XLIII CONGRESSO DA SOBER
“Instituições, Eficiência, Gestão e Contratos no Sistema Agroindustrial”
A produção de soja no Paraná: um estudo sobre os principais fatores
políticos e governamentais que influenciaram o crescente aumento da
exportação da soja
Márcia Gonçalves Pizaia
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Comércio Internacional
Importação, Exportação, Mercados Internacionais, Competitividade Internacional.
Apresentação com Pôster
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A produção de soja no Paraná: um estudo sobre os principais fatores
políticos e governamentais que influenciaram o crescente aumento da
exportação da soja
Resumo
O presente trabalho pretende identificar os principais fatores políticos e governamentais
que influenciaram o crescente aumento da exportação da soja no estado do Paraná. Será
analisado o comportamento da produção. Trata-se de estudo relevante, devido aos
freqüentes questionamentos existentes acerca dos fatores políticos e governamentais
determinantes dos atuais níveis de comercialização da soja paranaense no mercado
externo. A partir dos resultados deste trabalho pode-se inferir que a estabilidade
macroeconômica duradoura no país e a persistência de políticas de incentivos às
exportações, além da manutenção das políticas dirigidas ao setor agro industrial com
vistas a sustentação da cadeia produtiva, devem facilitar a consecução de estratégias que
visem superar as crises e os choques externos. Porém, as autoridades governantes
brasileiras deverão priorizar as reformas estruturais no que tange aos custos da logística
que interage nos vários setores econômicos e os custos tributários incidentes na produção
que se destina à exportação - custo Brasil, uma vez que atualmente as exportações
paranaenses e brasileiras são muito oneradas e consequentemente perdem vantagens
comparativas, diante dos competidores internacionais.
PALAVRAS-CHAVE: comércio exterior, marketing internacional, barreiras à exportação
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A produção de soja no Paraná: um estudo sobre os principais fatores
políticos e governamentais que influenciaram o crescente aumento da
exportação da soja
1 INTRODUÇÃO
A soja começou a ser cultivada no Rio Grande do Sul, como uma opção de rotação com o
trigo, e o cultivo da soja se expandiu para o norte, atingindo o estado de Santa Catarina,
Paraná e São Paulo. Na década de 80, a soja continuava a predominar nos estados, mas
teve um ganho bem expressivo no cerrado. No mesmo ano, os quatros estados
responderam por cerca de 58% da área total cultivada com a soja (FAEP, 2003).
A produção de soja no Brasil, bem como seus derivados semi-industrializados e
industrializados, sofrem forte concorrência mundial, com tendência a se acirrar no próximo
decênio. As políticas dos países desenvolvidos que procuram restringir o acesso aos seus
mercados domésticos, agravados pelos subsídios às exportações; a estabilização do
consumo de proteínas de origem animal nos países de alta renda “per capita”, o surgimento
de produtos substitutos dos óleos vegetais e proteínas para ração animal e o aumento de
produção dos países competidores, são alguns dos fatores que pressionam a posição
brasileira no mercado mundial de soja e seus derivados.
Para Gasques e Villa Verde (1998, p. 170), os fatores de aumento da concorrência são as
políticas protecionistas e de incentivo às exportações dos EUA e União Européia (EU),
entrada dos novos países no comércio mundial e o crescimento da participação dos
produtos substitutos, como óleo de palma e canola que, juntamente com a
desregulamentação havida em algumas cadeias, alteraram o quadro concorrencial vigente
até a década passada, contribuindo para a perda da competitividade do complexo soja.
De outra parte, há necessidade de reestruturação do sistema industrial interno para fazer
frente à globalização também afeta a cadeia agro-industrial da soja. Essa combinação de
competitividade externa, aliada à situação interna, exige crescente busca de vantagens
comparativas por parte dos setores e empresas participantes da cadeia da soja, e de
políticas públicas que garantam suporte e incentivo para sua capacitação competitiva.
Estudando a destinação da soja, Barbosa et al. (2000) constataram que a maior parcela da
produção brasileira de soja é destinada ao esmagamento (66,8% em 1998/99) e que a
composição do valor das exportações brasileiras do complexo soja vem sendo modificada
durante os últimos anos, pois, em 1994, a soja em grão respondeu por 31,9%, passando
para 42,8% em 1999. No mesmo período o farelo e o óleo (bruto e refinado) tiveram suas
participações reduzidas. PENSA (1998, p. 253).
Os avanços produtivos podem ser avaliados pelos seguintes indicadores: o complexo
agroindustrial e o sistema agroindustrial. O complexo agroindústrial da soja responde por
cerca de 16% de todo o sistema agroindústria! do país e gera empregos diretos para
aproximadamente 1 milhão de trabalhadores, conseqüências que levam o aumento de
divisas internacionais (CACHIA, 2003).
Os Estados que mais produzem atualmente são o Paraná, o Mato Grosso e o Rio Grande do
Sul. A tendência de produção de soja no Brasil é a de se concentrar no Centro-Oeste, com
produções significativas no Nordeste e Norte.
A produção da Região Sul tende a manter ou mesmo diminuir a área, embora a produção
possa aumentar com o aumento do rendimento.
De acordo com a Tabela 1, observamos que durante a primeira metade de 2003, o Brasil
exportou nada menos que 17,4 mi.t. de produtos do complexo soja, volume 82% superior
ao mesmo período jan/jun de 2002 e 61% do total exportado em todo o ano de 2001. Os
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dois principais estados produtores, o MT e o PR, responsáveis por aproximadamente
metade da safra brasileira de soja embarcaram 23% e 34% do total de complexo soja
exportado pelo Brasil. As exportações de soja nestes primeiros 6 meses do ano já são 104%
superiores ao ano passado. Os embarques de farelo são 50% superiores enquanto de óleo
de soja são 116% maiores.
Tabela 1 – Soja Brasil- Exportações por Estado
SOJA
PR
MT
RS
SP
GO
MS
MA
MG
BA
SC
Outros
FARELO
PR
RS
MT
MS
GO
SC
SP
MG
BA
Outros
ÓLEO
PR
RS
SC
MT
MS
GO
Outros
TOTAL
Jan/Jun 2003
10.420,2
3.259,2
2.525,6
1.515,6
281,6
1.130,1
98,8
195,4
464,4
47,6
24,0
877,9
5.894,5
2.071,6
633,6
1.235,1
260,4
335,5
10458
514,7
119,0
317,5
302,3
1.060,7
509,2
166,6
78,4
158,3
38,0
0,0
110,2
17.375,4
Jan/jun 2002
5.102,7
873,5
2.283,1
404,0
314,0
260,2
35,0
158,7
58,2
0,0
0,0
716,0
3.914,9
1.091,9
459,5
822,6
223,3
283,3
0,0
469,8
128,6
198,4
264,5
491,9
220,2
126,4
45.5
69,5
1,5
0,0
28,8
9.536,5
Jan/dez 2002
15.969,8
4.516,8
5.240,2
1.769,9
804,6
916,1
133,5
467,6
673,2
40,5
2,3
1.378,1
12.517,1
4.338,6
1.861,9
2.319,4
578,4
773,1
7,5
1.142,1
285,2
557,1
653,8
1.934,7
848,6
513,2
101,8
272,7
15,4
14,0
169,0
30.421,6
Jan/dez 2001
15.675,7
3.946,3
4.502,2
2.841,2
961,8
794,3
452,8
414,5
418,9
77,4
31,8
1.234,5
11.270,2
4.123,9
1.723.8
1.508,4
572,0
776,4
68,1
800,5
418,7
590,7
687,7
1.651,7
775,7
486,6
99,8
135,1
4,5
2,0
148,0
28.597,6
Fonte: SECEX, 2003 (em 1000t.)
Segundo informativo da FAEP/SANAR (2003) a supremacia brasileira no mercado
internacional do complexo de soja é incontestável. Hoje o Brasil é o principal exportador
do setor, assumindo a liderança no mercado mundial, superando até mesmo os Estados
Unidos, conforme é observado na
Tabela 2 - Exportações Mundiais Complexo Soja – (2001/2003)
(Milhões de toneladas)
2001
2002
2003
Mundo
EUA
Brasil
Argentina
104,62
34,73
27,68
24,23
110,77
36,86
28,76
25,8
122,22
33,88
37,04
32,42
Fonte: USDA ( *) - Projeção USDA maio/2003
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Quanto ao sistema de produção, a soja não possui diferenças significativas no seu sistema
de cultivo em todo o território nacional, pois, praticamente em todo o Brasil, utiliza-se o
sistema convencional de semeadura e o sistema direto (ABIOVE, 2004).
Tabela 3 – Soja – Quadro Mundial
ITENS
Estoque inicial
Produção
Importação
Esmagamento
Consumo total
Exportação
Estoque final
Estoque/consumo
1998/99
25.08
159.81
40.49
135.74
159.93
38.72
26.72
16.7
1999/00
26.72
159.90
47.97
136.23
160.77
46.68
28.02
16.8
2000/01
28.02
175.06
55.15
146.81
171.82
55.50
30.58
17.8
2001/02
30.58
184.42
54.35
158.02
183.97
53.37
32.01
17.4
2002/03*
32.01
195.81
62.57
166.21
192.31
62.59
35.49
18.4
2003/04**
35.49
206.99
64.63
175.72
203.74
64.39
38.98
19.1
Fonte: USDA – agosto de 2003
* estimativa; ** previsão
É possível observar na Figura 1 que, o Brasil é um país de destaque no que se refere a
exportação da soja, mundialmente falando, pois o Brasil obteve o patamar de 30 milhões
de toneladas exportadas no ano de 2003.
30
29
28
27
26
25
24
2001
2002
2003
Figura 1 - Exportações mundiais do complexo soja (Participação do Brasil)
Fonte: FAEP/SENAR – Boletim Informativo nº 771, 2003.
Nota-se na Figura 2 , que ocorreu um grande aumento da exportação de soja tanto por parte
do Brasil (30 milhões/ton) e da Argentina (28 milhões/toneladas) em comparação com os
EUA (25 milhões/toneladas) no ano de 2003, isso ocorreu por causa da instabilidade do
clima nos EUA no ano de 2003 (muita seca) (PIFFER, 1999)
140
Milhões de toneladas
120
100
80
2001
2002
60
2003
40
20
0
Mundo
EUA
Brasil
Argentina
Figura 2 - Exportações Mundiais (Complexo Soja 2001-2003(*)
Fonte: FAEP/SENAR – Boletim Informativo nº 771, 2003.
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De acordo com a figura 3, observamos:O cultivo de soja no Brasil ganhou impulso a partir
da década de 70 nas regiões sul/sudeste, além do Mato grosso do Sul e Goiás. A partir dos
anos 80, o cultivo da soja expandiu-se para o Mato Grosso, Rondônia, Pará, Maranhão,
Tocantins e Piauí. Nos últimos 15 anos, houve expressivo crescimento da área cultivada
com soja na Região Centro-Oeste do Brasil.
16
Em milhõpes de hectares
14
12
10
Sudeste
8
Sul
Centro Oeste
6
4
2
0
87/88
89/90
91/92
93/94
95/96
97/98
99/00
00/01
Figura 3 – Principais regiões produtoras de soja no Brasil, últimos 15 anos-safra.
Fonte: CONAB, 2003.
Produtividade Média da Soja nos Estados Produtores Brasileiros
Com base na produtividade média obtida pelos estados brasileiros no qüinqüênio de
1994/98, conclui-se que a maior produtividade de soja foi obtida em Mato Grosso,
seguindo-se o Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Goiás e São Paulo, todos esses
Estados com mais de 2.200 kg/ha. Somente os Estados de Tocantins e do Rio Grande do
Sul apresentaram rendimentos inferiores a 2.000 kg/ha, com base em dados do IBGE- 1994
e IBGE/GCEA de dezembro-1995 a 1998.
A produção de soja nos principais estados brasileiros no período de 1997 a 1998, teve
maior destaque no Estado do Paraná, em relação aos outros estados (ABMR, 2004).
Analisando-se as tabelas 4 e 5, é possível verificar que houve um aumento significativo em
relação a área de soja plantada no país de 1990 até 2004, onde em 1990 a área era de
9.742,5 mil/hec e agora em 2004 o valor real é de 21.243,7 mil/hec. Sua produtividade em
relação a kg/ha em 1990/91 era de 1.580 e o maior pico ocorreu em 2003, com valor de
2.816. E a produção nacional em relação a mil/toneladas , ocorreu em 2002/03, com valor
total de 52.017,5.
Tabela 4 – Relação das Safras no Brasil no Período de 1990 a 1996
PRODUTO/SOJA
1990/91
1991/92
1992/93
1993/94
1994/95
1995/96
1996/97
10.717,0
11.501,7
11.678,7
10.663,2
11.381,3
Área Plantada mil/hec
9.742,5
9.582,2
Produtividade em Kg/ha
1.580
2.027
2.150
2.179
2.221
2.175
2.299
15.394,5
19.418,6
23.042,1
25.059,2
25.934,1
23.189,7
26.160,0
Produção//mil ton.
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, Companhia
Nacional de Abastecimento- CONAB/2004.
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Tabela 5 – Relação das Safras no Brasil no Período de 1997 a 2004
PRODUTO/SOJA
1997/98
1998/99
Área Plantada mil/hec
13.157,9
12.995,2
2.384
2.367
31.369,9
30.765,0
Produtividade em Kg/ha
Produção//mil ton.
1999/2000 2000/01
13.507,8
2.395
32.344,6
2001/02
2002/03
2003/04
13.969,8
16.329,0
18.474,8
21.243,7
2.751
2.567
2.816
2.343
38.431,8
41.916,9
52.017,5
49.781,6
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, Companhia
Nacional de Abastecimento- CONAB/2004.
Tabela 6 – Soja-Brasil – Exportações do Complexo
ANOS
SOJA EM
FARELO DE
ÓLEO DE
GRÃO
SOJA
SOJA
Toneladas
US$
US$/t.
Toneladas
1.990
4.076.196
909.753.000
223,19
8.744.463
1.991
2.007.844
445.278.000
221,77
7.487.154
1.992
3.735.978
808.566.000
216,43
1.993
4.189.973
946.466.000
225,89
1.994
5.403.588
1.995
3.492.526
1.996
US$
US$/t.
em
Toneladas
US$
1.610.492.000 184,17
794.654
333.914.000
420,20 2.854.159.000
1.369.362.000 182,89
510.717
212.484.000
416,05 2.027.124.000
8.544.890
1.595.940.000 186,77
718.673
291.220.000
405,22 2.695.726.000
9.397.882
1.815.015.000 193,13
746.044
313.859.000
420,70 3.075.340.000
1.530.500
837.085.000
546,94 4.133.089.000
1.315.979.000 243,54 10.635.291 1.980.025.000 186,17
770.425.487
TOTAL
US$/t.
US$
220,59 11.562.941 1.996.985.000 172,71
1.763.958
3.646.938
1.017.918.242 279,12 11.261.699 2.730.940.000 242,50
1.332.257
713.279.000
535,39 4.462.137.242
1.997
8.339.590
2.452.427.000 294,07 10.013.356 2.680.885.000 267,73
1.125.891
596.681.000
529,96 5.729.993.000
1.998
9.287.708
2.178.475.000 234,55 10.447.984 1.750.111.000 167,51
1.366.642
832.625.000
609,25 4.761.211.000
1.999
8.917.209
1.593.293.000 178,68 10.430.878 1.503.571.000 144,15
1.433.138
635.802.000
443,64 3.732.666.000
2.000
11.517.264 2.187.879.000 189,97
1.650.509.000 176,05
1.072.994
359.031.000
334,61 4.197.419.000
2.001
15.675.543 2.725.508.000 173,87 11.270.729 2.065.192.000 183,23
1.416.787
427.322.000
301,61 5.218.022.000
2.002
15.970.002 3.031.984.000 189,85 12.517.154 2.198.860.000 175,67
1.934.388
778.059.000
402,22 6.008.903.000
2.003
19.890.466 4.290.443.000 215,70 13.602.158 2.602.374.000 191,32
2.485.987
9.375.412
1.053.015.000 596,96 3.820.425.487
1.232.550.000 495,80 8.125.367.000
Fonte: CACEX
HISTÓRICO DA PRODUÇÃO DE SOJA NO ESTADO DO PARANÁ
Os meios de desenvolvimento da soja no Paraná, se deu devido a necessidade de se criar
uma alimentação mais apropriada aos suínos, pois os criadores de suínos na década de 50
já se utilizavam de uma melhoria genética na produção da carne, reduzindo assim, a
quantidade de gordura. O produtor assim utilizou a soja, como matéria protéica na
alimentação dos suínos.
Conforme Bilibio (1995, p. 21), a produção de grãos começou a crescer na região Sudoeste
e muitas pessoas, entre eles os criadores de porcos, puderam vender suas produções aos
comerciantes que eles mesmos enviavam as indústrias de trituração que começaram a
aparecer naquela região, com isso algumas indústrias se instalaram em Ponta Grossa,
Maringá, Londrina, Paranavaí e Pato Branco cuidando da trituração dos grãos oleosos de
algodão, de girassol, de rícino, entre outros. Essas indústrias apareceram depois de 1960,
eram sustentadas pelo estado em termos de financiamento que visava para uma saída da
crise cafeeira.
O incentivo para o cultivo da soja baseou-se na necessidade de contar com uma cultura
cuja produção pudesse ser colocada a bons preços no mercado mundial e que causasse
menor malefício ao cafezal em formação (Kaster et al, 1981).
A migração gaúcha para o Paraná, década de 60, fez com que houvesse um
desenvolvimento da cultura da soja nas regiões Sudoeste e Oeste do Paraná, com o
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propósito perfeitamente definido e dispondo de alto grau de mecanização agrícola, os
colonizadores do oeste substituíram florestas por imensas lavouras de soja e trigo.
No Norte Paranaense, se instalaram indústrias de trituração de plantas oleaginosas, que
estavam voltadas para os esforços da introdução da soja em grão.
Uma das empresas a se instalar em Londrina, foi a Anderson Clayton, que tinha interesse
nos produtos oleaginosos e triturantes, como o araque e algodão, garantindo assim a
compra dos grãos de soja, assim como a exploração do mesmo.
O meio de produção da soja utilizada pelos produtores eram da simples foice até o arado
puxado por animal. Poucos utilizavam produtos químicos ou biológicos, e a semente era
produzida no local pelo próprio produtor.
Conforme Bilibio (1995, p. 27), posteriormente a soja foi intensificando a utilização de
insumos modernos, a prova disso é que nas microrregiões homogêneas do extremo oeste
Paranaense e do sudoeste Paranaense, onde houve relação entre o cultivo de trigo com a
soja, estas apresentaram grande concentração, principalmente na década de 70, como
conseqüência do investimento em máquinas agrícolas para produção de trigo, ser adequada
para a soja no mesmo ano agrícola, aumentando assim a produtividade.
De acordo com Obuti (19992, p. 9), o desenvolvimento tecnológico, em relação aos
aspectos econômicos da soja, sofreu grandes avanços na década de 70, em função do
esforço exigido do setor de pesquisa, dada a importância que o produto passou a apresentar
para a economia paranaense e brasileira. A criação do Instituto Agronômico do Paraná –
IAPAR, e a conseqüente estruturação de uma equipe de pesquisadores, especialmente em
soja, propiciou, a partir de 1974, um novo impulso nesta área, contanto no ano seguinte
com o apoio da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná – OCEPAR.
Fatores Conjunturais da Expansão da Soja
Á expansão da soja no Paraná se deu sob alguns fatores, os principais foram:
a) preço - Sem dúvida este é o maior incentivo para o produtor que pensa em
expandir sua área plantada ou substituir determinada cultura. b) mercado - As
condições de mercado externo eram favoráveis a produção brasileira, uma vez que o
período de entressafra dos Estados Unidos, maior produtor, coincide com o período de
safra do Brasil. c) Necessidade de recuperar os cafezais. Este foi o motivo inicial para que
a soja fosse plantada no estado do Paraná, d) Surgimento de empresas exportadoras de
cereais que com o intuito de estimular a produção de soja, fornecia as sementes,
financiava a cultura e realizava contratos de compra da produção. e) Construção de
rodovias - em especial a que liga Curitiba a Foz do Iguaçu, pois passou a atrair um fluxo
de empresários agrícolas e industriais para aquela região.
Durante a década de 60 foi crescente a necessidade de geração de divisas, isso fez com que
o governo estimula-se as exportações, nesse contexto a soja se beneficiou sob dois fatores:
a) garantia de preços mínimos compensadores ao produtor - que, fixados num
limite mínimo, abaixo do qual o produto não poderia ser comercializado,
possibilitavam uma margem de lucro ao produtor;
b) Financiamento à lavoura pelo Banco do Brasil -que, com juros baixos, no caso das
máquinas, ou abaixo da taxa de inflação, no caso dos insumos modernos
(adubos,
fertilizantes), permitiu às pequenas e médias propriedades a adoção de modernas
técnicas de produção.
Paralelamente a expansão da soja marcava a transição de uma cultura rudimentar, para
outra com um caráter moderno e tecnificado.
Outro fato marcante da expansão da soja no início da década de 1970, teve como um dos
fatores impulsionadores, a industrialização (agroindustrialização), não só a de óleos
vegetais, mas também farelo de soja, que passam a ter no mercado internacional (
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principalmente europeu) uma demanda em pleno crescimento. Neste período, as indústrias
multinacionais que tinham sido instaladas no estado, já tinham condições de observar boa
quantidade de matéria prima sendo estes um dos fatores de sustentação do rápido
desenvolvimento da soja na década de 1970 (Muller, 1989).
Pode-se afirmar que, através do estudo evolutivo da sojicultura, visualiza-se a
concretização do processo de modernização da agricultura brasileira, uma vez que ele põe
em evidência toda uma série de transformações técnicas, econômicas, sociais e espaciais
expressas através de:
a) Implantação de modernos equipamentos de infra-estrutura nas áreas produtoras;
b) Alterações na base técnica da produção (utilização de máquinas e insumos
industriais);
c) Processo de concentração fundiária;
d) Mudanças nas relações de trabalho (tendência à incorporação crescente do trabalho
assalariado);
e) Articulação dos produtores rurais com as cooperativas e as agroindústrias,
com
sistema bancário, com organismos de assistência técnica especializadas, com
representantes de industrias de
máquinas,
implementos,
fertilizantes,
denfensivos, etc.
Na verdade a soja constituiu-se num dos produtos agrícolas que melhor atendeu aos
interesses do poder público e das grandes empresas voltadas direta ou indiretamente a
agropecuária (BORGES, 2003).
A atuação de grandes conglomerados envolvidos no processamento da soja a nível mundial
(Cargill, Bung Y Born, continental Orai Co., Sanbra, etc) e a emergência de fortes grupos
nacionais (Sadia, Cevai, Olvebra, etc) e a necessidade de ampliar o volume das
exportações, para fazer frente ao modelo econômico adotado no país, levaram o Estado a
importar e introduzir, em algumas regiões, um verdadeiro pacote tecnológico da soja
(BERTRAND, 1989).
Fleischfresser (1984, p. 65), ressalta que a maior incorporação tecnológica pela agricultura
deu-se nas regiões norte e oeste/sudoeste em relação ao Paraná antigo (Região Sul),
salientando que as duas primeiras áreas apresentavam condições favoráveis à ocorrência do
processo de modernização, ao final da década de 60.
A região Norte apresentava um razoável nível de desenvolvimento das forças produtivas,
porque, além de contar com significativo número de produtores capitalistas (cujo processo
de acumulação se deu com o ciclo do café), houve a criação de uma infra-estrutura
produtiva, no que diz respeito aos meios de transporte; capacidade de armazenamento;
instalação de bancos; certa organização política entre produtores; um setor de serviços
ligado ao mercado externo (desenvolvido com a exportação do café); e o início de um
movimento cooperativista. No Oeste e Sudoeste, mesmo sem ter se formado uma camada
de produtores capitalistas encontram-se produtores mercantis, que, apesar de não
possuírem grandes recursos para investimento, possuem certa capacidade de
endividamento - o que lhes garante a adoção da moderna tecnologia, via acesso ao crédito
(FLEISCHFRESSER, 1984, p. 66).
Conforme a autora acima, outro aspecto favorável a essas duas regiões (Norte e
Oeste/Sudoeste) quanto à responsabilidade de adoção da tecnologia industrial, são
características de meio ambiente físico, pois em ambas o grau de fertilidade natural dos
solos é elevada e o relevo não apresenta restrições ao desenvolvimento da mecanização
(FLEISCHFRESSER, 1984, p. 66).
Quanto aos níveis de concentração da produção de soja que se encontravam nas mãos dos
médios e grandes proprietários produtores de soja durante a década de 1970, estabilizaram9
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se durante a década de 1980, esta concentração da produção nas mãos dos médios e
grandes proprietários produtores ocorre em virtude das próprias características do cultivo
da soja, que emprega uma alta tecnologia e que torna esta cultura impraticável aos
pequenos produtores rurais que não possuam o capital suficiente para adquiri-la, este
processo fica ainda mais acentuado depois que os grandes créditos existentes durante a
década de 70 deixam de existir, créditos estes que possibilitaram a expansão da cultura de
soja no Paraná, tanto em termos extensivos quanto intensivos (PROCÓPIO FILHO, 1985).
Estes são os fatores conjunturais, encontrados na literatura estudada que explicam a
expansão da soja, e essa cultura, pela sua própria expansão, tornou-se uma das principais
culturas geradoras de divisas para o Brasil.
A EXPORTAÇÃO DE SOJA NO PARANÁ
A economia paranaense se caracteriza como uma economia agro industrial por ter forte
setor produtivo agropecuário gerador de excedente exportável. O setor agropecuário
paranaense, na década de 80, passou por profundas transformações pela implantação e
modernização do seu complexo agroindustrial. Os reflexos foram sentidos no início da
década de 90 pelo aumento significativo das exportações agro industriais. A partir da
segunda metade dos anos 90 a economia paranaense passou por nova reestruturação
industrial com a implantação do parque industrial automotivo na região metropolitana de
Curitiba (RMC).
Atualmente, a produção paranaenses do complexo agro industrial representa
aproximadamente 23% da produção nacional de grãos, sendo que os produtos soja e milho,
respondem por 16,7% desta produção. Como o Paraná não é tradicionalmente exportador
de milho, este produto e 30% da soja são estrategicamente utilizados principalmente como
insumos por outros complexos agro industriais, como o de carnes (CONAB, 2000).
Couros e peles
3%
Açúcar
5%
Café
6%
Carnes
10%
Soja
57%
Madeira
19%
Figura 5 – Principais complexos agroindustriais paranaenses para Exportação
Fonte: OCEPAR/2004
Nesse contexto, o setor agropecuário tradicionalmente desempenhou o importante papel de
gerador de divisas para a economia paranaense. A retomada do crescimento das
exportações paranaenses ocorreu somente depois da transformação e adequação do parque
agroprocessador à luz da abertura comercial brasileira no início da década de 90..
PONTOS FORTES E FRACOS DENTRO DA CULTURA EXPORTADORA DE
SOJA
Segundo a OCEPAR (2004), o prejuízo gerado pelo Porto de Paranaguá em conseqüência
da decisão do governo paranaense de proibir o embarque de soja transgênica chega a R$
1,44 bilhão. A estimativa da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) foi
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divulgada na última segunda-feira pelo Senador Osmar Dias (PDT-PR), durante o
Seminário “Pespectivas da Agricultura”, que reuniu mais de mil produtores rurais em
Toledo (PR). O senador é autor do substitutivo ao prjeto de Lei de Biossegurança, que
deverá ser apreciado no Senado e, posteriormente, na Câmara Federal. (Ocepar, 2004)
O alto custo rodoviário para o transporte da carga de soja, dificulta a sua venda,
aumentando assim o custo para os produtores.
No ano de 2003 ocorreu um congestionamento de caminhões no Porto de Paranaguá, as
filas chegaram a 70 Km em dias de pico. Segundo Orsival Francisco, diretor empresarial
administrativo dos portos de Paranaguá e Antonina, seria necessário aumentar em 30% a
capacitação diária do porto, que hoje recebe 60 mil toneladas por dia. (CAVALCANTI,
2003).
De acordo com Landim e Rocha (2003, p.B8), para o Professor Fernando Homem de melo,
da Universidade de São Paulo, a área de soja deve crescer, mas a euforia vista nos últimos
anos não deve se repetir, já que o cenário mudou. Na safra passada, os preços
internacionais estavam em alta e o câmbio desvalorizado.
O aumento da produtividade de soja nos últimos anos no Estado do Paraná se deve a
investimentos realizados por produtores – que estão optando pelo plantio direto para
aumentar o rendimento – e pela Secretaria de Agricultura e do abastecimento no programa
de conservação e manejo do solo.
Conforme Oliveira (2001, p.1), a Ocepar considera um bom negócio para o produtor a
venda futura porque ele pode complementar o custeio, fugindo dos juros e dos encargos
financeiros.
Entre 70% e 80% do volume de soja vendida antecipadamente se destina ao mercado
externo, fator favorável também à balança comercial brasileira.
Em 1996, depois da publicação da lei Kandir, que desonerou as exportações de soja da
cobrança de ICMS, houve aumento significativo da área.
Segundo o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) da
Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, Otmar Hubner, contribuíram para o
crescimento do plantio da soja a cotação do dólar norte-americano e o aumento da área de
milho safrinha, em substituição à safra normal.
O crescimento, tanto da produção estadual como da nacional de soja, poderia ter sido
maior, alerta o engenheiro agrônomo, se não fosse o protecionismo que o governo
americano dá aos produtores locais, subsidiando significativamente a sua agricultura.
O governo do Mato Grosso criou um programa de incentivos que prevê a devolução de
parte do ICMS pago na venda dos grãos.
Conforme Tomazela (2003, p. G6), o cálculo leva em conta apenas o incremento na
produção, ou seja, aquilo que o produtor plantou a mais em relação à última safra. O
interessado deve seguir as recomendações técnicas para a cultura atestadas por um
agrônomo. Quem não possui terras deve se inscrever na Bolsa de Parcerias e
Arrendamento para ter direito ao benefício. “Isso é necessário para que possamos ter o
controle das áreas novas ou do aumento na área já cultivada”, explica Lázaro. O produtor
de soja recebe 50% de retorno para o grão comercializado dentro do Estado e 75% para o
produto vendido fora do Estado, incluindo a exportação.
Segundo o secretário da Produção e do Turismo do Estado, José Antônio Felício, além de
estimular os produtores locais, o programa quer atingir os agricultores paranaenses,
catarinenses e gaúchos. Quando esses produtores migraram para o Centro-oeste e Norte do
País para desbravar novas fronteiras agrícolas, em décadas passadas, eles pularam Mato
Grosso do Sul. “Isso aconteceu, talvez, porque aqui era uma região já ocupada pelo gado”,
diz. O governo sul-mato-grossense quer, agora, recuperar o tempo perdido. “Em maio
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deste ano, apresentamos nosso programa de cinco grades cooperativas paranaenses, Hoje,
quatro delas já estão aqui”. Além dos incentivos fiscais e do valor mais baixo das terras, o
Estado oferece como vantagem adicional a melhor infra-estrutura, comparada à do CentroOeste. “Estamos mais próximos dos dois principais portos do Brasil, o de Santos e o de
Paranaguá, e nossas estradas são melhores”.
De acordo com Sotero (2003, p. b4), A espetacular expansão da produção da soja no Brasil
nos últimos anos não resultou de subsídios oficiais, mas foi beneficiada pela
desvalorização da moeda e da isenção do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) para as exportações. Esta é a principal conclusão de um estudo que o
Departamento de Agricultura (USDA) preparou a pedido do presidente da comissão de
Finanças do senado, Charles Grassley.
Conforme Casado (1999, p. 20), o crescimento da produção é reflexo dos altos preços do
grão, obtidos até a safra passada, da desoneração da cobrança de ICMS, da constante
liquidez das commodities, entre outros fatores.
Também a crise da triticultura favoreceu de modo indireto o crescimento do plantio de soja
no Paraná.
O sucesso da implantação do grão de soja no país depende cada vez mais da solução dos
problemas causados pela redução do investimento público em infra estrutura e portuária e
pela definição de uma nova forma de financiar o esforço para reduzir os custos depois do
produto ser retirado da lavoura e comercializado. (FAEP, 2003).
A necessidade do crédito agrícola para um aumento de produção, mostra claramente que o
abastecimento mundial de alimentos depende exclusivamente de um nível de renda
adequado, da manutenção das instituições de pesquisa agrícola a nível mundial e da
transferência das tecnologias para o produtor rural.
Os planos de crédito surgem para minimizar esses entraves, pois através destes os
produtores podem encontrar suprimento de recursos para atendimento das despesas
normais do ciclo produtivo das suas lavouras de soja; os beneficiários podem obter os
recursos diretamente ou por meio de suas cooperativas. Os créditos oferecidos vão desde
os mini e pequenos produtores com um financiamento de até 70 % da receita prevista para
a lavoura a ser financiada, limitado ao orçamento; e os demais produtores podem financiar
até 70 % da receita prevista para a lavoura a ser financiada, limitado ao máximo de 80 %
do orçamento. O prazo de pagamento vai depender da possibilidade de ter uma safra com
vencimentos na época da obtenção das receitas.
Também foi fundamental a política de credito para comercialização implementada pelo
Governo, principalmente na década de 80, que permitiu às empresas e aos agricultores
arcarem com o custo de transição e adaptação a uma nova região produtora.
O avanço tecnológico viabilizou o cultivo da lavoura, assim como os investimentos em
infra-estrutura e em transportes, os quais foram muito expressivos na década de 90, no
entanto ao longo dos anos, continuaram com altos e baixos, conforme crescia a produção
da soja no Brasil.
Principais Barreiras na comercialização do produto no Mercado Nacional e Internacional
Logística
Uma das principais barreiras comerciais, é a logística usada, pois o uso constante de
rodovias atrapalha em muito a comercialização da mesma.
Conforme Mathias (2004, p. 2), a soja tem a logística como uma das principais travas para
o setor deslanchar e expandir ainda mais sua participação no comércio internacional. O
transporte rodoviário representa 60% do transporte do grão no território nacional.
As rodovias no Brasil são muito distantes, dificultando assim o transporte da carga.
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De acordo com Mathias (2004. p.2), a combinação integrada dos modais rodoviário,
ferroviário e hidroviário é considerada uma resposta positiva para o fluxo dos novos
corredores de transporte.
O uso do sistema rodoviário onde a infra-estrutura é precária, reduz a competitividade da
commodity. Sendo uma das principais travas para a expansão da cadeia de produção de
soja.
Mathias (2004), define que as dificuldades que existem para a evolução das modalidades
de transporte elevam os preços dos fretes, afetam o potencial de concorrência e diminuem
os ganhos dos agricultores.
Existe também uma guerra entre portos no Brasil, na escoação de suja par ao exterior. Um
desses portos são o de Santos e o de Paranaguá. O porto de Santos anunciou que pretende
ultrapassar Porto de Paranaguá no escoamento da soja em grão e assumir, dentro de dois
anos, a liderança nacional na exportação do produto, até 2001 ocupada pelo porto
paranaense (ARAGÃO, 2002, p. 18)
Conforme a APPA/2002, o Porto de Paranaguá tem feito de tudo para segurar e conquistar
novos clientes no que se refere às instalações portuárias. Mas isso não basta se outros
estados estão com uma rede de transportes melhor, mais vantajosa para os produtores do
centro-oeste.
Uma das barreiras também encontradas é o congestionamento de caminhões no porto de
Paranaguá, quando a safra de soja chega ao seu ápice.
Conforme Nicolau (2003, p.67), o congestionamento no porto de Paranaguá tem ocorrido
constantemente durante a colheita desta safra. As filas chegaram a 70 quilômetros, em dias
de pico. Em vez de chegar e descarregar, que seria o correto, os caminhoneiros ficam até
quatro dias parados, esperando sua vez de deixar o carregamento.
O governo do Paraná proibiu o cultivo e comercialização de soja transgênica no estado.
O governo federal irá rastrear a produção de soja tanto no estado do Paraná, como em
outros estados produtores.
Conforme Casado (2003, p.4), o ministério da agricultura vai credenciar empresas
nacionais e internacionais para fazer a rastreabilidade da soja, com o objetivo de evitar a
exportação de soja transgênica.
Será feita uma normatização dos procedimentos para o plantio, armazenagem,
comercialização e exportação da soja, por parte do Ministério da Agricultura.
Garantindo assim a origem da soja convencional para os mercados que querem comprar
soja não transgênica, como China, Japão, e a União Européia.
Conforme Casado (2003, p.4), o acompanhamento da soja será feito também durante a
armazenagem e comercialização, através de teses de laboratório, que vão atestar a
qualidade do produto.
A estiagem no Paraná reduz o valor da safra de soja em 8,4%. No começo do ano de 2004,
a estiagem atingiu quase 90% do território do Paraná.
Conforme Rocher (2004, p.20), a falta de chuva atinge mais de 90% do território do
estado. Nos últimos dois meses, só houve chuvas demoradas nas regiões de Guarapuava,
Maringá, Curitiba e Litoral. Contabilizando prejuízo de R$ 855 milhões.
As dificuldades enfrentadas não param por aí: excesso de chuva no centro-oeste do Brasil e
seca no sul, e a ocorrência de ferrugem asiática em todo o país, conseguiram diminuir o
valor das estimativas da produção/ colheita de soja no estado do Paraná.
De acordo com Rocher (2004, p. 20), os produtores de soja vão arrecadar R$ 740,8
milhões a menos. Parte do milho safrinha nem será plantada. O Paraná não vai bater o
recorde de produção de grãos do ano de 2003.
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As exportações do complexo agroindustrial paranaense podem ser caracterizadas por três
distintos subperíodos em que se alternam reduções e aumentos de crescimento do valor das
exportações, como podem ser observados nos subperíodos de 1989/92 (redução), 1993/96
(aumento) e 1997/99 (redução).
A evolução dos índices de vantagens comparativas reveladas (VCR) confirmou esta
tendência geral. Os produtos de maior desempenho foram dos complexos soja e café
(grãos, farelo, óleo e café solúvel). Os principais produtos com índices de evoluções
crescentes foram: soja em grãos, açúcar bruto e refinado, madeira em chapas e suco de
laranja. Também, se destacam os óleos de algodão e milho, que a partir de 1996 deixaram
de apresentar vantagens comparativas.
No primeiro subperíodo analisado (1989/92 a 1993/96) o crescimento do comércio
mundial e a competitividade explicaram 1/3 e 2/3 respectivamente do crescimento das
exportações. Nesse período, o comércio mundial estava em expansão e mostrou-se
receptivo, enquanto internamente a situação era de incerteza por estar em processo de
ajustes macroeconômicos (planos Collor e Real), mesmo assim, as condições permitiram o
desenvolvimento de formas capazes de ofertar produtos agroindustriais com
competitividade ao comércio internacional.
O segundo subperíodo de 1993/96 a 1997/99, foi marcado pelas" adversidades
internacionais. A retomada do crescimento mundial a partir de 1995, seguida de sucessivas
crises financeiras de grandes proporções, que abalaram a credibilidade internacional
frearam o processo de crescimento e direcionaram os fluxos dos capitais mundiais. Com
isso, o comércio mundial se retraiu e o processo evolutivo das exportações paranaenses
passou a ser sustentado pela composição da pauta, ou seja e pela competitividade do
complexo agro industrial paranaense.
A diversificação da pauta, ou seja, dos produtos como soja, milho, café, etc, e a
competitividade foram as principais fontes de crescimento das exportações paranaenses e
responsáveis pela superação das adversidades comerciais externas, resultando em efeitos
positivos nas exportações para mercados alternativos além dos tradicionais europeus e
norte-americanos.
O estado do Paraná tem condições para ampliar suas exportações, tanto do, complexo
agroindústrial, como dos setores industriais e de serviços. A considerar, as exportações
totais paranaenses em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB) em média na década de
90 é de aproximadamente 8% , pode ser considerada baixa, comparada a relação média das
brasileiras em torno de 9% e dos Tigres Asiáticos, como a Coréia do Sul de 32% em 1990
(KROGMAN, 2001, p.266).
O comportamento das exportações paranaenses é constantemente influenciado por
mudanças de políticas internas e alterações de âmbito mundial. Freqüentemente os efeitos
dos choques externos são transferidos para as nações exportadoras, que se manifestam no
valor das exportações, interferindo no tipo de produto a ser exportado.
As exportações do complexo agro industrial paranaense no período compreendido entre
1989 a 2000, conforme Tabela 7, apresentaram inicialmente desaceleração do crescimento
por dois anos consecutivos de 1990 a 1992, uma forte reação teve início em 1993 que se
estendeu até 1997. A partir de então, um outro período de desaceleração que caracterizado
por constantes retrações até o ano 2000.
Os produtos do complexo soja cresceram de importância ao longo dos anos 90, de maneira
que, no subperíodo 1989/92 os produtos, farelo de soja e grãos de soja representavam
45,5% das exportações do complexo agro industrial paranaense, passaram a representar
51,5% no subperíodo 97/00. Embora tenha crescido a participação do complexo soja, há de
se destacar que houve inversão de participação entre o farelo de soja e soja em grãos. No
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subperíodo 89/92 o farelo de soja representava 42%, passou a representar 26,7% no
subperíodo 97/00. Enquanto a soja em grãos evoluiu de 13,5% para 24,8% nos mesmos
subperíodos. Essa constatação alerta para o fato de que está crescendo a participação dos
produtos básicos nas exportações do complexo agroindustrial em relação aos produtos
elaborados por processos industriais.
Tabela 7 - Valor das exportações do complexo agro industrial paranaense por agregado
básico, semi-manufaturado e manufaturado em US$ mil -FOB de 1990.
Anos
Básicos
Semi-manufaturados
Manufaturados
Total
1990
1991
1992
1993
1.043.656
786.693
741.905
885.969
236.679
217.882
178.388
145.514
237.925
293.386
317.223
377.636
1.518.260
1.297.961
1.237.516
1.409.119
1994
1995
1.241.999
1.534.492
300.048
612.711
587.000
847.876
2.129.047
2.995.079
1996
1997
1998
1999
2000
1.927.975
2.653.061
2.368.561
1.664.080
1.409.314
596.994
389.782
345.571
326.737
231.190
911.181
910.879
811.361
659.680
558.629
3.436.149
3.953.722
3.525.493
2.650.497
2.199.134
Fonte: SECEX/MIC e IPARDES /2001
Tabela 8 – Representação em Exportações no Paraná
Períodos
Farelo de soja
Grãos de soja
Total = Farelo + Soja
1989/92
42% exportações
13,4%
45,5%
19997/2000
26,7%
24,8%
51,5%
Fonte: OCEPAR/2000
De maneira geral, as exportações paranaenses do complexo agro industrial apresentam
evolução diferenciada para os agregados de produtos básicos, semimanufaturados e
manufaturados. Os produtos básicos têm se destacado por representar em média acima de
60% do valores das exportações paranaenses e que tem no complexo soja representados
pelos produtos farelo e grãos de soja, com participação de aproximadamente 50% dos
valores desse agregado, enquanto os produtos carne de frango e açúcar bruto são
responsáveis por 10% de participação no valor exportado, além de apresentarem
participação crescente.
Em termos de produtividade, o Paraná chegou em torno de 3.000 kg no período de
2000/02. A produtividade e o custo de produção das fazendas nacionais demonstram que a
soja cultivada, principalmente no Paraná, consegue ter uma competitividade superior em
relação à norte-americana. A grande maioria de soja exportada do Paraná passa pelo Porto
de Paranaguá, com destino à diversos países como EU, China e Rotterdan/HOL, entre
outros.
No Paraná, os produtores de soja, mesmo utilizando o modo rodoviário para escoar grande
parte da sua produção até o Porto de Paranaguá, conseguem obter um custo de transporte
baixo, pois, a distancia média entre as fazendas e o porto possibilita uma economia para os
produtores.
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Tabela 9 –Sustentabilidade das Cadeias dos Estados do Mato Grosso e Paraná
Estados
Custo de produção
Frete ao porto
Despesas porto
Transporte marítimo
Prêmio
Custo Total
Mato Grosso (Sorriso)
174.0
47.0
5.3
23.4
80.0
329.7
Paraná (Campo Mourão)
145.0
17.0
5.3
23.4
80.0
270.0
Em US$/t - Valor : US$ 1,00 = r$ 3,00
Fonte: Conab/2003
Conforme Tavares (2003), os produtores do Paraná ganham uma economia no transporte,
mas perdem competitividade quando o produto chega ao porto de Paranaguá, pois prêmios
negativos estão sendo exercidos, em razão das complicadas operações portuárias
relacionadas a: recepção, estocagem, expedição de produtos e atracamento de navios.
Com o crescimento da produção de milho e do trigo, e com uma política econômica
nacional direcionada ao modelo exportador, verifica-se que há uma tendência forte de um
maior deslocamento de produtos agrícolas para os portos de Paranaguá e Santos. Portanto,
o próprio avanço das fronteiras agrícolas e a falta de alternativas de roteiros para o
escoamento da soja, do milho e agora do trigo, produtos agrícolas plantados em novas
áreas do cerrado, levarão maiores quantitativos, principalmente para o porto de Paranaguá
(Figura 5), que poderá se tornar um gargalo para as exportações, prejudicando até mesmo
os produtores do Paraná, que escoam sua produção tradicionalmente por aquele porto.
A falta de infra-estrutura de apoio ao deslocamento dos grãos vai concentrar a
movimentação pelo modo rodoviário, congestionando as estradas no período de colheita e
de exportação. O problema do transporte das safras, portanto, deve ser entendido como um
conjunto de ineficiências sistêmicas que prejudica a competitividade dos produtos
brasileiros, premissa esta que vem ganhando ampla aceitação.
Figura 6 – Mapa do Brasil, localizando o escoamento da produção de soja do Mato Grosso
para o porto de Paranaguá/pr
Fonte: Tavares (2003)
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De acordo com Tavares (2003), somente com investimentos em infra-estrutura de suporte
operacional para a logística dos grãos, principalmente com uma formulação mais viável de
privatização, por intermédio da alteração da forma de proporcionar a concessão dos
sistemas de transporte (ferroviário, hidroviário e rodoviário), com incentivo à instalação de
unidades armazenadoras nas fazendas e com a implementação das vias e dos serviços
portuários nas hidrovias do interior do país, será afastado o perigo de um gargalo nos
portos, principalmente, de Paranaguá, promovendo maiores ganhos de competitividade à
agropecuária paranaense e mato-grossense, onde o complexo soja será o grande
beneficiado. A Tabela 10 apresenta Produção e Rendimento da soja.
Tabela 10 – Soja – Brasil e Paraná de Área , Produção e Rendimento
BRASIL
PARANÁ
PRODUÇÃO
ANOS ÀREA
(Ha)
1.975 5.824.492
1.976 6.417.000
1.977 7.070.263
1.978 7.782.187
PROD.
(t.)
9.893.008
11.227.123
12.513.406
9.540.577
REND.
(Kg/Ha)
1.699
1.750
1.770
1.226
ÀREA
(Ha)
1.631.897
2.083.300
2.200.000
2.348.541
PROD.
(t.)
3.624.946
4.500.000
4.700.000
3.150.103
REND.
(Kg/Ha)
2.221
2.160
2.136
1.341
PR/BR
(%)
36,64
40,08
37,56
33,02
POSIÇÃO
PR/BR
2a.
1a.
2a.
2a.
1.979
1.980
1.981
1.982
1.983
1.984
1.985
1.986
1.987
1.988
1.989
1.990
1.991
1.992
1.993
1.994
1.995
1.996
1.997
8.256.096
8.774.023
8.501.169
8.203.277
8.137.112
9.421.202
10.153.405
9.181.587
9.129.795
10.518.371
12.200.556
11.487.303
9.616.648
9.441.391
10.635.330
11.525.410
11.675.005
10.291.470
11.486.478
10.240.306
15.155.804
15.007.367
12.836.047
14.582.347
15.540.792
18.278.585
13.330.225
16.977.151
18.011.652
24.051.673
19.897.804
14.937.806
19.214.705
22.590.978
24.931.832
25.682.637
23.155.274
26.391.448
1.240
1.727
1.765
1.565
1.792
1.650
1.800
1.452
1.860
1.712
1.971
1.732
1.553
2.035
2.124
2.163
2.200
2.250
2.298
2.340.460
2.410.800
2.266.200
2.099.996
2.022.000
2.177.900
2.196.370
1.745.000
1.718.000
2.123.379
2.399.993
2.267.638
1.972.538
1.810.657
2.073.537
2.154.077
2.206.249
2.386.523
2.540.008
4.000.000
5.400.192
4.983.210
4.200.096
4.315.000
4.121.000
4.413.000
2.600.000
3.810.000
4.771.264
5.031.297
4.649.752
3.531.216
3.440.466
4.747.818
5.332.893
5.694.427
6.440.344
6.582.273
1.709
2.240
2.199
2.000
2.134
1.892
2.009
1.490
2.218
2.247
2.096
2.050
1.790
1.900
2.290
2.476
2.581
2.699
2.591
39,06
35,63
33,21
32,72
29,59
26,52
24,14
19,50
22,44
26,49
20,92
23,37
23,64
17,91
21,02
21,39
22,17
27,81
24,94
1a.
2a.
2a.
2a.
2a.
2a.
2a.
2a.
2a.
1a.
2a.
2a.
1a.
3a.
2a.
2a.
2a.
1a.
1a.
1.998
1.999
2.000
2.001
2.002
2.003
2.004
2.005*
13.303.656
13.061.410
13.656.771
13.974.299
16.345.223
18.447.669
21.243.700
23.000.000
31.307.440
30.987.476
32.820.826
37.881.339
42.026.519
51.482.344
49.784.600
63.000.000
2.353
2.372
2.403
2.711
2.571
2.791
2.343
2.739
2.858.697
2.786.857
2.859.362
2.821.906
3.299.933
3.621.833
3.937.732
4.095.714
7.313.460
7.752.472
7.199.810
8.628.469
9.539.586
10.954.468
9.899.916
12.447.464
2.558
2.782
2.518
3.058
2.891
3.025
2.514
3.039
23,36
25,02
21,94
22,78
22,70
21,28
19,89
19,76
1a.
1a.
2a.
2a.
2a.
2a.
2a.
2a.
Fonte: SEAB/DERAL; IBGE; MA/SUPLAN; CONAB, Setembro de 2004
No 1º. Semestre de 2003, as exportações do complexo de soja corresponderam a 37% do
total do valor das vendas externas do Paraná, totalizando US$ 1,23 bilhão.
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Conforme o Superintendente da OCEPAR – Nelson Costa, apenas 50% da produção foi
exportada entre janeiro e julho de 2003, e o restante aguardou melhores preços.
O aumento de 10% da produção e a alta do preço, fizeram com que ocorresse um aumento
de 344% nas exportações da soja em grão no Estado no ano de 2003.
Observa-se que a elevação da demanda foi acompanhada pelo incremento da produção
mundial, projetada para 194 milhões de toneladas em 2002/03. Desta forma, tem-se um
quadro favorável em relação aos preços da soja, pois acompanhando as médias mensais das
cotações da soja no estado do Paraná desde mai/01, tem-se a forte valorização das mesmas
a partir de mai/02, estando em aproximadamente R$ 41,00/saca em fev/03.
Em 2004 o preço médio pago ao produtor do Paraná fechou em R$ 49,00 para saca de 60
kg na região Sudoeste, R$ 50,50 na região Centro-Sul, R$ 50,00 nas regiões oeste e
noroeste, conforme Cooperativas do Paraná – DERAL – SIMA.
CONCLUSÃO
Durante a década de 60 foi crescente a necessidade de geração de divisas, isso fez com que
o governo estimula-se as exportações, nesse contexto a soja se beneficiou-se sob dois
fatores, a garantia de preços mínimos compensadores ao produtor
e com o
financiamento à lavoura pelo Banco do Brasil -que, com juros baixos, no caso das
máquinas, ou abaixo da taxa de inflação, no caso dos insumos modernos
(adubos,
fertilizantes), permitiu às pequenas e médias propriedades a adoção de modernas
técnicas de produção. Paralelamente a expansão da soja marcava a transição de uma
cultura rudimentar, para outra com um caráter moderno e tecnificado.
Outro fato marcante da expansão da soja no início da década de 1970, teve como um dos
fatores impulsionadores, a agroindustrialização, não só a de óleos vegetais, mas também
farelo de soja, que passam a ter no mercado internacional ( principalmente europeu) uma
demanda em pleno crescimento (Muller, 1989).
Os produtos do complexo soja cresceram de importância ao longo dos anos 90, de maneira
que, no subperíodo 1989/92 os produtos, farelo de soja e grãos de soja representavam
45,5% das exportações do complexo agro industrial paranaense, passaram a representar
51,5% no subperíodo 97/00. Embora tenha crescido a participação do complexo soja, há de
se destacar que houve inversão de participação entre o farelo de soja e soja em grãos. No
subperíodo 89/92 o farelo de soja representava 42%, passou a representar 26,7% no
subperíodo 97/00. Enquanto a soja em grãos evoluiu de 13,5% para 24,8% nos mesmos
subperíodos. Essa constatação alerta para o fato de que está crescendo a participação dos
produtos básicos nas exportações do complexo agroindustrial em relação aos produtos
elaborados por processos industriais.
A espetacular expansão da produção da soja no Brasil nos últimos anos (2000 a 2005) não
resultou de subsídios oficiais, mas foi beneficiada pela desvalorização da moeda e da
isenção do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as
exportações. Esta é a principal conclusão de um estudo que o Departamento de Agricultura
(USDA). Já Conforme Casado (1999), o crescimento da produção é reflexo dos altos
preços do grão, obtidos até a safra passada, da desoneração da cobrança de ICMS, da
constante liquidez das commodities, porém, outros fatores devem ser considerados, como
exemplo tem-se que a crise da triticultura favoreceu de modo indireto o crescimento do
plantio de soja no país e no estado do Paraná.
Observa-se que o sucesso da implantação do grão de soja no país depende cada vez mais
da solução dos problemas causados pela redução do investimento público em infraestrutura e portuária e pela definição de uma nova forma de financiar o esforço para
reduzir os custos depois do produto ser retirado da lavoura e comercializado (FAEP, 2003).
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As condições externas exerceram grande influência no desempenho do setor agroexportador paranaense, como em qualquer outra região, mas os elementos fundamentais
para a superação das dificuldades de operacionalização no comércio exterior podem estar
associados a criação de bases estruturais definidas no tempo, que sejam capazes de reunir
os elementos do desenvolvimento tecnológico, da infra-estrutura e de políticas voltadas ao
estímulo as exportações.
A estabilidade macroeconômica duradoura no país e a persistência de políticas de
incentivos às exportações, além da manutenção das políticas dirigidas ao setor agro
industrial com vistas a sustentação da cadeia produtiva, devem facilitar a consecução de
estratégias que visem superar as crises e os choques externos.
No entanto, as autoridades governantes brasileiras e paranaenses deverão priorizar as
reformas estruturais no que tange aos custos da logística que interage nos vários setores
econômicos e os custos tributários incidentes na produção que se destina à exportação custo Brasil. Atualmente as exportações paranaenses e brasileiras são muito oneradas e
consequentemente perdem vantagens comparativas, diante dos competidores
internacionais.
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