CAMINHOS DE FORMAÇÃO: SEMINÁRIO
Maria do Socorro Leal Lopes
Maria Salonilde Ferreira
Resumo
Este estudo apresenta um recorte de nossa pesquisa, construído a partir de estudos que vêm
sendo desenvolvidos no curso de Doutorado na área de Educação. Investigar a relação
entre o desenvolvimento conceitual dos professores que atuam nas séries iniciais do ensino
fundamental e sua prática docente, especialmente, as contribuições da prática crítico-reflexiva e
da colaboração para a transformação da docência dessas professoras se constitui objetivo
dessa pesquisa, que vem sendo desenvolvida em uma Escola Municipal de Teresina.
Para atingir os objetivos propostos optamos pela pesquisa colaborativa. Esta vertente de
pesquisa tem o mérito de fazer pesquisa com os sujeitos e não sobre e para os sujeitos. Com
essa intenção o estudo em referência postula, articular pesquisa e formação. Estamos, nesse
sentido, realizando um estudo em torno da formação e da prática docente, buscando
alcançar os conceitos de currículo, ensino e aprendizagem, que foram construídos pelas
professoras, interlocutoras da pesquisa, ao longo da sua formação acadêmica propiciado pelo
currículo de formação inicial, além dos conhecimentos da prática - construídos no exercício da
prática pedagógica.
Palavras-chave: Seminário.
colaborativa.
Formação
docente.
Transformação
docente.
Pesquisa
CHEMINS DE FORMATION: SEMINAIRE
Résumé
Cette étude présente un aperçu de notre recherche, en s'appuyant sur des études qui ont été
développés dans le cours de doctorat en éducation. Pour étudier la relation entre le
développement conceptuel des enseignants travaillant dans les premières classes de l'école
élémentaire et leur pratique d'enseignement, en particulier les contributions de la pratique
critique et de réflexion et de collaboration pour transformer l'enseignement des enseignants est
l'objectif de cette recherche, qui a été développés dans une école municipale de
Teresina. Pour atteindre les objectifs proposés, nous avons choisi de recherche en
collaboration. Cet axe de recherche a le mérite de sujets de recherche et non pas le ou les
thèmes. Dans cette intention, en référence à l'étude des postulats, conjoints de recherche et
de formation. Nous sommes, en effet, la réalisation d'une étude autour de la formation et
la pratique pédagogique, en cherchant à atteindre les concepts du programme d'études,
d'enseignement et d'apprentissage, qui ont été construits par les enseignants, les
interlocuteurs de la recherche au long de leur cursus académique rendue possible par la
formation initiale , outre les connaissances de la pratique - construits dans l'exercice de la
pratique pédagogique.
Mots-clés: Séminaire.
Collaborative Research.
Formation
des
enseignants.
Personnel
de
fabrication.
1
CAMINHOS DE FORMAÇÃO: SEMINÁRIO
Iniciando o percurso...
Este estudo apresenta um recorte de nossa pesquisa, construído a partir de estudos que
vêm sendo desenvolvidos no curso de Doutorado na área de Educação. Investigar a relação
entre o desenvolvimento conceitual dos professores que atuam nas séries iniciais do Ensino
Fundamental e sua prática docente, especialmente, as contribuições da prática crítico-reflexiva e
da colaboração para a transformação da docência dessas professoras se constitui objetivo
dessa pesquisa, que vêm sendo desenvolvida em uma Escola Municipal de Teresina.
Considerando a natureza do estudo para atingir os objetivos propostos optamos pela
pesquisa colaborativa fundamentada no materialismo histórico- dialético.
Nesse sentido, para demandar a produção desse conhecimento o fazemos colocando como
centro
da
discussão
o
seminário
de
formação
na
condição
de
um
dos
procedimentos de produção de dados da pesquisa, bem como instrumento de formação das
professoras partícipes do estudo.
Para Lopes (2002, p.16), a formação contínua de professores é “um processo
dinâmico por meio do qual os professores no exercício de sua prática profissional, através
de palestras, seminários, cursos, oficinas ou outras propostas vão adequando sua formação às
exigências do ato de ensinar, buscando ensinar”.
A concepção materialista de Marx é notadamente marcada pela concepção de
natureza e pela relação do homem com essa natureza. O homem usa a natureza
conscientemente
conforme
suas
necessidades,
transformando-a
sem,
contudo,
se
confundir com a natureza, isso o diferencia dela. Portanto, o homem enquanto ser
natural, por ter sido criado pela natureza, depende dela e de sua transformação para
sobreviver e nessa relação com a natureza o homem constrói e transforma a si mesmo e a
própria natureza. Essa atividade diferencia o homem dos outros animais, considerando que sua
atividade é movida pela consciência e sua produção não é determinada apenas pelas suas
necessidades imediatas, mas também conforme necessidades mediatas.
Assim, o homem é visto como ser que objetiva a si e à própria natureza que passa a ser
objetivada por ele por meio de sua atividade prática, o trabalho.
2
Pode-se distinguir os homens dos animais pela consciência pela
religião ou por tudo que se queira. No entanto, eles
próprios começam a se distinguir dos animais logo que começam a
produzir seus meios de existência, esse salto é condicionado
por sua constituição corporal. Ao produzirem seus meios de
existência, os homens produzem, indiretamente, sua própria vida
material.
A forma como os homens produzem seus meios de vida
depende sobretudo da natureza dos meios de vida já encontrados e
que eles precisam reproduzir. Não se deve, porém, considerar tal
modo de produção de um único ponto de vista, ou seja, a
reprodução da existência física dos indivíduos. Trata-se muito mais
de uma forma determinada de atividade dos indivíduos, de uma
forma determinada de manifestar sua vida, um modo de vida
determinado. Da maneira como os indivíduos manifestam sua vida,
assim são eles. O que eles são coincide, portanto, com sua produção,
tanto com o que produzem como com o modo como produzem. O
que os indivíduos são, por conseguinte, depende das condições
materiais de sua produção. (A Ideologia Alemã, PP. 44 - 45)
Assim, Marx explica que é pela produção que se pode desvelar o caráter social e
histórico do homem, e esse homem por meio do trabalho - atividade pré-direcionada
conscientemente, e não pelas leis biológicas - desenvolve “capacidades e habilidades para
além daquelas previstas pela sua espécie animal”. (OLIVEIRA, 2006, p.21). Assim, com
essa capacidade de ultrapassar o real e rompendo com o paradigma “biológico de
organismo-meio” passando a objetivar-se, o paradigma fundamental “passa ser o sóciohistórico”, isto é, a realidade resultante da relação objetivada para si.
Nessa mesma direção, conforme Vygotsky, o homem transforma a natureza
adaptando-a a si e não para adaptar-se ao que existe. Esse princípio confirma e legitima a
apropriação cultural, construída Marx histórica e socialmente, fundamentado na categoria
de atividade humana de, por meio do qual o homem se humaniza adaptando a natureza a si e
não ao contrário e, assim, torna-se transformador da realidade e de si. Dessa forma, esse
homem transformador e transformado vai construindo o patrimônio cultural por meio da
relação homem-sociedade a qual, nessa perspectiva Vigotskyana, se torna indissolúvel.
Conforme Oliveira (2006, p.24):
[...] os pontos essenciais da categoria marxiana de atividade que
fundamenta a obra de Vigotski e de uma das suas implicações para o
3
trabalho educativo, qual seja: a atividade a ser desenvolvida no
trabalho educativo é exatamente aquela que está organizada de modo
a que o educando possa desenvolver-se como sujeito
transformador em seu contexto social, não só conhecendo a
complexidade da prática social existente mas também seus limites
no sentido de contribuir com
sua
atuação
para
as
transformações desse contexto e de si mesmo.
É nesse processo de objetivar-se que o homem satisfaz suas necessidades materiais e, por
meio do
seu trabalho, transformando a natureza, produz conhecimento. É esse
conhecimento objetivado, compartilhado e interativo que embasa a colaboração como ação
primordial na construção/transformação do homem e da realidade na qual atua.
O âmbito da investigação colaborativa ainda é recente, no Brasil. Entretanto, estudos vêm
consolidando essa vertente de pesquisa que tem o mérito de fazer pesquisa com os sujeitos e
não sobre e para os sujeitos. Com essa intenção essa pesquisa postula articular pesquisa e
formação.
Segundo Ibiapina e Ferreira (2006, p. 100), “investigar coletivamente significa
envolvimento de investigadores e professores em projetos comuns que beneficiem a escola
e o desenvolvimento profissional do docente”.
Nesse sentido, além de projetos comuns, pesquisadores e colaboradores partilham tarefas
comuns de investigação da realidade educativa tanto na tomada de decisões quanto na
investigação, propiciando o desenvolvimento de uma parceria entre os atores envolvidos no
estudo.
Realizaremos um estudo em torno da formação e da prática docente, buscando
alcançar os conceitos de currículo, ensino e aprendizagem que foram construídos pelos
professores ao longo da sua formação acadêmica propiciado pelo currículo de formação inicial,
além dos conhecimentos da prática - construídos no exercício da prática pedagógica.
Intentamos fazer um contraponto dos conhecimentos curriculares com os conhecimentos
profissionais para redimensionar a formação-ação
do
professor, tendo em vista a
reelaboração desses conceitos no percurso profissional e a transformação da docência desses
professores.
A formação de professores, portanto, conforme Nóvoa (1995, p.26), precisa ser
redimensionada, tendo em vista, abranger as dimensões dos diversos tipos de formação, ou
seja, falar de formação de professor, é reconhecer que nos últimos tempos ela aparece
associada à educação e evoca contextos diferenciados (formação inicial, formação
contínua, formação profissional, formação pedagógica). Indicando um
4
continuum ao longo da vida e ocorrendo a partir das necessidades dos professores,
mediante as atividades que estão desenvolvendo na prática docente.
Nessa perspectiva, Porto (2000, p. 13) assim se manifesta: “[...] associa-se o
conceito de formação de professores à idéia de inconclusão do homem”. Assim, para o
desenvolvimento da formação das professoras partícipes da pesquisa utilizamos como
estratégia de formação o
Seminário,
a partir do levantamento das necessidades
formativas das professoras da escola onde a pesquisa está sendo desenvolvida.
O contexto do estudo
O contexto de realização dessa pesquisa é a Escola Municipal Benjamim Soares de
Carvalho. O que justifica essa opção é a lotação, nessa escola, de um número
representativo de professoras egressas do curso de Pedagogia convênio UFPI/ PMT, a
facilidade de acesso, tendo em vista que a pesquisa exige uma efetiva participação da
pesquisadora no campo empírico de sua realização.
A Escola Municipal Benjamim Soares de Carvalho foi construída e inaugurada na
segunda metade da década de 90. O nome é uma homenagem ao professor Benjamim
Soares de Carvalho, em reconhecimento ao trabalho dedicado à educação.
Essa escola foi construída para atender as necessidades da comunidade vila
Confiança e comunidades vizinhas, localizadas na zona sul de Teresina - Piauí. Desde sua
inauguração a escola
funciona atendendo alunos de Educação Infantil e Ensino
Fundamental, nos turnos manhã e tarde, e ensino noturno a partir de 1990 somente com
Ensino Fundamental, séries iniciais e finais.
Para esta pesquisa estamos considerando apenas os dados do ensino diurno, manhã e
tarde. No momento (2009), a escola apresenta uma clientela de 524 alunos, sendo 264 do sexo
masculino e 260 do feminino, distribuídos em 20 (vinte) salas de aulas, sendo
10 no turno da manhã e 10 no turno da tarde.
A infraestrutura da escola conta com 10 salas de aula, banheiros individualizados por
sexo para aluno e para servidores, sala de professores/as, diretoria, secretaria, biblioteca,
cozinha, pátio interno coberto, quadra de esporte, jardim de inverno e laboratório de
informática. Apresenta uma boa conservação na manutenção da pintura e dos equipamentos.
O seu corpo docente, técnico e administrativo é constituído de uma diretora, uma
diretora adjunta, um supervisor escolar, 22 professoras (sendo que no momento 6 se
encontram fora da sala de aula, afastadas por motivos de saúde, dentre eles, a maioria por
calo nas cordas vocais ou depressão. Portanto existe um número considerável de
5
professoras substitutas, estudantes de pedagogia exercendo a atividade de titular da turma.
Possui um quadro de pessoal formado por 1 secretária, 3 agentes de portaria, 2 merendeiras,
6 auxiliares de serviços, 6 auxiliares de administração e 5 apoios.
A escola tem professor premiado pelo prêmio “Professor Alfabetizador”. A escola
venceu também o Projeto Nutrir, etapa de Teresina, realizado pelo Projeto Educação
Alimentar, integrado ao Programa Nutrir, idealizado pela Fundação Nestlé Brasil.
Funciona também na escola um posto de “coleta seletiva de lixo” dando prioridade para os
plásticos e papéis, sendo uma iniciativa da direção que tem rendido bons lucros para a escola.
Partícipes: professoras colaboradoras do estudo
Com a finalidade de visualizarmos melhor o perfil do grupo de partícipes da
pesquisa com maior compreensão, traçamos o Quadro 01. Para preservar a identidade das
professoras, negociamos o cognome e cada uma escolheu como gostaria de ser
ressaltada no estudo.
Partícipes
Formação
Acadêmica
Pedagogia
Tempo
de Série que atua Cursos q/participou
nos 3 últimos Anos
graduação
5
anos
1º ano
Pcn’s
Violeta
Gestar
Próletramento
Pedagogia
7 anos
Apoio
Ped. Pcn’s
Jasmim
Específico
Profª
Próletramento
Pedagogia
3 anos
2º ano
Pcn’s
Girassol
Profª
Próletramento
Margarida
Pedagogia
8 anos
4ºano
Pcn’s
Proletramento
Rosa
Pedagogia
29 anos
Mag. Superior Reuni
Anpae/Ne
Enc. Pesq. Nac. e no Pi
Quadro 01 – Perfil das professoras partícipes da pesquisa
Fonte: Questionário respondido pelas professoras, Teresina, 2008.
Durante as negociações foi acertado que as partícipes escolheriam codinomes
relacionados a critério de interesse, obedecendo a propriedades comuns para a escolha da
espécie, optamos por
sermos
chamadas por nomes de flores
de acordo com
as
características que cada uma achava identificar-se e para homenagear a natureza que nos acolhe,
e assim, ficaram conhecidas como: Violeta, Jasmim, Girassol, Margarida e Rosa.
6
Para a coleta das informações do perfil e das necessidades formativas por elas
evidenciadas, aplicamos um questionário, que a seguir passaremos a discorrer sobre as
informações nele enunciadas por partícipe:
Violeta
Características predominantes: inteligente e ousada, procura sempre desenvolver seu
trabalho com esmero e competência.
Formação: Licenciatura Plena em Pedagogia – magistério das séries iniciais. Percurso
docente: ingressou no magistério há 11 anos somente com o curso médiopedagógico, concluiu o curso superior há 5 anos. Nos últimos 3 anos participou apenas de
cursos de formação continuada oferecidos pela Secretaria Municipal de Educação- SEMEC,
os quais obedecem a uma agenda institucional do Ministério da Educação e Cultura-MEC.
Jasmim
Características predominantes: é prática e criativa, possui vasta experiência no ensino
fundamental e desenvolve seu trabalho com muito zelo e respeito à história do aluno.
Formação: Licenciatura Plena em Pedagogia – magistério das séries iniciais. Percurso
docente: ingressou no magistério há 36 anos somente com o curso médiopedagógico, concluiu o curso superior há 7 anos. Nos últimos 3 anos participou apenas de
cursos de formação continuada oferecidos pela Secretaria Municipal de Educação- SEMEC,
seguindo orientações da agenda institucional do Ministério da Educação e Cultura-MEC.
Girassol
Característica predominante: alegre, inteligente, criativa, participativa e procura
sempre investir em sua qualificação profissional, desenvolve o seu trabalho com muita
responsabilidade.
Formação: Licenciatura Plena em Pedagogia – magistério das séries iniciais.
Percurso docente: ingressou no magistério há 23 anos somente com o curso médiopedagógico, concluiu o curso superior a 3 anos. Nos últimos 3 anos participou apenas de
cursos de formação continuada oferecidos pela Secretaria Municipal de Educação- SEMEC,
em obediência à agenda institucional do Ministério da Educação e Cultura- MEC.
7
Margarida
Características predominantes: segura e bem posicionada, desenvolve seu trabalho
com muita dedicação.
Formação: Licenciatura Plena em Pedagogia – magistério das séries iniciais. Percurso
docente: ingressou no magistério há 22 anos somente com o curso médiopedagógico, concluiu o curso superior há 8 anos. Nos últimos 3 anos participou apenas de
cursos de formação continuada oferecidos pela Secretaria Municipal de Educação- SEMEC,
os quais obedecem à agenda institucional do Ministério da Educação e Cultura-MEC.
Rosa
Características predominantes: objetiva, comprometida, inteligente, colaborativa e
procura sempre investir em sua qualificação profissional, desenvolve o seu trabalho com muita
responsabilidade.
Formação: Licenciatura Plena em Pedagogia.
Percurso docente: ingressou no magistério há 28 anos já graduada em Pedagogia,
concluiu o curso superior há 29 anos. Nos últimos 3 anos participou apenas de eventos
promovidos pelas IES, onde exerce sua ação profissional, realiza estudos de pósgraduação e pelo Ministério da Educação e Cultura-MEC.
Como podemos observar o grupo foi constituído com a participação de 4(quatro)
professoras e nós, a coordenadora da pesquisa. Ademais, podemos inferir pelos perfis e pelos
percursos, que as
professoras vivenciam ações marcadas por singularidades e ações
institucionalizadas que demarcam suas histórias de formação/ação. Conforme García (apud
NÓVOA, 1997, p.54): “[...] parece-nos necessário salientar que, quando falamos
de
formação de professores, estamos assumindo determinadas posições (epistemológicas,
ideológicas, culturais) relativamente ao ensino, ao professor e aos alunos”.
Assim, segundo Sacristán (1990), a formação do professor deve estar imbuída de um
sentimento propiciador de reflexões que levem a uma tomada de consciência das limitações
sociais, culturais e ideológicas da própria formação docente, pressupondo assim, uma
valorização dos aspectos contextuais, organizativos, orientados para a mudança. Dessa
forma, desenvolvemos o seminário que apresentamos a seguir: Seminário de Formação
O Seminário de Formação se apresenta como um espaço de acesso aos dados por
parte desta pesquisadora (necessidades formativas e conceitos prévios). Essa técnica foi
8
escolhida possibilitar um espaço para difundir ideias e/ou refleti-las no intuito de
propiciar uma
ambiente favorável para identificar problemas, realizar estudos e
reflexões pertinentes, propor
pesquisas necessárias à solução de problemas, além de
realização da formação das professoras partícipes da pesquisa. Para nosso estudo,
fizemos uma proposta de desenvolvermos sob forma de Seminário de Formação o estudo
dos temas levantados no questionário, que foi aceito pelo grupo de partícipes. Assim,
planejamos e cadastramos na Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Piauí o
Seminário: A pesquisa colaborativa como estratégia de formação de professores, o
qual
realizamos na primeira etapa do processo de intervenção com o objetivo de
desenvolver uma reflexão crítica dos temas levantados para o estudo, bem como uma
metodologia colaborativa no desenvolvimento das atividades do seminário com a finalidade
de reelaborar os conceitos de currículo ensino e aprendizagem e sua relação
com
a
transformação da atividade docente. A seguir, apresentaremos detalhadamente as etapas
do seminário.
As reuniões para a realização do Seminário de Formação aconteceram em dias de
sábado pela manhã na escola onde os partícipes exercem sua prática docente. A primeira
reunião foi agendada com a interveniência da administração e da supervisão escolar, sendo
que a seguinte fica pré-agendada conforme a interveniência dos partícipes e os
acontecimentos previstos para o período.
Inicialmente, fizemos a sensibilização do grupo de partícipes, incluindo-se a
negociação de lugares e períodos em que iríamos desenvolver a investigação-ação, o
levantamento das necessidades formativas e dos conhecimentos prévios do grupo, das
sessões de estudo/formação, alternando reflexões inter/intra/subjetivas para ao final
reelaborar os conceitos de currículo, ensino e aprendizagem, enfim transformar a nossa
própria docência, assumindo, assim, uma atitude frente ao
caminho e a caminhada
empreendida na prática docente.
Esse movimento expressa inicialmente os
anseios e/ou necessidades formativas
geradas no processo da nossa formação/ação e dão aos partícipes oportunidades de
exposição dos conhecimentos científicos e das vivências (prática) passando por uma análise
e reconstrução da organização da docência (ação).
A seguir, apresento o Quadro 02, com a ilustração da sequência de estudo após as
negociações e acertos com as partícipes e com a orientadora do estudo.
9
TEMAS NEGOCIADOS
Nº
de Temas
Ordem
01
Prática Pedagógica Reflexiva/Colaboração
02
Planejamento
03
Alfabetização: métodos e sua aplicação
04
Conhecimento/conceito científico/saber escolar
O5
Currículo
06
Ensino
07
Aprendizagem
Quadro 03 – Temas negociados para estudo
Fonte: Questionário respondido pelas professoras, Teresina, 2008
Assim,
dar seguimento
à viagem
investigativa
e à tarefa
que estamos
desenvolvendo, tem sido muito prazerosa, pois entre os temas levantados, estavam os temas
de interesse desta pesquisa.
Após essa etapa de levantamento e definição dos temas, passamos ao planejamento do
seminário e à seleção de material para estudo dos temas além de convidar a professora
Drª. Antonia Edna Brito, autoridade em Alfabetização, para assumir o seminário de
Alfabetização.
Para melhor entendimento, passamos a apresentar o quadro nº 03 com a síntese da
organização e desenvolvimento do seminário que foi realizado de setembro de 2008 a maio
de 2009 em encontros mensais ou bimestrais conforme disponibilidade das professoras
e da coordenadora da pesquisa, pois a mesma se encontrava em outro estado realizando estudos
teóricos obrigatórios do curso de Doutorado.
TEMÁTICA
Formação Crítica: Bases
Teórico-Metodológicas
A conquista:
pesquisadores e
professores pesquisando
colaborativamente.
Entre planejamento
necessário e decisão
improvisada, aprender a
exercer seu julgamento
pedagógico e a agir com
DIMENSÃO
REFERÊNCIAS
DATA
REFLEXIVA
IMPLICADA
As partícipes NO
realizam a leitura MAGALHÃES & 06/09/2008
antecipadamente dos textos. outras, 2006.
No
seminário,
após
abordagem
do tema, em grupo, levantam
os conceitos, para
após
análise
reelaborarem
o
entendimento dos conceitos
destacados, relacionando-os à
IBIAPINA, Ivana
prática docente.
M. L. 2008.
As professoras deveriam MEIRIEU, Phillipe 11/10/2008
compreender
o 2005.
planejamento
na
perspectiva
crítica,
procurando articular com a
10
discernimento
com uma situação vivenciada,
procurando relacionar as ações
da reflexão crítica (descrever,
informar
confrontar
e
reconstruir)
Alfabetização
e os As professoras partícipes da Texto montado profª
diferentes métodos
pesquisa deveriam refletir Dra Antonia
sobre a alfabetização e seus Edna, convidada
diferentes
métodos
para
relacionando-os à sua prática desenvolver sobre o
docente
tema
neste
seminário Maria I.
Conhecimento/conceito As professoras deveriam CUNHA,
científico/saber escolar refletir sobre o conhecimento da. 2006.
relacionando-o à sua ação em
sala de aula
Currículo - um grande As professoras fazem a SAVIANI,
desafio para o professor distinção entre os conceitos de Nereide. 2009
currículo como processo e
currículo
em
Ação,
relacionando essas definições
com as situações vivenciadas
no exercício docente.
Ensinar: uma tarefa As professoras deveriam VEIGA, Ilma P. A.
refletir sobre a complexidade 2006.
complexa e laboriosa
do
processo
ensinoaprendizagem
para
compreendê-lo na perspectiva
crítica, articulando-o com sua
prática docente.
Quadro 03 – Temáticas discutidas no Seminário e referencial teórico utilizado
Fonte: Dados da pesquisa.
25/10/2008
29/11/2008
04/04/2009
23/05/2009
O seminário representa inicialmente um espaço colaborativo e de parceria entre
pesquisador e professoras, propiciador da articulação entre teoria e prática. O seminário foi
gravado em áudio para melhor acompanhamento das reflexões e participação das professoras
no evento. A nossa participação, enquanto coordenadora do evento, foi contribuir para
desencadear um processo de reflexão crítica articulando-o com a prática docente.
Assim, podemos destacar que o fortalecimento das relações e o desenvolvimento da
confiança, construída ao longo dos seminários ou das visitas informais às professoras no
decurso da formação se configura como uma ação positiva no sentido de consolidação das
interações no grupo de professoras partícipes da pesquisa.
Os dados serão analisados a partir da prática dos docentes partícipes da pesquisa
Tomaremos como referência os estudos de Ferreira (2007) sobre análise da elaboração
conceitual com o intento de fazer um contraponto dos conhecimentos científicos com o
conhecimento escolar para redimensionar a formação-ação do professor, tendo em vista
11
a reelaboração dos conceitos de currículo, ensino e aprendizagem, considerados pelas
professoras, fundamentais na atividade docente.
Nessa perspectiva, procuraremos identificar a relação entre o desenvolvimento
conceitual das professoras que atuam nas séries iniciais do Ensino Fundamental e sua prática
docente, bem como analisar as contribuições da reflexão crítica e da colaboração para
a
transformação da docência. Buscaremos captar nas falas das professoras elementos que
nos permitam entrecruzar os conhecimentos mobilizados quando do desenvolvimento do
nível de elaboração conceitual e a utilização desses conceitos na prática pedagógica.
Concluindo esse percurso...
Consideramos o seminário um procedimento metodológico que se efetiva por meio de
técnicas ao desenvolvimento de estudos, análise e interpretação de textos, discussão enfim,
construção de conhecimento e formação dos envolvidos na ação.
O uso desse procedimento requer que os envolvidos no estudo decidam em grupo,
previamente, a temática a ser estudada ou investigada conforme o objetivo delineador da
ação, cujo desenvolvimento, embasado na reflexão crítica e na colaboração, propicia a
reconstrução da docência.
Considerando que a pesquisa em desenvolvimento é do tipo colaborativa, o
Seminário tem caráter de intervenção com a implicação dos partícipes na ação. Dessa forma,
o Seminário se apresenta como instrumento de formação e de desenvolvimento profissional
do docente.
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CAMINHOS DE FORMAÇÃO: SEMINÁRIO Maria do Socorro