Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centrode Tecnologia Departamento de Engenharia Química Programa de Pós-graduação em Engenharia Química DISSERTAÇÃO DE MESTRADO Produção de enzimas por fungos em fermentação semi-sólida utilizando bagaço de coco e pedúnculo de caju como substratos Sérgio Dantas de Oliveira Júnior Orientadora: Profª. Drª. Gorete Ribeiro de Macedo Coorientadora: Profª. Drª. Cristiane Fernandes de Assis JANEIRO/2014 NATAL/RN Sérgio Dantas de Oliveira Júnior PRODUÇÃO DE ENZIMAS POR FUNGOS EM FERMENTAÇÃO SEMI-SÓLIDA UTILIZANDO BAGAÇO DE COCO E PEDÚNCULO DE CAJU COMO SUBSTRATOS Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Engenharia Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como parte dos requisitos necessários para obtenção do grau de Mestre em Engenharia Química, sob orientação da Prof. Dr. Gorete Ribeiro de Macedo e coorientação da Prof. Dr. Cristiane Fernandes de Assis. JANEIRO/2014 NATAL/RN Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / CT / DEQ Biblioteca Setorial “Professor Horácio Nícolás Sólimo”. Oliveira Júnior, Sérgio Dantas de. Produção de enzimas por fungos em fermentação semi-sólida utilizando bagaço de coco e pedúnculo de caju como substratos / Sérgio Dantas de Oliveira Júnior. Natal, 2014. 103 f.: il. Orientador: Gorete Ribeiro de Macedo. Co-orientador: Cristiane Fernandes de Assis. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Tecnologia. Departamento de Engenharia Química. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química. 1. Enzimas - Dissertação. 2. Coco - Dissertação. 3. Caju - Dissertação. 4. Fungos - Dissertação. 5. Resíduos industriais - Dissertação. I. Macedo, Gorete Ribeiro de II. Assis, Cristiane Fernandes de. III. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. IV. Título. RN/UF CDU 577.15(043.3) OLIVEIRA JÚNIOR, Sérgio Dantas de. Produção de enzimas por fungos em fermentação semi-sólida utilizando bagaço de coco e pedúnculo de caju como substratos. Dissertação de Mestrado, UFRN, Programa de Pós Graduação em Engenharia Química – PPGEQ, Área de Concentração: Engenharia Química, Natal/RN, Brasil. Orientadora: Profª. Drª. Gorete Ribeiro de Macedo Coorientadora: Profª. Drª. Cristiane Fernandes de Assis RESUMO – A produção de enzimas por microrganismos utilizando resíduos agroindustriais é importante e pode estar associada a diversas aplicações, tais como indústrias de alimentos, química, têxtil entre outras. O objetivo deste trabalho é a produção de enzimas CMCase, Xilanase, Avicelase e FPase através da fermentação em estado sólido (FES), usando como substrato o bagaço do coco verde e o pedúnculo de caju seco, utilizando os microrganismos Penicillium chrysogenum e um fungo isolado da casca do coco (Aspergillus fumigatus). A metodologia do planejamento experimental fatorial e análise de superfície de resposta estudou a influência da variação da umidade e do pH. Foram realizadas fermentações usando o bagaço do coco como substrato, nos cultivos utilizando o Aspergillus fumigatus e o fungo Penicillium chrysogenum, e uma mistura com 50% de bagaço do coco e de 50% do pedúnculo de caju com o fungo Penicillium chrysogenum, as condições de cultivo foram: 120 horas a 30 °C em BOD, variando umidade e pH. Com o objetivo de verificar a influência das variáveis: umidade e pH, foi elaborado um planejamento experimental fatorial 22, sendo então dois fatores e dois níveis para cada fator com três repetições no ponto central. Os níveis das variáveis independentes utilizadas foram, na ordem crescente (-1, 0, +1), para umidade 66%, 70,5% e 75% e para o pH 3, 5 e 7. Foi usado o programa computacional STATISTICA TM (versão 7.0, da StatSoft, Inc.) para calcular os efeitos principais das variáveis e suas interações. A metodologia de superfície de resposta foi usada para avaliar as condições da FES. A caracterização química e físico-química do bagaço do coco verde determinou as composições de Celulose (%) = 39,09; Hemicelulose (%) = 23,80; Lignina Total (%) = 36,22 e de Pectina (%) = 1,64. Já para a caracterização do pedúnculo de caju os valores foram de Celulose (g) =15,91; Hemicelulose (%) = 16,77; Lignina Total (%) = 30,04 e Pectina (%) = 15,24. Os resultados obtidos indicam o potencial dos materiais como substrato para fermentação semi sólida visando produção de enzimas. Os dois microrganismos utilizados apresentaram como bons produtores de celulases. Os resultados mostraram o potencial do fungo isolado na produção da enzima CMCase, com valor máximo de 0,282 UI/mL e para a enzima Avicelase o valor máximo variou entre 0,018 – 0,020 UI/mL, usando apenas o bagaço do coco como substrato. O fungo Penicillium chrysogenum apresentou os melhores resultados para as enzimas CMCase = 0,294 UI/mL, FPase = 0,058 UI/mL, Avicelase = 0,010 UI/mL e Xilanase = 0,644 UI/mL, usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como sustratos. O fungo Penicllium chrysogenum apresentou atividades enzimáticas usando apenas o coco como substrato, para CMCase = 0,233 UI/mL, FPase = 0,031 – 0,032 UI/mL, Avicelase = 0,018 – 0,020 UI/mL e Xilanase = 0,735 UI/mL. Portanto, concluiu-se que os microrganismos e os substratos utilizados apresentam potencial para processos de produção de enzimas em cultivo semi-sólido. Palavras-chave: Penicillium chrysogenum, Planejamento experimental, CMCase, Avicelase, Xilanase, FPase. ABSTRACT The production of enzymes by microorganisms using organic residues is important and it can be associated with several applications such as food and chemical industries and so on. The objective of this work is the production of CMCase, Xylanase, Avicelase and FPase enzymes by solid state fermentation (SSF) using as substrates: bagasse of coconut and dried cashew stem. The microorganisms employed are Penicillium chrysogenum and an isolated fungus from the coconut bark (Aspergillus fumigatus). Through the factorial design methodology and response surface analysis it was possible to study the influence of the humidity and pH. For Penicillium chrysogenum and the isolated fungus, the coconut bagasse was used as culture medium. In another fermentation, it was used the mixture of coconut bagasse and cashew stem. Fermentations were conducted using only the coconut bagasse as substrate in cultures with Penicillium chrysogenum fungus and the isolated one. A mixture with 50% of coconut and 50% of cashew stem was employed only for Penicillium chrysogenum fungus, the cultivation conditions were: 120 hours at 30 °C in BOD, changing humidity and pH values. In order to check the influence of the variables: humidity and pH, a 22 factorial experimental design was developed, and then two factors with two levels for each factor and three repetitions at the central point. The levels of the independent variables used in ascending order (-1, 0, +1), to humidity, 66%, 70.5% and 75% and pH 3, 5 and 7, respectively. The software STATISTICATM (version 7.0, StatSoft, Inc.) was used to calculate the main effects of the variables and their interactions. The response surface methodology was used to optimize the conditions of the SSF. A chemical and a physic-chemical characterization of the coconut bagasse have determined the composition of cellulose (%) = 39.09; Hemicellulose (%) = 23.80, Total Lignin (%) = 36.22 and Pectin (%) = 1.64. To the characterization of cashew stem, the values were cellulose (g) = 15.91 Hemicellulose (%) = 16.77, Total Lignin (%) = 30.04 and Pectin (%) = 15.24. The results indicate the potential of the materials as substrate for semisolid fermentation enzyme production. The two microorganisms used are presented as good producers of cellulases. The results showed the potential of the fungus in the production of CMCase enzyme, with a maximum of 0.282 UI/mL and the Avicelase enzyme the maximum value ranged from 0.018 to 0.020 UI/ mL, using only coconut bagasse as substrate. The Penicillium chrysogenum fungus has showed the best results for CMCase = 0.294 UI/mL, FPase = 0.058 UI/mL, Avicelase = 0.010 UI/mL and Xylanase = 0.644 UI/ mL enzyme, using coconut bagasse and cashew stem as substrates. The Penicllium chrysogenum fungus showed enzymatic activities using only the coconut as substrate for CMCase = 0.233 UI/mL, FPase = 0.031 to 0.032 UI/ mL, Avicelase = 0.018 to 0.020 UI/mL and Xylanase = 0.735 UI/ mL. Thus, it can be concluded that the used organisms and substrates have offered potential for enzyme production processes in a semi-solid cultivation. Keywords: Penicillim chrysogenum, experimental design, CMCase, Avicelase, Xylanase, FPase. Dedico esta Dissertação aos meus pais e irmãos. AGRADECIMENTOS À minha querida orientadora Profa. Gorete Ribeiro de Macedo que durante todos esses meses sempre vibrou com o trabalho e incentivou todos com seu entusiasmo a persistir, com toda a sua sabedoria. Aos meus pais que sempre me mostraram o valor da educação. Aos meus amigos Pedro Ferreira, Pedro Henrique, Ruthinéia, Nathália Araújo e Paulo Fortunato pelo incentivo e as conversas durante todos esses meses. Ao meu irmão Diego e a minha irmã Maria Carolina pela confiança e o incentivo que sempre me passaram. Aos meus amigos e amigas de Fortaleza, em especial ao João Feijó, sempre presente em todos os momentos vitoriosos na minha vida. À Profa. Cristiane pelo apoio ao trabalho. Aos amigos do LEB Francisco Canidé, Alexandre Guilherme, Carlos Padilha e Michelle Vaz pela companhia no laboratório e apoio na produção das enzimas. Ao Prof. Everaldo, excelente professor, pela colaboração no planejamento experimental. A todos os membros da banca: Profa. Gorete Ribeiro, Profa. Cristiane Fernandes Prof. Mateus de Freitas, Profa. Sharline Florentino que aceitaram fazer parte da banca examinadora trazendo importantes contribuições para o trabalho. As minhas queridas e companheiras Francisca Pereira, Angelinne Costa, Paula Luciana, Emilianny Rafaely, e Jútima Siqueira pelo apoio, companheirismo, pela amizade criada e as risadas em todos os momentos. A dona Neide pela amizade criada e a Mazinha pela ajuda em todos os momentos que eu precisei. Em especial a minha querida mãe Maria de Lourdes que sempre torceu pelo meu sucesso, me incentivando, dando apoio e carinho. Dissertação de Mestrado SUMÁRIO Lista de figuras................................................................................................................... x Lista de tabelas................................................................................................................... xiii Nomenclatura..................................................................................................................... xiv 1. Introdução..................................................................................................................... 1 2. Revisão Bibliográfica.................................................................................................... 5 2.1 - O coco....................................................................................................................... 6 2.2 - O caju......................................................................................................................... 8 2.3 – Fungos Filamentosos................................................................................................ 10 2.3.1 - Fungo: Penicilum chrysogenum............................................................................. 11 2.4 – Enzimas..................................................................................................................... 13 2.4.1 - Celulases................................................................................................................ 13 2.4.1.1. Endoglucanases..................................................................................................... 16 2.4.1.2. β-glucosidase........................................................................................................ 16 2.4.1.3. Exoglucanases....................................................................................................... 16 2.4.2 – Pectinases............................................................................................................... 17 2.4.3 – Xilanase................................................................................................................. 18 2.5 - Fermentação Semi-Sólida.......................................................................................... 19 2.5.1 . Vantagens da FSS................................................................................................... 21 2.5.2. Desvantagens da FSS............................................................................................... 22 2.5.3. Parâmetros que influenciam a produção enzimática por FES................................ 22 2.5.3.1. Umidade................................................................................................................ 22 2.5.3.2. Temperatura.......................................................................................................... 23 2.5.3.3. pH......................................................................................................................... 23 2.5.3.4. Tamanho da partícula............................................................................................ 23 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 vii Dissertação de Mestrado 2.5.3.5. Concentração inicial do inóculo........................................................................... 24 3. Material e Método......................................................................................................... 25 3.1 - Bagaço de coco......................................................................................................... 26 3.2 - Pedúnculo de caju..................................................................................................... 26 3.3 - Caracterização química e físico-química do bagaço de coco verde e do pedúnculo de caju.............................................................................................................. 27 3.3.1. Determinação de sólidos totais................................................................................ 27 3.3.2. Determinação de extrativos..................................................................................... 28 3.3.3. Determinação de polissacarídeos............................................................................. 28 3.3.3.1. Hidrólise com H2SO4 (72%)................................................................................ 28 3.4 - Determinação de lignina.......................................................................................... 29 3.4.1. Lignina insolúvel.................................................................................................... 29 3.4.2. Teor de cinzas da lignina insolúvel e cinzas totais.................................................. 29 3.4.3. Análise do hidrolisado por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE).. 30 3.5 - Determinação da pectina........................................................................................... 31 3.6 - Determinação dos minerais...................................................................................... 32 3.7 - Microrganismos......................................................................................................... 33 3.8 - Isolamento de uma linhagem fúngica produtora de celulase................................ 33 3.8.1. Identificação da linhagem fúngica produtora de celulase........................................ 33 3.8.2. Meio para Triagem em placa de Petri...................................................................... 34 3.9 - Ativação do inóculo................................................................................................... 34 3.9.1. Obtenção da solução de esporos e preparo do inóculo............................................ 35 3.10 - Processo de Fermentação..................................................................................... 36 3.10.1. Condições da Fermentação.................................................................................... 36 3.11 - Cinética da Fermentação......................................................................................... 37 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 viii Dissertação de Mestrado 3.12 - Extração das enzimas.............................................................................................. 37 3.13 - Determinação da enzima Celulase.......................................................................... 38 3.13.1. Determinação da atividade CMCase (Endo-1,4-β-Dglucanase).......................... 38 3.14 - Determinação da atividade FPase........................................................................... 39 3.15 - Determinação da atividade da β –glicosidase........................................................ 39 3.16 - Determinação da atividade da Xilanase.................................................................. 40 3.17 - Determinação da atividade da Avicelase................................................................. 40 3.18 - Determinação da atividade da Pectinase................................................................. 41 3.19 - Determinação de açúcares redutores....................................................................... 42 3.20 - Determinação da quantificação de proteínas por Bradford..................................... 42 3.21 - Determinação da celulose residual.......................................................................... 43 3.22 - Planejamento Experimental..................................................................................... 44 4 - Resultados e Discussão................................................................................................ 46 4.1 - Caracterização dos resíduos: Bagaço do coco e pedúnculo de caju......................... 46 4.2 - Determinação dos minerais no bagaço do coco verde............................................... 49 4.2 - Determinação dos minerais no bagaço do coco verde............................................... 49 4.3 - Determinação dos minerais do pedúnculo de caju.................................................... 51 4.4 - Seleção de microrganismo produtor de celulase....................................................... 53 4.4.1. Isolamento de linhagem fúngica produtora de celulases........................................ 53 4.4.2. Triagem em meio Avicel......................................................................................... 54 4.5 - Valores das ativadades enzimáticas em função da umidade e pH, usando um fungo isolado da casca do coco nas fermentações com o coco como substrato............................................................................................................................. 56 4.6 - Valores das ativadades enzimáticas em função da umidade e pH, usando o Penillium chrysogenum nas fermentações com a mistura de bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos................................................................................... 60 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 ix Dissertação de Mestrado 4.7 - Valores das ativadades enzimáticas em função da umidade e pH, usando o Penillium chrysogenum nas fermentações com apenas o bagaço do coco como substrato............................................................................................................................. 69 4.8 - Cinética do fungo isolado (Aspergillus fumigatus) e do Penicillium chrysogenum..................................................................................................................... 76 5. Conclusões.................................................................................................................... 84 6. 6. Referências Bibliográficas............................................................................................. 86 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 x Dissertação de Mestrado LISTA DE FIGURAS Figura 2.1 - Representação esquemática das partes estruturais características do coco verde. Fonte: EMBRAPA, 2010........................................................................................ 6 Figura 2.2 - Pedúnculo de caju. Fonte: EMBRAPA, 2000................................................ 9 Figura 2.3 - Ilustração da Placa Penicillium chrysogenum. Fonte: SUPER NOVA CIÊNCIA, 2012................................................................................................................. 12 Figura 2.4 - Representação do Sistema enzimático envolvido na degradação da celulose. Fonte: Adaptado por Aron et al., 2005.............................................................. 14 Figura 2.5 -Estrutura da parede celular de plantas. Fonte: IPPA, 2008........................ 15 Figura 2.6 - Estrutura primária de uma molécula de pectina. Fonte: Alkorta, et al., 1998................................................................................................................................... 17 Figura 2.7 - Fermentação semi-sólida em frascos Erlenmeyer em BOD. Fonte: Autor.................................................................................................................................. 20 Figura 3.1 - Representação dos resíduos utilizados como substratos: (a) bagaço do coco e (b) pedúnculo de caju...................................................................................................... 27 Figura 4.1 - Aspecto da morfologia cultural da cepa de fungo isolado da casca do coco (Aspergillus fumigatus)...................................................................................................... 54 Figura 4.2 - Crescimento do fungo Penicillium chrysogenum em palca de Petri com Avicel................................................................................................................................. 55 Figura 4.3 - Crescimento do fungo isolado (Aspergillus fumigatus) da casca do coco em palca de Petri com Avicel............................................................................................ 55 Figura 4.4 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade da CMCase para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) usando o bagaço do coco como subtrato............................................................................................................ 57 Figura 4.5 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Avicelase para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) usando o bagaço do coco como subtrato............................................................................................................ 57 Figura 4.6 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática CMCase para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) usando o bagaço do coco como substrato............................................................................................................................. 58 Figura 4.7 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Avicelase para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) usando o bagaço do coco como subtrato............................................................................................................................... 59 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 xi Dissertação de Mestrado Figura 4.8 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade CMCase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como subtratos........................................................................................................... 62 Figura 4.9 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Avicelase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo do caju como subtratos.......................................................................................................... 63 Figura 4.10 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Xilanase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo do caju como subtratos.......................................................................................................... 64 Figura 4.11 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade FPase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo do caju como subtratos............................................................................................................... 64 Figura 4.12 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática CMCase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos......................................................................................................... 66 Figura 4.13 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Avicelase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos................................................................................... 66 Figura 4.14 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Xilanase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos......................................................................................................... 67 Figura 4.15 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática FPase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de cajucomo substratos............................................................................................................... 68 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 xii Dissertação de Mestrado Figura 4.16 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Avicelase para o fungo Penicillium chrysogenum usando apenas o bagaço do coco como subtrato.................................................................................................................................. 71 Figura 4.17 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade CMCase para o fungo Penicillium chrysogenum usando apenas o bagaço do coco como subtrato.................................................................................................................................. 71 Figura 4.18 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Xilanase para o fungo Penicillium chrysogenum usando apenas o bagaço do coco como subtrato.................................................................................................................................. 72 Figura 4.19 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade FPase para o fungo Penicillium chrysogenum usando apenas o bagaço do coco como subtrato.................................................................................................................................. 72 Figura 4.20 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Avicelase para o fungo Penicillium chrysogenum usando apenas o bagaço do coco como substrato................................................................................................................................. 73 Figura 4.21 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática CMCase para o fungo Penicillium chrysogenum usando apenas o bagaço do coco como substrato................................................................................................................................. 74 Figura 4.22 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Xilanase para o fungo Penicillium chrysogenum usando apenas o bagaço do coco como substrato................................................................................................................................ 75 Figura 4.23 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática FPase para o fungo Penicillium chrysogenum usando apenas o bagaço do coco como substrato................................................................................................................................. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 77 xiii Dissertação de Mestrado Figura 4.24 - Perfil dos teores de açúcares redutores totais, proteínas totais e celulose residual produzidos pelo fungo isolado (Aspergillus fumigatus) durante 10 dias de cultivo.................................................................................................................................... 77 Figura 4.25 - Perfil dos teores de açúcares redutores totais, proteínas totais e celulose residual produzidos por Penicillium chrysogenum durante 10 dias de cultivo...................... 78 Figura 4.26 - Perfil de atividade de CMCase e Avicelase durante os 10 dias na fermentação semi-sólida, utilizando o fungo isolado (Aspergillus fumigatus)................. 80 Figura 4.27 - Perfil de Atividade das enzimas CMCase, Xilanase, Avicelase e FPase durante os 10 dias na fermentação semi-sólida, utilizando o fungo Penicillium chrysogenum e o coco como substrato.................................................................................. 81 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior xiv janeiro/ 2014 Dissertação de Mestrado LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 - Produção de coco e área produzida nos principais países................................ 8 Tabela 3.1 - Tabela de caracterização e os valores de cada componente presente no extrato hidrolisado................................................................................................................. 30 Tabela 3.2 - Condições instrumentais utilizadas no ICP/OES.......................................... 32 Tabela 3.3 - Parâmetros para a identificação dos minerais.............................................. 32 Tabela 3.4 - Composição do meio de triagem em placas de Petri........................................ 34 Tabela 3.5 - Ensaios do planejamentos fatorial ( 22 ).......................................................... 44 Tabela 3.6 - Proporção da matéria prima e microrganismo utilizado nas fermentações..... 45 Tabela 4.1 - Caracterização do bagaço do coco verde e do pedúnculo de caju..................... 47 Tabela 4.2 - Determinação dos minerais no bagaço do coco verde..................................... 50 Tabela 4.3 - Determinação dos minerais no pedúnculo de caju............................................ 52 Tabela 4.4 - Planejamento fatorial (22) e resultados das atividades enzimáticas da CMCase e Avicelase produzida pelo fungo isolado (Aspergillus fumigatus)....................... 56 Tabela 4.5 - Planejamento fatorial (22) e resultados das atividades enzimáticas da CMCase, Avicelase, Xilanase e FPase produzidas pelo fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos..................................... 61 Tabela 4.6 - Planejamento fatorial (22) e resultados das atividades enzimáticas da CMCase, Avicelase, Xilanase e FPase produzidas pelo fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como substrato............................................................................ 70 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior xv janeiro/ 2014 Dissertação de Mestrado NOMENCLATURA Aa Atividade de água ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas abs Absorbância ACC Amêndoa da castanha de caju ART Açúcares redutores totais A.E Atividade enzimática DNS ácido 3,5 – dinitro-salicílico FES Fermentação em estado sólido FS Fermentação submersa FSS Fermentação semi-sólida FPU Uma unidade de atividade em papel de filtro h Hora L litro min Minutos N Nitrogênio P Fósforo p/v Peso por volume Pa pressão de vapor de água do substrato Pt. Proteína rpm Rotações por minuto UI/mL Unidade de atividade por mililitro v/v Volume por volume PDA Potato Dextrose Agar Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 xvi CAPÍTULO I INTRODUÇÃO Capítulo 1 - Introdução 1. Introdução O Brasil é o maior produtor mundial de frutas tropicais, apresentando terras de excelentes qualidades que são utilizadas para cultivo de uma ampla variedade de frutas. Na região Nordeste do Brasil destacam-se os subprodutos de frutas em virtude da ampla disponibilidade (Rogério, 2005). Podem ser citados então os subprodutos oriundos do cultivo e do processamento agroindustrial de abacaxi, abacate, banana, caju, coco, mamão, manga, maracujá, uva, acerola, goiaba, laranja, tomate e urucum. O grande consumo de água de coco verde (in natura ou industrializada) vem aumentando a geração de resíduo oriundo da casca desse fruto, o que acaba representando um grave problema quanto ao descarte desse material, principalmente nas grandes cidades onde são levados para lixões e aterros sanitários. As cascas de coco verde correspondem aproximadamente 85% do peso bruto do fruto e a sua degradação leva em torno de 8 anos (Rosa et al., 2001). O coco verde, por ser um material rico em matéria orgânica e reciclável, pode ser utilizado na fabricação de vários produtos. Isso em decorrência da sua composição, que tem como principais componentes a celulose e hemicelulose, os quais proporcionam grandes índices de rigidez e dureza. A indústria de processamento de coco (verde ou maduro) gera uma quantidade significativa de resíduos. Nesse caso, “coir” é o nome dado às fibras que constituem o mesocarpo grosso ou casca do coco (Cocos nucifera L.) e que são usadas para produção de tapetes, esteiras e como substrato agrícola. Deve-se considerar ainda que, no Nordeste do Brasil é encontrada a maior diversidade do gênero Anacardium, por essa razão, (Johnson, 1973) considerou o Estado do Ceará como local de origem do cajueiro. Além disso, cerca de 98% da área brasileira cultivada com cajueiro, está situada no Nordeste segundo Pessoa et al., (1995). No Brasil, devido a grande presença de espécies, este se divide em dois grupos: o tipo comum (gigante), o mais difundido, apresentando porte elevado com altura variando de 5 a 8 m, podendo atingir até 15 metros. O diâmetro da copa, em geral, varia de 12 a 14 m e, em casos excepcionais, até 20 m (Barros, 1995). Por sua vez, cajueiros do tipo anão precoce caracterizam-se por apresentar porte baixo, em média 4 m, diâmetro da copa de 6 a 8 m, grande precocidade etária e florescimento entre 6 e 18 meses (Barros et al., 1998). A amêndoa da castanha de caju é rica em vitaminas, ácidos graxos não saturados e proteínas. O pedúnculo apresenta teores elevados de vitamina C, açúcares, minerais (cálcio, ferro e fósforo) e fibras. O aproveitamento do pedúnculo de caju é inferior a 20% do total 2 Capítulo 1 - Introdução produzido, sendo utilizado para o consumo in natura, fabricação de doces, compotas e bebidas diversas. Uma das causas para esse baixo aproveitamento está relacionada ao tempo de deterioração do mesmo, que ocasiona excessivas perdas no campo e na indústria (Campos, 2003). O agronegócio do caju é uma das principais atividades do Nordeste brasileiro com produção de cerca de 200 mil toneladas de amêndoas e dois milhões de toneladas de pedúnculo. A utilização industrial do pedúnculo de caju é direcionada principalmente ao mercado interno com a produção de sucos e doces (Oliveira e Andrade, 2007) que geram resíduos, o pedúnculo de caju, que, em geral são reaproveitados para enriquecimento da ração animal ou descartados por falta de incentivo de seu uso na alimentação humana. Como alternativa para utilizar materiais que seriam descartados e sem qualquer tipo de cuidado uma alternativa seria a utilização desses resíduos na produção de enzimas por fermentação utilizando fungos filamentosos, pelo fato de serem excelentes microrganismos que se adapatam as condições adversas, como baixa umidade, pH e temperaturas variadas. O processo de fermentação semi-sólida (FSS) envolve o crescimento e metabolismo de microrganismos, na ausência ou quase ausência de água livre, empregando um substrato sólido, ou suporte. A FSS se apresenta como uma tecnologia para usar resíduos gerados, como substratos, diminuíndo possíveis problemas ambientais (Rocha, 2010). Processos utilizando substratos sólidos são economicamente importantes para os países como Brasil, com uma abundância de biomassa e resíduos agroindustrais, que podem ser utilizados como matérias-primas baratas (Castilho et al., 2000). Esta técnica tem muitas vantagens sobre a fermentação submersa incluindo altos rendimentos e a baixa demanda de energia (Krishna, 2005). Os resíduos agrícolas contêm de 20 a 60% de celulose, 20 a 30% de hemicelulose e 15 a 30% de lignina. O bagaço de coco contém aproximadamente 23 a 43% de celulose e o restante de hemicelulose (3 a 12%) e lignina (35 a 45%) (Rosa et al., 2001). De acordo com Gouveia et al., (2009) o pedúnculo de caju apresenta 20,56% de celulose, 10,17% de hemicelulose e 32,26% de lignina. Os microrganismos que atuam degradando os materiais celulósicos são capazes de produzir enzimas chamadas de celulases, de acordo com Castro, (2006). Com os valores de celulose, hemicelulose e lignina presentes no bagaço do coco e do pedúnculo de caju após a caracterização dos mesmos, é possível a produção de enzimas em especial as celulases, que são enzimas que atuam na degradação de substratos lignocelulósicos. 3 Capítulo 1 - Introdução O objetivo deste trabalho foi o estudo da produção de enzimas através da fermentação em estado sólido, usando como substratos o bagaço de coco e o pedúnculo de caju seco, utilizando um fungo natural isolado da casca do coco e o Penicillum chrysogenum. Com base na metodologia do planejamento experimental fatorial e análise de superfície de resposta, estudou-se a influência da umidade inicial do meio e o do pH. 4 CAPÍTULO II REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Capítulo2 - Revisão Bibliográfica 2. Revisão Bibliográfica 2.1. O coco O gênero Cocus é constituído pela espécie Cocus nucifera L. que, por sua vez, é composta por algumas variedades. As mais importantes, no âmbito do agronegócio, socioeconômico e agroindustrial, são as variedades Typica (var. Gigante) e Nana (var. Anã), que acredita-se ter originado de uma mutação gênica da Gigante (Frutas do Brasil, 2002; Santos et al.,1996). O coco, fruto formado a partir de uma semente chamada drupa, é constituído basicamente por um epicarpo, que consiste em uma camada externa fina e lisa que forma a sua casca; mesocarpo, camada intermediária fibrosa de onde obtém-se a fibra; endocarpo, uma camada lenhosa e dura e a castanha chamada de albúmen sólido, que é a parte do fruto de maior valor comercial, além da água de coco (Figura 2.1). O fruto chega a alcançar o peso médio de 3 a 4 Kg e a quantidade de água diminui à medida que o coco amadurece (Portal São Francisco, 2005). Figura 2.1 - Representação esquemática das partes estruturais características do coco verde. Fonte: EMBRAPA, 2010. O fruto do coqueiro é constituído por albúmen líquido (água de coco), albúmen sólido ou amêndoa, endocarpo e casca. A casca representa em torno de 57% do fruto sendo composta pelo mesocarpo (fibra e pó) e epicarpo (camada mais externa da casca). O volume e o peso da casca variam com as condições climáticas da região de plantio, com a adubação, Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 6 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica com os tratos culturais e fitossanitários do coqueiro e com a variedade cultivada (EMBRAPA, 2010). A fibra de coco extraída do mesocarpo, parte espessa fibrosa do fruto apresenta uma elasticidade superior a outras fibras vegetais, além de uma elevada capacidade de resistir à umidade e a altas variações nas condições climáticas. É constituída de materiais lignocelulósicos, cujas características são a baixa densidade, a boa flexibilidade no processamento e a facilidade de modificação a agentes químicos, além de ser fonte de recursos renováveis e biodegradáveis (Pannirselvam et al., 2000; Vale et al., 2006). Quanto à sua composição, as fibras são formadas basicamente de celulose, hemicelulose, lignina, pectina e minerais. A celulose é o principal constituinte da estrutura, sendo um polissacarídeo linear de alta massa molecular formado principalmente de glicose, responsável pela estabilidade e resistência das fibras. A hemicelulose é um polissacarídeo formado pela polimerização de vários açúcares (glicose, xilose, galactose, arabinose e manose) e atua como ligante entre a celulose e a lignina (Passos, 2005). A lignina é um polímero complexo responsável pela formação da parede celular. Sua concentração nas fibras influencia na estrutura, na morfologia, na flexibilidade e taxa de hidrólise. As fibras com alto teor de lignina são de excelente qualidade e alta flexibilidade (Passos, 2005). A pectina, um polissacarídeo com função aglutinante, é um dos constituintes da parede celular. Os componentes minerais são os responsáveis pela formação das cinzas após a incineração das fibras (Passos, 2005). As fibras das cascas de coco possuem uma quantidade menor de celulose, contudo, o percentual de lignina é grande, cerca de duas a quatro vezes maior que os valores existentes nas fibras de juta e sisal, tornando-a extremamente vantajosas frente às outras fibras. O teor de lignina nas fibras varia em função da idade do fruto, girando entre 20% nas fibras de coco jovem e de aproximadamente 35% no fruto maduro (Passos, 2005). Estima-se que o Brasil possui uma área plantada de 280 mil hectares de coqueiro, destinados à produção do fruto verde para o consumo da água de coco (Tabela 2.1). As cascas geradas representam 80% a 85% do peso bruto do fruto e cerca de 70% de todo lixo gerado nas praias brasileiras representam cascas de coco verde. Este material tem sido direcionado aos aterros sanitários, com toda a sua matéria orgânica, potenciais emissores de gases estufa Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 7 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica (metano). Assim, proliferando focos de vetores transmissores de doenças, mau cheiro, possíveis contaminações do solo e destruição da paisagem natural (Rosa et al., 2001). Tabela 2.1 - Produção de coco e área produzida nos principais países. País Produção (ton) Área Colhida (ha) Indonésia 19.500.000 2.950.000 Filipinas 15.319.500 3.379.740 Índia 10.894.000 1.940.000 Brasil 2.759.044 287.016 Mundo 60.713.136 11.230.626 Fonte: FAO, 2004. O reaproveitamento de resíduos agro industriais em processos biotecnológicos tem sido uma boa solução na reutilização de materiais que podem conter muitas substâncias de alto valor agregado que, geralmente são rejeitados pelas indústrias, como por exemplo, o bagaço do coco. Oliveira, (2010) isolou um fungo da casca do coco e produziu enzimas celulolícas utilizando o bagaço do coco como substrato avaliando uma linhagem de Trichoderma spp para a produção de enzimas. Em outro trabalho de mesma autoria utilizou o microrganismo Aspergillus niger NRRL 2001e verificou a influência do pH e da temperatura na atividade celulase produzida em meio contendo bagaço de coco verde (cocos nucifera l.) como substrato. 2.2. O Caju O cajueiro (Anacardium occidentale L.) é uma planta tropical, originária do Brasil. Apesar de ser encontrada em quase todo o território nacional, a Região Nordeste é responsável por mais de 90% da produção nacional de caju (Melo Filho, 2002). O verdadeiro fruto do caju, a castanha, é dotado de amêndoa oleaginosa, com teor de óleo de 55 a 60%, 15 a 20% de proteínas e em torno de 5% de carboidratos, é consumida no mercado interno e produto de exportação (Medina et al., 1980). Além de frágil, o pedúnculo é altamente perecível. A vida útil do caju após a colheita, quando armazenado em temperatura ambiente não ultrapassa 48 horas; sob-refrigeração à 5 ºC, com 85% a 90% de umidade Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 8 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica relativa e devidamente embalado, a vida útil do caju é de cerca de dez a quinze dias (Cruz, 1989; Montenegro et al., 2003). O pedúnculo pode ser aproveitado de diversas maneiras, como por exemplo, para a produção de sucos, geléias, cajuína, sorvete entre outros produtos (Aguiar et al., 2000; Paiva et al., 2000). A amêndoa da castanha do caju constitui-se o principal produto de utilização do cajueiro. O líquido da casca da castanha (LCC) e o pedúnculo, entretanto, também são derivados de grande importância no aproveitamento do cajueiro. O pedúnculo é consumido “in natura” ou industrializado sob a forma de diversos produtos. O grande valor nutritivo do pedúnculo é uma característica do fruto (Figura 2.2) sob a forma de vitaminas e sais minerais, nele encontrando-se a vitamina C em níveis quase cinco vezes maiores que na laranja, tendo ainda, entre outros, a presença de cálcio, ferro e fósforo. (Cavalcanti, 2002; Araújo, 1995). Figura 2.2 - Pedúnculo de caju. Fonte: EMBRAPA, 2000. A cajucultura é uma das cultivares mais importantes no Brasil, principalmente na economia nordestina, em razão do fruto se destacar como produto de exportação, além do potencial de agregação de valor por meio do aproveitamento do pedúnculo (Souza et al., 2004). No Brasil, a agroindústria do caju está concentrada na região Nordeste, tendo apresentado em 2008 uma produção anual de 243.253 toneladas, onde os estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte participam com 90% dessa produção (IBGE, 2008). O parque industrial é composto por 12 empresas (8 no estado do Ceará, 3 no Rio Grande do Norte e 1 no estado do Piauí), onde são processadas anualmente até 360 mil toneladas de castanha, gerando 70 mil toneladas de amêndoa de castanha de caju (AAC) e 45 mil toneladas de líquido da casca da castanha (LCC) (Teixeira, 2007). O Ceará representa 50% da área Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 9 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica cultivada de caju no país, sendo responsável pela geração de 30 mil empregos diretos e cem mil empregos indiretos. A utilização de resíduos, bagaços e cascas oriundos de indústriais de alimentos em processos biotecnológicos tem sido uma alternativa eficaz para o seu uso, os quais são descartados sem qualquer tipo de tratamento adequado e agravando os problemas ambientais. O pedúnculo de caju é um exemplo de material que em sua grande parte é rejeitado, como observado por Guedes, (2010), que estudou a influência de pré-tratamentos de dois resíduos lignocelulósicos (bagaço do pedúnculo de caju e casca de coco) utilizados como substratos na indução à síntese de enzimas celulolíticas. Ribeiro, (2010) estudou o extrato enzimático celulolítico produzido por Trichoderma reesei ATCC 2768, utilizando-se bagaço do coco e o pedúnculo de caju. Santos, (2007) observou a produção de pectinases através da fermentação em estado sólido, usando como substrato o pedúnculo de caju seco e como agente da fermentação o microrganismo Aspergillus niger CCT 0916. Deste modo, mostra-se o potencial dos resíduos e bagaços utilizados como substrato para produção de enzimas. 2.3. Fungos Filamentosos Os fungos são seres vivos eucariontes, multicelulares, alguns unicelulares (leveduras) que desempenham diversos papéis na natureza. Como por exemplo, os fungos decompositores, que apresentam um papel importante no ecossistema, decompondo material orgânico, tornando muito dos nutrientes contidos nele disponíveis para outros organismos. A decomposição libera dióxido de carbono na atmosfera e retorna compostos nitrogenados e outras substâncias ao solo, onde eles podem ser utilizados novamente. Suas atividades são tão necessárias para a continuidade da existência do mundo quanto são aquelas dos produtores. Para que haja uma classificação adequada em relação a que filo um fungo pertence, as características macroscópicas e microscópicas devem ser identificadas. Existem características que podem descrever fungos pertencentes a mais do que um filo, sendo algumas dessas específicas. As colônias aveludadas ou pulverulentas são formadas por fungos multicelulares, os fungos filamentosos. O corpo de um fungo filamentoso é composto de longos filamentos de células conectadas, as hifas. Quando elas são divididas em unidades celulares uninucleadas, são chamadas de hifas septadas. Os septos possuem poros que fazem com que o citoplasma Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 10 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica das células se comunique. Em algumas classes de fungos as hifas não têm septos e são denominadas cenocíticas. O conjunto de hifas é denominado micélio. Este pode ser do tipo vegetativo ou reprodutor. No primeiro caso, o micélio libera enzimas digestivas sobre o substrato, permitindo a digestão extracelular do alimento, que depois será absorvido pelo fungo, isso apenas ocorre nas extremidades. Enquanto houver alimento, o fungo permanecerá no mesmo local, crescendo continuamente (Rodrigues e Lacaz, 1992). Os fungos filamentosos podem crescer na faixa entre 1,5 e 11, mas as leveduras não toleram pH alcalino. Muitas vezes, a pigmentação dos fungos está relacionada com o pH do substrato. Os fungos filamentosos atuam com eficiência na degradação de compostos celulósicos devido à produção de enzimas celulases que reduzem as estruturas dos substratos através da hidrólise. As principais celulases atuantes na degradação de material lignocelulósico, a partir da hidrólise, são as endoglucanases, exoglucanases e β-glucosidades (Sun e Cheng, 2002). Essa degradação ocorre devido ao complexo sistema enzimático produzido pelos fungos filamentosos, como Celulases, Hemicelulases, Xilanases, Pectinases, Proteases, entre outros. 2.3.1. Fungo Penicillum chrysogenum Penicillium constituem um grupo de microrganismos que sintetizam grandes quantidades de metabólicos secundários, em certos casos atingem uma produção de 75% a mais que outras classes de microrganismos (Cafêu et al., 2005). As espécies de Penicillium têm uma alta diversificação, tanto na sua morfologia, representada na Figura 2.3, quanto na produção de metabólitos secundários, como exemplo os antibióticos, micotoxinas, antioxidantes, anticancerígenos, inseticidas, herbicidas, enzimas e fungicidas, (Frisvad et al., 2004; Samon et al., 2000). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 11 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica Classificação científica: Reino: Fungi Divisão: Ascomycota Subdivisão: Pezizomycotina Classe: Eurotiomycetes Ordem: Eurotiales Família: Trichocomaceae Gênero: Penicillium Espécie: chrysogenum Figura 2.3 - Ilustração da Placa de Penicillium chrysogenum. Fonte: SUPER NOVA CIÊNCIA, 2012. Porém, algumas espécies desse gênero também são produtoras de micotoxinas. A importância desses compostos tóxicos varia muito de acordo com os fatores ecológicos e biológicos para cada espécie. As espécies Penicillium citrionigrum e Penicillium islandicum produzem toxinas potentes, mas como ambas são raras na natureza, as toxinas produzidas por essas espécies não são consideradas importantes (Pitt, 2002). O Penicillium é microrganismo oportunista de plantas, espécies desse gênero encontram-se amplamente distribuídas, e apresentam impactos negativos e positivos. Muitas espécies de Penicillium são reconhecidas por produzirem metabólicos tóxicos, as micotoxinas mais importantes encontradas em alimentos são ocratoxina A, pantulina, critinina e citreoviridina (Pitt, 2002). Em muitas regiões tropicais e subtropicais, o clima permite a produção agrícola durante o ano todo, porém, essas mesmas condições, alta umidade e ótimas temperaturas também são propícias ao desenvolvimento de fungos. A deterioração de grãos armazenados é um problema para a economia (Ribeiro et al., 2003). Doenças de pós-colheita podem causar grandes perdas em diversos produtos agrícolas. A produção de frutos cítricos Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 12 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica geralmente é produzida em regiões subtropicais, muitas vezes distantes do mercado consumidor, sendo inevitável o seu armazenamento e consequentemente o desenvolvimento dos fungos (Yahyazadeh et al., 2008). Os fungos estão entre os principais fatores que podem prejudicar a comercialização de frutas cítricas, perdas econômicas na produção de citrus podem ser enormes. A indústria de citrus envolve uma grande quantidade de recursos financeiros no mundo todo, existem diversos fatores que podem modificar a produção de citrus, sendo a presença de fungos uma das mais importantes, em particular a presença de fungos como Penicillium italicum e Penicillium digitatum (Gómez-Sanchis et al., 2012). Numerosas espécies do gênero Penicillium apresentam um valor particular, as espécies mais conhecidas nesse aspecto são Penicillium notatum, produtor do antibiótico – penicilina, descoberta por Alexander Fleming em 1928-1929. Na indústria de alimentos destacam-se Penicillium camemberti e Penicillium roqueforti, estes espécies estão relacionada com a produção de determinados tipos de queijos (Chavez et al., 2006). Bhat et al. (1989) encontraram oito endoglicanases em culturas de Penicillum pinophtluma. Entretanto, Lee et al. (2010), estudando uma nova espécie, o Penicillium purpurogenum, encontraram uma endoglicanase. Jorgensen et al. (2003) encontraram três endoglicanases (EGa, EGb1 e EGb2) duas celobioidrolases (CBHa e CBHb) e uma xilanase (XYL) em culturas do P. brasililianum. 31 2.4. Enzimas São proteínas especiais que têm ação catalisadora e são produzidas pelas células, estimulando ou desencadeando reações químicas importantíssimas para a vida, que dificilmente se realizariam sem a presença delas. Esses biocatalisadores orgânicos são produzidos pelas células, mas podem evidenciar a sua atividade intra ou extracelularmente. A característica principal da ação enzimática sobre o organismo é sua especialidade. Cada tipo de enzima atua sobre um composto ou substrato associado, cuja estrutura deve se encaixar à enzima de modo que os centros ativos coincidam perfeitamente. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 13 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica 2.4.1. Celulases O conjunto de enzimas envolvidas na degradação da celulose é denominado celulase, elas são capazes de romper as ligações glicosídicas β-1,4, entre as unidades de glicose. A maioria dos estudos sobre celulase refere-se a enzimas microbianas devido ao potencial de converter material celulósico insolúvel em glicose. A celulase é oriunda de microrganismos, animais e plantas e é formada por C1-celulase, C2-celobiase e exocelulase. De acordo com Peixoto, (2006) as enzimas celulase podem ser divididas em: 1. Endo-β(1-4) glucanase ou β(1-4) D-glucano-4-glucanohidrolase ou Cxcelulase ou CMCase: hidrolisa ligações β(1-4) ao acaso dentro da cadeia de celulose liberando glicose, celobiose e celodextrinas. 2. Exo-β(1-4) glucanase ou Avicelase ou exo glucana-4-glucanohidrolase ou C1 celulase: hidrolisa as ligações glicosídicas da celulose a partir da extremidade não redutora liberando celobiose; 3. Celobiase ou β(1-4) glicosidase: hidrolisa as ligações do tipo β(1-4) (celobiose, trealose, gentiobiose) e libera glicose; 4. Exo-β(1-4) D-glucana-glicohidrolase: hidrolisa as ligações β(1-4) glicosídicas de celodextrinas e libera glicose. A atividade diminui com a diminuição da cadeia do substrato. A Figura 2.4 representa a ação das enzimas que degradam a celulose. Figura 2.4 - Representação do sistema enzimático envolvido na degradação da celulose. Fonte: Adaptado por Aron et al., 2005. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 14 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica Na indústria alimentícia, as celulases são usadas em vários processos, principalmente na extração de componentes do chá verde, proteína de soja, óleos essenciais, aromatizantes e do amido da batata doce. Essas enzimas participam ainda dos processos de produção do vinagre de laranja e do ágar e na extração e clarificação de sucos de frutas cítricas. Na natureza existe uma grande variedade de microrganismos que produzem celulases, mas apenas alguns são capazes de degradar a celulose natural. A maioria das celulases microbianas comercialmente utilizadas é produzida pelas espécies Trichoderma viridae, Aspergillus niger e Penicillum oxalicum. O potencial de mercado destas enzimas tem sido estimado em cerca de 400 milhões de dólares por ano, com crescente aplicação na produção e desenvolvimento de biocombustíveis e na biotecnologia (Zang et al., 2006). A celulase de origem fúngica é produzida quando o microrganismo é inoculado em meios de culturas que contenham celulose, sefarose (polissacarídeo bastante utilizado na produção de resinas para a purificação de proteínas), lactose ou celobiose como fonte de carbono. A maior produtividade é obtida quando se utiliza a celulose na forma pura (cristalina) ou complexada (Peixoto, 2006). Gao et al., (2008) citam a importância do interesse nas celulases e suas aplicações industriais: extração de suco de frutas, indústria de celulose e papel, indústria têxtil etc. A Figura 2.5 esquematiza a estrutura da parede celular e seus principais componentes. Figura 2.5 - Estrutura da parede celular de plantas. Fonte: IPPA, 2008. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 15 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica Entretanto, um grande problema se apresenta referente ao custo de produção da enzima. Na natureza esses microrganismos são bastante eficientes na degradação da celulose, porém os seus extratos enzimáticos não são tão eficazes como in vitro. Desde modo é necessário que haja um pré-tratamento da celulose usando ácido ou base, ou até mesmo moendo, para que haja a destruição das porções cristalinas desse polímero. Assim, a produção de celulases por meio da fermentação semi-sólida seria uma boa alternativa, já que os microrganismos são bons produtores desta enzima. 2.4.1.1. Endoglucanases São enzimas do complexo celulásico, responsáveis pela iniciação da hidrólise, clivando as ligações glicosídicas da cadeia celulósica de forma randômica. Atuam no meio das regiões amorfas, liberando oligossacarídeos de diferentes graus de polimerização, produzindo novas cadeias terminais (Wood et al., 1989; Lynd et al., 2002). A disposição do sítio ativo das endoglucanas facilita o ataque da enzima ao longo da cadeia de celulose, permitindo uma redução no grau de polimerização. Isso ocorre devido à maior exposição das ligações glicosídicas na região amorfa que são mais facilmente atacadas, pois as interações de hidrogênio que ocorrem entre as cadeias são mais fracas (Pinto, 2006; Schülein, 2000). 2.4.1.2. β-glucosidase As β-glucosidases, também denominadas celobiases, possuem a função de hidrolisar a celobiose gerada pelas celobiohidrolase e endoglucanases em glicose. Estas enzimas não são consideradas como celulases legítimas, pois não atuam diretamente na cadeia celulósica, apenas sobre o substrato solúvel. Porém sua presença é muito importante para a eficiência da hidrólise da celulose, pois remove da mistura a celobiose formada (Medve, 1997; MiettinenOinonen, 2007). 2.4.1.3. Exoglucanases Atuam nas extremidades redutoras e não redutoras da cadeia de celulose e oligossacarídeos. Algumas pesquisas mostram que a celobiohidrolase é responsável pela ruptura física do substrato, acarretando a desestratificação das fibras através do aumento das regiões intersticiais. Esse fenômeno transforma as regiões cristalinas em amorfas, tornando-as mais suscetíveis à ação da celulase, aumentando a taxa de hidrólise (Lynd et al., 2002). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 16 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica 2.4.2. Pectinases As pectinases são enzimas capazes de hidrolisar ligações glicosídicas do tipo α-1,4 entre as unidades de ácido galacturônico ou o do seu derivado metoxilado. As pectinases formam um grupo de enzimas que degradam substâncias pécticas, hidrolisando ligações glicosídicas ao longo da cadeia carbônica. Podem ser despolimerizantes ou desesterificantes e são produzidas por plantas, fungos filamentosos, bactérias e leveduras (Figura 2.6) (Bobbio, 1989; Cheftel e Cheftel, 1976; Turquois et al., 1999). Figura 2.6 - Estrutura primária de uma molécula de pectina. Fonte: Alkorta, et al.,1998. As pectinas fazem parte de um grupo de substâncias denominadas de substâncias pécticas, as quais também incluem o ácido péctico, ácido pectínico e protopectina, apresentando-se como um polissacarídeo complexo de alta massa molecular (Campbell et al., 1979). As pectinases foram algumas das primeiras enzimas a serem utilizadas comercialmente nas preparações de vinhos e sucos de frutas ao redor de 1930 e somente a partir de 1960, quando os estudos sobre a natureza química de tecidos vegetais se tornaram mais aparentes, é que os cientistas começaram a utilizar as enzimas mais eficientemente. As pectinas são de grande interesse para indústria de alimentos. Essas substâncias estão sendo utilizados na forma de pó, como ingrediente, devido a sua capacidade de atuar como agentes geleificantes, principalmente na elaboração de geleias. As pectinases são muito utilizadas nas indústrias de sucos de frutas para reduzir viscosidade, melhorar e aumentar a eficiência de filtração e de clarificação no tratamento preliminar da uva em indústrias vinícolas; na maceração, liquefação e extração de tecidos Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 17 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica vegetais; na fermentação de chá, café e cacau, para melhorar a extração de óleos vegetais, na extração de polpa de tomate e no tratamento e degomagem de fibras naturais para as indústrias têxteis e de papel. As pectinases também são utilizadas para reduzir o amargor excessivo em cascas de citrus, restaurar o aroma perdido durante secagem e melhorar a firmeza de pêssego e picles processados. A infusão de pectinase e β-glicosidase aumentam o aroma e as substâncias voláteis de frutas e vegetais, aumenta a quantidade de agentes antioxidantes em óleo de oliva extra virgem e reduz a indução ao ranço (Shen et al., 1999). 2.4.3. Xilanase Xilanases são β-glucanases capazes de catalisar a hidrólise do xilano e que devido à sua estrutura heterogênea demandam complexo xilanolítico para sua total degradação e não apenas uma enzima. As xilanases são divididas em endoxilanases e as 1,4- β-xylosidases. Dependendo de sua origem biológica, uma ou mais isoformas de endo – 1,4-β-xilosidase (1,4β-D-xilano-hidrolase) clivam o xilano randomicamente em suas ligações β-1,4 em pequenos fragmentos como xilotriose e xilobiose. A β-xilosidase (β- D-xilosídeo-xilohidrolase) hidrolisa xilobiose e pequenos xilo-oligossacarídeos em regiões não redutoras até xilose. Endo-xilanases, os maiores componentes do sistema xilanolítico de microrganismos, têm sua ação facilitada por enzimas acessórias que removem as ramificações da cadeia do xilano como a α-L-arabinofuranosidase, α-glucuronidase, acetilxilano esterase e ácido felúrico esterase, entre outras (Prade, 1995; Simão et al., 1997; Zanoelo et al., 2004; Polizeli et al., 2005; Collins et al., 2005). As enzimas xilanolíticas são produzidas por uma variedade de microrganismos, no entanto os fungos são os produtores principais, secretando Xilanases que auxiliam no branqueamento das xilanas. Atualmente, a produção de Xilanases em escala industrial é dominada por espécies de Trichoderma e de Aspergillus (Haltrich et al., 1996; Phan et al., 1998). A importância das enzimas Xilanases está relacionada com seu potencial de aplicação na indústria e sua eficiência nos processos de clareamento de polpa de papel, recuperação de fibras celulósicas têxteis e bioconversão da biomassa em combustíveis e substâncias químicas (Prade, 1995). Na panificação, por exemplo, as Xilanases são adicionadas ao pão para aumentar o seu volume específico, determinando a textura do miolo e seu sabor final (Camacho e Aguiar, 2003). Na fabricação de cerveja ocorre liberação de longas cadeias arabinoxilanas, que aumentam a viscosidade podendo deixar a cerveja turva. As Xilanases Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 18 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica auxiliam na solubilização das arabinoxilanas a oligossacarídeos menores, diminuindo sua viscosidade e conseqüentemente eliminando a turbidez da cerveja. A produção de etanol a partir de pentoses como a xilose é uma maneira viável que vem sendo estudada (Rizzatti, 2004). De acordo com Medeiros, (2007) foi possível verificar o potencial de Xilanases presentes no filtrado de cultura e de xilanases purificadas de Penicillium chrysogenum no processo de branqueamento de polpa celulósica de pseudo caule de bananeiras frutíferas. Justificando o seu potencial para a produção da enzima Xilanase como descrito neste trabalho. 2.5. Fermentação Semi-Sólida A fermentação semi-sólida (FSS) também chamada de fermentação sólida ou em estado sólido vem se destacando nos estudos e avanços obtidos no aproveitamento de resíduos. A FSS é um processo microbiano que se desenvolve na superfície de materiais sólidos, que apresentam a propriedade de absorver ou de conter água, com ou sem nutrientes solúveis. Estes materiais sólidos podem ser biodegradáveis ou não. Para a FSS, é necessário que os microrganismos cresçam com nutrientes difusíveis sob ou sobre a interface líquidosólido, o substrato deve garantir as condições necessárias ao desenvolvimento dos mesmos, para se evitar o gasto com pré-tratamentos severos, e com substâncias que venham a ser adicionadas ao substrato por falta de algum elemento importante (mineral) ao crecimento do microrganismo (Viniegra-Gonzalez, 1997). Este tipo de fermentação se caracteriza por ser de dois tipos: uma, em que as condições para o estado sólido são propiciadas pelo próprio substrato, representado na Figura (2.7). Na outra FSS, o desenvolvimento do processo se dá utilizando um suporte inerte (Couto; Sanromán, 2005; Moraes et al., 2001). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 19 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica Figura 2.7 - Fermentação semi-sólida em frascos Erlenmeyer em BOD. Fonte: Autor. A aplicação comercial da FSS pode ser dividida em dois tipos (Mitchell et al., 2002): a) Aplicações sócio-econômicas, tais como: a compostagem de resíduos, valorização de produtos lignocelulósicos e fibras alimentares; b) Aplicações economicamente lucrativas, tais como: a produção de enzimas, ácidos orgânicos e alimentos fermentados. A FSS apresenta diversas vantagens devido a suas características físicas e químicas, especialmente sua reduzida atividade de água. A FSS difere bastante da Fermentação Submersa (FSm), relativamente à esporulação e produção de enzimas, assim como de metabólitos secundários, bem como no modo de mistura e difusão. É um processo que favorece do reduzido teor de água, gerando um processo industrial limpo, com baixos níveis de água residual, economizando energia no processo de recuperação (“downstream”) (Viniegra-Gonzalez, 1997). De acordo com alguns grupos de pesquisadores, o uso da FSm era melhor, pois, acreditava-se ser ela mais conveniente e mais produtiva. Nos últimos cinquenta anos esses grupos cresceram mais e mais e a FSS foi sendo esquecida. Foi uma decisão mais ou menos arbitrária, pois não levou em conta o conhecimento científico dominado nos dois processos, nem se fez qualquer tipo de comparação efetiva. As razões foram provavelmente a maior facilidade para conduzir o processo de FSm, a monitoração e o controle (Smail et al., 1995). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 20 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica 2.5.1. Vantagens da FSS De acordo com os autores Bramorski (1997) e Lu, Maddox e Brooks (1998) algumas vantagens da FSS em relação a FSm : • O meio é geralmente simples, constituído de produtos agrícolas não refinados que podem conter todos os nutrientes necessários para o crescimento do microrganismo. Isto significa que o pré–tratamento pode ser simplesmente um cozimento, com água para umidificar ou dilatar o substrato, ou a quebra do substrato na superfície para aumentar a acessibilidade aos nutrientes internos ou a moagem de grandes partículas de substrato para partículas menores; • O tratamento de efluentes e disposição de resíduos é geralmente simples ou minimizado. Geralmente todo o produto é utilizado, principalmente se é intencionado ao uso como suplementação alimentar de animais; • O custo de esterilização é reduzido, pois se aquece menos água; • O espaço ocupado pelo equipamento de fermentação é pequeno, considerando-se o rendimento do produto. Utiliza-se menor quantidade de água e o substrato é concentrado; • Como a maioria das bactérias requer altos níveis de mistura líquida, a FSS exclui, ou reduz, sensivelmente, o problema da contaminação bacteriana; • O meio é facilmente aerado, desde que haja espaço entre as partículas do substrato; • A solubilidade e difusão de oxigênio e outros gases, são maiores na FSS; • O resíduo remanescente possui um volume reduzido e este resíduo não apresenta condições para o desenvolvimento de patógenos; • Geralmente, o único componente necessário a ser adicionado ao meio é água, embora, ocasionalmente, outros nutrientes como fonte de nitrogênio ou minerais possam ser adicionados; • Torna-se possível a obtenção de esporos que são impossíveis de se obter em cultura submersa; Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 21 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica • Menor custo dos equipamentos; • Exige menor demanda de energia. 2.5.2. Desvantagens da FSS • Os tipos de microrganismos que podem ser usados são limitados, em função das condições do processo, tais como: baixa concentração de água livre. • Em operações de grande escala, o calor gerado pelo metabolismo microbiano deve ser removido, o que se torna mais difícil na FSS que no processo submerso; • A transferência de oxigênio entre as partículas do meio pode se tornar um problema, quando se utiliza granulometria do substrato muito elevado; • Medidas de pH, O2, CO2 e cálculo de rendimento de produto são mais complexos; • Controle de temperatura é crítico e, muitas vezes, é necessário controlar a composição da atmosfera no que diz respeito a O2, CO2 e outros metabólitos voláteis; • A mistura dificulta o controle de crescimento microbiano e de variáveis como agitação, aeração e concentração de nutrientes e produtos. 2.5.3. Parâmetros que influenciam a produção enzimática por FSS 2.5.3.1. Umidade A umidade do meio de cultivo é um dos principais parâmetros que influencia a fermentação em estado sólido. O tipo de substrato, o microrganismo utilizado e o produto final desejado são os principais fatores que determinam o teor de umidade que o substrato deverá ser presente. O substrato com a umidade adequada deverá apresentar condições para que haja transferência de nutrientes e de oxigênio. No entanto, as partículas devem apresentar aberturas que facilitam a passagem de gases e do calor. Portanto um alto teor de umidade acabaria prejudicando a porosidade do meio, e assim diminuiria as trocas dos gases e aumentaria a Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 22 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica tempetatura interna do meio. Entretanto, se a umidade for muito baixa irá prejudicar o crescimento do microrganismo, portanto irá influenciar no produto final em interesse. A umidade na fermentação sólida pode variar de 18 a 85%, variando em função da capacidade de absorção do meio de cultivo utilizado (Del Bianchi et al., 2001, citados por Lima, et al., 2001). 2.5.3.2. Temperatura O crescimento microbiano gera calor que deve ser dissipado, pois altas temperaturas prejudicam o crescimento dos microrganismos. Um dos problemas da FES é a remoção do calor. O uso da refrigeração mostra-se inadequado para dissipar o calor metabólico (Hasan, 2002). Para que haja um controle do calor, pode-se injetar ar comprimido, controlar a temperatura do equipamento (Schmidell et al., 2001). 2.5.3.3. pH O controle do pH durante a FES é muito difícil de ser realizado devido à heterogeneidade e consistência do material. Uma maneira de controlar a variação do pH é a utilização de substratos com boa capacidade tamponante ou adição de soluções-tampão durante a etapa de umidificação do substrato (Schmidell et al., 2001). 2.5.3.4. Tamanho da partícula O tamanho da partícula é requisito muito importante, pois está diretamente associado as trocas gasosas, ao crescimento do microrganismo e a disponibilidade de recursos para o consumo do microrganismo. Por tanto, é importante a escolha do tamanho das partículas, por que partículas pequenas oferecem uma maior área de contato, o que é importante para o crescimento do microrganismo, porém partículas muito pequenas acabam se aglomerando, dificultando assim a respiração e aeração do meio fermentativo, ocasionando um baixo crescimento do microrganismo. No entanto, partículas maiores favorecem uma melhor respiração e aeração, porém limita o crescimento do microrganismo. Assim é importante determinar o tamanho adequado de partícula para satisfazer a condição respiração/aeração e o crescimento microbiano (Hasan, 2002). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 23 Capítulo2 - Revisão Bibliográfica 2.5.3.5. Concentração inicial do inóculo Sandhya et al., (2005) afirmaram que o tamanho do inóculo é um importante fator biológico, o qual determinará a biomassa produzida pela fermentação. Portanto, uma quantidade adequada de concentração de inóculo, em relação à quantidade de substrato utilizado, é necessária para garantir a fermentação do meio, suprir a necessidade e não esgotar os nutrientes necessários para o desenvolvimento microbiano. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 24 CAPÍTULO III MATERIAL E MÉTODOS Capítulo 3 - Material e Métodos 3. Material e Métodos 3.1. Bagaço de coco A casca e o mesocarpo fibroso foram utilizados para a obtenção do bagaço da casca de coco verde. A coleta foi feita em um quiosque na praia de Ponta Negra- Natal (RN). Após a seleção dos cocos, as etapas do processo foram à dilaceração do material com facão, lavagem, secagem, moagem e armazenamento. A desidratação dos resíduos da casca de coco foi realizada em secador do tipo bandeja a 70 °C por cinco dias, e moído em triturador (moinho tipo Willye, TE – 680, marca: Tecnal), sendo em seguida classificados em peneira de 20 mesh, diâmetro de abertura de 0,850 mm e, posteriormente, armazenados em sacos plásticos à temperatura ambiente. 3.2. Pedúnculo de caju O resíduo do caju foi lavado e esmagado para a retirada da polpa, foi obtido a partir do pedúnculo de caju adquirido de uma empresa produtora de castanhas CIONE, localizada na cidade de Fortaleza-CE. Os frutos estavam maduros e apresentavam coloração vermelha. Os cajus foram lavados em água corrente, o pedúnculo limpo foi triturado e peneirado para separação do suco. O material fibroso foi lavado 15 vezes com 3 L de água a cada lavagem para a retirada dos açúcares (Fawole e Odunfa, 2003). O bagaço úmido foi disposto em bandejas de polietileno e levados a estufa com circulação de ar a temperatura de 70 ºC por um período de 48 horas. Após o término da secagem o resíduo foi peneirado para a separação das partículas maiores. Os dois resíduos secos e com a granolumetria padronizadas foram usados para a caracterização físico-química e como meio para o crescimento dos microrganismos na fermentação semi sólida. Na Figura 3.1 estão respresentados o bagaço do coco verde e o pedúnculo do caju, respectivamente. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 26 Capítulo 3 - Material e Métodos (a) (b) Figura 3.1 - Representação dos resíduos utilizados como substratos: (a) bagaço do coco e (b) pedúnculo de caju. 3.3. Caracterização química e físico-química do bagaço de coco verde e do pedúnculo de caju 3.3.1. Determinação de sólidos totais A metodologia aplicada é da NREL - Determination of Total Solids in Biomass (Sluiter et al., 2008). Em um béquer de 100 mL, previamente tarado, foi pesads cerca de 3 gramas de bagaço. O béquer foilevado para estufa 105 °C por 24 horas. Após esse período, o material então foi colocado em dessecador para efetuar uma nova pesagem. A umidade foi determinada em triplicata e calculada conforme a Equação (3.1). ( ) (3.1) Sendo: % U = percentual de umidade Mseca = massa seca obtida pela diferença entre o peso do conjunto depois da estufa e o peso do béquer. Múmida = massa úmida obtida pela diferença entre o peso do conjunto antes de ser levado para estufa e o peso do béquer. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 27 Capítulo 3 - Material e Métodos 3.3.2. Determinação de extrativos Para a determinação de extrativos método adaptado de NREL - Determination of Extractives in Biomass (Sluiter et al., 2008), foram pesados 3 g de bagaço, que foram submetidos a um tratamento em um aparelho de Soxhlet, utilizando três reagentes e água por último em temperaturas diferentes durante 24 horas. Os reagentes utilizados foram o Diclorometano (50 °C), Etanol/Tolueno (1:2 V/V, 120 °C), Etanol 95% (80 °C) e Água (120 °C). Ao final do processo extrativo, o cartucho com o material seco foi colocado em estufa à 100 °C até peso constante. A percentagem de extrativos foi calculada com base na diferença de massa, conforme a Equação (3.2). (3.2) Sendo: %Ext: percentual de extrativos Mi: massa seca não extraída Mf: massa seca extraída 3.3.3. Determinação de polissacarídeos 3.3.3.1. Hidrólise com H2SO4 (72%) A determinação dos polissacarídeos foi empregado o método da NREL- Determination of Structural Carbohydrates and Lignin Biomass (Crocker et al., 2008). Uma amostra de aproximadamente de 2 g (base seca) foi transferida para um béquer de 100 mL e tratada com 13 mL de H2SO4 72%, sob vigorosa agitação, por 7 minutos em um banho com controle de temperatura a 45,0 ± 0,5 °C. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 28 Capítulo 3 - Material e Métodos A reação foi interrompida com a adição de 50 mL de água destilada, sendo a mistura reacional transferida para frascos Erlenmeyers de 500 mL, onde se completou o volume de água adicionando-se 275 mL. O Erlenmeyer foi fechado e autoclavado por 15 minutos a 1,05 atm. O frasco foi então retirado e resfriado até a temperatura ambiente. O material hidrolisado foi separado dos sólidos por filtração, utilizando-se papel de filtro seco e tarado. O hidrolisado foi recolhido em um balão volumétrico de 500 mL e o sólido contido no papel de filtro foi lavado com porções de 50 mL de água destilada até atingir o volume do balão. 3.4. Determinação de lignina 3.4.1. Lignina insolúvel O material retido no papel de filtro, após a hidrólise ácida, que corresponde à lignina insolúvel e inorgânica, foi submetido a uma lavagem com água destilada até isenção de sulfatos (aproximadamente 1500 mL) e seco em estufa à 50 °C. Por diferença de massa, foi determinado o teor de lignina insolúvel e inorgânico (cinzas). Para se obter o teor de lignina insolúvel real foi necessário se determinar as cinzas do material retido no papel de filtro. 3.4.2. Teor de cinzas da lignina insolúvel e cinzas totais Após a determinação da lignina insolúvel em meio ácido, o resíduo no papel de filtro foi transferido para um cadinho de porcelana previamente tarado. A amostra foi calcinada lentamente até 300 °C, em seguida, por mais duas horas à 800 °C, em mufla. Para a determinação das cinzas totais segui a metodologia proposta em NREL Determination of Ash in Biomass (Templeton et al., 2008), foi pesado aproximadamente 2 g do bagaço em cadinho de porcelana previamente tarado. O material foi digerido em mufla à 300 °C e calcinado à 800 °C por duas horas. Por diferença de peso de massa, o teor de cinzas da lignina insolúvel e das cinzas totais foi determinado de acordo com a Equação (3.3). (3.3) Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 29 Capítulo 3 - Material e Métodos Sendo: % cinzas = porcentual em massa de cinzas Mc = massa de cinzas (diferença entre massa do cadinho com cinzas e a massa do cadinho vazio) Ma = massa da amostra seca (base seca) 3.4.3. Análise do hidrolisado por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE) A determinação dos teores de celulose e de hemicelulose depende das concentrações de carboidratos e de ácidos orgânicos presentes no hidrolisado. Fatores de conversão são usados para converter as massas destes compostos em massas de celulose e hemicelulose (Tabela 3.1). Estes fatores se baseiam na estequiometria de conversão dos componentes em suas moléculas percursoras: celulose ou hemicelulose. A análise dos carboidratos e ácidos orgânicos foi realizada por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE) utilizando a coluna Shim-Pack SCRH-101H (Shimadzu Co. Japan) com detector de índice de refração- IR a uma temperatura de 65 °C, e uma solução de ácido sulfúrico 0,005 M utilizada como fase móvel sob fluxo de 0,6 mL/min. Tabela 3.1 - Tabela de caracterização e os valores de cada componente presente no extrato hidrolisado. Componente Fator de conversão Celobiose 0,95 Glicose 0,9 Xilose 0,88 Arabinose 0,88 Ácido Acético 0,72 HMF 1,29 Furfural 1,37 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 30 Capítulo 3 - Material e Métodos O volume de injeção na coluna foi de 20 µL. As amostras foram previamente filtradas em membranas de 0,22 µm, para remoção de possíveis partículas insolúveis. As concentrações de cada componente foram obtidas através de curvas de calibração que correlacionam as concentrações dos padrões preparados com as respectivas áreas dos cromatogramas. 3.5. Determinação da pectina Os métodos de determinação de pectinas se baseiam na extração por água quente seguida por precipitação com álcool e, após a purificação, pesagem na forma de pectato de cálcio ou ácido livre. Foram pesados 20 g da amostra em um béquer de 1000 mL, adicionando-se 400 mL de solução de HCl 0,05 N levando-se para aquecimento por duas horas a 80-90 °C, recolocandose água quando necessário. Após este período a suspensão foi resfriada até temperatura ambiente e, então, foi transferida para uma proveta de 500 mL completando-se o volume com água destilada. A solução foi filtrada com auxílio de algodão. Do extrato filtrado foi medido 200 mL em uma proveta que foi transferido para um béquer de 1000 mL, acrescentando-se 250 mL de água destilada. A solução foi neutralizada com NaOH 1 N, usando papel indicador de pH. Após a neutralização, foi adicionado 10 mL de NaOH 1 N em excesso, com agitação constante. Essa solução ficou em repouso por uma noite (overnight). No dia seguinte, foi adicionado 50 mL de ácido acético (1 N) e após 5 minutos foram acrescentados 25 mL de solução de CaCl2 (1 N), com agitação. A solução foi colocada em ebulição por 2 minutos e depois deixou-se em repouso por 3 horas. Logo em seguida, a mesma foi filtrada com papel de filtro devidamente tarado. O precipitado foi então lavado com água destilada fervendo, usando-se nitrato de prata para verificar a presença de cloretos. O papel de filtro contendo o pectato de cálcio foi colocado na estufa a 105 °C até peso constante (Rangana, 1979). A pectina foi expressa em % de pectato de cálcio através da Equação (3.4). ( Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 ) ( ) (3.4) 31 Capítulo 3 - Material e Métodos 3.6. Determinação dos minerais Após a determinação do teor de cinzas, os mesmo foram solubilizados com ácido nítrico (10%) e submetidos às análises por Espectrometria de Emissão Ótica em Plasma Indutivamente Acoplado (ICP/OES)-(Tabelas 3.2 e 3.3). Para a determinação dos minerais presentes na constituição dos resíduos. Tabela 3.2 - Condições instrumentais utilizadas no ICP/OES. Parâmetros Condições Potencial do plasma 1150 W Gás refrigerante 4mL/min Gás auxiliar 0,5 mL/min Visão Axial Nebulizador MiraMist Pressão de nebulizador 0,16 μPa Tabela 3.3 - Parâmetros para a identificação dos minerais. Elemento λ (nm) *(LD) **(LQ) Ca 422,673 0,3333 1 Cu 324,754 0,01 0,03 Fe 259,94 0,01 0,03 P 178,29 0,01 0,03 Mg 383,826 0,3333 1 Mn 293,93 0,01 0,03 K 766,491 0,3333 1 Na 588,995 0,3333 1 Zn 213,856 0,01 0,03 *LD-Limite de detecção **LQ-Limite de quantificação. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 Método USEPA 6010C USEPA 6010C USEPA 6010C USEPA 6010C USEPA 6010C USEPA 6010C USEPA 6010C USEPA 6010C USEPA 6010C 32 Capítulo 3 - Material e Métodos 3.7. Microrganismos Um dos agentes de fermentação que foi usado é uma linhagem do fungo filamentoso Penicilllium chrysogenum (807) da coleção ARS Culture Collection – BFPM Research Unit, National Center for Agriculture Utilization Research e um fungo isolado casca do coco. 3.8. Isolamento de uma linhagem fúngica produtora de celulase Um fungo produtor de celulases foi isolado da casca de coco. A linhagem foi inoculada em frascos Erlenmeyer contendo caldo batata-dextrose e incubadas à 30 °C em Incubadora Refrigerada com Agitação orbital a 200 rpm (TE-421, TECNAL). Após 48 horas, as cepas foram transferidas para placas de Petri contendo ágar celulose com a seguinte composição: 0,5 g/L de MgSO4 (sulfato de magnésio); 0,5 g/L de KCl (cloreto de potássio); 3,0 g/L de NaNO3 (nitrato de sódio); 0,01 g/L de FeSO4.7H2O (sulfato de ferro); 1,0 g/L de K2HPO4 (fosfato de potássio); 15 g/L de ágar-ágar; 5,0 g/L de celulose microcristalina. As placas foram incubadas à 30 °C por 120 horas (Braga et al., 2009). As colônias que apresentaram halo foram selecionadas como produtoras de celulases. 3.8.1. Identificação da linhagem fúngica produtora de celulase O microrganismo foi identificada no laboratório BIOTRENDS, localizado em Fortaleza. O microrganismo foi cultivado em placas de Petri contendo o meio Ágar Batata durante 5 dias à 30 °C para ativação e validação de pureza. A cultura foi crescida em meio Caldo Batata por 24 h e utilizada na extração de DNA com o detergente catiônico CTAB (brometo de cetil-trimetilamônio), baseado no protocolo descrito por Warner, (1996). Após quantificação e avaliação de pureza, o DNA genômico foi utilizado nas reações de PCR para amplificação da região compreendendo o espaço Interno Transcrito (ITS1), o gene 5,8S e o espaço Interno Transcrito (ITS2) utilizando os iniciadores ITS1 (5’-CTT GGT CAT TTA GAG GAA GTA A-3’) e ITS4 (5’-TCC TCC GCT TAT TGA TATGC-3’) (White et al., 1990). Os produtos de PCR após serem analisados por eletroforese em gel de agarose foram purificados, quantificados e utilizados nas reações de sequenciamento. Foram realizadas 2 Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 33 Capítulo 3 - Material e Métodos reações de sequenciamento utilizando os iniciadores ITS1 e ITS4. As duas sequências obtidas foram de ótima qualidade e após alinhamento foi possível obter uma sequência consenso com tamanho de 610 pb. 3.8.2. Meio para Triagem em placa de Petri O fungo foi cultivado em meio sintético contendo AVICEL (Fluka Biochemika, Suiça) como única fonte de carbono. A composição do meio é mostrada na Tabela 3.4. Este meio foi esterilizado a 1 atm por 20 min. Tabela 3.4 - Composição do meio de triagem em placas de Petri. Componentes Concentração (g/L) NaNO3 3,0 K3PO4 1,0 MgSO4 0,5 KCl 0,5 FeSO4.7H2O 0,01 Agar 20,0 Avicel 5,0 3.9. Ativação do inóculo Após ser retirado da ampola na qual estava armazenado,o microrganismo Penicillium chrysogenum foi inoculado em placas contendo agar batata dextrose (BDA) que foram incubadas a ± 28 °C por 7 dias sendo, em seguida, realizados repiques em novas placas com a mesma constituição. Os esporos foram retirados das placas adicionando-se 2 mL de água esterilizada. Deste modo, eles eram usados na etapa de ativação e utilizados para o primeiro repique em meio BDA em placas de Petri durante 5 dias à 30 ºC, bem como para a realização do segundo repique para a produção do inóculo da fermentação. Os esporos do segundo repique foram utilizados para obtenção de grande quantidade de esporos no meio de sabugo de milho. Cada repique podia ser mantido sob refrigeração por um período de quatro meses. (Couri; Farias, 1995) Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 34 Capítulo 3 - Material e Métodos Para cada Erlenmeyer de 125 mL foram pesados 4,6 g de sabugo de milho seco e moído e adicionado 6 mL da solução umidificante (solução de nutrientes) foram adicionadas ao sabugo. A fim de preparar a solução umidificante, foi preparada 100 mL de solução de fosfato de potássio monobásico 200 g/L (solução A), 100 mL de solução B contendo 3,96 g de sulfato de zinco heptahidratado e 4,6 g de sulfato de ferro II heptahidratado e 50 mL de solução 56 g/L de peptona. As soluções foram autoclavadas (20 min à 121 °C) e, posteriormente, 0,19 mL da solução A e 0,025 mL da solução B foram adicionadas às 50 mL da solução peptonada. Para inoculação do meio de sabugo de milho foram transferidos 1 mL de uma solução 0,2% (v/v) de Tween 80 para tubos com os microrganismos de segundo repique. Com auxílio de uma alça de platina os microrganismos foram suspensos e transferiuse 1 mL para cada frasco com o sabugo. Os frascos foram agitados e incubados em estufa à 30 ºC por um período de 5 dias. Após este período os frascos foram armazenados sob refrigeração e utilizados como inóculo nos ensaios de fermentação. 3.9.1. Obtenção da solução de esporos e preparo do inóculo No processo fermentativo, houve a padronização da quantidade de esporos inoculados, tudo para que não houvesse diferença a mais ou a menos no crescimento do microrganismo e para que as atividades enzimáticas não ficassem tão diferentes. O repique do fungo foi feito em câmara de fluxo laminar, sendo que a obtenção do inóculo para a FES foi realizada através da propagação dos esporos da cepa de Penicillium chrysogenum e do fungo isolado, utilizando meio de cultura com Agar-agar e PDA (Potato Dextrose Agar) em Erlenmeyers de 125 mL autoclavados. Antes de inocular os esporos, 6 mL de uma solução umidificante (solução de nutrientes) foram adicionadas ao sabugo. A fim de preparar a solução umidificante, foi preparada 100 mL de solução de fosfato de potássio monobásico 200 g/L (solução A), 100 mL de solução B contendo 3,96 g de sulfato de zinco heptahidratado e 4,6 g de sulfato de ferro II heptahidratado e 50 mL de solução 56 g/L de peptona. As soluções foram autoclavadas (20 min à 121 °C) e, posteriormente, 0,19 L da solução A e 0,025 mL da solução B foram adicionadas às 50 mL da solução peptonada. A inoculação do microrganismo ocorreu com a transferência de 1 mL de solução Tween 80 a 0,2% (p/v) para as placas contendo o fungo. Com o auxílio de uma ponteira, raspou-se a superfície do meio com o objetivo de descolar os esporos aderidos ao meio BDA. Coletou-se 1 mL da solução de Tween contendo esporos e transferiu-se para o meio com Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 35 Capítulo 3 - Material e Métodos sabugo, tomando-se o cuidado de distribuí-lo bem por todo o substrato e foram incubado no DBO à 30 °C por cinco dias. Após esse período foi obtida a solução de esporos, pela adição de solução com Tween 80 a 0,2% (p/v) sob agitação. A contagem dos esporos foi realizada em câmara de Neubauer, com auxilio do microscópio binocular (modelo BX 51, OLYMPUS). A concentração de esporos utilizada como inóculo foi de 1×106 esporos/g de meio sólido (Coelho et al.,2001). Após realizar as contagens, a quantidade de esporos por mL foi calculada. A quantidade média de esporos foi dividida por 2 para representar um dos lados da câmara e multiplicada pelo fator 10.000. Esse fator corresponde a transformação do volume de 0,1 μL por lado da câmara para se determinar o número de esporos presentes por mL de suspensão, como representado na Equação (3.5). ( ) (3.5) 3.10. Processo de Fermentação As fermentações foram realizadas em Erlenmeyer de 250 mL de volume contendo 5 g de material composto por bagaço de coco quando o microrganismo utilizado foi o Penicillium chrysogenum e o fungo isolado, houve fermentação com uso de metade de bagaço de coco e metade com resíduo de caju, ou seja, 2,5 g de bagaço de coco com 2,5 g de bagaço de caju, apenas o Penicillium chrysogenum foi utilizado nessa fermentação e autoclavados a 1,0 atm (121 ºC) durante 15 min. 3.10.1. Condições da Fermentação Foram pesados 5 g do substrato em base seca adicionados 5 mL do inóculo com uma concentração de 1,0 x 106 esporos/mL (Coelho et al.,2001) e uma quantidade da solução salina nutriente (0,1%, nitrato de amônio 0,1% e sulfato de magnésio heptahidratado 0,1% (p/v), com pH corrigido para 3, 5 e 7 com ácido clorídrico 3 M e hidróxido de sódio 0,1 M) Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 36 Capítulo 3 - Material e Métodos que variava de acordo com a umidade desejada (66, 70,5 e 75%), onde os volumes variados foram de 5, 7 e 10 mL respectivamente. As fermentações ocorreram em frascos do tipo Erlenmeyer de 250 mL, essas medições foram de acordo com o planejamento experimental. Os frascos foram esterilizados e então os microrganismos inoculados e incubados em BOD à 30 °C. Após 120 horas de fermentação foi realizada a etapa de extração do complexo enzimático. 3.11. Cinética da Fermentação Tendo em vista as condições estabelecidas nas fermentações preliminares, realizadas de acordo com o planejamento experimental, foi acompanhada a cinética de produção enzimática por um período de 10 dias à temperatura ambiente de 30 ± 2 ºC em BOD, sendo realizadas amostragens a cada 24 horas. As amostras foram analisadas determinando-se as atividades de Celulases, Xilanase, açúcares redutores totais, proteínas totais e celulose residual. . 3.12. Extração das enzimas A extração das enzimas ao término da fermentação foi realizada com adição de 4 mL de solução tampão acetato 200 mM (pH 4,5) por grama de bagaço utilizado no processo fermentativo, ou seja 20 mL no total, agitando-se manualmente com um bastão de vidro durante 1 hora em banho-maria à 30 °C. A separação de células e do caldo contendo as enzimas foi realizada por filtração com papel de filtro, o material filtrado foi centrifugado em seguida por 20 minutos a 3500 rpm à 4 °C. O sobrenadante foi recuperado e armazenado a 18 ºC para posterior análise das atividades enzimáticas. Todos os ensaios foram realizados em duplicata. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 37 Capítulo 3 - Material e Métodos 3.13. Determinação da enzima Celulase 3.13.1. Determinação da atividade CMCase (Endo-1,4-β-Dglucanase) A atividade celulolítica da endoglucanase (Endo-1,4-β-Dglucanase) foi determinada pelo método da carboximetilcelulose (CMC) de acordo com a metodologia adaptada de Ghose (1987). Uma solução de carboximetilcelulose (CMC) 4% (p/v) era preparada em tampão citrato de sódio 50 mM (pH 4,8). Uma alíquota de 0,5 mL desta solução foi adicionada em tubo de ensaio e levada a banho termostático à 50 °C por 1 minuto para equilibrar a temperatura. O mesmo volume (0,5 mL) de solução enzimática foi adicionado e a mistura foi incubada no banho-maria à 50 °C por 10 minutos. A solução final foi analisada pelo método do DNS, usando a solução de CMC (4%) como branco. Determinou-se o teor de açúcar na solução enzimática antes da reação realizando-se, para tanto, a mesma diluição com tampão citrato de sódio 50 mM pH 4,8 que foi realizado na mistura reacional com a solução de CMC. Sendo a atividade enzimática expressa em U.mL⁻¹. A atividade enzimática foi expressa em UI (μmol de produto liberado/minuto), conforme Equação (3.6). ( ) ( ( ) (3.6) ) * Apenas se for necessário diluir o sobrenadante (solução de enzima) ** Fator obtido da curva padrão A concentração da enzima foi expressa por UI/mL, conforme as Equação (3.7) e (3.8). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior ( ) ( ) janeiro/ 2014 ( ) (3.7) 38 Capítulo 3 - Material e Métodos (3.8) * Apenas se for necessário diluir o sobrenadante (solução de enzima) ** Fator obtido da curva padrão 3.14. Determinação da atividade FPase A quantificação da atividade FPásica foi realizada em papel de filtro de acordo com a metodologia adaptada de Ghose (1987). O substrato utilizado foi o papel de filtro Whatman N°. 1 cortado em tiras de 1,0 x 6,0 cm. O substrato foi colocado em tubos de ensaio e adicionado 2,0 mL de 0,05 mol.L-1 de tampão citrato pH 4,8 e 1 mL do extrato enzimático (diluído quando necessário) e incubado em banho-maria (Nova Instruments, NI 1232) à 50 ºC por 60 minutos. A reação foi interrompida pela retirada de 1 mL da mistura e adicionada a tubos de ensaio contendo 1,0 mL de DNS, terminando a reação de formação de açúcares. A determinação dos mesmos foi feita segundo metodologia adapatada de Miller (1959). Uma unidade de atividade em papel de filtro (FPU) corresponde a 1 mol de açúcares redutores, expresso como glicose, liberados por minuto. Como representado nas equações 3.7 e 3.8. 3.15. Determinação da atividade da β –glicosidase Em pequenos tubos de ensaio foi adicionado 1,0 mL do caldo contendo enzima, diluída em tampão citrato de sódio pH 4,8 à 50 ºC, adicionando-se 1,0 mL da solução do substrato celobiose, misturando-se e depois incubado em banho-maria (Nova Instruments, NI 1232) à 50 °C por 30 minutos. A reação foi interrompida pela imersão do tubo em água fervente por 5 minutos. Transferiu-se o tubo para um banho em água fria e determinou-se a glicose produzida usando um kit baseado na reação de glicose oxidase-peroxidase (GODPOD). Foi adicionado 1,0 mL do sobrenadante (diluído se necessário) em tubos já contendo 1mL de tampão citrato de sódio. Pipetou-se 10 µL da mistura em um tubo contendo 1 mL do reagente GOD-POD. Realizando-se a determinação da glicose. O branco para zerar o espectrofotômetro (Termo Spectonic, Genesys 10 uv), era constituído de 1mL do reagente GOD-POD. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 39 Capítulo 3 - Material e Métodos A partir da concentração de glicose foi determinada a atividade enzimática (UI/mL). Uma unidade de atividade β-glucosidásica (UI) foi definida como a quantidade de enzima que catalisa a liberação de 1 μmol de glicose por minuto,medida por espectrofotometria (leitura a 505 nm) sob as condições de ensaio padrão. 3.16. Determinação da atividade da Xilanase A atividade da Xilanase foi determinada pela liberação da quantidade de açúcar redutor de uma solução a Xilana (1%) (Sigma) preparada em solução tampão citrato de sódio 0,05 mol.L-1, pH 5,0, à 50 ºC. A mistura reacional consistiu de 2 mL de uma solução de xilana, aclimatada por 10 minutos na temperatura da reação e 1 mL do complexo enzimático, previamente diluído segundo a necessidade. A reação processou-se em tubos incubados a 50 ºC por 30 minutos em banho-maria (Nova Instruments, NI 1232). A reação foi interrompida pela retirada de 1 mL da mistura que foi adicionada a tubos de ensaio contendo 1 mL de DNS, parando a reação de enzimática. A quantidade de açúcar redutor liberado foi determinada pelo método de DNS (Miller, 1959). Uma unidade (UI) de atividade enzimática correspondeu a 1μmol de xilose liberada por minuto medida por espectrofotometria (leitura a 540 nm) nas condições de ensaio. 3.17. Determinação da atividade da Avicelase Em tubos de ensaio, adicionou-se 1mL da solução de Avicel 101 (1%). O volume final do ensaio podia variar, no entanto, mante-se uma proporção de 1:1 entre as quantidades de sobrenadante e solução de substrato (AVC), em banho-maria (Nova Instruments, NI 1232) à 50 °C sob agitação por 1 minuto para equilibrar a temperatura. Adicionou-se 1mL do sobrenadante (solução de enzima) diluindo-se quando necessário, que foi incubado em banhomaria à 50 °C por 2 horas, em seguida centrifugando-se os tubos por 5 minutos em centrífuga (Centrifuge 5804 R, EPPENDORF), retirando-se da amostra 0,5 mL e adicionando-se 2,5 mL de DNS. A determinação de açúcares redutores foi realizadopelo método do DNS. O branco foi feito para zerar o espectrofotômetro. Adicionando-se 0,5 mL de AVC (1%) e 2,5 mL de reagente DNS. O tempo zero foi feito para determinar a concentração de açúcares redutores no sobrenadante, antes da ação da enzima no AVC (1%). Transferiu-se 0,5 mL do sobrenadante para tubos de ensaios contendo 0,5 mL de tampão acetato de sódio 50 mM pH Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 40 Capítulo 3 - Material e Métodos 5,0. Agitou-se e transferiu 0,5 mL da solução obtida para tubos contendo 2,5 mL de reagente DNS. Realizou-se a determinação de açúcares redutores. 3.18. Determinação da atividade da Pectinase A metodologia para determinação da atividade da pectinase foi a mesma descrita por Rodríquez –Fernández (2007). Em tubos de ensaio foram adicionados 0,9 mL da solução pectina 0,5% em tampão citrato 0,1 M para pH 4, incubado em banho-maria (Nova Instruments, NI 1232) à 50 ºC durante 5 min. Adicionar 0,1 mL do extrato contendo a enzima. Agitando-se imediatamente os tubos. A reação foi incubada à 50 ºC durante 15 min adicionou 2,5 mL de DNS e imediatamente agitou-se. Os tubos de ensaio foram colocados em um banho-maria com água fervendo durante 5 minutos, após os 5 minutos os tubos foram resfriados até temperatura ambiente e adicionados 2,5 mL de água destilada em cada tubo de ensaio. As amostras foram lidas em espectrofotômetro (Termo Spectonic, Genesys 10 uv) utilizando o comprimento de onda 540 nm. A unidade de atividade foi determinada com a quantidade de ácido galacturônico liberado por mililitro por minuto (mmolmL-1 min-1) nas condições estabelecidas. Para o cálculo da atividade enzimática, os açúcares liberados pela reação enzimática foram determinados utilizando o método do ácido dinitrosalicílico (Miller,1959). As amostras foram lidas no espectrofotômetro (540 nm). Uma curva padrão do ácido galacturônico 0,001%, foi construída tomando volumes diferentes da solução de ácido galacturônico (0,2 - 0,8 mL) e completando-se o volume com água destilada até 1 mL. O branco foi feito adicionando-se 1mL de água destilada num tubo de ensaio. Foi adicionado 2,5 mL do reativo DNS em cada tubo de ensaio. Um gráfico de D.O. (densidade óptica) versus concentração (concentração do ácido galacturônico) foi também obtido o coeficiente angular (m) e o intercepto da reta (n), onde foram calculados por mínimos quadrados, e considerados na equação (3.9). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 41 Capítulo 3 - Material e Métodos A atividade da pectinase será calculada pela Equação (3.9). ( ) ( )( ) (3.9) A: Atividade enzimática (U/mL). DO: Densidade óptica da amostra. m: Coeficiente linear da curva padrão (mmol de Ac. Galact./mL). n: Interseção da curva padrão. VR: Volume de reação (1 mL). Va: Alíquota do extrato enzimático (0,1 mL). t: Tempo de reação (min). d: Diluição. 3.19. Determinação de açúcares redutores Durante o cultivo, a determinação de açúcares redutores foi realizada pelo método do ácido 3,5 –dinitrosalicílico (Miller, 1959). A determinação da concentração de açúcares redutores foi feita adicionando-se 0,5 mL da amostra a 0,5 mL do reagente DNS em tubos de Folin-Wu que foi deixado para um banho em água fervente por 10 minutos. Após este tempo, resfriava-se os tubos em banho com água em temperatura ambiente e completava-se o volume a 2,5 mL com água destilada, os quais eram homogeneizados e, a seguir, efetuava-se a leitura da absorbância. A calibração do zero no aparelho foi feita utilizando um teste em branco, em que 1 mL de água destilada substituía a amostra, seguindo o mesmo procedimento. O método foi previamente padronizado por uma curva de calibração de glicose (0,1 a 1,0 mg/mL com intervalos de 0,1 g/L). As leituras foram realizadas a 540 nm em espectrofotômetro (Termo Spectonic, Genesys 10 uv). 3.20. Determinação da quantificação de proteínas por Bradford O conteúdo total de proteína do soro de leite foi quantificado a partir de uma curva padrão tendo como referência lisozima usando o método do Biureto (Gornal; Bardawill; David, 1949). Nesse caso foi utilizado um espectrofotômetro UV-Visível (Thermo Spectronic modelo Genesys 10uv). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 42 Capítulo 3 - Material e Métodos A reação de Biureto é um método que pode ser usado para determinar a quantidade de proteína solúvel em solução. O reagente Biureto (sulfato de cobre em uma base forte) reage com bandas peptídicas mudando a cor da solução. O espectrofotômetro é usado então para medir a intensidade da cor resultante: quanto mais escura a solução, mais proteína solúvel em solução. Utilizou-se 1 mL da amostra pronta e adicionou-se 1,5 mL do reagente de Bradford. O conteúdo de todos os tubos foi agitado, logo após ficou em repouso em temperatura ambiente por 15 minutos em seguida, efetuou-sea leitura de absorbância em espectrofotômetro a 595 nm. A curva padrão que correlaciona valores de absorvância ao conteúdo protéico de soluções foi obtida utilizando-se albumina bovina sérica, como padrão, em concentrações na faixa de 0,1 a 1 mg/mL com intervalos de 0,1 mg/mL. Os pontos da curva padrão foram submetidos às mesmas etapas que as amostras dos extratos enzimáticos, para sua quantificação. 3.21. Determinação da celulose residual O conteúdo de celulose das culturas foi determinada pela metodologia (Updegraff, 1969) com adaptações. Um grama da cultura (do resíduo fermentado) foi pesado e suspenso em solução de ácido nítrico, ácido acético (6 mL: 150 mL de 80% ácido acético com 15 mL de ácido nítrico puro) e fervido durante 30 minutos em banho-maria. O sobrenadante foi removido com uma pipeta Pasteur. Os peletes foram aferridos, após arrefecimento e centrifugação (3000 x g, durante 20 min), as pelotas foram lavadas com água destilada (10 mL), e a celulose residual foi seco à 70 °C sob pressão reduzida até peso constante. Cada valor medido de conteúdo de celulose residual é uma média de duas repetições de cada amostra de cultura. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 43 Capítulo 3 - Material e Métodos 3.22.Planejamento Experimental Com o objetivo de verificar a influência das variáveis: umidade e pH, foi elaborado um planejamento experimental fatorial 22, sendo então dois fatores e dois níveis para cada fator com três repetições no ponto central como mostra a Tabela (3.5). Os níveis das variáveis independentes que serão utilizadas é na ordem crescente (-1, 0, +1), para umidade inicial 66%, 70,5% e 75% e para o pH serão 3, 5 e 7. Foi usado o programa computacional STATISTICTM (versão 7.0, da StatSoft, Inc.) para calcular os efeitos principais das variáveis e suas interações, bem como os dados relativos à Análise de Variância (ANOVA). A metodologia de superfície de resposta foi usada para avaliar as condições da FES. Tabela 3.5 - Ensaios do planejamento fatorial ( 22 ). Ensaio pH Umidade (%) 1 3,0 (-1) 66,0% (-1) 2 3,0 (-1) 75,0% (+1) 3 7,0 (+1) 66,0% (-1) 4 7,0 (+1) 75,0% (+1) 5* 5,0 (0) 70,5% (0) 6* 5,0 (0) 70,5% (0) 7* 5,0 (0) 70,5% (0) *Ponto central O objetivo principal do planejamento fatorial para o fungo isolado e para o fungo Penicillium chrysogenum, variando o pH e a umidade para avaliar a produção das enzimas em meio contendo apenas coco, e uma mistura de coco e caju. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 44 Capítulo 3 - Material e Métodos A Tabela 3.6 - mostra a proporção utilizada do bagaço do coco e do pedúnculo de caju usados nos experimentos e qual o microrganismo que foi inoculado para realização das fermentações seguindo o planejamento fatorial. Tabela 3.6 - Proporção da matéria prima e microrganismo utilizado nas fermentações. Bagaço do coco (g) Pedúnculo de caju (g) Microrganismo utilizado 5 0 Fungo isolado 5 0 Penicillium chrysogenum 2,5 2,5 Penicillium chrysogenum Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 45 CAPÍTULO IV RESULTADOS E DISCUSSÃO Capítulo 4 – Resultados e Discussão 4. Resultados e Discussão 4.1.Caracterização dos resíduos: Bagaço do coco e pedúnculo de caju A caracterização é importante para se conhecer a composição dos resíduos com relação ao conteúdo de nutrientes e a composição química dos resíduos, que são importantes na síntese das enzimas e para o crescimento dos microganismo no subtratos. Os valores de celulose, hemicelulose, lignina e pectina são apresentados na Tabela (4.1) esses valores são importantes para que se possa compreender a composição da matéria prima usada nas fermentações, pois, o bagaço do coco o pedúnculo de caju foram usados como subtratos para o crescimento de um fungo isolado e para o fungo filamentoso Penicillium chrysogenum, as fermentações permitiram determinar o potencial de produção de enzimas desses microrganismos, e a caracterização desses materias é uma maneira de informar a quantidade de uma fonte de carbono e de nitrogênio. Tabela 4.1- Caracterização do bagaço do coco verde e do pedúnculo de caju. Análises Bagaço do coco verde Pedúnculo do caju Teor de Umidade (%) 9,24 ± 0,14 5,36 ± 0,30 Teor de Extraíveis (%) 25,39 ± 0,24 6,24 ± 0,47 Teor de Cinzas (%) 0,46 ± 0,02 0,54 ± 0,30 Lignina Total (%) 36,23 ± 0,12 30,04 ± 0,65 Hemicelulose (%) 23,79 ± 0,31 16,77 ± 0,98 Celulose (%) 39,09 ± 0,48 15,91 ± 1,09 Pectina (%) 1,64 ± 0,06 15,24 ± 0,48 O bagaço e o pendúnculo são matérias orgânicas vegetais ricas em polissacarídeos (açúcares complexos), como a celulose e hemicelulose, compostos encontrados nas paredes celulares das células vegetais. Também está presente a lignina (biomassa lignocelulósica). Esses três materiais juntos constituem mais de 75% da biomassa vegetal e conferem resistência mecânica à planta. O restante da biomassa é composta por substâncias como proteínas, óleos vegetais e minerais. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 47 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Os extraíveis do material vegetal, tais como ceras, álcoois, lipídeos, esteroides, ácidos graxos, hidrocarbonetos e flavonoides, não foram contabilizados por que não era o interesse no estudo aqui apresentado, no caso o teor de extraíveis do bagaço do coco foi de 25,39% e do pedúnculo de caju foi de 6,24%. Alguns desses compostos extrativos podem ser tóxicos. Essas moléculas podem variar de acordo com a espécie analisada e o processamento ao qual será submetido o material vegetal. O restante dos materiais são considerados substâncias nãoextrativas, pois compõem as cinzas que restam quando a matéria orgânica é queimada, o teor de cinza do bagaço do coco foi de 0,46% e do pedúnculo do caju foi de 0,54%. Esses compostos são inorgânicos, conhecidos como sais ou minerais, como potássio, sílica, manganês, sódio, cálcio, entre outros. A composição das substâncias não-extrativas depende das condições de solo, de clima e meio ambiente. Os valores de umidade, extraíves, cinzas, lignina, hemicelulose e pectina, foram quantificados para determinar a composição dos resíduos bagaço do coco e do pedúnculo de caju. O teor de extraíveis é importante para que não seja contado como teor de lignina. A composição do pedúnculo do caju e do coco variam largamente em função da variedade, do estado de maturação, do tamanho, da duração da colheita e de variações ambientais regionais, entre outros fatores. De acordo com os resultados esses dois materiais que na sua maior parte são descartados, são constituídos de altos teores de celulose, hemicelulose, lignina total e pectina, desde modo não há necessidades de grandes complementos nutricionais para o crescimento e o desevolvimentos dos microrganismos usados nas fermentações. A composição do bagaço do coco de acordo com Rosa et al, (2001) apresentou as seguintes porcentagens de lignina (35 a 45%), celulose (23 a 43%) e de hemicelulose (3 a 12%), comparando com os resultados obtidos com o do autor, confirma-se que o bagaço de coco é um excelente material lignocelulósico, apresentando uma porcentagem de celulose de 39,09%, conferindo uma boa resistência e flexibilidade ao material, o teor de hemicelulose foi de 23,79%, revelando a sua alta resistência a ataques químicos e enzimáticos e o teor de lignina total encontrado foi 36,23% por não ter sido realizado qualquer tipo de pré-tratamento no bagaço, o teor de lignina foi alto, podendo ocasionar uma limitação no crescimento de microrganismo ou até inbir e se comparado ao valor do autor, o valor encontrado está de acordo. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 48 Capítulo 4 – Resultados e Discussão De acordo com a de Gouveia et al, (2009) para a caracterização do pedúnculo de caju, as porcentagens de celulose (20,56%), hemicelulose (10,17%) e lignina (35,26%), comparando com os valores encontrados a porcentagem de celulose foi de 15,91% confirmando a sua resistência e flexibilidade, a porcentagem encontrada de hemicelulose foi de 16,78%, assim como o bagaço do coco o pedúnculo é resistente a ataques químicos e enzimáticos, já o teor de lignina encontrado foi de 30,04% pelo seu alto teor encontrado, tanto no bagaço do coco quanto no pedúnculo de caju a presença de lignina pode dimuir ou até mesmo nem permitir o crescimento de microrganismos, dificultando a ação das enzimas sobre os materiais, desde modo os valores encontrados por este autor é semelhante ao encontrado aqui descrito, comprovando que o bagaço de coco e pedúnculo de caju são ricos em celulose e apesar dos teores de lignina terem sidos altos, o fungo isolado e o fungo Penicillium chrysogenum conseguiram se desenvolver e produzir enzimas. 4.2. Determinação dos minerais no bagaço do coco verde Os minerais foram quantificados após a determinação do teor de cinzas, os mesmo foram solubilizados com ácido nítrico 10% e submetidos às analises por ICP/OES. Todos os ensaios foram realizados com três repetições e os valores apresentados são uma média dos resultados obtidos. Segundo os autores Brígida et al, (2010) e Kämpf e Fermino (2000) a composição elementar depende consideravelmente da composição do solo onde a cultura do coco está sendo produzida, a época do ano e a quantidade de chuvas. A Tabela 4.2 mostra a composição mineral para o bagaço do coco. A determinação dos minerais serve para verificar a ausência ou o execesso de um determinado componente, por que alguns minerais são tóxicos aos fungos quando estão presentes em excesso. No caso de algum componente em falta ou em baixa concentração torna-se necessário a suplementação de algum componente quando for inocular o microrganismo. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 49 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Tabela 4.2 - Determinação dos minerais no bagaço do coco verde. Mineral Valor (mg/L) Ni ND Pb 1,35 Mn 19,12 Cd 0,182 Cu 11,97 Zn 13,72 Cr 0,825 Fe 60,99 *ND – Não determinado O valor de Cu presente no bagaço do coco pode estar relacionado com uma possível contaminação durante o processo de conservação adotado ou também com a origem do coco.No entanto, as concentrações de Fe e Mn variam muito, essas variações nesses elementos podem estar associadas ao tipo de solo. O teor de zinco presente nas cinzas do bagaço do coco pode ser devido a possíveis processos galvânicos utilizados por algumas indústrias em suas atividades, localizadas próximas às áreas de cultivo ou ao ponto de venda (Gonçalves, 2008). Outra hipótese é a drenagem urbana, carreando zinco presente no solo como fertilizante agrícola. A adição global de zinco no solo através de fertilizantes é da ordem de 260 a 1.100 ton/ano (Campos et al., 2005). O elemento cromo também se mostrou presente nas amostras do bagaço do coco, essa presença pode ser em decorrência de indústrias de ligas metálicas que possam estar contaminando os solos. O teor de chumbo presente pode ser devido ao tráfego intenso na região que libera vapores de chumbo para a atmosfera, os quais são depositados na superfície através das chuvas por exemplo, à ocupação urbana desordenada, as quais lançam esgoto no rio e deste modo contaminando os mesmos. O cádmio é encontrado na natureza quase sempre junto com o zinco, em proporções que variam de 1:100 a 1:1000, na maioria dos minérios e solos, na agricultura uma fonte direta de contaminação pelo cádmio é a utilização de fertilizantes fosfatados. Sabe-se que a captação de cádmio pelas plantas é maior quanto menor o pH do solo (solo do cerrado). Portanto as chuvas ácidas são um fator determinante no aumento da concentração do Cádmio nos produtos agrícolas. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 50 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Os principais metais pesados presentes no solo e nos produtos utilizados na agricultura são Co, Cd, Cr, Cu, Fe, Hg, Mn, Ni, Pb, Sn e Zn (Abreu et al., 2002). Entre esses, deve-se ressaltar que alguns são essenciais às plantas (Cu, Fe, Mn, Mo, Ni, e Zn), bactérias fixadoras de nitrogênio (Co e Mo), animais (Co, Cr, Cu, Fe, Mn, Mo, e Zn) e microrganismos (Co, Cr, Cu, Mg, Mn, Ni, e Zn). A contaminação dos solos por metais pesados pode ter origem natural ou antropogênica, sendo esta a principal razão do aumento crescente dos metais pesados nos solos, provocando distúrbios muitas vezes de difícil recuperação para o ambiente (Abreu et al., 2002). As plantas acabam absorvendo esses metais que são transferidos para as folhas, frutas e outras partes. Cooley et al, (1986) observaram que o metal pesado cádmio em dosagens maiores causa efeitos deletérios sobre o metabolismo celular e progressiva inibição da esporulação do fungo, deste modo pode-se concluir que os metais pesados (cádmio e chumbo) presentes no bagaço do coco não irão prejudicar o crescimento dos microrganismos nas fermentações utilizando o bagaço do coco como sustrato devido as baixas concentrações. Uma propriedade importante das enzimas celulolíticas é sua capacidade de ser influenciada por outras moléculas, especialmente metais, sejam sofrendo efeitos inibitórios ou indutores. Dentre os íons avaliados, os que inibem mais frequentemente as celulases são Hg+2, Cu+2, Ag+ e Zn2+, que chegam a provocar até a perda total da atividade catalítica, estando presentes em concentrações tão baixas quanto 2 mM (Lima et al., 2005). 4.3. Determinação dos minerais do pedúnculo de caju Os teores de minerais foram determinados por espectrometria de emissão atômica com fonte de plasma indutivamente acoplado – ICP/OES, segundo AOAC, 2000, com mineralização por via seca acordo com a amostra. Os dados dos mineirais do pedúnculo de caju foram obtidos da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Taco, 2011). Diversos meios de suplementação são descritos na literatura com o objetivo de suprir as necessidades nutricionais microbianos em termos de carbono, nitrogênio, fósforo, minerais e vitaminas são utilizados (Aguiar e Menezes, 2000). Em relação ao sistema celulolítico da maioria das linhagens fúngicas, este precisa ser induzido pela presença do substrato. Gong e Tsao (1975) relataram diversas fontes de celulose complexa (ex: bagaço de cana e resíduos lignocelulósicos), gentibiose, soforose e lactose como indutoras da produção de celulases em Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 51 Capítulo 4 – Resultados e Discussão fermentação submersa. No entanto, a resposta das células fúngicas aos diferentes meios varia dependendo da concentração e tipo de indutor, tornando necessário o conhecimento das exigências nutricionais do microorganismo com o intuito de estimular a síntese enzimática. A Tabela 4.3 mostra a composição mineral para o pedúnculo de caju. Os minerais contemplados são: cálcio, ferro, magnésio, manganês, fósforo, sódio, potássio, cobre e zinco. A determinação dos minerais é importante para verificar a ausência ou o execesso de um determinado mineral, pois, alguns minerais são tóxicos aos fungos quando estão presentes em excesso. No caso de algum componente em falta ou em baixa concentração torna-se necessário a suplementação de algum componente quando for inocular o microrganismo. Tabela 4.3 - Determinação dos minerais no pedúnculo de caju. Mineral Valor (mg/100 g) Ca 1 Mg 10 Mn 0,12 P 16 Fe 0,2 Na 3 K 124 Cu 0,07 Zn 0,1 Fonte: TACO, 2011. A disponibilidade dos nutrientes para as plantas vai depender das entradas e saídas dos elementos no solo e das transformações que aí ocorrem. A conversão entre formas orgânicas e minerais, imobilização e mineralização, operada por organismos do solo, é uma componente importante na ciclagem do nitrogênio, fósforo, enxofre e micronutrientes. A taxa de mineralização depende das condições de vida dos organismos em termos de características do solo (pH, arejamento, temperatura, e teor de água) e dos resíduos orgânicos (granulometria, teores de lenhina e fenóis, e equilíbrio entre o carbono por um lado, e o nitrogênio, o fósforo e o enxofre por outro)(Bertoldi et al, 1983). A disponibilidade dos micronutrientes (ferro, manganésio, zinco, cobre e níquel) depende do pH, do potencial redox e do teor de matéria orgânica dos solos. As deficiências de ferro, manganésio e zinco são vulgares em solos calcários, enquanto que a toxicidade de manganésio é frequente em solos ácidos ou alagados (Lindsay e Norwell 1978). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 52 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Muitas espécies fúngicas podem se desenvolver em meios mínimos, contendo amônia ou nitritos, como fontes de nitrogênio. Oligoelementos (ferro, zinco, manganês, cobre, molibdênio e cálcio) são exigidos em pequenas quantidades (Ehlers, 1994). O fósforo é necessário para a formação dos ácidos nucleicos e para a síntese dos compostos orgânicos de alta energia - adenosina trifosfato (ATP). O fósforo é fornecido na forma de sais de fosfato para ser usado por todas as células microbianas (Ehlers, 1994). A maior parte das células necessita de alguns ions metálicos como cálcio, potássio, magnésio, ferro, manganésio, zinco, cobre, molibdénio, níquel, cobalto e sódio para as suas várias atividades celulares. Estes ions são necessários em quantidades ínfimas (micronutrientes), sendo usados como cofatores e ativadores de enzimas (Ehlers, 1994). 4.4. Seleção de microrganismo produtor de celulase 4.4.1. Isolamento de linhagem fúngica produtora de celulases A análise comparativa da sequência obtida com outras depositadas em bancos de dados mundiais (GenBank) revelou 100% de identidade com sequências de fungos da espécie Aspergillus fumigatus. Logo, concluiu-se que se trata de um fungo filamentoso pertencente a esta espécie. A classificação taxonômica: Domínio: Eukaryota Reino: Fungi Filo: Ascomycota Classe: Eurotiomycetes Ordem: Eurotiales Família: Trichocomaceae Gênero: Aspergillus Espécie: Aspergillus fumigatus Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 53 Capítulo 4 – Resultados e Discussão O aspecto morfológico da cultura após crescimento está apresentado em placa de Petri na Figura 4.1. Figura 4.1 - Aspecto da morfologia cultural da cepa de fungo isolado da casca do coco (Aspergillus fumigatus). 4.4.2. Triagem em meio Avicel A primeira etapa de avaliação do potencial celulolítico das 2 linhagens de fungos filamentosos, a primeira do gênero Penicillium e a segunda do fungo isolado (Aspergillus), consistiu na observação do crescimento dos fungos em placa de Petri contendo substrato celulósico, Avicel, como única fonte de carbono. Pode-se observar durante esse processo que as duas linhagens avaliadas apresentaram capacidade de hidrolisar o substrato celulósico, Avicel, caracterizando a presença de celulases, especificamente de exoglucanases, produzidas por essas linhagens, como é mostrado nas Figuras 4.2 e 4.3. Apesar de alguns autores considerarem que na presença de Avicel as enzimas produzidas serão Avicelases, para que essa enzima exerça sua função é necessária à presença de endoglucanases para iniciar o processo de hidrólise do substrato. Todo o experimento foi realizado em duplicata. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 54 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Figura 4.2 - Crescimento do fungo Penicillium chrysogenum em palca de Petri com Avicel. Figura 4.3 - Crescimento do fungo isolado (Aspergillus fumigatus) da casca do coco em palca de Petri com Avicel. A princípio, de acordo com a função catabólica dos fungos filamentosos, as enzimas deveriam ser produzidas na presença da celulose, porém a maioria dos fungos do gênero Penicillium apresentam enzimas indutivas. Estas enzimas se formam durante o crescimento do fungo e na presença de um indutor (Kubicek et al., 2009). Portanto, a presença de Avicel no meio de cultura desse experimento em placas de Petri, além de ser fonte de carbono para o crescimento das linhagens de Penicillium e para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus), funcionou como um indutor na produção de celulases por esses fungos. As duas linhagens que conseguiram crescer no meio de cultura com Avicel como única fonte de carbono e com função de indutor, apresentaram habilidade de degradar esse substrato devido capacidade de Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 55 Capítulo 4 – Resultados e Discussão produção do complexo celulolítico,especialmente das exoglucanases. Desde modo, os ensaios em placas com Avicel podem ser utilizados para um screening rápido de microrganismos. Este teste permitiu concluir a capacidade que as duas linhagens tem em hidrolisar o substrato celulósico. Um planejamento fatorial (22) foi utilizado para verificar a influência das variáveis: umidade e pH, usando o fungo isolado e o fungo Penicillium chrysogenum, conforme item 3.21. 4.5. Valores das ativadades enzimáticas em função da umidade e pH, usando um fungo isolado da casca do coco nas fermentações com o bagaço do coco como substrato. A Tabela 4.4 - apresenta o planejamento experimental e os resultados obtidos de atividade celulolítica do extrato enzimático produzido pelo fungo isolado por fermentação semi sólida, em função da umidade e do pH, dos quais foram avaliados as atividades enzimáticas CMCase e Avicelase. Tabela 4.4 - Planejamento fatorial (22) e resultados das atividades enzimáticas da CMCase e Avicelase produzida pelo fungo isolado (Aspergillus fumigatus). A. E. CMCase A. E. Avicelase Experimentos pH Umidade(%) (UI/mL) (UI/mL) 1 2 3 4 5* 6* 7* 3 3 7 7 5 5 5 66 75 66 75 70,5 70,5 70,5 0,282 ± 0,002 0,252 ± 0,003 0,279 ± 0,006 0,267 ± 0,023 0,216 ± 0,001 0,218 ± 0,003 0,224 ± 0,002 0,011 ± 0,002 0,013 ± 0,021 0,010 ± 0,001 0,010 ± 0,021 0,018 ± 0,008 0,019 ± 0,003 0,020 ± 0,004 *Ponto central De acordo com o diagrama de Pareto da Figura 4.4 para atividade CMCase, apenas a umidade é significativo para um nível de 95%. O pH e a interação não influenciaram positivamente na produção da CMCase. A umidade é um parâmetro importante para a síntese da enzima. O mesmo não ocorre para o diagrama de Pareto da Figura 4.5 para atividade da Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 56 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Avicelase, nenhum dos efeitos e a interação não foram significativos, mostrando assim que a umidade, o pH e a interação entre eles não é satisfatória para a produção desta enzima nestas condições. Figura 4.4 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade da CMCase para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) usando o bagaço do coco como subtrato. Figura 4.5 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Avicelase para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) usando o bagaço do coco como subtrato. No caso a umidade demonstrou exercer influência na síntese das enzimas. O elevado teor de umidade inicial pode afetar o crescimento do microrganismo, pois a porosidade do Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 57 Capítulo 4 – Resultados e Discussão meio e a difusão de oxigênio são reduzidas, dificultando a formação do produto (Raimbault e Alazard, 1980). Por outro lado, em baixos teores de umidade inicial, a produção enzimática também pode ser reduzida porque o fungo sofre modificações na membrana celular, conduzindo a limitações de transporte e afetando o metabolismo microbiano (AcuñaArguelles et al., 1994). Portanto, o importante é trabalhar com uma umidade intermediária, que mantenha o equilíbrio entre a disponibilidade de água, expansão do substrato e efeitos de difusão do oxigênio. As fermentações ocorreram com a temperatura fixa, à 30 °C. As melhores condições apresentadas para a produção da enzima CMCase foram dos experimentos 1 e 3. A umidade de 66% consistiu no melhor resultado para a produção da enzima CMCase, com atividades enzimáticas de 0,282 e 0,279 UI/mL, mostrando assim uma alta capacidade de degradar a CMC. No caso da atividade da Avicelase os experimentos que apresentaram a melhor produção da enzima foram os 5, 6 e 7, ou seja, os pontos centrais, apresentando os valores de 0,018 , 0,019 e 0,020 UI/mL, neste caso a umidade intermediária (70,5%) e pH (5) influenciaram em uma maior produção da enzima. A Figura 4.6 ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima CMCase. As condições para produção da CMCase foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi de 0,282 UI/mL. Figura 4.6 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática CMCase para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) usando o bagaço do coco como substrato. A Figura 4.7 ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima Avicelase. As condições para produção da Avicelase Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 58 Capítulo 4 – Resultados e Discussão foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi de 0,020 UI/mL. Observa-se pouca inclinação da superfície de resposta, indicando que os efeitos não são significativos para 95% de confiança, para os níveis avaliados. Figura 4.7 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Avicelase para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) usando o bagaço do coco como subtrato. A fermentação em meio semi-sólido reproduz o habitat natural dos fungos filamentosos, de modo que esses microrganismos são capazes de crescer satisfatoriamente em substrato sólido e excretar grandes quantidades de enzimas, como por exemplo, as celulases (Silva et al., 2005). A escolha por um substrato específico para o cultivo em estado sólido, leva em consideração o custo e à viabilidade. O cultivo em substratos lignocelulósicos possibilitam fornecer elementos à nutrição fúngica, semelhante ao que ocorre em habitats naturais. A atividade de Avicelase também foi observada por Menezes e Hennies (1991), que obtiveram valores próximos a 0,25 UI/mL de celulase quando utilizaram bagaço de cana-deaçúcar pré-tratado com solução de hidróxido de sódio 4% como total de fonte de carbono, na presença do fungo Aspergillus niger. Desde modo existe a necessidade de um pré-tratamento para a remoção, pelo menos parcial da lignina presente na fibra vegetal, possibilitando maior consumo do substrato e indução às sínteses enzimáticas, como verificado por Aguiar e Menezes (2000). Segundo os autores Ferreira et al. (2011) o valor da atividade enzimática da CMCase observada foi de 2,291 UI/mL com umidade de 60% durante 96 h usando por meio da fermentação em estado sólido do resíduo de cajá sob ação do fungo Aspergillus niger. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 59 Capítulo 4 – Resultados e Discussão De acordo com os resultados obtidos no presente estudo, comparado-se com o do autor pode-se afirmar que a linhagem é boa produtora de celulases, seu crescimento foi bem efetivo no substrato semi-sólido, além de apresentar elevadas concentrações no extrato enzimático bruto, quando a produção de celulases utilizando o bagaço do coco. De acordo com os resultados, principalmente o da CMCase. Destaca-se que não houve atividade para as enzimas, Pectinase, FPase, Xilanase e βglicosidase. No caso da ausência da atividade da Pectinase uma das hipóteses é o baixo teor de pectina que foi de 1,64% o indutor da atividade de poligalacturonase. No caso da ausência da atividade da Xilanase mesmo o bagaço do coco apresentando uma concentração de hemicelulose de 23,79% possivelmente o fungo isolado não foi capaz de hidrolisar a hemicelulose. Com relação a ausência da enzima β-glicosidase pode estar ligada a falta de ação deste microrganismo na clivagem da celobiose em unidades de glicose (Galbe e Zacchi, 2002). Na ausência da atividade da FPase pode ser pela dificuldade de acesso das enzimas ao substrato, se comparado aos outros substratos que possuem uma área superficial bem maior. 4.6. Valores das ativadades enzimáticas em função da umidade e pH, usando o Penicillium chrysogenum nas fermentações com a mistura de bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos. A Tabela 4.5 apresenta o planejamento experimental e os resultados obtidos de atividade celulolítica do extrato enzimático produzido pelo fungo Penicillium chrysogenum por fermentação semi sólida, em função da umidade e do pH, dos quais foram realizados ensaios das atividade enzimáticas CMCase, Avicelase, Xilanase e FPase usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos, na proporção de 50% de massa para cada resíduo. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 60 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Tabela 4.5 - Planejamento fatorial (22) e resultados das atividades enzimáticas da CMCase, Avicelase, Xilanase e FPase produzidas pelo fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos. Experimentos pH Umidade(%) A.E. CMCase (UI/mL) A. E. Avicelase (UI/mL) A. E. Xilanase (UI/mL) A. E. FPase (UI/mL) 1 3 66 0,305 ± 0,004 0,003 ± 0,001 0,514 ± 0,003 0,058 ± 0,006 2 3 75 0,240 ± 0,007 0,001 ± 0,001 0,408 ± 0,001 0,030 ± 0,005 3 7 66 0,294 ± 0,008 0,010 ± 0,006 0,644 ± 0,006 0,026 ± 0,001 4 7 75 0,219 ± 0,001 0,002 ± 0,001 0,465 ± 0,005 0,028 ± 0,013 5* 5 70,5 0,240 ± 0,001 0,003 ± 0,002 0,416 ± 0,001 0,030 ± 0,004 6* 5 70,5 0,262 ± 0,001 0,001 ± 0,001 0,419 ± 0,001 0,026 ± 0,003 7* 5 70,5 0,249 ± 0,003 0,002 ± 0,002 0,413 ± 0,006 0,031 ± 0,003 *Ponto central Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 61 Capítulo 4 – Resultados e Discussão O Diagrama de Pareto fornece o efeito quantitativo estimado que cada uma das variáveis possuem sobre a atividade de celulases, estabelecendo quais destes efeitos encontram-se dentro do intervalo de confiança estabelecido para a análise estatística (95%). De acordo com o diagrama de Pareto da Figura 4.8 para atividade CMCase, apenas a umidade é significativo para um nível de 95%. O pH e a interação não influenciaram na produção da CMCase. O mesmo ocorre para atividade Avicelase como representado na Figura 4.9, na qual apenas a umidade influenciou de maneira significativa para a produção desta enzima. Nessas figuras mostra-se claramente que o pH e a interação entre os parâmetros não apresentam efeito significativo para a produção dessas duas enzimas usando o bagaço do coco e o pedúnculo do caju como substratos. Figura 4.8 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade CMCase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como subtratos. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 62 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Figura 4.9 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Avicelase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo do caju como subtratos. A umidade é um parâmetro importante para a produtividade dessas duas enzimas, a melhor umidade foi de 66% com pH 3 para a enzima CMCase e a umidade de 66% com pH 5 para a enzima Avicelase. De acordo com o diagrama de Pareto das Figuras 4.10 e 4.11 para as atividades Xilanase, Fpase, a umidade, o pH e a interação entre os parâmetros é significativo para um nível de 95%. A umidade, o pH e a interação entre as variáveis influenciaram de maneira significativa para a produção destas enzimas. Nas Figuras 4.10 e 4.11 mostram claramente que a umidade, o pH e a interação entre os parâmetros apresentam efeito significativo para a produção dessas duas enzimas usando o bagaço do coco e o pedúnculo do caju como substratos. A umidade é um parâmetro importante para a produtividade dessas duas enzimas, a melhor umidade foi de 66%. Na Figura 4.11 o pH 3 no caso, é o parâmetro que mais influencou na produção da FPase, mas a umidade e a interação entre eles foram significativas. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 63 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Figura 4.10 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Xilanase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo do caju como subtratos. Figura 4.11- Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade FPase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo do caju como subtratos. A umidade é considerada um fator crítico para o crescimento dos fungos em substrato sólido. Como a quantidade de água é sempre limitada, ao contrário da fermentação submersa, onde há um grande excesso, o controle do nível de umidade é essencial à otimização do processo em fermentação sólida. Um alto teor de umidade diminui a porosidade, a difusão de oxigênio, a eliminação de dióxido de carbono e aumenta o risco de contaminação por bactérias. Por outro lado um baixo teor de umidade pode levar a um menor crescimento do microrganismo (George et al., 2001). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 64 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Dessa forma de acordo com os resultados é possível perceber que existe uma relação entre a umidade ideal com a melhor atividade enzimática, sendo que os melhores resultados apontam melhor condição ao teor de umidade de 66%. Os picos de atividade enzimática de CMCase, FPase, Avicelase e Xilanase foram atingidos em valores de umidade de 66% para mistura bagaço de coco e pedúnculo de caju em todas as fermentações testadas com o fungo Penicillium chrysogenum. A água exerce um papel importante na FES, pois é responsável pela difusão de solutos, gases e metabólitos inibitórios, bem como pela absorção celular (Pandey, 2003). Para cada espécie de microrganismo utilizado, existe um valor ótimo de umidade do substrato para o crescimento celular, que pode não coincidir com o melhor valor para a expressão do produto que se pretende obter no processo, como por exemplo, enzimas (Amorim, 2011). Na FES, o microrganismo possui um limite de água para suas atividades metabólicas e seu crescimento, a atividade de água (Aw) ótima para fungos é por volta de 0,7; para leveduras 0,8, e para bactérias 0,9, no caso do Penicillium (diversas espécies) a sua atividade de água é aproximadamente de 0,85, e uma pequena mudança nesses valores ótimos causa um grande distúrbio no crescimento e metabolismo dos microrganismos (Andrade, 1999). Como mostrado na Figura 4.11 o pH é o parâmetro que mais influenciou significativamente, o pH pode variar em resposta às atividades metabólicas dos microorganismos, devido à produção de ácidos durante a fermentação ou mesmo do consumo destes e a formação de compostos como uréia, por exemplo, que tendem a elevar o pH (Brand et al., 2000). A Figura 4.12 ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima CMCase. As condições para produção da CMCase foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi de 0,305 UI/mL. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 65 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Figura 4.12 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática CMCase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos. De acordo com Bassos (2010), a atividade máxima de endoglucanase para T. ressei 9414 foi de 0,50 UI/mL. Comparando os resultados do experimento com o do autor, evidencia-se a capacidade que o microrganismo (Penicillium chrysogenum) possui em degradar a celulose do bagaço do coco quanto do pedúnculo de caju. A Figura 4.13 ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima Avicelase. As condições para produção da Avicelase foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi de 0,010 UI/mL. Figura 4.13 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Avicelase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos. Como observado por Martín et al (2007) obtiveram uma produção de 0,10 UI/mL de Avicelase com o fungo Penicillium echinulatum cultivado na presença de 0,5% de farinha de Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 66 Capítulo 4 – Resultados e Discussão trigo. Evidenciando-se que o microrganismo testado (Penicillium chrysogenum) nos experimentos não apresentou boa atividade se comparado aos resultados dos autores. A Figura 4.14 – ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima Xilanase. As condições para produção da Xilanase foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi de 0,644 UI/mL. Figura 4.14 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Xilanase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos. De acordo com Siqueira, Siqueira et al, (2010) utilizando os microrganismo Mucor sp apresentou atividade enzimática da Xilanase de 0,560 UI/mL e para o Penicilium citrinum a atividade enzimática da Xilanase observada foi de 0,412 UI/mL. Desde modo ao comparar esses resultados com os resultados obtidos no presente trabalho utilizando apenas o Penicillium chrysogenum com atividade máxima de 0,644 UI/mL, mostra-se que o microrganismo utilizado é um bom produtor de Xilanase, ou seja a enzima está hidrolisando a xilana de maneira bem efetiva. A Figura 4.15 ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima FPase. As condições para produção da FPase foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi de 0,058 UI/mL. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 67 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Figura 4.15- Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática FPase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco e o pedúnculo de caju como substratos. De acordo com Wen et al, (2005) utilizando T. ressei observou atividade da celulase total de aproximadamente 0,30 UI/mL em bagaço de cana-de-açúcar não tratado depois de 6 dias, valor bastante superior ao encontrado no experimento realizado. Não houve determinação da atividade da Pectinase, uma das hipóteses é o baixo teor de pectina encontrado no bagaço do coco que foi de 1,64% e para o pedúnculo de caju o valor encontrado de pectina foi de 15,24%, mesmo com um alto teor de pectina encontrado e sendo o indutor da atividade de poligalacturonase, mesmo havendo a mistura entre os dois resíduos não foi possível a indução da enzima Pectinase, o fungo Penicillium chrysogenum não foi capaz de hidrolisar a pectina. A ausência da enzima β-glicosidase pode estar ligada a falta de ação deste microrganismo na clivagem da celobiose em unidades de glicose (Galbe e Zacchi, 2002). Entre os produtores de celulases estão o gênero Aspergillus, Cladosporium, Funsarium, Geotrichum, Myrothecium, Paecilomyces, Penicillium, Clostridium e Trichoderma (Lynd et al, 2002). A produção de enzimas do complexo celulolítico não está somente ligada à linhagem do microrganismo, mas as técnicas e substratos utilizados no processo (Rugger et al, 2004). Diversos fatores podem influenciar na produção do complexo celulolítico. Técnicas de cultivo, modo de extração, a umidade utilizada, o pH, a concentração do inóculo, a temperatura entre outros fatores. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 68 Capítulo 4 – Resultados e Discussão 4.7. Valores das ativadades enzimáticas em função da umidade e pH, usando o Penicillium chrysogenum nas fermentações com o bagaço do coco como substrato. A Tabela 4.6 apresenta o planejamento experimental e os resultados obtidos de atividade celulolítica do extrato enzimático produzido pelo fungo Penicillium chrysogenum por fermentação semi-sólida, em função da umidade e do pH, dos quais foram realizados ensaios das atividade enzimáticas CMCase, Avicelase, Xilanase e FPase usando o bagaço do coco. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 69 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Tabela 4.6 - Planejamento fatorial (22) e resultados das atividades enzimáticas da CMCase, Avicelase, Xilanase e FPase produzidas pelo fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como substrato. Experimentos pH Umidade(%) A.E. Avicelase (UI/mL) A.E. CMCase (UI/mL) A.E. Xilanase (UI/mL) A.E. FPase (UI/mL) 1 3 66 0,011 ± 0,003 0,067 ± 0,008 0,541 ± 0,008 0,031 ± 0,001 2 3 75 0,013 ± 0,001 0,029 ± 0,008 0,588 ± 0,011 0,032 ± 0,001 3 7 66 0,01 ± 0,002 0,176 ± 0,011 0,513 ± 0,003 0,032 ± 0,006 4 7 75 0,01 ± 0,002 0,233 ± 0,008 0,735 ± 0,001 0,032 ± 0,002 5* 5 70,5 0,018 ± 0,001 0,049 ± 0,002 0,611 ± 0,002 0,032 ± 0,006 6* 5 70,5 0,019 ± 0,001 0,055 ± 0,001 0,608 ± 0,006 0,032 ± 0,001 7* 5 70,5 0,020 ± 0,001 0,052 ± 0,003 0,619 ± 0,001 0,031 ± 0,002 *Ponto central Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 70 Capítulo 4 – Resultados e Discussão De acordo com o diagrama de Pareto da Figura 4.16 para atividade da Avicelase, a umidade, o pH e a interação entre os parâmetros não é significativa para um nível de 95%. O pH, a umidade e a interação entre os parâmetros não influenciaram de maneira significativa para a produção dessa enzima nessas condições. Já para atividade da CMCase como é representado na Figura 4.17 o pH influenciou de maneira significativa para a produção desta enzima e a interação entre os parâmetros também, já a umidade não influenciou significativamente. Figura 4.16 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Avicelase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como subtrato. Figura 4.17 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade CMCase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como subtrato. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 71 Capítulo 4 – Resultados e Discussão De acordo com o diagrama de Pareto da Figura 4.18 para atividade da Xilanase, a umidade, o pH e a interação entre os parâmetros foram significativa para um nível de 95%. Desde modo a umidade, o pH e a interação entre os parâmetros influenciaram de maneira significativa para a produção dessa enzima. Já para atividade da FPase como mostrado na Figura 4.19 nenhum dos parâmetros e nem a interação entre eles é significativa para a produção desta enzima. Mostrando assim que a produção desta enzima não é favorecida nestas condições. Figura 4.18 - Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade Xilanase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como subtrato. Figura 4.19- Gráfico de Pareto do pH, umidade e da interação entre eles, para a atividade FPase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como subtrato. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 72 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Os maiores valores atingidos para as atividades enzimáticas de CMCase, Fpase, Avicelase e Xilanase foram obtidos em valores de umidade de 70,5 e 75% para o bagaço do coco como sustrato. Confirmando novamente que a umidade é um parâmetro importante para a produção das enzimas. A Figura 4.20 ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima Avicelase. As condições para produção da Avicelase foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi de 0,020 , 0,018 e 0,019 UI/mL os valores correspondentes aos pontos centrais, onde a umidade utilizada foi 70,5% e com pH 5. Figura 4.20 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Avicelase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como substrato. A atividade de Avicelase também foi observada por Menezes et al (2009), resultados com a enzima Avicelase mostrou pouca atividade desta enzima em relação ao substrato testado. Sendo que a maior atividade alcançada foi com a linhagem Pleurotus sajor-caju com 0,08 UI/mL, utilizando bagaço de cana-de-açúcar como substrato. Se comparar esses resultados com os resultados obtidos nos experimentos deste trabalho utilizando o Penicillium chrysogenum os melhores valores da atividade Avicelase foram 0,018-0,020 UI/mL, comprovando-se que este microrganismo possui a capacidade em degradar a celulose. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 73 Capítulo 4 – Resultados e Discussão A Figura 4.21 ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima CMCase. As condições para produção da CMCase foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi de 0,233 UI/mL o valor correspondente ao experimento 4, onde a umidade utilizada foi 75% e com pH 7. Figura 4.21 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática CMCase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como substrato. A atividade de CMCase também foi observada por Menezes et al (2009), de acordo com os resultados obtidos as amostras apresentaram baixas atividades desta enzima, sendo que a maior foi produzida pela linhagem Pleurotus tailandia com atividade de 0,06 UI/mL, utilizando bagaço de cana-de-açúcar como substrato. Assim ao comparar esses resultados com os resultados obtidos nos experimentos deste trabalho utilizando o Penicillium chrysogenum com atividade máxima de CMCase de 0,233 UI/mL, evidencia-se a capacidade que o microrganismo possui em degradar a celulose. Desde modo as enzimas Avicelase (exoglucanase) e Carboximetilcelulase (endoglucanase) formam um sistema enzimático hidrolítico importante para a degradação da celulose (Bayer e Lamed, 1992). Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 74 Capítulo 4 – Resultados e Discussão A Figura 4.22 ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima Xilanase. As condições para produção da Xilanase foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi de 0,735 UI/mL os valores correspondente ao experimento 4, onde a umidade utilizada foi 75% e com pH 7. Figura 4.22 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática Xilanase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como substrato. A atividade de Xilanase também foi observada por Menezes et al (2009), as linhagens Pleurotus tailandia e Pleurotus sajor-caju apresentaram atividades de Xilanase de 0,11 UI/mL quando utilizaram bagaço de cana-de-açúcar sendo que os resultados não foram significativos. Desde modo ao comparar esses resultados com os resultados obtidos no presente trabalho utilizando apenas o Penicillium chrysogenum com atividade máxima observada foi de 0,735 UI/mL, mostra-se que o microrganismo utilizado é um bom produtor de Xilanase, ou seja a enzima está hidrolisando a xilana de maneira bem efetiva. A Figura 4.23 ilustra o efeito das combinações de variáveis independentes pH e umidade sobre a atividade da enzima FPase. As condições para produção da FPase foram no tempo de 120 horas e na temperatura de 30 °C, a atividade enzimática máxima foi entre 0,031 e 0,032 UI/mL, ou seja, não houve diferença entre os valores encontrados nos experimentos realizados. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 75 Capítulo 4 – Resultados e Discussão Figura 4.23 - Superfície de resposta para a determinação da atividade Enzimática FPase para o fungo Penicillium chrysogenum usando o bagaço do coco como substrato. De acordo com Castro et al (2006) observaram atividade de FPase de 0,028 UI/mL, muito semelhante ao encontrado no presente trabalho. Uma hipótese para a baixa atividade em papel de filtro pode ser justificada pela dificuldade de acesso das enzimas ao substrato, uma vez que a área superficial é muito menor que a dos demais substratos utilizados. Não houve determinação das enzimas Pectinases e β-glicosidase para a fermentação usando apenas o bagaço do coco como sustrato. O baixo teor de pectina encontrado no coco não foi sufiente para induzir a produção da enzima Pectinase. Do mesmo modo para atividade da enzimática β-glicosidase, pelo fato de ser uma enzima intracelular, era necessário que houvesse o rompimento celular para que a enzima pudesse atuar na conversão da celobiose em glicose. 4.8. Cinética do fungo isolado (Aspergillus fumigatus) e do Penicillium chrysogenum. As cinéticas estabelecidas para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) e Penicillium chrysogenum ocorreram durante 10 dias. A cinética para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) foi realizada para saber como era o comportamento do mesmo frente ao meio de cultivo e qual enzima seria produzida por ele. A cada 24 horas foi Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 76 Capítulo 4 – Resultados e Discussão retirado um ponto para a determinação de proteína total (PT), açúcares redutores totais (ART), CMCase, Avicelase e celulose residual. As condições propostas são em decorrência da maior atividade enzimática para os dois microrganismos, ou seja, a umidade de 66 e 75% foram onde apresentaram os maiores picos das atividades, e o pH 5 foi levado em consideração ao encontrado na literatura, pois é o melhor para o desenvolvimento do Penicillium chrysogenum. Do ponto de vista prático foi melhor ter trabalhado com as umidade de 66% para o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) e de 75% para o Penicillium chrysogenum, pois, foram os valores de umidade que apresentaram a maior produtividade das enzimas, além disso, a atividade da água inibe o possível crescimento de outras espécies como bactérias e leveduras (Oriol et al., 1988). A Figura 4.24 ilustra o perfil de açúcares redutores totais, proteínas e celulose residual quando utilizado o fungo isolado (Aspergillus fumigatus) da casca do coco, durante 10 dias de fermentação. Figura 4.24 - Perfil dos teores de açúcares redutores totais, proteínas totais e celulose residual produzidos pelo fungo isolado (Aspergillus fumigatus) durante 10 dias de cultivo. Para a cinética do fungo Penicillium chrysogenum foram determinados os teores de açúcares redutore totais, proteína total, celulose residual e quantificados os teores das enzimas Xilanase, FPase, CMCase e Avicelase. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 77 Capítulo 4 – Resultados e Discussão A Figura 4.25 ilustra o perfil de açúcares redutores totais, proteínas e celulose residual quando utilizado o fungo Penicillium chrysogenum, durante 10 dias de fermentação. Figura 4.25 - Perfil dos teores de açúcares redutores totais, proteínas totais e celulose residual produzidos por Penicillium chrysogenum durante 10 dias de cultivo. Com relação ao substrato, a resposta das células fúngicas aos diferentes indutores varia dependendo da concentração e do tipo de indutor ou pela presença de glicose ou outros açúcares presentes no meio de crescimento. Os indutores para a síntese celulolítica têm duas funções, pode servi como fonte de carbono para o crescimento celular, ou até mesmo para a síntese enzimática (Gong e Tsao, 1975). As Figuras 4.24 e 4.25 demonstram a degradação da celulose em ambas as cinéticas, observa-se o consumo do substrato pelos dois microrganismos ao longo dos processos, em virtude do seu uso para o desenvolvimento dos mesmos, como observado a degradação da celulose o que proporcionou a produção de outros metabólitos. Com o objetivo de quantificar o teor de açúcares redutores totais provenientes da possível degradação da celulose e posteriormente o consumo pelos dois fungos utilizados no decorrer do cultivo, foi realizada a quantificação de açúcares redutores totais. Embora tenha sido utilizado o bagaço do coco de mesma fonte, o microrganismo usado poderia causar diferenças no açúcar redutor. Contudo, é importante salientar que a concentração de açúcares redutores totais presentes no meio de cultivo diminui com o Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 78 Capítulo 4 – Resultados e Discussão passar das horas de cultivo em ambas as cinéticas, o que provavelmente está ligado ao consumo dos açúcares presentes no meio de cultura como fonte de carbono. A redução dos ART foi esperada, como observado na Figura 4.24 utilizando o fungo isolado (Aspergillus fumigatus), após 72 houve uma redução e a partir de 168 h o teor de ART se manteve estável. Para o fungo Penicillium chrysogenum representado pela Figura 4.25 o perfil de ART decresce de maneira bem acentuada entre 0 e 72 h , reduzindo-se ainda de modo expressivo até 120 h, onde se mantém constante até 168 h, seu valor decresce ao atingir 192 h e em seguida permanece constante. Em ambas as cinéticas, o consumo do substrato é intenso, confirmando que além de ser um bom material para o crescimento dos fungos, o bagaço do coco foi consumido para o seu desenvolvimento e para o seu metabolismo. Nas duas cinéticas realizadas foi possível observar o consumo das proteínas, em ambas há uma redução do teor de proteína,utilizando o bagaço do coco como sustrato, existe diferença no consumo das proteínas, isso em decorrência dos mecanismos de ação dos microrganismos que são específicos, podendo variar conforme a cultura e o ambiente. Embora os valores observados tenham sido diferentes em decorrência da ação dos microrganismos serem diferentes, em especial para a hora zero, a redução na concentração de proteínas nos meios pode estar ligada a utilização como fonte de nitrogênio da proteína ou a possível ação de proteases, ou até mesmo relacionado com a taxa de renovação de proteínas durante a esporulação, alguns fatores afetam a esporulação, a redução da concentração de nutrientes, tensão de oxigênio ou composição do meio, podendo estar ligada a produção desses enzimas. (Neto, 2012). Na Figura 4.25 observa-se o aumento de proteína no tempo 96 horas isso pode indicar síntese de proteínas (enzimas) para a degradação da celulose, observando o declíneo até ficar constante. A ordem de degradação das fontes de carbono pelo microrganismo vai depender da energia que demande a degradação de cada fonte, ou seja, as primeiras a serem degradadas demandam menor esforço energético do microrganismo (Fernández, 2009). A Figura 4.26 representa o comportamento das duas enzimas produzidas pelo fungo isolado (Aspergillus fumigatus) durante os 10 dias, a CMCase apresentou a maior atividade (0,615 UI/mL) no segundo dia. Após 48 horas ocorreu uma redução bastante acentuada até as 96 horas, haja visto que o microrganismo não está mais hidrolisando o subtrato para quebrar a celulose. Para a enzima Avicelase a atividade máxima foi Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 79 Capítulo 4 – Resultados e Discussão alcançada em 96 horas com uma atividade de 0,022 UI/mL, e em seguida houve uma redução na sua produção. Figura 4.26 - Perfil de atividade de CMCase e Avicelase durante os 10 dias na fermentação semi-sólida, utilizando o fungo isolado (Aspergillus fumigatus). As enzimas carboximetilcelulase (endoglucanase) e avicelase (exoglucanase) formam um sistema enzimático hidrolítico importante para a degradação da celulose (Bayer e Lamed, 1992). Essas duas enzimas presentes na cinética em questão pode comprovar o potencial de hidrólise do substrato que este fungo isolado (Aspergillus fumigatus) possui em degradar a celulose, haja visto que a maior produtividade foi da enzima CMCase no segundo dia, confirmando desde modo que a celulose do bagaço do coco está induzindo a produção das enzimas celulolíticas constitutivas que iniciarão a hidrólise da celulose, induzido a síntese de endoglucanases (CMCase). A redução das atividades, possivelmente está ligado ao esgotamento de seu substrato, o polissacarídeo celulósico. Uma outra hipótese é a repressão catabólica supostamente possa estar acontecendo, ocasionando uma redução nas atividades dessas enzimas, a inibição pode ser provocada por metabólitos ou ácidos produzido durante a fermentação. Os açúcares agiriam como verdadeiros indutores, direta ou indiretamente, influenciando a ligação de proteínas ao DNA, promovendo, assim, a expressão dos genes para celulases. A presença de substratos facilmente assimiláveis, a repressão do Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 80 Capítulo 4 – Resultados e Discussão catabólito, o acúmulo do produto final ou fontes de carbono restritas podem inibir a síntese destas enzimas (Ilmén et al., 1997). A Figura 4.27 mostra o comportamento das quatro enzimas produzidas pelo fungo Penicillium chrysogenum durante os 10 dias, no caso da CMCase a mesma apresentou o maior valor no quinto dia, com atividade máxima de 0,431 UI/mL, após 120 horas ocorreu uma redução bastante acentuada até as 168 horas, haja visto que o microrganismo não está mais hidrolisando a celulose. Para a enzima Avicelase a atividade máxima foi alcançada em 96 horas com uma produção de 0,397 UI/mL e, em seguida houve uma queda na sua produção entre 96 e 120 horas, para a Xilanase seu pico máximo foi de 0,931 UI/mL em 96 horas havendo uma redução brusca até 120 horas. Para a FPase sua atividade máxima foi em 72 horas com uma produção de 0,470 UI/mL e depois houve uma redução da atividade da mesma. Figura 4.27 – Perfil de Atividade das enzimas CMCase, Xilanase, Avicelase e FPase durante os 10 dias na fermentação semi-sólida, utilizando o fungo Penicillium chrysogenum e o coco como substrato. Observa-se em ambas as cinéticas a ocorrência de um pico de produção enzimática em curto período, nos tempos entre 72 e 120 horas. A redução das atividades pode estar relacionada à desestabilização da enzima pelo efeito do pH, uma vez que se torna difícil o controle do pH devido a formação de metabólicos secundários, o aumento Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 81 Capítulo 4 – Resultados e Discussão da temperatura em decorrência do metabolismo do microrganismo ou ainda à produção de enzimas inibidoras pelo microrganismo, conforme já relatado por Palma et al.(2000). O aumento da atividade enzimática em função do tempo de fermentação pode ser explicado em razão da grande disponibilidade de açúcares redutores da matériaprima, necessários para o desenvolvimento do microrganismo. Entre 24 e 120 horas de fermentação todas as enzimas apresentaram picos máximos na atividade enzimática e logo após os picos a redução das mesmas. Durante o processo fermentativo as endoglucanases hidrolisam preferencialmente as ligações internas no polímero da celulose, produzindo oligossacarídeos de menor peso molecular. Após 120 horas houve uma redução na produção de endoglucanase, fato possivelmente atribuído ao esgotamento de nutrientes, ou por acúmulo de produtos inibidores da síntese enzimática ou do crescimento celular. Um ponto importante a ser notado foi o fato dos valores de endoglucanases terem sido menores do que as atividades encontradas para as celulases totais, o que pode constituir que a atuação desta enzima é importante para a posterior atuação das celulases totais. Os resíduos da agricultura contêm de 20 a 30% de material hemicelulítico. Esses resíduos, na forma natural, são fonte de xilana e xilo-oligômeros (Kulkarni et al., 1999) favorecendo a atividade de xilanase. De acordo com o valor da hemicelulose do bagaço do coco obtido que foi de 23,79% as Xilanases que são as enzimas responsáveis pela hidrólise da xilana, o principal polissacarídeo constituinte das hemiceluloses, atuaram de maneira bem expressiva. Os resultados obtidos, sugerem que a ação destas enzimas ao hidrolisar a fração celulósica provocaram uma bertura das fibras, facilitando o acesso das endoxilanases e consequentemente, uma maior conversão da fração hemicelulosósica a açúcares, como a xilose, por exemplo. A atividade máxima da Avicelase foi atingida no tempo de 96 horas de incubação da cultura, com níveis de 0,397 UI/mL com posterior declíneo da atividade. Isto sugere que a produção da Avicelase está diretamente ligada à cultura metabolicamente ativa. Outra hipótese é a presença de glicose e outras fontes de carbono, facilmente metabolizáveis, possam reprimir a síntese Avicelase (Castro, 2006). Os produtos finais de uma dada via metabólica são frequentemente inibidores das enzimas que catalisam os primeiros passos da via. Esse mecanismo é conhecido como feedback negativo ou autoalimentação (Whitaker, 1994). As enzimas Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 82 Capítulo 4 – Resultados e Discussão normalmente têm um mecanismo de controle de expressão que pode ser estimulado ou inibido por produtos do meio. Os produtos finais de uma dada via metabólica são frequentemente inibidores de enzimas que catalisam os primeiros passos da via. Este mecanismo é conhecido como a realimentação negativa (Santana et al., 2012). A produção de enzimas no início é lento, em seguida, acelera até atingir o seu valor máximo; depois disso, a concentração de produtos gerados são inibidos e as atividades enzimáticas são reduzidas, o que também foi observado no presente estudo para o resíduo testado. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 83 CAPÍTULO V CONCLUSÕES Capítulo 5 – Conclusões 5. Conclusões A caracterização química e físico-química dos resíduos bagaço do coco e pedúnculo de caju indicaram seu potencial como substrato para produção de enzimas. O fungo isolado (Aspergillus fumigatus) apresentou potencial na produção da enzima CMCase, e enzima Avicelase usando apenas o bagaço do coco como substrato. O fungo Penicillium chrysogenum apresentou atividades enzimáticas CMCase; FPase; Avicelase e Xilanase usando uma mistura de bagaço do coco e o pedúnculo de caju, bem como utilizando apenas o bagaco de coco como substratos. Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 85 CAPÍTULO VI REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Capítulo 6 – Referências Bibliográficas 6. Referências Bibliográficas ABREU, C.; ABREU, M.F.; BERTON, R.S. Análise química de solo para metais pesados. In: ALVAREZ, V.V.H.; SCHAEFER, C.E.G.R.; BARROS, N.F.; MELLO, J.W.V.; COSTA, L.M. (Ed.). Tópicos em ciência do solo. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do solo, 2002. v.2 p.645-692. ACUÑA-ARGUELLES, M.; GUTIÉRREZ-ROJAS, M.; VINIEGRA-GONZÁLEZ, G.; FAVELA-TORRES, E. Effect of water activity on exo-pectinase production by Aspergillus niger CH4 in solid state fermentation. Biotechnology Letters, v.16, p.23-28, 1994. AGUIAR C. L.; MENEZES, T. J. B., Produção de celulases e xilanase por Aspergillus niger IZ-9 usando fermentação submersa sobre bagaço de cana-de-açúcar, Boletim do CEPPA, v. 18, n. 1, p. 57-70, 2000. AGUIAR, L. P., ALVES, R. E; LIMA, D. P.; BASTOS, M. do S. R.; BARROS, F. F. C. 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Sérgio Dantas de Oliveira Júnior janeiro/ 2014 87 Capítulo 6 – Referências Bibliográficas ARAÚJO, J. P. P.; SILVA, V. V.; Cajucultura: modernas técnicas de produção, Embrapa-CNPAT: Fortaleza, 1995. ARO, N.; Pakula, T.; Penttila, M.; FEMS Microbiol. Rev. 2005, 29, 719. BARROS, L. de M. Botânica, origem e distribuição geográfica. In: ARAÚJO, J. P. P.; SILVA, V. V. (Org.). Cajucultura: modernas técnicas de produção. Fortaleza: EMBRAPA-CNPAT, p.55-71, 1995. BARROS, L. M.; PAIVA, J. R.; CAVALCANTI, J. J. V. Cajueiro anão precoce. Melhoramento genético: estratégias e perspectivas. Biotecnologia. 2(6): p 18-21, 1998. BAYER, E.A.; LAMED, R. 1992. The cellulose paradox: Pollutant par excellence and/or a reclaimable natural resource. Biodegradation, 3:171-188. BERTOLDI, M. DE ; VALLINI, G.; PERA A. (1983). The biology of composting: a review. In: Waste Management & Research. 1: pp.157-176. BHAT, K. M., MCCRAE, S. L., WOOD, T. 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