Vivências: Revista Eletrônica de Extensão da URI
ISSN 1809-1636
ESTUDO SOBRE O FENÔMENO BULLYING EM ESCOLAS DE ENSINO
FUNDAMENTAL E MÉDIO DA REGIÃO NOROESTE DO RS
STUDY ABOUT THE PHENOMENON OF BULLYING IN ELEMENTARY AND HIGH SCHOOLS FROM
THE NORTHWEST REGION OF RIO GRANDE DO SUL
Samara NIKODEM 1
Lizete Dieguez PIBER 2
RESUMO
O presente artigo é fruto dos resultados obtidos por intermédio do projeto intitulado "Estudo Sobre
Incidência de Bullying em Escolas do Ensino Fundamental e Médio da Região Noroeste do RS”.
Participaram da amostra, respondendo ao questionário modelo Kidscape, escolas de dois
municípios, Santo Ângelo e Santo Cristo. Em Santo Ângelo, participaram da amostra 1640 alunos.
Nas escolas, foi solicitada a participação dos professores, totalizando 92 professores. No município
de Santo Cristo, participou da pesquisa apenas uma escola estadual. Nesta, houve a participação de
92 alunos e de 6 professores.A partir da análise dos dados pode-se afirmar a existência de bullying
em ambas as cidades investigadas. A forma de ocorrência mais comumente utilizada são as
agressões verbais, sendo os agressores mais frequentemente do sexo masculino. Outra constatação
interessante no sentido de alertarmos sobre as intervenções realizadas neste problema foram às
respostas obtidas pelos sujeitos no que diz respeito as possíveis soluções, tais como, pais darem
mais educação aos filhos, ajuda de psicólogos especializados, denunciar os agressores, bater nos
agressores, prendê-los em cadeias, ignorar, expulsar o aluno, dentre outros, denotando que a escola
não está conseguindo lidar com o problema, ignorando-o muitas vezes, permitindo que o bullying
acometa o aluno sem este poder defender-se. Quanto aos professores, confirma-se a ocorrência do
fenômeno na trajetória escolar da maioria destes. Portanto, evidencia-se que as práticas de bullying
são recorrentes nas escolas públicas e privadas, podendo ocorrer em cidades de pequeno e médio
porte, produzindo diferentes níveis de sofrimento psíquico aos sujeitos envolvidos.
Palavras Chave: bullying, violência, escola
ABSTRACT
This article is based on the results obtained through the project entitled "Study on incidence of
Bullying in elementary and high schools in the Northwest region of the state of Rio Grande do Sul”.
Participated in the study, responding to the questionnaire model Kidscape, schools from two cities,
Santo Ângelo and Santo Cristo. In Santo Ângelo, participated in the survey 1640 individuals. In
schools, we requested the participation of teachers, totalizing 92 teachers. In the city of Santo
1
Estudante do curso de psicologia da URI- campus Santo Ângelo, bolsista do Programa de Iniciação Científica PIIC,
da universidade.
2
Bolsista do PIIC/URI, Acadêmica do Curso de Química Industrial, URI-FW.
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Cristo, participated in the survey only one state school. In this there was the participation of 92
students and 6 teachers. From the data analysis we can affirm the existence of bullying in both cities
investigated. The most commonly used form is the verbal aggression, and the aggressors were more
often male. Another interesting finding in the sense of warnings about the interventions in this
problem were the responses obtained by the subjects regarding the possible solutions, such as
parents should give their children more education, specialized help from psychologists, to denounce
the aggressors, to beat the aggressors, arrest them in jail, to ignore them, to expel the student from
the school, among others, showing that the school is failing to deal with the problem, ignoring it
many times, allowing that bullying affects students that have no power to defend itself. About the
teachers, this study confirms the occurrence of the phenomenon in the school trajectory for most of
these. Therefore, it is evident that the practice of bullying are applicants in public and private
schools, affecting and producing different levels of psychological suffering in the subjects involved.
Key words: Bullying, violence, school
INTRODUÇÃO
Práticas de violência são recorrentes no âmbito da instituição escola e muito tem preocupado
educadores e gestores dos sistemas de ensino. Apesar do bullyng ser um fenômeno antigo e que
ocorre em escala mundial, poucos estudos tem se debruçado de forma séria e consequente sobre tal
temática.
Levantamento realizado pela ABRAPIA (Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção
à Infância e à Adolescência) em 2002, envolvendo 5875 estudantes de 5a a 8a séries, de onze
escolas localizadas no município do Rio de Janeiro, revelou que: 40,5% desses alunos admitiram ter
estado diretamente envolvidos em atos de Bullying, naquele ano, sendo 16,9% alvos, 10,9%
alvos/autores e 12,7% autores de Bullying. Estes números permitem pensar nas vivências de
sofrimentos a que um número significativo de alunos estão submetidos cotidianamente.
É comum encontrar entre os adultos uma quantidade considerável de pessoas que traz consigo
as marcas dos traumas que adquiriram nos bancos escolares. São sequelas que se evidenciam pelos
prejuízos em aspectos essenciais à realização na vida, como dificuldades de lidar com perdas,
comprometimentos nas relações afetivas, familiares e sociais, ou no desempenho profissional.
Essas pessoas foram submetidas às diversas formas de maus-tratos psicológicos, verbais,
físicos, morais, sexuais e materiais, através de zoações, apelidos pejorativos, difamações, ameaças,
perseguições, exclusões. Brincadeiras próprias da idade? Não. Esses atos agressivos, intencionais e
repetitivos, que ocorrem sem motivação evidente, em relações desiguais de poder, caracterizam o
bullying escolar.
Estudos realizados em diversos países já sinalizam para a possibilidade de que autores de
bullying na época da escola venham a se envolver, mais tarde, em atos de delinqüência ou
criminosos.
A escola por muitas vezes não consegue identificar o problema que ocorre em seu ambiente,
devido a isto, pretende-se a partir desta pesquisa identificar a incidência de bullying em cidades de
médio e pequeno porte da região noroeste do Rio Grande do Sul e caracterizar as práticas mais
usuais do fenômeno, para, a partir daí, buscar em parceria com as escolas e municípios pesquisados
priorizar a conscientização geral dos alunos e estimulá-los ao engajamento em projetos antibullying.
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REVISÃO DA LITERATURA E FUNDAMENTOS TEÓRICOS
A prática de bullying pode ser conceituada segundo Guareschi e Silva (2008, p. 17) “como
forma de agressões intencionais e repetitivas adotadas sem motivação evidente e direcionadas aos
outros”. Esta prática é muito ampla, isto é, ocorre não apenas no ambiente escolar, sendo além de
agressiva, também negativa. Ela pode ser executada repetidamente, havendo sua ocorrência,
principalmente, quando há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas. Pode-se dizer,
dessa forma, que esse comportamento pode tanto ocorrer em escolas, universidades, no trabalho ou
até mesmo entre vizinhos.
Segundo Dantas (web, 2009), a palavra “Bully” origina-se do inglês, e possui o significado de
valentão, se concentrando a prática do bullying na combinação entre a intimidação e a humilhação
das pessoas, estas geralmente mais acomodadas, passivas, podendo ser reconhecida como uma
forma de abuso psicológico, físico e social.
Guareschi e Silva (2008), afirmam não haver, por vezes, um motivo evidente para a prática do
bullying .
O desequilíbrio de poder ocorre porque a vítima não consegue se defender das agressões
por diversas razões: ser menor em estatura, possuir menos força física, estar em minoria,
apresentar poucas habilidades para se defender, possuir características físicas ou
psicológicas que possam levar à discriminação, ou também possuir pouca flexibilidade de
ação em relação ao agressor. Insultos, intimidações, gozações, apelidos cruéis e acusações
injustas, além de danos físicos, morais e materiais, são alguns exemplos das manifestações
características do bullying. (p. 48).
De outro modo, pode-se dizer que quando se toma o bullying como algo concreto e real, ele
vai muito além da brincadeira sem graça, isto é, assume características específicas e definidas,
podendo dessa forma ser diferenciado de outras formas de violência.
Pode se definir violência, como sendo o uso de atitudes agressivas de uma pessoa e/ou grupo
em relação à outra pessoa e/ou grupo, gerando conseqüentemente, conflitos sociais, e um ambiente
sem diálogo e troca de idéias. A violência possui várias representações, além de haver sua
incidência em diversos contextos. É nesse ponto que pode-se relacioná-la ao bullying, pois “nega a
possibilidade da relação social que se instala pela comunicação, pelo uso da palavra, pelo diálogo e
pelo conflito”(SPOSITO, 1998, apud GUARESCHI e SILVA, 2008, p. 49).
A presença do fenômeno bullying na realidade escolar é incontestável e não possui,
aparentemente, fatores determinantes, ou seja, independe da localização da escola,
tamanho, turno escolar, séries iniciais ou finais, ou mesmo escola pública ou privada. Ele é
responsável pela criação de um ambiente no qual predomina é um clima tenso, de medo e
de perplexidade por parte das vítimas e também dos espectadores que, indiretamente, se
envolvem nesta prática social sem saber o que fazer (FANTE, 2005 apud GUARESCHI e
SILVA, 2008, p.50).
Pode-se identificar a ocorrência de bullying para com a criança ou adolescente, a partir de
determinados sinais, tais como, queda no rendimento escolar, baixa auto-estima, ansiedade, além de
poder sofrer de algum tipo de trauma que influencie nos traços de personalidade. “Se observa
também, uma mudança de comportamento. As vítimas ficam isoladas, se tornam agressivas e
reclamam de alguma dor física justamente na hora de ir para escola”. (PEDRA apud BARROS,
web, 2009).
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Mas, não são apenas prejudicadas as vítimas do fenômeno, mas também as testemunhas, por
terem de conviver diariamente com o problema. Por vezes ainda, são obrigados por meio de
ameaças, a omitir os fatos, não denunciar, e se acostumar com a prática, para não ser a próxima a
sofrê-la.
O conflito presente nestes indivíduos está relacionado às duvidas existentes durante a
ocorrência do fenômeno, pois, se eles apóiam o bullying, são cúmplices; se apóiam a
vítima, podem se tornar alvo; se permanecem em silêncio, podem sentir-se culpados. Este
conflito pode promover sentimentos de tristeza, raiva, culpa e vergonha. (FRIED e FRIED,
1996 apud GUARESCHI e SILVA, 2008 p.66).
Devido ao bullying, muitos alunos abandonam a escola na tentativa de livrar-se das pressões
sofridas, o que não resolve o problema, pois os efeitos do bullying já estão presentes em sua vida. Já
outros a abandonam aos poucos, faltando às aulas por medo de serem as próximas vítimas.
O bullying pode ter conseqüências arrasadoras, como a incidência de depressão, ansiedade,
estresse, dores não-especificadas, perda de auto-estima, problemas de relacionamento, abuso de
drogas e álcool, além do risco de suicídio em casos mais graves. As marcas do sofrimento psíquico
e físico podem perdurar por toda a vida, e atingem também o agressor, pois aqueles que praticam
bullying contra seu colega poderão levar para a vida adulta o mesmo comportamento anti-social,
adotando atitudes agressivas no ambiente de trabalho (Workplace Bullying).
OBJETIVOS
Objetivo Geral
Investigar a ocorrência de bullying em escolas de cidades da região noroeste do estado.
Objetivos Específicos
Identificar a incidência de bullyng;
Caracterizar os sujeitos envolvidos com o bullying;
Identificar as ações utilizadas na prática de bullying;
Analisar as estratégias de enfrentamento adotadas pela instituição;
Compreender a cultura instituída na instituição em relação à violência;
Identificar as conseqüências de bullying no contexto escolar;
Comparar a realidade vivenciada pelas escolas em cidades de pequeno e médio porte.
METODOLOGIA
O método utilizado na primeira parte da pesquisa foi o quantitativo, o qual compreende
neutralidade e objetividade do pesquisador, defende o dualismo epistemológico separando o sujeito
do objeto do conhecimento. Esse método é usado quando o problema de pesquisa quer saber as
causas, o porquê; e também para apurar opiniões e atitudes conscientes dos participantes.
O delineamento utilizado foi o levantamento sendo realizado através da aplicação de um
questionário estruturado pela instituição inglesa Kidscape e já validado no Brasil, com 100 por
cento (%) das escolas de ensino fundamental e médio de uma cidade de porte médio e uma cidade
de pequeno porte da região noroeste. A seleção da amostra foi estratificada, sendo o erro amostral
de 10 por cento (%). Os dados levantados por intermédio dos questionários foram analisados
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estatisticamente por meio do programa Excel e colocados em gráficos.
Os dados que serão apresentados a seguir foram constatados a partir da análise de
questionários respondidos por alunos de 5ª à 8ª série e das três séries do Ensino Médio do município
de Santo Ângelo e Santo Cristo.
No município de Santo Ângelo, foram respondidos 571 questionários por alunos da rede
municipal de ensino, 945 questionários respondidos por alunos de escolas estaduais e 124
questionários respondidos por alunos estudantes de escolas particulares, totalizando em 1640
sujeitos pesquisados nesta cidade. Nas escolas, foi solicitada a participação dos professores, sendo
que das escolas municipais participaram 29 professores, das escolas estaduais 55 e das particulares
8, totalizando em 92 professores participantes.
No município de Santo Cristo, participou da pesquisa apenas uma escola estadual. Nesta,
houve a participação de 92 alunos e de 6 professores.
Os resultados serão apresentados em forma de gráficos, de modo a ficar mais claro seu
entendimento. Os alunos em algumas perguntas marcaram mais de uma alternativa, ou ainda, não
quiseram responder a pergunta por sentirem-se constrangidos. Devido a isto, poderá haver alguns
dados discrepantes nos gráficos apresentados. Os dados serão agrupados, e apresentados por
municípios.
Os dados a seguir referem-se à cidade de Santo Ângelo.
O gráfico demonstra que da totalidade de sujeitos entrevistados, 676 sofreram ou sofrem de
bullying nas escolas da cidade de Santo Ângelo.
A idade na qual o fenômeno ocorre mais frequentemente é de 11 a 14 anos, Este período
repleto de mudanças corporais e ressignificação da imagem corporal, poderá gerar no préadolescente/adolescente consequências sérias como depressão e, por vezes, até suicídio.
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O gráfico denota que a maioria das crianças, há um ano ou mais não sofrem diretamente com
o fenômeno. Já, a segunda alternativa mais marcada foi nos últimos 30 dias, retratando o que
passam vários alunos nestas escolas.
Marcaram a alternativa “uma vez” 330 alunos, mostrando como muitas vezes por não ser
repetitivo, o fenômeno passa despercebido pela escola.
As agressões, ocorrem em variados lugares, mas evidencia-se a prevalência destas na sala de
aula.
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A maioria dos alunos participantes da pesquisa se sentiu mal com as agressões, mostrando
que o fenômeno influencia na vida dos estudantes.
Para muitos, o bullying não gerou nenhuma conseqüência, porém para outros, causou algumas
consequências ruins, danos terríveis ou ainda fez o aluno mudar de escola.
Como percebido no gráfico, grande parte dos alunos não gosta dos agressores, ou ainda tem
pena destes. Isso evidencia que os agressores como cita Guareschi (2008) são pessoas que
manifestam pouca empatia, donos de comportamentos explosivos e agressivos.
Muitos alunos responderam que a culpa é de quem pratica agressão e dos pais deles. Muitas
vezes estes sujeitos vem de famílias desestruturadas, não havendo por parte destas, preocupação
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quanto aos comportamentos problemáticos do filho.
Há uma incidência maior de meninas respondentes, embora não se tenha utilizado o critério
gênero como parâmetro de análise.
Verifica-se que as agressões são mais frequentes entre meninos, porém a incidência entre
meninas não deve ser desconsiderada, pelo fato deste existir entre estas também. Segundo Moz e
Zawadski (2008) em geral o bullying exercido por meninas difere-se do de meninos, pois tendem a
ser mais sutis, espalhando boatos maldosos, intimidando ou rindo em grupo.
As agressões verbais são a forma mais comum de bullying, e podem compreender gozações,
apelidos cruéis dentre outros.
Com relação à questão 13, na qual perguntou-se aos alunos o que poderia ser feito para
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resolver este problema, surgiram as mais variadas respostas como conversar com os praticantes,
puni-los, pais educarem seus filhos, tomar providências, levá-lo ao psicólogo, dentre outras.
Portanto, faz-se necessário que a escola dê atenção à prática de bullying, para então realizar
propostas de combate a este.
A grande maioria respondeu que nunca praticou bullying, porém, os 369 alunos demonstram
que são autores desta violência.
A partir dos questionários aplicados na escola estadual da cidade de Santo Cristo, obtiveramse os seguintes dados:
Verifica-se que vários alunos convivem com o bullying diariamente no âmbito escolar.
A incidência do fenômeno é maior entre 11 e 14 anos.
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As agressões ocorreram há um ano ou mais segundo 31 alunos.
Um grande número de alunos que sofreu de bullying sofreu-o diversas vezes, evidenciando o
caráter repetitivo do fenômeno.
A partir dos dados verifica-se que as agressões ocorrem em variados lugares, mas, sendo mais
intensas no pátio da escola.
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O bullying para alguns alunos não lhes incomodou, mas, para outros fez o aluno se sentir mal.
Para a maioria dos alunos a intimidação, agressão ou assédio não geraram consequências.
Por meio do gráfico, verifica-se que uma pequena porção dos alunos gosta da prática de
bullying.
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Segundo grande parte dos alunos, a culpa das agressões é de quem agride e dos pais deste.
O índice de bullying é prevalente entre meninos, porém também ocorre entre as meninas.
As agressões verbais ocorrem mais frequentemente do que as demais formas de bullying
existentes.
Na questão 13 surgiram variadas sugestões para a resolução do problema, como fazer
palestras, ajuda psicológica, punir os agressores, aumentar a segurança, dentre outros.
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A maioria dos participantes não pratica bullying, porém, evidencia-se que 24 alunos praticam
ou praticaram bullying
Quanto aos professores das escolas de Santo Ângelo, obtiveram-se também dados significativos
com relação ao bullying em sua trajetória escolar. Do total de participantes, 92, 54 sofrem ou
sofreram de bullying, ocorrendo as agressões entre 11 e 14 anos e acima de 14 anos de idade.
As agressões em sua maioria ocorreram há um ano ou mais, acontecendo na época diversas
vezes, ocorrendo frequentemente na ida à escola, na sala de aula e no pátio da escola. Isso
gera/gerou na maioria dos professores um mal estar e algumas consequências.
Com relação à opinião sobre os agressores, a maioria dos professores respondeu que tem pena
deles e/ou não gosta deles. Quanto à culpa das agressões continuarem acontecendo, responderam
que esta é de quem agride, dos outros que assistem e não fazem nada e dos pais dos agressores.
Quanto ao sexo dos participantes da pesquisa, em sua grande maioria são do gênero feminino,
sendo que os agressores são tanto do gênero feminino quanto masculino.
As formas de agressão mais comumente sofridas pelos participantes foram a agressão verbal
e emocional. Quanto às sugestões para acabar com o bullying, sugeriram um trabalho conjunto entre
escola, pais, colegas e agressor, ignorar, expulsar os alunos realizar campanhas, trabalhar os
valores, ética, dentre outros.
Quanto aos professores da escola estadual de Santo Cristo, evidenciou-se que dos 6
professores que responderam os questionários, 3 sofrem e/ou sofreram de bullying na trajetória
escolar. A idade em que mais aconteceu foi de 11 a 14 anos, ocorrendo diversas vezes no pátio da
escola, segundo a maioria dos participantes da pesquisa.
O bullying fez com que as vítimas em sua maioria se sentissem mal, e gerou algumas
consequências. Quanto ao sentimento com relação aos agressores, disseram ter pena deles, e
atribuíram a culpa pela agressão ao agressor e seus pais.
Todos os professores participantes são do sexo feminino, porém, os agressores são de ambos
os sexos. As agressões sofridas foram verbais e emocionais. Com relação às formas de resolução do
problema, sugeriram conscientizar os alunos, esclarecer, dialogar, melhorar a educação em casa,
dentre outras alternativas.
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DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os resultados alcançados proporcionaram confirmar os dados obtidos por outras pesquisas
sobre o tema, realizadas em outros estados brasileiros e em outros países. Na pesquisa realizada em
uma determinada instituição escolar da rede pública, situada no município de Curitiba (Both; Stival;
Raduenz, 2009), foi constatado que o recreio é o momento da rotina escolar no qual os
comportamentos agressivos se manifestam com mais freqüência, além do próprio ambiente da sala
de aula. Ambos dados foram constatados em nossa
pesquisa, de modo a verificar a semelhança
do fenômeno, o qual independe da localização da escola.
Outra pesquisa relevante, por meio da qual se pode confirmar os dados obtidos é a intitulada
“Bullying escolar no Brasil”. Nesta (Fischer, 2010), os dados quantitativos revelam que 28% da
amostra total de alunos afirmam ter sido vítimas de maus tratos por parte de colegas ao menos uma
vez ao ano. Quase 10% da amostra relatam ter sofrido maus tratos três ou mais vezes no mesmo
ano, o que, evidencia semelhanças com as escolas da região noroeste do RS.
Em ambas as pesquisas, os maus tratos no ambiente escolar são praticados principalmente por
meninos ou ainda, por um número menor, mas não menos importante de meninas. Outro dado a se
pensar, e de grande importância para se pensar na sociedade escolar como um todo, é a constatação
nas duas pesquisas de que as vítimas de bullying concentram-se no intervalo de adolescentes de 11
a 15 anos.
Segundo Nogueira (2005), pesquisas realizadas com jovens de diversas cidades do Brasil
(Brasília, Fortaleza, Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo), permitiram verificar que,
aproximadamente, 60% dos jovens na faixa de 14 a 19 anos de idade foram vítimas de algum tipo
de violência nas unidades escolares nos últimos anos.
Nogueira (2005), cita ainda que no Brasil têm aumentado os estudos acerca do bullying no
ambiente escolar. Em Santa Maria (Rio Grande do Sul) foi realizado um trabalho pela professora
Marta Canfield e seus colaboradores (1997) em quatro escolas públicas. No Rio de Janeiro, as
pesquisas dos Profs. Israel Figueira e Carlos Neto (2000-2001) em duas escolas municipais. Em São
José do Rio Preto e região (São Paulo, 2000-2002), pesquisas realizadas junto à quase 1.500 alunos
do ensino fundamental e médio em escolas públicas e privadas pela professora Cleodelice
Aparecida Zonato Fante e seus colaboradores.
Baseado nos dados do nosso país e do mundo pode-se afirmar que o fenômeno está presente
em todas as escolas, o que é preocupante. Permite ainda constatar que caso não ocorra uma
intervenção efetiva em relação ao fenômeno, o ambiente escolar acaba por se tornar contaminado,
prejudicando negativamente, sem exceção, as crianças que neste convivem, passando estas a
experimentarem sentimentos de ansiedade e medo.
CONCLUSÃO
Verifica-se, por meio dos dados obtidos, que há incidência de bullying em ambas as cidades
(Santo Ângelo e Santo Cristo). Tal dado aponta o que Moz e Zawadski dizem sobre a ocorrência de
bullying.
A maioria das pessoas nega a extensão e a gravidade do problema e preferiria acreditar que
o pior bullying e a pior violência escolar ocorrem em comunidades na extremidade inferior
do espectro econômico. O problema, contudo, acontece em comunidades situadas em
ambas as extremidades e em todos os seus pontos (2008, p. 78).
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O fato da cidade de Santo Cristo ser de pequeno porte, não impede que atos violentos,
denominados bullying, ocorram. Com relação à idade em que o fenômeno ocorreu, em ambas as
cidades, há uma prevalência na idade de 11 a 14 anos, sendo que a maioria dos alunos respondeu ter
sofrido bullying uma vez ou diversas vezes.
O fenômeno ocorre com intensidade em ambas às cidades na sala de aula e no pátio da escola,
gerando nos alunos um sentir-se mal devido a isto. A grande maioria diz que ser vítima de bullying
não lhes gerou consequências, ou ainda gerou algumas consequências ruins.
Com relação à forma de agressão, é mais comumente utilizada a verbal, ou seja, apelidos
maldosos, palavras ofensivas, boatos, fofocas.
Atitudes como colocar apelido em alguém, ofender, humilhar, insultar, ameaçar ou acusar
pessoas de que não servem para nada caracterizam uma forma verbal de bullying, na qual
os autores agridem a vítima através de palavras e, principalmente apelidos maldosos (
GUARESCHI, 2008, p. 51).
O sentimento em relação aos agressores em ambas as cidades é o mesmo, não gostando
deles (agressores), ou ainda sentindo pena dos mesmos. E, quando questionados com relação à
culpa se a agressão intimidação ou assédio continuam acontecendo, grande parte dos alunos culpou
o agressor e os pais deste.
O número de alunos pesquisados foram em ambas as cidades praticamente proporcional aos
dois sexos, mas verificou-se que os agressores são em sua maioria do gênero masculino, porém não
se deve desconsiderar os casos de meninas, por estes também serem preocupantes, por ocorrerem de
forma sutis. Segundo Silva (2010), o bullying entre meninos e meninas varia quanto à forma, pois,
enquanto os meninos tendem a utilizar a força física para firmarem seu poder sobre os demais, as
meninas fazem bullying na base dos mexericos e intrigas.
Outra constatação interessante no sentido de alertarmos sobre as intervenções realizadas neste
problema foram às respostas dadas pelos sujeitos no que diz respeito ao seu solucionamento, que
foram as mais diversas, tais como, pais darem mais educação aos filhos, ajuda de psicólogos
especializados, denunciar os agressores, não fazer nada, bater nos agressores, prendê-los em
cadeias, não dar importância, ignorar, expulsar o aluno, matar os agressores, dentre outros,
denotando que a escola não esta conseguindo lidar com o problema, ignorando-o muitas vezes,
sendo que o bullyng está acometendo os alunos, que não tem encontrado formas de se defenderem.
Com relação aos professores, em ambas as cidades, metade destes sofreu de bullying em sua
trajetória escolar. As agressões ocorrem/ocorreram diversas vezes, sendo que gera/gerou um malestar. O sentimento dos professores com relação aos agressores é de pena e /ou não gostar deles.
Atualmente muitos professores são humilhados, ameaçados, perseguidos e até ridicularizados
por seus alunos, o que poderá gerar nos professores adoecimento com sintomas psicossomáticos
(dor de cabeça, diarréia, vômitos, sudorese, taquicardia) diante da possibilidade de deparar-se com
seu agressor.
Os dados obtidos nos dois municípios participantes da pesquisa proporcionaram o alcance dos
objetivos da pesquisa, pois evidenciaram que o bullying ocorre em todas as escolas, independente
da tradição, localização ou poder aquisitivo dos alunos.
As agressões ocorrem frequentemente na sala de aula, sendo que os professores ao se
depararem com tal situação, que ainda é nova, não sabem como reagir. Muitos agem de acordo com
suas próprias experiências e acreditam ser o bullying necessário para o amadurecimento do
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indivíduo (FANTE e PEDRA, 2008).
Algumas pessoas ainda têm a impressão de que bullying é um comportamento normal e
aceitável, que as crianças aprenderão quando crescerem. Elas dizem coisas como depois
passa, é coisa de criança, ele é só esquentado, é só não dar bola que passa. Não passa (MOZ
E ZAWADSKI, 2008, p. 79).
Com relação aos sujeitos envolvidos na prática de bullying, estes são em sua maioria do
sexo masculino, sendo a agressão verbal, a forma mais comumente utilizada pelos agressores para
atingirem suas vítimas.
Quanto às estratégias de enfrentamento ao problema, observa-se que há as mais variadas
sugestões, além de perceber nas escolas uma maior preocupação com relação ao bullying, de modo
a promoverem palestras e debates em sala de aula.
Verifica-se a importância de conscientizar a comunidade escolar sobre o problema, pois
como cita Silva (2010), crianças e adolescentes autores de bullying tendem a adotar
comportamentos anti-sociais nos primeiros anos da vida escolar. A maioria deles se comportam
assim por uma nítida falta de limites em seus processos de educação.
Enfim, não há dúvida de que o fenômeno Bullying estimula a delinquência e induz a outras
formas explícitas de violência, capazes de produzir, em níveis diversos, cidadãos estressados, com
baixa auto-estima e reduzida capacidade de expressão (Silva, 2010). Considera-se urgente
estabelecer políticas públicas de combate a todas as práticas violentas nas instituições escolares.
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estudo sobre o fenômeno bullying em escolas de ensino