editorial A segunda edição Comunicado O jornal Mais Saúde está chegando à sua segunda edição com uma gama variada de assuntos relativos às especialidades oferecidas pela CliniVitta e CardioClin. A novidade desta edição fica por conta de uma nova sessão criada pela publicação. Ela se localiza na contracapa e irá trazer um artigo de um médico convidado, que vai abordar algum assunto da sua especialidade. Desta forma, estamos agregando mais conhecimento sobre saúde a nossos pacientes, o que é o objetivo com o lançamento da nossa publicação. O convidado desta edição é o médico oncologista Marcelo Dotto, da Clínica Saint Gallen de Oncologia, de Santa Cruz do Sul. Aliás, os pacientes aprovaram a criação do Mais Saúde pelas duas empresas. Caso queiram participar do jornal, sugerindo pautas, assuntos para tratarmos com a equipe médica da CliniVitta e da CardioClin, é só entrar em contato pelo e-mail [email protected] que estaremos acolhendo suas sugestões e encaminhando para os profissionais. Por fim, queremos reiterar a felicidade deter vocês como nossos pacientes e, principalmente, nossos amigos. Temos satisfação em cuidar de sua saúde. Aproveite, e boa leitura. Até a próxima edição! 22 Prezados leitores: Venho por meio deste esclarecer que o texto "Cuidados com a pele no sol", publicado na edição anterior, contém algumas informações equivocadas quanto à abordagem de exposição ao sol. O mesmo não foi editado por mim, embora conste meu nome no final do artigo. Entretanto, como profissional da saúde, tenho o dever de orientá-los que os cuidados ao sol, bem como o uso de fotoprotetores, devem ser tomados em todas as estações do ano. Atenciosamente, Dra. Tanira Leal CRM 28176 expediente O jornal Mais Saúde é um órgão informativo da CliniVitta - Especialidades em Saúde e CardioClin - Centro de Diagnóstico Rua Apolinário Francisco de Borba, 73 Bairro Guerino - Rio Pardo (RS). Telefones: 51.3731-1765/3731-2125/9697-5430 E-mail: [email protected] Conselho editorial Md. Luiz Felipe Ferreira Onófrio, Md. Francisco Carlos Ferreira Onófrio, Geovana Garcia Onófrio, Marilia Pellegrini Onófrio, Suzane Neumann, Jacson Miguel Stülp Produção Case Marketing - telefone: (51) 3056-2840 - e-mail: [email protected], agência de gestão de marketing da CliniVitta e CardioClin Redação Case Marketing e equipe médica Jornalista responsável Jacson Miguel Stülp - Registro Profissional: Mtb 9296/DRT-RS Telefone: 51.3056-2240 - e-mail: [email protected] - MSN: jacsonstulp@ hotmail.com Revisão Adriana Mellos Projeto gráfico e diagramação Case Marketing Impressão Gráfica Lupagraf 51.3715-6616 [email protected] Periodicidade: trimestral Circulação: 3 mil exemplares Obesidade na infância Obesidade e sobrepeso são situações em que existe excesso de tecido gorduroso, sendo que a diferença entre elas está na intensidade desse excesso. Uma maneira prática para sabermos se uma criança está acima da faixa de peso saudável é por meio do índice de massa corporal (IMC). Existem curvas de IMC para meninas e meninos, e os valores de IMC que definem peso adequado, sobrepeso e obesidade são diferentes para cada idade. O pediatra que acompanha a criança deve preencher essas curvas a cada consulta. É comum os pais pensarem que o excesso de peso da criança decorra de algum problema hormonal. Apesar de possível, essa é uma situação rara. Na maioria das vezes, resulta de hábitos alimentares inadequados e sedentarismo. Os erros alimentares mais comuns que podem levar ao excesso de peso são pular refeições, em especial o café da manhã, com excesso compensatório nas refeições seguintes; substituição das frutas por “calorias vazias” (doces, biscoitos recheados e salgadinhos) nos lanches e sobremesas; poucas verduras e legumes; excesso de massas e frituras nas refeições principais ou substituí-las por fast-foods. Cerca de 60% das crianças e adolescentes brasileiros têm menos de três horas de atividade física por semana. Apesar da genética predispor o indivíduo ao excesso de peso, ele só se manifesta se o ambiente permitir, ou seja, se a criança tiver uma dieta inadequada e/ou pouca atividade física. Como as necessidades, como o gasto calórico, são diferentes de pessoa para pessoa, é fundamental reconhecer os limites individuais de cada criança, para que ela tenha seu ganho de peso e crescimen- to adequados, o que é feito durante as consultas pediátricas. O excesso de peso é sempre uma questão de saúde. Atualmente, cerca de 80% das crianças e adolescentes obesos se tornam adultos obesos, mas essa previsão pode e precisa ser mudada. A obesidade nessa faixa etária pode causar elevação dos níveis de gordura e açúcar no sangue, predispondo alguns a um risco maior de diabetes tipo 2, aumento da pressão arterial, dores nas pernas, maior risco de fraturas ósseas, problemas de relacionamento social e até depressão. Para que a criança tenha um adequado ganho de peso, são importantes, desde o nascimento, manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses; seguir as orientações do pediatra no momento do desmame; pais, responsáveis e escolas devem dar exemplo, reforçar e incentivar hábitos alimentares saudáveis, como não pular refeições, comer frutas e ter sempre verduras e legumes no almoço e jantar; evitar excesso de guloseimas, frituras e fast-foods; assim como propiciar regularidade na atividade física. Para garantir a saúde e detectar precocemente um inadequado ganho de peso e evitar a obesidade, todas as crianças e adolescentes devem manter visitas regulares ao pediatra durante toda a fase de crescimento. Dr. José Felipe Kalil Pediatra CRM 10509 Fonte: Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria 3 3 Ultrassonografia nas diversas patologias intra-abdominais A ultrassonografia é exame útil na avaliação de patologias e da morfologia dos órgãos abdominais. A técnica permite a caracterização de inúmeras condições e a análise de danos causados por diversas doenças. É um método de obtenção de imagens que emite ondas sonoras de alta frequência que são enviadas ao interior do corpo, onde atingem os órAlexandre Terra Fontes gãos que se pretende visualizar. Essas Médico radiologista ondas sonoras originam ecos que são Cremers 32.522 captados e transformados em imagens em tempo real. Uma de suas grandes vantagens é que não há radiação (raios x) durante sua execução. Portanto, é um dos poucos métodos diagnósticos sem efeitos colaterais. Nas doenças da vesícula biliar é considerado método de escolha, pois permite visualização da parede da vesícula e a identificação, de forma bastante precisa, da existência ou não de cálculos (“pedras”) em seu interior. Estes comprometem o bom funcionamento do órgão e dificultam a digestão dos alimentos ricos em gordura. Quando um cálculo provoca sua obstrução pode-se desenvolver colecistite aguda (figura 1), a qual necessita de tratamento cirúrgico de urgência. Cursa geralmente com dor no abdome superior direito que não melhora com o jejum ou uso de analgésicos. O fígado não costuma manifestar-se por meio de sintomas álgicos, como dor abdominal. Seus sinais clínicos frequentemente são indiretos. No adulto, a ultrassonografia é um método eficaz principalmente para o acompanhamento de doenças crônicas como algumas formas de hepatite viral, de doenças causadas pelo uso excessivo do álcool ou, no caso da diabetes e da obesidade, simplesmente para avaliar o depósito de gordura visceral, que é um importante preditor de doenças cardiovasculares. O pâncreas é um órgão que tem sua avaliação prejudicada pelo exame, já que a obesidade, jejum inadequado na véspera do exame e a presença de grande quantidade de gás no intestino costumam ser problemas limitantes. O aparelho urinário, constituído basicamente pelos rins, ureter e bexiga, pode ser adequadamente avaliado pelo método, sendo facilmente identificados cálculos, tumores renais, espessamentos focais ou pequenas áreas de enfraquecimento da parede da bexiga (divertículos). 4 4 Vesícula biliar com paredes espessadas e contendo cálculo no seu interior (colecistite aguda). Apêndice cecal espessado e com diâmetro aumentado (apendicite aguda). A próstata, com o avançar da idade, costuma sofrer aumento das suas proporções por ação do hormônio testosterona e di-hidrotestosterona. Os sintomas mais comumente relacionados a esse problema são o jato urinário cada vez mais fraco, dificuldade ou demora para iniciar a micção, acordar à noite com necessidade de urinar, interrupção involuntária do jato urinário e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. O papel da ultrassonografia, nesses casos, é medir o volume da próstata e saber se há resíduo miccional patológico (bexiga não esvaziada adequadamente), o que predispõe a infecções. A aorta abdominal é a artéria mais calibrosa e importante do corpo, pois origina todas as outras artérias que levam sangue arterial, rico em oxigênio, para órgãos nobres como o sistema nervoso central. Grande parte de seu trajeto está localizado no abdome. A ultrassonografia é um bom método para detectar dilatações (aneurismas) ou a presença de trombos (coágulos sanguíneos), o que prejudica o adequado fluxo sanguíneo. É importante ressaltar que o exame possui limitações relacionadas à técnica de obtenção de imagens. Com exceção na diverticulite e na apendicite (Figura 2), que são processos inflamatórios agudos, não costuma ser útil para avaliação do estômago e intestinos grosso e delgado. A presença de gás no interior das alças intestinais pode impedir a visualização de estruturas mais profundas. Pacientes obesos apresentam maiores dificuldades para a obtenção da visualização das estruturas. Sendo necessária, em alguns casos, a avaliação complementar com alguns métodos como tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética ou endoscopia digestiva. O importante papel da nutrição no controle da hipertensão A hipertensão é o problema de saúde pública mais comum nos países desenvolvidos. A hipertensão não tratada leva ao desenvolvimento de muitas doenças crônico-degenerativas, como a insuficiência cardíaca congestiva, a falência renal e a doença vascular periférica. É frequentemente chamada de “assassina silenciosa”, porque as pessoas hipertensas podem apresentar-se assintomáticas durante anos e vir a sofrer um infarto fatal. O tratamento nutricional é essencial para o sucesso no controle da pressão arterial. O controle da hipertensão em medidas dietéticas não visa apenas a redução dos níveis pressóricos, mas também a adoção de hábitos alimentares permanentes. A dieta como único recurso terapêutico tem-se mostrado ser eficaz. Quais alimentos o hipertenso deve consumir e dar preferência? Carnes magras em preparações assadas, grelhadas ou cozidas; leite e iogurte desnatados; queijos brancos; óleos vegetais (soja, canola, azeite, milho, girassol); inhame, feijão-preto, lentilha, abóbora, cenoura, chicória, couve-flor, vagem, espinafre, nabo, rabanete; abacate, banana, ameixa, laranja, mamão, maracujá; temperos como alho, salsa, coentro, cebola, cebolinha, orégano, limão, louro no lugar do sal, couve, salsa, espinafre; gérmen de trigo, pão integral; nozes, amêndoas, além de ler sempre o rótulo dos alimentos industrializados, evitando sódio e cloreto de sódio. Alimentos que devem ser evitados: Carnes gordas e frituras; enlatados (molho de tomate, azeitonas, picles, salsicha); embutidos (linguiça, mortadela, salame, apresuntado, calabresa); salgados (carne-seca, toucinho, bacon, aves/peixes defumados); caldos (de carne, galinha ou vegetais ou temperos prontos); sopas desidratadas; leite integral ou desnatados em pó; coalhada; iogurte integral; queijos amarelos, cremosos; nata; ciclamato de sódio e sacarina sódica; café; chá-preto, chá-mate; guaraná natural; refrigerantes à base de cola (principalmente os dietéticos). Alternativas para ajudar no controle da pressão arterial - Manter uma vida saudável, sem estresse; - Manter bons hábitos de atividade física; - Fazer pelo menos seis refeições por dia; - Retirar o saleiro da mesa e usar temperos naturais; - Tomar bastante água (2,5 litros/dia); - Consumir pelo menos de três a quatro porções de frutas e verduras por dia; - Consumir pelo menos três porções de lácteos sem gordura como fonte de cálcio; - Consumir alimentos que sejam fontes de fibra. Francine Panta do Nascimento Nutricionista - CRN2 7896 5 5 Doenças respiratórias e o inverno Os meses frios representam um período de apreensão para as pessoas em razão das chamadas doenças de inverno. Os grupos mais afetados são os idosos e as crianças, além dos portadores de doenças respiratórias prévias como asma, rinite, bronquite e enfisema. Nesta época ocorre a maior circulação do vírus da gripe, que é a principal infecção respiratória de ocorrência na estação. As principais causas de problemas respiratórios são a asma, doença que se caracteriza pela ocorrência de chiado no peito, tosse seca e falta de ar; a rinite, que se manifesta por corrimento nasal, espirros, dificuldade de respirar pelo nariz, coceira e irritação no nariz e na garganta (como se ficasse resfriado frequentemente ou com um “resfriado que não cura”); a bronquite crônica, que se apresenta com tosse com expectoração acompanhada ou não de falta de ar, e às vezes chiado no peito, em pessoas fumantes; e o enfisema, que significa o estágio mais severo da agressão aos pulmões pelo cigarro, com destruição dos alvéolos (locais de troca de oxigênio do ar para o sangue), caracterizado pela falta de ar progressiva, emagrecimento, fraqueza, falta de ar aos esforços e tosse. Todas essas doenças podem apresentar crises ocasionadas pelas baixas temperaturas e mudanças de temperatura, ou por outras situações que ocorrem no frio, como o hábito de as pessoas ficarem agrupadas em ambientes fechados, o que facilita a transmissão do vírus da gripe; o uso de cobertores, blusões ou casacos de lã - a própria lã pode provocar alergia -, que podem conter ácaros (animais microscópicos que vivem na poeira e são uma causa importante de alergia); uso de lareiras ou fogões a lenha, que disseminam fumaça que, se ina- 66 lada, leva a crises dessas enfermidades, entre outras. Além do resfriado e da gripe (infecções causada por vírus, com sintomas de curta duração - entre cinco e sete dias), ocorrem infecções bacterianas, como sinusites e pneumonia. O resfriado é uma doença autolimitada (que melhora sem necessidade de tratamento), mais simples, com raras complicações. Já a gripe pode apresentar complicações sérias, principalmente a sinusite, a pneumonia, a exacerbação da asma, bronquite e enfisema, e levar até a morte. Sinusite A sinusite representa o acúmulo de pus nos seios da face (espaços ocos presentes nos ossos da face, responsáveis pelo aquecimento do ar e equalização da voz) que decorrem da proliferação de bactérias nesses locais, principalmente por complicações de gripes ou rinites, que alteram, entre outras coisas, a drenagem desses seios, que levam a dores de cabeça, às vezes intensas, sensação de irritação na garganta e pigarro, gosto ruim na boca e mau hálito, febre, secreção nasal amarelada ou esverdeada. A pneumonia é o acúmulo de pus nos alvéolos (no interior dos pulmões), pela proliferação de bactérias, que têm a sua entrada facilitada nos pulmões pelas infecções virais, pelo fato de o indivíduo respirar pela boca pela presença de rinite ou outra doença que obstrua as narinas, e se apresenta com sintomas como tosse com expectoração amarelada ou esverdeada, dor torácica (peito e costas) que piora com respiração profunda (pontada), além de febre alta. Rinite Vale ressaltar que quando da ocorrência de sintomas mais nasais, de poucos dias de duração, sem febre, trata-se de um resfriado. Mas quando esses sintomas são muito frequentes, como se a pessoa tivesse um resfriado que não melhora ou que volta sempre, provavelmente trata-se de uma rinite, que deve ser tratada preventivamente. A gripe é uma doença que compromete mais o estado geral da pessoa, e que se cura sozinha entre cinco e sete dias, sem tratamento. Ou seja, quem tem tosse com expectoração amarelada ou esverdeada por mais de sete dias deve estar apresentando uma complicação da gripe, que deve ser uma infecção como a sinusite ou pneumonia, devendo-se sempre procurar atendimento médico para evitar o agravamento do problema. Importante salientar que apesar de todo cuidado é comum que as pessoas tenham entre três e cinco episódios de resfriado ou gripe durante os meses frios, ou seja, nada de superproteger as crianças principalmente. Temos é que viver a vida, aproveitando o que o inverno tem de bom, com algumas pequenas medidas preventivas. O mais importante para aquelas pessoas que já têm algum problema respiratório, ou que todo inverno passam muito mal, é procurar um médico antes desse período, para iniciar um tratamento preventivo, com o que poderão ter uma melhor qualidade de vida nessa época. Medidas preventivas das doenças de inverno 1) Vacina contra a gripe: pode ser realizada durante qualquer época do ano, mas principalmente nos meses que antecedem a temporada de frio (março a maio) em qualquer pessoa a partir de um ano, desde que não tenha alergia à proteína do ovo. A vacina é um procedimento seguro, pois é feita com vírus mortos e “triturados”, não tendo risco de ninguém ficar gripado por ter feito a vacina. Fornece uma proteção em torno de 70% a 90% e que aumenta a cada ano que a pessoa faz a vacina; 2) Inicie o tratamento preventivo para doenças respiratórias pré-existentes: asma, bronquite, enfisema, rinite. Com o tratamento preventivo adequado, as chances de ocorrer crises dessas doenças diminuem significativamente; 3) Outras medidas úteis: a. Usar agasalhos apropriados - nem demais, que leva a suor com resfriamento do corpo, nem de menos, que também leva a resfriamento; b. Manter os ambientes arejados e ensolarados; c. Evitar o uso de cobertores e casados de lã crua; d. Expor todas as roupas de inverno ao sol e lavá-las sempre antes de usá-las; e. Evitar a formação de fumaça dentro das casas por lareiras ou fogões a lenha; f. Evitar a fumaça do cigarro, não fumando e não permanecendo em locais com fumantes; g. Evitar apertos de mãos, abraços e beijos em pessoas resfriadas ou gripadas; h. Evitar ficar em locais fechados com pessoas gripadas; i. Lavar as mãos com frequência. Dr. Carlos Eurico da Luz Pereira Médico pneumologista - Cremers 21443 7 7 Insuficiência cardíaca Praticamente todas as doenças do coração podem evoluir para a chamada insuficiência cardíaca (IC), que é uma condição na qual o coração aumenta de tamanho. Inicialmente pode haver um aumento só da espessura do músculo cardíaco (hipertrofia), mas depois começa a haver afinamento do músculo, crescimento do coração (que fica grande, ou dilatado, antigamente popularmente conhecido como coração de boi) e diminuição de força, havendo uma redução na função de bombear o sangue. A condição tem uma taxa de risco de morte de até 40% ao ano. O tratamento adequado da IC melhora a qualidade de vida dos pacientes, decresce o número de internações por descompensação e melhora o tempo de sobrevida. A hipertensão arterial (pressão alta), a cardiopatia isquêmica (infarto, angina), as doenças das válvulas cardíacas, o consumo abusivo de álcool e drogas, o cigarro, o colesterol, a obesidade, a diabetes, as doenças reumáticas (reumatismo no sangue), o uso de alguns medicamentos usados no tratamento do câncer, alguns tipos de infecções como viroses e doença de chagas, entre outras, são as principais condições que levam à dilatação e enfraquecimento do coração, geralmente de forma lenta e insidiosa. Algumas vezes, no entanto, não há uma causa específica, podendo a IC ser decorrente de uma doença direta do músculo cardíaco, com determinação genética ou até desconhecida (idiopática), as chamadas miocardiopatias primárias. Com o coração fraco, o sangue tem dificuldade de circular no corpo, ficando seu plasma (parte líquida ou água) acumulado nos órgãos, como nos pulmões, abdome e pernas. Além disso, há dificuldade de a parte sólida (células do sangue) chegar ao cérebro e aos músculos. Isso gera os principais sinais e sintomas da IC, que são: falta de ar inicialmente para esforços maiores e depois para esforços cada vez menores, falta de ar quando se está deitado, que melhora ao sentar (algumas pessoas dormem com vários travesseiros para conseguir respirar), tosse seca, inchaço nas pernas, estufamento da barriga, perda de peso, fraqueza progressiva, aceleração no coração (taquicardia). O coração vai crescendo lentamente, e os sintomas são insidiosos. Algumas vezes, porém, eles aparecem subitamente. Nessa situação, o paciente que até então não sentia nada de anormal, ou quase nada, começa rapidamente a ter falta de ar, inchaço do corpo e sensação de sufocação e taquicardia. Isso acontece muitas vezes após a pessoa, portadora de uma das causas de IC já relatadas, apresentar uma condição precipitante: suspensão dos remédios que já usava, gripe, consumo de álcool, gravidez, diminuição do funcionamento dos rins, anemia, entre outras. Diagnóstico O diagnóstico é feito pelo médico por meio de um exame clínico detalhado e de exames complementares. O exame de sangue avalia a presença de anemia, diabetes, infecções ou outras condições que possam estar associadas à descompensação da IC. O raio x de tórax mostra, em geral, área cardíaca aumentada e sinais de edema pulmonar (água nos pulmões). O eletrocardiograma pode dar uma pista da causa do problema (sinais de infarto, angina, hipertensão arterial), bem como das consequências (sinais de crescimento do coração, arritmias secundárias à IC). O exame considerado padrão ouro para o diag- 8 nóstico é, no entanto, o ecocardiograma. Por intermédio dele, o médico pode medir o tamanho do coração, avaliar a força do bombeamento (fração de ejeção), analisar a causa do problema (doença de válvulas, áreas de infarto) e suas complicações (derrame de líquido na volta do coração, chamado derrame pericárdico, ruptura de músculo cardíaco). Dessa forma, pode planejar o tratamento adequado do problema e determinar o grau de risco do paciente (prognóstico). O tratamento da IC deve contemplar a causa do problema - parar de fumar, suspender o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, fazer atividade física conforme orientação médica, tratar doenças concomitantes, como hipertensão, diabete, anemia, cardiopatia isquêmica e doenças das válvulas (cujo tratamento pode ser medicamentoso, angioplastia ou cirurgia), infecções, entre outras. Além da correção da causa, é necessário tratar a IC já instalada. Para isso, o médico lança mão de medicamentos que ajudam o coração a ficar mais forte. Exemplos de medicamentos usados para isso são: furosemide, hidroclorotiazida, espironolactona, enalapril, captopril, losartan, digoxina, amiodarona, carvedilol, nebivolol, atenolol, metoprolol, isossorbida, AAS, clopidogrel, atorvastatina, sinvastatina, entre outros. Muitos desses remédios são usados também em outras condições, e esse tratamento não é uma receita de bolo em que se indicam todos os medicamentos sempre - o médico avaliará cada caso. Existem situações mais graves em que o tratamento já não consegue mais controlar a IC. Assim, pode haver necessidade de colocação de aparelhos que ajudem o coração a bater melhor, como determinados tipos de marca-passo e desfibriladores, ou até a indicação de transplante cardíaco. O médico cardiologista poderá investigar e tratar adequadamente cada situação em particular. Vale lembrar que prevenir é sempre o melhor remédio: faça exercícios regularmente, alimente-se de forma saudável, combata a obesidade, abandone o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, trate adequadamente a hipertensão, a diabetes, o colesterol, faça check-up regular - em que se pode descobrir uma doença em estágio inicial muito tempo antes de ela se manifestar com sintomas físicos e, dessa forma, tratá-la cedo para evitar que se agrave e que se torne irreversível. A prevenção e o diagnóstico precoces são as melhores armas para garantir uma vida longa e de boa qualidade. Dra. Leonora Scherer Cardiologista - CRM - 21972 8 A ecografia no pré-natal A gravidez é uma fase inesquecível para os pais, mas, às vezes, eles deixam de aproveitar melhor esse período por não saberem exatamente o que está acontecendo com o bebê dentro do útero. O que será que ele faz? Que parte do corpo está em formação nessa semana? Quando ele começa a escutar? Será que abre os olhos? Todas essas perguntas, e procura pelas respostas, ajudam os futuros pais a participar da evolução do feto, o que é extremamente benéfico. A educação do ser humano pode começar antes de ele nascer, e isso é fascinante. A ecografia é uma técnica que utiliza o ultrassom para obtenção de imagens de feto e que não apresenta qualquer tipo de risco para a mãe ou para o feto. Rotineiramente são recomendadas quatro ultrassonografias durante a gestação. Porém não existem restrições quanto ao número de exames que possam ser realizados durante a gravidez. Na primeira ecografia, entre a 11ª e a 14ª semana de gestação, é feita uma avaliação da translucência nucal (uma pequena prega na nuca do feto) que define o risco de cromossomopatia). Nas gestações em que é observada uma translucência nucal alterada, está indicado um estudo genético do feto. O estudo da translucência nucal pode detectar até 80% dos casos de síndrome de Down. Lembre-se de que uma translucência nucal normal não significa que o bebê não tem síndrome de Down, bem como uma translucência nucal alterada não afirma que a criança tem síndrome de Down. A segunda ecografia é de grande importância para a avaliação da morfologia do feto. Esse exame, conhecido como ecografia morfológica, deve ser realizado entre a 20ª e a 24ª semana de gravidez. É durante esse teste que é feito um estudo anatômico detalhado dos diferentes órgãos e sistemas do feto no sentido de se excluir eventuais malformações. É também na ecografia no segundo trimestre que a maioria dos casais toma conhecimento pela primeira vez do sexo do feto; ainda no segundo trimestre, entre 22 e 24 semanas, pode-se avaliar as artérias uterinas com o estudo doppler e rastrear pré-eclampsia e/ou retardo de crescimento intrauterino que são patologias da gestação. Entre a 26ª e a 28ª semana, a ecografia auxilia a avaliar o crescimento do feto e a sua vitalidade no perfil biofísico fetal, que é feito com medição do líquido amniótico, verificando-se movimentos respiratórios, fetais e tônus fetal. Também se identifica a localização da placenta e mais uma vez é estudada a anatomia fetal. Embora o exame ecográfico permita avaliar toda a anatomia interna e externa, a existência de um feto estruturalmente bem formado não é sinônimo de um recém-nascido sem problemas, porque a ecografia não permite analisar se os diferentes órgãos têm um funcionamento normal. No terceiro trimestre é importante calcular o peso fetal, a situação e apresentação fetal e crescimento intrauterino restrito. O pré-natal O que é o pré-natal? É o controle que toda gestante deve ter para assegurar um bom desenvolvimento do feto dentro do útero, assim como preservar a boa saúde da mãe. Deve ser iniciado o mais breve possível, sendo periódico e repetitivo na gestação de baixo risco os controles devem ser: até a 28ª semana, mensal; da 28ª à 36ª semana, quinzenal; e após, semanal. Numa gestação de alto risco, os controles devem ser efetuados com menos intervalo. Na primeira consulta será realizado um exame geral, avaliada a nutrição, necessidade ou não de vitaminas, analisadas vacinas, saúde mental da gestante e orientação sobre os cuidados e medicação que poderá ser utilizada no caso de apresentar sintomas como enjoo, vômitos, dor pélvica, dificuldade de evacuar, entre outros. Serão solicitados exames de sangue, urina, citopatológico do colo uterino para rastreamento de possíveis doenças - a fim de que estas sejam tratadas e não prejudicar a gestação futuramente. Períodos 1ª ecografia: entre a de gestação; 2ª ecografia: entre a de gestação; 3ª ecografia: entre a de gestação; 4ª ecografia: após a tação. 11ª e a 14ª semana 18ª e a 23ª semana 26ª e a 28ª semana 34ª semana de ges- A quais sinais de alarme uma gestante deve prestar atenção? - Sangramento via vaginal; - Contrações uterinas (dor); - Diminuição dos movimentos fetais ou sua ausência; - Perda de líquidos via vaginal; - Aumento do volume de membros inferiores e do corpo; - Febre; - Enjoo e vômitos repetitivos; - Pouca urina e dor ao urinar; - Dor no epigástrio, dor de cabeça, aumento da pressão arterial. Quando presentes estes sintomas, deve a gestante procurar assistência médica. Dra. Sandra Londero Ginecologista/obstetra Cremers 27817 9 9 Os benefícios da hidroginástica A prática da hidroginástica vem ganhando cada vez mais adeptos por todos os lugares por ser uma atividade divertida, agradável, muito eficaz, estimulante e segura. O principal objetivo é o condicionamento cardiovascular e muscular, por meio do treinamento em flexibilidade, coordenação motora e relaxamento. Segundo especialistas, a hidroginástica é extremamente eficaz no combate ao estresse, além de contribuir para uma melhor qualidade de vida dos indivíduos. A hidroginástica pode proporcionar ao indivíduo muitos benefícios, entre eles: • Melhora do sistema cardiorrespiratório; • Melhora do condicionamento físico; • Desenvolvimento dos músculos; • Ativação da circulação; • Melhora da postura; • As articulações sofrem mínimo impacto; • Alívio de dores na coluna vertebral; • Alívio das tensões e do estresse do dia a dia; • Tem efeito relaxante e melhora da qualidade do sono; • Proporciona bem-estar físico e mental. 10 Outra vantagem importante da hidroginástica é que ela é uma das poucas atividades que podem ser realizadas por indivíduos com pouco ou nenhum condicionamento físico e por aqueles que possuem problemas articulares. Com isso, pessoas de qualquer idade, inclusive gestantes, podem praticá-la. Nas gestantes, a hidroginástica ajuda na prevenção das dores lombares e cervicais e aumenta a circulação nas pernas, facilitando o parto e o período de recuperação. Esses benefícios que a hidroginástica proporciona ainda precisam ser conhecidos pela maioria da população, pois eles propiciam uma melhora na qualidade de vida visivelmente, desde que a atividade seja praticada de maneira correta e com um profissional de Educação Física capacitado para a realização da modalidade. Lembrando que ser sedentário não traz nenhum benefício; mude seu estilo de vida por meio de uma alimentação saudável e realizando uma atividade prazerosa como a hidroginástica. Educadora física Monica Souza CREF 014234-G/RS 10 Rastreamento do câncer de mama na mulher brasileira Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de mama é a sétima causa geral de morte em mulheres brasileiras, e a primeira entre as neoplasias malignas. Porto Alegre está entre as capitais com maior incidência da doença no Brasil. O câncer de mama é uma doença multifatorial, com interação de fatores genéticos e ambientais para sua gênese. Os principais fatores de risco para câncer de mama são história familiar de parente em primeiro grau afetado (mãe, irmã ou filha); nuliparidade (não ter filhos); idade tardia na primeira gestação (após os 35 anos); idade precoce na menarca (início da menstruação); idade tardia na menopausa; fatores ambientais como fumo, álcool, gorduras, sedentarismo, obesidade. A prevenção primária do câncer de mama ainda não é totalmente possível, porém, podemos orientar algumas modificações no estilo de vida que podem influenciar no risco de desenvolver a doença. Evitar a obesidade por intermédio de dieta equilibrada e prática regular de exercícios físicos é uma recomendação básica para prevenir o câncer de mama, já que o excesso de peso aumenta o risco de ser acometida por essa enfermidade. A ingestão de álcool, mesmo em quantidade moderada, é contraindicada, pois é fator de risco para esse tipo de tumor, assim como a exposição a radiações ionizantes em idade inferior aos 35 anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) refere que o câncer de mama tem condições de ser rastreado, permitindo diagnóstico precoce e maiores chances de cura da doença. Entre os métodos de rastreamento estão o autoexame, o exame físico das mamas e os métodos de imagem. O autoexame é aconselhável como forma de autocuidado e de diminuição de casos avançados da doença, não podendo ser método exclusivo de rastreamento. O teste físico das mamas por parte do médico é importante e deve integrar a consulta ginecológica a partir dos 20 anos ou quando do início da anticoncepção hormonal. A mamografia é o método de imagem com maior impacto na redução da mortalidade por câncer de mama. Deve ser realizada em mulheres assintomáticas a partir dos 40 anos, anual ou bianualmente; em mulheres de alto risco após os 35 anos (ou cerca de dez anos antes da idade da familiar acometida pela doença); e deve ser oferecida às mulheres idosas enquanto tiverem condições de se locomover aos centros de atenção à saúde e de receber tratamento. A ultrassonografia e a ressonância magnética das mamas devem ser utilizadas como método complementar à mamografia, conforme avaliação médica. Vale lembrar que cada paciente deve ser avaliada individualmente para os diversos fatores de risco envolvidos na gênese da doença e, assim, ser aplicado o rastreamento para cada caso. Andréia Maria Rauber Cremers 29138 Mastologista/ginecologista/obstetra 1111 Câncer Mitos e verdades sobre a doença Mitos e crenças populares podem ser inimigos do paciente oncológico. Sem respaldo da ciência, podem prejudicar o diagnóstico precoce, interferir no tratamento e reduzir as chances de cura. O que fazer com um sintoma que pode indicar a presença de um câncer? Como reagir diante de tal diagnóstico? Quando a realidade se torna difícil demais de ser enfrentada, buscar um alento nas memórias populares coletivas pode representar uma esperança para um futuro desconhecido. O problema é que acreditar apenas em curas milagrosas ou receitas caseiras pode trazer sérios problemas. Em um cenário em que a descoberta e o tratamento precoce são fundamentais, qualquer fator que retarde o início dos procedimentos médicos representa riscos à saúde de quem sofre de qualquer tipo de câncer. Mais do que os mitos sobre prevenção, sintomas e causas da doença, a cura é o que costuma provocar as teorias mais inusitadas, as receitas mais inesperadas. Babosa, cartilagem de tubarão, cogumelos, casca de banana, dietas, romã, graviola e até mesmo urinoterapia. Enfim, sempre há algum tratamento que está na moda, que chega com força aos consultórios, prometendo milagres. Embora não exista estatística precisa, estima-se que até 80% dos pacientes oncológicos recorram a tratamentos alternativos. Normalmente isso não é um problema. Ruim mesmo é quando a pessoa retarda o diagnóstico ou até abandona o tratamento por alguma promessa milagrosa ou à base de ingredientes ditos “naturais” ou ainda desconhecidos da ciência. A maioria dos médicos não se opõe aos tratamentos alternativos, desde que não interfiram na terapia prescrita e seja de conhecimento do médico assistente. Todo oncologista já teve na sua vida profissional algum caso em que a doença não estava respondendo como o esperado, ou os efeitos colaterais estavam além dos desejados para a medicação prescrita e o responsável era um inocente chazinho ou uma substância “natural” que alguém bem-intencionado, recomendou para o doente. É fundamental lembrar que substâncias químicas presentes em muitas ervas podem sim interferir no efeito dos medicamentos ou potencializar reações colaterais. Já a espiritualidade dos pacientes e familiares é uma parte fundamental do processo de tratamento. Para quem lida com o tratamento do câncer, os benefícios da fé podem ser muitas vezes comprovados. Estudos já mostraram que pessoas que acreditam em forças superiores, independentemente da orientação religiosa, podem enfrentar o tratamento de forma mais otimista e positiva, o que contribui par a sua qualidade de vida. 12 12 Mitos: # Uso de desodorante pode causar câncer de mama. # Somente quem tem histórico familiar está sujeito a desenvolver a doença. # A ingestão de leite prejudica o tratamento do câncer. # A prática de relações sexuais sem preservativo não aumenta o risco de câncer. # Segurar a urina dá câncer de bexiga. # Alimentos preparados no micro-ondas podem causar câncer. # O câncer pode ser causado por uma pancada. # Todo nódulo se transformará em câncer. # Toda leucemia surge a partir de uma anemia. Verdades # A falta de vitamina D pode aumentar os riscos de câncer de mama. # O vírus HPV está diretamente relacionado ao desenvolvimento de tumores no ânus e da região da cabeça e pescoço. # O consumo de álcool e tabaco aumenta as chances de desenvolvimento de câncer. # Ter filhos mais tarde, após os 30 anos, eleva os riscos de ter câncer de mama. # Quanto maior a idade, maiores as chances de desenvolver um câncer. Mas isso não significa que os jovens não estejam sujeitos à doença. # Homens também podem ter câncer de mama. # Câncer tem cura. Quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores as chances de curá-lo. (Rev. Abrale; número 20 - 2012) Médico convidado Marcelo Luís Dotto Oncologista clínico - CRM 21297