OPI N I ÃO É preciso cuidar do mercado de etanol Não adianta o governo estabelecer uma política de incentivos aos carros flex-fuel para fomento do setor de etanol se continua a subsidiar a gasolina Adriano Pires (*) O crescimento expressivo da demanda por combustíveis é reflexo das políticas anticíclicas do período pós-crise, da estabilidade econômica brasileira nos últimos anos e do aumento de renda da população. dicial. Desde 2008, nenhuma decisão de instalação de nova usina foi tomada no país. Só quatro unidades estão previstas para entrar em operação até 2014, mas são projetos que foram decididos antes da crise. Tudo isso facilitou a aquisição de bens de consumo duráveis, inclusive automóveis. No período 2005-2012, a frota de veículos ciclo Otto cresceu 63%, uma taxa média de 7,2% ao ano. A frota flex-fuel aumentou 14 vezes no período, enquanto a quantidade de veículos movidos exclusivamente a gasolina encolheu 22% no período. Desta forma, a frota flex-fuel ultrapassou a gasolina e respondeu, em 2012, por 57% do total. A hegemonia do carro flex-fuel trouxe uma nova dinâmica para o mercado de combustíveis, já que agora grande parte dos consumidores pode escolher o combustível que utilizará no momento do abastecimento. O preço relativo dos combustíveis é o critério preponderante de escolha, o problema é que o preço subsidiado da gasolina distorce o mercado e reduz a competitividade do etanol. A correção do preço do combustível e o aumento de Além da competição desleal com a gasolina, o setor vem enfrentando adversidades também em outras áreas. Desde a crise de 2008, o setor tem tido dificuldade em levantar recursos para investimento em ampliação, renovação e mecanização do canavial, e, para piorar, as últimas safras tiveram seus custos aumentados por problemas climáticos. do etanol na gasolina tendem Como consequência dessas adversidades, das 330 usinas de açúcar e etanol da Região CentroSul do Brasil, responsáveis por 90% de toda a cana de açúcar processada no país, 60 deverão fechar as portas ou mudar de dono nos próximos dois a três anos. mas são medidas de curto prazo. Nos últimos cinco anos, 43 usinas foram desativadas e outras 36 entraram em recuperação ju- 20% para 25% do porcentual a melhorar a situação do setor, 2 A baixa competitividade do etanol fez com que a média das vendas diárias de gasolina em 2012 fosse 41% maior que em 2009 e as de etanol 41% menor comparando o mesmo período. De nada adianta o governo estabelecer uma política de incentivos aos carros flex-fuel para fomento do setor de etanol se continua a subsidiar a gasolina. Jornal Paraná - Março 2013 Os efeitos da crise do setor também se revelam na atividade econômica das regiões nas quais as destilarias estão localizadas. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), feito com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, em 2012, o setor sucroalcooleiro eliminou mais de 18 mil postos de trabalho no país. A correção do preço do combustível e o aumento de 20% para 25% do porcentual do etanol na gasolina tendem a melhorar a situação do setor, mas são medidas de curto prazo. O setor carece de segurança para investir, e isso depende da elaboração de um marco regulatório de longo prazo e da definição clara do governo sobre o papel do etanol na matriz energética. (*) Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O setor carece de segurança para investir, e isso depende da elaboração de um marco regulatório de longo prazo e da definição clara do governo sobre o papel do etanol na matriz energética. COLHEITA Melhoramentos é a primeira Expectativa é de esmagar 2,1 milhões de toneladas de cana, produzindo 93,4 milhões de litros de etanol anidro e 93 milhões de litros de hidratado Marly Aires Com a expectativa de um volume maior de cana para moer, por conta da renovação dos canaviais e da expansão de área, a Destilaria da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná em Jussara deu a largada na colheita de cana de açúcar no Paraná e no Brasil da safra 2013/14. Os trabalhos no campo tive- ram início dia 22 de fevereiro. As constantes chuvas que se seguiram no período, dificultaram o avanço da colheita e diminuiu o tempo de aproveitamento da indústria, mas tem beneficiado o desenvolvimento da lavoura. A expectativa é de esmagar 2,1 milhões de toneladas de cana, produzindo 93,4 milhões de litros de etanol anidro e 93 milhões de litros de hidratado, segundo o gerente de produção, João Teodorinho Luis Coelho. A destilaria antecipou o começo da safra também visando terminar mais cedo. “Precisamos de um tempo maior na entressafra para finalizar as obras de ampliação da destilaria”, diz o gerente. toneladas de cana, industrializando 118 milhões de litros de etanol anidro e a mesma quantidade de hidratado. Com os investimentos que estão sendo feitos no campo e na indústria, a meta para a destilaria em Jussara é de chegar à safra 2014/15 com a moagem de 2,8 milhões de Na última safra a destilaria esmagou 1,4 milhão de toneladas de cana e produziu 86,5 milhões de litros de etanol anidro e 25,8 milhões de litros de hidratado. Março 2013 - Jornal Paraná 3 COLHEITA Paraná sedia abertura da safra nacional 2013/14 no Centro Sul Evento será dia 5 de abril na unidade da Renuka do Brasil em São Pedro do Ivaí, região norte do Estado, com a presença de autoridades, lideranças e empresários do setor Da Equipe de Redação O Paraná vai sediar no início de abril a abertura oficial da safra 2013/14 da cadeia de cana-de-açúcar na Região Centro Sul do País. Com a presença de autoridades dos governos federal e estadual, lideranças e empresários do setor, o evento será no dia 5 na unidade do Grupo Renuka Vale do Ivaí em São Pedro do Ivaí, a 83 km de Maringá, no norte do Estado. Pela manhã, está prevista uma reunião com prefeitos e, às 14 horas, no interior da usina, a solenidade que, além de marcar o início da safra, vai formalizar a implementação do programa "Caminhos alternativos do agronegócio paranaense". Até o momento estão confirmados a ministra da Casa Civil da Presidência 4 Jornal Paraná - Março 2013 da República, Gleisi Helena Hoffmann, o novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Antônio Andrade, o governador Beto Richa, deputados estaduais e federais, prefeitos de dezenas de municípios, dirigentes da Frente Nacional Bioenergética, representantes de todas as associações e sindicatos do setor de vários Estados e demais lideranças. Segundo o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Miguel Tranin, o evento ocorre no momento em que há uma grande expectativa por parte dos empresários em relação ao posicionamento no governo federal no que refere à matriz energética. Ele lembra que o governo tem tomado medidas para apoiar o setor, mas a reivindicação é principalmente por um marco regulatório. "Precisamos de uma direção clara sobre qual será a política energética do País”, explica. Enquanto isto não acontece, o setor se mantém em dúvida quanto a realização de investimentos em novas estruturas e ampliações. Como parte da programação, a Alcopar estará formalizando no mesmo ato um convênio com o governo do Estado para implementar o projeto “Caminhos alternativos do agronegócio paranaense”, cujo objetivo é melhorar as condições de trafegabilidade das vias alternativas, para que o transporte de cana seja retirado das rodovias. O superintendente da entidade, José Adriano da Silva Dias, informa que o investimento previsto está orçado em R$ 296 milhões, abrangendo uma malha de 3.346 quilômetros de estradas municipais e estaduais no norte e noroeste. O montante inclui a construção de 71 trincheiras, 72 rotatórias, 272 pontes, 108 passagens simples, aquisição de duas balsas, obras em andamento e as já executadas. "O setor investe cerca de R$ 70 milhões por ano só na conservação das estradas por onde é feito o escoamento de cana", complementa Dias. A safra de cana, na realidade, já começou no dia 22 de fevereiro, quando entrou em operação a Destilaria Melhoramentos Norte do Paraná, em Jussara, no noroeste do Estado. As previsões iniciais apontam para uma produção de 39,7 milhões de toneladas no Paraná e 590 milhões de toneladas no Centro Sul. Na unidade da usina anfitriã do evento, a Renuka Vale do Ivaí, o corte da cana também já começou. Em São Pedro do Ivaí, foi no dia 20 de março. Na segunda indústria paranaense do grupo, no município de Marialva, o início será dia 1º de abril. A expectativa da Renuka no Paraná é esmagar 2,7 milhões de toneladas de cana e produzir 239,3 mil toneladas de açúcar e 57,5 milhões de litros de etanol. Estado deve moer 39,7 milhões/t Estimativas devem ser revistas após análise do comportamento climático na região daqui para frente e do desenvolvimento das lavouras Oficialmente, a safra 2013/14 de cana de açúcar no Centro Sul inicia dia 5 de abril. No Paraná, estado que tradicionalmente começa mais cedo, algumas usinas entraram com as máquinas no campo ainda em março, mas a maioria dá a largada na colheita a partir de abril. A estimativa inicial da Alcopar aponta para uma produção semelhante a do ano passado, 39,7 milhões de toneladas de cana, segundo o superintendente José Adriano da Silva Dias. Ele explica que o período de maior desenvolvimento das lavouras de cana se dá de novembro a março, quando há maior volume de chuvas e lu- minosidade, fundamentais para o crescimento da planta. “As chuvas só voltaram a cair com maior frequência em toda a região canavieira do Paraná a partir do final de dezembro. Com a normalização destas, as lavouras vêm se desenvolvendo bem, mas não é ainda possível avaliar se recuperarão todo seu potencial produtivo”, avalia. Além disso, comenta, a reforma e o plantio de novas áreas, ocorridos durante todo o ano, foram prejudicados pelo clima mais seco que caracterizou o ano passado. A sequência de veranicos, com chuvas esparsas e mal distribuídas na região, registrada no final do inverno e toda primavera, vinha afetando a cultura e dificultando a renovação e plantio de novas áreas, demandando, inclusive, replantios. O Paraná foi o estado que mais sofreu com a estiagem em 2012. Adriano diz que as estimativas para a safra 2013/14 no Estado devem ser revistas após análise do comportamento climático na região daqui para frente e do desenvolvimento das lavouras. Na safra 2012/13 foram esmagadas 39,668 milhões de toneladas de cana, produzindo 3,086 milhões de toneladas de açúcar e 1,298 bilhão de litros de etanol anidro e hidratado. No Centro Sul, a estimativa é de aumento da safra, 580 a 590 milhões de toneladas de cana, volume que também está sendo avaliado e pode ser revisto, conforme desenvolvimento da safra. O crescimento da produção acontece pela expansão de área e, sobretudo, pela reforma de canaviais na região que foi de 20,5%, acima da média18%. Na safra passada, no Centro Sul do Brasil foram moídos 532 milhões de toneladas, produzindo 21,28 bilhões de litros de etanol e 34,07 milhões de toneladas de açúcar, destinando 50,38% do total para a produção de etanol. Março 2013 - Jornal Paraná 5 AUDIÊNCIAS Comunidades aprovam poliduto CPA Armazéns Gerais, em Sarandi, ponto de partida do poliduto Obra deve ter início em 2014 e conclusão está prevista para 2015. Poliduto dará maior competitividade ao etanol, reduzindo os custos em até 16 vezes Marly Aires Com a aprovação dos produtores e das comunidades dos 23 municípios por onde vão passar os dutos, em breve deve ser emitida pelo Instituto Am- 6 biental do Paraná (IAP) a licença prévia para início da elaboração dos projetos do poliduto, segundo o presidente da Alcopar, Miguel Tranin. Este sairá de Canal retirará 133 mil caminhões da malha rodoviária Jornal Paraná - Março 2013 Sarandi, na região de Maringá, no Noroeste do Estado, onde estão concentrados 80% da produção de cana do Paraná, indo até ao centro de distribuição em Araucária, na região de Curitiba, e ao Porto de Paranaguá, para onde é escoada parte da produção paranaense. balhar detalhes como profundidade dos tuneis ou onde instalará o sistema de bombeamento, entre outros. “Serão necessários pelo menos mais dois anos de trabalho até a finalização de toda a obra”, afirma José Adriano da Silva Dias, superintendente da Alcopar. As audiências públicas, que contaram com grande participação das comunidades buscando esclarecimento sobre o impacto ambiental, foram realizadas pelo IAP de 19 de fevereiro a 7 de março nos municípios Sarandi, Reserva, Ponta Grossa, São José dos Pinhais e Paranaguá. A empresa CPL Logística (Central Paranaense de Logística S.A.), criada em 2010, conduzirá a obra e administrará o poliduto. A CPL é composta pela CPA Trading S/A (que pertence ao setor de sucroenergia), a Cattalini Terminais Marítimos e a CPL Holding, formada por produtores de etanol do Paraná. Na próxima etapa será feito o pedido de licença de instalação e iniciados os projetos executivos e as desapropriações ou indenizações, além de buscar a licença de operação para tra- A expectativa é de que esteja em funcionamento em 2015 e o início das obras está previsto para o próximo ano, mas já existe parte da estrutura erguida. "Temos terminais em Parana- guá, uma base distribuidora em Araucária e a central em Sarandi, que atualmente embarca etanol por trens e caminhões, mas futuramente irá também atender o poliduto", explica o superintendente da Alcopar. O investimento total estimado é de R$ 1 bilhão, dos quais 10% já foram integralizados pelos investidores, sendo que o poliduto terá capacidade para escoar 4 bilhões de litros por ano, número que eventualmente poderá ser revisto, adequando-se os volumes de acordo com o crescimento da demanda até o início das obras. Além de investirem no negócio, as indústrias paranaenses assumiram o compromisso de viabilizá-lo economicamente por meio de contratos fixos de movimentação de etanol por um período de 20 anos. Investimento estratégico Segundo o presidente da Alcopar, Miguel Tranin, o poliduto é estratégico para manter a competitividade do etanol paranaense frente aos outros estados, facilitando toda a operação de escoamento da produção das 30 usinas do Estado. Com o novo sistema, o custo com o transporte, hoje feito por caminhões ou trem, pode ser reduzido em até 16 vezes. copar, José Adriano Dias. A linha ligando Maringá/ Araucária/Paranaguá será apenas a primeira etapa do projeto, segundo Tranin. A proposta é dar continuidade à estrutura, num segundo momento, para atender também o Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, estendendo a linha a Nova Andradina (sudeste do Mato Grosso do Sul), sendo finalizada em Dourados (MS). Total segurança O traçado do poliduto cortando as áreas rurais dos municípios foi determinado com base no levantamento topográfico e em estudos detalhados quanto à viabilidade técnica, econômica e ambiental considerando todos os possíveis impactos e apontando medidas e programas que deverão ser implantados durante as diferentes fases do projeto. O poliduto terá 502 qui- lômetros de extensão, passando por 1067 propriedades. Os dutos serão construídos de acordo com as normas internacionais de segurança, recebendo vários tratamentos contra corrosão e passando por inspeções frequentes através de modernos equipamentos e monitoramento à distância. Serão instalados em vários intervalos sistema de proteção baseados em vál- vulas de fechamento rápido e de alívio térmico que impedem a passagem do produto em caso de alguma anormalidade. A tubulação totalmente em aço com 16” e espessuras variadas dependendo do trecho, ficará em média a 1 m ou 1,5 m de profundidade. Haverá uma estação de bombeamento de envio e duas estações intermediárias, com duas bombas operando em paralelo e uma reserva. O duto permitirá o transporte seguro de grandes quantidades de etanol, diminuindo o tráfego de cargas perigosas por caminhões ou trens e os riscos de acidentes ambientais. Considerando o volume de etanol que segue anualmente para o porto, isso significaria a retirada de 133 mil caminhões da malha rodoviária. "Deixaremos de emitir 62 mil toneladas de CO2 anualmente", afirma o superintendente da Al- Porto de Paranaguá, ponto de chegada, para onde são escoados parte da produção paranaense de etanol Março 2013 - Jornal Paraná 7 CERTIFICAÇÃO Usina termoelétrica da Coopcana e CPFL recebe ISO Mesmo em fase de construção, indústria já recebeu certificação em qualidade, segurança e gestão ambiental Da Equipe de Redação A usina termoelétrica Coopcana, localizada em São Carlos do Ivaí (PR), recebeu três importantes certificações ainda na fase de construção: os selos ISO 9001:2008 de gestão de qualidade, ISO 14001:2004 de gestão ambiental, e OHSAS 18001:2007 de gestão de segurança e saúde ocupacional. Essas normas internacionais garantem o compromisso com a qualidade, a segurança e o meio ambiente. para atender a todos os requisitos necessários. A implantação do SIG envolveu colaboradores de todas as áreas da companhia e mais de 20 empresas parceiras das duas usinas. A partir de agora, a CPFL Renováveis adotará os mesmos procedimentos em suas outras seis usinas termoelétricas. O empreendimento é resultado da parceria entre a Usina Coopcana e a empresa CPFL Renováveis (Companhia Paulista de Força e Luz), firmado em agosto de 2011 com o objetivo de produzir energia elétrica a partir do bagaço da cana. A CPFL investe os recursos necessários nas ampliações e a Coopcana repassa à empresa, por 20 anos, todo o excedente de energia elétrica produzido. também pela usina termoelétrica Alvorada, de Araporã (MG), pertencente a CPFL Renováveis. Auditadas pela Fundação Vanzolini, as duas usinas estão entre as primeiras do País a serem certificadas já na fase de construção. A certifição foi recebida “A CPFL Renováveis A implantação do Sistema de Gestão Integrada envolveu colaboradores de todas as áreas da companhia e empresas parceiras sempre trabalhou pela excelência de seus procedimentos, por isso a importância de alcançar esse resultado desde a fase de construção. Dessa forma, fica transparente ao mercado que estamos preparados para atendê-lo”, explica o diretor presidente da CPFL Renováveis, Miguel Saad. Sobre a CPFL Renováveis A CPFL Renováveis é a maior empresa do Brasil no segmento de geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis. Seu portfólio inclui Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), parques eólicos, usinas a biomassa e energia solar. A empresa tem como sócios CPFL Energia, Pátria Investimentos, Eton Park (empresa norte-americana de gestão de recursos), FIP Brasil Energia (fundo gerido pelo BTG Pactual), Banco Bradesco de Investimento (através do BBI FIP Multisetorial Plus), DEG (banco de desenvolvimento integrante do grupo financeiro alemão KfW ) e GMR Empreendimentos Energéticos. 8 Jornal Paraná - Março 2013 Para conquistar essa certificação, a equipe de auditoria interna da empresa implantou o Sistema de Gestão Integrada (SGI), que consiste no gerenciamento e controle dos processos com o objetivo de verificar sua eficiência. Foram seis meses de levantamento de dados e criação de procedimentos A ISO 14001 exige que as empresas se comprometam com a prevenção de danos ao ambiente e com melhorias contínuas, como parte do ciclo normal de gestão empresarial. A ISO 9001: 2000 garante que a companhia atue sob processos integrados e princípio de gestão da qualidade, com pessoas capacitadas, focadas nos objetivos da empresa e voltadas para a satisfação do cliente. Já a OHSAS 18001:2007 18001 tem caráter preventivo e visa à redução e ao controle dos riscos no ambiente de trabalho. Investimentos A CPFL Renováveis planeja investir R$ 5 bilhões entre 2013 e 2015, segundo o presidente da CPFL Energia e presidente do Conselho de Administração da CPFL Renováveis, Wilson Ferreira Jr. A empresa tem vários projetos de PCHs, biomassa e eólica. "O mercado de PCHs não tem preço competitivo para participar dos leilões, apesar do grande potencial da fonte", comentou Miguel Saad, presidente da CPFL Renováveis. Ferreira Jr. acredita que o foco nas eólicas tem deixado de lado as PCHs e a biomassa, mas que isso deverá mudar. "Acreditamos que isso vai mudar, que vão olhar para as outras fontes. Os leilões por fonte podem ser uma saída para que as PCHs e a biomassa participem da expansão", comentou o executivo. Obras estão em fase final Com as obras em estágio bastante avançado, a (CPFL) deve inaugurar em breve sua estação de cogeração de energia elétrica construída ao lado da cooperativa Coopcana. O volume de energia gerado será suficiente para suprir uma cidade de 160 mil habitantes. Estão sendo investidos cerca de R$ 160 milhões pela CPFL nesta obra que envolve também a modernização do sistema de caldeiras da usina, que vai ampliar sua capacidade de 21 kgf/cm² para 67 kgf/cm², além de aumentar a capacidade industrial de produção da usina de 3,4 para 4 milhões de toneladas de cana e construir um sistema de transmissão até o município de Alto Paraná, para conexão à rede. Estação de cogeração de energia elétrica dará fim mais nobre ao bagaço da cana Março 2013 - Jornal Paraná 9 SUSTENTABILIDADE Projeto da Renuka Vale do Ivaí é selecionado pelo Mapa Trabalho faz parte de publicação “Gestão Sustentável na Agricultura” que apresenta cases de oito empresas como exemplo de sucesso em todo o País Da Equipe de Redação O projeto “Vale a Pena Plantar”, da Renuka Vale do Ivaí, com unidades no município de São Pedro do Ivaí e em São Miguel Cambuí, distrito de Marialva (PR), foi um dos selecionados em todo o Brasil pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) como exemplo de sustentabilidade nos negócios corporativos. Além da Renuka Vale do Ivaí, os trabalhos de outras sete empresas foram escolhi- dos para fazer parte de uma publicação denominada “Gestão Sustentável na Agricultura”. Esta contém cases de sucesso com trabalhos desenvolvidos para preservar o meio ambiente que mostram ser possível ter sustentabilidade na agricultura, unindo conservação à tecnologia e ao desenvolvimento econômico e social. Iniciativas também mostram que o País avançou no tema e tem cumprido com os acordos em protocolos internacionais. O projeto “Vale a Pena Plantar” foi apresentado pelo presidente da Renuka Vale do Ivaí em evento em Brasília O lançamento da publicação foi no último dia 12 de março, na sede do Mapa em Brasília (DF), em um evento organizado pela Coordenação Geral de Sustentabilidade Ambiental do ministério, com a presença de Mendes Ribeiro Filho, então ministro da Agricultura. Publicação Esta é a primeira edição da publicação, que será entregue a empresas, associações e órgãos públicos que tenham vínculo com a agricultura, instituições de ensino e pesquisa, imprensa e embaixadas. Escrita em português e inglês, também servirá para divulgar estas iniciativas positivas no exterior. Esta será anual para abrir espaço para mais iniciativas que mostrem como é possível desenvolver a agricultura de forma sustentável. Com tiragem de cinco mil exemplares, o livro tem 96 páginas. Os projetos e programas escolhidos para esta 1ª edição da publicação do Mapa e que se destacam pela relevância em desenvolvimento sustentável na agricultura foram: • Associquim – case: “Processo Distribuição Responsável” 10 Jornal Paraná - Março 2013 • Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre – case: “Gestão Sustentável na Cadeia de Seguros Agrícolas” • Bayer CropScience – case: “Programa Mais Qualidade” • Cargill – case: ”Produção Agrícola Mais Sustentável” • inpEV – case: “Sistema Campo Limpo – Logística Reversa das Embalagens Vazias de Defensivos Agrícolas” • Porto Seguro Seguros – case: “Sustentabilidade para os Seguros Agrícolas” • Renuka Vale do Ivaí S/A – case: “Projeto Vale a Pena Plantar: Recuperação de Matas Ciliares” • Banco Santander – case: ”Gestão Sustentável no Agronegócio” Na ocasião, o presidente da Renuka Vale do Ivaí (PR) e Renuka do Brasil (SP), Paulo Zanetti, teve a oportunidade de falar sobre o trabalho desenvolvido nas duas unidades paranaenses. “Somente pode ser considerado como sustentável o desenvolvimento de um negócio se for baseado em um tripé ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável”, afirmou Zanetti. O projeto “Vale a Pena Plantar”, criado pela empresa em 2003, já recuperou mais de mil hectares de matas ciliares em propriedades de parceiros e fornecedores de cana das duas unidades da usina no Estado. Deste total, 570 hectares receberam 900 mil mudas de espécies nativas e as demais áreas tiveram regeneração natural, por apresentarem bancos de sementes em locais próximos. Para a produção das mudas, a empresa mantém parcerias com dois viveiros: o da prefeitura municipal de São Pedro do Ivaí e o do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de Ivaiporã. A Renuka Vale do Ivaí mantém três trabalhadores nos viveiros e recebe em troca mais de 100 mil mudas por ano para recuperar as áreas de preservação permanente nas propriedades de parceiros e fornecedores de cana. Também, os colaboradores que trabalham no corte manual da cana de açúcar, nos períodos de chuva, fazem o preparo do solo, plantio e a condução das mudas com capina e coroamento, e quando necessário, até irrigam as mudas em períodos de estiagem. Ser sustentável é visão da empresa A usina possui inúmeros trabalhos de apoio à comunidade e de preservação do ambiente, além de manter uma Reserva Particular do Patrimônio Natural Desde o início de suas atividades, a Renuka Vale do Ivaí S/A sempre se preocupou com o meio ambiente e com a sustentabilidade social e econômica de seus colaboradores e dos municípios em que está inserida, comenta o presidente Paulo Zanetti. Tanto que a usina possui inúmeros trabalhos de apoio à comunidade e de preservação do ambiente, além de manter a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) na Fa- zenda Barbacena, criada em 2004, com 555 hectares de floresta nativa, onde são realizadas pesquisas científicas e visitação com finalidade de educação ambiental. Com o início do Programa Mata Ciliar, lançado pelo governo do Estado, em 2003 com a meta de plantar 90 milhões de árvores para recomposição da vegetação nas margens dos principais rios do estado, a empresa criou o projeto para contribuir de “Graças a este trabalho, São Pedro do Ivaí ocupa atualmente o terceiro lugar no ranking dos municípios que mais plantaram mudas nativas no Estado, conforme divulgado no site do IAP”, afirma Judilânia Tomás Ramos, responsável pelo projeto na usina. programa foi ampliado, dando continuidade ao Projeto Remar (Reflorestamento do Ribeirão Marialva), comenta Fabiana Maestá dos Santos, que responde pelo projeto na filial. Nos últimos três anos as usinas de São Pedro do Ivaí e São Miguel do Cambuí efetuaram o plantio de aproximadamente 120 mil mudas de espécies nativas. Em 2008, com a aquisição da unidade do município de Marialva (PR), o Segundo Paulo Zanetti, o projeto traz grandes benefícios ao meio ambiente forma efetiva com o programa. como um todo, pois melhora a qualidade das águas e da vida da população das áreas onde houve o plantio, protege o solo contra erosões, evita o assoreamento dos rios, inundações e cria corredores de biodiversidade. Até a empresa é beneficiada, captando água de melhor qualidade para os processos industriais, além de ter suas áreas de plantio de cana adequadas conforme a legislação ambiental, sendo reconhecida como ambientalmente correta. Março 2013 - Jornal Paraná 11 AMBIENTE “Semeando o Verde” ganha projeção Projeto, que faz parte da política de sustentabilidade da Santa Terezinha, foi divulgado em eventos do Sesi em Maringá, Curitiba e Paraíba Da Equipe de Redação O cuidado com o meio ambiente na Usina Santa Terezinha vai muito além de produzir energia renovável. Sua política de sustentabilidade envolve diversas ações que buscam diminuir o impacto ambiental em todo o processo produtivo, desde o preparo do solo e plantio da cana, o gerenciamento de resíduos sólidos e reuso da água no processo produtivo, até a entrega do produto final. O Projeto Semeando o Verde, desenvolvido há anos pela empresa em comemoração ao Dia da Árvore (21/9), é um desses trabalhos que tem ganhado projeção regional e até nacional, dados os resultados que tem obtido. No ano passado o projeto foi divulgado em três eventos promovidos pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), onde o objetivo era promover o diálogo sobre boas práticas que contribuem para o alcance dos ODM Trabalho diferenciado A coordenadora do Movimento Nós Podemos Paraná, Maria Aparecida Zago Udenal destaca a contribuição da Usina Santa Terezinha com o ODM 7 que prevê “Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente” e o trabalho diferenciado que desenvolve indo além da responsabilidade social e ambiental ao misturar conservação com conscientização e formação de pessoas responsáveis, ao compartilhar valores. “Sabemos o quanto é importante a preservação e conservação do meio ambiente e o uso correto do solo. E a usina faz isso com as crianças”, diz. A coordenadora do movimento ainda ressalta que o projeto não é feito para a comunidade, mas feito com a comunidade. 12 Jornal Paraná - Março 2013 (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) e que incentivem o desenvolvimento local. Os eventos foram: “Mostra de Projetos – Jeitos Maringaenses de Mudar o Mundo”, realizado em Maringá (PR), o “5º Congresso Nós Podemos Paraná: Estratégias para o desenvolvimento local e os ODM”, ocorrido em Curitiba (PR), e o “ODM na Indústria”, em João Pessoa, na Paraíba. Voltado para a educação ambiental, com o objetivo de estimular nas crianças uma consciência voltada à preservação das matas ciliares e arborização das cidades, o projeto contribui com a preservação da biodiversidade. A semana de atividades educativas é encerrada com o plantio de mudas de espécies frutíferas e nativas por estudantes do ensino fundamental do 3º, 4º e 5º anos de escolas da Rede Municipal de Educação. Nas oito unidades industriais da empresa, cerca de 3.850 crianças participaram de atividades lúdicas, educativas e ambientais do projeto no ano passado. Além das atividades, o projeto ainda proporcionou o plantio de cerca de 24.000 árvores – pelas crianças e colaboradores da usina. Também, em toda lavoura de cana em que há área de mata ciliar e de preservação permanente é feito o replantio de árvores nativas. Diálogo de Sustentabilidade A Usina Santa Terezinha, em parceria com o Sesi (Serviço Social da Indústria), realizou o “Diálogo de Sustentabilidade: Pacto Global e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio” nos dias 21 e 22 de março no Auditório Sesi, em Maringá. O evento reuniu cerca de 200 colaboradores e gestores de todas as unidades da empresa: Maringá, Iguatemi, Terra Rica, Ivaté, Paranacity, Tapejara, Cidade Gaúcha, Rondon, São Tomé e Moreira Sales, no Paraná, e Rio Paraná, no Mato Grosso do Sul. O objetivo do Diálogo é difundir o conceito e práticas de Sustentabilidade Corporativa nos Princípios do Pacto Global e nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Dentre os quatro novos materiais, a CTC 25 é a primeira desenvolvida especificamente para as condições de solo e clima do Paraná Marly Aires Cerca de 120 pessoas, entre engenheiros agrônomos, técnicos, gerentes agrícolas e diretores de todas as usinas do Paraná participaram da Reunião Técnica Regional do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) realizada no último dia 14 de março, na Usina Santa Terezinha – Unidade Iguatemi/Maringá. Na ocasião foi feito o lançamento regional das quatro novas variedades de cana do CTC, houve várias palestras técnicas e foi entregue o Prêmio Inova às usinas que mais se destacaram no ano de 2012 no quesito inovação: as unidades da Santa Terezinha de Iguatemi e de Cidade Gaúcha. “Com foco no desafio de dobrar a taxa de inovação do setor, de maneira economicamente sustentável, procuramos usinas que têm esse perfil inovador e que investem em novidades, em renovação de canaviais e outras tecnologias disponíveis no PESQUISA CTC lança novas variedades em Maringá mercado”, salienta João Carlos Gonçales Junior, gerente de Marketing. Nos oito anos de pesquisa como CTC, já foram lançadas 24 variedades. No Paraná, os trabalhos tiveram início em 2008, mas o grupo de pesquisadores, que migrou da Copersucar, já acumula 42 anos de trabalho em cana de açúcar. Dentre os quatro novos materiais lançados, três, da série 9000, foram os primeiros desenvolvidos no Brasil especificamente para as condições do Cerrado (Goiás). O outro, a CTC 25, é o primeiro desenvolvido especificamente para as condições de clima e solo do Paraná (herança dos trabalhos desenvolvidos ainda na época da Copersucar), sendo testadas por mais de cinco anos em área comercial, segundo Fernando Pattaro, gerente regional do CTC para o Paraná. O evento, reunindo profissionais de todas as usinas do Paraná, foi na Santa Terezinha em Iguatemi/Maringá, dia 14 de março A variedade de ciclo precoce e médio tem um período de utilização industrial mais longo, podendo ser colhida de maio a setembro. Material ereto, planta e colhe bem, com desenvolvimento inicial e fechamento de entrelinha rápidos. Bastante rústica, não é exigente quanto a solo po- dendo ser plantada em ambientes mais restritivos. “Além desse, temos em fase pré comercial cerca de 70 materiais selecionados para as condições do Paraná, de ciclo precoce, médio e longo e para todo tipo de ambiente, como foco na precocidade e rustici- dade”, afirma Fernando. Na abertura do evento, o diretor da usina anfitriã, Júlio César Meneguetti, destacou os resultados da parceria do centro de pesquisa com as usinas, ponto que considera estratégico porque “sem investimento em pesquisa usinas ficam vulneráveis”. Março 2013 - Jornal Paraná 13 PESQUISA Rapidez, regionalização e biotecnologia Estes são os três pontos básicos do programa de desenvolvimento de variedade do CTC, além do foco no mercado Atuando no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para o setor canavieiro há mais de 40 anos, desde quando era ainda da Copersucar, o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) foca seu programa de desenvolvimento de variedade em três pontos básicos: ciclo mais rápido, regionalização do programa e integração com a biotecnologia, com foco no mercado, segundo Marcos Virgílio Casagrande, gerente de Desenvolvimento de Produto. Ele diz que no CTC, o período de pesquisa diminuiu de 15 para oito anos, redução de 47% no tempo gasto, além de um aumento do ganho anual de produtividade de 87%. Com a regionalização do programa, as variedades passaram a serem desenvolvidas e indicadas para a realidade de cada região, com base em estudos dos gargalos de produtividade, das condições de clima e solo, manejos adotados e tudo mais. “Até a seleção dos genitores já é feita de forma direcionada”, diz Casagrande. Os trabalhos desenvolvidos abrangem 100% dos 9 milhões de hectares de cana plantados no Centro Sul do Brasil. E neste contexto, o uso de ferramentas da biologia molecular auxilia no desenvol- 14 vimento das variedades, com uso de marcadores celulares, processo que identifica se candidato a variedade possui genes de interesse, como resistência a estiagem, por exemplo. “Tudo com foco comercial porque se não aumentar a produtividade, não funciona”, acrescenta. São avaliados mais de 100 mil clones por ano, mas o grande diferencial do processo de melhoramento do CTC é a grande diversificação da base genética, que no caso do Paraná conta com mais de 450 genitores. No banco de genótipos do CTC há mais de 6 mil. Os clones são selecionados com base nos estudos detalhados de todas as condições e características de ambientes de produção e manejo existente na região, cruzando os dados com as características dos genitores, prática que aumenta as chances de se obter um bom material. Há mais de 40 índices no banco de dados sobre cada genótipo. “O CTC tem em sua equipe de pesquisadores especialistas trabalhando ao longo de toda cadeia produtiva de forma que quando entrega um produto, já dá a bula de manejo de produção, vem com o pacote tecnoló- Casagrande: base genética diversificada Em busca das vantagens da transgenia O uso da biotecnologia no campo rendeu aos produtores brasileiros um lucro adicional de US$14,5 bilhões nas últimas safras, conforme dados da Associação Brasileira de Sementes e Mudas. Crescimento da área plantada de soja, milho e algodão geneticamente modificados foi de 14% no último ano, somando 37,1 milhões de hectares, 54,8% dos 67,7 milhões cultivados na safra 2012/13, segundo levantamento da consultoria Céleres. Isso torna o Brasil o segundo maior semeador de transgênicos do mundo. A cultura da cana de açúcar, entretanto, ainda não faz parte do seleto grupo de culturas beneficiadas pela biotecnologia, mas há várias instituições que desenvolvem pesquisas na área, como a Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa) formado por 10 universidades. gico pronto”, afirma Casagrande. A equipe está em constante contato com as usinas vendo oportunidades de ganho de produtividade para o cliente, fazendo alinhamento de tecnologia, desenvolvendo variedade sob medida para cada região, acrescenta. Produtividade de cana tem muito para crescer Em meio século, esta cresceu 40% no mundo e 67% no Brasil. Crescimento do milho foi de 167%, da colza, 224% e o da beterraba açucareira, 132% Arnaldo: desafios Nos últimos 50 anos, a produtividade média da cana de açúcar no mundo cresceu cerca de 40%, com ganho de 0,6% ao ano. No Brasil, esse crescimento foi bem mais significativo, 67%, com ganho de 1,1% ao ano, apesar de a grande expansão de área ter ocorrido sobre solos e climas mais restritivos, afirma “Todos buscam a cana transgênica em diferentes características: tolerância à seca, resistência a insetos, aumento do teor de açúcar, entre outros ganhos”, diz Monalisa Sampaio Carneiro, pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que integra a Ridesa. Também, a biotecnologia oferece a técnica de desenvolvimento da seleção assistida por marcadores moleculares. “São importantes porque escaneiam o DNA da cana e com base nessa análise podemos encontrar regiões que propiciem o aumento da produtividade, do teor de açúcar, direcionando assim com maior eficiência os cruzamentos”, salienta. A pesquisadora explica que o desenvolvimento convencional de novas variedades leva de 12 a 15 anos do cruzamento até o lançamento, e mesmo depois de todo esse tempo ainda há o risco do cruzamento ser malsucedido. Os marcadores moleculares aumentam muito as chances de sucesso no cruzamento. O mais importante, afirma, é que grande parte do genoma da cana já foi sequenciado e, a partir disso, será possível extrair grandes informações. Arnaldo Raizer, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira). Ele comenta que por ser uma cultura perene, de ciclo mais longo, qualquer pesquisa tende a ser mais demorada para apresentar resultados, assim como a incorporação das novas tecnologias. Em média, o lançamento de uma nova variedade levava 15 anos. Só nos últimos anos é que se reduziu esse prazo para oito anos. Os resultados obtidos com outras culturas, no mesmo período, entretanto, mostra que esse crescimento poderia ser bem maior. “No mesmo período, a pesquisa na cultura do milho no mundo proporcionou uma evolução de produtividade de 167%, da colza, 224% e o da beterraba açucareira 132%”, cita. Arnaldo comenta ainda que a biotecnologia é uma realidade no Brasil e no mundo para várias culturas. Para cana, o trabalho e os desafios para aproveitar o benefício da tecnologia ainda são grandes. “O uso de marcadores moleculares tem antecipado os ganhos do melhoramento genético, além de aumentar a eficiência da seleção de novas variedades e o ganho anual em produtividade, que passou de 1,5% para 3%”, afirma. Dentre as pesquisas com cana geneticamente modificada estão em andamento no CTC o trabalho em parceria com a Bayer CropScience para aumento de 20% do teor de açúcar da cana, previsto para estar disponível na safra 2017/18; a cana tolerante a seca, em parceria com a Basf PlantScience, com aumento de 15% na produtividade em áreas com déficit hídrico, tecnologia prevista para a safra 2020/21; e a variedade com resistência a broca da cana, em processo de validação de tecnologia. Março 2013 - Jornal Paraná 15 PRAGAS Formigas causam danos à lavoura e aos maquinários Também dificultam o cultivo, aumentam a infestação de plantas daninhas e danificam as curvas de nível, represa, tanques e canais de vinhaça Marly Aires Com perdas agrícolas que chegam a três ou cinco toneladas de cana de açúcar por formigueiro ao ano, a formiga cortadeira é uma praga importante da cultura, especialmente a saúva, afirma o engenheiro agrônomo e pesquisador Luiz Carlos de Almeida, especialista em pragas. Há 10 espécies no Brasil. O estrago causado por ela é bem característico com grande perda das folhas, por conta do corte constante. Com isso, diz o pesquisador, o crescimento da lavoura se torna lento, há afinamento de colmos, encurtamento de entrenós, redução do perfilhamento e morte de touceiras. Além da menor produtividade agrícola, a praga reduz de três a 10 olheiros, aos 22 meses aparecem os soldados e aos 38, ocorre a primeira revoada e formação de novos formigueiros, com a rainha reinando por 10 a 15 anos se nada for feito. a longevidade dos canaviais e afeta a qualidade da matéria prima, com perdas de 30% no Pcc (Pol da cana corrigido). Mas o que mais preocupa são outros tipos de danos causados pelos formigueiros como quebra de máquinas (por causa dos buracos), dificuldade de cul- tivo, aumento da infestação de plantas daninhas e danos às curvas de nível, represa, tanques e canais de vinhaça, alerta Luiz Carlos. Com ampla distribuição geográfica, as saúvas e as quenquéns ocorrem em 800 mil hectares de cana em todo o Brasil, com prejuízo de R$ 210 por hectare ao ano, somando R$ 168 milhões de prejuízos no ano. Cerca de 10 horas após a revoada, já está aberta a primeira panela do novo formigueiro. Dois meses depois aparecem as operárias, 20 meses depois já há Há várias fases críticas na formação do sauveiro que podem ajudar no controle, orienta Luiz Carlos. Na escavação do canal inicial, há a predação por pássaros, insetos e lagartos, além do ataque de tatus, o preparo do solo destrói o formigueiro e ainda há riscos de seca e encharcamento. Mas para um controle efetivo é fundamental planejar, executando as operações principalmente após o corte da lavoura e antes do plantio, quando é possível entrar no canavial. Recomendações Alguns fatores podem interferir na eficiência do controle, afirma o pesquisador Luiz Carlos de Almeida: se este for feito logo após as operações agrícolas, se houve treinamento dos aplicadores, se o produto formicida era adequado, 16 Jornal Paraná - Março 2013 assim como a dose usada por sauveiro. Depende também que todas as anotações sejam feitas corretamente e do estágio do canavial. Nas áreas de reforma e expansão, recomenda, o ideal é fazer no mínimo 30 dias após a destruição de soqueiras ou demais operações de preparo de solo e 45 dias após o plantio, fazendo o repasse no mínimo 60 dias após. Também é preciso evitar o controle logo após chuvas fortes ou a aplicação de herbicidas (cinco dias). Nas áreas de cana soca, o controle é feito no mínimo 10 dias após o transporte e enleiramento da palha ou 30 dias após o cultivo, com repasse depois de 60 dias. Métodos de controle Podem ser usados métodos culturais, biológicos ou químicos, onde os mais usados são a isca, produtos líquidos e termonebulização Na escolha de qual método de controle utilizar é preciso considerar a segurança, a eficiência, o custo operacional e o benefício econômico, além de avaliar evolução da infestação e aprimorar o planejamento de técnicas de aplicação, segundo o especialista em pragas Luiz Carlos de Almeida. Podem ser usados métodos culturais, biológicos ou químicos. No controle químico, os mais usados são a isca, produtos líquidos e termonebulização. As iscas granuladas são de fácil aplicação, elevado rendimento operacional e dão segurança ao aplicador, mas são de baixa eficiência com algumas espécies de saúvas e seu uso é limitado na época chuvosa. Também é preciso tomar cuidado na aquisição, armazenamento, manuseio, época de aplicação, na determinação da dose de aplicação e na colocação das iscas (seleção e distribuição nos olheiros). Não se deve colocar isca em olheiros de limpeza ou prejudicar as formigas predadoras. Já para os produtos líquidos, faltam metodologia para concentração da calda, qual a dose utilizada por formigueiro ou olheiro e a melhor forma de aplicação, além de que os resultados variam muito. Cupins Mesmo com perdas menores que as causadas pelas formigas, os cupins da cana de açúcar provocam perdas agrícolas consideráveis, 10 toneladas de cana por hectare ao ano, e redução da longevidade do canavial. O controle químico é feito no plantio e na cobrição, associando com o monitoramento de pragas do solo para racionalizar o uso de produtos. A revoada dos cupins para reprodução vai de agosto a outubro, com a rainha vivendo de 25 a 50 anos. Quanto à termonebulização, que é a aplicação de agrotóxicos formulados em óleo mineral, diesel ou querosene, Luiz Carlos diz que o método tem como vantagens a alta eficiência, o fácil controle, o baixo custo do produto, o efeito rápido e a disponibilidade. Mas a técnica demanda investimento em equipamentos de aplicação, treinamento da mão de obra e manutenção. Também há riscos de incêndio e de intoxicação. Para aplicar, é preciso determinar o talhão, marcar e controlar os formigueiros, selecionar e limpar os olheiros, aplicar o formicida, medir o formigueiro, determinar a dose de controle e avaliar a sua eficiência, além de preencher a ficha de monitoramento. Março 2013 - Jornal Paraná 17 PRAGAS Atenção à broca gigante Os prejuízos causados pela praga onde esta já ocorre são significativos. São duas gerações no ano A broca gigante da cana ainda não foi identificada no Paraná, mas o pesquisador Luiz Carlos de Almeida alerta que é preciso ficar atento especialmente com a procedência das mudas de cana adquiridas. Os prejuízos causados pela praga onde esta já ocorre são significativos. São duas gerações no ano com ciclo reprodutivo de 158 a 190 dias ao todo. Seu controle demanda a adoção do manejo integrado, com catação manual das formas biológicas, uma boa destruição das soqueiras, o controle químico para reduzir as populações da praga e o controle biológico com aves carnívoras, com os fungos Beauveria bassiana (que apresenta 60% de controle) e Metarhizium anisopliae (15% de controle) além dos parasitoides Palpozenillia palpalis (mosca da Guiana) e Sarcophagidae. Lagarta elasmo Amplamente distribuída no Brasil, a lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus) ataca culturas como soja, amendoim, arroz, milho, sorgo, trigo e cana de açúcar, entre outras, e ocorre preferencialmente em solos arenosos, ambientes secos e em plantas jovens, provocando falhas de estande e de brotação. Isso deixa o canavial de- As desfolhadoras Apesar de haver várias espécies de lagartas desfolhadoras, com ciclo de vida médio de 40 a 45 dias, de estarem amplamente distribuídas na região canavieira e de terem grande quantidade de hospedeiros, esta esporadicamente ocorre de forma mais intensa na cana de açúcar, não sendo necessária nenhuma aplicação de produto químico para seu controle. Os surtos acontecem principalmente nos meses quentes e úmidos devido a desequilíbrios ecológi18 Jornal Paraná - Março 2013 cos, a condições climáticas e a aplicação indiscriminada de inseticidas. Mas como há uma única geração no ano, a praga normalmente acaba sendo controlada pelos inimigos naturais ou migram para outras culturas. “Não é recomendado fazer o controle químico. Este só desequilibra o ambiente, eliminando inimigos naturais e podendo demandar o controle químico do inseto todos os anos”, alerta o pesquisador Luiz Carlos de Almeida. As medidas recomendadas são acompanhar a atividade da praga após o surto principal e esperar que o controle se dê naturalmente, cuidando apenas de manter a lavoura livre de plantas daninhas. O pesquisador diz que é preciso considerar alguns fatores como o dano causado, a população de inimigos naturais e outras pragas. Os prejuízos vão desde a desfolha e o corte de brotos até o atraso de desenvolvimento, além de danos ao colmo e morte de perfilhos. suniforme, atrasa o desenvolvimento e destrói 75% dos perfilhos, afirma o especialista em pragas, Luiz Carlos de Almeida. A lagarta elasmo tem elevado potencial de dano em situações de estiagem prolongada e no início da brotação. O ciclo total é de 30 a 60 dias, com três a cinco gerações/ano, sendo que cada uma coloca de 100 a 120 ovos. Dentre as medidas de controle está manejar a colheita em áreas com histórico de infestação para garantir uma boa brotação da cana, manter a área livre de plantas daninhas, evitar a queima do canavial, irrigar e fazer o controle com inseticidas. EMPRESAS NexSteppe investe em sorgo A empresa se dedica a produção de matéria prima para o mercado de bioenergia Com a crescente demanda por matérias primas para produção de biocombustíveis, bioeletricidade ou bioprodutos, o cenário é bastante propicio para recapitular o sorgo sacarino, desenvolvido na década de 1970 como opção para produzir etanol. No novo cenário o sorgo sacarino foi encaixado como matéria prima complementar a cana, para extensão da safra e amortização dos custos fixos da usina. Além da atual produção de etanol de primeira geração, o mundo precisa de fontes de energia renováveis para o etanol de segunda geração, bioeletricidade e bioprodutos. Segundo Anna Rath, fundadora e CEO da empresa, “o sorgo é uma cultura de significativa diversidade genética e grande potencial, que tem recebido pouca atenção em pesquisa e investimentos”, mas que se destaca como fonte de matéria prima tanto para a cadeia de etanol de primeira geração (sorgo sacarino) quanto como fonte de biomassa para as indústrias de biocombustíveis de segunda geração, bioenergia e bioprodutos (sorgo biomassa). Para tornar o sorgo uma matéria prima em escala, é preciso definir um novo foco, como plataforma para a indústria. A NexSteppe é a primeira companhia de comercialização de sementes do mundo criada com o exclusivo propósito de introduzir uma nova geração de soluções con- fiáveis e de baixo custo em insumos para produção de biocombustíveis, bioeletricidade e bioprodutos em geral. Através de técnicas avançadas de melhoramento genético e as mais atualizadas tecnologias, a empresa desenvolve o sorgo sacarino e o sorgo com alta produtividade de biomassa para produção de insumos sob medida para a bioindústria. Também está aprimorando as práticas de manejo dessas culturas e as operações de suas cadeias de abastecimento para apresentar soluções de insumo otimizadas e totalmente integradas. Através do desenvolvimento e comercialização dessas culturas selecionadas e de soluções de insumo totalmente integradas, Anna Rath diz que a NexSteppe trabalha para um futuro mais sustentável e seguro para a economia, meio ambiente e cadeia de abastecimento de energia. Reunion Engenharia oferece cursos para usinas A Reunion Engenharia oferece às usinas o treinamento ‘Cozimento e Cristalização de Açúcar’, que acontece nos dias 3, 4 e 5 de abril, no Centro de Convenções do Stream Palace Hotel, em Ribeirão Preto (SP). Este é destinado a produtores de açúcar, engenheiros, encarregados de cozimento, operadores de Centro Operacional Integrado (COI), supervisores, gerentes e diretores técnicos e outros. Os valores são R$ 1.650,00 (individual); R$ 1.550,00 (para cada duas pessoas) e R$ 1.350,00 (para cada três pessoas). Com duração de oito horas por aula, são promovidos pelos diretores da Reunion, Tercio Dalla Vecchia e Jorge Luiz Scaff há mais de 10 anos. Em 2009 foi dado início aos cursos modulares de Tecnologia Sucroenergética com o objetivo de oferecer a todos os níveis o desenvolvimento contínuo de competências técnicas, incluindo treinamentos ‘In Company’. Segundo Tercio, o treinamento “é uma oportunidade dos participantes compreenderem os detalhes e a beleza da formação dos cristais de açúcar, bem como obter deste fenômeno natural o melhor rendimento e qualidade no produto acabado”. Ao final de cada módulo, será fornecido um certificado de participação a todos que cumprirem a carga horária. Estão previstos ainda outros cursos: 17 a 19 de julho (Tratamento de Caldo) e 16 a 18 de outubro (Destilação, Desidratação e Concentração de Vinhaça). A programação pode sofrer alteração, caso necessário. Informações e inscrições: [email protected], [email protected] ou (11) 4156 6688 / (16) 3623 5384 ou pelo site www.reunion.eng.br Cursos são voltados para engenheiros, técnicos, supervisores de produção, gerentes e diretores Março 2013 - Jornal Paraná 19 CONSECANA Safra 2012/13 fecha com preços estáveis Os valores relativamente mais remuneradores para o açúcar permitiram que o preço da cana fechasse com uma boa média no período Marly Aires Os preços dos produtos industrializados e da cana de açúcar permaneceram relativamente estáveis, sem grandes oscilações durante toda a safra 2012/13, dentro do que foi projetado no início. Com isso, o preço da cana básica pago em fevereiro no Paraná (com 121,97 kg de ATR e sem impostos), ficou em R$ 51,93 no campo, devendo fechar a safra com números próximos aos obtidos na média da safra 2011/12, que foi de R$ 51,64. Esses dados foram divulgados na última reunião do Conselho dos Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado do Pa- raná (Consecana-Paraná), realizada no dia 27 de fevereiro na sede da Alcopar em Maringá, conforme levantamento efetuado pelo Departamento de Economia Rural e Extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo o presidente do Consecana PR e diretor da Dacalda Açúcar e Álcool Ltda, de Jacarezinho, Paulo Roberto Misquevis, os patamares de preços pagos pela cana de açúcar no Estado foram relativamente remuneradores nesta safra devido principalmente aos preços do açúcar no mercado interno e externo, produtos que têm um peso significativo no mix de produtos. Em média 55,52% do mix na safra 2012/13 foram destinados ao açúcar mercado externo. Já o açúcar para o mercado interno representou 0,79% do mix. O preço médio da saca de açúcar no mercado externo (sem impostos) atingiu em fevereiro o valor mais baixo da safra, R$ 41,70, e com projeção de queda, isso depois de ter chegado ao pico de R$ 47,00 em agosto, a média mensal mais alta também da safra 2011/12. O valor acumulado na safra em fevereiro foi de R$ 45,10, número que apesar de estar em queda (atingiu R$ 48,30) ainda é maior que o de encerramento da safra 2011/12. No mercado interno, o preço da saca de açúcar (sem impostos) está em alta. Chegou a atingir R$ 48,70 em julho, caiu para R$ 41,90 em novembro e vem se recuperando desde então fechando fevereiro em R$ 46,80 a saca. Na média, os valores do açúcar mercado interno projetados para a safra variaram de R$ 40,00 a saca (sem impostos) a R$ 50,90, fechando na projeção de fevereiro em R$ 45,10, valor que vem se mantendo relativamente estável. Etanol em alta Nos últimos dois meses, o preço do etanol vem se recuperando, mas praticamente não há estoque para comercializar no Estado. Com uma leve alta em relação ao mês anterior, o preço médio do etanol hidratado, consi20 Jornal Paraná - Março 2013 derando as vendas no mercado interno e externo, fechou fevereiro a R$ 1,205 o litro contra R$ 1,161 em janeiro. O valor pago vem se recuperando desde outubro de 2012, quando chegou a R$ 1,039 o litro. No acumu- lado, o preço médio em fevereiro fechou em R$ 1,122 o litro. O produto representou 29,30% do mix na safra. No caso do preço médio do álcool anidro, também em recuperação, fechou fevereiro a R$ 1,342, pouco acima dos R$ 1,330 alcançado em janeiro. Os valores pagos se mantiveram estáveis ao longo da safra, registrando apenas uma queda acentuada em novembro, quando foi para R$ 1,200 o litro. No acumulado da safra, se manteve no mesmo patamar da última projeção, com a média de R$ 1,298 o litro, inferior ao valor fechado na safra 2011/12, R$1,438. O etanol anidro representou 14,39% do mix de produtos. Um balizador de preços O Consecana-PR surgiu para atender a necessidade de organização do setor e para regular o mercado, devido à saída do governo Criado em 2000, o Consecana-PR define os valores que servem de referência para comercialização da cana de açúcar. Este surgiu para atender a necessidade de organização do setor e para regular o mercado, devido à saída do governo. O preço da cana para o período seguinte é decidido em conjunto pelos produtores de cana e pelas indústrias, de forma transparente, com regras claras. Tem como base os valores de comercialização dos derivados, o mix de comercialização, os preços do ATR de cada produto e o preço médio do ATR do mês. “Além de estruturar a cadeia produtiva e facilitar o livre negócio entre produtores e indústria, o Consecana deixa de base para estabelecer o preço da cana, além de municiar os membros do Consecana com informações sobre os valores de referências dos produtos no mês, acumulados até o mês e projetados para o ano safra. Reuniões dos 12 membros do conselho são mensais o mercado mais transparente e o valor pago mais justo. Tanto a indústria quanto os produtores são parceiros ao enfrentarem as altas e baixas do mercado de açúcar e etanol, com o valor da cana acompanhando”, afirma Paulo Misquevis. Ele ressalta que isso viabiliza um melhor planejamento a médio e longo prazo, reduzindo os riscos para a indústria e para os produtores, dando maior segurança aos dois lados. A UFPR tem acesso a todo mapa de comercialização de etanol e açúcar das indústrias, e de forma independente, calcula uma média, que serve As reuniões dos 12 membros do Consecana para definir o preço do ATR (Açúcar Total Recuperável) da cana são mensais. O conselho é paritário, com seis representantes dos produtores indicados pela Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), normalmente presidentes de Sindicatos Rurais, e seis representantes da indústria, indicados pela Alcopar, além de seis suplentes de cada setor. Março 2013 - Jornal Paraná 21 DOIS PONTOS Novo ministro O novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o deputado federal mineiro Antônio Andrade, assumiu a pasta dia 18 de março, em substituição ao deputado federal gaúcho Mendes Ribeiro Filho, que deixou o cargo para cuidar de problema de saúde. A alteração faz parte de uma minirreforma no governo, com a entrada de dois ministros no governo e a mudança de pasta de um terceiro. Temperaturas Um novo estudo publicado na revista "Science" e conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon e da Universidade Harvard, ambas nos EUA, reconstruiu a temperatura média da Terra nos últimos 11,3 mil anos para compará-la aos níveis atuais. A boa notícia: a Terra hoje está mais fria do que já esteve no início do período analisado. A má: se os modelos dos climatologistas estiverem certos, atingiremos um novo recorde de calor até o final do século. Terra Puxado pelo aumento das cotações da soja/milho no mercado internacional, o preço médio de um hectare de terra destinado ao agronegócio mais que triplicou em dez anos no Brasil, superando de longe a inflação. Além disso, em cinco anos, entre 2008 e 2012, a terra se valorizou num ritmo mais acelerado que o dólar, aplicações em renda fixa, 22 Jornal Paraná - Março 2013 ações e até mesmo o ouro. Segundo a consultoria Informa Economics/ FNP entre o primeiro bimestre de 2003 e o último bimestre de 2012, o preço médio da terra no Brasil aumentou 227%, com o valor do hectare saltando de R$ 2.280 para R$ 7.470, 12,6% ao ano, quase o dobro da inflação média anual, de 6,4%. Mistura A partir de maio, a mistura de etanol na gasolina vendida nos postos de combustíveis do País vai aumentar dos atuais 20% para 25%. O objetivo do governo é ampliar a demanda pelo álcool combustível e, ao mesmo tempo, baratear o custo de produção e financiamento. A medida foi anunciada em janeiro pelo governo, com o intuito de amenizar o impacto do reajuste de preços da gasolina, de 6,6% nas refinarias e em torno de 4% nas bombas ao consumidor. A mistura de 20% está em vigor desde 1º de outubro de 2011. Bonsucro A Raízen finalizou a safra 2012/13 com sete de suas 24 unidades certificadas pela Bonsucro, iniciativa global com sede em Londres que visa reduzir impactos ambientais e sociais na produção sucroenergética. Atualmente, 20% da produção total de cana e 23% de todo o etanol produzido pela Raízen possuem o selo. Ao todo, são 448 milhões de litros de etanol e 632 mil toneladas de açúcar certificados. Ter o processo produtivo avaliado pela Bonsucro é uma exigência obrigatória da União Europeia para exportadores. Petrobras Silicone de cana Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pretende usar um material feito a partir da cana de açúcar como substituto do silicone em próteses para cirurgias plásticas. Trata-se de um tipo de biopolímero produzido com uso de bactérias. Sua aplicação vem sendo estudada em várias áreas médicas. Na primeira fase de testes, a equipe usou o material em porcas, aplicando cerca de 5 ml em gel nas tetas dos animais. O biopolímero tem a vantagem de ser melhor aceito pelo organismo do que o silicone, material mais usado em próteses atualmente. A Petrobrás perdeu R$ 53,9 bilhões em valor de mercado só em 2013, até o dia 28 de fevereiro, segundo cálculos da consultoria Economatica. O montante é maior que o verificado em todo o ano de 2012, de R$ 36,7 bilhões. O recuo no primeiro bimestre deste ano é o terceiro maior da história da empresa, fazendo-se a comparação com os resultados anuais fechados. A maior queda de valor de mercado da Petrobrás aconteceu em 2008, quando a companhia perdeu R$ 205,9 bilhões. Desde o fim de 2010, a estatal perdeu R$ 179,3 bilhões de valor de mercado passou de R$ 380,2 bilhões para R$ 200,9 bilhões. Carga tributária Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário indica que a carga tributária brasileira em 2012 chegou a 36,27% do PIB. O baixo PIB registrado no ano passado e a alta arrecadação tributária ocasionaram o aumento da carga tributária, superando inclusive o índice de 2011, que foi de 36,02%. Nem mesmo as desonerações e o fraco desempenho do PIB conseguiram diminuir a carga tributária brasileira. O estudo do IBPT concluiu que a arrecadação tributária chegou a R$ 1,59 trilhão em 2012, contra R$ 1,49 trilhão registrado em 2011. Nominalmente, houve crescimento de 7,03% na arrecadação tributária, enquanto que o PIB variou 6,26%. Nos últimos dez anos, a carga tributária cresceu 3,63%, com média de 0,36% ao ano. Encargos trabalhistas O Brasil é o País com os encargos trabalhistas mais elevados em um grupo de 25 nações analisadas pela rede mundial de auditoria e contabilidade UHY, incluindo o G7 (grupo dos sete países mais industrializados) e os Brics (principais economias emergentes). No Brasil paga-se em média 57,56% do valor bruto do salário em tributos contra uma média global de 22,52%. Significa dizer que, ao pagar um salário anual bruto de US$ 30 mil, o empresário brasileiro paga US$ 17,267 mil adicionais de contribuições trabalhistas, incluindo todos os custos empregatícios mandatórios como coberturas de saúde e provisões de pensões. Se fossem incluídos os acordos sindicais e as taxas estaduais, o valor poderia dobrar. A média mundial implica em US$ 6,757 mil extras, menos da metade do que é pago no Brasil. PIB do Brasil Economia do Brasil completa dez trimestres com crescimento abaixo de 1%. Dentre as 20 principais economias do mundo, resultado brasileiro só não é pior que o dos que vivem crise europeia. Empresários reduziram seus investimentos ao patamar de 2009, no auge do impacto da crise externa. Resultados mostram que a esperada retomada da produção nacional segue em Combustíveis O incentivo dado pelo governo federal para a compra de veículos ajudou a turbinar a demanda por gasolina. De acordo com a ANP, o consumo de gasolina cresceu 11,9% e atingiu 39,6 bilhões de litros em 2012. Somente no ano passado, 3,8 milhões de novos carros foram incorporados à frota brasileira, segundo dados da Anfavea. O consumo total de combustíveis cresceu 6,1% e alcançou 129,6 bilhões de litros em 2012. O volume inclui gasolina, etanol, óleo diesel, biodiesel, gás de botijão, querosene de aviação e óleo combustível. O consumo total de etanol recuou 5,6%, para 17,7 bilhões de litros. O etanol hidratado, que vai direto no tanque de combustível, caiu 9,6%, e o anidro, que vai na mistura da gasolina, recuou 0,2%. Biocombustíveis Depois dos Estados Unidos, em 2003, agora é a vez de a Europa superar o Brasil no consumo de biocombustíveis. Dados divulgados pela União Europeia mostram que o bloco econômico consumiu em 2011 cerca de 14 mil toneladas equivalentes de petróleo – 2 mil a mais que o consumo brasileiro. Enquanto faltam investimentos para suprir demanda no Brasil, a Europa regulou o setor e a produção aumentou 16 vezes em uma década. Precursor da tecnologia, país precisa de 100 novas usinas para atender procura até 2020. ritmo abaixo das expectativas. Apesar dos sucessivos pacotes de estímulo ao crédito e alívio tributário, a expansão do PIB em 2012 foi de apenas 0,9%. As causas da retração dos investimentos são motivo de controvérsia. O governo culpa as incertezas do cenário internacional; analistas de linha liberal culpam o intervencionismo do governo. Embrapa A partir deste ano, a Embrapa Agroenergia vai otimizar a produção industrial do etanol de segunda geração. Com duração de três anos, seu projeto em parceria com diversas instituições busca um mecanismo eficiente e barato para fermentar a xilose, um tipo de açúcar presente na biomassa, o segundo mais abundante no bagaço da cana, que a tecnologia atual ainda não consegue aproveitar. Isso porque a substância não é metabolizada pela levedura usada na fabricação do combustível e que só fermenta a glicose, o açúcar mais abundante na biomassa. A intenção é fazer com que a levedura interaja com a xilose e aumente a produtividade das técnicas atuais. Março 2013 - Jornal Paraná 23 FEIRAS Comemoração de 20 anos marcam a Agrishow É esperada a participação de 790 expositores e de 152 mil visitantes. Evento será de 29 de abril a 3 de maio em Ribeirão Preto Assessoria de Comunicação A Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), consolidada como a principal feira do setor agro da América Latina, completa 20 anos de história em 2013. Programada para os dias 29 de abril a 3 de maio, no Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste/Centro de Cana, em Ribeirão Preto (SP), a feira terá uma área total de 440 mil m², uma vitrine do que há de mais moderno em tecnologia para o agronegócio. É esperada a participação de 790 expositores, entre fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas, insumos, ferramentas, associações de classe, centros de pesquisa, universidades e instituições financeiras que apresentarão as mais modernas tecnologias e soluções para pequenas, médias e grandes propriedades rurais. A expectativa é receber um público visitante de 152 mil pessoas. Uma facilidade para os visitantes é a maior regionalização por áreas. Para otimizar sua visita, o produtor rural poderá ir diretamente a setores da feira que concentram expositores de irrigação, armazenagem, agricultura de precisão, ferramentas, aviação, caminhões/ônibus/ transbordos, automobilístico, máquinas para construção, pneus, pecuária e sementes/ defensivos/adubos. Diversas melhorias serão implantadas no local do evento. Com a concessão da área de exposição por 30 anos, assinada na edição de 2012 da feira, “tirou-se a insegurança jurídica, criando um ambiente motivador para investimentos”, diz o presidente da Agrishow, Maurilio Biagi Filho. Após a realização da feira, será elaborado um plano diretor de investimentos. A edição de 2013 da Agrishow será marcada pelas comemorações dos 20 anos da feira. Dia 30 de abril haverá uma noite comemorativa no Centro de Eventos Pereira Alvim, em Ribeirão Preto, com o lançamento do livro sobre os 20 anos da feira, homenagens aos expositores que estão desde a primeira edição e apresentações artís- tico-culturais, como da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto e do cantor Almir Sater. O evento é realizado pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) e SRB (Sociedade Rural Brasileira). A organização é da BTS Informa. Mais informações: www.agrishow.com.br Foco em dinâmicas e sustentabilidade As demonstrações de campo, consideradas o DNA da Agrishow, terão novidades para o público. Uma delas é a criação do Núcleo da Tecnologia, com plots comparativos de sementes, adubos e defensivos agrícolas de culturas como milho, cana de açúcar e pastagens. A outra novidade é a implantação em parceria com a Embrapa de uma área de 16 hectares com diversos manejos de integração lavoura pecuária floresta (ILPF). “A dinâmica é um dos diferenciais da Agrishow, que possibilita ao visitante conhecer na prática toda a tecnologia disponível para o campo. São oportunidades para que o produtor rural visualize o desempenho das máquinas e das tecnolo24 Jornal Paraná - Março 2013 gias em ação, faça comparações, auxiliando na decisão de compra de acordo com suas expectativas e necessidades”, afirma o presidente da feira. Um dos principais focos desta edição é a sustentabilidade. Iniciado em 2012, o projeto Agrishow Sustentável engloba uma série de ações de responsabilidade ambiental, envolvendo organizadores, expositores, fornecedores, visitantes e sociedade. O projeto, que tem uma via preventiva e outra corretiva, visa minimizar os impactos que existem com a realização da feira, divulgar boas práticas ambientais. Em um estande do projeto serão apresentados cases de empresas de diversos elos da cadeia do agronegócio com produtos, serviços e processos sustentáveis. Estarão disponíveis para visitação, por exemplo, um Porsche híbrido (há somente oito no Brasil) e um ônibus híbrido. O próprio estande será autossustentável com um protótipo que gera energia solar e térmica para o funcionamento do espaço. Os expositores podem acessar no site do evento uma cartilha de boas práticas de sustentabilidade com orientações para a concepção de estandes ecologicamente corretos, medidas de eficiência em consumo de água e energia, entre outras dicas.