MEMORIAL
MARIA ISABEL TOULSON DAVISSON CORREIA
Departamento de Cirurgia
Faculdade de Medicina da UFMG
Belo Horizonte
Minas Gerais – Brasil
2009
MARIA ISABEL TOULSON DAVISSON CORREIA
Memorial apresentado
à Faculdade de Medicina
da Universidade Federal
de Minas Gerais como
parte dos requisitos para
o concurso de Professor
Titular do Departamento
de Cirurgia.
Belo Horizonte
Minas Gerais – Brasil
2009
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
REITOR: Prof. Dr. Ronaldo Tadeu Pena
VICE-REITORA: Profª. Drª. Heloísa Maria Murgel Starling
PRÓ-REITOR DE GRADUAÇÃO: Prof. Dr. Mauro Mendes Braga
PRÓ-REITOR DE PESQUISA: Prof. Dr. Carlos Alberto Pereira Tavares
FACULDADE DE MEDICINA
DIRETOR: Prof. Dr. Francisco José Penna
VICE-DIRETOR: Prof. Dr. Tarcizo Afonso Nunes
DEPARTAMENTO DE CIRURGIA
CHEFE: Prof. Dr. Marcelo Eller Miranda
SUBCHEFE: Prof. Dr. Marco Túlio Costa Diniz
SECRETÁRIA: Sra. Evelin Alves Moreira
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA UFMG
DIRETOR: Prof. Drª. Tânia Mara Assis Lima
VICE-DIRETOR GERAL: Prof. Dr. Antônio Luiz Pinho Ribeiro
DIRETOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO: Prof. Dr. Henrique Vítor Leite
“Que história pode ser criada sem lágrima, sem canto, sem livro e sem reza?”
Mia Couto 1
4
Agradecimentos
Há muitos a quem agradecer, já que uma vida só é completa com a presença marcante de várias outras pessoas. Logo, agradeço a todos que, direta ou indiretamente,
colaboraram com a minha formação como ser humano e como profissional: a eles, meu
respeito e eterna gratidão!
Contudo, devo destacar particularmente algumas pessoas que de forma mais pujante fazem parte desta caminhada:
Aos meus pais, pela benção da minha existência;
Aos meus três homens, Mário, Marco Túlio e Gustavo, que tão pacientemente têm
vivido as minhas aventuras e desventuras, os meus sucessos e insucessos, as minhas longas ausências pelo trabalho, pelas viagens e, que devem estar a perguntar-se o que virá
a seguir... a eterna incógnita;
Ao Prof. Dr. Dan Linetzky Waitzberg, Professor Associado do Departamento de
Cirurgia da Universidade de São Paulo, que desde o momento em que nossas linhas se
cruzaram passou a ser grande incentivador da minha carreira científica e acadêmica,
além de grande amigo e parceiro em empreitadas científicas, educacionais, societárias e
sem deixar de mencionar as confraternizações entre amigos. Pelas suas mãos, ganhei o
meu maior presente científico: a oportunidade de desenvolver o Inquérito Brasileiro de
Avaliação Nutricional Hospitalar (Ibranutri), fonte de dados para meu mestrado, doutorado e algumas publicações, além de ter mudado a terapia nutricional no Brasil. Dan, o
meu reconhecimento é eterno;
Ao Prof. Dr. Alcino Lázaro da Silva, Professor Emérito do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, pelo estímulo que me levou ao Mestrado e
pela orientação segura na elaboração da Tese, além do convite para trabalhar no então
Instituto Mineiro de Oncologia, onde meus primeiros passos no tratamento de doentes
com câncer se deram. A semente germinou;
Ao Prof. Dr. Paulo Roberto Savassi-Rocha, Professor Titular do Departamento de
Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, que antes mesmo de meu ingresso como
professora da UFMG, acreditou em mim e concedeu-me a honra de coordenar o grupo de
Nutrição do Instituto Alfa de Gastroenterologia e, posteriormente, a Residência Médica
em Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas. Chefe: com você tenho aprendido muito, inclusive os mínimos detalhes expostos em sua palestra “Sobre homens e lobos: o desafio
de ser o cirurgião chefe”;
Ao Prof. Dr. Tarcizo Afonso Nunes, Professor Associado do Departamento de Cirurgia e Vice-Diretor da Faculdade de Medicina da UFMG, pela confiança depositada
5
em mim, enquanto meu primeiro chefe de departamento e, pelo apoio incondicional nos
tempos de sub-coordenadora do Colegiado/Centro de Graduação do curso de Medicina;
Ao Prof. Dr. Marco Antônio Gonçalves Rodrigues, Professor Associado do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG e atual Coordenador do
Projeto Recriar, pelos ensinamentos da vida universitária, destacando-se a orientação e
a avaliação durante meu estágio probatório. Ademais, sei que foi sua a iniciativa de me
indicar para a vice-coordenação na disciplina Clínica Cirúrgica. Acima de tudo, agradeço
por todos os momentos extra-institucionais, compartilhados aqui e em Pittsburgh. Afinal
nossa vida transcende o mundo universitário;
Ao Prof. Dr. André Luiz dos Santos Cabral, Professor Associado do Departamento
de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, companheiro dos tempos de Colegiado/Centro de Graduação do Curso de Medicina que acreditou em mim e convidoume a ser sub-coordenadora do Colegiado/Centro de Graduação, cargo que muito aprendizado me trouxe, apesar de todas as intempéries. O balanço final foi “valeu demais”;
À Profª. Jacqueline Isaura Alvarez-Leite, Professora Associada do Departamento
de Bioquímica da UFMG, que desde minha chegada a esta casa tem contribuído imensamente na condução da pesquisa básica e clínica, sendo presente nos momentos de desilusões e também de alegrias. Muito obrigada por esta parceria profícua;
Ao Prof. Dr. Valbert Nascimento Cardoso, Professor Associado do Departamento
de Análises Clínicas da Faculdade de Farmácia da UFMG, pelo convite para compartilhar
a pesquisa básica, em seu laboratório, o que tem gerado frutos tão preciosos. Que nossa
parceria não tenha limites;
Ao Prof. Dr. Francisco José Penna, Professor Titular do Departamento de Pediatria
e Diretor da Faculdade de Medicina da UFMG pelo sempre tão presente apoio durante os
tempos de sub-coordenação de Colegiado/Centro de Graduação, pela confiança em variadas situações e pelo carinho nos momentos difíceis;
Ao Prof. Dr. Edson Samesima Tatsuo, Professor Associado do Departamento de
Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Cirurgia e à Oftalmologia, pelo desempenho profissional
e zelo na administração universitária, em especial como coordenador do programa de
Pós-Graduação, estimulando-me a prosseguir com a pesquisa, mesmo quando as verbas
são praticamente inexistentes;
Aos Profs. Drs. Marcelo Eller Miranda e Marco Túlio Costa Diniz, Professores Associado e Adjunto do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG,
respectivamente pela dedicação e empenho nas atividades exercidas na Chefia do Departamento e pelo apoio no desempenho das atividades didáticas e administrativas;
6
Ao Prof. Dr. Agnaldo Soares Lima, Professor Adjunto do Departamento de Cirurgia
da Faculdade de Medicina da UFMG, que me abriu portas para desenvolvermos projetos
conjuntos no grupo de Transplante Hepático. Os frutos começaram a desabrochar;
Ao Prof. Dr. Rodrigo Gomes da Silva, Professor Adjunto do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, pela oportunidade em trabalhar com o Grupo de Coloproctologia e por estarmos sempre discutindo perspectivas para o futuro;
Ao Prof. Dr. José Maria Porcaro Salles, Professor Adjunto do Departamento de
Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, pela disponibilidade, tempo e atenção em
discutirmos projetos conjuntos no Grupo de Cabeça e Pescoço;
Às Profªs. Drªs. Cristina Duarte Lanna e Gilda Aparecida Ferreira, Professoras Adjuntas do Departamento do Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina da UFMG,
pela parceria assistencial e científica com o grupo de pacientes portadores de Lúpus;
À Profª. Drª. Kátia Euclydes de Lima e Borges, Professora Adjunta do Departamento
de Esportes da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG,
coordenadora do Laboratório do Movimento da Faculdade de Medicina da UFMG, pelos
sonhos e projetos compartilhados objetivando “o movimento constante”;
À Profª. Drª Soraya Rodrigues de Almeida, Professora Adjunta do Departamento
de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG pelo apoio e companheirismo no trabalho conjunto da Residência Médica e da Disciplina de Clínica Cirúrgica, além das nossas
“brilhantes futilidades femininas” do dia a dia, que só nós tão bem entendemos a necessidade;
Ao Prof. Dr. Antônio Carlos Ligocki Campos, Professor Titular do Departamento
de Cirurgia da Universidade Federal do Paraná, amigo, incentivador, companheiro de
inúmeras viagens, pelos ensinamentos e pela oportunidade de coordenar o Estudo Latino
Americano de Nutrição (ELAN);
Ao Prof. Dr. Jaime Escallon, Professor Associado da Universidade de Toronto, que
enquanto presidente da Federação Latino Americana de Nutrição Parenteral e Enteral
convidou-me a integrar o comitê educacional do curso de Terapia Nutricional Total, uma
das minhas grandes empreitadas educacionais;
Aos colegas do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG,
pelo trabalho diário em prol do ensino, da pesquisa e da extensão em nossa Instituição;
Aos colegas do Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da
UFMG, pelo companheirismo na labuta diária das atividades docente-assistenciais;
7
Aos meus estudantes de Pós-Graduação dos programas de Ciências de Alimentos
da Faculdade de Farmácia da UFMG e de Ciências Aplicadas à Cirurgia e à Oftalmologia
da Faculdade de Medicina da UFMG pela dedicação aos trabalhos de pesquisa e por sempre terem honrado nossos “acordos”. A vocês, devo muitas das publicações que tenho;
Aos médicos-residentes de Cirurgia Geral, de Cirurgia do Aparelho Digestivo, da
Coloproctologia, da Cirurgia de Cabeça e Pescoço e da Gastroenterologia do Hospital das
Clínicas da UFMG, pela colaboração e dedicação diária na assistência aos nossos pacientes;
Aos estudantes do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina da UFMG, pelo
sempre estímulo ao crescimento profissional e pelo incentivo à capacitação permanente e
dedicação como docente dessa Instituição;
À secretária do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG,
Sra. Evelin Alves Moreira e às funcionárias, Sras. Waldislene Zinatelli Alvarenga Silva,
Nízia Ferreira Leite de Paula e Alessandra Maria da Silva Gomes, pelo trabalho e amizade
durante esses últimos anos;
Aos funcionários do Instituto Alfa de Gastroenterologia e do Hospital das Clínicas
da UFMG, particularmente ao Corpo de Enfermagem pelo excelente atendimento prestado aos pacientes e a sempre disponibilidade em discutir novas condutas que possam
melhorar o cuidado aos pacientes;
Aos amigos presentes e ausentes, pela compreensão e pelo apoio muitas vezes silencioso;
E por fim, com toda a força da dádiva da minha existência, a Deus, Buda, Alá e
todas as divinidades, pela vida... tão boa e tão intensa.
“O que a memória ama fica eterno. Te amo
com a memória, imperecível.”
Adélia Prado2
8
lista de Figuras
Figura 1 - Artigo original advindo da minha dissertação de mestrado
35
Figura 2 - Artigo original advindo da minha tese de doutorado
38
Figura 3 - Artigo original advindo da minha tese de doutorado
38
Figura 4 - Número de artigos publicados e aceitos para publicação por ano
52
Figura 5 - Profs. Paulo Roberto Savassi-Rocha, Marco Antônio Gonçalves
Rodrigues e Maria Isabel Toulson Davisson Correia, no lançamento do
Livro “Fundamentos em Clínica Cirúrgica” 54
Figura 6 - Artigo original advindo da dissertação de Mestrado da estudante
Lívia Garcia Ferreira
59
Figura 7 - Artigo de revisão advindo da dissertação de mestrado da estudante
Lucilene Rezende Anastácio
60
Figura 8 - Ode à liberdade (1977)
73
9
lista de Tabelas
Tabela 1 - Relação dos trabalhos publicados disponíveis em versão
impressa e citados nas bases de dados Scopus, ISI e Google Acadêmico (n=21)
39
Tabela 2 - Disciplinas ministradas na Graduação, Pós-Graduação
(mestrado e/ou doutorado) da UFMG entre 2002 - 2009
42
Tabela 3 - Bolsistas de iniciação científica em orientação e orientados
43
Tabela 4 - Estudantes de Pós-Graduação em orientação e orientados
45
Tabela 5 - Quadro das atividades administrativas exercidas na
Faculdade de Medicina da UFMG 49
Tabela 6 - Participações em bancas: mestrado, doutorado,
qualificações e concursos públicos
51
Tabela 7 - Frequência de artigos publicados e aceitos para publicação,
qualis e fator de impacto (Total = 48)
53
Tabela 8 - Número de capítulos de livros publicados por ano e
editoras
55
Tabela 9 - Número de participações em mesas redondas, palestras e
apresentações de temas livres/pôsteres em eventos nacionais e
internacionais, por ano
57
Tabela 10 - Comprovante de recebimento de verba para a organização
do XIV Congresso Brasileiro de Nutrição Parenteral e Enteral
60
Tabela 11 - Comprovante de recebimento de verba para o IX Congresso
Brasileiro de Videocirurgia
60
Tabela 12 - Prêmios e títulos conquistados por ano
64
10
lista de abreviaturas e siglas
[AMB ] - Associação Médica Brasileira
[AMMG] - Associação Médica de Minas Gerais
[ATLS] - American Trauma Life Support
[CAPES] - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
[CFB] - Caminhos de Ferro de Benguela
[CNPq] - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
[Dr.] - Doutor
[Drª.] - Doutora
[Elan] - Estudo Latino Americano de Nutrição
[EUA] - Estados Unidos da América
[FAPEMIG] - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais
[FELANPE] - Federación Latinoamericana de Nutrición Parenteral y Enteral
[FUNDEP] - Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa
[GANEP] - Grupo de Apoio em Nutrição Parenteral e Enteral
[GPE/DMPS/UFMG] - Grupo de Pesquisa em Epidemiologia / Departamento de Medicina Preventiva e Social / Universidade Federal de Minas Gerais
[Ibranutri] - Inquérito Brasileiro de Avaliação Nutricional Hospitalar
[IMO] - Instituto Mineiro de Oncologia
[PID] - Programa de Iniciação à Docência
[PROF.] - Professor
[PROFª.] - Professora
11
[SBNPE] - Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral
[SOBRACIL] - Sociedade Brasileira de Videocirurgia
[UFMG] - Universidade Federal de Minas Gerais
[UFP] - Universidade Federal de Pernambuco
[USP] - Universidade de São Paulo
[TENEP] - Terapia Nutricional e Pesquisa
[TNT] - Terapia Nutricional Total
12
SUMÁRIO
Prólogo
17
1 – essencialmente subjetiva
20
1.1 - O dia de hoje
20
1.2 - Angola - onde e como tudo teve início
21
1.3 - Portugal – a transição para o novo mundo
23
1.4 - Brasil – o sonho de um futuro
23
1.5 - Escolha da profissão
23
1.6 - Medicina
24
1.7 - Cirurgia
26
1.8 - Nutrição
27
1.9 - Mestres
28
1.10 - Interesse científico
29
2 – baseada em evidências
31
2.1 - Trajetória como Médica e Professora Universitária
2.1.1 - Residência Médica
2.1.2 - Vida profissional
2.1.3 - Mestrado em Cirurgia
2.1.4 - Doutorado em Cirurgia do Aparelho Digestivo
2.1.4.1 - Ibranutri
2.1.5 - Concurso para professora adjunta
31
31
32
34
36
36
40
2.2 - Atividades Didáticas / Ensino e Orientação
2.2.1 - Graduação 2.2.2 - Disciplinas Optativas
2.2.3 - Iniciação científica
2.2.4 - Pós-Graduação stricto sensu e residência médica
40
40
42
42
44
13
2.3 - Atividades Administrativas
46
2.4 - Extensão
49
2.5 - Bancas de Concursos
50
2.6 - Produção Científica
2.6.1 - Artigos Publicados
2.6.2 - Livros e capítulos de livros
2.6.3 - Participação em eventos
52
52
53
55
2.7 - Grupos de Pesquisa
57
2.8 - Pós-Doutorado
58
2.9 - Auxílios/Verbas para Pesquisa e Eventos
58
2.10 - Colaborações Nacionais e Internacionais
61
2.11 - Homenagens e Prêmios
62
3 - VIDA SOCIETÁRIA
65
3.1 - Colégio Brasileiro de Cirurgiões
65
3.2 - Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral
65
3.3 - Federação Latino Americana de Nutrição Parenteral e Enteral 66
3.4 - Outras sociedades
67
4 - VIDA EXTRA-MEDICINA
68
4.1 - Esporte
68
4.2 - Gastronomia
69
14
5 - CONCLUSÕES E REFLEXÕES FINAIS
72
6 - Referências
74
7 - anexos
75
Anexo I
Anexo II
Anexo III
Anexo IV
Anexo V
Anexo VI
Anexo VII
Anexo VIII
Anexo IX
Anexo X
Anexo XI
Anexo XII
Anexo XIII
Anexo XIV
Anexo XV
Anexo XVI
75
78
79
80
81
82
83
84
85
86
87
88
89
91
93
94
15
“Não é preciso consenso
nem arte,
nem beleza ou idade:
a vida é sempre dentro
e agora.
(A vida é minha para ser ousada.)
A vida pode florescer
numa existência inteira.
Mas tem de ser buscada, tem de ser
conquistada.”
Lya Luft 3
16
Prólogo
O Memorial, um dos requisitos para o concurso de professor titular no Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG, conforme o artigo 29 da Resolução 15/96 do CEPE/UFMG, consiste na “exposição escrita de modo analítico e crítico
sobre as atividades desenvolvidas pelo candidato, contendo todos os aspectos significativos de sua trajetória profissional”. Desta forma, o Memorial é a narrativa da própria
experiência retomada de fatos importantes e marcantes que nos vêm à lembrança. Logo,
redigí-lo é um exercício sistemático e essencialmente subjetivo de relatar a própria história, revendo a trajetória não só acadêmica, mas também de vida, já que ambas são
inseparáveis. Este é um exercício de autoquestionamento, marcado pelo potencial viés
de memória, mas também pelo da subjetividade. De sorte que interpreto a redação deste
Memorial como sendo marcada inteiramente pelo desafio.
Desafio que, aliás, é característico do concurso para Professor Titular, em qualquer
instituição acadêmica. Em especial, ressalvo este para o Departamento de Cirurgia da
Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, pelo longo interstício
sem concursos e hoje, pelo potencial número de candidatos de altíssimo nível com quem
deverei disputar as vagas disponíveis. Assim sendo, este Memorial deverá assumir a capacidade de registrar, utilizando-se da minha subjetividade, o objetivo daquilo que se
pede: a apreciação unilateral da minha vida acadêmica, justificando o pleito ao cargo de
Professor Titular.
A utilização, ao longo de toda a narrativa, de “minha”, “meu” e “eu” poderão
despertar sentimentos que sugiram algum grau de individualismo nas ações e nos pensamentos que aqui são registrados. Contudo, sendo o Memorial a inferência do autor
sobre sua atuação universitária, docente, profissional e científica, manter a linguagem
na terceira pessoa do singular ou do plural poderia parecer artificial. De sorte que o uso
da primeira pessoa e dos pronomes possessivos foi opção consciente. Essa denotará a
interpretação unilateral e os meus pontos de vista sobre os fatos a serem relatados, não
necessariamente compartilhados da mesma forma pelas demais pessoas envolvidas direta
ou indiretamente. Assim, usarei sempre este estilo ao longo do Memorial. Por outro lado,
só sou o que sou porque grande número de pessoas tiveram e têm participação forte e
marcante na formação humanística da pessoa, da médica e da professora.
Esta narrativa inicia-se de antemão marcada pela máxima da epidemiologia: quem,
quando, como e por quê? Ou seja, a busca pelas respostas a essas perguntas far-me-á
percorrer o trajeto que me trouxe à realidade atual: porque quero eu candidatar-me ao
cargo de Professor Titular? Para isso, devo voltar ao passado, avaliar o que esse representa no presente e vislumbrar os desafios do futuro, mesmo conhecendo as limitações desse
curto interstício que é a minha vida na Universidade. Por outro lado, ao avaliar o perfil
definido pela Instituição, conforme a resolução nº. 11/2005, de 13 de dezembro de 2005,
17
do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFMG (anexo I) encontrei a justificativa
para tentar o concurso.
Minha trajetória acadêmica desde que cheguei à UFMG como professora tem sido
marcada, essencialmente, pela dedicação, integração, ética e alegria, onde o compromisso
maior com a Instituição é o ensino, a pesquisa e a extensão, sem deixar de lado a responsabilidade administrativa, sempre de forma interdisciplinar. Graduação, Pós-Graduação,
extensão e assistência médica fazem parte dessa rotina que já contribuiu com a formação
de vários médicos e alguns mestres, além de doutores em fase de formação e dos cuidados dedicados a inúmeros pacientes e familiares. Como registrar então tudo isto, sem
minimizar o que poderá ser relevante e sem exaltar o que poderá ser irrelevante? Tarefa
árdua...
Refleti longamente sobre como estruturar então este texto de forma organizada,
seqüencial, sem compartimentalizá-lo nas distintas áreas de atuação, de forma a espelhar
efetivamente quem sou eu e porque dei-me o direito de pleitear o cargo! Optei, ao invés
de começar por construir minha vida acadêmica, desconstruí-la. Ou seja, no meu caos
mental deste momento marcante, vou começar descrevendo o presente tão repleto de
emoções e inquietudes, fazendo o retorno ao passado que como diz Quintana4 “o passado
não reconhece o seu lugar: está sempre presente”, justificando assim os objetivos do Memorial que o fazem tão distinto do currículum vitae. Este, segundo Moraes5 é “o conjunto
de informações sobre as habilitações do indivíduo, apresentado de maneira seqüencial e sem
comentários, enquanto o Memorial é o relatório de informações do indivíduo apresentado
de maneira crítica”. Neste sentido, começarei a narrativa pelo essencialmente subjetivo
(parte I) e prosseguirei pela objetivo baseada em evidências (parte 2) já que o último é,
de fato, a razão deste Memorial.
18
“Deslumbrar como manda a palavra deveria ser cegar, retirar a luz. E afinal, era agora
um ofuscamento que eu pretendia. Essa alucinação que uma vez sentira, eu sabia, era
viciante como morfina. O amor é uma morfina. Podia ser comerciado em embalagens
sob o nome: Amorfina.”
Mia Couto 1
19
1 – essencialmente subjetiva
1.1 - O dia de hoje
Currículo lattes - Última atualização em: 26/11/2009
“Isabel Correia possui mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal de Minas
Gerais (1997) e doutorado em Medicina (Cirurgia do Aparelho Digestivo) pela Universidade de São Paulo (2000). Fez pós-doutorado na University of Pittsburgh Medical Center,
em 2008, com bolsa da CAPES. É professora adjunta de Cirurgia da Universidade Federal
de Minas Gerais. É orientadora plena do programa de Pós-Graduação em Ciências de
Alimentos da Faculdade de Farmácia da UFMG e do programa de Pós-Graduação em Medicina, área de Ciências Aplicadas à Cirurgia e à Oftalmologia, da Faculdade de Medicina
da UFMG. É editora latinoamericana da revista Nutrition, editora associada do Journal of
Parenteral and Enteral Nutrition, membro do conselho editorial das revistas Clinical Nutrition, Current Opinion in Metabolic and Nutrition Care, Revista Brasileira de Nutrição
Clínica, Revista Médica de Minas Gerais e revisora da Pontifícia Universidade Católica
de Campinas. Foi coordenadora do serviço de residência de Cirurgia Geral do Instituto
Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da UFMG, no período de Agosto de
2006 a Agosto de 2007. Foi mestre do capítulo de Minas Gerais do Colégio Brasileiro de
Cirurgiões na gestão de 2006/2007. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em
Cirurgia Geral e Nutrição, atuando principalmente nos seguintes temas: desnutrição, cirurgia e terapia nutricional, com enfoque especial em transplante hepático, câncer, lúpus
eritematoso sistêmico, metabolismo e nutrientes específicos como arginina, glutamina e
probióticos. Extra Medicina, tem como hobby principal a gastronomia, com título de
Pós-Graduação em “Haute Etude du Gout, de la Gastronomie et des Arts de la Table”
pela Universidade de Reims em conjunto com a Cordon Bleu (Paris), França (2008/2009).
Na área desportiva, é atleta master de natação!” (Certificado pelo autor em 26/11/09).
Nessas breves frases, disponíveis na introdução do meu currículo lattes, sumario
a Isabel de hoje, que pode ser encontrada também em distintos registros eletrônicos e
impressos sob vários outros nomes, algumas vezes até meio esdrúxulos, como Izabel
Tulun ou, somente, como Isabel Correia. Deram-me nome de rainha santa (D. Isabel de
Aragão, mãe do primeiro rei de Portugal, D. Afonso), mas como não nasci em berço real,
restou-me somente o nome grande e aristocrático, o que de certa maneira tem dificultado
aqueles que por mim procuram em bases de dados. Desde muito que sei o que é essa dificuldade, pois quando passei no vestibular, a maioria dos meus amigos evitou conversar
comigo logo que saíram os resultados, pois acreditaram que não tivesse passado, já que
não encontraram nenhuma “Izabel”. Mas afinal, quem sou eu realmente?
Fruto de 49 anos de vida muito intensa, marcada por mudanças radicais, muitos ga-
20
nhos e algumas perdas. Casada há 24 anos com um cirugião, Mário Ribeiro, que em muito
contribuiu na minha formação como cirurgiã. Mãe de dois filhos, Marco Túlio e Gustavo (o primeiro, quando tinha quatro anos, perguntou-me se não poderia ser uma “mãe
normal”, o que na sua concepção significava levá-lo sempre à escola, natação etc.), filha
do Sr. João e da D. Margarida, irmã do António Pedro, amiga de muitos e profissional
“atleta”. Além disso, como anteriormente descrito, profissional médica e professora. De
sorte, que faz-se necessário justificar então como aqui cheguei... desconstruindo vários
“nomes”, construindo a história de uma só pessoa “Isabel”!
1.2 - Angola - onde e como tudo teve início
Nasci no dia 27 de março de 1960, na linda e maravilhosa cidade do Lobito em
Angola. Meus pais, João Antônio Davisson Gomes Correia e Maria Margarida Toulson
Correia haviam se casado há exatamente um ano e 15 dias, quando na madrugada de um
sábado para domingo chego a este mundo. Meu pai, escriturário dos Caminhos de Ferro
de Benguela (CFB) e, minha mãe, secretária da diretoria de uma fábrica de cimentos, não
tinham exatamente planejado a chegada precoce de um filho, mas vim... talvez, desde
cedo marcada pela determinação que sempre pautou minha vida. Meus avós paternos
(Marco Túlio e Antónia) foram exatamente o que Antoine de Saint-Exupery6 escreveu
“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. Ambos foram marcantes e extremamente presentes no meu crescimento, já que minha mãe logo retornou ao trabalho (naquela época, licença maternidade
era algo inexistente). Fui criada num ambiente absolutamente heterogêneo, entre a masculinidade do meio pesqueiro e náutico, pelo ofício do meu avô que cuidava do píer do
clube do CFB e a feminilidade do corte e costura, profissão da minha avó. Foram aspectos
que profundamente marcaram minha infância. Desde pequena, fui conhecida como a garota que fazia inúmeras perguntas, que não parava de falar e que tinha o hábito de fazer
monólogos para platéias invisíveis. Fui apelidada pelos meus primos de “gralha”. Seria
já meu interesse pela pesquisa e pelo ensino? Algo registrado por Rubem Alves7 como “É
a curiosidade que nos faz fazer perguntas. É na curiosidade que o pensamento se inicia”.
Cheguei à escola primária, ao completar os seis anos de idade. Meu primeiro colégio foi o Luís de Camões, dirigido pela D. Estrela, a quem num quente domingo à tarde,
na varanda do clube do CFB, pedi-lhe que me aceitasse em sua escola, já que o ano há
muito havia se iniciado. No Luís de Camões fiz todo o meu ensino primário e, ao longo
dos quatro anos, fui aluna do “quadro de honra”. Essa rotina, aliada, mais tarde, à personalidade exigente de minha treinadora de natação, a japonesa Fumié Kobayashi, foram
responsáveis pela formação de auto-crítica extremamente rígida, considerando-me indigna de perdão nos momentos de falha. Afinal, tal como Fernando Pessoa8 declamava:
21
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem que é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Cor a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.”
Fiz o ensino médio na escola preparatória D. Afonso Henriques e a continuação no
Liceu Almirante Lopes Alves, instituições públicas onde praticamente todos os adolescentes do meu convívio estudaram. O desempenho acadêmico manteve-se sempre muito
bom. Mesmo em momentos de crise, como a perda do avô Marco, a vida atribulada de
uma atleta com treinos diários, em dois turnos e, as múltiplas viagens para disputar
campeonatos, assim como a chegada da adolescência não afetaram o desenvolvimento escolar. Nunca tive que submeter-me a nenhum exame, já que as notas alcançadas sempre
garantiram as dispensas do exame exigido ao equivalente da 6ª. série e, depois ao da 9ª.
A vida era bela demais, a liberdade tinha um gosto ingênuo e eu sonhava em ser Fernão
Capelo Gaivota9! Essa gaivota idealista dizia “Aqui será a areia fina...a falésia...onde, entre
vôos poisarei para descansar e meditar, depois voltar a voar entre o azul do mar e o azul
do céu”. E assim, foi o Lobito, minha linda cidade. Lá, à similaridade de Gaivota9 sempre
perguntei “Vocês querem voar tão grande a ponto de perder o bando, e aprender, e voltar a
eles um dia e trabalhar para ajudá-los a se conhecer?”
A realidade foi mais dura que a inocência desses primeiros anos de vida marcados
por sucessos acadêmicos e desportivos. A revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974,
marcou o início de um período duro, muito difícil, culminando no banho de sangue que
foi a guerra civil de Angola. Deixei de ser angolana, passei a ser portuguesa, perdi o país,
alguns amigos, os bens materiais, mas acima de tudo perdi a identidade. Virei cidadã do
mundo! Passei a não entender, o que até então não sabia, tal como Clarice Lispector10
escreveu “Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa
quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não
como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha,
como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que
de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos
entender que não entendo.”
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1.3 - Portugal – a transição para o novo mundo
A revoada de Angola, junho de 2005, levou-nos a Portugal, país completamente
despreparado para receber os “retornados”. Na verdade, de retornados nada tínhamos,
já que, na grande maioria, éramos nascidos em Angola. O hiato de ideologias e de realidades fez com que a vida nesse país, mesmo para adolescentes extrovertidos como eu, fosse
pautada por revoltas, manifestações e prisões. Não fomos bem recebidos! Não havia onde
trabalhar, mas havia que sobreviver e o dinheiro, esse não existia! A busca pela sobrevivência levou meus pais a tomarem a decisão de emigrar, já que a guerra em Angola não
dava sinais de melhorar e o país mergulhava cada vez mais no abismo. Austrália, Canadá
e Brasil foram as possibilidades.
1.4 - Brasil – o sonho de um futuro
Nove de abril de 1976, data em que cheguei ao Brasil, para encontrar meus pais
e irmão que aqui já estavam há cerca de dois meses. A realidade, então, foi conhecer e
viver no país que há muito existia no meu imaginário de infância e adolescente, pois em
Angola muito se mostrava e falava sobre o Brasil. Ao contrário do sonhado, o choque foi
grande, fruto daquela época ainda marcada pela ditadura e a pobreza. Essa última era
para mim desconhecida, ainda que viesse de um país de terceiro mundo. Para piorar a
situação, a admissão em um colégio público não foi possível e, acabei por ser matriculada
em colégio particular, o Promove. Cheguei no início do segundo bimestre, do segundo
ano do científico. Meus colegas viviam outros momentos: do samba, do futebol e das
conversas superficiais, ou seja, verdadeiro choque para quem era altamente politizada,
oriunda de uma revolução e de uma guerra civil. A decepção foi grande e a busca por
alternativas passou a ser um objetivo, fazendo com que voltasse às piscinas para alcançar
a integração com jovens da minha idade. Concomitantemente, busquei outras opções,
resultando no intercâmbio pelo American Field Service (AFS), destino a Aurora, subúrbio de Chicago, Illinois, Estados Unidos, para um programa de um ano (agosto de 1978
a julho de 1979).
1.5 - Escolha da profissão
Tenho que admitir, jamais, na minha infância e adolescência, sonhei em ser médica. Aliás, para todos os que me conheciam bem, esta seria a última das opções possíveis,
pois tinha pavor de sangue e não conseguia conviver com a doença do próximo, isto
para não falar da morte. Essa tinha-me sido apresentada pela primeira vez aos 12 anos de
idade, quando meu avô Marco Túlio nos deixou. A perda foi tão grande e tão dolorosa
que a morte passou a ser inimiga constante, presente em todos os meus sonhos. A guerra
só veio a piorar este sentimento!
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Na verdade, eu queria ser mesmo era advogada, seguir carreira diplomática, viajar pelo mundo, viver diferentes culturas e conhecer pessoas distintas com suas particularidades. Vivendo numa cidade portuária que recebia inúmeros navios de múltiplas
nacionalidades, sempre convivi com estrangeiros. Comunicava-me em francês e inglês,
que dominava suficientementemente nos primórdios da adolescência. Contudo, a perda
de meu país, os sentimentos negativos contra Portugal e a chegada ao Brasil, onde carreira diplomática só pode ser seguida por brasileiro nato, foram contra o sonho de longos
anos.
Talvez o destino possa ser “responsável” pela minha opção de ser médica. Sim
esse mesmo que segundo Pessoa dizia “o Destino é um infinito de poéticos desígnios”. Em
janeiro de 1998, fui paciente, tendo que submeter-me a tratamento cirúrgico. Internada em enfermaria com mais quatro outras pacientes, tive a certeza, no próprio dia da
admissão, que Medicina não seria realmente meu futuro. Contudo, três dias depois, ao
receber alta, já não compartilhava mais esse sentimento. Havia sobrevivido às dores das
minhas companheiras de quarto e à minha própria, além de ter-me beneficiado da insuperável ajuda de todas, cujos romances familiares eram tão distintos e peculiares. Será
que Medicina seria então a opção para lidar com gente e seus sentimentos? Faltava saber
se conseguiria superar o fantasma da morte. Precisava saber se corpos inertes e sem vida
não seriam óbice ao meu desejo de trabalhar com gente. Sob indicação do cirurgião que
me operou, Dr. Geraldo Magela, fui conhecer a sala da anatomia da Faculdade de Ciências
Médicas de Belo Horizonte. Novamente, quis o destino, que esse contato com a morte,
que era para ter sido feito sob acompanhamento de alguém, fosse solo! Esse dia permanece vívido em minha mente, pois ao sair dali consegui prosseguir com minha rotina
habitual, sem qualquer percalço. Havia tomado a decisão: iria fazer Medicina!
1.6 - Medicina
Em janeiro de 1978, prestei vestibular para Medicina na Universidade Federal de
Minas Gerais que, pela primeira vez, incluíu a prova de redação no processo seletivo.
Isso muito me alegrou, pois seria, a meu ver, um fator que me favoreceria, já que estava acostumada a dissertar e tinha grande dificuldade com provas de múltipla escolha.
Apesar da decisão pela Medicina, o medo de não ser aprovada, já que se tratava de vaga
altamente concorrida, e não tendo eu feito qualquer cursinho como a grande maioria dos
meus colegas, optei por candidatar-me também ao vestibular de Direito na Universidade
Católica (afinal, o desejo de uma vida inteira ainda falava dentro de mim). O resultado
deste último concurso veio primeiro, havia passado em quarto lugar! Tinha garantida
uma vaga na Universidade em Direito quando, no sábado de carnaval de 1978, fiquei a
saber que também havia passado em Medicina, e ao contrário dos foliões que pulavam e
sorriam, eu chorava sem razão aos olhos de todos. Contudo, para mim, ali estava a minha
realidade, tomar a decisão! Ou seja, teria que optar. Bem, o resultado já todos sabem: virei médica! Afinal, existia o desejo de trabalhar com gente diferente, de raças distintas,
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de credos múltiplos, de dores ambíguas e de diversas vontades. A realidade mostrou-me
também que o Brasil tinha vindo para ficar na minha vida! Porém, a grande decisão sobre
a escolha de ser médica tenha talvez sido impulsionada por particular aspecto familiar.
Conhecedora de que o sonho do meu pai havia sido ser médico, nunca tornado realidade
porque em Angola não havia Faculdade e a ida para Portugal foi impossível devido a
questões financeiras dos meus avós, a escolha por Medicina certamente muito lhe agradaria.
O ingresso na Faculdade de Medicina só ocorreu em agosto de 1979, pois como havia sido selecionada no programa de intercâmbio do AFS, optei por trancar a faculdade
por um ano, indo morar em Aurora, subúrbio de Chicago. Lá, voltei a cursar o equivalente ao último ano de terceiro grau e pude ter disciplinas distintas das que até então
havia freqüentado. A experiência com a minha família americana, os Ahrens, assim como
com a vida naquele país e com os muitos estudantes AFS do mundo todo que viviam na
região, em muito contribuíram para o meu futuro como pessoa. A experiência para mim
foi sublime e a volta ao Brasil, muito sofrida!
Em agosto de 1979, dei os primeiros passos rumo ao que sou hoje. Os anos de faculdade foram deliciosos, apesar da decepção dos dois primeiros em que não me sentia,
em hipótese alguma, como estudante de Medicina. Contudo, se por um lado, a Medicina
ainda parecia longe, nos anos de Instituto de Ciências Biológicas, o convívio com pessoas distintas foi presente não só na faculdade, mas também pelo fato de lecionar Inglês
em cursos de idiomas, como o Centro de Cultura Anglo Americana (CCAA) e depois, o
Number One.
Na verdade, minha vida como professora começou antes mesmo de ir para os Estados Unidos, ao lecionar inglês, no Only Way, curso particular de idiomas. Os anos como
professora do Number One, onde fiquei até à data da formatura da Medicina, foram extremamente importantes do ponto de vista acadêmico (ver anexo II). Lá aprendi a lidar com
hierarquias, com gente mais velha com os quais devia partilhar meus ensinamentos de
jovem professora e com adolescentes rebeldes que viam em mim um desafio a enfrentar.
Contudo, acima de qualquer outro aspecto, aprendi didática de ensino nos vários cursos
de formação oferecidos aos professores. Foram anos muito, mas muito bons!
Durante os seis anos de curso, mas principalmente nos quatro anos na Alfredo Balena, contei muito com a amizade e apoio dos meus colegas, mas em especial do meu grupo. Este era formado por Lúcia, Méia, Valéria, Rogerão, Marcelo e Renato, que sempre
atendiam os primeiros pacientes dos ambulatórios, ficando para mim a responsabilidade
dos demais. Só assim, eu podia continuar a dar aulas de inglês das sete às oito horas da
manhã e, mais tarde, depois das 17 horas. Guardo desse período memórias boas, mas que
voaram muito depressa. Essa amizade ficou gravada na música de Milton Nascimento11:
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“Amigo é coisa para se guardar, do lado esquerdo do peito,
Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar”
O título de médica foi-me auferido no dia 23 de julho de 1985, em meio a muitas celebrações e a alegria de ter comigo e minha família, os meus pais americanos, Ray e Edna
Ahrens, que vieram ao Brasil especialmente para essa data tão importante.
1.7 - Cirurgia
A opção pela Cirurgia desabrochou em algum momento que não me lembro exatamente quando e porque, mas foi precoce. Se sangue na infância e na adolescência haviam
sido problemas, agora já não eram mais. Tive grande oportunidade de assistir a operações neurológicas, ainda quando no 5º. período, com o Prof. Peter Joviano Coutinho, na
época namorado de grande amiga minha. A neurocirurgia pareceu-me opção fascinante,
pois a intimidade com o órgão que simbolizava ações e emoções caracterizava enorme
desafio. A desilusão com a neurocirurgia também veio rápida, afinal no pós-operatório
os pacientes demoravam a recuperar-se. Via com tristeza o sofrimento de pacientes e familiares pela volta à rotina de maneira independente.
A cirurgia cardiovascular passou a ser a opção, por influência de um cirugião alemão, Prof. Volmer... (não me recordo do sobrenome) para quem projetei slides e auxiliei
como intérprete no XVI Congresso da Associação Médica de Minas Gerais, em 1983, a
convite do Prof. José de Laurentys Medeiros. Instigada pela descoberta dos poderes do
sistema cardiocirculatório que me foram detalhadamente apresentados por ele, após o
congresso, comecei a freqüentar o bloco cirúrgico do Hospital das Clínicas. Pude então
ver o Prof. Cláudio Azevedo Salles a trabalhar com a máquina da vida: o coração. Porém,
logo percebi que, ou por haver sangue demais, ou pela repetição dos atos que havia assistido, cirurgia cardiovascular não era bem o meu futuro.
Em agosto de 1983, passei a acompanhar a equipe do Dr. Célio Nogueira, nos hospitais S. Lucas/Sta. Casa da Misericórdia de Belo Horizonte. A ida para essa equipe foi
motivada por um colega de outra faculdade, o Laurent, com quem tinha trabalhado no
congresso da AMMG. Laurent havia me dito que se eu quisesse aprender mesmo Cirurgia eu teria que, se possível, acompanhar integralmente um dos assistentes do Dr. Célio:
Mário Ribeiro. Não sei porque mas perguntei-lhe: ele é casado? E a resposta foi que sim,
era casado! Fui em frente, entrei na equipe, procurei acompanhar o Mário o máximo pos-
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sível e acabei por aprender tanta coisa... mas a vida apronta e é cada uma... no hilário da
história, até hoje sou casada com esse assistente, Mário Ribeiro e, assim já lá se vão quase
24 anos de vida a dois. A decisão pela cirurgia geral estava feita!
Após a formatura, por opção, não quis fazer residência em nenhum serviço que não
o do meu então futuro marido, ainda assistente do Dr. Célio Nogueira, mas já com serviço
próprio no Hospital Semper. Foi uma escolha feita em função da realidade do momento:
apaixonada, ia casar-me e, depois de já ter visto tantos cirurgiões operarem, considerava
o Mário o melhor de todos. Queria ser como ele!
A residência em cirurgia geral (curso de especialização) no Hospital Semper foi
concluída em julho de 1987 e, na seqüência, tornei-me assistente do Mário e assim, minha vida como cirurgiã foi desabrochando bastante longe da Faculdade de Medicina da
UFMG.
1.8 - Nutrição
Meu primeiro contato com a Nutrição foi durante a residência de Cirurgia, quando
passei três meses no então Serviço de Nutrição Parenteral da Santa Casa de Misericórdia
de Belo Horizonte, sob a coordenação do Dr. Faustino Teixeira Neto. Na época, a nutrição parenteral era invariavelmente indicada para todos os pacientes com complicações
cirúrgicas, a maioria da população de pacientes internados na unidade. Ao ler capítulos
sobre avaliação nutricional, que então abordavam a antropometria como a técnica padrão
ouro para diagnóstico nutricional, questionava a falta de aplicabilidade clínica na rotina
da unidade e da futura cirurgiã. Ao Dr. Mauro Kleber Sousa e Silva, assistente do Dr.
Faustino, com quem discutia a maioria dos casos, dizia-lhe que queria somente aprender
o importante para a formação do cirurgião. Contudo, quase no final da residência, tive
a oportunidade de passar dois meses no serviço de Cirurgia do Hospital das Clínicas da
Universidade de São Paulo, com o Prof. Joel Faintuch. Meu objetivo foi aprender nutrição sob a óptica do cirurgião. Conheci então o Prof. Dan L. Waitzberg que me levou para
assistir a uma conferência sua e a conhecer o seu serviço (Grupo de Apoio em Nutrição
Parenteral e Enteral – GANEP), no Hospital da Beneficência Portuguesa. Nasceu ali uma
grande amizade e afinal, acabei aprendendo muito mais!
Sempre tive um perfil “coordenador” e, no papel de assistente, confesso que em
muitas oportunidades me vi competindo com o Mário. À medida que eu aumentava meus
conhecimentos, ele se tornava mais experiente. Ao final da residência de cirurgia geral,
grávida de cinco meses do meu primeiro filho, vi-me face ao dilema: ser a eterna sombra
do meu marido, com quem havia aprendido cirurgia, por quem todos tinham admiração
e enorme respeito, ou partir para vôo solo em outra especialidade cirúrgica. Contudo, a
dificuldade de enfrentar nova residência com um filho para nascer pareceu-me difícil.
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Discuti a questão abertamente com o Mário dizendo-lhe que gostaria de ter algo “meu”
e não “nosso”. Falei então no campo nutrição, que muito me atraía. Ele concordou inclusive definindo que eu seria a coordenadora da equipe nesta área de atuação. A escolha
estava feita: nutrição seria a minha carreira solo! Ou seja, fiz minhas,as palavras de Cora
Coralina12:
“Andei pelos caminhos da vida.
Caminhei pelas ruas do Destino procurando meu signo.
Bati na porta da Fortuna,
mandou dizer que não podia atender.
Procurei a casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou
que ela tinha mudado
sem deixar novo endereço.
Procurei a morada da Fortaleza.
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,
perfumou-me os cabelos,
fez-me beber de seu vinho.
Acertei meu caminho.”
1.9 - Mestres
Menina Conceição, assim era chamada a minha primeira professora no primário,
deixou indeléveis marcas na minha formação na busca pelo correto e por estimular-me
sempre a alcançar o “quase” impossível. Padre Augusto, hoje capelão de um hospital de
doentes terminais em Lisboa, nas aulas de português já no Liceu Almirante Lopes Alves
primou para que a língua não fosse somente uma questão de fala e escrita, mas também
de interpretação de sentimentos, princípios e desejos. Que saudades!. Fumié Koboyashi
minha treinadora de natação dos 12 aos 15 anos, mostrou-me o que é ter determinação
e garra. Essencialmente, mostrou-me que superação se constrói com perdas e que só se
chega a qualquer fim, quando se luta incansavelmente. A filosofia oriental passou a ter
participação na minha vida!
Na faculdade de Medicina, alguns nomes ficaram marcados: Prof. Dr. João Gabriel
Marques Fonseca com quem aprendi muito, desde a ausculta de bulhas cardíacas escutando um gravador, até os princípios éticos e filosóficos desta maravilhosa profissão.
Profª. Drª. Valéria Maria Augusto, ainda tão jovem quando nos ensinou a arte de fazer
a anamnese bem feita e completa. Prof. Dr. Luciano Dantés de Paula que, no seu rigor e
na sua exigência, ensinou-me o gosto pelo que viria a ser minha opção de especialidade:
Cirurgia. A primeira operação e também a primeira perda de uma vida vieram por suas
mãos: tratou-se de criança com cerca de quatro anos vítima de peritonite purulenta difusa secundária a perfuração por Ascaris lumbricoides. O quadro pareceu-me dramático,
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mas a vontade de superar o infortúnio dos outros galgava a passos longos nas minhas entranhas. Nascia a vontade de agir mais ainda, de fazer acontecer, era o futuro da cirurgiã
aflorando. Prof. Dr. Marco Antonio Cabezas, vulgo Cabezitas, foi amigo, companheiro
de diversões e de várias histórias mui particulares que não cabem aqui descrever, pois
implicariam em falar de outros. Que Deus o tenha em boa companhia! Prof. Dr. José
Roberto Lambertucci, o gafanhoto-mor em meio a tantos gafanhotinhos, mostrou-me
como foi bom aprender a fazer diagnósticos. Prof. Dr. Petrônio Rabello Costa a quem, em
conjunto com a então residente Drª. Magda Bahia (hoje professora do Departamento de
Pediatria), tanto questionávamos para finalmente aprendermos muito de pediatria. Afinal, amávamos vê-lo falar e apresentar suas idéias. Petrônio foi tão marcante que virou
pediatra dos meus filhos quando estes chegaram para adicionar mais emoção à minha
vida. Prof. Dr. José de Freitas Teixeira Júnior e Dr. Antônio Luiz Coli com quem fiz internato de clínica médica, sendo a primeira turma a fazê-lo no Hospital Semper. Foi tão
boa a experiência, que já sabendo que queria fazer cirurgia, optei por repetir o internato
de clínica médica, na época opção permitida pela faculdade.
Dr. Célio Nogueira e o Mário foram mestres na verdadeira arte da cirurgia! Outros
cirurgiões, posteriormente, contribuíram para a minha formação profissional, como os
professores Alcino Lázaro da Silva e Paulo Roberto Savassi Rocha, estes em distintas fases, mas já nos primórdios dos meus passos em direção à vida acadêmica na UFMG.
1.10 - Interesse científico
O gene pelo espírito de investigar deve ter sido herdado, pois desde garota sempre
quis saber “porque” e observava atentamente as mudanças da natureza, tentando adivinhar, por exemplo, o que poderia estar por trás de um sol que “caía” no horizonte nos
finais de tarde do Lobito. As respostas simples não necessariamente atingiam o objetivo,
pois a sede por saber e por querer esgotar o argumento sempre me levaram a ler muito,
inclusive os livros considerados proibidos para a idade. Já era tarde quando meus pais
descobriam que estava a ler algo não necessariamente adequado! E claro, as perguntas só
mudavam o foco e a quantidade era geometricamente maior.
Sempre participei durante o ensino primário e secundário das feiras de ciências
já que a possibilidade de fazer experiências lá encontrava. Era um mundo de alquimia,
onde distintas soluções misturadas com solutos variados produziam as mais belas cores,
formas e, às vezes, odores não tão agradáveis. Mas era mágico! Assim como o é, hoje, fazer experiências gastronômicas na minha cozinha. Só que hoje, estas têm uma pitada de
quanto basta, vulgo “qb”, da minha imaginação profícua e do conhecimento alimentar.
Por outro lado, nos primórdios do curso de Medicina não tive essa curiosidade.
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Enquanto frequentei os laboratórios do Instituto de Ciências Biológicas, talvez pelo fato
de que não conseguia ver a associação entre “o batimento da asa da drosófila” com o impacto na doença, não me envolvi com nenhum grupo de pesquisa. Aliou-se a isso, o fato
de que meu tempo potencialmente livre esteve sempre ocupado em dar aulas de inglês.
O despertar pela ciência aflorou definitivamente em mim somente quando comecei
a freqüentar os primeiros congressos. Na verdade, o primeiro congresso, em julho de
1980, teve maior impacto na importância das relações interpessoais do que em ciência
propriamente dita, já que tratou-se do XII Encontro Científico dos Estudantes de Medicina, realizado em Curitiba. Nessa data, eu sequer conhecia bem o que era realmente
estudar Medicina. Em maio de 1983, participei pela primeira vez de evento cirúrgico organizado pelo conselho científico da AMMG e o Colégio Brasileiro de Cirurgiões. No entanto, foi durante o XIV Congresso da Associação Médica de Minas Gerais, em junho de
1983, que fascinei-me pela arte da ciência e do falar em público. Nesse evento, projetei
slides em distintas sessões, além ajudar na tradução para convidados estrangeiros, como
já citei anteriormente. A amizade com o Laurent, que me levou a trabalhar na equipe do
Dr. Célio Nogueira, foi fruto desse encontro e, marcou o destino da minha vida pessoal.
Na equipe do Dr. Célio Nogueira, o interesse pela pesquisa clínica foi estimulado,
por duas razões: a curiosidade científica e a paixão, não pela ciência, mas pelo meu futuro
marido. Assim, juntamente com ele, entre cartolinas brancas espalhadas pelo chão, repletas de rabiscos e informações de pacientes, ao longo de várias horas em fins de semana
e noite adentro, saíram as análises dos primeiros trabalhos do quais fui co-autora. Esses
foram apresentados no XXIX Congresso Brasileiro de Gastroenterologia e V Congresso
Brasileiro de Endoscopia Digestiva, em agosto de 1984 e intitularam-se: “Tratamento
cirúrgico de cistos pancreáticos: análise de 66 casos” e “Abscesso pancreático: análise
de 16 casos”. Meu interesse pelo estudo do pâncreas teve sem dúvida a influência de
um grande viés, já que a equipe era referência no estado, quiçá no Brasil, para doenças
pancreáticas.
O primeiro congresso do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, poucos dias após a minha
formatura foi a entrada triunfal no meu mundo de futura cirurgiã e eventual pesquisadora. O doutor Murray Brennam, do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Nova
York, foi para mim o exemplo a ser alcançado em algum momento da minha trajetória
profissional, com sua didática fantástica, postura encantadora e, abordando, além de
diversos outros assuntos, o pâncreas. Nesse congresso, fui co-autora do tema livre “Abscesso pancreático: análise de 18 casos”.
Em suma, os demais passos foram sendo galgados à medida que as oportunidades
foram aparecendo. Essas sempre agarrei com determinação e muita firmeza. Na próxima
sessão, descreverei a trajetória profissional na sua forma cronológica, contemplando cada
um desses capítulos de minha vida, agora baseados em evidências concretas não deixando de acrescentar uma pitada do subjetivo, obviamente.
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2 – Trajetória como Médica e Professora
Universitária
2.1.1 - Residência Médica
Em julho de 1985, comecei a residência médica no Hospital Semper, entidade privada, com cerca de 200 leitos, sob a coordenação do Dr. Mário Ribeiro, a quem já descrevi anteriormente. Os primeiros desafios cirúrgicos, barreiras percebidas como dificílimas
de serem transpostas, ficaram mais fáceis pelas mãos dos mentores, em especial do Mário.
O estágio de anestesia, importantíssimo para a compreensão da metabologia cirúrgica, foi
feito no Hospital São Lucas sob a orientação dos Drs. Jair de Oliveira e Marcos Leonardo
Rocha. O estágio de Terapia Intensiva foi realizado no Hospital das Clínicas da UFMG sob
a coordenação do Prof. Dr. Renato Almeida Magalhães e aumentou a minha percepção
sobre a extrema importância dos aspectos metabólicos. Foi também durante a residência
que passei pelo Serviço de Nutrição Parenteral da Santa Casa, já mencionado, onde a
consolidação sobre a relevância do metabolismo foi definitivamente incorporada ao meu
dicionário médico. O desejo de aumentar meus conhecimentos nesta área, na época somente dominada por médicos clínicos gerais, levou-me a buscar novos horizontes.
Pelas mãos do falecido Prof. Dr. Eduardo Botelho de Carvalho, da UFMG, por quem
tinha grande amizade e admiração, cheguei ao Hospital das Clínicas de São Paulo, para
estagiar com o Prof. Dr. Joel Faintuch. Fiquei dois meses e firmei minha idéia sobre a
importância do metabolismo no paciente cirúrgico e a relevância do tema no arsenal de
conhecimentos do cirurgião.
Ao término da residência, enfrentei-me com o desafio do que fazer para não ser a
eterna sombra daquele que era meu marido e tinha sido meu mentor profissional. Posição
extremamente difícil no contexto familiar, mas de suma importância para quem não sabia viver na dependência de ninguém. Afinal, meu sonho pela liberdade sempre existiu
e, é óbvio que o futuro seria espelhado no que já ocorria, ou seja, era a mulher do Mário. Grávida de cinco meses do meu primeiro filho, optei por não fazer nova residência
e dedicar-me ao estudo da nutrição de forma autodidata, por meio da literatura e indo a
congressos médicos.
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2.1.2 - Vida profissional
Terminada a residência, continuei a trabalhar no Hospital Semper na qualidade de
assistente, auxiliando o meu marido, dando plantões no ambulatório de urgência e operando pacientes próprios. No entanto, era mister ter meu próprio mundo e parti, então,
em busca de outro local de trabalho. Fui admitida como plantonista do pronto atendimento do Hospital de Sete Lagoas. Porém, esta experiência foi fugaz, somente um plantão
e meio. Ocorrreu que logo no primeiro dia de trabalho, iniciado à tarde, deparei-me com
a situação caótica do atendimento público, sem a mínima condição de ofertar adequada
assistência aos pacientes. Faltavam recursos humanos e técnicos, a situação de trabalho
era péssima e para culminar, eu realmente não estava acostumada a tal realidade. Voltei
para casa absolutamente frustrada e questionando-me muito sobre o verdadeiro sentido
daquele emprego. No segundo dia de plantão, atendi um paciente com clínica de pancreatite aguda grave. Porém, quando tentei estabelecer o diagnóstico, não consegui sequer
mensurar os níveis de amilase, pois o exame não era disponível. Trabalhar era importante, o dinheiro mais ainda, mas o risco de envolver-me em situação ético/legal pareceu-me
ser grande e não justificaria em hipótese alguma a manutenção do cargo. Prontamente,
procurei o Secretário de Saúde local, que havia-me dado o emprego e comuniquei-lhe a
decisão de não manter o cargo a partir desse dia.
Em função do tempo livre, típico de quem engatinha na profissão, prontifiquei-me
a trabalhar como médica voluntária do serviço de nutrição da Santa Casa da Misericórdia
de Belo Horizonte, no qual, durante a residência havia tido o primeiro contato com a especialidade. Sob a coordenação do Dr. Faustino Teixeira Neto e do assistente Dr. Mauro
Kleber Sousa e Silva, pude aumentar os meus conhecimentos nessa área e concretizar a
idéia de que essa seria, certamente, a opção profissional em que poderia investir minha
trajetória individual.
A oportunidade de montar equipe de terapia nutricional em conjunto com o Dr.
Mauro Kleber Sousa e Silva e uma ex-residente de clínica médica do Hospital Semper
(Drª. Débora Simões Félix) surgiu em meados de 1990, motivo pelo qual, desliguei-me da
Santa Casa. Minha vida estava novamente totalmente centrada no mesmo hospital onde
meu marido era presente cem por cento. Por isso, quando em 1992 fui convidada pelo
Prof. Dr. Alcino Lázaro da Silva para ir para o IMO, prontamente aceitei o desafio.
Iniciar o serviço de Terapia Nutricional em hospital de referência em câncer foi sem
dúvida um dos projetos mais ambiciosos que assumi. Nessa época, a terapia nutricional
ainda era vista pela maioria dos colegas médicos como “umas sopinhas bem batidinhas” a
serem administradas por cateteres. A cúpula administrativa também não entendia a real
necessidade de alocar profissionais nutricionistas e enfermeiros especificamente para a
equipe. Tive que sozinha assumir a posição assistencial, administrativa e educacional,
pois o estágio na nutrição passou a ser obrigatório para alguns programas de residência.
Estava feliz, tinha algo somente meu! Contudo, o trabalho foi tão intenso, que grávida do
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meu filho Gustavo, ainda no sexto mês, tive que ficar de repouso absoluto, na cama, em
decorrência do literal corre-corre físico, levando-me a ter contrações freqüentes e fortes.
Contudo, a saída do Prof. Dr. Alcino da diretoria clínica, fez-me a colocar o cargo à disposição, uma vez, que havia sido conduzida ao mesmo por seu convite. Assim, deixei o
IMO em meados de julho de 1993.
A chegada do segundo filho em nada diminuiu meu ritmo de trabalho, pois nessa
época já havia iniciado o mestrado. Contudo, de novo, voltei a centrar as minhas atividades no Hospital Semper. Assim, mantive-me até 2000, quando fui novamente convidada
para assumir a equipe de terapia nutricional da Associação Mário Penna, antigo IMO.
Nesta nova empreitada, tive comigo os colegas Léo Cirino de Mattos e Eduardo Cabral
Bittencourt, criando a Terapia Nutricional e Pesquisa (TENEP). Vivia-se então a obrigatoriedade legal imposta pela Secretaria de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde
do Brasil, de formalmente constituir-se a equipe, com base nas portarias 272 e 337. Foi
muito bom voltar aos Hospitais Luxemburgo e Mário Penna. Sempre me senti bem nesses
locais, mas acima de tudo, tive a oportunidade de trabalhar com pacientes portadores de
câncer e, nesses hospitais, pude desenvolver o meu mundo profissional totalmente independente do meu marido. A atração por tratar enfermos com câncer deve ser consequência do estigma imposto aos pacientes e pela dificuldade que sempre enfrentei quando da
necessidade de compartilhar tal diagnóstico. Nesse aspecto, muitas vezes vi-me obrigada
a ocultar o mesmo, por imposição ou pedido dos familiares. Assim, sempre almejei poder
trabalhar em prol da mudança desse comportamento, já que exercer a profissão sob bases
de uma relação médico-paciente na qual a verdade não é totalmente presente, sempre foi
algo que muito me perturbou.
A instituição Mário Penna e a TENEP serão eternamente presentes e meus laços
foram mantidos mesmo quando assumi a posição de professora da UFMG, já que isso me
foi permitido via residência e pesquisa. No período que fui coordenadora da residência
de cirurgia do Hospital das Clínicas da UFMG fui ainda mais presente, já que um dos
estágios dessa é feito no Hospital Mário Penna. Hoje, tenho projetos de pesquisa de estudantes da Pós-Graduação conduzindo estudos na instituição.
Além de profissional médica, desde sempre estive envolvida com a vida acadêmica.
No Hospital Semper, contribuí com a organização do programa de residência médica e
fui durante vários anos sub-coordenadora do mesmo. Além disso, na Associação Mário
Penna, os médicos dos programas de clínica médica, cirurgia e cardiologia passam obrigatoriamente por estágio na terapia nutricional. De sorte, que ao longo desses muitos
anos fora da vida universitária tive contato com vários profissionais em formação, contribuindo com o ensino à beira do leito e também proferindo palestras e cursos. Contudo,
meu ideal sempre foi a carreira universitária, e para tal, devagarzinho, de passo em passo, concomitantemente à vida assistencial, fui-me preparando-me para lá chegar.
33
2.1.3 - Mestrado em Cirurgia
Há muito que namorava a possibilidade de fazer mestrado, mas a existência de vida
profissional intensa, fruto da realidade de jovem cirurgiã e das demandas familiares, fez
com que não pensasse tão cedo em levar adiante tal idéia. Além do mais, temia pelo fato
de que por há muitos anos não ter contato com os professores da Faculdade de Medicina
da UFMG, não conseguisse ser aprovada no concurso, o que de fato ocorreu na minha
primeira tentativa, não me recordo em que ano.
A oportunidade surgiu novamente, em abril de 1989, quando da primeira viagem
para proferir palestra na cidade de Teófilo Otoni, nordeste de Minas Gerais. Num avião
Bandeirantes, balançando mais do que qualquer gôndola, no meio do pânico da situação
e na tentativa de minimizar a “resposta orgânica a esse trauma”, enveredei por conversa
sobre o tema com o Prof. Dr. Alcino Lázaro da Silva, também convidado para o evento.
Contudo, ponderei sobre o momento profissional em que me encontrava, onde a necessidade econômica demandava a minha entrega total às atividades assistenciais, além dos
cuidados ao meu filho, então, ainda com dois anos. Assim, a entrada no programa de
mestrado em Cirurgia só veio, de fato, a ocorrer no início de 1993.
Tive como orientador o Prof. Alcino e a proposta inicial do trabalho de pesquisa foi
a correlação do estado nutricional de pacientes com megacólon chagásico e a ocorrência
de translocação bacteriana. Não preciso usar muitas palavras para afirmar que esse projeto foi a primeira grande decepção com a pesquisa clínica. Por outro lado, foi o maior
aprendizado sobre os princípios básicos de qualquer estudo clínico, ou seja, a pesquisa é
viável do ponto de vista financeiro e de execução? Claro que não era, não havia dinheiro
para fazer as culturas dos linfonodos mesentéricos. Ainda assim, enchi-me de coragem e
fui bater à porta do laboratório do Humberto Abrão. Muito solícito, ele se dispôs a fazer
as culturas a preço de custo, o que muito facilitaria a execução do trabalho, já que seria
acessível às minhas posses. Até então, não me havia ainda apercebido que a empreitada
não dependeria somente da minha vontade e disponibilidade, nem tampouco da questão financeira. A logística de selecionar pacientes, acompanhar os mesmos e ir ao bloco
cirúrgico coletar os linfonodos logo após a laparotomia não me assustava. Mas sabia que
dependia dos cirurgiões responsáveis para ser informada da existência do paciente, do
horário da operação, mas mais ainda, da disponibilidade e da vontade do cirurgião em
dissecar os linfonodos mesentéricos antes de iniciar a ressecção colônica. Bem, acredito
que já saibam o que ocorreu... o piloto nunca deixou de ser piloto e, após dois anos de
infrutíferas tentativas em melhorar a captação de dados, quando deveria estar a apresentar a minha defesa, a decisão: este projeto não vai sair!
Foi época muito frustrante. Tive vontade de desistir de tudo e de deixar para lá
a idéia acadêmica, afinal a vida profissional ia tão bem. O consultório estava cheio, no
hospital a terapia nutricional começava a ganhar espaço, pelas mãos do Prof. Alcino, que
agora coordenava o serviço de nutrição do IMO e, continuava a ser a assistente do Mário.
34
Nesse interim, chegou o Gustavo, meu filho mais novo, que veio de mansinho, sem que
ninguém esperasse por ele. Afinal, eu tinha o diagnóstico de não mais poder engravidar
e, além do mais, tinha acabado de sair de dois anos e meio de hepatite por vírus B, crônica ativa, com boa resposta ao interferon gama, com cura total. Contudo, outro filho já
não estava em meu rol de prioridades e foi, passado o susto inicial, realmente grande e
maravilhosa suspresa.
Nunca fui de desistir de nada, não seria agora, portanto. O sentimento que me deu
ânimo a prosseguir e que, até hoje, tenho incorporado no meu manual de vida é similar à
frase de Shakespeare13 “As grandes quedas são o prelúdio das grandes ascensões e os grandes erros são o prelúdio, também, dos grandes acertos”, corroborado pela idéia de Rubem
Alves7 de que “As pessoas que cometem erros são também aquelas que produzem acertos“.
Com isso em mente segui adiante, porém a dúvida foi o que fazer sem recursos e com
todas as realidades vividas nesse momento.
Sorte ou destino, o certo é que o Ibranutri estava na mente do Prof. Dr. Dan L.
Waitzberg, então presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral. De
imediato, ofereceu-me para desenvolver o projeto, coordenar a execução e usar os dados
para o mestrado e doutorado. Nem titubeei, agarraria essa oportunidade com todas as
minhas forças. De sorte que em, 25 de Novembro de 1997, terminaria então o mestrado
com o trabalho intitulado “Avaliação do estado nutricional em pacientes com afeções do
aparelho digestivo e hérnias de parede abdominal”. Compuseram a banca de mestrado,
os professores doutores Alcino Lázaro da Silva (orientador), Antônio Carlos Ligocki Campos, da Universidade Federal do Paraná e Joel Faintuch, Universidade de S. Paulo. Fui
05_Risk_factors 25/10/01 12:43 Página 59
aprovada com louvor!
O trabalho de mestrado gerou a publicação:
Nutr. Hosp. (2001) XVI (2) 59-64
ISSN 0212-1611 • CODEN NUHOEQ
S.V.R. 318
Original
Risk factors for malnutrition in patients undergoing gastroenterological
and hernia surgery: an analysis of 374 patients
M. Isabel T. D. Correia, M. D.* Waleska T. Caiaffa, M. D.** Alcino Lázaro da Silva, M. D.***
Dan L. Waitzberg, M. D.****
* Hospital Associaçao dos Amigos do Mário Penna, Belo Horizonte, Minas Gerais; Medical School: ** Department of Social
Preventive Medicine, Federal University of Minas Gerais Medical School; *** Department of Surgery, Federal University of
Minas Gerais Medical School; **** Department of Surgery, University of São Paulo Medical School, Brasil
Figura 1 - Artigo original advindo da minha dissertação de mestrado.
Abstract
Objective: The aim of this study was to assess the nutritional status of 374 surgical patients with gastrointestinal disease and hernias of the abdominal wall; to identify risk factors associated with a poorer nutritional
status in this group of patients and to assess awareness
of the patient’s nutritional status by medical teams.
Summary Background Data: Malnutrition is prevalent among surgical patients and is associated with higher surgical complication rates and mortality. The major causes of poor nutritional status are related to the
underlying disease, socio-economic factors, age, and
length of hospitalization. Despite its high prevalence,
FACTORES DE RIESGO DE DESNUTRICIÓN EN
PACIENTES SOMETIDOS A INTERVENCIONES
QUIRÚRGICAS GASTROENTEROLÓGICAS Y DE
HERNIAS: ANÁLISIS DE 374 PACIENTES
Resumen
Objetivo: La finalidad de este estudio fue evaluar el
35
estado de nutrición de 374 pacientes operados de enfermedades digestivas y hernias de la pared abdominal,
identificar los factores de riesgo asociados con un deficiente estado de nutrición en este grupo de enfermos y
examinar si los equipos de médicos son conscientes del
estado de nutrición de sus pacientes.
Información básica resumida: La desnutrición es preva-
2.1.4 - Doutorado em Cirurgia do Aparelho Digestivo
A possibilidade de fazer doutorado na Universidade de São Paulo, sob a orientação
do Prof. Dr. Dan L. Waitzberg, já havia sido proposta antes mesmo de terminar o mestrado. Assim, submeti-me ao exame de seleção dias depois de ter defendido o mestrado,
tendo sido aprovada. Comecei essa etapa em março de 1998, tendo praticamente quase
todos os dados coletados para o desenvolvimento do projeto. Logo, em 22 de fevereiro
de 2001, apresentei a defesa do doutorado com o trabalho “Repercussões da desnutrição
sobre a morbi-mortalidade e custos, em pacientes hospitalizados no Brasil”. A banca
composta pelos professores doutores Dan L. Waitzberg (USP), Antônio Carlos Ligocki
Campos (UFPR), Paulo Roberto Savassi Rocha (UFMG), Bruno Zilberstein (USP) e Joel
Faintuch (USP) aprovou-me com louvor. Esse foi um dos momentos muito emocionantes
da minha vida, onde expressei toda a minha gratidão a quem tinha-me dado de presente
esse projeto tão ambicioso e impactante, Prof.Dr.Dan L.Waitzberg que merece um capítulo inteiro neste Memorial.
2.1.4.1 - Ibranutri
A desnutrição, há vários anos, vinha sendo associada, de acordo com a literatura
mundial, com morbimortalidade aumentada, além de tempo de internação prolongado e
custos expressivos14-16. No Brasil, algumas séries de dados já apontavam para problema
similar17, 18, contudo não englobavam número de pacientes suficiente que fosse contundente para mudar a política do Ministério da Saúde em relação à terapia nutricional.
Nesse sentido, a diretoria da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, sob
a presidência do Prof. Dr. Dan L. Waitzberg, decide por unanimidade conduzir estudo
multicêntrico em hospitais públicos, privados e filantrópicos para mensurar a real situação da desnutrição no Brasil. Na época, eu era responsável pelo Comitê de Defesa Profissional da SBNPE. Fui indicada para conduzir a pesquisa.
A empreitada do projeto seria enorme, já que deveríamos englobar grande número de pacientes, em distintas cidades brasileiras e vários hospitais. O primeiro problema
seria determinar o tamanho de amostra, algo que para uma cirurgiã, que nunca tinha feito nenhum estudo epidemiológico, parecia ser missão impossível. Por essa razão, procurei a Profª. Drª. Waleska Teixeira Caiaffa, atualmente professora titular do Departamento
de Medicina Preventiva e Social da UFMG e pedi-lhe que me ajudasse. Começou aqui o
processo de transformação da mente objetiva, direta e concreta da cirurgiã, para a abstração dos números e divagações da epidemiologia. Foram dias, meses e anos trabalhando
com banco de dados com quatro mil pacientes e mais de 100 variáveis. Se o computador
em muito facilitou a vida, houve momentos de desespero em que a vontade foi agredir
o pobre coitado quando as análises não batiam ou os vírus apagavam tudo. A professora
Waleska, agora já na posição de co-orientadora do meu mestrado, muito calmamente
conduziu esse processo e soube fazer da cirurgiã, a aprendiz de epidemiologia. Do de-
36
sespero ao sucesso, tênue linha marcou os anos de trabalho do Ibranutri, em que a vida
diária de consultório, hospitais e casa não puderam parar. Aliás, todo o processo só foi
viável porque muitas pessoas colaboraram direta e intensamente em todas as etapas. Não
poderia deixar de destacar a estreita colaboração das equipes que auxiliaram na coleta de
dados, após ter treinado pessoalmente todos participantes.
O piloto do Ibranutri foi feito em Belo Horizonte e, após as análises dos dados foi
disparado o processo, com início em Salvador, onde cheguei na quarta-feira de cinzas do
ano de 1996. Enquanto Salvador da Bahia ainda despedia-se dos dias de folia, eu chegava para treinar os voluntários que iriam participar do estudo. De Salvador para Maceió,
Recife, Natal, Fortaleza, Belém e Brasília foram quase 15 dias a viajar. É óbvio que do
ponto de vista familiar, com dois filhos pequenos e um marido muito atarefado, isso só
foi possível porque meus pais e a minha falecida avó Adelaide estiveram imensamente
presentes por todo o tempo. Breve intervalo de dias, em Belo Horizonte, separou essa primeira fase da segunda etapa de treinamento que durou cerca de dez dias. Essa englobou
as equipes de Porto Alegre/Pelotas, Curitiba, São Paulo, Vitória e Rio de Janeiro.
Os dados começaram a chegar a Belo Horizonte em abril de 1996, foram conferidos na totalidade por mim, e semanalmente, eu mesma digitei-os no banco de dados. As
análises começaram a ser feitas de imediato, possibilitando a primeira apresentação de
resultados preliminares no Congresso Americano de Nutrição Parenteral e Enteral, em
janeiro de 1997, na cidade de São Franciso. A apresentação do mesmo resultou no prêmio
de melhor trabalho da sessão Ibero Latino Americana do congresso (anexo III).
Contudo, a maior vitória alcançada pelos resultados do Ibranutri foi na área político assistencial. Logo após a defesa do doutorado, quando os resultados foram tornados
públicos, a imprensa escrita (anexo IV) e a rede Globo de televisão dedicaram ampla
divulgação ao tema. Concomitantemente, várias reuniões no Ministério da Saúde, alertando para o problema e discutindo alternativas, foram ocorrendo. Isso resultou nas
publicações das portarias da Secretaria de Vigilância Sanitária 272, de 8 de abril de 1998
e, a 337 de 14 de abril de 1999. Porém, foi especificamente na portaria conjunta SE/SAS
nº. 38 de 29 de setembro de 1999 que o impacto desse estudo, na prática da terapia nutricional no Brasil, foi historicamente registrado (anexo V).
O Ibranutri permitiu-me ter dados para desenvolver o mestrado e o doutorado,
publicar trabalhos em revistas científicas referendadas por vários artigos da literatura
internacional (figuras 2 e 3 e tabela 1) e gerar as portarias do Ministério da Saúde.
37
APPLIED NUTRITIONAL INVESTIGATION
Hospital Malnutrition: The Brazilian National
Survey (IBRANUTRI): A Study of 4000 Patients
Dan L. Waitzberg, MD, Waleska T. Caiaffa, MD, and M. Isabel T. D. Correia, MD
From the Department of Gastroenterology, University of São Paulo Medical School, São
Paulo, Brazil; the Department of Social and Preventive Medicine, University Federal of
Minas Gerais Medical School, Belo Horizonte, Brazil; and the Hospitals Semper and
Luxemburgo, Belo Horizonte, Brazil
OBJECTIVE: We assessed nutrition status and prevalence of malnutrition in hospital patients as determined
by the Subjective Global Assessment Form, awareness of patients’ nutrition status by health teams, and
the use of nutrition therapy.
METHODS: We enrolled 4000 hospital patients at least 18 y old who were covered by the Brazilian public
health care system in a cross-sectional, multicenter epidemiologic study. We used Student’s t and
chi-square tests for univariate and multiple logistic regression analyses.
RESULTS: Malnutrition was present in 48.1% of patients and severe malnutrition was present in 12.5%
of patients. The prevalence of malnutrition was higher in the northern and northeastern regions of Brazil,
where per-capita income is lower. Malnutrition correlated with primary diagnosis at admission, age (60
y), presence of cancer or infection, and longer hospital stay (P � 0.05). Fewer than 18.8% of patients’
records contained information on nutrition-related issues. Nutrition therapy was used in 7.3% of patients
(6.1% enteral nutrition and 1.2% parenteral nutrition).
CONCLUSIONS: The prevalence of malnutrition in hospitalized patients in Brazil is high, physician
awareness of malnutrition is low, and nutrition therapy is underprescribed. Nutrition 2001;17:573–580.
©Elsevier Science Inc. 2001
KEY WORDS: nutrition assessment, malnutrition, nutrition awareness, cost benefit
Figura 2 - Artigo original advindo da minha tese de doutorado
INTRODUCTION
ment (IBRANUTRI) study was designed to provide missing information regarding the nutrition status of hospitalized patients
covered by the Brazilian public health care system (SUS). Specifically, the prevalence of malnutrition, awareness of nutrition status
in hospitalized patients, and the use of nutrition therapy were
assessed. The Brazilian Society of Parenteral and Enteral Nutrition
(SBPNE) performed this study to promote awareness of malnutrition and initiated a general call for action in the health care system.
The IBRANUTRI is the largest study of nutrition status in hospitalized patients conducted to date in Brazil, a country with many
dietitians.
Clinical Nutrition
22(3): 235–239
Malnutrition
in (2003)
hospitalized
patients is a critical issue and has
r 2003
Elsevier Science
All rights reserved.
been
associated
withLtd.
a significant
increase in morbidity and
doi:10.1016/S0261-5614(02)00215-7
mortality.1– 4 Worldwide studies have indicated that between 30%
and 50% of hospitalized patients have some degree of malnutri5 In Brazil, the compromised nutrition status of patients, in
tion.
ORIGINAL
ARTICLE
particular those recovering from gastrointestinal surgery, has been
reported frequently.6 –9
Malnutrition in hospitalized patients generally is related to a
high rate of infectious complications and increased mortality
rates.10 –13 Complications secondary to malnutrition directly increase length of stay and hospital costs and indirectly affect the
cost of patient rehabilitation.14 The total impact of hospital malSUBJECTS AND METHODS
nutrition on social and health care costs is multifactorial and
generally underestimated.
The IBRANUTRI was a multicenter, cross-sectional, epidemioy
M.In
ISABEL
D. CORREIA,*
DAN L.WAITZBERG
the pastT. 30
y, several methods
and techniques for nutrition
logic study covering 12 Brazilian states and the Federal District.
15–19
20
–23
y
assessment
enteral
and parenteral
therapies
have been
study
wasBrazil,
carried
out over 6ofmo,
from May 1 to
*Department of and
Surgery,
Faculdade
de Medicina
da, Universidade
Federal deThe
Minas
Gerais,
Department
Gastroenterology
� October 30,
developed.
However,
despite
the availability
of these
diagnosticde Sa�o1996.
hospitalized
SUS patients
were
Digestive Surgery
Discipline,
Faculdade
de Medicina
da, Universidade
Paulo,Four
Brazilthousand
(Correspondence
to: MITDC,
Department
of included in
and
therapeutic
tools,
hospitalda,malnutrition
to be Geris,
as Ruathis
study.
is responsible
forHorizonte,
the health
of 80% of the
Surgery,
Faculdade
de Medicina
Universidade continues
Federal de Minas
Gonc
� alves SUS
Dias 332
apt. 602 Belo
MGcare
30140prevalent
Brazilian population. The average hospital admission rate for SUS
090, Brazil)as it was 25 y ago.3–5,24
The Brazilian National Survey on Hospital Nutritional Assesspatients included in the study was estimated to be 15 million per
year.25 Sample size was calculated by assuming a 50% prevalence
6,10,24
Abstract�Malnutrition has been identi¢ed as a¡ecting patient outcome.
purpose of
this–28
study
was to
correlate
the
rate ofThe
malnutrition,
a 0.05%
level
of significance,
90%
26 andof
nutritional status of hospitalized patients with their morbidity, mortality,
hospital
stay and rate.
costs. The patients
power,length
a 20%
missing-data
This
was supported
by an within
educational
from
Internawerestudy
nutritionally
assessed
the grant
¢rst 72
h Abbott
of hospital
admission.Hospitals
The patients’
wereinsurveyed
inciwerecharts
included
the studyonif the
they
were general
tional
grant FAPESP 98/01870-7
from Hospital
the Foundation
to Support
denceand
of complications
and mortality.
costs were
calculatedhospitals,
based onadmitted
economic
tables
usedhad
by insurance
comSUS
patients,
at least 200
beds, and had
Research
the State of Sao
Paulo, regression
Brazil.
hospital administrations
ethical
committees
that could give
panies. inMultivariate
logistic
analysis and the Cox regression
model were and
used
to identify
possible
consent to participate. Twenty-five hospitals widely distributed
confounding
factors.
A
Po0.05
signi¢cant.
Correspondence to: Dan L. Waitzberg, was
MD, considered
Department ofstatistically
Gastroenterolover 12 states
and the Federal
District
met the inclusion
criteria
mean age
was
50.6717.3
years with
50.2%Cardim
being 1175,
male.The incidence
of complications
in the
malnourished
was
ogy,The
University
of São
Paulo
Medical School,
R. Maestro
and were
used asvsstudy
27.0%
[Relative
risk (RR)=1.60].
Mortality
in the malnourished patients
was 12.4%
4.7%sites.
in the well nourished (RR =
São
Paulo,
SP, 01323.001,
Brazil. E-mail:
[email protected]
Sixteen research
consisting of
120 interviewers,
were
2.63). Malnourished patients stayed in the hospital for 16.7724.5 days vs10.171
1.7 daysteams,
in the nourished.
Hospital
costs
formed. Each of the 25 hospitals had a research team. Each
Date
accepted: January
2, 2001.
in malnourished
patients
were increased up to 308.9%.
It was concluded that malnutrition, as analyzed by a multivariate logistic regression model, is an independent risk
factor impacting
on2001
higher complications and increased mortality, length of hospital stay and costs.
Nutrition
17:573–580,
0899-9007/01/$20.00
©Elsevier
2001. Printed
the United
States. All rights reserved.
PII S0899-9007(01)00573-1
r 2003 Science
ElsevierInc.,
Science
Ltd. Allinrights
reserved.
The impact of malnutrition on morbidity, mortality, length of
hospital stay and costs evaluated through a multivariate
model analysis
Figura 3 - Artigo original advindo da minha tese de doutorado
Key words: malnutrition; morbidity; mortality; length
of hospital stay; hospital costs
Introduction
Hospital malnutrition has been related to increased
morbidity, mortality, length of hospital stay and costs
(1–4). The functional and metabolic body derangements,
which justify the previous events, are based on the
the development of malnutrition (12). Morbidity,
mortality, length of hospital stay (LOS) and hospital
costs are also impacted by other factors in addition to
malnutrition. Therefore, it would be too simplistic to
analyze all of them using statistical univariate analysis.
To avoid influence of other possible confounding
variables, multiple logistic regression analysis should
be applied (14).
The aim of this study was to correlate, by using a
multivariate logistic model, the nutritional status of
38
CITAÇÕES
Autor (ES)
FERREIRA et al.
PETROV et al.
BRYK et al.
Ano
Periódico
Revista da Associação Médica
Brasileira
Journal of the Pancreas
2008
(Online)
Journal of Parenteral and
2008
Enteral Nutrition
2009
Qualis
B5
Impacto
Scopus
ISI
Google
Acadêmico
0,361
-
-
1
2
-
6
B3
A2
1,096
1
-
2
A1
3,203
1
-
2
QUIRINO et al.
2007 Clinical Nutrition (Edinburgh)
CORREIA & NICOLI
2006
Current Opinion in Clinical
Nutrition and Metabolic Care
A1
3,69
3
2
3
CORREIA & DA SILVA
2004
Current Opinion in Clinical
Nutrition and Metabolic Care
A1
3,69
18
11
32
WAITZBERG et al.
2004 Nutrición Hospitalaria
B1
1,096
7
-
14
CORREIA et al.
2004 Nutrición Hospitalaria
B1
1,096
4
-
11
CORREIA et al.
2003
A1
3,69
8
6
5
CORREIA et al.
2003 Nutrition
A2
2,28
44
29
96
CORREIA & ECHENIQUE
2003
Current Opinion in Metabolic
and Nutrition Care
A1
3,69
4
3
5
CORREIA & WAITZBERG
2003 Clinical Nutrition (Edinburgh)
A1
3,203
151
89
239
WAITZBERG & CORREIA
2003
A1
3,69
27
-
37
CORREIA et al.
2001 Nutrición Hospitalaria
B1
1,096
16
-
36
WAITZBERG et al.
2001 Nutrition
A2
2,58
231
74
231
Coppini et al.
2001
-
-
4
CORREIA
1999 Nutrition in Clinical Practice
B3
-
-
4
WAITZBERG & CORREIA
1999
B5
-
-
4
CORREIA
1998
B5
-
-
16
B5
-
-
10
B5
-
-
25
CORREIA et al.
CORREIA et al.
Current Opinion in Metabolic
and Nutrition Care
Current Opinion in Clinical
Nutrition and Metabolic Care
Anais paulistas de medicina e
cirurgia
Revista Brasileira de Nutrição
Clínica
Revista Brasileira de Nutrição
Clínica
Revista Brasileira de Nutrição
1998
Clínica
Revista Brasileira de Nutrição
1999
Clínica
Tabela 1 - Relação dos trabalhos publicados disponíveis em versão impressa e citados nas bases de dados Scopus, ISI e Google Acadêmico (n=21).
39
2.1.5 - Concurso para professora adjunta
A oportunidade de ingressar na Universidade surgiu em meados de 2001, quando
o edital para preenchimento de duas vagas de professor adjunto do Departamento de Cirurgia da UFMG saiu publicado, pouco tempo depois de ter recebido o título de doutora
em cirurgia. Chegou, contudo, em fase conturbada e muito cheia de atividades em minha
já tão atribulada rotina de vida. Isso essencialmente ocorreu pelo fato de que em fins de
outubro desse mesmo ano, em Salvador, Bahia, seria realizado o XIV Congresso Brasileiro
de Nutrição Parenteral e Enteral, o VIII Congresso Latino Americano de Nutrição Parenteral e Enteral e o II Congresso Brasileiro de Nutrição Clínica, dos quais fui presidente.
O concurso, efetivamente, ocorreu poucos dias depois de voltar do congresso de
Salvador, ainda em meio à emoção do sucesso desse evento e o estresse do momento tão
importante. Afinal, havia duas vagas, mas éramos vários candidatos, acredito que seis
ou sete. Para muitas pessoas próximas, inclusive da família, foi difícil entender o meu
desejo de ingressar na carreira acadêmica. O cargo demandava dedicação exclusiva e eu
tinha, na época, vida profissional bem estruturada, reconhecida pelos pares e completamente independente. Mas a decisão estava tomada e fui em frente!
2.2 - Atividades Didáticas / Ensino e Orientação
2.2.1 - Graduação
Comecei a dar aulas no primeiro semestre de 2002 e fui escalada para lecionar as
disciplinas de Traumatologia e Cirurgia Ambulatorial (tabela 2). Não preciso nem dizer
do enorme desespero que se apossou de mim, ao saber da primeira opção compulsória,
é claro. Durante a minha formação universitária e da residência médica, os estágios de
traumatologia foram os mais difíceis. Conviver com a desgraça alheia fruto da violência
urbana, dos acidentes e das fragilidades humanas, em meio à, quase sempre degradante
imagem de sangue, sujeira e odores alcoolizados não me atraíam. Ademais, considerei
que estava despreparada para ensinar trauma, pois há muito que não me atualizava no
assunto e muito menos praticava esse tipo de atendimento. De sorte que, a iniciativa
imediata, objetivando resolver o quesito despreparo levou-me a fazer o curso do American Trauma Life Support (ATLS), que sem dúvida alguma, deu-me mais segurança. A receptividade e a vontade de aprender dos estudantes, aliado ao companheirismo de vários
colegas médicos plantonistas do Pronto Socorro João XXIII fizeram do “meu inferno” o
lugar ideal para ensinar e aprender. Devo ressaltar a participação, em especial, do então
40
médico residente Dr. Pedro Gustavo Teixeira, hoje cirurgião da divisão de trauma do
centro médico da Universidade da Southern California, Los Angeles, EUA, onde chegou
pelas minhas mãos. A ele devo o carinho, a atenção para com os estudantes e, acima de
tudo, a disponibilidade para discutirmos os casos da sala de politraumatizados.
O aprendizado do trauma no dia a dia dos plantões, foi complementado pelas reuniões científicas com a equipe do Hospital João XXIII, das quais participei, por muito
tempo, todas as segundas-feiras, à noite. Essa experiência teve impacto positivo no
modo como abordei a disciplina, tendo sido deveras enriquecedora para mim e acredito
que para os estudantes, que tinham como hábito descrevê-la como “ovelha negra” do
curso de Medicina da UFMG. Deixei a disciplina de Traumatologia, quando assumi a
sub-coordenação do Colegiado/Centro de Graduação do curso, em maio de 2006.
Lecionei também a disciplina de Cirurgia Ambulatorial, na qual só permaneci dois
semestres, já que assumi a sub-coordenação da Disciplina de Clínica Cirúrgica e passei
também a dar aulas na mesma, a partir de 2002. Fiquei feliz com a mudança, já que sempre gostei muito dos aspectos clínicos da cirurgia e, além do mais, seria a oportunidade
de trabalhar diretamente com o Prof. Dr. Marco Antônio Gonçalves Rodrigues, meu “tutor” nesse período probatório na Instituição.
O desafio de manter a discplina de Clínica Cirúrgica entre as melhores do curso
médico, segundo a avaliação semestral dos estudantes, foi sempre encarado pelo Prof.
Marco Antônio e por mim como algo em que devíamos investir nossa imaginação e criatividade, além dos aspectos pedagógicos do conteúdo programático. Para tal, contamos
também com o apoio e o trabalho dos monitores da disciplina, de professores e dos funcionários do departamento. Em janeiro de 2009, herdei a coordenação da Clínica Cirúrgica, no momento em que o Prof. Marco Antônio se alçava a outros patamares na carreira
universitária, assumindo a condução do projeto de reformulação curricular, o Recriar.
A reformulação curricular, principalmente no tocante às disciplinas cirúrgicas,
tem sido também foco da minha atenção. Antes mesmo de ter sido sub-coordenadora do
Colegiado/Centro de Graduação do curso, estive envolvida com o grupo formado pelos
colegas Prof. Dr. Marco Antônio Gonçalves Rodrigues, Prof. Dr. Marcelo Eller Miranda,
Profª. Drª. Ivana Duval Araújo, Prof. Dr. Marcelo Dias Sanches, Prof. Dr. Rodrigo Gomes
da Silva e Profª. Drª. Vivian Resende. Esse grupo regularmente se reunia para discutir
novas propostas curriculares. O seminário “Recriando o Ensino de Cirurgia” foi passo
importante neste processo (anexo VI). Infelizmente, a demora em se concretizar a reforma curricular desestimulou a atuação do grupo. Todavia, estamos neste momento reavivando os trabalhos, visando, finalmente, a implementação do projeto. Além do grupo
operativo da Cirurgia, participo também do grupo responsável por desenvolver o estágio
de iniciação à prática em saúde.
41
2.2.2 - Disciplinas Optativas
Acreditando no ensino da Nutrição, tão fundamental na formação do estudante
de Medicina e não contemplado, até então, no curso de Medicina da UFMG, em julho
de 2002, elaborei projeto para a criação da disciplina optativa Tópicos em Nutrição em
Cirurgia. Essa foi aprovada pela Câmara Departamental da Cirurgia e pelo Colegiado do
Curso de Medicina, passando a ser ofertada integralmente por mim, semestralmente,
para os estudantes da graduação (tabela 2). Contudo, quando assumi a sub-coordenação
do Colegiado/Centro de Graduação, a manutenção de tal disciplina ficou inviável, em
função das obrigações exigidas pelo cargo. Ao término da gestão no Colegiado/Centro de
Graduação, não re-assumi a oferta da mesma, pois a reforma curricular estava avançada
e havia-se optado por evitar a oferta de disciplinas Tópicos.
Atualmente, leciono ainda na disciplina Transplantes sob a coordenação do Prof.
Dr. Walter Antônio Pereira.
Disciplina
Nível
Período
Tópicos em Cirurgia - Nutrição
Graduação
2002 - 2006
Internato em Medicina de Urgência e Traumatologia
Graduação
2002 - 2006
Cirurgia ambulatorial
Graduação
2002 - 2002
Clínica Cirúrgica
Graduação
2002 - atual
Avanços e controvérsias em nutrição (tópicos em ciências de alimentos)
Pós-Graduação
2004 - atual
Alterações metabólicas da obesidade mórbida
Pós-Graduação
2009 - atual
Tabela 2 - Disciplinas ministradas na Graduação, Pós-Graduação (mestrado e/ou doutorado)
da UFMG entre 2002 - 2009.
2.2.3 - Iniciação científica
A oportunidade de começar a trabalhar com estudantes em iniciação científica teve
início com a co-tutoria dos estudantes bolsistas do Departamento de Cirurgia, no programa de iniciação científica à docência (PID) em 2005. Neste sentido, tive a oportunidade de
vicenciar e ratificar a convicção do grande valor da inserção de estudantes nos projetos
universitários, seja na docência, na pesquisa ou na extensão. Os monitores bolsistas da
disciplina Clínica Cirúrgica aportaram contribuições preciosas para o desenvolvimento
e aprimoramentos da mesma. Por meio deles, foi-nos possível realizar a avaliação crítica
42
do conteúdo da disciplina entre estudantes e docentes, evoluindo assim para a concepção
de material didático mais adequado ao ensino da Cirurgia, como casos clínicos atuais e
controversos. Muito interessantes foram também as atividades no Laboratório de Habilidades, no qual, os estudantes podem por meio de manequins executar procedimentos
rotineiros na prática médica, como cateterizações venosas, por exemplo. Infelizmente, no
momento, estas atividades estão suspensas para a reformulação do espaço físico. A atualização da página eletrônica da disciplina de Clínica Cirúrgica é ainda um dos objetivos
do trabalho dos bolsistas de iniciação científica.
No quesito participação em projetos de pesquisa científica, o primeiro estudante
bolsista foi Guilherme Augusto Cruz Machado (2005) que desenvolveu o projeto “Avaliação Nutricional em Cirurgia” e participou do projeto de mestrado da estudante Patrícia
Costa Fonseca, intitulado “Estado nutricional e ingestão alimentar versus necessidades
nutricionais em pacientes submetidos a laparotomia”, publicado posteriormente como
“Perioperative nutritional management of patients undergoing laparotomy”, do qual o estudante também foi co-autor. Outros estudantes bolsistas e voluntários, tanto da Medicina
como da Nutrição têm trabalhado comigo em projetos de iniciação científica (tabela 3).
Bolsista
Projeto
Ano
Graduação
Órgão
Financiador
Luísa Mendes
Miranda
Prevalência de úlceras por pressão em
Hospitais do Brasil: correlação com o estado
nutricional
2009 - atual
Medicina
CNPq
Mônica Hermont
Terapia nutricional pré-operatória com e sem
arginina em pacientes com câncer de cabeça e
pescoço
2009 - atual
Medicina
FAPEMIG
Hélem de Sena
Ribeiro
Estado nutricional de pacientes com Lúpus
Eritematoso Sistêmico
2008 - atual
Nutrição
FAPEMIG
Paula V. da Silveira
Cassini
Incidência de hiperglicemia no pós-operatório
e sua correlação com morbimortalidade
2007 - 2008
Medicina
FAPEMIG
Maria Clara
Bellavinha Thomazi
Incidência de hiperglicemia no pós-operatório
e sua correlação com morbimortalidade
2006-2007
Medicina
FAPEMIG
Joarez Coelho
Avaliação nutricional em pacientes cirúrgicos
2005 - 2006
Medicina
CNPq
Guilherme A. Cruz
Machado
Avaliação nutricional em pacientes cirúrgicos
2004 - 2005
Medicina
FAPEMIG
Tabela 3 - Bolsistas de iniciação científica em orientação e orientados.
43
2.2.4 - Pós-Graduação stricto sensu e residência médica
A Pós-Graduação fez-se realidade quando, em dezembro de 2002, fui convidada
pelo Prof. Dr. Tarcizo Afonso Nunes para ingressar no programa da Cirurgia. A primeira
estudante foi Drª. Carolina Trancoso de Almeida, que iniciou o seu projeto em 2003.
O desafio foi grande, pois além de ser a primeira experiência como orientadora,
o tema escolhido (Métodos de avaliação de pressão intraabdominal pós-trauma) não era
exatamente a área que dominava. Ainda que na época, estivesse como professora de
traumatologia, isso não seria suficiente para orientar sobre o assunto, motivo pelo qual o
esforço para atualizar-me foi grande. Foi verdadeiro aprendizado, em todos os sentidos!
Não só do ponto de vista do tema, já mencionado, mas principalmente no quesito experiência como orientadora. Certifiquei-me que, à semelhança do que havia ocorrido com
meu próprio mestrado, não bastam as idéias, precisamos da colaboração de muitos, o que
nem sempre é realidade na prática clínica. Estudante e orientadora passaram pelo dilema
e pela ansiedade de ter que trocar de tema após transcorridos alguns longos meses sem
resultados concretos. Aliou-se a essa dificuldade, o fato de que como profissional ativa
na assistência, a Drª. Carolina havia sido convidada a assumir posto de coordenação e
o tempo ficou deveras escasso. A colaboração de estudantes da graduação da Medicina
foi fundamental para concretizar o término do trabalho intitulado “Trauma Abdominal
Penetrante por Arma Branca: Experiência do Hospital João XXIII”, defendido em 2005.
Nesse sentido, outro aprendizado dessa primeira orientação foi saber que a participação
de estudantes é fundamental para a concretização de pesquisas e é também deveras enriquecedor. A partir de então, comecei a ter estudantes de iniciação científica em quase
todos os trabalhos orientados.
Em meados de 2004, assisti a conferência do Prof. Dr. Valber Cardoso Nascimento, do Departamento de Análises Clínicas da Faculdade de Farmácia da UFMG, sobre
a importância da utilização de fármacos radioativamente marcados no diagnóstico de
distintas enfermidades. O assunto fascinante por si só, despertou-me o potencial em vir
a ser instrumento utilizado em pesquisas envolvendo nutrientes. Por essa razão, ao término da apresentação, abordei o professor Valbert sobre essa possibilidade. De pronto,
as portas foram-me abertas para desenvolver trabalhos de pesquisa básica, envolvendo
nutrientes, sabidamente glutamina, arginina, probióticos e, por último, citrulina. Nasceu
daí profícua parceria, culminando com a minha inserção no Programa de Pós-Graduação
em Ciências de Alimentos e onde até hoje oriento vários estudantes, além de lecionar a
disciplina “Avanços e controvérsias em Nutrição Clínica”. Trabalhar com pesquisa básica, passou de possibilidade a realidade, para alguém recém chegada à Universidade e
sem laboratório próprio!
Atualmente, ministro as disciplinas “Avanços e controvérsias em Nutrição Clínica” na Pós-Graduação da Ciências de Alimentos e “Alterações metabólicas da obesidade
mórbida” no programa da Cirurgia. Vários estudantes já foram orientados por mim e
outros continuam a ser orientados (tabela 4).
44
Pós-Graduando
Nível
Período
Tipo
Programa
Juliana Costa Liboredo
DOUTORADO 2009 – atual
Orientadora
Ciência de Alimentos
Daniel Fontes
MESTRADO
2009 - atual
Orientadora
Ciências Aplicadas à Cirurgia e
Oftalmologia
Flávia M. de Faria
MESTRADO
2009 - atual
Orientadora
Ciência de Alimentos
Jacqueline B. da Silva
MESTRADO
2009 - atual
Orientadora
Ciência de Alimentos
Patrícia Alves Brito
MESTRADO
2009 - atual
Orientadora
Ciências Aplicadas à Cirurgia e
Oftalmologia
Lívia Garcia Ferreira
DOUTORADO 2009 - atual
Orientadora
Lucilene R. Anastácio
DOUTORADO 2009 - atual
Co-orientadora
Marcella Lobato Dias
DOUTORADO 2009 - atual
Orientadora
Mariane Curado Borges
DOUTORADO 2009 - atual
Co-orientadora
Talita Mayra Resende
Ferreira
MESTRADO
2008 - atual
Co-orientadora
Fabiana Miranda Moura
MESTRADO
2008 - atual
Co-orientadora
Gláucia T. C. de Oliveira
Marina A. Batista
MESTRADO
MESTRADO
2008 - atual
2008 - atual
Orientadora
Co-orientadora
Maria Cristina Cassiano
DOUTORADO 2008 - atual
Orientadora
Rosana G. A. dos Santos
Ana Paula dos Santos
Iara E. Pacífico Quirino
DOUTORADO 2008 - atual
MESTRADO
2007 - atual
DOUTORADO 2007 - atual
Co-orientadora
Orientadora
Orientadora
Ciências Aplicadas à Saúde do
Adulto
Ciência de Alimentos
Ciência de Alimentos
Ciências Aplicadas à Cirurgia e
Oftalmologia
Ciência de Alimentos
Ciência de Alimentos
Ciência de Alimentos
Juliana Costa Liboredo
Lucilene R. Anastácio
Mariane Curado Borges
Rachel Horta Freire
Mirelle Lomar Viana
MESTRADO
MESTRADO
MESTRADO
MESTRADO
DOUTORADO
2007 - 2009
2007 - 2009
2007 - 2009
2007 - 2009
2006 - atual
Orientadora
Orientadora
Orientadora
Orientadora
Co-orientadora
Ciência de Alimentos
Ciência de Alimentos
Ciência de Alimentos
Ciência de Alimentos
Ciência de Alimentos
Juliano Alves Figueiredo
MESTRADO
2006 - 2008
Co-orientadora
Janaína Lavalli Goston
Livia Garcia Ferreira
Marcella Lobato Dias
MESTRADO
MESTRADO
MESTRADO
2006 - 2008
2006 - 2008
2006 - 2008
Orientadora
Orientadora
Orientadora
Ciências Aplicadas à Cirurgia e
Oftalmologia
Ciência de Alimentos
Ciência de Alimentos
Ciência de Alimentos
Rosana G. A. dos Santos
MESTRADO
2006 - 2008
Co-orientadora
Ciência de Alimentos
Iara E. Pacífico Quirino
MESTRADO
2005 - 2007
Co-orientadora
Ciência de Alimentos
Patrícia Costa Fonseca
MESTRADO
2005 - 2007
Orientadora
Carolina T. de Almeida
MESTRADO
2003 - 2005
Orientadora
Ciência de Alimentos
Ciências Aplicadas à Cirurgia e
Oftalmologia
Ciências Aplicadas à Cirurgia e
Oftalmologia
Ciências Aplicadas à Saúde do
Adulto
Ciências Aplicadas à Cirurgia e
Oftalmologia
Ciências Aplicadas à Saúde do
Adulto
Ciência de Alimentos
Tabela 4 - Estudantes de Pós-Graduação em orientação e orientados.
45
Paralelamente às atividades de pesquisa e fruto do trabalho diário na enfermaria
do Instituto Alfa de Gastroenterologia, onde coordeno o grupo de Nutrição e sempre tive
contato com todos os residentes do Serviço, recebi a missão de coordenar a residência
médica (16 médicos residentes/ano) em Cirurgia Geral, em 2006 . Cargo que mantive por
um ano, quando solicitei o desligamento, em virtude do acúmulo de trabalho envolvenda Graduação, Pós-Graduação e atividades administrativas, principalmente no Colegiado/Centro de Graduação do curso (abaixo discuto sobre esse) e, as obrigações familiares.
Senti que precisava de mais tempo para lograr na Residência aquilo que sempre pautei
como fundamental “a excelência” e, por conseguinte, optei por manter o trabalho no
Colegiado/Centro de Graduação. Afinal já dizia Cecília Meirelles19 em seu livro “Ou isto
ou Aquilo”:
“Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!”
2.3 - Atividades Administrativas
Minha primeira atividade administrativa na UFMG foi participar da comissão de
revalidação de diploma médico (tabela 5). Na comissão, sob a coordenação da Profª. Drª.
Eliana Costa Macêdo Gontijo e da qual também pertenceu o Prof. Dr. Luiz Megale, aprendi as bases que norteiam os princípios dos conteúdos programáticos dos diversos cursos
de Medicina no Brasil e no mundo. Foi grande experiência, mas acima de tudo, vivenciei
a dramática angústia de inúmeros jovens, que para fugir do crivo do vestibular, vão em
busca do diploma médico em instituições sem a mínima condição de prepará-los. É triste verificar que ao final de seis anos, quando se regressa ao país de origem, não se está
habilitado a exercer a profissão. Esta realidade deveria ser conhecida por todos os que
buscam essa opção aparentemente mais fácil, porém com ônus final altíssimo. Essa vivência aumentou a minha percepção e a importância pela luta de uma Medicina baseada em
adequada formação universitária.
Em janeiro de 2004, fui nomeada representante do Departamento de Cirurgia
no Colegiado de Graduação do curso de Medicina, então sob a coordenação da Profª.
Drª. Janette Ricas e com a sub-coordenação do Prof. Dr. André Luiz dos Santos Cabral.
Vivia-se na Faculdade, há já algum tempo, o projeto Recriar, cujo objetivo fundamental
foi e é a re-avaliação e renovação do currículo médico. As reuniões quinzenais foram
sempre marcadas por longas, extensas, conturbadas e inconclusivas decisões, que raramente saiam das atas para a prática. Esses impasses fizeram com que o Prof. Dr. An-
46
dré Luiz dos Santos Cabral, pedisse exoneração do cargo, ocupado posteriormente pela
Profª. Drª. Rosa Malena Delbone de Faria. Minha participação, ainda que sendo neofita
na Instituição, foi pautada pela determinação e objetividade peculiares da minha personalidade cirúrgica, ou seja, demandava sempre conclusões e resultados imediatos. Contudo, pronto pude perceber como é difícil romper paradigmas e as reuniões passaram a
ser extremamente frustrantes, já que sentia-me a desperdiçar meu tempo tão precioso.
Por essa razão, pedi ao chefe do Departamento, Prof. Dr. Walter Antônio Pereira, que ao
término do mandato, não renovasse a minha indicação. Nesse ínterim, fui contudo surpreendida pelo convite do Prof. Dr. André Luiz dos Santos Cabral para candidatar-me a
sub-coordenadora, na chapa que montaria como candidato a coordenador, após a saída
da Profª. Drª. Janette Ricas. O convite, certamente, foi honroso e senti-me lisongeada.
Porém, expus-lhe em conversa longa e direta minhas angústias relacionadas com cargos
político-administrativos, fruto desse curto período como representante da Cirurgia, no
Colegiado. Ademais, minha vida na pesquisa alçava patamares mais altos e eu não queria
abrir mão de nada. O poder de convencimento do Prof. André foi muito superior a todos
os meus argumentos. Agregue-se a esse fato o sempre presente “bichinho do desafio”
que a vida inteira tem pautado a minha existência e assim, lá parti para mais essa empreitada. Afinal, como Camões20 em os Lusíadas “As armas e os barões assinalados, Que da
ocidental praia Lusitana, Por mares nunca de antes navegados...”. Predominou o espírito
aventureiro a falar mais alto!
Prof. André e eu chegamos ao Colegiado pouco tempo depois deste ter sido integrado à secretaria do curso de Medicina, portando, passando a chamar-se Centro de Graduação. Por essa razão, nessa altura os funcionários que até então exerciam atividades distintas ainda estavam perdidos na fusão dos dois órgãos e pairava a dúvida sobre a quem
competia fazer o que. Neste sentido, as reclamações da comunidade usuária, em especial,
dos estudantes era a rotina. Assim, tocou-me ser a responsável pela re-organização administrativa do Colegiado/Centro de Graduação. Assumi, concomitantemente, a função de
organizar os estágios curriculares fora da Faculdade de Medicina, tanto nacionais como
internacionais. A essas atividades somaram-se as demais relacionadas com o processo
pedagógico, com a estrutura curricular e as de ouvidoria.
Os anos como sub-coordenadora do Colegiado/Centro de Graduação aumentaram
meu conhecimento sobre a engrenagem universitária como um todo e a inserção no plano político/educativo nacional e internacional. Todavia, acima de tudo esses tempos
ensinaram-me, num jogo de paciência inexplicável, a conviver com distinta gama de
seres humanos: estudantes, professores, funcionários, familiares e até com a Justiça.
Passei praticamente, quase todos os dias, a residir entre meu lar e a sala da coordenação.
Foram momentos de sentimentos diametralmente opostos e sempre marcados por extremos. Num mesmo dia, podia ir do estresse máximo (ora porque havia um mandato de
segurança trazido pelo oficial de justiça que queria ser atendido naquele exato momento,
ou porque um estudante havia quebrado num ataque de fúria e embriaguez a porta da
biblioteca) ao total relaxamento (esse momento propiciado por um bolo trazido pelos
queridos funcionários de quem guardo grandes recordações). Satisfação, frustração e
tantos outros adjetivos pautaram a passagem por este cargo, para o qual fui re-eleita, em
47
conjunto com o Prof. André, em abril de 2008.
O convívio e o apoio direto da Diretoria da Faculdade de Medicina, por meio dos
Professores Drs. Francisco José Penna e Tarcizo Afonso Nunes fizeram-me vislumbrar
que a implantação do tão sonhado novo currículo, há anos sendo discutido no projeto
Recriar, seria realidade. Além do mais, ter a oportunidade de divagar sobre o ensino universitário e discutir as particularidades da Medicina com o astuto e inteligente Prof. Dr.
Mauro Mendes Braga, pró-reitor da Graduação da UFMG sempre foram muito gratificantes. O novo currículo não saiu. Acordos entre distintos departamentos e professores, reorganização de carga horária e concomitante aprovação dos órgãos superiores da UFMG,
ou seja, enorme esforço político, em muito dificultaram essa caminhada. Por outro lado,
entendo que nosso tempo de Colegiado/Centro de Graduação (meu e do prof. André) proporcionou melhor organização administrativa, maior interação entre coordenação e departamentos e alta resolutividade de assuntos variados dentro dos preceitos das normas
acadêmicas institucionais e das Diretrizes Curriculares brasileiras. Ademais, a criação do
cargo de ouvidoria como estratégia para apoiar aqueles com os mais diversos problemas
passou a ser rotina na Instituição. Do ponto de vista pessoal, nesse período, tive a oportunidade de ir a dois congressos da Associação Brasileira de Educação Médica, nos quais
aprofundei meus conhecimentos sobre o assunto. Em um deles, inclusive, apresentei trabalhos relativos às experiências educacionais da Faculdade de Medicina da UFMG, dos
quais o papel da ouvidoria foi ressaltado. Considero que o fruto desses encontros tenha
em muito contribuído para formação plural como professora universitária.
Ainda que os frutos do trabalho desenvolvido ao longo desse tempo no Colegiado/
Centro de Graduação começassem a ser colhidos, em julho de 2008, pouco tempo depois
do grave acidente de motocicleta sofrido pelo meu único irmão, António Pedro e, com
todos os desfechos familiares associados, senti-me à beira no auge do cansaço físico e
mental. A questão de saúde do meu irmão, submetido a múltiplas operações ortopédicas
e a necessidade de re-habilitação, além da sua separação e a crise familiar desencadeada,
fizeram-me parar para re-avaliar o momento. Ficou claro que teria que fazer opções, novamente! Afinal sentia-me como Ricardo Reis21 nas últimas estrofes de seu poema “Cada
Coisa”:
“Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos,
E há só noite lá fora.”
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Atividades Administrativas
Subcoordenadora da Disciplina de Clínica Cirúrgica
Coordenadora do Grupo de Nutrição do Instituto Alfa de Gastroenterologia.
Coordenadora da Disciplina de Tópicos em Cirurgia - Nutrição
Membro Efetivo da Comissão de Coordenação Didática do Departamento de Cirurgia
Membro Efetivo da Comissão de Revalidação de Diploma de Médico Estrangeiro
Subcoordenadora do Colegiado de Curso Médico
Presidente da comissão de revalidação de diplomas de médicos estrangeiros (módulo cirurgia)
Coordenadora de Pós-Graduação da Residência Médica em Cirurgia Geral do Instituto Alfa de
Gastroenterologia
Membro da comissão de estágios internacionais
Período
2002 - 2008
2002 - atual
2002 - 2006
2002 - atual
2005 - atual
2006 - 2008
2006 - atual
2006 - 2007
2009 - atual
Tabela 5 - Quadro das atividades administrativas exercidas na Faculdade de Medicina da UFMG.
2.4 - Extensão
As atividades de extensão dentro da UFMG estão diretamente relacionadas com
um dos trabalhos de pesquisa que desenvolvo com as estudantes de Pós-Graduação, no
ambulatório Bias Fortes, onde o atendimento a pacientes com Lúpus Eritematoso é feito.
Na verdade, quando convidada pela Profª. Drª. Gilda Aparecida Ferreira para desenvolver projeto de pesquisa nesse ambulatório, tive como primeira preocupação o risco de
estado nutricional depauperado (desnutrição) nesse grupo de pacientes. Contudo, no
decorrer dos atendimentos, percebemos que a presença de desnutrição foi rara, mas por
outro lado, a obesidade e os distúrbios associados prevaleceram. Nesse sentido, o foco
da pesquisa foi alterado e o projeto passou a ter como objetivo avaliar a prevalência de
síndrome metabólica e comorbidades, em conjunto, com hábitos alimentares. Esse tema
foi motivo da dissertação de mestrado da estudante Mariane Curado Borges, defendida
em março de 2009 e é foco da dissertação da estudante Fabiana Miranda Moura que a
defenderá em março de 2010. Ao fazermos as primeiras análises, logo verificamos que
estávamos frente à dura realidade de altas taxas de síndrome metabólica e de maus hábitos alimentares. Nesse sentido, não seria somente importante mudar hábitos de vida das
pacientes, mas também de todos aqueles em contato direto com elas. Submetemos então
o projeto de extensão intitulado “Estado nutricional de pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico e seus familiares diretos” à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
Minas Gerais (FAPEMIG), tendo obtido verba para desenvolver o mesmo (anexo VII).
Desde então fazemos palestras mensais com pacientes e familiares, incluindo assuntos
relacionados à alimentação saudável, à doença, à importância da atividade física e à importância da adesão ao tratamento. Recentemente, fizemos parceria com o Laboratório
do Movimento, coordenado pela Professora Drª. Kátia Euclydes de Lima e Borges para
incluirmos a equipe de educadores físicos no projeto.
Temos submetido projeto similar para ser desenvolvido com os pacientes submetidos a transplante hepático.
49
2.5 - Bancas de Concursos
A primeira vez é sempre aquela que marca pelo ineditismo do momento. Não foi
distinto o sentimento quando participei da primeira banca de mestrado como membro
efetivo, em 2003. Nesste caso, acrescentou-se a dúbia sensação do novo e da afetividade,
já que iria estar a julgar não só uma estudante de Pós-Graduação, mas também a companheira de trabalho de longo tempo. Tratou-se da enfermeira Jaqueline Almeida Guimarães Barbosa, a quem havia conhecido logo que ingressou na vida profissional como
membro da equipe de terapia nutricional do Instituto Mário Penna e a quem eu havia
sempre estimulado a perseguir formação universitária. Seu trabalho teve como tema os
aspectos humanísticos envolvidos no tratamento de pacientes em nutrição enteral por
cateter nasoentérico. Ainda que o trabalho “Representações de pacientes adultos hospitalizados sobre a alimentação por sondas” abordasse assunto que domino, foi altamente
marcante. Esse enveredou por área humanística e subjetiva da pesquisa, algo abstrato
para quem sempre esteve acostumada a lidar com números e estatísticas. Positivamente,
pude firmar minha sempre opinião do que o trabalho interdisciplinar e multiprofissional
é essencial e garante a qualidade da atenção aos pacientes.
Ainda em 2003, participei da primeira banca extramuros da UFMG, na Universidade da Região de Joinville, Santa Catarina, no curso de Pós-Graduação em Sáude e Meio
Ambiente. O trabalho intitulado “Análise do processo de implantação do serviço de terapia nutricional do Hospital Municipal São José” de autoria da estudante Maria da Graça
Pasquotto de Lima Assef, cirurgiã atuante em terapia nutricional, abordou a necessidade
de estruturação organizada para a criação de serviços de Terapia Nutricional, frente às
demandas legais.
Outras bancas de Pós-Graduação se sucederam cada qual com particularidade e
aprendizado único. Contudo a experiência de vivenciar “o outro lado”, ou seja, o lado de
ser também avaliada como orientadora ocorreu em 2005 com o trabalho da primeira estudante de Pós-Graduação “Trauma abdominal penetrante por arma branca: experiência
do Hospital João XXIII - Belo Horizonte - Minas Gerais – Brasil”. Como anteriormente comentado, a autora foi a Drª. Carolina Trancoso de Almeida, minha ex-residente e cirurgiã
do trauma. Esse momento teve seu ápice não só com o aprendizado do saber lidar com o
desconhecido, no caso, o trauma, mas também com a certeza que a banca ideal é aquela
composta pelos melhores especialistas no assunto. Estes contribuem tanto nas críticas
como nos elogios, aprimorando o trabalho realizado. Porém, o maior aprendizado desta
experiência veio depois, quando tive consciência que é mister haver um pacto com o
estudante para que quando concluído o trabalho esse seja imediatamente redigido e enviado para publicação. Infelizmente, a Drª. Carolina, envolvida com todos os afazeres da
vida profissional, não se centrou em escrever o artigo. Finalmente quando o fez, algum
tempo havia se passado, o que gerou questionamentos e críticas dos revisores da revista
para a qual foi enviado, sem que, contudo, houvesse a decisão de não aceitá-lo para publicação. Todavia, as correções e as respostas jamais foram enviadas de volta. Uma pena,
50
para um trabalho que merecia ter sido divulgado para a comunidade. Desde então, tenho
com todos os meus estudantes de Pós-Graduação o acordo verbal de que feita a defesa
da dissertação ou tese, eles terão no máximo seis meses para redigir e enviar os trabalhos
para publicação. Caso contrário, dou-me o direito de escrever o manuscrito e publicá-lo
como primeira autora, tendo-os como co-autores. Antes de tomar essa decisão, em muito
me questionei sobre o sentido ético da mesma. Porém, acredito que sendo o tema previamente abordado e definido, há o conhecimento claro das regras. Assim, os estudantes
têm a opção de não me escolher como orientadora e, por outro lado, não vivo a frustração de ver horas de trabalho resultarem em “vazio de informação” aos pares. Se um dos
pilares de quem faz investigação é a comunicação ao meio científico e à comunidade em
geral, acredito ter a obrigação de honrar esse quesito.
Até o momento já participei de várias bancas não só de Pós-Graduação, como também de outros concursos (tabela 6). Certamente de cada uma, germinou novo aprendizado, do qual até então o mais marcante ocorreu recentemente. Ao contrário do que sempre
pratiquei e ensinei aos mais novos, deixei para o último minuto a correção de trabalho
que deveria julgar. Infelizmente, ao lê-lo deparei-me com apresentação inadequada de
conteúdo científico, com falhas de método e de análises de resultados. Faltavam somente
dois dias de um fim de semana, para a defesa desse trabalho. Senti-me entre o dever de
criticar severamente, potencialmente contribuindo para melhorar o trabalho, e o impacto
que isso traria durante a apresentação pública, na qual estariam certamente presentes
amigos e familiares além do candidato e da banca. O tempo era curto para suspender o
exame e longo demais para aguentar meu sofrimento. Foram horas de angústia, nas quais
vivi entre a batalha racional de ser cem por cento honesta no papel a mim atribuído como
julgadora e o sentimento da compaixão que meu ato de reprovação implicaria. Venceu o
segundo! Porém, ficou a certeza de que dali em diante, não deixaria jamais para o último
minuto a análise de qualquer trabalho. Entretanto, emiti, com firmeza, todas as críticas
pertinentes. Certamente, no futuro, solicitarei que o processo público seja suspenso, o
trabalho revisto e assim, seja mantida não só a qualidade do julgamento mas fundamentalmente a essência da pesquisa.
Instituição
Pós-Graduação em Ciência de Alimentos
Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à
Cirurgia e à Oftalmologia
Outras Pós-Graduações na UFMG
Pós-Graduações externas à UFMG
Outros concursos na UFMG
Outros concursos em instituições
externas à UFMG
Tipo
Defesa de Dissertação
Qualificação de Doutorado
Defesa de Tese
Defesa de Dissertação
Qualificação de doutorado
Defesa de Tese
Seleção de candidatos à Pós-Graduação
Defesa de Dissertação
Qualificação de doutorado
Defesa de Doutorado
Defesa de Dissertação
Concurso público para seleção de docentes
Concurso para seleção de monitores
Nº de participações
14
3
2
6
1
2
5
2
1
2
13
5
1
Concurso público para seleção de docentes
1
Tabela 6 - Participações em bancas: mestrado, doutorado, qualificações e concursos públicos.
51
2.6 - Produção Científica
Escrever sobre cada um dos aspectos de minha produção científica é difícil, pois seria o romancear de cada trabalho, cada capítulo de livro e cada participação em congressos, jornadas etc. Por si só, cada um tem sua história e particularidade. Opto, então, por
apresentar em figura e tabelas as informações referentes a este quesito (figura 4; tabela 7).
Descrevo a história dos dois livros que organizei. Por fim, teço, comentários sobre alguns
eventos que definitivamente marcaram minhas apresentações pelo mundo afora.
2.6.1 - Artigos Publicados
“Etiologia de la desnutrición en el SIDA” e “Deslocamento de cateter venoso central
para a veia supra hepática direita. Relato de caso” foram as primeiras “obras primas”
redigidas em 1995. Relendo ambos, assim como os demais dessa época, tenho a certeza
que realmente não sabia escrever. Acredito que ao longo do tempo, a cada novo trabalho
tenha conseguido aprimorar a escrita científica. No entanto, na minha análise crítica só
comecei a aprender de fato a redigir quando li “The elements of style”, de E.B. White,
1959 e após o início das orientações de meus próprios estudantes. Escrever é um eterno
aprendizado do uso das palavras, do estilo, da lógica e do romancear os resultados e as
conclusões.
Figura 4 - Número de artigos publicados e aceitos para publicação por ano
52
Periódico
Nº
Qualis
Impacto
Revista Brasileira de Nutrição Clínica
8
B5
Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care
7
A1
3,69
Nutrition
5
A2
2,28
Clinical Nutrition
4
A1
3,203
Nutrición Hospitalaria
4
B1
1,096
Journal of Parenteral and Enteral Nutrition
3
A2
1,096
Nutrition in Clinical Practice
2
B3
-
Revista Brasileira de Medicina
2
B3
-
Lecturas en Nutrición
2
-
-
Cirugia, Santa Fé de Bogotá
2
-
-
Anais paulistas de medicina e cirurgia
1
-
-
Journal of the Pancreas (Online)
1
B3
Revista da Associação Médica Brasileira
1
B5
0,361
Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões
1
B4
-
Nutrição em Pauta
1
B4
-
Revista Brasileira de Cancerologia
1
B3
-
Touch Briefings
1
-
-
Prática Hospitalar
1
B5
-
Revista Brasileira de Cirurgia
1
B5
-
Tabela 7 - Frequência de artigos publicados e aceitos para publicação, qualis e fator de impacto (Total = 48)
2.6.2 - Livros e capítulos de livros
Em 1995, fui convidada para escrever capítulo de livro sobre a importância da
nutrição no esporte. Quando apresentei ao editor o trabalho no seu formato final, esse
convidou-me a escrever novo capítulo sobre drogas ergogênicas. Por fim, acabei por escrever minha primeira obra literária em forma de livro. “Nutrição, esporte e saúde”, publicado pela editora Health, objetivando o público leigo praticante de atividades físicas
e seus treinadores. Ainda que o conteúdo essencialmente prático tenha sido adequado
para o que se propunha, hoje, relendo esse manual, pergunto-me “fui eu mesma que escrevi”? O estilo literário é pobre e a grafia científica nem se fala!
O livro “Fundamentos em Clínica Cirúrgica” editado em parceria com os professores Drs. Paulo Roberto Savassi Rocha e Marco Antônio Gonçalves Rodrigues é sem
dúvida uma das atividades educacionais que destaco em minha trajetória acadêmica. O
objetivo desse foi de preencher importante lacuna na literatura, uma vez que a maioria
dos livros de Clínica Cirúrgica discutia em profundidade os aspectos relacionados às di-
53
ferentes afecções cirúrgicas, sem mergulhar com detalhes nas bases e nos fundamentos
da Clínica Cirúrgica. Faço minhas as palavras do Prof. Marco Antônio que escreveu em
seu Memorial para ascensão a professor associado: “Nosso maior estímulo foi testemunharmos, por tantos anos, a angústia e a frustração de alunos, residentes e colegas clínicos
e cirurgiões por não encontrarem, em um único livro, uma discussão específica, detalhada e
particularizada dos aspectos teóricos e práticos relacionados à avaliação e aos cuidados pré,
per e pós-operatórios. Para atender a essa demanda, o livro foi organizado em três módulos.
O primeiro módulo – Aspectos Gerais – discute os aspectos básicos em Clínica Cirúrgica
(Avaliação clínica pré-operatória, Preparo pré-operatório, Resposta orgânica ao trauma,
Bases da cicatrização e coagulação, Assistência médica pós-operatória, entre outros). No segundo módulo – Situações Especiais em Cirurgia – são apresentados, de forma detalhada, os
cuidados pré e pós-operatórios em situações especiais (Cirurgia no paciente em uso de drogas,
na paciente grávida, no alcoolista, no obeso mórbido, no diabético, no paciente oncológico,
hematológico, entre outros). O terceiro e último módulo – Complicações pós-operatórias –
aborda assuntos essenciais como Febre e hipotermia no pós-operatório, Infecção do sítio
cirúrgico, Complicações da laparoscopia, Choque e cirurgia, Complicações cardiovasculares,
Complicações digestivas, entre outros. Hoje estamos convencidos que por meio desse livro temos contribuido de forma decisiva na formação dos nossos médicos, nas suas diversas fases
– ainda como alunos da graduação, como médicos-residentes e como profissionais – tanto nas
áreas clínicas, quanto cirúrgicas. Observamos o quanto o livro tem favorecido a aquisição de
conhecimentos de pré e pós-operatório, ao observarmos a grande dificuldade que os residentes
de Cirurgia que não tiveram prévio acesso ao livro apresentam ao assistir os pacientes. Nossa conduta, nesses casos tem sido uma só: “leia o seguinte capítulo do livro Fundamentos em
Clínica Cirúrgica disponibilizado na Biblioteca do Instituto Alfa de Gastroenterologia que
amanhã discutiremos o assunto”.
Figura 5 - Profs. Paulo Roberto Savassi-Rocha, Marco Antônio Gonçalves
Rodrigues e Maria Isabel Toulson Davisson Correia, no lançamento do
Livro “Fundamentos em Clínica Cirúrgica”
54
Recebi diversos outros convites para escrever capítulos que estão apresentados na
tabela abaixo:
Ano
Número de
Capítulos
2009
7
Atheneu (Rio de Janeiro);
2008
2
Med Book (Rio de Janeiro)
2007
2
Mc Graw Hill (Cidade do México)
2006
8
Coopmed (Belo Horizonte); Medsi (Rio de Janeiro);
2005
6
CRC press (Boca Raton); Editoria Medica Panamericana (Rio de Janeiro);
Fronts Editorial (São Paulo); Medsi (Rio de Janeiro); Guanabara Koogan (Rio
de Janeiro)
2004
8
Atheneu (Rio de Janeiro); Medsi (Rio de Janeiro)
2003
6
Medsi (Rio de Janeiro); Guanabara Koogan (Rio de Janeiro); Atheneu (Rio
de Janeiro)
2002
1
Medsi (Rio de Janeiro); Guanabara Koogan (Rio de Janeiro);
2001
6
Guanabara Koogan (Rio de Janeiro); Atheneu (Rio de Janeiro); Roca (São
Paulo)
2000
1
Springer Verlag (Berlin)
1998
1
Medsi (Rio de Janeiro);
Editoras
Tabela 8 - Número de capítulos de livros publicados por ano e editoras.
2.6.3 - Participação em eventos
Ainda quando estudante de Medicina, comecei a participar de eventos científicos
como já mencionado anteriormente, na condição de ouvinte. Não me lembro exatamente
da primeira apresentação para público fora do meu ambiente de trabalho convencional.
Contudo, três palestras nos primórdios das minhas apresentações ainda estão marcadas
em minha memória: a de Teófilo Otoni, MG, em 1991, esta por ter sido a primeira fora de
Belo Horizonte e pela conversa com o Prof. Dr. Alcino Lázaro da Silva, já citada. A outra
foi um momento em que aprendi a não ser tão sincera nas minhas colocações, ainda que
verdadeiras, pois elas podem causar certo grau de desconforto aos demais. Recordo-me
que foi um evento organizado na Faculdade de Medicina da UFMG, uma mesa redonda
de cirurgia, em que fui convidada para apresentar sobre fístulas digestivas. Ao fazer os
agradecimentos, pontuei que era uma honra estar ali naquele momento com pessoas tão
ilustres, de referência da Cirurgia em Minas, quiçá no Brasil e, que tinham certamente
os mesmos anos de formados que eu tinha de idade. Ao final, no momento de discussão,
ouvi de um dos participantes que, ainda que verdade, o meu comentário não era bem
55
visto por grande parte das pessoas, já que a idade é um segredo de estado. Foi algo que
levei comigo desse dia para refletir. A partir de então comecei a filosofar com o meu id
sobre o aspecto idade e outras particularidades que nos fazem distintos seres humanos.
O terceiro momento, foi quando grávida do meu filho Gustavo, fui convidada pelo Prof.
Dr. Dan L. Waitzberg a proferir palestra no seu curso anual, hoje denominado Ganepão.
Para mim, esse convite marcou a minha entrada no mundo da nutrição do Brasil, uma
vez que o curso é altamente renomado e apresenta o que há de melhor no assunto. Desde
então, 1993, nunca mais deixei de ser convidada para o Ganepão!
A primeira apresentação como convidada de um congresso internacional foi em
Bogotá, Colômbia, em 1995. Tremi nas bases literalmente, não só pela situação neófita,
mas essencialmente, porque na época não falava o espanhol fluentemente, já que somente havia começado a ter aulas há três meses. Optei por ler a apresentação que estava
escrita em espanhol. Sobrevivi! Voltei a sentir sensação similar quando apresentei o tema
“Assessing the nutritional assessment”, minha primeira participação no Congresso Americano de Nutrição Parenteral e Enteral, em 1999. Nesse momento, o idioma não foi o fator
estressante, pois o Inglês é minha segunda língua, mas o fato de estar num dos maiores congressos da especialidade, a apresentar para uma platéia de mais de 500 pessoas.
Também sobrevivi, contudo, sem unhas nas mãos, pois foram todas comidas enquanto
aguardava meu momento de subir ao pódium. Em Porto Alegre, 2003, foi a vez de ter
“frio na barriga” quando pela primeira vez apresentei no congresso do Colégio Brasileiro
de Cirurgiões. Afinal muitos anos antes, sonhara com esse momento e, finalmente, havia
chegado!Admito, que ainda hoje quando sou convidada a apresentar nesse congresso ou
no Europeu, tremo nas bases, pois sei que na platéia sempre terei alguém que é super,
ultra especialista no assunto. Felizmente, até hoje sempre sobrevivi!
Em 1999, Estocolmo, durante o Congresso Europeu de Nutrição Parenteral e Enteral, apresentei os resultados preliminares da segunda fase do Ibranutri, na qual a desnutrição foi associada com complicações, mortalidade, tempo de internação e custos. Foi na
forma de pôster, porém com apresentação para avaliadores e público. Coincidentemente,
o pôster que estava a meu lado era do grupo do Prof. Dr. Kursheed Jeejeebhoy, ele em
pessoa o apresentaria. Assim, tive a oportunidade de discutir pessoalmente o instrumento de avaliação nutricional utilizado no Ibranutri e que havia sido descrito pelo Prof.
Jeejeebhoy e seu grupo em 198722. Senti-em altamente lisonjeada pelos comentários feitos, reforçados em 2003, em seu editorial18 da revista Clinical Nutrition, quando publiquei o artigo final contendo esses resultados .
Na tabela 9 estão referenciadas, por ano, as minhas participações em eventos nacionais e internacionais.
56
Ano
Número
2009
20
2008
19
2007
48
2006
29
2005
40
2004
21
2003
43
2002
4
2001
5
2000
2
1999
1
1997
1
1991
4
1986
2
TOTAL
239
Tabela 9 - Número de participações em mesas
redondas, palestras e apresentações de temas
livres/pôsteres em eventos nacionais e internacionais, por ano.
2.7 - Grupos de Pesquisa
A participação interdisciplinar e multiprofissional em muito contribui para o desenvolvimento de atividades assistenciais e educacionais. Sempre fui defensora dessa política e neste sentido, tão logo cheguei à UFMG convidei a Profª. Jacqueline Isaura Alvarez
Leite, do Departamento de Bioquímica e Imunologia para integrar o grupo de Nutrição
do Instituto Alfa. A sua experiência na área de metabolismo e bioquímica, em especial,
obesidade, tem ajudado a implementar o ambulatório de atenção a pacientes obesos mórbidos candidatos a tratamento cirúrgico. Nesse, os cuidados pré e pós-operatórios são
conduzidos pela equipe interdisciplinar, sob sua coordenação. Além disso, coordenamos
conjuntamente dois grupos de pesquisa registrados no CNPq: o de Nutrição e Cirurgia e
o de Aterosclerose e Bioquímica Nutricional. Dessa parceria os frutos começaram a ser
colhidos. A estudante Rachel Horta Freire defendeu dissertação de mestrado sob minha
orientação intitulada “Avaliação de pacientes submetidos à derivação gástrica em y de
Roux ao longo de 10 anos: aspectos dietéticos, antropométricos, clínicos e de qualidade
de vida”. Parte dos dados desse trabalho foi apresentado durante o III Congresso Brasileiro de Nutrição Integrada e Ganepão 2009, tendo ganho a menção honrosa.
A epidemiologia, que entrou em minha vida na época do Ibranutri com a co-orientação da Profª. Drª. Waleska Teixeira Caiffa no mestrado, é ainda presente atualmente
com a minha participação no grupo de pesquisa em Epidemiologia GPE/DMPS/UFMG,
sob a coordenação do Professor Dr. Fernando Augusto Proietti. Além disso, participo
também do grupo do Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte, coordenado pe57
los professores Drs. Fernando Augusto Proietti e Waleska Teixeira Caiffa, que pode ser
visto na página http://www.medicina.ufmg.br/osubh/equipe5.html. O objetivo do Observatório é fazer a análise dos fatores condicionantes da saúde da população por áreas
delimitadas e formulação de propostas de intervenção, em Belo Horizonte.
2.8 - Pós-Doutorado
Em 2007, fui fazer estágio pós-doutoral na Universidade de Pittsburgh no Departamento de Cirurgia. Meu objetivo foi desenvolver parceria científica com o Prof. Dr. Juan
B. Ochoa, cirurgião do trauma, grande estudioso do metabolismo cirúrgico e com várias
publicações internacionais. O Prof. Ochoa é especialista em nutrientes específicos, em
especial, arginina e citrulina, que são também foco de minha atenção. As vias metabólicas do óxido nítrico e das células mielóides supressoras tem sido alvo de seus últimos trabalhos. Como fruto do meu tempo em Pittsburgh, publiquei dois trabalhos em conjunto
com sua equipe. Além disso, nossa parceria mantem-se até hoje. Durante os três meses
que passei em Pittsburgh fiquei parte do tempo no laboratório de metabologia cirúrgica
e o restante no atendimento ao trauma, além de ter tido a oportunidade de acompanhar
a equipe de transplante intestinal chefiada pelo Dr. Kareem M. Abu-Elmagd. Foi muito
interessante e desafiador poder conhecer mais sobre o transplante intestinal e todas as
nuances envolvidas com este ato.
Pittsburgh, cidade essencialmente universitária, foi uma experiência muito agradável também do ponto de vista intelectual e de diversão, que fizeram o inverno ser
vivido com muito mais prazer. A cidade tem museus maravilhosos e hospeda uma das
orquestras sinfônicas mais conhecidas do mundo (Pittsburgh Symphony Orchestra), que
tive oportunidade de ouvir em dois momentos.
2.9 - Auxílios/Verbas para Pesquisa e Eventos
O início da vida de um pesquisador é sempre um caminhar de mãos vazias, inúmeras perspectivas e parcos recursos, principalmente num país onde as verbas são limitadas. Obviamente, minha experiência de pesquisadora não tem sido diferente. Os agentes
fomentadores exigem comprovação de experiência por meio de publicações científicas
nos assuntos propostos, para que se possa garantir a qualidade e o mérito em pleitear
os recursos. Contudo, se não há verbas não há como produzir, ou seja, o ciclo vicioso é
estressante e desanimador. Mas como diz o ditado “água mole em pedra dura, tanto bate
58
até que fura” e assim sempre tenho caminhado a passos discretos ao longo desta trajetória.
Meu primeiro pedido de verba foi ao CNPq em 2003 para o projeto “O impacto
da Terapia Nutricional no preparo e na evolução de pacientes em lista para transplante
hepático”. Obviamente, pedi e não levei. Ainda assim, o projeto foi feito com recursos
próprios e dele resultaram, até o momento, duas dissertações (Avaliação nutricional e
perfil da ingestão alimentar de pacientes em lista de espera para transplante hepático;
Síndrome metabólica em pacientes submetidos a transplante hepático: prevalência e fatores associados). Dois trabalhos advindos dessas dissertações já foram publicados (figuras 6 e 7) e dois outros foram submetidos para publicação, além de dois que estão em
fase final de redação.
Artigo
Original
DESNUTRIÇÃO E INADEQUAÇÃO ALIMENTAR DE PACIENTES
AGUARDANDO TRANSPLANTE HEPÁTICO
LÍVIA GARCIA FERREIRA1*, LUCILENE REZENDE ANASTÁCIO2, AGNALDO SOARES LIMA3, MARIA ISABEL TOULSON DAVISSON CORREIA4
7UDEDOKRUHDOL]DGRQR$PEXODWyULRGH7UDQVSODQWH+HSiWLFR,QVWLWXWR$OIDGH*DVWURHQWHURORJLD+RVSLWDOGDV&OtQLFDVGD8QLYHUVLGDGH)HGHUDOGH0LQDV*HUDLV
Belo Horizonte, MG
*Correspondência:
Rua Jussara, nº 181
apto. 301 - Nova Floresta
Belo Horizonte – MG
CEP: 31140-070
Tel: (31) 8866-9033
Fax: (31) 3247-6232
[email protected]
RESUMO
OBJETIVO. O estado nutricional de pacientes em lista de espera para transplante hepático deve ser
DYDOLDGRGHYLGRDRULVFRHOHYDGRGHGHÀFLrQFLDVQXWULFLRQDLVGHVVHVGRHQWHVVHQGRHVWHRREMHWLYR
do presente estudo.
MÉTODOS. Em 13 meses, pacientes candidatos a transplante de fígado foram avaliados nutricionalPHQWHSHODWpFQLFDGH$YDOLDomR*OREDO6XEMHWLYD$*6HDLQJHVWmRDOLPHQWDUIRLTXDQWLÀFDGDSHOR
recordatório de 24 horas.
RESULTADOS. Foram avaliados 159 pacientes, média de idade de 50 ± 10,6 anos, sendo 71,1%
homens. A desnutrição foi encontrada em 74,7% dos pacientes, com 28% de desnutridos graves.
Essa foi associada à gravidade da doença por Child-Pugh, à presença de edema e/ou ascite, aos
HSLVyGLRVSUpYLRVGHHQFHIDORSDWLDKHSiWLFDDRXVRGHPDLVGHWUrVPHGLFDPHQWRVHDRVEDL[RVQtYHLV
de atividade física (p<0,05). Os dados socioeconômicos dos pacientes, a etiologia da doença e o
HVFRUH0(/'QmRDIHWDUDPRHVWDGRQXWULFLRQDOS 162SHUFHQWXDOGHDGHTXDomRDOLPHQWDUHP
relação às necessidades calóricas não foi atingido por 90,7% dos doentes e por 75,7% dos mesmos
em relação às necessidades protéicas.
CONCLUSÃO. 3RGHVHFRQFOXLUTXHDGHVQXWULomRpDOWDPHQWHSUHYDOHQWHHQWUHSDFLHQWHVDJXDUGDQGR
WUDQVSODQWHKHSiWLFRRVTXDLVDSUHVHQWDPLQJHVWmRDOLPHQWDUGHÀFLHQWHRTXHFHUWDPHQWHPDQWpP
RFLFORYLFLRVRTXHSLRUDRHVWDGRQXWULFLRQDO
UNITERMOS: Desnutrição. Transplante de Fígado. Ingestão de Alimentos.
Figura 6 - Artigo original advindo da dissertação de
Mestrado da estudante Lívia Garcia Ferreira
desses enfermos4 e nos custos hospitalares5. A desnutrição pode
INTRODUÇÃO
6
A desnutrição é altamente prevalente em pacientes com
doença hepática crônica, e é praticamente universal em
pacientes em lista de espera para transplante hepático1. O
ItJDGRpRSULQFLSDOyUJmRTXHGHVHPSHQKDSDSHOIXQGDPHQWDO
QRPHWDEROLVPRFRUSRUDOHQYROYHQGRP~OWLSORVSURFHVVRVFRPR
DUHJXODomRGRPHWDEROLVPRSURWpLFRHHQHUJpWLFR26HQGRDVVLP
a doença hepática crônica resulta em grande impacto nutricional,
concomitante ao grau de mau funcionamento do órgão. Além
disso, a anorexia secundária ao uso de drogas, assim como a
presença de náuseas, vômitos e saciedade precoce diminui a
ingestão alimentar. Dessa forma, esses pacientes apresentam
ULVFRHOHYDGRGHGHÀFLrQFLDVQXWULFLRQDLV
A desnutrição tem impacto direto no prognóstico do paciente
cirrótico, deteriorando a função hepática, afetando adversamente
a evolução clínica3UHÁHWLQGRQRDXPHQWRGDPRUELPRUWDOLGDGH
DJUDYDUVHHQTXDQWRRVSDFLHQWHVDJXDUGDPQDOLVWDGHHVSHUD ,
por isso a avaliação do estado nutricional deve ser precocemente realizada7,GHQWLÀFDURPHOKRULQVWUXPHQWRSDUDDYDOLDU
RHVWDGRQXWULFLRQDODLQGDpXPGHVDÀR3DFLHQWHVKHSDWRSDWDV
DSUHVHQWDPDOWHUDo}HVGRPHWDEROLVPRGDIXQomRLPXQROyJLFD
HGDFRPSRVLomRFRUSRUDOSULQFLSDOPHQWHH[FHVVRGHiJXDTXH
RFRUUHPLQGHSHQGHQWHGRHVWDGRQXWULFLRQDOGLÀFXOWDQGRGHVWD
maneira a escolha do método de avaliação4.
$$YDOLDomR*OREDO6XEMHWLYD$*68, método essencialmente
FOtQLFRSDUHFHVHURLQVWUXPHQWRPDLVDGHTXDGRSDUDRGLDJQyVtico de desnutrição em pacientes com hepatopatias, dentre os
PpWRGRVGLVSRQtYHLVHYLiYHLVÀQDQFHLUDPHQWH9. Nesse sentido,
DOpP GR GLDJQyVWLFR GH HVWDGR QXWULFLRQDO D TXDQWLÀFDomR GD
59
ingestão oral é fator primordial como método auxiliar da avaliação
desses enfermos.
0HVWUHHP&LrQFLDGH$OLPHQWRV)DFXOGDGHGH)DUPiFLD8QLYHUVLGDGH)HGHUDOGH0LQDV*HUDLV'RXWRUDQGDHP&LrQFLDV$SOLFDGDVj&LUXUJLDHj2IWDOPRORJLD
)DFXOGDGHGH0HGLFLQD8QLYHUVLGDGH)HGHUDOGH0LQDV*HUDLV%HOR+RUL]RQWH0*
0HVWUHHP&LrQFLDGH$OLPHQWRV)DFXOGDGHGH)DUPiFLD8QLYHUVLGDGH)HGHUDOGH0LQDV*HUDLV'RXWRUDQGDHP&LrQFLDV$SOLFDGDVj6D~GHGR$GXOWR)DFXOGDGH
GH0HGLFLQD8QLYHUVLGDGH)HGHUDOGH0LQDV*HUDLV%HOR+RUL]RQWH0*
ARTICLE IN PRESS
Clinical Nutrition xxx (2009) 1–5
Contents lists available at ScienceDirect
Clinical Nutrition
journal homepage: http://www.elsevier.com/locate/clnu
Review
Metabolic syndrome and its components after liver transplantation:
Incidence, prevalence, risk factors, and implications
Lucilene Rezende Anastácio a, Agnaldo Soares Lima b, Maria Isabel Toulson Davisson Correia b, *
a
b
Food Science Post-Graduation Program, Pharmacy School, Alfa Institute of Gastroenterology, School of Medicine, Federal University of Minas Gerais, Brazil
Department of Surgery, Alfa Institute of Gastroenterology, School of Medicine, Federal University of Minas Gerais, Brazil
a r t i c l e i n f o
s u m m a r y
Article history:
Received 26 December 2008
Accepted 14 August 2009
Metabolic syndrome is defined as the mutual existence of obesity, impaired fasting glucose levels, insulin
resistance, hypertension, and dyslipidemia. After liver transplantation, patients typically develop these
disorders, and even though there has been minimal research focused on the chronic impact of this
syndrome on post-liver transplant patients, studies point to an association with major vascular events
and fibrosis. The aim of the current work is to review data on the incidence, prevalence, risk factors, and
implications of metabolic syndrome and its components in patients who have undergone liver
transplantation.
� 2009 Elsevier Ltd and European Society for Clinical Nutrition and Metabolism. All rights reserved.
Keywords:
Liver transplantation
Metabolic syndrome
Diabetes
Hypertension
Obesity
Dyslipidemia
Figura 7 - Artigo de revisão advindo da dissertação de mestrado da estudante
Lucilene Rezende Anastácio.
1. Introduction
micophenolate mophetil. These drugs have been associated with
metabolic disorders.4,5 These factors, among others, are implicated
in the metabolic transformation that liver transplant patients will
undergo, resulting in a final outcome that typically includes
excessive weight gain and the negative consequences associate
with it.6–8 It has been reported that up to 41% of patients become
obese,9 and that nearly 70% are overweight or obese three years
after surgery.8 In addition, 13% to 38% become diabetic,9–11 36% to
69% develop hypertension,9,11 up to 69% develop hypertriglyceridemia12 and up to 52% have low high density lipoprotein
(HDL) levels.13
All these metabolic disorders, prevalent in these populations,9,14–16 are closely related and do not appear by themselves.
Together, we term this metabolic syndrome, which is associated
with major vascular effects and cirrhosis both in the normal
population17,18 and in liver-transplanted patients.15,16
In this report, we review data on the prevalence, incidence, and
risk factors of obesity, impaired fasting glucose/diabetes, hyperResultado
tension, and dyslipidemia and on the overall prevalence
of Final:
metabolic syndrome
Apoio àand its implications.
European
Deferida Valor
Liver transplantation is often the only solution for acute liver
failure and cirrhosis. Cirrhotic patients often spend many months
on hospital waiting lists, and often become undernourished due to
several risk factors. Typically, they cannot eat properly due to a loss
of appetite, and are afflicted with early satiety caused by ascites.
Additionally, they are also inadequately oriented to follow proteinrestricted diets.1 Because of the disease and its treatment, patients
frequently develop fatigue, which causes early retirement, leads to
sedentarism, and ultimately poor quality of life. Unfortunately, liver
transplantation is the only solution for the problem. It represents
a chance for patients to regain a better lifestyle, eating and living
with less restrictions. After liver transplantation, these patients
rediscover their appetite and the pleasure of old eating habits after
months of restrictions. At the same time, they aim to recover their
previous nutritional status, and are able to enjoy food they could
not eat before. Despite these positive outcomes, many patients do
not return to work,2 and only a minority of long-term liver transplant survivors (24%) achieve normal levels of physical activity.3 All
patients
take immunosuppressive
drugs,21:51
including8124730253109278
steroids, calci453056/2009-1
20/05/2009
Participação... Congress Of ...
Aprovado: R$
neurin inhibitors such as tacrolimus or cyclosporine, and some are
2. Obesity
even prescribed m-TOR-Inhibitors (as sirolimus or everolimus) and
4.000,00
Weight gain after liver transplantation is critical for the recovery of
the nutritional status of liver transplantation patients. However, these
Tabela 10
- Comprovante de recebimento de verba parapatients
a organização
do XIV
Congresso
de Nutypically gain more
than they
should. In aBrasileiro
study with 597
* Corresponding author. Department of Gastrointestinal Surgery, Av. Carandaı́
patients,8 the median weight gain of liver transplantation patients
246, apt. 902, Belo e
Horizonte/MG,
Brazil. Tel.: þ55 31 91688239.
trição Parenteral
Enteral.
E-mail address: [email protected] (M.I. Toulson Davisson Correia).
increased from 1.8 kg at 6 months to 9.5 kg at three years after liver
Continuo, anualmente, submetendo projetos ao CNPq, mas infelizmente ainda não
fui brindada com nenhuma verba. Por outro lado, o CNPq outorgou-me em 2001, processo número 451794/01, verba para a organização do XIV Congresso Brasileiro de Nutrição Parenteral e Enteral. Além disso, recebi apoio financeiro para ir ao Congresso Europeu de Nutrição Parenteral e Enteral, realizado em agosto deste ano, em Viena, conforme
mostrado na tabela 10.
0261-5614/$ – see front matter � 2009 Elsevier Ltd and European Society for Clinical Nutrition and Metabolism. All rights reserved.
doi:10.1016/j.clnu.2009.08.008
Além disso, também via CNPq, este ano, obtive verba para o IX Congresso Brasileiro de Videocirurgia
promovido pela Sociedade Brasileira de Videocirurgia ( SOBRACIL)
Please cite this article in press as: Anastácio LR, et al., Metabolic syndrome and its components after liver transplantation: Incidence, prevalence,..., Clinical Nutrition (2009), doi:10.1016/j.clnu.2009.08.008
, no período de 18 a 21 de abril de 2009, no Minascentro, em Belo Horizonte, do qual fiz
parte da comissão organizadora (tabela 11).
454340/2008-7
06/10/2008 13:39
Edital 05/2008 - Ix Congresso
9038526517261933
ARC...
Brasile ...
Resultado Final:
Deferida Valor
Aprovado: R$
25.000,00
Tabela 11 - Comprovante de recebimento de verba para o IX Congresso Brasileiro de Videocirurgia.
60
A Fundação do Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais concedeu-me apoio
financeiro para três projetos em andamento no momento: “Terapia nutricional pré-operatória com e sem arginina em pacientes com câncer de cabeça e pescoço” (este é motivo
de tese de doutorado da estudante Maria Cristina Cassiano e por tal, foi solicitado prorrogação do prazo); “Estado nutricional de pacientes com lúpus eritematoso sistêmico e seus
familiares diretos”, este é projeto de extensão com interface com a pesquisa apresentado
no anexo VIII e; e “Avaliação de pacientes com lúpus eritematoso sistêmico atendidos
no servico de reumatologia do Hospital das Clínicas/UFMG: aspectos nutricionais, perfil
inflamatório, qualidade de vida e atividade física”, motivo da dissertação de mestrado
conlcuída e de tese de doutorado da estudante Mariane Borges Curado.
Meu estágio pós-doutoral na Universidade de Pittsburgh em 2007 foi apoiado por
bolsa da CAPES.
No momento, tenho três bolsas de iniciação científica (FAPEMIG, CNPq), nos seguintes projetos “Prevalência de úlceras por pressão em Hospitais do Brasil: correlação
com o estado nutricional”; “Terapia Nutricional pré-operatória com e sem Arginina em
Pacientes com Câncer de Cabeça e Pescoço” e “Estado nutricional de pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico e seus familiares diretos”. O último projeto também foi contemplado com bolsa de apoio técnico da FAPEMIG . Sou também professora orientadora
de uma estudante com bolsa de monitoria PID e três voluntários, todos na disciplina de
Clínica Cirúrgica .
2.10 - Colaborações Nacionais e Internacionais
Minha colaboração como revisora de um periódico foi na Revista Brasileira de Nutrição Clínica. Honestamente não me recordo da data em que isso ocorreu. Porém, em
1994, passei a ser editora associada da revista, cargo que mantive até 1996. Em 1996,
assumi a função de editora executiva até 2001. Em 2005, fui novamente convidada a integrar o quadro de revisores dessa revista, no qual permaneço até o momento.
Tenho participado ativamente como revisora e editora de distintos periódicos, dos
quais destaco: a revista Nutrition (editora Latino-americana), anexo IX; editora da seção
gastrointestinal da Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care (edição de
setembro), anexo X; editora associada do Journal of Parenteral and Enteral Nutrition
(anexo XI): da Clinical Nutrition (anexo XII) além de ter atuado como revisora ad hoc
de outras revistas. Ademais, colaborei também com os processo de seleção de propostas
para projetos submetidos à Fundação do Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul e ao
Ministério da Saúde.
61
2.11 - Homenagens e Prêmios
Estava a atender no ambulatório Bias Fortes em uma segunda-feira de março de
2004, quando meu telefone tocou. Do outro lado da linha mal se compreende a palavra
de quem me chama, até então não identificado por mim, pois o barulho de fundo era
ensurdecedor. Mal consigo entender o que me diz a voz masculina, posteriormente identificada como sendo a do Baiano, um dos estudantes a quem havia dado aulas em dois períodos distintos. Algo como “professora, professora, você é a nossa paraninfa” soava em
meu ouvido. Insólita e sem acreditar no que ouvia, dirigi-me ao Salão Nobre da Faculdade onde todos estavam reunidos. Se a emoção até então não tinha sido suficiente para
debulhar-me em lágrimas, quando entrei no recinto fui recebida com palmas e gritos de
“você é a nossa paraninfa”. Meu nome escrito em letras bem grandes no enorme quadro
negro que lá se encontrava estava envolvido por um coração bem grande.
Ser a paraninfa já era o paraíso, mas ser ovacionada por grande número de estudantes foi algo que até hoje me emociona quando recordo esse momento, só superado pela
êxtase do dia da formatura. Na verdade, esse era o começo do meu terceiro ano de UFMG,
aquela era a primeira turma a quem tinha dado aulas e a honraria de ser homenageada
pela comunidade acadêmica era absolutamente indescritível. O discurso que redigi em
homenagem a meus afilhados foi escrito no auge da emoção na madrugada que antecedeu
a solenidade da colação de grau e descreve toda a emoção desse momento (anexo XIII).
Novamente, vi-me no ápice dos sentimentos quando ao terminar, meus afilhados e muitos dos presentes na cerimônia aplaudiram-me de pé.
Uma sensação dúbia tocou-me quando nessa mesma noite e na seguinte, durante
o baile, fui cumprimentada pelos familiares que queriam conhecer a “paraninfa angolana”. Todos sabiam de onde eu era, já em que em minha homenagem o hino de Angola
havia sido tocado logo após o hino Brasileiro, na cerimônia de abertura da Formatura.
Esse sentimento dúbio deveu-se à alegria e à responsabilidade por tudo o que o momento
representou. Afinal, eu havia sido escolhida como exemplo por aqueles estudantes e, isso
era muito mais do que havia imaginado quando entrei para professora da UFMG.
Sentimento similar repetiu-se em meados de abril de 2007, quando novamente,
numa segunda-feira de muito trabalho e, no auge do desespero porque havia sido notificada da demora de um projeto de pesquisa no Comitê de Ética, estava calada no canto
do bloco cirúrgico, quando a estudante Heloísa me pergunta: Professora, por que essa
cara? Afinal você deveria estar feliz, pois não é qualquer um que tem a honra que você
tem!”. Como não estava a entender a conversa, respondi-lhe que só se fosse a honra de
trabalhar em excesso e sempre a mil, num lugar em que tudo caminha a passos muito
lentos. A estudante percebe então que eu desconheço sobre o assunto a que se referia e
me dá a grande notícia e honra, sem dúvida, de que havia sido escolhida como patrona
da sua turma. Novamente, senti-me no paraíso e revivi todas as emoções anteriormente
experimentadas. Meu discurso registrou todos esses sentimentos (anexo XIV) , e a responsabilidade marcada em minha trajetória acadêmica.
62
Em outros momentos, tive a honra de ser agraciada com prêmios e menções honrosas que sempre trouxeram muita alegria. Destaco o primeiro momento em que isso ocorreu, pois definitivamente foi estímulo a querer perseguir a vida acadêmica e científica.
Em 1986, enviei dois temas livres para o Congresso Mudial de Gastroenterologia, em São
Paulo. Ambos foram aceitos para apresentação oral e fui contemplada com “Young investigator program” que me garantiu a estadia durante todo o evento. O primeiro prêmio
internacional ocorreu em 1997, quando apresentei no Congresso da Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral, na seção Ibero-Latinoamericana (Comitê de língua
espanhola) o primeiro trabalho do Ibranutri (anexo III). A tabela 12 mostra os demais
momentos em que ou eu ou meu grupo de trabalho fomos agraciados com reconhecimento científico. Essa tabela registra também os agradecimentos por trabalhos junto a
distintas entidades. Neste quesito, saliento o reconhecimento de Sociedades de Nutrição
da América Latina que pelos apoios e auxílios prestados concederam-me o título de membro honorário. Vale contar a história da Sociedade Dominicana de Nutrição Parenteral e
Enteral que, num momento de descontração e muitas brincadeiras outorgou-me o passaporte Dominicano, considerando que além de tudo “usted baila como una Dominicana”.
Ano
Premiação
2009
Prêmio do melhor trabalho completo do Congresso Brasileiro de Nutrição Parenteral e Enteral
“Avaliação da permeabilidade intestinal e níveis de interferon-gama após inibição do óxido nítrico em
camundongos suplementados com glutamina”
2009
Menção Honrosa - Trabalho: “Influência dos hábitos dietéticos sobre a perda do excesso de peso e
reganho: avaliação de pacientes submetidos à derivação gástica em Y de Roux nos últimos dez anos, III
Congresso Brasileiro de Nutrição Integrada (CBNI) e Ganepão 2009.
2009
Abstract of distinction trabalho “L-Citrulline positively impacts on intestinal permeability and bacterial
translocation in mice undergoing intestinal obstruction”, ASPEN - American Society of Parenteral and
Enteral Nutrition.
2009
Abstract of distinction com o trabalho “Protective effect of short-chain fatty acids or butyrate alone
against 5-FU induced intestinal mucositis”, ASPEN - American Society of Parenteral and Enteral
Nutrition.
2009
Melhor trabalho na especialidade coloproctologia, Sociedade Mineira de Gastroenterologia “Fast track
simplificado na cirurgia colônica eletiva”.
2009
3eme Classement du Diplome Université du Gout, de la Gastronomie et des arts de la Table, Université
de Reims.
2008
Prêmio Henri Nestlé de Nutrição e Saúde - “A ação da glutamina na translocação bacteriana e
permeabilidade inestinal em modelo experimental de obstrução intestinal em camundongos”, Nestlé
Brasil.
2008
Travel Award for best abstracts 30th ESPEN Congress - “Metabolic disorders after liver transplantation:
incidence, prevalence and risk factors, The European Society of Clinical Nutrition and Metabolism”.
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2007
Menção Honrosa - “Oral arginine prevents bacterial translocation in mice, European Society for Clinical
Nutrition and Metabolism”.
2007
Pôster em Destaque - “Poliaminas em dietas enterais artesanais prescritas para pacientes oncológicos”,
XVII Congresso Brasileiro de Nutrição Parenteral e Enteral - V Congresso Brasileiro de Nutrição Clínica.
2007
Pôster em Destaque - “Ação da glutamina na permeabilidade intestinal de camundongos”, XVII
Congresso Brasileiro de Nutrição Parenteral e Enteral - V Congresso Brasileiro de Nutrição Clínica.
2007
Pôster em Destaque - Trabalho “ O papel da Arginina na permeabilidade intestinal em modelo de
obstrução intestinal de camundongos”, XVII Congresso Brasileiro de Nutrição Parenteral e Enteral - V
Congresso Brasileiro de Nutrição Clínica.
2007
Melhor trabalho na categoria de Fórum de Pesquisa, Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e
Enteral, Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral “Avaliação da Permeabilidade Intestinal
de Camundongos Tratados com Probióticos, Utilizando Dtpa Marcado com Tecnécio-99m”.
2007
Patrona da 122 turma de Medicina da UFMG, Estudantes de Medicina.
2006
Abstract of Distinction com o trabalho The effects of arginine on bacterial translocation in an intestinal
obstruction model in rats, Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral.
2004
Paraninfa da Turma “São Lucas” - Medicina, Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas
Gerais.
2003
Prêmio do Comitê de Língua Espanhola (ILAS) da Sociedade Americanca de Nutrição Parenteral
e Enteral, Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral “Cuantificación Dietética: un
Instrumento Válido para Identificar Pacientes en Riesgo de Desnutrición”.
2001
Prêmio Baxter de Nutrição Parenteral, Federação Latino Americana de Nutrição Parenteral e Enteral.
2001
Prêmio Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, Sociedade Brasileira de Nutrição
Parenteral e Enteral “Indicações para o uso de Nutrição Parenteral Periférica”.
2001
Membro Honorário da Sociedade Venezuelana de Nutrição Parenteral e Enteral, Sociedade Venezuelana
de Nutrição Parenteral e Enteral.
Prêmio do Comitê de Língua Espanhola, Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral.
2000
Profesora visitante, Univesidad Científica del Sur - Lima, Perú.
2000
Membro Honorário e Fundador da Sociedade Dominicana de Nutrição Parenteral e Enteral, Sociedade
Dominicana de Nutrição Parenteral e Enteral.
1999
Miembro honorario de la Sociedad Venezolana de Nutrición Parenteral y Enteral, Sociedad Venezolana
de Nutrición Parenteral y Enteral.
1998
Visitante honorable de la ciudad de Cordoba, Ciudad Turística, Municipalidad de Córdoba, Secretaria de
Gobierno.
1997
Prêmio do Comitê de Língua Espanhola, Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral
“Brazilian National survey on hospital malnurition: preliminary results”.
1986
Young investigator program, The World Congress of Gastroenterology.
Tabela 12 - Prêmios e títulos conquistados por ano.
64
3 - VIDA SOCIETÁRIA
3.1 - Colégio Brasileiro de Cirurgiões
Minha primeira participação no congresso do Colégio Brasileiro de Cirurgiões
aconteceu em 1985, poucos dias depois de ter-me tornado médica. Foi com certa apreensão e nervosismo, que apresentei nesse evento, na época, ainda um meio essencialmente
masculino, meu primeiro trabalho em congresso cirúrgico. Fascinada por todas as apresentações de alto nível que assisti, dois conferencistas, Dr. Murray Brenan e Profª. Drª.
Angelita Habr-Gama, pelas particularidades de cada um, marcaram meu desejo de “quero chegar lá”. Assim, o Colégio virou sonho e objetivo a alcançar do ponto de vista didático. Contudo, não me passou, na altura, a idéia de que um dia participaria da direção da
entidade, pois sempre se tratou de associação muito tradicional e atrelada a princípios
bastante conservadores.
A participação como congressista em quase todos os congressos tem sido a regra,
com a exceção do evento de 1997, em Recife, que coincidiu com outra atividade. Em
julho de 2003, fiz a primeira apresentação como palestrante, no congresso realizado em
Porto Alegre, quando pude observar que a nutrição havia passado a fazer parte da vida
de muitos cirurgiões, já que a sala encontrava-se cheia.
Em 2002/2003, cumpri o primeiro mandato como secretária do capítulo de Minas
Gerais, para o qual fui re-eleita em 2004/2005. Em 2006, fui eleita Mestre do Capítulo de
Minas Gerais. Nesse período, foi objetivo levar o Colégio para outras cidades do estado
(Araxá, Divinópolis e Juiz de Fora), divulgando a importância do mesmo, compartilhando ciência e anunciando o XXVII Congresso Brasileiro de Cirurgia, que seria organizado
em julho de 2007, em Belo Horizonte, do qual também fiz parte da comissão organizadora.
3.2 - Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral
A Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral (SBNPE) teve grande impacto na minha vida, essencialmente pela oportunidade do Ibranutri. No entanto, desde quando assisti ao primeiro congresso, em Foz de Iguaçu, em 1987, senti que queria ser parte desse
universo. Não me lembro exatamente do momento que iniciei meu envolvimento direto
nos parte dos quadros diretivos da SBNPE, talvez lá por meados de 1988. Fui secretária
e depois presidente da regional Minas, viajei por todo o estado organizando eventos,
pois sempre defendi a idéia de descentralização e valorização do interior. A memória
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falha-me e, naquela época, não tinha em mente a importância de arquivar comprovantes
(diplomas, declarações etc), mas acredito que um dos primeiros eventos que organizei foi
uma jornada em Uberlândia, seguida por outras várias, em todo o estado. Assim, desde o
início das minhas atividades societárias sempre me envolvi intensamente da divulgação
da nutrição não só pelo estado de Minas Gerais, mas por todo o Brasil.
Fui convidada pelo Prof. Dr. Dan Waitzberg, em 1995, a integrar a chapa nacional
para o biênio 1996/1997 como representante do departamento de Defesa Profissional,
acredito que em função das atividades que havia desenvolvido na regional de Minas.
Em virtude desse cargo, no qual permaneci na gestão subsequente, do Prof. Dr. Antônio
Carlos L. Campos, 1998/1999, estive presente, várias vezes, em reuniões da Associação
Médica Brasileira, onde na época se discutia a tabela de procedimentos médicos que
deveria ser atualizada, incluindo os procedimentos da Terapia Nutricional. Também, no
Conselho Federal de Medicina atuei quando das múltiplas discussões para a definição de
especialidades e áreas de atuação, processo complexo e árduo. Em 2000/2001, assumi a
vice-presidência da Sociedade, tendo sido então presidente do XIV Congresso Brasileiro
de Nutrição Parenteral e Enteral, o VIII Congresso Latino Americano de Nutrição Parenteral e Enteral e o II Congresso Brasileiro de Nutrição Clínica, como anteriormente mencionei. Após este evento, em outubro de 2001, e já sabendo que iria tentar o concurso
para professora da UFMG, anunciei que não seria candidata à presidência da Sociedade.
Desde então, a participação na SBNPE tem sido apenas como “consultora amiga” dos distintos dirigentes que por lá têm passado. Contudo, em maio de 2008, recebi o convite do
Prof. Dr. José Vicente Spolidoro, presidente da SBNPE, para integrar o grupo de profissionais, capitaneados pelo Prof. Dr. Antônio Carlos L. Campos, que iria elaborar as diretrizes brasileiras de Terapia Nutricional. Para tal, assisti na AMB ao workshop “Diretrizes
para a Prática Clínica Baseada em Evidência e Centrada no Paciente” sob a coordenação
do Dr. Wanderley Marcos Bernardo. Fui, posteriormente, nomeada responsável pela coordenação do módulo clínico do projeto DITEN (Diretrizes de Terapia Nutricional) (anexo XV), além de autora de alguns capítulos. As diretrizes sairão publicadas em conjunto
com a AMB, como parte do projeto diretrizes dessa entidade. 3.3 - Federação Latino Americana de Nutrição Parenteral e Enteral Buenos Aires, maio de 1989, foi o palco do primeiro congresso internacional que
assisti e tratou-se do congresso de FELANPE. Apesar do não dominar o idioma, ou melhor, não falava absolutamente nada, fui capaz de entender a maioria do que foi apresentado, o que me estimulou a continuar a freqüentar tal evento. Em janeiro de 1995,
fui pela primeira vez a uma reunião oficial da direção da FELANPE, em Cuernavaca, México, representando o presidente do Brasil, Dr. Dan L. Waitzberg. Nesse encontro, tive
66
a certeza que queria comunicar-me, no futuro, em espanhol, motivo pelo qual comecei
com aulas particulares. De Cuernavaca até secretária da FELANPE, em 2000, passaram-se
cinco anos, em que sempre estive envolvida com eventos e atividades, dos quais destaco
a revisão do estatuto da entidade, entre outras. Em 2001, o congresso da federação foi
feito em conjunto com o congresso brasileiro, em Salvador, do qual já mencionei ter sido
presidente. Nesse mesmo período, 2000-2001, conduzi o estudo Latino Americano de
Nutrição (Elan) e pelo qual, viajei a diversos países para treinar as equipes participantes,
como havia feito no Brasil para treinar os que participaram do Ibranuti. Esse estudo, de
maneira similar, ao que ocorreu no Brasil teve impacto em políticas de saúde em vários
países, dos quais destaco Argentina e Cuba.
O curso Terapia Nutricional Total (TNT) foi o projeto educacional, extra-muros
universitários , mais audaz que participei. Em 1995, no congresso de Bogotá, Colômbia,
formou-se a equipe que desenvolveria programa de educação nutricional, direcionado a
médicos, construído aos moldes do ATLS (Advanced Trauma Life Support) organizado
pelo Colégio Americano de Cirurgiões. Pelas mãos do então presidente da FELANPE,
Prof. Dr. Jaime Escallon, fui convidada a juntar-me a esse grupo em janeiro de 1996. O
TNT foi auditado como curso piloto no México, em abril de 1997. Foi oficialmente lançado para todas as sociedades de nutrição da América Latina, além de outras sociedades
mundiais que também foram convidadas para o evento, em julho de 1997, em Chicago,
EUA. Em 2005, a equipe inicial que estruturou o curso foi dissolvida, pois entendeu-se
que a manutenção já não se fazia necessária com a evolução do projeto. A diretoria da
FELANPE, em conjunto com o patrocinador, entendeu que bastaria haver coordenação,
responsável por compilar informações e demandas de atualização. Fui nomeada e exerço
o cargo de coordenadora acadêmica do curso TNT (anexo XVI). Perdi a conta de quantos
cursos coordenei e ministrei até hoje.
3.4 - Outras sociedades
Sou sócia da Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN), da
Sociedade Européia de Nutrição Parenteral e Enteral (ESPEN) e da Sociedade Brasileira
de Videocirurgia (SOBRACIL). Sendo ativamente envolvida com a SOBRACIL, fui do comitê científico do IX Congresso Brasileiro de Videocirurgia realizado em Belo Horizonte,
abril de 2009 e atualmente, estou no comitê científico do IX Congresso Latinoamericano
de Videocirurgia e X Congresso Brasileiro de Videocirurgia, a ser realizado em Salvador
em agosto, 2010.
67
4 - VIDA EXTRA-MEDICINA
Na minha concepção, Medicina além de profissão sempre foi dedicação, prazer e
amor. Contudo, o todo desse sentimento só é realmente completo quando há vida extramuros da academia, da assistência e da pesquisa. Há que se viver outras experiências e
outros ambientes, pois caso contrário, o desgaste emocional e intelectual é grande. Na
verdade, mesmo antes de ser médica, pontuei a minha existência com distintas e até mesmo opostas práticas de divertimento. Na infância, fui capaz de viver o mundo feminino
e típico das bonecas, no qual muitas vezes sozinha construí castelos de fantasias e de
princesas. Contudo, paralelamente no mundo diário da escola, as diversões contemplavam competições com os meninos com os quais disputava corridas, correndo feito uma
gazela. Nunca consegui dedicar-me a apenas uma atividade, ainda que quando o faça, a
dedicação sempre tenha sido integral de corpo e alma. Tive e tenho vários hobbies, além
de atuação em serviços comunitários.
Às vezes, eu mesma me pergunto como consigo tempo e disposição para tudo, mas
acho que é natural, nada é obrigado. Ouvi numa conferência no Colégio Brasileiro de
Cirurgiões, quando há alguns anos assisti à homenagem ao Prof. Dr. Adib Jatene, que
segundo esse se “quer que alguém faça alguma coisa, procure aquele que é o mais ocupado”. Acho que essa é a minha realidade, pois como não sei “dizer não” tenho que obrigatoriamente encontrar tempo para fazer tudo e honrar a palavra. Por outro lado, quando
sinto-me sem vontade de fazer algo que somente dependa de mim, ou seja, outras pessoas
não estão envolvidas, dou-me o direito de não fazê-lo. É meu jeito de descansar, de dar à
minha alma as férias merecidas! Ficar só, ainda que por pouco tempo, às vezes, é maneira
ideal de ficar “zen”. Contudo, além desse prazer de ficar só, preferencialmente, em contato com a natureza, outras atividades solitárias ou grupais completam minha qualidade
de vida. Ressalto, essencialmente, a leitura de bons livros, o ir ao cinema e ao teatro, o
escutar boa música, o bordar, o tricotar, o fazer crochê, o viajar e o conhecer gente e mais
gente, ademais do compartilhar as distintas culturas e credos. Contudo, é em especial no
esporte e na gastronomia que me deixo flutuar pelas ondas do prazer sublime, espiritual,
físico e do gosto.
4.1 - Esporte
Aos três anos, por influência familiar, comecei a fazer ginástica. Claro que nessa
idade, era o prazer de estar com os meus primos mais velhos que predominou. No entanto, os exemplos dados por eles fizeram com que começasse, anos mais tarde a ter como
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objetivo ser uma ginasta olímpica. Porém, do alto de um trampolim, no ginásio onde treinava, podia observar a piscina do clube onde a equipe de natação treinava diariamente
no mesmo horário. Aos dez anos de idade, apaixonei-me, não pela água, pois afinal mal
sabia nadar os quatro estilos, mas pelo menino Guilherme. Assim morreu a carreira de
ginasta e nasceu a de nadadora. A paixão foi simplesmente platônica, mas o amor à água
prevalece até hoje. Fui campeã de Angola, vice-campeã portuguesa e em Belo Horizonte
nadei no Olímpico, numa fase em que o esporte foi fundamental para a minha integração
ao país, mas já não mais visto como prioridade. Durante os tempos de faculdade e por
muitos anos, as piscinas foram somente meio de refrescar-me em dias quentes, pois a
solidão que acompanha o nadador durante os seus longos treinos tomou conta de mim.
Este quadro só se modificou, quando recentemente, por questões físicas, fui impedida,
durante o período de recuperação pós-operatória de reconstrução do ligamento cruzado
anterior, de praticar outras atividades aeróbicas. A volta às piscinas foi quase que por
necessidade de fazer algo durante essa fase fisioterápica, mas logo marcada pelo gostinho
antigo de nadar. Bastou a primeira competição para nascer em mim, novamente, a vontade de treinar e competir. Assim, este ano voltei às competições e pelo estímulo dos bons
resultados, reinvesti, com as limitações da vida profissional, na vida de atleta, agora marcada pela máxima sou “uma profissional atleta”, o contrário dos “atletas profissionais”.
Infelizmente, uma lesão do ombro, obrigou-me recentemente a abandonar a água. Estou
no momento, em recuperação fisioterápica. Se houver melhora, a operação não será necessária e devo poder voltar a treinar, objetivando o preparo para o ano que vem iniciar
a temporada firme e forte!
4.2 - Gastronomia
A aversão de infância à comida, quando alimentar-me, segundo as histórias contadas por todos, foi sempre verdadeira novela, ficou registrada somente nesses capítulos
iniciais da minha vida. Esse foi talvez o meu jeito único e possível de desde cedo gritar
pela independência e liberdade de ser o que quero. Afinal, abrir ou não a boca para
comer era um desejo só meu e completamente controlado por mim. Paradoxalmente, ao
longo dos anos, entrar na cozinha para ver outros cozinharem passou a ser um prazer
somente ultrapassado pelo próprio ato de cozinhar. Por necessidade, mais tarde, quando
da chegada ao Brasil, tive que assumir a função de cozinheira da família, pois a minha
mãe trabalhava o dia inteiro e não tínhamos dinheiro para contratar alguém que o fizesse, fato que contribuiu para adquirir o gosto, hoje tão forte, de criar pratos. A gastronomia entrou na minha vida fruto da obrigação da época de cozinheira familiar, porém
é atualmente, meu hobby mais presente. Esse é maximizado pelos prazeres oferecidos e
desvendados a cada viagem por esse mundo a fora, quando tenho a oportunidade de ter
contato com os distintos produtos de cada país e região. Como de tudo, aliás, quase tudo,
69
já que as “hormiguitas saladas” iguaria da Colômbia não foram suficientes para ativar
minha curiosidade em comê-las.
No ano passado, após várias pesquisas, deparei-me com o curso de Pós-Graduação, oferecido pela Universidade de Reims, França, em conjunto com a Cordon Bleu de
Paris, intitulado “Hautes Etudes Du Gout, de la Gastronomie et des las Arts de la Table”.
Consegui ser aceita para o fazer, ainda que não fosse do mundo da gastronomia. Foi uma
experiência absolutamente inédita. Convivi por quase três semanas com pessoas de outras formações profissionais e de vários países nas artes do gosto e da gastronomia. Minha
monografia de conclusão de curso intitulada “A journey into the world of taste: medicine,
nutrition and gastronomy side by side in health, disease and hedonism” proporcionou-me
fazer fascinante revisão sobre o assunto. Fruto desse trabalho e em conjunto com a prova final do curso, fui premiada com o terceiro lugar da turma, o que certamente muito
orgulhou-me considerando que era o peixinho fora de água.
A gastronomia é meu modo de compartilhar experiências com e entre amigos,
sempre à volta da mesa, tão representativa do aspecto socioantropológico que a nutrição
desempenha na vida do Homem.
70
“O segredo da felicidade é fazer do seu dever o seu prazer.”
Ulysses Guimarães23
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5 - CONCLUSÕES E REFLEXÕES FINAIS
Voltaire dizia que se deve julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas
respostas. Neste sentido, se este pensador iluminista fosse membro da banca de professor titular eu seria negativamente avaliada, já que até então divaguei pelo mundo das
respostas e das justificativas de meus atos. Contudo, as perguntas sempre existiram e
continuarão a ser presentes na minha vida, ainda que hoje pelo amadurecer da idade,
essas sejam menos inquietantes. Assim, tenho obrigatoriamente que me perguntar: que
mudará se por ventura vier a ser professora titular?
Alcançar esse título será certamente um novo desafio que consequentemente contribuirá para meu crescimento como ser humano e professora. Afinal como já dizia Guimarães Rosa24, “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem, de repente, aprende” e
neste sentido, continuarei aprendendo muito como professora universitária. Cada dia é
uma nova descoberta de personalidades, idéias, pensamentos, tarefas e emoções, fruto
da vivência única de três independentes profissões: medicina, ensino e pesquisa. Aliás,
compartilho a poesia de autor desconhecido publicada no portal http://www.portaldafamilia.org:
“Tarefa difícil, mas não impossível,
tarefa que pede sacrifício incrível!
Tarefa que exige abnegação,
tarefa que é feita com o coração!
Nos dias cansados, nas noites de angústia,
nas horas de fardo, de tamanha luta,
chegamos até a questionar:
Será, Deus, que vale a pena ensinar?
Mas bem lá dentro responde uma voz,
a que nos entende e fala por nós,
a voz da nossa alma, a voz do nosso eu:
- Vale sim, coragem!
Você ensinando, aprende também.
Você ensinando, faz bem a alguém,
e vai semeando nos alunos seus,
um pouco de PAZ e um tanto de Deus. ”
Talvez, o que mais deseje seja exatamente ensinar para aprender, para fazer bem
a alguém e semear um pouco de paz e um tanto de Deus. Afinal “o que eu sou é o que me
faz viver”, parafraseando Shakespeare13 na história da vida do rei Henrique VIII. Cada
dia é único e vivido com o máximo de emoções. No caminhar dos anos e no aparecer
dos cabelos brancos que vão se sobressaindo sobre os castanhos, posso afirmar que não
quero voltar no tempo, isso sim. Esses momentos ficaram no passado e o medo do insucesso que tanto fez-me sofrer, nos quais fui prisioneira de meus sonhos em noites sem
fim, imaginando o que aconteceria caso falhasse, fazem parte de outro dicionário de vida.
Ainda que nunca tivesse deixado de aventurar-me pelo desconhecido, aliás, característica a mim tão peculiar, deixei que o medo do fracasso impusesse angústia desnecessária,
72
o que hoje já não temo. De sorte que enfrento este momento com absoluta tranqüilidade
de alguém que alcançou muito mais do que sonhou, ainda que tenha sempre aproveitado
todas as oportunidades com garra e determinação. Tenho no corpo a marca registrada da
minha personalidade, o símbolo japonês de determinação e duas borboletas, representando a metamorfose da vida e, essencialmente, a liberdade sem a qual o sentido de viver
fica sem rumo. Volto no tempo, 1977, em algum momento (figura 8), sentada em sala do
colégio Promove, assistindo a aula de matemática, no 3º ano Científico:
Figura 8 - Ode à liberdade (1977)
Assim, vislumbro em meus sonhos e na minha realidade prosseguir a carreira universitária, primando por qualidade em todas as áreas de atuação.
73
6 - Referências
Couto M. Antes do nascer do mundo.ed. São Paulo: Schwarcz, 2009.
Prado A. Poesia Reunida. Ed. Siciliano, 1999.
3.
Luft L. Perdas e ganhos. Ed. Rio de Janeiro: Afiliada, 2004.
4.
Quintana M. O passado não reconhece o seu lugar; está sempre presente. Fragmento
poético do imortal poeta alegretense como uma metáfora para homenagear o prof.
Roque Luiz Moro (1951-2004) 2004.
5.
Moraes Y. Elaboração da pesquisa científica, 3a. ed. São Paulo: Atheneu Editora,
1990.
6.
de Saint-Exupéry A. Fonte desconhecida, 1900-1944.
7.
Alves R, Dimenstein G. Fomos Maus Alunos.ed.: Papirus, 2003.
8.
Pessoa F. Tabacaria, 1928.
9.
Bach R. Fernão Capelo Gaivota. Ed., 1970.
10.
Lispector, C. A paixão segundo G.H., 1998.
11.
Nascimento M, Brant F. Canção da América 1980.
12.
Coralina C. Meu livro de cordel.ed.: Cultura Goiana, 1976.
13.
Shakespeare, W. Coleção Teatro Completo. Ed. Agir, 2008.
14.
Butterworth C. The skeleton in the hospital closet. Nutrition Today. 1974;9:4-8.
15.
Hill G, Haydock D. Impaired wound healing in surgical patients with varying
degrees of malnutrition. J Parenter Enteral Nutr. 1989;10:550-4.
16.
Reinhardt G, Jyscofski J, Wilkiens D, Dobrin P, Mangan J, Stannard R. Incidence
and mortality of hypoalbuminemic patients in hospitalized veterans. J Parenter
Enteral Nutr. 1980;4:357-9.
17
. Waitzberg D, Cordeiro A, Faintuch J, Gama-Rodrigues J, Habr-Gama A. Estado
nutricional no pré e pós-operatório imediato em doentes com afecções digestivas.
Rev Paul Med. 1983;101:7-10.
18.
Faintuch J, Faro M, Faintuch J, Machado M, Raia A. Repercussões nutricionais do
traumatismo cirúrgico:avaliação pelo método antropométrico. Rev Hosp Clin Fac
Med Sao Paulo. 1979;34:68-71.
19.
Cecília M. Ou isto ou aquilo. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1964.
20.
Camões L. V. Os Lusíadas, ed.: Martin Claret. 2002
21.
Reis R. In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000.
22.
Detsky AS, McLaughlin JR, Baker JP, Johnston N, Whittaker S, Mendelson RA,
Jeejeebhoy KN. What is subjective global assessment of nutritional status? JPEN
J Parenter Enteral Nutr 1987;11:8-13.
23.
Ulysses Silveira Guimarães, político brasileiro que teve grande papel na oposição
à ditadura militar e na luta pela redemocratização do Brasil. Faleceu em acidente
aéreo de helicóptero no litoral ao largo de Angra dos Reis.
24.
Guimarães, R. J. Grande Sertão: Veredas. Ed. Nova Fronteira, 2006.
1.
2.
74
7 - anexos
Anexo I
RESOLUÇÃO Nº 11/2005, DE 13 DE DEZEMBRO DE 2005
Reedita, com alterações, a Resolução nº 07/2000, de 17/08/2000, que estabelece critérios e rotina operacional
para atribuição de vagas de Professor Titular na UFMG.
O CONSELHO DE Ensino, PESQUISA E EXTENSÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS
GERAIS, no uso de suas atribuições estatutárias, considerando estudo elaborado por comissões especiais instituídas
especificamente para o exame da matéria, resolve:
Art. 1o Definir o perfil de Professor Titular desejado pela Instituição, bem como os critérios e a
rotina operacional para provimento de vagas.
Art. 2o Estabelecer que o candidato a Professor Titular preencha os seguintes requisitos na data
de abertura do processo de atribuição de vagas:
I - ter obtido o título de Doutor há pelo menos 8 (oito) anos;
II - comprovar atividade de docência no magistério superior durante pelo menos 8 (oito) anos, nos níveis de
Graduação e de Pós-Graduação;
III - comprovar atuação relevante e abrangente na vida acadêmica da UFMG, regular nos últimos oito anos e
compatível com o tempo de exercício, revelando compromisso para com a Instituição, capacidade de autonomia, liderança e criatividade, evidenciados na realização de atividade(s) do tipo:
a) participação em projetos de inovação pedagógica, criação de cursos ou disciplinas, orientação formal de
estagiários e bolsistas, participação em programas de formação de mestres e doutores, incluindo orientação de teses e
dissertações, observada a proporção adequada de conversão das mesmas em publicações definitivas;
b) produção intelectual relevante na área de conhecimento do concurso, mediante a divulgação regular de resultados de pesquisa de reconhecida qualidade científica, sob a forma de publicações originais de livros, capítulos de
livros, artigos em periódicos nacionais e internacionais, indexados ou que apresentem comitê editorial de alto nível,
trabalhos completos em anais de congressos internacionais, produção científica, tecnológica ou artística de qualidade
e reconhecido mérito;
c) coordenação de projetos de pesquisa, criação e coordenação de grupos de pesquisa, formação de pesquisadores e captação de recursos em órgãos de fomento;
d) atuação relevante em atividades de extensão, evidenciada por projetos desenvolvidos, pelo impacto social
da atividade exercida, volume de recursos captados, envolvimento do alunado e interface dos projetos com o ensino
e a pesquisa;
IV - exercer na vida acadêmica papel relevante, reconhecido pelos pares, desempenhando atividades como:
a) atuação como professor visitante ou convidado em outras instituições;
b) prestação de assessoria e consultoria a órgãos de fomento, instituições de ensino e pesquisa;
c) participação em comitês editoriais de periódicos especializados e em comitês de programas de eventos científicos de abrangência nacional e internacional;
d) exercício de direção de sociedades científicas;
e) participação em bancas externas à Instituição em concursos, defesa de teses e dissertações;
f) obtenção de premiação por atuação acadêmica relevante;
V - ter experiência no exercício de funções de administração universitária, ocupando cargos tais como: de reitor, pró-reitor, diretor de unidade, chefe de departamento, coordenador de colegiados de graduação e Pós-Graduação,
participação em órgãos colegiados e outras funções administrativas relevantes.
Art. 3o Caberá ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão autorizar o início do processo de atribuição de
vagas de Professor Titular.
Parágrafo único. Caso haja vagas não-providas nessa classe, no quadro de pessoal docente da Instituição, a
cada 3 (três) anos será dado início a novo processo de atribuição de vagas de Titular.
Art. 4o Caberá aos Departamentos ou estruturas equivalentes encaminhar à Pró-Reitoria de Recursos Humanos, atendendo à chamada do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, encaminhada pela Administração Central da
UFMG, os seguintes documentos aprovados pela Câmara Departamental ou Assembléia Departamental ou, no caso de
inexistência de Departamento, peal Congregação da Unidade:
I - relação dos docentes do Departamento ou da estrutura equivalente, cujo perfil julga condizente com o definido no artigo 2º;
75
II - curriculum vitae completo, de cada um dos professores relacionados como candidatos potenciais, que contemple os destaques de sua atuação docente como definido no art. 2o;
III - proposta de quantitativo pretendido de vagas de Professor Titular.
Art. 5o O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, ao determinar a abertura do processo de atribuição de
vagas de Professor Titular, instituirá Comissão Especial composta por dois professores Titulares, representantes de
cada uma das seguintes áreas:
a) Biológicas e Agrárias;
b) Exatas e da Terra;
c) Saúde;
d) Letras e Artes;
e) Humanas;
f) Sociais Aplicadas.
§ 1o Cada área terá, sempre que possível, representantes pertencentes à Unidades acadêmicas distintas.
§ 2o A Comissão será assessorada pelo Pró-Reitor de Recursos Humanos, que coordenará as atividades, e pelo
Presidente da CPPD.
Art. 6o Caberá à Comissão Especial:
I - examinar cada curriculum vitae enviado pelos Departamentos ou estruturas equivalentes;
II - identificar os candidatos potenciais ao concurso para Professor Titular, ou seja, aqueles docentes que, na
avaliação do curriculum vitae, obtiverem 70 (setenta) pontos ou mais, considerada a tabela de pontuação anexa;
III - estabelecer a proporção geral das vagas disponíveis por candidato potencial, tendo em vista o quantitativo
de vagas de Professor Titular existentes e o número de candidatos potenciais identificados;
IV - propor ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, no prazo de 90 (Noventa) dias, a contar da data de sua
instalação, o quantitativo de vagas por departamento ou estrutura equivalente.
Art. 7o Caberá ao CEPE, considerado o Parecer da Comissão Especial, estabelecer o número de vagas a serem
concedidas a cada departamento ou estrutura equivalente, observando os seguintes critérios:
I - não serão atribuídas ao departamento vagas em número superior a 50% (cinqüenta por cento) dos seus
candidatos potenciais;
II - os departamentos não receberão vagas em número superior ao solicitado;
III-o número de Professores Titulares por departamento ou estrutura equivalente, considerados os já existentes e as vagas novas, não será superior a 20% (vinte por cento) do seu número total de docentes.
§ 1o O CEPE poderá definir exceções ao limite de vagas estabelecido na presente Resolução, a partir de justificativa apresentada pelo departamento ou estrutura equivalente.
§ 2o O CEPE poderá, em situações excepcionais, avaliar solicitação de vagas de Professor Titular apresentada
por departamento ou estrutura equivalente que não tiver em seu quadro candidato potencial.
Art. 8o Definidas as vagas pelo CEPE, os departamentos ou estruturas equivalentes serão autorizados pela
Comissão Permanente de Pessoal Docente-CPPD a proceder escalonadamente a seu provimento, mediante abertura de
concursos públicos.
§ 1o O CEPE, mediante proposta da Pró-Reitoria de Recursos Humanos, determinará anualmente, observado
o quantitativo das vagas docentes passíveis de provimento imediato, a proporção a ser utilizada em concurso de Professor Titular.
§ 2o A CPPD, de posse dessa definição, emitirá autorização para que os departamentos ou estruturas equivalentes coloquem em concurso as vagas de Professor Titular já aprovadas pelo CEPE e ainda não preenchidas.
Art. 9o O preenchimento de vagas de Professor Titular ocorrerá mediante concurso público, não estando,
portanto, garantida sua ocupação pelos candidatos potenciais identificados pelos departamentos ou estruturas equivalentes.
Art. 10. Caberá à Pró-Reitoria de Recursos Humanos:
I - propor ao CEPE a proporção das vagas disponíveis, autorizadas para utilização em concurso de Professor
Titular;
II - receber as propostas de edital de concurso encaminhadas pelos departamentos ou estruturas equivalentes;
III - encaminhar as propostas de edital à Procuradoria Jurídica da UFMG, para análise;
IV-encaminhar ao Departamento de Pessoal as propostas aprovadas, para publicação;
V - acompanhar o processo, desde a solicitação de editais até o provimento das vagas.
Art. 11. Será de dois anos e meio o prazo para provimento das vagas, a partir da comunicação pela CPPD de
autorização pelo CEPE para que sejam submetidas a concurso público. Após esse prazo, caso haja vagas não-providas,
as mesmas retornarão ao conjunto de vagas da Universidade, na classe de Titular.
Art. 12. Excepcionalmente no ano de 2006, será realizado novo processo de atribuição de vagas de Professor
Titular.
76
Art. 13. Revogam-se as disposições em contrário, em especial a Resolução nº 07/2000, de 17/08/2000.
Art. 14. A presente Resolução entrará em vigor a partir da data desta data.
Professora Ana Lúcia Almeida Gazzola
Presidente do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
Anexo À RESOLUÇÃO Nº 11/2005, DE 13 DE DEZEMBRO DE 2005
Critérios para pontuação
ATIVIDADES
PONTUAÇÃO
1. Docência nO Magistério Superior
1.1. Oferta de disciplinas de Graduação e Pós-Graduação
1.2. Participação em projetos de inovação pedagógica, criação de cursos ou disciplinas
1.3. Orientação formal de estagiários e bolsistas
1.4.Orientação de dissertações de Mestrado e teses de Doutorado
2. PRODUÇÃO CIENTÍFICA, ARTÍSTICA E TÉCNICA
2.1. Publicações:
. Livros
. Capítulos de livro
.Artigos em periódicos nacionais e internacionais indexados
.Trabalhos completos em anais de congressos internacionais
. Outras publicações
2.2.Produção tecnológica, incluindo produção de patentes nacionais e internacionais, na área de conhecimento
do concurso
2.3 Produção artística, de relevância nacional e internacional, na área de conhecimento do concurso
3.CAPACIDADE DE AUTONOMIA E LIDERANÇA COMO PESQUISADOR
3.1.Criação e coordenação de projetos e grupos de pesquisa
30 pontos
3.2. Liderança de projetos institucionais
3.3. Captação de recursos em órgãos de fomento
4.ATIVIDADES DE ADMINISTRAÇÃO E REPRESENTAÇÃO ACADÊMICA
4.1. Cargos de direção acadêmica
20 pontos
20 pontos
15 pontos
4.2. Participação em órgãos colegiados
4.3.Direção de entidades científicas e associações profissionais
4.4. Outros
5. ATIVIDADES DE EXTENSÃO
15 pontos
5.1.Coordenação de programas, projetos e outras ações de extensão
5.2.Participação em programas, projetos e outras ações de extensão
5.3. Captação de recursos
Observação: só aqueles docentes que atingirem pelo menos 70 (setenta) pontos serão considerados como candidatos
potenciais.
Professora Ana Lúcia Almeida Gazzola
Presidente do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
77
Anexo II
Texto do boletim do Number One.
78
Anexo III
Prêmio referente à apresentação do Ibranutri, congresso ASPEN, São Francisco,
1999.
79
Anexo IV
Texto publicado na Folha de São Paulo, relativo à defesa do doutorado.
80
Anexo V
Texto da portaria conjunta do Ministério da Saúde
“Portaria Conjunta SE/SAS nº 38 de 29 de setembro de 1999”
O Secretário Executivo e o Secretário de Assistência à Saúde, no uso de suas atribuições,
Considerando os estudos realizados pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, por meio do Inquérito Brasileiro de Avaliação Nutricional Hospitalar IBRANUTRI sobre a avaliação da desnutrição no Brasil;
Considerando o alto índice de desnutrição em pacientes hospitalizados;
Considerando a necessidade de se diminuir o tempo de permanência hospitalar, os
índices de morbidade e mortalidade e o custo associado à desnutrição, e
Considerando que os estudos do IBRANUTRI, em relação ao custo benefício da
Terapia de Nutrição na Assistência Integral à Saúde, demonstram que para cada R$ 1,00
(um real) investido em terapia nutricional gera R$ 4,13 (quatro reais e treze centavos) de
economia total, resolvem:...”
81
Anexo VI
Programa do Seminário de Ensino de Cirurgia Realizado em 2004, sob Coordenação
do Prof. Marco Antônio Gonçalves Rodrigues
Seminário de Ensino de Cirurgia da FM-UFMG
Programa
MANHÃ
Mesa Redonda
8:00 horas
Abertura - Chefe do CIR - Prof. Walter Antônio Pereira – 10’
Coordenadora do Colegiado de Curso da Medicina – Profª. Janete Ricas – 10’
Apresentação das conclusões das Comissões do Projeto Recriar – 30’ – Profª. Isabel Correia
Histórico – Projeto “Repensando e Reestruturando o Ensino de Cirurgia - 2000” – 20’ – Prof. Marco Antônio Rodrigues
Apresentação dos resultados dos questionários aplicados a alunos e egressos da FM – UFMG - Críticas e Sugestões –
Monitores do Projeto (Celso Furtado de Azevedo Filho, Denise Borges Matias, Cláudia, Gerival – 30’
10:00 às 10:30 horas – Intervalo para café e prosa
10:30 horas
Apresentação de Proposta “Recriando o Ensino de Cirurgia - 2004 ” – 20’ – Prof. Marco Antônio Rodrigues
Disciplina Cirurgia 1 – 10´- Prof. Rodrigo Gomes da Silva
Disciplina Cirurgia 2 – 10´ - Profª. Ivana Duval de Araújo
Disciplina Cirurgia 3 – 10´ - Prof. Marcelo Sanches
Disciplina Cirurgia 4 – 10´ - Prof. Marcelo Eller Miranda
Internato de Traumatologia – 10’ – Profª. Vivian Resende
Internato de Cirurgia – 10’ – Prof. Marco Antônio Rodrigues
12:00 horas
Discussão – 60’
Almoço – 13:00 às 14:00 horas
TARDE
14:00 às 15:15 horas
Oficinas
Grupo 1- Moderador: Profª. Isabel Correia
Grupo 2- Moderador: Prof. Rodrigo Gomes da Silva
Grupo 3- Moderador: Prof. Marcelo Sanches
Grupo 4- Moderador: Profª. Ivana Duval de Araújo
Grupo 5- Moderador: Prof. Marcelo Eller Miranda
15:15 às 15:30horas – Intervalo para café e prosa II
15:30 às 16:30horas
Apresentação das Conclusões das Oficinas – Moderadores (10´para cada)
16:30 às 16:50horas
Conclusões da Plenária - Moderador: Prof. Marco Antônio Rodrigues
16:50horas
Encerramento das atividades – Prof. Walter Antônio Pereira (10´)
82
Anexo VII
Edital universal FAPEMIG – projeto do Lúpus Eritematoso Sistêmico (página da
FUNDEP)
83
Anexo VIII
Edital do projeto de extensão do Lúpus Eritematoso Sistêmico.
84
Anexo IX
Carta Revista Nutrition (editora Latino-americana).
To whom it may concern.
December 6, 2009
I am honoured to write a strong letter of recommendation in support for Dr Isabel Correia for
consideration Professor Titular at your University. I have known her for some 15 years and have
observed her mature and grow professionally.
I believe the clinical, scientific and human history as outlined in her extensive Curriculum Vitae
makes Dr Correia the perfect candidate for such a prestigious position at your University. Her
scientific achievements are documented by her extensive publications. Consequently I will focus
solely on her activities as Latin American Co-Editor of Nutrition, The International Journal of
Applied and Basic Nutritional Sciences. She has served in this position for the past ten years.
Her dedication to Nutrition with an astounding energy and efficiency is impressive and second to
none. She has brought eminence to your University in this respect, elevating it to an international
consciousness. Her applied knowledge of Clinical Nutrition is encyclopaedic making her a
critical but fair Reviewer of many manuscripts from Latin America. She has elevated and
brought to light many new and established investigators and authors, particularly from Brazil to
the international scene.
Such energy, enthusiasm and proficiency has not gone without notice, so that she has been
invited to join numerous International organizations and has become the mainstay as a superb
speaker on many programs in the field of Clinical Nutrition world wide.
In her capacity as Co-Editor on Nutrition’s Editorial Board I have had the pleasure of seeing her
function at committee level with numerous persons and noted her collegially negotiating abilities
which a huge asset. Her approach to thorny human interactions has been pragmatic, kind, tough
but productive.
As a member of our Universities Promotion Committee, I can vouch that we seldom see such
high powered candidates as Dr Correia, and we would have no hesitation in promoting her to the
rank of Professor Titular.
Very best wishes,
Michael M Meguid MD PhD FACS
Professor, Surgery and Neuroscience/Physiology
Editor in Chief, Nutrition
85
Anexo X
Declaração da Revista Current Opinion contemplando a posição de editora da sessão “Nutrition and the Gastrointestinal Tract”.
86
Anexo XI
Carta de Paul Wischmayer, editor chefe do Journal of Parenteral and Enteral Nitrution.
87
Anexo XII
Membro do conselho editorial da Clinical Nutrition.
88
Anexo XIII
Discurso de Paraninfa
Senhores e senhoras presentes,
Pais e familiares,
E por último, os mais importantes, as estrelas da noite, os meus queridos afilhados!
A todos, boa noite!
Volto no tempo e me vejo no ambulatório Bias Fortes, no dia 8 de março deste ano, quando o meu telefone
começa a tocar sem parar, com chamadas simultâneas e, do outro lado da linha as vozes eufóricas de alguns de vocês, que gritavam “Professora, professora, você é nossa paraninfa!” Admito, custou para “cair a ficha” e quando na
realidade caí, descobri que era realmente a paraninfa desta turma maravilhosa. Ainda sem muito entender o que realmente estava por vivenciar, me dirigi, como caminhando nas nuvens, para o salão Nobre da Faculdade, onde vocês
se encontravam reunidos. Vivenciei nos minutos que se seguiram, um dos momentos mais fantásticos da minha vida,
quando vocês me receberam com enorme carinho. Só quem estava lá pode dividir comigo a imensidão dos sentimentos
e a enorme alegria que senti.
Obrigada pela honra que me deram e espero sinceramente ter retribuído e continuar a fazê-lo, nessa enorme
responsabilidade que é ser a madrinha de vocês. Da minha parte, posso dizer-lhes que tenho vivenciado e curtido
profundamente cada passo deste caminho até ao dia de hoje e espero continuar, sem me esquecer das obrigações que
o “cargo” exige, ou seja: participei de festas e mais festas, churrascos.........puxa, como já dancei, me diverti, comi,
enfim, aproveitei a farra.
Além desses momentos de festa, também já dividi com vocês minha interpretação sobre a nova vida, que a
partir de agora vocês assumem, ao escrever a mensagem do convite. Lá registrei minha teoria sobre a importância de
serem grandes ouvidores da alma e do corpo. Logo, não vou repetir tudo de novo.
E aí que dizer para vocês e para todos que esperam o discurso da paraninfa?
Que certamente será curto.....pois numa cerimônia como esta, entendo que o que vocês querem mesmo é receber aquele canudinho que está por aí, em algum lugar..... querem comemorar, enfim fazer o que realmente merecem,
pois a festa é de vocês!!!
Mas quero e, vou completar o que entendo como sendo parte da minha responsabilidade para com vocês, além
daquela que foi ensinar-lhe algo de Medicina.
Inicio, usando as palavras do Prof. João Gabriel Marques Fonseca, proferidas na Terça-feira, na aula da Saudade (João me desculpe por usar suas frases para iniciar este discurso, mas é que com você sempre aprendo muito e me
vejo refletindo sobre tudo). Assim disse o Prof. João Gabriel: “A Medicina está tecnologicamente avançada; economicamente falida e humanamente frustrada!”
Então me pergunto que fazer para solucionar o impasse?
A tecnologia, sem dúvida alguma, é essencial pois representa a transformação do mundo e da vida... é o andar
da carruagem, ou melhor dizendo da espaçonave!!!! É o progresso, é o futuro. Enfim, é a evolução do desconhecido....
Sem tecnologia, a cura, ou até mesmo a paliação de muitas enfermidades e da dor não teria sido alcançada.
Guimarães Rosa, nosso grande escritor, médico, filho também desta Faculdade, talvez não tivesse abandonado
a profissão, se tivesse podido vivenciar o desenvolvimento da anestesia e dos analgésicos que puderam minimizar a
dor do parto e a dos pacientes com lepra, já que estas duas situações o impressionavam profundamente. Perdeu a Medicina, ganhou a Literatura. Paradoxos da vida e até ironia! E digo ironia, pois vejam vocês que essa mesma tecnologia
avançada, tem roubado da mulher o direito e até a vontade do parto natural. Hoje, no nosso país, se nasce muito mais
por uma operação: a cesareana, do que naturalmente. Tecnologia sendo mal utilizada!!! E como este exemplo, tantos
outros poderia citar. Obviamente, isto gera uma Medicina “economicamente falida”.
A falência do sistema de saúde não é culpa só do governo, dos convênios, das seguradoras. É nossa.....quando entramos na roda viva da prática médica e nos calamos contra os abusos da utilização da tecnologia, consentimos
na imposição de regras sem bases científicas e acima de tudo, nos esquecemos que em 80% das vezes, ou até mesmo
mais, o diagnóstico do doente é feito por anamnese bem feita, seguida por exame clínico adequado. Afinal, a clínica
é soberana!
É preciso ter conhecimento, é preciso ter coragem para enfrentar a pressão de quem desconhece o que vocês
aprenderam em seis anos de faculdade e irão aprender na residência e na prática médica. O médico deve assumir
um papel de educador, ainda que educar dê trabalho. Todos vocês já ouviram de muitos doentes “sofro de pressão
89
baixa”....muito bem, em vez de pedir aquele batalhão de exames que custam um horror, e vão falsamente justificar a
visita do paciente, seria muito melhor gastar um tempinho mais e explicar algo sobre essa “tal” de pressão baixa.
Entendo, por outro lado, que a realidade de hoje, com o caminhar da industria da saúde, demanda do médico
que ele se defenda, principalmente perante a lei, quando o juiz de frente de um “causo” médico, pergunta “Mas senhor doutor, cadê os exames?”. Neste momento, é que as entidades de classe, Associação Médica, Conselho Federal
e Sindicato dos Médicos deveriam estar unidas e gritar a uma só voz: “não é bem assim, senhor juiz”. Mas de novo,
a tecnologia deixou “cegos” muitos de nós e ao contrário do que o jornalista e pensador Gilberto Dimenstein disse,
esquecemo-nos que “o educador é o aprendiz há mais tempo e educar é ensinar o encanto da possibilidade”.
Caminhamos então para a Medicina humanamente frustrada. Como ser humano que é e não Deus, como alguns
crêem, o médico tem sofrido a enorme angústia desencadeada pelo sem número afluxo de informações, pela demanda
de utilizar a tecnologia em sua última versão e, pela crise econômica que impede a ele e ao paciente de usufruírem a
melhor Medicina possível.
Andamos frustrados.... de corpo e de alma! Trabalhamos muito;ganhamos não tanto quanto desejamos; vivemos cansados pelas numerosas horas de plantão; faltam-nos recursos para fazermos o melhor que pensamos saber; não
temos o respeito dos tempos de ontem e; ainda vivenciamos o medo do julgamento.
Triste carga em nossos ombros levamos, diriam!!! Não, não é assim que vejo o futuro de vocês, meus queridos
afilhados....Pois quem assim interpreta todos esses desafios está inerte....letárgico, ou seja a um passo da morte, logo a
caminho da inexistência ....e não é o que vejo aqui à minha frente: um grupo enorme de jovens belos, cheios de alegria,
com os olhinhos brilhando de felicidade e repletos de esperança!
Vocês são vida e como diria o Rubem Alves “O ato de viver é o ato de descobrir o passado no presente e o
futuro no presente. O passado só é real quando tem lugar no presente. O futuro existe? Pode existir. Não sei como vai
ser, mas pela fantasia ele se torna presente. E é justamente aí que surge a esperança!”
Vocês são a esperança: a minha e a de todos aqui presentes!
Caiam no mundo e ponham em prática o que sabem, sem medo. Vão tropeçar e errar, mas Shakespeare já dizia
“As grandes quedas são o prelúdio das grandes ascensões e os grandes erros são o prelúdio, também, dos grandes
acertos”. Nós, os mestres estaremos, sempre aqui para aquela ajudinha.....pois afinal, somos movidos pelo gosto de
ensinar, desencadeado pelo motor do aprendizado: paixão e curiosidade! E estaremos aqui para dar força...sigam o
que Cora Coralina escreveu:
“Andei pelos caminhos da vida.
Caminhei pelas ruas do Destino procurando meu signo.
Bati na porta da Fortuna,
mandou dizer que não podia atender.
Procurei a casa da Felicidade,
a vizinha da frente me informou
que ela tinha mudado
sem deixar novo endereço.
Procurei a morada da Fortaleza.
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,
perfumou-me os cabelos,
fez-me beber de seu vinho.
Acertei meu caminho.”
Pois bem, acertem o caminho, sejam Humanos, menos Tecnológicos, menos financistas e carreguem amor no
coração para dar a ajuda, a quem na porta de vocês bateu.... esse ser igual a vocês: o Paciente! E agora já terminando,
uso Clarice Lispector para dismistificar a idéia endeusada do médico que tem que saber tudo:
“Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como
falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma
benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em
quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo”
Meus amores, estrelas da noite, batam asas, voem, vocês estão livres....vivam as metamorfoses, mas jamais se
esqueçam “Carpe Diem”! E agora celebrem!
Muito, mas muito obrigada pela honra que me deram de ser a vossa Paraninfa!
90
Anexo XIV
Discurso de Patrona
MEUS MENINos......MEUS COLEGAS
O MOMENTO
Março - A notícia (Heloísa, bloco cirúrgico e a tristeza dos momentos difíceis) Patrona ou patronesse????
O SIGNIFICADO DA HONRA
Porque da escolha? – Charme, roupas elegantes, minhas aulas de CC e HPS, e o Centro de Graduação (desafio, brigas, estresse, normas, regras enfim.....não posso deixar de mencionar estes aspectos),
MAS CERTAMENTE PELO EXEMPLO QUE EU TENTO TRANSMITIR – A IMPORTÂNCIA DO Ensino E DA
ÉTICA – EXEMPLO DE UMA BOA ESCOLA! O EXEMPLO DO QUE É A PROFISSÃO DO MÉDICO!
MINUTOS PRECIOSOS
Sendo assim, vou usar alguns destes minutos tão preciosos na noite em que vocês são as estrelas, para compartilhar com todos (vocês, parentes, amigos e demais professores) como eu acredito que a Educação tem papel importante
no futuro de um país.
O nosso infelizmente está na beira do abismo, mas precisamos mudar e, acredito em vocês para serem parte
dessa luta presente e futura!
PAPEL DA EDUCAÇÃO
O mais importante papel da educação é transformar a nossa realidade para acompanhar o processo de mudança
que marca o mundo atual, sobretudo em um país subdesenvolvido (embora industrializado) e considerado o campeão
da desigualdade social e infelizmente na atualidade campeão de falta de ética......, para não dizer mentira. Em quem
acreditamos?
Logo, todos nós precisamos quebrar e mudar velhos paradigmas, o que representa o abandono de frases tão
ouvidas por nós, tais como: para quê mudar, afinal sempre funcionou desta maneira?
Assim, é extremamente importante que o estudante seja o centro do aprendizado e não o professor o centro do
ensino. Ainda que vocês não sejam mais estudantes de Medicina, gostaria que vissem a vida como uma eterna Escola,
na qual também serão professores (educadores, pais, amigos etc) e, logo, faz sentido o que lhes quero transmitir.
O ensino é um processo interativo que jamais deve ser confundido com a simples instrução, mais próxima do
“adestramento”. O exemplo maior disto é que deveríamos ensinar bem nossas crianças, para depois não precisarmos
de as “adestrar” quando adolescentes.
A educação é, por outro lado, é algo mais complexo: uma função e um serviço no qual intervém uma multidão
de fatores e atores, que de forma não sempre consciente se põe a serviço do educando, utilizando métodos distintos,
que devem ser avaliados continuamente.
Antes mesmo de se falar sobre este ou aquele método, é necessário destacar que, como dizia Platão (V A.C.) os
vícios no método de ensino podem levar a uma falsa certeza ou a um saber falso, que é pior que a própria ignorância.
É a famosa frase “porque sempre fiz assim, logo está correto”
Na sua obra “As Leis”, um dos discípulos diz ao mestre: “Parece-me que receias entrar nessas questões por
causa da nossa ignorância”.
Ao que o mestre responde: “Muito mais recearia tratar com pessoas que tivessem estudado tais coisas, porém
mal. No caso, não é a ignorância das multidões a mais perigosa, nem a mais temível, nem o maior dos males, mas estudar com métodos viciosos é mal muito maior” (Leis 818s).
Em outras palavras, aprender mal é pior do que não aprender. As falsas “verdades” causam maior mal do que
a ignorância.
Por isso, temos que mudar este país! Comecemos......por nossas universidades e nossos mais jovens médicos.
Vocês! Para tal, não precisamos de nada sofisticado
ESTRUTURA FÍSICA – SIMPLICIDADE
“Dê-me uma vocação e eu lhe devolverei uma escola, um método, uma pedagogia”. (Pedro Poveda, que fez
de sua vida uma obra de fé no humanismo e na educação). Para esse grande educador, mesmo carecendo de métodos
adequados, de salas de aula confortáveis ou recursos didáticos necessários, o processo pedagógico não chega a estar
comprometido se existir o fundamental: a vontade de ensinar e o gosto pela atividade docente. Afinal, dizia ele, “os
grandes pedagogos nunca precisaram mais do que discípulos.”
Cláudio de Moura e Castro, num artigo da Revista Veja, dizia que “a essência do aprendizado tem que ver com
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o professor, aquele que administra, que testemunha, enriquece e dá vida a uma série de processos que levam o aluno
a aprender”.
Bernardo Toro, filósofo, pensador e educador colombiano, ao falar de modernidade, diz que ao professor devese pedir hoje a “mágica de orientar o aluno em duas óticas ou direções: disciplina e curiosidade”.
Na nossa maneira de ver, para que se atendam essas exigências, o professor deve, entre outras coisas, saber
mostrar ao estudante a beleza e o poder de pensar. Por isso, meus queridos, convido-os a pensar! Sejam cabeças pensantes ao longo da vida, principalmente como jovens Médicos!
No contexto de um mundo globalizado e, portanto, materialista e hedonista, o grande pensador espanhol Julián Marías diz que o homem de hoje é um indivíduo coisificado porque não sabe mais pensar. Não sejam, portanto
coisificados! Pensem!
SABER PENSAR
“Pensar é aprender a ser livre, responsável e honrado. Pensar é esforço e inconformismo, para com o mundo
e também para consigo mesmo. Pensar é duvidar e criticar, não de forma altiva ou presunçosamente, mas pelo desejo
do bem comum. Pensar é ter o tempo de poder fazê-lo. Pensar não é repetir ou reproduzir. Pensar é ativar o que de
Nobre há no ser humano, porque pensar também é sentir e intuir.” O café dos filósofos mortos, de autoria de Nora K.
e Vittorio Hösle
A frase de Descartes não é de todo certa: não se trata : de penso, logo existo”, senão “penso, logo vivo”.
Viver é encontrar seu próprio caminho e evitar permanentemente a tentação do fácil. O fácil é não pensar!
Termino, deixando-os a pensar! Talvez para que fique bem gravado em suas memórias, que existiu, existe e
existirá sempre um pequeno/grande mundo: Faculdade de Medicina da UFMG, onde muita gente compartilha estes
ideais. Pessoas, que como eu, gostariam que nosso país, nosso mundo elucubrasse mais......e as pessoas não tivessem
medo de sorrir, olhar em volta, tocar o próximo e onde o silêncio, não fosse o da ignorância e vergonha de enfrentar a realidade, mas sim o silêncio do apreciar a beleza da Natureza! Falemos! Pensemos! Vivamos! Beijos, com muito
orgulho!
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Anexo XV
Coordenação do módulo clínico do projeto DITEN (Diretrizes de Terapia Nutricional)
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Anexo XVI
Declaração do presidente da FELANPE contemplando o cargo de coordenadora do
TNT
DE TERAPIA NUTRICIONAL,
NUTRICIÓN CLÍNICA
Y METABOLISMO
Sao Paulo, Brasil, 22 de octubre del 2009
A quién concierna:
Se deja constancia escrita que la Drª. Isabel Correia, de
Belo Horizonte, MG, Brasil, es Coordinadora Académica del
Curso “Terapia Nutricional Total” – TNT, de la Federación
Latinoamericana de Terapia Nutricional, Nutrición Clínica y
Metabolismo – FELANPE. Dicha Coordinación la ejerce desde
Noviembre del año 2005.
Dr. Rafael Figueredo Grijalba
Presidente FELANPE
FELANPE
Rua Abílio Soares Nº 233, conjunto 144, Barrio Paraíso, CEP 04505-000.
Sao Pablo, Sao Paulo, Brasil. www.felanpeweb.org
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MEMORIAL MARIA ISABEL TOULSON DAVISSON CORREIA