As ondas de impacto! (Texto publicado em 2004 pelo Jornal Panrotas) Que o mercado de eventos vem crescendo consistentemente em todo o planeta, gera milhões de empregos, distribui renda e promove o desenvolvimento econômico e social dos países, regiões ou cidades que o trabalham profissionalmente, isso a gente já sabia há algum tempo! Mas se não olharmos com microscópio as entranhas desse complexo organismo vivo, deixaremos de notar o que ele tem de mais impressionante, a sua espantosa abrangência! Agindo assim, estaremos condenando essas verdades à vala comum das frases feitas! Pesquisa conduzida pela Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux – entidade que reúne mais de 50 CVB’s de todo o país – demonstra que, no Brasil, o setor movimenta 37 bilhões de reais, emprega quase 3 milhões de pessoas e é responsável por mais de 3% do PI B nacional. São 327.000 eventos a cada ano, impactando dezenas de atividades. Há especialistas que defendem a tese de que a atividade turística impacta todos os setores da economia, mas o importante não é determinar quantas atividades são beneficiadas, mas refletir sobre a abrangência desse impacto e saber aproveitar as relações comerciais que dele possam resultar. Para ficarmos apenas no exemplo do turismo de negócios e de eventos, basta reparar que, quando um grande evento acontece em determinada cidade há uma primeira onda de impacto sobre as atividades diretamente ligadas ao segmento: transporte, hospedagem e alimentação. Entretanto, não há como negar que setores como o de serviços de apoio a eventos (segurança, recepção, gráfica, decoração, locação de equipamentos audiovisuais, comunicação visual, etc.) são também positivamente impactados, no que chamamos de segunda onda. Mas até aí, nada de novo. Essas atividades são investidoras habituais do setor de eventos através da filiação aos convention bureaux de suas cidades, ou entidades similares. O que nos provoca reflexão é que há segmentos largamente beneficiados pelo círculo virtuoso do turismo de negócios, e que nunca contribuíram, com um único centavo, para a promoção dos destinos, com patrocínios, ou apoio à produção de materiais de incentivo para a indústria de eventos! Refiro-me aqui a empresas como bancos, companhias telefônicas (móvel e fixo), montadoras de automóveis e utilitários, geradoras de energia e outras. Se você, caro leitor, não vê a conexão entre elas e o setor de eventos, então precisa dar uma espiada no tal microscópio! Quando milhares de congressistas participam de um evento numa cidade, inchando relativamente a população habitual, é natural que o consumo de energia elétrica aumente. Centros de eventos, por si só, são grandes consumidores. Mas os celulares também são mais utilizados e o roaming gera milhares de reais de receita adicional para essas empresas. Vale lembrar também que todas as transações financeiras que envolvem os eventos, da inscrição ao pagamento dos estandes, utilizam-se do sistema bancário, pagando taxas, juros e serviços! E o que dizer da indústria automobilística? Qual será o impacto da demanda por utilitários para transporte de turistas, vans e ônibus, e pelas compras efetuadas pelos milhares de empresas de turismo receptivo do país na produção de veículos comerciais? E as compras das locadoras? Quantos milhares de automóveis são comprados anualmente para atender ao mercado de rent a car? Foi isso que resolvemos chamar de terceira onda de impacto. É curioso! Por que será que nunca conseguimos que esses setores invistam um centavo em nosso desenvolvimento? Talvez porque não tenhamos conseguido sensibilizá-los para a importância de manter uma indústria de eventos forte, atuante e profissional, capaz de gerar não só emprego e renda em abundância, mas resultados compensadores para todos os setores envolvidos, independentemente da onda de impacto onde se situem ou da ligação mais ou menos indireta que mantenham conosco. É minha gente, parece que alguém precisa fazer urgentemente a lição de casa! Rui Carvalho Diretor de Comunicação da federação Brasileira de CVB’s This document was created with Win2PDF available at http://www.win2pdf.com. The unregistered version of Win2PDF is for evaluation or non-commercial use only. This page will not be added after purchasing Win2PDF.