1 ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO NA COORDENAÇÃO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL DA UFPB. Miriam de Moura Costa Rodrigues¹ Orientador: Prof. Ms. Antônio Gualberto Filho² RESUMO Na era global, a sociedade almeja bem-estar e satisfação no trabalho no ambiente doméstico e no espaço de trabalho. Nesse contexto a ergonomia entra como uma grande aliada para melhorar a vida do homem moderno e, despertando atenção tanto dos ergonomistas, como de outros profissionais. Nesse sentido, o presente trabalho visa analisar as condições do trabalho dos funcionários da Coordenação do Curso de Graduação de Engenharia Civil no aspecto ergonômico procurando assim promover a redução de adoecimento devido a fatores ergonômicos. Palavras-chave: Matrículas, qualidade de vida, estresse, ergonomia, desgaste físico, engenharia civil. 1. INTRODUÇÃO Os avanços tecnológicos vêm transformando as empresas modernas, provocando uma administrativo, e, reestruturação dos conseqüentemente, sistemas gerencial, apresentando à organizacional classe e trabalhadora, alterações consideráveis decorrentes dessas transformações rápidas e contínuas. Nesse contexto, nota-se que a qualidade de vida está diretamente relacionada com o mercado global, ou seja, com as organizações e com o trabalhador e investir na melhoria ergonômica do colaborador pode ser uma estratégia para que a organização renove as formas de trabalho e eleve ao mesmo tempo a satisfação do pessoal e a produtividade das empresas. ______________ 1. Aluna do 2007/5 Período da Faculdade de Tecnologia de Curitiba – FATEC Pós- Gradução em Recursos Humanos . Endereço eletrônico: [email protected] 2. Professor da Universidade Federal da Paraíba, Mestre em Engenharia de Produção. 2 Investir na melhoria ergonômica do colaborador e auxiliá-los para trabalhar em posturas corretas, pode ser uma estratégia para que a organização renove as formas de trabalho e eleve ao mesmo tempo a satisfação do pessoal e a produtividade das empresas. É oportuno lembrar que os indivíduos dedicam grande parte do tempo ao trabalho, por isso o ambiente de trabalho deve estar adequado às características e necessidades do trabalhador. Os ergonomistas são os profissionais que estão atuando na funcionalidade e conforto no espaço de trabalho. Nesse sentido, pode-se notar que o ambiente de trabalho da “Coordenação do Curso de Engenharia Civil” da Universidade Federal da Paraíba, precisa reorganizar o setor de matrícula dos alunos, tanto no aspecto organizacional com físico uma vez que não tem cronograma para os cursos e turnos para atender um universo aproximadamente de 500 alunos ativos, E adequar a mobília e equipamentos é um dos fatores que podem favorecer a postura de trabalho dos profissionais deste setor. Este é um setor que está instalada no Centro de Tecnologia localizada na UFPB, funcionando de segunda a sexta-feira das 8h às 18h, contando com um quadro funcional formado por três servidores sendo: uma coordenadora e dois técnico-administrativos, do sexo feminino. Durante a observação do local de trabalho, notou-se que os funcionários apresentam queixas demonstram preocupação com as condições no atendimento aos alunos no período da matrícula e com as questões relacionadas à postura e percebem que suas atividades poderiam ser mais bem operacionalizadas se tivessem condições de trabalho mais favoráveis. Portanto, na presente pesquisa aborda os conceitos de ergonomia, as iniciativas que as organizações e os trabalhadores devem tomar evitarem problemas ergonômicos bem como citar a ginástica laboral como forma contributiva para a prevenção de problemas ocasionados pela ergonomia. 2. ORIGEM E EVOLUÇÃO DA ERGONOMIA Segundo Wachowicz (2008) a ergonomia foi utilizada pela primeira vez em 1857, quando o polonês W. Jastrzebowsky nomeou como título de uma de suas obras o “Esboço da ergonomia ou ciência do trabalho baseada sobre as verdadeiras avaliações das ciências da natureza”. 3 A ergonomia surge de modo mais sistematizado na Inglaterra por volta de 1940, tentando compreender a complexidade da interação ser humano e trabalho, como também, buscando oferecer subsídios teóricos e práticos para aprimorar essa realidade (WACHOWICZ, 2007). A evolução da ergonomia está relacionada às transformações sociais, econômicas e, sobretudo, tecnológicas, que vêm ocorrendo no mundo do trabalho. Da produção artesanal à automação e informatização dos postos de trabalho e das tarefas a serem realizadas, as mudanças decorrentes impuseram ao homem e às máquinas uma série de adaptações. Nesse contexto, ergonomia “é uma ciência aplicada ao projeto de máquinas, equipamentos, sistemas e tarefas, com o objetivo de melhorar a segurança, saúde, conforto e eficiência no trabalho” (DUL; WEERDMEESTER, 2004. p.1). Ilda (2005, p.2) destaca a definição clássica da Ergonomics Society: Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, equipamentos, e ambiente e particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento. A ergonomia estuda vários aspectos: a postura (anexo A) e os movimentos corporais (sentados, em pé, empurrando, puxando e levantando cargas), fatores ambientais (ruídos, vibrações, iluminação, clima, agentes químicos), informação (informações captadas pela visão, audição e outros sentidos), relações entre mostradores e controles, bem como cargos e tarefas (tarefas adequadas, interessantes). A conjugação adequada desses fatores permite projetar ambientes seguros, saudáveis, confortáveis e eficientes, tanto no trabalho quanto no espaço doméstico e outros na vida cotidiana. A ergonomia tem caráter interdisciplinar, isto é, se apóia em diversas áreas do conhecimento humano. Difere também de determinadas áreas do conhecimento, pela sua natureza aplicada. O caráter aplicado configura-se na adaptação do posto de trabalho e do ambiente às necessidades do trabalhador (DUL; WEERDMEESTER, 2004, p.2). Segundo Granjean apud Wachowicz (2007), a investigação ergonômica deve buscar os seguintes objetivos: a) Ajustar as exigências do trabalho às possibilidades do homem, com o fim de reduzir a carga externa; 4 b) conceber máquinas, os equipamentos e as instalações pensando na maior eficácia, precisão e segurança; c) estudar cuidadosamente a configuração dos postos de trabalho, com o intuito de assegurar ao trabalhador uma postura correta; d) adaptar o ambiente físico às necessidades físicas do homem. Wachowicz (2008) endossa o pensamento expresso na última alínea, ao afirmar que é objetivo da ergonomia adaptar o trabalho ao homem e não o contrário. No Brasil a aplicação da ergonomia é normatizada pela Norma Regulamentadora 17 (NR-17) que regulamenta o quisito “Ergonomia”. Trata-se de uma norma que resultou de reivindicação sindical para o reconhecimento das doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho informatizado e de enfrentamentos para melhoria das condições de trabalho de bancários, digitadores, entre outros. Devido ao processo de sua elaboração, a NR-17 foi aplicada especialmente na área de informática, mas seu texto contém parâmetros que devem ser seguidos, de uma forma muito mais ampla e abrangente, em todos os ramos. O objetivo geral da Norma é permitir a adaptação das condições de trabalho às características psico-fisiológicas dos trabalhadores, incluindo aspectos relacionados à organização do trabalho, condições ambientais dos postos de trabalho, equipamentos utilizados, mobiliário, transporte e descarga de materiais. Prevêem-se na NR-17 levantamentos ergonômicos das atividades de trabalho, especialmente nas operações que exigem posturas rígidas e fixas, introdução de novas tecnologias, absenteísmo elevado, rotatividade elevada de pessoal, conflitos freqüentes, trabalho em turnos, situações essas que estão diretamente ligadas ao tema principal deste trabalho, o teleatendimento. O item 17.6 da NR-17, que aborda a organização do trabalho exige que as formas de organização do trabalho sejam “adequadas às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado”. 2.1 Conceitos de Ergonomia A ergonomia é um conjunto de ciências e tecnologias que procuram a adaptação confortável e produtiva entre o ser humano e seu trabalho, procurando adaptar as condições de trabalho às características do ser humano. 5 Em agosto do ano de 2000, a IEA (Associação Internacional de Ergonomia) adotou a definição oficial e diz que ergonomia é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem estar humano e o desempenho global do sistema. A contribuição dos ergonomistas está relacionada ao planejamento, projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas e de maneira geral, os domínios de especialização da ergonomia são a ergonomia física, cognitiva e organizacional. No que se refere a Ergonomia física, esta relaciona-se com as características da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica em sua relação a atividade física os quais incluem o estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos repetitivos, distúrbios músculo-esqueletais relacionados ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e saúde. A Ergonomia cognitiva refere-se aos processos mentais, tais como percepção, memória, raciocínio e resposta motora conforme afetem as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Enquanto a Ergonomia organizacional concerne à otimização dos sistemas sócio-técnicos, incluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Os tópicos relevantes incluem comunicações, gerenciamento de recursos de tripulações (CRM - domínio aeronáutico), projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em grupo, projeto participativo, novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, cultura organizacional, organizações em rede, tele-trabalho e gestão da qualidade. 2.1.1 Iniciativas da empresa e dos colaboradores para a melhoria ergonômica no setor de trabalho e para evitar problemas com a ergonomia É relativamente recente no mundo do trabalho, embora o termo tenha sido cunhado no século passado, apenas no início deste século falou-se em alguma coisa prática decorrente da ergonomia. Na história do trabalho, a aplicação da ergonomia é muito recente, e somente pode-se falar de "ergonomia aplicada ao trabalho" a partir dos anos 50, com o projeto da cápsula espacial norte-americana. 6 Intervenções Ergonômicas em mobiliários, equipamentos e instalações, para evitar desgastes desnecessários e o uso incorreto das estruturas orgânicas do corpo humano; Controle de variáveis como temperatura, iluminação, qualidade do ar, umidade e ruído sonoros; Políticas educativas e de prevenção, cursos, palestras e murais informativos; Procedimentos operacionais como controle do número de horas extras, evitar dobra de turnos, definição de rodízio de funções e instauração de pausas nas rotinas e postos de trabalho; Introduzir exercícios laborativos e incentivar o combate ao sedentarismo, bem como estimular o espírito de equipe e a integração dos funcionários. Mas não é somente a empresa que deve cumprir com seus deveres, o empregado também deve procurar obedecer às normas para se ter um desempenho na produtividade sem causar danos à saúde (COUTO, 1991). E como forma de contribuição dos próprios funcionários, eles mesmo podem tomar a iniciativa de se policiarem a respeito da ergonomia, seguindo alguns métodos: Procurar atendimento especializado no início dos processos inflamatórios ao começar a sentir dores; Maior preocupação com hábitos de vida como dieta balanceada, pratica de exercícios regulares e sono adequado; Exigência de melhores condições de trabalho como ambiente ergonomicamente correto e evitar excesso e desgastes desnecessários nas atividades laborativas; Procurar atitudes mais positivas e evitar alterações de humor e comportamentos estressantes; Adaptar-se em novas funções ou postos de trabalho. Seguindo as regras, normas e dicas, empregador e empregado poderão ter o resultado esperado sem tomarem nenhum susto quanto ao surgimento de LER/DORT (COUTO, 1991), ou outras doenças ergonômicas. Entretanto, alguns preceitos devem ser seguidos para se evitar problemas ergonômicos promovendo o não surgimento de doenças relacionadas à ergonomia. Tais preceitos podem ser²: _______________ 2. Disponível em http://www.ergonomia.com.br/htm/dicas.htm. 7 É preciso regulamentar alguns fatores no setor de matrículas da UFPB para garantir aos seus profissionais, o conforto e a qualidade de vida no trabalho que este tem direito. Para tanto, é preciso que haja algumas modificações no setor para que seja mantida o bom desempenho e satisfação por parte dos colaboradores quanto dos próprios alunos que ali estudam. Nesse sentido, dicas como boa iluminação, preocupação com as cores do ambiente, a temperatura, a acústica e a humanização do ambiente de trabalho podem fazer uma considerável diferença no resultado final. 1 – Preocupação com a iluminação (anexo B): Para evitar reflexos, as superfícies de trabalho, paredes e pisos, devem ser foscas e o monitor deve possuir uma tela anti-reflexiva. Evite posicionar o computador perto de janelas e use luminárias com proteção adequada. 2 – Verificar as cores certas: Equilibre as luminâncias usando cores suaves em tons mate. Os coeficientes de reflexão das superfícies do ambiente devem estar em torn de: 80% para o Teto; 15 a 20% para o Piso; 60% para a parede (parte alta); 40% para as divisórias, para a parede (parte baixa) e para o mobiliário. 3 – Regular a temperatura: Como regra geral, temperaturas confortáveis, para ambientes informatizados, são entre 20 e 22 graus centígrados, no inverno e entre 25 e 26 graus centígrados no verão (com níveis de umidade entre 40 a 60%). 4 – Verificar sempre a acústica: É recomendável para ambientes de trabalho em que exista solicitação intelectual e atenção constantes, índices de pressão sonora inferiores à 65 dB(A). Por esse motivo recomenda-se o adequado tratamento do teto e paredes, através de materiais acústicos e a adoção de divisórias especiais. 5 - Humanização do ambiente: Sempre que possível humanize o ambiente (plantas, quadros e quando possível, som ambiente). Estimule a convivência social entre os funcionários. Muitas empresas que estão adotando políticas neste sentido vêm obtendo um aumento significativo de produtividade. Lembre-se que o processo de socialização é muito importante para a saúde psíquica de quem irá trabalhar nele. Conforme visto, sem custos extras, a instituição poderá proporcionar ao seu colaborador um ambiente agradável e adequado de trabalho de modo a evitar problemas resultantes da ergonomia. 2.3 A ginástica laboral como forma preventiva de doenças ergonômicas 8 Para conseguir acompanhar a modernidade sem colocar a saúde em risco Fontes (2001), saliente que a Ginástica Laboral torna-se importante nesse contexto e diz que se trata de uma atividade física diária, realizada no local de trabalho, com exercícios de compensação para movimentos repetidos, para ausência de movimentos e para posturas incorretas no local de trabalho. Segundo Lima (2003, p. 34), a ginástica Laboral (GL) pode ser conceituada como um conjunto de práticas físicas, elaboradas a partir da atividade profissional exercida durante o expediente, que visa compensar as estruturas mais utilizadas no trabalho e ativar as que não são requeridas, relaxando-as e tonificando-as. A atividade laboral eleva ao indivíduo a um aumento do bem-estar, da disposição e ainda uma maior cooperação entre as equipes de trabalho e principalmente melhora na qualidade de vida destes. As atividades físicas e desportivas dentro das empresas, bem como os programas de qualidade de vida e de promoção de saúde, atuam como uma forma de neutralizar os efeitos negativos do trabalho e da utilização inadequada da tecnologia sobre o corpo humano prevenindo a progressão para doenças ocupacionais. (MENDES, Ricardo Alves & LEITE, Neiva, 2004, p.15). Além de proporcionar maior rendimento e produtividade, a GL também ocasionará um menor gasto com saúde, menor ocorrência de afastamentos, melhor integração entre funcionários, maior satisfação no trabalho e principalmente melhora da qualidade de vida dentro e fora do trabalho. A melhoria da capacidade física que auxilia na regulação endógena, desenvolve a resistência e força muscular; a flexibilidade aprimora a coordenação motora, a percepção, a atenção e concentração, a capacidade aeróbica e dos sistemas orgânicos e ainda aumenta a reserva de glicogênio e outras fontes energéticas e a diminuição a incidência da fadiga, conforme salienta Lima (2003). E é isto que os funcionários que atendem ao setor de matrícula da UFPB precisam, assim poderão diminuir as incidências com a ergonomia no trabalho. Além de vários outros benefícios, a prática de atividade física diminui o risco de aterosclerose e suas conseqüências (angina, infarto do miocárdio, doença vascular cerebral), ajuda no controle da obesidade, da hipertensão arterial, do diabetes, da osteoporose, das dislipidemias e diminui o risco de afecções osteomusculares e de alguns tipos de câncer (colo e de mama). Contribui ainda no 9 controle da ansiedade, da depressão, da doença pulmonar obstrutiva crônica, da asma, além de proporcionar melhor auto-estima e ajuda no bem-estar e socialização do indivíduo (MINISTÉRIO DA SÁUDE, 2006). 3. MATERIAIS E MÉTODOS Conforme Cruz (2008, p. 102), métodos significa caminho para chegar a um fim ou pelo qual se atinge um objetivo e na terminologia científica, método pode ser definido como um conjunto de dados e regras que permite atingir os objetivos da pesquisa. Nesse sentido, o presente artigo constitui-se de uma pesquisa bibliográfica associada à realidade vivida pela autora na Coordenação do Curso de Engenharia Civil (CCEC) localizada na UFPB, local onde foram observadas queixas de dores devido à má postura no local de trabalho. Este tipo de pesquisa utiliza como fundamento teórico–metodológico que, de acordo com Gil (2002), é realizada com base em material já elaborado, constituído por livros, classificados como de leitura de referência, que tem como objetivo possibilitar a rápida obtenção das informações requerida e periódica científicos, muitas vezes disponibilizada em fontes eletrônicas, sendo o meio mais importante de comunicação científica. A leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, textos legais, documentos mimeografados ou xerocopiados, mapas, fotos, manuscritos etc. Também foram essenciais na formulação do artigo. Todo material recolhido foi submetido a uma triagem, a partir da qual é possível estabelecer um plano de leitura. Trata-se de uma leitura atenta e sistemática que se faz acompanhar de anotações e fichamentos que, eventualmente, poderão servir à fundamentação teórica do estudo. Por isso, a metodologia utilizada formou subsídios sustentáveis para a elaboração deste artigo mostrando e analisando a importância da ergonomia nas organizações. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Após entendimento do que é ergonomia e dada a sua importância para o trabalhador, pôde-se analisar a funcionalidade dos móveis da instituição pesquisada. 10 Para oferecer melhores condições de trabalho aos profissionais envolvidos no setor de matrícula, foi cogitada para a prevenção de doenças provocadas pela má postura na realização de tarefas rotineiras no cotidiano do setor a adequação dos móveis. Além disso, foi sugerido à coordenação responsável, que faça um cronograma de atendimento, procurando separar por turnos e horários o atendimento a cada aluno, diminuindo o fluxo de atendimento, aumentando na qualidade do serviço prestado e obedecendo aos critérios ergonômicos. Mas, para que haja mútua participação, é preciso o envolvimento de todos no combate às doenças causadas pela má postura, lesões por esforço repetitivo e etc. nesse contexto tanto a organização quanto os profissionais devem tomar iniciativas para que seja aplicada e mantida uma boa qualidade de vida no trabalho. E, como forma sugestiva, pode colocar: O Curso de Graduação de Engenharia Civil da UFPB pela sua estrutura curricular, sistema de créditos, do ano letivo tem duração mínima de 200 dias em dois períodos letivos de 100 dias cada. O calendário de matrícula apresenta o início e término do período letivo, período de matrícula, ajustes de matrícula, trancamento, prorrogação de prazo para conclusão de curso, exames finais, transferências e reopção de cursos. Atualmente, o curso de Engenharia Civil passou por algumas alterações na sua estrutura curricular até ser aprovado pelo CONSEPE. No ano de 2006 o novo Projeto Político Pedagógico do curso, vigente a partir de 2007.1 aumentou duas grades curriculares em vigência. A Coordenação do curso é exercida por docentes, um Coordenador e ViceCoordenador, tendo um mandato de dois anos como também os técnicos administrativos que são servidores não docentes sendo responsáveis pela parte administrativa como: matrícula dos alunos, abertura de processos, organização de colação de grau, arquivamento de documentos, atendimento ao público e telefônico, protocolo de documentos, elaboração de memorando, ofícios, emitir histórico e horário individual dos alunos ativos. No período de dois dias as matrículas são abertas on-line, período em que 95% dos alunos não conseguem se matricular por não estarem blocados, o que os fazem recorrer à coordenação do curso. Os alunos que não conseguiram por algum motivo efetuar a matrícula pela internet, somados aos alunos presenciais e de todos os cursos e turnos juntos ocasionam grande tumulto no setor. Devido a essa falta de 11 organização e controle por parte dos responsáveis pelas matrículas, obriga os profissionais a passassem horas trabalhando. Este problema foi ocasionado devido a falta de cronograma de matrícula, o que fez com que os estudantes procurassem diretamente a central de matrícula pessoalmente para fazê-la. Dentre os colaboradores que tiveram doenças musculares esqueletais, podese citar a própria autora deste artigo, Miriam, o qual teve que prestar serviços sozinha para atender em média 100 alunos dentre os horários das 8hs às 15hs sem interrupção ou descanso e acima de tudo, mantendo uma má postura. Esta má postura que se tornou freqüente no período de matrícula, ocasionou conseqüências à autora, uma vez que devido aos esforços ergonômicos inadequados resultam em fatores diversos e desagradáveis. Dentre os problemas ergonômicos ocasionados durante o período de matrículas já citados, levou como conseqüência graves lesões na coluna cervical da autora que são o C5-C6 e C6-C7, comprovado com exame de ressonância como também a má postura. Para que tais problemas seja evitados, é importante manter uma postura correta no ambiente de trabalho, atendendo as necessidades da empresa e do corpo. Para tanto, observar alguns detalhes poderão auxiliar no combate aos problemas ergonômicos como exemplos ficar de olho no conforto visual, preocuparse em manter o punho neutro, manter os pés bem apoiados, procurar descansar as costas: Com excessão de algumas atividades, as cadeiras devem possuir espaldar (encosto) de tamanho médio. Uma maior superfície de apoio garante uma melhor distribuição do peso corporal, e um melhor relaxamento da musculatura. É recomendável ainda, que as cadeiras não tenham braços (o apoio deve estar nas mesas, para garantir um apoio correto) e o revestimento deve ser macio e com forração em tecido rugoso. 5. CONCLUSÃO Uma vez que a saúde do trabalhador está diretamente relacionada com a organização, é preciso que esta mesma organização comece a se preocupar com a saúde e o bem-estar de seus colaboradores proporcionando assim, uma melhor qualidade de vida a eles no ambiente de trabalho. Quando o físico e o mental do funcionário estão inadequados, predispõe as alterações físicas e psicológicas no indivíduo como, por exemplo, a sensação de 12 peso dos membros, fadiga, dor, redução da força e capacidade funcional, como pôde ser analisado na pesquisa, porém que pode ser reduzido com a prática de atividades físicas. A qualidade de vida no trabalho deve ser uma preocupação não apenas de uma ou duas empresas e sim de todas. Assim, as pessoas poderão conviver e trabalhar em um ambiente agradável com possibilidade de relaxamento e um ambiente de desestresse. Por meio do presente artigo sobre a qualidade de vida dos trabalhadores no setor de matrículas da UFPB, foi possível concluir que este é um setor na instituição que merece maior atenção, uma vez que foi comprovado o adoecimento causado a uma colaboradora do setor e caso não seja revisto, poderá vir a prejudicar os demais profissionais que ali atuam. Assim, ao longo do desenvolvimento deste artigo, procurou-se abordar as variáveis que favorecem ou não o surgimento de novas responsabilidades para o profissional que atende o setor de matrícula bem como confrontar as idéias expostas por diferentes autores de modo que fosse possível se ter uma visão mais ampla sobre o tema em questão. No setor em estudo, a discussão do tempo de trabalho mostra-se ainda incipiente. O conforto temporal depende ainda, por exemplo, da regulamentação básica de jornadas e pausas. Entretanto, a simples determinação de horários é pouco, face às atuais exigências de tempo e conteúdo do trabalho. Sabe-se também que as práticas mais adequadas para responder aos problemas ocasionados devido a má postura como, por exemplo, a LER/DORT são aquelas que investem em prevenção e criam condições de trabalho que preservem a integridade física e psíquica dos trabalhadores. Planejamento de móveis e equipamentos dentro de parâmetros ergonômicos, pausas regulares a cada período de trabalho ininterrupto, atividades diferenciadas, de modo a evitar a permanência numa mesma postura e a repetição dos mesmos movimentos. 13 REFERÊNCIAS COUTO, H. A. Guia Prático. Tenossinovites e outras lesões por traumas cumulativos nos membros superiores de origem ocupacionais. Belo Horizonte: Ergo B & C Ltda, 1991. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 14ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999 DUL, Jan ; WEERDMEESTER, Bernard. Ergonomia prática. 2 ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. LIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Edgar Blücher. 1990. ______. Ergonomia: projeto e produção. 2 ed. São Paulo: Edgard Blüncher, 2005. LIMA, Valquíria de. Ginástica Laboral: atividade física no ambiente de trabalho. São Paulo: Phorte, 2003. LIMONGI-FRANÇA, A. C. Qualidade de vida no trabalho – QVT. 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São Paulo: Edgar Blücher. 1990. FIGURA 3: Postura correta Fonte: http://www.ergonomia.com.br/htm/dicas.htm