QUESTIONAR OS PRESSUPOSTOS DA UTILIZAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO APRENDER A APRENDER: PROJECTO DE UMA ESCOLA DE ENSINO BÁSICO PORTUGUESA Anabela Moura Correia Fátima Simões Esta comunicação relata uma investigação-acção no 2º ciclo, desenvolvida num contexto educativo de uma escola em Viana do Castelo, no âmbito de uma área curricular não disciplinar - a Área de Projecto - que envolveu professores de Educação Visual e Tecnológica, da Língua Portuguesa e de Educação Musical e a forma como esses professores em 2002 desenvolveram a competência do Aprender a Aprender no sub-Projecto intitulado ‘BUNRAKU – Teatro de Bonecos Japonês: uma aventura no Japão’. Trata-se de uma pesquisa que se insere na tendência de investigação que valoriza as razões de uso pedagógico de determinadas estratégias e respectivas formas de comunicação, não se centrando nas perguntas de ordem metodológica (do como?), mas em questões que abordam a natureza e a ética educativas: por que razão devem estas estratégias ser utilizadas? Sugere-se com esta pesquisa que uma participação mais ou menos alargada não é a chave do problema e que é necessário um maior investimento teórico e prático na formação de professores em geral para que este enfoque na competência do Aprender a Aprender seja aperfeiçoado e enriquecido. Os resultados mostraram o impacto de estratégias metacognitivas, as suas vantagens no processo de ensino-aprendizagem, incluindo os que têm evidenciado mais problemas ao nível do sucesso escolar. 1. Introdução Como professoras que temos acompanhado a cadeira de Prática Pedagógica na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo, responsáveis pela formação de futuros professores de Ensino Básico, Variante de Educação Visual e Tecnológica, que irão trabalhar como profissionais, com crianças dos 6 aos 12 anos, questionamo-nos acerca do trabalho levado a cabo por um grupo de professores estagiários e a forma como têm vindo a pôr em prática a competência do aprender a aprender. 2. Finalidades desta Comunicação A nossa intenção é apresentar-vos um exemplo do desenvolvimento dessa competência do aprender a aprender a partir da análise de um projecto levado a cabo em 2002, por um par de professores estagiários numa turma de 5º ano, com 25 alunos com idades compreendidas entre os 9 e 11 anos, no Agrupamento de Escolas EB 1,2,3 Frei Bartolomeu dos Mártires em Viana do Castelo, Norte de Portugal. As finalidades desta apresentação são as seguintes: (i) reflectir sobre a forma como um grupo de professores estagiários das áreas das expressões, de uma Escola de Formação de Professores desenvolveu o sentido de autonomia dos seus alunos, ou seja, quando e como desenvolveu a competência do aprender a aprender, no projecto intitulado “Bunraku- Teatro de Bonecos Japonês: uma aventura no Japão”, no âmbito 3421 da Área de Projecto, numa turma de 5º ano de uma Escola de 2º Ciclo Portuguesa no projecto da sua turma de estágio; (ii) examinar a adequação das estratégias, actividades e recursos por eles utilizadas para a avaliação da competência de aprender a aprender, tendo em conta os critérios de adequação, relevância, flexibilidade, equilíbrio e articulação no processo de ensino aprendizagem; (iii) identificar as necessidades dos professores estagiários em termos de adaptação a uma reorganização curricular, determinando os obstáculos e dificuldades que lhes possam surgir nos seus percursos profissionais; (iv) fornecer ao público que nos está a ouvir alguns elementos que sirvam de base de reflexão para projectos futuros relacionados com o desenvolvimento desta competência. 3. O Domínio Problema Luisa Alonso (2005:1) afirmou que falar de competências leva a problematizar o seu papel no contexto de outros conceitos considerados como estruturantes do pensamento curricular, nomeadamente os de conteúdos e objectivos, as práticas de ensino e de aprendizagem predominantes na escola, levando, por isso, a questionar as metodologias e sistemas de avaliação. A mesma investigadora refere a adequação e relevância, a flexibilidade e reflexividade, equilíbrio e articulação como sendo critérios de qualidade curricular que permitem aos alunos, quando respeitados, serem eles os construtores activos e autónomos no seu processo de aprendizagem, ou seja, ficarem capazes de interpretar e intervir no mundo que os rodeia, promovendo a redução de problemas, a sua transformação através, segundo Alonso (2005) de uma acção informada e esclarecida. Como foi tudo isso contemplado no Projecto Bunraku? Este Projecto partiu de que problema do etnocentrismo que caracteriza os actuais programas de EVT e EM ao nível do 2º ciclo. Porque precisa um professor trazer para sua sala de aula a preocupação com as diferenças culturais? A resposta, embora pareça óbvia, foi até agora pouco considerada por estes: numa sala de aula, especialmente na escola pública interrelacionam-se indivíduos de diferentes grupos culturais, que terão sempre que lidar com outros indivíduos também de diferentes culturas e subculturas. Por outro lado, desde sempre que o ser humano sentiu curiosidade em conhecer outras terras, outras gentes e outras culturas. As diferenças existentes entre estas e a nossa cultura permite-nos alargar os horizontes, acabar com preconceitos e enriquecer-nos, tornando-nos mais cultos e capazes de valorizar de forma mais categórica a importância de viver em diversidade. 3422 4. Procedimentos Metodológicos “Bunraku- Teatro de Bonecos Japonês: uma aventura no Japão”, foi desenvolvido num contexto de investigação-acção, onde os intervenientes tentaram interpretar as directrizes vindas do Ministério relativas aos procedimentos a adoptar numa Área de Projecto. A investigaçãoacção foi a posição teórica e metodológica assumida para pôr em prática o desenvolvimento curricular e porque se pretendia melhorar a prática educativa, de forma colaborativa, numa intervenção de pequena escala. Tratou-se de um método que proporcionou uma oportunidade de estudar, de forma mais ou menos profunda um aspecto específico do problema do etnocentrismo nos currículos ao nível do 2º ciclo (Moura, 1999), num curto espaço de tempo. Pretendíamos reflectir sobre o espaço para as manifestações culturais tradicionais e a consciência da diversidade cultural pois consideravamo-los muito reduzidos no contexto escolar e na sociedade. Optámos por uma abordagem intervencionista para mudar circunstâncias ao mesmo tempo que elas iam sendo pesquisadas. A investigação-acção foi escolhida pela ênfase na resolução de problemas educativos diagnosticados em situações específicas e por se tratar de um método de inovação curricular com grande potencial para pôr em prática um modelo teórico crítico de reorganização curricular com professores. Além disso, permitia-nos um trabalho colaborativo, com uma estrutura avaliativa que se pretendia adicionar ao conhecimento funcional dos práticos sobre o fenómeno com que se estava a lidar, ou seja, o negligenciar permanente da cultura e da história numa perspectiva multicultural. 1 5. Amostra Os intervenientes nesta investigação-acção foram quatro professores (dois estagiários de EVT, duas cooperantes [uma de Língua Portuguesa e uma de Educação Musical] e a supervisora de Artes Visuais) e 25 alunos do 5º B do Agrupamento de Escola Frei Bartolomeu dos Mártires. Foi feito um primeiro contacto entre os professores envolvidos no Projecto com o objectivo de se reflectir sobre a metodologia a adoptar no Âmbito do tema “ Diversidade Cultural: Outros Povos, outras Gentes, Outras Culturas, decidido em Conselho da turma B do 5º ano de escolaridade. 1 Por multiculturalidade entendemos, num sentido restrito, um conjunto de estratégias organizacionais curriculares e pedagógicas de um sistema, escola ou turma, cuja finalidade é promover compreensão e respeito entre indivíduos de origens étnicas diversas, através da mudança das suas percepções e atitudes. (Carrington e Short, 1989, p.12) 3423 6. Sequência das Actividades do Projecto Partimos da identificação da ideia geral com todos os intervenientes, incluindo os alunos e do reconhecimento da pertinência do desenvolvimento de um Projecto que envolvesse todos na reflexão sobre a diversidade cultural. Passamos à planificação geral do Projecto, respectiva calendarização (Tabela 1) e desenvolvimento do primeiro ciclo de acção. Implementado o primeiro, passou-se à reflexão e avaliação, revisão do plano geral e desenvolvimento dos ciclos seguintes, seguindo o modelo de Elliot (1991, p.217), por causa do seu ênfase na interrelação entre a acção e a reflexão. Tabela 1: Calendarização 1º e 2º Períodos Motivação, investigação, recolha de dados, realização e avaliação do projecto “Bunraku- Teatro de Bonecos Japoneses 7. Recolha de dados Ao longo deste Projecto, que decorreu nos dois primeiros trimestres do ano lectivo, utilizaram-se várias técnicas e instrumentos de recolha de dados tais como planos de aulas (investigadores), desenhos e trabalhos escritos em fichas pelos alunos (ver Fichas 1 e 2), fotografias das aulas, notas de campo das discussões com alunos, reflexões escritas e avaliações (investigadores). O objectivo das fichas dadas aos alunos foi verificar a coerência entre o seu discurso acerca das suas concepções, atitudes e comportamentos relativamente à diversidade cultural, ao trabalho colaborativo, à capacidade de resolução de problemas e de recolha de dados em fontes diversificadas, à capacidade de utilização do computador e a todas as questões que iam sendo exploradas ao longo do Projecto. Esses dados servem-nos hoje para verificar até que ponto as competências metacognitivas estavam a ser adequadamente desenvolvidas e foram recolhidos a partir da análise de quatro tarefas realizadas por dois dos cinco grupos dessa turma. O critério de selecção desses grupos foi o do material existente, ou seja, o maior número de dados existentes recaía sobre dois dos cinco grupos, tendo por essa razão, sido esses os seleccionados. 8. Análise dos Dados A análise dos dados foi feita com base no tratamento dos dados resultantes das tarefas solicitadas no Projecto e a partir das seguintes categorias de análise (Bogdan e Biklen, 1994): (a) Tarefas para o Desenvolvimento do aprender a aprender; 3424 (b) Critérios no processo de ensino aprendizagem; (a) Tarefas para o Desenvolvimento do aprender a aprender Consultando os dados existentes, verificámos que foram contempladas várias competências (gerais e específicas) relacionadas com socialização, utilização de novas tecnologias, pesquisa, selecção e organização de informação, comunicação e utilização de suportes diversificados, trabalho colaborativo, avaliação de desempenho. Os professores intervenientes utilizaram a definição do que refere competência como:. Assim para o desenvolvimento da competência geral “pesquisar, seleccionar e organizar informação para a transformar em conhecimento mobilizável” (Currículo Nacional do Ensino Básico , 2001:9), os professores e alunos utilizaram a Ficha 1 onde começaram por reflectir sobre o significado de pesquisa e a importância da definição do problema. A planificação do Projecto foi feito com os alunos, dando a cada grupo uma ficha. Aqui se apresentam os exemplos dos grupos 2 e 3 relativos à Tarefa de Planificação (Ficha 1): FICHA 1: TAREFA DE PLANIFICAÇÃO Grupo 2 1-Definição do Problema 2-O que é que se vai fazer 3-Quem faz 4-Quando se faz 5-Que materiais precisamos Expandir a nossa cultura; Uns trabalham os outros não! Japão: Descobertas, religião e região, tradições e costumes, festas, artes e escultura, literatura e tecnologia Ana, Rita, Joana, Diana (pouco, mas faz!) Quando temos tempo Coisas relacionadas com o trabalho: cartolina, Lápis de cor, esferográficas, tesoura e cola,... Grupo 3 Porque queremos conhecer outros povos O que se vai fazer é pesquisar O grupo Faz-se nos dias da Área de Projecto Lápis, canetas, papeis, cadernos, etc... Daqui se constata que os alunos tinham alguma consciência dos objectivos do Projecto, no entanto, os professores sentiram a necessidade de os alertar para as competências necessárias à concretização de tal objectivo, tais como pesquisa, selecção e organização de informação, comunicação em diferentes contextos e com suportes diversificados, relacionamento interdisciplinar de conteúdos, trabalho individual e em grupo, avaliação do próprio desempenho e procura de qualidade e excelência ao nível de desempenho, num clima de solidariedade. A metodologia de Projecto favoreceu a fase da Planificação: a tónica foi posta, por exemplo, na detecção de problemas sociais e na sua discussão. As propostas de solução foram discutidas e avaliadas em função dos novos problemas sociais que se pudessem levantar. Esta metodologia assentou em linhas condutoras do ensino/aprendizagem por tarefas (“task-based 3425 learning”, Nunan, 1993). Adoptou-se uma abordagem social reconstrucionista que ajudou a promover atitudes sociais, a desenvolver projectos de trabalho cooperativo (Varela-Freitas, 1997) que envolveu os alunos com a ideia de projecto: de um problema detectado, surgiram outros problemas que se desdobraram novamente. A resolução de problemas parcelares, por pequenos grupos, para resolver problemas maiores e mais envolventes, desenvolveu nos alunos o espírito de equipa, o respeito pela diferença, a sensibilidade do indivíduo relativamente à sua posição de elemento útil num todo maior - a sociedade. A fase da Monitorização pode ser observada a partir da análise dos dados relativos às Tarefas 2 e 3, onde os alunos foram convidados a apresentar propostas sobre o que gostariam de fazer relacionado com o conhecimento de outras culturas para além da sua. Preencheram outra ficha intitulada “Análise das Propostas”. Os alunos foram convidados a completar cada linha. Cada grupo tinha cinco elementos e cada ficha contemplava espaços para cada aluno preencher: FICHA 2: TAREFA DE ANÁLISE DE PROPOSTAS-1ª Parte (Monitorização) Propostas que todos os Elementos do grupo gostariam de realizar Propostas que não agradam a nenhum elemento do grupo Propostas que agradam a uns e não agradam a outros elementos do grupo A análise dos dados do grupo 3 revela que todos pretendem fazer Trabalhos Manuais, ou seja, construirem os bonecos para o Teatro Bunraku. Mas as respostas do Grupo 2 são muito variadas: Projecto sobre Halloween; Religião e região-Protecção de Animais; Viagem à volta do mundo- tradições e costumes; Festas, artes e culturas; e Literatura e Tecnologia. Todos os do Grupo 3 identificam como dificuldade o desagrado no preenchimento de fichas. Os alunos do Grupo 2 manifestam desagrado em relação ao facto de terem de trabalhar em grupo na pesquisa sobre a cultura Japonesa. Dizem ainda que não gostavam de explorar a cultura de Trás os Montes. Relativamente ao terceiro item nenhum respondeu no grupo 3 e no grupo 2 a Diana diz que não gosta de fazer pesquisas. FICHA 2: TAREFA DE ANÁLISE DE PROPOSTAS-2ª Parte Propostas que todos os elementos do grupo gostariam de realizar Propostas que agradam a uns e não agradam a outros elementos do grupo 1. Propostas que, na vossa opinião, parecem ser fáceis de realizar 2. Propostas que, na vossa opinião, embora não sejam fáceis de realizar, podem ser realizadas 3. Propostas que, na vossa opinião, não são realizáveis 3426 O mesmo grupo 3 foi unânime em declarar no ponto 1: termos um computador em cada sala. O Grupo 2, no entanto, refere: Viajar à volta do mundo e quanto às propostas que agradam a uns e a outros não, referem: uns trabalham e os outros não. Relativamente ao ponto 2 o Grupo 3 referiu: Haver silêncio. O Grupo 2 disse: um computador com impressora e A pesquisa do Japão. No ponto 3 pode ler-se: aumentar a escola (Grupo 3), Ir até ao Japão (grupo 2). FICHA 3: DISTRIBUIÇÃO DE GRUPOS (Monitorização) Grupos de Trabalho Grupo 1: PORTO Grupo 2:DIABINHAS Grupo 3: LUMINOSOS Grupo 4: BOTA FORA Grupo 5: MÚMIAS Distribuição de Tarefas Trabalho de pesquisa: Bunraku; Desporto; Chegada dos Portugueses ao Japão; Armas e Língua; Actividade Prática: explicação sobre o Desporto Japonês Trabalho de pesquisa: Bunraku; Tecnologia; Arte Japonesa; Origamis e Agricultura; Actividade Prática: demonstração de como a tecnologia Japonesa está difundida em Portugal Trabalho de pesquisa: Bunraku; Festas Tradicionais; Dança, Vestuário e Geografia; Actividade Prática: dramatização de uma festa tradicional. Trabalho de pesquisa: Bunraku; Gastronomia; Danças, Arquitectura e Instrumentos Musicais; Actividade Prática: dança. Trabalho de pesquisa: Bunraku; Cerimónia do chá, Música, Religião e Plantas; Actividade Prática: dramatização da cerimónia do chá. A metodologia de Projecto consistiu na permanente procura de solução para problemas do ser humano relativamente a questões de preservação e mudança cultural, através de uma abordagem multicultural, com preocupações de redução de preconceito e estereótipo. A tónica, no entanto, foi posta na fase da resolução do problema, através da realização de tarefas diversificadas (Ficha 3). FASE DA AVALIAÇÃO: TAREFA DE AVALIAÇÃO Os alunos foram convidados ao longo do Projecto a reflectir sobre aspectos relacionados com a participação e organização do Projecto, tendo sido distribuidas uma grelha na fase de planificação, outra grelha ao longo de todas as sessões na fase de monotorização e uma grelha na fase de avaliação. Ao longo das fases de planificação e monotorização, os dez elementos dos dois grupos, alegaram que gostaram de pesquisar sobre o Japão, de trabalhar em grupo, de realizar as fichas de trabalho sobre o Japão (ex: comparação de horário escolar em Portugal e no Japão), de elaborarem o texto para a peça de Teatro “Bunrako”, dos jogos de dramatização, de aprenderem a utilizar os “Hashi” e muito mais do concurso efectuado utilizando estes objectos. Por outro lado, de uma maneira geral, mostraram no entanto desagrado no preenchimento das 3427 grelhas e nas questões abertas tais como: Indica as dificuldades sentidas durante o projecto, ao qual geralmente não respondiam. Na fase final de avaliação, nove dos dez alunos afirmam que gostaram mais de trabalhar em grupo. O mesmo aluno que gostou mais de trabalhar individualmente, afirma também que a relação entre os colegas podia ter sido melhor, ao contrário de todos os outros que afirmam ter havido uma boa relação. Relativamente às dificuldades sentidas durante o projecto, cinco dos alunos nada referem e os outros cinco apontam o preenchimento das grelhas (3 alunos), a pesquisa (um aluno) e trabalhar face a brincadeira do grupo (um aluno). Todos os alunos afirmam ter gostado do projecto e oito deles indicam que não alterariam nada. Os dois alunos que indicam que se começassem de novo alterariam algum ponto, indicam que mudariam a constituição dos grupos. Na reflexão sobre os aspectos da dimensão socio-afectiva costumavam ser sinceros. Relativamente à avaliação destes, teve-se em conta a cooperação com os colegas, a participação na organização do projecto a iniciativa e responsabilidade. Foi interesante verificar que ao longo do projecto houve uma melhoria visível, como se pode verificar nas seguintes tabelas que representam os dois momentos de avaliação: TABELA 2: AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS cooperação com os colegas participação na organização do projecto a iniciativa e responsabilidade RP 20% 32% 36% 1º Momento R 44% 36% 32% RC 36% 32% 32% RP 4% 4% 24% 2º Momento R 52% 48% 36% RC 44% 48% 40% RP revela pouco R revela RC revela claramente Como estratégia educativa, a metodologia adoptada permitiu o desenvolvimento: (i) da criatividade na procura de soluções alternativas; ex (ii) do espírito crítico na necessidade de tomar constantemente decisões e na fundamentação das escolhas feitas; citação alunos (iii) de competências histórico-culturais, analítico-críticas, perceptuais e expressivas através do uso de técnicas na realização dos bonecos e cenários e na comunicação verbal e visual das ideias. (b) Critérios no processo de ensino aprendizagem Que critérios de adequação, relevância, flexibilidade, equilíbrio e articulação foram utilizados? Importa relembrar os objectivos deste Projecto para reflectirmos como estes critérios foram contemplados: 3428 • Reflectir sobre o Outro numa perspectiva de abertura e respeito pela diferença, a partir da selecção de um tema sobre diversidade cultural; • Localizar geograficamente o país investigado; • Relacionar a cultura Portuguesa com a Japonesa através da investigação em fontes diversificadas de hábitos e tradições culturais; • Utilizar diferentes formas de comunicação (verbal, visual e musical) na concretização do Teatro Bunraku; • Desenvolver tarefas em equipa, sabendo ouvir e respeitando as opiniões de todos; • Promover a diversidade através da dinamização de uma performance e de uma exposição com trabalhos de carácter multicultural; • Criar recursos pedagógicos ao longo do desenvolvimento de actividades e estratégias multiculturais. Flexibilidade: As mudanças do estilo de gestão de aula destes professores estagiários e alunos reflectiram uma grande flexibilidade, contribuíram para um ambiente de aprendizagem vivo e dinâmico, reforçado por algumas estratégias de ensino/aprendizagem tais como o jogo colaborativo e a interacção com convidados, jogos feitos em grupo, pesquisas na internet que permitiram aos alunos uma melhor compreensão do tema em estudo, de forma bastante autónoma. Para o desenvolvimento dos diversos objectivos os professores estagiários exploraram novos conceitos relacionados com diversidade cultural e arte em contextos não ocidentais. Não se tratou simplesmente de rejeitarem ou substituírem o cânone Ocidental em que se alicerçava o currículo de arte da EVT por um não Ocidental, mas de abordarem conceitos de tradição e modernidade numa perspectiva multicultural. O jogo permitiu levar os alunos a identificarem e reflectirem sobre atitudes, comportamentos e valores a adoptar na sala de aula e na sociedade. Embora não haja muita tradição nas escolas de ouvir os alunos, isso tornou-se uma parte essencial deste projecto pois, tal como Kendall (1996, p.137) sugere “As mentes e os corações que se abrem às outras culturas e questionam estereótipos, respostas individuais, culturais e artísticas devem necessariamente estar envolvidos em diálogos permanentes”. Relevância: Os estagiários, juntamente com os supervisores e alunos decidiram explorar uma forma de arte muito desconhecida como era o caso do ‘Teatro Bunraku’. Viana do Castelo está geminada com uma cidade Japonesa e o desconhecimento de tal parceria instigou a curiosidade de todos os participantes em explorar tal tema. Escreveram-se cartas a autoridades 3429 Japonesas e num curto espaço de tempo foram enviados recursos do Japão que explicavam a construção dos Bonecos e davam informações da cultura Japonesa. A situação estava lançada e surgia na sequência da decisão do Conselho de turma e de Escola sobre o tema da Diversidade Cultural. Adequação: Falar de Japão envolvia muitas questões relacionadas com percursos que na disciplina de História estavam contemplados tais como a Expansão Portuguesa. Era um tema adequado a esta fase etária pois incentivava à interdisciplinaridade com diversos saberes: a História e Geografia de Portugal, o Português, as Expressões, as Tecnologias de Informação, questões básicas de cidadania. Os alunos consultaram mapas, procuraram na história do passado e na recente vestígios patrimoniais que relacionassem o povo Português com o povo Japonês. Por outro lado tal abordagem com preocupações multiculturais ajudou a promover a redução do etnocentrismo dos currículos de EVT e EM, o que os encorajou a reconsiderarem a posição monocultural que lhes era familiar. Equilíbrio e Articulação: O diálogo permanente entre adultos e crianças e pessoas convidadas que pontualmente iam visitando as actividades e colaborando com estratégias, teve sempre em atenção a fase etária dos alunos, a articulação horizontal e vertical de saberes curriculares, o tempo disponível para concretização do produto final, a escassez de recursos. Os dados recolhidos sistematicamente através das fichas aos alunos permitiram verificar, juntamente com toda a restante informação, que os alunos foram, pelo menos sensibilizados a reflectir sobre tudo o que iam fazendo ao longo das diversas fases do seu Projecto. Observar, escutar com atenção e respeitar as indicações dos professores e dos alunos, “seguir atrás” dessas indicações, deixar ou esperar que elas nos "conduzissem" e aceitar participar nas suas actividades na medida das nossas possibilidades e circunstâncias, sobretudo na medida em que os professores fossem solicitados por elas a fazê-lo, estes foram alguns dos princípios éticos e metodológicos básicos que acabaram por se constituir num modo equilibrado e articulado de acção de todos os intervenientes neste Projecto. 9. PRINCIPAIS RESULTADOS O balanço aqui feito refere-se aos resultados registados em relação à forma como o método de ensino-aprendizagem contribuiu para desenvolver nos alunos a competência de aprender a aprender. Tratou-se de um método centrado no trabalho dos alunos, numa grande variedade de 3430 actividades2 que possibilitaram a sua autonomia (cf. Legutke e Thomas, 1991) e nos conhecimentos conceptuais desenvolvidos de forma articulada com estratégias3 consideradas chave: Interdisciplinaridade: A estratégia da interdisciplinaridade (Tabela 3) surge articulada igualmente com actividades/tarefas que reforçaram a ligação da teoria à prática entre saber, saber fazer e saber ser e conviver (Alonso, 2005, p.4). TABELA 3: ÁREAS INTERVENIENTES E FORMAS DE INTERVENÇÃO Áreas intervenientes Formas de intervenção Língua Portuguesa Elaboração do texto para o Teatro de Marionetas Bunraku Estudo de formas tradicionais de Arte Japonesa Análise de obras de arte da época da Expansão Análise de artefactos Japoneses contemporâneos Construção do Teatro Estudo da Música Tradicional do Japão Ensaios da Música Japonesa Estudo de instrumentos musicais tradicionais do Japão Ensaio de sons ambientes a usar na representação do Teatro Bunrako Elaboração de formas tradicionais em papel (origamis) relacionadas com símbolos culturais e de Paz Técnicas de recolha e tratamento de dados Pesquisas na internet Passagem de trabalhos no Word Educação Visual e Tecnológica Educação Musical Formação Cívica Estudo Acompanhado Tecnologias de informação e comunicação Os alunos aderiram de forma muito positiva às actividades e aos recursos utilizados, conforme se pode constatar nas respostas à ficha 4 (ver p.6). Tal se deve à escolha criteriosa e muito motivadora de imagens, pessoas convidadas, assuntos, ideias exploradas nas sessões semanais de uma hora e meia. Os sucessos nos planos de formação cultural e social dos alunos, da sua maior consciencialização para questões de preconceito e discriminação, de diversidade cultural, de conhecimento sobre outras culturas, são a consequência da flexibilidade, adequação, do método utilizado. Ensino/Aprendizagem Colaborativo: O método adoptado centrou-se em diferentes padrões de interacção na aula (trabalho de pares, de grupo, de pesquisa). A força do ensino/aprendizagem colaborativo neste projecto residiu no desafiar a situação tradicional em algumas salas de aula de arte, onde habitualmente todo o poder costuma estar concentrado nas mãos do/a professor/a. 2 Eisner (1985) define actividade como oportunidade de aprendizagem, ou seja, a forma como os conteúdos são desenvolvidos através da actividade prática 3 Eisner (1985) define estratégia como forma de apresentação e resposta. 3431 Neste caso concreto os professores estagiários, cooperantes e supervisora pedagógica, deliberadamente investiram num tipo de discussão e diálogo que encorajou todos a expressarem os seus sentimentos à medida que o projecto se ia desenrolando. Este tipo de diálogo foi necessário para o desenvolvimento de competências gerais e específicas que deram a todos os alunos oportunidades de igualdade ao nível educativo. A noção de cultura de sucesso deu lugar à noção de cultura de solidariedade e ao desenvolvimento de valores personalistas, não tradicionalistas ou utilitários. O desenvolvimento desses valores personalizados só foi possível graças à criação de um espaço de interacção social e de relação interpessoal de que fala Vieira (1993), que ajudou a responsabilizar e a comprometer sistematicamente. O diálogo gerado entre alunos e professores através da discussão de conceitos e experiências encorajou e fortaleceu a interacção social atrás mencionada. Com isso os professores acreditaram e esperaram que os seus alunos pudessem melhorar o seu auto-conhecimento e compreensão tanto da sua herança cultural como da dos outros. As estratégias colaborativas de ensino/aprendizagem que foram sistematicamente utilizadas promoveram a partilha de crenças e valores culturais e de preocupações universais e o intercâmbio de experiências de adultos com crianças, foi considerado muito enriquecedor. Análise de Imagens: As estratégias de análise de imagem foram consideradas adequadas ao desenvolvimento de competências crítica e da consciência dos alunos para a diversidade cultural. Viana do Castelo é uma zona predominantemente monocultural, onde os contactos com realidades, crenças e formas de vida alternativas nos chegam essencialmente através dos meios de comunicação (Moura, 2002). Não podemos esquecer a força que a imagem e o som sempre tiveram e continuam a ter não apenas no âmbito do ensino artístico como em muitas outras disciplinas, aparecendo em manuais, enciclopédias e outras fontes audiovisuais, e que juntamente com os métodos curriculares, constituem importantes veículos de informação. No entanto aparecem-nos em muitos recursos educativos imbuídas de estereótipos reflectindo valores culturais da maioria dominante e de desigualdade social, reforçando uma pobre concepção do mundo. Toda a equipa estava consciente disso, tendo sido, por isso, muito criteriosos na selecção de materiais. Os meios de comunicação tornaram-se um importante recurso de ensino/aprendizagem e as gravações em vídeo de programas via TV por cabo ou satélites contribuíram significativamente para alargar as perspectivas dos estudantes sobre outras culturas. Este Projecto não lidou com números significativos de alunos de grupos étnico minoritários, mas focou essencialmente os do grupo social maioritário, culturalmente tendencioso e na linha da ideologia dominante da escolaridade Portuguesa. A prioridade foi a de chamar a atenção de todos para os conflitos étnicos na sociedade Portuguesa e para as suas causas. Para isso os alunos seleccionaram recursos visuais tais como revistas, jornais, 3432 fotografias e videogramas levados por todos para a sala de aula e assim foram desenvolvendo a competência do aprender a aprender (procurando sistematicamente e de forma crítica, ou seja, investigando, segundo Allison, (1992). Recursos Variados: Como regra de ouro, os recursos desenvolvidos e usados nas intervenções foram criados pelos professores e alunos, permitindo desenvolver competências perceptuais, históricas e críticas necessárias ao entendimento e apreciação da arte, ao mesmo tempo, aumentar a sua consciência para questões sociais e culturais. Para isso os alunos tinham de pesquisar na Internet, na biblioteca, em casa, utilizando diferentes tecnologias audioscriptovisuais e multimedia, imagens de manuais, enciclopédias, jornais, catálogos, livros de arte, entrevista a convidados na sala de aula (professor de história reformado) e outros. 9. CONCLUSÃO Com base na análise de dados, constatámos que, os resultados mostraram o impacto de estratégias metacognitivas, as suas vantagens no processo de ensino-aprendizagem de todos os alunos, incluindo os que têm evidenciado mais problemas ao nível do sucesso escolar. Concluiu-se também que aproximadamente 24% dos alunos teve dificuldades em desenvolver competências que lhes permitissem sugerir objectivos para a tarefa a desenvolver, tendo em conta as opções dadas pelo professor e que lhes permitissem assumir durante a aprendizagem mais responsabilidade na planificação da tarefa a desenvolver e na verificação dos seus progressos, monotorizando-os, modificando o que estava errado questionando-se e questionando os outros regularmente, partilhando as suas ideias e procurando obter um feedback dos outros. Os alunos foram sensibilizados ao longo do projecto a utilizar estratégias que os ajudavam a reflectir sobre tudo o que faziam, o porquê, o como, o quando. Isso provocou neles reacções diversas, manifestando muitas vezes total desagrado por terem de reflectir por escrito sobre o que sentiam, faziam ou achavam sobre o trabalho em curso. No entanto, verificou-se uma melhoria gradual do desempenho dos alunos ao longo do projecto no domínio da competência linguística, passando a utilizar activamente novos termos desconhecidos até então da maioria dos alunos. Esses termos utilizados evidenciavam um saber interdisciplinar, enfatizado ao longo do projecto, ou seja termos das áreas intervenientes anteriormente mencionadas. A conclusão mais importante da acção neste âmbito é que a mudança nos hábitos dos alunos passa também pela mudança nos hábitos dos professores e a questão do desenvolvimento da competência do aprender a aprender necessita de muito questionamento, de trazer à luz valores e crenças profissionais inconscientes expressos através de estereótipos. O que motivou 3433 esta equipa de professores não foi o ideal assimilacionista de integrar as crianças das minorias étnicas na sociedade das maiorias, transformando sistematicamente a diferença em desigualdade, mas o ideal social reconstrucionista de despertar as consciências de todos os participantes (alunos e professores) para os preconceitos e estereótipos existentes e preparar os estudantes, futuros professores de arte, para um papel interventivo. Se as interrogações dos alunos ao longo do seu projecto evidenciaram comportamentos e atitudes diferenciados em torno do aprender a aprender, do lugar em que procuravam estar e dos papéis que ali desempenhavam, permitiram-nos, ao mesmo tempo, prosseguir o esclarecimento das nossas intenções e a redefinição dos nossos próprios papéis enquanto investigadoras, podendo identificar diferentes processos interactivos na situação que foi observada e ser usada por aqueles que estão preocupados com a compreensão das pessoas e em recolher informação que sirvam para testar determinadas teorias. Os momentos em que os alunos intervieram nas fichas, constituíram-se numa outra forma da sua inclusão no trabalho de investigação, como participantes que enriquecem e validam a nossa recolha de dados, dando-nos oportunidade de confirmar junto delas não só a fidelidade às suas “falas” como as nossas interpretações acerca dos seus sentidos, no contexto das respectivas interacções. As suas intervenções tornaram-se num modo de auto-avaliação de quão conhecedora nós nos tínhamos tornado acerca dos seus conhecimentos e interesses. Finalmente, já no final do ano, a performance na Festa Final suscitou não só uma grande adesão e entusiasmo por parte das crianças como se constituiram em recursos importantes para ampliar a sua participação nesta investigação, informando-nos do que no momento e retrospectivamente consideravam ser ou ter sido relevante para as suas vidas. Independentemente do esforço dos professores para transcender as fronteiras da autoridade, assume-se que as diferenças geracionais e de poderes entre ela e os alunos não são anuladas mas constituem o cerne do trabalho de renegociação de papéis e estatutos e sua sucessiva reconfiguração, onde os professores a par dos seus alunos também experienciam fragilidades, incompetências e ignorância. Algumas das limitações sentidas relacionaram-se essencialmente com o tempo que os alunos demoravam a preencher as fichas, com o gasto de fotocópias para a Escola, com o tempo para analisar os dados recolhidos por parte dos professores e alunos. Assegurar a participação total na sistemática reflexão e avaliação do que ia sendo realizado semanalmente, foi considerado um problema tanto pelos alunos, como pelos professores que acabavam por fazer, muitas vezes, análises superficiais dos fenómenos e que revelavam ausência de revisão de literatura. 3434 A educação artística (visual e musical) envolve o desenvolvimento de muitos tipos de competências. Os alunos necessitam de competências técnicas para controlarem os meios de expressão ou instrumentos, competências perceptuais, avaliativas, críticas e linguísticas para falarem e escreverem sobre o seu trabalho e o trabalho dos outros. As artes recorrem também a competências sociais que são vitais para o trabalho colaborativo necessário em muitos projectos artísticos, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e social. A operacionalização de competências deveria ser sempre desenvolvida e testada por teóricos e práticos. O que funciona com os alunos em contextos naturalistas é a base mais fidedigna e consistente para desenvolver esta abordagem baseada no conhecimento para melhorar a educação em geral. Falar apenas, discutir, ou escrever sobre as possíveis aplicações da informação científica pode ser um enorme erro que a educação não pode cometer. Tal como Leonardo da Vinci observou " A infelicidade suprema é quando as teorias se sobrepõem à performance". Referências Bibliográficas ALLISON, B. (1992). Research in art and design: developing professionality, Comunicação apresentada na Conferência de Investigação em Arte e Design, Kent Institute ALONSO, L. (2005). 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