Integração dos Estagiários nas Organizações “Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola” Mestrado em Gestão e Estratégia Empresarial Orientador da Dissertação: Prof. Doutor José Manuel Fonseca Leonor Miguel 50030705 Lisboa, Março de 2015 Integração dos Estagiários nas Organizações “Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola” Declaração de autoria O conteúdo deste relatório é da exclusiva responsabilidade do(a) autor(a). Mais declaro que não incluí neste trabalho material ou dados de outras fontes ou autores sem a sua correta referenciação. A este propósito declaro que li o guia do estudante sobre o plágio e as implicações disciplinares que poderão advir do incumprimento das normas vigentes. Data Assinatura Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola I Agradecimento Os meus sinceros agradecimentos vão para todas aquelas pessoas que de forma direta ou indireta contribuíram para que levasse a bom porto a realização da presente dissertação. Agradeço a Deus por ser o meu refúgio e a minha fortaleza durante a realização deste trabalho. Ao professor doutor José Manuel Da Fonseca pela orientação e amizade ao longo desta caminhada. Um especial obrigado a professora doutora Isabel Moço por todo apoio e ensinamentos que concedeu. A minha família pelo apoio e ensinamento e força incondicionais que me foram dados sobretudo pelos meus pais e irmãs (o), um pilar essencial no meu percurso académico desde sempre. É a eles a quem devo aquilo que sou hoje, nomeadamente nos valores. As diretoras Eva Santos e Claudia Mbeng, que não só deram parecer favorável para a realização das entrevistas como também se mostraram sempre disponíveis para me ajudar na resolução de qualquer situação, permitindo que as entrevistas fossem ao encontro das minhas expetativas e possibilitando as melhores condições para a realização da minha investigação. Aos meus amigos (a) Sumitrah, Pedro, Gésio, Gilberto, Danise, Ayewa, Neusa, Lezia, Vania, Balduino,Isabel, Zenilda, que foram pessoas incansáveis e compreensivas por me terem ajudado e motivado sempre. Ao meu namorado pelo apoio e compreensão ao longo do trabalho e pela minha ausência. Obrigado a todos pois sem vocês naõ seria possível alcançar este objetivo. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola II Índice geral Declaração de autoria ..................................................................................................... I Agradecimento .............................................................................................................. II Índice geral................................................................................................................... III Índice dos quadros ........................................................................................................ V Lista de abreviaturas, siglas e acrónimos ..................................................................... VI Resumo ....................................................................................................................... VII Abstract ........................................................................................................................ IX 1 2 3 4 Introdução ............................................................................................................. 1 1.1 A motivação para a investigação .................................................................. 1 1.2 A pergunta de partida .................................................................................... 1 Enquadramento teórico ......................................................................................... 2 2.1 A Dimensão Estratégica da Gestão de Recursos Humanos .......................... 2 2.2 Práticas de Gestão de Recursos Humanos .................................................... 9 2.3 Acolhimento e Integração ........................................................................... 12 Enquadramento Metodológico ............................................................................ 15 3.1 Métodos....................................................................................................... 15 3.2 Técnicas de Recolhas de Dados .................................................................. 16 3.3 Procedimentos ............................................................................................. 17 Bancos Privados Angolanos: Estudo de Caso ...................................................... 18 4.1 5 Angola ......................................................................................................... 18 4.1.1 Caracterização da integração nos Bancos Privados Angolanos .......... 19 4.1.2 Estudo de caso: Banco Millennium Angola vs Banco BAI ................ 19 Resultados ........................................................................................................... 20 Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola III 6 5.1 Tratamento das Entrevistas ......................................................................... 20 5.2 Discussão e Análise dos Resultados ........................................................... 22 Aspetos Finais ..................................................................................................... 25 6.1 Conclusões .................................................................................................. 25 6.2 Limitações do trabalho ................................................................................ 26 6.3 Implicações para o futuro ............................................................................ 27 7 Bibliografia ......................................................................................................... 28 8 Anexos ................................................................................................................ 30 Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola IV Índice dos quadros Quadro 1- Estudos empíricos sobre práticas de GRH e Performance Organizacional . 7 Quadro 2 -Várias Definições de Práticas de Gestão de Recursos Humanos ................. 9 Quadro 3- Processo de Acolhimento e Integração ..................................................... 14 Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola V Lista de abreviaturas, siglas e acrónimos BAI – Banco Angolano de Investimentos BCP – Banco Comercial Português BMA – Banco Millennium Angola BPA – Banco Privado Atlantico GRH – Gestão de Recursos Humanos PGRH – Práticas de Gestão de Recursos Humanos RH – Recursos Humanos Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola VI Resumo Vivemos num mundo diversificado e cada vez mais competitivo, replete de mundanças, dificuldades e problemas onde estamos em contantes alterações. Dentro destas alterações, a Gestão de Recursos humanos não poderia ficar de for a, passando inclusive a ser uma das áreas de destaque nas organizações. Anos atrás, as pessoas eram vistas apenas como Recursos de produções, máquinas sem valorização professional. As oranizações não se preocupavam com o bem estar dos trabalhadores nem os beneficios. Isto, era visivelmente percebido na era industrial. Na era da informação, as pessoas passaram a representar o capital humano, vistas como “máquinas” produtivas. Este capital pode agregar mais ou menos valor para a organização. Neste contexto as organizações passaram a estar preparadas e atentas para com os seus trabalhadores e com a Introdução de novos membros no seu seio. O presente estudo, tem como objective perceber junto das organizações bancárias privadas em Angola como é feita a Integração dos estagiários e o enquadramento que lhes é dado dentro das organizações. Tendo em conta a lacuna ao nível do conhecimento cientifico apropriado sobre essa temático em Angola, recorrer-se a pesquisa qualitativa devido ao seu character descritivo e exploratório. Como método de investigação, optou-se pela realização de estudo de caso, referente às instituições bancárias em Angola. Os Resultados evidênciam semelhanças e pequenas diferenças no que diz respeito â forma como as organizações integram os estagiários. Os mesmos levam a afirmar que as Práticas de GRH de elevado desempenho estão presents nas instituições do sector bancário. Foi encontrado uma relação positiva no modo como as organizações integram os estagiários que esta consonância com o enquadramento feito aos estagiários dentro das mesmas, refletindo assim um padrão positive de respostas. Por fim conclui-se que essa actividade tem vindo a crescer e a ganhar notoriedade junto das instituições bancárias privadas. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola VII Palavras-chave: Estagiários, GRH, Práticas, Recursos humanos, organizações, Acolhimento, Integração. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola VIII Abstract We live in a diverse and increasing competitive world full of changes and difficulties that lead us in constant changes. Within these alterations, the Human Resource Management could not be meaningless, becoming one of the most important field in the organizations. Years ago, people were seen only as production resources, machines without professional value. The organizations were not preoccupied about the worker´s welfare or benefits. This was easily perceved in the industrial age. In the information age, people started to represent the human capital, seen then as “productive machines". This capital has the potential to add value to the organization. In this context the organizations have to be prepared and vigilant towards their workers and the introduction of new members in their midst. This study aims to study private Angola banking organizations about the way they integrate trainees and the environment the trainees are given within the organizations. Considering the lack of appropriate scientific knowledge about the theme in Angola, it was used a qualitative research due to its descriptive and exploratory character. As Research Method, it was choosen a Study Case to study the banking institutions in Angola. Regardin to the organizatins, the results showed similarities and slight differences on the way organizations integrate trainees. They confirm that the use of high-performance practices of HRM are presents in the institutions of the banking sector. It was concluded that a positive relationship exists between the way organizations integrate the trainees and the integration within the same, reflecting a pattern of positive response. Finally it is concluded that this activity has been growing and gaining notoriety in private banks. Keywords: Trainees, HRM, Practices, HM, Organizations, Reception, Integration. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola IX Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola X 1 1.1 Introdução A motivação para a investigação A motivação para o estudo da Integração dos Estagiários dentro das organizações bancárias, prende-se principalmente com a curiosidade de perceber junto das organizações\empresas a importância e o valor que os estagiários acrescentam à organização, assim como as estratégias adotadas para essa integração. Sendo um assunto pouco explorado em Angola, este estudo irá contribuir para investigações futuras. Importa para isso debruçar-mo-nos em diversos conceitos em torno da Integração dos Estagiários dentro das organizações, nomeadamente políticas, práticas, dimensão estratégica, acolhimento, integração, entre outros com os quais nos iremos focar ao longo do presente estudo. O estudo prende-se com a necessidade de se perceber as vantagens e desvantagens dos estágios curriculares tanto para o estagiário como a organização. Procura-se compreender, junto das organizações bancárias, o enquadramento do estagiário com o objectivo de integrá-lo dentro da organização. 1.2 A pergunta de partida No contexto atual em que vivemos, é cada vez mais definido pela era do conhecimento, valorização de novas competências, competitividade e exigências do mercado. Os Recursos Humanos exercem um papel cada vez mais importante e influente dentro das organizações/empresas, porque incutem os valores e crenças da organização moldando e apoiando normas e funções culturais, para além de implementar a mudança cultural de acordo com os objectivos organizacionais. Também desempenham um papel estratégico significativo, auxiliando a cultura empresarial a adaptar-se a ambientes permutáveis, para que a empresa tenha capacidade de reacção face aos desafios. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 1 Atendendo às Práticas e estrategias de gestão de recursos humanos adotadas pelas organizações no que consiste ao processo de Acolhimento e Integração, o presente estudo tem a seguinte pergunta de partida: De que forma as organizações Angolanas integram e enquadram os estagiários na sua estrutura interna? Desta forma, com o auxílio das referências bibliograficas consideradas relevantes, procurar-se-á encontrar respostas devidamente formuladas para a pergunta de partida. 2 2.1 Enquadramento teórico A Dimensão Estratégica da Gestão de Recursos Humanos Durante grande parte da história, a gestão de recursos humanos tem-se focado exclusivamente nos aspetos administrativos da gestão dos trabalhadores. No entanto nos últimos anos, tem-se observado que a Gestão de Recursos Humanos consiste numa vantagem competitiva sustentada e consequentemente, tem sido cada vez mais adotado nas organizações (Ulrich, 1997; Lawler III e Boudreau, 2009). Esta mudança de paradigma permitiu à gestão de recursos humanos,desde os anos 90, entrar numa nova era passando a ser designada por muitos como gestão estratégica de recursos humanos. A inclusão da gestão dos recursos humanos levou ao reconhecimento do valor acrescentado que a gestão dos recursos humanos desempenhava nas organizações e a capacidade da sua estratégia, em alcançar a vantagem competitiva desejada. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 2 Apesar da evolução, a designação de Gestão de Recursos Humanos, segundo Tavares (2011), sendo mais curta é mais cómoda e popular, mas continua a ser usada na linguagem corrente, na literatura e na nomenclatura dos serviços. Dyer e Reeves (1995) referem que as razões que levaram a Gestão Estratégica de Recursos Humanos a obter um lugar de destaque, são, o aumento da competitividade global e a correspondente procura de fontes de vantagens competitivas e sustentáveis dentro das organizações. À medida que o capital e a tecnologia se tornam disponíveis em qualquer parte do mundo, as organizações procuram fontes de vantagem competitiva dentro das capacidades da organização e mais especificamente para a gestão estratégica dos seus recursos humanos (Dyer, 1993). Wright e McMahan (1992), Pfeffer (1994), Snell et al (1996), fazem referência à facilidade de imitações dos recursos humanos que historicamente forneciam vantagens competitivas as organizações e por esse facto serem uma importante fonte de vantagem competitiva sustentada. Para Ulrich (1997), Becker e Gerhart (1996), um sistema de Gestão de Recursos Humanos desenvolvido apropriadamente representa um ativo invisível que cria valor quando inserido no sistema operacional da organização, tornando-se difícil de imitar pelos concorrentes. Para Alcázer et al (2005), a dimensão estratégica da gestão de recursos humanos despertou um tratamento específico, essencialmente devido à confluência de duas mudanças básicas na literatura: primeiro, a mudança na abordagem da gestão de pessoal para o conceito mais moderno de recursos humanos; segundo, devido à reorientação dos modelos de gestão estratégica elativamente aos aspetos internos da organização. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 3 Relativamente às obras de Boxall e Purcell (2000), Wright (2001), Wright e McMahan (1992) sobre a gestão estratégica de recursos humanos, as origens da teoria organizacional baseiam-se na visão dos Recursos (Resource Based View). Para estes autores, a perspetiva baseada nos recursos da empresa é uma área de grande relevância para a gestão estratégica de recursos humanos. A aceitação crescente dos recursos internos como fontes de vantagens competitivas trouxe legitimidade ao fato das pessoas serem estrategicamente importantes para o sucesso organizacional. Para Gerhart (2005), a perspetiva baseada nos recursos enfatiza o modo como as empresas “ olham para dentro de si mesmas”, relativamente aos recursos que conduzem à vantagens competitivas e que não só criam valor mas também são raros e difíceis de imitar. A teoria baseada nos recursos da empresa aponta dois fatores chave que explicam a dificuldade de imitar as estratégias de recursos humanos profundamente enraizados na organização (Becker & Gerhart, 1996). Primeiro, é difícil compreender os mecanismos de interação entre as práticas e as políticas de recursos humanos que criam valor. As empresas concorrentes até podem contratar os gestores de topo de outras empresas cujos sistemas pretendem copiar, pois a compreensão do sistema traduz-se na capacidade organizacional disseminada por muitos e não apenas por algumas pessoas. Segundo, o sistema de recursos humanos e as políticas são interdependentes, desenvolvendo-se ao longo do tempo, não podendo ser adquiridas isoladamente pelos concorrentes. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 4 Cunha e Gomes (2003), também fazem referência a este facto afirmando que a origem da gestão estratégica de recursos humanos está associada a fatores teóricos e pragmáticos. Os autores incluem os modelos organizacionais baseados nos recursos em que a dinâmica e a complexidade criada pelos trabalhadores ao longo do tempo, tornaram-se difíceis senão mesmo impossíveis de imitar pela concorrência. Nos fatores pragmáticos surgem os processos de descentralização da tomada de decisão e a orientação para as competências-chave. Cunha e Gomes (2003) referem que os últimos anos têm sido prodigós em produzir uma serie de práticas de gestão destinadas, por um lado, a atribuir cada vez mais tarefas e responsabilidades aos indivíduos colocados na base da organização e por outro lado, a concentrar os esforços da organização nas competências em que é realmente especialista, libertando-se das competências periféricas. Segundo os outros autores, nos processos de descentralização da tomada de decisão, existe uma maior implicação e motivação dos trabalhadores na medida em que são chamados a participar em algumas decisões. No entanto, os programas de empowerment podem significar que a gestão de recursos humanos se veja destituída de algumas responsabilidades. A este respeito Ulrich (1998) refere que os Recursos Humanos devem assumir um novo papel dentro das organizações, cujo centro não está nas tradicionais atividades tais como o apoio administrativo, a contratação ou as remunerações, mas sim em proporcionar soluções que enriqueçam o valor da empresa perante os clientes, os investidores e os próprios trabalhadores. Na maior parte das empresas, a direção de Recursos Humanos são primordiais nas políticas e regulamentos; tratam da contratação/despedimentos, gerem a burocracia dos benefícios e administram as recompensas. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 5 Este novo modelo proposto por Ulrich (1998) refere especificamente que os Recursos Humanos podem ajudar a criar valor organizacional incluem-se nos seguintes pressuspostos: 1. Devem tornar-se parceiros da gestão de topo e dos gestores de linha na execução da estratégia, ou seja que não deve ser os Recursos Humanos a definir a estratégia mas sim a equipa de executivos da qual os Recursos Humanos são membros; 2. Devem tornar-se peritos no modo como o trabalho é organizado e executado, garantindo a eficiência administrativa, reduzindo os custos e garantindo a qualidade; 3. Devem ser os defensores dos trabalhadores, representando vigorosamente as suas preocupações à gestão de topo e ao mesmo tempo garantir a sua contribuição e empenhamento para a organização; 4. Os Recursos Humanos devem ser agentes de mudança continua. Se por um lado a teoria baseada nos recursos humanos internos da empresa foi preponderante para o desenvolvimento da dimensão estratégica na gestão de recursos humanos, por outro a teoria sistémica também exerceu influência. Segundo Neves e Gonçalves (2009), uma das escolas de pensamento que mais marcou a evolução do conjunto de conhecimentos e práticas relacionadas com a gestão de recursos humanos foi a abordagem sistémica do funcionamento organizacional. A dimensão estratégica da gestão de recursos humanos sugere que para analisar o impacto das práticas de gestão de recursos humanos no desempenho organizacional, é necessário adotar uma perspetiva sistemática dada a forma conjunta e simultânea das diversas práticas. Por esse facto, nos últimos anos, em vez de examinar isoladamente as práticas de gestão de recursos humanos, Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 6 tem crescido o número de investigações que analisam sistemas de práticas de recursos humanos e o impacto na performance organizacional. No quadro 1, são indicados alguns exemplos de investigações realizadas em torno das práticas de gestão de recursos humanos e a performance organizacional. Quadro - Estudos empíricos sobre práticas de GRH e Performance Organizacional Investigação Contexto Dimensões Resultados Snell e Dean 160 Oficinas Seleção rigorosa; A adoção de tecnologias de produção (1992) Metalúrgicas dos EUA. Formação e desenvolvimento; está positivamente relacionada com a Avaliação de desempenho orientada presença de cada prática de GRH. para o desenvolvimento; Remuneração competitiva. Arthur (1994) 30 Oficinas de Dois tipos contrastantes de sistemas de Sistemas de práticas de implicação transformações de aço GRH: positivamente relacionado com nos EUA. Sistemas de implicação; indicadores de produtividade das Sistemas de controlo. unidades; Sistemas de práticas de GRH moderador da relação entre rotatividade e desempenho da unidade. MacDuffe 62 Linhas de produção Sistemas de produção de massa e Prática de gestões inovadoras (1995) automóvel em vários sistemas de produção flexíveis. contribuem para a produtividade e países (Japão, Europa, Seleção rigorosa; qualidade da produção quando México, Brasil e Recompensas contingentes do integradas em sistemas de produção Austrália). desempenho da unidade; formação e flexíveis. desenvolvimento; Redução de barreiras hierárquicas. Huselid (1995) 1000 Empresas de Práticas de GRH de elevado Práticas de GRH de elevado diversos setores desempenham. desempenham associadas positivamente EUA. com a produtividade e desempenho financeiro; Práticas de GRH de elevado desempenham associadas negativamente com a rotatividade. Delaney e 590 Empresas lucrativas e Seleção rigorosa; Associação positiva entre práticas de Huselid (1996) não lucrativas de diversos Formação e desenvolvimento; GRH e medidas percetíveis do setores do EUA. Recompensas contingentes do desempenho da empresa. desempenho; Participação; segurança de emprego; oportunidades de progressão. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 7 Cerca de 1000 empresas Práticas de GRH: Práticas estratégicas de GRH Delery e Doty do setor bancário dos Segurança no emprego; positivamente relacionadas com (1996) EUA. Oportunidade de carreira; formação e indicadores de performance financeira. desenvolvimento; partilha de lucros; avaliação de desempenho baseada nos resultados; oportunidades de participação, desenho de funções. Fonte: Autor Apesar das múltiplas perspetivas na abordagem ao conceito de gestão estratégica de recursos humanos nas investigações realizadas, tem sido notória a tendência dos investigadores em utilizar com maiores frequências determinadas práticas, como, a seleção rigorosa, programas de formação formais, trabalho em equipa, participação, envolvimento, avaliação de desempenho formal, oportunidades de promoções, incentivos relacionados com o desempenho e segurança no trabalho. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 8 2.2 Práticas de Gestão de Recursos Humanos A Gestão de Recursos Humanos (GRH) tem sido ao longo do século XX objeto de estudo, tanto a nível teórico como prático, incorporado em teorias organizacionais e comportamentais segundo Neves e Gonçalves (2009). Estes autores referem ainda que a evolução dos conteúdos e das práticas foram influênciadas pela importância dos fatores de contexto, que em cada momento, se revelaram mais determinantes. Nasurdin, Hemdi e Guat (2008) apresentaram várias definições de práticas de Gestão de Recursos Humanos (PGRH) no levantamento da literatura sobre as práticas da gestão de recursos humanos. Quadro -Várias Definições de Práticas de Gestão de Recursos Humanos Referência Definição Schuler e Jackson (1987; cit. Por Nasurdin et al., 2008) “ Atividades organizacionais direcionadas param a GRH assegurando-se de que estes são alinhados com os objetivos organizacionais”. “ Conjunto de práticas e políticas internamente consistentes desenhadas e implementadas para garantir Delery e Doty (1996: cit. Por Nasurdin et al., 2008) que o capital humano de uma empresa contribua para atingir os objetivos de negócios”. Dittmer (2002; cit. Por Nasurdin et al., 2008) “ Perceção de um indivíduo sobre o grau de estratégias, planos e programas utilizados para atrair, motivar, desenvolver, recompensar e reter as melhores pessoas para atingir os objetivos organizacionais”. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 9 Segundo Capelli e Neumark (1999), numa perspetiva pluridisciplinar existem três gerações de estudos sobre a influência das PGRH. A primeira geração teve origem com os trabalhos efetuados por Elton Mayo e colaboradores (1945) na Western Electric Company e destacam que o desempenho individual e dos grupos podem ser melhorados por sistemas de gestão que reconhecem o papel da interação social e das normas do grupo na moldagem dos computadores. Estas conclusões foram confirmadas pelos trabalhos de Tavistock, que demonstrou que o desempenho individual e de grupo podem de fato ser aumentados através de sistemas de trabalho que articulem os subsistemas tecnológico e social. A segunda geração centra-se na análise individual, sendo a satisfação no trabalho uma variável de critério fundamental. Os autores referem ainda que a terceira geração (anos 80) desenvolveu-se no âmbito da gestão estratégica de recursos humanos e caracterizou-se pelo estudo das PGRH e os resultados da performance organizacional. (i.e. Delery & Doty 1996; Huselid, 1995). A pesquisa tradicional da GRH focou-se no impacto de práticas individualmente (i.e. a seleção, a formação, a avaliação do desempenho, entre outras) correlacionadas com a produtividade e a performance organizacional (Youndt, M., Snell, S., Dean, J., & Lepak 1966). A perspetiva estratégica por seu lado realça a importância de se fazer uma abordagem sistemática do impacto da GRH nos resultados organizacionais. (Jiang, Leapak, Hu, & Baer 2012). Com base na distinção entre os dois níveis de análise (organizacional vs individual) e o número de práticas (individualismo ou em conjunto) Wright e Boswell (2002 cit. Por Paauwe, 2009) distinguiram entre a pesquisa micro (individual) e pesquisa macro (análise organizacional). Verifica-se ainda a existência de estudos multinível, que analisam a ligação das atitudes e comportamentos com as medidas de eficácia das empresas (i.e. Schneider & Bowen; Ostroff, cit. por Esteves, & Caetano 2010) e entre PGRH existentes ao Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 10 nível de agrupamentos funcionais e atitudes e comportamentos dos indivíduos (Tsui et al cit. por Esteves & Caetano, 2010). A terminologia utilizada para caracterizar as PGRH que melhoram associações com resultados organizacionais positivos, não tem sido consensual, sendo referenciadas como; “ práticas de elevado compromisso “ (Artur; cit por Jiang et al. 2012), “ boas práticas”, (Pfefer, 1998, cit por Jiang et al. 2012), “ práticas de elevado desempenho” (Huselid, 1995) ou “ práticas de elevado envolvimento”, (Bae & Lawler, 2000 cit por Jiang et al. 2012). Segundo Tavares (2011) algumas das PGRH analisadas são relativas aos processos de recrutamento e seleção, processos de socialização dos novos colaboradores, planos de formação profissional e sistemas de incentivos laborais (a nível extrínseco: recompensas monetárias e benefícios organizacionais; e a nível intrínseco, oportunidades de promoção). Na pesquisa bibliográfica, existe um consenso de que as práticas de Gestão de Recursos Humanos têm um impacto positivo nas organizações (Raoy; Yeung & Berman, cit Agarwala, 2003), originando atitudes, comportamentos e perceções que levam a uma melhoria da performance organizacional e consequente vantagem competitiva. Sousa, Duarte, Sanches e Gomes (2006) acrescentam que as PGRH podem ajudar as organizações a melhorar a sua capacidade para atraírem e manter as pessoas. A missão da gestão de Recursos Humanos é desenvolver um conjunto de Práticas de GRH que, nesta perspetiva estratégica, crie valor para a organização e que procure contribuir positivamente para a atração, desenvolvimento e retenção dos recursos humanos. Deste conjunto de atividades promovidas pela organização, as Práticas de Acolhimento e Integração assumem uma importância fundamental para o necessário ajustamento entre os colaboradores e a organização, a identificação com aspetos, quer culturais quer processos ou mesmo de normativos internos,é absolutamente fundamental para que toda a relação futura seja bem-sucedida. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 11 2.3 Acolhimento e Integração Uma vez tomada a decisão de admitir um candidato, é necessário assegurar, nas melhores condições, o seu acolhimento e integração. Acolher e integrar um novo colaborador consiste em fornecer-lhe condições para que, o mais rapidamente possível, se sinta membro da organização, pelo que são estes processos que lhe irão dar a conhecer a organização, que o irão acolher no grupo, permitindo-lhe a partilha de sentido, a integração na função, e consciencializálo para a missão da organização. A admissão numa nova organização representa, para o novo colaborador, um período de aprendizagem de novas tarefas associadas a uma nova função que acarreta ansiedade ao novo membro sobretudo, nos primeiros dias. Por isso, e conscientes desta ansiedade inicial, muitas organizações dispõem de programas de acolhimento e integração. Enfatizando a importância de existir um plano de acolhimento e integração formalizado, Caetano e Vala (2007), salientam que tanto o êxito como o fracasso individual, em contexto organizacional, dependem largamente das interações sociais que cada individuo estabelece desde o dia da sua admissão. Porém, nem sempre as organizações atribuem a importância que este processo deve ter, não dedicando tempo nem recurso á sua preparação e planeamento (Sousa et al., 2006). Nas organizações que possuem planos de acolhimento e integração formalizados, a integração é, normalmente, facilitada pela presença de um tutor responsável pelo acompanhamento e aconselhamento do novo colaborador durante o período de adaptação. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 12 É de notar que o período de acolhimento se restringe á entrada do individuo na organização e o período de integração dura mais tempo que o acolhimento, podendo estender-se durante vários meses. Segundo Torrington et al (2005) os procedimentos de acolhimento e integração englobam dois níveis: acolhimento na empresa, que inclui, visita, informações gerais, informações sobre segurança, entrega de um dossier e formalidades administrativas; e acolhimento no serviço, que compreende, visita detalhada, apresentação do posto de trabalho e formação específica. De acordo com aportes teóricos de Sousa et al. (2006) os processos de integração de novos colaboradores nas organizações podem assumir diversas formas independentes ou complementares: distribuição de um Manual de acolhimento ou de outros documentos apropriados; realização de um Turn around pela empresa que permite ao novo colaborador conhecer as diferentes áreas funcionais da organização; Formação de acolhimento e integração de novo colaborador. Relativamente ao Manual de acolhimento pode-se referir que este é um instrumento que ajuda o novo colaborador a conhecer a empresa e todas as suas especificidades. No Turn around pela empresa é imprescindível, por um lado, existir um primeiro contacto com o responsável máximo pela organização porque é um gesto que reconhece a importância que a empresa atribui ao novo colaborador e, por outro, é importante realizar um percurso de reconhecimento das várias unidades funcionais\departamentos da empresa. A Formação de acolhimento e integração pode ser um dos primeiros passos para criar laços de identidade entre o colaborador e a organização, e pode ser de três tipos: formação técnica; de mercado; comportamental. Durante a fase de integração é imprescindível existir acompanhamento e avaliação do novo colaborador sob pena de colocar em risco todo o processo. Esta avaliação tem como principal objetivo acompanhar a evolução do novo colaborador na empresa e é importante para ajudar a fazer reajustamentos e Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 13 determinar se é possível e desejável a continuação na empresa, quer por parte do colaborador quer por parte da empresa (Sousa et al., 2006). É importante que durante o processo de integração o novo colaborador realize uma autoavaliação do seu próprio desempenho e que, a par disso, a chefia direta também o avalie. Apesar de todas os aspetos anteriormente referidos, importa salientar que os processos de integração possuem uma forte dimensão informal, sobretudo, nas empresas em que não se verifica a existência de um processo de integração formalizado. No entanto, mesmo nas empresas em que este processo se encontra formalizado o papel da integração informal é sempre muito relevante. Nas organizações em que o processo é meramente informal o novo colaborador está muito sujeito a influência do grupo, pelo que não há sempre garantias para a organização que esteja a ser conduzida no “ bom caminho” (Caetano e Vala, 2007). Assim o Acolhimento e Integração, (Polainas 2012) serve para fornecer informações relevantes sobre a empresa; Quadro - Processo de Acolhimento e Integração Para que serve: Quem é o Responsável Prestar informação sobre a empresa A responsabilidade é repartida, havendo papeis diferenciados e complementares entre: Valores cultura, visão, missão e estruturas Clarificar direitos, deveres e benefícios Informar sobre o comportamento desejável RH Chefia direta Tutor Identificar e equilibrar as expectativas iniciais Conhecer a organização formal e informal Facilitar as relações interpessoais <> Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 14 3 3.1 Enquadramento Metodológico Métodos No sentido de dar resposta á problemática que consiste em caracterizar a Integração dos Estagiários na Organizações, recorreu-se a pesquisa qualitativa, por esta ser comummente utilizada nas ciências sociais quando se pretende descrever, explicar e compreender melhor um determinado fenómeno (Pocinho, 2012). A investigação qualitativa tem também propósitos descritivos e exploratórios. Quanto ao caracter exploratório, estas pesquisas “objetivam alcançar uma maior familiarização com o fenómeno a ser estudado ou obter nova perceção do mesmo” (Martins, 2011 P.67). Por sua vez, o caracter descritivo da metodologia qualitativa analisa “rigorosa e claramente um dado objeto de estudo na sua estrutura e funcionamento” (Sousa & Baptista, 2011 P.57). Como método de investigação da presente dissertação optou-se pelo estudo de caso, que consiste na análise de um fenómeno específico, que ocorre num contexto real caracterizado pela existência de diversas variáveis, no qual se recolhe informação de forma detalhada (Sousa & Baptista, 2011; Yin 1994). As vantagens associadas á sua utilização é: a associação direta da teoria á pratica, a apresentação de um exemplo concreto de um determinado fenómeno, facilitando a sua perceção e a utilização de diversas técnicas de recolha de dados (Carmo & Ferreira, 2008). O estudo de caso é referente a Angola, pois pretende-se comparer as diferentes Práticas de Integração dos Estagiários nas Organizações bancárias do pais, de modo a que seja possível identificar similaridades, contrastes, continuidades, descontinuidades e alterações (Schneider & Schmit, 1998). O método comparativo é comum nas ciências sociais e tem sido muito utilizado na Gestão de Recursos Humanos. Para que o mesmo fosse adequado e eficaz teve-se em Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 15 conta três aspectos distintos: os fatores organizacionais, os factores nacionais e o context internacional (Wang & Sun, 2012). 3.2 Técnicas de Recolha de Dados As técnicas de recolha de dados selecionados neste trabalho: a) análise documental que permitiu a recolha de informações objetivas, através do exame feito a relatórios das empresas e a websites; b) entrevistas que se define por ser um processo de comunicação e interação humana, cujo objetivo é a obtenção de determinadas informações. A entrevista permite a abordagem de uma maior variedade de temas, fornece respostas mais ricas e profundas em termos de informações e possibilita a correção de equívocos, tanto por parte do entrevistador como do entrevistado (Quivy & Campenhoudt, 2013). Optou-se pela realização de entrevistas semi-directivas, nas quais existe um guião cuja função é apenas a de orientar o entrevistador no sentido de encontrar respostas aos principais objetivos da investigação não tendo por isso um caracter rígido (Pocinho, 2012). Este guião, constituído por umas algumas questões, pode ser visualizado no Anexo A. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 16 3.3 Procedimentos Para a realização das entrevistas em Luanda efectuaram-se pesquisas na internet sobre os Bancos Privados angolanos. Após isto, no mês de Janeiro de 2015 foram contactadas via email e por telefone três bancos localizados em Luanda, obtendo-se uma resposta positiva por parte dae duas organizações. Assim, procedeu-se ao agendamento da primeira entrevista,que teve lugar no dia 28 Janeiro de 2015 na sede do Banco Millennium Angola localizado na zona financeira de Luanda Belas Busines Park em Talatona. Em relação a Portugal procedeu-se igualmente á procura de Bancos privados, desta vez em Lisboa, estabeleceu-se contacto com as mesmas via telephone e por email, em meados do mês de Janeiro e Fevereiro de 2015. As organizações mostraram-se Indisponiveis no que toca a realização das entrevistas e a qualquer tipo de informação. Desta forma não foi possível concretizar aquilo que era a intenção inicial do estudo, comparar a integração dos Estagiarios nas Instituições Bancarias Privadas Angolas e Portuguesa. Assim no âmbito desta dissertação foram entrevistadas apenas dois dos cinco directores (a) de Recursos Humanos, que, inicialmente estava definido, por serem especialistas na área, podem ser considerados como interlocutores priviligiados. A amostragem, por ter sido conmposta em função das pesquisas realizadas pelo investigador e da percepção do mesmo, considerando-se como amostragem intencional por julgamento (Churchill, 1998; Schiffman et al., 2008). Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 17 4 Bancos Privados Angolanos: Estudo de caso 4.1 Angola Angola está localizada na costa ocidental da África Austral, a sul do equador. Tem uma superfície total de 1.246.700km2, com uma costa marítima de 1.650 km. A fronteira terrestre ocupa uma extensão de 4.837 km de comprimento. No sentido Norte-Sul, o território tem um comprimento máximo de 1.277 km e a largura máxima no Oeste Leste é de 1.236 km com um total de dezoito (18) Províncias (informação disponível no website do INE de Angola, 2015). Angola tornou-se independente de Portugal, ex-colono, no dia 11 de Novembro de 1975. A província de Luanda é a capital do país e a mais populosa. Angola possui grande diversidade de recursos naturais, sendo os minerais tais como o petróleo, o diamante, o ferro, o manganêns…etc, o mais representativo do país. Depois de várias décadas de guerra, Angola alcançou a paz no dia 4 de Abril de 2002. O interesse em abordar a integração dos estagiários nas organizações bancarias em Angola deve-se às relações que historicamente se têm estabelecido entre Angola e Portugal e no fato de Angola ser um país de oportunidades, constituindo um mercado próspero e atrativo. A integração dos estagiários nas organizações é uma potencial via para a inovação e conquista de novos mercados, pelo que se considera pertinente analisar o modo como é abordada esta temática no país. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 18 4.1.1 Caracterização da integração nos Bancos Privados Angolanos O sistema financeiro Angolano apresenta hoje um nível de desenvolvimento e sofisticação considerável, longe daquele que vigorou nos primeiros anos da independência nacional, onde a atividade bancária era monopólio do estado. O quadro jurídico e económico da atividade bancária conheceu as primeiras alterações em 1991, quando de atividade exclusiva do estado, o negócio bancário foi alargado à iniciativa privada, altura em que o mercado de trabalho caracterizava-se por ser relativamente estável, e marcado por uma gestão de recursos humanos frequentemente paternalista, na qual a procura por novos colabaradores era excepcional (Ventura, 2013). 4.1.2 Estudo de caso: Banco Millennium Angola vs Banco BAI Apresentação das organizações O Banco Millennium Angola, S.A (BMA), é uma instituição financeira, presente em Angola enquanto banco de direito angolano, desde 2006, ano em que a sucursal do BCP é transformado em banco de direito Angolano, com a denonominação atual. Em 2013, o banco Millennium Angola expandiu-se nas dezoito (18) províncias do país totalizando atualmente 78 balcões; serve o mercado financeiro nacional atendendo a clientes particulares e a empresas. Dedica-se á comercialização de produtos e serviços financeiros inovadores e personalizados, concebidos para satisfazer a globalidade das necessidades e expectativas financeiras de diferentes segmentos de mercado, com padrões de qualidade e de especialização superiores. Banco Angolano de Investimentos, ( BAI), criado a 14 de Novembro de 1996, é um banco dinâmico com recursos as mais modernas tecnologias. Presta particular atenção à eficiência e personalização na abordagem do mercado. Empenha-se no serviço atendendo às necessidades do segmento de particulares, e oferece soluções inovadoras para apoiar as PME`S (Pequenas e Medias Empresas) sendo uma referência incontornável nos maiores grupos empresariais do país. Possui uma solida equipa de profissionais dedicados e capacitados que garantem a presença no mercado nacional e internacional. Com cento e quinze (115) postos de atendimento em Angola, O Banco BAI direciona a sua atenção para sectores como a cultura e o desporto. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 19 5 5.1 Resultados Tratamento das Entrevistas No quadro seguinte apresenta-se-ão de forma estruturada e resumida os principais resultads das entrevistas feitas as diretoras de Recursos Humanos das organizações descritas no capítulo anterior. As transquições completas das mesmas poderão ser consultadas em Anexo B. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 20 Problemáticas Empresa 1: Banco Millennium Angola Empres 2: Banco BAI Estagiários admitidos por ano 10 \ 15 Anuais 15\20 Anuais Importância da atividade A integração é muito importante; trazem uma Muito elevada; gostam de lidar com as pessoas visão fresca para a organização e é muito e ajuda-las. elevada. Processo de Acollhimento e Integração Todos os colaboradores passam por um Através de uma solicitação; é apresentado um processo de recrutamento que culmina num guião com os departamentos da área solicitada processo de integração das instituições como e da organização em geral; é-lhes entregue uma formação de integração; conhecem a também o termo de confidencialidade. organização no seu todo e formação comportamental e técnica; programas específicos mediante necessidades. Práticas existentes Apresentação de uma adenda; documentação Convênios com várias universidades. da sua instituição que formalize que passe por algumas áreas da organização; processos específicos no qual faz-se o contrato ou uma avença. Informações que recebe o estagiário Ações desenvolvidas Todos os colaboradores tem acesso ao básico De acordo com o plano de estágio que o para o bom desempenho da sua função, e o estagiário apresenta a organização traça um básico entende-se por um Kit. plano contendo as informações necessárias. Atribuição de cadernetas de avaliação e Cada departamento atribui as suas ações. desempenho. Pessoas responsáveis Coordenador, e as hierarquias. Supervisor e o tutor. Políticas e ações para reter os estagiários -Efetividade; Desempenho e atribuição de um relatório final. mais talentosos -Distinção e desempenho; -Meritocracia. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 21 5.2 Discussão e Análise dos Resultados Nos dias 28 e 29 de Janeiro do ano corrente, foram feita duas entrevista as diretores de Recursos Humanos do Banco Millennium Angola e Banco BAI, onde verificou-se os seguintes resultados e que geram esta dicussão: Foi pedido às diretoras que indicassem o número de estagiários admitidos por ano na organização. De acordo com as instituições (BMA) atualmente se consideram os estágios curriculares recebem cerca de dez (10) a quinze (15) estagiários anualmente. No caso do (BAI), varia de ano para ano havendo anos em que têm 15/25 estagiários anualmente através das respostas foi possível verificar que o número de estagiários admitidos por ano em ambas as instituições é elevado e considerável tendo em conta que é uma atividade que trás valor acrescentado para a organização. Segundo a diretora do BMA “Os jovens finalistas podem trazer valor acrescentado à instituição e crescer connosco “. No que concerne à importância que tem esta atividade para a organização, nas duas instituições os resultados permitem aferir que tem muita importância. No BMA exatamente pelo fato de serem jovens, trazem uma visão fresca sobre as coisas e também pelo que podem acrescenta à instituição (…). No Banco BAI, (…) gostam de lidar com pessoas, gostam de ajudá-las. Foi possível constatar que nas duas organizações a atividade é de grande importância, pelo fato de as pessoas serem estrategicamente importantes para o sucesso organizacional. Relativamente ao Processo de Acolhimento e Integração, quando se questiona as entrevistadas como era feito o processo foi possível detetar que existem diferenças na forma como as instituições acolhem e integram os estagiários. No BMA segundo a diretora, todos os nossos colaboradores passam por um processo de recrutamento que culmina num processo de integração das Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 22 instituições como uma forma de integração. Primeiro é preciso conhecer a instituição no seu todo, como é que está organizada e estruturada. No Banco BAI após a admissão do candidato é fornecido um termo de confidencialidade onde o estagiário se compromete a não divulgar nenhuma informação que seja utilizada para outros fins se não o de recolher os dados para o seu estágio e no mesmo documento estão descritas as funções que cada departamento desempenha para que este compreenda o papel que irá desempenhar. Através dos resultados obtidos foi possível constatar que as instituições acolhem e integram os estagiários de maneiras diferentes e no BMA seguem formalmente as linhas orientadoras do processo de acolhimento e integração. Quando se questionou as entrevistadas sobre as práticas que existem no sentido de desenvolver um plano de estágio formal, foi possível detetar muitas assimetrias e as duas instituições dispõem de algumas práticas para formalizar o estágio. No BMA os estagiários são obrigados a apresentar uma adenda; os documentos da instituição que formalizem o que é necessário para que o estagiário passe por determinadas áreas inerentes à sua formação académica; todos os estagiários também têm de ter uma caderneta interna de avaliação, e, existem também situações específicas onde pode ser feita uma Avença. Em relação ao Banco BAI a prática existente passa pelo convénio que tem com algumas universidades. Sobre a informação que o estagiário recebe, os resultados permitem verificar que é passada toda informação necessária para o bom desempenho da função pretendida do estágio. De acordo com a diretora do BMA “o estagiário, ou qualquer colaborador que entra na instituição tem que ter acesso ao básico sempre, e o básico é um kit “. Não obstante no Banco BAI a informação é passada de acordo com o plano de estagio que o estagiário apresenta conforme relata a diretora, (…). Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 23 Quantas as ações desenvolvidas pelos RH para acompanhar os estagiários, os resultados obtidos revelam que só o BMA é que dispõe de algumas ações, afirmando a diretora “passa por ser a caderneta “. Relativamente à pessoa responsável pelo acompanhamento do estagiário, os resultados revelam que existem varias pessoas responsáveis pelo acompanhamento do estagiário. No BMA existem dois modelos de acompanhamento, a nível dos RH e das Hierarquias, mas a diretora afirma que é o coordenador que faz o acompanhamento do processo e reporta para as hierarquias diretas. No Banco BAI é o supervisor que esta mais próximo do estagiário e do seu dia-dia. Foi questionado às diretoras se existem práticas e ações para reter os estagiários mais talentosos, os resultados obtidos demonstram que as organizações dispõem de práticas e ações consideráveis. No BMA segundo a diretora “ Passa tudo pelo efetividade e desempenho “, existe também uma ação que culmina com o relatório. No Banco BAI distinguem-se pelo desempenho que é manifestado durante o processo de integração. A análise dos resultados obtidos através das entrevistas permitem aferir homogeneidade e diferenças entre o Banco Millenium Angola e o Banco BAI, relativamente a integração dos estagiários nas organizações bancárias privadas, tornando possível dar resposta às perguntas de partida que guiaram o presente trabalho. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 24 6 Aspetos Finais 6.1 Conclusões O presente trabalho teve como principal objetivo perceber junto das organizações Bancárias privadas em Angola a forma como estas integram os Estagiários, e também como é feito o enquadramento dos mesmos dentro da organização. Assim recorreu-se à análise qualitativa e à entrevista semiestruturada para melhor exploração e compreensão da problemática. Foram analisadas realidades empresariais distintas, em Angola, a fim de se obter uma maior perceção sobre a temática e ainda ver semelhanças relativamente à Integração dos Estagiários nas Organizações. Após análise, da revisão da literatura e com base nos resultados obtidos nas entrevistas, podem se retirar as seguintes elações: - Há pouca recetivadade dos estagiários nas instituições Bancárias privadas em Angola, visto que esta atividade tem custos e encargos que muitas empresas consideram ser de pouca utilidade e porque o estagiário não é encarado como um potencial colaborador e uma mais valia para a empresa uma vez que este tráz custo acrescentado no seio da organização apesar de a longo prazo trazerem um valor acrescentado; - Pela pesquisa efetuada foi possivel verificar uma media de 15 estagiários colocados por ano nos Bancos privados em Angola; - Em Angola, os estagiários não são integrados com facilidade nas organizações, isto porque passam por um processo seletivo muito rigoroso que obedece a requisitos que muitas vezes os mesmos não possuem; - Verificou-se que a importância conferida à função “ Recursos Humanos “ é cada vez maior devido ao seu valor enquanto fonte de vantagem competitiva das organizações. Tal fato permitiu desenvolver um Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 25 conjunto de Práticas de GRH que, nesta perspetiva estratégica, cria valor para a organização e que procura contribuir positivamente para a atração, desenvolvimento e retenção dos Recursos Humanos; - Deste conjunto de atividades promovidas pela organização, as práticas de Acolhimento e Integração assumem uma importância fundamental para o necessário ajustamento entre colaboradores e a organização, para identificação com aspetos, quer culturais, quer processuais ou mesmo normativos internos, sendo absolutamente fundamental para que toda relação futura seja bem- sucedida. Este estudo contribuiu não só para pereceber a forma como as instituições Bancárias privadas em Angola integram os estagiários, mas também, as vantagens e desvantagens inerentes ao processo de Acollhimento e Integração, relevando que esta prática serve como medida para atenuar o índice de desemprego presente no Pais, principalmente nos recém licenciados e também revela importantes implicações práticas no âmbito organizacional. 6.2 Limitações do trabalho Inicialmente a intensão do presente estudo consistia em perceber a Integração dos estagiários nas organizações sendo feita a comparação entre Bancos Privados Angolanos e Portugues. Após tentar várias diligências para encontar o modo de comparar as situações, não consegui obter as entrevistas por parte de diversas Instituições para participar no presente estudo e portanto, dado que o prazo da apresentação datese é exíguo, a intenção inicial da tese sofreu alteração. Tal facto revela-se uma limitação para o presente estudo, pois os resultados obtidos não podem ser explorados com a profundidade desejada. Outra limitação prende-se com o facto da mudança do tema à ultima hora, ter originado a reformulação do estudo, pelo menos em parte. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 26 Uma outra limitação deste estudo prende-se com o fato da amostra não ser representativa, sendo que os resultados obtidos não são possíveis de serem generalizados a todo o universo de organizações em estudo. Ainda em relação à amostra, o seu reduzido tamanho e a assimitria existente entre o número de diretores (a) entrevistados nas instituições bancárias privadas Angolas constituem também limitações. Acresce que a amostra é constituida unicamente por diretoras de Recursos Humanos, o que pode constituir uma limitação à caraterização da integração dos estagiários e às Práticas inerentes a esta Integração. 6.3 Implicações para o futuro Tendo em conta o forte desenvolvimento que Angola tem apresentado a nível do sector financeiro, os estudos demonstram que a atividade bancária privada no país está a crescer e as instituições têm apostado gradualmente na Integração dos estagiários. Contudo, uma das sugestões para o futuro poderá ser a realização de um estudo idêntico, no mesmo sector de atividade com um número de entrevistados superior, pelo facto do tema não ter sido explorado como seria desejado e existirem poucos estudos cientifícos publicados até à presente data. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 27 7 Bibliografia Becker, B. e Gerhart, B. 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Academy Management, 1996, August 1. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 29 8 Anexos Anexo A – Guião da Entrevista Guião da Entrevista Director de Recuros Humanos Empresa: País Sector: Anexo B – Entrevistas 1) Quantos estagiários admitem por ano? 2) Que importância tem esta atividade para a organização? 3) Como é feito o processo de Acolhimento e Integração? 4) Que práticas existem no sentido de desenvolver um plano de estágio formal? 5) Que tipo de informações o estagiário recebe? 6) Depois do acolhimento que ações são desenvolvidas pelo RH para acompanhar os estagiários? 7) Existe alguma pessoa responsável responsável pelo acompanhamento do estagiário a nível individual ou de grupo e funciona como supervisor, tutor ou coaching? 8) Que politicas e ações existem para reter os estagiários mais talentosos? Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 30 Anexo B Entrevistas Entrevista Nº1 A entrevista decorreu na sede das novas instalações do Banco em Talatona, realizada no dia 28 de Janeiro de 2015 por volta das 16 horas e 45 minutos. Nela participaram a Diretora de Recursos Humanos e a Coordenadora dos R.H que acompanhou apenas a entrevista. P. 1 Quantos estagiários admitem por ano? R. Leonor, a questão dos estagiários é preciso defini-la primeiro. O que é que a Leonor ai subentende estagiário? P.1.1. Quando me refiro aos estagiários, refiro-me aos recém-licenciados. R. E uma vez mais isso tem uma dupla resposta: os recém-licenciados podem entrar no Banco Millennium de duas formas, com um contrato de estágio profissional a termo certo, portanto com um ano de duração, estando num processo de aprendizagem ou com um contrato. Não é bem contrato, fazendo cá um estágio académico no âmbito curricular, e que depois pode ser transformado num estágio profissional. Anualmente, nós se considerarmos os estágios curriculares, nós podemos ter aqui cerca de 10/15 anuais. Em termos de estágios de contratação, se falarmos em estágios profissionais, nós ai já devemos ter, não tenho de cabeça o último número, mas cerca de 150/120 contratos de trabalho, porque o Banco continua numa fase de expansão, fase de crescimento, consolidação e nós valorizamos sempre como é óbvio, os jovens recémlicenciados que, possam vir trazer valor acrescentado à instituição e crescer connosco. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 31 P.2 Que importância tem esta actividade para a organização? R. Acho que acabei de responder de certa forma a esta questão, e exactamente pelo facto de serem jovens, trazerem uma visão fresca sobre as coisas. Nós agora, ainda recentemente conheçamos (vamos começar um programa de formação que daremos início em Janeiro, com jovens recém-licenciados e com colaboradores que já cá estão dentro da casa). Portanto, nós valorizamos muito aquilo que os jovens possam trazer para dentro da nossa Instituição. Um dia, essa importância, os números que acabei de referir reflectiram, aposto. P.3 Como é feito o processo de Acolhimento e Integração? R.Todos os nossos colaboradores passam por um processo de recrutamento que culmina num processo de integração das instituições como uma forma de integração. Primeiro é preciso conhecer a Instituição no seu todo, como é que está organizada e estruturada, com alguma formação comportamento e técnica e posteriormente com o acompanhamento da formação one job em cada uma das hierarquias. P.4 Que práticas existem no sentido de desenvolver um plano de estágio formal? R. O que é que você considera um plano de estágio formal? P.4.1. Considero que um plano de estagio formal, seja com todos os requisitos necessários a começar do contrato. R.Todos os nossos contratos de estágio profissional já têm isso. Portanto, ninguém está aqui na Instituição sem contrato. Primeiro mesmo, o estagiário curricular tem que trazer uma adenda, tem que trazer uma documentação da sua Instituição que formalize que é necessário que passe por determinadas áreas para recolher a informação necessária para o seu estágio e mesmo ai, também há um processo específico porque nós podemos fazer um contrato, podemos fazer uma avença enquanto estagiário. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 32 Nos contratos de estágio profissional, pela sua natureza também está previamente definido, caracterizado também está previamente definido, caracterizado não é, portanto todos os colaboradores também têm uma avaliação, uma caderneta interna de avaliação que permite monitorizar não só a sua actividade ao longo do ano, como também, definir objectivos. Portanto, as pessoas não estão aqui por estar, têm objectivos claramente definidos para depois serem avaliados num processo realista e quantitativo em termos de avaliação. P.5 Que tipo de informações o estagiário recebe? R. Toda a informação necessária que seja para o bom desempenho da sua função. Uma resposta tipicamente correcta. O estagiário quando entra dentro da Instituição, ou seja, qualquer colaborador que entre dentro da Instituição, tem sempre que ter acesso ao básico e o básico para nós é um kit que nós oferecemos a todos os colaboradores, vem as boas vindas e (...) tem as nossas normas, o nosso regulamento interno, código deontológico, regulamento de saúde, os direitos e os deveres que é o nosso regulamento interno e portanto alguma informação complementar que seja necessário, na própria formação de integração e depois tem mais alguns documentos que estão associados a cada um. Todos os colaboradores, estagiários, também têm acesso ao portal da internet onde depois podem ter acesso a uma série de informações, bem como a formação de e-learning disponível. P.6 Depois do acolhimento que acções são desenvolvidas pelo RH para acompanhar os estagiários? R. É aquilo que lhe falei. È a caderneta, acaba por ser a caderneta “muitos risos”. Isso prova que o nosso processo está bem alinhado e estruturado e acaba por ser a caderneta que é a área da gestão de carreira que faz esse acompanhamento não é, junto das hierarquias, que faz o fallow up e que faz o momento de avaliação Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 33 intermédio, depois a um momento final que permite dar ou não continuidade ao percurso daquele estagiário dentro da Instituição. P.7 Existe alguma pessoa responsável pelo acompanhamento do estagiário a nível individual ou de grupo e funciona como supervisor, tutor ou coaching? R. Existem dois modelos: existe ao nível dos RH o responsável pelo acompanhamento desses processos, portanto eu diria que todas as hierarquias têm que ter um papel de coaching também junto dos jovens colaboradores. Nos programas novos que nós agora estamos a implementar no Banco, criou-se a figura de tutor e os tutores não são as hierarquias mas é um elemento da nova direcção de primeiro nível. Portanto serão as hierarquias de primeiro nível que vão ter ao seu, a responsabilidade de acompanhar determinados estagiários, no âmbito deste processo que foi implementado. É um teste que já foi implementado, nós agora vamos ver. P. 8 Que politicas e acções existem para reter os estagiários mais talentosos? R. Efectivamente, todo este processo serve para identificar os melhores e os melhores ficam connosco, nós fazemos propostas. Todo este processo é para fazer uma aposta contínua porque nós não fazemos uma distinção, não obstante de ser um estagiário, não há uma distinção no tratamento, para nós também é um colaborador, faz parte da nossa casa, portanto tem basicamente alguma das regalias que os colaboradores efectivos têm. A distinção e o desempenho, depois é a meritocracia. Pode vir a ser reflectido no bónus, pode vir a ser reflectido mais à frente em termos de promoção de função, de categoria, isto é um processo contínuo e não é imediato, antes pelo contrário, porque o contrato não termina quando o colaborador passa a efectivo dentro da Instituição é apenas a continuidade do processo que obedecem a outros moldes como a Gestão de Carreiras que é o mais próximo da Gestão de Colaboradores. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 34 Entrevista Nº2 A entrevista decorreu nas instalações da Academia do Banco BAI, localozada na zona do Morro Bento, realizada no dia 29 de Janeiro as 8:00horas da manhã, com a participação da Diretora de Recursos Humanos. A diretora de Recursos Humanos do Banco BAI, exerce a sua atividade na instituição há dez anos, começou como técnica, passou a coordenadora e hoje exerce a função de diretora de Recursos Humanos no Banco BAI. P. 1 Quantos estagiários admitem por ano? R. Depende, há anos que temos 15, já tivemos 25, portanto eu diria que é de 15 a 25. P.2 Que importância tem esta actividade para a organização? R. Muita, nós gostamos muito de lidar com as pessoas, gostamos de ajuda-las e estamos sempre disponíveis para ver o que é necessário para eles poderem se enquadrar melhor e quem sabe no futuro ficarem connosco. P.3 Como é feito o processo de Acolhimento e Integração? R. Ok, ele quando vêm para o Banco BAI, fazem a sua solicitação, geralmente trazem uma credencial, nós aceitamos, até porque temos convénio com algumas Universidades. Mas antes disso, primeiro, se for por acaso na Direcção de RH há introdução na área de apresentação de todos os seus departamentos e como é que vai ser feita então a indução pelas áreas. Entregamos também, um termo nosso pessoal de confidencialidade, de que nenhuma informação deverá passar para fora, não deverá ser usada para outros fins se não a preparação da tese de estágio; também quais são as funções que cada um desempenha para ele perceber melhor, e o seu acompanhamento. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 35 P.4 Que práticas existem no sentido de desenvolver um plano de estágio formal? R. O convénio, nós temos convénios com várias Universidades, uma dela é com a Universidade Católica, temos recebido muitos estudantes lá da Católica que vêm fazer os seus estágios cá e alguns ficam connosco, não todos como gostaríamos, mas temos tido. P.5 Que tipo de informações o estagiário recebe? R. De acordo com o plano que ele trás, a gente traça um plano. Eles ficam por semana, geralmente é sempre ½ meses, então eles ficam alocados por departamento. Nós temos quatro departamentos: Compensação e Beneficio, Recrutamento, Formação e Desenvolvimento e a Área Social. Este estagiário vai passar por todas as áreas e vai ficar 1 mês, geralmente uma semaninha/duas, ou uns 10 dias num departamento, depois passa para outro então ele vai colhendo, bebendo um bocadinho de todas as áreas. P.6 Depois do acolhimento que acções são desenvolvidas pelo RH para acompanhar os estagiários? R. Cada departamento tem os seus chefes de departamento e esse chefe é o tutor, mas temos nós cá dentro também, os colaboradores de segunda linha. Se o chefe de departamento não está, tem o mais próximo ao chefe que é o supervisor, este sim é quem vai acompanhar todo o processo e vai dando o feed back ao tutor, que depois então, quando surgir dúvidas que não estão ao alcance do supervisor é o tutor que entra em acção. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 36 P.7 Existe alguma pessoa responsável pelo acompanhamento do estagiário a nível individual ou de grupo e funciona como supervisor, tutor ou coaching? R. É um pouco isso, tem o supervisor e tem o tutor. O mais próximo no dia-adia é o supervisor e depois quando terminar, estiver a sair do departamento, entra o tutor para saber como foi feito aquele acompanhamento. P. 8 Que politicas e acções existem para reter os estagiários mais talentosos? R. Eles quando terminam o estágio, nós temos sempre o nosso formulário de avaliação e desempenho, onde eu gosto sempre de saber como foi feito o processo e dependendo do desempenho, nós ficamos com o contacto e procuramos saber, junto da Instituição Académica como está o estudante e abordamos. Ele tem as portas abertas para vir para o RH ou para qualquer outra Direcção dentro do Banco BAI. Para além da avaliação e desempenho, temos também um relatório final que enviamos para a própria Instituição. Leonor Miguel – Integração dos Estagiários nas Organizações – Estudo realizado em Instituições Bancárias Privadas em Angola 37