1,04 A e N d 1,08
A). Estas características o s t o r n a m e x t r e m a m e n t e i m p o r t a n t e s n o s e s t u d o s d e m e t a l o g ê n e s e ,
u m a v e z q u e o s c o e f i c i e n t e s d e partição (kd) d e s t e g r u p o d e e l e m e n t o s s ã o distintos e
característicos e m f u n ç ã o d a g ê n e s e d a rocha*°^'**°. Eles s e r ã o e s p e c i a l m e n t e i m p o r t a n t e s a o
se t r a b a l h a r c o m s o l o s d e o r i g e n s e i d a d e s g e o l ó g i c a s diferentes, s e n d o q u e o s níveis e o g r a u
d e f r a c i o n a m e n t o d o s l a n t a n í d e o s n a s plantas d e v e r á ser u m reflexo d e s e u c o m p o r t a m e n t o no
solo. A l é m d e s t e s e l e m e n t o s , a deficiência d e m i c r o n u t r i e n t e s relatadas e m r e g i õ e s e s p e c í f i c a s
d o país t a m b é m d e v e r á f o r n e c e r i n f o r m a ç õ e s r e l e v a n t e s no e s t a b e l e c i m e n t o d a s a s s i n a t u r a s
químicas''*.
Desta f o r m a , a g e o l o g i a d a s regiões e s t u d a d a s , q u e por s u a v e z influenciarão na
g e r a ç ã o d o s solos, será a b o r d a d a a b a i x o , s u g e r i n d o p a d r õ e s gerais d e e n r i q u e c i m e n t o d e
elementos químicos.
64
EXPERIMENTAL ~ Areas de Estudo
A s r e g i õ e s d e e s t u d o p u d e r a m s e r divididas, d e a c o r d o c o m a g e o l o g i a e o clima, e m
três
grandes
Paraguai*")
dominios:
Nordeste,
região
Amazônica,
e
Centro-Oeste
cada
uma
(cujos
com
perfis
valem
características
para
boa
peculiares,
parte
que
do
são
b r e v e m e n t e descritas a seguir.
O " d o m i n i o C e n t r o - O e s t e " ( d e n o m i n a d o n e s t e t r a b a l h o c o m o R e g i ã o 1) c o m p r e e n d e o s
e s t a d o d o M a t o G r o s s o d o S u l e a p o ç ã o leste d o P a r a g u a i , s e n d o a g e o l o g i a d a s d u a s á r e a s
muito similar. O E s t a d o d e M a t o G r o s s o do Sul e s t á s o b r e u m a r c a b o u ç o g e o l ó g i c o
compreende
Metamórfico
três
unidades
geotectónicas
Paraguai-Araguaia
diferentes:
Plataforma
Amazónica,
que
Cinturão
e Bacía d o P a r a n á , a l é m d a s e d i m e n t a ç ã o recente**^.
O
c o n j u n t o mais a n t i g o , r e l a c i o n a d o a o P r é - C a m b r i a n o ( P l a t a f o r m a A m a z ó n i c a ) r e f e r e - s e à s
r o c h a s d o C o m p l e x o Rio A p a , G r u p o A m o n g u i j á , S u í t e Intrusiva A l u m i a d o r e g r u p o s C u i a b á ,
Jacadigo e Corumbá. As rochas metamórficas predominam nesta unidade, como gnaisses,
xistos e filitos s e n d o a á r e a d e e x p o s i ç ã o d e s s a s r o c h a s restritas, o c o r r e n d o p r i n c i p a l m e n t e n a
p o r ç ã o norte e o e s t e d o e s t a d o . J á o C i n t u r ã o M e t a m ó r f i c o P a r a g u a i - A r a g u a i a , t a m b é m d e
i d a d e P r é - C a m b r i a n a , p r e d o m i n a na p o r ç ã o central d o e s t a d o , é f o r m a d o p r i n c i p a l m e n t e por
r o c h a s m e t a m ó r f i c a s e s u b o r d i n a d a m e n t e g r a n i t ó i d e s . Na r e g i ã o d o M a t o G r o s s o d o S u l , f o r a m
d e p o s i t a d a s d u r a n t e o P a l e o z ó i c o , a s r o c h a s d a B a c i a d o P a r a n á , cujas i d a d e s d e g e r a ç ã o s ã o
inferidas
como
Hawkesworth
máficas
sendo
ao
redor de
130
milhões
de anos
et al.**^, s e n d o a u n i d a d e c o n s t i t u í d a
(basaltos
com
afinidade
química
toleítica)
(Ma), c o n f o r m e
principalmente
ocorrendo
sugerido
de rochas
intercaladas
por
vulcânicas
com
rochas
s e d i m e n t a r e s (arenitos, f o l h e l h o s ) e e s p a c i a l m e n t e p r e d o m i n a n t e s na p o r ç ã o leste e sul d o
e s t a d o . A s e d i m e n t a ç ã o r e c e n t e , e m g e r a l d e p ó s i t o s fluviais e lacustres, p r e d o m i n a n a p o r ç ã o
o e s t e do e s t a d o . A g e o l o g i a d o e s t a d o d o M a t o G r o s s o d o S u l e s t e n d e - s e para o P a r a g u a i , e
p o d e ser c o n s i d e r a d a , e m g r a n d e e s c a l a , c o m o r e p r e s e n t a t i v a t a m b é m n e s s a região***. E.ste
tipo d e basalto é n a t u r a l m e n t e e n r i q u e c i d o e m Fe e M g , e s t a n d o o s níveis d e TÍO2 a s s o c i a d o s
a e l e m e n t o s i n c o m p a t í v e i s c o m o P b , Ba, ETR, Sr, e Y^'*. T a m b é m , a s s o c i a d o a o Fe e M g ,
65
EXPERIMENTAL-Areasde
ocorre
um
enriquecimento
de
elementos
com
similaridade
química
(raio
Estudo
iónico,
e l e t r o n e g a t i v i d a d e , e t c ) , c o m o os m e t a i s V, Cr, Ni e o C o . De u m a f o r m a geral e s t a região
t a m b é m é e n r i q u e c i d a e m ETR, principalmente E T R leves. O s solos d e s t a região s ã o na s u a
g r a n d e maioria á c i d o s , a p r e s e n t a n d o p H < 5 c o m e x c e s s o d e Al ( A N E X O 3).
O " d o m í n i o N o r d e s t e " ( d e n o m i n a d o neste t r a b a l h o c o m o R e g i ã o 2) c o m p r e e n d e r o c h a s
p r e s e n t e s n a r e g i ã o N o r d e s t e d o Brasil. A maior p a r t e d e s t a r e g i ã o o r i g i n o u - s e há m a i s d e 2
bilhões d e a n o s , s e n d o constituído p r i n c i p a l m e n t e p o r r o c h a s m e t a m ó r f i c a s P a l e o p r o t e r o z ó i c a s
(> 2.0 bilhões d e a n o s - Ga) (Maciços gnáissicos-graníticos). Na região d a B a h i a , p r e d o m i n a m
as r o c h a s r e l a c i o n a d a s a o C r a t o n S ã o F r a n c i s c o " ^ , e n q u a n t o q u e n a região a o norte d a B a h i a ,
d o m i n a m t a m b é m r o c h a s m e t a m ó r f i c a s , p o r é m r e l a c i o n a d a s à Província Borborema**®. E m
geral, o c o r r e m r o c h a s m e t a m ó r f i c a s c o m c o m p o s i ç ã o intermediárias a á c i d a s , c o m o g n a i s s e s
q u a r t z o - f e l d s p á t i c o s , intrudidos por g r a n i t ó i d e s d e i d a d e s mais j o v e n s (cerca d e 6 0 0 Ma). U m a
d a s características
das
r o c h a s d e s s e d o m í n i o é q u e elas, e m g e r a l , a p r e s e n t a m
altas
c o n c e n t r a ç õ e s d e e m E T R , Ba, Sr, K, e t a m b é m U, o u seja, e l e m e n t o s c o m g r a n d e raio iónico,
c o m u m a q u í m i c a m u i t o similar a d e e l e m e n t o s c o m o o Rb, K, C a , e l e m e n t o s ricos e m r o c h a s
da crosta continental"®, e n r i q u e c i d o s n e s s a região. A região d e P e r n a m b u c o e m e s p e c i a l , é
rica e m granitos e calcários, r e s p o n d e n d o por c e r c a d e 9 5 % d a oferta d e g e s s o d o país. O u t r o
a s p e c t o r e l e v a n t e é q u e a c o n c e n t r a ç ã o d o urânio n a s r o c h a s f o s f a t i c a s d o N o r d e s t e brasileiro
é
uma
das
maiores
do
mundo,
característica
que
poderá
se
refletir
na
composição
química**^**® d a s a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s desta l o c a l i d a d e .
E f i n a l m e n t e , o "domínio da r e g i ã o A m a z ô n i c a " d e n o m i n a d a R e g i ã o 3 n e s t e t r a b a l h o ,
a p r e s e n t a u m a g r a n d e d i v e r s i d a d e g e o l ó g i c a , q u e por s u a v e z reflete a v a r i e d a d e d o s solos
g e r a d o s na r e g i ã o e m f u n ç ã o d o s diferentes materiais de o r i g e m (rochas
sedimentares,
m e t a m ó r f i c a s e ígneas), d e idades e o r i g e n s m u i t o diferentes**®.
66
EXPERIMENTA L-A reas de Estudo
A geologia d o d o m i n i o A m a z ô n i c o é f o r m a d a por d u a s o c o r r ê n c i a s principais, i) r o c h a s
a n t i g a s , d o p a l e o p r o t e r o z ó i c o ( P r e c a m b r i a n o Indiferenciado), r e f e r e n t e s à s províncias Central
A m a z ô n i c a , S u n s á s , R o n d o n i a n a , e n t r e outras, q u e e m geral s ã o r o c h a s m e t a m ó r f i c a s c o m
i d a d e s superiores a 1,5 G a , d e c o m p o s i ç ã o granítica*^" e ii) r o c h a s s e d i m e n t a r e s r e l a c i o n a d a s
à Bacia d o A m a z o n a s , c o m p r e d o m i n â n c i a d e r o c h a s s e d i m e n t a r e s q u a r t z o - f e l d s p á t i c a s e
r o c h a s c a r b o n á t i c a s . O E s t a d o d o M a r a n h ã o é f o r m a d o b a s i c a m e n t e por r o c h a s s e d i m e n t a r e s
d o F a n e r o z ó i c o ( M e s o z ó i c o e C e n o z ó i c o ) e n q u a n t o q u e o Pará a p r e s e n t a f o r m a ç õ e s d e r o c h a s
m a i s antigas, s e n d o c o m p o s t o p r i n c i p a l m e n t e d e rochas m e t a m ó r f i c a s d o Proterozóico (idade
s u p e r i o r a u m bilhão d e a n o s ) e d o a r q u e a n o (mais d e 2,6 b i l h õ e s d e a n o s ) - A N E X O 3. A p e s a r
d e s u a s características g e o l ó g i c a s d i v e r s a s , os solos d e s t a região s ã o c a r a c t e r i z a d o s pela
i n t e n s a lixiviação, s e n d o b a s t a n t e p o b r e s e m nutrientes e m q u a s e t o d a s u a e x t e n s ã o , c o m pH
r e l a t i v a m e n t e á c i d o (entre 5,0 e 6,0)*^''.
67
EXPERIMENTAL - Materiais e Método
5 . 2 MATERIAIS E M É T O D O
5.2.1 A m o s t r a s A n a l i s a d a s
T o d a s as a m o s t r a s a n a l i s a d a s neste t r a b a l h o s ã o p r o c e d e n t e s d e laboratórios oficiais
e n c a r r e g a d o s d a perícia d e d r o g a s ilícitas, t e n d o sido p r e v i a m e n t e s u b m e t i d a s a e x a m e s
toxicológicos para c o n f i r m a ç ã o d e sua n a t u r e z a . Estas a m o s t r a s f o r a m a p r e e n d i d a s j u n t o a
usuários e traficantes
e enviadas
a o IPEN
pelos
Institutos d e Criminalística
Estaduais,
a l e a t o r i a m e n t e . A o c h e g a r e m n o I P E N , elas f o r a m p e s a d a s e c a t a l o g a d a s e m livro de controle,
o n d e c o n s t a m t o d a s as i n f o r m a ç õ e s f o r n e c i d a s pela Polícia, tais c o m o local e d a t a
de
a p r e e n s ã o . N a T a b . 3 e n c o n t r a m - s e listados o n ú m e r o d e a m o s t r a s a n a l i s a d a s para c a d a
região.
Tabela 3 : N ú m e r o de amostras analisadas para cada Estado e ano de apreensão. N D indica
aquelas amostras cujo ano de apreensão é indeterminado.
Estado
Mato Grosso
Região a que Denominação para Amostras Ano de apreensão
pertence
este trabalho
analisadas
(número de
amostras)
Centro-Oeste
Região 1
34
do Sul (MS)
Pernambuco
(PE)
Bahia (BA)
Nordeste
Região 2
Ceará (CE)
Maranhão
(MA)
Nordeste
Pará (PA)
Norte
Acre (AC)
Norte
Paraná (PR)
Sul
Região 3
São Paulo
(SP)
Totai
Sudeste
Estudo de caso
1999 (5), 2000 (7),
2001 (9), 2002 (4),
2004 (10)
46
2000 (15), 2002
(9), ND (22)
20
2001 (15), ND (5)
25
2002
12
2002
20
2002
15
2000 (2), 2001 ( 7 )
2002 (6)
3
2004
80
1999 (3), 2001
(36), 2003 (16),
2004 (3), ND (22)
252
68
EXPERIMENTAL - Materiais e Método
5.2.2 I n s t r u m e n t a ç ã o , Materiais e R e a g e n t e s
O s e q u i p a m e n t o s utilizados n e s t e t r a b a l h o f o r a m : u m e s p e c t r ó m e t r o de m a s s a s d e
dupla focalização com fonte de plasma acoplado indutivamente (HR-ICPMS), Element 1 com a
g e o m e t r i a r e v e r s a , e u m e s p e c t r ó m e t r o d e m a s s a s d e i s ó t o p o s e s t á v e i s d e fluxo c o n t í n u o ( C F IRMS) T h e r m o - F i n n i g a n Delta Plus a c o p l a d o a u m a n a l i s a d o r e l e m e n t a r C a r i o Erba C H M 1 1 1 0 ,
a m b o s d a F i n n i g a n M A T , B r e m e n , A l e m a n h a . Estes e q u i p a m e n t o s p e r t e n c e m a o L a b o r a t ó r i o
d e C a r a c t e r i z a ç ã o Q u í m i c a d o IPEN e a o L a b o r a t ó r i o d e E c o l o g i a Isotópica d o C E N A ( C e n t r o
d e Energia N u c l e a r na A g r i c u l t u r a , U S P ) , r e s p e c t i v a m e n t e .
P a r a a m o a g e m d a s a m o s t r a s f o i utilizado o m o i n h o M A 8 9 0 d a M a r c o n i E q u i p a m e n t o s
( c o m pistilo e a l m o f a r i z d e p o r c e l a n a ) e para a d i g e s t ã o , u m s i s t e m a d e m i c r o o n d a s f e c h a d o
M A R S 5 d a C E M C o . , c o m t u b o s de t e f l o n (PFA) m o d e l o H P - 5 0 0 , c o m c o n t r o l e d e p r e s s ã o e
t e m p e r a t u r a , e o s s e g u i n t e s r e a g e n t e s : H F s u p r a p u r M e r c k ( 4 0 % m/v), HNO3 sub-destilado
(a
partir d o PA M e r c k 6 5 % m/v) e H2O2 P A Merck. A s s o l u ç õ e s utilizadas n a c o n s t r u ç ã o d a s
c u r v a s analíticas f o r a m p r e p a r a d a s e m m e i o á c i d o (HNO3 2 % ) a partir d e s o l u ç ã o p a d r ã o S P E X
( 1 . 0 0 0 iig mL"*).
5.2.3 M e t o d o l o g i a Analítica
5.2.3.1 Preparo
de
Amostras
As amostras foram lavadas em banho de ultrassom por cerca de 3 0 minutos com água
d e s t i l a d a p o r d u a s v e z e s , e n x a g u a d a s e s e c a s e m e s t u f a a 4 0 °C p o r c e r c a d e 2 4 h o r a s . A
m o a g e m foi feita utilizando-se u m m o i n h o elétrico c o m a l m o f a r i z e pistilo d e p o r c e l a n a . Para
a n á l i s e d e i s ó t o p o s e s t á v e i s , f o r a m s e p a r a d a s cerca d e 2 0 m g d e material e l e v a d a s
ao
L a b o r a t ó r i o d e E c o l o g i a Isotópica do C E N A / U S P e para a n á l i s e d e constituintes i n o r g â n i c o s
f o r a m utilizadas c e r c a d e 2 5 0 m g de a m o s t r a .
69
EXPERIMENTAL - Materiais eMétodo
5.2.3.2 Determinações
por
IRMS
A m e t o d o l o g i a analítica d a s a n á l i s e s por I R M S consistiu b a s i c a m e n t e na p e s a g e m de
c e r c a d e 1 a 1,5 m g d e a m o s t r a d i r e t a m e n t e n a s c á p s u l a s d e e s t a n h o d o e q u i p a m e n t o , q u e
foram então levadas ao analisador o n d e foram transformados e m gás por combustão completa
e analisadas.
Para u m c o n t r o l e e a v a l i a ç ã o d o s resultados, o p a d r ã o d e atropina (C17H23NO3) da
A g ê n c i a Internacional d e Energía A t ô m i c a ( l A E A ) foi a n a l i s a d o j u n t a m e n t e c o m a s a m o s t r a s .
Este material d e r e f e r ê n c i a p o s s u i v a l o r e s certificados p a r a t e o r e s de nitrogênio e c a r b o n o total,
e r e c o m e n d a d o s p a r a s e u s i s ó t o p o s , s e n d o o s v a l o r e s d e ô*^C e ô*^N iguais a -28,49%o e 26,28%o r e s p e c t i v a m e n t e .
O s p a d r õ e s utilizados n e s t e t r a b a l h o p a r a o cálculo d o s v a l o r e s d e 5*^C e S*^N (.segundo
e q . 1, p g 2 7 ) f o r a m o p a d r ã o P D B e o ar a t m o s f é r i c o r e s p e c t i v a m e n t e , c o n f o r m e listado na T a b .
4.
T a b e l a 4: Padrões utilizados nas determinações de o'^C e ô ' ' N .
P a d r ã o utilizado
R padrão
C
PeeDee Belamite
(PDB)
0,0112372
N
N2 a t m o s f é r i c o
0,0036765
Isótopo
Razão medida
5.2.3.3 Preparo de Amostras
para Análises
por
IHR-ICP-MS
A m e t o d o l o g í a d e d i g e s t ã o a d o t a d a n e s t e t r a b a l h o b a s e o u - s e no t r a b a l h o d e Baffi et
al.*°°, c o n s i s t i n d o - s e d o s s e g u i n t e s p a s s o s :
1)
p e s a g e m d e c e r c a d e 2 5 0 m g d e a m o s t r a p r e v i a m e n t e m o í d a d i r e t a m e n t e n o s t u b o s de
teflon d o m i c r o o n d a s
70
EXPERIMENTAL
Materiais e Métoá)
2)
a d i ç ã o d e 6 m L d e HNO3, 1 m L H2O2 e 2 0 0 ^ L d e H F
3)
as a m o s t r a s f o r a m m a n t i d a s n e s t a s o l u ç ã o à t e m p e r a t u r a a m b i e n t e p o r c e r c a d e 4
horas
4)
d i g e s t ã o e m u m s i s t e m a d e m i c r o o n d a s utilizando-se o s p a r â m e t r o s
listados na T a b
experimentais
5
5)
a p ó s r e s f r i a m e n t o as s o l u ç õ e s f o r a m a v o l u m a d a s c o m á g u a Milli-Q a 3 0 m L
6)
diluição d e c e r c a d e 3 5 0 e 2 0 0 0 v e z e s c o m a d i ç ã o d e p a d r ã o interno (In e Sc) e m
concentrações conhecidas
Tabela 5: Parâmetros experimentais d o microondas.
Rampa (min)
Estágio
Potência max%
Tempo (min)
P (ps¡)
1
3 0 0 W - 80
5:00
100
80
2:00
2
6 0 0 W - 80
5:00
150
150
4:00
3
1200W-80
10:00
175
180
12:00
P a r a a v a l i a ç ã o d a m e t o d o l o g i a analítica o p a d r ã o peach
Standard
and Technology
5.2.3.4 Parâmetros
leaves
d o National
Institute
of
SRM N I S T 1 5 4 7 foi a n a l i s a d o e m h e x a p l i c a t a .
Experimentais
e Elementos
Determinados
por
HR-ICP-MS
Inicialmente, f o r a m m e d i d o s c e r c a d e 3 5 e l e m e n t o s , n o e n t a n t o a c o n c e n t r a ç ã o para
a l g u n s d e s t e s e l e m e n t o s c o m o o s E T R p e s a d o s , C d , A u , W e TI a p r e s e n t a r a m - s e a b a i x o d o
limite d e d e t e c ç ã o n a maioria d a s a m o s t r a s e por este m o t i v o f o r a m e x c l u í d o s d a m e t o d o l o g i a .
O s e l e m e n t o s S c e In f o r a m utilizados c o m o p a d r õ e s internos n a s a n á l i s e s , c o n f o r m e T a b . 6,
71
EXPERIMENTAL - Materiais e Método
p a r a corrigir e v e n t u a i s f l u t u a ç õ e s d e sinal e minimizar o s e f e i t o s d a matriz. Nesta t a b e l a
t a m b é m estão listados o s i s ó t o p o s m e d i d o s e a s r e s o l u ç õ e s utilizadas.
Tabela 6: Isótopos medidos neste trabalho.
A
correção
isótopos determinados
Padrão
interno
Resolução
" A l , =^Co, " R b , -'Sr,
^=Mo,
"-Ba, " \ a , *-"Ce, *^>r, *^^Nd,
in
baixa
^^Ga, ®^Cu, ^^Zn, ^^Fe, ^^Mn
Se
média
de interferencias
isobáricas
foi realizada
m a t e m á t i c a s c o n t i d a s n o s o f t w a r e do próprio e q u i p a m e n t o
utilizando-se
as
equações
c o m o listado na T a b . 7. O s
p a r â m e t r o s e x p e r i m e n t a i s d o H R - I C P - M S s ã o listados n a T a b . 8. P a r a o ^®Co n ã o f o r a m
o b s e r v a d a s interferências significativas.
Tabela 7: E l e m e n t o s q u e apresentaram interferencias isobáricas e que foram corrigidas
utilizando-se a equação matemática d o instrumento.
Isótopo
Equação de correção
-0,3857*Rb85
^"In
-0,0149*Sn118
-0,0028*Ce140-0,0009*La139
72
EXPERIMENTAL - Materiais e Método
Tabela 8: Parâmetros experimentais d o H R - I C P - M S .
Acessórios
C o n e s e skimmer
Níquel
Autosampler
CETAC 500 A X
Câmara de Nebulização
Scott
Nebulizador
Meinhard
Vazão do gás (L min*)
Amostrador
1,2
Auxiliar
0,8
Refrigeração
16,0
Parâmetros experimentais
Runs e passes
3x10
Potência da RF
1250 W
R e s o l u ç õ e s (m/Am)
300 e 3000
T e m p o de análise por isótopo
{segment
duration)
3 ms
Tipo de varredura
E s c a n (eletrostático)
S e n s i b i l i d a d e d o In
80.000cps./¡.ig k g *
7.1
EXPERIMENTAL - Estratégia e Organização do Trabalho
5.3 ESTRATÉGIA E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
Este t r a b a l h o foi d e s e n v o l v i d o s o b o p o n t o d e vista da ciência f o r e n s e . Desta f o r m a , a
principal estratégia, q u e foi t a m b é m o g r a n d e d e s a f i o d o projeto, consistiu no d e s e n v o l v i m e n t o
d e u m m o d e l o d e classificação p a s s í v e l d e ser utilizada d e n t r o d a rotina policial. A s s i m s e n d o ,
f o r a m utilizadas a m o s t r a s a p r e e n d i d a s e m incursões policiais j u n t o a traficantes e usuários n o s
c e n t r o s u r b a n o s d o s principais e s t a d o s p r o d u t o r e s d e m a c o n h a d o país. A partir disto foi
e s t a b e l e c i d a a estratégia e x p e r i m e n t a l d o t r a b a l h o , q u e t e v e c o m o princípios:
1)
O uso d e a m o s t r a s a p r e e n d i d a s pela Polícia Civil d e n t r o d e c a d a Estado participante e
que, segundo
informações
dos
Institutos d e Criminalística, a p r e s e n t a m
uma
alta
p r o b a b i l i d a d e de t e r e m sido cultivadas p r ó x i m a s aos locais d e a p r e e n s ã o ;
2)
F o r a m c o n s i d e r a d a s regiões d e p r o d u ç ã o d e cannabis
no Brasil, s e n d o elas a g r u p a d o s
d e a c o r d o c o m s u a s características climáticas e g e o l ó g i c a s , o Polígono d a M a c o n h a ,
c o m p r e e n d e n d o o s E s t a d o s d a B a h i a , P e r n a m b u c o e C e a r á , e a região A m a z ô n i c a
r e p r e s e n t a d o s pelos E s t a d o s d o Pará e M a r a n h ã o . A região d o Mato G r o s s o d o S u l ,
q u e n ã o v e m a p r e s e n t a n d o índices significativos de e r r a d i c a ç õ e s foi c o n s i d e r a d a u m a
região " e m potencial", p o d e n d o
estas a m o s t r a s ter sido cultivadas
neste
Estado
( p r i n c i p a l m e n t e n a região d e fronteira c o m o Paraguai), o u s e r e m p r o v e n i e n t e s d e
outras regiões c o m o o p r ó p r i o P a r a g u a i . O m o d e l o d e c l a s s i f i c a ç ã o foi c o n s t r u í d o c o m
b a s e n e s t e s 3 g r u p o s , s e n d o d e n o m i n a d o s R e g i ã o 1 (MS), R e g i ã o 2 (Polígono d a
M a c o n h a - C E , P E e BA) e R e g i ã o 3 (região A m a z ô n i c a - MA e PA).
A a v a l i a ç ã o d o s r e s u l t a d o s e e s t a b e l e c i m e n t o d o m o d e l o d e classificação por sua v e z
foi r e a l i z a d a da s e g u i n t e f o r m a :
1)
R e a l i z o u - s e inicialmente u m a a v a l i a ç ã o preliminar d o s r e s u l t a d o s obtidos por c a d a u m a
d a s t é c n i c a s ( I R M S e ICP-MS) e m s e p a r a d o , u m a v e z q u e e s t a s variáveis se e n c o n t r a m
74
EXPERJMEN7AL
Estratégia e Organização do Trabalho
v i n c u l a d a s a diferentes f a t o r e s e x t e r n o s , r e p r e s e n t a n d o r e s u l t a d o s i n d e p e n d e n t e s entre
si.
2)
O s r e s u l t a d o s obtidos p o r i s ó t o p o s e s t á v e i s , q u e s ã o u m a f u n ç ã o d o clima d e cultivo,
f o r a m a v a l i a d o s primeiro, c o m o intuito d e se c h e c a r a s i n f o r m a ç õ e s f o r n e c i d a s pela
polícia a respeito d a o r i g e m d a s a m o s t r a s . Nesta e t a p a d o t r a b a l h o f o r a m e l i m i n a d a s
a l g u m a s a m o s t r a s c o m perfis distintos d a s d o restante d o g r u p o ( d e n o m i n a d o s
isotópicos).
Construiu-se
desta
forma,
um modelo
d e classificação
outüers
utilizando-se
somente os isótopos estáveis e avaliou-se a origem das amostras de S ã o Paulo c o m
base nestes parâmetros.
3)
E m s e g u i d a realizou-se u m a a v a l i a ç ã o d o perfil e l e m e n t a r e d a s u a c a p a c i d a d e d e
discriminação d o s diferentes grupos estudados. Da m e s m a forma, construiu-se u m
m o d e l o d e classificação utilizando-se s o m e n t e o s constituintes i n o r g â n i c o s , a v a l l á n d o se a o r i g e m d a s a m o s t r a s d e S ã o P a u l o .
4)
Na c o n s t r u ç ã o d o m o d e l o final d e classificação f o r a m c o n s i d e r a d a s t o d a s a s variáveis
d i s p o n í v e i s , s e n d o o principal objetivo o e s t a b e l e c i m e n t o d a s a s s i n a t u r a s q u í m i c a s para
a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s d a s d i f e r e n t e s regiões d e p r o d u ç ã o .
5)
Por fim, as amostras apreendidas nas cidades de S ã o Paulo, Acre e Paraná foram
a n a l i s a d a s n a tentativa d e s e levantar indícios s o b r e s u a s p r o v á v e i s rotas d e tráfico e
origens g e o g r á f i c a s .
75
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
CAPÍTULO 6, RESULTADOS
E
DISCUSSÃO
6 . 1 AVALIAÇÃO PRELIMINAR D O S R E S U L T A D O S - I S Ó T O P O S E S T Á V E I S
C o m o e x p l i c a d o a n t e r i o m i e n t e , realizou-se inicialmente u m a a v a l i a ç ã o preliminar d o s
r e s u l t a d o s obtidos p a r a os i s ó t o p o s estáveis d e c a r b o n o e nitrogênio. Estes resultados s ã o
discutidos a seguir.
6.1.1 R e s u l t a d o s o b t i d o s p a r a o Material Certificado
C o m o a n t e r i o r m e n t e e x p l i c a d o (item 5.2.3.2
Determinações
por
IRMS,
pg 70)
um
p a d r ã o d e t r a b a l h o (atropina) foi a n a l i s a d o j u n t a m e n t e c o m as a m o s t r a s . Para exemplificar, os
r e s u l t a d o s obtidos p a r a este m a t e r i a l e m seis diferentes dias d e a n á l i s e s ã o a p r e s e n t a d o s na
T a b . 9. N o r m a l m e n t e a p r e c i s ã o obtida para 5*^C e ô*^N fica e m t o r n o d e 0,3 e 0,5%o
r e s p e c t i v a m e n t e , i n d i c a n d o q u e o s r e s u l t a d o s obtidos a p r e s e n t a r a m reprodutibilidade d e n t r o d o
e s p e r a d o . A e x a t i d ã o por sua v e z foi m e l h o r d o q u e 1 % , c o m o p o d e ser visto na T a b . 9.
76
RESULTADOS E DISCUSSÃO: hótopos Estáveis
Tabela 9: Resultados obtidos para o padrão atropina (n=6).
Dia
Ô*^C (%o)
5*^N (%o)
1
-25,98
-28,48
2
-26,48
-28,76
3
-26,55
-28,78
4
-26,11
-28,54
5
-25,93
-28,57
6
-26,49
-28,76
média
- 2 6 , 2 6 ± 0,28
-28,65 + 0,13
recomendado
-26,28
-28,49
11
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
6.1.2 Resultados o b t i d o s para a s regiões e s t u d a d a s
Inicialmente o s r e s u l t a d o s o b t i d o s para a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n o s diferentes E s t a d o s
brasileiros f o r a m a v a l i a d o s g r a f i c a m e n t e , c o m o a p r e s e n t a d o na Fig. 13. O b s e r v o u - s e u m perfil
isotópico s i g n i f i c a t i v a m e n t e d i f e r e n t e p a r a a m o s t r a s a p r e e n d i d a s e m regiões s e c a s e a q u e l a s
p r o v e n i e n t e s d e r e g i õ e s c o m m a i o r e s índices pluviométricos. A s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s no
M a r a n h ã o e C e a r á a p r e s e n t a r a m u m a maior d i s p e r s ã o c o m v a l o r e s v a r i a n d o por q u a s e t o d o o
intervalo c o n s i d e r a d o (Fig. 13).
O b s e r v o u - s e u m a s o b r e p o s i ç ã o entre a s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n o s diferentes E s t a d o s
do
Nordeste
brasileiro, q u e
pode
ser atribuída à s e m e l h a n ç a
climática entre os
locais
c o n s i d e r a d o s , n ã o p o d e n d o ser e l i m i n a d a . Importante ressaltar a g r a n d e d i s p e r s ã o o b s e r v a d a
n e s t e s resultados, p r i n c i p a l m e n t e p a r a os valores d e S*^N.
A s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n o Pará e Mato G r o s s o d o S u l t a m b é m a p r e s e n t a r a m u m a
sobreposição.
.A d i s p e r s ã o
dos
resultados
de
ô*^N
foi
menor,
indicando
grupos
mais
h o m o g ê n e o s . Por o u t r o lado, o s v a l o r e s de ô*^C a p r e s e n t a r a m u m a g r a n d e variabilidade
p r i n c i p a l m e n t e para a s a m o s t r a s d o M S .
78
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isóíopos Estáveis
12 -
¥
4
2
O
* IVE
• íb
n
„
CH,
°a
^ D
°
Û
n o
Do
a
o
-2
PD?]
8'"C
A
1
A
A
i PA
-78
-?e
4
2
00
o
O
•2
o MA
-28
-26
5"C
Figura 13: Resultados de ô ' " N e ô ' ^ (em %o) obtidos para am.ostras apreendidas nos Estados do
M a t o Grosso do Sul, Pernambuco, Pará, Bahia, Maranhão e Ceará.
79
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopas Estáveis
A s principais o b s e r v a ç õ e s s ã o :
A O s valores d e Ô * ^ C p a r a os E s t a d o s d o N E v a r i a r a m e n t r e - 3 0 e -24%o, c o m a m a i o r p a r t e
d a s a m o s t r a s e n t r e - 2 8 e -25%o (Fig. 14A), i n d i c a n d o o cultivo e m regiões m a i s s e c a s .
B. O s valores d e 5*^0 p a r a regiões c h u v o s a s v a r i a r a m e n t r e -32 e -25%o (Fig. 14B). A m a i o r
parte d a s a m o s t r a s a p r e s e n t o u resultados m e n o r e s q u e -28%o, típicos d e regiões c o m altos
índices p l u v i o m é t r i c o s .
C . Para r e g i õ e s s e c a s o b t e v e - s e v a l o r e s d e S ^ ^ N e n t r e -4 a cerca d e 11 % o , c o m a m a i o r parte
d a s a m o s t r a s e n t r e -1 a 5%o, c o m u m a alta d i s p e r s ã o q u a n d o c o m p a r a d a a o outro g r u p o .
Para r e g i õ e s ú m i d a s e s t e s r e s u l t a d o s f i c a r a m e n t r e 2 e 10%o c o m a maior parte d o s
resultados e n t r e 4 e 8%o (exceto p a r a a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s d o M a r a n h ã o ) - Fig. 15.
80
RESULTA DOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
25
ÍA)
20
15
•
BA
•
C E
•
PE
10
O
-31
-30
-29
-27
-26
-25
5^^C
(B)
12
•
M A
•
PA
•
M S
10
8
6
O
-31
-30
-29
-28
-27
-26
-25
-24
-23
Ô^^C
Figura 14: Histograma para composição isotópica de carbono (em %o) para ( A ) amostras
apreendidas no Nordeste brasileiro (regiões secas - Bahia, Ceará e Pernambuco) e (B) em
regiões chuvosas (Maranhão, Pará e M a t o Grosso do Sul).
81
RECLUITADOSE DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
(A)
16
14
B BA
12
eCE
g
10
PE
8
6
4
2
O
-6
(B)
-4
-2
O
2
4
6
8
10
8
10
1^
18
• MA
• PA
• MS
15-
12
96
3
a
0
-6
-4
-2
0
2
4
Figura 15: Histograma para composição isotópica de nitrogênio (em % o ) para ( A ) amostras
apreendidas no Nordeste brasileiro (regiões secas - Bahia, Ceará e Pernambuco) e (B) em regiões
chuvosas (Maranhão, Pará e M a t o Grosso do Sul)
82
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
O s valores m é d i o s d e Ô*^C e ô*^N obtidos p a r a c a d a E s t a d o p o d e m ser o b s e r v a d o s na
T a b . 10, e m c o m p a r a ç ã o c o m resultados para outras e s p é c i e s d e plantas, e x t r a í d o s
da
literatura. N ã o e x i s t e m d a d o s d i s p o n í v e i s d e ô*^C e ô*^N e m f o l h a s para a região N o r d e s t e , n o
e n t a n t o p o d e - s e verificar q u e o s resultados d e S*^C para e s t a região f o r a m maiores d o q u e
p a r a o c e r r a d o (Brasília), e s t a n d o d e a c o r d o c o m o e s p e r a d o . O s resultados d e ô*^N por s u a
v e z f o r a m baixos p a r a a cannabis,
s e n d o indícios d a c o n h e c i d a falta d e e l e m e n t o s nutrientes
n o s solos d e s t a região.
A s a m o s t r a s d e cannabis
provenientes da Região Amazônica apresentaram valores de
S*^C e ô*^N similares a o s o b t i d o s para outras e s p é c i e s c o l h i d a s n a região*^^. Para as a m o s t r a s
d o Mato G r o s s o d o Sul o b t e v e - s e ô*^C similar a o d e plantas d o c e r r a d o (Brasília), e n q u a n t o
q u e o s v a l o r e s d e ô*^N f o r a m b a s t a n t e diferentes: 6,6%o p a r a cannabis
e e m torno d e 0%o p a r a
a r b u s t o e árvores locais*^^. S e g u n d o o s a u t o r e s , e s t e s r e s u l t a d o s p a r a a s plantas d e Brasília
p o d e m e s t a r a s s o c i a d o s à b a i x a disponibilidade d e nitrogênio n o s solos d e s t a região.
8.3
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
T a b e l a 10; Valores médios de ô'^N e ô''^C obtidos para camiahis
em. com.paração com plantas
colhidas n o cerrado e na região Amazônica,
Cidade-estado
Vegetação
N
Ô^^N (%o)
Ô*^C (%o)
Referência
NORDESTE
PE
Cannabis
46
1,9±2,9
-26,6+1,1
BA
Cannabis
20
1,9+2,5
-26,0+1.2
MA
Cannabis
12
2,9±2,5
-28,8±1,6
CE
Cannabis
25
3,6+2,8
-26,9+1,0
CENTRO-OESTE
MS
Brasília (DF)
Cannabis
34
6,6±1,1
-28,7+1,3
Cerrado -
92
0,3±1,6
-28,3+1,2
arbusto
Brasília (DF)
Cerrado -
Bustamante
et al.*^^
196
-0,3+1,6
-28,3+1,3
árvores
Bustamante
etal.*^^
NORTE
PA
M a n a u s (AM)
Cannabis
Floresta
20
5,0+1,3
-30,3+0,7
133
4,7+1,4
-32,1+2,9
Ometto et al.
(in press)*^^
Santarém
Floresta
113
6,8±1,4
- 3 2 , 1 ±2,6
(PA)
M a n a u s (AM)
Ometto et al.
(in press)*^^
Arbusto de
29
4,6+2,4
-30,6+2,4
pastagem
Santarém
Arbusto de
(PA)
pastagem
O m e t t o et al.
(in press)*^^
23
7,0+1,5
-30.1+2,0
Ometto et al,
(in p r e s s ) " ^
84
RESULTADOSE DISCUSSÃO: Isóíopos Estáveis
C o m r e l a ç ã o à d i s p e r s ã o o b s e r v a d a para c a d a u m d o s E s t a d o s d o N E , p o d e - s e dizer
que:
1. O E s t a d o d o M a r a n h ã o e s t á localizado a o lado d o P a r á , a p r e s e n t a n d o e m s u a p o r ç ã o o e s t e
clima e q u a t o r i a l ú m i d o , e n q u a n t o q u e o restante situa-se n o s e m i - á r i d o n o r d e s t i n o (ver item
Divei^idade
Climática
Brasileiíci,
p g 59). O s r e s u l t a d o s o b t i d o s para o ô*^C r e f l e t e m
e s t a variabilidade, c o m v a l o r e s e n t r e - 3 1 , 5 a -26,2%o, i n d i c a n d o q u e a cannabis
p o r t o d a r e g i ã o . U t i l i z a n d o - s e a t é c n i c a d e k-means
é produzida
foi p o s s í v e l dividir e s t e g r u p o e m dois;
M A ú m i d o c o m a m o s t r a s q u e f o r a m cultivadas p r o v a v e l m e n t e n a região A m a z ô n i c a ( M A - u m ,
n = 5 ) , e MA s e c o ( M A - s e c o c o m n=7) c o m p o s t o p o r a m o s t r a s c o m perfis isotópicos similares
a o s d o s e m i - á r i d o n o r d e s t i n o , c o m valores d e 6^^C e n t r e - 3 1 , 5 a -29,7%o e -28,7 a -26,2%o,
r e s p e c t i v a m e n t e . E s t e s a g r u p a m e n t o s p o d e m ser v i s u a l i z a d o s n a Fig. 16, e m c o m p a r a ç ã o
c o m os v a l o r e s m é d i o s o b t i d o s p a r a os o u t r o s E s t a d o s .
2 . Q u a t r o a m o s t r a s d e Pernam.buco a p r e s e n t a r a m .resultados d e ô*^N e m t o r n o d e 8%o, c o m o
p o d e s e r o b s e r v a d o n a Fig. 17, q u e s ã o altos q u a n d o c o m p a r a d o s c o m o restante d o g r u p o .
Estes v a l o r e s n ã o s ã o c o m p a t í v e i s c o m o r e s t a n t e d o g r u p o (outliers),
p o d e n d o ser indícios
d o uso d e e s t e r c o n o solo o u d e a m o s t r a s c u l t i v a d a s e m o u t r a s r e g i õ e s .
3. A s a m o s t r a s
do Ceará t a m b é m apresentaram
resultados
com grande dispersão,
com
valores d e ô^^C e n t r e - 2 9 , 5 e -25,5%o e d e ô*^N e n t r e - 0 , 8 a 7,8%o. O s b a i x o s valores d e §*^C
obtidos p a r a a l g u m a s a m o s t r a s ( G r u p o A - Fig. 18) n ã o s ã o c o m p a t í v e i s c o m o r e s t a n t e d o
g r u p o ; d a m e s m a f o r m a , algum.as am.ostras ( G r u p o s A e B) a p r e s e n t a r a m níveis d e ô*^N
a c i m a d o e s p e r a d o . E s t e s r e s u l t a d o s p o d e m s e r indícios d a e x i s t ê n c i a d e r e g i õ e s a l t a m e n t e
irrigadas o n d e h a v e r i a t a m b é m t r a t a m e n t o n o solo. A p o s s i b i l i d a d e d e s t a s a m o s t r a s s e r e m
provenientes de outras regiões produtoras t a m b é m
n ã o p o d e ser d e s c a r t a d a . P a r a
o
restante d a s a m o s t r a s , o perfil i s o t ó p i c o a p r e s e n t o u - s e d e n t r o d o e s p e r a d o , e p r ó x i m o a o s
valores o b s e r v a d o s p a r a os o u t r o s e s t a d o s d o N o r d e s t e brasileiro (Fig. 18).
85
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
• PE med
a
OO
o MA
| | C E med
BA med
« MS med
PA med
A
o
O
• MA s e c o
-32
-30
—'
-26
-28
-24
8 - C
Figura 16: Resultados obtidos para as amostras apreendidas no Maranhão em comparação com
os valores m.édios obtidos para as outras regiões ( ô ' ' ^ C e 5 ' ' N em. % o ) . Observa-se a formação de
dois grupos distintos, sendo uma com perfil isotópico de regiões secas e outra de regiões úmidas,
(dados classificados utilizando-se a técnica de k-means)
12
10
outliers
8
6
D
4
a
2
O
H C E
med
A
•
°
BA med
°D
« MS med
-2
ft
ô MA med
n,
D
a
•
PA med
D
o PE
-4
— D -
-32
-30
-28
-26
-24
Figura 17: Perfil isotópico das amostras apreendidas em Pernambuco em comparação com os
valores médios obtidos para as outras regiões ( ô ' " ' C e
em % o ) . .A.s quatro amostras
assinaladas apresentaram valores de ô ' ' N consideravelmente maiores que o restante do grupo e
por este motivo, foram desconsideradas na construção do modelo de classificação.
86
RESULTADOSE DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
12
10 ]
Grupo A
8
X
X
^
X
6
.Grupo B
4 -
X
X
2 O
X
o MA
•
med
X
x^
x CE
PE med
X
X
BA med
-2
^ MS med
A PA rned
-4
-32
-30
-28
-26
-24
Figura 18: Perfil isotópico das amostras apreendidas no Ceará, em comparação com a média
obtida para os o u t r o s estados (o'^'C e S ' " N em % o ) . As am.ostras dos g r j p o s em destaque
apresentaram altos valores de o ^ ' N , sendo observados valores de ô^^C caracíerísticos de regiões
umidas para as amostras do grupo A.
.A v a r i a b i l i d a d e d o s resultados d e ô*^C e ò*^N p o d e s e r m e l h o r visualizada n o s gráficos
da Fig 1 9 A m a i o r variabilidade d e ô*^N p a r a o s E s t a d o s d o N E (e.xceto M A ) foi o b s e r v a d a
p a r a P e r n a m b u c o (intervalo d e v a r i a ç ã o e m t o r n o d e 1 4 % o c o m 9 , 2 % o d e variância), s e g u i d a do
Ceará
(8.6%o
d e intervalo d e v a r i a ç ã o e
7,7%o
d e variância) e a m e n o r para a Bahia (intervalo
d e 6 , 6 % o e 7 , 9 % o d e variância).
A região N o r d e s t e brasileira p o s s u i u m a á r e a d e cerca d e 1 , 5 milhões d e km^. Estimase q u e cerca d e 5 0 % d e s t a área a p r e s e n t e clima s e m i - á r i d o , c o m u m a precipitação a n u a l e n t r e
4 0 0 a 8 0 0 mm*^". D e u m a f o r m a geral, a s r e g i õ e s m a i s s e c a s localizam-se no interior d o s
F.stados, e n q u a n t o q u e climas mais ú m i d o s c o n c e n t r a m - s e n a região costeira*^^. No e.xemplo
87
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopas Estáveis
d a Fig. 2 0 e s t ã o r e p r e s e n t a d o s os d a d o s d e precipitação a n u a l e m f u n ç ã o d a l o n g i t u d e para o
E s t a d o d e P e r n a m b u c o . Este g r a d i e n t e d e precipitação f o r m a três z o n a s
fitogeográficas
distintas: o S e r t ã o , no interior q u e é a m a i s s e c a , e a Z o n a d a M a t a , n a c o s t a , a mais ú m i d a ,
c o m u m a z o n a d e t r a n s i ç ã o d e n o m i n a d a A g r e s t e . De a c o r d o c o m a e q u a ç ã o (2), o s v a l o r e s d e
5 " C p a r a a m o s t r a s cultivadas e m r e g i õ e s c o m maior disponibilidade d e á g u a ( Z o n a d a Mata)
d e v e s e r maior d o q u e d e a m o s t r a s cultivadas e m regiões s e c a s (Sertão). Desta f o r m a , os
r e s u l t a d o s obtidos indicam q u e a cannabis
p o d e estar s e n d o l a r g a m e n t e p r o d u z i d a por toda a
região, a o longo d e s t e g r a d i e n t e d e p r e c i p i t a ç ã o , incluindo d e s d e o s e r t ã o p e r n a m b u c a n o até a
z o n a d a m a t a , na região litorânea, p a s s a n d o t a m b é m pela Bacia d o Rio S ã o Francisco. O
cultivo d e s t a s plantas j u n t a m e n t e c o m l e g u m i n o s a s o u o u s o d e fertilizantes industriais t a m b é m
d e v e ser c o n s i d e r a d o na i n t e r p r e t a ç ã o d o s resultados, s e n d o q u e n e s t e s c a s o s o s v a l o r e s d e
ô*^N e s t a r i a m e m torno d e 0%o.
88
Rt:SVLTAIX)S F. DISCUSSÃO: Isótopas Estáveis
12
10
Bahia
Ceará
Pernambuco
8
6
4
2
2
IO
O
-2
-4
-6
CO
CO
•í-
T-
CS!
CD
CD
CNJ CO CO
T-
CO
t-
CD
m
m
^ CD
CO ffi
t-
CD
r-.
00
CD
00
<35
CD
00
O)
-30
Bahia
Geará
Pernambuco
-29
-28
3
-27
-26
to
-25
-24
-23
CD
CD
t-
CD
CD
CM CM CO 00
T-
CD
•5-
IO
CD
tn
CD
CD CD
-r-
CD
T-
oo
Figura 19: Distribuição dos valores de ô'"^C e ô'"N para os diferentes estados da região
Nordeste.
89
RF.SUIJADÜS E DISCUSSÃO: Isótopas Estáveis
2500
2000
Precipitação
anual (mm)
1500
1000
500
<o'^
r^^-
<D^
4"
^
^
<P
<o^
<^
^
o?>-
Longitude (graus oeste)
Figura 20: Gradiente d e precipitação em P e r n a m b u c o d o litoral ao interior d o E s t a d o .
Para u m a m e l h o r c o m p r e e n s ã o d o c o m p o r t a m e n t o d a s a m o s t r a s para c a d a u m a d a s
r e g i õ e s e m e s t u d o ( r e g i õ e s ú m i d a s e secas), utilizou-se a t é c n i c a d e k-means.
Os resultados
o b t i d o s s ã o d i s c u t i d o s a seguir.
1) Regiões secas
A t é c n i c a d e k-means
permitiu s e p a r a r a s a m o s t r a s d o N E e m 2 g r u p o s distintos, c o m o
r e p r e s e n t a d o n a Fig. 2 1 , c o m u m a g r a n d e s o b r e p o s i ç ã o e n t r e a s a m o s t r a s d o s d i f e r e n t e s
E s t a d o s . E s t e s g r u p o s s ã o c a r a c t e r i z a d o s p o r ô * ^ N d i f e r e n t e s , e n q u a n t o q u e o s valores m é d i o s
ria à ' ^ C f o r a m b a s t a n t e p r ó x i m o s ( I a b 11), s e n d o :
Grupo
1 ( c l l ) : .Amostras c o m valor m é d i o d e ô*^N d e 0,7%o
(intervalo d e -4 a 2,9%o),
c o m p r e e n d e n d o c e r c a d e 6 5 % d a s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n e s t a região. D e u m a m a n e i r a geral,
e s t e s valores s u g e r e m a m o s t r a s cultivadas e m s o l o s limitados e m e l e m e n t o s
nutrientes.
90
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
N e s t e s c a s o s o nitrogênio é p r o v a v e l m e n t e g e r a d o pela a ç ã o d e bactérias f i x a d o r a s d e N o u
p o d e indicar t a m b é m o uso d e fertilizantes industriais^"'^*'^^ D e z e n o v e a m o s t r a s a p r e s e n t a r a m
v a l o r e s n e g a t i v o s d e ô*^N, s e n d o 11 d e P E , indicando o s e r t ã o nordestino q u e a p r e s e n t a s o l o s
a r e n o s o s p o b r e s e m nutrientes c o m o p r o v á v e l local d e cultivo.
G r u p o 2 (c!2)- Este g r u p o d e a m o s t r a s a p r e s e n t a v a l o r e s d e 6 * ^ N m a i o r e s q u e 3,1%o (4,8%o d e
m é d i a ) - valores e m t o r n o d e 4%o i n d i c a m solos ricos e m nutrientes e m a t é r i a o r g â n i c a e m
d e c o m p o s i ç ã o ^ " . T r e z e a m o s t r a s d e s t e g r u p o a p r e s e n t a r a m valores a c i m a d e 6%o ( s e n d o 9 d o
C E e 4 de P E - T a b . 11), p o d e n d o s e r indícios d e a l g u m tipo d e t r a t a m e n t o n o solo c o m o o u s o
d e esterco*^®.
Classificação das amostras do nordeste brasileiro
segundo a técnica de k-means
Ciuster
8,00§3
15M
o^^N
origem
^
• BA
¡ ^ CE
' 4 MA
! • PE
4,00-
as
°
0,00-
•
•
A
•
-4,00-1
i
-30,00
-28.00
-26.00
-24,00
Ô*^C
Figura 2 1 : Classificação das amostras apreendidas nos E s t a d o s d o Nordeste brasileiro segundo a
técnica de k-means.
Obser\'a-se urna distinção entre os g r u p o s em fijnção d o valor de ô ' " ^ N
e n q u a n t o que os valores de o'^'C são similares.
91
RESULTADOS EDISCUSSÃO: Lsòtopas Estáveis
Tabela 1 1 : Classificação das amostras apreendidas no N o r d e s t e brasileiro segundo a técnica de
k-meojis.
Observa-se urna diferenciação dos g r u p o s em fimção dos valores de o^'N.
Número de amostras
Valores medios
PE
BA
CE
MA pol
total
6*'N(%o)
5"C(%o)
cll
34
12
12
5
63
0,7
-27,0
cl2
12
8
13
2
35
4,8
-26.5
total
46
20
25
7
98
Amostras c/
4
0
9
Ü
13
7,3
-27,2
ô " N >6?4>
2) Regiões úmidas
A c l a s s i f i c a ç ã o d a s a m o s t r a s d o M a t o G r o s s o d o S u l , e d a região A m a z ô n i c a (Pará e
M a r a n h ã o - u m ) utilizando-se a t é c n i c a d e k-means
é m o s t r a d a n a Fig. 2 2 . O G r u p o 3 r e f e r e - s e
b a s i c a m e n t e à s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n a região A m a z ô n i c a ( 8 7 % ) , c o n t e n d o 3 d a s a m o s t r a s
a p r e e n d i d a s n o M S . O G r u p o 4 c o n t e m 3 1 d a s 3 4 a m o s t r a s d o M S e 5 a m o s t r a s d a região
A m a z ô n i c a ( c e r c a d e 8 6 % d a s a m o s t r a s d e s t e g r u p o s ã o d o M S ) . O s r e s u l t a d o s o b t i d o s para o
M S a p r e s e n t a r a m u m a g r a n d e d i s p e r s ã o , p o d e n d o estar r e l a c i o n a d a s à v a r i a b i l i d a d e s a z o n a l e
e s p a c i a l p a r a e s t a região, s e n d o q u e q u a t r o a m o s t r a s d o M S a p r e s e n t a r a m v a l o r e s d e S^^C
altos (>-27,5%o), similares a o s d e regiões s e c a s . A s o b r e p o s i ç ã o o b s e r v a d a p a r a o s E s t a d o s d o
M a t o G r o s s o d o S u l , P a r á e M a r a n h ã o e n c o n t r a - s e r e l a c i o n a d a à s e m e l h a n ç a climática e n t r e
as regiões, e c o m o n o c a s o d a região N o r d e s t e , n ã o p o d e s e r e l i m i n a d a . O u t r o s t r a ç a d o r e s
c o m o o s c o n s t i t u i n t e s i n o r g â n i c o s d e v e r ã o s e r utilizados n a tentativa d e s e otimizar e s t a
classificação.
92
RESULTA DOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
C l a s s i f i c a ç ã o d a s a m o s t r a s de r e g i õ e s ú m i d a s
s e g u n d o a técnica d é r - m e a n s
•
3,00 -
515^
4,00
0.00
-4,00
-30,00
-28,00
-26,00
-24,00
ô^^C
Figura 2 2 : Classificação das amostras de regiões úmidas segundo a técnica de
k-means.
Observou-se uma pequena sobreposição entre amostras apreendidas na região Amazônica e no
M a l ü G r o s s o do Sul,
.As d i f e r e n ç a s e n c o n t r a d a s n o s resultados d e ô^^C e <5^^N para a m c s t r a s a p r e e n d i d a s
e m regiões s e c a s e ú m i d a s r e f o r ç a m a teoria d e q u e elas f o r a m c u l t i v a d a s p r ó x i m a s a o s locais
d e a p r e e n s ã o , refletindo f o r t e m e n t e a s c o n d i ç õ e s climáticas locais. A p e s a r d a s s o b r e p o s i ç õ e s
o b s e r v a d a s , o s a g r u p a m e n t o s o b t i d o s para a m o s t r a s originárias d e regiões ú m i d a s (Fig. 2 2 )
d ã o indícios d e q u e as a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n o M a t o G r o s s o d o S u l a p r e s e n t a m
origem
g e o g r á f i c a d i f e r e n t e d a q u e l a s a p r e e n d i d a s na região A m a z ô n i c a , i n d i c a n d o a existência d e
pelo m e n o s três d i f e r e n t e s r e g i õ e s d e p r o d u ç ã o d e cannabis
n o Brasil.
93
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
Os r e s u l t a d o s obtidos p a r a as a m o s t r a s d o G r u p o 1 (cl1 - T a b . 11) r e f o r ç a m a h i p ó t e s e
d e q u e no N o r d e s t e a cannabis
é cultivada j u n t a m e n t e c o m l e g u m i n o s a s , u m a v e z q u e g r a n d e
parte d a s a m o s t r a s a p r e s e n t a r a m v a l o r e s d e ô^^N e m torno d e 0%o^V D e u m a f o r m a geral, as
a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s d a B a h i a e P e r n a m b u c o q u e a p r e s e n t a r a m v a l o r e s d e ô^^N e m t o r n o de
4%o a p r e s e n t a r a m t a m b é m v a l o r e s d e ô^^C m a i o r e s , i n d i c a n d o u m a m e n o r disponibilidade de
á g u a . Estas a m o s t r a s p o d e m ter sido cultivadas n a Bacia d o Rio S ã o F r a n c i s c o , o n d e o solo é
fértil e a p l u v i o s i d a d e baixa, c o m cerca d e 7 a 8 m e s e s d e s e c a d u r a n t e o a n o .
Importante o b s e r v a r a existência d e a m o s t r a s cujos perfis isotópicos p a r e c e m n ã o ser
c o e r e n t e s c o m o c l i m a d a região d e a p r e e n s ã o . N e s t e s c a s o s a p o s s i b i l i d a d e de q u e estas
a m o s t r a s t e n h a m sido cultivadas e m o u t r a s l o c a l i d a d e s n ã o p o d e ser d e s c a r t a d a e por este
motivo f o r a m e x c l u í d a s da c o n s t r u ç ã o d o m o d e l o d e classificação {outiiers
isotópicos). Pela
m e s m a razão, as q u a t r o a m o s t r a s d o M a t o G r o s s o d o S u l q u e a p r e s e n t a r a m s o b r e p o s i ç ã o c o m
as
amostras
apreendidas
no
Nordeste
brasileiro
também
não
foram
consideradas
na
c o n s t r u ç ã o d o m o d e l o (Fig. 13).
B a s e a d o n e s t e s r e s u l t a d o s p r o c u r o u - s e e s t a b e l e c e r u m m o d e l o d e classificação d e
a m o s t r a s d e o r i g e m d e s c o n h e c i d a utilizando-se a a n á l i s e d e d i s c r i m i n a n t e s , c o m o v e r e m o s a
seouir.
94
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isóíopos Estáveis
6.1.3 C o n s t r u ç ã o d o m o d e l o e classificação d a s a m o s t r a s d e S ã o Paulo s e g u n d o
isótopos de C e N
Esta e t a p a d o t r a b a l h o c o n s i s t i u d e dois p a s s o s principais: 1) a v a l i a ç ã o inicial d a
composição
isotópica d a s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s e m S ã o
Paulo, c o m p a r a n d o - a s
com
os
resultados o b t i d o s para a s d e m a i s regiões e, 2) c o n s t r u ç ã o d o m o d e l o c o m b a s e na a n á l i s e d e
discriminantes para a classificação destas amostras.
F o r a m a n a l i s a d o s a o t o d o 8 0 a m o s t r a s a p r e e n d i d a s na c i d a d e n o p e r í o d o d e 1 9 9 9 a
2004.
Inicialmente os r e s u l t a d o s f o r a m p i o t a d o s n o g r á f i c o ô^^N X ô^^C, j u n t a m e n t e c o m a s
m é d i a s para c a d a u m d o s E s t a d o s e s t u d a d o s - Fig. 2 3 . O s v a l o r e s d e ô^^N e S^^C v a r i a r a m
entre 0,43 a 8,67%o e - 3 0 , 1 9 a -26,14%o r e s p e c t i v a m e n t e
(5^^C = - 2 8 , 4 1 ± 0 , 7 4 e ô^^N =
6 , 4 7 ± 1 , 2 1 ) , s e n d o o perfil d e s t e g r u p o b a s t a n t e similar a o d o M a t o G r o s s o d o S u l . A d i s p e r s ã o
d o s r e s u l t a d o s é b a i x a , o q u e p o d e indicar q u e a m a i o r p a r t e d e s t a s a m o s t r a s é originária d e
uma m e s m a localidade geográfica. Ainda segundo estes resultados, duas amostras parecem
ser originárias d e r e g i õ e s c o m m a i o r índice p l u v i o m é t r i c o ( S P 1 e S P 2 ) , e n q u a n t o q u e
3
p a r e c e m ter sido c u l t i v a d a s e m r e g i õ e s c o m m e n o r d i s p o n i b i l i d a d e d e á g u a ( S P 4 a S P 6 ) .
95
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
10
8
-
+
SP2
-6u>
SP3
4
SP1
- 6
-SP5
2 -I
•
O-
SP4
"Tf.
BA
4 MS
A PA
O MA
A
.—h
PE
SP6
-2
-30
-28
-26
-24
Figura 2 3 : Perfil isotópico das amostras (em %o) apreendidas em São Paulo em c o m p a r a ç ã o
com a média obtida para os o u t r o s estados (as barras representam 2 a ) . Segundo estes resultados,
a maior parte destas amostras apresenta a mesma origem geográfica das amostras do M a t o
Grosso do Sul, sendo que as amostras S P l a SP6 apresentaram uma maior dispersão.
A s e g u i r o s resultados o b t i d o s para as diferentes regiões d e p r o d u ç ã o f o r a m utilizados
na c o n s t r u ç ã o d e u m m o d e l o d e classificação c o m b a s e n a análise d e d i s c r i m i n a n t e s , s e n d o
d e n o m i n a d a s R e g i ã o 1 (Mato G r o s s o d o S u l , c o m N=30), R e g i ã o 2 (semi-árido n o r d e s t i n o ,
a g r u p a n d o a m o s t r a s d a BA, P E , M A - p o l e C E - p o l , c o m N = 8 5 ) e R e g i ã o 3 (região A m a z ó n i c a ,
agrupando amostras do PA e MA-am, c o m N=25).
Os r e s u l t a d o s p o d e m ser o b s e r v a d o s n a T a b . 12 e Fig. 2 4 A . O s u c e s s o d e classificação
das amostras do grupo de treinamento
{calibration
set) ficou e m t o r n o d e 9 4 % , s e n d o
o b s e r v a d a u m a s o b r e p o s i ç ã o d e cerca d e 1 6 % e n t r e o s g r u p o s 1 e 3, q u e p o d e ser atribuída à
similaridade climática e n t r e a s regiões, e s p e c i a l m e n t e q u a n d o se c o n s i d e r a a s e s t a ç õ e s mais
96
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
Chuvosas d o M a t o G r o s s o d o S u l . N ã o h o u v e s o b r e p o s i ç õ e s e n t r e regiões s e c a s e ú m i d a s ,
o b t e n d o - s e u m a classificação d e 1 0 0 % para a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s d o N o r d e s t e brasileiro.
Tabela 1 2 : Classificação das amostras das principais regiões produtoras de cannabis no Brasil e
das amostras apreendidas na cidade de São Paulo, segundo análise de discriminantes*
Classificação das amostras segundo análise de discriminantes e IRMS
Original
Count
%
PREDICT
1 (MS)
2 (Poijgono)
3 (Amazônica)
São Paulo
1 (MS)
2 (Polígono)
3 (Amazônica)
São Paulo
Predicted Group Membership
2 Pol
3 Am
1 MS
25
0
5
0
85
0
4
0
21
75
3
2
83,3
,0
16,7
,0
100,0
,0
16,0
,0
84,0
93,8
3,7
2,5
Total
30
85
25
80
100,0
100,0
100,0
100,0
a 93,5% of originai grouped cases correclíy classified.
* Esta labela é gerada automaticamenle pelo programa SPSS. sendo que as colunas listam o número de amostras
classificadas de acordo com o modelo e nas linhas temos o número de amostras originalmente definida pelo analista
(em quantidade e em %).
S e g u n d o este m o d e l o , d a s 8 0 a m o s t r a s a p r e e n d i d a s e m S ã o P a u l o 7 5 a p r e s e n t a r a m a
m e s m a o r i g e m d a s a m o s t r a s d o M a t o G r o s s o d o S u l , e n q u a n t o q u e 2 f o r a m similares a o d a
R e g i ã o A m a z ô n i c a e 3 a o d o P o l í g o n o - T a b . 12. E s t a c l a s s i f i c a ç ã o p o d e ser f a c i l m e n t e
v i s u a l i z a d a na Fig. 2 4 B n o m a p a territorial, q u e delimita a distribuição d o s g r u p o s n o e s p a ç o
d a s f u n ç õ e s c a n ó n i c a s , e t a m b é m a distribuição d a s a m o s t r a s n e s t e e s p a ç o .
97
RESULTADOSE DISCUSSÃO: Lsótopos Estáveis
4
local de
Região 1
3
apreensão
2
O
O
• °
MS
AM
1
•
ira
• •
O
•
-1
•
-2
Região 3
•
^
•
-5
•
•
Região 2
•
-3
B
Pol
-1
fu nção 1
4
Região 1
3
SP4
2
o
ira
oc
3
3P5
1
O
SP3
SP2
SP6
-1 ^
SPl
-2
Região 2
Região 3
-3
-5
-3
-1
função 1
Figura 24: (A) Distribuição das amostras das principais regiões produtoras no mapa territorial
utilizando-se os isótopos estáveis de C e N. (B) Classificação das amostras apreendidas em São
Paulo.
98
RESULTADOSE DISCUSSÃO: Isótopos Estáveis
A t é c n i c a d e L D A realiza u m a c o m b i n a ç ã o linear e n t r e a s variáveis, q u e n e s t e c a s o
b i d i m e n s i o n a l significa a p e n a s u m a r o t a ç ã o d e eixos. P o r e s t e m o t i v o n ã o é possível m e l h o r a r
a r e s o l u ç ã o entre os g r u p o s c o m o p o d e ser o b s e r v a d o p e l o s r e s u l t a d o s . N o e n t a n t o e s t a
m e t o d o l o g i a d e c l a s s i f i c a ç ã o limita a distribuição d o s g r u p o s n o e s p a ç o e s t u d a d o e p e r m i t e
e s t i m a r a p r o b a b i l i d a d e (P) d e c a d a u m a d a s a m o s t r a s , t a n t o d o m o d e l o q u a n t o a q u e l a s d e
origem
desconhecida,
de
pertencerem
a cada
um
dos
grupos
considerados,
o
que
é
e x t r e m a m e n t e útil n o c a s o e m e s t u d o . D e s t a f o r m a , foi p o s s í v e l identificar a R e g i ã o 3 (ou
Amazônica)
como
o local m a i s p r o v á v e l d e cultivo d a s a m o s t r a
SP1 e SP2 com
uma
probabilidade de 0,747 e 0,625 respectivamente, enquanto as amostras S P 4 a SP6 foram
c l a s s i f i c a d a s c o m o s e n d o originárias d o N o r d e s t e brasileiro (PSP4 = 0 , 7 2 5 , Psp5= 0,991 e Psps =
1) e a S P 3 c o m o s e n d o d a própria r e g i ã o 1 ( P = 0 , 8 7 5 ) .
I m p o r t a n t e ressaltar q u e e s t a f e r r a m e n t a estatística n ã o p e r m i t e identificar q u a n d o u m a
dada amostra não pertence a n e n h u m a das regiões consideradas no modelo, e a hipótese de
q u e a m o s t r a s c o m b a i x o valor d e P (por e x e m p l o a S P 3 ) t e n h a m sido cultivadas e m o u t r a s
r e g i õ e s n ã o p o d e ser d e s c a r t a d a .
99
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
6 . 2 AVALIAÇÃO PRELIMINAR D O S R E S U L T A D O S - C O N S T I T U I N T E S I N O R G Â N I C O S
6.2.1 A n á l i s e d e Material de R e f e r ê n c i a
P a r a a a v a l i a ç ã o d a m e t o d o l o g i a utilizada, o material d e r e f e r ê n c i a S R M N I S T 1 5 4 7
peach
leaves
foi a n a l i s a d o e m h e x a p l i c a t a . O s resultados o b t i d o s p a r a o s e l e m e n t o s d e
interesse certificados s ã o a p r e s e n t a d o s n a T a b . 13 j u n t a m e n t e c o m o s v a l o r e s certificados ( e m
alguns casos os recomendados), c o m seus desvios padrão e taxas d e recuperação. Observouse u m a b o a e x a t i d ã o p a r a o s r e s u l t a d o s c o m u m a r e c u p e r a ç ã o d e c e r c a d e 9 0 % , valores q u e
e n c o n t r a m - s e d e a c o r d o c o m o s r e p o r t a d o s na literatura^"".
100
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
Tabela 13: Resultados obtidos para o material de referência NIST S R M 1 5 4 7 (Peach
Leaves)
em comparação com. valores certificados e valores da üte.^atura (em. ng g"'). Análises realizadas
em hexaplicata. (os valores assinalados em azul indicam valores recomendados)
Elemento
Isótopo
medido
Este t r a b a l h o
(ng g ' )
Desvio Padrão
(io)
Certificado
("9 9"^)
Recuperação
(%)
Baixa resolução (m/Am = 300)
CO
59
65
7
70
93
RB
85
18329
1097
19700
93
SR
87
48746
3778
53000
92
Y
89
1958
160
-
MO
95
53
0,1
60
89
CD
114
24
1
26
92
BA
138
114919
4522
124000
93
LA
139
9125
256
9000
101
CE
140
10171
264
10000
102
PR
141
1872
49
-
ND
143
6861
227
7000
98
EU
151
197
10
170
116
HO
165
142
9
-
PB
208
769
93
870
88
TH
232
60
25
50
120
U
238
18
1
15
120
média resolução (m/Am = 3000)
AI
27
224011
6109
249000
90
CR
52
806
140
1000
81
MN
55
83722
3449
98000
85
FE
56
194188
11444
218000
89
CU
63
3156
239
3700
85
ZN
66
16254
845
17900
91
Ga
69
25
16
-
101
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
Na Fig. 2 5 p o d e - s e o b s e r v a r a e x a t i d ã o d o s r e s u l t a d o s para a l g u n s d o s e l e m e n t o s
certificados (resultados o b t i d o s n o r m a l i z a d o s pelo valor certificado).
Resultados obtidos para Peach L e a v e s
1,4
1,3
1,2
<
1,1
r
1
<
0,9
5
X
5
j
,
5
X—^
3C - T - Ï - Î - X
1
. 1
0,8
0,7
0,6
Ai
Mn Co S r Rb "vio Ba La Ce
ÍNU
Pb Cu Zn Fe Th U
O elementos não certificados
Figura 25: Resultados obtidos para alguns elementos no material de referência N I S T S R M 1547
(peach lecí\'es) normalizados pelo valor certificado. As barras representam 1 desvio padrão,
sendo n = 6.
Os
limites
de quantificação
(LQ) definidos
conforme
recomendações
do
Instituto
N a c i o n a l d e M e t r o l o g i a , N o r m a l i z a ç ã o e Q u a l i d a d e Industrial ( I N M E T R O ) ^ ^ ^ f o r a m c a l c u l a d o s
c o m o 1 0 a (n=8), s e n d o e s t e s r e s u l t a d o s listados n a T a b . 14.
102
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
T a b e l a 14: Valores de limite de quantificação obtidos para os elementos de interesse ( 1 0 a , n=8).
Elemento
L Q (ng g-')
Co
0,13
Ba, Rb, Sr
<3
ETR leves
<0,04
Y
0,03
Th
0,06
U
0,02
Cu
3
Zn
12
Al
16
Fe
10
Mn
2
103
R/SPTP
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
6.2.2 R e s u l t a d o s o b t i d o s para CANNABIS
A análise exploratória d e d a d o s foi realizada c o m b a s e n o s gráficos d e e s p a l h a m e n t o e
na análise de componentes
principais (PCA) c o m a f i n a l i d a d e d e se o b t e r u m a
rápida
v i s u a l i z a ç ã o d a s principais d i f e r e n ç a s e similaridades p a r a as a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s d a s
d i f e r e n t e s regiões c o n s i d e r a d a s e d e se verificar a existência d e a g r u p a m e n t o s .
Devido a o g r a n d e n ú m e r o d e e l e m e n t o s m e d i d o s o s gráficos d e d i s p e r s ã o p a r a os
elementos foram colocados em anexo (APÊNDICE
1), s e n d o as principais
observações
a p r e s e n t a d a s a seguir:
1)
F o r a m o b t i d o s altos t e o r e s d e terras raras leves (lantânio e cério) p a r a a m o s t r a s
p r o v e n i e n t e s das R e g i õ e s 1 (MS) e 2 (Nordeste brasileiro) - e n t r e 1,3 e 3 ^ig g"^ e m
média, c h e g a n d o a c o n c e n t r a ç õ e s a c i m a d e 5 i^ig g"^ no s e g u n d o caso. Para as
a m o s t r a s d a Região 3 ( P A e MA) estes t e o r e s f i c a r a m a b a i x o d e 0,5 ^ g g"^ para q u a s e
todas a s a m o s t r a s .
2)
Q u a s e t o d a s as a m o s t r a s d a R e g i ã o 3 a p r e s e n t a r a m níveis d e urânio m e n o r e s q u e 5 0
ng Q\
P a r a a R e g i ã o 1 o b s e r v o u - s e v a l o r e s d e a t é 150 n g g'\
enquanto que apenas
a m o s t r a s d a R e g i ã o 2 a p r e s e n t a r a m níveis a c i m a d e s t e valor, s e n d o e m a l g u n s c a s o s
maiores d o q u e 2 0 0 n g g " ^
3)
N a m é d i a , a s a m o s t r a s d a R e g i ã o 1 a p r e s e n t a r a m t e o r e s d e bário m a i o r e s q u e 2 0 0 ug
g'^ c o n t r a u m a m é d i a d e 5 0 a 100 [ig g"^ para a s a m o s t r a s d a s R e g i õ e s 2 e 3.
O b s e r v o u - s e níveis e l e v a d o s d e s t e s e l e m e n t o s e m d u a s a m o s t r a s d o MA, 1 d o PA, 1
de PE e 4 do CE;
4)
A m o s t r a s a p r e e n d i d a s n o MA e n o PA ( R e g i ã o 3) a p r e s e n t a r a m b a i x a s c o n c e n t r a ç õ e s
d e c o b a l t o (médias a b a i x o d e 1 0 0 n g g'^), e n q u a n t o q u e a m é d i a obtida para e s t e
e l e m e n t o n a s a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s d a s outras regiões ficou a c i m a d e 4 0 0 n g g"^ ;
J04
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
5)
Os níveis d e Fe e A l m o s t r a r a m - s e muito m a i o r e s n a s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s no M S
(Região
1), e n q u a n t o
q u e o M n foi m a i s
alto
nas amostras
d o N E brasileiro,
p r i n c i p a l m e n t e para a m o s t r a s do C e a r á ;
6)
Para o C u o b t e v e - s e c o n c e n t r a ç õ e s e m t o r n o d e 2 ¡.tg g"^ para a s a m o s t r a s d o M S , e m
contraste à m é d i a d e 1 |.ig g"^ para a s outras regiões;
7)
A s c o n c e n t r a ç õ e s d e Z n n ã o a p r e s e n t a r a m v a r i a ç õ e s significativas para as d i f e r e n t e s
regiões, no e n t a n t o f o r a m o b s e r v a d o s níveis m a i o r e s d o q u e 150 n g g"^ para 3 a m o s t r a s
do M S .
Para u m a m e l h o r v i s u a l i z a ç ã o d e s t e s resultados, o s valores m é d i o s para c a d a g r u p o d e
a m o s t r a f o r a m p i o t a d o s n o gráfico (Fig. 2 6 - d a d o s n o r m a l i z a d o s pela c o n c e n t r a ç ã o m é d i a d a
R e g i ã o 2).
Concentração
4
3,5
normalizada pelo valor
médio da região 2
3
A
2,5
Regiãol
Região2
2
c
1,5
RegiãoS
A
1
A
0,5
O
O
O
O
A
6
O
,
Co Cu Fe Mn Mo Zn .a Ce Nd Pr Th U
_ Terras raras e afins
1— Elementos nutrientes —'
A
0^
Y
Ba Sr Ga Al Rb Pb
Outros
Figura 26: Concentração média obtida para os elementos medidos nas amostras de
catiuabis
apreendidas nas três regiões estudadas, (valores normalizados pela média obtida para amostras
provenientes da Região 2)
105
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
De u m a m a n e i r a geral a s a m o s t r a s d a R e g i ã o 1 a p r e s e n t a r a m o s maiores níveis de
c o n c e n t r a ç ã o ( e x c e t o p a r a os e l e m e n t o s terras raras e afins q u e f o r a m m a i o r e s p a r a a s
a m o s t r a s d o N o r d e s t e brasileiro) e n q u a n t o q u e o s níveis p a r a as a m o s t r a s a p r e e n d i d a s na
R e g i ã o 3 f o r a m o s m a i s baixos. Estes d a d o s f o r a m e n t ã o c o m p a r a d o s a o s d a literatura.
N a T a b . 15 e s t ã o listados o s intervalos d e c o n c e n t r a ç ã o (valores m á x i m o e mínimo) e
a s m é d i a s o b t i d a s para o s g r u p o s , j u n t a m e n t e c o m d a d o s o b t i d o s n a literatura para
cannabis,
q u e se limitam a a l g u n s nutrientes. A s d i f e r e n ç a s m a i s significativas f o r a m o s altos níveis d e
Fe, Sr e
Ba
brasileiras'^'^".
e as baixas
concentrações
de
Mo, Cu
e Zn obtidos
p a r a as
amostras
Tabela 15: Valores mínimo e máximo observados para amostras de cammbis provenientes dos diferentes Estados estudados e intervalos
de concentração obtidos da literatura. Os valores médios encontram-se entre parêntesis.
Intervalo de concentração
Resultados obtidos neste trabalho (jig g'
Elemento
Região 1 - MS
Região 2 - Pol.
da Maconha
Região 3 Amazonica
Co
0,08-2,1
0,06-2,5
<0,02-0,25
(0,7)
(0,6)
(0,08)
5,7-69
1,3-36
(22)
(9,8)
446 - 7660
(2286)
Cu
Fe
Mn
Mo
Zn
Rb
sr
Ba
ôa
Pb
Y
Valores da Literatura (ng g"
Coffman e Gentner
1975
Coffman e Gentner
1977
Landi
0,8 - 1 9 , 5
(7,7)
7-18
67-145
10-31
110-1600
132-664
84-216
54-127
141 - 2 7 4
(785)
(341)
214-622
(361)
1 7 5 - 1386
69 - 2066"
(350)
76-199
2 2 6 - 1767
24-93
(652)
0,06-2,4
0,08-2,1
0,04-2,3
(0,8)
(0,7)
(0,6)
25 - 284
2 3 - 121
13-108
(85)
(56)
(51)
1,2-20,7
0,4-14,5
0,6-18
(7,3)
(4,8)
(5,3)
17-662
(246)
24 - 406
76 - 380
(152)
(229)
46-671
10-361
5,4-393
(208)
(71)
(101)
384 - 5982
(1427)
98 - 5858
(3774)
1 0 6 - 1545
(683)
0,06-8
0,04-2,7
0,04-1,2
(2,5)
(0,7)
(0,5)
0,1 - 3 , 1
0,2-9,5
0,2 - 4,6
(0,7)
(2,8)
(1,0)
0,1 - 1,5
(0,57)
0,04-1,6
0,009-0,2
(0,66)
(0,08)
0,74-2,69
71 - 3 1 2
2 7 , 5 - 59
9-85
9-77
107
La
0,3-4,1
(1,3)
0,2-7,8
(2,5)
0,008-0,7
(0,4)
Ce
0,4-6,1
(1,9)
0,03-0,7
(0,2)
0,2-12
(3,4)
0,2-1,0
(0,7)
0,02-1,3
(0,4)
<0,02 - 0,09
(0,06)
0,1 -4,8
Pr
Nd
Th
U
0,3-2,3
(1,0)
<0,06''~0,8
(0,17)
(1,6)
0,03-0,3
(0,27)
<0,06-2,3
(0,4)
<0,06-1,2
(0,15)
<0,02''-0,14
(0,055)
<0,02 - 0,36
(0,09)
<0,02-0,08
(0,03)
^ urna a m o s t r a d o P a r á a p r e s e n t o u valor muito a c i m a d o restante d o g r u p o . A s a m o s t r a s d o MA a p r e s e n t a r a m teores d e s t e
elemiento c o n s i d e r a v e l m e n t e m a i o r e s d o q u e d o PA.
v a l o r e s r e f e r e n t e s a o limite d e q u a n t i f i c a ç ã o d o m é t o d o (Tab. 13)
108
RESULTADOSE DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
A seguir s ã o listadas as principais características o b t i d a s p a r a c a d a u m d o s g r u p o s
e s t u d a d o s . É a p r e s e n t a d a t a m b é m u m a d i s c u s s ã o e m f u n ç ã o d a s características g e o l ó g i c a s
gerais de c a d a região, n o e n t a n t o é i m p o r t a n t e l e m b r a r q u e estes d a d o s r e p r e s e n t a m a p e n a s
indícios preliminares, e a o b t e n ç ã o d e r e s u l t a d o s c o n c l u s i v o s exigiria o c o n h e c i m e n t o e x a t o d o
local d e cultivo, a l é m d o l e v a n t a m e n t o d a s p r o p r i e d a d e s e características g e o q u í m i c a s d o solo
d e plantio, e t a m b é m d o s m e c a n i s m o s d e a b s o r ç ã o d o s e l e m e n t o s pela Cannabis
sativa.
Região 1 - Mato Grosso do Sul
O s solos d e s t a região s ã o e m g r a n d e parte d e o r i g e m v u l c â n i c a (rochas m a g m á t i c a s ,
s e n d o na m a i o r i a b a s a l t o s toleíticos), a p r e s e n t a n d o n a t u r a l m e n t e solos á c i d o s c o m e x c e s s o d e
Al (ver A N E X O 3 - m a p a g e o l ó g i c o ) . F o r a m o b s e r v a d o s altos níveis d e C u , Z n , Fe, G a e Ba e m
c o m p a r a ç ã o c o m a s outras regiões. Estes r e s u l t a d o s são discutidos a seguir.
E l e m e n t o s nutrientes; o s níveis d e C u e Z n n e s t a s a.mostras f o r a m similares
aos
r e p o r t a d o s por L a n d i ^ \ no e n t a n t o b e m m e n o r e s d o q u e o s a p r e s e n t a d o s n o t r a b a l h o d e
C o f f m a n e Gentner®°. O M o t a m b é m a p a r e c e e m c o n c e n t r a ç õ e s m e n o r e s d o q u e o s d a
literatura. A p e s a r d e existirem relatos s o b r e a deficiência d e vários m i c r o n u t r i e n t e s n o c e r r a d o
c o m o a d o C u , a d o Z n p a r e c e ser a mais g e n e r a l i z a d a e crítica, e s t a n d o p r o v a v e l m e n t e
r e l a c i o n a d a à c o m p o s i ç ã o d o material d e origem^^^. O Fe e M n por s u a v e z e n c o n t r a m - s e e m
níveis a d e q u a d o s n e s t a s regiões (ou m e s m o t ó x i c o s d e p e n d e n d o d o p H d o solo)^^®, s e n d o o
Fe b a s t a n t e a b u n d a n t e e m solos d e r i v a d o s d e basalto, c o m o neste c a s o , e x p l i c a n d o a s altas
concentrações observadas nestas amostras.
Bário: e m geral o bário a p r e s e n t a - s e e m m a i o r e s c o n c e n t r a ç õ e s e m rochas m a g m á t i c a s
á c i d a s (Tab. 2) c o m t e o r e s m é d i o s e m t o r n o d e 4 0 0 a 1 2 0 0 ¡.ig g"V E m b a s a l t o s , c o m o n o c a s o
d o Mato G r o s s o d o Sul, s ã o o b s e r v a d o s níveis intermediários, e n t r e 2 5 0 e 4 0 0 i i g g ' \
Apesar
109
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
d e n ã o existirem e s t u d o s d e t a l l i a d o s d o s m e c a n i s m o s d e a b s o r ç ã o d e s t e e l e m e n t o pelas
plantas, s a b e - s e q u e a biodisponibilidade d o B a a u m e n t a c o m a a c i d e z d o solo'^. D e u m a
f o r m a geral, a s c o n c e n t r a ç õ e s relatadas e m materiais
v e g e t a i s fica e m t o r n o d e 4 0 ¡UIG g ' \
p o d e n d o c h e g a r a c e r c a d e 2 0 0 yig g'^ ^ . Q u a n d o c o m p a r a d o a estes valores, o s níveis o b t i d o s
para este g r u p o p o d e m s e r c o n s i d e r a d o s altos.
Galio: o s m a i o r e s níveis d e G a t a m b é m s ã o r e p o r t a d o s e m r o c h a s m a g m á t i c a s (entre 5
e 2 5 ^ g g ' Y ^ . E n t r e t a n t o é i m p o r t a n t e o b s e r v a r q u e o alto valor m é d i o o b t i d o p a r a a s a m o s t r a s
a p r e n d i d a s nesta região d e v e - s e a 7 a m o s t r a s c o m t e o r e s a c i m a d e 5 ¡ug g'^ - para o restante,
e s t e s níveis f o r a m similares a o s obtidos para o s o u t r o s g r u p o s (ver A p ê n d i c e 1) e por este
m o t i v o estes r e s u l t a d o s n ã o d e v e m ser g e n e r a l i z a d o s .
I m p o r t a n t e o b s e r v a r q u e a atividade b á s i c a d o E s t a d o d o M a t o G r o s s o d o S u l é a
a g r o p e c u á r i a , s e n d o a s culturas principais o a l g o d ã o , a soja e o milho. A prática de m a n e i o d o s
solos do c e r r a d o para a u m e n t a r sua fertilidade natural é b e m c o n h e c i d a , s e n d o a c a l a g e m u m a
d a s mais importantes^^®. Esta prática consiste n a c o r r e ç ã o d o p H c o m o intuito d e se diminuir a
t o x i d e z d o alumínio, ferro e m a n g a n ê s e a u m e n t a r a liberação d e nutrientes a t r a v é s d o
a u m e n t o d a a t i v i d a d e m i c r o b i a n a r e s p o n s á v e l pela d e c o m p o s i ç ã o d e matéria o r g â n i c a . A
c a l a g e m c o n s i s t e n a a d i ç ã o p r i n c i p a l m e n t e d e c a r b o n a t o d e cálcio (calcário, e a l g u m a s v e z e s
manganês)
ao
solo, e l e v a n d o
o pH d e solos á c i d o s , s e n d o o b s e r v a d o
alguns
efeitos
i m p o r t a n t e s c o m o a d i m i n u i ç ã o d a disponibilidade d e b o r o , m a n g a n ê s e z i n c o p a r a a l g u n s
solos e o a u m e n t o d a d i s p o n i b i l i d a d e d e molibdênio^^®. U m a outra prática d e m a n e j o b a s t a n t e
utilizada n e s t a s r e g i õ e s e q u e p o d e alterar a a s s i n a t u r a q u í m i c a d o solo, é a a d u b a ç ã o
f o s f a t a d a . O intuito n e s t e c a s o é a u m e n t a r a d i s p o n i b i l i d a d e d e f ó s f o r o a t r a v é s d a a d i ç ã o d e
fertilizantes f o s f a t a d o s o u f o s f a t o s naturais. Neste c a s o , r o c h a s f o s f a t a d a s são m o í d a s e
utilizadas d i r e t a m e n t e , e d e p e n d e n d o d a s u a o r i g e m p o d e m c o n t e r níveis c o n s i d e r á v e i s d e
uo
RESULTA DOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
lantanídeos e e l e m e n t o s afins (U e Th). Nestes p r o c e s s o s d e m a n e j o , introduz-se a i n d a
g r a n d e s q u a n t i d a d e s d e e l e m e n t o s e s s e n c i a i s c o m o Z n , C u , M n , B, C o e M o , o q u e p o d e
alterar de f o r m a significativa as características g e o q u í m i c a s d o solo.
No c a s o a i n d a d o M S existe u m a outra d i f i c u l d a d e r e l a c i o n a d a à o r i g e m d a s a m o s t r a s ,
q u e s e g u n d o i n f o r m a ç õ e s d a polícia e d a U N O D C , p o d e m ter sido cultivadas n o P a r a g u a i . O
p o n t o f a v o r á v e l é q u e t a n t o a s c o n d i ç õ e s climáticas q u a n t o g e o q u í m i c a s s ã o similares p a r a
g r a n d e parte d a s d u a s r e g i õ e s . D e s t a f o r m a , e s p e r a - s e u m perfil q u í m i c o s e m e l h a n t e para
amostras cultivadas
n o s dois locais, s e n d o q u e
a metodologia
adotada neste
trabalho
p r o v a v e l m e n t e n ã o f o r n e c e r á i n f o r m a ç õ e s suficientes p a r a s e p a r á - l a s .
Região 2 - Nordeste brasileiro
As
amostras
apreendidas
no
Nordeste
brasileiro
apresentaram
as
maiores
c o n c e n t r a ç õ e s d e M n ( q u e f o r a m m a i o r e s para a s a m o s t r a s d o C e a r á e Bahia), Pb, E T R leves,
u r â n i o e e l e m e n t o s afins (ver Fig. 26). C o m relação a c a d a g r u p o d e e l e m e n t o p o d e - s e dizer:
ETR. urânio e afins: o s solos d e s t a região s ã o e m b o a parte c o m p o s t a s por r o c h a s
graníticas e granulitos^^^. E m geral e s t a s r o c h a s a p r e s e n t a m - s e n a t u r a l m e n t e e n r i q u e c i d a s e m
lantanídeos ( s e n d o e m a l g u n s c a s o s e x t r e m a m e n t e e n r i q u e c i d o s ) , t e n d o sido r e p o r t a d o s n a
literatura as altas c o n c e n t r a ç õ e s d e s t e s e l e m e n t o s n o N o r d e s t e b r a s i l e i r o " ^ ' ^ ^ . A s
altas
c o n c e n t r a ç õ e s d e u r â n i o o b t i d a s para a l g u m a s a m o s t r a s t a m b é m e n c o n t r a m - s e d e a c o r d o c o m
a geologia d a região^^'"®.
Sr: P a r a a l g u n s g r a n i t ó i d e s d o N o r d e s t e brasileiro ( c o m o n o c a s o d o C a b o d e S a n t o
A g o s t i n h o ) t ê m sido r e p o r t a d o s baixos níveis d e Sr, c o m p o r t a m e n t o o b s e r v a d o p a r a a l g u m a s
a m o s t r a s d e s t a região, p r i n c i p a l m e n t e a q u e l a s a p r e e n d i d a s na B a h i a - A p ê n d i c e 1 .
111
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
E l e m e n t o s nutrientes: s e g u n d o Horowitz e D a n t a s as c o n c e n t r a ç õ e s d e Mn s ã o altas no
s e r t ã o n o r d e s t i n o , p r o v a v e l m e n t e d e v i d o à b a i x a p l u v i o s i d a d e , baixo c o n t e ú d o d e m a t é r i a
o r g â n i c a e p H r e l a t i v a m e n t e ácido^^V Estas características a s s o c i a d a s a o s indícios d e q u e a
cannabis
a p r e s e n t a caráter c u m u l a t i v o p a r a e s t e e l e m e n t o p o d e r i a m explicar os altos níveis
o b t i d o s p a r a e s t a s amostras®". O s níveis d o s nutrientes Z n e Mo a p r e s e n t a r a m
valores
p r ó x i m o s a o s o b s e r v a d o s para a s R e g i õ e s 1 e 3, s e n d o a d o Z n m e n o r d o q u e o s v a l o r e s
o b s e r v a d o s n a literatura. J á o C u a p r e s e n t o u v a l o r e s b e m m e n o r e s d o q u e a q u e l e s o b s e r v a d o s
p a r a a R e g i ã o 1 . A deficiência d e s t e e l e m e n t o n a região é c o n h e c i d a , s e n d o inclusive s u a
a b s o r ç ã o pelas p l a n t a s p r e j u d i c a d a pelas altas c o n c e n t r a ç õ e s d e F e , c o m u n s nesta região'^-''^^.
S e g u n d o L e ó n o s solos d o sertão p a r e c e m n ã o a p r e s e n t a r deficiência d e M n e os solos d o
a g r e s t e pareCem n ã o a p r e s e n t a r deficiências d e Z n e Mo^V A variabilidade d e s t e s e l e m e n t o s
nas a m o s t r a s n o r d e s t i n a s foi g r a n d e , s e n d o indícios d e q u e elas p o d e m ter sido cultivadas
t a n t o no s e r t ã o p e r n a m b u c a n o q u a n d o n a s regiões c o m m e n o r deficiência d e nutrientes c o m o
o agreste e a z o n a d a m a t a .
Região 3 - Região Amazônica
A s c o n c e n t r a ç õ e s d o s nutrientes C u , Mo e Z n f o r a m p r ó x i m o s a o s níveis r e p o r t a d o s
para a R e g i ã o 2 , e Ba, R b e Sr m a i o r e s d o q u e o s níveis o b s e r v a d o s p a r a a R e g i ã o 2.
Os b a i x o s níveis d e c o n c e n t r a ç ã o o b t i d o s p a r a q u a s e t o d o s o s e l e m e n t o s das a m o s t r a s
p r o v e n i e n t e s d a R e g i ã o A m a z ô n i c a p o d e m ser e x p l i c a d o s pela i n t e n s a lixiviação d e s t e s solos.
A l é m da alta p l u v i o s i d a d e , as t e m p e r a t u r a s e l e v a d a s c o n t r i b u e m para a p e r d a d e e l e m e n t o s d e
u m a f o r m a g e r a l , c a r a c t e r i z a n d o a baixa fertilidade o b s e r v a d a e m q u a s e t o d a s u a extensão^^^.
P o d e - s e dizer q u e c e r c a d e 9 0 % d o s solos d a A m a z ô n i a a p r e s e n t a m bai.xa fertilidade'^'^^V
C o m o m e n c i o n a d o a n t e r i o r m e n t e , a d i v e r s i d a d e g e o l ó g i c a para o s solos desta região é
g r a n d e , o q u e dificulta a interpretação d o s resultados. A principal c o n c l u s ã o é q u e e s t a s
112
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
a m o s t r a s s ã o c a r a c t e r i z a d a s pelos b a i x o s níveis d e nutrientes ( p r i n c i p a l m e n t e C o e Fe), E T R e
e l e m e n t o s afins.
O s resultados obtidos nesta e t a p a d o t r a b a l h o indicam q u e há u m a p r o v á v e l c o r r e l a ç ã o
e n t r e a g e o l o g i a d o s locais d e a p r e e n s ã o e o perfil e l e m e n t a r d a s a m o s t r a s a n a l i s a d a s , a l é m
d e d e m o n s t r a r c l a r a m e n t e a existência d e três g r u p o s c o m perfis q u í m i c o s diferentes.
O s níveis d e e l e m e n t o s c o m o os E T R , Ba, Sr, C o , Mn e Fe n o s solos e n c o n t r a m - s e
n o r m a l m e n t e r e l a c i o n a d o s à o r i g e m g e o l ó g i c a d a s r o c h a s d e o r i g e m ' ' ^ " ' ' , s e n d o q u e n o s dois
últimos c a s o s as p r o p r i e d a d e s f í s i c o - q u í m i c a s d o s solos interferem d e f o r m a significativa n a s
suas
biodisponibilidades.
Desta
forma,
os
resultados
obtidos
s ã o fortes
indicativos
da
existência d e três regiões p r o d u t o r a s d e cannabis n o Brasil, q u e a p r e s e n t a m solos d e origens
g e o l ó g i c a s distintas.
L e v a n t a d a s e s t a s d i f e r e n ç a s , a a n á l i s e d e c o m p o n e n t e s principais foi utilizada d e m o d o
a s e avaliar as principais c o r r e l a ç õ e s e n t r e o s e l e m e n t o s e d e se verificar a existência d e
agrupamentos em função dos elementos medidos.
O s r e s u l t a d o s o b t i d o s s ã o a p r e s e n t a d o s n a T a b . 16. E s t a matriz d e d a d o s indica a
i m p o r t â n c i a d e c a d a variável n a c o m p o n e n t e principal c o n s i d e r a d a , o u seja, o peso d e c a d a
e l e m e n t o n a q u e l a c o m b i n a ç ã o linear. Estes p e s o s r e p r e s e n t a m o c o s e n o d o â n g u l o e n t r e o
eixo d a variável original e o eixo c o m p o n e n t e principal. Desta f o r m a , q u a n t o m a i s p r ó x i m o d e
± 1 , m a i o r a sua i m p o r t â n c i a n a c o m p o s i ç ã o d a c o m p o n e n t e principal e q u a n t o m a i s p r ó x i m o d e
z e r o , m e n o r esta influência.
113
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
Tabela 16: Matriz dos componentes para as amostras de catmahis
considerando-se os niveis de
concentração elementar. O s valores assinalados em azul indicam a maior correlação entre os
elementos e a c o m p o n e n t e principal considerada.
Rotated Component Matrijf
Compc nente
Rb
Sr
Mn
Fe
Al
Ba
Ce
Co
Cu
Ga
La
Mo
Nd
Pb
Pr
Th
1
6,109E-02
-,163
,527
,115
,434
4,056E-02
,948
,290
-,122
,127
Y
Zn
,752
-,346
,156
,150
,869
-3,56E-03
-4,73E-02
2,710E-03
,386
,538
,575
1,138E-02
-3,605E-02
,116
-2,44E-02
-3,37E-02
,972
4
3
,576
-2,93E-02
,199
-1,96E-03
-6,7QE-02
1,919E-02
,160
,965
8,491 E-03
,963
2,366E-03
U
2
,172
-,127
,127
,105
-8,48E-03
,144
-2,61 E-02
7,166E-02
,831
,642
-1,97E-02
9,404E-02
-2,02E-02
4,586E-02
-1,64E-02
-9,80E-u2
-5,15E-02
-9,03E-03
,908
,107
1,194E-02
,200
,891
,490
8,107E-02
,111
,802
,282
-,152
3,826E-02
5,082E-03
,198
-1,63E-02
,153
-,105
5.107E-02
5,168E-02
4,225E-02
Extraction Method: Principal Component Analysis,
a.
A s q u a t r o primeiras c o m p o n e n t e s
e x p l i c a r a m cerca d e 5 8 % d a variabilidade d a s
a m o s t r a s , s e n d o e s t e resultado n ã o satisfatório.
C o n f o r m e m e n c i o n a d o a n t e r i o r m e n t e , a inclusão d e variáveis q u e r e p r e s e n t a m p o u c a
variabilidade p o d e introduzir ruidos n o m o d e l o , p r e j u d i c a n d o a a v a l i a ç ã o d o s resultados. De
f o r m a a s e m i n i m i z a r estes efeitos, a s variáveis q u e a p r e s e n t a r a m p e s o m e n o r q u e 0 , 6 0 0 para
as 4 primeiras c o m p o n e n t e s e a q u e l a s a l t a m e n t e c o r r e l a c i o n a d a s ( e s p e c i f i c a m e n t e a l g u n s d o s
e l e m e n t o s terras raras) f o r a m e x c l u í d a s d o b a n c o d e d a d o s e os resultados reavaliados. C o m
isso, o m e s m o n ú m e r o d e c o m p o n e n t e s p a s s o u a explicar c e r c a d e 8 0 % d a variabilidade total,
114
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
c o m o p o d e ser visto na T a b . 17. O s primeiros 6 c o m p o n e n t e s f o r a m c a p a z e s d e explicar cerca
de 9 0 % d a variabilidade total, s e n d o o total d a variabilidade e x p l i c a d a pelas d u a s primeiras
componentes bastante próximas.
T a b e l a 17: Total de variância (individual e cumulativa) explicada por cada urna das
componentes principais, considerando-se os seguintes elementos; M n , Fe, Ba, Sr, Ce, C o , Cu,
Ga, La e Zn.
Total de Variância Explicada
Comoonent
1
o
3
4
5
6
7
8
9
% of variance
28,989
24,736
14,000
13,092
6,237
5,428
4,268
2,252
,998
Cumulative %
28,989
53,725
67,725
80,817
87,054
92,482
96,751
99,002
100,000
Extraction Method: Principal Component Analysis.
A p e s a r d e ser difícil d e se delimitar os g r u p o s f o r m a d o s e m f u n ç ã o d a s n o v a s variáveis,
(gráficos d e d i s p e r s ã o e m f u n ç ã o d a s 4 primeiras P C s -
Fig. 27) o b s e r v a - s e c l a r a m e n t e a
existencia d e s t e s g r u p o s , p r i n c i p a l m e n t e nos planos P C 1 X P C 2 e P C 1 X P C 4 .
11:
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
• •
PC2
•
a
te:--•
Jr-
•. •
1
%>••
•
GrupG original
•
•
•
PC3
: • •. .
V
-r»'
.
Regiãü 3
Região 2
.Ll :
•
•
•
Região 1
•
PC4
• itc-
•••ííSs":.- •: .
•
PCI
•
•
PC2
PC3
Figura 27: Dispersão dos resultados para amostras apreendidas nas diferentes regiões estudadas
em função das 4 primeiras componentes principais obtidas considerando-se as seguintes
variáveis: Mn, Fe, Ba, Sr, Ce, Co, Cu, Ga, La e Zn
U m a c o n c l u s ã o i m p o r t a n t e desta e t a p a do t r a b a l h o é d e q u e a m a i o r variabilidade entre
as a m o s t r a s a n a l i s a d a s e n c o n t r o u - s e r e l a c i o n a d a às d i f e r e n ç a s d o s níveis d o s e l e m e n t o s
terras raras leves, M n e C o , s e g u i d a d o s nutrientes Z n e C u (PC2), Fe, C o e G a (PC3) e
f i n a l m e n t e o B a (PC4).
116
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
Importante relatar q u e e s t u d o s adicionais f o r a m realizados c o m o intuito d e se identificar
as correlações existentes entre os elementos para cara uma das regiões estudadas,
na
tentativa d e se a s s o c i a r a s a m o s t r a s a o s locais d e a p r e e n s ã o . Entretanto, por n ã o se constituir
e m u m d o s objetivos d e s t e t r a b a l h o e por r e p r e s e n t a r a p e n a s indícios preliminares, e s t e s
d a d o s f o r a m a p r e s e n t a d o s e m a n e x o ( A P Ê N D I C E 2).
117
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
6.2.3 C o n s t r u ç ã o d o m o d e l o de classificação utilizando-se constituintes
i n o r g â n i c o s - Classificação d a s a m o s t r a s d e S ã o Paulo
A s s i m c o m o n o c a s o d o s i s ó t o p o s e s t á v e i s , u m m o d e l o d e classificação para a m o s t r a s
d e d i f e r e n t e s o r i g e n s foi c o n s t r u í d o utilizando-se a p e n a s o s constituintes i n o r g â n i c o s c o m o
intuito d e s e avaliar a c a p a c i d a d e discriminatória d e s t a s variáveis. A s a m o s t r a s utilizadas na
c o n s t r u ç ã o d o m o d e l o e n c o n t r a m - s e listadas na T a b . 18.
Tabela 18: N ú m e r o de amostras consideradas na construção do modelo de classificação
utilizando-se a análise de discriminantes e resultados de constituintes inorgânicos.
Gmpo
Estado
Amostras
desconsideradas*
Total de amostras
consideradas
Região 1
MS
4
30
BA
-
20
PE
4
42
CE
9
16
MA**
-
12
PA
-
20
Região 2
Região 3
* Outliers isotópicos.
**As amostras apreendidas no Maranlião foram todas mantidas no grupo 3, não sendo utilizada a
pré-classificação obtida por isótopos.
Na T a b . 19 e n c o n t r a m - s e listados o s p e s o s d e c a d a v a r i á v e l n a c o m p o s i ç ã o
funções
discriminantes
(variáveis c a n ó n i c a s )
1 e 2, sendo que o asterisco assinala
das
os
e l e m e n t o s a s s o c i a d o s a c a d a u m a d a s f u n ç õ e s obtidas. P o d e - s e verificar q u e o s e l e m e n t o s
m a i s i m p o r t a n t e s na d i s c r i m i n a ç ã o d o s g r u p o s f o r a m C u , Fe, Ba e Z n na f u n ç ã o d i s c r i m i n a n t e 1
e E T R e C o n a f u n ç ã o 2 . A p e s a r d e a l g u m a s p e q u e n a s d i f e r e n ç a s na c o n t r i b u i ç ã o d e c a d a
118
_RESULIADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
e l e m e n t o na d i s c r i m i n a ç ã o d o s g r u p o s , e s t e s d a d o s e n c o n t r a m - s e d e a c o r d o c o m o o b s e r v a d o
a n t e r i o r m e n t e n a análise d e c o m p o n e n t e s principais. O total d e variabilidade e x p l i c a d a pelas
d u a s primeiras variáveis c a n ó n i c a s foi d e 1 0 0 % .
Tabela 19: Peso de cada elemento nas variáveis canónicas 1 e 2 na discriminação das amostras
apreendidas nas diferentes regiões brasileiras utilizando-se resultados de constituintes
inorgânicos. O asterisco indica os elementos que c o m p õ e m cada uma das flinções
discrim-inantes.
Structure Matrix
Function
1
2
Cu
,398*
,261
Ba
,307*
,117
Zn
,233*
,167
Rb
,155*
-,088
Ga
,151*
,053
Mo
,020*
,010
La
-,136
,615*
Pr
-,080
,612*
Nd
-,076
,612*
Ce
-,106
,540*
Co
,126
,507*
U
-,096
,367*
Sr
,174
-,286*
Th
-,108
,227*
Y
,029
,089*
Al
-,028
,076*
Fe
-,007
,072*
Mn
-,035
,071*
-,045
,066*
Pb
* indica a maior correlação entre a
função discriminante e cada variável
A classificação o b t i d a para o g r u p o d e t r e i n a m e n t o p o d e ser o b s e r v a d a na T a b . 2 0 ;
cerca d e 9 0 % d a s a m o s t r a s d o g r u p o d e t r e i n a m e n t o f o r a m classificadas c o r r e t a m e n t e , s e n d o
119
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
o b s e r v a d a u m a s o b r e p o s i ç ã o d e 1 3 % entre o s g r u p o s d o N o r d e s t e e d a r e g i ã o A m a z ô n i c a .
E s t a s o b r e p o s i ç ã o p o d e e s t a r a s s o c i a d a à p r o x i m i d a d e g e o g r á f i c a e n t r e o M a r a n h ã o e os
o u t r o s e s t a d o s d o N o r d e s t e , l e m b r a n d o q u e e s t a s a m o s t r a s p o d e m ter sido cultivadas e m solos
c o m características similares*, o u m e s m o e m regiões d e fronteira e n t r e o s e s t a d o s ; a existência
d e tráfico entre e l a s t a m b é m n ã o p o d e ser d e s c a r t a d a . A distribuição das a m o s t r a s d o g r u p o de
t r e i n a m e n t o p o d e s e r vista n a Fig. 2 8 .
Tabela 2 0 : Resultados obtidos através da análise de discriminantes (LDA) para o grupo de
treinamento (calibration set) e para as amostras apreendidas em São Paulo utilizando-se
constituintes inorgânicos.
Classificação das amostras utilizando-se a análise de discriminantes e ICP-MS
Original
Count
%
PREDICT
1 (MS)
2 (Polígono)
3 (Amazônica)
São Paulo
1 (MS)
2 (Polígono)
3 (.Amazônica)
Sâo Paulo
Predicted Group Membership
3 Arn
1 MS
2 Pol
1
29
0
11
0
67
30
0
2
8
68
4
3,3
96,7
,0
14,1
,0
85,9
93,7
,0
6,3
85,0
5,0
10,0
Total
30
78
32
80
100,0
100,0
100,0
100,0
3 90,0% of original grouped cases correctly classified.
' Cita-se como exemplo os altos níveis de Mn obsenados para algumas amostras do Maranhão, similarmente à
daquelas apreendidas em Pernambuco - Apêndice 1.
120
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
6n
4 -
O
c
• Reg 1 - MS
-2
4^ A
o Reg 2 - Fbl
A Reg 3 - Am
-4
X centroides
-6
4-
-6
-4
-2
6
8
função 1
Figura 28: Distribuição das amostras do g a i p o de treinamento utilizando-se o perfil de
constituintes inorgânicos. Observou-se uma sobreposição de cerca de 1 3 % entre o grupos 2 e 3.
O s r e s u l t a d o s obtidos para a s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s e m S ã o P a u l o c o m b a s e neste
m o d e l o t a m b é m s ã o a p r e s e n t a d a s n a T a b . 20, p o d e n d o s u a distribuição ser o b s e r v a d a no
m a p a territorial - Fig. 2 9 . Cerca d e 8 5 % d e s t a s a m o s t r a s a p r e s e n t a r a m perfis
químicos
similares à d a q u e l a s a p r e e n d i d a s n o Mato G r o s s o d o S u l . D e u m a f o r m a geral e s t e s resultados
e n c o n t r a m - s e c o e r e n t e s c o m a q u e l e s obtidos p r e v i a m e n t e pela análise isotópica; no e n t a n t o
oito d e s t a s a m o s t r a s f o r a m classificadas c o m o s e n d o originárias d a R e g i ã o 3 ( A m a z ó n i c a ) . A
d i s c u s s ã o p a r a e s t a s a m o s t r a s será r e t o m a d a no p r ó x i m o item, q u a n d o s e r á c o n s t r u í d o u m
m o d e l o d e classificação c o n s i d e r a n d o - s e t o d a s a s variáveis disponíveis.
121
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Constituintes Inorgânicos
6 ,
Região 2
6
8
função 1
Figura 29: Distribuição das amostras apreendidas em São Paulo no mapa territorial estabelecido
com base na análise de constituintes inorgânicos. Quatro amostras apresentaram como provável
local de cultivo o Nordeste brasileiro (Região 2). oito a região Amazônica (Região 3) e as demais
(68) como tendo a mesma origem das amostras apreendidas no M a t o Grosso do Sul (Região 1).
122
MODELO
FINAL DE CLASSIFICA
CAPÍTULO 7. MODELO FINAL DE CLASSIFICAÇÃO
ÇÃO - ASSINA TURA
- ASSINATURA
QUÍMICA
QUÍMICA
A p r é - a v a l i a ç ã o d o s g r u p o s e m f u n ç ã o d o s perfis isotópicos e e l e m e n t a r e s realizada
a n t e r i o r m e n t e f o r n e c e u as principais i n f o r m a ç õ e s s o b r e o clima e a g e o q u í m i c a d a s r e g i õ e s
e s t u d a d a s . N o primeiro c a s o foi o b s e r v a d a u m a s o b r e p o s i ç ã o e n t r e a s R e g i õ e s 1 e 3 (regiões
ú m i d a s ) , e n q u a n t o q u e pelos c o n s t i t u i n t e s i n o r g â n i c o s o b t e v e - s e u m a s o b r e p o s i ç ã o e n t r e o s
g r u p o s 2 e 3. C o m b a s e n e s t e s r e s u l t a d o s , c o n s t r u i u - s e u m m o d e l o d e classificação d e
a m o s t r a s d e o r i g e m d e s c o n h e c i d a , utilizando-se t o d a s a s variáveis disponíveis.
Nesta e t a p a d o t r a b a l h o , a a n á l i s e d e discriminantes v i s o u identificar o s p a r â m e t r o s
mais
importantes,
otimizando
desta
reduzindo
forma
a
o número
metodologia
de e l e m e n t o s à q u e l e s e s t r i t a m e n t e
experimental.
Inicialmente,
verificou-se
discriminatório d e t o d o o c o n j u n t o d e d a d o s , utilizando-se o m é t o d o enter
toghether,
necessários,
o
poder
independent
q u e c o n s i d e r a t o d a s a s variáveis s e m eliminar as m e n o s relevantes. C o n s e g u i u - s e
c o m isso u m a classificação d e 1 0 0 % d a s a m o s t r a s d o g r u p o d e t r e i n a m e n t o . E m s e g u i d a ,
utilizou-se o m é t o d o stepwise,
q u e e l i m i n a a s variáveis c o m m e n o r p o d e r discriminatório,
o b t e n d o - s e n o v a m e n t e u m a c l a s s i f i c a ç ã o d e 1 0 0 % c o m o u s o d e a p e n a s 10 d a s 2 1 variáveis
d i s p o n í v e i s . A classificação d a s a m o s t r a s e as variáveis utilizadas n o m o d e l o p o d e m ser vistas
nas Tab. 21 e 2 2 .
123
MODELO FINAL DE CLASSIFICAÇÃO ASSINATURA QUÍMICA
T a b e l a 2 1 : Classificação das amostras do grupo de treinamento e validação cruzada, segundo
análise de discriminantes utilizando-se os elementos listados na Tabela 22.
CíassifiGation Resultí-'^
Original
Count
PREDICT
1 MS
2 Poll
3 AM
0
1 MS
2 Poll
Total
30
85
0
25
100,0
,0
,0
100,0
,0
,0
3 AM
,0
,0
100,0
100,0
Count
1 MS
0
83
0
0
30
100,0
1
,0
24
%
2 Poli
3 AM
1 MS
30
2
0
2 Poll
3 AM
2,3
,0
97,7
4,0
,0
96,0
%
Cross-validated^
Predicted Group Membership
1 MS
2 Pol
3 AM
0
30
0
85
0
0
,0
25
100,0
100,0
85
25
100,0
100,0
100,0
3- Cross validation is done only for those cases in the analysis. In cross validation, each case
is classified by the functions derived from all cases other than that case.
t>- 100,0% of original grouped cases correctly classified.
97,8% of cross-validated grouped cases correctly classified.
U m a v e z q u e e s t e s u c e s s o d e classificação é c o m p u t a d o c o m b a s e no m e s m o g r u p o de
a m o s t r a s utilizadas n o d e s e n v o l v i m e n t o d o m o d e l o , há urna estimativa u m t a n t o
quanto
otimista n e s t a a v a l i a ç ã o . P a r a a o b t e n ç ã o d e r e s u l t a d o s m a i s realistas, o ideal seria a utilização
de um grupo de amostras
para a c o n s t r u ç ã o d o m o d e l o e outro p a r a s e e s t i m a r
sua
confiabilidade. No e n t a n t o , n e m s e m p r e se d i s p õ e d e u m n ú m e r o suficiente d e a m o s t r a s p a r a a
realização d e s t e s p r o c e d i m e n t o s , c o m o o c o r r e n e s t e t r a b a l h o . De f o r m a a s e minimizar a
o b t e n ç ã o d e r e s u l t a d o s t e n d e n c i o s o s , utilizou-se a v a l i d a ç ã o c r u z a d a . N e s t e p r o c e d i m e n t o ,
c a d a c a s o é c l a s s i f i c a d o e m g r u p o s utilizando-se o m o d e l o d e s e n v o l v i d o c o m b a s e e m t o d o
c o n j u n t o d e d a d o s , e x c e t o a q u e l e c a s o a ser classificado. C o m isso, o b t e v e - s e u m s u c e s s o de
classificação d e c e r c a d e 9 8 % , c o m d u a s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n o P o l í g o n o d a M a c o n h a
s e n d o classificadas c o m o originárias d a Região 1 e u m a a m o s t r a s d a R e g i ã o 3 (AM) s e n d o
124
MODELO FINAL DE CLASSIFICAÇÃO - ASSINATURA QUÍMICA
classificada
como
sendo
originária
da
Região
2.
Estes
resultados
indicam
uma boa
d i s c r i m i n a ç ã o e n t r e o s g r u p o s , c o m o p o d e s e r o b s e r v a d o n a Fig. 3 0 .
Tabela 2 2 : F u n ç õ e s discriminantes 1 e 2. Os valores representam o peso de cada variável na
composição da flinção discriminante correspondente.
Structure Matrix
Function
1
2
dC
-,633*
,499
dN
,551*
,007
Ba
,228*
,213
Mn
-,037*
,017
Cu
,249
,377*
Co
-,009
,329*
La
-,208
,250*
Zn
,149
,238*
Y
,009
,067*
-,016
Fe
,035*
* indica a maior correlação entre a
função discriminante e cada variável
A s variáveis m a i s i m p o r t a n t e s n a d i s c r i m i n a ç ã o d o s g r u p o s f o r a m : ô^^C, ô^^N, Ba e M n
na f u n ç ã o 1 (F1), e C u , C o , L a , Z n , Y, e F e n a f u n ç ã o 2 {F2), o q u e indica q u e a s c o n d i ç õ e s
climáticas s ã o o s p a r â m e t r o s m a i s i m p o r t a n t e s nesta d i s c r i m i n a ç ã o , s e g u i d a pelos níveis d e
m a c r o e m i c r o n u t r i e n t e s e t a m b é m d e E T R b i o d i s p o n í v e i s no solo. O p e s o d e c a d a variável nas
f u n ç õ e s d i s c r i m i n a n t e s 1 e 2 e n c o n t r a m - s e listados n a T a b . 2 2 . O total d e variabilidade
e x p l i c a d a pelas d u a s primeiras variáveis c a n ó n i c a s foi d e 1 0 0 % .
O s a g r u p a m e n t o s o b t i d o s no e s p a ç o d a s variáveis c a n ó n i c a s p o d e m s e r v i s u a l i z a d o s
na Fig. 3 0 . P o d e - s e o b s e r v a r q u e a d i s c r i m i n a ç ã o entre a R e g i õ e s
1 e 2
encontra-se
r e l a c i o n a d a b a s i c a m e n t e á F 1 ; p o r outro lado, a s a m o s t r a s d a R e g i ã o 3 d i s t i n g u e m - s e d a s
\1T>
MODELO FINAL DE CLASSIFICAÇÃO - ASSINA TURA QUÍMICA
d e m a i s por a p r e s e n t a r e m F2 m a i s b a i x o s (interessante notar q u e estes r e s u l t a d o s e n c o n t r a m se d e acordo c o m as o b s e r v a ç õ e s o b t i d a s a n t e r i o r m e n t e na a n á l i s e exploratória d e d a d o s ) .
Classificação dos grupos segundo LDA
(IRIVIS e ICPIVIS)
6 -,
•
•
P
CM
O
O'
§
3-a
^
-6
^ Regl-MS
D Reg2-Pol
-4
•
cíg^i
•
-2
-I
-4
H
A Reg3-Am
X centroides
4
função 1
-6
Figura 30: Distribuição das amostras do modelo no espaço das funções canónicas, utilizando-se
o s isótopos estáveis de C e N e os seguintes elementos: Cu, Co, Ba, La, Zn, Fe, Y e Mn. Os
centroides representam os valores médios de cada grupo.
Com base neste modelo, estimou-se a origem das amostras apreendidas e m
São
P a u l o . Estes r e s u l t a d o s s ã o a p r e s e n t a d o s a seguir.
126
RESULTADOSE DISCUSSÃO: Origem das amostras apreendidas na cidade de São Paulo
7.1
ESTUDOS DE C A S O
7.1.1 O r i g e m d a s A m o s t r a s A p r e e n d i d a s na C i d a d e d e S ã o Paulo
A partir d o m o d e l o d e s e n v o l v i d o no item anterior c o m b a s e e m t o d a s a s variáveis
disponíveis, e s t i m o u - s e a o r i g e m d a s 8 0 a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n a c i d a d e S ã o Paulo entre
1 9 9 9 e 2 0 0 4 . Estes r e s u l t a d o s e n c o n t r a m - s e listados n a T a b . 2 3 ,
T a b e l a 2 3 : Classificação das amostras apreendidas na cidade de São Paulo através da análise de
discriminantes utilizando-se os dados isotópicos e elementares previamente definidos no modelo
( ô ' V , ô ' - N , Cu, Co, Ba, La, Zn, Fe, Y e Mn).
Classificação das amostras de SF*
Original
Count
%
Predicted Group Membership
3,00
1,00
2,00
30
0
0
0
0
65
25
0
0
4
66
10
,0
100,0
,0
,0
100,0
,0
100.0
,0
.0
82,5
5,0
12,5
PREDICT
1 (MS)
2 (POL)
3 (AM)
São Paulo
1 (MS)
2 (POL)
3 (AM)
São Paulo
Total
30
85
25
80
100,0
100,0
100,0
100,0
3 100,0% of original grouped cases correctly classified.
Cerca d e 8 3 % d a s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s na c i d a d e a p r e s e n t a r a m perfil q u í m i c o similar
á d a q u e l a s a p r e e n d i d a s no Mato G r o s s o d o S u l , e n q u a n t o q u e 5 % t r a z e m indícios d e s e r e m
originárias d o N o r d e s t e brasileiro e 1 2 , 5 % da região A m a z ó n i c a , A distribuição d a s a m o s t r a s no
espaço
das funções
discriminantes
pode
s e r vista
n a Fig
31
Apesar
de não haver
s o b r e p o s i ç õ e s para o g r u p o d e t r e i n a m e n t o e n t r e a s regiões 1,2 e 3, a l g u m a s a m o s t r a s d e S ã o
P a u l o n ã o p u d e r a m s e r classificadas c o m clareza, e n c o n t r a n d o - s e e m regiões intermediárias
no m a p a territorial (Fig. 3 1 - G r u p o C).
127
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Origem das amostras apreendidas na cidade de São Paulo
Região 1
Figura 3 1 : Distribuição das amostras apreendidas na cidade de São Paulo no espaço das flinções
discriminantes, considerando-se os perfis isotópicos e elementares previamente definidos no
modelo (ô'-^C, ô'^N, Cu, C o , Ba, La, Zn, Fe, Y e Mn).
Para exemplificar, p o d e m o s citar a s d u a s a m o s t r a s d o G r u p o C q u e a p r e s e n t a r a m perfil
q u í m i c o similar à d a R e g i ã o 2 c o m P < 0 , 5 (Fig. 31) a p r e s e n t a n d o u m a p r o b a b i l i d a d e q u a s e
igual d e p e r t e n c e r e m à R e g i ã o 1 ; e s t e m e s m o c o m p o r t a m e n t o foi o b s e r v a d o para outras
a m o s t r a s d o G r u p o C.
De m o d o a verificarmos o perfil isotópico d a s a m o s t r a s c l a s s i f i c a d a s c o m o s e n d o d a s
regiões 1 e 3, estas a m o s t r a s f o r a m n o v a m e n t e p l o t a d a s n o gráfico isotópico - Fig. 3 2 . De u m a
f o r m a g e r a l , elas a p r e s e n t a r a m c o m p o s i ç õ e s isotópicas similares, n ã o s e n d o possível distinguilas c o m b a s e n o s resultados obtidos p o r IRMS. O s níveis e l e m e n t a r e s p o r s u a v e z f o r a m mais
128
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Origem das amostras apreendidas na cidade de São Paulo
baixos, s e m e l h a n t e s à q u e l e s obtidos para a m o s t r a s a p r e e n d i d a s na região A m a z ô n i c a * .
Importante relatar q u e n ã o foi o b s e r v a d a n e n h u m a t e n d ê n c i a e m f u n ç ã o d o a n o d e a p r e e n s ã o .
10
8 J
40
4Á
« SP - Reg1
• SP - Reg2
A SP - Reg3
-32
-30
-28
-26
-24
Figura 32: Representação dos resultados obtidos para as amostras apreendidas na cidade de São
Paulo utilizando-se a função discriminante, no gráfico dos isótopos de C e N (em % o ) . A barras
representam 2 a para o grupo do Mato Grosso do Sul.
De a c o r d o c o m o m o d e l o d e s e n v o l v i d o , a maior parte d a s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s e m
S ã o Paulo a p r e s e n t a a m e s m a o r i g e m g e o g r á f i c a d a q u e l a s a p r e e n d i d a s n o M a t o G r o s s o do
SuL o q u e e n c o n t r a - s e d e a c o r d o c o m as i n f o r m a ç õ e s f o r n e c i d a s pela Polícia. I n e s p e r a d a é a
p a r c e l a a p r e e n d i d a q u e p a r e c e ser originária da região A m a z ô n i c a .
A maior parle destas amostras foram previamente classificadas como sendo originárias da Região .3 alra\és da
análise dos constituintes inorgânicos (\er item 7.2.3 Construção do modelo de classificação uiitizando-sc
constituintes inorgânicos Classificação das amostras de São Paulo, pg 116).
129
RESULTADOS E DISCUSSÃO: Origem das amostras apreendidas na cidade de São Paulo
S e g u n d o e s t u d o s realizados por Mingardi^® entre os a n o s d e 1 9 9 6 e 1999, parte da
m a c o n h a c o n s u m i d a na c i d a d e seria originária d o P o l í g o n o da M a c o n h a , mais e s p e c i f i c a m e n t e
de P e r n a m b u c o . No e n t a n t o não f o r a m o b s e r v a d o s neste t r a b a l h o , indícios d e q u e a m a c o n h a
p r o d u z i d a n o N o r d e s t e c h e g u e e m g r a n d e s p r o p o r ç õ e s à c i d a d e d e S ã o Paulo. A s d u a s
a m o s t r a s q u e a p r e s e n t a r a m indícios d e ser originárias da região N o r d e s t e
encontram-se
p r o v a v e l m e n t e ligadas a o c o n s u m o direto o u a o tráfico e m p e q u e n a e s c a l a , u m a v e z q u e as
q u a n t i d a d e s a p r e e n d i d a s f o r a m baixas (4,8 e 126,1 g). Isto p o d e ser d e c o r r ê n c i a d a s intensas
o p e r a ç õ e s d e c a m p o q u e v ê m s e n d o realizadas pelo G o v e r n o Federal d e s d e 1 9 9 9 , e q u e
s e g u n d o e s p e c i a l i s t a s v ê m e r r a d i c a n d o cerca d e 9 0 % da m a c o n h a p l a n t a d a n a s c i d a d e s d o
P o l í g o n o . I m p o r t a n t e o b s e r v a r q u e o cultivo e m P e r n a m b u c o v e m s e n d o r e t o m a d o n o s últimos
a n o s , c o m o c o n s e q ü ê n c i a da d i m i n u i ç ã o d a s o p e r a ç õ e s d e c a m p o e t a m b é m pelo a u m e n t o nos
índices p l u v i o m é t r i c o s , q u e f a v o r e c e m o c r e s c i m e n t o d e s t a s plantas^''^.
O u t r o a s p e c t o q u e d e v e ser c o n s i d e r a d o na interpretação dos r e s u l t a d o s é q u e a
análise d e d i s c r i m i n a n t e s delimita a distribuição d o s g r u p o s no n o v o e s p a ç o , t r a ç a n d o u m
m a p a territorial q u e divide o plano e m N regiões ( o n d e N o n ú m e r o d e g r u p o s c o n s i d e r a d o s )
s e n d o q u e t o d a s as a m o s t r a s s ã o n e c e s s a r i a m e n t e classificadas c o m o p e r t e n c e n t e s a u m
destes g r u p o s . E m o u t r a s palavras, a LDA n ã o é c a p a z d e identificar q u a n d o u m a d a d a
a m o s t r a n ã o é originária d e n e n h u m a d a s regiões e s t u d a d a s . Desta f o r m a , a p r o b a b i l i d a d e d e
q u e as a m o s t r a s d o G r u p o C s e j a m p r o v e n i e n t e s d e outras regiões n ã o c o n s i d e r a d a s n o
m o d e l o , t a m b é m n ã o d e v e ser d e s c a r t a d a . A p e s a r d e s t a s dificuldades, este m o d e l o classificou
c o m s u c e s s o as a m o s t r a s a p r e e n d i d a s nas ruas d e S ã o Paulo, i n d i c a n d o q u e a m a i o r parte
delas p r o v ê m da rota P a r a g u a i / M a t o G r o s s o d o S u l .
130
Reclassificação dos Outliers
7.1.2 Reclassificação d o s Outliers
- Verificação da Procedência
Nesta e t a p a d o trabalho, a s a m o s t r a s p r e v i a m e n t e d e s c o n s i d e r a d a s na c o n s t r u ç ã o d o
m o d e l o de c l a s s i f i c a ç ã o {outliers
isotópicos) f o r a m a v a l i a d a s q u a n t o a s u a o r i g e m , utilizando-se
o m o d e l o d e s e n v o l v i d o . O s r e s u l t a d o s obtidos e n c o n t r a m - s e listados na T a b . 2 4 .
Tabela 24: Classificação dos outliers isotópicos utilizando-se a análise de discriminantes e as
seguintes variáveis - ô^^C, ô^^N, Cu, Co, Ba, La, Zn, Fe, Y e Mn.
Classificação dos "outliers" segundo isótopos e inorgânico^
Original
Count
%
PREDICT
1 (MS)
2 (Polígono)
3 (Amazônica)
"outliers"
1 (MS)
2 (Polígono)
3 (Amazônica)
"outliers"
Predicted Group Membership
1,00
2,00
3,00
0
30
0
0
0
85
0
0
25
3MS
IMS
2PE
2PE
ICE
7CE
ICE
,0
100,0
,0
,0
,0
100,0
100,0
,0
,0
5,9
70,6
23,5
Total
30
85
25
17
100,0
100,0
100,0
100,0
a- 100,0% of original grouped cases correctly classified.
Das
quatro
amostras
apreendidas
no
Mato
Grosso
do
Sul
que
apresentaram
composição isotópica de carbono acima do esperado, sobrepondo-se a algumas amostras
a p r e e n d i d a s n o N o r d e s t e , três f o r a m c l a s s i f i c a d a s c o m o s e n d o originárias d a própria R e g i ã o 1
e n q u a n t o q u e u m a a p r e s e n t a indícios d e ser originária d o P o l í g o n o d a M a c o n h a . D a s n o v e
a m o s t r a s a p r e e n d i d a s no C e a r á , sete a p r e s e n t a r a m o m e s m o perfil d a s a m o s t r a s d o M S
( R e g i ã o 1), e n q u a n t o q u e a s o u t r a s d u a s a p a r e n t e m e n t e f o r a m cultivadas u m a n o N o r d e s t e
brasileiro ( R e g i ã o 2) e a o u t r a n a r e g i ã o A m a z ô n i c a ( R e g i ã o 3). P a r a finalizar, d a s q u a t r o
a m o s t r a s a p r e e n d i d a s e m P e r n a m b u c o q u e a p r e s e n t a r a m perfil d e ô^^N distinto d o g r u p o , d u a s
1.31
Reclassificação dos Outliers
a p r e s e n t a m indícios d e t e r e m sido cultivadas no próprio Polígono e n q u a n t o q u e as outras d u a s
p a r e c e m ser originárias t a m b é m d a região d o M a t o G r o s s o d o S u l . A distribuição d e s t a s
a m o s t r a s n o gráfico isotópico s e g u n d o esta classificação p o d e ser o b s e r v a d a na Fig. 3 3 .
O b s e r v o u - s e u m a s o b r e p o s i ç ã o entre a m o s t r a s c o m diferentes o r i g e n s q u a n d o os valores d e
ô^^C e ô^^N s ã o m a i o r e s q u e -27,5%o e 5%o r e s p e c t i v a m e n t e .
classificação
segundo medeio
8,00-
•
1
•
2
• 3
origem - local
de apreensão
A BA
4,00-
^ CE
o
O MA
•
•
0 00-H
A
A
O
MS
PA
• PE
•
A
•
-4,00-30 00
-28,00
-26 00
-24,00
Figura 33: Reclassificação das amostras descartadas do modelo segundo análise de
discriminantes considerando-se os isótopos de carbono e nitrogênio e os seguintes elementos:
Cu, C o , Ba, La, Zn, Fe, Y e Mn..
Nas Fig. 3 4 a 3 6 estas a m o s t r a s s ã o r e p r e s e n t a d a s no e s p a ç o d a s variáveis c a n ó n i c a s .
A s a m o s t r a s a p r e e n d i d a s no M S e n c o n t r a m - s e e m u m a região intermediária entre os g r u p o s 1
e 2. Isto p o d e ser e x p l i c a d o pelos altos valores d e 6^^C o b t i d o s para estas a m o s t r a s e m
c o m p a r a ç ã o c o m o restante d o g r u p o , u m a v e z q u e esta variável é a mais relevante na
132
Reclassificação dos Ouiliers
c o m p o s i ç ã o d a F 1 ; o m e s m o raciocínio é válido para o s outüers d o C E e d e P E . U m a d a s
h i p ó t e s e s para explicar a variabilidade d o s v a l o r e s d e ô^^C n e s t a s a m o s t r a s é a a d i ç ã o d e
adulterantes
como
p o r e x e m p l o f o l h a s d e milho^^^. O milho é u m a g r a m í n e a
fotossintético C 4 , e d i f e r e n t e d a cannabis
item
3.2.1.1
Carbono,
d o ciclo
a p r e s e n t a v a l o r e s d e ô^^C e m t o r n o d e -13%o ( v e r
p g 28). C o n s e q ü e n t e m e n t e ,
a
adição
destas
plantas
alteraria
significativamente o s t e o r e s d e S " C n e s t a s a m o s t r a s . Esta prática é d e c o n h e c i m e n t o d a
polícia^^® no e n t a n t o o m o d e l o d e s e n v o l v i d o n ã o é c a p a z d e identificar e s t a s a d u l t e r a ç õ e s . P a r a
resultados c o n c l u s i v o s t o r n a - s e n e c e s s á r i a a r e a l i z a ç ã o e s t u d o s c o m p l e m e n t a r e s c o m o p o r
e x e m p l o a a n á l i s e d e D N A d e s t a s a m o s t r a s . C o m isto seria possível e s t a b e l e c e r d e f o r m a m a i s
c o n c l u s i v a o s limites isotópicos e s p e r a d o s para c a d a u m a d a s regiões e s t u d a d a s .
8
6
I
+
4
•
-6
°
-4
n
+
O
°
Oo
4
_
-2 -
_
A
6
A
^-'¿'1«'
O Regl-MS
• Reg2-Fbl •
AReg.3-.Am
X centroides
+ MS-POL
+P,/1S-MS
-4
a ' ^ ' ^
^
A
'
função 1
'
Figura 3 4 : Classificação das amostras apreendidas no M a t o G r o s s o d o Sul que apresentaram
perfis de Ò^^C acima do esperado. Obser\'a-se um.a dispersão significativa destas amostras com.
relação a o restante d o g r u p o .
Reclassificação dos Ouílicrs
o
B
CM
O
O Oo
o
o
°
O
ira
-6
-4
OReg1-N1S
A Reg3-Am
o CE-MS
o CE-AM
D
• Reg2-RD! °
x centroides
o CE-POL
Oa
-2
A
A
A
-4
função 1
A
-6
Figura 35: Classificação das 9 amostras apreendidas no Ceará que apresentaram perfis de ô'"N
acima do esperado para a região Nordeste. Sete destas amostras apresentam como provável local
de origem a região do M a t o G r o s s o d o Sul, enquanto que uma parece ter sido cultivada na região
Amazônica e outra no próprio Polígono.
6
CM
O
m
o
c
-6
ô Regl-MS
• Reg2-Fbl
A Reg3-Am
x centroides
O PE-MS
o PE-POL
-4
função 1
Figura 36: Classificação das quatro amostras apreendidas em Pernambuco e que apresentaram
níveis de 5'-N acima do esperado para a região Nordeste. Duas destas amostras aparecem, como
sendo originárias da região do M a t o Grosso do Sul enquanto que as outras duas parecem ter sido
cultivadas no próprio Polígono.
131
Origem das amostras apreendidas no Acre
7.1.3 O r i g e m d a s A m o s t r a s A p r e e n d i d a s no Acre
O A c r e n ã o a p r e s e n t a níveis significativos d e e r r a d i c a ç õ e s d e cannabis
e acredita-se
q u e a m a i o r parte d a s a m o s t r a s c o m e r c i a l i z a d a s n a região seja originária d e o u t r a s localidades.
Este E s t a d o f a z fronteira c o m a Bolívia e o P e r u , o n d e s e s a b e existir g r a n d e cultivo d e
c o c a í n a * . A s a p r e e n s õ e s d e cannabis
p o d e m s e r c o n s i d e r a d a s p e q u e n a s (9 e 3 t o n e l a d a s e m
2 0 0 2 n a Bolívia e P e r u , r e s p e c t i v a m e n t e ) , n ã o existindo t a m b é m relatos d e cultivo e m larga
e s c a l a d e s t a d r o g a n e s t e s países.
F o r a m a n a l i s a d a s 15 a m o s t r a s a p r e e n d i d a s entre 2 0 0 0 e 2 0 0 2 . O s perfis isotópicos
d e s t a s a m o s t r a s p o d e m ser o b s e r v a d o s n a Fig. 3 7 . A maior parte d e l a s p a r e c e s e r originária d e
r e g i õ e s ú m i d a s , e n q u a n t o q u e d u a s a m o s t r a s p a r e c e m ter sido c u l t i v a d a s e m a m b i e n t e s mais
s e c o s , c o m o o N o r d e s t e brasileiro (Fig. 37).
Os maiores produtores de cocaína na América do Sul são, em ordem de relevância, Colômbia, Bolívia e Peru.
1.15
Origem das amostras apreendidas no Acre
10
- ••
8 ^
•
g C E med
• PE med
Û BA med
^ PA m ed
^ PA m ed
<^MAmed
gAC
-A-
«
4 4
2
I—h
-2
-32
-30
-28
-26
-24
Figura 3 7 : Resultados de ô ' ^ C e Ô^^N obtidos para as amostras d o Acre em c o m p a r a ç ã o c o m a
média obtida para as outras regiões (as barras correspondem a 2 c )
Os r e s u l t a d o s o b t i d o s utilizando-se o m o d e l o d e classificação d e s e n v o l v i d o p o d e m s e r
o b s e r v a d o s n a s T a b . 2 5 e Fig. 3 8 . Por estes resultados p o d e - s e concluir q u e a maior parte d a s
a m o s t r a s a p r e s e n t a perfil similar à d a q u e l a s a p r e e n d i d a s no Mato G r o s s o d o S u l .
136
Origem das amostras apreendidas no Acre
Tabela 25: Classificação das amostras apreendidas no Acre segundo análise de discriminantes
15>
utilizando-se as seguintes variáveis (ô'^'C, Ô'^N,
Cu, Co, Ba, La, Zn, Fe, Y e Mn).
Classificação das amostras apreendidas no
Original
Count
Predicted Group Membership
1,00
2,00
3,00
28
0
0
0
79
0
PREDICT
1 (MS)
2 (Polígono)
3 (Amazônica)
0
Acre
%
ACRE
1 (MS)
2 (Polígono)
3 (Amazônica)
Acre
0
2
,0
100,0
23
15
100,0
,0
,0
75,0
,0
10,0
100,0
15,0
3
,0
,0
Total
28
79
23
20
100,0
100,0
100,0
100,0
a 100,0% of original grouped cases correctly classified.
B
O
M
-6
-4
•
O Regl-MS
• Reg2-Pol
A Reg 3-A m
X centroides
-t-AC-AM
-f-AC-MS
-4
FUNÇÃO 1
-6
B|AC-POL
Figura 38: Classificação das amostras apreendidas no Acre segundo fianções canónicas,
utilizando-se os perfis isotópicos e elementares previamente definidos no modelo (o'^C, o'^N,
Cu, C o . Ba, La, Zn, Fe, Y e Mn).
137
Origem das amostras apreendidas no Acre
A p e s a r d o A c r e e s t a r localizado n a região A m a z ô n i c a , e s t e E s t a d o a p r e s e n t a
um
r e g i m e de c h u v a s mais p r ó x i m o a o d o M a t o G r o s s o d o S u l . R e s u l t a d o s o b t i d o s p a r a i s ó t o p o s
d e c a r b o n o p a r a a m o s t r a s d e f o l h a s c o l e t a d a s na região t a m b é m i n d i c a m v a l o r e s
mais
p r ó x i m o s a o s d o C e r r a d o d o q u e da R e g i ã o d e M a n a u s e Santarém"*^'^^^. E m b o r a a m a i o r parte
d a s a m o s t r a s a p r e s e n t e perfil similar a o d o M a t o G r o s s o d o Sul é possível q u e elas s e j a m
originárias d o próprio E s t a d o o u d e r e g i õ e s p r ó x i m a s , n ã o e s t u d a d a s n e s t e t r a b a l h o . Desta
f o r m a , para r e s u l t a d o s c o n c l u s i v o s f a z - s e n e c e s s á r i a a realização d e e s t u d o s adicionais c o m o
por e x e m p l o a a n á l i s e d e a m o s t r a s e r r a d i c a d a s n a região.
138
Origem das amostras apreendidas no Paraná
7.1.4 O r i g e m d a s A m o s t r a s A p r e e n d i d a s n o P a r a n á
O E s t a d o d o P a r a n á , s i t u a d o n a r e g i ã o S u l d o país f a z fronteira c o m o P a r a g u a i , e
s e g u n d o a Polícia, t a m b é m serve c o m o porta d e e n t r a d a d a m a c o n h a cultivada n o país vizinho
para
o
Brasil.
A
Secretaria
de
Segurança
Pública
deste
Estado
forneceu
para
o
d e s e n v o l v i m e n t o d o projeto, três a m o s t r a s a p r e e n d i d a s na r e g i ã o d e fronteira d o Brasil c o m o
P a r a g u a i * . A p e s a r d o n ú m e r o d e a m o s t r a s s e r muito m e n o r q u e o d e s e j á v e l , elas f o r a m
incluídas neste t r a b a l h o pela s u a i m p o r t â n c i a no c o n t e x t o d o projeto. O s r e s u l t a d o s o b t i d o s
p o d e m s e r o b s e r v a d o s n a s Fig. 3 9 , i n d i c a n d o q u e e l a s a p r e s e n t a m a m e s m a o r i g e m g e o g r á f i c a
d a q u e l a s a p r e e n d i d a s no Mato G r o s s o d o S u l . N o e n t a n t o , para r e s u l t a d o s c o n c l u s i v o s f a z - s e
n e c e s s á r i a a a n á l i s e d e u m a maior n ú m e r o d e a m o s t r a s .
o Oo
2 -
>
OI
O
«o
O"
-6
t3
-A
_ a o ¿ ^
4
ED
-2 -
-4
ô Reg1-MS
E3Reg2-Pol
A Reg3-Am
X; centroides
^Paraná
o
A
A
H
função 1
-6
F i g u r a 3 9 . Classificação das amostras apreendidas no Paraná segundo funções canónicas,
utilizando-se os perfis isotópicos e elementares previamente definidos no modelo (ô'^C, Ô^^N,
Cu, C o , Ba, La, Zn, Fe, Y e M n ) . Observa-se que as três amostras analisadas apresentam origem
similar às do M a t o Grosso do Sul.
" Como estas amostras foram apreendidas na fronteira, em caminliões que entravam no país, pode-se afirmar que
elas são originárias deste país vizinho, apesar de não se conliecer o local exato de cultivo.
139
COMISSÃO
m'm^
oe
mim tíj-iEAmp-iPEH
CONCLUSÕES
CAPÍTULO 8.
CONCLUSÕES
o p r o b l e m a d e d r o g a s e m n o s s o país a t i n g e a t o d o s d e f o r m a i n d i s c r i m i n a d a . Desta
f o r m a , o c o m b a t e a o n a r c o t r á f i c o d e v e ser u m a t a r e f a d e t o d a a s o c i e d a d e e n ã o a p e n a s d o s
o r g a n i s m o s g o v e r n a m e n t a i s . N e s t e c o n t e x t o , u m a d a s principais c o n c l u s õ e s d e s t e t r a b a l h o
reside e x a t a m e n t e n o f a t o d e ter sido d e m o n s t r a d o , d e m a n e i r a i n e q u í v o c a , q u e o e s f o r ç o
c o n j u n t o e n t r e os d i f e r e n t e s s e g m e n t o s d a s o c i e d a d e p o d e trazer u m a g r a n d e c o n t r i b u i ç ã o na
b u s c a d e s o l u ç õ e s p a r a e s t e tipo d e p r o b l e m a .
Devido à n a t u r e z a judiciária d o material a n a l i s a d o , o e q u a c i o n a m e n t o d o s trâmites
legais
consistiu
em
uma
das
etapas
mais
críticas
deste
estudo.
Entretanto,
uma
vez
e q u a c i o n a d o o p r o b l e m a e m n o s s o E s t a d o , o projeto g a n h o u e m credibilidade e as g e s t õ e s
j u n t o à s a u t o r i d a d e s d e o u t r a s regiões d o país t o r n a r a m - s e mais fáceis. A partir daí o b s e r v o u se u m c r e s c e n t e i n t e r e s s e d a c o m u n i d a d e t a n t o científica q u a n t o policial e d e ó r g ã o s d e
s e g u r a n ç a , n e s t e tipo d e c o l a b o r a ç ã o .
O projeto teve início a partir d e u m a c o r d o d e c o l a b o r a ç ã o entre o C e n t r o d e A n á l i s e s e
P e s q u i s a s d o Instituto d e Criminalística d o E s t a d o d e S ã o P a u l o e o G r u p o d e C a r a c t e r i z a ç ã o
Q u í m i c a e Isotópica d o Instituto d e P e s q u i s a s E n e r g é t i c a s e N u c l e a r e s . E m s e g u i d a f o r a m
e s t a b e l e c i d o s p r o t o c o l o s d e c o l a b o r a ç ã o c o m o s Institutos d e Criminalística d o s E s t a d o s da
Bahia, P e r n a m b u c o e C e a r á . P o s t e r i o r m e n t e os ICs d o s E s t a d o s d o A c r e , Pará, M a r a n h ã o ,
M a t o G r o s s o d o Sul e P a r a n á v i e r a m a a c r e s c e n t a r s u a i n e s t i m á v e l c o l a b o r a ç ã o . D e s t a f o r m a ,
a c r e d i t a m o s q u e esta iniciativa t e n h a c o l a b o r a n d o d e f o r m a significativa na a p r o x i m a ç ã o e n t r e
institutos d e P e s q u i s a e ó r g ã o s g o v e r n a m e n t a i s ligados à S e g u r a n ç a Pública.
140
I
CONCLUSÕES
No q u e diz respeito à parte t é c n i c a d o trabalho, a m e t o d o l o g i a p a r a identificação d a
o r i g e m g e o g r á f i c a d e a m o s t r a s d e cannabis
desenvolvida com base em amostras apreendidas
m o s t r o u - s e p o t e n c i a l m e n t e aplicável, p o d e n d o ser p r o n t a m e n t e utilizada pela Polícia s e m
interferir e m
seus procedimentos
padrão
adotados
rotineiramente, e e v i t a n d o o s
riscos
n o r m a l m e n t e e n v o l v i d o s nas o p e r a ç õ e s d e c a m p o .
A t é c n i c a d e I R M S m o s t r o u - s e e s p e c i a l m e n t e i m p o r t a n t e n a a v a l i a ç ã o preliminar d a s
amostras,
separando
claramente
materiais
provenientes
de
regiões
úmidas
e
secas,
l e v a n t a n d o d e i m e d i a t o as principais características climáticas da região d e plantio, s u b s i d i a n d o
a partir daí, t o d o o p r o c e d i m e n t o d e classificação. C o m o e s p e r a d o , o b s e n / o u - s e u m a p e q u e n a
s o b r e p o s i ç ã o entre a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s d a R e g i ã o A m a z ô n i c a e d o Mato G r o s s o d o S u l . E m
c o m p l e m e n t o a e s t e s resultados, a t é c n i c a d e H R - I C P - M S , a p e s a r d e mais d e m o r a d a e
c o m p l e x a , permitiu a d e t e r m i n a ç ã o d e e l e m e n t o s nutrientes e traços, f u n d a m e n t a i s para a
discriminação
dos
grupos
estudados.
Embora
tenha
sido
obsen/ada
uma
pequena
s o b r e p o s i ç ã o e n t r e a m o s t r a s d a R e g i ã o A m a z ô n i c a e d o N o r d e s t e brasileiro, e s t e s r e s u l t a d o s
demonstraram
claramente
a
existência
de
três
diferentes
regiões
de
produção
com
características g e o q u í m i c a s distintas. Por f i m , a a v a l i a ç ã o d o s dois c o n j u n t o s d e variáveis
s i m u l t a n e a m e n t e possibilitou a d i s c r i m i n a ç ã o d a s a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s d a s três r e g i õ e s d e
produção,
sendo
estas
informações
complementares
e
igualmente
importantes
no
r a s t r e a m e n t o d e s u a s o r i g e n s . O s r e s u l t a d o s obtidos pelas d u a s t é c n i c a s f i c a r a m d e a c o r d o
c o m o e s p e r a d o p a r a c a d a região, r e f o r ç a n d o a i n f o r m a ç ã o f o r n e c i d a pela polícia d e q u e estas
a m o s t r a s f o r a m p r o d u z i d a s p r ó x i m a s a o s locais d e a p r e e n s ã o .
A s m e t o d o l o g i a s q u i m i o m é t r i c a s e m p r e g a d a s possibilitaram reduzir a matriz d e d a d o s e
d e t e r m i n a r a s variáveis mais i m p o r t a n t e s n a d i s c r i m i n a ç ã o d o s g r u p o s (ô^^C, ô^^N, C u , C o , La,
Ba, Z n , Fe, Y e Mn), m o s t r a n d o - s e u m a f e r r a m e n t a imprescindível n o e s t a b e l e c i m e n t o d o
m o d e l o de classificação. Importante o b s e r v a r q u e a p e s a r d a p o t e n c i a l i d a d e d e s t a s t é c n i c a s , a
141
CONCLUSO
o b t e n ç ã o d e r e s u l t a d o s confiáveis d e p e n d e d e u m p r o f u n d o c o n h e c i m e n t o d o
P:S
problema
a b o r d a d o e d e t o d a s a s variáveis e n v o l v i d a s .
A s e m e l h a n ç a na c o m p o s i ç ã o q u í m i c a d a s a m o s t r a s p r o v e n i e n t e s d o P a r a n á e d o Mato
G r o s s o d o S u l j á e r a e s p e r a d a , e v ê m a c o n f i r m a r as i n f o r m a ç õ e s d e q u e a rota P a r a g u a i / M a t o
G r o s s o d o S u l é a maior f o r n e c e d o r a d e m a c o n h a n o país. Este f a t o fica m a i s e v i d e n t e se
c o n s i d e r a r m o s a e x i s t ê n c i a d e u m n ú m e r o significativo d e a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n o N o r d e s t e
brasileiro, q u e a p r e s e n t a r a m c o m p o s i ç ã o q u í m i c a similar à d a q u e l a s p r o v e n i e n t e s d o Mato
G r o s s o d o S u l . Esta t e n d ê n c i a é p r o v a v e l m e n t e u m reflexo d a s i n t e n s a s o p e r a ç õ e s d e c a m p o
realizadas n a s p l a n t a ç õ e s d o P o l í g o n o , q u e l e v a r a m à e r r a d i c a ç ã o d e d e z e n a s d e m i l h õ e s d e
pés d e m a c o n h a n o s últimos a n o s , d i m i n u i n d o a p r o d u ç ã o local.
A m a i o r p a r t e d a s a m o s t r a s d e S ã o P a u l o a n a l i s a d a s neste t r a b a l h o , a p r e s e n t o u o r i g e m
g e o g r á f i c a similar à q u e l a s a p r e e n d i d a s n o Mato G r o s s o d o S u l , n ã o s e n d o o b s e r v a d o s no
u n i v e r s o e s t u d a d o , indícios d e q u e a m a c o n h a p r o d u z i d a n o s E s t a d o s d o N o r d e s t e brasileiro
c h e g u e e m g r a n d e s p r o p o r ç õ e s à c i d a d e d e S ã o Paulo. Estes r e s u l t a d o s p a r e c e m c o n t r a d i z e r
as i n f o r m a ç õ e s e x i s t e n t e s n a literatura e d i s s e m i n a d a s n o s m e i o s d e c o m u n i c a ç ã o d e q u e
g r a n d e parte d a m a c o n h a c o n s u m i d a n a c i d a d e seja originária d a r e g i ã o d o P o l í g o n o . Esta
aparente
contradição
poderia
em
primeiro
lugar
ser
reflexo
de
uma
amostragem
não
representativa, uma vez que o número de amostras analisadas é pequeno. Outras explicações
plausíveis p o d e r i a m ser as m u d a n ç a s c o n t í n u a s d a s á r e a s d e p r o d u ç ã o e m f u n ç ã o
operações
de
campo
anteriormente
mencionadas,
ou
mesmo
ao
uso
de
das
informações
imprecisas o b t i d a s j u n t o a usuários e t r a f i c a n t e s , s e n d o q u e para r e s u l t a d o s c o n c l u s i v o s t o r n a se n e c e s s á r i o a a n á l i s e d e u m maior n ú m e r o d e a m o s t r a s . A i n d a c o m relação às a m o s t r a s
a p r e e n d i d a s e m S ã o P a u l o , f o r a m l e v a n t a d o s indícios i n e s p e r a d o s d e q u e p a r t e d e l a s teria
o r i g e m na R e g i ã o A m a z ô n i c a o u d e a l g u m a R e g i ã o n ã o c o n s i d e r a d a n o m o d e l o . Nos dois
c a s o s , a c r e d i t a - s e q u e a a n á l i s e c o n t í n u a d e a m o s t r a s a p r e e n d i d a s n a c i d a d e possibilitará a
o b t e n ç ã o d e r e s u l t a d o s mais r e p r e s e n t a t i v o s e c o n t u n d e n t e s .
142
CONCLUSÕES
O s r e s u l t a d o s obtidos p a r a a m o s t r a s a p r e e n d i d a s e m P e r n a m b u c o t r a z e m indícios de
q u e a Cannabis
p o d e estar s e n d o c u l t i v a d a j u n t a m e n t e c o m l e g u m i n o s a s ,
como é
de
c o n h e c i m e n t o d a Policia, m a s t a m b é m p o d e e s t a r s e n d o p l a n t a d o e m s o l o s c o m a utilização de
fertilizantes industriais. O u t r o f a t o r e l e v a n t e e q u e v e m a c o n f i r m a r f a t o s c o n h e c i d o s é q u e a
m a c o n h a p a r e c e estar s e n d o cultivada e m torno d o Rio S ã o F r a n c i s c o , p r i n c i p a l m e n t e na
Bahia.
F o r a m l e v a n t a d o s t a m b é m indícios d e a d u l t e r a ç ã o d e s t a s d r o g a s c o m a a d i ç ã o d e
o u t r o s materiais v e g e t a i s , p r i n c i p a l m e n t e n a s a m o s t r a s originárias d a r e g i ã o d o M a t o G r o s s o
d o S u l . E n t r e t a n t o , para resultados c o n c l u s i v o s f a z - s e n e c e s s á r i a a realização d e análises
complementares
c o m o por e x e m p l o d e D N A o u a n á l i s e s m i c r o s c ó p i c a s , q u e
permitiriam
identificar a p r e s e n ç a d e a d u l t e r a n t e s c o m o o milho. C o m isso os limites isotópicos para
regiões úmidas e secas poderão ser melhor estabelecidos.
Este t r a b a l h o d e m o n s t r o u q u e , a p e s a r d a s limitações r e l a c i o n a d a s a o p r o c e d i m e n t o de
a m o s t r a g e m , é possível a c r i a ç ã o d e u m b a n c o d e d a d o s nacional c o m b a s e e m a m o s t r a s
a p r e e n d i d a s j u n t o a usuários e traficantes. Entretanto, a q u a l i d a d e d o m o d e l o d e classificação
desenvolvido e a confiabilidade dos resultados d e p e n d e m da disponibilidade de um grande
número
de
amostras
analisadas,
provenientes
das
diferentes
regiões
produtoras
e
c o n s u m i d o r a s d o país. C a b e a c r e s c e n t a r q u e a i m p l a n t a ç ã o d e s t e tipo d e p r o g r a m a c o m b a s e
e m a m o s t r a s e r r a d i c a d a s n a s p l a n t a ç õ e s viria a c o m p l e m e n t a r d e f o r m a i n e q u í v o c a
os
r e s u l t a d o s o b t i d o s a t é o m o m e n t o . C o m e s t e m o n i t o r a m e n t o c o n t í n u o s e r á possível identificar
n o v a s á r e a s d e plantio n o m o m e n t o e m q u e elas iniciam sua p r o d u ç ã o , e v i t a n d o q u e o tráfico
s e c o n s o l i d e n a região d e p r o d u ç ã o e c o r r o m p a o t e c i d o social.
143
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Amazon
and nitrogen
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Brazil,
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composition
of vegetation
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forests
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ofttie
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155
APÉNDICE 1: Gráficos de dispersão para os elementos analisados
(concentração do elemento em |ig g"' para cada um dos Estados estudados)
APÉNDICE]
7600000•
600000 -
500000040ÜÜ00 -
re
tQ
200000
~i
AC
1—
i
BA
MA
1 1
MS
PA
1 1
PE
PR
SP
7500000 -J
5000000
u.
2500000 -
1 1 1
AC
BA
CE
AC
60000-;
3
o
AC
BA
CE
MA
MS
PA
PE
PR
SP
BA
ce
MA
MS.
PA
PE
PR
.5P
APENDICEI
2000000 -
n
O
500000 5000^
AC
BA
CE
MA
MS
PA
PE
PR
2000'
AC
BA
CE
MA
MS
PA
PE
PR
AC
SP
BA
CE
MA
MS
PA
PE
PR
SP
20000^
500QQQ "
I
AC
1
SA
1
CE
1
MA
1
MS
1
PA
1
PE
1 — I —
PR
SP
APÉNDICE!
5000
AC
BA
CE
MA
MS
PA
PE
PR
SP
1260-
•O
z
2000-
APENDICEI
500-:
AC
BA
CE
MA
MS
PA
PE
PR
SP
5
lOOQ
50000 -]
BA
CE
MA
MS
PA
PE
PR
SP
AC
BA
CE
MA
MS
PA
PE
PR
SP
APÊNDICE 2: Correlação entre os elementos
analisados para cada uma das regiões
APÉNDJCE2
Neste a p ê n d i c e s ã o a p r e s e n t a d a s a s principais c o r r e l a ç õ e s e n t r e o s e l e m e n t o s p a r a
c a d a u m a d a s regiões e s t u d a d a s o b t i d a s p o r m e i o d a análise d e c o m p o n e n t e s principais, b e m
c o m o u m l e v a n t a m e n t o preliminar d a s características d a g e o l o g i a local q u e p o d e r i a m explicar
estas
correlações.
Lembrando
mais
u m a v e z q u e para
resultados
conclusivos
há
a
n e c e s s i d a d e d e s e c o n h e c e r o local e x a t o d e cultivo d a s a m o s t r a s , realizado-se análises d e
solos e t a m b é m u m e s t u d o m a i s a p r o f u n d a d o d o s m e c a n i s m o s d e a b s o r ç ã o d o s e l e m e n t o s
pela Cannabis
sativa
L..
N a T a b e l a A P 2 - 1 s ã o a p r e s e n t a d a s a s variáveis m a i s i m p o r t a n t e s p a r a c a d a u m a s d a s
3 c o m p o n e n t e s principais p a r a a s r e g i õ e s e s t u d a d a s . A seguir, c a d a u m a d e s t a s c o m p o n e n t e s
será discutida s e p a r a d a m e n t e .
T a b e l a A P 2 - 1 : Elementos mais relevantes na composição da P C I , P C 2 e P C 3 para cada uma
das reaiões estudadas.
PCI
PC2
PC3
Região 1 - Mato Grosso do Sul
Elementos
E T R leves e B a
Fe, Al, Mn e C o
Cu, Zn e Ga
Região 2 - Polígono da Maconha
Elementos
E T R leves, U e T h
M n , Fe, A l e M o
Ba, Sr e T h
Região 3 - Região Amazônica
Elementos
E T R leves e A l
Mn, Cu e Zn
Fe, C o e Y
A PENDICE2
Região 1 - Mato G r o s s o d o Sul
P a r a esta região o b t e v e - s e u m a forte correlação entre o s E T R L e Ba ( P C I ) ; o P C 2 foi
c o m p o s t o b a s i c a m e n t e por Fe, A l , M n e C o , e n q u a n t o q u e o P C 3 e n c o n t r o u - s e a s s o c i a d o a o s
níveis d e C u , G a e Z n - T a b e l a A P 2 - 2 . Urna forte c o r r e l a ç ã o t a m b é m foi o b s e r v a d a e n t r e U e Y
n e s t a s a m o s t r a s . A variabilidade e x p l i c a d a pelos quatro primeiros c o m p o n e n t e s foi d e c e r c a d e
6 1 % . Estas c o m p o n e n t e s s ã o discutidas a seguir;
P C 1 ( E T R L e Ba) - C o m o descrito n o ítem 6 . 1 2 Geologia
das Regiões
Estudadas,
os basaltos
toleíticos d a Bacía d o P a r a n á a p r e s e n t a m o s e l e m e n t o s terras raras a s s o c i a d o s a a l g u n s
e l e m e n t o s incompatíveis, g r u p o d o q u a l f a z parte o Ba. D e u m a f o r m a g e r a l , o bário a p r e s e n t a
p r o p r i e d a d e s q u í m i c a s similares a o d o s l a n t a n í d e o s , d e v i d o à s e m e l h a n ç a no raio iónico e
m a s s a a t ó m i c a , o q u e os leva a t e r e m c o m p o r t a m e n t o s similares n o solo. Desta f o r m a , e s t a
primeira c o m p o n e n t e p a r e c e e s t a r a s s o c i a d a à g e o l o g i a d a região.
P C 2 (Fe, A l , M n e Co) -
D e urna f o r m a geral, C o , F e e M n a p r e s e n t a m
comportamentos
g e o q u í m i c o s similares, s e n d o q u e o primeiro p o d e substituir o F e e M n na estrutura cristalina
d o s minerais. O d e s t i n o d e s t e s e l e m e n t o s n o s p r o c e s s o s i n t e m p é r i c o s e n a distribuição n o s
sedimentos
e
no
solo
também
são
similares.
Estes
quatro
elementos
aparecem
correlacionados em rochas vulcânicas máficas, como as da Formação Serra Geral
a b r a n g e m b o a parte d o M a t o G r o s s o d o S u l . Por outro lado, M n , Fe e Al
que
apresentam
p r o p r i e d a d e s físico-químicas similares. D e s t a f o n n a , a P C 2 p a r e c e e s t a r r e l a c i o n a d a t a n t o à
g e o l o g i a q u a n t o às p r o p r i e d a d e s físico-químicas d o solo.
PC3
(Cu, G a
e Zn) - O s
níveis d e G a
não variam
muito c o m o tipo d e r o c h a ;
seu
c o m p o r t a m e n t o e m p r o c e s s o s i n t e m p é r i c o s por s u a v e z é similar a o d o A l , e l e m e n t o c o m o
q u a l a p a r e c e f o r t e m e n t e c o r r e l a c i o n a d o e m minerais d e A l c o m o a b a u x i t a . S u a distribuição
n o s solos e n c o n t r a - s e n o r m a l m e n t e c o r r e l a c i o n a d o a o s níveis d e Fe e M n (óxidos)
não
A PENDieE2
a p r e s e n t a n d o a princípio n e n h u m tipo d e a s s o c i a ç ã o c o m C u e Z n . Desta f o r m a , n ã o se s a b e a
q u e atribuir a correlação e n t r e C u , G a e Z n o b s e r v a d a nestas a m o s t r a s .
Tabela A P 2 - 2 : Matriz d o s componentes para amostras apreendidas no M a t o G r o s s o do Sul
(peso das variáveis para cada uma das componentes). Observou-se uma forte correlação entre os
elementos terras raras leves e Ba ( P C D , Mn. Fe. Al e C o ( P C 2 ) . Cu, Ga e Zn (PC3) e U, Th e Y
(PC4)
Rotated Component Matrix - Região 1 ( M ^
Comp onsnt
RB
SR
DN
DC
MN
FE
AL
BA
CE
CO
CU
GA
LA
MO
ND
PB
PR
TH
ij
Y
ZN
1
,374
,369
-6.43E-03
-5,82E-02
,267
5,086E-02
,294
,861
,738
-.131
-,384
,259
,940
9,949E-02
,841
,207
,889
,290
9,221 E-02
-,149
-.209
2
-6,95E-02
-7,84E-02
6,458E-02
-,550
,722
,940
,711
-,217
,561
,710
1,665E-02
9,675E-03
-1,88E-02
-,312
,428
9,844E-02
,331
,131
3,572E-02
9,284E-05
-6,53E-02
3
,249
-.168
6,158E-02
-,315
,365
-,138
3,384E-02
-5,11 E-02
3,083E-02
-.259
,754
,748
-7,29E-02
-,124
-,133
7,884E-02
-7,93E-02
,166
-4,96E-02
-9,09E-02
,916
4
-,218
9,727E-02
-4,65E-02
,265
5,489E-02
-1,00E-02
-4,06E-02
1,068E-02
4,814E-02
,228
-,123
,113
6,249E-02
-7,42E-02
3,923E-02
,140
1,406E-02
,645
,924
.382
-8,82E-02
Extraction Method Principal Component Analysis
Rotation Method: Varimax with Kaiser Normalization.
a. Rotation converged in 8 iterations.
Região 2 - Polígono da Maconha
O P C 1 d e s t e g r u p o é f o r m a d o pelos E T R q u e a p r e s e n t a r a m t a m b é m u m a c o r r e l a ç ã o
e m m e n o r g r a u , c o m U e T h ; o P C 2 é c o m p o s t o por M n , Fe, A l e M o e o P C 3 p o r B a , S r e T h ;
Rb e G a t a m b é m a p a r e c e m c o r r e l a c i o n a d o s n o P C 4 ( T a b e l a A P 2 - 3 ) , Explica-se a seguir:
APÉND1CE2
PC1 - A correlação o b s e r v a d a e n t r e E T R L , U e T h p o d e ser e x p l i c a d a pela própria g e o l o g i a d a
região, u m a vez q u e estes e l e m e n t o s e n c o n t r a m - s e f o r t e m e n t e a s s o c i a d o s nos
d i s p o n í v e i s nesta região (ver item 6.1.2 Geologia
PC2
das Regiões
minerais
Estudadas).
( M n , Fe, Al e Mo) - O M o a p a r e c e e m altas c o n c e n t r a ç õ e s e m r o c h a s graníticas e
m a g m á t i c a s ácidas (entre 1 e 2 ng g"^).
normalmente
maiores concentrações
S o l o s d e regiões áridas e s e m i - á r i d a s a p r e s e n t a m
d e s t e e l e m e n t o , s e n d o s u a solubilidade
fortemente
d e p e n d e n t e d o pH d o solo, c o m maior biodisponibilidade e m solos alcalinos (pH>6); a o
contrário, Fe, Al e M n t o m a m - s e
m a i s b i o d i s p o n í v e i s e m solos á c i d o s . Desta f o r m a , a
c o r r e l a ç ã o o b s e r v a d a entre M o , F e , M n e Al n o P C 2 p a r e c e e s t a r a s s o c i a d a a o material d e
origem,
uma
vez
que
as p r o p r i e d a d e s
físico-químicas
(pH) t e n d e r i a m
a fornecer
uma
c o r r e l a ç ã o inversa e n t r e estes e l e m e n t o s .
PC3 e PC4 - Os e l e m e n t o s Ba, Sr, T h , Rb e G a e n c o n t r a m - s e a s s o c i a d o s e m f e l d s p a t o s ,
sendo
estas correlações
fortes
indicativos d e q u e o solo
n e s t a região é resultado
do
i n t e m p e r i s m o d e material granítico ( c o m u n i c a ç ã o pessoal). Desta f o r m a a P C 3 e P C 4 t a m b é m
p a r e c e m estar f o r t e m e n t e a s s o c i a d a s à s características g e o l ó g i c a s d a região.
APÉNDJCE2
Tabela AP2-3: Matriz dos componentes para amostras apreendidas no Nordeste brasileiro.
Observou-se uma forte correlação entre os elementos terras raras leves que compõem o PC 1
Mn. Fe. Al e M o ( P C 2 ) . Sr, Ba e T h ( P C 3 ) e Rb e G a (PC4).
Rotated Component Matrix - Região 2 (Nordeste
Component
RB
SR
DN
DC
^ylN
FE
AL
BA
CE
CO
CU
GA
LA
MO
ND
PB
PR
TH
U
Y
ZN
1
,283
-,129
-,235
1,627E-02
-1,19E-02
-9,97E-u3
3,295E-Û3
,173
,945
,295
9,809F-02
,157
,942
-3,32E-02
,966
-,101
,967
,452
,434
1,755E-02
-3,32E-03
2
-4,74E-02
7,283E-02
-,265
6,614E-03
,991
,992
,991
1,785E-02
-1,94E-02
,203
4,145E-02
4,178E=02
-3,21 E-02
,962
-8,98E-03
-3,99E-02
-3,57E-03
2,360E-02
2,628E-02
-1,02E-02
,109
4
,818
-,226
,329
,225
3
,108
.819
,303
-,342
2,286E-02
2,999E-02
5,082E-02
,856
,140
-3,97E-03
-4,73E-02
-4,59E-03
-2,82E-03
-7,29E-03
4,272E-02
3,268E-02
5,633E-02
,669
,438
-,103
,155
-1,85E-02
-1,91 E-02
2,649E-03
,213
6,227E-02
4,554E-02
-,342
,679
,165
5,063E-03
,105
,214
,128
,240
,271
-8,40E-02
-,152
Extraction Method" Principal Component Analysis,
Rotation Method: Varimax with Kaiser Normalization.
a Rotation converged in 11 iterations.
Região 3 - Região Amazônica
O primeiro c o m p o n e n t e (PC1) para esta região indicou u m a c o r r e l a ç ã o e n t r e E T R e A l ,
e n q u a n t o q u e o P C 2 p a r a M n , C u e Z n , o P C 3 para Fe, C o e Y e o P C 4 p a r a B a , R b e Sr (Tab,
A P 2 - 4 ) . A região a m a z ô n i c a é u m a d a s mais importantes d o m u n d o e m t e r m o s d e e x t r a ç ã o d e
alumínio (bauxita), n o e n t a n t o e s t e e l e m e n t o n ã o a p r e s e n t a a princípio nenhiuma similaridade
química n e m g e o l ó g i c a c o m os ETR. O s e l e m e n t o s q u e a p a r e c e m c o r r e l a c i o n a d o s no P C 2 são
os nutrientes, p o d e n d o e s t a r a s s o c i a d o s à fertilidade d o s solos. Ferro e C o (PC3) a p r e s e n t a m
p r o p r i e d a d e s g e o q u í m i c a s similares, no e n t a n t o estes e l e m e n t o s d e v e r i a m t a m b é m a p a r e c e r
A FENDieE2
c o r r e l a c i o n a d o s c o m o Mn (ver P C 1 p a r a a Região d o MS); e m a d i ç ã o a isso, n ã o se s a b e
c o m o explicar a correlação d e Fe e C o c o m o Y. O s e l e m e n t o s d a P C 4 , Ba, R b e Sr
a p r e s e n t a m a f i n i d a d e química, p o d e n d o estar a s s o c i a d o s às características g e o l ó g i c a s da
região.
A
dificuldade
em
se explicar
estas
correlações
pode
estar a s s o c i a d a
à
própria
c o m p l e x i d a d e g e o l ó g i c a da região, u m a v e z q u e seus solos são c o m p o s t o s por solos d e idade
e origens g e o l ó g i c a s muito d i f e r e n t e s . D e s t a f o r m a , resultados c o n c l u s i v o s e x i g e m e s t u d o s
m a i s d e t a l h a d o s , c o m o c o n h e c i m e n t o preciso d o local d e plantio.
Tabela AP2-4: Matriz dos componentes para amostras apreendidas na região amazônica.
Observou-se uma forte correlação entre os elementos terras raras leves e Al (PC 1 )., Mn, Ce e Zn
(PC2), Fe, Co e Y (PC3) e Rb, Sr e Ba (PC4)
Rotated Component Matrix - Região 3 (Al\^
Component
RB
SR
DN
DC
MN
FE
AL
BA
CE
CO
CU
GA
LA
MO
ND
PB
PR
TH
U
Y
ZN
1
-,137
-3,54E-02
-.348
,-547
,434
,204
,731
,190
,951
,100
-9,41 E-02
,134
.959
-,301
,905
2,630E-02
,870
7,366E-02
-,168
,446
-,190
2
1,617E-02
-,135
3,650E-02
1,257E-02
.769
-4,13E-02
,112
6,241 E-02
-1,84E-02
,120
,861
-,197
-2,76E-02
,537
4,647E-02
-,236
-,260
3,177E-02
-,440
,488
,879
3
-,260
7,966E-02
,154
,336
-2,78E-02
.854
-7,81 E-03
9,234E-02
,138
,852
,319
-4,63E 02
,138
-,432
,205
-7,77E-02
8,816E-02
,110
,158
,645
6,752E-04
4
,829
,855
-6,35E-03
-,302
-,202
-,221
-,386
,518
-3,39E-02
9,878E-02
,102
=,142
-,102
-9,07E-02
9,851 E-02
6,598E-02
,107
9,982E-02
9,807E-02
-,158
-3,26E-02
Extraction Method Principal Component Analysis
Rotation Method: Varimax with Kaiser Normalization.
3- Rotation converged in 7 iterations.
ANEXO 1: Documentos referentes
aos trâmites legais do projeto
Documentos referentes ao convênio IPEN/SSP-SP - Publicação
do Diário Oficial e Acordo IPEN/SSP-SP
Diário Oficial
Estado de S ã o Paulo
Poder Executivo
Seção i
GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN
Palácio dos Bandeirantes
Av. Morumbí, 4 . 5 0 0 - Morumbi - C E P 0 5 6 9 8 - 9 0 0 - Fone: 3 7 4 5 - 3 3 4 4
Volume 111 - Número 53 - São Paulo. quarta-Feira, 21 de março de 2001
Atos
do
Governador
DESPACHOS DO GOVERNADOR, DE 20-3-2001
No processo SPS-340-84, sobre concessão de pensão especial: "Diante dos elementos de
instrução dos autos, destacando-se o parecer 264-2001, da AJG, indefiro o pedido formulado
por Elisiária Cristina Torres Tenorio, RG 13,127.747, de concessão de pensão especial prevista
no art. 57 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Estadual, por
falta de amparo legal."
No processo GS-6.824-99-SSP c/ ap. Cópia integral do GS-6.111-87-SSP, sobre convênio: "À
vista dos elementos de instrução constantes dos autos, notadamente da exposição de motivos
do Secretário da Segurança Pública e do parecer 278-2001, da A3G, autorizo a celebração de
convénio entre o Estado, por intermédio da referida Pasta e da Superintendência da Policia
Técnico-Científica, e a Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN, por meio do Instituto de
Pesquisas Energéticas e Nucleares - Ipen-SP, nos termos de seus respectivos regulamentos,
objetivando, o ajuste, mútua cooperação na implantação de políticas governamentais na área
da Segurança Pública e desenvolvimento de novas técnicas para as análises periciais forenses,
observada, entretanto, a recomendação inserta no item 13 do aludido parecer e atendidas as
normas legais e regulamentares incidentes na espécie."
No processo SF-95-9032773-2000, sobre convênio: "Diante dos elementos de instrução dos
autos, notadamente da propositura do Secretário da Fazenda e do parecer 273-2001, da A3G,
autorizo a celebração de convênio entre o Estado, por intermédio da Secretaria da Fazenda, e o
Município de Araras, nos moldes propostos, objetivando a manutenção da unidade ^zendária
estadual (PF 182 - Posto Fiscal de Araras - UA 12.805), destinada ao atendimento e à
prestação de serviços de natureza fiscal-administrativa tributária à população, obedecidas as
normas legais e regulamentares atinentes à espécie."
No processo GS-182-2001-SAP, sobre designação de Comissão Processante Especial: "Diante
dos elementos de instrução do expediente e nos termos do art. 278, § 20, da Lei 10.261-68,
designo Roberto Barbosa, RG 6 . 0 6 3 . 9 6 1 , Assistente Técnico de Administração Pública, Maria
Alice Salvador, RG 5.237.357, Assistente Técnico de Gabinete I I , e Rubens Lopes, RG
2.895.743, Assistente Técnico de Gabinete I I , como membros, e Áurea Regina Zollner de
Piniteiro Cintra Dias, RG 5.116.182-5, Executivo Público I, como suplente, para, soba
presidência do primeiro, integrarem Comissão Processante Especial, destinada a apurar falta
disciplinar de que dá notícia estes autos."
No processo GS-183-2001-SAP, sobre designação de Comissão Processante Especial: "Diante
dos elementos de instrução do expediente e nos termos do art. 278, § 2 ° , da Lei 10.261-68,
designo Roberto Barbosa, RG 6 . 0 6 3 . 9 6 1 , Assistente Técnico de Administração Pública, Maria
Alice Salvador, RG 5.237.357, Assistente Técnico de Gabinete I I , e Áurea Regina Zollner de
Pinheiro Cintra Dias, RG 5.116.182-5, Executivo Público I, como membros, a Rubens Lopes, RG
2.895.743, Assistente Técnico de Gabinete I I , como suplente, para, sob a presidência do
primeiro, integrarem Comissão Processante Especial, destinada a apurar falta disciplinar de
28/03/2001 l'
9
\
ESTADO
1
^
DE
SÃO
PAULO
C O N V Ê N I O Q U E ENTRE SI CELEBRAM O E S T A D O D E S Ã O
PAULO.
POR
INTERMEDIO
DA
SECRETARIA
DA
S E G U R A N Ç A P Ü B U C A . P O R MEIO D A S U P E R I N T E N D Ê N C I A
DA
POLlCL\
TÉCNICO-CIENTÍFICA.
E A
COMISSAO
NACIONAL D E E N E R G L \ NUCLEAR - C N E N . ATRAVÉS D O
INSTITUTO D E P E S Q U I S A S E N E R G É T I C A S E N U C L E A R E S LPEK. PARA PROMOVER A C O O P E R A Ç Ã O
TÉCNICOCLENTÍFICA M U T U A N A S A P L I C A Ç Õ E S D A S A N A L I S E S
F Í S I C A S E QUlNUCAS NO CAMPO D A CRIMINALÍSTICA.
I
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*
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O E S T . \ D O D E SÃO PAULO, p o r m t e n n é d i o d a S e c r e t a r i a d a
S e g u r a n ç a P ú b l i c a , . n e s t e a t o r e p r e s e n t a d a por s e u T i t u l a r , Dr. MARCO VINICIO
PETRELLUZZI. d e v i d a m e n t e a u t o r i z a d o p e l o G o v e r n a d o r d o E s t a d o , por m e i o da
S u p e r i n t e n d ê n c i a d a Polícia Técnico-Científica, n e s t e ato r e p r e s e n t a d a por s e u
C o o r d e n a d o r . D r . C E L S O PERIOLL d o r a v a n t e d e n o m i n a d a S S P / S P T C , e a
C O M I S S Ã O NACIONAL D E E N E R G I A NUCLEAR - C N E N . a t r a v é s d o I n s t i t u t o de
P e s q u i s a s E n e r g é t i c a s e N u c l e a r e s - IPEN, d a q u i p o r d i a n t e d e n o m i n a d o C N E N S P / I P E N e r e p r e s e n t a d a p e l o s e u G e s t o r , Prof. Dr. CLÁUDIO R O D R I G U E S ,
devidamente autorizado pelo Presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear
- C N E N , c e l e b r a m o p r e s e n t e CONVÊNIO, q u e t e m p o r o b j e t i v o p r o m o v e r e
disciplinar a cooperação técnico-científica m ú t u a n a ãrea d a s a p ü c a ç õ e s d a s
a n á l i s e s físicas e q u i m i c a s , d e m o l d e a a p e r f e i ç o a r s u a s u t i l i z a ç õ e s n o c a m p o d a
Criminalística e ampliar o alcance social d a s atividades exercidas pelos partícipes.
CLÀUSUL.A. PFÍIMEIRA O objeto d e s t e
Convênio
consiste
basicamente no m ú t u o desenvolvimento de e s t u d o s e p e s q u i s a s , no intercâmbio
de técnicos e p e s q u i s a d o r e s e n a utilização c o m u m de i n s t a l a ç õ e s e e q u i p a m e n t o s
por c a d a u m d o s p a r t i c i p e s , v i s a n d o o s s e g u i n t e s t ó p i c o s :
aj t r a b a l h o s
conjtmtos
nas
áreas
de
análises
para
estabelecimento
de
assinaturas quimicas e outras características
de
s u b s t â n c i a s de i n t e r e s s e e m perícias e pesquisas criminalísücEis;
b) o a u x í l i o n a i m p l a n t a ç ã o d e p o l í t i c a s g o v e r n a m e n t a i s n a á r e a
da Segurança Pública;
c) o d e s e n v o l v i m e n t o d e n o v a s t é c n i c a s p a r a a s a n á l i s e s
períciais forenses, e s t a s de responsabilidade da SSP/SPTC.
CLÁUSULA
SEGUNDA
Ficam
estabelecidas
as
seguintes
instruções, n e c e s s á r i a s para a e x e c u ç ã o deste Convênio:
I- À SSP/SPTC incumbe:
a) p r o p o r c i o n a r a o s p e s q u i s a d o r e s e p e s s o a l t é c n i c o d o IPEN,
devidamente credenciados, o a c e s s o à s instalações, equipsimentos e arquivos
ESTADO
DE
SAO
PAULO
de s e u Instituto de Crir--naiística. bem como a d o c u m e n t o s e materiais de
eventual interesse cientiíico;
b) auxiliar o CNEN-SP/IPEN. como instituição parceira, n a s
p e s q u i s a s cientificas, bem como no estabelecimento de programas de
treinamento e lormacáo de peritos crimináis e pesquisadores, permitindo o
estágio a e s t u d a n t e s do IPEN;
c| disponibilizar a o s s e u s peritos criminais e técnicos
credenciados o s meios n e c e s s á r i o s para a elaboração dos trabalhos que l h e s
forem afeitos com relação ao presente Convênio.
II - Ao CNEN-SP/IPEN incumbe:
a) permitir aos peritos criminais do Instituto de Criminalística,
devidamente credenciados, o a c e s s o a s u a s instalações, equipamentos e
eirquivos. bem como a d o c u m e n t o s e materiais de eventual interesse cientifico;
b) zelar pela adequada utilização d a s informações p o s t a s a s u a
disposição pela SSP/SPTC, de m o d o a preservar s e u caráter sigiloso;
c| resguardar a privacidade d a s p e s s o a s pesquisadas, evitando
a divulgação de s u a s identidades n o s trabalhos científicos que resuitarem das
pesquisas.
CLÁUSULA TERCEIRA - O s r e s u l t a d o s integrais ou parciais da
cooperação m u t u a a que se refere o presente Convênio poderão ser publicados de
c o m u m acordo e em nome de a m b o s o s partícipes.
CLÁUSULA QUARTA - O p r e s e n t e Convênio não implica em
qualquer repasse de recursos financeiros por parte do Estado, sendo que
eventuais d e s p e s a s para c o n s e c u ç ã o d o s objetivos do ajuste, correrão por conta do
orçamento disponível n a respectiva unidade.
CLÁUSULA QUINTA - C o n s t i t u e m parte integrante do presente
Convênio, independente de s u a transcrição, o s e s t u d o s e projetos de p e s q u i s a s a
que se refere a Cláusula Primeira, b e m como o plano de trabalho constante do
processo G S - 6 8 2 4 / 9 9 . üs. 129/134 e a s correspondências que vierem a ser
trocadas entre os participes, ou ainda qualquer outro documento pertinente ao
objeto do presente acordo.
CLÁUSUL.\ SEXT.A - O Instituto de Criminalística, através de s e u
Centro de Exames. / \ n á l i s e s e Pesquisas, e o Instituto de Pesquisas Energéticas e
Nucleares, por intermédio d a Supervisão de Caraterização Química e Isotópica de
s u a Coordenadoria de Materiais, representando, respectivamente, a SSP/SPTC e o
CNEN-SP/IPEN. são o s responsáveis diretos pelo acompanhamento e execução do
presente convênio e peio credenciamento do p e s s o a l técnico-cientifico.
CLÁUSUL.'V SÉTIMA - Este Convênio vigorará a contar de s u a
assinatura peio prazo áe 3 ítrés) a n o s e 6 (seis) m e s e s , conforme o Plano de
Trabalho apresentado.
1MPB€NSA 0 F I C I 4 L D O E S T A D O S i -
IMESP
" O í W O OlCiJI '
ESTADO
DE S A O
PAULO
Paragrai'o ú n i c o - H a v e n d o i n t e r e s s e d o s p a r t i c i p e s , o p r a z o d e s t e
ajuste p o d e r á s e r prorrogado, mediante t e r m o aditivo e previa autorização do
S e n h o r Secretario d a S e g u r a n ç a Pública.
C L A U S U L A OITAVA - E s t e C o n v e n i o p o d e r á s e r d e n u n c i a d o p o r
q u a i s q u e r d o s participes, por m ú t u o acordo o u d e s i n t e r e s s e unilateral, m e d i a n t e
c o m u m c a ç ã o p o r escrito, c o m a n t e c e d ê n c i a m í n i m a d e 9 0 (noventa) d i a s e será
r e s c i n d i d o p e l o c o m e t i m e n t o de infração legal o u d e s c u m p n m e n t o de q u a l q u e r de
suas cláusulas.
C L Á U S U L A NONA - O p r e s e n t e c o n v ê n i o s e r á p u b l i c a d o , e m e x t r a t o ,
n o D i á r i o Oficial d a U n i ã o e n o Diário Oficial d o E s t a d o d e S ã o P a u l o .
C L Á U S U L A D£CINL'\ - S e r á c o m p e t e n t e p a r a p r o c e d e r a d e n ú n c i a
o u r e s c i s ã o d o p r e s e n t e convênio, pelo E s t a d c d e S ã o Paulo, o Secretário d a
S e g t t r a n c a P ú b l i c a , e p e l o C N E N - S P IPEN o g e s t o r d a C o m i s s ã o N a c i o n a l d e
Energia Nuclear.
C L Á U S U L A DÉCIMA PRIMEIRA - .•\pLicam-se ã p r e s e n t e a v e n ç a n o
q u e c o u b e r , o s p r e c e i t o s d a Lei Federéd n.° 8 . 6 5 5 , d e 0 2 d e j u n h o d e 1 9 9 3 , e m
e s p e c i a l o artigo 1 1 6 , c o m s e u s i n c i s o s e parágrafos.
C L Á U S U L A DÉCIMA S E G U N D A - F i c a e l e i t o o Foro F e d e r a l d a
Capital do E s t a d o d e S ã o Paulo para s e r e m d i r i m i d o s o s conflitos de i n t e r e s s e s
decorrentes d a e x e c u ç ã o do presente acordo.
E,
por
estarem
assim,
d e p l e n o e c o m t i m a c o r d o , firmam o s
participes o presente instrumento, e m
( 0 3 ) v i a s datilografadas, de idêntico
teor. n a p r e s e n ç a d e d u a s t e s t e m t i n h a s , q u e t a m h ¿ m r O a s s m a m p a r a t o d o s o s fins
e efeitos de direito.
S â o P a u l o , pm
ÍCCrVlNIGIO PETRELLUZZI
Secretario
da Secgurança
Pública
CLAUDIO « O P R I G U E S
Gestor
da ComissãoNacional
de Energia
ÇNEN-SP/IPE]
Nuclear
CELSe-TERIOLI
Coordenador
da SPTC
8
Acordos de colaboração com os Estados participantes
S E C R E T A R I A D A S E G U R . A N Ç A PL B L I C A
SUPERLNTENDÉNCLA DA POLÍCL\ T É C N I C O -
CIENTÍFICA
INSTITUTO DE C R I M I N A L Í S T I C A
CEAP - C e n t r o d e E x a m e s , A n á l i s e s e P e s q u i s a s
P R O T O C O L O DE
Pelo
presente
INTENÇÕES
insirumento. de um lado o Dr. P.\ULO
TADEU
CLEMENTE VASCONCELOS, Diretor Executivo do Instituto de Criminalística
do Estado de Pernambuco e . de outro, os Drs. OSVALDO NEGRINI NETO,
Diretor do Centro de E.xames. Análises e Pesquisas - CEAP - do Instituto de
Criminalística do Estado de São Paulo e JORGE EDUARDO DE SOUZA
SARKIS. Cheíe do Laboratorio de Caracterização Química e Isotópica do
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulo - IPEN/CNEN,
manifestam o interesse mútuo na realização de projetos de pesquisas conjuntas na
área forense, embasados nos seguintes pontos:
-
Desenvolvimento conjunto de procedimentos científicos de laboratorios:
-
Colaboração técnico-científica para treinamento de peritos para pesquisas
em criminalística:
-
Intercambio de informações e amostras de interesse criminalístico.
Fica estabelecido que cada um dos partícipes aqui representados arcará com as
despesas decorrentes do presente ajuste de acordo com suas dotações.
E. por estarem de comum acordo, firmam o presente na presença das testemunfias
abaixo.
São Paulo. 16 de maio de2ÕÜl.
Dr. PAULO T.C. VASCONCELOS
Testemunhas:
^
LH". O S V A L D ^ N E G R I N I NETO
Dr. JORGE E.S. SARKIS
S F X R E T A R I A DA SEGL R . \ N Ç A
PLBLICA
S U P E R I N T E N D Ê N C I A DA POLÍCIA T É C N I C O -
CIENTÍFICA
INSTITUTO DE C R I M I N A L Í S T I C A
CEAP - C e n t r o d e E x a m e s , A n á l i s e s e P e s q u i s a s
P R O T O C O L O DE I N T E N Ç Õ E S
Pelo presente instrumento, de um lado o Dr. JOAQUIM BATISTA
FREITAS DE ARAÚJO. Diretor do Instituto de Criminalística do Estado de
PARÁ e, de omro. os Drs. OSVALDO NEGRINI NETO, Diretor do Centro de
Exames. Análises e Pesquisas - CEAP - do instituto de Criminalística do Estado
de São Paulo e JORGE EDUARDO DE SOUZA SARKIS. Chele do Laboratorio
de Caracterização Química e Isotópica do Instituto de Pesquisas Energéticas e
Nucleares de São Paulo - IPEN/CNEN. manifestam o interesse mútuo na
realização de projetos de pesquisas conjuntas na área forense, embasados nos
seguintes pontos:
-
Desenvolvimento conjunto de procedimentos científicos de laboratórios;
-
Colaboração técnico-científica para treinamento de peritos para pesquisas
em criminalística;
-
Intercâmbio de informações e amostras de interesse criminalístico.
Fica estabelecido que cada um dos partícipes aqui representados arcará com as
despesas decorrentes do presente ajuste de acordo com suas dotações.
E. por estarem de comum acordo, firmam o presente na presença das testemunhas
abaixo.
São Paulo. 30 dfe julho de 2001.
Dr.
J^AQUINJ/B. FREITAS A R A U J O
Testemunhas:
ÍM-. O S V A L D O
NEGRINI
NETO
Dr.
J O R G E
E.S.
SARKIS
OVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
SECRETARIA ÜE SEGURANÇA PÚBLICA
COORDENADORIA DE PERÍCIAS
NÚCLEO DE LABORATORIO
PROTOCOLO DE INTENÇÕES
Pelo p r e s e n t e i n s t r u m e n t o , ae u m i a d o o Dr. J o ã o T e i x e i r a G o m e s . D i r e t o r d o I n s t i t u t o d e
C r i m i n a l í s t i c a H e r c i l i o M a c e i l a r o a o E s t a d o d e M a t o G r o s s o d o S u l . e. D r a
i
Oliveira M a k s o u d -
Ceres lone de
Chefe do Núcleo de Laboratório da Coordenaaona ce Pericias e de
: j i r o . d e o u t r o , o Dr. O s v a l d o N e g n n i N e t o , D i r e t o r d o L a b o r a t o r i o F o r e n s e ( C E A P )
do
nsiituto de Cnminalistica
do
ce
São
Paulo e Jorge
Eduardo de Souza
SarKis. C h e f e
_3Doraiono de Caracterização Química e Isotópica do Instituto de Pesauísas
e
Nucleares
de
São
Paulo
(IPEN),
manifestam
o
interesse
mutuo
na
Energéticas
realização
de
croietos de p e s q u i s a s conjuntas na área f o r e n s e , e m b a s a d o s nos seguintes p o n t o s :
•
Desenvolvimentos conjunto de procedimentos científicos de laboratónos;
•
A c o l a b o r a ç ã o técnico - científica para t r e i n a m e n t o e f o r m a ç ã o d e pentos
em
cnminalística:
•
Intercambio ae informações e amostras de interesse cnminalístico.
Pica e s t a b e l e c i d o q u e , c a d a u m d o s p a r t i c i p e s a q u í r e p r e s e n t a d o s
despesas decorrentes do presente ajuste d e acordo c o m suas dotações.
E por e s t a r e m d e
aoaixo.
comum
acordo, formam
o presente
na presença
arcará
das
/
João Teixeira
Gomes
D r / O s v a l d o hiegrini Neto
Dra. C e r e s I o n e d e Oliveira
Dr. Joçge E. S. Sarkis
as
testemunhas
ampo Grande - M S . 20 de julho 2 0 0 1 .
Dr,
com
Maksoud
GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA
Secretaria da Segurança Pública
Departamento de Policia Técnica
LaDoratório Central de Policia Técnica
PROTOCOLO DE INTENÇÕES
Peio presente instrumento, de um lado o Dr. Djalma Conceição Silva,
Diretor do Laboratório Central de Polícia Técnica do Estado da Bahia, e, de
outro, OS Drs. Osvaldo Negrini Neto, Diretor do Laboratorio Forense (CEAP)
d o Instituto de Criminalista de S ã o Paulo e Jorge Eduardo de Souza Sarkis,
chefe do Laboratorio de Caractenzação Química e Isotópica do Instituto de
Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulo (IPEN), manifestam o
interesse mútuo na realização de projetos de pesquisas conjuntas na área
forense, embasados nos seguintes pontos:
• Desenvolvimento
conjunto
de
procedimentos
científicos
de
laboratorios;
• A colaboração técnico-cientifica para
treinamento e formação de
peritos em criminalística;
• Intercâmbio de informações e amostras de interesse criminalístico.
Pica estabelecido que, cada um dos partícipes aqui representados arcará
c o m as despesas decorrentes do presente ajuste de acordo com suas
dotações.
E por estarem de comum acordo, firmam o presente na presença das
testemunhas abaixo.
Salvador. 04 de maio de 2001
/
•
Dr.Djaima Conceição Silva
Testemunhas:
Dr.'' Osvaldo Neghni Neto
Dr.Jorge E.S.Sarkis
9
4
0
SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA
SUPERINTENDENCIA DA POLÍCIA TÉCNICO - CIENTÍFICA
INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA
CEAP - C e n t r o d e E x a m e s , A n á l i s e s e P e s q u i s a s
è
^
4
PROTOCOLO DE
4
INTENÇÕES
$
4
Pelo presente instrumento, de um lado o Dr. RANVIER FEITOSA
4
\é
ARAGÃO, Gerente Geral do Instituto de Criminalística do Estado do Ceará e. de
outro, os Drs. OSVALDO NEGRINI NETO, Diretor do Centro de Exames,
Análises e Pesquisas - CEAP - do Instituto de Criminalística do Estado de São
^
Paulo e JORGE EDUARDO DE SOUZA SARKIS, Chefe do Laboratorio de
I
Caracterização Química e Isotópica do Instituto de Pesquisas Energéticas e
4
Nucleares de São Paulo - IPEN/CNEN. manifestam o interesse mútuo na
^
realização de projetos de pesquisas conjuntas na área forense, embasados nos
•
seguintes pontos:
- Desenvolvimento conjunto de procedimentos científicos de laboratórios:
-
Colaboração técnico-científica para treinamento de peritos para pesquisas
*
em criminalística;
i
Intercâmbio de informações e amostras de interesse criminalístico.
i
Pica estabelecido que cada um dos partícipes aqui representados arcará com as
;*
despesas decorrentes do presente ajuste de acordo com suas dotações.
I
E, por estarem de comum acordo, firmam o presente na presença das testemunhas
abaixo.
^
São Paulo. 16 de maio de 2001.
^
Ó>. RANVIER r. ARAGÃO
i|
Testemunhas;
í
lír. O S V A L l ) 0 « E G R I N I NETO
Ür. JORGE E.S. SARKIS
9
#
é
#
SECRETARIA D A SEGURANÇA P Ú B U C A
SUPERINTENDÊNCIA DA POLÍCIA TÉCNICO - CIENTÍFICA
^
INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA
1^
CEAP -
Centro de Exames, Análises e Pesquisas
PROTOCOLO DE
INTENÇÕES
0
ê
Pelo presente instrumento, de um lado o Dr. JESSELIO ADVINCOLA
4
4
MEDEIROS, Diretor do Departamento de Polícia Técnica do Estado do ACRE e.
'4
de outro, os Drs. OSVALDO NEGRINI NETO, Diretor do Centro de Exames,
*
Análises e Pesquisas - CEAP - do Instituto de Criminalística do Estado de São
4
Paulo e JORGE EDUARDO DE SOUZA SARKIS, Chefe do Laboratório de
J
Caracterização Química e Isotópica do Instituto de Pesquisas Energéticas e
4
Nucleares de São Paulo - IPEN/CNEN, manifestam o interesse mútuo na
realização de projetos de pesquisas conjuntas na área forense, embasados nos
4
seguintes pontos:
^
- Desenvolvimento conjunto de procedimentos científicos de laboratórios:
-
Colaboração técnico-científica para treinamento de peritos para pesquisas
em criminalística;
-
Intercâmbio de informações e amostras de interesse criminalístico.
Fica estabelecido que cada um dos participes aqui representados arcará com as
despesas decorrentes do presente ajuste de acordo com suas dotações.
E, por estarem de comum acordo, firmam o presente na presença das testemunhas
abaixo.
São Paulo. 12 de março de 2002.
/ / K / , .•
. . . / . - í í ^
>•
-
Dr. JESSELIO-TWVÍNCOLA MEDEIROS Dr.' OSVALDO NEGRINI NETO
Testemunhas:
')-OT¿
V.
"
"
Dr. J O R G E 3 . S . J S A R K Í S
SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA
SUPERINTENDÊNCIA DA P O L Í C L \ TÉCNICO - CIENTÍFICA
INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA
CEAP - Centro de Exames, Análises e Pesquisas
C o n v ê n i o São P a u l o e M a r a n h ã o
PROTOCOLO
DE
INTENÇÕES
Pelo presente instrumento, de um lado o Dr. JOSÉ DE RIBAMAR
CRUZ RIBEIRO. Diretor do Instituto de Crimmalística do Estado do
Maranhão e. de outro, os Drs. OSVALDO NEGRINI NETO. Diretor do
Centro de Exames,
Análises
e Pesquisas-CEAP-
do Instituto de
Criminalística do Estado de São Paulo e JORGE EDUARDO DE SOUZA
SARKIS, Chefe do Laboratorio de Caracterização Química e isotópica do
Instituto de Pesquisa Energéticas e Nucleares de São Paulo- IPEN/CNEN.
manifestam o interesse miátuo na realização de projetos de pesquisas
conjuntas na área forense, embasados nos seguintes pontos:
- Desenvolvimento
conjunto
de
procedimentos
científicos
de
laboratorios:
- Colaboração técnico-científica para treinamento de peritos para
pesquisas em crimmaiistica:
- hitercámbio de informações e amostras de interesse criminalistico.
Pica estabelecido que cada um dos partícipes aqui representados arcara com
as despesas decorrentes do presente aiusie de acordo com suas dotações.
E. por estarem d-j comum acordo, firmam o presente na presença das
testemunhas abaixo.
São Paulo. 18 de niarco/J-j 2003.
Dr.
]»it
i t KTutmtt
Cnt
W^ke
Dr. José de Rioamar C ruz
Rídcüi.-
4:)r UsN'aidc Neiir::-.! \ e ; •
Testemunhas
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-uw^.
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e^^íp^a nucí..ear/sp-!PE^í
Dr.íJoruí H.
S
Saiii-
Documentos referentes à Autorização Judicial para transporte,
recebimento e manipulação das drogas
/
SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA
SUPERINTENDÊNCIA DA POLÍCIA TÉCNICO - CIENTÍFICA
INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA
C E A P - C e n t r o de E x a m e s , A n á l i s e s e P e s q u i s a s
Of. CEAP-010/01 dir
São Paulo. 15 de fevereiro de 2 0 0 1 .
Ref.: Projeto de Pesquisas em drogas
Meritissimo Juiz
Na qualidade de Diretor do Centro de Exames, Análises e Pesquisas do Instituto
de Criminalística - CEAP - e Coordenador Técnico do Projeto de Pesquisas
sobre Rastreio da Origem de Entorpecentes - Projeto "Rota do Tráfico" -, em
conjunto com o IPEN - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - e com o
apoio da FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo -.
venho respeitosamente à presença de Vossa Excelência para expor e, ao final,
solicitar o que segue:
1. O Projeto aludido tem por escopo principal a definição da origem das
substâncias
entorpecentes
distribuídas
aos
usuários
do
Estado.
Cientificamente, corresponde ao estabelecimento de uma correlação entre
a exata composição de uma droga ilícita e a região geográfica onde foi
produzida ou modificada. Tecnicamente, o Projeto se subdivide em dois:
uma linha de pesquisa para a cocaína -
da qual será estudada a
composição química, incluindo suas misturas e sua relação com os pontos
de distribuição - e outra para a maconha, de onde tiraremos informações
SECRETARIA DA SEGURANÇA PUBLICA
SUPERINTENDÊNCIA DA POLÍCIA TÉCNICO - CIENTÍFICA
INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA
C E A P - C e n t r o de E x a m e s , A n á l i s e s e P e s q u i s a s
sobre o tipo de solo onde foi plantada pelos elementos metálicos que
apresentar, bem como de suas perdas por amiazenagem.
2.
A proposta seguiu todos seus trámites normais, com aprovação integrai
dos órgãos da Secretaria da Segurança Pública, Consultoria Jurídica e
IPEN, dando origem a um Convênio entre a Superintendência da Policia
Técnico-Científica e este último órgão de pesquisas, ora submetido ao
Exmo. Governador do Estado.
3. Obtivemos, também, em conjunto com o IPEN, através da colaboração do
Prof. Dr. Jorge Eduardo de Souza Sarkis, Coordenador Cientifico do
Projeto, respaldo da FAPESP como "Projeto de Pesquisa em Politicas
Públicas", viabilizando, assim, sua total execução.
4 . Dentre as atribuições deste CEAP, no ajuste firmado, cabe a coleta de
amostras e análises prévias para a execução da pesquisa. Pelos nossos
cálculos, analisaremos, durante os seis primeiros meses, 100 (cem)
amostras de cada uma das substâncias. Para cocaína, cada amostra
deverá ter no mínimo 100 miligramas (0,1 grama), e para a maconha, 2
(dois) gramas, isto porque esta última sempre apresenta misturas espúrias
e pouco material aproveitável para análise. Portanto, no total, em seis
meses, deveremos consumir 200 gramas de maconha e 10 gramas de
cocaína.
5.
Este matenal. p e n s a m o s , poderá ser retirado, s e m a u a l q u e r prejuízo, da
parte c o r r e s c o n d e n í e
à contraprova
pericial d e a m o s t r a s
encaminhadas
aos nossos laboratórios ou do IML. á razão de 5 amostras de cada espécie
p o r m é s , d e v i d a m e n t e c o n t r o l a d a s m e d i a n t e i n v ó l u c r o s p r ó p r i o s d o I.C. e
SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA
SUPERINTENDENCIA DA POLICÍA TÉCNICO - CIENTÍFICA
INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA
C E A P - Centro de Exames, Análises e Pesquisas
lacres numerados. No I P E N , após as análises e m seus equipamentos de
última geração, eventuais sobras serão guardadas e m cofre com novo
lacre, conforme se compromete aquele órgão
(doe. anexo), como já
costuma proceder com os materiais nucleares perigosos.
6.
Cumpre-nos ainda informar que esta pesquisa será efetuada sem qualquer
prejuízo das rotinas periciais deste CEAP.
Isto posto, venho respeitosamente solicitar se digne V o s s a Excelência autorizar a
coleta de material para análise nos termos citados neste documento, e m especial,
nos itens 4 e 5 acima.
No aguardo das deliberações de Vossa Excelência, permaneço,
Respeitosamente.
^
t"'
Dr. O s v a l d o Negrini N e t o
Perito Criminal Diretor do C E A P
Exmo. Sr.
Dr. Maurício L e m o s P o r t o Alves
M M . Juiz de Direiu.' - DIFO
ri u ü e.
CHeH
_ i 1 ã 1 e-'SSi:;
ipen
FAX
DATA (DATE):
14-Fev-01
PARA (TO ): DR- OSVALDO N£GR1NI.
IC/SSP
FAX: 38152169
DE (FROM); Dr. Jorge Eduardo Sarkis
IPEN/CNEN
TELEFONE (PHONE):
11-8169317
FAX:
1 V 8169315
REF:
HORA (HOUR):
18:09
Controle de Material
N ú m e r o de páginas i n c l u i n d o esta folha de r o s t o : [1]
Prezado Negrini,
Confonne conversamos o IPEN tem uma longa experiência no nianejo e
contabilidade de materiais sensíveis Esses procedimentos , denominado.s de
Contabilidade e Salvaguardas de Materiais Nucleares , incluem um comrole de entrada,
consumo e saída de todo material analisado com registros feitos em cadernos e planilhas
computacionais. Limitamos também o acesso dos fiincionários a estes materiais , o que
significa que designamos um responsável que responde pela contabilidade e assina
"recibo" a cada entrada e saída , Finalmente cabe acrescentai- que , conforme foi
mostrado hoje pela manhã , estamos providenciando laboratórios específicos para a
manipulação e guarda dos materiais em estudo e , em ñituro próximo, um cofre para
maior segurança dos testemunhos.
Esperando Ter apresentado cs esclarecimentos necessários , coloco-me a
disposição para quaisquer informações adicionais que se façam necessárias.
Atenciosamente
Dr. Jorge Eduardo de Souza Sarkis
GCI
conñssáo nacional di' energia nuclear
insiiinío de pesquisas energéricas e nudearcs
Irave.í-ia 'R . n° 400. C£? ( 7.C ) ;'i5í(;S-90C
COífiSSAO
Exemplos de documentação necessária para transferência de
amostras - DENARC e outros Estados
r
r
SECRETARIA
DE
ESTADO
D O S
NEGOCIOS
DA
SEGURANÇA
PÚBLICA
POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE SÃO PAULO
DEPARTAMENTO DE INVESTIGAÇÕES SOBRE NARCÓTICOS
Divisão
de Inteligencia
e Apoio
Policial
-
DIAP
A U T O DE DEPÓSITO
^
1
Aos cinco dias do mes de abril de dois mil e um, nesta
cidade de São Paulo, no Departamento de Investigações Sobre Narcóticos - DENARC,
na Divisão de Inteligencia e Apoio Policial - DIAP, onde presente se achava o Doutor
APARECIDO LAERTES CALANDRA, Delegado de Polícia Assistente, comigo
Escrivão de seu cargo, ao final assinado, aí em presença das testemunhas infraassinadas compareceu Dr. OSVALDO NEGRINI NETO - RG- 4.320.219, com
endereço à Rua Moncorvo Filho, 410 - Butantã/SP. Fone 3818-2194, à quem a
Autoridade fez o depósito autorizado MM. Juiz de Direito Corregedor - DIPO, através
do ofício 1116/01 de 21.02.01, das seguintes substâncias: 0,5 grs. (meio grama) de
cocaína, referente ao Lote 186/99 (Lacre 135750) - Laudo 5471/99 - Novo Lacre
0012301; 0,5 grs. (meio grama) de cocaína, referente ao Lote 667/99 (Lacre 124540) Laudo 17864/99 - Novo Lacre 0012303; 0,5 grs. (meio grama) de cocaína, referente ao
Lote 793/99 (Lacre 60635) - Laudo 18935/99 - Novo Lacre 0012302; 0,5 grs. (meio
grama) de cocaína, referente ao Lote 207/99 (Lacre 132459) - Laudo 5888/99 - Novo
Lacre 0012305; 0,5 grs. (meio grama) de cocaína, referente ao Lote 064/00 (Lacre
35877) - Laudo 2518/00 - Novo U c r e 0012309; 0,5 grs. (meio grama) de cocaína,
referente ao Lote 060/01 (Lacre 9451) - Laudo 2074/01 - Novo Lacre 0012307; 15 grs.
(quinze gramas) de maconha, referente ao Lote 168/00 (Lacre 0061704) - Laudo
5798/00 - Novo Lacre 0012308; 35 grs. (trinta e cinco gramas) de maconha, referente
ao Lote 058/00 (Lacre 73668) - Laudo 1848/00 - Novo Lacre 0012306 e 35 grs. (trinta
e cinco gramas) de maconha, referente ao Lote 502/00 (Lacre 52312) - Laudo 11101/00
- Novo Lacre 0012312. Nada mais.
Pelo referido Senhor foi dito que aceitava o depósito e que
as substâncias se destinarão a uso exclusivo na análise e projeto do Instituto de
Criminalística da Superintendência da Polícia Técnico-Científica, se obrigando a não
abrir mão desse depósito a não ser para o fim que se destina, ficando como fiel
depositário. Nada mais.
1
S E C R E T A R ' A DE E S T A D O D O S N E G Ó C I O S D A S E G U R A N Ç A
PÚBLICA
POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE SÄO PAULO
Depois de hdo e achado conforme, vai devidamente
assinado por todos.
Autoridade:
Depositário:
4-'
Testemvmha:
Margarete Filomena Beira - 16.211.204-1
Testemunha:
Renata Fronterota Pereira - 11.102.670
Escrivão:
ESTADO DO MARANHÃO
G E R E N C I A DE E S T A D O DA S E G U R A N Ç A P U B L I C A
I N S T I T U T O DE C R I M I N A L Í S T I C A
LABORATORIO FORENSE
RECIBO
Recebi do Diretor do instituto de Criminalística do
Estado do Maranhão. Dr. José de Ribamar Cruz Ribeiro. 10
(dez) amostras de Cannabis Sativa Lineu. totalizando 2g (duas
gramas) aproximadamente cada urna.
São Luis (VI A ]. ! de março de 200:
Dr. ()%^''ã\áo
Nearini Neto
GOVERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
SECRETARIA D E DEFESA SOCIAL
DIRETORIA D E POLÍCIA CIENTÍFICA
INSTITUTO DE CRIMINALÍSTICA PROF. ARMANDO SAMICO
Recife, 04 de setembro de 2003
Ofício n." 1359/2003 - I.C. - SDS
Ao: Instituto de Criminalística de São Paulo - IC-SP
(Centro
de Exames,
Análises
e Pesquisas
-
CEAP)
Assunto: Amostra de Material Vegetal (Encaminha)
(
Senhor Diretor:
Com base no Protocolo de Intenções assinado pelo
IPEN/CNEN-SP + IC-SP + IC-PE.. estamos disponibilizando a Vossa Senhoria,
dentro do programa de desenvolvimento conjunto de procedimentos científicos
de laboratórios; dez (10) amostras de material vegetal de diversas regiões
deste Estado, totalizando trinta e duas gramas e quatrocentos e quinze
miligramas (32,415g), de Cannabis Sativa Lineu (maconha) em envelope
devidamente lacrado em anexo, para análise e pesquisa a fim de montarmos o
banco de dados de localização geográfica da droga em questão. Dito material
está sendo encaminhado através do mui digno professor e pesquisador da
Universidade de São Paulo/SP, Dr. Jorge E.S. Sarkis, que também faz parte do
projeto.
Ao ensejo, apresento a Vossa Senhoria, protestos de estima e
consideração.
Atenciosamente,
4
^^2TC;.
4>r. JOSE HIEDO DE SOUSA
Perito Crináinal - Especial
GESTOR
Ilm.° Sr.
Dr. OSVALDO NEGRINE NETO
MD. Diretor do Centro de Exames, Análise e Pesquisa-CEAP-IC-SP
NESTA
Rua O d o r i c o Mendes, n" 700 - Campo Grande - Recit"e-PE - C E P : 52.031-080
F o n e : (81) 33ÜI7013 F A X : (81) 3 3 0 ! 7173 - E-m;ul: ic(a),sds.pe.gov.br
>/
PODER JUDICIÁRIO
SÃO PAULO
DEPARTAMENTO DE INQUÉRITOS POLICIAIS E POÜCIA JUDICIARIA - DIPO
O f í c i o n°
1115/2D01
S ã o P a u l o , 21 d e f e v e r e i r o d e
2001
Senhor Diretor
Em atinencia aos termos d o ofício CEAP-010/01, d a t a d o
do último dia 15, levo ao conhecimento de Vossa Senhorio ter autorizado
a coleta
de amostras de substâncias entorpecentes peio prazo e na quantidade indicadas no
item 4°, do ofício em referência, informando oportunamente a esta Corregedoria, a
conclusão d a pesquisa.
A oportunidade me permite reiterar a Vossa Senhoria
I
protestos de consideração.
RECEBEjViOS
MAURÍCIO) LEMOS PORTO
Juiz de Direito
2 8 FEV 2001
I. C. - C. E. A. P.
À Sua Senhoria, o Senhor
Dr. OSVALDO NEGRINI NETO
DD. Diretor d o Centro de Exames, Análise e Pesquisas do instituto de Criminalística
São Paulo-Capital
ANEXO 2: mapas de precipitação anual para os
Estados do Ceará, Mato Grosso do Sul, Bahia,
Pernambuco e Maranhão (fonte: EMBRAPA)
rírxlÜríAL [í: Líí£RfeiA NütLLARoP-!P5l^¿
_ano%20CE.jpg (Imagem JPEG , 600x800 pixels)
file:///C:/Elisa/climas/md_ano%20CE.jpg
Precipitação
Estado
do
Média
A n u a l
Ceará
400-600
600-800
800-1 000
1000-1200
1 200-1400
f
1400-1600
07H
J
N
L
4V
38"
22/06/05 15:31
ano%20MS.jpg (Imagem JPEG , 480x480 pixels)
file;///C:/Elisa/climas/md_ano%20MS.jpg
PrecipiíaçQQ Mécüo Anuai
1
•
ÜOO-WOOni™
•
1<iOO-15COmB.
H
liOO-ISOOmin
•
ISOO-1900 ram
MafoGiGssoctoSul
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2*0OH
»11
MftA'RHaiK>U..gD>aEEB>1BlüfeCaiad<i
Si 3*
80.4S
22/06/05 15:34
_ano_BA.jpg (Imagem JPEG , 600x800 pixels)
file:///C;/Elisa/climas/md_ano_BA.jpg
Precipitação IVIédia A n u a i
USicisiÉric,
ge BiotKícs
ÀirtàJeAtai'
Estado da Bahia
09 M
13M
'
•'
\
••'
1
r-^-
'"-^
4-OD - 800
6 0 0 - SOO
3 0 0 -1OO0
1 Ü 0 0 - 1200
1200 - 14O0
1 4 0 0 - 1600
1 6 0 0 - 1 SOO
17H
1800-2000
2 0 0 0 - 2200
46"
L_
37°
_J
i
22/06/05 15:38
file;///C:/Elisa/climas/md_ano%20PE.jpg
_ano%20PE.jpg (Imagem JPEG , 800x600 pixels)
Precipitação Média Anual
Esíado do Pernambuco
•
y.
2130 - 400
400-eoo
600- 800
800-1000
1000-1200
. 1200-1400
UU00-16Œ)
»1600-1800
• i800 20DO
• 2000-2200
1 —-
D7H
09H
41«
39«
35«
_ J _
22/06/05 15:36
_ano_MA.jpg (Imagem JPEG , 600x800 pixels)
file:///C:/Elisa/climas/md_ano_MA.jpg
Precipitação Média Anual
Cerrados
J
Estado do Maranhão
\
\
L i T
4
02°-
300-1000
1000-1 200
1 200-1
4-00
1400-1 600
09"-
1600-1800
1 800-2000
2000-2200
N
l
2200-24-00
2400-2600
48 <
42'
I
22/06/05 15:39
ANEXO 3: Mapas Geológicos e de
Fertilidade do Brasil
r r c j Ci ,.|.;
1/
M-i^
M
M
-
o
o
o
'•••Vn.r,,
PRN
I CP
IAS
I LM
IT
IAÇÕES
TOPOGRAFA
I
Plana e suavr ondulada.
Plana e suave ondulada.
Praticamenle sem bmitaçín.
N'^dia a baiia disponibitklade d« nutiientn.
Plana t suave ondulada
Riscos de inundações, imwilimpnlo de dfenaícm
Plana e suave ondulada
Baixa disponibilidade de nuliientes. cuesso de alaminio
Plana e suave ondulada.
Baiw disponibilidade de nulncnies. acesso de ab.Ttíi?io. leituia (fjsscira
Rana a ondulada.
Aieas declivosas, pouca piotundidade. tatuia giosseira
Foile ondulada
Oeclis^s acentuados
Ondulada e fcvie ondulada
Declives acentuados, resliiçjo de diena^em. eicesso de alumínio
Plana e suave cndutada
Ejccssfl de sOdio liocivcl. testiiçéo de diena£em, liscos de inundaçjes
j Aleas atuatmente desaconselliáveis a diuiafâo aeiicda. pela presença de uma ou mais bmilaçtes de carálei acentuado, tais como leilitidade muito
I baixa, alta salinidade, leduiida piolufididade. pjesença de pediegosidade e de loclusiilade. leitura atenosa. tcpo(iafia moRlantiosa e escarpada.
FERHIME - Oelinida pela disponibitidadt de nuliitntes oo solo paia as plantas.
OUtACTERtSnCAS FÍSICAS
KmatBtCÂS - TextiKa tteoi de aieia. silte e aigila). piolundidade. estnilura. consistencia, principalmente
lOfTOUFlA ~ Delinida pela declividade média 1%) do leircno. de acoido com as classes; plana !• 3M. suave cndutada (3-S%). ondulada t8-20M. toite ondulada
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