“Certeza” Cabo-Verdiana: Quais as Certezas? O Movimento Literário em Meados do Século XX Maria Felisa Rodríguez Prado ão há resenha onde se faça o percurso pela emergência e construção do sistema literário cabo-verdeano que não contenha referência, mesmo que breve, à Certeza, uma publicação surgida em 1944 que tem servido para afirmar a existência de uma geração de produtores nascidos nos anos vinte e para baptizá-la. Essa subintitulada Fôlha da Academia foi, de facto, o espaço inicial de afirmação de Arnaldo França - tanto do poeta como do ensaísta e, ainda, do organizador -, hoje reconhecido pelo governo do arquipélago como um dos embaixadores da cultura de Cabo Verde1; também aí Orlanda Amarílis, a produtora ilhoa que mais atenção tem recebido do espaço académico, assinou o seu primeiro texto tornado público; como ela, há muito tempo na diáspora lisboeta, Nuno de Miranda é outro dos intelectuais cabo-verdeanos revelados no início dos anos quarenta. Não se trata, contudo, nem de figuras nem de obras cujo vulto e projecção exterior estejam ao nível dos clássicos claridosos, Jorge Barbosa, Manuel e Baltasar Lopes. N Uma “instituição cultural” a reconstruir Nalguma ocasião, Certeza aparece, ao lado da conhecidíssima Claridade, que toma corpo em forma de revista em 1936, e da anterior e praticamente esquecida Atlanta - situada à volta de Jaime de Figueiredo na Praia -, a merecer a etiqueta de “instituição cultural” do arquipélago 2 , com que se tenciona destacar a intensidade de actividade nos diversos âmbitos da cultura à volta de um grupo. Acontece que de todo esse fervilhar (do) passado costuma conservar-se apenas o atrapado em letras - de n° 20 - mai 2004 LATITUDES forma ou manuscritas, jornalísticas auctoritas reconhecida. Isto aumenta ou outras -, de tal modo que a sua a dificuldade de reconstrução do reconstrução habitualmente só pode ambiente pré-Certeza, ainda acresser enfrentada recorrendo às pega- cida por outras razões: escassa das que deixa a concretização do produção escrita dos intervenienideado. Assim sendo, as realizações tes, quase imediata dispersão deles grupais em forma de publicação, não só pelas ilhas mas pelo funcioperduráveis, as breves notas na nalismo colonial e nas quatro partiimprensa contemporânea, a corres- das do mundo e, sobretudo, pondência entre os seus artífices ou, situação terrivelmente precária em então, o depoimento, já afastado no que (sobre)vive nessa altura o jornatempo, dos participantes -quer acti- lismo cabo-verdeano, de que pode vos, quer passivos- nesse acontecer dar a medida o facto de o único são os instrumentos para recuperar jornal das ilhas, Notícias de Cabo essa movimentação. Verde, ter estado praticamente interEntrados no século XXI, conti- rompido entre Outubro de 1944 e nuam sem se encontrar ou sem esta- de 1945 - nesse intervalo apenas foi rem disponíveis excessivas notícias publicado o número 229 (6.3.1945) sobre o momento pré-Claridade, e de o anterior órgão para a expresapesar de a primeira metade da são da juventude ter desaparecido década de 30 ter sido de intensa em 1936, um ano antes de que se actividade jornalística em Cabo fechasse a mais tarde baptizada Verde; apesar de as figuras que como primeira fase da Claridade. iriam produzir Claridade estarem já As condições para reconstruir o integradas no escol intelectual e ambiente de fervilhar cultural na social do meio, como agentes (re)conhecidos e prestigiados mesmo antes de publicarem a revista; apesar de as obras e as biografias da “tríade claridosa” terem sido objecto de abundante tratamento até aos nossos dias. Nos anos 40 a agitação do clima intelectual e literário das ilhas, cujo epicentro continuava em São Vicente, parece proceder do entorno do liceu Gil Eanes do Mindelo - o único existente - e ter como principais activadores da iniciaDa esquerda para a direita: Arnaldo França, Filinto Elísio de Menezes tiva alunos finalistas, e Guilherme Rocheteau. isto é, jovens sem Fotografia tirada de Artiletra. 25. Set.-Out. 1997. 19 De cima para baixo e da direita para a esquerda: Nuno Álves de Miranda, Franklin Lisboa Santos, Silvestre Pinheiro de Faria, Tomaz Dantas Martins, Aleixo Miranda, António Firmino, Guilherme Rocheteau, José Martins Fonseca, Filinto Elísio de Menezes, José Mateus Spencer, Eduíno Brito Silva, Mário Lima e José Euclides de Menezes. Fotografia reproduzida no artigo de Mário Lima intitulado “Reflexões” (Artiletra. 24. Praia. Jan.-Jul. 1997) década de quarenta, com especial atenção para os primeiros anos, são, consequentemente, piores. Academia Cultivar e outras presenças e ausências Do mesmo modo que a iniciativa da Claridade costuma ser atribuída, em geral e de modo restrit(iv)o, à tríade de produtores já referida, falando-se na Certeza o comum é citarem-se os nomes que encabeçaram a revista, depois de pôr de parte o editor, Joaquim Ribeiro, professor do centro cuja participação parece ter-se limitado a figurar para que a publicação reunisse os requisitos legais exigi20 dos. Além do director e também colaborador, Eduíno Brito Silva, estudante liceal mais velho, na folha aparecem destacados sete redactores, supostamente alunos dos dois últimos anos do Liceu, que são, respeitando a ordem apresentada (será significativa?): Nuno Miranda, José Spencer, Arnaldo França, Silvestre Faria, Guilherme Rocheteau, Filinto Menezes e, finalmente, o mais novo deles, Tomaz Martins. A aparição da revista em 1944 não pode ser entendida, contudo, sem referir à “Academia” de que os depois certezistas foram fundadores, junto com Franklin Lisboa Santos, Aleixo Miranda, António Firmino, José Martins Fonseca, José Euclides de Menezes e Mário Lima, e na qual participaram também, segundo este último afirma3 - paralelamente ao grupo de finalistas reunidos no “Núcleo de Defesa Caboverdiana” -, bastantes outros colegas do liceu. Sem data conhecida de constituição, a Academia, com uma marcada ambição positiva já a partir do nome, Cultivar, surge, pois, da iniciativa dos estudantes do Liceu Gil Eanes interessados na divulgação cultural, concebida como espaço para a reflexão, o debate, a troca de ideias e a difusão do pensamento e da acção contemporâneos. Consta que organizaram várias palestras no Liceu e alguns espectáculos no Eden Park para um público mais alargado e que, mesmo sem dispor de sede, celebravam regularmente debates “internos” em sessões marcadas para o efeito, onde a língua portuguesa era de uso exclusivo e obrigatório, como, de resto, acontecera já nas tertúlias dos claridosos. Também cabe apontar o papel de Manuel Ferreira, jovem furriel metropolitano estacionado em São Vicente entre 1941 e 1946, que muitos estudiosos situam na categoria de criador da Certeza, ao lado de Arnaldo França e Nuno Miranda, e cuja participação na iniciativa necessita mais precisão. Logo após o seu desembarco no Mindelo integra-se nesse grupo liceal, praticando o que parece ter sido uma estreita convivência cultural e literária, conforme testemunham ele próprio e diversos intelectuais caboverdeanos. Nesse contacto com os cultivares, aos quais posteriormente se referirá como grupo atento e intelectual mas ainda preso aos moldes clássicos, românticos e parnasianos nas suas primeiras práticas poéticas4, diz ter passado os credos políticos (marxismo) e literários (neo-realismo) que transportava consigo, abrindo os olhos dos ilhéus para a realidade cabo-verdeana e a sua transposição literária, exemplificada pela obra da Claridade. Ora bem, sem negar a presença e influência dele no surto renovador da escrita literária do arquipélago que o neo-realismo imprimiu, convém salientar que este foi transportado em várias mochilas milita- LATITUDES n° 20 - mai 2004 res, algumas das quais, bastante esquecidas - como pode ler-se no depoimento de Miranda em homenagem a Jorge Barbosa que foi publicado no número 15 desta mesma revista, Latitudes - , parecem dignas de resgate. Outro aspecto insuficientemente esclarecido é a relação entre o grupo da Academia Cultivar e Amílcar Cabral, que, também estudante na altura, finalizou o Liceu exactamente em 1944. Alberto Carvalho nega a pertença dele à Academia mas Manuel Ferreira, mesmo considerando que se encontrava um pouco afastado dos cultivares, afirma tê-lo ouvido ler um conto apresentado ao grupo para nele se integrar, coincidindo neste ponto com um depoimento de Orlanda Amarílis que lembra o episódio e o resultado negativo. Breve percurso de erros e incertezas É comum encontrarem-se falhas, imprecisões, contradições, erros e lapsos de diversa ordem relativamente a esta Fôlha da Academia, à sua formulação, desenvolvimento e desaparição. As referências variam, por exemplo, já à hora de falar na curta vida da Certeza: algumas restringem apenas ao ano 1944, outras estendem ao seguinte, certas falam em dois únicos números, mas há as que acrescentam o terceiro, de 1945, e mesmo outras afirmam a existência de uma hipotética quarta entrega. O certo é que viram a luz pública apenas catorze páginas certezistas, as correspondentes aos números um (6 p.) e dois (8 p.), aparecidos em Março e Junho de 1944. Ainda que com frequência se omita a existência de um terceiro número - que não está disponível na Biblioteca Nacional de Lisboa -, é igualmente certo que as oito páginas deste não s ó foram ideadas como chegaram a ser também compostas: pronto na tipográfica para Janeiro de 1945, foi proibido de circular e posteriormente destruído - anos depois, diz Oliveira 5 . Dele restaram, todavia, não apenas informações, senão n° 20 - mai 2004 LATITUDES João Nobre de Oliveira, no seu A imprensa cabo-verdiana (1820-1975), Macau, Fundação Macau, 1998, p.497, ilustra com estes nomes a geração da Certeza. também uns poucos exemplares 6 que conseguiram fugir a uma apreensão e eliminação que também são objecto de leituras várias: ditada, em opinião de Oliveira, pela insistência dos certezistas na publicação de matérias proibidas ou pela suspeita de identificação com o espírito da Casa dos Estudantes do Império, de acordo com Norman Araújo. Não faltam acusações de a Certeza ter desenraizado a produção literária do arquipélago, com a sua preocupação universal e alargada, destacando, sobretudo com respeito à Claridade, que não tivesse dedicado atenção ao “dialecto crioulo”. Enquanto Arnaldo França contestou isto indicando que uma poesia intitulada “M crebo” -que afirma permanecer no suposto arquivo da revista-, tinha sido cortada do segundo número pela censura 7 , outro dos responsáveis pela publicação, Nuno de Miranda, nega esta versão, garantindo não ter existido corte algum. Seja como for, a acusação inicial é simplesmente refutável dentro da própria, recorrendo ao terceiro número, em cuja quinta página se acha um artigo de Martins dedicado à poesia de Eugénio Tavares - considerado o 21 António Nunes Arnaldo França Guilherme Rocheteau “único poeta anterior que viveu com o seu povo” -, onde mesmo se chegam a reproduzir versos em crioulo. Apesar de esta Fôlha da Academia ser uma publicação mindelense, tanto por assim se identificar explicitamente no rodapé das primeiras páginas como por o corpo redactorial se achar em S. Vicente, há alguma confusão relativamente ao lugar de composição. No início, seguindo a prática de absolutamente todas as publicações que nos anos trinta e quarenta apareceram nas ilhas de Barlavento, o trabalho ficou entregue à mindelense Sociedade de Tipografia e Publicidade, que tinha como única concorrente no chão das ilhas a Minerva 8 , em Sotavento. No segundo e o terceiro números, no entanto, desviou-se a composição e impressão da folha para a Praia, abrindo no panorama desenhado uma excepção cujos motivos só parcialmente podem ser achados nas próprias letras de forma da Certeza: por exemplo, a chamada de atenção que os jovens endereçam ao director do Notícias de Cabo Verde - Manuel Ribeiro, ao mesmo tempo proprietário do jornal e da tipografia do Mindelo, criada em 1931 para editá-lo - sobre a inexistência de um verdadeiro órgão de imprensa no arquipélago, entendendo que não fornecia “leituras substanciosas” nem fazia um jornalismo realmente cabo-verdeano; ou, Tomás Martins Fotografias dos produtores representados no capítulo dedicado à Certeza - depois da exclusão de Nuno Miranda - na antologia de Manuel Ferreira No Reino de Caliban. Vol. I. Lisboa. Plátano. 1997. 4ª ed. 22 então, um artigo que, sem assinar e com aspecto de editorial de forte contestação, alude no segundo número às dificuldades enfrentadas por, sendo rapazes novos, não se sujeitarem nem ao convencionalismo da imprensa nem aos ditados dos mais velhos e poderosos. A demora a que a folha se tinha visto sujeita no prelo, interpretada como tentativa de controlo ou chantagem, parece ter sido a causa de que renunciassem a usar a imprensa local. Raramente se põe de manifesto a carestia da impressão e, portanto, os problemas financeiros que esta juventude actuante teve de enfrentar, solucionados na primeira entrega da folha, de acordo com informações prestadas por Nuno de Miranda, graças ao dinheiro reunido num espectáculo dos jovens cultivares, enquanto o segundo número, conforme nele pode ler-se, deve muito à recepção de um cheque de 700$00 procedente da Guiné, saudado como “valiosíssimo auxílio material”. Com respeito à derradeira entrega, segundo Oliveira, teria sido viabilizada por Luís Terry, professor e reitor que apoiou o grupo de alunos e a revista -na qual chegou a colaborar- financiando do seu próprio bolso a impressão. Geração da Certeza ? À hora de fazer balanço do realizado literariamente pela Certeza, considera-se serem as preocupações políticas que melhor definem estes jovens produtores e todos os críticos coincidem em indicar a aparição na cena cultural-literária cabo-verdeana de um novo tom de consciencialização, mais uma vez sem programa expresso, e em falar na Fôlha da Academia como complemento do ideário dos claridosos, como uma segunda vaga ou como continuação do projecto da geração anterior. As leituras divergem, porém, quando se trata de abordar a cabo-verdianidade dela, pois enquanto alguns acham que essa identidade está preservada, apesar da maior inclinação a definir os conflitos sociais do arquipélago, LATITUDES n° 20 - mai 2004 outros, como Pires Laranjeira, vêem um afastamento do “íntimo cultural” das ilhas à procura de um caminho para a universalização da denúncia. Nesta última linha parece situar-se Manuel Ferreira, detectando nos certezistas menos um alargamento de horizontes caboverdeanos do que um certo desenraizamento, contra o qual teria trabalhado passando aos moços o testemunho literário dos claridosos. Diz-se que em 1948 esta juventude fica integrada no projecto dos claridosos e, todavia, raramente se sublinha a presença em capa do “Poema” de Jorge Barbosa na terceira entrega da Certeza; do mesmo modo, não se costuma reparar nos textos aí incluídos sobre pintura e filosofia da autoria de Calvet de Magalhães e de Ramos Pereira, oficiais milicianos em São Vicente, segundo Nuno de Miranda. Não é com o poeta ilhéu da modernidade nem com os colaboradores metropolitanos - exceptuando Manuel Ferreira, que em todos os números assina textos, com o seu nome ou sob o pseudónimo de Luís Pinto, apesar de estar ausente da redacção - ou outros, como o goês Luís Terry, verdadeiro mentor destes estudantes liceais, que se nomeia a geração dos anos quarenta: é com o corpo redactorial da folha, ainda que nem Silvestre Faria nem Filinto Menezes tenham nela produção assinada e embora dele se destaquem só França e Miranda. Os próprios participantes limitam a dimensão literária da revista, pois, por exemplo, Guilherme Rocheteau falará dela, decorridos dez anos, como floração efémera, desaparecida na altura própria e impulsionada por jovens “sem qualquer experiência e pouca cultura”9. Arnaldo França, nos anos sessenta, referirá a falta de “autenticidade literária” do grupo, ilustrando-a com o facto de apenas Nuno (de) Miranda ter continuado a desenvolver a sua produção10. Para se ilustrar o espírito da folha é usada com frequência a colaboração de Henrique Teixeira de Sousa e, sobretudo, o “Poema de amanhã” de António Nunes que abre o segundo número. Trata-se n° 20 - mai 2004 LATITUDES de dois jovens ilhéus, pouco mais velhos do que os certezistas, mas que já se tinham manifestado literariamente no arquipélago na década de trinta e que na altura se achavam em Lisboa, ligados ao movimento neo-realista, estudando e trabalhando, respectivamente. Deve resultar significativo que os de Teixeira de Sousa e Luís Romano sejam dos poucos nomes cabo-verdeanos citados pelos críticos em relação com o neo-realismo, dando-se a circunstância de nenhum deles ter sido artífice do projecto da Fôlha da Academia... Convém lembrar que França levará a restrição do interesse dessa iniciativa de estudantes liceais ao ponto de, desenhando o panorama das letras de Cabo Verde em 1993, questionar a Certeza como marco na evolução literária cabo-verdeana, tomando em consideração que o único produtor propriamente certezista, Nuno de Miranda, se tinha realizado fora dos parâmetros que definiram a revista ou eram prosseguidos por ela11. Com tantos pontos por esclarecer, afinal: quais as certezas sobre a Certeza ? A interrogação deve continuar, à espera de que a memória individual e colectiva caboverdeana recupere este património da sua história, para a conservação e a transmissão da sua cultura 1 2 Enciclopédia luso-brasileira. Lisboa. Verbo. 1976. 3 “Reflexões” in Artiletra. 24. Praia. Jan.-Jul. 1997. p.XXIV e XVIII e “Adenda às reflexões publicadas no nº 24 desta revista” in Artiletra. 25. Praia. Set.-Out. 1997. p.XXIII. 4 É isto que afirmam tanto Ferreira como França, mas os produtos resultantes ou não se conservaram em letra impressa ou são dificilmente acessíveis, de tal modo que falta a documentação. 5 João Nobre de Oliveira é referência imprescindível e valiosíssima para a aproximação às publicações préindependência, com A imprensa cabo-verdiana (1820-1975). Macau. Fundação Macau. 1998. 6 Manuel Ferreira estimou o seu número em dois ou três e afirmou que tinham sido guardados clandestinamente. Por quem? Talvez pelos responsáveis da revisão. 7 Esta informação é recolhida no manual de literaturas africanas da Universidade Aberta, da autoria de Pires Laranjeira e coincide com a que eu própria recebi de Arnaldo França, num encontro realizado na Praia, em 1997. 8 Esta baseava o seu trabalho, de modo central, na edição do Boletim oficial, leis e portarias e na publicação de livros. 9 O depoimento procede de uma entrevista radiofónica datada a 4 de Setembro de 1955 e publicada como “Retalhos da Rádio” in Cabo Verde. 74. Praia. Nov. 1955. p.6-8. 10 Afirma isto no ensaio com que inicia de modo claro o labor de estudioso da literatura da sua terra, as conhecidas Notas sobre poesia e ficção caboverdianas. Praia. 1962. 11 Arnaldo França “Panorama da literatura cabo-verdiana” in Vértice. 1993. Outros escritores em que recaiu essa designação, com anterioridade, foram Germano Almeida e Mário Fonseca. Todos eles ficam situados ao lado de músicos e cantores como Vasco Martins, Cesária Évora, Bau ou Bana. “Cabo Verde. Cultural” in Verbo. 23