1 A INSCRIÇÃO DO SOCIAL NO PSIQUISMO O objetivo do presente trabalho é tecer algumas considerações sobre a inserção do indivíduo no social tomando como ancoragem uma perspectiva psicanalítica freudiana. Dito mais exatamente, pretende-se compreender os mecanismos pelos quais o social é inscrito no aparelho psíquico, o que permitiria o ingresso do indivíduo na cultura. Para tanto, trataremos da instância que faz a mediação mundo interno/mundo externo – o Eu -, suas complexificações e diferenciações que conduziriam o indivíduo desde o nascimento até sua inserção no meio social. Tal processo se daria pela internalização do outro, das figuras de valência que compõem o entorno do indivíduo as quais se tornarão representações de objeto e serão elementos constituintes do psiquismo via processos identificatórios. Destacamos a tramitação edípica como determinante para a internalização das regras que permeiam o social e que servirão de guia para as incursões do indivíduo na cultura. Tal aquisição ao aparelho psíquico dar-se-ia pelos mecanismos de identificação com as figuras de autoridade (em especial a figura paterna) que são subjacentes a conflitiva edípica. Postulamos que a diferenciação constituída no Eu que se erige com o desmantelamento do Édipo, o Ideal do Eu, seria o marco da inscrição do social no psiquismo, a partir do qual o indivíduo poderia ser entendido como portador e transmissor da cultura. A partir deste núcleo, a influência de novas figuras de autoridade se atrelariam associativamente às primeiras formando o Supereu. Palavras-Chave: Eu – Ideal do Eu – Identificação – Complexo de Édipo Helio Honda- Prof. Dr. do Departamento de Psicologia e do Programa de Pósgraduação em Psicologia da Universidade Estadual de Maringá. Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Maringá. Av. Colombo, 5790 - Maringá – PR [email protected] Kelly Cristina Pereira Puertas - Psicóloga clínica, Graduada em Psicologia, Especialista em Psicanálise e Mestre em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá. Avenida XV de Novembro, 351. CEP 87013-230. Maringá – PR. [email protected] Temos por objetivo levantar considerações pertinentes à inscrição do social no psiquismo do indivíduo utilizando-nos como referencial uma abordagem psicanalítica freudiana. Entendemos que o indivíduo só pode ser considerado como propriamente inserido no meio social após aquisições ao aparato psíquico que lhe permitam trafegar por tal meio. Isso não se daria com o nascimento, mas com o desenvolvimento/complexificação na estrutura do Eu, a saber, tais aquisições se processariam por mecanismos identificatórios, permitindo a internalização das normas sociais e, consequentemente, a inserção do ser no social. A discussão será realizada em quatro seções. Na primeira seção trataremos do Eu como mediador entre as demandas do meio interno e o meio externo, desde a origem da vida como uma estrutura pouco complexificada, o estabelecimento do objeto de amor e as imposições que favorecem/impelem a complexificação do Eu. Na segunda seção 2 discorreremos sobre a complicação da díade mãe-criança para uma configuração de triangulação de personagens (pai-mãe-criança) e a conflitiva edipiana. Na terceira seção comentaremos sobre o temor da castração, a dificuldade em abandonar as figuras parentais como objetos de amor, a imposição da lei contra o incesto, a destruição do Édipo, a constituição do Ideal do Eu e sua relação com a inscrição do social no aparelho psíquico. Ainda nesta seção falaremos sobre o estabelecimento do Ideal ser a condição para que a repressão possa se processar, a eleição de outras figuras – para além das parentais - como objetos de amor e o entendimento de que o Ideal do Eu seja o núcleo do Supereu. Nas considerações finais, a quarta seção, faremos uma breve retomada dos assuntos tratados no decorrer da explanação, com vistas a reforçar a tese de que é com a constituição do Ideal do Eu no aparato anímico que o indivíduo estaria apto a trafegar pelo meio social. 1. O Eu como mediador entre interno e externo De acordo com Freud (1923/2003a), a instância encarregada da mediação entre meio interno e meio externo seria o Eu. Quando do nascimento essa estrutura ainda é débil, frágil e, poderíamos dizer, fragmentária (Freud, 1914/2003, 1923/2003a, 1940/2004). Afirma o autor: “Ao princípio (...) o eu se encontra todavia em formação ou é débil” (Freud, 1923/2003a, p. 47). Se tomarmos as teses apresentadas por Freud (1895/1995) em Projeto de uma Psicologia, no nascimento já haveria um Eu minimamente constituído, mas não podemos pensar ainda em uma estrutura, uma instância tal qual apresentada em 1923, em O Eu e o Isso. Já nos momentos iniciais de vida o Eu teria por função mediar entre as demandas internas, as necessidades, e a realidade concreta, o que serviria para manter o ser vivo. Em Introdução do Narcisismo, Freud (1914/2003) declara que no princípio da vida não haveria uma unidade, uma estrutura relativa ao Eu e que esta deve ser constituída. Infere-se, então, que ocorreria um desenvolvimento gradativo na estrutura do Eu ou, em outros termos, a condução à unicidade do Eu se daria com o desenrolar dos eventos que sucedem na experiência do indivíduo no contato deste com o meio que o cerca. O que impeliria à complexificação na estrutura do Eu, a novas aquisições, seria a necessidade de manutenção da vida. As limitações que o meio impõe à saciação das necessidades do bebê processariam mudanças na estrutura inicialmente pouco complexificada do Eu. O bebê nasce em estado desvalido, desamparado, não pode subsistir por si mesmo e precisa de um agente externo à ele que propicie a saciação, a 3 cessação dos carecimentos – no caso a mãe ou quem quer que cumpra tal função. Por sua atuação junto ao bebê, esse agente prestativo ficará registrado no psiquismo do bebê sob a forma de uma representação, a qual chamamos objeto. Quando a premência da necessidade se impuser ao bebê, o objeto será ansiado como única forma de obter saciação. Brevemente, além da saciação o bebê quererá obter deste outro [do agente prestativo] algo mais, buscará também atingir a sensação prazerosa que a eliminação do desconforto gerado pela necessidade lhe ocasionava. Esse a mais - a satisfação - passará a ser buscado mesmo na ausência da necessidade. Agora o objeto adquire uma dupla função: saciação das necessidades vitais e satisfação dos impulsos eróticos do bebê 1 . Os processos acima descritos compõem a Teoria do Apoio descrita por Freud (1905/2003) no texto Três Ensaios de Teoria Sexual. Esta teoria esclarece a maneira pela qual as pulsões sexuais emergem arrimadas nas pulsões de auto-conservação, ou seja, como da necessidade da vida desprega-se o erótico. Estamos adentrando nos domínios da teoria da libido, dos investimentos em objetos de amor. Libido é um termo que pode ser definido como “uma força quantitativamente variável que poderia medir os processos e transformações ocorrentes no âmbito da excitação sexual” (Freud, 1905/2003, p. 205). Assim sendo, a libido seria uma quantidade proveniente da excitação de todo o corpo (não apenas dos órgãos genitais) e pode ser investida em objetos (o próprio eu ou outra representação inscrita no aparato anímico). 2. A triangulação do Édipo Tratamos até o momento sobre a configuração diádica (mãe-criança) de investimentos libidinais. Temos agora de considerar a interposição de outra figura que se torna passível de investimento: o pai. A configuração passa a ser triangular: pai – mãe - criança. É preciso considerar que o pai é uma figura que estava presente no meio que circunscrevia a criança desde seu nascimento. Assim como a mãe, o pai também seria uma figura do meio que estaria envolvida nos cuidados com a criança. De acordo com o que nos é apresentado por Freud (1923/2003b), no início da vida haveria uma indiferenciação entre as figuras parentais. A diferença de gênero seria reconhecida, mas não estaria atribuiria a uma diferenciação sexual. 1 Esclarecemos que usaremos os termos saciação e satisfação de maneira distinta. Para sermos mais precisos estamos contrapondo os termos. Por saciação nos referimos ao aplacamento das necessidades da vida, necessárias ao conservativo, a manutenção da vida. Já com o termo satisfação nos referimos ao amainamento da urgência relativa ao ‘a mais’ que emergiu arrimado no conservativo, o sexual. 4 Com vistas aos nossos objetivos neste trabalho, bastar-nos-á discorrermos sobre os eventos relativos ao Édipo no menino 2 . Destacaremos uma questão pertinente ao período pré-edípico por sua importância nos desdobramentos que conduzem ao Édipo: a valorização do pênis. A entrada no período fálico é caracterizada, segundo Freud (1917/2004 e 1923/2003b), pela valoração do pênis. O pênis torna-se um órgão valorizado para o menino pela capacidade de obtenção de satisfação por meio da masturbação. Esse órgão tão valioso e, portanto, foco de interesse do menino, é atribuído a todos os indivíduos, sejam homens ou mulheres. É apenas com a visualização da ausência de pênis nas mulheres que a realidade se impõe ao menino e ele passa a considerar que elas possuíram pênis, mas que o mesmo lhes foi extirpado 3 . Por essa teoria fantasística do menino, as mulheres seriam seres castrados. Em contrapartida, homens seriam dotados de pênis. O menino valoriza o pai e tem nele um modelo a ser atingido. O menino quer ser como o pai para também possuir um pênis tão poderoso quanto julga que ele tenha. A mãe ainda é o objeto de desejo do menino, mas o pai está agora configurado como uma figura de valência para ele. Por essa época pai, mãe e criança convivem sem maiores divergências. Mas com o desdobramento dos eventos edípicos essa triangulação tomará nova coloração, se estabelecerá um conflito. A mãe ainda é a escolha de objeto primeira e o menino continuará a investir sua libido nela. Na medida que o pai se coloca como um obstáculo para os intentos eróticos do menino, ele será entendido como um rival e a hostilidade do menino será à ele direcionada. O pai será visto como um empecilho à eliminar para que o acesso à mãe – e a conseqüente satisfação obtida – seja irrestrito. A solução encontrada pelo menino seria o parricídio, a eliminação do rival. Um temor se coloca para o menino: o parricídio poderá ser castigado e o custo seria a castração. “Em certo momento o menino compreende que o intento de eliminar o pai como rival será castigado por ele mediante a castração” (Freud, 1928/2004, p. 181). A situação não pode ser considerada apenas pelo aspecto descrito até este momento, o Édipo simples. Há uma complicação que configura o Édipo completo: o pai também é uma figura amada. Desde o início do período fálico, no qual o pai passa a ser valorizado e entendido como um modelo, ele também pode ser alvo dos investimentos 2 Estamos cientes de que a partir de 1924 Freud não vê mais simetria entre a conflitiva edípica masculina e feminina. Apesar dessa informação, interessa-nos a questão relativa a castração e entendemos que a descrição do Édipo no menino nos seja suficiente como modelo explicativo. 3 Destacamos que outra fantasia do menino é considerar que as mulheres teriam um pênis pequeno que virá a crescer posteriormente. Este é o mecanismo da renegação, segundo o qual uma percepção é recusada enquanto real. 5 do menino. Em função do pai ser possuidor de um pênis, o menino suspeita que pode obter dele algum tipo de satisfação. Os sentimentos em relação ao pai e a mãe se complicam; ódio e amor cambiam-se pelo estabelecimento de ambivalência. Desta forma é possível pensar, com Freud (1923/2003a e 1924/2003), duas possibilidades de satisfação para o menino: 1) assumir o lugar do pai e ter uma atitude ativa em relação à mãe; 2) assumir o lugar da mãe e ter uma atitude passiva em relação ao pai. Qualquer que seja a opção do menino esta lhe custará o pênis. Para possuir a mãe correrá o risco de ser castrado como forma de punição e para ter o pai precisará assumir a forma feminina, igualmente castrada, portanto. Para alcançar satisfação erótica com os objetos parentais o custo será a perda de uma parte de sua anatomia altamente investida - o pênis. Se a satisfação amorosa no terreno do complexo de Édipo deve custar o pênis, então produz-se o conflito entre o interesse narcisista nessa parte do corpo e o investimento libidinal dos objetos parentais. Neste conflito triunfa normalmente o primeiro destes poderes: o eu do menino abandona o complexo de Édipo (Freud, 1924/2003, p. 184). Conforme declarado por Freud (1923/2003a e 1924/2003), o desfecho esperado para o conflito edípico é que o menino desista de seus objetos de amor parentais. A dificuldade em deixar tais objetos, de acordo com Freud (1914/2003), reside em que o Eu é incapaz de renunciar a uma satisfação outrora experimentada. Que fazer para não abandonar os objetos de amor tão caros ao menino? 3. A derrocada do Édipo e a inscrição do social no psiquismo Se algo que outrora fora produtor de prazer não é de bom grado abandonado, que destino terão os objetos de amor iniciais do menino? Para que ocorra o desfecho do Édipo no qual o menino ‘desistirá’ das figuras primordiais enquanto libidinalmente investidas, será necessário que as representações intrapsíquicas desses objetos sejam desinvestidas, que sofram um processo de dessexualização. Um processo de dessexualização ocorre quando o Eu se apodera dos objetos tornando-os em aquisições à sua estrutura [do Eu]. O mecanismo que permite tal processo é o da identificação, o assemelhar um Eu a outro(s). As representações tornar-se-ão em identificações, ou seja, dar-se-á um empreendimento intrapsíquico de “(...) configurar o próprio eu a semelhança do outro, tomado como ‘modelo’” (Freud, 1921/2004, p.100). Desta forma, o mecanismo de identificação promoverá uma complexificação na estrutura do Eu. Com 6 o estabelecimento da identificação do menino com seus progenitores, estes últimos estarão instalados no aparelho psíquico. Os objetos de amor da criança são representações constituídas em fases iniciais de desenvolvimento do Eu, período no qual este encontra-se pouco complexificado. Por essa época as figuras que saciam e satisfazem seriam tidas como portadoras de perfeição, ou seja, são figuras idealizadas. Para Freud (1914/2003), essas figuras não seriam além de uma projeção da onipotência infantil, sua grandiosidade e perfeição. Então, quando no desenlace do conflito edípico o Eu se identifica com os objetos de amor, na realidade ele está se identificando com figuras idealizadas. Essa aquisição do Eu constituirá uma diferenciação em sua estrutura: o Ideal do Eu (Freud 1914/2003, 1923/2003a e 1933/2003). Nos termos do autor, “o ideal do eu é o precipitado da velha representação dos progenitores, expressa a admiração por aquela perfeição que o menino lhes atribuía nesse tempo” (Freud, 1933/2003, p. 60). Após a constituição de um Ideal, a satisfação a ser buscada não será mais o acesso aos objetos, mas a tentativa de equivalência entre o Eu e os modelos instalados no Ideal do Eu. Se, como já dissemos, as representações que ali orbitam são figuras idealizadas, serão inatingíveis, o que tornará a almejada equivalência um objetivo utópico. O que empurra o menino a desinvestir seus objetos primordiais é uma imposição externa à ele, uma proibição dirigida a obtenção de satisfação via estes objetos: a lei anti-incesto. Pela proibição do incesto, a mãe seria um objeto ilícito e o pai imporia essa lei e ameaçaria seu descumprimento com a castração. Só é possível compreender o abandono de uma satisfação por uma ameaça de desprazer maior que a satisfação poderia gerar. A ameaça de castração adquiriria maior força que a satisfação erótica a ser atingida por intermédio da mãe. O menino abre mão dos objetos de amor em prol da internalização das figuras parentais via processos identificatórios. A interdição do incesto ficará inscrita no psiquismo do menino e doravante a proibição não precisará mais ser imposta pelo pai. Agora o menino é [como] o pai, ao menos parcialmente; portanto, a lei do pai torna-se sua própria lei. Com a constituição do Ideal do Eu o social estará inscrito no aparato anímico. Assim, enfatizamos que a condição para a inscrição do social no psiquismo está na constituição do Ideal do Eu, pela internalização das figuras parentais e das normas de conduta por elas impostas que doravante servirão de diretrizes ao indivíduo. 7 Com a instalação do Ideal as condições para a repressão 4 (Verdrängung) estão dadas. Nos termos de Freud (1914/2003), “a formação de ideal seria, da parte do eu, a condição da repressão” (p. 90). Levando em consideração que as normas para a escolha de objetos lícitos para a obtenção de satisfação estão demarcados no Ideal, todo e qualquer objeto que não corresponda ao balizamento terá de sofrer repressão. Como as figuras parentais são tidas como ilícitas elas sofrerão repressão enquanto objetos a investir eroticamente. A opção do menino será buscar em seu meio outras figuras nas quais investir libidinalmente, não mais as figuras parentais, mas outras que estejam ligadas associativamente à elas. A eleição dos novos objetos será balizada pelo modelo instalado no Ideal do Eu. O Ideal do Eu será um núcleo, um centro gravitacional, ao qual serão agregadas outras figuras do entorno social. “No posterior circuito de desenvolvimento [após a constituição de um Ideal no Eu], professores e autoridades foram retomando o papel do pai” (Freud, 1923/2003a, p. 38). Essas outras figuras de autoridade, que estarão ligadas associativamente às primeiras representações da criança, tornar-se-ão figuras de valência e serão agregadas ao Ideal formando uma estrutura maior: o Supereu. No curso do desenvolvimento, o supereu adquire, ademais, as influências daquelas pessoas que tenham passado a ocupar o lugar dos pais, vale dizer, educadores, professores, arquétipos ideais. O normal é que se distancie cada vez mais dos indivíduos parentais originários, que se torna por assim dizer mais e mais impessoal. (Freud, 1933/2003, p. 60). Somente com a constituição do Ideal do Eu outras figuras do meio social serão acessíveis como objetos a investir eroticamente. De igual modo que as figuras parentais, as demais figuras do entorno do indivíduo poderão ser internalizadas e tornarem-se aquisições ao aparelho psíquico via mecanismos identificatórios. 4. Considerações finais Do nascimento até que o indivíduo esteja apto a transitar/trafegar pelo meio social decorre um percurso, um processo longo de aquisições e complexificações do Eu. Empreendemos nossa discussão partindo de um Eu débil, pouco estruturado no início da vida, passamos pela emergência do sexual e pelas representações de objetos de amor, o período fálico, o conflito edípico e sua demolição, o que forja o Ideal do Eu no aparelho psíquico. Com o Ideal do Eu formado esse será um núcleo para a agregação de outras 4 Para Freud (1915/2003), a “essência da repressão consiste em rechaçar algo da consciência e mantê-lo separado dela” (p. 142). 8 figuras de valência advindas do meio social, o que culminará com a estruturação do Supereu. Entendemos que é a partir do momento que a lei contra o incesto esteja internalizada e que figuras outras possam ser eleitas como objetos que o indivíduo está capacitado a adentrar à cultura. O indivíduo será não só um portador do social, mas também seu transmissor. A inscrição do social no psiquismo é um processo de estruturação gradativa e não algo pontual, a marca que esse processo ocorreu é a constituição de um Ideal do Eu. Referências Freud, Sigmund. (1995). Projeto de uma psicologia. (Osmyr Faria Gabbi Jr., Trad.). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1895). Freud, Sigmund. (2003). Tres Ensayos de Teoría Sexual. Obras Completas. (Trad. de José Luis Etcheverry). 2ª Edição. 10ª Reimpressão. Buenos Aires: Amorrortu. Volume 7. p. 109-224. (Originalmente publicado em 1905) Freud, Sigmund. (2003). Introducción del Narcisismo. Obras Completas. (Trad. de José Luis Etcheverry). 2ª Edição. 10ª Reimpressão. Buenos Aires: Amorrortu. Volume 14. p. 71-98. (Originalmente publicado em 1914) Freud, Sigmund. (2003). La Repressión. Obras Completas. (Trad. de José Luis Etcheverry). 2ª Edição. 10ª Reimpressão. Buenos Aires: Amorrortu. Volume 14. p. 135152. 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