Arte
›› Museu Calouste Gulbenkian
Valores em euros
Encargos com pessoal
1 881 558
Outras despesas de estrutura
Iniciativas directas
Investimento
Total
67 576
1 098 053
27 685
3 047 187
Receitas
773 548
O lugar que o Museu Calouste Gulbenkian
ocupa na sociedade portuguesa
e no contexto internacional é sólido,
mas não basta a exposição permanente
para responder às exigências do público
contemporâneo.
Para além da cedência de peças
das suas colecções para grandes exposições
internacionais, o Museu coordena exposições
e promove publicações e outras actividades
que se constituem como referência.
O recurso a especialistas exteriores
à instituição, e mesmo ao país, é prática
corrente e possibilita a organização
de eventos que se pretendem relevantes.
Internamente também, as iniciativas
meritórias de produção do conhecimento
e da sua divulgação – inclusive através
do Serviço Educativo que, embora
com problemas de falta de espaço próprio,
desenvolve um leque de actividades variadas
e criativas –, contribuem para a presença
constante do Museu no contexto da vida
cultural do país.
Exposição Permanente
Considera-se a exposição permanente como
a oferta primeira do Museu ao público,
razão porque, após a sua requalificação em
2001, se tem vindo a proceder a pequenos
acertos necessários. São exemplo as
barreiras dissuasoras com soluções
museográficas austeras, como para o biombo
de Coromandel, na sala de arte do Extremo
Oriente, e uma nova vitrina para exposição
de um conjunto considerável de medalhas
italianas da Renascença, na sala
de Artes Decorativas europeias do século XVI,
resolvendo-se a contento questões
na iluminação, que na apresentação anterior
não permitiam uma visão adequada.
Estudaram-se soluções para a apresentação
de mais cerâmicas islâmicas, uma tapeçaria
francesa do século XVIII e um pequeno
conjunto de jóias de René Lalique,
o que se concretizará em 2004.
A colecção permanente foi pretexto
para um programa de divulgação cultural
da autoria de José Hermano Saraiva,
produzido pela RTP, e o Museu foi incluído,
pelo texto e pela imagem, na obra Great
Smaller Museums of Europe,
de James Stourton.
O espaço destinado à exposição temporária
de obras de arte conservadas nas reservas,
no circuito de exposição permanente,
foi ocupado por duas iniciativas, de que
se dá notícia em Exposições Temporárias.
Exposições Temporárias
“O Mar e a Luz. Aguarelas de Turner
na Colecção da Tate”
19 de Fevereiro a 18 de Maio
Comissário: Ian Warrell
Conjunto de 70 obras, incluindo dois óleos,
60 aguarelas e 8 gravuras do acervo da Tate
Britain, a que se associou a pintura
Quillebeuf, Foz do Sena e uma aguarela
da Colecção Gulbenkian.
Esta mostra resultou de uma proposta
feita pelo Museu, no sentido de trazer
ao convívio do nosso público obras
de um dos grandes mestres da Pintura
‹‹
Tapete, Irão (Caxã),
meados do
século XVI, seda,
230 180 cm.
30
31
europeia, de temática afim das que foram
adquiridas pelo Coleccionador.
A exposição foi vista por 62 358 pessoas,
das quais 12 005 foram orientadas pelo
Serviço Educativo, que fez um total
de 754 visitas.
‹‹
Aspecto da inauguração da exposição “O Mar e a Luz.
Aguarelas de Turner na Colecção da Tate”.
‹‹
Aspecto da exposição “Uma Tradição Secular.
Bordados do Império Otomano à Índia, Séculos XVIII-XIX”.
“Uma Tradição Secular. Bordados do Império
Otomano à Índia, Séculos XVIII-XIX”
7 de Outubro a 10 de Abril de 2004
Comissária: Maria Fernanda Passos Leite
Conjunto inédito de 43 tecidos bordados
da Colecção Calouste Gulbenkian.
Exposição no âmbito da 20.ª Assembleia
Geral do CIETA (Centre International
pour l’Étude des Textiles Anciens),
que decorreu nas instalações da Fundação
(ver Conferências, Congressos, Colóquios
e Cursos).
Até ao final do ano a exposição foi visitada
por 7837 pessoas, tendo o Serviço Educativo
orientado 31 grupos, num total
de 282 visitantes.
Obras em Foco
“Moedas Gregas Antigas. Electro de Cízico
(c. 550-c. 330 a.C.)”
11 de Fevereiro a 22 de Junho
Responsável: Mário de Castro Hipólito
Conjunto de 39 moedas de electro, cunhadas
na colónia de Cízico, importante centro
comercial entre o mar Egeu e o mar Negro.
Iniciativa alusiva à Presidência da União
Europeia pela Grécia.
Carlos Azevedo
‹‹
“Uma Obra em Foco” – Moedas Gregas Antigas.
Cabeça de Zeus. Moeda de Electro de Cízico (anverso),
c. 550-330 a.C.
Carlos Azevedo
Margarida Ramalho
“Félix Ziem (1821–1911)
na Colecção Calouste Gulbenkian”
23 de Dezembro a 28 de Março de 2004
Responsáveis: Manuela Fidalgo e Luísa Sampaio
Conjunto de cinco obras deste autor francês,
viajante incansável, que retratou Istambul
e Marselha, lugares referenciais na vida
de Calouste Gulbenkian.
Foram disponibilizadas informações
adicionais sobre o autor e as suas obras
num quiosque informático.
Apolo
Guillaume II Coustou
Escultura em mármore, 1753
Colecção do Palácio de Versalhes
Abril de 2003 a Maio de 2004
Cedida a escultura Apolo de Houdon
para exposição sobre este escultor
e dada a sua actual colocação, emblemática
no átrio do Museu, solicitou-se a cedência
temporária desta importante escultura,
na ausência da outra, e apresentada
no mesmo local.
››
“Uma Obra em Foco” – Félix Ziem (1821-1911)
na Colecção Calouste Gulbenkian,
Ciprestes em Scutari, c. 1860-1870, óleo sobre madeira.
‹‹
Apolo em mármore, de Guillaume II Coustou (1716-1777),
1753, do Palácio de Versalhes, que substituiu o ausente
Apolo em bronze de Houdon, pertencente à Colecção
Calouste Gulbenkian.
Carlos Azevedo
32
33
Projectos de Exposições
“Calouste Gulbenkian Bibliófilo”
Comissárias: Manuela Fidalgo
e Maria Queiroz Ribeiro
‹‹
Livro de Horas,
manuscrito francês
do século XV,
obra cedida para
a exposição “Jean
Fouquet, Peintre et
Enlumineur du XVe
siècle” (Bibliothèque
nationale de France).
“Arte Islâmica na Colecção Gulbenkian”
Apresentação prevista para se realizar,
entre Janeiro e Fevereiro de 2004,
no Centro Cultural de Abu Dhabi
Comissárias: Maria Fernanda Passos Leite
e Maria Queiroz Ribeiro
Conjunto de cerâmicas, vidros, têxteis
e documentos iluminados, num total
de 55 peças do núcleo de Arte Islâmica.
Concluíram-se os trabalhos de preparação
da exposição, ficando as obras, o material
de museografia e o catálogo disponíveis
para transporte e montagem no local.
Sala de Exposições Temporárias do Museu
e itinerância a propor a instituições
internacionais credenciadas.
Selecção de livros europeus, como
os iluminados medievais e obras impressas
do século XVI ao primeiro terço do século XX,
estas pela qualidade superior das ilustrações
e das encadernações, bem como
por semelhantes razões, as miniaturas
e as encadernações orientais – obras
produzidas no seio das culturas
islâmica e arménia.
“Goa e o Grão-Mogol”
Comissários: Jorge Flores
e Nuno Vassallo e Silva
Sala de Exposições Temporárias do edifício
da Sede, que decorrerá entre 8 de Junho
e 5 de Setembro de 2004
Conjunto de 119 objectos artísticos
que fundamentam uma actualização
do conhecimento das relações interculturais
entre Portugal e a Índia muçulmana.
Participação em Exposições
Temporárias
A inclusão de obras de arte da colecção
em grandes exposições internacionais
contribui para a divulgação do Museu
e igualmente possibilita enquadrar o seu
estudo sob diferentes pontos de vista.
Analisados os pedidos pela sua pertinência
científica e garantidas as necessárias
condições de conservação e segurança,
foram emprestadas as seguintes obras:
› Retrato de Henri-Michel Lévy, de Edgar
Degas, para a exposição “Ritratti e Figure.
Capolavori Impressionisti”, Complesso del
Vittoriano, Roma (7 de Março a 6 de Julho);
› Livro de Horas, manuscrito francês do
século XV, para a exposição “Jean Fouquet,
Peintre et Enlumineur du XVe siècle”,
Bibliothèque nationale de France, Paris
(26 de Março a 26 de Junho);
› Regata no Grande Canal junto à Ponte
de Rialto, de Francesco Guardi, para
a exposição “Guardi. A Arte da Memória”,
Centro Cultural de Belém, Lisboa
(15 de Abril a 17 de Agosto);
› Apolo, de Jean-Antoine Houdon, para
a exposição “Jean-Antoine Houdon,
Margarida Ramalho
Margarida Ramalho
Reinaldo Viegas
››
Sculpture of the Enlightenment”, National
Gallery of Art, Washington, e J. Paul Getty
Museum, Los Angeles (respectivamente,
4 de Maio a 7 de Setembro e 4 de
Novembro a 25 de Janeiro de 2004);
› Livro de Horas, manuscrito flamengo
do século XVI, para a exposição
“Illuminating the Renaissance. The Triumph
of Flemish Manuscript Painting in Europe”,
J. Paul Getty Museum, Los Angeles
(17 de Junho a 7 de Setembro);
› Retrato de Monsieur e Madame Thomas
Germain, de Nicolas de Largillierre, para
a exposição “Ricardo do Espírito Santo
Silva. Coleccionador e Mecenas”, Fundação
Ricardo do Espírito Santo Silva, Lisboa
(9 de Julho a 26 de Outubro);
› O Degelo, de Claude Monet, para a
exposição “The Seine and the Sea“,
Royal Scottish Academy, Edimburgo
(6 de Agosto a 26 de Outubro);
› O Pintor Brown e a Família, pintura
de Giovanni Boldini, para a exposição
“Degas e gli Italiani a Parigi”,
Palazzo dei Diamanti, Ferrara
(14 de Setembro a 16 de Novembro);
› Tapete de seda e livro da Pérsia, século XVI,
para a exposição “Hunt for Paradise.
Court Arts of Safavid Iran, 1501-1576”,
Asia Society, Nova Iorque (16 de Outubro
de 2003 a 18 de Janeiro de 2004);
› Livro de Horas de Afonso I d’Este,
manuscrito italiano do século XVI, para
a exposição “Une Renaissance Singulière.
La Cour des Este à Ferrare”, Palais
des Beaux Arts, Bruxelas (3 de Outubro
de 2003 a 1 de Fevereiro de 2004);
› As Bolas de Sabão, pintura de Edouard
Manet, para a exposição “Manet en el
Prado”, Museu do Prado, Madrid
(13 de Outubro de 2003 a 8 de Fevereiro
de 2004); e
› Retrato de Monsieur e Madame Thomas
Germain, de Nicolas de Largillierre, para
a exposição “Nicolas de Largillierre. Peintre
du Grand Siècle”, Musée Jacquemart-André,
Paris (14 de Outubro de 2003 a 22 de
Fevereiro de 2004).
Retrato de Monsieur e Madame Thomas Germain,
de Nicolas de Largillierre (1656-1746), França, 1736,
pintura cedida à Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva,
Lisboa, e ao Museu Jaquemart-André, Paris.
››
As Bolas de Sabão, pintura de Edouard Manet
(1832-1883), França, 1867, cedida para a exposição
“Manet en el Prado”, Madrid.
34
35
Carlos Azevedo
Catarina Gomes Ferreira
de Charles Nicolas Cochin, estudo
preparatório para o desenho alegórico
ao Nascimento de Luís XV, adquirido
no mercado antiquário em Paris.
In-Arte Premium
››
Aplicação Informática para Gestão
de Museus
Nascimento de
Luís XV, desenho
de Charles Nicolas
Cochin (1715-1790),
c. 1753.
››
“Figura Feminina”,
estudo preparatório
para o desenho
Nascimento
de Luís XV,
de Charles Nicolas
Cochin (1715-1790),
c. 1753.
Aquisição
Entendendo-se a Colecção Gulbenkian
como um exemplo maior do gosto
do Coleccionador, que chamava a si
a decisão final sobre a escolha das peças,
é considerado como princípio que o Museu,
no sentido de manter a coesão original
do acervo, não deva fazer
novas aquisições.
Excepção é feita com obras que, para além
do valor artístico e/ou documental, estão
na génese das peças adquiridas por Calouste
Gulbenkian, como foi o caso de um esboço
o mar e a luz
Aguarelas de Turner
na colecção da Tate
››
Turner na Colecção
Calouste Gulbenkian
Desdobrável que,
com o catálogo,
acompanhou
a exposição
“O Mar e a Luz.
Aguarelas de Turner
na Colecção da Tate”.
No âmbito da disponibilização da nova
Aplicação Informática para Gestão
de Museus – IN-ARTE PREMIUM, os quadros
técnicos do Museu receberam formação
com vista à sua utilização. Efectuaram-se
710 registos de obras do acervo,
prevendo-se que até ao final de 2006
conste do inventário informatizado
a totalidade da Colecção.
Publicações
Museu Calouste Gulbenkian (álbum)
O sucesso de venda desta publicação,
desde o seu lançamento em 2001, então
em português e inglês, e em 2002,
na versão espanhola, justificou reedições
em 2003 – a terceira em português
e a segunda em espanhol,
ano em que também se publicou
a primeira versão em francês.
O Mar e a Luz. Turner nas Colecções
da Tate
Catálogo da exposição.
Textos: Ian Warrel,
Nicola Cole,
Nicola Moorby
e Sarah Taft.
Tradução: João Carvalho
Dias
Coordenação editorial:
João Carvalho Dias
Design: TVM designers/
Luís Moreira
Turner na Colecção
Gulbenkian
Desdobrável
Textos: Manuela Fidalgo
e Luísa Sampaio
por M. Moleiro, Barcelona; e Livro de Horas
de Afonso I d’Este, editado pela Biblioteca
Universitária Estense e Il Bulino Editores.
Publicações em Preparação
Na política de publicações continuam-se
a privilegiar trabalhos monográficos
sobre núcleos da Colecção, solicitados
a especialistas de cada uma das diferentes
áreas, contribuindo para o aprofundamento
do seu estudo científico, e títulos
de divulgação do Museu, do seu acervo
e das suas actividades. Assim, em 2003,
prepararam-se as seguintes obras:
Desdobráveis de “Obras em Foco”
Moedas Gregas Antigas.
Electro de Cízico (c. 550-c. 330 a.C.)
Organização e textos: Mário de Castro Hipólito.
Félix Ziem (1821–1911)
na Colecção Calouste Gulbenkian
Organização e textos: Manuela Fidalgo
e Luísa Sampaio.
Porcelana Chinesa na Colecção Calouste Gulbenkian
Lançamento previsto para o primeiro
trimestre de 2004.
365 Obras do Museu Calouste Gulbenkian
Livro de memória reproduzindo para
cada dia do ano uma peça da Colecção.
Lançamento previsto para o início de 2004.
Catarina Gomes Ferreira
Uma Tradição Secular. Bordados do Império
Otomano à Índia. Séculos XVIII-XIX
Catálogo da exposição.
Textos: Maria Fernanda Passos Leite
Tradução: Richard Trewinnard
Coordenação editorial: João Carvalho Dias
Design: TVM designers/Luís Moreira
Arte Islâmica na Colecção Gulbenkian
Catálogo que acompanhará a exposição
a apresentar no Centro Cultural do Abu
Dhabi, no primeiro trimestre de 2004.
Edição em inglês e em árabe.
Apolo de Guillaume II Coustou
Organização e textos: Maria Rosa Figueiredo.
Fac-similados de Obras Pertencentes
à Colecção Calouste Gulbenkian
Estas edições, acompanhadas por estudos
científicos da autoria de especialistas,
contribuem para divulgar obras maiores
de entre os manuscritos iluminados
da Colecção, permitindo também
limitar o seu manuseamento por parte
dos estudiosos que os pretendem
consultar: Apocalipse Gulbenkian, editado
‹‹
O Apocalipse
Gulbenkian,
Inglaterra,
século XIII, teve
edição fac-similada
em 2003.
36
37
Guia do Museu Calouste Gulbenkian
Livro de orientação no Museu
e de apresentação de peças da Colecção.
Lançamento previsto para o primeiro
trimestre de 2004.
Especialistas
e Estágios no Museu
Tendo em vista estudos, publicações
e organização de exposições,
o Museu continuou a atender e a convidar
especialistas internacionais das diversas
áreas da sua Colecção: Dr. Markus Neuwirth,
para estudar o livro iluminado Gradual
de Admont; Professor Gregory Clark,
para estudar os livros manuscritos
iluminados flamengos e franceses;
Elaine Wright, da Chester Beatty Library,
e Sheila Canby, do British Museum,
para recolha de pareceres técnicos
e científicos na área do livro islâmico;
e Deborah Schorsh, do Metropolitan
Museum of Art, Nova Iorque,
para estudo do torso egípcio
de Petubastis.
Efectuaram estágios no Sector Educativo
do Museu técnicos com formação superior,
ficando alguns aptos a colaborar nas suas
actividades em regime de prestação
de serviços.
Concertos
Em colaboração com o Serviço de Música
realizaram-se, ao longo do ano,
dez dos habituais Concertos de Domingo
no átrio da Biblioteca/Museu,
e que tiveram uma assistência superior
a 2000 pessoas.
Publicaram-se desdobráveis de divulgação
e os programas dos concertos
em que intervieram maioritariamente
bolseiros da Fundação Calouste
Gulbenkian.
Integrando as actividades programadas
da exposição “O Mar e a Luz. Aguarelas
de Turner na Colecção da Tate”, levou-se
a efeito um concerto com obras de autores
do período romântico.
Divulgação do Museu
Arquivo Fotográfico
Prosseguiu a actualização e reorganização
dos ficheiros dos catálogos e o tratamento
de documentação e selecção
de documentação fotográfica destinada
a publicações, exposições, actividades
do Serviço Educativo, outras actividades
do Museu e pedidos de cedência
de documentação fotográfica para
exposições e edições de publicações
nacionais e estrangeiras.
Documentação
Este sector manteve a sua actividade
de oferta de publicações a instituições
nacionais e estrangeiras, recebendo
em permuta publicações de interesse
não só para o Museu, como também
para a Biblioteca de Arte.
Fotografia
Executaram-se negativos a cor, provas
a cor, transparências, slides, provas digitais,
provas p/b e digitalizações, num total
de 4527 imagens.
Prosseguiram os trabalhos de fotografias
em transparência com digitalização
de imagens da Pintura, do núcleo
de aguarelas francesas dos séculos XIX-XX
e de outras obras do Museu, para integrar
o programa IN-ARTE PREMIUM.
Registaram-se eventos como inaugurações,
conferências e visitas especiais.
Website
Iniciou-se a prática regular da
disponibilização de minisites específicos
para cada exposição temporária e anúncio
de actividades complementares,
nomeadamente as do Serviço Educativo.
Por ocasião do Natal, foi disponibilizada
uma funcionalidade que permite o envio
de cartões de boas festas (com temas
da colecção) on-line.
Conservação e Restauro
Para além de intervenções regulares
de conservação preventiva, concluiu-se
a intervenção no relógio (regulador)
francês do século XVIII, até agora atribuído
Conferências, Congressos,
Colóquios e Cursos
A conservadora Maria Rosa Figueiredo
fez a comunicação “Museu Tutelado
pela Fundação – o Museu Calouste
Gulbenkian”, no âmbito de uma jornada
de trabalho promovida pela Associação
Portuguesa de Museologia (APOM),
Casa-Museu João Soares, Cortes,
e, enquanto delegada de Portugal
na FIDEM (Federação Internacional
de Medalhística), a que o Museu
pertence, integrou os júris do “Prémio
de Medalha Contemporânea Dorita
Castel-Branco”, Câmara Municipal
de Sintra, e da “Bienal Internacional
Contemporânea – Seixal”, Câmara
Municipal do Seixal.
A conservadora Maria Queiroz Ribeiro falou
sobre “A Cerâmica Islâmica na Colecção
Calouste Gulbenkian”, no Museu Nacional
de Cerâmica de Sèvres.
O director
do Museu apresenta
Jennifer Montagu,
conferencista
no ciclo “Artes
Decorativas Europeias
do Século XVII”.
››
No quadro de uma programação
de actividades paralelas às exposições
temporárias e às colecções do Museu,
convidaram-se especialistas de diferentes
áreas e deu-se início a um ciclo
de conferências que se deseja com ritmo
anual: “O Livro do Apocalipse. A Palavra
e a Imagem”, por Aires do Nascimento,
Professor da Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa, por ocasião
do lançamento da edição fac-similada
do Apocalipse Gulbenkian; “Turner e o Mar”,
por Eric Shanes, no âmbito da exposição
“O Mar e a Luz. Aguarelas de Turner na
Colecção da Tate”; e o ciclo de conferências
“Artes Decorativas Europeias do Século XVII”:
“Roman furnishings in the Baroque Age”,
por Alvar González-Palacios, historiador
de arte; “Pierre Delabarre, un grand orfèvre
parisien méconnu (vers 1630)”, por Daniel
O Museu Calouste Gulbenkian integra
a Direcção do CIETA (Centre International
pour l’Étude des Textiles Anciens) e assumiu
a organização dos trabalhos preparatórios
e da realização da 20.ª Assembleia Geral
nas instalações da Fundação,
28 de Setembro a 2 de Outubro.
Da elaboração do programa ocupou-se
a representante do Museu na Direcção
do CIETA, conservadora Maria Fernanda
Passos Leite.
Relógio regulador
francês
do século XVIII,
cuja atribuição
a Bernard (II)
van Risen Burgh,
foi confirmada
durante o restauro.
Carlos Azevedo
Catarina Gomes Ferreira
O técnico de restauro foi
solicitado para orientação
de diversas visitas
a grupos de alunos
de cursos superiores
de Conservação e
Restauro e de História
da Arte.
Alcouffe, conservador do Museu do Louvre;
e “Invention, design and sometimes
execution. Sculptors and the Decorative Arts
in the 17th Century Rome”, por Jennifer
Montagu, historiadora de arte.
››
a Bernard (II) van Risen
Burgh, facto que se
confirmou por terem
sido encontradas
as respectivas marcas
durante o tratamento,
e deu-se início ao processo
de restauro de azulejos
de Iznik, em reserva,
tendo em vista a cedência
de longa duração ao Museu
Benaki de Atenas, onde
juntamente com azulejos
daquela colecção
e de outros pertencentes
a vários museus,
permitirão reconstituir
o painel a que pertenciam
inicialmente.
38
39
A conservadora Manuela Fidalgo,
em parceria com Vítor Milheirão, deu
o curso “Livros Raros: bem conhecer
para melhor preservar”, promovido pela
Associação Portuguesa de Bibliotecários,
Arquivistas e Documentalistas
nas instalações da Fundação.
O director do Museu, João Castel-Branco
Pereira, a convite da Fundação De Fornaris,
de Turim, fez aí a conferência
“I Musei della Fondazione Gulbenkian”;
participou no encontro “Reflexões
para a Constituição de um Museu –
o Museu do Oriente”, organizado
pela Fundação Oriente, com
uma comunicação sobre as “Obras
de Requalificação do Museu Gulbenkian
entre 1999 e 2001”; integrou a mesa-redonda “La Pasión del Coleccionismo”,
organizada pela Fundação Santander
Central Hispano, Madrid; e participou,
a convite da Câmara Municipal de Faro,
na jornada organizada pelo Museu
Municipal, apresentando a comunicação
‘’O Edifício e a Apresentação da Exposição
Permanente do Museu Gulbenkian’’,
no Dia Mundial da Arquitectura.
Colaboração com outros
Serviços da Fundação
e Instituições no Exterior
No âmbito da colaboração com o Serviço
Internacional, a conservadora Maria
Fernanda Passos Leite colaborou no guião,
selecção de peças e organização da
exposição “Peregrinações”, deu continuidade
aos trabalhos de preparação da exposição
“Artes Tradicionais Portuguesas”, que se
deverá realizar em 2004 em várias cidades
brasileiras, e elaborou textos para
o livro sobre o Museu de Arte Sacra
e Indo-Portuguesa de Rachol.
O designer do Museu, Mariano Piçarra,
colaborou igualmente com aquele Serviço,
através dos projectos museográficos
para as exposições “Peregrinações”
e “Artes Tradicionais Portuguesas”.
O Serviço Educativo do Museu promoveu
diversas actividades durante a exposição
“Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian.
Francisco Caldeira Cabral (1908-1992)
e a Primeira Geração de Arquitectos
Paisagistas”, organizada pelo Serviço
de Belas-Artes. Foram feitas intervenções
de conservação e restauro em documentos
gráficos a integrar na exposição referida
nas instalações do Museu.
A exposição “Para uma Cultura da Paz e da
Não-Violência”, que o Museu organizou
em 2000, destinada a itinerância no país e
apoiada pela Comissão Nacional da UNESCO,
foi cedida ao Observatório Astronómico
de Tavira e à Biblioteca Municipal
de Santiago do Cacém.
As conservadoras Maria Rosa Figueiredo e
Manuela Fidalgo colaboraram com o Centro
de Estudos sobre a Mulher, através de uma
selecção de obras passíveis de integrar
a exposição “Faces de Eva” e que aquele
Centro prepara.
O director participou na publicação Ricardo
do Espírito Santo Silva. Coleccionador e
Mecenas, editada pela Fundação Ricardo do
Espírito Santo Silva com o texto: “A memória
dos coleccionadores”, sobre coleccionismo
na primeira metade do século XX.
Serviço Educativo
Visitas
Foram feitas 690 visitas às galerias da
Exposição Permanente, com um total de
10 349 participantes de grupos pré-escolares
e escolares de todos os graus de ensino,
público sénior – grupos organizados de
academias, associações culturais
ou de tempos livres e de centros de dia
e grupos de deficientes.
Oficinas
A propósito da exposição “O Mar e a Luz.
Aguarelas de Turner na Colecção da Tate:
Iniciação à Aguarela”, destinadas a adultos
e desdobrada em dois módulos; e “Pela mão
de Turner, à roda das cores”, para crianças
e seus familiares adultos e desdobrada
em dois módulos.
A propósito da exposição “Do Estádio
Nacional ao Jardim Gulbenkian.
Catarina Gomes Ferreira
Francisco Caldeira Cabral (1908-1992)
e a Primeira Geração de Arquitectos
Paisagistas: Tantos Jardins a Oriente
e Ocidente”, com visitas orientadas às
escolas sob o tema “A Paisagem:
do Museu ao Jardim” e um programa
de visitas aos sábados, sob o tema
“Da Paisagem na Arte à Arte da Paisagem”.
Projectos especiais
O Serviço Educativo colaborou com a APCDA
(Associação de Pais para a Educação de
Crianças Deficientes Auditivas), numa
iniciativa que pretende estimular a
curiosidade, o funcionamento em grupo e a
aprendizagem de crianças com deficiência
auditiva; com a Associação Acreditar, que
cuida e acompanha crianças com doença
oncológica; e com o Conselho Português
para os Refugiados. O Serviço realizou ainda
visitas orientadas a crianças, adolescentes
e adultos, integradas no Projecto “Water
Music”, encenação da música de Händel,
que decorreu no Centro Cultural de Belém
e se complementou com visitas a museus.
Visitantes
As galerias de exposição permanente foram
visitadas em 2003 por 139 793 pessoas,
sendo 30 732 nacionais e 109 061
estrangeiras.
Na sala de exposições temporárias
apresentaram-se duas mostras elucidativas
do gosto do Coleccionador, uma centrada na
obra de William Turner, outra em Bordados
Otomanos da Colecção, que foram visitadas
por 70 195 pessoas.
Entre as visitas integradas em programas
oficiais ou que, por iniciativa própria,
vieram ao Museu, destacam-se Valéry
Giscard d’Estaing, o arquitecto Frank Gehry,
››
Férias no Museu
Foram realizadas, pela primeira vez nos
meses de Verão, actividades para crianças
divididas por três grandes temas:
“A Natureza e as Cores”, “Retrato
e Auto-Retrato” e “Os Tempos Livres”.
o Primeiro-Ministro da Bulgária Simeão de
Saxe-Coburgo, os ministros dos Negócios
Estrangeiros do Irão e da Mauritânia,
o ministro do Equipamento da Tunísia,
a ministra da Cultura da Eslovénia, o director
da Biblioteca Alexandrina, os participantes
na Assembleia Geral do Centro Europeu de
Fundações, o Presidente da Câmara dos
Representantes do Japão e os Presidentes
dos Bancos Centrais Europeus.
Visita do
Primeiro-Ministro
da Bulgária, Simeão
de Saxe-Coburgo.
O Museu Calouste Gulbenkian continua assim
a ser um dos mais visitados do país, tanto
por portugueses como por um público
internacional. Para tal contribui o trabalho
regular do Serviço Educativo junto dos
visitantes nacionais que, através de
actividades tradicionais como as visitas
orientadas ou por meio de propostas
inovadoras como as oficinas temáticas e
actividades pensadas para grupos alargados
de crianças e acompanhantes, adultos e
familiares, ou em períodos sem oferta
cultural para as crianças, como as férias de
Verão, mantém o interesse do público que
aqui volta com curiosidade e gosto. No caso
dos visitantes estrangeiros, tal deve-se
ao prestígio internacional do Museu e ao
trabalho de divulgação que propiciam
a vontade de conhecer uma colecção que,
com obras de arte tipologicamente existentes
nos grandes museus do mundo, aqui se
destacam pela superior qualidade estética.
40
41
››
Alceu Bett
Ballet Gulbenkian, Falling Angels, coreografia de Jirí Kylián.
›› Serviço de Música
Valores em euros
Encargos com pessoal
1 141 745
(com excepção dos quadros artísticos)
Despesas de funcionamento
Iniciativas directas
174 284
11 323 326
(inclui despesas com pessoal e funcionamento)
Orquestra Gulbenkian
6 084 234
Coro Gulbenkian
562 973
Ballet Gulbenkian
2 656 928
Outras iniciativas
Grandes Orquestras Mundiais
1 124 418
Recitais e música de câmara
772 799
(inclui Música Antiga e Música Contemporânea)
Outros concertos
27 882
Cursos de aperfeiçoamento
artístico, musicologia
e edições discográficas
94 092
Subsídios e bolsas
336 134
Plano de descentralização
cultural
30 990
Subsídios e incentivo
à criação musical
57 552
Bolsas de estudo
Investimento
Total
Receitas
247 592
93 379
12 975 489
1 923 123
Nas duas temporadas parcialmente
abrangidas pelo ano de 2003, mantiveram-se
inalteradas as grandes linhas de fundo
que têm vindo a reger, nos últimos anos,
a intervenção da Fundação Calouste
Gulbenkian nos domínios da música
e da dança.
Assim, privilegiou-se uma vez mais
a manutenção dos agrupamentos artísticos
residentes da Fundação – o Ballet, o Coro
e a Orquestra Gulbenkian – como
instrumentos primordiais dessa intervenção,
42
43
tendo em conta o carácter único
e insubstituível da oferta artística destes
conjuntos no panorama artístico português,
para a qual continua a não existir qualquer
alternativa viável, quer pública quer
privada. A Orquestra, o Coro e o Ballet
Gulbenkian têm vindo a reforçar, ano após
ano, a sua imagem nacional e internacional
de excelência, multiplicando-se,
designadamente, os convites que lhes são
dirigidos para apresentações no estrangeiro,
em festivais e salas de espectáculos
de primeiro plano absoluto, e as críticas
extremamente elogiosas que lhes são feitas
na imprensa especializada. A superior
qualidade das suas exibições e o alto nível
dos artistas convidados (maestros, solistas,
coreógrafos) que com eles colaboram fazem
cada vez mais destes agrupamentos não
só elos fundamentais entre a vida artística
do nosso país e o circuito artístico mundial,
como embaixadores prestigiados da cultura
portuguesa no estrangeiro, nomeadamente
no espaço alargado da União Europeia em
que é cada vez mais essencial a afirmação
individual das culturas que o integram.
a compositores nacionais, pela oportunidade
mais uma vez dada aos jovens criadores
musicais portugueses de verem as suas
obras interpretadas pela Orquestra
Gulbenkian num workshop especificamente
concebido para esse efeito, pela atribuição
do mais vasto programa de bolsas de estudo
do país para frequência de escolas
de música portuguesas e internacionais,
e pela realização regular, nas instalações
da Fundação, de master classes e cursos
intensivos por grandes mestres consagrados.
Iniciativas Directas
Programação de música contemporânea
A principal alteração no figurino tradicional
das actividades directas de programação
musical promovidas pelo Serviço de Música
no âmbito da Temporada de Música e Dança
em 2003 foi a da extinção das Jornadas
Gulbenkian de Música Antiga e dos
Encontros Gulbenkian de Música
Contemporânea. No primeiro caso, tratou-se
fundamentalmente de proceder à
Nessa mesma lógica, é concebido o conjunto distribuição, ao longo de toda a temporada,
de uma programação regular de música
da temporada de concertos, em que
antiga, substituindo a habitual programação
o público português tem a oportunidade
intensiva concentrada nas primeiras duas
de contactar regularmente, ao longo
de todo o ano, com algumas das orquestras semanas de Outubro. A solução adoptada
para a música contemporânea obedeceu
sinfónicas, dos solistas e das formações
a um padrão mais diferenciado, que não
de câmara de maior prestígio do nosso
se reduziu à promoção de um ciclo
tempo. Muitos deles são visitas regulares
especializado ao longo do ano mas afectou
da temporada, permitindo aos espectadores
acompanharem o desenrolar dos respectivos transversalmente toda a programação
da temporada, pelo que se justifica
percursos artísticos individuais; outros
a sua apresentação antes ainda
vão-se renovando à medida que evoluem
da exposição concreta de cada uma
e se diversificam as tendências artísticas
das componentes desta.
internacionais, construindo um mosaico
sempre mutante de abordagens
interpretativas renovadas. Novos repertórios No âmbito da acção da Fundação
Gulbenkian em prol da divulgação da música
e novas leituras vão-se assim sucedendo,
contemporânea, assumiu, de facto, peculiar
num fluxo contínuo em que confluem
relevo a realização, entre 1977 e 2002,
tradição e inovação e em que a Música
dos Encontros Gulbenkian de Música
e os músicos portugueses encontram o seu
Contemporânea que, anualmente e de modo
lugar no panorama de fundo da criação
e da interpretação musicais contemporâneas. sistemático, proporcionaram ao público
português amplas panorâmicas
das tendências estéticas dominantes
A música e os músicos portugueses
na música erudita dos séculos XX-XXI.
são, com efeito, um alvo primordial desta
Não obstante o êxito desta iniciativa,
intervenção, não só pela sua presença
nos agrupamentos artísticos e na temporada afigurou-se agora oportuna
a sua substituição por outro modelo
da Fundação como pelas encomendas
››
Eduardo Saraiva
de programação, que consiste na inclusão
da música contemporânea ao longo de toda
a temporada, quer em pequenas séries
de concertos temáticos, quer em concertos
isolados, quer ainda inserida em programas
com obras de diversos períodos da história
da música. Sem prejuízo da qualidade
nem da quantidade dos eventos, esta nova
orientação visa, por um lado, fazer chegar
a música contemporânea a mais vastos
sectores de público e, por outro lado, ter
muito maior flexibilidade na calendarização
dos eventos em função das disponibilidades
de datas por parte tanto dos intérpretes
como dos compositores.
De acordo com este plano, realizaram-se
em 2003 14 concertos exclusivamente
preenchidos com música contemporânea.
Olivier Messiaen e Pierre Boulez. Foram
dadas a ouvir algumas obras fundamentais
de ambos os compositores. De Messiaen:
a Turangalîla-Symphonie e a oratória
La Transfiguration de Notre Seigneur
Jésus-Christ pela Orquestra Sinfónica
da Rádio do Sudoeste da Alemanha
(Baden-Baden e Friburgo), sob a direcção
de Sylvain Cambreling (a primeira destas
obras com a colaboração do Europa Chor
Akademie); Oiseaux Éxotiques pela Orquestra
Gulbenkian e o pianista Pierre-Laurent
Aimard sob a direcção de Michael Zilm;
Visions de l’Amen pelos pianistas Dezsö
Ránki e Edit Klukon. E de Boulez:
Improvisations I-II sur Mallarmé,
Éclats-Multiples e Sur Incises pelo Ensemble
Intercontemporain sob a direcção do
compositor; Rituel in memoriam Bruno
Neste contexto, tiveram particular
Maderna pela Orquestra Sinfónica Portuguesa
importância dois ciclos temáticos,
sob a direcção de Emilio Pomarico (sendo
dedicados, respectivamente, a dois grandes
incluída neste mesmo programa a obra
“clássicos” da segunda metade do século XX: Quadrivium de Maderna); Livre pour Quator
Pierre Boulez
dirige o Ensemble
Intercontemporain,
no Grande Auditório.
44
45
Eduardo Saraiva
››
O soprano Barbara
Hendricks com a
Orquestra Gulbenkian
dirigida por Ion Marin,
no Grande Auditório.
Eduardo Saraiva
››
A violinista Hilary
Hahn, acompanhada
pela Orquestra
Gulbenkian sob a
direcção de George
Pehlivanian,
no Grande Auditório.
pelo Quarteto Parisii, e Sonata n.° 2 pelo
pianista Rolf Hind. Este último tocou ainda,
em primeira audição portuguesa, Notes for Pierre,
um ciclo de doze peças escritas por outros
tantos compositores em homenagem a Pierre
Boulez por ocasião do seu 75.° aniversário.
O Quarteto Parisii deu um segundo concerto
com obras de compositores portugueses:
Emmanuel Nunes, João Rafael e Pedro
Amaral. Do norte-americano Georges Crumb
ouviu-se o ciclo integral Makrokosmos
(volumes I e II) pelo pianista Antonio
Ballista. O Remix Ensemble, dirigido
por Frank Ollu, e o violista Christophe
Desjardins tiveram a seu cargo dois outros
concertos, dedicados essencialmente
a compositores portugueses e franceses
(Boulez, Gérard Grisey, Frédéric Durieux,
Nunes, Isabel Soveral e Pedro Amaral).
A música contemporânea esteve ainda
presente em muitos outros concertos
com programas mistos. Foram assim dadas
a ouvir obras de Kurtág, Schnittke,
Takemitsu, Lutoslawski, John Cage,
Helmut Lachenmann, Thomas Adès, Tan Dun,
John Corigliano, Michael Tilsson Thomas,
Álvaro Salazar e Eugénio Rodrigues.
Orquestra Gulbenkian
No ano de 2003, a Orquestra Gulbenkian
manteve a sua actividade centrada
na Temporada Gulbenkian de Música
e Dança, no âmbito da qual couberam
49 de um total de 76 apresentações
públicas.
de Igor Stravinsky, La Passione di Gesù Cristo,
de Antonio Salieri, ou o Concerto n.° 8,
em Lá Menor, Op. 47, para Violino e
Orquestra, de Ludwig Spohr. Neste domínio,
ainda haverá que realçar a presença
da composição musical dos nossos dias,
representada nas actuações da Orquestra
Gulbenkian no Grande Auditório por obras
como o Concerto Grosso N.° 3, de Alfred
Schnittke, Quotation of Dreams, de Toru
Takemitsu, ou Poems of Emily Dickinson,
de Michael Tilson Thomas.
A Orquestra Gulbenkian prosseguiu
ainda com a apresentação da integral
das sinfonias de Beethoven dirigidas
pelo maestro Günther Herbig, bem como
com a apresentação, em versão de concerto,
da trilogia das óperas criadas por Mozart /
Da Ponte, da qual se apresentou em 2003
Cosí fan Tutte, sob a direcção
de Lawrence Foster.
Paralelamente à sua actividade no seio
da temporada no Grande Auditório,
a Orquestra Gulbenkian manteve também
a sua acção de descentralização actuando
nas mais diversas regiões do país
e colaborando com os mais importantes
festivais de música nacionais.
O agrupamento apresentou-se em Alcobaça,
Aveiro, Beja, Cascais, Coimbra, Estremoz,
Évora, Faro, Figueira da Foz, Funchal,
Guarda, Leiria, Lousada, Mateus (Vila Real),
Mesão Frio, Montemor-o-Novo, Santa Maria
da Feira, Sintra e Tomar.
No plano internacional, a Orquestra
Gulbenkian apresentou-se pela primeira vez
e com reconhecido sucesso, num dos mais
Neste quadro, o agrupamento foi
prestigiados festivais de música alemães,
responsável pela audição de um vasto
o Bad Kissinger Sommer, em Bad Kissing,
repertório orquestral, onde se inclui,
actuando em dois concertos dirigidos
evidentemente, a tradicional literatura
pelo maestro Lawrence Foster e que
musical clássico-romântica e do século XX,
tiveram como solistas o meio-soprano Julia
mas também obras menos conhecidas
Gertseva, o pianista Yefim Bronfman,
do público, contribuindo de forma
o violinista Shunsuke Sato e a violoncelista
inequívoca para a sua difusão e para o
Alizia Wellerstein. Igualmente dirigida
alargamento, diversificação e sedimentação
pelo seu director artístico, a Orquestra
dos repertórios. Entre estas obras,
Gulbenkian actuou ainda no Festival
ouviram-se a Cantata Op. 36, “Após a Leitura Enescu, em Bucareste, onde se apresentou
de um Salmo”, de Sergei Taneyev,
com o pianista Dan Grigore.
a Sinfonia em Mi Maior de Hans Rott,
o Concerto para Violino N.° 1, Op. 35,
Já no domínio discográfico, a Orquestra
de Karol Szymanowski, O Canto do Rouxinol, Gulbenkian colaborou no projecto
46
47
de gravação da obra integral para viola
do compositor Franz Anton Hoffmeister
que a editora Oehms Records desenvolveu
com o violetista Ashan Pillai. Em conjunto
com o repertório para viola solo deste
compositor, serão editados os dois
concertos com orquestra em que
o agrupamento participou sob a direcção
do maestro Christopher Hogwood, cujo
lançamento está previsto para 2004.
Entretanto, foi colocada no mercado pela
editora Naïve (Harmonia Mundi), durante
o ano de 2003, a gravação que a Orquestra
Gulbenkian realizou do Concerto para Piano
“Silk Road”, de Fazil Say, com o próprio
compositor como solista e sob a direcção
de Muhai Tang.
Kodama, Katia e Marielle Labéque,
Radu Lupu, Marc Neikrug, Peter Rösel,
Grigory Sokolov, o cravista William Hobbs,
o organista Marcelo Giannini, e ainda,
no âmbito do “Prémio Jovens Músicos”,
os violinistas Alexander Pavtchinsky
e Vítor Vieira, a fagotista Vera Dias,
o violoncelista Marco Pereira
e a pianista Inês Mesquita.
Durante o ano de 2003 dirigiram também
a Orquestra Gulbenkian os maestros Moshe
Atzmon, Rudolf Barshai, Osvaldo Ferreira,
Günther Herbig, Cristopher Hogwood,
Graeme Jenkins, Ion Marin, Daniele Giuglio
Moles, George Pehlivanian, Mikhail Pletnev,
Max Rabinovitsj, Gennady Rozhdestvensky,
Claudio Scimone e Michael Zilm.
1.° Workshop da Orquestra Gulbenkian
para Jovens Compositores Portugueses
Como solistas, apresentaram-se ao lado
deste agrupamento os sopranos Christine
Brandes, Elvira Ferreira, Anna Feu, Cecilia
Gasdia, Julia Gertseva, Barbara Hendricks,
Teresa Cardoso Menezes, Nelly Miricioiu,
Charlotte Müller Perrier, Jennifer Ringo,
Ana Paula Russo, Elisabeth Scholl e Lolita
Semenina, os meio-sopranos Heidi Brunner,
Irina Doljenko e Jennifer Larmore,
os contraltos Manuela Custer e Manuela
Teves, o contratenor Michael Chance, os
tenores Mikhail Gubsky, Thomas Moser, Yves
Saelens, Dario Schmunck e Stefano Secco,
os barítonos Andrei Baturkin, Nicolas Rivenq
e Rudolf Rosen, os baixos George-Emil
Crasnaru, Marcos Fink e Lorenzo Regazzo,
os trompistas Darcy Edmundson-Andrade,
Kenneth Best, Jonathan Luxton e Eric
Murphy, os violinistas Pierre Amoyal,
António Anjos, Bin Chao, Augustin Dumay,
Hilary Hahn, Alexander Rozhdestvensky,
Daniel Rowland, Shunsuke Sato, Nikolai
Znaider e Pinchas Zukerman, o violetista
Ashan Pillai, o violoncelista Antonio
Meneses, Alizia Wellerstein, os pianistas
Pierre-Laurent Aymard, Elena Bashkirova,
Yefim Bronfman, Sequeira Costa,
Dan Grigore, Stephen Hough, Mari e Momo
Em 2003, Lawrence Foster manteve o cargo
de director artístico e maestro titular
da Orquestra Gulbenkian, que desempenha
pelo segundo ano consecutivo, enquanto
Claudio Scimone conservou o estatuto
de maestro honorário.
Com vista a dar um novo incremento
à sua acção de incentivo à criação musical,
o Serviço de Música lançou o Workshop
da Orquestra Gulbenkian para Jovens
Compositores Portugueses, que passa
a integrar o plano anual de trabalho da
Orquestra. Trata-se de uma iniciativa inédita
à escala nacional, pois é esta a primeira vez
que uma das principais orquestras portuguesas
programa sistematicamente uma quinzena de
trabalho exclusivamente dedicada à leitura,
ensaio e apresentação pública de obras
de jovens compositores portugueses,
abrangendo inclusivamente os que não têm
ainda antecedentes de carreira profissional.
Este workshop realiza-se em articulação com
os já habituais Seminários de Composição
orientados por Emmanuel Nunes.
Esta primeira edição do workshop decorreu
entre 10 e 21 de Março. Foi, para o efeito,
aberto concurso público entre compositores
com idade até ao limite máximo
de 35 anos. A selecção das partituras
foi da responsabilidade de uma comissão
de leitura presidida por Emmanuel Nunes.
De entre as 23 obras apresentadas por 15
compositores, foram seleccionadas 8, da
autoria, respectivamente, de Luís Coutinho,
Bruno Gabirro, Nuno Miguel Henriques,
Ângela Lopes, Gonçalo Lourenço, João
Madureira, Ricardo Ribeiro e Bruno Soeiro
(compositores com idades compreendidas
entre 21 e 32 anos).
As oito obras em questão foram dadas
a ouvir num concerto público, no Grande
Auditório da Culturgest, instituição que se
associou à Fundação Calouste Gulbenkian
para dar apoio logístico e de divulgação à
iniciativa. A direcção deste concerto, bem
como dos respectivos ensaios preparatórios,
esteve a cargo do jovem maestro francês
Guillaume Bourgogne.
O workshop da Orquestra Gulbenkian
constitui um notável enriquecimento do
plano do Serviço de Música para formação
de criadores musicais, que já incluía
a realização de seminários de composição
e a atribuição de bolsas de estudo.
Coro Gulbenkian
A actividade principal do Coro Gulbenkian
manteve-se no ano de 2003 associada
à Orquestra Gulbenkian e à temporada
de música no Grande Auditório, colaborando
em todos os concertos coral-sinfónicos que
ali ocorreram. Neste quadro, o agrupamento
participou num total de 13 concertos,
na apresentação de Stabat Mater de Francis
Poulenc, do Requiem, Op. 48, de Gabriel
Fauré, de La Passione di Gesù Cristo,
de Antonio Salieri, da Cantata n.° 2 de
Taneyev, Così fan Tutte de Wolfgang
Amadeus Mozart, da Oratória de Natal,
de J. S. Bach, de cenas da ópera Palestrina,
de Hans Pfitzner, e da Missa Papae Marcelli,
de Giovanni Pierluigi Palestrina – uma obra
a cappella incluída num programa do coro
e orquestra por contraponto à obra referida
imediatamente antes. No âmbito
da temporada, mas já sem a participação
da Orquestra Gulbenkian, o Coro apresentou
ainda um programa inteiramente dedicado
à música de compositores portugueses
de diversas épocas, onde foram dadas
a ouvir as obras Magnificat, de Estevão
Lopes Morago, Magnificat, de João Lourenço
Rebelo, Males de Amor, de Cláudio Carneyro,
e Vislumbre, de Emmanuel Nunes.
Fora da temporada, o Coro Gulbenkian
realizou 8 concertos, 5 dos quais fora de
Lisboa, actuando em Alcobaça, Fátima,
Leiria, Tomar e Santa Maria da Feira.
De realçar a participação do agrupamento
em dois concertos no Centro Cultural
de Belém, no âmbito da Festa da Música,
e um concerto no Teatro Nacional
de São Carlos, em que, conjuntamente com
a Orquestra Sinfónica Nacional e o coro
daquele teatro, foi dado a ouvir
o Requiem de György Ligeti.
Durante o ano de 2003, o Coro Gulbenkian
foi dirigido por Jorge Matta, Zoltán Peskó,
Mikhail Pletnev, Claudio Scimone e Michael
Zilm, tendo colaborado com o agrupamento,
na qualidade de solistas, os sopranos
Caroline Stein, Christine Brandes, Elvira
Ferreira, Cecilia Gasdia, Orlanda Velez Isidro,
Teresa Cardoso Menezes, Nelly Miricioiu,
Charlotte Müller Perrier, Ana Paula Russo,
Elisabeth Scholl, Lolita Semenina e Gyslaine
Waelchli, os meio-sopranos Heidi Brunner,
Marina Prudenskaja e Irina Doljenko,
os contraltos Manuela Custer e Manuela Teves,
o contratenor Michael Chance, os tenores
Christophe Einhorn, Mikhail Gubsky, Thomas
Moser, Yves Saelens, Dario Schmunck e
Stefano Secco, os barítonos Andrei Baturkin,
Rui Baeta, Nicolas Rivenq e Rudolf Rosen,
os baixos George-Emil Crasnaru, Marcos Fink
e Lorenzo Regazzo, o alaudista Jonathan
Rubin, os flautistas de bisel Pedro Sousa
Silva e Pedro Couto Soares, o trombonista
Ismael Santos o violoncelista Thilo
Hirsch, o gambista Miguel Ivo Cruz,
o cravista William Hobbs e os organistas
Marcelo Giannini e Rui Paiva.
Em 2003, Michel Corboz permaneceu
como maestro titular do Coro Gulbenkian,
enquanto Fernando Eldoro e Jorge Matta
mantiveram os cargos de maestro adjunto
e maestro assistente, respectivamente.
Ballet Gulbenkian
Dois acontecimentos merecem destaque
na actividade do Ballet Gulbenkian em
2003: a sucessão de Paulo Ribeiro a Iracity
Cardoso na titularidade da direcção artística,
e o desenvolvimento do programa
de itinerância levado a cabo pela
Companhia em Portugal e em quatro
outros países europeus.
Até final de Julho, o Ballet Gulbenkian
manteve-se sob a direcção de Iracity
Cardoso. Neste período, apresentou duas
48
49
Alceu Bett
››
Ballet Gulbenkian,
Tender Hooks,
coreografia de
Didy Veldman.
Alceu Bett
››
Ballet Gulbenkian,
Paradise Practice,
coreografia de
Stijn Celis.
››
Alceu Bett
coreografias em estreia mundial: Paradise
Practice do belga Stijn Celis, e Tender Hooks
da holandesa Didy Veldman; uma em estreia
em Portugal: Psappha do italiano
Mauro Bigonzetti (sobre a obra homónima
de Xenakis, interpretada ao vivo pelo
percussionista Miguel Bernat); e ainda
uma outra em estreia: Falling Angels
de Jirí Kylián. O reportório incluiu também,
em reposição, Solo for Two de Mats Ek
e Minus 7 de Ohad Naharin.
do Ballet Gulbenkian na área geográfica
em referência.
Ballet Gulbenkian,
Psappha, coreografia
de Mauro Bigonzetti.
Nesta digressão europeia, a Companhia foi
saudada de modo altamente caloroso pelo
público e pela crítica. Assim, por exemplo,
Sanja Hrgetic escrevia a 14 de Abril
no jornal croata Jutarnji list: “Os bailarinos
portugueses levam o público ao êxtase.
Se os deuses quisessem ver um bailado,
provavelmente escolheriam o Ballet
Gulbenkian. A harmonia da energia,
Além dos habituais espectáculos integrados a perfeição técnica e a virtuosidade
na temporada de música e dança no Grande do movimento foram as qualidades
Auditório Gulbenkian, a Companhia efectuou apresentadas pelo Ballet Gulbenkian.”
29 espectáculos em digressão, sendo 16
Por sua vez, Martina Schürmann escreveu
em cidades portuguesas e 13 no estrangeiro. no jornal Neue Ruhr Zeitung, Essen (Alemanha):
Neste contexto, assumem particular relevo
“Onde quer que o Ballet Gulbenkian
as actuações em Salamanca (Centro de Artes apareça, o teatro-dança ganha novo
Escénicas), Sevilha (Real Alcázar), Zagreb
impulso. O dinamismo, fogosidade,
(Teatro Nacional da Croácia), Recklinghausen voluptuosidade e entrega dos 26 bailarinos
– Alemanha (Festspielhaus) e Festival
é tal que chega ao ponto de serem
de Kuopio na Finlândia (Kaupunginteatteri). aplaudidos de pé pelo público
Salienta-se, a propósito, que Kuopio
na Grosses Haus do Festival do Ruhr
é o mais importante festival de dança
em Recklinghausen.” Em Helsínquia,
realizado na Europa setentrional,
Ali Räsänen escreveu no Helsingin Sanomat:
e que foi precisamente a primeira actuação
“O grupo português extasiou o público
50
51
Alceu Bett
››
Ballet Gulbenkian,
Le Sacre du Printemps,
coreografia de Marie
Chouinard.
Amir Sfair Filho
Para além do Grande Auditório Gulbenkian,
o Ballet Gulbenkian dançou em Lisboa no
Teatro São Luiz. A itinerância em Portugal
abrangeu: Montemor-o-Novo, Santa Maria da
Feira (Europarque), Funchal, Leiria e Viseu.
A seu pedido, e por motivos de ordem
estritamente pessoal, a professora Iracity
Cardoso deixou de exercer funções no termo
de sete anos em que exerceu o cargo de
directora artística com o mais alto mérito.
A escolha do seu sucessor foi precedida de
um anúncio para preenchimento do cargo,
publicado nas revistas especializadas de
Dança de maior divulgação internacional,
além da imprensa portuguesa. Receberam-se
63 candidaturas oriundas de 24 países.
No contexto deste concurso,
a Administração da Fundação Gulbenkian
deliberou nomear o coreógrafo português
Paulo Ribeiro como director artístico
do Ballet Gulbenkian a partir de Setembro.
Tendo já anteriormente trabalhado com
a Companhia como coreógrafo-convidado,
Paulo Ribeiro tem desenvolvido uma notável
colaboração com agrupamentos europeus
tais como o Nederlans Dans Theater
e o Ballet de Genève. Em 1994 foi
galardoado com o Prémio Acarte/Madalena
de Azeredo Perdigão. Em 1995 fundou
a sua própria companhia de dança
e, desde 1998, desempenhava o cargo
de director-geral e de programação
do Teatro Viriato em Viseu.
Foi, pois, sob a responsabilidade de Paulo
Ribeiro que se iniciou em Novembro
a temporada 2003-2004 do Ballet
Gulbenkian, com um programa integrando
duas obras bem representativas da
coreógrafa canadiana Marie Chouinard:
Le Sacre du Printemps e Prélude à
l’Après-Midi d’un Faune (sobre as partituras
homónimas, respectivamente, de Stravinsky
e Debussy), ambas em estreia em Portugal.
Foi aliás esta a primeira vez que
››
na sua primeira actuação nos países nórdicos.
O Ballet Gulbenkian é um grupo
maravilhosamente natural. A visita deste
agrupamento trouxe para o palco uma dose
considerável de energia e arte de saber
representar. Esta visita organizada por
Jorma Uotinen foi um perfeito sucesso.”
Por ocasião da visita a Sevilha, pôde ler-se
no jornal ABC: “Quando se sai de um
espectáculo com desejo de vê-lo novamente,
ou mesmo de intervir como bailarino,
espontaneamente ou seja como for…
é porque a energia que os bailarinos
transmitiram funcionou. Uma espécie
de cometa passou ontem à noite pelo palco
do Real Alcázar, em forma de companhia
de dança, do Ballet Gulbenkian para sermos
mais exactos. Uma noite a repetir.”
Ballet Gulbenkian,
Prélude à l’Après-Midi d’un Faune,
coreografia de Marie
Chouinard.
52
53
››
Eduardo Saraiva
Bernard Haitink
dirige a Orquestra
da Staatskapelle
de Dresdren, Coliseu
dos Recreios, Lisboa.
Marie Chouinard acedeu em montar obras
numa companhia que não a sua própria.
Depois de apresentado no Grande Auditório
Gulbenkian, este programa foi repetido em
Montemor-o-Novo e Santa Maria da Feira.
Em 2003, o cargo de ensaiador continuou
a ser partilhado por Vítor Garcia e Pascale
Mosselmans. Como professores convidados,
colaboraram Ivan Kramar, Jan Linkens, Leda
Fernandes, Carlos Prado, Alphonse Poulin,
José Grave e Karl Burnett.
Ciclo “Grandes Orquestras Mundiais”
O ano de 2003 abrangeu os últimos cinco
concertos do ciclo “Grandes Orquestras
Mundiais” de 2002-2003, que a Fundação
promoveu em parceria com o BPI – Banco
Português de Investimento e a ONI,
e os três primeiros da temporada seguinte,
em que este ciclo foi da responsabilidade
apenas das duas primeiras entidades.
Esta série de oito concertos iniciou-se
com a apresentação da Academy of Saint
Martin in the Fields, que teve como maestro
e solista o pianista Murray Perahia.
Seguiram-se-lhe os dois concertos do Coro
e Orquestra da Rádio do Sudoeste
da Alemanha (Baden-Baden e Friburgo),
sob a regência de Sylvain Cambreling,
no duplo programa Messiaen acima referido
com maior detalhe. A Orquestra Filarmónica
de Berlim regressou a Lisboa, desta vez
sob a direcção de Mariss Janssons,
e o Coro e Orquestra do Teatro Bolshoi
de Moscovo actuaram sob a regência
Eduardo Saraiva
››
O pianista
Alfred Brendel,
no Grande Auditório
da Fundação.
de Alexander Vedernikov. Já na temporada
seguinte tiveram lugar dois programas pelo
Ensemble Intercontemporain, regido por
Pierre Boulez, e o concerto da Staatskapelle
de Dresden, com direcção de Bernard Haitink.
Deve sublinhar-se que a componente
de programação contemporânea
especialmente presente neste ciclo em 2003
em nada diminuiu a afluência do público,
que a ele acorreu com o entusiasmo
das anteriores edições.
Recitais de música de câmara
A organização dos ciclos de canto, piano,
música de câmara e música antiga permitiu
acompanhar semanalmente a temporada
dos agrupamentos artísticos residentes
com a apresentação de alguns dos mais
prestigiados solistas e conjuntos de câmara
da actualidade. Apresentaram-se no Grande
Auditório em programas de canção
de câmara os sopranos Barbara Bonney
(com o pianista Malcom Martineau), Maria
Guleghina (com Ivari Ilya) e Karitta Mattila
(com Tuija Hakkila); os meio-sopranos
Vesselina Kassarova (com Charles Spencer)
e Nathalie Stutzmann (com Inger
Södergren); os tenores Michael Schade
(com Malcom Martineau) e Daniel Shtoda
(com Larissa Gergieva); e os barítonos
Wolfgang Holzmair (com Imogen Cooper)
e Christopher Maltmann (com Graham
Johnson).
Os recitais de piano da temporada foram
dados por Antonio Ballista, Alfred Brendel,
Sequeira Costa, Till Fellner, Hélène Grimaud,
Andreas Haeffliger, Rolf Hind, Evgeni
Koroliov, Lang Lang, Radu Lupu, Mikhail
Pletnev, Viktoria Postnikova, Deszö Ránki
e Grigory Sokolov. Quanto aos programas
de conjuntos de câmara, incluíram
os violinistas Salvatore Accardo
(com o pianista Bruno Canino)
e David Garrett (com Itamar Golan);
os violistas Ha-Na-Chang (com Daria Havora),
Tabea Zimmermann (com Hartmut Göll)
e Christophe Desjardins (num programa
a solo); o violoncelista António Meneses
(com o pianista Menahem Pressler);
o trio formado por Gidon Kremer (violino),
Ula Uljona (viola) e Marta Sudraba
(violoncelo); o Beaux-Arts Trio; os quartetos
de cordas Parisii, Talich e Zehetmair;
54
55
Eduardo Saraiva
››
O cravista
Pierre Hantaí,
no Grande Auditório.
Eduardo Saraiva
››
O violinista Gidon
Kremer apresenta-se
em trio com a
violetista Ula Uljona
e a violoncelista
Marta Sudraba,
no Grande Auditório.
››
Eduardo Saraiva
o Sexteto da Orquestra Filarmónica
de Berlim; e o conjunto de música
contemporânea Remix.
Por último, a programação de música antiga
constou das apresentações dos cravistas
Pierre Hantaï, Rosana Lanzelotte e Gustav
Leonhardt; do duo formado por Wilbert
Hazelzet (flauta) e Jacques Ogg (cravo);
do conjunto L’Archibudelli, dirigido pelo
violoncelista Anner Bylsma; pelo Ensemble
Barroco do Chiado; e da Académie Baroque
Européenne do Festival de Ambronay
para um programa Händel regido por
Paul McCreesh.
Plano de descentralização cultural
O impacto mais significativo da intervenção
do Serviço de Música, no âmbito
da descentralização cultural, é reconhecido
sobretudo através da já referida acção
que os agrupamentos artísticos da Fundação
– Ballet, Coro e Orquestra – desenvolvem
nas suas apresentações fora de Lisboa.
De qualquer forma, o Serviço de Música
manteve paralelamente o seu apoio
a iniciativas realizadas por outras entidades,
que se propuseram à realização de recitais
de música de câmara por elementos
da Orquestra Gulbenkian. Neste âmbito,
foi concedido apoio à organização
de recitais em Leiria, Ourém, Pombal, Portimão,
Sintra, Tavira, Tomar e Torres Novas,
realizando-se um total de 9 recitais.
A Académie Baroque
Européenne d’Ambronay,
sob a direcção
de Paul McCreesh,
na apresentação
da oratória Athalia,
de Handel,
no Grande Auditório.
Por outro lado, o Serviço de Música apoiou
também a realização de recitais de órgão
em instrumentos históricos pelos organistas
Antoine Sibertin-Blanc, António Duarte,
João Vaz e Rui Paiva, tendo sido
programados concertos na Sé de Évora,
56
57
na Igreja de Santa Maria, em Óbidos,
na Capela da Universidade de Coimbra
e na Igreja de São Sebastião, em Setúbal.
Subsídios
e Bolsas de Estudo
Incentivo à criação musical
Foram encomendadas 6 obras a outros
tantos compositores, sendo cinco deles
portugueses (Emmanuel Nunes, Pedro
Amaral, Luís Tinoco, Tomás Henriques
e João Madureira) e um britânico
(Stuart Mac Rae).
As obras encomendadas a Emmanuel Nunes
e João Madureira inserem-se no contexto
de um plano de cooperação do Serviço
de Música com outras entidades relevantes
da vida musical portuguesa.
O Teatro Nacional de São Carlos e a
Fundação Gulbenkian responsabilizar-se-ão
conjuntamente pela encomenda de uma
ópera a Emmanuel Nunes. Será um projecto
de grande envergadura e de interesse
excepcional, visto tratar-se da primeira
incursão daquele compositor no domínio
do teatro musical. A ópera em questão
baseia-se na obra de Goethe, Das Märchen
(Le Conte, dit Le Serpent Vert)
e destina-se a 7 cantores solistas,
3 actores, 36 bailarinos, 3 acrobatas,
coro misto e grande orquestra sinfónica.
A sua estreia absoluta está programada
para 2006, no Teatro Nacional de
São Carlos, com direcção musical de Peter
Rundel e encenação de Giorgio Barberio
Corsetti. Serão intérpretes a Orquestra
Sinfónica Portuguesa, o Coro do Teatro
Nacional de São Carlos e o Ballet
Gulbenkian. Está desde já prevista
a repetição destes espectáculos
no Grand Théâtre de Genève e decorrem
conversações para a posterior apresentação
no Royal Théâtre de La Monnaie,
em Bruxelas.
Por sua vez, João Madureira, na qualidade
de compositor residente da OrchestrUtopica,
recebeu a encomenda de uma obra
para conjunto de câmara.
Pelo que se refere às encomendas feitas
a Luís Tinoco, Tomás Henriques e Stuart Mac
Rae, articulam-se com o projecto de actuação
na temporada de concertos 2004-2005,
com o apoio do British Council, de dois
importantes agrupamentos britânicos
especializados em música contemporânea:
Psappha Ensemble, de Manchester,
e Birmingham Contemporary Music Group
(BCMG). A programação por eles apresentada
constituirá uma panorâmica abrangente e
bem ilustrativa da actual produção britânica.
Além disso, cada um dos agrupamentos
aceitou a proposta no sentido de executar
uma obra de autor português encomendada
pela Fundação, em primeira audição absoluta.
Os compositores escolhidos para o efeito
foram Tomás Henriques, para o Psappha
Ensemble, e Luís Tinoco, para o BCMG.
Com vista a reforçar a coerência deste
projecto, foi feita uma encomenda também
a Stuart Mac Rae, um dos nomes mais
representativos da novíssima geração
de compositores britânicos e ainda não
divulgado em Portugal. A obra em questão,
destinada a voz feminina e quinze
instrumentos, sobre um texto da Divina
Comédia (Inferno) de Dante, será dada
em primeira audição absoluta pelo BCMG
no concerto de Lisboa.
A sexta das encomendas mencionadas
foi feita a Pedro Amaral. Trata-se do
Quarteto de Cordas, já apresentado
em primeira audição absoluta pelo Quator
Parisii no Grande Auditório Gulbenkian,
em Maio de 2003.
Bolsas de estudo no estrangeiro
Para o ano lectivo 2003-2004 foram
concedidas pelo Serviço de Música
15 bolsas de estudo para aperfeiçoamento
ou pós-graduação em estabelecimentos
de ensino superior em Londres, Salzburgo,
Berlim, Madrid, Haia, Fullerton (California
State University) e Lawrence (Kansas
University). Nove destas bolsas
corresponderam a renovações do apoio
a candidatos já seleccionados em anos
anteriores e em plena frequência dos cursos
entretanto iniciados, e as seis restantes
foram atribuídas a novos candidatos.
Verifica-se a seguinte distribuição por áreas Cursos de aperfeiçoamento artístico
disciplinares: canto (3), clarinete (1),
flauta (1), harpa (1), piano (2), trompete (1), Prosseguindo a sua política de apoio
à formação musical e ao aperfeiçoamento
violino (3) e violoncelo (3).
artístico, o Serviço de Música realizou
Com este programa a Fundação continua
nas instalações da Sede 6 cursos
a ser a instituição portuguesa, pública
abrangendo diversas áreas disciplinares,
ou privada, que presta o mais significativo
ministrados por pedagogos de grande
apoio deste tipo à formação avançada de
nomeada, oferecendo aos estudantes
jovens músicos portugueses no estrangeiro.
de música portugueses a possibilidade
de contactar com importantes especialistas.
De assinalar a manutenção de um protocolo
Bolsas de estudo no país
celebrado entre o Serviço e a prestigiada
Escola de Música Rainha Sofia, de Madrid,
No ano de 2003, o Serviço de Música
que vem permitindo a colaboração,
manteve a política observada nos últimos
nestes cursos, de alguns dos seus docentes.
anos relativamente à atribuição de bolsas
Em 2003, realizaram-se 3 cursos de piano
de estudo para frequência de escolas
(um com Galina Eguiazarova e os restantes
de música no país. No que respeita
com Sequeira Costa), 1 de trompa
à selecção de novos bolseiros, foi mantida
(com Radovan Vlatkovic), 1 de canto
a colaboração com o Prémio Jovens Músicos, (com Tom Krause) e 1 seminário
organizado pela RDP, privilegiando-se deste
de composição (com Emmanuel Nunes).
modo uma aferição directa e prática dos
candidatos, mais rigorosa e justa, em última
análise, do que a mera apreciação curricular. Outros subsídios
Paralelamente, o Serviço de Música abriu
Complementarmente aos subsídios
concurso para renovação de bolsas,
anteriormente mencionados, o Serviço
mantendo os níveis de exigência acima
de Música apoiou, no ano a que se refere
da média na respectiva área curricular.
este relatório, iniciativas pontuais
na área da música e da dança, concedendo
Foram atribuídas 24 bolsas de estudo,
subsídios, num total de 6, à Academia
das quais 10 são novas bolsas e 14 são
de Música Antiga de Lisboa, à Associação
casos de renovação de bolsas concedidas
em anos anteriores. A distribuição de bolsas Portuguesa de Ciências Musicais, à Escola
de Dança do Conservatório Nacional,
pelas diversas áreas disciplinares, foi a
seguinte: flauta (1), oboé (3), clarinete (1), à Juventude Musical Portuguesa
fagote (2), trompa (1), violino (4), viola (5), e aos compositores João Pedro Oliveira
e Luís Tinoco.
violoncelo (2), piano (3) e saxofone (2).
58
59
››
“7 Artistas ao 10.º Mês”.
›› Centro de Arte Moderna
José de Azeredo Perdigão – CAMJAP
Valores em euros
Encargos com pessoal
1 394 059
Despesas de funcionamento
Iniciativas directas
Investimento
Total
Receitas
146 786
2 175 575
152 092
3 716 420
198 734
No ano de 2003 fechou-se um primeiro ciclo
na história do Centro de Arte Moderna José
de Azeredo Perdigão (CAMJAP) e foi
consolidado significativamente um conjunto
de orientações que configurarão a sua acção
no próximo futuro. De facto, é consensual
afirmar que todo um programa inicial
relacionado com práticas artísticas
performativas, sistematicamente
desenvolvido pelo extinto Serviço de
Animação, Criação Artística e Educação
pela Arte (ACARTE), alterou decididamente
o panorama destas e constituiu-se como um
modelo que foi adoptado e desenvolvido por
numerosas instituições, um pouco por todo
o país. Neste sentido, considerando que a
acção neste campo estaria completada,
propôs-se para o CAMJAP um reforço dos
seus compromissos na divulgação da arte
contemporânea, nomeadamente nas suas
funções ou obrigações enquanto Museu, com
todas as implicações e desenvolvimentos
daí decorrentes.
O Centro de Arte Moderna constitui,
certamente desde o seu início, um local de
referência no panorama da arte
contemporânea, não apenas pelas suas
colecções e pelo conjunto de actividades
a elas ligadas, mas igualmente por uma
prática expositiva organizada da qual foi
precursor entre nós e cujo modelo
influenciou todas as instituições que
viriam posteriormente a aparecer. Visa-se
agora desenvolver e aprofundar toda
esta experiência museal acumulada,
60
61
aumentando-se o seu rigor e riqueza e
procurando-se que o seu alcance e a sua
diversidade cresçam significativamente.
equipa que prepara a edição do catálogo
raisonné de Amadeu de Souza-Cardoso
e a realização de numerosas exposições
temporárias.
Referia-se, no relatório de 2002, que o
Sector Educativo do Centro de Arte Moderna
José de Azeredo Perdigão “constitui-se já
como uma referência obrigatória no contexto Exposições Temporárias
museológico português”. De alguma forma,
Francisco Tropa, “L’Orage”
€ 45 280
2003 foi ainda um ano de consolidação
deste sector, tendo-se procurado expandir
Esta exposição mostrou uma instalação
e aprofundar as suas iniciativas.
– porventura uma das maiores alguma vez
dadas a ver em Portugal – do artista
Foi igualmente o ano do desenvolvimento
Francisco Tropa. Foram aí apresentados
do programa IN-ARTE PREMIUM, programa
quatro espaços inesperados, por vezes
que permitirá não somente uma
informatização da colecção do Centro, tarefa inacessíveis e certamente paradoxais,
visualmente muitos fortes e sugestivos de
já em plena fase de execução e, a curto
uma narrativa permanente em estado de
prazo, do seu arquivo fotográfico, mas
evasão. Francisco Tropa (1968) tem um
igualmente a gestão informática de todas
percurso sólido no conjunto de artistas
as actividades desenvolvidas em torno
que se afirmaram de há uma década para cá
da colecção: projectos de investigação,
empréstimos, catálogos, etc. Neste sentido, em Portugal: a sua relação com formas
o Arquivo Fotográfico tem desenvolvido um de questionar a própria iniciativa artística,
trabalho de conversão tecnológica tendente com a natureza dos suportes e com a
à utilização generalizada da fotografia digital. desmaterialização de conceitos tem
conduzido o seu trabalho a interessantes
Prosseguiram-se os trabalhos de rearrumação desafios dos mecanismos de percepção.
Uma parte desta instalação foi escolhida
e reestruturação das reservas, conforme o
planeamento estabelecido, bem como o seu para integrar a selecção internacional
da Bienal de Veneza. Decorreu entre
reequipamento.
27 de Fevereiro e 22 de Junho.
Constituiu igualmente uma orientação
prioritária os trabalhos de preparação de um
Luísa Correia Pereira
€ 19 699
novo roteiro, substancialmente mais vasto
e melhor adaptado às novas orientações de
Realizada em colaboração com a Fundação
apresentação da colecção e aos seus
EDP, esta exposição mostrou trabalhos desta
desenvolvimentos.
artista feitos entre os anos 70 e finais dos
anos 90. Artista de rara sensibilidade
O acervo do museu foi acrescentado com
formal, cromática e temática, os trabalhos
novas obras de Pedro Portugal, Pedro
de Luísa Costa Pereira não têm tido, por
Proença, Cristina Ataíde, Jorge Martins,
variadíssimas razões, uma visibilidade
António Sena, Rui Valério, Helena Almeida,
merecida. A exposição suscitou unânime
Michael Biberstein, Pedro Cabrita Reis,
interesse e concitou igual unanimidade
Pedro Calapez, Fernando Calhau, Alberto
na apreciação. Foi comissariada
Carneiro, Paulo Feliciano, Jorge Molder,
Leonel Moura, Julião Sarmento, João Galrão, por João Pinharanda e decorreu entre
17 de Julho e 28 de Setembro.
Daniel Blaufuks, Alexandre Conefrey,
Rui Moreira, Pedro Sousa Vieira,
Filipa César e Rui Valério.
Ângelo de Sousa
O Centro prosseguiu os seus objectivos
orientadores, nomeadamente na área do
estudo e da investigação, sendo de
particularizar os avanços no trabalho da
€ 25 157
“Transcrições e Orquestrações”, tal foi o
título escolhido para a exposição
retrospectiva de desenho deste artista e que
››
Francisco Tropa,
“L’Orage”.
››
Luísa Correia Pereira.
››
Ângelo de Sousa,
“Transcrições
e Orquestrações”.
62
63
››
Franz Erhard Walther,
“O Novo Alfabeto”.
››
Daniel Blaufuks.
reuniu perto de um milhar de obras. Ângelo
de Sousa (1938) tem sido um protagonista
fundamental da cena artística portuguesa
desde os anos 60. Artista de múltiplos
recursos e disciplinas, possui vastíssima
obra de escultura, pintura, fotografia e
vídeo. Esta exposição mostrou o trabalho
que o artista produziu ao longo do tempo,
para quem a cronologia da obra é um
elemento pouco significativo e, também,
a sua forma de trabalhar e de pensar o acto
criador como um processo de permanentes
transformações. Decorreu entre 16 de
Outubro de 2003 e 18 de Janeiro de 2004.
Franz Erhard Walther,
“O Novo Alfabeto”
€ 76 747
Nesta exposição, Franz Erhard Walther,
um nome fundamental da arte da segunda
metade do século XX, evocou os seus
primeiros encontros com o alfabeto,
a sua primeira experiência de riscar as letras
com giz no quadro preto, a impossibilidade
de distinguir o desenho da escrita
e a vontade de não introduzir tal distinção.
O artista mostrou nesta exposição uma
vasta retrospectiva dos seus trabalhos sobre
papel, realizados entre finais do anos 50
››
Pedro Campos Rosado,
“Ripple”.
e os anos 80, e que constituiu uma
introdução ao conjunto de esculturas
de “O Novo Alfabeto”. Criado entre 1990
e 1996, este Novo Alfabeto foi pela primeira
vez mostrado no Museu Lehmbruck,
em Duisburg, em 2001. Decorreu entre
20 de Março e 15 de Junho.
Em Product Displacement, os interiores
de casas de habitação contemporâneas são
dados a ver como se estivéssemos dentro e
fora deles em simultâneo. Sendo improvável,
o lugar do espectador obedece, nesta
proposta, a uma ficção cinematográfica
corrente, a do travelling, num contexto
arquitectónico também ele ficcional
e cenográfico: como se as paredes
Daniel Blaufuks
€ 29 414 que separam o interior do exterior das casas
não existissem e os apreendêssemos numa
Daniel Blaufuks (1963) tem por suporte
sequência horizontal ininterrupta. Decorreu
privilegiado a fotografia, a cuja
entre 15 de Maio de 8 de Junho.
apresentação acrescenta por vezes uma
instalação, um filme ou um livro de artista
Em Historia de la Musica Rock,
onde escreve como num diário, organiza
401 capas de discos vinil da história
registos fotográficos ou, em certos casos,
do rock, editados entre 1953 e 2001, são
estabelece uma relação com a literatura.
passados cronologicamente em 48 segundos.
Short Stories reuniu uma vintena de
Durante o tempo de cada imagem ouve-se
fotografias (dez dípticos) e um vídeo.
um som do disco correspondente. O ruído
A obra exposta encontra na ideia de viagem caótico e violento daí resultante reforça
uma motivação forte e constituiu-se
a natureza cumulativa e intensa dessa
como um exercício de questionamento
“queda” sucessiva de imagens no ecrã.
da espacialidade e da desterritorialização,
Decorreu entre 12 e 30 de Junho.
no sentido mais lato. Decorreu entre
27 de Fevereiro e 27 de Abril.
Dois vídeo-artistas na Colecção do
CAMJAP: Filipa César e Rui Valério
Foram apresentados nesta exposição os
vídeos Product Displacement, 2002, de Filipa
César, e Historia de la Musica Rock, 2002,
de Rui Valério.
Pedro Campos Rosado,
“Ripple”
€ 5 803
Pedro Campos Rosado mostrou, na sala
de exposições temporárias do Centro
de Arte Moderna, uma obra especificamente
concebida para o local, constituída por
uma enorme placa metálica de 22 metros,
que um dispositivo faz vibrar
64
65
››
“7 Artistas
ao 10.º Mês”.
desencadeando um conjunto de efeitos
visuais e sonoros. O escultor colocou
com esta obra um conjunto de questões
importantes para a escultura
contemporânea, nomeadamente a do som
e do movimento. A obra obteve grande
impacto junto do público. Decorreu entre
16 de Outubro de 2003 e 4 de Janeiro
de 2004.
“7 Artistas ao 10.° Mês”
Arshile Gorky nasceu entre 1902 e 1904
(em data indeterminada devido à destruição
dos arquivos paroquiais da sua aldeia natal)
e esta exposição pretendeu assinalar a
passagem do centenário do seu nascimento.
Decorreu entre 27 de Março e 29 de Junho.
Para obviar à impossibilidade de expor em
permanência um número verdadeiramente
representativo das cerca de seis mil peças
que constituem a sua colecção, o CAMJAP
criou dois espaços rotativos, um no piso 01
e outro no piso 0, nos quais mostra
€ 39 327
Foi a quarta edição desta iniciativa bianual,
que visa mostrar artistas emergentes, ainda
não integrados nos circuitos artísticos.
As três edições anteriores constituíram
oportunidades de descoberta de jovens
artistas, alguns dos quais estão entre
as presenças mais activas da cena artística
contemporânea. A presente edição
foi comissariada por Miguel Amado.
Arshile Gorky
€ 31 134 Pela primeira vez, a selecção teve uma
orientação temática – “a representação
Nova apresentação do conjunto de obras
da paisagem” –, e a iniciativa associou-se
de Gorky em depósito no CAMJAP
à exposição “Do Estádio Nacional ao Jardim
e pertencente à Igreja Arménia de Nova
Gulbenkian”, exposição sobre a arquitectura
Iorque. Composto na sua maioria por
paisagística em Portugal, que o Serviço
desenhos, algumas gravuras, sete pinturas
de Belas-Artes organizou. Decorreu
e três pequenas esculturas de modelos de
entre 22 de Outubro de 2003
charruas arménias, este conjunto pertenceu e 18 de Janeiro de 2004.
ao sobrinho de Gorky, Karlen Mooradian.
Apresentaram-se ainda uma pintura
e dois desenhos pertencentes ao acervo
Exposições Rotativas
do CAMJAP.
››
respectivamente, com uma regularidade
semestral, núcleos de trabalhos da primeira
e da segunda metade do século. No ano
de 2003 foram apresentadas as seguintes
exposições:
› José Barrias: “Barragem”;
› Fernando Lemos: “Amigos Artistas”;
› Jorge Pinheiro: desenhos preparatórios
das pinturas O Bispo;
› “Doações” de Jorge de Brito.
Obras Cedidas
da Colecção do CAMJAP
Para Portugal
› Bienal de Cerveira: Museu de Pontevedra;
› Sociedade Nacional de Belas-Artes:
homenagem ao Pintor Fernando de Azevedo,
cedência de 2 pinturas, 1 desenho
e 1 colagem de Fernando de Azevedo,
de Junho de 2003 a Junho de 2004;
› Câmara Municipal da Amadora: cedência
de 1 pintura e de 1 desenho
de Cruzeiro Seixas, de 12 de Setembro
a 12 de Outubro;
› Câmara Municipal da Nazaré: cedência
de 1 gouache de Thomaz de Mello,
de 31 de Maio a 22 de Junho;
› Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea
de Almada: “Exposição Comemorativa
do 10.° Aniversário da Casa da Cerca”,
cedência de 1 desenho de Fernando Calhau
e de duas gravuras de Henry Moore,
de 11 de Janeiro a 23 de Março;
› Castelo de Porto de Mós, Câmara Municipal
de Porto de Mós: cedência de 53 aguarelas
de Roque Gameiro, de 8 a 21 de Agosto;
› Centro Cultural de Belém: “Noronha da
Costa Revisitado”, cedência de 12 pinturas
e 5 objectos, de 6 de Novembro
de 2003 a 29 de Fevereiro de 2004;
› Centro Cultural de Santarém: exposição
evocativa de José Viana, cedência de
1 pintura de José Viana, de 22 de Maio
a 14 de Junho;
› Centro Nacional de Exposições
e Mercados Agrícolas, Santarém: cedência
de 2 pinturas e de 2 litografias
de Júlio Pomar, 14, 15 e 16 de Fevereiro;
› Cinemateca Portuguesa: inauguração
das novas instalações, cedência de
2 pinturas de Pamela Golden, 3 pinturas
de Noronha da Costa e 1 desenho
de Fernando de Azevedo, de 10 de Janeiro
a 28 de Fevereiro;
› Galeria da Biblioteca Municipal
da Azambuja: “Sonia Delaunay”, cedência
de 17 litografias de Sonia Delaunay,
de 4 de Janeiro a 14 de Fevereiro;
José Barrias,
“Barragem”.
66
67
››
››
Jorge Pinheiro.
Jorge Pinheiro.
› Galeria de São Mamede, Lisboa: “Óleos
Recentes de Margarida Kendall”, cedência
de 1 pintura de Margarida Kendall,
16 de Outubro a 16 de Novembro;
› Galeria do Palácio, Câmara Municipal
do Porto: “Olhares e Escritas”, cedência
de 1 pintura de João Vieira e de
1 pintura de António Sena, de 23 de
Outubro a 23 de Novembro; “Ruben A.
Tempo, Escrita, Memória”, cedência de
1 escultura e de 1 litografia de Henry Moore
e de 2 gravuras de Barbara Hepworth,
de 10 de Maio a 13 de Julho;
› Instituto de Arte Contemporânea:
5.ª Mostra do “Ciclo de Desenho em Portugal
no Século XX”, a realizar no Museu Nacional
de Machado de Castro, de 18 de Maio
a 29 de Junho, no Museu de Castelo Branco,
Museu Grão Vasco, Museu de Lamego,
Museu do Caramulo e Casa da Cerca,
de 13 de Dezembro de 2003 a
1 de Fevereiro de 2004. Foram seleccionados
para cedência 2 desenhos de José Escada,
um álbum de 16 desenhos de António Areal,
2 desenhos de Júlio dos Reis Pereira,
1 guache de Amadeo de Souza-Cardoso,
2 desenhos de Mário Eloy. A exposição não
chegou a realizar-se;
› Museu da Água, Lisboa: cedência
de 2 tapeçarias de Eduardo Nery,
de 30 de Outubro a 29 de Novembro;
› Museu de Arte Contemporânea do Funchal:
cedência de uma escultura de Alberto
Carneiro, de 21 de Março a 27 de Maio;
› Museu de Serralves, Porto: “Lourdes
Castro”, cedência de 3 desenhos
de Lourdes Castro, de 24 de Janeiro
a 27 de Março; “Retrospectiva de António
Sena”, cedência de 6 pinturas de António
Sena, de 22 de Julho a 26 de Outubro;
“Retrospectiva de Vítor Pomar”, cedência
de 3 pinturas e 4 fotografias, de 9 de Maio
a 6 de Julho;
› Torre do Tombo: cedência de 1 desenho
e 1 pintura de Almada Negreiros,
de 2 de Fevereiro a 2 de Março.
Museu Nacional de Belas-Artes,
Rio de Janeiro, de 30 de Setembro
a 2 de Novembro; na Pinacoteca, São Paulo,
de 13 de Novembro de 2003 a 4 de Janeiro
de 2004, e na Caixa Económica Federal,
Brasília, de 20 de Janeiro a 22 de Fevereiro
de 2004;
› Landesmuseum Joanneum und
Kulturzentrum des Minoriten, Áustria,
e Kursthallen Brandts, Dinamarca: cedência
de uma escultura de Rui Chafes,
de 11 de Abril a 29 de Setembro;
› Musée d’Orsay, Paris: “Les Origines
de l’Abstraccion”, cedência de uma pintura
de Amadeo de Souza-Cardoso,
de 3 de Novembro de 2003
a 23 de Fevereiro de 2004;
› Musée d’Art Contemporain Les Abattoirs,
Toulouse: itinerância da exposição “Blast to
Freeze: British Art in the Age of Extremes”,
organizada pelo Kunstmuseum Wolfsburgo,
cedência de 9 obras de arte britânicas, de
24 de Fevereiro a 11 de Maio;
› Museu Brasileiro de Escultura, São Paulo:
no âmbito da iniciativa da Cooperativa
Árvore “Portugal de Relance – A Viagem –
Encontro de Dois Povos”, cedência de
26 desenhos de artistas portugueses,
de 12 a 30 de Novembro;
› Palazzo Magnani, de Regia Emilia, Itália:
cedência de 2 pinturas de Maria Helena
Vieira da Silva, de 22 de Março
a 18 de Maio;
› Rhodes + Mann Gallery, Londres: cedência
de um desenho de Ana Hatherly,
de 15 de Janeiro a 2 de Março;
› The Whitney Museum of American Art:
“Arshile Gorky. A Drawing Retrospective”,
cedência de 1 desenho da colecção
do CAMJAP e de 6 desenhos, em depósito
no CAMJAP, da diocese da Igreja Arménia
da América (Oriental), de 20 de Novembro
de 2003 a 15 de Fevereiro de 2004.
Para além da cedência de obras de arte,
o Centro de Arte Moderna colaborou com
diversas instituições, nomeadamente através
Para o estrangeiro
de pesquisas, elaboração de informação e
› Galerie im Taxispalais, Innsbruck, Áustria: produção de textos para catálogos; orientou
cedência de 2 fotografias de Helena
estágios de alunos do Curso de Comunicação
Almeida, de 6 de Junho a 10 de Agosto;
Cultural da Universidade Católica Portuguesa
› GRI – Gabinete das Relações Internacionais e do Curso de Conservação e Restauro
do Ministério da Cultura: “Fronteiras
da Universidade Nova de Lisboa;
da Ilusão”, pintura de Jorge Martins,
e organizou a conferência: “Anteontem –
cedência de uma pintura de Jorge Martins,
Materiais e Métodos nas Obras de Arte
68
69
sobre Papel do Século XX”, por Margaret
Holben Ellis, professora de Conservação
no Institut of Fine Arts, da Universidade
de Nova Iorque e directora de Conservação
do Thaw Conservation Center da Morgan
Library, NY, que decorreu nos dias 10,
11 e 12 de Novembro.
desenhadas para apoio aos professores
e educadores de infância e do aumento
e diversificação do programa de cursos
para agentes de intervenção educativa;
› iniciativas para público infanto-juvenil:
alargamento de iniciativas para crianças
abaixo dos 6 anos e diversificação da oferta
de actividades para grupos escolares,
Internamente, colaborou com o Serviço
bem como de actividades ao fim-de-semana
de Comunicação através da produção
e em período de férias escolares;
de textos para a Newsletter, e com
› actividades para famílias: grande
os Serviços Centrais na renovação das obras investimento na promoção de iniciativas
de arte contemporânea que decoram
para o público familiar, de forma
os vários Serviços da Fundação. Apoiou
a conquistar e fidelizar um público
tecnicamente a preparação de materiais para até agora pouco representado entre
a exposição “Do Estádio Nacional ao Jardim os visitantes do museu;
Gulbenkian”, do Serviço de Belas-Artes.
› publicação de material de divulgação
e interpretação: realização de um número
integralmente dedicado à colecção do
CAMJAP, dirigido ao público infanto-juvenil,
Sector de Educação
pais e outros agentes de intervenção
educativa, através de uma parceria com
O Sector de Educação do CAMJAP continuou a revista Aprender a Olhar;
a desenvolver o seu programa no âmbito da › avaliação: desenvolvimento e tratamento
divulgação e interpretação da arte moderna de inquéritos para avaliação das actividades
e contemporânea, a partir da colecção
e da realização de um estudo de público
permanente e das exposições temporárias,
on-line (público em geral) e in situ (público
de acordo com as linhas orientadoras
escolar) em parceria com o mestrado de
estabelecidas no ano anterior. Neste
Sociologia do Instituto Superior de Ciências
sentido, o ano de 2003, como acima foi
Sociais e Políticas da Universidade Técnica
referido, foi um ano de consolidação
de Lisboa; e
das iniciativas educativas lançadas
› parcerias e colaboração com outros
com o nascimento do sector em 2002 e,
Serviços da Fundação e outras instituições
simultaneamente, de alargamento das áreas
culturais e/ou educativas: desenvolvimento
de actividade e intervenção ao nível
da programação educativa e cultural em
da formação e educação artística
torno da exposição “Do Estádio Nacional
e da conquista de novos públicos.
ao Jardim Gulbenkian” com o Serviço
de Belas-Artes; criação do ciclo “Olhares
Assumindo-se como um verdadeiro
sobre a Paisagem e Conversas sobre
interface de comunicação e partilha com
Arquitectura Paisagista” com o Serviço
os públicos, o Sector de Educação continuou de Belas-Artes e o Museu Gulbenkian;
a desenvolver um programa dinâmico
continuação dos ateliês infanto-juvenis
e diferenciado de visitas, ateliês, cursos,
com o CITEN; espectáculo Casio Tone com
conversas, publicações e outros eventos
o Sector de Animação Artística e Cultural;
capazes de responder aos interesses
realização do ciclo “Conversas sobre Arte
de um conjunto diversificado e crescente
e Botânica” com o Sector de Conservação;
de visitantes, incidindo especialmente
programa “Avós e Netos” com a Associação
nos seguintes campos:
Portuguesa de Amigos dos Castelos;
visitas-jogo para grupos com necessidades
› educação artística para adultos: aumento
educativas especiais com a CERCI
de actividades de formação directamente
de Lisboa; estágio de formação em contexto
vocacionadas para este público-alvo: visitas, de trabalho no âmbito do curso “Serviços
conversas, ciclos temáticos e cursos;
Educativos em Instituições e Projectos
› formação de professores: criação de visitas Culturais” com a Sete Pés – Projectos
de preparação pedagógica especialmente
Artístico-Culturais.
Visitas guiadas
€ 37 765
Visitas de fim-de-semana – adultos
› Ciclo “Conversas sobre Arte e Botânica”
(em colaboração com o Sector
de Conservação).
› Ciclo “Uma Breve História de Arte
Portuguesa” a partir da colecção do CAMJAP.
› Ciclo “Pintura e Literatura”.
› Ciclo “Olhares sobre a Paisagem”
(em colaboração com o Museu Gulbenkian).
› Ciclo “Conversas sobre Arquitectura
Paisagista” (em colaboração com o Serviço
de Belas-Artes).
› Ciclo “7 Artistas ao 10.° Mês”.
Visitas guiadas para escolas e outras
instituições – crianças, jovens e adultos
› Visitas à colecção permanente.
› Visitas temáticas específicas.
› Visitas às exposições temporárias.
e contemporânea, bem como no da
formação nas áreas da educação artística
e educação em museus.
Sector de Animação
Artística
Prémio ACARTE/Maria Madalena
de Azeredo Perdigão
€ 13 663
O prémio referente a 2003 foi atribuído
ao Grupo Projecto Teatral, pelo seu trabalho
de autoria e concepção da peça Teatro
apresentada no Goethe Institut, em Lisboa,
em Dezembro de 2003.
Saliente-se que o valor do prémio
– € 10 000 – será reflectido no orçamento
do próximo exercício.
Jazz em Agosto
Ateliês
€ 86 833
€ 20 195
› Ateliês de continuidade (dirigidos
a crianças, jovens e famílias). Animação
do livro, expressão dramática, artes visuais,
expressão plástica.
› Ateliês temporários (dirigidos a grupos
escolares, crianças individuais e famílias).
› Ateliês temáticos em torno
da programação de exposições temporárias
do Centro de Arte Moderna.
Actividades de Verão –
Julho a Setembro
Tendo sido levado a efeito nos espaços
interiores da Fundação Calouste Gulbenkian,
o Jazz em Agosto 2003 decorreu nos dias 1,
2 e 3 de Agosto, apresentando oito
concertos inéditos em Portugal: o trio
australiano The Necks, o Julius Hemphill
Saxophone Sextet dos EUA, o quarteto
alemão DoppelMoppel, o quarteto
inter-europeu 4 Walls, o octeto holandês
Eric Boeren Double Quartet, o quarteto,
também holandês, Tobias Delius Quartet,
o trio português João Paulo-Paulo Curado-Bruno Pedroso e a orquestra irlandesa
Brian Irvine Ensemble.
› Ludoteca, espaço por excelência para
o encontro das crianças em situação
de férias escolares.
› Ateliês de Verão na área das artes
plásticas, promovendo simultaneamente
o conhecimento da colecção permanente
do CAMJAP e o Jardim Gulbenkian.
A programação em 2003 procurou dar ênfase
à produção da Europa, mas não deixou
de fazer constar um grupo americano
cuja actuação foi considerada “o melhor
concerto de jazz de 2003”,
segundo o crítico Manuel Jorge Veloso,
do Diário de Notícias, e que foi objecto
de um registo discográfico na editora
portuguesa Clean Feed, a editar em Junho
Cursos
€ 3 693 de 2004. A presença dos australianos
The Necks constituiu igualmente um sinal
Os cursos e as acções de formação,
da significativa actividade desse país ainda
reflectindo as temáticas e áreas de maior
desconhecida em Portugal. O jazz da Europa
debate actual, procuram potenciar o papel
apresentado – uma realidade crescente
do museu e da sua colecção na difusão
e urgente –, acabou por ocupar o corpo
e conhecimento da arte moderna
central da programação com grupos
70
71
que também se impuseram pela sua
qualidade e originalidade.
entre artistas e colaborações entre criadores
de diferentes áreas de trabalho e formação,
procurando um acompanhamento regular
dos artistas ligados ao CAPITALS
Projecto CAPITALS –
e lançando-lhes novos desafios – foi
Encontros ACARTE
€ 175 962 o caso do denominado Big Seminar,
um projecto de radicalização das premissas
O projecto CAPITALS – Encontros ACARTE
para propiciar encontros inesperados
2003, teve a sua concretização ao longo
e novas ideias entre criadores portugueses,
de sete acontecimentos – denominados
sugerindo-lhes uma postura cada vez mais
“ilhas” – os quais funcionaram como
aberta perante o acto criativo e a sua razão
momentos privilegiados de visibilidade de
de ser, no sentido de propiciar novos
um trabalho constante que, ao longo de
territórios de exploração e experimentação.
dois anos, procurou discutir e executar um
novo modelo de criação e produção para
Apresentaram-se 21 espectáculos,
as artes performativas. Assim, enquanto
em 42 sessões, envolvendo 92 artistas,
plataforma-laboratório, o CAPITALS reuniu
48 dos quais portugueses. Destes
em torno de si um conjunto alargado
espectáculos, 12 tiveram a sua estreia
de profissionais – programadores, teóricos,
absoluta no âmbito do CAPITALS, como
críticos, técnicos, criadores, públicos,
co-produções e/ou resultados de workshops
em papéis frequentemente intermutáveis –,
e residências de criação, directamente
cujas investigações ditaram a estruturação
oriundos dos procedimentos de trabalho
dos eventos num outro tempo e num outro
inspirados pelo projecto. As presenças
ciclo (entre Maio de 2002 e Setembro
enfatizaram uma continuidade nas relações
de 2003).
privilegiadas com os artistas, que já
haviam marcado presença nas “ilhas”
Em três períodos do ano – “ilha 5”,
do ano anterior, numa perspectiva
em Maio; “ilha 6”, em Julho; e “ilha 7”,
de revisitação e de percepção da evolução
em Setembro –, este exercício de
do próprio modelo. A intensificação
experimentação radical abriu-se ao exterior
de espectáculos criados por artistas
com as apresentações dos espectáculos
nacionais deve-se à concretização,
produzidos no contexto (proporcionados
na “ilha 6” (exclusivamente portuguesa),
e fabricados pelo modus operandi CAPITALS) do já referido Big Seminar, que teve origem
ou em cuja fundamentação estivessem
numa sucessão de encontros e debates sobre
preocupações análogas às do programa
a concepção da criação e das colaborações
enunciado. Entre os pressupostos estão,
artísticas, tendo resultado em diversos
entre outros, a vontade de rejeitar
projectos levados a cabo em apresentações
a mercantilização do produto artístico
públicas. Entre os artistas consagrados
enquanto bem acabado e cujo processo
estiveram Xavier Le Roy, Thomas Lehmen,
está desligado do resultado; a necessidade
Jonathan Burrows, Gary Stevens, Rebecca
de encetar um novo modelo de criação
Schneider, Kinkaleri, Bogdan Szyber e Carina
que parta do desafio, do debate,
Reich, João Garcia Miguel ou Paulo Castro;
do confronto (com pessoas diferentes
em fase emergente da sua carreira,
e com outros “eu”) e não cesse
mas já com um trabalho proeminente,
necessariamente no período das conclusões; podemos citar as presenças de Juan
e a certeza de que a articulação entre
Domínguez, Ezster Salamon, André Murraças,
a conceptualização (enfoque teórico)
Joclécio Azevedo, Herlander Elias ou Patrícia
e a materialização (práticas de apresentação Portela. Os espectáculos movimentaram
pública) fornece um enriquecimento para
um universo de 2933 espectadores,
os criadores e para os observadores desta
o que significa uma média
aventura que, mais que provocar distorções
de 79 lugares por sessão.
nas regras da oferta e da procura,
pretendeu jogar com as leis das convenções Realizaram-se 7 conferências (das quais
e das transacções. Em 2003 assistiu-se,
duas foram conferências-demonstrações),
ainda, a um adensar da teia de relações
envolvendo 3 artistas e 4 conferencistas.
Realizaram-se ainda diversos encontros
informais com artistas e teóricos e diálogos
públicos. Ao longo de sete semanas,
organizaram-se os encontros sobre cinema
e corpo, com visionamentos de filmes
relevantes para a discussão da temática
e posterior comentário pelo Professor
Bragança de Miranda. Durante dois meses,
organizaram-se pontualmente sessões de
apresentação e crítica radical
de espectáculos em processo de artistas
envolvidos em CAPITALS, intituladas
“Linchamentos”.
internacional, da programação
e do trabalho de artistas nacionais,
propiciando e prolongando a discussão
para lá dos espectáculos e das restantes
actividades.
Extra-“ilha 5”, realizou-se o fim-de-semana
[email protected], com três sessões diárias
de uma selecção de vídeos da primeira
Bienal Internacional de Israel, com a
presença e os comentários dos comissários.
Será publicado em 2004 o livro CAPITALS,
um documento-memória dos dois anos
de actividades e das estratégias
de programação que lhe estiveram
na origem. Trata-se de um volume
maioritariamente bilingue, de cerca
de trezentas páginas, que inclui entrevistas,
textos de conferências e de espectáculos,
críticas, depoimentos, ensaios, cartas,
material produzido para ou em resultado
dos eventos CAPITALS, e que será
distribuído gratuitamente entre o universo
de artistas e colaboradores do projecto.
Publicaram-se 3 jornais-programas,
em Maio, Julho e Setembro, num total
de 10 500 exemplares, em edição bilingue
(dos quais 1500 foram distribuídos
no estrangeiro), possibilitando a divulgação,
entre a comunidade e no âmbito
Os apoios institucionais do Instituto
Cervantes, da Embaixada da Suécia,
do British Council, do Goethe Institut
e do Swedish Institute confirmam
o alcance e a visibilidade europeia
do projecto CAPITALS em 2003.
72
73
››
Exposição “Do Estádio Nacional ao Jardim Gulbenkian. Francisco Caldeira Cabral
e a Primeira Geração de Arquitectos Paisagistas. 1940-1970”. Vista geral.
Sede da Fundação Calouste Gulbenkian (22 de Outubro de 2003 a 18 de Janeiro de 2004).
›› Serviço de Belas-Artes
Valores em euros
Encargos com pessoal
450 172
Despesas de funcionamento
164 195
Iniciativas directas
Subsídios e bolsas
Total
Receitas
233 292
1 124 542
1 972 201
174 097
O Serviço de Belas-Artes prosseguiu,
em 2003, a actividade distributiva de apoio
à criação, divulgação e investigação nas
diferentes áreas artísticas no âmbito da sua
competência – artes plásticas, arquitectura
e design, história da arte, arqueologia
e património, cinema e teatro – concretizada
através da atribuição de bolsas e subsídios.
Os seus objectivos principais são apoiar
novos projectos de qualidade, dinamizando
o meio artístico e promovendo a arte e os
artistas portugueses nos circuitos nacionais
e internacionais, privilegiando parcerias
com entidades relevantes no país
e no estrangeiro.
Em complemento, têm vindo a ser
desenvolvidas actividades directas
(exposições, prémios, conferências
e projectos transversais e inovadores),
em consonância com os objectivos do Serviço.
Artes Plásticas
e Exposições
Acordo tripartido
€ 446 785
€ 49 138
A Fundação Luso-Americana para o
Desenvolvimento (FLAD), o Instituto das
Artes (ex-Instituto de Arte Contemporânea)
e a Fundação Calouste Gulbenkian
mantiveram em 2003 o protocolo de
colaboração que visa o apoio à divulgação
da arte portuguesa no estrangeiro, através
da concessão de subsídios a artistas,
74
75
››
“a 2ois”, projecto de
residência de criação
artística e de
exposição, 2003.
André Guedes e
Centro de Novas
Tendências Artísticas
(CENTA), Vila Velha
de Ródão. Exposição
de Carlos Roque e
Ricardo Jacinto,
Museu Francisco
Tavares Proença
Júnior (Castelo
Branco), 10 de Maio
a 8 de Junho
de 2003.
galerias e instituições culturais portugueses,
para a sua participação em exposições
e eventos internacionais. Ao abrigo deste
programa, foram contempladas 24
iniciativas, repartidas entre os apoios dados
às galerias portuguesas para participação
em feiras internacionais de arte
(Colónia, Bruxelas e Milão), e aos artistas
portugueses para participação em eventos
internacionais (bienais de arte de Veneza,
de Havana e de Istambul;
Bienal de Arquitectura de São Paulo),
ou em exposições individuais e colectivas,
a convite de instituições museológicas
(Kunsthalle Wien, Drawing Center, em Nova
Iorque e Vanabbe Museum, Eindhoven).
Projectos de criação artística
€ 33 100
Em 2003, foram apoiados 6 projectos
individuais de criação artística
que prosseguem a linha programática
que estrutura este programa, centrado
em projectos de investigação de natureza
prospectiva e experimental. Assim,
os projectos apoiados, oriundos de áreas
diversificadas da criação artística, reforçam
a lógica disciplinarmente transversal deste
programa. Foram financiados projectos
de Miguel Ângelo Rocha, Andreia Marta,
João Maria Gusmão e Pedro Paiva,
Ana Pinto, Nuno Cêra e Catarina Simões,
e Miguel Rondon.
Apoio à produção
de exposições
durante o ano de 2003, já que foram
beneficiários artistas, curadores e produtores
(ligados a estruturas ou a independentes).
Foram, assim, apoiados 21 projectos,
repartidos por diferentes zonas do país,
desde Lisboa – onde ainda se verifica
a principal incidência de apoios –, até
aos Açores, passando por outras cidades
portuguesas, tais como Oeiras, Montijo
e Tavira, ou no estrangeiro, como Nîmes,
Berlim e Praga. De um modo geral,
a qualidade dos projectos apresentados
foi elevada e a diversidade de propostas
bastante alargada.
Projectos de desenvolvimento
e divulgação artística
€ 89 810
€ 41 445
Procurando responder a um crescente
número de solicitações neste campo
específico, a morfologia desta linha
programática inscreve-se no meio artístico
português. Parte-se, assim, do pressuposto
de que a existência de um cenário alargado
de produções expositivas independentes
é essencial para a solidificação
de um tecido criativo, bem como para
a formação de públicos. De facto, o campo
das produções expositivas é revelador
da profissionalização do sector, contribuindo
para uma melhor qualidade dos processos
de mediação artística.
Este factor reflectiu-se nos destinatários
dos apoios atribuídos neste programa
Foram apoiados 17 projectos na área
de desenvolvimento pessoal dos agentes
artísticos, bem como a solidificação
das estruturas que operam na distribuição,
formação e divulgação artísticas. Os apoios
atribuídos centraram-se sobretudo nas
seguintes áreas: por um lado, o apoio
a artistas e outros agentes artísticos
no sentido de proporcionar a participação
destes em fóruns de debate, académicos
ou outros, de âmbito internacional;
por outro lado, no caso das instituições,
os apoios atribuídos destinaram-se,
em primeiro lugar, a contribuir
para o reequipamento de estruturas
que desempenham um papel essencial
na divulgação e ensino artístico, e,
em segundo lugar, ao apoio a estruturas
Exposição “Do Estádio Nacional
ao Jardim Gulbenkian.
Francisco Caldeira Cabral
e a Primeira Geração de Arquitectos
Paisagistas. 1940-1970”
€ 167 378
De 22 de Outubro de 2003 a 18 de
Janeiro de 2004, teve lugar na Galeria de
Exposições Temporárias da Sede da Fundação
uma exposição sobre o modernismo
na arquitectura paisagista em Portugal.
Com especial destaque para o estudo
do Jardim Gulbenkian e da sua importância
no contexto da cidade de Lisboa,
a exposição deu a conhecer a obra
do Professor Francisco Caldeira Cabral
e da primeira geração de arquitectos
paisagistas portugueses.
Comissariada pela Professora Teresa
Andresen, a exposição contou com o design
de Maria João Mântua, com as instalações
da artista Gabriela Albergaria e com um
conjunto de vídeos realizados por Renata
Sancho que apresentaram as entrevistas
de Ana Sousa Dias a quatro arquitectos
paisagistas da primeira geração: Ribeiro
Telles, Viana Barreto, Ilídio de Araújo
e Álvaro Dentinho. O levantamento
fotográfico de desenhos e obras
de arquitectura paisagista, realizado durante
2002 e 2003, esteve a cargo do fotógrafo
Manuel Silveira Ramos. Este levantamento
documental e iconográfico exaustivo,
um importante arquivo para o estudo
da disciplina em Portugal, está depositado
na Biblioteca de Arte da Fundação,
para consulta pública.
Esta iniciativa insere-se num ciclo
de três grandes exposições sobre a Fundação
Gulbenkian, iniciado em 2001, com
a exposição dedicada à obra do designer
Daciano da Costa, e a concluir em 2006,
com a apresentação da obra dos autores
do projecto arquitectónico da Sede.
Catálogo “Do Estádio Nacional
ao Jardim Gulbenkian.
Francisco Caldeira Cabral
e a Primeira Geração de Arquitectos
Paisagistas. 1940-1970”
€ 63 940
No âmbito da apresentação da exposição
atrás referida foi publicado um catálogo,
com edições em português e inglês, que
reuniu as contribuições de autores nacionais
e estrangeiros. O catálogo, para além
do estudo exaustivo da obra de Francisco
Caldeira Cabral e da primeira geração
de arquitectos paisagistas, aborda
a temática do modernismo na arquitectura
paisagista e pretende contribuir para
uma melhor compreensão da arquitectura
paisagista no contexto europeu.
Com o objectivo de apoiar a leitura
da exposição por um público mais alargado,
foi também publicado um pequeno guia
que apresenta um conjunto de textos sobre
os diferentes núcleos da exposição e sobre
as quatro intervenções-instalações da artista
Gabriela Albergaria.
››
que, fora dos grandes centros, organizam
projectos de residências artísticas,
contribuindo, assim, para uma efectiva
descentralização cultural, sem por isso
estarem à margem daquilo que de mais
actual se passa no mundo da arte.
Catálogo da exposição
“Do Estádio Nacional
ao Jardim Gulbenkian.
Francisco Caldeira
Cabral e a Primeira
Geração de Arquitectos
Paisagistas.
1940-1970”.
O projecto compreendeu ainda
o desenvolvimento de um extenso programa
educativo e cultural em torno de questões
sobre a paisagem que resultou
da colaboração entre os Serviços
de Belas-Artes, Centro de Arte Moderna
José de Azeredo Perdigão (CAMJAP)
e Museu Calouste Gulbenkian.
76
77
Conferência “European Conference
– uma herança da Misericórdia de Lisboa”,
numa organização do Museu de São Roque;
of Landscape Architecture
Schools”
€ 1 974 2 subsídios para participação de técnicos
da área da conservação e restauro
em reuniões científicas internacionais,
um dos quais ao Instituto Português
de Conservação e Restauro; 3 subsídios
para o desenvolvimento de trabalhos
de investigação e divulgação, destacando-se
o arranque do projecto de realização
do “Corpus da Tapeçaria em Portugal
(Séculos XIV-XVIII)”, coordenado pela
Dr.ª Maria Antónia Quina, e o apoio à visita
a Portugal de um grupo de reputados
investigadores europeus do Centre d’Études
Supérieures de la Renaissance, criado
pelo Prof. André Chastel, visita coordenada
pelo Prof. Rafael Moreira, da Universidade
Nova de Lisboa; foram igualmente
concedidos 11 subsídios para possibilitar a
participação em estágios e reuniões
científicas internacionais de especialistas
portugueses de reconhecida e elevada
qualidade, e em congressos realizados
Arqueologia em Santiago do Chile, Dresden, Los Angeles
e Rio de Janeiro, reunindo este último
€ 118 939 um importante número de especialistas
portugueses e brasileiros em história
da arte moderna.
A Fundação Calouste Gulbenkian recebeu
em 23 e 24 de Outubro a conferência
anual das Escolas Europeias de Arquitectura
Paisagista (ECLAS), no âmbito de um
protocolo de colaboração com o Instituto
Superior de Agronomia da Universidade
Técnica de Lisboa, a entidade responsável
pela organização da conferência em 2003.
A conferência, que reuniu especialistas
de diversas escolas de arquitectura
paisagista da Europa, foi realizada sobre
o tema do modernismo na arquitectura
paisagista e integrou o programa cultural
da exposição “Do Estádio Nacional
ao Jardim Gulbenkian. Francisco Caldeira
Cabral e a Primeira Geração de Arquitectos
Paisagistas. 1940-1970”.
Estudos de Arte,
e Património
História da arte
e arqueologia
››
Família Oriental,
pormenor da tapeçaria
Cortejo Triunfal
com Dromedários
e Elefante,
da Fundação Abel de
Lacerda – Museu
do Caramulo (Tornai,
primeiro quartel do
século XVI, a partir
de gravura de Dürer,
do projecto do
“Corpus da Tapeçaria
em Portugal
(Séculos XIV-XVIII)”,
coordenado pela
Dr.ª Maria Antónia
Quina (História
da Arte).
€ 68 939
História da arte
Arqueologia
Foi atribuído, no âmbito deste programa,
um subsídio para apoio à realização
da exposição “Colecção Rodrigues Alves
Foram concedidos 6 subsídios para
a realização de trabalhos de campo
e de investigação, levados a cabo por
arqueólogos, investigadores e instituições
especializadas nacionais, incluindo
a prossecução do apoio ao projecto
de escavação do Palácio de Mênfis,
no Egipto, dirigido pela Professora Doutora
Maria Helena Trindade Lopes,
da Universidade Nova de Lisboa, ao Projecto
“MARCAS – Castro Marim e o seu Território
Imediato durante a Antiguidade”,
coordenado pela Professora Doutora Ana
Margarida Arruda, da Faculdade de Letras
de Lisboa, e a continuação do apoio
ao projecto “Villa Romana do Rabaçal”,
desenvolvido pela Associação de Amigos
da Villa Romana do Rabaçal, presidido pelo
Dr. Miguel Pessoa; 1 subsídio à Associação
de Defesa do Património Histórico
e Arqueológico de Aljezur para a realização
de um curso livre sobre “Fortificações
››
Islâmicas no al-Andalus – Séculos XII-XIII”,
com a participação de vários especialistas
internacionais neste tema e que surge na
sequência da descoberta de um importante
Ribat neste concelho; 4 subsídios
para apoio a publicações científicas e de
divulgação, incluindo o apoio à edição do
volume 5 do Journal of Iberian Archaeology,
editado pela ADECAP, sob a direcção
do Professor Doutor Vítor Oliveira Jorge
e visando a divulgação da arqueologia
ibérica para os países de expressão inglesa
e à publicação do volume 8 da revista
Arqueologia Medieval, editada pelo Campo
Arqueológico de Mértola; e 11 subsídios
para possibilitar a participação em estágios
e reuniões científicas internacionais
de especialistas portugueses de reconhecida
e elevada qualidade.
Programa do Festival
Europeu “Temps
d’images”, realizado
no Centro Cultural
de Belém, Cinemateca
Portuguesa e Palácio
Foz, em Lisboa,
de 25 de Setembro
a 5 de Outubro
de 2003.
››
Património
Folheto do espaço-museu do projecto
“Villa Romana
do Rabaçal”,
desenvolvido pela
Associação de
Amigos da Villa
Romana do Rabaçal
(Penela, Portugal).
€ 50 000
Foi concedido um apoio à Fundação
da Casa de Mateus para permitir levar
a cabo o projecto de restauro das colecções
museológicas e beneficiação dos espaços
expositivos da Casa de Mateus. Este projecto
visa melhorar a qualidade de apresentação
do acervo museológico desta casa-museu,
seja através do restauro e recuperação
de peças degradadas, como da melhoria
da sua apresentação ao público; este
projecto foi também comparticipado pelo
Serviço de Educação e Bolsas da Fundação.
Atribuiu-se um subsídio ao arquitecto
Joaquim António de Moura Flores para
apresentar um poster no 7.° Simpósio
Internacional da Organização das Cidades
Património Mundial, em Rodes (Grécia),
centrado sobre a experiência de recuperação
patrimonial obtida na cidade do Porto.
Teatro
€ 128 765
O Sector de Teatro manteve os quatro
programas de intervenção definidos
em 2002, continuando assim a sua missão
de promover a dramaturgia nacional e apoiar
acções de investigação e formação teatral,
encenadores em início de profissionalização
e consolidação de estruturas teatrais.
Dramaturgia portuguesa
€ 21 600
Com o objectivo de promover a dramaturgia
portuguesa foram atribuídos subsídios
a 7 projectos. Destaca-se a tradução
de A Tempestade de Shakespeare,
por Fernando Villas Boas, e a criação de
78
79
Pedro Soares
Tempestade,
de William
Shakespeare,
tradução e adaptação
de Fernando Villas
Boas e encenação
de Tim Carroll
(Programa de Apoio
à Dramaturgia
Portuguesa).
››
Patrícia Almeida
››
Materiais Diversos,
de Tiago Guedes
(Programa de Apoio
a Novos Encenadores –
Projecto
Multidisciplinar).
››
originais por Isabel Freire, Regina Guimarães
e Serge Saguenail, Manuel Sardinha, Miguel
Castro Caldas e José Luís Peixoto.
Novos encenadores
Um Édipo, de
Armando Nascimento
Rosa, encenação
de Miguel Loureiro
(Programa de Apoio
a Novos Encenadores).
€ 64 950
Este programa continua a dar provas da sua
eficácia no desenvolvimento da carreira de
criadores em início de profissionalização.
Este ano foram subsidiados 19 projectos,
destacando-se os trabalhos de Amândio
Pinheiro, Miguel Loureiro, Joaquim Horta,
Nuno M. Cardoso, Tiago Guedes, Filipe
Viegas, André Muraças e Pedro Carmo,
entre outros.
Consolidação de estruturas
teatrais
€ 15 500
É o segundo ano de existência deste
€ 26 715 programa, em fase de implementação
na cena teatral portuguesa. Foram apoiadas
Foram subsidiadas 7 acções de formação
duas companhias para a contratação
e investigação. Destacam-se o workshop
de gestores, respectivamente,
para actores e encenadores profissionais,
a Acto e o Teatro Praga.
que teve lugar no Teatro Nacional D. Maria II,
orientado, entre outros, por Béatrice Picon- Centro de Estudos de Teatro
-Vallin, Gennadi Bogdanov, Krystian Lupa
da Faculdade de Letras de Lisboa
e Eimuntas Nekrosius; o projecto de Luz
da Câmara para um estudo que envolve
Prosseguiu o apoio ao Centro de Estudos
paralelismos entre as peças Frei Luís de
de Teatro, para o “Estudo da Intervenção
Sousa de Garrett e Macbeth de Shakespeare; da Fundação Calouste Gulbenkian no Teatro
o projecto “Congerminações” de Ana Pais,
em Portugal”. Este levantamento será
e o projecto “Húmus” de Carlos Zíngaro,
concluído em 2004, respondendo assim
baseado em Raul Brandão.
à necessidade de informatização do arquivo
Formação e investigação
na área teatral
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do Sector, memória imprescindível para
o estudo do teatro em Portugal.
distinguir jovens talentos em início
de carreira. Esta acção, que contempla
as diversas áreas da actividade do Serviço
de Belas-Artes, tem sido reconhecida
Cinema
€ 38 900 unanimemente pelo papel que
tem desempenhado no desenvolvimento
Em 2003, o Serviço concentrou a sua
e enriquecimento da vida artística
actividade distributiva na área do cinema
e cultural do país.
no apoio a jovens cineastas, para
a realização de filmes de carácter
Ao concurso aberto em 2003
experimental sobre temas de arte,
apresentaram-se 330 candidatos,
destacando-se os subsídios atribuídos
o que constituiu, de facto, o maior número
ao Laboratório de Cinema Experimental
de pedidos desde sempre recebidos
da Universidade Nova de Lisboa, que
no âmbito deste concurso. As candidaturas
coordenou os projectos de produção em
envolveram propostas em todos os domínios
vídeo dedicados à personalidade e obra
da competência do Serviço: arquitectura
dos artistas plásticos António Sena, Carlos
e urbanismo – 61; artes plásticas,
Nogueira, Daniel Blaufuks e Francisco Tropa, design e gestão das artes – 128; história
os quais, ao longo do ano, apresentaram
da arte, estética e património – 49;
o seu trabalho, em exposições individuais,
arqueologia – 10; teatro – 28; cinema – 31;
no CAMJAP. Por outro lado, e tendo como
museologia e conservação – 23.
objectivo contribuir para a divulgação
do cinema português no estrangeiro, foram
O Júri do concurso, constituído
concedidos apoios à realizadora
para apreciação das candidaturas, integrou
Inês Oliveira para participar no Festival
especialistas dos quadros da Fundação
de Curtas-Metragens da Noruega,
e outros exteriores aos mesmos,
em Grimstad, com o seu primeiro filme
tendo sido emitidos pareceres sobre
O Nome e o N.I.M. e à Associação Eira,
todas as propostas. Elaborados
na qualidade de co-produtora da 2.ª edição os orçamentos das propostas seleccionadas
do Festival Europeu “Temps d’Images 2003” e tendo em conta as disponibilidades
de Paris, que apresentou filmes e projectos
financeiras para este concurso,
teatrais de autores portugueses, belgas,
veio a ser aprovado o plano das novas
italianos e alemães.
bolsas para o ano lectivo de 2003-2004,
num total de 35, com a seguinte
distribuição:
Bolsas de Estudo
Bolsas de estudo
de especialização
e valorização profissional
€ 624 445
Cinema
3
Teatro
4
Gestão
das artes
1
Arquitectura
e urbanismo
4
Artes plásticas
10
€ 589 791
Iniciada em 1957, na sequência
da realização da 1.ª Exposição de Artes
Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian,
a acção que visa a atribuição de bolsas
de estudo de especialização, investigação
e valorização profissional, no país
e no estrangeiro, tem-se mantido,
com grande visibilidade, ao longo dos anos
e tem permitido premiar a obra e o trabalho
de artistas, investigadores e profissionais
portugueses, proporcionando-lhes
a oportunidade de desenvolver e actualizar
os seus conhecimentos e, ao mesmo tempo,
Museologia
e conservação
2
História da arte,
estética
e antropologia
6
Arqueologia
2
Design
3
Como se verifica, foram contemplados todos
os sectores de especialização para os quais
o concurso foi aberto, tendo havido
igualmente a preocupação de apoiar
projectos de natureza diversa, que vão
desde a obtenção de graus académicos de
prestígio, à realização de estágios de
aperfeiçoamento e valorização profissional,
até aos domínios da criação ou da reflexão
e pesquisa teórica. A distribuição das bolsas
concedidas por países é a seguinte:
Espanha
1
Portugal
5
Reino Unido
16
Alemanha
1
Bélgica
1
França
1
EUA
10
Por outro lado, e ao abrigo das disposições
regulamentares, foram prorrogadas 16 bolsas
de estudo, anteriormente atribuídas,
por forma a permitir o prosseguimento
ou conclusão de estudos iniciados
com o apoio da Fundação e que vêm
decorrendo com excelentes resultados,
conforme comprovação dos respectivos
orientadores.
Bolsas “Exemplares”
› Bolsa “João Hogan” – em memória
do artista e com recurso ao seu legado,
foi distinguido, em 2003, o artista Jorge
Queiroz, que beneficia presentemente do
programa de “residência e workshop” em
artes visuais oferecido pela Künstlerhaus
Bethanien de Berlim, instituição com a qual
a Fundação mantém há cinco anos
um protocolo, que permite a participação
comum na escolha dos candidatos
e o acompanhamento conjunto do trabalho
desenvolvido e dos resultados obtidos
pelo artista seleccionado;
› Bolsa “Ernesto de Sousa” – também em
memória deste artista, pioneiro na área da
arte experimental multimédia, a Fundação,
em parceria com a FLAD e com a
“Experimental Intermedia Foundation” (EIF)
de Nova Iorque, selecciona todos os anos
um projecto inédito no referido domínio,
proporcionando ao artista premiado
um estágio de um mês na EIF, seguido
da apresentação pública da obra executada
durante esse período. Em 2003,
foi escolhido Ruben Verdadeiro,
que apresentou a concurso uma proposta
associando a imagem, o som
e o movimento.
Jorge Queiroz,
Sem Título, 2003.
Técnica mista sobre
papel, 50 70 cm
(Bolsa “João Hogan”).
››
As bolsas destinadas a estudos nos EUA,
novas ou renovadas, foram concedidas
no âmbito do protocolo há vários anos
estabelecido com a Fundação Luso-Americana
para o Desenvolvimento (FLAD), que
connosco partilha o estudo dos processos
e os encargos a assumir com este programa.
para a afirmação e solidificação
das carreiras artísticas e profissionais dos
nossos bolseiros. Em 2003, foram atribuídas
2 bolsas com estas características:
€ 34 654
Estas bolsas são assim designadas porque
é objectivo do Serviço atribuí-las em casos
muito particulares, visando a especialização,
ao mais alto nível e em áreas de vanguarda
ou consideradas prioritárias, a cumprir
em estabelecimentos de ensino de grande
prestígio no estrangeiro que ofereçam
programas de qualificação artística e
profissional, contribuindo de forma decisiva
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›› Revista Colóquio/Letras
épocas da literatura e em virtude do que,
Encargos com pessoal
174 469 com a activa cooperação da viúva,
tem sido insistentemente consultada
Despesas de funcionamento
21 991 a biblioteca do escritor.
Iniciativas directas
155 279 › A edição das cartas de Sebastião da Gama
Total
351 739 para os amigos, que julgamos serem não só
do melhor alguma vez escrito pelo poeta
Receitas
32 216 como também um documento indispensável
para o estudo e compreensão de toda uma
geração, fundamental para a literatura
Dada a quantidade e qualidade dos textos
portuguesa, para os estudos literários e para
publicados desde 1971 na revista
o ensino em Portugal. Recorde-se que entre
Colóquio/Letras, contendo matéria
importante para o estudo das literaturas de os amigos de Sebastião da Gama se
contaram nomes como os de Luís Filipe
língua portuguesa (e não só), tem vindo a
proceder-se à introdução dos aspectos mais Lindley Cintra, David Mourão-Ferreira,
António Manuel Couto Viana, Maria de Jesus
relevantes dessa matéria numa base de
Barroso, Matilde Rosa Araújo, António
dados passível de ser consultada,
Sampaio, José Régio, Cristovam Pavia, Maria
via Internet, pelos leitores interessados.
Tal base de dados encontra-se praticamente de Lourdes Belchior, Luís Amaro, Alberto de
Serpa, ou Virgílio Couto. As cartas
concluída e estuda-se agora a sua inserção
encontram-se já transcritas e tem-se vindo a
na net de modo a disponibilizar ao público
proceder ao contacto com os destinatários
informação organizada que funciona como
ou seus descendentes, visando a elucidação
enciclopédia literária.
de muitas passagens menos claras
Em 2003 adiantou-se ainda a preparação de para a respectiva anotação.
› A edição de um número dedicado ao
cinco futuros números da revista:
estudo do mito da “dama-pé-de-cabra” não
› A História da Amizade de Almada
só em Alexandre Herculano – pode dizer-se
Negreiros e Maria Adelaide Soares Cardoso
que, com ele, se iniciou o romance moderno
(Lalá Marco). Para além da publicação de
em Portugal –, como também na Idade
um diário inédito dos anos 20 escrito por
Média, na Antiguidade Clássica, noutras
Lalá Marco, documento muito significativo
regiões geográficas – a Galiza, sobretudo –
sobre a vida social e cultural das elites
e culturais – a literatura feminina e o
portuguesas da época, o volume conterá a
Direito, por exemplo. Foram encomendados
edição de cerca de 70 cartas inéditas de
ensaios a especialistas como Maria Helena
Almada, algumas delas ilustradas e outras
da Rocha Pereira, Isabel Maria Magalhães
contendo textos literários nunca antes
Colaço, Helena Buescu, Luís Prista,
divulgados. Ambos os inéditos serão
Luís Kruss, Alberto Pimenta ou Ana Gabriela
acompanhados de dossiês com anotações,
Macedo. Paula Rego mostrou-se interessada
iconografia e documentação.
› A edição dos textos do programa “Imagens em ilustrar o volume.
› A edição de um número – pensado para
da Poesia Europeia” e do conjunto de
2006 – sobre o entrecruzamento em Lisboa,
traduções de poesia feitas por David
nos anos 20, de inúmeros intelectuais:
Mourão-Ferreira, desde sempre colaborador
da revista e seu director entre 1984 e 1995, espanhóis (entre os quais Ramón Gómez de
ano em que faleceu. Os textos encontram-se la Serna e Carmen de Burgos),
portugueses (Almada Negreiros,
já paginados, faltando completar as
Fernando Pessoa, António Ferro)
respectivas bibliografias, para o que foram
e franceses (sobretudo Valery Larbaud).
contactados especialistas nas diversas
Valores em euros
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Arte - Fundação Calouste Gulbenkian