ESPORTES COMPLEMENTARES NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR DO ENSINO MÉDIO. OLIVEIRA, Vanessa Duarte de – PUCPR [email protected] ALBUQUERQUE, Luis Rogério – PUCPR [email protected] Eixo Temático: Educação, arte e movimento Agência Financiadora: não contou com financiamento Resumo Vendo o esporte como a ferramenta mais utilizada para a obtenção da característica da educação física escolar e que os esportes tradicionais (futebol, voleibol, basquetebol e handebol) se tornam maçantes e repetitivos de acordo com a evolução no ciclo escolar, a necessidade de serem implantadas modalidades esportivas diversificadas, para que os padrões da aula de educação física sejam realizados, o objetivo desse estudo é avaliar como é feita a adaptação de esportes complementares na educação física escolar no ensino médio. A pesquisa realizada é do tipo qualitativo e foi desenvolvida através de um roteiro de entrevista semi estruturada, por meio de um gravador de voz, com professores de educação física que aplicam esportes complementares no ensino médio, em escolas públicas e particulares de Curitiba. Esses professores apresentaram seus métodos e adaptações para aplicar esportes complementares na escola, a partir disso, foi descoberto que os professores que tem o apoio da direção e de outros professores tem maior facilidade para ensinar esportes complementares, com isso, tem maior possibilidade de adquirirem ou confeccionarem materiais. As estruturas da maioria das escolas abrigam formas convincentes de adaptação para esportes tradicionais e também para os complementares. Dessa forma, pode-se concluir que o grande fator de uma possível mudança nas aulas de educação física é a representação do professor de educação física, que tem o poder de mostrar a variabilidade de esportes e fazer o aluno conhecer o mundo esportivo não só com uma forma figurante, mas também como componente participativo no seu desenvolvimento motor e social. Palavras-chave: Educação Física. Esportes. Esportes Complementares. Introdução O seguinte trabalho tem como relevância a demonstração de como esportes diversificados podem ser adaptados dentro da escola e agir como ferramenta para a realização 5180 do objetivo da educação física, que é o movimento consciente. Dessa maneira o objetivo desse trabalho é avaliar como é feita adaptação de esportes complementares na educação física escolar no ensino médio. Com a perda de espaço nas escolas, a educação física, acaba não proporcionando o que lhe apetece e acaba tendo meios e fins para realização do contexto escolar pedagógico mesmo tendo como eixo do movimento dentro de atividades de ginásticas, danças, jogo e esportes. (BETTI, 1999, p.26). Mesmo com essas vastas possibilidades de conteúdos, como desenvolvimento do sentimento de grupo e a cooperação, a educação física, têm como veículo mais usado para formação de movimento corporal: o esporte. (BETTI apud BRACHT, 1999, p.26). Com isso, praticamente voltada, a prática esportiva e suas técnicas, mesmo sabendo que isso ocasiona a fragmentação da formação integral da criança. (GUIMARÃES et al. 2001, p.17). O esporte na educação física é de suma importância, sendo visto como o fator mais usado na educação física escolar, o que favorece a aplicação continua em seu ciclo, porem a repetição de conteúdos faz com que alunos e professores fiquem desmotivados, em relação aos esportes convencionais. Por isso, a utilização modalidades esportivas diversificadas pode ser usada como ferramenta da busca pela realização do objetivo da educação física. Vago (apud Bracht, 1996, p. 7) diz que não temos o esporte da escola e sim o esporte na escola, pois a educação física assume os códigos da instituição do esporte o que amplia a importância do esporte na aula de educação física. De acordo com Martinelli et al. (2006 p. 16) os esportes como basquetebol, voleibol, handebol, e principalmente, o futebol são utilizados em todo o ciclo escolar, desde o ensino fundamental I até o ensino médio, dessa maneira, os alunos se sentem saturados e insatisfeitos sem a possibilidade de diversificar e experimentar outras vivências motoras e assim muitos indivíduos saem da escola sem conhecimento de outros esportes fora os acima citados. Assim se apresenta a necessidade de serem implantadas modalidades esportivas diversificadas, chamados de esportes complementares, para a ampliação dos saberes do esporte de modo geral e com isso cumprindo os objetivos da educação física, dentro de suas determinadas abordagens pedagógicas e concepções, porém com outros procedimentos que incluam outras modalidades. (BETTI, 1999, p. 28). Esses esportes diversificados podem ser desde rúgbi, basebol, esgrima, até mesmo algo mais simples como futevôlei, xadrez e peteca. O que abrange desde o professores da 5181 escola e com certeza especialistas em desenvolvimento motor, que poderão avaliar o desenvolvimento coordenativo do aluno com a participação do mesmo em esportes que usem o movimento corporal de modo geral. Desenvolvimento Referencial Teórico a) Educação Física Escolar e Esporte no Ensino Médio A educação física é considerada de fundamental importância para a formação dos alunos do ensino médio e seu papel é, além de proporcionar um momento de práticas de atividades físicas, trazer aos alunos uma consciência sobre o seu corpo, como ele pode se comunicar através desse corpo e como a cultura está inserida neste contexto. “Por meio do movimento expressado pelas práticas corporais, os jovens retratam o mundo em que vivem: seus valores culturais, sentimentos, preconceitos, etc.” (PCN – ENSINO MÉDIO, 2006, p. 218). Para Espindula (Apud Vygotsky, 2009 p. 21) se entende que a adolescência é uma fase de transição que vai adquirindo diferentes qualidades segundo os períodos históricos e sociais. Isso interfere na prática de atividades físicas e esportes, pois a relação social é um fator de grande importância para a motivação do adolescente. Abrangendo uma faixa etária de 14 a 17 anos, e influenciada por fatores sociais e culturais, a educação física no ensino médio vai se perdendo, pois os alunos já vêm calejados de tantos problemas sociais e estruturais das escolas, conteúdos repetitivos, informações que não originam discussões sobre o que ele está vivenciando. Apesar da influência dos esportes dentro da escola, eles não podem ser aplicados com tanta sistemática, o dever da escola é apresentar os diversos esportes para que então os próprios alunos possa se identificar e escolher por praticar ou não determinada modalidade e ainda assim praticá-la assiduamente em períodos extraescolares. Torna- se importante então, além de apresentar as modalidades esportivas, enfatizar a atividade física e saúde nesse momento de finalização dos estudos fundamentais, pois é na adolescência que os alunos começam a avaliar situações e hábitos do cotidiano distinguindo o que será importante absorver ou descartar para a sua vida. Para Nahas (2003), o estilo de vida é extremamente importante para a manutenção da qualidade de vida de um individuo, o habito 5182 de praticar uma atividade física e cuidar da saúde o ajudará a ter um estilo de vida que influenciará em sua qualidade de vida, tanto em aspectos socioambientais como em aspectos individuais. “É na escola onde se encontra o espaço nobre para se começar a gostar do desporto, se desenvolver e se conscientizar de que isso deverá integrar o projeto de vida de cada pessoa, fazendo com que a criança se torne um desportista para juventude, idade adulta, melhor idade, enfim, para a vida”. (ESPINDULA, 2009 p. 53) Um dos objetivos da educação física no ensino médio são o aprofundamento e consolidação de conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. Entretanto, há uma falha tanto em relação aos conteúdos aplicados, como o desenvolvimento motor do aluno. “A transição de uma fase para outra depende da aplicação de padrões maduros de movimento a uma grande variedade de habilidades de movimento. Caso os padrões não sejam maduros, a habilidade será prejudicada” (GALLAHUE, 2005, p 199). “O aluno que chega ao Ensino Médio na sua juventude, já teve a grande oportunidade de se tornar um desportista (ou não) para a vida, restando outras possibilidades menos impactantes, que talvez precisem de remendos, às vezes extremamente complexos para serem geridos”. (ESPINDULA, 2009 p. 53). Porém alguns esportes são praticados em todo o ciclo escolar e outros nunca são aprendidos, fazendo que no ensino médio falte perspectiva de um desempenho motor mais abrangente em relação a esportes que são pouco mencionados na TV, que muitas vezes nem são mencionados em todo o currículo escolar. b) Esportes Tradicionais X Esportes complementares Sabendo que os esportes são com certeza o maior veiculo de instrução do movimento usado na educação física escolar, deixa-se claro que alguns esportes são mais vistos e aprendidos do que outros, pois são esportes tradicionalmente usados pela educação física pelo fato de serem coletivos, por constituírem acesso ávido pela mídia, por ter fácil acesso dentro da escola, por usarem poucos materiais e muitos outros fatores. Porem isso não quer dizer que usar somente esses esportes farão com que o objetivo da educação física seja realizado. Dessa maneira, a vivência com outros conteúdos junto com esportes ou simplesmente esportes diversificados trará um grande benefício para os alunos, principalmente os de ensino médio pelo fato de estarem na fase de desenvolvimento motor ideal para execução de movimentos mais especializados que esses esportes propiciam. 5183 Romão e Duarte (2004, p.27) questionam sobre o assunto: Por que os professores de educação física não conseguem utilizar os inúmeros conteúdos que esta área abarca? Por que acabam restringindo-se apenas ao conteúdo esporte, já que não é nossa função formar atletas dentro do ambiente escolar? E, ainda que somente esportes fossem ministrados nas aulas, por que se limitam aos esportes tradicionais como futebol, basquete, vôlei, e as vezes o handebol? Isso ocorre, segundo Espindula, (2009 p. 66) porque professores justificam tais escolhas desses esportes atreladas a partir de suas experiências, foi atleta ou se especializou no trato de uma modalidade, ou a partir do interesse dos alunos ou da turma. “As condições de trabalho e a ausência de material específico para outras formas esportivas também são usados como justificativa”. Com isso, “é possível afirmar que o universo esportivo, em torno de uma centena de modalidades e variações das mesmas, encontra-se drasticamente restrito no âmbito da escola” (ESPINDULA, 2009 p.67). Essa restrição pode-se basear em que nosso país existe poucas políticas de esporte e lazer adequado ao perfil que reconheça no jovem um sujeito de direitos, possibilitando o incentivo e a participação na organização de atividades e estimulo a pratica posterior. Necessitam de políticas que considerem as modalidades e formas de organização próprias dessa geração. Apesar de existirem organizações para o incentivo a prática de esportes, elas não são de acordo com o que a juventude espera como afirma Espindula (2009, p.29). Parece natural que as políticas públicas de esporte estejam voltadas de modo especial para a juventude. Porém, diversas pesquisas indicam que a maioria dos jovens brasileiros não pratica esporte. Isso decorre de vários motivos, dentre eles o fato de as práticas esportivas não serem organizadas para atrair a juventude. Para enfrentar essas e outras dificuldades que se impõem, democratizando o acesso ao conhecimento e à prática do esporte, o espaço escolar é imprescindível. “À escola cabe à orientação pedagógica da prática esportiva que se dá numa gama de intenções que vai da prática lúdica à prática esportiva competitiva” (ESPINDULA apud ESCOBAR p. 31, 2009). Em vista disso, supõe-se que a participação dos jovens em determinados tipos de esportes, mediante níveis de exigências quanto à realização de esforços físicos repetitivos, não 5184 garante necessariamente substancial contribuição para o desenvolvimento de hábitos direcionados à prática permanente de atividade física voltada à saúde (ESPINDULA, 2009 p.67). Nessa linha de raciocínio, Guedes et al (p. 195, 2001) mostram que, em idades jovens, a motivação para a prática de atividade física está orientada para aspectos intrínsecos do próprio desfrute da atividade, evoluindo com o passar dos anos para aspectos mais proximamente relacionados à saúde e ao bem estar. Onde se vê o beneficio do esporte diferenciado para o adolescente. Outro fator que contribui para a desmotivação com o esporte é a diferença entre os gêneros. Como os esportes mais utilizados na escola têm tendência a terem muito contato a prática esportiva entre meninas adolescentes se torna menor. No campo biológico, a prática de exercícios físicos e de esportes entre os rapazes pode ser facilitada por adaptações morfológicas e fisiológicas com predomínio dos sistemas músculo esquelético e de fornecimento de energia para trabalho muscular. A biologia feminina na adolescência parece ser mais adaptada a esforços físicos menos intensos. (GUEDES ET AL, P.194-195, 2001). Em relação ao histórico social dos adolescentes, por conta de valores sociais deturpados, algumas moças podem adotar postura de que a prática de exercícios físicos e de esportes é proibitiva à sua condição de mulher. Esse estereótipo social, claramente identificado na sociedade atual, vem apresentando enorme resistência a mudanças. (Guedes et al, p.194-195, 2001). Também é necessário destacar que a partir dos fatos e dos marcos históricos e sociais em que foram construídas as bases pedagógicas da educação: o conhecimento da cultura corporal, o que forma o objetivo da educação física na escola, porém jogos lúdicos e atividades esportivas na escola estão sendo banalizadas pela repetição mecânica de técnicas evasivas, sem dar continuidade ao que se pede na sua origem. Deixando clara a presença de teorias ultrapassadas, deixando de lado, por exemplo, o desenvolvimento da aptidão física e sua pretensa contradição com a reflexão sobre a cultura corporal (ESPINDULA, 2009 p.66). No entanto, a prática esportiva na escola (ou em organizações externas) não está mais gerando o prazer e o bem estar, fazendo os jovens buscarem outros atrativos. Dessa forma eles têm preferência a longo tempo de assistência à TV, por não serem apresentadas outras opções de lazer, brinquedos eletrônicos em substituição a outros que exigem esforços físicos mais 5185 intensos e prática esportiva excessivamente formal em prejuízo do caráter lúdico das atividades recreativas. (GUEDES ET AL, p. 195, 2001) Esta percepção de dever em criar novas propostas de ensino-aprendizagem devem ser consideradas e promovidas pelos professores que atuam com a educação física no ensino médio, pois só assim teremos alunos ativos dentro e fora da escola. Procedimentos Metodológicos A pesquisa realizada foi qualitativa, do tipo descritiva e interpretativa, que busca compreender as formas de como professores de educação física adaptam esportes complementares para alunos do ensino médio, em relação à estrutura da escola, materiais e quantidade de alunos. A população utilizada para a pesquisa foram professores de educação física da rede pública e particular da cidade de Curitiba. Os participantes são 10 professores de educação física da rede pública e particular, que atuem no ensino médio e que usem esportes complementares como conteúdo escolar. A pesquisa foi desenvolvida através de um roteiro de entrevista, semi-estruturada, que indicou as possíveis respostas do problema da pesquisa. As entrevistas foram feitas com professores de educação física e registrada através de um gravador de voz, a partir da autorização dos entrevistados, que visa o assunto de como adaptar esportes complementares nas escolas. A entrevista foi realizada de maneira maleável, de acordo com os objetivos da investigação e explorando as áreas de conhecimento do entrevistado, buscando a descobrir a opinião dos entrevistados de acordo com o foco da pesquisa. Essas entrevistas foram registradas com um gravador de voz e transcritas para análise mais ampla dos dados. Os dados foram transcritos e destacaram pontos mais relevantes para a resolução do problema da pesquisa. As informações e dados adquiridos foram separados, analisados, interpretados, discutidos e relatados no trabalho a partir da referência da revisão da literatura. Resultados e Discussões Realizaram-se entrevistas com 10 professores de educação física que atuam no ensino médio, enumerados de um a dez para a identificação nesse trabalho. Dentre eles os professores 1, 3, 4, 5 e 6 são graduados pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, o 5186 professor 2 é formado na Universidade Positivo, o professor 7 na Universidade federal de São Paulo e os professores 8, 9 e 10 colaram grau pela Universidade Federal do Paraná. Nove dos dez professores afirmaram não ter formação continuada e o professor 6 relatou ter pós graduação em treinamento desportivo e mestrado pela Universidade Federal do Paraná. A maioria dos professores entrevistados são bem jovens tendo com ano média de formação 2007, com exceção dos professores 6 e 7 que se formaram ambos em 1995 e que se mostraram mais experientes. Em relação às escolas de atuação, os professores 1, 4, 8, 9 e 10 lecionam em escolas públicas e os professores 2, 3, 5, 6 e 7 em escolas particulares. a) Formação Profissional e Esportes Complementares. De acordo com a pesquisa, todos os professores afirmaram ter tido uma base na universidade de alguns esportes complementares. Os professores graduados pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná tiveram uma disciplina específica para esses esportes, nas outras universidades havia o conhecimento dos esportes, mas não com uma disciplina exclusiva. Mesmo com os professores tendo uma disciplina que falassem sobre esportes complementares, eles deixam claro que tiveram pouca vivência em cada esporte. Como afirma o professor 3: “o professor deu só uma aula de cada esporte, isso foi muito pouco”. Dessa forma mesmo tendo a referência na universidade para os esportes complementares, os professores acharam pouco o tempo de experiência em relação ao tempo de aulas dos esportes tradicionais. b) Motivação Para a Aplicação De Esportes Complementares Na Escola A influência do esporte na infância foi um fator de autonomia para a manifestação do interesse pelos esportes complementares. A outra parte dos professores tiveram interesse após a experiência na universidade que mostrou a existências de esportes e alguma forma de aplicação nas escolas. “A primeira motivação foi nas aulas que tive na universidade, porque a vivência com esportes diferentes foi muito divertida”. Também teve caso de exigência do planejamento da escola que já integrava com esporte como avaliação e o professor 2 teve que correr atrás e pesquisar sobre esportes complementares. Mas na maioria dos professores se mostraram motivados após a experiência 5187 na educação física escolar e a desmotivação dos alunos para a prática esportiva. Os professores buscavam os esportes complementares como maneira de motivar os alunos a participarem das aulas. Tendo a preocupação com a motivação do aluno a participação nas aulas de educação física, todos os professores garantiram que após a implantação de esportes complementares em sua grade escolar, os alunos participavam e elogiavam mais as aulas sempre as pedindo novamente. c) Incentivo Da Escola O apoio da direção da escola influencia muito no incentivo do professor a inovações dentro da escola. E os professores entrevistados tiveram a paciência e a compreensão para que seus objetivos fossem cumpridos. As direções das escolas em geral apóiam o desenvolvimento de esportes complementares. Mas algumas escolas não tinham estrutura nem materiais para contemplar as experiências que proporciona esses esportes. Contudo os professores se mostraram interessados em investir nos esportes e todos elaboraram um projeto com a direção sobre a importância dos esportes complementares. E todas as escolas aprovaram a iniciativa e se tornou claro para a concepção das escolas. Há também as escolas que já eram adeptas aos esportes complementares, as que já tinham investido em materiais e na estrutura pensando em projetos no futuro dos alunos e dos professores. Porém existia a rejeição de professores mais antigos que não queriam sair da rotina e achavam que era desnecessário investir em coisas novas para os alunos. d) Materiais Utilizados e Estrutura Escolar Com o apoio da direção, a próxima preocupação seria os materiais a serem utilizados para os esportes complementares, visto que na maioria deles exigem uma demanda de equipamentos que, dependendo do esporte, seria muito grande para suportar carência de 30 alunos. Para alguns esportes a adaptação de materiais é bem básica se utilizando os materiais dos esportes tradicionais como havia escolas que já trabalhavam com esses esportes os professores não tiveram muita dificuldade para a intervenção. O professor 10 nos relata: “No começo eu tive que parar e pensar, o que eu posso fazer com esses materiais? Depois eu pensei o que eu posso inventar com esses materiais?” 5188 Entretanto, algumas escolas que não tinham materiais, tinham poucas formas de adaptação. Nessas escolas os professores tiveram que organizar suas estratégias para a aplicação das aulas e contar com a ajuda dos próprios alunos. Assim, como esses professores se esforçaram para a adaptação de materiais, outros não tiveram impedimento nenhum e conseguiram comprar todos os materiais sem nenhum problema com a ajuda da escola. Em relação à estrutura como já foi apresentado, metade dos professores atuam em escolas públicas e a outra metade em escolas particulares. Essa diferença social influencia em relação à estrutura da escola, entretanto nessa pesquisa não teve muita diferença entre o espaço usado para as aulas de educação física, A maioria dos professores afirmam ter uma estrutura escolar suficiente para a adaptação de esportes complementares, não tendo isso como impedimento para as suas aulas. e) Tempo de Aula e Organização dos Alunos Com exceção do professor 2 que dá aula de educação física no contra turno escolar e por isso a aula se completa em 1 hora de 30 minutos, sendo um vez por semana, e do professor 5 que dá aula no ensino médio noturno e por isso as aulas são de 40 minutos ou menos com, apenas, uma aula semanal e ainda os alunos não são obrigados a participar das aulas, o restante das escolas cujos professores foram entrevistados o tempo de aula era de 50 minutos tendo variações entre uma, duas ou três aulas de educação física semanais. A partir desse conceito os professores concordaram que o tempo de aula é suficiente, porém deve ser feito algumas modificações no planejamento para que se possa valorizar o aprendizado do aluno. Todos os professores elaboram também aulas teóricas sobre os esportes complementares, essas são bem enfatizadas em regras e condições fisiológicas para a prática do esporte, todas visando o conhecimento integral do aluno. Outro problema a ser resolvido seria a organização dos alunos para aulas de esportes complementares. Assim como o tempo de aula, os professores também viram a necessidade de organizar uma tática para organizar seus alunos durante as aulas de educação física. O professor 2 separa os alunos em relação ao gênero e também passa as atividades em momentos diferentes com isso, os alunos tinham momentos em que ficavam “livres”. Já o professor 8 dá um exemplo de uma aula de tênis: 5189 “tinha uma equipe que sacava, outra recebia e outra buscava a bola, depois faziam o rodízio para tornar o exercício mais dinâmico”. Já os restantes dos professores adotaram a fizeram os alunos participarem não só com a prática esportiva, mas também como ajudantes para não ficarem com tempo ocioso. De acordo com as entrevistas fica declarado que os esportes individuais exigem um planejamento mais amplo, em que os alunos participem de todas as maneiras possíveis, para que a aula fique mais dinâmica. Quanto aos esportes coletivos, a participação dos alunos se torna mais esportiva, mas nunca tirando a responsabilidade de que o planejamento é o fator mais importante para uma aula de qualidade. Considerações finais O contexto principal dessa pesquisa envolve-se em como o esporte escolar é importante na educação física escolar e, principalmente, para os adolescentes, mostrando que esportes complementares devem estar no currículo escolar para que a criança possa ter a oportunidade de viver experiências diferentes em sua vida escolar. Dessa maneira pode-se ver que os professores concordaram que a educação física escolar está voltada para o esporte, sendo esse o recurso mais usado para a aquisição do conhecimento motor, e consequentemente, deixando o processo de ensino aprendizado restrito a apenas algumas atividades motoras. Como foi citada na página 12 do referencial teórico: “é possível afirmar que o universo esportivo, em torno de uma centena de modalidades e variações das mesmas, encontra-se drasticamente restrito no âmbito da escola”. (ESPINDULA, 2009 p.67). Com isso, a atividade física, para o adolescente, é vista como algo obrigatório e que não gera prazer. Com a intervenção baseada em um conteúdo inovador, que integre todas as categorias que o esporte pode proporcionar para os alunos, os objetivos da educação física escolar poderão ser mais concretos. O fator de grande influência para a trajetória do esporte na escola é o fato de que os professores saem da universidade sem estar preparados para a aplicação de esportes complementares nas escolas, visto que o professor é o elemento principal para o engrandecimento da prática esportiva pelos adolescentes Os professores entrevistados nessa pesquisa descreveram intervenções em suas escolas de maneiras inovadoras, mostrando a possibilidade de as praticas esportivas diferenciadas 5190 serem introduzidas nas escolas para a ampliação do conhecimento e do desenvolvimento motor dos alunos. Outra questão debatida foi a estrutura escolar e os materiais utilizados para a adaptação de esportes complementares, que após o relato dos professores, observou-se ser uma dificuldade de caráter político não tendo muitas estratégias a não ser a compra de materiais adequados e usar a estrutura básica das escolas que é a quadra poliesportiva. Mas pode-se observar que os professores procuram se empenham para criar adaptações; pedem apoio da direção e dos outros professores; buscam alternativas para a produção de materiais ou de colaboram para a compra deles; encontram espaços para levar os alunos para conhecer melhor os esportes; e modificam o sistema que se tornou a educação física escolar. Outra dificuldade que os professores alegam ter é a questão do tempo das aulas de educação física e foram bem claras as respostas dos entrevistados, o tempo é suficiente só precisa ter um bom planejamento, desde a questão dos esportes complementaras como em todos eixos da educação física. A importância que a educação física tem na escola tem deixado de lado a carência do aluno de praticar um esporte onde se faça sentir a diferença em estar nas aulas de educação física e não estar. Cada vez menos aulas de educação física são disponíveis para os alunos, tendo escolas que têm apenas uma aula por semana. Mesmo com planejamento rico em confiança na preparação do aluno educação física para a vida o tempo de aula é um limite para o professor progredir no seu objetivo. De acordo com isso, pode-se concluir que o grande intercessor da prática esportiva é o professor de educação física na escola. É ele que tem que mostrar a variabilidade de esportes, fazer o aluno conhecer o mundo esportivo de uma forma figurante, mas que integre o aluno com o esporte. Com isso, o aluno pode buscar concluir seu objetivo, sabendo que existem esportes que se pode praticar fora da escola sem a necessidade de ter habilidades motoras avançadas ou até mesmo descobre-se que suas habilidades são maiores do já imaginou. Sem falar na grandiosidade que o esporte está se tornando para a mídia brasileira, podendo-se abranger toda uma relação que o esporte pode proporcionar também social e culturalmente. O esporte é de longe o eixo mais utilizado na educação física escolar, basta saber o que se faz com ele para que não se perca o foco de que temos que preparar o aluno para sua vida. REFERÊNCIAS 5191 BETTI, Irene C. R. Esporte na escola: mas é só isso, professor? Revista Motriz, São Paulo, v.1, n.1, 1999. Disponível em < http://www.rc.unesp.br/> acesso em 14 de agosto de 2010. BRASIL. Ministério da Educação Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, 2006. CASTRO, Alejandra. 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