OPI N I ÃO
É preciso cuidar do mercado de etanol
Não adianta o governo estabelecer uma política de incentivos aos carros flex-fuel para fomento
do setor de etanol se continua a subsidiar a gasolina Adriano Pires (*)
O crescimento expressivo da demanda por combustíveis é reflexo
das políticas anticíclicas do
período pós-crise, da estabilidade econômica brasileira nos
últimos anos e do aumento de
renda da população.
dicial. Desde 2008, nenhuma decisão de instalação de nova usina foi tomada no país. Só
quatro unidades estão previstas para entrar em operação até 2014, mas são
projetos que foram decididos antes da
crise.
Tudo isso facilitou a aquisição de bens de consumo duráveis, inclusive automóveis. No
período 2005-2012, a frota de
veículos ciclo Otto cresceu 63%,
uma taxa média de 7,2% ao ano.
A frota flex-fuel aumentou 14 vezes no período, enquanto a quantidade de veículos movidos exclusivamente a gasolina encolheu 22% no
período. Desta forma, a frota flex-fuel ultrapassou a gasolina e respondeu, em 2012, por 57% do
total.
A hegemonia do carro flex-fuel trouxe uma
nova dinâmica para o mercado de combustíveis,
já que agora grande parte dos consumidores pode
escolher o combustível que utilizará no momento
do abastecimento.
O preço relativo dos combustíveis é o critério
preponderante de escolha, o problema é que o
preço subsidiado da gasolina distorce o mercado
e reduz a competitividade do etanol.
A correção do preço do
combustível e o aumento de
Além da competição desleal com a gasolina, o
setor vem enfrentando adversidades também em
outras áreas. Desde a crise de 2008, o setor tem
tido dificuldade em levantar recursos para investimento em ampliação, renovação e mecanização
do canavial, e, para piorar, as últimas safras tiveram seus custos aumentados por problemas climáticos.
do etanol na gasolina tendem
Como consequência dessas adversidades, das
330 usinas de açúcar e etanol da Região CentroSul do Brasil, responsáveis por 90% de toda a
cana de açúcar processada no país, 60 deverão fechar as portas ou mudar de dono nos próximos
dois a três anos.
mas são medidas de curto prazo.
Nos últimos cinco anos, 43 usinas foram desativadas e outras 36 entraram em recuperação ju-
20% para 25% do porcentual
a melhorar a situação do setor,
2
A baixa competitividade do etanol fez com que
a média das vendas diárias de gasolina em 2012
fosse 41% maior que em 2009 e as de etanol
41% menor comparando o mesmo período. De
nada adianta o governo estabelecer uma política
de incentivos aos carros flex-fuel para fomento
do setor de etanol se continua a subsidiar a gasolina.
Jornal Paraná - Março 2013
Os efeitos da crise do setor também se revelam na atividade econômica das regiões nas quais as
destilarias estão localizadas. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), feito com
base em dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados
(Caged), do Ministério do Trabalho, em 2012, o
setor sucroalcooleiro eliminou mais de 18 mil
postos de trabalho no país.
A correção do preço do combustível e o aumento de 20% para 25% do porcentual do etanol
na gasolina tendem a melhorar a situação do
setor, mas são medidas de curto prazo. O setor
carece de segurança para investir, e isso depende
da elaboração de um marco regulatório de longo
prazo e da definição clara do governo sobre o
papel do etanol na matriz energética.
(*) Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de
Infraestrutura (CBIE).
O setor carece de segurança
para investir, e isso depende
da elaboração de um marco
regulatório de longo prazo e
da definição clara do governo
sobre o papel do etanol na
matriz energética.
COLHEITA
Melhoramentos é a primeira
Expectativa é de esmagar 2,1 milhões de toneladas de cana, produzindo 93,4 milhões
de litros de etanol anidro e 93 milhões de litros de hidratado Marly Aires
Com a expectativa de um
volume maior de cana para
moer, por conta da renovação dos canaviais e da expansão de área, a Destilaria da
Companhia Melhoramentos
Norte do Paraná em Jussara
deu a largada na colheita de
cana de açúcar no Paraná e
no Brasil da safra 2013/14.
Os trabalhos no campo tive-
ram início dia 22 de fevereiro.
As constantes chuvas que
se seguiram no período, dificultaram o avanço da colheita e diminuiu o tempo
de aproveitamento da indústria, mas tem beneficiado o
desenvolvimento da lavoura.
A expectativa é de esmagar
2,1 milhões de toneladas de
cana, produzindo 93,4 milhões de litros de etanol anidro e 93 milhões de litros de
hidratado, segundo o gerente de produção, João Teodorinho Luis Coelho. A
destilaria antecipou o começo da safra também visando terminar mais cedo.
“Precisamos de um tempo
maior na entressafra para finalizar as obras de ampliação da destilaria”, diz o
gerente.
toneladas de cana, industrializando 118 milhões de litros
de etanol anidro e a mesma
quantidade de hidratado.
Com os investimentos que
estão sendo feitos no campo
e na indústria, a meta para a
destilaria em Jussara é de
chegar à safra 2014/15 com
a moagem de 2,8 milhões de
Na última safra a destilaria
esmagou 1,4 milhão de toneladas de cana e produziu
86,5 milhões de litros de etanol anidro e 25,8 milhões de
litros de hidratado.
Março 2013 - Jornal Paraná
3
COLHEITA
Paraná sedia abertura da safra
nacional 2013/14 no Centro Sul
Evento será dia 5 de abril na unidade da Renuka do Brasil em São Pedro do Ivaí, região norte do
Estado, com a presença de autoridades, lideranças e empresários do setor Da Equipe de Redação
O Paraná vai sediar no
início de abril a abertura
oficial da safra 2013/14 da
cadeia de cana-de-açúcar
na Região Centro Sul do
País. Com a presença de
autoridades dos governos
federal e estadual, lideranças e empresários do setor,
o evento será no dia 5 na
unidade do Grupo Renuka
Vale do Ivaí em São Pedro
do Ivaí, a 83 km de Maringá, no norte do Estado.
Pela manhã, está prevista
uma reunião com prefeitos
e, às 14 horas, no interior
da usina, a solenidade que,
além de marcar o início da
safra, vai formalizar a implementação do programa
"Caminhos alternativos do
agronegócio paranaense".
Até o momento estão
confirmados a ministra da
Casa Civil da Presidência
4
Jornal Paraná - Março 2013
da República, Gleisi Helena Hoffmann, o novo
ministro da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento
(Mapa), Antônio Andrade,
o governador Beto Richa,
deputados estaduais e federais, prefeitos de dezenas
de municípios, dirigentes
da Frente Nacional Bioenergética, representantes
de todas as associações e
sindicatos do setor de vários Estados e demais lideranças.
Segundo o presidente da
Associação de Produtores
de Bioenergia do Estado
do Paraná (Alcopar), Miguel Tranin, o evento ocorre no momento em que há
uma grande expectativa
por parte dos empresários
em relação ao posicionamento no governo federal
no que refere à matriz
energética. Ele lembra que
o governo tem tomado medidas para apoiar o setor,
mas a reivindicação é principalmente por um marco
regulatório. "Precisamos de
uma direção clara sobre
qual será a política energética do País”, explica. Enquanto isto não acontece, o
setor se mantém em dúvida
quanto a realização de investimentos em novas estruturas e ampliações.
Como parte da programação, a Alcopar estará formalizando no mesmo ato
um convênio com o governo do Estado para implementar o projeto “Caminhos alternativos do
agronegócio paranaense”,
cujo objetivo é melhorar as
condições de trafegabilidade das vias alternativas,
para que o transporte de
cana seja retirado das rodovias.
O superintendente da entidade, José Adriano da
Silva Dias, informa que o
investimento previsto está
orçado em R$ 296 milhões,
abrangendo uma malha de
3.346 quilômetros de estradas municipais e estaduais no norte e noroeste.
O montante inclui a construção de 71 trincheiras, 72
rotatórias, 272 pontes, 108
passagens simples, aquisição de duas balsas, obras
em andamento e as já executadas. "O setor investe
cerca de R$ 70 milhões por
ano só na conservação das
estradas por onde é feito o
escoamento de cana",
complementa Dias.
A safra de cana, na realidade, já começou no dia 22
de fevereiro, quando entrou
em operação a Destilaria
Melhoramentos Norte do
Paraná, em Jussara, no noroeste do Estado. As previsões iniciais apontam para
uma produção de 39,7 milhões de toneladas no Paraná e 590 milhões de toneladas no Centro Sul.
Na unidade da usina anfitriã do evento, a Renuka
Vale do Ivaí, o corte da
cana também já começou.
Em São Pedro do Ivaí, foi
no dia 20 de março. Na segunda indústria paranaense
do grupo, no município de
Marialva, o início será dia
1º de abril. A expectativa
da Renuka no Paraná é esmagar 2,7 milhões de toneladas de cana e produzir
239,3 mil toneladas de
açúcar e 57,5 milhões de litros de etanol.
Estado deve moer 39,7 milhões/t
Estimativas devem ser revistas após análise do comportamento climático na região
daqui para frente e do desenvolvimento das lavouras
Oficialmente, a safra 2013/14 de
cana de açúcar no Centro Sul inicia dia 5 de abril. No Paraná, estado que tradicionalmente começa
mais cedo, algumas usinas entraram com as máquinas no campo
ainda em março, mas a maioria dá
a largada na colheita a partir de
abril.
A estimativa inicial da Alcopar
aponta para uma produção semelhante a do ano passado, 39,7 milhões de toneladas de cana, segundo o superintendente José
Adriano da Silva Dias. Ele explica
que o período de maior desenvolvimento das lavouras de cana se
dá de novembro a março, quando
há maior volume de chuvas e lu-
minosidade, fundamentais para o
crescimento da planta.
“As chuvas só voltaram a cair
com maior frequência em toda a
região canavieira do Paraná a partir do final de dezembro. Com a
normalização destas, as lavouras
vêm se desenvolvendo bem, mas
não é ainda possível avaliar se recuperarão todo seu potencial produtivo”, avalia. Além disso, comenta, a reforma e o plantio de
novas áreas, ocorridos durante
todo o ano, foram prejudicados
pelo clima mais seco que caracterizou o ano passado.
A sequência de veranicos, com
chuvas esparsas e mal distribuídas
na região, registrada no final do
inverno e toda primavera, vinha
afetando a cultura e dificultando a
renovação e plantio de novas
áreas, demandando, inclusive, replantios. O Paraná foi o estado
que mais sofreu com a estiagem
em 2012.
Adriano diz que as estimativas
para a safra 2013/14 no Estado
devem ser revistas após análise do
comportamento climático na região daqui para frente e do desenvolvimento das lavouras. Na safra
2012/13 foram esmagadas 39,668
milhões de toneladas de cana, produzindo 3,086 milhões de toneladas de açúcar e 1,298 bilhão de
litros de etanol anidro e hidratado.
No Centro Sul, a estimativa é de
aumento da safra, 580 a 590 milhões de toneladas de cana, volume que também está sendo
avaliado e pode ser revisto, conforme desenvolvimento da safra.
O crescimento da produção
acontece pela expansão de área e,
sobretudo, pela reforma de canaviais na região que foi de 20,5%,
acima da média18%.
Na safra passada, no Centro
Sul do Brasil foram moídos 532
milhões de toneladas, produzindo 21,28 bilhões de litros de
etanol e 34,07 milhões de toneladas de açúcar, destinando
50,38% do total para a produção
de etanol.
Março 2013 - Jornal Paraná
5
AUDIÊNCIAS
Comunidades aprovam poliduto
CPA Armazéns
Gerais, em Sarandi,
ponto de partida do
poliduto
Obra deve ter início em 2014 e conclusão está prevista para 2015. Poliduto dará
maior competitividade ao etanol, reduzindo os custos em até 16 vezes Marly Aires
Com a aprovação dos
produtores e das comunidades dos 23 municípios
por onde vão passar os dutos, em breve deve ser emitida pelo Instituto Am-
6
biental do Paraná (IAP) a
licença prévia para início
da elaboração dos projetos
do poliduto, segundo o
presidente da Alcopar, Miguel Tranin. Este sairá de
Canal retirará 133 mil caminhões
da malha rodoviária
Jornal Paraná - Março 2013
Sarandi, na região de Maringá, no Noroeste do Estado, onde estão concentrados 80% da produção de
cana do Paraná, indo até
ao centro de distribuição
em Araucária, na região de
Curitiba, e ao Porto de Paranaguá, para onde é escoada parte da produção
paranaense.
balhar detalhes como profundidade dos tuneis ou
onde instalará o sistema de
bombeamento, entre outros. “Serão necessários pelo
menos mais dois anos de
trabalho até a finalização de
toda a obra”, afirma José
Adriano da Silva Dias, superintendente da Alcopar.
As audiências públicas,
que contaram com grande
participação das comunidades buscando esclarecimento sobre o impacto ambiental, foram realizadas
pelo IAP de 19 de fevereiro
a 7 de março nos municípios Sarandi, Reserva, Ponta Grossa, São José dos
Pinhais e Paranaguá.
A empresa CPL Logística
(Central Paranaense de
Logística S.A.), criada em
2010, conduzirá a obra e
administrará o poliduto. A
CPL é composta pela CPA
Trading S/A (que pertence
ao setor de sucroenergia), a
Cattalini Terminais Marítimos e a CPL Holding,
formada por produtores de
etanol do Paraná.
Na próxima etapa será
feito o pedido de licença de
instalação e iniciados os
projetos executivos e as desapropriações ou indenizações, além de buscar a licença de operação para tra-
A expectativa é de que esteja em funcionamento em
2015 e o início das obras
está previsto para o próximo ano, mas já existe parte
da estrutura erguida. "Temos terminais em Parana-
guá, uma base distribuidora
em Araucária e a central em
Sarandi, que atualmente
embarca etanol por trens e
caminhões, mas futuramente irá também atender o
poliduto", explica o superintendente da Alcopar.
O investimento total estimado é de R$ 1 bilhão,
dos quais 10% já foram integralizados pelos investidores, sendo que o poliduto terá capacidade para
escoar 4 bilhões de litros
por ano, número que eventualmente poderá ser revisto, adequando-se os volumes de acordo com o
crescimento da demanda
até o início das obras.
Além de investirem no
negócio, as indústrias paranaenses assumiram o compromisso de viabilizá-lo
economicamente por meio
de contratos fixos de movimentação de etanol por
um período de 20 anos.
Investimento
estratégico
Segundo o presidente da
Alcopar, Miguel Tranin, o
poliduto é estratégico para
manter a competitividade
do etanol paranaense
frente aos outros estados,
facilitando toda a operação de escoamento da
produção das 30 usinas do
Estado. Com o novo sistema, o custo com o transporte, hoje feito por
caminhões ou trem, pode
ser reduzido em até 16
vezes.
copar, José Adriano Dias.
A linha ligando Maringá/ Araucária/Paranaguá será apenas a primeira
etapa do projeto, segundo
Tranin. A proposta é dar
continuidade à estrutura,
num segundo momento,
para atender também o
Mato Grosso do Sul e
Mato Grosso, estendendo
a linha a Nova Andradina
(sudeste do Mato Grosso
do Sul), sendo finalizada
em Dourados (MS).
Total segurança
O traçado do poliduto
cortando as áreas rurais
dos municípios foi determinado com base no levantamento topográfico e
em estudos detalhados
quanto à viabilidade técnica, econômica e ambiental considerando todos os possíveis impactos
e apontando medidas e
programas que deverão ser
implantados durante as
diferentes fases do projeto.
O poliduto terá 502 qui-
lômetros de extensão, passando por 1067 propriedades. Os dutos serão
construídos de acordo com
as normas internacionais
de segurança, recebendo
vários tratamentos contra
corrosão e passando por
inspeções frequentes através de modernos equipamentos e monitoramento
à distância.
Serão instalados em vários intervalos sistema de
proteção baseados em vál-
vulas de fechamento rápido e de alívio térmico
que impedem a passagem
do produto em caso de alguma anormalidade. A tubulação totalmente em
aço com 16” e espessuras
variadas dependendo do
trecho, ficará em média a
1 m ou 1,5 m de profundidade. Haverá uma estação de bombeamento de
envio e duas estações intermediárias, com duas
bombas operando em paralelo e uma reserva.
O duto permitirá o
transporte seguro de grandes quantidades de etanol,
diminuindo o tráfego de
cargas perigosas por caminhões ou trens e os riscos
de
acidentes
ambientais. Considerando
o volume de etanol que
segue anualmente para o
porto, isso significaria a
retirada de 133 mil caminhões da malha rodoviária. "Deixaremos de
emitir 62 mil toneladas de
CO2 anualmente", afirma
o superintendente da Al-
Porto de Paranaguá,
ponto de chegada, para
onde são escoados
parte da produção
paranaense de etanol
Março 2013 - Jornal Paraná
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CERTIFICAÇÃO
Usina termoelétrica da
Coopcana e CPFL recebe ISO
Mesmo em fase de construção, indústria já recebeu certificação em qualidade,
segurança e gestão ambiental Da Equipe de Redação
A usina termoelétrica Coopcana, localizada em São
Carlos do Ivaí (PR), recebeu três importantes certificações ainda na fase de
construção: os selos ISO
9001:2008 de gestão de
qualidade, ISO 14001:2004
de gestão ambiental, e
OHSAS 18001:2007 de
gestão de segurança e saúde
ocupacional. Essas normas
internacionais garantem o
compromisso com a qualidade, a segurança e o meio
ambiente.
para atender a todos os requisitos necessários.
A implantação do SIG
envolveu colaboradores de
todas as áreas da companhia e mais de 20 empresas
parceiras das duas usinas. A
partir de agora, a CPFL
Renováveis adotará os
mesmos procedimentos em
suas outras seis usinas termoelétricas.
O empreendimento é resultado da parceria entre a
Usina Coopcana e a empresa CPFL Renováveis
(Companhia Paulista de
Força e Luz), firmado em
agosto de 2011 com o objetivo de produzir energia elétrica a partir do bagaço da
cana. A CPFL investe os
recursos necessários nas
ampliações e a Coopcana
repassa à empresa, por 20
anos, todo o excedente de
energia elétrica produzido.
também pela usina termoelétrica Alvorada, de Araporã
(MG), pertencente a CPFL
Renováveis. Auditadas pela
Fundação Vanzolini, as duas
usinas estão entre as primeiras do País a serem certificadas já na fase de construção.
A certifição foi recebida
“A CPFL Renováveis
A implantação do Sistema de Gestão Integrada envolveu
colaboradores de todas as áreas da companhia e empresas parceiras
sempre trabalhou pela excelência de seus procedimentos, por isso a importância
de alcançar esse resultado
desde a fase de construção.
Dessa forma, fica transparente ao mercado que estamos preparados para atendê-lo”, explica o diretor presidente da CPFL Renováveis, Miguel Saad.
Sobre a CPFL
Renováveis
A CPFL Renováveis é a maior empresa do Brasil no segmento de geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis. Seu portfólio inclui Pequenas Centrais
Hidrelétricas (PCH), parques eólicos, usinas a biomassa e
energia solar.
A empresa tem como sócios CPFL Energia, Pátria Investimentos, Eton Park (empresa norte-americana de gestão de recursos), FIP Brasil Energia (fundo gerido pelo
BTG Pactual), Banco Bradesco de Investimento (através
do BBI FIP Multisetorial Plus), DEG (banco de desenvolvimento integrante do grupo financeiro alemão KfW )
e GMR Empreendimentos Energéticos.
8
Jornal Paraná - Março 2013
Para conquistar essa certificação, a equipe de auditoria interna da empresa implantou o Sistema de Gestão Integrada (SGI), que
consiste no gerenciamento e
controle dos processos com
o objetivo de verificar sua
eficiência. Foram seis meses
de levantamento de dados e
criação de procedimentos
A ISO 14001 exige que as
empresas se comprometam
com a prevenção de danos
ao ambiente e com melhorias contínuas, como parte
do ciclo normal de gestão
empresarial. A ISO 9001:
2000 garante que a companhia atue sob processos
integrados e princípio de
gestão da qualidade, com
pessoas capacitadas, focadas
nos objetivos da empresa e
voltadas para a satisfação do
cliente. Já a OHSAS
18001:2007 18001 tem caráter preventivo e visa à redução e ao controle dos
riscos no ambiente de trabalho.
Investimentos
A CPFL Renováveis planeja investir R$ 5 bilhões entre
2013 e 2015, segundo o presidente da CPFL Energia e presidente do Conselho de Administração da CPFL Renováveis,
Wilson Ferreira Jr. A empresa tem vários projetos de PCHs,
biomassa e eólica. "O mercado de PCHs não tem preço competitivo para participar dos leilões, apesar do grande potencial
da fonte", comentou Miguel Saad, presidente da CPFL Renováveis.
Ferreira Jr. acredita que o foco nas eólicas tem deixado de
lado as PCHs e a biomassa, mas que isso deverá mudar.
"Acreditamos que isso vai mudar, que vão olhar para as outras
fontes. Os leilões por fonte podem ser uma saída para que as
PCHs e a biomassa participem da expansão", comentou o
executivo.
Obras estão em fase final
Com as obras em estágio bastante avançado, a (CPFL) deve inaugurar em breve sua estação de cogeração de energia elétrica construída
ao lado da cooperativa Coopcana. O volume de energia gerado será
suficiente para suprir uma cidade de 160 mil habitantes.
Estão sendo investidos cerca de R$ 160 milhões pela CPFL nesta
obra que envolve também a modernização do sistema de caldeiras
da usina, que vai ampliar sua capacidade de 21 kgf/cm² para 67
kgf/cm², além de aumentar a capacidade industrial de produção da
usina de 3,4 para 4 milhões de toneladas de cana e construir um sistema de transmissão até o município de Alto Paraná, para conexão
à rede.
Estação de cogeração
de energia elétrica
dará fim mais nobre
ao bagaço da cana
Março 2013 - Jornal Paraná
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SUSTENTABILIDADE
Projeto da Renuka Vale do Ivaí
é selecionado pelo Mapa
Trabalho faz parte de publicação “Gestão Sustentável na Agricultura” que apresenta cases
de oito empresas como exemplo de sucesso em todo o País Da Equipe de Redação
O projeto “Vale a
Pena Plantar”, da Renuka
Vale do Ivaí, com unidades
no município de São Pedro
do Ivaí e em São Miguel
Cambuí, distrito de Marialva (PR), foi um dos selecionados em todo o Brasil
pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) como
exemplo de sustentabilidade
nos negócios corporativos.
Além da Renuka Vale do
Ivaí, os trabalhos de outras
sete empresas foram escolhi-
dos para fazer parte de uma
publicação
denominada
“Gestão Sustentável na
Agricultura”. Esta contém
cases de sucesso com trabalhos desenvolvidos para preservar o meio ambiente que
mostram ser possível ter sustentabilidade na agricultura,
unindo conservação à tecnologia e ao desenvolvimento
econômico e social. Iniciativas também mostram que o
País avançou no tema e tem
cumprido com os acordos
em protocolos internacionais.
O projeto “Vale a Pena Plantar” foi apresentado
pelo presidente da Renuka Vale do Ivaí em
evento em Brasília
O lançamento da publicação foi no último dia 12 de
março, na sede do Mapa em
Brasília (DF), em um evento
organizado pela Coordenação Geral de Sustentabilidade Ambiental do ministério, com a presença de
Mendes Ribeiro Filho, então
ministro da Agricultura.
Publicação
Esta é a primeira edição da publicação, que
será entregue a empresas, associações e órgãos públicos que tenham vínculo com a
agricultura, instituições de ensino e pesquisa,
imprensa e embaixadas. Escrita em português e inglês, também servirá para divulgar
estas iniciativas positivas no exterior. Esta
será anual para abrir espaço para mais iniciativas que mostrem como é possível desenvolver a agricultura de forma sustentável.
Com tiragem de cinco mil exemplares, o livro
tem 96 páginas.
Os projetos e programas escolhidos para
esta 1ª edição da publicação do Mapa e que
se destacam pela relevância em desenvolvimento sustentável na agricultura foram:
• Associquim – case: “Processo Distribuição
Responsável”
10
Jornal Paraná - Março 2013
• Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre
– case: “Gestão Sustentável na Cadeia de
Seguros Agrícolas”
• Bayer CropScience – case: “Programa Mais
Qualidade”
• Cargill – case: ”Produção Agrícola Mais
Sustentável”
• inpEV – case: “Sistema Campo Limpo –
Logística Reversa das Embalagens Vazias
de Defensivos Agrícolas”
• Porto Seguro Seguros – case: “Sustentabilidade para os Seguros Agrícolas”
• Renuka Vale do Ivaí S/A – case: “Projeto
Vale a Pena Plantar: Recuperação de
Matas Ciliares”
• Banco Santander – case: ”Gestão
Sustentável no Agronegócio”
Na ocasião, o presidente da
Renuka Vale do Ivaí (PR) e
Renuka do Brasil (SP), Paulo Zanetti, teve a oportunidade de falar sobre o trabalho
desenvolvido nas duas unidades paranaenses. “Somente
pode ser considerado como
sustentável o desenvolvimento de um negócio se for baseado em um tripé ambientalmente correto, socialmente
justo e economicamente viável”, afirmou Zanetti.
O projeto “Vale a Pena
Plantar”, criado pela empresa em 2003, já recuperou
mais de mil hectares de
matas ciliares em propriedades de parceiros e fornecedores de cana das duas unidades da usina no Estado.
Deste total, 570 hectares receberam 900 mil mudas de
espécies nativas e as demais
áreas tiveram regeneração
natural, por apresentarem
bancos de sementes em locais próximos.
Para a produção das mudas,
a empresa mantém parcerias
com dois viveiros: o da prefeitura municipal de São
Pedro do Ivaí e o do Instituto Ambiental do Paraná
(IAP) de Ivaiporã. A Renuka Vale do Ivaí mantém
três trabalhadores nos viveiros e recebe em troca mais de
100 mil mudas por ano para
recuperar as áreas de preservação permanente nas propriedades de parceiros e
fornecedores de cana.
Também, os colaboradores
que trabalham no corte manual da cana de açúcar, nos
períodos de chuva, fazem o
preparo do solo, plantio e a
condução das mudas com
capina e coroamento, e
quando necessário, até irrigam as mudas em períodos
de estiagem.
Ser sustentável é visão da empresa
A usina possui inúmeros trabalhos de apoio à comunidade e de preservação do ambiente,
além de manter uma Reserva Particular do Patrimônio Natural
Desde o início de suas
atividades, a Renuka Vale
do Ivaí S/A sempre se preocupou com o meio ambiente e com a sustentabilidade social e econômica
de seus colaboradores e
dos municípios em que está inserida, comenta o presidente Paulo Zanetti.
Tanto que a usina possui
inúmeros trabalhos de
apoio à comunidade e de
preservação do ambiente,
além de manter a Reserva
Particular do Patrimônio
Natural (RPPN) na Fa-
zenda Barbacena, criada
em 2004, com 555 hectares de floresta nativa, onde
são realizadas pesquisas
científicas e visitação com
finalidade de educação
ambiental.
Com o início do Programa Mata Ciliar, lançado pelo governo do Estado, em 2003 com a meta
de plantar 90 milhões de
árvores para recomposição
da vegetação nas margens
dos principais rios do estado, a empresa criou o
projeto para contribuir de
“Graças a este trabalho,
São Pedro do Ivaí ocupa
atualmente o terceiro lugar no ranking dos municípios que mais plantaram
mudas nativas no Estado,
conforme divulgado no
site do IAP”, afirma Judilânia Tomás Ramos, responsável pelo projeto na
usina.
programa foi ampliado,
dando continuidade ao
Projeto Remar (Reflorestamento do Ribeirão Marialva), comenta Fabiana
Maestá dos Santos, que
responde pelo projeto na
filial. Nos últimos três
anos as usinas de São Pedro do Ivaí e São Miguel
do Cambuí efetuaram o
plantio de aproximadamente 120 mil mudas de
espécies nativas.
Em 2008, com a aquisição da unidade do município de Marialva (PR), o
Segundo Paulo Zanetti, o
projeto traz grandes benefícios ao meio ambiente
forma efetiva com o programa.
como um todo, pois melhora a qualidade das águas
e da vida da população das
áreas onde houve o plantio,
protege o solo contra erosões, evita o assoreamento
dos rios, inundações e cria
corredores de biodiversidade. Até a empresa é beneficiada, captando água
de melhor qualidade para
os processos industriais,
além de ter suas áreas de
plantio de cana adequadas
conforme a legislação ambiental, sendo reconhecida
como
ambientalmente
correta.
Março 2013 - Jornal Paraná
11
AMBIENTE
“Semeando o Verde” ganha projeção
Projeto, que faz parte da política de sustentabilidade da Santa Terezinha, foi divulgado
em eventos do Sesi em Maringá, Curitiba e Paraíba Da Equipe de Redação
O cuidado com o meio
ambiente na Usina Santa
Terezinha vai muito além
de produzir energia renovável. Sua política de sustentabilidade envolve diversas ações que buscam
diminuir o impacto ambiental em todo o processo
produtivo, desde o preparo
do solo e plantio da cana, o
gerenciamento de resíduos
sólidos e reuso da água no
processo produtivo, até a
entrega do produto final.
O Projeto Semeando o
Verde, desenvolvido há
anos pela empresa em comemoração ao Dia da
Árvore (21/9), é um desses trabalhos que tem
ganhado projeção regional e até nacional, dados
os resultados que tem obtido. No ano passado o
projeto foi divulgado em
três eventos promovidos
pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), onde o objetivo era promover o
diálogo sobre boas práticas que contribuem para
o alcance dos ODM
Trabalho diferenciado
A coordenadora do Movimento Nós Podemos
Paraná, Maria Aparecida Zago Udenal destaca a
contribuição da Usina Santa Terezinha com o
ODM 7 que prevê “Qualidade de Vida e Respeito
ao Meio Ambiente” e o trabalho diferenciado que
desenvolve indo além da responsabilidade social e
ambiental ao misturar conservação com conscientização e formação de pessoas responsáveis, ao
compartilhar valores.
“Sabemos o quanto é importante a preservação e
conservação do meio ambiente e o uso correto do
solo. E a usina faz isso com as crianças”, diz. A
coordenadora do movimento ainda ressalta que o
projeto não é feito para a comunidade, mas feito
com a comunidade.
12
Jornal Paraná - Março 2013
(Objetivos de Desenvolvimento do Milênio) e
que incentivem o desenvolvimento local.
Os eventos foram: “Mostra de Projetos – Jeitos
Maringaenses de Mudar o
Mundo”, realizado em
Maringá (PR), o “5º Congresso Nós Podemos Paraná: Estratégias para o
desenvolvimento local e os
ODM”, ocorrido em Curitiba (PR), e o “ODM na
Indústria”, em João Pessoa,
na Paraíba.
Voltado para a educação
ambiental, com o objetivo
de estimular nas crianças
uma consciência voltada à
preservação das matas ciliares e arborização das cidades, o projeto contribui
com a preservação da biodiversidade. A semana de
atividades educativas é encerrada com o plantio de
mudas de espécies frutíferas e nativas por estudantes
do ensino fundamental do
3º, 4º e 5º anos de escolas
da Rede Municipal de
Educação.
Nas oito unidades industriais da empresa, cerca de
3.850 crianças participaram de atividades lúdicas,
educativas e ambientais do
projeto no ano passado.
Além das atividades, o
projeto ainda proporcionou o plantio de cerca de
24.000 árvores – pelas
crianças e colaboradores
da usina. Também, em
toda lavoura de cana em
que há área de mata ciliar
e de preservação permanente é feito o replantio
de árvores nativas.
Diálogo de Sustentabilidade
A Usina Santa Terezinha,
em parceria com o Sesi (Serviço Social da Indústria), realizou o “Diálogo de Sustentabilidade: Pacto Global e
os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio” nos dias
21 e 22 de março no Auditório Sesi, em Maringá.
O evento reuniu cerca de
200 colaboradores e gestores
de todas as unidades da empresa: Maringá, Iguatemi,
Terra Rica, Ivaté, Paranacity,
Tapejara, Cidade Gaúcha,
Rondon, São Tomé e Moreira Sales, no Paraná, e Rio Paraná, no Mato Grosso do Sul.
O objetivo do Diálogo é difundir o conceito e práticas de
Sustentabilidade Corporativa
nos Princípios do Pacto Global e nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Dentre os quatro novos materiais, a CTC 25 é a primeira desenvolvida
especificamente para as condições de solo e clima do Paraná Marly Aires
Cerca de 120 pessoas, entre
engenheiros agrônomos,
técnicos, gerentes agrícolas e
diretores de todas as usinas
do Paraná participaram da
Reunião Técnica Regional
do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) realizada
no último dia 14 de março,
na Usina Santa Terezinha –
Unidade Iguatemi/Maringá.
Na ocasião foi feito o lançamento regional das quatro
novas variedades de cana do
CTC, houve várias palestras
técnicas e foi entregue o
Prêmio Inova às usinas que
mais se destacaram no ano
de 2012 no quesito inovação: as unidades da Santa
Terezinha de Iguatemi e de
Cidade Gaúcha.
“Com foco no desafio de
dobrar a taxa de inovação do
setor, de maneira economicamente sustentável, procuramos usinas que têm esse
perfil inovador e que investem em novidades, em renovação de canaviais e outras
tecnologias disponíveis no
PESQUISA
CTC lança novas variedades em Maringá
mercado”, salienta João Carlos Gonçales Junior, gerente
de Marketing.
Nos oito anos de pesquisa como CTC, já foram
lançadas 24 variedades.
No Paraná, os trabalhos
tiveram início em 2008,
mas o grupo de pesquisadores, que migrou da Copersucar, já acumula 42
anos de trabalho em cana
de açúcar.
Dentre os quatro novos
materiais lançados, três, da
série 9000, foram os primeiros desenvolvidos no Brasil
especificamente para as condições do Cerrado (Goiás).
O outro, a CTC 25, é o primeiro desenvolvido especificamente para as condições
de clima e solo do Paraná
(herança dos trabalhos desenvolvidos ainda na época
da Copersucar), sendo testadas por mais de cinco anos
em área comercial, segundo
Fernando Pattaro, gerente
regional do CTC para o Paraná.
O evento, reunindo profissionais de todas as usinas do Paraná, foi na
Santa Terezinha em Iguatemi/Maringá, dia 14 de março
A variedade de ciclo precoce
e médio tem um período de
utilização industrial mais
longo, podendo ser colhida
de maio a setembro. Material
ereto, planta e colhe bem,
com desenvolvimento inicial
e fechamento de entrelinha
rápidos. Bastante rústica, não
é exigente quanto a solo po-
dendo ser plantada em ambientes mais restritivos.
“Além desse, temos em fase
pré comercial cerca de 70 materiais selecionados para as
condições do Paraná, de ciclo
precoce, médio e longo e para
todo tipo de ambiente, como
foco na precocidade e rustici-
dade”, afirma Fernando.
Na abertura do evento, o diretor da usina anfitriã, Júlio
César Meneguetti, destacou
os resultados da parceria do
centro de pesquisa com as
usinas, ponto que considera
estratégico porque “sem investimento em pesquisa usinas ficam vulneráveis”.
Março 2013 - Jornal Paraná
13
PESQUISA
Rapidez, regionalização e biotecnologia
Estes são os três pontos básicos do programa de desenvolvimento de
variedade do CTC, além do foco no mercado
Atuando no desenvolvimento de tecnologias inovadoras para o setor canavieiro
há mais de 40 anos, desde
quando era ainda da Copersucar, o CTC (Centro de
Tecnologia Canavieira) foca
seu programa de desenvolvimento de variedade em três
pontos básicos: ciclo mais
rápido, regionalização do
programa e integração com
a biotecnologia, com foco no
mercado, segundo Marcos
Virgílio Casagrande, gerente
de Desenvolvimento de
Produto.
Ele diz que no CTC, o período de pesquisa diminuiu
de 15 para oito anos, redução de 47% no tempo gasto,
além de um aumento do
ganho anual de produtividade de 87%. Com a regionalização do programa, as
variedades passaram a serem
desenvolvidas e indicadas
para a realidade de cada região, com base em estudos
dos gargalos de produtividade, das condições de clima
e solo, manejos adotados e
tudo mais. “Até a seleção dos
genitores já é feita de forma
direcionada”, diz Casagrande. Os trabalhos desenvolvidos abrangem 100%
dos 9 milhões de hectares de
cana plantados no Centro
Sul do Brasil.
E neste contexto, o uso de
ferramentas da biologia molecular auxilia no desenvol-
14
vimento das variedades, com
uso de marcadores celulares,
processo que identifica se
candidato a variedade possui genes de interesse, como resistência a estiagem,
por exemplo. “Tudo com
foco comercial porque se
não aumentar a produtividade, não funciona”, acrescenta.
São avaliados mais de 100
mil clones por ano, mas o
grande diferencial do processo de melhoramento do
CTC é a grande diversificação da base genética, que no
caso do Paraná conta com
mais de 450 genitores. No
banco de genótipos do CTC
há mais de 6 mil.
Os clones são selecionados
com base nos estudos detalhados de todas as condições
e características de ambientes de produção e manejo
existente na região, cruzando
os dados com as características dos genitores, prática
que aumenta as chances de
se obter um bom material.
Há mais de 40 índices no
banco de dados sobre cada
genótipo.
“O CTC tem em sua
equipe de pesquisadores especialistas trabalhando ao
longo de toda cadeia produtiva de forma que quando
entrega um produto, já dá a
bula de manejo de produção,
vem com o pacote tecnoló-
Casagrande: base genética diversificada
Em busca das vantagens
da transgenia
O uso da biotecnologia no campo rendeu aos produtores brasileiros um lucro adicional de US$14,5 bilhões nas últimas safras, conforme dados da
Associação Brasileira de Sementes e Mudas. Crescimento da área plantada de soja, milho e algodão geneticamente modificados foi de 14% no último ano,
somando 37,1 milhões de hectares, 54,8% dos 67,7
milhões cultivados na safra 2012/13, segundo levantamento da consultoria Céleres. Isso torna o Brasil o
segundo maior semeador de transgênicos do mundo.
A cultura da cana de açúcar, entretanto, ainda não
faz parte do seleto grupo de culturas beneficiadas pela
biotecnologia, mas há várias instituições que desenvolvem pesquisas na área, como a Rede Interuniversitária de Desenvolvimento do Setor Sucroenergético
(Ridesa) formado por 10 universidades.
gico pronto”, afirma Casagrande. A equipe está em
constante contato com as
usinas vendo oportunidades
de ganho de produtividade
para o cliente, fazendo alinhamento de tecnologia,
desenvolvendo variedade
sob medida para cada região,
acrescenta.
Produtividade de cana tem muito para crescer
Em meio século, esta cresceu 40% no mundo e 67% no
Brasil. Crescimento do milho foi de 167%, da colza,
224% e o da beterraba açucareira, 132%
Arnaldo: desafios
Nos últimos 50 anos, a
produtividade média da
cana de açúcar no mundo
cresceu cerca de 40%, com
ganho de 0,6% ao ano. No
Brasil, esse crescimento
foi bem mais significativo,
67%, com ganho de 1,1%
ao ano, apesar de a grande
expansão de área ter ocorrido sobre solos e climas
mais restritivos, afirma
“Todos buscam a cana transgênica em diferentes
características: tolerância à seca, resistência a insetos,
aumento do teor de açúcar, entre outros ganhos”, diz
Monalisa Sampaio Carneiro, pesquisadora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que integra a Ridesa. Também, a biotecnologia oferece a
técnica de desenvolvimento da seleção assistida por
marcadores moleculares. “São importantes porque
escaneiam o DNA da cana e com base nessa análise
podemos encontrar regiões que propiciem o aumento da produtividade, do teor de açúcar, direcionando assim com maior eficiência os cruzamentos”,
salienta.
A pesquisadora explica que o desenvolvimento convencional de novas variedades leva de 12 a 15 anos
do cruzamento até o lançamento, e mesmo depois de
todo esse tempo ainda há o risco do cruzamento ser
malsucedido. Os marcadores moleculares aumentam
muito as chances de sucesso no cruzamento. O mais
importante, afirma, é que grande parte do genoma
da cana já foi sequenciado e, a partir disso, será possível extrair grandes informações.
Arnaldo Raizer, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do CTC
(Centro de Tecnologia
Canavieira).
Ele comenta que por ser
uma cultura perene, de
ciclo mais longo, qualquer
pesquisa tende a ser mais
demorada para apresentar
resultados, assim como a
incorporação das novas
tecnologias. Em média, o
lançamento de uma nova
variedade levava 15 anos.
Só nos últimos anos é que
se reduziu esse prazo para
oito anos.
Os resultados obtidos
com outras culturas, no
mesmo período, entretanto, mostra que esse
crescimento poderia ser
bem maior. “No mesmo
período, a pesquisa na
cultura do milho no mundo proporcionou uma
evolução de produtividade de 167%, da colza,
224% e o da beterraba
açucareira 132%”, cita.
Arnaldo comenta ainda
que a biotecnologia é uma
realidade no Brasil e no
mundo para várias culturas. Para cana, o trabalho
e os desafios para aproveitar o benefício da tecnologia ainda são grandes. “O uso de marcadores moleculares tem antecipado os ganhos do melhoramento
genético,
além de aumentar a eficiência da seleção de
novas variedades e o
ganho anual em produtividade, que passou de
1,5% para 3%”, afirma.
Dentre as pesquisas com
cana geneticamente modificada estão em andamento no CTC o trabalho em parceria com a
Bayer CropScience para
aumento de 20% do teor
de açúcar da cana, previsto para estar disponível
na safra 2017/18; a cana
tolerante a seca, em parceria com a Basf PlantScience, com aumento de
15% na produtividade em
áreas com déficit hídrico,
tecnologia prevista para a
safra 2020/21; e a variedade com resistência a
broca da cana, em processo de validação de tecnologia.
Março 2013 - Jornal Paraná
15
PRAGAS
Formigas causam danos
à lavoura e aos maquinários
Também dificultam o cultivo, aumentam a infestação de plantas daninhas e danificam
as curvas de nível, represa, tanques e canais de vinhaça Marly Aires
Com perdas agrícolas que
chegam a três ou cinco toneladas de cana de açúcar
por formigueiro ao ano, a
formiga cortadeira é uma
praga importante da cultura, especialmente a saúva,
afirma o engenheiro agrônomo e pesquisador Luiz
Carlos de Almeida, especialista em pragas. Há 10 espécies no Brasil. O estrago
causado por ela é bem característico com grande
perda das folhas, por conta
do corte constante. Com
isso, diz o pesquisador, o
crescimento da lavoura se
torna lento, há afinamento
de colmos, encurtamento de
entrenós, redução do perfilhamento e morte de touceiras.
Além da menor produtividade agrícola, a praga reduz
de três a 10 olheiros, aos 22
meses aparecem os soldados
e aos 38, ocorre a primeira
revoada e formação de
novos formigueiros, com a
rainha reinando por 10 a 15
anos se nada for feito.
a longevidade dos canaviais
e afeta a qualidade da matéria prima, com perdas de
30% no Pcc (Pol da cana
corrigido). Mas o que mais
preocupa são outros tipos de
danos causados pelos formigueiros como quebra de
máquinas (por causa dos
buracos), dificuldade de cul-
tivo, aumento da infestação
de plantas daninhas e danos
às curvas de nível, represa,
tanques e canais de vinhaça,
alerta Luiz Carlos.
Com ampla distribuição
geográfica, as saúvas e as
quenquéns ocorrem em 800
mil hectares de cana em
todo o Brasil, com prejuízo
de R$ 210 por hectare ao
ano, somando R$ 168 milhões de prejuízos no ano.
Cerca de 10 horas após a revoada, já está aberta a primeira panela do novo
formigueiro. Dois meses
depois aparecem as operárias, 20 meses depois já há
Há várias fases críticas na
formação do sauveiro que
podem ajudar no controle,
orienta Luiz Carlos. Na escavação do canal inicial, há
a predação por pássaros, insetos e lagartos, além do
ataque de tatus, o preparo
do solo destrói o formigueiro e ainda há riscos de
seca e encharcamento. Mas
para um controle efetivo é
fundamental planejar, executando as operações principalmente após o corte da
lavoura e antes do plantio,
quando é possível entrar no
canavial.
Recomendações
Alguns fatores podem interferir
na eficiência do controle, afirma
o pesquisador Luiz Carlos de Almeida: se este for feito logo após
as operações agrícolas, se houve
treinamento dos aplicadores, se o
produto formicida era adequado,
16
Jornal Paraná - Março 2013
assim como a dose usada por sauveiro. Depende também que
todas as anotações sejam feitas
corretamente e do estágio do canavial.
Nas áreas de reforma e expansão,
recomenda, o ideal é fazer no mínimo 30 dias após a destruição de
soqueiras ou demais operações de
preparo de solo e 45 dias após o
plantio, fazendo o repasse no mínimo 60 dias após. Também é
preciso evitar o controle logo
após chuvas fortes ou a aplicação
de herbicidas (cinco dias). Nas
áreas de cana soca, o controle é
feito no mínimo 10 dias após o
transporte e enleiramento da
palha ou 30 dias após o cultivo,
com repasse depois de 60 dias.
Métodos de controle
Podem ser usados métodos culturais, biológicos ou
químicos, onde os mais usados são a isca,
produtos líquidos e termonebulização
Na escolha de qual método
de controle utilizar é preciso
considerar a segurança, a eficiência, o custo operacional e
o benefício econômico, além
de avaliar evolução da infestação e aprimorar o planejamento de técnicas de aplicação, segundo o especialista
em pragas Luiz Carlos de
Almeida.
Podem ser usados métodos
culturais, biológicos ou químicos. No controle químico,
os mais usados são a isca,
produtos líquidos e termonebulização.
As iscas granuladas são de
fácil aplicação, elevado rendimento operacional e dão
segurança ao aplicador, mas
são de baixa eficiência com
algumas espécies de saúvas
e seu uso é limitado na
época chuvosa. Também é
preciso tomar cuidado na
aquisição, armazenamento,
manuseio, época de aplicação, na determinação da
dose de aplicação e na colocação das iscas (seleção e
distribuição nos olheiros).
Não se deve colocar isca em
olheiros de limpeza ou prejudicar as formigas predadoras.
Já para os produtos líquidos,
faltam metodologia para concentração da calda, qual a dose utilizada por formigueiro
ou olheiro e a melhor forma
de aplicação, além de que os
resultados variam muito.
Cupins
Mesmo com perdas menores que as causadas pelas
formigas, os cupins da cana de açúcar provocam perdas agrícolas consideráveis, 10 toneladas de cana por
hectare ao ano, e redução da longevidade do canavial.
O controle químico é feito no plantio e na cobrição,
associando com o monitoramento de pragas do solo
para racionalizar o uso de produtos. A revoada dos
cupins para reprodução vai de agosto a outubro, com
a rainha vivendo de 25 a 50 anos.
Quanto à termonebulização, que é a aplicação de
agrotóxicos formulados em
óleo mineral, diesel ou querosene, Luiz Carlos diz que
o método tem como vantagens a alta eficiência, o fácil
controle, o baixo custo do
produto, o efeito rápido e a
disponibilidade. Mas a técnica demanda investimento
em equipamentos de aplicação, treinamento da mão de
obra e manutenção. Também há riscos de incêndio e
de intoxicação.
Para aplicar, é preciso determinar o talhão, marcar e
controlar os formigueiros,
selecionar e limpar os olheiros, aplicar o formicida, medir o formigueiro, determinar a dose de controle e
avaliar a sua eficiência, além
de preencher a ficha de monitoramento.
Março 2013 - Jornal Paraná
17
PRAGAS
Atenção à
broca gigante
Os prejuízos causados pela praga onde esta já ocorre
são significativos. São duas gerações no ano
A broca gigante da cana
ainda não foi identificada
no Paraná, mas o pesquisador Luiz Carlos de Almeida
alerta que é preciso ficar
atento especialmente com a
procedência das mudas de
cana adquiridas.
Os prejuízos causados pela
praga onde esta já ocorre
são significativos. São duas
gerações no ano com ciclo
reprodutivo de 158 a 190
dias ao todo.
Seu controle demanda a
adoção do manejo integrado, com catação manual
das formas biológicas, uma
boa destruição das soqueiras, o controle químico para
reduzir as populações da
praga e o controle biológico
com aves carnívoras, com os
fungos Beauveria bassiana
(que apresenta 60% de controle) e Metarhizium anisopliae (15% de controle)
além dos parasitoides Palpozenillia palpalis (mosca
da Guiana) e Sarcophagidae.
Lagarta elasmo
Amplamente distribuída
no Brasil, a lagarta elasmo
(Elasmopalpus lignosellus) ataca culturas como
soja, amendoim, arroz,
milho, sorgo, trigo e cana
de açúcar, entre outras, e
ocorre preferencialmente
em solos arenosos, ambientes secos e em plantas
jovens, provocando falhas
de estande e de brotação.
Isso deixa o canavial de-
As desfolhadoras
Apesar de haver várias
espécies de lagartas desfolhadoras, com ciclo de
vida médio de 40 a 45
dias, de estarem amplamente distribuídas na região canavieira e de terem
grande quantidade de
hospedeiros, esta esporadicamente ocorre de
forma mais intensa na
cana de açúcar, não sendo
necessária nenhuma aplicação de produto químico
para seu controle.
Os surtos acontecem
principalmente nos meses
quentes e úmidos devido
a desequilíbrios ecológi18
Jornal Paraná - Março 2013
cos, a condições climáticas
e a aplicação indiscriminada de inseticidas. Mas
como há uma única geração no ano, a praga normalmente acaba sendo
controlada pelos inimigos
naturais ou migram para
outras culturas.
“Não é recomendado
fazer o controle químico.
Este só desequilibra o
ambiente, eliminando inimigos naturais e podendo demandar o controle químico do inseto
todos os anos”, alerta o
pesquisador Luiz Carlos
de Almeida. As medidas
recomendadas são acompanhar a atividade da
praga após o surto principal e esperar que o controle se dê naturalmente,
cuidando apenas de manter a lavoura livre de
plantas daninhas.
O pesquisador diz que é
preciso considerar alguns
fatores como o dano causado, a população de inimigos naturais e outras
pragas. Os prejuízos vão
desde a desfolha e o corte
de brotos até o atraso de
desenvolvimento, além de
danos ao colmo e morte
de perfilhos.
suniforme, atrasa o desenvolvimento e destrói 75%
dos perfilhos, afirma o especialista em pragas, Luiz
Carlos de Almeida.
A lagarta elasmo tem elevado potencial de dano em
situações de estiagem prolongada e no início da brotação. O ciclo total é de 30
a 60 dias, com três a cinco
gerações/ano, sendo que
cada uma coloca de 100 a
120 ovos.
Dentre as medidas de
controle está manejar a
colheita em áreas com histórico de infestação para
garantir uma boa brotação
da cana, manter a área livre
de plantas daninhas, evitar
a queima do canavial, irrigar e fazer o controle com
inseticidas.
EMPRESAS
NexSteppe investe em sorgo
A empresa se dedica a produção de matéria prima para o mercado de bioenergia
Com a crescente demanda
por matérias primas para produção de biocombustíveis,
bioeletricidade ou bioprodutos, o cenário é bastante propicio para recapitular o sorgo
sacarino, desenvolvido na década de 1970 como opção
para produzir etanol. No novo
cenário o sorgo sacarino foi
encaixado como matéria prima complementar a cana,
para extensão da safra e amortização dos custos fixos da
usina. Além da atual produção
de etanol de primeira geração,
o mundo precisa de fontes de
energia renováveis para o etanol de segunda geração, bioeletricidade e bioprodutos.
Segundo Anna Rath, fundadora e CEO da empresa, “o
sorgo é uma cultura de significativa diversidade genética e
grande potencial, que tem recebido pouca atenção em pesquisa e investimentos”, mas
que se destaca como fonte de
matéria prima tanto para a cadeia de etanol de primeira geração (sorgo sacarino) quanto
como fonte de biomassa para
as indústrias de biocombustíveis de segunda geração, bioenergia e bioprodutos (sorgo
biomassa).
Para tornar o sorgo uma matéria prima em escala, é preciso definir um novo foco,
como plataforma para a indústria. A NexSteppe é a primeira companhia de comercialização de sementes do
mundo criada com o exclusivo
propósito de introduzir uma
nova geração de soluções con-
fiáveis e de baixo custo em insumos para produção de biocombustíveis, bioeletricidade
e bioprodutos em geral.
Através de técnicas avançadas de melhoramento genético e as mais atualizadas
tecnologias, a empresa desenvolve o sorgo sacarino e
o sorgo com alta produtividade de biomassa para produção de insumos sob medida para a bioindústria.
Também está aprimorando
as práticas de manejo dessas
culturas e as operações de
suas cadeias de abastecimento para apresentar soluções de insumo otimizadas e
totalmente integradas.
Através do desenvolvimento
e comercialização dessas culturas selecionadas e de soluções de insumo totalmente
integradas, Anna Rath diz
que a NexSteppe trabalha
para um futuro mais sustentável e seguro para a economia,
meio ambiente e cadeia de
abastecimento de energia.
Reunion Engenharia oferece cursos para usinas
A Reunion Engenharia oferece às usinas o treinamento
‘Cozimento e Cristalização
de Açúcar’, que acontece nos
dias 3, 4 e 5 de abril, no Centro de Convenções do
Stream Palace Hotel, em Ribeirão Preto (SP). Este é destinado a produtores de açúcar, engenheiros, encarregados de cozimento, operadores de Centro Operacional
Integrado (COI), supervisores, gerentes e diretores técnicos e outros. Os valores são
R$ 1.650,00 (individual); R$
1.550,00 (para cada duas
pessoas) e R$ 1.350,00 (para
cada três pessoas).
Com duração de oito
horas por aula, são promovidos pelos diretores da
Reunion, Tercio Dalla Vecchia e Jorge Luiz Scaff há
mais de 10 anos. Em 2009
foi dado início aos cursos
modulares de Tecnologia
Sucroenergética com o objetivo de oferecer a todos os
níveis o desenvolvimento
contínuo de competências
técnicas, incluindo treinamentos ‘In Company’.
Segundo Tercio, o treinamento “é uma oportunidade
dos participantes compreenderem os detalhes e a beleza
da formação dos cristais de
açúcar, bem como obter deste
fenômeno natural o melhor
rendimento e qualidade no
produto acabado”. Ao final
de cada módulo, será fornecido um certificado de participação a todos que cumprirem a carga horária.
Estão previstos ainda outros
cursos: 17 a 19 de julho (Tratamento de Caldo) e 16 a 18
de outubro (Destilação, Desidratação e Concentração de
Vinhaça). A programação
pode sofrer alteração, caso
necessário.
Informações e inscrições:
[email protected], [email protected] ou
(11) 4156 6688 /
(16) 3623 5384 ou pelo
site www.reunion.eng.br
Cursos são voltados
para engenheiros,
técnicos, supervisores
de produção, gerentes
e diretores
Março 2013 - Jornal Paraná
19
CONSECANA
Safra 2012/13 fecha
com preços estáveis
Os valores relativamente mais remuneradores para o açúcar permitiram que o preço
da cana fechasse com uma boa média no período Marly Aires
Os preços dos produtos industrializados e da cana de açúcar permaneceram relativamente estáveis,
sem grandes oscilações durante
toda a safra 2012/13, dentro do que
foi projetado no início. Com isso, o
preço da cana básica pago em fevereiro no Paraná (com 121,97 kg de
ATR e sem impostos), ficou em R$
51,93 no campo, devendo fechar a
safra com números próximos aos
obtidos na média da safra 2011/12,
que foi de R$ 51,64.
Esses dados foram divulgados na
última reunião do Conselho dos
Produtores de Cana de Açúcar,
Açúcar e Álcool do Estado do Pa-
raná (Consecana-Paraná), realizada
no dia 27 de fevereiro na sede da
Alcopar em Maringá, conforme levantamento efetuado pelo Departamento de Economia Rural e
Extensão da Universidade Federal
do Paraná (UFPR).
Segundo o presidente do Consecana PR e diretor da Dacalda Açúcar e Álcool Ltda, de Jacarezinho,
Paulo Roberto Misquevis, os patamares de preços pagos pela cana de
açúcar no Estado foram relativamente remuneradores nesta safra
devido principalmente aos preços
do açúcar no mercado interno e externo, produtos que têm um peso
significativo no mix de produtos.
Em média 55,52% do mix na safra
2012/13 foram destinados ao açúcar mercado externo. Já o açúcar
para o mercado interno representou
0,79% do mix.
O preço médio da saca de açúcar no mercado externo (sem impostos) atingiu em fevereiro o
valor mais baixo da safra, R$
41,70, e com projeção de queda,
isso depois de ter chegado ao
pico de R$ 47,00 em agosto, a
média mensal mais alta também
da safra 2011/12. O valor acumulado na safra em fevereiro foi de
R$ 45,10, número que apesar de
estar em queda (atingiu R$
48,30) ainda é maior que o de
encerramento da safra 2011/12.
No mercado interno, o preço da
saca de açúcar (sem impostos) está
em alta. Chegou a atingir R$ 48,70
em julho, caiu para R$ 41,90 em
novembro e vem se recuperando
desde então fechando fevereiro em
R$ 46,80 a saca. Na média, os valores do açúcar mercado interno
projetados para a safra variaram de
R$ 40,00 a saca (sem impostos) a
R$ 50,90, fechando na projeção de
fevereiro em R$ 45,10, valor que
vem se mantendo relativamente estável.
Etanol em alta
Nos últimos dois meses, o
preço do etanol vem se recuperando, mas praticamente
não há estoque para comercializar no Estado. Com
uma leve alta em relação ao
mês anterior, o preço médio
do etanol hidratado, consi20
Jornal Paraná - Março 2013
derando as vendas no mercado interno e externo, fechou fevereiro a R$ 1,205 o
litro contra R$ 1,161 em janeiro. O valor pago vem se
recuperando desde outubro
de 2012, quando chegou a
R$ 1,039 o litro. No acumu-
lado, o preço médio em fevereiro fechou em R$ 1,122
o litro. O produto representou 29,30% do mix na safra.
No caso do preço médio do
álcool anidro, também em
recuperação, fechou fevereiro
a R$ 1,342, pouco acima dos
R$ 1,330 alcançado em janeiro. Os valores pagos se
mantiveram estáveis ao
longo da safra, registrando
apenas uma queda acentuada em novembro, quando
foi para R$ 1,200 o litro. No
acumulado da safra, se manteve no mesmo patamar da
última projeção, com a
média de R$ 1,298 o litro,
inferior ao valor fechado na
safra 2011/12, R$1,438. O
etanol anidro representou
14,39% do mix de produtos.
Um balizador de preços
O Consecana-PR surgiu para atender a necessidade de organização do setor
e para regular o mercado, devido à saída do governo
Criado em 2000, o Consecana-PR define os valores que
servem de referência para comercialização da cana de açúcar. Este surgiu para atender a
necessidade de organização
do setor e para regular o mercado, devido à saída do governo. O preço da cana para o
período seguinte é decidido
em conjunto pelos produtores
de cana e pelas indústrias, de
forma transparente, com regras claras. Tem como base os
valores de comercialização
dos derivados, o mix de comercialização, os preços do
ATR de cada produto e o
preço médio do ATR do mês.
“Além de estruturar a cadeia
produtiva e facilitar o livre
negócio entre produtores e
indústria, o Consecana deixa
de base para estabelecer o
preço da cana, além de municiar os membros do Consecana com informações
sobre os valores de referências dos produtos no mês,
acumulados até o mês e projetados para o ano safra.
Reuniões dos 12 membros do conselho são mensais
o mercado mais transparente
e o valor pago mais justo.
Tanto a indústria quanto os
produtores são parceiros ao
enfrentarem as altas e baixas
do mercado de açúcar e etanol, com o valor da cana
acompanhando”,
afirma
Paulo Misquevis. Ele ressalta
que isso viabiliza um melhor
planejamento a médio e
longo prazo, reduzindo os
riscos para a indústria e para
os produtores, dando maior
segurança aos dois lados.
A UFPR tem acesso a todo
mapa de comercialização de
etanol e açúcar das indústrias,
e de forma independente,
calcula uma média, que serve
As reuniões dos 12 membros do Consecana para definir o preço do ATR (Açúcar Total Recuperável) da
cana são mensais. O conselho
é paritário, com seis representantes dos produtores indicados pela Faep (Federação
da Agricultura do Estado do
Paraná), normalmente presidentes de Sindicatos Rurais,
e seis representantes da indústria, indicados pela Alcopar, além de seis suplentes de
cada setor.
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DOIS PONTOS
Novo ministro
O novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o deputado federal mineiro Antônio Andrade, assumiu a pasta dia 18 de março, em
substituição ao deputado federal gaúcho Mendes Ribeiro Filho, que deixou o cargo para cuidar de problema de saúde. A alteração faz parte de uma
minirreforma no governo, com a entrada de dois ministros no governo e a mudança de pasta de um terceiro.
Temperaturas
Um novo estudo publicado na revista "Science" e
conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon e da Universidade Harvard, ambas
nos EUA, reconstruiu a temperatura média da Terra
nos últimos 11,3 mil anos para compará-la aos níveis
atuais. A boa notícia: a Terra hoje está mais fria do
que já esteve no início do período analisado. A má: se
os modelos dos climatologistas estiverem certos, atingiremos um novo recorde de calor até o final do século.
Terra
Puxado pelo aumento das
cotações da soja/milho no
mercado internacional, o
preço médio de um hectare
de terra destinado ao agronegócio mais que triplicou
em dez anos no Brasil, superando de longe a inflação.
Além disso, em cinco anos,
entre 2008 e 2012, a terra
se valorizou num ritmo
mais acelerado que o dólar,
aplicações em renda fixa,
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Jornal Paraná - Março 2013
ações e até mesmo o ouro.
Segundo a consultoria Informa Economics/ FNP
entre o primeiro bimestre
de 2003 e o último bimestre de 2012, o preço médio
da terra no Brasil aumentou 227%, com o valor do
hectare saltando de R$
2.280 para R$ 7.470, 12,6%
ao ano, quase o dobro da
inflação média anual, de
6,4%.
Mistura
A partir de maio, a mistura
de etanol na gasolina vendida nos postos de combustíveis do País vai aumentar
dos atuais 20% para 25%. O
objetivo do governo é ampliar a demanda pelo álcool
combustível e, ao mesmo
tempo, baratear o custo de
produção e financiamento.
A medida foi anunciada em
janeiro pelo governo, com o
intuito de amenizar o impacto do reajuste de preços
da gasolina, de 6,6% nas refinarias e em torno de 4%
nas bombas ao consumidor.
A mistura de 20% está em
vigor desde 1º de outubro
de 2011.
Bonsucro
A Raízen finalizou a
safra 2012/13 com sete
de suas 24 unidades certificadas pela Bonsucro,
iniciativa global com
sede em Londres que
visa reduzir impactos
ambientais e sociais na
produção sucroenergética. Atualmente, 20%
da produção total de
cana e 23% de todo o
etanol produzido pela
Raízen possuem o selo.
Ao todo, são 448 milhões de litros de etanol
e 632 mil toneladas de
açúcar certificados. Ter o
processo produtivo avaliado pela Bonsucro é
uma exigência obrigatória da União Europeia
para exportadores.
Petrobras
Silicone de cana
Pesquisa da Universidade
Federal de Pernambuco
(UFPE) pretende usar um
material feito a partir da
cana de açúcar como substituto do silicone em próteses para cirurgias plásticas.
Trata-se de um tipo de biopolímero produzido com
uso de bactérias. Sua aplicação vem sendo estudada
em várias áreas médicas. Na
primeira fase de testes, a
equipe usou o material em
porcas, aplicando cerca de 5
ml em gel nas tetas dos animais. O biopolímero tem a
vantagem de ser melhor
aceito pelo organismo do
que o silicone, material
mais usado em próteses
atualmente.
A Petrobrás perdeu R$
53,9 bilhões em valor de
mercado só em 2013, até o
dia 28 de fevereiro, segundo
cálculos da consultoria
Economatica. O montante
é maior que o verificado em
todo o ano de 2012, de R$
36,7 bilhões. O recuo no
primeiro bimestre deste
ano é o terceiro maior da
história da empresa, fazendo-se a comparação
com os resultados anuais
fechados. A maior queda
de valor de mercado da Petrobrás aconteceu em 2008,
quando a companhia perdeu R$ 205,9 bilhões.
Desde o fim de 2010, a estatal perdeu R$ 179,3 bilhões de valor de mercado passou de R$ 380,2 bilhões
para R$ 200,9 bilhões.
Carga tributária
Estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário indica que a carga tributária brasileira em 2012
chegou a 36,27%
do PIB. O
baixo PIB registrado no
ano passado
e a alta arrecadação
tributária
ocasionaram o aumento da
carga tributária, superando
inclusive o índice de 2011,
que foi de 36,02%. Nem
mesmo as desonerações e o
fraco desempenho do PIB
conseguiram diminuir a carga tributária brasileira. O estudo do IBPT concluiu que
a arrecadação tributária chegou a R$ 1,59 trilhão em
2012, contra R$ 1,49 trilhão registrado em
2011. Nominalmente,
houve crescimento de
7,03% na arrecadação tributária, enquanto que o PIB variou
6,26%. Nos últimos dez
anos, a carga tributária cresceu 3,63%, com média de
0,36% ao ano.
Encargos trabalhistas
O Brasil é o País com os encargos trabalhistas mais elevados em um grupo de 25 nações analisadas pela rede
mundial de auditoria e contabilidade UHY, incluindo
o G7 (grupo dos sete países mais industrializados) e os
Brics (principais economias emergentes). No Brasil
paga-se em média 57,56% do valor bruto do salário em
tributos contra uma média global de 22,52%. Significa
dizer que, ao pagar um salário anual bruto de US$ 30
mil, o empresário brasileiro paga US$ 17,267 mil adicionais de contribuições trabalhistas, incluindo todos os
custos empregatícios mandatórios como coberturas de
saúde e provisões de pensões. Se fossem incluídos os
acordos sindicais e as taxas estaduais, o valor poderia
dobrar. A média mundial implica em US$ 6,757 mil extras, menos da metade do que é pago no Brasil.
PIB do Brasil
Economia do Brasil completa dez trimestres com crescimento abaixo de 1%. Dentre as 20 principais economias do mundo,
resultado brasileiro só não é pior que o dos
que vivem crise europeia. Empresários reduziram seus investimentos ao patamar de
2009, no auge do impacto da crise externa.
Resultados mostram que a esperada retomada da produção nacional segue em
Combustíveis
O incentivo dado pelo governo federal para a compra de veículos ajudou a
turbinar a demanda por gasolina. De
acordo com a ANP, o consumo de gasolina cresceu 11,9% e atingiu 39,6 bilhões de litros em 2012. Somente no
ano passado, 3,8 milhões de novos carros foram incorporados à frota brasileira, segundo dados da Anfavea. O
consumo total de combustíveis cresceu
6,1% e alcançou 129,6 bilhões de litros
em 2012. O volume inclui gasolina,
etanol, óleo diesel, biodiesel, gás de botijão, querosene de aviação e óleo combustível. O consumo total de etanol
recuou 5,6%, para 17,7 bilhões de litros. O etanol hidratado, que vai direto
no tanque de combustível, caiu 9,6%, e
o anidro, que vai na mistura da gasolina, recuou 0,2%.
Biocombustíveis
Depois dos Estados Unidos, em 2003, agora é a vez de a Europa superar o Brasil no consumo de biocombustíveis. Dados divulgados pela União Europeia mostram que o bloco
econômico consumiu em 2011 cerca de 14 mil toneladas equivalentes de petróleo – 2 mil
a mais que o consumo brasileiro. Enquanto faltam investimentos para suprir demanda no
Brasil, a Europa regulou o setor e a produção aumentou 16 vezes em uma década. Precursor
da tecnologia, país precisa de 100 novas usinas para atender procura até 2020.
ritmo abaixo das expectativas. Apesar dos
sucessivos pacotes de estímulo ao crédito
e alívio tributário, a expansão do PIB em
2012 foi de apenas 0,9%. As causas da retração dos investimentos são motivo de
controvérsia. O governo culpa as incertezas do cenário internacional; analistas de
linha liberal culpam o intervencionismo
do governo.
Embrapa
A partir deste ano, a Embrapa Agroenergia vai otimizar a produção industrial
do etanol de segunda geração. Com duração de três
anos, seu projeto em parceria com diversas instituições busca um mecanismo
eficiente e barato para fermentar a xilose, um tipo de
açúcar presente na biomassa, o segundo mais
abundante no bagaço da
cana, que a tecnologia atual
ainda não consegue aproveitar. Isso porque a substância não é metabolizada
pela levedura usada na fabricação do combustível e
que só fermenta a glicose, o
açúcar mais abundante na
biomassa. A intenção é
fazer com que a levedura
interaja com a xilose e aumente a produtividade das
técnicas atuais.
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FEIRAS
Comemoração de 20 anos
marcam a Agrishow
É esperada a participação de 790 expositores e de 152 mil visitantes. Evento
será de 29 de abril a 3 de maio em Ribeirão Preto Assessoria de Comunicação
A Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia
Agrícola em Ação), consolidada como a principal
feira do setor agro da América Latina, completa 20
anos de história em 2013.
Programada para os dias 29
de abril a 3 de maio, no
Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico
dos Agronegócios do Centro-Leste/Centro de Cana,
em Ribeirão Preto (SP), a
feira terá uma área total de
440 mil m², uma vitrine do
que há de mais moderno
em tecnologia para o agronegócio.
É esperada a participação de
790 expositores, entre fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas, insumos,
ferramentas, associações de
classe, centros de pesquisa,
universidades e instituições
financeiras que apresentarão
as mais modernas tecnologias e soluções para pequenas, médias e grandes propriedades rurais. A expectativa é receber um público visitante de 152 mil pessoas.
Uma facilidade para os visitantes é a maior regionalização por áreas. Para otimizar
sua visita, o produtor rural
poderá ir diretamente a setores da feira que concentram
expositores de irrigação, armazenagem, agricultura de
precisão, ferramentas, aviação,
caminhões/ônibus/
transbordos, automobilístico,
máquinas para construção,
pneus, pecuária e sementes/
defensivos/adubos.
Diversas melhorias serão
implantadas no local do
evento. Com a concessão da
área de exposição por 30
anos, assinada na edição de
2012 da feira, “tirou-se a insegurança jurídica, criando
um ambiente motivador para
investimentos”, diz o presidente da Agrishow, Maurilio
Biagi Filho. Após a realização da feira, será elaborado
um plano diretor de investimentos.
A edição de 2013 da Agrishow será marcada pelas comemorações dos 20 anos da
feira. Dia 30 de abril haverá
uma noite comemorativa no
Centro de Eventos Pereira
Alvim, em Ribeirão Preto,
com o lançamento do livro
sobre os 20 anos da feira, homenagens aos expositores
que estão desde a primeira
edição e apresentações artís-
tico-culturais, como da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto e do cantor Almir
Sater.
O evento é realizado pela
Abag (Associação Brasileira
do Agronegócio), Abimaq
(Associação Brasileira da
Indústria de Máquinas e
Equipamentos), Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos) e SRB
(Sociedade Rural Brasileira). A organização é da
BTS Informa.
Mais informações:
www.agrishow.com.br
Foco em dinâmicas e sustentabilidade
As demonstrações de campo, consideradas o
DNA da Agrishow, terão novidades para o público. Uma delas é a criação do Núcleo da Tecnologia, com plots comparativos de sementes,
adubos e defensivos agrícolas de culturas como
milho, cana de açúcar e pastagens. A outra novidade é a implantação em parceria com a Embrapa
de uma área de 16 hectares com diversos manejos
de integração lavoura pecuária floresta (ILPF).
“A dinâmica é um dos diferenciais da Agrishow,
que possibilita ao visitante conhecer na prática
toda a tecnologia disponível para o campo. São
oportunidades para que o produtor rural visualize o desempenho das máquinas e das tecnolo24
Jornal Paraná - Março 2013
gias em ação, faça comparações, auxiliando na
decisão de compra de acordo com suas expectativas e necessidades”, afirma o presidente da feira.
Um dos principais focos desta edição é a sustentabilidade. Iniciado em 2012, o projeto Agrishow Sustentável engloba uma série de ações de
responsabilidade ambiental, envolvendo organizadores, expositores, fornecedores, visitantes e
sociedade. O projeto, que tem uma via preventiva
e outra corretiva, visa minimizar os impactos que
existem com a realização da feira, divulgar boas
práticas ambientais.
Em um estande do projeto serão apresentados
cases de empresas de diversos elos da cadeia do
agronegócio com produtos, serviços e processos
sustentáveis. Estarão disponíveis para visitação,
por exemplo, um Porsche híbrido (há somente
oito no Brasil) e um ônibus híbrido. O próprio
estande será autossustentável com um protótipo
que gera energia solar e térmica para o funcionamento do espaço.
Os expositores podem acessar no site do
evento uma cartilha de boas práticas de sustentabilidade com orientações para a concepção de
estandes ecologicamente corretos, medidas de
eficiência em consumo de água e energia, entre
outras dicas.
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