1 UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Pedagogia Alex Clayton Do Prado A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO JOVEM COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E SUA INCLUSÃO NO MUNDO DO TRABALHO EM LINS LINS – SP 2013 2 ALEX CLAYTON DO PRADO A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO JOVEM COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E SUA INCLUSÃO NO MUNDO DO TRABALHO EM LINS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, Curso de Pedagogia, sob a orientação da Profª Ma. Kátia de Moura Graça Paixão e orientação técnica da Profª Esp. Érica Cristiane dos Santos Campaner. LINS – SP 2013 3 Alex Clayton do Prado A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO JOVEM COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E SUA INCLUSÃO NO MUNDO DO TRABALHO EM LINS Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de Licenciado em Pedagogia. Aprovado em: _____/______/______ Banca Examinadora: Profa Orientadora: Ma. Kátia de Moura Graça Paixão Titulação: Mestra em Pscicologia pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”- UNESP, Marília. Assinatura:_________________________________________________ Profa: ______________________________________________________ Titulação: __________________________________________________ Assinatura:__________________________________________________ Profa: ______________________________________________________ Titulação: __________________________________________________ Assinatura:__________________________________________________ 4 DEDICATÓRIA Aos meus familiares, especialmente ao meu pai e a minha mãe, que com muito amor e simplicidade me encorajou sempre a terminar este trabalho e a nunca desistir dos meus ideais; em meio a toda dificuldade encontrada, e nos momentos da minha ausência souberam compreender. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus Altíssimo, por me iluminar, por guiar os meus objetivos e os meus sonhos, dando-me perseverança e motivação para concluir este trabalho. Ao meu pai Ademir e à minha mãe Solange, por terem feito tudo o que estava ao seu alcance para que eu pudesse concluir a graduação. À minha professora e orientadora Kátia de Moura Paixão, por ter me acolhido, por toda a sua dedicação e confiança em meu trabalho, pelas maravilhosas considerações para a pesquisa e por ampliar o meu conhecimento a cerca dessa pesquisa. A todos os amigos e familiares que me apoiaram de alguma forma na conclusão desta pesquisa, e compreenderam as minhas ausências e me incentivando nesta maravilhosa caminhada. 6 EPÍGRAFE "Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. (Mário Quintana) 7 RESUMO Desde a Declaração de Salamanca, é apontado a necessidade de criar uma política de educação inclusiva, que priorize especialmente a capacitação das escolas e centros especializados, afim de não oferecer somente a escolarização, mas que possa atender todos os jovens e adultos numa perspectiva de prepara-los para o mundo do trabalho. O direito das pessoas com deficiência intelectual na igualdade ao mundo do trabalho vem sendo discutido em Leis Nacionais e através de acordos Internacionais. Essa pesquisa analisa a inserção do jovem com deficiência intelectual no mercado de trabalho, levando em consideração como tem ocorrido esse processo de escolarização e profissionalização. Este estudo tem como resultado, o levantamento do processo de escolarização, preparação para o mundo do trabalho, a inserção do jovem deficiente na empresa, a relação interpessoal com os demais funcionários e ainda uma análise desde a antiguidade até o século XXI, como foram tratados os deficientes em cada período. Os dados foram analisados por meio de pesquisa qualitativa, através de entrevistas realizadas em escola pública, na empresa e com o jovem deficiente intelectual. As oficinas desenvolvidas na escola pesquisada, demonstrou a potencialidade de discutir sobre a inclusão de educação especial profissionalizante, uma vez que as pessoas com deficiência foram historicamente excluídas desse sistema de ensino. Considera-se que essa investigação contribui para uma reflexão sobre esse assunto que vem sendo discutido diariamente através de temáticas de inclusão no mundo do trabalho, ampliando assim a compreensão dos aspectos que envolvem o processo de inclusão do deficiente intelectual no mundo do trabalho. Palavras-chave: Pessoa com Deficiência Intelectual. Mundo do Trabalho. Relatórios da Entrevista. 8 ABSTRACT Since the Declaration of Salamanca, is indicated the need to create an inclusive education policy, which prioritizes especially the empowerment of schools and specialized centers, in order not only to provide education, but that can meet all young people and adults from the perspective of preparing them for the working world. The right of people with intellectual disabilities to equality in the workplace has been discussed in National Laws and through international agreements. This research analyzes the inclusion of youth with intellectual disabilities in the labor market, taking into account as it has this process of education and vocational training. This study has resulted in the lifting of the schooling process, preparation for the world of work, the inclusion of disabled young company in the interpersonal relationship with other employees, and an analysis from antiquity to the twenty-first century, they were treated the disabled in each period. Data were analyzed using qualitative research through interviews conducted in school, in company with the young and poor intellectual. The workshops held at the school researched, demonstrated the capability to discuss the inclusion of special education professional, since people with disabilities have historically been excluded from the system of education. It is considered that this research contributes to a reflection on this subject that is being discussed daily through thematic inclusion in the workplace, thus increasing understanding of the issues involved in the process of inclusion of the poor in the world of intellectual work. Key- words: People with Intellectual Disabilities. World of Work. Reports of Interview. 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Vida em grupo, trabalho agrícola e a caça.................................15 Figura 2: Civilização Romana......................................................................18 Figura 3: Período pós guerra.......................................................................20 Figura 4: Hospital psiquiátrico....................................................................27 Figura 5: Deficiente Intelectual, promoção no mundo do trabalho.........29 Figura 6: Inclusão e capacitação individualizada.....................................32 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................. 11 CAPÍTULO I - A PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL- ASPECTO HISTÓRICO ...................................................................................................... 13 CAPÍTULO II - A PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E O MUNDO DO TRABALHO ................................................................................................ 25 CAPÍTULO III - RELATOS ................................................................................ 34 3 RELATOS DA ESCOLA FORMADORA.........................................................34 3.1 RELATOS DO JOVEM COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL......................39 3.2 RELATOS DA EMPRESA CONTRATANTE................................................42 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO ..................................................................... 45 CONCLUSÃO ................................................................................................... 47 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 49 APÊNDICES ..................................................................................................... 51 11 INTRODUÇÃO A presente pesquisa analisa o tema ‘a formação profissional do jovem com deficiência intelectual e sua inclusão no mundo do trabalho em Lins’, através de pesquisa desenvolvida no primeiro semestre de 2013. O objetivo da pesquisa foi analisar a inserção do jovem com deficiência intelectual no trabalho formal e seu processo de formação e qualificação. Existem diferentes conceitos para definir a deficiência intelectual, o jovem pesquisado encontra-se com debilidade média, através do auxílio da escola que oferece a alfabetização e cursos nas oficinas, a orientação da família, ele conseguiu adaptar-se ao convívio social e do trabalho. Questiona-se como o jovem com deficiência intelectual tem se inserido na vida social e do trabalho. Mediante análise de literatura da conceituação do que a deficiência intelectual desde a antiguidade e até as Leis, e principalmente por meio das entrevistas com os agentes envolvidos nesse processo. Analisase como tem ocorrido a formação desses jovens com deficiência intelectual egresso da escola municipal, e qual a contribuição da formação e qualificação profissional. Foram surgindo algumas hipóteses através das leituras que foram realizadas, buscava em cada leitura uma resposta quanto ao processo de formação e de qualificação profissional do jovem deficiente e sua inserção formal no mundo trabalho. O processo de pesquisa ocorreu inicialmente, por meio de pesquisa exploratória, através de conversas informais, com educadores, gestores, do município de Lins. A pesquisa qualitativa e sua análise seja ela desenvolvida através da observação ou da entrevista pretende analisar, compreender os dados do campo, neste sentido, a observação social seria mais uma forma de compreender a realidade. A entrevista foi realizada em três momentos: inicialmente com o jovem trabalhador deficiente intelectual, incluindo a participação do seu pai. Em um 12 segundo momento da empresa, que emprega o deficiente intelectual, o gerente apresentou informações relevantes a cerca de que a inserção do deficiente é tão comum que se torna algo necessário em todas as empresas, não somente pelo cumprimento da Lei de Cotas, e sim pela responsabilidade de permitir que essas pessoas sintam-se acolhidas e que desempenhem suas funções como qualquer outro cidadão. No terceiro momento, a entrevista acontece no espaço de formação e escolarização do aluno com deficiência, é possível perceber que o trabalho realizado pela escola, soma e muito nas práticas de trabalho, no entanto ainda percebe-se que existe a falta de oficinas que tenha o segmento a profissionalização. A pesquisa está dividida em três capítulos que partem desde a análise do conceito, terminologia desde a antiguidade até o século XXI, e vem até a prática do trabalho através das Leis de proteção que garante o direito de inserção no mundo do trabalho. O capítulo 1 intitulado: a pessoa com deficiência intelectual- aspecto histórico: uma análise contextualizada através do período histórico do deficiente intelectual, demonstra-se, como era visto pela sociedade, o que acontecia com esses deficientes nesses períodos. No capítulo 2, intitulado: o mundo do trabalho e a pessoa com deficiência intelectual: remete-se a análise do mundo do trabalho, através de conceito médico, através da Declaração de Salamanca, neste capítulo, apresenta-se algumas ideias de como é visto a pessoa com deficiência no trabalho a partir dessa conceituação. No capítulo 3, intitulado: relatos da escola formadora, do jovem trabalhador e da empresa, desenvolve-se a análise qualitativa do campo de pesquisa, abordando os relatos desses agentes nesse processo de inclusão. Para as considerações finais, do trabalho apresenta-se as ideias do que pode se tornar viável para entender o processo de formação profissional aos deficientes intelectuais, valorizando o processo de escolarização que muito tem acrescentado aos jovens deficientes, através da Proposta de Intervenção e Conclusão. 13 CAPÍTULO I A PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL- ASPECTO HISTÓRICO Em diferentes épocas, a deficiência foi denominada de diferentes modos: deficiente intelectual, portador de deficiência mental, débil mental, idiota, excepcional, inválido, retardado mental, maluco ou louco? Na era Paleolítica ou conhecida como idade da Pedra Lascada, não se plantava, dependia-se praticamente da caça de alguns animais, esses animais não eram domesticados, sendo assim o grupo dependia exclusivamente de alguns animais exclusivos, que por sinal eram muito cobiçados naquela época. Para participar da caça, um dos requisitos básicos senão o exclusivo “[...] era a sua inteligência muito superior à dos animais cobiçados, a capacidade de atuar em grupos bem coordenados e criativos.” (SILVA, 1987, p.12) Sendo assim, não imagina-se como as pessoas com deficiências intelectuais sobreviveriam nesses grupos, onde a capacidade intelectual era necessidade de sobrevivência. Já na época Mesolítica, período intermediário o homem conseguiu significado desenvolvimento no que se refere á sobrevivência, inclusive aprendeu a fazer o fogo. Através desse desenvolvimento se compreende a necessidade de ter o intelecto preservado. Certamente foram muitas tentativas de sobrevivência, já no final desse período, foram necessários fazer amputações de pés e de mãos conforme o autor “[...] e também a incrível cirurgia craniana conhecida como ‘trepanação’, com a comprovada sobrevivência do ‘operado’.” (SILVA, 1987, p.14) Conforme o citado, a própria trepanação, cirurgia ou abertura de um orifício no crânio, indica uma crença primitiva de origem desconhecida de males físicos ou mentais. Nesse mesmo período, instrumentos pontiagudos surgiram para facilitar a caça, customização de vestimentas e auxiliar nas intervenções cirúrgicas. 14 Neste sentido, o conhecimento do homem se fez necessário, pois muitos deles não se dedicavam somente a caça, em parte muitos se dedicavam em aliviar as dores, estancar sangue e fazer a cura através do procedimento cirúrgico. Porém toda essa experiência se deu a partir de observações constantes e contínuas, onde uma pessoa com o intelectual afetado não teria condições de contribuir para o grupo. Na era Neolítica, cerca de 8.000 anos atrás, a deficiência era causada principalmente por questões genéticas, devido às relações sexuais, pela falta de higiene do ambiente que os cercava. Em cada época foi usado um termo, atrelado a visões sobre o ser deficiente, no qual será apresentado neste capítulo. Anomalias físicas ou mentais, deformações congênitas, amputações traumáticas, doenças graves e de consequências incapacitantes, sejam elas de natureza transitória ou permanente, são tão antigas quanto a própria humanidade. (SILVA, 1987, p.21) Segundo Silva (1987), o homem descobriu segredos básicos da natureza, da domesticação de animais e da agricultura. O trabalho agrícola era a base de sobrevivência e através disso se tinha a relação social, o homem dependia da força do seu corpo para o trabalho, e especialmente para garantir o seu território. O homem usava do seu conhecimento intelecto para desenvolver o plantio, e assim estabelecer a sobrevivência de si e de seu grupo. O papel da esposa, era de desenvolver artesanato, cozinhar e cuidar dos filhos e dos homens do grupo. A pessoa que tivesse qualquer tipo de deficiência, física ou intelectual (mental), que fosse impedida de realizar os trabalhos da tribo, trabalhos esses de sobrevivência ou mesmo dela própria era abandonada a própria sorte, a imagem abaixo retrata este período, onde a vida em grupo, se fazia necessária, a necessidade do trabalho agrícola e especialmente a caça de animais, funções essas tradicionais para a sobrevivência em grupo. Todos tinham suas funções, e mesmo em grupo a troca era necessária. 15 Figura 1: Vida em grupo, trabalho agrícola e a caça fonte: www.biologiapequenograndemundo.blogspot.com.br , 2013 A vida do grupo, foi se tornando cada vez mais sociável e cada vez menos difícil e perigosa, uma vez que a interação com o ambiente facilitava ainda mais o domínio da pratica da caça. “Em alguns casos o indivíduo gravemente ferido não falecia, mas podia ficar vitimado e se tornava limitado para a atividade principal da qual originalmente participava: a caça ou a guerra.” (SILVA, 1987, p.36) Grande parte dos primitivos, tinha o extermínio como solução para os problemas das deficiências físicas ou mentais. Pensando ainda nas três eras, a morte acontecia devido à pressão causada pelas dificuldades em conseguir mais alimentos ou mesmo de cuidar de si mesmo, afim de garantir sua integridade física na hora do perigo. Na história da civilização Egípcia, as pessoas que apresentavam indícios de males graves, tais como deficiências físicas ou mentais adquiridas através de malformações congênitas ou de acidentes causados pela guerra não eram excluídos dos grupos sociais. As pessoas com grandes lesões físicas faziam trabalhos escravos, ou eram inseridas em alguma função de acordo com a sua condição física ou mental. Segundo os médicos do Antigo Egito, as doenças graves e as deficiências físicas ou os problemas mentais graves eram provocados por maus espíritos, por demônios ou por pecados de vidas anteriores que deviam ser pago. (SILVA, 1987, p.34) 16 Ainda assim na civilização Egípcia pessoas com doenças graves e mentais não poderiam ser reprimidas, a não ser pela ação dos deuses, que muitas vezes usavam as preces, exorcismos ou encantamentos como forma de executar o trabalho médico ou terapêutico. Na civilização Grega, “[...] é mais fácil ensinar a um aleijado a desempenhar uma tarefa útil do que sustentá-lo como indigente.” (SILVA, 1987, p.63) Ainda assim, existia outra forma de dispor das crianças malformadas, doentias ou com deficiência mental, para que não chegasse a fase adulta. Isso não remetia diretamente a morte, mas se dava a exposição e essa era o próprio abandono que de fato, era deixar a vida a própria sorte de viver ou morrer. Recorriam os seus habitantes a lugares considerados como sagrados, tais como as florestas, os vestíbulos dos templos, as beiras dos rios, as cavernas, onde as crianças eram deixadas bem embrulhadas numa grande panela de barro ou num cesto, com roupas que continham seus símbolos maternos. (SILVA, 1987, p.84). Os símbolos bordados nas roupas, poderiam identificar a família que fez o abandono, caso a criança morresse era usado a manta para usar em seu funeral. Apesar de ser aceito a prática do extermínio, foi na Grécia que ocorreu os primeiros atendimentos médico e assistencial com os indivíduos que lutavam com outros povos. A deficiência na Grécia era de origens congênitas ou adquirida através das lutas, existia somente três tipos de deficientes: Os multilados ou deficientes devido a ferimentos ou acidentes próprios da guerra e de atividades afins; Os prisioneiros de Guerra com deficiência física, ou os detentos criminosos civis, cuja mutilação ou deficiência era causada por uma pena ou castigo; Os deficientes civis por doenças congênitas ou adquiridas, ou também por acidentes variados. (SILVA, 1987, p.97) As pessoas com deficiência eram aniquiladas da sociedade por serem consideradas fisicamente fracas, elas de certa forma não poderiam demonstrar que estavam inaptas para disputar batalhas e guerras com outras civilizações. 17 De acordo com as ideias da medicina grega, a pessoa com deficiência mental era aquela que demonstrava comportamentos inadequados pela sociedade, há poucos relatos da deficiência mental na civilização Grega. Na civilização Romana, os deficientes mentais e outros deficientes, nascidos com malformação eram ligados diretamente a casas comerciais, a tavernas, a bordéis e nas atividades circenses, faziam muitas vezes serviços simples e muitas vezes eram submetidas a serviços humilhantes. Na Roma dos tempos dos Césares, ou seja, em séculos mais sofisticados e menos bárbaros, deficientes mentais, em geral tratados como ‘bobos’, eram mantidos nas vilas ou nas propriedades das abastadas famílias patrícias, como protegidos do ‘pater famílias’. (SILVA, 1987, p.89) Isso ocorreu durante muitos séculos na história da Humanidade Romana. Com a era do Cristianismo, se voltou tudo para a caridade, para o amor ao próximo, para o perdão das ofensas, para a valorização do individuo a e compreensão das diferenças, da pobreza, da simplicidade e da humildade da vida, incluindo os deficientes mentais. O Cristianismo, um novo e mais justo posicionamento quanto ao ser humano em geral, ressaltando a importância devida a cada criatura como um ser individual e criado por Deus, com um destino imortal - o que, sem dúvida, muito beneficiou os escravos e todos os grupos de pessoas sempre colocadas de lado e menosprezadas na sociedade romana, tais como os portadores de deficiências físicas e mentais, antes considerados como meros pecadores ou pagadores de malefícios feitos em vidas passadas, inúteis, possuídos por maus espíritos, ou simplesmente como seres que, em muitos casos, deveriam continuar sendo eliminados ao nascer, segundo as leis e costumes de Roma recomendavam há séculos. (SILVA, 1987, p.105) A Igreja, foi responsável por diversas organizações, cuja missão era desenvolver um papel auxiliador frente ás pessoas segregadas. Eles praticavam a caridade e a fraternidade para conquistar o reino do céu, acreditava que se fizesse o bem, o bem colheria para o resto de sua vida. Segundo Silva (1987), no final da idade média, o corpo com anomalias e lesões era visto pela Igreja como forma de punição pelos pecados cometidos por seus pais durante o processo de suas vidas. 18 Por causa da deformidade e da anomalia, sob influência das ideias religiosas o indivíduo diferente era visto como desumano. Figura 2: Civilização Romana Fonte: www.icepbrasil.com.br, 2013 A civilização romana buscava a perfeição estética corporal sendo assim a deformidade é visto como monstruosidade, os bebês eram vistos como pequenos monstros e muitos eram afogados ou sufocados. Algumas crianças tinham a sorte de serem abandonadas, assim garantiam suas vidas, pois eram levadas pelos escravos. Os deficientes passaram a ser considerados indivíduos de Deus, dignos de proteção e cuidados especiais, sua alma não era deformada, uma grande alma poderia ser encontrada em um corpo disforme dos padrões estabelecidos pela sociedade. Durante o movimento renascentista, com o surgimento da ciência, a medicina aprofundou os estudos referentes a causa da deficiência intelectual e julgou que os problemas cognitivos, faziam parte da estrutura cerebral. Nesse período inicia o processo de tratamento médico aos deficientes intelectuais, que juntou-se também as prostitutas, idosos, indigentes, criminosos, loucos, acredita que esse tratamento poderia ser feito a partir de um trabalho coletivo. Não respeitando em si cada particularidade ou necessidade das diferentes doenças. Dos séculos XVI ao XVIII, estudos foram realizados no período da Idade Moderna, para objetivar as causas da deficiência mental e através do estudo buscava compreender a relação ou não com as doenças mentais. 19 Até o século XVI ás crianças com retardo mental profundo eram consideradas em certos meios como entidades que se assemelhavam a seres humanos, mas que não o eram. Havia a crença generalizada principalmente entre alguns religiosos que essas crianças ocupavam o lugar e chegavam a substituir mesmo crianças normais, através da atuação e interferência diretas de maus espíritos, de bruxas ou de fadas maldosas e de duendes demoníacos. (SILVA, 1987, p.164) Era questionado na época que mesmo pessoas com altos conhecimentos intelectuais, ainda acreditavam nesses rótulos de que o corpo estava com maus espíritos. O comportamento social do deficiente mental era como o da pessoa com deficiência intelectual de hoje, mas o que diferenciava eram os estímulos e a forma como eles eram vistos pela sociedade, conseguia comer, fazer suas necessidades físicas. Segundo Fonseca (1995), os estudos de Jean Itard, realizados no século XIX, na França sobre a Educação Especial, acerca da pesquisa com o menino selvagem que nunca foi socializado com qualquer grupo de indivíduos, Vitor o ‘menino lobo’ como foi conhecido passou grande parte de sua vida em recuperação com Jean Itard. Jean Itard, foi considerado um dos primeiros a realizar o estudo sistemático de reabilitação de uma criança com deficiência mental, através das pesquisas de Itard, ouve revolução da Educação Especial, pois suas descobertas serviram de base para propostas significativas para quem trabalha com a Educação Especial. Segundo Silva (1987), no século XX, pesquisas voltadas a deficiência mental, ganharam destaques e avanço, uma vez que iniciou as análises entre a loucura e a idiotia. Nesse mesmo século, o termo ‘inválido’, era usado para retratar indivíduos sem valor: essa pessoa era vista socialmente como inútil, um peso morto para a sociedade, alguém sem valor profissional. Em seguida, após a I e II Guerras Mundiais, usava-se o termo ‘incapazes’, pois a guerra produziu incapacitados: a deficiência reduzia a capacidade da pessoa em todos os aspectos, físico, psicológico, social e profissional. 20 Figura 3: Período pós guerra fonte: www.agentesdahistoria.blogspot.com.br, 2011 Em meados de 1960 até 1980, foram usados diferentes termos, entre eles o termo ‘defeituoso’, ‘deficiente’ e ‘excepcional’, o defeituoso tinha o aspecto de deformidade, especialmente a característica física. Já o deficiente poderia ser qualquer tipo que externasse aspectos defeituosos, como exemplo indivíduos com deficiências múltiplas, sendo ela física, auditiva ou visual, o excepcional era na época o deficiente intelectual de hoje. A Organização das Nações Unidas (ONU), refletindo sobre os problemas sociais acerca do desenvolvimento de diretrizes em torno das deficiências, no ano de 1971, faz a Assembleia Geral para a aprovação de uma resolução que mais tarde se tornará a Declaração dos Direitos das Pessoas com Retardo Mental. As pessoas deficientes têm os mesmos direitos civis e políticos que outros seres humanos: o parágrafo sétimo da Declaração de Direitos das Pessoas com Retardo Mental aplica-se a qualquer possível limitação ou supressão desses direitos para as pessoas mentalmente deficientes. (Declaração dos Direitos das Pessoas com Retardo Mental, 1975) A citação acima é uma parte da Resolução que foi aprovada pela ONU, no dia 9 de dezembro de 1975. Mais tarde, um ano depois em 16 de dezembro de 1976, foi aprovada a Resolução que define o ano de 1981, como o Ano Internacional para as Pessoas Deficientes, e por isso se deu o nome de ‘Pessoas Deficientes’. Um dos objetivos desse encontro Internacional, era de possibilitar a conscientização do mundo todo frente à problemática das pessoas portadoras de deficiências. 21 De 1981 até 1987, a Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo o Brasil, discutiu mundialmente uma forma de encontrar um termo adequado para se remeter ao deficiente. No ano de 1988 até 1993, alguns representantes de organizações de pessoas com deficiência, apresentaram a ideia de que o termo usado ‘pessoa deficiente’ denotava que a pessoa num todo se encontrava como ‘deficiente’, isso era inaceitável uma vez que sabemos que cada deficiente tem as suas peculiaridades. Logo em seguida, somente o Brasil modificou esse termo utilizando ‘pessoas portadoras de deficiência’, que rapidamente foi alterado para ‘portadores de deficiência’. Esse termo ‘portadores de deficiência’, foi incorporado à Constituição Federal, leis estaduais, e nas políticas públicas e organizações representativas. Em junho de 1994, com a Declaração de Salamanca, é priorizado à educação inclusiva para todos que tenham ou não uma deficiência. Reconvocando as várias declarações das Nações Unidas que culminaram no documento das Nações Unidas ‘Regras Padrões sobre Equalização de Oportunidades para Pessoas com Deficiências’, o qual demanda que os Estados assegurem que a educação de pessoas com deficiências seja parte integrante do sistema educacional. Notando com satisfação um incremento no envolvimento de governos, grupos de advocacia, comunidades e pais, e em particular de organizações de pessoas com deficiências, na busca pela melhoria do acesso à educação para a maioria daqueles cujas necessidades especiais ainda se encontram desprovidas; e reconhecendo como evidência para tal envolvimento a participação ativa do alto nível de representantes e de vários governos, agências especializadas, e organizações intergovernamentais naquela Conferência Mundial. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, p.1) 2. O direito de cada criança a educação é proclamado na Declaração Universal de Direitos Humanos e foi fortemente reconfirmado pela Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Qualquer pessoa portadora de deficiência tem o direito de expressar seus desejos com relação à sua educação, tanto quanto estes possam ser realizados. Pais possuem o direito inerente de serem consultados sobre a forma de educação mais apropriadas às necessidades, circunstâncias e aspirações de suas crianças. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, p.3) A inclusão de crianças, jovens e adultos no sistema regular de ensino é o ponto de partida, sobre a qual a Declaração de Salamanca discorre.(1994) 22 A Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais foi feita pelo governo espanhol, com ajuda do Unesco. A Declaração de Salamanca repercutiu de forma significativa, é considerada um dos principais documentos mundiais que visam a inclusão social, incorporando nas políticas educacionais brasileiras. Em 2004, a Declaração de Montreal, define a deficiência mental como deficiência intelectual. Pessoas com deficiências intelectuais e outras deficiências, familiares, representantes de pessoas com deficiências intelectuais, especialistas do campo das deficiências intelectuais, trabalhadores da saúde e outros especialistas da área das deficiências, representantes dos Estados, provedores e gerentes de serviços, ativistas de direitos, legisladores e advogados, reunidos na Conferência Internacional sobre Deficiência Intelectual, da OPS/OMS (Organização Panamericana de Saúde e Organização Mundial de Saúde), entre os dias 05 e 06 de outubro de 2004, em Montreal, Canadá, (DECLARAÇÃO DE MONTREAL SOBRE A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL, 2004, p.1) O termo deficiência intelectual, surgiu em meados do século XXI, esta nova expressão, vem sendo usada nas reflexões e discussões de políticas sociais. Este termo ainda pode ser encontrado na legislação brasileira. Segundo a Declaração de Montreal, (2004) as pessoas com deficiência intelectual, são como outros seres humanos, nascem livres, são iguais em dignidade e tem os mesmos direitos. Segundo a Associação Americana de Deficiência Intelectual e Desenvolvimento (AAIDD) (2006), antes chamada de Associação Americana de Retardo Mental que é referência mundial, a deficiência intelectual esta pautada em cinco eixos: habilidades intelectuais, comportamento adaptativo, participação, interações e papéis sociais. Segundo a AAIDD, (2006) a deficiência é definida como limitações que afetam o funcionamento intelectual, acompanhado de limitações em algumas áreas de habilidade: comunicação, auto cuidados, habilidades sociais, relação interpessoal, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. De acordo com a AAIDD, (2006) a mudança de deficiência mental para deficiência intelectual, ocorreu a partir da necessidade de adequar e 23 compreender uma a incapacidade por importantes limitações, no fator intelectual e no comportamento adaptativo. A presença da deficiência não implica, sempre, em dificuldade de aprendizagem. De outro lado, inúmeros alunos apresentam distúrbios de aprendizagem sem serem, necessariamente, portadores de deficiência. Mas, ambos os grupos tem necessidades educacionais especiais, exigindo respostas educativas adequadas, além de medidas preventivas para evitar que, na escola, os casos se originem ou intensifiquem. (BRASIL, 2006, p.32) A citação acima, define que a deficiência intelectual, é apenas um fator que compromete em parte o intelecto, ela compromete apenas algumas áreas e não o todo, sendo assim pessoas sem a deficiência também estarão sujeitos a ter necessidades educacionais, inclusive adaptativas se este não estabelecer uma relação de contato com o meio que o cerca. A deficiência, poderá ser mais leve ou intensa, pessoas com essa deficiência apresentam humor variado, e muita dificuldade na relação interpessoal. A doença mental, não é caracterizada como deficiência, é caracterizada como doença, algumas pessoas possuem as duas patologias. Através de mecanismos internacionais, a AAIDD, operacionalizou um sistema multidimensional para que pudesse ter uma dimensão mais completa e eficiente para apontar cada particularidade da deficiência intelectual. A Deficiência Intelectual é definida como limitações importantes que afetam o funcionamento intelectual, significativamente abaixo da media, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto cuidados, habilidades sociais e interpessoais, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. O Inicio desse processo deve ocorrer antes dos 18 anos. (AAIDD, 2006, p 32) Através da citação acima, entende-se que o deficiente intelectual, não carrega consigo uma doença, ele tem apenas uma incapacidade intelectual inferior a de qualquer pessoa comum, seja pela comunicação, auto cuidados, habilidades sociais e interpessoais, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. Ainda assim se pontuar as suas particularidades, cada deficiente tem um desenvolvimento diferente do outro, levando em consideração que o meio em que ele está inserido é fator relevante para essa tomada de desenvolvimento, 24 ou seja, através da sua própria peculiaridade, os deficientes possuem habilidades e mantêm uma relação normal com o meio. A história da deficiência é um campo vasto e infinitamente diversificado, diversos problemas foram enfrentados desde as Eras, Paleolítica, Neolítica e Mesolítica até os dias atuais. Contudo esse primeiro capítulo apontou alguns contextos históricos, dessa forma acredita-se ser importante participar de estudos e contribuir para que cada vez mais deficientes de diferentes peculiaridades e limitações possam ter uma vida comum. 25 CAPÍTULO II A PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E O MUNDO DO TRABALHO Nós trabalhamos porque precisamos do dinheiro para sobreviver. Mas também trabalhamos porque isso contribui para a nossa dignidade, o nosso valor como pessoas. O trabalho nos dá mais controle sobre a nossa vida e nos conecta com as outras pessoas. Sinto-me realmente privilegiado em ser remunerado pelo que adoro fazer . Toda sociedade que exclui pessoas do trabalho por qualquer motivo – sua deficiência ou sua cor ou seu gênero - esta destruindo a esperança e ignorando talentos. Se fizermos isso, colocaremos em risco todo o futuro. (Robert Whithe, SASSAKI, 1997, p.59) Em diferentes épocas, como apresentado no capítulo anterior, Paleolítica, Neolítica e Mesolítica, até meados a década de 60, empregar deficientes era visto como uma exploração, e por isso deveria ser punido e condenado por lei quem adotasse essa prática. Segundo Sassaki (1997), a exclusão social repercutiu por vários séculos, a exclusão acontecia em todos os setores, de forma total, ás pessoas com deficiência era excluída da sociedade porque eram vistas como inválidas, sendo incapazes de serem utilizadas para o trabalho. A partir do final da década de 60, o movimento pela integração social, começou a inserir as pessoas com deficiência nos sistemas de educação, do trabalho, da família e do lazer. Segundo Correia (1997), foram criadas as denominadas escolas especiais, com o objetivo de separar e isolar as crianças com deficiência, assim seria uma forma de demonstrar uma resolução de problemas que afetavam a sociedade. A década de 60, por exemplo, testemunhou o boom de instituições especializadas, tais como: escolas especiais, centros de habilitação, centros de reabilitação, oficinas protegidas de trabalho, clubes sociais especiais, associações desportivas especiais. (SASSAKI, 1997, p.31) 26 Conforme o citado, a ideia de integração seria o contrário da exclusão, permitindo a participação da pessoa com deficiência no contexto social. Antes de se pensar na integração social, o modelo médico da deficiência tenta melhorar o comportamento dessas pessoas para adequá-las na sociedade. Na visão médica “[...] a pessoa deficiente é que precisa ser curada, tratada, reabilitada, habilitada etc. a fim de ser adequada à sociedade como ela é, sem maiores modificações”. (SASSAKI,1997, p.29) A partir dessa visão médica, a sociedade resiste á necessidade de modificar suas estruturas já estabelecidas para integrar no seu meio social as pessoas com quaisquer tipos de deficiências. Segundo Bianchetti, (1998) com a visão médica iniciou estudos de pesquisas para compreender a deficiência. De todo modo, diversas vantagens se oferecem para o deficiente ao passar das mãos do inquisidor às mãos do médico. Passando pelas instituições residenciais no século XIX e as classes especiais no século XX. No século XIX, os médicos passaram a dedicar-se ao estudo desses seres diferentes- os deficientes, como eram chamados. (BIANCHETTI, 1998, p.45) Esse modelo médico, tenta de certa forma, melhorar as pessoas deficientes e estabelecer uma adequação aos costumes da sociedade, ora através de uma reflexão da Antiguidade, ou de integração até a Educação especial, como as classes especiais. No processo de integração social, no final da década de 60, visava vencer as práticas da exclusão social, que perseguiram durante vários séculos, os deficientes e suas debilidades. “Se algumas culturas simplesmente eliminavam as pessoas deficientes, outras adotaram a prática de interná-las em grandes instituições de caridade, junto com doentes e idosos”. (SASSAKI, 1997, p. 1) Na imagem abaixo, é retratado na década de 60, que em hospitais psiquiátricos existia a esperança de permitir a integração total, mesmo que 27 fosse misturado jovens com idosos e de diferentes tipos de problemas, inclusive o intelectual. Figura 4: Hospital psiquiátrico. fonte: www.pt.wikipedia.org/wiki/Hospital_psiquiatrico, 2013 Percebe-se que a institucionalização ocorria por uma desvinculação total ou parcial da sociedade, mas também ocorria em demasia por acreditar que essas instituições poderiam oferecer algum diferencial aos deficientes. A proposta destas instituições, no entanto, era de oferecer apenas abrigo, alimentação e o medicamento necessário. A ideia de integração surgiu para derrubar a prática da exclusão social a que foram submetidas as pessoas com deficiência por vários séculos. A integração tinha e tem o mérito de inserir o portador de deficiência na sociedade, sim, mas desde que ele esteja de alguma forma capacitado a superar as barreiras físicas, programáticas e atitudinais existentes. (SASSAKI, 1997, p. 30-34) A integração social, apesar de propor a inserção do deficiente à sociedade, em hospitais e asilos que atendem os deficientes, com vistas a sua preparação. Esses locais não permitem o desenvolvimento completo aos deficientes, tornando ainda passivos, numa visão segregada. Conceitua-se a inclusão social como processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. A inclusão social constitui-se, então, um processo bilateral no qual as pessoas, ainda excluídas, e a sociedade buscam, em parceria, equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos. (SASSAKI, 1997, p.41) De acordo com o autor, a prática da inclusão social, baseia-se em princípios até então incomuns, como a aceitação das diferenças individuais, a 28 valorização sistemática de cada pessoa, especialmente valorizando cada particularidade. A aprendizagem se dá nesse processo a partir da troca de conhecimentos, a partir do trabalho em cooperação e do desejo de almejar um novo tipo de sociedade. Em diferentes partes do mundo, já vem acontecendo esse processo de inclusão, no qual o ambiente social se adapta às necessidades da pessoa com deficiência. De acordo com a Declaração de Salamanca sobre Princípios, Política e Práticas na área das Necessidades Educativas Especiais: 1. Nós, delegados à Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, representando noventa e dois países e vinte e cinco organizações internacionais, reunidos aqui em Salamanca, Espanha, de 7 a 10 de Junho de 1994, reafirmamos, por este meio, o nosso compromisso em prol da Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e a urgência de garantir a educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educativas especiais no quadro do sistema regular de educação, e sancionamos, também por este meio, o Enquadramento da Ação na área das Necessidades Educativas Especiais, de modo a que os governos e as organizações sejam guiados pelo espírito das suas propostas e recomendações. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, p.1) Os princípios da inclusão, estabelecem que é fundamental romper todas as barreiras, físicas, atitudinais e programáticas para que os deficientes possam ter acesso aos serviços e informações diversas, ampliando sua visão de mundo e suas relações sociais, educacionais e profissionais. Em se tratando do mundo do trabalho, ainda existe muitas situações que caracterizam ainda uma fase de exclusão profissional. Na perspectiva de implantar esse sistema social, ambientes como a educação, lazer, transporte, saúde, serviços sociais, programas de trabalho e a vida social num todo se adéquam a essa nova perspectiva. Diante do que foi apresentado anteriormente, entende-se que o processo de integração reforçou em parte a crença de incapacidade, falta de perspectivas e descrédito na potencialidade da pessoa com deficiência, 29 especialmente a intelectual, quando se retrata a ascensão profissional e cargos e funções mais qualificadas. No caso do deficiente intelectual, o emprego, possibilita o reconhecimento de suas potencialidades, desfocando suas limitações. No mundo moderno a formação profissional dos trabalhadores se tornou cada vez mais necessária. O progresso técnico e a setorização do trabalho, fez crescer o número de vagas que exigem a especialização do profissional. Figura 5: Deficiente intelectual, promoção no mundo do trabalho Fonte: http://isabel-ramos.blogspot.com.br, 2011 Na imagem acima, Ricardo José de Lima, 28 anos, deficiente intelectual, atuava como atendente na rede Mc Donald’s, atualmente ele se tornou instrutor na mesma rede onde vai auxiliar outros colaboradores. O sucesso escolar, ou a profissionalização, seja através de especializações por meio da escolarização ou mesmo por meio de cursos profissionalizantes para preparar o jovem ou adulto a ingressar no mercado de trabalho, mas e a oportunidade de crescimento profissional dentro da mesma empresa. Segundo Sassaki (1997), demonstra nos comentários anteriores, é a falta de comprometimento, de ações sociais, de mecanismos e Instituições para capacitar os funcionários deficientes, são fatores que impede a inserção 30 em funções mais avançadas na mesma empresa, não basta apenas contratar, é importante que se pense na promoção do colaborador. O artigo de pesquisa, que aborda a temática ‘Treinamento Profissional e Capacitação aos trabalhadores deficientes’, Amaral (1992) realizou o estudo sobre o ‘Mercado de trabalho e Deficiência’ e demonstra através do artigo que se faz necessário a implantação de programas de treinamento dentro das próprias empresas, sempre que seja possível e desejável, a exemplo do que sempre acontece com grande parcela da população não deficiente. E assim poder oferecer através dessas capacitações, possibilidades de até mesmo promover o trabalhador dentro da mesma empresa, valorizando seu desenvolvimento integral no mercado de trabalho. Ainda no mesmo artigo, é questionado por Amaral (1992), que não existe a necessidade de privilegiar a pessoa com deficiência, e sim proporcionar igualdade de oportunidade de acesso ao mercado de trabalho, não fechando a porta antecipadamente pela presença da deficiência, se torna fundamental que o deficiente tenha chance de desempenhar funções mais próximas possíveis de suas possibilidades reais, nem a baixo e nem acima delas. O Direito a Cotas, aconteceu através da Lei nº 8.213 de 24/07 de 1991, a Constituição de 1988, previu a reserva de vagas no setor público, mais tarde ampliou-se para o setor privado considerando o artigo 93, seus incisos e parágrafos, o referido artigo dispositivo de Lei apresenta a seguinte forma: Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas, na seguinte proporção: I - até 200 empregados............................................................2%; II - de 201 a 500.......................................................................3%; III - de 501 a 1.000...................................................................4%; IV - de 1.001 em diante. ..........................................................5%. § 1º A dispensa de trabalhador reabilitado ou de deficiente habilitado ao final de contrato por prazo determinado de mais de 90 (noventa) dias, e a imotivada, no contrato por prazo indeterminado, só 31 poderá ocorrer após a contratação de substituto de condição semelhante. § 2º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social deverá gerar estatísticas sobre o total de empregados e as vagas preenchidas por reabilitados e deficientes habilitados, fornecendo-as, quando solicitadas, aos sindicatos ou entidades representativas dos empregados. (BRASIL,1991) Este dispositivo, traz uma redação objetiva que contempla a obrigação em admitir o trabalhador com qualquer tipo de deficiência, esta obrigação esta vinculada ao número de trabalhadores que a empresa tem ao total, o inciso 93 informa a totalidade da porcentagem de vagas destinadas aos deficientes. De acordo com o artigo sobre a temática ‘Lei de Cotas’, Elsner (2012) diz que o artigo 93, aborda de forma clara e objetiva que ao empregador, não resta dúvidas de que se faz necessário se enquadrar dentro do padrão estabelecido pela norma, a empresa se torna obrigada a reservar vagas e contratar pessoas com deficiências para preenchê-las. Sendo assim, é valorizado o respeito a pessoa com deficiência, seja através do reconhecimento de seus direitos e promoção de igualdade de oportunidades na sociedade em que está inserido. Através da Lei de Cotas, as pessoas com deficiências na nossa sociedade são inseridas de forma natural, através do reconhecimento de que o mesmo é cidadão e tem os seus valores e os mesmos direitos. Existem alguns direcionadores, algumas perspectivas laborais e que através de programas de capacitações para atender cada vez mais os deficientes, especialmente os intelectuais. No programa de avaliação para o mundo do trabalho, é feito um levantamento no qual é visto as potencialidades que o deficiente tem, para mais tarde desempenhar as funções de emprego, ainda são feitos testes de analises e diferentes tipos de entrevista para avaliar a capacidade de cada deficiente. No sistema de pré-profissionalização, é ofertado uma diversidade de experiência do trabalho prático, como limpeza de ambientes, a horticultura, a jardinagem, já os complementares, estão o teatro, a música, educação física e a cultura. 32 Diante dos diversos processos, existe o programa de prontidão para o emprego, este programa orienta quais são os direitos e os deveres do trabalhador, trabalha o desenvolvimento de habilidades antes, durante e depois das entrevistas de seleção, orienta ainda sobre a postura, sobre a forma da apresentação visual para a entrevista. A próxima etapa inicia-se com o programa de treinamento em assertividade, esse programa auxilia na preparação profissional dos deficientes, de certa forma algumas pessoas são naturalmente introvertidas, isso por conta da perseguição que muitos já sofreram ao longo desse difícil luta. Mesmo pessoas com deficiências seja (física, mental, auditiva, visual ou múltipla) até em grau severo podem hoje competir dentro do mercado de trabalho após passar por um programa de emprego apoiado (SASSAKI, 1995, 1996b) Esse programa citado por Sassaki (1995), funciona dentro das Instituições e por meio dele, a pessoa com deficiência é colocada na empresa, antes mesmo de fazer qualquer treinamento ou capacitação, conhecido como ‘colocar e treinar’, esse modelo é diferente do qual estamos habituados de antes capacitar, em seguida incluir no mundo do trabalho. Figura 6: Inclusão e capacitação individualizada Fonte: www.vidamaislivre.com.br, 2013 Mesmo no mercado competitivo, o jovem é orientado e recebe a capacitação depois da contratação. 33 Dessa forma, o individuo terá um treinamento individualizado e contínuo, levando em consideração o tempo que for necessário para obter conhecimento. Num passado, bem próximo os programas de emprego apoiado eram mais limitados, atualmente as vagas vão além dos setores de supermercados, restaurantes, lanchonetes e hotéis. Atualmente expandiu essa possibilidade e se consegue empregos apoiados em praticamente todos os segmentos. Ao longo da história, o movimento de emprego apoiado conseguiu ocupar o espaço antes ofertado a deficiências tidas como leves como a intelectual ou motora e hoje atende diversas deficiências, inclusive as múltiplas. E quanto aos tipos de deficiência, o movimento de emprego apoiado defende a necessidade de atender a todos eles: mental, físico, visual, auditivo, múltiplo, os de dificuldade de aprendizagem e as deficiências de desenvolvimento. (SASSAKI, 1997, p.83) De fato, é importante compreender, através da citação de Sassaki (1997), que o processo de inclusão no emprego, também devem contemplar as deficiências severas, pois a estas pessoas deve ser dada a oportunidade de fazer escolhas, tomar decisões, conquistando diariamente a independência, e dentro da possibilidade de cada um, o controle de sua vida. 34 CAPÍTULO III RELATOS DA ESCOLA FORMADORA Neste capítulo, as observações e as entrevistas da pesquisa qualitativa, foram realizadas três entrevistas, aplicadas de forma direta, com os seguintes segmentos 1 (um) gestor de escola, 1 (um) representante da empresa contratante e 1 (um) jovem trabalhador com deficiência intelectual. Num primeiro momento, foi realizada entrevista com a gestora da Escola, ‘Educação de Jovens e Adultos’. Essa pesquisa realizada na escola, teve o objetivo de compreender como é o processo da formação e qualificação profissional, visando a inserção do jovem com deficiência intelectual no mundo do trabalho. A preparação profissional remete aos conhecimentos transmitidos aos jovens nos órgãos de formação em vista de habilitá-los a conseguir um lugar no mercado de trabalho. (TROTTIER, 1998, p.152) A inserção do jovem, pode ser entendida como um processo de socialização profissional, através dos conhecimentos adquiridos, as habilidades, as regras e valores vivenciadas no espaço escolar ou laboral. O município de Lins tem acompanhado em partes as determinações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, conforme o artigo 59, inciso IV (Brasil, 1996) afirma: que a educação especial para o trabalho visa à efetiva integração social do educando por meio da formação de nível básico e de preparação para o exercício da atividade laboral. Na cidade de Lins, ainda não existe um projeto oferecido pelo município com o objetivo de oferecer de forma integral a capacitação laboral ou preparação para o mundo do trabalho. Mas a escola oferece através da matriz curricular, e das oficinas, conhecimentos necessários para integrar-se no ambiente do mundo trabalho, seja através do processo educacional, alfabetização, leitura e escrita, oferecer 35 desenvolvimento na relação social com os demais alunos, professores, e funcionários, resgatando que o mundo do trabalho se da por meio da relação com outras pessoas, seja a partir da solução de conflitos, seja por meio da visão de mundo, que ele é agente transformador, emissor e receptor de conhecimentos. Segundo o decreto nº2.208 de 17 de abril de 1997, (Brasil, 1997) que regulamenta o artigo 36,39,40,41 e 42 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, fica estabelecido através do artigo 3º “a educação profissional compreende níveis”, especialmente o nível básico, esse é o oferecido pela escola que foi analisada. A escola tem atualmente cerca de 34 (trinta e quatro) jovens com deficiência intelectual e múltiplas, existe no total 13 (treze) salas de alfabetização do ciclo I, e conta com salas descentralizadas, espalhadas pela cidade, afim de oferecer ao aluno condições para o ingresso na vida escolar. A matriz curricular é composta por Português, Matemática, Estudos Sociais e Natureza e Informática para Inclusão Digital. Atualmente existem seis oficinas de formação ao aluno, Atividade Vida Diária, Educação Ambiental, Linguagens Artísticas, Comunicação, Educação física adaptada e Informática. As oficinas são organizadas em seis modalidades diferentes, das mais complexas até as mais simples, sendo assim os alunos desenvolvem qualidades que todo trabalhador tem, como a pontualidade, assiduidade, persistência na solução de um problema, a relação interpessoal com os demais colegas de oficina, entre outras qualidades que são exigidas pelo mercado de trabalho. (Entrevista, gestor educacional, 2013) A escola conta com o ‘Festeja’, feira de artesanatos, eles vendem os produtos que são criados aqui na escola, ganhando conhecimento prévio sobre o mundo do trabalho, a escola capacita de forma parcial, possibilitando que o aluno tenha uma dimensão do que é a prática do trabalho. Muitas empresas, são conscientes da responsabilidade de cumprir a Lei de Cotas, que prevê medidas de responsabilidades por empresas de médios e grandes porte. 36 A Lei de nº 8.213, de 24 de julho de 1991, da seguridade social foi escrita após três anos de Constituição Federal de 1988, foi citado no capítulo anterior. Prestes a completar vinte e dois anos, desde a promulgação da Lei nº 8.213/91, existe hoje um mapeamento do mercado de trabalho formal que comporta lado a lado pessoas com e sem deficiência. Art. 89. A habilitação e a reabilitação profissional e social deverão proporcionar ao beneficiário incapacitado parcial ou totalmente para o trabalho, e às pessoas portadoras de deficiência, os meios para a (re) educação e de (re)adaptação profissional e social indicados para participar do mercado de trabalho e do contexto em que vive.(BRASIL, 1988) Esta Lei estabelece claramente que as empresas são obrigadas a integrar em seus quadros profissionais, trabalhadores com necessidades especiais. A Lei, é acompanhada pelo Ministério do Trabalho, órgão este competente em fiscalizar as empresas, inclusive de aplicar multas caso seja necessário. O Brasil demorou para dar-se conta desse direito fundamental. Mas a Lei de Cotas – Lei Federal nº 8.213/91- foi fruto da mobilização das próprias pessoas com deficiência, que exigiram uma medida mais efetiva do Poder Público para eliminar as desigualdades acumuladas no tempo. (Schwarz; Haber, 2009, p. 20) A partir da criação dessa Lei, a inclusão econômica das pessoas com deficiência é discutida cada vez mais em nossa sociedade, em especial através das empresas que passaram a seguir a legislação e a incluir funcionários com deficiência. O trabalho de pesquisa de dissertação e de tese de mestrado que aborda a temática da Lei de Cotas, Cordeiro, (2013) realizou o estudo sobre ‘a inclusão de pessoas com deficiência na rede regular de Educação Profissional’, e demonstra que a contratação da Pessoa com Deficiência é assegurada conforme a Constituição Federal de 1988, que além de apresentar os princípios de igualdade e de dignidade da pessoa humana, assegura de forma geral, proteção e garantias de acesso e permanência às pessoas com deficiência. Ainda segundo estudo, é relatado que a Lei veio para inverter a ordem estabelecida e garantir trabalho às pessoas com deficiência. 37 Muitas empresas da nossa cidade, entra em contato com a nossa escola, procurando alunos com deficiência para integrar-se ao mercado de trabalho. Sempre que temos um aluno preparado, encaminhamos para as empresas que farão o processo de seleção dos jovens. Entre as exigências, estão que o jovem tenha condições de ter um relacionamento pessoal harmonioso com os demais colegas de trabalho, que o laudo médico seja encaminhado junto com o aluno para que a empresa possa ter dimensão de qual é a deficiência para ter uma dimensão de como integrar esse jovem no mundo do trabalho e assim contribuir para sua inclusão social. A documentação necessária é encaminhada pela família, por parte dos responsáveis legais. (Entrevista, gestor educacional, 2013) A família é peça fundamental nesse processo de inclusão no mundo do trabalho, mais adiante na entrevista com o jovem trabalhador será relatado essa importância, no decorrer da entrevista, nota-se que a escola não faz um trabalho de acompanhamento com os familiares responsáveis pelos alunos deficientes, seria importante desenvolver nos familiares esse hábito de incentivar e apoiar os estudos, oferecer esse suporte que não existe, seja por meio de palestras, encontros mensais onde seriam relatados os desenvolvimentos de seus filhos. Porém a escola, não tem a missão de formar diretamente jovens para o mercado de trabalho, ela oferece o processo de escolarização e pontua de forma indireta ações do dia a dia de um trabalhador. Segundo a gestora da escola, o aluno mantêm vínculo com a escola porque ele da sequência aos estudos, como no caso do jovem trabalhador pesquisado, ele estuda no período contrário ao do trabalho. Os alunos em sua grande maioria, esperam que o mundo do trabalho ofereça suporte de integração com os demais colegas, que através desse possa ter a troca de experiências em especial que desenvolvam a relação social. A escola por sua vez não tem a formação profissional, o conhecimento ocorre através das oficinas que são organizadas, com o desenvolvimento de atividades artesanais para de ações comportamentais de cada aluno envolvido nesse processo de escolarização. Através das oficinas, a proposta, do artesanato para o mundo do trabalho, se dá a partir do objetivo de oferecer hábitos e atitudes que faça o aluno compreender algumas práticas do trabalho. 38 É importante que o aluno tenha a consciência da importância que o trabalho tem na sua vida, através da oficina o aluno terá condições de mediar, atividades, como inicio, meio e fim, ele terá dimensão que o seu trabalho será importante para o desenvolvimento da oficina e se fosse empresa, contribuiria para a mesma. O aluno se torna responsável, é assíduo, sabe resolver problemas que acontecem dentro da oficina, tem conhecimentos de cuidados com a higiene, ele acaba ganhando conhecimento e desenvolve habilidades através dessas situações do mundo do trabalho. (Entrevista, gestor educacional) A oficina de trabalho é apenas de preparação e não de profissionalização das pessoas com deficiência intelectual, pois visa a formação de hábitos e comportamentos sociais que são considerados adequados aos trabalhadores, como citado anteriormente pela gestora. Sendo assim o trabalho de alfabetização de jovens com deficiência intelectual, ocorre juntamente com a profissionalização. 39 3.1 Relatos do jovem com deficiência intelectual Não queria depender do Governo, não queria ser aposentado sabendo que eu poderia trabalhar e ter uma vida normal, minha mãe ficou com medo, quis que eu ficasse aposentado, meu pai mesmo com medo me apoiou, e então decidi não ser mais aposentado. Foi interrompido a minha aposentadoria para que eu pudesse trabalhar e ter uma vida comum, eu não dependo do Governo. (Entrevista, jovem trabalhador com deficiência intelectual, 2013) Ao analisar a trajetória de inclusão profissional, não se deve esquecer que esta contextualizando as relações sociais de um jovem. A juventude vai conquistando o seu espaço nesta discussão, o deficiente, tem desejos, almeja seu lugar na sociedade seja pela escolha de estudar ou até mesmo de ter um trabalho. O jovem deseja obter bens de consumo, bens materiais, formar família, dar continuidade aos estudos. Para conhecer mais de perto a realidade de um jovem com deficiência e o caminho percorrido para a inclusão no mercado de trabalho realizou-se entrevista com o jovem com deficiência intelectual e o contexto que está inserido: a escola onde ele recebe a capacitação educacional e a empresa que o contratou, apresentando sua experiência, sua trajetória que o levou até o mercado formal. Foi entrevistado um jovem trabalhador com deficiência intelectual, com 23 anos de idade, ele foi indicado ao mercado de trabalho pela escola que estuda, ‘Educação de Jovens e Adultos’. Apesar de ser indicado pela escola que estuda ao comércio varejista, o jovem trabalhador com deficiência intelectual, acumula experiência profissional na área da indústria onde trabalhou numa fábrica de calçados. Em seguida, foi trabalhar em um supermercado da cidade e, posteriormente foi encaminhado ao atual serviço onde se encontra há dois anos. A entrevista foi formulada, com perguntas mais claras e objetivas, com palavras mais próximas do vocabulário do aluno. 40 O jovem que foi entrevistado, já aguardava ansioso a prestar informações sobre seu trabalho e no decorrer da entrevista o mesmo respondeu muito bem as informações solicitadas. O jovem entrevistado, usou um vocabulário básico para responder as perguntas. Seu comportamento durante a entrevista foi tranquilo, respondendo sempre com um sorriso, de forma descontraída. Ele se identificou como morador da cidade de Lins, como aluno da escola EJA ‘Educação de Jovens e Adultos’, que estuda no período noturno, período esse contrario ao horário do trabalho. Quando questionado sobre a sua rotina no trabalho, ele fez questão de pontuar todos os detalhes, disse que ao chegar no centro da cidade na parte da manhã ele toma café da manhã em lanchonete, o seu horário de trabalho é das 8h30min ás 12h30min “(...) aí eu vou almoçar nos restaurantes do centro da cidade e retorno do almoço às 14h30min e saio às 18h”. (Entrevista, Jovem trabalhador com deficiência intelectual). O jovem trabalhador com deficiência ainda relatou sua rotina de trabalho, e todas as suas funções dentro da loja: Eu ajudo a receber mercadorias, coloco os produtos no elevador, ajudo abastecer mercadorias na loja. No final da tarde, depois das 17 horas eu levo as caixas de papelões no lado de fora da loja para os catadores de lixo reciclados pegarem. (Entrevista, jovem trabalhador com deficiência intelectual, 2013) No decorrer da entrevista, o trabalhador com deficiência intelectual, egresso de escola municipal, demonstrou a importância que a família tem como base para o processo de inclusão profissional. O jovem trabalhador disse que procura realizar sua função no trabalho com muita seriedade e da melhor forma possível. Sobre a empresa, o jovem demonstrou que é um espaço de socialização, onde conhece novas pessoas e faz amigos. Ainda na conversa o jovem disse que recebe treinamento na empresa, ora do gerente, ora dos amigos de trabalho e, que inclusive, os ajudam quando tem algum tipo de dificuldade. Quando foi perguntado se o mesmo almeja crescer na empresa, recebendo promoção ou se destacando por seus potenciais, respondeu: 41 Quero ser gerente, quero administrar a loja que eu trabalho, estou nesse trabalho nessa loja há mais de dois anos, antes disso já trabalhei na indústria, numa fábrica de calçados e depois no supermercado. A loja que estou nesse momento é o serviço que eu mais gostei. (Entrevista, jovem trabalhador com deficiência intelectual) Conforme o relato existe a possibilidade de ingresso do jovem com deficiência intelectual no mercado formal. Muitas vezes encontramos processo de inclusão falho, onde a pessoa fica na sua função dez, quinze anos e não tem nenhum tipo de promoção, não é caso dessa empresa, uma vez que a promoção acontece conforme a capacitação que cada funcionário tem. Quando eu entrei na loja, o gerente me mostrou todos os setores, me orientou em tudo o que eu deveria fazer, me ensinou todo o serviço, me acompanha sempre para ver o meu trabalho. Gosto de todos os funcionários, eles são meus amigos, quando preciso eu também chamo eles, peço ajuda, gosto do gerente, ele se tornou meu amigo. (Entrevista, Jovem trabalhador com deficiência intelectual) A aceitação do trabalhador com deficiência intelectual foi apresentada como uma oportunidade de inclusão, resgatando assim o direito a dignidade do indivíduo. De acordo com o jovem trabalhador entrevistado, ele esta satisfeito com o seu salário, pois consegue fazer tudo o que quer “(...) o meu salário é para comprar as minhas coisas, eu trabalho para poder ter as minhas coisas.” (Entrevista, Jovem trabalhador com deficiência intelectual) Já comprei um celular do jeito que queria, aspirador de pó, adoro comprar roupas, sapatos dos mais caros e perfumes de marca boa. Todos os dias eu tomo café da manhã na lanchonete, como salgado, suco ou refrigerante, tenho uma cota para não gastar demais, na hora do almoço eu vou á restaurantes no centro da cidade. (Entrevista, jovem trabalhador com deficiência intelectual, 2013) Ainda através do relato, o jovem com deficiência após ingressar no mercado de trabalho, sente-se trabalhadores, por ter garantidos os direitos trabalhistas e sua autonomia financeira, a inclusão no mercado de trabalho formal representa uma forma de legitimação social e de integração social, tornando mais próximos dos padrões de normalidades. 42 3.2 Relatos da empresa contratante Foi realizado entrevista com a empresa contratante da cidade de Lins, essa loja atua no segmento de confecção feminina, masculina e infantil, calçados e malas, tapetes e colchões, cama, mesa e banho, lingerie, moda praia e tecidos. Segundo relatou o gerente, o grupo Tanger contrata e é a favor do trabalho da pessoa com deficiência no processo de inclusão. A entrevistada, as informações foram prestadas pelo departamento de recursos humanos e pela gerência que acompanha o trabalho do jovem com deficiência intelectual. A empresa contrata pessoas com vários tipos de deficiência, sendo deficiência visual, deficiência auditiva, deficiência física, deficiências múltiplas e até mesmo a intelectual, o trabalho dos mesmos ocorre conjuntamente com os demais trabalhadores. Realizo a busca no mercado de trabalho através de indicações, ás vezes feito através dos nossos próprios funcionários, através de currículo entregue diretamente na loja e faço as entrevistas necessárias para contratação. Após seleção do candidato, os documentos são enviados ao RH para os procedimentos burocráticos. (Entrevista, Contratante da Empresa , 2013) Os critérios para admissão da pessoa com deficiência, são por meio da seleção de trabalhadores com deficiência, encaminhados por escolas especiais, por indicação de colegas e pelos currículos entregues na própria loja. Quanto a escolaridade, a empresa não exige a conclusão do Ensino Fundamental ou qualificação profissional. Segundo a empresa entrevistada, as pessoas com deficiências, possuem habilidades e muita capacidade, mas adquirem tudo isso e assimilam de forma mais lenta, necessitando apenas de estímulos adequados e paciência. Segundo o gerente, a inclusão do deficiente intelectual no mercado de trabalho, representa não apenas uma obrigação social para o cumprimento da lei, mas é visto como um resgate social da dignidade do indivíduo. 43 Com relação aos salários pagos, a empresa afirmou que é igual aos demais trabalhadores, que ocupam a mesma função, sem nenhum tipo de distinção, mesmo não existindo a perfeição a empresa remunera sem nenhum tipo de diferença salarial. Os trabalhadores têm os mesmos benefícios dos demais, como vale transporte, e outros benefícios de acordo com as normas da CLT. Com relação ao tratamento dado ao trabalhador com deficiência intelectual na empresa, foi relatada uma convivência harmônica com os demais colegas de trabalho e com a gerência, existe uma interação com os demais colegas de trabalho e a troca mútua como citada anteriormente, através do trabalho em equipe. De acordo com o gerente da loja, não existe diferenciação, o entrosamento é muito bom, a relação interpessoal com os colegas de trabalho é a melhor possível, ele é tratado como um funcionário normal, não existindo nenhum tipo de preconceito, sentindo-se o deficiente incluído por todos os colaboradores da loja. A empresa analisada, é um caso de sucesso na contratação de jovens com deficiência, uma vez que se percebe através da entrevista que o ambiente é acolhedor, propicio para se desempenhar o trabalho. A empresa onde foi realizada essa pesquisa, é uma empresa consciente e oferece o mesmo tratamento de igualdade com todos os funcionários, a empresa oferece continuidade na capacitação dos trabalhadores com deficiência, segundo o gerente a oportunidade é oferecida conforme a capacidade do trabalhador. Uma empresa inclusiva é, então, aquela que acreditou no valor da diversidade humana, contempla as diferenças individuais efetua mudanças fundamentais nas praticas administrativas, implementa adaptações no ambiente físico, adapta procedimentos e instrumentos de trabalho, treina todos os recursos humanos na questão da inclusão. Uma empresa pode tornar-se inclusiva por iniciativa e empenho dos próprios empregadores, que para tanto buscam informações pertinentes ao principio da inclusão, e ou com acessória de profissionais inclusivistas que atuam em entidades sociais. (SASSAKI, 1997, p.65) De acordo com a empresa pesquisada, acredita-se que a sociedade esta mais mobilizada e sensibilizada com relação á inclusão do deficiente no mercado de trabalho, mesmo existindo um número de pessoas que recusam a aceitação, seja por representantes de outras empresas que fazem a 44 contratação e mesmo a equipe de trabalho, por desacreditar nos potenciais e adaptação do mesmo junto ao mercado de trabalho, não sendo o caso da empresa que foi pesquisada, uma vez que a relação do deficiente com os demais colegas de trabalho é harmoniosa e a inclusão ocorre de forma integral na empresa. A inclusão no mercado de trabalho para o jovem com deficiência, representa uma oportunidade de integração social, sabe-se ainda que as barreiras para a inclusão do jovem com deficiência intelectual no mundo do trabalho não se da somente a sua disponibilidade e empenho, mas especialmente a uma relação social de aceitação e legitimação do trabalho, a empresa busca muitas vezes um trabalhador que cumpra suas funções e especialmente, que seja assíduo e que tenha um comportamento adequado às regras interpessoais. 45 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO O presente estudo avaliou um jovem trabalhador com deficiência intelectual, matriculado numa escola municipal de Lins, que atende jovens com diferentes tipos de deficiência entre elas, a intelectual. O objetivo dessa pesquisa é analisar a inserção do jovem com deficiência intelectual no mercado de trabalho formal, por meio de processos de escolarização e desenvolvimento de oficinas que permitem o desenvolvimento para o mundo do trabalho. A oficina de trabalho oferecida pela escola, serve apenas de preparação inicial e não de profissionalização das pessoas com deficiência intelectual, pois visa a formação de hábitos e comportamentos sociais que são considerados adequados aos trabalhadores. Sendo assim o trabalho de alfabetização de jovens com deficiência intelectual, ocorre juntamente com as oficinas. Esse sistema permite que o aluno tenha condições de ter noções básicas essenciais na prática do trabalho. Acredito que o sistema que a escola emprega as oficinas já contribui e muito com as noções básicas do trabalho, mas acredito que exista a falta de cursos que sejam voltados apenas para a prática do trabalho, que direcione o aluno deficiente numa referida profissão, facilitando assim seu ingresso nas empresas, uma vez que a escola é muito procurada por empresas para que possa ser cumprida a Lei de Cotas. Através dessa sugestão, alguns pontos relevantes poderiam ser mapeados para que esse processo abranja sua totalidade, permitindo que essa inclusão aconteça de forma intensa. • necessidade de implantação de cursos ou inserção de conteúdos e oficinas para o trabalho na EJA; • levantamento das pessoas com deficiência no município; • levantamento das demandas das empresas e comércio local; • mapeamento junto ao Ministério do Trabalho para observar quais são as empresas, que se enquadram na Lei de Cotas; 46 • formação de profissionais capacitados para ministrar os cursos profissionalizantes na escola regular, ensino profissionalizante ou cursos livres; • que o município se preocupe com a formação de educadores capacitados a oferecer esse acompanhamento profissional, com conhecimentos da indústria ou mesmo do comércio; • preparação (sensibilização e cursos) das empresas e comércio para o recebimento do trabalhador com deficiência; • oferecimento de cursos técnicos em parceria com instituições como o Senai (indústrias) e o Senac (comércio); • implantação de oficinas ou cursos de curta duração como silk-sreen, empacotador, serviços gerais, culinária, telefonista, recepcionista entre outros; • acompanhamento da adaptação do trabalhador na empresa por equipe especializada; • deve ser analisado, os níveis de conhecimento que o aluno tem; • será necessário fazer um trabalho de conscientização com os demais comerciantes do município afim de se tornarem parceiros no processo da inserção do deficiente, em especial o intelectual; • oferecimento de oficinas direcionadas para a profissionalização e não escolarização, o aluno sinta-se como integrante desse processo, e responsável pelo saber. • que aconteça de forma integral a escolarização e as oficinas, que através de cada uma seja criada ideias para que o aluno se torne cada vez mais responsável pela transformação. O jovem com deficiência apresentou de forma clara, seus anseios pela busca da aceitação e espaço na sociedade através do trabalho. É necessário que tenha um tipo de oficina, visando a organização de um currículo para a formação profissional, que seja diferente da escolarização básica. Seria interessante se a mesma fosse desenvolvida em níveis básico e técnico, com uma metodologia adequada as características e necessidades da pessoa com deficiência intelectual. 47 CONCLUSÃO A pesquisa que fundamentou esse trabalho, intitulado: “A Formação Profissional do Jovem com Deficiência Intelectual e Sua Inclusão no Mundo do Trabalho em Lins” analisou a inserção do jovem com deficiência intelectual no mercado de trabalho formal, por meio da escolarização e de processos de formação e de qualificação profissional, através das oficinas. Na pesquisa bibliográfica, percorreu desde a antiguidade, destacando como era o conceito, as terminologias usadas naquelas épocas até chegar as conquistas para o direito da inserção no mundo do trabalho, com a conquistas das Leis, Conferências Mundiais, e todo o processo do mundo do trabalho. A empresa pesquisada procura aproximar-se de práticas inclusivas, sendo assim apresentou por meio da entrevista aspectos relevantes quanto a inserção do jovem com deficiência intelectual. Conforme o relato da empresa, o jovem com deficiência intelectual demonstra que considera seu emprego interessante e que desenvolve uma função que gosta. O trabalho por sua vez, vai possibilitar à entrada na fase adulta, onde os jovens são capazes de exercer uma função responsável e mostrando resultado, ajudando muitas vezes suas famílias e contribuindo para a sociedade. A formação realizada através da oficina, oferece um desenvolvimento inicial ao aluno inserido no mercado de trabalho, porém ele não da formação profissional adequada para o mercado de trabalho. Um fator que deve ficar claro, é que o espaço da escola, ou da empresa não são os únicos responsáveis pela formação e extensão a qualificação ao mundo do trabalho. Existem outros agentes e instituições com esse papel fundamental na integração e inclusão social dos deficientes, como o Estado, não somente através da Lei de Cotas, mas através de incentivos e fiscalizações; os familiares que aos poucos vão conseguindo compreender que esses jovens não tem que ficar excluídos da sociedade, presos em suas casas porque têm limitações, a sociedade em geral, destacando os empresários que precisam conhecer melhor as condições dos trabalhadores, compreendendo 48 que eles tem sim suas limitações mas cada um tem a sua potencialidade, que basta apenas ser desenvolvida. Ora pela oficina, ora em casa pelos familiares e mesmo no próprio espaço de trabalho. O desenvolvimento dessa pesquisa, rendeu alguns questionamentos, esses abrem novas oportunidades de análises e possibilidades de estudos futuros. 49 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE RETARDO MENTAL. Retardo mental: definição, classificação e sistemas de apoio, Tradução Magda França Lopes. 10. ed. 2006. Porto Alegre: ARTMED. AMARAL, L. A. Mercado de trabalho e deficiência. 1992. Artigo (Revista Brasileira de Educação Especial) Professora do Instituto de pesquisa de psicologia (USP), 1992. BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Lei de Cotas. Brasilia,1991. BRASIL. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasilia,1996. BRASIL. Decreto de Lei nº 2.208, de 17 de abril de 1997. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasilia,1996. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil . Brasilia,1988. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 2006. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Saberes e práticas da inclusão: Avaliação para identificação das necessidades educacionais especiais. Brasilia: SEESP, 2006. BIOLOGIA, Vida em grupo, trabalho agrícola e a caça. Disponível em: <http://biologiapequenograndemundo.blogspot.com.br, > Acesso em: 20 mar. 2013. BIANCHETTI, L . Um olhar sobre a diferença: interação, trabalho e cidadania. Campinas: Papirus, 1998. CORDEIRO, D. A Inclusão de Pessoas com Deficiência na Rede Regular de Educação Profissional. 2013. Dissertação (Mestrado em Educação)Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” Unesp- Marília, 2013. CORREIA, L. M. Alunos com necessidades educativas especiais nas classes regulares. Porto: Porto, 1997. CIVILIZAÇÃO, Civilização Romana. Disponível em: <http://icepbrasil.com.br > Acesso em: 20 mar. 2013. DECLARAÇÃO DE MONTREAL SOBRE A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL. BRASIL. Decreto de Lei nº 2.208, de 17 de abril de 1997. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasilia: ,1996. 50 DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM RETARDO MENTAL. Disponível em: <http:// direitoshumanos.gddc.pt/3_7/IIIPAG3_7_3.htm > Acesso em: 20 mar. 2013. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Ministério da Educação, Brasil, Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf> Acesso em: 20 mar. 2013. DEFICIENTE, Deficiente intelectual, promoção para o trabalho. Disponível em: <http://isabel-ramos.blogspot.com.br > Acesso em: 20 mar. 2013. Elsner, L. O. Uma análise legal sobre o sistema de cotas para pessoas com deficiência e repercussões no âmbito do trabalho. 2012. Artigo. 2012 FONSECA, V. Educação especial. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. GUERRA, Período Pós Guerra. Disponível <http://agentedahistoria.blogspot.com.br > Acesso em: 20 mar. 2013. em: HOSPITAL, Vida em hospital psiquiátrico. 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Porto Alegre: EDIPUCRS, 1998. 51 APÊNDICES 52 APÊNDICE A- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Eu,________________________________________ representante legal da instituição/entidade _____________________________________, CNPJ nº_________________________, autorizo a divulgar total ou parcialmente, pela internet ou por outros meios, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Intitulado:_______________________________________________________ ___________________________________________, Clayton do Prado, do Centro Universitário realizado Católico pelo Salesiano aluno Alex Auxilium – UNISALESIANO, do curso de Pedagogia, orientado pela Profª Ma Katia de Moura Graça Paixão, cuja pesquisa de campo ocorreu nesta empresa no ano de 2013. Lins, 18 de abril de 2013. _____________________________________ Responsável pela Empresa 53 APÊNDICE B- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Eu,________________________________________ representante legal da instituição/entidade __________________________________, CNPJ nº_________________________, autorizo a divulgar total ou parcialmente, pela internet ou por outros meios, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Intitulado:_______________________________________________________ ___________________________________________, Clayton do Prado, do Centro Universitário realizado Católico pelo Salesiano aluno Alex Auxilium – UNISALESIANO, do curso de Pedagogia, orientado pela Profª Ma Katia de Moura Graça Paixão, cuja pesquisa de campo ocorreu nesta escola no ano de 2013. Lins, 18 de abril de 2013. _____________________________________ Diretora da Unidade Escolar 54 APÊNDICE C- TERMO DE CONSETIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Eu __________________________________________________, de nacionalidade _______________, idade _____, RG _______________, trabalhando na função de ______________________________, estou sendo convidado (a) a participar da pesquisa científica “____________________________________________________________________ ________________________________”, realizada pelo aluno Alex Clayton do Prado, do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium – UNISALESIANO, matriculado no 6º semestre do curso de Pedagogia, sob orientação da Profª Ma. Kátia de Moura Graça Paixão. Essa pesquisa tem por objetivo analisar a participação do jovem com deficiência intelectual, no mercado de trabalho. Os dados e informações por mim fornecidos, através da entrevista, serão utilizados na pesquisa mencionada, visando esclarecer os tipos de formação e o processo de inclusão destes trabalhadores. Autorizo a divulgar total ou parcialmente, pela internet ou por outros meios, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Autorizo a divulgar a minha imagem no ambiente de trabalho, visando mostrar que fiz parte do processo de formação e capacitação para o mercado de trabalho. A entrevista, a divulgação da pesquisa, e a minha imagem, tem autorização de meu responsável legal, os dados se encontram no final desse termo. Poderei interromper a entrevista a qualquer momento, pedir que seja retirada parte da entrevista, ou se necessário me recusar a prestá-la. Tenho conhecimento, que é garantido livre acesso a todas as informações e esclarecimentos adicionais sobre a pesquisa. 55 Enfim, compreendo a natureza e o objetivo do estudo, manifesto meu consentimento em participar da pesquisa, estando totalmente ciente de que não há nenhum valor econômico a receber ou a pagar por minha participação. Lins, ____ de _______________ de 2013. Entrevistado Assinatura:________________________________________________ RG:______________________________________________________ Nome:____________________________________________________ Jovem trabalhador (a) Responsável Legal: Assinatura:________________________________________________ RG:______________________________________________________ Nome:____________________________________________________ Pais ou responsáveis Entrevistador Assinatura:_________________________________________________ Nome: Alex Clayton do Prado Pesquisador Testemunha: Assinatura:__________________________________________________ Nome:______________________________________________________ 56 APÊNDICE D- QUESTIONÁRIO PARA EMPRESA UNISALESIANO CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM CURSO DE PEDAGOGIA – GRADUAÇÃO Licenciando: Alex Clayton do Prado Orientadora: Profª Ma. Kátia de Moura Graça Paixão ROTEIRO DE PESQUISA Ficha do entrevistado Número da entrevista:____ Nome:___________________________________________________ Sexo ( ) feminino ( )masculino Estado civil: ________________ Formação:_______________________________________________ Empresa que trabalha: _____________________________________ Função que exerce:________________________________________ 1. Qual a sua participação na empresa, com a contratação de trabalhadores, em especial, de trabalhadores com deficiência intelectual? 2. Como o RH da sua empresa seleciona os trabalhadores com a. deficiência? 3. Além do trabalhador com deficiência intelectual, vocês empregam pessoas com qualquer outro tipo de deficiência? 4. Existem diferenças salariais entre os colegas que desempenham a mesma função? Comente. 57 5. Alguns trabalhadores com deficiência intelectual são egressos do CEP Paulo Freire de Lins. Existe alguma relação da empresa com essa escola, como parceria? 6. Qual é a exigência, quanto a escolaridade para as funções que são empregados os trabalhadores com deficiência? Exige-se uma qualificação ou apenas uma habilidade? 7. Como é a relação interpessoal do trabalhador com deficiência intelectual, com os demais colegas de trabalho? 8. Qual é a reação dos clientes ao serem atendidos por uma pessoa com deficiente intelectual? 9. A empresa oferece uma continuidade na capacitação dos trabalhadores com deficiência intelectual? 10. Como avalia a inclusão de pessoas com deficiência nesta empresa? 58 APÊNDICE E- QUESTIONÁRIO PARA GESTORA ESCOLAR UNISALESIANO CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM CURSO DE PEDAGOGIA – GRADUAÇÃO Licenciando: Alex Clayton do Prado Orientadora: Profª Ma. Kátia de Moura Graça Paixão ROTEIRO DE ENTREVISTA Ficha do entrevistado Número da entrevista:____ Nome:___________________________________________________ Sexo ( ) feminino ( )masculino Estado civil: ________________ Formação:________________________________________________ Escola que trabalha: _______________________________________ Tipo: ( ) particular ( ) filantrópica ( ) estadual ( ) municipal Função que exerce:________________________________________ Trabalha há quanto tempo nessa escola?______________________ 1. Quantos alunos com deficiência intelectual estão matriculados na escola e qual a grade curricular, estrutura e funcionamento da escola? 2. A Educação de Jovens e Adultos exerce influência na inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho? Quais ações são realizadas pela escola? 59 3. O projeto político pedagógico da escola considera a formação profissional dos adultos e jovens com deficiência matriculados? 4. A escola encaminha o aluno com deficiência intelectual ao trabalho formal? Se sim, baseado em que critérios? 5. Aos alunos que são encaminhados para o mercado de trabalho, quais os tipos de exigências das empresas para a contratação? 6. A escola oferece alguma capacitação, orientação ou acompanhamento para os familiares dos alunos que são encaminhados ao mercado do trabalho? 7. Qual é a relação da escola, com as empresas que empregam os jovens no processo de inclusão? O que elas esperam da formação ou capacitação ofertada pela escola? 8. Quais as principais dificuldades percebidas pela escola no processo de encaminhamento ao mercado de trabalho do jovem ou adulto com deficiência? 9. Após a inserção no mercado de trabalho do aluno com deficiência, existe a continuidade do contato entre a escola, empresa e aluno? Explique. 10. O que os alunos com deficiência intelectual, esperam do trabalho formal, como relatam suas experiências no mundo do trabalho? 60 APÊNDICE F- QUESTIONÁRIO PARA JOVEM COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL UNISALESIANO CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICO SALESIANO AUXILIUM CURSO DE PEDAGOGIA – GRADUAÇÃO Licenciando: Alex Clayton do Prado Orientadora: Profª Ma. Kátia de Moura Graça Paixão ROTEIRO DE PESQUISA Ficha do entrevistado Número da entrevista:____ Nome:___________________________________________________ Sexo ( ) feminino ( )masculino Estado civil: ________________ Empresa que trabalha: _____________________________________ Função que exerce:________________________________________ Trabalha a quanto tempo nessa empresa?______________________ Desde quando trabalha? ____________________________________ (Quando conseguiu o primeiro emprego) 1. Como você conseguiu o trabalho na empresa? 2. Como é seu dia a dia na empresa? 3. Está satisfeito com o seu salário? O que já conseguiu adquirir (comprar) com seu salário? 4. A escola que você estava matriculado contribuiu para sua contratação na empresa? 61 5. O que você aprendeu na escola (EJA) foi importante para a função que ocupa? 6. Em seu emprego você sentiu falta de algum conteúdo conhecimento que a escola pudesse ter lhe ensinado? ou 7. A empresa que você trabalha ofereceu alguma capacitação profissional ou treinamento no emprego? 8. Como é a sua relação com os colegas de trabalho, você pede ajuda quando sente dificuldades? 9. Esse é o seu primeiro emprego? O que espera conquistar profissionalmente? 10. Sua família apoiou sua decisão de trabalhar?