Área Temática
Estratégia Internacional
# ID 1633
A DISTÂNCIA PSÍQUICA NO PROCESSO DE
INTERNACIONALIZAÇÃO DE UMA EMPRESA NA ÍNDIA
Sonia Rosa Arbues Decoster
Universidade de São Paulo (FEA/USP)
Área 2 – Estratégia Internacional
A
DISTÂNCIA
PSÍQUICA
NO
PROCESSO
INTERNACIONALIZAÇÃO DE UMA EMPRESA NA ÍNDIA
DE
RESUMO
A discussão em torno do tema da globalização se intensificou no século XXI. No ambiente
acirrado e competitivo das organizações, a internacionalização passou a ser mais uma
necessidade e estratégia do que uma exceção na sobrevivência. Com a maior integração
propiciada pela globalização há uma intensificação dos relacionamentos sociais em escala
mundial e, neste sentido, o impacto de vários fatores no processo da internacionalização
passou a exibir um papel preponderante. Em pleno desenvolvimento global, ao se comparar
empresas ocidentais e as asiáticas, não se pode ignorar a diversidade do ponto de vista
cultural, político e econômico. Em um contexto multicultural os conflitos surgem em virtude
das distintas visões de relevância, aplicabilidade e valores, portanto este artigo tem como
objetivo investigar como a questão relativa à distância psíquica na Ásia, e em particular a do
contexto da Índia, pode interferir na internacionalização de empresas ocidentais. Utilizando os
Modelos de Uppsala, de Ghemawat, de Distância Psíquica Revista de Smith et al. e as
dimensões culturais de Hofstede, a proposta do artigo de caráter exploratório pretende ampliar
os conhecimentos pertinentes por meio do método de estudo de caso tendo como foco a
Unidade de Negócios de Sistemas de Suspensão da empresa Magneti Marelli.
Palavras- chave: Internacionalização. distância psíquica. ÍNDIA.
1 INTRODUÇÃO
A internacionalização passou a ser estratégia com relevante destaque no processo do
desenvolvimento competitivo para as empresas de economias emergentes, e nesse contexto, a
crescente necessidade de pessoas com habilidades culturais distintas tem se revelado uma das
consequências do mundo globalizado (GASPAY et al., 2008), demonstrando ser urgente e
necessária a cooperação para se alcançar objetivos práticos sem requerer a todos que venham
a pensar e agir de maneira idêntica.
Segundo Cavusgil et al. (2010), os mercados emergentes são países como Brasil,
China, Índia, México e Turquia que passam por rápido crescimento econômico,
industrialização e modernização e que, apesar de serem mercados atrativos, apresentam uma
tendência de fornecer uma infraestrutura comercial inadequada, sistemas judiciários em
formação e um ambiente de alto risco para negócios. Entretanto, enfatizam que apesar dessas
desvantagens, os mercados emergentes produzem novos desafiantes globais com o intuito de
competir no mercado internacional.
Considerando que os aspectos culturais, econômicos, políticos podem se apresentar
diferentemente em função de considerações organizacionais e valores peculiares relativos ao
contexto das distâncias culturais, econômicas, políticas dos diferentes países, este estudo tem
como objetivo avaliar a influência das dimensões da abordagem da distância psíquica,
também chamada de distância física, no processo de internacionalização das organizações por
meio de um estudo de caso da internacionalização de uma Unidade de Negócios de uma
empresa na Índia, tendo como pressupostos que a importância do país não pode ser
desprezada e que a literatura especializada visualiza a internacionalização em diferentes
mercados como um processo evolutivo e não homogêneo. A aquisição de conhecimentos e
experiências nesses mercados acarreta inúmeras implicações, que podem auxiliar como
indicadores de sucesso em um processo de internacionalização.
O texto está dividido em cinco seções, incluindo essa introdução. Na próxima seção
é apresentado o referencial teórico. Na terceira seção, a metodologia de pesquisa é detalhada e
na quarta seção, a análise e discussão dos resultados. As conclusões são explicitadas na
quinta.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Várias são as teorias utilizadas na interpretação do processo de internacionalização,
dentre as quais as maiores representantes são: a teoria do ciclo de vida do produto (VERNON,
1966), a teoria dos custos de transação (WILLIAMSON, 1975), a teoria da internalização
(BUCKLEY & CASSON, 1998), o Paradigma Eclético (DUNNING, 2001); a do gradualismo
e a distância psíquica da Escola Uppsala (JOHANSON & VAHLNE, 1977), o das redes de
relacionamentos (JOHANSON & MATTSSON, 1987), e a Teoria dos Recursos – RBV
(BARNEY, 1991).
Com o intuito de mostrar o rumo da pesquisa nos Negócios Internacionais, Griffith et
al. (2008) mostram que uma série de artigos no Journal of International Business no período
de 1996 a 2006 exploram o desenvolvimento dos Negócios Internacionais como disciplina
acadêmica e que, na segunda metade correspondente ao período de 2001-2006, um dos dois
artigos mais citados é o trabalho de Shenkar (2001), o qual define e mensura a distância
cultural com 50 citações. Apesar da ênfase colocada nesse tema no período, os autores
argumentam que ainda aspectos relevantes desse tema de pesquisa podem ser estudados
profundamente.
Tendo em vista que a distância cultural é uma das dimensões básicas do construto de
distância psíquica e que por sua vez, que a visão partilhada pelos autores da Escola de
Uppsala e seus seguidores (Johanson e Wiedersheim-Paul, 1975; Nordström e Vahlne,
1994) com relação a esse construto consistiria de uma medida agregada dos fatores de
diferença entre o país de origem e o país estrangeiro, este artigo apresenta como abordagem,
além do Modelo de Uppsala, os modelos de Ghemawat, de Distância Psíquica Revista de
Smith et al. e as dimensões culturais de Hofstede.
2.1 Modelos de Uppsala, Ghemawat e Smith et al.
O Modelo de Uppsalla apresenta essa denominação por ter sido desenvolvido na
Universidade de Uppsala pelos professores Johanson e Wiedersheim- Paul (1975), e
posteriormente por Johanson e Vahlne (1977, 1990) ao estudarem o comportamento das
empresas suecas no processo de internacionalização. O modelo considera que a tomada de
decisão da organização de se internacionalizar é consequência de um processo de
aprendizagem de forma gradual.
Conforme Ferreira, Oliveira Jr e Gião (2010), os pesquisadores de Uppsala tomaram
como base a teoria da firma, e evidenciaram que o limite de crescimento da firma se daria
pela avaliação de recursos e conhecimento disponível. A empresa expande seu
comprometimento com outros mercados internacionais com base nesse aprendizado e
experiência, sendo que a esse processo de expansão os professores denominaram de cadeia de
estabelecimento, a qual seria o investimento de recursos numa lógica de estágios, que
Andersen (1993) apud (1993) Ferreira, Oliveira Jr e Gião (2010) relaciona como: exportação
por intermédio de representantes (agentes); estabelecimento de uma subsidiária no exterior e a
instalação no exterior de unidade de produção, podendo ser própria ou na forma de joint
venture.
O ponto central do modelo de Uppsala é a distância psíquica, também chamada de
distância física, a qual evidencia a importância dos aspectos culturais, tais como: a diferença
entre as línguas, educação, cultura, bem como práticas de negócios, desenvolvimento
industrial, e do fluxo comércio entre países (OLIVEIRA, VASCONCELLOS; 2008). Como
pode se depreender do supracitado, o conceito de distância psíquica ou física vem da
necessidade do gradual conhecimento e da aprendizagem resultante do processo de
internacionalização, e que dependendo do grau dessa distância pode ocorrer uma interferência
no fluxo de informações entre países e novos mercados.
Posteriormente, a escola de pensamento da Teoria de Uppsala originou várias
críticas, desde alegações de que o modelo não relaciona adequadamente a distância psíquica e
os níveis da organização, da empresa e da nação (Anderson, 1993; Clark & Pugh, 2001;
Langhoff, 1997; Petersen & Pedersen, 1997 apud SMITH et al., 2011), até que a noção da
cadeia de estabelecimento, a qual é uma representação do gradualismo do modelo, seria
considerada muito determinista, levando a crer que a empresa pode seguir trajetórias distintas
no mercado internacional (REZENDE, 2010).
Deste modo, pesquisas realizadas focando o aspecto cultural da distância psíquica
passaram a apresentar falhas no suporte ao modelo de estágios de internacionalização,
sugerindo que outras considerações mais economicamente “racionais” podem ter maior poder
explanatório (CHILD, RODRIGUES; 2010). Com base nessa linha de raciocínio, a literatura
especializada passa a salientar que o conceito vai além das diferenças culturais, podendo ser
administrativo, político e econômico, e afetando de diversas maneiras a forma de se fazer
negócios (GHEMAWAT, 2001; MURITIBA et al., 2010). Cinco aspectos foram destacados
na formação do construto de distância psíquica por parte de Klein e Roth (1990): linguagem
do país, práticas de negócios vigentes, ambiente econômico, sistema político-legal e
infraestrutura de comunicação. Já o Modelo de Ghemawat (2001) considera a distância
psíquica composta de quatro tipos de distâncias, compreendendo as seguintes dimensões
conforme relacionado a seguir: 1) distância cultural: idioma, religião e cultura; 2) distância
econômica: desenvolvimento industrial; 3)distância administrativa: sistemas político e
educacional e 4) distância geográfica.
A evolução da escola de pensamento da Teoria de Uppsala passa também a
incorporar o papel do empreendedor no processo de internacionalização da empresa, o qual é
desempenhado pelos executivos-chave que têm a responsabilidade de ligar os conceitos
macroestruturais, os de abertura de novos mercados, bem como os processos internos da
empresa, tais como; introdução de novos produtos, novos métodos de produção e a
reorganização da empresa (OLIVEIRA et al., 2010). Esses indivíduos de dentro da
organização, particularmente aqueles responsáveis pela gestão, são considerados de suma
importância no dimensionamento da distância psíquica, dado que são esses elementos que
decidem como essas empresas devem internacionalizar. O efeito que a distância psíquica tem
em suas decisões é de relevante importância para a compreensão do comportamento do
processo de internacionalização (SMITH et al., 2011).
Sendo assim, tendo como base o pressuposto na literatura a respeito do entendimento
da distância psíquica e as críticas feitas ao modelo, Smith et al. (2011) elaboraram um modelo
conceitual que leva em conta os níveis individual e nacional determinantes da distância
psíquica que são interligados pelo fluxo das informações de uma variada gama de fontes, e a
perspectiva de análise da distância psíquica que os indivíduos responsáveis pela gestão da
empresa desenvolvem em relação a um particular mercado estrangeiro.
Nível Nacional
Diferenças em:
Cultura, níveis
educacionais,
idioma,
desenvolvimento
industrial,
sistemas
políticos,
religião, fuso
horário,etc
Nível Individual
Organização
Características Objetivas:
Experiência Internacional
Background Cultural
Educação
Domínio de Idiomas
Fluxo da
Informação
Mídia
Rede de
contatos
Diferenças
nas
Internet
Recebidas
Varia entre
os
Indivíduos
Informações
Outras fontes
Distância
Psíquica
Avaliação
Das
Informações
Recebidas
Percepção
resultante da
dificuldade de
operação
Comportamento
Organizacional
Distância
Psíquica
percebida pelos
gestores pode
impactar a
decisão de
Internacionalização e outras
operações
Características Subjetivas:
Natureza Conservativa
Tolerância ao Risco
Flexibilidade
Valores de Conformidade, de
Tradição, Segurança
Figura 1. Modelo proposto por Smith et al.(2011)
2.2 Cultura e o Modelo de Hofstede
Geertz (1973), antropólogo, define cultura como “um padrão de significados
incorporado em símbolos historicamente transmitido, um sistema de concepções herdado e
expresso em formas simbólicas por meio do qual os indivíduos se comunicam, perpetuam e
desenvolvem seu conhecimento sobre atitudes em relação à vida”. Para Triandis (1972) apud
Karahana et al (2005), cultura é definida como “ a maneira característica de perceber o
homem como parte de seu ambiente, sendo que isto envolve a percepção de regras, normas,
papéis e valores influenciada por vários níveis de cultura tais como gênero, raça, religião,
local de residência e ocupação influenciando o comportamento interpessoal”. O
comportamento é influenciado por diferentes níveis de cultura, desde o individual em termos
regional, étnico, religioso, ou ainda lingüístico até o nacional, profissional, e organizacional
no nível coletivo (KARAHANNA et al, 2005).
No âmbito organizacional, cultura pode ser analisada em diferentes níveis, tais como
os visíveis artefatos, o ambiente da organização, sua arquitetura, a tecnologia, forma de se
vestir, modelo visível de comportamento, etc., ou seja, pode se descrever como se constrói o
ambiente e quais são os modelos de comportamento distintos entre os membros, mas
normalmente não se pode entender a lógica latente de porque um grupo se comporta daquela
maneira. Para isto ser analisado, constantemente fixa-se nos valores que direcionam o seu
comportamento e a compreensão da cultura de dado grupo requer um tempo extenso de
imersão para ser detalhado em profundidade (SCHEIN, 1984).
Uma maneira de determinar de que forma a cultura influencia o comportamento é
examinar o sistema de valores das pessoas (MUNENE et al, 2000). Schwartz (2005) enfatiza
“quando pensamos em nossos valores, pensamos no que é importante em nossas vidas”. No
nível individual, os valores são objetivos que nos direcionam e ajudam a descrever as
diferenças individuais nas atitudes e comportamento, e são adquiridos por meio de
experiências individuais e socialização. No nível nacional, valores são metas compartilhadas
por nações, religiões e grupos étnicos, geram padrões ou ideais que regulam as maneiras que
eles lidam com os desafios da vida. Em uma organização, os valores culturais servem de base
às regras que determinam quem está qualificado para decidir, que ações são permitidas ou
restringidas, que procedimentos devem ser seguidos. Sendo assim, os valores culturais são
expressos de forma que as instituições funcionem e na justificativa que os líderes e membros
das organizações forneçam para os seus comportamentos (MUNENE et al, 2000).
Diferentes nações possuem diferentes instituições tais como: governos, leis, sistemas
legais, associações, empresas, comunidades religiosas, sistemas escolares e estruturas
familiares. Daí, que surge a crença de que há verdadeiras razões para diferentes formas de
pensar, de sentir e de agir entre as nações. A literatura de Administração faz referência ao
gerenciamento ou liderança da cultura nacional e, portanto, como os gerentes ou líderes, bem
como todos aqueles que são empregados em uma organização são componentes de sociedades
nacionais, a busca do entendimento de seus comportamentos levará, por conseguinte, ao
entendimento de suas respectivas nações (HOFSTEDE; HOFSTEDE, 2005). A conceituação
mais popular de cultura nacional tem sido a de Geert Hofstede (2005) descrita por meio de
uma taxonomia original de dimensões (vide quadro 1).
Quadro 1: Cinco Dimensões de Cultura de Hofstede
Dimensão Cultural
Definição
Distância do Poder é a medida do grau de aceitação, por aqueles que têm
Distância Hierárquica
menos poder nas instituições e organizações de um país, de uma repartição
desigual de poder
O grau de controle de incerteza de um país mede o grau de inquietude dos
Controle da Incerteza
seus habitantes face às situações desconhecidas ou incertas.
Individualismo caracteriza as sociedades nas quais os laços entre os
Individualismo X
indivíduos são pouco firmes, cada um deve ocupar-se de si mesmo e da sua
Coletivismo
família mais próxima. Coletivismo, pelo contrário, caracteriza as
sociedades nas quais as pessoas são integradas, desde o nascimento, em
grupos fortes e coesos, que as protegem para toda a vida em troca de uma
lealdade inquestionável.
A sociedade é chamada masculina quando os papéis são nitidamente
Masculinidade X
diferenciados; supõe-se que o homem seja assertivo, forte e concentrado
Feminilidade
no sucesso material, enquanto a feminina é aquela onde os papéis sociais
dos sexos se sobrepõem.
Orientação de longo prazo é relativo à promoção de virtudes orientadas na
Orientação de Curto
direção de futuras recompensas, em particular perseverança. Orientação de
Prazo X Orientação de
curto prazo é relativa à promoção de virtudes relacionadas ao presente e ao
Longo Prazo
passado, em particular, respeito à tradição, proteção da dignidade e
cumprimento de obrigações sociais.
Fonte: (HOFSTEDE; HOFSTEDE, 2005)
Na essência, ser uma organização global implica ter uma cultura corporativa
universal. Se a multinacional está se tornando uma verdadeira organização global, os valores
individuais distintos vindos de várias regiões geográficas de uma corporação multinacional
devem convergir e serem integrados dentro um grupo comum de valores que buscam a
criação de uma cultura corporativa universal (RALSTON et al, 2008).
3 METODOLOGIA
A abordagem da pesquisa adotada neste estudo é a qualitativa, a qual é constituída de
duas fases. A primeira exploratória consiste no aprofundamento do levantamento da literatura
existente (PATTON, 2002) com o intuito de ampliar o entendimento do processo de
internacionalização de empresas por meio dos construtos de distância psíquica e de cultura
nacional. A estratégia de pesquisa na segunda fase é o estudo de caso único (YIN, 1989) por
meio do uso de bases teóricas e o desenvolvimento de uma descrição do caso, o qual acomoda
várias técnicas de coleta de dados, dentre os quais, entrevistas pessoais semiestruturadas
procurando captar em profundidade a perspectiva dos atores que estão sendo pesquisados
(FISH, 1990), dados históricos e observações (EISENHARDT, 1989) que permitem
fundamentar a análise na questão de pesquisa e nas dimensões importantes contidas.
Apesar do entendimento comum de que um estudo de caso único não pode fornecer
informações confiáveis para generalização, este método é ideal como estratégia de pesquisa
que possibilita maior profundidade de análise, o que pode evidenciar características especiais
de modo que há crescente literatura que evidencia o valor do estudo de caso único (DYER;
WILKINS, 1991; LANGLEY, 1999). Para corroborar com esta justificativa, Stake (1988)
afirma que a generalização de resultados perseguida por estudo de casos múltiplos não
necessita ser a tônica em todas as pesquisas.
Foram realizadas entrevistas semiestruturadas em profundidade com executivos da
empresa no período de maio a julho de 2011, baseadas em um roteiro com questões abertas e
paralelamente foram coletados documentos fornecidos pela organização, bem como a
ocorrência de troca de e-mails com informações de esclarecimento. Como técnica de análise
das entrevistas gravadas utilizou-se a Análise de Conteúdo, cujo principal objetivo é
promover uma categorização dos elementos do texto de maneira sistemática e objetiva, para
formar uma compreensão dos significados e interpretações no discurso (BARDIN, 1977), e
isto foi feito de acordo com o potencial de explicação de cada uma das dimensões
preponderantes da distância psíquica nos modelos de Uppsala, Ghemawat, Hofstede e Smith
et al.
Tendo em vista a abordagem qualitativa do estudo optou-se por não medir a frequência
dos elementos, de forma que a análise de conteúdo concentrou-se nas características da
mensagem propriamente dita, em seu valor informacional, nas palavras, argumentos e ideias
expressos no que se convenciona chamar de análise temática (MORAES, 1999).
3.1 Modelo de Pesquisa
O modelo de pesquisa deste estudo surge a partir de uma adaptação do modelo
conceitual de Smith et al. (2011) , que tendo como base o pressuposto na literatura a respeito
do entendimento da distância psíquica e as críticas feitas ao modelo de Uppsala, elaboraram
um modelo que leva em conta os níveis individual e nacional determinantes da distância
psíquica que são interligados pelo fluxo das informações de uma variada gama de fontes. O
modelo deste estudo inicia no Modelo de Uppsala que considera como forma de
internacionalização o processo de aprendizagem de forma gradual denominado cadeia de
estabelecimento e pela distância Psíquica a qual evidencia a importância dos aspectos
culturais. Esta conduz ao Modelo de Ghemawat (2001), a qual considera a distância psíquica
composta de quatro tipos de distâncias: cultural, econômica, administrativa e a geográfica.
Para análise da dimensão cultural, o Modelo de Hofstede (2005) é utilizado.
Quanto ao nível individual, o modelo incorpora esta questão oriunda de Smith et al.
(2011) que apresenta o papel do empreendedor no processo de internacionalização da
empresa, o qual é desempenhado pelos executivos-chave responsáveis pela gestão da empresa
e sua perspectiva de análise da distância psíquica que desenvolvem em relação a um particular
mercado estrangeiro por meio de suas características objetivas e subjetivas.
Nível Nacional
Nível Individual
Figura 2: Adaptação do Modelo de Smith et al (2011) com a inclusão dos Modelos de Uppsala e Ghemawat
3.2 O Caso Magneti Marelli “COFAP”
A empresa pesquisada é a Magneti Marelli, que segundo análise dos modelos
genéricos de internacionalização de empresas de BARTLETT & GHOSHAL (1992), é
definida como internacional, por contar com “subsidiárias em diversos países, onde muito dos
recursos, bens, responsabilidades e decisões são descentralizadas e outros ficam sob o
controle da matriz. A matriz considera as operações no exterior como extensões suas, mas
como sua transferência e com possibilidades de adaptação local.” Inicialmente é apresentado
o histórico da empresa por meio de informações coletadas do site corporativo, documentos
fornecidos e entrevistas realizadas com o executivo envolvido no processo de
internacionalização da organização. A próxima etapa será utilizar os modelos teóricos
supracitados, mediante essas informações, para analisar a veracidade das hipóteses e
apresentar os resultados.
A empresa brasileira Cofap foi fundada em 1951, pelo empresário Abraham Kasinski
e em 1997 foi adquirida pelo Grupo Italiano Magneti Marelli. A empresa mudou de razão
social, mas a marca Cofap permaneceu como nome do produto. Atualmente a Magneti Marelli
“Cofap” pertence à Unidade de Negócios de Sistemas de Suspensão, a qual produz
amortecedores, molas a gás, peças sinterizadas e camisas de cilindro para blocos de alumínio.
As plantas produtivas no Brasil estão localizadas em Mauá (SP) e Lavras (MG) e os
respectivos centros de pesquisa e desenvolvimento se encontram em Mauá (SP) e na Itália. A
Magneti Marelli foi fundada em 1919 em Milão – Itália, e tem como grupo controlador o
Grupo Fiat. É um dos maiores fornecedores de componentes automotivos globais e líder no
desenvolvimento e manufatura de sistemas e componentes de alto conteúdo tecnológico. A
Magneti Marelli Cofap é a marca de amortecedores líder de mercado no Brasil e, segundo
pesquisa realizada pelo Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do
Estado de São Paulo, recebeu o Prêmio Sindirepa/SP de “Os Melhores do Ano 2012” nas
categorias: Sistemas de Suspensão e Componentes de Suspensão.
3.2.1 O Processo de Internacionalização
Em 2007/2008 foi realizado um estudo de “Reflexão Estratégica”, onde se
determinou que o caminho para a internacionalização deveria ser percorrido por algumas
divisões da empresa. O objetivo era acompanhar a tendência de globalização do mercado
automotivo mundial. Com base neste estudo, a divisão de Sistemas de Suspensão deveria
iniciar prospecções no mercado mundial com o intuito de procurar parceiros em mercados
emergentes e alguns pontos estratégicos deveriam ser definidos: 1)Prever a presença no
mercado asiático emergente através de associações com parceiros que já estão presentes no
mercado; 2)Eliminar o “gap” tecnológico e expandir a carteira de produtos; 3) Garantir a
presença de amortecedores em todos os escritórios comerciais da Magneti Marelli instalados
nos centros de decisão dos clientes e abrir onde for necessário; 4) Focalizar a força de vendas
em clientes com maior crescimento em volume e rentabilidade (fabricantes de automóveis
japoneses e coreanos); e 5) aumentar a base de fornecedores em nível mundial.
Em virtude da escolha de país para se iniciar o processo de internacionalização da
Unidade de Negócios Sistemas de Suspensão da Magneti Marelli “Cofap” em 2008 ter sido a
Índia, faz-se relevante apontar as dimensões das distâncias cultural, econômica e política entre
esse país e o Brasil, segundo o Modelo de Ghemawat (2001).
Quadro 2: Comparativo Índia X Brasil - Distâncias segundo Modelo de Ghemawat(2001) e de Hofstede
Distância
Cultural
- Idioma
- Religião
- Cultura
Índia
Brasil
diversidade linguística, com híndi, inglês e mais
21 línguas nacionais
- diversidade de religiões (Hinduísmo,
Budismo, Jainismo e Sikhismo, Zoroastrismo, o
Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo
- grande profundidade na questão da
espiritualidade (meditação e Yoga)
Português
-comportamento direcionado por costumes e
rituais transmitidos de geração a geração
- 73,57% da população segue o catolicismo romano; 15,41%
o protestantismo; 1,33% espiritismo kardexista, 1,22%
outras denominações cristãs; 0,31% religiões afrobrasileiras; 0,13% o budismo, 0,05% o judaísmo, 0,02% o
islamismo; 0,01% religiões ameríndias; 0,59% de outras
religiões, não declarado ou indeterminado, enquanto de
7,35% não tem religião (Censo 2000)
Cultura fortemente influenciada por tradições e culturas
africanas, indígenas e européias não-portuguesas, uma das
-país rico em sinais e símbolos
--Dimensões
Hofstede
Distância
Econômica
Distância
Administrativa
- Sistema
Político
- Educação
Distância
Geográfica
A dimensão de distância hierárquica é a que apresenta
o maior índice com um ranking de 77 comparado com a
média mundial de 56,5. Isto indica um alto nível de
desigualdade de poder e riqueza dentro da sociedade.
A sociedade Indiana é identificada como coletivista,
onde os indivíduos vêem a si mesmos como parte
integrante de um grupo, tais como a família e
trabalhadores, criando uma identidade coletiva.
O menor índice é reservado à dimensão de Controle
da Incerteza, com ranking de 40 comparado com a
média mundial de 65. Significa que a cultura pode ser
mais aberta para idéias e situações desestruturadas, e
que a população pode ter poucas regras e regulamentos
para situações inesperadas.
nações mais multiculturais e etnicamente diversas do
planeta.
Dentre as dimensões de Hofstede, o Brasil apresenta o
maior índice para a de controle da incerteza, com 76,
indicando que a sociedade possui baixa tolerância para a
incerteza. E para reduzir esse nível de incerteza, regras
rígidas, leis, políticas e regulamentos são adotados e
implementados.
O índice reservado ao Individualismo é ligeiramente mais
alto comparado com outros países da América Latina (21).
Entretanto, os países latinos são considerados coletivistas
quando comparados com as culturas individualistas.
- 10º economia industrializada;
- 3ª maior economia do mundo em paridade de
poder de compra e 10a em PIB nominal
Sistema de telecomunicações é o 3º maior do
mundo e o 2º entre os países emergentes;
-FDI (Foreign direct Investment)= U$ 11,2
bilhões(1os. 6 meses em 2007-08) em atividades
: serviços financeiros, produção (crescimento de
9,1 % no período de 2007-2008 e foi o maior),
serviços de TI e construção; pelos dados da
UNCTAD o fluxo foi de U$ 10,4 bilhões em
2012.
-PIB per capita US$ 1499 (Banco Mundial em
2013); ;
População- 1 210 193 422 hab.(estimativa de
2011)
-7ª maior economia do mundo por PIB nominal (relatório do
FMI de 2013) e 2ª. do continente americano;
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – 79o.
-FDI - USD 65 bilhões em 2012 pela OECD
-PIB por setor: agricultura: 5,5% indústria: 28,7% serviços:
65,8% (2007);
- força nos commodities e mercadorias de exportação como
carne e soja
-Potência mundial em recursos naturais, tais como petróleo
e gás natural;
-Indústria de automóveis, aço, petroquímica, computadores,
aeronaves e bens de consumo duráveis – 30,8% do PIB
- PIB per capita US$ 11208 (Banco Mundial em 2013);
População – 190.732.694( Censo de 2010)
201.032714 (estimativa de 2013)
-59 anos de independência do Reino Unido
- república com sistema de democracia
parlamentar
-índice de 75% de alfabetização
Presidencialista
País da Ásia Meridional, 7º. Maior país em área
geográfica, 2º país mais populoso do mundo.
- índice de alfabetização de 91, 3% (Dados da Unesco em
2012)
Maior país da América do Sul, 5º maior país do mundo em
área territorial.
Fontes: Wikipedia, Consulado da Índia, >, Geert Hofstede <http://www.geerthofstede.nl/index.aspx>. IBGE,
FMI (Fundo Monetário Internacional),
Banco Mundial e OECD (Organização para a Cooperação
Desenvolvimento Econômico).
e
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
A análise do estudo de caso, mediante os documentos fornecidos, pelas informações
encontradas no site da Magneti Marelli, e por fim, pela entrevista realizada com o executivo
diretamente envolvido no processo de internacionalização, permitiu levar às proposições
oriundas de questões pertinentes ao Modelo Conceitual conforme relacionado a seguir:
4.1 Quanto ao processo de cadeia de estabelecimento
O comprometimento e gradualismo do Modelo de Uppsala é verificado pelo caminho
selecionado para entrada no mercado internacional, o qual se deu por meio de uma Joint
Venture e o país escolhido foi a Índia. A identificação do sócio levou dez meses, e dentre três
parceiros pré-selecionados (“Escort, Lumax e Endurance”) optou-se pela “Endurance”, com
participação acionária de 50/50% e a implantação da fábrica ocorreu em um ano e meio. A
localização da planta produtiva, denominada Magneti Marelli Endurance foi em Pune, um
cluster onde se concentra a indústria automotiva, contando com 250 empregados, e atendendo
basicamente a demanda local.
Conforme exposto na entrevista “a empresa na Índia já fazia o mesmo produto com
uma aplicação diferenciada, para veículos de duas e três rodas. Já conhecia a função, o
produto ou atividade, o que é um facilitador, porém o grau de conhecimento é inferior ao
nosso, em um nível básico, até rudimentar e por essa mesma razão não atendia o mercado.
Estavam ávidos em receber um “know how” vindo de fora, e o mercado tinha uma
necessidade premente de um fornecedor no nosso nível.”
A experiência gradual também se faz presente com a seguinte informação “Na
maioria das vezes escolhemos uma parceria através da “joint-venture”, porém o processo
pode ocorrer inicialmente com a instalação de escritórios que fazem a representação”.
Estas declarações levam à seguinte proposição:
P1. O processo da cadeia de estabelecimento se dá por meio de estágios de
aprendizado e experiência gradual contribuindo para facilitar o processo de
internacionalização no que diz respeito à distância psíquica.
4.2 Quanto à dimensão da distância cultural
Ao se analisar as características culturais, uma grande distância é constatada. Por
exemplo, segundo Hofstede e Hofstede (2005), enquanto a sociedade indiana é coletivista, o
Brasil apresenta uma tendência ao individualismo, e da mesma forma quando o Brasil revela
baixa tolerância a eventos ou situações incertas, a sociedade indiana demonstra que a cultura
pode ser mais aberta para idéias e situações desestruturadas. Entretanto, o grande
distanciamento revelado por meio da diversidade lingüística, bem como das diversidades
religiosa e espiritual, não foram fatores impeditivos na escolha da Índia e essa análise é
corroborada pelas afirmações descritas a seguir:
“Os indianos são imediatistas, não planejam nada, não conseguem fazer um plano de
ação, não seguem regras. A Índia é aberta a idéias não estruturadas.”
“O fator decisivo para a escolha do processo de internacionalização ter recaído na
Índia é que esse é um país que está crescendo a patamares similares aos da China, e apesar
da mão de obra barata, na realidade, o custo de se produzir na Índia é muito baixo devido à
parcela de material envolvido ser na ordem de 70% e também devido à infraestrutura
existente”
“A nossa matriz determina a compra de uma empresa em um país devido à montadora
já se encontrar lá. Na maioria das vezes, a entrada no país acontece associada com a entrada
da Fiat, mas também pode acontecer por causa de outro cliente, outra montadora, por
exemplo, a Renault na Rússia.”
“Aqui (Brasil) passa a ser inviável produzir devido à taxa de câmbio e ao custo país.
Investir em outros mercados, e neste caso, sendo na Índia, é pagar o custo do local. É retorno
sobre o investimento e com o fator adicional de que atendemos a Fiat que já se encontra lá.”
As evidências relatadas na literatura de que a escolha dos mercados a serem atendidos
seria pautada pela percepção de distância cultural, iniciando-se a ação internacional pelos
mercados culturalmente mais próximos não são constatadas na empresa estudada, levando à
seguinte proposição:
P2. No processo de internacionalização, nem sempre o principal fator a ser
considerado é a distância cultural
Convém salientar que Hofstede, em sua pesquisa na Índia, obteve altos índices em
distância hierárquica, os quais sugerem uma tendência de visualizar figuras com autoridade
inquestionável dentro do sistema. Situação similar ocorre com a dimensão de coletivismo,
pelo fato de que a família apresenta um papel vital em tudo. O papel do patriarca é crucial na
sociedade indiana.
A existência do respeito à hierarquia e ao trabalho em equipe é evidenciado no relato
abaixo:
“Realmente, isso acontece em termos nacionais e as organizações são subservientes,
os indivíduos são parcimoniosos devido à relação com a religião e a espiritualidade. Por
outro lado, não são conformistas às regras governamentais, e existe muito conflito nessa
questão. Talvez devido ao acesso às propagandas, às influências ocidentais. Sistema político
com 1º. Ministro e um governo de coalisão, porém com muita instabilidade, sendo um país
com diferenças sociais muito grandes.”
“Existem muitas influências das castas, da posição social. Existe o respeito às
pessoas mais velhas, quem mora na posição melhor da casa é o irmão mais velho,
obedecendo a uma ordem cronológica na família.”
P3. O alto índice das dimensões culturais nacionais (Índia) de Hofstede referente à
distância hierárquica e ao coletivismo pode facilitar o processo de internacionalização no
que diz respeito à distância psíquica.
4.3 Quanto ao papel do gestor no processo de internacionalização da empresa
“A matriz na Itália possui uma estrutura comercial para isso, tem o que chamamos
de “Homem-País”, que seria aquele elemento que faz a prospecção de mercado, o qual é
uma espécie de porta-voz da empresa. Homem de confiança que aparece na mídia, que faz o
primeiro relacionamento, que representa a empresa na Embaixada, contata a Presidência do
país em questão. Ele é responsável por desenvolver novos negócios.”
“Ao chegar ao país, contato o “Homem- País”. Ele conhece o potencial do país
envolvido. Ele deixa uma coisa pré-selecionada. Eu sou responsável pela transferência da
tecnologia, colho as informações, verifico quem são clientes, analiso a demanda, visito as
instalações, vejo se tem acordo firmado, não posso tocar nada sem acordo, tenho um
caminho a ser seguido, e sou eu que me relaciono.”
“Participo na montagem da equipe, apesar de não ser essa a minha responsabilidade.
Sou responsável pelo dimensionamento da planta produtiva. Tudo começou no final de 2008.
Incorporei métodos de produção similares aos existentes do Brasil, fazendo adaptações
devido ao produto indiano. Localmente, a estrutura é montada pelos indianos. As partes da
tecnologia e financeira são minhas. A ideia é fazer uma simbiose.”
“Eu tenho que fazer o papel de desbravador, preparar o time daqui (Brasil) para dar
assistência ao país.”
As afirmações supracitadas conduzem à seguinte proposição:
P4. Um nível maior de informação a respeito do país apresentado pelos indivíduoschave responsáveis pela internacionalização, bem como da perspectiva de análise
desenvolvida sobre a distância psíquica pode facilitar o processo.
Pelas informações reveladas na entrevista, o nível de experiência individual, o
domínio de línguas estrangeiras (inglês e italiano), bem como a nacionalidade brasileira
multicultural como ponto inicial para o estabelecimento do background cultural são as
características objetivas apresentadas pelo executivo-chave no processo de
internacionalização. Da mesma forma, as características subjetivas, evidenciadas pela
tolerância ao risco, pela flexibilidade e pelo respeito à cultura indiana são aqui explicitadas:
“Procuramos nos adaptar aos costumes e rituais, bem como respeitar as tradições
indianas porque afinal quem está lá no dia a dia são trabalhadores indianos.”
“Não existe preconceito de qualquer natureza, ou seja, de raça, cor, etnia, religião ou sexo.”
“Quanto ao risco, trabalhamos para ser baixo, porque procuramos nos precaver,
porém se o retorno do investimento do capital não acontecer, desistimos do negócio.”
A influência positiva das características objetivas e subjetivas apresentadas pelos
indivíduos-chave ou empreendedores segundo OLIVEIRA et al. (2010) permite a seguinte
proposição:
P5. As características objetivas e subjetivas dos indivíduos-chave responsáveis pela
internacionalização podem contribuir positivamente no processo de internacionalização no
que tange à distância psíquica.
5 CONCLUSÃO
Este artigo teve como objetivo analisar as dimensões componentes da distância
psíquica ou física que influenciam o processo de internacionalização de empresas por meio do
estudo de caso da organização Magneti Marelli. A interpretação dos resultados permitiu
chegar às seguintes conclusões:
 A trajetória de internacionalização identificada no estudo de caso demonstrou seguir o
processo de gradualismo e da cadeia de estabelecimento do Modelo Uppsala, ao procurar
efetivar uma parceria local por meio de joint-venture, e no caso da Índia, associada à
entrada da Fiat, bem como de aprendizagem pela qual a empresa adquire conhecimento e
gradualmente investe recursos em um determinado mercado internacional, minimizando o
impacto da distância psíquica entre os países;
 As condições de fatores apresentadas pela Índia, no que diz respeito ao custo baixo de
produção e infraestrutura oferecida pela localização em um cluster que congrega a
indústria automotiva, foram determinantes na escolha do mercado internacional, fazendo
com que o construto da distância cultural, um dos componentes da distância psíquica, não
tenha preponderância, contrariando a visão de que a entrada no mercado internacional
seria naqueles países culturalmente mais próximos, e sim, a dimensão relativa à distância
econômica, referente ao Modelo de Distâncias de Ghemawat e ao Modelo Revisto de
Distância Psíquica de Smith et al.(2011),
 O processo evolutivo da Teoria de Uppsala considera a incorporação de uma rede de
relacionamentos, e sob este ponto de vista, o conceito de negócios é baseado em
relacionamentos específicos com atores externos ao dia a dia das organizações. O papel
exercido pelo Homem- País e pelo Executivo-Chave na internacionalização da Magneti
Marelli Cofap na Índia apresenta um destaque estratégico por corresponder ao conceito de
empreendedor no processo de internacionalização do Modelo Revisto da Distância
Psíquica de Smith et al.(2011);
 Com um conhecimento das informações inerentes ao país, e por meio de características
subjetivas do Homem-País e do Executivo-Chave, as quais são os valores que direcionam
e ajudam a descrever as diferenças individuais nas atitudes e comportamento, bem como
das características objetivas, também conceituadas no Modelo Revisto da Distância
Psíquica de Smith et al.(2011) o processo é facilitado e conduzido a uma percepção
positiva da operação de internacionalização, levando a minimizar a distância psíquica
entre os países;
 Apesar da Índia, diferentemente do Brasil, apresentar altos índices das dimensões culturais
de Hofstede referentes ao coletivismo e distância hierárquica, os quais são comprovados
pelo comportamento registrado na organização, a prática de gerenciamento da empresa é
similar ao país de origem, por meio do respeito à hierarquia e ao trabalho em time,
contribuindo para a consequente diminuição da distância psíquica, não ocorrendo o
mesmo com relação à dimensão do controle de incerteza, na qual na sociedade indiana é
verificada por meio de um comportamento de poucas regras e regulamentos para situações
inesperadas.
Convém salientar que o objetivo primordial de um estudo qualitativo é o
fornecimento de informações autênticas e interpretações honestas (CRESWELL, 2008) e por
esta razão, apresenta a limitação de ser exploratório. Como sugestão futura de pesquisa seria
interessante procurar investigar mais profundamente a teoria da distância psíquica nos
processos de internacionalização de outras organizações a partir do caminho traçado pelos
pontos apresentados neste estudo.
THE PSYCHIC DISTANCE ON THE INTERNATIONALIZATION PROCESS OF A
COMPANY IN INDIA
ABSTRACT
The discussion on the scope of the subject of globalization has intensified in the twenty-first
century. That is because in a tough competition between organizations, the
internationalization has been a necessity and strategy rather than an exception in survival
organization. The greater integration promoted by globalization enhances social relationships
worldwide and in this direction, the impact of several factors in the process of globalization
displays a major role. In global development we cannot ignore diversity from the cultural,
political and economic point of view, mainly comparing Western and Asian corporations.
Taking as a basis that in a multicultural context conflicts arise by virtue of different views of
relevance, applicability and values, this study aims to investigate how the issue regarding
psychic distance in Asia, and particularly in the context of India, can interfere on the
internationalization of western organizations. Using Uppsala´s Model, Ghemawat ´s Model,
psychic distance revisited by Smith et al. and Hofstede´s Model, the exploratory study
proposal intends to expand relevant knowledge through study case method which focuses on
Magneti Marelli´s Suspension Systems Business Unit.
Keywords: Internationalization. Psychic distance. India.
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