INF / JUN 2015
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REITOR / PROF. EVALDO ANTONIO KUIAVA
VICE-REITOR / PROF. ODACIR DEONISIO GRACIOLLI
DIRETORA DO CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS / PROFª. MARIA CAROLINA
GULLO
PRODUÇÃO / AGÊNCIA EXPERIMENTAL DE COMUNICAÇÃO
COORDENAÇÃO GERAL / PROFª. MARLIVA GONÇALVES
SUPERVISÃO DE PUBLICIDADE / PROF. MISAEL MONTAÑA / LEONARDO LUCENA
SUPERVISÃO DE JORNALISMO / PROFª. ANA LAURA PARAGINSKI / PROF. DANIEL
VARGAS / PROFª. LEYLA THOMÉ
SUPERVISÃO DE RELACIONAMENTO COM OS PÚBLICOS / THÁFILA
RODRIGUES
SUPERVISÃO DE FOTOGRAFIA / PROFª .CANDICE KIPPER
PROJETO GRÁFICO / PROF. MARCELO WASSERMAN / ALINE CHAVES / LEONARDO
RECH / LEONARDO LUCENA
DIAGRAMAÇÃO / LEONARDO LUCENA / RUDINEI PICININI
TEXTO / GABRIELA GRILLO / LAÍS PRATES / PROFª. MARLENE BRANCA SÓLIO /
RENATA CHIES / NATALIA BIAZUS / ESTEVAN DANELUZ / CARINA PEDROSO / DIÚLIT
OLDONI / KÉTLIN VARELA
PUBLICAÇÃO GRATUITA E DIGITAL / WWW.FRISPIT.COM.BR
CONTATO / [email protected]
Universidade de Caxias do Sul - UCS
R. Francisco Getúlio Vargas, 1130
Bloco T - Bairro Petrópolis
CEP 95070-560 - Caxias do Sul - RS
Fone: 54 3218 2587
A
busca por uma mídia mais abrangente,
imparcial e democrática é o assunto central
desta edição da Revista INF. Se pensarmos em
mídia democrática, logo lembramos da Internet,
o meio mais aberto da atualidade. Através dele,
as possibilidades de interação são muito maiores
do que as existentes nos meios de comunicação
tradicionais. Por ser naturalmente um ambiente
interativo, hipermídia e, portanto, colaborativo,
informações podem ser compartilhadas,
avaliadas, comentadas e enriquecidas.
Aproveitemos esse novo meio, que se
potencializa através das tecnologias móveis,
para interagir, cada vez mais, com o outro.
Criando e reatando laços. Dando, ouvindo e
discutindo feedbacks. Vivenciando experiências
informacionais mais democráticas. Dividindo
para somar em compras coletivas ou em espaços
de trabalho e aprendizado compartilhados
presenciamos a era em que a opinião, cada vez
mais, tem grande valor.
Boa leitura!
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S
U
M
Á
R
I
O
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CRIATIVIDADE COMUNICATIVA
6
POR UMA MÍDIA PLURAL
10 O WEBJORNALISMO E A LÓGICA DA REDE
12 AUTONOMIA COMPARTILHADA
14 COMPLEXIDADE E COMUNICAÇÃO-TRAMA
16 A VAQUINHA CRESCEU
18 PORTAIS COLABORATIVOS
20 MUSEU DA PESSOA
22 O VAI E VEM COMUNICACIONAL
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Á
Gabriela Grillo
Leonardo Lucena
gua e alimento são as principais
necessidades do ser humano,
certo? Talvez não. Sem dúvidas,
o ser humano não sobrevive sem isso.
Mas os estudantes de Fotografia, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas movem-se sob o anseio
de comunicar. Mais do que uma prática fundamental ao funcionamento da
sociedade, a comunicação é, para estes
acadêmicos, motivo de curiosidade, experimentação e – por que não? – amor.
Buscando atender a essa necessidade,
o estudante de PP Angelo Luís Scopel
criou o canal Fórum Otaku* no Youtube.
Otaku é um termo usado no oriente para
designar fãs de animes e mangás, gêneros abordados pelos vídeos no início do
projeto. “A proposta do vlog era bem simples - eu comentaria os capítulos semanais
dos mangás que eu lia durante a semana”,
conta o estudante.
Contudo, o nicho logo se mostrou
limitado para a proposta do Fórum
Otaku e, para atender ao próprio desejo
de produzir conteúdos, Angelo resolveu
experimentar outro viés. “Eu comecei
a falar sobre coisas que acontecem no
meu dia-a-dia, por exemplo, quando eu
estava dirigindo e quebrei dez dúzias de
ovos no banco de trás do carro, ou ainda
sobre o meu aniversário”, relata. Para o
acadêmico, todo mundo deveria ter uma
forma de exercitar sua criatividade, produzindo materiais para blogs, canais e
outras mídias.
Comunicar-se é a lei, mas há que
atentar-se para as normas. A experiência prática que se tem ao “pôr as mãos
na massa” de nada vale sem o intuito de
aprender. Por isso, preocupação com
o conteúdo é fundamental. Um bom
trabalho é resultado de cuidado com a
qualidade técnica, a informação e, por
extensão, o espectador. Afinal, comunicação não se faz apenas com emissores.
Por isso, Angelo afirma apostar na fórmula conteúdo interessante + boa edição.
“ENTRE TODAS AS
PARTES DA PRODUÇÃO
DO CANAL, A QUE EU
MAIS GOSTO É, CERTAMENTE, A EDIÇÃO [...]”
Se você, leitor, ainda não está convencido da importância de expressar-se, aqui vai um bom motivo: o processo
pode ser, sim, divertido. “Entre todas as
partes da produção do canal, a que eu
mais gosto é certamente a edição, porque eu vejo todos os meus erros e fico
rindo de mim mesmo pelas baboseiras
que eu falo”, confessa o estudante. Decididamente, comunicar é preciso. Portanto, exercite-se.
*Acesse o canal: goo.gl/anfj46.
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DEMOCRATIZAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO É UMA
NECESSIDADE URGENTE PARA A SOCIEDADE, A QUAL SE VÊ
CADA VEZ MENOS REPRESENTADA PELO MODELO ATUAL
Laís Prates
Leonardo Lucena
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C
com a onda de protestos que aflo- rádios, celulares, computadores, etc., mas qualquer âmbito social. Democratizar a
rou no Brasil em 2013, alguns te- essa diversidade de meios de comunica- mídia é a mídia oferecer esse acesso a esmas vieram à tona. A democrati- ção se reflete nos discursos midiáticos?
sas informações.” afirma.
zação da mídia é um deles. Desde então,
Outro aspecto a ser analisado, segundo
Hoje, no Brasil, elites dominam a cocada vez mais a democratização tem sido municação e é essa elite que escolhe as Álvaro, é a democratização ao acesso aos
alvo de constantes debates e reflexões. Os informações que vamos ou não receber. órgãos de imprensa. “E aí a gente tem um
movimentos sociais e as minorias que, Portanto, o Brasil, que é um país que se problema, porque os veículos são organimuitas vezes, tomam a frente desses deba- caracteriza por sua pluralidade, pode ser zações que tem sua estrutura, seu modo
tes, clamam por mais igualdade, respeito representado por esses veículos? A demo- de agir, seus interesses e, aí, essas organie direito à voz. Mas essa não é uma luta cratização da mídia seria a solução? Mas zações começam a criar obstáculos para o
apenas de minorias,
acesso à informação. Isso é um dos pontos
como aconteceria essa democratização?
essa é a luta da poque temos que reflepulação
brasileira
tir no âmbito da coque tem o direito de
municação, os meios
“[...] TODO MUNDO TEM DIREITO AO ACESSO À INFORMAter acesso aos meios
não podem ser obsde
comunicação,
táculos.” No terceiro
ÇÃO. TODO MUNDO TEM DIREITO DE SABER O QUE ESTÁ
que tem o direito de
ACONTECENDO EM QUALQUER NÍVEL E GRAU DE PARTICIPA- momento, também
escolher também o
se destacam a aberÇÃO E DE PRESENÇA EM QUALQUER ÂMBITO SOCIAL”
que quer na mídia,
tura e a possibilidaque tem o direito de
de de acesso univerreceber a informação
sal aos suportes que
coordenador do Curso de Comusem o olhar, muitas vezes, prepermitem receber a
nicação Social - Jornalismo da informação. “E aí eu falo mais especificaconceituoso dos meios de comunicação.
Universidade de Caxias do Sul, mente em acesso à internet e à telefonia
Vivemos em uma sociedade que se caracteriza pelas diferenças dos sujeitos. pós-doutor em Comunicação, Álvaro Be- que hoje ainda são serviços pagos e não
Essa diferença é o que nos torna singula- nevenuto Jr. aponta três fatores impor- são todos que têm possibilidade de arcar
res em nossa pluralidade. Mas quando fa- tantes que devem ser pensados para esse com esse acesso. Então, aí, também tem
lamos nos meios de comunicação, a mídia sistema. “Primeiro a informação, todo uma questão política para se resolver para
em sua maneira de representar a socieda- mundo tem direito ao acesso à informa- democratizar o acesso a informação”, dede é plural? Dispomos de diferentes meios ção. Todo mundo tem direito de saber o clara Álvaro.
para nos informarmos. As notícias che- que está acontecendo em qualquer nível
Em contraponto com alguns anos atrás,
gam até nós via televisão, jornais, revistas, e grau de participação e de presença em o professor avalia que a comunicação de
O
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hoje está mais intensa. A internet e as redes sociais estão colaborando demasiadamente com a comunicação e sua fluidez. E,
em relação aos meios de comunicação de
massa, apesar da pouca representação entre os veículos de comunicação, eles estão
muito mais horizontais.
Para o jornalista porto-alegrense e professor universitário Juremir Machado,
a comunicação hoje é complexa. “Nunca
tivemos tanta informação circulando nem
tantos meios de difusão, mas falta transformar isso em conhecimento e em fator de
democratização”, alerta. O jornalista acredita que uma mídia democrática implica
em pluralismo, equilíbrio e autonomia.
Porém, para que isso ocorra, ele defende
“principalmente a quebra do controle dos
grandes grupos de comunicação nas mãos
de poucas empresas”.
É
Álvaro Fraga Moreira Benevenuto Junior
Pós-doutor em Comunicação e coordenador do
Curso de Comunicação Social - Jornalismo na
Universidade de Caxias do Sul.
inegável que a comunicação já deu
grandes passos no caminho para
uma mídia mais igualitária, porém,
ela ainda está longe de ser democrática. A
manutenção de preconceitos e estereótipos, a falta de voz de muitos em detrimento de poucos, entre outros, são elementos
ainda muito fortes nos meios. As conversas sobre democratização da mídia, apesar
de densas, ainda parecem ser incipientes.
Percebe-se que falta disponibilidade da
mídia em dialogar, falta o pulso forte do
governo em propor esses debates com os
grandes empresários e, até mesmo, a fiscalização em relação às concessões e informações. Além disso, políticas públicas
que envolvam a mídia são necessárias.
Regular não é censura, como aponta Álvaro: “eu acredito que é necessário ter algum
instituto que seja responsável pela vigilân-
“A SOCIEDADE BRASILEIRA
PRECISA SER EDUCADA PARA
CONSUMIR MÍDIA E NÃO A MÍDIA
FORMAR A POPULAÇÃO PARA SER
CONSUMIDA POR ELA”.
cia da postura ética. A sociedade brasileira
precisa ser educada para consumir mídia
e não a mídia formar a população para ser
consumida por ela. A democratização da
comunicação tem muito a ver com educação”. Enfim, o caminho ainda é longo, mas
democratizar é preciso.
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QUEM SÃO OS DONOS
DA MÍDIA?
Segundo dados do site Donos da Mídia,
o Brasil possui 9.477 veículos de comunicação e aproximadamente 271 políticos
sócios. Atualmente, tem-se cinco grandes
emissoras de televisão que detêm grande
parte da mídia no país, o que inclui os rádios, jornais e revistas.
REDE GLOBO: controlada pelas Organizações Globo, comandada pela família Marinho. É a maior rede de televisão do Brasil
e conta com 35 afiliadas que comandam
aproximadamente 340 veículos;
SBT: é administrado pelo Sistema Brasileiro de Comunicações, comandado pela família Abravanel. Possui 37 afiliadas e
195 veículos;
BAND: da família
Saad, é controlada pela
Rede Ban-
deirantes de Televisão. Possui 22 grupos
afiliados e 166 veículos;
RECORD: quem detém o poder é a Igreja Universal do Reino de Deus. Possui
30 grupos afiliados e 142 veículos;
EBC: administrada pelo Governo
Federal. Possui 12 grupos afiliados
e 95 veículos.
10
O WEBJORNALISMO
E A LÓGICA DA REDE
É IMPORTANTE PENSAR A LÓGICA DO JORNALISMO PARTICIPATIVO/
COLABORATIVO/CIDADÃO NO CONTEXTO DE REDE
MacBook
MacBook
Profª. Drª. Marlene Branca Sólio
Equipe de PP
F
alar sobre jornalismo na contemporaneidade exige passar por alguns conceitos. O primeiro deles é webjornalismo
(que não opomos a, mas pensamos diferente
de jornalismo online, eletrônico, digital,
cibernético, multimídia e eletrônico, em consonância com Canavillas).
O autor define: “Lo que entendemos por
webperiodismo es el periodismo que utiliza
herramientas de internert para investigar y
producir contenidos periodísticos difundidos
por la Web, y que tiene un linguaje propio
compuesto por textos, sonidos, imagines y
animaciones, conectados entre sí a través de
enlaces.”¹
Outro ponto importante é a mobilidade,
que vem atrelada ao conceito de ubiquidade.
Já “tempo real” não deveria ser noção pensada como atributo do webjornalismo, na
medida em que o rádio e a televisão já deram
conta dela faz muito. O que o webjornalismo
faz, e aí está o novo, é propiciar o encontro
do fato/notícia/evento com o leitor/usuário/
internauta em qualquer lugar, a qualquer
hora, mesmo com ambos em movimento.
Como bem descreve Palácios, “no ecossistema midiático contemporâneo, terá tanto mais
sucesso na apreensão do contexto aquele
que, emulando o que ocorreu nos albores
da nossa espécie no ambiente biológico,
tornar-se onívoro, passando a virtualmente
habitar todas as latitudes com igual poder
de adaptação. Onívoros digitais: eis a marca
da espécie dominante na atual ecologia dos
mídias.”²
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O
utro conceito fundamental à reflexão é o de
rede, que aqui, até pelo limite de espaço, pensamos “geminado” aos de colaboração/participação, que, por sua vez, remetem à discussão de como
se apresenta/desenha, o(s) jornalismo(s) colaborativo,
participativo, cidadão. Estamos em uma sociedade regida pelo capital. Isso traduz características como: crises econômicas cíclicas e estruturais (1890, 1930, 1970,
1980, 2000, 2008); supremacia do mercado; competitividade e concorrência acirrada; valorização da iniciativa privada; exploração do capital pelo trabalho e
subvalorização do poder e papel do Estado.
“JÁ NÃO SE TRATA, COMO
ENSINA A COMPLEXIDADE, DE
DEFINIR QUEM CHEGOU PRIMEIRO, SE A REDE
OU A WEB”
P
or que sublinhar essas características? Porque
elas serão responsáveis pelo macrodesenho
social e imprimirão ao cenário, em cascata, essas mesmas características, muitas vezes de forma
sutil, quase imperceptível. Mas, parafraseando Morin
(2004)³, fins perversos podem acabar servindo a boas
causas e boas causas podem levar a resultados sinistros.
Nessa linha, se olharmos pela via do determinismo histórico, o jornalismo tem se caracterizado, até recentemente, como tradutor da verdade única, normalmente
atrelada aos grandes grupos, representantes do que
chamamos mainstream media. Era muito difícil fazer
11
fluir para o social a análise, a crítica, a multiplicidade, os muitos pontos de vista, a discussão, aquilo que
Bakhtin chama de polifonia do discurso. Não se trata
de afirmar que isso tudo não acontecia, mas de dar-se
conta de que sempre havia “uma versão oficial”, uma
verdade (irre)tocada, uma voz que falava mais alto e,
portanto, ecoava.
A
inda recorrendo a Morin, podemos lembrar
que o homem transforma a sociedade que o
transforma. Assim, o avanço da tecnologia, a
era digital, a www, oportunizam (ou desnudam?) algo
do social que “circulava por baixo”, e que tropeçava
nos gargalos gerados por essa mesma tecnologia, inicialmente caudatária exclusivamente do poder econômico. É justamente nesse ponto que se institui a lógica
da rede. Já não se trata, como ensina a complexidade,
de definir quem chegou primeiro, se a rede ou a web.
Trata-se, isso sim, de pensar que as tecnologias digitais
deram a ver, ou deram espaço a uma lógica social outra que, por consequência irreversível, desnuda outra
forma de jornalismo, abrigada em valores como afrouxamento da hierarquia; polifonia, participação, colaboração.
C
omo diz bem Pablo Ortellado4 , “[...] mesmo
hoje, quando algumas redes sociais já se mantêm ativas há anos, boa parte da literatura sobre
redes permanece extremamente abstrata e tendo como
único referente real as redes de comunicação, como a
internet. Talvez, por causa disso, fosse necessário, antes de tudo, distinguir de maneira concreta as redes das
organizações tradicionais”. E, mais adiante, completa:
“[...] as redes permitem a convivência e o trabalho comum de grupos e indivíduos bastante diferentes, que
não precisam sacrificar suas posições particulares para
atuarem em conjunto. O que une aqueles que atuam na
rede são apenas objetivos bem determinados e princípios gerais que restringem numa medida razoável a
participação para que se mantenha uma mínima orientação política. Assim, ao pensarmos em jornalismo colaborativo/participativo/cidadão é preciso abrir o foco,
inserindo-o em novo contexto social que emerge: o de
rede.
Foto: Leonardo Borges
1. Webnoticia Propuesta de modelo periodístico
para la www. Livros Labcom, 2008.
2. In: BARBOSA, Suzana; MILENICZUK, Luciana
(Orgs.). Jornalismo e tecnologias móveis. Livros
Labcom, 2013.
3. MORIN, Edgar. Em busca dos fundamentos
perdidos. Porto Alegre: Sulina, 2002.
4. RYOKI, André; ORTELLADO, Pablo. Baderna:
estamos vencendo! Resistência global no Brasil.
Conrad Livros, 2004.
12
COWORKING COMO UM MEIO-TERMO ENTRE O
HOMEOFFICE E O ESCRITÓRIO CONVENCIONAL
Renata Chies
Hugo Araújo
Leonardo Lucena
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U
m publicitário desenvolve a campanha do
novo condomínio enquanto, na outra mesa,
um arquiteto desenha os projetos dos novos
apartamentos. Na sala ao lado, um advogado analisa o caso da semana e, na sua frente, um jornalista
escreve a matéria do dia. Um fotógrafo está editando
suas fotos no software desenvolvido por um programador, que deveria estar na mesa do canto, mas foi
na recepção buscar um café. Parece estranho? Pois
não é. Esse novo modelo de trabalho – o chamado
coworking – é prático, eficiente e está se tornando
mais comum a cada dia.
Coworking, traduzindo do inglês literal, significa
“companhia em funcionamento”, mas nada mais é
do que um novo modelo de trabalho, em que novas
ideias, compartilhamento e colaboração entre
diferentes profissionais são incentivados. O mesmo
espaço físico dividido entre áreas distintas, economizando dinheiro e compartilhando conhecimento.
O
termo foi criado no Estados Unidos, em 1999,
pelo autor e idealizador de jogos Bernie De
Koven. Em 2005, o programador Brad Neuberg usou a expressão para descrever um espaço físico,
primeiramente chamado de “9 to 5 group”. Neuberg
trabalhava em um apartamento com mais dois profissionais de tecnologia. Durante o dia, esse espaço abria
suas portas para outras pessoas que precisavam de um
lugar para trabalhar e buscavam um maior networking,
13
ou seja, uma maior rede de contatos para partilhar informações.
Esse sistema foi uma solução para o isolamento do
homeoffice: modelo de trabalho utilizado por profissionais autônomos e independentes, que possuem escritório em casa. O coworking surgiu, então, como um
meio-termo entre o escritório convencional e o próprio
homeoffice, não sendo tão formal quanto o primeiro e
nem tão liberal e isolado quanto o segundo.
E
xistem, atualmente, aproximadamente 2.500 espaços de coworking em 6 continentes. Dois deles
estão em Caxias do Sul: o Coletivo Labs, na Estação Férrea, e o UpWorks, na Avenida Itália.
“A ideia da Upworks Espaços Colaborativos surgiu
“[...] O PRINCIPAL MESMO
É O ‘PODER TROCAR IDEIAS’,
NÃO FICAR SOZINHO NO
‘MUNDINHO DA MINHA CASA’”
em 2012 quando eu e meu sócio, Carlos Alberto Bertotto, percebemos que Caxias do Sul não possuía ambientes compartilhados para trabalhar. [...] Por isso,
pensamos em criar um escritório compartilhado com
ambiente muito agradável, infraestrutura diferenciada
e que fosse referência como centro de negócios. Daí
surgiu a Upworks, [...] que hoje é um conglomerado de
boas ideias, empresas e empreendedores que compartilham muito mais que a estrutura física diferenciada
que criamos: compartilham suas ideias, aspirações e
realizações. E assim, a cada dia, todos têm mais ideias e
realizações aqui dentro!”, afirma Rafaella Saba Bertotto, criadora e fundadora da UpWorks.
A UpWorks possui muitos coworkers. Entre eles,
William Zimmermann, gerente de desenvolvimento de
sistemas da Kriterium Web Travel, de Gramado. Ele
afirma que “[...] embora seja um ambiente colaborativo, com outros profissionais e de outras empresas, um
ambiente assim pouco distrai. Tenho toda a estrutura
que preciso para realizar bem o meu trabalho”. Zimmermann ainda ressalta que “[...] o principal mesmo é
o ‘poder trocar ideias’, não ficar sozinho no ‘mundinho
da minha casa’”.
A
utonomia, flexibilidade de horários e um local
profissional adequado para atender clientes
são apenas algumas das vantagens trazidas
por esse novo sistema. Entre os benefícios financeiros
está o compartilhamento da infraestrutura (auditório,
salas de reunião, atelier, cozinha), dos equipamentos
eletrônicos (impressora, scanner, televisão), da linha
telefônica, da internet, da recepção e até mesmo das
máquinas de café.
Entretanto, todas essas vantagens estão longe de
atingir o principal benefício que o coworking traz para
quem o utiliza: a troca de ideias e experiências. Imagine
você, independente da sua escolha profissional, em
um ambiente onde diferentes áreas atuam como uma
mesma empresa física, mas no qual cada profissional,
no seu metro quadrado, possui uma nova empresa, um
novo negócio, um novo cliente. O foco não está apenas
no lucro, mas também na sociedade.
Então, caso você seja publicitário e trabalhe ao lado
de um advogado, na frente de um fotógrafo e tenha um
programador como vizinho de sala, não se preocupe.
Contudo, também não ache normal. O coworking está
longe disso, mas as melhores ideias fogem do comum.
14
TEMA DE MONOGRAFIA FAZ PROVOCAÇÕES SOBRE
NOVOS OLHARES EM RELAÇÕES PÚBLICAS
Natalia Biazus
Miguel Balbinot
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S
e tem algo em comum para todo estudante universitário, independente da área, é a monografia ou trabalho de conclusão de curso. E comigo
não seria diferente, sou estudante de Relações Públicas e apresento aqui um breve relato da pesquisa que
desenvolvi em minha monografia.
Para iniciar a pesquisa, busquei aproximar o
que aprendi sobre Relações Públicas durante a
faculdade com conceitos e teorias contemporâneas
da comunicação. Foi então que cheguei ao objeto
de estudo da monografia “Comunicação-trama e
interação complexa de sujeitos em Relações Públicas”
que desenvolvi com orientação da Professora Doutora
Maria Luiza Cardinale Baptista.
“A ÚNICA REGRA É QUE NÃO
TEM REGRA. QUE NÃO TEM
QUE SE ENGESSAR...SEM DIÁLOGO ISSO AQUI NÃO ANDA”
O referencial teórico do trabalho envolveu
textos sobre comunicação-trama, subjetividade e
complexidade na comunicação organizacional. Em
termos metodológicos, trata-se de um estudo de caso
combinado com pesquisa bibliográfica, e a parte de
campo foi realizada com a empresa Coletivo Labs
Coworking através das seguintes técnicas: diário de
campo, observação participante, entrevista aberta.
Por que o Coletivo Labs? Grande parte dos
trabalhos de pesquisa precisa de um estudo de caso
onde as teorias estudadas tenham conexão com a
15
realidade. Foi então que chegamos até o Coletivo Labs
Coworking. A escolha do Labs para estudo deu-se pelo
fato da empresa apresentar um modelo de negócio
em que as discussões teóricas propostas no trabalho
encontram um campo fértil para desenvolvimento.
Em funcionamento em Caxias do Sul desde 2011, o
Coletivo Labs trabalha em um modelo de gestão livre,
não engessado, em que as transformações, tanto no
plano físico quanto na tomada de decisões acontecem
a partir da interação das pessoas que estão conectadas
na rede de relacionamento do Coletivo. Atualmente, o
Labs trabalha em quatro frentes de atuação. São elas:
escritório coletivo, incubadora de empresas criativas,
projetos coletivos, e cursos, oficinas e eventos. O
coworking é um conceito que nasce da união de
pessoas que trabalham independentes umas das
outras dividindo o mesmo espaço físico de trabalho.
A pesquisa de campo aconteceu com a utilização de
diferentes ferramentas metodológicas: diário de campo, observação participante em reuniões e atividades
e entrevista aberta com a sócia-proprietária Geraldine
Moojen. Após a coleta de dados (6h30min de gravações) fez-se uma primeira exploração no conteúdo,
que resultou na decupagem do material coletado. Com
isso, chegou-se ao agrupamento de falas em categorias
buscando a conexão com os objetivos de pesquisa.
As falas expressas convergem tanto para o conceito da interação complexa de sujeitos, quanto para
a relação amorosa. Evidenciam um modelo fluido de
funcionamento, que se produz a partir do diálogo, do
encontro e da demanda do outro. A complexidade, a
aceitação da condição caótica e a interação complexa
de sujeitos dentro da rede acaba sendo o campo fértil de produção do Coletivo Labs, expressos na fala de
Geraldine: “a única regra é que não tem que ter regra.
Que não tem que engessar. Tem que esperar a pessoa
vir para poder modelar. Sem diálogo isso aqui não
anda. ”
Como resultado da pesquisa, pude observar que
a transversalidade do conceito comunicação-trama
conectado com a subjetividade, amorosidade e complexidade, permite compreender a comunicação para
além do sistema emissor/receptor. E para as Relações
Públicas, a relação do conceito contribui para a formação de um profissional mais sensível, capaz de ampliar
a visão dos públicos e enxergar também os sujeitos
que estão compreendidos neles, ou seja, relativizar
quem o é receptor.
O estudo de caso permitiu a aproximação das discussões teóricas com a prática vivida no Coletivo Labs,
apresentada por meio do recorte de falas. Além disso,
comprova a existência de um cenário propício para organizações que possuem o seu fazer e a sua produção
pautada pela aceitação de uma realidade complexa e
caótica. E é nesse cenário que se encaixam as discussões de aproximação das teorias contemporâneas com
a atividade de Relações Públicas como um campo de
potência líquida.
Dicas de Leitura
Sobre subjetividade: artigo “Psicomunicação: a
trama de subjetividades.” da Professora Maria
Luiza Cardinale Baptista, disponível na internet.
Sobre Comunicação-trama: livro “Comunicação:
trama de desejos e espelhos. Os metalúrgicos, a
televisão e a comunicação” escrito por Maria Luiza
Cardinale Baptista, Editora ULBRA, 1996.
Sobre complexidade na comunicação organizacional: livro “O diálogo possível: comunicação
organizacional e paradigma da complexidade.” organizado por Cleusa Maria Andrade Scroferneker.
EDIPUCRS, 2008.
Conheça o Coletivo Labs: acesse facebook.com/
coletivolabs
Faça uma visita: Rua Marechal Floriano, 1083.
Bairro São Pelegrino, em Caxias do Sul.
16
Estevan Daneluz
Diego Bordignon
FINANCIAMENTOS COLETIVOS DIVERSOS AJUDAM PESSOAS
E EMPRESAS A REALIZAREM SONHOS
INF / JUN 2015
V
ocê e seus amigos reúnem-se para assistir ao jogo do seu time do coração. Antes
do jogo começar, bate aquela fome e logo
um de vocês disca o número da pizzaria do bairro. Enquanto aguardam a entrega da pizza, uma
questão é levantada no grupo: quem vai pagar a
conta? Logo surge a ideia da tradicional “vaquinha” e tudo está resolvido.
Usar o diminutivo de um mamífero para denominar uma arrecadação de dinheiro, pode soar um
tanto infantil, mas esta expressão virou sinônimo
de assuntos de gente grande. Só que ao invés de
vaquinha, passou a ser chamada de crowdfunding,
que, traduzindo, significa financiamento coletivo,
e tem se mostrado inovador na realização de projetos.
O
crowdfunding é uma prática que envolve
o esforço coletivo de diversas pessoas para
angariar recursos para a realização de um
projeto nas mais diversas áreas como, por exemplo,
um projeto ambiental, cultural, social, campanhas
políticas, ajuda humanitária, desenvolvimento de
softwares, etc.
Os portais de financiamento coletivo começaram
a surgir no início do milênio nos Estados Unidos. O
mais famoso deles, Kickstarter.com, foi criado em
2009 e a grande maioria de seus projetos é voltada à
criação cultural e à inovação (referente ao desenvolvimentos de novos produtos e tecnologia).
No Brasil, o primeiro portal de financiamento
coletivo foi o Catarse.me, criado em 2011. O Catarse
possui uma história de sucesso com projetos
relacionados ao âmbito cultural e não por acaso, o
projeto de financiamento do sétimo álbum da banda
independente Dead Fish tornou-se o maior projeto
de plataforma do portal (segundo dados do próprio
Catarse).
Este mesmo portal, Catarse, realizou a pesquisa
“Retrato: financiamento coletivo no Brasil”, no período de 29 de agosto à 17 de setembro de 2013, a qual
17
constatou que a participação de cada região brasileira
no financiamento coletivo é basicamente proporcional à distribuição populacional no Brasil. E as áreas
de trabalho dos colaboradores que mais participam
do financiamento coletivo são comunicação e jornalismo, seguidas de administração e negócios e web e
tecnologia.
A pesquisa reuniu dados como o perfil do colaborador, qual a ideia dos colaboradores sobre o que é
financiamento coletivo, em quais setores o financiamento possui mais força e para quê os brasileiros estão
usando o financiamento coletivo.
Informações sobre como são os círculos de
influência em uma campanha e como um projeto
atinge diferentes camadas de pessoas, além da média
de idade dos realizadores e os principais aspectos de
uma campanha também foram levantadas.
“O FINANCIAMENTO
COLETIVO É O MELHOR JEITO
DE REALIZAR SEUS SONHOS”
Q
uando alguém tem um projeto - que faz uso
do financiamento coletivo - basicamente existem três níveis de alcance. No primeiro nível,
o projeto passa pelo crivo das pessoas próximas, como
amigos e familiares. A adesão de pessoas nesse nível é
crucial para que o projeto ganhe uma base forte.
O segundo nível é o momento em que o projeto ganha notoriedade e passa a ser recomendado para outras pessoas, ou seja, passa a ser recomendado para
os amigos de amigos. Este nível é importante, pois é
o momento no qual o projeto transcende o nível mais
pessoal e começa a ganhar força.
Já o terceiro nível acontece quando o projeto deslancha e ganha notoriedade pública. Para atingir este
nível, o projeto deve conter uma série de atribuições
como uma boa linguagem e exposição na mídia.
Em um projeto de crowdfunding, a campanha é um
fator importante para a sua concretização. Ela possui
três etapas, que são o pré-projeto, onde são elaborados
o planejamento de campanha, valor, a transparência e
as recompensas aos colaboradores.
Após, vem a etapa que se desenvolve durante a arrecadação, na qual são feitas a campanha, assim como
a divulgação entre a rede de amigos e, por fim, a parte
final da campanha, onde depois as arrecadações são
feitas as entregas as recompensas e é realizada a execução do projeto. Feito isso, é passado o feedback aos
apoiadores, com informações sobre todo o projeto.
A maioria dos projetos envolve um processo
chamado de recompensa, que visa atrair mais
colaboradores para aderir ao financiamento e,
consequentemente, ajudar na sua realização. Leandro
Bortolon, técnico do laboratório de informática do
CETEL/UCS, colabora com projetos de crowdfunding
e conta que além de engajar-se em com projetos nos
quais há uma recompensa, também colabora de forma
espontânea.
“Dependendo da recompensa, você ganha alguns
benefícios, como em um projeto de financiamento
de um CD, quando, ao contribuir, você tem acesso às
músicas em primeira mão”, explica Leandro, e conta
que não escolhe a recompensa onde ganha um CD autografado, afinal “não quer que nenhum músico fique
igual ao The Tramp”, personagem de Charles Chaplin,
que no filme Modern Times (1936), desenvolvia tiques
nervosos devido aos movimentos repetitivos em uma
linha de produção.
Quando indagado sobre o motivo de colaborar com
projetos de financiamento coletivo, Bortolon relata
que participa pois “acredita que seja um princípio de
iniciativa de economia solidária” e que “o financiamento coletivo é hoje o melhor método de realizar
seus sonhos”.
18
COMO FORMA DE SELECIONAR O CONTEÚDO RELEVANTE EM MEIO À
ÂNSIA COMUNICACIONAL, OS PORTAIS COLABORATIVOS SÃO UMA OPÇÃO
INTERESSANTE E FUNCIONAL PARA SE MANTER INFORMADO
Carina Pedroso
Leonardo Martins
INF / JUN 2015
H
á alguns anos, a internet tem nos proporcionado as mais diversas experiências no que diz
respeito à interação, comunicação e informação
direta. Somos surpreendidos por um verdadeiro bombardeio de informações e, muitas vezes, é realmente
difícil manter o foco e descobrir o que é conteúdo de
qualidade e o que é, infelizmente, sensacionalismo
puro e vazio.
Foi pensando nisso que, atualmente, diversos
portais de comunicação passaram a investir na colaboração e coletividade para criar uma nova forma de
informar. São os portais colaborativos, focados na
informação em sua essência, na troca de experiências
“...QUANDO ALGUÉM FAZ UMA
BUSCA, DESEJA LER A INFORMAÇÃO
DE UM ESPECIALISTA NO ASSUNTO
OU MESMO QUE TENHA VIVÊNCIA
NO ASSUNTO”
e descobertas, no comunicador que sabe o que fala
e, mais do que isso, para quem fala. Esses canais são
formados por profissionais graduados em outras áreas
além da Comunicação e que, em sua maioria, fazem
parte de colunas específicas do site para falar com total
propriedade do assunto abordado ali. Segundo trecho
do site Business 2 Community “(...) compartilhar informação através de um especialista torna o conteúdo
do seu blog muito mais confiável. Quando alguém faz
uma busca, deseja ler a informação de um especialista
no assunto ou mesmo que tenha vivência no assunto”.
Dentre os diversos portais colaborativos que a Internet possui, está o site Literatortura, voltado para
o conteúdo que une informações do meio literário e,
também, da literatura tanto clássica quanto a consi-
19
derada “comercial”, de maneira diferenciada. Gustavo
Magnani, idealizador e administrador do site, afirma
que a página, apesar do conteúdo literário, sempre
aborda os conteúdos de maneira a aproximar seus
leitores e jamais afastá-los com jargões ou considerações puramente acadêmicas. O portal trabalha com
diversos subtemas, o que, sem dúvida, é uma vantagem até para os leitores mais exigentes: “trabalhamos
com duas frentes: aquilo que comumente chama-se de
‘pauta quente’ e, por outro lado, a colaboração de estudantes de diversas áreas, que querem um espaço legal
para escrever e um grupo que possa dialogar não só
‘em cima’ de questões intelectuais, mas que também,
com o tempo, acaba gerando amizades absolutamente
verdadeiras e fortes”.
Os portais colaborativos podem ser a forma perfeita
de encontrar e garantir um público fiel ao seu trabalho: “acho que as nossas principais conquistas são os
leitores. Além disso, existe um reconhecimento que
parte de figuras artísticas e intelectuais, como vários
professores de universidades que nos seguem, como
o compartilhamento de matérias por nomes importantes, como o cartunista Laerte etc.”, afirma Gustavo.
Atualmente o Literatortura possui uma média de
70/100 mil pageviews/dia, números que só reforçam
a credibilidade da página. Gustavo Magnani acredita
ser importante sempre voltar atrás e admitir os erros,
algo que não é feito por grandes jornais, ou feito de
maneira muito discreta. Finaliza dizendo que a equipe
do Literatortura julga realmente importante a informação que chega aos leitores: “(...) por isso, muitas
vezes, nosso trabalho é de desmistificar o que foi dito
nos grandes conglomerados de notícias”.
Criatividade + Portfólio é o
“pulo do gato” para quem
quer aprimorar suas
habilidades e sair da média.
Você pode conferir outros portais colaborativos abaixo:
Nômades Digitais:
www.nomadesdigitais.com/comece-por-aqui
Catraca Livre:
www.catracalivre.com.br/geral/editoria/o-catraca
/criatividade.portfolio
Hypeness:
www.hypeness.com.br/sobre
[email protected]
54 3218 2611
ucs.br
20
Diúlit Oldoni
Rudinei Picinini
MUSEU ONLINE CONTA A VIDA
DE QUALQUER PESSOA
INF / JUN 2015
E
m filas de espera e demais lugares onde desconhecidos passam algum tempo juntos, há sempre
alguém disposto a ‘puxar’ assunto com você. O
diálogo começa com observações sobre o tempo e fatos
corriqueiros. Os minutos passam, e logo esta pessoa já
adquiriu confiança suficiente para se abrir sobre sua
vida e tudo o que há de profundo nela. Sem receios.
Apenas a inocência de mais um ser entre tantos que,
assim como todos os outros, traz consigo uma coleção
de histórias e a vontade de contá-las. Tudo isso porque cada indivíduo é diferente e especial, e merece ser
ouvido.
Entretanto, sabe-se que a honra de ter a própria
história contada e valorizada publicamente é para
“UMA HISTÓRIA PODE
MUDAR SEU JEITO DE VER O
MUNDO”
poucos. É como se a importância de uma história se
restringisse àqueles com algum tipo de visibilidade
nacional ou mundial e, aos demais, restasse apenas o
prazer de desfrutá-las. Para quebrar esta “regra”, na
qual apenas artistas e demais personalidades sob os
holofotes têm a chance mostrar-se ao mundo, foi criado o Museu da Pessoa. “Uma história pode mudar seu
jeito de ver o mundo”, este é o seu slogan. O Museu
se autointitula como um ativista da democratização da
memória social. A Instituição é online e colaborativa,
fundada em 1991, em São Paulo. Ela se mantém por
meio de Leis de Incentivo à Cultura e auxílio direto das
empresas interessadas.
No Museu, qualquer pessoa pode contar sua história de vida, seja ela quem for. De acordo com Andréia
21
Costa de Souza, do departamento de Comunicação
do Museu, a única exigência aos participantes é que
eles escrevam uma história. Em casos de gêneros textuais que não se enquadram à regra, ou de histórias
incompletas, o Museu entra em contato com o autor
para ajudá-lo a construir sua obra. Além de textos, as
pessoas também podem dar depoimentos em forma
de vídeo.
U
ma das histórias publicadas no Museu leva o
título “Você não é ninguém se não tem uma
história para contar”. E o Museu colaborativo
mostra que todos têm. A contação de histórias é, desde
os primórdios, a forma de comunicação mais atraente. O espaço colaborativo não permite apenas que as
pessoas possam ter um registro de suas vidas que vai
além da tradição oral, mas também que elas se sintam
especiais.
O processo de contar uma história e ser ouvido –
ou lido! - por vezes é inibido pela cultura da fama, comentada antes. É justamente esse o ponto em que a
Instituição se mostra especial e inovadora. Os museus
são, por definição, um meio de registrar ‘para sempre’
histórias importantes, e o que é mais importante que a
valorização das pessoas?
Contar uma história para o Museu da Pessoa é benéfico não apenas para o escritor, mas também para
o leitor, que tem a oportunidade de se deparar com
um relato que pode acrescentar algo à sua vida, assim
como acontece nos livros. As palavras têm poder, e
escrever um texto e externar as coisas boas que carregamos conosco, independente de quem somos, torna o mundo mais aberto e plural.
Um curso inovador e com uma bela
oportunidade para o seu futuro!
Alunos da UCS com mais de 80% das
disciplinas cursadas na graduação podem
fazer as disciplinas como eletivas e aproveitar
na própria pós mais adiante!
*O Museu da Pessoa está
disponível pelo endereço:
www.museudapessoa.net
Facebook.com/GestaoDeMarcasBranding
22
O FEEDBACK COMO FÓRMULA PARA
APERFEIÇOAR RESULTADOS
Kétlin Varela
Equipe de PP
INF / JUN 2015
V
ocê acha um blog que trata de assuntos
importantes, que tem um conteúdo
diferenciado. Entre tantos conteúdos
interessantes, encontra um texto com o qual não
concorda. Descendo a página, é possível perceber
um box de sugestões e críticas, espaço reservado a
comentários, o contato do autor... Outras situações
como esta são comuns também fora da web: caixinhas de sugestões, pesquisas de satisfação,
cartas do leitor nos jornais, a famosa pergunta “O
que você acha?” após uma conversa ou aula. As
pessoas que realizam projetos estão cada vez mais
interessadas em saber a opinião de seus públicos,
e todos nós somos responsáveis por ajudá-las
nisso. Dar feedback é uma ação importante para
todas as áreas e na comunicação não é diferente.
Mais que uma resposta, gerar feedback é literalmente realimentar a fonte de onde você
tira informação, afinal, o resultado das interpretações de um determinado público faz com
que o trabalho se desenvolva a partir de novos
olhares. Estudar os comentários e opiniões é,
atualmente, uma das maneiras mais eficazes
para que o emissor possa medir a reação do receptor, que quando contribui, soma com essas
ideias. Porém, é necessário lembrar que antes
de conseguir se aperfeiçoar a partir dessas avaliações é preciso enfrentar algumas barreiras.
23
F
requentemente, o ato de opinar é associado às
críticas que, de modo cultural, não são bem
recebidas. Ainda há um déficit muito grande em
saber aproveitar o que é construtivo e não deixar que o
feedback se torne um recurso desperdiçado por não se
saber lidar com diferentes reações. A compreensão de
que o público-alvo de um trabalho pode enxergá-lo com
novas possibilidades é fundamental para o crescimento
e aperfeiçoamento do mesmo, que acaba atendendo
melhor às expectativas com essa forma de colaboração.
Mas nem sempre é fácil conseguir engajamento por
parte de leitores, espectadores ou pessoas em geral. Incitar a vontade de contribuir ou simplesmente avaliar
INCITAR A VONTADE DE
CONTRIBUIR OU SIMPLESMENTE
AVALIAR SEUS PROJETOS PODE SER
UM TRABALHO ÁRDUO E DIFÍCIL,
VISTO QUE AS PESSOAS ESTÃO
ACOSTUMADAS APENAS A VISUALIZAR
E ABSORVER
seus projetos pode ser um trabalho árduo e difícil, visto que as pessoas estão acostumadas apenas em visualizar e absorver. A ideia de troca de informações acerca
de um material é ainda pouco utilizada pela maioria
das pessoas, mesmo com a facilidade da internet e das
novas tecnologias digitais. É provável que você mes-
mo se encontre em situações nas quais não tem um
comentário totalmente positivo sobre alguma coisa e
o acabe escondendo por medo ou vergonha de não ser
bem compreendido. Esse é um dos males mais comuns
que impedem o feedback ou que ele acabe sendo usado
para continuar ou melhorar muito do que vemos por aí.
P
ara que o feedback possa ser utilizado
de maneira efetiva, às vezes é necessário
destrinchar entre muitas generalizações e
julgamentos e procurar argumentos mais específicos,
através dos quais é possível realmente desenvolver
melhorias em seu trabalho. Comentários diretos, bem
intencionados, sugestivos e embasados podem fazer
com que erros e acertos sejam repensados, alcançando
os propósitos e verificando o alcance deles. Questionar
seu público diretamente pode ser uma boa maneira
de conseguir o tão desejado retorno, além, é claro,
de priorizar a comunicação direta e simples com ele.
É muito mais fácil responder a um post conciso que
motive a contribuir e expressar o que você acha do
que ficar frustrado em meio a rodeios, sem conseguir
compreender o que você leu ou ouviu. A interação
com o outro é a chave principal para despertar a
vontade de participar. Por isso, também é muito
importante dar retorno aos contatos que se obtém.
A comunicação, em sua essência, só acontece
quando conseguimos interagir e gerar reações sobre
aquilo que transmitimos. Sendo assim, o feedback
é não apenas a fórmula para alcançar objetivos
e resultados através da colaboração de quem
acompanha suas produções, mas sim, o caminho para
a comunicação por excelência, que exige troca entre
culturas, informações, fatos e dados, tão cruciais
para o desenvolvimento das relações humanas.
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