AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES TO PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” O PE LA LE I DE DI R EI AVM FACULDADE INTEGRADA EG ID MOTIVAÇÕES PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS OT BRASILEIRAS E O IMPACTO DESSE PROCESSO NO CONTROLE DO CU M EN TO PR GERENCIAL: O CASO DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Por: Alessandra Candida da Silva Orientadora Prof.ª Luciana Chaves Madeira Rio de Janeiro 2013 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA MOTIVAÇÕES PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS BRASILEIRAS E O IMPACTO DESSE PROCESSO NO CONTROLE GERENCIAL: O CASO DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Auditoria e Controladoria Por: Alessandra Candida da Silva 3 AGRADECIMENTOS A Deus, pela vida e por todas as oportunidades dadas para evoluir. Aos meus pais, pelo amor incondicional e por sempre acreditarem em mim. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos aqueles que não tem medo de sonhar e empreender. 5 RESUMO O objetivo deste trabalho é estudar as motivações para a internacionalização das empresas brasileiras e o impacto deste processo no controle gerencial das mesmas. Para isto, realizou-se uma pesquisa exploratória através do método de estudo de caso da Caixa Econômica Federal, tendo por base coleta de dados junto à empresa, assim como pesquisa bibliográfica, que serviu como orientadora para o desenvolvimento das ideias centrais. Os resultados obtidos possibilitaram conjeturar que várias podem ser as razões para uma empresa internacionalizar-se, que as relações pessoais têm influência na determinação dos países onde se instalar e, ainda, que o grau de comprometimento da empresa em atuar no mercado internacional é o fator que determina os rumos da internacionalização, bem como modificações nos sistemas de controle gerencial. 6 METODOLOGIA Foi realizada uma pesquisa exploratória através do estudo de caso da Caixa Econômica Federal, além de pesquisa bibliográfica, que orientou na análise da decisão da CEF em atuar no mercado internacional. As fontes consultadas incluem livros, teses e artigos, estes extraídos da Internet, acerca dos temas internacionalização e controle de gestão. Os autores Robert N. Anthony e Vijay Govindarajan, bem como Josir Simeone Gomes e Joan M. Amat Salas foram consultados por serem referência no tema controle de gestão; assim como a Fundação Dom Cabral o é em estudos sobre internacionalização. A Fundação Dom Cabral é um centro de desenvolvimento de executivos, empresários e gestores públicos, eleita em 2012 a 8ª melhor escola de negócios do mundo. Possui um Núcleo de Negócios Internacionais, o qual foi criado em 2005, criado com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do conhecimento em estratégias de internacionalização de empresas. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I – O Conceito de Internacionalização 10 CAPÍTULO II – O Controle Gerencial 21 CAPÍTULO III – Descrição do Caso de Internacionalização da Caixa Econômica Federal 32 CAPÍTULO IV – Implicações da Internacionalização da CEF sobre o Sistema de Controle Gerencial da Empresa 35 CONCLUSÃO 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 41 ÍNDICE 43 8 INTRODUÇÃO O desenvolvimento de uma estratégia de internacionalização vem ocorrendo como resposta aos novos desafios impostos pelas recentes e profundas transformações na economia e no comércio mundial. Provocadas pelo declínio da hegemonia político-econômica dos Estados Unidos, pelo rápido crescimento dos mercados financeiros em escala global, pela desregulamentação da economia e pelo advento de novas tecnologias, geraram o fenômeno da globalização da economia mundial e a tendência à formação de espaços regionais unificados. Tais fenômenos redefinem as formas e métodos de competição no mercado internacional e condicionam a atuação das empresas nesse contexto. Na última década, com o aumento de empresas envolvidas com o comércio exterior, o perfil de internacionalização é claramente ambíguo, ou seja, as organizações adotam a estratégia mais adequada para seus objetivos de crescimento e de modernização tecnológica, aprofundando ou não o processo conforme o jogo de interesse entre o mercado interno e externo. O importante é manter a continuidade de suas relações com o exterior. Esforços para a expansão internacional das empresas e para o avanço do desenvolvimento de mercados comuns integrados também têm sido atravancados por questões culturais. Para superar esta barreira é preciso entender porque cultura é importante e como ela influencia nas práticas gerenciais. Quanto ao controle gerencial de empresas internacionalizadas, ele pode ser ou não afetado, uma vez que pessoas diferentes podem solicitar informações distintas de um país para o outro. 9 Deste modo, no sentido de estudar o binômio internacionalização e controle de gestão, investigou-se o processo de internacionalização das empresas brasileiras, mais especificamente, de uma empresa que atua no setor de serviços, a Caixa Econômica Federal, o porquê de ela ter incluído, em seu planejamento estratégico, a expansão para o mercado internacional e a influência desta ação sobre o seu sistema de controle gerencial. O método escolhido foi o estudo de caso, através do levantamento de dados junto à empresa, o qual foi complementado por pesquisa bibliográfica, responsável pelo desenvolvimento das ideias centrais. O presente trabalho monográfico está estruturado da seguinte forma: No primeiro capítulo, são apresentados o conceito de internacionalização, as teorias de negócios internacionais, as motivações para a internacionalização das empresas brasileiras e os principais obstáculos do processo. No segundo capítulo, são abordados o conceito de controle gerencial, incluindo as principais abordagens sobre o tema, os tipos de controle organizacional, a influência da cultura nas práticas gerenciais e algumas características da cultura brasileira. O terceiro capítulo versa sobre a internacionalização da Caixa Econômica Federal. O quarto capítulo trata das implicações da internacionalização da Caixa sobre o sistema de controle gerencial da empresa. Na conclusão, é apresentado o resultado obtido com o estudo de caso da CEF, bem como sugestões para pesquisas futuras. 10 CAPÍTULO I O CONCEITO DE INTERNACIONALIZAÇÃO Internacionalização pode ser definida como um processo crescente e continuado de envolvimento de uma empresa nas operações com outros países fora de sua base de origem (BRASIL e ARRUDA, 1996). Por envolver um intercâmbio com outros países, três aspectos merecem destaque. Ainda na visão de Brasil e Arruda (1996), o primeiro está ligado ao modelo macroeconômico adotado pelo país sede, podendo ser categorizado como fechado, protegido ou aberto em que tanto o protegido como o aberto possuem gradações que envolvem aspectos de protecionismo, explícitos ou não. O segundo aspecto macroeconômico resulta do fato de que a competitividade internacional de uma empresa é afetada tanto por fatores estruturais domésticos quanto pelos fatores internos à firma. A política industrial, a estrutura do mercado de capitais e o sistema legal vigente condicionam a internacionalização das empresas, afetando o seu ritmo de expansão. O mesmo pode ser dito da cultura. Do lado da empresa, cabe a ela compatibilizar as oportunidades e os constrangimentos que os fatores macroeconômicos colocam para suas operações no exterior, além dos fatores microeconômicos ligados aos seus mercados de atuação, às tecnologias vigentes, à rede de fornecedores disponível e à própria estrutura de gestão montada ao longo do tempo. O terceiro aspecto macro tornou-se muito importante nos últimos tempos, com o crescimento das interdependências na economia mundial, descrito como globalização, o nascimento das transnacionais e o aperfeiçoamento da informática e das comunicações, assim 11 como o fluxo de capitais, que, no intercâmbio comercial e interempresas, tomou um caráter relevante. Os três aspectos macroeconômicos são interligados e trazem consequências para a competitividade das empresas, bem como para suas decisões de investimento. Segundo Bartlett e Ghoshal (1992), as empresas internacionalizadas podem ser classificadas como: • Empresa exportadora: representa a fase inicial do processo de internacionalização, onde as atividades operacionais concentram-se em um único país, geralmente no país de origem; • Empresa multinacional: tem como objetivo explorar as vantagens competitivas importantes domesticamente, diversificando atividades em outros países. Seu objetivo é a reprodução quase exata da empresa matriz em cada uma das filiais no exterior; • Empresa global: o modelo multinacional apresentou alguns problemas e, no final dos anos 70, houve uma tendência oposta, ou seja, as empresas passaram a adotar estratégias coordenadas com todos os países onde operava, com o objetivo de adquirir vantagem competitiva em termos de custos e receitas através de operações centralizadas em escala global. No entanto, as atividades críticas das empresas devem se concentrar em um ou poucos países; e • Empresa transnacional: para que uma empresa seja classificada como transnacional, deve-se combinar adequadamente uma máxima eficiência econômica, uma máxima capacidade de responder a mercados locais e uma flexibilidade para transmitir as experiências que surgem em alguns países para toda a organização. 1.1 – Teorias de Negócios Internacionais 12 Para explicar o processo de internacionalização das empresas foi dada ênfase em algumas abordagens que serão descritas a seguir. O modelo do ciclo de vida do produto desenvolvido por Vernon (1966) baseia-se no paradigma da imperfeição do mercado. Quando a empresa descobre uma inovação no mercado onde possui a matriz e pretende ampliar o ciclo de vida deste produto, as empresas iniciam sua expansão em países cuja demanda por este produto possa ser desenvolvida. Inicialmente, esta expansão é feita por meio da exportação até a implementação de subsidiárias. De acordo com este modelo, empresas com sede em países em desenvolvimento procuram instalar suas subsidiárias também em países em desenvolvimento. No entanto, no Brasil, esta prática não tem sido seguida, uma vez que muitas empresas brasileiras estão instalando subsidiárias em países desenvolvidos e em desenvolvimento (CARVALHO e GOMES, 2007). O modelo “de Uppsala” baseia-se em dois pilares: o primeiro diz que as empresas internacionalizam-se, gradualmente, em pequenos passos, e o segundo relaciona a ordem cronológica da internacionalização com a distância psíquica entre o país de origem e o país hospedeiro; distância esta que pode ser definida como a soma dos fatores que impedem o fluxo de informações de e para o mercado estrangeiro (diferenças de linguagem, de cultura, de desenvolvimento industrial etc.) (AMATUCCI, 2009). Em outros termos, as empresas procuram, inicialmente, fazer negócios com mercados de menor distância psíquica, ou seja, que sejam mais similares aos das operações já existentes, para então entrar em outros mercados. 13 O paradigma eclético de Dunning (1980) pretende explicar a amplitude, a forma e o padrão da produção internacional. Para que as empresas se internacionalizem, elas precisam possuir algumas vantagens sobre seus concorrentes para que o investimento no exterior seja vantajoso. São elas: as vantagens da propriedade (onde são incluídos os ativos tangíveis e intangíveis como: marcas e patentes, capital intelectual e tecnologia da informação); as vantagens de localização (o que faz o país ser atrativo, ou seja, as vantagens oferecidas como: os recursos naturais abundantes, mão de obra mais barata comparada com o país de origem, infraestrutura adequada e tamanho do mercado (e isto faz com que a produção nestes países reduza os custos das empresas, tornando-as mais competitivas) e as vantagens de internalização (dizem respeito a transferência de ativos pela empresa através de sua própria hierarquia, ao invés de recorrer ao mercado internacional). Dunning (1980) também destaca que existem alguns fatores motivacionais que levam as empresas à internacionalização como, por exemplo: i) os recursos naturais; ii) a comercialização no país onde a empresa irá se instalar; iii) o acesso a novos mercados em virtude da disputa acirrada nos mercados; e iv) ganhos de eficiência, buscando países que possuam vantagens na produção a fim de reduzir os custos (CARVALHO e GOMES, 2007). No modelo de Andersson (1993), a internacionalização é realizada de forma gradual em virtude da falta de conhecimento da empresa e das incertezas associadas com a decisão de se internacionalizar. Este processo passa por quatro estágios: o primeiro, da expansão de mercados através de exportações eventuais; o segundo, das exportações mais expressivas, com a contratação de representantes nos mercados-destino em que a empresa pretende atuar; o terceiro estágio é o estabelecimento de uma subsidiária no exterior, com o papel de coordenar atividades de comercialização e logística de distribuição (ainda que seja feita por terceiros), o 14 quarto estágio caracteriza-se pela instalação de unidades de produção no exterior, aliada ou não ao estabelecimento de um centro de desenvolvimento de produtos, através de arranjos organizacionais como licenciamento ou joint ventures (CARVALHO e GOMES, 2007). 1.2 – A Internacionalização das Empresas Brasileiras Segundo uma pesquisa da Fundação Dom Cabral, publicada em 2002, acerca da internacionalização da empresa brasileira, foram apontados os seguintes motivos como impulsionadores das grandes empresas brasileiras a inserirem-se no mercado internacional: • Busca de economia de escala – marcante para os produtores intermediários e os produtores de bens finais –; varia de acordo com o porte das empresas; • Desenvolvimento de competências para atuar em mercados internacionais – mais necessário quanto menor o porte da empresa; • Exploração das vantagens de localização no Brasil (ex: logística, baixo custo de mão de obra etc.); • Saturação do mercado brasileiro; • Mercados internacionais mais atrativos do que o mercado brasileiro; • Maiores retornos sobre investimentos em mercados internacionais; • Entrada/ameaça de entrada de empresas internacionais no mercado doméstico; • Intensidade da rivalidade entre competidores atuais no mercado doméstico; • Acompanhar os concorrentes na sua expansão nos mercados internacionais; • Acompanhar os clientes importantes na sua expansão pelo mercado internacional; e • O apoio de programas governamentais de fomento à internacionalização. 15 Sob o ponto de vista geográfico, a internacionalização das empresas brasileiras se focou, nas primeiras décadas, principalmente nos Estados Unidos, depois América Latina e só mais recentemente, a partir de 1970, se dirigiu para a Europa e a Ásia. Ainda de acordo com a pesquisa, a forma inicial de inserção (e também a mais frequente) foi pela via da exportação, por ser uma alternativa de baixo risco, tendo em vista a ausência de comprometimento de recursos no investimento em ativos no exterior. Deste modo, seria viável “testar” a aceitabilidade de seus produtos ou serviços nos mercados escolhidos. Pela ordem de prioridade, as formas de entrada em mercados internacionais foram: • Exportação direta; • Exportação através de terceiros; • Escritórios de comercialização próprios; • Alianças estratégicas com empresas estrangeiras; e • Instalação de subsidiárias ou unidades de produção próprias. A instalação de escritórios de comercialização próprios é um tipo de entrada que implica em investimentos e comprometimento de recursos de pouca monta de forma similar à exportação, tanto direta como por meio de terceiros. As alianças estratégicas com empresas estrangeiras como forma de entrada em mercados internacionais implica em investimento direto em mercados externos, mas com o claro objetivo de compartilhamento de riscos com o parceiro internacional. Como ganho compensatório ao risco do investimento, o parceiro instalado em outro país tradicionalmente traz para a aliança conhecimento sobre o mercado estrangeiro, acesso a canais de distribuição 16 e, muitas vezes, influência política para a aliança estabelecida. As empresas que optam por esta forma de entrada, em geral, já utilizaram ou utilizam também a exportação direta ou por meio de terceiros. Esta forma de entrada ocorre mais intensamente em empresas de maior porte, o que sinaliza que essa prática está mais associada a organizações que possuem poder de barganha para negociar, em condições privilegiadas, uma porta de acesso a mercados estrangeiros. A instalação de subsidiárias ou unidades de produção próprias representa a forma de entrada com o segundo maior potencial de crescimento, seguida pela instalação de escritórios de comercialização próprios. Quanto aos resultados efetivamente obtidos pelas empresas que se internacionalizam, destacam-se: • Melhoria do desempenho global da empresa (mais intenso entre os produtores de bens finais); • Maior estabilidade de resultados econômicos e financeiros; • Ganhos em termos de economias de escala e de escopo (em função do porte, e maior entre os produtores intermediários); • Menor dependência do mercado doméstico (mais intenso entre os produtores de bens finais); • Ganhos em termos de expertise e de tecnologia (bem distribuído); e • Quanto maior o porte da empresa, mais fortes são os resultados em termos de valorização de mercado (ex. bolsas de valores). 17 Outro estudo da mesma escola, intitulado “O Ranking das Transnacionais Brasileiras”, realizado em 2012, aponta como benefícios da internacionalização para o Brasil: 1) Melhoria da imagem do Brasil no exterior e consolidação da marca Brasil; 2) Incorporação de novas tecnologias e processos ao parque industrial brasileiro; 3) Fortalecimento da posição brasileira em negociações nos fóruns internacionais, regimes internacionais e Organização Mundial do Comércio (OMC); 4) Servir como antídoto à desnacionalização de setores da economia brasileira; 5) Internacionalização de Pequenas e Médias Empresas da cadeia de valor das grandes empresas (não aplicado a franquias); e 6) Aumento da arrecadação de tributos. 1.3 – Principais Obstáculos à Internacionalização De acordo com a mesma instituição, as dificuldades e os obstáculos ao processo foram agrupados em três grandes categorias: • Barreiras internas/organizacionais, que dizem respeito à adequação das capacidades e dos recursos das empresas para atuar em mercados internacionais; • Barreiras situadas no ambiente competitivo brasileiro, relacionadas à adequação da infraestrutura econômica e institucional, à oferta de fatores e às atitudes e características culturais; e • Barreiras situadas nos mercados de destino, também de natureza econômica, políticoinstitucional e cultural. 18 As empresas brasileiras acreditam que todas as barreiras internas/organizacionais se reduziram em relação ao passado, em decorrência da experiência, da aprendizagem e do know-how por elas acumulado ao longo dos últimos anos. Porém, ainda identificam algumas barreiras desta ordem e que inibem as suas ações internacionais, quais sejam: • A percepção de que o tamanho do mercado nacional “atende aos objetivos da empresa” é mais forte entre as empresas menores. Embora o maior inimigo da internacionalização das empresas ainda seja o tamanho do mercado interno, a comparação entre o passado e o presente mostra que esta barreira vem decrescendo nos últimos anos. Isso se deve ao fato de que, a partir da abertura comercial, o mercado brasileiro vem despertando o interesse dos grandes players internacionais, cuja presença no Brasil está aumentando em diversos setores, reduzindo, assim, a atratividade dos mercados domésticos como fonte exclusiva de crescimento; • Os provedores de serviços e os produtores de bens finais têm mais dificuldade de acesso a canais de distribuição. As empresas menores compartilham esta percepção; e • Escala insuficiente para competir em grau de paridade com players internacionais. Fatores relacionados a conhecimentos tecnológicos, de mercado e gerenciais não constituem barreiras significativas à internacionalização. A ausência de competências para operar em mercados internacionais, importante no passado, está sendo superada pela aprendizagem das empresas, à medida que acumulam experiências com relação ao processo de internacionalização e conhecimento dos mercados de destino. Na percepção das empresas brasileiras, as barreiras mais significativas estão relacionadas ao ambiente competitivo brasileiro. Embora tenha apresentado uma ligeira queda 19 com relação ao passado, este conjunto de obstáculos é o que apresenta maior persistência, ou seja, uma redução mais lenta, quando comparado aos demais. Destacam-se os seguintes obstáculos: • Elevada carga tributária (mais forte entre os produtores de bens finais); • Carência de linhas de financiamento (mais contundente para as empresas com faturamento superior a R$ 3 bilhões e mais intensa entre os produtores de bens finais); • Instabilidade do câmbio (mais crítica para os produtores de bens finais e os provedores de serviços e entre as empresas de menor faturamento); • Riscos e instabilidades econômicas do país (mais intensa entre os produtores de bens finais); e • Deficiências de infraestrutura (mais intensa entre os produtores de bens finais). Um ponto que constitui um aspecto positivo é que o acesso a modernas tecnologias de produção e de processos não é visto como uma barreira significativa. Esta avaliação é tanto mais positiva quanto maior o porte da empresa. Dentre as três categorias de barreiras analisadas – organizacionais, no Brasil e no exterior –, este último é o conjunto que as empresas veem como o menor empecilho à internacionalização. Como barreiras às exportações brasileiras em outros países destacam-se: • Barreiras tarifárias; • Barreiras burocráticas; e • Cotas de importação. 20 Para a instalação de subsidiárias próprias as principais barreiras são, pela ordem: dificuldades burocráticas; relacionadas à mão de obra e obstáculos de natureza jurídica. Ao longo deste primeiro capítulo, discutiu-se o conceito, as teorias, motivações e obstáculos do processo de internacionalização. No capítulo a seguir serão apresentados o conceito de controle gerencial e as principais abordagens sobre o tema, os tipos de controle organizacional, a influência da cultura nas práticas gerenciais e algumas características peculiares à cultura brasileira. 21 CAPÍTULO II O CONTROLE GERENCIAL O controle gerencial é o processo pelo qual os executivos influenciam outros membros da organização para que obedeçam às estratégias adotadas (ANTHONY e GOVINDARAJAN, 2002). Sua finalidade é assegurar que as estratégias sejam obedecidas, de forma que os objetivos da organização sejam atingidos. O problema central do controle é induzir os executivos a atuar de uma maneira que, ao procurarem atingir seus objetivos pessoais, auxiliem o alcance dos objetivos da organização. Este detalhe é chamado de congruência de objetivos, expressão que significa que os objetivos individuais do pessoal da organização devem ser, na medida do possível, consistentes com os objetivos dela própria. Desde já é válido dizer que não é possível atingir uma completa congruência de objetivos. No entanto, o sistema de controle gerencial deve orientar-se o mais possível nessa direção (ANTHONY e GOVINDARAJAN, 2002). A congruência de objetivos é afetada tanto por processos informais como por sistemas formais. Planos estratégicos, orçamentos e relatórios constituem um sistema formal de controle. Ética de trabalho, estilo gerencial e cultura são exemplos de processos informais numa organização. Estes podem ser externos à empresa, mas a maioria é interna. Fatores externos são normas de comportamento desejável que existem na sociedade da qual a organização faz parte. Essas normas são frequentemente chamadas ética de trabalho. Manifestam-se na forma de lealdade dos funcionários à organização, diligência, espírito e orgulho de ter um bom desempenho. 22 O fator interno mais importante é a cultura da organização, ou seu clima. A cultura da organização abrange convicções, atitudes, normas, relacionamentos e presunções comuns aceites implícita ou explicitamente e evidenciados em toda a organização. O clima é a atmosfera em que os indivíduos auxiliam, julgam, retribuem, limitam e apreciam outros indivíduos participantes da organização. Influencia a moral, que é a atitude do indivíduo para com seu trabalho e o ambiente. Ainda de acordo com Anthony e Govindarajan (2002), os controles gerenciais são apenas um dos instrumentos que os executivos usam para obedecer às estratégias e as estratégias são obedecidas por meio de controles gerenciais, de uma estrutura organizacional, do gerenciamento de recursos humanos e de uma cultura. A estrutura organizacional especifica as funções, as relações de supervisão e as responsabilidades que moldam a tomada de decisões no seio da organização. A administração de recursos humanos responde por seleção, treinamento, desenvolvimento, avaliação, promoção e dispensa de empregados. As decisões da administração de recursos humanos devem ser consistentes com a estratégia e com a estrutura organizacional adotada, para que possam ser desenvolvidos os necessários conhecimentos e capacidades. A cultura diz respeito ao conjunto de atitudes, conceitos em que as pessoas acreditam e normas que explícita ou implicitamente orientam as ações da administração. .As estratégias diferem de organização para organização, e, portanto, os controles devem ser projetados para as necessidades específicas das estratégias adotadas. Embora haja diferença entre as definições existentes, há um consenso de que a estratégia descreve a direção geral em que uma organização planeja mover-se para atingir seus objetivos (ANTHONY e GOVINDARAJAN, 2002). 23 2.1 – Principais Abordagens sobre Controle Gerencial As abordagens a seguir descritas são abordagens clássicas de controle gerencial e foram desenvolvidas por Anthony (1965), Lorange e Morton (1974), Hofstede (1975) e Flamholtz (1979). Para Anthony (1965), controle de gestão é o processo pelo qual os administradores asseguram que os recursos sejam obtidos e usados eficaz e eficientemente. Nessa abordagem, controle de gestão diz respeito à combinação de atividades de planejamento e controle e é concernente à satisfação das motivações individuais. O sistema de controle de gestão é desenvolvido a partir de: (a) estudo da estrutura organizacional, focalizando centros de responsabilidade, e (b) processo de controle, organizado de acordo com as diversas fases do processo, dispostas em ordem cronológica – planejamento e programação, orçamento e avaliação de desempenho. O objetivo do sistema é o goal congruence, ou seja, os objetivos das pessoas devem coincidir com os objetivos da organização. Para Lorange e Morton, as características ambientais condicionam as características organizacionais. Assim, o processo de controle gerencial é dividido dentro do processo de identificação da variável de controle, do processo esquemático de direção de curto prazo e do processo de acompanhamento de desempenho de curto prazo. 24 Na abordagem de Hofstede (1975), a implantação de um sistema de controle de gestão homeostático vai requerer mudanças significativas na filosofia de controle da empresa, por se basear em uma visão mais ampla de um processo sociopsicológico bastante diferente dos sistemas tradicionais. A essência do seu plano está centrada em variáveis políticas como negociação, valores e julgamentos (GOMES e AMAT, 2001). Para Flamholtz (1979), o controle de gestão é visto como sendo o processo de influenciar o comportamento dos membros de uma organização formal. Idealmente, o objetivo do sistema de controle é promover uma identidade entre os objetivos dos membros da organização e os objetivos da organização como um todo. Nas décadas de 80 e 90, houve um interesse em tentar compreender os sistemas de controle gerencial sob uma perspectiva social e organizacional. De acordo com Macintosh (1994), o controle gerencial consideraria duas perspectivas: uma estratégica e outra organizacional. Na primeira, trata-se de facilitar a adaptação estratégica da organização em seu ambiente ou contexto social; na segunda, trata-se de assegurar que toda organização se oriente conjuntamente na direção dos objetivos dos membros da alta administração, sendo que ambas devem ser direcionadas para o desempenho. Segundo Atkinson (1998), as medidas de desempenho estratégico devem proporcionar ações voltadas para a manutenção e melhoria contínua da posição competitiva da organização. Para Berry et al. (1995) o controle organizacional refere-se ao desenho de instrumentos e ao exercício de ações que estejam direcionadas a influenciar o comportamento das pessoas que fazem parte da organização, com intuito de direcioná-las aos objetivos traçados pela alta administração. 25 2.2 – Tipos de Controle Organizacional Segundo Gomes e Amat (2001), a preferência por um ou outro sistema de controle decorre das características da organização e do contexto social. Em particular, as características da organização mais determinantes são: sua dimensão, a relação de propriedade, a cultura, o estilo dos gerentes e as relações interpessoais, o grau de descentralização e a formalização da atividade. Já com referência ao contexto social, as características mais importantes são o grau de dinamismo e a concorrência. Na medida em que o contexto social é mais local, a concorrência será menor e a organização estará mais protegida. Ao contrário, quanto mais internacional for o contexto social, maior deverá ser a concorrência. Vê-se, assim, que a dimensão e a formalização são fundamentais para explicar o tipo de controle organizacional de uma organização. Quanto maior for a empresa, mais formalizado deverá ser o sistema de controle para garantir que a delegação de autoridade possa ser adequadamente avaliada. Do mesmo modo, as características do controle organizacional também estarão influenciadas pelo tipo de contexto social e o grau de descentralização. Na medida em que o contexto social é mais dinâmico e competitivo, tende-se a uma maior descentralização e a utilização de sistemas de controle financeiro orientados à gestão de resultados. Assim, estes dois autores descrevem quatro tipos de controle organizacional. São eles: 26 – Controle familiar: este tipo de controle é utilizado em empresas que tenham as características de uma família, ou seja, é dada ênfase às relações pessoais e o líder (fundador ou gerente) é considerado como um pai. O controle de gestão encontra-se baseado na utilização de mecanismos de controle informais, na liderança do gerente (normalmente o proprietário), na centralização das decisões, na delegação de autoridade baseada na amizade pessoal e no desenvolvimento de uma cultura que promova a lealdade e a confiança; – Controle burocrático: este tipo de controle é característico de organizações de grande porte, fortemente centralizadas e, normalmente, fechadas para o exterior. O aspecto fundamental das empresas que utilizam este tipo de controle é a criação e manutenção de uma cultura avessa à mudança. O controle de gestão está baseado na formalização da estrutura e do sistema de controle e na centralização das decisões. Um dos problemas deste controle é a redução da motivação de seus funcionários e o aspecto político deste sistema; – Controle por resultados: este tipo de controle costuma existir em contextos sociais muito competitivos e é marcadamente baseado em sistemas de controle financeiro. Aqui, é promovido um elevado grau de descentralização através do estabelecimento de objetivos e a utilização ampla de centros de responsabilidade que são avaliados com base nos resultados apresentados. Por serem bastante descentralizadas, essas empresas requerem um controle maior através da utilização de controles financeiros mais sofisticados que requerem mais mão de obra. O sistema de controle dessas empresas está voltado para a redução dos custos e para a diferenciação. O problema deste tipo de controle está em relacionar a motivação dos funcionários nos resultados dos centros de responsabilidade (CARVALHO e GOMES, 2007); 27 – Controle ad-hoc: este tipo de controle baseia-se na utilização de mecanismos não formais que promovam o autocontrole. Ocorre em ambientes muito dinâmicos e complexos, como os encontrados em organizações de alta tecnologia e de publicidade. Por serem bastante descentralizados, utilizam mecanismos de controle informais, com limitada utilização de medidas financeiras, pouca formalização de procedimentos e de comportamentos, haja vista este tipo de controle estar voltado para a inovação. 2.3 – A Influência da Cultura nas Práticas Gerenciais Segundo Gomes e Amat (2001): “O estudo da cultura e sua influência nos sistemas de controle de gestão é de fundamental importância, já que eles devem refletir e influir na cultura organizacional e no meio ambiente, à medida que tanto o desenho como a utilização do sistema de controle de uma organização deve espelhar os valores, crenças, expectativas das pessoas ou grupos que com ela se relacionam” (p. 133). A cultura organizacional manifesta-se nas características do sistema de controle de gestão e este deve ser o reflexo da cultura de uma organização, podendo servir para diferentes propósitos e objetivos e, ao mesmo tempo, ser percebido e utilizado de forma diferente pelas pessoas e grupos que compõem a organização, de acordo com seus interesses, valores e expectativas. As pessoas têm diferentes objetivos, experiências, preferências, capacidade de processar e utilizar a informação. Esses aspectos influenciam na forma em que se desenha, implementa e utilizam os sistemas de controle e explicam o porquê de estes serem diferentes e específicos para cada organização. 28 A influência da cultura no funcionamento da organização também depende da orientação explicitada pelos dirigentes. Quando os objetivos disseminados por eles são coerentes com a cultura organizacional, torna-se mais fácil obter a cooperação dos elementos que constituem a organização e, em consequência disso, chegar-se a uma congruência de objetivos. Gomes e Amat (2001) ainda propõem o seguinte questionamento: “Há uma única cultura em uma empresa?”: “De uma perspectiva de dirigentes ou gerentes, pode-se considerar que há uma só cultura que é assumida por todos os membros da empresa. Entretanto, entre departamentos, diversos níveis hierárquicos e filiais, podem existir profundas divergências culturais. Na maior parte das vezes, especialmente quando o tamanho da organização começa a se ampliar, ou cujas atividades costumam ser muito diversificadas, as diferenças são significativas” (p 135). 2.4 – A Cultura Brasileira Fonseca (2007) em seu estudo “Sistemas de Controle Gerencial e Cultura Brasileira: Uma Análise do Modelo de Anthony” expõe alguns valores culturais brasileiros, dentre os quais destacam-se: • “A cultura brasileira é considerada flexível e adaptável, favorecendo soluções que destacam a harmonia em vez do conflito” (p. 6); 29 • “Trata-se de uma cultura particularista que não aplica regras gerais para todos, mas submete-as ao crivo das relações pessoais e às peculiaridades de cada situação” (p. 6); • “As pessoas vivem de uma maneira fatalista e acreditam em líderes carismáticos e soluções mágicas (AMADO e BRASIL, 1991). Esta posição parece coerente com o espírito de aventura descrito por Holanda (1984), na medida em que em ambos se percebe uma crença no poder do destino, da sorte e, portanto, de falta de controle. O espírito de aventura presente em nossa cultura contrasta com a ética do trabalhador. Enquanto o primeiro tem como ideal “colher o fruto sem plantar a árvore”, o trabalhador é “aquele que enxerga primeiro a dificuldade a vencer, não o triunfo a alcançar”” (p. 6-7); • “A sociedade brasileira é uma sociedade hierárquica em que as relações pessoais são muito importantes. Em primeiro lugar, é importante considerar as relações de amizade entre as partes, pois não se consegue separar os negócios das relações pessoais. Em função deste sistema de relações pessoais, busca-se evitar o conflito de ideias para preservar a harmonia, comportamento que seria acentuado pela postura de espectador apontada por Prates e Barros (1997), a qual, por sua vez, seria consequência da presença de um poder externo dominante que limitaria nossa “consciência crítica” e resultaria em “baixa iniciativa”, “pouca capacidade de realização por autodeterminação” e “transferência de responsabilidade das dificuldades para as lideranças”. Reforçando este traço, destaca-se o medo de errar que é, segundo Tanure (2005), “a contraparte do paternalismo” e que levaria ao “desejo de acertar sempre e assim ser reconhecido pelo grande poder”, o que, segundo a autora, pode ser “paralisante”. Essa característica relacional determina 30 uma ênfase nas pessoas em detrimento das tarefas, abrindo espaço para a realização de várias tarefas simultaneamente, o que não parece consistente com a racionalização da organização de forma sequencial, em que as pessoas são vistas como custos e despesas. No entanto, a participação não envolve necessariamente atribuição de responsabilidade aos indivíduos, pois existe um alto grau de paternalismo na sociedade brasileira que resulta na postura de espectador (transferência de responsabilidade por parte dos subordinados para as lideranças) e no medo de errar” (p. 9, 11-12); • “Os indivíduos se sentem motivados por desafios e esperam ser recompensados ao atingirem os objetivos traçados. A motivação implícita seria por realização a qual, na abordagem de Hofstede (1991), pressupõe duas escolhas culturais – uma vontade de aceitar riscos pouco familiares (equivalente à baixa fuga à incerteza, existente em sociedades que se sentem pouco ameaçadas por situações incertas ou desconhecidas) e uma preocupação com performance (equivalente à forte masculinidade, observada em sociedades que dão mais valor ao sucesso material do que à qualidade de vida). Hofstede (1980) conclui que a fonte de motivação em sociedades com alta fuga à incerteza seria o medo de falhar, ao passo que, em culturas com baixa fuga à incerteza, seria esperança de sucesso. Por outro lado, Hofstede (1991) destaca ainda que, enquanto as culturas masculinas ficam motivadas com o enriquecimento das tarefas, as culturas femininas preferem oportunidades para ajuda mútua e contatos sociais na realização das mesmas. Apesar da constatação de Tanure (2005) de que o índice de Fuga à Incerteza sofreu uma queda na cultura brasileira, o medo de falhar encontrado por Hofstede (1980) 31 parece coerente com o medo de errar mencionado pela autora em relação à cultura brasileira, o qual seria decorrente do grau de paternalismo presente na mesma. Tanure (2005) observa ainda que, com relação à preocupação com performance, presente nas culturas masculinas, na sociedade brasileira a busca de oportunidades de crescimento para atingir cargos mais altos é atenuada pela ênfase nas relações pessoais e pela importância de um ambiente amigável e cordial entre pessoas” (p. 14-15). Após a exposição de conceitos e aspectos relacionados aos temas centrais deste trabalho, quais sejam internacionalização e controle gerencial, o próximo capítulo será dedicado à descrição efetiva do caso da internacionalização da Caixa Econômica Federal. 32 CAPÍTULO III DESCRIÇÃO DO CASO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Criada em 1861, a Caixa Econômica Federal, maior banco público da América Latina, é o agente responsável pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), pelo Programa de Integração Social (PIS), pelo Seguro-Desemprego, unidades lotéricas, além de ser um referencial, para a população brasileira, da prestação dos serviços de poupança, penhor, crédito educativo, financiamento habitacional e transferência de benefícios sociais como o Bolsa Família. O banco conta com uma ampla rede de atendimento espalhada por todas as regiões brasileiras. Segundo o sítio da empresa, “são mais de 36,2 mil unidades, que chegam a 5 mil e 467 municípios e mais de 6 mil unidades próprias entre agências, postos e salas de atendimento, além de, aproximadamente, 29 mil correspondentes bancários, entre lotéricas e postos CAIXA AQUI”. A CAIXA chega também a regiões de difícil acesso terrestre, como à população da ribeirinha do Rio Solimões (AM), agora atendida por meio da Agência-Barco Chico Mendes. O barco já realizou mais de 10 mil atendimentos e conta com recursos de acessibilidade para pessoas com necessidades especiais ou mobilidade reduzida, bem como idosos e gestantes. Conta, ainda, com separação de lixo para reciclagem e dejetos secos, casco pintado com tinta não poluente e sua própria estação de tratamento de efluentes de esgoto, que permite lançar, no rio, água 100% tratada. 33 Ao longo de sua trajetória, vem se desenvolvendo, diversificando e ampliando suas áreas de atuação, como o apoio a iniciativas artístico-culturais, educacionais e desportivas em todo o país, bem como desbravando novos horizontes, com a inserção de suas atividades no exterior. Segundo determinação do governo federal, o banco estatal incluiu em seu planejamento estratégico a sua expansão para o mercado internacional ao lançar, em 2004, o programa CAIXA Internacional. A captação de recursos no mercado externo inclui o serviço de remessas internacionais, que permite a abertura de contas correntes bancárias pela internet para brasileiros que desejam transferir dinheiro de outro país para familiares e também para formação de poupança. O passo seguinte foi a realização de parcerias com os bancos Citibank N.A., Millennium bcp, Japan Post Bank e Iwata Shinkin Bank instalados nos Estados Unidos, Portugal e Japão, respectivamente. A escolha dos países levou em consideração o número elevado de brasileiros que emigram para esses países em busca de oportunidades de trabalho e de formação de poupança para retornar ao Brasil e adquirir sua casa própria, abrir seu negócio ou mesmo garantir os estudos dos seus filhos. Há, também, a opção de remessa via bancos correspondentes da CAIXA no exterior, todos listados no sítio http://www.caixa.gov.br/caixainternacional, que funciona como uma loja virtual. Para as empresas, a CAIXA foi autorizada, a partir de setembro de 2006, a ampliar suas operações no mercado de câmbio, com linhas de crédito relacionadas à exportação e importação. A intenção do banco era explorar o nicho de mercado das pequenas e médias 34 empresas. Para realizar os financiamentos, a estatal buscaria os recursos necessários no mercado internacional. Outro foco do processo de internacionalização do banco é o papel social da instituição. Em dezembro de 2006, a CAIXA e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) assinaram um convênio para a realização de um programa-piloto que visava atender emigrantes brasileiros e seus familiares residentes no Brasil. O BID, por meio do Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin), iria doar US$ 470 mil para o programa e a CAIXA, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), complementaria o valor do programa, que totalizaria mais de US$ 1 milhão. Pelo convênio firmado, a instituição atuaria como órgão executor, coordenando as atividades de educação financeira do projeto junto a emigrantes de Governador Valadares, residentes em Massachusetts (EUA). O Sebrae também participaria do convênio, oferecendo capacitação empresarial às famílias desses emigrantes, no Brasil. O programa tinha como público-alvo cerca de 10 mil pessoas e como resultado desse trabalho era esperada a abertura de número significativo de empresas, com capacitação empreendedora para seus dirigentes e a consequente geração de emprego e renda no Brasil. O prazo de execução do Programa encerrou em 21/12/2011 e seria prorrogado desde que houvesse concordância expressa entre a CAIXA e o BID. A CAIXA ainda contribui para a sustentabilidade urbanística, social e econômica da Venezuela, apoiando o programa Grande Missão Vivenda (através da construção de três milhões de moradias até 2019) e a instalação de terminais do Banco da Venezuela em áreas periféricas. A seguir, serão vistos os efeitos deste processo de internacionalização sobre o sistema de controle gerencial da empresa. 35 CAPÍTULO IV IMPLICAÇÕES DA INTERNACIONALIZAÇÃO DA CEF SOBRE O SISTEMA DE CONTROLE GERENCIAL DA EMPRESA A estrutura organizacional da Caixa é formada por Unidades de Matriz (Presidência, Vice-Presidências, Auditoria Geral, Auditorias Nacionais, Diretorias Executivas, Gabinete da Presidência, Secretaria Geral, Superintendências Nacionais e Gerências Nacionais) e Unidades de Rede (Centralizadoras Nacionais e Regionais, Gerências e Representação de Filial e as Unidades Bancárias espalhadas por 27 Estados). A matriz, localizada em Brasília, é a responsável pela definição de metas e cabe às Unidades de Negócios e de Rede o estabelecimento de estratégias para o alcance das mesmas. Cada uma destas Unidades possui um gerente, que, por sua vez, dispõe de uma equipe que o auxilia na administração do segmento. Seu Modelo de Gestão está baseado em sete princípios, os quais orientam a empresa a concretizar sua visão de futuro que é: “estar entre os três maiores bancos brasileiros até 2022, mantendo a liderança como agente de políticas públicas”: * Sinergia público/comercial: desempenho financeiro em prol de desenvolvimento econômico e social; * Foco cliente: criação de valor para o cliente como orientador; * Responsabilização: empregados comprometidos com o resultado de suas atividades; * Simplicidade: redução da burocracia, minimizando etapas, interfaces e níveis de aprovação; 36 * Integração: maior colaboração e coordenação entre unidades; * Eficiência: maior atenção à produtividade e controle de custos; e * Escalabilidade: capacidade de absorver crescimento sem inviabilizar o Modelo de Gestão. Nota-se que a instituição tem a consciência e a preocupação em manter o foco no cliente e, para que haja uma fidelização desta parte, o tratamento direcionado a ele deve ser simples (sem burocracia) e com empregados aptos a prestar um atendimento eficiente (comprometimento). Isto é o que se espera de uma empresa do setor de serviços, cuja produção é de bens com características intangíveis e que requerem a presença do cliente no processo. Como parte integrante do processo de implantação do Modelo de Gestão, aconteceu, em julho deste ano, em Brasília, o primeiro workshop “Jornada de Liderança”, que contou com a participação dos diretores executivos. O objetivo da ação foi desenvolver um estilo de líder que priorize o foco no cliente, gestão de talentos, melhoria contínua e inovação. A Jornada de Liderança é resultado da pesquisa de Saúde Organizacional respondida por quase oito mil empregados em novembro de 2012. A pesquisa identificou o tema “liderança” como um dos cinco prioritários a serem trabalhados no contexto da transformação em busca de uma empresa mais sustentável. Por estas iniciativas, pode-se induzir que o tipo de controle da empresa coincide com o controle por resultados, onde as decisões são descentralizadas e os centros de responsabilidade avaliados por resultados. Todavia, como já apontado por Carvalho e Gomes (2007), “o problema deste tipo de controle está em relacionar a motivação dos funcionários nos resultados dos centros de responsabilidade” (p. 7). 37 As metas estabelecidas nem sempre são factíveis, gerando desgaste emocional das equipes e um consequente descontentamento com o gerente e com a empresa, visto que o processo de ascensão profissional na Caixa baseia-se em PSIs (Processos Seletivos Internos), onde o sistema é contestado por muitos como não sendo suficientemente transparente. Com relação às suas atividades no exterior, as decisões são tomadas em conjunto com os parceiros Citibank N.A., Millennium bcp, Japan Post Bank e Iwata Shinkin Bank, decisões estas que envolvem volumes anuais de vendas, mercados, orçamento e investimento por produto, modelo de atendimento, precificação, modelo promocional e modelo de canal. Cabe, ainda, à empresa e aos parceiros monitorarem as operações de remessa, adequar seus processos internos, executar política de prevenção à lavagem de dinheiro, gerenciar os riscos envolvidos, prezar pelo cumprimento das regras pactuadas e comunicar tempestivamente à outra parte toda e qualquer ocorrência que comprometa ou possa vir a comprometer as operações. Qualquer alteração em rotinas e/ou procedimentos operacionais deverão ser notificadas por carta ou mensagem eletrônica com a antecedência necessária à sua implementação e mediante acordo entre ambas as partes. Em razão desta forma associada de trabalho, não se pode enquadrar a Caixa em nenhum dos quatro tipos de empresas internacionalizadas descritas neste estudo, pois ela não exporta nenhum produto, nem centraliza operações em escala global, tampouco reproduz as atividades da empresa matriz em filiais no exterior. Seu modelo de internacionalização encontra-se amparado no primeiro pilar de “Uppsala” que diz que as empresas internacionalizam-se, gradualmente, em pequenos passos. 38 Pode ser que, futuramente, a Caixa venha a se tornar uma empresa multinacional ou transnacional, desde que redefina a sua atuação no mercado internacional. A estrutura do seu sistema de controle assemelha-se a Macintosh (1994), na medida em que trata de assegurar que toda organização se oriente conjuntamente na direção dos objetivos dos membros da alta administração, sendo que ambas devem ser direcionadas para o desempenho e, ainda, a Atkinson (1998), onde as medidas de desempenho estratégico devem proporcionar ações voltadas para a manutenção e melhoria contínua da posição competitiva da organização. Por estar muito envolvida com o mercado interno e com uma atuação internacional ainda pouco desenvolvida, não se verifica nenhuma modificação no sistema de controle da empresa em função do processo de internacionalização. 39 CONCLUSÃO Os resultados obtidos no presente estudo revelam que podem ser diversas as razões que levam uma empresa a inserir-se no mercado internacional. Dentre elas, destacam-se o desejo de crescer e buscar novas oportunidades, a redução da dependência do mercado doméstico, o propósito de acompanhar os concorrentes na sua expansão nos mercados internacionais, marcando presença no mercado global, colocando-se, assim, mais próxima dos clientes e o apoio de programas governamentais de fomento à internacionalização. Foi este apoio governamental que fez com que a Caixa incluísse, em seu planejamento estratégico, a sua expansão para o mercado internacional, com o lançamento do programa CAIXA Internacional em 2004, um sítio voltado aos trabalhadores brasileiros que moram fora do país e desejam fazer remessas de valores ou investir seu dinheiro no Brasil. Os serviços disponibilizados na CAIXA Internacional, aliados às parcerias firmadas com bancos de países com grande número de emigrantes brasileiros como EUA, Japão e Portugal, colaboram para que a Caixa seja reconhecida, em todo o mundo, como provedora de soluções bancárias on-line e agente de inclusão financeira do governo brasileiro. A escolha destes países levou em consideração, como já dito anteriormente, o número elevado de brasileiros que emigram para lá em busca de melhores oportunidades de trabalho. Esta ação demonstra, não somente a preocupação do banco estatal em consolidar o vínculo entre o Brasil e estes países, como também de estar próximo dos brasileiros, motivo pelo qual a CEF é conhecida como “o banco que acredita nas pessoas, onde quer que elas estejam”. Pode-se depreender desta conduta que a sociedade brasileira é, de fato, uma sociedade relacional, preocupada em manter os elos pessoais. 40 O estudo de caso da Caixa Econômica evidencia, por ora, que a empresa continua muito preocupada com o mercado interno. Seu processo de internacionalização pouco evoluiu de 2004 para cá, não chegando a modificar seus sistemas de controle gerencial em função disso. Daí evidenciar-se que o grau de comprometimento da empresa em atuar no exterior é o fator que determina os rumos da internacionalização, bem como modificações nos sistemas de controle gerencial. Como sugestão para novas pesquisas, recomenda-se uma verificação, daqui a alguns anos, deste mesmo caso, de modo a averiguar se houve evolução no quadro de internacionalização da Caixa, bem como alteração em seu sistema de controle de gestão e, ainda, um estudo comparativo da internacionalização da CEF com outros bancos brasileiros, também com atuação no exterior. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMATUCCI, Marcos (organizador). Internacionalização de empresas: teorias, problemas e casos. São Paulo: Atlas, 2009. ANTHONY, Robert N.; GOVINDARAJAN, Vijay. Sistemas de controle gerencial. São Paulo: Atlas, 2002. BARLETT, C. A; GHOSHAL, S. Gerenciando Empresas no Exterior: A Solução Transnacional. São Paulo: Makron Books, 1992. BRASIL, Haroldo Vinagre; ARRUDA, Carlos Alberto (organizadores). Internacionalização de empresas brasileiras. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 1996. CAIXA. Caixa inaugura primeira unidade no exterior. Disponível em: <URL: http://www1.caixa.gov.br/Imprensa/imprensa_release.asp?codigo=6405572&tipo_noticia> Acesso em: 08 Mar 2013. CARVALHO, Giselle da Silva; GOMES, Josir Simeone. Teorias sobre o processo de internacionalização e o controle gerencial em empresas internacionalizadas. Disponível em: <http://www.ifbae.com.br/congresso4/pdf/B170> Acesso em: 07 Mar 2013 FONSECA. Ana Carolina Pimentel Duarte da. Sistemas de Controle gerencial e cultura brasileira: uma análise do modelo de Anthony. Disponível em: <URL: http://www.farejadoc.com/www2/document/?down=309> Acesso em: 08 Mar 2013. FUNDAÇÃO DOM CABRAL. Pesquisa sobre a Internacionalização da Empresa Brasileira. Disponível em: <URL: http://acervo.ci.fdc.org.br/AcervoDigital/Relat%C3%B3rios%20de%20Pesquisa/Relat%C3% B3rios%20de%20Pesquisa%202002/Pesquisa%20sobre%20a%20Internacionaliza%C3%A7 %C3%A3o%20da%20Empresa%20Brasileira%20Sum%C3%A1rio%20Executivo.pdf> Acesso em: 19 Mar 2013. ___________ Ranking das Transnacionais Brasileiras 2012. Disponível em: <http: www.fdc.org.br/pt/.../2012/ranking_transnacionais_brasileiras2012> Acesso em: 19 Mar 2013 GOMES, Josir Simeone; SALAS, Joan M. Amat. Controle de gestão – uma abordagem contextual e organizacional. 3ª ed., São Paulo: Atlas, 2001. MENDES, Daniely Aparecida Polido; SILVA, Carlos Eduardo Vieira da; SILVA, João Alberto da; GOMES, Josir Simeone. Controle gerencial em empresas brasileiras internacionalizadas: o caso do Bob’s. Disponível em: <http: www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnANPAD/...2002/.../CCG354.pdf> Acesso em: 15 Mar 2013. RODRIGUES, Adriano. Um estudo exploratório sobre controle gerencial em empresas brasileiras internacionalizadas do setor de serviços. Disponível em: <http: www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnANPAD/...2005/.../FICB585.pdf> Acesso em: 19 Mar 2013. RODRIGUES, Adriano; GOMES, Josir Simeone. O Sistema de Controle Gerencial de Uma Empresa de Serviços Internacionalizadas: Caso Churrascaria Porcão. Disponível em: < http://www.aedb.br/seget/artigos11/39314361.pdf> Acesso em: 07 Mar 2013. ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTOS 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I – O Conceito de Internacionalização 10 1.1 – Teorias de Negócios Internacionais 11 1.2 – A Internacionalização das Empresas Brasileiras 14 1.3 – Principais Obstáculos à Internacionalização 17 CAPÍTULO II – O Controle Gerencial 21 2.1 – Principais Abordagens sobre Controle Gerencial 23 2.2 – Tipos de Controle Organizacional 25 2.3 – A Influência da Cultura nas Práticas Gerenciais 27 2.4 – A Cultura Brasileira 28 CAPÍTULO III – Descrição do Caso de Internacionalização da Caixa Econômica Federal 32 CAPÍTULO IV – Implicações da Internacionalização da CEF sobre o Sistema de Controle Gerencial da Empresa 35 CONCLUSÃO 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 41 ÍNDICE 43